The words you are searching are inside this book. To get more targeted content, please make full-text search by clicking here.

FRONTEIRAS da globalização
livro Budai (antigo)

Discover the best professional documents and content resources in AnyFlip Document Base.
Search
Published by Sergio Gao, 2020-05-09 17:21:57

FRONTEIRAS da globalização

FRONTEIRAS da globalização
livro Budai (antigo)

Reorganização do espaço: Henry Koster/Acervo Iconographia/Reminiscências
séculos XVII e XVIII

As mais importantes atividades econômicas da

colônia foram o cultivo da cana-de-açúcar (séculos

XVI e XVII) e a mineração (séculos XVII e XVIII).

Mas a economia colonial envolvia também a explo-

ração de outros gêneros, denominados produtos

acessórios ou secundários. A pecuária no Sertão

nordestino e no Sul do país; as drogas do sertão, na

Amazônia; o tabaco, no Recôncavo Baiano; e o algo-

dão, no Sertão e no Maranhão, foram produtos aces-

sórios, ou secundários, que tiveram papel fundamen-

tal no povoamento e na organização econômica do

espaço brasileiro.

Sempre que produtos principais e acessórios se

desenvolviam em determinada área, esta atraía po-

pulação e formava uma “ilha” de prosperidade que,

muitas vezes, entrava em decadência se o produto Engenho de açúcar, cromolitografia de Henry Koster, publicada
perdia sua importância no mercado internacional. em 1816.

Desse modo, começaram os primeiros movimentos

populacionais em nosso território, dando origem a produção. Por isso, foram abertas as primeiras es-

áreas de atração e de repulsão populacional. tradas para a região das Minas e os “caminhos” do

No século XVII, o centro econômico da colônia gado, dando origem a arraiais e vilas que, com o

se localizava na Zona da Mata, litoral nordestino, tempo, se transformaram em cidades. Os portos,

principalmente em Pernambuco e na Bahia, onde como o de Paraty e o do Rio de Janeiro, também ti-

havia o maior número de engenhos instalados no veram papel fundamental para o escoamento dessas

Brasil. Veja novamente no mapa da página 22 como riquezas.

se organizava o espaço econô-

mico brasileiro no século XVII. Brasil: organização do espaço econômico no século XVIII Allmaps/Arquivo da editora
Após a decadência da cana-
50º O
-de-açúcar no Nordeste e a
descoberta de ouro e pedras Equador NOVA GRANADA doGURiIoAANmAaSzoÓnbaSisadnoMtsaarcéampáBeGlérmão-PAalcrCáâoCnematMaeprtaaéanrahSniahããoGoeL(r1au7lí5ds5o-P1 arnaíba OCEANO 0º
preciosas em Minas Gerais Estrada Real Rio Negro ATLÂNTICO
(século XVII), o Sudeste assu- DE
me a condição de região eco- Fortaleza
nômica mais importante da VICE-REINADO Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba (1759-1780)
colônia. Com isso, em 1783, a Rio Juruá 779)
capital é transferida de Salva- Puru
dor para o Rio de Janeiro. Rio VICE-REINADO DO RIO DA PR
Rio Tapajós
No século XVIII, a organi- Olivença Rio SolimBõaerscelos Barra
zação econômica do território
brasileiro já era um pouco Rio Parnaíba Viçosa Aquiraz
mais complexa, mas continua-
va caracterizada por “ilhas” de s Madeira Borba Quixeramobim
produção voltadas para o mer-
cado externo. VICE-REINADO DO PERU Rio Natal

Para uma organização efi- Pombal Paraíba
ciente do espaço econômico
Rio Tocantins Rio S ‹o Francisco Olinda
Alagoa do Sul

Jacobina São Cristóvão

Vila Bela Salvador (1534-1763)

Rota dos Diamantina Cuiabá Vila Boa Ilhéus
Diamantes
Vila Maria São Pedro del-Rei equitinhonha Santa Cruz
Caminho (Cáceres) (Poconé) Porto Seguro
Novo Trópico de Capricórnio
aranaíba Rio J
COaCmEinAhoNO
VPeAlhCoÍFICO Rio Paraguai Rio P Sabará Rio Doce

MINAS Vila Rica Vila do Ribeirão do Carmo
GERAIS São João del-Rei Vitória
Guaratinguetá Espírito Santo
Porto Feliz
Campos dos Goytacazes

Ouro Preto Mariana Rio Paraná São Paulo Rio de Janeiro (1763-1960)

Sorocaba Taubaté

Curitiba Santos
Iguape
São João
del-Rei Cananeia Cana-de-açúcar
Paranaguá

Juiz de Fora N Desterro Pecuária
Laguna Mineração
RIO DE
Passa Quatro JANEIRO L Rio Grande Drogas do sertão
Petrópolis O ATA Tabaco
Algodão
Cunha Rio de
Janeiro
SÃO 0 530 1 060 km
Parati OCEANO ATLÂNTICO
PAULO S

era essencial o escoamento da Adaptado de: ATLAS histórico escolar. Rio de Janeiro: MEC/Fename, 1979. p. 28.

A organização do espaço econômico brasileiro C A P Í T U L O 1 2 149

Caminhos do gado nos Allmaps/Arquivo da editora A atividade cafeeira alterou profundamente a
séculos XVIII e XIX economia e a sociedade brasileira, confirmando a
região Sudeste como centro econômico do país, sem,
55º O entretanto, realizar a integração econômica do ter-
ritório nacional.
MS SP
Produtos secundários, como a pecuária, o algo-
Trópico de Capricórnio dão, a borracha e o cacau conviviam com a cafei-
cultura, mas as regiões produtoras continuaram
Sorocaba isoladas umas das outras, e as relações econômicas
Jaguariaíva e demográficas entre essas “ilhas” permaneciam
quase inexistentes. Em resumo, a riqueza do café
PR Itapetininga não alterou a organização econômica: o modelo
“arquipélago” de organização do território conti-
Puaí do Sul Itararé nuou existindo.
Castro
Esse modelo levou ao crescimento de cidades
PARAGUAI Guarapuava Ponta Grossa portuárias que escoavam a produção. Entre essas
Imbituva cidades, destacavam-se: Belém, Recife, Salvador, São
Palmeira B. de Paranaguá Luís e a então capital, a cidade do Rio de Janeiro. O
porto de Santos, grande escoador da produção ca-
Palmas Campo doTenente feeira, passou a ser o mais importante do país.
Xanxerê Rio Negro
A instalação de ferrovias, no século XIX, foi rea-
União da Vitória lizada em grande parte por empresas que tinham
Mafra como principal objetivo atender às áreas de produtos
exportáveis, como açúcar, algodão, cacau e café, em-
Papanduva bora algumas delas, principalmente no Nordeste,
atendessem também ao mercado local.
Chapecó SC Curitibanos

Rodeio

ARGENTINA Palmeira Passo Fundo Lagoa Lajes
Vermelha Laguna
das Missões

Santo Ângelo Carazinho Vacaria

São Borja Ijuí

OCEANO

ATLÂNTICO
RS Viamão

Laguna dos Patos

URUGUAI N

0 160 320 km OL
S

Caminho das tropas 1 Vale do Paraíba fluminense e paulista Allmaps/Arquivo da editora
Caminho de Viamão (Sorocaba, SP–Viamão, RS) 2 Zona da Mata mineira
Caminho das Missões (São Borja, RS–Palmeira, PR) 3 Região de Campinas
Caminho de Vacaria (Palmeira das Missões, RS–Vacaria, RS) 4 Centro-Oeste paulista
Caminho de Laguna (Laguna, SC–Vacaria, RS–Lajes, SC) 5 Norte do Paraná – Vale do Ivaí
Limites atuais
Até 1850
Adaptado de: ATLAS histórico escolar. Rio de Janeiro: A marcha do café
MEC/Fename, 1977; ARRUDA, J. J. de A. Atlas histórico básico. De 1851 a 1900
GOIÁS
17. ed. São Paulo: Ática, 2001. De 1901 a 1950

Atividades econômicas Caminhos da expansão cafeeira

do século XIX Limites atuais

Na segunda metade do século XIX, uma nova MINAS GERAIS ESPÍRITO
riqueza passou a comandar a economia brasilei- SANTO
ra: o café.
MATO Jales São José do
O café começou a ser cultivado no Vale do GROSSO
Paraíba fluminense, onde atingiu o auge por DO SUL Rio Preto Vitória
volta de 1850. Daí se espalhou por grandes
áreas do estado de São Paulo, cujos solos de Araçatuba Ribeirão Preto Muriaé Cachoeiro
terra roxa eram favoráveis ao seu cultivo. Entre Juiz de Fora de Itapemirim
essas áreas destacam-se as regiões de Cam- 4Araraquara São João da
pinas, Rio Claro, São Carlos, Araraquara, Boa Vista
Catanduva, Casa Branca e Ribeirão Preto. Já
no século XX, avançou para outros locais, como Marília 3 2 RIO DE
o norte do Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso JANEIRO
do Sul e Espírito Santo. Veja algumas dessas Assis Campinas Pouso Alegre Resende
regiões no mapa ao lado.
Londrina Taubaté

Maringá 5 SÃO PAULO Bragança 1 Rio de Janeiro
Paulista
Sorocaba Trópico de Capricórnio
São Paulo
São Sebastião

Santos

PARANÁ N
OL
OCEANO
ATLÂNTICO

SANTA CATARINA S

0 160 320 km
45º O

Adaptado de: RODRIGUES, João Antônio. Atlas para estudos sociais.
Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1977. p. 26.

150 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

No estado de São Paulo, o espaço de Brasil: organização do espaço econômico Allmaps/Arquivo da editora
circulação foi ampliado com a implanta- no século XIX
ção das ferrovias que ligavam as áreas de
produção de café ao porto de Santos. 50º O
Entre elas destacaram-se a São Paulo
Railway, depois a Estrada de Ferro Santos- 0º Equador
-Jundiaí, a Companhia Paulista de
Estradas de Ferro e a Companhia Mogiana OCEANO Rio Amazonas Belém São Luís
de Estradas de Ferro. PACÍFICO

Fortaleza

Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima/RFFSA Rio A raguaia Oeiras Natal
Rio São Francisco Paraíba
Recife
Alagoas
São Cristóvão
Salvador

Cuiabá Goiás

OCEANO
ATLÂNTICO

io Paraná Vitória

R Niterói Trópico de Capricórnio
Curitiba Rio de N
São Paulo Janeiro

Desterro OL

Borracha Porto Alegre S
Pecuária 0
Cana-de-açúcar 480 960 km
Café
Algodão Adaptado de: ATLAS histórico escolar. 7. ed.
Mineração Rio de Janeiro: MEC/Fename, 1979. p. 32.
Cacau
Fumo
Origem da divisão regional atual
Ferrovias

Vista parcial da Estrada de
Ferro Santos-Jundiaí, em 1887,
na altura do viaduto da Grota
Funda na serra do Mar.

Ampliando o conhecimento

O caráter burguês dos cafeicultores do trabalho assalariado, mecanização da lavoura e
alteração de caráter da propriedade da terra.
A característica burguesa dos cafeicultores se dava
pelo fato de que pela primeira vez na História do Brasil Por outro lado, o caráter mercantil dos cafeicultores,
encontrávamos um setor produtivo que se utilizava de que se preocupavam com a comercialização do
relações de produção não escravistas sem, contudo, abrir produto, permitia que a mais-valia obtida com essa
mão do trabalho escravo. Esses barões do café, como eram transação ficasse nas mãos da classe produtora e não
chamados, ligavam-se à comercialização, proporcionando, de intermediários.
com isso, uma maior circulação interna de capital.
AQUINO, Rubim S. L.; VIEIRA, Fernando A. C.; AGOSTINHO,
As atividades produtoras dessa burguesia contavam Carlos Gilberto W.; ROEDEL, Hiran. Sociedade brasileira:
com algumas inovações importantes, como: introdução uma história através dos movimentos sociais.
Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 556-557. (Adaptado.)

A organização do espaço econômico brasileiro C A P Í T U L O 1 2 151

A industrialização Nesse contexto foram construídas rodovias que li-
e a integração nacional gavam as regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte
ao Sul e ao Sudeste.
A organização interna do Brasil passou por mu-
danças significativas no século XX, graças ao A maioria das rodovias construídas fez parte do
processo econômico e social ocorrido no país, prin- Plano de Integração Nacional (PIN), criado em 1970
cipalmente após 1930, quando a indústria assumiu pelo governo militar, que se preocupava com os va-
o papel de setor mais importante da economia bra- zios demográficos existentes na Amazônia e no
sileira. O Brasil deixou de ser um país essencialmen- Centro-Oeste.
te agrário para assumir características de uma eco-
nomia urbano-industrial. Nessa nova organização espacial em função da
industrialização, nosso país pôde ser dividido em
O modelo “arquipélago” vigente desde os tempos grandes complexos regionais.
coloniais não funcionava mais nessa nova economia.
Como o processo de industrialização brasileira foi Os complexos regionais
baseado no mercado interno, era preciso uma maior
integração entre as diversas regiões do país, para brasileiros
que produtos industrializados e pessoas em busca
de emprego nas indústrias pudessem circular pelo Na nova organização espacial em função da in-
território nacional. dustrialização, ficaram mais evidentes as desigual-
dades socioeconômicas entre as regiões. Com isso,
Portanto, em virtude da industrialização, formou- surgiu outra proposta de divisão regional do Brasil,
-se um novo modelo de organização espacial, em que considera os espaços segundo a organização da
que o território foi cada vez mais integrado e apro- sua economia, seguindo o modelo centro-periferia,
fundou-se a interdependência entre as regiões do caracterizando, respectivamente, mais desenvolvido
país, rompendo o isolamento dos mercados regio- e menos desenvolvido.
nais e constituindo um mercado nacional.
Essa divisão foi elaborada em 1967 pelo geó-
Assim, a indústria foi a grande responsável pela grafo Pedro Pinchas Geiger, que dividiu o Brasil
integração da economia brasileira em torno de um em três grandes complexos regionais — Amazônia,
único centro polarizador, no caso a região Sudeste. Nordeste e Centro-Sul —, segundo suas caracterís-
ticas geoeconômicas.

Lucas Lacaz Ruiz/Pulsar Imagens

A BR-116 é uma das rodovias mais extensas e movimentadas do Brasil. Ela atravessa o país de Fortaleza (CE) até Jaguarão (RS).
No trecho que liga as duas maiores cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro, ela é chamada rodovia Presidente Dutra. Na foto,
trecho da BR-116 no município de São José dos Campos (SP), em 2016.

152 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

A divisão do território brasileiro em complexos de Manaus. É o principal reduto de povos indígenas,
regionais não se baseia nos limites dos estados, de problemas de posse de terra e desmatamentos
como as divisões do IBGE, que você estudou no (queimadas). Atualmente, a Amazônia é fronteira de
Capítulo 3. Veja no mapa a seguir quais são suas expansão agropecuária e de povoamento.
principais características.
Nordeste
Complexos regionais brasileiros Allmaps/Arquivo da editora
Com 1,5 milhão de km2, a região geoeconômica
55º O do Nordeste ocupa 18% do território brasileiro, área
quase equivalente ao Nordeste delimitado pelo
Equador RR AP IBGE. Compreende o norte de Minas Gerais, mas
não inclui o oeste do Maranhão.

Esse complexo tem características bem diferen-
AM PA CE tes dos demais, com paisagens naturais diversifica-
MT das. Nele, encontramos clima equatorial (Maranhão),
MA RN tropical úmido (litoral oriental) e semiárido (Sertão).
MS PI Nas áreas onde ocorre o clima semiárido, encontra-
PB -se um tipo de vegetação único e genuinamente
AC TO PE brasileiro: a caatinga. Essas diferenças climáticas
RO DF propiciaram uma desigual distribuição populacio-
GO AL nal, com uma concentração maior nas áreas mais
N SE úmidas próximas ao litoral.
SP
BA

O L

OCEANO S MG
PACÍFICO ES

Trópico de Capricórnio RJ

PR OCEANO
ATLÂNTICO
SC
Amazônia RS
Nordeste
Centro-Sul 0 580 1160 km Andre Dib/Pulsar Imagens

Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro, 2012. p. 152.

Essa divisão considera três grandes complexos regionais: um
centro (Centro-Sul) e duas periferias (Amazônia e Nordeste).

Como você pode perceber, nessa divisão regio-
nal, o norte de Minas Gerais passa a compor o com-
plexo do Nordeste por ser uma área de clima semi-
árido, e a porção ocidental do Maranhão passa a
integrar o complexo regional da Amazônia em razão
de sua afinidade econômica extrativista.

Amazônia A seca ainda é um dos maiores problemas que afetam grande
parte do Nordeste. Na imagem, moradia com cisterna para
Com uma área de 5 milhões de km2, a Amazônia acumular água em Gameleiras (MG), semiárido mineiro. Foto
compreende 58% do território brasileiro. Além da de 2015.
região Norte, estabelecida pelo IBGE, que tem
aproximadamente 3,9 milhões de km², abrange Centro-Sul
ainda grande parte dos estados de Mato Grosso e
do Maranhão. Com cerca de 2 milhões de km2, o complexo
regional do Centro-Sul abrange a maior parte de
Principais características: Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo,
Quadro natural: clima equatorial, domínios das Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul,
terras baixas amazônicas, floresta equatorial e bacia
amazônica.
Quadro humano e econ™mico: pequena popula-
ção absoluta, baixa densidade demográfica e econo-
mia baseada no extrativismo mineral e vegetal.
Apresenta crescimento industrial na Zona Franca

A organização do espaço econômico brasileiro C A P Í T U L O 1 2 153

São Paulo e Rio de Janeiro. Corresponde às terras Os “quatro Brasis” Allmaps/Arquivo da editora
das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. É o com-
plexo regional mais importante econômica e po- 50º O
liticamente da nação, abrigando mais de 60% da
população brasileira. RR AP Equador

É uma área de economia diversificada, com al-
tas taxas de industrialização e urbanização. Ao REGIÃO PA MA CE RN
mesmo tempo, tem o maior índice de aproveita- AMAZÔNICA MT
mento de terras para a agricultura e a pecuária. PI PB
Nesse complexo regional estão localizadas jazidas AM
de ferro e petróleo, além de extensas áreas de pro- REGIÃO PE
dutos agrícolas de exportação, como soja, cana-de- AC AL
-açúcar e laranja. RO TO NORDESTE SE

No Centro-Sul estão localizadas as duas maio- REGIÃO BA
res cidades do país, Rio de Janeiro e São Paulo, CENTRO-OESTE DF
além do Distrito Federal, que abriga Brasília, a
capital do país. GO

Os “quatro Brasis” MG

No século XXI, o desenvolvimento das teleco- OCEANO MS REGIÃO OCEANO
municações (internet, telefones celulares, comuni- PACÍFICO CONCENTRADA ESATLÂNTICO
cação por satélite) aprofundou ainda mais as rela-
ções entre as várias regiões do país. Apesar disso, Região Amazônica SP RJ Trópico de Capricórnio
grande parte do nosso território, principalmente a PR N
região Norte, permanece à margem dessas mudan-
ças. Em razão disso, o geógrafo Mílton Santos e a Região Nordeste SC O L
professora María Laura Silveira propuseram uma Região Centro-Oeste RS
nova regionalização do Brasil, baseada em quatro
regiões ou em “quatro Brasis”. Região Concentrada S

O principal critério definidor dessa nova re- 0 580 1 160 km
gionalização foi o do “meio técnico-científico-
-informacional”, isto é, a “informação” e as “finan- Adaptado de: SANTOS, Milton; SILVEIRA, María Laura. O Brasil —
ças” estão irradiadas de maneiras desiguais e território e sociedade no início do século XXI.
distintas pelo território brasileiro, determinando Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2010.
“quatro Brasis”.
Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Foi a
Levando em consideração que essa regionaliza- primeira região a ser povoada e, atualmente,
ção considera a robotização industrial, a tecnologia apresenta uma agricultura pouco mecanizada.
aplicada ao setor agropecuário, a localização geo-
gráfica dos polos de decisões políticas e financeiras ■■ Região Centro-Oeste: inclui os estados de Goiás,
e o volume de instituições ligados à pesquisa apli- Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins,
cada aos setores produtivos, veja a seguir como é além do Distrito Federal. De ocupação recente,
constituída cada região nesse novo modelo. apresenta uma “agricultura globalizada”, isto é,
moderna, mecanizada e produtiva.
■■ Região Amazônica: inclui os estados do
Amapá, Pará, Roraima, Amazonas, Acre e ■■ Região Concentrada: inclui os estados de São
Rondônia. Apresenta baixa densidade técnica Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito
e demográfica. Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul; ou seja, os estados das regiões Sudeste e
■■ Região Nordeste: inclui os estados do Maranhão, Sul, da classificação oficial, do IBGE. É a região
Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, que concentra a maior população, as maiores
indústrias, os principais portos, aeroportos,
shopping centers, supermercados, as principais
rodovias e infovias, as maiores cidades e uni-
versidades. Portanto, é a região que reúne a
maior quantidade dos principais meios técnico-
-científicos e as finanças do país.

