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Educação de Jovens e Adultos - 6º ao 9º Ano

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Published by mande1meio, 2019-04-06 18:26:58

EJA - HISTORIA

Educação de Jovens e Adultos - 6º ao 9º Ano

MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA

3. A qual classe social o autor se refere nessa frase?
Aos mais pobres.

4. Retire do texto de Galbraith a frase que fala das pessoas que têm suas necessidades básicas atendidas.
“Mas uma pessoa bem alimentada, bem vestida, bem abrigada e em tudo o mais bem cuidada pode ser convencida a escolher
entre um barbeador e uma escova de dente elétrica.”

5. A qual classe social o autor se refere nessa frase?

Aos mais ricos.

6. De que modo, no texto de Galbraith, é caracterizada a desigualdade social?
Os mais pobres satisfazem primeiro suas necessidades mais básicas, como a alimentação. Já os mais ricos têm suas necessidades
básicas supridas, por isso, preocupam-se com status e elevação da autoestima.

Revelando o que aprendeu

1. No que é baseada a economia na sociedade capitalista?

No consumo e na produção.

2. O que significa a frase: “vivemos, em nossa sociedade, o abismo da desigualdade social”?

Em nossa sociedade, a desigualdade social é grande.

3. No sistema capitalista, qual é o objetivo de toda produção? O lucro.

Educador, no Manual específico há um texto complementar que trata sobre o trabalho
e a saúde mental, bem como orientação de atividades para trabalho com ele.

Aprofundando o tema

Prosperidade para poucos

O sistema capitalista desenvolveu à medida que a burguesia organizava a sua expansão comercial pelos oceanos
da Terra. O sonho capitalista sempre foi a multiplicação do valor dos bens por meio do lucro imediato.

Mas houve um preço a ser pago. E quem pagou esse Coleção particular
preço? Vejamos.

A acumulação de bens pela burguesia fortaleceu o
Estado, controlado pelos reis, tornou os mercadores e ar-
tesãos pessoas prósperas, mas não colaborou muito para
melhorar o padrão de vida da população.

Nos séculos XVI e XVII, havia grande número de men-
digos na Europa. Em 1630, um quarto da população de
Paris, França, era de mendigos. O mesmo fato ocorria na
Inglaterra e na Holanda.

Qual a explicação para essa miséria em um período de A pobreza espalhada pelas cidades europeias no século XVII.
grande prosperidade para poucos? A guerra foi uma das Pieter Brueghel, o Jovem (1564-1638). Obras de misericórdia.
causas. Somente a Guerra dos Trinta Anos, na Alemanha Início do século XVI, óleo sobre painel, 42,3 x 58,4 cm.
(1618-1648), conflito que envolveu a maior parte das potên-
cias europeias, matou dois terços da população. Durante

149 7o ano UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 181

UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA

esses trinta anos, a guerra, iniciada por razões religiosas, terminou em luta política entre a França e a Áustria. Já a
Espanha e a Suécia queriam terras da Alemanha e suas ricas jazidas de carvão e minério de ferro.

A guerra tornou-se comum entre as nações europeias. “Ouro”, “grandeza” e “glória” eram as palavras de
ordem. Educador, com os seus alunos, localize os países citados. É interessante, também, mostrar a localização, num atlas ou mapa-múndi, do Brasil

em relação a esses países.

Todo esforço humano deveria estar a serviço dos interesses da pátria. E quais eram esses interesses? Aparente-
mente, os mesmos do crescente mercado internacional desenvolvido pelos europeus desde o século XIV, ou seja:

• controle sobre as principais rotas comerciais;
• controle sobre as reservas de ouro, prata e mercadorias comercializáveis;
• destruição dos concorrentes.

A competitividade comercial é desumana. Quando se trata de acumulação de dinheiro, valem mais as regras do
mercado do que atender às necessidades mais básicas da população. Sobre mercado, veja o Manual específico.

Pelas regras de mercado, quem tem mais poder influencia o preço da mercadoria à venda. Quem já assistiu
a uma partida de futebol em final de campeonato de grandes times sabe que os chamados cambistas vendem
ingressos fora das bilheterias dos estádios por um preço muito mais alto, dependendo da quantidade de ingressos
disponíveis.

Por que eles conseguem vender os ingressos, mesmo a preços bem mais altos? Porque esses cambistas compram
o máximo de ingressos possível, de tal forma que os das bilheterias acabam rapidamente. Nesse momento, quem
tem em mãos o “poder” de permitir às pessoas o prazer de torcer pessoalmente pelo seu time são os cambistas, e
as pessoas acabam comprando deles.

No caso das empresas, elas atuam no mercado de forma semelhante aos cambistas. Buscam aumentar os ganhos
sem aumentar na mesma proporção os gastos. Uma das formas de conseguirem isso é por meio do uso da força de
trabalho dos seus empregados.

No mundo em que vivemos, as empresas exigem cada vez mais rapidez e agilidade, dedicação e disponibilidade
de tempo de seus empregados.

As palavras de ordem agora são: trabalho, trabalho e trabalho. E o lazer, uma das formas de manter um bom
nível de qualidade de vida? Ele se tornou, em boa parte, sinônimo de consumismo. Para algumas pessoas, é como
se fosse uma nova experiência de liberdade, certo prazer em comprar, gastar e possuir. Para elas:

[…] a lei máxima de comportamento é o prazer acima de tudo, a qualquer preço, assim como a busca
progressiva de cotas mais altas de bem-estar.

Ou

O ideal de consumo da sociedade capitalista não tem outro horizonte além da multiplicação ou da con-
tínua substituição de objetos por outros melhores. Um exemplo que me parece revelador é o da pessoa que
percorre o supermercado enchendo seu carrinho até em cima, tentada por todos os estímulos e sugestões
comerciais, incapaz de dizer não.

Enrique Rojas. Tradução: Wladir Dupont. O homem moderno. São Paulo: Mandarim, 1996. p. 20.

É como se fosse uma real necessidade ter uma televisão de plasma, LCD ou LED. Você pode estar se perguntando:
e o pagamento do aluguel da casa, por exemplo? Fica para depois...

Vamos refletir sobre a seguinte questão: que modelo de realização é esse?

O modelo capitalista, para continuar existindo, necessita aumentar constantemente a oferta de mercadorias
para o consumo. Por sua vez, as pessoas precisam sentir o desejo de comprar, gastar suas economias, trabalhar mais
e continuar comprando, ou a economia capitalista para e quebra. É como andar de bicicleta: quanto mais rápido você

182 HISTÓRIA 7o ano 150

MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA

pedala, maior o equilíbrio; se diminui a velocidade ou para a bicicleta repentinamente, você cai. Entenda melhor a
lógica do sistema capitalista observando o esquema a seguir.

Consumidor trabalhador RELAÇÕES DE TRABALHO Vendedor capitalista
Mercado

RELAÇÕES DE COMPRA E VENDA

Tudo isso não quer dizer que só trabalhando você vai conquistar o ponto mais alto de satisfação pessoal. A
competição e a desumanização das relações sociais só permitem que um grupo reduzido alcance o topo da escala
de necessidades de Maslow.

