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Educação de Jovens e Adultos - 6º ao 9º Ano

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Published by mande1meio, 2019-04-06 18:26:58

EJA - HISTORIA

Educação de Jovens e Adultos - 6º ao 9º Ano

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

6. Cite outras expressões comumente faladas ou ouvidas no dia a dia que podem revelar uma forma de
preconceito. Resposta pessoal.

7. Para você, como as expressões pejorativas ou preconceituosas utilizadas no cotidiano podem colaborar
para a continuidade de práticas discriminatórias?

Resposta pessoal. Resposta possível: a repetição constante dessas expressões colabora para a expansão do preconceito, principal-
mente quando são usadas diante dos jovens.

8. O que pode ser feito para diminuir o preconceito entre as pessoas?

Resposta possível: não reproduzir expressões preconceituosas diante dos mais novos. Educador, debata com seus alunos sobre o
que eles consideram termos pejorativos e preconceituosos e como tais expressões podem abalar a autoestima, sobretudo dos mais
jovens

9. Que tal assistir à tevê de um jeito diferente? Para isso, siga o roteiro:

Escolha um tipo de programa (telenovela, telejornal, programa de auditório, filme etc.).

Observe no programa que você escolheu os seguintes itens:
a) tipos de etnias que mais aparecem;
b) como essas etnias são nomeadas (adjetivos mais usados para qualificá-las).

Anote as suas observações.

Troque ideias com seus colegas, sob a orientação do educador, sobre as observações que vocês fizeram.

Em duplas, escrevam uma conclusão sobre a presença ou não de algum tipo de preconceito nos pro-
gramas que vocês analisaram.

De acordo com a orientação do educador, contem para a turma as conclusões finais a que vocês chegaram.

Vamos compartilhar?

Siga as orientações do seu educador e participe das atividades programadas para que você e seus colegas
revejam o que aprenderam. Educador, veja o Manual geral.

Educador, no Manual específico há um texto complementar para este capítulo, bem como orientação de atividades para trabalho com ele.

199 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 171

3CAPÍTULO UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

Renato Arlem
Cultura de paz

Educador, veja encaminhamento para trabalhar este capítulo no Manual específico.

Pra começo de conversa

1. Leia o texto a seguir.

Texto

Eu sou um indivíduo

Eu tenho dignidade e valor.
Eu sou único.

Eu mereço respeito e respeito os outros.
Eu sou parte da família humana.

Eu tenho algo especial para oferecer ao mundo.
Eu tenho um compromisso com um mundo de paz para todos nós.

Eu sou importante e você também.
Eu devo lutar para realizar aquilo a que me propuser, e você também deve.

Eu sou a solução para a paz.

Naomi Drew. A paz também se aprende. São Paulo: Gaia, 1990.

Agora, responda às seguintes questões:

a) Na sua opinião, é possível existir uma sociedade organizada sem regras ou normas de conduta? Por
quê? Resposta pessoal, mas espera-se que o aluno perceba que não seria possível uma socie-

dade sem regras. Educador, discuta as respostas com os alunos.

b) Para você, o que é moral?
Resposta pessoal. Resposta possível: moral é um conjunto de normas e valores que regulam o comportamento dos indivíduos na sociedade.
c) Cite um exemplo de valor moral. Resposta pessoal. Resposta possível: a exigência, por parte do pai, de que o filho,
respeitando seus valores, peça-lhe a bênção; um pedido de fidelidade ao parceiro; não
d) Você alguma vez ouviu uma frase comrouobearsetatco. u que expressa a mesma ideia: “é preciso ter ética na política”?
e) Na sua opinião, qual é o significado dessa frase?Resposta pessoal. Veja o Manual específico. e) Resposta pessoal. Resposta possível: política tem a ver com poder, e
todo poder é uma relação de subordinação, gostemos ou não. Para que
esse poder político não seja corrompido, é necessário que se estabeleçam
princípios que orientem as práticas dos indivíduos que controlam o poder.
f) Selecione do poema de Naomi Drew um verso quVeejamo oMsanturael euspmecaíficaoç. ão moral.
Resposta possível: “Eu tenho dignidade e valor”.

g) Agora, selecione do poema um verso que mostre uma atitude ética.
Resposta possível: “Eu mereço respeito e respeito os outros”.

h) Diga o que é ética para você. Veja o Manual específico.

i) Quais valores morais são mais importantes para você? Resposta pessoal.

j) Você concorda com a frase: “Quem tem ética tem valores positivos e benéficos”? Por quê?
Resposta pessoal.

172 HISTÓRIA 8o ano 200

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Desvendando o tema Educador, retome com os alunos o que responderam no item h da atividade anterior.

Antes de ler o texto a seguir, discuta com seus colegas o sentido de duas palavras que aparecerão nele: “violên-
cia” e “ética”. Depois, faça a leitura do texto.

O significado da palavra “violência” varia de acordo com
a época, as sociedades e as várias culturas.

Hoje, o que se entende por ação violenta é algo mais ampla
do que em épocas passadas. Envolve discriminação por sexo,
etnia, idade, religião, orientação sexual, além de situações
de constrangimento, exclusão, humilhação e outros modos
de intolerância às diferenças.

A violência, em suas formas extremas, manifesta-se em
guerra entre gangues, guerras religiosas e étnicas, assassina-
tos por motivos banais e terrorismo (em suas várias formas).

Uma das grandes causas da violência é a falta de ética.

1. Cite três manifestações de violência que ocorrem no local em que você vive. Resposta pessoal.

2. Na sua opinião, existe alguma relação entre ética e violência? Qual? Resposta pessoal.

O que é ética, afinal?

Podemos dizer que ética é o ramo da Filosofia que estuda questões e preceitos relacionados aos valores morais
e ao comportamento humano, uma forma de reflexão sobre o comportamento moral, ou ainda, um conjunto de
regras e princípios para o bom comportamento moral.

Ética é a análise do comportamento, dos valores morais e sociais, e também a reflexão sobre as leis, normas e
regras estabelecidas, sua importância e legitimidade.

Como afirma Antonio Marchionni:

[...] cada pessoa forma na sua mente alguns pontos de vista, uma espécie de esquema de
valores com o qual julga os acontecimentos e toca a vida para a frente. Os valores, portanto,
são uma contínua criação e recriação ditada por fatores como índole, sociedade, tempo, lugar
e circunstâncias. É o relativismo ético.

Antonio Marchionni. A ética e seus fundamentos. In: Maria Luiza Marcílio;
Ernesto Ramos. (Orgs.): Ética na virada do milênio: busca do sentido da vida. São Paulo: LTR, 1999.

Você conhece alguma atitude que é moralmente aceita, mas eticamente questionável? Converse a esse
respeito com os colegas e o seu educador. Veja o Manual específico.

201 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 173

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

Como nasce a ética?

Existem duas fontes que orientam a ética: a religião e a razão.
Enquanto a religião é uma grande força de mobilização, a razão busca estabelecer normas válidas para todos
os povos.
Na Grécia antiga, um filósofo chamado Sócrates buscou princípios fundamentais que tornassem as leis racional-
mente válidas e, no século XIX, o pensador social Karl Marx buscava uma ética que pusesse fim às injustiças sociais,
contrariando pensadores como John Locke, que considerava naturais as desigualdades na distribuição de riquezas
nas relações humanas. A partir do século XX, além da preocupação com as relações sociais, o princípio da liberdade
persistiu, só que privilegiando o aspecto pessoal e individual.
Como você pode perceber, é impossível formular um conceito fechado do que é ético ou não, pois ele varia no
tempo e no espaço. Entretanto, para que sejamos éticos, nossa liberdade deve sempre ser exercida com consciência,
ou seja, nossas escolhas devem ser feitas após uma séria reflexão sobre as possíveis consequências de nossos atos.
Álvaro Valls afirma:

[...] Agir eticamente é agir de acordo com o bem. A maneira como se definirá o que seja esse bem
é um segundo problema, mas a opção entre o bem e o mal, distinção levantada já há alguns milênios,
parece continuar válida.

Álvaro L. M. Valls. O que é ética. São Paulo: Brasiliense, 1986. p. 86.

Talvez hoje possamos afirmar que a ética busca o bem. Não um bem aparente, individual ou egoísta, mas o bem
para o maior número possível de pessoas.

A ética nasce antes de o homem compreender a si mesmo como ser racional. Ela nasce da afetividade, da emo-
ção e da paixão.

Mas a paixão é habitada por um demônio. Deixada a si mesma, desfrutar: ato de usufruir.
pode degenerar em formas de desfrute destruidor.

Leonardo Boff. Ética e moral: a busca dos fundamentos. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 31.

Para controlar esse “demônio destruidor”, é necessário desenvolvermos consciência. É a consciência que permite
aos seres humanos agir de acordo com o que consideram certo ou errado. É ela que muitas vezes controla nossos
impulsos e vontades.

E de onde vem a consciência? Para alguns gregos da Antiguidade, ela nascia com o homem, ou seja, era algo inato.

Mais recentemente, considera-se que ela se desenvolve na medida em que, desde a infância, somos levados
a nos comportar de acordo com certas exigências do ambiente social em que vivemos.

A consciência é um “eco” dos valores e das normas prevalecentes eco: reflexo.
na comunidade e no meio ambiente em que somos criados.

Victor Hellers; Henry Notaker; Jostein Gaarder. O livro das religiões.
São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 268.

174 HISTÓRIA 8o ano 202

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

A consciência ética permite aos homens, diferentemente de outros animais, a liberdade de escolha, o livre-arbítrio.
E, do ponto de vista ético, não podemos ser tratados como coisas nem de forma violenta.

Leia o que diz a filósofa Marilena Chauí sobre a violência:

Fundamentalmente, a violência é percebida como o exercício da força física e da coação
psíquica para obrigar alguém a fazer alguma coisa contrária a si, contrária aos seus interesses
e desejos, contrária ao seu corpo e à sua consciência, causando-lhe danos profundos e irrepa-
ráveis, como a morte, a loucura, a auto- agressão ou a agressão aos outros.

Marilena Chauí. Convite à filosofia. 10. ed. São Paulo: Ática, 1998. p. 336.

Será que a violência é entendida da mesma maneira no mundo todo?

Mesmo com as diferenças culturais, algumas formas de manifestação de violência são vistas da mesma maneira
no mundo todo. Exemplos: o assassinato, a tortura, a injustiça, a mentira, o estupro, o roubo e outros.

A ética impõe limites e controle ao risco constante da violência.

1. O que a autora do texto quis dizer com: “a violência é percebida como o exercício da força física e da
coação psíquica”? Justifique sua resposta. Resposta pessoal.

2. De acordo com o texto, qual é o objetivo do uso da violência?

O objetivo é obrigar alguém a fazer alguma coisa a si, contrária aos seus interesses e desejos, ao seu corpo e à sua consciência.

3. Quais as consequências, para Marilena Chauí, do uso da violência?

As consequências são danos profundos e irreparáveis, como a morte, a loucura, a autoagressão ou a agressão aos outros.

4. Escreva uma situação em que essas consequências sejam reais.

Veja o Manual específico.

5. De acordo com o texto “O que é ética, afinal?”, como podemos definir a ética?

Podemos afirmar que ética é o ramo da Filosofia que se importa com as questões e os preceitos relacionados aos valores morais e
ao comportamento humano, uma forma de reflexão sobre o comportamento moral ou, ainda, um conjunto de regras e princípios para
o bom comportamento moral.

Revelando o que aprendeu

1. Estabeleça uma relação entre ética e moral.

Resposta pessoal. Resposta possível: a ética estabelece regras para a conduta moral. Já a moral estabelece o que deve e o que
não deve ser feito, conforme os princípios éticos.

203 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 175

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

2. Selecione do texto “Como nasce a ética?” uma frase que revele a origem da ética.

Resposta possível: “Existem duas fontes que orientaram e orientam a ética: a religião e a razão”.

3. Faça uma comparação entre o que era consciência na Grécia Antiga como é entendida em nossa sociedade.

Resposta possível: para alguns gregos da Antiguidade, a consciência nascia com o homem, ou seja, era algo inato. Na sociedade
atual, acredita-se que ela se desenvolve na medida em que, desde a infância, somos levados a nos comportar de acordo com certas
exigências do ambiente social em que vivemos.

4. Cite uma relação entre consciência e ética.

Resposta pessoal. Resposta possível: a consciência permite aos seres humanos reagir de acordo com o que consideram certo ou
errado, ou seja, o desenvolvimento da consciência permite que nos tornemos seres éticos.

5. Encontre no texto “Como nasce a ética?” a frase que define o papel da ética diante da violência.

”A ética impõe limites e controles ao risco constante da violência.”

6. No final dos séculos XIX e XX, surgiram novas concepções sobre ética. Responda:
a) O que o pensamento do século XIX elegeu como ideal ético?

Resposta possível: a ideia de uma vida social mais justa, ou seja, a luta pelo fim das injustiças econômicas e sociais, pois a
moral só pode existir em um mundo mais humano.

b) E o pensamento do século XX?

Resposta possível: a partir do século XX, além da preocupação com as relações sociais, o princípio da liberdade persistiu, só
que privilegiando o aspecto pessoal e individual.

7. O que significa para o filósofo Álvaro Valls agir eticamente?

Significa agir de acordo com o bem para o maior número de pessoas.

Aprofundando o tema

Nas guerras, temos um exemplo de violência extrema. Numa situação como essa, será que alguém pensa no
papel da ética? Converse sobre isso com os colegas de classe. Depois, leia o texto a seguir.

176 HISTÓRIA 8o ano 204

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Ética da guerra

Clausewitz (1780-1831) foi oficial do exército prussiano e defensor da ideia de que o homem, como animal po-
lítico, é um animal que guerreia: “A guerra é a continuação da política por outros meios”.

Segundo ele, a guerra é aceitável se realizada pelo Estado. Considera an-
tiético o pacifista, ou seja, aquele que é contrário à guerra, e os “combatentes
ilegais”, pois ambos não aceitam as regras ditadas por um Estado Nacional, pacifista: defensor da paz.
único capaz de realizar a guerra de forma justificável e “civilizada” contra os
“outros”, seus inimigos. Educador, se necessário explique aos seus alunos os termos Estado Nacional e “civilizado”, que encontram-se

descritos no Manual específico.

Mas quem são os “outros”? Geralmente, aqueles que seguem uma ética ou moral diferente daquela aceita
como correta.

1. Segundo Clausewitz, o que é a guerra?

A guerra para ele é uma outra forma de fazer política.

2. A partir das informações do texto, o que você pode concluir sobre a ética da guerra?

Resposta pessoal.

3. O que é a guerra ideal ou aceitável, segundo Clausewitz?

Segundo ele, a guerra é aceitável se realizada pelo Estado.

4. Por que ele considera o pacifista e o combatente ilegal antiéticos?

Porque ambos não aceitam as regras ditadas por um Estado Nacional.

5. Por que somente o Estado pode realizar a guerra?

Porque é o único capaz de realizar a guerra de forma justificável e “civilizada”.

6. Você acredita em uma “guerra ideal”, como defende Clausewitz? Por quê? Resposta pessoal.

Escreva um breve relato defendendo o seu ponto de vista sobre esse assunto, seguindo as orientações:

Resposta pessoal.

a) Registre a sua ideia, o seu ponto de vista sobre o assunto.
b) Justifique o seu ponto de vista.
c) Formule a conclusão do seu ponto de vista.

A fé é importante na vida de muitas pessoas. No geral, verifica-se que em nome dela são tomadas boas atitudes,
inclusive a paz em seus vários aspectos.

Porém, ocorreram no passado e ainda ocorrem guerras praticadas também em nome da fé.
Leia o texto a seguir e conheça alguns desses conflitos.

205 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 177

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

Matem os infiéis! Educador, sempre que no texto houver a citação de países e cidades, aproveite o momento para exercitar a
leitura de mapas, localizando com os alunos o lugar indicado. Esse exercício fica mais fácil com a ajuda
de atlas e/ou mapa-múndi.

Elmo de ferro utilizado

Você conhece o termo “cruzada”? Ele faz referência durante os combates.

a qualquer guerra religiosa ou mesmo a um movimento Cruz da ordem
político ou moral. Surgiu no século XI para se referir aos de Cristo.
movimentos militares de caráter cristão que partiam da

Europa medieval, estimulados e apoiados pela Igreja

Católica daquela época, com o objetivo de colocar a

Palestina e a cidade de Jerusalém sob o controle dos Cota de malha, formada
cristãos, e que duraram até o século XIII. por pequenos anéis
metálicos, que protegia
Observe ao lado a vestimenta de um cruzado. o cavaleiro.

A palavra “cruzada” remete também ao fato
Ablestock
Renato Arlemde os participantes desses movimentos serem con-

siderados na época “soldados de Cristo” e usarem

uma cruz bordada em sua roupa. Lutavam contra os

muçulmanos, que recebiam o nome de infiéis por Maomé, foi um líder religioso e político
não seguirem a doutrina cristã. árabe. Nasceu em 570 d.C., na cidade de

As cruzadas serviram como válvula de escape Meca, e faleceu em 632, em Medina (ambas
para o crescimento populacional e o desemprego as cidades ficam na atual Arábia Saudita).
europeu. Entre os séculos IX e XI, a população europeia Segundo a religião islâmica, Maomé é o
passou de 18 milhões para 35 milhões de pessoas. último profeta do Deus de Abraão.

Isso provocou disputa por terras, inclusive da Igreja,

ameaçando a autoridade católica. Então, defender a

paz interna significava levar a guerra para fora da

Europa, nesse caso, contra os inimigos da cristandade, Jerusalém: antiga cidade do Oriente Médio de
grande importância para religiões como o judaísmo, o
contra os muçulmanos que ocupavam a cidade sagra- cristianismo e o islamismo. Hoje, faz parte e é controlada
da de Jerusalém. pelo Estado de Israel.

infiel: pessoa cuja fé não é considerada verdadeira.

Veja o Manual específico.

Muro das lamentações.
Jerusalém, Israel, 2010.

178 HISTÓRIA 8o ano 206

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Para estimular a participação nas cruzadas, a Igreja passou a oferecer alguma recompensa àqueles que iam lutar
contra o Islã. Por isso, aos que partiram para a primeira cruzada, o papa Urbano II prometeu:

[...] vocês poderão ser recompensados empregando sua coragem noutro empreendimento. Trata-se de
um negócio de Deus. [...] a todos que partirem e morrerem no caminho, em terra ou mar, ou que perderem
a vida combatendo os pagãos, será concedida a remissão dos pecados [...]

