da Globalização O espaço brasileiro:
natureza e trabalho
MANUAL DO PROFESSOR
Geografia
Ensino Médio
Lúcia Marina
Tércio
da Globalização
O espaço brasileiro: natureza e trabalho
Geografia
Ensino Médio
Manual do Professor
Lúcia Marina Alves de Almeida 3ª edição
São Paulo, 2016
Bacharela e licenciada em Geografia pela Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras de São Bento, da PUC-SP
Professora de Geografia no Ensino Fundamental e no
Ensino Médio das redes pública e particular do estado
de São Paulo
Tércio Barbosa Rigolin
Bacharel e licenciado em História pela USP
Bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela Unesp,
campus de Araraquara
Professor de Geografia no Ensino Fundamental e
no Ensino Médio das redes pública e particular do estado
de São Paulo
Diretoria editorial
Lidiane Vivaldini Olo
Gerência editorial
Luiz Tonolli
Editoria de Ciências Humanas
Heloisa Pimentel
Edição
Francisca Edilania de Brito Rodrigues e Aroldo Gomes Araujo
Gerência de produção editorial
Ricardo de Gan Braga
Arte
Andréa Dellamagna (coord. de criação),
Adilson Casarotti (progr. visual de capa e miolo),
Claudio Faustino (coord. e edição) e Arte Ação (diagram.)
Revisão
Hélia de Jesus Gonsaga (ger.),
Rosângela Muricy (coord.), Ana Curci,
Célia da Silva Carvalho, Paula Teixeira de Jesus,
Patrícia Travanca e Vanessa de Paula Santos;
Brenda Morais e Gabriela Miragaia (estagiárias)
Iconografia
Sílvio Kligin (superv.), Denise Durand Kremer (coord.),
Ana Vidotti (pesquisa), Cesar Wolf e Fernanda
Crevin (tratamento de imagem)
Ilustrações
Alex Argozino, Luis Moura, Cassiano Röda,
Ingeborg Asbach e Kazuhiko Yoshikawa
Cartografia
Eric Fuzii, Julio Dian, Márcio Souza, Portal de Mapas,
Juliana Medeiros de Albuquerque e Allmaps
Foto da capa: Svend77/Shutterstock
Protótipos
Magali Prado
Direitos desta edição cedidos à Editora Ática S.A.
Avenida das Nações Unidas, 7221, 3o andar, Setor A
Pinheiros – São Paulo – SP – CEP 05425-902
Tel.: 4003-3061
www.atica.com.br / [email protected]
2016
ISBN 978 85 08 17977 0 (AL)
ISBN 978 85 08 17978 7 (PR)
Cód. da obra CL 713366
CAE 566 165 (AL) / 566 166 (PR)
3a edição
1a impressão
Impressão e acabamento
2
Apresentação
A Geografia assumiu um papel muito importante nesta épo-
ca em que as informações são transmitidas pelos meios de
comunicação com muita rapidez e em grande volume.
É impossível acompanhar e entender as mudanças e os fatos ou fenômenos
que ocorrem no mundo sem ter conhecimentos geográficos.
É no espaço geográfico — conceito fundamental da Geografia — que se
dão as manifestações da natureza e as atividades humanas. Compreender a
organização e as transformações ocorridas nesse espaço é essencial para
a formação do cidadão consciente e crítico dos problemas do mundo em
que vive. O papel do professor de Geografia, nesse caso, é pensar no aluno
como agente atuante e modificador do espaço geográfico, formado dentro
de uma proposta educacional que requer responsabilidade de todos, vi-
sando construir um mundo mais ético e menos desigual.
Organizamos uma obra com os conteúdos integrados, na qual estão inti-
mamente relacionados o físico e o humano, o local e o global. Procuramos
propor atividades que privilegiam a reflexão, a atualidade das informações e
a construção da cidadania. Acreditando que a busca do conhecimento é um
processo único e que a Geografia faz parte desse processo, incluímos ativida-
des interdisciplinares em todos os volumes.
Os dois primeiros volumes da coleção abordam os contrastes que marcam
o espaço geográfico: naturais, políticos, humanos, tecnológicos, econômicos
e supranacionais. Com isso pretendemos mostrar que, mesmo em um mundo
globalizado, encontramos inúmeras contradições e desigualdades. O terceiro
volume apresenta um retrato do Brasil, país vasto e com paisagens muito
variadas.
Agora é com você. Descubra uma nova forma de estudar Geografia e pre-
pare-se para contribuir para a construção de uma sociedade mais tolerante,
mais humana e mais solidária.
Os autores
3
unidade 2 Brasil: espaço Conheça seu livro
geográfico e
impactos A obra
ambientais
Antes de dar início aos seus estudos, veja aqui
como o seu livro está estruturado.
Abertura de Unidade
Em todas as aberturas de Unidade,
uma imagem e um texto introduzem os
principais assuntos que serão abordados.
capítulo 11
O processo de urbanização
no Brasil
LucVi/Shutterstock
Andre Dib/Pulsar Imagens
Mangue exuberante no município de Luis Salvatore/Pulsar Imagens Um país é considerado urbanizado quando tem mais habitantes nas cidades do que nas zonas rurais. Na foto de 2015, São Paulo Abertura
Porto das Pedras (AL). Em contraste, no (SP), a maior cidade brasileira. de capítulo
detalhe, mangue desmatado no município
de Camocim (CE). Fotos de 2015. Urbanização acelerada Esse processo de urbanização foi consequência Cada capítulo tem
da consolidação da industrialização nacional, nas início com imagem
Em razão de sua grande extensão territorial e posição geográfica, o Brasil possui paisagens O processo de urbanização do Brasil consolidou- décadas de 1950 e 1960. O grande fluxo de habitan- pertinente ao
diversificadas e bastante características. Nesta Unidade, vamos estudar os principais elementos -se na década de 1970 e desenvolveu-se de forma tes para as cidades foi decorrente do intenso êxodo tema tratado.
naturais que compõem as paisagens de nosso país e também os impactos ambientais no território acelerada até a primeira década do século XXI, como rural que ocorreu, principalmente, depois da década
brasileiro, diretamente relacionados ao modo de vida da sociedade. podemos observar no gráfico da página seguinte. de 1970.
38 O processo de urbanização no Brasil C A P Í T U L O 1 1 127
Ao longo do texto principal há seções que vão dar dinamismo ao seu estudo. Em muitas delas,
você encontra textos de outros autores e gêneros (poesias, letras de música, artigos de jornais,
revistas e internet, pesquisas e textos opinativos de estudiosos da Geografia).
Mais tarde, outro período de desenvolvimento Brasil: evolução do número de Banco de imagnes/Arquivo da editora Contexto e aplicação
industrial ocorreu durante a Primeira Guerra Mun estabelecimentos industriais — 1907-1920
dial (19141918), principalmente porque os países 13 336 Expansão da produção de energia O prefeito de Parnaíba, Florentino Neto (PT), partici
fornecedores de produtos industrializados para o eólica gera protestos no litoral do Piauí pou de uma reunião entre empresa e moradores e se
Brasil estavam envolvidos no conflito e diminuíram 9 475 disse favorável à expansão — desde que a usina traga
suas exportações. Alguns estabelecimentos, como A expansão da produção de energia eólica em Parnaí benefícios socioambientais aos nativos. “Se a empresa
frigoríficos e metalúrgicas, foram criados para suprir 3 258 ba, cidade localizada 320 quilômetros ao Norte da e todos os organismos chegarem a um convencimento,
essa lacuna e, com isso, o número de indústrias cres capital Teresina, tem causado protestos por parte dos tudo é compatível. Os moradores estão lá e não vão sair
ceu bastante. Veja o gráfico ao lado. 0,00 moradores da região da Pedra do Sal. A situação ainda de lá. Mas é preciso que se respeite as atividades
1907 1912 1920 não tem data para ser resolvida. econômicas da Pedra do Sal”.
Com o aumento do número de estabelecimentos,
a produção industrial ficou mais diversificada, Adaptado de: IBGE. Séries históricas. Disponível em: <http://seriesestatisticas. Desde a implantação dos parques eólicos na região No escritório da empresa que pretende expandir seu
abrangendo os seguintes ramos: alimentos, têxtil, ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=IND03101&t=estabelecimentos-industriais- da Pedra do Sal, alguns transtornos foram causados aos parque eólico, o diretor informou sobre projetos socioedu
roupas e calçados, fumo, móveis, metalurgia e me moradores, alterando o cotidiano da comunidade. Áreas cativos e culturais realizados ao longo dos anos em Ilha
cânica, entre os principais. Nessa ocasião, surgiram datas-inqueritos-industriais-censo>. Acesso em: 7 abr. 2016. antes livres hoje estão cercadas e mantidas sob forte Grande e também na Pedra do Sal. Gustavo Matos
várias associações ou sindicatos ligados tanto aos segurança. Nestes locais, atividades de extrativismo, garantiu livre acesso à população para a realização de
operários quanto ao patronato. como a colheita de caju, a extração da palha de carnaúba atividades rotineiras.
e o acesso a várias lagoas para a prática da pesca foram
Leitura e reflexão Geografia Não escreva impossibilitadas. “Uma das obrigações que a gente tem é a manu
e História no livro tenção das atividades locais. Tem uma questão impor
A vila Maria Zélia, localizada no bairro do Belenzinho A Associação dos Moradores da Pedra do Sal entrou tante: na área que a gente construiu as usinas, é utilizada
(SP), foi construída em 1917 pelo empresário Jorge Ayrton Vignola/Folhapress Leitura e com o pedido solução junto à Prefeitura de Parnaíba. “A apenas 4% do terreno para construção do empreendi Contexto
Street, que a batizou com o nome de sua filha. A cons reflexão comunidade hoje está certa que quer isso: que não haja mento; os outros 96% são áreas nas quais a gente e aplicação
trução da vila operária está inserida nas transformações mais aumento na energia eólica nesta faixa da Tractebel mantém flora e fauna. Somos grandes preservadores
econômicas, sociais e políticas pelas quais o Brasil passou Nesta seção você vai até o Pontal de Luís Correia”, assinalou Carlos Fernando, daquela região”, argumentou. Aqui você tem
a partir da segunda metade do século XIX, época da encontrar textos que presidente da entidade. acesso a textos
inserção do país nos quadros do capitalismo internacional. exigem uma leitura MEIRELES, Flávio. Cidade verde. 13 mar. 2015. Disponível em: e atividades
Nesse momento, a cidade de São Paulo era palco da atenta e atividades Uma parte da região da praia será alugada por uma <http://cidadeverde.com/noticias/187823/expansaoda que o convidam
chamada modernização dos setores urbanos da socie que estimulam a das usinas, que fará a expansão do seu parque eólico. producaodeenergiaeolicageraprotestosnolitoraldo a relacionar o
dade. A lavoura cafeeira, que entrou no estado de São reflexão sobre o Uma das discussões da comunidade da Pedra do Sal é piaui>. Acesso em: 14 abr. 2016. assunto estudado
Paulo pelo vale do Paraíba, fez do café o nosso maior tema. sobre a proibição do tráfego e da visitação nas regiões ao seu cotidiano.
produto de exportação e trouxe transformações profun de praia assim que a segunda etapa começar a Agora, faça as atividades propostas.
das para a cidade. funcionar.
1. Aponte dois aspectos positivos acerca do uso da
São Paulo deixou de ser o “burgo dos estudantes” Pesquisa realizada com 250 moradores apontou que energia eólica.
para se tornar o centro dinâmico das atividades do 70% dos entrevistados é contra a ampliação do parque
complexo cafeeiro […]. Era o início de seu crescimento eólico, que contará, a partir de 2016, com 70 aerogira 2. Independentemente da forma como a energia é
vertiginoso, que culminaria na grande metrópole […]. O dores, gerando energia para uma população de 600 mil gerada, sempre ocorrerá algum impacto ambien
estado de São Paulo também passou por mudanças: habitantes, ou seja, 20% de todo o Piauí. tal. Você concorda com essa afirmação? Justifique
recebeu farta mão de obra estrangeira e a construção sua resposta.
das ferrovias povoou grandes áreas do Planalto Ocidental
Paulista. O estado paulista prosperou. A mobilização de Vila Maria Zélia, em São Paulo (SP), em 1918. Cândido Neto/Opção Brasil Imagens
capitais e terras, o crédito, a mão de obra estrangeira, o
transporte ferroviário e o comércio do café foram Daniel Cymbalista/Pulsar Imagens
requisitos para o nascimento de uma nova atividade
econômica: a indústria basicamente manufatureira. E a Ruínas de antiga escola na Vila Maria Zélia, Parque eólico da Pedra do Sal, em Ilha Grande de Santa Isabel, no município de Parnaíba (PI). Foto de 2014.
indústria gerou o trabalhador urbano, o operário […]. em São Paulo (SP), em 2016. 246 U N I D A D E 5 Atividades primárias no Brasil
TEIXEIRA, Palmira Petratti. São Paulo: Carta na escola, 29. ed.,
set. 2008. p. 38-41. (Adaptado.)
• Que condições transformaram a cidade de São
Paulo em um centro industrial?
158 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização
4
Outra visão Geografia Regional Geografia, Geografia
História e Literatura Regional
Esta seção apresenta textos Esses dois sistemas são os responsáveis por peratura nas águas dOosrioocSeãaonoFsraPnaccisífcicooe eJorge Amado Esta seção trata de
grande parte do volume de chuva recebido no ter- Atlântico dificultaram a atuOaçriãooSãdoesFrsaenscsisicsoteémumasd, os mais importantes rios brasileiros e aspectos característicos
de cada uma das regiões
ritório brasileiro: enquanto a ZCIT garante a maior impedindo a precipitaçãteovenopaBpreal fsuinl.dPamoreentsaslenamooc-upação do nosso território, sobretudo oficiais brasileiras, segundo
parte das precipitações anuais no Nordeste e no a divisão do IBGE.
Norte, a ZCAS é a responsável pelas chuvas abun- tivo, nesses anos, o Sudneasetexpbanrasãsoiledaircoricaçoãnohdeocgeaudo — fato que o fez ser chamado de
dantes nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. uma forte estiagem, que“erisovdaozsiocuurroasisr”e. OseVrevlahtoóCrihoicso, um dos mais famosos apelidos
que trazem uma opinião Goes-13/DSA/CPTEC/INPE rio SãFooFzrdanocisco
diferente sobre o tema Em alguns anos, como no verão de 2â1ã-2â15, Goes-13/DSA/CPTEC/INPE
segundo meteorologistas, as alterações de tem-
Banco de imagens/
Arquivo da editora
da região e ameaçou odaobSaãsoteFrcainmciescnot,oé dtaemábgémuaconsiderado o rio da unidade
potável de grandes cidadneacsi,ocnoaml, poopr oindteegmraorsolSeerrntãoo ao litoral e pessoas de di-
ferentes lugares e culturas ao longo do seu curso. Havia qualquer coisa de inexplicável que
texto a seguir. Economicamente, um dos principais pontos do os atraía à noite para a beira do rio. Viam as
luzes de Petrolina defronte, a sombra da
estudado, favorecendo a São Francisco abriga uma importante região agrí- catedral majestosa, único prédio grande e rico
da cidade pernambucana. Ali havia um bispo,
A cola, com produção irrigada pelas suas águas, na alguém explicara, e por isso a catedral era tão
B região das cidades de Petrolina, no estado de bonita, vitrais vindos da França, fazendo inveja a
Juazeiro, maior, mais progressista e movimentada,
Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia. mas sem uma catedral sequer parecida. [...]
Mais que a igreja, porém, o rio os atraía. Era o
análise imparcial. Além da função econômica, o rio São
Francisco também inspirou inúmeras produ-
Na imagem A, a Zona de ções artísticas e culturais, como as obras do
Convergência Intertropical escritor Jorge Amado.
pode ser identificada por São Francisco, ouviam falar dele em suas terras de
causa da nebulosidade Nascido na Bahia, Jorge Amado é reco- sol e seca. Nunca tinham visto tanta água e associavam
presente no norte do Brasil e nhecido internacionalmente (com obras a visão da água à ideia de fartura, imaginavam que
da América do Sul (imagem traduzidas para mais de cinquenta idio- aquelas terras próximas seriam de uma fertilidade
de 15 de março de 2016). Na mas) e já vendeu mais de 20 milhões de assombrosa. E se admiravam que os camponeses
imagem B, observa-se uma livros. Seu tema preferido é a zona ca-
Outra visão Não escreva extensa faixa de nuvens que chegados da beira do rio fossem andrajosos e fracos, os
no livro vai da Amazônia até o oceano
Atlântico, caracterizando a caueira baiana, na região dos municí- rostos amarelos de sezão, piolhentos e sujos. Com aquele
Zona de Convergência do pios de Ilhéus e de Itabuna. Entre- farturão de água era de esperar que toda gente por ali
O pré-sal e os vilões do clima do Canadá, no Ártico, no Iraque, no Golfo do México e no Atlântico Sul (imagem de 11 tanto, como grande autor regiona- estivesse nadando em dinheiro. Não tardaram, no entanto, em Diálogos
Casaquistão. Além disso, também consta na lista a pro de janeiro de 2016). lista, não poderia deixar de contem- descobrir que todas aquelas terras ubérrimas pertenciam a Nesta seção você encontra
conteúdos que são objeto
Quem são os vilões mundiais do clima? Aqueles dução de gás natural na África e no Mar Cáspio. plar, na sua vasta obra, o rio mais uns poucos donos e que aqueles homens magros e paludados de estudo de outras
disciplinas, principalmente
projetos que, apesar do alerta da comunidade científica De acordo com o estudo, esses novos projetos vão importante da região Nordeste. trabalhavam em terras dos outros, na enxada de sol a sol, nos das Ciências Humanas –
História, Sociologia e
global, pretendem levar adiante a exploração de combus acrescentar um total de 300 bilhões de toneladas de O trecho a seguir foi retirado do campos de Ouricuri, nos carnaubais e nas plantações de Filosofia –, e aprende
tíveis fósseis como petróleo, carvão e gás — maiores livro Seara vermelha, lançado em arroz e algodão, ganhando salários ainda inferiores àqueles como eles dialogam com a
responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa? novas emissões de CO2 para a atmosfera até 2050, a Ampliando o conhecimento 1946 e que descreve a luta dos ser- NSaãsoceFnrtaendcoiscrioo que pagavam pelo sertão. Geografia.
partir da extração, produção e queima de 49 bilhões de
Relatório lançado hoje pelo Greenpeace Internacional toneladas de carvão, 29 trilhões de metros cúbicos de AMADO, Jorge. Seara vermelha. São Paulo:
dá nome aos suspeitos. Chamado “Caminho sem volta” gás natural e 260 bilhões de barris de petróleo. tanejos nordestinos contra a fome. Companhia das Letras, 2009. p. 115.
Seca no Sudeste atinge 133 cidades e já A riqueza envolvida corresponde a R$ 946,4 bilhões,
(tradução livre do inglês “Point of no Return”), o No Brasil, o setor de transportes é o maior emissor de Não escarefveata economia a preços de 2011 (último ano com dados detalhados por
documento identifica os 14 maiorReseplraojcetioos ndeaennedrgoiaos s asCOs2ufónsstiol. Msesmo assim, o país ainda não possui padrões no livro cidade). Corrigido pela inflação (17,85%), o valor repre Ricardo Azoury/Pulsar Imagens Seara: área de
sujas planejados para as próximas décadas. de eficiência energética, ao contrário de Estados Unidos, A seca que assola o Sudeste atinge ao menos 133 sentaria hoje R$ 1,1 trilhão. Luiz Prado/Estadão Conteúdo/AE campo; terra
ltrsroccdddn“chaeéuIaaocoaeonõçccrsmreiãfvunvecrptnaeE“OeeãoaãosrirConclnlsnéomoiandBveooozotttdãraóemrnásmspóeeeaoarlaavaetriseaceeocloiAuqmni,oCnaollisnmushtusóta,hnaeeeeuasmelsepvisemlptnmo,paevatrdoaloaloáãiondaeraeamit,elsoodcnaieiragieaCcireptscncoeaeexoe,sloiagcndiEsopdvcnmenisrdaesanoleeapantoaltdlaarbrnCardobrnnnaoeG•dAdAddeifioreaddmbeoriOeo omcboiaoaojmcrtrçpeovuretposntlaumpsmoE2mãesâltiaoaoieleeaa5nnIODc1ronmnopóorRnUltreaxaonsdhdrkpelnsvcgrqoceudtonpaosatdnóneAmaearoieaoxaiurdaaecscdtagrcsolithlnusprmseteidadraondasoaaenipaajoetdeitmnaoaou,ostonsc”cies2eécslSeleaoenps:oscana,naãohpFldia6dNudnaasodudchçezapmoBaaéco0aeãalReeodrgdaãoiomosrrlsrIcsmsdOotriamniaooaoaGnrgsaimsomkgéepdtaaeddRuslsaeecrimdcred,ispdeessseic2oaaeaaeoireoctl,aoedRrldseainids.ãeo01secoacpimas”rãnaeeami9çpéeanxeaosoemcFe2sposnolã7sxaposnpnnaetarube0aRfprtrioapdb9onrcrddeaoroojansemnree.anadleerr.ta,rioermeftltopsixtitnoeas.duroeumoicgsauearpcrdo3ncAinenme,aeodaolraBaaçlaeci3ospdvndoçúspd,eõs-aBiehstiddva0ooãtnraassnrueeeximvaraaeeáeer.eotolsBitsapsiidsmçedncvdsOi4s3msaislavddãddoeleeocoeaanot4oi0iiiaooeneeellessAlsdaca.,,N,ói0cn6tneattgiapotodrogdmmiaocrcllaleeoaeçraedipldçlãnsebtardeedCB1ea2aãmMevroheis.emoffloorsra.hadstieiaeaaslRcredei1iecbótsmsnrnie4PdesIArrornaoêgaitideonaNtinloect5imandrigaoepesciaechaecrmalcereearouknatqBaoaasainoqtiinmnromGrtpaurtbaarvUpfoddaueSgraoireoroaaRlnifroueoad,tdenaudioairordspEofmeqsnçtbeagritBcoEaxeraoiãlâaãodcutrloaoleiNiu/rmçraeeuoaAcman,oeeadepa.naPRenosssmmcxtsto[nodrEEaddreet/smioiuiep.assuaaooeeAliu--.onNrol,,nmd.luvsb]Cr,eooihuiojsuarEaltraozãlgpia.spcotsidoDieptçidiarcaíve—ieãiovAales-•ms•LoR•saadsamirsãle e eo/pj,odc.iliooAgeeoOmgomlsueoeacd“aduttrsotnef-ecaaOp-adamalSenoepfdeiaoosinpíspicnol monl a vsedo-xpsasilmrsgeoaiaecemtlOcerAeaorsratroenasrciloxtacdo-ecfpeeaenmembgteeiosãoNaípsimsuansccpnmrioafsmsiisoeao?en:ooiticulatohtrrelntcufsal1rnarl:aorfêse-eelorx2aaoaed fdmumare<çdaeirntdg,opppmdssd-oaaanpaewrdaxctccuoose;:elaaibo e-ulsdooatodidwisslilta.dSrsmaedasnhrrsaar-nre.meaRwaauavonósn et2mao,l nadelioçduda.cclls0osalfsrgape,nçeoeãáaetocãeaiesos1grcceeopãnrsoe6artnnon ad.usadeéseõreoreoa.ustv spopd-ínteros-dena(gosdomiócursoospAsbaspadstsoesooaliisiaedi oeovdspepdc aer-rnpxaaasnlaaeciaradaprrraa itdedotdcélnapérftsmedeisceouódoqeamiaboaatedsarrcoa.dielnu2assr orielnsoaoeocdrvs eareotedsr,rn/ae ndoseot5gndáeiileesnua>la”tnc.aaomes/hsor-c)rada,qa.mmi diarifasedotufaosfdaeósieole a-al5onali,ô s rctrrt,ammmo5gaeedlnuarouaek3aomvuntmC,cseBoSlsd7rsdaetaooaêproae2deodnpsqsort.nro.ra ir.ltausuacObíaDavodtsAdm iiveoselatoeepôeeio;nisdnsaconvimdaettteradenoatareuoeondesao:avc,:ltluenteeiaaoqqqsrpdmndi.moc2buuuuxestosira7oaeeoeed-,a,a6Rsdeilmpeersieirloesh.aõvseaesicaadleéemmhaPdbooiçtsoapsnedtseeasCd. aeElldloaasss,drnoeomúsnéueslmtdiceo2Ms3i%pnaasrdaosPeuIBs Se fosse um país, esse novo "polígono da seca" em cultivada.