Revelando o que aprendeu Ilustrações: Renato Arlen

Observe as imagens.
MERCADO

1

COMPETITIVIDADE
2

CONSUMISMO
3

151 7o ano UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 183

UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
a) Qual a relação entre a primeira imagem e a palavra “mercado”?

Reposta possível: a bicicleta em movimento simboliza o mercado que não pode parar repentinamente, senão cai.

b) Qual a relação entre a segunda imagem e a palavra “competitividade”?

A corrida simboliza a competitividade do mercado capitalista.

c) Qual a relação entre a terceira imagem e a palavra “consumismo”?

O homem com o carrinho de supermercado simboliza a busca do ser humano pelo mercado de consumo.

O sonho brasileiro

Em 15 de novembro de 1889, a República brasileira nasceu, anunciada pelo jornal Pro-

víncia de São Paulo. “Viva a República!” era a manchete em destaque.

Era necessário unir o povo para construir a nova nação. Por que não começar por um símbolo: elemento
símbolo? Ele deveria representar a unidade nacional. A República nasceu sem uma bandeira representativo
definitiva. Educador, pergunte aos alunos se essa bandeira não lembra a de outro país. Depois de todos darem a visível. A balança é o
símbolo da justiça; a
sua opinião, se não tiverem chegado à resposta, diga que essa bandeira é semelhante à dos Estados bandeira representa
a unidade nacional.
TalvezUcnoidmos mdaeAdmoérdicea (qEuUeA)e. ssa bandeira parecesse uma demonstração de submissão aos

norte-americanos, e porque a nova bandeira deveria representar a confiança de que o nosso

destino seria belo e organizado, optou-se por colocar no centro dela as palavras: “Ordem e Progresso”.

• Ordem porque não seriam aceitas as queixas dos descontentes, fossem eles trabalhadores do
campo ou operários insatisfeitos com as regras do mercado.

• Progresso possibilitado pelos donos de terras, indústrias e comércio, responsáveis por conduzir
a nação para o modelo de mercado sonhado por “todos” os brasileiros.

A nova bandeira, então, conservou o desenho e as cores do Império, representando as nossas riquezas e reco-
nhecendo o nosso passado. Afinal, a monarquia e o poder do catolicismo – segundo o pensamento positivista – eram
fases da evolução natural da humanidade, e o Brasil estava dando mais um passo adiante.

Reprodução
Reprodução

Nos primeiros dias da proclamação da República, Bandeira definitiva
utilizou-se esta bandeira. da República.
184 HISTÓRIA
7o ano 152

MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
Observe as bandeiras e a obra de Pedro Paulo Bruno.

Reprodução Bandeira Reprodução
definitiva da
Bandeira República.
do Império.

Pedro Paulo Bruno (1888- Museu da República, Rio de Janeiro.
-1949). A pátria, 1919. Óleo
sobre tela, 190 x 278 cm.
Este quadro de Pedro Paulo
Bruno ficou famoso por
figurar no verso de uma
antiga cédula de 200 cruzados
novos (posteriormente
cruzeiros), entre 1989 e 1994.

a) O que fazem as mulheres nessa pintura?

Confeccionam a bandeira definitiva da República.

b) O que representava a bandeira para os republicanos que a criaram?

Uma sociedade organizada e ordeira, que acreditava no progresso como o destino de todos os brasileiros, sem esquecer o passa-
do monárquico e o poder católico.

c) Observando essa pintura, o que mais se pode descobrir sobre o modo de viver da sociedade brasileira
na época da República?

Educador, ajude os alunos a perceberem estes aspectos: o modo de se vestir e pentear o cabelo das pessoas; o fato de que
são somente mulheres que realizam esse trabalho; o fato de as crianças estarem junto ou serem cuidadas pelas mulheres; a
maneira de fazer o trabalho (manualmente).

153 7o ano UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 185

UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA

O sonho republicano

A sociedade republicana era altamente hierarquizada. O comando da nação estava restrito às elites agrárias, com
pouco ou nenhum espaço para outros grupos sociais.

A separação entre os poderes do Estado e da Igreja Católica – determinada pela Constituição de 1891 – e o

racionalismo de John Locke pretendiam que a utopia católica fosse

substituída por um novo pensamento que estimulasse as elites e

justificasse a repressão aos descontentes. utopia: normalmente, essa palavra

Afinal, que modelo de república as elites queriam para o Brasil? é utilizada como sinônimo de projeto
Era o modelo positivista, corrente de pensamento cujo principal irrealizável; fantasia; delírio; lugar que
não existe. Também representa o ideal de
construir uma sociedade melhor do que a
iniciador foi Auguste Comte, no século XIX. Segundo esse modelo, que já existe, ou seja, transformar o presente
a sociedade pode ser comparada à natureza: os acontecimentos em busca de uma sociedade mais perfeita.
na vida social ocorrem de forma independente da vontade e da

ação humanas.

Segundo o pensamento positivista, riqueza Auguste Comte nas- Keydisc
e miséria são as duas faces de uma mesma ordem ceu na França em 1798
natural. A sociedade supera o indivíduo, os ho- e morreu em 1857. Foi
mens devem se submeter à ordem em benefício considerado o pai da so-
do progresso. ciologia, a ciência que
estuda o funcionamento
O pensamento de Comte foi e é utilizado pelas das sociedades humanas.
elites para justificar as políticas privada e pública.

Revelando o que aprendeu

1. Qual o sentido das palavras “Ordem e Progresso” em nossa bandeira?

“Ordem” porque não seriam aceitas as queixas dos descontentes, fossem eles trabalhadores do campo ou operários insatisfeitos
com as regras do mercado. “Progresso” possibilitado pelos donos de terras, indústrias e comércio, responsáveis por conduzir a
nação para o modelo de mercado sonhado por “todos” os brasileiros.

2. Escreva com suas palavras o significado de “utopia”.

Resposta pessoal.

3. Você acredita que algumas utopias são realizáveis? Justifique.

Resposta pessoal.

Será que todas as pessoas concordavam com o pensamento positivista? Não havia outra forma de pensamento?
Discuta essas questões com os colegas de classe. Depois, leia o texto a seguir.

186 HISTÓRIA 7o ano 154

MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA

O sonho continua

Em oposição à utopia positivista, surgiram os críticos da sociedade capitalista. Eles propunham a construção
de uma sociedade igualitária, na qual não houvesse diferenças de classes sociais. O principal representante desse
pensamento foi Karl Marx.

Para Karl Marx, a utopia é a substituição pos- Karl Heinrich Marx Keydisc
sível da opressão do ser humano pelo próprio ser nasceu em 1818 e mor-
humano por meio das lutas dos oprimidos contra reu em 1883. Intelec-
os opressores. tual, teve participação
no movimento operário.
Karl Marx e outros defensores de uma socie- Marx e o movimento
dade igualitária são conhecidos de maneira geral operário influenciaram
como socialistas. um ao outro.

Que Brasil queremos?

É natural que, estando o Brasil no continente socialista: aquele que defende o socialismo, denominação
americano, e tão próximo do sucesso da economia genérica de um conjunto de teorias socioeconômicas,
norte-americana, sejamos influenciados pelo modelo ideologias e práticas que postulam a abolição das
norte-americano, seus hábitos, costumes, cultura etc. desigualdades econômicas entre as classes sociais.

