Elementos do clima ■■ massa Equatorial continental (mEc): originária
da Amazônia ocidental, a mEc é uma massa de
Entre os principais elementos climáticos que, ar quente, úmida e instável. Exerce grande in-
combinados, determinam o clima no Brasil, estão o fluência em todo o Brasil, provocando chuvas
mecanismo das massas de ar (devido a diferenças durante o verão. No inverno, a mEc recua e sua
de pressão atmosférica), a umidade (principalmen- ação fica restrita à Amazônia ocidental.
te chuvas) e a temperatura.
■■ massa Equatorial atlântica (mEa): quente e
O mecanismo das massas de ar Allmaps/Arquivo da editora úmida, essa massa de ar origina-se próximo do
arquipélago dos Açores, na África. Formadora
As massas de ar são porções de ar atmosférico dos ventos alísios de nordeste, atua, principal-
que apresentam características próprias de tempe- mente, durante a primavera e o verão no litoral
ratura, umidade e pressão. Elas constituem o prin- das regiões Norte e Nordeste provocando chu-
cipal elemento determinante dos climas. Pratica- vas. Conforme avança para o interior, essa mas-
mente todas as massas que atuam na América do sa perde umidade.
Sul exercem influência sobre o Brasil. Nosso país
só não sofre influência das massas que se originam ■■ massa Tropical continental (mTc): por ter
no oceano Pacífico (oeste), uma vez que essas são origem na depressão do Chaco (Paraguai),
limitadas pela cordilheira dos Andes, que barra sua uma zona de altas temperaturas e pouca umi-
passagem para o interior do continente. dade, essa massa de ar é quente e seca. Atua
no sul da região Centro-Oeste e no oeste das
Como 92% do território brasileiro situa-se na regiões Sul e Sudeste, provocando longos pe-
zona tropical, o país é influenciado predominante- ríodos de tempo quente e seco, principalmen-
mente por massas de ar quentes e úmidas. te no início do outono, na primavera e final
do inverno.
Brasil: massas de ar
■■ massa Tropical atlântica (mTa): de ar quente
50º O e úmido, a mTa origina-se no sul do oceano
Atlântico. Formadora dos ventos alísios de su-
Equador mEa deste, essa massa atua na faixa litorânea e se
estende do Nordeste ao Sul do país. Durante o
0º inverno, há o encontro da mTa com a massa
polar atlântica (mPa), que provoca chuvas fron-
mEc tais no litoral nordestino. No litoral das regiões
Sul e Sudeste, o encontro da mTa com as áreas
mTc mTa elevadas da serra do Mar provoca as chuvas
orográficas ou de montanha.
Trópico de Capricórnio
■■ massa Polar atlântica (mPa): origina-se no
OCEANO OCEANO oceano Atlântico, ao sul da Argentina, em
PACÍFICO ATLÂNTICO zona de média latitude (de 30° a 60°). Essa
massa de ar é fria e úmida e atua principal-
N mPa mente no inverno, dividindo-se em três ramos,
OL separados pela orientação do relevo. O pri-
meiro ramo, carregando ventos frios, sobe
S pelo vale do rio Paraná e provoca geada e até
mesmo precipitação de neve nas serras gaú-
0 740 1 480 km chas e catarinenses. O segundo ramo chega
a atingir a Amazônia ocidental e provoca o
Adaptado de: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara. Atlas geográfico do estudante. fenômeno da friagem em alguns estados do
São Paulo: FTD, 2011. p. 25. Norte. O terceiro ramo avança pelo litoral, do
Sul ao Nordeste, e provoca chuvas frontais no
litoral nordestino.
O clima no Brasil C A P Í T U L O 5 49
Umidade Temperaturas
Apesar de nosso país apresentar uma média Em decorrência da tropicalidade, encontram-se
anual em torno de 1 000 mm de chuvas, estas não em quase 95% do território brasileiro médias térmi-
se distribuem de modo uniforme por toda extensão cas anuais superiores a 18 °C. A temperatura, quan-
territorial brasileira. Algumas áreas, como a Floresta tidade de calor presente na atmosfera, é influencia-
Amazônica, o litoral sul da Bahia e a serra do Mar, da por fatores como latitude, altitude, continentali-
em seu trecho paulista, recebem, em geral, mais de dade e correntes marítimas.
2 000 mm de chuvas por ano.
Brasil: temperatura média anual
Brasil: pluviosidade
50º O
50º O Banco de imagens/Arquivo da editora 26º
24º Allmaps/Arquivo da editora
0º Equador 0º 26º Equador
Cabaceiras 26º
Areia
Branca
24º
26 º
24º
20º
Isotermas (em ºC) 24º 22º 20º 18º OCEANO
São linhas que, em um
mapa, unem os pontos ATLÂNTICO
de igual temperatura.
OCEANO Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO MŽdia anual
Isoietas (em mm) 18º N
São linhas que, em um Trópico de Capricórnio 26º 14º 16º
mapa, unem os pontos 24º
de igual precipitação. N 22º 18º OL
20º 0 S
MŽdia anual OL 18º
16º 570 1 140 km
2 500 S 14º
2 000 0 570 1140 km
1 500 Adaptado de: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 34. ed. São Paulo: Ática, 2012. p. 119.
1 000
750
500
Adaptado de: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 34. ed. São Paulo: Ática, 2012. p. 119. Principais fatores do clima
No extremo oposto, está o Sertão nordestino, com Diversos fatores podem modificar o comportamen-
to dos elementos que caracterizam o clima brasileiro.
totais pluviométricos anuais bem abaixo da média
Altitude
do país, como as localidades de Cabaceiras (PB), com
Quanto maior a altitude, menor será a tempera-
331 mm, e Areia Branca (RN), com 588 mm. Vale tura. Isso porque quanto maior a altitude, menor será
a retenção de calor pela superfície e, consequente-
ressaltar que, nesta última, o baixo mente, menor será a temperatura. O Brasil não apre-
senta altitudes muito elevadas: 95% do território está
índice pluviométrico somado à Salina: local a menos de 1 200 metros de altitude; as serras Geral,
do Mar, da Mantiqueira, do Espinhaço, a chapada
maior insolação anual, bem como onde se produz Diamantina e alguns picos são exceções, com alti-
pelos ventos fortes e constantes o sal de cozinha tudes acima de 1 200 metros. Mesmo assim, é pos-
que auxiliam na evaporação da por meio da sível ver como a altitude influencia nas temperaturas
evaporação da médias, mesmo não sendo tão marcante.
água do mar favorecem a existên- água do mar.
cia de salinas.
O restante do país, ou seja, a maior parte do
território brasileiro está na faixa entre 1 000 mm e
2 000 mm de chuva, em média. Somente a porção
situada abaixo do paralelo de 20°S, onde predomina
o clima subtropical, tem como característica a relati-
va uniformidade das chuvas ao longo do ano.
50 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Veja na tabela abaixo e no mapa ao lado exemplos existentes entre elas. O Brasil apresenta quase 40°
de cidades com diferentes altitudes, mas localizadas de variação latitudinal (norte-sul), o que caracteriza
em latitudes iguais ou aproximadas, que apresentam um importante fator de diferenciação climática.
diferenças nas temperaturas médias anuais.
Zé Paiva/Pulsar Imagens
Latitudes, altitudes, médias térmicas Banco de imagens/Arquivo da editoraBrasil: fator latitude e médias térmicas
50º O
Cidade Latitude (º) Altitude Média térmica OCEANO
(m) anual (ºC)
ATLÂNTICO
Serra do Navio
Serra do Navio (AP) 0° 54’ N 145 26,1 26,1 ºC Equador
0º Macapá
Macapá (AP) 0° 02’ N 16 27 27 ºC
Triunfo (PE) 7° 50’ S 1 010 21 Triunfo
21ºC
Serra Talhada (PE) 7° 59’ S 438 23,8 Serra
Talhada
10º S
23,8 ºC
Petrópolis (RJ) 22° 30’ S 907 18,4
Rio de Janeiro (RJ) 22° 54’ S 8 23,2
Curitiba (PR) 25° 26’ S 911 17,1 20º S
30º S
Paranaguá (PR) 25° 31’ S 10 20,5 Petrópolis 18,4 ºC
Urubici (SC) 28° 01’ S 915 16 Curitiba Rio de Trópico de
17,1 ºC Janeiro Capricórnio
23,2 ºC
Paranaguá 20,5 ºC
Florianópolis (SC) 27° 36’ S 17 20,1 Urubici Florianópolis
N 30º S 16 ºC 20,1 ºC
Fonte: CLIMATE-DATA. Disponível em: <http://pt.climate-data.org/ OCEANO OL 0 590 1 180 km
country/114/>; GEÓGRAFOS. Disponível em: <www.geografos.com.br>. PACÍFICO S
Acesso em: 22 mar. 2016.
Adaptado de: IBGE. Cidades@. Disponível em: <www.cidades.ibge.gov.br>;
CLIMATE-DATA. Disponível em: <http://pt.climate-data.org/country/114/>.
Acesso em: 22 mar. 2016.
Vegetação congelada no morro das Torres, em Urupema (SC), Continentalidade e
em 2013, na serra catarinense, onde se podem registrar maritimidade
temperaturas extremamente baixas por causa de elementos
como: alta altitude, alta latitude e a atuação da massa Polar Quanto menor a distância em relação ao mar,
atlântica. menor é a amplitude térmica de um lugar. A influên-
cia do mar, ou maritimidade, torna as temperaturas
Latitude mais estáveis. Isto ocorre em consequência do “efei-
to regulador de caráter térmico” que as águas dos
Quanto maior a latitude, menor será a tempera- oceanos exercem sobre as terras próximas.
tura. Ou seja, nas altas latitudes, as temperaturas
são mais baixas, enquanto as amplitudes térmicas A cidade de Santos, em São Paulo, por exemplo,
serão maiores. Nas cidades próximas à linha do possui menor amplitude térmica do que cidades
equador, como é o caso das regiões Norte e Nordeste localizadas no interior do território brasileiro, como
brasileiras, a amplitude térmica é menor e a tempe- as dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do
ratura média é mais alta do que nas cidades do Sul Sul, que sofrem o efeito da continentalidade.
e do Sudeste, em virtude das diferenças de latitude
Correntes marítimas
O território brasileiro sofre a influência de duas
correntes marítimas quentes: a corrente do Brasil,
que se desloca do norte para o sul, e a corrente das
Guianas, que se desloca no sentido contrário, ou seja,
do sul para o norte. Ambas as correntes contribuem
para a existência de climas quentes no país.
O clima no Brasil C A P Í T U L O 5 51
Classificação climática Clima litorâneo úmido
Para estudar o clima brasileiro, optamos pela clas- Abrange a faixa da costa do Nordeste e do Sudes-
sificação climática do cientista estadunidense Arthur te e sofre influência da massa Tropical atlântica.
Strähler por estar baseada na circulação e na atuação Apresenta como características chuvas concentra-
das massas de ar que determinam o clima mais de- das no inverno e médias térmicas elevadas. O índice
talhadamente no nosso país. Veja o mapa a seguir. pluviométrico varia de 1 500 mm a 2 000 mm du-
rante o ano. As chuvas são decorrentes do encontro
Brasil: climas Allmaps/Arquivo da editora da mTa com a mPa, e também do encontro da mTa
com áreas mais elevadas do relevo, como o planalto
50º O N da Borborema, no nordeste, e a serra da Mantiqueira,
no Sudeste.
Equador Boa AP OL
Vista Macapá 0º Clima tropical continental
RR Belém São Luís S É o clima mais representativo do Brasil, por isso,
Fortaleza é chamado tropical típico. Abrange áreas das regiões
Manaus Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste. Apresenta
AM PA MA CE RN Natal amplitudes térmicas anuais elevadas, decorrentes
Teresina da continentalidade, e duas estações bem definidas:
verão chuvoso, influenciado pelas massas de ar
PI PB João Pessoa Equatorial continental e Tropical atlântica, e inverno
TO PE Recife seco, devido à ação das massas de ar Polar atlântica
AC Porto AL e Tropical continental.
Rio Velho Palmas SE Maceió
Clima tropical semiárido
Branco RO Aracaju
Característico do Sertão nordestino e do norte
MT BA Salvador de Minas Gerais. É controlado pelas massas de ar
Tropical atlântica e Equatorial continental. Em ge-
Cuiabá DF ral, quando essas massas chegam ao interior do
Nordeste já estão secas, pois perderam a umidade
Climas controlados por Brasília MG OCEANO ao encontrar barreiras montanhosas que impedem
massas de ar equatoriais Goiânia ATLÂNTICO a passagem das chuvas, fazendo com que elas
e tropicais caiam no litoral.
GO Belo
Equatorial úmido MS Horizonte É o clima brasileiro com o menor índice pluvio-
ES métrico anual, que chega, às vezes, a ser inferior a
Tropical 500 mm. As temperaturas médias são elevadas.
Campo Vitória
Tropical semiárido Grande
SP RJ
Litorâneo úmido PR
São Rio de Trópico de Capricórnio
Climas controlados por Paulo Janeiro
massas de ar tropicais
e polares Curitiba
Tropical de altitude SC Florianópolis
Subtropical úmido RS Porto Alegre
0 630 1 260 km
Adaptado de: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico espaço mundial.
São Paulo: Moderna, 2009. p. 13.
Climas controlados por massas
de ar equatoriais e tropicais
Clima equatorial úmido
Determinado pela massa equatorial continental,
sua principal área de ocorrência é a Amazônia.
Características: elevada taxa de umidade (o índice
pluviométrico ultrapassa 2 500 mm anuais), altas
temperaturas e baixa amplitude térmica anual.
Clima equatorial úmido Clima litorâneo úmido Clima tropical continental Clima tropical semiárido
Macapá (AP) Salvador (BA) Cuiabá (MT) Cabaceiras (PB)
P (mm) T (ºC) P (mm) T (ºC) P (mm) T (ºC) P (mm) T (ºC)
450 45 450 45 450 45 450 45
400 40 400 40 400 40 400 40
350 35 350 35 350 35 350 35
300 30 300 30 300 30 300 30
250 25 250 25 250 25 250 25
200 20 200 20 200 20 200 20
150 15 150 15 150 15 150 15
100 10 100 10 100 10 100 10
50 5 50 5 50 5 50 5
00 00 00 00
J F MAMJ J A S O N D J F MAMJ J A S O N D J F MAMJ J A S O N D J F MAMJ J A S O N D
Pluviosidade média Temperatura média
Climogramas adaptados de: INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA (Inmet). Disponível em:
<www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=clima/graficosClimaticos>. Acesso em: 21 mar. 2016.
52 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Climas controlados por massas 2 500 mm), só perdendo para o equatorial úmido.
de ar tropicais e polares Tem as estações definidas e chuvas bem distribuídas
durante o ano. No inverno, são constantes as ondas
Clima tropical de altitude de frio e a formação de geada. Pode ocorrer neve nas
áreas de maior altitude.
É encontrado nas áreas de maior altitude da região
Sudeste. Sofre grande influência anual da massa Clima tropical de altitude Clima subtropical úmido
Tropical atlântica, que é úmida. No inverno, a massa
Polar atlântica provoca baixas temperaturas e geadas. Belo Horizonte (MG) Curitiba (PR)
Diferencia-se do clima tropical típico, ou conti- P (mm) T (ºC) P (mm) T (ºC)
nental, por apresentar maior índice pluviométrico 450 45 450 45
anual (acima de 1 700 mm), verões menos quentes
e invernos mais frios. 400 40 400 40
350 35 350 35
Clima subtropical úmido
300 30 300 30
Representativo do sul do Brasil, é dominado pela
massa Tropical atlântica, mas sofre grande influên- 250 25 250 25
cia da Polar atlântica no inverno. Apresenta o segun-
do maior índice pluviométrico anual (em torno de 200 20 200 20
150 15 150 15
100 10 100 10
50 5 50 5
00 00
J F MAMJ J A S O N D J F MAMJ J A S O N D
Pluviosidade média Temperatura média
Climogramas adaptados de: INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA
(Inmet). Disponível em: <www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=clima/
graficosClimaticos>. Acesso em: 21 mar. 2016.
Refletindo sobre o conteúdo
1. As cidades de Macaé (RJ) e Teresópolis (RJ) estão nada às características naturais da imensa extensão do
situadas em latitudes muito próximas, mas suas tem- território brasileiro...
peraturas são muito diferentes. Veja no mapa a seguir.
MENDONÇA, Francisco; DANNI-OLIVEIRA, Inês Moresco.
Banco de imagens/Arquivo da editoraRio de Janeiro: temperatura Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo:
Banco de imagens/Arquivo da editoraem 12/02/2016 Oficina de Textos, 2007. p. 16. (Adaptado.)
• Você concorda com a afirmação de que o Brasil é
um país tropical? Justifique sua resposta.
45º O ES 3. Observe os climogramas a seguir e responda:
MG Climograma 1 Climograma 2
OCEANO Climogramas
adaptados de:
ATLÂNTICO P (mm) T (ºC) P (mm) T (ºC) INSTITUTO
700 35 700 35 NACIONAL DE
Macaé METEOROLOGIA
(Inmet). Disponível
Teresópolis Temperatura máxima: 26 ºC 600 30 600 30 em: <www.inmet.
Temperatura mínima: 24 ºC gov.br/portal/index.
500 25 500 25 php?r=clima/
SP graficosClimaticos>.
Temperatura máxima: 20 ºC N 400 20 400 20 Acesso em: 21 mar.
Trópico de Capricórnio Temperatura mínima: 16 ºC 2016.
300 15 300 15
OL 200 10 200 10
0 125 250 km 100 5 100 5
S 00 00
J F MAMJ J A S O N D J F MAMJ J A S O N D
Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro, 2012. Pluviosidade média Temperatura média
p. 173; INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA (Inmet). Disponível
a) Identifique o clima de cada climograma representado.
em: <www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=tempo2/verProximos b) Qual massa de ar predomina no verão no climo-
Dias&code=3302403>; <www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=tempo2/
grama 1?
verProximosDias&code=3305802>. Acesso em: 10 fev. 2016. c) Qual massa de ar predomina no inverno no climo-
• O que explica essa diferença? grama 2?
d) Qual climograma aponta maior quantidade de chu-
2. Leia o trecho a seguir. Depois, faça o que se pede.
O Brasil é um país tropical. Essa afirmação, aceita de va durante o ano? E a menor temperatura média?
maneira geral pela sociedade, está diretamente relacio
O clima no Brasil C A P Í T U L O 5 53
capítulo 6
A hidrografia do Brasil
Ernesto Reghran/Pulsar Imagens
Os rios são uma das formas sob as quais a água pode ser encontrada nos continentes. A rede hidrográfica brasileira conta com a
maior bacia fluvial do mundo, tanto em extensão como em volume de água, e apresenta um elevado potencial hidráulico: a bacia
Amazônica. Na imagem, rio Amazonas, próximo ao município de Manaus (AM), em 2015, durante o período de cheia.
Os rios infiltram no solo, provenientes das precipitações.