Ernesto Rodrigues/Folhapress São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro seria a Andrajoso: que
segunda maior economia da América do Sul. Ficaria está coberto de
atrás só do Brasil. trapos.
Sezão: febre
Se em cada um desses municípios a produção caísse acentuada e
1%, seria o bastante para tirar 0,23 ponto percentual do cíclica; febre de
PIB nacional. O crescimento da economia neste ano malária.
[2014] está projetado para 0,3%. Ubérrimo:
extremamente
A situação em São Paulo é a pior. De seus 645 muni fértil, fecundo.
cípios, 92 (14%) enfrentam algum tipo de dificuldade. Paludado:
É difícil estimar quanto da economia foi afetada pela indivíduo
crise hídrica, mas empresas relatam prejuízos. A Unica Jorge Amado (1912-2001) em sua infectado pela
(União da Indústria de CanadeFJuoAatozçeúdicraoap,roB)nahhteaiavPi(rapesrfieimditeeonirteoempDluantroa),,qeuPeeftarzolainlaig,aPçeãronaemntbrueco (ao casa na cidade de Salvador (BA), malária.
abril projeção 2,9% menor parfaunadsoa).frFaot2o0d1e42/02105.15 no em 1996.
CentroSul.
Sand. O nome atual deveu-se à construção do primeiro sopra o vento. Gerais, em outubro de 2014. FOcLoHtiAdidaenoS/.P2a0u1l4o/. D11i/s1p5o4n1í9v1e56l -e2smec: a<-wnwo-Uwsu1N.dfoeI lsDhtaeA.-uaDotilnE.cgoe2m-1.3bB3r/r-asil: espaço geográfico e impactos ambientais
cidades-e-ja-afeta-economia.shtml>. Acesso em: 18 mar. 2016.
farol na ilha, em 1881, que acabou suspenso em virtude no lado a barlavento do atol.
Refino e transporte de a torre não atender às necessiddeadPeestdróolleooca(lG. OLP). Entre os derivados não energéti- ICMBio/MMA
eftàeosPitttaeaAaltt,nrímocsaotbsiamrcriaooesfrd2ieenp0sraa1etr4rasit,aqpedsuoeddensoadspaerPaesrer•afatr imrneoafoInteqfiibnplarnuohRoarrdfomaaaaosaueordmlrsgedf,dri9i.uaeapinaoSql8rdsietlaaaueauo,,Ct2drregrstareeiog%r,ólausme6upéel,nzdr0eedmiaadetdoar0esé,emo1spvrecmn9Piiairameod6aoeanpr,o7tAuetcraccB;eaochloonceíonrsammniuasdmcdisáeoesiaaaaimcercldddepmi—ooéaeraumcasladttpaveirvmdíitiGmedi(cCtemraFaeona3amdanatss1moetAQfss,o5esecod,asunsdnopumoçteaau)omãsa,Cnirnfolarldia1tioldirm5hiodpa,ovcu0aBiaeleàmanea,rmtdailsrsac.rifheoooezaoOffssssit-aáipaaidba.,narcodisicducaeoassmdtqrdeuieaLedif,aseeordrrateaainfsliPijfnezaeaiolrttn,raoeotsembe,srSoa2nessãirtsgsr1ooeàiplg,cveoeoe,nmBneatrpedaeslsome.is-l
Replan (SP) e para a RefinanraiuafrLáaginods.uAlpshdouaAs livlheass, ensotão a acelcrcaançdeou3 om8etorlousgar no ranking mundial, com 2,2 mi- 48 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
município de São FranciscaocidmoaCdaopnrdeaem(aBr,Ase)n, dqouaevirseta- das,lahpõroexsimdaedabmaerrnitse,de petróleo.
presentaram 3à,5% da capaac1id0amdielhdaes rneáfuinticoads odepadíisst.ância, dePpaernaderenadloizdaar o transporte do petróleo e do gás
Em 2ã1à, o país possuídairdeçeãzoedseseatperouxnimidaaçãdoedsodAetol dansaRtoucraasl., por meio de navios, oleodutos e gasodutos, Marco Antônio Sá/Pulsar Imagens
capacidade de refino, dAass oqruigaeisnstrdeozeatpoel rtenciam à a Petrobras conta com a Transpetro, sua subsidiária Com mais de 150 livros publicados, Câmara Cascudo
Petrobras e quatro, à iniciatOivaAtporlidvaasdRao. Vcaesjatenmosmuaaopraigeminnatemgersaml.aOfrsat5uàraterminais aquaviários, áá terrestres Diálogos Geografia, Língua deixou um importante legado históricocultural para o Brasil.
da página 2áá a localizapeçrãpoenddeicculaadraà cuamdeaiadDeolarssa.l Atlânticae,9decoenndteroems ceroglieutores de etanol funcionam como en- Portuguesa e Sociologia Seus estudos catalogaram diversas festividades, tradições,
origOemfraacdioivnearsmoesnptroodduoodteoapFrseqe,turcrnioópamélneldaovogaodnrediaaeNsdForaereorsnfnuiahntnaiadl)rio.diTadaasedl cNedosoám:roonohaatcrro(qeZmupoipobnésailntadogaeoçpF,ãraoaorAtaudtroeoalsvámrioodsOeNamtoiAirsepotroongdlhisuedaaddatsoerpRaeotonncrcaeasasanpsnesoéomproAtoscteulruâatm(neelt)eoilce.cdoveaaeçluãdmcoifo.eiOmrmeeddneessoFeenvrvunolaclvnãidomoqeduneeto de A cultura popular brasileira escrita alimentos, lendas, contos e ritmos populares. Assim, o
doserdiveardivoasdeonsedrgoéptiectorsólebdeesaaoosss.aseRsPdosdoceeudarapsiesveémfarooddroecmosunsamcoçnoeõaãendbosesiesiuemsdmnteáoeriemraamgtrelénâsotusnisoa-tisecdeoli.efí6Avcaiãoçd1õEvifeudemslrucevâtn2unoçlãicsacâ1odneà, ienc,custasrjtesaei,gnuadnodsocadàotaeólumôiAsno.oirNNaivgsaPeinmmi,maoseaabogBnosertrmraadeç,ascvsiãifilsedoctsaaodseanmeféotrrpfaemoeavratmadçroõóaceAlcoseitmroovculu, dllcaaârs,ncRichoaacsmassau,db2om0s1e5dre.sas por Câmara Cascudo Luís da Câmara estudioso define a palavra folclore:
Cascudo
O Brasil é uma nação que absorveu diversas culturas (1898-1986). Todos os países do mundo, raças, grupos humanos,
originárias de outros povos. A chegada dos europeus nessas Foto tirada no famílias, classes profissionais, possuem um patrimônio
terras, no final do século XV, revelou um grande contraste escritório do de tradições que se transmite oralmente e é defendido e
cultural com os nativos que aqui viviam. Daí por diante, autor em Natal conservado pelo costume. Esse patrimônio é milenar e
outras culturas foram introduzidas durante o processo de (RN), em 1958. contemporâneo. Cresce com os conhecimentos diários
colonização das terras brasileiras. desde que se integrem nos hábitos grupais, domésticos
ou nacionais. Esse patrimônio é o FOLCLORE. Folk, povo,
Africanos de diversas etnias foram trazidos por meio do nação, família, parentalha. Lore, instrução, conhecimen
tráfico de escravos. A miscigenação entre os povos nativos, to na acepção da consciência individual do saber. Saber
os europeus e os africanos figura como a mais significativa que sabe. Contemporaneidade, atualização imediatista
do conhecimento.
CASCUDO, Luís da Câmara. Folclore do Brasil. São Paulo:
Global, 2012. p. 9.
cos. Entre os primeirospodise,setnaqcuaamn-tsoeNaorgoanshoalisneae,rgoueu adeartiéva3d2o3sm, geátrsonsatural e outros produtos, perfazendo Arquivo/Estadão Conteúdo/AE
Raimundo Paccó/Frame/Folhapress
óleo diesel, o óleo comabcuimstaívdeolneíveol dGoáms aLr,iqRuoceafseisteoergue1u9a,7omníivlekl dmo mdearextensão. GASPARINI, J. L.; CHAGAS, L. P. Atol das Rocas. Rubens Chaves/Folhapress
(mais suscetível à ação de ondas). Com o tempo, a ação In: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Geografia: Ensino Rubens Chaves/Acervo da editora
Fundamental e Ensino Médio: o mar no espaço geográfico
232 U N I D A D E 5 AtidviadasdoesnpdraimsárreiadsunzoiuBratosidl o o cume para alguns metros —
brasileiro. Brasília, 2005. p. 88-89. (Explorando o ensino, 8).
dois ou três — abaixo da superfície do mar. A formação Disponível em: <www.mar.mil.br/secirm/publicacoes/
desse substrato próximo à superfície do mar, devido à revistas/geografia.pdf>. Acesso em: 6 jan. 2016.
disponibilidade de luz e nutrientes, possibilitou a ocorrên- 1. Identifique a região geográfica brasileira onde
cia de colônias de algas calcárias e corais. O desenvolvi- está localizado o Atol das Rocas. base da cultura popular brasileira. no século XX. Veja o que um professor universitário escreveu
mento dessas colônias, nas bordas das formações 2. Justifique sua importância ecológica. Mais recentemente, principalmente ao final do século XIX sobre Cascudo:
vulcânicas submersas, deu origem aos recifes em forma 3. Caracterize sua formação.
circular (devido ao cume do vulcão submarino), com a 4. Geografia e Biologia Pesquise e responda: há e início do século XX, contribuições culturais de povos vindos Através desses e de outros de seus estudos, foram
presença de lagunas em seu interior. A esta formação do Japão, da Alemanha, da Itália, do Líbano, etc., também configurados dimensões de sociabilidade do homem co
recifal dá-se o nome de atol. habitantes humanos residindo no Atol? Explique. agregaram elementos à nossa cultura. mum brasileiro, visíveis no cotidiano da alimentação,
Muitas pessoas contribuíram para um melhor entendi
mento acerca da cultura local, dentre eles podemos destacar moradia e vestuário, gestos, lembranças, comemorações
o historiador, antropólogo, advogado e jornalista nascido e tantas outras faces da condição humana. Capa do Dicionário Desfile do boi-bumbá no município de Nazaré da Mata (PE),
do Folclore Brasileiro, em 2014.
Brasil: localização e territorialidade C A P Í T U L O 1 17 no Rio Grande do Norte, Luís da Câmara Cascudo, SILVA, Marcos (Org.). Dicionário crítico Câmara Cascudo. um dos livros mais
considerado um dos principais estudiosos da cultura popular São Paulo: Perspectiva, 2003. p. XIII. conhecidos de
Câmara Cascudo.
Em 1954, no Rio de Janeiro, foi lançada a 1ª edição do
Apresentação da Cavalhada em São Luiz do Paraitinga (SP),
em 2014. A Cavalhada é uma representação de batalhas Dicionário do folclore brasileiro, uma obra de referência e
travadas na Europa, durante a Idade Média.
Relacionando os assuntos de grande relevância para os estudos da cultura popular
Esta seção retoma temas já estudados em brasileira, consagrada como uma das maiores contribuições
outros momentos ao longo do livro e os
relaciona ao assunto do capítulo. ao estudo sistemático de nosso folclore.
Veja a seguir alguns verbetes retirados do livro de Luís
da Câmara Cascudo. Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo
Açaí: macerato das frutas da
palmeira açaí, saboroso e
nutritivo, e de uso genera
lizado na região Amazônica.
Barriga verde: nome dado
aos naturais do estado de
Santa Catarina.
Deixada: abandonada pelo
esposo.
Mamaluca: filha de branco
com mulher indígena.
Mamata: rendimentos abun
dantes sem trabalho. Açaí
Ampliando o conhecimento Papa-goiaba: o natural do estado do Rio de Janeiro, o
Aqui são apresentados textos que fluminense.
aprofundam e complementam um
determinado assunto. CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro.
Rio de Janeiro/São Paulo: Ediouro. 1999.
Uma das festividades mais prestigiadas no Brasil, o Festival Folclórico de Parintins, com seus bois-bumbás Caprichoso e Garantido. Qual dos verbetes anteriores você já tinha escutado
Parintins (AM), em 2015. ou lido em algum jornal, livro ou revista? Que ver-
betes típicos da sua região você conhece? Converse
sobre isso com os colegas.
110 U N I D A D E 3 Ocupação do território brasileiro: população e urbanização Características da população brasileira C A P Í T U L O 9 111
Ao final dos capítulos e das Unidades as seções de encerramento sintetizam os assuntos estudados.
Refletindo sobre o conteúdo Concluindo a Unidade 3
1. Geografia e Biologia Com suas palavras, explique mente aparente homogeneidade biótica, que exige tra- Leia o texto, reflita e depois responda às questões Metropolitanas — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte,
a diferença entre biomas e ecossistemas. tamento ecológico mais atento [...] propostas. Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e
Brasília e chegou aos seguintes resultados:
2. Caracterize os manguezais e justifique sua importância. AB’SABER, Aziz Nacib. Escritos ecológicos. São Paulo: Moradores de favelas movimentam Concluindo
3. Analise as fotografias abaixo e responda às questões. Lazuli, 2006. p. 73. (Coleção Ideias). RS 68,6 bilhões por ano 1) Para 32% dos que se disseram vítimas de preconceito, a Unidade
o motivo foi a cor da pele e para 30%, morar em uma favela.
Rogério Reis/Pulsar Imagens 1 a) Identifique os “dois imensos domínios florestais Os moradores de favelas movimentam RS 68,6 bilhões Para 20%, o preconceito decorreu da falta de dinheiro e, para No fim das Unidades,
brasileiros” e dê duas características de cada um. por ano, segundo pesquisa do Data Favela, feita com o apoio 8%, das roupas que vestiam. há uma série de testes e
2 do Data Popular e da Central Única das Favelas (Cufa). questões do Enem e de
b) Relacione os climas predominantes de cada um 2) 37% dos moradores de favela já foram revistados por vestibulares para ajudar
desses domínios. A pesquisa mostra ainda que o aumento da renda média, policiais, proporção que chega a 65% quando se trata de você a se preparar para
proporcionado principalmente pelo crescimento real do jovens de 18 a 29 anos. Entre os que já foram revistados, a o ingresso no Ensino
c) Esses domínios abrangem áreas de que regiões salário mínimo e do emprego formal, tem permitido que os média chega a 5,8 abordagens ao longo da vida. Superior.
geográficas brasileiras? 12,3 milhões de pessoas que vivem nessas comunidades
participem do mercado de consumo. 3) 75% dos moradores de favela são totalmente ou
d) Você vive em algum desses domínios? Aponte os parcialmente favoráveis à pacificação.
elementos utilizados para a resposta. Os dados preliminares do estudo indicam que, em 2015,
75% das casas têm máquina de lavar roupas. No levantamento 4) 73% dos moradores acham as favelas violentas, sendo
Refletindo 5. Observe o mapa abaixo, elaborado com dados ex- de 2013, o índice era de 69%. que 18% as consideram muito violentas.
sobre traídos de relatório do Painel Brasileiro de Mudanças
o conteúdo Climáticas (PBMC), que diz que a mudança do clima Em relação à posse de TV de plasma, LED ou LCD, os 5) Para 60%, no entanto, a comunidade melhorou nos
pode afetar alimento e energia no país. Depois, aparelhos estão presentes em 67% das residências, contra últimos anos, e 76% acreditam que vai melhorar nos próximos
Encerrando o capítulo, responda. 46% em 2013. O estudo revela ainda que subiu de 20% (em anos. Sair da favela não é o desejo de 66% dos entrevistados,
esta seção propõe um 2013) para 24% o percentual de moradores que têm carro. e 94% se consideram felizes, um ponto percentual a menos
conjunto de questões Previsão das mudanças climáticas em alguns do que a média nacional, segundo o Data Favela.
para análise, reflexão biomas brasileiros até 2100 Quando se trata de acesso ao Ensino Superior e níveis de
e interpretação dos renda mais elevados, os lares situados em áreas de invasões Texto elaborado com dados de: AGÊNCIA BRASIL. Disponível em:
assuntos estudados. Rubens Chaves/Pulsar Imagens Amazônia RR 50º O Caatinga Mata Atlântica Banco de Imagens/Arquivo da editora públicas ou particulares — pobres em serviços públicos — <http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2015-03/
1 ºC a 6 ºC AP 0,5 ºC a 4,5 ºC (Porção Nordeste) ainda vivem uma realidade distante da realidade de outras
10% a 45% áreas do Brasil. moradores-de-favela-movimentam-r-686-bilhoes-por-ano-indica-
10% a 50% 0,5 ºC a 4 ºC estudo>; DATA Favela. Disponível em: <http://datafavela.com.br/
0º Também cresceu, no entanto, o número de moradores de quase-30-dos-moradores-de-favelas-ja-se-sentiram-discriminados-
10% a 35% favelas endividados. Em 2013, 27% deles tinham dívidas, em
2015 são 35%. A faixa etária entre 35 e 49 anos tem o maior diz-pesquisa>. Acesso em: 9 abr. 2016.
Equador percentual de endividados, 45%.
1 Alguns questionam o uso do termo favela e utilizam
AM PA MA A inadimplência permanece no mesmo nível, 22% têm a expressão comunidade para se referir a esses lo
CE contas atrasadas há mais de 30 dias, 53% dizem que está cais. Já para a Biologia, comunidade é o conjunto
RN difícil manter as contas em dia e 80% têm medo da inflação. dos seres vivos. Em sua opinião, chamar os “aglo
merados subnormais” de favelas ou comunidades
AC PI PB Quase 30% dos moradores de favelas já se sentiram muda algo ao se tratar dessa característica urbana
RO PE discriminados, diz pesquisa brasileira?
AL O Data Favela realizou uma pesquisa com base em 2 mil 2 Com base na reportagem anterior, aponte duas si
SE entrevistas, com moradores de 63 favelas, em dez Regiões tuações em que os habitantes dos “aglomerados
TO BA subnormais” sentiramse discriminados.
Amazônia MT DF OCEANO
MS GO ATLÂNTICO
Caatinga
MG Cerrado
Campos sulinos ES 1 ºC a 5,5 ºC
Cerrado 10% a 45%
Mata Atlântica SP RJ Trópico de Capricórnio
Pantanal Pantanal PR Mata Atlântica N
1 ºC a 4,5 ºC SC (Porção Sul/Sudeste)
Zona costeira 5% a 45%
Transição RS 0,5 ºC a 3 ºC
Amazônia-Caatinga
Transição 5% a 30%
Amazônia-Cerrado
Transição Pampa
Cerrado-Caatinga 1 ºC a 3 ºC
a) Identifique os biomas representados acima. Aumento Temperatura 5% a 40% 0 630 km
Redução Chuva
b) Eles estão em quais regiões geográficas brasileiras?
Adaptado de: WWF. Biomas brasileiros. Disponível em: Delfim Martins/Pulsar Imagens Não escreva
c) Apresente duas características distintas entre <www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/biomas>; G1. no livro
esses biomas.
Natureza. Disponível em: <http://g1.globo.com/natureza/ Vista aérea da
4. Leia o texto a seguir. Depois, faça o que se pede: noticia/2013/09/relatorio-diz-que-mudanca-do-clima-pode-afetar- comunidade Morro
do Papagaio, em Belo
O arranjo espacial das áreas nucleares dos domínios alimento-e-energia-no-pais.html>. Acesso em: 4 abr. 2016. Horizonte (MG).
de natureza inter e subtropical brasileiros tem uma re- Foto de 2015.
levância especial para o reconhecimento da continui- a) Qual bioma apresentará maior elevação de tem-
dade ou uniformidade relativa dos ecossistemas regio- peraturas caso se confirme as previsões do rela- 139
nais. Os dois imensos domínios florestais do país tório mencionado?
(macrobiomas continentais) apresentam fisionomica-
b) Qual bioma apresentará maior diminuição de
chuvas?
c) Elabore uma conclusão sobre o mapa anterior.
76 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Este ícone indica que a atividade proposta é
interdisciplinar, isto é, envolve conhecimentos
de outras disciplinas.