Monteiro Lobato foi um dos que se apaixonaram pela vida americana como saída para o nosso atraso.
Umas botinas protetoras da saúde nos pés dos jecas e um trator […] seriam suficientes para criar um homem
novo, um brasileiro verdadeiramente forte, capaz de levar os Estados Unidos do Brasil (Atualmente o nome
oficial do nosso país é “República Federativa do Brasil”, N.A.) a se equiparar aos United States of America
(Estados Unidos da América).

Antonio Pedro Tota. O imperialismo sedutor. São Paulo: Companhia da Letras, 2000. p. 11.

Você pode estar se perguntando: e qual seria o problema desse modelo de desenvolvimento econômico?.

Talvez seja o fato de não ter sido capaz, apesar de sua altíssima capacidade de gerar riqueza, de diminuir a
miséria e a desigualdade social.

A má distribuição de renda torna-se um agravante das condições de saúde e da qualidade de vida de qualquer
população

• porque ela não permite o acesso da maioria a alimentação, medicamentos e outros produtos básicos ne-
cessários para a higiene e que em geral só estão disponíveis no mercado de compra e venda a preços altos;

• devido à concentração de terras agricultáveis e espaços adequados para moradia nas mãos de uma minoria;
• porque ela permite o uso do poder econômico, concentrado nas mãos de poucos, para controlar o poder

político e as políticas públicas em benefício da maioria.

A concentração de renda é um dos problemas mais antigos da humanidade. Existe desde que surgiu a proprie-
dade privada, muito antes do aparecimento do capitalismo e da burguesia.

Por que crescimento econômico não representa necessariamente melhoria de qualidade de vida, mesmo para
quem ganha bem?

Vamos refletir:

• A expansão do mercado mundial tornou a economia dependente do aumento da produção.
• O aumento da produção exige o aumento da circulação de dinheiro.
• O dinheiro tem que estar disponível para se investir em mais produção.

155 7o ano UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 187

UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA

• Uma das despesas na produção é o salário pago ao trabalhador.
• Aumentar a produção passou a significar

• reduzir o valor do salário para sobrar mais dinheiro e investir mais;
• cobrar mais eficiência e velocidade do trabalhador;
• desumanizá-lo para que aceite as regras do mercado como naturais e definitivas.

Podemos esperar como consequência disso:

• diminuição da renda do assalariado e, em consequência, piora de suas condições materiais;
• aumento do cansaço físico e mental, para garantir o cumprimento das metas determinadas pelo mercado;
• inibição da cordialidade e da cooperação, exceto quando estas estão a serviço da empresa.

Todos esses problemas são resultado e causa da altíssima competitividade estimulada pelo mercado. A com-
petitividade força-nos à individualização e à desumanização das relações sociais e afetivas. A cooperação é substituída
pela ação individual. A autoestima passa a se relacionar menos com “eu gosto de mim” e mais com “o que eu pareço
para os outros”.

O excesso de medicamentos, a poluição ambiental e a predominância de certos meios de comunicação desper-
tam em nós necessidades discutíveis.

Hoje, não se entende qualidade de vida apenas relacionada a condições materiais. Está em questão a recons-
trução das relações afetivas, do significado da cooperação.

Questiona-se a validade de um modelo produtivo intensamente ágil e modernizante que, no entanto, é con-
centrador de riqueza.

Infelizmente, o Brasil ainda se encontra no bloco de países com alto índice de desigualdade social. Porém, nos
últimos anos, tem se mostrado capaz de unir crescimento econômico com distribuição de riqueza. Para saber mais
sobre isso, leia o texto a seguir.

Brasil atinge menor nível de
desigualdade social desde 1960

País teve forte avanço durante 2011, mas ainda assim
permanece entre as doze nações mais desiguais do mundo

7 de março de 2012 | Mariana Durão, da Agência Estado

RIO – O Brasil atingiu em 2012 o menor nível 12 países mais desiguais do mundo. Mas a queda
de desigualdade desde 1960, apesar da crise na de 2001 para cá é espetacular e deve continuar”,
Europa. De acordo com a pesquisa “De volta ao afirmou Marcelo Neri, coordenador da pesquisa.
País do Futuro” do Centro de Políticas Sociais da
Fundação Getulio Vargas (CPS/FGV), o índice de A FGV mostra que a renda familiar per capita
Gini – que varia de 0 a 1, sendo menos desigual média do brasileiro cresceu 2,7% nos 12 meses
mais próximo de zero – caiu 2,1% de janeiro de encerrados em janeiro. É o mesmo crescimento
2011 a janeiro de 2012, chegando a 0,5190. registrado de 2002 a 2008, período considerado
uma era de ouro mundial, e superior ao 0% de
A projeção da FGV é que a desigualdade 2009, em função da crise financeira daquele ano.
continue se reduzindo ano a ano no País, levando
o índice a 0,51407 em 2014. “A má notícia é que A pobreza no País também caiu entre janeiro
ainda somos muito desiguais e estamos entre os do ano passado e janeiro deste ano: –7,9%, ritmo
três vezes mais rápido do que o da meta do milênio

188 HISTÓRIA 7o ano 156

MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA

da ONU. Isso depois de uma redução de 11,7% na pobres do Brasil cresceu 68%, enquanto a dos 10%
pobreza de maio de 2010 a maio de 2011, quando mais ricos cresceu apenas 10%.
o Brasil crescia mais.
Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/noticias/
Segundo Neri, a redução da desigualdade foi economia,brasil-atinge-menor-nivel-de-desigualdade-social-
fundamental para este resultado na pobreza. Ele
cita que na última década a renda dos 50% mais desde-1960,105210,0.htm>. Acesso em: 8 set. 2012.

Por dentro do texto

1. Segundo o texto, qual é a situação do Brasil em termos de desigualdade social?

Permanece entre as 12 nações mais desiguais do planeta.

2. O que há a comemorar?

O Brasil atingiu o menor nível de desigualdade social desde 1960.

3. Compare o coeficiente Gini do Brasil, apresentado no mapa-múndi da página 150, com a pesquisa rea-
lizada pela Fundação Getúlio Vargas em 2012. O que você pode concluir ao comparar os dados?

Educador, podem-se utilizar os dados para demonstrar a diminuição da desigualdade social no Brasil, sobretudo comparando os dois
últimos anos, e o quanto tais melhorias ocorrem de modo lento. Diga para seus alunos que os dados atuais ainda colocam o Brasil entre
os índices 50 e 54, como já ocorria segundo o coeficiente Gini apresentado até 2008.

4. Qual é a conclusão da pesquisa?

Na última década, a renda dos mais pobres cresceu mais que a dos mais ricos.

Revelando o que aprendeu

Responda no caderno.

1. Identifique no pensamento positivista a frase que justifica a existência de ricos e pobres em uma mesma
sociedade e copie-a. “Riqueza e miséria são as duas faces de uma mesma ordem natural”.

2. Compare o pensamento de Auguste Comte com o de Karl Marx sobre a desigualdade social.

Enquanto Comte considerava a desigualdade social como parte da ordem natural, Marx propunha a construção de uma sociedade igualitária.

