Trabalhos dirigidos em grupo O uso da internet também é importante em
trabalhos de pesquisa sobre muitos assuntos vis
Devem ser realizados sempre sob a supervisão tos em sala de aula. Sugerimos alguns sites no fim
do professor, a quem caberá determinar o tema da de cada unidade e faremos mais algumas suges
atividade, que poderá ser extraído de jornais, re tões neste Manual.
vistas ou do próprio livro didático. Esse tipo de
trabalho é fundamental porque privilegia a leitu Movimentando a sala de aula
ra, uma vez que na atualidade os jovens muitas
vezes são atraídos por outros recursos visuais. A aula expositiva pode se tornar mais movi
mentada e interessante com o uso de recursos
É extremamente importante que, ao propor o como projeção de filmes, figuras, mapas, gráficos
trabalho, o professor considere quais serão as e maquetes. Nesse tipo de aula é fundamental a
competências e habilidades a ser avaliadas. Essa participação dos alunos, seja por meio de pergun
atitude é válida para qualquer trabalho a ser reali tas, seja por meio da interpretação dos recursos
zado. Veja, na terceira parte deste Manual, a audiovisuais. A aula em que só o professor fala
proposta de dois projetos interdisciplinares e co não consta das DCNEM nem é produtiva para al
letivos que requerem pesquisa, debates e muito cançar os objetivos do novo Enem.
envolvimento de alunos e professores.
Entre os recursos audiovisuais que podem ser
Debates dirigidos utilizados, existem desde os mais simples (como
globos, mapas e maquetes), passando por aqueles
Discussões sobre temas atuais, propostos pelo que necessitam de aparelhos especiais (como
professor ou sugeridos pelos alunos, são outro tipo transparências, slides e vídeos profissionais ou
de atividade que produz ótimos resultados: desper gravados pelo professor e pelos alunos), até os
tam a solidariedade, cultivam a ética e o respeito, mais sofisticados, como o datashow, que requer o
que, uma vez assimilados em sala de aula, acabam uso do computador.
naturalmente adotados na vida em sociedade.
No fim de cada unidade dos três volumes
Estudo do meio desta coleção, bem como neste Manual, há su
gestões de filmes que podem ser utilizados em
Tratase de uma atividade um pouco mais com sala de aula, dependendo da realidade da escola
plexa, pois requer o deslocamento dos alunos, o que em que o professor trabalha e dos recursos de
nem sempre é possível. Entretanto, é importante que ela dispõe (retroprojetor, aparelho de DVD,
promovêla, pois, além de colocálos em contato di etc.). Ao utilizar um filme como recurso audio
reto com a natureza, o estudo do meio permite a visual, é importante ter alguns cuidados:
realização de trabalhos interdisciplinares. Outras
atividades extraclasse muito interessantes são: visi ■■ Assista ao filme antes de passálo para os alunos.
tas a museus, a exposições de arte, a indústrias ou a
estabelecimentos agrícolas. ■■ Selecione os trechos mais importantes e, se for
o caso, mostre a eles só esses trechos.
Laboratório de informática
■■ Elabore um roteiro no qual estejam indicados
Esse recurso oferece a oportunidade de desen quais são os objetivos que você, professor, pre
volver atividades interdisciplinares ou apenas de tende atingir com esse trabalho.
Geografia. Como os adolescentes se interessam
muito por computador, se a escola contar com esse ■■ Elabore questões que levem à reflexão sobre o
recurso, eles poderão se sentir bastante motivados. que foi visto.
Existem programas que permitem a elabora ■■ Vídeos, filmes, artigos de jornais e revistas po
ção de gráficos diversos (clima, população, dem fornecer excelentes temas para trabalho
economia). A construção de climogramas, por interdisciplinar, quando abordarem questões
exemplo, possibilita que o aluno faça, posterior referentes aos chamados temas transversais: ci
mente, a análise do tipo de clima representado no dadania, ética, tolerância, direitos humanos,
gráfico. saúde, orientação sexual, entre outros. Entretanto,
esses temas devem ser abordados com todo o
cuidado e a seriedade que merecem.
MANUAL DO PROFESSOR 299
4. Avaliando os objetivos ças e diferenças, com o objetivo de encontrar
relações mútuas.
O momento de aferição do aproveitamento escolar
CONCEITUAR. Explicar um fenômeno de
não é o ponto definitivo de chegada, mas um momento modo lógico e claro.
de parar para observar se a caminhada está ocorrendo CRITICAR. Emitir julgamentos e opiniões
fundamentadas nos conhecimentos sobre o
com a qualidade que deveria ter. fenômeno analisado. Exige reflexão e análise.
Cipriano Carlos Luckesi LOCALIZAR NO ESPAÇO. Observar a posi
ção dos fenômenos, situarse em relação a eles
No ensino tradicional, as avaliações são feitas e ter a visão do “antes”, do “depois” e do “si
por meio de provas escritas ou orais e têm por ob multâneo”.
jetivo aferir a quantidade de conhecimentos
adquiridos em sala de aula. Esse tipo de avaliação LOCALIZAR NO TEMPO. Hierarquizar tem
visa apenas à aprovação, ou não, do aluno no fim poralmente os fenômenos e acontecimentos,
do ano. Mais importante do que isso é avaliar o organizandoos em sequência lógica. Exige
desenvolvimento das habilidades e atitudes ad capacidade de perceber o todo e selecionar
quiridas por ele no fim do período letivo. dados.
O ideal seria que o professor tivesse condi RELACIONAR. Estabelecer relação de causa
ções de fazer uma avaliação individual, mas isso e efeito, entre semelhanças e diferenças, e de
é praticamente impossível em razão das turmas complementação.
numerosas e de os professores, em geral, serem
sobrecarregados por uma grande carga horária TRANSFERIR. Aplicar os conceitos adquiri
semanal. No entanto, achamos que atitudes dos em uma atividade ou etapa de estudo a
como pontualidade na entrega dos trabalhos, uma nova situação; utilizar determinados co
participação em trabalhos de grupo e debates e nhecimentos para explicar novos fenômenos.
interesse pelos assuntos abordados em sala de
aula não são itens difíceis de ser observados pelo 5. Bibliografia consultada
professor.
ALMEIDA, Rosângela Doin de. Cartografia esco-
Precisa ficar claro que, sem estabelecer seus ob lar. São Paulo: Contexto, 2007.
jetivos ou quais habilidades e atitudes o professor
espera que seus alunos desenvolvam, tornase difí ATLANTE geografico De Agostini. Novara:
cil fazer uma avaliação completa. Dependendo da Istituto Geografico De Agostini, 2015.
forma como for elaborada, a prova pode ser um
bom instrumento de avaliação de habilidades. BINSZTOK, Jacob. Geografia e geopolítica do pe-
Textos para leitura e reflexão e questões que de tróleo. São Paulo: Maud, 2012.
mandem raciocínio, capacidade de relacionar e
comparar fatos e fenômenos são bons instrumen BOTH, Ivo J. Avaliação planejada, aprendizagem
tos para atender a essa finalidade. consentida. Curitiba: IBPEX, 2008.
É importante que a avaliação seja considerada BRASIL. Ministério da Educação. Instituto de Estu
um processo contínuo, que pode muito bem envol dos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ma-
ver a prova, entre as atividades realizadas, mas que triz de Referência para o Enem 2015. Brasília, 2015.
não se resuma à chamada “semana de provas”.
______. Ministério da Educação. Secretaria de
Terminologia para ajudar a identificar Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares
habilidades específicas Nacionais Ensino Médio: Geografia. Brasília, 1998.
ANALISAR. Nesse processo, partese do com
plexo para o mais simples, por exemplo, de
compor os elementos de um sistema.
COMPARAR. Exige o estudo de dois ou mais
fenômenos, procurando pontos de semelhan
300 MANUAL DO PROFESSOR
CARLOS, Ana Fani Alessandri (Org.). A Geografia MARTINELLI, Marcello. Atlas geográfico: nature
na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2006. za e espaço da sociedade. São Paulo: Ed. do Brasil,
(Repensando o Ensino.) 2003.
______ (Org.). Novos caminhos da Geografia. São MIRANDOLA JÚNIOR, Eduardo; GRATÃO,
Paulo: Contexto, 1999. Lúcia Helena Batista. Geografia e Literatura.
Londrina: EDUEL, 2010.
______; OLIVEIRA, Ariovaldo de (Org.). Reformas
no mundo da educação: Parâmetros Curriculares e MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em Geografia. São
Geografia. São Paulo: Contexto, 1999. Paulo: Contexto, 2010.
CARVALHO, Maria Inez. Fim de século: a escola e PASSINI, Elza Yasuko; PASSINI, Romão;
a Geografia. Ijuí: Ed. da Unijuí, 2004. MALYSZ, Sandra T. (Org.). Prática de ensino de
Geografia e estágio supervisionado. São Paulo:
CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos. Ensino de Contexto, 2007.
Geografia: práticas e textualizações no cotidiano.
Porto Alegre: Mediação, 2000. PEREIRA, Kátia Helena. Como usar artes visuais
na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2007.
______; COSTELA, Roselane Zordan. Brincar e
cartografar com os diferentes mundos geográficos: PETERSEN, James F.; SACK, Dorothy; GABLER,
a alfabetização espacial. Porto Alegre: Ed. da Robert E. Fundamentos de Geografia Física. São
PUCRS, 2006. Paulo: Cengage Learning, 2015.
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História e Geografia. São Paulo: Ática, 2000. Paulo: Edusp, 2008.
COSTA, Jailton de Jesus; SANTOS, Cleane SCHAFFER, Neiva Otero; CASTROGIOVANNI,
Oliveira dos; SANTOS, Marcelo Alves dos (Org.). Antonio Carlos (Org.). Um globo em suas mãos:
Questões geográficas em debate. Aracaju: Ed. da práticas para a sala de aula. Porto Alegre: Ed. da
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DEL GAUDIO, Rogata Soares; PEREIRA, Doralice SILVA, Maria Auxiliadora da; SILVA, Harlan
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qualificar. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2014. ratura e Artes: reflexões. Salvador: Ed. da UFBA,
2010.
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FAZENDA, Ivani (Org.). Didática e interdiscipli- STRAFORINI, Rafael. Ensinar Geografia: o desa
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FONTENELE, Ana Consuelo Ferreira et al. (Org.).
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ro, educar depois. Porto Alegre: Mediação, 2008. TONINI, Ivaine Maria. Geografia escolar: uma
história sobre seus discursos pedagógicos. Ijuí:
IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Ed. da Unijuí, 2003.
Janeiro, 2012.
MANUAL DO PROFESSOR 301
terceira parte
Sobre este volume
1. Conteúdos conceituais, • Contextualização do choque de culturas en
habilidades específicas e visão volvido no processo de ocupação do território.
interdisciplinar por unidade
Língua Portuguesa e Literatura — leitura e ela
Neste volume é feita uma análise da ocupação boração de textos sobre o assunto e análise da lei
e formação do espaço brasileiro, bem como sua tura de livros sugeridos para essa Unidade.
organização em tempos atuais e o papel do Brasil
no mundo globalizado. Língua Estrangeira — utilização de texto sobre
o assunto estudado e apoio em pesquisas de sites
Unidade 1 – Aspectos gerais do em língua estrangeira.
território brasileiro
Arte e Informática — construção de mapas e
Conteúdo conceitual gráficos.
■■ Capítulo 1 — Brasil: localização e territorialidade Unidade 2 – Brasil: espaço geográfico
■■ Capítulo 2 — Formação e ocupação do território e impactos ambientais
brasileiro Conteúdo conceitual
■■ Capítulo 3 — Divisão administrativa e divisão
■■ Capítulo 4 — Brasil: estrutura geológica e for
regional do Brasil mas de relevo
Habilidades específicas ■■ Capítulo 5 — O clima no Brasil
■■ Capítulo 6 — A hidrografia do Brasil
■■ Transferir e aplicar os conceitos básicos da Geo ■■ Capítulo 7 — Formações vegetais, domínios
grafia na caracterização do espaço brasileiro.
morfoclimáticos e biomas brasileiros
■■ Identificar em fontes diversas o processo de ■■ Capítulo 8 — Política ambiental no Brasil e de
ocupação dos meios físicos e as relações da vida
humana com a paisagem. gradação dos biomas
■■ Aplicar os conhecimentos específicos das lingua Habilidades específicas
gens cartográfica e geográfica na interpretação
de mapas, gráficos e tabelas que permitam a ■■ Transferir e aplicar os conceitos básicos da
compreensão de fatos econômicos e geopolíticos. Geografia na caracterização do espaço brasi
leiro.
Visão interdisciplinar
■■ Identificar em fontes diversas o processo de
História: ocupação dos meios físicos e as relações da vida
• Relação do Brasil com as Grandes Navega humana com a paisagem.
ções; ■■ Aplicar os conhecimentos específicos das lin
• Identificação do Velho e do Novo Mundo; guagens cartográfica e geográfica na interpre
• Contextualização do Brasil no Tratado de Tor tação de gráficos, tabelas e mapas que permitam
a compreensão de fatos econômicos e geopolí
desilhas; ticos.
• Compreensão de Portugal como potência co
■■ Entender o meio ambiente como um patrimônio
lonial e ultramarina; que deve ser usufruído com responsabilidade
• Caracterização das Capitanias Hereditárias. por toda a humanidade.
Sociologia: ■■ Reconhecer a função dos recursos naturais na
• Conhecimento da cultura dos ameríndios; produção do espaço geográfico, relacionando
• Localização dos principais grupos indígenas; os com as mudanças provocadas pelas ações
humanas.
302 Manual do Professor
■■ Avaliar as relações entre preservação e degra Habilidades específicas
dação da vida no planeta e no Brasil, nas dife
rentes escalas. ■■ Comparar o significado históricogeográfico
das organizações políticas em escala local, re
■■ Analisar de maneira crítica as interações da so gional ou mundial.
ciedade com o meio físico, levando em conside
ração aspectos históricos e geográficos. ■■ Identificar registros de práticas de grupos so
ciais no tempo e no espaço.
Visão interdisciplinar
■■ Interpretar gráficos e tabelas que permitam a
História: análise das características da população brasi
• Relação do clima brasileiro com o cultivo da leira.
canadeaçúcar; ■■ Analisar a ação dos Estados nacionais no que
• Identificação dos principais rios que serviram se refere à dinâmica dos fluxos populacionais e
ao enfrentamento de problemas de ordem so
como meio de locomoção e permitiram tam cioeconômica.
bém a expansão territorial do Brasil;
• Contextualização das Entradas e Bandeiras; ■■ Identificar em fontes diversas o processo de
• Relação da vegetação natural nativa com a ocupação dos meios físicos e as relações da vida
vegetação atual. humana com a paisagem.
Sociologia:
• Desmistificação dos trópicos como áreas de ■■ Identificar registros de práticas de grupos so
difícil desenvolvimento; ciais no tempo e no espaço.
• Análise da cultura das populações ribeirinhas;
• Conhecimento dos hábitos alimentares com ■■ Identificar estratégias que promovam formas
base na variedade climática brasileira. de inclusão social.
Biologia — efeitos da poluição das águas para ■■ Analisar de maneira crítica as interações da so
os ecossistemas e para os seres humanos. ciedade com o meio físico, levando em conside
ração aspectos geográficos e históricos.
Língua Portuguesa e Literatura — leitura e ela
boração de textos sobre o assunto e análise da lei Visão interdisciplinar
tura de livros sugeridos para essa Unidade.
História:
Língua Estrangeira — utilização de texto sobre • Relação da economia com os processos das
o assunto estudado e apoio em pesquisas de sites
em língua estrangeira. migrações internas;
• Identificação dos principais grupos de mi
Arte e Informática — construção e interpreta
ção de mapas e gráficos. grantes em seus deslocamentos;
• Localização em um mapa político da origem
Matemática:
• Análise e explicação, por meio da utilização das principais correntes imigratórias que se
estabeleceram no Brasil;
da notação percentual, do resultado obtido da • Compreensão da formação da megalópole
interpretação gráfica. brasileira.
• Apresentação de conclusões por meio da aná Sociologia:
lise lógica dos dados apontados. • Conhecimento dos hábitos culturais dos es
trangeiros que se estabeleceram no Brasil;
Unidade 3 – Ocupação do território • Discussão do preconceito sofrido por grupos
brasileiro: população e urbanização de migrantes;
• Análise do crescimento urbano ao longo dos
Conteúdo conceitual séculos e sua relação com as atividades eco
nômicas;
■■ Capítulo 9 — Características da população bra • Compreensão e análise da organização e das
sileira leis que regem as sociedades.
Biologia — compreensão e análise de assuntos
■■ Capítulo 10 — Brasil: movimentos migratórios como longevidade, saneamento básico e as princi
■■ Capítulo 11 — O processo de urbanização no pais enfermidades que ameaçam a população
mundial.
Brasil
Manual do Professor 303
Língua Portuguesa e Literatura — leitura e ela Visão interdisciplinar
boração de textos sobre o assunto e análise da lei
tura de livros sugeridos para essa Unidade. História:
• Compreensão do papel da cafeicultura no
Língua Estrangeira — utilização de texto sobre
o assunto estudado e apoio em pesquisas de sites processo industrial brasileiro;
em língua estrangeira. • Relação do processo de industrialização bra
Arte e Informática — construção e interpreta sileira com o desmatamento;
ção de mapas e gráficos com dados sobre a po • Análise do processo de concentração indus
pulação.
trial e posteriormente da dispersão industrial.
Matemática — classificação e organização de Sociologia — comparação do Brasil rural com o
dados de uma situaçãoproblema para fazer gene Brasil urbano industrial.
ralizações. Língua Portuguesa e Literatura — leitura e ela
boração de textos sobre o assunto e análise da lei
Unidade 4 – Organização do espaço tura de livros sugeridos para essa Unidade.
econômico e industrialização Língua Estrangeira — utilização de texto sobre
o assunto estudado e apoio em pesquisas de sites
Conteúdo conceitual em língua estrangeira.
Arte e Informática — construção e interpreta
■■ Capítulo 12 — A organização do espaço econô ção de mapas e gráficos.
mico brasileiro Matemática:
• Levantamento de suposições ao analisar os
■■ Capítulo 13 — Industrialização e desenvolvi
mento econômico valores numéricos obtidos em vários períodos
de tempo;
■■ Capítulo 14 — Localização espacial e concentra • Explicação de causas e efeitos das variações
ção das indústrias entre crescimento e retração da evolução indus
trial por meio do cálculo do valor médio obtido.
■■ Capítulo 15 — Localização espacial e dispersão
das indústrias Unidade 5 – Atividades primárias no
Brasil
Habilidades específicas
Conteúdo conceitual
■■ Entender a classificação do Brasil em país emer
gente ou periférico e o processo histórico res ■■ Capítulo 16 — O espaço agropecuário brasileiro
ponsável por essa situação. ■■ Capítulo 17 — A estrutura fundiária no Brasil
■■ Capítulo 18 — Recursos minerais do Brasil
■■ Comparar e estabelecer as semelhanças e dife ■■ Capítulo 19 — Oferta interna de energia: com
renças entre o Brasil e os demais países.
bustíveis fósseis
■■ Identificar as desigualdades no acesso à tecno ■■ Capítulo 20 — Oferta interna de energia: ener
logia entre as diversas nações do mundo e rela
cionálas com a situação brasileira no setor. gia elétrica e outras fontes
■■ Identificar em fontes diversas o processo de Habilidades específicas
ocupação dos meios físicos e as relações da vida
humana com a paisagem. ■■ Identificar as desigualdades no acesso à tecno
logia entre as diversas nações do mundo e rela
■■ Identificar registros de práticas de grupos so cionálas com a situação do setor no Brasil.
ciais no tempo e no espaço.
■■ Identificar em fontes diversas o processo de
■■ Reconhecer a função dos recursos naturais na ocupação dos meios físicos e as relações da vida
produção do espaço geográfico, relacionando humana com a paisagem.
os com as mudanças provocadas pelas ações
humanas. ■■ Identificar registros de práticas de grupos so
ciais no tempo e no espaço.
■■ Identificar registros sobre o papel das técnicas
e das tecnologias na organização do trabalho e ■■ Reconhecer a função dos recursos naturais na
da vida social. produção do espaço geográfico, relacionandoos
304 MANUAL DO PROFESSOR
com as mudanças provocadas pelas ações Habilidades específicas
humanas.
■■ Analisar a atuação de movimentos sociais que ■■ Identificar o papel dos meios de comunicação
contribuíram para mudanças de pontos de vis e transporte na construção da vida social.
ta na sociedade.
■■ Identificar registros sobre o papel das técnicas
Visão interdisciplinar e das tecnologias utilizadas na organização do
trabalho e da vida social.
História:
• Identificação da importância dos principais ■■ Analisar diferentes processos de produção ou
circulação de riquezas e suas implicações so
recursos minerais brasileiros no contexto do cioespaciais.
povoamento do país;
• Compreensão do potencial energético brasi ■■ Identificar as desigualdades no acesso à tecno
leiro e seu papel na organização do espaço logia entre as diversas nações do mundo e rela
econômico através do tempo; cionálas com a situação do setor no Brasil.
• Contextualização do petróleo na história eco
nômica brasileira; Visão interdisciplinar
• Análise da influência dos aspectos históricos
na atual estrutura fundiária do Brasil. História:
Sociologia: • Análise da evolução do comércio exterior bra
• Relação do boiafria com o espaço agrope
cuário brasileiro; sileiro;
• Caracterização da Lei de Terras de 1850; • Relação do comércio exterior brasileiro com
• Análise dos conflitos pela terra no Brasil.
Língua Portuguesa e Literatura — leitura e ela o setor dos transportes;
boração de textos sobre o assunto e análise da lei • Compreensão da imposição do setor automo
tura de livros sugeridos para essa Unidade.
Língua Estrangeira — utilização de texto sobre bilístico no Brasil e suas implicações.
o assunto estudado e apoio em pesquisas de sites Sociologia:
em língua estrangeira. • Análise da integração cultural no Brasil a par
Arte e Informática — construção e interpreta
ção de mapas e gráficos. tir do setor de transportes;
Matemática: • Relação dos meios de transportes ao proces
• Estabelecimento de uma razão entre os dados
apresentados e utilização de seu resultado so de globalização.
para definir qual é a maior e qual é a menor Língua Portuguesa e Literatura — leitura e ela
quantidade obtida; boração de textos sobre o assunto e análise da lei
• Conservação, por meio da utilização do cál tura de livros sugeridos para essa Unidade.
culo da proporção, da correta análise de com Língua Estrangeira — utilização de texto sobre
paração entre duas ou mais informações. o assunto estudado e apoio em pesquisas de sites
em língua estrangeira.
Unidade 6 – Comércio, transportes e Arte e Informática — construção e interpreta
telecomunicações ção de mapas e gráficos.
Matemática:
Conteúdo conceitual • Emprego correto do conceito do número de
■■ Capítulo 21 — O comércio exterior brasileiro cimal obtido em uma divisão;
■■ Capítulo 22 — Transportes e telecomunicações • Avaliação numérica dos resultados obtidos
no Brasil nos estudos do meio ambiente e das transfor
mações impostas pelas ações humanas.
2. Para o professor se atualizar e
refletir: textos de leitura
TexTo 1
Formação do povo brasileiro: muito além da
herança europeia
O passado do território e do povo brasileiro é repleto de
histórias e estórias. A leitura, ou mesmo uma releitura, de
MANUAL DO PROFESSOR 305
fatos e contos de séculos passados remontam importantes uma submersão diante de uma imposição cultural contempo-
elementos da construção de nossa gente, nos mais variados rânea do que é considerado padrão.
aspectos, dentre eles cultural, social e estético.
Na região Nordeste, podemos verificar ainda mais
Uma rápida releitura de nossa história faz-nos perceber enraizada a presença de elementos que remontam o estilo
quão diversificados são nossos traços culturais, mas, acima de vida dos primeiros habitantes das terras brasileiras.
de tudo, humanos. Passear por grandes metrópoles como Recife, Fortaleza e
João Pessoa e observar nas varandas dos prédios, de qualquer
A chegada dos portugueses no final do século XV não que seja a classe social, ornamentadas com redes, é algo
pode ser compreendida como as páginas iniciais da história comum ao olhar de um morador local. Portanto, sentir a brisa
deste país. Isso sim pode ser denominado estória. O capítulo tropical deleitado em uma rede é o mesmo que retornar
primeiro dos livros de História do Brasil não mais se inicia séculos na história e desfrutar uma cultura primitiva,
com o encontro dos conquistadores do Velho Mundo com os conservada até a presente data.
nativos brasileiros. A origem é tratada com povos que
habitam este continente desde milhares de anos atrás, A economia de muitas localidades também sofre
quando já desfrutavam esse tão diversificado espaço. influência desse estilo de vida nordestino. A confecção
artesanal de redes no interior da região sustenta muitas
A presença europeia — inicialmente portuguesa — nas famílias e gera uma polarização mais intensa dos municípios
terras tupiniquins foi apenas o início de um processo de envolvidos nessa atividade econômica. Destacam-se, entre
miscigenação, sendo ela somada por mais de cinco séculos eles, o distrito de Caraibeiras, localizado no município de
com outras tantas cargas genéticas. Tacaratu, em Pernambuco; os municípios de Jaguaruana e
Irauçuba, ambos no Ceará; o município de São Bento, na
A participação dos nativos na construção do povo Paraíba; e o município de Jardim de Piranhas, situado no
brasileiro estado do Rio Grande do Norte.