Franco Jr. As cruzadas. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 26.

Para os sobreviventes, Urbano II prometeu:

Que tenham uma dupla recompensa os que se esgotam em detrimento do corpo e da alma. A terra que
habitam é estreita e miserável, mas no território sagrado do Oriente há extensões de onde jorram leite e
mel [...].

Franco Jr. As cruzadas. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 27.

As cruzadas não atingiram plenamente os seus objetivos, pois a pacificação da Europa não foi completa, mas

tiveram consequências como:

• contribuiram para a desorganização da sociedade agrária, pois muitos nobres vendiam o que tinham para
participar dessas lutas no Oriente, ambicionando tomar as riquezas dos muçulmanos;
• retomada do comércio entre cristãos e asiáticos, o que provocou
o desenvolvimento do antissemitismo, pois os judeus passaram
a ser considerados concorrentes indesejáveis; VaenjatiossMeamnuiatlisemspeoc:ífihcoo.stilidade contra
os judeus.
• reação contra todos que pensassem diferente da Igreja, pois ela Islâ: religião fundada por Maomé.
estava disposta a tudo para manter o seu poder sobre os fiéis.

Como os árabes entenderam e sentiram a chegada dessa onda de
invasores?

Os relatos árabes que você vai ler a seguir demonstram como agiam os cruzados em nome da sua fé:.

Muitas pessoas foram mortas. Os judeus foram mortos. Os franj: como eram chamados os
judeus foram reunidos em sua sinagoga e os franj os queimaram ocidentais – europeus – pelos árabes.
vivos. Eles destruíram também os monumentos dos santos e o sinagoga: local judaico de encontro
túmulo de Abraão. para orações, reuniões e estudo.

Amin Maalouf, As cruzadas vistas pelos árabes.
São Paulo: Brasiliense, 1988.

Outro árabe, Ibn al-Athir (1160-1233), descreve a carnificina ocorrida na tomada de Jerusalém:.

Os sabres dos franj triunfam sobre os muçulmanos. A matança não mesquita: lugar de culto dos
poupou nem as crianças, nem os voluntários, nem as pessoas da cidade. muçulmanos.
Cerca de 10 mil almas morreram e o acampamento foi pilhado [...]. A pilhado: roubado, furtado,
população da Cidade Santa foi morta pela espada, e os franj massacra- surrupiado.
ram os muçulmanos durante uma semana. Na mesquita Al-Aqsa, eles
mataram mais de 70 mil.

Amin Maalouf, As cruzadas vistas pelos árabes. São Paulo: Brasiliense, 1988.

207 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 179

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

Após oito cruzadas, os cristãos não conseguiram manter o controle sobre Jerusalém, mas aprofundou-se o ódio
contra judeus e muçulmanos e aumentou a descrença em relação à capacidade do catolicismo de salvar corpos e
almas, sobretudo após as epidemias que mataram milhões de pessoas na Europa.

Estavam lançadas as sementes que, em 1517, fizeram surgir o protestantismo.

1. Com base nas informações do texto, escreva o que foram as cruzadas.

Foram movimentos militares de caráter cristão que partiram da Europa medieval, estimulados e apoiados pela Igreja Católica Apos-
tólica Romana daquela época, com o objetivo de colocar a Palestina e a cidade de Jerusalém sob o controle dos cristãos e que
duraram até o século XIII.

2. Copie do discurso do papa Urbano II o trecho em que ele prometia terras aos cruzados.

“[...] no território sagrado do Oriente há extensões de onde jorram leite e mel [...]”. .

3. O que os árabes pensavam sobre os cruzados?

Respostas possíveis: eram assassinos cruéis.

4. Escreva uma síntese dos reais motivos que contribuíram para o surgimento das cruzadas.

Resposta possível: as cruzadas foram estimuladas pela necessidade de diminuir a pressão provocada pelo au-
mento populacional e pela falta de trabalho na Europa medieval.

5. Copie o trecho do texto que fala das consequências das cruzadas.
Contribuiram para a desorganização da sociedade agrária, pois muitos nobres vendiam o que tinham para participar dessas lutas no Oriente, ambicionando tomar as
riquezas dos muçulmanos; Retomada do comércio entre cristãos e asiáticos, o que provocou o desenvolvimento do antissemitismo, pois os judeus passaram a ser consi-

6. dIedraednostcifoinqcourreentnesointdeesxetjáoveeis; tRreaaçnãsoccornetrvaatodoostrqeuecphenosaqssueme dfiafelraendteodaeIgnrefjar,apqoius eelaceismtaveanditsoposdtaaaItgudroepjaaraCmaanttóerliocsaeuappodóerssaobsrecorsufizéias.das.

Após oito cruzadas, os cristãos não conseguiram manter o controle sobre Jerusalém, mas aprofundou-se o ódio contra judeus e
muçulmanos e aumentou a descrença em relação à capacidade do catolicismo de salvar corpos e almas.

Herege! Quem?

A palavra “herege” tem origem na palavra grega hairesis e significa “aquele que escolhe”. Assim, quem se afasta
da verdade (dogma) aceita e escolhe outro caminho.

As heresias ameaçavam a autoridade da Igreja e, para combatê-las, criou-se o tribunal da Inquisição, que utilizou
meios cruéis contra todos aqueles considerados inimigos da fé católica.

Por que essa atenção tão “especial” para combater aqueles que cometiam as chamadas heresias?

A Igreja Católica sentia-se ameaçada pelos reis e príncipes que am- teólogo: aquele que estuda Deus.
bicionavam suas terras e por teólogos da própria Igreja que criticavam

suas práticas e sua ética, como o monge alemão Martinho Lutero, que

180 HISTÓRIA 8o ano 208

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

no século XVI iniciou um movimento conhecido como Reforma Protestante para Museu e Galeria de Arte Bristol, Inglaterra
tentar mudar certas práticas dentro da própria Igreja, mas ela acabou sendo
dividida em várias outras igrejas cristãs.

Martinho Lutero nasceu em 1483 e Lucas Cranach (1472-1553).
morreu em 1546, em Eisleben, cidade da Martinho Lutero, 1529.
Alemanha. Como monge católico, inicial- Óleo sobre tela.
mente pretendia somente modificar algumas
práticas e pensamentos religiosos da Igreja,
e não dividi-la.

A Reforma Protestante foi resultado de um questionamento ético à moral católica daquela época.

Era comum para a Igreja Católica perdoar os pecados dos fiéis que contribuía financeiramente para a realização
de suas obras, ação considerada imoral por Lutero e seus
seguidores.

Preocupado com a perda de seu prestígio, de suas terras e Em 1483, na Espanha, 2 mil pessoas
de seu poder, o Vaticano iniciou a Contrarreforma ou Reforma foram queimadas na fogueira, acusadas
Católica. Convocado pelo papa Paulo III, foi realizado entre 1545 pela Inquisição de praticar heresias.
e 1563 o Concílio de Trento, com o objetivo de recuperar o
que foi perdido, ampliando as perseguições contra as heresias.

Os confrontos entre católicos e reformistas Museu Cantanal de Lausanne
tornaram-se comuns em toda a Europa. Um
dos episódios mais sangrentos dessa luta foi o François Dubois (1529–1584). Massacre de São
massacre da Noite de São Bartolomeu. Bartolomeu, 1572.
Óleo sobre tela, 94 × 154 cm.
Em 24 de agosto de 1572, a casa real francesa O confronto entre católicos e reformistas, conhecido
ordenou o massacre de todos os protestantes. como a Noite de São Bartolomeu, foi retratado por
François Dubois.
A matança começou em agosto de 1572 e
durou vários meses. Iniciou-se em Paris e de-
pois se expandiu para outras cidades francesas,
vitimando entre 70 mil e 100 mil protestantes.

Relatos da época dão conta da existência
de cadáveres nos rios da França durante meses
após o episódio.

Tem sido prática comum, na história da humanidade, autoridades públicas tolerarem ou apoiarem a perseguição
e o extermínio de populações que discordem de suas ideias ou crenças. Por exemplo:

• Entre os séculos XVI e XVII, muçulmanos e judeus foram perseguidos.
• Durante as cruzadas, no século XIII, os judeus eram considerados pela Igreja “o mal absoluto”.
• No século XIX, os judeus foram perseguidos novamente, desta vez na Rússia, e, no século XX, na Alemanha.

209 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 181

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ
A prática de perseguir grupos considerados indesejáveis ficou conhecida como pogrom, palavra russa que foi
utilizada pela primeira vez para se referir às rebeliões ocorridas na Rússia no final do século XIX.

pogrom: prática de perseguição e assassinatos contra minorias promovida por grupos populares
com o apoio das autoridades locais. Foram realizados diversos pogroms contra as comunidades
judaicas europeias até o século XX.

1. Cite um exemplo de heresia que você conheça.

Resposta pessoal.

2. O que foi a Reforma Protestante?

Foi um movimento que tentou mudar certas práticas dentro da própria Igreja.

3. Qual foi a importância do Concílio de Trento?

Ele teve o objetivo de recuperar o que foi perdido pela Igreja Católica, ampliando as perseguições contra os hereges.

4. Qual é a sua opinião sobre as consequências dos conflitos religiosos envolvendo católicos, protestantes
e até mesmo judeus? Justifique sua resposta.

Resposta pessoal.

Ampliando o tema

Toda guerra é perversa!
Se as grandes religiões da Terra dizem que Deus é amor, por que as pessoas matam por Ele?
Nos tempos atuais, é muito utilizado um termo para explicar certas ações humanas que levam à morte e à
destruição: fundamentalismo.
Você conhece o significado dessa palavra? Converse sobre isso com seus colegas. Depois, ouça atentamente os
esclarecimentos de seu educador e leia o texto a seguir. Veja o Manual específico.

Em nome de Deus Educador, veja o Manual específico.

O termo “fundamentalismo” surgiu no século XIX e foi adotado em 1915 pelos protestantes norte-americanos,
que propunham um cristianismo fundamentado nos antigos ensinamentos bíblicos. Foi uma reação contra a mo-
dernização da sociedade, a liberdade de opinião, as heresias modernas etc.

Os fundamentalistas protestantes defendiam que a Bíblia deveria ser tomada ao pé da letra (o fundamento de
tudo para a fé protestante é a Bíblia).

182 HISTÓRIA 8o ano 210

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Cada palavra, cada sílaba e cada vírgula, dizem os fundamentalistas, é inspirada por Deus. Como
Deus é verdadeiro e sem qualquer erro, como Deus é imutável, sua Palavra e suas sentenças também
o são. Valem para sempre.

Leonardo Boff. Fundamentalismo: a globalização e o futuro da humanidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2002. p. 13.

Mas o que é fundamentalismo, afinal?

Não é uma doutrina, mas uma forma de interpretá-la.

Fundamentalismo é a atitude daquele que considera
o seu ponto de vista inquestionável.

Você conhece alguém que tenha uma atitude parecida? O Irã é um país asiático que se
limita ao norte com a Armênia, o
O fundamentalista não tolera outras verdades. Tal into- Azerbaijão, o mar Cáspio e o Turcome-
lerância leva à agressividade, que resulta em conflitos com nistão; a leste com o Afeganistão e o
inúmeras vítimas. Paquistão; ao sul com o golfo de Omã;
e a oeste com o Iraque e a Turquia;
A partir de 1978, com a Revolução Islâmica ocorrida no ao sul e a oeste com o golfo Pérsico.
Irã, o termo passou a ser erroneamente associado ao islamis- Sua capital é Teerã.
mo, religião fundada por Maomé. É importante fazer a distin-
ção: existem fundamentalistas islâmicos, como os que pro- Educador, use um atlas para localizar com os
moveram a revolução no Irã, e islâmicos não fundamentalistas alunos os países e mares que cercam o Irã.
que são, inclusive, maioria dentro do islamismo.

A religião islâmica foi a última grande religião que surgiu. Por prin- jihad: palavra árabe que significa
cípio ela é tolerante, em especial com os povos cristãos e judeus, com “exercer o esforço máximo”, ou
os quais partilha a crença nos ensinamentos do Velho Testamento. Mas simplesmente “luta”. A palavra indica
quando o seu livro sagrado, o Alcorão, é interpretado literalmente, tende força de vontade de conseguir a
a ser fundamentalista e, portanto, intolerante. A jihad, que originalmente fé perfeita. Tem sido usada por
representava o empenho pela causa de Deus, tranformou-se em “guerra fundamentalistas islâmicos em
santa”, que, como toda guerra, resulta em violência física e psicológica, referência à guerra contra aqueles que
utilizada para calar vozes consideradas oponentes. consideram “infiéis”, em especial os
ocidentais.

TRABALHANDO COM TEXTO Texto

Observe a imagem e responda às questões Steve Ludlum/NYT
sobre ela.

Momento em que o
avião 757 da United
Airlines se chocou
e explodiu contra a
Torre Sul do World
Trade Center em
Nova York, em 2001.

211 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 183

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

Por dentro do texto

1. Descreva o que a imagem mostra. Resposta pessoal. Resposta possível: dois prédios sendo destruídos.

2. Qual acontecimento a imagem retrata?

O atentado terrorista ao World Trade Center.

3. Quando esse acontecimento ocorreu? No dia 11 de setembro de 2001.

4. Qual título você daria a essa fotografia? Resposta pessoal.

O terror em tempos modernos Veja o Manual específico.

Atacar não significa apenas assaltar cidades muradas ou golpear um exér-
cito em ordem de batalha, deve também incluir o ato de assaltar o inimigo
no seu equilíbrio mental.

Sun Tzu

Quando Robespierre iniciou o período de perseguição e eliminação física dos opositores, essa fase da Revolução
Francesa foi chamada de “Terror”, dando origem ao termo “terrorismo”, utilizado pela primeira vez em 1798. Desde
então, toda forma de violência e intimidação pode ser considerada ato terrorista.

O terrorismo pode surgir de diferentes iniciativas:

• de grupos organizados, quando praticam atos que provocam medo nas populações e nos governos;
• de um único indivíduo, que comete tal ação por razões pessoais, políticas ou religiosas;
• de Estado, quando governos praticam genocídio, extermínio, prisões e torturas.

Muitas vezes, estados nacionais utilizam práticas terroristas com a justificativa de lutar contra atos terroristas. Para
isso, o Estado usa, entre outras coisas, sua polícia secreta e grupos paramilitares para reforçar a repressão e o medo.

Em 1945, duas bombas Fotografia: National Academy of Sciences/NYT grupo paramilitar: grupo
nucleares lançadas no Ja- organizado de cidadãos
pão pelos Estados Unidos armados e fardados que não
puseram fim à Segunda fazem parte do exército nem
Guerra Mundial entre os da polícia de um país.
dois países e destruíram
duas cidades japonesas 8o ano 212
(Hiroshima e Nagasaki),
matando mais de 170 mil
civis.

A nuvem em forma de cogumelo
deixada pela bomba atômica
que explodiu em Nagasaki,
Japão, em 6 de agosto de 1945,
atingiu 18 km de altura.

184 HISTÓRIA

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Os atos terroristas são comuns entre Estados, não importam suas bandeiras ou as crenças religiosas predomi-

nantes neles. Enquanto o Irã é acusado de apoiar governos ditatoriais como o da Síria ou ações militares terroristas

no Oriente Médio, os Estados Unidos e seus aliados apoiaram durante

décadas ditadores como Hosni Mubarak, presidente deposto do Egito,

monarquias absolutistas e teocráticas como a da Arábia Saudita e ações teocrática: relativo a teocracia,
militares que provocaram e continuam provocando muitas mortes, como sistema de governo em que as
as guerras do Iraque e Afeganistão e a guerra civil na Síria. decisões são submetidas às normas de
alguma religião.

O terror não ocupa somente espaços físicos para dominar. Ocupa

também as mentes, aumentando a sensação de medo.

Mas a paz é o desejo da maioria das pessoas e, de acordo com a escritora Liliani Zunino Duarte:

A paz é uma experiência do coração, de amor intenso e sentimentos profundos, que surge do lago
tranquilo que é a alma. Todos os dias, a cada segundo, temos a oportunidade de experimentá-la.

Celina Helena Weschenfelder (Org.). Tempo de paz: personalidades de ontem e de hoje falam sobre a paz.
São Paulo: Paulinas, 2005. p. 41.

Educador, debata com seus alunos sobre os noticiários sensacionalistas que exploram a violência e o medo e se tais programas,
aparentemente de utilidade pública, não acabam ampliando a sensação de medo e impotência na população.

1. Responda às questões:
a) Qual é a origem do termo “terrorismo”?

O termo originou-se de Terror, nome dado a uma fase da Revolução Francesa em que havia a perseguição e eliminação física dos

opositores

b) Que meios os terroristas empregam para conseguir o que querem?

A violência física e psicológica.

c) As bombas nucleares lançadas no Japão em 1945 representam um ato de terrorismo de Estado?
Por quê?

Sim, pois a população civil foi atingida.

d) O que justifica a prática do terrorismo, em suas várias formas, é o desejo de paz mundial? Por quê?

Não, pois os terroristas praticam a violência.

e) No Brasil, existe alguma forma de prática terrorista? Exemplifique.

Sim, pois o crime organizado promove o terror quando impõe toque de recolher, por exemplo.

2. Encontre no texto “Em nome de Deus” as frases que explicam a intolerância do fundamentalismo.

“O fundamentalismo não tolera outras verdades”Fundamentalismo é a atitude daquele que considera o seu ponto de vista inquestionável

3. Troque ideias com seus colegas a respeito do significado atual do termo jihad para os fundamentalistas.
Escreva um breve resumo da conclusão a que vocês chegaram.

O termo tem sido usado para designar a guerra santa contra os considerados “infiéis”.

213 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 185

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

Terrorismo não é só de Estado e de grupos armados Educador, veja o Manual específico.

Você já pensou que manifestações graves de violência podem acontecer também no dia a dia das pessoas?
A violência cotidiana, como a agressão física, o assédio sexual, a discriminação por sexo, cor ou etnia, são formas
comuns de terrorismo, apesar de não serem consideradas como tal.
Desses tipos de violência, uma das mais graves, silenciosas e com grande número de vítimas é a doméstica. Essa
espécie de agressão atinge principalmente as mulheres. Leia o texto a seguir.