Como podemos perceber, as mudanças não
param de acontecer na configuração interna do
território brasileiro. Isso acontece porque a orga-
nização do nosso território é um processo contí-
nuo, sempre sujeito a mudanças, conforme as
ações da sociedade que o transformam em cada
momento histórico.

154 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

Refletindo sobre o conteúdo

1. Geografia e História Acompanhe as palavras de um importante economista ao escrever sobre a formação
econômica brasileira:

O que mais singulariza a economia escravista é, seguramente, a forma como nela opera o processo de formação do
capital. O empresário açucareiro teve, no Brasil, desde o começo, que operar em escala relativamente grande. As condi-
ções do meio não permitiam pensar em pequenos engenhos [...]

FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 47.

a) Indique três elementos, a partir da leitura do texto, relativos à economia colonial do Brasil.
b) Quem desempenhou, entre os séculos XVI e XVII, a mão de obra escrava?
c) Explique uma característica atual de nossa economia que foi herança do período colonial (1500-1815).

2. Analise a tabela a seguir e depois faça o que se pede.

Exportações brasileiras de 1821 a 1890 (%)

Produto 1821-1830 1831-1840 1841-1850 1851-1860 1861-1870 1871-1880 1881-1890 1891-1900

Café 18,4 43,8 41,4 48,8 45,5 56,6 61,5 64,5

Açúcar 30,1 24,0 26,7 21,2 12,3 11,8 9,9 6,6

Algodão 20,6 10,8 7,5 6,2 18,3 9,5 4,2 2,7

Cacau 0,5 0,6 1,0 1,0 0,9 1,2 1,6 1,5

Borracha 0,1 0,3 0,4 2,3 3,1 5,5 8,0 15,0

Fumo 2,5 1,9 1,8 2,6 3,0 3,4 2,7 2,2

Erva-mate — 0,5 0,9 1,6 1,2 1,5 1,2 1,3

Couros e 13,6 7,9 8,5 7,2 6,0 5,6 3,2 2,4
peles

Total 85,8 89,8 88,2 90,9 90,3 95,1 92,3 96,2

Fonte: SODRÉ, Nelson Werneck. História da burguesia brasileira, p. 62-104. In: MARTINS, Ana Luiza.
Império do café: a grande lavoura no Brasil 1850 a 1890. São Paulo: Atual, 1990.

a) Elabore duas conclusões utilizando a tabela acima.
b) Compare a tabela anterior com o mapa da página 151 e apresente uma possível relação entre ambos.

3. Veja novamente o mapa “Complexos regionais brasileiros”, na página 153, e compare-o com o mapa da página
anterior; depois, faça o que se pede.

a) Defina o critério adotado pelos autores nos dois mapas. Não escreva
b) Explique duas diferenças entre as duas regionalizações propostas. no livro

4. Sob orientação do professor, discuta com os colegas a regionalização proposta pelos geógrafos Mílton Santos e
María Laura Silveira (os “quatro Brasis”). Aponte os pontos favoráveis e desfavoráveis dessa regionalização.

A organização do espaço econômico brasileiro C A P Í T U L O 1 2 155

capítulo 13

Industrialização e
desenvolvimento econômico

Reprodução/Coleção João Emilio Gerodetti e Carlos Cornejo

Panorama do bairro do Brás repleto de galpões e chaminés das fábricas que marcaram o desenvolvimento das primeiras atividades
industriais em São Paulo, por volta de 1925.

Antes da Revolução foram desenvolvidas, mas o país só realizou sua
Industrial tardia “Revolução Industrial” quase um século depois,
após a década de 1930. Esse longo período pode
O que denominamos hoje indústria teve origem ser dividido em duas fases: o período colonial e o
na Inglaterra com a chamada Revolução Industrial, da independência até 1930.
no século XVIII. Antes disso, as atividades de trans-
formação recebiam o nome de artesanato ou ma- Artesanato e indústria
nufatura. No Brasil, essas atividades sofriam res- doméstica no período colonial
trições de funcionamento impostas por Portugal
durante a maior parte de nosso período colonial Durante o período colonial (1500-1822), era pra-
(1500-1822). Com a chegada da família real, em ticamente proibida na colônia a instalação de esta-
1808, houve a permissão para a instalação de al- belecimentos comerciais e industriais que concor-
gumas indústrias no Brasil. Após a independência ressem com a metrópole portuguesa, pois reduziria
política, ocorrida em 1822, algumas atividades

156 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

seus lucros. Poucas atividades eram permitidas. Da independência política

Entre elas estavam a produção de açúcar, de tecidos até 1930

grosseiros e outras, como olarias, forjas, curtume, Em 1828, já como nação politicamente indepen-
dente, o Brasil adotou uma taxa de importação de
manufatura de tabaco e de algo- Ourivesaria: 16% sobre produtos vindos de todos os países. Foi
dão e ourivesaria. arte de fabricar o início de uma política protecionista para a indús-
joias e outros tria, que não funcionou porque as tarifas eram mui-
O desenvolvimento dessas ati- to baixas.

vidades causou a apreensão da objetos de ouro. Apenas em 1844, a Lei Alves Branco taxou os
produtos importados sem similar no mercado na-
metrópole, que tomou as seguin- cional em 20% e os produtos com similar na indús-
tria nacional em 60%. Além disso, o câmbio desfa-
tes providências: vorável e a balança comercial deficitária dificulta-
vam as importações. A produção interna de maté-
■■ proibiu o ofício de ourives em 1766; rias-primas, como o algodão, a vinda de imigrantes,
■■ extinguiu todas as formas de manufaturas têx- fornecendo mão de obra, e a expansão do mercado
consumidor completaram o quadro favorável, pro-
teis, menos a de panos grosseiros usados pelos vocando então um primeiro surto industrial.
escravos.
Em 1850, a Lei Eusébio de Queiroz, que extin-
Mais tarde, com a abertura dos portos em 1808, guiu o tráfico de escravos, favoreceu o desenvolvi-
foram fixadas tarifas muito baixas para produtos mento da atividade industrial, pois o capital que
estrangeiros, mas, apesar disso, a manufatura da era empregado para esse comércio foi canalizado
colônia se desenvolveu muito pouco. para a indústria.

Como Portugal era muito dependente da Ingla- Em 1880, ocorreu o primeiro grande surto indus-
terra, em 1810 foi assinado um contrato comercial trial brasileiro. O número de estabelecimentos pas-
que assegurava uma taxa de apenas 15% sobre os sou de 200, em 1881, para 600, em 1889. Com o fim
produtos ingleses por quinze anos. da escravidão, em 1888, e a vinda de imigrantes da
Europa para o Brasil, foi necessário produzir merca-
Por isso, enquanto alguns países da Europa dorias para suprir as necessidades desses novos
ocidental conviviam com a industrialização (sé- trabalhadores.
culos XVIII e XIX), o Brasil permanecia como
exportador de gêneros agrícolas — papel que con- As principais indústrias eram as têxteis, alimen-
tinuou a representar mesmo após obter sua inde- tícias, químicas, madeireiras e de confecções.
pendência política.
Em 1907, foi realizado o primeiro Censo In-
Jean-Baptiste Debret/Coleção particular dustrial. Os estabelecimentos industriais se concen-
travam no Rio de Janeiro, o então Distrito Federal
(1763-1960), e em São Paulo.

Brasil: estabelecimentos industriais
e operários em 1907

Operários 151 841

Número de empresas 3 258

Produção 731 292 contos

Capital 653 555 contos

Detalhe de Sapataria (1834-1839), litografia colorida à mão de Fonte: IBGE. Censo de 1907 – Séries históricas.
Jean-Baptiste Debret. A incipiente indústria brasileira, no Disponível em: <http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/
início do século XIX, atendia apenas às necessidades básicas series.aspx?vcodigo=IND03800&t=pessoal-empregado-industria-
da população. datas-inqueritos-industriais>. Acesso em: 7 abr. 2016.

Industrialização e desenvolvimento econômico C A P Í T U L O 1 3 157

Mais tarde, outro período de desenvolvimento Brasil: evolução do número de Banco de imagnes/Arquivo da editora
industrial ocorreu durante a Primeira Guerra Mun- estabelecimentos industriais — 1907-1920
dial (1914-1918), principalmente porque os países
fornecedores de produtos industrializados para o 13 336
Brasil estavam envolvidos no conflito e diminuíram
suas exportações. Alguns estabelecimentos, como 9 475
frigoríficos e metalúrgicas, foram criados para suprir
essa lacuna e, com isso, o número de indústrias cres- 3 258
ceu bastante. Veja o gráfico ao lado.
0,00
Com o aumento do número de estabelecimentos, 1907 1912 1920
a produção industrial ficou mais diversificada,
abrangendo os seguintes ramos: alimentos, têxtil, Adaptado de: IBGE. Séries históricas. Disponível em: <http://seriesestatisticas.
roupas e calçados, fumo, móveis, metalurgia e me- ibge.gov.br/series.aspx?vcodigo=IND03101&t=estabelecimentos-industriais-
cânica, entre os principais. Nessa ocasião, surgiram
várias associações ou sindicatos ligados tanto aos datas-inqueritos-industriais-censo>. Acesso em: 7 abr. 2016.
operários quanto ao patronato.

Leitura e reflexão Geografia Não escreva
e História no livro
A vila Maria Zélia, localizada no bairro do Belenzinho
(SP), foi construída em 1917 pelo empresário Jorge Ayrton Vignola/Folhapress
Street, que a batizou com o nome de sua filha. A cons­
trução da vila operária está inserida nas transformações Vila Maria Zélia, em São Paulo (SP), em 1918.
econômicas, sociais e políticas pelas quais o Brasil passou
a partir da segunda metade do século XIX, época da Daniel Cymbalista/Pulsar Imagens
inserção do país nos quadros do capitalismo internacional.
Nesse momento, a cidade de São Paulo era palco da Ruínas de antiga escola na Vila Maria Zélia,
chamada modernização dos setores urbanos da socie­ em São Paulo (SP), em 2016.
dade. A lavoura cafeeira, que entrou no estado de São
Paulo pelo vale do Paraíba, fez do café o nosso maior
produto de exportação e trouxe transformações profun­
das para a cidade.

São Paulo deixou de ser o “burgo dos estudantes”
para se tornar o centro dinâmico das atividades do
complexo cafeeiro […]. Era o início de seu crescimento
vertiginoso, que culminaria na grande metrópole […]. O
estado de São Paulo também passou por mudanças:
recebeu farta mão de obra estrangeira e a construção
das ferrovias povoou grandes áreas do Planalto Ocidental
Paulista. O estado paulista prosperou. A mobilização de
capitais e terras, o crédito, a mão de obra estrangeira, o
transporte ferroviário e o comércio do café foram
requisitos para o nascimento de uma nova atividade
econômica: a indústria basicamente manufatureira. E a
indústria gerou o trabalhador urbano, o operário […].

TEIXEIRA, Palmira Petratti. São Paulo: Carta na escola, 29. ed.,
set. 2008. p. 38-41. (Adaptado.)

• Que condições transformaram a cidade de São
Paulo em um centro industrial?

158 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

A Revolução O governo de Getúlio Vargas (1930-1945) foi o Daniel Derevecki/La Imagem/Fotoarena
Industrial tardia responsável pela infraestrutura necessária para a
instalação de indústrias no país. Entre suas realiza-
O verdadeiro início do processo de industrializa- ções estão a Companhia Siderúrgica Nacional
ção brasileira, também denominado substituição de (CSN), organizada em 1941 e colocada em funcio-
importações, está ligado a dois acontecimentos his- namento em 1946, em Volta Redonda, no estado do
tóricos importantes: Rio de Janeiro, e a mineradora Companhia Vale do
Rio Doce (atual Vale, privatizada em 1997), instala-
■■ a Revolução de 1930, que tirou do poder a oli- da em 1942, em Minas Gerais.
garquia agrária, representada pelo domínio po-
lítico e econômico de São Paulo e Minas Gerais, Linha de produção de bobinas de aço galvanizado na
e iniciou a Era Vargas; CSN-Paraná, em Araucária (PR). Foto de 2015.

■■ a crise econômica mundial, causada pela quebra Vargas também criou organismos estatais para
da Bolsa de Nova York, em 1929. Essa crise afe- regular as atividades econômicas, como o Conselho
tou a economia brasileira, uma vez que ela era Nacional de Economia (CNE), e investiu em outros
sustentada pelas exportações de café, que tive- setores estratégicos: fundou, em 1945, a Fábrica
ram significativa redução neste período. Nacional de Motores (FNM), no Rio de Janeiro, e a
Companhia Hidrelétrica do São Francisco, com a
Com essa crise, uma parcela razoável do capital sede atual em Recife (PE).
cafeeiro foi reinvestida em atividades urbanas fabris,
como a produção de alimentos e tecidos, modifican- Esse governo procurou também proteger a in-
do e dinamizando nossa economia com a lenta tran- dústria nacional restringindo a importação de pro-
sição do predomínio do capital agrícola para o ca- dutos estrangeiros.
pital industrial.
Em 1943, Getúlio Vargas promulgou a Con-
Outros fatores também contribuíram para a in- solidação das Leis do Trabalho, que unificou as leis
dustrialização brasileira: trabalhistas nacionais e deu aos trabalhadores direi-
tos como férias, descanso semanal remunerado e
■■ o intenso êxodo rural, que resultou no cresci- um salário mínimo.
mento da população urbana, oferecendo mão
de obra para a nascente atividade industrial e Em 1945, com o término da Segunda Guerra
mercado de consumo para seus produtos; Mundial e da ditadura de Getúlio Vargas, a indústria
brasileira conheceu, com o governo do general Eurico
■■ as ferrovias construídas para transportar a pro- Gaspar Dutra (1946-1950), um período que favore-
dução cafeeira até o porto de Santos cruzavam- ceu o reequipamento dos estabelecimentos com
-se na cidade de São Paulo e formavam uma boa importações de tornos, motores elétricos e a diesel,
malha de transportes; matérias-primas minerais e máquinas para várias
indústrias. Com o plano Salte (saúde, alimentação,
■■ os imigrantes contribuíram não só como mão transportes e energia), o presidente Dutra concluiu
de obra: muitos deles, que já tinham certa expe-
riência empresarial, enriqueceram, contribuindo
também para o crescimento do parque indus-
trial, que se concentrou na cidade de São Paulo;

■■ o capital disponível para a indústria era oriundo
de várias fontes: da cafeicultura, do capital pri-
vado internacional (ingleses e estadunidenses,
principalmente), do capital privado nacional e
do capital estatal, que expandiu e diversificou
a economia brasileira;

■■ a Segunda Guerra (1939-1945) beneficiou a
produção interna no Brasil, que, além de ter
dificuldade em comercializar com a Europa,
precisava substituir os produtos industriali-
zados, antes importados, para atender ao mer-
cado interno.

Industrialização e desenvolvimento econômico C A P Í T U L O 1 3 159

a rodovia Rio-Bahia e deu início à construção da nova Ao longo do governo JK, a expressiva entrada
rodovia RJ-SP (a rodovia Presidente Dutra). de capital estrangeiro no Brasil fortaleceu um mo-
delo de financiamento do parque industrial, forma-
Em seu segundo período de governo (1951-1954), do por capitais privados estrangeiros (bens de
Getúlio Vargas retomou a política nacionalista, criou consumo duráveis), capitais privados nacionais
a Petrobras, buscando solucionar o problema da (bens de consumo não duráveis) e capitais estatais
produção de petróleo, e voltou a restringir a impor- (bens de produção e bens de capital). O sucesso
tação de bens de consumo. Em 1952, fundou o Banco do Plano de Metas resultou em efeitos colaterais
Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), desastrosos, como o aumento da inflação e da dí-
atual Banco Nacional de Desenvolvimento Econô- vida externa.
mico e Social (BNDES), para estimular as atividades
privadas. Ainda nesse período, apesar da construção e mu-
dança da capital do país para Brasília (1960), loca-
A internacionalização lizada na região Centro-Oeste, a política do Plano
de Metas acentuou a concentração industrial na
da indústria região Sudeste, contribuindo para o aumento das
desigualdades regionais e intensificando as migra-
O governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), ções internas. Esses migrantes dirigiram-se princi-
com seu Plano de Metas, privilegiou as obras para palmente para São Paulo e Rio de Janeiro, contri-
a geração de energia, as telecomunicações, a alimen- buindo para o crescimento desordenado dos dois
tação, as indústrias de base e os transportes, princi- maiores centros urbanos brasileiros.
palmente a construção de rodovias, que facilitou a
instalação de montadoras de veículos estrangeiras Na tentativa de equilibrar as desigualdades re-
em nosso país. Seu governo, ao contrário do de gionais, uma vez que as indústrias se concentravam
Getúlio Vargas, que se preocupou em proteger a no Sudeste, em 1959 foi criada a Superintendência
produção nacional, marcou o início da internacio- de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
nalização do parque industrial brasileiro.
Mais tarde, durante o governo militar, outros
Nessa época, além das montadoras, vieram para órgãos do gênero foram criados, como a Superin-
o Brasil indústrias de aparelhos eletroeletrônicos e tendência do Desenvolvimento da Amazônia
de alimentos, que mais tarde passariam a controlar (Sudam); a Superintendência de Desenvolvimento
o mercado interno, após a compra de empresas na- do Centro-Oeste (Sudeco); a Superintendência do
cionais incapazes de competir com a tecnologia Desenvolvimento do Sul (Sudesul), entre outras.
empregada por essas transnacionais. Dessa forma,
com uma grande produção de bens de consumo A Sudam e a Sudene foram extintas em 2001 e
duráveis, foi possível dar continuidade à política de recriadas mais tarde, em 2003 e 2007, respectiva-
substituição de importações. mente. A Sudeco e a Sudesul foram extintas em
1990. A Sudeco foi recriada em 2011 e a Sudesul não
Acervo Iconographia/Reminisc•ncias foi reativada.

Portanto, entre 1930 e 1960,
completou-se a etapa da industriali-
zação brasileira caracterizada pelo
modelo de substituição de importa-
ções voltado para o abastecimento
interno e baseado na união de capi-
tais estatais e nacionais e estrangei-
ros privados.

O presidente Juscelino Kubitschek na
inauguração de uma montadora
transnacional de veículos, em São
Bernardo do Campo (SP), 1956.

160 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

O “milagre econômico” como a ponte Rio-Niterói, a rodovia Transamazônica
e a Perimetral Norte. Também foram criados, no final
e a “década perdida” da década de 1960, a Zona Franca de Manaus e o
Projeto Radam, hoje RadamBrasil. Em 1972, foi ini-
No começo da década de 1960, o país passou por ciada a construção de Angra 1, usina que fazia parte
um conturbado período político, que culminou com do Programa Nuclear Brasileiro, implementado por
o golpe militar de 1964, iniciando um longo período meio de um acordo com a Alemanha.
ditatorial. Logo depois do golpe, o primeiro presi-
dente militar, Humberto Castelo Branco, instituiu o O Brasil recebeu diversos empréstimos interna-
Programa de Ação Econômica do Governo (Paeg), cionais e sua produção industrial foi bastante in-
que foi aplicado até 1967, com o principal objetivo tensa. No entanto, apesar da melhora de alguns
de conter a inflação e preparar o país para o cresci- indicadores sociais, a população mais pobre passou
mento econômico. a enfrentar alguns problemas. A concentração de
renda atingiu seus mais elevados patamares. Os
No governo militar, o período entre 1968 e 1973 salários reais foram reduzidos para que a taxa de
ficou conhecido como “milagre econômico brasilei- lucro dos empresários fosse ampliada. Como con-
ro”, quando o Brasil atingiu a oitava posição mundial sequência houve uma redução do poder aquisitivo
em PIB e o primeiro lugar entre as nações em de- dos trabalhadores sem qualificação, dando conti-
senvolvimento industrializadas ou periféricas. nuidade ao histórico processo de concentração de
renda no país.
Esse “milagre” foi sustentado pela união do ca-
pital estatal, do capital das transnacionais e do ca- Como concluiu Paul Singer, em seu trabalho O
pital privado nacional. O Brasil cresceu muito, mas milagre brasileiro — causas e consequências, sobre
foi à custa de uma grande dívida: a dívida externa. os arrochos salariais, a fatia dos 5% mais ricos da
população ampliou sua participação na renda nacio-
O Estado atuava através de grandes empresas, nal em 9% (em relação a 1960) e possuía 36,3% da
que foram adquirindo autonomia administrativa e renda nacional. Em contrapartida, os 80% mais po-
financeira e assumiram o controle de setores impor- bres da sociedade diminuíram sua participação em
tantes da produção. Havia a Eletrobras na geração 8,7% no período, ficando com 36,8% da renda total.
de energia; a Telebras e a Embratel, nas telecomuni-
cações; a Siderbras, na indústria do aço, entre outras. A desigualdade social agravou a pobreza. Com
o aumento da pobreza, cresceu o número da popu-
Seguindo com a política de integração nacional, lação residente em favelas no país.
foram construídas, também com capital estrangeiro,
algumas obras de infraestrutura de transportes,

Arquivo do jornal Folha de S.Paulo/Folhapress

Canteiro de obras da
construção da ponte
Rio-Niterói na baía de
Guanabara, no Rio de
Janeiro, em 1971.