Os cursos de água podem ser:
No Brasil, devido ao clima tropical e à ausência
de grandes altitudes do relevo, não encontramos ■■ Permanentes ou perenes — têm água o ano todo,
geleiras. Também não há lagos de extensão signifi- como o rio Amazonas.
cativa. Suas riquezas hídricas são as grandes redes
fluviais e os reservatórios de águas subterrâneas. ■■ Temporários — possuem água em determinados
períodos do ano e podem ser divididos em:
Podemos definir rio como uma corrente de água, • intermitentes — possuem água em determina-
que se desloca da nascente (ponto mais alto) até a das épocas do ano graças ao lençol freático,
foz (ponto mais baixo), que pode ser em outros rios, como o rio Jaguaribe, no Ceará.
oceanos, mares ou lagos. • efêmeros — possuem água em determinadas
épocas do ano graças às precipitações, como
As águas que afloram das nascentes dão origem o rio Chafariz, na Paraíba.
aos rios. Os rios podem aumentar de volume Os rios estão organizados hierarquicamente, for-
e de tamanho ao longo do seu percurso, recebendo
águas de outros rios (afluentes) e águas que não se mando uma rede hidrográfica: rio principal, afluen-
tes e subafluentes.
54 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Cassiano Röda/Arquivo da editora Veja a seguir os perfis longitudinal e transversal
Andre Dib/Pulsar Imagensde um rio.
Ingeborg Asbach/Arquivo da editoraPerfis de um rio
Curso superior Perfil longitudinal
Nascente
Curso médio
Curso inferior
Rios efêmeros se formam durante as chuvas. São alimentados As águas fluviais, quando escavam o leito do rio, modelam seu
pelas águas de escoamento superficial. Na imagem, leito seco perfil longitudinal.
de rio no vale dos Dinossauros, no município de Sousa (PB),
em 2014. Perfil transversal
55
As partes mais elevadas do relevo, como planal-
tos e montanhas, separam os rios da rede hidrográ- 44
fica, delimitando suas bacias. São os chamados di-
visores de água ou interflúvios. 2 2
1
Divisor de águas e bacias hidrográficas
6
divisor de águas ou interflúvio
1- Rio 3 5- Interflúvios
Subafluente 2- Margens 6- Leito
3- Talvegue
Afluente 4- Vertentes
Afluente Bacia hidrográfica Margem: lado do leito fluvial.
Rio principal do rio B Talvegue: ponto mais fundo do vale de um rio.
Vertente: parte do vale que se estende desde as margens
Subafluente até os divisores de água.
Leito: superfície por onde correm as águas do rio.
Bacia hidrográfica Adaptado de: RODRIGUEZ, Patricia; PALMA, Marcela. Geografia general.
do rio A Santiago: Santillana, 2010. p. 79.
Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. O lugar onde o rio lança suas águas, tanto no
4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 356. oceano quanto em um lago ou em outro rio, chama-
-se foz. Tipos de terreno, profundidade do leito, vo-
Os principais divisores ou centros dispersores lume de água são características que tornam possí-
de água das bacias hidrográficas brasileiras são a vel a existência de mais de um tipo de foz.
cordilheira dos Andes, onde nascem os formadores
do Amazonas; o antigo planalto das Guianas, onde ■■ Estuário: desembocadura larga e profunda onde
nascem os afluentes da margem esquerda do o rio lança águas no oceano, sem obstáculos. Sob
Amazonas, e diferentes partes do antigo planalto a influência da maré ocorre a mistura da água
Brasileiro, onde se originam os rios das bacias do salgada com a doce resultando em água salobra.
Tocantins–Araguaia, do São Francisco e Platina.
■■ Barra: os rios carregam grande quantidade de
O caminho percorrido por um rio desde sua nas- sedimentos e lançam suas águas em mares pou-
cente até a foz é chamado curso. Por causa de sua co profundos. Com o tempo, o material acumula-
inclinação (um rio corre das partes altas para as bai- -se como um obstáculo, na saída das águas.
xas), podemos distinguir em um rio o curso superior
(junto à nascente), o curso médio (no meio) e o cur- ■■ Delta: pequenas ilhas formadas pelos sedimen-
so inferior (próximo à foz). tos carregados pelos rios dividem as águas flu-
viais em vários canais.
A hidrografia do Brasil C A P Í T U L O 6 55
© Landsat/2016, Engesat A maioria dos rios brasileiros possui foz em estuá- Geralmente, essas situações se repetem, todos os
rio. O nosso delta mais conhecido é o do rio Parnaíba, anos, na mesma época. A esse ritmo de estiagens e
na divisa entre os estados do Maranhão e do Piauí. cheias dos rios chamamos regime fluvial.
O rio Amazonas tem sua foz considerada mis- Os regimes fluviais dependem do clima da região
ta, porque possui características tanto de estuário onde estão localizados os rios. Os principais são:
como de delta.
■■ Equatorial — apresenta pouca variação no vo-
Imagem de satélite da foz do rio Amazonas, em 2016. lume de águas.
No Brasil, a drenagem dos rios é exorreica, ou ■■ Tropical — apresenta estações seca e chuvosa
seja, os rios se voltam para o mar e são todos tribu- bem definidas.
tários do Atlântico; de maneira direta, são exemplos
o São Francisco e o Amazonas, e indireta, o Tietê e ■■ Nival ou alpino — apresenta cheias provocadas
Iguaçu. pelo derretimento de neve.
Alimentação e regime fluvial ■■ Polar — os rios permanecem congelados de qua-
tro a seis meses por ano.
Alimentação é a maneira pela qual um rio recebe
suas águas. Existem três tipos de alimentação fluvial: A maioria dos rios brasileiros tem regime do tipo
tropical, em virtude da posição geográfica de nosso
■■ Pluvial — recebe água das chuvas. país. O rio Amazonas tem um regime complexo, pois,
■■ Nival ou glacial — recebe água do derretimento além da alimentação plúvio-nival, possui afluentes
localizados nos dois hemisférios terrestres, o que
das geleiras. resulta em diferentes períodos de cheia na bacia.
■■ Plúvio-nival — recebe água do derretimento de
Os rios do Sertão nordestino são, em sua maioria,
geleiras e das chuvas. temporários, como o Paraíba do Norte (PB), devido
A maioria dos rios brasileiros têm alimentação ao clima semiárido da região. Alguns rios da região
pluvial. Contudo, o Amazonas e alguns de seus Sul têm regime subtropical, com cheias no inverno
afluentes também recebem águas provenientes do e na primavera, como o rio Iguaçu.
derretimento da neve da cordilheira dos Andes.
No curso de um rio, o volume de água não é o Os rios e o relevo
mesmo durante todo o ano. Em alguns meses, o vo-
lume diminui muito ou chega a secar completamen- Já vimos que clima e rios estão intimamente re-
te. É o período de estiagem ou vazante. Quando as lacionados, pela forma de alimentação e do regime.
águas atingem o volume máximo, é o período Também sabemos que os rios cortam vários tipos
das cheias e podem ocorrer grandes enchentes. de relevo, realizando importante trabalho de erosão.
Quanto à interação entre o relevo e os rios, po-
demos considerar que existem: os rios de planalto
e os rios de planície. Os rios de planalto apresentam
cursos acidentados, com corredeiras, quedas-d’água
e podem ser aproveitados para a geração de energia
elétrica. Os rios de planície têm pouca declividade,
sendo propícios à navegação.
Como a maioria da nossa rede hidrográfica é
constituída de extensos rios de planalto, 65% da
energia elétrica do Brasil é de origem hidrelétrica.
Além de não ser totalmente aproveitado, esse gran-
de potencial hidrelétrico não está distribuído de
maneira uniforme entre as bacias hidrográficas exis-
tentes em nosso país.
Os rios Amazonas e Paraguai percorrem extensas
regiões de terras baixas (Amazonas) e planícies
(Paraguai). Permitem a navegação fluvial integran-
do diferentes bacias hidrográficas brasileiras.
56 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
As regiões hidrográficas nasce na cordilheira dos Andes, no Peru, e recebe
brasileiras denominações diferentes até atingir o oceano Atlân-
tico. Ao entrar em território brasileiro, recebe o nome
Em 2003, o Conselho Nacional de Recursos de Solimões e, apenas depois de receber as águas
Hídricos (CNRH) reuniu as principais bacias brasi- do rio Negro, não muito distante da cidade de
leiras em doze regiões hidrográficas. Sete delas re- Manaus, passa a se chamar Amazonas.
cebem o nome de seus rios principais. Os rios
Paraná, Paraguai e Uruguai, que formam a bacia O Amazonas atravessa uma grande área de pla-
Platina, foram considerados separadamente, pois nícies e depressões, porém seus afluentes correm
esses rios se juntam, formando o rio da Prata, fora em áreas planálticas, dotando essa bacia de grande
do território brasileiro. As outras cinco agrupam potencial hidrelétrico disponível, na verdade o
diversos rios de acordo com sua localização; são as maior do Brasil. Entretanto, por estar localizado em
chamadas bacias secundárias, como podemos ver uma região pouco habitada e com poucas indús-
no mapa abaixo. trias, ainda é pouco aproveitado para a geração de
energia elétrica.
Região hidrográfica Amazônica
Suas principais hidrelétricas são: Samuel (rio
É a mais extensa região hidrográfica brasileira. Jamari, RO), Balbina (rio Uatamã, AM), Curuá-Uma
Drena 56% do território brasileiro, nos estados do (rio Curuá-Uma, PA) e Coaracy Nunes (rio Araguari,
Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Amapá, Mato AP). Dois projetos polêmicos por seu potencial
Grosso e Roraima. Seu principal rio, o Amazonas, de agressão ao meio ambiente estão em andamen-
to na região: as usinas de Santo Antônio e de
Jirau, no rio Madeira, e a usina de Belo Monte, no
rio Xingu.
Allmaps/Arquivo da editora Regiões hidrográficas brasileiras
50º O
Regiões hidrográficas*
Rio Branco Ri Amazônica
Equador Tocantins-Araguaia
0º RRioioJaPrai ru Paraná
oTrombetas São Francisco
Uruguai
gro Atlântico Leste
Rio Japurá Rio Ne Rio Amazonas Pindaré Paraguai
Rio Içá io Juruá Rio Solimões aj Rio Iriri Rio I Parnaíba
io Javari deira rnaíba Rio Jaguaribe Atlântico Nordeste Oriental
R R Rio Ma Rio Tap Atlântico Nordeste Ocidental
Atlântico Sudeste
ós Atlântico Sul
Rio
tapecuru * Compreendem as bacias existentes em
território nacional, tanto as que se
Purus s ou São Manuel Rio Pa localizam exclusivamente em nosso
Rio Tele território como as que fazem parte de uma
io Acre Rio s Pire Rio Xingu RiRoioItVaapzaic-uBraurris bacia maior, que ultrapassa o limite
R Rio Araguaia Rio Paraguaçu nacional, como a bacia Amazônica.
R Rio Juruena io São Francisco
io Guaporé Rio Tocantins Adaptado de: MINISTÉRIO DO MEIO
AMBIENTE (MMA). Agência Nacional de
uai Rio de Contas Águas (ANA). Disponível em: <www.ana.
gov.br/bibliotecavirtual/arquivos/
Rio Parag R Rio Pardo 20061107162314_Brasil_Regioes
Rio Cuiabá quitRinihooMnhucauri Hidrograficas_nivel01_imagem.pdf>.
Rio Je Acesso em: 11 fev. 2016.
aranaíba
Rio GrandeRio P Rio Doce
Rio Tietê
OCEANO Rio Apa Rio Pa Rio Paraíba do Sul OCEANO
PACÍFICO raná ATLÂNTICO
Rio Paraguai Rio Iguaçu Trópico de Capricórnio
N
Rio Pararungáuai Rio Pelotas OL
Rio U Rio Jacuí
S
0 380 760 km
A hidrografia do Brasil C A P Í T U L O 6 57
Os principais atingidos por es- Ismar Ingber/Pulsar Imagens
ses projetos em desenvolvimento
são indígenas e comunidades ribei- As últimas verificações do comprimento do rio Amazonas indicam que o rio possui
rinhas, como veremos no boxe 6 992 km de extensão, tamanho que o coloca em primeiro lugar entre os maiores
Relacionando os assuntos, a seguir. do mundo, ultrapassando o rio Nilo, no Egito, que tem 6 670 km. Na imagem, o
encontro das águas entre o rio Negro e o rio Solimões, próximo a Manaus (AM).
Os rios da bacia Amazônica são, Foto de 2015.
em quase toda sua extensão, a úni-
ca via de transporte das populações
ribeirinhas, tornando-se seu princi-
pal meio de contato com as cidades
maiores da região. É por meio deles
que as pessoas recebem alimento e
assistência médica, em barcos que
funcionam como “lojas” ou “pron-
tos-socorros”.
Relacionando os assuntos Geografia, Não escreva
História e Sociologia no livro
Índios se reúnem com Ibama, Funai, Os manifestantes também cobram que o Ibama seja
MPF e Norte Energia, em Altamira rigoroso na concessão da licença de operação da
hidrelétrica, exigindo que a operação não seja liberada
Objetivo da reunião é discutir cumprimento em 2015.
de compensações para aldeias. Construção de
hidrelétrica é contestada pelos indígenas da região. Segundo a Norte, todas as obras do Projeto Básico
Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI) da Usina
Lideranças indígenas de nove etnias se reúnem com Hidrelétrica Belo Monte já estão contratadas ou em
representantes do Ibama, Funai, Ministério Público Federal fase final de contratação. Não há nenhum risco de as
(MPF) e Norte Energia (NE) neste sábado [25/04/2015]. ações deixarem de ser executadas. Os prazos de
As tribos questionam o cumprimento das compensações conclusão estão sendo acordados com a Fundação
prometidas no início da construção da Usina de Belo Nacional do Índio de acordo com o suporte de cada
Monte, localizada em Vitória do Xingu. Segundo a NE, uma das aldeias, das nove etnias beneficiadas pelo
responsável pelo empreendimento, a empresa possui 28 empreendimento.
projetos voltados para comunidades indígenas, e investiu
mais de R$ 200 milhões nas aldeias. G1. Disponível em: <http://g1.globo.com/pa/para/
noticia/2015/04/indios-reunem-ibama-funai-mpf-e-norte-
Cerca de 100 índios de 9 aldeias da região do Xingu
ocuparam a sede do Ibama de Altamira durante a energia-em-altamira.html>. Acesso em: 11 fev. 2016.
manhã da última quinta-feira [23/04/2015]. Durante
a tarde, eles se deslocaram para o prédio da Funai Com a alegação de garantir o crescimento eco-
protestando contra o descumprimento do componente nômico brasileiro, o governo federal busca cons-
indígena que faz parte do Plano Básico Ambiental para truir hidrelétrica na região Norte.
a instalação da usina.
1. Reúna-se com três colegas, pesquisem e discu-
As lideranças indígenas reafirmaram que as aldeias tam o tema: Quais os possíveis danos e benefícios
são prejudicadas pelos impactos das obras da usina de que a construção da usina hidrelétrica de Belo
Belo Monte e reclamaram da demora na execução do Monte, no Pará, pode trazer para a Amazônia,
projeto elaborado para beneficiar as aldeias. “Nós não para as populações ribeirinhas e para as comu-
temos estrada boa, nós não temos nenhum projeto bom nidades indígenas que vivem no local?
para a gente sobreviver dentro da nossa área. Quando
terminar a barragem eles vão embora, e nós, vamos ficar 2. Em sua opinião, é importante a ação de movi-
em que?”, disse Nambú Kayapó. mentos sociais de resistência que protestam
contra a construção da usina? Por quê?
58 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Regiões hidrográficas do Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Santa
Paraná, Paraguai e Uruguai
Catarina e no Distrito Federal.
Essas regiões abrangem o trecho brasileiro da
bacia Platina. Os rios Paraná, Paraguai e Uruguai No rio Paraná, encontram-se várias hidrelétricas,
nascem em território brasileiro e drenam terras do
Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Depois de como as de Itaipu, Urubupungá (Jupiá-Ilha Solteira)
receber águas do rio Paraguai em território argen-
tino, o rio Paraná se junta ao rio Uruguai no estuário e Sérgio Mota (antiga Porto Primavera).
do rio da Prata. Veja a seguir as principais caracte-
rísticas de cada uma dessas regiões hidrográficas. Apesar de estar em uma área de relevo de pla-
Região hidrográfica do Paraná nalto, a Região hidrográfica do
Seu rio principal, o Paraná, é formado pela junção Paraná possui uma hidrovia — a Hidrovia: via de
dos rios Grande e Paranaíba, e deságua fora do ter-
ritório nacional. Por apresentar rios de planalto, é a Tietê-Paraná — que terá um im- transporte
região hidrográfica de maior aproveitamento hidre- portante papel para a economia marítima, fluvial
létrico nacional. Compreende as áreas mais urbani- regional quando estiver totalmen- ou lacustre.
zadas, de maior população e de desenvolvimento
econômico do país nos estados de São Paulo, Paraná, te integrada.
Região hidrográfica do Paraguai
É a maior bacia brasileira genuinamente de pla-
nície. Seu rio principal, o Paraguai, nasce no Brasil
e atravessa terras paraguaias e argentinas. Suas
cheias são responsáveis pela paisagem do Pantanal
mato-grossense. Favorável à navegação, faz a ligação
do Paraguai (país) com o oceano Atlântico.
O vertedouro é uma estrutura de segurança que escoa água Pelos tubos brancos passam as águas que movimentam o
quando o nível está muito alto, evitando que a água passe sistema de turbinas e geram energia. Ao todo, Itaipu
por cima da barragem e cause danos às estruturas. Foto do possui 18 turbinas, que fazem dessa usina uma das de
vertedouro de Itaipu, em 2015. maior capacidade de produção do mundo. Foto de 2015.
e
Ernesto
Christian Rizzi/Agência France-Press
Ernesto Reghran/Pulsar ImagensReghran/Pulsar Imagens
Por estar em uma região planáltica, a região
hidrográfica do Paraná apresenta muitas usinas
hidrelétricas. A maior é a binacional de Itaipu, no rio
Paraná. Essa usina está na fronteira entre o Brasil e o
Paraguai e pertence aos dois países. Foto de 2015.
59
No Brasil, a tentativa de construir uma hidrovia Região hidrográfica do Uruguai
em seu curso tem encontrado resistência de am-
bientalistas, pelo fato de atravessar o Pantanal, O rio Uruguai é o menor dos três principais que
Patrimônio da Humanidade e Reserva Mundial da formam a bacia hidrográfica Platina. Originado pela
Biosfera. A hidrovia Paraguai-Paraná deveria unir junção dos rios Canoas e Pelotas, nasce no Brasil,
cinco países: Brasil, Bolívia, Argentina, Paraguai e drena terras brasileiras, uruguaias e argentinas, e
Uruguai; estendendo-se de Cáceres, no Mato desemboca no estuário do Prata. Seu curso superior
Grosso, até a cidade de Nueva Palmira, no Uruguai, é predominantemente planáltico, com grande po-
onde se localiza a foz em estuário do rio da Prata. tencial hidrelétrico, cuja utilização tem grande
importância devido à existência de agroindústrias
Banco de imagens/Arquivo da editora na área que atravessa.
Hidrovia Paraguai-Paraná DF
MT GO Região hidrográfica do
Cáceres Tocantins-Araguaia
BOLêVIA
MG
MS É a maior bacia hidrográfica inteiramente brasi-
leira. Seus dois rios formadores nascem no estado
PARAGUAI SP de Goiás. O rio Tocantins recebe águas do seu prin-
Trópico de Capricórnio PR
Rio Paraguai cipal afluente, o rio Araguaia (nas proximidades da
cidade de Marabá, no Pará), e segue rumo à sua foz,
no estado do Pará. Essa bacia possui grande poten-
cial hidrelétrico. Em seu rio principal, o Tocantins,
Rio Paran á SC foi construída a hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, que
abastece grande parte da região Norte e o Projeto
RS Carajás. A maior ilha fluvial do
ARGENTINA URUGUAI mundo (a ilha do Bananal) en- Projeto Carajás:
N Nueva Palmira
OCEANO contra-se no curso médio do rio projeto da Vale
OL ATLÂNTICO Araguaia, entre o Araguaia e o de exploração
S Javaés, no estado de Tocantins. mineral.