As vítimas de violência doméstica passam por traumas semelhantes
àqueles de vítimas de violência provocada por estranhos (por exemplo:
queimadura, lesões internas, escoriações, ossos quebrados, traumas psi-
cológicos). Com frequência, as pessoas alheias a essa violência levam a
violência doméstica menos a sério do que outras formas.

No entanto, na violência doméstica os agressores têm livre acesso às
vítimas, sabem toda sua rotina diária e o mais importante: suas vulnerabili-
dades. Os agressores podem exercer controle físico e emocional, controlando
diariamente as vidas de suas vítimas; além disso, eles conhecem a fundo
suas vítimas (por exemplo: condições médicas, lealdade para com os filhos)
e os agressores usam esses conhecimentos para atingi-las agressivamente
(como: esconder, não comprar medicamentos, agarrar suas vítimas pelas
costas, ameaçar fazer mal para seus filhos), aumentando assim o trauma
da vítima e o seu medo.

[...] Muitas vezes esse agressor acha apoio social para suas crenças;
diferentemente das vítimas de violência por estranhos, as vítimas da vio-
lência doméstica enfrentam barreiras sociais e financeiras para se separar
de seus agressores, bem como barreiras para estratégias de proteção.

Anne L. Ganley, Violência contra a mulher: um novo olhar. Santos: Casa de Cultura da Mulher
Negra, 2001.; Disponível em: <http://www.casadeculturadamulhernegra.org.br/genero_vcm.htm>.

Acesso em: 22 jan. 2013

Existe lei específica sobre a violência contra a mulher. É a Lei no 10.778, de
24 de novembro de 2003. Leia o primeiro artigo dela:

Art. 1o Constitui objeto de notificação compulsória, em todo o território nacio-
nal, a violência contra a mulher atendida em serviços de saúde públicos e privados.

§ 1o Para os efeitos desta Lei, deve-se entender por violência contra a mulher
qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento
físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado.

Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.778.htm>. Acesso em: 22 jan. 2013.

Além da violência contra a mulher, existem várias outras formas de violência, como a discriminação por causa
da orientação sexual. A discriminação contra homossexuais ocorre de várias maneiras, principalmente nas grandes
metrópoles, onde as ações vão desde as humilhações às agressões físicas.

186 HISTÓRIA 8o ano 214

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Leia o texto a seguir:

Dentre os excluídos, os mais discriminados são certamente os homossexuais, que enfrentam
maior dificuldade de obter aceitação. Sequer do respaldo familiar desfrutam, o que compromete
a imagem pessoal, limita a autoestima e dificulta a busca de integração. Praticamente são sub-
metidos a um processo de autoexclusão. A falta de respeito em praticamente todos os núcleos
vivenciais os sujeita ao escárnio público e os torna o alvo preferido do anedotário de uma forma
degradante. Essa é a face mais perversa do preconceito.

Maria Berenice Dias. desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul; vice-presidente nacional do IBDFAM –
Instituto Brasileiro de Direito de Família.

Há outras formas de discriminação. Os idosos, por exemplo, muitas vezes são ignorados, desrespeitados nas ruas
(são alvo fácil de assaltos), em instituições e até mesmo no seio da própria família, tratados como “deficientes mentais”.

Há países em que na relação entre guerra e paz, a paz leva vantagem. Mas há outros, como o nosso,
em que a guerra – não declarada – está mais presente e facilmente pode ser verificada pelo número de
crianças que morrem de fome por dia, pela subnutrição, pela miséria, pela falta de moradia, pela falta
de terra para trabalhar, pela falta de empregos, pela falta de saúde, educação, saneamento básico, enfim,
pela falta de acesso aos mínimos direitos de vida com qualidade que uma democracia deve oferecer.

Naomi Drew. A paz também se aprende. São Paulo: Gaia, 1990.

1. O que você sugeriria para combater a violência doméstica?

Resposta pessoal.

2. A partir do texto de Maria Berenice Dias, responda às questões:
a) Qual é a ideia principal do texto?

A violência a que estão sujeitos os homossexuais.

b) O que a autora diz sobre os homossexuais?

Os homossexuais são um dos grupos da sociedade que mais sofre violência, por meio de várias formas de discriminação.

c) A qual conclusão a autora chega em seu texto sobre o escárnio público a que são submetidos os
homossexuais e ao fato de serem o alvo de anedotas?

Conclui que essa é a pior face do preconceito.

d) Você concorda com essa conclusão?

Resposta pessoal.

e) Escreva a sua conclusão sobre o assunto tratado no texto.

Resposta pessoal.

215 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 187

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

3. Leia novamente o texto de Naomi Drew e responda no caderno:
a) No lugar em que você vive acontece alguma das formas de violência citadas no texto? Qual?

Resposta pessoal.

b) O que está sendo feito para solucionar essa “guerra não declarada”?
Resposta pessoal.

c) Quais atitudes você acredita que deveriam ser tomadas para as pessoas viverem em paz no lugar
onde moram?

Resposta pessoal.

E eu com isso?

Vamos ler o texto a seguir:

A Carta da Terra

No dia 14 de março de 2000, na Unesco, em Paris, foi aprovada – depois de 8 anos de discussões em
todos os continentes, envolvendo 46 países e mais de cem mil pessoas, incluindo esquimós (inuits), indígenas
da Austrália, do Canadá e do Brasil – a Carta da Terra, que, apresentada posteriormente para discussão na
ONU, propôs prender os “agressores” da dignidade da Terra e levá-los aos tribunais.

A seguir, leia o preâmbulo da Carta:

“Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve
escolher o seu futuro. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil, o futuro
enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer
que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma
comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentá-
vel global baseada no respeito à natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa
cultura de paz, e para chegar a este propósito é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa
responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida e com as futuras gerações. [...]”

Leonardo Boff. Ética e moral: a busca dos fundamentos. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2004. p.109-110.

Com os colegas de classe, sob a orientação do educador, escrevam a Carta da Terra da Turma, começando
pelo lugar em que vocês vivem e/ou pelo dia a dia da sala de aula.
Etapas do trabalho:

1. Iniciem escrevendo o preâmbulo da carta. Utilizem como modelo a “Carta da Terra” que acabaram de ler.
2. Descrevam a situação na atualidade no que diz respeito à violência de maneira geral, seja ela originária

do Estado, de grupos ou indivíduos, contra minorias étnicas, homossexuais, mulheres, idosos, ou religiosa.
3. No final, estabeleçam princípios a serem seguidos para ajudar a combater o problema. Alguns exemplos:

a) Tolerar as diferenças étnicas, religiosas e sexuais.
b) Reconhecer que todos os seres humanos são criaturas que possuem valor, independentemente de

sua orientação sexual, credo, ideologia, gênero e cor da pele.

4. As palavras “afirmar”, “aceitar”, “assegurar” etc. poderão constar nos outros princípios dessa carta.
No final, vocês poderão expor a Carta da Terra da Turma na sala de aula ou no mural da escola.

Educador, no Manual específico há um texto complementar para este capítulo, bem como orientações e sugestões de
atividades para o trabalho com ele.

1A8T8 HISTÓRIA 8o ano 216

CAPÍTULO 4 UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

Instituto Sou da Paz A paz em ação

Educador, veja encaminhamento para trabalhar este capítulo no Manual específico.

Pra começo de conversa Veja o Manual específico.

1. Leia o texto a seguir:

Texto

A cultura de paz é a paz em ação; é o respeito aos direitos humanos no dia a dia; é um poder
gerado por um triângulo interativo de paz, desenvolvimento e democracia. Enquanto cultura de
vida trata-se de tornar diferentes indivíduos capazes de viverem juntos, de criarem um novo
sentido de compartilhar, ouvir e zelar uns pelos outros, e de assumir responsabilidade por sua
participação numa sociedade democrática que luta contra a pobreza e a exclusão; ao mesmo
tempo que garante igualdade política, equidade social e diversidade cultural.

Disponível em: <http://www.comitepaz.org.br/a_cultura_de_p.htm>.
Acesso em: 22 jan. 2013.

Responda às questões:
a) O que significa paz para você?

Resposta pessoal. Resposta possível: a paz pode ser entendida como a ausência da guerra.

b) Na sua opinião, é possível aprender a viver em paz? Como? Resposta pessoal.
c) Você acredita na possibilidade de haver paz entre as pessoas? Por quê?

Resposta pessoal.

2. Observe a imagem: Veja o Manual específico.
a) Descreva o que a imagem mostra.

Duas mãos abertas, com os polegares entrelaçados.

b) O que a imagem lembra?
Um pombo voando.

c) Pode-se afirmar que essa imagem é um símbolo? Do quê?
Sim, da pomba da paz.

d) Escreva uma frase que expresse as ideias que vêm à sua mente ao
ver essa imagem.

Resposta pessoal.

Ao lado, o logotipo do Instituto Sou
da Paz, fundado em 1999 a partir da
campanha Sou da Paz pela Paz.

Desvendando o tema

Antes de ler

É comum ouvir-se afirmações como: o ser humano tem dentro de si o lado bom e o lado ruim. Dependendo do
estímulo, um deles aparece mais fortemente.

217 8o ano UNIDADE 2 • CULTUURNAIDDAEDPEA2Z • CULTURA DE PAZ 1A8T9

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

O poeta Augusto dos Anjos afirmava em sua obra Versos íntimos: “A mão que afaga é a mesma que apedreja?”.

Agora, discuta com seus colegas e o educador:

Você concorda com a ideia de que as pessoas têm dentro de si, ao mesmo tempo o lado bom e o lado
ruim? Também acha que a mão que afaga é a mesma que apedreja Resposta pessoal.

TRABALHANDO COM TEXTO

Texto 1

De certa forma, Clausewitz tinha razão quando disse que “o homem é um animal que guerreia”. Em
nome de sua fé e de seus valores, ele é capaz de cometer diversas atrocidades.

Também é verdade que o homem é o único animal capaz de refletir sobre seus atos e evitar conscien-
temente uma ação agressiva – deter o seu impulso de matar ou praticar um ato destrutivo para si e para
os outros. Da mesma forma, constrói caminhos para a paz a partir de si mesmo.

A paz tem uma definição? Como entendê-la?
A paz pode ser entendida como a ausência da guerra. Existe ainda a paz como bem-estar social, ou
seja, parte do princípio de que um imenso número de mortes e sofrimentos poderia ser evitado com a
sociedade organizada para acabar com a miséria, com a fome e com as doenças derivadas de condições
precárias de vida.
Uma das causas mais frequentes das dificuldades para sobreviver tem sido a destruição da noção do bem
comum ou do bem-estar social em benefício das regras de mercado, isto é:
“A liberdade do cidadão é substituída pela liberdade das forças do mercado; o bem comum, pelo bem
particular, e a cooperação, pela competitividade.”
[...]
Os gregos da Antiguidade buscavam a felicidade através do pensamento ético. Mas hoje, geralmente,
ela é procurada de outra forma: por meio da ilusão do consumo. É isso que a propaganda nos meios de co-
municação impõe. E nos causa frustração porque buscamos paz e felicidade através do que ela nos oferece.
“Passar por cima dos outros pode rechear a conta no banco, conferir mais poder e influência e
oferecer mais chances de prazer, mas não é felicidade. A felicidade não pode ser construída sobre a
infelicidade dos outros.”

Leonardo Boff. Ética e moral: a busca dos fundamentos. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2004. p. 63 e 100.

Por dentro do texto

Responda a estas questões no caderno.

1. Enconte no texto a frase que tem este significado: os homens são seres que lutam uns contra os outros.
“[...] o homem é um animal que guerreia”.

2. Qual é a ideia mais importante da frase: “Da mesma forma, constrói caminhos para a paz, a partir de si mesmo”?

“[...] constrói caminhos para a paz [...]”

190 HISTÓRIA 8o ano 218

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

3. Identifique no texto uma das principais causas da dificuldade de sobrevivência das pessoas e escreva-a.

“[...] a destruição da noção do bem comum ou do bem-estar social em beneficio das regras de mercado [,,,]”

4. Para algumas pessoas, “passar por cima dos outros” pode proporcionar mais riqueza, poder, influência
e mais chances de prazer. E para você? Resposta pessoal.

5. Na sua opinião, prazer é sinônimo de felicidade? Por quê? Resposta pessoal.

6. Leonardo Boff afirma em seu texto que “a felicidade não pode ser construída sobre a infelicidade dos
outros”. Você poderia mencionar alguma situação em que isso acontece?

Resposta pessoal.

A paz exige coragem

Atualmente, vemos (e quem sabe participemos) grupos de pessoas que estão buscando a paz por meio de
movimentos pela paz.

Esses movimentos passaram a assumir um papel cada vez maior por causa das diversas manifestações de vio-
lência, terrorismo e guerra no mundo, bastante exploradas pela mídia.

Cada gesto, por mais insignificante que possa parecer, é capaz de desencadear uma força avassaladora, dando
início a um processo de mudança na história, motivando comportamentos eticamente positivos.

1. Você apoia a existência de movimentos pela paz? Por quê?

Resposta pessoal.

2. Podemos ter atitudes eticamente positivas? Como?

Resposta pessoal.

Aprofundando o tema

São muitos os debates sobre o papel do Estado e do indivíduo com relação à questão da paz. Alguns acredi-
tam que o Estado deve controlar os cidadãos para que eles não façam mal a si mesmos nem à coletividade. Outros
acham que o Estado não deve restringir a liberdade humana, mas deixar que os indivíduos decidam por si mesmos
o que é certo e o que é errado.

Qual é o seu ponto de vista a respeito dessa questão?

Discuta o assunto com seus colegas de turma.

219 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 191

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

O homem: nem lobo nem ovelha Galeria Nacional de Retratos, Londres

O matemático, filósofo e cientista político inglês Thomas Hobbes (1588-1679), John Michael Wright (1617-
em seu livro Leviatã, publicado em 1650, que trata de teoria política, afirmava que o 1694). Thomas Hobbes,
homem, na disputa pelo que deseja, estaria sempre em guerra, apesar de, por interesse c. 1669-1670. Óleo sobre tela,
próprio, querer acabar com ela. Segundo Hobbes, a única alternativa era a imposição 66 × 54,6 cm.
da autoridade do Estado.

São dele as frases: “o homem é o lobo do homem” e “a guerra de todos contra
todos”, pois acreditava que os homens agem por interesses próprios e estão em cons-
tante guerra entre si. Contudo, por desejar a paz, eles aceitariam um acordo comum,
chamado de contrato social.

1. Você concorda com a ideia da frase: “o homem é o lobo do homem”?
Justifique. Resposta pessoal.

2. Você entregaria todo o poder ao Estado? Justifique. Resposta pessoal.

Muitos acreditam no potencial humano para praticar o bem e, sobretudo, praticar ações em benefício da cole-
tividade, colocando em risco o bem-estar pessoal e até a própria vida.

Leia o texto a seguir e conheça pessoas e grupos que se opuseram à moral dominante, provocando mudanças
de comportamento no processo histórico por meio da não violência, principalmente.

Ser mulher no século XXI

Os homens, seus direitos e nada mais.
As mulheres, seus direitos e nada menos.

Susan B. Anthony. Para uma grande mulher.
Tradução: Lelia Wistak. São Paulo: Vergara & Riba, 2011.

A luta pela emancipação da mulher não é recente. Desde o período colonial, no Brasil, as mulheres partici-
param ativamente do povoamento de nossas terras. No século XIX, independentemente das diferenças de classe
social e de oportunidade, vozes feministas reivindicavam igualdade de direitos. Vozes que se ampliaram nos
séculos XX e XXI, sobretudo das mulheres negras, que quase não participaram do desenvolvimento industrial
do país e sofrem até hoje tripla discriminação: por serem mulheres, por serem negras e, quando não possuem
renda, por serem pobres.

1. Retire do texto as informações sobre a mulher e os movimentos feministas nestes períodos da história
do nosso país:

a) Brasil Colônia: Desde o período colonial, as mulheres participaram ativamente do povoamento de nossas terras.

192 HISTÓRIA 8o ano 220

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

b) Século XIX: Independentemente da diferença de classe social e de oportunidade, vozes feministas reivindicavam igualdade
de direitos.

c) Séculos XX e XXI: As lutas pela igualdade de direitos da mulher se ampliaram. A participação das mulheres negras intensificou-se.

2. Quais informações o texto traz sobre a situação das mulheres negras?

Apesar de participaram das lutas por seus direitos, quase não participaram do desenvolvimento industrial do país e sofrem até
hoje tripla discriminação: por serem mulheres, por serem negras e, quando não possuem renda, devido a sua pobreza.

TRABALHANDO COM TEXTO Arquivo/AE

Observe a fotografia, feita no ano 1960, e leia a frase.

Texto 2

Quebro a cara toda hora. Mas só me arrependo do
que deixei de fazer por preconceito, problema e neurose.

Leila Diniz, atriz.

Disponível em: <http://www.facom.ufba.br/com112_2000_1/
legado/fotos_leila.html>. Acesso em: 21 out. 2006.

Leila Diniz nasceu em 1945 no Rio de Janeiro e faleceu em 1972, na Índia.

Tornou-se atriz, participou de telenovelas, filmes e peças teatrais.

Na época da ditadura, escandalizou a sociedade ao exibir sua gravidez
de biquíni, sendo rotulada pela sociedade machista de vulgar e imoral. Aos
que a criticavam, a própria Leila respondeu: “Minha luta é por uma sociedade
democrática livre, onde todas as pessoas de todas as raças vivam juntas em
harmonia e com oportunidades iguais”.

Por dentro do texto

1. A fotografia de Leila Diniz despertou algum sentimento em você? Qual?
Resposta pessoal

221 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 193

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

2. A fotografia causou polêmica na época em que o fato aconteceu. Por quê?
Porque não estava de acordo com a moral da época.

3. Agora, discuta o seu ponto de vista sobre a fotografia com seus colegas e educador.

O que é ser mulher?

Dependendo dos valores morais, a atitude de Leila Diniz de expor o corpo quando estava grávida podia até
ser questionada. Mas esse ato representou uma reação à repressão que a mulher brasileira sofria naquele período.