A presença pré-histórica dos nativos nestas terras, com Poderíamos apontar e detalhar outras tantas contribuições
suas tantas sabedorias e interligações com o ambiente de nativos brasileiros que ultrapassaram todos os entraves
natural, se propaga até os dias de hoje, mesmo que grande do tempo para constituir nossa real cultura, mas fechar esse
parte da população contemporânea ignore os direitos de seus pensamento de formação do verdadeiro povo brasileiro sem
descendentes diretos para com essas terras. A culinária, a destacar a rica contribuição dos povos africanos em nossa
musicalidade e a medicina são elementos recorrentes em sociedade seria subtrair grande parte de nossos traços
obras didáticas e científicas quando se trata do legado dos genéticos, culturais e científicos.
nativos nos dias de hoje.
A participação dos afrodescendentes na construção do
Quando os portugueses aqui se estabeleceram, tentaram povo brasileiro
e de certa forma conseguiram se impor diante da cultura
existente nas terras batizadas como Brasil. Os costumes A vasta presença dos povos oriundos do continente
europeus — ligados a isso podemos apontar as vestimentas, africano no Brasil trouxe uma influência peculiar, quando
a língua, a alimentação, o convívio social, a religião, etc. — comparamos nossa gente aos demais habitantes americanos.
foram substituindo aos poucos o que se tinha de tão diversifi-
cado na América subequatorial. A força e o poder das armas Dentre os povos africanos que cruzaram o Atlântico e se
indicou o “correto” estilo de vida a ser seguido daí por diante. estabeleceram no Brasil durante o período colonial estão, em
sua maioria, os bantos — que correspondem às culturas
Claro que a ideia de supremacia europeia não seria tão angolanas, angica e macua —; os sudaneses — que corres-
eficaz séculos depois, visto que a miscigenação nos deixa pondem às culturas nagô e ioruba (da atual Nigéria) —; os
uma mensagem clara de que o tempo é responsável pela minas (da atual Gana) e os jejes (do atual Benin). Outros
homogeneização de um povo. Atualmente, quando vemos o grupos, em menor número, também foram trazidos ao Brasil.
histórico de imposições coloniais no Brasil, percebemos quão
superiores foram a cultura e a ciência dos nativos naquela A atividade escravista no país perdurou por quase quatro
remota época. Apesar da ausência das armas de fogo e do séculos, tendo um fim apenas em 1850, com a Lei Eusébio de
poderio estratégico-militar, os primeiros de nossa estirpe Queiróz. Entretanto, muitos africanos e crioulos ainda foram
conseguiram propagar seus ideais e conhecimentos até negociados, mas dentro do território nacional, principalmente
então, mesmo sem que muitos de nós não tenhamos conheci- nas localidades mais pobres. Com o declínio da prática
mento dessa origem. açucareira, o Nordeste ainda desempenhou atividades
escravistas por algum tempo.
Descobrir que andar descalço, ficar de cócoras em con-
versas com amigos e degustar comidas preparadas em Com o passar desse período, cessou a constante renova-
utensílios de barro são costumes adquiridos com nossos ção de africanos no Brasil. A comunidade negra, no entanto,
ancestrais nativos é enriquecedor culturalmente, mas, acima passou a preservar localmente conhecimentos, tradições e
de tudo, faz-nos pensar sobre a singularidade desses povos valores trazidos da África. Com a interrupção dos laços
que tanto se distanciam da atual sociedade globalizada, comerciais entre os portos brasileiros e africanos, nenhum
refletindo ao pensamento da maioria da população mundial novo elemento foi agregado à cultura brasileira oriunda da
306 MANUAL DO PROFESSOR
África. Com isso, a “cara” do povo brasileiro começou a ficar TexTo 2
mais próxima da que vemos na atualidade, gerando uma
cultura e características próprias de um povo miscigenado. Materiais didáticos digitais
Os elementos culturais africanos sofreram intensa resis- Desde tempos remotos, o ser humano tem se defrontado
tência na colônia, sobretudo pelo fato de esses povos serem com a necessidade de criar ferramentas com propósitos
considerados inferiores pelos colonizadores. Seus hábitos e diversos, sendo o principal deles, possivelmente, o de facilitar
cultura foram combatidos e subjugados pela maioria dos a sua vida. Os computadores, essas valiosas ferramentas do
habitantes que residia nessas terras. Reproduzir o modo de nosso tempo, tão presentes e necessários no nosso dia a dia,
vida aplicado no Velho Mundo era algo relativamente natural, não parecem ter a mesma presença no cotidiano das escolas,
visto que tais elementos eram considerados o modelo a ser apesar de todo o seu potencial.
seguido. Enquanto isso, exibir o estilo de vida dos africanos
no Brasil só era possível dentro da ilegalidade e da discrição. Sabemos que as escolas brasileiras enfrentam muitos
Mesmo após o comércio de escravizados, tais práticas não problemas, para cuja resolução a ação do professor é funda-
eram vistas com bons olhos pela maioria da população. mental. E isso se aplica também ao uso efetivo de computa-
dores no ensino. Não se trata de nós, professores, ensinarmos
Como forma de ampliar o conhecimento que temos nossos alunos a usar os computadores, a navegar na internet
sobre os povos africanos que aqui se estabeleceram durante ou a usar programas aplicativos — como editores de texto
o período colonial, pesquisadores buscam resgatar dados ou planilhas. Isso eles já sabem (melhor que nós, geralmen-
e informações quase que perdidas pelo tempo. Esse trabalho te) ou podem aprender de maneira autônoma, sem a nossa
requer muito estudo e dedicação, ainda mais quando leva- ajuda. Lembremos que nossos alunos são o que se conven-
mos em consideração que esses indivíduos quando trazidos cionou chamar de nativos digitais — crianças e adolescen-
para as Américas possuíam como característica de propa- tes que nasceram em um mundo imerso em tecnologia.
gação literária a oralidade. Provérbios e contos populares
são recolhidos e registrados, alguns em línguas africanas, Mesmo que — por condições sociais, geográficas ou
mas a maior parte é catalogada na língua dos colonizadores. culturais — esses alunos não tenham pleno acesso a
computadores e internet em suas casas, o mundo no qual eles
Muito da cultura brasileira fora constituído, assim como vivem propicia uma série de oportunidades para que tenham
ocorreu com os nativos, em consonância com o contato e a contato com a tecnologia e para que esta venha a fazer parte
miscigenação com os povos africanos e seus descendentes de suas vidas, como aconteceu com o rádio e a TV para outras
no Brasil. Localidades que registraram maiores contingentes gerações. Grande parte de nós, professores, pertence ao grupo
de migração africana no pretérito conservam atualmente que se denomina imigrantes digitais — nascemos em uma
enorme ligação com essas origens. A musicalidade, a culiná- época em que os computadores não eram onipresentes e
ria, o vestuário e a oralidade são alguns dos elementos que tivemos contato com essas tecnologias depois do nosso
podemos citar como herança dessa gente que serviu como processo de letramento. De maneira similar a pessoas que
base para a atual configuração do povo brasileiro. imigram para outro país, podemos até dominar a “linguagem”
do mundo digital, mas, para nós, ela não é nativa.
Não é difícil virar uma esquina em Salvador e deparar
com um culto religioso afro-americano, fazendo oferendas E o que esperam os nativos digitais de nós, imigrantes
de alimentos propiciatórios, em pagamento dos favores digitais, como seus professores? Na verdade, o que sempre
recebidos; visitar o Carnaval pernambucano e assistir à esperaram: que os ensinemos dentro de nossas áreas de
abertura da maior festa popular brasileira ao som dos conhecimento, mas preferencialmente na “linguagem” que
tambores de dezenas de maracatus, emocionando milhares lhes é familiar. E de que maneira podemos nos comunicar
de turistas do mundo inteiro, além, é claro, da população nessa “linguagem” que não é familiar — e por vezes, nem
local; passear por praças do Rio de Janeiro e apreciar uma mesmo amigável — para muitos de nós?
roda de capoeira ao som do berimbau; se alimentar do
inhame-da-costa ou de são-tomé, a pimenta-da-costa ou o Uma questão que logo nos vem à mente é: para que fazer
arroz-de-hauçá, e descobrir que seus nomes descrevem a isso? Por que razões utilizar computadores em sala de aula?
localidade na África de onde foram trazidas as primeiras Podemos listar algumas das (muitas) razões:
mudas ao Brasil; dançar o cavalo piancó, no Piauí, o carimbó,
no Pará, o coco, em Sergipe, ou o frevo, em Pernambuco, e • Motivação: o uso de computadores em si não garante
resgatar elementos africanos misturados e transformados ao uma motivação maior dos alunos. Esse uso deve ser cui-
nosso modo em cultura popular, ela agora cultura brasileira, dadosamente planejado e estar em sincronia com as
parte integrante de nossa gente, extremamente miscigenada demais atividades da disciplina. Em outras palavras, levar
e, ao mesmo tempo, única e pura. os alunos para a sala de computadores para atividades
genéricas, sem foco, como “fazer pesquisas na internet”,
PRADO, Bruno Silva. Professor da costuma ter pouca ou nenhuma eficácia. Entretanto, o
rede pública e privada do Ensino Fundamental uso de computadores com objetivos bem claros e direta-
mente associados aos tópicos do plano de ensino tende
e Ensino Médio, em Recife (PE). a ser uma atividade motivadora e com um bom potencial
de impacto no aprendizado dos alunos.
MANUAL DO PROFESSOR 307
• Novas possibilidades de experimentos: há muitos casos Internacional de Objetos Educacionais (Bioe; disponível
de atividades que requerem recursos específicos (como em: <objetoseducacionais2.mec.gov.br>), vasto repositó-
laboratórios de Física), ou que trazem algum tipo de ris- rio com grande variedade de objetos de aprendizagem.
co (é o caso de algumas atividades de Química e Biologia, • Recursos educacionais abertos: seguem a mesma linha
por exemplo) e que poderiam ser realizadas com simu- dos objetos de aprendizagem, com a ressalva de que os
ladores virtuais, com segurança e sem custo. Há ainda elementos, além de utilizados e reutilizados, podem tam-
atividades que não poderiam ser executadas em condi- bém ser modificados e adaptados livremente. O site
ções normais, para as quais distintas ferramentas com- <www.rea.org> traz uma série de informações a respeito.
putacionais podem ser usadas. Porém, que tipos de computadores são necessários para
trabalhar com esses elementos? Muitos deles encontram-se
• Aprendizagem autônoma: os alunos podem desenvolver disponíveis para uma boa variedade de dispositivos, desde
atividades fora do horário de aula com as ferramentas computadores desktop (de mesa) e notebooks, a até mesmo
aprendidas com o professor, ou mesmo outras ferramen- tablets e smartphones. Já alguns softwares educativos
tas buscadas e encontradas por eles na internet. apresentam algumas exigências técnicas para instalação
Dessa maneira, os recursos digitais trazem um conjunto (tipo específico de sistema operacional, quantidade mínima
de memória no computador, etc.), enquanto alguns objetos
de novas possibilidades ao professor por proporcionar situações de aprendizagem necessitam que determinados plugins
didáticas diferenciadas, que, de outro modo, não poderiam ser (programas adicionais) estejam instalados.
implementadas em sala de aula. Tais recursos não vêm subs- Equipamentos e programas, entretanto, nada mais são
tituir o material didático tradicional: muito pelo contrário, sua do que ferramentas. E, como foi dito no início deste texto,
função é complementar o material já comumente utilizado ferramentas são criadas com o intuito de facilitar o nosso dia
pelo professor, ampliando as possibilidades do fazer docente. a dia. Assim, mais importantes que as ferramentas, são as
pessoas que irão utilizá-las: os professores dispostos a
E que recursos existem para ser usados? Há vários tipos ressignificar o seu papel como formadores de cidadãos
de recursos, cada um com uma série de possibilidades plenamente aptos a tirar proveito das tecnologias de nosso
didáticas. O Ministério da Educação entende por recursos tempo; e os alunos, que poderão manejá-los como veículos
digitais “vídeos, imagens, áudios, textos, gráficos, tabelas, de informação, interação social, entretenimento e aprimora-
tutoriais, aplicações, mapas, jogos educacionais, animações, mento intelectual.
infográficos, páginas web e outros elementos”. Eles podem
ser assim classificados: SILVEIRA, Ismar Frango. Coordenador da
Comissão Especial de Informática na Educação (Ceie),
• Livros digitais ou e‑books: são versões digitais de livros
em papel, ou de obras completas pensadas para o for- Sociedade Brasileira de Computação (SBC).
mato digital. Podem ser estáticos (como os livros em
papel, contêm textos e imagens) ou dinâmicos (podem TexTo 3
incluir vídeos, animações, simulações ou qualquer outro
conteúdo dito multimídia — ou seja, que agrega várias Árvores da Amazônia geram novas folhas
“mídias”, ou formas de representação da informação). mesmo durante a seca
• Softwares educacionais: são programas de computador Estocagem de água no solo no período de chuvas é crucial
feitos especificamente para fins educacionais. Em sua nesse processo, segundo estudo publicado na revista
maioria, necessitam de instalação nos computadores (o Science
que não é — ou não deveria ser — exatamente um pro-
blema), mas muitos são planejados para utilização sob A produção contínua de folhas novas, e não a quantidade
orientação do professor, visando um resultado de apren- delas em cada árvore, é a responsável pela absorção de gás
dizagem mais efetivo. Um exemplo gratuito desses carbônico (CO2) nas florestas tropicais. A conclusão é de um
softwares é o GeoGebra (para aprendizagem de Mate- grupo internacional de pesquisadores, entre eles brasileiros
mática; disponível em: <www.geogebra.org>). de diversas instituições.
• Objetos de aprendizagem: na prática, correspondem a todo Em um estudo publicado na [...] revista Science, eles
e qualquer elemento digital que possa ser usado e reutili- sugerem que a produção de novas folhas pelas árvores aumenta
zado em situações de aprendizagem — de um texto em durante a estação seca, contribuindo para maior absorção de
PDF ou um conjunto de slides a um simulador virtual, in- CO2. A constatação é surpreendente porque no ápice da
cluindo nessa definição também animações, vídeos, jogos estação seca as condições climáticas são mais adversas, e a
digitais e outros tipos de recursos. Apesar de vários desses disponibilidade de água é baixa. Isso significa que as plantas,
objetos serem encontrados de maneira simples por meio até onde se sabe, teriam menos nutrientes para gerar novas
de buscadores da internet, existem repositórios deles, que folhas, enquanto as folhas mais velhas progressivamente
fornecem mais informações (chamadas “metadados”) perderiam a capacidade da floresta de realizar fotossíntese
sobre cada um, como autores, público-alvo, sugestões de — processo por meio do qual as plantas convertem a energia
uso, etc. Em âmbito nacional, o MEC mantém o Banco solar em açúcar, retirando CO2 da atmosfera.
308 MANUAL DO PROFESSOR
Parece que não é bem assim. Por meio de torres instaladas reunindo economias que somam US$ 28 trilhões, ou 40% do
no meio da selva, os pesquisadores monitoraram a capacidade PIB mundial. Juntas, as nações participantes movimentaram,
de diferentes espécies de plantas de realizarem fotossíntese em no ano passado, US$ 9,5 trilhões em exportações e
quatro parcelas de florestas, distribuídas em regiões da importações. Devido à expectativa de que os países do novo
Amazônia separadas por centenas de quilômetros e com bloco comprem e vendam mais dentro do próprio bloco, o
padrões de chuvas distintas. Ao analisar os dados, eles Brasil pode perder acesso a esses mercados, colocando em
verificaram que as árvores continuavam produzindo novas risco US$ 31 bilhões em exportações de manufaturados.
folhas, mesmo nos períodos de pouca chuva, e que estavam
absorvendo CO2 da atmosfera. Em épocas mais secas, as Estão no TPP EUA, Japão, Austrália, Brunei, Canadá,
árvores, mesmo as mais altas e imponentes, perdem folhas. Chile, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e
Assim, os modelos computacionais usados para explicar as Vietnã. Em 2014, um quarto do que o Brasil vendeu para o
interações sazonais entre a floresta e as condições atmosféricas exterior foi para países do bloco recém-formado. Se for levada
em regiões tropicais, em geral, sugeriam que pouca chuva em conta apenas a exportação de manufaturados, a conta
resultaria em menos água para as plantas, que, em conse- sobe para 35% no caso das vendas externas brasileiras, o
quência, produziriam menos folhas. E à medida que as folhas que significa US$ 31 bilhões. É justamente com relação aos
remanescentes envelheciam, a planta perdia sua capacidade industrializados que o Brasil mais tem a perder com o TPP.
de fazer fotossíntese e absorver mais CO2 da atmosfera. Com o novo acordo, a expectativa é que EUA, México, Chile,
Colômbia e Peru passem a comprar mais industrializados de
“Parece que a perda de folhas durante os períodos de seca Vietnã, Austrália e Nova Zelândia, entre outros.
é compensada pela produção de folhas novas, o que resulta
em uma queda na faixa etária das folhas que compõem a — Não há outro caminho senão buscar acordos bilaterais
copa das árvores”, diz o engenheiro florestal Paulo Brando, — afirmou Diego Bonomo, diretor de Comércio Exterior da
do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e Confederação Nacional da Indústria (CNI).
um dos autores do estudo. Para isso, as plantas usam o
estoque de água no solo profundo para trocar as folhas mais Entre os produtos brasileiros mais afetados estão automó-
velhas progressivamente por folhas mais novas. Esse processo veis, açúcar refinado e bens de capital. Commodities
explica a variação sazonal na capacidade da floresta de agrícolas e pecuárias, não: o maior comprador de nossas
realizar fotossíntese [...]. matérias-primas é a China, que não faz parte do TPP.
Essas folhas, então, fariam mais fotossíntese que as mais A assinatura do acordo foi vista como um incentivo para
velhas. “Isso quer dizer que durante o ano a sazonalidade da buscar acelerar as negociações para uma zona de livre-
floresta, em termos de fotossíntese, está mais associada à -comércio entre o Mercosul e a União Europeia, disse ao
produção de folhas novas e menos à variação do clima”, diz. Globo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Os pesquisadores agora pretendem incluir este mecanismo Exterior, Armando Monteiro. Ele ressaltou que, também
nos modelos que pretendem estimar o efeito das mudanças pensando no TPP, o governo brasileiro vem negociando
climáticas sobre as florestas tropicais, uma vez que parece acordos de facilitação de comércio com Peru, Chile, EUA,
haver outras variáveis, além da climática, a influenciar a México, Vietnã e Cingapura — todos do novo bloco.
regulação do fluxo de CO2 nessas selvas. O estudo foi
financiado do projeto GoAmazon, mantido pelo Departamento — O TPP torna mais relevante e oportuno, tanto do nosso
de Energia dos Estados Unidos em parceria com a Fapesp e lado quanto na visão dos europeus, que aceleremos as
a Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas. negociações — disse o ministro.
ANDRADE, Rodrigo de Oliveira. Árvores da Amazônia geram novas Regras trabalhistas e para meio ambiente
folhas mesmo durante a seca. Pesquisa Fapesp, edição Para Flávio Lyrio Carneiro, pesquisador de políticas inter-
on-line, 25 fev. 2016. Disponível em: <http://revistapesquisa. nacionais do Ipea, o Brasil corre o risco de ficar isolado.
fapesp.br/2016/02/25/arvores‑da‑amazonia‑geram‑novas‑folhas‑ Segundo o especialista, o país tem dado mais atenção a
acordos multilaterais, conduzidos pela Organização Mundial
mesmo‑durante‑a‑seca/>. Acesso em: 26 abr. 2016. do Comércio (OMC), deixando de lado as parcerias bilaterais,
que tendem a ganhar mais espaço no cenário global.
TexTo 4
— Aumenta nosso isolamento. O país tem buscado
Pacto do Pacífico ameaça US$ 31 bi em vendas timidamente participar de algumas iniciativas de integração
industriais do Brasil bilateral ou regional. A nossa opção, nos últimos muitos anos,
tem sido pelo lado multilateral. Existe a possibilidade de não
Acordo entre 12 países reúne 40% do PIB global só o TPP, mas o T-TIP (entre EUA e União Europeia, também
O Acordo de Parceria Transpacífica (TPP, na sigla em chamado de acordo transatlântico) diminuir a importância
do plano multilateral como principal meio de formular regras
inglês), assinado nesta segunda-feira [5/10/2015] por do comércio internacional — avalia Carneiro.
Estados Unidos, Japão e mais dez países, deve mudar os rumos
do comércio internacional. O pacto é o maior da História, Lia Valls, pesquisadora da Fundação Getulio Vargas (FGV),
lembra que a OMC continua tendo papel importante, porém
mais voltado para a resolução de disputas internacionais:
MANUAL DO PROFESSOR 309
— É importante ter uma OMC ativa, porque ela ajuda a fósseis, segundo um estudo publicado na revista científica
compatibilizar as diferentes regras que saem desses acordos. americana Environmental Research Letters
Tem de haver uma agenda mínima, que está dentro da OMC.
Divulgada em dezembro, a pesquisa empregou um
Nem todas as regras acertadas no TPP estão previstas método inédito para calcular as emissões de gás carbônico
na OMC. e metano, geradas na formação dos reservatórios e construção
das usinas.
— Se não existirem normas já estabelecidas, eles criarão
novas regras. Um exemplo é a regra de origem. Digamos que A análise apontou uma alta probabilidade de que as
o Peru vai produzir calça jeans e vender para os EUA. O tecido hidrelétricas de Cachoeira do Caí (PA), Cachoeira dos Patos
do Vietnã pode ser usado preferencialmente e até considerado (PA), Sinop (MT), Bem Querer (RR), Colíder (MT) e Marabá
um insumo que pertence ao bloco como um todo. Isso vai (PA) gerem emissões comparáveis às de usinas de gás
estimular o comércio de bens intermediários no TPP — explicou natural, fonte normalmente mais poluente que a hidráulica,
Bonomo. mas menos poluente que os demais combustíveis fósseis.
O consenso entre os ministros de Comércio Exterior das Em alguns casos — como os de Sinop e Cachoeira do
12 nações envolvidas foi alcançado após cinco dias de Caí —, as emissões poderiam até superar as de usinas de
conversas intensas em Atlanta, nos EUA. O acordo só foi carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis.
fechado às 5 h (horário local) de ontem. O texto é amplo:
abrange não só redução ou eliminação de tarifas, mas As emissões em hidrelétricas geralmente ocorrem quando
compromissos com padrões de leis trabalhistas, proteção ao a matéria orgânica presente no solo ou na vegetação
meio ambiente e propriedade intelectual. Um dos pontos submerge durante a formação de reservatórios, produzindo
polêmicos é em relação ao tempo de proteção das patentes gás metano. Por isso, usinas cujos reservatórios inundam
da indústria farmacêutica, que só foi solucionado no domingo, grandes áreas tendem a gerar mais emissões que hidrelétricas
entre EUA e Austrália. O período de exclusividade deve ser a fio d'água (com reservatórios menores e que aproveitam a
de pelo menos cinco anos, menos que os 12 atualmente velocidade natural do rio para gerar energia).
permitidos na legislação americana.
A legislação brasileira atual exige a retirada da vegeta-
Para entrar em vigor, o TPP ainda precisa ser aprovado por ção de áreas a serem alagadas. Ainda assim, segundo o
legisladores de todos os países envolvidos, incluindo o resistente estudo, quantidades significativas de matéria orgânica
Congresso americano. O processo deve ficar para 2016, segundo permanecem no solo.
o representante de Comércio dos EUA, Michael Froman.
Segundo o governo, hidrelétricas na Amazônia responde-
O texto enfrenta resistência no Partido Democrata (do rão por 85% da potência hidráulica a ser agregada ao sistema
próprio presidente Barack Obama) e em setores da indústria elétrico brasileiro até 2022. A região concentra a maioria dos
americana. O setor automotivo, por exemplo, teme a concor- rios brasileiros com potencial hidrelétrico subexplorado.
rência do Japão com o iene industrializado. Os ministros das
Finanças do bloco discutirão regras sobre moedas. Níveis de emissões variam
Coautor da pesquisa e doutorando na Universidade
CORRÊA, Marcello; OLIVEIRA, Eliane. Pacto do Pacífico ameaça
US$ 31 bi em vendas industriais do Brasil. O Globo, 6 out. 2015. Carnegie Mellon (EUA), o engenheiro brasileiro Felipe Faria
Disponível em: <http://oglobo.globo.com/economia/pacto‑ disse à BBC Brasil que os resultados do estudo ajudam a
do‑pacifico‑ameaca‑us‑31‑bi‑em‑vendas‑industriais‑do‑ derrubar a crença de que hidrelétricas necessariamente
brasil‑17697205>. Acesso em: 26 abr. 2016. geram energia limpa, mostrando que os níveis de emissões
variam bastante conforme o projeto.
3. Sugestões de temas
complementares e atividades Ele defende que, diante das mudanças climáticas, o
para trabalhar em sala de aula governo passe a considerar o cálculo de emissões antes de
decidir construir uma hidrelétrica.
Tema 1 • Impactos ambientais no Brasil
Na véspera da última conferência climática da ONU, o
TexTo 1 Brasil se comprometeu a reduzir em 43% as emissões de
gases causadores do efeito estufa até 2030, com base nos
Estudo alerta para emissões de novas padrões de 2005.
hidrelétricas na Amazônia
Faria diz que o governo também deveria levar em conta
Seis das 18 hidrelétricas que o governo ergueu recente‑ no planejamento do setor mudanças nos padrões climáticos
mente, está erguendo ou pretende erguer na Amazônia e de uso do solo na Amazônia. Ele cita um estudo de 2013
poderão emitir níveis de gases causadores do efeito estufa conduzido por pesquisadores brasileiros e americanos, segun-
equivalentes aos de usinas alimentadas por combustíveis do o qual o desmatamento pode reduzir bastante as vazões
da bacia do Xingu, afetando a usina de Belo Monte (PA).
