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Historia da Igreja Vol.1 - Everett Ferguson

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Published by , 2018-01-04 18:16:27

Historia da Igreja Vol.1 - Everett Ferguson

Historia da Igreja Vol.1 - Everett Ferguson

Presságios de declínio

Todos os períodos da história humana são marcados por conquis­
tas e fracassos, e isso não era menos verdadeiro no século 13. Embora
os séculos 12 e 13 tenham registrado muitas das maiores conquistas
do cristianismo ocidental medieval, houve áreas onde seus objetivos
não foram alcançados. O ito áreas podem ser mencionadas em que
existiram graves deficiências na síntese medieval.

I. ÚLTIMA DISSIDÊNCIA MEDIEVAL: O PROBLEMA
DA DIVISÃO

As reformas da igreja, de certa forma, falharam. A reforma de
Cluny tinha imposto o celibato, e o resultado foi o concubinato gene­
ralizado. Cluny tinha patrocinado a Trégua de Deus e a Paz de Deus,
mas, depois, veio uma guerra santa e a desilusão por Deus permiti-la.
A reforma papal direcionou a igreja para assuntos cívicos, e, como
resultado, houve Cruzadas para conduzir os normandos para fora da
Sicília e contra a igreja grega.

604 HISTÓRIA DA IGREJA

Muitos pensavam que havia chegado o momento para a reforma
de fora da igreja. A igreja veio para aplicar o opróbrio de “heresia”
não só para aqueles doutrinariamente desviados, mas também para
aqueles que não estavam em conformidade ou que não se submetiam
à igreja hierárquica. Os valdenses começaram como um esforço na
reforma de dentro da igreja, tornaram-se cismáticos e finalmente fo­
ram considerados heréticos. Os cátaros ou albigenses continuaram
(ou recomeçaram) a antiga heresia do dualismo.

A igreja respondeu voltando a Cruzada interna contra os here-
ges e desenvolvendo a Inquisição, a fim de identificar e extirpar os
hereges. Esses grandes movimentos tinham seus antecessores e con­
temporâneos, alguns dos quais encontraram lugar dentro da igreja, e
outros não.

N enhum a heresia do início do século 12 até o século 19 incluiu
alguém de forte capacidade intelectual e formação acadêmica, e esse
fato, sem dúvida, estaria limitado às suas chances de sobrevivência.

A. Antigos mestres hereges

Professores heréticos individuais, de vez em quando, surgiam na
Idade Média. A maioria destes é inadequadamente conhecida a partir
dos relatórios dos inimigos e não ganhou muitos seguidores.

Um exemplo é Henrique, monge no início do século 12. Ele
começou como um pregador do arrependimento e tornou-se um
reformista do casamento, insistindo no fato de que este não era um
sacramento e que bastava o consentimento dos parceiros para o ma­
trimônio ser realizado. Sob a pressão da oposição e como resultado
de uma fervorosa aceitação do Novo Testamento, Henrique rejeitou
o clero, os sacramentos e as fontes externas da religião. Ele negou o sa­
crifício da missa, a confissão aos sacerdotes, as orações pelos mortos,
o pecado original (portanto, o batismo infantil também, que era para
ser substituído pelo batismo de responsabilidade pessoal) e a necessi­
dade de templos da igreja.

Pedro de Bruys (de Bruis — m. c. 1140), ativo principalmente no
sul da França, foi expulso do sacerdócio. Ele também criticou a excessi­
va materialização da religião: os edifícios, a missa como um sacrifício, a

PRESSÁGIOS DE DECLfNIO 605

veneração de crucifixos, as orações pelos mortos, a autoridade da igreja,
o Antigo Testamento, os Pais da Igreja e as tradições da igreja e o batis­
mo infantil. Ele morreu quando os adversários o jogaram na fogueira
que seus partidários haviam construído para queimar os crucifixos.

Diferente destes em seus envolvimentos políticos foi Arnaldo de
Brescia (m. 1155). Ele estudou com Abelardo e compartilhou a con­
denação deste em Sens, em 1140. Chegando a Roma, ele ficou irrita­
do com os envolvimentos temporais do papado e teve um papel de
liderança na tentativa de estabelecer uma república democrática. Ele
defendeu a pobreza para a igreja e negou a validade dos sacramentos
administrados por sacerdotes indignos.

A rejeição de Arnold da doação de Constantino e a crença de que
o imperador deveria receber sua coroa dos cidadãos de Roma, e não
do papa, trouxeram-no para um tempo em favor do partido imperial
na cidade. Seu programa para reduzir a igreja a questões puramente
espirituais não se encaixou nos planos de papas ou imperadores. Eu­
gênio III excomungou Arnaldo em 1148. Um tratado entre Frederi­
co Barbarossa e o Papa Eugênio III em 1153 levou à sua prisão, à sua
eventual suspensão e à supressão da sua república em 1155.

B. Movimentos a favor da pobreza e penitência

A Reforma Gregoriana enfatizou a importância de os sacerdo­
tes dignos exercerem funções religiosas. Reconhecendo que mereci­
mento e cargo, muitas vezes, não coincidiam, alguns começaram a
considerar as instruções dos Evangelhos e dos apóstolos mais im por­
tantes que o cargo eclesiástico, autorizando pessoas a pregarem e a
ministrarem.

Uma nova espiritualidade, baseada não na retirada contemplati­
va, como no monasticismo tradicional, mas, sim, na conformidade ao
ministério terreno de Jesus Cristo, levantou-se. A ênfase dessa nova
espiritualidade era a humanidade de Jesus, em vez de o Rei divino do
céu. Os dois conceitos de pobreza cristã voluntária e pregação evan­
gélica itinerante chegaram a ser considerados a essência do cristia­
nismo. Esse ideal da “vida apostólica” {vita apostólica) deu origem a
movimentos religiosos, além das ordens mendicantes (capítulo 23).

606 HISTÓRIA DA IGREJA

Os líderes desses movimentos — humiliati, valdenses, beguinas
—, também como os mendicantes, não vieram das ordens econô­
micas inferiores, mas representaram uma resposta religiosa às novas
condições sociais, econômicas e culturais.

Os humiliati surgiram na Lombardia, norte da Itália, no final do
século 12. Eles visavam a uma vida moral mais pura e usavam roupas
de lã para expressar sua humildade. Foram incluídos em condenações
de todas as pregações sem licença no Terceiro Concilio de Latrão, sob
o comando do Papa Alexandre III (1179), e, de forma mais abrangen­
te, no Concilio de Verona, sob a direção do Papa Lúcio III (1184).

As condenações em Verona não se tratavam de dogmas heréticos,
mas de reuniões secretas, oposição a fazer juramentos e pregação sem
permissão. Três tipos de humiliati são reconhecíveis: aqueles que se­
guiram uma vida religiosa, embora vivessem nas suas próprias casas;
celibatários leigos (homens e mulheres) vivendo em comunidade; e
clérigos (cônegos e cônegas) vivendo em mosteiros duplos.

Em 1201, o papado de Inocêncio III aprovou uma regra para os
humiliati que incluiu a permissão para pregar sobre assuntos morais
e penitenciais em suas comunidades, mas não em artigos de fé, fazen­
do, assim, uma distinção entre exortação privada e pregação pública.

Confrarias de devoção, nomeadamente as que promoviam devo­
ção à virgem e composta por homens e mulheres leigos, precederam
da Terceira O rdem dos Mendicantes. Essas confrarias de leigos enfa­
tizaram atividades de caridade, enquanto os mendicantes deram cada
vez mais atenção aos aspectos espirituais e místicos da vida religiosa.

Um indicativo do espírito religioso daqueles tempos foi a Ordem
dos Penitentes, emprestados dos humiliati e dos beguinas. Sua forma
de vida, que apareceu no final do século 12, é descrita em um docu­
mento do ano de 1215, aproximadamente: eles usavam uma túnica
feita de tecido pobre, jejuavam com mais frequência do que os outros,
recitavam as sete orações canônicas todos os dias, faziam confissões e
comunhão três vezes por ano, e recusavam a tomada de juramentos e
o derramamento de sangue.

O espírito penitencial encontrou sua expressão mais extrema nos
flagelantes. Eles surgiram no final do século 13, sob a influência da
emoção escatológica associada aos ensinamentos de Joaquim de Fio-

PRESSÁGIOS DE DECÜNIO 607

re, mas se tornaram mais conhecidos no século 14. Tornando pública
uma forma de penitência privada, às vezes, praticada nos mosteiros,
os flagelantes batiam em si mesmos até o sangue sair, na crença de que
o sofrimento físico era redentor.

O ideal penitencial foi exemplificado por Margarida de Corto-
na (m. 1297), que se colocou sob a direção espiritual dos francisca-
nos. Suas extremas mortificações incluíam: jejum, autoflagelamento
e dorm ir nua no chão, com uma pedra como travesseiro. Seu diretor
espiritual franciscano escreveu sua biografia, atribuindo seus êxtases e
suas visões sobre a Paixão de Jesus Cristo aos méritos que ela adquiriu
por meio de penitência.

Os “Irmãos e Irmãs do Livre Espírito” aparentemente se basearam
nos ensinamentos filosóficos de João Escoto Erígena e no misticismo
de beguinas e begardos. Seu panteísmo monista levou à conclusão
de uma identificação direta com Deus, que os libertou da lei moral.
Acusações de imoralidade sexual seguiram, de forma inevitável, essas
premissas. Eles provavelmente não formaram uma seita organizada, e
o pouco que se sabe deles vem de adversários. De fato, existem razões
para a suspeita de que tal movimento realmente não existisse, mas foi
inventado por caçadores de heresia para caracterizar certos místicos
individuais.