No Brasil, até aproximadamente a década de 1960, ser mulher significava dedicar-se à maternidade, sonhar
com um “bom partido” e realizar atividades que exigissem pouco esforço físico e mental. Nos anos 1970, muitos
tabus sobre o papel da mulher na sociedade foram questionados e derrubados por movimentos feministas e pelas
exigências do mercado.

Hoje poucos negam que a mulher não pode exercer, e muito bem, as funções que até certa época era mais
comum os homens exercerem. Muitas mulheres em tempos recentes, são pedreiras, empresárias, frentistas, en-
genheiras, motoristas de ônibus, juízas, policiais, médicas e até presidentas da República.

1. Qual relação pode ser feitas entre a postura de Leila Diniz e a atitude das mulheres grávidas nas praias
na época atual? Por quê?

A partir da postura de Leila, tem sido cada vez mais comum ver mulheres grávidas nas praias, que expõem com orgulho a sua barri-
ga. Isso porque ela quebrou os tabus de sua época.

2. Selecione um trecho do texto “O que é ser mulher?” que expresse o que significava ser mulher no Brasil
até os anos 1960.

“Ser mulher significava dedicar-se à maternidade, sonhar com um bom partido e realizar atividades que exigissem pouco esforço
físico e mental.”

3. Copie do texto trechos que tratem dos itens a seguir:
a) o período mais intenso das conquistas femininas:

“Nos anos 1970, muitos tabus sobre o papel da mulher na sociedade foram questionados e derrubados por movimentos femi-
nistas e pelas exigências do mercado ”.

b) A situação atual das mulheres:

Hoje poucos negam que a mulher não pode exercer, e muito bem, as funções que até certa época era mais comum os homens
exercerem. Muitas mulheres em tempos recentes, são pedreiras, empresárias, frentistas, engenheiras, motoristas de ônibus,
juízas, policiais, médicas e até presidentas da República.

Para você, o que significa a expressão “não violência”? Veja o Manual específico. 8o ano 222
Converse com seus colegas sobre o assunto. Depois, leia o texto.

194 HISTÓRIA

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

A não violência como alternativa

A não violência baseia-se na ética da responsabilidade. Condena a violência organizada e utilizada como ins-
trumento de luta política por considerar suas consequências negativas. Veja alguns exemplos dessas consequências:

• gera mais violência;
• provoca insensibilidade;
• corrompe o ser humano (mesmo aquele com a melhor das intenções);
• promove a chegada ao poder de pessoas ou grupos autoritários com tendência ao uso constante de forças

militares em suas ações (militarismo).

Reprodução Conhecido popularmen-
te como Mahatma Gandhi
(1869-1948), foi um dos ide-
alizadores e fundadores do
moderno Estado indiano e
um influente defensor do
princípio da não agressão,
forma não violenta de protes-
to para chegar à revolução.
É dele a frase: “A ciência da
guerra leva à ditadura.”

Mahatma Gandhi, 1931. Mahatma
significa “grande alma”.

Educador, com os alunos, localize a Índia em um mapa-múndi.

Nascido na Índia, filho de uma família abastada, Gandhi poderia seguir o caminho de boa parte dos jovens ricos
de sua época: dedicar-se à família e ter uma vida confortável.

Porém, ao tomar contato com os colonizadores, percebeu que eles não respeitavam os povos colonizados,
tentavam destruir sua identidade cultural.

Os colonizadores eram holandeses, franceses e ingleses que, desde 1498, quando o navegador português Vas-
co da Gama chegou à região, tinham interesses comerciais nela.

O dinheiro da família permitiu-lhe viajar a Londres (capital da Inglaterra) e formar-se em Direito, mas foi somente
em outra colônia inglesa, na África do Sul, que Gandhi sentiu a intolerância e o preconceito, ao ser arremessado para
fora de um trem porque um branco recusou dividir a cabine de primeira
classe com ele.

De volta à Índia, Gandhi colocou em prática sua proposta de resistência hindu: aquele que segue o
por meio da não violência. Em 1947 – depois de mais de três décadas de hinduísmo, a terceira religião com
resistência coordenada por ele – finalmente a Inglaterra transferiu o poder maior número de praticantes. Tem
para os indianos. Entretanto, a vitória não foi completa, pois a população milhões de seguidores e é considerada
indiana estava dividida entre hindus e muçulmanos, que se odiavam. a mais antiga das grandes religiões do
mundo. Surgiu por volta de 3000 a.C.

223 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 195

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ
Nem mesmo Gandhi, respeitado pelos dois lados, conseguiu evitar a divisão dos dois povos. A solução foi separá-
-los, criando um novo país que abrigasse os muçulmanos, para evitar uma guerra sangrenta, e que recebeu o nome
de Paquistão. Educador, com os alunos, localize o Paquistão e a Índia em um mapa -múndi.

1. Quem foi Gandhi?

Foi um dos idealizadores e fundadores do moderno Estado indiano e um influente defensor do princípio da não agressão, forma não
violenta de protesto para chegar à revolução.

2. Segundo o pensamento de Gandhi, por que a violência organizada e utilizada como instrumento de luta
política tem consequências negativas?

Porque gera mais violência, corrompe o ser humano e provoca a insensibilidade.

3. Você concorda com as ideias de Gandhi sobre a luta contra a opressão? Justifique.

Resposta pessoal.

4. O que levou Gandhi a iniciar sua campanha pela não violência?

Ao tomar contato com os colonizadores, percebeu que eles não respeitavam os povos colonizados, tentando destruir sua identidade
cultural.

5. Qual grande problema Gandhi enfrentou em relação aos colonizadores ingleses?

A disposição dos britânicos para o uso da violência com o objetivo de manter o controle sobre a Índia.

6. Copie do texto o trecho que mostra a principal causa do sucesso e, ao mesmo tempo, do fracasso do mo-
vimento pela independência da Índia.

“Unidos provisoriamente contra os britânicos, hindus e muçulmanos voltaram a lutar entre si. Nem mesmo Gandhi, respeitado pelos
dois lados, conseguiu evitar a divisão dos dois povos”.

Ampliando o tema

Agora vamos conhecer outro grande exemplo de resistência por meio da não violência, desta vez na
América do Norte.

196 HISTÓRIA 8o ano 224

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

O sonho norte-americano

Desde que os homens se espalharam pelo planeta, tiveram que se adaptar ao clima e às condições físicas da
localidade onde eles e seus descendentes passaram a viver. O resultado disso é que grupos isolados adquiriram
características próprias, como cor de pele mais escura ou mais clara, olhos negros, verdes, castanhos ou azuis nas
mais variadas tonalidades etc. Essas diferentes características são consequência da adaptação dos seres vivos ao
meio físico em que vivem e em que viveram seus antepassados. Ao longo da História, essa diversidade genética foi
e ainda é utilizada como justificativa para isolar e oprimir pessoas.

O interesse em explorar outros grupos humanos levou indivíduos e até nações a utilizar a diversidade de cor
de pele, costumes e tradições para justificar a escravidão, outras formas de exploração econômica e até genocídios.
Derivou daí a crença na superioridade racial, moral e religiosa de um grupo sobre outro, ou seja, a ideia de racismo.

Teorias racistas surgidas a partir do século XIX procuravam Reprodução
apresentar argumentos científicos que justificassem o domínio dos
europeus sobre os demais povos da Terra que eles considerassem
diferentes. Tais teorias influenciaram o comportamento dos brancos
norte-americanos, que segregaram a população negra, e de parte
da elite brasileira, que explicava nosso atraso econômico como
consequência da existência do negro em nossa população.

Os negros norte-americanos reagiram de diferentes maneiras
às perseguições de que eram vítimas.

Desde a abolição da escravatura, muitos achavam que valia a pena Durante os anos 1920, havia bebedouros distintos
utilizar a violência para a conquista de direitos; para outros, como Martin para brancos e negros nos Estados Unidos.
Luther King, a violência deveria ser combatida com a não violência.

Educador, se necessário explique aos seus alunos o termo racismo que encontra-se descrito no Manual específico.

Nascido em 1929, Martin Luther King Reprodução
foi pastor evangélico e defensor dos direitos
civis. Tornou-se um dos mais importantes
líderes do movimento negro nos Estados
Unidos, por meio de uma campanha de não
violência e de amor ao próximo. Odiado por
muitos segregacionistas, foi assassinado

em 1968.

Martin Luther King, em março de 1963, durante seu
famoso discurso “Eu tenho um sonho”, em Washington, na
chamada “Marcha pelo emprego e pela liberdade”.

segregacionista: aquele que defende a segregação, ou seja, a separação e exclusão de grupos étnicos
diferentes em um país.

No começo da década de 1960, Luther King organizou e liderou marchas que visavam alcançar o direito ao voto
para a população negra norte-americana, o fim da segregação, o fim da discriminação no trabalho e outros direitos
civis básicos. Como Gandhi, ele escolheu o protesto não violento como meio de luta. Suas ações desmoralizaram as
ações violentas dos opressores, obrigando o governo a adotar medidas contra as leis segregacionistas.

225 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 197

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

King era odiado pelos segregacionistas do Sul, e foi assassinado no dia 4 de abril de 1968. Passados mais de
quarenta anos de sua morte, finalmente os Estados Unidos elegeram o primeiro presidente negro, rompendo sim-
bolicamente com a história de segregação racial naquele país.

1. O que informa a legenda da fotografia que mostra um bebedouro público para negros na década de 1920?

Informa que negros e brancos utilizavam bebedouros separados.

2. O que a fotografia deixa evidente? A segregação sofrida pelos negros nos Estados Unidos.
3. Segundo o texto, o que é racismo?

Resposta possível: Racismo pode ser definido como a crença de que algumas raças são superiores a outras, o que gera o precon-
ceito e a discriminação racial.

4. Quem foi Martin Luther King?

Foi um pastor evangélico que se tornou um dos mais importantes líderes do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados
Unidos, por meio de uma campanha de não violência e de amor ao próximo.

5. Martin Luther King inspirou-se em quem ao lutar pela conquista dos direitos civis dos negros norte-
-americanos? E teve qual atitude?

Inspirou-se em Gandhi e agiu por meio da não violência.

6. Qual foi o resultado dessa luta?

Os opressores foram desmoralizados, o que obrigou o governo norte-americano a adotar medidas contra as leis segregacionistas.

7. O que significou para os Estados Unidos a eleição de Barack Obama?

O rompimento simbólico com sua história de perseguições raciais.

África: luta, lágrimas e esperanças

Os africanos da região que corresponde à atual África do Sul foram colonizados pelos holandeses a partir
de 1652 e pelos britânicos a partir de 1795. Estes últimos estabeleceram fazendas na região, utilizando mão de
obra escrava aprisionada entre as tribos locais. No final do século XVIII havia cerca de 25 mil escravos servindo
a 20 mil europeus.

Em 1910, a União da África do Sul reuniu colonos britânicos e holandeses que promulgaram uma série de
leis, em 1911, consolidando o poder dos brancos sobre os negros. Algumas determinações das leis:

198 HISTÓRIA 8o ano 226

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

• Certos cargos profissionais não podiam ser ocupados por negros.
• As propriedades pertencentes à população negra nunca poderiam ultrapassar 7,5% do território nacional.

Estava fundamentada a política de segregação racial conhecida como apartheid.

O combate ao apartheid teve início em 1912, com a criação do Congresso Nacional Africano (CNA), unin-
do várias tribos africanas. Foi nesse caldeirão pronto para explodir que surgiu Nelson Mandela, o qual, como
Gandhi e King, defendeu a resistência passiva, aliada a boicotes e protestos que geravam uma reação violenta
do governo. Em 1960, a polícia abriu fogo contra 20 mil manifestantes negros, matando 69 pessoas; em 1976,
recebeu ordens para atirar em adolescentes que protestavam contra a proibição do ensino da língua inglesa
nas escolas, sendo massacrados 566 crianças e adolescentes desarmados. Os protestos e boicotes que Nelson
Mandela liderou levaram-no a ser condenado à prisão perpétua. No entanto, como resultado dos protestos, o
apartheid foi condenado publicamente pela ONU em 1962.

Os sucessivos questionamentos contra as práticas segregacionistas isolou o governo sul-africano, obrigando-o
a redigir uma nova Constituição e a libertar Mandela.

Após a sua libertação, Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul. Governou de 1990
a 1994.

1. Quem é Nelson Mandela?

Militante negro sul-africano que lutou contra a segregação racial patrocinada pelo governo da África do Sul. Tornou-se o primeiro
presidente negro do país em 1994.

2. Como foi a resistência de Nelson Mandela em sua luta contra o apartheid na África do Sul?

Aconteceu por meio de ações não violentas, foi passiva, aliada a boicotes e protestos

3. Quais foram as consequências de suas ações?

Ele foi condenado à prisão perpétua. No entanto, como resultado dos protestos, o apartheid foi condenado publicamente pela ONU
em 1962.

Brasil: o sonho nunca morre

O Brasil tem uma das maiores concentrações de riqueza do mundo. Uma minoria tem acesso a ótima educação,
alimentação, cultura, lazer e entretenimento, enquanto boa parte da população enfrenta dificuldades sérias, desde
a falta de emprego até a fome. São dois mundos que coexistem muito próximos geograficamente, mas bastante
distantes nas suas realidades de vida.

Vamos conhecer um dos grandes idealizadores de lutas contra esse tipo de injustiça, que defendia a paz social
por meio de uma vida mais digna para a maioria.

227 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 199

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

Herbert José de Souza (1935-1997), conhecido como Be- Otavio Dias de Oliveira/Folha Imagem
tinho, brasileiro, sociólogo e ativista dos direitos humanos,
concebeu e dedicou-se ao projeto Ação da Cidadania contra
a Miséria e pela Vida.

Ainda jovem, Betinho entrou para o movimento
estudantil. Tinha grande ligação com os pobres e domi-
nados e afirmava defendê-los de corpo e alma.

Com o golpe militar, em 1964, mobilizou-se contra Herbert de Souza, o Betinho.
a ditadura, sem nunca esquecer as causas sociais. Mas, Rio de Janeiro, RJ, 1995.
com o aumento da repressão, foi obrigado a se exilar no
Chile em 1971. Durante esse período, foram reforçadas
as suas convicções sobre a democracia – que ele julgava
incompatível com o sistema capitalista.

De volta ao Brasil em 1979, passou a lutar pela re-
forma agrária. Foi um de seus principais articuladores.

Em 1985, descobriu ter contraído o vírus da Aids em uma transfusão de sangue, à
qual era obrigado a se submeter periodicamente, devido à hemofilia. Esse fato fez sur-
girem movimentos de defesa dos direitos dos portadores do vírus.

O projeto que o imortalizou foi a Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida,
movimento a favor dos pobres e excluídos.

Morreu em 1997, de complicações decorrentes da Aids. Deixou uma vasta e bri-
lhante produção intelectual, registrada em diversos livros.

Para Betinho, um país que não se organiza para garantir trabalho, emprego e renda para todos não é ético, é
perverso. A campanha Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida tinha o objetivo de mobilizar a sociedade para
confrontar o problema da fome.

Os críticos de Betinho dizem que distribuir comida é assistencialismo e não resolve o problema da fome. Muitos
dizem: “O fundamental é ensinar a pescar e não dar o peixe.”

Em carta aberta, Betinho convidou todos, empresários, trabalhadores, estudantes, universidades, escolas,
hospitais, igrejas, sociedades beneficentes, associações de moradores, clubes, organizações não governamentais
(ONGs), partidos políticos e o poder público, a participar da busca por soluções imediatas para acabar com a miséria
absoluta e com a fome.

É interessante notar que movimento criado por Betinho continua a existir em vários estados do Brasil, e com certeza
há muitas outras pessoas aprendendo a viver em paz, em busca da paz por meio de ações coletivas.

Revelando o que aprendeu

1. De qual assunto deste capítulo você mais gostou? Por quê? Resposta pessoal.

200 HISTÓRIA 8o ano 228

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

2. Responda às questões no caderno.
a) Para Betinho, um país que não se organiza para garantir trabalho, emprego e renda para todos não
é ético. O que ele é, então? É perverso.
b) Qual é o objetivo da Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida?

Mobilizar a sociedade para confrontar o problema da fome.

c) Quem Betinho convidou, em carta aberta, a participar do movimento que criou?

Toda a sociedade.

3. Qual é a sua opinião sobre as ações de Betinho?

Resposta pessoal.

4. Compare as ações de Gandhi, Luther King e Betinho e responda: O que há em comum entre elas?

A não violência como forma de luta pela paz.

5. Argumente contra ou a favor da não violência como forma de luta. Para isso, utilize o que aprendeu no
capítulo. Resposta pessoal.

Sob a orientação do educador, discuta a respeito dos assuntos tratados neste capítulo com seus colegas.
Escreva no caderno um resumo das suas conclusões.

Resposta pessoal.

Sua vez...

Inventando manchetes

A classe deverá organizar-se em grupos de três a cinco participantes.
A tarefa de cada grupo será elaborar textos para um jornal.
Escolham um tema e escrevam três textos: um triste, um positivo e um surpreendente, que cause impacto no
leitor. Cada texto deve ter um título.
Depois que os grupos terminarem, poderão apresentar as textos que elaboraram aos outros grupos. Escolham
o texto melhor, na opinião da maioria da classe.

Vamos compartilhar?

Nesta unidade, você refletiu sobre o conceito de paz e suas implicações. Compartilhe o que aprendeu com a
comunidade escolar, participando das atividades que seu educador vai propor.

229 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 201

UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ

Indicações de leituras complementares

O iluminismo e os reis filósofos. Luis R. Salinas Fontes. São Paulo: Brasilense, 1993.
História e verdade. Adam Schaff. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
A era das revoluções – 1789-1848. Eric J. Hobsbawm. São Paulo: Paz e Terra, 2009.
História da Revolução Francesa. Albert Soboul. Rio de Janeiro: Zahar, 1989.
Brasileiro, sim senhor!: uma reflexão sobre nossa identidade. João Carlos Agostini. São Paulo: Moderna, 2004.
O que são direitos humanos das mulheres. Maria Amélia de Almeida Teles. São Paulo: Brasiliense, 2006.
Ética da vida. Leonardo Boff. São Paulo: Record, 2009.
O feudalismo. Paulo Micelli. São Paulo: Atual, 1994.
A Reforma protestante. Luiz Maria Veiga. São Paulo: Ática, 2007.
Tempo de paz: personalidades de ontem e de hoje falam sobre a paz. Celina Helena Weschenfelder (Org.). São

Paulo: Paulinas, 2007.

