Concluindo a Unidade 5
Leia o texto, reflita e depois responda às questões indígenas que foram mortas na região nos últimos dez anos,
propostas. de acordo com dados do Conselho Indigenista Missionário
(CIMI). Assustada, a comunidade deixou a área e passou a
Conflito por terra entre fazendeiros e viver num acampamento precário improvisado ali perto, a
índios se acirra no Mato Grosso do Sul espera de uma definição sobre a demarcação.
O conflito agrário entre índios e produtores rurais de [...]
Mato Grosso do Sul, que tem deixado um rastro de vítimas Ao entrarem nas fazendas, os índios montaram acampa-
nos últimos anos na região centro-oeste do país, voltou a se mento na mesma área onde Xurite fora assassinada. Um dia
acirrar. Na última semana, cerca de 70 indígenas das etnias depois, um grupo de homens atacou o local, de acordo com
Guarani e Kaiowá ocuparam duas fazendas em disputa e os indígenas e com a Funai. “No dia 24, aproximadamente
foram atacados. Dois jovens de 14 e 12 anos ficaram desapa- 30 veículos de produtores rurais da região ameaçaram os
recidos por cinco dias e a Força Nacional, tropa do Governo indígenas, com tiros para o alto e acelerando os veículos. Há
Federal formada por policiais militares de diversos Estados, informações de que algumas motos pertencentes aos indí-
foi enviada ao local. genas foram queimadas, bem como algumas casas, roupas
e outros pertences. Não houve confirmações de indígenas
O recente conflito aconteceu no município de Coronel mortos”, explicou o órgão, que relata ainda que servidores
Sapucaia, próximo à fronteira com o Paraguai, onde ficam que estavam na cidade por ocasião de outro evento sofreram
as fazendas Madama e Barra Bonita. As propriedades estão ameaças, mas não detalhou quais.
entre as quatro que foram alvos na última semana da [...]
chamada “retomada”, expressão usada pelos índios para No momento, os índios permanecem em uma área das
definir a ocupação de uma área que já pertenceu a seus fazendas, mas a sede foi retomada por um grupo formado
ancestrais. “Esses grupos, insatisfeitos com a morosidade do por 35 fazendeiros, que decidiu fazer uma espécie de
processo demarcatório das terras indígenas, optaram por reintegração de posse com as próprias mãos. Ainda não há
ampliar a ocupação de áreas que compõem o território decisão judicial. “Agora virou cada um por si, uma terra sem
tradicional reivindicado pelas comunidades”, explicou ao El lei. Meu receio é que eles comecem a fazer isso por conta
País a Fundação Nacional do Índio (Funai). Nas outras duas própria porque vai virar uma guerra”, afirma o procurador. A
fazendas, no município vizinho de Aral Moreira, não houve pedido do Governo do Mato Grosso do Sul, a Força Nacional
confrontos até o momento; em 2011, Nísio Gomes, uma foi enviada para a área para reforçar a segurança no local.
liderança indígena, foi assassinado no local. Essas áreas são [...]
reivindicadas pelos índios e estão sendo estudadas pela Funai.
BEDINELLI, Talita. El País. Disponível em:
As fazendas Madama e Barra Bonita foram ocupadas na <http://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/30/
madrugada do último dia 23 [23/6/2015] pelos índios da
comunidade Kurusu Ambá. A área está em disputa desde politica/1435694180_792045.html>.
2007, quando índios da mesma comunidade fizeram uma Acesso em: 14 abr. 2016.
primeira retomada. Na ocasião, uma líder, a rezadeira Xurite
Lopes, foi assassinada a tiros — uma das sete lideranças • Por que o procurador se referiu aos episódios ante-
riores como “uma terra sem lei”?
Testes e quest›es Não escreva no livro
Enem A partir da última década, verifica-se a ocorrência
no Brasil de alterações significativas no território,
1 Nos últimos decênios, o território conhece grandes ocasionando impactos sociais, culturais e econômi-
mudanças em função de acréscimos técnicos que re- cos sobre comunidades locais, e com maior intensi-
novam a sua materialidade, como resultado e condi- dade, na Amazônia Legal, com a
ção, ao mesmo tempo, dos processos econômicos e a) reforma e ampliação de aeroportos nas capitais
sociais em curso.
dos estados.
SANTOS, M.; SILVEIRA, M.L. O Brasil: território e sociedade no b) ampliação de estádios de futebol para a realização
início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2004. (Adaptado.)
de eventos esportivos.
C O N C L U I N D O A U N I D A D E 5 249
c) construção de usinas hidrelétricas sobre os rios Nos fragmentos dos textos, os posicionamentos em
Tocantins, Xingu e Madeira. relação à reforma agrária se opõem. Isso acontece
porque os autores associam a reforma agrária, res-
d) instalação de cabos para a formação de uma rede pectivamente, à
informatizada de comunicação. a) redução do inchaço urbano e à crítica ao minifún-
e) formação de uma infraestrutura de torres que dio componês.
permitem a comunicação móvel na região.
b) ampliação da renda nacional e à prioridade ao
2 Mas plantar pra dividir mercado externo.
Não faço mais isso, não.
Eu sou um pobre caboclo, c) contenção da mecanização agrícola e ao comba-
Ganho a vida na enxada. te ao êxodo rural.
O que eu colho é dividido
Com quem não planta nada. d) privatização de empresas estatais e ao estímulo
Se assim continuar ao crescimento econômico.
vou deixar o meu sertão,
mesmo os olhos cheios d’água e) correção de distorções históricas e ao prejuízo ao
e com dor no coração. agronegócio.
Vou pro Rio carregar massas
pros pedreiros em construção. 4
Deus até está ajudando:
está chovendo no sertão! RR Banco de imagens/Arquivo da editora
Mas plantar pra dividir, AP
Não faço mais isso, não.
AM PA MA CE RN
VALE, J.; AQUINO, J. B. Sina de caboclo. São Paulo: PI PB
Polygram, 1994 (fragmento). AC PE
RO TO AL
No trecho da canção, composta na década de 1960, SE
retrata-se a insatisfação do trabalhador rural com: DF BA
MT GO
a) a distribuição desigual da produção. MS MG
SP ES
b) os financiamentos feitos ao produtor rural. PR
RJ
c) a ausência de escolas técnicas no campo.
SC
d) os empecilhos advindos das secas prolongadas. RS
e) a precariedade de insumos no trabalho do campo. Disponível em: <www.bankirack.org>.
Acesso em: 7 maio 2013 (adaptado).
3 Texto I
A imagem indica pontos com ativo uso de tecnologia,
A nossa luta é pela democratização da propriedade correspondentes a que processo de intervenção no
da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. Cerca espaço?
de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras.
Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios a) Expansão das áreas agricultáveis, com uso inten-
improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem sivo de maquinário e insumos agrícolas.
a função social, como determina a Constituição de 1988.
Também ocupamos as fazendas que têm origem na gri- b) Recuperação de águas eutrofizadas em decorrên-
lagem de terras públicas. cia da contaminação por esgoto doméstico.
Disponível em: <www.mst.org.br>. Acesso em: c) Ampliação da capacidade de geração de energia,
25 ago. 2011 (adaptado). com alteração do ecossistema local.
Texto II d) Impermeabilização do solo pela construção civil
nas áreas de expansão urbana.
O pequeno proprietário rural é igual a um pequeno
proprietário de loja: quanto menor o negócio, mais difícil e) Criação recente de grandes parques industriais
de manter, pois tem de ser produtivo e os encargos são de mediano potencial poluidor.
difíceis de arcar. Sou a favor de propriedades produtivas
e sustentáveis e que gerem empregos. Apoiar uma em-
presa produtiva que gere emprego é muito mais barato
e gera muito mais do que apoiar a reforma agrária.
LESSA, C. Disponível em: <www.observadorpolitico.org.br>.
Acesso em: 25 ago. 2011 (adaptado).
250 C O N C L U I N D O A U N I D A D E 5
5 No gráfico a seguir, estão especificados a produção b) o investimento por quilowatt exigido para a cons-
brasileira de café, em toneladas; a área plantada, em trução de parques eólicos ser de aproximadamen-
hectares (ha); e o rendimento médio do plantio, em te 20 vezes o necessário para a construção de
kg/ha, no período de 2001 a 2008. hidrelétricas.
Brasil: café (em grão) c) o investimento por quilowatt exigido para a cons-
trução de parques eólicos ser igual a um terço do
3 000 000 3 000 necessário para a construção de usinas nucleares.
Área plantada e produção
Rendimento médio2 500 0002 500d) o custo médio por megawatt-hora de energia ob-
tida após instalação de parques eólicos ser igual
2 000 000 2 000 a 1,2 multiplicado pelo custo médio do megawatt-
-hora obtido das hidrelétricas.
1 500 000 1 500
e) o custo médio por megawatt-hora de energia ob-
1 000 000 1 000 tida após instalação de parques eólicos ser igual
a um terço do custo médio do megawatt-hora
500 000 500 obtido das termelétricas.
0 7 No Estado de São Paulo, a mecanização da colheita da
2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 cana-de-açúcar tem sido induzida também pela legisla-
ção ambiental, que proíbe a realização de queimadas em
Produção (toneladas) áreas próximas aos centros urbanos. Na região de
Área plantada (ha) Rendimento médio (kg/ha) Ribeirão Preto, principal polo sucroalcooleiro do país, a
mecanização da colheita já é realizada em 516 mil dos
Fonte: IBGE. 1,3 milhão de hectares cultivados com cana-de-açúcar.
A análise de dados mostrados no gráfico revela que: BALSADI, O. et al. Transformações tecnológicas e a força
de trabalho na agricultura brasileira no período
a) a produção em 2003 foi superior a 2 100 000 to-
neladas de grãos. de 1990-2000. Revista de economia agrícola. V. 49 (1), 2002.
b) a produção brasileira foi crescente ao longo de O texto aborda duas questões, uma ambiental e ou-
todo o período observado. tra socioeconômica, que integram o processo de
modernização da produção canavieira. Em torno da
c) a área plantada decresceu a cada ano no período associação entre elas, uma mudança decorrente des-
de 2001 a 2008. se processo é a
d) os aumentos na produção correspondem a au- a) perda de nutrientes do solo devido à utilização
mentos no rendimento médio do plantio. constante de máquinas.
e) a área plantada em 2007 foi maior que a de 2001. b) eficiência e racionalidade no plantio com maior
produtividade na colheita.
6 Uma fonte de energia que não agride o ambiente, é to-
talmente segura e usa um tipo de matéria-prima infinita c) ampliação da oferta de empregos nesse tipo de
é a energia eólica, que gera eletricidade a partir da força ambiente produtivo.
dos ventos. O Brasil é um país privilegiado por ter o tipo
de ventilação necessária para produzi-la. Todavia, ela é d) menor compactação do solo pelo uso de maqui-
a menos usada na matriz energética brasileira. O Minis- nário agrícola de porte.
tério de Minas e Energia estima que as turbinas eólicas
produzam apenas 0,25% da energia consumida no país. e) poluição do ar pelo consumo de combustíveis
Isso ocorre porque ela compete com uma usina mais ba- fósseis pelas máquinas.
rata e eficiente: a hidrelétrica, que responde por 80% da
energia do Brasil. O investimento para se construir uma 8 Entre 2004 e 2008, pelo menos 8 mil brasileiros foram
hidrelétrica é de aproximadamente US$ 100 por quilo- libertados de fazendas onde trabalhavam como se fossem
watt. Os parques eólicos exigem investimento de cerca escravos. O governo criou uma lista em que ficaram ex-
de US$ 2 mil por quilowatt e a construção de uma usina postos os nomes dos fazendeiros flagrados pela fiscali-
nuclear, de aproximadamente US$ 6 mil por quilowatt. zação. No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, regiões que
Instalados os parques, a energia dos ventos é bastante mais sofrem com a fraqueza do poder público, o bloqueio
competitiva, custando R$ 200,00 por megawatt-hora dos canais de financiamento agrícola para tais fazendei-
frente a R$ 150,00 por megawatt-hora das hidrelétricas ros tem sido a principal arma de combate a esse proble-
e a R$ 600,00 por megawatt-hora das termelétricas. ma, mas os governos ainda sofrem com a falta de infor-
mações, provocada pelas distâncias e pelo poder intimi-
Época. 21/4/2008 (com adaptações). dador dos proprietários. Organizações não governamen-
tais e grupos como a Pastoral da Terra têm agido
De acordo com o texto, entre as razões que contri-
buem para a menor participação da energia eólica
na matriz energética brasileira, inclui-se o fato de
a) haver, no país, baixa disponibilidade de ventos que
podem gerar energia elétrica.
CONCLUINDO A UNIDADE 5 251
corajosamente acionando as autoridades públicas e mi- 2 (Fatec) A existência de movimentos que lutam pela
nistrando aulas sobre direitos sociais e trabalhistas. reforma agrária no Brasil é um indicador de que essa
questão ainda não foi resolvida. Várias leis, decretos,
“Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo”. programas e institutos foram lançados com o intuito
Disponível em: www.mte.gov.br. Acesso em: 17 mar. 2009 de realizar a reforma agrária, como o Estatuto da
Terra, de 1964; o primeiro Plano Nacional de Reforma
(adaptado). Agrária, de 1966; e a criação do Instituto Nacional
de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em 1970.
Nos lugares mencionados no texto, o papel dos gru- Além disso, a Constituição de 1988 instrumentalizou
pos de defesa dos direitos humanos tem sido funda- o Estado com recursos legais que permitem a reali-
mental, porque eles zação da reforma agrária. De acordo com essa
Constituição, a desapropriação de terras para fins de
a) negociam com os fazendeiros o reajuste dos ho- reforma agrária deve
norários e a redução da carga horária de trabalho.
a) ser realizada sem prévia e justa indenização.
b) defendem os direitos dos consumidores junto
aos armazéns e mercados das fazendas e car- b) acontecer necessariamente em latifúndios, produ-
voarias. tivos ou não.
c) substituem as autoridades policiais e jurídicas c) ocorrer em imóveis rurais que não estejam cum-
na resolução dos conflitos entre patrões e em- prindo sua função social.
pregados.
d) transformar as propriedades produtivas em lati-
d) encaminham denúncias ao Ministério Público e fúndios administrados por cooperativas.
promovem ações de conscientização dos traba-
lhadores. e) incidir sobre as médias propriedades rurais, desde
que seu proprietário não possua outras terras.
e) fortalecem a administração pública ao ministra-
rem aulas aos seus servidores. 3 (UEPB) O carvão mineral e o petróleo continuam
a ser as duas principais matrizes elétrica e ener-
Testes de vestibular Não escreva gética mundiais, porém a crise ambiental (com
no livro destaque para o aquecimento global) e a proble-
mática do abastecimento de petróleo fazem com
1 (Unioeste-PR) Considerando a dependência do pe- que os combustíveis renováveis e, sobretudo “lim-
tróleo enquanto matriz energética e os riscos am- pos”, ganhem evidência. Sobre a questão é corre-
bientais, assinale a alternativa incorreta. to afirmar que
a) O Brasil destaca-se internacionalmente na pes- I. os combustíveis fósseis, embora não poluentes,
quisa e prospecção de petróleo no subsolo dos necessitam ter seu consumo reduzido pelo sim-
oceanos, entretanto, trata-se de uma atividade ples fato de não serem renováveis e, portanto,
de risco associado ao vazamento do óleo explo- sujeitos ao esgotamento em um futuro próximo.
rado e consequente contaminação das águas
oceânicas. II. a água, embora seja uma fonte de energia limpa
e renovável, gera polêmicas pelos impactos so-
b) No ano de 2010 ocorreu a explosão de um campo ciais e ecológicos causados com as construções
de exploração de petróleo operado pela British de grandes hidrelétricas, que destroem ecossis-
Petroleum, no Golfo do México, resultando no temas e expulsam populações ribeirinhas.
vazamento e formação de uma mancha de óleo
que atingiu as praias dos Estados Unidos, confir- III. a energia solar, apesar de abundante e não po-
mando-se como o maior desastre ambiental da luente, ainda é pouco utilizada, o que certamente
década a afetar o país. se explica muito mais pelas políticas energéticas
e interesses de grupos, do que pelo elevado custo
c) A substituição, em larga escala, do petróleo pela dos painéis de captação de energia.
energia proveniente das usinas nucleares e a ga-
rantia da produção de energia a partir de fontes IV. o biodiesel, destaque brasileiro em tecnologia al-
que não causam riscos ao meio ambiente. ternativa de combustível por ser menos poluente
que os hidrocarbonetos e por criar empregos no
d) O transporte do petróleo em grandes quantidades, campo, nem por isso está imune de gerar proble-
por meio de navios ou oleodutos, também repre- mas ambientais, sobretudo, se vier a ser um in-
senta alto risco de acidentes com comprometi- vestimento muito lucrativo, pois fatalmente avan-
mento ambiental da área afetada. çará e destruirá áreas ainda preservadas e de
fronteiras, como já ocorre com a soja.
e) No Brasil, a predominância do transporte rodoviá-
rio e o aumento gradativo da frota de veículos
contribuem para aprofundar a dependência por
combustíveis fósseis não renováveis e a conse-
quente poluição atmosférica.
252 CONCLUINDO A UNIDADE 5
Estão corretas apenas as alternativas: 6 (UEA-AM) Os biocombustíveis surgem hoje como
uma solução para os problemas mundiais de energia.
a) II, III e IV d) II e III O caráter renovável da biomassa torna o seu uso uma
alternativa para a ameaça de esgotamento das jazi-
b) I, II e III e) I, II e IV das de petróleo.
c) I e IV O aumento da produção de combustível com base
na biomassa provoca o seguinte problema:
4 (IFG-GO) Para a produção de energia elétrica, faz-se
necessário represar um rio, construindo uma barra- a) o aumento da emissão de gases de efeito estufa,
gem, que irá formar um reservatório (lago). A água o que agrava o aquecimento global.
represada moverá as turbinas, que produzirão a ener-
gia. Entre os impactos ambientais causados por esta b) a queda do preço do petróleo, o que contribui para
construção, podem-se destacar: o aumento do seu consumo.
a) aumento da temperatura local e chuva ácida; c) a redução da oferta de alimentos, o que leva ao
aumento dos seus preços no mercado mundial.
b) alagamentos e desequilíbrio da fauna e da flora;
d) a mudança da estrutura fundiária, o que acarreta
c) alagamento de grandes áreas e aumento do nível o fracionamento das unidades produtivas.
dos oceanos;
e) a desvalorização do fator trabalho na agricultura,
d) alteração do curso natural do rio e poluição atmos- o que agrava as questões sociais no campo.
férica;
7 (UFRR) O Brasil tem na sua matriz energética o pe-
e) alagamentos e poluição atmosférica. tróleo, a energia hidrelétrica e o carvão, no entanto
o petróleo e o carvão são combustíveis fósseis e as-
5 (IFCE) O agronegócio, também conhecido por seu sim são apontados como causadores do aquecimen-
nome em inglês “agribusiness”, cujas cadeias pro- to global. Considerando estes fatores, todas as alter-
dutivas se baseiam na agricultura e na pecuária, nativas estão corretas, exceto:
apresenta um grande dinamismo econômico e pode
fazer do Brasil um dos maiores produtores agrope- a) As refinarias de petróleo processam a fase inicial
cuários do mundo. do petróleo e a separação dos seus derivados,
como: óleo diesel, querosene, gasolina, nafta, as-
Com relação ao agronegócio é verdadeiro afirmar que falto e lubrificantes.
a) a soja, cultivo mecanizado e irrigado, foi a primei- b) A maior hidrelétrica do Brasil é a hidrelétrica de
ra lavoura moderna a se desenvolver no território Itaipu, localizada na bacia hidrográfica do rio Paraná.
brasileiro, onde é cultivada, principalmente, em
áreas de terrenos litorâneos planos e baixos e c) As principais bacias sedimentares brasileiras pro-
próximos de rios e açudes. dutoras de petróleo são a bacia de Campos, Recôn-
cavo Baiano e as bacias do Nordeste como Sergipe
b) o agronegócio é o conjunto da cadeia produtiva e Ceará, localizadas na plataforma continental.
ligado à agropecuária, incluindo todas as ativida-
des de indústria e serviços de antes, durante e d) Na região Sudeste do Brasil é onde ocorre o maior
depois da produção. Essa cadeia movimenta a consumo de derivados de petróleo e onde se encon-
economia, ao empregar trabalhadores, gerar ren- tra o maior número de refinarias de petróleo do país.
da e pagar impostos.
e) A principal região produtiva de carvão mineral do
c) a expansão do agronegócio, no Brasil, não provo- Brasil é a região Sul, sendo o Rio Grande do Sul o
cou mudanças no campo, mas gerou riquezas e maior produtor de carvão mineral do país.
contribuiu para a desconcentração de rendas e
terras. Essa expansão diminuiu, recentemente, o 8 (UFV-MG)
êxodo rural.