Para Faria, hidrelétricas são atrativas no Brasil por, entre
outros motivos, terem baixo custo em relação a outras fontes
e porque o país tem experiência em construí-las. Por outro
lado, diz ele, "boa parte dos tomadores de decisão do setor
310 MANUAL DO PROFESSOR
elétrico foram formados dentro da indústria hidrelétrica, e Atividades
há por isso um apelo e um lobby muito forte por essa fonte".
1. O que é apontado pelo estudo da revista científica
Segundo Faria, o governo poderia ser mais agressivo em americana Environmental Research Letters sobre as
criar políticas que favoreçam o avanço das fontes eólica e emissões de gases causadores do efeito estufa a
solar (menos poluentes) e, assim, reduzir a necessidade de partir das novas hidrelétricas na Amazônia?
grandes hidrelétricas.
Resposta: Segundo essa publicação, as hidrelétricas ergui-
Também assinam a pesquisa Paulina Jaramillo, Henrique das recentemente na Amazônia poderão emitir níveis de
Sawakuchi, Jeffrey Richey e Nathan Barros. gases causadores do efeito estufa equivalentes aos de usi-
nas alimentadas por combustíveis fósseis.
Fórmula inédita
2. Normalmente, qual fonte é mais poluidora: a hidráu‑
Hoje as estimativas de emissões de hidrelétricas não são lica ou a das usinas que utilizam petróleo ou carvão
consideradas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), mineral? Justifique sua resposta.
que questiona a precisão das medições disponíveis.
Resposta: As de petróleo e carvão mineral são considera-
Estimar emissões de hidrelétricas antes de elas serem das mais poluidoras porque produzem muito calor, cinzas e
construídas é um desafio porque cada usina e rio tem outros resíduos voláteis da combustão, que são fontes po-
características singulares, e os modelos já desenvolvidos tenciais de poluição do ar através da dispersão de fuligem.
produziram resultados insatisfatórios.
3. Explique como essas novas usinas hidrelétricas produ‑
Para aumentar a confiabilidade das medições, os autores do zirão emissões de gases causadores do efeito estufa.
estudo empregaram uma nova fórmula, que combina dois mo-
delos. Em um deles, que tende a superestimar os resultados, eles Resposta: Isso ocorre quando a matéria orgânica presente
usaram dados de emissões de usinas já construídas e os apli- no solo ou na vegetação submerge durante a formação de
caram aos 18 projetos, levando em conta suas especificidades. reservatórios, produzindo gás metano.
O outro modelo, que subestima os resultados, simulou as 4. O que é defendido pelo engenheiro brasileiro Felipe
emissões com base em fórmulas de degradação de matéria Faria em relação à construção das hidrelétricas?
orgânica submersa, cuja quantia foi medida em cada usina
a partir de imagens de satélite. Resposta: Ele defende que o governo passe a considerar o
cálculo de emissões antes de decidir construir uma hidre-
Mesmo ao se levar em conta o modelo que subestima as létrica.
medições, apenas uma das 18 hidrelétricas — Ferreira Gomes
(AP) — apresentou níveis de emissões praticamente nulos, TexTo 2
comparáveis aos de usinas eólicas e solares.
Mato Grosso, Amazonas e RO puxam aumento
Outras dez hidrelétricas — entre as quais Belo Monte no desmatamento da Amaz™nia
(PA), Jirau (RO) e Santo Antonio (RO) — apresentaram
padrões de emissões superiores aos de eólicas e solares, mas São Paulo: O Ministério do Meio Ambiente divulgou na
abaixo dos de usinas de combustíveis fósseis. tarde de quinta-feira (26) os dados oficiais do desmatamento
da Amazônia do sistema Prodes, medidos entre agosto de
'Desmistificação' 2014 e julho de 2015 pelo Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe).
Em nota à BBC Brasil, o Ministério de Minas e Energia
diz que estudos iniciados em 2011 a pedido do órgão "desmis- Houve aumento de 16% em comparação ao ano anterior
tificaram que usinas hidrelétricas em regiões tropicais são (crescimento de 5 012 km2 para 5 831 km2), e os estados de
usualmente fontes relevantes de emissão de gases causadores Amazonas (54%), Rondônia (41%) e Mato Grosso (40% de
do efeito estufa". aumento) foram os que mais puxaram para cima esse
aumento.
Segundo o ministério, as análises de hidrelétricas brasilei-
ras revelaram emissões entre dez e 500 vezes menores que Segundo a ministra Izabella Teixeira, há ilegalidades
usinas térmicas a carvão, exceto no caso de Balbina (AM). acontecendo em determinadas regiões do Amazonas e a pasta
"A energia hidrelétrica existente no Brasil é energia limpa e estuda a criação de novas unidades de conservação para conter
renovável", diz o órgão. as derrubadas.
O MME afirma ainda que as tecnologias solar e eólica O Pará, que é o estado que mais desmata a Amazônia em
estão em expansão no Brasil, mas são incapazes de substituir números absolutos, manteve seu índice estável em relação ao
"usinas com armazenamento", como as hidrelétricas. Segun- ano anterior, ainda que em um patamar alto (1 881 km2).
do o órgão, a maioria das novas hidrelétricas na Amazônia A ministra disse que notificará os governos de MT, AM e RO
opera a fio d'água, gerando menos impactos ambientais que para darem explicações sobre o que está acontecendo.
usinas das décadas anteriores.
O anúncio do aumento do desmatamento acontece às
FELLET, João. Estudo alerta para emissões de novas hidrelétricas vésperas da Conferência do Clima da ONU, a COP-21, em Paris,
na Amazônia. BBC Brasil, 12 jan. 2016. Disponível em: onde o Brasil participará das negociações por um acordo global
<www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/ de redução das emissões dos gases de efeito estufa.
160104_emissoes_amazonia_jf>. Acesso em: 27 abr. 2016.
MANUAL DO PROFESSOR 311
O desmatamento, historicamente, é o maior fator causador TexTo 3
de emissões no Brasil. Somente este ano anunciou-se que a
geração de energia pode ter chegado ao mesmo patamar da Brasil teve papel mediador decisivo para
devastação. Acordo Mundial do Clima na COP-21
Diferenças entre sistemas O Brasil foi o responsável pela articulação das negociações
Existem diferentes sistemas de monitoramento do desma- para a elaboração da proposta de texto final da COP‑21, em
Paris, e que resultou no primeiro acordo global, envolvendo
tamento da Amazônia. Todos eles são feitos por técnicos que 195 países, com o propósito de frear as emissões de gases
observam imagens de satélite seguindo diferentes metodo- do efeito estufa e enfrentar os impactos da mudança
logias. O Prodes, divulgado nesta quinta, é o dado oficial anual, climática
mais preciso. O Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo
Real) é produzido mensalmente pelo Inpe e, como é mais A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que
rápido, não se destina a medir áreas, mas detectar focos de liderou a delegação brasileira durante a Conferência
derrubadas de floresta para que as autoridades sejam do Clima, afirmou sua satisfação com o resultado final da
acionadas a tempo. COP-21. Segundo a ministra, o Brasil foi protagonista nas
negociações, pois o texto final do compromisso reflete todas
Cerrado desmatado as posições defendidas pelo país.
Na quarta-feira, foram divulgados pelo governo os dados
Ainda em Paris, Izabella Teixeira destacou o esforço do
do Terraclass Cerrado 2013, projeto destinado ao mapea- Brasil nas políticas adotadas de forma voluntária para conter
mento do uso da terra e da cobertura vegetal desse outro a emissão de gases poluentes, como o Código Florestal, e
bioma, também com dados coletados pelo Inpe. Os resultados afirmou que o esforço mostrado pelo Brasil para o pacto
revelam que 54,5% do Cerrado mantém sua vegetação mundial só aumentou a credibilidade do país perante o mundo.
natural. As áreas de pastagens ocupam 29,5% do bioma,
enquanto a agricultura anual representa 8,5% e as culturas “Todos os países em desenvolvimento cumprimentaram
perenes, 3,1%, totalizando 41,1% do uso da terra. o Brasil pelo esforço, pela cooperação e por ser um país que
sempre se colocou para construir soluções”, conta a ministra.
MATO Grosso, Amazonas e RO puxam aumento no desmatamento “Nós viemos aqui para construir soluções, começando, no
da Amazônia. Rondonoticias, 28 nov. 2015. Disponível em: início, com a apresentação de uma NDC (Contribuições
Nacionalmente Determinadas) ambiciosa, e mudando o
<www.rondonoticias.com.br/noticia/geral/15725/mato‑grosso‑ nosso foco. Isso dá uma credibilidade política ao país, além
amazonas‑e‑ro‑puxam‑aumento‑no‑desmatamento‑da‑amazonia>. do que nós já estamos fazendo.”
Acesso em: 27 abr. 2016. Entre as metas estabelecidas, o acordo da COP-21 prevê
um aumento de mais de US$ 100 bilhões por ano para
Atividades financiar ações a partir de 2020, além do objetivo de manter
o aumento da temperatura média global abaixo de 2 °C e de
1. Que informação foi divulgada pelo Instituto Nacio‑ garantir esforços para limitar o aumento da temperatura
nal de Pesquisas Espaciais (Inpe) entre 2014 e 2015 a 1,5 °C. A cada cinco anos, as nações deverão prestar
sobre o desmatamento da Amazônia? contas a respeito das iniciativas levadas adiante para impedir
que a temperatura aumente mais do que 2 °C.
Resposta: Que ocorreu um aumento de 16% do desmata-
mento em comparação com o ano anterior. Apesar de comemorar que o acordo “tem o sotaque do
Brasil” e de ser um momento histórico para o país, a ministra
2. Que estados e suas respectivas regiões geográficas Izabella Teixeira deixa claro, no entanto, que o momento será
aparecem como os maiores desmatadores no perío‑ de muito trabalho daqui para a frente, com necessidade de o
do analisado? país avançar no que diz respeito às energias renováveis, avançar
na agricultura de baixo carbono, na restauração florestal e
Resposta: Foram os estados do Amazonas (região Norte), principalmente no compromisso que a sociedade brasileira
de Rondônia (região Norte) e de Mato Grosso (região define em relação ao enfrentamento de mudanças do clima.
Centro-Oeste).
“O Brasil tem dois desafios, fechar esse primeiro momento
3. “O desmatamento, historicamente, é o maior fator que é se preparar até 2020 para essa nova política de
causador de emissões no Brasil”. Explique essa frase clima, que na verdade é uma política de longo prazo e uma
retirada da notícia. política de desenvolvimento. A NDC do Brasil é certamente
um dos instrumentos essenciais para uma nova visão de
Resposta: O aluno poderá responder que o desmatamento desenvolvimento, para transição de baixo carbono, para mais
é a principal causa das emissões de CO2 (dióxido de carbo- inclusão social, para redução de desigualdades, para desafios
no) na nossa atmosfera, entre todos os outros agentes nas relações nacional-subnacional, União e Estados. Você tem
poluidores. que mexer nisso, porque a ação de clima determinará isso.
4. Além do bioma da Amazônia, que outro bioma é ci‑
tado na notícia como local de desmatamento?
Quanto de sua área original ainda está preservada?
Resposta: O Cerrado, que ainda conta com cerca de 54%
de sua área original preservada.
312 MANUAL DO PROFESSOR
Também na relação com o setor privado, com o setor produ- Ela pode ser causada tanto por ações da natureza, como
tivo, competitividade, novos mercados, tecnologias.” mudanças periódicas de climas, quanto pela ação humana.
A presidenta Dilma Rousseff também saudou a aprovação No Brasil, esse processo ocorre, majoritariamente, nas
do Acordo de Paris e destacou o papel decisivo do Brasil nesta regiões Nordeste e Sul (porém, nessa última, o fenômeno é
“nova fase de luta contra a mudança do clima”. Através de chamado de arenização, como veremos mais adiante). Ele
nota, a presidenta disse que “o acordo é justo e ambicioso, atinge uma área total de 1,3 milhão de km2, cerca de 15% do
fortalecendo o regime multilateral e atendendo aos legítimos território, e envolve localidades já desertificadas e áreas com
anseios da comunidade internacional”. elevado risco e suscetibilidade.
Dilma Rousseff ainda acrescentou que o acordo alcançado Além de fenômenos naturais, a ação humana é decisiva
“com a decisiva participação do Brasil guia-se pelos princípios para provocar ou acelerar a desertificação. Entre as ações
da Convenção de Mudança do Clima e respeita a diferenciação danosas, destacam-se as queimadas e os desmatamentos,
entre países desenvolvidos e em desenvolvimento”. bem como a prática da monocultura (sem a rotação de
culturas nos solos), entre outros fatores.
SPUTINIK Brasil. Brasil teve papel mediador decisivo para Acordo
Mundial do Clima na COP-21, 14 dez. 2015. Disponível em: <http:// Na região Nordeste do Brasil, estima-se que cerca de
br.sputniknews.com/brasil/20151214/3065814/acordo‑mundial‑ 230 mil km2 já estejam desertificados, uma área superior à
do estado do Ceará, para se ter uma ideia. Essas áreas
clima‑cop21.html>. Acesso em: 27 abr. 2016. encontram-se, portanto, fortemente degradadas e inférteis,
tornando o plantio impossível. Dentre os estados nordestinos
Atividades que mais sofrem com a desertificação, destaca-se o Piauí, que
já possui 71% do seu espaço agrário tomado pela infertilidade
1. Qual é a sua opinião sobre a realização de uma con‑ de seus solos.
ferência sobre o clima?
Resposta: Resposta pessoal. O professor terá aqui a opor- Na região Sul, esse processo também é grave, porém,
tunidade de sensibilizar suas turmas para a importância da como ocorre em uma região de clima úmido, com precipitações
diminuição das emissões de gases nocivos à vida na Terra. anuais em torno de 1 400 mm, dá-se o nome de areniza•‹o.
Isso porque, sobretudo na região da campanha gaúcha,
2. Quais foram as três metas estabelecidas pela localizada no Rio Grande do Sul, os solos são extremamente
COP‑21 de Paris, segundo o texto anterior? arenosos, naturalmente pobres em nutrientes e com partí-
Resposta: Um aumento de mais de US$ 100 bilhões por ano culas com baixa coesão. Apesar dessas características
para financiar ações a partir de 2020, a manutenção da desfavoráveis, esses solos foram muito utilizados por uma
temperatura média global abaixo de 2 °C e a garantia de agricultura intensiva durante praticamente todo o século XX,
esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C. o que contribuiu para ampliar as áreas improdutivas.
3. Destaque um fator que torna o Brasil uma nação im‑ É importante destacar que, em geral, as populações que
portante no cumprimento das metas estabelecidas mais sofrem — tanto direta quanto indiretamente — as
pela COP‑21. consequências disso são as mais pobres, uma vez que não
Resposta: O aluno poderá responder que o Brasil produz vão dispor de renda ou alimentos a baixo preço para satisfazer
dióxido de carbono a partir das queimadas de áreas flores- suas necessidades alimentares. Então, podemos avaliar que
tais e, se houver diminuição dessas queimadas, contribui- uma das consequências da desertificação dos solos é a
remos para o cumprimento das metas desejadas. redução das práticas agrícolas e da produção de alimentos.
4. Imagine que você tivesse de criar uma campanha Além dos danos sociais e econômicos, a desertificação e
publicitária que alertasse sobre os impactos am‑ a arenização também se constituem como um agravante
bientais no nosso planeta. Qual seria o tema dessa para inúmeros problemas ambientais, como a destruição das
campanha? camadas de vegetações superficiais, além da morte de
Resposta: Resposta pessoal. É importante que sejam discu- animais, da diminuição na oferta de recursos hídricos e na
tidas formas de controle e diminuição desses impactos no perda dos solos.
planeta.
No caso das populações que habitam a região Sul do
Tema 2 • Problemas brasileiros Brasil, praticamente todas tiveram de se mudar para outras
regiões do país em busca de melhores solos ou de condições
TexTo 1 de vida favoráveis nos grandes centros urbanos. Os produtores
mais ricos se deslocaram, em maior parte, para a região do
Desertificação no Brasil Centro-Oeste brasileiro, contribuindo para a expansão da
fronteira agrícola ao longo da segunda metade do século XX.
A ocorrência da desertificação no Brasil concentra‑se nas
regiões Nordeste e Sul do país Já as populações nordestinas que, além do empobreci-
mento dos solos, sofrem com as rigorosas secas, também
Entende-se por desertificação o fenômeno de empobre- migraram em massa, só que para a região Sudeste,
cimento e diminuição da umidade em solos arenosos,
localizados em regiões de clima subúmido, árido e semiárido.
MANUAL DO PROFESSOR 313
principalmente para as zonas densamente urbanizadas, Quando se avaliava a possibilidade de El Niño no ano
como São Paulo e Rio de Janeiro. passado, a medição chegou em novembro/2014 a 0,5 °C
acima do esperado e, perto de dezembro/2014, marcou 1 °C
PENA, Rodolfo F. Alves. Desertificação no Brasil. acima. Não se confirmou El Niño, mesmo assim a seca no
Publicado em: Geografia Física do Brasil. Disponível em: Ceará emendou o quarto ano seguido em 2015, com chuvas
35,2% abaixo da média histórica (804,9 milímetros).
<http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/
desertificacao‑no‑brasil.htm>. Acesso em: 27 abr. 2016. Agora, na medição mais recente de outubro/2015,
atualizada a cada segunda-feira, os balões atmosféricos
Atividades lançados no Pacífico mostram 2,4 °C a mais e em perspectiva
de alta. O que faz piorar? O Ceará está com apenas 14,8%
1. Aponte as duas características da desertificação no de reserva hídrica atualmente em 153 açudes. E, na última
Brasil presentes no texto. semana, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos
Resposta: O empobrecimento e a diminuição da umidade Hídricos (Funceme) confirmou a projeção de baixa para as
em solos arenosos. chuvas de pré-estação (dezembro/janeiro).
2. Que tipos climáticos são atingidos por esse proces‑ Ainda não há informação conclusiva sobre o nível de
so? Identifique uma região geográfica brasileira repercussão total do El Niño para 2016. São indicações. Mas,
onde eles estão atuando. por enquanto, esse superaquecimento central do Pacífico se
Resposta: Clima subúmido (região Centro-Oeste), árido e iguala ao índice de 1997 (+2,4 °C) e bate o de 1982 (+2,1 °C)
semiárido (região Nordeste). no intervalo setembro/outubro. O pico do fenômeno deve
acontecer exatamente entre dezembro e janeiro. Vale lembrar
3. O que provoca a desertificação? que na repercussão desses piores El Niños, em 1983 o Ceará
Resposta: Ela pode ser provocada tanto por ações da natu- também emendou cinco anos inclementes de estiagem, com
reza, como mudanças periódicas de climas, quanto por chuva 57,6% abaixo da média. Em 1998, a quadra chuvosa
ações humanas. foi 49,9% menor que a média.
4. Em quais regiões brasileiras a desertificação se faz E nem havia El Ni–o
mais atuante? “Posso te afirmar que estávamos tendo seca no Ceará
Resposta: Nas regiões Nordeste e Sul.
sem condições de El Niño. Agora estamos com El Niño forte.
5. Por que no Sul a desertificação é chamada de areni‑ Então o cenário é muito pior”, alerta o presidente da Funceme,
zação? Eduardo Sávio Martins. Ele explica que o último registro do
Resposta: Porque ocorre em uma região de clima úmido, fenômeno foi em 2010, mas com baixa intensidade. E 2011
com precipitações anuais em torno de 1 400 mm. Na re- foi chuvoso (+28,5%) por causa do La Niña, que é o fenômeno
gião da campanha gaúcha, localizada no Rio Grande do inverso, de esfriamento das águas do Pacífico — benéfico
Sul, os solos são extremamente arenosos, naturalmente para a propensão de chuvas no Nordeste.
pobres em nutrientes e com partículas com baixa coesão;
por isso o nome de arenização. Há cerca de três meses, a partir da preocupação climática
e da situação hídrica, mudou-se, inclusive, a frequência das
6. Quem são as pessoas mais atingidas por esse fenô‑ reuniões de um grupo do secretariado estadual destacado
meno? para tratar do assunto. De mensal, passou a ser semanal. No
Resposta: Os mais pobres, porque com a desertificação grupo estão as secretarias de Planejamento e Gestão
ocorre a redução das práticas agrícolas e da produção de (Seplag), Desenvolvimento Agrário (SDA), Recursos Hídricos
alimentos. (SRH), da Pesca, o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econô-
mica (Ipece), Cagece e a própria Funceme.
TexTo 2
Nos encontros, alguns deles inclusive com a presença do
Seca no Ceará. El Niño. Previsão de tempo ruim próprio governador Camilo Santana, as pastas discutem
como amenizar os danos causados pela estiagem 2015/2016.
Aquecimento das águas centrais do Pacífico já está 2,4 graus Órgãos setoriais, como SRH, Cagece, Funceme, Companhia
acima da média. É o mais alto índice do El Niño desde 1997 de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) e Superintendência
neste período, o pior registrado, e deve agravar a seca em 2016 de Obras Hidráulicas (Sohidra) mantêm a reunião semanal
das sextas-feiras.
O que está por vir no cenário de seca no Ceará não é
mesmo nada bom. A temperatura atual das águas do oceano As chuvas deste ano foram tão poucas que o aporte de
Pacífico, na zona mais central e que passa alinhada com o água nos reservatórios cearenses foi o terceiro mais baixo
Equador, está alta como poucas vezes esteve. No intervalo desde 1986, no período de fevereiro a maio. Em 2015, foram
entre a 39ª e a 42ª semana do ano, já se equivale aos piores repostos 600 milhões de metros cúbicos na estação chuvosa.
índices até então registrados. O mar está 2,4 °C mais quente Nos registros destes 30 anos seguidos, as precipitações só
que o esperado para esta época. Essa região do Pacífico, foram piores aos açudes nos anos 1993 (110 milhões de m3) e
quando superaquecida, é a mais influente para determinar
como será a estação chuvosa (fevereiro a maio) do ano
seguinte no Nordeste brasileiro.
314 MANUAL DO PROFESSOR
1998 (360 milhões de m3). Até a última sexta-feira, 82 açudes Está tudo tão mudado: roupa, cabelo, costumes, futebol.
dos 153 monitorados no Ceará (53,59%) estavam com volume Mas vamos falar de pessoas. Éramos 90 milhões há 45 anos.
entre zero e 9% de água armazenada. A perspectiva de céu Sabe quantos somos agora? […]
sem nuvens em 2016, ventilada pelo El Niño, assusta mais.
“Noventa milhões em ação. Pra frente Brasil”. Lembra
As variáveis do Atlântico dessa música? Anos [19]70.
O Atlântico, apesar de ser o oceano que banha o Brasil,
“Cinquenta milhões?”, diz uma jovem.
é menos influente para determinar a estação chuvosa Não. Bem mais.
nordestina do que o Pacífico. O presidente da Funceme, “Uns 250”, afirma um homem.
Eduardo Sávio Martins [...], explica que um dos motivos é Pera aí. Também não exagera.
porque o Atlântico é quase cinco vezes menor do que a bacia O IBGE divulgou nesta sexta-feira [28/8/2015] os
do Pacífico. “O Atlântico aquece mais rápido, esfria mais números. Somos 204,45 milhões de habitantes. É muita gente,
rápido, tudo pode acontecer em muito menos tempo, o que né? E num país tão grande, tão vasto, a maioria de nós vive
é mais desfavorável para a previsão meteorológica”. Martins apertada, concentrada, disputando espaço e oportunidades
diz que mesmo o Atlântico estando com um aquecimento nas cidades grandes.
atual na sua porção mais ao norte ainda é cedo para apontar O Brasil tem 5 570 municípios. Mais de 60 milhões de
esse dado como definidor do cenário para 2016. pessoas vivem em apenas 41 cidades. Quase 30% da
população. E metade dessa lista é formada só de capitais.
RIBEIRO, Cláudio. Seca no Ceará. El Niño. Previsão de tempo ruim. O São Paulo, todo mundo sabe, tem mais gente. Logo depois
Povo, 25 out. 2015. Disponível em: <www.opovo.com.br/app/opovo/ vêm o Rio de Janeiro e Salvador.
Cansou de agitação? Então, sinta a energia tranquila da
dom/2015/10/24/noticiasjornaldom,3523780/seca‑no‑ceara‑ simpática Serra da Saudade, em Minas Gerais: com 818
previsao‑de‑tempo‑ruim‑especial.shtml>. Acesso em: 27 abr. 2016. moradores, essa pacata cidadezinha é a que tem menos gente
no país. Ela é tão pequena que, se a cidade inteira saísse ao
Atividades mesmo tempo para andar de metrô no Rio, caberia todo mundo
em três vagões. Só mais duas cidades do país têm menos de mil
1. Cite as duas consequências provocadas pela atuação habitantes: Borá, em São Paulo, e Araguainha, em Mato Grosso.
do fenômeno climático El Niño no Brasil em 2016. Na maior parte do país, o ritmo do crescimento da
Resposta: Ocorrerá diminuição de chuvas no Norte e no população continua diminuindo. De 2014 pra cá, o número
Nordeste e aumento de chuvas no Sul. de habitantes aumentou só 0,83%.