5
A dinâmica interna ................................................ 40
A dinâmica externa................................................ 42
Classificações do relevo brasileiro ....................... 42
Outros tipos de relevo ........................................... 44
Refletindo sobre o conteúdo ..................................... 46
Sumário CAPÍTULO 5
UNIDADE 1 O clima no Brasil..................................................... 47
ASPECTOS GERAIS DO
TERRITÓRIO BRASILEIRO.............................. 9 A influência da tropicalidade.................................47
Elementos do clima ............................................... 49
CAPÍTULO 1 Principais fatores do clima.................................... 50
Classificação climática...........................................52
Brasil: localização e territorialidade........................10 Refletindo sobre o conteúdo ......................................53
Posição geográfica, extensão e CAPÍTULO 6
pontos extremos ..................................................... 10
Territorialidade, soberania e A hidrografia do Brasil............................................ 54
segurança nacional................................................. 13
Fronteiras terrestres e marítimas.......................... 15 Os rios..................................................................... 54
Refletindo sobre o conteúdo ...................................... 18 As regiões hidrográficas brasileiras...................... 57
Geografia Regional – O rio São Francisco
CAPÍTULO 2 e Jorge Amado .........................................................62
Águas subterrâneas ...............................................63
Formação e ocupação do território brasileiro.......... 19 Lagos....................................................................... 64
Gestão dos recursos hídricos no Brasil................ 64
Expansão territorial do Brasil colônia ................... 19 Refletindo sobre o conteúdo ..................................... 64
Expansão das fronteiras no Império
e na República ......................................................... 22 CAPÍTULO 7
Refletindo sobre o conteúdo ......................................24 Formações vegetais, domínios morfoclimáticos e
CAPÍTULO 3 biomas brasileiros .................................................. 65
Divisão administrativa e divisão regional
Formações vegetais................................................65
do Brasil...................................................................25 Domínios morfoclimáticos.................................... 66
Os biomas brasileiros............................................. 67
Organização e divisão político-administrativa Geografia Regional – Geografia do Pantanal ............ 72
do Brasil ...................................................................25 Refletindo sobre o conteúdo ...................................... 76
A divisão regional do Brasil....................................28
Refletindo sobre o conteúdo ..................................... 30 CAPÍTULO 8
Política ambiental no Brasil e
CONCLUINDO A UNIDADE 1....................................... 31
Testes e questões........................................................... 32 degradação dos biomas...........................................77
Outras fontes de reflexão e pesquisa ............................ 37
Histórico da política ambiental no Brasil.............. 77
UNIDADE 2 Ocupação do espaço brasileiro
BRASIL: ESPAÇO GEOGRÁFICO E e impactos ambientais ...........................................82
IMPACTOS AMBIENTAIS ................................. 38 Refletindo sobre o conteúdo ..................................... 90
CAPÍTULO 4 CONCLUINDO A UNIDADE 2 ...................................... 91
Testes e questões........................................................... 91
Brasil: estrutura geológica e formas de relevo ....... 39 Outras fontes de reflexão e pesquisa ............................96
Estrutura geológica.................................................39
6
UNIDADE 3 UNIDADE 4
OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO
BRASILEIRO: POPULAÇÃO ECONÔMICO E INDUSTRIALIZAÇÃO .....147
E URBANIZAÇÃO............................................ 98
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 9 A organização do espaço
Características da população brasileira ................. 99 econômico brasileiro .............................................148
Demografia no Brasil ............................................. 99 Herança colonial: arquipélago econômico .........148
Crescimento populacional .................................. 100 A industrialização e a integração nacional......... 152
Estrutura da população ........................................ 101 Refletindo sobre o conteúdo .................................... 155
Distribuição da população no território .............106
Condições de vida e desigualdade social ...........108 CAPÍTULO 13
Diálogos – A cultura popular brasileira escrita
por Câmara Cascudo .............................................. 110 Industrialização e desenvolvimento econômico.... 156
Refletindo sobre o conteúdo .....................................112
Antes da Revolução Industrial tardia.................. 156
CAPÍTULO 10 A Revolução Industrial tardia .............................. 159
O “milagre econômico” e
Brasil: movimentos migratórios .............................113 a “década perdida” ................................................161
A indústria brasileira na globalização................. 162
Migrações internas: tradição histórica ................113 Refletindo sobre o conteúdo .................................... 165
Migrações estrangeiras do
século XIX ao XXI ..................................................117 CAPÍTULO 14
Geografia Regional – Influência alemã e Localização espacial e concentração
italiana na paisagem da região Sul ........................120
Refletindo sobre o conteúdo .................................... 126 das indústrias........................................................166
CAPÍTULO 11 As regiões de concentração industrial ............... 166
Refletindo sobre o conteúdo .................................... 175
O processo de urbanização no Brasil..................... 127
CAPÍTULO 15
Urbanização acelerada......................................... 127
Geografia Regional – A Macrometrópole Localização espacial e dispersão das indústrias ... 176
Paulista ................................................................... 136
Refletindo sobre o conteúdo .................................... 138 Processo de dispersão industrial......................... 176
Refletindo sobre o conteúdo .................................... 185
CONCLUINDO A UNIDADE 3 .................................... 139
Testes e questões.........................................................140 CONCLUINDO A UNIDADE 4.................................... 186
Outras fontes de reflexão e pesquisa .......................... 145 Testes e questões......................................................... 186
Outras fontes de reflexão e pesquisa ...........................191
Joel Silva/Folhapress UNIDADE 5
ATIVIDADES PRIMÁRIAS
NO BRASIL .......................................................192
CAPÍTULO 16
O espaço agropecuário brasileiro.......................... 193
O campo brasileiro ............................................... 193
Atividades agrícolas ............................................ 194
Principais produtos agrícolas .............................. 195
A pecuária no Brasil.............................................. 199
O agronegócio no Brasil ...................................... 202
Refletindo sobre o conteúdo ................................... 203
7
CAPÍTULO 17 CONCLUINDO A UNIDADE 5 ................................... 249
Testes e questões........................................................ 249
A estrutura fundiária no Brasil ............................. 204 Outras fontes de reflexão e pesquisa ......................... 254
Origem da estrutura fundiária brasileira ........... 204 UNIDADE 6
Conflitos no campo.............................................. 209
As relações de trabalho no campo......................210 COMÉRCIO, TRANSPORTES E
Diálogos – A desigual estrutura fundiária TELECOMUNICAÇÕES ................................................. 256
brasileira em contexto ............................................ 212
Refletindo sobre o conteúdo .................................... 214 CAPÍTULO 21
CAPÍTULO 18 O comércio exterior brasileiro...............................257
Recursos minerais do Brasil .................................. 215 Evolução do comércio exterior brasileiro ...........257
Balança comercial e balanço de pagamentos ... 258
O setor mineral no Brasil...................................... 216 O comércio brasileiro no
Recursos minerais................................................. 218 contexto internacional ........................................ 260
Refletindo sobre o conteúdo ................................... 226 Os corredores de exportação ............................. 262
Desafios do comércio exterior brasileiro........... 263
CAPÍTULO 19 Refletindo sobre o conteúdo ................................... 265
Oferta interna de energia:
CAPÍTULO 22
combustíveis fósseis .............................................227
Transportes e telecomunicações no Brasil ........... 266
Oferta interna de energia no Brasil .....................227
Combustíveis fósseis........................................... 229 Os transportes no Brasil...................................... 266
Refletindo sobre o conteúdo ................................... 236 As telecomunicações no Brasil............................277
Refletindo sobre o conteúdo ................................... 279
CAPÍTULO 20
Oferta interna de energia: energia elétrica e CONCLUINDO A UNIDADE 6 ................................... 280
Testes e questões......................................................... 281
outras fontes .........................................................237 Outras fontes de reflexão e pesquisa ......................... 285
Energia elétrica .....................................................237 SIGNIFICADO DAS SIGLAS ...................................... 286
Outras fontes de energia .................................... 244 BIBLIOGRAFIA............................................................287
Geografia Regional – O avanço da energia
hidrelétrica na região Norte ................................... 247
Refletindo sobre o conteúdo ................................... 248
RicardoTeles/Pulsar Imagens
8
unidade 1 Aspectos gerais do
território brasileiro
RORAIMA
AMAPÁ
PARÁ RIO GRANDE
DO NORTE
AMAZONAS MARANHÃO
ACRE RONDÔNIA TOCANTINS CEARÁ PARAÍBA
PIAUÍ
MATO DISTRITO PERNAMBUCO
GROSSO FEDERAL BAHIA ALAGOAS
GOIÁS SERGIPE
MINAS
GERAIS
MATO GROSSO
DO SUL
OCEANO SÃO PAULO ESPÍRITO
PACÍFICO SANTO
Imagem: © 2016, Engesat/Arquivo da PARANÁ RIO DE
editora/Bandeiras: Shutterstock JANEIRO
SANTA
CATARINA OCEANO
ATLÂNTICO
RIO
GRANDE
DO SUL
Imagem de satélite da América do Sul, com
destaque para o território brasileiro, em 2016.
Esta imagem mostra a atual divisão política do Brasil e suas grandes dimensões. Nesta Unidade,
vamos estudar como o Brasil atingiu a atual extensão territorial e como se configurou sua divisão
política contemporânea, além de conhecer as principais consequências da posição geográfica do país.
9
capítulo 1
Brasil: localização e
territorialidade
Banco de imagens/Arquivo da editoraBrasil: localização e posição geográfica
Meridiano de Greenwich
Maior país Hemisfério Hemisfério
Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 34.tropical doocidentaloriental
mundo 180º
0º 180º
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
Círculo Polar Ártico
Trópico de Câncer OCEANO 23 º27’ N
ATLÂNTICO
OCEANO OCEANO Hemisfério
PACÍFICO BRASIL PACÍFICO norte
0º
Equador
Hemisfério
OCEANO sul
ÍNDICO
23 º27’ S
N
Trópico de Capricórnio
OL
0 2 820 5 640 km S
Círculo Polar Antártico OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
O Brasil é o único país do mundo que é “atravessado”, ao mesmo tempo, pelo equador e pelo trópico de Capricórnio, e, por isso, tem
terras no hemisfério norte (7%) e no hemisfério sul (93%). Localizado a oeste do meridiano de Greenwich (Londres), o país situa-se
inteiramente no hemisfério ocidental.
Posição geográfica, Os países mais extensos do mundo
(em terras descontínuas)
extensão e pontos extremos
País Área (km²) Continente
Devido à sua posição geográfica, mais de 90% do
território brasileiro encontra-se em áreas de baixa Rússia 17 098 242 Europa e Ásia
latitude, que compreende a zona intertropical: faixa
localizada entre o trópico de Câncer (23° 27’N) e o Canadá 9 984 670 América
trópico de Capricórnio (23° 27’S). Maior país tropical
do mundo, o Brasil tem o clima e a vegetação mar- Estados Unidos* 9 833 517 América
cados pela tropicalidade.
China 9 569 960 Ásia
O Brasil situa-se na porção centro-oriental da
América do Sul e ocupa cerca de 47% do território Brasil 8 515 746 América
dessa porção do continente. Caso o mapa do terri-
tório brasileiro fosse uma figura geométrica, ele Austrália 7 741 200 Oceania
seria semelhante a um triângulo isósceles, com a
base voltada para o norte. * Área total, considerando os territórios ultramarinos na América Central
e na Oceania.
Conforme podemos observar na tabela ao lado,
o Brasil ocupa o quinto lugar entre os países mais Fonte: CIA. The World Factbook. Disponível em:
extensos do mundo. <www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ca.html>;
IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/geociencias/
cartografia/default_territ_area.shtm>. Acesso em: 12 jan. 2016.
Esse critério de classificação leva em consideração
terras descontínuas, como no caso dos Estados Unidos,
em que são considerados os estados do Alasca e do
Havaí, separados dos 48 estados continentais do país.
10 U N I D A D E 1 Aspectos gerais do território brasileiro
Em terras contínuas, o Brasil é o 4o país do mun- Fusos horários do Brasil
do em extensão, com 1,6% da superfície terrestre
(massas sólida e líquida) e 5,7% das terras situadas Devido à posição geográfica e à sua grande ex-
acima do nível do mar. tensão territorial no sentido leste-oeste, o Brasil
estende-se por quatro fusos horários distintos.
Podemos ter uma noção da grandeza do território
brasileiro ao verificar a distância entre seus pontos O primeiro fuso, atrasado em duas horas em re-
extremos: são 4 394,7 km da nascente do rio Ailã, no lação à hora de Greenwich e adiantado uma hora
Monte Caburaí, em Roraima (norte) ao arroio Chuí, em relação ao fuso oficial de Brasília, compreende
no Rio Grande do Sul (sul); e são 4 319,4 km da Ponta apenas as ilhas oceânicas Fernando de Noronha,
do Seixas, na Paraíba (leste) à nascente do rio Moa, Trindade, Martim Vaz, atol das Rocas e arquipélago
na serra de Contamana, no Acre (oeste). Por esse mo- de São Pedro e São Paulo.
tivo, o Brasil é considerado um país equidistante, isto
é, há apenas uma pequena diferença entre as distân- O segundo fuso horário é o fuso oficial de Brasília
cias de seus pontos extremos. Veja o mapa abaixo. e engloba as regiões Sul, Sudeste e Nordeste e os esta-
dos de Goiás, Tocantins, Amapá e Pará. Esse fuso está
Banco de imagens/Arquivo da editora Brasil: pontos extremos – equidistância três horas atrasado em relação à hora de Greenwich.
VENEZUELA 50º O O terceiro fuso, atrasado quatro horas em relação
a Greenwich, abrange os estados de Mato Grosso,
GUIANA Guiana Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e quase
N Francesa todo o estado do Amazonas.
(FRA) O quarto fuso foi restabelecido em 2013 e abran-
ge o estado do Acre e treze municípios no oeste do
COLÔMBIA SURINAME estado do Amazonas, atrasado cinco horas em rela-
ção a Greenwich e duas horas em relação ao fuso
Equador NASCENTE DO 0º oficial de Brasília. Veja no mapa a seguir os fusos
EQUADOR RIO AILÃ (RR) horários do Brasil.
Ponto mais
setentrional
NASCENTE DO 4 319,4 km
RIO MOA (AC) O L
Ponto mais
PONTA DO
ocidental SEIXAS (PB)
Ponto mais
PERU 4 394,7 km oriental
OCEANO BOLÍVIA
PACÍFICO
PARAGUAI OCEANO Brasil: fusos horários Banco de imagens/Arquivo da editora
Trópico de Capricórnio ATLÂNTICO
CHILE
N
ARGENTINA OL OCEANO Arquipélago
ATLÂNTICO de São Pedro
S e São Paulo
URUGUAI RR AP
AM PA
S 0º MT Equador
AC RO
0 730 1460 km ARROIO CHUÍ (RS) Arquipélago
Ponto mais meridional OCEANO N de Fernando
PACÍFICO OL de Noronha
Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 91. MA CE RN Atol das
PI PB Rocas
Ricardo Azoury/Pulsar Imagens
TO PE
AL
SE
BA
DF MG
GO ES Ilhas de Trindade
e Martim Vaz
MS
SP RJ
Trópico de Capricórnio
PR
SC Limite prático
RS
S 0 665 1 330 km
* UTC -5 horas UTC -4 horas UTC -3 horas UTC -2 horas
* Em relação ao horário de Greenwich.
Rio Ailã, próximo à fronteira do Brasil com a Guiana, no Adaptado de: OBSERVATÓRIO NACIONAL. Disponível em:
município de Uiramutã (RR), em 2014. <http://pcdsh01.on.br/fusbr.htm>. Acesso em: 20 set. 2015.
Brasil: localização e territorialidade C A P Í T U L O 1 11
Os fusos horários brasileiros também são alterados o ano. Sua abrangência é definida por alguns critérios.
em decorrência do horário de verão. Mas essa alteração Leia mais sobre os critérios e os motivos da utilização
não ocorre em todos os estados, nem durante todo do horário de verão no Brasil no texto a seguir.
Ampliando o conhecimento
Horário de verão no Brasil: objetivos, racteriza como uma medida de eficiência energética.
estados onde vigora e período de Quanto mais uniforme a utilização da energia no perío-
vigência do diário, mensal e anual, melhor se aproveita o sistema
elétrico disponível, os recursos energéticos, e consequen-
O principal objetivo do horário de verão é o melhor temente os recursos naturais.
aproveitamento da luz natural em relação à artificial,
adiantando-se os relógios em uma hora, de forma a O horário de verão, que, em geral, se estende do
reduzir a concentração de consumo de energia elétrica terceiro domingo de outubro ao terceiro domingo de
no horário entre 18 e 21 horas. A redução na coincidência fevereiro, é mais eficaz nos estados mais distantes da
de consumo entre os diversos consumidores de energia linha do equador, onde há uma diferença mais significativa
elétrica nesse horário, pela aplicação do horário diferen- na luminosidade entre o verão e o inverno. Nos estados
ciado, provoca uma distensão do período de maior do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, os dias de verão são mais
consumo e uma redução do valor do pico, chamada de longos que no Norte e Nordeste. Com isso, é possível
demanda máxima de energia elétrica. estimular as pessoas e as empresas a encerrarem suas
atividades do dia com a luz do sol ainda presente,
Dessa forma, consegue-se um menor carregamento evitando que muitos equipamentos estejam ainda ligados
de energia nas linhas de transmissão, nas subestações, quando é acionada a iluminação noturna. No Norte e
e nos sistemas de distribuição, reduzindo o risco de não Nordeste, houve poucos benefícios elétricos e energéticos
atender à população no horário de ponta. Isto em uma nos estados em que houve horário de verão. Veja no
época do ano em que o sistema é normalmente gráfico a seguir a diferença de luminosidade entre
submetido às mais severas condições operacionais de algumas capitais brasileiras.
demanda. Além disso, essa redução na demanda máxima
de energia elétrica exige menos investimentos na Quando o verão se aproxima do fim, os dias voltam
expansão da geração e transmissão de energia elétrica, a ficar mais curtos nas regiões mais ao sul, o sol começa
uma vez que os investimentos normalmente são a sair cada vez mais tarde. Com isso, torna-se necessária
realizados para atender aos maiores requisitos de carga. a interrupção do horário de verão, para evitar que as
pessoas comecem o dia ainda no escuro e tenham que
Assim, a redução dos picos máximos dos horários de ligar a iluminação. Haveria também desconforto a
demanda por energia proporciona uma utilização mais crianças e trabalhadores que teriam que iniciar suas
uniforme da energia elétrica durante o dia, o que a ca- aulas ou seu trabalho ainda no escuro.
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. Disponível em: <www.mme.gov.br/web/guest/destaques-do-setor-de-energia/
horario-brasileiro-de-verao>. Acesso em: 14 jan. 2016. (Adaptado.)
Arte Ação/Arquivo da editora Duração da luminosidade do dia
Horas 21 Set. 11 Out. Porto Alegre 08 Fev. 28 Fev. 20 Mar. Dias Em 2011, devido a um
15:07 São Paulo do ano aumento no consumo
14:52 de energia, a Bahia
14:38 Rio de Janeiro aderiu ao horário de
14:24 Brasília verão. No entanto, em
14:09 Recife 2012, a pedido da
13:55 Belém população, o estado
13:40 desistiu de adotar a
13:26 31 Out. 20 Nov. 10 Dez. 30 Dez. 19 Jan. diferença de horário.
13:12 Em contrapartida,
12:57 nesse mesmo ano, o
12:43 estado do Tocantins,
12:28 visando reduzir o alto
12:14 consumo de energia
12:00 elétrica, passou a
adotar o horário de
1o Set. verão.
Adaptado de: ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Disponível em: <www.ons.org.br/download/avaliacao_
condicao/horario_verao/HV2007.08.pdf>. Acesso em: 14 jan. 2016.
12 U N I D A D E 1 Aspectos gerais do território brasileiro
Territorialidade, soberania Esses estados fazem fronteira com dez países da
e segurança nacional América do Sul, conforme pode ser observado no
mapa a seguir.
Brasília, a capital federal, é o símbolo da territo-
rialidade no sentido de soberania política sobre o O projeto denominado Desenvolvimento e Segu-
território nacional. Antes de Brasília, o Brasil teve rança na região ao Norte dos Rios Solimões e Amazonas
outras capitais. Salvador foi a primeira cidade a exer- ficou conhecido como Programa Calha Norte. Criado
cer esse papel de 1549 a 1763. Depois foi a vez da efetivamente em 1985, esse programa foi elaborado
cidade do Rio de Janeiro, capital do Brasil colônia e pelo governo militar para proteger a faixa de fronteira
do Brasil independente de 1763 a 1960. da Amazônia — área relativamente despovoada e ob-
jeto de incursões de redes do narcotráfico e de agentes
Construída exclusivamente para ser a capital do não nacionais em missões indígenas.
país, Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960;
teve seu projeto idealizado pelo arquiteto Lúcio O Calha Norte abrange uma área inexplorada
Costa (Plano Piloto) e arquitetura dos edifícios pú- com mais de 6,5 mil quilômetros de fronteiras ter-
blicos de Oscar Niemeyer. restres, que se estendem de Tabatinga (AM) até a
foz do rio Oiapoque, somando 1,2 milhão de km2.
A soberania brasileira não se limita apenas às
suas terras superficiais. Também fazem parte do Revitalizado, a partir do ano 2000, o Programa
território nacional seu subsolo, espaço aéreo e mar Calha Norte recebeu verbas para a construção de
territorial. Por essa razão, o Brasil tem o direito de quartéis, estradas e melhorias sociais para as al-
explorar recursos minerais, energéticos, água sub- deias indígenas. Essa preocupação teve como prin-
terrânea, etc., além de poder fiscalizar o tráfego rea- cipal motivo a atuação de organizações não gover-
lizado no espaço aéreo sobre seu território terrestre namentais na faixa de fronteira, considerada pelas
e seu mar territorial. autoridades uma ameaça à soberania nacional.
OiRaipooque
Banco de imagens/Arquivo da editora
Mar territorial: compreende uma faixa de 12 milhas Brasil: Programa Calha Norte e Faixa de Fronteira
marítimas (21,6 km) de largura, medidas a partir do
litoral continental e insular. VENEZUELA SURINAME 50º O
Embora o Brasil não apresente qualquer GUIANA Guiana Francesa (FRA)
questão a ser resolvida em suas fronteiras
terrestres, uma forte vigilância é exercida Rio Cabo Orange
nesses locais, mesmo com a atividade sen-
do dificultada pela grande extensão e a COLÔMBIA Queriniutu OCEANO
presença da floresta Amazônica no norte
do país. RR Rio AP ATLÂNTICO
Dentro da política de soberania e se- Equador Rio Negr Mutura 0º
gurança nacionais, destacam-se o concei- Rio Soli
to de Faixa de Fronteira e os projetos o Rio Amazonas
Calha Norte, Sipam/Sivam e Radambrasil. mões
A Faixa de Fronteira compreende uma Tabatinga AM PA
extensão interna de cerca de 150 km de
largura ao longo dos 15 719 km das fron- AC RO BRASIL
teiras terrestres brasileiras. Nessas áreas,
de vital importância à Segurança PERU MT
Nacional, qualquer atividade só é permi-
tida com autorização do governo federal. BOLÍVIA
Na região da Faixa de Fronteira encon-
tram-se 11 estados: Acre, Amapá, MS
Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do
Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Trópico de Capricórnio PARAGUAI
Rondônia, Roraima e Santa Catarina.
N CHILE PR
SC
OL ARGENTINA Área de atuação
S RS do Programa
Calha Norte
Faixa de Fronteira
0 500 1000 km URUGUAI Arroio Chuí
Adaptado de: MINISTÉRIO DA DEFESA. Disponível em: <www.defesa.gov.br/
programas-sociais/programa-calha-norte/area-de-atuacao-do-programa-calha-norte>;
IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartogramas/ff_brasil.html>.
Acesso em: 5 jan. 2016.
Brasil: localização e territorialidade C A P Í T U L O 1 13
O Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) é tráfego aéreo na região da Amazônia Legal, e Centro Ricardo Azoury/Pulsar Imagens
um projeto de grandes dimensões, criado para pro- Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da
teger e fornecer subsídios para o desenvolvimento Amazônia (Censipam), responsável pela gestão de
de uma área muito importante para o país: a todo o Sipam.
Amazônia Legal, que abrange os estados do Acre,
Amapá, Rondônia, Roraima, Amazonas, Pará, partes O Projeto Radam (Radar da Amazônia) foi cria-
do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Esse proje- do na década de 1970 com o objetivo de detalhar a
to apresenta como um dos seus componentes o geologia, o relevo, os solos e a cartografia da
Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), que Amazônia e do Nordeste brasileiros. Aos poucos, o
entrou em vigor em 1997. projeto, que utilizava técnicas como sensoriamento
remoto e aerofotogrametria, ampliou-se e, em 1975,
O Sivam funciona como uma rede de coleta e foi estendido a todo o território brasileiro, passando
processamento de dados da Amazônia e apresenta a se chamar Radambrasil.
uma infraestrutura integrada que dispõe de técni-
cas modernas, como sensoriamento remoto, vigi- Radar e antena do Sistema de Vigilância da Amazônia
lância por radares, monitoração ambiental e meteo- (Sivam), em São Gabriel da Cachoeira (AM), em 2012.
rológica, recursos computadorizados e meios de
telecomunicações (satélites), com um centro de
Coordenação Geral sediado em Brasília e três
Centros Regionais de Vigilância que se encontram
em Belém, Manaus e Porto Velho.