As mulheres tinham um lugar de destaque na promoção de uma
vida de pobreza voluntária e ascese penitencial, focada nos sofrimen­
tos de Cristo, e algumas foram condenadas por heresia.

C. Valdenses

Pedro Valdo foi um rico comerciante de Lyon. Aproximadamen­
te em 1173, ele forneceu uma renda para sua esposa e, separado dela,
colocou as filhas em um convento e distribuiu seus bens entre os p o ­
bres, a fim de começar uma vida itinerante de pregação.

Seu movimento veio a enfatizar três pontos principais: uma vida
de pobreza voluntária, acesso à Bíblia no vernáculo e pregação p ú ­
blica. Ele e seus seguidores procuraram reconhecimento no Terceiro
Concilio de Latrão (1179). Seu m odo de vida foi aprovado, mas eles
estavam proibidos de pregar, exceto a convite do clero.

608 HISTÓRIA DA IGREJA

Valdo e seus “Homens Pobres de Lyon” desconsideraram essa
restrição e pregaram contra o mundanismo do clero. Portanto, um
concilio em Verona, em 1184, incluiu-os com os cátaros em uma
excomunhão. Alguns voltaram para a igreja como os “católicos p o ­
bres”, perseguindo as mesmas atividades como antes. Outros, embora
doutrinariamente ortodoxos e até mesmo (em especial, na França)
atendendo a missas e mantendo uma conexão formal com a Igreja
Católica, organizaram-se para além da igreja e designaram seus p ró ­
prios ministros.

Os valdenses, em Lombardia, vieram à posição donatista de du­
vidar da validade dos sacramentos administrados por sacerdotes in­
dignos e, então, tomaram uma posição de maior separação da Igreja
Católica do que o ramo francês do movimento. Uma divisão entre
eles ocorreu em 1205, nem mesmo uma conferência em Bérgamo, em
1218, conseguiu reparar essa divisão.

Valdo fez parte de uma geração à frente dos mendicantes, que
começou com um programa similar de pobreza e pregação itinerante.
Se o tratam ento se inverteu, Valdo agora pôde ser o santo, e Francis­
co, o herético. A diferença era que Francisco permaneceu submisso à
igreja, recebendo a ordenação como diácono, enquanto Valdo defen­
deu a pregação de leigos como um mandato do evangelho, mesmo
sem autorização da igreja. Valdo morreu no início do século 13, mas
seu movimento cresceu.

Os valdenses tinham os Evangelhos traduzidos para o vernáculo.
Rejeitando somente as práticas que eles viam como claramente con­
tra as Escrituras, opuseram-se especialmente às orações pelos mortos,
ao purgatório, às imagens e à veneração de santos e relíquias. Sua pre­
ocupação de viver segundo o sermão da montanha levou-os a recusar
juramentos e qualquer forma de homicídio. Fontes católicas atribuí­
ram a eles o ascetismo, o milenarismo e a possessão de espíritos, mas
tais características podem ter sido menos presentes no geral.

Os valdenses sobreviveram, algumas vezes, à severa perseguição
em vales alpinos menos acessíveis e, em 1532, começaram uma aco­
modação com os reformadores em Genebra. Eles são a única seita
medieval a ter uma continuidade documentada até o presente.

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 609

D. Cátaros ou albigenses

Os cátaros (“os puros”) eram conhecidos na França como albi­
genses, da cidade de Albi, no Languedoque, um centro de sua força.
Eles continuaram o dualismo que chegou aos maniqueístas (os cáta­
ros regularmente eram chamados de “maniqueístas”) e foi transmi­
tido à Europa pelos bogomilos (nomeados por um padre búlgaro),
ativos nos Bálcãs a partir do oitavo século.

Vestígios de ensinamentos dualistas apareceram novamente nos
Bálcãs e na Turquia, no século 11, e encontraram uma audiência re­
ceptiva de alguns devotos a uma moralidade rigorista na França e no
norte da Itália no século 12. A seita organizada dos cátaros tornou-se
particularmente vigorosa nos séculos 12 e 13, com alguns documen­
tos originais sobreviventes do século 13. O catarismo foi a mais forte
heresia enfrentada pela Igreja Católica no século 13, mas desapareceu
no século 14.

A carga do dualismo foi nivelada contra muitos a quem ele não
se aplicava, então, agora era difícil separar todos os segmentos dife­
rentes de “heresia”. Nem todos os cátaros deram destaque a essa visão
filosófica, alguns aderiram a um dualismo moderado, e outros, a um
dualismo mais radical, e seu apelo popular veio mais de uma boa ma­
neira de vida do que da sua explicação da origem do mal.

No entanto, a acusação do dualismo foi correta no que se refere
à posição básica dos cátaros. De acordo com o dualismo do espírito e
da matéria, os cátaros condenaram a carne e a criação material como
algo mal. Isso implicou uma rejeição do casamento e da procriação,
de produtos de origem animal para o alimento e de qualquer coisa
material na adoração.

O sperfecti (membros “perfeitos”) viveram até o ascetismo rígido,
e, a partir deles, o clero se aproximou. Um sacramento do grupo, que
tornava a pessoa um integrante dos perfeitos, era o consolamentum,
um batismo do Espírito Santo conferido pela imposição das mãos.
Os credentes (“crentes”) viviam vidas comuns, mas podiam receber o
consolamentum à medida que se aproximavam da morte.

A austeridade da vida dos cátaros contrastava com a frouxidão do
clero católico e recomendava-os às pessoas. Sua rejeição de doutrinas,
como inferno e purgatório, e práticas, como batismo infantil, levaram

610 HISTÓRIA DA IGREJA

à confusão de outros movimentos de protesto com eles e à aplicação
do termo cátaro a todos considerados hereges pela Igreja Católica.

O catarismo falhou antes do catolicismo, porque não poderia dar
uma explicação adequada de toda a Escritura, e sua certeza da salva­
ção era para poucos exclusivos.

Outros fatores no triunfo do catolicismo incluíam a atratividade
de um Jesus Cristo humano e de uma visão positiva da criação e da na­
tureza, o aumento da educação, a eficácia dos frades pregadores e con­
fessores, o nível mais alto da piedade ortodoxa e o desenvolvimento
das ordens terceiras e confrarias de leigos como mercados para leigos.

Principalmente, no entanto, o desafio do catarismo foi abatido
por coerção — a força dos braços e a ameaça de punição.

E. Cruzada e Inquisição

Os primeiros esforços de Inocêncio III em converter os hereges
pela pregação e pelos debates tiveram pouco sucesso. Ele, então, apro­
vou uma cruzada contra os albigenses, que durou de 1209 a 1229.
A cruzada, liderada primeiro por Simão de M onforte e, em seguida,
pelo rei da França, Luís VIII, logo virou política. Os condes de Tou-
louse (Raimundo VI e VII) foram alvos, e a luta resultou na incor­
poração de Languedoque ao reino da França. A cruzada esmagou a
heresia, mas também devastou o sul da França.

A Inquisição foi uma instituição eclesiástica para procurar here­
ges e castigá-los. A punição foi baseada nas leis dos imperadores cris­
tãos na Antiguidade, que — apesar do ensino geral da igreja contra o
uso de força física —, às vezes, puniam os hereges com a morte, desde
que a heresia fosse considerada equivalente à bruxaria. Inocêncio III
emitiu um decreto em 1199 que, pela primeira vez, igualou a heresia
ao crime de traição, sob a lei romana.

UMA ESPADA DE DOIS GUMES

Quando a cidade de Béziers estava sendo cercada, Arnold, abade
de Cister e líder da cruzada, foi perguntado pelos soldados sobre
como eles poderiam diferenciar os católicos dos heréticos. Ele
respondeu: "Matem todos, pois Deus vai saber quem é dele e
quem não é".

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 611

No final do século 12, os

bispos deveríam investigar judi­

cialmente os hereges em suas dio­

ceses e entregá-los às autoridades

seculares para punição. O Quarto

Concilio de Latrão (1215) con­

firmou esses regulamentos e ame­

açou a excomunhão dos gover­

nantes temporais que falhassem

em livrar seu território da heresia.

O Concilio de Toulouse, em

1229, no final da Guerra dos Albi-

genses, elaborou os procedimen­

tos a serem seguidos para procurar

e punir a heresia. O procedimen­

to de inquisição substituiu o de

acusação na busca de hereges. A Exterior da Igreja romântica de Saint-Sernin, em
essência do procedimento inqui- Toulouse
sitio significava que, em vez de o

acusador trazer uma acusação pú­

blica, o juiz por si mesmo fazia um inquérito, apresentando as acusações

contra o réu. A ação destinava-se a ser iniciada pela opinião pública.

O papa Gregório IX, em 1231, aprovou a introdução do impe­

rador Frederico II referente à pena de queimar [alguém] até a morte,

com base no fato de que a heresia era equivalente à traição. Em 1233,

nomeou inquisidores papais, principalmente dominicanos, para traba­

lhar no sul da França. A inquisição papal deu à inquisição episcopal

uma importância secundária. Manuais inquisitoriais foram escritos

para orientar os inquisidores em seu interrogatório de suspeitos.

