The words you are searching are inside this book. To get more targeted content, please make full-text search by clicking here.

Educação de Jovens e Adultos - 6º ao 9º Ano

Discover the best professional documents and content resources in AnyFlip Document Base.
Search
Published by mande1meio, 2019-04-06 18:26:58

EJA - HISTORIA

Educação de Jovens e Adultos - 6º ao 9º Ano

EJA HISTÓRIA
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Edimar Araújo Silva
José Wagner de Melo

Costa Souza

MANUAL DO

EDUCADOR

60 AO 90 ANO DO ENSINO
FUNDAMENTAL



EJA HISTÓRIA
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
6o AO 9o ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL EDIMAR ARAÚJO SILVA
Licenciada em História, Geografia
3a EDIÇÃO • SÃO PAULO • 2013 e Sociologia e Bacharel em Ciências

Políticas e Sociais pela Fundação
e Escola de Sociologia e Política de
São Paulo (FESPSP). Pós-graduanda

em História na Uniban. Professora
de História e Geografia. Autora de

livros didáticos e paradidáticos.

JOSÉ WAGNER DE
MELO COSTA SOUSA
Bacharel e licenciado em História pela
Faculdade de Filosofia e Letras das
Faculdades Associadas do Ipiranga
(Unifai-SP). Licenciado em Pedagogia
pelo Centro Universitário Nove de Julho
(Uninove-SP). Professor da Secretaria
da Educação do Estado de São Paulo,
tendo ministrado aulas também nas
redes municipal e particular. Autor
de livros didáticos e paradidáticos.

MANUAL
DO EDUCADOR

Coleção Tempo de Aprender
© IBEP, 2013

Diretor superintendente Jorge Yunes
Gerente editorial Célia de Assis
Ricardo Soares
Coordenação editorial Maria L. Favret, Helcio Hirao, Paula Calviello
Assistência editorial Roseli Tuan, Daisy Pereira Daniel, Albina Escobar,
Apoio editorial Marcus M. Ramos
Áurea R. Faria, Lúcia Fernandes, Lucimara Carvalho,
Revisão Andrea Medeiros
Karina Monteiro
Coordenadora de arte Marilia Vilela, Nane Carvalho
Assistentes de arte Maria do Céu Pires Passuello
Celiane Souza, Adriana Neves, Wilson de Castilho
Coordenadora de iconografia José Antônio Ferraz
Assistente de iconografia Eliane M. M. Ferreira
Produção gráfica SG-Amarante Editorial
Dawdison França, Jesus Dias, Cícero Soares,
Assistente de produção gráfica Alexandre Argozino, Renato Arlen, Maurício Negro,
Produção editorial R. Arruda, Ivan Coutinho, Christiane Messias
Ilustrações Juca Martins/Olhar Imagem
Mario Yoshida
Imagem de capa APIS design integrado
Cartografia APIS design integrado
Figurattiva Editorial e SG-Amarante Editorial
Projeto gráfico
Capa

Editoração eletrônica

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Silva, Edimar Araújo
EJA : 6º ao 9º ano : história : manual do educador / Edimar Araújo Silva,

José Wagner de Melo Costa Sousa. -- 3. ed. -- São Paulo : IBEP, 2013. -- (Coleção
tempo de aprender)

ISBN 978-85-342-3624-9

1. Educação de adultos 2. Educação de jovens 3. História (Ensino
fundamental) I. Sousa, José Wagner de Melo Costa. II. Título. III. Série.

13-02826 CDD-372.89

Índice para catálogo sistemático:
1. Educação de jovens e adultos : História :

Ensino fundamental 372.89

3a edição – São Paulo – 2013
Todos os direitos reservados

Av. Alexandre Mackenzie, 619 - Jaguaré

São Paulo - SP - 05322-000 - Brasil - Tel.: (11) 2799-7799

www.editoraibep.com.br [email protected]

CARO EDUCADOR,

A busca por novas e melhores práticas em sala de aula permeia constantemente nossas atividades de
educadores, sempre preocupados com a qualidade das relações que estabelecemos com nossos alunos, com
vistas ao aprimoramento do processo de ensino-aprendizagem. No dia a dia de nosso trabalho, estamos
sempre buscando novos caminhos para a abordagem dos conteúdos das diversas áreas do conhecimento
de modo mais integrado, menos fragmentado.

Nosso trabalho como educadores também nos coloca diante de muitos desafios, levando-nos a refletir
sobre algumas questões:

• Que metodologias devemos aplicar em sala de aula?
• Qual o papel das disciplinas escolares para os alunos da EJA?
• Que visão de mundo, do sujeito, do conhecimento temos expressado por meio das metodologias

aplicadas?
Nós, autores desta coleção, educadores como vocês, desenvolvemos este trabalho interessados em en-
contrar respostas a essas questões que orientam nosso trabalho cotidiano. Durante vários anos, estivemos
reunidos, planejando e construindo este material didático, com a finalidade de contribuir para a compreensão
dos novos paradigmas educacionais.
Acreditamos que compreender os pressupostos teóricos que embasam a nossa prática e aqueles que
são resultado de diversos estudos inovadores de especialistas das áreas de Educação, Psicologia e outras é
fundamental. Por isso, apresentamos a seguir um resumo dessas teorias, para explicitar a visão de mundo e
de educação que está por trás das propostas desta coleção. Tão importante quanto a apresentação desses
pressupostos é a nossa ação em sala de aula, as nossas relações comunicacionais no espaço escolar, as redes
que tecemos para construir conhecimentos, pois esses só se efetivam a partir de um sistema relacional, dialó-
gico, mediado por todos os tipos de saberes presentes no contexto em que nós e nossos alunos nos situamos.
Por meio de nossa prática, acreditamos ser possível ampliar o trabalho extraclasse, envolvendo mais o
aluno no processo educativo. Para ajudá-lo a desenvolver um trabalho nessa linha, você encontrará aqui
conteúdos desenvolvidos, por meio de uma prática que procura integrar as disciplinas no que diz respeito
aos eixos temáticos, métodos e procedimentos, numa visão que busca a interdisciplinaridade. Embora o
material seja dividido em disciplinas, o conjunto da obra pretende contribuir para a superação de uma visão
fragmentada do conhecimento, apresentando propostas de trabalho que favorecem a integração de conte-
údos conceituais, procedimentais e atitudinais. Isto implica oferecer um material didático que reflita nossas
proposições. E é com você, Educador, que desejamos compartilhar as inúmeras descobertas que fizemos ao
longo do nosso trabalho e durante a criação desta obra didática. Com base nos pressupostos apresentados
e também nas nossas experiências em sala de aula, acreditamos que nossos alunos poderão aprender muito
mais se nós, educadores, tivermos e criarmos as condições necessárias para facilitar a sua aprendizagem.
Assim, este Manual do Educador traz orientações importantes para ajudá-lo em sua prática pedagógica.
Nesta edição, ele conjuga todos os anos de sua disciplina, iniciando com o Manual Geral da Coleção e do
componente curricular, sequenciado pelo conteúdo do livro do aluno e o manual específico de cada ano.

Um abraço!

Os autores

ESTRUTURA DO MANUAL DO EDUCADOR

Este manual reúne todos os anos de sua
disciplina, iniciando com o Manual Geral
da Coleção e do componente curricular,
sequenciado pelo conteúdo do livro do
aluno e o manual específico de cada ano.

A BB A

No conteúdo do livro do aluno existem duas
numerações distintas: uma corresponde à página
do livro aluno A e outra à pagina do manual B .

ESTRUTURA DO LIVRO DO ALUNO
Seções presentes nos capítulos de todas as disciplinas

Pra começo de conversa Desvendando o tema

Nesta seção, você encontrará Momento de leitura de um
atividades orais sobre o tema do ou mais textos sobre o tema
capítulo. A intenção é que você em questão, analisado por
exponha seus conhecimentos meio de textos de diferentes
e vivências sobre o assunto gêneros: poemas, canções,
apresentado, que levante suas notícias, reportagens, artigos
hipóteses, reflita e questione. de opinião, mapas, pinturas,
fotografias, entre outros.

•Pode incluir também:
a subseção Antes de ler, com
atividades de leitura prévia
do texto e de levantamento
dos conhecimentos que você

• já possui sobre o assunto.
a subseção Por dentro
do texto, em que são
propostas atividades
relativas aos textos lidos.

Essas duas subseções
também podem aparecer
atreladas a textos presentes
em outras seções do livro.

CONHEÇA SEU LIVRO

Aprofundando o tema

Por meio de outra sequência de estudo, o tema do
capítulo é explorado de modo mais aprofundado.
Nesta seção, são apresentadas mais algumas
atividades e situações relacionadas ao tema proposto.

Ampliando o tema Sua vez...

Propostas que, sob novos Nesta seção, você é convidado a registrar
olhares, vão além das que foram o conhecimento que reuniu sobre o tema
trabalhadas anteriormente. Nesta estudado, além dos resultados das análises
seção, amplia-se ainda mais o realizadas. O registro pode ser feito de
tema do capítulo, por meio da diferentes maneiras: por meio de exercícios
leitura de outros textos e da de aplicação, de texto a ser elaborado por
realização de novas atividades. você, da realização de cálculos matemáticos,
de respostas a perguntas, entre outros.

Você sabia?

Boxe que apresenta conceitos e curiosidades
sobre o tema em estudo por meio de
um pequeno texto. Pode aparecer em
diferentes momentos dos capítulos.

Momento lúdico E eu com isso?

Momento de participar de jogos e outras atividades Nessa seção, que aparece em alguns
lúdicas relacionados ao conteúdo estudado, capítulos, você é convidado a realizar uma
que também contribuem para você aprender e atividade ou participar de um projeto
permitem maior entrosamento com os colegas. relacionado ao tema em estudo junto
com seus colegas de classe e o educador.
Revelando o que aprendeu Trata-se de uma atividade de aplicação dos
conhecimentos reunidos com o estudo do
Seção em que são propostas atividades capítulo, podendo envolver a comunidade.
que retomam o conteúdo estudado.
Algumas questões dessa seção objetivam
que você mesmo faça uma avaliação
do que precisa rever, dos seus avanços,
das dificuldades encontradas, das
atividades que mais gostou de realizar.

Vamos

compartilhar

Nessa seção, sempre
no final de cada livro,
você e seus colegas
de classe, orientados
pelo educador, são
convidados a participar de
atividades que permitam
compartilhar o que
vocês aprenderam com
as pessoas da escola, da
comunidade, da cidade.

SUMÁRIO

MANUAL GERAL DA COLEÇÃO

INTRODUÇÃO....................................................................................................................................................................10
OBJETIVOS GERAIS..........................................................................................................................................................10
FUNDAMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS ..............................................................................................................10
A educação de jovens e adultos como projeto e processo político.................................................................................10
A educação de adultos como processo discursivo-dialógico ..........................................................................................11
Considerações sobre o ensino da leitura ..........................................................................................................................12
Conceito de letramento .....................................................................................................................................................12
Considerações sobre o procedimento de leitura antecipatória........................................................................................12
Enfoque globalizador do ensino ........................................................................................................................................13
Considerações sobre interdisciplinaridade .......................................................................................................................13

• Quadro-síntese 1 – Dos encadeamentos interdisciplinares entre os conteúdos trabalhados nos quatro volumes....................... 14
• Quadro-síntese 2 – Conteúdos procedimentais trabalhados nos quatro volumes ......................................................................... 17
Lugar do livro didático no processo de ensino-aprendizagem.........................................................................................18
Abordagem dos conteúdos ...............................................................................................................................................18
CONSIDERAÇÕES SOBRE AVALIAÇÃO...........................................................................................................................18
Formas de avaliação..........................................................................................................................................................18
Níveis de letramento ..........................................................................................................................................................19
Noção de erro ....................................................................................................................................................................19
Tipos de avaliação .............................................................................................................................................................19
Conteúdos avaliados (indicadores de aprendizagem) ......................................................................................................19
Considerações sobre situações-problema........................................................................................................................20
ESTRUTURA DA OBRA .....................................................................................................................................................21
SEÇÕES PRESENTES NOS CAPÍTULOS DE TODAS AS DISCIPLINAS..........................................................................21
• Pra começo de conversa • Desvendando o tema • Aprofundando o tema • Ampliando o tema • Sua vez... • Você sabia?
• Momento lúdico • E eu com isso? • Revelando o que aprendeu
SEÇÕES ESPECÍFICAS DE UMA OU MAIS DISCIPLINAS...............................................................................................22
• Um olhar para a língua • Olhe a escrita! • Tramando textos e ideias • Um olhar para a Matemática • Hora da pesquisa
• Hora de relaxar • Trocando ideias • Vamos compartilhar
TEXTOS DE APOIO............................................................................................................................................................27
1. Teoria de Bakhtin ...........................................................................................................................................................27
2. Teoria de Vygotsky .........................................................................................................................................................27
3. Teoria de Gardner...........................................................................................................................................................28
4. Pensamentos de Paulo Freire........................................................................................................................................28

CARACTERÍSTICAS DE HISTÓRIA

Objetivos gerais .................................................................................................................................................................29
Proposta metodológica .....................................................................................................................................................29
Critérios para seleção de conteúdos e materiais didáticos..............................................................................................29
Conteúdos gerais...............................................................................................................................................................29
BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................................................................31
SUGESTÕES DE LEITURA ................................................................................................................................................33

HISTÓRIA  •  6o ANO 36

UNIDADE 1 • IDENTIDADE .............................................................................................................................................141
Capítulo 1 Conhecendo minha história ......................................................................................................................141
• Compreensão da influência do meio na formação da identidade • Compreensão da identidade individual e coletiva através da história • Conhecimento da importância
da organização cronológica dos fatos para um entendimento mais claro do desenvolvimento do processo histórico • Reconhecimento do papel do indivíduo enquanto
ser integrante de uma coletividade • Reconhecimento da complexidade das relações familiares no tempo e no espaço • Compreensão das peculiaridades da visão
historiográfica oficial a respeito da definição do que é Pré-História • Reconhecimento da importância da micro-história para melhor entendimento da macro-história
Capítulo 2 Um olhar para o passado..........................................................................................................................150
• Compreensão do papel das fontes históricas, materiais, documentais e orais para a reconstrução da História • Compreensão do papel do conhecimento científico
para a elaboração de teorias e hipótese sobre a origem dos seres vivos, sobretudo do Homo sapiens sapiens • Compreensão da evolução do pensamento humano,
da concepção religiosa ou mítica à racionalista
Capítulo 3 Em busca das origens...............................................................................................................................157
• Compreensão do papel das fontes históricas, materiais, documentais e orais para a reconstrução da História • Compreensão do papel do conhecimento científico
para a elaboração de teorias e hipótese sobre a origem dos seres vivos, sobretudo do Homo sapiens sapiens. • Compreensão da evolução do pensamento humano,
da concepção religiosa à racionalista • Conhecimento da teoria evolucionista, confrontada com a concepção criacionista • Conhecimento da origem dos primeiros
habitantes da América e do Brasil como elementos formadores da identidade coletiva

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA............................................................................................................................167
Capítulo 4 Cidadania e leitura ....................................................................................................................................167
• Compreensão do conceito de leitura de mundo • Compreensão sobre o que é ser cidadão em diferentes tempos no Brasil
Capítulo 5 Cidadania: uma construção histórica .......................................................................................................178
• Compreensão do processo de criação das leis escritas e a sua evolução ao longo da história • Compreensão sobre diferentes culturas em diferentes regiões e tempos
Capítulo 6 Cidadania e imprensa ...............................................................................................................................188
• Compreensão dos avanços institucionais conquistados pela nação brasileira ao longo do período republicano • Compreensão sobre o que é ser cidadão em
diferentes tempos no Brasil

Indicações de leituras complementares..........................................................................................................................201
Bibliografia .......................................................................................................................................................................201

MANUAL DO EDUCADOR

CONTEÚDOS ESPECÍFICOS • 6o ANO .........................................................................................................................98

HISTÓRIA  •  7o ANO 109

UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE ......................................................................................................................................142
Capítulo 1 Natureza: domínio e descontrole ..............................................................................................................142
• O impacto da Revolução Agrícola sobre a sociedade • A relação entre a propriedade da terra e o poder • A participação do homem nas alterações do meio
ambiente no decorrer da história
Capítulo 2 Natureza: a busca pelo equilíbrio .............................................................................................................152
• A Pré-História na ocupação humana no Brasil • As várias formas de utilização do fogo pela humanidade, desde a sua descoberta • A exploração colonial do
Brasil • O processo de destruição da Mata Atlântica e de outras reservas naturais do território brasileiro no decorrer de nossa história

UNIDADE 2 • SAÚDE E qUALIDADE DE vIDA...............................................................................................................165
Capítulo 3 Saúde e bem-estar....................................................................................................................................165
• As condições de higiene e saúde durante as idades Antiga, Média e Moderna • Desenvolvimento do poder do Estado e relato de como este passou a assumir
as políticas públicas voltadas para o controle de doenças e higienização • Causas dos conflitos entre o poder público e interesse privado no Brasil • Percepção
do que é qualidade de vida e saúde
Capítulo 4 Desenvolvimento e qualidade de vida......................................................................................................177
• O surgimento da burguesia e, consequentemente, a importância que o dinheiro passou a ter na vida da população da cidade e do campo, devido à necessidade de
ganhá-lo para sobreviver • Consumismo • Análise de uma pirâmide de motivações humanas, que traz desde as necessidades mais básicas, como alimentação, até
as mais complexas, como a busca pela autoestima • Conceito de capitalismo e as consequências econômicas e sociais causadas por esse modelo • O mercado:
relações de trabalho e de compra e venda • A proclamação da República Federativa do Brasil • Retrato do Brasil atual

Indicações de leituras complementares..........................................................................................................................190
Bibliografia .......................................................................................................................................................................190

MANUAL DO EDUCADOR

CONTEÚDOS ESPECÍFICOS • 7o ANO .......................................................................................................................159

SUMÁRIO

HISTÓRIA  •  8o ANO 168

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA ..........................................................................................................................141
Capítulo 1 A formação da cultura nacional ................................................................................................................141
• Compreensão do processo de exterminação do índio, da resistência indígena, da sua participação no decorrer da colonização do Brasil e de sua influência em
nossa formação • Compreensão da concepção que os portugueses tinham sobre o mundo não europeu na fase da colonização, tendo como consequência a
exploração humana e material da colônia • Conhecimento do papel da Igreja no projeto de colonização do Brasil • Conhecimento do processo de escravização do
africano, formas de resistência dos africanos e sua influência cultural em nossas vidas • Compreensão da influência das elites nacionais nas imigrações ocorridas
ao longo dos séculos XIX e XX • Reconhecimento da influência cultural dos imigrantes em nossa cultura • Compreensão da cidadania como resultado de lutas,
confrontos e negociações • Compreensão de como o pensamento racial contribuiu para a legitimação de estruturas sociais como o escravismo, que perdurou no
Brasil imperial • Compreensão de que as histórias individuais são parte integrante de histórias coletivas
Capítulo 2 A formação da cidadania e da cultura nos dias atuais ............................................................................158
• Compreensão da cidadania como resultado de lutas, confrontos e negociações • Compreensão do processo que deu origem à Revolução Francesa • Reconhecimento
da influência do pensamento iluminista no Brasil colonial • Compreensão do modelo colonial instalado na região mineira e de como esse modelo facilitou a introdução
de pensamentos e ações fundamentados nos ideais iluministas

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ.....................................................................................................................................172
Capítulo 3 Cultura de paz ...........................................................................................................................................172
• Compreensão dos conceitos sobre diferentes formas de violência • Compreensão das causas de alguns conflitos religiosos ao longo da história humana •
Ampliação da percepção sobre os tipos conhecidos de atos terroristas • Reconhecimento das ações individuais e coletivas pela construção de uma sociedade
solidária e não violenta • Compreensão das causas de alguns conflitos religiosos ao longo da história humana • Ampliação da percepção sobre os tipos conhecidos
de atos terroristas • Reconhecimento das ações individuais e coletivas pela construção de uma sociedade solidária e não violenta • Compreensão das origens
da palavra fundamentalismo e seu significado
Capítulo 4 A paz em ação...........................................................................................................................................189
• Compreensão do conceito de paz • Reconhecimento do movimento pela emancipação da mulher • Reconhecimento das ações não violentas como caminho para
a conquista de direitos no mundo e particularmente no Brasil • Compreensão do modelo racista norte-americano e dos movimentos de resistência • Compreensão
da política discriminatória na África do Sul enquanto perdurou o apartheid

Indicações de leituras complementares..........................................................................................................................202
Bibliografia .......................................................................................................................................................................202

MANUAL DO EDUCADOR

CONTEÚDOS ESPECÍFICOS • 8o ANO .......................................................................................................................232

HISTÓRIA  •  9o ANO 244

UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO.........................................................................................................................139
Capítulo 1 Sangue, suor e lágrimas............................................................................................................................139
• Compreensão do conceito de trabalho • Compreensão das diferentes concepções sobre o valor do trabalho e seus objetivos • Compreensão do significado do
termo “mercadoria” • Compreensão do papel da mão de obra escrava durante a Antiguidade e a Idade Moderna • Compreensão das peculiaridades da mão de
obra servil • Análise da escravidão sob o ponto de vista de nossa época
Capítulo 2 Trabalho ou consumo: o que movimenta a economia?............................................................................155
• Compreensão do conceito de consumo • Compreensão da diferença entre consumo e consumismo • Compreensão do significado do termo “mercadoria”
• Compreensão dos efeitos da Revolução Industrial, tanto na reorganização do trabalho dentro das nações industrializadas quanto na substituição da mão de obra
escrava nas colônias • Surgimento de organizações trabalhistas como, por exemplo, os sindicatos • Análise da escravidão sob o ponto de vista de nossa época

UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOvAS TECNOLOGIAS ............................................................................................172
Capítulo 3 Grande mundo pequeno ...........................................................................................................................172
• Compreensão do conceito de Web – World Wide Web • Compreensão da globalização • Compreensão do significado do termo mercantilismo • Compreensão
da segunda fase da Revolução Industrial • Compreensão do liberalismo econômico • Compreensão do neocolonialismo • Análise das causas da Primeira Guerra
Mundial • Compreensão do processo que levou à ascensão do Partido Nazista na Alemanha e à Segunda Guerra Mundial
Capítulo 4 Estratégias da globalização......................................................................................................................186
• Compreensão da terceira fase da Revolução Industrial • Compreensão da divisão do globo entre dois blocos antagônicos: o capitalismo e o socialismo • Compreensão
do conceito de superpotência • Compreensão do conceito de Guerra Fria • Compreensão da desintegração do bloco comunista • Compreensão do conceito de
neoliberalismo • Compreensão do que são empresas transnacionais • Compreensão do que são empresas oligopolizadas • Compreensão da crise do modelo socialista

Indicações de leituras complementares..........................................................................................................................202
Bibliografia .......................................................................................................................................................................202

MANUAL DO EDUCADOR

CONTEÚDOS ESPECÍFICOS • 9o ANO .......................................................................................................................310