Seus principais objetivos são reduzir as ativida-
des ilegais (contrabando da fauna e da flora, tráfico
de drogas, invasão de terras indígenas) e monitorar
a região protegendo o meio ambiente, principalmen-
te evitando o desmatamento da floresta Amazônica.
Em 2002, o Sivam foi dividido em Quarto Centro
Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego
Aéreo (Cindacta IV), responsável pela vigilância do
O Brasil na Antártida O Brasil aderiu ao Tratado da Antártida em
1975 e deu início ao Programa Antártico Brasileiro
Em primeiro de dezembro de 1959, doze países (Proantar) em 1982. As atividades brasileiras de pes-
— Argentina, Austrália, Bélgica, Chile, Estados Uni- quisas científicas começaram entre 1982 e 1983, a
dos, França, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Reino bordo do navio Barão de Teffé. Em 1983, nosso país
Unido, República Sul-Africana (hoje África do Sul) e foi admitido como Membro Consultivo no Tratado
União Soviética (extinta em 1991) — assinaram o da Antártida.
Tratado da Antártida, que passou a vigorar em 1961.
O Proantar é responsabilidade da Comissão
O tratado definiu a realização de pesquisas cien- Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM),
tíficas no continente e estabeleceu uma área situada coordenada pelo Ministério da Marinha.
ao sul do paralelo 60° especialmente para esse fim.
Definiu princípios importantes, como: liberdade para As atividades do Proantar são realizadas na
pesquisa científica, cooperação entre países para esse Estação Antártica Comandante Ferraz, nas ilhas
fim e utilização pacífica da Antártida. Esse tratado Nelson, do Elefante, Rei George e no navio de apoio
reconhece a importância do continente para toda a oceanográfico Ary Rongel, que substituiu o Barão
humanidade. Assim, esse território deve ficar indeter- de Teffé, em 1994. Suas principais áreas de estudo
minadamente livre da discórdia entre os países, são as Ciências da Atmosfera, Ciências da Terra e
especialmente no que diz respeito a aspirações Ciências da Vida.
territoriais. Ficou também estabelecido que seria
proibida a militarização da região, bem como explosões A Estação Antártica Comandante Ferraz, com
nucleares ou depósitos de lixo atômico no continente. capacidade para abrigar 106 pessoas, localiza-se na
ilha Rei George, na baía do Almirantado.
14 U N I D A D E 1 Aspectos gerais do território brasileiro
Embora não existam efetivamen- Antártida: bases científicas brasileirasOCEANO PACÍFICO
te terras brasileiras na Antártida,
devemos lembrar que navios ou ba- Banco de imagens/Arquivo da editoraOCEANO ATLÂNTICO
ses militares de nosso país fora do
território nacional têm soberania Base
brasileira. Comandante Ferraz
Em 2012, dois acontecimentos AMÉRICA Mar
marcaram o programa brasileiro na DO SUL de
Antártida. Um bastante positivo foi a Weddell
inauguração do primeiro módulo brasi- Cabo OCEANO ÍNDICO
leiro de pesquisa, o Criosfera 1, locali- Horn
zado no interior da Antártida, 670 km Círcul
do polo sul. Veja o mapa ao lado. Criosfera 1
O outro foi o incêndio que atingiu Polo Sul
de maneira trágica a Estação Antártica
Comandante Ferraz, afetando cerca de Mar 1760 km Bases científicas do Brasil
70% de suas instalações, vitimando de
dois marinheiros e destruindo anos de o Ross
pesquisa. As operações do Proantar Polar Antártico
continuam sendo realizadas no navio
oceanográfico Ary Rongel e no navio 0 800
polar Almirante Maximiano até a
Estação ser reconstruída. Adaptado de: O ESTADO de S. Paulo. Disponível em: <www.estadao.com.br/
noticias/geral,pela-primeira-vez-brasil-tera-estacao-cientifica-no-interior-da-antartida-
imp-,749866>. Acesso em: 14 jan. 2016.
Texto elaborado com base em: MARINHA DO BRASIL. Secretaria da Comissão Interministerial para
os Recursos do Mar. Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Disponível em:<www.mar.mil.br/secirm/
portugues/proantar.html>; O ESTADO de S. Paulo. Disponível em: <www.estadao.com.br/noticias/geral,pela-primeira-
vez-brasil-tera-estacao-cientifica-no-interior-da-antartida-imp-,749866>. Acesso em: 14 jan. 2016.
Fronteiras terrestres Como vimos, os 15 719 km de extensão de fron-
e marítimas teiras terrestres fazem divisa com dez países e en-
globam terras das regiões Norte, Centro-Oeste e
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Sul. Ao norte, o Brasil faz fronteira com Guiana,
Estatística (IBGE), nosso país possui 23 086 km de Guiana Francesa, Suriname e Venezuela; a noroes-
fronteiras, sendo 15 719 km de fronteiras terrestres te, está a Colômbia; a oeste, encontram-se Bolívia
e 7 367 km de fronteiras marítimas. e Peru; a sudoeste, Paraguai e Argentina; ao sul,
Uruguai. Veja, novamente, o mapa da página 13.
As fronteiras terrestres do nosso país foram de-
marcadas segundo as características da paisagem Fronteiras marítimas
predominante na região, como rios, lagos, monta-
nhas, serras, picos e também por meio de linhas Os 7 367 km de fronteiras marítimas brasileiras
geodésicas, linhas traçadas no terreno, tendo como estendem-se desde a foz do rio Oiapoque, entre a
referência os paralelos e os meridianos. Guiana Francesa e o Amapá, até a barra do arroio
Chuí, entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai.
Fronteiras terrestres
Além do grande desafio que é proteger as fron-
As fronteiras terrestres brasileiras representam teiras terrestres, é necessário proteger as frontei-
cerca de 68% de toda a extensão dos limites territo- ras marítimas, a fim de garantir soberania para
riais do nosso país. Devido à grande extensão, o exploração, conservação e gestão dos recursos
Brasil só não faz fronteira com o Chile nem com o naturais.
Equador, entre os países sul-americanos.
Brasil: localização e territorialidade C A P Í T U L O 1 15
Portal de Mapas/Arquivo da editoraLimites marítimos do BrasilArq. de S. Pedro As ilhas oceânicas
Lucas Milmann/Arquivo do autore S. Paulo
50° O Alguns pontos distantes no oceano Atlântico tam-
bém fazem parte do território brasileiro: são as nossas
Equador ilhas oceânicas. As mais conhecidas são as ilhas do
arquipélago de Fernando de Noronha (PE); as outras
Atol Arq. de Fernando são a ilha de Trindade e os arquipélagos de São Pedro
das Rocas de Noronha e São Paulo e de Martim Vaz. De origem vulcânica,
essas ilhas são picos da Dorsal Atlântica.
N
O Atol das Rocas também faz parte dessa cadeia
OL de montanhas. No entanto, como o nome indica, é
de origem coralígena, e é a única formação desse
S tipo, tão comum no oceano Pacífico, encontrada no
oceano Atlântico Sul Ocidental.
OCEANO
ATLÂNTICO As ilhas oceânicas são resultado da história geo-
lógica do planeta Terra, do tempo em que a África
Arq. e o Brasil se separaram. Todas as ilhas oceânicas
de Abrolhos brasileiras são de domínio da Marinha e são consi-
deradas unidades de conserva•‹o, pois possuem
Ilha de I. de Martin uma grande diversidade de espécies que só ocorrem
Trindade Vaz nesses ambientes.
Trópico de Capricórnio Atol: recife de forma circular.
Unidade de conservação: área delimitada do território nacional
0 490 980 km 12 milhas que contém recursos naturais de importância ecológica ou
(mar territorial) ambiental e, por isso, é especialmente protegida por lei.
200 milhas
(Zona Econômica
Exclusiva – ZEE)
Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed.
Rio de Janeiro, 2012. p. 90.
Para regularizar os direitos de explora- O arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) é formado por cinco
ção e a soberania dos países sobre a faixa ilhotas maiores e várias outras de menor tamanho. Está localizado a
de mar que banha o seu litoral, foi assinado 0° 56’ N e 29° 22’O, tendo como ponto mais próximo da costa brasileira o
um tratado internacional — a Convenção estado do Rio Grande do Norte. Sua posição geográfica, entre os
das Nações Unidas sobre o Direito do Mar hemisférios norte e sul e os continentes africano e americano, favorece a
(CNUDM), realizada na Jamaica. O tratado realização de várias pesquisas. Para isso foi construída uma Estação
foi assinado pelo Brasil e mais 118 países, Científica no arquipélago. Foto da base da Marinha brasileira no ASPSP,
em 1982, mas só entrou em vigor em 1994. em 2013.
Segundo a Convenção, o Brasil tem “di-
reito de soberania e controle pleno sobre
as águas, o espaço aéreo e o subsolo dessas
águas, na faixa de fronteira marítima de-
nominada mar territorial e que deve ter, no
máximo, 12 milhas marítimas (21,6 km)
além das costas brasileiras”.
O tratado estabeleceu uma faixa que se
estende por 200 milhas marítimas
(370 km) a partir do mar territorial dos paí-
ses que possuem litoral, e também a partir
de suas ilhas oceânicas efetivamente ocu-
padas. Essa faixa foi denominada Zona
Econômica Exclusiva (ZEE), isto é, dentro
desses limites, todos os recursos oferecidos
pelo mar podem ser explorados pelo país
que a detém.
16 U N I D A D E 1 Aspectos gerais do território brasileiro
Relacionando os assuntos Não escreva
no livro
Atol das Rocas O Atol das Rocas apresenta forma de uma elipse
O Atol das Rocas situa-se a cerca de 145 km a oeste semicircular com área interna de 5,5 km2. O seu eixo
do arquipélago de Fernando de Noronha e a aproxima-
damente 260 km a nordeste da cidade de Natal, no Rio Leste-Oeste possui aproximadamente 3,7 quilômetros,
Grande do Norte, sendo o único atol presente no oceano
Atlântico Sul Ocidental. Apresenta elevada importância e o eixo Norte-Sul, cerca de 2,5 quilômetros. Ainda que
ecológica por sua alta produtividade biológica e por ser
importante zona de abrigo, alimentação e reprodução de o Atol tenha dimensões pequenas e a ausência de uma
diversas espécies de animais. O Atol das Rocas foi trans-
formado na primeira Reserva Biológica Marinha do Brasil, laguna profunda, fato usado como argumento para que
em 5 de junho de 1979.
Rocas não fosse considerado um atol verdadeiro, sua
Duas ilhas estão presentes na porção interior do Atol
das Rocas: morfologia atual apresenta várias características que
• Ilha do Farol, com cerca de 34,6 mil metros quadrados,
são encontradas nos atóis ao redor do mundo. Destacam-
1 km de comprimento, por 400 metros de largura, era
conhecida pelos franceses e ingleses como Sable ou -se entre elas:
Sand. O nome atual deveu-se à construção do primeiro
farol na ilha, em 1881, que acabou suspenso em virtude • a presença de laguna rasa e ilhas arenosas a sotavento
de a torre não atender às necessidades do local. O
farol, que permanece em atividade na ilha, foi do recife, características dos atóis do Caribe;
inaugurado em 1967;
• Ilha do Cemitério, com cerca de 31,5 mil metros • a existência de uma crista de Sotavento: lado
quadrados, 600 metros de comprimento, por 150 me- algas coralinas na borda recifal, oposto de onde
tros de largura, era chamada de Grass ou Capim. O particularidade dos atóis indo- sopra o vento.
nome atual é devido aos sepultamentos de faroleiros -pacíficos; Barlavento:
e familiares, assim como das vítimas dos diversos
naufrágios. As duas ilhas estão a cerca de 3 metros • a maior extensão do anel recifal lado de onde
acima da preamar, sendo avistadas, aproximadamente,
a 10 milhas náuticas de distância, dependendo da no lado a barlavento do atol. sopra o vento.
direção de aproximação do Atol das Rocas.
ICMBio/MMA
As origens do atol
O Atol das Rocas é o cume de um imenso vulcão que
O Atol das Rocas tem sua origem na mesma fratura emergiu do oceano Atlântico e difere de Fernando de
perpendicular à cadeia Dorsal Atlântica, de onde emergiu Noronha apenas em sua elevação. O desenvolvimento de
o arquipélago de Fernando de Noronha (Zona de Fratura colônias nas bordas das formações vulcânicas submersas
de Fernando de Noronha). Tal como o arquipélago, o Atol deu origem aos recifes em forma circular, chamados de
das Rocas é o cume de um imenso edifício vulcânico, cuja atóis. Na imagem, vista aérea do Atol das Rocas, 2015.
base se perde no abismo atlântico. A diferença entre
essas duas formações está em suas elevações vulcânicas, GASPARINI, J. L.; CHAGAS, L. P. Atol das Rocas.
pois, enquanto Noronha se ergueu a até 323 metros In: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Geografia: Ensino
acima do nível do mar, Rocas se ergueu ao nível do mar Fundamental e Ensino Médio: o mar no espaço geográfico
(mais suscetível à ação de ondas). Com o tempo, a ação brasileiro. Brasília, 2005. p. 88-89. (Explorando o ensino, 8).
das ondas reduziu todo o cume para alguns metros — Disponível em: <www.mar.mil.br/secirm/publicacoes/
dois ou três — abaixo da superfície do mar. A formação
desse substrato próximo à superfície do mar, devido à revistas/geografia.pdf>. Acesso em: 6 jan. 2016.
disponibilidade de luz e nutrientes, possibilitou a ocorrên-
cia de colônias de algas calcárias e corais. O desenvolvi- 1. Identifique a região geográfica brasileira onde
mento dessas colônias, nas bordas das formações está localizado o Atol das Rocas.
vulcânicas submersas, deu origem aos recifes em forma
circular (devido ao cume do vulcão submarino), com a 2. Justifique sua importância ecológica.
presença de lagunas em seu interior. A esta formação
recifal dá-se o nome de atol. 3. Caracterize sua formação.
4. Geografia e Biologia Pesquise e responda: há
habitantes humanos residindo no Atol? Explique.
Brasil: localização e territorialidade C A P Í T U L O 1 17
Refletindo sobre o conteúdo
1. Leia atentamente um pequeno texto sobre o Brasil: 3. Acompanhe um relato sobre as fronteiras brasileiras.
[...] as terras colonizadas pelos portugueses na Simon Schwartzman, sociólogo do Instituto de Estu-
América Meridional compreendiam quadros geográficos dos do Trabalho e Sociedade (Iets), afirma que o Brasil
dominantemente intertropicais. O Brasil é, antes de tudo, investe cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) na
um grande território tropical de face leste, refletindo em área militar. “Em termos comparados, os gastos militares
seus tipos de climas, como em seus grandes domínios brasileiros não são altos. O Brasil de fato não tem uma
paisagísticos, ou nos fundamentos de sua economia agrá- história de guerra com vizinhos, nem perspectivas disto,
ria, todas as consequências dessa tropicalidade. mas tem problemas sérios de falta de segurança nas fron-
teiras territoriais e marítimas. Tem áreas internas
V. V. A. A. História da civilização brasileira: controladas por gangues armadas, que trazem armas e
a época colonial. São Paulo: Difel/Difusão Cultural, contrabando do exterior sem muita dificuldade.”
2004. v. 1. p. 55. O TEMPO. Disponível em: <www.otempo.com.br/capa/
brasil/fronteiras-est%C3%A3o-desprotegidas-1.819440>.
a) Explique a frase sublinhada.
Acesso em: 6 jan. 2016.
b) Identifique duas características físicas ou naturais
decorrentes desse quadro geográfico intertropical. a) Cite cinco países que fazem fronteira com o Brasil.
2. Leia o texto sobre os sistemas de proteção e vigilân- b) Identifique o aspecto positivo e o negativo das
cia instalados na Amazônia brasileira. fronteiras brasileiras segundo Schwartzman.
A outra razão para a integração amazônica é o que 4. Leia o texto e analise a representação a seguir.
está acontecendo neste início do século XXI, em termos
de mudanças globais: a América Central e a fachada do A determinação soberana dos países sobre o território
Pacífico da América do Sul estão sofrendo um processo amazônico continua sendo política porque as perspectivas
de militarização crescente. Existem localidades de ope- sobre a “Grande Amazônia” decorrem dos olhares nacio-
ração avançada — este é o nome para evitar chamar de nais, próprios de cada um dos países. As Amazônias estão
bases — desde a Costa Rica, Curaçao, Panamá, Colômbia, submetidas às múltiplas pressões que vêm influenciando
Equador, Bolívia e Chile (e Alcântara). Mas a pressão mudanças de atitudes e políticas desde a década de 1990.
para colocar bases no território brasileiro era muito gran-
de, muito maior. Portal de Mapas/Arquivo da editoraGUIANA
Banco de imagens/Arquivo da editora
De certa maneira, houve uma resistência por parte do VENEZUELA SURINAME
Brasil. Os projetos dos Sistemas de Proteção e Vigilância COLÔMBIA
da Amazônia (Sipam/Sivam) foram uma resposta do go- Guiana
verno brasileiro a essa pressão. Francesa
(FRA)
EQUADOR
38%
SANTOS, M.; BECKER, B. K. 40º O 62%
(Org.). A Amazônia e a
Alcântara OCEANO PERU
política ambiental brasileira. BOLÍVIA
In: BECKER, B. K. Territórios, ATLÂNTICO
territórios: ensaios sobre o MA BRASIL
ordenamento territorial. Rio CE RN
PB
de Janeiro: Lamparina,
2007. p. 38-39. PI PE
AL
SE 10º S
BA
Adaptado de: IBGE. DF Amazônia internacional
Atlas geográfico escolar. GO
MELLO–THÉRY, N. A. Território e gestão ambiental na
6. ed. Rio de Janeiro, 0 440 km Amazônia: terras públicas e os dilemas do Estado.
2012. p. 162. São Paulo: Fapesp/Annablume, 2011. p. 102.
a) Observe no mapa a localização de Alcântara e a) Por que a autora fala em Amazônias?
explique sua importância para o Brasil. b) Explique a representação acima.
b) Justifique a relevância do projeto Sipam/Sivam
no contexto da preservação do meio ambiente e
da soberania nacional na Amazônia.
18 U N I D A D E 1 Aspectos gerais do território brasileiro
capítulo 2
Formação e ocupação
do território brasileiro
Reprodução/Acervo Mapoteca do Ministério das Relações Exteriores, Rio de Janeiro.
A ocupação do território brasileiro pelos europeus, iniciada no século XVI, se deu por meio das principais atividades econômicas
aqui desenvolvidas. Ao longo de cinco séculos, desde a ocupação europeia, a configuração do território brasileiro se modificou e a
extensão das terras pertencentes ao Brasil se ampliou. Na imagem, parte sul-americana do planisfério, produzida pelo cartógrafo
Pierre Descelliers, em 1546, em Arques, na França.
Expansão territorial consolidou-se como área exportadora de matérias-
-primas e importadora de bens manufaturados.
do Brasil colônia
Esse sistema de exploração de matérias-primas
Durante o período do capitalismo comercial (sé- permite explicar a formação e a expansão territorial
culos XV a XVIII), as metrópoles europeias acumu- do Brasil, juntamente com os tratados assinados
laram capital com a prática de atividades de retirada entre Espanha e Portugal (Tratado de Tordesilhas e
e comercialização de produtos primários (agrícolas Tratado de Madri), que acabaram definindo, com
e extrativistas), empreendida nos territórios conquis- alguns acréscimos posteriores, a área que hoje con-
tados. O Brasil, na condição de colônia portuguesa, sideramos território brasileiro.
Formação e ocupação do território brasileiro C A P Í T U L O 2 19
Tratado de Tordesilhas Pará até o atual município de Laguna, no estado de
Santa Catarina. No entanto, esses limites não foram
Espanha e Portugal foram pioneiros na expansão respeitados, e terras que seriam da Espanha foram
marítimo-comercial europeia, iniciada no século XV, ocupadas por portugueses e brasileiros, contribuin-
que ficou conhecida como Grandes Navegações e do para que nosso país adquirisse a forma atual.
que resultou na conquista de novas terras. Essas Observe a extensão territorial do Brasil no mapa a
conquistas geraram diversas tensões e conflitos en- seguir e compare-a com a de hoje.
tre os dois países que, na tentativa de evitar uma
guerra, em 7 de junho de 1494, assinaram o Tratado Tratado de Tordesilhas
de Tordesilhas, na pequena cidade de Tordesilhas,
na Espanha. Esse tratado estabeleceu uma linha
imaginária que passava a 370 léguas a oeste do ar-
quipélago de Cabo Verde (África), dividindo o mun-
do entre Portugal e Espanha: as terras situadas a
leste seriam de domínio português, enquanto as
terras a oeste seriam de domínio espanhol.
Os limites do território brasileiro, estabelecidos
por esse tratado, se estendiam do atual estado do
Gerson Gerloff/Pulsar Imagens Equador 0º
Banco de imagens/Arquivo da editora
OCEANO
PACÍFICO
Trópico de Capricórnio
OCEANO
ATLÂNTICO
N Território brasileiro atual
OL
Linha de delimitação do
S Tratado de Tordesilhas
0 1 050 2 100 km Terras de Portugal
Terras da Espanha
O Tratado de Tordesilhas foi o primeiro a demarcar a presença Adaptado de: ARMENTO, Beverly et al. Across the Centuries.
de Portugal e Espanha na América do Sul. A linha imaginária Boston: Houghton Mifflin, 2003. p. 378; IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed.
passava pela atual cidade de Laguna (SC), que fez um
monumento ao meridiano de Tordesilhas. Foto de 2015. Rio de Janeiro, 2012. p. 41.
Se os limites estabelecidos nesse tratado tivessem sido
respeitados, a atual extensão do Brasil seria inferior a 3 milhões
de km2. E, como vimos no capítulo anterior, o Brasil possui,
atualmente, mais de 8,5 milhões de km2.
Leitura e reflexão Geografia Não escreva
e História no livro
Brasil: Tordesilhas, ano 2000 Decorrente da mudança social constituída pela subs-
Tordesilhas, entendido como símbolo da tensão tituição da ordem econômica feudal pelo capitalismo em
fronteira-limite, constitui um dos componentes cruciais
da formação histórico-geográfica brasileira, sem o qual sua feição mercantilista, o Tratado de Tordesilhas con-
é difícil compreender hoje esse imenso país. Foram
muitos os consensos provisórios para partilhar o poder sagrou o novo significado atribuído pelo contexto
mundial, e sua especificidade variou ao longo de diferen-
tes contextos históricos. A tensão fronteira-limite a eles histórico às categorias fronteira e limite. Fronteiras de
inerente afetou o Brasil desde suas origens até hoje,
quando Tordesilhas contemporâneos de novo tipo, acumulação do capitalismo europeu eram estabelecidas
virtuais, se desenham no cenário mundial.
por conquista e colonização da empresa mercantil.
Limites, corol‡rios das fronteiras de
acumulação, constituíram linhas Corolário:
demarcatórias das novas áreas o mesmo que
controladas pelas potências hege- decorrência.
mônicas.
20 U N I D A D E 1 Aspectos gerais do território brasileiro
Os limites do Brasil se expressam na manutenção de de delimitar os amplos sistemas de controle territorial em
sua identidade de fronteira, na unidade territorial e nível mundial.
linguística, na desigualdade social e diversidade espacial,
bem como na busca incessante do controle dos dois polos BECKER, Bertha Koiffmann. Brasil: Tordesilhas,
de riqueza como fundamento de autonomia ante as ano 2000. In: IBGE. Atlas nacional do Brasil.
pressões das grandes potências nos diferentes momentos Rio de Janeiro, 2012. p. 15-16. (Adaptado.)
da História, em que se configuraram diferentes Tordesilhas.