Industrialização e desenvolvimento econômico C A P Í T U L O 1 3 161

Nesse contexto, ocorre um intenso fluxo migra- sofreu com vários planos econômicos e conviveu
tório, principalmente em direção à região Sudeste, com cinco moedas diferentes, até a aplicação do
que concentrava o parque industrial e atraía mão de Plano Real.
obra, sendo caracterizado por um intenso êxodo ru-
ral. Grande parte desses trabalhadores foi aproveita- A indústria brasileira
da na indústria de construção civil e outras que não na globalização
exigiam muita escolaridade, conseguindo, muitas
vezes, uma melhora no padrão de vida. Mas grande Os anos 1990 foram marcados pela globalização
parte deles, subempregados, passou a compor a po-
pulação das favelas, na periferia das grandes cidades. econômica mundial e pela consequente abertura do

O milagre econômico trouxe como consequência mercado brasileiro para produtos e capitais estran-
o aumento acelerado da dívida externa, cujo paga-
mento desviava para os organismos internacionais geiros, favorecida pela redução das tarifas de impor-
(FMI, Banco Mundial) dinheiro que poderia ser apli-
cado em benefício do país. tação, pela política neoliberal e pelas crises econô-

micas em países emergentes, como o Brasil.

Os governos Collor (1990-1992), primeiro presi-

Evolução da dívida externa brasileira dente eleito por sufrágio universal depois do regime
1965-1973 (em bilhões de dólares)
militar, e Itamar Franco (1992-1994) iniciaram a

abertura da economia para o mercado externo, o que

Período Dívida Reservas Dívida estabeleceu um novo modelo econômico, marcado
externa bruta externa
líquida pela liberalização dos mercados.

1965 3,5 0,5 3,0 Sem terminar seu mandato, cassado por envolvi-

mento em um escândalo de corrupção, o presidente

1966 3,7 0,4 3,3 Collor deixou uma nova alta da inflação e três medi-

1967 3,4 0,2 3,2 das econômicas que foram seguidas por seus suces-

1968 3,8 0,3 3,5 sores, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Essas medidas, que seguiam a política neoli-

1969 4,4 0,7 3,7 beral — características da globalização —, deter-

1970 5,3 1,2 4,1 minavam a privatiza•‹o de em-

1971 6,6 1,7 4,8 presas estatais, inclusive com Privatização:
capitais estrangeiros; o fim do processo no
1972 9,5 4,2 5,3 monopólio do Estado nos seto- qual empresas
pertencentes ao

1973 12,6 6,4 6,1 res de petróleo e de telecomuni- Estado são
cações; e o fim de medidas pro- vendidas para
Fonte: VASCONCELOS, M. A. S. Economia brasileira contempor‰nea. tecionistas que impediam a en- empresas
3. ed. São Paulo: Atlas, 1999. p. 196. particulares.

Com o peso da dívida externa e os sucessivos trada de produtos e serviços
aumentos do preço do petróleo no mercado inter-
nacional, o país viveu nos anos 1980 o período co- estrangeiros no país.
nhecido como “década perdida”, quando se verificou
uma forte retração da produção industrial e um me- Se por um lado, devido à liberalização do comér-
nor crescimento da economia em geral.
cio, as indústrias puderam se modernizar, aumentar
No final da década de 1980, estava claro o esgo-
tamento do modelo de substituição de importações sua produtividade e a qualidade de seus produtos
que se iniciou em 1930. O Estado tornou-se incapaz
de continuar incentivando o crescimento econômi- com equipamentos e máquinas que entravam no
co por meio de investimentos na indústria e em in-
fraestrutura para seu funcionamento. país, por outro, essas mesmas máquinas promove-

A redemocratização do país ocorreu em 1985, ram a mecanização da produção, gerando desem-
mas os grandes desafios eram conter a inflação e
estabilizar a economia. De 1986 a 1994, a população prego estrutural. A liberalização dos mercados pos-

sibilitou a entrada no Brasil de novas montadoras

de automóveis, como Honda, Toyota, Renault,

Peugeot e outras. A instalação dessas montadoras

promoveu a dispersão da indústria automobilística,

antes concentrada no estado de São Paulo.

Como o Estado não tinha mais condições de ban-

car a infraestrutura para a indústria, o governo

162 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

Fernando Henrique Cardoso, em seu primeiro man- Privatização no Brasil: participação Banco de imanges/Arquivo da editora
dato (1994-1998), consolidou o modelo de liberali- setorial — 1990-2011
zação do mercado com o Plano Real e a retirada do
Estado como empresário, por meio das privatizações Transportes: 2% Outros*: 2%
de siderúrgicas, concessionárias de transportes, de Petroquímico: 4%
telecomunicações, de mineração e de energia. Saneamento: 1%
Financeiro: 6% Telecomunicações: 32%
Em consequência, o capital transnacional passou Petróleo e gás: 7%
a controlar cada vez mais não só a industrialização, US$ 106,01
mas também toda a economia brasileira, incluindo Siderúrgico: 8% bilhões
os setores agropecuário e de serviços. O setor in-
dustrial foi marcado pela privatização das grandes Mineração: 8%
siderúrgicas, que, com exceção da Usiminas, eram
deficitárias. Veja o gráfico ao lado. Energia elétrica: 30%

No setor de serviços destacam-se os que dão su- * Entre outros setores, refere-se também aos acionistas
porte à atividade industrial, como o energético e o minoritários de empresas públicas e público-privadas.
de transportes, com a venda de empresas estatais
que detinham o controle sobre eles. Adaptado de: IBGE. Séries Históricas e Estatísticas. Disponível em:
<http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?no=8&op=0&vcodigo=
Nos anos 1990, o setor industrial caracterizou-se IND03101&t=estabelecimentos-industriais-datas-inqueritos-industriais-
pela queda da participação da indústria na compo-
sição do PIB e pela redução do número de empregos censo>. Acesso em: 9 abr. 2016.
ocupados nessa área. O Brasil estava sofrendo os
efeitos da globalização econômica, cujas inovações tecnológicas geravam mais produtividade com me-
nor número de trabalhadores no mundo todo.

O grande desafio passou a ser atrair investimen-
to estrangeiro direto para a indústria.

O Plano Real dívidas do governo fossem quitadas. Mas as reformas Ismar Ingber/Pulsar Imagens
não se concretizaram, e o governo não conseguiu
Criado com o objetivo de combater a inflação manter a paridade real/dólar. O alto valor da nova
que assolava a economia brasileira, o Plano Real moeda causou um deficit na balança comercial. Além
não impôs o congelamento dos preços, como os disso, crises internacionais agravaram o quadro
planos anteriores. Lançou uma nova moeda: o real. econômico brasileiro, e o real acabou se desvalorizando.
O plano baseava-se na paridade real/dólar, ou seja,
um real valia um dólar estadunidense. Para assegu- Cédulas de real, moeda brasileira. Imagem de 2013.
rar essa paridade, era preciso elevar os juros, porque
isso atrairia capital especulativo estrangeiro e
aumentaria as reservas de dólares do país.

De imediato essas medidas aumentaram muito
o poder aquisitivo de classes que até então não
tinham tido acesso a certos tipos de produto, consi-
derados de luxo.

Entretanto, o sucesso do plano dependia da apro-
vação das reformas nos sistemas trabalhista, previden-
ciário e tributário. Essa medida permitiria que as

A crise dos emergentes No Brasil, essa crise agravou os problemas eco-
e a desvalorização do real nômicos, como a alta taxa de juros, a taxa de câm-
bio irreal da moeda brasileira perante moedas for-
A mais importante crise desse período se iniciou tes, como o dólar e o iene, que causava deficit na
em 1997 e afetou diversos países, emergentes e de- balança comercial. O fluxo de investimentos estran-
senvolvidos. geiros no país diminuiu, e o preço das principais

Industrialização e desenvolvimento econômico C A P Í T U L O 1 3 163

commodities exportadas pelo Commodity: termo sobre Produtos Industrializados (IPI) de alguns ele-
Brasil ficou mais baixo. em inglês utilizado trodomésticos e automóveis, e também maior oferta
de crédito a juros baixos.
Em janeiro de 1999 ocor- para definir
reu uma maxidesvalorização mercadoria. Refere-se Em 2011, a ex-ministra de Minas e Energia, Dilma
do real: subiu de cerca de a produtos em estado Rousseff, assumiu a Presidência do país. O primeiro
R$ 1,60 para R$ 2,20 por bruto, ou seja, a ano de seu governo foi impactado por uma alta da
matéria-prima. inflação, baixo crescimento do PIB e continuidade
da política econômica do governo Lula, com amplia-
dólar. Essa nova cotação favo- ção dos programas de transferência de renda à po-
pulação carente e redução das taxas de juros.
receu o aumento das exportações e a redução de
Em 2011, novo recrudescimento da crise mundial
bens importados. Outro fato marcante dessa década derrubou outra vez a produção industrial.

foi a “guerra fiscal”, uma competição entre estados

e municípios para ver quem oferecia melhores in-

centivos para que as empresas se instalassem em

seus territórios. Essa “guerra fiscal” favoreceu a dis- Arte Ação/Arquivo da editora

persão industrial da região Sudeste, que estudare- Brasil: crescimento do PIB — 2000-2015
(% a.a.)
mos no Capítulo 15.

Em resumo, na década de 1990, os índices de %
8
crescimento econômico foram modestos, com uma
7,5
média de cerca de 2,3%, não favorecendo a criação
7

de empregos nem a melhora das condições sociais 6 5,7
5,4
da população. Também foram baixos os índices de 5 5,1
4,3
crescimento da atividade industrial, prejudicados 4,0
4 3,2
principalmente pela alta taxa de juros.

3 2,7 2,7
2,3
A indústria brasileira 2
1,3 1,1 0,9
no segundo milênio 0,1
1
No século XXI, o crescimento da economia bra-
sileira foi mais baixo do que o da economia de outros 2000
países emergentes, principalmente Índia e China. 2001
Porém, a desvalorização do real em 1999 fez com 2002
que o comércio exterior brasileiro passasse a apre- 2003
sentar superavits. 2004
2005
Em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva 2006
assumiu a Presidência do país, seguindo, de modo 2007
geral, a política econômica da gestão anterior. No 2008
entanto, no novo governo, as privatizações foram
suspensas e programas de aumento de renda para 2009
a população carente foram ampliados. A partir de 2010
então, com essas medidas, a economia brasileira 2011
passou a apresentar resultados favoráveis, como o 2012
aumento da renda média do trabalhador, a queda 2013
das taxas de desemprego e, no início da segunda 2014
década, a queda da taxa de juros.
2015
Com a crise econômica mundial em 2009, a in- 0
dústria brasileira apresentou queda em sua produ- –0,3
ção. No entanto, registrou crescimento em 2010,
devido ao aumento do consumo, incentivado pelo –1
aumento da renda média da população e pelas me-
didas governamentais, como redução de Imposto –2

–3

–4 –3,8

Adaptado de: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 7 abr. 2016.

A segunda década deste milênio começou incer-
ta não só para a economia brasileira como também
para a economia mundial. Grandes potências, como
Estados Unidos, Reino Unido, França e Japão, en-
traram em recessão, apresentaram deflação ou bai-
xo crescimento do PIB entre 2009 e 2011.

Em 2012, o Brasil, com uma economia depen-
dente de capitais externos, ainda apresentava fortes
reflexos da crise mundial, principalmente pelo fato
de sua balança comercial ser suscetível aos preços
internacionais mais baixos das matérias-primas ex-
portadas e aos preços mais altos de mercadorias
importadas, como o petróleo. Para aumentar a com-
petitividade dos produtos nacionais no mercado
externo, ainda há obstáculos a superar, como a lo-
gística deficiente e os problemas na infraestrutura

164 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

e na interligação dos modais de transportes, a alta positivos, como aumento de produtividade e quali-
carga tributária, a pouca qualificação da maior par- dade dos produtos, além do aumento das exporta-
te da força de trabalho e a falta de mais investimen- ções de produtos industrializados, embora esses
tos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. ainda percam das commodities agrícolas e minerais.

Apesar do exposto, podemos dizer que a indústria Em 2015, a indústria brasileira teve o mais baixo
brasileira, entre 2009 e 2011, apresentou resultados crescimento desde o início dos anos 2000.

Refletindo sobre o conteúdo

1. Leia o trecho do texto a seguir e faça o que se pede. A queda nos preços internacionais de produtos como
petróleo, soja e minério de ferro (que estão entre os itens
Grande parte das mercadorias industrializadas que o mais exportados pelo país) foi o principal fator que der­
Brasil consumia originava­se dos países europeus, então rubou as vendas ao exterior.
envolvidos com a guerra e por isso mesmo impossibilita­
dos de suprirem a economia brasileira. Essa circunstância A quantidade de petróleo embarcada para outros
ao mesmo tempo favoreceu e dificultou a industrialização países, por exemplo, cresceu 52% de janeiro a julho, mas
brasileira. a cotação do produto caiu praticamente pela metade.

ARAÚJO, Marco César de. Industrialização brasileira [...]
no século XX. Osasco: Edifieo, 2008. p. 27. (Adaptado.)
CUCOLO, Eduardo. Folha de S.Paulo, 4 ago. 2015.
• Explique resumidamente o trecho acima. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/mercado/
2015/08/1664159-barateamento-das-commodities-
2. Geografia, História e Biologia Leia o texto abaixo faz-exportacao-cair-16.shtml>. Acesso em: 7 abr. 2016.
e responda às questões.
• Relacione as commodities à economia brasileira.
Ao encontrar­se com o engenheiro Bernardo Saião,
responsável pela construção da estrada Belém­Brasília, 4. Analise a situação econômica entre 1963 e 1984, com
JK lhe disse: “Vamos arrombar essa selva”. Disposto a base nas informações a seguir.
“integrar” o Brasil e estimular o consumo de automóveis,
JK determinou a abertura de “um cruzeiro de estradas” Brasil: situação econômica entre 1963 e 1984
contornando o Brasil, dos quatro pontos cardeais ao cen­
tro de Brasília. De 1955, ano anterior a sua posse, a 1961, A renda per capita subiu… … a inflação caiu e voltou a disparar Arte Ação/Arquivo da editora
foram abertos 13 mil quilômetros de estradas e pavimen­
tados 7 mil. Era uma época em que as florestas, que JK Em dólares 2.230 223
queria “arrombar”, eram tidas como “mato” e represen­
tavam um “entrave” ao progresso. 2.158 IGP-FGV (%)

BUENO, Eduardo. Brasil: uma história. Cinco séculos de um de 2002 1.905
país em construção. São Paulo: Leya, 2010. p. 366. (Adaptado.)
1.358 110
a) Relacione o consumo de automóveis, desejado 1.060 81
por JK, às estradas.
30
b) Qual foi a influência da abertura de estradas no 19
processo de industrialização brasileira?
1963 1970 1975 1980 1984 1963 1970 1975 1980 1984
c) Atualmente, a sociedade vê o “mato” como um
“entrave” ao progresso? Justifique sua resposta. … a dívida externa explodiu e a distribuição de renda piorou

3. Leia a seguir um texto sobre a economia brasileira atual. Em bilhões de 102,1 Quantas vezes a renda dos
dólares, no final 64,2 10% mais ricos é maior que a
Barateamento das commodities faz exportação do ano dos 10% mais pobres
cair 16%
1960 34
Apesar de ter exportado uma quantidade recorde de
suas principais commodities nos sete primeiros meses 25,1 1970 40
deste ano [2015], o Brasil viu suas receitas com exporta­ 3,6 6,2
ções caírem 16% em relação ao mesmo período de 2014. 1963 1970 1975 1980 1984 1980 47

Adaptado: NETO, José Alves de Freitas; TASINAFO, Célio Ricardo.
História geral e do Brasil. São Paulo: Harbra, 2011. p. 927.

a) Qual era a situação política vigente no período de
1963 a 1984?

b) Caracterize o que ocorreu com a inflação e a dí-
vida externa durante o contexto destacado.

c) Nesse período ocorreu o “milagre econômico” e
depois a “década perdida”. Explique-os.

Industrialização e desenvolvimento econômico C A P Í T U L O 1 3 165

capítulo 14

Localização espacial e
concentração das indústrias

Delfim Martins/Pulsar Imagens

Apesar da descentralização industrial verificada a partir da década de 1970, as regiões Sudeste e Sul ainda concentram grande parte
das indústrias brasileiras e, consequentemente, abrigam também as áreas mais urbanizadas do país. Na imagem, vista aérea de
bairro que abriga grandes armazéns em São Paulo (SP). Foto de 2013.

As regiões de Região Sudeste
concentração industrial
Como vimos no capítulo anterior, no início do
A localização das indústrias no Brasil seguiu os processo de industrialização brasileiro, o estado de
padrões comuns a essas atividades em todo o mun­ São Paulo apresentava os principais requisitos para
do: em um primeiro momento, houve uma marcan­ o desenvolvimento dessa atividade:
te concentração das indústrias em determinada re­
gião, para mais tarde começar um processo de des­ ■■ capital — originário das exportações cafeeiras;
concentração espacial. ■■ mão de obra assalariada — inicialmente imi­

Neste capítulo, veremos a participação das re­ grante e, mais tarde, nordestina;
giões Sudeste e Sul na produção industrial brasilei­ ■■ ferrovias — ligavam o interior paulista (produ­
ra e suas principais características.
tor) ao porto de Santos (exportador);
■■ mercado consumidor — formado na capital pau­

lista e em seus arredores.

166 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

No entanto, o estado de São Paulo não Luciana Whitaker/Pulsar Imagens
foi o único a se industrializar. Outras unida­
des da federação, localizadas na atual região
Sudeste, também apresentavam condições
favoráveis à industrialização e ao processo
de concentração industrial nessa região:

■■ a posição do Rio de Janeiro como capital
do Brasil (1763­1960) e centro de tomada
de decisões;

■■ os recursos minerais do estado de
Minas Gerais, principalmente o ferro,
tiveram grande importância como ma­
téria­prima da siderurgia na industria­
lização do Sudeste.

Assim, com a matéria­prima de Minas

Gerais, a força econômica de São Paulo e o Antiga sede do Governo Federal, no Rio de Janeiro (RJ), o Palácio do
poder político do Rio de Janeiro, a região Catete foi construído entre 1858 e 1867, e hoje abriga o Museu da
Sudeste firmou­se como a principal área de República. Foto de 2014.

concentração industrial no país.

Atualmente, mesmo diminuindo a importância Na primeira década do século XXI, segundo o

da indústria no conjunto de suas atividades econô­ IBGE, o Sudeste contribuía com cerca de 33% da

micas, em virtude dos incentivos fiscais oferecidos produção industrial total do país, apresentando um

principalmente pelas regiões Sul e Nordeste, o parque industrial diversificado, com importantes

Sudeste permanece como a região mais industriali­ polos tecnológicos e de pesquisa distribuídos pelos

zada do Brasil. estados da região, como veremos a seguir.

Contexto e aplicação Não escreva
no livro

Sudeste concentrava 57,8% das Outras regiões tiveram pequenas variações, como
vendas das indústrias em 2013, Nordeste (de 9,7% para 9,6%), Norte (6,2% para 6,5%)
diz IBGE e Centro­Oeste (5,5% para 5,6%).

Principal região econômica do país, o Sudeste mante­ O estudo faz parte de uma série de publicações
ve a liderança no ranking das indústrias, com participação divulgadas anualmente pelo IBGE que busca detalhar
de 57,8% nas vendas nacionais do setor. estatísticas de setores da economia.

Os dados são da Pesquisa Industrial Anual (PIA) O trabalho envolve a compilação de dados informados
— Empresa e Produto 2013, divulgada pelo IBGE nesta via questionário por milhares de empresas em todo o
quarta­feira [23/06/2015]. território brasileiro.