MANUAL GERAL dA coLEção

INTRODUÇÃO de forma mais consciente e participativa em seu meio, podendo,
assim, contribuir para a melhoria da qualidade de vida no planeta;
Este material didático considera o ato de ensinar a ler e a escrever • tornar-se agentes de transformação da sociedade em que vivem,
como uma ação política, conforme a visão paulo-freiriana. É muito por força do estímulo à confiança na sua capacidade de aprender,
mais do que ensinar a decodificar letras, números e imagens. Implica melhorando, dessa forma, a sua autoestima, contribuindo para
estimular uma prática leitora permanente, movida pelo desejo de que reconheçam a educação formal como um dos instrumentos
saber, de aperfeiçoar-se, de fazer novas descobertas que favoreçam de desenvolvimento pessoal e social, fundamental para sua reali-
o autoconhecimento, de intervir no espaço em que se encontra. Esse zação como membros de uma sociedade e produtores de cultura;
tipo de ação contribui para ampliar a consciência crítica do aluno, sua • conhecer, reconhecer, respeitar e valorizar a pluralidade cultural
competência comunicativa e sua responsabilidade frente ao mundo (etnias, credos, costumes, regionalismos, valores), contribuindo
em que vive. Além disso, facilita o acesso do educando aos bens ativamente para a sua conservação;
culturais que permitem maior integração do indivíduo à sociedade a • desenvolver procedimentos com a intenção de resolver problemas
que pertence, auxiliando-o, assim, a se livrar da exclusão social, sem nos diversos campos do conhecimento e da experiência, mediante
desvalorizar a sua própria cultura. Daí o seu caráter político, pois o o emprego da intuição, do raciocínio lógico, da criatividade e das
acesso à leitura e à escrita traz poder às pessoas. A leitura significati- múltiplas inteligências;
va tem a capacidade de nos situar melhor no nosso próprio espaço, • conhecer e valorizar o desenvolvimento científico e tecnológico,
potencializando percepções de aspectos que talvez a nossa visão não suas aplicações e incidências em seu meio físico e social;
tenha percebido ao olhar para a realidade. • expressar autonomia, cooperação, solidariedade e tolerância;
• reconhecer, resgatar, respeitar e valorizar as diferenças, rechaçando
Com este material didático, pretendemos contribuir para o de- qualquer discriminação baseada em diferenças de etnias, gêneros,
senvolvimento do processo de letramento no qual os alunos estão classes sociais, crenças e outras características individuais e sociais.
inseridos (conceito que também será objeto de análise neste manual). A seguir, apresentamos com maiores detalhes os fundamentos
Queremos auxiliar o educador na formação das competências necessá- teórico-metodológicos que dão sustentação a esta proposta.
rias para que os educandos possam expressar-se clara e criticamente,
utilizando uma diversidade de linguagens e estilos, promovendo FUNDAMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS
intercâmbios e ações democráticas cada vez mais enriquecedoras
que conduzam os alunos a ampliar e aprofundar as suas leituras do • A concepção metodológica é o caminho da prática social que revela
mundo, da palavra, de tudo que os cerca. determinada visão de mundo. Implica um constante movimento
de ação-reflexão-ação, ou seja, de prática-teoria-prática.
Para que isso ocorra, torna-se necessário que todo educador se
conscientize de que ele é um educador de linguagem, que essa função • A concepção metodológica da Educação de Jovens e Adultos que
não é apenas do educador de Língua Portuguesa, considerado, muitas permeia todas as etapas deste projeto contempla os princípios a
vezes, o único responsável pela construção da competência leitora. seguir, pautados na “concepção libertadora de educação” e na
“concepção sociointeracionista do conhecimento”. Antes de des-
Esta obra tem como concepção um ensino centrado na aprendizagem, dobrarmos os tópicos que tratam dos fundamentos da coleção,
ou seja, voltado para satisfazer a necessidade básica do indivíduo de ressaltamos que ao final da parte geral deste manual há alguns
aprender: dominar a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, novos textos de apoio, com informações sobre teóricos que embasam este
conhecimentos, solucionar problemas. Para alcançar esses objetivos, trabalho, tais como Bakhtin, Vygotsky, Howard Gardner, Paulo Freire.
a obra apresenta inúmeras propostas destinadas a desenvolver habili-
dades, valores e atitudes fundamentais para alcançar esses objetivos. A EdUcAção dE jovENs E AdULtos coMo pRojEto
Um material que busca conectar-se aos saberes dos alunos, ampliar E pRocEsso poLítico
seus conhecimentos e propiciar oportunidades para desenvolver uma
postura crítica, reflexiva frente a novos pensamentos, ideias, dados, A Educação de Jovens e Adultos é parte integrante de um projeto
sentimentos e ações, auxiliando-os a transferir o que aprenderam sociopolítico global e parte do processo global de formação e capa-
para novos contextos. Assim, as sequências didáticas consideram o citação popular. Almeja-se uma educação capaz de contribuir para a
processo de ensino-aprendizagem do aluno jovem e adulto, dando formação de homens e mulheres dotados de consciência social e de
espaço e valor às suas histórias pessoais, considerando a diversidade responsabilidade histórica, aptos para a intervenção coletiva organi-
característica do público desse segmento e a complexidade da vida zada sobre a realidade, a partir de sua comunidade local, sempre em
moderna. Por meio das problematizações, as sequências contribuem busca da melhoria de qualidade de vida para todos.
para que os alunos façam relações, deem novos sentidos aos objetos
de estudo e desenvolvam, enfim, as habilidades necessárias para Essa educação busca inspiração na concepção libertadora da práxis
construir conhecimentos. de Paulo Freire. Implica, portanto, um caminho que parte da leitura
da realidade, dos temas sociais de abrangência e urgência nacional
OBJETIVOS GERAIS e dos temas de interesse local. Para o estudo desses temas, faz-se
necessário buscar recursos científicos. Daí a importância das áreas dis-
Esta coleção tem como objetivo propiciar condições para que os ciplinares concebidas como meios para o estudo e a intervenção sobre
educandos possam: a realidade. Elas não serão mais entendidas como fim em si mesmas:
• desempenhar de modo consciente a sua cidadania, por meio do estudamos matemática não simplesmente para saber matemática,
língua portuguesa não só para saber ler e escrever. Precisamos de
acesso à cultura letrada, aos saberes historicamente acumulados, Matemática, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Ciências,
por intermédio do conhecimento dos seus direitos e deveres e do Arte, História, Geografia, Educação Física como meios para descrever
exercício da autonomia com responsabilidade; e interpretar o mundo, como meios para expressar a nossa compre-
• ampliar a sua inserção no mundo do trabalho, das relações sociais, ensão do mundo, como meios para agir sobre o mundo, recriando-o,
simbólicas, de forma que eles possam produzir e usufruir de co- organizando-o de acordo com nossas necessidades, nossos sonhos
nhecimentos, bens e valores culturais e dar-lhes novo significado coletivos, e não apenas nos adaptando a ele.
à luz de suas experiências pessoais e visão crítica do mundo;
• tomar contato com sequências didáticas com temas focados no Sendo assim, para que as áreas disciplinares assumam o seu impor-
público adulto, objetivando o estabelecimento de um paralelo tante lugar instrumental, faz-se necessária uma criteriosa e rigorosa
entre esses temas e a realidade; seleção coletiva de seus conteúdos, dos seus objetivos específicos e
• desenvolver valores, conceitos e habilidades que os ajudem a principalmente uma clareza sobre a concepção de cada uma dessas áreas.
compreender criticamente a realidade em que vivem, inserindo-se

10 MANUAL GERAL

MANUAL GERAL

Cada unidade que compõe este material didático não é um com- • o estabelecimento de uma relação dialógica em que o aluno, em
partimento fechado em si mesmo e impermeável, mas preenche conjunto com o educador e seus colegas, exerça a prática de
sua significação e seu sentido no transcurso, na transversalidade, na refletir (pensar sobre seu modo de pensar, reconhecer, situar,
interdisciplinaridade. problematizar, deduzir, verificar, refutar, especular, relacionar,
A EdUcAção dE jovENs E AdULtos coMo relativizar, historicizar, formular conclusões etc.) com o objetivo
pRocEsso discURsivo-diALóGico de construir coletivamente o conhecimento;

A educação de jovens e adultos é um processo discursivo-dialógico. • partir do princípio de que ninguém é “dono da verdade”, que essa
Pauta-se nas relações interpessoais dialógicas, na interatividade da sempre representa uma maneira, entre tantas outras, de inter-
relação educador-educandos e dos educandos entre si. pretar o mundo. Portanto, de que é necessário considerar as
multiplicidades de visões, analisando a sua lógica, as suas deter-
A dimensão discursivo-dialógica da educação de jovens e adultos minações, a coerência de suas ideias, considerando o contexto
se faz presente nas diversas situações pedagógicas: em que se insere;
• no respeito às marcas socioculturais dos educandos, que se evi-
• a valorização de práticas interdisciplinares. O conhecimento pro-
denciam na sala de aula através do seu discurso oral, escrito e em duzido em qualquer área, por mais amplo que seja, representa
suas interpretações da leitura do mundo e da leitura da palavra; apenas um modo parcial e limitado de ver a realidade. Mas, embora
• na incorporação do saber popular, ao lado do saber científico e complexa, a realidade é una, uma vez que todos os seus aspectos
erudito; são interdependentes. Consequentemente, as diversas ciências se
• no respeito aos níveis heterogêneos de concepção da leitura e prendem umas às outras por vínculos de profunda afinidade. Tudo
escrita dos educandos; está relacionado: causas, problemas e soluções estão totalmente
• na ajuda mútua entre colegas no ato de aprender a ler e escrever, na interligados. Daí a importância da instauração de diálogo entre as
socialização de seu conhecimento do mundo e da língua escrita, várias disciplinas na busca dessas afinidades;
nas correções coletivas;
• na intervenção pedagógica do educador, que dirige democrati- • um enfoque indutivo em que a sistematização dos conceitos vem
camente as aulas, fornece as condições propiciadoras, incentiva em segundo plano, decorrente das ações desenvolvidas. Cabe ao
o ato de pensar, oferece as informações necessárias ao avanço do educador orientar o aluno no caminho da apreensão e construção
conhecimento do educando. crítica do saber, e não transmitir conhecimento de forma passiva,
O processo de conhecer é também construtivo. Superando as como um objeto acabado, inquestionável;
metodologias reprodutivistas e predominantemente receptativas dos
livros didáticos tradicionais, optamos por uma metodologia em que • o desenvolvimento da “pedagogia do por quê”, uma postura questio-
o educando é um sujeito interativo que pensa, pergunta, constrói- nadora, uma prática de confronto que exige do educador:
-reconstrói hipóteses enquanto estuda. dar significado a um objeto de conhecimento para que o aluno
Consideramos de máxima importância conceber o conhecimento se interesse em debruçar-se sobre ele a fim de entender o seu
não apenas como “construção-desconstrução-reconstrução” do valor e articulá-lo com outros saberes;
saber já instituído, mas também ir além da reconstrução, experien- lançar desafios aos alunos, exigindo deles maior empenho, não
ciando momentos privilegiados de questionamento do instituído, do permitindo que se limitem a dar uma resposta baseada apenas
convencional, promovendo a inovação, criação, produção de novas no senso comum;
formas de pensar, expressar e de fazer o mundo. Isso significa dar incentivar o educando a buscar as respostas para seus questio-
espaço ao imprevisto, ao inesperado, ao original e inédito, ao sonho, namentos por meio de discussões, pesquisas e intercâmbios;
à busca do novo.
Consideramos de máxima importância que o aluno experimente • um docente que se coloque na posição de mediador da relação
momentos privilegiados de questionamento do convencional, do saber educador-objeto de conhecimento, de facilitador da aprendizagem,
já instituído, promovendo a inovação, a criação, a produção de novos de eterno aprendiz;
modos de pensar, de se expressar e de fazer o mundo.
Assim, a Educação de Jovens e Adultos, enquanto projeto político- • o desenvolvimento das potencialidades dos alunos não apenas no
-pedagógico, parte do universo cultural dos educandos, da sua leitura campo da racionalidade, mas também no das emoções, das habilidades
de mundo, de sua variedade linguística, de seus níveis de escrita e artísticas, desenvolvendo, assim, sua criatividade, suas formas de
compreensão leitora, bem como dos níveis de conhecimento científico expressão, bem como sua capacidade de interagir positivamente
trazidos por eles. A partir do que lhes falta conhecer, busca-se, por com o outro, considerando os valores éticos. Isto implica educar
meio de novas situações de aprendizagem, a ampliação desses conhe- para enfrentar novas situações, criar condições para que o aluno
cimentos, com vistas à aquisição de conhecimento técnico-científico não só aprenda a conhecer, mas também aprenda a fazer, a ser
e de uma visão cada vez mais crítica da realidade. e a viver juntos;
A metodologia adotada nesta obra didática está assentada em
quatro bases: sentir, pensar, trocar e fazer de modo crítico, criativo, • o desenvolvimento da “pedagogia do afeto”, que consiste em:
significativo e solidário. Pressupõe: contribuir para elevar a autoestima dos alunos;
• uma instituição escolar atrelada a ações pedagógicas libertadoras, resgatar a alegria de aprender por meio de atividades significa-
pautada na abordagem dos conteúdos, de forma crítica, engajada tivas para os educandos, promovendo jogos, contribuindo para
na realidade, de modo a privilegiar a relação teoria-prática, na o desenvolvimento da expressão artística, corporal e musical
busca da apreensão das diferentes nuanças do saber; deles;
• uma escola que não ignora ou rejeita a história, a política e a cultura planejar situações de interação que promovam a expressão de
dos agentes do processo educativo (educadores e alunos), bem sentimentos;
como da sociedade mais ampla, concebendo-os como conteúdos promover a criação e garantir a permanência de um ambiente
de aprendizagem; acolhedor na sala de aula, permitindo aos alunos se expressar
• um espaço de aprendizagem que vê o educador e o educando como sem receio de serem discriminados;
parceiros na construção do saber sistematizado, cabendo ao educador promover a reflexão sobre os valores humanos, comportamen-
articular as diversas fontes de conhecimento, relacionar teoria e tos éticos, formação do caráter a partir de situações concretas,
prática, Ciência e cotidianidade; experiências vividas dentro e fora da sala de aula.

Dentro desse contexto, não poderíamos deixar de considerar a im-
portância do papel da escola, que tem entre as suas principais funções:
• contribuir para a formação da personalidade moral do educando,

de um sujeito ativo (autor e não reprodutor de conhecimentos),
que constrói a sua inteligência e a sua identidade por meio do

MANUAL do EdUcAdoR 11

diálogo estabelecido com seus pares, com os educadores, com coNcEito dE LEtRAMENto
sua cultura, com outros saberes; Um de nossos pilares conceituais é o letramento. O conceito de
• garantir uma série de competências básicas a todos os alunos (ensinar
a relacionar, a estabelecer analogias, compreender, explicar, inferir, letramento – traduzido de literacy, da língua inglesa – refere-se à ca-
ordenar, encontrar evidências, generalizar, aplicar, representar um pacidade do sujeito de fazer uso significativo da leitura e da escrita.
tema mediante uma nova forma de expressão etc.). A diferença principal entre o conceito de alfabetismo – relacionado
coNsidERAçõEs sobRE o ENsiNo dA LEitURA a alfabetizado – e o de letramento é que o alfabetizado é aquele que
“A promoção da leitura é uma responsabilidade de todo o corpo aprendeu a ler e escrever, não aquele que adquiriu o estado ou a
docente de uma escola e não apenas dos educadores de Língua condição de quem se apropriou da leitura e da escrita, incorporando
Portuguesa. Não se supera uma dificuldade ou uma crise com ações as práticas sociais que as demandam.
isoladas.”1
“O objetivo das escolas – através dos educadores – é fazer com Conforme Angela Kleiman, pode-se definir letramento como “um
que os estudantes aprendam a ler por meio de uma espiral crescente conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema
de desafios nos diferentes anos escolares; para aprender a ler, os simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos, para
estudantes precisam do domínio de habilidades para a compreensão objetivos específicos.”4
das diferentes configurações textuais que circulam pela sociedade.
Neste caso, cabe aos educadores definir essas habilidades e, ao mesmo Compreender o que significa letramento, conforme Magda Soares,5
tempo, fazer a seleção ou indicação dos textos que levem, pela prática, envolve a distinção entre o letramento visto em uma dimensão
à sua incorporação; além disso, ainda nesta trajetória de aprendiza- individual e em uma dimensão social. A leitura, na perspectiva do
gem, a escola deve apresentar-se como um ambiente rico em textos e letramento individual, é um conjunto de habilidades linguísticas e
suportes de textos para que o aluno experimente, de forma concreta psicológicas, incluindo desde a capacidade de decodificar palavras até
e ativa, as múltiplas possibilidades de interlocução com os textos.”2 a compreensão de textos, sendo que essas habilidades não se opõem.
É fundamental que o educador amplie seu repertório de análise
dos dados da realidade. Daí a importância de compreender melhor Essas habilidades devem ser aplicadas a diferentes gêneros textuais,
os fundamentos do processo de ensino-aprendizagem em que está sendo mobilizadas conforme as especificidades dos diferentes textos.
inserido e, assim, conscientizar-se de sua função, do seu compromisso A escrita, da mesma forma que a leitura, na perspectiva individual do
de contribuir para a democratização das informações, dos conheci- letramento, é um conjunto de habilidades linguísticas e psicológicas.
mentos acumulados pela história da humanidade e em produção, com As habilidades de escrita vão desde o registro de unidades de som
o objetivo de levar o educando a entender o mundo em que vive e até a capacidade de expressar o pensamento de forma organizada
atuar nele como um sujeito em construção. em língua escrita.
Para cumprir esse papel, o docente precisa, em primeiro lugar,
assumir sua condição de sujeito e ter um olhar mais aprofundado, Na perspectiva social do letramento, defende-se que não basta o
a partir de suas vivências e interações, das modificações que vêm domínio de certas técnicas de leitura e escrita, como as habilidades
ocorrendo no planeta, fazendo evoluir suas representações mentais presentes na concepção do letramento individual. Acredita-se que o
a respeito do mundo e, sobretudo, de si próprio. E atuar, a partir daí, letramento é o que as pessoas fazem com as habilidades de leitura e
para modificar o que necessita ser alterado, construindo metodologias escrita. Nessa interpretação do conceito de letramento, tem-se uma
de ensino que considerem o contexto sociocultural dos indivíduos visão em que as práticas de leitura e escrita envolvem processos mais
envolvidos no processo de aprendizagem, sua realidade de vida, suas abrangentes, responsáveis por afirmar ou questionar valores e formas
expectativas, suas necessidades, sem que para isso seja fundamental de distribuição de poder. Um dos representantes dessa vertente é
ter em mãos um livro didático que determine suas ações. Paulo Freire. Ao entender o domínio da leitura e da escrita como uma
Para nós, é crucial a intervenção do educador de cada área do forma de conscientização da realidade e de possível meio de transfor-
conhecimento nesse processo de aquisição da competência leitora mação, Freire concebe o letramento como algo de natureza política:
de seus alunos, pois ele é o maior responsável pela mobilização de o ato de ler e escrever como possibilidade de pensar e agir de forma
diversas estratégias que ajudam nesse sentido. É seu papel evidenciar transformadora sobre o mundo. Em conferência realizada no ano de
os objetivos de cada uma das leituras, ativar os conhecimentos prévios 1981, na abertura do Congresso Brasileiro de Leitura, em Campinas, o
do leitor e abrir espaço no ambiente da sala de aula para formulações autor relacionou a leitura com a formação de uma consciência crítica.
e reformulações de hipóteses, estimulando a inferência de significados
durante todo o desenvolvimento do ato de ler. Percebe-se que, para Freire,6 alfabetizar implica muito mais do
Dificilmente o docente desenvolverá a competência leitora de que o domínio da técnica da escrita e leitura, já que o ler e o escrever
seus educandos se não houver essa intervenção sistemática por parte permitem ao sujeito ressignificar seu estar no mundo. Esse ressignificar
dele, auxiliando os alunos na construção do sentido de um texto, por pode ser entendido como desvendar as formas de organização social e,
meio da reflexão dirigida, atuando como um mediador entre o aluno de alguma forma, desenvolver uma consciência crítica que possibilite
e o objeto de estudo. Como diz Ezequiel, é preciso “mais humildade certas práticas políticas de mobilização e organização.
pedagógica, mais diálogo, mais liberdade para os alunos se expres-
sarem, mais escuta e partilha dos significados atribuídos aos textos, Acreditamos na importância de desenvolver o nível de letramento
mais ligações entre aquilo que se lê e aquilo que se vive, estes são os individual, a partir de habilidades específicas de leitura e escrita. En-
caminhos para uma leitura libertária e transformadora, tão necessária tretanto, esse letramento não pode ser desvinculado de uma proposta
à sociedade brasileira de hoje”.3 de diálogo com as diferentes esferas sociais, políticas e culturais.

1 SILVA, Ezequiel Theodoro. A produção da leitura na escola. São Paulo: coNsidERAçõEs sobRE o pRocEdiMENto dE
Ática, 1995, p. 24. LEitURA ANtEcipAtóRiA

2 SILVA, Ezequiel Theodoro. Conferência sobre leitura. Campinas: Autores O ato de ler começa antes de o aluno concentrar-se em dar sentido
Associados, 2003. a cada uma das partes de um texto. Ele é iniciado com a exploração,
com a ativação dos conhecimentos prévios dos educandos, que cer-
3 SILVA, Ezequiel Theodoro. A produção da leitura na escola. São Paulo: tamente vão interferir na compreensão da leitura.
Ática, 1995, p. 24.
12 MANUAL GERAL Essa prática, que precisa ser ensinada, está presente nas propostas
de atividades desta obra em dois momentos. O primeiro deles está
localizado no início do capítulo, relacionado a propostas de ativida-

4 KLEIMAN, Angela (org.). Os significados do letramento. Campinas: Mercado
de Letras, 1995.

5 SOARES, Magda. Letramento: um texto em três gêneros. Belo Horizonte:
Autêntica, 2002.

6 FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 2001.

MANUAL GERAL

des de sensibilização, com a intenção de motivar o aluno, instigar capaz de ajudá-lo a vencer os desafios colocados pela realidade ex-
a curiosidade dele em relação ao assunto a ser tratado. Momento tremamente complexa do mundo atual coloca diante dele.
de provocá-lo com questões que o deixem inquieto, em conflito,
interessado em buscar uma forma de responder a elas. Momento Dentro dessa perspectiva, optamos por incentivar a utilização
também de fazer uma avaliação inicial sobre os conhecimentos que de situações de aprendizagem, em que os alunos “mobilizam-se
ele possui sobre o assunto em pauta, sobre a forma de estruturação para chegar ao conhecimento de um tema que lhes interessa, para
dos diferentes gêneros, sobre o vocabulário empregado, permitindo, resolver alguns problemas do meio social ou natural que lhes são
de modo geral, que ele faça inferências, deduções. O segundo mo- questionados, ou para realizar algum tipo de construção. Nessa ação,
mento refere-se a questões que favorecem a leitura antecipatória, para conhecer ou realizar alguma coisa, o estudante precisa utilizar
apresentadas antes dos textos. e aprender uma série de fatos, conceitos, técnicas e habilidades que
têm correspondência com matérias ou disciplinas convencionais,
Esse tipo de estratégia tem como finalidade estimular os alunos a além de adquirir uma série de atitudes. Nos métodos globalizados,
expressarem ideias em relação ao texto, partindo de seus conhecimentos o que interessa é oferecer resposta a problemas ou questões que a
prévios, diferenciando os diferentes gêneros discursivos e suportes realidade coloca. Para os educadores é um meio que permite que o
textuais, levantando hipóteses a partir disso, da leitura de palavras ou aluno ou a aluna aprenda a enfrentar os problemas reais, nos quais
trechos destacados no texto etc. Como dizem os estudiosos da área todos os conhecimentos têm um sentido que vai além da superação
da Linguística, quanto mais próximos os elementos textuais estiverem de algumas demandas escolares mais ou menos fundamentadas”.9
do conhecimento do aluno, maior será a chance de êxito na leitura.
“O século XX produziu avanços gigantescos em todas as áreas do
Em outras palavras, “o conhecimento linguístico, o conhecimento conhecimento científico, assim como em todos os campos da técnica.
textual, o conhecimento do mundo devem ser ativados durante a Ao mesmo tempo, produziu nova cegueira para os problemas globais,
leitura para poder chegar ao momento da compreensão. [...] O mero fundamentais e complexos, e esta cegueira gerou inúmeros erros e
passar de olhos pela linha não é leitura, pois leitura implica uma ativi- ilusões, a começar por parte dos cientistas, técnicos e especialistas.
dade de procura por parte do leitor, no seu passado, de lembranças e Por quê? Porque se desconhecem os princípios maiores do conheci-
conhecimentos, daqueles que são relevantes para a compreensão de mento pertinente. O parcelamento e a compartimentação dos saberes
um texto que fornece pistas e sugere caminhos, mas que certamente impedem apreender “o que está tecido junto”.10 Daí a importância de
não explicita tudo o que seria possível explicitar”.7 propostas de ensino sob o enfoque globalizador.

Sendo assim, é muito importante a intervenção do educador nesse Construímos esta coleção, portanto, guiados por esse enfoque. Na
processo, estimulando, orientando e ampliando essa prática, que é tentativa de desenvolver um trabalho capaz de estimular a integração
uma estratégia de leitura incorporada pelo bom leitor no seu processo entre os conteúdos das disciplinas, não poderíamos deixar de propor
de dar sentido ao que vê, ouve ou lê. atividades embasadas sobretudo nos pressupostos da inter e da
transdisciplinaridade, por terem esse caráter globalizador. Em seguida
“Nessa busca interpretativa, os elementos gráficos (as palavras, apresentamos um pequeno resumo do que vem se discutindo sobre isso.
os sinais, as notações) funcionam como verdadeiras ‘instruções’ do
autor, que não podem ser desprezadas, para que o leitor descubra coNsidERAçõEs sobRE iNtERdiscipLiNARidAdE
significações, elabore hipóteses, tire suas conclusões. Palavrinhas que A interdisciplinaridade não é só “um meio para estabelecer relações
poderiam parecer menos importantes, como até, ainda, já, apenas, e
tantas outras, são pistas significativas em que devemos nos apoiar para entre conteúdos de diferentes matérias, e sim um conteúdo prioritário
fazer nossos cálculos interpretativos. Todo esforço para entender essas no ensino. Aprender a estabelecer relações entre os diferentes conteú-
instruções – isto é, o que está sobre a folha de papel – só se justifica dos, seja qual for sua procedência, é um dos meios mais valiosos para
pelo que elas, as instruções, representam para a compreensão global dar resposta aos inconvenientes de um saber fragmentado e de um
do ato comunicativo do qual o texto é suporte. sistema educativo historicamente submetido a algumas finalidades
distanciadas das necessidades reais dos cidadãos e das cidadãs”.11 Dessa
Evidentemente, tais instruções ‘sobre a folha de papel’ não re- forma, pelo enriquecimento interpretativo promovido por esse tipo de
presentam tudo o que a gente precisa saber para entender o texto. postura educativa, as capacidades explicativas de cada uma das áreas
Muito, mas muito mesmo do que se consegue apreender do texto faz do conhecimento são potencializadas. Como resultado, poderemos
parte de nosso ‘conhecimento prévio’, ou seja, é anterior ao que lá ter uma melhoria importante na qualidade do ensino, uma vez que
está. Um texto seria inviável se tudo tivesse que estar explicitamente o aluno se sentirá mais motivado para se envolver no seu processo
presente, explicitamente posto.”8 de ensino-aprendizagem. Por seu caráter significativo, esse tipo de
abordagem poderá propiciar uma melhor compreensão da realidade
É, portanto, na tarefa de levantar suposições (fazendo seleção dos que cerca o aluno, dos problemas do mundo, facilitando a elaboração
aspectos mais significativos, antecipações e inferências) e de avaliar de um conhecimento mais holístico, mais integrado.
esses procedimentos, confirmando suas ideias ou refutando-as, que
o leitor estará construindo efetivamente um caminho sólido que o como tratamos a interdisciplinaridade nesta
levará à compreensão de um texto. coleção?
Procuramos estabelecer relações interdisciplinares em relação aos
ENfoqUE GLobALizAdoR do ENsiNo conteúdos trabalhados em cada área do conhecimento, dentro do tempo
Esta coleção é resultado de um trabalho que busca contribuir que nos disponibilizamos para produzir este material didático, tempo
de muitas trocas, discussões, encontros, desencontros, reencontros
para que o ensino exerça sua função social, colocando-se a serviço entre os autores das diversas disciplinas que ousaram fazer parte do
da formação integral do indivíduo. Partimos do princípio de que o projeto, idealizado inicialmente por sua coordenadora e concretizado
objeto de estudo do ensino é a compreensão da realidade para intervir por todas as mãos, mentes e corações envolvidos.
nela e transformá-la. Para isso, consideramos fundamental lançar mão No final de cada capítulo, na seção E eu com isso?, o educador
do conhecimento cotidiano para melhor elaborá-lo, aprofundá-lo e encontrará propostas de projetos que poderão estimular a inten-
ampliá-lo. Nesse sentido, o conhecimento científico, proporcionado sificação de ações interdisciplinares, dependendo do contexto, do
pelas diferentes disciplinas, está a serviço desse aprimoramento, in-
corporando ao ensino novos conteúdos conceituais, procedimentais e 9 ZABALA, Antoni. Enfoque globalizador e pensamento complexo: uma
atitudinais selecionados em razão dessas necessidades. o conhecimento proposta para o currículo escolar. Porto Alegre: Artmed, 2002.
científico é, portanto, meio para que o aluno tenha uma formação
10 MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo:
7 KLEIMAN Angela. Texto e leitor. Campinas: Pontes, 1999. Cortez; Brasília, DF: Unesco, 2000.
8 ANTUNES, Irandé. Aulas de Português – encontros & interação. São Paulo:
11 Ibid., p. 78-79.
Parábola Editorial, 2003.