O IBGE fechou esses números em julho. No site, tem um
2. Explique o que esse fenômeno pode provocar no reloginho marcando quantos somos. Nesta sexta-feira,
Nordeste brasileiro. éramos 204 729 872 milhões... e crescendo.
Resposta: Com a diminuição das chuvas, as atividades
agropastoris podem ser ainda mais afetadas e prejudica- JORNAL Nacional. População brasileira cresce
das, agravando o efeito das prolongadas secas. menos de 1% no último ano, aponta IBGE. 28 ago. 2015.
Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal‑nacional/
3. Indique dois períodos em que o Ceará foi afetado noticia/2015/08/populacao‑brasileira‑cresce‑menos‑de‑1‑no‑
por esse mesmo fenômeno, de acordo com o texto. ultimo‑ano‑aponta‑ibge.html>. Acesso: 27 abr. 2016.
Resposta: Em 1983, o Ceará atravessou cinco anos ininter-
ruptos de estiagem, com chuvas 57,6% abaixo da média. Já Atividades
em 1998, a quadra chuvosa foi 49,9% menor que a média.
1. Que informação disponibilizada pelo IBGE confirma
4. Por que o oceano Atlântico é menos influente para que uma grande parcela da população brasileira está
determinar a estação chuvosa nordestina do que o concentrada em poucas cidades?
Pacífico?
Resposta: Porque ele é cinco vezes menor e também porque Resposta: Segundo o IBGE, cerca de 30% da população
aquece e se resfria mais rapidamente. (em torno de 60 milhões de habitantes) vive em 41 cidades
brasileiras.
Tema 3 • População brasileira
2. Que capitais estaduais são mais populosas?
TexTo 1 Resposta: São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, respectiva-
mente.
População brasileira cresce menos de 1% no
último ano, aponta IBGE 3. Cite as três cidades brasileiras menos populosas e
seus respectivos estados, respectivamente.
País tem 204,45 milhões de habitantes. Mais de 60 milhões
de pessoas vivem em apenas 41 cidades Resposta: Serra da Saudade (MG), Borá (SP) e Araguainha
(MT).
O IBGE também divulgou nesta sexta-feira (28) as
estimativas da população brasileira, que cresceu menos de 4. Com o número apresentado pelo IBGE, o Brasil per‑
1% de 2014 para cá. manece ocupando a quinta posição entre os países
MANUAL DO PROFESSOR 315
mais populosos do mundo. Indique, respectivamen‑ Regiões metropolitanas
te, as quatro nações mais populosas do mundo e o Das 26 regiões metropolitanas do país, só existem 6 re-
continente em que estão localizadas.
giões metropolitanas com destaque no Nordeste. A maior é
Resposta: China (Ásia), Índia (Ásia), Estados Unidos a de Fortaleza, com 3,9 milhões, e a menor é a RIDE que cerca
(América) e Indonésia (Ásia). a capital do Piauí, Teresina, com 1,1 milhão de habitantes.
TexTo 2 [...]
Divulgada estimativa da população em 2015; POLÍTICA real. Divulgada estimativa da população em 2015; Nordeste
Nordeste tem cinco entre as 17 cidades com tem cinco entre as 17 cidades com mais de 1 milhão de habitantes.
mais de 1 milhão de habitantes 28 ago. 2015. Disponível em: <www.politicareal.com.br/
noticias/nordestinas/570022/divulgada‑estimativa‑da‑
Nesta sexta-feira, 28 de agosto, foi publicada no Diário
Oficial da União a tabela com a população estimada para populacao‑em‑2015‑nordeste‑tem‑cinco‑entre‑as‑17‑cidades‑
cada município [...]. A nota metodológica e a tabela com as com‑mais‑de‑1‑milhao>. Acesso em: 27 abr. 2016.
estimativas das populações para os 5 570 municípios
brasileiros e para as 27 Unidades da Federação. Entre as 17 Atividades
cidades com mais de 1 milhão de habitantes existem 5 cidades
— Salvador, Fortaleza, Recife, São Luís e Maceió. 1. Cinco cidades nordestinas estão entre as 17 cidades
brasileiras que têm população superior a 1 milhão de
No meio da manhã, o IBGE divulga mais detalhes das habitantes. Identifique‑as e indique o estado de sua
estimativas das populações residentes nos 5 570 municípios localização.
brasileiros com data de referência em 1º de julho de 2015. O Resposta: Salvador (Bahia), Fortaleza (Ceará), Recife
Brasil, estima o IBGE, teria 204,5 milhões de habitantes e (Pernambuco), São Luís (Maranhão) e Maceió (Alagoas).
uma taxa de crescimento de 0,83% de 2014 para 2015.
O município de São Paulo continua sendo o mais populoso, 2. Aponte em ordem crescente os três estados nordes‑
com 12 milhões de habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro tinos mais populosos. Identifique suas respectivas
(6,5 milhões), Salvador (2,9 milhões) e Brasília (2,9 milhões). capitais.
Dezessete municípios brasileiros possuem mais de um milhão Resposta: Bahia (Salvador), Pernambuco (Recife) e Ceará
de habitantes, somando 44,9 milhões de habitantes ou (Fortaleza).
22,0% da população total do Brasil. [...]
3. Estabeleça uma relação entre as questões 1 e 2.
No ranking dos estados, os três mais populosos localizam- Resposta: O aluno poderá responder que os estados mais
-se na região Sudeste, enquanto os três menos populosos populosos do Nordeste têm também as capitais mais po-
localizam-se na região Norte. O estado de São Paulo, com pulosas.
44,4 milhões de habitantes, concentra 21,7% da população
total do país. O estado de Roraima é o menos populoso, com 4. Qual é o estado menos populoso do Nordeste?
505,7 mil habitantes (0,2% da população total), seguido do Identifique sua capital.
Amapá, com 766,7 mil habitantes (0,4% da população total) Resposta: É o estado de Sergipe (Aracaju).
e do Acre, com 803,5 mil habitantes (0,4% da população total).
5. Que cidades nordestinas que não são capitais pos‑
A região Nordeste teria 56 560 081. Os nove estados da suem mais de 500 mil habitantes? Indique seus res‑
região tem a seguinte população: Maranhão — 6 904 241, pectivos estados.
Piauí — 3 204 028, Ceará — 8 904 459, Rio Grande do Resposta: Jaboatão dos Guararapes (PE) e Feira de
Norte — 3 442 175, Paraíba — 3 972 202, Pernambuco — Santana (BA).
9 345 173, Alagoas — 3 340 932, Sergipe — 2 242 937,
Bahia — 15 203 934. TexTo 3
Entre os 20 municípios com mais de 500 mil habitantes População indígena de MT aumenta quase 50%
que não são capitais só se destacam duas cidades, Jaboatão em uma década
dos Guararapes (PE) e Feira de Santana (BA).
Dados fazem parte de tese de mestrado sobre povos
As estimativas populacionais são fundamentais para o indígenas. Pesquisa aponta ainda queda no número de
cálculo de indicadores econômicos e sociodemográficos nos índios vivendo na zona urbana.
períodos intercensitários e são, também, um dos parâmetros
utilizados pelo Tribunal de Contas da União na distribuição Após redução até a década de [19]70, a população
do Fundo de Participação de Estados e Municípios. Esta indígena voltou a crescer em Mato Grosso e, em uma década
divulgação anual obedece ao artigo 102 da lei n. 8 443/1992 — de 2000 a 2010, aumentou 48%. Os dados fazem parte
e à Lei complementar n. 143/2013. de um estudo feito pela pesquisadora Lauren Logsdon para
a conclusão de mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade
[...] Federal de Mato Grosso (UFMT). No início da década
passada, 29 196 indígenas viviam em Mato Grosso e, 10 anos
depois, esse número aumentou para 43 226.
316 MANUAL DO PROFESSOR
Em 2010, os indígenas das 48 etnias existentes no estado Atividades
representavam 1,16% da população e, atualmente, 3,98%, de
acordo com a pesquisa. Além disso, os índios mato-grossenses 1. Comente a população indígena composta de 48 et‑
correspondem a 5,26% da população indígena brasileira. nias que vivem no estado de Mato Grosso, segundo
a pesquisa disposta anteriormente.
As terras indígenas mais populosas são a Pareci, em Resposta: Os indígenas das 48 etnias existentes no estado
Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, com 838 moradores, representavam 1,16% da população em 2010 e 3,98% em
e o Parque do Xingu, na região nordesde do estado, que conta 2015. Além disso, os indígenas mato-grossenses corres-
com 4 812 habitantes em 9 municípios. A terceira com maior pondem a 5,26% da população indígena brasileira.
população é a terra indígena Parabubure com 3 819 indivíduos
distribuídos nos municípios de Campinápolis e Nova Xavantina, 2. Indique as três terras indígenas mato‑grossenses
de acordo com dados do Instituto Socioambiental (ISA). com maior população indígena, respectivamente.
Resposta: A de Pareci, em Tangará da Serra; a do Parque do
Nos 10 anos pesquisados, Barra do Garças, Brasnorte, Xingu, na região nordesde do estado; e a de Parabubure,
Canarana, General Carneiro, Juara e Peixoto de Azevedo nos municípios de Campinápolis e Nova Xavantina.
apresentaram os maiores índices de natalidade. Segundo a
pesquisa, Cuiabá foi o único município que teve diminuição 3. A população indígena de Mato Grosso faz um cami‑
da população indígena. Contudo, a queda foi inferior a 1%, nho inverso da maioria da população brasileira.
que corresponde à redução de 80 pessoas. Justifique essa afirmação.
Resposta: A pesquisa apontou que houve redução no nú-
Volta ao campo mero de indígenas vivendo nas áreas urbanas de Mato
A pesquisa apontou ainda que houve redução no número Grosso. Em 2000, 74,83% da população morava na zona
rural e, 10 anos depois, esse percentual passou para
de índios vivendo nas áreas urbanas de Mato Grosso. Em 83,96%. No Brasil, a população urbana é cada vez maior.
2000, 74,83% da população morava na zona rural e, 10 anos
depois, esse percentual passou para 83,96%. "As pirâmides 4. A pirâmide etária indígena mato‑grossense mostra
etárias dos indígenas para os anos estudados apresentaram uma situação inversa à pirâmide etária do Brasil.
população bastante jovem, com base larga que se estreita Explique o que isso significa.
conforme aumenta a idade", diz a pesquisa. Resposta: "As pirâmides etárias dos indígenas para os anos
estudados apresentaram população bastante jovem, com
O município com maior crescimento populacional foi base larga que se estreita conforme aumenta a idade".
Peixoto de Azevedo, que apresentou uma taxa de crescimento
populacional, de 12,76% ao ano, e Cuiabá, a menor taxa. Tema 4 • Ação humana e meio ambiente no
Brasil
Na área urbana, o município que mais apresentou cresci-
mento no número de indígenas foi Canarana, a 838 km da TexTo 1
capital. Aumentou em 16,56% a cada ano a quantidade de
índios vivendo na zona urbana desse município. Rio Doce: não foi acidente. Foi violência
Maioria homens A aliança entre o Estado brasileiro e o capital é uma
Apesar de ter nascido mais mulheres, os homens ainda máquina de matar e deixar morrer
continuam sendo maioria nas comunidades indígenas. Em Sempre que eu vou a Porto Alegre é a mesma coisa. O
2000, eram 106,2 homens para cada 100 mulheres e, em taxista reclama que não pode fazer o caminho que ele quer
2010, caiu para 101,47 para o mesmo grupo de mulheres. Já porque um trecho da Avenida Anita Garibaldi ainda está
na zona urbana há mais mulheres. São 90,67 homens para fechado. Uma rua ia ser alargada para a Copa do Mundo,
cada 100 mulheres. mas, no meio da obra, descobriu-se que não se podia mais
continuar perfurando porque encontraram (veja bem) uma
Pesquisa rocha no meio do caminho. Tudo ficou mais caro.
A intenção da pesquisadora era reunir dados quantitativos
A Prefeitura dizia que era culpa da empresa, que deveria
sobre os indígenas do estado. Ela argumenta que os povos ter previsto o problema, mas a empresa queria que a
têm características específicas que precisam ser estudadas prefeitura cobrisse o valor extra da obra. Aquele velho
e desenvendadas. "Além de dados qualitativos, que vêm de empurra-empurra. O buraco e seus desvios já viraram parte
longa data sendo estudados por antropólogos, é necessária da paisagem da cidade. A obra está ali, já fazendo aniversário
a obtenção de dados quantitativos, de interesse da demo- de três anos. E a sensação de todos que passam por tantas
grafia, para identificar as necessidades específicas desta obras inacabadas ou malfeitas no Brasil é que elas nunca
população. Desta maneira, a necessidade das informações serão plenamente concluídas. E quem tem a sua vida
quantitativas é crescente", pontuou. transtornada somos todos nós — verdadeiros palhaços de
um circo chamado Estado.
ARAÚJO, Pollyana. População indígena de MT aumenta
quase 50% em uma década. G1, 15 jan. 2015. Disponível em:
<http://g1.globo.com/mato‑grosso/noticia/2015/01/
populacao‑indigena‑de‑mt‑aumenta‑quase‑50‑
em‑uma‑decada.html>. Acesso em: 27 abr. 2016.
MANUAL DO PROFESSOR 317
A velha aliança que se perpetua entre o Estado brasileiro Podemos contar somente com a mobilização e o engajamento
e o capital — às vezes competindo, às vezes cooperando, mas no projeto democrático — que ainda estamos construindo a
sempre lucrando — é uma máquina de matar e deixar morrer. duras penas, mas não desistiremos tão fácil. Por ora, cabe a
A estrutura burocrática e reguladora brasileira nos irrita, nos nós entoar o grito “não foi acidente”, pressionar por medidas
machuca e nos desrespeita. Mas esse modus operandi causa reparadoras e acompanhar a implementação.
muito mais do que horas trancadas no trânsito ou a desilusão
de ver uma cratera estampada. Ele também produz dor, PINHEIRO‑MACHADO, Rosana. Rio Doce: não foi acidente.
sofrimento e morte. Foi violência. CartaCapital, 19 nov. 2015. Disponível em: <www.
cartacapital.com.br/sociedade/nao‑foi‑acidente‑foi‑violencia‑635.
Valores para as campanhas? Licitações facilitadas. Mais
uma ponte caiu. A obra está cara? O Estado não fiscaliza? html>. Acesso em: 27 abr. 2016.
Mais uma barragem se rompeu. A empresa aérea sofre uma
crise e cortam-se os custos da manutenção? Quem fiscaliza? Atividades
Mais um avião caiu.
1. A que episódio a matéria se refere?
Choveu e abriu buraco na estrada? Passe-se aquele Resposta: Em 5 de novembro de 2015, ocorreu o rompi-
cimento mais barato. Assim, quando chover de novo, o Estado mento da barragem do Fundão, localizada na cidade histó-
paga para tapar os buracos, e a empresa ganha sempre. rica de Mariana (MG), lançando no meio ambiente cerca
Afinal de contas, para que investir em material duradouro se de 34 milhões de m3 de lama tóxica, resultantes da produ-
o Brasil é um país tropical em que quase nunca chove forte? ção de minério de ferro pela mineradora Samarco — em-
O resultado dessa ganância é perverso: acidentes, corpos presa controlada pela Vale e pela britânica BHP Billiton.
mutilados e vidas interrompidas por causas que poderiam
ter sido evitadas, mas que são naturalizadas como “acidente”. 2. Por que o artigo é intitulado “Rio Doce: não foi aci‑
dente. Foi violência”?
Não se trata de acidente. Trata-se de um crime praticado Resposta: O artigo afirma que não se tratou de um aciden-
pelo Estado e pelas empresas que deveriam ser controla- te. Tratou-se de um crime praticado pelo Estado e pelas
das pelo Estado, mas que, na verdade, controlam o Estado. empresas que deveriam ser controladas pelo Estado, mas
que, na verdade, controlam o Estado.
Trata-se, portanto, de violência estrutural — conceito
adotado por antropólogos como Veena Das, Arthur Kleinman, 3. O que mais chamou sua atenção nessa matéria?
Paulo Farmer e Akhil Gupta para dar visibilidade a uma forma Resposta: Resposta pessoal. O professor poderá solicitar a
de sofrimento causado por estruturas sociais: pelo descaso, leitura de algumas respostas e promover um debate com as
pela corrupção e pela ausência do Estado na fiscalização (o questões levantadas.
mesmo Estado que sabe fazer-se onipresente e ostensivo
quando se trata de correr atrás de camelô porque os lojistas TexTo 2
da cidade estão pressionando).
País aposta em fontes renováveis
A dor causada a milhares de pessoas e a morte de milha-
res ou milhões de animais ao longo do rio Doce não foram Para especialistas, produção de energia eólica, solar e de
acidentais. Não foi um desastre natural inevitável. Violência biomassa deve continuar em alta, mesmo com o preço do
não é apenas o ato deliberado de força, mas também os atos petróleo em queda
invisíveis da incompetência ou má-fé judicial, política e
administrativa. É preciso nomear claramente esta tragédia. As chamadas novas fontes renováveis de energia, forma-
Uma vez que admitimos que o que ocorreu na obra da das por usinas eólicas, solares e de biomassa, foram as que
Samarco (uma parceria da BHP e da Vale) foi um ato de mais cresceram nos últimos anos no Brasil. Entre 2005 e
violência — produzida pelo descaso e pela ganância que 2014, a produção desse tipo de energia aumentou 146%,
“deixa morrer” —, é preciso identificar os culpados, que, neste enquanto as hídricas avançaram 10%; o petróleo, 38%; e o
caso, são agentes específicos do mercado e das agências gás natural, 80%, segundo o Balanço Energético Nacional
controladoras do Estado. 2015 (BEN).
Não foi acidente. Não foi seleção natural. E a população Embora ainda tenham uma participação pequena na
brasileira não faz parte desse jogo em que se acredita que matriz energética, elas vão reforçar as medidas do governo
“os políticos corruptos são reflexo de um povo corrupto”. O para que o país consiga atingir as metas de redução das
taxista de Porto Alegre continua a se indignar, todos os dias. emissões de gases do efeito estufa definidas na 21ª Confe-
Eu me indigno. Você se indigna. Nós nos sentimos desrespeita- rência do Clima (COP-21), ocorrida em dezembro, em Paris.
dos e impotentes. O objetivo do Brasil é reduzir as emissões em 37% até 2025
e em 43% até 2030.
As mídias sociais encorajam e nos ajudam a encontrar
aqueles outros milhões de perdidos que também não querem Para isso, o governo pretende elevar a participação das
esquecer. Não há milagre para romper com esse ciclo de novas fontes renováveis de 9%, em 2014, para 24% da
violência estrutural que se perpetua na sociedade brasileira. produção de energia elétrica do país até 2030, diz o presi-
dente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício
Tolmasquim. “Hoje, a média dessas novas energias renováveis
318 MANUAL DO PROFESSOR
na matriz mundial está em torno de 6%. É claro que alguns recebido vultosos investimentos. Foram R$ 22 bilhões em
países têm participação maior, como a Alemanha (13,4%).” 2015 e, para este ano, a expectativa é aplicar outros
R$ 25 bilhões. Segundo a presidente da Associação Brasileira
Na opinião de Tolmasquim, o Brasil vai continuar man- de Energia Eólica, Elbia Gannoum, em 2015 o setor cresceu
tendo sua posição de liderança na produção de energia limpa 35% comparado com 2014 e colocou o país na 10ª posição
nos próximos anos. E isso deve ocorrer a despeito da queda no ranking dos maiores produtores do mundo.
dos preços do petróleo e mesmo com a perspectiva de que o
barril não volte aos patamares de US$ 100. Solar. A energia solar está num estágio atrás da eólica,
mas tem atraído investidores. Com a realização de leilões
O país tem uma matriz energética invejável comparada específicos para a fonte, o Brasil conseguiu dar o pontapé
ao resto do mundo. Pelos dados do Balanço Energético inicial na ampliação da fonte renovável, que ainda é incipiente
Nacional, cerca de 40% da oferta interna de energia vem de — em 2014, o país tinha apenas 15 megawatt (MW) de
fontes renováveis — que incluem a energia hidrelétrica e o energia solar instalada. Nos leilões, entretanto, foram contra-
etanol — e 60% de combustíveis fósseis. No mundo, a média tados mais de 2,5 mil MW.
de uso de energia limpa era de apenas 13,8% em 2013, último
dado da Agência Internacional de Energia. Maurício Tolmasquim diz que o planejamento da matriz
energética brasileira inclui ainda a ampliação da produção
Os números brasileiros já foram melhores. Em 2009, por de etanol. Apesar da crise que abalou o setor e fechou várias
exemplo, 46,8% da oferta de energia no país era renovável. usinas, ele diz que a previsão é ampliar a fatia do produto de
Tolmasquim explica que a queda é reflexo da crise hídrica 38% para 49% entre os combustíveis até 2030.
que assolou o país nos últimos anos e exigiu a produção de
energia elétrica de óleo combustível e diesel. “O Brasil é Além das renováveis, uma fonte fóssil, mas menos poluente
privilegiado. Tem água em abundância, vento forte e sol o que o petróleo, deve ganhar espaço na matriz energética
ano todo”, afirma o diretor do Centro Brasileiro de Infraes- mundial, diz Pires. Para ele, o gás natural será o combustível
trutura (CBIE), Adriano Pires. da transição de uma economia suja para uma mais limpa.
Segundo ele, a energia eólica e a solar vão crescer muito PEREIRA, Renée. País aposta em fontes renováveis. O Estado
nos próximos anos e exigir estudos avançados em novas de S. Paulo, 14 fev. 2016. Disponível em: <http://economia.
tecnologias. Como são fontes intermitentes, que estão estadao.com.br/noticias/geral,pais‑aposta‑em‑fontes‑
sujeitas às intempéries da natureza, elas não conseguem renovaveis,10000016355>. Acesso em: 27 abr. 2016.
garantir um volume de produção o tempo todo. Por isso, o
mundo vem apostando em estudos para o desenvolvimento Atividades
de baterias que consigam armazenar a energia produzida
por essas novas fontes renováveis. 1. Quais são as fontes de energia renováveis citadas no
texto?
“Algumas empresas têm estudos aprofundados. Mas, por
enquanto, elas são muito caras”, destaca o presidente da Resposta: As energias eólica, solar e de biomassa.
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(Fapesp), José Goldemberg, um dos principais cientistas 2. Aponte as fontes de energia não renováveis que
brasileiros especializados em energia. Ele explica que as também foram mencionadas.
baterias são as mesmas que são usadas para os carros
elétricos, mas com mais capacidade. “Para se ter uma ideia Resposta: O petróleo e o gás natural.
do custo, as baterias usadas nos carros custam mais de
US$ 20 mil, quase metade do valor do carro.” 3. Qual foi a participação das novas fontes de energia
na produção elétrica brasileira em 2014?
Na avaliação dele, enquanto essas inovações continuam
no papel, o Brasil deveria voltar a investir nas hidrelétricas Resposta: Foi de 9%.
com reservatórios, que acumulam água e, portanto, armaze-
nam energia. Como os novos potenciais hidrelétricos estão 4. Qual é o objetivo brasileiro definido na Conferência
localizados na Amazônia, a pressão ambiental em cima das do Clima (COP‑21) em relação à redução das emis‑
hidrelétricas tem tornado inviável a construção de usinas com sões de gases do efeito estufa até 2030?
represas. Isso diminuiu a capacidade de armazenamento de
água e deixou o país mais vulnerável às condições climáticas. Resposta: O objetivo do Brasil é reduzir as emissões em
37% até 2025 e em 43% até 2030.
Na opinião de especialistas, as usinas eólicas devem ser
usadas como complemento. No período de seca no Sudeste, 5. Em se tratando de matrizes de energia renováveis,
as eólicas produzem mais no Nordeste. Mas é preciso ter caracterize a posição brasileira em relação ao resto
usinas de reserva para o caso de o vento diminuir e reduzir a do mundo.
geração de energia.
Resposta: Segundo a matéria, o Brasil tem uma matriz
Enquanto persistem as discussões sobre como armazenar energética invejável comparada ao resto do mundo. Pelos
a energia, a eólica continua tendo forte expansão e tem dados do Balanço Energético Nacional, cerca de 40% da
oferta interna de energia vem de fontes renováveis — que
incluem a energia hidrelétrica e o etanol — e 60% de com-
bustíveis fósseis. No mundo, a média de uso de energia
limpa era de apenas 13,8% em 2013, último dado da
Agência Internacional de Energia.
MANUAL DO PROFESSOR 319
4. Sugestões de filmes para 10. Sementes do nosso quintal
complementar os conteúdos e
elaborar atividades Direção: Fernanda Heinz Figueiredo. Brasil, 2012.
Documentário baseado no cotidiano de uma es
1. Encontro com Mílton Santos cola infantil inovadora que enfoca o estímulo da
criatividade infantil e a trajetória da idealizadora
Direção: Silvio Tendler. Caliban Produções Cinema Thereza Soares Pagani.
tográficas, 2006.
11. Tropa de Elite 2: o inimigo agora é outro
Tendo uma entrevista com o geógrafo Mílton
Santos como ponto de partida e referência, o do Direção: José Padilha. Brasil, 2010.
cumentário expõe um pensamento sobre a Drama que aborda o sistema policial brasileiro.
globalização.
12. Vidas secas
2. Fome
Direção: Nelson Pereira dos Santos. Brasil, 1963.