Bibliografia

AGOSTINI, J. C. Brasileiro, sim senhor!: uma reflexão sobre nossa identidade. São Paulo: Moderna, 2004.
ANTHONY, S. B. Tradução: Lelia Wista. Para uma grande mulher: Lidia Maria Riba. Cotia: Vergara & Riba, 2011.
AQUINO, R.; NAEGELI, L.; MENDES, F.; CECCON, C. Brasil, uma história popular. Rio de Janeiro: Record, 2003.
BOFF, L. Ética e moral: a busca dos fundamentos. Petrópolis: Vozes, 2004.

. Fundamentalismo: a globalização e o futuro da humanidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2002.
BÓRIO, E. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2007.
BUSH, C. Gandhi. São Paulo: Nova Cultural, 1987.
CAMPOS, R. Grandezas do Brasil no tempo de Antonil (1681-1716). São Paulo: Atual, 1996.
CARNEIRO, M. L. T. O racismo na história do Brasil: Mito e realidade. São Paulo: Ática, 1998.
CHAUÍ, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2010.
DREW, N. A paz também se aprende. São Paulo: Gaia, 1990.
FONTES, L. R. S. O iluminismo e os reis filósofos. São Paulo: Brasilense, 1993.
FRANCO JR. As cruzadas. São Paulo: Brasiliense, 1995.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2011.
FROTA, L. C. Pequeno dicionário da arte do povo brasileiro, século XX. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2005.
HELLERS, V.; NOTAKER, H.; GAARDER, J. O livro das religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
HENRIQUES, R. Raça e gênero no sistema de ensino: os limites das políticas universalistas na educação. Brasília:

Unesco, 2002.
HOBSBAWM, E. J. A era das revoluções – 1789-1848. São Paulo: Paz e Terra, 2009.
IANNI, O. Escravidão e racismo. São Paulo: Hucitec, 1978.

202 HISTÓRIA 8o ano 230

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

KEEGAN, J. Uma história da guerra. São Paulo: Companhia da Letras, 1996.
KOSHIBA, L. O índio e a conquista portuguesa. São Paulo: Atual, 2004.
MALDONADO, M. T. Os construtores da paz: caminhos da preservação da violência. São Paulo: Moderna, 2012.
MOURA, C. Os quilombos e a rebelião negra. São Paulo: Brasiliense, 1987.
OLIVEIRA, J. P. de; FREIRE, C. A. R. da. A presença indígena na formação do Brasil. Brasília: Edições MEC/Unesco, 2006.
RANGEL, A. O que podemos aprender com os gansos. São Paulo: Original, 2010.
REIS, J. R.; SILVA, E. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras,

1999.
Revista Grandes líderes da História. São Paulo: Arte antiga, ano 2 n. 15, 2005.
Revista Nossa História. Rio de Janeiro: Vera Cruz, ano 2, n. 17, março de 2005.
RIBEIRO, D. O povo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
RODRIGUES, J. O tráfico de escravos para o Brasil. São Paulo: Ática, 2002.
SANTOS, J. R. dos. Zumbi. São Paulo: Moderna, 1985.
SCHAFF, A. História e verdade. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
SOBOUL, A. História da Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1990.
SOUSA, H.; RODRIGUES, C. Ética e cidadania. São Paulo: Moderna, 2001.
STRAUSS, C. L. Tristes trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
SUN TZU. A arte da guerra. São Paulo: Martin Claret, 2011.
SUTTI, P.; RICARDO, S. As diversas faces do terrorismo. São Paulo: Harbra, 2003.
THEODORO, M. (Org.); JACCOUD, L.; OSÓRIO, R. G.; SOARES, S. As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil

120 anos após a abolição. Brasília: Ipea, 2008.
VALENTE, A. L. E. F. Educação e diversidade cultural: um desafio da atualidade. São Paulo: Moderna, 1999.

. Ser negro no Brasil hoje. São Paulo: Moderna,1994.
VENTURI, G.; RECAMAN, M.; OLIVEIRA, S. de. (Orgs.). A mulher brasileira nos espaços público e privado. São Paulo:

Fundação Perseu Abramo, 2004.
WESCHENFELDER, C. H. (Org.). Tempo de paz: personalidades de ontem e de hoje falam sobre a paz. São Paulo:

Paulinas, 2005.

231 8o ano UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ 203

MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA. CONTEÚDOS CONCEITUAIS

“O entusiasmo de aprender separa os jovens dos • Compreensão do processo de exterminação do índio, da
velhos.” resistência indígena, da sua participação no decorrer da
“Enquanto estiver aprendendo, a pessoa não colonização do Brasil e de sua influência em nossa formação.
envelhece.”
Rosalyn S. Yalow in Kathy Wagoner. Ao mestre com carinho: 365 • Compreensão da concepção que os portugueses tinham sobre
o mundo não europeu na fase da colonização, tendo como
reflexões sobre a consequência a exploração humana e material da colônia.
arte de ensinar. Tradução de Diego Salerno Rodrigues. São Paulo:
• Conhecimento do papel da Igreja no projeto de colonização
Publifolha, 2002. do Brasil.
Nesta unidade, pretendemos demonstrar que o significado e a
prática da cidadania mudam de acordo com a cultura em que ela • Conhecimento do processo de escravização do africano,
se insere. Também vem se alterando ao longo do desenvolvimento formas de resistência dos africanos e sua influência cultural
histórico da humanidade. Essas mudanças são possíveis na medida em nossas vidas.
em que ocorrem alterações nas relações econômicas entre os homens
e os conflitos entre opressores e oprimidos. • Compreensão da influência das elites nacionais nas imigrações
Ao tratar historicamente esse eixo temático, buscamos revelar ocorridas ao longo dos séculos XIX e XX.
origens, influências e processos na formação do caldo cultural brasi-
leiro, desde a chegada dos europeus aqui, passando pelo processo de • Reconhecimento da influência cultural dos imigrantes em
miscigenação entre indígenas, europeus e africanos, pelas imigrações nossa cultura.
em massa ocorridas principalmente a partir da segunda metade do
século XVIII, até o atual momento em que temos, no país, pessoas de • Compreensão da cidadania como resultado de lutas,
diversas partes do planeta compondo o perfil cultural do povo brasileiro. confrontos e negociações.
Esta unidade permitirá também fazer leituras e releituras críticas,
capazes de levar à reflexão e a consequentes questionamentos em • Compreensão de como o pensamento racial contribuiu para
relação às várias formas de discriminações raciais. O material produ- a legitimação de estruturas sociais como o escravismo, que
zido dá possibilidades de discutir esse tema com os alunos a partir de perdurou no Brasil imperial.
exemplos significativos de combate a esse tipo de atitude.
Além disso, as atividades visam a valorização da diversidade cultural, • Compreensão de que as histórias individuais são parte
o que consideramos essencial para o exercício pleno da cidadania. integrante de histórias coletivas.

ObjETIvOS gERAIS DA UNIDADE CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS
• Compreender o significado de diversidade cultural.
• Refletir sobre o papel da relação dominação × resistência na for- • Seleção de fatos e sujeitos históricos e estabelecimento de
relações entre eles no tempo.
mação da cultura e na criação da cidadania.
• Refletir sobre as origens do preconceito racial. • Observação e percepção de transformações, permanências,
• Refletir sobre a importância do desenvolvimento de uma consciência semelhanças e diferenças.

crítica para a formação de uma sociedade cidadã. • Elaboração de atividades individuais e coletivas, coletando
informações em.
Capítulo 1
a formação da cultura nacional • Análise e interpretação de documentos diversos, como textos,
quadros e fotografias.
“O poder dos professores é eterno. Não é possível dizer onde
termina sua influência.” • Reflexão sobre textos.
• Classificação de dados, informações etc.
Henry Adams in Kathy Wagoner. Ao mestre com carinho: • Desenvolvimento da habilidade de aplicar a influência de uma
365 reflexões sobre a arte de ensinar. Tradução de Diego Salerno
atividade na subsequente.
Rodrigues. São Paulo: Publifolha, 2002. • Desenvolvimento da habilidade de demonstração.
• Síntese de frases ou de trecho de textos.
ObjETIvOS • Desenvolvimento da habilidade de dedução.
• Propiciar ao aluno o reconhecimento de que a formação do povo • Observação e localização de continentes, países, regiões e

brasileiro se tornou possível por meio da combinação de três estados em mapas.
matrizes étnicas: o índio, o europeu e o africano. • Desenvolvimento da habilidade de aplicar e compartilhar,
• Conscientizar o aluno de que alguns problemas econômicos, políticos
e sociais enfrentados no Brasil atual são, em parte, consequência oralmente ou por escrito, os conhecimentos.
do tipo de colonização implantada no país. • Comparação de informações e fatos históricos.
• Propiciar ao aluno o reconhecimento de nossas origens étnicas e
sua influência na formação de nossa cultura. CONTEÚDOS ATITUDINAIS
• Auxiliar o aluno na compreensão dos vários movimentos de resis-
tência à escravatura, que representaram uma luta pelo reconheci- • Valorização de cada uma das diferentes matrizes culturais que
mento dos direitos de cidadania. deram origem ao povo brasileiro.
• Ajudar o aluno no processo de construção de autonomia na leitura.
• Reconhecer que o saber histórico é parte de um conhecimento • Valorização do patrimônio sociocultural e respeito à
interdisciplinar. diversidade cultural, considerando critérios éticos.

232 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO • Valorização do direito de cidadania dos indivíduos, dos grupos
e dos povos.

• Valorização da diversidade cultural, adotando critérios éticos
fundados no respeito às diferenças.

• Valorização do debate e da exposição de ideias como formas
de crescimento intelectual, de prática de estudo, de adoção
de uma postura crítica e colaborativa no grupo-classe e
de relação com o educador, trocando e criando ideias e
informações coletivamente.

• Valorização da leitura autônoma e crítica.
• Conscientização de si como sujeito histórico.

MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO

CONTEÚDOS ATITUDINAIS que foi adotada legalmente em 1948, na África do Sul, para dar nome
a um regime que separa brancos de negros e retira destes últimos o
• Valorização das manifestações culturais como exercício de direito de ser cidadãos.
cidadania.
Educador, no decorrer dos capítulos, há o Glossário, que apresenta INDICADORES DE APRENDIZAgEM
Neste capítulo, é esperado que o aluno:
o significado das palavras que nos textos aparecem em destaque. A
sugestão é utilizar esse banco para ampliar o vocabulário dos alunos • reconheça a importância do índio, do português e do negro
e auxiliá-los no entendimento dos textos. Você também pode pedir na formação da cultura nacional, as características étnicas
a pesquisa do significado de outras palavras no dicionário. gerais dos grupos humanos existentes antes da chegada dos
portugueses ou introduzidos no território brasileiro ao longo
Você pode também, como exercício, desenhar os mapas somente do período colonial;
com os contornos dos continentes e/ou países e fazer cópias para os
alunos. Solicite a eles que localizem os lugares, pintando com cores • compreenda que alguns dos problemas do Brasil atual têm sua
diferentes ou marcando com um X o lugar solicitado. origem, em boa parte, no tipo de colonização que tivemos aqui;

Você pode utilizar fotografias, quadros etc., além dos que aparecem • reconheça as nossas origens étnicas e sua influência em nossa cultura;
reproduzidos na unidade, para enriquecer suas aulas. Por exemplo, • compreenda os vários movimentos de resistência à escravidão que
fotos locais de manifestações culturais.
representaram a luta pelo direito de cidadania;
ORIENTAÇÕES gERAIS DO CAPÍTULO 1 • reconheça a importância das ondas migratórias dos séculos XIX e
Educador, ao longo deste capítulo, espera-se que o aluno desenvolva
XX e sua influência na cultura nacional;
as seguintes competências e habilidades: dominar a norma urbana de • reconheça o seu processo de autonomia e crítica na leitura;
prestígio da Língua Portuguesa; compreender o processo histórico de • reconheça o saber histórico como parte de um conhecimento
formação da sociedade brasileira; identificar características do patri-
mônio cultural ao longo da história; compreender a importância do interdisciplinar.
patrimônio cultural e suas relações com a organização das sociedades;
interpretar os significados de diferentes manifestações populares como AvALIANDO A APRENDIZAgEM
representação do patrimônio regional e cultural; selecionar, organizar, 1. Sou capaz de definir o que é cultura
relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes Resposta possível: é tudo que pode ser adquirido, apreendido
formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema; recorrer e que pode ser transmitido.
aos conhecimentos desenvolvidos para elaboração de propostas de 2. Sou capaz de definir o que é diversidade cultural?
intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e Resposta possível: são as diferenças nos hábitos, religião, jeito
considerando a diversidade sociocultural, tendo em vista a preservação de falar (sotaque), alimentação, gostos musicais, maneira de
das identidades nacionais; caracterizar processos sociais, reconhecendo vestir-se, danças etc.
mudanças e permanências temporais e espaciais; dominar linguagens; 3. Posso citar o nome de um dos movimentos de resistência
construir argumentações; realizar leitura e interpretação de diferentes indígena no Brasil?
gêneros textuais; contextualizar processos históricos. Resposta possível: a Confederação dos Tamoios.
4. Sei dizer qual é o objetivo principal da proposta de criação do
Há várias definições de cultura. Você pode utilizar a que considerar Estatuto da Igualdade Racial?
mais adequada para as suas turmas. Adotamos a que parece na seção Resposta possível: tem como objetivo principal o combate à
Pra começo de conversa no desenvolvimento desta unidade. discriminação racial e às desigualdades estruturais e de gênero
que atingem os afro-brasileiros.
PRA COMEÇO DE CONvERSA Educador, se achar necessário, organize uma avaliação com base
nos indicadores de aprendizagem e nos quadros de conteúdo.
Questão 6:
Todas as pessoas, ao longo de suas vidas, adquirem conheci- TEXTO COMPLEMENTAR
mentos (a língua materna, uma profissão), crenças (religião, por
exemplo), hábitos (modo de se vestir, costumes alimentares), Kalunga, um remanescente
normas de comportamento, e todas utilizam diversos instru- de quilombo no sertão de Goiás
mentos para realizar suas atividades (lápis, cadernos, enxadas,
carros, máquinas etc.). Tais conhecimentos, crenças, hábitos, Construída pela comunicação oral, a história do quilombo
normas e instrumentos fazem parte da cultura. Kalunga ainda guarda segredos. Para entendê-la é preciso voltar
Cultura é a herança que o grupo social transmite a seus no tempo, quando no Brasil não havia estradas, nem liberdade.
membros, por meio da aprendizagem e da convivência social. “O meu avô era kalunga. Esse era kalunga mesmo, daqueles que
vinha lá de cima, pra fugir dos patrão, não era?”, conta Dona
Texto adaptado de: Nelson Piletti. Sociologia da educação. São Joana Torres, de 109 anos, moradora da comunidade Engenho II.
Paulo: Ática, 1987, p. 52.
Eram meados de 1700, quando os Senhores Bartolomeu Bueno
APROFUNDANDO O TEMA e João Leite da Silva iniciaram a colonização na região de Goiás
(que foi sendo chamada de “minas dos Goyases” – nome de um
De Portugal para o mundo povo indígena que vivia naquela região, onde havia muito ouro),
Sobre o Tratado de Tordesilhas: documento assinado pela Espanha provocando um processo de povoamento, as populações nativas,
e por Portugal em 1494 que modificou a linha imaginária estabelecida entre outras, foram escravizadas, destruídas ou conseguiram
pelo papa Alexandre VI em 1493, que demarcava as conquistas dos fugir e procurar novo hábitat.
dois países e ficava a 100 milhas a oeste das ilhas de Cabo Verde, foi
alterada para 370 milhas, depois do Tratado. Como precisavam de mais mão de obra, os africanos foram
Educador, no caso do Tratado de Tordesilhas, esclareça que a linha é levados para a província, diretamente dos portos de Santos,
imaginária e localize com os alunos, em um mapa, as ilhas de Cabo Verde. Salvador e/ou Rio de Janeiro. Eles eram obrigados a “esque-
cer” suas origens: língua, pátria, religião, identidade. Com
APROFUNDANDO O TEMA jornadas de horas debaixo de sol quente, ainda eram vítimas
das torturas, do tronco, do chicote, entre outros. E onde havia
O preconceito não está só aqui escravidão, também havia várias formas de resistência. A mais
Sobre o apartheid: é uma palavra que significa “vida separada” e forte delas era a fuga individual ou coletiva, quando formavam

MANUAl DO EDUCADOR 233

os quilombos – o termo é banto e quer dizer acampamento CONTEÚDOS ATITUDINAIS
guerreiro na floresta.
• Valorização da leitura crítica autônoma.
E foi assim que surgiu o quilombo no sertão goiano, que
abriga hoje cerca de 4.500 pessoas na zona rural dos municípios • Valorização da ação coletiva em defesa dos interesses sociais.
de Teresina de Goiás, Cavalcante e Monte Alegre. Com o tempo,
se acostumaram e se ambientaram com o sertão goiano. Vence- • Valorização de princípios como os que defendem os direitos
ram as dificuldades do caminho e as condições precárias que o individuais e coletivos.
ambiente oferecia, descobrindo ao mesmo tempo que poderiam
utilizar os recursos ali disponíveis para a reconstrução de suas • Valorização do exercício de reflexão e argumentação.
vidas. Chamaram esse lugar de Kalunga, o que na língua banto
também significa lugar sagrado, de proteção. • Valorização dos direitos de cidadania dos indivíduos,
dos grupos e dos povos como condição para o efetivo
Leonardo Bolini e Aline Cântia. Leonardo Boloni fortalecimento da democracia, mantendo o respeito pelas
é jornalista e repórter fotográfico e Aline Cântia é jornalista, diferenças e a luta contra as desigualdades.
pós-graduada em Jornalismo e Práticas Contemporâneas pelo UNI-
• Valorização do debate e da exposição de ideias como formas
BH e mestranda em Estudos Literários pela UFMG. de crescimento intelectual, de prática de estudo, de adoção
Disponível em: <http://www.brasiloeste.com.br>. de uma postura colaborativa no seu grupo-classe e de relação
com o educador, trocando e criando ideias e informações
Acesso em: 28 jun. 2005. coletivamente.