0 250 500 km
Hidrovia Paraguai-Paraná Região hidrográfica do Parnaíba
50º O A bacia que compõe essa região drena quase
todo o estado do Piauí e parte dos estados do
Adaptado de: MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES. Disponível em: Maranhão e do Ceará.
<www.transportes.gov.br/images/aquaviario/2014/11/
mapas_hirdoviarios.pdf>. Acesso em: 24 mar. 2016. O rio Parnaíba nasce na chapada das Mangabeiras
Mapa sem data na fonte original. e serve de divisa entre Maranhão e Piauí, até atingir
o oceano Atlântico em uma foz em forma de delta.
Thomaz Vita Neto/Pulsar Imagens
Em grande parte de seu curso, da nascente até
Teresina, apresenta vários afluentes temporários em
função do clima semiárido da região. Desse ponto
até a foz, seus afluentes são perenes, alimentados
por águas subterrâneas e das chuvas.
Em seu trecho concluído, a hidrovia Paraguai-Paraná liga o
porto de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, ao porto de Nueva
Palmira, no Uruguai. A soja é o principal produto transportado
por ela. Em dezembro de 2000, a ligação Corumbá-Cáceres
teve sua construção embargada pela Justiça Federal. Na
imagem, transporte de grãos na hidrovia Paraguai-Paraná, no
trecho de Barbosa (SP). Foto de 2013.
60
Região hidrográfica do São Embora seja navegável no trecho entre os estados
de Minas Gerais e Bahia, o rio São Francisco é tipi-
Francisco camente de planalto e tem alto potencial hidrelétri-
co, com usinas que abastecem cidades tanto da re-
É a quarta maior bacia hidrográfica brasileira. O gião Sudeste como da região Nordeste. As principais
rio São Francisco nasce na serra da Canastra, em são Três Marias, Sobradinho, Xingó, Luiz Gonzaga
Minas Gerais, atravessa áreas de clima semiárido (o (antiga Itaparica) e Paulo Afonso.
Polígono das Secas) e desemboca no oceano
Atlântico, na divisa de Alagoas e Sergipe. Às suas O rio São Francisco está no centro de uma polê-
margens, nos estados do Nordeste, projetos agrope- mica provocada por um projeto que se constitui, ba-
cuários vêm produzindo frutas por meio da prática sicamente, no uso das águas desse rio para a pereni-
da agricultura irrigada. zação de outros rios e açudes da região Nordeste, de
Zig Koch/Pulsar Imagens forma que estes tenham água durante
a seca. A discussão existe porque há
controvérsias sobre os impactos am-
bientais que o projeto pode provocar
e, acima de tudo, há divergências entre
os estados que seriam beneficiados
pelo projeto (Piauí, Rio Grande do
Norte, Paraíba, Ceará e Pernambuco)
e os que o consideram uma ameaça
para a própria existência do rio (Bahia,
Alagoas e Sergipe). Veja no mapa a
seguir.
Agricultura irrigada nas margens
do rio São Francisco, em Petrolina
(PE). Foto de 2014.
Projeto de transposição do rio São FranciscoRio S 35º O
Rio Jaguaribe
50º O Fortaleza
RR AP oRiuoAçP has
0º Allmaps/Arquivo da editora
AM PA MA CE RN Canal existente
MT TO
AC PI Francisco PB Mossoró
RO ão PE
AL Limoeiro
CEARÁ do Norte
BA SE
DF Jaguaribe Natal OCEANO
RIO GRANDE
iran u
GO DO NORTE
MS MG PIAUÍ Souza ATLÂNTICO
SP ES
Juazeiro PARAÍBA João
PR RJ do Norte Pessoa
SC Paulistana Eixo Norte Leste R.Paraíba PERNAMBUCO
RS Recife
Cabrobó Eixo Arcoverde N
São RaimundoRio
Nonato rigida
coRepresa de
B
Itaparica OL
Eixos Açudes Petrolina Barragem de ALAGOAS
Adutoras Paulo Afonso
Rios receptores Adutoras futuras Juazeiro
Obras em projeto
Fluxo de água Represa de Rio São Francis Maceió S
Sobradinho 10º S
Eixo para o semiárido
(em estudo) BAHIA SERGIPE 0 130 260 km
Aracaju
Adaptado de: MENEZES, Edith de Oliveira de; MORAIS, José Micaelson Lacerda. Seca no Nordeste. Desafios e soluções.
São Paulo: Atual, 2002. p. 42-43. (Espaço e debate); BRASIL. Ministério da Integração Nacional. São Francisco. Disponível em:
<http://www.mi.gov.br/saofrancisco/integracao/info_ampliado.asp>. Acesso em: 4 jan. 2013. Mapa sem data na fonte original.
A hidrografia do Brasil C A P Í T U L O 6 61
Geografia Regional Geografia,
História e Literatura
O rio São Francisco e Jorge Amado
O rio São Francisco é um dos mais importantes rios brasileiros e
teve papel fundamental na ocupação do nosso território, sobretudo rio SãFooFzrdanocisco Banco de imagens/
na expansão da criação do gado — fato que o fez ser chamado de Arquivo da editora
“rio dos currais”. O Velho Chico, um dos mais famosos apelidos
do São Francisco, é também considerado o rio da unidade
nacional, por integrar o Sertão ao litoral e pessoas de di- Havia qualquer coisa de inexplicável que
ferentes lugares e culturas ao longo do seu curso. os atraía à noite para a beira do rio. Viam as
luzes de Petrolina defronte, a sombra da
Economicamente, um dos principais pontos do catedral majestosa, único prédio grande e rico
São Francisco abriga uma importante região agrí- da cidade pernambucana. Ali havia um bispo,
cola, com produção irrigada pelas suas águas, na alguém explicara, e por isso a catedral era tão
região das cidades de Petrolina, no estado de bonita, vitrais vindos da França, fazendo inveja a
Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia. Juazeiro, maior, mais progressista e movimentada,
mas sem uma catedral sequer parecida. [...]
Além da função econômica, o rio São Mais que a igreja, porém, o rio os atraía. Era o
Francisco também inspirou inúmeras produ- São Francisco, ouviam falar dele em suas terras de
ções artísticas e culturais, como as obras do sol e seca. Nunca tinham visto tanta água e associavam
escritor Jorge Amado. a visão da água à ideia de fartura, imaginavam que
aquelas terras próximas seriam de uma fertilidade
Nascido na Bahia, Jorge Amado é reco- assombrosa. E se admiravam que os camponeses
nhecido internacionalmente (com obras
traduzidas para mais de cinquenta idio-
mas) e já vendeu mais de 20 milhões de
livros. Seu tema preferido é a zona ca- chegados da beira do rio fossem andrajosos e fracos, os
caueira baiana, na região dos municí- rostos amarelos de sezão, piolhentos e sujos. Com aquele
pios de Ilhéus e de Itabuna. Entre- farturão de água era de esperar que toda gente por ali
tanto, como grande autor regiona- estivesse nadando em dinheiro. Não tardaram, no entanto, em
lista, não poderia deixar de contem- descobrir que todas aquelas terras ubérrimas pertenciam a
plar, na sua vasta obra, o rio mais NSaãsoceFnrtaendcoiscrioo uns poucos donos e que aqueles homens magros e paludados
importante da região Nordeste. trabalhavam em terras dos outros, na enxada de sol a sol, nos
campos de Ouricuri, nos carnaubais e nas plantações de
O trecho a seguir foi retirado do
livro Seara vermelha, lançado em arroz e algodão, ganhando salários ainda inferiores àqueles
1946 e que descreve a luta dos ser- que pagavam pelo sertão.
tanejos nordestinos contra a fome.
AMADO, Jorge. Seara vermelha. São Paulo:
Companhia das Letras, 2009. p. 115.
Ricardo Azoury/Pulsar Imagens Seara: área de
Luiz Prado/Estadão Conteúdo/AE campo; terra
cultivada.
Foto da ponte Presidente Dutra, que faz a ligação entre Jorge Amado (1912-2001) em sua Andrajoso: que
Juazeiro, Bahia (primeiro plano), e Petrolina, Pernambuco (ao casa na cidade de Salvador (BA), está coberto de
fundo). Foto de 2015. em 1996. trapos.
Sezão: febre
acentuada e
cíclica; febre de
malária.
Ubérrimo:
extremamente
fértil, fecundo.
Paludado:
indivíduo
infectado pela
malária.
62 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Regiões hidrográficas atlânticas de água. Sua maior extensão encontra-se em territó-
rio brasileiro, nos estados de Rio Grande do Sul,
Compostas de cinco bacias hidrográficas, as cha- Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais,
madas bacias secundárias, agrupam rios do Nordeste Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Ocidental, do Nordeste Oriental, do Leste, do
Sudeste e do Sul. O aquífero contém cerca de 80% da água acumu-
lada na bacia sedimentar do Paraná. Seus terrenos
Bacia do Nordeste Ocidental: compreende gran- sedimentares, principalmente o arenito Botucatu,
de parte do estado do Maranhão e uma pequena têm alta porosidade e alta permeabilidade e fazem
parte do estado do Pará. Entre as principais bacias dele um excelente reservatório de água.
hidrográficas estão as dos rios Gurupi, Turiaçu,
Pericumã, Mearim e Itapecuru. O aquífero Alter do Chão ocupa o subsolo dos
estados do Pará, Amazonas e Amapá, armazenando
Bacia do Nordeste Oriental: abrange os estados cerca de 86 mil km3 de água.
do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas.
Entre suas principais bacias hidrográficas estão as Esse aquífero, localizado sob a Floresta Amazô-
dos rios Jaguaribe (CE), Capibaribe (PE), Piranhas- nica, encontra-se em terreno arenoso, o que facilita
-Açu (RN) e Paraíba (PB). a penetração das águas das chuvas no solo, fator
importante para seu abastecimento.
Bacia do Leste: engloba rios dos estados de
Sergipe, da Bahia, do nordeste de Minas Gerais e do Os dois aquíferos já apresentam sinais de polui-
norte do Espírito Santo. Entre eles destacam-se Vaza- ção, embora o Guarani esteja mais atingido, pois
-Barris e rio das Contas (BA), rio Jequitinhonha (MG atravessa a área mais habitada, urbanizada e indus-
e BA) e rio Itaúnas (ES). trializada do país. É afetado principalmente por me-
tais pesados da indústria, pesticidas da agricultura
Bacia do Sudeste: localiza-se nessa região o rio e lixo urbano. Em Manaus, o Alter do Chão, que
Paraíba do Sul (SP e RJ). Em seu vale está se for- abastece a cidade, sofre com a poluição provocada
mando a primeira megalópole brasileira. Encontra- pela construção de fossas inadequadas próximas a
-se também o rio Doce (MG e ES). Em seu vale de- poços artesianos.
senvolve-se expressiva atividade mineradora e in-
dustrial. Trata-se, portanto, de área densamente Aquíferos Alter do Chão e Guarani Banco de imagens/Arquivo da editora
povoada e industrializada, que demanda muitos
recursos hídricos para seu abastecimento. Em seu 50º O
litoral estão alguns dos principais portos do país,
como Santos, Rio de Janeiro, Vitória e Tubarão (ES). VENEZUELA
Bacia do Sul: fazem parte dessa bacia o rio Itajaí COLÔMBIA GUIANA
(SC) e os rios Taquari, Jacuí e Camaquã (RS). Equador Guiana Francesa
SURINAME (FRA)
RR
AP
0º
AM PA MA CE
RN
Águas subterrâneas AC RO
PERU PI PB
PE
TO AL
SE
BA
As águas subterrâneas, armaze- Aquífero: BOLÍVIA MT DF
nadas em formações denominadas formação GO
aquíferos, têm grande importância geológica capaz
MG
porque representam a maior parte de armazenar OCEANO PARAGUAI MS
da água doce utilizada, tanto para água em seus PACÍFICO SP ES OCEANO
a agricultura como para o consumo espaços vazios. ATLÂNTICO
Trópico de Capricórnio PR
RJ
urbano. CHILE SC N
RS OL
No Brasil, dois aquíferos, Guarani e Alter do ARGENTINA
Chão, armazenam mais de 120 mil km3 de água. URUGUAI S
0 570 1 140 km
O aquífero Guarani estende-se por Brasil, Ar- Aquífero Alter do Chão
Aquífero Guarani
gentina, Paraguai e Uruguai, e abrange uma área de
1,2 milhão de km2, em uma profundidade média Adaptado de: CALDINI, V.; ÍSOLA, L. Atlas geográfico Saraiva. 4. ed.
São Paulo: Saraiva, 2013. p. 37. Mapa sem data na fonte original.
de 250 metros, armazenando em torno de 45 mil km3
A hidrografia do Brasil C A P Í T U L O 6 63
Lagos Gestão dos recursos
hídricos no Brasil
Lagos não são comuns no Brasil. Nossos lagos
são, em sua maioria, de barragem, como as lagoas Em 1997, o Governo Federal instituiu a Política
costeiras e os lagos amazônicos. Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Os lagos de barragem são formados quando um Mais tarde, em 2000, foi criada a Agência Nacional
obstáculo natural represa águas dos rios ou do mar. de Águas (ANA) para implementar e coordenar a
No litoral, restingas podem fechar antigas baías e gestão compartilhada e integrada dos recursos hí-
enseadas, formando lagoas costeiras, como as do dricos e regular o acesso à água.
estado de Alagoas, que resultam de antigos estuá-
rios invadidos pelas águas do mar e fechados por Essa política considera que “a água é um bem de
restingas. Quando as lagoas costeiras têm comuni- domínio público e um recurso natural limitado, do-
cação direta com o mar, são denominadas lagunas tado de valor econômico”.
(lagoas de água salobra ou salgada), como a laguna
dos Patos, no Rio Grande do Sul. O objetivo das autoridades ao regulamentar o
uso da água é garantir que esse uso seja sustentá-
No Brasil, também há lagos artificiais. O mais co- vel, isto é, “assegurar à atual e às futuras gerações
nhecido deles é o de Paranoá, no Distrito Federal, a necessária disponibilidade da água, em padrões
construído para melhorar a umidade do ar em Brasília. de qualidade adequados aos respectivos usos”.
Refletindo sobre o conteúdo
1. Geografia e História Leia o texto e responda às 2. Geografia e História Leia o texto a seguir e res-
questões a seguir. ponda às questões.
Mato Grosso do Sul é o único dos estados do Brasil a Até meados do século XVII, os bandeirantes paulistas
se inserir entre dois dos três formadores da Bacia do Rio empreenderam muitos ataques aos aldeamentos fundados
da Prata-Rio Paraguai, a Oeste, e Rio Paraná, a Leste – e, pelos jesuítas espanhóis, espalhados ao longo dos rios
nesse sentido, considerado um território genuinamente Paraguai e Paraná, nos atuais estados do Paraná e Mato
platino. Metade de suas terras é banhada pelos afluentes Grosso do Sul. Destacaram-se nessas expedições os chefes
da margem esquerda que compõem a sub-bacia do Alto bandeirantes Raposo Tavares e Manoel Preto, responsáveis
Paraguai e a outra metade pelos afluentes da direita, que pelo apresamento e massacre de milhares de indígenas.
compõem a sub-bacia do Alto-Paraná.
COTRIM, Gilberto. História global: Brasil e geral.
Essa característica contribui para explicar a faci- São Paulo: Saraiva, 2010. p. 237.
lidade de contatos fluviais que esse território tem não
só com outros estados brasileiros (Mato Grosso, São a) O que buscavam os bandeirantes paulistas?
Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas
Gerais e Goiás) como com os países que participam da b) Como os chefes bandeirantes são descritos?
Bacia Platina (Bolívia, Argentina e Uruguai).
3. Leia o texto a seguir.
LE BOURLEGAT, Cleonice Alexandre. Mato Grosso do Sul:
um território platino de convergências e diversidade. In: É na bacia hidrográfica que, desde o início das socie-
dades, se desenvolve toda a atividade humana: a agricul-
Território e territorialidades em Mato Grosso do Sul. SILVA, Edima tura, a indústria, a dinâmica das cidades — tudo em torno
Aranha; ALMEIDA, Rosemeire Aparecida de. São Paulo: Outras da água. Água, gente e ambiente formam uma unidade
ecológica. É por isso que no planejamento e administração
Expressões, 2011. p. 20. das águas a referência é a bacia hidrográfica, independen-
te dos limites políticos dos municípios, estados ou países.
a) O que significa afirmar que Mato Grosso do Sul é
um território genuinamente platino? ROCHA, Gerôncio A. Um copo d’água. São Leopoldo:
Unisinos, 2003. p. 21-22. (Coleção Aldus, v. 6).
b) Quais massas de ar predominam em Mato Grosso
do Sul? a) Identifique três elementos naturais que formam
uma bacia hidrográfica.
c) Por que os aspectos físicos de Mato Grosso do Sul,
como relevo e hidrografia, podem facilitar suas re- b) Quais são as três maiores regiões hidrográficas
lações econômicas com outras regiões brasileiras? brasileiras? Em quais regiões estão situadas?
64 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Delfim Martins/Pulsar Imagens capítulo 7
Formações vegetais,
domínios morfoclimáticos
e biomas brasileiros
A cobertura vegetal de uma localidade, decorrente da combinação entre clima, relevo e altitude, é o principal elemento na
determinação de biomas e ecossistemas encontrados no planeta. Na imagem, palmeiras babaçu na Mata dos Cocais, em Nazária (PI),
em 2015. A Mata dos Cocais é uma das muitas formações vegetais que encontramos no Brasil. Localiza-se entre o bioma, ou domínio
morfoclimático, da Amazônia e o bioma, ou domínio morfoclimático, da Caatinga, sendo, por isso, denominada vegetação de transição.
Formações vegetais mapa na página a seguir e entenda como se distri-
buía a vegetação original brasileira antes da ocupa-
Como estudamos nos capítulos anteriores, o ção do seu território.
Brasil é um país extenso com grande diversidade
de tipos climáticos, que variam desde o equato- Atualmente, essa cobertura vegetal encontra-se
rial até o subtropical. Essa diversificação favore- bastante devastada, pois a ocupação do território e
ce a formação de diferentes tipos de cobertura o desenvolvimento das atividades econômicas con-
vegetal. tribuem para sua degradação.
No Brasil, a vegetação nativa abrange formações As paisagens vegetais encontradas no Brasil
florestais, formações arbustivas e herbáceas e for- podem ser classificadas segundo dois critérios di-
mações complexas e litorâneas. Veja o primeiro ferentes: dividindo-as em domínios morfoclimáti-
cos ou em biomas.