“Tem muita gente sem terra tem muita terra sem gente”
d) o café, a soja, o milho e a mandioca, juntamente
com a pecuária, podem ser considerados as es- Cartaz do MST, inspirado nos versos de lavradores de Goiás.
trelas do agronegócio brasileiro. Esses produtos
garantem um volume elevado na pauta de expor- A luta pela terra no Brasil existe há décadas e já fez
tações no país. várias vítimas entre trabalhadores do campo, religio-
sos e outros. Entre as principais razões dos conflitos
e) a expansão monocultora de árvores como o eu- de terra no Brasil, pode-se citar:
calipto, o pínus e a acácia, também tem
contribuído para a fortificação do agronegócio a) a disputa pelas poucas áreas férteis em nosso
brasileiro, uma vez que está comprovado que território, típico de terras montanhosas.
essa expansão não causará consequências so-
cioambientais. b) a concentração da propriedade da terra nas mãos
de poucos e a ausência de uma reforma agrária
efetiva.
CONCLUINDO A UNIDADE 5 253
c) a divisão excessiva da terra em pequenas proprie c) indique duas características ambientais da Bacia
dades, dificultando o aumento da produção. Hidrográfica do Paraná.
d) a perda do valor da terra agrícola pelo crescimen 2 (Uerj)
to da industrialização no nosso país.
Modernização na agropecuária brasileira
e) a utilização intensiva de mão de obra permanen
te, onerando o grande produtor rural. 50º O Banco de imagens/Arquivo da editora
OCEANO
ATLÂNTICO
Questões de vestibular Não escreva 0º Equador
no livro
1 (UFBA) N
O Brasil, por sua grandeza territorial, possui uma di- O
versidade geográfica e climática significativa. A latitude,
o relevo, as bacias hidrográficas, as características do OCEANO S Trópico de Capricórnio
solo, entre outros fatores, criam uma série de possibili- PACÍFICO N
dades, entre outras coisas, para o planejamento energé-
tico da matriz brasileira. Uso das práticas modernas 0 645 1290
1 cm - 645 km
Sendo bem exploradas, essas características singu- fraco 0 70 forte
lares podem fazer do Brasil um país independente das
energias fósseis a longo prazo. Através do investimento Adaptado de: THÉRY, Hervé; MELLO, Neli.
tecnológico e em infraestrutura, é possível utilizarmos Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território.
fontes renováveis como a biomassa (etanol e biodiesel),
eólica, solar e hidrelétrica. [...] Finalmente, a natureza São Paulo: Edusp/Imprensa Oficial, 2008.
oferece as condições ou cria as dificuldades que, na ver-
dade, podem ser oportunidades para o crescimento e No Brasil, o setor agropecuário se caracteriza tanto
desenvolvimento do país. por áreas que ainda adotam práticas tradicionais
como por aquelas em que há forte presença de mo-
WALTZ, 2010, p. 31. dernização, como se observa no mapa.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a ma- • Aponte o complexo regional que concentra o uso
triz energética brasileira, uma das mais equilibradas mais intenso de práticas agropecuárias modernas
entre as grandes nações, e a que concentra o uso menos intenso. Em segui
da, cite duas características presentes no proces
a) justifique a recente expansão hidrelétrica da so de modernização agropecuária do país.
Região Norte e cite dois exemplos do atual apro
veitamento da Bacia Amazônica;
b) destaque duas características naturais do Nor
deste brasileiro, que podem ser aproveitadas para
geração de energia alternativa e limpa;
Outras fontes de reflexão e pesquisa como esse modelo depende não apenas das famílias
que vivem diretamente da terra, mas também de
Filmes toda a sociedade brasileira.
Apresentamos a seguir algumas sugestões de filmes Biocombustíveis
que abordam o conteúdo tratado nesta Unidade.
Direção: Paula Saldanha e Roberto Werneck. Brasil,
Agricultura familiar I e II 2009.
Direção: Paula Saldanha e Roberto Werneck. Brasil, Diante do aquecimento global e do declínio das re
2009. servas de petróleo, o Brasil se lança na busca por
No primeiro episódio, o documentário mostra um fontes de energia que sejam, ao mesmo tempo, não
pouco das origens dessa maneira tradicional de tra poluentes e suficientes para impulsionar o desenvol
balhar a terra, a riqueza de suas identidades regio vimento do país. Este documentário pesquisa os di
nais e os atuais desafios que ela enfrenta para se versos tipos de biocombustível, suas potencialidades
manter e prosperar. No segundo programa, veremos
254 C o n C l u i n d o a u n i d a d e 5
e seus riscos, e investiga consequências ambientais grilagem de terra e manutenção de trabalhadores
e sociais. em regime análogo à escravidão. Também aborda
a reforma agrária no mundo, com exemplos da
Coronel Delmiro Gouveia implantação no México e na Rússia.
Direção: Geraldo Sarno. Brasil, 1978, 90 minutos.
O filme narra a história de Delmiro, o pioneiro in- O que é agricultura sustentável
dustrial pernambucano, que no final do século XIX Eduardo Ehlers. São Paulo: Brasiliense, 2009.
e início do século XX enfrentou o poder dos coronéis O livro faz uma retrospectiva da história da agricul-
e de poderosas companhias inglesas. Após inúme- tura no mundo, mostrando desde os seus primór-
ras brigas políticas, Delmiro perde sua fortuna. Ao dios, há 10 mil anos, até os dias atuais. Também
refugiar-se no sertão pernambucano, retoma suas procura apontar alguns caminhos que podem apro-
atividades empresariais montando uma fábrica de ximar a agricultura do ideal da sustentabilidade.
linha de costura, para a qual aproveita a energia
elétrica de uma usina que constrói na cachoeira de O que são assentamentos rurais
Paulo Afonso e o algodão herbáceo nativo da região. Sônia M. Bergamasco e Luis A. Cabello Norder. São
Paulo: Brasiliense, 1996.
Fontes de energia alternativas Os poucos programas de democratização do acesso
Direção: Filipe Neri. Brasil, 2014, 22 minutos. à terra já demonstraram sua relevância para a gera-
O diretor se utiliza de sete fontes de energias alter- ção de empregos, melhoria da qualidade de vida e
nativas (a nuclear, a hidrelétrica, a eólica, a solar, a aumento da oferta de produtos agrícolas, mas en-
biomassa, a maremotriz e a geotérmica), que são contram enorme resistência de governantes e pro-
pouco utilizadas pela sociedade, para detalhar cada prietários. Este livro faz um balanço dessas experiên-
uma delas em pequenos vídeos, com tempo médio cias e mapeia os pontos polêmicos do processo.
de três minutos para cada tipo de energia abordada.
Recursos minerais e sustentabilidade territorial:
Fontes de energia de combustíveis fósseis grandes minas – Volume 1
Direção: Filipe Neri. Brasil, 2014, 10 minutos. Francisco Fernandes, Maria Amélia Enríquez e Renata
Determinadas fontes de energia produzem uma Alamino. Rio de Janeiro: Cetem/MCTI, 2011.
quantidade grande de poluição, são os chamados Artigos que discutem a exploração de recursos na-
combustíveis fósseis (o carvão mineral, o petróleo turais brasileiros. Obra atual que também aponta o
e o gás natural), e ainda correm o risco de se esgo- uso sustentável desses recursos.
tar devido a sua alta utilização.
Sites
Pré-sal
Direção: Filipe Neri. Brasil, 2014, 2 minutos. Os sites indicados a seguir constituem uma boa fon-
Este documentário aborda o pré-sal, mostrando, por te de pesquisa.
meio de slides, a grande quantidade de petróleo que
está abaixo da camada de sais que compõe a cros- <www.maternatura.org.br/hidreletricas/
ta terrestre. guia_IV.asp >
Site com estudos bem detalhados sobre os impactos
Livros ambientais e sociais nas construções das usinas
hidrelétricas.
Estes livros poderão elucidar e ampliar o assunto
estudado. <www.anp.gov.br/>
Site da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Gás
A luta pela terra: experiência e memória Natural e Biocombustíveis. Contém informações,
Maria Aparecida de Moraes Silva. São Paulo: Unesp, gráficos, mapas e estatísticas sobre a produção
2004. de petróleo, gás natural e biocombustíveis no
A professora universitária e socióloga aborda de Brasil.
forma didática a questão da posse da terra no Brasil.
<www.cptnacional.org.br/>
A reforma agrária Site da Pastoral da Terra, com informações, artigos
Eduardo Scolese. São Paulo: Publifolha, 2005. (Folha e estatísticas sobre conflitos no campo no Brasil.
Explica).
Este livro trata de maneira resumida a origem, os <http://minerals.usgs.gov/minerals/pubs/
desdobramentos e a consequência do cenário de mcs/2012/mcs2012.pdf>
constantes invasões a fazendas e a prédios públi- Site em inglês com uma publicação do Serviço de
cos, saques de alimentos, barricadas nas estradas, Geologia dos Estados Unidos, com estatísticas e
assassinatos e a impunidade dos criminosos, informações sobre produção e consumo de vários
minerais.
CONCLUINDO A UNIDADE 5 255
Comércio, unidade
transportes e
Cesar Diniz/Pulsar Imagens
6 telecomunicações
Navio cargueiro no Porto de Tubarão,
em Vitória (ES), sendo abastecido
com minério de ferro. Foto de 2016.
Duas importantes atividades desenvolvidas no Brasil estão fortemente interligadas: o comércio
exterior e o setor de transportes. O comércio exterior de um país precisa de uma rede de trans-
portes bem aparelhada, em que haja integração entre os diversos modais de transporte de carga, como
aeroviário, rodoviário, ferroviário, hidroviário e dutoviário. No Brasil, a infraestrutura ferroviária, rodo-
viária e portuária é pouco integrada, insuficiente e cara, constituindo-se em um dos pontos desfavorá-
veis para o movimento de importações e exportações.
256
capítulo 21
O comércio exterior brasileiro
André Dib/Pulsar Imagens
As commodities, como o minério de ferro ou a soja, desde 2009, têm ocupado lugar de destaque na pauta de exportações
brasileiras em razão, principalmente, da demanda de matérias-primas para atender aos mercados de potências emergentes como
a China. Na imagem, navio cargueiro atracado em terminal de embarque no rio Tapajós, em Santarém (PA), para ser carregado
com grãos. Foto de 2014.
Evolução do comércio Com a intensificação do processo de industria-
exterior brasileiro lização depois da Segunda Guerra Mundial, além
dos produtos do setor primário, o Brasil passou a
Durante o período colonial (1500-1815), Portugal exportar produtos do setor secundário. Do mesmo
manteve o monopólio do comércio com o Brasil até modo, excluiu de sua lista de bens importados mui-
1808. Em 28 de janeiro de 1808, dom João VI assinou tos produtos que começou a industrializar em terri-
em Salvador o Decreto de Abertura dos Portos às tório nacional.
Nações Amigas. Terminava assim o período do mo-
nopólio e do Pacto Colonial, iniciando a história do Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a po-
comércio exterior brasileiro, não vinculado a Portugal. lítica do governo brasileiro com relação ao comércio
exterior teve dois períodos distintos.
O comércio exterior brasileiro C A P Í T U L O 2 1 257
■■ 1945-1990 — substituição de importações: o Brasil das importações, o saldo é positivo. Diz-se, então,
industrializou-se adotando o modelo que consiste que há um superavit comercial. Quando as impor-
em fabricar no próprio país o que antes era impor- tações superam as exportações, o saldo é negativo.
tado. A política marcante desse período foi o prote- Nesse caso ocorre um deficit comercial. Portanto, a
cionismo, isto é, taxavam-se os produtos importados balança comercial favorável (saldo positivo) ou des-
para que não competissem com os bens produzidos favorável (saldo negativo) indicará a diferença entre
pela indústria nacional. Essa política favorecia a as exportações e as importações de uma nação.
balança comercial, reduzindo as importações.
As relações comerciais entre os países do mundo
■■ De 1990 em diante — liberalização de importa- são mais amplas do que a troca de mercadorias ou
ções: em 1990, o governo brasileiro introduziu produtos. Elas incluem também serviços (seguros,
um programa de liberalização financeira externa turismo, etc.), investimentos e movimento de capital.
e de eliminação das barreiras protecionistas na Para definir a situação do comércio exterior de um
importação, cujos principais pontos foram: país existe outro índice — o balanço de pagamentos,
■■ abolir barreiras não tarifárias, como reserva que é mais completo do que a balança comercial.
de mercado, cotas e proibições;
■■ reduzir a média das tarifas de exportação. O balanço de pagamentos abrange a balança
comercial, a balança de serviços e a de movimenta-
Podemos acompanhar a evolução do comércio ções e transferências financeiras. Esse balanço re-
exterior brasileiro analisando o comportamento da gistra a quantidade de dinheiro que entra e sai do
balança comercial do país desde a abertura dos por- país, somando todas as suas transações com o resto
tos (1808) até os dias atuais. do mundo, em determinado período.
Balança comercial e Evolução da balança comercial
balanço de pagamentos
brasileira
Com frequência, os jornais publicam matérias
sobre o deficit ou o superavit da balança comercial Para analisar o funcionamento da balança comer-
brasileira. E muitas pessoas têm dificuldade em cial brasileira, vamos considerar dois aspectos prin-
compreender o que isso significa. Os termos deficit, cipais: os produtos exportados e importados e o
superavit, balança comercial e balanço de pagamen- saldo comercial.
tos fazem parte de uma área de conhecimento
específico. Antes da abertura dos portos, a balança comer-
cial brasileira apresentava superavit e uma pauta de
Por balança comercial compreende-se a relação exportações na qual predominavam produtos pri-
entre o que um país exporta e o que ele importa. mários, como açúcar, algodão, café, pele e couro.
Quando o total das exportações é superior ao total Veja, no gráfico a seguir, os dados da balança comer-
cial brasileira de 1808 a 1820, dois anos antes da
Independência do Brasil.
Brasil: balança comercial — 1808-1820 (em mil contos de réis) Banco de imagens/Arquivo da editora
Exportação Importação Saldo
25 000
20 000
15 000
10 000
5 000
0
-5 000
1808 1809 1810 1811 1812 1813 1814 1815 1816 1817 1818 1819 1820
Adaptado de: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC). 200 anos: comércio exterior.
Disponível em: <www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=2041>. Acesso em: 15 abr. 2016.
258 U N I D A D E 6 Comércio, transportes e telecomunicações
De 1820 até a década de 1970, o café reinou ab- Brasil: principais mercadorias de Banco de imagens/Arquivo da editora
soluto nas exportações brasileiras, chegando a re- exportação — 1971-1980
presentar mais de 60% do total, como podemos ver
nos gráficos a seguir: Algodão 3,0% Químicos 2,1%
Brasil: principais mercadorias de Banco de imagens/Arquivo da editora Calçados e couro Carnes 2,0%
exportação — 1891-1900 3,0% Petróleo e comb. 1,6%
Metalúrgicos 3,7% Demais 28%
Algodão Mat. transporte Café 17,8%
2,5% 4,0%
Açúcar 5,7% Pele e couro Máqs. e equip.
2,5% 6,2%
Demais 9,7% Café Açúcar e álcool 7,7% Soja 12,1%
63,8% Minérios 8,8%
Borracha
15,8% Adaptado de: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E
COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC). 200 anos: comércio exterior. Disponível em:
<www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.
php?area=5&menu=2041>. Acesso em: 15 abr. 2016.
Adaptado de: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E Brasil: principais mercadorias de Banco de imagens/Arquivo da editora
COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC). 200 anos: comércio exterior. Disponível em: importação — 1971-1980
<www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.
php?area=5&menu=2041>. Acesso em: 15 abr. 2016.
Mat. transporte Ap. científicos 2,4%
5,2%
Guilherme Gaensly/Arquivo Público do Estado de São Paulo Demais 6,9% Têxteis 1,0%
Animal Combustíveis
e vegetal 27,4%
8,8%
Máquinas
Metais 10,7% 22,8%
Químicos 14,8%
Embarque de café no Porto de Santos, no estado de São Paulo, Adaptado de: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E
por volta de 1900. COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC). 200 anos: comércio exterior. Disponível em:
A partir da década de 1970, a pauta das exporta- <www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.
ções brasileiras se diversificou e, apesar do destaque php?area=5&menu=2041>. Acesso em: 15 abr. 2016.
dos produtos primários, já apresentava diversos
produtos industrializados. Nas importações brasi- Até 1991 os produtos primários ainda predomi-
leiras, predominavam produtos manufaturados e navam entre as exportações brasileiras. De 1991 a
combustíveis. 2007, os manufaturados passaram a predominar na
pauta de exportações, principalmente produtos me-
talúrgicos e químicos, máquinas e material de trans-
porte. A partir de 2008, as commodities voltaram a
ocupar lugar de destaque entre as exportações.
Quanto ao saldo comercial, a balança comercial
brasileira alternou deficits e superavits em sua história.
Entre os períodos mais recentes em que a balan-
ça brasileira apresentou deficit comercial, destaca-se
a década de 1970, principalmente por causa da ele-
vação do preço do petróleo, principal produto de
importação no mercado internacional.
Em outro período, de 1995 a 2000, o saldo da
balança comercial também foi negativo, isto é,
O comércio exterior brasileiro C A P Í T U L O 2 1 259
o valor das importações excedeu Brasil: balança comercial — 2000-2015 (em bilhões de dólares) Arte Ação/Arquivo da editora
o das exportações. Isso aconteceu
principalmente porque o Plano 300
Real, criado em 1994, valorizou a
moeda nacional (o real) e facili-
tou a entrada de produtos estran-
geiros mais competitivos que os 250 Exportação
brasileiros, por serem mais bara- Importação
tos e, muitas vezes, por represen- Saldo
tarem “o novo” em relação aos já
conhecidos produtos nacionais. 200
A partir de 2001, a balança
comercial brasileira passou a ser
superavitária, até 2013. Após ter
150
seu saldo afetado, em 2011, a ba-
lança iniciou uma trajetória de
queda e registrou, em 2014, seu
primeiro deficit depois de treze 100
anos. Os principais motivos des-
sa situação foram: a queda da
produção brasileira, crises inter-
nacionais, principalmente na 50
Zona do Euro e na Argentina,
aumento da importação de com-
bustíveis e a queda dos preços
das commodities. A balança co- 0
mercial representou 11,5% do PIB 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
nacional, em 2014, ficando muito Adaptado de: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC).
abaixo da média mundial, que foi Balança comercial. Disponível em: <www.desenvolvimento.gov.br>. Acesso em: 18 abr. 2016.
de 29,8%.
Em 2015, as exportações brasileiras apresenta- pouco mais de 1% das exportações mundiais, como
ram queda. Contudo, as importações caíram ainda se pode ver no gráfico abaixo.
mais e a balança comercial voltou a apresentar Arte Ação/Arquivo da editora
superavit. Participação das exportações brasileiras
nas exportações mundiais (%)
O comércio brasileiro 1,44
no contexto internacional
1,36 1,36 1,30 1,29
O Brasil pertence à Organização Mundial do
Comércio (OMC) e realiza suas trocas comerciais 1,26 1,25
no comércio multilateral (com países isoladamente); 1,16 1,17 1,18
como também se relaciona com blocos econômicos, 1,08
fazendo ou não parte de alguns deles, como veremos
mais adiante. 0,96 0,99
Na realização dessas duas formas de comércio, 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
mesmo com uma balança comercial superavitária
por muitos anos e importante fornecedor de Adaptado de: ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC).
commodities agrícolas e minerais no mercado inter- Estatísticas do comércio internacional. Disponível em: <http://stat.wto.org/
nacional, as exportações brasileiras representaram
Country/Profile/WSDBContryPFHome.aspx?Language=E>.