O valor de vendas de indústrias instaladas na região VILLAS BÔAS, Bruno. Folha de S. Paulo, 24 jul. 2015. Disponível
somou R$ 1,2 trilhão em 2013, um aumento de 9% na em: <www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/06/1646558-
comparação ao ano anterior (R$ 1 trilhão). regiao-sudeste-concentrava-578-da-vendas-das-industrias-
em-2013-diz-ibge.shtml>. Acesso em: 8 abr. 2016.
Apesar disso, a participação da região nas vendas
nacionais teve uma pequena queda na comparação com 1. Compare as situações das regiões Sudeste e Sul
2012, quando estava em 58,9%. quanto às vendas do setor industrial em 2013.

Os principais produtos da indústria da região Sudeste 2. Somando as vendas das indústrias das duas re-
foram óleo diesel, minério de ferro, automóveis, óleos giões brasileiras citadas anteriormente, elabore
brutos de petróleo e gasolina. uma conclusão sobre esses números.

Já a região Sul aumentou a participação nas vendas 3. Cite as duas regiões brasileiras que apresenta-
nacionais: de 19,8% em 2012 para 20,6% em 2013, com ram, respectivamente, os valores menores das
vendas de R$ 425 bilhões em 2013. vendas do setor industrial em 2013.

Localização espacial e concentração das indústrias C A P Í T U L O 1 4 167

São Paulo Eixo Anhanguera-Bandeirantes. Essas rodovias
fazem a ligação entre a capital do estado, as cidades
O estado de São Paulo possui todos os ramos do Triângulo Mineiro (Uberaba, Uberlândia) e Brasí­
industriais, como bens de consumo não duráveis lia. Elas seguem paralelamente até Campinas. Daí
(alimentos, bebidas, vestuário, material de higiene, em diante, só a Anhanguera prossegue até Brasília.
etc.), bens de consumo duráveis (aviões, automóveis, Ao longo delas espalham­se muitos municípios com
eletrodomésticos, entre outros), indústrias de base indústrias importantes, como:
ou de bens de produção (metalurgia, siderurgia, ci­
mento, produtos químicos), que estão distribuídos ■■ Jaguariúna — telefonia celular;
pela cidade de São Paulo e sua área metropolitana, ■■ Jundiaí — transformadores, turbinas industriais,
e por cinco principais eixos industriais que seguem
suas principais rodovias. capacitores de alta tensão e automação de energia;
■■ Americana e Santa Bárbara d’Oeste — têxteis,
Allmaps/Arquivo da editoraEixos industriais do estado de São Paulo
Ernesto Reghran/Pulsar Imagens metalurgia, plásticos, confecção, açúcar e álcool;
MATO GROSSO 50º O MINAS GERAIS ■■ Sumaré e Limeira — máquinas e suco de laranja;
DO SUL ■■ Indaiatuba — indústrias diversas;
São José 1 ■■ Luís Antônio — papel e celulose;
do Rio Preto ■■ Ribeirão Preto — informática, maquinário, equi­
Ribeirão
pamentos médicos, açúcar e álcool;
2 Preto ■■ Sertãozinho — açúcar e álcool;
■■ Paulínia — Refinaria de Paulínia (Replan), a
SÃO PAULO Araraquara
maior refinaria de petróleo da Petrobras;
Limeira ■■ Campinas — importante tecnopolo, reúne o

Trópico de Capricórnio Campinas 5 Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tele­
N comunicações (CPqD), dirigido pela Telebras
PARANÁ 4 Sorocaba São José dos Campos até 1998, quando foi privatizada, o Laboratório
Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), empresas
OL 3São Paulo Cubatão da área farmacêutica, de tecnologia da informa­
Santos ção, além de importantes universidades, como
S a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
OCEANO e a Pontifícia Universidade Católica de Campinas
ATLåNTICO (PUC­Campinas).

1 - Eixo Anhanguera-Bandeirantes 0 115 230 km
2 - Eixo Washington Luís
3 - Eixo Anchieta-Imigrantes
4 - Eixo Castelo Branco-Raposo Tavares
5 - Eixo Via Dutra-Rodovia Ayrton Senna

Adaptado de: SECRETARIA DE LOGÍSTICA E TRANSPORTE. Departamento de
Estradas de Rodagem (DER). Disponível em: <www.der.gov.br/Website/

Acessos/Servicos/ServicosOnline/WebRotas.aspx#>. Acesso em: 8 abr. 2016.

Eixo Castelo Branco-Raposo Tavares. Essas ro­

dovias exercem papel de ligação da capital com

importantes cidades do interior de São Paulo e

Paraná. Cruzam o estado no sentido oeste, em dire­

ção ao Paraná (Raposo Tavares) e a Mato Grosso do

Sul (Castelo Branco).

Na Região Metropolitana, passam por vários mu­

nicípios industriais, como Osasco e Barueri. Seu

principal centro urbano é Sorocaba (máquinas e

equipamentos, material eletrônico, metalurgia,

aerogeradores, alimentícias e de bebidas). Outras

cidades industriais envolvidas são Votorantim (equi­

pamentos de comunicação, cimento, alumínio e

metalurgia), Itu (material eletrô­

nico e equipamentos de comuni­ Aerogerador:

cação), Cerquilho (pneus e meias), turbina Vista parcial de usina de produção de etanol e álcool de cana-
Tatuí, Porto Feliz (químicas) e geradora de -de-açúcar, em Valparaíso, interior do estado de São Paulo.
Botucatu (asas de avião). energia eólica. Foto de 2014.

168 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

Eixo Washington Luís. Essa rodovia se articula Eixo Via Dutra-Rodovia Ayrton Senna. Com­
com a via Anhanguera e vai até a região de São José preende a região chamada Vale do Paraíba. A via
do Rio Preto. Importantes ramos industriais estão Dutra liga as duas maiores cidades do país: São
instalados em suas margens, como o setor de móveis Paulo e Rio de Janeiro.
(São José do Rio Preto e Catanduva), de suco de
laranja, cana­de­açúcar e meias (Araraquara). Nesse eixo, destacam­se municípios que fazem
parte da Região Metropolitana, como Guarulhos
Em seu eixo, destaca­se também o Parque (máquinas e equipamentos) e Mogi das Cruzes
Tecnológico de São Carlos, cidade denominada (agroindústria não alimentícia), e outros, como
“capital da tecnologia”, que abriga a Universidade Taubaté (material eletrônico e automobilística) e
Federal de São Carlos (UFSCar), a Universidade de Pindamonhangaba (aço). Também nessa região está
São Paulo (USP­São Carlos), o Centro Universitário localizada a Refinaria Henrique Lage, da Petrobras,
Central Paulista (Unicep) e duas unidades da no município de São José dos Campos.
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa): a Instrumentação Agropecuária Em São José dos Campos, a “capital do Vale”, está
(CNPDia) e a Pecuária Sudeste. Reúne também as a principal indústria aeronáutica da América Latina
indústrias automobilística, de produção de lápis, e a terceira maior do mundo: a Embraer. Conta ainda
de eletroeletrônicos, de informática, etc. No muni­ com indústrias automobilísticas, bélicas, de informá­
cípio de Gavião Peixoto está localizada uma uni­ tica, metalúrgicas, químicas, de adubos e fertilizantes
dade da Embraer, responsável pela produção de e de produtos para a saúde. Também conta com im­
componentes para aviões. portantes centros de pesquisa e universidades. Esse
município é um importante tecnopolo brasileiro, que
Eixo Anchieta-Imigrantes. Essas duas rodovias abriga o Centro de Desenvolvimento Tecnológico
fazem a ligação da capital paulista com a Baixada de Aeronáutica (CDTA), o Instituto Tecnológico de
Santista, sede do polo petroquímico de Cubatão, que Aeronáutica (Ita) e o Instituto Nacional de Pesquisas
inclui a Refinaria Presidente Bernardes e a antiga Espaciais (Inpe).
Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), atual
Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas). Fora dos eixos industriais e da Região Metropo­
Atravessam o ABCD paulista (Santo André, São litana e seu entorno, destacam­se as indústrias de
Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema), artigos de couro (Franca, Birigui e Jaú) e de maqui­
localizado na Região Metropolitana de São Paulo, nário e equipamentos (Marília e Bauru).
onde há importante concentração de montadoras
de veículos, fábricas de autopeças, indústrias quí­ Atualmente, o interior do estado de São Paulo é
micas pesadas, de maquinário e muitas outras. a terceira maior área industrial brasileira, pois rece­
be cada vez mais indústrias oriundas da Região
Metropolitana de São Paulo.

Paulo Fridman/Pulsar Imagens

Linha de montagem de aeronaves na fábrica da Embraer, em São José dos Campos (SP). Foto de 2015.

Localização espacial e concentração das indústrias C A P Í T U L O 1 4 169

Rio de JaneiroAllmaps/Arquivo da editora Navio cargueiro reboca navio-plataforma, na bacia de
Ricardo Funari/Brazil Photos/LightRocke/Getty ImagesCampos, no estado do Rio de Janeiro, em 2015.
O Rio de Janeiro é o segundo estado mais indus­
trializado do Brasil e suas principais atividades estão A extração de petróleo e de gás natural tornou o
nos ramos da extração do petróleo (bacia de Campos Norte Fluminense uma região dinâmica, que atraiu
na plataforma continental), siderúrgico (Volta pessoas, indústrias, empresas de prestação de ser­
Redonda), químico e farmacêutico (Região Metropo­ viços, universidades e institutos de pesquisa. Nessa
litana do Rio de Janeiro). região, destacam­se dois municípios: Campos dos
Goytacazes e Macaé. Em Campos dos Goytacazes
A indústria do estado do Rio de Janeiro distribui­se há também um importante polo de indústria sucro­
por várias regiões: a Metropolitana, o Norte Flu­ alcooleira.
minense, a Serrana, a do Médio Paraíba e a Região das
Baixadas Litorâneas, também conhecida como Região Na região Serrana do estado (Petrópolis, Tere­
dos Lagos, como podemos ver no mapa a seguir. sópolis, Miguel Pereira, Nova Friburgo), além de
uma próspera indústria do turismo, há tradicionais
A Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que estabelecimentos têxteis e de confecções.
envolve a Baixada Fluminense (Nova Iguaçu, Duque
de Caxias, entre outras cidades), é a que mais se des­ Na Região dos Lagos (Cabo Frio, Araruama), a
taca, recebendo investimentos tanto nacionais quan­ indústria extrativa de sal é a principal atividade li­
to internacionais. Destacam­se industrialmente os gada à indústria, mas o forte da região é o turismo.
municípios de Nova Iguaçu (química e farmacêuti­
ca), Duque de Caxias, onde está instalada a Refinaria
Duque de Caxias (Reduc) e Niterói (estaleiros).

Outra região industrial do estado é a do Médio
Paraíba, onde estão os municípios de Volta Redonda
(Companhia Siderúrgica Nacional — CSN),
Barra Mansa (metalurgia e mecânica), Resende
(caminhões, ônibus, química, farmacêutica) e Porto
Real (automobilística, refrigerantes, cerâmica).

Rio de Janeiro: regiões industriais 43º O ESPÍRITO SANTO

Região Metropolitana MINAS GERAIS
Médio Paraíba
Norte Fluminense
Região Serrana
Região dos Lagos
Região da Costa Verde

N

OL Campos dos Adaptado de:
Goytacazes FUNDAÇÃO Centro
S Estadual de
0 25 50 km OCEANO Estatísticas, Pesquisas
ATLÂNTICO e Formação de
Porto Real Volta Redonda Teresópolis Nova Friburgo Macaé Servidores Públicos do
Petrópolis Cabo Frio Trópico de Capricórnio Rio de Janeiro
(CEPERJ). Anuário
Resende Estatístico do Estado do
Rio de Janeiro, 2013.
Barra Mansa Disponível em:
<www.ceperj.rj.gov.br/
SÃO PAULO Duque de Caxias ceep/Anuario2013/
Nova Iguaçu ApresentacaoDivisao
Angra dos Reis Territorial.html>.
Rio de Janeiro Niterói Saquarema Acesso em:
Araruama 8 abr. 2016.
Mapa sem data na
fonte original.

170 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

Minas Gerais Leo Drumond/Nitro

A instalação de montadoras em

Betim (1973) e em Juiz de Fora (1999)

atraiu outras empresas para o estado de

Minas Gerais, que ocupa o terceiro lugar

entre os mais industrializados do país.

Minas Gerais possui um importante

parque industrial, onde se destacam in­

dústrias extrativas minerais, metalúrgi­

cas, automobilísticas, alimentícias, têx­

teis, químicas e outras. O estado apresen­

ta cinco principais regiões industriais: a

Região Central, a Região Metropolitana

de Belo Horizonte, o Sul de Minas, a

Zona da Mata e o Vale do Rio Doce.

O Quadrilátero Ferrífero é uma re­ Linha de produção de indústria automobilística em Betim (MG), 2013.
gião onde estão importantes jazidas de

ferro e de manganês, elementos básicos para a pro­ America, antiga Acesita (Timóteo), e ArcelorMittal,

dução de aço. Abrange uma extensa área, engloban­ antiga Belgo­Mineira (João Monlevade), além da em­

do parcialmente a Região Metropolitana de Belo presa japonesa de papel e celulose Cenibra.

Horizonte. Na Zona da Mata mineira, destaca­se o município

Segundo o Exporta Minas, órgão do Governo do de Juiz de Fora, com vários ramos industriais (far­

estado de Minas Gerais, o estado é responsável por macêutico, metalúrgico, vestuário, automobilístico).

29% da produção mineral brasileira e por cerca de É onde uma multinacional automobilística se insta­

70% da produção de ferro, do qual o Brasil é o se­ lou, em 1999. Veja o mapa abaixo.

gundo maior produtor mundial. Outros municípios importantes nessa região são

Da produção de ferro do Quadrilátero, uma par­ Ubá (móveis), Cataguases (têxtil e química) e Viçosa

te é exportada e a outra é utilizada nas siderúrgicas (Centro de Tecnologia e Pesquisa).

do Sudeste. Localizado na Região

Central está também Ouro Branco, mu­ Minas Gerais: mesorregi›es Banco de imagens/Arquivo da editora
nicípio que é base da Açominas, side­

rúrgica do grupo Gerdau, uma das 45º O
principais transnacionais brasileiras.
BAHIA

Na Região Metropolitana de Belo DISTRITO Norte de Minas
Horizonte, destaca­se o município de FEDERAL

Betim, para onde a indústria automobi­ GOIÁS Noroeste Jequitinhonha
lística, instalada em 1973, atraiu várias de Minas Vale do Macuri
fábricas de autopeças. Em Betim, encon­

tra­se também a Refinaria Gabriel

Passos, da Petrobras. Outros municípios Central de Minas Vale do
importantes da região são Contagem Rio Doce
(indústrias diversas), Vespasiano (ci­ Região
mento) e Nova Lima (ouro). Triângulo Mineiro / Alto Paranaíba Metropolitana ESPÍRITO
N de Belo Horizonte SANTO
As reservas de ferro e manganês na
região do Quadrilátero Ferrífero favorece­ Oeste de Minas 20º S
ram a instalação de um complexo siderúr­
gico no Vale do Rio Doce, denominado Zona da Mata
Vale do Aço; onde se concentram algu­
OL Campo das
SÃO PAULO Vertentes

S Sul/Sudoeste de Minas

0 115 230 km RIO DE JANEIRO OCEANO
ATLÂNTICO

mas das maiores siderúrgicas brasileiras: Adaptado de: MINAS GERAIS. Instituto de Geoinformação e Tecnologia.
Usiminas (Ipatinga), Aperan South Disponível em: <www.mg.gov.br/governomg/ecp/images.do?evento=imagem&urlPlc=

ligminas_14_04_meso_96.jpg>. Acesso em: 13 abr. 2016.

Localização espacial e concentração das indústrias C A P Í T U L O 1 4 171

Há algum tempo, o sul de Minas deixou de ser Na Região Metropolitana encontram­se também
apenas um polo turístico, com suas estações de águas, outros tipos de indústria, como as de confecções e
e de indústrias alimentícias (doces e laticínios). Atual­ alimentos. No norte do estado está localizada uma
mente, abriga setores industriais importantes, como das maiores fábricas de celulose do mundo. Carac­
o mecânico, o elétrico e o farmacêutico, nos municí­ teriza­se por possuir sistema integrado de plantio e
pios de Pouso Alegre e Varginha. Em Itajubá, encon­ produção e por operar um terminal privativo em
tra­se a única fábrica de helicópteros da América Barra do Riacho (Portocel).
Latina e o Laboratório Nacional de Astrofísica.
Região Sul
O município de Santa Rita do Sapucaí, conhecido
como “o Vale da Eletrônica”, abriga um dos principais A região Sul conheceu um processo de industria­
polos de eletrônica e de telecomunicações do país, lização bem característico: a atividade industrial
produzindo itens de ponta, como sensores eletrônicos, nasceu com indústrias criadas por um empresariado
equipamentos de segurança e aparelhos eletrônicos. da região, descendente de imigrantes, baseadas em
matérias­primas agropecuárias, com produção diri­
No município de Poços de Caldas, a Companhia gida, a princípio, ao mercado regional. Só mais tarde
Brasileira de Alumínio (CBA) explora bauxita. No atingiu o mercado nacional.
município de Araxá, situado no sudoeste do estado,
a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração Com o passar do tempo, porém, as transnacionais
(CBMM) explora o nióbio, do qual o Brasil é o maior entraram na economia sulina, atraídas por bons inves­
produtor mundial. Nesse mesmo município encon­ timentos e pela proximidade da região com os países
tra­se também uma fábrica de fertilizantes. integrantes do Mercado Comum do Sul (Mercosul). É
a segunda região brasileira mais industrializada.
Espírito Santo
A agroindústria é uma das principais atividades
O Espírito Santo é o estado menos industria­ econômicas do Sul, ainda dispersa pelos estados.
lizado do Sudeste. Seus ramos industriais mais im­ Contudo, já existe tendência de concentração indus­
portantes são o metalúrgico e o siderúrgico. trial nas áreas metropolitanas da região.

As principais indústrias estão concentradas na A seguir, veremos o panorama da indústria em
Região Metropolitana de Vitória, beneficiada pela cada estado da região Sul.
presença do Complexo Portuário Vitória­Tubarão.
O complexo é responsável pela exportação do mi­ Cesar Diniz/Pulsar Imagens
nério de ferro de Minas Gerais. Nele se encontram Ernesto Reghran/Pulsar Imagens
os terminais marítimos de Regência, Praia Mole e
Ubu. No município de Serra está localizada a Arcelor
Mittal Tubarão, a antiga Companhia Siderúrgica de
Tubarão (CST), ligada ao terminal de Praia Mole.
Nesse mesmo município está o Centro Industrial de
Vitória (Civil).

Vista parcial do Porto de Praia Mole, no município de Vitória Linha de produção de óleo vegetal em Campo Mourão (PR).
(ES), 2016. O acesso ao porto é favorecido com uma boa Foto de 2015.
infraestrutura de transportes ferroviário, rodoviário e marítimo.

172 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

Rio Grande do Sul Veja algumas das indústrias dessa região:

O Rio Grande do Sul possui o parque industrial ■■ Química — em Canoas está a Refinaria Alberto
mais dinâmico e diversificado do Sul do país. Pasqualini (Refap), da Petrobras, e o Polo Petro­
químico de Triunfo;
Existe forte concentração industrial no eixo Porto
Alegre­Caxias do Sul, onde se encontram cidades ■■ Material de transporte — em Canoas, Caxias do
como Canoas, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sul, Guaíba, Gravataí e Porto Alegre;
Gravataí, Farroupilha, Cachoeirinha e Campo Bom.
A concentração já tem um prolongamento a oeste, ■■ Papel e papelão — em Guaíba, Farroupilha e
envolvendo os municípios de Triunfo, Montenegro, Porto Alegre;
Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul.
■■ Mecânica — em Porto Alegre, Canoas e Cachoei­
RodrigoWBlum/UnisinosRio Grande do Sul: áreas industriais rinha;
Lagoa Mirim
Laguna dos PatosARGENTINA55º O ■■ Fumo — em Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires;
Allmaps/Arquivo da editoraN ■■ Têxtil — em Sapucaí do Sul, São Leopoldo e Caxias;
Horizontina SANTA ■■ Editorial e gráfico — em Porto Alegre, Novo
OL
S Santa CATARINA Hamburgo e Caxias do Sul;
Rosa ■■ Couro e parque tecnológico — no Vale do Rio
30º S Panambi Passo
Ijuí dos Sinos, onde se destacam os municípios de
Fundo Caxias Novo Hamburgo e São Leopoldo;
■■ Metalurgia — em Carlos Barbosa, Garibaldi,
Bento do Sul Canoas e Farroupilha;
■■ Extrativa — Candiota;
Gonçalves ■■ Parque tecnológico de Porto Alegre.