3. Qual é um dos problemas mais antigos da humanidade?

A concentração de riqueza.

4. Escreva dois aspectos positivos e dois aspectos negativos do sistema capitalista.
O sistema capitalista é ágil e produtivo, mas exige muito do trabalhador e concentra riqueza.

157 7o ano UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 189

UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA

Vamos compartilhar?

Vamos compartilhar o que você aprendeu sobre saúde e qualidade de vida nesta unidade com a comunidade
escolar. Siga as orientações de seu educador, elabore e organize as atividades para a realização de uma exposição.

Educador, veja orientações no Manual geral.

Indicações de leituras complementares

Como seria a sua vida na Idade Média? David Salariya. São Paulo: Scipione, 1999.
Conhecimento, cidadania e meio ambiente. Arnoldo José de Royos Guevara, João Luiz Höeffel, Rosa Maria Viana e

Ubiratan D’Ambrósio. São Paulo: Editora Fundação Peirópolis, 1998.
Império Brasileiro 1821-1889. Oliveira Lima. São Paulo: Itatiaia, 1989.
A República. Renato Janine Ribeiro. São Paulo: Publifolha, 2001.
Viagem no tempo para a Roma Antiga. Gaby Waters, Brenda Haw e Laura Bacellar. São Paulo: Scipione, 2004.

Bibliografia

ARIÈS, P.; DUBY, G. (Orgs.). História da vida privada: do Império Romano ao ano mil. São Paulo: Companhia das
Letras, 2009.

_______. História da vida privada: da Europa feudal à renascença. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
CARLOS, A. F. A cidade. São Paulo: Contexto, 2005.
CARVALHO, J. M. de. A formação das almas: o imaginário da república no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras,

2001.
CHALHOUB, S. Cidade febril: cortiços e epidemias na corte imperial. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
COSTA, N. R. Políticas públicas, justiça distributiva e inovação. São Paulo: Hucitec, 1988.
DIAS, G. F. Iniciação à temática ambiental. São Paulo: Gaia, 2002.
FERREIRA, O. L. Visita à Roma antiga. São Paulo: Moderna, 1997.
FRANCO JR., H. O feudalismo. São Paulo: Brasiliense, 1996.
HOBSBAWM, E. Era dos extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.
PHILIPPI JR, A. (Ed.). Saneamento, saúde e ambiente. São Paulo: Manole, 2005.
RODRIGUES, R. M. Vida e saúde. São Paulo: Moderna, 1996. Coleção Desafios.
ROJAS, E. O homem moderno. São Paulo: Mandarim, 1996.
SALLES, C. Nos submundos da antiguidade. São Paulo: Brasiliense, 1987.
SPOSITO, M. E. B. Capitalismo e urbanização. São Paulo: Contexto, 1997.
TOTA, A. P. O imperialismo sedutor. São Paulo: Companhia da Letras, 2000.

190 HISTÓRIA 7o ano 158

MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 7o ANO

UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS
• Análise de imagens diversas.
“Cada comunidade tem o controle de poluição que merece.”
Nelson Nefussi, Cetesb CONTEÚDOS ATITUDINAIS

In: DEAN, Warren. A ferro e fogo: a história e a devastação • Valorização da cooperação entre os homens para melhor
da Mata Atlântica brasileira. distribuição dos bens produzidos.

São Paulo: Companhia das Letras, 2004. • Valorização do debate e da exposição de ideias como forma de
Esta unidade permite ao aluno conhecer o Brasil a partir da chegada aprofundar os estudos, adotando uma postura colaborativa no
dos primeiros homens, ainda na Pré-História, e o impacto negativo cau- seu grupo (classe) e na relação com o educador.
sado por eles em nosso meio ambiente desde essa época, passando pela
colonização portuguesa, a industrialização, até a chegada aos nossos dias. • Formulação de explicações para os acontecimentos históricos.
No decorrer da unidade, ficará mostrado que o desenvolvimento • Valorização do meio ambiente, por meio do estudo de fatos
inadequado da agricultura e o chamado progresso têm sido as grandes
estrelas no processo histórico da degradação ambiental. Nessa história, históricos.
o ser humano é o grande vilão, à medida que vem interagindo com o
meio ambiente de maneira ambiciosa, irresponsável, incentivando o ORIENTAÇÕES GERAIS DO CAPÍTULO 1
consumo desenfreado para atender às suas conveniências, sem avaliar Educador, ao longo deste capítulo, espera-se que o aluno desenvolva
as consequências futuras (ou já serão presentes?) para todos os tipos
de vida no planeta Terra. Não podemos perder de vista, naturalmente, as seguintes competências e habilidades: dominar a norma urbana
a importância da agricultura e dos meios que levam ao progresso em de prestígio da Língua Portuguesa; aprender a aprender; caracterizar
todos os níveis para a humanidade; contudo, os seres humanos deveriam formas de circulação de informação, capitais, mercadorias e serviços
atuar nesse processo, com a consciência de que a vida é muito mais no tempo e no espaço; construir e aplicar conceitos das várias áreas
importante do que o lucro a todo custo. Infelizmente, não é a realidade. do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de
As atitudes buscam levar à reflexão sobre o nosso papel, como processos históricos, da produção tecnológica e das manifestações
seres vivos e cidadãos críticos, na busca e criação de possíveis soluções artísticas; selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e infor-
para a preservação do meio ambiente. mações representados de diferentes formas, para tomar decisões e
Nossa expectativa é contribuir, ao trilharmos esse caminho, para enfrentar situações-problema; identificar formas de representação
que você e seus alunos estabeleçam um vínculo mais dinâmico e de fatos e fenômenos históricos expressos em textos e/ou imagens,
aberto com a aprendizagem, possibilitando mudanças de hábitos em compreender e utilizar gráficos; dominar linguagens; construir ar-
relação à natureza, motivadas por uma leitura mais crítica da realidade. gumentações; realizar leitura e interpretação de diferentes gêneros
textuais e contextualizar processos históricos.
OBJETIVOS GERAIS DA UNIDADE
• Aprender a valorizar e preservar o meio ambiente em que vive. No decorrer do capítulo, há palavras destacadas e o significado
• Conscientizar o aluno de que a ação coletiva do homem tanto delas no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco para ampliar o
vocabulário dos alunos e auxiliá-los no entendimento dos textos. Mas
pode construir quanto destruir o meio ambiente. esteja atento também a outras palavras que desconhecem.