Direção: Cristiano Burlan. Brasil, 2015. O filme, baseado em livro homônimo de Graci
liano Ramos, narra a história de uma família de
Drama sobre um morador de rua que vaga pelas retirantes nordestina que perambula pelo sertão
ruas da cidade de São Paulo. em busca de água e comida.
3. Garapa 5. Sugestões de leitura e fontes de
consulta para o professor
Direção: José Padilha. Brasil, 2009.
Livros
O filme aborda os efeitos da fome em famílias
pobres do Nordeste do Brasil. 1. A conquista da América
4. Getúlio Tzvetan Todorov. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
Direção: João Jardim. Brasil, 2013. 2. A era do capital (1848-1875)
O filme retrata os últimos dias de governo do Eric J. Hobsbawn. São Paulo: Paz e Terra, 2007.
presidente brasileiro, em 1954.
3. A natureza do espaço
5. Mitã
Mílton Santos. São Paulo: Edusp, 2008.
Direção: Lia Mattos e Alexandre Basso. Brasil, 2013.
4. A região cacaueira da Bahia: dos coronéis à
Os temas ligados a educação, espiritualidade, vassoura-da-bruxa
tradição e cultura da criança se misturam na
narrativa desse documentário, inspirado pelos Lurdes Bertol Rocha. Ilhéus: Ed. da Uesc, 2014.
pensamentos de Fernando Pessoa, Agostinho da
Silva e Lydia Hortélio. 5. A terra e o homem no Nordeste
6. Paulo Freire – Contemporâneo Manuel Correia de Andrade. São Paulo: Cortez, 2005.
Direção: Toni Venturi. Brasil, 2006. 6. A última floresta: a Amazônia na era da glo-
balização
O filme traz entrevistas com Paulo Freire, seus
familiares, educadores e intelectuais. O pensa Mark London e Brian Kelly. São Paulo: Martins Fontes,
mento e o método de alfabetização de Paulo 2007.
Freire também são discutidos.
7. Brasil: a construção interrompida
7. Quando sinto que já sei
Celso Furtado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.
Direção: Antonio Sagrado, Raul Perez e Anderson Lima.
Brasil, 2014. 8. Brasil: paisagens de exceção. O litoral e o
Pantanal Mato-Grossense: patrimônios bási-
Documentário que registra práticas inovadoras cos
na educação brasileira. Os diretores investiga
ram iniciativas em oito cidades brasileiras. Aziz Nacib Ab’Sáber. São Paulo: Ateliê Editorial,
2006.
8. Que horas ela volta?
9. Brasil: uma biografia
Direção: Anna Muylaert. Brasil, 2015.
Lília Moritz Schwarcz e Heloísa Starling. São Paulo:
O filme aborda importantes questões socioeco Companhia das Letras, 2015.
nômicas e culturais brasileiras.
10. Brasil: uma história. A incrível saga de um
9. Salve Geral país
Direção: Sérgio Rezende. Brasil, 2009. Eduardo Bueno. São Paulo: Ática, 2010.
O filme narra a história de uma viúva de classe
média que luta para tirar o filho da prisão.
320 MANUAL DO PROFESSOR
11. Capitalismo dependente e relações de poder 28. História geral da civilização brasileira. Tomo
no Brasil: 1889-1930 III: “O Brasil Republicano”
Pedro Fassoni Arruda. São Paulo: Expressão Popular, Boris Fausto (Org.). São Paulo: Difel, 1975.
2012.
29. Impactos ambientais urbanos no Brasil
12. Cidadania, um projeto em construção: mino-
rias, justiça e direitos Antônio José Teixeira Guerra. Rio de Janeiro: Bertrand
Brasil, 2004.
Lília Moritz Schwarcz. São Paulo: Claro Enigma, 2012.
30. Litoral do Brasil
13. Comunidades imaginadas
Aziz Nacib Ab’Sáber. São Paulo: Metalivro, 2001.
Benedict Andreson. São Paulo: Companhia das Letras,
2008. 31. Nordeste: mito e realidade
14. Conflitos no campo Brasil 2015 Yná Andriguetti. São Paulo: Moderna, 1998.
Antônio Canuto, Cássia Regina da Silva Luz e Isolete 32. Para ensinar e aprender Geografia
Wichinieski. Disponível em: <www.cptnacional.org.br/in
dex.php/downloads/finish/43conflitosnocampobrasil Nídia Nacib Pontuschka, Tomoko Lydia e Nuria
publicacao/14019conflitosnocampobrasil2015>. Hanglei. São Paulo: Cortez, 2007.
15. Contribuição ao estudo hidrológico do semiá- 33. Por uma geografia nova: da crítica da geogra-
rido nordestino fia a uma geografia crítica
João Suassuna. Recife: Massangana, 2000. Mílton Santos. São Paulo: Edusp, 2002.
16. Ecogeografia do Brasil: subsídios para plane- 34. Prática de ensino de Geografia e estágio su-
jamento ambiental pervisionado
Jurandyr L. S. Ross. São Paulo: Oficina de Textos, 2006. Elza Yasuko Passini. São Paulo: Contexto, 2007.
17. Economia espacial: críticas e alternativas 35. O Brasil: território e sociedade no início do
século XXI
Mílton Santos. São Paulo: Edusp, 2007.
Mílton Santos e Maria Laura Silveira. Rio de Janeiro:
18. Encontros: Mílton Santos Record, 2011.
Maria Angela Faggin Pereira (Org.). Rio de Janeiro: 36. O espaço do cidadão
Azougue, 2007.
Mílton Santos. São Paulo: Edusp, 2008.
19. Formação do Brasil contemporâneo – Colônia
37. O pensamento geográfico brasileiro: as ma-
Caio Prado Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. trizes brasileiras
20. Formação econômica do Brasil Ruy Moreira. São Paulo: Contexto, 2010. v. 3.
Celso Furtado. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 38. O pensamento geográfico brasileiro: as ma-
trizes da renovação
21. Geografia: ciência da sociedade
Ruy Moreira. São Paulo: Contexto, 2009. v. 2.
Manuel Correia de Andrade. Recife: Ed. Universitária
da UFPE, 2008. 39. O povo brasileiro
22. Geografia e filosofia: contribuição para o en- Darcy Ribeiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
sino do pensamento geográfico
40. O que é ser geógrafo
Eliseu Savério Sposito. São Paulo: Editora da Unesp,
2009. Aziz Nacib Ab’Sáber (em depoimento à Cynara
Menezes). Rio de Janeiro: Record, 2007.
23. Geografia em perspectiva
41. Os domínios de natureza no Brasil: potencia-
Nídia Pontuschka e Ariovaldo U. Oliveira (Org.). São lidades paisagísticas
Paulo: Contexto, 2004.
Aziz Nacib Ab’Sáber. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012.
24. Geografia: introdução à ciência geográfica
42. Redes e cidades
Auro de Jesus Rodrigues. São Paulo: Avercamp, 2008.
Eliseu S. Sposito. São Paulo: Editora da Unesp, 2008.
25. Geografia política da água
43. Reflexões sobre a geografia física no Brasil
Wagner Costa Ribeiro. São Paulo: Annablume, 2008.
Antônio José Teixeira Guerra e Antônio Carlos Vitte.
26. Geopolítica do Brasil Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
Manuel Correia de Andrade. Campinas: Papirus, 2007. Sites
27. Getúlio 1882-1930: dos anos de formação à 1. <cmais.com.br/aloescola>
conquista do poder
Site da TV Cultura de São Paulo dedicado a atividades
Lira Neto. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. educacionais.
MANUAL DO PROFESSOR 321
2. <http://videoseducacionais.cptec.inpe.br> 17. <www.nasa.gov/audience/foreducators/
index.html>
Neste site é possível encontrar vídeos sobre o efeito
estufa e outros problemas ambientais. Site da Nasa, com artigos, informações e imagens sobre
o Universo. Em inglês.
3. <http://videos.hsw.uol.com.br/gps-video.
htm> 18. <www.sosamazonia.org.br>
Site com vídeo que explica o funcionamento do GPS. Site da Associação SOS Amazônia, que tem como mis
são defender a Amazônia de impactos ambientais.
4. <https://nacoesunidas.org/>
19. <www.transportes.gov.br>
Site da Organização das Nações Unidas no Brasil.
Contém artigos de interesse geral. Em português. Site do Ministério dos Transportes, com mapas e infor
mações sobre a rede de transportes das regiões brasi
5. <www.amazonia.org.br> leiras.
Site com informações gerais sobre a região amazônica. 20. <www.un.org>
6. <www.anp.gov.br> Site da ONU, com diversas informações, como artigos
e estatísticas. Em inglês, espanhol e francês, entre ou
Site da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e tras línguas.
Biocombustíveis. Contém informações, estatísticas e
mapas sobre fontes de energia no Brasil. 21. <www.worldbank.org>
7. <www.bancomundial.org.br> Site do Banco Mundial, com dados estatísticos e arti
gos. Em português, inglês e espanhol, entre outras lín
Site do Banco Mundial, com informações sobre o Brasil. guas.
8. <www.crmariocovas.sp.gov.br> 22. <www.wwf.org.br/natureza_brasileira/
questoes_ambientais/biomas>
Site do Centro de Referência em Educação Mário
Covas, com informações sobre educação. Site com informações sobre os biomas brasileiros.
9. <www.discoverynaescola.com> Revistas
Site do Discovery na Escola com informações aos pro 1. <http://revistaescola.abril.com.br>
fessores sobre como utilizar vídeos em sala de aula,
bem como outros recursos disponíveis. Nova escola
10. <www.dnpm.gov.br> 2. <www.cartaeducacao.com.br/>
Site do Departamento Nacional de Produção Mineral, Carta Educação, site de educação da CartaCapital
com estatísticas sobre a produção nacional de
minerais. 3. <www2.uol.com.br/historiaviva>
11. <www.futura.org.br> História Viva
Site do canal de televisão Futura, com programação 4. <www2.uol.com.br/sciam>
dirigida à educação.
Scientific American Brasil
12. <www.ibge.gov.br/home/geociencias/
cartografia/glossario/glossario_cartografico. 5. <www.cienciahoje.uol.com.br>
shtm>
Ciência Hoje
Site do IBGE, com glossário de termos cartográficos.
6. <www.revistaeducacao.uol.com.br>
13. <www.ibge.gov.br/home/geociencias/
cartografia/manual_nocoes/indice.htm> Revista Educação
Site em que se encontra a obra Noções básicas de car 7. <www.super.abril.com.br>
tografia.
Superinteressante
14. <www.info.lncc.br/>
8. <www.veja.abril.com.br/idade/exclusivo/
Site sobre fronteiras e limites do Brasil, com mapas conheca_pais/index.shtml>
detalhados.
“Conheça o país”, com informações sobre vários países
15. <www.ipcc.ch> do mundo.
Painel intergovernamental sobre mudança climática. 9. <www.veja.abril.com.br/saladeaula>
Em inglês, espanhol e francês, entre outras línguas.
Planos de aula da Nova Escola.
16. <www.mercosul.gov.br>
10. <www.viajeaqui.abril.com.br/national-
Página brasileira do Mercosul, com informações sobre geographic>
a história e as instituições do bloco.
Revista National Geographic Brasil
322 MANUAL DO PROFESSOR
Projetos interdisciplinares
1. Projeto coletivo de trabalho: Brasil populações ao recurso. Assim como ocorre no
— gestão sustentável da água mundo, também no Brasil há uma distribuição
desigual da água no território e entre as regiões
IntrodUção hidrográficas. Além disso, há perdas importan
tes por contaminação, poluição e desperdícios.
No final de 2010, a Assembleia Geral das Historicamente, a regra no país tem sido o uso
Nações Unidas indicou 2013 como o Ano Interna dos corpos de água para a deposição de resíduos
cional de Cooperação pela Água. O tema foi reto e dejetos sólidos de toda ordem, especialmente
mado e debatido em fóruns na Rio+20, a em função de descasos e ausência de equipa
Conferência da ONU sobre Desenvolvimento mentos, serviços e infraestruturas de saneamen
Sustentável, realizada no Rio de Janeiro em junho to básico. Em função do aumento da demanda e
de 2012. Uma resolução anterior da Assembleia comprometimentos dos mananciais, a metrópole
Geral já havia indicado também o período 2005 paulistana, por exemplo, já importa água da ba
2015 como a Década Internacional para Ação cia do PiracicabaCapivariJundiaí, a cerca de
“Água, Fonte de Vida”. Essas indicações estão as 10 km de distância, o que gera controvérsias e
sociadas a metas como as do Objetivo de Desen disputa regional.
volvimento do Milênio (ODM), que estabelece a
necessidade de garantir o “acesso à água potável Convide os estudantes e colegas professores
segura” a todas as pessoas em todos os países e para a realização de um projeto coletivo de traba
regiões. No caso do Brasil, já no ano de 1997, ins lho sobre o tema. É importante que a turma cons
tituiuse a Política Nacional de Recursos Hídricos trua uma visão integrada sobre o tema, articulan
e respectivo Sistema Nacional de Gerenciamento. do oferta e demanda de água, usos e finalidades,
políticas públicas e impactos em biomas e nas
Tal conjunto de medidas revela a crucial im demais esferas naturais. A proposta é uma opor
portância do tema para o presente e o futuro das tunidade para que possam ampliar seus conheci
sociedades. Estimativas lançadas pela ONU indi mentos sobre o uso da água e aprofundar sua
cam um aumento de cerca de 70% na demanda formação para a cidadania, já que todos somos
mundial por alimentos até 2050. Como existe a responsáveis por garantir o acesso a esse recurso
necessidade de água para irrigação na produção vital.
de bens agrícolas, a perspectiva para as próximas
décadas impõe uma pressão sobre os recursos hí oBjetIvoS e exPeCtatIvaS de aPrendIzagem
dricos, já que a agropecuária responde por 70% da
exploração global de água doce. ■■ Conhecer e analisar a distribuição e disponibi
lidade de água doce no Brasil e no mundo.
Desse modo, cresce a responsabilidade dos paí
ses, indivíduos, comunidades, empresas e gestores ■■ Reconhecer as diferentes modalidades de uso
públicos quanto ao uso sustentável e compartilha da água no Brasil e avaliar seus impactos e a
do da água. Isso se torna mais agudo em áreas afe necessidade de preservar o recurso para a atual
tadas pela escassez e estiagens prolongadas, como e as futuras gerações.
o Sahel e o norte da África e a península Arábica,
no Oriente Médio. O Brasil está em uma situação ■■ Analisar as diferentes responsabilidades dos
confortável nesse quesito, pois conta com 12% de atores sociais públicos e privados no uso e ges
toda a água doce superficial, o rio com o maior vo tão sustentável da água no Brasil.
lume de água no planeta (Amazonas), dois enor
mes aquíferos subterrâneos (Alter do Chão e ■■ Avaliar e discutir diferentes iniciativas de ges
Guarani) e significativos índices de pluviosidade. tão, uso sustentável e compartilhado da água
no Brasil.
Entretanto, essa disponibilidade não tem re
presentado o acesso permanente e seguro das ■■ Saber utilizar a leitura, a produção de textos e
a oralidade para expor e debater fatos e fenô
menos geográficos.
M Aa nN Uu aA Ll dD oO P Rr Oo Ff Ee Ss sS Oo Rr 323
■■ Ler e interpretar mapas em diferentes escalas o tipo de produto final que pode ser elaborado.
para compreender e avaliar fatos e fenômenos Eles podem, com base em pesquisas e dados, or
geográficos. ganizar cartilhas ou folhetos, produzir infográfi
cos e mapas interativos ou pequenos vídeos com
■■ Ler e interpretar esquemas, gráficos e tabelas dados, imagens e depoimentos.
para compreender e avaliar fatos e fenômenos
geográficos. Ao final desta etapa, cada grupo deverá apre
sentar aos demais suas propostas de trabalho.
■■ Saber utilizar linguagens, ferramentas, progra Combine com a turma cronograma, etapas e pro
mas de computadores e internet para gerar pro dutos parciais e a entrega do produto final. Em
dutos em meio digital sobre temas e problemas parceria com os colegas professores, reserve tem
do espaço geográfico contemporâneo. po e espaço para uso do laboratório de informáti
ca da escola.
ConteúdoS
De acordo com o tema, cada grupo deverá se
Distribuição e disponibilidade de água no organizar para realizar levantamentos de textos,
Brasil e no mundo — Ciclo hidrológico — Águas artigos, imagens e dados estatísticos, além de re
continentais e oceânicas — Regiões hidrográficas presentações gráficas e cartográficas (veja indica
do Brasil — Usos da água no Brasil e no mundo. ções ao final deste plano). Num plano geral, inte
ressa a todos os grupos reunir informações sobre
temPo eStImado: 10 aulas usos da água por setor no Brasil e no mundo, per
centuais de água doce disponíveis, balanços hídri
ÁreaS cos em continentes, países e regiões hidrográficas
brasileiras, desigualdades de acesso ao recurso,
Geografia, Biologia, Física, Química, História, etc. Considere a possibilidade de montagem de
Sociologia e Língua Portuguesa. Laboratório de um banco de dados para uso coletivo.
informática.
Os professores de Biologia, Física e Química
deSenvolvImento daS atIvIdadeS terão papel preponderante nas análises das situa
ções de comprometimento da água por resíduos
Com seus colegas professores, promova uma industriais, esgotos e insumos químicos agrícolas,
roda de conversa com a turma sobre a questão da além de análises de impactos ambientais em bio
água no Brasil e no mundo, com foco na realidade mas. A etapa de leitura e interpretação de textos e
nacional. Pergunte o que os alunos já sabem sobre preparação de roteiros para vídeos poderá contar
o tema, seus principais problemas e iniciativas com a participação do professor de Língua
para resolvêlos ou atenuálos. Portuguesa.
Ouça as respostas e, com o apoio dos demais Os professores de História e Sociologia darão
professores, organize um resumo dos principais contribuição importante no exame de políticas
pontos na lousa. Em seguida, proponha à turma públicas, processos históricos de constituição das
que se divida em grupos de até cinco pessoas para redes de abastecimento e do uso da água e formas
debater e escolher um subtema relevante relacio de organização social para a preservação e o con
nado à questão da gestão sustentável da água no sumo consciente da água. As formas de organiza
Brasil. Promova um debate coletivo para ajustar ção espacial e suas relações com o uso da água
propostas. para diferentes finalidades (agricultura, indústria,
residências, geração energética, etc.) estarão a
Os estudantes devem ficar à vontade para tra cargo da área de Geografia.
tar de subtemas e assuntos como poluição da
água, água dos rios, gestão da água em metrópo Além de examinar hábitos individuais que evi
les, uso dos aquíferos, degradação dos oceanos, tam gasto excessivo de água, a turma deverá ana
saneamento básico, água de reúso em atividades lisar o mesmo para empresas (indústria, comércio,
industriais e outras. Aqui devem sempre trabalhar serviços) e uso agrícola. Além disso, verificar for
com a perspectiva de montar diagnósticos e exa mas de consumo direto (que efetivamente gastam
minar soluções. água) e indireto (sem gasto de água: navegação,
pesca, geração hidrelétrica, etc.).
Aproveite as etapas preliminares, em que os
estudantes têm um papelchave na definição de
temas e subtemas, e converse com a turma sobre
324 MANUAL DO PROFESSOR
Ofereça apoio aos grupos na elaboração final publications/worldwaterdevelopmentreport/en/>.
dos projetos. Com seus pares, planeje e organize as Acesso em: 29 abr. 2016. (em inglês).
formas de apresentação e discussão dos resultados
finais, reservando os tempos e espaços necessários. SABESP. Crise hídrica: ações e estratégias. Dispo
nível em: <http://site.sabesp.com.br/site/interna/
Promova a discussão coletiva dos resultados e a Default.aspx?secaoId=590>. Acesso em: 29 abr.
elaboração de sínteses com as principais conclu 2016.
sões da turma. Considere a possibilidade de enca
minhar novos desdobramentos, como realizar uma TUNDISI, José Galizia; MATSUMARATUNDISI,
mostra na escola, distribuir materiais, projetar au Takako. A história da água no Brasil: do descobri
diovisual para a comunidade ou publicar resulta mento ao século XXI. São Paulo: Oficina de Letras,
dos na internet, em blogs, sites e ambientes virtuais 2011.
ou em redes sociais. Peça aos estudantes que ava
liem a experiência e destaquem seu significado Indicações de fontes de pesquisa e
para mudanças de atitudes e valores em relação à consulta para o estudante
questão da preservação dos recursos hídricos.
Livro, artigos, relatórios e atlas geográficos
avalIação
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (ANA).
Os professores deverão levar em conta os obje Conjuntura dos recursos hídricos. Disponível em:
tivos e expectativas de aprendizagem previstos ini < w w w 3 . s n i r h . g o v. b r /p o r t a l /s n i r h /s n i r h 1 /
cialmente. Se necessário, poderão acrescentar ou conjunturadosrecursoshidricos>. Acesso em: 29
tros, de acordo com as características de aprendiza abr. 2016.
gem da turma e as condições locais e da escola.
Com seus pares, verifique a participação de cada ______. Sistema Nacional de Informações sobre
estudante nas tarefas individuais e coletivas. Avalie Recursos Hídricos. Disponível em: <http://
também o domínio progressivo do estudante na portal1.snirh.gov.br/ana/home/>. Acesso em: 29
leitura, interpretação e produção de textos escritos, abr. 2016.
apresentação oral de resultados e domínio da lin
guagem gráfica e cartográfica. Nos produtos finais, ANTUNES, Sérgio. Da falta d’água, o que sobra e
os professores deverão aferir correção de conceitos o que soçobra? Revista Águas do Brasil, 12. ed.,
e informações, atualização da base de dados e acui 2015. Disponível em: <http://aguasdobrasil.org/
dade visual na apresentação de elementos em pai edicao12/dafaltadaguaoquesobraeoque
néis ilustrados, folhetos ou infográficos. soc%CC%A7obra.html>. Acesso em: 29 abr. 2016.
Bibliografia para o professor CLARK, Robin; KING, Jannet. O atlas da água.
São Paulo: Publifolha, 2005.
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (ANA). Atlas
do abastecimento urbano de água. Disponível em: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas
<http://atlas.ana.gov.br/Atlas/forms/Home.aspx>. geográfico. 5. ed. São Paulo: Moderna. 2011.
Acesso em: 29 abr. 2016.
IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de
______. Planos de Recursos Hídricos. Disponível Janeiro, 2012.
em: <www2.ana.gov.br/Paginas/servicos/planeja
mento/planoderecursos/PlanosdeRecursos.aspx>. SABESP. Água. Disponível em: <http://site.sabesp.
Acesso em: 29 abr. 2016. com.br/site/interna/subHome.aspx?secaoId=30>.
Acesso em: 29 abr. 2016.
EMOTO, Masaru. A vida secreta da água. São
Paulo: Cultrix, 2007. UNESCO. Water. Disponível em: <www.unesco.org/
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GIMENEZ, Karen. Os oceanos. São Paulo: Atual, Acesso em: 29 abr. 2016. (em espanhol).
2007.
ONU. Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial
da Água 2015. Disponível em: <www.unwater.org/
MANUAL DO PROFESSOR 325
Sites 2. Projeto coletivo de trabalho: Brasil
e américa do Sul — caminhos da
Acessos em: 29 abr. 2016. integração econômica e
físico-territorial
Agência Nacional de Águas (ANA). Disponível
em: <www2.ana.gov.br/Paginas/default.aspx>. IntrodUção
Programa Hidrológico Internacional. Disponível Assistiuse nas últimas décadas ao lançamento
em: <www.unesco.org.uy/phi/pt/areasdetrabajo/ ou consolidação de diversas iniciativas de inte
cienciasnaturales/programahidrologicointer gração regional no continente americano.
nacional/inicio/sobreophi.html>. Instituíramse formas de “regionalismo aberto”,
com a criação de blocos econômicos regionais
Programa Mundial de Avaliação dos Recursos (Nafta, Mercosul, relançamento da Comunidade
Hídricos. Disponível em: <www.unesco.org/new/ Andina de Nações — CAN e da Associação Latino
es/naturalsciences/environment/water/wwap>. americana de Integração–Aladi e outros), volta
dos à integração dos paísesmembros e com vistas
World Water. Disponível em: <http://worldwater. a participar em melhores condições da competiti
org/>. va arena global. Essa perspectiva passou a se
configurar mais claramente após os anos 1990,
World Water Council. Disponível em: <www. quando a proposta dos Estados Unidos de criar
worldwatercouncil.org/es/>. uma grande área continental de livrecomércio
(Alca) foi rejeitada pela maioria dos países.
World Water Day. Disponível em: <www.unwater.
org/worldwaterday>. Neste projeto de estudo, o objetivo é examinar
quais são as propostas lançadas para a América
Vídeos e filmes do Sul, para alguns autores um ator geopolítico
mais efetivo do que a ampla, diversa e controversa
A vingança de Manon ideia de América Latina.
Direção: Claude Berri. França, 1986, 113 min.
A integração pela via da constituição ou con
Continuação do filme Jean de Florette, sobre disputa solidação de blocos econômicos regionais (CAN,
em torno de manancial de água em zona rural da Mercosul, Unasul, etc.) na América do Sul já é uma
França. realidade. Desse modo, tem sido um objeto de es
tudo frequente na escola fundamental. Com efeito,
Erin Brockovich foi possível pensar em uma articulação do porte
Direção: Steven Soderbergh. Estados Unidos, 2000, do Mercosul a partir da superação de rivalidades
131 min. geopolíticas históricas entre Argentina e Brasil,
os dois paíseslíderes do bloco. Ao contrário de
O filme trata da contaminação da água por uma outras regiões do planeta, a América do Sul não
indústria, afetando a vida de uma comunidade da vem sofrendo perturbações em função de confli
Califórnia, nos Estados Unidos, e provocando tos internos (a exceção é a questão das Farc na
doenças em seus moradores. Baseado em histó Colômbia) ou tensões graves entre Estados sobe
rias reais. ranos. Evidentemente, ainda existem divergências,
como as pautas comerciais brasileiroargentinas.