O Papa Inocêncio IV, em 1252, aprovou o uso de tortura duran­

te os exames como uma forma de garantir as confissões. Então, foi

aceito como política oficial de que a força tinha precedência sobre a

pregação e a persuasão pacífica em lidar com a heresia.

Os defeitos na Inquisição são óbvios do ponto de vista jurídico

moderno. As acusações e os nomes dos acusadores e das testemunhas

foram mantidos em segredo. Foram concedidos amplos poderes de

detenção e prisão. Nenhuma testemunha era chamada para a defesa,

612 HISTÓRIA DA IGREJA

nem mesmo um advogado de defesa. A tortura foi praticada. A pena
de morte foi brutalmente aplicada.

O interrogatório zeloso, apoiado pelo uso da força, ganhou evi­
dência para dar suporte às acusações. A coerção implícita em um sis­
tema penal obscurecia, se não oprimia, a meta de cura e salvação de
almas. N o entanto, de acordo com as práticas jurídicas da época, os
abusos foram mais com as pessoas e com a maneira como a Inquisição
foi realizada do que com o próprio sistema.

Os movimentos religiosos populares do século 12 e início do sé­
culo 13 e o surgimento de uma literatura religiosa vernácula (a seguir)
fornecem o contexto em que o regional Concilio de Toulouse, em
1229, proibiu o uso de textos bíblicos por leigos, mesmo em latim.

F. Erro filosófico

A preocupação com a heresia também se mostrou um problema
nos círculos intelectuais. Em 1277, o bispo de Paris, Étienne Tempier,
emitiu uma condenação de 219 proposições filosóficas e teológicas que
ele associou a alguns mestres na faculdade de artes da universidade.

O prefácio das proposições condenadas acusou certos professo­
res de defenderem uma teoria da “dupla verdade”, pela qual algumas
idéias foram vistas como “a verdade de acordo com a filosofia, mas
não de acordo com a fé católica”. A posição e sua descrição são, p ro ­
vavelmente, uma conclusão desenhada pelo bispo e outros opositores
dos membros do corpo docente censurado, em vez de algo explicita­
mente realizado por qualquer pessoa.

Sessenta e oito das 219 proposições não puderam ser encontradas
em nenhum autor contemporâneo. O problema ocorreu porque certos
professores optaram por expor Aristóteles por sua própria lógica inter­
na, em lugar de procurar uma integração de suas opiniões com a fé cristã.
É comum argumentar com as implicações que se vê em um ponto de
vista rejeitado, e não com o que seus defensores dizem realmente.

II. ESPIRITUALIDADE FEMININA: O PROBLEMA
DA ABRANGÊNCIA

A percentagem de mulheres canonizadas ou consideradas para
canonização como santas aumentou significativamente dos séculos

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 613

13 a 15, mas a maioria das mulheres leigas que alcançaram santidade
veio da realeza ou da aristocracia.

Um exemplo notável é Isabel da H ungria e da Turíngia (1207-
1231), que se casou com Ludovico IV, landgrave da Turíngia, em
1221. Após a m orte do marido em 1227, ela se estabeleceu em Mar-
burg e tomou o manto de um penitente. Sempre caracterizada por
um sentimento de justiça e uma recusa em comprometer-se com as
manifestações do mal, ela entregou-se em humildade para o serviço
de caridade aos doentes e pobres.

As novas ordens religiosas dos séculos 12 e 13 desenvolveram
ramos femininos, como as freiras cistercienses e cartuxas, cônegas
premonstratenses e as segundas ordens das dominicanas e francisca-
nas. Um grande número dessas casas femininas começou a existir. As
ordens religiosas masculinas inicialmente resistiram, assumindo sua
supervisão, alegando que essa responsabilidade tirara sua vocação pri­
mária, mas, com a ajuda da cúria papal, essas casas femininas foram
incorporadas às ordens mendicantes.

As experiências religiosas de muitas mulheres, tanto as de den­
tro como as de fora da igreja, compartilhavam certas características
comuns: ascetismo, fenômenos paranormais e experiências visioná­
rias. Essas características deram às mulheres, apesar de muitas serem
dependentes de associações de homens para orientação, uma autori­
dade religiosa que normalmente lhes seria negada na cultura medie­
val. A igreja institucional, no entanto, teve dificuldade em chegar a
um acordo com essas experiências e encontrar formas de incorporar
a espiritualidade das mulheres na estrutura da igreja. Devido a toda a
abrangência da teologia escolástica e do misticismo, havia limites que
alguns místicos, especialmente mulheres, transgrediam.

As beguinas, que foram centradas nos Países Baixos, podem ser
tomadas como representantes das mulheres que buscaram novas ex­
pressões em sua vida religiosa. Começaram no século 12, porém sua
presença ficou mais forte nos séculos 13 e 14. N o caso delas, as mu­
lheres assumiram a liderança na prática de um estilo de vida “apostó­
lico”. Suas contrapartes masculinas, os begardos (ambos os termos, no
entanto, eram, às vezes, usados tanto para homens como para mulhe­
res) não eram tão numerosos.

614 HISTÓRIA DA IGREJA

As beguinas formaram um estilo intermediário de vida religiosa
— adotando o celibato, mas não por toda a vida, e mantendo o uso
da propriedade privada. Algumas viviam em comunidades e se m anti­
nham com artesanato, mas outras vagavam e viviam de esmolas, ten­
do uma má reputação quanto à forma de vida que vivam.

Em vários casos, associações livres de mulheres que viviam no “es­
tilo beguina” evoluíram para casas religiosas independentes que, em se­
guida, foram incorporadas à ordem dominicana, que, depois de 1245
mais prontamente, receberam comunidades de mulheres sob sua égide.

Condenações das beguinas e dos begardos no Concilio de Vie­
na, 1311-1314, marcaram uma mudança de atitude oficial contra
homens e mulheres leigos que procuravam viver uma vida religiosa
enquanto permanecessem no mundo.

No século 13, tornou-se evidente uma terceira forma de teologia
medieval: além da teologia monástica (representada, por exemplo,
por Bernardo de Claraval) e da teologia escolástica (com Tomás de
Aquino e Duns Escoto), surgiu uma teologia vernacular. Todos te-
riam concordado com o fato de que o objetivo da teologia é o amor de
Deus, mas, na teologia vernacular, o relacionamento foca o intelecto
para experimentar. Isso seria o clímax do misticismo do século 14.

Os relatos de visões foram de especial importância para a teo­
logia vernacular, e a contribuição distinta da teologia vernacular foi
na área do misticismo. Autores místicos ocidentais anteriores haviam
descrito a união com Deus como uma união amorosa de vontades.
N o século 13, o primeiro século com teólogas vernáculas, a união
mística foi descrita como uma “união sem diferença”, em que havia
uma aniquilação da vontade para que “vivessem sem um porquê”.
Essa formulação foi bastante problemática para teólogos ortodoxos.

A literatura teológica vernacular — sob a forma de folhetos, po­
esia, relatos de experiências e cartas — teve, entre seus primeiros re­
presentantes espirituais, escritoras. Entre os novos movimentos reli­
giosos e, especialmente, entre as mulheres na ordem dominicana que
colocaram um estresse na formação teológica, surgiram pessoas que
queriam ler e escrever obras religiosas, mas que não sabiam latim.

A espiritualidade das beguinas produziu alguns dos primeiros
escritos teológicos em línguas vernáculas emergentes da Europa. Es­

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 615

critores incluíam Hadewijch de Flandres (século 13, mas datas incer­
tas), cujos escritos, valendo-se da retórica do amor cortês, focavam o
misticismo nupcial; Matilde de Magdeburgo (c. 1207-1282); e Mar-
garita Porete, cuja obra Espelho de almas simples é agora reconhecida
como um profundo trabalho de misticismo especulativo. Eles repre­
sentam o contexto místico no qual o Mestre Eckhart (c. 1260-1328)
desenvolveu seu ensinamento. A igreja organizada nunca soube tratar
essas mulheres, tanto pelo fato de serem mulheres como por seu en­
sino ser questionável. Margarita Porete foi queimada na fogueira por
heresia em 1310.

Dentre as mulheres visionárias, estava Gertrudes, a Grande
(1256-1301/2), do convento de Helfta. Nunca formalmente canoni­
zada, ela foi considerada uma santa. Gertrudes compôs orações (exer­
cícios espirituais no capítulo 24) para orientar as devoções de suas ir­
mãs freiras. Ela também registrou suas visões de Jesus Cristo e Maria,
coletadas após sua morte, em sua obra Arauto do amor divino. G ertru­
des, muitas vezes, tinha visões do coração de Cristo tornando-a tuna
das primeiras defensoras da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

De interesse especial, em uma época na qual a devoção a Maria
era tão forte, a preocupação de Gertrudes era com a veneração dada a
Maria — que, na verdade, pertencia aJesus Cristo — que, possuindo
características maternas, não deixou necessidade de uma expressão
feminina da divindade. No entanto, Gertrudes via Maria, a virgem
mãe, sentada ao lado de Cristo, e até mesmo pediu a Cristo para in­
terceder por ela, com Maria, e sentiu que esta estava descontente com
ela por dirigir a devoção apenas a Cristo.

III. JUDEUS: UM PROBLEMA DE TOLERÂNCIA

Os judeus, na Europa Ocidental, tinham sido sujeitos a diversas
restrições desde a conversão do império, em especial, no que se refere
ao seu proselitismo, mas sua situação se agravou consideravelmente
no século 11, e atitudes negativas em direção a judeus foram intensi­
ficadas por sentimentos associados com o movimento das Cruzadas.