Não mais um Tordesilhas fundado em uma linha que segue 1. O que significa afirmar que o Tratado de Tordesilhas
meridianos, mas sim em linhas variadas, reais ou virtuais, constituiu um dos componentes decisivos na for-
que, em face da velocidade da mudança, são cada vez mação histórico-geográfica brasileira?
mais efêmeras, mas que sempre significaram a tentativa
2. Com base no texto de Bertha Becker, dê um exem-
plo de “Tordesilhas contemporâneo de novo tipo”.
Tratado de Madri Tratado de Madri 0º Banco de imagens/Arquivo da editora
O Tratado de Madri, assinado em 1750, pratica- 60º O
mente garantiu a atual extensão territorial do Brasil.
Equador
O novo acordo anulou o Tratado de Tordesilhas
e estabeleceu o uti possidetis, expressão latina para OCEANO OCEANO
“já que possui, continuará possuindo” e que deter- PACÍFICO ATLÂNTICO
mina que as terras pertencerão a quem de fato as
ocupe. Dessa forma, as terras ocupadas pelos portu- Trópico de Capricórnio Território brasileiro atual
gueses passariam a ser de Portugal, mesmo que N Limite definido
estivessem fora dos limites estabelecidos pelo tra- pelo Tratado de Madri
tado anterior. O mesmo seria válido para as terras OL Terras de Portugal
ocupadas pelos espanhóis na América. S Terras da Espanha
Dessa forma, a Espanha reconheceu os direitos 0 990 1980 km
dos portugueses sobre as áreas correspondentes
aos atuais estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Adaptado de: ATLAS histórico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro: Fename, 1978. p. 26;
Tocantins, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 41.
Amazonas, Rondônia, Pará, Amapá, entre outras.
Veja o mapa ao lado.
A importância das atividades Depois do pau-brasil, a cana-de-açúcar trans-
econômicas formou o litoral do Nordeste na mais importante
As atividades econômicas desenvolvidas no região econômica da colônia até o início do sécu-
Brasil colônia representaram fator essencial para a
expansão territorial brasileira. A economia colonial lo XVIII. A atividade açucareira passou a consti-
girava em torno da produção de gêneros primários
voltados, na maior parte, para a exportação e para tuir a principal atividade
as necessidades da metrópole portuguesa. Daí o
caráter litorâneo e periférico da ocupação do terri- econômica, e o Brasil tornou- Drogas do Sertão:
tório brasileiro durante os primeiros séculos.
-se colônia do açúcar. Paralela- denominação dada
A primeira riqueza explorada em solo brasileiro mente à economia canavieira, a produtos como
foi o pau-brasil, uma das espécies florestais nativas a expansão da pecuária, da cacau, pimenta,
da mata Atlântica. Foi muito procurado nessa época sementes
porque sua madeira era utilizada pelos europeus na
fabricação de um corante. mineração, das bandeiras, oleaginosas,
das missões jesuíticas e da castanha, madeira
coleta das drogas do Sert‹o de lei,
salsaparrilha,
provocou a interiorização e o baunilha, anil, entre
alargamento do território por- outros, explorados
na Amazônia
tuguês em áreas que perten- durante o período
ciam à Espanha. colonial.
Formação e ocupação do território brasileiro C A P Í T U L O 2 21
A pecuária foi a responsável pelo povoamento denominação deve-se ao fato de as atividades serem
do Sertão nordestino e complementou a lavoura de regionais, isoladas uma das outras, como as planta-
cana-de-açúcar, que dominava o litoral, fornecendo ções de cana-de-açúcar no Nordeste, a mineração
carne para a alimentação e animais de tração para no Sudeste, a extração de borracha no Norte, etc.
o trabalho nos engenhos. Mais tarde, foi fundamen- Observe no mapa abaixo a localização dos principais
tal para o povoamento do sul das regiões dos atuais núcleos econômicos da época.
estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul,
e, ao mesmo tempo, das áreas de mineração. Expansão das fronteiras
no Império e na República
Em virtude da atividade mineradora, várias vilas
e cidades foram fundadas, ampliando as posses ter- Depois da Independência, em 1822, mais algu-
ritoriais da Coroa portuguesa. Tiveram importância mas áreas foram incorporadas ao território do Brasil
fundamental o bandeirismo apresador (séculos XVI imperial, e mais tarde, no século XX, ao Brasil repú-
e XVII), que eram as expedições organizadas com blica. Essas áreas foram anexadas de países vizinhos
o objetivo de aprisionar indígenas, e o bandeirismo por meio de tratados bilaterais, situação na qual as
prospector (séculos XVII e XVIII), expedições que duas partes envolvidas agem de comum acordo; ou
visavam descobrir ouro e pedras preciosas. Muitas por arbitragem, quando outros países são selecio-
vezes, as bandeiras tinham os dois objetivos. nados para resolver questões fronteiriças.
As missões que catequizavam indígenas estive- A maior alteração no mapa do Brasil pós-colonial
ram presentes no sul e no norte do território. ocorreu em 1903, com a anexação das terras que
Juntamente com elas, a exploração e a comerciali- hoje formam o estado do Acre. Foram incorporados
zação das drogas do Sertão foram responsáveis pela ao território brasileiro aproximadamente 1 milhão
incorporação de grande parte da Amazônia ao do- de km2 (área equivalente à da Bolívia, do Egito ou
mínio português. da Colômbia).
Nesse período, as atividades econômicas encon-
travam-se dispersas pelo território brasileiro, que
funcionava como um “arquipélago econômico”. Essa
Banco de imagens/Arquivo da editora“Arquipélago econômico” no período colonial – Século XVII
Meridiano deTordesilhas OCEANO
ATLÂNTICO
Equador 0º
Cametá Belém São Luís
Fortaleza
Natal Cana-de-açúcar
Pecuária
Paraíba (João Pessoa) Mineração
Olinda
Recife
Porto Calvo
Penedo
São Cristóvão
Salvador
OCEANO Ilhéus Drogas do Sertão
PACÍFICO Porto Seguro Rota da expansão pecuária
Território brasileiro atual
Trópico de Capricórnio Vitória Divisão política brasileira atual
N
Taubaté Espírito Santo
Rio de Janeiro
São Paulo Angra dos Reis
Itanhaém Santos
Cananeia São Vicente
Paranaguá
OL Laguna
S Adaptado de: THÈRY, Hervé; MELLO, Neli
0 600 1200 km Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades
e dinâmicas do território. 2. ed. São Paulo:
Edusp, 2009. p. 37.
Economicamente, o Brasil era formado por “ilhas” desarticuladas entre si e voltadas para o exterior. Somente em meados do
século XX é que começou a integração do território e da economia nacional.
22 U N I D A D E 1 Aspectos gerais do território brasileiro
No final do século XIX, Definição das fronteiras brasileiras Banco de imagens/Arquivo da editora
seringueiros brasileiros se
estabeleceram em uma 60º O
área que legalmente per-
tencia à Bolívia. Em 1899, VENEZUELA GUIANA OCEANO
os brasileiros recusaram-se ATLÂNTICO
a reconhecer a autoridade Rio Cotingo SURINAME
boliviana e pediram a ane- Equador
xação da área ao Brasil. RORAIMA Rio Maú Guiana Francesa (FRA)
As Forças Armadas dos COLÔMBIA Ri Questão do Questão do
dois países restauraram a Rio BrancoPirara, 1904 Amapá, 1900
ordem, mas em 1902, 0º Rio Tacutu
quando a Bolívia arrendou Tratado de io OiapoqueRio RupuruniR AMAPÁ
a região para norte-ameri- Bogotá, 1907
canos, estourou uma nova Ri o Araguari
rebelião, que só chegou ao
fim com a assinatura do Rio Amazonas
Tratado de Petrópolis, em
1903, e mediante um paga- o Javari AMAZONAS PARÁ MARANHÃO CEARÁ RIO GRANDE
mento de 2 milhões de li- MATO GROSSO PIAUÍ DO NORTE
bras esterlinas. ACRE Rio Madeira
PARAÍBA
Veja, no mapa ao lado, Questão do Acre / RONDÔNIA
quais áreas foram anexa- Tratado de Petrópolis, PERNAMBUCO
das, e como e quando ocor- Rio Guaporé
reu sua incorporação ao 1903 TOCANTINS ALAGOAS
território brasileiro. SERGIPE
PERU
Rio Beni BAHIA
Rio Mamoré
DF
GOIÁS
BOLÍVIA MINAS
GERAIS
MATO GROSSO
OCEANO DO SUL ESPÍRITO SANTO
PACÍFICO
SÃO PAULO
CHILE
PARAGUAI RIO DE JANEIRO
Trópico de Capricórnio
Guerra do PARANÁ
Paraguai, 1872 Rio Iguaçu
Questão de Rio Chapecó
Palmas, 1895
Rio Uruguai SANTA CATARINA
RIO GRANDE
DO SUL
N URUGUAI Guerra da
OL Cisplatina, 1828
ARGENTINA
S Território adquirido por arbitramento
Território adquirido por acordo bilateral
Adaptado de: VICENTINO, Cláudio. 0 400 800 km Região demarcada peloTratado de Ayacucho
Atlas histórico: Geral e Brasil. São Paulo: (Tratado de Amizade) em 1867, envolvida na
Questão do Acre
Scipione, 2011. p. 130. Território transferido à Bolívia de acordo com
oTratado de Petrópolis (1903)
Território brasileiro atual
Divisão política brasileira atual
Relacionando os assuntos Geografia, História Não escreva
e Língua Portuguesa no livro
Leia o poema a seguir, depois faça o que se pede. Depois mudaram-lhe o nome pra terra de Santa Cruz.
Terra cheia de graça
Ladainha Terra cheia de pássaros
Terra cheia de luz.
Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome A grande Terra girassol onde havia guerreiros de
[de ilha de Vera Cruz.
[tanga e onças ruivas deitadas à sombra das
Ilha cheia de graça [árvores mosqueadas de sol.
Ilha cheia de pássaros
Ilha cheia de luz. Mosqueado: que tem pintas escuras.
[…]
Formação e ocupação do território brasileiro C A P Í T U L O 2 23
Mas como houvesse em abundância Museu de Arte de São Paulo/The Bridgeman Art Library/Keystone
certa madeira cor de sangue cor de brasa
e como o fogo da manhã selvagem
fosse um brasido no carvão noturno da
[paisagem
e como a Terra fosse de árvores vermelhas
e se houvesse mostrado assaz gentil,
deram-lhe o nome de Brasil.
Brasil cheio de graça
Brasil cheio de pássaros
Brasil cheio de luz.
Adaptado de: RICARDO, Cassiano. Martim
Cererê. Rio de Janeiro: José Olympio, 2003. p. 24.
O caçador de escravos (óleo sobre tela), de
Jean-Baptiste Debret, década de 1820.
Quando avistaram as primeiras porções de terras, os exploradores portugueses, achando que se tra-
tasse de uma ilha, nomearam nosso país de Ilha de Vera Cruz. Mais tarde, percebendo que não era uma
ilha, e sim uma imensa porção de terras, deram início a um processo expansionista.
• Com base em seus conhecimentos prévios, escreva um texto dissertativo explicando como os núcleos de
ocupação portuguesa na América se transformaram em um imenso território, como é hoje o Brasil.
Refletindo sobre o conteúdo
1. Geografia e História O texto a seguir foi escrito 2. Leia o texto abaixo e, com base no que estudamos e
por um dos principais historiadores brasileiros. Leia-o nos seus conhecimentos, faça o que se pede.
e, depois, faça o que se pede.
Sabe-se pouco dessa história indígena, e dos inúme-
Em suma, e no essencial, todos os grandes aconteci- ros povos que desapareceram em resultado do que ago-
mentos desta era a que se convencionou com razão cha- ra chamamos eufemisticamente de “encontro” de socie-
mar de Descobrimentos articulam-se num conjunto que dades. Um verdadeiro morticínio teve início naquele
não é senão um capítulo da história do comércio europeu. momento. Uma população estimada na casa dos milhões
Tudo o que se passa são incidentes da imensa empresa em 1500 foi sendo reduzida aos poucos a cerca de 800
comercial a que se dedicam os países da Europa a partir mil, que é a quantidade de índios que habitam o Brasil
do século XV e que lhes alargará o horizonte pelo oceano atualmente.
afora. Não têm outro caráter a exploração da costa afri-
cana e o descobrimento e a colonização das ilhas pelos SCHWARCZ, Lília M.; STARLING, Heloisa M. Brasil:
portugueses, o roteiro das Índias, o descobrimento da uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 40.
América, a exploração e ocupação de seus vários setores.
• Explique o significado da palavra “encontro” usada
PRADO Jr., Caio. História econômica do Brasil. pelas autoras.
São Paulo: Brasiliense, 2006. p. 15.
3. Este capítulo abordou as principais atividades eco-
a) Você concorda com o termo Descobrimentos em- nômicas desenvolvidas durante o período colonial
pregado no texto? Justifique sua resposta. brasileiro. Quais foram essas atividades?
b) Aponte três nações europeias que se beneficiaram 4. Determine a importância do Tratado de Madri na de-
com essa “imensa empresa comercial” que se finição das fronteiras brasileiras.
constituiu a partir do século XV.
5. Explique como funcionava a economia dos arquipé-
c) Interprete o contexto da seguinte frase: “... e que lagos coloniais. Exemplifique.
lhes alargará o horizonte pelo oceano afora”.
24 U N I D A D E 1 Aspectos gerais do território brasileiro
capítulo 3
Divisão administrativa e
divisão regional do Brasil
Reprodução/Acervo da Biblioteca Nacional da Ajuda, Lisboa, Portugal. Ao longo de sua história,
o Brasil conheceu diferentes
formas de organização
político-administrativa:
capitanias hereditárias,
governo-geral, vice-reino e
reino unido, no período
colonial; províncias durante
o Império, e estados após a
proclamação da República,
bem como diferentes formas
de regionalização, que
estudaremos no decorrer
desde capítulo. Na imagem,
Mapa das capitanias
hereditárias: carta geral do
Brasil, de Luís Teixeira, em
cerca de 1568.
Organização e divisão indissolúvel dos estados, municípios e Distrito
político-administrativa do Federal, tendo na igualdade de seus federados um
Brasil de seus princípios fundamentais”, os estados bra-
sileiros não têm a mesma autonomia que têm, por
Da organização políticoadministrativa exemplo, os estados dos Estados Unidos da
América e as províncias canadenses, que são es-
Art. 18 – A organização políticoadministrativa do Brasil tados federativos, onde existe uma verdadeira
compreende a União, os estados, o Distrito Federal e os descentralização de poder. Ao contrário do que
municípios, todos autônomos, nos termos dessa Constituição. ocorre no Brasil, nesses países os estados podem
legislar sobre assuntos jurídicos, como divórcio,
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República aborto, pena de morte, entre outros, com leis dis-
Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988. cap. 1. (Adaptado.) tintas das leis vigentes nos demais estados e na
União.
O Brasil é dividido em 26 estados e um Distrito
Federal. Essas unidades formam uma federação: a Federação: nome dado a um Estado soberano, composto de
República Federativa do Brasil, que adota o presi- diversas unidades territoriais dotadas de governo próprio.
dencialismo como forma de governo.
Apesar de o Brasil ser uma república federati-
va e a constituição definir o país como “uma união
Divisão administrativa e divisão regional do Brasil C A P Í T U L O 3 25
No caso do Brasil, apenas o Estado Federal é so- Além de novos estados e territórios, podem ser Portal de mapas/Arquivo da editora
berano. Os estados, o Distrito Federal (capital do criados novos municípios. Segundo o IBGE, em
país) e os municípios possuem a mesma estrutura 1872, durante o Império, o país era dividido em pro-
administrativa, têm autonomia política, como auto- víncias e possuía apenas 642 municípios. Estes ti-
governo, autoarrecadação, autolegislação e gover- nham grandes extensões em todas as unidades, mas
nos próprios. No entanto, sua organização político- eram maiores na Amazônia e no Centro-Oeste. Em
-administrativa é regulamentada pela Constituição 2015, somavam 5 570 municípios.
da República Federal do Brasil, em vigor no país
desde 1988. Projetos de criação de novos estados
e territórios federais
Brasília, a capital federal, é a sede do governo
central brasileiro (a União), localizada no Distrito 50º O
Federal. Embora possua a mesma estrutura adminis-
trativa dos demais estados e municípios, o governo 0º Equador
é regido por uma Lei Orgânica, em vez de uma Cons-
tituição estadual. No Distrito Federal há apenas re- OCEANO 580 1160 km OCEANO
giões administrativas, cujos administradores não são PACÍFICO ATLÂNTICO
eleitos pelo povo, mas nomeados pelo governador.
0 Trópico de Capricórnio
Os estados brasileiros são divididos em muni-
cípios, que por sua vez subdividem-se em distritos. N
De acordo com a nossa Constituição, os estados
podem se unir, se subdividir ou se desmembrar para Carajás OL
se juntar a outros e formar novos estados ou terri- Gurgueia
tórios federais. No entanto, há regras a serem se- S
guidas: a população interessada deve aprovar a Araguaia
decisão por meio de plebiscito, assim como o Estado do Território Federal do Rio Negro
Congresso Nacional, que a aprova por meio de lei Rio São Francisco Território Federal do Solimões
complementar. Em 2011, por exemplo, a população Estado doTriângulo Território Federal do Juruá
do Pará rejeitou a divisão do estado em três partes: Maranhão do Sul Território Federal do Pantanal
Pará, Carajás e Tapajós. Veja no mapa a seguir ou- Território Federal do Oiapoque
tros projetos de criação de novos estados e territó- Mato Grosso do Norte
rios federais no Brasil.
Tapajós
A justificativa dos defensores da mudança da
divisão política do Brasil é a ausência da estrutura Adaptado de: GUIMARÃES, Cassius. Disponível em: <http://cienciaecultura.
de governo em estados de grande extensão territo- bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252012000100003&script=sci_arttext>.
rial. Com certeza, territórios menores seriam mais Acesso em: 14 mar. 2016. Mapa sem data na fonte original.
fáceis de administrar. Para os críticos dessas mudan-
ças, muitos desses estados não têm como se susten- As esferas de poder no Brasil
tar sozinhos e dependem de verbas da União. Outro
ponto desfavorável seria o aumento do número de A estrutura político-administrativa da Federação
deputados e senadores, bem como o custo da má- é composta de três poderes: o Executivo, exercido
quina administrativa do novo estado. pelo presidente da República, assessorado por seus
ministros; o Legislativo, formado pela Câmara dos
Lei Orgânica: lei maior municipal ou do Distrito Federal, Deputados e pelo Senado Federal; o Judiciário, que
equivalente a uma “constituição”. compreende o Supremo Tribunal Federal, o Con-
Território federal: é uma categoria específica de divisão selho Nacional de Justiça, o Superior Tribunal de
administrativa do país. Não tem a autonomia de estado e seu Justiça, o Tribunal Superior do Trabalho, o Tribunal
governador deve ser indicado pelo presidente da República. Superior Eleitoral, situados em Brasília, além de
Plebiscito: consulta popular realizada para decidir sobre Tribunais Regionais Federais, Tribunais Regionais
matéria de relevância para a nação em questões de natureza do Trabalho, Tribunais Regionais Eleitorais, Tribu-
constitucional, legislativa ou administrativa. O plebiscito é nais e juízes militares e Tribunais e juízes dos esta-
convocado previamente à criação do ato legislativo ou dos e do Distrito Federal.
administrativo em questão.
26 U N I D A D E 1 Aspectos gerais do território brasileiro
Nos estados, o Poder Executivo é exercido pelo IanTrower/RHP/Agência France-Presse
governador, assessorado pelos secretários estaduais
e regido pelas respectivas constituições estaduais, Na Praça dos Três Poderes, em Brasília, estão o Palácio do
que devem estar de acordo com a Constituição Planalto (Poder Executivo), o Supremo Tribunal Federal (Poder
Federal. O Poder Legislativo dos estados é exercido Judiciário) e o Congresso Nacional (Poder Legislativo). Na
pelas Assembleias Legislativas, formadas por de- imagem, monumento Os Candangos e o Palácio do Planalto, ao
putados que representam o povo. O poder Judiciário fundo, em 2014.
é constituído pelo Tribunal de Justiça ou Justiça
Estadual, juízes de Direito e Juizados Especiais.
Nos municípios brasileiros, o Poder Executivo é
exercido pelos prefeitos e seu secretariado, enquan-
to o Poder Legislativo é representado pela Câmara
dos Vereadores. Quanto ao Poder Judiciário, os mu-
nicípios possuem as Juntas Trabalhistas e Eleitorais.
Ampliando o conhecimento Geografia Não escreva
e História no livro
A federação brasileira dentro do todo estatal. A autonomia relativa das repúblicas
chegou a tal ponto que tanto a União Soviética quanto a
É muito complexa a natureza das federações. Essa Ucrânia e a Bielorrússia (atual Belarus) estiveram represen
complexidade resulta ora da extensão territorial, unida às tadas na Organização das Nações Unidas. Com a dissolução
diversidades regionais, ora de diferenças culturais. A influên da União Soviética, em 1989, formaramse quinze repúblicas
cia da formação histórica também é muito grande, daí independentes; destas, doze passaram a formar a
resultar, muitas vezes, na união de vários estados para Comunidade de Estados Independentes (CEI).
formar um Estado soberano, ou na descentralização de um
Estado ou de um Império unificado à procura de um equi No caso brasileiro, o país oscilou no período colonial
líbrio, visando evitar uma secessão. No primeiro caso, temos entre um governo centralizado, na Bahia até 1763 e, a
federações resultantes da ação de forças centrípetas, como partir daí, no Rio de Janeiro, e entre governos divididos,
nas antigas colônias inglesas, que, ao conquistarem a inde um com sede no Rio de Janeiro e outro na Bahia (de 1572
pendência, se uniram para formar um só Estado, abrindo a 1577 e de 1608 a 1612). Em seguida, por mais de um
mão da soberania, porém mantendo uma série de direitos. século (de 1621 a 1774), o Brasil foi dividido em dois esta
dos, o do Brasil e o do Maranhão.
No Canadá e na Austrália, cujos processos de inde
pendência foram gradativos e, até certo ponto, conduzidos Com a independência, sob a forma monárquica de
pelo governo do Reino Unido, as antigas colônias que se governo, instituiuse um sistema altamente centralizado
uniram foram ora elevadas à categoria de províncias, as (1824). As tentativas de se conceder maior autonomia
mais desenvolvidas, ora a territórios, as subpovoadas, o às províncias (Ato Adicional, de 1834) foram frustradas
que acontece na porção setentrional do Canadá, onde com a restauração conservadora (Lei de Interpretação,
prevalece o clima glacial, ou nas porções desérticas mais de 1841). No Império, o poder do imperador era quase
inóspitas da Austrália, onde sobrevivem territórios. absoluto, uma vez que ele exercia o Poder Moderador:
nomeava os presidentes de província, podia dissolver a
Em outros países, como a Rússia e a China, o processo Câmara quando julgasse necessário e tinha o direito de
foi bem diferente. Na Rússia, os imperadores estenderam o escolher os senadores vitalícios eleitos em listas tríplices.
domínio do seu império, a partir de Moscou, em várias Essa hipertrofia do poder do imperador era denominada
direções. Construíram, assim, o maior império do mundo em imperialismo e os liberais procuravam introduzir reformas
terras contínuas. Na década de 1920, a questão nacional foi constitucionais que atenuassem a centralização. Tavares
uma das mais debatidas entre estudiosos e políticos russos, Bastos (1937)1, uma das principais figuras entre os que
que decidiram pela organização de um superestado, a URSS combateram a centralização e defenderam a federali
(União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), concedendo zação política, admitia que as províncias que não
autonomia a vários territórios denominados repúblicas,
1 Aureliano Tavares Bastos viveu entre 1839 e 1875. A data de 1937 faz referência à publicação póstuma de seu livro, O valle do Amazonas, pela
Editora Nacional.