Garibaldi Farroupilha De modo geral, pode­se dizer que as indústrias
Venâncio Aires Gramado de alimentos têm localização espacial mais dispersa,
Sta. Cruz do Sul de acordo com a distribuição da agricultura no es­
Novo Hamburgo tado. Outras, como as de fumo, vinho e móveis, têm
Triunfo São Leopoldo localização bem determinada, aproveitando­se de
Canoas fatores como a presença de investidores e a facili­
Sapucaia do Sul dade de matéria­prima e de transportes.

Porto Alegre Destacam­se, ainda, no estado, os complexos de
máquinas e implementos agrícolas (Santa Rosa,
URUGUAI Pelotas OCEANO Ijuí, Passo Fundo) e o de conservas alimentícias
ATLÂNTICO
0 120 240 km Rio (Pelotas, Rio Grande).
Grande Em Rio Grande está
Setor de máquinas e localizada a Refinaria
implementos agrícolas de Petróleo Ipiranga.
Setor de conservas
Eixo Porto Alegre-Caxias do Sul
e seu prolongamento
Vitivinicultura

Adaptado de: RIO GRANDE DO SUL. Secretaria do Planejamento,
Mobilidade e Desenvolvimento Regional. Atlas socioeconômico do Rio Grande

do Sul. Disponível em: <www.atlassocioeconomico.rs.gov.br/default.asp>.
Acesso em: 13 abr. 2016. Mapa sem data na fonte original.

Vista do Parque Tecnológico
do Vale do Sinos
(Tecnosinos), em São
Leopoldo (RS), 2013.

Localização espacial e concentração das indústrias C A P Í T U L O 1 4 173

Paraná Ponta Grossa (madeiras, metal­mecânica, alimen­
tos e têxteis), Guarapuava (papel, papelão, química
A Região Metropolitana de Curitiba firmou­se e madeira), Apucarana (bonés) e Telêmaco Borba
como o terceiro polo automobilístico brasileiro, (papel).
depois do ABCD paulista e de Betim, em Minas
Gerais. A área é beneficiada pela proximidade Santa Catarina
com o Sudeste e o porto de Paranaguá, e por ser
um importante entroncamento rodoviário e ferro­ Esse estado, assim como o Paraná, também
viário. Alguns de seus municípios se destacam apresenta uma diversificação das atividades indus­
nesse conjunto. triais, que possuem a seguinte distribuição:

■■ Curitiba. Tem um parque industrial variado, ■■ a capital Florianópolis é um centro tecnológico;
com indústrias de alimentos, de móveis, de ma­ ■■ a atividade madeireira concentra­se na região
deira, químicas e farmacêuticas, de informática
e de artefatos de couro e peles. Estão localizadas serrana;
no município uma empresa de petróleo e deri­ ■■ extração de carvão, cerâmica, vestuário e emba­
vados, uma fábrica de caminhões e uma indús­
tria que fabrica equipamentos para construção lagens de plástico estão no sul do estado;
e agricultura. A maior parte das indústrias de ■■ as indústrias de alimentos e de móveis estão no
Curitiba está no bairro Cidade Industrial.
oeste catarinense.
■■ São José dos Pinhais. Sede de indústria de cos­
méticos, perfumes, montadoras automobilísti­ As três áreas mais importantes do ponto de vista
cas e do setor aeronáutico. Também encontra­se produtivo são: o norte, com a produção de máquinas
nesse município o Aeroporto Internacional e equipamentos, metalurgia, material elétrico, auto­
Afonso Pena. peças, plástico, confecções e mobiliário; o Vale do
Itajaí, onde se destacam a fabricação de cristais,
■■ Araucária. É onde se situa a Refinaria Presidente têxtil, vestuário e a atividade naval, que conta com
Getúlio Vargas (Repar). Pertencente à Petrobras, uma importante estrutura portuária: os portos de
essa é a principal petroquímica do estado e pro­ Itajaí, São Francisco do Sul, Imbituba, Navegantes,
duz derivados de petróleo, como gasolina, óleo Itapoá e Laguna; e o polo industrial localizado na
diesel, gás de cozinha (GLP) e asfalto. Sua pro­ cidade de Joinville, no nordeste do estado.
dução é escoada pelos terminais marítimos de
Paranaguá (PR) e de São Francisco do Sul (SC). Gel Lima/Frame/Folhapress
Antonio C. Mafalda/Mafalda Press/Futura Press
Outros centros industriais estão dispersos pelo
estado, como Londrina (medicamentos, elevadores,
embalagens e café solúvel), Maringá (polo da moda),

Vista da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Vista do Porto de Itajaí, no município de Itajaí (SC), em 2015.
município de Araucária (PR), em 2014.
No polo do Vale do Itajaí, as indústrias mais impor­
tantes são as de louças (em Pomerode e Brusque),
transformadores, informática e têxteis (em Blumenau).

Em Santa Catarina, os polos das regiões metropo­
litanas de Blumenau (Vale do Itajaí) e de Joinville, no
norte e nordeste catarinenses, são os que mais têm
recebido investimentos industriais nos últimos anos.

174 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

Joinville é o terceiro polo industrial do Sul, Como tem em seu território várias jazidas de caulim
atrás de Curitiba e Porto Alegre, e a cidade mais e argila, matéria­prima para louças, pisos e azulejos, o
populosa do estado. Nesse polo, destacam­se fá­ estado possui importantes empresas nesse setor.
bricas de tubos e conexões, carrocerias de ônibus,
softwares, metais sanitários, compressores, meta­ Software: programa ou sistema de processamento de dados.
lurgia e produtos cosméticos e farmacêuticos.

Refletindo sobre o conteúdo

1. Explique dois fatores responsáveis pela concentração que mais avançaram nesta comparação — terminando
industrial na região Sudeste. 2011, respectivamente, com 12,3% e 11,5% do PIB in­
dustrial brasileiro. Segundo a CNI, também houve um
2. Compare o setor industrial do estado do Rio de Ja- aumento da participação das regiões Norte, Nordeste
neiro com o do estado de Minas Gerais. Aponte uma e Centro­Oeste, o que indica “melhor distribuição da
característica comum entre ambos. produção industrial no país”.

3. Acompanhe o texto a seguir e responda às questões. [...]

SP continua na liderança do PIB industrial, mas MARTELLO, Alexandro. G1, 6 nov. 2014. Disponível em:
perde participação <http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/11/sp-
continua-na-lideranca-do-pib-industrial-mas-
O estado de São Paulo continua na liderança do perde-participacao.html>. Acesso em: 8 abr. 2016.
Produto Interno Bruto (PIB) industrial, com 31,3% do
total em 2011, mas perdeu participação em dez anos. a) Apresente uma justificativa sobre o recuo do PIB
Segundo levantamento da Confederação Nacional da industrial do estado de São Paulo.
Indústria (CNI), a parcela do estado no PIB industrial
recuou 7,7 pontos entre 2001 e 2011 — a maior queda b) Cite dois estados brasileiros que apresentaram
entre todos os estados. crescimento de seu PIB industrial, segundo o ar-
tigo que você leu. Identifique a região geográfica
Ao mesmo tempo, o Rio de Janeiro, com crescimen­ onde estão situados.
to de 2,5 pontos percentuais, seguido por Minas Gerais,
com alta de 2,2 pontos percentuais, foram os estados c) Por que a notícia é ruim para o estado de São Paulo
e pode ser encarada como positiva para os demais
estados brasileiros?

4. Geografia e Matemática Observe as informações a seguir e depois responda às questões.

Paraná: regiões industriais

Regiões Região Metropolitana Norte Central Centro Oriental Oeste Banco de imagens/Arquivo da editora
de Curitiba
Quatro mesorregiões
concentram 87% do
faturamento industrial

Empregados 191 mil 139 mil 34 mil 66 mil
Indústrias 7,8 mil 7,1 mil 1,2 mil 2,8 mil

Faturamento 57% 15% 9,5% 5,6%
(% do estado)

A indústria: Emprega 750 mil pessoas São 42 mil empresas Representa 30% do PIB do estado

Fonte: FEDERAÇÃO dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado do Paraná (Fetraconspar).
Disponível em: <www.fetraconspar.org.br/informativos/2010/2340_26_07_10.htm>. Acesso em: 13. abr. 2016.

a) Qual mesorregião concentra a maior parcela do faturamento do Paraná?
b) Como podemos ver nos mapas da tabela, no estado do Paraná há 10 mesorregiões. Se as 4 mesorregiões represen-

tadas detêm 87,1% do faturamento industrial, qual é o faturamento médio de cada uma das outras 6 mesorregiões?

Localização espacial e concentração das indústrias C A P Í T U L O 1 4 175

capítulo 15

Localização espacial e
dispersão das indústrias

Paulo Fridman/Pulsar Imagens

As empresas passaram a procurar localidades para instalação fora do Sudeste porque os outros estados também começaram a
apresentar um maior ritmo de crescimento, em razão de novos investimentos em infraestrutura de energia e transporte, mão de
obra mais barata, entre outros incentivos. Além disso, muitos municípios fora do Sudeste também possuem centros de pesquisa e
universidades que permitem a instalação de tecnopolos. Na imagem, Polo Petroquímico de Camaçari (BA), em 2015.

Processo de dispersão ■■ dentro da região Sudeste (escala regional), pro-
industrial curando fugir de áreas já muito industrializadas.

Desde a década de 1970, dentro da política de Como o movimento de dispersão em escala re-
Integração Nacional, que visava à diminuição das gional favoreceu, na verdade, a manutenção da con-
disparidades regionais, observa-se uma tendência centração industrial na região Sudeste, costuma-se
de descentralização da indústria, fenômeno conhe- chamá-lo de desconcentração relativa ou “descon-
cido como dispersão industrial, que passou a ocorrer centração concentrada”, pois muitas empresas man-
em duas escalas: tiveram a sede na capital paulista, mas deslocaram
suas fábricas para o interior do estado.
■■ no território brasileiro (escala nacional), bus-
cando se expandir para outras regiões; Favorecendo a dispersão em escala nacional, a
princípio, planos do governo federal procuraram

176 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

instalar polos industriais em outras regiões, como as indústrias tradicionais da região, como as têxteis,
no Norte (Zona Franca de Manaus) e no Nordeste as alimentícias e as de derivados da cana-de-açúcar,
(Recôncavo Baiano). mas sim outros ramos industriais, como refinarias de
petróleo, indústrias de bens intermediários, etc., vol-
No processo de dispersão regional, a desconcen- tados para o abastecimento do mercado consumidor
tração das indústrias foi motivada pela aglomeração interno do Centro-Sul.
desfavorável na Região Metropolitana de São Paulo,
como poluição, congestionamentos frequentes no Nos anos 1990, a política de incentivos fiscais
trânsito, altos preços dos terrenos, sindicatos fortes, adotada pelos governos nordestinos conheceu uma
maiores custos com alimentação e moradia, etc. importante mudança: procurou-se instalar na região
indústrias destinadas à exportação, dissociadas do
O auge do processo de dispersão industrial no mercado consumidor interno, que se concentra no
Brasil se deu entre 1970 e 1985. Depois de um curto Centro-Sul. Para isso, investiu-se em infraestrutura.
intervalo, o processo foi retomado após 1992, ga- Nesse sentido, o Finor (Fundo de Investimentos do
nhando força no século XXI. Nordeste) subsidiou projetos de construção ou me-
lhoramento de rodovias, ferrovias e de portos. Foram
Um fator decisivo para o processo de descentra- construídos os portos de Suape, em Pernambuco
lização industrial, tanto em escala nacional como (1983), e o do Pecém, no estado do Ceará (2002).
regional, foi a disputa travada por estados e muni-
cípios para receber as instalações de grandes em- Houve incentivos também para a Companhia
presas transnacionais. É a chamada “guerra fiscal”, Ferroviária do Nordeste que, em 1998, passou a ope-
que consiste em conceder desde terrenos para as rar a antiga Malha Nordeste da Rede Ferroviária
fábricas até isenções parciais ou totais de impostos. Nacional. Seu principal projeto é a ferrovia Nova
Transnordestina, que deverá ligar o porto de Suape
As regiões mais beneficiadas com a dispersão (PE) ao porto do Pecém (CE), ou seja, a ferrovia uni-
industrial foram a Nordeste, a Norte e a Centro- rá duas importantes regiões industriais.
-Oeste; porém, foram também as regiões que mais
enfrentaram problemas para o desenvolvimento in- Delfim Martins/Pulsar Imagens
dustrial mais precoce, como a falta de uma boa rede
de transportes e de um mercado consumidor forte.

Região Nordeste

A participação industrial do Nordeste, apesar de

ocupar a terceira posição no total da produção na-

cional, tem apresentado um crescimento maior que

as demais regiões brasileiras, em consequência dos

incentivos fiscais oferecidos pe-

los governos dos estados nordes- Incentivo fiscal:
tinos a empresários do Centro- isenção total ou
-Sul do país. Quanto à produção parcial de
impostos para

industrial, destacam-se no con- determinada
junto regional os estados da atividade
Bahia, de Pernambuco e do Ceará. econômica.

Na realidade, a instalação de indústrias no

Nordeste é resultado dos esforços do governo para

dinamizar a economia regional. A Superintendência

do Desenvolvimento do Nordeste, criada no gover- Trem transportando brita na Ferrovia Transnordestina, no
município de Salgueiro (PE), em 2015.
no Juscelino Kubitschek, foi a responsável pelos
A guerra fiscal e o baixo preço da mão de obra
primeiros polos industriais da região. também contribuíram para atrair as indústrias para
o Nordeste. Como exemplo, podemos citar as indús-
O surto industrial ocorrido na região Nordeste a trias de calçados que se transferiram de municípios
do Rio Grande do Sul e de São Paulo.
partir dos anos 1960 foi um processo introduzido por

políticas governamentais baseadas na concessão de

incentivos fiscais. Essas políticas não privilegiavam

Localização espacial e dispersão das indústrias C A P Í T U L O 1 5 177

Para abastecer as indústrias que nasciam, era O primeiro polo ou complexo industrial do Nor-
preciso criar um parque gerador de energia elétrica. deste, criado pela Sudene, foi o Polo Industrial de
Desde 1954, a região contava com a usina Paulo Aratu, localizado nos municípios de Candeias e
Afonso I, localizada no rio São Francisco. A partir de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
então, a empresa responsável por essa usina, a Foi instalado em 1967, no governo militar, com in-
Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), dústrias químicas, metalmecânicas, de eletroeletrô-
projetou e construiu, no mesmo rio, outras usinas nicos e de fertilizantes e continua importante nos
geradoras de energia na região: Paulo Afonso II dias de hoje. Mantém, ainda, as tradicionais fábricas
(1967), Paulo Afonso III (1971), Apolônio Sales ou de calçados, alimentos e tecidos.
Moxotó (1975), Sobradinho e Paulo Afonso IV
(1979), Luiz Gonzaga ou Itaparica (1988), Xingó A descoberta e a exploração do petróleo trouxe-
(1994), etc. A Chesf construiu, também, a usina de ram para o Nordeste um importante setor industrial
Boa Esperança (antiga usina hidrelétrica Marechal — o petroquímico, ou seja, de derivados do petróleo.
Castelo Branco), na cidade de Guadalupe, no rio A primeira refinaria, a Landulpho Alves, pertencen-
Parnaíba (PI). Essa usina foi construída em duas te à Petrobras, começou a funcionar no estado da
etapas (1970 e 1990). Bahia, na década de 1950. Localiza-se no município
de São Francisco do Conde e refina o petróleo extraí-
A região conta também com alguns parques tec- do na região.
nológicos localizados em Salvador (BA), Recife (PE),
Campina Grande (PB), Fortaleza (CE) e Aracaju (SE). O Polo Integrado Petroquímico de Camaçari ini-
ciou suas atividades em 1978. Atualmente, tem como
O Nordeste também tem investido em fontes principal empresa a Brasken, que recebe o petróleo
alternativas de energia, como a energia eólica (pro- da Refinaria Landulpho Alves, transformando-o em
duzida pela força do vento). Existem usinas de ener- derivados. A maioria das indústrias do polo é do
gia eólica no Ceará (Taíba e Aquiraz) e no Rio setor petroquímico (pneus e fertilizantes), mas exis-
Grande do Norte (Parque Eólico do Rio do Fogo). tem outros tipos de fábricas, como a automobilística.

Bahia Uma montadora que migrou para o Nordeste,
em vista da chamada “guerra fiscal”, levou para o
A Região Metropolitana de Salvador, onde estão polo várias indústrias de autopeças e outros forne-
instalados o Polo Industrial de Aratu e o Polo cedores. A abrangência do polo envolve ainda in-
Petroquímico de Camaçari, é a principal área indus- dústrias de celulose, de metalurgia de cobre, têxteis
trial do estado da Bahia. e de bebidas.

Andre Dib/Pulsar Imagens

Usina hidrelétrica de Xingó, no município de Piranhas (AL), em 2016.

178 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

Bahia: indústria Banco de Imagens/Arquivo da editora ■■ Alagoinhas (plásticos e bebidas);
■■ Barreiras (agroindústrias do Complexo Soja:
45º O CE PB
MA PE grãos, farelo e óleo);
■■ Eunápolis (minerais não metálicos e móveis);
PI ■■ Ilhéus (informática, comunicação, estofados e

10º S AL indústrias de transformação do cacau);
SE ■■ Itapetinga (calçados, frigorífico, laticínios).

Centro Industrial de Subaé Alagoinhas Pernambuco

Barreiras Feira de A indústria de transformação constitui 25% da
TO produção total do estado. Segundo o IBGE, as indús-
Santana trias mais tradicionais de Pernambuco, como a têx-
GO til e a alimentar, estão diminuindo sua participação
Candeias Camaçari no total do valor de transformação industrial. Isso
N acontece em razão do crescimento de outros setores,
O Simões Filho como químico, comunicações, material elétrico, me-
cânica, metalurgia e informática.
S Polo Salvador Polo
A maior parte das indústrias do estado está na
Industrial Integrado Região Metropolitana do Recife, com destaque para
os municípios de Jaboatão, Cabo e Paulista.
de Aratu Petroquímico
Segundo estatísticas do governo estadual de
de Camaçari Pernambuco, o Porto Digital de Recife, que compor-
ta aproximadamente 250 empresas e instituições
Vitória da Ilhéus de informática, alcançou um faturamento de 1 bilhão
Conquista de reais em 2014.

Itapetinga Localizado nos bairros do Recife Antigo e Santo
Amaro, o Porto Digital abrange um parque tecno-
L OCEANO lógico que abriga várias empresas e institutos de
ATLÂNTICO pesquisa, dos quais o principal é o Centro de
MG Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar).
Eunápolis Sua produção está voltada aos setores de softwares
e economia criativa (games, vídeos, multimídia
Centros industriais ES 0 150 300 km e outros).

Região Metropolitana Em Pernambuco encontra-se
de Salvador também o Complexo Industrial e
Portuário de Suape, um dos mais
Adaptado de: BAHIA. Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). modernos do Brasil. Fazem parte
Disponível em: <www.sde.ba.gov.br>. Acesso em: 15 abr. 2016. do complexo um estaleiro (o
Mapa sem data na fonte original. Atlântico Sul, para a construção de
navios de grande porte) e indús-
Outra importante área industrial baiana é o trias, que se encontram instalados
Centro Industrial de Subaé, no município de Feira junto ao porto, no município de
de Santana. Nela, encontramos indústrias de cerve- Ipojuca. Sua localização é privile-
ja, caixas de papelão, pneus, distribuição elétrica giada, pois está a cerca de 40 km
para veículos, etc. Outros centros industriais do es- de Recife e, portanto, não tem o
tado são constituídos pelas seguintes cidades: empecilho do trânsito congestio-
nado da região metropolitana.
■■ Vitória da Conquista (metalurgia, química, már-
more, embalagens, cofres de segurança e móveis);

Paulo Fridman/Pulsar Imagens

Amêndoas de cacau em fábrica de
chocolate em Ilhéus (BA), em 2015.

Localização espacial e dispersão das indústrias C A P Í T U L O 1 5 179

O porto apresenta estrutura moderna, com pro- Têxtil e o Polo Petroquímico. Outra importante em-
fundidade em torno de 17 metros e grande potencial presa é o estaleiro Atlântico Sul, que constrói navios
de expansão. Além disso, possui um quebra-mar de grande porte.
natural, composto pelos arrecifes.
O litoral norte do estado de Pernambuco vem aos
Quebra-mar: muralha ou outra estrutura, artificial ou poucos substituindo a paisagem agrária dos cana-
natural, localizada na entrada de baía ou porto, oferecendo viais por uma paisagem industrial, ligada às
resistência ao embate das ondas. atividades do setor secundário da economia.