Formações vegetais, domínios morfoclimáticos e biomas brasileiros C A P Í T U L O 7 65
Allmaps/Arquivo da editoraDomínios Brasil: vegetação original
Allmaps/Arquivo da editoramorfoclimáticos
50¼ O
Na década de 1960, o geógrafo Aziz Nacib
Ab’Saber reuniu as principais características RR AP OCEANO
do relevo e do clima das regiões brasileiras ATLÂNTICO
para formar, com os demais elementos natu-
rais da paisagem, o que chamou de domínios Equador 0º
morfoclimáticos, que podemos ver no mapa
abaixo. AM PA CE RN
AC MA
Domínio Amazônico: caracterizado por
relevo de terras baixas, clima equatorial RO PI PB
(quente e úmido durante todo o ano), pela PE
bacia Amazônica e Floresta Amazônica. É Trópico de Capricórnio
típico da região Norte. TO AL
SE
Domínio do Cerrado: caracterizado por
planaltos sedimentares com chapadões, pela BA
vegetação de Cerrado e matas galerias, pelo
clima tropical continental (com duas esta- MT
ções bem marcadas: uma chuvosa, no verão, DF
e outra seca, no inverno). É característico da
região Centro-Oeste. GO MG
ES
Mata galeria: formação vegetal que acompanha as MS
margens de rios e córregos e cujas copas se encontram, SP RJ
formando galerias ou túneis sobre as águas. N
PR
SC O L
RS S
0 485 970 km
Formações florestais Formações arbustivas Formações complexas e litorâneas
Floresta Amazônica e herbáceas
Mata Atlântica Vegetação do Pantanal
Mata dos Cocais Cerrado (cerrados, campos inundáveis)
Mata dos Pinhais (araucária)
Caatinga Vegetação litorânea
(mangues, restingas, jundus)
Campos
Adaptado de: GIRARD, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante.
São Paulo: FTD, 2011. p. 26.
Brasil: domínios morfoclimáticos Domínio dos Mares de morros: embora se
50º O estenda do sul até o nordeste do país, sua área
Equador principal corresponde à região dos planaltos e
serras do Sudeste, onde o clima tropical favo-
0º receu a criação de áreas mamelonares, que são
formas de relevo com elevações arredondadas.
A Mata Atlântica que o recobria encontra-se
quase totalmente devastada.
Domínio da Caatinga: definido pelas de-
pressões delimitadas por planaltos ou chapa-
OCEANO das, pelo clima semiárido e pela vegetação da
ATLÂNTICO Caatinga. É típico do Sertão nordestino.
Domínio da Araucária: caracterizado pela
Trópico de Capricórnio Floresta de Araucária e pelos planaltos do sul
0 520 1 040 km
N do país, de clima subtropical.
OL
Domínio Amazônico Domínio das Pradarias: típico
S Domínio de Mares de morros do estado do Rio Grande do Sul,
Domínio do Cerrado caracterizado por vegetação ras-
Adaptado de: AB’SABER, Aziz Nacib. Os domínios da natureza Domínio da Caatinga teira, coxilhas e vegetação herbá-
no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Domínio da Araucária
Editorial, 2003.
Domínio das Pradarias cea. É também chamado pampa
Áreas de transição ou campanha gaúcha.
66 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Como são formados por fatores naturais e, por- Entre os biomas há áreas de transição que se-
tanto, não possuem fronteiras exatas, os domínios param um tipo de vegetação de outro. Nesses lo-
morfoclimáticos são separados por áreas de tran- cais, os elementos naturais de um bioma vão mu-
sição, com características comuns a dois ou mais dando gradativamente até apresentarem caracte-
domínios. rísticas de outro bioma. A mais marcante dessas
áreas é a Mata dos Cocais, que ocorre, principal-
Em um domínio, podemos reconhecer vários mente, no Maranhão e no Piauí e espalha-se por
ecossistemas e um bioma predominante. Por exem- partes dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte
plo, no domínio do Cerrado, há o predomínio do e Tocantins, e constitui uma vegetação secundária.
bioma terrestre savânico (cerrado), mas aparecem Na Mata dos Cocais destacam-se duas palmeiras
formações vegetais características de outros domí- muito importantes para a economia da região: o
nios, como da Caatinga e da Mata Atlântica. babaçu e a carnaúba.
Os biomas brasileiros As outras áreas de transição são: a floresta seca
de Mato Grosso (entre a Amazônia e o Cerrado) e a
Estudos detalhados do Instituto Brasileiro do floresta de folhas secas do Nordeste (entre o Cerrado
Meio Ambiente (Ibama), do Ministério do Meio e a Caatinga). Veja o mapa a seguir:
Ambiente (MMA), do Fundo Mundial para a
Natureza (WWF, na sigla em inglês) e do IBGE Os biomas brasileiros e as áreas de transição Allmaps/Arquivo da editora
mapearam os principais biomas brasileiros, dividi-
dos em ecorregi›es por causa da dimensão conti- 50º O
nental e da grande variação geomorfológica e cli-
mática do país. OCEANO
Segundo definição do IBGE, bioma é um conjun- ATLÂNTICO
to de vida constituído pelo agrupamento de tipos
de vegetação contínua e identificáveis em escala RR AP Equador
regional, com condições geoclimáticas similares e
história compartilhada; o que resulta em uma diver- 0º
sidade biológica própria.
AM PA MA CE
O conceito de bioma, portanto, relaciona-se a RN
uma paisagem maior, na qual estão presentes incon- AC
táveis ecossistemas, que na definição do IBGE são PB
sistemas integrados e autofuncionantes que consis- RO PI PE
tem em interações dos elementos bióticos (todos os
organismos vivos que fazem parte de um ecossiste- Amazônia AL
ma e suas relações) e abióticos (componentes não Caatinga TO SE
vivos que influenciam os organismos vivos encon- Campos sulinos
trados no ecossistema), e cujas dimensões podem Cerrado MT BA
variar consideravelmente. Mata Atlântica
Pantanal DF
Ao contrário dos biomas, os ecossistemas não Zona costeira GO
apresentam uma definição espacial bem delimitada. Transição
No Brasil, são identificados sete biomas: seis terres- Amazônia-Caatinga MG
tres e um envolvendo a região marítima (Zona Transição
Costeira ou Litorânea). Amazônia-Cerrado MS ES
Transição SP
Ecorregião: conjunto “de comunidades naturais, Cerrado-Caatinga RJ
geograficamente distintas, que compartilham a maioria das PR
suas espécies, dinâmicas e processos ecológicos, e condições Trópico de Capricórnio
ambientais similares, que são fatores críticos para a
manutenção de sua viabilidade a longo prazo” (Ibama). N
SC O L
RS
S
0 560 1 120 km
Adaptado de: WWF Biomas Brasileiros. Disponível em: <www.wwf.org.br/
natureza_brasileira/questoes_ambientais/biomas/>. Acesso em: 4 abr. 2016.
Bioma Amazônia
A Amazônia equivale a cerca de 35% das áreas
florestais do planeta. Além do Brasil, abrange terras
da Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suri-
name, Venezuela e do território da Guiana Francesa.
Esse bioma abrange a Amazônia Legal (criada
em 1966), que corresponde ao trecho brasileiro da
Amazônia, compreendendo terras dos estados do
Maranhão, Pará, Tocantins, Amapá, Amazonas, Acre,
Roraima, Rondônia e Mato Grosso.
Formações vegetais, domínios morfoclimáticos e biomas brasileiros C A P Í T U L O 7 67
A maior parte da Amazônia é composta de for- O clima predominante desse bioma é equatorial
mação florestal latifoliada, com as seguintes carac- úmido, fazendo dos ecossistemas amazônicos um
terísticas: perene, heterogênea, densa e higr—fila. dos locais mais chuvosos do planeta. Com o ambien-
te quente e úmido, a floresta e o grande número de
Em relação ao relevo e às margens dos rios, a rios são responsáveis pela formação da massa de ar
Floresta Amazônica apresenta três níveis de matas: Equatorial continental (mEc), que atua sobre o clima
de quase todo o país durante o verão.
■ Mata de igapó — permanentemente alagada,
junto aos rios, com árvores que chegam a atingir O bioma amazônico apresenta uma enorme bio-
20 metros de altura. diversidade e sustenta-se do próprio material, isto
é, os solos recebem grande quantidade de matéria
■ Mata de várzea — alagada durante as cheias, orgânica originária da floresta e, graças a fatores
cujas árvores características são a seringueira, a físicos (climáticos) e químicos, forma-se aí um ciclo
imbaúba e o cacaueiro. de nutrientes responsável pela sua exuberância.
■ Mata de terra firme — constitui a maior parte Latifoliada: um tipo de vegetação de folhas largas e
da floresta (75%) e não é alagada pelas águas. grandes, típica de regiões úmidas.
Suas árvores atingem entre 30 e 50 metros de Higr—filo: vegetal que se ambienta bem em locais úmidos.
altura, com destaque para a seringueira e a cas-
tanheira.
Fabio Colombini/Acervo do fot—grafoNíveis da Floresta Amazônica
Alex Argozino/Arquivo da editora
Mata de terra firme Mata de várzea Mata de Mata de Mata de várzea Mata de terra firme
igapó igapó
Adaptado de: IBGE.
Atlas geográfico escolar.
6. ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 101.
Mata de igapó no
Parque Ecológico
do Janauary, no
município de
Manaus (AM),
em 2014.
68 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Embora a composição da Floresta AmazônicaFabio Colombini/Acervo do fotógrafo aos climas tropical úmido, tropical de altitude e sub- Jami Tarris/Corbis/Fotoarena
seja predominantemente de vegetação latifoliada, Fabio Colombini/Acervo do fotógrafotropical úmido. A maior amplitude térmica desses
encontram-se também clareiras, locais com vegeta- climas favorece a presença de uma biodiversidade
ção rasteira, como os campos, em Roraima, no maior do que a da Floresta Amazônica. Na realidade,
Amapá e no Pará, na ilha de Marajó. a Mata Atlântica é o bioma com a maior biodiversi-
dade do país. Abrange terras das bacias dos rios
Área de campo no município de Pacaraima (RR), em 2014. Ao Paraíba do Sul, Doce, Jequitinhonha e São Francisco.
fundo, serra Pacaraima.
Em sua flora, destacam-se o jequitibá-rosa, o ce-
Mata Atlântica dro, os ipês, o pau-brasil, os angicos, entre muitas
outras espécies.
Apresenta-se como formação vegetal latifoliada,
perene, heterogênea, densa e higrófila. A Mata Atlân- Em sua área de ocorrência, encontram-se cerca
tica não é uma floresta uniforme; nela, podemos dis- de 70% da população brasileira e, consequentemen-
tinguir as florestas pluviais montanas ou úmidas de te, os maiores polos industriais do Brasil, construí-
encosta (800 metros a 1 700 metros) e a floresta plu- dos à custa da derrubada da floresta.
vial baixo-montana (do nível do mar até 800 metros).
Na fauna da Mata Atlântica destacam-se gambás,
Diferencia-se da Floresta Amazônica por locali- preguiças, antas, veados, cotias, quatis, entre outros.
zar-se em regiões de maiores altitudes. Corresponde Algumas dessas espécies estão ameaçadas de ex-
tinção, como o mico-leão-dourado, a onça-pintada,
a lontra, a arara-azul-pequena e o tatu-canastra.
A biodiversidade ameaçada
requer uma conscientiza-
ção cada vez maior
para a conservação
do que ainda resta
da Mata Atlântica.
Mico-leão-dourado
na porção fluminense
da Mata Atlântica.
Foto de 2014.
Mata Atlântica em
Tapiraí (SP), em 2015.
69
Mata de Araucária: uma ecorregião Caatinga
do bioma Mata Atlântica
Típica da região do Polígono das Secas (sertão
Também chamada de Mata dos Pinhais, a flores- nordestino e norte de Minas Gerais), a Caatinga é
ta aciculifoliada (com folhas em forma de agulhas) um bioma de clima semiárido, solo pouco profundo
faz parte do bioma Mata Atlântica. Originalmente, e pedregoso, com chuvas escassas e mal distribuídas.
ocupava as regiões mais altas da região Sul, princi-
palmente no estado do Paraná. Do tupi “mata branca” (kaa = mata e tinga = bran-
ca), esse bioma enquadra-se nas formações arbusti-
Compreende uma formação vegetal aberta e es- vas, com árvores pequenas e arbustos espaçados,
paçada, com poucas espécies e predomínio de pi- onde é comum a presença de cactáceas.
nheiros que aparecem associados à erva-mate, ao
cedro e à imbuia. Essa floresta apresenta o clima Devido à escassez de água, a Caatinga apresenta
subtropical, pequena diversidade vegetal e fauna espécies xerófitas, isto é, adaptadas à seca: elas per-
composta de roedores, insetos e aves. dem as folhas para diminuir a transpiração. Suas
raízes são profundas e ramificadas e alcançam o len-
Do ponto de vista geomorfológico, ocupa terre- çol freático, que fica mais profundo na época da seca.
nos dos planaltos e chapadas da bacia do Paraná,
por onde correm afluentes desse rio. Muitos rios desse bioma são temporários (desa-
parecem na estação da seca). O relevo é formado por
planaltos e depressões. Em sua fauna, destacam-se o
calango, a cascavel e o preá. O mandacaru, o juazeiro
e o xiquexique são as principais espécies da flora.
Em áreas próximas das serras, onde ocorrem
chuvas de relevo (orográficas), existem verdadeiros
“oásis de fertilidade”, chamados brejos pé-de-serra,
onde são produzidos alimentos e frutas. Existem
também os chamados brejos de altitude nos topos
das serras; e os chamados brejos de exposição nas
encostas expostas ao vento.
Cadu Rolim/Fotoarena
Cândido Neto/Opção Brasil Imagens
Calcula-se que apenas 2% da Mata dos Pinhais estejam A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e
preservados. A retirada da madeira e a agropecuária são os ocupava, originalmente, uma área em torno de 845 mil km2.
principais fatores de sua devastação acentuada. Na imagem, Estima-se que tenha 932 espécies de plantas, 380 das quais
Mata de Araucária em Curitiba (PR), em 2015. exclusivas desse bioma. Na imagem, vegetação seca de
caatinga, em Oeiras (PI), em 2015.
70 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Cerrado Rogério Reis/Pulsar Imagens
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, Adaptado de: ROSS, Jurandyr L. S. (Org.). Geografia
do Brasil. São Paulo: Edusp, 2011. p. 180.
menor apenas que o amazônico. Originalmente, ocu-
pava cerca de 25% do Brasil, distribuído entre as
regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste.
A vegetação desse bioma associa-se ao clima tro-
pical típico, com uma estação chuvosa e outra seca
e caracteriza-se pela reunião de espécies vegetais
diferentes: pequenas árvores de raízes profundas,
galhos retorcidos e de casca Estrato: nível de Vegetação de cerrado no Parque Nacional da Serra dos
grossa (para evitar a perda de vegetação; camada Pireneus, em Pirenópolis (GO), em 2015.
água) e arbustos em seu estrato horizontal de
Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, e para o de
superior (arbóreo); e vegetação vegetação disposta café em Minas Gerais. Possui fauna e flora ricas.
gramínea rala e rasteira, em seu em alturas Ocupa uma área drenada pelas bacias do Paraná, do
estrato inferior (herbáceo). próximas. Paraguai, do São Francisco e do Tocantins.
O Cerrado corresponde à vegetação das savanas. A chapada dos Veadeiros e o Parque Nacional
das Emas, no bioma do Cerrado, foram declarados
Estende-se por variadas formas de relevo, que vão Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco.
de depressões e chapadas sedimentares a planaltos.
Seu solo ácido necessita de correção para o uso agrí-
cola. É muito aproveitado para o cultivo da soja no
Estratos do Cerrado
m Campo sujo Campo cerrado Cerrado Cerradão
15
Campo limpo
10
5
Formação de campo Cerrado Formação florestal
Devido à extensão de sua área de ocorrência, existe uma grande variedade de cerrados, como os que aparecem em zonas de
transição para o bioma amazônico e em zonas de transição para a Caatinga. Em regiões mais úmidas, o cerrado torna-se mais
denso e apresenta árvores maiores, recebendo o nome de cerradão.
Pantanal ser cercada por montanhas, aliado às baixas altitu-
des, dificulta o escoamento das chuvas, formando
O bioma do Pantanal apresenta espécies de ou- uma enorme área alagada. A época da vazante co-
tros biomas: Caatinga, Campos sulinos, Mata meça em maio e, ao escoar a água, deixa uma ca-
Atlântica e Cerrado. Ocupa terras do Paraguai, da mada de húmus no solo, que em geral é pobre e tem
Bolívia e do Brasil (150 mil km2, no Mato Grosso e excesso de sal.
no Mato Grosso do Sul), constituindo a maior área
úmida continental do mundo, com altitudes entre Na vegetação podem ser reconhecidos três ní-
100 e 200 metros, banhada pelo rio Paraguai e seus veis: as regiões mais baixas, predominantemente
afluentes. alagadas, recobertas com gramíneas; as áreas alaga-
das nas cheias, com árvores (como angico e ipê),
A alternância das estações chuvosa e seca de- arbustos e plantas rasteiras; e as áreas mais altas,
termina o ritmo da vida no Pantanal: durante a épo- que apresentam uma flora variada, com plantas
ca das chuvas, de novembro a abril, as águas cobrem aquáticas, palmeiras, mandacarus e outras espécies.
cerca de dois terços da região, pois o fato de esta
Formações vegetais, domínios morfoclimáticos e biomas brasileiros C A P Í T U L O 7 71
Geografia Regional
Geografia do Pantanal Mata Atlântica. O Pantanal é considerado uma região de
transição entre esses biomas, misturando características
Como vimos anteriormente, o Pantanal é a maior pla- de todos eles.
nície inundável do mundo e abrange terras do Paraguai,
da Bolívia e do Brasil; sendo que aproximadamente 70% Pantanal: geografia e clima
se encontram em território brasileiro.
Área total no Brasil 150 355 km2
Apesar de ser o menor bioma brasileiro, ocupando
cerca de 1,6% do território nacional, o Pantanal abriga uma Unidades da federação MS, MT
das maiores biodiversidades da fauna e da flora do plane-
ta. Por isso, foi declarado Reserva Mundial da Biosfera e Clima predominante Tropical
Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco.
Temperatura média 21 °C a 27 °C
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, já
foram catalogadas no Pantanal 263 espécies de peixes, Precipitação média 1 200 mm a 1 400 mm anuais
41 espécies de anfíbios, 113 espécies de répteis, 463 es-
pécies de aves e 132 espécies de mamíferos; além de Precipitação máxima 2 000 mm anuais
aproximadamente 2 mil espécies vegetais, muitas delas
com propriedades medicinais. Fonte: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA).
Disponível em: <www.mma.gov.br/biomas/pantanal>;
A grande diversidade de animais e vegetais ocorre, IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/presidencia/
principalmente, pela influência que o Pantanal recebe de
outros três importantes biomas: Amazônia, Cerrado e noticias/21052004biomashtml.shtm>.
Acesso em: 28 mar. 2016.
Mario Friedlander/Pulsar Imagens
Área alagada no Pantanal, no município de Corumbá (MS), em 2014.