Capítulo 1 Ajude-os a compreender essas palavras a partir do contexto em
Natureza: domínio e descontrole que aparecem, refletindo com eles sobre as hipóteses de sentidos
sugeridos, ou solicitando a pesquisa do significado dessas palavras
OBJETIVOS no dicionário, orientando-os, quanto à forma de utilizá-lo.
• Propiciar ao aluno o reconhecimento do quanto a atividade agrícola
É sempre bom lembrar que, nesta coleção, partimos do pressuposto
foi importante para a criação e sobrevivência da sociedade moderna. de que “todo educador é educador de linguagem”. Portanto, todos
• Problematizar as contradições existentes entre o aumento da pro- precisam colaborar com a área de Língua Portuguesa, desenvolvendo
estratégias de leitura que permitam ao aluno compreender o que lê.
dutividade, em decorrência da melhoria das técnicas agrícolas, e a
possibilidade de o homem não sobreviver aos avanços tecnológicos APROFUNDANDO O TEMA
que vêm sendo conquistados devido às agressões à natureza.
• Compreender a evolução das relações comerciais, sobretudo no Educador, você pode organizar um debate entre seus alunos
final da Idade Média e início da Moderna, e suas implicações tanto sobre os elementos básicos e abundantes na natureza, como a
em relação à construção do Estado moderno quanto aos aspectos terra e a água, que possibilitam o aumento da produtividade no
referentes à destruição da natureza. campo, se aliados às técnicas agrícolas desenvolvidas pelos seres
humanos (canais de irrigação, enriquecimento do solo com adubos
CONTEÚDOS CONCEITUAIS químicos e naturais etc.). Você também pode estimulá-los a debater
• O impacto da Revolução Agrícola sobre a sociedade. sobre o surgimento da propriedade privada e as consequências de
• A relação entre a propriedade da terra e o poder. seu desenvolvimento.
• A participação do homem nas alterações do meio ambiente no
INDICADORES DE APRENDIZAGEM
decorrer da história. Neste capítulo, espera-se que o aluno:

CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS • reconheça o quanto a atividade agrícola foi importante para a
• Estabelecimento e relações entre fatos e sujeitos históricos. criação e sobrevivência da sociedade moderna;
• Elaboração de trabalhos coletivos, coletando informações em
• problematize as contradições existentes entre o aumento da pro-
fontes diferenciadas. dutividade e a exclusão social, a fome e a miséria;
• Sintetização de pesquisas e sua apresentação, utilizando
• compreenda os diferentes usos da propriedade da terra ao longo
diferentes linguagens. da história humana e o quanto tem implicado na destruição da
natureza e perceba que a ação coletiva tanto pode construir quanto
destruir o nosso meio ambiente.

AVALIANDO A APRENDIZAGEM
1. Sou capaz de apresentar uma das consequências da Revolução
Agrícola para a humanidade?

MANUAl DO EDUCADOR 159

Permitiu que as pessoas pudessem viver toda a sua vida no extensiva, iniciada pelos portugueses no Brasil, com as técnicas
mesmo lugar. de queimada praticadas pelos nativos da terra.
2. Sei reconhecer três problemas ambientais causadores de doenças? • Compreender que a destruição da Mata Atlântica está ligada ao
O excesso de esgoto, lixo e produtos químicos nos rios. processo histórico de nosso país, desde a colonização.
3. Posso citar duas regras comerciais respeitadas por alguns países • Analisar as ações desenvolvidas no Brasil por órgãos públicos e
europeus no século XV? particulares em defesa do meio ambiente.
Estímulo ao uso de moedas tanto nas trocas comerciais como
nas relações de trabalho e controle das regiões produtoras de CONTEÚDOS CONCEITUAIS
bens para o comércio. • A Pré-História na ocupação humana no Brasil.
4. Posso citar três características que permitiram o aparecimento • As várias formas de utilização do fogo pela humanidade,
do Estado Nacional?
União das leis no território nacional, unificação da moeda e desde a sua descoberta.
criação de um exército. • A exploração colonial do Brasil.
Educador, se achar necessário, organize uma avaliação com • O processo de destruição da Mata Atlântica e de outras
base no quadro Indicadores de aprendizagem.
reservas naturais do território brasileiro no decorrer de nossa
TEXTO COMPLEMENTAR história.

Educador, este é um ótimo momento para debater a relação íntima CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS
do homem com a natureza e refletir sobre a responsabilidade de cada • Desenvolvimento de estratégias de leitura de textos
um para com o planeta em que vivemos.
descritivos, expositivos.
Certo dia, ao atravessar um rio, Cuidado viu um pedaço de • Leitura prévia – levantamento de hipóteses.
barro. Logo teve uma ideia inspirada. Tomou um pouco do barro • Localização, nos textos em geral, de trechos para a
e começou a dar-lhe forma. Enquanto contemplava o que havia
feito, apareceu Júpiter. construção de justificativas.
• Sistematização do conhecimento construído por meio das
Cuidado pediu-lhe que soprasse espírito nele, o que Júpiter
fez de bom grado. Quando, porém, Cuidado quis dar um nome leituras dos textos históricos.
à criatura que havia moldado, Júpiter o proibiu. Exigiu que • Seleção, supressão de ideias, visando à compreensão do
fosse imposto o seu nome.
sentido global dos textos lidos.
Enquanto Júpiter e Cuidado discutiam, surgiu, de repente, • Seleção da ideia central de determinados trechos dos textos
a Terra. Quis também ela conferir o seu nome à criatura, pois
fora feita de barro, material do corpo da Terra. Originou-se lidos.
então uma discussão generalizada. • Relato de informações, por meio de exposição oral e escrita

De comum acordo, pediram a Saturno que funcionasse como de ideia.
árbitro. Este tomou a seguinte decisão, que pareceu justa: • Interpretação de mapas físicos.
• Confronto de algumas formas de atuação humana na
“Você, Júpiter, deu-lhe o espírito; receberá, pois, de volta
este espírito por ocasião da morte dessa criatura. preservação da natureza.
• Comparação dos processos de devastação da natureza no
Você, Terra, deu-lhe o corpo; receberá, portanto, também de
volta o seu corpo quando essa criatura morrer. decorrer da história do Brasil.
• Comparação da linha do tempo da história geral oficial e da
Mas como você, Cuidado, foi quem, por primeiro, moldou a
criatura, ficará sob seus cuidados enquanto ela viver. história oficial do Brasil.
• Estabelecimento das diferenças e semelhanças entre fatos e
E uma vez que entre vocês há acalorada discussão acerca
do nome, decido eu: esta criatura será chamada Homem, isto versões.
é, feita de húmus, que significa terra fértil.’”
Gaius Julius Hyginus – escravo, do imperador romano César Augusto, CONTEÚDOS ATITUDINAIS
• Valorização do meio ambiente em que vive.
egípcio, 47 antes de nossa era. In: BOFF, Leonardo. Saber cuidar: • Valorização de vivências diárias.
ética do humano – compaixão pela Terra. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999. • Reconhecimento do meio ambiente como um fator importante