Divisão administrativa e divisão regional do Brasil C A P Í T U L O 3 27
tivessem condições de exercer a autonomia fossem man a Constituição de 1891, ficou estabelecido que cada
tidas como territórios ou agregadas a províncias vizinhas. província formaria um estado federado e autônomo.
No fim do período imperial, quando a propaganda repu Iniciavase, assim, o sistema federativo no Brasil.
blicana foi levada às ruas e à imprensa, o jornalista e
político Alberto Sales defendeu (1887), em livro famoso, ANDRADE, Manuel Correia de; ANDRADE,
a ideia de que São Paulo poderia proclamar a República Sandra Maria Correia. A federação brasileira. São Paulo:
e se separar do Império, uma vez que era a província
mais rica e mais culta do país. Outras províncias pode Contexto, 2007. p. 12-14.
riam seguir o seu exemplo e, uma vez independentes,
unirse a São Paulo e a outras províncias republicanas Com base na leitura do texto A federação brasi-
para formar uma federação ou uma confederação. leira, responda:
Com a Proclamação da República, no Rio de Janeiro, • O poder exercido pelos presidentes da República
caiu a monarquia em todo o território nacional. E, com brasileira é semelhante ao Poder Moderador,
durante a fase imperial brasileira? Justifique sua
resposta.
Evolução da divisão política ■■ 1974 – Fusão dos estados da Guanabara e do Rio
de Janeiro, com a capital sediada na cidade do
do Brasil Rio de Janeiro.
Desde sua ocupação pelos portugueses, no sécu- ■■ 1977 – Criação do estado de Mato Grosso do Sul.
lo XVI, o Brasil teve o território dividido interna- ■■ 1981 – O território de Rondônia passa a ser esta-
mente a fim de facilitar seu controle administrativo.
No final do século XIX, quase todos os estados bra- do da Federação.
sileiros já apresentavam sua configuração atual; no ■■ 1988 – Criação do estado de Tocantins; os terri-
entanto, novas modificações na configuração terri-
torial continuaram ocorrendo. tórios do Amapá e de Roraima passam a ser es-
tados e é extinto o território de Fernando de
Alguns territórios federais existentes foram extin- Noronha que, em 1989, torna-se distrito do estado
tos enquanto outros foram transformados em estados de Pernambuco.
com a Constituição de 1988. Após a incorporação do
território do Acre ao Brasil, em 1903, mediante acor- A divisão regional do
dos com a Bolívia, as mudanças na divisão política Brasil
do país ocorreriam apenas depois da década de 1940.
Apesar de uma divisão regional do Brasil ter sido
■■ 1942 – Criação do território de Fernando de feita em 1913, por Delgado de Carvalho, somente
Noronha (Nordeste). após a fundação do IBGE, em 1938, é que essas di-
visões tornaram-se oficiais. Esse instituto tinha o
■■ 1943 – Criação dos territórios de Guaporé, Rio objetivo de conhecer melhor o território nacional e
Branco, Amapá (Norte), Ponta-Porã (Centro- realizar o levantamento estatístico da população
-Oeste) e Iguaçu (Sul). brasileira. Para executar essa tarefa e divulgar esses
dados, era preciso conhecer e considerar as enormes
■■ 1946 – Extinção dos territórios de Ponta-Porã e diferenças existentes entre as diversas áreas do país,
de Iguaçu. por isso há a necessidade de ser elaborada uma re-
gionalização do território nacional.
■■ 1956 – O Território Federal de Guaporé passa a
denominar-se Território Federal de Rondônia, em Em 1941, o IBGE elaborou a primeira divisão re-
homenagem ao sertanista Marechal Cândido gional oficial do Brasil. O país foi dividido em cinco
Mariano da Silva Rondon. grandes regiões, utilizando o critério de região
natural, que é definida como uma área geográfica
■■ 1960 – Criação do Distrito Federal, no estado de caracterizada por um ou mais aspectos naturais,
Goiás, e mudança da capital do Rio de Janeiro como o clima, o relevo ou a vegetação. Essa primei-
para Brasília. ra divisão regional do Brasil foi regulamentada em
1942. Veja o mapa a seguir.
■■ 1960 – Criação do estado da Guanabara, que
abrangia o município do Rio de Janeiro.
■■ 1962 – O território do Acre torna-se estado; alte-
ra-se a denominação do território de Rio Branco
para território de Roraima.
28 U N I D A D E 1 Aspectos gerais do território brasileiro
Banco de imagens/Arquivo da editora Brasil: divisão regional de 1942 Adaptado de: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/geociencias/ uma nova divisão regional. O critério adotado des-
cartogramas/evolucao.html>. Acesso em: 14 mar. 2016. ta vez foi o de regiões homogêneas.
50º O
Banco de imagens/Arquivo da editora O conceito de região homogênea é mais abran-
0º Equador gente que o de região natural, pois vai além dos as-
AM pectos criados pela natureza. É definido pelo conjun-
PA MA CE to de elementos naturais, sociais e econômicos da
TERR. MT GO RN região. Com esse novo critério foram definidas cinco
DO ACRE regiões, que passaram a ser a base do levantamento
PI PB estatístico do IBGE que ajudou a determinar quais
Regi›es PE eram as regiões menos desenvolvidas e que passa-
Norte AL riam a receber maior atenção das políticas públicas.
Nordeste SE Veja no mapa abaixo quais são essas cinco regiões.
Este
Centro BA
Sul
OCEANO
ATLÂNTICO
SP MG
PR ES
RJ Trópico de Capricórnio Adaptado de: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/geociencias/
DF N geografia/default_div_int.shtm>. Acesso em: 14 mar. 2016.
SC OL Brasil: divisão regional de 1970
RS
50º O
S TERR. DE
0 720 1 440 km
RORAIMA TERR. DO
AMAPÁ Equador
0º
Aprofundando esses estudos, em 1945 foi pro- AM PA MA CE
posta uma nova regionalização, que dividiu o Brasil MT RN
em zonas fisiográficas que se baseavam nos aspec- AC GO
tos naturais e socioeconômicos e na posição geo- TERR. DE DF PI PB
gráfica das áreas analisadas. Essa divisão regional PE
serviu de base para o levantamento de estatísticas RONDÔNIA AL
do instituto até 1970. Veja esta nova regionalização SE
no mapa abaixo. Regi›es
Norte BA
Nordeste
Sudeste OCEANO
Centro-Oeste ATLÂNTICO
Sul
Banco de imagens/Arquivo da editora Adaptado de: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/geociencias/ MG
cartogramas/evolucao.html>. Acesso em: 14 mar. 2016. ES
Banco de imagens/Arquivo da editora SP RJ Trópico de Capricórnio
PR GUANABARA (GB) N
SC
RS O L
Brasil: divisão regional de 1945 S
0 720 1 440 km
50º O
TERR. DO TERR. DO
RIO BRANCO AMAPÁ A partir de então, houve mudanças apenas na
divisão político-administrativa, como você pode ver
0º Equador no mapa a seguir.
AM PA MA CE
RN
TERR. TERR. DO Brasil: divisão regional atual Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar.
DO ACRE GUAPORÉ PI PB 6. ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 94.
PE 50º O
GO AL
SE
MT
BA
Regi›es TERR. DE RR Equador
Norte PONTA OCEANO AP
PORÃ ATLÂNTICO
MG 0º
ES
Nordeste ocidental SP AM PA MA CE
TERR. DE PR RJ Trópico de Capricórnio RN
DF N AC
Nordeste oriental IGUAÇU SC RO PI PB
OL PE
Leste setentrional RS Regi›es AL
S Norte SE
Leste meridional 720 1 440 km Nordeste TO
Sudeste BA
Centro-Oeste 0 Centro-Oeste MT
Sul Sul DF OCEANO
ATLÂNTICO
GO
Mais tarde, principalmente na década de 1960, MS MG
com a preocupação com as crescentes desigualda- SP ES
des regionais de interação das forças produtivas
com o meio natural, bem como a necessidade de PR RJ Trópico de Capricórnio
diminuí-las e de promover a integração entre as SC N
diversas regiões do país, foi preciso empreender
RS O L
S
0 720 1 440 km
Divisão administrativa e divisão regional do Brasil C A P Í T U L O 3 29
A divisão regional do Brasil é utilizada pelo IBGE Como, apesar da divisão do país, as áreas das grandes
para objetivos variados: reconhecer áreas urbanas regiões ainda são muito expressivas, esse instituto
e rurais; aplicação de políticas públicas, como edu- também trabalha com diferentes divisões territoriais
cacionais e de saúde; uma forma de escolher áreas menores para agilizar o desenvolvimento do seu
onde estabelecer obras que tenham retorno econô- trabalho. Dentre elas podemos citar: regiões metro-
mico, de impostos e de emprego; ou seja, auxiliar politanas, regiões integradas de desenvolvimento e
o planejamento governamental de modo geral. outras que ainda estudaremos neste volume.
Refletindo sobre o conteúdo
1. Leia o texto abaixo, depois responda às questões. 4. Leia a frase abaixo, depois, com base nos seus conhe-
cimentos, faça o que se pede.
Pará, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Santa Durante o meu quinquênio, farei a mudança da sede
Catarina receberam, no total, cinco municípios em 2013. de governo e construirei a nova capital.
Com os novos mapas municipais, o Brasil passa a ter
5 570 municípios. A informação é do Instituto Brasileiro BRENER, Jayme. Jornal do século XX.
de Geografia e Estatística (IBGE). São Paulo: Moderna, 1998. p. 208.
[...]
A Constituição Federal e as estaduais dão autonomia a a) Identifique a região geográfica onde se situa a
eles, regidos por uma Lei Orgânica aprovada por dois nova capital.
terços dos membros da Câmara Municipal. O chefe mu
nicipal é o prefeito, escolhido entre maiores de 21 anos b) Aponte o clima e a vegetação predominantes no
para exercer mandato de quatro anos. As eleições são local onde a nova capital foi construída.
diretas e simultâneas.
O prefeito tem atribuições políticas e administrativas que c) Explique uma transformação do espaço natural
se consolidam em atos de governo e se expressam no sofrida com a construção da nova capital.
planejamento de atividades, obras e serviços municipais.
Cabem ao prefeito, ainda, a apresentação, sanção, pro 5. Analise a notícia publicada em uma revista mensal
mulgação e o veto de proposições e projetos de lei. brasileira.
[...]
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
BRASIL. Disponível em: <www.brasil.gov.br/ (IBGE) divulgou nesta quintafeira que o Brasil já tem
economia-e-emprego/2013/06/cresce-numero-de- mais de 202 milhões de habitantes. E as grandes cidades
são as responsáveis por acolher a maior parte desta enor
municipios-no-brasil-em-2013>. me população — que é a 5ª maior do mundo.
Acesso em: 14 mar. 2016.
As 200 maiores cidades do país representam apenas
a) Você se recorda quem é o prefeito atual de sua 3,5% de todos os municípios brasileiros, mas concentram
cidade e o partido a que está filiado? exatamente a metade do total de moradores do Brasil.
[...]
b) O que é a Lei Orgânica de um município?
Chama atenção também o fato de que 17 cidades
2. Faça as atividades propostas. brasileiras têm mais de 1 milhão de habitantes. São Paulo
a) Defina região natural. é a única que têm mais de 10 milhões de moradores e
lidera com folga o ranking.
b) Defina região homogênea.
EXAME. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/
c) Diferencie os conceitos de região natural e região brasil/noticias/as-200-cidades-mais-populosas-do-brasil>.
homogênea.
Acesso em: 14 mar. 2016.
3. Destaque as principais mudanças realizadas na divi-
são regional do Brasil em 1969. • Explique o parágrafo sublinhado.
Não escreva
no livro
30 U N I D A D E 1 Aspectos gerais do território brasileiro
Concluindo a Unidade 1
Geografia, Física e Biologia Leia o texto, reflita e por quase 15 graus de longitude? Uma delas causa preocu
depois responda às questões propostas. pação: mesmo seguindo a recomendação de se expor ao Sol
somente até as 10h, o banhista estará sujeito a níveis mais
Sol, praia, fuso horário e saúde elevados de radiação ultravioleta. Essa situação é bem
evidente no caso da cidade de Natal, onde o IUV atinge nível
O Sol quase incessante é uma atração das praias do 6 (alto) a partir das 9h e à 1h já passa do nível 8 (muito alto)
Nordeste brasileiro, mas também traz riscos à saúde. A durante todo o ano. Considerandose que as longitudes das
elevada incidência de câncer de pele na região, estimada em capitais mais orientais são praticamente iguais e as diferenças
32 mil novos casos apenas em 2010, está diretamente máximas nas latitudes são menores que 4 graus, podese
associada aos elevados índices de radiação ultravioleta considerar que o problema ocorre em todas.
presentes nos raios solares. A análise dos índices de radiação ultravioleta registrados
As praias nordestinas são espaços de lazer muito fre em Natal, entre janeiro de 2001 e dezembro de 2008, pelo
quentados […]. No céu da região, o Sol brilha forte e com Laboratório de Variáveis Ambientais Tropicais, do CRN/Inpe,
poucas interrupções, reforçando, em especial nas capitais revela a dimensão dessa diferença e a necessidade de
estaduais, o costume de tomar banhos de mar ou apenas ir modificar as campanhas educativas, que em geral recomen
à praia para se bronzear e encontrar os amigos. No entanto, dam à população não se expor em demasia ao Sol entre 10h
a localização geográfica e os hábitos sociais da região, e 15h. Em todos os anos do estudo, o índice — médias anuais
combinados, criam condições favoráveis ao surgimento de — atingiu valores superiores ao nível 6 (risco alto) a partir
câncer de pele em frequentadores dessas áreas litorâneas. das 9h10 e inferiores a esse nível após as 13h30. No mesmo
Agora, porém, estudo realizado em conjunto pelo Instituto período, o nível mais elevado foi atingido por volta das 11h20.
Nacional de Pesquisas Espaciais e pela Universidade Federal Nesse horário, os índices de radiação ultravioleta sempre
do Rio Grande do Norte indica que o fuso horário adotado chegaram bem próximos do nível 11 (risco extremo).
para a região pode contribuir para aumentar o perigo. Assim, com base nos resultados obtidos em Natal, pode
Os fusos horários se afirmar que, em todas as cidades situadas no litoral dos
estados mais orientais (do Rio Grande do Norte a Sergipe),
Em 24 de junho de 2008 passou a vigorar a Lei n. 11.662, a exposição ao Sol oferece riscos à saúde a partir das 9h,
que estabeleceu os novos limites dos fusos horários do antes do horário normalmente divulgado pelos meios de
território nacional [veja novamente o mapa que mostra a comunicação, nas campanhas de prevenção do câncer
configuração dos fusos horários na página 11]. No entanto, de pele. O correto, devido à diferença de longitude em
muito antes disso toda a costa brasileira utilizava o mesmo relação à Brasília, seria evitar a permanência nas praias
fuso horário, o que cria situações peculiares. As cidades de daquelas cidades no período entre 9h e 14h. Como os
João Pessoa, no litoral da Paraíba (latitude de 7°06’ sul e valores do estudo são médias anuais, é possível que em
longitude de 34°51’ oeste), e Jacareacanga, no oeste do Pará certos dias de verão os índices fiquem acima desses níveis.
(latitude de 6°13’ sul e longitude de 57°45’ Natal (RN): médias anuais do índice de radiação ultravioleta
oeste), por exemplo, têm latitudes semelhantes, por horário — 2001-2008
mas uma diferença de quase 23 graus na
longitude. Como estão dentro dos limites do IUV12
mesmo fuso horário, em novembro o nascer do
Sol ocorre em torno de 4h50 em João Pessoa, Fonte: LAVAT - INPE - CRN (2010)11
mas somente após as 6h25 em Jacareacanga.
10
Outra peculiaridade do sistema brasileiro
está na diferença média de longitude entre 9
Brasília (sede do horário oficial) e as capitais
nordestinas mais orientais, que chega a cerca 8
de 13 graus, o que corresponde, em termos de
horário real, a uma defasagem de quase uma 7
hora (52 minutos no caso de João Pessoa e
Recife, 51 minutos no de Natal e 48 minutos no 6 2001
de Maceió). Quais as consequências da adoção 2002
do mesmo fuso horário para regiões separadas 5 2003
4 2004
2005
2006
3 2007
2 2008
1
0
6:00 6:40 7:20 8:00 8:40 9:20 10:00 10:40 11:20 12:00 12:40 13:20 14:00 14:40 15:20 16:00 16:40
Hora
CONCLUINDO A UNIDADE 1 31
Isso é mostrado no registro da variação desse Natal (RN): índice de radiação ultravioleta — 6 jan. 2007
índice na praia de Ponta Negra, em Natal, em IUV
6 de janeiro de 2007: o nível de risco alto (6) 16 Fonte: LAVAT - INPE - CRN (2010)
foi atingido já às 8h20 e o de risco extremo 14
(11), antes das 10h. Nesse dia (11h e 12h), o 12
IUV ultrapassou o nível 14.
Além dos valores naturalmente elevados 10
no índice de radiação solar ultravioleta, o fuso 8
horário contribui para aumentar o risco de 6
doenças decorrentes da exposição ao Sol, por
lazer ou necessidade, nas praias nordestinas. 4
Esse fator, portanto, também precisa ser 2
levado em conta nas recomendações de
horários de exposição veiculadas nos meios 0 08:20 09:20 09:22 09:42 10:02 10:10 10:42 11:02 11:10 11:42 12:02 12:22 12:42 13:02 13:22
de comunicação, para evitar que as pessoas Hora local
recebam informações incorretas e se expo
nham a riscos desnecessários. O registro feito na praia de Ponta Negra, em Natal (RN), mostra níveis
SILVA, F. R.; OLIVEIRA, H. S. M. de; prejudiciais à saúde das 8h20 às 13h20. As “falhas” (quedas bruscas nas
MARINHO, G. S. Sol, praia, fuso horário e saúde. medições) observadas no registro devem-se à presença de nuvens.
Ciência Hoje, v. 49, p. 42-45, 2012. (Adaptado.) de conscientização dos perigos de se expor ao sol
1 Como são delimitados os fusos horários de um país? sem proteção.
• A campanha pode ser feita por meio da exposição
2 Relacione a posição geográfica do Nordeste à gran- de cartazes. Caso a escola disponha de recursos,
de incidência de câncer de pele. pode-se também fazer um documentário em vídeo,
ou ainda uma apresentação por meio de slides.
3 Faça uma pesquisa em revistas científicas, livros de
Biologia ou na internet e responda: • Entre outros aspectos que considerar relevantes,
neste trabalho devem ser destacados os horários
• Além dos casos de câncer de pele, quais outras recomendados para exposição ao sol.
prováveis consequências de se expor a um elevado • Lembrem-se de levar em conta a posição geográ-
índice de radiação ultravioleta? fica do local onde vocês moram e o fuso horário;
4 Diferencie radiação solar de insolação da Terra. origem do filtro solar; modo de aplicação do pro-
duto; durabilidade para proteção efetiva e inova-
5 Seguindo orientações do professor, reúna-se com ções tecnológicas desenvolvidas para aumentar a
três colegas e promovam na escola uma campanha proteção da pele contra os efeitos nocivos do sol.
Testes e quest›es Não escreva no livro
Enem Não escreva no livro
1 Chegança Onde nem era preciso dormir para sonhar.
Sou Pataxó, Mas de repente me acordei com a surpresa:
Sou Xavante e Carriri, Uma esquadra portuguesa veio na praia atracar.
Ianomâmi, sou Tupi Da grandenau,
Guarani, sou Carajá. Um branco de barba escura,
Sou Pancaruru, Vestindo uma armadura me apontou pra me pegar.
Carijó, Tupinajé, E assustado dei um pulo da rede,
Sou Potiguar, sou Caeté, Pressenti a fome, a sede,
Fulniô, Tupinambá, Eu pensei: “vão me acabar”.
Eu atraquei num porto muito seguro, Levanteime de Borduna já na mão.
Céu azul, paz e ar puro... Aí, senti no coração,
Botei as pernas pro ar. O Brasil vai começar.
Logo sonhei que estava no paraíso,
NÓBREGA, A.; FREIRE, W. CD Pernambuco
32 C O N C L U I N D O A U N I D A D E 1 falando para o mundo, 1998.
A letra da canção apresenta um tema recorrente na 3 Os tropeiros foram figuras decisivas na formação de vi
história da colonização brasileira, as relações de larejos e cidades do Brasil colonial. A palavra tropeiro
poder entre portugueses e povos nativos, e repre- vem de “tropa” que, no passado, se referia ao conjunto
senta uma crítica à ideia presente no chamado mito de homens que transportava gado e mercadoria. Por vol
ta do século XVIII, muita coisa era levada de um lugar a
a) da democracia racial, originado das relações cor- outro no lombo de mulas. O tropeirismo acabou associa
diais estabelecidas entre portugueses e nativos do à atividade mineradora, cujo auge foi a exploração de
no período anterior ao início da colonização bra- ouro em Minas Gerais e, mais tarde, em Goiás. A extração
sileira. de pedras preciosas também atraiu grandes contingentes
populacionais para as novas áreas e, por isso, era cada
b) da cordialidade brasileira, advinda da forma como vez mais necessário dispor de alimentos e produtos bá
os povos nativos se associaram economicamente sicos. A alimentação dos tropeiros era constituída por
aos portugueses, participando dos negócios co- toucinho, feijãopreto, farinha, pimentadoreino, café,
loniais açucareiros. fubá e coité (um molho de vinagre com fruto cáustico
espremido). Nos pousos, os tropeiros comiam feijão qua
c) do brasileiro receptivo, oriundo da facilidade com se sem molho com pedaços de carne de sol e toucinho,
que os nativos brasileiros aceitaram as regras im- que era servido com farofa e couve picada. O feijão
postas pelo colonizador, o que garantiu o sucesso tropeiro é um dos pratos típicos da cozinha mineira e
da colonização. recebe esse nome porque era preparado pelos cozinheiros
das tropas que conduziam o gado.
d) da natural miscigenação, resultante da forma
como a metrópole incentivou a união entre colo- Disponível em: <www.tribunadoplanalto.com.br.>
nos, ex-escravas e nativas para acelerar o povoa- Acesso em: 27 nov. 2008.
mento da colônia.
A criação do feijão-tropeiro na culinária brasileira
e) do encontro, que identifica a colonização portu- está relacionada à
guesa como pacífica em função das relações de
troca estabelecidas nos primeiros contatos entre a) atividade comercial exercida pelos homens que
portugueses e nativos. trabalhavam nas minas.