Planeta água No nível do subcontinente, perduram também fo
Vídeo produzido por professores da Universidade cos de tensão entre a Colômbia e a Venezuela ou
de São Paulo/Programa Ciência à mão sobre ciclo os relacionados a disputas territoriais envolvendo
da água e o uso sustentável do recurso. Chile, Peru e Bolívia.
Disponível em: <www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir. De outro lado, já fazem parte da agenda política
php?midia=von&cod=_biologiaecologiaplanetaa>. Acesso da região diversas iniciativas de integração físico
em: 29 abr. 2016. territorial, um tema ainda pouco explorado por
estudantes. No ano 2000, em evento realizado em
326 MANUAL DO PROFESSOR
Brasília, foi lançada a Iniciativa para a Integração ConteúdoS
da Infraestrutura Regional SulAmericana (IIRSA),
que prevê centenas de projetos nas áreas de trans América do Sul — Integração regional —
portes, energia e telecomunicações. São obras e Cooperação econômica regional — Integração
projetos de modernização das infraestruturas que físicoterritorial sulamericana — Território —
visam a aprofundar os laços de cooperação econô Política — Transporte — Comunicações — Energia
mica entre os doze países da região, incluindo, — Impactos ambientais.
portanto, Guiana e Suriname.
temPo eStImado: 10 aulas
Os projetos estão divididos em obras e ações
por país, por eixo (Amazônico, Andino, Mercosul ÁreaS
Chile, faixa do trópico de Capricórnio, Escudo
das Guianas e outros) e também por setor. Com Geografia, História, Sociologia, Filosofia, Lín
início lento, os projetos da IIRSA ganharam novo gua Portuguesa, Espanhol. Laboratório de Infor
impulso a partir de 2003 e 2004, capitaneados mática.
pelos presidentes de Brasil e Venezuela à época. A
despeito de dificuldades econômicas ou divergên deSenvolvImento daS atIvIdadeS
cias políticas, muitos projetos estão em marcha e
poderão mudar a face do subcontinente. Acompanhado de professores de disciplinas
relacionadas (História, Sociologia, Espanhol,
Convide a turma a pesquisar e a aprofundar o Língua Portuguesa, Informática), inicie os deba
tema, e, então, refletir sobre seus principais avan tes retomando conteúdos estudados no volume,
ços, contradições e impactos. em especial os dos capítulos 1, 2 e 21. Revise com
a turma aspectos da formação territorial brasileira
oBjetIvoS e exPeCtatIvaS de aPrendIzagem e as relações entre o Brasil e os países vizinhos.
■■ Reconhecer, caracterizar e avaliar a situação Lance questões a respeito do tema para que os
atual de processos de integração econômica estudantes possam refletir sobre projetos de pes
regional na América do Sul. quisa. Converse com a turma sobre o que já sabem
acerca de organismos como Mercosul, CAN,
■■ Conhecer projetos e iniciativas de integração Aladi, Unasul e outros. Se necessário, encomende
físicoterritorial na América do Sul nos setores pesquisas sobre eles. Subsidie também os debates
de transportes, energia e telecomunicações. com textos de apoio sobre obras e projetos de in
tegração físicoterritorial (ver indicações ao final).
■■ Avaliar repercussões sociais e ambientais de
diferentes projetos de integração econômica e Organize os resultados dos levantamentos e
físicoterritorial no âmbito da América do Sul. leituras e promova uma roda de conversa para de
linear o tema. Com base nesses resultados, a tur
■■ Refletir sobre perspectivas de integração e coo ma poderá se dividir em grupos de até cinco pes
peração regional na América do Sul e seus efei soas.
tos sobre os territórios e as identidades culturais
dos países da região. Cada grupo poderá escolher um subtema de
pesquisa. São muitas as opções: eles poderão, por
■■ Saber utilizar a leitura, a produção de textos e exemplo, optar por estudar os projetos de integra
a oralidade para expor e debater fatos e fenô ção na bacia Amazônia, constituição da hidrovia
menos geográficos. ParaguaiParaná, construção da Rodovia Intero
ceânica e os interesses do Brasil em alcançar saí
■■ Ler e interpretar mapas em diferentes escalas da para o oceano Pacífico, impactos ambientais
para compreender e avaliar fatos e fenômenos gerados por projetos na área de energia (usinas de
geográficos. Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, ou Belo
Monte, no rio Xingu) e outras. Significa dizer que
■■ Ler e interpretar esquemas, gráficos e tabelas os países deverão investir em centenas de obras,
para compreender e avaliar fatos e fenômenos como pontes, viadutos, eclusas, abertura ou pavi
geográficos. mentação de rodovias, ampliar ferrovias e compa
tibilizar bitolas, construir terminais de carga ou
■■ Saber utilizar linguagens, ferramentas e progra portuários, etc.
mas de computadores e internet para gerar pro
dutos em meio digital sobre temas e problemas
do espaço geográfico contemporâneo.
MANUAL DO PROFESSOR 327
Caso tenham interesse, os grupos poderão resistências a elas também podem compor obje
também examinar relações políticas entre países, tos de estudo. Da mesma forma, um exame mais
conflitos internos e impasses ou avanços nos pro detalhado dos avanços e impasses no país quan
cessos de cooperação econômica (“chavismo” na to às obras para garantir conexões e maior flui
Venezuela e países vizinhos, divergências no ga dez do espaço nas interações com os países vi
soduto BrasilBolívia, combate às Forças Armadas zinhos ou os sistemas de controle de suas ex
Revolucionárias da Colômbia — Farc, cooperação tensas fronteiras terrestres.
militar entre Colômbia e Estados Unidos, deposi
ção de Fernando Lugo e suspensão provisória do Para subsidiar os trabalhos, sugira consultas a
Paraguai no Mercosul, etc.). portais de órgãos e entidades diretamente ligados
às questões de integração regional. Peça que pes
Proponha que a turma delineie o objeto de pes quisem, selecionem e organizem dados dispostos
quisa, assim como cronograma e prazos. Com os em textos, mapas, gráficos e tabelas. É importante
colegas professores, converse também com a tur também coletar imagens como as de rodovias, fer
ma sobre a elaboração de produto final em meio rovias, terminais portuários e outros (ver indica
digital (infográfico ilustrado, mapas interativos, ções ao final).
exposição em slide, media player e outros), lan
çando mão para isso de recursos do laboratório de Ofereça com seus colegas apoio à elaboração
informática da escola. dos produtos finais. Combine com a turma formas
de apresentação e dinâmicas de discussão dos re
Converse com os demais professores para ofere sultados. Organize também rodadas finais de de
cer apoio aos grupos na pesquisa e elaboração de bates e conversas para estabelecer as principais
produtos parciais e do produto final. conclusões, dispondo os principais desafios da
integração econômica e físicoterritorial na
Os professores de Língua Portuguesa e Espanhol América do Sul.
poderão participar diretamente da leitura e inter
pretação de documentos, acordos e tratados, tanto avalIação
em português como em língua espanhola.
Os professores deverão levar em conta os obje
O professor de História poderá resolver dúvi tivos e as expectativas de aprendizagem previs
das quanto aos processos históricos de constitui tos. Se necessário, poderão criar outros, de acordo
ção dos Estados nacionais na região, assim como, com as especificidades da turma e da escola.
com o de Sociologia, analisar embates envolven
do diferentes visões políticoideológicas em paí ■■ Verifique com seus colegas como foi a partici
ses da região. pação de cada aluno nas tarefas individuais e
coletivas.
Os professores deverão também apoiar estu
dos e análises sobre efeitos econômicos, sociais, ■■ Examine também a correção de conceitos, in
ambientais e culturais dos diferentes projetos de formações e processos nos trabalhos finais, as
integração entre as redes de transporte e comuni sim como os elementos da linguagem cartográ
cações no subcontinente. fica.
Há claros agravos ambientais e para as popu ■■ Avalie se os textos finais são claros, organizados
lações tradicionais, por exemplo, na construção e coerentes, assim como a clareza e a correção
do trecho brasileiro da rodovia Interoceânica na exposição oral dos grupos.
(desmatamento, novas áreas de garimpo, aumen
to da violência e da exploração de mulheres, etc.) ■■ Reserve um tempo para que os estudantes ava
ou na construção das usinas de Jirau e Santo liem a experiência e considere a possibilidade
Antônio. A duplicação da rodovia BR116, impor de novos desdobramentos para o trabalho — isso
tante via de ligação entre o SudesteSul e países inclui dispor os resultados em portais, blogs ou
do Cone Sul, ainda não foi concluída. Impasses redes sociais ou promover apresentações na
na concessão de licenças ambientais também escola ou comunidade.
tornam mais difícil a criação da hidrovia
ParaguaiParaná.
Aspectos como as aspirações do Brasil à
posição de potência regional e as eventuais
328 MANUAL DO PROFESSOR
Bibliografia para o professor Indicações de fontes de pesquisa para
estudantes e professores
BENTO, Fábio Régio (Org.). Fronteiras em movi
mento. Jundiaí: Paco Editorial, 2012. Livros, artigos e atlas geográficos
BARBOSA, Sérgio L. A América do Sul e a Nova
D’AMBROSIO, Ubiratan. Transdisciplinaridade. Geopolítica. Em.com.br, 1o jun. 2015. Disponível em:
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GUSMÃO FILHO, Jaime de A. Solos: da formação
geológica ao uso na engenharia. Recife: Editora PECEQUILO, Cristina Soreanu. A América do Sul
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VIEIRA, Eurípedes Falcão. Geografia da América Unasur. Disponível em: <www.unasursg.org/>.
do Sul. Curitiba: Editora CRV, 2013.
MANUAL DO PROFESSOR 329
Respostas das atividades
Unidade 1 – aspectos gerais do fronteiras amazônicas. O projeto engloba também o
território brasileiro (p. 9) controle das queimadas e a preservação da rica bio-
diversidade desse imenso território.
Capítulo 1 – Brasil: 3. a) Os países que fazem fronteira terrestre com o Brasil
localização e territorialidade (p. 10) são: Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru,
Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname, além da
Relacionando os assuntos (p. 17) Guiana Francesa (território da França).
b) O aspecto positivo seria o fato de o Brasil não ter uma
atol daS roCaS história de guerra com os vizinhos. Já o fato de ter
áreas controladas por gangues armadas, que trazem
1. Região Nordeste. armas e contrabando, seria o aspecto negativo.
2. O Atol tornou-se a primeira reserva marinha biológica 4. a) Porque a Amazônia ocupa áreas de várias nações
sul-americanas e, portanto, ultrapassa a fronteira
brasileira e abriga uma grande quantidade de espécies desses países.
de animais. b) O aluno deverá destacar que a Amazônia ocupa
3. Sua formação é de origem vulcânica, e, com o tempo, a grande superfície dos países representados. Em al-
ação das ondas reduziu todo o cume a alguns metros. A guns, a área ocupada pela Amazônia corresponde a
formação desse substrato próximo à superfície do mar, cerca de 40% do país; em outros, a Amazônia ocupa
em razão da disponibilidade de luz e nutrientes, possibi- uma área ainda maior.
litou a ocorrência de colônias de algas calcárias e corais.
O desenvolvimento dessas colônias, nas bordas das for- Capítulo 2 – Formação e ocupação
mações vulcânicas submersas, deu origem aos recifes do território brasileiro (p. 19)
em forma circular.
4. Não, ninguém reside lá; nem mesmo a pesca é permiti- Leitura e reflexão (p. 20)
da. Apenas pesquisadores permanecem no local. Não
há manancial de água potável presente no Atol, e isso BraSIl: tordeSIlhaS, ano 2000
dificulta a fixação humana.
1. Esse tratado definiu nosso primeiro limite territorial, por-
Refletindo sobre o conteúdo (p. 18) tanto, foi a partir dele que o Brasil começou a existir como
território. O Tratado de Tordesilhas representou, na épo-
1. a) A área ocupada pelo Brasil encontra-se em sua quase ca, uma divisão do mundo conhecido entre Portugal e
totalidade dentro da zona tropical, e por isso os qua- Espanha. As duas potências seriam as metrópoles domi-
dros geográficos são dominantemente intertropicais, nadoras, e os territórios, que foram objeto da partilha,
ou seja, entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio. formariam o grupo dos dominados. Portanto, nosso pri-
meiro limite territorial determinou também o papel que o
b) O aluno poderá identificar as altas temperaturas Brasil passou a representar no contexto mundial, criando
anuais presentes no Brasil e a longa duração dos dias um novo significado para o termo fronteira: primeiro
na maior parte de seu território. como colônia e, atualmente, como país emergente.
2. a) Alcântara é um município situado no Maranhão e in- 2. Podemos citar a “partilha” do mundo atual em países
tegra a Região Metropolitana de São Luís, a capital do em desenvolvimento que exercem papel periférico den-
estado. Em suas proximidades está localizado o Cen- tro do capitalismo globalizado e sofrem dominação das
tro de Lançamento de Alcântara (CLA), uma base de transnacionais e dos organismos financeiros internacio-
lançamentos de foguetes da Força Aérea Brasileira nais. São fronteiras econômicas, não mais marcadas por
(FAB), que reúne condições geográficas favoráveis meridianos, mas pelo indiscutível poder dos países ricos.
para lançamentos de engenhos aeroespaciais.
Relacionando os assuntos (p. 23)
b) Elaborado por órgãos que cuidam da defesa do Brasil,
o projeto Sipam/Sivam, conforme seu nome indica, é ladaInha
um sistema de proteção e vigilância da região Ama-
zônica. Seu principal objetivo é monitorar o espaço • Resposta pessoal. Professor, a atividade com o poema
aéreo da área denominada Amazônia Legal. Esse oferece a possibilidade de trabalhar leitura, reflexão e
projeto visa garantir a soberania brasileira contando
com a presença das forças armadas brasileiras nas
330 M aA Nn Uu aA lL Dd oO P rR oO fF Ee sS sS oO Rr
interpretação, além de ser uma boa oportunidade para 2. a), b) e c) O conceito de região homogênea é mais abran-
fazer com que os alunos reconheçam como os assuntos gente do que o de região natural, pois vai além dos aspec-
e temas discutidos em sala de aula estão integrados aos tos criados pela natureza. Ele é definido pelo conjunto de
diferentes campos do saber. elementos naturais, sociais e econômicos de uma região.
Refletindo sobre o conteúdo (p. 24) 3. A regionalização elaborada pelo IBGE em 1969 adotou o
critério de regiões homogêneas, conceito mais abran-
1. a) Resposta pessoal. Professor, fique atento à percepção gente que o de região natural. A principal modificação
dos alunos em relação ao uso do termo “descobri- em relação à divisão anterior foi a criação da região
mento”. Se necessário, lembre-os de que a terra onde Sudeste. A região Leste desapareceu; a Bahia passou a
os portugueses desembarcaram já era ocupada pelos integrar o Nordeste; Minas Gerais, Rio de Janeiro e
povos indígenas que aqui viviam. Espírito Santo, com São Paulo, antes na região Sul, pas-
saram a formar a nova região Sudeste.
b) Portugal, Espanha e Inglaterra.
c) Aqui podemos interpretar que surgirão novos lugares 4. Professor, como os alunos ainda não estudaram neste
volume os tópicos sobre clima e vegetação, será útil in-
a serem explorados. vestigar o conhecimento prévio deles, já que esses as-
2. Elas usaram o termo ironicamente para identificar a suntos integram o conteúdo do Ensino Fundamental 2.
a) Região Centro-Oeste.
ocupação e a exploração das terras indígenas pelos eu- b) O clima é o tropical típico e a vegetação é o cerrado.
ropeus. Nesse contexto, o termo “encontro” significou a c) O aluno poderá explicar que grande parcela do bio-
matança do grupo nativo. ma Cerrado foi destruída para dar lugar à construção
3. As principais atividades foram a retirada do pau-brasil, de Brasília.
a lavoura canavieira e a mineração.
4. Foi por meio desse tratado que os limites do Brasil foram 5. O aluno poderá explicar que existe muita população con-
estabelecidos. Isso significa que a extensão territorial centrada em um número pequeno de municípios.
brasileira permaneceu praticamente idêntica desde esse
tratado. Concluindo a Unidade 1 (p. 31)
5. A economia brasileira desenvolvia-se de maneira desarti-
culada, ou seja, as atividades econômicas desenvolviam-se Sol, PraIa, fUSo horÁrIo e Saúde (P. 31)
isoladamente pelo território, e cada área era especializa-
da na produção de uma mercadoria principal. Essas áreas 1. A diferença de fusos horários está relacionada ao dis-
lembravam “ilhas” que não tinham nenhuma relação com tanciamento longitudinal entre as localidades do plane-
outras regiões do país, estando ligadas diretamente ao ta. A Terra possui 360°, imprime um movimento rota-
mercado internacional de seus produtos com as metrópo- cional de oeste para leste, e o tempo estimado desse
les europeias. movimento é de 24 horas. Assim, cada 15° equivale a
Por esse motivo, esse modelo de economia colonial era uma hora de diferença (360° : 24h = 15°).
chamado de “economia de arquipélago”. Como exemplo
dessas economias desarticuladas, podemos apontar a 2. Sua localização geográfica é muito próxima à latitude
cana-de-açúcar no Nordeste, a mineração e o café no do equador, o que implica o recebimento de raios solares
Sudeste e a borracha no Norte. quase que perpendicularmente durante o ano todo. O
fato de os raios incidirem quase perpendicularmente faz
Capítulo 3 – Divisão administrativa e com que o caminho que o raio de sol percorre através da
divisão regional do Brasil (p. 25) atmosfera seja curto, provocando uma menor absorção
da radiação UV pela atmosfera, deixando as pessoas
Ampliando o conhecimento (p. 27) mais expostas ao longo do dia.
a federação BraSIleIra 3. Pesquisas apontam envelhecimento precoce da pele,
manchas solares causadas pela radiação ultravioleta,
• Não, atualmente o presidente brasileiro é o chefe do insolação, danos ao sistema imunológico, entre outras.
Poder Executivo, e a república brasileira ainda é compos-
ta pelos poderes Legislativo e Judiciário. 4. O aluno poderá responder que insolação refere-se à du-
ração do período do dia com luz solar ou duração do
Refletindo sobre o conteúdo (p. 30) brilho solar. Radiação solar é a energia recebida pela
Terra na forma de ondas eletromagnéticas provenientes
1. a) Resposta pessoal. do Sol. A radiação solar é a fonte de energia que o globo
b) O aluno poderá responder que ela equivaleria à cons- terrestre dispõe.
tituição de um município.
5. Professor, esta atividade é uma boa oportunidade para
envolver os alunos em um trabalho interdisciplinar, que
MANUAL DO PROFESSOR 331
pode contar também com a ajuda de professores de b) Projeto Calha Norte, da década de 1980, criado com
disciplinas relacionadas (Física e Biologia). Para um a finalidade de controlar as fronteiras norte e noroes-
ótimo aproveitamento, organize os grupos e estabele- te do Brasil, e o Sistema de Vigilância da Amazônia
ça algumas regras: os grupos podem dividir o trabalho (Projeto Sivam), criado na década de 1990 com a fi-
de pesquisa para fazer em casa; orientar a classe a nalidade de manter a vigilância do espaço e da fron-
pesquisar na internet sites confiáveis (de jornais, de teira da Amazônia.
órgãos ministeriais, de ONGs, etc.) ou a procurar numa
biblioteca (da escola ou do bairro) jornais e revistas 2. Federação é o país composto de diversas unidades
sobre o assunto. Na segunda etapa do trabalho, orga- territoriais autônomas com governo próprio (estados
nize os grupos para a apresentação, que pode ser feita ou províncias), unidas por um governo central. O
com exposição de fotos, de recortes de jornais, de car- Brasil é composto hoje de 26 estados, mais o Distrito
tazes, etc. A segunda etapa se encerra com a apresen- Federal.
tação da pesquisa e debate sobre os cuidados necessá-
rios ao se expor ao sol. A última etapa é a conclusão da Unidade 2 – Brasil: espaço geográfico
apresentação e a exposição dos trabalhos nas áreas e impactos ambientais (p. 38)
comuns da escola.
Capítulo 4 – Brasil: estrutura
Testes e questões (p. 32) geológica e formas de relevo (p. 39)
Atenção, professor: reforce para os alunos que Contexto e aplicação (p. 41)
as questões devem ser respondidas no caderno,
alertandoos de que não escrevam no livro. notíCIa 1 – terremoto no ChIle é o maIor de 2015
e Um doS maIS IntenSoS em 25 anoS
enem
notíCIa 2 – moradoreS Se aSSUStam Com
1. e tremor Com 2,7 de magnItUde em frUtal
2. c
3. c 1. O Chile está localizado no limite da placa Sul-Americana
4. e com a placa de Nazca (ao norte) e com a placa Antártica
(ao sul). O território brasileiro está localizado no centro
teSteS de veStIBUlar 7. c da placa Sul-Americana, longe da área de contato com
8. e outras placas tectônicas.
1. c 9. c
2. e 10. e 2. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do
3. a 11. a Norte, Ceará e Pará.
4. c 12. b
5. c 3. Atividades sísmicas são mais intensas e destruidoras
6. c em áreas situadas em limites de placas tectônicas, caso
do Chile.
QUeStõeS de veStIBUlar
4. Apesar de apresentar relativa estabilidade por estar lo-
1. a) Um dos elementos é a complementaridade de servi- calizado no centro da placa Sul-Americana, o Brasil
ços nas áreas de saúde, educação, emprego, assim apresenta tremores de terra de baixa intensidade, como
como os setores comercial e financeiro. Essa comple- resultado da existência de falhas geológicas.
mentaridade diz respeito a carências de uma cidade
e a disponibilidade na outra, fato que resultará nos Refletindo sobre o conteúdo (p. 46)
deslocamentos populacionais de uma cidade para
outra. Outro elemento é a maior proximidade geo- 1. Esta atividade pode proporcionar aos alunos a oportuni-
gráfica entre essas cidades de fronteira, diante do dade de conhecer as diversas características ou diferen-
maior isolamento de cada uma delas em relação aos tes fisionomias da camada superficial do lugar onde vi-
centros urbanos mais dinâmicos no âmbito nacional. vem. Por meio dessas comparações, também é possível
Além dessa proximidade locacional, podemos desta- identificar as principais formas de relevo que se desta-
car também uma proximidade sociocultural pautada cam no lugar e o aproveitamento econômico que foi fei-
em tradições comuns aos dois povos. to sobre essas fisionomias. A classificação elaborada
pelo geógrafo Jurandyr Ross pode ser contemplada nes-
ta atividade como forma de unir o conhecimento prático
ao conhecimento acadêmico.
2. a) A principal diferença é a altitude.
332 MANUAL DO PROFESSOR
b) O Brasil, devido à antiguidade de sua formação b) Massa Equatorial atlântica.
geológica, não apresenta cadeias de montanhas mo- c) Massa Polar atlântica.
dernas. Por serem muito antigos, os pontos mais d) O climograma 1, da cidade de Manaus, que possui o
altos do território brasileiro já sofreram erosão.
clima equatorial úmido, apresenta os maiores índi-
3. Pode ser relacionado ao apontar que o território do ces pluviométricos. Por sua vez, no climograma 2,
Brasil se encontra no centro e também no leste da de Florianópolis, pertencente ao clima subtropical
América do Sul, portanto, suas formações geológicas úmido, é possível observar as menores temperatu-
são antigas. ras médias.
4. I. Correta. O território brasileiro não possui dobramen- Capítulo 6 – A hidrografia do Brasil
tos modernos por causa da antiguidade de grande (p. 54)
parte de sua estrutura geológica e por não ter sofrido
nenhuma transformação recente em sua estrutura. Relacionando os assuntos (p. 58)
II. Incorreta. As principais formas do relevo brasileiro, índIoS Se reúnem Com IBama, fUnaI, mPf e norte
de fato, são: planaltos, planícies e depressões. Contu- energIa, em altamIra
do, as planícies é que têm origem no período
Quaternário, não as depressões. • Professor, não há resposta certa nem errada, mas espe-
ra-se que os alunos abordem diversos aspectos tanto
III. Incorreta. As unidades da Planície Amazônica e do positivos como negativos da construção da usina e que
Planalto Atlântico são da classificação de Aroldo de levem em consideração todos os possíveis envolvidos na
Azevedo. polêmica. É importante também que pensem na história
da floresta e das populações humanas e animais que
IV. Correta. O relevo brasileiro é muito desgastado e habitam essa região. No que se refere aos movimentos
apresenta baixas altitudes, resultado de uma longa sociais, espera-se que discutam suas trajetórias, inicia-
exposição a agentes erosivos externos que atuaram tivas e sua eficácia.
em eras geológicas remotas.