No Complexo Industrial Portuário de Suape, si- Em 2006, o município de Goiana, distante
tuado no litoral sul do estado, vários empreendimen- 60 km da capital, Recife, recebeu o Polo Farma-
tos movimentam a economia pernambucana e nor- coquímico e de Biotecnologia, que agrega diversos
destina. A Refinaria Abreu e Lima, que opera par- laboratórios e empresas farmacêuticas, de cosmé-
cialmente e possui previsão de funcionamento total ticos, de medicamentos, etc. Entre elas estão a
no ano de 2018, fornece matéria-prima para o Polo Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecno-
logia (Hemobrás) e o Laboratório Farmacêutico do

Pernambuco: indústria Banco de Imagens/Arquivo da editora

40º O PARAÍBA

CEARÁ

N

OL Araripina Paulista
S São Francisco
doSaCnatpaiCbarurizbeJGabuoaaratãraopdeoss AT L Â N T I C O
8º S
PIAUÍ Toritama Recife
Caruaru
0 50 Cabo de
Sto. Agostinho

Ipojuca

Vanessa Bohn/Fotoarena Lagoa OCEANO
Grande
Rio Distrito industrial Tacaratu Baía de
Petrolina Suape
Porto digital ALAGOAS
BAHIA SERGIPE Rio T atuoca
Polos de confecções
100 km Região Metropolitana COMPLEXO
do Recife INDUSTRIAL
Polo gesseiro E PORTUÁRIO
DE SUAPE

Rio Ipojuca

OCEANO
ATLÂNTICO

Adaptado de: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br>; PERNAMBUCO. Disponível em: <www.pe.gov.br>.
Acesso em: 15 abr. 2016. Mapa sem data na fonte original.

O Complexo Industrial e Portuário
de Suape foi inaugurado em 1983.
Atualmente realiza o transporte de
cargas, entre elas derivados de
petróleo, álcool, produtos químicos,
óleos vegetais e outras mercadorias.
Para sua construção, uma grande
área de mangues foi desmatada,
afetando um ecossistema de
fundamental importância para todo
o seu entorno. Na imagem, vista do
Estaleiro Atlântico Sul, no Complexo
Portuário Industrial de Suape, em
Pernambuco. Foto de 2014.

180 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

Estado de Pernambuco (Lafepe). O Polo Automotivo, Rubens Chaves/Pulsar Imagens
também instalado no município de Goiana, em 2015,
ocupava uma área de 270 mil m² e abrigava 16 em- Fábrica de camisetas de malha no município de Fortaleza
presas, empregando cerca de 9 mil trabalhadores. (CE). Foto de 2013.

O Polo de Confecções de Pernambuco, o segun- Na crescente indústria metalúrgica do estado desta-
do maior do país, abrange os municípios de Caruaru, ca-se uma montadora automobilística, instalada no
Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. No sudoeste município de Horizonte, para produção de jipes.
do estado, às margens do rio São Francisco, destaca-
-se o polo industrial vitivinicultor, localizado nos Em Fortaleza, localiza-se a Indústria Naval do
municípios de Petrolina e Lagoa Grande. Ceará (Inace), estaleiro especializado em embarca-
ções de médio e pequeno portes.
Na chapada do Araripe, localizada no Sertão per-
nambucano, encontra-se o Polo Gesseiro do estado, Outros estados
principal produtor brasileiro de gipsita, que exporta
gesso para as regiões Sul e Sudeste. Em Sergipe, encontramos a Fábrica de Fertili-
zantes Nitrogenados (Fafen) da Petrobras, localiza-
Em 2015 foi inaugurado no município de da no município de Laranjeiras e em vários distritos
Tacaratu o primeiro parque híbrido de energia re- industriais, como os dos municípios de Estância,
novável do Brasil. O empreendimento é formado por Nossa Senhora do Socorro e outros.
um parque eólico e duas usinas fotovoltaicas. Soma-
dos, são capazes de produzir 340 gigawatt-hora Em Alagoas, destaca-se o Complexo Cloroquímico
(gWh) por ano, o suficiente para abastecer 250 mil (Maceió-Marechal Deodoro) que produz soda cáus-
residências nesse período. tica. Para isso, aproveita a matéria-prima encontrada
na superfície da terra, como o sal-gema, que é mis-
Vitivinicultura: atividade que envolve o tura de cloreto de sódio com outros sais.
cultivo das vinhas e a fabricação de vinho.
Gipsita: matéria-prima utilizada na Na Paraíba, o setor industrial está concentrado
produção do gesso. na Região Metropolitana de João Pessoa, com a pre-
sença de indústrias alimentícia, de construção civil
Cear‡ e têxtil; e no município de Campina Grande, onde
se destacam as indústrias de bebidas, calçados e,
Os mais importantes setores industriais do esta- mais recentemente, de softwares.
do são têxtil, vestuário, calçados, alimentos, bebidas
e couro. No Rio Grande do Norte, o sal marinho, explora-
do na costa norte do estado, alimenta o beneficia-
Os setores de calçados e têxtil vêm apresentando mento do sal de cozinha e uma importante indústria
um forte crescimento em virtude das vantagens ofe- química dele derivada (a de barrilha). Os principais
recidas às indústrias para se instalarem em seus centros salineiros nessa área são Mossoró, Galinhas,
municípios, principalmente em Fortaleza, cuja re- Guamaré, Macau e Caraúbas. Em Areia Branca está
gião metropolitana abriga a maior parte das indús- localizado um porto-ilha, construído para embarcar
trias do estado. o sal destinado ao mercado interno.

O estado do Ceará atraiu muitas indústrias, ofe- No Maranhão, no Meio-Norte, destaca-se o
recendo as vantagens da “guerra fiscal”. Muitas in- Consórcio Alumínio do Maranhão. Localizado na
dústrias de calçados, do Rio Grande do Sul e de São ilha de São Luís, capital do estado, transforma a
Paulo, estabeleceram-se na região do Cariri, princi- bauxita, vinda do Pará, em alumínio utilizado em
palmente em Juazeiro do Norte, onde existe um polo
que contém toda a cadeia produtiva, desde a fabri-
cação de componentes até os calçados finalizados.
Uma importante indústria calçadista de Franca (SP),
um dos principais polos produtores de sapatos do
Brasil, abriu duas unidades no Ceará, uma no muni-
cípio de Camocin e outra em Santa Quitéria.

O estado é também o terceiro maior polo têxtil
do país e produz para os mercados interno e externo.

Localização espacial e dispersão das indústrias C A P Í T U L O 1 5 181

vários ramos industriais. Nessa mesma ilha, locali- de motocicletas, de bicicletas, de ar-condicionado,
za-se o porto do Itaqui, no Terminal da Madeira, que de canetas, de brinquedos, óptico, metalúrgico e
exporta principalmente minérios (ferro, manganês, químico. Veja o gráfico a seguir.
alumínio) extraídos na região Norte.
Canindé Soares/Futura Press
O Piauí conta com cinco distritos industriais Arte Ação/Arquivo da editora
(Teresina, Parnaíba, Picos, Floriano e Piripiri), onde Participação dos subsetores das
se encontram indústrias alimentícias, de bebidas, de atividades na Zona Franca de
vestuário, de calçados, de plásticos, entre outras. Manaus — 2015

5,6% 12,4% Eletroeletrônico
4,6% Duas rodas
29,3% Químico
17,3% 17,7% Bens de informática
Metalúrgico
13,1% Termoplástico
Outros

Extração de sal marinho nas salinas de Areia Branca (RN). Adaptado de: SUFRAMA (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Marcio Melo/Folhapress
Foto de 2014. Disponível em: <www.suframa.gov.br/downloads/download/indicadores/

Região Norte RelIndDes%20_7_2015_maio.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2016.

A criação da Suframa (Superintendência da No Polo Industrial, as empresas não pagam
Zona Franca de Manaus), em 1967, durante o regi- Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), po-
me militar, foi o ponto de partida para a industria- dem ter redução de até 88% do imposto sobre pro-
lização da região Norte, resultado de planejamento dutos importados (desde que o produto seja matéria-
governamental. A Zona Franca atraiu empresas -prima para a produção industrial no polo) e, tam-
pela facilidade de não terem de pagar taxas de im- bém, têm redução de 75% do Imposto de Renda
portação de componentes para montagem de seus Pessoa Jurídica (IRPJ), calculado com base no lucro.
produtos e pela isenção de impostos por um certo Apenas alguns setores industriais, como as indús-
período. Esses incentivos fiscais da Zona Franca trias de produtos do fumo, de perfumaria, de bebidas
devem ir até 2023. alcoólicas, de armas e munições e de automóveis
para passageiros, não recebem esses incentivos.
Entretanto, as grandes distâncias dos centros
consumidores e a deficiência da rede de transportes Em Manaus também está localizada a Refinaria
da região acabaram por criar áreas industriais de- de Manaus (Reman), que processa o petróleo extraí-
sarticuladas da economia regional. do no estado.

A base da Zona Franca de Manaus é o Polo Linha de produção em fábrica de produtos eletrônicos na Zona
Industrial de Manaus, que abriga mais de 500 in- Franca de Manaus, em Manaus (AM). Foto de 2016.
dústrias, com destaque para os setores eletroeletrô-
nico (televisores, monitores para computadores,
aparelhos de som, de DVD e blue-ray), de relógios,

182 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

Outros distritos industriais na região Norte No Pará, as principais indústrias são as ali-
são Itacoatiara e Manacapuru (no estado do mentícias, têxteis, madeireiras e a metalurgia
Amazonas), onde se destacam indústrias madei- do alumínio. Nesse estado, destacam-se os dis-
reiras, mecânicas, material elétrico, têxtil, produ- tritos industriais de Ananindeua, Barcarena e
tos farmacêuticos e veterinários. Marabá.

Ampliando o conhecimento

Zona Franca de Manaus protegida desemprego num pedaço do país onde não há outra
atŽ 2073? atividade econômica capaz de absorver mão de obra.

A seleção brasileira de futebol ainda não era tricam­ O ponto é outro. Não faz sentido renovar por mais
peã do mundo e os Beatles dominavam as paradas de meio século um pacote de benefícios exatamente igual
sucesso em 1967, quando a Zona Franca de Manaus foi ao que até agora não criou as bases de uma economia
criada. O projeto previa a formação de um polo industrial que se sustente com as próprias pernas.
no coração da Floresta Amazônica.
[...]
Para atrair empresas era necessário conceder bene­ Uma das dificuldades para avaliar a Zona Franca é
fícios fiscais, como isenções e desonerações tributárias, justamente saber para que ela existe. Na década de
até a economia local se tornar competitiva. Mais de cinco [19]60, havia pelo menos uma razão clara para
décadas depois, Manaus de fato se tornou um centro de incentivar as empresas no Norte do Brasil. Na época, os
grandes indústrias. militares temiam que os recursos naturais disponíveis
numa Amazônia isolada e despovoada despertassem a
[...] cobiça dos estrangeiros — seu lema para a região era
Inicialmente previstos para durar até 1997, eles “Integrar para não entregar”.
primeiro foram esticados até 2013. Depois, até 2023. Com o tempo, os aspectos econômicos e comerciais
Agora o governo federal enviou ao Congresso uma tornaram­se mais relevantes. Hoje, os críticos do modelo
proposta de emenda constitucional para estender o da Zona Franca olham para a Ásia quando pensam em
regime por mais 50 anos, até 2073. políticas econômicas.
[...] Na China, as empresas que se beneficiam do apoio
Em Manaus, como seria de esperar, é difícil encontrar estatal precisam cumprir metas de investimento em
alguém contrário à existência da Zona Franca. As tecnologia e inovação.
empresas lá instaladas estão entre as maiores defensoras [...]
do modelo. Mesmo entre os defensores, no entanto, há certo
Só a geração de empregos na região já justificaria a consenso de que dificilmente o modelo atual vá resistir
Zona Franca. à evolução do mercado. Se a Zona Franca não se adaptar
Fora do Amazonas, no entanto, muitos analistas à globalização, vai desaparecer mesmo com os atuais
defendem a revisão do modelo. Para eles, após cinco incentivos. Uma das providências mais urgentes é
décadas de incentivos, ainda não foi criada uma indústria melhorar a logística da região.
competitiva. Hoje, o frete de uma carga da China para Santos sai
Zona Franca não trouxe mais produtividade ao Brasil mais barato do que de Manaus para o porto paulista. [...]
e Manaus ainda não conquistou uma posição relevante Riqueza natural única no planeta, a biodiversidade
no comércio exterior. Suas empresas importam cerca de amazônica está à espera de ideias para criar negócios
10 bilhões de dólares por ano em material e peças. de biotecnologia, remédios e cosméticos. Essas são
O valor exportado, de 1 bilhão de dólares, resulta em algumas possibilidades que poderiam reduzir ou eliminar
deficit de 9 bilhões de dólares. Os benefícios fiscais concedidos a dependência que a região tem de muletas fiscais.
às empresas chegam a 24 bilhões de reais ao ano. A hora da renovação dos incentivos deveria ser um
O montante inclui isenções de tributos federais e bom momento para uma reflexão sobre o que a Zona
contribuições previdenciárias — um dinheiro que não Franca em particular e a Amazônia como um todo preci­
entra nos cofres públicos e deixa de ser aplicado em sam de fato para dar um salto de competitividade nos
serviços como saúde, educação e infraestrutura. próximos anos.
[...]
Ninguém está dizendo que o ideal seria eliminar de MAIA JÚNIOR, H. Revista Exame, 20 jan. 2014.
uma só vez os benefícios da Zona Franca. A consequência Disponível em: <http://exame.abril.com.br/revista-exame/
mais provável seria a saída das indústrias, causando
edicoes/1057/noticias/cem-anos-de-protecao>.
Acesso em: 11 abr. 2016.

Localização espacial e dispersão das indústrias C A P Í T U L O 1 5 183

Região Centro-Oeste para a indústria de pneus, borrachas e plásticos, e
as montadoras de máquinas agrícolas e de automó-
Apesar de ser a menos industrializada do Brasil, veis. Itumbiara dedica-se à confecção de vestuário
a região Centro-Oeste vem apresentando elevado e uniformes.
crescimento nos setores industriais ligados à agroin-
dústria, como o de produção de alimentos. Nos úl- Desde 2009, Goiás vem recebendo uma migra-
timos anos, essa região tem atraído novos tipos de ção de usinas de açúcar e álcool e retirando do es-
indústria: farmacêuticas, de transportes, de material tado de Mato Grosso grandes investimentos nessa
elétrico e montadoras de veículos, entre outras. área, transformando o estado goiano na nova fron-
teira do álcool.
Goiás é o estado mais industrializado, principal-
mente no seu centro-sul, com destaque para a Região O estado de Mato Grosso é o menos industriali-
Metropolitana de Goiânia, onde sobressaem as ci- zado, com alguns centros industriais, como Cuiabá
dades de Goiânia, Aparecida de Goiânia (areia para (indústrias alimentícias, de eletrodomésticos, de
construção, tijolos, móveis hospitalares), Senador vestuário e pesqueiras) e Rondonópolis (processa-
Canedo (polo petroquímico da Petrobras) e Goianira doras de soja, têxteis, fertilizantes e curtumes).
(polo calçadista e de couro). Algumas cidades apresentam indústrias pesqueiras.
É o caso de Cáceres, onde acontece o internacional-
Fora da Região Metropolitana de Goiânia, a in- mente conhecido Festival da Pesca Fluvial.
dústria está presente principalmente em Anápolis,
Catalão e Itumbiara. O polo farmacêutico de As indústrias mais numerosas na região Centro-
Anápolis abriga cerca de vinte empresas de produ- -Oeste são as chamadas agroindústrias, que proces-
ção de medicamentos genéricos. O município ainda sam matérias-primas produzidas pela agricultura.
conta com indústrias variadas e uma montadora de Entre as agroindústrias, podem ser destacadas as
automóveis. Catalão conta com mineração de nióbio, processadoras de soja para a produção de óleo ve-
produção de fosfato e fertilizantes, matéria-prima getal e farelo, os frigoríficos e as usinas de álcool
extraído da cana-de-açúcar, sendo três dessas usinas

instaladas em Tangará da Serra.
Mato Grosso do Sul conta

com quatro distritos agroindus-
triais: Campo Grande, Dourados,
Três Lagoas e Corumbá.
Mario Friedlander/Pulsar Imagens
Germano Luders/Coleção Abril/Latinstock
Terminal fluvial para embarque
de minério de ferro no rio
Paraguai, em Ladário (MS), em
2014.

Linha de produção
de automóveis em
Anápolis (GO),
em 2013.

184 U N I D A D E 4 Organização do espaço econômico e industrialização

Refletindo sobre o conteúdo

1. Analise as informações a seguir. Não escreva Gráficos: Arte Ação/Arquivo da editora. Mapa: Banco de Imagens/Arquivo da editora
Crescimento do PIB por estados e regiões brasileiras — 2002-2012 no livro

Participação dos cinco maiores PIBs regionais no PIB do país, em % Participação das regiões no
PIB do país, em %
34,6
32,1

Norte

4,7 5,3

11,6 11,5 Nordeste

13 13,6

8,6 9,2 7,1 6,3

6 5,8 Centro-Oeste

8,8 9,8

Sudeste

São Paulo Rio de Janeiro Minas Gerais Rio Grande Paraná
do Sul
Participação das outras 2002 56,7 55,1
22 unidades da Federação 2002 2012
2012
no PIB do país, em % Sul

32 16,9 16,2

35,1

Adaptado de: IBGE. Contas Regionais do Brasil — 2012. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/
estatistica/economia/contasregionais/2012/default_xls_2002_2012.shtm>. Acesso em: 15 abr. 2016.

a) Quais regiões geográficas aumentaram suas par- 3. Uma importante indústria transnacional automo-
ticipações no PIB brasileiro? bilística se transferiu do Rio Grande do Sul para a
Bahia, caracterizando mais um episódio que en-
b) Quais regiões geográficas tiveram redução do PIB? volveu os estados na chamada “guerra fiscal”. A
partir desse exemplo, explique o que é “guerra
c) Houve uma tendência de concentrar ou descon- fiscal”.
centrar a participação dos estados no PIB?
4. Leia o texto sobre a Zona Franca de Manaus e res-
2. Leia o texto a seguir, depois faça o que se pede. ponda às questões.
Entre 1970 e 1990, o número de estabelecimentos e
O parque industrial da ZFM (Zona Franca de Manaus)
o valor da transformação industrial crescem significati­ é o único que não possui chaminés, por outro lado a de­
vamente no interior do estado. Enquanto em 1970 a ficiência de um sistema de tratamento dos resíduos, que
Região Metropolitana reunia 36,09%, o município de São são lançados sem nenhum tratamento nos igarapés que
Paulo apresentava 28,94% e o interior apenas 6,95% do cortam o distrito e as áreas próximas, ainda é um pro­
total nacional de estabelecimentos industriais, duas dé­ blema a ser solucionado.
cadas mais tarde as participações respectivas eram de
21,95%, 9,23% e 15,26%. MIGUEIS, Roberto. Geografia do Amazonas. Manaus:
Valer Editora, 2011. p. 105.
SANTOS, Mílton; SILVEIRA, María Laura.
O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. a) Relacione a Zona Franca de Manaus à industria-
lização da região Norte.
Rio de Janeiro: Record, 2001. p. 108.
b) O texto aponta um aspecto ambiental positivo e
a) Identifique e explique o processo descrito no texto. um problema ambiental da produção industrial.
Identifique-os.
b) O processo de descentralização industrial é ex-
clusivo da cidade e do estado de São Paulo? Justi-
fique sua resposta.

Localização espacial e dispersão das indústrias C A P Í T U L O 1 5 185

Concluindo a Unidade 4

Leia o texto, reflita e responda às questões propostas. Mas com exceção de alguns setores, essa “destruição
criativa” foi insuficiente para colocar a indústria brasileira no
O Brasil está se desindustrializando. Isso caminho da produtividade em um momento no qual ela se
é ruim? tornava cada vez mais essencial.