Acesso em: 18 abr. 2016.
260 U N I D A D E 6 Comércio, transportes e telecomunicações
Em 2015, os principais destinos das exportações O Brasil e os blocos econômicos
brasileiras foram China, Estados Unidos, Argentina,
Holanda, Venezuela, Alemanha, Japão, Chile, Índia O Brasil faz parte de dois blocos econômicos: o
e Itália. Os países de origem de grande parte das Mercado Comum do Sul (Mercosul), o principal blo-
importações eram China, Estados Unidos, Argentina, co econômico da América do Sul, e a Associação
Alemanha, Japão e Nigéria. Latino-Americana de Integração (Aladi), um bloco
menor, mas também importante e estratégico econo-
Como podemos perceber pela evolução da sua micamente, no âmbito sul-americano. Além disso,
balança comercial, o comércio exterior brasileiro mantém relações comerciais com associações eco-
modificou-se intensamente após a década de nômicas de vários continentes. Veja o gráfico a seguir.
1970, impulsionado pela modernização e pela in-
dustrialização do país, que tem exportado cadaDivulgação/MercosulBrasil: comércio com os principais blocos
vez mais produtos industrializados e semimanu- Arte Ação/Arquivo da editora— 2014 (em bilhões de dólares)
faturados, embora nos últimos anos as commodi-
ties tenham voltado a se destacar em nossa pauta 120 117,1
de exportações. 109,4 112
Segundo a Associação de Comércio Exterior 100
do Brasil (AEB), os principais produtos exporta- 89,5
dos pelo Brasil em 2014 foram: minério de ferro,
complexo soja, óleo bruto de petróleo, complexo 80
carne (frango e bovina), automóveis e máquinas
industriais. 60 43,3 46,7
42,1
Já entre os principais produtos de importação, 41,2
destacavam-se: combustíveis e lubrificantes, equi- 40 35,2 33,1
pamentos mecânicos, elétricos e eletrônicos, auto-
móveis e peças automotivas, produtos químicos, 20 26,1
plásticos e farmacêuticos e fertilizantes. 22,2
De todos os países-membros da OMC, o Brasil 0 OCDE Mercosul Nafta UE Apec
foi o 22º que mais exportou no mundo e o 21º que Aladi
mais importou mercadorias. No que se refere aos
serviços comerciais entre as nações, o Brasil ocupou Importações Exportações
a 31ª posição entre os países exportadores e a 17ª
posição entre os importadores de serviços. Adaptado de: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E
COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC). Disponível em: <www.desenvolvimento.gov.
br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=576>. Acesso em: 18 abr. 2016.
Edifício-sede do Mercosul,
em Montevidéu, no
Uruguai. Foto de 2015.
O comércio exterior brasileiro C A P Í T U L O 2 1 261
Barreiras comerciais e o G-20 produtos. Entretanto, o Brasil não enfrenta proble-
mas apenas com países desenvolvidos quanto a
comercial barreiras comerciais. A Argentina, por exemplo, im-
portante parceiro no Mercosul, tem imposto restri-
Barreiras comerciais são medidas tomadas por ções a alguns produtos industrializados brasileiros.
países para proteger seus produtos no comércio in-
ternacional. Há duas principais categorias de bar- Frente à intransigência dos governos que se re-
reiras comerciais, ambas significando medidas pro- cusam a reduzir subsídios, em 2003, sob liderança
tecionistas: do Brasil, da Índia e da África do Sul, foi organizado
um bloco de vinte países não desenvolvidos, deno-
■■ barreiras tarifárias – compreendem taxas diver- minado G-20, para pressionar os países desenvolvi-
sas e tarifas de importações. dos a reverem as medidas protecionistas no setor
agrícola.
■■ barreiras não tarifárias – envolvem medidas bu-
rocráticas, como licenciamento de importação O Brasil também é integrante do Grupo de Cairns,
e políticas de importação, como procedimentos outro bloco que combate o protecionismo rural na
alfandegários e medidas sanitárias (produtos OMC. Esse grupo, com dezenove membros, tem
animais) e fitossanitárias (produtos vegetais). como principal objetivo a busca de um sistema com
regras justas para o comércio mundial de produtos
Entre as medidas protecionistas são comuns os agrícolas. Tanto o G-20 do comércio como o Cairns
subsídios e as medidas de salvaguarda. Subsídios são procuram cuidar das relações comerciais entre países
auxílio a determinados setores ou atividades para que desenvolvidos e em desenvolvimento, principalmen-
seus produtos sejam competitivos no mercado externo. te com os produtores das chamadas commodities.
Como exemplo, podemos citar os subsídios concedidos
a agricultores da União Europeia e dos Estados Unidos. Os corredores de
As medidas de salvaguarda visam proteger a indústria exportação
doméstica da concorrência de produtos estrangeiros,
por exemplo, as tarifas de salvaguarda concedidas à Para organizar o embarque de produtos nos
indústria do aço, nos Estados Unidos. portos marítimos do país, o governo criou, na dé-
cada de 1970, os corredores de exportação: eixos
De modo geral, os produtos brasileiros são alvo que reúnem condições de transporte de cargas por
de barreiras comerciais tarifárias e não tarifárias, rodovias, hidrovias ou ferrovias, de armazenamen-
bem como de medidas protecionistas, principalmen- to em silos ou contêineres e sistema portuário.
te por parte dos países ricos. Por isso, é comum o
Brasil recorrer à OMC por causa de medidas como O grupo é chamado
protecionismo, subsídios e tarifas impostas aos seus G-20, apesar de reunir
mais de vinte países
Allmaps/Arquivo da editoraO G-20 do comércio não desenvolvidos.
Meridiano de Greenwich
0º
Círculo Polar Ártico
OCEANO OCEANO EGITO CHINA OCEANO
PACÍFICO ATLÂNTICO NIGÉRIA PAQUISTÃO PACÍFICO
Trópico de Câncer CUBA ÍNDIA
MÉXICO TAILÂNDIA FILIPINAS
VENEZUELA
GUATEMALA
Equador 0º
EQUADOR BRASIL TANZÂNIA OCEANO INDONÉSIA
PERU ÍNDICO
Trópico de Capricórnio BOLÍVIA ZIMBÁBUE
PARAGUAI
N
CHILE URUGUAI ÁFRICA OL Adaptado de: MINISTÉRIO
DO SUL DAS RELAÇÕES EXTERIORES.
ARGENTINA G-20 Comercial. Disponível
em: <www.itamaraty.gov.br>.
0 3 000 6 000 km Acesso em: 15 abr. 2016.
S
262 U N I D A D E 6 Comércio, transportes e telecomunicações
Os principais portos marítimos do Brasil são os a seguir quais são os produtos de maior peso nas
pontos terminais desses corredores que estão con- importações e nas exportações brasileiras e os prin-
centrados nas regiões Sudeste e Sul, cujas econo- cipais corredores de exportação por onde são mo-
mias são as mais dinâmicas do país. Veja no mapa vimentados.
Brasil: principais corredores de exportação Allmaps/Arquivo da editora
50º O
RR AP
AM
0º RO Equador
AC Belém São Luís
Exportação PA MA CE RN
Manufaturados PI
Café MT
Minérios MS PB
Óleos vegetais
Soja PE
Fumo Recife
Importação TO AL
Manufaturados SE
Trigo
Petróleo GO BA OCEANO Adaptado de:
DF MG ATLÂNTICO MELHORAMENTOS.
Atlas geográfico do
ES Brasil. Disponível em:
SP RJ Vitória <http://biblioteca.uol.
com.br/atlas/
PR Santos Rio de Janeiro Trópico de Capricórnio mtematico.
Paranaguá N htm?CRIE>;
SC São MINISTÉRIO DOS
Sebastião TRANSPORTES.
RS Disponível em: <www.
OL transportes.gov.br>.
Rio 0 460 920 km Acesso em:
Grande 15 abr. 2016.
S Mapa sem data na
fonte original.
Desafios do comércio brasileiras. Desses produtos apenas 4,3% eram
exterior de alta tecnologia, enquanto 41,9% eram de
média-baixa e baixa tecnologia;
Contribuindo com pouco mais de 1% das expor- ■■ a burocracia necessária para a exportação e a
tações globais, o Brasil, que em 2015 possuía a importação de produtos; os preços e as altas
sétima maior economia do mundo, precisa ampliar taxas de juros cobrados na venda dos mesmos.
ainda mais as suas relações comerciais e o seu vo- Os preços de produtos brasileiros de alta tec-
lume de produtos exportados. Para isto, o país ne- nologia podem custar quase 50% mais do que
cessita de reformas em vários pontos de sua eco- os similares de concorrentes devido ao custo
nomia, eliminando uma série de fatores que são Brasil;
chamados custo Brasil. Esse “custo” envolve entra- ■■ falta de uma rede de transportes bem aparelha-
ves que impedem o crescimento do comércio ex- da. A infraestrutura de transportes brasileira é
terior brasileiro. Entre eles, podemos citar: insuficiente, cara e pouco integrada nos modais
ferroviário, rodoviário e instalações portuárias,
■■ a maior parte das exportações brasileiras de configurando um fator desfavorável ao movi-
produtos industriais é composta de itens de bai- mento de importações e exportações;
xa e média tecnologia e baixo valor agregado, ■■ dependência da exportação de commodities e
o que comprova a defasagem tecnológica das do seu preço no mercado internacional. Esse
indústrias nacionais, diminuindo a competitivi- fato torna a balança comercial sensível às varia-
dade dos produtos brasileiros no comércio ex- ções do preço desses produtos e às crises eco-
terior. Os produtos industrializados representa- nômicas que influenciam as compras de países
ram em 2014 cerca de 38,7% das exportações consumidores e importadores.
O comércio exterior brasileiro C A P Í T U L O 2 1 263
Ampliando o conhecimento
Superavit comercial até junho de 2015 12 meses anteriores, enquanto as importações ainda
reverte deficit do primeiro semestre do cresciam 2,45%.
ano passado Quanto aos saldos comerciais, o último período de 12
meses, retroativos a maio/2015, registrou o primeiro
Mas Comércio Externo do País continua murchando deficit da balança de comércio externo do país (quase
nos dois lados da balança US$ 1,5 bilhão) para 12 meses anteriores, desde o deficit
apurado entre junho/2000 e maio/2001 de US$ 1,6 bi-
Nos seis meses decorridos de 2015 as exportações lhão. Ou seja, depois de obter superavits crescentes em
e as importações brasileiras tiveram quedas de 14,7% períodos de 12 meses (referenciados a maio) durante 13
e 18,5%, respectivamente, em comparação com o anos, passando de US$ 5 bilhões (junho/2001 a
primeiro semestre de 2014, mas produzindo saldo maio/2002) a quase US$ 48 bilhões (junho/2006 e
positivo de US$ 2,222 bilhões, resultado que inverteu o maio/2007), a partir de então os saldos positivos
deficit de US$ 2,5 bilhões registrado no mesmo período começaram a cair, chegando a quase US$ 3 bilhões entre
de 2014. O resultado também reverteu o deficit que a junho/2013 e maio/2014 e retornando ao vermelho no
balança tinha acumulado até maio deste ano, da ordem último intervalo, entre maio/2015 e junho/2014. Se
de US$ 2,3 bilhões. comparados os períodos de 12 meses entre junho 2015/
julho 2014 e junho 2014/julho 2013, então, o saldo volta
Embora com saldo positivo até junho — com expec- a ser positivo, em US$ 695 milhões. Ainda que pequeno,
tativas de que possa subir a próximo de US$ 5 bilhões o valor pode indicar a retomada de superavits para o
até dezembro —, a tendência é de que se mantenham ano, embora a expectativa seja de continuarem quedas
as quedas, em menor proporção nas exportações, em gêmeas, na exportação e na importação, significando que
razão do estímulo do câmbio depreciado a compensar a corrente de comércio, ao final de 2015, poderá retroceder
perdas de receitas do grupo commodities, que, mesmo ao montante próximo ao de 5 anos atrás.
assim, segue como principal fonte de divisas de
exportação. ASSOCIAÇÃO DO COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL (AEB).
Informativo de Comércio Exterior — AEB. Disponível em:
As importações devem cair mais aceleradamente,
seja pelo efeito câmbio, no caso, de desestímulo, por <www.aeb.org.br/noticias/downloads/1498_AEB%20134.pdf>.
encarecer os preços de importação, seja pela retração Acesso em: 18 abr. 2016.
do consumo doméstico, endividamento Arte Ação/Arquivo da editora
das pessoas, desemprego e baixo Brasil: exportação por tipo de
crescimento da economia, seja pela mercadoria (em milhões de dólares)
diminuição nas compras de óleo bruto
de petróleo, nafta e óleos combustíveis,
conjunto de produtos cujas impor- 90 064
tações caíram, no período, à metade Janeiro-maio 2014
do que foram em igual período de Janeiro-maio 2015
2014, passando de US$ 11,246 bilhões
para US$ 5,741 bilhões. 74 701
O comparativo entre períodos de
12 meses mostra o sucessivo murchar,
até o presente, das exportações, das 45 298
importações e dos saldos comerciais.
Nos doze meses retroativos a maio 34 503 31 334
de 2015 (período junho/2014 a 27 679
maio/2015), vendas e compras ao ex-
terior se reduziram de 12% e 10,5%
com relação ao período anterior; entre 10 963 10 540
junho/2013 e maio/2014, as exporta-
ções ficaram praticamente estagnadas
com relação às exportações de ju- Total Básico Semimanufaturado Manufaturado
nho/2012 a maio/2013, neste último,
aliás, quando as exportações já tinham Adaptado de: ASSOCIAÇÃO DO COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL (AEB). Informativo de
murchado em 8,3%, relativamente aos Comércio Exterior — AEB. Disponível em: <www.aeb.org.br/noticias/downloas/
1498_AEB%20134.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2016.
264 U N I D A D E 6 Comércio, transportes e telecomunicações
Refletindo sobre o conteúdo
1. Analise o gráfico de colunas a seguir.
Balança comercial do Brasil (em bilhões de dólares)
40 Arte Ação/Arquivo da editora
30
20
10
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2014
0 1994 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
Adaptado de: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC). Disponível em:
<www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=5294>. Acesso em: 18 abr. 2016.
a) O que é e como funciona a balança comercial de 3. Leia a matéria sobre o comércio internacional entre
um país? o Brasil e a China e, depois, responda às questões.
b) Caracterize a balança comercial brasileira. A China é o principal parceiro comercial do Brasil
— está à frente de países como os Estados Unidos e a
2. Leia o texto abaixo e depois responda às questões. Argentina — e as trocas comerciais entre os dois países
não param de crescer nos últimos anos. Dados do Minis-
Exportações brasileiras lideram queda em 2014 tério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
entre 30 principais economias (MDIC) apontam que, em 2013, as exportações para o
Gigante Asiático somaram US$ 46 bilhões e as impor-
O Brasil sofreu em 2014 a maior queda nas exporta- tações, US$ 37 bilhões — total de US$ 83 bilhões. [...]
ções entre as 30 principais economias do mundo, caiu no
ranking dos maiores vendedores do mundo e perdeu “A relação Brasil-China vem experimentando um
participação no comércio internacional. avanço muito grande, tanto em matéria de comércio
como de investimento. De 2007 a 2012, foram anuncia-
Os dados foram divulgados pela Organização Mun- dos aportes na ordem de US$ 68 bilhões, dos quais
dial do Comércio (OMC) e alertam que a situação da US$ 28 bilhões já se concretizaram. Esses investimentos,
balança exportadora do Brasil continuará a sofrer uma que começaram na área de commodities, de soja e de
retração em 2015 e 2016. minério de ferro, estão se estendendo para o setor de
infraestrutura”, afirma o presidente do Conselho Empres-
Ao final de 2014, o Brasil era apenas o 25º maior arial Brasil-China (CEBC), embaixador Sérgio Amaral.
exportador, superado por Tailândia, Suíça e Malásia. Em
2013, o país era o 22º maior exportador do mundo, com CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPORTE (CNT).
1,3% da fatia do comércio internacional e vendas de Disponível em: <www.cnt.org.br/Imprensa/noticia/trocas-
242 bilhões de dólares. Hoje, representa 1,2%. comerciaisbrasil-china-12052014>. Acesso em: 28 abr. 2016.
Entre as 30 maiores economias do mundo, o Brasil a) Identifique duas commodities exportadas pelo
apresenta a maior retração nas exportações, com queda Brasil para a China.
de 7%, enquanto a média mundial foi uma pequena ex-
pansão de 1%. b) Faça uma breve análise do comércio exterior entre
o Brasil e a China tendo o texto acima e o capítu-
DIÁRIO DO POVO ONLINE. 15 abr. 2015. lo como parâmetros.
Disponível em: <http://portuguese.people.com.cn/
c) Aponte dois fatores que tornam a China um par-
n/2015/0415/c310818-8878674.html>. ceiro comercial muito importante para qualquer
Acesso em: 18 abr. 2016. nação atualmente.
a) Relacione a reportagem acima com o gráfico da 4. Em sua opinião, qual é o obstáculo mais prejudicial
questão anterior. às exportações brasileiras? Justifique sua resposta.
b) Caracterize a fatia do comércio internacional bra-
sileiro entre 2013 e 2014.
O comércio exterior brasileiro C A P Í T U L O 2 1 265
capítulo 22
Transportes e
telecomunicações no Brasil
Daniel Cymbalista/Pulsar Imagens
A expansão e a distribuição espacial da indústria, assim como da economia de mercado, ocasionam um maior deslocamento de
pessoas e mercadorias que, por consequência, exigem o desenvolvimento dos meios de transporte. Na imagem, tráfego intenso de
caminhões de carga e congestionamento na rodovia Régis Bittencourt, no trecho de Embu das Artes (SP). Foto de 2015.
Os transportes no Brasil nativa para investimentos nacionais e estrangeiros,
sendo parte importante da economia de um país.
Os transportes são fundamentais para a economia
de um país. Sem rede de circulação, as indústrias não O setor de transportes é essencial para que um
teriam acesso às matérias-primas, não teriam condi- país tenha competitividade no mercado internacio-
ções de escoar sua produção nem de fazê-la chegar nal. No entanto, os modais de transportes no Brasil
até os consumidores. Entretanto, essa não é a única impõem grandes limitações ao crescimento e à ex-
função dos transportes: eles são fundamentais para pansão da economia.
a movimentação de pessoas, tanto para trabalho
como para lazer e turismo. O setor também gera em- Muitos países de dimensões continentais como
pregos e renda, representando uma importante alter- o Brasil geralmente apresentam grandes dificulda-
des para a instalação de uma infraestrutura de
transportes. Alguns deles realizaram obras impor-
266 U N I D A D E 6 Comércio, transportes e telecomunicações
tantes visando a integração de seu território e o logística, para dar suporte ao planejamento de in-
escoamento da produção agrária e industrial. É o tervenções públicas e privadas na infraestrutura e
caso dos Estados Unidos, que contam com uma na organização dos transportes, de modo que o setor
rede de transportes que inclui ferrovias, rodovias, possa contribuir para a consecução das metas eco-
hidrovias, portos bem aparelhados, além de uma nômicas, sociais e ecológicas do país, em horizontes
eficiente malha aeroviária. de médio a longo prazo, rumo ao desenvolvimento
Infelizmente, isso não foi o que aconteceu com o sustentado”. O PNLT pretende ser um plano de
Brasil: a dimensão do território brasileiro e a falta de Estado, pois prevê ações coordenadas para serem
políticas para o setor de transportes sempre foram realizadas até 2023.
obstáculos para o estabelecimento de uma rede de Para a sua realização e melhor administração dos
transportes eficiente. O resultado é que, atualmente, investimentos, o país foi reestruturado em sete
os modais de transportes no país impõem grandes Vetores Logísticos, uma nova forma de organização
limitações ao crescimento e à expansão da economia, espacial em microrregiões homogêneas: Amazônico,
porque na era dos blocos econômicos e da luta pelos Centro-Norte, Nordeste Setentrional, Nordeste Meri-
mercados, é imprescindível contar com uma rede de dional, Leste, Centro-Sudeste e Sul, conforme mapa
transportes bem estruturada. a seguir.