2 As secas e o apelo econômico da borracha — produto que b) atividade culinária exercida pelos moradores co-
no final do século XIX alcançava preços altos nos mercados zinheiros que viviam nas regiões das minas.
internacionais — motivaram a movimentação de massas
humanas oriundas do Nordeste do Brasil para o Acre. c) atividade mercantil exercida pelos homens que
Entretanto, até o início do século XX, essa região pertencia transportavam gado e mercadoria.
à Bolívia, embora a maioria da sua população fosse brasi
leira e não obedecesse à autoridade boliviana. Para reagir d) atividade agropecuária exercida pelos tropeiros
à presença de brasileiros, o governo de La Paz negociou o que necessitavam dispor de alimentos.
arrendamento da região a uma entidade internacional, o
Bolivian Syndicate, iniciando violentas disputas dos dois e) atividade mineradora exercida pelos tropeiros no
lados da fronteira. O conflito só terminou em 1903, com a auge da exploração do ouro.
assinatura do Tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil com
prou o território por 2 milhões de libras esterlinas. 4 A moderna “conquista da Amazônia” inverteu o eixo
geográfico da colonização da região. Desde a época co
Disponível em: <www.mre.gov.br>. lonial até meados do século XIX, as correntes principais
Acesso em: 3 nov. 2008 (adaptado). de população movimentaramse no sentido LesteOeste,
estabelecendo uma ocupação linear articulada. Nas úl
Compreendendo o contexto em que ocorreram os timas décadas, os fluxos migratórios passaram a se ve
fatos apresentados, o Acre tornou-se parte do terri- rificar no sentido SulNorte, conectando o CentroSul à
tório nacional brasileiro Amazônia.
a) pela formalização do Tratado de Petrópolis, que OLIC, N. B. Ocupação da Amazônia, uma epopeia inacabada.
indenizava o Brasil pela sua anexação. Jornal Mundo, ano 16, n. 4, ago. 2008 (adaptado).
b) por meio do auxílio do Bolivian Syndicate aos emi- O primeiro eixo geográfico de ocupação das terras
grantes brasileiros na região. amazônicas demonstra um padrão relacionado à
criação de
c) devido à crescente emigração de brasileiros que
exploravam os seringais. a) núcleos urbanos em áreas litorâneas.
d) em função da presença de inúmeros imigrantes b) centros agrícolas modernos no interior.
estrangeiros na região.
c) vias férreas entre espaços de mineração.
e) pela indenização que os emigrantes brasileiros
pagaram à Bolívia. d) faixas de povoamento ao longo das estradas.
e) povoados interligados próximos a grandes rios.
CONCLUINDO A UNIDADE 1 33
Testes de vestibular Não escreva para as bordas da vasta floresta equatorial do
no livro Continente Sul-Americano.
1 (Mack-SP) A mineração, atividade desenvolvida na c) ocupa o interior de uma placa litosférica, respon-
região Centro-Sul do Brasil, no século XVIII, teve inú- sável, em parte, pelo predomínio, na paisagem, de
meras consequências para a Colônia, entre as quais amplas depressões e de planaltos rebaixados pela
se pode destacar: erosão.
a) o surgimento de um novo estilo artístico decor- d) possui quatro fusos horários atrasados em relação
rente das profundas modificações ocorridas den- ao Meridiano de Greenwich, mas a hora oficial — a
tro da colônia portuguesa: o Neoclássico. Hora de Brasília — estende-se a boa parte do País.
b) a retração do mercado interno no país, especial- 4 (UFPB) Observe o mapa a seguir, verificando os pon-
mente em virtude da decadência da atividade tos extremos do Brasil: norte, sul, leste e oeste. Um
pecuária e da agricultura de subsistência. desses pontos, extremo leste, é a Ponta do Seixas,
localizada na cidade de João Pessoa, PB.
c) a urbanização, o surgimento de uma elite intelec-
tual nacional e o surgimento de um mercado na-
cional articulado à mineração.
d) a livre entrada de tecidos e outros manufaturados Nascente do rio Ailã
ingleses para abastecer a região aurífera do Brasil.
e) o maior aproveitamento da mão de obra indígena, Nascente do rio Moa (4 319,4 km) Ponta do Seixas
já que era difícil o controle de escravos nessas
regiões afastadas do litoral.
2 (UFMG) Todas as alternativas apresentam informa- (4 394,7 km) Arroio Chuí
ções corretas sobre as diferentes formas usadas para 0 620 1 240
expressar a posição geográfica do Brasil, exceto km
a) A posição atlântica, considerada uma vantagem Adaptado de: VITTIELO; BIGOTO e ALBUQUERQUE, 2006, p. 16.
para o país, tendo em vista o papel desse oceano
nas relações comerciais internacionais, tende a Com base nessas informações, é correto afirmar que
ser menos valorizada com a ampliação do comér- a demarcação de um ponto extremo é importante,
cio entre os países da orla do Pacífico. porque
b) A posição austral é depreciada em função da su- a) valoriza a questão socioambiental da área; au-
premacia dos países do Norte, desenvolvidos, menta o nível de degradação ambiental; aumenta
sobre os países do Sul, predominantemente sub- a temperatura média local.
desenvolvidos.
b) amplia as relações sociais; transforma o lugar em
c) A posição equatorial tem sido valorizada, em ra- espaço turístico ecológico; reduz o valor imobi-
zão da importância atribuída, na atualidade, à liário da área.
biodiversidade que caracteriza a extensa porção
do território nacional incluída nessa área. c) facilita o geoprocessamento cartográfico; demar-
ca o território; pode transformar esse ponto em
d) A posição ocidental é valorizada, pois a popula- espaço turístico.
ção brasileira se identifica com os valores do
mundo ocidental e aspira atingir o padrão de d) melhora as condições socioeconômicas da po-
vida e os níveis econômicos dos países ricos pulação residente; demarca a direção e o sen-
desse bloco. tido das rodovias; estabelece as demarcações
necessárias à elaboração dos mapas georrefe-
e) A posição subtropical é desvalorizada por ser con- renciados.
siderada a fonte de vários problemas nacionais,
ao dotar o país de climas desfavoráveis às ativi- e) define a seleção dos pontos turísticos; estabelece
dades econômicas. a localização de portos e aeroportos; define os
tipos de rodovia: federal, estadual ou municipal.
3 (UFMG) Considerando-se sua localização e sua di-
mensão, é incorreto afirmar que o território brasileiro:
a) é caracterizado por pequena variação latitudinal,
responsável pela reduzida amplitude térmica anual
registrada no País, típica de espaços intertropicais.
b) é dotado de extenso litoral, de onde, historica-
mente, as áreas de fronteira agrícola se projetaram
34 C O N C L U I N D O A U N I D A D E 1
5 (Cesgranrio-RJ) A formação do território brasileiro anterior dos portugueses nas suas colônias
no período colonial resultou de vários movimentos orientais.
expansionistas e foi consolidada por tratados no sé- e) A produção de abastecimento e o comércio inter-
culo XVIII. Assinale a opção que relaciona correta- no foram os principais mecanismos de acumula-
mente os movimentos de expansão com um dos ção da economia colonial.
Tratados de Limites.
8 (UEL-PR) No Brasil colônia, a pecuária teve um papel
a) A expansão da fronteira norte, impulsionada pela decisivo na
descoberta de minas de ouro, foi consolidada no
tratado de Utrecht. a) ocupação das áreas litorâneas.
b) expulsão do assalariado do campo.
b) A região missioneira do sul constituiu um caso à c) formação e exploração dos minifúndios.
parte, só resolvido a favor de Portugal com a ex- d) fixação do escravo na agricultura.
tinção da Companhia de Jesus. e) expansão para o interior.
c) O Tratado de Madri revogou o de Tordesilhas e 9 (Cesgranrio-RJ) A ocupação do território brasilei-
deu ao território brasileiro conformação seme- ro, restrita, no século XVI, ao litoral e associada à
lhante à atual. lavoura de produtos tropicais, estendeu-se ao in-
terior durante os séculos XVII e XVIII, ligada à ex-
d) O Tratado do Pardo garantiu a Portugal o contro- ploração de novas atividades econômicas e aos
le da região das missões e do rio da Prata. interesses políticos de Portugal em definir as fron-
teiras da colônia.
e) Os tratados de Santo Ildefonso e Badajós conso- As afirmações abaixo relacionam as regiões ocupa-
lidaram o domínio português no sul, passando a das a partir do século XVII e suas atividades domi-
incluir a região platina. nantes.
6 (Unaerp-SP) Em 1534, o governo português concluiu 1) No vale amazônico, o extrativismo vegetal — as
que a única forma de ocupação do Brasil seria através drogas do sertão — e a captura de índios atraíram
da colonização. Era necessário colonizar, simultanea- os colonizadores.
mente, todo o extenso território brasileiro.
2) A ocupação do Pampa gaúcho não teve nenhum
Essa colonização dirigida pelo governo português se interesse econômico, estando ligada aos conflitos
deu através da: luso-espanhóis na Europa.
a) criação da Companhia Geral do Comércio do 3) O planalto central, nas áreas correspondentes aos
Estado do Brasil. atuais estados de Minas Gerais, Goiás e Mato
Grosso, foi um dos principais alvos do bandeiris-
b) criação do sistema de governo-geral e câmaras mo, e sua ocupação está ligada à mineração.
municipais.
4) A zona missioneira no Sul do Brasil representa-
c) criação das capitanias hereditárias. va um obstáculo tanto aos colonos, interessa-
dos na escravização dos indígenas, quanto a
d) montagem do sistema colonial. Portugal, dificultando a demarcação das fron-
teiras.
e) criação e distribuição das sesmarias.
5) O Sertão nordestino, primeira área interior ocu-
7 (Cesgranrio-RJ) Assinale a opção que caracteriza pada no processo de colonização, foi um pro-
a economia colonial estruturada como desdobra- longamento da lavoura canavieira, fornecendo
mento da expansão mercantil europeia da época novas terras e mão de obra para a expansão da
moderna. lavoura.
a) A descoberta de ouro no final do século XVII au- As afirmações corretas são:
mentou a renda colonial, favorecendo o rompi-
mento dos monopólios que regulavam a relação a) somente 1, 2 e 4.
com a metrópole. b) somente 1, 2 e 5.
c) somente 1, 3 e 4.
b) O caráter exportador da economia colonial foi d) somente 2, 3 e 4.
lentamente alterado pelo crescimento dos setores e) somente 2, 3 e 5.
de subsistência, que disputavam as terras e os
escravos disponíveis para a produção.
c) A lavoura de produtos tropicais e as atividades
extrativas foram organizadas para atender aos
interesses da política mercantilista europeia.
d) A implantação da empresa agrícola representou
o aproveitamento, na América, da experiência
CONCLUINDO A UNIDADE 1 35
10 (Fuvest-SP) 12 (Puc-Campinas-SP) Assinale a alternativa que apre-
senta modificações corretas na divisão político-admi-
Se o açúcar do Brasil o tem dado a conhecer a todos nistrativa do Brasil, com a vigência da Constituição de
os reinos e províncias da Europa, o tabaco o tem feito 1988.
muito afamado em todas as quatro partes do mundo, em
as quais hoje tanto se deseja e com tantas diligências e a) A criação do estado de Fernando de Noronha e a
por qualquer via se procura. Há pouco mais de cem anos sua anexação à Região Nordeste.
que esta folha se começou a plantar e beneficiar na Bahia
[...] e, desta sorte, uma folha antes desprezada e quase b) A criação dos estados de Roraima e Amapá e o
desconhecida tem dado e dá atualmente grandes cabe aumento da extensão territorial da região Norte
dais aos moradores do Brasil e incríveis emolumentos aos decorrente da criação do estado de Tocantins,
Erários dos príncipes. desmembrado de Goiás.
André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil c) A criação do estado de Tocantins, desmembrado
por suas drogas e minas. São Paulo: Edusp, 2007. dos antigos estados de Mato Grosso e Goiás e a
sua anexação à região Centro-Oeste.
Adaptado.
d) A criação dos estados do Amapá, Rondônia e Acre
O texto acima, escrito por um padre italiano em 1711, e a anexação do território de Fernando de Noronha
revela que ao estado de Pernambuco.
a) o ciclo econômico do tabaco, que foi anterior ao e) A diminuição da extensão territorial da região
do ouro, sucedeu o da cana-de-açúcar. Nordeste, com a anexação do oeste do Maranhão
à Amazônia Legal.
b) todo o rendimento do tabaco, a exemplo do que
ocorria com outros produtos, era direcionado à Questões de vestibular Não escreva
metrópole. no livro
c) não se pode exagerar quanto à lucratividade pro- 1 (Unicamp-SP) Leia o trecho a seguir e responda às
piciada pela cana-de-açúcar, já que a do tabaco, questões:
desde seu início, era maior.
O Brasil faz fronteira com dez países da América do
d) os europeus, naquele ano, já conheciam plena- Sul, entre os doze existentes, o que reforça o caráter es
mente o potencial econômico de suas colônias tratégico dessa área para a competitividade do país e
americanas. para a integração do continente. Mas, grande parte das
regiões de fronteira está isolada dos centros nacionais,
e) a economia colonial foi marcada pela simultanei- quer pela ausência de redes de transportes e de comuni
dade de produtos, cuja lucratividade se relaciona- cação, quer pelo peso político e econômico menor que
va com sua inserção em mercados internacionais. possui. Na escala localregional, o meio geográfico que
melhor caracteriza a zona de fronteira é aquele formado
11 (Fuvest-SP) Quanto à formação do território brasi- pelas cidades gêmeas nos limites entre os países. Essas
leiro, podemos afirmar que cidades gêmeas apresentam fluxos transfronteiriços com
elementos comuns, que geram interações.
a) a mineração, no século XVIII, foi importante na
integração do território devido às relações com o Adaptado de: Lia Osório Machado. Estado, territorialidade, redes:
Sul, provedor de charque e mulas, e com o Rio de cidades gêmeas na zona de fronteira sul-americana. In: Maria
Janeiro, por onde escoava o ouro. Laura Silveira (Org.). Continente em chamas: globalização e
b) a pecuária no rio São Francisco, desenvolvida a território na América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
partir das numerosas vilas da Zona da Mata, foi 2005, p. 258; e do Programa de Desenvolvimento de Faixa de
um elemento importante na integração do terri-
tório nacional. Fronteira. Brasília: Ministério da Integração Nacional. Disponível
em: <www.mi.gov.br/programasregionais/fronteira.
c) a economia baseada, no século XVI, na exploração asp?area=spr_fronteira>. Acesso em: 12 out. 2009.
das drogas do sertão integrou a porção Centro-
-Oeste à região Sul. a) Comente, sucintamente, dois elementos incen-
tivadores de fluxos transfronteiriços entre
d) a economia açucareira do Nordeste brasileiro, cidades gêmeas.
baseada no binômio plantation e escravidão, foi a
responsável pela incorporação, ao Brasil, de ter- b) Aponte dois projetos nacionais elaborados entre
ritórios pertencentes à Espanha. as décadas de 1980 e 1990 que podem ser con-
siderados como estratégicos para a manutenção
e) a extração do pau-brasil, promovida pelos paulis- das fronteiras brasileiras.
tas, por meio das entradas e bandeiras, foi impor-
tante na expansão das fronteiras do território 2 (UFPR) Na Constituição do Brasil, consta que o país
brasileiro. adota o regime republicano, com a organização po-
lítica baseada no federalismo. Defina o que é uma
Federação e como é o ordenamento federativo do
Estado brasileiro.
36 C O N C L U I N D O A U N I D A D E 1
Outras fontes de reflexão e pesquisa
Filmes Livros
Sempre que você for assistir a um filme na sala de Estes livros poderão elucidar e ampliar o assunto
aula ou em casa, por recomendação do professor, estudado.
lembre-se de alguns passos importantes:
As formas do espaço brasileiro
■■ Leia o texto do capítulo ou suas anotações so- Pedro Geiger. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
bre o assunto antes de assistir ao filme. O autor analisa a espacialidade do território bra-
sileiro e o conecta com suas características his-
■■ Concentre-se e preste muita atenção. Se pos- tóricas e políticas.
sível, anote os principais acontecimentos.
Brasil: uma biografia
■■ Caso o professor tenha sugerido um roteiro para Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. São Paulo:
você acompanhar a projeção do filme, procure Companhia das Letras, 2015.
segui-lo e identificar os pontos principais. As autoras narraram o Brasil a partir de suas múl-
tiplas características, com preocupação de em-
■■ Anote os trechos que você não entendeu para basar o estudo com pesquisas históricas.
esclarecer com o professor.
Brasil: uma história
■■ Tire suas próprias conclusões e forme sua opi- Eduardo Bueno. São Paulo: Ática, 2010.
nião sobre o que você assistiu. Um panorama da história do Brasil desde o des-
cobrimento até 2010, em uma visão crítica do
Apresentamos a seguir algumas sugestões de filmes processo histórico do país.
que abordam o conteúdo tratado nesta Unidade.
História do Brasil
A missão Boris Fausto. São Paulo: Edusp, 2012.
Direção: Rolland Joffé. Reino Unido, 1986, Obra que busca compreender a formação histó-
126 minutos. rica do Brasil.
O filme é um drama histórico ambientado no sé-
culo XVIII, em que um mercador de escravizados O Brasil que os europeus encontraram
espanhol tem sua vida modificada e junta-se aos Laima Mesgravis. São Paulo: Contexto, 2008.
jesuítas na defesa dos índios. Reconstrói o período da colonização portuguesa
no Brasil e as relações entre índios e europeus.
Expedição Brasil oceânico: oásis do Atlântico e
o atol esquecido Sites
Direção: Lawrence Wahba. Brasil, 2001, 101 mi-
nutos. Os sites indicados a seguir constituem uma boa
Documentário sobre as ilhas oceânicas brasilei- fonte de pesquisa.
ras e o Atol das Rocas. Único no Atlântico Sul,
o atol foi declarado Patrimônio Natural da <www.brasil.gov.br/governo/2010/01/colonia>
Humanidade pela Unesco em 2001, mas é des- Site do Governo Federal com informações histó-
conhecido pela maioria dos brasileiros. ricas sobre o Brasil colônia.
Getúlio <www.ibge.gov.br/home/geociencias/geografia/
Direção: João Jardim. Brasil, 2013, 100 minutos. default.shtm>
O filme é um drama que reconta os últimos dias Site do IBGE, com informações sobre a divisão
de vida do presidente brasileiro. O posterior sui- política e regional do Brasil.
cídio de Getúlio marcou a História do Brasil.
<www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartogra-
Lutas fia/default_dtb_int.shtm>
Direção: Luis Bolognesi. Brasil, 2011, 90 minutos. Site do IBGE, com informações sobre os municí-
Longa-metragem de animação baseado em fatos pios brasileiros.
reais de nossa história, recontada de maneira
didática e bem ilustrada.
CONCLUINDO A UNIDADE 1 37
unidade Brasil: espaço
geográfico e
Andre Dib/Pulsar Imagensimpactos
2 ambientais Luis Salvatore/Pulsar Imagens
Mangue exuberante no município de
Porto das Pedras (AL). Em contraste, no
detalhe, mangue desmatado no município
de Camocim (CE). Fotos de 2015.
Em razão de sua grande extensão territorial e posição geográfica, o Brasil possui paisagens
diversificadas e bastante características. Nesta Unidade, vamos estudar os principais elementos
naturais que compõem as paisagens de nosso país e também os impactos ambientais no território
brasileiro, diretamente relacionados ao modo de vida da sociedade.
38
capítulo 4
Brasil: estrutura geológica
e formas de relevo
agustavop/iStockphoto/Getty Images
A superfície terrestre apresenta várias “fisionomias” ou irregularidades a que chamamos relevo. Essas formações se originaram de
forças e movimentos no interior da Terra e são constantemente modeladas pelo trabalho conjunto de agentes externos, como as
águas do mar, dos rios e das chuvas, o gelo, o vento e os seres vivos. Na foto, Cânion Itaimbezinho, na divisa dos estados do Rio
Grande do Sul e de Santa Catarina, em 2014.
Estrutura geológica cerca de 36% do território brasileiro e deram origem
a terrenos arqueozoicos (32%) e proterozoicos (4%).
Dos tipos de estrutura geológica que distingui- Nos terrenos da Era Proterozoica, encontram-se as
mos na crosta terrestre, o Brasil apresenta escudos riquezas minerais do Brasil: ferro, manganês, bauxi-
cristalinos, ou núcleos cratônicos, bacias sedimen- ta, ouro, etc.
tares e dobramentos antigos. Não possui dobramen-
tos modernos. As bacias sedimentares, formadas nas Eras Paleo-
zoica, Mesozoica e Cenozoica, ocupam mais da me-
As áreas de escudos cristalinos, formadas em tade da área total do território brasileiro e são divi-
épocas muito antigas (pré-cambrianas), ocupam didas em grandes e pequenas bacias.
39
Veja no mapa a seguir como se distribuem os lógica, pois, como estudamos, as atividades vulcâ-
escudos cristalinos e as bacias sedimentares no ter- nicas e sísmicas ocorrem principalmente nas bordas
ritório brasileiro. das placas tectônicas.
Brasil: estrutura geológica — Jurandyr Ross Juliana Medeiros de Albuquerque/Arquivo da editora Quanto às atividades vulcânicas, as últimas erup-
João Prudente/Pulsar Imagensções ocorridas no território brasileiro se deram prin-
50º O cipalmente entre o final do Período Terciário e o
início do Quaternário, e foram elas que deram ori-
0º 1 Equador gem às nossas ilhas oceânicas.
I Atividades vulcânicas mais intensas, com der-
1 II 3 ramamento de lava, também ocorreram no final da
Era Mesozoica, nas atuais regiões de Poços de
Bacias sedimentares 12 12 Caldas e Araxá, em Minas Gerais, e em grande par-
fanerozoicas 2 III OCEANO te do planalto arenito-basáltico, nos atuais estados
de São Paulo e Paraná.
I - Amazônica 3 ATLÂNTICO
II - do Maranhão 3 Os movimentos orogênicos, que dão origem a
III - do Paraná montanhas, ocorreram em épocas mais remotas,
Trópico de Capricórnio principalmente na Era Pré-Cambriana. Esses movi-
Faixas de dobramentos mentos são conhecidos como ciclo brasiliano, e suas
do ciclo brasiliano N formações mais importantes são a serra do Mar, a
serra da Mantiqueira e a do Espinhaço, todas loca-
1 - Brasília OL lizadas na região Sudeste.
2 - Paraguai-Araguaia
3 - Atlântico S O fato de o território brasileiro estar localizado
em uma região de relativa estabilidade sísmica não
Coberturas sedimentares 0 730 1 460 km exclui a possibilidade de que ocorram tremores no
correlativas ao brasiliano país, devido às falhas geológicas e também por
causa de deslocamento interno de blocos na parte
Crátons pré-brasilianos superior da crosta. Embora a maioria dos tremores
seja, em geral, de baixa intensidade, alguns abalos
1 - Amazônico mais fortes já foram registrados no país.
2 - São Francisco
3 - Sul-rio-grandense
Adaptado de: ROSS, Jurandyr L. Sanches (Org.). Geografia do Brasil.
6. ed. São Paulo: Edusp, 2011. p. 47. (Didática 3).
A dinâmica interna
Situado no centro da placa Sul-Americana, o ter-
ritório brasileiro apresenta relativa estabilidade geo-
Cidade de Ouro Preto (MG) com a serra do Espinhaço ao fundo. Foto de 2016.