72 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
A manutenção dessa rica biodiversi- Pantanal: relevo e hidrografia Banco de Imagens/Arquivo da editora
dade depende muito do regime de suas
águas: todo ano, o ciclo de inundações 55º O
se repete, renovando a fauna e a flora do Chapa
Pantanal. O nível das águas sobe a partir da dos P a r ecis Chapada
de novembro, quando aumentam as chu- Rio Paraguai dos Veadeiros
vas nas cabeceiras dos rios que cortam Serra Doura
o Pantanal. Após esse período, as águas da
baixam lentamente, formando diversos nta Ri
corixos que retêm grandes quantidades SerBraárdbeaSraa bá
de peixes em lagoas e baías. Essa abun- Serr us
dância permite que diversas aves e ou- a Azul Serra da Estrela PirinCehapada
PLANÍCIE o Cuia Serra do Caia Serra dos da Contagem
Rio Itiquira
s as
pó SeDrirvaisdõe
tros animais se alimentem, mantendo a N RioTaquariDO PANTANAL
cadeia alimentar em harmonia. OL
SerrRaiodNoegro de Maracaju Altitudes
A região pantaneira é uma imensa UrSucum
planície, o que faz esse terreno apresen- a Amambaí 1 200 metros
tar declividades suaves e as águas dos S Serra Rio Paraguai ReiorMrairanddaa Bodoquena 800
rios escoarem lentamente sobre o terre- 500
no. Como resultado dessa baixa veloci- Rio Apa Serr 200
dade dos rios, as águas se acumulam em 100
muitas localidades, encharcando lenta- 0 140 280 km 0
mente as camadas do solo e formando
Área sujeita a
inundação
imensas áreas alagadas. Trópico de Capricórnio
O mosaico paisagístico apresen-
tado no Pantanal também desperta Adaptado de: SIMIELLI, M. E. R. Geoatlas. 34. ed. São Paulo: Ática, 2013. p. 156.
variadas formas de relação do ser hu-
mano com a natureza. A economia desenvolvida no Atualmente, o bioma do Pantanal conserva 83% da
Pantanal, por exemplo, conta com atividades pecuária, sua cobertura vegetal original e convive com ameaças à
pesqueira, turística e de extração (o garimpo). Todas elas sua estabilidade ecológica e conservação, como o des-
representam ameaças ao equilíbrio ambiental do bioma, matamento ilegal para a prática da carvoaria, a criação
sobretudo quando as atividades humanas se sobrepõem extensiva de gado, o plantio de soja, a abertura de rodo-
aos limites da natureza. vias, além da polêmica obra da hidrovia Paraguai-Paraná.
Corixo: pequeno Marcos Amend/Pulsar Imagens
canal intermitente
que se forma
interligando as águas
de baías, lagoas,
alagados, etc. com
rios perenes.
O turismo sustentável é
um grande desafio para
a manutenção do bioma
pantaneiro. Na imagem,
turistas em barcos no
rio Piquiri, em Poconé
(MT), em 2015.
Formações vegetais, domínios morfoclimáticos e biomas brasileiros C A P Í T U L O 7 73
Campos sulinos Biomas da zona costeira
São formações vegetais nas quais predomina a Os principais biomas do litoral estão ligados à
vegetação herbácea, comum em áreas planas de cli-
ma subtropical. No sul do país, a vegetação é cons- existência de solos arenosos e salinos, apresentando-
tituída por campos limpos ou estepes úmidas. De
modo geral, esse tipo de campo não apresenta árvo- -se bastante danificados pela ação humana. São eles:
res, apenas arbustos espalhados e dispersos. Porém,
nas regiões de encostas, o aumento das chuvas, bem a vegetação de mangue e a vege-
distribuídas o ano todo, favorece o aparecimento de
árvores. A área de ocorrência por excelência desses tação de praias, restingas e dunas. Restinga:
campos é chamada de pampa e estende-se do Rio Em virtude da grande extensão cordão arenoso,
Grande do Sul até a Argentina e o Uruguai. Os formado pelo
Campos sulinos estão diretamente ligados à agro- de nosso litoral, os ecossistemas acúmulo de
pecuária (cultivo de cereais e criação de gado).
que se repetem ao longo da costa areia de origem
Rebanho bovino pastando em planície do pampa gaúcho, no apresentam espécies diferentes marinha e que
município de Santa Maria (RS), em 2015. por causa da diversidade de carac- se desenvolve
paralelamente à
No estado do Rio Grande do Sul, aparecem tam-
bém os banhados, ecossistemas alagados, com uma terísticas climáticas e geológicas linha da costa.
vegetação que favorece a existência de muitas es-
pécies animais, como capivaras, marrecos, garças, existentes.
veados, lontras, etc.
Podemos dividir esquematicamente o litoral e
Os banhados são o ecossistema mais frágil des-
se estado e têm sido progressivamente destruídos seus principais tipos de vegetação em:
por atividades agrícolas, principalmente pela expan-
são do cultivo de arroz nas regiões de várzea. Desta- Gerson Gerloff/Pulsar Imagens ■ Litoral amazônico: estende-se da foz do rio
cam-se o banhado do Taim e o banhado Grande de Oiapoque ao rio Parnaíba e caracteriza-se por
Gravataí. manguezais e matas de várzeas de maré.
■ Litoral nordestino: começa no delta do Parnaí-
ba e vai até o Recôncavo Baiano. Nesse trecho,
encontram-se mangues, recifes, dunas, restin-
gas e matas.
■ Litoral do Sudeste: vai do Recôncavo Baiano até
São Paulo. Área muito povoada, onde a serra do
Mar chega bem perto do oceano. O ecossistema
mais importante é o das matas de restinga, além
de mangues.
■ Litoral Sul: estende-se do Paraná até o arroio
Chuí, no Rio Grande do Sul. Esse trecho é mar-
cado pela presença de banhados no litoral gaú-
cho. No Paraná e em Santa Catarina, ainda são
encontrados mangues.
A vegetação de mangue, ou manguezaisLauro Alves/Agência RBS
Os manguezais são típicos de regiões tropicais.
No Brasil, abrangem trechos que se estendem desde
Santa Catarina até o Amapá.
Esse tipo de formação apresenta características
peculiares: se, por um lado, não pos-
suem grande variedade de vegetais,
por outro são considerados viveiros
de animais, graças à grande quanti-
dade de matéria orgânica neles exis-
tente. Aí vivem peixes, crustáceos,
aves e invertebrados. Como estão
Capivaras na Estação Ecológica
do Taim, no sul do estado do Rio
Grande do Sul, em 2015.
74
localizados no ponto de encontro das águas dos rios G. Evangelista/Op•‹o Brasil Imagens
com o mar, possuem solos salinos e vegetais haló-
filos e higrófilos. Na maioria dos
mangues, as raízes dos vegetais Hal—filo: vegetal
ficam descobertas, retirando o que vive em
oxigênio do ar atmosférico. Essas ambientes onde
existem grandes
raízes aéreas são denominadas concentrações
pneumat—foros. de sais.
O manguezal é uma das vegetações
litorâneas mais devastadas e ameaçadas pela
intensa urbanização e industrialização.
Manguezal em Porto Seguro (BA), em 2014.
Ampliando o conhecimento
A tropicalidade da costa brasileira Tratamse de estreitas e delicadas faixas de contato
entre o mar e a terra, expostas à movimentação quase
A faixa costeira do Brasil atlântico exibe um vasto permanente dos ares costeiros, amenizadores do calor
painel de tropicalidade marcada pela ocorrência exclu tropical. A tudo isso se acrescenta uma ecodinâmica
siva de praias arenosas, com cerca de 6 000 quilômetros, particularmente rica, que desdobra o número de ecossis
sendo a maior parte integrada aos ambientes quentes e temas presentes na costa. Matinhas que construíram o
úmidos que dominam o território. próprio suporte ecológico sobre as areias brancas de
restingas e dunas, jundus, palmares, eventuais caatingas
Fogem apenas dessa regra a semiaridez que chega e diferentes tipos de coberturas de dunas e restingas.
ao mar no Rio Grande do Norte e Ceará e, ao sul o litoral Rasas planícies de lodo que marginam setores internos
gaúcho e parte do catarinense, onde a média das tempe de estuários ou bordas sincopadas de lagunas, onde a
raturas anuais determina climas subtropicais de transição invasão diária da maré projeta a salinidade mínima para
para ambientes temperados, açoitados no inverno pela o suporte hidroecológico dos manguezais.
incursão da massa Polar atlântica, por meio do tradicional
vento minuano. AB’SABER, Aziz Nacib. Litoral do Brasil.
São Paulo: Metalivros, 2008. p. 1; 21; 24. (Adaptado.)
No vasto cinturão intertropical do planeta, o Brasil é,
portanto, o país que possui a mais longa e típica faixa Jundu: vegetação rasteira e de arbustos de pequeno porte
tropicalizada do mundo. que compõe a restinga; alcança até dois metros.
[...]
Vegetação de praias, restingas e dunas são habitantes comuns desses locais aranhas, la-
gartos e rãs. Na flora destacam-se o capim-da-praia,
Nas dunas, praias e restingas desenvolve-se o capim-da-areia e a salsa-da-praia.
uma vegetação herbácea e arbustiva em solo sal-
gado e arenoso. As restingas são cordões arenosos Mauro Akin Nassor/Fotoarena
originados por correntes do mar paralelas à costa
e de formação recente. Podem ter formas variadas,
como barras e planícies. As dunas são montes de
areia formados nas praias pelo vento. Nesses am-
bientes, a escassez de água e de nutrientes torna
difícil a adaptação de plantas e animais. Por isso,
Esses ecossistemas têm sido alvo de destruição, principalmente 75
devido à expansão urbana e ao turismo desordenado. A lagoa
do Abaeté, em Salvador (BA), é um exemplo de degradação do
meio ambiente pelas construções. Foto de 2014.
Formações vegetais, domínios morfoclimáticos e biomas brasileiros C A P Í T U L O 7
Refletindo sobre o conteúdo
1. Geografia e Biologia Com suas palavras, explique mente aparente homogeneidade biótica, que exige tra
a diferença entre biomas e ecossistemas. tamento ecológico mais atento [...]
2. Caracterize os manguezais e justifique sua importância. AB’SABER, Aziz Nacib. Escritos ecológicos. São Paulo:
3. Analise as fotografias abaixo e responda às questões. Lazuli, 2006. p. 73. (Coleção Ideias).
Rogério Reis/Pulsar Imagens 1 a) Identifique os “dois imensos domínios florestais
brasileiros” e dê duas características de cada um.
2
b) Relacione os climas predominantes de cada um
desses domínios.
c) Esses domínios abrangem áreas de que regiões
geográficas brasileiras?
d) Você vive em algum desses domínios? Aponte os
elementos utilizados para a resposta.
5. Observe o mapa abaixo, elaborado com dados ex-
traídos de relatório do Painel Brasileiro de Mudanças
Climáticas (PBMC), que diz que a mudança do clima
pode afetar alimento e energia no país. Depois,
responda.
Previsão das mudanças climáticas em alguns
biomas brasileiros até 2100
Rubens Chaves/Pulsar Imagens Amazônia RR 50º O Caatinga Mata Atlântica Banco de Imagens/Arquivo da editora
1 ºC a 6 ºC AP 0,5 ºC a 4,5 ºC (Porção Nordeste)
10% a 45%
10% a 50% 0,5 ºC a 4 ºC
0º
10% a 35%
Equador
AM PA MA
CE
RN
AC PI PB
RO PE
AL
SE
TO BA
Amazônia MT DF OCEANO
MS GO ATLÂNTICO
Caatinga
MG Cerrado
Campos sulinos ES 1 ºC a 5,5 ºC
Cerrado 10% a 45%
Mata Atlântica SP RJ Trópico de Capricórnio
Pantanal Pantanal PR Mata Atlântica N
1 ºC a 4,5 ºC SC (Porção Sul/Sudeste)
Zona costeira 5% a 45%
Transição RS 0,5 ºC a 3 ºC
Amazônia-Caatinga
Transição 5% a 30%
Amazônia-Cerrado
Transição Pampa
Cerrado-Caatinga 1 ºC a 3 ºC
a) Identifique os biomas representados acima. Aumento Temperatura 5% a 40% 0 630 km
Redução Chuva
b) Eles estão em quais regiões geográficas brasileiras?
Adaptado de: WWF. Biomas brasileiros. Disponível em:
c) Apresente duas características distintas entre <www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/biomas>; G1.
esses biomas.
Natureza. Disponível em: <http://g1.globo.com/natureza/
4. Leia o texto a seguir. Depois, faça o que se pede: noticia/2013/09/relatorio-diz-que-mudanca-do-clima-pode-afetar-
O arranjo espacial das áreas nucleares dos domínios
alimento-e-energia-no-pais.html>. Acesso em: 4 abr. 2016.
de natureza inter e subtropical brasileiros tem uma re
levância especial para o reconhecimento da continui a) Qual bioma apresentará maior elevação de tem-
dade ou uniformidade relativa dos ecossistemas regio peraturas caso se confirme as previsões do rela-
nais. Os dois imensos domínios florestais do país tório mencionado?
(macrobiomas continentais) apresentam fisionomica
b) Qual bioma apresentará maior diminuição de
chuvas?
c) Elabore uma conclusão sobre o mapa anterior.
76 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
capítulo 8
Política ambiental no Brasil e
degradação dos biomas
Ricardo Oliveira/Tyba
Os danos ao meio ambiente no território brasileiro estão cada vez mais preocupantes, sobretudo se considerarmos que o Brasil
abriga ecossistemas de clima tropical, dotados da maior biodiversidade do mundo. Na imagem, árvores cortadas na Floresta
Amazônica em Manaus (AM), em 2014.
Histórico da política Assim, em 1934, foi instituído o “Código das
ambiental no Brasil Águas”, instrumento pioneiro e inovador para a
gestão das águas no território brasileiro. Nesse
Podemos considerar que, apesar de ainda não se mesmo ano, também foi redigido o primeiro
falar em desenvolvimento sustentável em 1930, já Código Florestal, que procurou definir as diretri-
havia no Brasil uma incipiente preocupação com o zes para a proteção dos ecossistemas florestais e
meio ambiente. Nessa década, iniciou-se o processo para a regulação da exploração dos recursos ma-
de industrialização e de construção de uma infra- deireiros. Em consequência, foram criados os pri-
estrutura para sustentar o desenvolvimento dessas meiros parques nacionais no país: o Parque
novas atividades. Com isso, cientistas e outros inte- Nacional de Itatiaia, em 1937 (RJ), e os Parques
lectuais passaram a se preocupar com os danos que Nacionais de Iguaçu (PR) e da Serra dos Órgãos
pudessem causar ao meio ambiente. (RJ), em 1939.
Política ambiental no Brasil e degradação dos biomas C A P Í T U L O 8 77
Na década de 1960, um novo Código Florestal próprias políticas ambientais. Em 1989, com a fusão
foi redigido e também foi criado o Instituto Brasileiro de diversos institutos e secretarias, dentre eles o IBDF
de Desenvolvimento Florestal (IBDF), que tinha e a Sema, é criado o Instituto Brasileiro do Meio Am-
como missão formular a política florestal no país e biente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),
adotar as medidas necessárias à utilização racional, uma autarquia ligada ao Ministério do Meio Am-
à proteção e à conservação dos recursos naturais biente, responsável por formular, coordenar e execu-
renováveis. tar a Política Nacional de Meio Ambiente e conceder
licenças ambientais para obras de grande impacto.
Em 1972, foi realizada a Conferência de Estocolmo,
Suécia, buscando criar uma política de proteção ao O Instituto Chico Mendes da Conservação da
meio ambiente, tão afetado pelo desenvolvimento Biodiversidade (ICMBio), outra autarquia ligada ao
econômico. Ainda na década de 1970, foi inaugurada Ministério do Meio Ambiente, foi criado em 2007
a Secretaria Especial de Meio Ambiente (Sema). e teve sua estrutura regulamentada em 2011. A sua
criação está ligada a uma reestruturação do Ibama,
Na década de 1980, foi estabelecida a Política pois o novo instituto assumiu a gestão das Unidades
Nacional de Meio Ambiente (PNMA) que, por meio de Conservação, através da execução do Sistema
do Zoneamento Ecológico Ambiental (ZEA), realiza Nacional de Unidades de Conservação.
diagnósticos de usos do território, visando garantir
o desenvolvimento sustentável no local. São avalia- Eco-92
das as potencialidades econômicas, o nível de vida
da população e as fragilidades do meio ambiente. A discussão sobre um desenvolvimento social e
economicamente sustentável ganhou força em nível
Ainda nos anos 1980, o conceito de desenvol- mundial na década de 1990. No Brasil, em 1992, foi
vimento sustentável, definido pelo Relatório criado o Ministério do Meio Ambiente e foi realiza-
Brundtland, escrito pela ONU em 1983, passou a da a II Conferência das Nações Unidas sobre o Meio
fazer parte da preocupação de governantes e da so- Ambiente e Desenvolvimento: a Eco-92, ou Rio-92,
ciedade civil. O desenvolvimento sustentável, por- no Rio de Janeiro.
tanto, foi conceituado como sendo “o desenvolvi-
mento que encontra as necessidades atuais sem Essa Conferência reuniu 179 chefes de Estado e
comprometer a habilidade das futuras gerações de de governo, além de milhares de membros de diver-
atender às próprias necessidades”. A preservação e sas Organizações Não Governamentais (ONGs)
a conservação do meio ambiente passa a ser um numa conferência paralela.
dever do poder público e um direito da sociedade,
que tem a obrigação de protegê-lo. O principal documento da Eco-92 foi a Carta da
Terra ou Declaração do Rio (Agenda 21 Global),
Com a Constituição de 1988, estados e municí-
pios passam a ter competência para formularem as
Fabio Colombini/Acervo do fot—grafo
Mata Atlântica
preservada no
Parque Nacional
de Itatiaia, no
estado do Rio de
Janeiro, em
2015.
78 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
que previu um desenvolvimento sustentável para o Ainda na década de 1990, foi aprovada no Brasil
século XXI. Aos países ricos foi atribuída maior res- a Lei de Crimes Ambientais ou Lei da Natureza
ponsabilidade pela conservação do meio ambiente (1998), que criou um instrumento de punição aos
e foram estabelecidas metas para a preservação da agressores do meio ambiente.
biodiversidade e para a diminuição da emissão de No início dos anos 2000, foi lançada a versão
gases poluentes na atmosfera. brasileira da Agenda 21, que traz os resultados das
A Conferência também divulgou as convenções primeiras discussões realizadas pela Comissão de
para tratar de problemas que devem receber a aten- Políticas de Desenvolvimento Sustentável sobre a
ção de toda a comunidade internacional: Convenção aplicação do conceito de sustentabilidade ao desen-
da Biodiversidade, Convenção da Desertificação e volvimento econômico e social no Brasil.
Convenção das Mudanças Climáticas. A Agenda 21 brasileira segue a Agenda 21 Global
Com o objetivo de cumprir as obrigações assu- e tem seis eixos temáticos principais: Gestão dos
midas na Conferência, o governo brasileiro criou, Recursos Naturais, Agricultura Sustentável e Cida-
em 1994, o Programa Nacional da Diversidade des Sustentáveis, Infraestrutura e Integração Regio-
Biológica (Pronabio), que é administrado por uma nal, Redução das Desigualdades Sociais, Ciência e
comissão coordenadora (Conabio), para tratar da Tecnologia para o Desenvolvimento Sustentável.
Convenção da Biodiversidade.