Sugestão de questões para análise do texto de sobrevivência no mundo e no lugar em que vive.
1. Para você, a personagem chamada de “Cuidado” representa quem? • Conscientização de que o ser humano faz parte da natureza.
• Reconhecimento de que é possível a criação de novos modelos
Resposta possível: talvez o próprio homem, já que ele é cons-
ciente de si mesmo e responsável pelo legado da mãe Terra de desenvolvimento que preservem o meio ambiente.
enquanto estiver vivo. • Conscientização da importância de sua intervenção no
2. Você aprendeu algo com essa fábula? O quê?
Resposta pessoal. cotidiano para a preservação do meio ambiente.
3. O que mais lhe chamou a atenção nessa fábula? Por quê?
Resposta pessoal. ORIENTAÇÕES GERAIS DO CAPÍTULO 2
Educador, ao longo deste capítulo espera-se que o aluno desenvolva
Capítulo 2
Natureza: a busca pelo equilíbrio as seguintes competências e habilidades: dominar a norma urbana
de prestígio da Língua Portuguesa; aprender a aprender; selecionar,
OBJETIVOS organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados
de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-
• Compreender as possibilidades que o domínio do fogo abriu para -problema; comparar diferentes explicações para fatos e processos
o desenvolvimento de novas tecnologias e os efeitos, tanto positi- históricos e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para
vos quanto negativos, dessas mesmas tecnologias nos dias atuais. construir argumentação consistente; recorrer aos conhecimentos
desenvolvidos para elaboração de propostas de intervenção solidá-
• Compreender as consequências da combinação da agricultura ria na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a
diversidade sociocultural; compreender processos sociais utilizando
160 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 7o ANO

MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 7o ANO

conhecimentos históricos; identificar formas de representação de A criação da cerâmica, forjar ferramentas de metal.
fatos e fenômenos históricos expressos em textos e/ou imagens; 2. Também sei reconhecer alguns dos problemas causados pelo
compreender o processo histórico de formação da sociedade; realizar
leitura e interpretação de diferentes gêneros textuais; desenvolver uso indiscriminado do fogo?
o pensamento crítico e flexível e a autonomia intelectual; avaliar e O aumento da emissão de gases na atmosfera, causando o
transmitir informações; saber trabalhar em grupo; compreender as aumento do efeito estufa e as queimadas, que diminuem a
escalas de tempo e contextualizar processos históricos. capacidade produtiva da terra.
3. Posso retirar do texto de Josué de Castro o significado do uso
No decorrer do capítulo há palavras destacadas e o significado que ele faz da palavra “autofagia”?
delas no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco para ampliar o “A cana devorando tudo em torno de si, engolindo terras e mais
vocabulário dos alunos e auxiliá-los no entendimento dos textos. Mas terras, …”
esteja atento também a outras palavras que desconhecem. 4. Posso definir o que foi a Rio 92?
Foi a conferência da ONU para o Meio Ambiente e Desenvol-
Ajude-os a compreender essas palavras a partir do contexto em vimento no Rio de Janeiro, em 1992.
que aparecem, refletindo com eles sobre as hipóteses de sentidos Educador, se achar necessário, organize uma avaliação com
sugeridos, ou solicite a pesquisa do significado dessas outras palavras base no quadro Indicadores de aprendizagem.
no dicionário, orientando-os, quanto à forma de utilizá-lo.
UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
Desenvolva com a classe conceitos e práticas de reciclagem a partir
das que existem no local em que vivem. “Educador, reconheça e respeite esse seu poder de trans-
formar vidas.”
PRA COMEÇO DE CONVERSA
Os autores
Sobre o lixo plástico Esta unidade permite refletir, sob o ponto de vista histórico, a
respeito de dois conceitos inseparáveis: Saúde nas sociedades hu-
Os plásticos, em sua maioria, são produzidos a partir do manas no decorrer da história e Qualidade de vida. Este último, fruto
petróleo. Embora o petróleo seja um recurso não renovável de de estudos mais recentes em nossa sociedade, nos leva a pensar um
matéria-prima, apenas 1% do petróleo consumido no Brasil é pouco mais sobre o papel do indivíduo e do coletivo diante do poder
utilizado para a produção de plástico. público, responsável pela elaboração de políticas que visam ao bem-
-estar geral. Para tanto, retrocedemos no tempo, a fim de verificar o
Os materiais plásticos coletados pela coleta seletiva são desenvolvimento histórico do papel do Estado na implantação de
levados para a central de triagem. Na central de triagem os políticas públicas voltadas a essas questões, analisando as causas
diferentes tipos de plásticos são separados e enviados para as dos conflitos entre o poder público e os interesses privados no Brasil.
fábricas de reciclagem onde são novamente derretidos para a Buscamos também questionar o modelo econômico vigente, que
fabricação de novos produtos. aponta como símbolo de qualidade de vida a satisfação infinita dos
desejos de consumo impostos pelo próprio mercado. Fizemos isso
Disponível em: <http://www.furg.br/portaldeembalagens/ com a intenção de estimular a reflexão sobre as práticas cotidianas de
tres/reciclag.html>. Acesso em: 19 set. 2006. consumo, a fim de propiciar um entendimento mais amplo sobre essa
questão e até mesmo levar a outros questionamentos, que podem
Quase tudo que é produzido pelo homem pode ser reaproveitado gerar excelentes debates entre os alunos.
desde que haja interesse e cooperação. Hoje o ser humano, à medida Por fim, esperamos que este material permita a você e aos alunos
que vai tendo consciência da importância da preservação da natureza, aprofundar suas leituras a respeito do tema, ampliando os conceitos
procura praticá-la. Essa é uma das formas de preservação. sobre saúde e qualidade de vida e se posicionando criticamente diante
dos problemas apresentados.
Desenvolva com a classe conceitos e práticas da reciclagem.
OBJETIVO GERAL DA UNIDADE
DESVENDANDO O TEMA • Refletir sobre a importância da qualidade de vida e saúde nos

História do Brasil – linhas do tempo tempos modernos.
Explique, fase por fase, as linhas de tempo apresentadas. Se pos-
sível, monte-as em um mural, ilustrando-as com figuras de revistas. Capítulo 3
Saúde e bem-estar
E EU COM ISSO?
OBJETIVOS
Invasão de sacolas... • Refletir sobre as condições de saúde e higiene ao longo da história
Proponha uma pesquisa sobre como utilizar e diminuir o uso de
sacolas plásticas e embalagens PET. humana, o papel do Estado e as políticas públicas desenvolvidas
ao longo dos séculos sobre essa questão.
INDICADORES DE APRENDIZAGEM • Compreender o significado e a importância do conceito de qua-
Neste capítulo, espera-se que o aluno: lidade de vida e saúde na Idade Contemporânea.
• Propiciar ao aluno o reconhecimento do quanto as condições de
• reconheça que a organização agrícola implantada no Brasil, durante higiene vividas pelo homem estão relacionadas à saúde coletiva
o período colonial, foi responsável pela destruição da maior parte e individual.
da Mata Atlântica, assim como a exploração de caráter extrativista • Auxiliar na compreensão da evolução das relações entre vida pri-
foi e é uma das causas da destruição diária da Floresta Amazônica; vada e poder público no que se refere a medidas higienizadoras,
sobretudo no Brasil imperial e início do período republicano.
• compreenda conceitos básicos sobre a chegada dos portu-
gueses ao Brasil, algumas formas de exploração, povoamento
e colonização;

• tome conhecimento de algumas leis ambientais já existentes em
nosso país, perceba que já existe aqui uma ampla ação de resgate
das reservas naturais perdidas, através da reciclagem dos resíduos
sólidos e da reposição da mata por meio do replantio.

AVALIANDO A APRENDIZAGEM
1. Sei reconhecer dois avanços tecnológicos permitidos pelo uso
do fogo?