40 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Contexto e aplicação Não escreva
no livro
Notícia 1 Mapa 1 — Placas tectônicas na Banco de imagens/Arquivo da editora
América do Sul e na América Central
Terremoto no Chile é o maior de 2015 e
um dos mais intensos em 25 anos OCEANO 50º O
PACÍFICO
O terremoto de magnitude 8,3 que atingiu o Chile Placa do Caribe
na quarta-feira [16/09/2015], com ao menos 11 mortos, Equador
é considerado o de maior intensidade em 2015 e um dos Placa de
mais fortes no mundo nos últimos 25 anos. Cocos
[...] 0º
De acordo com a publicação, o subsecretário do
Interior chileno, Mahmud Aleuy, afirmou ter sido este o Placa Placa Placa
sexto terremoto mais potente da história do país. do Pacífico de Nazca Sul-Americana
Também o Chile havia registrado, em 22 de maio de
1960, o terremoto de maior intensidade na história, com Trópico de Capricórnio
magnitude 9,5, na cidade de Valdivia, que resultou em
mais de 5 000 mortos. N OCEANO
ATLÂNTICO
OL
S
Placa Antártica
Uol Notícias. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/ Vulcões ativos 0 1 840 3 680 km
internacional/ultimas-noticias/2015/09/17/terremoto-no- Limite de placas
chile-e-o-maior-de-2015-e-um-dos-mais-intensos-em- Adaptado de: U. S. GEOLOGICAL SURVEY. Disponível em: <http://pubs.
25-anos.htm>. Acesso em: 17 fev. 2016. usgs.gov/imap/2800/TDPfront.pdf>. Acesso em: 17 fev. 2016.
Notícia 2 Banco de imagens/Arquivo da editora
Moradores se assustam Mapa 2 — Brasil: falhas geológicas OCEANO
com tremor com 2,7 de ATLÂNTICO
magnitude em Frutal 50º O
Equador
Um terremoto de 2,7 pontos na RR
escala Richter assustou moradores AP
de Frutal na tarde desta segunda-
-feira. A Polícia Militar recebeu cha- 0º
mados de moradores dos bairros
Waldemar Marchi, Ipê Amarelo, AM PA MA CE RN
Novo Horizonte e Princesa Isabel, MT
que estavam preocupados com o AC PI PB
tremor que durou poucos segundos. RO PE
O fato foi registrado pelo Obser-
vatório Sismológico da Universi- AL
dade de Brasília (UnB).
TO SE
Não houve registros de feridos BA
e nem estragos. Segundo a
climatologista Wanda Prata, os Normal: movimentação DF Região de
tremores de até 3 são considerados vertical dos blocos em GO 50 km de
leves. Ela acredita que o fenômeno direções opostas MG largura com
natural ocorreu por adequações MS ES muitas falhas
geológicas. Inversa: dois blocos SP
se chocam e um se RJ Trópico de Capricórnio
“Toda a faixa do Rio Grande é sobrepõe ao outro PR
uma estrutura de basalto que no SC N
passado já teve problemas geoló- Transcorrente:
gicos. Como está havendo esforços movimentação horizontal RS OL
sob a crosta terrestre, as áreas mais dos blocos em direções
vulneráveis são as que já sofreram opostas S
algum tipo de esforço interno.
Falhas que 0 450 900 km
comprovadamente já
foram causa de terremoto
Falha cujo tipo não foi
possível definir
Bacias sedimentares:
local de muitas falhas
Adaptado de: INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS;
USGS — Map and Database of Quaternary Faults and Lineaments in Brazil. Disponível em: <http://pubs.
usgs.gov/of/2002/ofr-02-230/OFR-02-230-508map.pdf>. Acesso em: 17 fev. 2016.
Brasil: estrutura geológica e formas de relevo C A P Í T U L O 4 41
Pode ter sido até acomodação de camadas geológicas. 1. Com base no Mapa 1, especifique a localização
É muito pequeno o abalo, não chega a causar danos e dos territórios do Chile e do Brasil em relação às
nem a se repetir”, explicou. placas tectônicas.
[...] 2. Identifique no Mapa 2 os estados brasileiros nos
quais as falhas geológicas causam abalos sísmicos.
G1. Disponível em: <http://g1.globo.com/
minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2015/07/ 3. Compare as duas notícias e explique: porque as
moradores-se-assustam-com-tremor-com-27-de-magnitude- atividades sísmicas são mais intensas e causam
mais danos em países como o Chile do que no
em-frutal.html>. Acesso em: 17 fev. 2016. Brasil?
Notícias de abalos sísmicos ou terremotos são 4. Relacione os mapas e a notícia 2 à presumida
frequentes em revistas e jornais. Após ler as estabilidade do território brasileiro.
duas notícias e observar os mapas apresenta-
dos, responda às questões propostas.
A dinâmica externa e deslizamentos; do vento: dunas litorâneas; e dos
seres vivos: raízes das plantas, animais que escavam
Das principais formas de relevo, o Brasil possui o solo e as ações antrópicas.
planícies, planaltos e depressões. Sempre que nos
referimos ao relevo brasileiro, duas características Classificações do relevo
são mencionadas: sua antiguidade e baixas altitudes. brasileiro
A antiguidade está relacionada a agentes inter- Três dos mais importantes geógrafos brasileiros
nos que atuaram em remotas eras geológicas, e as realizaram estudos e pesquisas para classificar o
baixas altitudes são o resultado da longa exposição relevo. Cada um utilizou os recursos que tinha à dis-
de suas rochas aos agentes externos, que atuam posição na época.
como modeladores do relevo: a água, o vento (em
seu trabalho de erosão, sedimentação e transporte), O desenvolvimento e a utilização de modernas
o intemperismo e os seres vivos. técnicas de sensoriamento remoto e de imagens de
satélites possibilitaram uma visão mais detalhada do
No Brasil, encontramos vários exemplos da ação território brasileiro, de sua geologia e hipsometria.
das águas dos rios, por exemplo, meandros no rio
Paraíba do Sul, planícies fluviais em vários pontos A primeira classificação foi proposta pelo
do país, cataratas no rio Iguaçu; das águas do mar: geógrafo e professor Aroldo de Azevedo, em 1940.
falésias no Sul e no Nordeste, tômbolos e restingas Em 1960, foi proposta a segunda classificação,
ao longo do litoral; das águas das chuvas: voçorocas
Luca Atalla/Pulsar Imagens Intemperismo: conjunto
de processos mecânicos,
Extração mineral químicos e biológicos
no Rio de Janeiro que ocasionam a
(RJ), em 2016. desintegração e a
Essa atividade é decomposição das
um exemplo da rochas.
modificação do Meandro: curva formada
relevo realizada por erosão ou
pela ação acumulação no curso de
humana. um rio.
Tômbolo: cordão
arenoso, formado por
acumulação marinha e
que geralmente liga ilhas
ao continente.
Hipsometria:
representação das
altitudes no mapa.
42 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
reelaborada pelo também geógrafo e professor Aziz Classificação de Aziz Ab’Saber
Ab’Saber. Em 1989 foi a vez de Jurandyr Ross, ou-
tro geógrafo e professor, propor uma nova classi- Em 1960, o também professor do Departamento
ficação do relevo brasileiro. de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)
Aziz Ab’Saber (1924-2012), usando o critério mor-
Classificação de foclimático, que explica as formas de relevo pela
Aroldo de Azevedo ação do clima, ampliou a classificação de Aroldo de
Azevedo, acrescentando novas unidades ao relevo
A primeira classificação que vamos estudar foi brasileiro. Em sua classificação, o Brasil apresenta
elaborada, na década de 1940, pelo professor do dez unidades de relevo.
Departamento de Geografia da Universidade de São
Paulo (USP) Aroldo de Azevedo (1910-1974). Ab’Saber baseou-se nos processos de sedimen-
tação e erosão para diferenciar planalto de planície,
Nessa classificação, Aroldo de Azevedo empre- sem mencionar o nível altimétrico de Aroldo de
gou termos geomorfológicos para denominar as Azevedo. Segundo Aziz Ab’Saber, todas as superfí-
divisões gerais (planaltos e planícies), e critérios cies onde predominam os agentes de erosão são
geológicos para classificar as subdivisões, que foram consideradas planaltos, e as superfícies onde a de-
definidas em uma segunda etapa do trabalho. posição de sedimentos é maior que a erosão são
classificadas como planícies.
Além disso, ele usou o critério da altimetria, es-
tabelecendo o limite de 200 metros para diferenciar Relevo do Brasil: classificação Allmaps/Arquivo da editora
planaltos de planícies. geomorfológica de Ab’Saber
Equador
Na classificação de Aroldo de Azevedo, o terri- 50º O
tório brasileiro foi dividido em oito unidades de
relevo. 0º
Adaptado de: AZEVEDO, Aroldo de. Geografia do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1976. p. 34. Relevo do Brasil: classificação de Allmaps/Arquivo da editora
Aroldo de Azevedo
50º O
PLANALTO Equador N OCEANO
0º DAS GUIANAS OL ATLÂNTICO
O
PLANÍCIE AMAZÔNICA ST E I R A
O S Trópico de Capricórnio
C Planaltos 0 610 1 220 km
das Guianas
I Plan’cies
Brasileiro Planícies e terras baixas
PLANALTO CENTRAL T Central amazônicas
Meridional Planícies e terras baixas
N Nordestino costeiras
Maranhão-Piauí Planície do Pantanal
 Uruguaio-Rio-Grandense
Serras e planaltos do
TL Leste e Sudeste
C
PLANÍCIE DO OA
PANTANAL IE
PLANALTO LT
MERIDIONAL C
OCEANO PLANA
PACÍFICO LANÍ
N P
Trópico de Capricórnio
OCEANO
ATLÂNTICO
OL Adaptado de: AZEVEDO, Aroldo de (Org.). Brasil, a terra e o homem.
S São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1964, v. 1.
0 550 1 100 km
Planalto das Guianas Planalto Brasileiro Planícies Classificação de Jurandyr Ross
Na definição de Aroldo de Azevedo, planaltos são terrenos Em 1989, outro professor do Departamento de
levemente acidentados, com mais de 200 metros, e planícies Geografia da USP, Jurandyr Ross, com base nos es-
são superfícies planas, com altitudes inferiores a 200 metros. tudos de Aziz Ab’Saber, propôs uma nova divisão
Brasil: estrutura geológica e formas de relevo C A P Í T U L O 4 43
do relevo brasileiro, mais detalhada graças às mo- Na nova classificação são consideradas três prin-
dernas técnicas cartográficas, como sensoriamento cipais formas de relevo: planaltos, planícies e depres-
remoto e imagens de satélites, obtidas entre 1970 e sões. Planaltos estão presentes na maior parte do
1985 pelo Projeto Radambrasil, que garantiu um Brasil e são consideradas formas residuais, isto é,
levantamento preciso das características geológicas, constituídas por rochas que resistiram à erosão.
geomorfológicas, hidrográficas, de solo e de vege- Planícies são áreas planas onde predomina a depo-
tação, além de possibilitar um mapeamento com- sição de sedimentos recentes, com origem no Período
pleto e minucioso do país. Por meio dele, foi possível Quaternário. Depressões são áreas rebaixadas, for-
chegar a uma classificação das formas de relevo madas principalmente na Era Cenozoica, por proces-
mais próxima da realidade. sos erosivos nas bordas das bacias sedimentares.
Adaptado de: ROSS, Jurandyr L. S. (Org.). Geografia do Brasil. 6. ed. São Paulo: Edusp, 2011. p. 53. (Didática 3).Relevo do Brasil: classificação de Jurandyr Ross
Allmaps/Arquivo da editora50º O
5 Planaltos
5 55 Equador Bacias sedimentares
0º 13
1. Amazônia oriental
12 28 2. Planaltos e chapadas da bacia do Parnaíba
1 23 3. Planaltos e chapadas da bacia do Paraná
1 Intrusões e coberturas residuais de plataforma
4. Planalto e chapada dos Parecis
5. Planaltos residuais Norte-Amazônicos
6. Planaltos residuais Sul-Amazônicos
12 14 6 2 Cinturões orogênicos
12 6
10 7. Planaltos e serras do Atlântico Leste-Sudeste
6 6 19 8. Planaltos e serras de Goiás-Minas
6 9. Planaltos e serras residuais do Alto Paraguai
6
Núcleos cristalinos arqueados
6 2
25 4 24 20 10. Borborema
11. Sul-Rio-Grandense
Depressões
17 9 16 15 12. Amazônia ocidental
26 8
13. Marginal Norte-Amazônica
18 3
9 14. Marginal Sul-Amazônica
21
28 15. Araguaia-Tocantins
16. Cuiabana
7 17. Alto Paraguai-Guaporé
OCEANO OCEANO 18. Miranda
PACÍFICO
ATLÂNTICO 19. Sertaneja e do São Francisco
Formas de relevo
Planalto 20. Tocantins
Trópico de Capricórnio 21. Periférica da borda leste da
Bacia do Paraná
22. Periférica Sul-Rio-Grandense
Depressão Planícies
Planície N
Tipos de rochas 23. Rio Amazonas
Sedimentares
Cristalinas 22 27 24. Rio Araguaia
11
O L 25. Pantanal do rio Guaporé
0 26. Pantanal Mato-Grossense
400 800 km 27. Lagoas dos Patos e Mirim
S 28. Planícies e tabuleiros litorâneos
A classificação de Ross considera 28 unidades no relevo brasileiro e está baseada em três maneiras diferentes de explicar as formas
de relevo: morfoestrutural — leva em conta a estrutura geológica; morfoclimática — considera a ação do clima; e morfoescultural
— considera a ação de agentes externos.
Outros tipos de relevo planaltos. Pode ser formada por movimentos tectô-
nicos ou por agentes externos.
Planalto, planície e depressão são as principais
formas do relevo brasileiro. Segundo o aspecto que ■■ Serra: terreno acidentado e com grandes desní-
essas formas apresentam em nosso território, encon- veis e vertentes muito inclinadas. São conside-
tramos alguns tipos bem característicos: radas serras: dobramentos antigos e recentes,
escarpas de planalto e cuestas, por exemplo.
Escarpa: rampa ou vertente inclinada, que forma
um paredão abrupto, encontrada nas bordas dos
44 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
■■ Cuesta: forma de relevo assimétrica Frederico Oioli/Acervo do fotógrafo
que apresenta uma vertente levemen-
te inclinada e outra abrupta, podendo
formar escarpas, também chamada
de frente de cuesta. São comuns em
bacias sedimentares, onde as rochas
têm resistências muito diferentes à
erosão.
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo Escarpa da Cuesta de Botucatu, no
município de Torrinha (SP), em 2016.
■■ Morro: feição do relevo pouco eleva-
da (aproximadamente de 100 a 200
metros) e com pequena inclinação.
Mar de morro na serra da Mantiqueira, em Andre Dib/Pulsar Imagens
Nazaré Paulista (SP), em 2014. Os mares de
morro são formações geológicas muito antigas.
Essa classificação, do Aziz Ab’Saber, faz
referência à enorme quantidade de morros
presentes na paisagem e à semelhança com o
mar, com suas ondulações.
■■ Chapada: área de planalto sedimen-
tar com topos aplainados e altitudes
médias superiores a 600 metros.
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo Chapada Diamantina no
município de Palmeiras (BA),
em 2015.
■■ Falésia: é uma escarpa formada pela
erosão marinha. Ocorre no limite en-
tre o continente e a praia, em trechos
de altitude continental elevada.
Falésias também podem ser chama-
das de tabuleiros costeiros.
Falésia na barra de Tabatinga, no município
de Nísia Floresta (RN), em 2014.
Brasil: estrutura geológica e formas de relevo C A P Í T U L O 4 45
Refletindo sobre o conteúdo
1. Sob a orientação do professor, reúna-se com três co-João Prudente/Pulsar Imagens3. Leia o texto a seguir e responda à questão.
legas e, juntos, organizem uma pesquisa sobre as
formas de relevo que predominam na região ondeAlfredo Cerra/ShutterstockDe modo simples, pode-se descrever o relevo do con-
vocês moram. Lembrem-se de contemplar o maior tinente sul-americano como tendo em sua borda oeste a
número possível de formas (serras, morros, colinas, cadeia orogênica dos Andes, cuja formação iniciou-se no
planaltos, planícies, depressões, entre outras) exis- Mesozoico e estendeu-se ao Cenozoico. A parte central
tentes na região. e o leste do continente são marcados por estruturas e
Selecionem imagens do relevo (as imagens podem formações litológicas antigas que remontam ao Pré-
ser fotografadas pelo grupo, retiradas da internet, -Cambriano.
copiadas de livros e revistas, ou podem até mesmo
ser desenhadas pelos alunos). Depois, com base no ROSS, Jurandyr L. S. Geografia do Brasil.
que estudaram neste capítulo, procurem classificar São Paulo: Edusp, 2011. p. 45.
as diferentes formas seguindo a classificação propos-
ta por Jurandyr Ross. De que forma podemos relacionar o texto de Jurandyr
Ross com o território do Brasil?
2. Observe as imagens e depois faça o que se pede.
4. Leia as quatro afirmações a seguir e responda se es-
Serra da Mantiqueira em Munhoz (MG), em 2015. tão corretas ou incorretas. Justifique suas respostas.
Monte Aconcágua (6 962 m), na cordilheira dos Andes, I. Não existe no território brasileiro a estrutura geo-
na Argentina, em 2016. lógica do tipo dobramento moderno.
a) Explique a principal diferença entre as paisagens II. Segundo a classificação de Jurandyr Ross, as pri-
retratadas nas imagens. cipais formas de relevo são: planaltos, planícies e
depressões; sendo que estas últimas tiveram ori-
b) Por que existe essa diferença? gem no Período Quaternário.
III. A Planície Amazônica e o Planalto Atlântico são
unidades de relevo citadas na classificação de
Aziz Ab'Saber.
IV. Duas características marcantes do relevo bra-
sileiro são: sua antiguidade e suas baixas al-
titudes.
5. Explique uma diferença entre a classificação do rele-
vo elaborada por Aziz Ab’Saber e a de Jurandyr Ross.
6. Leia abaixo um trecho do texto de Aziz Ab’Saber;
depois, faça o que se pede.
[...] a bacia do Pantanal é um repositório de informa-
ções a recuperar. Há que, através da coluna sedimentar
acumulada, sondar mais adequadamente a história qua-
ternária dos processos e dos climas do passado regional
naquela que é, sem dúvida, a mais importante bacia
detrítica quaternária do país...
AB’SABER, Aziz. Brasil: paisagens de exceção.
Cotia: Ateliê Editorial, 2006. p. 29.
a) Do ponto de vista geológico, o Pantanal é uma
área antiga ou moderna? Justifique sua resposta.
b) Em que estados e região geográfica localiza-se a
bacia do Pantanal?
c) Identifique a forma de relevo do Pantanal e o nú-
mero de sua unidade com base na classificação
de Jurandyr Ross.
46 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
capítulo 5
O clima no Brasil
Cesar Diniz/Pulsar Imagens
Alvarélio Kurossu/Agência RBS/Folhapress
Uma característica do clima
brasileiro, considerando sua
posição geográfica, é a
tropicalidade. Em razão da
variedade climática, encontramos
no Brasil praias ensolaradas
durante quase todo o ano, como
em Vila Velha (ES), 2016, e, ao
mesmo tempo, locais onde faz
muito frio e chega a nevar, como
em São Joaquim (SC), 2013.
A influência da A ZCIT caracteriza-se por ser uma zona de baixa
tropicalidade pressão, ao longo da faixa equatorial, para onde se
dirigem os ventos alísios, que sopram de sudeste no
O território brasileiro estende-se de 5°16’N até hemisfério sul e de nordeste no hemisfério norte,
33°45’S, ou seja, localiza-se em grande parte nas bai- influenciando a formação de nuvens.
xas latitudes, onde predominam as massas de ar
equatoriais e tropicais e de climas quentes (veja Além da ZCIT, o Brasil também sofre a influência
novamente o mapa “Brasil: localização e posição da ZCAS, faixa caracterizada pela zona de baixa
geográfica”, na página 10). pressão, responsável pela grande formação de nu-
vens que se estende no sentido Noroeste/Sudeste,
Devido à sua posição geográfica, o território desde o sul da Amazônia até a região central do
brasileiro sofre grande influência da Zona de Con oceano Atlântico Sul, em latitudes médias.
vergência Intertropical (ZCIT) e da Zona de
Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), dois siste- Zona de Convergência: sistema meteorológico que se
mas meteorológicos típicos do verão. caracteriza pela interação das correntes de vento das
latitudes médias e tropicais.
O clima no Brasil C A P Í T U L O 5 47
Esses dois sistemas são os responsáveis por peratura nas águas dos oceanos Pacífico e
grande parte do volume de chuva recebido no ter- Atlântico dificultaram a atuação desses sistemas,
ritório brasileiro: enquanto a ZCIT garante a maior impedindo a precipitação no Brasil. Por esse mo-
parte das precipitações anuais no Nordeste e no tivo, nesses anos, o Sudeste brasileiro conheceu
Norte, a ZCAS é a responsável pelas chuvas abun- uma forte estiagem, que esvaziou os reservatórios
dantes nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. da região e ameaçou o abastecimento de água
potável de grandes cidades, como podemos ler no
Em alguns anos, como no verão de 2014-2015, texto a seguir.
segundo meteorologistas, as alterações de tem-
AB Goes-13/DSA/CPTEC/INPE
Goes-13/DSA/CPTEC/INPE
Na imagem A, a Zona de
Convergência Intertropical
pode ser identificada por
causa da nebulosidade
presente no norte do Brasil e
da América do Sul (imagem
de 15 de março de 2016). Na
imagem B, observa-se uma
extensa faixa de nuvens que
vai da Amazônia até o oceano
Atlântico, caracterizando a
Zona de Convergência do
Atlântico Sul (imagem de 11
de janeiro de 2016).
Ampliando o conhecimento
Ernesto Rodrigues/FolhapressSeca no Sudeste atinge 133 cidades e já A riqueza envolvida corresponde a R$ 946,4 bilhões,
afeta economia a preços de 2011 (último ano com dados detalhados por
cidade). Corrigido pela inflação (17,85%), o valor repre
A seca que assola o Sudeste atinge ao menos 133 sentaria hoje R$ 1,1 trilhão.
cidades e vai além dos pesadelos domésticos para seus
27,6 milhões de habitantes. Elas reúnem 23% do PIB Se fosse um país, esse novo "polígono da seca" em
brasileiro. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro seria a
segunda maior economia da América do Sul. Ficaria
Represa seca em Poços de Caldas, no sul de Minas atrás só do Brasil.
Gerais, em outubro de 2014.
Se em cada um desses municípios a produção caísse
1%, seria o bastante para tirar 0,23 ponto percentual do
PIB nacional. O crescimento da economia neste ano
[2014] está projetado para 0,3%.
A situação em São Paulo é a pior. De seus 645 muni
cípios, 92 (14%) enfrentam algum tipo de dificuldade.
É difícil estimar quanto da economia foi afetada pela
crise hídrica, mas empresas relatam prejuízos. A Unica
(União da Indústria de CanadeAçúcar) havia feito em
abril projeção 2,9% menor para a safra 2014/2015 no
CentroSul.
FOLHA de S.Paulo. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/
cotidiano/2014/11/1541915-seca-no-sudeste-atinge-133-
cidades-e-ja-afeta-economia.shtml>. Acesso em: 18 mar. 2016.
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