MANUAL do EdUcAdoR 13

interesse do grupo de educadores em colocá-las em prática, em cujos objetivos vão muito além da ação de demonstrar o domínio do
trabalhar juntos. Também, como sugestão, propomos no final de conteúdo específico de certa disciplina. Devido ao trabalho desen-
cada unidade, na seção denominada Vamos compartilhar?, meios volvido na unidade, a partir do mesmo eixo temático ou, às vezes, a
de divulgação dos projetos construídos, geralmente um evento partir do trabalho mais sistemático com determinados procedimentos,
(exposição, teatro, jornal mural, instalações, oficinas de criação) o desenvolvimento desses projetos se destina a superar os reducionis-
envolvendo todas as disciplinas que desenvolveram esses projetos. mos focados na transmissão do conhecimento de forma fragmentada.
Esperamos que a execução, reelaboração, avaliação dos projetos Em outras palavras, a aprendizagem mediante projetos facilita uma
aproximem não só os conteúdos trabalhados em cada uma das visão global dos conteúdos, contribuindo para a promoção de atitudes
áreas do conhecimento na busca da compreensão da realidade, transdisciplinares.
mas também as ações dos educadores, ajudando, assim, a promover
atitudes interdisciplinares no espaço escolar. Apresentamos a seguir um quadro-síntese dos encadeamentos
interdisciplinares entre os conteúdos trabalhados do 6o ao 9o anos
A intenção desses projetos é criar oportunidades para que o aluno (Quadro 1), em que estão presentes as questões desencadeadoras
aprenda a trabalhar; é estimular o desenvolvimento de aprendizagens desse trabalho.

qUAdRo-síNtEsE 1 – dos ENcAdEAMENtos iNtERdiscipLiNAREs
ENtRE os coNtEÚdos tRAbALHAdos Nos qUAtRo voLUMEs

Unidade 1 6o ANo
Eixo temático IdENTIdAdE

Questão desencadeadora do As inter-relações entre os meios natural, sociocultural para o processo contínuo de construção da
trabalho interdisciplinar identidade.
LÍNGUA PORTUGUESA como resgatar a identidade cultural em uma sociedade fragmentada em grupos cada vez
menores e excludentes entre si?
MATEMÁTICA • Aspectos linguísticos relacionados ao estudo do gênero autobiográfico: do pessoal ao coletivo.
• Aspectos da subjetividade humana na literatura.
HISTÓRIA • Contextualização dos números como um processo histórico da humanidade.
GEOGRAFIA • Interpretação da realidade cotidiana para relacionar o indivíduo ao mundo que o cerca.
CIÊNCIAS • Conceito de sujeito histórico a partir das origens.
• O “eu” social e a construção do lugar de vivência.
LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA • As inter-relações entre os meios natural e sociocultural.
(Inglês e Espanhol) • Atividades cotidianas como reflexo da identidade cultural individual e coletiva.
ARTE • Língua inglesa: a construção do “eu” social por meio da diversidade cultural. Língua espanhola:

Unidade 2 apresentação do indivíduo e das formas de demonstrar suas relações mais próximas.
Eixo temático • A expressão por meio da produção artística.
Questão desencadeadora do • Arte desvinculada da cópia de modelos e imitação do real.
trabalho interdisciplinar
LÍNGUA PORTUGUESA cIdAdANIA E LEITURA
Leitura de mundo e cidadania.
MATEMÁTICA como ampliar a leitura de mundo, visando a construção da cidadania?
HISTÓRIA
• Ampliação do conceito de leitura como uma atividade de interpretação do mundo e da realidade.
GEOGRAFIA • Diferentes finalidades da leitura: “ler para quê?”.
• A importância do comprometimento pessoal e coletivo no desenvolvimento das habilidades de
CIÊNCIAS
leitura.
LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA • Observação, reconhecimento e interpretação dos números no planejamento de ações do cotidiano.
(Inglês e Espanhol) • Compreensão do conceito de leitura de mundo e das diversas visões sobre o significado de

ARTE cidadania ao longo da história do Brasil.
• A leitura cartográfica como meio para o exercício da cidadania em relação à orientação,

localização e participação nas decisões de planejamento que envolvam o espaço de vivência.
• A importância da leitura da natureza na construção do conhecimento.
• O conhecimento científico como base para a prática da cidadania.
• Estratégias de leitura em inglês e espanhol voltadas para a reflexão sobre o exercício da

cidadania e da tolerância entre os povos. Em língua espanhola, ênfase no reconhecimento do
aluno como cidadão latino-americano no contexto atual de globalização.
• Desenvolvimento da leitura para além da identificação dos códigos da língua falada e escrita,
reconhecendo no meio natural e cultural imagens, sinais e símbolos passíveis de serem lidos e
analisados.
• Leitura de uma obra de arte pela análise e interpretação dos símbolos e signos implícitos.

Unidade 1 7o ANo
Eixo temático MEIo AMBIENTE
Questões desencadeadoras do
trabalho interdisciplinar Meio ambiente e responsabilidade socioambiental.
1. o que estamos fazendo com o meio ambiente?
2. Quais as consequências desses atos e possíveis soluções para os problemas ambientais?

14 MANUAL GERAL

MANUAL GERAL

LÍNGUA PORTUGUESA • A relação afetiva entre o homem e a natureza em textos literários.
MATEMÁTICA • Leitura de textos jornalísticos com temas relacionados a projetos de transformação social como
HISTÓRIA
GEOGRAFIA instrumentos eficazes e factíveis.
• Interpretação da realidade socioambiental.
CIÊNCIAS • Elaboração de propostas de interferência social sobre a questão ambiental.
• Estudo sobre a degradação ambiental no decorrer do processo histórico e possíveis soluções.
LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA • Degradação ambiental: a interferência humana nos princípios que regem a dinâmica da natureza,
(Inglês e Espanhol)
ARTE alterando o ciclo de vida no planeta Terra; a consciência ecológica para posicionamento
contrário às ações capitalistas de degradação ambiental.
Unidade 2 • Interdependência entre os seres vivos e os recursos naturais do planeta Terra: o desenvolvimento
Eixo temático sustentável como concepção para a utilização racional do meio ambiente.
Questões desencadeadoras do • Degradação ambiental: a responsabilidade do ser humano diante do presente e do futuro do
trabalho interdisciplinar planeta e dos seres que nele vivem.
• Interdependência entre os seres vivos e os recursos naturais do planeta Terra: a dinâmica do
LÍNGUA PORTUGUESA mundo vivo e suas relações com o mundo físico.
• Estudo da língua inglesa a partir da reflexão crítica sobre a degradação do meio ambiente e
MATEMÁTICA sobre soluções possíveis para seus grandes problemas. Estudo da língua espanhola a partir de
HISTÓRIA propostas de reflexão sobre a sustentabilidade e a interdependência cidade e campo.
GEOGRAFIA • Degradação ambiental: o uso das linguagens artísticas como forma de crítica à poluição visual,
CIÊNCIAS consequência da interferência do ser humano sobre o meio ambiente.
• Interdependência entre os seres vivos e os recursos naturais do planeta Terra: interação do
LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA artista com o meio, e as influências deste processo, materiais e conceituais, em sua produção.
(Inglês e Espanhol)
ARTE SAÚdE E QUALIdAdE dE VIdA
Saúde e qualidade de vida.
1. o que se entende por saúde e qualidade de vida?
2. Que relação se pode fazer entre o conhecimento do corpo, o conceito de saúde e qualidade

de vida?
3. como cada disciplina contribui para o conhecimento do corpo humano?
• A saúde física e mental e a qualidade de vida relacionadas a problemáticas socioambientais, tais

como moradia, saneamento básico, emprego, lazer, relações humanas.
• Desenvolvimento de habilidades de leitura de textos jornalísticos para ampliação da visão

do aluno a respeito do que é qualidade de vida, considerando os aspectos e elementos que a
compõem.
• Avaliação dos indicadores sociais do conceito de qualidade de vida.
• Conhecimento do conceito global de saúde pela análise dos indicadores da área da saúde.
• Compreensão do conceito de saúde e qualidade de vida no decorrer dos tempos e as políticas
públicas adotadas pelos Estados em cada momento histórico.
• 1. crescimento populacional/estrutura econômico-social e qualidade de vida; 2. as ações sociais
no combate às desigualdades para a promoção da qualidade de vida de todos os cidadãos.
• Conceito de saúde e a inter-relação entre ser saudável, qualidade de vida e os meios natural,
social e cultural em que se vive.
• Conhecimento científico e cuidados com o corpo – contribuições para a compreensão do
significado do que é ser saudável e do que é qualidade de vida.
• Língua inglesa: compreensão da relação entre saúde e qualidade de vida por diferentes culturas.
Língua espanhola: bem estar e qualidade de vida por meio de uma alimentação saudável e da
prática esportiva.
• As representações do corpo humano pela ótica do pensamento artístico em diferentes épocas e
análise crítica dos padrões corporais na atualidade.
• Abordagens do corpo na arte, que estimulam o desenvolvimento de uma atitude consciente em
relação aos aspectos: físico, mental e social.

Unidade 1 8o ANo
Eixo temático cIdAdANIA E cULTURA
Questões desencadeadoras do
trabalho interdisciplinar Valorização da diversidade cultural.
LÍNGUA PORTUGUESA 1. como promover a tolerância e o respeito à diversidade cultural nas sociedades humanas?
2. como contribuir para a valorização da cultura regional e nacional?
MATEMÁTICA • A amplitude do conceito de cultura, as relações entre cultura e cidadania.
• O conhecimento e a valorização da diversidade cultural. O estudo das variedades linguísticas

como forma de expressão dessa diversidade.
• A intersecção entre os elementos de diversas culturas na formação da identidade nacional.
• Reconhecimento das características regionais de cada cultura para a valorização da diversidade

cultural.

MANUAL do EdUcAdoR 15

HISTÓRIA • A conquista da cidadania e as diversas influências culturais na formação do povo brasileiro
GEOGRAFIA durante o processo histórico.
CIÊNCIAS
• A diversidade étnica e cultural do patrimônio a ser conhecido e divulgado.
LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA • Os movimentos migratórios como fator de impacto econômico e cultural no espaço urbano.
(Inglês e Espanhol) • A evolução biológica e a diversidade cultural humana: as características físicas do ser humano
ARTE
como fatores determinantes do desenvolvimento cultural e tecnológico da humanidade.
Unidade 2 • Responsabilidade do ser humano, diante do seu livre-arbítrio, nas suas escolhas em relação à
Eixo temático
Questão desencadeadora do vida no planeta.
trabalho interdisciplinar • Língua inglesa: comparação entre diferentes culturas. Língua espanhola: valorização da leitura
LÍNGUA PORTUGUESA
como meio de exercer a cidadania plena e reconhecimento das festas populares como forma de
MATEMÁTICA renovar o sentido de pertencer a uma comunidade.
• A arte como produto cultural, reflexo das características de um povo.
HISTÓRIA • A formação da cultura nacional baseada na diversidade e na assimilação consciente de elementos
GEOGRAFIA de culturas estrangeiras.

CIÊNCIAS cULTURA dE PAZ
Cultura de paz.
LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA Por que não há paz e como alcançá-la?
(Inglês e Espanhol)
ARTE • O uso e o poder da palavra como instrumento de denúncia e mobilização para a prática da
cidadania e a multiplicação das iniciativas de construção da justiça e da paz.

• Apropriação de recursos linguísticos para contribuir socialmente com as iniciativas de ações de
paz, tolerância e responsabilidade social.

• Utilização do conhecimento cultural da humanidade para a construção de uma sociedade mais
harmoniosa.

• Proposta de interferências sociais positivas pela análise do meio em que se vive.
• Os principais caminhos na construção da cultura de paz ao longo da história humana e as suas

consequências.
• O papel dos países pobres e ricos na atual organização social e econômica mundial.
• As relações de poder decorrentes das disputas econômicas, étnicas, religiosas, políticas e

territoriais existentes no mundo e seus impactos para a paz mundial.
• A paz como reflexo do respeito mútuo entre os seres que vivem no planeta e a estabilidade da

Terra, decorrente do processo dinâmico e contínuo de inter-relações dos seres vivos entre si e
com o ambiente.
• A responsabilidade do ser humano quanto ao uso do conhecimento científico na construção (ou
não) da paz.
• Língua inglesa: biografias (exemplos de ações e de personalidades que lutam ou lutaram pela
paz). Língua espanhola: reflexão sobre a violência que gera violência, tanto quanto da gentileza
que gera gentileza.
• A relação da arte com conflitos e guerras, como forma de denúncia, resistência e proposta de
reflexão crítica sobre as situações de ausência de liberdade e paz.

Unidade 1 9o ANo
Eixo temático TRABALHo E coNSUMo
Questões desencadeadoras do
trabalho interdisciplinar Trabalho e consumo.
1. como são as relações entre trabalho e consumo na sociedade atual?
LÍNGUA PORTUGUESA 2. Qual o papel do consumo no desenvolvimento da sociedade?
3. Qual a diferença entre consumo e consumismo?
MATEMÁTICA 4. Que relações se podem fazer entre avanço tecnológico e mundo do trabalho?
HISTÓRIA • Os problemas vividos pelo trabalhador e o reconhecimento da importância da dignidade no
GEOGRAFIA
trabalho. As diferentes posturas diante dos conflitos que envolvem a luta por trabalho e
16 MANUAL GERAL qualidade de vida.
• A adequação do uso da língua oral e escrita, a aquisição de vocabulário e procedimentos de
comunicação adequados a situações relacionadas ao trabalho.
• As estratégias de persuasão da linguagem publicitária para a identificação e influência do desejo
de consumo.
• Participação do indivíduo nas propostas de soluções para problemas financeiros do cotidiano.
• Análise de questões sociais sob o aspecto econômico.
• A evolução do trabalho humano; o desenvolvimento das relações de trabalho.
• O consumismo ao longo da história.
• Os impactos dos avanços tecnológicos no atual mercado de trabalho.
• O consumismo como resultado da aculturação em escala, decorrente da expansão capitalista, por
intermédio dos veículos de comunicação de massa.

MANUAL GERAL

CIÊNCIAS • A Ciência como trabalho; o cientista como profissional.
• Desenvolvimento científico e novas profissões.
LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA • O desenvolvimento científico e tecnológico como base para o consumo consciente e para a
(Inglês e Espanhol)
ARTE melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho.
Unidade 2 • Língua inglesa: identificação de problemas e possíveis soluções em relação ao trabalho;
Eixo temático
Questões desencadeadoras do Influência da mídia e da cultura norte-americana na prática do consumismo. Língua espanhola:
trabalho interdisciplinar reflexão sobre a importância do trabalho e do consumo para o desenvolvimento do país, mas
LÍNGUA PORTUGUESA também como fator de endividamento pessoal e de degradação do meio ambiente.
MATEMÁTICA • A arte como trabalho: o artista como profissional.
HISTÓRIA • Possibilidades do consumo de arte e produtos culturais.
GEOGRAFIA
GLoBALIZAÇÃo E NoVAS TEcNoLoGIAS
CIÊNCIAS Globalização e novas tecnologias.
1. como o ser humano utiliza as novas tecnologias no mundo globalizado?
LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA 2. Globalização para quê? Para quem?
(Inglês e Espanhol) 3. Quais os aspectos positivos e negativos das novas tecnologias no mundo globalizado?
ARTE • Os novos recursos destinados à divulgação, circulação e acesso à informação. Reflexão e análise

textual focadas na problemática da globalização.
• O conhecimento e a valorização da identidade e da cultura latino-americana.
• Relação entre as novas tecnologias e as transformações sociais.
• Reconhecimento das novas tecnologias como um processo de evolução do conhecimento

histórico da humanidade.
• A compreensão do processo histórico da globalização vinculado ao desenvolvimento tecnológico.
• O processo de globalização e sua influência nas relações políticas, sociais, culturais e

econômicas no mundo atual.
• A globalização geradora de desigualdades e os movimentos sociais no combate à sua

perversidade.
• A questão da ética no mundo globalizado: o desenvolvimento tecnológico e a responsabilidade do ser

humano quanto ao uso da tecnologia para a manutenção da qualidade de vida pessoal e coletiva.
• Inovações tecnológicas e o meio ambiente: reflexão sobre as consequências da globalização

no âmbito individual e coletivo; compreensão de que vivemos numa aldeia global e que a ação
individual reflete no coletivo.
• Língua inglesa: o papel da língua inglesa no processo de globalização; o desenvolvimento
tecnológico e a responsabilidade do ser humano. Língua espanhola: a globalização como um
fenômeno que envolve a circulação não só de produtos, mas também de conhecimento e bens
culturais. Enfatização da necessidade de constante atualização do indivíduo.
• A questão da ética no mundo globalizado: a relação da humanidade com o mundo globalizado e
as novas tecnologias, entendendo-se como responsável pelo uso desses recursos.
• A influência do desenvolvimento tecnológico nas produções artísticas.

Além da abordagem de eixos temáticos em comum, tratados com considerando que todo educador é educador de linguagem, um foco
base nas especificidades de cada disciplina e na síntese dos produtos comum por unidade contribui para que os alunos tomem contato com
finais em propostas da seção Vamos compartilhar?, a obra também os diversos tipos de enunciados e realizem atividades em que tenham
busca favorecer a interdisciplinaridade no que diz respeito a algumas de lançar mão de procedimentos comuns, ou muito semelhantes,
estratégias de leitura e à abordagem dos conteúdos procedimentais. simultaneamente. Por exemplo, se o que estiver em foco na unidade
for o procedimento de “leitura de imagem”, algumas disciplinas, ou
Ainda que todos os capítulos apresentem uma diversidade de em alguns casos todas elas, apresentarão ao menos uma atividade
enunciados e um conjunto de procedimentos variados, em cada relacionada ou correspondente ao foco dado.
unidade um desses procedimentos aparece em foco. Esse ponto de
convergência tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento A seguir apresentamos um quadro-síntese dos conteúdos proce-
de habilidades de leitura e produção oral e escrita. Desse modo, dimentais por unidade (Quadro 2).

qUAdRo-síNtEsE 2 – coNtEÚdos pRocEdiMENtAis
tRAbALHAdos Nos qUAtRo voLUMEs

6o ANo 7o ANo 8o ANo 9o ANo
Unidade 1 Unidade 1 Unidade 1 Unidade 1
Identificar, localizar, selecionar Comparar, relacionar. Identificar ideia Atividades que englobam alguns
informações. central. procedimentos anteriores.

Justificar, descrever, caracterizar. Unidade 2 Unidade 2 Unidade 2
Unidade 2 Expor ideias oralmente e preparar-se Argumentar, Atividades que englobam alguns
para apresentações públicas. defender opiniões. procedimentos anteriores.
Ler imagens. Trocar ideias.

MANUAL do EdUcAdoR 17

Certamente a eleição de alguns conteúdos procedimentais comuns Para despertar o interesse do aluno pelo conhecimento e garantir
não anula o fato de que outros procedimentos convivem com esses um aprendizado efetivo, há a necessidade de desenvolver o máximo
conteúdos nas sequências didáticas. Será possível encontrar na obra possível os conteúdos da disciplina em seus aspectos conceituais,
o levantamento de hipóteses, a dedução, a formulação de conclusões, procedimentais e atitudinais, a saber:
o questionamento, entre outros. • conteúdos conceituais: correspondem aos conhecimentos for-

como tratamos o processo de ensino-aprendizagem malizados, construídos em determinada cultura e legitimados
mediante projetos cientificamente. Devido à amplitude desses conhecimentos, faz-se
Dentro do enfoque globalizador, interdisciplinar, esta coleção necessária a seleção de alguns desses conteúdos para abordar.
apresenta propostas de ação na linha da “pedagogia de projetos”, A mobilização desses conteúdos se dá na medida em que são
incentivando o educador a buscar parcerias não só entre os colegas, relevantes para a resolução de situações-problema e/ou a com-
mas também com toda a comunidade escolar e seu entorno, com o preensão e análise de algum texto, fato ou informações em geral.
objetivo de desenvolver atividades coletivas que vão além do conteúdo Os conteúdos conceituais referem-se a um “saber”.
específico de sua disciplina. • conteúdos procedimentais: correspondem ao desenvolvimento
fundamentos da pedagogia de projetos de habilidades que permitam ao aluno construir diferentes com-
• Pedagogia de projetos é uma concepção e uma postura pedagógica. petências por meio da observação, seleção, comparação, identi-
• É a construção de uma prática pedagógica centrada na formação ficação, análise, inferência etc. de diferentes situações e códigos:
global do aluno a partir da pluralidade e diversidade de ações e linguístico e matemático, verbal e não verbal, escrito e oral. Esses
contextos. procedimentos podem ser organizados didaticamente, “em espiral”,
• Parte do princípio de que todo conhecimento é construído em partindo dos mais simples para os mais complexos.12 Os conteúdos
estreita relação com os contextos em que é utilizado. Por isso, é procedimentais referem-se a um “saber fazer”.
impossível separar os aspectos cognitivos dos emocionais e sociais. • conteúdos atitudinais: correspondem à exploração dos valores
• Entende que as necessidades de aprendizagem afloram a partir humanos positivos. Dizem respeito ao desenvolvimento da percep-
das tentativas de resolver situações-problema. ção e da criticidade em relação às diferentes situações, contextos
• Considera fundamental que o aluno construa sua autonomia e político-culturais, valores, decisões individuais e coletivas. Os
seu compromisso com o real, que ele desenvolva a habilidade de conteúdos atitudinais referem-se a um “saber ser”.
adaptação e atitudes colaborativas e ainda o gosto por aprender
e reaprender durante toda a sua vida. CONSIDERAÇÕES SOBRE AVALIAÇÃO
• Considera que os conteúdos das disciplinas são instrumentos cul-
turais valiosos para compreender a realidade e fazer interferências Como você define avaliação e o objetivo dessa prática? Que ins-
nela. São meios para ampliar a formação dos alunos, mas não são trumentos você utiliza para desenvolvê-la? Como faz isso?
neutros nem constituem um fim em si mesmos.
Diante da pluralidade de contextos educacionais no Brasil, cabe As respostas a essas questões estão diretamente associadas à
lembrar que não é possível contemplar, nas atividades com propostas concepção pedagógica que rege a prática do educador.
interdisciplinares, os inúmeros elementos que compõem contextos
específicos. Assim, espera-se que as atividades propostas nesta coleção Na perspectiva de construir uma “escola cidadã”, portanto democrá-
sejam um ponto de partida para uma prática pedagógica calcada na visão tica, a avaliação é considerada um instrumento auxiliar indispensável
das disciplinas como instrumentos culturais valiosos na elaboração de no processo de aprendizagem. Mas está distante do significado his-
propostas interdisciplinares. Assim, aos educadores cabe uma avaliação toricamente construído de instrumento burocrático de atribuição de
dos aspectos pontuais relacionados a cada contexto e a adaptação das nota com o objetivo de aprovar, de premiar o aluno ou de reprová-lo,
ações necessárias à adequação do material didático às demandas escolares. de castigá-lo pelo seu desinteresse e falta de empenho em relação
LUGAR do LivRo didático No pRocEsso dE aos estudos.
ENsiNo-ApRENdizAGEM
Nesse contexto em que elaboramos esta coleção, só faz sentido usar A avaliação precisa ser compreendida como um instrumento de
o livro didático como mais um recurso que facilita a aprendizagem, e compreensão do nível de aprendizagem dos alunos em relação aos
não como o único instrumento para isso. conceitos estudados, às habilidades desenvolvidas. Ação que necessita
Consideramos, assim: ser contínua, pois o processo de construção de conhecimentos dará
• que o uso dos textos e das imagens e as propostas de produção muitos subsídios ao educador para perceber os avanços e as dificul-
e de atividades individuais ou coletivas nesta coleção são desen- dades dos educandos e, assim, rever a sua prática e redirecionar as
cadeadores, motivadores e orientadores do projeto educacional a suas ações, se for preciso. Portanto, dentro de uma concepção mais
ser construído coletivamente pelos profissionais da educação, progressista de educação, não tem lugar a avaliação autoritária, que
planejando cada etapa do processo de ensino-aprendizagem, não visa ao crescimento dos educandos, chamada de “classificatória”,
movidos por objetivos comuns; mas abre-se um longo espaço para a avaliação “diagnóstica”.
• que as ações executadas, planejadas, inspiradas a partir desta
obra não devem deixar de considerar pressupostos básicos que Em relação à avaliação individual, é importante que ocorra não
nos ajudam a entender como a aprendizagem ocorre. Para isso, como a mais importante, mas como um entre vários instrumentos
recomendamos uma leitura mais aprofundada da obra de Piaget, utilizados, com pesos semelhantes, para diagnosticar os avanços e
Vygotsky e Bakhtin. Suas teorias, com pontos divergentes entre as dificuldades dos alunos. E é preciso ainda considerar os três tipos
si, semelhantes ou complementares, ofereceram contribuições de conteúdos: conceituais, procedimentais e atitudinais, no momento
importantes para a compreensão da construção do conhecimento de traçar os indicadores de aprendizagem. Está aí o grande desafio
e merecem atenção e estudo. para o educador.
AboRdAGEM dos coNtEÚdos foRMAs dE AvALiAção
As propostas de atividades convidam os alunos a assumir o papel
de sujeitos da aprendizagem, dinamizando e dando mais vida ao É importante, em cada finalização de um bloco de atividades, o
trabalho em sala de aula. educador fazer uma avaliação oral junto aos alunos com a finalidade
12 Por exemplo: 1. Identificar uma informação explícita é um procedimento
18 MANUAL GERAL
menos complexo do que inferir dados implícitos em um texto. 2. Fazer
uma reflexão sobre um texto ou fato, a partir da experiência pessoal,
geralmente é um procedimento mais simples do que fazer uma reflexão
de um texto ou fato a partir de um conhecimento específico, científico,
formalizado.