1. Localize no texto e transcreva em seu caderno as palavras de ObjETIvOS
origem africana e seu significado.
Quilombo: termo banto que significa acampamento guerreiro • Estabelecer relações entre cidadania e cultura;
na floresta; kalunga: termo banto que significa lugar sagrado, • compreender o pensamento iluminista e sua influência na Revo-
de proteção.
lução Francesa;
2. Agora faça o mesmo com as palavras de origem indígena. • compreender os fatos que permitiram a união da burguesia com a
Minas dos Goyases: tribo indígena que vivia na região.
população mais pobre, dando início à Revolução Francesa;
3. Escreva no seu caderno um trecho do texto que demonstre a • identificar como uma das grandes consequências da Revolução
presença de brancos em Goiás no início da colonização.
“Eram meados de 1700, quando os senhores Bartolomeu Bueno Francesa o reconhecimento do direito de cidadania;
e João Leite da Silva iniciaram e colonização em Goiás...” • compreender os fundamentos da Inconfidência Mineira e as influ-

4. Na sua opinião, a existência dos quilombos foi importante para ências do pensamento iluminista e da Revolução Francesa nesse
os escravos africanos? Justifique. movimento;
Resposta possível: sim, porque para eles significava a volta da • reconhecer que a Inconfidência Mineira e a Baiana foram mo-
liberdade. vimentos de luta também pelo reconhecimento dos direitos de
cidadania no Brasil;
5. Qual a importância da preservação de um local como “Kalunga”? • reconhecer como o pensamento racial contribuiu para construção
A preservação de Kalunga representa a existência de um registro de representações sobre o negro e o índio;
histórico local e os acontecimentos que fazem parte da nossa • reconhecer a influência cultural de negros e índios nas artes;
história. • construir a autonomia na leitura; reconhecer que o saber histórico
é parte de um conhecimento interdisciplinar;
Capítulo 2 • reconhecer a pluralidade cultural do país, valorizando atitudes de
e adafocrumtlatuçrãaondoascdidiaasdaatnuiaais respeito às diferenças.

Tenha consciência de estar ensinando muito mais que uma ORIENTAÇÕES gERAIS DO CAPÍTULO 2
matéria. Está abrindo mentes e corações, está mudando vidas. Educador, ao longo deste capítulo, espera-se que o aluno desenvolva

Karen Katafiasz em Terapia do professor. São Paulo: Paulus. 1998. as seguintes competências e habilidades: dominar a norma urbana
de prestígio da Língua Portuguesa; compreender processos sociais,
CONTEÚDOS CONCEITUAIS utilizando conhecimentos históricos; comparar organizações políticas,
• Compreensão da cidadania como resultado de lutas, econômicas e/ou sociais no mundo contemporâneo, na identificação
de propostas que propiciem equidade na qualidade de vida de sua
confrontos e negociações. população; interpretar os significados de diferentes manifestações
• Compreensão do processo que deu origem à Revolução populares como representação do patrimônio regional e cultural;
selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações
Francesa. representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar
• Reconhecimento da influência do pensamento iluminista no situações-problema; recorrer aos conhecimentos desenvolvidos para
elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respei-
Brasil colonial. tando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural,
• Compreensão do modelo colonial instalado na região mineira tendo em vista a preservação das identidades nacionais; caracterizar
processos sociais; reconhecendo mudanças e permanências temporais
e de como esse modelo facilitou a introdução de pensamentos e espaciais; dominar linguagens; construir argumentações; realizar
e ações fundamentados nos ideais iluministas. leitura e interpretação de diferentes gêneros textuais; contextualizar
processos históricos.
CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS
• Reflexão sobre textos. Educador, no decorrer do capítulo há palavras destacadas, e o
• Síntese de frases ou de trechos de textos. significado delas está no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco
• Análise e interpretação de textos iconográficos de palavras para ampliar o vocabulário dos alunos e auxiliá-los no
entendimento dos textos. Você também pode pedir a pesquisa do
significado de outras palavras no dicionário.

234 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO

MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO

DESvENDANDO O TEMA • perceba as características singulares da sociedade brasileira que
fizeram com que os ideais iluministas fossem aceitos sem que
A “luz” que nos ilumina houvesse um rompimento generalizado como o sistema escravista;

Sobre o Iluminismo: o termo indica um movimento de ideias • estabeleça a relação entre cultura e cidadania;
que tem sua origem no século XVII, mas que se desenvolveu no • compreenda os fatos que permitiram a união da burguesia com a
século XVIII, denominado “século das luzes”. Esse movimento
visa estimular a luta da razão contra a autoridade. Isto é, a população mais pobre, dando início à Revolução Francesa;
luta da “luz” contra as “trevas”. • identifique como uma das grandes consequências da Revolução

Sobre o Contrato Social: proposta de um pacto de união de Francesa o reconhecimento do direito de cidadania;
todos numa sociedade política, cujos interesses são entendidos • compreenda os fundamentos da Inconfidência Mineira e as influ-
como vontade geral. Essa proposta foi feita por Jean-Jacques
Rousseau em sua obra Do contrato social (1768). ências do pensamento iluminista e da Revolução Francesa nesse
movimento;
Sobre a República: forma de governo que se contrapõe à • reconheça que a Inconfidência Mineira e a Baiana foram movi-
monarquia. Nela o chefe de Estado que tem acesso ao poder é mentos de luta também pelo reconhecimento dos direitos de
eleito pelo povo, direta ou indiretamente. cidadania no Brasil;
• reconheça que o pensamento racial contribuiu para a construção
Norberto Bobbio, Nicolas Matteucci e Giafranco Pasquino. de representações sobre o negro e o índio;
Dicionário de Política. Brasília: Ed. UnB, 2000. • reconheça a influência cultural de negros e índios nas artes;
• reconheça o processo de construção da autonomia e da crítica
TRAbALHANDO COM TEXTO na leitura;
• reconheça que o saber histórico é parte de um conhecimento
Sobre a Criação de Adão: é importante relembrar que trabalha- interdisciplinar;
mos esse afresco anteriormente. Para os alunos que não o viram, • reconheça a pluralidade cultural do país, valorizando atitudes de
explique que ele faz parte de uma pintura maior que representa a respeito às diferenças.
visão bíblica da criação. AvALIANDO A APRENDIZAgEM
1. Sou capaz de estabelecer relação entre história e cidadania?
A cena está situada no centro da abóboda da Capela Sistina, entre
outras pinturas, representando palavras do Velho Testamento. Construir a cidadania é perceber a si mesmo como ser histórico.
2. Posso citar duas das condições determinantes para a deflagração
O foco, nesse segmento do afresco, é o encontro das mãos.
Podemos usar essa imagem como um símbolo para ilustrar a divisão da Revolução Francesa?
de poderes do Estado e da Igreja, pregado pela teoria iluminista. De O aumento de somente 2% dos salários, enquanto os preços cres-
um lado, há a figura de um homem que representa a razão; de outro, ceram 60% entre 1630 e 1789, e o pagamento das obrigações em
uma visão de Deus representando a Igreja. Entre as duas, há a palavra dinheiro ou em serviços feito pelos camponeses para a nobreza.
separação, portanto, a separação entre a razão e a Igreja. É importante 3. Cite duas razões que fazia a Capitania de Minas Gerais ser
não esquecer a teoria divina do poder monárquico absolutista e que diferente de outras capitanias brasileiras do século XVIII.
os iluministas se opuseram a ela. A concentração urbana e a agitação comercial.
4. Como podemos aprender a respeitar a nossa diversidade
AMPLIANDO O TEMA cultural?
Quando reconhecemos a diversidade das culturas, temos
Iluminismo à brasileira consciência de nossas origens, reconhecemos a escola como
um dos espaços para a superação dessas tensões e conflitos
Sobre o Pacto Colonial: a colonização portuguesa no Bra- e entendemos que a convivência harmônica com o diferente
sil, como outras colonizações europeias do mesmo período na consolida o nosso papel como cidadãos.
América, tem caráter essencialmente mercantilista: ocupar a Educador, se achar necessário, organize uma avaliação com base
terra e produzir riquezas para proporcionar renda ao Estado e nos indicadores de aprendizagem e nos quadros de conteúdos.
lucros à burguesia. Isso é garantido pelo monopólio comercial e TEXTO COMPLEMENTAR
pelo pacto colonial, que legitima o direito exclusivo de comprar
e vender na colônia por meio de seus comerciantes e de suas Tabu é encontrado em todas as culturas
companhias. Mas a sociedade colonial desenvolve interesses
próprios, econômicos e políticos. E, quando começa a enten- Em tribos de Uganda, qualquer vasilha tocada por uma
der que nesse pacto suas aspirações são sempre secundárias, mulher menstruada deve ser destruída. Entre os esquimós, são
passa a contestá-lo. Crescem as revoltas entre os séculos XVII necessárias algumas fórmulas mágicas para purificar xícaras
e XVIII. O sistema colonial enfraquece e avança o movimento ou pratos usados por uma mulher menstruada. Entre alguns
de independência. índios norte-americanos, elas são proibidas de tocar objetos
Fonte: Enciclopédia brasileira de História. Disponível em: <http://www. dos homens, para não causar males. No interior da França,
acredita-se que o vinho azede se uma mulher menstruada
tiosam.com/enciclopedia/?q=Coloniza%C3%A7%C3%A3o_do_Brasil>. entrar na adega. No sertão do Brasil, os remédios perdem o
Acesso em: 20 out. 2006. efeito se tocados por uma mulher menstruada. Não é mera
coincidência o período menstrual se chamar de “regra”. O
Regra básica do pacto colonial – À colônia só era permitido fluxo menstrual, como qualquer secreção do corpo humano (à
produzir o que a metrópole não tinha condições de fazer. Por isso, a exceção da lágrima e, em alguns casos, do suor) é visto como
colônia não podia concorrer com a metrópole. impuro. Por se tratar de sangue, símbolo da própria vida, são
muito mais intensas as regras que recaem sobre ele. Nem todas
INDICADORES DE APRENDIZAgEM essas regras têm valor negativo. Muitas proibições parecidas
Nesse capítulo, é esperado que o aluno: são feitas aos homens sagrados ou aos guerreiros, em várias
culturas. A menstruação, de qualquer forma, pertence ao
• compreenda a contribuição da História no processo de construção terreno do incompreensível, do sagrado, do assustador.
da cidadania;

• reconheça o papel dos ideais iluministas e da Revolução Francesa
na reformulação de conceitos sobre cidadania, direito e política
no âmbito da cultura ocidental;

MANUAl DO EDUCADOR 235

Boa parte dos impedimentos a uma mulher menstruada UNIDADE 2 • CULTURA DE PAZ
(não deve dar mamadeira, pôr galinhas para chocar, fazer a
cama dos recém-casados, guardar frutos para amadurecer...) “A educação facilita a liderança, mas dificulta a tirania, da mesma
parecem claramente ligados à ideia de que a menstruação é a forma que auxilia a governar, mas impossibilita escravizar.”
negação de uma vida que deveria ter florescido. Mas muitos
desses impedimentos também se aplicam a mulheres grávidas. Henry Peter Brougham in Kathy Wagoner. Ao mestre com carinho:
Parecem associações universais: ciclo menstrual, ciclo da Lua, 365 reflexões sobre a arte de ensinar. Tradução de Diego Salerno
a noite, impureza. E regras para neutralizar o perigo. Segundo Rodrigues. São Paulo: Publifolha, 2002.
o Velho Testamento, a mulher menstruada permanece sete dias
impura. Qualquer um que a toque ficará impuro até a noite. A Nessa unidade, o objetivo proncipal é ressaltar a possibilidade de
cama em que ela dormir será impura e quem tocar esse leito construção de uma sociedade mais justa, igualitária, em que as pessoas
terá de se lavar e lavar suas roupas. Se um homem dormir com respeitem todos os tipos de diferenças, tendo clareza de que o bem-
ela, ficará impuro por sete dias. Segundo o Talmude, livro -estar coletivo influencia significativamente o bem-estar individual.
judaico de comentários à Bíblia, se uma mulher menstruada
passar entre dois homens, um deles morrerá. Se ela estiver no Outro objetivo do trabalho, nessa parte do livro, é revelar algumas
final do fluxo, eles apenas brigarão violentamente. Em alguns práticas históricas para a construção da paz, ressaltar a importância
lares islâmicos, a mulher menstruada é posta para fora de casa da ética e da moral nesse processo, sem o uso de nenhuma forma de
e dorme numa cabana. Quando ela fica em casa, deve dormir violência, de tal maneira que possa nos servir de inspiração para a
no chão ou numa cama baixa e não pode nem sequer tocar o construção do nosso caminho, para vivermos em uma sociedade em
marido ou sua cama. Muito menos preparar comida para ele. que haja a predominância de uma cultura de paz.

Mais severas são as restrições à primeira menstruação. Entre A unidade permite ainda trabalhar atividades que levem ao ques-
os índios guaranis do Brasil, a menina era costurada numa rede tionamento da cultura do medo, do ódio e do terror existentes “na
e ficava presa por dois ou três dias, em jejum. Entre os negros aldeia global” em que vivemos, como instrumentos para garantir
de Loango, as meninas são confinadas em cabanas e não devem a paz, mas, que, na realidade, têm nos levado a guerras e conflitos
tocar o chão com uma parte sequer do corpo nu. muitas vezes intermináveis.

Folha de S.Paulo, 10 out. 1993. Esperamos, assim, contribuir para uma prática profissional que
considere os múltiplos sentidos dessa realidade, que precisa ser com-
1. O que são “tabu” e “cultura”? preendida de maneira global, possibilitando estabelecer confrontos
Tabu é uma restrição costumeira ou tradicional a certos com- entre ideias, atitudes e jeitos de ser, de interpretar o mundo, de viver,
portamentos, que se praticados, recebem forte reprovação enfim. E, dessa forma, acreditamos ser possível contribuir para melhorar
moral e social. (Fonte: Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Novo a qualidade do processo ensino-aprendizagem não somente em sala
de aula, mas principalmente na vida.
Aurélio, Século XXI. São Paulo: Editora Nova Fronteira. 2002.)
“Cultura é o processo de criação e transmissão contínua do co- ObjETIvOS gERAIS DA UNIDADE
nhecimento [...] A educação é a expressão do social e da cultura • Refletir sobre as diferentes concepções de violência e sobre a ação
que caracteriza universalmente todos os seres humanos, uma
expressão que por ser histórica, transforma-se.” (Fonte: Ana Lucia não violenta como modelo revolucionário;
• refletir sobre a evolução da moral e da ética ao longo da história
Valente. Educação e diversidade cultural, São Paulo: Editora Moderna,
humana;
1999.) • refletir sobre os diferentes conceitos de paz;
Educador, você pode utilizar os conceitos acima ou outros e • compreender o significado e a importância da diminuição das
compartilhá-los com os alunos.
2. Uganda, esquimós, índios norte-americanos, interior da França, desigualdades sociais como pré-condição para a obtenção da paz,
Sertão do Brasil são referências que se encontram no texto entendida não só como ausência da guerra armada, mas também
sobre regiões e povos da Terra entre os quais a menstruação como resultado da cooperação entre os homens, o respeito às
tem um caráter místico e até ameaçador. Localize em um globo diferenças religiosas, étnicas, sexuais, econômicas, de concepção
terrestre ou mapa-múndi esses povos ou regiões. de mundo etc.
Educador, ajude os alunos, orientando-os na localização; se
possível, trabalhe algumas paisagens desses locais. Capítulo 3
3. Você percebeu o quanto a menstruação, nessas diversas culturas, Cultura de paz
tem valor negativo? Por que isso ocorre?
Educador, converse com os alunos sobre como eles veem a si ObjETIvOS
mesmos enquanto representantes do seu gênero e como per- • Propiciar ao aluno o reconhecimento de que a violência é resultado
cebem o relacionamento entre homens e mulheres e o papel
de cada sexo na sociedade. da intolerância entre os homens (intolerância esta que se intensifica
4. Será que esses pontos de vista estão ligados a alguma relação quando estão envolvidas questões de ordem econômica e religiosa);
de dominação? Por quê? • Auxiliar na compreensão de que o terrorismo se manifesta sob
Educador, é possível explicar o relacionamento do homem diversas formas, não só quando são utilizadas bombas químicas,
com a mulher, nessas diversas culturas e épocas, a partir do biológicas e nucleares, mas também há o terror psicológico (utilizan-
desenvolvimento tecnológico humano e segundo as diferenças do, por exemplo, a mídia para intensificar o medo) e o econômico
físico-biológicas existentes entre o homem e a mulher. Por (restringindo o acesso aos bens necessários para a sobrevivência
exemplo: uma das hipóteses para a hegemonia masculina na de indivíduos ou grupos).
maioria das culturas é a de que a agricultura permitiu que os
homens permanecessem mais tempo juntos, à família, tiran- CONTEÚDOS CONCEITUAIS
do da mulher parte das atribuições sobre o comando do lar, • Compreensão dos conceitos sobre diferentes formas de
enquanto a menstruação e a gravidez limitavam sua atuação.
Recentemente, outra inovação, a pílula anticoncepcional, deu violência.
mais liberdade à mulher em relação ao domínio masculino. • Compreensão das causas de alguns conflitos religiosos ao

longo da história humana.

236 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO

MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO

CONTEÚDOS CONCEITUAIS PRA COMEÇO DE CONvERSA

• Ampliação da percepção sobre os tipos conhecidos de atos Questão d: muitas vezes, o termo ética é confundido com moral,
terroristas. mas em geral eles têm sentidos diferentes. A moral está relacionado
com as ações humanas, o comportamento, a ética são os princípios
• Reconhecimento das ações individuais e coletivas pela que justificam essas ações. Podemos dizer que a ética e a moral são
construção de uma sociedade solidária e não violenta. como a teoria e a prática.