Há muito tempo o Brasil sofre perdas constantes Como parte do PNLT, foi lançado em 15 de agos-
em razão do alto custo dos serviços do setor de trans- to de 2012, o Programa de Investimentos em
portes e da má conservação de portos, rodovias e Logística (PIL): rodovias e ferrovias. O PIL tem como
locais de armazenagem dos produtos a serem ex- objetivo dotar o país de um sistema de transporte
portados. Essa deterioração foi resultado de inves- adequado às suas dimensões. Os investimentos em-
timentos insuficientes em infraestrutura, pelo me- pregados no PIL devem ser oriundos da parceria
nos nas duas últimas décadas. É urgente a necessi- entre o setor público e o privado, com contratos de
dade de investir no transporte aéreo, nas rodovias, concessão no caso das rodovias e das ferrovias.
ferrovias e hidrovias. A melhoria da
infraestrutura poderá auxiliar a reduzir Brasil: vetores logísticos Portal de mapas/Arquivo da editora
os custos, colocando os produtos no
mercado mundial com maior competi- 50º O
tividade.
Podemos apontar alguns proble- 0º
mas da infraestrutura de transporte Equador
brasileira que exigem atenção:
■■ o alto custo da manutenção de ro- VETOR VETOR
dovias e ferrovias e da conservação AMAZÔNICO CENTRO-NORTE
da frota de veículos;
VETOR NORDESTE
SETENTRIONAL
■■ a necessidade de aparelhamento e VETOR NORDESTE
de modernização dos portos fluviais MERIDIONAL
e marítimos, dos aeroportos e da
infraestrutura de armazenagem de OCEANO VETOR
produtos para exportação, etc.; PACÍFICO LESTE
■■ a maior concentração de ferrovias,
aeroportos, portos e rodovias no Trópico de Capricórnio VETOR OCEANO
Centro-Sul, região mais industria- CENTRO-SUDESTE ATLÂNTICO
N
lizada e populosa do país. VETOR OL
SUL
Em 2006, porém, o governo federal S
lançou, em conjunto com o Ministério 0 450 900 km
da Defesa, o Plano Nacional de Logís-
tica e Transportes (PNLT), que tem
como objetivo “formalizar e perenizar Adaptado de: MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES. Disponível em:
instrumentos de análise, sob a ótica <www2.transportes.gov.br/bit/01-inicial/pnlt.html>. Acesso em: 19 abr. 2016.
Mapa sem data na fonte original.
Transportes e telecomunicações no Brasil C A P Í T U L O 2 2 267
Modais de transportes no Brasil Banco de imagens/Arquivo da editora Transporte rodoviário
A matriz de transportes de carga brasileira está Na época do Brasil colonial foram abertos muitos
baseada no uso inadequado dos modais. Existe uma caminhos que ligavam as áreas de produção aos
sobrecarga no transporte rodoviário em razão da portos que enviavam as mercadorias para a Europa.
cultura do “rodoviarismo”, tanto para o transporte Era preciso vencer os terrenos montanhosos, trechos
de carga como para o de passageiros, como veremos difíceis de serem superados dentro das matas fecha-
nos gráficos a seguir. das, principalmente em tempo de chuvas.
Brasil: participação dos modais de Uma delas, hoje rota turística, é a Estrada Real,
transporte de carga — 2015 que reúne o Caminho Velho, o Caminho Novo e a
Rota dos Diamantes, no estado de Minas Gerais.
Rodoviário 61,1% Ferroviário 20,7%
A primeira estrada de rodagem brasileira foi a
Aéreo 0,4% Aquaviário 13,6% União e Indústria, construída em 1861 por Mariano
Dutoviário 4,2% Procópio Ferreira Lage. Ligava Petrópolis e Três
Rios, no Rio de Janeiro, a Juiz de Fora, em Minas
Gerais. A primeira rodovia pavimentada do Brasil
foi inaugurada em 1928, ligando a cidade do Rio de
Janeiro a Petrópolis. Essa rodovia é um trecho da
BR-040, e é denominada rodovia Washington Luís,
em homenagem ao ex-presidente Washington
Luís, que ficou conhecido por construir diversas
rodovias entre 1926 e 1930.
Adaptado de: CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE Banco de imagens/Arquivo da editora
TRANSPORTES (CNT). Boletim estatístico julho 2015. Disponível em: Reprodução/Coleção particular
<www.cnt.org.br/Boletim/boletim-estatistico-cnt>.
Acesso em: 19 abr. 2016.
Brasil: investimento governamental
por modal (em RS bilh›es) — 2015
Total pago acumulado atŽ jun. 2015: RS 4,59 bilh›es
Rodoviário Ferroviário
2,98 (65,1%) 0,73 (16%)
Aquaviário
0,14 (3,1%)
Aéreo
0,72 (15,8%)
Adaptado de: CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTES (CNT).
CNT transporte atual. Disponível em: <http://cms.cnt.org.br/
imagens%20CNT/Revista%20CNT/2015/
REVISTA%20CNT%20238%20FINAL.pdf>.
Acesso em: 19 abr. 2016.
A multimodalidade, isto é, a integração entre os Trecho da Estrada União e Indústria, perto do jardim do
diferentes modais de transporte, é a situação ideal Palácio Imperial, Rio de Janeiro, por volta de 1874. A estrada
para o desenvolvimento da infraestrutura de trans- foi inaugurada em 23 de junho de 1861 por dom Pedro II.
porte, diminuindo o custo do frete e aumentando a
eficiência logística. A implantação da indústria automobilística, em
meados do século passado, foi fundamental para a
O Brasil precisa pensar o setor de transporte de consolidação do transporte rodoviário como o mais
forma mais integrada, valorizando outros modais, utilizado no Brasil.
como as hidrovias, a navegação de cabotagem (ao
longo da costa) e as ferrovias.
268 U N I D A D E 6 Comércio, transportes e telecomunicações
As rodovias brasileiras na atualidade são classi- As rodovias federais no Brasil recebem uma no-
ficadas conforme a jurisdição a que estão submeti- menclatura própria que é definida pela sigla BR
das. Podem ser federais, estaduais e municipais. Veja seguida de três algarismos. O primeiro algarismo
a tabela a seguir. indica a categoria da rodovia, de acordo com as de-
finições estabelecidas no Plano Nacional de Viação.
Brasil: malha rodoviária — 2015 (extensão em km) Os dois outros algarismos definem a posição a par-
tir da orientação geral da rodovia, relativamente à
Pavimentada Não Total capital federal e aos limites do país (norte, sul, leste
pavimentada e oeste). Veja como são aplicadas essas definições.
Federal 64 045,1 11 944,6 75 989,7 1. Rodovias radiais. São as rodovias que partem
da capital federal em direção aos extremos do país.
Estadual 119 747,0 105 600,6 225 347,6
■■ Nomenclatura: BR-0XX.
Municipal 26 826,7 1 234 918,3 1 261 745,0
■■ Primeiro algarismo: 0 (zero).
Rede — — 157 560,9
planejada ■■ Algarismos restantes: a numeração dessas
rodovias pode variar de 05 a 95, segundo a
Total 210 618,8 1 352 463,5 1 720 643,2 razão numérica 05 e no sentido horário.
Fonte: CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPORTE (CNT). ■■ Exemplos: BR-040, BR-090, BR-020.
Boletim Estatístico CNT julho 2015. Disponível em:
<www.cnt.org.br/Boletim/boletim-estatistico-cnt>.
Acesso em: 19 abr. 2016.
Celso Pupo/Fotoarena
Vista da rodovia federal Washington Luís, a BR-040, em trecho próximo ao município de Duque de Caxias (RJ). Foto de 2013.Rodolfo Buhrer/Fotoarena
2. Rodovias longitudinais.
São as rodovias que cortam o país
na direção norte-sul.
■■ Nomenclatura: BR-1XX.
■■ Primeiro algarismo: 1 (um).
■■ Exemplos: BR-101, BR-153,
BR-174.
Vista da BR-116, no contorno sul que
passa pela Grande Curitiba. Trecho no
município de São José dos Pinhais (PR).
Foto de 2015.
Transportes e telecomunicações no Brasil C A P Í T U L O 2 2 269
3. Rodovias transversais. São as rodovias que cortam o país na direção leste-oeste.
■■ Nomenclatura: BR-2XX.
■■ Primeiro algarismo: 2 (dois).
■■ Exemplos: BR-262, BR-230, BR-251.
Joel Silva/Folhapress
Avener Prado/Folhapress
L. Adolfo/Futura Press
Vista da BR-262, em trecho do município de Uberaba (MG). Foto de 2013.
4. Rodovias diagonais. Essas rodovias podem apresentar dois modos de orientação: noroeste-sudeste
ou nordeste-sudoeste.
■■ Nomenclatura: BR-3XX.
■■ Primeiro algarismo: 3 (três).
■■ Exemplos: BR-307, BR-319, BR-364.
Em 2014, resultado de Avener Prado/Folhapress
uma enchente histórica
Vista da BR-364, no município de Alto Garças (MT). Essa do rio Madeira, a
rodovia é a principal ligação entre o estado de Rondônia, o de BR-364 ficou alagada e
Mato Grosso e o Centro-Sul brasileiro. Foto de 2011. interditada em diversos
trechos, causando
270 U N I D A D E 6 Comércio, transportes e telecomunicações prejuízo econômico no
transporte de cargas e
impactos sociais para a
população local. Fotos da
BR-364 no município de
Porto Velho (RO), em 2014.
5. Rodovias de ligação. São rodovias que não apre- Em 2014, a frota que circulava pelas rodovias
sentam direção determinada e ligam rodovias fede- brasileiras era de aproximadamente 41,7 milhões de
rais a outras rodovias, cidades ou pontos importantes. veículos, distribuídos irregularmente pelo território
nacional. Veja o gráfico a seguir.
■■ Nomenclatura: BR-4XX.
Patrick Rodrigues/Ag. RBS/Folhapress
■■ Primeiro algarismo: 4 (quatro). Banco de imagens/Arquivo da editora
Brasil: frota estimada de veículos por
■■ Exemplos: BR-401, BR-470, BR-488. estado — 2014
Espírito Santo 1,8% Mato Grosso 1,4%
Ceará 2,0% Mato Grosso do Sul 1,4%
Distrito Federal 2,3%
Pernambuco 2,5% Outros estados
7,9%
Bahia 3,4% São Paulo
Goiás 3,5% 33,4%
Santa Catarina Minas Gerais
10,9%
5,3%
Rio Grande do Sul
7,8%
Rio de Janeiro Paraná 8,4%
8,0%
Vista da BR-470, em trecho do município de Rio do Sul (SC). Adaptado de: ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES
Foto de 2015. DE VEÍCULOS AUTOMOTORES (ANFAVEA). Anuário da Indústria
Automobilística Brasileira 2014. São Paulo. p. 53.
Brasil: principais rodovias federais BR-4 01 50º O
Allmaps/Arquivo da editora
Boa Vista
0º Macapá Equador
Manaus
Belém Fortaleza
B Natal
João Pessoa
R-31 6 São Luís Recife
Maceió
BR-4 02 01 Aracaju
BR-230 Teresina30
BR-2
BR-230
Porto R -135 BR-0
Velho 20B
Rio
Branco Palmas BR-1
BR- 163
BR-364 Salvador
Cuiabá BR-070 Brasília
Goiânia BR-101 OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO Campo BR- 040 Adaptado de:
PACÍFICO Grande BR-364 MINISTÉRIO DOS
Belo TRANSPORTES.
Rodovias BR-262 BR-262 Horizonte Departamento
Radiais Nacional de
Longitudinais BR-381 Vitória Infraestrutura de
Transversais R-101 Transportes (DNIT).
Diagonais B Disponível em:
De ligação Trópico de Capricórnio <www.dnit.gov.br/
Rio de Janeiro diretorias/capa-
BR-101 Código federal de rodovia BR-476 São Paulo infraestrutura-
rodoviaria>. Acesso
Curitiba em: 19 abr. 2016.
Mapa sem data na
B R- 101 Florianópolis fonte original.
N
BR-290
Porto Alegre OL
0 360 720 km
S
Transportes e telecomunicações no Brasil C A P Í T U L O 2 2 271
Transporte ferroviário da economia cafeeira que as ferrovias tiveram seu
Por suas dimensões continentais, o Brasil pode- melhor momento na história dos transportes brasi-
ria ter investido mais no modal ferroviário, como leiros.
fizeram Rússia, China, Estados Unidos e Canadá,
países de grande extensão territorial. Mas não foi o A construção da S‹o Paulo Railway, ligando o
porto de Santos, principal escoadouro do café pau-
que aconteceu. lista, às áreas de produção, deu início ao estabele-
O transporte ferroviário brasileiro integra pou- cimento de uma rede ferroviária que visava mais o
cas áreas do país e é constituído de trens antigos transporte do café para o porto do que o de passa-
e de baixa velocidade. A maior parte da malha fer- geiros. A Estrada de Ferro Sorocabana, a Companhia
roviária brasileira concentra-se em três estados: Paulista de Estradas de Ferro e a Companhia Mo-
São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com giana de Estradas de Ferro são marcos dessa “era
predominância da operação ferroviária no trans- ferroviária cafeeira” do estado de São Paulo.
porte de cargas e poucos trens metropolitanos em
algumas capitais. No final da década de 1950 e início dos anos
1960, as ferrovias foram estatizadas e relegadas a
A primeira ferrovia brasileira, a Estrada de Ferro um segundo plano no sistema de transportes.
Petrópolis, ou Estrada de Ferro Mauá, que ligava a Devido à falta de recursos para a manutenção e ex-
cidade do Rio de Janeiro à raiz da Serra da Estrela, pansão do parque ferroviário, este fez parte, na dé-
em Petrópolis, foi inaugurada em 1854. Nas décadas cada de 1990, do Programa Nacional de Desesta-
seguintes, houve a expansão dessa modalidade de
transporte de forma mais acelerada, com as ferrovias tização (PND), que permitiu a entrada da iniciativa
que ligavam as áreas produtoras aos portos para a privada com concessões por meio de leilões a em-
exportação, principalmente do café. Foi com o auge presas que passaram a administrar as ferrovias bra-
sileiras. Veja quais na tabe-
Allmaps/Arquivo da editora Brasil: principais ferrovias la da página a seguir.
A malha ferroviária bra-
50º O
sileira, em julho de 2015,
Boa era de 29 866 km e servia
Vista principalmente ao trans-
0º porte de cargas.
Equador Macapá
Belém São Luís Veja o mapa ao lado e a
tabela da página a seguir.
Manaus Fortaleza
Teresina Natal
João
Rio Porto Palmas Pessoa
Branco Velho Recife
Maceió
Aracaju
Cuiabá Salvador
Brasília OCEANO
Goiânia ATLÂNTICO
Campo Belo Vitória
Grande Horizonte
OCEANO Rio de Janeiro N
PACÍFICO São Paulo
Trópico de Capricórnio Curitiba
Ferrovias Florianópolis Adaptado de: MINISTÉRIO DOS
TRANSPORTES. Departamento Nacional
O L de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
800 km Disponível em: <www.dnit.gov.br/
Porto Alegre diretorias/capa-infraestrutura-rodoviaria>.
Acesso em: 19 abr. 2016.
S Mapa sem data na fonte original.
0 400
272 U N I D A D E 6 Comércio, transportes e telecomunicações
Carga transportada (em milhões de toneladas/km útil*)
Concessionárias Ano
ALLMN 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
ALLMO 7 446 22 948 2 709
ALLMP 1 432 9 394 11 297 13 887 14 618 16 073 19 451 20 594
2 232 1 518 188
1 203 1 345 1 312 1 783 1 760 1 704 1 483 3 905 553
1 909 3 054 3 019 4 004 4 689 4 234 3 907
ALLMS 18 423 17 147 17 378 17 196 17 474 18 121 16 297 15 789 14 692 1 929
EFC 76 724 83 367 87 516 83 948 91 052 99 567 103 399 101 011 104 177 17 239
FERROESTE 1 005 620 747 469 273 209 190 153 262 41
EFVM 73 442 75 511 72 783 57 929 73 480 74 830 74 075 72 009 72 670 11 767
FCA 9 132 14 225 15 060 14 198 15 320 13 948 16 479 18 363 18 299 2 223
FNS 0 0 1 026 1 155 1 524 1 874 2 322 2 457 3 508 321
FTC 183 189 213 202 185 173 190 239 288 42
MRS 47 662 52 590 55 621 51 273 57 490 61 259 62 408 61 482 64 434 9 782
FTL 678 963 920 730 728 681 703 535 604 80
TOTAL
238 361 257 117 266 960 245 319 277 930 293 185 301 451 298 021 307 304 46 876
* Unidade de medida que equivale ao transporte de uma tonelada útil a uma distância de um quilômetro (km).
Fonte: AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES (ANTT). Superintendência de Infraestrutura e Serviços de Transporte Ferroviário
de Cargas. Acompanhamento dos Serviços de Transporte Ferroviário de Cargas. COSEF Evolução do transporte ferroviário de cargas. Disponível em:
<www.antt.gov.br/index.php/content/view/15884/Evolucao_do_Transporte_Ferroviario.html>. Acesso em: 19 abr. 2016.
Pelo fato de o Brasil ser um grande produtor de commodities para o mercado externo, o sistema ferro-
viário seria mais adequado porque favorece o transporte de grandes tonelagens desses produtos que têm
origem e destino fixos. No entanto, os trens não são muito utilizados no Brasil e, dos poucos que ainda
restam, a maioria é direcionada para o transporte de cargas.
Veja na tabela a seguir a distribuição dessas commodities por ferrovia.
Concessionárias Principais produtos transportados (jan. 2014 a fev. 2015)
Produtos
ALLMN Milho em grão; soja; farelo de soja; celulose
ALLMO Celulose; minério de ferro; produtos siderúrgicos; ferro Gusa
ALLMP Açúcar; óleo diesel; gasolina
ALLMS Soja; açúcar; milho em grão; óleo diesel
EFC Minério de ferro; manganês; ferro Gusa; combustíveis
FERROESTE Soja; milho em grão; óleo vegetal
EFVM Minério de ferro; carvão mineral; produtos siderúrgicos; carvão coque
FCA Soja; farelo de soja; milho em grão; açúcar; minério de ferro
FNS Soja; milho em grão; celulose; óleo diesel; minério de ferro
FTC Carvão mineral
MRS Minério de ferro; açúcar; cimento; produtos siderúrgicos
FTL Óleo diesel; cimento; gasolina; produtos siderúrgicos; minério de ferro
Fonte: AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES (ANTT). Superintendência de Infraestrutura e Serviços de Transporte Ferroviário
de Cargas. Acompanhamento dos Serviços de Transporte Ferroviário de Cargas. COSEF Evolução do transporte ferroviário de cargas. Disponível em:
<www.antt.gov.br/index.php/content/view/15884/Evolucao_do_Transporte_Ferroviario.html>. Acesso em: 19 abr. 2016.
Os trens de passageiros regulares no Brasil pra- capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Ale-
ticamente não existem mais, restando apenas os da gre, Belo Horizonte, Salvador, Recife, João Pessoa,
Companhia Vale, como na E. F. Vitória-Minas e na Natal, Fortaleza e Teresina, além do município de
E. F. Carajás, e os trens metropolitanos de algumas Pindamonhangaba (SP).
Transportes e telecomunicações no Brasil C A P Í T U L O 2 2 273
Transporte aquaviário Segundo a CNT, em 2015, havia no Brasil cerca Chico Siqueira/Estad‹o Conteœdo/AE
de 42 mil km de hidrovias navegáveis, dos quais
Compreende todo tipo de transporte que utiliza cerca de 22 mil km eram economicamente viáveis.
recursos hídricos (mares, rios e lagos). No Brasil, são
utilizados os transportes marítimo e fluvial, uma vez As principais hidrovias brasileiras são:
que não possuímos grandes lagos. ■■ Hidrovia Tietê-Paraná: 2 400 km de extensão,
O litoral brasileiro é muito extenso (7 367 km) e doze terminais portuários, atravessa os estados
os rios apresentam um enorme potencial fluvial, com de Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas
expressivas bacias hidrográficas que podem ser Gerais e Goiás. A hidrovia esteve paralisada por
aproveitadas para o transporte. A navegação fluvial falta de chuvas nos anos de 2014 e 2015, causan-
(por rios) consome cinco vezes menos energia que do prejuízos à economia.
o transporte rodoviário e três vezes menos que o
ferroviário, tornando seu custo bem mais baixo. Transporte de carga na hidrovia Tietê-Paraná, em trecho do
município de Buritama (SP). Foto de 2014.