Refletindo sobre o conteúdo (p. 64)
5. O aluno poderá responder que, para a sua classificação,
Jurandyr Ross utilizou técnicas mais modernas e classi- 1. a) Significa afirmar que todos os rios localizados nesse
ficou o relevo brasileiro em 28 unidades (planícies, pla- estado pertencem à Bacia Platina, que, por sua vez, é
naltos e depressões), enquanto a classificação de Aziz composta pelas sub-bacias dos rios Paraná, Paraguai
Ab’Sáber contém 10 unidades de relevo e identifica as e Uruguai.
planícies e os planaltos.
b) Durante o verão atuam a massa Tropical continental,
6. a) O Pantanal é uma área recente dentro da estrutura a massa Equatorial continental e a massa Tropical
geológica do Brasil. Os períodos Terciário e Quater- atlântica. No inverno, a massa Polar atlântica tem
nário pertencem à Era Cenozoica, que é a mais recen- uma importante atuação.
tre entre todas.
c) Porque seu relevo plano permite a construção de es-
b) O Pantanal banha terras dos estados de Mato Grosso tradas e por possuir rios de planície, que também fa-
e Mato Grosso do Sul, na região Centro-Oeste. cilitam a integração com o Sudeste e o Sul do Brasil.
c) O Pantanal é uma planície e ocupa o número 26. 2. a) O objetivo era a busca de riquezas, em especial de ouro
e de pedras preciosas, e apresamento de indígenas.
Capítulo 5 – O clima no Brasil (p. 47)
b) Como responsáveis pelo massacre de milhares de in-
Refletindo sobre o conteúdo (p. 53) dígenas.
1. O que explica a diferença é a altitude. A cidade de 3. a) O aluno poderá indicar o rio principal, seus afluentes,
Macaé está situada ao nível do mar (2 m), enquanto a as águas das chuvas que escoarão pela rede hidro-
cidade de Teresópolis está situada em uma área forma- gráfica ou os divisores de água (ou interflúvios).
da por serras, acima de 800 metros de altitude, poden-
do superar 1 200 metros. b) A maior região hidrográfica brasileira é a Amazô-
nica, que banha as regiões Norte e Centro-Oeste.
2. O aluno poderá explicar que a maior parte de nosso ter- Em seguida, aparece a região hidrográfica do
ritório está situada entre os trópicos, portanto, na área Tocantins-Araguaia, que banha as regiões Norte,
mais iluminada do planeta, o que também garante altas Centro-Oeste e Nordeste. Na terceira posição, está
temperaturas. a região hidrográfica do Paraná, que banha as re-
giões Sul, Centro-Oeste e Sudeste.
3. a) O climograma 1 é da cidade de Manaus, que apresen-
ta o clima equatorial úmido; e o climograma 2 é de
Florianópolis, que possui o clima subtropical úmido.
MANUAL DO PROFESSOR 333
Capítulo 7 – Formações vegetais, levantar questões atuais sobre o desmatamento e a
domínios morfoclimáticos e expansão de atividades econômicas sobre os biomas.
biomas brasileiros (p. 65)
Capítulo 8 – Política ambiental no
Refletindo sobre o conteúdo (p. 76) Brasil e degradação dos biomas (p. 77)
1. O aluno poderá responder que bioma é o agrupamento Contexto e aplicação (p. 80)
de tipos de vegetação contínua, com escala regional,
com condições geoclimáticas e histórias similares e bio- rIo+20 aProva texto Sem defInIr oBjetIvoS de
diversidade. Dessa forma, os biomas apresentam uma SUStentaBIlIdade
escala maior que os ecossistemas, que são menores, es-
tão contidos nos biomas e não apresentam delimitação 1. Porque consideram o documento distante da urgência e
espacial bem marcada. da importância de se tratar do desenvolvimento susten-
tável. Consideram ainda que a agenda acertada é frágil
2. Os manguezais localizam-se em regiões tropicais e estão e genérica e que não garante resultados concretos no
presentes em grande parte da costa brasileira. Apresen- futuro.
tam vegetais halófilos, isto é, adaptados a solos salinos,
com raízes pneumatóforas (aéreas) para que possam 2. O aluno poderá indicar que operários que recebam no-
respirar oxigênio, uma vez que estão mergulhados em ções de informática poderão buscar empregos com
água salobra. A importância dos manguezais vem do melhor remuneração, e o agricultor, recebendo noções
fato de serem considerados viveiros de animais, em vir- meteorológicas de sua região, poderá aumentar sua
tude da presença de grande quantidade de matéria orgâ- produção e com isso gerar maior renda.
nica. Aí vivem peixes, crustáceos, aves e invertebrados.
Refletindo sobre o conteúdo (p. 90)
3. a) O bioma 1 é o Cerrado, e o bioma 2 é a Caatinga.
b) O Cerrado ocupa áreas das regiões Centro-Oeste, 1. a) Trata-se dos biomas dos Pampas, localizado no Rio
Nordeste e Sudeste. A Caatinga ocupa porções do Grande do Sul, e do bioma do Pantanal, localizado en-
Nordeste e do Sudeste. No caso, as fotografias são das tre os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
cidades de: Pirenópolis (GO), em 2015; e Icapuí (CE),
em 2014. b) É o bioma do Pantanal. Por meio da análise das tabe-
las, é possível verificar que nele o número de espécies
c) O aluno poderá salientar que no bioma do Cerrado vegetais e animais é maior, portanto, com mais biodi-
ocorrem mais chuvas durante o ano e que esse bioma versidade.
apresenta vegetação mais diversificada que o da
Caatinga. 2. a) Ambos abordam impactos ambientais no Brasil; nes-
se caso, são tratados os impactos causados pelo
4. a) O Domínio Amazônico (Floresta Amazônica), que avanço da pecuária. No Sul, o bioma dos Pampas foi
apresenta grande biodiversidade e altas temperatu- dando lugar às pastagens e, no Nordeste, a Caatinga
ras durante todo o ano, e o Domínio de Mares de sofreu grande desmatamento também por causa
Morros (Mata Atlântica), que tem relevo mais ele- dessa atividade.
vado do que a área da Floresta Amazônica e também
possui elevada biodiversidade. b) Os povos indígenas, ao longo dos séculos, adquiriram
práticas e desenvolveram conhecimentos que são
b) Ambos os climas são quentes e úmidos. O clima responsáveis pela provisão de alimentos de suas co-
equatorial úmido predomina no Domínio Amazônico munidades, pelos “modos de ação sobre a natureza”
e o clima tropical de altitude predomina no Domínio e por formas de organização social que garantem a
de Mares de Morros. continuidade de suas culturas e de seu meio ambien-
te. Muitos povos indígenas brasileiros, especialmente
c) O Domínio Amazônico abrange áreas das regiões os que vivem na região Norte, cultivam seus alimen-
Norte e Centro-Oeste, e o Domínio de Mares de Mor- tos e, ao mesmo tempo, preservam as florestas, que
ros abrange áreas das regiões Sudeste e Nordeste. servem de reserva de caça e manutenção do equilí-
brio. Portanto, as culturas indígenas compreendem
d) Resposta pessoal. que a preservação da natureza é a garantia de sua
5. a) O bioma da Amazônia. sobrevivência.
b) O bioma da Caatinga. 3. a) Regiões Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará,
c) Resposta pessoal. Espera-se que o aluno compreenda Rondônia, Roraima e Tocantins), Centro-Oeste (Mato
Grosso) e Nordeste (Maranhão).
as projeções climáticas dos principais biomas brasi-
leiros, associando o aumento da temperatura e as b) O estado que menos desmatou em 2014 foi o Tocan-
mudanças nos volumes de chuvas com a crescente tins, na região Norte. E o estado que mais aumentou
emissão de gases na atmosfera. O professor poderá
334 MANUAL DO PROFESSOR
proporcionalmente o seu desmatamento foi o Acre, Em seguida, atravessa o domínio do cerrado, região im-
na região Norte, com 41% de aumento. pactada nas últimas décadas pelo agronegócio e
agricultura moderna. Atravessa também a Depressão
c) O aluno poderá apontar o aumento da erosão do Sanfranciscana, com vasta extensão de clima semiárido,
solo, resultando no empobrecimento do solo e na di- e atinge o Recôncavo Baiano, área urbanizada e impor-
minuição da biodiversidade. tante polo industrial do nordeste brasileiro.
Concluindo a Unidade 2 (p. 91) Unidade 3 – ocupação do território
brasileiro: população e urbanização
‘rIo eStÁ mUdando SeU CUrSo’, alerta (p. 98)
eSPeCIalISta SoBre aSSoreamento
Capítulo 9 – Características da
1. Ele detectou que o leito do rio Acre está sendo assorea- população brasileira (p. 99)
do e, por isso, mudando seu curso.
Leitura e reflexão (p. 109)
2. Pela própria natureza, pois o assoreamento, fenômeno
conhecido como o soterramento do leito do rio, ocorreu oIto dadoS QUe moStram o aBISmo SoCIal
em razão da quantidade de sedimentos deixados no entre negroS e BranCoS
afluente após uma enchente.
1. O aluno poderá apontar que são os afrodescendentes
3. Essa reportagem aponta como uma das prováveis cau- que mais sofrem com situações de violência e pobreza.
sas do assoreamento do rio Acre o desmatamento. A O professor poderá propor aos alunos uma conversa, na
tabela apresentada no exercício 3 da seção Refletindo qual seja possível discutir questões como a formação
sobre o conteúdo demonstra um aumento do desma- socioeconômica do Brasil. Assim, eles poderão perceber
tamento nesse estado, o que poderia justificar a mudan- a persistência de uma sociedade que nasceu desigual e
ça identificada pela reportagem anterior. permanece reproduzindo muitas outras desigualdades.
Testes e questões (p. 91) 2. São elas que mais ficam desempregadas, enquanto as
mulheres brancas apresentam um índice menor entre os
Atenção, professor: reforce para os alunos que desempregados.
as questões devem ser respondidas no caderno,
alertandoos de que não escrevam no livro. 3. Resposta pessoal. O professor poderá pedir a alguns
alunos que leiam suas respostas e, a partir dessa leitura,
enem discutir as opiniões apresentadas.
1. e 4. Resposta pessoal. Reforce a importância do combate ao
2. a preconceito e à discriminação; incentive os alunos a de-
3. d senvolver cada vez mais atitudes de respeito em relação
4. a ao outro.
teSteS de veStIBUlar 6. e Diálogos (p. 110)
7. c
1. c 8. d a CUltUra PoPUlar BraSIleIra eSCrIta Por
2. c 9. e Câmara CaSCUdo
3. d 10. c
4. e • Resposta pessoal. O professor poderá destacar a impor-
5. c tância do folclore, que, por sua vez, contribui para a for-
mação da identidade e da cultura de um povo.
QUeStÕeS de veStIBUlar
Refletindo sobre o conteúdo (p. 112)
1. Clima A: região Norte; clima B: região Centro-Oeste. As
baixas latitudes dessas regiões tropicais impedem gran- 1. O aluno poderá indicar que é importante que se conheça
des diferenças térmicas entre verão e inverno, já que a a população de idosos de uma nação, para que seja pla-
incidência solar não varia muito ao longo do ano. nejada uma estratégia de atendimento médico a essa
parcela da população, pois ela necessitará de cuidados
2. O perfil topográfico corresponde ao corte 3–4. O perfil específicos, o que demandará investimentos nessa área.
tem início no Pantanal, bacia do Paraguai, onde a pe-
cuária e o ecoturismo são os destaque econômicos. 2. Nascem mais do que morrem no Brasil, e isso indica o
crescimento vegetativo de sua população. Algumas na-
ções europeias apresentam a situação inversa.
MANUAL DO PROFESSOR 335
3. a) A figura indica que a fecundidade da mulher brasilei- Capítulo 11 – O processo de
ra diminuiu ao longo do tempo. urbanização no Brasil (p. 127)
b) O aluno poderá explicar que o acesso das mulheres Refletindo sobre o conteúdo (p. 138)
ao mercado formal de trabalho implicou a redução
do número de filhos. Outra causa foi o maior acesso 1. Uma “cidade grande” diferencia-se de uma “cidade mé-
aos métodos contraceptivos, resultando também em dia” por ter uma população maior e por, geralmente, ser
um número menor de filhos. sede de instituições oficiais estaduais ou mesmo federais,
como universidades ou hospitais regionais. Belo Horizonte
4. a) Os gráficos são pirâmides etárias. (MG) e Uberaba (MG) seriam exemplos, respectivamen-
b) O aluno poderá concluir que o número de pessoas te. Já uma capital regional, a exemplo de Campina
com mais de 65 anos será mais de um quarto dos Grande (PB), Juiz de Fora (MG) e Palmas (TO), represen-
brasileiros em 2060. E também que, nesse ano, os ta uma cidade que exerce grande influência sobre a área
jovens não representarão a maior parte da popula- em que se localiza; e a metrópole, por sua vez, exerce uma
ção brasileira. influência sobre praticamente todo o país. Ribeirão Preto
(SP) e São Paulo (SP) seriam esses exemplos.
Capítulo 10 – Brasil: movimentos
migratórios (p. 113) 2. a) Os tecnopolos, cidades que abrigam centros de de-
senvolvimento e pesquisa, surgiram a partir da cha-
Leitura e reflexão (p. 125) mada Terceira Revolução Industrial, que reuniu em
torno de determinadas cidades a concentração de
nova onda de ImIgração atraI Para São PaUlo atividades tecnológicas.
latIno-amerICanoS e afrICanoS
b) As cidades paulistas de São Carlos e Campinas po-
1. A reportagem cita as nacionalidades: boliviana, haitia- dem ser citadas como exemplos por reunir as carac-
na, senegalesa, peruana e burquinense ou burquinabê. terísticas de um tecnopolo.
2. Porque a cidade é vista como um lugar rico e com boas 3. A megalópole brasileira compreende as áreas metropo-
oportunidades de trabalho. litanas de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), tendo a
rodovia Presidente Dutra como seu principal eixo de li-
3. O aluno poderá identificar o idioma como uma barreira gação. Por essa rodovia, transitam diariamente milhares
que distancia essa integração; também existe o precon- de veículos que transportam passageiros e cargas entre
ceito de parte da população brasileira em relação aos as cidades que compõem essa megalópole.
estrangeiros.
Entre as características, o aluno poderá salientar que
Refletindo sobre o conteúdo (p. 126) esse espaço urbanizado e industrializado conta atual-
mente com mais de 30 milhões de habitantes, e que a
1. O aluno poderá citar que São Paulo acolhe e abriga no- cidade de São José dos Campos destaca-se como um
vos imigrantes, mas ao mesmo tempo ocorrem episódios importante tecnopolo.
xenófobos, isto é, atitudes de aversão aos estrangeiros.
A análise do trecho da reportagem permite refletir que o 4. a) O aluno poderá explicar a grande disparidade da rede
processo de integração não é de fácil aceitação por par- urbana brasileira. No Sudeste ela é mais densa e apre-
te dos habitantes da cidade. senta melhor infraestrutura, composta de modernas
rodovias, portos, aeroportos e ferrovias; no Norte, há
2. a) A tabela revela a maior participação do imigrante euro- poucas cidades importantes e menos infraestrutura.
peu, enquanto o texto aponta que o imigrante, de forma
geral, concentrou-se em atividades do setor primário. b) O aluno poderá destacar o trânsito de veículos, a po-
luição e a falta de moradias dignas para todos os
b) Professor, oriente os alunos na pesquisa e, se neces- seus habitantes, entre outros.
sário, indique fontes de pesquisa.
5. a) O aluno poderá indicar o acesso à água potável e à
3. Resposta pessoal. O aluno poderá responder que a moradia.
América era chamada de “novo continente”, e que seu
processo de desenvolvimento ocorreu posteriormente à b) Resposta pessoal. Sugerimos ao professor que peça
chegada dos europeus e, por isso, ela foi “construída”, e aos alunos que leiam os títulos em voz alta, para to-
os imigrantes vinham para o Brasil com essa intenção. dos da sala. Esse momento pode proporcionar uma
discussão sobre as características das grandes cida-
4. a) É o nome dado aos brasileiros que residem no exterior. des brasileiras.
b) Porque nesse caso ocorre o inverso, são brasileiros dei-
xando seu país em busca de um lugar melhor. Tratando- 6. A falta de planejamento urbano pode gerar, por exem-
-se dos imigrantes que aqui chegam, eles veem o Brasil plo: trânsito, falta de moradia, falta de infraestrutura,
como um lugar de melhores oportunidades. dificuldade de acesso à água potável, ao transporte e à
energia elétrica.
336 MANUAL DO PROFESSOR
7. No Brasil, toda sede de município é considerada cidade, considerado, em razão da diminuição das taxas de nata-
independentemente do seu número de habitantes. lidade e de fecundidade no país. Explicação quanto aos
idosos: o percentual de idosos aumenta no país no mes-
8. Resposta pessoal, mas será afirmativa se residir em mo período, por causa da elevação da expectativa de
uma sede. vida entre os brasileiros.
Concluindo a Unidade 3 (p. 139) Unidade 4 – organização do espaço
econômico e industrialização (p. 147)
moradoreS de favelaS movImentam
rS| 68,6 BIlhõeS Por ano Capítulo 12 – A organização do
espaço econômico brasileiro (p. 148)
1. Resposta pessoal.
2. O aluno poderá indicar que sofrem discriminação por Refletindo sobre o conteúdo (p. 155)
residirem em favelas e que muitos já foram revistados 1. a) O aluno deverá indicar a mão de obra escrava, o em-
pela polícia por morarem nessas habitações. presariado açucareiro e a existência de grandes pro-
priedades rurais.
Testes e questões (p. 140)
b) Os indígenas e os afrodescendentes.
Atenção, professor: reforce para os alunos que c) As grandes propriedades rurais, ou latifúndios, perma-
as questões devem ser respondidas no caderno,
alertandoos de que não escrevam no livro. necem presentes na estrutura econômica brasileira.
2. a) O aluno poderá concluir que as exportações cafeeiras
enem
só aumentaram sua participação entre os produtos
1. d brasileiros ao longo do século XIX e que, a partir de
2. d 1871, sua exportação era superior a 50% de toda a
3. e exportação brasileira.
4. a b) O aluno poderá indicar que a principal atividade eco-
5. e nômica brasileira foi o cultivo do café, que, por sua
vez, esteve concentrada na região Sudeste.
teSteS de veStIBUlar 7. e 3. a) No mapa “Complexos regionais brasileiros”, Geiger
8. b realizou a divisão do Brasil utilizando como critério
1. d 9. e as características geoeconômicas das regiões. Nessa
2. e 10. b regionalização, o país está dividido em Amazônia,
3. e 11. c Nordeste e Centro-Sul. Já o critério da divisão de “Os
4. a 12. d quatro Brasis” foi o do meio técnico-científico-infor-
5. b macional. Essa regionalização toma como base as
6. a finanças e a informação, caracterizando, portanto,
um critério econômico.
QUeStõeS de veStIBUlar b) O aluno poderá explicar que o primeiro mapa apre-
senta três complexos regionais brasileiros, enquanto
1. a) Os aglomerados subnormais normalmente se distri- o segundo possui quatro.
buem em terrenos de posse irregular, causando pro- Outra diferença é o critério adotado para a regionali-
blemas de conflitos com os proprietários e processos zação. Enquanto Geiger se baseia na organização da
de reintegração de posse. O padrão dessas habita- economia, o mapa de Mílton Santos e María Laura
ções, como são feitas por seus ocupantes e à medida Silveira se orienta pela industralização, tecnologia pre-
que eles têm dinheiro, apresenta uma aparência dife- sente, centros de decisões poíticas e econômicas, etc.
rente de outras partes da cidade. 4. Os alunos poderão apontar como ponto favorável o fato
de ser uma regionalização muito atual, pois ela usa como
b) A mão de obra migrante se concentrou na região critério o meio técnico-científico-informacional e o capi-
Sudeste, e, por falta de uma política habitacional e de tal financeiro, ou seja, quanto maior o acesso à tecnolo-
condições financeiras, essa população acabou se fi- gia e às finanças, maior destaque terá essa região.
xando nessas “aglomerações subnormais”. Um ponto desfavorável é o fato de ser uma regionaliza-
ção baseada em aspectos econômicos. O aluno ainda
2. Explicação quanto aos jovens: a proporção de jovens no poderá ressaltar que, se existe uma região concentrada,
conjunto da população brasileira diminui no período
MANUAL DO PROFESSOR 337
é porque as demais não receberam os mesmos estímu- Capítulo 14 – Localização espacial e
los nem as mesmas oportunidades que fizeram uma re- concentração das indústrias (p. 166)
gião se diferenciar das demais.
Contexto e aplicação (p. 167)
Capítulo 13 – Industrialização e
desenvolvimento econômico (p. 156) 1. Enquanto a região Sudeste concentra as vendas desse
setor, com cerca de 58% do total, a região Sul apresen-
Leitura e reflexão (p. 158) tou cerca de 20% dessas vendas.
• A mobilização de capitais e de terras, o crédito, o trans- 2. O aluno poderá concluir que as duas regiões, juntas, re-
porte ferroviário, o comércio do café e a farta mão de presentam aproximadamente 80% de todas as vendas
obra estrangeira. industriais do Brasil e que as três outras regiões brasilei-
ras possuem um peso bem menor nessas vendas.
Refletindo sobre o conteúdo (p. 165)
3. Foram as regiões Norte e Centro-Oeste, respectivamente.
1. O aluno poderá explicar que a existência do conflito
impedia que o Brasil exportasse seus artigos e, com Refletindo sobre o conteúdo (p. 175)
isso, foi necessário substituir produtos antes importa-
dos por artigos agora produzidos internamente. Do 1. O aluno poderá mencionar o reinvestimento do capital
mesmo modo, esse conflito impedia novos investi- oriundo das exportações cafeeiras em novas indústrias
mentos europeus no Brasil e também as exportações na cidade de São Paulo e a presença da mão de obra
brasileiras. assalariada estrangeira.
2. a) As estradas construídas durante o governo JK pas- 2. O estado do Rio de Janeiro concentra suas atividades
sariam a receber os carros produzidos pelas indús- industriais nos setores petrolífero, siderúrgico, químico,
trias automobilísticas instaladas no Brasil durante farmacêutico e automobilístico. Já o estado de Minas
seu governo. Gerais apresenta um parque industrial diversificado,
que conta com empresas extratoras de recursos mine-
b) A abertura de estradas permitiu que novas áreas de rais, metalúrgicas, automobilísticas e alimentícias.
diferentes regiões geográficas passassem a ser inte- Ambos os estados têm na exploração dos recursos natu-
gradas, possibilitando o deslocamento de mercado- rais uma importante característica de seus setores in-
rias e pessoas que migravam em busca de emprego dustriais. O Rio de Janeiro se destaca na exploração de
nas indústrias, o que colaborou para o aumento do fontes de energia, como o petróleo, enquanto Minas
consumo e consequente aumento da produção in- Gerais se destaca na extração de minerais.
dustrial.
3. a) O aluno poderá explicar que outros estados e regiões
c) Não. Atualmente, a sociedade exige que se explore a oferecem incentivos fiscais para que as indústrias se
natureza de maneira sustentável, ou seja, as florestas instalem em suas áreas, e isso contribui para que es-
devem ser protegidas, e não derrubadas. Devido à tabelecimentos industriais se desloquem.
pressão exercida pela ONU nas conferências em de-
fesa do meio ambiente, ficou inviável o modelo con- b) Rio de Janeiro e Minas Gerais, no Sudeste.
sumista de desenvolvimento econômico. c) Porque com a perda de participação do PIB industrial
3. A economia brasileira é muito dependente das expor- de São Paulo, os outros estados têm a chance de au-
tações das commodities, e o preço delas estava em mentar a sua participação.
queda no período destacado pela reportagem; isso sig- 4. a) A Região Metropolitana de Curitiba.
nifica uma menor receita para o país. b) Basta que o aluno diminua 87,1% do total (100%) e
divida o resultado (12,9%) por 6 (mesorregiões de
4. a) Esse período correspondeu ao regime militar, que que se pretende descobrir o faturamento médio),
governou o país entre essas datas. para encontrar o valor médio do faturamento indus-
trial das demais mesorregiões do Paraná: 2,15%.
b) Ambas aumentaram: a inflação foi de 81% em 1981
para 223% em 1984. Já a dívida externa foi de Capítulo 15 – Localização espacial
3,6 bilhões de dólares para 102 bilhões de dólares. e dispersão das indústrias (p. 176)
c) O milagre econômico brasileiro refere-se ao período Refletindo sobre o conteúdo (p. 185)
em que o país obteve um grande crescimento de sua
economia, entre 1968 e 1973. A década perdida refe- 1. a) Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
re-se ao baixo crescimento da economia durante a b) Sul e Sudeste.
década de 1980. c) O aluno deverá observar a maior participação dos
estados de menor produção no total da produção
338 MANUAL DO PROFESSOR
nacional. Dessa forma, pode-se concluir que, entre 3. e
2002 e 2012, o PIB brasileiro ficou menos concentra- 4. b
do na região Sudeste (apesar de essa região ainda 5. e
ocupar posição de destaque) e houve mais equilíbrio 6. e
do PIB pelas regiões e pelos estados.