• Compreensão das causas de alguns conflitos religiosos ao É comum, no entanto, haver um abismo profundo entre teoria e
longo da história humana. prática. A história registra muitas atrocidades cometidas em nome do
cristianismo e até da justiça social.
• Ampliação da percepção sobre os tipos conhecidos de atos
terroristas. Questão h: a ética é um conjunto de princípios e valores que
orientam as relações humanas. É mais ampla, geral, universal do que
• Reconhecimento das ações individuais e coletivas pela a moral. Tem a ver com princípios mais abrangentes enquanto a moral
construção de uma sociedade solidária e não violenta. se refere a certas atitudes humanas relacionadas, por exemplo, ao
exercício da sexualidade ou atividade profissional. Pode-se dizer que
• Compreensão das origens da palavra fundamentalismo e seu a ética dura mais tempo, e que a moral e os costumes prendem-se
significado. mais a determinados períodos. É como se a ética fosse algo maior e
a moral fosse algo mais limitado, restrito, circunscrito.
CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS
• Elaboração de trabalhos coletivos recolhendo informações em Fonte: Souza e Rodrigues. Ética e cidadania. São Paulo: Moderna,
2001. p. 13
fontes diferenciadas.
• Leitura e interpretação de documentos iconográficos. DESvENDANDO O TEMA
• Exercício da inteligência visual-espacial.
• Localização em leitura. O que é ética afinal?
• Seleção em leitura. Questão 1: educador, você pode demonstrar aos alunos que mui-
• Compreensão de relações entre elementos diferentes, tas pessoas agem de acordo com a moral estabelecida somente por
conveniência, por interesses pessoais e para alcançar algum objetivo.
extraindo conclusões a partir do exame de fatos. O mundo está cheio de exemplos: políticos e sacerdotes que pregam
• Interpretação. uma moralidade sexual e religiosa que não praticam. Para muitos vale
• Demonstração de ideias e entendimento de leitura. a frase: “Faça o que eu digo e não o que eu faço”.
• Exercício de reflexão. Como nasce a ética?
• Identificação em textos. Questão 4: a palavra violência está relacionada ao termo “violar”;
• Argumentação. refere-se a transgredir, profanar, forçar, coagir. Desse modo, ela não se
limita somente à violência física, mas também ao ataque à moral de
CONTEÚDOS ATITUDINAIS indivíduos ou grupos. Pode ser assédio sexual (exigência de favores
• Valorizar as ações coletivas e individuais em prol da paz em sexuais por meio de coação física, econômica ou moral), assédio moral
(quando um superior hierárquico usa da sua posição para humilhar
todos os seus sentidos. um subordinado) ofensas a alguém devido a seu sexo, orientação
• Incentivar a tolerância em vários níveis. sexual, origem ou condição econômica etc.
• Valorizar a reflexão sobre os valores morais, de forma a
APROFUNDANDO O TEMA
construir uma sociedade mais ética e justa.
• Valorizar as ações coletivas e individuais em prol da paz em Ética da guerra
Sobre o termo Estado Nacional: pode ser descrito como uma
todos os seus sentidos. forma de organização política surgida na Europa a partir do século XIII.
• Incentivar a tolerância em vários níveis. Tal organização se caracteriza por representar a autoridade política
• Valorizar a reflexão sobre os valores morais de forma a dentro de um território definido.
Sobre o termo “civilizado”: o termo geralmente é utilizado para
construir uma sociedade mais ética e justa. se referir àqueles agrupamentos humanos que atingiram determinado
nível de progresso social, científico, político, econômico e artístico,
ORIENTAÇÕES gERAIS DO CAPÍTULO 3 mas, sobretudo, para os povos que desenvolveram cidades. É preciso
Educador, ao longo deste capítulo, espera-se que o aluno tomar cuidado com a utilização desse termo, pois pode desqualificar
outras formas de civilização, desconsiderando a sua organização social/
desenvolva as seguintes competências e habilidades: dominar a econômica e a sua produção cultural.
norma urbana de prestígio da Língua Portuguesa; compreender Matem os infiéis!
processos sociais, utilizando conhecimentos históricos; relacionar Sobre o Muro das Lamentações: o Muro das Lamentações é um
os fundamentos da moral, do presente e do passado aos valores dos locais sagrados do judaísmo. Neles os judeus rezam e depositam
éticos; selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e infor- ali seus desejos por escrito. Antes da sua reabilitação por Israel o local
mações representados de diferentes formas, para tomar decisões e servia de depósito de lixo.
enfrentar situações-problema; recorrer aos conhecimentos desen-
volvidos para elaboração de propostas de intervenção solidária na AMPLIANDO O TEMA
realidade, respeitando os valores humanos; caracterizar processos
sociais, reconhecendo mudanças e permanências temporais; dominar Sobre o fundamentalismo: é um movimento que prega a aceitação
linguagens; realizar leitura e interpretação de diferentes gêneros absoluta dos princípios da Bíblia. O termo também pode se referir a
textuais; contextualizar processos históricos. crença ou convicção de que algum texto ou preceito religioso seja
infalível.
No decorrer do capítulo, há palavras destacadas, e o significado
delas está no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco para ampliar Atualmente, devido ao uso do termo para se referir aos terroristas
o vocabulário dos alunos e auxiliá-los no entendimento dos textos. islâmicos, passou a ser rejeitado por causa da conotação negativa ou
Você também pode pedir a pesquisa do significado de outras palavras
no dicionário.

MANUAl DO EDUCADOR 237

porque insinua semelhanças entre eles (protestantes) e outros grupos k) Agressão aos órgãos genitais da vítima com golpes ou armas.
cujos procedimentos acham censuráveis. l) Negar à vítima proteção sexual contra doenças sexualmente

Os fundamentalistas judeus, cristãos e islâmicos, apesar das dife- transmissíveis (DST).
renças de doutrina e práticas religiosas, partilham uma visão comum 3. Agressão psicológica, ameaças de violência e maus-tratos
de mundo, pois baseiam suas vidas na autoridade divina.
a) Dirigidas a pessoas importantes para a vítima.
O principal adversário dos fundamentalistas cristãos é o darwinismo b) Ameaças de matar a vítima, outros ou suicidar-se.
(Charles Darwin), isto é, a teoria da evolução. Os defensores da teoria c) Ameaças diretas.
evolucionista são acusados de pecadores e hereges. d) “Matarei você”; “Ninguém mais terá você”; “Sua mãe vai

Em nome de Deus pagar”; “Eu não vivo sem você”.
Sobre a palavra “doutrina”: a palavra assume vários significados, e) O agressor coage a vítima a fazer algo ilegal, depois ameaça
que se desenvolveram a partir da palavra latina doctrina, que na sua
origem significa “ensino”. Ao longo do tempo, adotou-se outro signifi- divulgar o fato ou denunciá-la.
cado, passando a indicar um conjunto de teorias, noções e princípios f) Fazer acusações falsas: acusar de negligência com os filhos
relacionados entre si.
O significado mais comum é aquele que se refere a uma religião e à polícia; acusar parentes como traficantes, drogados etc.
indica seu conjunto de ensinamentos dogmáticos e morais e de normas. g) Difamar a vítima, para que perca a reputação na comunidade
Sobre terrorismo: é entendido como a prática de quem recorre
normalmente à violência contra as pessoas ou coisas, provocando (com os patrões, vizinhos, amigos).
o terror. h) Fazer intrigas com vizinhos para destruir a confiança no
Como terror entendem-se também os meios utilizados por um
governo para manter o poder. relacionamento vizinho–vítima.
O terrorismo também é considerado forma de luta em guerras 4. Agressão contra a propriedade ou animais de estimação e
contra forças estrangeiras invasoras.
O terror em tempos modernos outros atos de intimidação
Sobre a Segunda guerra Mundial: foi a segunda de duas guerras a) A ameaça pode ser com ou sem dano à propriedade.
internacionais de grande duração que ocorreram no século XX. Está b) Agressões contra a propriedade e animais de estimação não
relacionada ao crescimento industrial europeu e à disputa por merca-
dos consumidores e fornecedores de matérias-primas e combustíveis. são atos ao acaso. Por exemplo: a parede atrás da vítima
Essa competição feroz ampliou os antagonismos, levando as nações recebe a pancada, a porta tem a dobradiça quebrada – a
industrializadas, sobretudo da Europa, a recorrerem ao uso das armas vítima estava atrás dela, o vaso favorito é despedaçado,
para garantir o controle da economia internacional. o gato de estimação é, ou quase, estrangulado, a mesa
Sobre as bombas de Hiroshima e Nagasaki: no dia 6 de agosto próxima à vítima é batida com força, o cachorro recebe, ou
de 1945, os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica sobre quase, uma paulada ou pedrada, um dos objetos favoritos
Hiroshima sem aviso prévio. O presidente americano usou a justi- do agressor é estilhaçado, enquanto o agressor diz: “veja o
ficativa de que isso apressaria o fim da guerra e pouparia a vida de que você me faz fazer”.
milhares de americanos. Como o governo japonês não se rendeu, três c) Mensagem à vítima: “Você pode ser a próxima”.
dias depois repetiram a dose, desta vez bombardeando a cidade de d) O agressor grita no rosto da vítima.
Nagasaki. Diante da destruição dessas cidades e da morte de dezenas e) O agressor fica em pé sobre a vítima durante uma briga.
de milhares de civis, o Japão rendeu-se incondicionalmente. Para f) O agressor dirige imprudentemente com a vítima e os filhos
muitos historiadores, os bombardeios norte-americanos não foram no carro.
justificáveis, militarmente e eticamente, pois representaram um ataque 5. Abuso emocional
direto à população civil e desarmada. a) Insultos e humilhações: contra a vítima, parentes, amigos
Terrorismo não é só de Estado e de grupos armados ou colegas de trabalho.
Sobre a violência doméstica: educador, é importante que nesse b) Tentativas de tirar o “senso de realidade” da vítima (por
momento sejam esclarecidas as várias formas de violência, principal- exemplo: pede que ela faça algo e depois diz que nunca
mente contra a mulher. Desse modo, elas poderão tomar um pouco pediu aquilo).
mais de consciência sobre o que se considera violência. c) Força a vítima a fazer coisas degradantes, que a deixem
1. Agressão física humilhada (por exemplo: ir à casa da amante dele buscar a
filha da vítima que foi deixada lá, ficar de joelhos limpando
a. Inclui: cuspir, arranhar, morder, agarrar, empurrar, reprimir, o chão da cozinha, enquanto ele vai sujando).
jogar contra algo, torcer, esbofetear, dar tapas, socos, sufocar, d) Humilhar a vítima na frente de parentes, amigos e estranhos
estrangular, queimar, usar armas (facas, revólveres, objetos (dizendo que a vítima é louca, incompetente e incapaz de
da casa que servem como armas). “fazer qualquer coisa certa”).
e) Abuso emocional, na violência doméstica, não é meramente
b. Pode ou não causar lesões. o caso de alguém ficar bravo e xingar a sua companheira
2. Agressão sexual e praguejar. Nem todos os insultos verbais entre casais são
atos de violência; para ser considerado abuso precisa ser
a. A mensagem do agressor para a vítima é que ela não possui parte de um padrão de comportamento repressor no qual
direitos sobre seu corpo. o agressor usa, ou ameaça usar, a força física.
f) Na violência doméstica, as agressões verbais e outras táticas
b. Sexo sob pressão (a vítima não quer). de controle são entrelaçadas com ameaças de maus-tratos
c. Sexo sob coação (sob ameaça ou manipulação). para manter o domínio pelo medo.
d. Sexo forçado fisicamente. 6. Isolamento
e. Sexo acompanhado de violência. a) O agressor frequentemente tenta controlar os horários da
f. Sexo sob coação ou forçado com outras pessoas. vítima, suas atividades e o contato com os outros.
g. Sexo que a vítima julga ofensivo. b) No início, o agressor separa a vítima de seus amigos e
h. Sexo com palavras de baixo calão/ofensivas. parentes dizendo que a ama “demais” e quer estar com
i. Observar sexo violento. ela todo o tempo. Inicialmente, então, a vítima passa uma
j) Fazer sexo quando a vítima não deseja (por estar cansada, grande parte do tempo com o agressor.
c) Os meios sutis são substituídos com o passar do tempo por
doente, na frente dos filhos ou após agressão física). meios evidentes (por exemplo: queixas sobre interferências
238 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO

MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO

familiares, queixas sobre ela passar tempo demais com os 2. Explique a afirmação de Clausewitz: “A guerra é a continuação
outros, ameaças de separar a vítima da família ou amigos, da política por outros meios”.
forçar a deixar de trabalhar). A guerra é resultado das ações de estados ao defenderem seus
d) As táticas de desinformação que o agressor usa servem para interesses.
distorcer o que é real do que é mentira. Por exemplo: mentir
sobre os direitos legais da vítima, ou sobre o resultado dos 3. O que estava por trás das motivações religiosas das cruzadas
tratamentos médicos. cristãs durante a Idade Média?
e) Alguns agressores agem de modo muito possessivo com Não havia terra e trabalho suficiente para tantos. A Europa se
sua vítima. Frequentemente acusam a vítima de infidelidade transformou em uma imensa panela de pressão. Foi necessário
conjugal e de outras infidelidades, tais como passar tempo direcionar toda a violência resultante para inimigos fora da
demais com os filhos, no trabalho e com a família. Europa.
f) Muitas vítimas são capazes de manter suas ações e pensa-
mentos independentes, outras, infelizmente, acreditam no 4. O que foi a Reforma Protestante?
que o agressor diz por estarem isoladas de informações. Foi resultado de um questionamento ético à moral católica
g) Através do isolamento, o agressor evita que a vítima descubra daquela época. Pode ser entendida também como surgimento
o abuso e evita ser considerado responsável. de uma nova moral, baseada na valorização do indivíduo e do
7. Uso dos filhos trabalho.
a) Espancar a criança.
b) Abusar sexualmente da criança. TEXTO COMPLEMENTAR
c) Forçar a criança a ver a mãe ser agredida.
d) Forçar um dos filhos a estar sempre com a mãe para vigiá-la. Apague da memória
e) Ameaçar os filhos de “tirar” a mãe deles. os pequenos desentendimentos
f) Raptar os filhos.
g) Envolver os filhos em disputas de custódia. Diz uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto
h) Agredir a vítima que segura o bebê. e, em um determinado ponto da viagem, discutiram. Um deles,
8. Uso do poder econômico ofendido, sem nada dizer escreveu na areia: hoje, meu melhor
a) O agressor controla sua vítima, controlando seu acesso aos amigo me bateu no rosto.
recursos da família: horário, transporte, alimentação, roupas,
abrigo, segurança e dinheiro; Seguiram viagem e chegaram a um oásis, onde resolveram
b) Muitas vezes o agressor é aquele que controla como as tomar um banho. O que havia sido esbofeteado começou a se
finanças serão gastas, mesmo quando ambos trabalham; afogar e foi salvo pelo amigo. Ao se recuperar, pegou um estilete
c) Outras vezes, ele não permite que a vítima trabalhe, pois e escreveu numa pedra: hoje, meu melhor amigo salvou-me a
assim pode manter o poder e o controle sobre ela; vida. Intrigado, o amigo perguntou:
d) Outras vezes ele se recusa a trabalhar e insiste que ela
mantenha financeiramente a família; – Por que, depois que bati em seu rosto, você escreveu na
e) Quando a vítima sai de um relacionamento com violência areia e agora escreveu na pedra?
doméstica, o agressor pode usar o poder econômico como
um meio de manter, controlar ou forçar o retorno da vítima; Sorrindo, o outro respondeu:
f) Todas essas táticas podem ser usadas independentemente – Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia,
da classe econômica da família. onde o vento do esquecimento e do perdão se encarrega de apagar;
Anne L. Ganley. Violência contra mulher: um novo olhar. Publicação porém, quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da
da Casa de Cultura da Mulher Negra, tradução parcial do capítulo memória do coração, onde vento nenhum do mundo poderá apagar.
1, 2001. In: Improving the Health Care Response to Domestic Deixe que o vento apague da sua memória as coisas peque-
Violence: A Resource Manual for Health Care Providers. 2. ed. San nas, como desentendimentos corriqueiros, os quais todo dia
Francisco: The Family Violence Prevention Fund, em colaboração estamos sujeitos a ter.
com The Pennsylvania Coalition Agains Domestic Violence, 1998. Guarde na lembrança as coisas boas que, normalmente, as
Para saber mais sobre o texto, acesse o site http://www.endabuse. pessoas fazem e que poucas vezes são lembradas.
org/progr a m s/ healt hca re/f iles/t r a i nersm a nu al /C h apter1.pd f
Rangel, 2004.
(Acesso em: 15 jan. 2007)
Luta pela paz
INDICADORES DE APRENDIZAgEM
Nesse capítulo, espera-se que o aluno: A luta na promoção da paz no nosso mundo é intrinsecamente
ecumênica e inter-religiosa. Todas as religiões, todos os credos
• reflita sobre as diferentes concepções de violência e sobre a ação podem unir-se na constante da paz.
não violenta como modelo revolucionário;
A paz é o supremo bem da existência. Tudo o que é universal
• reflita sobre a evolução da moral e da ética ao longo da história humana; e essencial na vida humana, desde o amor até o alimento, cria
• reconheça os diferentes conceitos de paz; um ambiente que assegura a promoção da paz.
• compreenda o significado e a importância da diminuição das
Na tradição cristã, afirmamos que os que promovem a paz
desigualdades sociais como pré-condição para a obtenção da serão chamados filhos de Deus. A paz raramente é promovida
paz, entendida não só como a ausência de guerra armada, mas de forma abstrata. É um relacionamento encarnado na defesa
também como o resultado da cooperação entre os homens, do dos excluídos de nossa sociedade: os refugiados, os pobres, as
respeito às diferenças religiosas, étnicas, sexuais, econômicas, de crianças abandonadas, os sem-terra e sem-teto, os famintos e
concepção de mundo etc. os aidéticos, os presos comuns e os presos políticos, as meninas
prostitutas, os indígenas, as vítimas da violência, enfim, todos
AvALIANDO A APRENDIZAgEM aqueles que sofrem violação e abuso dos seus direitos humanos.
1. O que Carl von Clausewitz pensava sobre a guerra ideal? Por quê?
Pensava que esse tipo de guerra é aceitável porque segue regras Quando penso em paz, quase sempre evoco uma expressão que
preestabelecidas para matar. me toca profundamente, desde que a proferiu o saudoso Papa
Paulo VI: “Paz é a caminhada da humanidade para o futuro, sem
deixar uma pessoa sequer marginalizada à beira da estrada.”

Para mim, um dos princípios atualíssimos da paz é ainda
a defesa da natureza de tal modo que cada ser vivo possa ser
beneficiado por todos os seus frutos e dons.