Ainda assim, o modal aquaviário representou
apenas 13,6% do transporte de cargas em 2014, mes-
mo tendo sido um importante componente no sis-
tema intermodal (interligando aos modais rodoviá-
rio e ferroviário).
Isso acontece principalmente porque os rios na-
vegáveis (de planícies) não atravessam as mais ex-
pressivas regiões econômicas do país. Nesse caso
estão os rios da região Amazônica, que são verda-
deiras “rodovias” para o habitante do Norte.
Nas regiões onde as hidrovias são muito utiliza-
das para transporte de produtos, principalmente de
safras agrícolas, os rios são de planalto e exigem
obras caras e causadoras de impactos ambientais
(eclusas) para que possam ser aproveitados para a
navegação.
Como funciona uma eclusa Alex Argozino/Arquivo da editora
1 Aqueduto 3
O navio Eclusa 1 O navio passa
pela segunda eclusa e os
entra na Eclusa 2 portões se fecham atrás dele.
primeira eclusa. 4
2
A água passa O navio sai
pela primeira eclusa da eclusa.
do sistema de aquedutos,
elevando o navio ao nível da segunda eclusa. Adaptado de: Revista Galileu. Disponível em: <http://revistagalileu.globo.com/Revista/
Galileu/0,,EDR76548-7946,00.html>. Acesso em: 20 maio 2016.
274 U N I D A D E 6 Comércio, transportes e telecomunicações
■■ Hidrovia do São Francisco: trecho navegável São Francisco do Sul (SC), Suape (PE), Rio de
do rio São Francisco entre Pirapora e Juazeiro, Janeiro (RJ) e Vitória-Tubarão (ES). O número
nos estados de Minas Gerais e Bahia, respecti- bem menor de portos no Centro-Oeste e no Norte
vamente. reflete a menor concentração industrial e popula-
cional nessas regiões.
■■ Hidrovia do rio Madeira: importante hidrovia
da Amazônia Ocidental, que se estende de Porto Mesmo com toda essa movimentação, os portos
Velho (RO) até a confluência do rio Madeira brasileiros apresentam uma série de problemas que
com o rio Amazonas, no porto de Itacoatiara tornam as operações de importação e exportação
(AM). Daí as mercadorias seguem pela hidrovia mais caras do que as de outros portos do mundo.
Solimões-Amazonas até o porto de Belém.
Segundo a CNT, as principais dificuldades são
■■ Hidrovia do Mercosul: localizada na bacia do outros meios de transporte pouco adequados que
Atlântico Sul é constituída principalmente pelos dificultam o acesso aos portos, como rodovias e fer-
rios Jacuí e Taquari, no estado do Rio Grande rovias; equipamentos deficitários para carga e des-
do Sul, que são ligados à Lagoa dos Patos pelo carga; e necessidade de dragagem dos canais e ma-
Lago Guaibá, seguindo pelo Canal de São nutenção.
Gonçalo e finalmente à Lagoa Mirim.
Em julho de 2014, de acordo com a CNT, a frota
Os portos mais movimentados do país, que se brasileira na navegação marítima e de apoio era de
concentram principalmente no Sudeste, Nordeste 2 218 embarcações, sendo 163 navios, utilizados
e Sul, são os portos de Santos (SP), Itaguaí (RJ), para a navegação entre os portos brasileiros (cabo-
Paranaguá (PR), Rio Grande (RS), Itaqui (MA), tagem).
Banco de imagens/Arquivo da editoraHidrovia do Mercosul Adaptado de: MINISTÉRIO DOS
Lagos dos Patos TRANSPORTES. Departamento Nacional de
Rio das Antas 50º O Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Rio Caí SC Disponível em: <www.dnit.gov.br/hidrovias/
hidrovias-interiores/hidrovia-do-mercosul>.
Lageado Acesso em: 19 abr. 2016.
Mapa sem data na fonte original.
Dona
Francisca
Mariante
Jacuí
Rio Taq uari Rio dos Sinos Leopoldo
Rio São
Rio Vacacaí Rio Grav ataí
Gravataí
Porto Alegre 30º S
RS
São José do Amaral
Ferrador
Rio CamaquãPatrocínio
arão São Lourenço OCEANO
Rio Ja do Sul ATLÂNTICO
Pelotas
gu Sta. Izabel Rio Grande
do Sul
Lagoa N Zig Koch/Pulsar Imagens
Mirim
URUGUAI
Rio Arr OL
0 80 160 km
oio S
Porto de Rio Grande (RS), em
2014. Esse porto está
localizado na Lagoa dos Patos
e é um dos mais importantes
da hidrovia do Mercosul.
Transportes e telecomunicações no Brasil C A P Í T U L O 2 2 275
Transporte aéreo Brasil: principais aeroportos — 2014
Apesar do aumento do volume transportado por Aeroporto Passageiros Localização
este modal nos últimos anos, ele ainda tem baixa (milhões)
representatividade na matriz de transportes brasi-
leira, especialmente porque nossos principais pro- 1. Guarulhos 39,5 Guarulhos/SP
dutos de exportação são commodities, ou seja, pro- 2. Congonhas 18,1 São Paulo/SP
dutos de grande volume e baixo valor agregado, 3. Brasília 17,9 Brasília/DF
difíceis de transportar por via aérea. 4. Galeão/Tom Jobim 17,3 Rio de Janeiro/RJ
5. Confins 10,5 Belo Horizonte/MG
Segundo o boletim estatístico da Confederação 6. Viracopos 9,8 Campinas/SP
Nacional de Transportes, o modal aéreo representou 7. Santos Dumont 9,0 Rio de Janeiro/RJ
em 2014 apenas 0,4% do transporte de cargas, mas 8. Luís Eduardo
aumentou consideravelmente sua participação no Magalhães 8,8 Salvador/BA
transporte de passageiros por causa da inauguração 9. Salgado Filho
de companhias que oferecem passagens a preços 10. Afonso Pena 7,8 Porto Alegre/RS
mais baixos. 7,2 Curitiba/PR
O transporte aéreo de cargas é o mais rápido e Fontes: INFRAERO. Disponível em:<www.infraero.gov.br/index.php/estatistica-
seguro, porém é também o mais caro. Além disso, a dos-aeroportos.html>; AEROPORTO INTERNACIONAL DE SÃO PAULO.
capacidade de transportar cargas é significativamen- Disponível em: <www.gru.com.br/pt-br/Estatisticas>; AEROPORTO DE
te menor que a dos modais aquaviário, ferroviário e BRASÍLIA. Disponível em: <www.bsb.aero/br/o-aeroporto/estatisticas/
rodoviário. Porém, o transporte aéreo oferece algumas
vantagens operacionais, como menor burocracia, se- ?a=2014&m=1>; AEROPORTO INTERNACIONAL DE VIRACOPOS. Disponível
guros mais baixos e menores gastos com embalagens. em: <www.viracopos.com>. Acesso em: 20 abr. 2016.
Os aeroportos brasileiros são de responsabili- Em 2015, segundo a Infraero, cerca de 112 mi-
dade da Empresa Brasileira de Infraestrutura lhões de passageiros passaram pelos aeroportos
Aeroportuária (Infraero), uma empresa pública brasileiros e geraram um lucro bruto de 424 milhões
federal, criada em 1972 para administrar os princi- de reais.
pais aeroportos brasileiros. A partir de 2013, foram
feitas concessões a empresas privadas para a ad- As companhias aéreas TAM, Gol, Azul e Avianca
ministração de alguns aeroportos: Brasília (DF), são, respectivamente, as principais companhias bra-
Guarulhos (SP), Galeão/Tom Jobim (RJ), Viracopos sileiras.
(SP), Confins (MG) e Natal (RN). Veja na tabela ao
lado quais eram os principais aeroportos em 2014. Assim como ocorreu em diversos países, as fu-
sões de empresas aéreas já fazem parte de nosso
Ricardo Azoury/Pulsar Imagens
cotidiano. Em 2012 a TAM
Linhas Aéreas se uniu à chi-
lena LAN Airlines e criaram
a Latam Airlines. Antes disso,
a TAM já havia comprado a
Pantanal, em 2009, uma com-
panhia aérea regional. Em
2007 a Gol comprou a Varig
e, em 2011, a Webjet (desati-
vada em 2012). Em 2012, a
Azul Linhas Aéreas se juntou
à Trip Linhas Aéreas.
Vista de aeronaves no Aeroporto
Internacional Antonio Carlos
Jobim, o Galeão, na ilha do
Governador (RJ), em 2013.
276 U N I D A D E 6 Comércio, transportes e telecomunicações
Transporte metroviário país, na cidade de Santos; em 1884 os primeiros tele-
fones começaram a funcionar na cidade de São Paulo.
Esse tipo de transporte poderia ser uma solução
para os problemas de trânsito nas grandes cidades Daí em diante, as telecomunicações brasileiras
brasileiras, porém, além de ter pequena participação foram se desenvolvendo lentamente. Em 1922 fo-
no transporte urbano de passageiros, existe apenas ram introduzidos os serviços de telegrafia e tele-
em algumas capitais. fonia, via rádio, entre Rio de Janeiro e Nova York.
Importantes fatores para esse desenvolvimento
A primeira linha brasileira de metrô entrou em foram a criação da Empresa Brasileira de Teleco-
operação em 1974, na cidade de São Paulo. A então municações (Embratel), em 1965, e da Telecomuni-
linha Norte-Sul do metrô paulistano ligava o bairro cações Brasileiras S.A. (Telebras), responsável pe-
de Santana ao bairro do Jabaquara. Posteriormente, las empresas governamentais de serviços públicos
foi ampliada até a estação Tucuruvi. Em 2015, o de telecomunicações, em 1972.
metrô de São Paulo tinha uma extensão de 68,5
quilômetros, distribuídos em cinco linhas, ligadas Da década de 1970 em diante, a parte tecnológica
por 61 estações. das telecomunicações foi sendo aprimorada com a
implantação dos sistemas de discagem direta à dis-
As linhas de metrô da cidade de São Paulo são tância (DDD) e de discagem direta internacional
interligadas com as linhas ferroviárias de sua região (DDI). Além disso, em 1974 foi implantado o Sistema
metropolitana e possibilitam integrações gratuitas. Brasileiro de Telecomunicações via Satélite (SBTS),
que conta hoje com quatro satélites (A2, B1, B2 e B3).
As cidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Em 1995, começou a funcionar no Brasil a internet
Brasília, Recife, Porto Alegre, Salvador, Teresina comercial. Para esse desenvolvimento foram funda-
e Fortaleza também contam com o transporte me- mentais os investimentos em pesquisas e a criação
troviário. do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Centro
de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD), vinculado
As telecomunicações diretamente à Telebras, e a instalação do Centro de
no Brasil Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
O Brasil conta com produtos de vanguarda no Em 1998, o Sistema Brasileiro de Comunicações
campo das telecomunicações: centrais de comuta- Telebras foi privatizado. No ano seguinte, com a coo-
ção de telefonia digital, fibra óptica, sistema de co- peração entre Brasil e Japão, foram construídos o
municação de dados e textos, permitindo a ligação Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres
de terminais e computadores à rede telefônica. Mas (CBERS) e o Satélite de Aplicações Científicas (Saci).
foi preciso trilhar um longo caminho para atingir
esse patamar. Nos anos 2000, a StarOne, empresa subsidiária
da Embratel, lançou o satélite StarOne C2, um saté-
Em 1879, dom Pedro II autorizou o funcionamen- lite que faz parte da estratégia de renovação da fro-
to da primeira empresa de telefonia no Brasil. Em ta de satélites da StarOne que substituirá os satélites
1883 foi instalada a primeira estação telefônica do Brasilsat B3, Brasilsat B4 e B2, que se aproximam
do final de sua vida útil.
Ampliando o conhecimento
Primeiro satélite brasileiro completa O lançamento permitiu ao Brasil iniciar a interio
trinta anos do seu lançamento rização das telecomunicações em ampla escala no
território nacional, o que diminuiu progressivamente a
O ano de 1985 foi um marco para as telecomunicações dependência brasileira no aluguel de capacidade em
no Brasil e na América Latina. Há 30 anos, a Embratel satélites estrangeiros.
iniciava — com o Brasilsat A1 — a operação da primeira
rede de satélites domésticos de telecomunicações da Com o crescimento da frota, a empresa mudou de
América Latina. nome e hoje como Embratel StarOne, opera seis satélites
— StarOne C1, C2, C3, Brasilsat B4, Brasilsat B2 e B3.
Transportes e telecomunicações no Brasil C A P Í T U L O 2 2 277
Durante esses trinta anos, a operação tem sido feita tendo iniciado o chamado Sistema Brasileiro de Teleco
exclusivamente por engenheiros, técnicos, astrônomos municações por Satélite — SBTS.
e analistas brasileiros.
A segunda geração de satélites Brasilsat, lançada em
Seguindo sua visão de ampliação contínua e susten 1994, passou a ser chamada de Brasilsat B1 a B4, seguida
tável, a Embratel StarOne lançará dois novos satélites pela terceira geração com o StarOne C1, em 2007, e pela
em breve: o StarOne C4 ainda neste ano [2015] e o quarta geração a ser iniciada em 2016 com o StarOne D1.
StarOne D1, em 2016.
Segundo o ranking mundial Top Fixed Satellite
“O pioneirismo da Embratel marcou a independência Service Operators, da Space News, a Embratel StarOne
nacional nos serviços de telecomunicações via satélite e é a única latinoamericana entre as dez maiores empre
permitiu, inclusive, a difusão das comunicações e de sas de satélite do mundo.
sinais de TV para milhares de residências brasileiras”,
disse Gustavo Silbert, Diretor Executivo da Embratel Atualmente, a capacidade dos satélites da Embratel
StarOne, por meio de comunicado à imprensa. StarOne suporta uma vasta gama de soluções para
clientes dos segmentos de telefonia, TV, dados e redes
Em 1985, o Brasilsat A1 foi lançado a partir da base corporativas no país.
de lançamento de Kourou, na Guiana Francesa, e posi
cionado em órbita geoestacionária sobre o território A empresa oferece capacidade de satélites para
brasileiro. grande parte das 500 maiores companhias do Brasil,
para as principais emissoras de TV, canais independentes
Na ocasião, o investimento foi de cerca de US$ 125 e diversos órgãos do governo brasileiro. A capacidade
milhões. O primeiro satélite e o seu sucessor receberam crescente de sua frota permitirá à empresa expandir a
a designação de Brasilsat A1 e A2, respectivamente, oferta para toda a América Latina.
Conheça os componentes de um satélite IDGNow. 11 maio 2015. Disponível em:
geoestacionário <http://idgnow.com.br/ti-corporativa/2015/05/11/primeiro-satelite-brasileiro-
completa-trinta-anos-do-seu-lancamento>. Acesso em: 20 abr. 2016.
Esse tipo de satélite fica posicionado a Painéis solares: convertem Antena de comando: usada Luis Moura/Arquivo da editora
cerca de 36 mil km da Terra, em um local raios solares em energia para para que as estações
determinado. Eles acompanham a rotação o funcionamento do satélite terrestres controlem o satélite
terrestre, portanto permanecem
“estacionados” sempre no mesmo ponto.
São ideais para comunicações.
Antena principal:
transmite dados
científicos para a Terra
36 000 km Antena UHF: serve para
a comunicação com as
Magnetrômetro: instrumento usado estações terrestres
para medir o campo magnético da Terra
Adaptado de: TIRABOSCHI, Juliana. Disponível em: <www.istoe.com.br/reportagens/210757_A+NOVA+ERA+DOS+SATELITES+BRASILEIROS>.
Acesso em: 20 abr. 2016.
As telecomunicações após nicação e passava a agir apenas como regulador
do setor por meio de um órgão especial criado para
as privatizações essa finalidade, a Agência Nacional de Telecomu-
nicações (Anatel).
Até 1998, as telecomunicações no Brasil eram
propriedade do Estado e constituíam o sistema Até a privatização das empresas do sistema
Telebras. Em 16 de julho de 1997, foi aprovada a Telebras, em cada estado havia apenas uma ou
Lei Geral de Telecomunicações, na qual o Estado duas operadoras de telefonia fixa e uma de tele-
deixava de ser provedor dos serviços de telecomu- fonia celular.
278 U N I D A D E 6 Comércio, transportes e telecomunicações
Depois de 1998, a Telebras foi divida em 12 era difícil conseguir linhas de telefone fixo, pois
holdings para o leilão de privatização: três de tele- eram poucas e caras.
fonia local e de longa distância com atuação regio-
nal; uma de telefonia fixa de longa distância inter- Nos últimos anos, setores como telefonia celular,
nacional e oito de telefonia móvel. internet banda larga e TV por assinatura cresceram
bastante, graças também ao aumento da renda mé-
A privatização do setor de comunicações facili- dia do trabalhador. Porém, o que mais cresceu e ga-
tou a disseminação da telefonia fixa e móvel e tam- nhou usuários foi o setor de telefonia celular, como
bém da internet no Brasil. Durante a gestão estatal, se pode confirmar na tabela a seguir.
Brasil: número de assinaturas de meios de comunicação — 2009-2015 (em milhares)
Anos 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
Celulares 174,0 202,9 242,2 261,8 271,1 280,7 257,8
Telefones fixos 41,5 42,0 43,0 44,3 44,9 45 43,7
Banda larga 11,4 13,8 16,3 17,0 22,2 24 25,5
TV por assinatura 7,5 9,8 12,7 16,2 18 15,6 19,1
Usuários de internet 67,5 73,9 77,7 84,2 85,6 94,2 n.d.
Fonte: TELECO – Inteligência em telecomunicações. Disponível em:
<www.teleco.com.br/estatis.asp>. Acesso em: 20 abr. 2016.
Refletindo sobre o conteúdo
1. Explique a importância dos meios de transporte no Com esse resultado, a demanda doméstica completou
Brasil. 21 meses consecutivos de crescimento e alcançou o maior
nível para junho dos últimos dez anos.
2. O transporte rodoviário é o principal sistema de trans-
porte do Brasil e, devido a isso, muitas críticas são BOUÇAS, Cibelle. Valor Econômico, 28 jul. 2015.
feitas a esse modelo. Em sua opinião, cite algumas Disponível em: <www.valor.com.br/empresas/
desvantagens desse meio de transporte em relação 4152914/demanda-por-transporte-aereo-domestico-
a outros modais. bate-recorde-em-junho>. Acesso em: 20 abr. 2016.
3. Leia o texto abaixo e responda às questões. a) Aponte uma vantagem e uma desvantagem do
Demanda por transporte aéreo doméstico bate transporte aéreo no Brasil.
recorde em junho [2015]
A demanda doméstica do setor aéreo no Brasil, me b) Em qual cidade e região geográfica localiza-se o
dida por passageiros pagantes por quilômetro transpor principal aeroporto brasileiro? Justifique a sua res-
tado (RPK, na sigla em inglês), teve aumento de 2,1% em posta com base no que estudou neste capítulo.
junho, em comparação ao mesmo mês de 2014. Já a
oferta em assentos por quilômetro transportado (ASK, 4. Reveja os dados da tabela acima e responda às
na sigla em inglês) registrou incremento de 2,8% na mes questões.
ma base de comparação. As informações são da Agência
Nacional de Aviação Civil (Anac). a) Interprete a tabela sobre a quantidade de pessoas
com acesso aos serviços de internet no Brasil.
b) Segundo os números disponibilizados, podemos
garantir que todos os habitantes brasileiros pos-
suem computadores ou acesso à internet?