A atmosfera foi mostrada pela extensa violência contra os ju­
deus da Europa Ocidental já em 1010, aparentemente relacionada

616 HISTORIA DA IGREJA

aos rumores de que os judeus tinham conspirado com o califa Al-
-Hakim, que destruiu o santo sepulcro em Jerusalém, em 1009. As
Cruzadas marcaram uma mudança da coexistência à animosidade
ativa nas atitudes dos cristãos para com os judeus, e, como resultado,
ocorreram pogrons contra os judeus em vários lugares em conexão
com as Cruzadas.

Circularam muitas calúnias contra os judeus. Por exemplo, al­
guns acreditavam que os judeus ritualmente comemoraram a cruci­
ficação de Jesus sequestrando crianças cristãs e matando-as. Outros
aceitavam a acusação de que o Talmude e outra literatura judaica es­
tavam cheios de blasfêmias contra a religião cristã.

Várias ações oficiais foram tomadas contra os judeus. O rei fran­
cês Filipe II Augusto expulsou os judeus de seus domínios reais em
1182, mas, em 1198, perm itiu que eles retornassem. Eles foram expul­
sos da França novamente por Filipe IV, em 1306. O Q uarto Concilio
de Latrão (1215), sob o comando do Papa Inocêncio III, requereu
de judeus e muçulmanos que vestissem roupas que os distinguissem,
proibiu os judeus de serem vistos em público em dias de jejum cristão
e de cobrarem juros excessivos sobre empréstimos (mas lhes permitiu
continuar como agiotas, uma prática proibida aos cristãos), e reno­
vou proibições de assumirem cargos públicos, de blasfemarem contra
Cristo e de converterem pessoas. O Papa Inocêncio IV, em 1244, es­
creveu ao rei da França para apoiar os médicos da teologia em Paris, o
qual ordenou a queima do Talmude hebraico.

No entanto, nem todas as atitudes foram negativas. Um interes­
se em exegese judaica na Bíblia foi mostrado em vários períodos —
por Alcuíno, Stephen Harding, os vitorinos e Nicolau da Lira. Os
papas resistiram razoável e consistentemente à severa perseguição
dos judeus.

IV. CONCÍLIO DE LYON (1274): O PROBLEMA
DAS RELAÇÕES COM O ORIENTE

A. Personalidades da época

No contexto dos acontecimentos posteriores, houve a figura do
rei Luís IX da França (1226-1270), a personificação das idéias mais

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 617

altas da realeza medieval e o últim o rei a promover cruzadas. Luís IX
capturou o porto egípcio de Damieta, em 1249, mas perdeu no ano
seguinte e teve de pagar o resgate para a libertação de si mesmo e de
seus homens. Prosseguindo para a Síria, ele reforçou as fortificações
ainda em mãos cristãs, antes de retornar para a França.

Piedoso em sua vida pessoal, Luís IX trabalhou para a justiça na
administração da França. Ele é responsável por um dos grandes triun-
fos da arquitetura e da arte medieval, a capela real de Sainte-Chapelle
em Paris (capítulo 23). Tendo embarcado em uma nova cruzada, Luís
IX morreu em Tunis.

O irmão de Luís IX, Carlos de Anjou (1226-1285), que pode
ser considerado o primeiro “imperialista” moderno, tentou usar o im­
pulso das cruzadas para seus próprios fins políticos. Com o um gover­
nante ambicioso e, às vezes, cruel, mas capacitado, veio para governar
Anjou, Provença e o Reino de Nápoles e Sicília.

Além disso, como um vassalo direto do papa e soberano da Albâ­
nia, Carlos de Anjou converteu a ideia de império em imperialismo.
A ideia bizantina do império envolveu um limite definitivo na su­
cessão do antigo Império Romano. N o ocidente, o império foi uma
teoria como um conceito teológico-jurídico, já que era uma entidade
geográfica. N a verdade, não tinha personificação alguma de 1250 a
1273, pois não havia imperador na Alemanha. O papado, inicial­
mente, favoreceu Carlos como um contador para o império alemão e
manteve apoio a ele contra os opositores ao seu governo na Sicília, no
final de sua carreira.

Carlos de Anjou tinha uma reivindicação ao reino latino do
oriente, e, para evitar suas ambições, o imperador do oriente, Miguel
Paleólogo, favoreceu um concilio geral e reunião da igreja grega com
o papado. Miguel tinha retomado Constantinopla para os gregos em
1261 e fundou a Dinastia Paleóloga, que governou o pequeno Impé­
rio Bizantino (principalmente a região em torno de Constantinopla
e o Peloponeso) até 1453. Ele entrou em negociações com o ocidente
no início de 1263.

Miguel destacou motivos espirituais para a união: ele estava dis­
posto a aceitar a cláusula jilioque, mas pediu que os gregos não al­
terassem o credo para não destruir o ritmo quando fosse cantada.

618 HISTÓRIA DA IGREJA

Ele também estava disposto a

aceitar a supremacia do papa,

por ter seu nome primeiro na

liturgia e por ter reconhecido

sua competência de apelação.

Miguel esperava que, ao ganhar

o apoio do papado, ele pudesse

conter Carlos de Anjou.

O Papa Gregório X (1271 -

1276) acompanhou o Príncipe

Eduardo da Inglaterra (que, em

breve, tornar-se-ia rei Eduardo

I) na cruzada, em conexão com

a Sétima Cruzada de Luís IX

depois que o sultão do Egito

tomou grande parte da Palesti­

Exterior da Igreja românica de Saint-Sernin, em na. Ele foi eleito papa enquan­
Toulouse to esteve na Palestina, depois

de uma ocupação de três anos

no ofício papal. Gregório X estava interessado na reforma da igreja

(alguns problemas eram o concubinato e a retenção de vários cargos

eclesiásticos com o absentismo consequente), na libertação de Jeru­

salém, na união com os gregos e na solução da questão do imperador

alemão. Essas preocupações foram apresentadas no Segundo Conci­

lio de Lyon, 1274.

B. Procedimentos do concilio

O Concilio que se reuniu em 1274, em Lyon, cidade livre do
império ocidental, é contado pelo ocidente como o Décimo Quarto
Concilio Ecumênico (o segundo em Lyon). Os primeiros mobiliza-
dores na reunião do concilio foram o Papa Gregório X (agindo con­
tra os interesses de seu vassalo Carlos de Anjou) e Miguel Paleólogo
(agindo contra os instintos mais profundos do seu povo).

Com efeito, o que Gregório parecia não perceber era que as ati­
tudes do leste para o oeste também estavam endurecidas pelo impe­
rador oriental, por estar em posição de impor uma união em matéria

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 619

de fé na sua igreja, embora ele fosse capaz de persuadir uma significa­
tiva delegação para participar do concilio. Tomás de Aquino escreveu
Contra os erros dosgregos para ser usado como uma base de discussão
teológica no concilio. N a morte de Tomás, Boaventura tom ou o seu
lugar no concilio e foi nomeado cardeal por Gregório X.

Um dos eventos de destaque associados ao concilio foi a aprova­
ção papal de Rodolfo de Habsburgo sobre Afonso de Castela como
imperador alemão. Rodolfo fundou a Dinastia de Habsburgo, que
governou até 1918 (na Áustria), sucedendo a Dinastia de Hohens-
taufen de imperadores alemães, que governou entre 1138 e 1254.

O ponto alto do concilio foi o reencontro com a igreja grega,
acordado em princípio e celebrado pelo canto do credo em grego e
latim. O fato de Avinhão ter sido cedida ao papado foi significativo
para o futuro.

Entre os decretos do concilio estava a exigência de que um papa
deveria ser eleito pelos cardeais trancados em uma sala, sem provisões
depois de três dias e privados de suas receitas até que uma decisão fos­
se tomada. Essas condições inflexíveis foram usadas para evitar outra
vacância de três anos no papado.

C. Consequências do concilio

Planos para uma cruzada ocuparam muita atenção no concilio,
mas eles nunca se materializaram, e a ideia morreu com Gregório X.
C om a queda de Acre, em 1291, para os turcos mamelucos que rei­
naram no Egito, o último cristão que sobrou na Terra Santa estava
de volta à posse dos muçulmanos. As pessoas, na Europa Ocidental,
continuaram a falar sobre cruzadas à Terra Santa por mais de 200
anos, mas nada aconteceu. A união das igrejas latina e grega não du­
rou. Na verdade, essa união se desfez antes de Miguel Paleólogo m or­
rer, pois ele foi excomungado pelo papa em 1281. As “Vésperas Sici-
lianas”, uma revolta em 1282 contra o governo de Carlos de Anjou,
na Sicília, terminaram suas ambições políticas.

O concilio que parecia prometer tanto em reformar e reunir a
igreja e revitalizar as cruzadas falhou em realizar esses objetivos e, fi­
nalmente, teve pouco efeito sobre o curso dos acontecimentos.

620 HISTÓRIA DA IGREJA

V. CRISTIANISMO NAS FRONTEIRAS:
PROBLEMAS DAS MISSÕES

O cristianismo siríaco declinou nos séculos 10, 11 e 12. Com o
um escritor lamentou: “Os monges não eram mais missionários”. A
educação aumentou entre os muçulmanos, fazendo com que se tor­
nassem menos dependentes de seus súditos cristãos educados, e, sob
a influência de elementos não árabes no governo, governantes muçul­
manos tornaram-se menos tolerantes.