Gostaria de fazer minhas as palavras de Gregório, o Grande,
que organizou um programa para amenizar a fome no século

MANUAl DO EDUCADOR 239

VI: “Alimente o homem agonizando de fome, porque, se você CONTEÚDOS ATITUDINAIS
não a sacia, você o está matando.” • Valorização da leitura autônoma.
• Valorização da ação ética.
Este é um grande sinal da paz para o nosso tempo. • Valorização do exercício de reflexão.
Dom Paulo Evaristo Arns. In: WESCHENFELDER, Celina Helena (org.). • Valorização das ações coletivas em defesa dos direitos sociais.
• Valorização dos princípios e direitos individuais e coletivos.
Tempo de paz: personalidades de ontem e de hoje falam sobre a paz. • Valorização dos direitos de cidadania dos indivíduos,
São Paulo: Paulinas. 2005.
dos grupos e dos povos como condição para o efetivo
1. Solicite aos alunos que façam uma leitura individual e silenciosa fortalecimento da democracia, mantendo o respeito pelas
do texto. diferenças e a luta contra as desigualdades.
• Valorização do debate e da exposição de ideias como formas
2. Em seguida, peça que leiam novamente, desta vez anotando de crescimento intelectual, de prática de estudo, de adoção
no caderno as palavras ou termos desconhecidos. de uma postura colaborativa no grupo-classe e de relação
com o educador, trocando e criando ideias e informações
3. Peça que pesquisem o significado das palavras do item 2 e coletivamente.
escrevam os seus significados.
ORIENTAÇÕES gERAIS DO CAPÍTULO 4
4. Peça que realizem as seguintes atividades: Educador, ao longo deste capítulo, espera-se que o aluno desen-
a) Selecione do texto o trecho onde o autor define a paz.
volva as seguintes competências e habilidades: dominar a norma
“A paz é o supremo bem da existência. Tudo o que é universal urbana de prestígio da Língua Portuguesa; compreender processos
e essencial na vida humana, desde o amor até o alimento, cria sociais, utilizando conhecimentos históricos; selecionar, organizar,
um ambiente que assegura a promoção da paz.” relacionar, interpretar dados e informações representados de dife-
b) Segundo o cardeal Paulo Evaristo Arns, como é promovida a rentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema;
paz? recorrer aos conhecimentos desenvolvidos para elaboração de pro-
“A paz raramente é promovida de forma abstrata. É um relacio- postas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores
namento encarnado na defesa dos excluídos de nossa sociedade: humanos; caracterizar processos sociais, reconhecendo mudanças e
os refugiados, os pobres, as crianças abandonadas, os sem-terra permanências temporais; dominar linguagens; analisar proposta para
e sem-teto, os famintos e os aidéticos, os presos comuns e os superação dos desafios sociais, políticos e econômicos enfrentados
presos políticos, as meninas prostitutas, os indígenas, as vítimas pela sociedade brasileira; realizar leitura e interpretação de diferentes
da violência, enfim, todos aqueles que sofrem violação e abuso gêneros textuais; contextualizar processos históricos.
dos seus direitos humanos.”
c) Você concorda com as palavras do papa Paulo VI? Por quê? No decorrer do capítulo há palavras destacadas, e o significado
Resposta pessoal. delas está no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco para ampliar
d) Para você qual é o “grande sinal da paz para o nosso tempo”? o vocabulário dos alunos e auxiliá-los no entendimento dos textos.
Resposta pessoal. Você também pode pedir a pesquisa do significado de outras palavras
no dicionário
Capítulo 4
a paz em ação PRA COMEÇO DE CONvERSA

ObjETIvOS Sobre o uso do termo “paz”: normalmente usamos a oposição
guerra × paz para atribuir valores a ambos, sendo a guerra entendida
• Compreender as ações humanas que se propõem mudar uma como valor negativo e a paz, como positivo. A paz também é entendida
realidade violenta e injusta; como a ausência de guerra.

• compreender as contradições existentes entre ética e moral; Existem aqueles que defendem que algumas guerras não são
• reconhecer, através de exemplos na história, que é possível utilizar injustas quando o objetivo é bom, e que a paz só é boa quando o
resultado que dela se origina é bom.
o caminho pacífico para atingir a paz;
• reconhecer que a paz pode ser aprendida; Também existem várias formas de classificar a paz. Há a paz baseada
• compreender que a paz começa primeiro com cada um de nós. na desigualdade, ou seja, no domínio de uns sobre os outros, muitas
vezes obtido pela força. A paz conseguida pelo equilíbrio de forças,
CONTEÚDOS CONCEITUAIS quando os dois lados têm armas nucleares e não se atacam por medo
de receber um golpe mortal do inimigo. A paz que ocorre quando
• Compreensão do conceito de paz nenhum dos lados nutre ambições de qualquer tipo sobre o outro e
• Reconhecimento do movimento pela emancipação da mulher. as suas relações se baseiam na confiança recíproca.
• Reconhecimento das ações não violentas como caminho para
Figura 1: Educador, o símbolo representa o Instituto Sou da Paz,
a conquista de direitos no mundo e particularmente no Brasil. fundado em 1999 a partir da Campanha Sou da Paz pela Paz.
• Compreensão do modelo racista norte-americano e dos
É uma instituição que está sediada em São Paulo e tem como
movimentos de resistência. missão contribuir para a efetivação, no Brasil, de políticas públicas de
• Compreensão da política discriminatória na África do Sul segurança e prevenção da violência que sejam eficazes e pautadas
pelos valores da democracia, da justiça social e dos direitos humanos,
enquanto perdurou o apartheid. por meio da mobilização da sociedade e do Estado e da implemen-
tação e difusão de práticas inovadoras nessa área. Para desenvolver
CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS seu trabalho, o Instituto Sou da Paz conta com uma equipe de mais
de 60 funcionários e dezenas de voluntários, além de um conselho
• Reflexão sobre textos. consultivo composto por 17 representantes da sociedade civil.
• Síntese de frases ou de trechos de textos.
• Análise e interpretação de textos iconográficos. Copyright © 2002 Instituto Sou da Paz – Todos os direitos
• Desenvolvimento da habilidade de aplicar e compartilhar, reservados. Rua Luís Murat, 260 – Vila Madalena – São Paulo

oralmente ou por escrito, os conhecimentos. – SP – CEP: 05436-050 – Tel.Fax (11) 3812-1333.
• Observação e percepção de transformações, permanências e

diferenças.

240 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO

MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO

APROFUNDANDO O TEMA • compreenda as contradições existentes entre ética e moral;
• reconheça, através de exemplos na história, que é possível utilizar
Sobre a expressão “não violência”: refere-se a um conjunto de
ideias e propostas de estratégia política como tentativa de resposta o caminho pacífico para atingir a paz;
aos graves problemas provocados pela divisão social criada pela desi- • reconheça que a paz pode ser aprendida;
gualdade social, perseguição política, racial e domínio socioeconômico • compreenda que a paz começa, primeiro, com cada um de nós.
de uma nação sobre outra.
AvALIANDO A APRENDIZAgEM
Baseia-se em certas ideias do pacifismo ocidental (negação da luta 1. Sou capaz de escrever dois aspectos da paz?
armada) e no pensamento e experiência de Gandhi. Ausência de guerra e bem-estar social.
2. ”Passados 41 anos do assassinato de Martin Luther King, parte
O pensamento se fundamenta na ideia de que o homem, como ser de seu sonho se materializou.” A qual parte do sonho do líder
racional, é capaz de rejeitar a violência, pois reflete que o seu uso, mes- negro norte-americano se refere a frase?
mo quando tem por objetivo a paz, não alcança seus objetivos, ou seja, O que antes só aparecia em ficção tornou-se realidade: a
a violência enquanto “meio” não atinge a sua finalidade, que é a paz. eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.
Seu nome, Barack Hussein Obama II, já surpreende por suas
AMPLIANDO O TEMA raízes islâmicas.
3. Sei citar duas consequências negativas da guerra?
O sonho norte-americano Gera mais violência e provoca insensibilidade.
Sobre o racismo: é um modo de pensar de algumas pessoas, 4. Podemos reagir à violência sem fazer uso da violência?
que consideram que alguns indivíduos e suas características físicas Sim, fazendo uso da resistência pacífica.
hereditárias, sua inteligência ou manifestações culturais são superiores Educador, se achar necessário, organize uma avaliação com
aos de outros. base nos indicadores de aprendizagem e nos quadros de
O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões conteúdos.
preconcebidas cuja principal função é valorizar e, assim, discriminar
as pessoas por diferenças biológicas.
INDICADORES DE APRENDIZAgEM
Nesse capítulo, espera-se que o aluno:
• compreenda as ações humanas que se propõem mudar uma
realidade violenta e injusta;

MANUAl DO EDUCADOR 241

ANOTAÇÕES

242 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 8o ANO

ANOTAÇÕES

MANUAl DO EDUCADOR 243

HISTÓRIA

9oano

Juca Martins/Olhar Imagem

EDIMAR ARAÚJO SILVA

Licenciada em História, Geografia e Sociologia e Bacharel em Ciências Políticas e Sociais pela
Fundação e Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Pós-graduanda em História na
Uniban. Professora de História e Geografia. Autora de livros didáticos e paradidáticos.

JOSÉ WAGNER DE MELO COSTA SOUSA

Bacharel e licenciado em História pela Faculdade de Filosofia e Letras das Faculdades Associadas
do Ipiranga (Unifai-SP). Licenciado em Pedagogia pelo Centro Universitário Nove de Julho
(Uninove-SP). Professor da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, tendo ministrado
aulas também nas redes municipal e particular. Autor de livros didáticos.

138 HISTÓRIA 9o ano 244

CAPÍTULO 1 UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO

Sangue, suor e lágrimas Educador, inicie o trabalho
folheando o livro com seus alu-
Educador, veja encaminhamento para trabalhar nos. Analise as seções e seus
este capítulo no Manual Específico. subtítulos e explique a função
dos ícones:
Pra começo de conversa
Registro escrito.
1. Você está empregado? Resposta pessoal. Registro no caderno
2. Que tipo de emprego você tem hoje? Resposta pessoal. Expressão oral.
Trabalho individual.
Trabalho em grupo.
Pesquisa individual.
Pesquisa em grupo.

3. Que sentido tem o trabalho em sua vida? Resposta pessoal.

4. Como você definiria consumo? É o ato de gastar, usar e absorver. Em economia, é a utilização, pela população,
das riquezas, dos materiais e dos artigos produzidos.

5. Na sua opinião, a atividade da “dona de casa” é considerada um trabalho? Justifique.

Respostas possíveis: 1) sim, pois é uma atividade de transformação consciente do ambiente; 2) não, pois não é remunerada.

6. Na sua opinião, qual é a diferença entre trabalho e emprego?
Resposta possível: trabalho é uma atividade de transformação do ambiente que requer esforço. Emprego é uma
relação profissional de trabalho.

7. Quais são os principais tipos de empregos existentes no local em que você vive?

Resposta pessoal.

8. Quais são os principais tipos de empregos que você conhece? Resposta pessoal.

9. Na sua opinião, qual é a relação entre trabalho e consumo?
10.
Resposta possível: as pessoas que trabalham recebem algum dinheiro, o que possibilita seu consumo.

Observe as imagens a seguir.

12 3
Jaap Buitendijk/NYT
Delfim Martins/Pulsar Imagens

Rogério Reis/Pulsar Imagens

11. Quais são os tipos de trabalhos mostrados nas fotografias?

Resposta pessoal. Veja o Manual específico.

12. Algum desses empregos lembra o seu? Qual deles? Resposta pessoal.

245 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 139

UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO

Desvendando o tema

Existem várias formas de trabalho no Brasil e no mundo.
Nas indústrias, há operários, secretárias, executivos etc. No comércio, balconistas, vendedores, gerentes etc. No
setor de serviços: diaristas, babás, operários da construção civil, trabalhadores em informática etc. No setor rural:
boias-frias, pequenos agricultores, roceiros etc.
O trabalho formal é aquele em que os trabalhadores possuem contratos e/ou registros em carteira profissional.
No informal, os trabalhadores não têm nenhuma espécie de contrato.

O significado do trabalho

Todo trabalho é uma atividade, mental ou física, que produz bens bem: tudo que tem utilidade, que pode
ou serviços. Podemos, assim, dizer que o trabalho é uma atividade satisfazer a uma necessidade ou suprir
produtiva. uma carência.

Karl Marx, um dos grandes teóricos do trabalho, entende o tra-
balho deste modo:

A força de trabalho posta em ação (criando valor) na elaboração de
determinada mercadoria. Sobre valor, veja o Manual específico.

Ou seja, todo trabalho tem um valor em si, pois produz alguma mercadoria.

Para o economista Adam Smith, o valor da mercadoria depende do trabalho utilizado para produzi-la, ou seja,
quanto maior o tempo e a técnica (conhecimento necessário) gastos para realizar um trabalho, maior deve ser o
preço cobrado pela mercadoria produzida. Sobre técnica e mercadoria, veja o Manual específico.

A data exata do nascimento de Adam Smith é desconhecida, Baker Library, Harvard Business School
mas ele foi batizado em 5 de junho de 1723 e faleceu em 17 de
julho de 1790. Foi defensor do livre comércio.

Seu livro mais conhecido, A riqueza das nações, deu grande
contribuição para o estudo da economia e para torná-la uma dis-
ciplina autônoma, e assumiu grande importância.

Adam Smith. A riqueza das nações tornou-se ponto de partida para qualquer
defesa ou crítica das formas do capitalismo. Coleção Vanderblue, Boston, EUA.

Resumindo: é um dos requisitos para VALOR DA MERCADORIA
TRABALHO determinar o...

Você pode estar pensando: qual é a importância de saber as ideias de Marx e Adam Smith a respeito do trabalho?
ou o que isso tem a ver com meu emprego?

Vamos refletir sobre essas questões lendo o texto a seguir.

140 HISTÓRIA 9o ano 246

MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA

O valor do trabalho

Marx e Smith concordam que todo trabalho tem um valor. Entretanto, discordam sobre o valor a ser pago pelo
trabalho.

Para Marx, existe uma relação entre o acúmulo de riqueza do capitalista e o empobrecimento do trabalhador.
Ele denomina o valor do trabalho não pago ao trabalhador de mais-valia.

É da mais-valia que o capitalista tira boa parte do seu lucro, o que revela parcialmente a exploração que o
trabalhador sofre. Sobre o capitalista, veja o Manual específico.

Resumindo:

MAIS-VALIA é a parte do valor do trabalho TRABALHADOR
não paga ao...

Segundo Marx, o trabalhador é alienado de seu trabalho. Isto Reprodução
acontece porque ele não é o dono do seu tempo e do que produz. Para
esse teórico, a única maneira de eliminar esse sistema de exploração Marx e Engels, defensores de uma sociedade sem
e criar uma sociedade igualitária é acabar com a propriedade privada, classes, em uma gravura sobre o Movimento
fazendo que o trabalhador retome o controle sobre o seu tempo e sobre Comunista, 1850.
os meios de produção.

Para Adam Smith, é o capitalista, concentrador de renda, que pode
aumentar a produtividade e a oferta de trabalho para o benefício de toda
a sociedade, inclusive dos assalariados.

Se marxistas e capitalistas parecem defender o bem-estar geral,
qual é a diferença entre eles?

É a forma como pensam a organização da sociedade. Trata-se de
duas ideologias diferentes que tiveram grande influência no mundo.

Marx defendeu uma sociedade comunista. Neste tipo de socie-
dade, a prioridade é a distribuição igualitária dos bens produzidos.

De outro lado, Adam Smith defendeu uma sociedade capitalista.
Nela, a propriedade privada é essencial, pois só o capitalista pode
garantir a produtividade. Para Smith, a desigualdade social faz parte
da natureza humana, pois separa os mais aptos (capitalistas) dos
menos aptos.

ideologia: conjunto de ideias e visões de mundo
de um indivíduo, ou de um grupo, orientado para
suas ações sociais e principalmente políticas.

1. Responda essas questões. Qual é a prioridade do capitalista: a produtividade ou a distribuição? Por quê?

Para o capitalista seria a produtividade, pois dela depende a sobrevivência de todos.

2. E para o marxista?

É a distribuição, pois garante ao trabalhador o acesso ao que ele mesmo produz.

247 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 141

UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO

3. Quais são alguns exemplos de meios de produção?

As ferramentas, as instalações, os combustíveis, os meios de transporte e outros recursos tirados da natureza (matéria-prima).

4. O que o trabalho, associado aos meios de produção, cria?

Bens.

5. Estabeleça a relação entre os termos “valor” e “bens”, com base no texto lido.

Os valores são qualidades atribuídas aos bens.

6. Identifique no texto a expressão que, segundo Karl Marx, representa o valor agregado pelo trabalho que
não é pago ao trabalhador.

Mais-valia.

7. Copie a frase que explica o valor a ser dado à mercadoria segundo Adam Smith.

“Quanto maior o tempo e a técnica (conhecimento necessário) gastos para realizar um trabalho, maior deve ser o preço cobrado
pela mercadoria produzida”.

8. Qual é a relação entre os pensamentos de Marx e Adam Smith sobre o trabalho e o emprego que você
tem atualmente?

Resposta pessoal.

Já entendemos a visão marxista e a capitalista sobre o valor associado ao trabalho. Mas, e o trabalho escravo?
Como pode ser entendido?

Houve um tempo em que tanto o trabalho quanto o trabalhador eram considerados mercadorias. O homem che-
gou a ser despojado de sua humanidade e virou “coisa”, bem de uso... escravo. Vamos saber um pouco mais sobre isso.

A escravidão não foi só africana...

O trabalhador, em qualquer época, é o responsável pela atividade produtiva. Em outras palavras, ele sustenta
a economia, produzindo os bens necessários à sobrevivência de todos.

A Revolução Agrícola permitiu a produção de um excedente alimentar e o surgimento da propriedade privada
e deu início à exploração do trabalho humano. Estimulou assim a disputa pelos meios de produção e a divisão da
sociedade em dois grupos distintos: aqueles que controlavam os meios de produção e aqueles que realizavam o
trabalho produtivo, entre eles, os escravos. Sobre meios de produção, veja o Manual específico

Na história da África, houve três tipos de escravidão:

• a tradicional, referente ao desenvolvimento histórico do continente africano;
• a que foi feita pelos árabes;
• a praticada pelos europeus.

142 HISTÓRIA 9o ano 248


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