Transportes e telecomunicações no Brasil C A P Í T U L O 2 2 279
Concluindo a Unidade 6
Leia o texto, reflita e depois responda às questões A realização desses investimentos propiciará, entre
propostas. outros benefícios, um maior estimulo à prática da multimo
Multimodalidade: o caminho para a dalidade no Brasil. A integração do sistema visa reduzir ou
eliminar as interrupções no movimento das cargas desde a
redução de custos no Brasil sua origem até o seu destino. Além disso, o uso do modal
mais adequado ao tipo de carga a ser transportada acarreta
O estudo inédito da Confederação Nacional do Transporte redução do custo médio do frete. Simulações comparativas
(CNT), Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho, do custo de transporte mostram como os ganhos do uso
avaliou a atual condição da infraestrutura de transporte sistemático da multimodalidade são significativos.
utilizada pelo setor do agronegócio para movimentar a
produção de seus principais grãos até os portos. A partir da Tomando as rotas que têm como origem o município de
identificação dos principais entraves à exportação da soja e Lucas do Rio Verde (MT) com destino a Santos (SP), verifica
do milho, soluções que beneficiam todos os setores produtivos se que a que utiliza apenas o modal rodoviário tem custo
brasileiros são propostas para reduzir os custos logísticos do R$ 42,00 por tonelada superior àquela em que há integração
país. Parte essencial da logística, o transporte representa entre o transporte rodoviário e o ferroviário. Quando a
cerca de 30% do valor adicionado pela cadeia produtiva do integração é feita com hidrovias, os benefícios são ainda
agronegócio. Por isso, a rentabilidade e a competitividade maiores. Efetivar os investimentos que possibilitem o uso da
desse setor dependem de uma infraestrutura de transporte Hidrovia Teles Pires–Tapajós* nas rotas com destino a
eficiente que permita que os diferenciais de produtividade se Santarém (PA) podem reduzir em R$ 34,13 o custo por tone
transformem em vantagens competitivas. lada em relação à atual trajetória por aumentar a utilização
da navegação interior. Dessa forma, a decisão de escoar a
Corrigir os entraves logísticos exige a melhora dos marcos soja e o milho de Lucas do Rio Verde (MT) para a região Norte
institucionais e desburocratização, de forma a promover uma do país, via Teles Pires–Tapajós, ao invés da rota mais utilizada,
gestão mais profissional e mais ágil, assim como realizar um
planejamento integrado e sistêmico que contemple projetos com destino a Santos (SP), traz uma economia de custo de
baseados em estudos técnicos de qualidade. Por último, fazse R$ 125,36 por tonelada transportada. O que pode, além de
necessário garantir investimentos que mantenham um fluxo de melhorar a remuneração do serviço do transportador e reduzir
recursos contínuos e diversificados. O Plano CNT de Transporte o frete pago pelos embarcadores, desafogar as rotas para o
e Logística 2014 estima em R$ 987,18 bilhões os recursos que Sul e Sudeste do país. Importante ressaltar que as intervenções
deverão ser aportados no sistema de transporte do Brasil para citadas beneficiam não apenas o setor do agronegócio
resolver os atuais gargalos e entraves que o setor enfrenta. [...] brasileiro, mas também outros segmentos produtivos do país.
Reestruturar a matriz de transporte nacional e
Arte Ação/Arquivo da editora Brasil: distribuição da infraestrutura logística adequála as necessidades do perfil de transporte
de carga do país é estratégico para reduzir os
custos do transporte e, assim, potencializar a
1 519 km 1 260 km R$ 248,69/t participação brasileira no mercado internacional.
Itacoatiara (AM)
Porto Velho (RO) * Para viabilizar a navegação na Hidrovia Teles Pires–
-Tapajós é imprescindível que sejam construídas
2 165 km eclusas para que as embarcações consigam transpor
os desníveis existentes.
R$ 258,72/t
589 km 1 555 km Santos (SP) R$ 216,63/t Fonte: CNT. Economia em foco. 29 jun. 2015.
R$ 227,80/t Disponível em: <http://cms.cnt.org.br/imagens%20
Lucas Rondonópolis (MT)
do Rio 2 278 km Paranaguá (PR) R$ 167,49/t CNT/ECONOMIA%20FOCO/economia_em_
Verde (MT) foco_29jun2015.pdf>. Acesso em: 20 maio 2016.
1 113 km 280 km R$ 133,36/t
Rota não Santarém (PA) 1 O que poderia ser feito para melhorar a
utilizada Miritituba (PA) eficiência dos meios de transporte no Brasil?
atualmente 1 425 km Utilize o exemplo salientado no texto.
322 km
Nova Canaã do Norte (PA)
Adaptado de: CNT. Economia em foco. 29 jun. 2015. Disponível em: 2 Relacione a melhoria da infraestrutura re-
<http://cms.cnt.org.br/imagens%20CNT/ECONOMIA%20FOCO/economia_em_ lativa aos transportes à balança comercial
brasileira.
foco_29jun2015.pdf>. Acesso em: 20 maio 2016.
280 C O N C L U I N D O A U N I D A D E 6
Testes e quest›es Não escreva no livro
Enem a democratização da vida social e política da socie-
dade à medida que possibilita a instituição de meca-
1 A soma do tempo gasto por todos os navios de carga na nismos eletrônicos para a efetiva participação polí-
espera para atracar no porto de Santos é igual a 11 anos tica e disseminação de informações.
— isso, contando somente o intervalo de janeiro a outubro
de 2011. O problema não foi registrado somente neste ano. Constitui o exemplo mais expressivo desse novo con-
Desde 2006 a perda de tempo supera uma década. junto de redes informacionais a
Folha de S. Paulo, 25/12/2011 (adaptado). a) internet. d) telefonia móvel.
A situação descrita gera consequências em cadeia, b) fibra ótica. e) portabilidade telefônica.
tanto para a produção quanto para o transporte. No
que se refere à territorialização da produção no Brasil c) TV digital.
contemporâneo, uma dessas consequências é a:
4 A REDE TELEPHONICA
a) realocação das exportações para o modal aéreo
em função da rapidez. Em breve, já poderá o Brazil esticar Reprodução/Enem, 2014
as canelas sem receio de não ser
b) dispersão dos serviços financeiros em função da ouvido dos pés á cabeça.
busca de novos pontos de importação.
FonFon!, ano IV, n. 36, 3 set, 1910. Disponível em:
c) redução da exportação de gêneros agrícolas em <objdigital.bn.br>. Acesso em: 4 abr. 2014.
função da dificuldade para o escoamento.
A charge, datada de 1910, ao retratar a implantação
d) priorização do comércio com países vizinhos em da rede telefônica no Brasil, indica que esta
função da existência de fronteiras terrestres.
a) permitiria aos índios se apropriarem da telefonia
e) estagnação da indústria de alta tecnologia em móvel.
função da concentração de investimentos na in-
fraestrutura de circulação. b) ampliaria o contato entre a diversidade de povos
indígenas.
2 No dia 28 de fevereiro de 1985, era inaugurada a Estrada
de Ferro Carajás, pertencente e diretamente operada pela c) faria a comunicação sem ruídos entre grupos so-
Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), na região Norte do ciais distintos.
país, ligando o interior ao principal porto da região, em
São Luís. Por seus, aproximadamente, 900 quilômetros d) restringiria a sua área de atendimento aos estados
de linha, passam, hoje, 5353 vagões e 100 locomotivas. do norte do país.
Disponível em: <www.transportes.gov.br>. e) possibilitaria a integração das diferentes regiões
Acesso em: 27 jul. 2010 (adaptado). do território nacional.
A ferrovia em questão é de extrema importância para 5 A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que começa a ser
a logística do setor primário da economia brasileira, construída apenas em 1905, foi criada, ao contrário das
em especial para porções dos estados do Pará e outras grandes ferrovias paulistas, para ser uma ferrovia
Maranhão. Um argumento que destaca a importân- de penetração, buscando novas áreas para a agricultura
cia estratégica dessa porção do território é a e povoamento. Até 1890, o café era quem ditava o tra
çado das ferrovias, que eram vistas apenas como auxi
a) produção de energia para as principais áreas in- liadoras da produção cafeeira.
dustriais do país.
CARVALHO, D. F. Café, ferrovias e crescimento populacional: o
b) produção sustentável de recursos minerais não florescimento da região noroeste paulista. Disponível em: <www.
metálicos.
historica.arquivoestado.sp.gov.br>. Acesso em: 2 ago. 2012.
c) capacidade de produção de minerais metálicos.
Essa nova orientação dada à expansão ferroviária,
d) logística de importação de matérias-primas in- durante a Primeira República, tinha como objetivo a
dustriais.
a) a articulação de polos produtores para exportação.
e) produção de recursos minerais energéticos.
b) criação de infraestrutura para atividade industrial.
3 Os meios de comunicação funcionam como um elo
entre os diferentes segmentos de uma sociedade.
Nas últimas décadas, acompanhamos a inserção de
um novo meio de comunicação que supera em mui-
to outros já existentes, visto que pode contribuir para
CONCLUINDO A UNIDADE 6 281
c) integração de pequenas propriedades policultoras. nossos produtos para o exterior. Os corredores Reprodução/UEMG, 2010
compreendem um grande sistema de escoamento
d) valorização de regiões de baixa densidade demo- que envolve o porto, a ferrovia ou rodovia de ligação
gráfica. com o interior e a estrutura de armazenamento.
e) promoção de fluxos migratórios do campo para a 2 (UEMG) DE VOLTA AOS TRILHOS
cidade. Os chineses repetem hoje os maciços investimentos
6 De todas as transformações impostas pelo meio técnico que os Estados Unidos e países europeus fizeram em fer
científicoinformacional à logística de transportes, inte rovias no século XIX e dos quais até hoje se beneficiam.
ressanos mais de perto a intermodalidade. E por uma Mostram, com isso, que ter perdido o trem no passado
razão muito simples: o potencial que tal “ferramenta lo não implica ficar acomodado no atraso — uma lição para
gística” ostenta permite que haja, de fato, um sistema de a qual o Brasil deve prestar atenção, considerando que
transportes condizente com a escala geográfica do Brasil. as ferrovias, ainda, são a principal solução para o deslo
camento em massa de cargas e de pessoas em países de
HUERTAS. D. M. O papel dos transportes na expansão recente grande dimensão.
da fronteira agrícola brasileira. Revista Transporte y Territorio. A ilustração, a seguir, mostra a distribuição da malha
Universidade de Buenos Aires, n. 3, 2010 (adaptado). ferroviária em alguns países.
A necessidade de modais de transporte interligados, Com base nas informações obtidas no texto e nos
no território brasileiro, justifica-se pela(s) desenhos, acima, só é correto afirmar que:
a) as ferrovias representam uma das mais eficientes
a) variações climáticas no território, associadas à
interiorização da produção. opções de transporte de carga, em países com
dimensões continentais.
b) grandes distâncias e a busca da redução dos cus- b) a metade da malha ferroviária russa está concen-
tos de transporte. trada na porção oriental do país, nas áreas de
maior movimentação de cargas.
c) formação geológica do país, que impede o uso de c) o uso das ferrovias nos diversos países ajuda a
um único modal. descongestionar as principais rodovias, liberando
espaço para o transporte de passageiros e de car-
d) proximidade entre a área de produção agrícola gas mais pesadas.
intensiva e os portos. d) a utilização das ferrovias promove distúrbios am-
bientais atmosféricos, pois os trens consomem
e) diminuição dos fluxos materiais em detrimento menos combustível que os caminhões.
de fluxos imateriais.
3 (Unifor-CE) O presidente Barack Obama visitou o
Testes de vestibular Não escreva Brasil recentemente [em 2011]. Um dos pontos da
no livro agenda foi o aprofundamento do comércio entre
Brasil e Estados Unidos. Este país já foi nosso maior
1 (UFRGS) Quanto ao comércio exterior brasileiro, parceiro comercial, tendo perdido espaço desde fins
assinale a alternativa incorreta. dos anos 1970. Hoje o comércio exterior brasileiro é
mais diversificado, incluindo um grande número de
a) As exportações brasileiras destinam-se em cerca
de 70% para a União Europeia, os EUA, Japão e
Canadá. Recentemente, entretanto, observa-se
aumento da participação dos países do Cone Sul
do continente sul-americano (em particular a
Argentina) no comércio exterior brasileiro.
b) Entre as grandes empresas exportadoras brasilei-
ras estão as ligadas à produção siderúrgica e au-
tomobilística, como a Companhia Vale do Rio
Doce, Fiat e Volkswagen.
c) Tradicionalmente exportador de matérias-primas
minerais e agrícolas, o Brasil, nas duas últimas
décadas, passou a exportar sobretudo produtos
industrializados.
d) Um dos fatores que explicam o aumento da ex-
portação de produtos industrializados é a decisão
das grandes empresas transnacionais, através de
suas filiais brasileiras, de se engajarem politica-
mente no grande projeto nacional de pagamento
da dívida externa.
e) Os chamados corredores de exportação estão as-
sociados aos principais portos de embarque de
282 C O N C L U I N D O A U N I D A D E 6
países em diferentes regiões. Sobre o assunto, é cor- c) A internacionalização da rede e a incorporação de
reto afirmar que: centenas de milhões de usuários por todo o pla-
neta excluem as diferenças culturais e econômicas
a) A China é o maior parceiro comercial do Brasil, devido à mundialização dos padrões de consumo.
interessada em importar bens industrializados.
d) A internet dinamizou e tornou imediatas transa-
b) O Japão é o maior parceiro comercial brasileiro, ções e negociações em escala mundial, evitando
dada a grande comunidade de origem japonesa a exclusão digital pelas parcerias com empresas
que vive no Brasil. e investimentos em inovações tecnológicas.
c) A China é o maior parceiro comercial brasileiro, e) Ao mesmo tempo em que a internet facilita o pro-
interessada em importar particularmente bens cesso de integração econômica global, é também
primários. responsável pela chamada exclusão digital, pois
acentua a distância entre os usuários e aqueles
d) A Argentina é o maior parceiro comercial do Brasil, que já viviam em situação de marginalidade eco-
devido à participação no Mercosul. nômica e social.
e) O Japão é o maior parceiro comercial do Brasil, 6 (Fatec-SP) Considere o texto apresentado para res-
interessado em importar bens industrializados. ponder à questão.
4 (Ibmec-RJ) A política de transportes no Brasil se ca- “Esse tratado visava inicialmente estabelecer uma zona
racteriza por: de livrecomércio entre os paísesmembros por meio da
eliminação de tarifas alfandegárias e de restrições não ta
I. Concentrar grandes investimentos nos transpor- rifárias (como cotas de importações e proibição de impor
tes ferroviários gerando um encarecimento dos tação de determinados produtos), liberando a circulação
produtos transportados. de mercadorias. Alcançada essa meta, fixouse uma polí
tica comercial conjunta dos paísesmembros em relação a
II. Consumir excessivamente os derivados do petró- nações não integrantes do bloco, medida que definiu a
leo arcando assim com o ônus da importação e Tarifa Externa Comum (TEC). A entrada em vigor da TEC,
uma consequente queima de divisas. em 1994, transformou o bloco em uma união aduaneira,
última etapa para a formação de um mercado comum.”
III. Manter uma ineficiente rede de transportes, pro-
vocando o encarecimento dos preços dos produ- (Adaptado de: MOREIRA, João Carlos e SENE, Eustáquio de.
tos transportados. Geografia geral e do Brasil: espaço geográfico e globalização.
Assinale a alternativa correta: São Paulo: Scipione, 2007. p. 229.)
a) As afirmativas I e II estão corretas. O texto trata da formação do seguinte bloco econômico:
b) As afirmativas II e III estão corretas. a) União Europeia (UE).
c) As afirmativas I, II e III estão corretas. b) Comunidade Andina de Nações (CAN).
d) Apenas a afirmativa II está correta. c) Cooperação Econômica do Pacífico (Apec).
e) As afirmativas I e III estão corretas. d) Comunidade de Estados Independentes (CEI).
5 (Ibmec-RJ) Uma malha digital que cresce em velo- e) Mercado Comum do Sul (Mercosul).
cidade vertiginosa está cobrindo nosso planeta: é a
internet, a rede mundial de computadores. Consi- 7 (Ufac) Analise as assertivas sobre o comércio exterior
derando essa importante inovação tecnológica con- brasileiro, assinalando, a seguir, a alternativa correta.
temporânea, analise a informação:
I. O petróleo tem participação significativa na pau-
A integração econômica global é facilitada pelo uso ta de importações.
das mesmas técnicas, contudo, integrar não signifi-
ca incluir a todos. II. Os produtos industrializados são, em valor, o prin-
cipal item de exportação.
Com base nas informações e em seus conhecimen-
tos, escolha a alternativa que melhor explica a afir- III. Em tonelagem, os minérios a granel são impor-
mativa apresentada. tantes itens de exportação.
a) A era da informação e da revolução científica prio- IV. O Brasil, devido ao café e à soja, ainda é um país
riza a qualificação da mão de obra e a incorpora- basicamente agroexportador.
ção de novas habilidades, reconhecendo a dife-
rença existente entre ricos e pobres. a) Somente I, III e IV estão corretas.
b) A velocidade da informação é o benefício apre- b) Somente I, II e IV estão corretas.
sentado pela internet para a globalização, pois
reduz o espaço mundial a um espaço virtual, sem c) Somente I, II e III estão corretas.
a necessidade de integrar a todos os internautas.
d) Somente II, III e IV estão corretas.
e) Somente II e III estão corretas.
C O N C L U I N D O A U N I D A D E 6 283
8 (PUC-RS) A leitura do gráfico e os conhecimentos sobre o co-
Comércio Exterior Brasileiro (1980-2003) mércio exterior brasileiro permitem afirmar que:
Milhões de dólares 80 000 Banco de imagens/Arquivo da editora a) uma parte considerável dos recentes superávits
70 000 da balança comercial é destinada a pagar a dívida
60 000 externa brasileira.
50 000
40 000 b) os sucessivos déficits na balança comercial, na
30 000 década de 1990, estão relacionados ao processo
20 000 de criação do Mercosul.
10 000
c) a diminuição das importações, a partir do ano de
0 2000, está relacionada à maior autonomia tec-
1980 1985 1990 1995 2000 2002 2003 nológica da indústria brasileira.
Exportação Importação d) o país passou a ter superávits na balança comer-
cial, quando teve início o comércio bilateral com
Fonte: Associação do Comércio Exterior do Brasil. <www.aeb.org.br>. a União Europeia.
Acesso em mar. 2004.
e) o aumento das exportações, a partir do final da
I. As informações do gráfico evidenciam a ruptura década de 1990, pode ser explicado pelo avanço
entre duas fases do comércio externo do Brasil: a das relações comerciais com a África.
primeira relacionada à substituição de importação
até 1990 e a segunda, à liberalização de importa- Questões de vestibular Não escreva
ções, que inicia nesse mesmo ano e se mantém no livro
até os dias atuais.
II. Até 1990, o Brasil passa por um período de pro- 1 (Fuvest-SP) Observe o gráfico a seguir.
tecionismo, taxando produtos importados.
III. Entre 1995 e 2000, a balança comercial brasileira Transporte no Brasil
apresentou saldo negativo, graças à importação
de produtos manufaturados, provenientes da 60 Arte Ação/Arquivo da editora
África.
50
IV. O déficit da balança comercial brasileira no perío- 40
do entre 1995 e 2000 deve-se ao Plano Econômico
denominado de Cruzeiro Novo, que valorizou a 30
moeda brasileira, equiparando-a ao Euro.
20
Pela análise do gráfico e das afirmativas, conclui-se 10
que somente estão corretas:
0
a) I e II d) II e IV Rodoviário
Ferroviário
b) I, II e III e) III e IV Aquaviário
Dutoviário
Aéreo
Rodoviário
Ferroviário
Aquaviário
Dutoviário
Aéreo
c) I, III e IV 2005 2025
9 (Unifor-CE) Observe o gráfico para responder à Fonte: Plano Nacional sobre Mudança do Clima. <www.mma.gov.br>.
questão. Acessado em: 15/07/2009.
Brasil: evolução da balança comercial a) Analise a matriz brasileira dos transportes, em
(em milhões de dólares) 2005, considerando aspectos históricos e políticos.