O uso do siríaco, exceto na liturgia, declinou entre os sírios do
oriente (Igreja do Oriente) no século 10 e praticamente cessou no
século 13. Um renascimento da literatura cristã siríaca ocorreu nos
séculos 12 e 13 entre os jacobitas sírios do ocidente.

D entre os ilustres nomes de autores que preservaram grande
parte da história e aprendizagem, estavam: Dionísio Bar Salibi (m.
1171), que escreveu um comentário enorme de toda a Bíblia; M i­
guel, o Sírio (1126-1299), cuja crônica gravou a história mundial de
1195; e Bar Hebraeus (1226-1286), maior de todos, com uma sínte­
se da teologia jacobita, notas sobre a Bíblia, histórias e um resumo de
direito canônico. Daí em diante, o siríaco foi dim inuindo em relação
ao árabe até se tornar apenas uma língua litúrgica.

Entretanto, durante o século 13, a igreja do oriente experimen­
tou um novo período de expansão geográfica para a Ásia Central, p o ­
sicionando-se como influência política em um período crucial para a
história mundial e asiática.

D urante o século 13, outra onda de invasores (após os turcos)
oriundos da Ásia C entral marcou presença — os mongóis (ou tár­
taros) liderados por Gengis Khan (1167-1227) e seus sucessores.
Sua varredura oeste chegou à Polônia e à Hungria temporariamen­
te (1241), mas a Rússia caiu sob o dom ínio dos mongóis, até o
século 15. Apenas a região em torno de N ovgorod manteve uma
aparência de independência e se tornou um centro de renovação
na igreja russa.

Alexandre Nevsky tornou-se um herói nacional ao derrotar os
suecos e outros invasores ocidentais e ao negociar pagamentos de tri­
butos mais baixos para os mongóis. A regra mongol significava que a
Rússia se desenvolvia isoladamente do ocidente e era responsável por

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 621

mover o centro do governo russo e a civilização de Kiev para o norte
de Moscou. A igreja ortodoxa deu um sentido de unidade nacional
para o povo russo durante essa época de domínio estrangeiro, como o
fez mais tarde pelos gregos sob o domínio turco.

A história é a narrativa não só de realizações e falhas, mas tam ­
bém de oportunidades perdidas. O relato de Marco Polo sobre suas
viagens para o leste (século 13) faz referência frequente ao encontro
entre jacobitas e cristãos nestorianos ao longo do caminho. Eles já ha­
via tornado os governantes turcos e mongóis familiarizados com a fé
cristã. Comerciantes nestorianos tinham começado a conversão dos
Keraites, uma tribo turco-mongol, no século 11. Depois de tomá-los,
Gengis Khan levou a princesa cristã Sorkaktani como a esposa de um
de seus filhos.

Sorkaktani tornou-se a mãe dos três imperadores: Mongke, gran­
de Khan da Mongólia; Hulagu, Khagan da Pérsia; e Kublai Khan,
imperador da China. Hulagu casou-se com uma filha do imperador
romano do oriente, favoreceu os cristãos diofisistas (“nestorianos”) e
buscou uma aliança com o ocidente, enviando representantes para o
Concilio de Lyon em 1274. Seus sucessores, no entanto, trouxeram a
Pérsia de volta ao redil muçulmano no final do século.

Kublai Khan, uma xamanista que favoreceu o budismo (ao con­
trário do pensamento de Marco Polo), mas tolerante a todas as religi­
ões, m udou a sua capital para a cidade agora conhecida como Pequim.
Q uando Niccolo e Matteo Polo (pai e tio de Marco Polo) retornaram
da capital de Kublai em 1269, eles carregaram uma mensagem sua
pedindo ao papa para enviar 100 professores da religião cristã.

Em resposta ao pedido de Kublai, o Papa Gregório X enviou dois
dominicanos, que decidiram voltar quando se depararam com a guer­
ra na Armênia. Um franciscano, João de Montecorvino, na Itália, che­
gou à China em 1294, no ano da morte de Kublai Khan, e, mais tarde,
alguns outros franciscanos o seguiram; mas eles estavam um pouco
atrasados e, além disso, não conseguiram alcançar os chineses nativos.

A morte de Kublai Khan, em 1294, e a conversão de Khagan Gha-
zan da Pérsia ao islamismo, em 1295, sinalizaram o início do colapso
da igreja do oriente, após a grande promessa do século 13. Em meados
do século 14, todos os canatos mongóis tinham se convertido ao islã.

622 HISTÓRIA DA IGREJA

Tamerlão (1336-1405), outro descendente do Gengis Khan, li­
derou uma nova onda de invasões por parte dos mongóis turcos que
invadiram a Ásia Central e Ocidental. Apesar de muçulmano, ele não
poupou muçulmanos nem cristãos. Suas conquistas praticamente
obliteraram as missões dos sírios a leste e iniciaram o longo declínio
da igreja do oriente.

A repressão militar sozinha não explicou o desaparecimento final
dessa igreja da Ásia Central. O uso do siríaco na liturgia deu uma sen­
sação de ser uma religião estrangeira. A educação estava em decadên­
cia. O fervor evangelístico foi perdido. Os membros e os seus lideres se
acomodaram aos padrões de sucesso m undano dos seus governantes.

A história era mais favorável em alguns outros países. A Etiópia,
no século 13, surgiu de um período de cerca de seis séculos para os
quais não existe praticamente documentação etíope. D urante esse
tempo, uma síntese foi formada pelas primeiras tradições axumitas e
bíblicas, com tradições africanas nativas. O estabelecimento (ou res­
tauração, em termos da Etiópia) da Dinastia Salomônica, em 1270,
coincidiu com o início de uma era dourada da literatura e da arte etí-
opes, que term inou com uma invasão turca destrutiva no século 16.

A imitação da igreja etíope foi o processo pelo qual locais e edi­
fícios foram dotados de uma especial santidade. Por exemplo, o altar
consagrado foi considerado um símbolo da arca da aliança do A nti­
go Testamento. A igreja e o estado da Etiópia estavam intimamente
interligados, pois o monarca (presumível descendente de Salomão e,
assim, relacionado aJesus Cristo) fornecia à igreja grandes concessões
de terra e outros recursos, e era praticamente a cabeça da igreja em
muitos dos seus assuntos.

D urante os séculos 12 e 13, circulou, na Europa Ocidental, a len­
da do Preste João, um poderoso governante cristão na Ásia, dando
algum crédito pela presença de cristãos entre os mongóis. A falha
em localizar tal governante levou à conclusão de que esse imaginário
governante não era outro senão o imperador cristão da Etiópia, cuja

existência foi atestada.
Um dos importantes defensores ocidentais de missões para os

muçulmanos e judeus foi Raimundo Lúlio (Ramon Llull — c. 1233-
1315). Nascido em Maiorca, fora da costa da Espanha, não muito

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 623

tempo depois que a cidade foi liberada do domínio muçulmano, tor-
nou-se místico e poeta em latim e no catalão nativo.

Tendo estudado árabe e entrado para a Terceira Ordem dos Fran-
ciscanos, Raimundo defendeu a conversão de muçulmanos pela pre­
gação e pelo martírio, em vez de pela força das armas. Ele promoveu o
estudo das línguas orientais em universidades e o uso de argumentos
racionais para converter os não cristãos. Os missionários deveriam
aprender as línguas dos incrédulos e também trazer alguns deles para
o oeste, para aprenderem latim.

Suas viagens de missão à África do N orte e a outros lugares foram
infrutíferas, mas seus esforços encorajaram o estudo do árabe e de
outras línguas orientais pelos cristãos ocidentais.

VI. CULTO E PASTORADO: UM PROBLEMA NA
VIDA RELIGIOSA

Os métodos tradicionais da igreja foram ineficazmente utiliza­
dos para comunicar o evangelho cristão e as Escrituras e para incluir
as pessoas no culto. Houve uma falha geral de cuidado pastoral e ca-
tequético, que se tornou mais acentuada nas idades posteriores.

O sucesso dos mendicantes foi, em parte, uma resposta às falhas
do clero secular. A liturgia continuou em latim que, pela Alta Idade
Média, foi menos compreendida pelas pessoas comuns, à medida que
as línguas vernáculas da Europa tornavam-se seus homólogos euro­
peus modernos. Portanto, as expressões religiosas do povo eram prin­
cipalmente gestos e atos rituais.

A participação na celebração da missa não envolvia comunhão
— a exigência pelo Q uarto Concilio de Latrão (1215) de que hou­
vesse confissão e comunhão uma vez ao ano tinha o objetivo de trazer
melhorias. A missa era um ritual comemorado pelo povo, e não para
o povo. Aqueles que tinham recursos para fazer a missa organizavam
doações para dar suporte financeiro a um padre, a fim de fazer missas
frequentes em benefício de suas almas. O sacrifício da missa era um
evento objetivo que “ganhou lugar” — era eficaz mesmo se alguém
além do padre estivesse presente ou não.

Pode-se dizer muito sobre as preocupações de uma idade por sua
literatura: no terceiro século, exortações ao martírio; no quarto sécu­

624 HISTÓRIA DA IGREJA

lo, exortações ao batismo para aqueles que atrasavam sua recepção; no
século 13, a maioria dos sermões que sobreviveram, muitos entregues
durante a Quaresma, são exortações com objetivo de confissão. Na
verdade, pouca pregação tinha sido feita na igreja, então, a atividade
de pregação das ordens mendicantes foi um avivamento da pregação.