Quanto à Convenção das Mudanças Climáticas,
no ano de 2009 foi instituída a Política Nacional Rio+20
sobre a Mudança do Clima (PNMC), que oficializa
o compromisso voluntário do Brasil junto à Conven- Vinte anos após a realização da Rio-92, em junho
ção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima de de 2012, foi realizada no Rio de Janeiro, com a par-
redução de emissões de gases de efeito estufa entre ticipação de chefes de Estado e de governo, bem
36,1% e 38,9% das emissões projetadas até 2020. como de vários setores da sociedade civil. A Rio+20
O Brasil e mais 192 países são signatários da deveria avaliar o que foi conseguido em termos de
Convenção das Nações Unidas para o Combate à política ambiental desde a Rio-92 e propor novas
Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas medidas para seguir buscando o desenvolvimento
— UNCCD (sigla em inglês). No Brasil, o processo sustentável. Porém, o documento final da reunião
de desertificação acontece principalmente na foi bastante criticado por cientistas e representantes
Caatinga e no Cerrado, em consequência da prática de Organizações Não Governamentais, pelo fato de
inadequada da pecuária, da agricultura e do desma- não propor medidas concretas nem o compromisso
tamento, provocando processos erosivos e esgotan- de governantes com a sustentabilidade. Leia o texto
do os solos. do boxe na página a seguir.
A Rio-92 foi muito importante para
a política ambiental, pois chamou a Luciana Whitaker/Folhapress
atenção das empresas para a necessi-
dade de investimentos em tecnologia
para a preservação do meio ambiente.
Criou também novas políticas susten-
tadas por doações internacionais,
como o Programa Piloto para a
Proteção das Florestas Tropicais do
Brasil (PPG-7). No entanto, não conse-
guiu estabelecer mecanismos para
aplicar suas resoluções em nível glo-
bal, encontrando resistência de países
que dão preferência aos interesses
nacionais, como foi o caso do Protocolo
de Kyoto, não ratificado por alguns paí- Plenário da II Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e
ses, como os Estados Unidos. Desenvolvimento, Eco-92, Rio de Janeiro, 1992.
Política ambiental no Brasil e degradação dos biomas C A P Í T U L O 8 79
Contexto e aplicação Não escreva
no livro
Rio+20 aprova texto sem definir Reprodução/www.rio20.gov.br
objetivos de sustentabilidade
Símbolo da conferência Rio+20, realizada no Rio de
Os 188 países participantes da Conferência da ONU Janeiro (RJ), em 2012.
sobre Desenvolvimento Sustentável adotaram oficial
mente o documento intitulado “O futuro que queremos”. Está muito aquém, ainda, da importância e da urgência
dos temas abordados, pois simplesmente lançar uma
[...] frágil e genérica agenda de futuras negociações não
Uma das expectativas era de que a reunião conse assegura resultados concretos”, afirma o documento,
guisse determinar metas de desenvolvimento sustentável assinado por mais de mil ambientalistas e representantes
em diferentes áreas, mas isso não foi atingido. O docu de Organizações Não Governamentais.
mento apenas cita que eles devem ser criados para
adoção a partir de 2015. [...] O documento termina dizendo que a sociedade
O texto estabelece a erradicação da pobreza como civil não ratifica o texto da Rio+20. “Por tudo isso,
o maior desafio global do planeta e recomenda que “o registramos nossa profunda decepção com os chefes de
Sistema da ONU, em cooperação com doadores rele Estado, pois foi sob suas ordens e orientações que traba
vantes e organizações internacionais”, facilite a transfe lharam os negociadores, e esclarecemos que a sociedade
rência de tecnologia para os países em desenvolvimento. civil não compactua nem subscreve esse documento”,
[...] conclui a carta.
Por atender restrições de países com visões muito
diferentes, o texto da Rio+20 tem sido criticado por BARBOSA, Dennis; CARVALHO, Eduardo. Rio+20 aprova
avançar pouco: não especifica quais são os objetivos de texto sem definir objetivos de sustentabilidade. Disponível em:
desenvolvimento sustentável que o mundo deve perse
guir, nem quanto deve ser investido para alcançálos, e <http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/
muito menos quem coloca a mão no bolso para financiar rio20-termina-sem-definir-objetivos-de-desenvolvimento-
ações de sustentabilidade. O que o documento propõe
são planos para que esses objetivos sejam definidos num sustentavel.html>. Acesso em: 13 jan. 2013. (Adaptado.)
futuro próximo.
O texto da Rio+20 recebeu críticas das próprias 1. Por que integrantes da sociedade civil classifi-
delegações que participaram da conferência e de Organi caram o texto final da Rio+20 como “fraco”?
zações Não Governamentais. [...] Por sua vez, antes
mesmo da ratificação pelos chefes de Estado, integrantes 2. A transferência de tecnologia para países em de-
da sociedade civil assinaram uma carta endereçada aos senvolvimento é considerada uma possibilidade
governantes intitulada “A Rio+20 que não queremos”, de diminuir a pobreza mundial. Indique dois
na qual classificam o texto da conferência de “fraco”. exemplos de como isso poderia ocorrer.
“O documento intitulado ‘O futuro que queremos’ é
fraco e está muito aquém do espírito e dos avanços
conquistados nestes últimos vinte anos, desde a Rio92.
Unidades de Conservação tais, incluindo as águas jurisdicionais, com caracte-
rísticas naturais relevantes, legalmente instituídos
O ICMBio é o instituto responsável por propor, pelo Poder Público, com objetivos de conservação
gerir, proteger e fiscalizar as Unidades de Conserva- e limites definidos, sob regime especial de admi-
ção federais, além de fomentar e executar programas nistração, ao qual se aplicam garantias adequadas
de pesquisa, proteção e preservação da biodiversi- de proteção”. As Unidades de Conservação são
dade e agir como polícia ambiental, para a proteção agrupadas conforme a restrição de uso e divididas
da biodiversidade em todo o território brasileiro. em dois grandes grupos: o de proteção integral, em
que a intervenção humana deve ser a menor possí-
Criadas em 2000, quando foi aprovada a lei que vel; e o de uso sustentável, no qual se procura rea-
instituiu o Sistema Nacional de Unidades de lizar o uso sustentável dos recursos e preservar sua
Conservação (Snuc), as Unidades de Conservação diversidade.
são os “espaços territoriais e seus recursos ambien-
80 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Entre as Unidades de Proteção Integral, estão: restas nacionais, áreas de proteção ambiental,
estações ecológicas, reservas biológicas, parques áreas de relevante interesse ecológico, reservas
nacionais, monumentos naturais e refúgios de de fauna, reservas de desenvolvimento susten-
vida silvestre. Enquanto entre as Unidades de tável e reservas particulares do patrimônio
Uso Sustentável estão reservas extrativistas, flo- natural.
Andre Dib/Pulsar Imagens
Marcos Amend/Pulsar Imagens
Banco de imagens/Arquivo da editora
Parque Nacional do Catimbau, Buíque (PE), em 2014. Um dos Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no município
propósitos da criação de parques é a preservação de Chapada dos Guimarães (MT), em 2015. O parque é uma área
ecossistemas naturais de grande relevância ecológica. de preservação e educação ambiental e de turismo sustentável.
Brasil: Unidades de Conservação nos biomas Equador
50º O
RR AP
0º
AM PA
AC MA CE
RO RN
OCEANO
Amazônia PB ATLÂNTICO
Caatinga PI PE
Campos sulinos
Cerrado AL
Mata Atlântica SE
Pantanal
Zona costeira TO BA
Transição
Amazônia-Caatinga MT GO Unidades de Conserva•‹o*
Transição MS DF
Amazônia-Cerrado MG Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)
Transição
Cerrado-Caatinga SP Floresta Nacional (Flona)
ES Reserva Extrativista (Resex)
RJ Área de Proteção Ambiental (APA)
Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie)
Trópico de Capricórnio
PR Estação Ecológica (Esec)
SC Parque Nacional (Parna)
RS
Reserva Biológica (Rebio)
N
Reserva Ecológica Nacional (REN)
O L Refúgio de Vida Silvestre (Revis)
0 425 850 km * Exclui as Reservas de Fauna, as Reservas de
Desenvolvimento Sustentável e os Monumentos Naturais
S
Adaptado de: WWF. Biomas brasileiros. Disponível em: <www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/biomas>; IBAMA. Disponível em:
<www.ibama.gov.br>; MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA). Disponível em: <www.mma.gov.br>. Acesso em: 6 abr. 2016. Mapa sem data na fonte original.
Política ambiental no Brasil e degradação dos biomas C A P Í T U L O 8 81
Ocupação do espaço A faixa litorânea foi a primeira a ser atingida na
ocupação de nosso território pelos europeus. A Mata
brasileiro e impactos Atlântica teve mais de 90% de sua área original des-
matada para o estabelecimento de cidades, atividades
ambientais agropecuárias e, posteriormente, do parque industrial
brasileiro. Mangues e vegetação de praias e dunas
Alguns países desenvolvidos, como os da Europa também foram muito afetados. Construção de portos,
Ocidental, os Estados Unidos e o Japão, alteraram casas de veraneio, exploração turística, extração do
profundamente seu meio ambiente, mas depois ado- sal e pesca predatória foram atividades que comple-
taram medidas para atenuar esses impactos instau- taram o estrago causado nos biomas litorâneos.
rando severas leis ambientais.
À medida que a ocupação do território nacional
Muitos dos impactos ambientais nos biomas e se expandiu para o interior, outros biomas e ecossis-
ecossistemas brasileiros estão diretamente ligados à temas tiveram seu equilíbrio rompido devido à mi-
forma pela qual se deram a ocupação e a organização neração em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso e à
do território. A princípio, como colônia de Portugal criação de gado, responsável pela ocupação do Sertão
(1500-1822), depois como país independente. Nordestino, do Sul e mais tarde do Centro-Oeste.
Mais tarde, depois da Segunda Guerra Mundial, A partir das décadas de 1960 e 1970, a constru-
as empresas transnacionais, em sua expansão, não ção de Brasília, de rodovias, de usinas hidrelétricas
tinham o meio ambiente como principal preocupa- e a instalação de projetos agropecuários e de mine-
ção ao instalar suas unidades de produção nos novos ração causaram fortes impactos ambientais nas re-
países industrializados, como foi o caso do Brasil. giões Norte e, mais uma vez, Centro-Oeste.
Um exemplo dessa situação é a cidade de Cuba- Nas últimas décadas, os impactos em sistemas
tão, localizada na Baixada Santista (SP), onde in- urbanos têm aumentado no Brasil. As grandes cida-
dústrias estrangeiras e nacionais provocaram gran- des brasileiras têm sofrido com a degradação do ar
de degradação ambiental, a ponto de a cidade ser atmosférico, dos mananciais e dos solos. De modo
considerada a mais poluída do mundo na década geral, esses problemas estão relacionados às desi-
de 1980. gualdades sociais existentes nesses centros urbanos.
Acesso a moradia, coleta e tratamento de lixo e
Rubens Chaves/Pulsar Imagens saneamento básico são os principais indicadores
dessas desigualdades, ao mesmo tempo que funcio-
nam como elementos agravadores dos impactos
ambientais das cidades.
Complexo siderúrgico de Cubatão (SP) em funcionamento, Impactos ambientais
em 2014. Um trabalho conjunto entre a união de indústrias,
a comunidade e o governo conseguiu limitar e controlar na Amaz™nia
consideravelmente a emissão de poluentes no município.
Do início da colonização até os anos 1950, o des-
matamento da Amazônia foi relativamente baixo.
Atualmente, o desmatamento é o principal res-
ponsável pela avançada destruição desse bioma,
onde as queimadas preparam os terrenos para os
grandes projetos agropecuários. Segundo dados do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
entre 2013 e 2014, o desmatamento na Amazônia
diminuiu 15%, embora continue muito expressivo.
Os impactos ambientais nesse bioma ocorreram
e ainda ocorrem devido às formas desordenadas de
ocupação da Amazônia, cujas principais atividades
desenvolvidas estão descritas a seguir.
82 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
■■ Extração de madeira — segundo o relatório To ■■ Construção de hidrelétricas — as barragens sub-
mergem grande parte da floresta, que apodrece
lerância zero: chega de madeira ilegal, do sob a água, além de expulsar pessoas e animais
de suas terras.
Greenpeace, “a madeira de Greenpeace:
origem ilegal está associada organização não ■■ Expansão da fronteira agropecuária — grandes
a outros crimes, como grila- governamental porções de floresta têm sido destruídas pela
abertura de grandes propriedades para o cultivo
gem de terras, violência no (ONG) que atua da soja e da cana-de-açúcar. A pecuária, prati-
campo, formação de quadri- na preservação cada extensivamente, embora tenha pouca pro-
lha, fraudes e falsificação de do meio dutividade, é responsável por grandes áreas de
ambiente. desmatamento.
documentos públicos, evasão As consequências dessa agressão são bastante
preocupantes, pois provocam erosão, exaustão dos
de divisas e péssimas condições de trabalho, nutrientes, compactação do solo, esgotamento de
recursos extrativos, como a madeira e as ervas me-
além de invasão de terras indígenas e de Uni- dicinais, escoamento rápido das chuvas nas áreas
desmatadas.
dades de Conservação, como parques e reser-
As chuvas levam consigo nutrientes e interrom-
vas”. Essa madeira é utilizada em território na- pem os padrões regulares das cheias dos rios, im-
portantes para o funcionamento do ecossistema e
cional e também é enviada para outros países. para a agricultura de várzea. Além disso, há também
como consequência da degradação da Floresta
■■ Garimpos de ouro — todo o meio ambiente é Amazônica emissões de gás carbônico, provenientes
dos incêndios florestais, que contribuem para o au-
afetado, e os estados do Pará, de Roraima e do mento da temperatura do planeta e afetam direta-
mente o clima e o ecossistema da região.
Amazonas sofrem os efeitos da poluição de seus
rios por mercúrio e da erosão provocada por
essa atividade.
■■ Extrativismo mineral — o Pará retira grandes
quantidades de minerais metálicos de seu sub-
solo, degradando a paisagem com a poluição de
suas águas, provocando erosão do solo, assorea-
mento dos rios e desmatamento.
■■ Construção de rodovias e ferrovias — a Estrada
de Ferro Carajás, por exemplo, reduziu a forma-
ção vegetal original.
Mario Friedlander/Pulsar Imagens
Phil Clarke Hill/In Pictures/Corbis/Fotoarena
A perda da floresta afeta o hábitat original de muitas espécies e diminui a biodiversidade. Calcula-se que, desde a Eco-92, mais de
100 milhões de hectares de florestas foram perdidos ou degradados. Na imagem, desmatamento na Floresta Amazônica para a
construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, próximo à cidade de Altamira (PA), em foto de 2014. No detalhe,
depósito de árvores derrubadas para a construção de um reservatório da Usina Hidrelétrica Jirau, no rio Madeira, Porto Velho (RO),
em 2014.
Política ambiental no Brasil e degradação dos biomas C A P Í T U L O 8 83
Impactos ambientais na Confira o desflorestamento, em hectares, da Mata
Atlântica a partir de 1985, no Brasil:
Mata Atlântica
Período de Total Intervalo do Taxa anual de
A maior biodiversidade brasileira é encontrada desmatamento desmatado
nos ecossistemas que compõem a Mata Atlântica, período desmatamento
que já foi muito devastada devido às diversas formas observado (ha)
de ocupação dessa área. Em 1500, estima-se que ela (anos) (ha)
recobria 1,3 milhão de km2. Na atualidade, as poucas
matas da região estão espalhadas em pequenas 1985 a 1990 536 480 5 107 296
“manchas” de vegetação cercadas por pastagens,
terras cultivadas, estradas e cidades. 1990 a 1995 500 317 5 100 063
O bioma Mata Atlântica é o mais ameaçado do 1995 a 2000 445 952 5 89 190
Brasil. Atualmente, resta apenas 7,9% de sua cober-
tura original, preservados em Unidades de Conser- 2000 a 2005 174 828 5 34 966
vação. Segundo dados do Inpe e da Fundação SOS
Mata Atlântica, entre 2013 e 2014, 183 km2 de rema- 2005 a 2008 102 938 3 34 313
nescentes da Mata Atlântica foram desmatados, e
os estados que mais contribuíram para o desflores- 2008 a 2010 30 366 2 15 183
tamento foram Piauí e Bahia. A principal causa foi
a derrubada de árvores para a produção de carvão 2010 a 2011 14 090 1 14 090
e plantio de eucalipto.
2011 a 2012 21 977 1 21 977
A construção de cidades e a necessidade de ter- 2012 a 2013 23 948 1 23 948
ras para a agricultura também são responsáveis pela
derrubada da mata original e pelos impactos am- 2013 a 2014 18 267 1 18 267
bientais decorrentes dessa destruição: poluição de
suas águas fluviais e subterrâneas, contaminação e Fonte: INPE; FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA. Atlas dos remanescentes
erosão de seus solos e poluição do ar atmosférico. florestais da Mata Atlântica. Disponível em: <www.inpe.br/noticias/noticia.
php?Cod_Noticia=3891>. Acesso em: 31 mar. 2016.
A Mata de Araucária (floresta subtropical), con-
siderada uma ecorregião da Mata Atlântica, também
já foi quase totalmente destruída. Resta cerca de 2%
de sua área original, e menos de 1% dela encontra-se
protegida em Unidades de Conservação. As princi-
pais causas de sua devastação foram a retirada da
madeira para a produção de móveis e de papel, e a
necessidade de terras para a agropecuária.
Andre Dib/Pulsar Imagens
Incêndio em área de Mata de Araucária, em Guaíra (PR), 2015.
84 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Impactos ambientais no Cerrado ICMBio e da Agência Nacional de Águas. O plano
prevê diversas ações para reduzir a perda da cober-
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro. tura vegetal, criar alternativas de proteção e uso
Presente em oito estados, seus recursos hídricos apre- sustentável dos recursos naturais do bioma e o mo-
sentam grande importância no cenário nacional, pois, nitoramento por satélite da região.
neste bioma, estão a nascente do rio São Francisco e
a de muitos dos seus afluentes, bem como as nascen- Segundo o Inpe e a Universidade Federal de
tes de rios das bacias Amazônica, do Paraná e do Goiás, o aumento da fiscalização na Amazônia, a
Paraguai. Por isso sua destruição indiscriminada e pequena fiscalização no Cerrado e a quase inexis-
degradação crescente precisam ser contidas. tência de Unidades de Conservação no Cerrado fa-
voreceram uma inversão na liderança do desmata-
Conforme o Ministério do Meio Ambiente, os mento entre esses dois biomas no ano de 2011, como
principais motivos da degradação desse bioma con- você pode verificar no gráfico a seguir.
tinuam sendo a agricultura, a pecuária e a produção
de carvão. Além disso, somam-se o aumento popu- Evolução do desmatamento na Amazônia Arte Ação/Arquivo da editora
lacional e o consequente aumento da urbanização e no Cerrado (km2)
e do número de rodovias nas regiões Norte e Centro-
-Oeste nas últimas décadas. 27 772 Amazônia
25 396 Cerrado
A pecuária e o cultivo da soja trouxeram algumas
consequências para os ecossistemas do Cerrado, como 19 014
assoreamento e poluição das nascentes de rios das ba-
cias hidrográficas Amazônica e do São Francisco, de- 14 288 11 651 12 911
correntes da utilização de agrotóxicos nas plantações.
8 905 7 464 7 415 7 653
Somam-se, ainda, outros graves impactos, como 8 172 7 000 4 571
garimpos e invasões de reservas indígenas por fa-
zendeiros ou pessoas que tentam obter a posse ilegal 4 822 3 509 4 447 3 767 2 997 6 418
dessas terras (grileiros).
3 724
Outro grave problema que afeta o Cerrado são
as queimadas. Em 2010, foi criado o Plano de Ação 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
para Prevenção e Controle do Desmatamento e das
Queimadas no Cerrado, sob a direção do Ibama, do Adaptado de: ÉPOCA, 6 out. 2014. Disponível em: <http://epoca.globo.com/
colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2014/10/bdesmatamento-do-
cerrado-o-novo-vilao-ambiental-do-brasil.html>. Acesso em: 6 abr. 2016.