MANUAL GERAL

de saber se os objetivos foram alcançados. E, para posterior consulta, de números etc., erros de natureza e pesos diferentes em relação ao
é fundamental que ele registre esses resultados por escrito. Em um que representa para a aprendizagem.
caderno especialmente selecionado para isso, o educador poderá
também anotar os momentos mais significativos da aula, da semana, “Nem todos os erros têm a mesma importância. [...] Quando
do mês, registrando o que deu certo e o que não funcionou com o menino afirma que 2 + 0 = 20, o que ele está percebendo? A
determinada turma ou em relação a determinados alunos. Alguns natureza de tal resposta é muito diferente daquela que repre-
educadores costumam organizar um caderno com o nome de cada senta um equívoco na transcrição de um número (escrever 6
um deles, dividindo-o em colunas, a fim de anotar os avanços e as no lugar do 9, por exemplo).”15
dificuldades apresentadas durante todo o processo de ensino. Dessa
maneira, o educador tem menos dificuldade de atribuir um conceito Por meio dos erros, podemos compreender melhor os mecanismos
para o aluno quando a situação exigir. mentais envolvidos nos equívocos nas respostas apresentadas pelos
NívEis dE LEtRAMENto alunos e aprimorar os processos educativos, inclusive as estratégias
utilizadas, a organização e seleção dos conteúdos etc. A reflexão sobre
A proposta de avaliação desta coleção tem como objetivo verificar os erros, o exame do seu processo, que se pode fazer juntamente com
o nível de letramento do aluno e auxiliar o educador no desenvolvi- o aluno, por meio da elaboração de perguntas construídas a partir
mento de atividades que contribuam para o avanço dele. Além disso, dos resultados das avaliações, constituem caminhos fundamentais
busca oferecer alguns índices importantes para o redirecionamento para a superação dos problemas que impedem o aprendizado. Mui-
das práticas e dos critérios de avaliação. tas vezes, um erro é o motor principal que impulsiona à mudança,
ao aprofundamento em relação a determinado conceito, ou seja, ao
O nível de letramento pode ser considerado tanto no sentido êxito no processo de aprendizagem.
individual, em que o aluno é avaliado pela aquisição de habilidades
específicas, quanto no sentido de letramento social, que visa uma Exemplos de questões para reflexão sobre os erros:
mudança na ação do sujeito, na construção de uma visão crítica, uma • Você sentiu alguma dificuldade na resolução desse problema?
atuação mais analítica e reflexiva.
Explique.
Para tanto, elencamos alguns níveis de letramento, também con- • O que o levou a dar essa resposta? Em que pensou?
cebidos como habilidades. Ao longo das atividades presentes na • Você tentou resolver o problema por outro caminho? Explique.
coleção, buscamos gradativamente ajudar o aluno a: • Houve alguma questão na qual você não conseguiu chegar ao
• reconhecer informações explícitas em textos orais e escritos;
• reconhecer dados implícitos, sugeridos pelas situações comunica- resultado que esperava? Por que acha que isso aconteceu?
• Depois de participar da correção da avaliação, a que conclusão
tivas, e demais pistas presentes nos contextos de aprendizagem;
• localizar e reconhecer a relação de diversas informações; você chegou em relação ao que foi considerado erro? Concordou
• utilizar-se das modalidades oral e escrita da língua em diversas com a avaliação do educador? Por quê?
Consideramos, portanto, que enfatizar os avanços e entender o
situações comunicativas, adequando-as conforme o contexto; erro como parte do processo de aprendizagem é uma forma eficaz
• inferir e selecionar dados necessários para a resolução de problemas; de estimular o aluno a continuar seu empenho nesse processo. Fazer
• reconhecer o tema principal ou o objetivo do autor em textos uma avaliação e se limitar a informar as notas ou colocar a correção
no quadro constitui um verdadeiro desperdício de um instrumento
sobre temas familiares e não familiares; pedagógico tão valioso. Esperamos que as propostas que apresentamos
• reconhecer a ideia central e/ou os dados principais de um texto ou nesta obra didática estimulem o educador a criar oportunidades de
reflexão, de confronto de pensamentos, de ações que, certamente,
situação-problema,13 entendendo relações e construindo significados; farão o aluno avançar na qualidade do seu aprendizado.
• interpretar o significado de nuances da linguagem, construindo tipos dE AvALiAção
Entendemos que a diversidade das propostas avaliativas oferece
sentidos a partir de considerações sobre o texto completo; melhores condições para o educador visualizar o que os alunos pu-
• relacionar informações a conhecimentos do cotidiano e/ou expe- deram aprender. Utilizar diferentes formas de avaliar, orais e escritas,
auxilia o educador a avaliar a sua prática e considerar as diferentes
riências e atitudes pessoais; possibilidades de organizar e comunicar o conhecimento: por meio
• avaliar criticamente um texto e/ou uma situação-problema, uti- de ilustrações, respostas orais, autoavaliações escritas, debates, ex-
posições, comentários, respostas escritas, apresentações artísticas,
lizando conhecimentos pessoais, formalizados ou públicos, para trabalhos em grupo, pesquisa, representações plásticas, construção
estabelecer hipóteses. de mapas conceituais,16 portfólios ou processofólios etc.
Noção dE ERRo coNtEÚdos AvALiAdos (iNdicAdoREs dE
Consideramos a questão do erro, conforme o pensamento de ApRENdizAGEM)
vários estudiosos sobre o assunto, especialmente Saturnino de La Além da diversidade de propostas avaliativas, é importante que o
Torre,14 como fonte de conhecimento, parte importante do processo educador tenha claros quais conteúdos serão avaliados.
de ensino-aprendizagem, cujo significado precisa ser mais bem com- Conforme a disciplina, o educador necessita enfocar os conteúdos
preendido pelo educador, levando-o a modificar sua visão e atitude conceituais e procedimentais a serem avaliados, de acordo com o
negativa diante dele. trabalho realizado em sala de aula. Os conteúdos atitudinais podem
Um erro representa um diagnóstico valioso das necessidades dos ser avaliados observando a postura do aluno diante dos desafios
alunos em determinado momento do processo de ensino-aprendi-
zagem, um indicativo de que certo conceito não foi compreendido 15 Tradução livre de um trecho do livro de Saturnino de La Torre: Aprender
e, por isso, precisa ser retomado mediante o emprego de outras de los errores. Barcelona, Espanha: Editorial Escuela Española.
estratégias facilitadoras. Pode indicar também que tal habilidade
não foi desenvolvida, mas também que um problema proposto não 16 Mapa conceitual é uma espécie de organograma de ideias com um
fez sentido para o aluno, ou ainda indicar que se trata de um lapso, conjunto de substantivos inter-relacionados. Os grandes conceitos
um falha na sua concentração, deixando escapar um troca de letras, aparecem dentro de caixas relacionadas entre si por frases ou verbos. Ao
fazer o mapa, o aluno analisa as possíveis relações entre as ideias que
13 É importante observar que o texto pode apresentar ou fazer tem sobre determinado tema. Em algumas disciplinas desta coleção, é
parte de uma dada situação-problema. A separação entre texto e proposto esse tipo de atividade para ajudar o aluno a sintetizar o que
situação-problema tem o intuito de uma melhor organização didática. aprendeu ou explicitar suas dúvidas.

14 Saturnino de La Torre é catedrático da Universidade de Barcelona e
escreveu o livro Aprender de los errores, que está sendo publicado em
português pela Editora Artmed.

MANUAL do EdUcAdoR 19

postos em aula e dos conflitos presentes no ambiente escolar e no Logo, dependendo do contexto em que está sendo considerada, a
processo de aprendizagem. competência pode ser uma habilidade. Ou vice-versa”.17

É importante salientar que todo processo avaliativo deve ser Resumindo seu pensamento sobre esse tema, nesse mesmo texto
realizado considerando os objetivos gerais traçados. A qualidade Mello diz que “a competência só pode ser constituída na prática. Não
do enfrentamento desses desafios de aprendizagem, a mobilização é só o saber, mas o saber fazer. Aprende-se fazendo, numa situação
dos esquemas cognitivos, ou seja, das capacidades intelectuais re- que requeira esse fazer determinado. Esse princípio é crucial para a
lacionadas ao domínio de linguagens, de conceitos e da construção educação. Se quisermos desenvolver competências em nossos alu-
de argumentos constituem as competências básicas necessárias nos, teremos de ir além do ensino para memorização de conceitos
aos alunos para que possam interferir em seu meio como cidadãos, abstratos e fora do contexto. É preciso que eles aprendam para que
sujeitos autônomos. serve o conhecimento, quando e como aplicá-lo. Isso é competência”.

Em outras palavras, ao avaliar o aluno, devemos estar atentos aos coNsidERAçõEs sobRE sitUAçõEs-pRobLEMA
indicadores de aprendizagem que devem ser traçados antes do início Phillippe Perrenoud traz importantes contribuições para a con-
das atividades, a fim de orientar melhor esse processo. Consideramos
importante que esses indicadores estejam relacionados aos objetivos ceituação de situação-problema. Em Dez novas competências para
gerais que se deseja alcançar, especialmente com referência às com- ensinar, capítulo II, o autor18 apresenta as dez características de uma
petências básicas que se almeja desenvolver. situação-problema:

Destacamos nesta coleção as seguintes competências como nortea- “1. Uma situação-problema é organizada em torno da resolução
doras de nosso trabalho: domínio de linguagens, aquisição de conceitos, de um obstáculo pela classe, obstáculo previamente bem iden-
enfrentamento de situações-problema e construção de argumento. tificado. [...]

Nesse sentido, o educador encontrará, anexado a este manual, 2. O estudo organiza-se em torno de uma situação de caráter
o que chamamos de mapas das competências, que acreditamos concreto, que permita efetivamente ao aluno formular hipóteses
contribuir para orientar as suas ações relacionadas ao processo de e conjecturas. [...]
avaliação dessas competências em cada unidade.
3. Os alunos veem a situação que lhes é proposta como um ver-
Mas será que está claro para você, educador, o conceito de “com- dadeiro enigma a ser resolvido, no qual estão em condições de
petência”? Para ajudá-lo a verificar, reproduzimos um texto publicado investir. [...]
pela Secretaria Municipal de São Paulo, dentro dos documentos que
procuram orientar o processo de avaliação do ensino nessa região 4. Os alunos não dispõem, no início, dos meios da solução buscada,
do país, chamado Saresp, no qual nos baseamos para selecionar as devido à existência do obstáculo a transpor para chegar a ela.
competências a que nos referimos anteriormente: É a necessidade de resolver que leva o aluno a elaborar ou
a se apropriar coletivamente dos instrumentos intelectuais
Competência – o que é necessários à construção da solução.
Domínio prático de um tipo de tarefa em situações comuns
– o saber fazer – que envolve sempre um grau de improvisação 5. A situação deve oferecer resistência suficiente, levando o aluno a
que vem da experiência. nela investir seus conhecimentos anteriores disponíveis, assim
Competência – o que requer sua construção como suas representações, de modo que ela leve a questiona-
Provocar no aluno um conjunto de mudanças que caracterizem mentos e à elaboração de novas ideias.
um desenvolvimento cognitivo, afetivo e social.
Competência – o que está envolvido na sua formação 6. Entretanto, a solução não deve ser percebida como fora de
Conhecimentos de várias áreas para a tomada de decisões alcance pelos alunos, não sendo a situação-problema uma
pertinentes. situação de caráter problemático. A atividade deve operar em
Diferença entre competência e habilidade depende do con- uma zona próxima, propícia ao desafio intelectual a ser resolvido
texto. Uma habilidade pode ser uma competência se ela envolver e à interiorização das “regras do jogo”.
outras sub-habilidades mais específicas. [...]
Relação entre competência e habilidade 7. A antecipação dos resultados e sua expressão coletiva precedem
A competência é uma habilidade colocada num contexto onde a busca efetiva da solução, fazendo parte do jogo o “risco”
ela é geral e a habilidade é uma competência muito específica. assumido por cada um.
Competência e formulação do currículo
Antes o currículo era formulado em função daquilo que 8. O trabalho da situação-problema funciona, assim, como um
queríamos ensinar. Hoje formulamos o currículo em função do debate científico dentro da classe, estimulando os conflitos so-
que queremos que o aluno aprenda, o que envolve: construção ciocognitivos potenciais.
de conhecimento, modernização do conhecimento e utilização
do conhecimento de forma pertinente em determinada situação. 9. A validação da solução e sua sanção não são dadas de modo
Competência e conteúdo externo pelo educador, mas resultam do modo de estruturação
O conteúdo é importante para a construção de uma compe- da própria situação.
tência para continuar aprendendo.
Construção de competência e trabalho pedagógico 10. O reexame coletivo do caminho percorrido é a ocasião para
A escola tem que levar em conta os diversos pontos de par- um retorno reflexivo [...]; auxilia os alunos a se conscientizarem
tida de seus alunos. O ensino tem que ser diverso para que o das estratégias que executaram [...] e a estabilizá-las em proce-
resultado seja comum, pois todos têm direito de construir, ao dimentos disponíveis para novas situações-problema.”
longo de sua escolaridade, um conjunto básico de competências.
É importante que o educador reflita sobre essas considerações de
Disponível em: <http://saresp.fde.sp.gov.br/2002/subpages/ Perrenoud, tanto na elaboração do processo avaliativo como em toda
a organização didática e metodológica.
criterios.htm>. Acesso em: 20 mar. 2013.
Quanto à diferença entre competência e habilidade, Guiomar Namo Esta coleção busca propor, nas sequências didáticas, questões
de Mello dá um exemplo: “A competência de resolução de problemas desafiadoras ou determinada situação-problema como desencade-
envolve diferentes habilidades – entre elas a de buscar e processar adoras do processo de ensino-aprendizagem. Modelos desse tipo
informações. Mas a habilidade de processar informações, em si, envolve de abordagem poderão ajudá-lo a elaborar outras situações mais
habilidades mais específicas, como leitura de gráficos, cálculos etc. relacionadas ao contexto sociocultural em que atua. Com isso, estará
incentivando ainda mais a participação do aluno em todo o processo.
20 MANUAL GERAL
17 MELLO, Guiomar Namo de. Afinal, o que é competência? Revista Nova
Escola. São Paulo: Abril, mar. 2003.

18 PERRENOUD, Phillippe. Dez competências para ensinar. Porto Alegre: Artes
Médicas, 2000, p. 42-43.

MANUAL GERAL

ESTRUTURA DA OBRA realizadas a partir de textos de diferentes gêneros, como: mapa,
notícia, pintura, poema, canção, reportagem, artigo de opinião
A coleção se estrutura em quatro volumes e é formada por sete etc., seguidos de questões que podem ser respondidas oralmente
disciplinas. A integração entre elas ocorre especialmente por ter sido ou por escrito.
construída a partir de um trabalho de busca de articulações entre os
vários conteúdos a serem desenvolvidos em sala de aula. Daí a cons- ApRofUNdANdo o tEMA
trução da obra, partindo de temas comuns, relacionados a questões
que estão além das disciplinas. • Aparece como sequência didática da seção Desvendando o tema,
quando se faz necessário trabalhar situações ou conceitos mais
Em todas as unidades, os autores de cada área de conhecimento complexos sobre o mesmo assunto.
procuram relacionar os seus conteúdos com os das outras disciplinas
a partir dos temas, conceitos estudados, procedimentos e habilidades AMpLiANdo o tEMA
desenvolvidas. Todas as áreas apresentam algumas seções em comum,
partindo do mesmo objetivo. • Também aparece como sequência didática da seção Desvendando
o tema, quando é necessário trabalhar situações ou conceitos mais
Cada área do conhecimento é composta por oito unidades, distri- abrangentes, indo além dos aspectos desenvolvidos anteriormente.
buídas ao longo dos quatro anos finais do ensino fundamental. Cada
unidade de cada disciplina apresenta, em geral, dois capítulos, todos sUA vEz...
estruturados a partir dos seguintes eixos temáticos:
• Aplicação do conhecimento construído, registro dos resultados de
6o ano: Unidade 1 Identidade análises realizadas, que podem ocorrer por diversos meios, entre
7o ano: Unidade 2 Cidadania e leitura eles: atividades ou exercícios diversificados, construção de texto,
8o ano: Unidade 1 Meio ambiente cálculos matemáticos, perguntas e respostas etc.
9o ano: Unidade 2 Saúde e qualidade de vida
Unidade 1 Cidadania e cultura vocÊ sAbiA?
Unidade 2 Cultura de paz
Unidade 1 Trabalho e consumo • A seção se destina à sistematização de conceitos ou à apresentação
Unidade 2 Globalização e novas tecnologias de curiosidades em relação ao tema em estudo, contribuindo para
a ampliação dos conhecimentos e da análise crítica.
Espera-se que o educador desenvolva seu trabalho, mediado por
esta coleção, selecionando as propostas apresentadas, ordenando MoMENto LÚdico
as ações, acrescentando outras atividades, partindo dos interesses
e das necessidades de seus alunos. Cada eixo temático está previsto • Seção de jogos, dinâmicas, atividades lúdicas em geral que possam
para ser desenvolvido no prazo mínimo de dois meses. Ficará a promover a aprendizagem, desenvolver outras inteligências e, ao
cargo do educador decidir como utilizar este material a partir do mesmo tempo, divertir os alunos por meio de enfoques menos
contexto em que está inserido, se estenderá por todo o semestre formais relacionados ao tema em questão.
a exploração do tema ou de determinadas ações propostas. Enfim,
espera-se que o educador utilize esta coleção de maneira que não E EU coM isso?
o impeça de desenvolver a sua criatividade, de fazer interferências e
usos diferenciados das propostas, baseado nas suas avaliações sobre • Proposta de ensino mediante projetos relacionados ao tema de
as necessidades de seus alunos. Para ir além do que está no livro do cada capítulo, envolvendo mais de uma ação do aluno e resultando,
aluno, elaboramos sugestões de leituras complementares, de outras na grande maioria das vezes, num produto. Tipo de atividade que
atividades, de projetos de trabalho, que podem servir de ponto de estimula o desenvolvimento de várias habilidades e competências,
partida para que o educador e seus alunos tracem, juntos, os passos conforme já foi explicitado anteriormente. Partimos do pressuposto
a seguir rumo à construção de conhecimentos. de que haverá interesse tanto da parte do educador quanto do
aluno em divulgar os resultados dos projetos desenvolvidos. Por
SEÇÕES PRESENTES NOS CAPÍTULOS isso, propomos, no final das unidades da maioria das disciplinas,
DE TODAS AS DISCIPLINAS um tipo de evento e, às vezes, outras ações que necessariamente
envolverão vários educadores com esse mesmo desejo. Educa-
pRA coMEço dE coNvERsA dores que, junto com os alunos, teriam objetivos em comum:
compartilhar os conhecimentos construídos, desenvolver outras
• Esta seção acomoda diversos tipos de abordagem, visando o habilidades, aprender mais por meio dos intercâmbios que esse
questionamento. É o momento de conversar com o aluno sobre tipo de atividade promove etc. Por isso é importante aproveitar
o tema do capítulo, por isso propomos que as atividades sejam os momentos de discussão do planejamento escolar para traçar
desenvolvidas oralmente. Elas têm como objetivo: metas comuns, distribuir responsabilidades, estabelecer crono-
inquietar, provocar o aluno, criar conflitos cognitivos; gramas, para que as articulações entre as ações desenvolvidas ao
avaliar os conhecimentos prévios dos alunos; longo do capítulo, especialmente nessa seção, possam culminar
despertar o interesse dos educandos para os conteúdos a serem num trabalho coletivo, envolvendo o maior número possível de
trabalhados no capítulo. disciplinas de forma organizada.

dEsvENdANdo o tEMA REvELANdo o qUE ApRENdEU

• Momento de leitura de um texto, visando analisar o tema, proble- Essa seção está relacionada ao processo de avaliação contínua
matizá-lo, confrontá-lo com dados da realidade etc. Pode conter incentivada nesta obra. Uma avaliação que implica refletir, sempre
mais de um texto e as subseções Antes de ler, que traz atividades que necessário, especialmente sobre as dificuldades encontradas na
de leitura prévia e levantamento de conhecimentos prévios, e Por realização das tarefas, na compreensão de um texto.
dentro do texto, que consiste nas atividades de análise dos textos
selecionados. Em geral, esse momento traz atividades de leitura durante o processo: verifica-se o que o aluno aprendeu sobre
a atividade que acabou de realizar, ou dúvidas ou equívocos que
precisam ser revistos.

No final de cada capítulo:
• Avalia-se o nível de aprendizagem dos alunos por meio de ativida-

des de síntese, de aplicação dos novos conhecimentos, podendo
apresentar-se também na forma de uma autoavaliação.
• Verifica-se o resultado das estratégias didáticas desenvolvidas: se
foram bem trabalhadas, se precisam ser revistas e reelaboradas.
Como já foi explicitado anteriormente, os alunos avançam na

MANUAL do EdUcAdoR 21

construção do conhecimento não apenas quando respondem às de calma, harmonia e relaxamento, reservando diariamente alguns
expectativas do educador, realizando as atividades com sucesso. Eles instantes para essa prática.
também estão aprendendo quando são incentivados a pensar sobre
o pensar, ou seja, a refletir sobre o que os levou a dar determinada trocando ideias
resposta ou solução ao problema apresentado. O que chamamos de
“erro” ou dificuldade de aprendizagem precisa ser mais bem averi- arte, língua portuguesa e matemática – espaço de discussão,
guado, mais bem avaliado. Por meio de um trabalho de caráter cons- de troca de ideias e de experiências.
trutivo, que não destaca o erro, mas o sentido dele, conscientizando
os alunos sobre o caminho que traçaram e que não os levou a obter Vamos compartilhar?
a resposta esperada, certamente eles se sentirão mais motivados a
buscar outras trilhas rumo ao conhecimento e, quem sabe, até surpre- Nesse momento, convidamos educadores, alunos e toda a comu-
ender o educador com outras respostas coerentes que nem mesmo nidade escolar a se envolverem na organização, dentro do espaço
ele havia pensado para uma questão. Não podemos esquecer que da escola, de eventos, mostras, oficinas de criação, de construção
vivemos em um mundo complexo e precisamos olhar para as suas de jornal mural, festas culturais com a finalidade de divulgar os
multidimensões. Esperamos que o educador se sinta estimulado a trabalhos realizados e propiciar mais uma oportunidade de trocas,
criar estratégias para fazer esse tipo de avaliação, mesmo que não a de integração, de debates, de desenvolvimento de habilidades, de
tenhamos proposto no capítulo, ou por meio de perguntas a serem construção e socialização de conhecimentos. Momento privilegiado
respondidas oralmente, ou por escrito, ou de qualquer outra forma. para apreciar, discutir, avaliar as articulações elaboradas, durante o
O importante é valorizar todas as ferramentas possíveis de avaliação processo de ensino-aprendizagem, sobre os conteúdos trabalhados
qualitativa a fim de auxiliar os alunos a vencer todas as suas dificul- a partir do mesmo eixo temático.
dades e, assim, efetivamente aprender, como todos nós esperamos,
pois essa é a razão do nosso trabalho. As propostas apresentadas nessa seção só poderão ser viabilizadas
se houver efetivamente envolvimento de grande parte dos educadores
SEÇÕES ESPECÍFICAS na sua organização e execução.
DE UMA OU MAIS DISCIPLINAS
A seguir, oferecemos algumas orientações para ajudar a tornar rea-
Além das seções comuns a todas as disciplinas, existem algumas lidade as propostas que são apresentadas nessa seção. São sugestões
criadas por determinada disciplina, apresentando propostas relacio- de atividades conjuntas, desenvolvidas pelas diferentes áreas, para
nadas aos seus conteúdos específicos. Alguns exemplos: compartilhar os conhecimentos construídos ao longo de cada unidade.

Um olhar para a língUa observação 1: O ideal para a realização do projeto é o envolvimento
de todas as áreas do conhecimento. Apresentamos sugestões para a
língua portuguesa – espaço de propostas de análise linguística, contribuição de cada uma das disciplinas no projeto proposto. Porém,
de estudos gramaticais. fica a critério do educador a escolha de quais atividades devem ser
realizadas, considerando a disponibilidade de cada um.
olhe a escrita!
observação 2: É importante salientar que:
língua portuguesa – apresenta um trabalho com ortografia e 1. são apenas sugestões para a realização dos projetos propostos;
também com outros aspectos notacionais da língua. 2. as atividades propostas em cada disciplina devem ser desen-

tramando textos e ideias volvidas no decorrer do curso;
3. o “evento” (exposição feira etc.) pode ser visto como produto
língua portuguesa – apresenta atividades de produção escrita ou
oral, orientações para a produção, além de subitens com propostas final do curso;
de avaliação e circulação do texto. 4. a realização dos projetos deve ser prevista no planejamento

Um olhar para a matemática anual da escola, que deverá ser acompanhado de um crono-
grama para que todos os interessados possam se organizar
matemática – espaço para estudo de questões matemáticas. melhor, fazer seus planos de aula, traçando formas e ações de
participação nesses eventos planejados antecipadamente.
hora da pesqUisa
6o ano – Unidade 1 – identidade
língua portuguesa e ciências – propõe pesquisas relacionadas Para essa unidade, sugerimos:
aos conteúdos trabalhados na disciplina. Em alguns casos, a pesquisa 1. exposição interativa
contribui para complementar os conteúdos abordados. Sugestão de título para a exposição: sonhos, memórias e cotidiano.
arte
hora de relaxar • Exposição do mapa coletivo das ações e relações cotidianas

ciências – o intuito desta seção é parar para um momento in- elaborado pelos alunos.
trospectivo, de autoconhecimento. Aparece no material de Ciências, geograFia e histÓria
mas esperamos que os educadores também selecionem atividades • Exposição de fotos, desenhos e textos.
propostas nessa parte para fazerem parte de sua aula em determinados
momentos. O equilíbrio físico, mental e emocional do ser humano é Seria responsabilidade da disciplina Língua Inglesa identificar
o ponto-chave para a manutenção da saúde e da qualidade de vida. os objetos da exposição, utilizando para isso os dois idiomas
Porém, diariamente, passamos por situações estressantes, que refle- (português e inglês).
tem diretamente em nosso corpo: dores de cabeça, dores nas costas, histÓria
problemas de pressão sanguínea etc. Então, como manter o equilíbrio • Exposição da árvore genealógica criada pelos alunos.
físico, mental e emocional? A prática regular de uma atividade de ciÊncias e língUa portUgUesa
relaxamento é uma das formas de minimizar os problemas causados • Exposição de brinquedos e brincadeiras de infância.
pelo acúmulo das tensões do dia a dia. Relaxar contribui para a redu- • Relatos autobiográficos, relatos de experiências vivenciadas
ção das tensões musculares e também para a manutenção do ritmo nos espaços que marcaram a infância, a juventude.
respiratório, equilibrando a oxigenação do corpo. No momento em • Varal de textos com brincadeiras infantis: parlendas, trava-
que estamos relaxando, estabelecemos uma ligação mais próxima com -línguas, pegadinhas etc.
nossos sentimentos, aprimoramos nossos sentidos, percebendo mais matemática
intimamente o mundo ao nosso redor. Assim, a seção Hora de relaxar • Exposição dos resultados da pesquisa sobre o perfil da comu-
visa uma mudança comportamental de valorização dos momentos nidade, na forma de tabelas.