O mérito de Santo Ivo (1253-1303), Bretanha, o único pároco
a ser canonizado na Idade Média, foi a sua precedente oportunidade
para o avanço eclesiástico com a finalidade de cuidar das almas dos
camponeses da Bretanha. (Sua compaixão era a exceção. Um cronista
do século 13 registrou que os camponeses da Alsácia não se opuseram
ao fato de seus sacerdotes terem concubinas, pois, em tais circunstân­
cias, havia menos preocupação com a virtude de suas filhas.)

Outros esforços foram feitos dentro e fora da liturgia cristã para
ensinar as pessoas. H á exemplos de liturgia dramatizada, um precur­
sor do drama litúrgico, desde o século 10. O drama cristão começou
em um contexto litúrgico, com a elaboração das histórias da Páscoa
e do Natal. Manuscritos de dramas litúrgicos musicais desenvolvidos
eiistem desde o século 13.

O uso principal do drama ocorreu em um contexto não litúrgi­
co. Peças teatrais de milagres tornaram-se especialmente populares
nos séculos 13 e 14. Dois tipos principais de dramatização foram de
milagres realizados por Maria, em resposta às orações, e de episódios
da vida de um santo envolvendo milagre. Peças de moralidade, envol­
vendo representações alegóricas de virtudes e vícios personificados,
pertencem aos séculos 14 e 15. A expressão teatro de mistério (para
reconstituições da história bíblica ou da vida dos santos) estava em
uso nos séculos 15 e 16. A peça primeira completa da Paixão vem do
final do século 13.

O interesse nos santos como modelos de vida cristã manteve-se
elevado, e, pelo lado positivo, muitas pessoas honravam suas virtudes
(capítulo 23 em Legenda dourada).

VII. ESCATOLOGIA E FANATISMO: UM PROBLEMA
DE ESPERANÇA

Apesar das modernas presunções de que o pensamento “milena-
rista” foi mais forte por volta do ano 1000, é notável que tenha sido
mais presente no século 13 do que nos séculos 11 ou 12.

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 625

Joaquim de Fiore (m. 1202), abade de um mosteiro cisterciense
na Calábria (sul da Itália), encontrou seu ponto de vista trinitário
condenado no Q uarto Concilio de Latrão, mas se submeteu ao pa­
pado. Mais importante foi sua periodização trinitária da história, que
alimentou a expectativa escatológica.

A primeira era, a idade do Pai, foi o período do casamento sob a
Lei de Moisés; a segunda idade, a idade do Filho, foi o período do cle­
ro debaixo da graça, que era para durar 1.260 anos; a terceira idade,
a idade do Espírito, será a idade dos monges, que, tendo a mente do
Espírito, viverão em liberdade, sem a mediação da igreja.

Joaquim não estava muito preocupado com cronologia como
seus seguidores posteriores. Ele descreveu os três períodos com uma
palavra, status, que não tinha conotações temporais, mas significava
“condição” ou “ordem constitucional”. Portanto, havia uma sobre­
posição, em vez dos três regimes divinos. As três condições ou cir­
cunstâncias de Joaquim acerca do regime de Deus para a sociedade
humana refletiam três preocupações centrais: a interpretação das Es­
crituras, o mistério da Trindade e o significado da história. A última
idade veria a ascensão de novas ordens religiosas que converteríam o
mundo e inaugurariam a igreja do Espírito.

Tal regime pode ser visto como uma nota de otimismo — a idade
perfeita estava surgindo — ou como pessimismo sobre a igreja insti­
tucional existente. O último foi a interpretação dada a seu pensamen­
to pelos franciscanos espirituais (capítulo 23), que se viam como uma
nova ordem e consideravam Francisco o arauto da nova era. Dentre
esses rigoristas franciscanos, estava Pedro João Olivi (c. 1248-1298),
que usou essas idéias em seu comentário sobre revelação, condenado
em 1326 por Papa João XXII. Embora Olivi nunca tenha identifica­
do a igreja carnal — a prostituta da Babilônia — com a igreja romana,
outros o fizeram.

Olivi é significativo por outra razão, pois ele defendia a doutri­
na da infalibilidade papal. Havia uma tradição de afirmar a inerrân-
cia em relação à fé e à moral para a igreja universal e, em particular,
para a igreja romana. Os advogados canônicos do século 12, que
defendiam a soberania do papa, no entanto, não tinham chegado à
conclusão da infalibilidade pessoal, porque, se os decretos de papas

626 HISTÓRIA DA IGREJA

anteriores não eram consertáveis, isso limitava a autoridade absolu­
ta e a liberdade do papa atual. Mas isso foi precisamente o que Olivi
queria fazer.

O Papa Nicolau III, em 1279, decretou a observância da regra da
pobreza evangélica da ordem franciscana, permitindo o uso, mas não
a posse, da propriedade. Olivi não queria que essa regra fosse rever­
tida, embora ele próprio tivesse ido mais longe ao argumentar que o
uso deveria ser direito de um mendigo. Ele personalizou e deu uma
margem polêmica à alegação da inerrância para o papa.

H á algum tempo, a doutrina da inerrância papal foi promovida
apenas pelos franciscanos radicais, e o papado não se interessou (o
Papa João X X II condenou tal pensamento como uma novidade “per­
niciosa”). Guido Terreni integrou a ideia na eclesiologia medieval: a
igreja universal requeria uma autoridade docente suprema (o papa­
do), e tal autoridade de ensino exigia o conselho e o consentimento
da igreja universal.

O líder dos franciscanos espirituais, depois da morte do Olivi,
Ubertino de Casale, estigmatizou o Papa Bonifácio V III como a bes­
ta do Apocalipse, o anticristo “místico”. A identificação do papa com
o anticristo tem sua origem no século 13. Por outro lado, havia as
expectativas de um “papa angelical”, que viria para restaurar a Igreja à
sua condição primitiva, antes do fim dos tempos.

Em círculos influenciados por Joaquim, por Olivi e pelos fran­
ciscanos espirituais, bem como pelos valdenses, surgiu, durante os
séculos 12 a 14, a ideia de que a igreja tinha caído em corrupção e
que havia uma necessidade de restaurar a prática e a fé apostólica. Tal
condenação tornou-se um ingrediente significativo nos movimentos
reformatórios dos séculos 15 e 16.

VIII. BONIFÁCIO VIII (1294—1303): O
PROBLEMA DAS MONARQUIAS NACIONAIS

O sucesso dos sucessores de Inocêncio III não se devia tanto à
aceitação da vitória do papado em sua teoria do império como à sua
capacidade de recrutar o apoio das monarquias nacionais fora do im­
pério. Esses reinos, especialmente da França e da Inglaterra, usaram

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 627

o conflito entre o império e o papado para trazer uma mudança no
equilíbrio do poder, a qual foi prejudicial para ambos, especialmente
na segunda metade do século 13.

O paradoxo final do século 13 e início do século 14 é que a
oposição do papado ao império “universal” levou ao declínio do pa­
pado “universal”. O papado favoreceu a monarquia francesa à custa
do império alemão, mas, como resultado, ele próprio caiu sob a in­
fluência da coroa francesa. Os principais antagonistas políticos do
papado tornaram-se as novas monarquias nacionais. As monarquias,
que tinham mais coesão interna e maior lealdade de seus cidadãos,
alcançaram um sucesso em suas lutas contra o papado que o império
quase não aproveitava.

A. Antecessor de Bonifácio, Celestino V

Celestino foi um monge beneditino, mas ele se retirou para a so­
lidão. Muitos discípulos de sua vida ascética reuniram-se em torno
dele, e ele declarou a causa da sua mendicância antes do Concilio de
Lyon (1274). Foram chamados de celestinos, oriundos de seu nome
papal após sua eleição como papa.

As facções Colonna e Orsini, no colegiado dos cardeais, pro­
duziram um impasse na eleição papal de 1294. Em um movimento
piedoso, Celestino foi escolhido como um desafortunado do com­
promisso. Ele estava com aproximadamente 80 anos e era um homem
espiritual sem educação e de linguagem rude. Celestino foi saudado
como o “Papa Anjo”, e havia grandes esperanças de que ele levasse a
igreja a uma reforma espiritual, trazendo a nova era espiritual espera­
da pelos franciscanos espirituais.

Carlos II de Anjou agora governava apenas Nápoles, mas her­
dou algumas ambições do pai dele. Ele prevaleceu sobre Celestino
para viver em Nápoles e garantiu uma influência controladora sobre
o papa, que prontamente concedeu nomeações a Carlos para cargos
administrativos. Celestino, de forma rápida, perdeu adeptos e saiu de
seu cargo antes do final do ano. Dante, mais tarde, colocaria Celes­
tino no inferno para a sua “grande retirada”, a recusa da piedade para
expressar-se no poder.

628 HISTÓRIA DA IGREJA

B. Bonifácio VIII (1294—1303): "O orgulho
precede a queda"

Benedetto Gaetani surgiu por meio do serviço na cúria, até que
ele foi eleito papa. Era o oposto de seu antecessor, Bonifácio. Foi de­
terminado, inteligente, ambicioso, uma autoridade em direito canô­
nico, mas também não livre da avareza e do nepotismo.