André Dib/Pulsar Imagens
Desmatamento em área de Cerrado, em Araguaiana (MT), em 2014. 85
Política ambiental no Brasil e degradação dos biomas C A P Í T U L O 8
Impactos ambientais Graças a essa riqueza natural e a fatos históricos
da ocupação do território brasileiro, a Caatinga vem
na Caatinga sofrendo a intervenção humana desde os tempos
coloniais, principalmente com o desenvolvimento
A Caatinga é o único bioma exclusivo do territó- da pecuária no Sertão nordestino. Agravando a si-
rio brasileiro. Sua área original era de 844 453 km2 tuação, o bioma tem sido desmatado de forma ace-
de extensão, recobrindo os estados nordestinos de lerada nos últimos anos, por causa da exploração
Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, ilegal de lenha, de queimadas para o preparo do solo
Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, além para a agricultura e para substituição da vegetação
do norte de Minas Gerais, na região Sudeste. nativa por pastagens.
Com uma rica biodiversidade, o bioma abriga Outro grave problema ambiental desse bioma
inúmeras espécies de mamíferos, aves, répteis, an- refere-se ao processo de desertificação de grandes
fíbios, peixes e abelhas. Além disso, milhões de áreas, provocado pelo desmatamento da vegetação
pessoas vivem na região e dependem dos recursos nativa e pela degradação do solo.
do bioma para sobreviver. A biodiversidade da
Caatinga ampara diversas atividades econômicas Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente,
tanto no setor primário, como agricultura, pecuária em 2015, cerca de 46% do bioma estava desmatado.
e silvicultura, quanto no setor secundário, especial- A criação de Unidades de Conservação e do Plano
mente nos ramos farmacêutico, cosmético, químico de Ação para a Prevenção e Controle do Desmata-
e alimentício. mento na Caatinga, em 2010, implementou ações
de recuperação das microbacias, de
reflorestamento e de fornecimento
de linhas de crédito para o combate
à desertificação.
Emídio Bastos/Opção Brasil Imagens
Cândido Neto/Opção Brasil ImagensMicrobacia: bacia hidrográfica menor,
cuja superfície varia de 10 a 50 km2.
Lixão a céu aberto no
município de Euclides
da Cunha (BA),
em 2013.
Desmatamento na
vegetação de
Caatinga, em Oeiras
(PI), em 2015.
86 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Ampliando o conhecimento
Desertificação no Brasil Nordeste: núcleos de desertificação Banco de imagens/Arquivo da editora
Conforme definição utilizada na Confe- 40º O
rência Rio-92, a desertificação consiste no
processo de degradação do solo provocado PA Irauçuba OCEANO
por fatores diversos, dentre eles as atividades TO ATLÂNTICO
humanas e as variações climáticas. Suas con-
sequências estendem-se à fauna, à flora e aos MA Jaguaribe
recursos hídricos, reduzindo assim a qualida-
de de vida da população local. Gilbués CE
As áreas suscetíveis à desertificação, se- RN
gundo a Convenção das Nações Unidas para
o Combate à Desertificação são aquelas de Inhamus Seridó PB
clima árido, semiárido e subúmido seco.
PI
No Brasil, as áreas suscetíveis estão loca-
lizadas em oito estados da região Nordeste Cabrobó
(Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco,
Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) e tam- PE
bém no norte de Minas Gerais, no chamado
Semiárido brasileiro. Trata-se de uma área de AL 10º S
980 133 km2, que corresponde a 12% do ter- SE
ritório brasileiro. Portanto, uma área mais ex-
tensa que o bioma da Caatinga. BA
N
Segundo o Instituto Nacional do Semiárido
(Insa), existem, no Semiárido, seis áreas que GO OL
sofrem com o avanço da desertificação, cons- DF S
tituindo os núcleos de desertificação: Cabrobó
(PE), Gilbués (PI), Inhamus (CE), Irauçuba MG 0 270 540 km
(CE), Jaguaribe (CE) e Seridó (PB e RN).
ES
O ano de 2015 foi conside-
rado pela ONU o Ano Inter- Adaptado de: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA). Departamento de
nacional dos Solos e também Combate à Desertificação. Disponível em: <www.iicabr.iica.org.br/wp-content/
nesse ano foi sancionada no
Brasil a Política de Combate à uploads/2014/03/Produto-3-e-Folha-de-Rosto-Ver%C3%A3o-Final-J%C3%
Desertificação, que “visa ins- BAlio-Paupitz.pdf>; MINISTÉRIO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO (MCTI).
tituir mecanismos de preven-
ção, proteção, preservação, Instituto Nacional do Semiárido. Disponível em: <www.insa.gov.br/noticias/insa
conservação e recuperação -publica-mapas-dos-nucleos-de-desertificacao-do-semiarido/#.VwVNMpwrK03>.
dos recursos naturais em todo
o território nacional”. Acesso em: 6 abr. 2016. Mapa sem data na fonte original.
Cassandra Cury/Pulsar Imagens
Área em processo de
desertificação no Sertão
nordestino, município de
Matureia (PB), em 2014.
Política ambiental no Brasil e degradação dos biomas C A P Í T U L O 8 87
Impactos ambientais Luis Moura/Arquivo da editora arenização. Por sua vez, a desertificação, como vimos
anteriormente, é resultado do avanço da erosão e do
nos Campos sulinos empobrecimento do solo em áreas de clima árido,
semiárido ou subúmido seco.
O bioma dos Campos sulinos é considerado pelo
Ministério do Meio Ambiente um bioma de proteção A agropecuária é a grande responsável pela
especial, pois é o segundo bioma brasileiro mais degradação dos Campos sulinos, na campanha
degradado, atrás apenas da Mata Atlântica, e já per- gaúcha, sobretudo para a pecuária e para o culti-
deu 92,1% de sua área original. vo mecanizado de cereais (trigo e soja). Essas
atividades deterioram os solos e favorecem a ero-
O fenômeno de degradação observado neste são pluvial e eólica e, consequentemente, a are-
bioma é chamado de arenização, que, segundo a nização.
geógrafa Dirce Suertegaray, professora da Univer-
sidade Federal do Rio Grande do Sul, ocorre por Impactos ambientais
fatores naturais, devido ao passado climático da
região, que já apresentou o clima semiárido há cer- no Pantanal
ca de milhares de anos; e pela intensificação de
práticas humanas, como a retirada da vegetação O equilíbrio do Pantanal está ameaçado pela ex-
original e o agravamento dos processos erosivos. pansão da pecuária, pela produção de carvão vege-
tal para siderúrgicas, pela agricultura extensiva, pela
A arenização é um processo diferente da deser- pesca predatória e pelos garimpos que alteram o
tificação. Esse fenômeno ocorre em áreas de clima meio ambiente ao provocar queimadas e desmata-
úmido e com solo arenoso, que, com a retirada da mento nas vegetações e erosão no solo.
vegetação, perde minerais, iniciando o processo de
Um estudo realizado em parceria pelas entidades
Formação de areais na campanha gaúcha ambientalistas WWF-Brasil, Centro de Pesquisas do
Pantanal e The Nature Conservancy mostrou que
Depósitos Arenito metade da bacia pantaneira (bacia hidrográfica do
arenosos silicificado rio Paraguai) está ameaçada pelo desmatamento e
manejo inadequado de terras para a agropecuária,
Blocos de Arenito que provocam erosão e sedimentação de rios, res-
arenito Botucatu ponsáveis pelos ciclos de cheias que tornam o
Pantanal a maior área alagada do mundo. Essas
SUERTEGARAY, D. M. A. et al. Projeto arenização no Rio Grande do Sul, Brasil: inundações são fundamentais para a manutenção
gênese, dinâmica e espacialização. Disponível em: <www.ub.edu/geocrit/ da biodiversidade do bioma.
b3w-287.htm>. Acesso em: 30 mar. 2016. A ampliação das pastagens no Pantanal e a
cultura da cana-de-açúcar têm sido os grandes
vilões da degradação pantaneira. Outro problema
responsável pela degradação desse bioma é a mi-
neração, e uma área crítica é o maciço do Urucum,
localizado próximo a Corumbá, no Mato Grosso
do Sul, onde existe uma importante jazida de fer-
ro. A mineração polui os rios e diminui a quanti-
dade de água.
O crescimento desorganizado do turismo em
suas terras tem sido também um sério agravante da
degradação ambiental. O lixo produzido pelos tu-
ristas, se jogado em rios, pode contaminar e preju-
dicar a fauna e a flora; a construção de pousadas e
hotéis, rodovias e hidrovias, que ocupam áreas de
vegetação nativas, por exemplo, são alguns dos im-
pactos ambientais causados na região.
88 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Mario Friedlander/Pulsar Imagens Diversas ações humanas afetam os biomas cos-
teiros, como:
■■ poluição de suas águas, solos e ações relaciona-
das à expansão urbana desordenada;
■■ derramamento de petróleo das refinarias, nos
terminais de embarque e desembarque e nos po-
los petroquímicos;
■■ grande concentração de capitais pelo litoral, so-
mada ao lançamento de esgoto e à movimenta-
ção de seus importantes portos.
A pesca predatória, a ocupação irregular do solo,
a poluição causada por polos industriais são fatores
que também agravam os impactos ambientais nesses
ecossistemas. Entre muitas, algumas das propostas
da Rio+20 visam expandir as áreas marinhas prote-
gidas e também reduzir a poluição dos oceanos.
Extração mineral de ouro no município de Pontes e Lacerda Impactos ambientais
(MT), em 2014.
nas vegetações de transição
Impactos ambientais
As áreas de transição existentes entre os biomas
nos biomas costeiros também sofreram o impacto da ocupação humana.
Com mais de 7 mil quilômetros de extensão, o A Mata dos Cocais é muito aproveitada pela po-
litoral brasileiro possui biomas com ecossistemas pulação local para o extrativismo vegetal, principal
bastante variados. Como foi a primeira região a ser fonte de renda dessa população. Na maioria das ve-
ocupada, a zona costeira é muito populosa e urba- zes, essa atividade procura preservar a vegetação,
nizada e, por isso, apresenta-se hoje bastante de- entretanto, uma parte da Mata dos Cocais já foi des-
vastada. truída para dar lugar a pastagens, plantações e pro-
jetos de mineração.
As restingas e os manguezais são os ecossiste-
mas litorâneos de alta produtividade biológica que As florestas secas, que fazem a transição da
estão entre os mais degradados de nosso país. Em Amazônia para o Cerrado e deste para a Caatinga,
vários pontos do litoral brasileiro, os manguezais encontram-se devastadas pelo desmatamento e pe-
estão sofrendo intenso processo de degradação. las queimadas.
Luciana Whitaker/Pulsar Imagens
Poluição nas águas da
baía de Guanabara, no Rio
de Janeiro (RJ), em 2016.
Política ambiental no Brasil e degradação dos biomas C A P Í T U L O 8 89
Refletindo sobre o conteúdo
1. Analise as tabelas, reveja o mapa de biomas na pá- 2. Geografia, História e Biologia Leia o texto a seguir
gina 81 e faça o que se pede. e responda às questões propostas.
Pampas: diversidade vegetal e animal O maior significado da pecuária no Brasil Colônia foi re
presentado pelo alargamento das fronteiras do território
Plantas e animais no de espécies % do total mundial pelos portugueses. Esse processo resultou no genocídio
de inúmeras tribos indígenas, garantindo a transformação
Plantas aprox. 3 000 1,07 de áreas florestais ou de cultivo de tribos indígenas em
grandes pastos para o gado circular livremente. A utili
Mamíferos 102 2,03 zação dos grandes rios sertanejos do Nordeste e a ocu
pação dos pampas gaúchos foram consequências diretas
Aves 476 4,80 da expansão dos rebanhos.
[...]
Peixes 50 0,18
AQUINO, Rubim Santos Leão de (Org.). Sociedade brasileira:
Pantanal: diversidade vegetal e animal uma história através dos movimentos sociais.
Plantas e animais no de espécies % do total mundial Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 193. (Adaptado.)
Plantas 3 500 1,25
Mamíferos 124 2,47 a) Que tipo de relação pode ser estabelecida entre
Aves 423 4,27 o texto e o capítulo estudado?
Peixes 325 1,14
Répteis 177 2,17 b) Sob orientação do professor, reúna-se em grupo
Anfíbios 41 0,74 e discuta com seus colegas sobre a seguinte afir-
mação.
Fonte: LEITE, Marcelo. Brasil: paisagens naturais.
São Paulo: Ática, 2007. p. 92, 108. Culturas Indígenas — Adquirido ao longo de séculos, seu
conhecimento é de importância vital para o manejo sus
a) Localize geograficamente os dois biomas que apa- tentado das florestas.
recem nas tabelas.
Empresa brasileira de pesquisa agropecuária (Embrapa).
b) Qual deles apresenta maior biodiversidade? Justi- Atlas do meio ambiente do Brasil, 1996. p. 127. (Adaptado.)
fique sua resposta.
3. Analise a tabela a seguir e responda às questões.
Evolução do desmatamento na Amazônia Legal (km²/ano)
Estados 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
Acre 728 592 398 184 254 167 259 280 305 221 312
Amazonas 1 232 775 788 610 604 405 595 502 523 583 464
Amapá 46 33 30 39 100 70 53 66 27 23 —
Maranhão 755 922 674 631 1 271 828 712 396 269 403 246
Mato Grosso 11 814 7 145 4 333 2 678 3 258 1 049 871 1 120 757 1 139 1 048
Pará 8 870 5 899 5 659 5 526 5 607 4 281 3 770 3 008 1 741 2 346 1 829
Rondônia 3 858 3 244 2 049 1611 1 136 482 435 865 773 932 668
Roraima 311 133 231 309 574 121 256 141 124 170 233
Tocantins 158 271 124 63 107 61 49 40 52 74 48
Amazônia Legal 27 772 19 014 14 286 11 651 12 911 7 464 7 000 6 418 4 571 5 891 4 848
Fonte: FULGÊNCIO, C. G1, Acre, 19 jul. 2015. Disponível em: <http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/07/
ac-tem-maior-taxa-de-desmate-da-amazonia-legal-em-2-anos-diz-sema.html>. Acesso em: 6 abr. 2016.
a) Os estados mencionados acima pertencem a ríodo entre 2013 e 2014? Identifique suas respec-
quais regiões brasileiras? tivas regiões.
b) Qual foi o estado que menos desmatou em 2014? c) Aponte duas consequências provocadas pelo des-
E o que mais aumentou o desmatamento no pe- matamento.
90 U N I D A D E 2 Brasil: espaço geográfico e impactos ambientais
Concluindo a Unidade 2
Leia o texto, reflita e depois responda às questões a calha se estenda. Isso faz com que as áreas mais distantes,
propostas. que antes não inundavam, sejam atingidas”, revela.
‘Rio está mudando seu curso’, alerta Segundo o professor, o assoreamento ocorre quando há
especialista sobre assoreamento uma grande quantidade de sedimentos, como areia, argila e
silte, acumulados no fundo do rio. Ele explica que esses sedi
Waldemir Santos fala sobre fenômeno que pode deixar rio mentos são das margens do rio, que caem dentro do afluente
Acre mais raso. Especialista fala sobre dinâmica do rio e as no período de chuva e póschuva. Santos diz que esses desbar
enchentes no interior rancamentos ocorrem porque na Região Amazônica, local onde
o Acre está localizado, as chuvas ocorrem com mais frequência.
“A tendência é assorear, porque o rio está mudando seu
curso”. Essa previsão é do professor e coordenador do curso “Esse soterramento ocorre gradativamente em função da
de Geografia da Universidade Federal do Acre (Ufac), erosão das margens, na medida em que vai erodindo as pare
Waldemir Santos. Segundo o professor, o assoreamento, des a cada enchente. Tudo cai dentro do rio e vai se acumu
fenômeno conhecido como o soterramento do leito do rio, lando, fazendo com que aconteça o soterramento do fundo
ocorre devido à quantidade de sedimentos deixados no e o rio sofra um assoreamento”, conta.
afluente depois de uma enchente. Em 2015, os acreanos
viveram a maior enchente já registrada na história do estado. Para Santos, o fenômeno pode causar problemas no lençol
O nível do rio chegou a 18,40 metros e desabrigou mais de freático do manancial. Ele explica que o rio é abastecido pelos
10 mil pessoas só em Rio Branco. lençóis freáticos e pelas chuvas que caem na região. “Há uma
contribuição da água subterrânea, que é a água que está no
[...] O professor explicou como ocorre o fenômeno que fundo do rio e não deixa com que ele seque anualmente.
pode deixar o rio Acre mais raso e, consequentemente, causar Então, como nós temos essa contribuição do lençol freático,
mais enchentes com o passar dos anos. Destacou ainda sobre o assoreamento faz com que essa contribuição deixe de
a mudança no percurso do manancial, soluções para evitar existir, o que poderá, no futuro, surgir alguns trechos que irão,
que as águas do rio desabriguem mais pessoas no estado. de certa forma, apartar o rio”, revela.
O professor conta que o rio está mudando seu percurso NASCIMENTO, Aline. G1, 20 abr. 2015. Disponível em:
e voltando ao seu curso anterior, que seriam as áreas que <http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/04/rio-esta-
antes não alagavam e agora sofrem com as inundações. Entre
os motivos para essa mudança, de acordo com Santos, seria mudando-seu-curso-alerta-especialista-sobre-
o desmatamento, que inclui o uso impróprio da terra e a assoreamento.html>. Acesso em: 31 mar. 2016. (Adaptado.)
ocupação irregular nas planícies de alagação.
1 Qual é o problema detectado pelo professor de
“O rio Acre está em uma região cuja constituição Geografia da Universidade Federal do Acre?
ecológica de rocha é sedimento, que é muito fácil de ser ero
dido. Como está chovendo a mesma quantidade que chovia 2 A origem desse problema foi provocada pelo ser hu
antes, e temos inundações extremas, podemos acreditar que mano ou pela natureza? Justifique sua resposta.
o assoreamento está fazendo com que a água que chega até
3 Relacione a questão 3 do Refletindo sobre o conteœdo,
da página 90, com essa reportagem.
Testes e quest›es Não escreva no livro
Enem O mecanismo climático regional descrito está asso
ciado à característica do espaço físico de
1 A convecção na Região Amazônica é um importante me
canismo da atmosfera tropical e sua variação, em termos a) resfriamento da umidade da superfície.
de intensidade e posição, tem um papel importante na b) variação da amplitude de temperatura.
determinação do tempo e do clima dessa região. A ne c) dispersão dos ventos contra-alísios.
bulosidade e o regime de precipitação determinam o d) existência de barreiras de relevo.
clima amazônico. e) convergência de fluxos de ar.
FISCH, G.; MARENGO, J. A., NOBRE, C. A. Uma revisão
geral sobre o clima da Amazônia. Acta Amazônica,
v. 28, n. 2, 1998. (Adaptado.)