22 MANUAL GERAL

manUal geral

• Exposição de uniformes produzidos pelos alunos de forma com as notícias que a comunidade gostaria de ver no jornal.
rudimentar, como no passado. Um dos objetivos da atividade é incentivar o leitor a descobrir
o significado dos títulos (que devem estar reproduzidos em
observação: Todos esses trabalhos seriam organizados em função inglês, acompanhados da indicação de onde se encontra a
da relação deles com o passado, presente ou futuro, para, assim, carac- resposta certa para que ele possa conferir, ou seja, no final do
terizar a exposição como uma viagem no túnel do tempo. Resumindo: jornal, com letras bem pequenas). Os alunos também poderão
• passado: fotos de ancestrais, da infância e juventude dos alunos; criar ilustrações relacionadas às manchetes.
histÓria
os objetos que faziam parte da vivência das pessoas retratadas Essa disciplina poderia ficar responsável pelo caderno de “notícias
nas fotos e a árvore genealógica, já construída por eles ao longo locais” e por uma seção que apresente reportagens relacionadas a ini-
da unidade; e os relatos autobiográficos. ciativas de projetos ou ONG. A seção poderia ter o título “Comunidade
• presente: perfil da comunidade (trabalho de Matemática e Arte), em ação” ou outro semelhante, escolhido pelos alunos. Essa seção
fotos recentes dos alunos, que poderiam ser tiradas durante o também poderá conter artigos de opinião e textos que ofereçam infor-
bimestre, além daquelas que eles poderiam trazer. mações gerais sobre organizações não governamentais (ONG), como:
O ideal seria que essas fotos fossem escaneadas, para evitar que 1. o que é uma ONG e qual o significado dessa sigla;
se percam. 2. exemplos dessas organizações e os objetivos gerais delas;
• Futuro: cartas para o futuro elaboradas nas aulas de Geografia. 3. como e quando surgiram, enfatizando as razões para o seu
surgimento dentro do contexto histórico do momento;
6o ano – Unidade 2 – cidadania e leitura 4. a situação atual das ONG em geral;
Nesta unidade sugerimos dois tipos de atividade: 1. exposição 5. o que representam as ONG hoje;
interativa e 2. jornal mural. 6. de que maneira as ONG de sua comunidade estão contribuindo
1. exposição interativa para um melhor exercício da cidadania.
Sugestão de título para a exposição: além das palavras... uma Com base no trabalho de pesquisa, os alunos poderão dar sua opi-
imagem, uma leitura de mundo. nião sobre essa seção ou outras que compõem o jornal, num espaço
arte reservado ao lado do mural. Nesse caso, eles poderão apresentar os
• Exposição dos trabalhos de Arte produzidos pelos alunos. motivos e interesses que podem mover a sua comunidade a criar (ou
ciÊncias não) uma ONG na região.
• Exposição de uma estação meteorológica e do relógio de sol. ciÊncias
• Criação da coluna “Ciências”, com matérias e questões ligadas
Oficina para ensinar as crianças a construir esses relógios. à área, considerando o momento vivido pela comunidade.
2. Jornal mural sugestão: artigo de divulgação científica e uma seção inti-
Desenvolvido por todas as disciplinas. Cada área de conhecimento tulada “Atmosfera” ou “Boletim do tempo”, que apresente os
ficaria responsável pela pesquisa e elaboração de uma seção para dados obtidos pelos alunos sobre as condições atmosféricas,
compor o jornal. em pesquisa na “estação meteorológica”.
Até a unidade 2, os alunos tiveram a oportunidade de estudar assuntos geograFia e língUa portUgUesa
diversificados em diferentes disciplinas. Por considerarmos que as ativi- • Essas disciplinas ficariam responsáveis pela montagem de uma
dades desenvolvidas para o suporte jornal, até o presente momento, se coluna sobre turismo no território brasileiro.
relacionam mais à prática de leitura de gêneros encontrados no universo sugestão: cada equipe ficaria responsável por fazer a divul-
jornalístico do que à prática de produção desses gêneros, sugerimos a gação, no jornal mural, de uma região brasileira, conforme
produção de um jornal mural, montado com base na pesquisa, coleta orientação do educador de Geografia, preferencialmente de
e seleção de textos que circulam em jornais da comunidade. lugares conhecidos por alguém do grupo, onde já morou ou
Educador, justificamos a opção acima com base no planejamento e que visitou. Para isso, confeccionariam mapas do Brasil, nos
na concepção desta obra. A nosso ver, ainda não é conveniente solicitar quais localizariam a região selecionada. Além disso, cada equipe
aos alunos que produzam textos dos gêneros notícia, reportagem divulgaria textos sobre o lugar, chamando a atenção para os
ou artigo de opinião, já que esses conteúdos só serão aprofundados aspectos positivos da região (naturais, econômicos).
e estudados para a produção de autoria nas próximas unidades. O educador de Língua Portuguesa colaboraria na orientação
Assim, a equipe de educadores poderá avaliar o melhor momento da pesquisa de textos de poetas (das regiões sobre as quais o
de elaborar um jornal mural com textos produzidos pelos próprios jornal fala), para fazerem parte dos materiais de divulgação do
alunos, de acordo com o conteúdo estudado. No Manual geral (parte lugar escolhido.
específica de Língua Portuguesa) é possível encontrar uma tabela com arte e língUa portUgUesa
os gêneros estudados em cada unidade. • Essas áreas poderiam ficar responsáveis pela diagramação do
A seguir, algumas ideias de seções que poderão compor o jornal jornal, orientando os alunos na organização e distribuição dos
mural, organizadas por disciplina ou área do conhecimento. textos (verbais e visuais) e das seções no mural no qual será feita
matemática a exposição do jornal. Após a coleta e seleção dos materiais, é
• Criação do “painel econômico” – parte do jornal mural voltado importante realizar um esboço da diagramação, para facilitar
a distribuição definitiva dos materiais e a arte-final.
para todo assunto ligado à economia.
Aproveitando o que se trabalhou durante a unidade, sugerimos 7o ano – Unidade 1 – meio ambiente
que sejam expostas matérias sobre assuntos relacionados ao Sugestão para o título do evento/projeto: meio ambiente: o que
cotidiano dos alunos e de suas famílias, como: vejo, o que penso, o que quero.
1. cuidados na compra de uma casa; Para desenvolver esse tema, sugerimos a organização de uma
2. planejamento do orçamento familiar. assembleia, exposição interativa, oficinas e instalações artísticas.
língUa portUgUesa proposta 1: convocação de uma assembleia envolvendo toda
Organizar e expor: a comunidade escolar e seu entorno
• um caderno de classificados, com a elaboração de anúncios primeira participação
objetivos e/ou poéticos; Montagem das instalações construídas durante a unidade 1, na
• um caderno contendo a parte lúdica do jornal, com a apre-
sentação de textos de curiosidades, história em quadrinhos,
anedotas e atividades-desafio. Dentro desse caderno, na disci-
plina Língua Inglesa, os alunos fariam um painel de manchetes

MANUAL do EdUcAdoR 23

disciplina Arte, para apreciação e reflexão de toda a comunidade ciência – atividades voltadas à conscientização sobre o significado de
escolar. saúde; 2. espaço gastronômico – trata do funcionamento do sistema
digestório e da importância de uma alimentação saudável; 3. espaço
Apresentação, na assembleia, dos planos de metas para preserva- viver bem – atividades que promovem a mudança de atitudes diárias,
ção do solo, água, ar e vegetação, conforme proposta apresentada no sentido de contribuir para a melhoria da qualidade de vida.
nos capítulos 1 e 2, área de Geografia. No final dessa apresentação,
os alunos convidariam os participantes a visitar a exposição, onde sugestão para a abertura
mostrariam as maquetes construídas a partir das ideias apresentadas arte
nessa assembleia. Apresentação de dança coreografada durante as aulas de Arte,
elaborada pelo grupo de alunos com base na experiência prática com
segunda participação a linguagem da dança contemporânea.
Apresentação oral dos textos elaborados nas aulas de Matemática 1. espaço consciência
e Ciências sobre a importância da água e atitudes para evitar o seu Para esse espaço, sugerimos a organização de atividades em uma
desperdício. exposição interativa.
dica: Na saída da assembleia, os visitantes poderiam receber um histÓria
folheto com o resumo das principais informações, dados e gráficos • exposição: Os alimentos que ingerimos – voltada para a quali-
sobre o problema do desperdício da água, que os ajudasse a repensar
a devastação da natureza e possíveis soluções para amenizar esse dade dos alimentos, enfatizando a presença de ingredientes não
problema. saudáveis agregados aos produtos alimentícios industrializados.
terceira participação sugestão: Promover a interdisciplinaridade com a área de
Apresentação da proposta do grupo de Ciências de se utilizarem Inglês, que seria motivada a buscar respostas semelhantes
coletores solares. Os alunos dariam uma explicação sucinta do signi- sobre qualidade da alimentação.
ficado dessa tecnologia e sua importância. matemática
dica: No final poderiam ser distribuídos folhetos com informa- • exposição: Índices de saúde – apresentação dos resultados
ções básicas sobre o uso, a importância para o meio ambiente e a dos trabalhos realizados nessa unidade.
construção de coletores solares. No Manual específico há instruções ciÊncias
para a construção deles. • debate regrado sobre gravidez na adolescência – apresen-
proposta 2: exposição interativa tação dos problemas relacionados às mudanças na vida dos
Exposição das maquetes de Geografia e das plantas baixas da dis- adolescentes e à necessidade de uma dieta saudável, durante
ciplina Língua Inglesa sobre o meio ambiente, com alunos-monitores a gravidez, para a manutenção da saúde. O debate pode ter
explicando o trabalho. como ponto de partida a leitura de textos sobre o tema.
Se os alunos construírem o filtro de areia e o coletor solar, estes 2. espaço gastronômico: exposição interativa
poderão fazer parte da exposição. Eles dariam explicações sobre essas geograFia e língUa portUgUesa
tecnologias e sua importância. • Apresentação do livro de receitas de reaproveitamento dos
proposta 3: oficinas alimentos e degustação de receitas pré-elaboradas pelos alunos.
1. Oficina de montagem de pipas (decorada com as pipas feitas • Cobertura do evento por meio de reportagens escritas pelos
alunos (o gênero reportagem foi estudado em Língua Portu-
pelos alunos, conforme proposta) da área de Geografia. guesa na unidade 2, capítulo 4).
2. Oficina de criação de brinquedos utilizando sucata (reciclagem: ciÊncias
• Apresentação do funcionamento do sistema digestório, por
tema de Matemática, Geografia – por isso seria interessante que meio de cartazes ou de uma dramatização sobre o papel dos
essas duas disciplinas pudessem organizar a oficina juntas). órgãos desse sistema no caminho do alimento.
3. Oficina de construção de cata-ventos, sob a coordenação do 3. espaço viver bem
educador de Ciências. Para esse espaço, sugerimos a elaboração de oficinas que propor-
dica: A partir dessa oficina, os alunos podem fazer uma exposição cionem interação mais concreta com o tema proposto.
oral, utilizando o brinquedo para explicar o funcionamento da ener- ciÊncias
gia eólica e sua importância para a preservação do meio ambiente. • Montagem de espaço para exercícios de relaxamento.
4. Oficina de ilustrações de lendas após contação/dramatização matemática
para crianças, visitantes do evento. • Oficina de desenvolvimento de cálculos mentais por meio dos
Apresentação do produto final, com base na atividade proposta na projetos Matrix e Comboio, cujos modelos foram sugeridos para
seção E eu com isso? (veja capítulo 1 da disciplina Língua Portuguesa serem trabalhados em sala de aula.
nessa unidade). arte
• Além das reuniões para organização do evento, é preciso es- • oficina de expressão corporal – O educador e os alunos
colher a melhor maneira de divulgá-lo: poderiam ensinar alguns passos da coreografia apresentada
Por escrito: criação de cartazes, convites. na abertura do evento, ou criar novas coreografias a partir da
Oralmente: convites ou anúncios divulgados nos intervalos interação com os participantes da oficina. Poderiam também
dirigir alguns exercícios de expressão corporal para que o
das aulas. público se exercite.
• Caso a equipe de organização geral julgue interessante, alguns
8o ano – Unidade 1 – cidadania e cultura
alunos poderão introduzir brevemente cada apresentação. Para essa unidade, sugerimos atividades organizadas em diferentes
Os educadores também poderão fazer interferências entre as manifestações culturais: teatro, feira, contação de histórias etc.
apresentações para criar interação entre os alunos, a plateia e 1. mostra teatral
o que está sendo apresentado. arte
Para verificar se o evento poderá ou não ser aberto à comunidade, • Apresentação de peça teatral concebida pela turma, tendo como
consultem a direção da escola.
temática central histórias relacionadas às origens familiares.
7o ano – Unidade 2 – saúde e qualidade de vida
O tema “Saúde e qualidade de vida” é bastante amplo e envolve
uma série de fatores e parâmetros pessoais e coletivos. Assim, para
delinear as atividades, propusemos o tema “Projeto Estação Saúde”.
A Estação Saúde está organizada em três espaços: 1. espaço cons-

24 MANUAL GERAL

manUal geral

geograFia espaço, recursos visuais e sonoros. O contador também poderá
• Criação do texto, montagem e apresentação de peça dramática apresentar-se caracterizado e precisa ser orientado em relação
aos recursos que poderá empregar enquanto conta a história:
sobre a vida dos migrantes brasileiros. Recursos visuais: alegorias, figurinos, objetos.
2. apresentação de músicas e danças Recursos sonoros: uso da voz, dicção e entonação, sonoplastia,
geograFia e matemática
• Formação de grupos de dança e grupos musicais para apresen- cantoria, intrumentos.
Interação com o público: fazer perguntas, buscar opiniões
tar os trabalhos realizados, sugeridos nessa unidade, em cada
uma dessas disciplinas, com a intenção de divulgar e valorizar da plateia sobre o que foi contado, brincadeiras relacionadas
a cultura regional brasileira. aos assuntos da história.
ciÊncias, arte e língUa portUgUesa Recursos de humor ou suspense para chamar a atenção do
• Apresentação de ritmos ou reprodução de músicas utilizando público.
os instrumentos criados, ou apresentação com sons produzidos Se a escola tiver recursos e meios, seria interessante que os
com o corpo. alunos pudessem ver a atuação de um contador de histórias
• Produção de texto coletivo: após a apresentação, os alunos, (ao vivo ou por meio de uma gravação) antes de realizar a
com a orientação dos educadores de Ciências e Português, atividade.
podem elaborar um folheto com informações sobre a Libras –
Linguagem Brasileira de Sinais. 8o ano – Unidade 2 – cultura de paz
3. exposição interativa Para promover a cultura de paz, sugerimos que os trabalhos desen-
histÓria volvidos pelos alunos durante o curso sejam apresentados na forma de:
• Exposição de resultados de pesquisa sobre a diversidade cultural 1. exposição
local, com fotos, textos, objetos etc. geograFia
ciÊncias • Exposição dos cartazes utilizados nos seminários apresentados
• Exposição de instrumentos musicais e peças de tear criadas pelos
alunos e pertencentes à cultura da região, com demonstração durante a unidade.
das técnicas de coloração. • Exposição de painéis sobre conflitos sociais e possíveis soluções
sugestão: Solicitar a um grupo de alunos a preparação de um
texto, para ser distribuído ao público visitante, sobre o tear e para esses problemas, confeccionados durante as aulas.
as técnicas de coloração. matemática
geograFia • Mostra de desenhos e colagens baseados nos trabalhos de
• Exposição de peças de artesanato e cartazes com ilustrações
de materiais típicos de cada região do país. artistas que utilizaram formas geométricas.
matemática 2. oficinas
• Exposição de uma rede de pescar, acompanhada de demons- ciÊncias e matemática
tração de como se tece uma rede desse tipo. • Oficina: Jardim da harmonia, conforme orientações no capítulo
• Exposição de cartazes, relacionando preparação de pratos
típicos a conceitos geométricos, tendo um aluno-monitor para 1 de Ciências.
explicar melhor essa relação ao público visitante da exposição. • Oficina: Cidadão da paz, conforme orientações no capítulo 2
língUa portUgUesa
• Exposição ou distribuição de um almanaque de cultura popular de Ciências.
produzido pelos alunos nessa unidade. O educador de Matemática ficará responsável por explicar os
• Exposição de um mosaico de falares brasileiros em um painel conceitos geométricos presentes no Jardim da harmonia.
montado no local da exposição. Reservar um espaço para que os língUa portUgUesa
visitantes registrem outras expressões usadas em suas regiões • Leitura e distribuição da carta aberta produzida pelos alunos
que não tenham aparecido no mosaico. com base no levantamento dos principais problemas da comu-
• Exposição oral (Seminário) sobre cultura africana e indígena, em nidade.
horário específico, dentro do evento. Combinar com as outras • Produção de cartazes para a caminhada sugerida no item 3 a
áreas e com os alunos qual será o número de apresentações. seguir.
• Deixar um livro de presença para que os visitantes assinem e arte
escrevam suas impressões sobre a exposição. • Espaço destinado à leitura dos livros infantis (sobre os direitos
4. Feira da criança e do adolescente) produzidos pelos alunos nesta
geograFia e matemática unidade.
• Feira de comidas típicas das regiões brasileiras. 3. caminhada
observação: A degustação poderá ser gratuita ou não, depen- envolvimento de todas as áreas do conhecimento
dendo das condições e interesse dos grupos. Se houver interesse • Estipular um dia para toda a comunidade sair às ruas próximas
em arrecadar dinheiro para a formatura, por exemplo, pode-se da escola, em caminhada, numa manifestação a favor da paz,
cobrar um valor simbólico. levando cartazes, faixas e/ou folhetos explicativos sobre o signi-
5. contação de histórias ficado da caminhada (que poderiam ser feitos sob orientação do
língUa portUgUesa educador de Língua Portuguesa). Os participantes podem estar
• Contação de causos populares, com base no estudo da oralidade, vestidos com camisetas produzidas durante o desenvolvimento
realizado na unidade. dos trabalhos da unidade, nas aulas de Língua Inglesa, ou com
Ao apresentar a história, além da figura do contador, outros botons, também produzidos nessas aulas.
alunos poderão dramatizar brevemente, no meio da contação,
alguns trechos do texto, utilizando diálogos, figurino, cenário etc. 9o ano – Unidade 1 – trabalho e consumo
Eles devem verificar a necessidade de ensaios das falas, uso do O tema dessa unidade faz parte do cotidiano dos alunos de EJA.
Assim, os trabalhos desenvolvidos por eles durante o curso envolvem
as diferentes áreas de atuação no mercado de trabalho.
1. mostra cultural
arte
• Mostra de trabalhos de artistas da região em que os alunos vivem

(artesanato, música, teatro, dança), na qual serão organizadas
várias apresentações desses mesmos artistas.

MANUAL do EdUcAdoR 25

• Exposição dos trabalhos produzidos pelos alunos durante o conhecimentos durante as aulas (por exemplo, uma vela de filtro,
desenvolvimento dessa unidade. mesmo quebrada) etc.

2. oficinas histÓria
matemática • Responsável pela coordenação das ações para coleta e fichamento
• Oficina: Análise de transações financeiras – apresentação das
dos livros e modelos que comporão o acervo de pesquisa.
diferentes transações financeiras comuns no cotidiano e ava- sugestão: Caso haja uma biblioteca na escola, pode-se pensar
liação de suas respectivas taxas de juros. nas mesmas ações para a criação de uma biblioteca de sala,
• Oficina: Balões para decoração – ensinar os participantes a construir cujas regras para leitura e empréstimo seriam elaboradas pelo
balões, relacionando esse trabalho com conceitos geométricos. grupo-classe.
ciÊncias geograFia
• Oficina de fabricação artesanal de produtos de higiene e • Proposta de construção de uma hemeroteca, com o objetivo
alimentação: pão e sabão, trabalhando com o conceito de de incentivar a prática da pesquisa e a leitura de jornais.
reaproveitamento de materiais e integração social. ciÊncias
No final da oficina, os participantes receberão uma cartilha • Construção de painéis definitivos para compor o espaço de
contendo as informações básicas sobre os produtos fabricados. pesquisa, local para exposição dos trabalhos.
sugestão: A elaboração da cartilha poderia contar com a • Inauguração dos painéis, com a exposição dos trabalhos de
colaboração do educador de Língua Portuguesa. O educador Ciências sobre circuitos elétricos e luminárias. Se os alunos
de Língua Inglesa faria a versão das receitas para o inglês. construírem biodigestores, estes poderão fazer parte do espaço.
histÓria
• Criação de cooperativas – ensino dos passos necessários para essa sugestão: Esses trabalhos também poderão compor o
finalidade, tendo como base um exemplo concreto: criação de uma acervo de material pedagógico.
cooperativa de trabalho a partir de uma produção típica local. matemática
3. exposição • Elaboração do projeto de construção da biblioteca, pensando
geograFia desde a construção do lugar até sua organização interna.
• Exposição de cartazes elaborados no capítulo 1 relacionados • Preparação da festa de inauguração da biblioteca, com levan-
ao tema “A criatividade e a sua profissão”. tamento dos custos, divisão das tarefas e cronograma e outras
• Exposição de propagandas criadas para divulgar as produções etapas do trabalho, seguindo as orientações dadas durante o
de gêneros rurais, industriais e culturais das regiões em que os desenvolvimento das atividades propostas nessa unidade.
alunos vivem. língUa portUgUesa
língUa portUgUesa • Exposição de revista mural, com páginas produzidas pelo aluno,
• Colocar à disposição da classe um painel coletivo no qual as contendo:
pessoas poderão expor alguns dados profissionais. (Os alunos • matérias sobre o uso da tecnologia para a preservação do
poderão oferecer ou procurar emprego). A solidariedade entre meio ambiente;
os alunos poderá ser vivenciada por meio da comunicação entre • matérias mostrando um exemplo de tecnologia que, ao ser
salas. empregada, apresenta como consequência a agressão ao
meio ambiente.
9o ano – Unidade 2 – globalização e novas tecnologias • Exposição oral: as turmas do 9o ano, sob orientação do educador,
Essa é a última etapa do ensino fundamental para EJA. O tema gera convidam algumas pessoas para falar sobre os usos da tecno-
a reflexão sobre atitudes concretas a serem realizadas no presente logia para os alunos da escola e/ou pessoas da comunidade. O
e também no futuro. Sugerimos um evento envolvendo estas duas convite pode ser feito a um educador, um estudioso do tema,
atitudes: 1. a instalação artística que sensibiliza para a reflexão do um jornalista, um líder comunitário, um representante de ONG
uso de novas tecnologias e da globalização; 2. o espaço de pesquisa etc. Para a realização do evento, algumas orientações:
que propõe a construção de um acervo que contenha diferentes • Pesquisar e escolher pessoas que farão a exposição oral.
instrumentos para pesquisa e aprendizagem em todas as áreas de • Verificar quem confirmará a presença dos convidados (ex-
conhecimento. positores de ideias).
1. instalação artística • Confirmar a presença dos convidados com antecedência.
arte • Combinar com o convidado o tempo para a exposição e se
• Instalação artística, tendo como temática os prós e contras da haverá espaço para perguntas.
• Decidir se o evento será aberto à comunidade.
utilização dos avanços tecnológicos. • Verificar o local, a data e o horário do evento.
2. espaço de pesquisa • Planejar a divulgação da palestra.
Para essa instalação, as atividades são organizadas em oficinas • Sugerir aos alunos a possibilidade de montar uma comissão
envolvendo todas as áreas do conhecimento e visando à monta- organizadora.
gem do acervo de livros (biblioteca), mapas, audiovisuais, jogos, • Preparação de um sarau literário (veja sugestão da seção E
materiais de laboratório ou que sirvam para demonstração de eu com isso? – capítulo 4 da unidade 2).

TEXTOS DE APOIO

1. teoria de Bakhtin seu viver a partir da sua relação social com o outro, e isso vem permeado pela
linguagem. Portanto, o social é responsável pela construção da linguagem, e
“Para Bakhtin, pensador russo do começo do século cuja teoria vem sendo esta é essencial na construção do conhecimento.
muito estudada pelos educadores brasileiros, o homem não nasce só como
um organismo biológico abstrato, precisando também de um nascimento Bakhtin afirma que “o nosso pensamento se origina e se forma no pro-
social.”19 O sujeito apreende e constrói a realidade, portanto, dá sentido ao cesso de interação e luta com pensamentos alheios, o qual não pode deixar
de refletir-se na forma da expressão verbal do nosso”.20

19 Todos os trechos destacados sobre Bakhtin foram retirados do livro O 20 BAKHTIN, M. Estética de la creación verbal. Buenos Aires: Siglo Veintiuno
pensamento de Vygotsky e Bakhtin no Brasil, de Maria Teresa de Assunção Argentina Editores, 1985.
Freitas. São Paulo: Papirus, 1998.