[...] De acordo com um estudo divulgado ontem [10/3/2014]
Um dos argumentos para essa posição é a questão da pela McKinsey & Company, o PIB brasileiro poderia ter cres­
renda: de acordo com a Fiesp, a desindustrialização aconteceu cido 45% a mais entre 1990 e 2000 sem o efeito negativo
nas economias avançadas depois que elas atingiram uma da produtividade.
renda per capita na faixa dos US$ 19 mil. No Brasil, o
processo começou quando ele estava em US$ 7,5 mil. Obstáculos
Outro argumento de quem defende a indústria é que ela
gera encadeamentos positivos para o resto da economia e E aí entram os inúmeros obstáculos tributários, regulató­
empregos com melhores condições e remuneração. rios e trabalhistas, além do “Custo Brasil” imposto pela
Nesse sentido, o problema não é que o Brasil caminhou infraestrutura deficiente — citado como principal problema
para o setor de serviços, e sim para quais: [...]. Isso sem falar no aumento da competição internacional.
“Os que mais crescem são os atrasados: o financeiro, de
vigilância, comunicação, que não geram tanto emprego de Nos últimos anos, o câmbio havia voltado a ser outra
qualidade”, diz Nelson Marconi, coordenador do Centro de pedra na engrenagem: quando a moeda do país está muito
Estudos sobre economia brasileira da escola de Economia da valorizada, fica mais barato importar do que produzir
Fundação Getúlio Vargas. internamente.
Para o ex­ministro da Fazenda Maílson da Nobrega, a
questão central não é a desindustrialização em si, mas como O aumento da renda brasileira tem “vazado” para fora
ela aconteceu: do país, e o resultado é a piora na balança comercial e o
“O processo de transformação estrutural é inevitável e aumento no deficit em conta­corrente.
tende a ser mais rápido nas economias que chegaram mais
tarde, mas isso não significa que o que estamos vendo no A desvalorização recente do real pode amenizar estes
Brasil de hoje é bom. Nossa desindustrialização acelera por problemas e até dar um fôlego para a indústria, e os números
deficiências internas e está associada não ao processo natu­ de janeiro divulgados hoje já podem ser um indício desta reação.
ral, mas a uma perda grave de competitividade da indústria
brasileira, que tem origens mais remotas.” O que é certo é que com desindustrialização ou não, o
Brasil não vai se desenvolver olhando para trás. O debate
Raízes não é sobre qual indústria ou setor merece mais proteção, e
sim qual aponta para um futuro mais promissor.
Algumas destas origens são históricas. A partir de 1985,
quando a indústria atingiu seu pico, a economia brasileira “Em algumas indústrias como a farmacêutica, biomédica,
passou a ser sacudida pela crise da dívida externa e um cená­ química e de energia, temos um cavalo selvagem sendo
rio internacional adverso. segurado pelas rédeas. Mesmo com todo o Custo Brasil do
mundo, sempre temos oportunidades.”, diz José Augusto
Em 1994, veio o Plano Real, cuja missão era estabilizar a Fernandes, diretor de políticas e estratégia da CNI (Confede­
economia e combater a hiperinflação. Isso exigiu abertura ração Nacional da Indústria).
comercial, juros altos e câmbio valorizado — um tripé que
tornou a indústria mais vulnerável à competição internacional: CALEIRO, J. P. Revista Exame, 11 mar. 2016. Disponível em:
“com a abertura dos anos 90, foi impossível se acomodar”, <http://exame.abril.com.br/economia/noticias/
diz Nelson Marconi.
o-brasil-esta-se-desindustrializando-isso-e-problema>.
Acesso em: 14 mar. 2016.

1 Caracterize desindustrialização.

2 O Brasil atual pode ser enquadrado no processo de
desindustrialização? Justifique.

Testes e quest›es Não escreva no livro

Enem A produção, que se encontrava em altos níveis, teria que
seguir crescendo, pois os produtores haviam continuado a
1 Ao deflagrar­se a crise mundial de 1929, a situação da expandir as plantações até aquele momento. Com efeito,
economia cafeeira se apresentava como se segue. a produção máxima seria alcançada em 1933, ou seja,

186 C O N C L U I N D O A U N I D A D E 4

no ponto mais baixo da depressão, como reflexo das gran­ 3 Colhe o Brasil, após esforço contínuo dilatado no tempo,
des plantações de 1927­1928. Entretanto, era totalmente o que plantou no esforço da construção de sua inserção
impossível obter crédito no exterior para financiar a reten­ internacional. Há dois séculos formularam­se os pilares
ção de novos estoques, pois o mercado internacional de da política externa. Teve o país inteligência de longo pra­
capitais se encontrava em profunda depressão, e o crédito zo e cálculo de oportunidade no mundo difuso da transi­
do governo desaparecera com a evaporação das reservas. ção da hegemonia britânica para o século americano.
Engendrou concepções, conceitos e teoria própria no
FURTADO, C. Formação econômica do Brasil. São Paulo: século XIX, de José Bonifácio ao Visconde do Rio Branco.
Cia. Editora Nacional, 1997 (adaptado). Buscou autonomia decisória no século XX. As elites se
interessaram, por meio de calorosos debates, pelo desti­
Uma resposta do Estado brasileiro à conjuntura eco- no do Brasil. O país emergiu, de Vargas aos militares,
nômica mencionada foi o(a) como ator responsável e previsível nas ações externas do
Estado. A mudança de regime político para a democracia
a) atração de empresas estrangeiras. não alterou o pragmatismo externo, mas o aperfeiçoou.

b) reformulação do sistema fundiário. SARAIVA, J. F. S. O lugar do Brasil e o silêncio do parlamento.
Correio Braziliense, Brasília, 28 maio 2009 (adaptado).
c) incremento da mão de obra imigrante.
Sob o ponto de vista da política externa brasileira no
d) desenvolvimento de política industrial. século XX, conclui-se que

e) financiamento de pequenos agricultores. a) o Brasil é um país periférico na ordem mundial,
devido às diferentes conjunturas de inserção in-
2 Os textos a seguir relacionam-se a momentos dis- ternacional.
tintos da nossa história.
b) as possibilidades de fazer prevalecer ideias e con-
A integração regional é um instrumento fundamental ceitos próprios, no que tange aos temas do co-
para que um número cada vez maior de países possa mércio internacional e dos países em desenvolvi-
melhorar a sua inserção num mundo globalizado, já que mento, são mínimas.
eleva o seu nível de competitividade, aumenta as trocas
comerciais, permite o aumento da produtividade, cria c) as brechas do sistema internacional não foram
condições para um maior crescimento econômico e fa­ bem aproveitadas para avançar posições voltadas
vorece o aprofundamento dos processos democráticos. para a criação de uma área de cooperação e as-
A integração regional e a globalização surgem assim sociação integrada a seu entorno geográfico.
como processos complementares e vantajosos.
d) os grandes debates nacionais acerca da inserção
Declaração de Porto, VIII Cimeira Ibero-Americana, internacional do Brasil foram embasados pelas
Porto, Portugal, 17 e 18 out. 1998. elites do Império e da República por meio de con-
sultas aos diversos setores da população.
Um considerável número de mercadorias passou a
ser produzido no Brasil, substituindo o que não era pos­ e) a atuação do Brasil em termos de política externa
sível ou era muito caro importar. Foi assim que a crise evidencia que o país tem capacidade decisória
econômica mundial e o encarecimento das importações própria, mesmo diante dos constrangimentos in-
levaram o governo Vargas a criar as bases para o cresci­ ternacionais.
mento industrial brasileiro.
4 Uma mesma empresa pode ter sua sede administrativa
POMAR, Wladimir. Era Vargas — A modernização conservadora. onde os impostos são menores, as unidades de produção
onde os salários são os mais baixos, os capitais onde os
É correto afirmar que as políticas econômicas men- juros são os mais altos e seus executivos vivendo onde a
cionadas nos textos são: qualidade de vida é mais elevada.

a) opostas, pois, no primeiro texto, o centro das preo- SEVCENKO, N. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-
cupações são as exportações e, no segundo, as -russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001 (adaptado).
importações.
No texto estão apresentadas estratégias empresa-
b) semelhantes, uma vez que ambos demonstram riais no contexto da globalização. Uma consequência
uma tendência protecionista. social derivada dessas estratégias tem sido

c) diferentes, porque, para o primeiro texto, a ques- a) o crescimento da carga tributária.
tão central é a integração regional e, para o se-
gundo, a política de substituição de importações. b) o aumento da mobilidade ocupacional.

d) semelhantes, porque consideram a integração c) a redução da competitividade entre as empresas.
regional necessária ao desenvolvimento eco-
nômico. d) o direcionamento das vendas para os mercados
regionais.
e) opostas, pois, para o primeiro texto, a globaliza-
ção impede um aprofundamento democrático e, e) a ampliação do poder de planejamento dos Esta-
para o segundo, a globalização é geradora da dos nacionais.
crise econômica.

CONCLUINDO A UNIDADE 4 187

5 O gráfico a seguir mostra a porcentagem da força de Considerando o processo histórico de desenvolvi-
trabalho brasileira em quarenta anos, com relação aos mento econômico e territorial brasileiro, ao longo da
setores agrícola, de serviços e industrial/mineral. primeira metade do século XX, é correto afirmar que

1940 1960 1980 a) o estabelecimento de redes comerciais protecio-
70% nistas estimulou a produção cafeeira, a partir
deste momento voltada ao sólido mercado con-
60% sumidor nacional.

50% b) o fortalecimento do mercado interno reforçou o
movimento de substituição das importações, fo-
40% mentado na região Sudeste pela ação do Estado
e do capital estrangeiro.
30%
c) a adoção de superintendências locais financiou a
20% Agricultura modernização da economia açucareira do litoral
10% Serviços nordestino, reinserindo-a no mercado internacional.

Indústria/Mineração d) a implantação de um sistema nacional integrado
0 solidificou os empreendimentos agroindustriais
da região Centro-Oeste, agora protegidos pelo
A leitura do gráfico permite constatar que: planejamento desenvolvimentista nacional.
a) em quarenta anos, o Brasil deixou de ser essen-
e) a articulação regional garantiu o crescimento
cialmente agrícola para se tornar uma sociedade da exploração aurífera em Minas Gerais, forne-
quase exclusivamente industrial. cendo subsídios técnicos e amplo mercado con-
b) a variação da força de trabalho agrícola foi mais sumidor.
acentuada no período de 1940 a 1960.
c) por volta de 1970, a força de trabalho agrícola 2 (UFF-RJ) A descentralização espacial da indústria
tornou-se equivalente à industrial e de mineração. no Brasil se relaciona à rentabilidade dos lugares,
d) em 1980, metade dos trabalhadores brasileiros segundo as condições técnicas (equipamentos,
constituía a força de trabalho do setor agrícola. transportes, energia) e organizacionais (impostos,
e) de 1960 a 1980, foi equivalente o crescimento incentivos fiscais, relações de trabalho, ativismo sin-
percentual de trabalhadores nos setores indus- dical). De acordo com tais condições, muitas empre-
trial/mineral e de serviços. sas abandonam os tradicionais aglomerados urbanos
em função de novos e mais rentáveis lugares.
6 A partir dos anos 70, impõe­se um movimento de descon­
centração da produção industrial, uma das manifestações Pode-se mencionar como expressão territorial dessa
do desdobramento da divisão territorial do trabalho no nova dinâmica das empresas no Brasil:
Brasil. A produção industrial torna­se mais complexa,
estendendo­se, sobretudo, para novas áreas do Sul e para a) o médio vale do Paraíba do Sul, especialmente os
alguns pontos do Centro­Oeste, do Nordeste e do Norte. municípios de Resende e Porto Real, com a insta-
lação de montadoras automobilísticas.
SANTOS, M.; SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no
início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2002 (fragmento). b) o norte e o noroeste fluminense, especialmente
os municípios de Campos e Macaé, com a expan-
Um fator geográfico que contribui para o tipo de alte- são da agroindústria do álcool.
ração da configuração territorial descrito no texto é:
a) Obsolescência dos portos. c) o litoral sul do estado de São Paulo, no eixo da
b) Estatização de empresas. rodovia Régis Bittencourt, com a localização da
c) Eliminação de incentivos fiscais. indústria têxtil.
d) Ampliação de políticas protecionistas.
e) Desenvolvimento dos meios de comunicação. d) a região da Grande Vitória, especialmente na
área portuária, com a instalação da indústria
Testes de vestibular Não escreva química.
no livro
e) a zona da mata mineira, sobretudo os municípios
1 (Fuvest-SP) de Uberaba e Uberlândia, com o desenvolvimen-
to de polos tecnológicos.
Observado de um ângulo distinto, o desenvolvimen­
to da primeira metade do século XX apresenta­se basi­ 3 (UFMG — adaptada) O desempenho atual da indús-
camente como um processo de articulação das distintas tria brasileira sofre interferência negativa de fatores
regiões do país em um sistema com um mínimo de inte­ de ordem interna ou externa.
gração.
Considerando-se essa informação, é incorreto afir-
Celso Furtado. Formação econômica do Brasil. 2013. mar que, no Brasil, a indústria é afetada:

188 CONCLUINDO A UNIDADE 4

a) internamente, pelo custo das tarifas públicas e 5 (Cefet-MG) A indústria brasileira enfrenta vários
pela carga tributária, que penalizam o setor pro- problemas, que aumentam seus custos e dificultam
dutivo brasileiro. uma maior participação no mercado externo, tais
como:
b) externamente, pelas oscilações no valor da moe-
da do País, que interferem na competitividade do I. os baixos investimentos públicos e privados em
produto nacional. desenvolvimento tecnológico;

c) externamente, pelos acordos bilaterais que, assi- II. as barreiras tarifárias e não tarifárias impostas por
nados pelo país, restringem o número de parceiros outros países à importação de produtos brasileiros;
e itens comercializados.
III. a maior dispersão espacial dos estabelecimentos in-
d) internamente, pelo baixo poder aquisitivo de gran- dustriais em regiões historicamente marginalizadas;
de parte do mercado consumidor, consequência
da má distribuição de renda no País. IV. as deficiências dos transportes acarretadas pela
má conservação das rodovias e ferrovias.
e) n. d. a.
Pode-se concluir que são corretos apenas os itens:
4 (Fatec-SP) Observe os mapas que representam di-
ferentes propostas de regionalização para o Brasil: a) I, II e III. d) II, III e IV.
o Mapa 1 refere-se à divisão regional do IBGE e o
Mapa 2, à divisão de Mílton Santos e Maria Laura b) I, II e IV. e) N. D. A.
Silveira, expressa na obra “O Brasil: Território e
Sociedade no início do século XXI”. c) I, III e IV.

Mapa 1 6 (UFPI) Sobre o processo de industrialização no Brasil,
analise as afirmações a seguir:

REGIÃO Banco de imagens/Arquivo da editora I. Até a década de 1930, não se desenvolveu uma
NORTE política de industrialização, pois as atenções es-
tavam voltadas para o setor agrário-exportador.
REGIÃO
NORDESTE II. Um período importante para o desenvolvimento
industrial ocorreu após 1945, com o início da cri-
Mapa 2 se da cafeicultura brasileira.

REGIÃO REGIÃO III. Após 1950, o desenvolvimento se fez com grande
CENTRO-OESTE AMAZÔNICA participação de capitais estrangeiros, iniciando-se
a internacionalização da economia do país.
REGIÃO
SUDESTE IV. Os governantes militares, após 1964, interromperam
o processo de internacionalização, principalmente
REGIÃO REGIÃO pela abertura política e democratização do país.
SUL NORDESTE

REGIÃO
CENTRO-OESTE

REGIÃO Está correto o que se afirma em:
CONCENTRADA

a) I e II. d) I, II e III.

b) I e III. e) II, III e IV.

Sobre essas propostas de regionalização do espaço c) II e IV.
brasileiro, assinale a alternativa correta.
7 (UFRGS-RS) Sobre o processo de industrialização
a) Nas propostas de regionalização representadas brasileiro, são feitas as seguintes afirmações:
nos mapas 1 e 2, não são respeitados os limites
entre as unidades da federação. I. A partir de 1930, começa um importante projeto
de criação de infraestrutura para o desenvolvi-
b) Na proposta de regionalização representada no mento do parque industrial.
mapa 1, o território brasileiro está dividido de acor-
do com os tipos climáticos. II. A partir da Segunda Guerra Mundial, acentua-se
o processo de estatização das indústrias na região
c) Na proposta de regionalização representada no Sudeste.
mapa 1, o principal critério adotado foi o processo
de ocupação do território brasileiro. III. A partir de 1964, amplia-se o parque industrial
para atender à demanda da modernização da agri-
d) A proposta de regionalização representada no cultura.
mapa 2 está fundamentada no conceito de região
natural. Quais estão corretas?

e) A proposta de regionalização representada no a) Apenas I. d) Apenas I e III.
mapa 2 baseia-se na difusão diferenciada do meio
técnico-científico-informacional. b) Apenas II. e) Apenas II e III.

c) Apenas III.

C O N C L U I N D O A U N I D A D E 4 189

8 (Unesp-SP) Entre o final da década de 1960 e o início 10 (UFRRJ) Considerando a estrutura industrial brasi-
da década de 1970, a economia brasileira obteve altos leira no que se refere à origem do capital, é correto
índices de crescimento. O fenômeno se tornou conhe- afirmar que:
cido como milagre econômico e derivou da aplicação
de uma política que provocou, entre outros efeitos, a) desde a origem da industrialização brasileira, a
a) êxodo rural e incremento no setor ferroviário. indústria de capital privado nacional sempre foi
b) crescimento imediato dos níveis salariais e das numericamente superior às demais.
taxas de inflação.
c) aumento do endividamento externo e da concen- b) na atualidade, as indústrias de capital privado
tração de renda. nacional são um setor forte e predominante no
d) estatização do aparato industrial e do setor ener- sistema econômico.
gético.
e) crise energética e novos investimentos em pes- c) somente após 1964 as empresas estatais passa-
quisas tecnológicas. ram a uma fase de enfraquecimento.

9 (Unifor-CE) A questão está relacionada aos mapas d) as multinacionais, com sede no exterior, começa-
e às afirmações a seguir. ram a penetrar mais intensamente no Brasil após
a Segunda Guerra Mundial.
Processo de descentralização da indústria
automobilística e) desde a origem da industrialização brasileira, as
fábricas de propriedade do governo tiveram mais
0 1200 importância e mais incentivos fiscais.
km
Questões de vestibularReprodução/Unifor 2008 Não escreva
THÉRY, Hervé; MELLO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil. Reprodução/Uerj 2014no livro
São Paulo: Edusp, 2005. p. 159.
1 (Fuvest-SP) O processo de desconcentração indus-
I. As novas unidades produtivas implantadas fora trial no Brasil vem sendo apontado como um dos
do Sudeste não conseguiram diminuir as diferen- responsáveis pelos altos índices de desemprego ve-
ças regionais de industrialização. rificados em algumas áreas metropolitanas. Ao mes-
mo tempo, o setor terciário tem sido, reconhecida-
II. Com a redistribuição das indústrias automobilís- mente, o grande empregador no atual estágio de
ticas, São Paulo perdeu a liderança nacional no desenvolvimento da economia brasileira. Com base
quesito pessoal empregado na indústria. nessas informações e em seus conhecimentos:

III. Há uma verdadeira guerra fiscal entre os estados a) Cite e analise duas causas possíveis dessa des-
e inúmeras empresas são atraídas para outras concentração industrial.
regiões do país.
b) Explique por que o setor terciário tornou-se o
IV. Vários tecnopolos foram implantados no Nor- maior empregador do país.
deste, associados à indústria automobilística.
2 (Uerj) Acompanhando uma tendência mundial, a
A leitura dos mapas e os conhecimentos sobre a di- partir dos anos 1970, houve uma série de mudanças
nâmica industrial brasileira permitem afirmar que na localização das atividades industriais brasileiras,
estão corretos somente: como representado, por exemplo, no mapa do estado
a) I e II. de São Paulo.
b) I e III.
c) I e IV. SÃO PAULO
d) II e III.
e) III e IV. Trópico de Capricórnio N

até 1975 Oceano 0 125 250
de 1975 a 1986 Atlântico 1 cm - 125 km
estradas
cidades

Indique duas causas para a desconcentração indus-
trial nesse estado e duas consequências desse pro-
cesso para a região metropolitana paulista.

190 CONCLUINDO A UNIDADE 4

Outras fontes de reflexão e pesquisa

Filmes atrelada à expansão cafeeira no Sudeste. Com os
governos mais recentes, a autora analisa a cres-
Apresentamos a seguir algumas sugestões de filmes cente desnacionalização da economia, a desin-
que abordam o conteúdo tratado nesta Unidade. dustrialização e o avanço da política neoliberal.