100 000 Banco de imagens/Arquivo da editora b) Explique a previsão da matriz brasileira dos trans-
portes, para o ano de 2025, considerando aspec-
80 000 tos ambientais implícitos.
60 000 2 (Unicamp-SP) Leia abaixo o trecho da música Tropi
cália, de Caetano Veloso (1968). A seguir responda
40 000 às questões:
20 000 “Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
0 Aponta contra os chapadões
Meu nariz.
1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Eu organizo o movimento
Exportação Importação
Fonte: Associação do Comércio Exterior do Brasil. <www.aeb.org.br>.
Acesso em mar. 2004.
284 C O N C L U I N D O A U N I D A D E 6
Eu oriento o carnaval minava o pensamento político do Brasil, principal-
Eu inauguro o monumento no planalto central do país.” mente entre as décadas de 1930 e 1960, mostrando
as contradições da modernização subdesenvolvida
O movimento tropicalista, do qual Caetano Veloso do Brasil. A que fatos se referem os versos segundo
foi um representante, traça um retrato “cantado” e sétimo do trecho da música Tropicália anterior-
do Brasil. Segundo algumas interpretações, na mú- mente reproduzida?
sica Tropicália o autor contesta a ideologia que do-
Outras fontes de reflexão e pesquisa
Filmes Mauá, empresário que fundou o primeiro estaleiro
e construiu a primeira ferrovia no Brasil.
Apresentamos a seguir algumas sugestões de filmes
que abordam o conteúdo tratado nesta Unidade. Os bastidores da internet no Brasil: as histórias de
sucesso e fracasso que marcaram a web brasileira.
Bye bye, Brasil Eduardo Vieira. São Paulo: Manole, 2003.
Direção: Carlos Diegues. Brasil, 1979. Livro que conta a história da internet no Brasil.
Três artistas ambulantes viajam pelo interior do
Brasil, num velho caminhão, a Caravana Rolidei. Dão Portos do Brasil: a história passa pelo mar
carona para um jovem casal de nordestinos que foge Sérgio Túlio Caldas. São Paulo: Horizonte, 2008.
da seca e, com eles, cruzam a Amazônia até chegar Uma análise da importância dos portos brasileiros
a Brasília. na história do país. Informações e imagens de de-
zoito portos brasileiros.
Em trânsito
Direção: Henri Arraes Gervaiseau. Brasil, 2005. Transportes no Brasil: história e reflexões
Documentário que mostra como quinze pessoas Carlos Flores Lazzari e Ilton da Rocha Witter (Org.).
enfrentam a espera e o tempo gasto com locomoção Recife: Geipot/Ed. Universitária UFPE, 2001.
na Região Metropolitana de São Paulo. Pesquisa do setor de transportes em nosso país,
para análise e reflexão sobre o desenvolvimento dos
Segurança nacional transportes em quinhentos anos de história do
Direção: Roberto Carminati. Brasil, 2010, 97 minutos. Brasil. Desde o ano de 1500, quando se verificou a
Ficção sobre a atuação da Força Aérea Brasileira primeira movimentação registrada de bens e de
(FAB) no combate a aeronaves que entram no es- pessoas, passando pela evolução das infraestruturas
paço brasileiro sem autorização. viárias e portuárias, até a formação de um funda-
mental sistema de transporte modernizado, com
Livros significativos avanços tecnológicos.
Estes livros poderão elucidar e ampliar o assunto estu- Sites
dado.
Os sites indicados a seguir constituem uma boa fonte
Café e ferrovias de pesquisa.
Odilon Nogueira de Matos. Campinas: Pontes, 1990.
Um amplo estudo da história do estado de São <www.dnit.gov.br>
Paulo, através da evolução da economia cafeeira e Site do Departamento Nacional de Infraestrutura de
da expansão das ferrovias. Transportes, com informações sobre os principais
modais de transportes — ferroviário, rodoviário,
Introdução aos sistemas de transporte no Brasil e aquaviário, marinha mercante, portos e vias nave-
à logística internacional gáveis. Contém informações, mapas e estatísticas.
Paulo Roberto Ambrosio Rodrigues. São Paulo:
Aduaneiras, s.d. <www.mdic.gov.br>
O livro analisa características, vantagens e desvan- Site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
tagens dos diferentes modais de transporte, dando Comércio Exterior com informações, estatísticas e
ênfase à predominância da matriz direcionada ao gráficos sobre o comércio exterior brasileiro.
transporte rodoviário. Discorre sobre a disponibili-
dade das redes de cada modal no país. <www.museudantu.org.br>
Site do Museu Virtual do Transporte Urbano, apre-
Mauá: empresário do império senta a história e o desenvolvimento do transporte
Jorge Caldeira. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. urbano ao longo das civilizações e, especialmente,
Biografia de Irineu Evangelista de Souza, o barão de nas cidades brasileiras.
C O N C L U I N D O A U N I D A D E 6 285
Significado das siglas
Cefet – Centro Federal de Educação Tecnológica Ufal – Universidade Federal de Alagoas
Cesgranrio-RJ – Centro de Seleção de Candidatos ao Ufam – Universidade Federal do Amazonas
Ensino Superior do Grande Rio Ufap – Universidade Federal do Amapá
Enem – Exame Nacional do Ensino Médio UFBA – Universidade Federal da Bahia
ESPM-SP – Escola Superior de Propaganda e Marketing UFC-CE – Universidade Federal do Ceará
Fatec-SP – Faculdade de Tecnologia Ufes – Universidade Federal do Espírito Santo
Fazu-MG – Faculdades Associadas de Uberaba UFF-RJ – Universidade Federal Fluminense
FGV-SP – Fundação Getúlio Vargas UFG-GO – Universidade Federal de Goiás
Fuvest-SP – Fundação Universitária para o Vestibular UFJF-MG – Universidade Federal de Juiz de Fora
Ibmec-RJ – Grupo Ibmec Educacional do Rio de Janeiro UFMA – Universidade Federal do Maranhão
IFCE – Instituto Federal de Educação, Ciência e UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
Tecnologia do Ceará UFMS – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
IFG-GO – Instituto Federal de Educação, Ciência e UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso
Tecnologia de Goiás UFPA – Universidade Federal do Pará
IFPE – Instituto Federal de Educação, Ciência e UFPB – Universidade Federal da Paraíba
Tecnologia de Pernambuco UFPE – Universidade Federal de Pernambuco
Mack-SP – Universidade Presbiteriana Mackenzie UFPI – Universidade Federal do Piauí
Osec-SP – Faculdade de Odontologia Santo Amaro UFPR – Universidade Federal do Paraná
Puc-Campinas-SP – Pontifícia Universidade Católica de UFRGS-RS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Campinas UFRR – Universidade Federal de Roraima
PUC-MG – Pontifícia Universidade Católica de Minas UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Gerais Ufscar-SP – Universidade Federal de São Carlos
PUC-RJ – Pontifícia Universidade Católica do Rio de UFT-TO – Universidade Federal do Tocantins
Janeiro UFU-MG – Universidade Federal de Uberlândia
PUC-RS – Pontifícia Universidade Católica do Rio UFV-MG – Universidade Federal de Viçosa
Grande do Sul Unaerp-SP – Universidade de Ribeirão Preto
PUC-SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Unicamp-SP – Universidade Estadual de Campinas
UCS-RS – Universidade de Caxias do Sul Unifesp – Universidade Federal de São Paulo
Udesc – Universidade do Estado de Santa Catarina Unifor-CE – Fundação Edson Queiroz Universidade de
UEA-AM – Universidade do Estado do Amazonas Fortaleza
UEL-PR – Universidade Estadual de Londrina Unioeste-PR – Universidade Estadual do Oeste do
UEMG – Universidade Estadual de Minas Gerais Paraná
UEPB – Universidade Estadual da Paraíba Unisc-RS – Universidade de Santa Cruz do Sul
UEPG-PR – Universidade Estadual de Ponta Grossa Unopar-PR – Universidade Norte do Paraná
Uerj – Universidade do Estado do Rio de Janeiro Vunesp-SP – Fundação para o Vestibular da Unesp
Uespi – Universidade Estadual do Piauí
Ufac – Universidade Federal do Acre
286 S I G N I F I C A D O D A S S I G L A S
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288 B I B L I O G R A F I A
Geografia
Manual
do Professor
Volume 3
Sumário
primeira parte 2. Para o professor se atualizar e refletir:
A GEOGRAFIA NO ENSINO MÉDIO: textos de leitura..................................................... 305
CONSIDERAÇÕES GERAIS ................................................291
1. O currículo do Ensino Médio: as áreas de 3. Sugestões de temas complementares e
atividades para trabalhar em sala de aula............ 310
conhecimento......................................................... 291
4. Sugestões de filmes para complementar
2. Matriz do Exame Nacional do os conteúdos e elaborar atividades ..................... 320
Ensino Médio (Enem) — 2015........................................291
5. Sugestões de leitura e fontes de consulta
3. Objetos de conhecimento associados às para o professor..................................................... 320
Matrizes de Referência...................................................... 293
PROJETOS INTERDISCIPLINARES ............................... 323
4. Competências específicas da Geografia .................. 294
5. Geografia: interdisciplinaridade e 1. Projeto coletivo de trabalho: Brasil — gestão
sustentável da água ............................................... 323
contextualização ....................................................295
2. Projeto coletivo de trabalho: Brasil e América do
seGunda parte Sul — caminhos da integração econômica e
SOBRE ESTA COLEÇÃO.........................................................296 físico-territorial....................................................... 326
1. A escolha e a organização dos conteúdos .............. 296
2. Trabalhando os conteúdos: reflexão, RESPOSTAS DAS ATIVIDADES .....................................330
perspectiva interdisciplinar e Unidade 1 — Aspectos gerais do território
contextualização................................................................... 297 brasileiro ......................................................................330
3. Outros instrumentos e técnicas pedagógicas.......298 Unidade 2 — Brasil: espaço geográfico e impactos
4. Avaliando os objetivos.......................................................300 ambientais................................................................... 332
5. Bibliografia consultada ......................................................300
Unidade 3 — Ocupação do território brasileiro:
terCeira parte população e urbanização ........................................... 335
SOBRE ESTE VOLUME ...........................................................302
1. Conteúdos conceituais, habilidades Unidade 4 — Organização do espaço econômico e
industrialização .......................................................... 337
específicas e visão interdisciplinar por unidade ..... 302
Unidade 5 — Atividades primárias no Brasil........... 340
Unidade 6 — Comércio, transportes e
telecomunicações .......................................................343
Andre Dib/Pulsar Imagens
usina hidrelétrica de xingó, no
município de piranhas (aL), em 2016.
290 MANUAL DO PROFESSOR
primeira parte
A Geografia no Ensino Médio:
considerações gerais
1. O currículo do Ensino Médio: as 2. Matriz do Exame Nacional do
áreas de conhecimento Ensino Médio (Enem) – 2015
O Ensino Médio é a etapa final da Educação O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é
Básica e é regido pela Lei de Diretrizes e Bases da uma importante ferramenta de avaliação do Ensino
Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), que passou Básico, além de ser uma forma de seleção unificada
por três alterações, a última realizada em 1996. para o ingresso em universidades federais.
A elaboração dos currículos do Ensino Médio, A prova do Enem, estruturada em competências
por sua vez, deve obedecer às Diretrizes Curri e habilidades, tem como característica estimular
culares Nacionais para o Ensino Médio, Resolução o raciocínio, com a utilização de questões contex
nº 2, de 30 de janeiro de 2012. Segundo esse do tualizadas e interdisciplinares, evitando, assim, a
cumento, “a organização curricular do Ensino memorização de informações. A intenção é avaliar
Médio tem uma base nacional comum e uma par se o aluno está construindo o conhecimento,
te diversificada que não devem constituir blocos unindo os conceitos aprendidos à vivência dos fe
distintos, mas um todo integrado, de modo a ga nômenos e à aplicação daqueles conceitos no dia a
rantir tanto conhecimentos e saberes comuns dia.
necessários a todos os estudantes, quanto uma
formação que considere a diversidade e as carac Podese entender, então, que o objetivo da
terísticas locais e especificidades regionais”. avaliação é incentivar o aluno a tomar decisões
diante de problemas práticos, exercendo sua
Assim sendo, o currículo deverá ser constituí autonomia, e não simplesmente memorizando
do por quatro áreas de conhecimento, compostas conceitos. Essa proposta é favorável ao novo
por componentes curriculares: modo de ensinar Geografia, destacando seu ca
ráter interdisciplinar e aproximando o aluno do
I – Linguagens seu cotidiano. No Enem, as disciplinas são ava
a) Língua Portuguesa; liadas de forma integrada e organizadas em
b) Língua Materna, para populações indígenas; quatro áreas:
c) Língua Estrangeira Moderna;
d) Arte, em suas diferentes linguagens: cêni ■■ Linguagem, Código e suas Tecnologias;
cas, plásticas e, obrigatoriamente, a lin ■■ Matemática e suas Tecnologias;
guagem musical;
e) Educação Física. ■■ Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
■■ Ciências Humanas e suas Tecnologias.
II – Matemática
O documento Matriz de Referência para o Enem
III – Ciências da Natureza 2015, elaborado pelo Ministério da Educação, inclui
a) Biologia; os conteúdos curriculares próprios do Ensino Médio
b) Física; e um conjunto de trinta habilidades para cada uma
c) Química. das áreas que fazem parte da prova. De acordo com
esse documento, temos cinco eixos cognitivos co
IV – Ciências Humanas muns a todas as áreas de conhecimento:
a) História;
b) Geografia; I. Dominar linguagens (DL). Dominar a norma
c) Filosofia; culta [variedadepadrão] da língua portuguesa e
d) Sociologia. fazer uso das linguagens matemática, artística e
científica e das línguas espanhola e inglesa.
Manual do Professor 291
II. Compreender fenômenos (CF). Construir e Habilidades necessárias
aplicar conceitos das várias áreas do conhecimen
to para a compreensão de fenômenos naturais, de H6 Interpretar diferentes representações gráficas
processos históricogeográficos, da produção tec e cartográficas dos espaços geográficos.
nológica e das manifestações artísticas.
H7 Identificar os significados históricogeográficos
III. Enfrentar situações-problema (SP). Selecio das relações de poder entre as nações.
nar, organizar, relacionar, interpretar dados e
informações representados de diferentes formas, H8 Analisar a ação dos Estados nacionais no que
para tomar decisões e enfrentar situaçõesproble se refere à dinâmica dos fluxos populacionais e no
ma. enfrentamento de problemas de ordem econômico
social.
IV. Construir argumentação (CA). Relacionar
informações, representadas em diferentes formas, H9 Comparar o significado históricogeográfico
e conhecimentos disponíveis em situações concre das organizações políticas e socioeconômicas em
tas, para construir argumentação consistente. escala local, regional ou mundial.
V. Elaborar propostas (EP). Recorrer aos conhe H10 Reconhecer a dinâmica da organização dos
cimentos desenvolvidos na escola para a elaboração movimentos sociais e a importância da participa
de propostas de intervenção solidária na realidade, ção da coletividade na transformação da realidade
respeitando os valores humanos e considerando a históricogeográfica.
diversidade sociocultural.
Competência de área 3
Transcrevemos a seguir as competências e ha
bilidades relativas à Matriz de Referência de Compreender a produção e o papel histórico
Ciências Humanas e suas Tecnologias, divulga das instituições sociais, políticas e econômicas,
das no mesmo documento. associandoas aos diferentes grupos, conflitos e
movimentos sociais.
Competências e habilidades
Habilidades necessárias
Competência de área 1
H11 Identificar registros de práticas de grupos so
Compreender os elementos culturais que cons ciais no tempo e no espaço.
tituem as identidades.
H12 Analisar o papel da Justiça como instituição
Habilidades necessárias na organização das sociedades.
H1 Interpretar historicamente e/ou geograficamen H13 Analisar a atuação dos movimentos sociais
te fontes documentais acerca de aspectos da cultura. que contribuíram para mudanças ou rupturas em
processos de disputa pelo poder.
H2 Analisar a produção da memória pelas socie
dades humanas. H14 Comparar diferentes pontos de vista, presen
tes em textos analíticos e interpretativos, sobre
H3 Associar as manifestações culturais do presen situações ou fatos de natureza históricogeográ
te aos seus processos históricos. fica acerca das instituições sociais, políticas e
econômicas.
H4 Comparar pontos de vista expressos em diferen
tes fontes sobre determinado aspecto da cultura. H15 Avaliar criticamente conflitos culturais, so
ciais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo
H5 Identificar as manifestações ou representações da História.
da diversidade do patrimônio cultural e artístico
em diferentes sociedades. Competência de área 4
Competência de área 2 Entender as transformações técnicas e tecno
lógicas e seu impacto nos processos de produção,
Compreender as transformações dos espaços no desenvolvimento do conhecimento e na vida
geográficos como produto das relações socioeco social.
nômicas e culturais de poder.
292 Manual do Professor
Habilidades necessárias H27 Analisar de maneira crítica as interações da
sociedade com o meio físico, levando em conside
H16 Identificar registros sobre o papel das técnicas ração aspectos históricos e/ou geográficos.
e tecnologias na organização do trabalho e/ou da
vida social. H28 Relacionar o uso das tecnologias com os im
pactos socioambientais em diferentes contextos
H17 Analisar fatores que explicam o impacto das históricogeográficos.
novas tecnologias no processo de territorialização
da produção. H29 Reconhecer a função dos recursos naturais na
produção do espaço geográfico, relacionandoos
H18 Analisar diferentes processos de produção ou com as mudanças provocadas pelas ações humanas.
circulação de riquezas e suas implicações socioes
paciais. H30 Avaliar as relações entre preservação e degra
dação da vida no planeta nas diferentes escalas.
H19 Reconhecer as transformações técnicas e tec
nológicas que determinam as várias formas de uso 3. Objetos de conhecimento
e apropriação dos espaços rural e urbano. associados às Matrizes de
Referência
H20 Selecionar argumentos favoráveis ou contrá
rios às modificações impostas pelas novas Ciências Humanas e suas
tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho. Tecnologias
Competência de área 5 ■■ Diversidade cultural, conflitos e vida em so-
ciedade – Cultura material e imaterial;
Utilizar os conhecimentos históricos para com patrimônio e diversidade cultural no Brasil. A
preender e valorizar os fundamentos da cidadania conquista da América. Conflitos entre europeus
e da democracia, favorecendo uma atuação cons e indígenas na América colonial. A escravidão
ciente do indivíduo na sociedade. e formas de resistência indígena e africana na
América. História cultural dos povos africanos.
Habilidades necessárias A luta dos negros no Brasil e o negro na forma
ção da sociedade brasileira. História dos povos
H21 Identificar o papel dos meios de comunicação indígenas e a formação sociocultural brasileira.
na construção da vida social. Movimentos culturais no mundo ocidental e
seus impactos na vida política e social.
H22 Analisar as lutas sociais e conquistas obtidas
no que se refere às mudanças nas legislações ou ■■ Formas de organização social, movimentos
nas políticas públicas. sociais, pensamento político e ação do Estado
– Cidadania e democracia na Antiguidade;
H23 Analisar a importância dos valores éticos na Estado e direitos do cidadão a partir da Idade
estruturação política das sociedades. Moderna; democracia direta, indireta e repre
sentativa. Revoluções sociais e políticas na
H24 Relacionar cidadania e democracia na orga Europa moderna. Formação territorial brasileira;
nização das sociedades. as regiões brasileiras; políticas de reordenamen
to territorial. As lutas pela conquista da
H25 Identificar estratégias que promovam formas independência política das colônias da América.
de inclusão social. Grupos sociais em conflito no Brasil imperial e
a construção da nação. O desenvolvimento do
Competência de área 6 pensamento liberal na sociedade capitalista e
seus críticos nos séculos XIX e XX. Políticas de
Compreender a sociedade e a natureza, reco colonização, migração, imigração e emigração
nhecendo suas interações no espaço em diferentes no Brasil nos séculos XIX e XX. A atuação dos
contextos históricos e geográficos. grupos sociais e os grandes processos revolu
Habilidades necessárias
H26 Identificar em fontes diversas o processo de
ocupação dos meios físicos e as relações da vida
humana com a paisagem.