26 MANUAL GERAL

manUal geral

Transpondo esses pensamentos para a educação, podemos dizer que aquilo Em outras palavras, as funções psicológicas especificamente humanas se
que o indivíduo traz para a situação pedagógica depende das condições de vida originam nas relações do indivíduo e no seu contexto social, que internaliza os
real que o meio social permite que ele tenha. Assim, toda situação pedagógica modos historicamente determinados e culturalmente organizados de operar
pressupõe a compreensão do significado social de cada comportamento no com informações por meio das mediações simbólicas, isto é, sistemas de
conjunto das condições de existência em que ocorre. representação da realidade, destacando especialmente a linguagem. Vygotsky
considera, portanto, a cultura como parte constitutiva da natureza humana
A escola, ao pretender ensinar, deve levar em conta o que o aluno traz e propõe que se estudem as mudanças que ocorrem no desenvolvimento
consigo, a sua experiência pessoal, adquirida no seu grupo social. A experi- mental a partir da inserção do sujeito em determinado contexto cultural,
ência do saber não deve representar uma ruptura com o que o aluno traz à de sua interação com os membros de seu grupo e de suas práticas sociais.
escola, mas deve estabelecer uma continuidade que leve ao domínio de novos
conhecimentos. Conhecimentos estes que se configuram como inacabados, Dessa forma, “diferenças culturais produzem modos diversos de funcio-
em contínuo processo de construção. O sujeito estará sempre alimentando namento psicológico. Grupos culturais que não dispõem da ciência como
as suas questões a partir do que consegue retirar do real e devolver a ele. forma de construção de conhecimento não têm, por definição, acesso aos
chamados conceitos científicos. Assim sendo, os membros desses grupos
Essa teoria representa um avanço em relação à perspectiva interacionista culturais funcionariam intelectualmente com base em conceitos espontâneos,
de Piaget, por abordar as questões do real numa ótica sociocultural, e não gerados nas situações concretas e nas experiências pessoais.” 22
individual. Na ótica do pensamento bakhtiniano, não existe a preocupação de
encaixar a criança em determinado estágio de desenvolvimento. É a realidade A partir das análises sobre a diversidade de apropriação do mundo sim-
e a qualidade da interação da criança com essa mesma realidade, sobretudo, bólico, o eixo básico dos estudos começa a deslocar-se dos indivíduos para
que mostrarão caminhos ao educador para o desenvolvimento do processo os grupos sociais nos quais eles estão integrados. Os olhares voltam-se para
de ensino-aprendizagem. as mediações, entendidas como conjuntos de influências que estruturam o
processo de aprendizagem e seus resultados, provenientes tanto da mente
Essa perspectiva traz, assim, uma renovação metodológica: “não pretende do sujeito como de seu contexto socioeconômico, cultural, étnico – de sua
fornecer soluções explicativas sobre a criança que não aprende, não faz des- procedência geográfica, de seu bairro, de seu trabalho, de acontecimentos
crições sobre níveis de desenvolvimento, mas contribui na formação de uma que se dão no seu próprio lar.
maneira de pensar o mundo, levando a um compromisso contextualizado,
histórico, político. Nesse sentido, há todo um novo olhar em relação à criança Vygotsky define cultura como uma espécie de palco de negociações. Seus
que demanda consequentemente uma outra prática pedagógica”. membros estão num constante movimento de recriação e reinterpretação de
informações, conceitos e significados. Considera, assim, a vida social como um
Para Bakhtin, o diálogo permeia tudo. Está na base de todas as relações processo dinâmico, em que cada sujeito é ativo e no qual acontece a interação
humanas. Não é possível construir conhecimento sem ter como referencial o entre o mundo cultural e o mundo subjetivo de cada um.
outro. Nesse sentido, há muito em comum entre Bakhtin e Paulo Freire. Este
entendia a relação pedagógica como um diálogo no qual educador e educando Dentro dessa nova visão, articulando essa teoria com a educação escolar,
se tornam sujeitos interativos mediatizados pelo mundo. Considerava a dimen- formal, a ação do professor é considerada de extrema importância. Seu papel
são interlocutiva como princípio básico do processo de ensino-aprendizagem, de mediador entre o senso comum do aluno e o conhecimento científico é
em que educador e aluno dialogam como locutor e interlocutor, praticando, fundamental para que o estudante possa construir um conhecimento mais
assim, o exercício da democracia. elaborado e significativo da realidade. É sua função verificar o que e como o
aluno está aprendendo, se faz algo que está ao seu alcance ou distante de suas
Na visão de muitos especialistas em Educação, a escola tem se fechado possibilidades, se tem condições de avançar mais, e, diante desses diagnós-
num monólogo: o do educador, que toma para si a tarefa de passar ao aluno ticos, fazer as devidas adequações, desencadeando novas ações e reflexões.
um saber, um conhecimento que este deve receber passivamente e guardar (o
que Paulo Freire chama de educação bancária). Na nossa visão, fruto da troca 3. teoria de gardner
com vários educadores de diferentes contextos sociais, esse quadro educacio-
nal está mudando. Vários são os exemplos que nos chegam de todo o Brasil. O processo de construção do conhecimento não ocorre apenas pelo viés
do cognitivo, mas principalmente pelo afetivo, pela imaginação, pela intuição,
Para concluir, reproduzimos o depoimento de uma professora que par- por outros tipos de raciocínios que Gardner chama de outras inteligências.
ticipou da pesquisa da professora Maria Teresa de Assunção Freitas, obra na Em síntese, este estudioso considera que conhecemos através de sistemas de
qual nos detivemos para fazer estes apontamentos. As palavras dela ilustram “inteligências” interconectadas, mas, de certa forma, independentes, locali-
o que afirmamos, além de servir de motivação para todos os educadores zadas em regiões diferentes do cérebro, com intensificações diferenciadas
comprometidos com a melhoria da educação e que, por isso, estão buscando em cada pessoa e para cada cultura. Conclui que temos sete inteligências
inovar a sua prática em sala de aula. (lógico-matemática, linguística, espacial, musical, cinestésico-corporal, inter
e intrapessoal) e que há sempre o predomínio de umas sobre as outras.
“Eu me tornei uma professora muito mais segura, porque descobri
que não sou aquela dona da verdade, que precisava passar para os meus A partir desses estudos, constata-se, de maneira mais significativa, que
alunos um conhecimento acabado. Eu nunca fui autoritária, mas de aprendemos de formas diferentes. Portanto, qualquer processo de ensino-
qualquer maneira, ficava insegura, porque achava que o meu papel era -aprendizagem precisa considerar essas conclusões, compreendendo que só
passar o conhecimento para eles, até um pouco mastigado, e descobri é possível alcançar plenamente o conhecimento por meio de práticas que
que isso não é assim. Que eu posso compartilhar essa construção do valorizem todos os sentidos, que deem espaço a manifestações das múltiplas
conhecimento com os alunos. Então, a troca dentro da sala de aula está inteligências, aos diferentes olhares e expressões que as traduzem.
muito maior para os alunos falarem. Eu me dou o direito de abrir este
espaço. Faço pausa, se a turma fica em silêncio, espero um pouco e digo: 4. pensamentos de paUlo Freire
‘Vamos trocar, porque este conhecimento que eu passo para você de
cima para baixo não tem nada a ver.’ Aí começa: um fala daqui, outro Os alicerces desta coleção foram construídos sob o enfoque dos pensamen-
dali, de repente está todo mundo conversando. Tem sido interessante.” tos paulo-freirianos, muitos deles já bastante conhecidos pelos educadores.
Destacamos, a seguir, alguns deles, que norteiam o nosso pensar, o nosso fazer.
2. teoria de Vygotsky
“que práticas constroem a competência do educador?
Vygotsky, pensador russo, contemporâneo de Piaget, dedicou-se, entre • A prática de ensinar que envolve necessariamente a de aprender a
outros temas, a estudos sobre a origem social das funções psíquicas superiores
do ser humano. Sua teoria não é pedagógica, mas traz uma série de estudos ensinar.
importantes para se pensar em uma nova pedagogia. • A de pensar a própria prática, isto é, a de, tomando distância dela,

Esse psicólogo tem como um de seus pressupostos fundamentais a ideia dela se ‘aproximar’ para compreendê-la melhor. Em última análise, a
de que o ser humano se constrói como tal a partir da interação social. Para prática teórica de refletir sobre as relações contraditórias entre prática
ele, a cultura molda o seu funcionamento psicológico. “Na sua relação com o e teoria.
mundo, mediada pelos instrumentos e símbolos desenvolvidos culturalmente, • A prática de sua formação teórica permanente”.
o ser humano cria as formas de ação que o distinguem de outros animais. prática da radicalidade
Sendo assim, a compreensão do desenvolvimento psicológico não pode ser “A radicalidade da educadora ou educador se manifesta na sua prática na
buscada em propriedades naturais do sistema nervoso. Vygotsky rejeitou, sala de aula, entre outros pontos, através de sua coerência entre o que diz
portanto, a ideia de funções mentais fixas e imutáveis, trabalhando com a e o que faz; no testemunho que dá de respeito às diferenças, de não estar
noção de cérebro como um sistema aberto, de grande plasticidade, cuja absolutamente certo de suas certezas, com o que se abre a outras verdades
estrutura e modos de funcionamento são moldados ao longo da história da e à possibilidade de melhorar. E, quando este educador ou educadora se
espécie e do desenvolvimento individual.” 21 percebe não radical, para e pede desculpa aos alunos. Ele ensina radicalidade
pela crítica de si mesmo.”23
21 LA TAILLE, Yves de. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em
discussão. São Paulo: Summus, 1992. 22 Id., ibid.
23 FREIRE, Paulo. Pedagogia dos sonhos possíveis. São Paulo: Unesp, 2001.

MANUAL do EdUcAdoR 27

senso comum ponto de ‘ficada’. [...] é preciso que o educando se assuma ingenuamente
“Discordo dos pensadores que menosprezam o senso comum, como se o para, assumindo-se ingenuamente, ultrapassar a ingenuidade e alcançar
mundo tivesse partido da rigorosidade do conhecimento científico. De jeito maior rigorosidade.”
nenhum! A rigorosidade chegou depois. A gente começa com uma curiosidade
indiscutível diante do mundo e vai transformando essa curiosidade no que necessidade de diretividade
chamo de curiosidade epistemológica. Ao inventar a curiosidade epistemo- “Toda prática formativa tem como objetivo ir mais além de onde se
lógica, obviamente são inventados métodos rigorosos de aproximação do está. É exatamente essa a possibilidade que a prática educativa tem: a de
sujeito ao objeto que ele busca conhecer.” 24 mover-se até. É isso que a gente chama de diretividade da educação. E essa
“O ponto de partida da prática educativa está, entre outras coisas, no diretividade – que faz parte da natureza do ser da educação – não permite
senso comum, mas enquanto ponto de partida, e não ponto de chegada ou que ela seja neutra.” 25

24 Ibid., p. 232 25 Ibid., p. 233.

BIBLIOgrAFIA

ARROYO, Miguel G. Ofício de mestre: imagens e autoimagens. Petrópolis: Vozes, ______. O paradigma educacional emergente. Campinas: Papirus, 2001.
2000. MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez;

BRAIT , Beth (Org.). Bakhtin, dialogismo e construção do sentido. Campinas: Editora Brasília: Unesco, 2000.
da Unicamp, 2005. ______. A cabeça benfeita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.
NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro. Interdisciplinaridade aplicada. São Paulo: Erica, 2003.
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e linguística. São Paulo: Scipione, 1989. NÓVOA, António (Org.). Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote,
CITELLI, Adilson. Comunicação e educação. A linguagem em movimento. São
1992.
Paulo: Senac, 2000. PERRENOUD, Philippe. A prática reflexiva no ofício de professor: profissionalização
CLAXTON, Guy. Criative-se: um guia prático para turbinar o seu potencial criativo.
e razão pedagógica. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002.
São Paulo: Gente, 2005. ______. Dez competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
DEMO, P. Complexidade e aprendizagem: dinâmica não linear do conhecimento. SCARPATO, Marta (org.). Os procedimentos de ensino fazem a aula acontecer. São

São Paulo: Atlas, 2002. Paulo: Avercamp, 2004.
DURANTE, Marta. Alfabetização de jovens e adultos: leitura e produção de textos. SENGE, Peter et al. Escolas que aprendem: um guia da quinta disciplina para

Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. educadores, pais e todos que se interessam pela educação. Porto Alegre:
FAZENDA, Ivani C. Interdisciplinaridade. Um projeto em parceria. São Paulo: Artmed, 2005. (Biblioteca Artmed, Fundamentos da Educação).
SILVA, Dinora F.; SOUZA, Nadia G. Silveira. Interdisciplinaridade na sala de aula:
Loyola, 1995. experiência pedagógica nas 3as e 4as séries do primeiro grau. Porto Alegre:
______. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas: Papirus, 1994. Editora da Universidade/UFRGS, 1995.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez/Associados, 1982. SILVA, Ezequiel Theodoro da Silva. A produção da leitura na escola. São Paulo:
______. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. Ática, 1995.
______; Freire, Ana Maria Araújo (Org.). Pedagogia dos sonhos possíveis. São ______. Conferências sobre leitura. Campinas: Autores Associados, 2003.
______. Unidades de leitura. Campinas: Autores Associados, 2003.
Paulo: Editora Unesp, 2001. SILVA, Marco. A sala de aula interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2001.
FREITAS, Maria Teresa de Assunção. O pensamento de Vygotsky e Bakhtin no Brasil. SNYDERS, Georges. Para onde vão as pedagogias não diretivas? São Paulo:
Centauro, 2002.
Campinas: Papirus, 1998. SOLE, Isabel. Estratégias de leitura. Porto Alegre: Artes Médicas, 2003.
GARDNER, Howard. Estruturas da mente – a teoria das inteligências múltiplas. TFOUM, Leda Veridiani. Letramento e alfabetização. São Paulo: Cortez, 1995.
THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez, 1996.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. THURLER, Mônica Gather. Inovar no interior da escola. Porto Alegre: Artmed,
GERALDI, João Wanderley. Linguagem e ensino: exercícios de militância e divulgação. 2001.
TORRE, S.; BARRIOS, O. Curso de formação de educadores. São Paulo: Madras,
Campinas: Mercado de Letras/Associação de Leitura do Brasil/ALB, 1996. 2002.
GROSSI, Esther Pillar. Por que ainda há quem não aprende? A teoria. Petrópolis: VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Para onde vai o professor? Resgate do
professor como sujeito de transformação. São Paulo: Libertad, 1995. (Coleção
Vozes, 2003. Subsídios Pedagógicos do Libertad, v. l).
HERNANDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de ______. Avaliação: concepção dialético-libertadora do processo de avaliação
escolar. São Paulo: Libertad, 2000.
trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998. WEIL, Pierre; CREMA, Roberto; D’AMBROSIO, Ubiratan. Rumo à nova
KLEIMAN, Ângela B.; MATENCO, Maria de Lourdes M. (Org.). Letramento e transdisciplinaridade: sistemas abertos de conhecimento. São Paulo: Summus,
1993.
formação do professor: práticas discursivas, representações e construção do XAVIER, Antonio Carlos da R. et al. (Org.). Gestão educacional: experiências
saber. Campinas: Mercado de Letras, 2005. inovadoras. Brasília: Ipea, 1995.
______; SIGNORINI, I. et al. Ensino e formação do professor: alfabetização de ZABALA, Antoni. Enfoque globalizador e pensamento complexo: uma proposta
jovens e adultos. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. para o currículo escolar. Porto Alegre: Artmed, 2002.
______. Oficina de leitura: teoria e prática. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
______. Leitura e interdisciplinaridade: tecendo redes nos projetos da escola.
Campinas: Mercado de Letras, 1999.
LUCK, Heloísa. Pedagogia interdisciplinar: fundamentos teórico-metodológicos.
Petrópolis: Vozes, 1994.
MORAES, Maria Cândida; TORRE, S. Sentipensar: fundamentos e estratégias para
reencantar a educação. Petrópolis: Vozes, 2004.
______. Pensamento ecossistêmico: educação, aprendizagem e cidadania no
século XXI. Petrópolis: Vozes, 2004.

conteúdo digital em dVd

A humanidade passa por um processo de transformação profundo, ligado às novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), que repercute
fortemente na educação. Por isso, você educador e seus alunos precisam conhecer os principais conceitos ligados a esse novo mundo e discutir as mudanças
na vida das pessoas que as TIC ensejam. Também se tornam necessários novos tipos de letramento em sala de aula, voltados a uma leitura multimidiática.

Pensando nisso, esta coleção conta com um DVD-ROM no qual disponibilizamos um Manual Digital do Educador que traz embasamentos teóricos sobre
novas tecnologias e sua relação com a educação. O DVD também conta com um conjunto de Objetos Educacionais Digitais (OEDs) que apresentam textos,
imagens, áudios e outros conteúdos complementares aos livros impressos. Cada OED possui uma numeração única nesta coleção e todas as orientações
sobre como utilizá-lo em sala de aula podem ser acessadas no Manual Digital do Educador.

No livro impresso, os OEDs com as respectivas numerações são identificados através do seguinte ícone: 000 conteúdo
digital

28 MANUAL GERAL

CARACTERÍSTICAS DE HISTÓRIA

É necessário romper com o mutismo: “[...] posição meramente gem” que não a textual ou verbal. Entendemos que aprender não é
expectante do nosso homem diante do processo histórico na- armazenar informações, mas transformá‑las, reestruturando passo a
cional” (Paulo Freire, 2001) passo o sistema de compreensão do mundo.

Objetivos gerais Ao compreender o texto, ensinar a operacionalização de habilidades
• Identificar o próprio grupo de convívio e as relações que estabelece reflexivas diferentes, que envolvam interpretação, análise, síntese,
crítica, comparação, entre outras, estamos exercitando qualidades
com outros tempos e espaços. diferenciadas de pensamento e, dessa forma, preparando o aluno
• Organizar alguns repertórios histórico‑culturais que permitam com a mais ampla diversidade. A mente que aprende a criticar usa
recursos diferentes da que aprende a sintetizar, mas quando aprende
localizar acontecimentos numa multiplicidade de tempos. a criticar e sintetizar, a comparar e analisar, a interpretar e relacionar,
• Conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes grupos sociais, envolve‑se com formas mais elevadas do pensamento, relacionando‑
‑o com o objeto do conhecimento que se trabalha. Dessa maneira,
em diversos tempos e espaços. operacionaliza‑o de modo mais criativo e significativo.
• Reconhecer as mudanças e permanências nas vivências humanas.
• Questionar sua realidade, identificando alguns de seus problemas Este projeto de ensino busca respeitar o desenvolvimento físico,
cognitivo e emocional do educando, levando em consideração as
e refletindo sobre algumas de suas possíveis soluções. suas experiências pessoais, imprescindíveis para a construção do
• Dominar a leitura e a escrita, lidando com símbolos e signos e, saber crítico, ao mesmo tempo que orienta o educador, propondo‑lhe
alternativas de trabalho e de interação com o aluno: “[...] o conhecer
assim, beneficiando‑se das oportunidades oferecidas pela educação não é apenas da ordem da construção cognitiva, mas, antes disso, o
ao longo de toda a vida. conhecimento depende de uma experiência de comunicação vital com
• Perceber as múltiplas linguagens utilizadas pela humanidade. um objeto que, em sala de aula, se dá por intermédio e no encontro
• Conhecer, compreender, interpretar, analisar, relacionar, comparar entre dois seres: o aluno e o educador”.
e sintetizar dados, fatos e situações do cotidiano e, por meio dessa
imersão, adquirir competências para tornar‑se apto a enfrentar O projeto está voltado aos educadores e alunos de Educação de
inúmeras situações. Jovens e Adultos (EJA) e busca, pela integração dos vários saberes,
• Compreender as redes de relações sociais e atuar sobre elas como fornecer os elementos incentivadores do diálogo entre docentes
cidadão. e discentes, para que ambos possam produzir e usufruir conhe‑
• Valorizar o diálogo, a negociação e as relações interpessoais. cimentos, bens e valores culturais e dar‑lhes novos significados,
• Descobrir o encanto e a beleza nas expressões culturais de sua capacitando o educando a resolver problemas nos diversos campos
gente e de seu entorno. do conhecimento, mediante o emprego de habilidades, da intuição,
• Aprender o sentido da verdadeira cooperação. do raciocínio lógico, da criatividade, das múltiplas inteligências, e,
• Respeitar os valores do pluralismo e da compreensão mútua. assim, torná‑lo agente de transformação da sociedade em que vive,
Tais objetivos tornam‑se possíveis por meio de projetos com ideias‑ capaz de desempenhar de modo consciente a sua cidadania, de
‑chave que vão além de uma disciplina. O tema “identidade”, trabalhado reconhecer, respeitar e valorizar a pluralidade cultural. Desse modo,
na unidade 1 do 6o ano, por exemplo, permite explorar situações que dá‑se a identificação da “micro‑história” e sua valorização diante da
possibilitem a interação com as outras áreas do conhecimento, traba‑ tradicional “macro‑história”.
lhando com fatos do dia a dia dos alunos em História, a paisagem em
Geografia, as características especificamente humanas em Ciências, a Critérios para seleção de conteúdos e materiais
organização do espaço físico em Matemática e as especificidades do didáticos
vocabulário e de sua forma de comunicação em Língua Portuguesa. • Dados de diferentes tipos de fontes (entrevistas, pesquisas biblio‑
Por meio da interdisciplinaridade, rompe‑se com a fragmentação
dos saberes, permitindo uma visão da totalidade, alcançando uma gráficas, imagens etc.).
abordagem transdisciplinar do conhecimento. • Documentos de diferentes naturezas.
As atividades sugeridas ao educador de História nesta obra objetivam: • Textos com pontos de vista e perspectivas diferentes sobre um
• incentivar a organização e direção de situações de aprendizagem;
• eleger os conteúdos a serem ensinados de acordo com os objetivos mesmo acontecimento, fato ou tema histórico, que permitam
da aprendizagem; fazer comparações, levantar hipóteses e questões a respeito do
• trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos na aprendizagem; tema estudado.
• envolver os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de • Diversidade de gêneros textuais: textos, livros, fotos, vídeos,
trabalho; exposições, mapas etc.
• proporcionar uma abertura da própria disciplina em relação às • Uso de diferentes medidas de tempo.
demais disciplinas componentes do currículo escolar; COnTEúDOS gERAIS
• observar e avaliar o aluno com base nos indicadores de aprendi‑
zagem previamente estabelecidos. 6o ano
Proposta metodológica
Utilizados diferentes temas geradores, vinculados aos eixos temá‑ UnIDADE 1 – IDEnTIDADE
ticos, definidos em planejamento. Esses temas procuram contemplar
questões relacionadas ao universo em que se insere o aluno. As CAPÍTULO 1 – COnHECEnDO mInHA HISTÓRIA
propostas de atividades contribuem para a compreensão do tema
gerador, de modo global, o que significa que esse tema constitui‑se • Conceito de história.
em pano de fundo para todo o estudo a ser realizado nos projetos. • O homem como sujeito e objeto da história:
Dessa forma, há o estímulo a trabalhar inteligências e competências • a identidade histórica.
em sala de aula, atribuindo‑lhes significado, contextualizando‑as no • A linha do tempo:
tempo e no espaço no qual o aluno se insere. • ordem cronológica;
Os alunos são desafiados e motivados a investigar situações do • a periodização da história:
dia a dia, a descobrir e ver como apresentá‑las usando outra “lingua‑ • a Pré‑história; • a História.

Manual do educador 29

CAPÍTULO 2 – Um OLHAR PARA O PASSADO 7o ano

• A pesquisa científica: UnIDADE 1 – mEIO AmbIEnTE
• a lógica científica.
• As ciências auxiliares da História: CAPÍTULO 1 – nATUREzA: DOmÍnIO E DESCOnTROLE
• arqueologia; • geologia;
• antropologia; • paleontologia. • Os problemas ambientais criados pelo homem.
• Os mitos do passado. • A revolução agrícola:

CAPÍTULO 3 – Em bUSCA DAS ORIgEnS • o surgimento da propriedade privada;
• a degradação ambiental;
• A pesquisa historiográfica e antropológica. • a ação dos ambientalistas;
• A busca das origens humanas: • o consumismo.
• A formação do Estado Nacional:
• a versão evolucionista: • a expansão marítima europeia.
• a visão científica.
CAPÍTULO 2 – nATUREzA: A bUSCA PELO EqUILÍbRIO
• a versão criacionista:
• a visão mítica. • O domínio do fogo na Pré‑História:
• mito; • história.
• A teoria darwiniana: • A ocupação humana no Brasil:
• evolução; • adaptação; • extinção. • os primeiros habitantes;
• a chegada dos europeus;
• A origem do Homo sapiens: • a devastação ambiental.
• África; • A Assembleia do Rio de Janeiro – Rio 92:
• América; • desenvolvimento sustentável;
• Brasil: • a Agenda 21.
• O sítio arqueológico de São Raimundo Nonato – PI;
• O sítio arqueológico de Lagoa Santa – MG. UnIDADE 2 – SAúDE E qUALIDADE DE VIDA
CAPÍTULO 3 – SAúDE E bEm‑ESTAR
• A diversidade cultural no Brasil.
• Saúde e higiene através da história:
UnIDADE 2 – CIDADAnIA E LEITURA • as cidades na Idade Antiga:
• concentração urbana versus saneamento
CAPÍTULO 4 – CIDADAnIA E LEITURA • a peste negra na Idade Média:
• aumento populacional versus crise de produtividade.
• Conceito de leitura de mundo.
• Conceito de cidadania. • Saúde e qualidade de vida no Brasil:
• Cidadania e legislação brasileira: • o Império e a saúde pública;
• o Rio de Janeiro no início do século XX:
• Constituição de 1988: • a Revolta da Vacina.
• Artigo 5o.
CAPÍTULO 4 – DESEnVOLVImEnTO E qUALIDADE DE
• Constituição de 1824. VIDA
• A leitura de mundo das comunidades indígenas:
• Desenvolvimento versus qualidade de vida.
• indígenas e europeus. • O sistema capitalista:
• As Organizações Não Governamentais (ONGs).
• as relações de trabalho;
CAPÍTULO 5 – CIDADAnIA: UmA COnSTRUçãO • as forças do mercado.
HISTÓRICA • O Brasil republicano:
• o positivismo.
• Os códigos (leis) na Antiguidade: • O pensamento marxista.
• os códigos orais;
• os códigos escritos: 8o ano
• o Código de Hamurabi.
• Escrita e poder:
• Egito; • Mesopotâmia.
• O Direito Romano.

• A Grécia antiga:
• a democracia ateniense: UnIDADE 1 – CIDADAnIA E CULTURA
• a Ágora.
CAPÍTULO 1 – A fORmAçãO DA CULTURA nACIOnAL
CAPÍTULO 6 – CIDADAnIA E ImPREnSA • A cultura indígena:

• A imprensa brasileira no início da República: • resistência à dominação europeia.
• Conceito de república. • Os afro‑americanos:
• O governo republicano:
• os direitos naturais do homem. • origens;
• da senzala à casa‑grande;
• A Constituição republicana de 1891: • resistência versus dominação.
• a separação entre Igreja e Estado. • O Brasil multicultural:
• novas ondas migratórias a partir do século XIX.
• A imprensa ao longo do período republicano: CAPÍTULO 2 – A fORmAçãO DA CIDADAnIA E DA
• o início da Era Vargas:
• a Constituição de 1934; • o Estado Novo; CULTURA nOS DIAS ATUAIS
• a Constituição de 1946. • O pensamento iluminista:
• o golpe militar de 1964:
• a imprensa de oposição. • a Revolução Francesa; • o Iluminismo no Brasil.

30 características de História

CARACTERÍSTICAS DE HISTÓRIA

UnIDADE 2 – CULTURA DE PAz CAPÍTULO 2 – TRAbALHO OU COnSUmO: O qUE
CAPÍTULO 3 – CULTURA DE PAz mOVImEnTA A ECOnOmIA?