2. a) O processo descrito é o da desconcentração indus- teSteS de veStIBUlar 6. b
trial, que ocorre no Brasil desde 1970. Nesse proces- 7. d
so, principalmente a cidade de São Paulo, já satura- 1. b 8. c
da, perdeu indústrias para o interior paulista e tam- 2. a 9. a
bém para outros estados. 3. d 10. d
b) Não é um processo exclusivo da cidade nem do esta- 4. e
do de São Paulo. Outras cidades e outros estados 5. b
também perdem ou perderam suas indústrias para
outras cidades e para outros estados. Além disso, QUeStõeS de veStIBUlar
esse é um processo que ocorre também em outros
países. 1. a) O processo de desconcentração do parque industrial
3. A “guerra fiscal” consiste em oferecer vantagens, como brasileiro, ocorrido com maior intensidade nas últimas
incentivos fiscais, isenção parcial ou total de impostos, décadas, decorre do aumento do custo dos insumos de
doação de terrenos para a construção de fábricas, pro- produção nos velhos centros industriais, principal-
curando, com isso, vencer a concorrência de outros esta- mente na metrópole paulistana e no ABC paulista,
dos ou países para instalação de empresas. como: mão de obra, em razão de maior organização
4. a) Em 1967, durante o período militar, o Governo Federal dos trabalhadores, na sua maioria sindicalizados no
criou um polo de atração de indústrias em Manaus setor secundário; energia, frente à perspectiva de
(AM) com o objetivo de descentralizar a industriali- ocorrência de um colapso no fornecimento (apagão ou
zação e aumentar a população dessa área. Atual- blackout); transporte, por causa da saturação da in-
mente, a Zona Franca de Manaus é o principal par- fraestrutura; terrenos cujos preços foram majorados
que industrial da região. pelo processo de especulação imobiliária, por inúme-
b) O aspecto positivo da produção industrial na Zona ros tributos, por problemas ambientais, que impõem
Franca de Manaus é o fato de não existirem chami- restrições legais relacionadas ao uso do solo, por emis-
nés, o que contribui para a diminuição da poluição são de poluentes, por geração de resíduos e lixo, etc.
ambiental. Já os resíduos lançados nos igarapés indi- Soma-se a esses fatores a ação do poder público inte-
cam um problema ambiental. ressado em minorar as desigualdades regionais e em
incorporar novas áreas ao espaço econômico nacional,
Concluindo a Unidade 4 (p. 186) além da ação de estados e municípios reduzindo a car-
ga tributária (guerra fiscal), oferecendo incentivos
o BraSIl eStÁ Se deSIndUStrIalIzando. ISSo é rUIm? creditícios e facilidades para a apropriação de recursos
naturais na contratação de mão de obra.
1. Refere-se ao processo iniciado com a queda da partici-
pação da indústria na produção e na geração de empre- b) O setor terciário apresenta uma maior diversificação
gos em relação ao PIB total do país. de atividades do que o secundário e o primário, os
quais se tornaram mais automatizados nas últimas
2. Sim, quando são salientados a elevação dos juros, o bai- décadas. Como o setor de serviços absorve tanto a
xo nível de poupança interna, os gargalos de infraestru- mão de obra de alta qualificação profissional quanto
tura e o câmbio sobrevalorizado. a de baixa qualificação, inclusive um maior contin-
gente de trabalhadores informais, ocorre no país uma
Testes e quest›es (p. 186) hipertrofia do setor terciário — comércio, serviços e
profissões liberais.
Atenção, professor: reforce para os alunos que
as questões devem ser respondidas no caderno, 2. Como causas, o aluno poderá citar: aumento dos custos
alertandoos de que não escrevam no livro. ambientais; ampliação de impostos nas grandes cida-
des; aumento do preço da terra nas áreas centrais; pro-
enem blemas de tráfego na região metropolitana; busca de
áreas com fraca organização sindical e aumento dos
1. d custos dos serviços públicos urbanos.
2. c
E como consequências, poderá citar: incremento do setor
terciário; extinção de postos de trabalho; aumento da
MANUAL DO PROFESSOR 339
taxa de desemprego; processo de desmetropolização, ou Capítulo 17 – A estrutura fundiária no
seja, crescimento lento em relação às cidades de porte Brasil (p. 204)
médio do interior; mudança do destino das correntes mi-
gratórias, voltadas agora para o interior do estado e para Contexto e aplicação (p. 211)
o retorno de nordestinos a seus estados de origem.
ConStrUção, agrICUltUra e PeCUÁrIa têm
Unidade 5 – atividades primárias no maIor número de traBalhadoreS reSgatadoS
Brasil (p. 192)
• Os trabalhadores citados no texto foram resgatados de
Capítulo 16 – O espaço agropecuário uma situação análoga ao trabalho escravo. O trabalho
brasileiro (p. 193) escravo que perdurou no Brasil até o fim do século XIX
caracteriza-se como regime de trabalho forçado, e os pro-
Contexto e aplicação (p. 200) prietários de terra tinham total controle sobre os escravi-
zados, considerados mercadorias para seus donos, que
grUPo de fazendeIroS faz PeCUÁrIa do BraSIl podiam fazer com eles o que bem entendessem: castigar,
dar Um Salto vender, trocar, etc. Atualmente, os trabalhadores que vi-
vem em situação análoga à escravidão são explorados,
1. Refere-se a um pecuarista que cuida da engorda do muitas vezes submetidos a uma carga horária de traba-
gado bovino antes que ocorra o abate. São utilizadas lho extensa e exaustiva, cuja remuneração é muito baixa
rações especiais. e não suficiente para cobrir seus gastos; a maior parte do
que ganham volta para seus exploradores como forma de
2. Enquanto a agricultura apresenta importantes avanços, saldar dívidas de alimentação e moradia, que geralmente
a pecuária está bem defasada em relação ao próprio são lugares com condições subumanas. Dessa forma, o
país e ao exterior. trabalhador está sempre em dívida e, consequentemente,
sendo submetido aos desmandos de quem os explora.
Refletindo sobre o conteúdo (p. 203)
Diálogos (p. 212)
1. O aluno poderá concluir que praticamente não houve
alteração dos locais onde se produzia cana-de-açúcar a deSIgUal eStrUtUra fUndIÁrIa BraSIleIra em
no passado e onde se produz açúcar e álcool na atuali- Contexto
dade. Desde o século XVI, o estado de São Paulo e o
Nordeste são os principais produtores. 1. O domínio de técnicas agrícolas foi fundamental para
que os humanos deixassem suas características de ca-
2. a) As exportações brasileiras ligadas ao agronegócio çadores-coletores e se fixassem em determinada área.
mais que dobraram, indicando um grande crescimen- Dessa maneira, os agrupamentos humanos passaram a
to desse setor. crescer de modo a formar comunidades.
b) Foram os produtos do complexo de soja, carnes, açú- 2. A implantação da monocultura de exportação em lati-
car e etanol, produtos florestais e cereais, respectiva- fúndios nas terras do Brasil colônia pelos portugueses
mente. serviu de introdução a essa prática no território nacional
até a atualidade. Mesmo com a diversificação de cultu-
c) O Brasil é um grande exportador de commodities, e ras agrícolas que ocorreram séculos depois, o Brasil ain-
a queda desses preços é muito negativa para a ba- da possui consideráveis latifúndios em todas as suas
lança comercial brasileira. regiões geográficas.
3. a) Caracteriza-se por representar uma nova fronteira 3. A concentração fundiária em determinada nação aponta
agrícola brasileira, isto é, pode-se dizer que é uma área disparidades sociais no campo, o que revela que muitos
geográfica especializada em cultivos agrícolas adap- trabalhadores rurais não possuem terras para desenvolver
tados de tecnologias agropecuárias modernas. Entre suas atividades profissionais. Enquanto isso, latifundiários
as principais atividades agropecuárias estão o cultivo dominam grande parte das terras aráveis do território,
de soja, algodão herbáceo, milho, arroz, a produção de concentrando riquezas e gerando desigualdades.
leite de vaca e a criação de bovinos, segundo o IBGE.
Refletindo sobre o conteúdo (p. 214)
b) Os estados que compõem essa área são Maranhão,
Tocantins, Piauí e Bahia. 1. Os latifúndios ocupam, atualmente, grande espaço en-
tre as propriedades agrícolas brasileiras. A Lei de Terras
c) As regiões Norte e Nordeste. de 1850 atribuía um valor imobiliário às terras, que não
d) O Cerrado. Apresenta uma estação úmida e uma es-
tação seca, e a vegetação apresenta raízes profundas
para a busca de água.
e) O aluno poderá indicar soja, algodão, arroz e milho.
340 MANUAL DO PROFESSOR
seriam mais doadas como haviam sido as sesmarias. Ela Refletindo sobre o conteúdo (p. 226)
é considerada uma das responsáveis pela consolidação
dos latifúndios no Brasil. 1. a) Um exemplo que o aluno pode mencionar é o aço.
2. a) Trata-se da existência do boia-fria. A alta concentra- b) O aluno poderá indicar os estados de Minas Gerais
(Sudeste) e Mato Grosso do Sul (Centro-Oeste).
ção de terras no Brasil e a expulsão do homem do cam-
po produziram esse grave problema social no país. 2. Texto pessoal.
b) Resposta pessoal. O tema proposto permitirá que o 3. a) Durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, entre
aluno compreenda que a concentração de terras no
Brasil é parte de um contexto histórico que resultou 1930 e 1945, o minério de ferro mineiro abasteceu a
em uma realidade na qual poucos proprietários primeira usina siderúrgica brasileira, instalada em
concentram muitas terras, enquanto milhões de Volta Redonda (RJ). A localização dessa usina, entre
trabalhadores rurais sem-terra são submetidos a as duas principais cidades do Brasil (a antiga capital
um trabalho extenuante e, muitas vezes, sob condi- federal, Rio de Janeiro, e São Paulo), era estratégica.
ções degradantes: calor, ausência de roupas b) A principal área é a região chamada Quadrilátero
adequadas, muitas horas de trabalho, transporte Ferrífero, no centro-leste mineiro. Nele, localizam-se
indevido, alimentação insuficiente, etc. os municípios de Belo Horizonte, Mariana, Santa
3. a) O aluno poderá explicar que o Brasil apresenta uma Bárbara e Congonhas do Campo.
elevada concentração de terras nas mãos de poucos c) O minério de ferro tem um grande peso nas exporta-
proprietários, e que é na região Nordeste que essa con- ções brasileiras e atualmente encontra-se entre os
centração é mais acentuada. Na região Sul, a concen- cinco principais itens de nossa balança comercial fa-
tração de terras é a menor do país, pois está relaciona- vorável. O ferro é exportado como commodity e
da à colonização europeia, que reproduziu o modelo também já transformado.
de pequenas propriedades de agricultura familiar. 4. O Brasil é o maior produtor desse importante minério
b) Pode-se dizer que as autoras quiseram salientar que que, entre suas inúmeras utilidades, é usado na compo-
as terras deveriam pertencer aos trabalhadores que sição do bocal do foguete exposto na imagem.
se ocupam delas e daí retiram meios para a sua so- 5. a) O aluno poderá identificar os estados de Minas
brevivência. Gerais (SE), Pará (N) e Goiás (CO).
c) As autoras denunciam a posse de terras brasileiras b) O aluno poderá citar joias, tratamento dentário e apa-
por parte de estrangeiros. relhos de tecnologia, como computadores e celulares.
4. Resposta pessoal. c) O aluno poderá identificar os estados de Minas
Gerais (SE), Pará (N) e Mato Grosso do Sul (CO).
Capítulo 18 – Recursos minerais do d) O aluno poderá indicar as estruturas que constroem
Brasil (p. 215) edifícios, e o minério de ferro é a matéria-prima do aço.
Leitura e reflexão (p. 222) Capítulo 19 – Oferta interna de
energia: combustíveis fósseis (p. 227)
lIBeração de arSênIo de mIneradora de
ParaCatU, mg, é tema de aUdIênCIa Outra visão (p. 232)
1. Os moradores estão preocupados com uma possível o Pré-Sal e oS vIlõeS do ClIma
contaminação por causa da exploração do ouro na cida-
de, pois uma das consequências dessa exploração é a 1. Porque a exploração do pré-sal irá contribuir com a
ocorrência do arsênio, um metal pesado liberado nessa emissão de 330 milhões de toneladas de CO2 por ano
atividade extrativa. até 2020, fato considerado tecnicamente arriscado e
altamente prejudicial ao clima.
2. Os moradores estão convivendo com o incômodo causa-
do pela aproximação da área explorada, o barulho e a 2. O aluno poderá citar a exploração de carvão na China
poeira, e ainda o medo de possível contaminação por e a exploração não convencional de petróleo no Ártico.
arsênio e os males que isso pode acarretar à saúde dos
habitantes do município. Refletindo sobre o conteúdo (p. 236)
3. Além de uma possível contaminação por causa do 1. a) Ocorreu um aumento e posteriormente uma queda
uso do arsênio, os moradores sofrem com a poeira e a acentuada do preço internacional do petróleo.
trepidação do solo ocasionada pela detonação de ex-
plosivos. b) Os países exportadores perdem receitas com o preço
menor, já que seu produto de exportação passa a ter
um preço de comercialização menor; enquanto as na-
ções importadoras gastam menos para importá-lo.
MANUAL DO PROFESSOR 341
c) Sim, o baixo valor do barril pode adiar ou mesmo Refletindo sobre o conteúdo (p. 248)
impedir a exploração dessa área porque os investi-
mentos não compensarão sua comercialização. 1. a) A térmica apresenta como desvantagem o fato de ser
Professor, leve dados atualizados do preço do barril poluente, a eólica é dependente do clima, e a nuclear
de petróleo para que os alunos possam comparar apresenta alto impacto ambiental.
com os dados do gráfico.
b) Resposta pessoal. O professor poderá sugerir um de-
2. O carvão mineral é fundamental para o segmento in- bate sobre as vantagens de cada uma das fontes de
dustrial. Pode-se gerar eletricidade a partir de sua uti- energia.
lização e produzir mercadorias, como aço, fertilizantes
e plásticos. 2. a) Porque pode ser reposta pelas águas das chuvas, que
se precipitam sobre vários locais e em diferentes es-
3. a) O Brasil possui importantes reservas, como as recém- tações do ano.
-descobertas na plataforma continental. No entanto,
ainda importa petróleo porque o consumo interno b) Chega-se a conclusão de que o Brasil é privilegiado
supera a produção nacional. porque conta com um grande potencial hidráulico en-
contrado principalmente na região Norte, onde se con-
b) O autor pretendia demonstrar que as nações depen- centra a maior parte desse importante recurso natural.
dentes do petróleo estão sujeitas às oscilações dos O Brasil conta ainda com dois grandes aquíferos que
preços internacionais do barril de petróleo, e isso reservam uma quantidade considerável de água doce.
pode significar grandes gastos na sua importação.
Significa dependência das nações produtoras, o que c) Aqui o aluno poderá refletir sobre o modo que lida
se refletirá na balança comercial dos países. com esse recurso natural e pode também pensar pos-
síveis maneiras de evitar o desperdício de água.
c) O aluno deverá se posicionar a respeito da importân-
cia do petróleo e demonstrar as características que 3. Resposta pessoal. Para esta atividade não há resposta
advêm do fato de uma nação ser autossuficiente ou certa ou errada. É importante que o aluno perceba e ex-
dependente do petróleo. O aluno poderá ainda men- ponha os aspectos positivos e negativos acerca do uso da
cionar as guerras travadas por causa do petróleo e o energia nuclear no Brasil e no mundo. Se necessário, po-
interesse que o Oriente Médio e a Venezuela desper- de-se resgatar assuntos relacionados a benefícios e pre-
tam no cenário geopolítico mundial. juízos decorrentes da utilização dessa fonte de energia.
4. a) Trata-se do carvão mineral, que predomina no Sul 4. O Proálcool surgiu de um programa governamental como
do Brasil. opção ao uso do petróleo, que, a partir da década de
1970, teve seu preço aumentado no mercado internacio-
b) Referem-se às bacias sedimentares, que no Brasil nal de maneira abusiva. Na época, o Brasil era bastante
correspondem a 64% da estrutura geológica. dependente da importação de petróleo; com os constan-
tes aumentos no preço desse produto, os gastos também
5. Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, localizados no cresceram consideravelmente. Diante da necessidade de
Sudeste. uma alternativa à utilização do petróleo como combustí-
vel teve início a produção de etanol para esse fim.
Capítulo 20 – Oferta interna de
energia: energia elétrica e outras 5. a) O aluno poderá concluir que a maior parcela da frota
fontes (p. 237) brasileira de automóveis é de categoria flex, isto é,
pode utilizar o álcool ou a gasolina no abastecimento.
Contexto e aplicação (p. 246)
b) O aluno pode explicar que o rendimento do etanol é
exPanSão da ProdUção de energIa eólICa gera cerca de 30% menor do que o da gasolina, ou seja,
ProteStoS no lItoral do PIaUí tem menor potência de rodagem e menor autono-
mia. Já uma vantagem é o fato de ser menos poluen-
1. O aluno poderá apontar que a energia eólica é uma fon- te, custar menos e ter fonte renovável.
te de energia renovável, pois depende apenas do vento.
É também uma energia limpa que não compromete o Concluindo a Unidade 5 (p. 249)
meio ambiente. A região Nordeste é privilegiada nesse
ponto porque recebe os ventos alísios. ConflIto Por terra entre fazendeIroS e índIoS
Se aCIrra no mato groSSo do SUl
2. Resposta pessoal. É importante que os alunos sejam
orientados a perceber que sempre ocorrerão impactos, • Porque são conflitos que resultam em mortes e violência
independentemente da fonte de energia a ser gerada. de ambos os lados envolvidos. O professor poderia usar
Alguns exemplos são: desmatamento ou aterramento o texto para abordar a questão histórica da má distri-
do terreno a ser utilizado, extinção de espécies, desloca- buição de terras no Brasil.
mento ou aumento de populações, etc.
342 MANUAL DO PROFESSOR
Testes e questões (p. 249) Unidade 6 – Comércio, transportes e
telecomunicações (p. 256)
Atenção, professor: reforce para os alunos que
as questões devem ser respondidas no caderno, Capítulo 21 – O comércio exterior
alertandoos de que não escrevam no livro. brasileiro (p. 257)
enem Refletindo sobre o conteúdo (p. 265)
1. c 1. a) Balança comercial pode ser entendida como a relação
2. a entre o que um país exporta e o que ele importa. Quando
3. e há saldo positivo, isto é, quando um país exporta mais
4. c do que importa, dá-se o nome de superavit comercial.
5. d A situação inversa é chamada de deficit comercial.
6. b
7. b b) De 1995 até 2000, a balança comercial brasileira foi
8. d deficitária, apresentando deficit comercial. Entre 2001
e 2013, ela mostrou um crescimento, passando a ser
teSteS de veStIBUlar superavitária. Mas em 2014 ela voltou a ser deficitária.
1. c 2. a) Ambos demonstram a queda das exportações brasi-
2. c leiras, favorecendo a balança comercial deficitária a
3. a partir de 2014.
4. b
5. b b) O Brasil, em 2013, ocupava a 22ª posição entre os
6. c principais exportadores do mundo, detendo uma fa-
7. e tia de 1,3% do comércio mundial. Em 2014, em razão
8. b da queda de suas exportações, o país passou para a
25ª colocação, com 1,2% do mercado mundial.
QUeStõeS de veStIBUlar
3. a) A soja e o minério de ferro.
1. a) Alguns fatores, tais como o aumento populacional da b) A China vende produtos manufaturados para o Brasil,
região, o crescimento da economia (agronegócio), que, por sua vez, vende produtos primários para a
novos investimentos estatais e particulares soma- China. Os produtos manufaturados possuem valor
ram-se ao maior potencial hidráulico disponível no agregado superior ao valor das commodities, e isso
Brasil. As usinas de Belo Monte, no rio Xingu (Pará), pode fazer com que o atual superavit brasileiro fique
e usinas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira cada vez menor. Outra consideração que pode ser
(Rondônia), são exemplos dessa recente expansão feita: o preço das commodities no mercado interna-
hidrelétrica. cional sofre maiores oscilações e depende do clima e
das safras, ao contrário do que acontece com o preço
b) O Nordeste é privilegiado porque sua localização dos produtos manufaturados. Então, conclui-se que
geográfica é favorecida por um regime de ventos esses contextos não são favoráveis à manutenção do
sempre atuante, o que favorece seu aproveitamento superavit brasileiro no comércio com a China.
eólico. Além de também receber grande incidência c) A China, atualmente, se encontra inserida em dois
solar, favorecendo a geração de energia solar. importantes contextos, um demográfico e outro eco-
nômico, que atraem a atenção comercial de todas as
c) O solo apresenta características de intensa atividade nações. A China é detentora do maior mercado con-
vulcânica em seu passado geológico, o que determi- sumidor (maior população mundial) e também o
nou uma boa fertilidade de algumas áreas agrícolas país com o maior índice de crescimento econômico.
(terra roxa), e o predomínio de um relevo planáltico
favorece a geração de energia elétrica a partir do 4. Resposta pessoal.
aproveitamento de seus rios.
Capítulo 22 – Transportes e
2. Uso mais intenso: Centro-Sul. Uso menos intenso: telecomunicações no Brasil (p. 266)
Amazônia. O aluno pode citar dois destes itens: irriga-
ção; uso de agrotóxicos; máquinas e tratores; veículos Refletindo sobre o conteúdo (p. 279)
para transporte; local para armazenamento; adubação
e correção do solo; controle de erosão e fertilidade do 1. Os transportes são de grande importância para a inte-
solo; assistência técnica para plantio e cultivo. gração social e econômica de um país, pois facilitam a
MANUAL DO PROFESSOR 343
movimentação de pessoas e cargas. Pelo fato de o teSteS de veStIBUlar 6. e
Brasil ser um país de grande extensão territorial, ele 7. d
depende ainda mais de uma eficiente e ampla rede de 1. d 8. a
transportes. 2. a 9. a
3. c
2. Resposta pessoal. O aluno poderá responder que o mo- 4. b
dal rodoviário é um tipo de transporte que carrega uma 5. e
quantidade menor de passageiros e de carga, quando
comparado aos transportes ferroviário e hidroviário. QUeStõeS de veStIBUlar
Outra desvantagem é que a poluição gerada contribui
para o aquecimento global, por exemplo. 1. A matriz de transportes é a forma como o governo ex-
pressa sua política estratégica para o setor. Sua
3. a) O aluno poderá indicar a rapidez do transporte aéreo elaboração leva em conta alguns aspectos como: quadro
como aspecto positivo; por outro lado, muitas vezes, natural do país, demandas socioeconômicas e custos de
esse meio de transporte é muito mais caro que os de- planejamento, implantação e manutenção do sistema.
mais modais.
a) Em 2005, a matriz de transportes era predominante-
b) É na cidade de Guarulhos, na Região Metropolitana mente assentada na base rodoviária, resultado de
de São Paulo, na região Sudeste. Essa é a maior re- políticas incrementadas a partir da década de 1950
gião metropolitana brasileira, sede de muitas empre- caracterizadas por aspectos como sucateamento do
sas, e possui renda elevada, gerada por negócios si- sistema ferroviário, tentativa de expansão industrial,
tuados nessa importante área comercial e residen- pressão de setores da indústria automobilística no
cial. Esse destaque do aeroporto de Guarulhos pode sentido de priorizar o setor rodoviário em detrimento
ser comprovado pela tabela da página 276. das demais modalidades de transporte e processo
de urbanização. O Plano de Metas de Juscelino
4. a) Desde 2009, ocorre um aumento progressivo do nú- Kubitschek priorizava os setores de base e bens de
mero de pessoas com acesso à internet no Brasil. consumo com a presença de multinacionais do setor
automobilístico. Nos anos 1970, no período dos mili-
b) Não. Existe uma concentração em determinados lo- tares no poder e a partir da implantação dos Progra-
cais, tanto de usuários como de computadores. Essa mas de Integração Nacional, tivemos um ciclo de
concentração ocorre nas cidades do Centro-Sul e nas grandes obras em infraestrutura, destacando-se a
capitais estaduais, enquanto há locais do Brasil que expansão da malha rodoviária. Nos anos 1970 e
não têm nenhum acesso à internet. 1980, ocorreu intenso processo de urbanização, com
novas demandas no setor de transportes.
Concluindo a Unidade 6 (p. 280)
b) No decorrer da década de 1990, o governo federal pas-
mUltImodalIdade: o CamInho Para a redUção sou a investir na malha de transportes em razão da
de CUStoS no BraSIl premente demanda gerada pelo crescimento econô-
mico, destacadamente nos setores agropecuário,
1. A diminuição dos entraves para o transporte de cargas, extrativista mineral e industrial. Embora o transporte
por exemplo, do local da produção dos grãos até os rodoviário ainda prevaleça, foram dadas novas priori-
portos poderia ser feito utilizando um trecho de hidro- dades ao setor com a retomada da expansão
vias. Esse transporte sairia mais barato e provocaria ferroviária, dutoviária, aeroviária e aquaviária, desta-
menor impacto ambiental que o transporte rodoviário. cando o desenvolvimento do setor fluvial, modalidades
com maior capacidade de carga, exceto no setor aero-
2. Um sistema de transportes mais eficiente tem melhores viário, com custos operacionais mais baixos. A
condições de exportar, resultando em maiores receitas projeção da matriz de transportes também está inseri-
para os exportadores e mais impostos para o país. da numa política de preservação ambiental, de acordo
com a legislação nacional e de modo a cumprir acor-
Testes e quest›es (p. 281) dos internacionais firmados.
Atenção, professor: reforce para os alunos que 2. O segundo verso da letra da canção faz referência ao ro-
as questões devem ser respondidas no caderno, doviarismo como opção de transporte (após a chegada
alertandoos de que não escrevam no livro. das montadoras de automóveis) e de integração do terri-
tório. O sétimo verso refere-se à inauguração de Brasília,
enem 4. e ocorrida em 1960.
5. d
1. c 6. b
2. c
3. a
344 MANUAL DO PROFESSOR