Mauá, o imperador e o rei Brasil: do café à indústria

Direção: Sérgio Rezende. Brasil, 1999, 135 minutos. Roberto Catelli Junior. São Paulo: Brasiliense,
História de Irineu Evangelista de Souza, o 2004.
Visconde e Barão de Mauá, um dos homens mais A cafeicultura paulista do século XIX foi o motor
ricos e poderosos que o Brasil já conheceu. da economia nacional até 1930, trazendo consigo,
Ambicioso e empreendedor, ele construiu, aos a partir de 1880, o processo de industrialização
30 anos de idade, a primeira indústria brasileira. brasileira.

Um sonho intenso Industrialização brasileira no século XX

Direção: José Mariani. Brasil, 2013, 142 minutos. Marco César de Araújo. Osasco: Edifieo, 2008.
Documentário que reconta a história social e eco- O autor reconstrói o processo de industrialização
nômica brasileira de 1930 até a atualidade. brasileira até o contexto da globalização.
Economistas e historiadores discutem os avanços
socioeconômicos do país e analisam os principais O futuro da indústria no Brasil: desindustrializa-
erros e acertos do processo de industrialização ção em debate.
nacional.
Edmar Bacha e Monica Baumgarten de Bolle. Rio
Livros de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.
O livro reúne artigos de conhecidos economistas
Estes livros poderão elucidar e ampliar o assunto brasileiros atuais que debatem questões funda-
estudado. mentais para o entendimento dos rumos da eco-
nomia brasileira.
A desindustrialização brasileira
Sites
André Filipe Zago de Azevedo. São Leopoldo:
Unisinos, 2013. Os sites indicados a seguir constituem uma boa fon-
Obra atual que permite compreender o processo te de pesquisa.
de desindustrialização brasileiro.
<www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/
A era Mauá: os anos de ouro da monarquia no industria/pia/empresas/2013/defaultempresa.
Brasil shtm>
Site que reúne um conjunto de informações eco-
Divalte Garcia Figueira. São Paulo: Saraiva, 2002. nômico-financeiras que permitem estimar as
Irineu Evangelista de Souza, mais conhecido por características estruturais básicas do segmento
Barão ou Visconde de Mauá, teve a perspicácia empresarial da atividade industrial no país e
necessária para aproveitar as oportunidades que acompanhar a sua evolução ao longo do tempo.
surgiam no país em pleno regime monárquico.
Esse livro analisa a política, a economia e a so- <www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/
ciedade do Segundo Império nos primórdios da industria/pimpf/br/default.shtm>
industrialização brasileira, uma época de profun- Site do IBGE com informações mensais sobre a
das mudanças na vida do país. produção industrial.

A industrialização brasileira <www.mdic.gov.br//sitio/interna/index.
php?area=2>
Sonia Regina de Mendonça. São Paulo: Moderna, Site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria
2004. e Comércio, com informações sobre a cadeia pro-
Análise da industrialização brasileira desde a ins- dutiva de vários tipos de indústria.
talação das primeiras manufaturas, que se man-
tiveram incipientes até o final do século XIX,
quando começou a nascer a grande indústria,

CONCLUINDO A UNIDADE 4 191

unidade Atividades
primárias no
Dirceu Portugal/Futura Press
5 Brasil

Andre Dib/Pulsar Imagens Pantaneiro em Colheita de milho
Cáceres (MT), em Alto Piquiri
em 2015. (PR), em 2014.

Thomaz Vita Neto/Pulsar Imagens

Exploração de
fosfato em Tapira
(MG), em 2014.

As atividades primárias, a agropecuária e o extrativismo mineral foram responsáveis pela ocu-
pação e pela atual configuração do território brasileiro, exercendo sempre papel fundamental
na economia do país. Nesta Unidade, você vai conhecer esses setores que respondem pela produção
das commodities que têm expressiva participação no PIB e na pauta das exportações brasileiras.

192

Luis Salvatore/Pulsar Imagens capítulo 16 2 Lucas Lacaz Ruiz/Fotoarena
4
Ismar Ingber/Pulsar Imagens O espaço agropecuário Lucas Lacaz Ruiz/Futura Press
brasileiro

1

Ernesto Reghran/Pulsar Imagens

3

O setor agropecuário é o responsável não só pela produção dos alimentos que estão na mesa dos brasileiros, mas também por

alguns de nossos mais notáveis produtos de exportação. Fotos: 1 — comércio de grãos no Mercado Municipal de Bragança (PA),
em 2013; 2 — legumes à venda em feira livre em São José dos Campos (SP), em 2014; 3 — comércio de hortaliças em feira livre
no Rio de Janeiro (RJ), em 2015; 4 — venda de fruta em São José dos Campos (SP), em 2013; ao centro — silos de armazenagem
em plantação de soja em Ibiporã (PR), em 2016.

O campo brasileiro pauta das exportações brasileiras, produtos como a
soja, a cana-de-açúcar, a laranja, entre outros avan-
A realidade das atividades do campo brasileiro çaram pelas terras cultiváveis, reduzindo o espaço
reflete a transição de um modelo econômico agro- ocupado por produtos alimentícios, diminuindo a
exportador para um perfil de industrialização tardia: produtividade e aumentando o preço para o consu-
a agropecuária (agricultura e pecuária) tornou-se midor final. Por esse motivo, apesar da grande pro-
subordinada à indústria e aos interesses econômicos dução agropecuária brasileira, o país ainda importa
de grupos brasileiros e internacionais. O agronegó- gêneros agrícolas essenciais.
cio passou a dominar o setor e a fornecer produtos
competitivos no mercado internacional. Ao mesmo Mas essa agropecuária modernizada não é pra-
tempo que ocupam lugar de grande destaque na ticada em todo o território nacional. Há um visível
predomínio da agricultura e da pecuária extensivas

O espaço agropecuário brasileiro C A P Í T U L O 1 6 193

que ocupam grandes espaços concentrados nas re- áreas do país resulta na baixa produtividade das
giões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Podemos lavouras e dos rebanhos.
verificar que, no espaço agrário brasileiro, a alta
tecnologia convive com a precariedade de recursos Além disso, podemos observar uma subutilização
de certos tipos de cultura, em que o uso reduzido de do espaço agropecuário: apenas cerca de 23% do espa-
capital, máquinas, adubos e fertilizantes em várias ço geográfico brasileiro é aproveitado por pastagens
e cerca de 7% por lavouras. Veja o infográfico a seguir.

Brasil: utilização das terras Luis Moura/Arquivo da editora

Agricultura (7%)

Vegetação Urbanização
nativa (65,5%) e outros usos

(4,5%)

Pastagens
(23%)

Adaptado de: REDE DE CONHECIMENTO DO AGROBRASILEIRO (Redeagro). Usos da terra no Brasil. Disponível em:
<www.redeagro.org.br/images/stories/uso_da_terra_no_brasil.pdf>. Acesso em: 18 maio 2016.

Atividades agrícolas Um tipo de agricultura familiar bastante co-
mum, principalmente em regiões mais carentes, é
Segundo o IBGE, nos Censos agropecuários, os a agricultura de subsistência, voltada para satisfa-
estabelecimentos agrícolas no Brasil se encontra- zer as necessidades alimentares dos próprios agri-
vam divididos entre a agricultura familiar e a agri- cultores. Em geral, é praticada em pequenas ou
cultura patronal, classificação que leva em conta médias propriedades utilizando-se técnicas tradi-
quem administra a propriedade produtora. cionais e sem uso de maquinário e de tecnologia.

Se considerarmos o número de estabelecimentos, Dependendo do tamanho da propriedade, a agri-
temos 84,4% de agricultura familiar e 15,6% de agri- cultura familiar também pode ser comercial. Nesses
cultura não familiar. Mas, em termos de área ocupa- casos, em geral, pequenos e médios proprietários
da, a agricultura não familiar se destaca com 75,7% de terras se juntam em cooperativas que, organiza-
e a familiar com 24,3%. das em núcleos, reúnem lotes de produtos para ar-
mazenamento, processamento e distribuição, além
A agricultura familiar é aquela em que todas as de conseguirem melhores preços para venda e re-
medidas tomadas para gerir a propriedade e adminis- dução de custos. Essa é uma forma de esses peque-
trar a produção (o que plantar, para quem vender, nos e médios produtores gerarem excedentes de sua
que investimentos fazer, etc.) são executadas pelos produção e também de conseguirem rendimentos,
membros de uma família, sendo ela proprietária da vendendo os produtos para o mercado interno e,
terra ou não. Em geral, nesse tipo de agricultura os algumas vezes, até para o mercado externo.
membros da família são também a mão de obra utili-
zada. Algumas vezes, porém, há a necessidade de con- Atualmente, como parte dos programas de aumen-
tratação de mão de obra externa ao núcleo familiar. to de renda, a agricultura familiar vem recebendo

194 U N I D A D E 5 Atividades primárias no Brasil

Cesar Diniz/Pulsar Imagens Lavouras temporárias

Compreendem as áreas utilizadas para o cultivo
de culturas de curta duração (geralmente inferior a
um ano) e que só produzem uma única safra, já que,
na colheita, a planta é destruída.

A seguir, vamos ver quais são as principais la-
vouras temporárias brasileiras.

Família de agricultores colhe pinhas em Petrolina (PE). Foto de Cana-de-açúcar
2016.
Introduzida logo nos primeiros anos de coloni-
incentivos. É o caso das unidades familiares, princi- zação, a cana-de-açúcar e seus subprodutos (princi-
palmente no semiárido brasileiro, que cultivam a palmente o açúcar) ainda ocupam importante lugar
mamona, cujo óleo está sendo utilizado na produção na pauta das exportações brasileiras.
de biodiesel.
A região Centro-Sul é a maior produtora de cana-
Nos cinturões verdes que abastecem as grandes -de-açúcar do Brasil, principalmente o estado de São
cidades com frutas, verduras, legumes, leite, entre Paulo, onde é cultivada em vários municípios, como
outros produtos, também está presente a agricultu- Campinas, Americana, Piracicaba, Jaú, Ribeirão
ra de mão de obra familiar. Preto, Araraquara, São Carlos, Sertãozinho e Serrana.
Entre outros estados produtores podemos citar
A agricultura patronal é realizada por empresas Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
agrícolas que empregam trabalhadores contratados.
Trata-se da agricultura subordinada à indústria, aos Na década de 1970, com a criação do Proálcool,
serviços e ao comércio, com os quais forma uma ca- as usinas aumentaram a produção do álcool com-
deia produtiva. É a atividade típica do agronegócio. bustível, que em dez anos passou de 80 milhões de
toneladas para 229,9 milhões. A partir de 1986, com
Embora a agricultura patronal represente menos a queda do preço do petróleo no mercado interna-
de 16% do número de estabelecimentos, ela ocupa cional, o ritmo de produção diminuiu.
mais de 75% da área destinada à agropecuária, eviden-
ciando uma estrutura agrária ainda muito concentra- Na primeira década do século XXI, renasceu a
da no Brasil. Essa dicotomia entre as áreas destinadas produção de álcool para abastecer os carros bicom-
à agricultura familiar e à patronal, com suas diferen- bustíveis que chegavam ao mercado. Com isso, a
ças, quase sempre justifica a origem dos conflitos no produção de cana-de-açúcar voltou a crescer.
campo, assunto que estudaremos no Capítulo 17.
Atualmente, o maior produtor é o estado de São
Principais produtos Paulo, com quase 55,1% da produção total do país, a
agrícolas cidade de Ribeirão Preto sendo a principal “região
sucroalcooleira” do Brasil. Veja no gráfico a seguir a
De modo geral, as condições naturais (clima e produção de cana-de-açúcar, por região.
solo) no Brasil são favoráveis às atividades agrárias.
Apesar do predomínio de produtos tropicais, devido Brasil: produção de cana-de-açúcar, Arte Ação/Arquivo da editora
à sua extensão e posição geográfica, o país apresen- por região — 2015
ta condições propícias ao cultivo de diversos produ-
tos agrícolas. 0,4% Sudeste
Centro-Oeste
A soja e seus derivados, a cana-de-açúcar, a la- 6,9% Nordeste
ranja e o café são os principais produtos agrícolas 8,9% Sul
cultivados para exportação no Brasil. Entre os gêne- Norte
ros agrícolas cultivados para o mercado interno, 18,6% 65,2%
destacam-se feijão, mandioca, algodão, arroz, batata,
cebola e milho. Todos esses produtos, conforme a Adaptado de: IBGE. Levantamento sistemático da produção agrícola 2016.
periodicidade da safra, se distribuem entre lavouras Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov.br/Producao_Agricola/Fasciculo_
temporárias e lavouras permanentes. Indicadores_IBGE/estProdAgr_201603.pdf>. Acesso em: 7 abr. 2016.

O espaço agropecuário brasileiro C A P Í T U L O 1 6 195

Soja Algodão herbáceo

A soja é uma leguminosa originária da Ásia e Cultivo tradicional desde o tempo da colônia, o
algodão destacou-se no Sertão nordestino (tipo ar-
tem alto valor nutritivo. No Brasil, seu cultivo comer- bóreo-mocó e seridó). A região perdeu a primazia
da produção algodoeira a princípio para São Paulo
cial foi incentivado no final da década de 1960, so- (tipo herbáceo) e, mais tarde, para a região Centro-
-Oeste e para o oeste da Bahia (tipo herbáceo).
bretudo pela demanda de farelo de soja, componen-
Para efeito de cálculo de produção, consideram-
te da ração utilizada para alimentar suínos e aves. -se o algodão em pluma, o algodão em caroço e o
caroço de algodão. Seus principais usos estão na
A soja começou a ser cultivada nos estados do Sul, indústria têxtil e na alimentar (óleo).

mas, com o desenvolvimento tecnológico, passou a

ser cultivada também em regiões de latitudes mais

baixas e no Cerrado. Após a década de 1990, muitos

produtores do Sul procuraram terras mais baratas em

outros estados, como Mato Grosso, Mato Grosso do
RicardoTeles/Pulsar Imagens
Arte Ação/Arquivo da editoraSul, Piauí e Maranhão, para expandir suas lavouras.Brasil: produção de algodão herbáceo,
Arte Ação/Arquivo da editorapor região — 2015
Dessa forma, a produção de soja cresceu, e o Brasil
0,1%
ocupou o segundo lugar entre os Complexo soja: 1,9% 0,1%
maiores produtores mundiais, compreende o
o que tornou o complexo soja o produto em grão,

principal produto agrícola de o farelo e o óleo. Centro-Oeste
Nordeste
exportação do país. 32,4% Sudeste
Norte
Veja no gráfico a seguir quais são as principais 65,5% Sul

regiões produtoras de soja e também a participação

de cada uma delas na produção nacional.

Brasil: produção de soja, por região — 2015

4,4% 45,1% Centro-Oeste Adaptado de: IBGE. Levantamento sistemático da produção agrícola 2016.
5,9% Sul Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov.br/Producao_Agricola/Fasciculo_
8,6% Nordeste Indicadores_IBGE/estProdAgr_201603.pdf>. Acesso em: 7 abr. 2016.
Sudeste
35,9% Norte Milho

Adaptado de: IBGE. Levantamento sistemático da produção agrícola 2016. Cultivado, de modo geral, em todo o país, a cul-
Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov.br/Producao_Agricola/Fasciculo_ tura de milho tem grande importância para a agro-
Indicadores_IBGE/estProdAgr_201603.pdf>. Acesso em: 7 abr. 2016. pecuária brasileira. O milho é empregado na elabo-
ração de ração animal, principalmente para suínos,
e abastece uma variada indústria alimentícia (óleo,
fubá, canjica, cereais, farinha, etc.), sendo também
fundamental para a alimentação de populações de

grande parte do país. Desde me-
ados da década de 1980, a alter-
nativa de se cultivar o milho no
inverno, fornecendo uma segun-
da safra anual, além do desen-
volvimento de novas espécies
híbridas, aumentaram a produ-
ção do cereal. No Brasil, a maior
região produtora de milho é a
Centro-Oeste.

Plantação de soja irrigada no município
de Rio Verde (GO). Foto de 2015.

196 U N I D A D E 5 Atividades primárias no Brasil

Feijão Trigo e outros cereais de zona temperada

Apesar do grande consumo, a cultura do feijão O plantio do trigo tornou-se possível em terras
não é realizada com técnicas aprimoradas nem des- brasileiras devido à tecnologia e às pesquisas agro-
perta o interesse de grandes produtores rurais. São pecuárias. A produção brasileira de trigo não é su-
os pequenos proprietários que enfrentam os proble- ficiente para o consumo interno, sendo necessário
mas desse cultivo (clima, solos) e os baixos preços importar o produto, principalmente da Argentina.
do mercado interno. Paraná, Minas Gerais, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul são os maiores produ-
São Paulo, Goiás e Santa Catarina são os estados tores brasileiros.
que se destacam no cultivo do feijão.
Outros cereais de zona temperada também são
Arroz cultivados em pequena escala no país: aveia (PR, RS,
SC), centeio (RS, PR) e cevada (RS, PR). O triticale,
Cereal mais consumido no mundo e alimento cereal híbrido do trigo e do centeio, é cultivado em
básico do brasileiro, é cultivado no país de duas for- São Paulo e no Paraná.
mas: o arroz irrigado, ou de várzea, e o arroz de se-
queiro (dependente das chuvas). A partir da década Sorgo
de 1970, o arroz irrigado passou a dominar a prefe-
rência do mercado, fazendo que sua produção au- Cereal utilizado no Brasil, principalmente, em
mentasse continuamente. rações para animais. Os maiores produtores são
Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo,
A região Sul se destaca na produção do arroz Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
irrigado e a região Centro-Oeste, em arroz de sequei-
ro. Os principais estados produtores são: Rio Grande Outras oleaginosas
do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Uruguaiana, Santa Vitória do Palmar, Itaqui, São O amendoim é cultivado em sistema de rotação
Borja e Camaquã, todos no Rio Grande do Sul, são de cultura com a cana-de-açúcar em São Paulo,
os municípios que mais produzem arroz. que produz 88,6% do total brasileiro. Em Mato
Grosso e no Rio Grande do Sul destaca-se o cul-
tivo de girassol. A mamona, como vimos anterior-
mente, é cultivada na região Nordeste para a pro-
dução do biodiesel.
Gerson Gerloff/Pulsar Imagens
Alf Ribeiro/Folhapress

Colheita mecanizada de arroz no município de Cacequi (RS). Colheita mecanizada de amendoim, no município de
Foto de 2015. Guatapará (SP). Foto de 2013.

O espaço agropecuário brasileiro C A P Í T U L O 1 6 197

Ampliando o conhecimento Não escreva
no livro

Com exceção da cana-de-açúcar, as outras Em 2015, a safra desses produtos foi de
lavouras temporárias citadas fazem parte de um 209,5 milhões de toneladas, com uma área colhida
grupo que o IBGE chama de cereais, leguminosas de 58,4 milhões de hectares. O arroz, o milho e a soja
e oleaginosas, cuja produção no Brasil vem au- são os principais produtos desse grupo, com grande
mentando e cujas áreas cultivadas se distribuem participação na produção e na área colhida. No grá-
desigualmente pelas regiões brasileiras. Essas fico a seguir, podemos analisar a participação das
lavouras têm importante peso na agricultura bra- regiões e dos estados brasileiros na produção desses
sileira. produtos, em março de 2016.

Participação (%)
Arte Ação/Arquivo da editora
Brasil: cereais, leguminosas e oleaginosas — março de 2016

24,2 Participação na produção, por regiões e estados

18,2 3,3% 42,9% Centro-Oeste
14,7 8,1% Sul
10,6 9,9% Sudeste
Nordeste
35,8% Norte

7,7

6,2

4,0 3,7
3,0
1,6 1,4 1,4
1,0 0,8 0,5 0,4 0,3 0,1 0,1 0,1 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0

MT PR RS GO MS MG BA SP SC MA TO PI PA RO CE SE DF PE PB RR AC ES AL AP RN AM RJ

Adaptado de: IBGE. Levantamento sistemático da produção agrícola 2016. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/
estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?id_pesquisa=15>. Acesso em: 7 abr. 2016.

Lavouras permanentes Café

Compreendem as áreas utilizadas para o plan- Do final do século XIX até a crise de 1929, o café
tio de culturas de longa duração, ou seja, culturas ocupou frentes pioneiras, levando o povoamento a
que, após a colheita, não necessitam de novo plan- regiões até então despovoadas, no processo conheci-
tio porque produzem por vários anos consecuti- do como Marcha do Café, que partiu do Rio de Janeiro
vos. Em geral, são produtos quase sempre de agri- e atingiu o estado de São Paulo e o norte do Paraná.
cultura comercial, como café, cacau, laranja, maçã,
banana e uva. Depois da crise de 1929, o café perdeu a impor-
tância que tinha na economia brasileira. Daí em

198 U N I D A D E 5 Atividades primárias no Brasil


Click to View FlipBook Version