MANUAl DO EDUCADOR 161

CONTEÚDOS CONCEITUAIS textuais; avaliar e transmitir informações; saber trabalhar em grupo
• As condições de higiene e saúde durante as idades Antiga, e contextualizar processos históricos.

Média e Moderna. No decorrer do capítulo, há palavras destacadas e o significado delas
• Desenvolvimento do poder do Estado e relato de como no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco para ampliar o vocabulário
dos alunos e auxiliá-los no entendimento dos textos. Você também pode
este passou a assumir as políticas públicas voltadas para o pedir a eles que pesquisem o significado de outras palavras no dicionário.
controle de doenças e higienização.
• Causas dos conflitos entre o poder público e interesse privado PRA COMEÇO DE CONVERSA
no Brasil.
• Percepção do que é qualidade de vida e saúde. Sobre o termo “qualidade de vida”, questão 6, letra e: Conceito
formulado por volta de 1960, com o objetivo de questionar os exces-
CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS sos e desperdícios industriais de um mundo altamente tecnológico
• Análise de imagens diversas. e industrializado. Aqui, o princípio opõe a qualidade à quantidade.
• Leitura e interpretação de documentos iconográficos.
• Localização em leitura. Se fosse aplicado aos países subdesenvolvidos da atualidade ou
• Seleção em leitura. às sociedades do passado, o conceito estaria também relacionado
• Compreensão de relações entre elementos diferentes, aos problemas como higiene, falta de cuidados médicos adequados,
deficiências na rede de esgotos, transportes.
extraindo conclusões a partir do exame de fatos.
• Interpretação. Os movimentos pela qualidade de vida estão muito ligados às
• Demonstração de ideias e entendimento de leitura. ações em defesa do meio ambiente por grupos ecológicos.
• Exercício de reflexão.
• Identificação em textos. Atualmente, a expressão levanta questões sobre o excesso de
• Argumentação. medicamentos, a predominância de certos meios de comunicação e
• Relato de informações. sua influência na criação de certas necessidades discutíveis.

CONTEÚDOS ATITUDINAIS Fonte: Paulo SANDRONI. Dicionário de Economia do Século XXI.
• Reconhecer-se como sujeito de sua qualidade de vida e saúde. Rio de Janeiro: Record, 2005.
• Valorização das políticas públicas como necessárias para o
REVELANDO O QUE APRENDEU
bem-estar coletivo.
• Incentivo à participação do indivíduo nas ações que envolvem Antiguidade e poder público

as políticas públicas e o interesse coletivo. Sobre direitos privado e público: Professor, na época mo-
• Valorização da saúde e da qualidade de vida. derna passou-se a considerar o Direito como um conjunto de
• Valorização da autoestima. regras ou normas impostas ou não por aquele ou aqueles que
• Valorização da cooperação pelo bem-estar geral entre os controlam o poder, ou seja, poder-se-ia dizer que não existe
outro Direito além do estatal.
homens.
• Respeito ao indivíduo, não pelos bens materiais que possui, Ao longo da história ocorreu a passagem de uma sociedade
de Direito privado, na qual as normas eram determinadas pelo
mas pelo que é. chefe familiar, para uma sociedade de Direito público, na qual
• Valorização do homem enquanto sujeito histórico capaz de o Estado passa a assumir e determinar as regras.

agir sobre o seu destino. A disputa entre o Direito privado e o Direito político é o
• Compreensão de que é possível criar modelos de problema da legitimação de ambos. Por isso uma das discus-
sões mais próprias da Idade Contemporânea é sobre o direito
desenvolvimento que atendam às necessidades de todos e não do Estado em intervir em alguns aspectos da vida privada a
somente de uma minoria. exemplo da discussão sobre se a população deve ter o direito
• Reconhecimento da diferença entre modelos de de portar armas de fogo ou não.
desenvolvimento econômico e social.
Talvez o mais importante seja debater o que ficou conhecido
ORIENTAÇÕES GERAIS DO CAPÍTULO 3 como Estado de Direito, cuja legitimidade depende se de fato
Educador, ao longo deste capítulo, espera-se que o aluno desen- sua ação se desenvolve dentro dos limites de regras predeter-
minadas e aceitas pelos cidadãos.
volva as seguintes competências e habilidades: dominar a norma
urbana de prestígio da Língua Portuguesa; aprender a aprender; Paulo SANDRONI. Dicionário de Economia do Século XXI. Rio de
selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações Janeiro: Record, 2005.
representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfren-
tar situações-problema; relacionar informações, representadas em Educador, promova uma discussão entre os alunos sobre o texto.
diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações con- Antiguidade e poder público
cretas, para construir argumentação consistente; identificar formas Resposta da questão 4 – Sobre cidade e campo ou área rural: a
de representação de fatos e fenômenos históricos expressos em diferença mais perceptível entre cidade e campo é que na primeira há
textos e/ou imagens; caracterizar processos sociais, reconhecendo maior concentração populacional e, portanto, maior desenvolvimento
mudanças e permanências temporais e espaciais; comparar propos- de atividades industrial e comercial, e prestação de serviços como
tas para superação dos desafios sociais, políticos, econômicos e/ou atendimento bancário, hospitalar etc.
ambientais enfrentados pela sociedade brasileira; inter-relacionar Cidades: problema ou solução?
pensamentos, ideias e conceitos; desenvolver o pensamento crítico Sobre a palavra anarquia: a palavra é associada a “anarquismo”.
e flexível e a autonomia intelectual; dominar linguagens; exercitar De origem grega, significa uma sociedade livre de todo domínio
a oralidade; realizar leitura e interpretação de diferentes gêneros político autoritário.
Fome, peste e morte
162 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 7o ANO Sobre a palavra burguesia: a burguesia também pode ser definida
como classe social que vive do capital e dos rendimentos por ele gera-
dos. Pertencem à burguesia os industriais, comerciantes, banqueiros,
empresários agrícolas e donos de empresas prestadoras de serviços.

MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 7o ANO

SUA VEZ... As mudanças que realmente estão à mão são aquelas que
envolvem hábitos de vida.
O Brasil é um país rico em florestas...
Educador, esta é uma oportunidade de os alunos praticarem o Um estudo baseado na experiência de gente que sobreviveu
“falar em público”. Estimule-os a se expressar. com invejável serenidade a experiências devastadoras – seques-
As produções dos alunos poderão ser colocadas num varal cons- tro, doença e perda de pessoas queridas – concluiu que resiste
truído na sala de aula. melhor ao estresse quem tende a manter o foco nos assuntos
imediatos (o conforto de uma criança doente, por exemplo) e
INDICADORES DE APRENDIZAGEM não nos aspectos globais (a perspectiva da morte). Se há um
Neste capítulo, espera-se que o aluno: ensinamento nessa pesquisa, é o de que o melhor remédio
para o estresse é não encarar cada obstáculo como se fosse o
• reconheça que o fortalecimento do papel do Estado e a organização fim do mundo.
de políticas públicas se desenvolveram à medida que surgiram os
centros urbanos; Revista Veja. São Paulo: Abril, n. 1840, ano 37, 11 fev. 2004.