Manual do Professor 293
cionários do século XX: Revolução Bolchevique, ilhas de calor, efeito estufa, chuva ácida, destrui
Revolução Chinesa, Revolução Cubana. Geopo ção da camada de ozônio. A nova ordem
lítica e conflitos entre os séculos XIX e XX: ambiental internacional; políticas territoriais
Imperialismo, a ocupação da Ásia e da África, ambientais; uso e conservação dos recursos na
as Guerras Mundiais e a Guerra Fria. Os siste turais, unidades de conservação, corredores
mas totalitários na Europa do século XX: ecológicos, zoneamento ecológico e econômico.
nazifascismo, franquismo, salazarismo e stali Origem e evolução do conceito de sustentabili
nismo. Ditaduras políticas na América Latina: dade. Estrutura interna da Terra. Estruturas do
Estado Novo no Brasil e ditaduras na América. solo e do relevo; agentes internos e externos
Conflitos políticoculturais pósGuerra Fria, modeladores do relevo. Situação geral da atmos
reorganização política internacional e os orga fera e classificação climática. As características
nismos multilaterais nos séculos XX e XXI. A climáticas do território brasileiro. Os grandes
luta pela conquista de direitos pelos cidadãos: domínios da vegetação no Brasil e no mundo.
direitos civis, humanos, políticos e sociais. ■■ Representação espacial – Projeções cartográ
Direitos sociais nas constituições brasileiras. ficas; leitura de mapas temáticos, físicos e
Políticas afirmativas. Vida urbana: redes e hie políticos; tecnologias modernas aplicadas à
rarquia nas cidades, pobreza e segregação Cartografia.
espacial.
■■ Características e transformações das estru- 4. Competências específicas da
turas produtivas – Diferentes formas de Geografia
organização da produção: escravismo antigo,
feudalismo, capitalismo, socialismo e suas dife A principal preocupação na escolha e aplica
rentes experiências. Economia agroexportadora ção dos conteúdos programáticos é desenvolver
brasileira: o complexo açucareiro; a mineração competências que se apliquem aos eixos cogniti
no período colonial; a economia cafeeira; a bor vos comuns às áreas gerais do conhecimento que
racha na Amazônia. Revolução Industrial: compõem o currículo do novo Ensino Médio.
criação do sistema de fábrica na Europa e trans
formações no processo de produção. Formação Segundo a Secretaria de Educação Média e
do espaço urbanoindustrial. Transformações Tecnológica do MEC, competências “são operações
na estrutura produtiva no século XX: o fordismo, mentais estruturadas em rede, que, mobilizadas,
o toyotismo, as novas técnicas de produção e permitem a incorporação de novos conhecimentos
seus impactos. A industrialização brasileira, a e sua integração significada a essa rede. As habili
urbanização e as transformações sociais e tra dades decorrem das competências adquiridas e
balhistas. A globalização e as novas tecnologias referemse ao plano do saber fazer”.
de telecomunicação e suas consequências eco
nômicas, políticas e sociais. Produção e Para trabalhar com competência questões que
transformação dos espaços agrários. Moder envolvem os eixos cognitivos, é preciso que o alu
nização da agricultura e estruturas agrárias no utilize alguns recursos, como o domínio da
tradicionais. O agronegócio, a agricultura fami linguagem, os conteúdos conceituais de cada dis
liar, os assalariados do campo e as lutas sociais ciplina e habilidades específicas.
no campo. A relação campocidade.
■■ Os domínios naturais e a relação do ser Além das competências e habilidades gerais, a
humano com o ambiente – Relação homem Geografia tem outras que são específicas do seu
natureza, a apropriação dos recursos naturais ramo de conhecimento. Daí a extrema importância
pelas sociedades ao longo do tempo. Impacto dos conteúdos escolhidos para desenvolver essas
ambiental das atividades econômicas no Brasil. competências e habilidades e da maneira como se
Recursos minerais e energéticos: exploração rão trabalhados em sala de aula. Veja alguns
e impactos. Recursos hídricos; bacias hidro cuidados que podem ser adotados nessa escolha:
gráficas e seus aproveitamentos. As questões
ambientais contemporâneas: mudança climática, ■■ Delimitar precisamente o objeto da Geografia,
que deve funcionar como “ponte” com outras
áreas.
■■ Formar alunos capazes de construir conhecimen
tos críticos sobre o mundo em que vivem.
294 MANUAL DO PROFESSOR
■■ Não selecionar conteúdos muito específicos, pois 5. Geografia: interdisciplinaridade e
não é objetivo do Ensino Médio formar geógrafos.
contextualização
■■ Escolher conteúdos atualizados e que valorizem
a vivência do aluno. São condições fundamentais para a formação
do cidadão crítico, na busca da construção do co
■■ Deixar claro que é impossível compreender a nhecimento, aprender como aplicar e reconhecer
nova problemática do mundo sem estudar em sua vida os conceitos da Geografia integrados
Geografia. a outras disciplinas, e garantir uma visão interdisci
plinar dos fatos e fenômenos do espaço geográfico.
Se a meta do nosso trabalho é formar um cida
dão crítico, com uma visão de mundo que lhe A interdisciplinaridade e a contextualização
permita participar ativamente da sociedade em dos conteúdos, porém, não devem ser vistas
que vive, o primeiro passo é definir com clareza o separadamente. De acordo com as Diretrizes
que entendemos por cidadão crítico e participante. Curriculares Nacionais para o Ensino Médio
Podemos dizer que é o indivíduo capaz de entender (DCNEM), tornase fundamental a integração e a
os fatos que acontecem no mundo, de interpretá aproximação das disciplinas, pois o conhecimen
los e de estabelecer relações não só entre esses to é único e deve ser aplicado no cotidiano das
fatos, mas também entre eles e a realidade do local pessoas. Quando ensinamos Geografia, podemos
onde vive. trabalhar, com conhecimentos geográficos, con
teúdos de História, Física, Biologia, Literatura e
Estamos falando exatamente do principal con tantos outros que fazem parte do espaço geográfi
ceito da Geografia — o espaço geográfico. Ao co, objeto de estudo da nossa disciplina.
trabalhar esse conceito, o professor inicia sua ta
refa, que é ajudar o aluno a entender as diversidades A interdisciplinaridade integra as diferentes
e as mudanças que acontecem no espaço geográ disciplinas, demostrando como determinado as
fico, tornandoo capaz de “pensar” esse espaço e sunto pode ser abordado por vários campos do
perceberse como parte integrante dele. saber, mantendo, porém, sua individualidade.
Nessa integração, há um diálogo que procura con
Para o aluno ter essa percepção, algumas habi ciliar os conceitos pertencentes às diversas áreas,
lidades e competências específicas são essenciais: buscando um conhecimento único.
■■ Adquirir o pleno domínio da linguagem carto Dessa forma, o trabalho interdisciplinar deve
gráfica, como mapas, gráficos, imagens de ser visto como uma preciosa contribuição das
satélites, que constituem a maneira de represen várias áreas do estudo na construção dos conheci
tar os fatos e os fenômenos no espaço geográfico. mentos e ser aplicado ao ensino da Geografia. Esse
tipo de abordagem facilita o trabalho do professor
■■ Dominar as noções de escala no conhecimento e ajuda a melhorar o desempenho do aluno.
geográfico, que vão ajudálo a reconhecer os fe
nômenos geográficos: Os conteúdos geográficos, em uma visão inter
– a escala cartográfica, que permite organizar disciplinar, devem ser apresentados como fatos
a localização e a distribuição espacial dos fenô próximos da realidade do aluno. A sucessão dos
menos; dias e das noites, as mudanças do tempo, os pro
– a escala geográfica, que permite organizar e blemas das cidades são apenas alguns dos muitos
classificar os fenômenos em escala local, regio exemplos da interferência dos fenômenos geográ
nal, nacional e global. ficos no cotidiano das pessoas.
■■ Comparar os fenômenos geográficos e reconhe Além de criar uma relação entre o conheci
cer as semelhanças e diferenças existentes entre mento e o cotidiano, valorizando experiências,
eles, explicando suas reações. vivência e a realidade do aluno, a contextualiza
ção pode avançar ainda mais e ampliar esse
■■ Identificar as particularidades de uma paisagem, conhecimento inicial, desenvolvendo competên
um lugar ou território no espaço geográfico, re cias para que o aluno possa se integrar na
conhecendo os fenômenos aí encontrados, sociedade, interferindo, com sua participação, no
determinando o processo de sua formação e o funcionamento dessa sociedade.
papel da tecnologia dos grupos humanos que
habitam ou já habitaram esse lugar, paisagem
ou território.
MANUAL DO PROFESSOR 295
segunda parte
Sobre esta coleção
1. A escolha e a organização dos contradições do capitalismo globalizado que fa
zem surgir contrastes naturais, humanos, políticos,
conteúdos econômicos, tecnológicos e organizações supra
nacionais. Dentro de cada uma delas, analisamos
Elaborada em três volumes, segundo as Dire as desigualdades dos fenômenos geográficos no
trizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio estudo do espaço.
de 1996, as Diretrizes Curriculares Nacionais para
o Ensino Médio, Resolução nº 2, de 30 de janeiro No volume 1 estudamos os contrastes natu
de 2012, e a Matriz de Referência para o Enem rais, políticos e humanos.
2015, esta coleção procura ampliar os conheci
mentos geográficos do aluno, cuja aprendizagem Contrastes naturais. Conhecer as característi
se iniciou no Ensino Fundamental. cas do espaço natural, sua formação e as
intervenções humanas que resultaram em graves
Dentro de uma visão socioconstrutivista, enten impactos ambientais ao longo dos séculos tornase
demos que o aluno é uma pessoa criativa, capaz de essencial em uma época em que os problemas refe
relacionar fatos e ideias e, com o professor, ser res rentes ao meio ambiente e à sua preservação estão
ponsável pela aquisição de conhecimentos. Dessa entre as principais preocupações da humanidade.
forma, o processo de aprendizagem é uma conse
quência da interação professoraluno. Como é no espaço geográfico que as manifes
tações da natureza e as atividades humanas
Os conteúdos selecionados visam facilitar a ta acontecem, iniciamos nosso estudo com a carac
refa do professor em seu papel de condutor para a terização de conceitos fundamentais para a
aquisição de conhecimentos, incentivando o alu Geografia, como lugar, paisagem e espaço geográ
no a questionar e a estabelecer correlações entre fico, sua representação por meio da Cartografia e a
os assuntos estudados. Nesse trabalho, assumem localização dos fenômenos geográficos com o uso
importância as atividades em grupo, os debates e das coordenadas geográficas e dos pontos cardeais.
as pesquisas.
As fronteiras naturais do espaço estão defini
Competências, habilidades e conteúdo comple das pelos grandes biomas do mundo, embora
tam a formação do cidadão crítico e “pensante”. existam outros elementos, como os continentes e
Por isso, a seleção dos temas geográficos deve ser oceanos, as formas de relevo e as bacias hidrográ
criteriosa. Não é possível desenvolver competên ficas, que poderiam ser considerados como tal.
cias e habilidades sem trabalhar conteúdos Nossa escolha é justificada pelo fato de o aspecto
atualizados e que valorizem a vivência do aluno. visual dos biomas, ou seja, a sua vegetação carac
terística, ser resultado da estreita correlação
A escolha dos conteúdos nesta coleção obede existente entre os elementos naturais (clima, rele
ce a uma abordagem da Geografia que considera vo, hidrografia) que o compõem.
o espaço geográfico como o resultado da interfe
rência humana no espaço natural, através do Temas polêmicos como poluição do ar e suas
tempo histórico. Essa interferência acontece por consequências, escassez e poluição dos recursos
meio das atividades econômicas (rurais e urba hídricos, desmatamentos, mau uso das terras agrí
nas), favorecidas pelas inovações tecnológicas. colas e poluição urbana foram amplamente
Procuramos mostrar também que, muitas vezes, a abordados, dada a sua relevância na formação do
interferência humana na natureza apresenta como cidadão consciente e atuante em sua comunidade.
resultado impactos ambientais que são cada vez
mais motivo de preocupação para a humanidade. Contrastes políticos. Nessa abordagem foram
destacados os conceitos de Estado-Nação, frontei-
Cada volume desta coleção foi estruturado ra, território e territorialidade.
segundo a nossa experiência de muitos anos de
sala de aula. O critério utilizado foram as grandes A territorialidade, considerada como “limita
ção da força imperativa das leis” ao território
296 Manual do Professor
onde o EstadoNação exerce a sua soberania, tem Contrastes tecnológicos. A tecnologia é um
sido ameaçada por dois fatores: um de ordem dos fatores mais significativos para a transforma
econômica e outro de ordem política. O primeiro, ção do espaço geográfico. Entretanto, sua
que se refere aos organismos financeiros interna distribuição por esse espaço é extremamente de
cionais e aos blocos econômicos que ganharam sigual. Vivemos em uma sociedade na qual o
força no processo de globalização, será analisado progresso é privilégio de poucos, e a exclusão
no volume 2. O outro fator, de natureza política, mantémse como marca registrada da maioria
objeto de estudo deste volume, pode ser expresso das nações e seus habitantes, graças à interferên
pelos inúmeros conflitos que eclodiram em vá cia dos países mais ricos e desenvolvidos sobre
rias regiões do mundo, com o ressurgimento dos os países mais pobres, sob a forma de pagamento
nacionalismos e o crescimento de ações de gru do direito de uso das inovações tecnológicas.
pos terroristas (laicos e étnicoreligiosos) no
mundo pósGuerra Fria e nos acontecimentos A expansão da atividade industrial, ao lado do
que marcaram a primeira década do século XXI. sistema capitalista, determinou as diferenças tecno
Entre eles, destacamse os conflitos da chamada lógicas existentes na globalização. Como resultado
Primavera Árabe, que atingiu vários regimes no dessa expansão temos, hoje, países industrializados
norte da África, e os do Oriente Médio, região centrais e países industrializados periféricos.
mais instável do mundo, do ponto de vista da ter
ritorialidade. A atividade agrária, hoje subordinada à indús
tria, e o uso de fontes de energia e de recursos
Contrastes humanos. O estudo das populações minerais apresentamse de forma diferente entre
e suas condições de vida e da interrelação entre esses grupos de países.
população, meio ambiente e crescimento econô
mico é fundamental para o futuro da humanidade, Organizações supranacionais. A presença e a
pois o desenvolvimento sustentável vai depender intervenção do Banco Mundial, do Fundo Mone
da forma como essas relações forem conduzidas. tário Internacional e das empresas transnacionais
que atuam em países periféricos indicam a redu
No primeiro volume ainda são evidenciadas as ção do grau de independência política, econômica
características da população mundial – cresci e financeira dessas nações. Isso significa que a
mento, estrutura, distribuição e mobilidade, soberania dos Estados está cada vez mais perden
comprovadas por estatísticas recentes que são do espaço para a “ditadura do mercado mundial”.
analisadas e expressas por tabelas e gráficos de
fácil interpretação. Os blocos econômicos, também denominados
blocos internacionais de poder, tendem a reforçar
No volume 2, são analisados os contrastes a perda de autonomia dos países periféricos, por
econômicos, tecnológicos e as organizações su que reproduzem os mecanismos de dominação e
pranacionais. defesa dos interesses de empresas transnacionais.
Contrastes econômicos. Procuramos mostrar O volume 3 analisa o papel do Brasil como
como o modo de produção capitalista produziu, país emergente dentro do mundo globalizado e
ao longo da História, as grandes desigualdades inserido em cada uma dessas contradições.
socioeconômicas existentes entre as nações no
mundo. Também abordamos o socialismo e o pe 2. Trabalhando os conteúdos:
ríodo da Guerra Fria, período muito peculiar da reflexão, perspectiva
história da humanidade e que é essencial para se interdisciplinar e contextualização
entender o mundo da globalização.
Se a escolha dos conteúdos considera o aluno
A divisão internacional do trabalho, que esta capaz de relacionar fatos e ideias, procuramos
belece as relações entre os países, foi sempre elaborar atividades que privilegiam essa condi
profundamente marcada pelas mudanças ocorri ção, dando ênfase à análise de textos e a questões
das no mecanismo do sistema capitalista. reflexivas, interdisciplinares e devidamente
contextualizadas. São também atividades que
Dentro de um mundo em transição, analisa possibilitam ao aluno atingir as metas determina
mos a crise que atingiu os países desenvolvidos e das pelas DCNEM e as habilidades previstas pelo
o surgimento de novos polos econômicos, como Enem.
China, Brasil, Índia e Rússia.
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Na elaboração dessas atividades, o conteúdo ❯ ampLiando o ConheCimento
geográfico tem muitas contribuições a oferecer Textos que contêm informações mais apro
para, em sintonia com outros componentes curri fundadas sobre o assunto tratado no capítulo
culares, criar oportunidades a fim de que o aluno e que podem ser utilizados pelo professor
não só examine diferentes temas e problemas da como ponto de partida para a realização de
realidade social, como também formule proposi atividades.
ções para resolvêlos.
❯ pesquise e refLita
Entre eles, as aceleradas mudanças econômi Esta seção aparece no 1o e no 2o volume e apre
cas, tecnológicas e da comunicação que autorizam senta sugestões de temas para pesquisa e
a falar em uma escala global de relações humanas, questões para reflexão sobre o assunto estudado.
as diferenças e desigualdades entre paisagens, so
ciedades e territórios, as complexidades da vida ❯ diÁLoGos
urbana ou as alterações nas bases naturais do es Seção específica para explorar a interdiscipli
paço geográfico em função de usos predatórios. naridade dentro da área de Ciências Humanas.
É imprescindível garantir que o estudante te ❯ reGionaL
nha um papel ativo e protagonista, tanto na escolha Seção que aparece apenas no 3o volume e dedi
e no delineamento dos objetos de estudo como nas case a tratar de aspectos característicos de
etapas de execução. E crescem as demandas para cada uma das regiões oficiais brasileiras, se
uso das ferramentas da informática e de internet, gundo a divisão do IBGE.
aproximando as realidades dos estudantes e da es
cola das novas tecnologias de comunicação e ❯ refLetindo sobre o Conteúdo
informação. Devese propiciar também as condi Conjunto de questões propostas no fim de cada
ções para que os resultados de projetos, estudos e capítulo, que exigem do aluno reflexão, análise e
pesquisas alcancem públicos cada vez mais am interpretação dos assuntos estudados.
plos, seja na escola, seja na comunidade.
❯ questões do enem e de vestibuLares
O desenvolvimento de projetos interdisciplina Uma série de testes e questões do Enem, de
res e contextualizados coloca também perspectivas vestibulares e de processos seletivos seriados
para que as equipes docentes ampliem instrumen que desafiam o aluno a usar as competências e
tos e critérios de avaliação, verificando as habilidades adquiridas.
progressões de alunos e turmas segundo diferentes
competências e habilidades. 3. Outros instrumentos
e técnicas pedagógicas
De acordo com os princípios e práticas enun
ciados, a coleção oferece, ao longo das unidades e Gostaríamos de deixar claro que o livro didáti
dos capítulos, diversas seções de estudo: co é apenas um ponto de referência; cabe ao
professor adaptálo às condições da escola em
❯ Leitura e refLexão que trabalha. Para o aluno, a utilização do livro di
Textos mais elaborados, que exigem do aluno dático é uma maneira de fazêlo aproveitar melhor
uma reflexão mais profunda. as aulas e aprofundar os assuntos explicados pelo
professor em sala de aula. Existem outros instru
❯ Contexto e apLiCação mentos e outras técnicas pedagógicas, além do
Textos que estabelecem uma relação entre o livro didático ou das aulas expositivas. Sugerimos,
assunto estudado e o cotidiano do aluno, se a seguir, alguns desses instrumentos, que deverão
guidos de atividades. ser utilizados como meio de avaliação do conheci
mento e das habilidades. Os professores devem se
❯ reLaCionando os assuntos colocar à vontade para adaptar esses instrumen
Textos que aparecem no 2o e no 3o volume e tos às realidades de suas escolas e localidades e
trazem temas já estudados, que podem ser rela aos interesses e necessidades de aprendizagem
cionados com o capítulo. de seus alunos.
❯ outra visão
Textos que trazem outra opinião ou enfoque
sobre o tema estudado.
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