Dois eventos associados ao ano 1300 são notáveis para o futu­
ro. O Papa Bonifácio VIII proclamou o Ano do Jubileu, fornecendo
uma indulgência plenária (completa) para aqueles que confessassem
seus pecados e fizessem uma peregrinação para uma basílica em Roma
naquele ano ou nos anos correspondentes a 100 anos posteriores.

Um dos peregrinos daquele ano foi Dante Alighieri (1265-
1321), um magistrado de Florença, que ficou indignado com o papa
e com o bazar de bens espirituais que observou. Dante viu o movi­
mento de Jubileu como a pior forma de simonia, agora estendida no
sentido de incluir bens espirituais à venda.

Como resultado de sua visita a Roma, Dante tornou-se antipa-
pal, e os eventos de 1300 tornaram-se a base de seus pontos de vis­
ta expressados em dois livros. O primeiro livro, N a monarquia, de­
fendeu uma regra de política universal, com o intuito de equilibrar
a regra espiritual do papado. O segundo livro, A divina comédia, é
a expressão literária mais significativa do ponto de vista do mundo
cristão medieval.

A base teológica do livro A divina comédia é principalmente a de
Tomás de Aquino, mas Dante oferece uma síntese poética comparável
às sínteses escolásticas e arquitetônicas do século 13. N o trabalho,
Virgílio, o poeta do Império Romano pagão, conduz Dante, poeta e
teórico de um Sacro Império Romano, por meio do inferno. Dante
tornou-se o escritor público da Europa e aplicou as imagens da revela­
ção não mais para perseguir os pagãos de Roma, mas a igreja romana
secularizada.

Foram as lutas políticas de Bonifácio, entretanto, que trouxeram
atenção imediata a seu pontificado. Os monarcas nacionais agora ti­
nham substituído o imperador como os principais antagonistas da

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 629

igreja, e os Estados nacionais obtiveram sucesso onde o império tinha
falhado em afirmar o poder secular sobre a igreja.

N a Inglaterra e na França, o clero estava sendo tributado e, fre­
quentemente, extorquido, para apoiar as guerras desses monarcas.
Bonifácio, em 1296, emitiu a bula Clericis laicos, dirigida contra
Eduardo I, da Inglaterra (1272-1307), e Filipe IV, o Justo, da Fran­
ça (1285-1314). Bonifácio distinguia clero de leigos, mas, na pressa
da situação, não o fez com m uito tato. Ele proibiu o clero de pagar
impostos sem o consentimento papal. Filipe respondeu proibindo
todos os transportes de objetos de valor para Roma. O papa teve de
recuar e ainda procurou uma reconciliação, canonizando o avô de Fi­
lipe, Luís IX (e, por isso, existe São Luís).

A disputa entre Bonifácio e Filipe foi renovada em 1301, quando
o legado papal foi levado a julgamento. Bonifácio emitiu, em 1302,
a bula Unam sanctam, influenciada pela teologia política de Giles de
Roma e Giacomo da Viterbo. Um documento nobre, se deixarmos
as considerações polêmicas à parte, Unam sanctam, resumia a teoria
papal dos séculos 12 e 13, mas, assim como uma construção, muitas
vezes, era o símbolo de uma época que passou.

Grande parte do conteúdo da Unam sanctam é uma síntese do
ensino anterior: há uma santa, católica e apostólica igreja, fora da qual
não há salvação; há um só corpo e uma Cabeça, cujo representante é o
papa; existem duas espadas, uma (espiritual) para ser usada pela igre­
ja, pela mão do sacerdote, e outra (temporal), pela mão do rei, sob a
direção do padre para a igreja; ninguém pode julgar o papa, e o poder
espiritual tem o direito de orientar o poder secular e julgá-lo quando
ele não agir com razão; e essa relação é ordenada por Deus.

Em seguida, no final da Unam sanctam, vem a famosa conclusão:

Além disso, podemos declarar, estabelecer e definir que é
completamente necessário, para a salvação de toda criatura
humana, ter sujeição ao pontífice romano.

Estudantes do documento têm diferido se reivindicam um con­
trole direto do poder secular. As palavras finais, derivadas de Tomás

630 HISTÓRIA DA IGREJA

de Aquino (que falavam de poderes espirituais) e ofensivas aos p ro ­
testantes, tornaram-se um constrangimento em uma idade mais ecu­
mênica e, agora, são explicadas aplicando-se à controvérsia iminente
e não tendo a varredura universal que parecem pronunciar.

João de Paris falou sobre o conflito entre o rei francês e o papa em
N a torre real e na torrepapal, estabelecendo uma teologia política que
limitaria a jurisdição do papado em assuntos temporais. O rei adotou
uma abordagem mais direta para limitar as ações do papa. Em alian­
ça com a facção de Colonna, em Roma, ele sequestrou Bonifácio. O
povo de Anagni resgatou o papa depois de três dias, mas ele morreu
em Roma um mês depois.

As reivindicações de Bonifácio para o papado colocaram-no na
linha de sucessão de Gregório VII e Inocêncio III, mas seu fracasso
antecipou a diminuição do poder político do papado.

C. Consequências

O segundo sucessor de Bonifácio, Clemente V, em 1305, trans­
feriu a residência papal para Avinhão (1309), um principado cedido
ao papa no Concilio de Lyons, mas sob a influência francesa. Cle­
mente não considerou esse movimento incomum, pois outros pa­
pas viveram em demais lugares para evitar as maquinações políticas
em Roma, mas os papas ficaram em Avinhão por muito tempo (até
1377) e sob a influência francesa. Esse período de quase 70 anos veio
a ser conhecido como o cativeiro babilônico do papado.

IX. RESUMO

Com sua mistura de êxitos e fracassos, a história da igreja do sé­
culo 13 não é diferente de outros séculos, distingue-se apenas por ser
mais espetacular em seus sucessos e falhas.

N o limiar do século 14, um observador estaria incerto sobre as
glórias ou desafios do século 13, que predominariam nos próximos
anos. Os séculos 14 e 15, em retrospectiva histórica, são referidos
como o final da Idade Média, o renascimento ou a pré-reforma — ou
todos esses. Seja qual for a designação preferencial, os eventos desse

PRESSÁGIOS DE DECLÍNIO 631

período desenvolveram os pensamentos e as instituições que o prece­
deram. Vertentes das primeiras igrejas medievais encontraram novos
impulsos nos séculos 14 e 15, que levariam a novos alinhamentos nos
séculos 16 e 17.

Essa narrativa, como a nave da igreja que é seu sujeito, tem atra­
vessado muitas correntes intelectuais e torrentes institucionais. A
igreja foi fustigada por ventos de doutrina e mudanças no mar da ci­
vilização: desde discussões teológicas de suas crenças fundamentais
até summas impressionantes da teologia filosófica, do semítico do
greco-romano às culturas germânicas e eslavas.

A igreja desenvolveu-se de um grupo insignificante de discípulos
para uma minoria perseguida, para uma igreja triunfante, para uma
instituição em apuros, para um poder de decisão do mundo, para
uma autoridade sob os desafios. Forças de vitalidade e renovação sem­
pre surgiam entre os seguidores de Jesus e surgiríam novamente nos
tempos difíceis de seguir.

LEITURA COMPLEMENTAR

G R U N D M A N N , H erbert. Religious M ovements in the M iddle
Ages. N otre Dame, IN : University o f N otre Dame Press, 1995.

LAMBERT, Malcolm D. M edieval Heresy: Popular M ovements
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PETERS, Edward. Inquisition. Berkeley: University o f Califór­
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SACKVILLE, L. J. Heresy and Heretics in the Thirteenth Cen-
tury: The Textual Representations. York, UK: York Medieval Press,
2011.

632 HISTÓRIA DA IGREJA

UNHA DO TEMPO DE CRISTO A PRÉ-REFORM A
1(c. = cerca de#fl = "floresceu")

Datas Governantes Escritores /Pensadores Bispos Eventos
políticos

30/33 Morte de Jesus

54-68 Nero Morte de Tiago, Pedro e Paulo

70 Destruição de Jerusalém
81-96
98-117 Domiciano Plínio, o Jovem
Trajano

c. 100-159 Pais Apostólicos

117-138 Adriano

117-211 Apologistas

c. 135-165 Valentim

144 Mandão se desassocia

c. 160 Início do movimento montanista
c. 160-215
Clemente de Alexandria

161-180 Marco Aurélio Mártires de Lyons
c. 180 Irineu, fl.
185-251 Orígenes
189-199
Vítor Controvérsia Pascal

190-230 Controvérsia do monarquianismo
193-211
Septímio Severo

197-222 Tertuliano, fl.