• Ética e consciência: • O desenvolvimento da sociedade de consumo:
• conflitos étnicos, religiosos e políticos: • consumo e economia de mercado;
• terrorismo de Estado: • consumo e ideologia.
• ditaduras modernas.
• terrorismo de grupos: • A Revolução Industrial:
• os movimentos religiosos fundamentalistas; • o crescimento do operariado:
• os movimentos ideológicos. • trabalho versus capital;
• o processo fabril:
CAPÍTULO 4 – A PAz Em AçãO • o taylorismo; • o fordismo; • o toyotismo.
• A reformulação dos valores humanos:
• Brasil contemporâneo:
• tolerância religiosa, étnica, sexual e de gênero. • o movimento operário;
• A resistência pacífica: • o movimento agrário:
• o MST; • a CLT.
• Mahatma Gandhi; • Martin Luther King; • Nelson Mandela.
• O Brasil e o movimento contra a fome: UnIDADE 2 – gLObALIzAçãO E nOVAS
TECnOLOgIAS
• Herbert José de Souza (Betinho).
CAPÍTULO 3 – gRAnDE mUnDO PEqUEnO
9o ano
• A globalização:
UnIDADE 1 – TRAbALHO E COnSUmO • a Internet.
CAPÍTULO 1 – SAngUE, SUOR E LágRImAS • A segunda fase da Revolução Industrial:
• liberalismo; • neocolonialismo:
• As relações de trabalho: • as duas guerras mundiais: • Revolução Russa;
• trabalho escravo; • trabalho servil; • trabalho assalariado. • nazismo e fascismo.

• O valor do trabalho: CAPÍTULO 4 – ESTRATégIAS DA gLObALIzAçãO
• Karl Marx; • Adam Smith.
• A Guerra Fria:
• A escravidão nas Américas. • União Soviética; • Estados Unidos; • China.
• A escravidão no mundo moderno:
• O fim da União Soviética.
• ampliação do conceito de escravo. • O neoliberalismo.

bIbLIOgRAfIA ______. A Afro-América: A escravidão no novo mundo. São Paulo:
Brasiliense, 1982.
AGOSTINI, J. C. Brasileiro, sim senhor!: Uma reflexão sobre nossa
identidade. São Paulo: Moderna, 2004. CARLOS, A. F. A. A cidade. São Paulo: Contexto, 2009.
CARNEIRO, M. L. T. O racismo na história do Brasil: Mito e realidade.
ALVES, R. Quando eu era menino. Campinas: Papirus, 2003.
ANDRADE, M. C. Imperialismo e fragmentação do espaço. 3. ed. São São Paulo: Ática, 1998.
CARVALHO, J. M. de. A formação das almas: o imaginário da
Paulo: Contexto, 1991.
ANTONIL, A. J. Cultura e opulência do Brasil. 3. ed. São Paulo: Edusp, República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
CHALHOUB, S. Cidade febril: cortiços e epidemias na corte imperial.
1997.
ANTUNES, C. Manual de técnicas de dinâmica de grupo de São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
CHAUÍ, M. Convite à filosofia. 14. ed. São Paulo: Ática, 2010.
sensibilização de ludopedagogia. 23. ed. Petrópolis: Vozes, 2004. CHILDE, V. G. O que aconteceu na História. 5. ed. Rio de Janeiro:
AQUINO, R.; NAEGELI, L.; MENDES, F.; CECCON, C. Brasil: Uma história
Zahar Editores, 1981.
popular. Rio de Janeiro: Record, 2003. CITELLI, A. Comunicação e educação: a linguagem em movimento.
ARROYO, M. G. Ofício de mestre: imagens e autoimagens. Petrópolis:
São Paulo: Senac, 2000.
Vozes, 2000. CLAXTON, G. Criativese: um guia prático para turbinar o seu
BACCEGA, M. A. Trabalho e consumo. São Paulo: Ícone, 2000.
BARROS, E. L. A guerra fria. 7. ed. São Paulo: Atual, 1988. potencial criativo. São Paulo: Gente, 2005.
BITTENCOURT, C. O saber histórico na sala de aula. São Paulo: COELHO, M. L. Consumo e espaços pedagógicos. 2. ed. São Paulo:

Contexto, 1997. Cortez, 1996.
BOFF, L. A águia e a galinha. 38. ed. Petrópolis: Vozes, 2002. COSTA, E. V da. Da monarquia à República. 9. ed. São Paulo:
______. Saber cuidar: ética do humano, compaixão pela terra.
Brasiliense, 2011.
Petrópolis: Vozes, 1999. COSTA, N. R. Políticas públicas: justiça distributiva e inovação. São
______. Fundamentalismo: A globalização e o futuro da
Paulo: Hucitec, 1998.
humanidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2002. CURRIE, K. L. Meio ambiente: interdisciplinaridade na prática. 3. ed.
BÓRIO, E. Para filosofar. 5. ed. São Paulo: Scipione, 2007.
BRAIT, B. Bakhtin: dialogismo e construção do sentido. Campinas: Campinas: Papirus, 2002.
D’AMORIN, E. África: essa mãe quase desconhecida. São Paulo: FTD,
Educamp, 2005.
BRANCO, S. M. O meio ambiente em debate. São Paulo: Moderna, 1997. 1997.
BUSH C. Gandhi. São Paulo: Nova Cultural, 1987. DEAN, W. A ferro e fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica
CAGLIARI, L. C. Alfabetização e linguística. São Paulo: Scipione, 1989.
CAMPOS, R. Grandezas do Brasil no tempo de Antonil (1681‑1716). brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
DECCA, E.; MENEGUELLO, C.; PAES, M. H. S. Fábricas e homens: A
São Paulo: Atual, 1996.
CARDOSO, C. F. S. O Egito antigo. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985. Revolução Industrial e o cotidiano dos trabalhadores. 5. ed. São
Paulo: Atual, 2006.

Manual do educador 31

DECCA, M. A. G. de. Cotidiano de trabalhadores na República: São HOBSBAWM, E. J. A era das revoluções: 1789 – 1848. 25. ed. São
Paulo, 1889/1940. São Paulo: Brasiliense, 1989. Paulo: Paz e Terra, 2009.

DEMO, P. Complexidade e aprendizagem: dinâmica não linear do ______. A era dos Impérios: 1875‑1914. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
conhecimento. São Paulo: Atlas, 2002. ______. Era dos extremos: o breve século XX. 10. ed. São Paulo:

DIAS, G. F. Educação ambiental: princípios e práticas. 7. ed. São Companhia das Letras, 2008.
Paulo: Gaia, 2001. ______.Mundos do trabalho: novos estudos sobre história operária.

______. Iniciação à temática ambiental. 2. ed. São Paulo: Gaia, 2002. 4. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
DINIZ, M. H. Código Civil anotado. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. 22. ed. Rio de Janeiro:
DREW, N. A paz também se aprende. São Paulo: Gaia, 1990.
DUBY, G. História da vida privada: da Europa feudal à Renascença. J. Zahar, 2010.
HUGUETE, T. Metodologias qualitativas na Sociologia. Rio de Janeiro:
São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
DURANTE, M. Alfabetização de jovens e adultos: leitura e produção Vozes, 1987.
IANNI, O. Escravidão e racismo. São Paulo: Hucitec, 1978.
de textos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. ______. A era do globalismo. 6. ed. Rio de Janeiro: Civilização
FAZENDA, I. C. Interdisciplinaridade: Um projeto em parceria. São
Brasileira, 2001.
Paulo: Loyola, 1995. KEEGAN, J. Uma história da guerra. São Paulo: Companhia das
______. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas:
Letras, 1996.
Papirus, 1994. KLEIN, H. S. A escravidão africana. São Paulo: Brasiliense, 1987.
FERLINI, V. L. A. A civilização do açúcar: Séculos XVI a XVIII. 2. ed. São KLEIMAN, A. B.; MATENCO, M. de L. M. Letramento e formação do

Paulo: Brasiliense, 1986. professor: práticas discursivas, representações e construção do
FINLEY, M. L. Escravidão antiga e ideologia moderna. Rio de Janeiro: saber. Campinas: Mercado de Letras, 2005.
______; SIGNORINI, I. et al. Ensino e formação do professor:
Graal, 1991. alfabetização de jovens e adultos. Porto Alegre: Artmed, 2000.
FERREIRA, O. L. Visita à Roma Antiga. 3. ed. São Paulo: Moderna, KOSHIBA, L. O índio e a conquista portuguesa. 5. ed. São Paulo: Atual,
2004. (Discutindo a História do Brasil)
1997. KUPSTAS, M. Identidade nacional em debate. São Paulo: Moderna, 1997.
______. Egito: Terra dos faraós. São Paulo: Moderna, 2005. LAPORTE, A. M.; SCHLESENER, A. H.; CORDI, C. Para filosofar. 4. ed.
FLORENZANO, M. B. B. O mundo antigo: economia e sociedade. 6. São Paulo: Scipione, 2001.
LEVINE, S.; GRAFTON, A. Projetos para um planeta saudável:
ed. São Paulo: Brasiliense, 1986. experimentos ambientais simples. São Paulo: Augustus, 1996.
FONTES, L. R. S. O iluminismo e os reis filósofos. 8 ed. São Paulo: LUCK, H. Pedagogia interdisciplinar: fundamentos
teóricometodológicos. Petrópolis: Vozes, 1994.
Brasiliense, 1993. MALDONADO, M. T. Os construtores da paz: caminhos da
FORRESTER, V. O horror econômico. São Paulo: Unesp, 1997. preservação da violência. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1997.
FRANCO JR., H. O feudalismo. 14. ed. São Paulo: Brasiliense, 1996. MARTÍN, E. et al. O construtivismo na sala de aula. São Paulo: Ática, 1999.
______. As cruzadas. 8. ed. São Paulo: Brasiliense, 1995. MELTZER, M. História ilustrada da escravidão. Rio de Janeiro: Ediouro,
FREIRE, P. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1982. 2004.
______. Ação cultural para a liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, MICHELETTI, L. P. F. P.; GEBARA, A. E. L. Leitura e construção do real: o
lugar da poesia e da ficção guaraciaba. 2. ed. São Paulo: Cortez,
1976. 2001. (Aprender e Ensinar com Textos, v. 4)
______. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. MORAES, M. C.; TORRE, S. Sentipensar: fundamentos e estratégias
______. Pedagogia da autonomia. 43. ed. São Paulo: Paz e Terra, para reencantar a educação. Petrópolis: Vozes, 2004.
______. Pensamento ecossistêmico: educação, aprendizagem e
2011. cidadania no século XXI. Petrópolis: Vozes, 2004.
______; FREIRE, A. M. A.(org.). Pedagogia dos sonhos possíveis. São ______. O paradigma educacional emergente. Campinas: Papirus, 2001.
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São
Paulo: Edunesp, 2001. Paulo: Cortez, 2000.
FREITAS, G. de. 900 textos e documentos de História. In: BOSSUET, J‑B. ______. A cabeça benfeita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.
MOURA, C. Os quilombos e a rebelião negra. 7. ed. São Paulo:
Política tirada da Sagrada Escritura. Lisboa: Plátano, s.d. Brasiliense, 1987.
FREITAS, M. T. de A. O pensamento de Vygotsky e Bakhtin no Brasil. NOGUEIRA, N. R. Interdisciplinaridade aplicada. São Paulo: Érica,
2003.
Campinas: Papirus, 1998. NÓVOA, A. Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992.
FROTA, L. C. Pequeno dicionário da arte do povo brasileiro, século XX. PADOVANI, U.; CASTAGNOLA, L. História da Filosofia. 17. ed. São
Paulo: Melhoramentos, 1995.
Rio de Janeiro: Aeroplano, 2005. PEDRO, A. A Segunda Guerra Mundial. 10. ed. São Paulo: Atual, 1994.
GARDNER, H. Estruturas da mente: a teoria das inteligências PERRENOUD, P. A prática reflexiva no ofício de professor:
profissionalização e razão pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2002.
múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. ______. Dez competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000.
GERAB, W. J.; ROSSI, W. Indústria e trabalho no Brasil: limites e PHILIPPI JR., A. Saneamento, saúde e ambiente: fundamentos para
um desenvolvimento sustentável. São Paulo: Manole, 2004.
desafios. São Paulo: Atual, 2009. PINSKY, J. As primeiras civilizações. 20. ed. São Paulo: Atual, 2001.
GERALDI, J. W. Linguagem e ensino: exercícios de militância e (Coleção Discutindo a História)
PRIORE, M. D.; CAMPOS, F.; RIBEIRO, W. C. 500 anos de Brasil:
divulgação. Campinas: Mercado de Letras/ALB, 1996. histórias e reflexões. São Paulo: Scipione, 1999.
GIANNETTI, E. Vícios privados: negócios públicos. São Paulo: RANGEL, A. O que podemos aprender com os gansos. São Paulo:
Original, 2010.
Companhia das Letras, 2007.
GRASSET, F. Globalização para quem? São Paulo: Futura, 2004.
GROSSI, E. P. Por que ainda há quem não aprende?: a teoria.

Petrópolis: Vozes, 2003.
GUEVARA, A. J. de H. et al. Conhecimento, cidadania e meio ambiente.

São Paulo: Fundação Peirópolis, 1998.
GULLAR, F. Toda poesia. 14. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,

2004.
GUTIÉRREZ, F. Ecopedagogia e cidadania planetária. 2. ed. São Paulo:

Cortez, 2000. (Guia da Escola Cidadã, v. 3)
HELLERS, V.; NOTAKER, H.; GAARDER, J. O livro das religiões. São

Paulo: Companhia das Letras, 2005.
HERNÁNDEZ, F. Transgressão e mudança na educação: os projetos de

trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998.

32 características de História

CARACTERÍSTICAS DE HISTÓRIA

REIS, J. R.; SILVA, E. Negociação e conflito: A resistência negra no VENTURI, G.; RECAMAN, M.; OLIVEIRA, S. de. A mulher brasileira nos
Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. espaços público e privado. São Paulo: Fundação Perseu Abramo,
2004.
RIBA, L. Para uma grande mulher. Cotia: Vergara & Riba, 2006.
RIBEIRO, D. O povo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. WEATHERFORD, J. A história do dinheiro. São Paulo: Negócio, 1999.
RODRIGUES, J. O tráfico de escravos para o Brasil. São Paulo: Ática, 2002. WEIL, P.; CREMA, R.; D’AMBROSIO, U. Rumo à nova
RODRIGUES, R. M. Vida e saúde. São Paulo: Moderna, 1996.
ROJAS, E. O homem moderno. São Paulo: Mandarim, 1996. transdisciplinaridade: sistemas abertos de conhecimento. São
SALLES, C. Nos submundos da Antiguidade. São Paulo: Brasiliense, 1987. Paulo: Summus, 1993.
SANTOS, J. R. Zumbi. São Paulo: Moderna, 1985. WESCHENFELDER, C. H. Tempo de paz: personalidades de ontem e
SCARPATO, M. Os procedimentos de ensino fazem a aula acontecer. de hoje falam sobre a paz. São Paulo: Paulinas, 2005.
XAVIER, A. C. da R. et al. Gestão educacional: experiências
São Paulo: Avercamp, 2004. inovadoras. Brasília: Ipea, 1995.
SCHAFF, A. História e verdade. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995. YOZO, R. Y. K. 100 jogos para grupos. 8. ed. São Paulo: Ágora, 1996.
SENGE, P. et al. Escolas que aprendem: um guia da quinta disciplina ZABALA, A. Enfoque globalizador e pensamento complexo: uma
proposta para o currículo escolar. Porto Alegre: Artmed, 2002.
para educadores, pais e todos que se interessam pela educação.
Porto Alegre: Artmed, 2005. (Biblioteca Artmed, Fundamentos da SUgESTÕES DE LEITURA
Educação).
SEVCENKO, N. A corrida para o século XXI. São Paulo: Companhia das 500 anos de Brasil: histórias e reflexões. Mary Del Priore et al. São
Letras, 2001. Paulo: Scipione, 1999.
SILVA, D. F.; SOUZA, N. G. S. Interdisciplinaridade na sala de aula:
experiência pedagógica nas 3as e 4as séries do primeiro grau. A criação cultural na sociedade moderna: Por uma Sociologia da
Porto Alegre: UFRGS, 1995. Totalidade. Lucien Goldmann. São Paulo: Difusão Europeia do
SILVA, E. T. da. A produção da leitura na escola. São Paulo: Ática, 1995. Livro, 1972.
______. Conferências sobre leitura. Campinas: Autores Associados,
2003. Do feudalismo ao capitalismo. Theo Santiago. São Paulo: Contexto,
______. Unidades de leitura. Campinas: Autores Associados, 2003. 1992.
SILVA, M. A sala de aula interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2001.
SILVA, R. F. Histórico das constituições brasileiras. São Paulo: Núcleo, Educação, trabalho e desigualdade. Jorge Alexandre Barbosa Neves,
2011. Danielle Cireno Fernandes, Diogo Henrique Helal. São Paulo:
_______. A Revolução Industrial. 2. ed. São Paulo: Núcleo, 1997. Argumentum, 2009.
SINGER, P. A formação da classe operária. 24. ed. São Paulo: Atual, 2002.
______. O capitalismo: sua evolução, sua lógica, sua dinâmica. São Ensinar história. Maria Auxiliadora Schimidt e Marlene Cainelli. São
Paulo: Moderna, 1987. Paulo: Scipione, 2010. (Pensamento e Ação no Magistério)
SNYDERS, G. Para onde vão as pedagogias não diretivas? São Paulo:
Centauro, 2002. A era do globalismo. Octavio Ianni. Rio de Janeiro: Civilização
SOBOUL, A. História da Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Zahar, Brasileira, 1996.
1990.
SODRÉ, N. W. História da imprensa no Brasil. 4. ed. São Paulo: Martins A escravidão africana no Brasil. Mauricio Goulart. 3. ed. São Paulo:
Fontes, 1999. Alfa‑Omega, 2005.
SOLÉ, I. Estratégias de leitura. Porto Alegre: Artmed, 2003.
SOUSA, H.; RODRIGUES, C. Ética e cidadania. São Paulo: Moderna, 2001. Ética. Baruch de Spinoza. São Paulo: Autêntica, 2009.
SPOSITO, M. E. B. Capitalismo e urbanização. São Paulo: Contexto, 1997. A ferro e fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica Brasileira.
STRAUSS, C. L. Tristes trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
SUN TZU. A arte da guerra. São Paulo: Martin Claret, 2011. Warren Dean. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
SUTTI, P.; RICARDO, S. As diversas faces do terrorismo. São Paulo: Globalização, democracia e terrorismo. Eric Hobsbawn. São Paulo:
Harbra, 2003.
TFOUM, L. V. Letramento e alfabetização. São Paulo: Cortez, 1995. Companhia das Letras, 2007.
THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisaação. São Paulo: Cortez, 1996. História e cultura afro‑brasileira. Regiane Augusto de Mattos. São
THURLER, M. G. Inovar no interior da escola. Porto Alegre: Artmed, 2001.
TORRE, S.; BARRIOS, O. Curso de formação de educadores. São Paulo: Paulo: Contexto, 2007.
Madras, 2002. História da vida privada: Da Europa feudal à Renascença. Philippe
TOTA, A. P. O imperialismo sedutor: a americanização do Brasil na
época da Segunda Guerra. São Paulo: Companhia da Letras, 2000. Airès e Georges Duby. São Paulo: Cia. das Letras, 1999.
TOVAR, P. C. Livro de ouro de quebra-cabeças. Rio de Janeiro: História da vida privada: Da Renascença ao Século da Luzes. Philippe
Ediouro, 1978.
VALENTE, A. L. E. F. Educação e diversidade cultural: um desafio da Airès e Georges Duby. São Paulo, Cia. das Letras, 1997.
atualidade. São Paulo: Moderna, 1999. História da vida privada: Da Revolução Francesa à Primeira Guerra.
______. Ser negro no Brasil hoje. São Paulo: Moderna, 1994.
VASCONCELLOS, C. dos S. Para onde vai o professor?: resgate do Philippe Airès e Georges Duby. São Paulo: Cia. das Letras, 2009.
professor como sujeito de transformação. São Paulo: Libertad, História & Natureza. Regina Horta Duarte. São Paulo: Autêntica, 2007.
1995. (Subsídios Pedagógicos do Libertad, v. 1) História e verdade. Adam Schaff. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
______. Avaliação: concepção dialéticolibertadora do processo de Iluminismo e os reis filósofos. 8. ed. Luis R. Salinas Fontes. São Paulo:
avaliação escolar. São Paulo: Libertad, 2000.
VEYNE, P. História da vida privada: do Império Romano ao ano mil. Brasilense, 1993.
São Paulo: Companhia das Letras, 1995. (v. 1) O império luso brasileiro e os brasis. Luiz Carlos Villalta. São Paulo:
VIOLA, E. J. et al. Meio ambiente, desenvolvimento e cidadania:
desafio para as ciências sociais. São Paulo: Cortez/UFSC, 2001. Companhia das Letras, 2000.
Karl Marx: O apanhador de sinais. Horácio Gonzalez. São Paulo:

Brasiliense, 2002.
Mulheres. Eduardo Galeano. Porto Alegre: L&PM, 2002.
A mulher brasileira nos espaços público e privado. Gustavo Venturi,

Marisol Racaman, Suely de Oliveira. São Paulo: Perseu Abramo,
2004.
Novos temas nas aulas de História. Carla Bassanezi Pinsky. São Paulo:
Contexto, 2009.
A Presença indígena na formação do Brasil. João Pacheco de Oliveira,
Carlos Augusto da Rocha Freire. Brasília: MEC/Unesco, 2006.
O Povo brasileiro. 2. ed. Darcy Ribeiro. São Paulo: Companhia das
Letras, 2004.
Os Quilombos e a rebelião negra. 7. ed. Clovis Moura. São Paulo:
Brasiliense, 1987.

Manual do educador 33

Saber cuidar: ética do humano, compaixão pela terra. Leonardo Boff. <http://www.riototal.com.br/feliz‑idade>. Acesso em: 14 abr. 2013.
Petrópolis: Vozes, 2004. <http://www.socioambiental.org.br>. Acesso em: 14 abr. 2013.
<http://www.tvcultura.com.br/aloescola>. Acesso em: 14 abr. 2013.
O saber histórico na sala de aula. Circe Bittencourt. São Paulo: <http://www.uol.com.br/aprendiz>. Acesso em: 14 abr. 2013.
Contexto, 1997. <http://veja.abril.com.br>. Acesso em: 14 abr. 2013.

Outras sugestões filmes
Sites
Carlota Joaquina, Princesa do Brasil. Direção: Carla Camurati. 100
<http://www.agencia.fapesp.br>. Acesso em: 14 abr. 2013. min. Brasil, 1995.
<http://www.anp.gov.br>. Acesso em: 14 abr. 2013.
<http://www.bbc.co.uk>. Acesso em: 14 abr. 2013. Elizabeth: A era de ouro. Direção: Shekhar Kapur. 114 min. França/
<http://www.casadasafricas.org.br>. Acesso em: 14 abr. 2013. Inglaterra, 2007.
<http://www.correiodacidadania.com.br>. Acesso em: 14 abr. 2013.
<http://www.direitodoidoso.com.br>. Acesso em: 14 abr. 2013. Germinal. Direção: Claude Berri. 170 min. França/Bélgica/Itália, 1993.
<http://www.dominiopublico.gov.br>. Acesso em: 14 abr. 2013. Guerra de Canudos. Direção: Sérgio Rezende. 169 min. Brasil, 1997.
<http://www.duplipensar.net>. Acesso em: 14 abr. 2013. A Guerra do Fogo. Direção: Jean‑Jacques Annaud. 97 min. França/
<http://www.eaprender.com.br>. Acesso em: 14 abr. 2013.
<http://www.ensinoafrobrasil.org.br>. Acesso em: 14 abr. 2013 Canadá, 1995.
<http://www.fao.org.br>. Acesso em: 14 abr. 2013. Ilha das Flores. Direção: Jorge Furtado. 13 min. Brasil, 1989.
<http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 14 abr. 2013. Mauá: O Imperador e o Rei. Direção: Sérgio Rezende. 135 min. Brasil,
<http://www.inep.gov.br>. Acesso em: 14 abr. 2013.
<http://www.monografias.com>. Acesso em: 14 abr. 2013. 1999.
<http://www.nota10.com.br>. Acesso em: 14 abr. 2013. Metrópolis. Direção: Fritz Lang. 100 min. Alemanha, 1927.
<http://www.portaldosprofessores.ufscar.br>. Acesso em: 14 abr. 2013. Nação Fast Food. Direção: Richard Linklater. 99 min. EUA, 2006.
<http://www.presidencia.gov.br/legislacao>. Acesso em: 14 abr. 2013. Narradores de Javé. Direção: Eliane Caffé. 100 min. Brasil, 2003.
<http://revistaescola.abril.com.br/geografia/fundamentos/causou‑ Olga. Direção: Jayme Monjardim. 141 min. Brasil, 2004.
A queda: as últimas horas de Hitler. Direção: Oliver Hirschbiegel. 156
crise‑economica‑mundial‑470382.shtml>. Acesso em: 14 abr. 2013.
Maio de 2009. O que causou a crise econômica mundial? min. Alemanha/Itália, 2004.
Spartacus. Direção: Stanley Kubrick. 183 min. EUA, 1960.
Inadimplência nos Estados Unidos foi responsável pela recessão. Super Size Me: A dieta do Palhaço. Direção: Morgan Spurlock. 98 min.

EUA, 2004.
Tempos modernos. Direção: Charles Chaplin. 87 min. EUA, 1936.

34 características de História

AnOTAçÕES

Manual do educador 35

HISTÓRIA

6oano

Palácio Apostólico,
Capela Sistina, Vaticano

EDIMAR ARAÚJO SILVA

Licenciada em História, Geografia e Sociologia e Bacharel em Ciências Políticas e Sociais pela
Fundação e Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Pós-graduanda em História na
Uniban. Professora de História e Geografia. Autora de livros didáticos e paradidáticos.

JOSÉ WAGNER DE MELO COSTA SOUSA

Bacharel e licenciado em História pela Faculdade de Filosofia e Letras das Faculdades Associadas
do Ipiranga (Unifai-SP). Licenciado em Pedagogia pelo Centro Universitário Nove de Julho
(Uninove-SP). Professor da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, tendo ministrado
aulas também nas redes municipal e particular. Autor de livros didáticos.

6o ano 36

CAPÍTULO 1 UNIDADE 1 • IDENTIDADE

Educador, veja encaminhamento para trabalhar Educador, inicie o trabalho folheando o livro
este capítulo no Manual Específico. com seus alunos. Analise as seções e seus
subtítulos e explique a função dos ícones:
Conhecendo minha história
Registro escrito.
Nessa primeira aula, é importante que o educador traga material retirado de jornais e revistas Registro no caderno
para mostrar diferentes ambientes. Se for possível, peça aos alunos que façam o mesmo para a Expressão oral.
Trabalho individual.
Pra começopróxima aula. de conversa Trabalho em grupo.
Pesquisa individual.
Pesquisa em grupo.