CONCLUINDO A UNIDADE 2 91
2 Então, a travessia das veredas sertanejas é mais exaustiva 4 As plataformas ou crátons correspondem aos terrenos
que a de uma estepe nua. Nesta, ao menos, o viajante tem mais antigos e arrasados por muitas fases de erosão.
o desafogo de um horizonte largo e a perspectiva das pla Apresentam uma grande complexidade litológica, pre
nuras francas. Ao passo que a outra o afoga; abrevialhe valecendo as rochas metamórficas muito antigas (Pré
o olhar; agrideo e estonteiao; enlaçao na trama espi Cambriano Médio e Inferior). Também ocorrem rochas
nescente e não o atrai; repulsao com as folhas urticantes, intrusivas antigas e resíduos de rochas sedimentares. São
com o espinho, com os gravetos estalados em lanças, e três as áreas de plataforma de crátons no Brasil: a das
desdobraselhe na frente léguas e léguas, imutável no Guianas, a SulAmazônica e a São Francisco.
aspecto desolado; árvore sem folhas, de galhos estorcidos
e secos, revoltos, entrecruzados apontando rijamente no ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1998.
espaço ou estirandose flexuosos pelo solo, lembrando um
bracejar imenso, de tortura, da flora agonizante. As regiões cratônicas das Guianas e a SulAmazônica
têm como arcabouço geológico vastas extensões de
CUNHA. E. Os sertões. Disponível em: <http://pt. scribd.com>. escudos cristalinos, ricos em minérios, que atraíram
Acesso em: 2 jun. 2012. a ação de empresas nacionais e estrangeiras do setor
de mineração e destacamse pela sua história geo
Os elementos da paisagem descritos no texto corres lógica por
pondem a aspectos biogeográficos presentes na:
a) apresentarem áreas de intrusões graníticas, ricas
a) composição de vegetação xerófila. em jazidas minerais (ferro, manganês).
b) formação de florestas latifoliadas. b) corresponderem ao principal evento geológico do
Cenozoico no território brasileiro.
c) transição para mata de grande porte.
c) apresentarem áreas arrasadas pela erosão, que
d) adaptação à elevada salinidade. originaram a maior planície do país.
e) homogeneização da cobertura perenifólia. d) possuírem em sua extensão terrenos cristalinos ricos.
3 As áreas do planalto do cerrado — como a chapada dos e) serem esculpidas pela ação do intemperismo fí-
Guimarães, a serra de Tapirapuã e a serra dos Parecis, no sico, decorrente da variação de temperatura.
Mato Grosso, com altitudes que variam de 400 m a
800 m — são importantes para a planície pantaneira Testes de vestibular Não escreva
matogrossense (com altitude média inferior a 200 m), no livro
no que se refere à manutenção do nível de água, sobre
tudo durante a estiagem. Nas cheias, a inundação ocor 1 (UdescSC) Para classificar o relevo, devese conside
re em função da alta pluviosidade nas cabeceiras dos rios, rar a atuação conjunta de todos os fatores analisados
do afloramento de lençóis freáticos e da baixa declivida — a influência interna, representada pelo tectonismo,
de do relevo, entre outros fatores. Durante a estiagem, a e a atuação do clima, nos diferentes tipos de rocha.
grande biodiversidade é assegurada pelas águas da calha
dos principais rios, cujo volume tem diminuído, principal Sobre o relevo brasileiro, é correto afirmar:
mente nas cabeceiras.
a) Pelos novos estudos que classificam o relevo bra-
Cabeceiras ameaçadas. Ciência Hoje. sileiro, é fácil perceber que as planícies dominam
Rio de Janeiro: SBPC. Vol. 42, jun. 2008, adaptado. o território nacional; por isso há tantas áreas dis-
poníveis para a agricultura.
A medida mais eficaz a ser tomada, visando à con
servação da planície pantaneira e à preservação de b) As chapadas são formas de relevo moldadas em
sua grande biodiversidade, é a conscientização da rochas metamórficas, do que resulta a feição ta-
sociedade e a organização de movimentos sociais bular, com a superfície mais ou menos plana e
que exijam: encostas abruptas. São muito encontradas na
região Sul e Sudeste do Brasil.
a) a criação de parques ecológicos na área do pan-
tanal mato-grossense. c) Não ocorrem no país dobramentos modernos.
Essa característica contribui para que o relevo seja
b) a proibição da pesca e da caça, que tanto amea- bastante desgastado e rebaixado pelo intempe-
çam a biodiversidade. rismo e pela erosão, fato evidenciado pelas mo-
destas altitudes encontradas no país.
c) o aumento das pastagens na área da planície, para
que a cobertura vegetal, composta de gramíneas, d) As planícies brasileiras terminam, na sua grande
evite a erosão do solo. maioria, em frentes de cuestas — nome que se dá
às áreas planas das praias.
d) o controle do desmatamento e da erosão princi-
palmente nas nascentes dos rios responsáveis e) Segundo o geógrafo Jurandyr Ross, não existem
pelo nível das águas durante o período de cheias. áreas de depressão no Brasil, pois nenhuma forma
de relevo é mais baixa que a linha do oceano.
e) a construção de barragens, para que o nível das
águas dos rios seja mantido, sobretudo na estia-
gem, sem prejudicar os ecossistemas.
92 C O N C L U I N D O A U N I D A D E 2
2 (FuvestSP) De acordo com as afirmativas, assinale:
a) se apenas I estiver correta;
Reprodução/Fuvest, 2014. b) se I e II estiverem corretas;
c) se II e III estiverem corretas;
d) se I e III estiverem corretas;
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
4 (FuvestSP) Considerando os mapas, assinale a al
ternativa correta.
Bacias hidrográficas
0º
<www.ibge.gov.br>. Adaptado. Moderno 0 740 km Potencial hidrelétrico
Atlas Geográfico, 2012. Adaptado. em operação
Densidade demográfica inventariado/
Correlacione as formações vegetais retratadas nas estimado
fotos às áreas de ocorrência indicadas nos mapas Reprodução/Fuvest, 2014.
abaixo. Fonte: Adap. Simielli, 2000.
a) 0º
b)
c) 0 740 km Hab./km2
alta
d)
média
e)
baixa
3 (OsecSP) A “friagem” consiste na queda brusca da
temperatura, na região amazônica. Sobre ela podese Fonte: Adap. Simielli, 2000.
afirmar que:
I. O relevo baixo, de planície, facilita a incursão de O potencial hidrelétrico brasileiro
massas de ar frio que atingem a Amazônia. a) está esgotado na bacia do Paraná, localizada numa
II. A massa de ar responsável pela ocorrência de
friagem é a Tropical Atlântica. área de média densidade demográfica.
III. A friagem ocorre no inverno. b) está esgotado na bacia do São Francisco, locali-
zada numa área de baixa densidade demográfica.
c) é pouco explorado na bacia Leste, localizada numa
área de baixa densidade demográfica.
d) está esgotado na bacia do Uruguai, localizada
numa área de alta densidade demográfica.
e) é pouco explorado na bacia do Tocantins, locali-
zada numa área de baixa densidade demográfica.
CONCLUINDO A UNIDADE 2 93
5 (UFPA) Definese “LAGOS DE VÁRZEA” como sen II. Possui a maior potência instalada de energia elé-
do aqueles oriundos da acumulação de aluviões flu trica, destacando-se algumas grandes usinas.
viais. Deduzse que tais formações devem ser en
contradas: III. Em virtude de suas quedas-d’água, a navegação
a) de modo abundante no país. é difícil. Entretanto, com a instalação de usinas
b) no Rio Grande do Sul (como as Lagoas dos Patos hidrelétricas, muitas delas já possuem eclusas
e Mirim). para permitir a navegação.
c) na Amazônia.
d) no baixo Paraná. Estas características referemse à bacia do:
e) no alto São Francisco. a) Uruguai
b) São Francisco
6 (Ufap) Observe atentamente o mapa. c) Paraná
d) Paraguai
e) Amazonas
8 (MackSP)
Allmaps/Arquivo da editora
Arte Ação/Arquivo da editoraT (ºC)P (mm)
35 350
30 300
25 250
20 200
15 150
10 100
5 50
00
J FMAMJ J A S OND
Planaltos T (ºC) P (mm)
Depressões 35 350
Planícies
30 300
Adaptado de: ROSS, Jurandyr L. S. In: MIRANDA, Leodete
e AMORIM, Lenice. Atlas Geográfico. Cuiabá: Entrelinhas, 2001. p. 7. 25 250
Sobre a classificação do relevo brasileiro proposta 20 200
por Ross, assinale a afirmativa incorreta.
a) Considera planaltos, planícies e depressões como 15 150
formas de relevo que se destacam regionalmente. 10 100
b) Dentre as classificações de relevo que abrangem
5 50
todo o território brasileiro, a de Ross foi a terceira
a ser apresentada. 00
c) Conforme essa classificação, as depressões são J FMAMJ J A S OND
superfícies do relevo que ficam situadas altime-
tricamente acima das planícies. T (ºC) P (mm)
d) De acordo com Ross, o território do estado de 35 350
Rondônia apresenta depressões, planícies e pla-
naltos. 30 300
e) Está baseada apenas nos critérios morfoclimáti-
cos e morfoesculturais. 25 250
7 (FazuMG) Leia as afirmativas a seguir sobre a hi 20 200
drografia brasileira:
I. É a maior das três bacias que formam a bacia 15 150
Platina, pois possui 891 309 km2, o que correspon-
de a 10,4% da área do território brasileiro. 10 100
94 C O N C L U I N D O A U N I D A D E 2 5 50
00
J FMAMJ J A S OND
Paulo Roberto Moraes, Geografia Geral e do Brasil.
Os climogramas anteriores se referem, respectiva
mente, aos climas brasileiros:
a) Tropical de altitude, Tropical e Tropical úmido.
b) Equatorial Semiúmido, Tropical de altitude e
Tropical Semiárido.
c) Tropical Úmido, Equatorial Semiúmido e Equa-
torial úmido.
d) Equatorial úmido, Tropical e Tropical úmido.
e) Tropical, Subtropical e Tropical de altitude.
9 (UELPR) Sobre as grandes bacias hidrográficas bra I. Mata de Caiapó, localizada na área de planície
sileiras, é correto afirmar que: típica da região e em terrenos próximos aos rios.
Ocupa o solo permanentemente alagado e é o
a) A bacia do Amazonas é a que apresenta maior habitat das vegetações hidrófilas.
índice de poluição.
II. Mata de Várzea, corresponde à porção da Floresta
b) A bacia do Tocantins possui o maior número de Amazônica sujeita a poucas inundações durante
usinas hidrelétricas. o ano. Possui baixa diversidade de espécies vege-
tais, entre as quais se destacam as fornecedoras
c) A bacia do Paraná possui número reduzido de de látex ou borracha.
hidrelétricas.
III. Mata de Terra Firme, que recobre as áreas mais
d) A bacia do São Francisco apresenta o maior índi- elevadas ou firmes, tal como indica seu nome.
ce de poluição. Essas áreas não são atingidas pelas inunda-
ções e cobrem 90% da área total da Amazônia.
e) A bacia do Atlântico Sul, trecho Norte-nordeste, É o habitat da maior estrutura vegetal da re-
apresenta escassez hídrica. gião.
10 (MackSP) Assinale:
NS a) se apenas I está correta.
Planalto III Depressão b) se apenas II está correta.
das marginal sul-
II -amazônica e c) se apenas I e III estão corretas.
Guianas I planaltos
residuais sul- d) se apenas II e III estão corretas.
RIO AMAZONAS -amazônicos
e) se I, II e III estão corretas.
Considere as proposições a seguir, relativas aos nú
meros I, II e III do esquema dado.
Questões de vestibular Não escreva
no livro
1 (Uerj) Nos mapas abaixo, são representadas as médias históricas de variação da chuva no território brasileiro,
em milímetros, por estação do ano.
Reprodução/Uerj, 2014. Comparando os mapas
com os gráficos, identifi
que as macrorregiões bra
sileiras nas quais predomi
nam os climas A e B, res
pectivamente. Em seguida,
explique a pequena varia
ção anual de temperatura
em ambos os climas.
Não escreva
no livro
MENDONÇA, Francisco; DANNI-OLIVEIRA, Inês. Climatologia: noções 95
básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007.
CONCLUINDO A UNIDADE 2
2 (VunespSP) No mapa, estão traçados os cortes 1–2 e 3–4. Altitudes
1 800 m
2 1 200 m
800 m
4 500 m
1 200 m
3 100 m
0m
terreno sujeito
a inundação
rios permanentes
rios temporários
0 640 km
Perfil topográfico
Rio Paraguai
SO Sa. dos Caiapós NE
m m
1 500 Sa. de Sta. Marta 1 500
Sa. dos Pirineus
1 000 Brasília 1 000
Sa. Geral
500 de Goiás 500
Rio São Francisco
Sa. do Espinhaço
Rio de Contas
Sa. Geral
Ba. de Todos-os-Santos
0 0
4 000 0 km
3 500 3 000 2 500 2 000 1 500 1 000 500
Exagero vertical: 200 vezes
IBGE. Atlas geográfico escolar, 2009. Adaptado.
Indique o corte que identifica o perfil topográfico representado e mencione três características geográficas
encontradas ao longo desse perfil.
Outras fontes de reflexão e pesquisa Amazônia em chamas (sobre Chico Mendes)
Filmes Direção: John Frankenheimer. Estados Unidos, 1994,
128 minutos.
Sempre que você for assistir a um filme na sala de aula ou Baseado na história de luta do seringueiro Chico Men-
em casa, por recomendação do professor, lembre-se de des. Aqui foi reconstruída sua trajetória de luta contra
alguns passos importantes: o desmatamento e a exploração dos trabalhadores dos
seringais.
• Leia o texto do capítulo ou suas anotações sobre o
assunto antes de assistir ao filme. Aziz Ab’Saber – O leitor de paisagens
• Concentre-se e preste muita atenção. Se possível, Direção: Paula Saldanha e Roberto Werneck. Brasil,
anote os principais acontecimentos. 88 minutos.
Entrevista com o geógrafo Aziz Ab’Saber, que revolucio-
• Caso o professor tenha sugerido um roteiro para você nou o estudo da geografia no Brasil. O “leitor de paisa-
acompanhar a projeção do filme, procure segui-lo e gens”, como se autodenomina, fez com que a geografia
identificar os pontos principais. deixasse de ser mera descrição espacial para se tornar o
estudo de um ambiente dinâmico, influenciado por inú-
• Anote os trechos que você não entendeu para es- meras variáveis, desde o relevo, a cobertura vegetal e as
clarecer com o professor. condições climáticas, até a ocupação humana e política.
• Tire suas próprias conclusões e forme sua opinião
sobre o que assistiu.
Apresentamos a seguir algumas sugestões de filmes que
abordam o conteúdo tratado nesta Unidade.
96 C O N C L U I N D O A U N I D A D E 2
Espelho d’água — Uma viagem no rio São Francisco Apresenta os grandes biomas nacionais, ressaltando
Direção: Marcus Vinicius Cezar. Brasil, 2004, 115 minutos. a grande biodiversidade desses biomas e a importân-
O filme traz o rio São Francisco, que atravessa cinco cia de conhecer para preservar.
estados brasileiros, como cenário e personagem prin-
cipal de um fluxo de histórias narradas em tom de Escritos ecológicos
fábula, ligando ficção e documentário, passado e pre- Aziz Ab’Saber. São Paulo: Lazuli, 2006.
sente, superstições e realidade. Textos sobre as paisagens naturais do Brasil, sua ocu-
pação e sua preservação.
Expedições Amazônia: nascente do Amazonas I e
nascente do Amazonas II. Mundo sustentável 2 – novos rumos para um pla
Direção: Paula Saldanha e Roberto Werneck. Brasil, neta em crise
2007/2008, 60 minutos. André Trigueiro. São Paulo: Globo Livros, 2011.
Documentários especiais sobre o rio Amazonas que, O jornalista reúne artigos, reportagens e comentários
durante décadas, foi considerado o segundo mais ex- sobre temas ligados à sustentabilidade. Leitura atual
tenso do planeta. e engajada.
O abrigo O que é educação ambiental
Direção: Flávia Trindade. Brasil, 2011, 45 minutos. Marcos Reigota. São Paulo: Brasiliense, 2009. (Coleção
Documentário ambientado em uma tempestade na Primeiros Passos).
Região Serrana do Rio de Janeiro, que causou, em 2011, O autor, professor universitário de Biologia, permite
a maior catástrofe natural do Brasil. Em meio a esse que se reflita sobre a questão ambiental.
cenário de caos e destruição, um grupo de pessoas
uniu forças para salvar animais vítimas dessa tragédia. Os Chicos
Gustavo Nolasco e Leo Drumond. Belo Horizonte: Nitro
Pandemonium Editorial, 2011.
Direção: Jorge Bodanzky. Brasil, 2010, 60 minutos. Aqui estão reunidos dois volumes, um em prosa e
Este documentário colheu comentários do físico outro em fotos, de um dos principais rios brasileiros,
Rogério Cézar de Cerqueira Leite e do meteorologista o São Francisco. Um jornalista e um fotógrafo percor-
Carlos Nobre sobre o impacto das mudanças climáti- reram suas margens e agora apresentam um primo-
cas e os desafios na área energética. Imagens sobre- roso trabalho.
postas da cidade de São Paulo questionam o progres-
so e seus custos. Tietê: presente e futuro
Carlos Tramontina. São Paulo: Bei, 2011.
Usina de Itaipu O autor aborda o rio que banha a maior metrópole bra-
Direção: David Lee e Alex Ranken. Reino Unido, 2012, sileira, analisa as múltiplas faces da urbanização
60 minutos. brasileira. Aqui aparecem descritas as avaliações da
Documentário preparado pela Discovery Channel so- água em seus diversos trechos e as características de
bre a usina binacional de Itaipu e sua importância na seu entorno.
geração de energia para o Brasil.
Sites
Livros
Os sites indicados a seguir constituem uma boa fonte
Estes livros poderão elucidar e ampliar o assunto estudado. de pesquisa.
Atlas geográfico das zonas costeiras e litorâneas <www.ccst.inpe.br>
do Brasil Site do Centro de Ciências do Sistema Terrestre, com
IBGE. Rio de Janeiro, 2011. informações sobre as influências do El Niño e do La Niña
O atlas aborda importantes temas demográficos, his- no Brasil.
tóricos e socioculturais de cidades ao longo de nossa
extensa costa. Temas como a biodiversidade dos ecos- <www.icmbio.gov.br>
sistemas litorâneos, os recursos minerais, o turismo e Portal do Instituto Chico Mendes de Conservação da
os impactos ambientais presentes nessa faixa são Biodiversidade (ICMBio), com mapas e informações so-
também apreendidos. bre os biomas brasileiros e as Unidades de Conservação.
A última gota <www.inpe.br>
Vanessa Barbosa. São Paulo: Planeta, 2014. Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
A repórter retrata a questão da escassez de água e os (Inpe), com informações e gráficos sobre previsão do
problemas que comprometem a sua oferta, em quali- tempo e mudanças climáticas no Brasil e no mundo.
dade e quantidade, nas grandes cidades do Brasil.
<www.sosma.org.br>
Brasil: paisagens naturais Portal da organização SOS Mata Atlântica, com infor-
Marcelo Leite. São Paulo: Ática, 2007. mações, mapas e fotos sobre a Mata Atlântica e a Zona
Costeira.
CONCLUINDO A UNIDADE 2 97
unidade Ocupação do
território brasileiro:
Rubens Chaves/Acervo do fotógrafopopulação e
3 urbanização
Vista da Praça do
Patriarca, em São Paulo
(SP), em 2013.
A atual configuração do território brasileiro é consequência do processo histórico que resultou em
sua ocupação, urbanização e na distribuição irregular de uma população bastante diversificada.
98