200-258 Cipriano
203
Martírio de Perpétua

217-222 Calisto

249-251 Décio Perseguição

251-253 Comélio Cisma de Novaciano
253-258 Perseguição
Valeriano

254-257 Estêvão

C. 260-339 Eusébio de Cesareia
c. 271
Antônio adota a vida ascética

284-305 Diocleciano Grande perseguição

C. 3 0 0 - 3 3 6 Ário, fl.

c. 300-373 Atanásio

c. 301 Armênia adota o cristianismo

LINHA DO TEMPO DE CRISTO A PRÉ-REFORMA 633

UNHA DO TEMPO DE CRISTO A PRÉ-REFORM A

1 (c. = cerca de, fl = "floresceu")

Datas Governantes Escritores /Pensadores Bispos Eventos
políticos

306-337 Constantino

c. 306-373 Efrém

311 Início do cisma donatista
313 "Edito de Milão”
323 Pacômio adota a vida cenobita

325 Concilio de Niceia

329-390 Gregório de Nazianzo
330
330-379 Bizâncio toma-se capital
331-395
337-352 Basílio, o Grande
Gregório de Nissa

Júlio

337-361 Constâncio II

339-397 Ambrósio Missão de Úlfilas para os góticos
341
347-407 João Crisóstomo
347-420 Jerônimo

c. 350 Rei da Etiópia é batizado

350-428 Teodoro de Mopsuéstia

c. 350-425 Pelágio
354-430 Agostinho
361-363 Juliano

365-433 João Cassiano
366-384
Dâmaso

C. 375-444 Cirilo de Alexandria

379-395 Teodósio 1

381 Concilio de Constantinopla

401-407 Inocêncio 1

410 Alarico saqueia Roma

428-431 Nestório

431 Concilio de Éfeso

432 Missão de Patrício para a Irlanda

439 Vândalos tomam Cartago

634 HISTÓRIA DA IGREJA

LINHA DO TEM PO DE CRISTO A PRÉ-REFORM A

(c. = cerca de, fl = "floresceu")

Datas Governantes Escritores /Pensadores Bispos Eventos
políticos
Concilio de Calcedônia
440-461 Leão 1 Átila derrotado
Vândalos saqueiam Roma
444-451 Dióscoro Último imperador romano deposto

451 Missão de Agostinho para a
Inglaterra
451

455

476

481-511 Clóvis

492-496 Gelásio

493-525 Teodorico

596

C. 500 Pseudodionísio, fl.

512-538 Severo de
Antioquia
527-565 Justiniano
Concilio de Orange
529 Bento funda Monte Cassino
Segundo Concilio de Constantinopla
529
Terceiro Concilio de Toledo
553 Gregório 1

C. 580-662 Máximo, o Confessor Hégira de Maomé
Muçulmanos tomam Jerusalém
586-601 Recaredo
Concilio de Whitby
589
Terceiro Concilio de Constantinopla
590-604 Muçulmanos tomam Cartago
Muçulmanos tomam Toledo
610-641 Herádio Missão de Bonifácio para a Alemanha

622

636

c. 650-750 João Damasco

664

673-735 Venerável Beda

680-681

697

712

716-754

717-741 Leão II, o Isáurio

UNHA DO TEMPO DE CRISTO A PRÉ-REFORMA 635

UNHA DO TEMPO DE CRISTO A PRÉ-REFORM A

(c. = cerca de, fl = "floresceu")

Datas Governantes Escritores / Bispos Eventos
políticos Pensadores Carlos Martel derrota os muçulmanos

732

754 Carlos Magno Estêvão II unge Pepino
768-814
C. 780-856 Rábano Mauro Segundo Concilio de Niceia
787 Carlos Magno coroado por Leão III
800 Incmaro Primeira Controvérsia Eucarística
831-868 Nicolau 1 Divisão do reino de Carlos Magno
843
845-882 Fócio Missão de Cirilo e Metódio
858-867 Fundação de Cluny
858-867, Alfredo de Wessex
878-868 Duque Venceslau
864
871-899
910
910-929

936-973 Otão 1

965 Conversão de Haroldo Dente-Azul
Batismo do Pnncipe Míeczyslaw
966 Batismo de Vladimir

988 Auge da arte bizantina, fl.

997-1038 Estêvão 1da
Hungria

C. 1000-1100

1016-1030 Olavo Haraldsson

1033-1109 Anselmo

1039-1056 Henrique III Miguel 1Cerulário
1043-1058 Leão IX
1049-1054
1049-1079 Segunda Controvérsia Eucarística
c. 1050-1250 Auge da arquitetura românica, fl.
1054 Cisma entre oriente e ocidente
1056-1106 Henrique IV
1073-1085 Gregório VII

636 HISTÓRIA DA IGREJA

UNHA DO TEMPO DE CRISTO A PRÉ-REFORM A

(c. = cerca de, fl = "floresceu")

Datas Governantes Escritores / Bispos Eventos
1074-1122 políticos Pensadores Controvérsia da Investidura

1079-1142 Abelardo Primeira Cruzada
1090-1153 Bernardo de Claraval Fundação do Mosteiro em Cister

1096-1099 Instituição dos Cavaleiros Templários
Concordata de Worms
1098 Primeiro Concilio de Latrão

1098-1160 Hildegarda de Bingen
1100-1160 Pedro Lombardo
1118

1122

1123

c. 1135-1202 Joaquim de Fiore

C. 1140-1300 Auge da arquitetura gótica, fl.
Decreto de Graciano
c.H.141 Segunda Cruzada

1147-1149 Frederico
1152-1197 Barbarossa

1154-1189 Henrique II da
Inglaterra

1162-1170 Tomás Becket

1173 Início do Movimento Valdense
Terceira Cruzada
1187-1192

1198-1216 Inocêncio III

c. 1200 Organização das universidades
Quarta Cruzada
1202-1204 Cruzada contra os albigenses

1209-1229

1210 Aprovação papal dos franciscanos

1211-1250 Frederico II

1215 Magna Carta
Quarto Concilio de Latrão
1215 Fundação dos dominicanos

1215

1217-1274 Boaventura
Roger Bacon
c. 1220-1292 Tomás de Aquino

1225-1274

LINHA DO TEMPO DE CRISTO A PRÉ-REFORMA 637

UNHA DO TEMPO DE CRISTO A PRÉ-REFORM A

1(c. = cerca de, fl = "floresceu")

Datas Governantes Escritores / Bispos Eventos

políticos Pensadores

1226 Luís IX da França

1226-1285 Carlos de Anjou

1229 Regras para a Inquisição

c. 1248-1298 Pedro João Olivi

c. 1265-1308 Duns Escoto

1274 Concilio de Lyon
1291 Queda do Acre para os muçulmanos
1294-1303
Bonifácio VIII

Bibliografia geral

M3^cK

OBRAS DE REFERÊNCIA

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OUTRAS OBRAS

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1968.

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1962.

CHADW ICK, Henry. The Church in Ancient Society: From Galilee
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FERGUSON, Everett (Ed.). Studies in Early Christianity. Nova Ior­
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EWIG, Eugen; VOGT, Hermann Josef (Ed.). The Imperial Churchfrom
Constantine to the Early M iddle Ages. Nova Iorque: Seabury, 1980. v. 3:
KEMPF, Friedrich; BECK, Hans-Georg; EWIG, Eugen; JUNGM ANN,
Josef Andreas. The Church in the Age ofFeudalism. Nova Iorque: Herder
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ZIK, Josef; ISERLOH, Erwin; WOLTER, Hans. From the High Middle
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640 HISTÓRIA DA IGREJA

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PELIKAN, Jaroslav. The Christian Tradition. Chicago: University of
Chicago Press. v. 1: The Emergence o fthe Catholic Tradition (100-600)
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The Growth o fMedieval Theology (600-1300) (1978).

SOUTHERN, R. W. Western Society and the Church in the Middle
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TH OM SON, John A. F. The Western Church in the Middle Ages.
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WARE, Timothy Kallistos. The Orthodox Church. Baltimore: Pen­
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WILKEN, Robert L. The First Thousand Years: A Global History of
Christianity. New Haven: Yale University Press, 2012.

YOUNG, Francês; AYURES, Lewis; LO U TH , Andew (Ed.). The
Cãmbridge History ofEarly Christian Literature. Cambridge: Cambridge
University Press, 2004.

HISTORIA

Q ?U u*m f

Dos dias de Cristo à Pré-Reforma

História da Igreja oferece uma visão contextual única de como a Igreja
cristã se espalhou e se desenvolveu. O crescimento da Igreja deu-se em um
cenário de tempos, culturas e acontecimentos que tanto a influenciaram
como foram influenciados por ela. História da Igreja examina atentamente
a ligação essencial entre a história do mundo e a da Igreja.
O Volume 1 explora o desenvolvimento da Igreja desde os dias de Jesus
até os anos anteriores à Reforma. Quadros e ilustrações oferecem uma
visão geral dos mundos romano, grego e judaico.
A obra traz noções sobre a relação da Igreja com o Império Romano,
com vislumbres das atitudes pagãs em relação aos cristãos, o lugar da arte
e da arquitetura, da literatura e da filosofia, ao mesmo tempo sagradas e
seculares, e muito mais, abrangendo o tempo que se estende do primeiro
ao século 13.

(pfo6re o a u /o r

Everett Ferguson (PhD, Harvard) é professor emérito da Bíblia e distinto
acadêmico em residência na Abilene Christian University, em Abilene,
Texas, onde ensinou História da Igreja e Grego. Ele é autor de inúmeras
obras, incluindo Backgrounds o fearly Christianity [Fundamentos do Cris­
tianismo primitivo],Early christiansspeak [Os cristãos primitivos falam] e
Baptism in the early Church: History, Theology, andLiturgy in thefirstfive
centuries [Batismo na Igreja primitiva: História, Teologia e Liturgia nos
primeiros cinco séculos]. Foi também editor geral da Encyclopedia ofearly
Christianity [Enciclopédia do Cristianismo primitivo], de dois volumes.

CENTRAL Estrada do Guerenguê, 1851 - Taquara
Rio de Janeiro - RJ - CEP: 22713-001
GOSPEL PEDIDOS: (21) 2187-7000 e 2598-2019
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