Que tal reconhecer sua história começando do lugar em que você vive? Para isso, responda às questões

a seguir.
Educador, o objetivo deste segmento é problematizar a relação entre o indivíduo e o meio, por meio da oralidade, incentivando o seu diálogo com os

alunos e o1d.iálogCooemntroe eles. A sugestão é que você atue como mediador dos diálogos.

éo lugar em que você mora?

2. Qual o nome do bairro ou da região onde você mora?

3. Agora, observe as fotografias a seguir: Sergio Ranalli/Pulsar Imagens 2 Luciana Whitaker/Pulsar Imagens
Respostas pessoais.

1

Ambulante na praia de Porto de Galinhas, PE, 2009. Jovens na praia de Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, 2013.

a) Em qual das fotografias aparece um pessoa traba- 3 Palê Zuppani/Pulsar Imagens
lhando? O que ela faz? Turista na Lagoa da Torta em Camocim, CE, 2009.

Na fotografia 1 aparece um homem vendendo alimento na praia.

b) Na fotografia 2, o que as pessoas estão fazendo?
Estão juntas na praia se divertindo.

c) O que faz a pessoa da fotografia 3? Descansa em uma rede.

d) Quais atividades as fotografias mostram?
Trabalho, lazer e descanso.

e) O que mais chama a sua atenção nessas fotografias: as
pessoas retratadas ou o cenário onde elas se encontram?

Resposta pessoal.

4. Compare o que você vê nessas fotografias com as ima-
gens que seu educador mostrará.

Educador, veja orientação no Manual específico.

a) Há algo parecido entre elas? Respostas pessoais.

b) Você nota diferenças entre as imagens? Quais?

5. Você mora ou alguma vez esteve em um lugar parecido com algum dos lugares das fotografias?
Resposta pessoal. Educador, veja orientação no Manual específico.

6. Na sua opinião, o lugar onde você vive ou outros lugares em que viveu foram importantes para que você
aprendesse a gostar de certas brincadeiras, alimentos, para a formação de seus hábitos? Por quê?

Resposta pessoal. Educador, veja orientação no Manual específico.

7. E sua família e seus amigos, eles foram importantes para formar a sua identidade? Por quê?
Resposta pessoal. Educador, veja orientação no Manual específico.

37 6o ano UNIDADE 1 • IDENTIDADE 141

UNIDADE 1 • IDENTIDADE

Desvendando o tema

Quando alguém pergunta “Quem é você?”, o que você costuma responder?
O que identifica você: Seu nome? A sua profissão ou o seu cargo no trabalho? O número de sua carteira de
identidade? São as habilidades inatas ou adquiridas a partir da sua interação com outros seres humanos?
As respostas a essas questões nos levam ao caminho da descoberta de nossa identidade.
Mas o que é identidade? Troque ideias com seus colegas sobre essa questão. Depois, leia o texto a seguir e
compare as suas ideias com as do texto.

O que é identidade e como nos identificamos?

Identidade é o conjunto das características próprias de cada pessoa ou grupo de pessoas, que possibilita a sua
identificação ou reconhecimento.

Algumas dessas características, desde o dia do nosso nascimento, são registradas em documentos oficiais e
pessoais como: a certidão de nascimento, a carteira de vacinação, a cédula de identidade, a certidão de casamento,
a carteira de estudante etc. A qualquer momento podemos consultar essas fontes documentais para identificar e
obter informações sobre alguém.

Divulgação
Ablestock
Novo modelo de carteira de identidade (Registro de Identidade Civil – RIC). Impressão digital é a mar-
ca das estrias da pele dos dedos
A impressão digital é aplicada à cédula de identidade e a outros das mãos. O de-
documentos por ser uma forma simples e precisa de identificação de uma senho que essas
pessoa. Sua importância está no fato de ser única para cada indivíduo, o estrias formam é
que permite que as pessoas não sejam confundidas umas com as outras. único para cada
pessoa e serve,
Outras partes do corpo humano também são utilizadas para iden- portanto, para
tificação: os olhos, as palmas e a geometria das mãos, a face, a voz, os identificá-la.
padrões de veias... Atualmente, o DNA, material genético contido nas
células humanas, tem sido cada vez mais utilizado para a identificação
de uma pessoa. A cada dia surgem novos métodos comparativos; en-
tretanto, nenhum deles supera o baixo custo do uso das digitais para a
identificação de uma pessoa.

DNA ou ADN (ácido desoxirribonucleico): composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções que
coordenam o desenvolvimento e o funcionamento de todos os seres vivos e alguns vírus.

142 HISTÓRIA 6o ano 38

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Sua vez...

1. Existem diferentes tipos de documentos oficiais e pessoais que permitem identificar uma pessoa. Dê
três exemplos.

A certidão de nascimento, a cédula de identidade (RG/Registro de Identidade Civil – RIC), a carteira de motorista etc.

2. Podemos considerar a utilização da impressão digital importante? Justifique sua resposta.

Sim. Ela é importante para a identificação pessoal, pois permite que as pessoas não sejam confundidas umas com as outras.

3. Um documento de identidade resume o que você é? Por quê?

Educador, é uma boa oportunidade para debater sobre as características individuais que não são mensuráveis.

4. Quem você é?Resposta pessoal.

Aprofundando o tema

Agora, vamos aprofundar a ideia que temos sobre quem somos e como a nossa sociedade foi construída.

Leia atentamente o texto a seguir. Educador, ajude os alunos a compreender que o conhecimento histórico é construído por meio da a
análise da relação presente-passado e vice-versa, partindo da experiência pessoal e próxima para
mais distante, tanto no tempo quanto no espaço. A compreensão do processo histórico é importante
para podermos entender a identidade humana.
Como a sociedade humana é construída?

A sociedade humana é construída a partir da interação entre os homens e o meio em que vivem. É a vida em
sociedade que nos transforma em seres humanos. Somente por meio da convivência temos condições de nos desen-
volver de modo pleno e sobreviver. É na interação social que ideias, ideais, pensamentos, sentimentos e invenções
são compartilhados e servem de estímulo para novas descobertas e seu aperfeiçoamento.

É claro que essa interação provoca conflitos que obrigam os seres humanos a buscar soluções para resolvê-
-los. A cada problema solucionado surgem novas necessidades que precisam ser atendidas. É um processo, ou
seja, uma permanente e infindável sequência de mudanças.

O estudo do passado das diferentes sociedades permite o resgate e a compreensão das realizações humanas, de
suas causas e consequências, fornecendo-nos parâmetros para o entendimento do presente e permitindo deduções
sobre como será o futuro.

História é a ciência que estuda o passado, as mudanças nas sociedades ao longo do tempo, a sequência de acon-
tecimentos, de fatos reais, estágios que marcaram a evolução da humanidade, de um personagem, de um aspecto da
atividade humana em certo lugar e período histórico.

Sua vez...

1. A sociedade humana é construída a partir da interação entre os homens e o meio em que vivem. Explique
por que essa interação é importante.

Somente através da convivência humana temos condições de nos desenvolver plenamente e sobreviver. É através da interação social

que ideias, ideais, pensamentos, sentimentos e invenções são compartilhados e servem de estímulo para novas descobertas e seu

aperfeiçoamento. UNIDADE 1 • IDENTIDADE 143
39 6o ano

UNIDADE 1 • IDENTIDADE
2. Para que serve o estudo do passado das diferentes sociedades humanas?

Serve para resgatar e compreender as realizações humanas, suas causas e consequências, fornecendo parâmetros para
o entendimento do presente e permitindo deduções sobre como será o futuro.

Aprofundando o tema

O texto a seguir é uma parábola, isto é, uma narrativa alegórica que encerra uma lição de vida. Ela certa-
mente fará você repensar sobre a resposta que deu para a questão “Quem você é?”.

O que será que você tem a ver com a águia e a galinha, personagens desEtadupcaadroár,bvoejlaa?orLieenitaaçãeodneosMcaunbuarlae.specífico.

Educador, você pode orientar os alunos a construir no caderno um “banco de palavras”, no qual colocarão as palavras que pesqui-
sarem no dicionário, sob sua orientação, ou, ainda, por conta própria.

TRABALHANDO COM TEXTO

1

A águia e a galinha

Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para
mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no
galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas, embora
a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros.

Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.
Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:

— Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.

— De fato — disse o camponês. — É águia. Mas eu criei como galinha. Ela não
é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de
quase três metros de extensão.

— Não — retrucou o naturalista. — Ela é e será sempre uma águia, pois tem um
coração de águia. Esse coração a fará um dia voar às alturas.

— Não, não — insistiu o camponês. — Ela virou galinha e jamais voará como águia.

Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem
alto e desafiando-a disse:

— Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra,
então abra suas asas e voe!

A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente
ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.

O camponês comentou:

— Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!

— Não — tornou a insistir o naturalista. — Ela é uma águia. E uma águia será
sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.

No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe:

144 HISTÓRIA 6o ano 40

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

— Águia, já que você é uma águia, abra as suas asas e voe!
Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi
para junto delas.
O camponês sorriu e voltou à carga:
— Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
— Não – respondeu firmemente o naturalista. — Ela é águia, possuirá sempre um
coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram
a águia, levaram para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma
montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas.
O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
— Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra,
abra suas asas e voe!
A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou.
Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos
pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das
águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto,
a voar cada vez mais para o alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do fir-
mamento...

Leonardo Boff. A águia e a galinha.
Rio de Janeiro: Vozes, 2006.

Educador, proponha um debate em classe sobre “águias e galinhas”. O debate não é sobre caracterísitcas
externas de águias e galinhas, mas sobre o que faz uma pessoa se tornar um ser humano e sobre as poten-
cialidades de cada um. A utilização de metáforas é um importante instrumento de ensino, e o texto em ques-
tão possibilita o desenvolvimento de um rico debate em sala de aula e até fora dela.

Por dentro do texto

1. Por que o camponês queria criar uma águia como galinha?

Porque a galinha, em relação à águia, é mais obediente, mais fácil de ser domesticada.

2. Por que a águia se comportava como galinha?

Porque só tinha galinhas ao seu redor. Educador, se quiser, este é um bom momento para discutir a importância do meio para a

construção da identidade pessoal.

3. Você percebe alguma relação entre o comportamento da águia dentro do galinheiro e o comportamento
das pessoas na sociedade? Qual?

Resposta pessoal. Educador, se quiser, este é um bom momento para debater com os alunos a seguinte questão: o que significa ser

águia e agir como galinha? Aproveite para refletir com os alunos a questão da baixa autoestima, tão comum nessa fase inicial da

aprendizagem. UNIDADE 1 • IDENTIDADE 145
41 6o ano

UNIDADE 1 • IDENTIDADE

4. O que você achou da atitude do naturalista?

Resposta pessoal.

5. O que será que ele pretendia com sua teimosia?

Provar que a águia não havia perdido a sua essência; que, de acordo com o texto, “ela é e sempre será uma águia”.

6. Somos somente aquilo para o que fomos criados ou temos a capacidade de conduzir e transformar nossa
vida? Por quê?

Resposta pessoal.

7. Qual a lição de vida que encerra essa parábola?

A influência do meio na construção da nossa identidade.

Aprofundando o tema

Vamos retomar o que estávamos aprendendo sobre História.
Talvez você esteja se perguntando: “Mas o que identidade tem a ver com História?”.
O que acha que significa dizer: somos seres sociais e históricos?
Continue a leitura.

Construindo a própria história

Nós, seres humanos, desde o nascimento, Você sabia? Ao conjunto dos
diferentemente dos outros animais, levamos a seres humanos é
vida toda aprendendo e desenvolvendo novos A palavra “humanidade” também dado o nome de
conhecimentos e habilidades, transformando o está ligada à palavra “humanitário”, “humanidade”.
mundo e a nós mesmos por meio do convívio social. que pode ser interpretada como ser
Renato Arlen
Desde o nosso aparecimento no planeta, “solidário com o outro”.
registramos de diferentes formas nossas experiên-
cias. Somos, portanto, seres sociais e históricos.
Isto quer dizer que estamos sempre renovando
os nossos hábitos, reinventando as formas de nos
relacionar com os outros e registrando nossas
novas descobertas. Fazemos isso conscientemente
ou forçados por novas necessidades, muitas vezes
criadas por nós mesmos, seres humanos.

Como seres sociais e históricos, somos ca-
pazes de interferir no espaço físico e social em
que vivemos – e somos influenciados pelo que
acontece ao nosso redor.

146 HISTÓRIA 6o ano 42

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Revelando o que aprendeu Educador, veja orientação no Manual específico.

1. O que você aprendeu sobre as necessidades humanas ao longo da história?

Que muitas vezes nós mesmos as criamos, de tal forma que renovamos os nossos hábitos, reinventamos as formas de nos relacionar

com os outros etc.

2. O que você aprendeu sobre a importância do convívio social?

Ele permite o aprendizado e o desenvolvimento de novos conhecimentos e habilidades possibilitando a transformação do mundo e a nossa.

Ampliando o tema

16/8/2004 1/3/2005 6/2005 16/8/2013 Renato Arlen

Nascimento Primeira Primeiros 9o aniversário
dentição passos

Para melhor compreensão dos fatos históricos, torna-se necessário organizar os acontecimentos em ordem
cronológica, ou seja, na ordem em que eles vão acontecendo ao longo do tempo. Observe, acima, os acontecimen-
tos marcantes da vida de um menino, do nascimento até completar nove anos e, as datas em que ocorreram. Note
a seta e a passagem do tempo, as duas na mesma direção. Tal forma de apresentar a ordem dos acontecimentos é
chamada de linha do tempo.

A história humana também tem a sua linha do tempo, com os acontecimentos mais importantes e as fases
históricas vividas pela humanidade.

Veja que a linha do tempo do menino teve início a partir do nascimento dele. Mas e a história da humanidade?
Quando teve início? Como é dividida? Quais acontecimentos são considerados mais importantes?

O aparecimento da espécie humana, aproximadamente 150 mil anos atrás, marca o início da sua história. Até
hoje são feitas muitas divisões e subdivisões de períodos históricos.

43 6o ano UNIDADE 1 • IDENTIDADE 147

UNIDADE 1 • IDENTIDADE

LINHA DO TEMPO Os períodos da Pré-História
150.000 anos a.C.
10.000 anos a.C. 3.000 anos a.C.

Paleolítico Lascaux Neolítico Também chamado de Idade da Pedra
(“pedra antiga”) Polida, é o período da Pré-História compreendido
Também aproximadamente entre 10.000 a.C. e 3.000
conhecido como a.C. Durante esse período o ser humano passa a
Idade da Pedra interferir no meio ambiente. De coletor e caçador
Lascada, é um passa a produtor. Domestica animais como o boi,
período pré- o porco, a cabra e o cavalo. Aprende a usar a
-histórico. força animal. Desenvolve o arado e a agricultura
e, por esse motivo, passa a ter moradia fixa, o
Pintura rupestre que acaba gerando aldeias. Nesse período foram
de um touro construídas as bases para a civilização atual.
preto, na caverna
de Lascaux,
França.

A ideia de que existe uma “pré-história” foi desenvolvida pelos historiadores, partindo da concepção de que
não era possível estudar a história dos povos que ainda não haviam inventado a palavra escrita. Dessa forma, passou
a ser tradicional entre os historiadores a linha do tempo dividida em antes e após a invenção da escrita. Essa divi-
são, no entanto, pode levar a uma interpretação errada sobre a história humana. Arrisca-se entender que os povos
que viveram sem o conhecimento da escrita não produziram história. Esse pensamento não leva em consideração
o desenvolvimento das relações sociais, dos costumes, a capacidade produtiva dessas sociedades primitivas, sua
tecnologia, sua história oral.

A Pré-História é o período das sociedades iletradas, e seu estudo somente é possível através da análise de ves-

tígios arqueológicos, ou seja, documentos não escritos, como restos de utensílios, armas, desenhos, pinturas, ruínas
de construções, restos humanos etc. A Arqueologia e a Paleontologia têm importante papel nesses estudos e

investigações.

Você pode estar se perguntando: “Se o aparecimento da arqueologia: (do grego arqueo/antigo
escrita marca o fim de uma ‘pré-história’, em qual período e logia/estudo) ciência que estuda a vida
classificar os povos que vivem atualmente e não têm o domínio e a cultura dos povos antigos por meio
da escrita?”. de documentos, objetos, instrumentos,
normalmente encontrados em escavações.
No caso desses povos atuais, como alguns grupos indígenas concepção: noção, ideia, conceito,
da América do Sul, consideramos que estão na Idade Contem- compreensão.
porânea. A história não é linear e o ritmo de desenvolvimento história oral: em termos gerais, pode-
das sociedades varia de um lugar para outro. Nas diversas so- -se dizer de tudo que é dito, gravado e
ciedades, os períodos históricos não correspondem ao mesmo preservado.
período de tempo cronológico. Apenas com finalidade didática, paleontologia: (do grego palio/antigo e
costuma-se separar a Pré-História da História pelo advento da logia/estudo) ciência que estuda os fósseis –
escrita e dividir a História em quatro períodos: Idade Antiga, os restos dos corpos dos seres vivos, animais e
Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea, válidos vegetais encontrados petrificados.
apenas para a história do Ocidente.

148 HISTÓRIA 6o ano 44

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Calendário ocidental

A civilização ocidental adotou o calendário cristão como instrumento para medir o tempo. Nosso tempo é con-
tado a partir do nascimento de Jesus Cristo, e o ano do seu nascimento corresponde ao ano 1. Os anos anteriores
ao nascimento dele têm contagem decrescente e os posteriores têm contagem crescente. Não é necessário colocar
a abreviatura d.C. ao escrever os fatos ocorridos após o nascimento dele.

A História utiliza-se da unidade de tempo denominada século, que corresponde a cem anos.

LINHA DO TEMPO

5.000 a.C. a.C. 1 d.C. 476 1453 1789

Idade Nascimento de Idade Idade Idade
Antiga Jesus Cristo Média Moderna Contemporânea

Educador, veja orientação no Manual específico.

Revelando o que aprendeu

1. Escreva o nome do período histórico que estamos vivendo.

Idade Contemporânea.

2. Que nome é dado para o período da História humana anterior ao aparecimento da escrita?

Pré-História.

3. Quais mudanças marcantes ocorreram no Período Neolítico e que foram os pilares para o desenvolvi-
mento da sociedade atual? Cite no mínimo quatro.

O homem, de coletor, caçador, passa a produtor. Domestica animais como o boi, o porco, a cabra e o cavalo. Aprende a usar a força

animal. Desenvolve o arado e a agricultura.

4. Em qual período histórico você acha que vive um povo atual que não tem o domínio da escrita?

Idade Contemporânea.

5. Se você teve dificuldade em fazer alguma das tarefas propostas no capítulo, relate o que imagina que
seja a causa de sua dificuldade.

Educador, se puder, dê especial atenção para a possível dificuldade que será indicada, revelada aqui. Converse com os alunos no

sentido de contribuir para que eles a superem.

45 6o ano UNIDADE 1 • IDENTIDADE 149

2CAPÍTULO UNIDADE 1 • IDENTIDADE

AblestockUm olhar para o passadoEducador, veja encaminhamento para trabalhar
este capítulo no Manual específico.

Pra começo de conversa Educador, o propósito desta parte é aprofundar a problematização sobre os procedi-
mentos utilizados na pesquisa histórica e a importância da interdisciplinaridade para a
construção do conhecimento.

1. Em que situação da sua vida você mede a passagem do tempo? Respostas pessoais.
2. Como você costuma organizar o seu tempo?
3. Em sua opinião, a história tem relação com o tempo?
4. Para você, conhecer os fatos históricos do passado é importante? Por quê?
5. Observe, abaixo, a imagem de uma ampulheta. Você já conhecia este instrumento?
6. Quais são os instrumentos de medição de tempo que você utiliza atualmente?

Com a ajuda de uma ampulheta, as pes- Ampulheta.
soas podiam medir o tempo necessário para
executar determinada tarefa. Bastava virá-
-la de cabeça para baixo (ou será de cabeça
para cima?) e deixar a areia escorrer, até o
fim, de um recipiente para o outro. Hoje,
de modo geral, utiliza-se o relógio.

A nossa preocupação em medir a passagem
do tempo está ligada à percepção que temos de
sua existência e à necessidade de entender
o que fizemos, o que estamos fazendo, ou
planejar ações futuras.

percepção: ato, efeito ou
faculdade de perceber.

Desvendando o tema

Todo ser humano tem um passado. É importante que nos lembremos do nosso passado para entendermos um
pouco mais o nosso presente e nos conhecermos um pouco melhor. Troque ideias sobre isso com os colegas de turma.

Agora, leia o texto a seguir.

Fontes históricas

Imagine que um pesquisador procura informações sobre o passado de uma cidade. Ele nem sempre pode contar
com testemunhas (fontes orais), pois elas podem ter morrido há muito tempo.

Para desvendar o passado, então, ele precisa consultar fontes históricas, ou seja, os registros que os homens
deixaram sobre suas vidas, seus pensamentos, suas realizações, suas descobertas.

150 HISTÓRIA 6o ano 46

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

As fontes históricas dividem-se em dois grupos. O primeiro é o das fontes não escritas, tais como: restos humanos,
monumentos, estátuas, armas, vestimentas, pinturas, construções, fotografias, desenhos, vídeos, filmes, arquivos de
programas de tevê e de rádio, relatos orais. O segundo é o das fontes escritas, como as inscrições em madeira, pedra,
metal, revistas, jornais, livros, documentos oficiais, documentos pessoais.

Essa consulta às fontes históricas é uma tarefa imensa, e o pesquisador precisa contar com a ajuda de outros
cientistas, como arqueólogos, geólogos, paleontólogos, entre outros, que, como ele, buscam entender o passado
não só do homem, mas também do planeta, das plantas e dos animais.

Dessa forma, podemos perceber que reconstruir o passado não é tarefa fácil. Ela exige do pesquisador um
intenso trabalho de observação e análise das fontes históricas.

1. Dê exemplos de fontes escritas que você usaria para procurar compreender por que no Brasil há tanto
desemprego.

Jornais, revistas, livros.

2. Dê exemplos de fontes não escritas que você usaria para estudar a situação atual do meio ambiente.

Fotografias, vídeos, programas de tevê e rádio, relatos orais.

3. Lendo o texto, você percebeu que os cientistas, em geral, não trabalham isolados. Por quê?

Porque eles precisam das respostas encontradas por outros cientistas para concluir o próprio trabalho.

4. Em sua opinião, as disciplinas estudadas na escola estão ligadas entre si, de alguma forma? Por quê?

Resposta pessoal. Educador, as disciplinas representam o conhecimento humano, e este não é dividido. Exemplo: não é possível

compreender a história humana sem o domínio da linguagem escrita, sem um pouco do conhecimento matemático, geográfico etc.

Penso, logo existo Educador, antes de trabalhar este texto, consulte o Manual específico.

Ao ler esse título, alguém poderia pensar: “É lógico que existo! Se não existisse, não estaria pensando!”
Pense e responda: você concorda com o “pensamento” anterior? Por quê?
O título desse texto é um exemplo de como os cientistas trabalham. Eles começam a partir de um ponto ou
uma ideia para montar um raciocínio, ou seja, uma premissa para chegar a uma conclusão.
Continue a leitura do texto.

Zélia é baiana.
Toda baiana gosta de acarajé.
Logo, Zélia gosta de acarajé.

Uma premissa correta é essencial para que os cientistas cheguem a uma conclusão também verdadeira.

Agora vamos analisar esse tipo de raciocínio. No exemplo anterior, temos duas premissas e uma conclusão. A
primeira premissa é: “Zélia é baiana”. A segunda premissa: “Toda baiana gosta de acarajé”. Conclusão: “Logo, Zélia
gosta de acarajé”.

47 6o ano UNIDADE 1 • IDENTIDADE 151

UNIDADE 1 • IDENTIDADE

O que pode estar errado nesse raciocício? Bem, podemos acreditar que essa Zélia seja realmente baiana e,
portanto, a primeira premissa pode ser verdadeira. Mas dificilmente vamos aceitar que, apenas por ser baiana, Zé-
lia tenha obrigatoriamente que gostar de acarajé. Então, a segunda premissa é falsa e a conclusão “Zélia gosta de
acarajé” também deve ser falsa.

O mesmo engano pode acontecer quando tiramos conclusões apressadas sobre o mundo ao nosso redor. Por
isso, a exploração científica necessita confirmar as premissas, ou seja, as origens das coisas, das afirmações, das ações
ou dos conhecimentos que servem como base para se chegar à conclusão de um raciocínio.

Ao olharmos para a história passada ou presente, temos que tomar muito cuidado com as conclusões que tira-
mos, com as premissas ou provas apresentadas.

1. Lendo o texto, você teve a oportunidade de perceber a diferença entre uma premissa falsa e uma ver-
dadeira. Então, explique por que os cientistas precisam evitar as generalizações.

Os cientistas precisam confirmar suas premissas, a origem das coisas, de uma ação ou de um conhecimento que serve de base à

conclusão de seu raciocínio para não tirarem conclusões precipitadas, falsas, para que possam chegar à verdade.

2. Imagine que você é um cientista. Você tem uma tarefa: escrever um raciocínio simples, mas correto,
utilizando duas premissas verdadeiras e uma conclusão.

Resposta pessoal.

Aprofundando o tema

Como conhecer o mundo em que vivemos sem viajar? Os livros podem ajudar. E alguns desses livros são escritos
por cientistas.

Como você viu, os cientistas não trabalham sozinhos. Ao fazer suas pesquisas, cada um se volta para as suas pre-
ocupações, ou seja, para seus objetos de estudo. No entanto, algumas respostas às suas dúvidas só são encontradas
com a troca de informações entre eles. Veja os exemplos a seguir.

Escavando o passado Ricardo Azoury/Pulsar Imagens

O arqueólogo estuda a vida e a cultura dos povos antigos Restos do homem de Lagoa Santa. Acervo do Museu
por meio de documentos, pedaços de monumentos e objetos Arqueológico da Lapinha. Região metropolitana de Belo
normalmente encontrados em escavações. Horizonte, Minas Gerais, 2011.

O arqueólogo precisa apresentar premissas e tirar con-
clusões. Ele não pode realizar esse trabalho sozinho e pre-
cisa da contribuição de outros especialistas, por exemplo:
o geólogo.

O geólogo (do grego: geo/terra e logia/estudo) o auxilia a
identificar os aspectos físicos naturais, como rochas nos locais

152 HISTÓRIA 6o ano 48


Click to View FlipBook Version