• compreenda que, ao longo da história, as políticas passaram por 1. “Representa perigo a partir do momento em que vira crônico,
um processo de desorganização e reorganização e, muitas vezes, permanente.” Qual é a palavra essencial nessa frase?
estavam em desacordo ou foram incompreendidas pelos grupos Perigo.
sociais sobre os quais pretendia agir;
2. Você já sentiu alguns dos sintomas de estresse descritos no
• reconheça que higiene e saúde estão interligadas; texto? Quais? Em que situação?
• compreenda a evolução das relações entre vida privada e poder Resposta pessoal.

público no que se refere a medidas higienizadoras; 3. Se você já se sentiu estressado, o que fez para lidar com o
• reflita e reconheça a importância da qualidade de vida e saúde estresse de forma positiva?
Resposta pessoal.
nos tempos modernos.
4. Associe o estresse à qualidade de vida.
AVALIANDO A APRENDIZAGEM Resposta pessoal.
1. Sei definir saúde e qualidade de vida?
Saúde não é só ausência de doenças, é também um bom Capítulo 4
equilíbrio emocional, alegria, prazer, disposição, alimentação Desenvolvimento e qualidade de vida
saudável e suficiente, bom emprego, meio ambiente e sociedade
saudáveis. OBJETIVOS
2. Sou capaz de responder quais eram as condições de saúde e
higiene na Idade Média europeia? • Compreender as motivações dos seres humanos para o trabalho,
Eram péssimas, com sérios problemas no campo e nas cidades. das mais básicas às mais complexas.
E com muitas doenças causadas pela falta de higiene.
3. Complete o texto a seguir com a palavra que melhor se encaixa • Compreender o modelo capitalista e as motivações que impulsio-
nos espaços em branco. nam o mercado de compra e venda.
“O reconhecimento, por parte do poder público, da necessidade
de intervir no direito privado para garantir a saúde coletiva; a • Compreender as contradições criadas por um modelo econômico
falta de habilidade em lidar com questões sociais relacionadas à que intensificou a produção de riquezas, ao mesmo tempo que
higiene, saúde e moradia popular. São duas das características provoca a sua concentração nas mãos de uma minoria.
das políticas sociais no Brasil da época do Império.”
4. Podemos afirmar que, no início do período republicano brasi- • Analisar as consequências que o incentivo à competitividade pelo
leiro, a saúde pública era tratada como caso de polícia. E hoje? mercado provoca nas relações humanas.
Educador, a resposta a essa questão deve considerar o lugar
em que você e os alunos moram ou país como um todo. • Analisar as expectativas criadas pelo mercado de consumo e como
este influencia as necessidades humanas.
TEXTO COMPLEMENTAR
CONTEÚDOS CONCEITUAIS
Estresse • O surgimento da burguesia e, consequentemente, a

O estresse pode ser uma reação instintiva ao perigo real ou importância que o dinheiro passou a ter na vida da população
imaginário ou a uma situação de desafio. da cidade e do campo, devido à necessidade de ganhá-lo para
sobreviver.
Representa perigo a partir do momento em que vira crônico, • Consumismo.
permanente. Porque o sistema imunológico entra em colapso, • Análise de uma pirâmide de motivações humanas, que traz
abrindo espaço para doenças oportunistas. Aumenta o risco desde as necessidades mais básicas, como alimentação, até as
de males cardíacos e danos às estruturas cerebrais. Alguns dos mais complexas, como a busca pela autoestima.
sintomas são: lapsos de memória, surtos de raiva, depressão, • Conceito de capitalismo e as consequências econômicas e
fadiga, queda dos cabelos, mau humor, ansiedade, irritabilidade, sociais causadas por esse modelo.
cansaço exagerado etc. • O mercado: relações de trabalho e de compra e venda.
• A proclamação da República Federativa do Brasil.
É possível lidar com o estresse ficando atento aos sintomas, • Retrato do Brasil atual.
praticando exercícios, comendo direito, não esquecendo do la-
zer, não aceitando tudo, contando os seus problemas, tentando CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS
relaxar; são algumas das alternativas. • Análise de imagens diversas.
• Estudo sobre o sistema capitalista, enfatizando suas
Mudanças nem sempre são para o bem. Quem muda para uma
cidadezinha ou para a praia – sonho favorito dos estressados concepções e as ações humanas nelas calcadas, que
urbanos – pode descobrir que o tipo de tensão que se pode ter resultaram na situação socioeconômica atual.
no campo é apenas diferente daquele que se tem na cidade. • Exposição do conceito de sistema socialista.
Uma vida tranquila demais pode ser um tormento para alguém • Compreensão de relações entre elementos diferentes,
acostumado com a agitação da metrópole. extraindo conclusões a partir do exame de fatos.

MANUAl DO EDUCADOR 163

CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS sobretudo de artigos supérfluos. Discuta com a classe os aspectos
• Interpretação. do consumismo.
• Demonstração de ideias e entendimento de leitura.
• Exercício de reflexão. APROFUNDANDO O TEMA
• Argumentação.
• Relato de informações. Prosperidade para poucos
Sobre mercado: o termo mercado se refere a um grupo de ven-
CONTEÚDOS ATITUDINAIS dedores e compradores que estabelecem uma relação de compra
• Reconhecer-se como sujeito de sua qualidade de vida e saúde. e venda. Um mercado existe quando compradores que pretendem
• Valorização das políticas públicas como necessárias para o trocar dinheiro por bens e serviços estão em contato com vendedores
desses mesmos bens e serviços.
bem-estar coletivo. Peça aos alunos que localizem no mapa-múndi os países citados.
• Incentivo à participação do indivíduo nas ações que envolvem
INDICADORES DE APRENDIZAGEM
as políticas públicas e o interesse coletivo. Neste capítulo, espera-se que o aluno:
• Valorização da saúde e da qualidade de vida.
• Valorização da autoestima. • reconheça que grande parte dos problemas que afetam a qualidade
• Valorização da cooperação pelo bem-estar geral entre os de vida nos tempos modernos está relacionada à má distribuição
de renda, gerada pelo excesso e competitividade no mercado de
homens. trabalho e no de compra e venda. A competitividade, por sua vez,
• Respeito ao indivíduo, não pelos bens materiais que possui, provoca a desumanização das relações pessoais e o individualismo,
coloca a busca pelo lucro e o consumo de bens como ideais acima
mas pelo que é. do respeito entre os indivíduos;
• Valorização do homem enquanto sujeito histórico capaz de
• perceba que as exigências do mercado capitalista forçam os ho-
agir sobre o seu destino. mens ao seu limite físico e mental, além de estimulá-los a hábitos
• Reconhecimento de que é possível criar modelos de ou vícios não saudáveis e muitas vezes supérfluos, provocando
doenças crônicas como hipertensão, obesidade, depressão, ansie-
desenvolvimento que atendam às necessidades de todos e não dade etc, doenças que, por sua vez, afetam a qualidade de vida
somente de uma minoria. dos indivíduos de forma negativa;
• Reconhecimento da diferença entre modelos de
desenvolvimento econômico e social. • compreenda as motivações dos seres humanos para o trabalho, das
mais básicas às mais complexas, e, basicamente, o modelo capitalista
ORIENTAÇÕES GERAIS DO CAPÍTULO 4 e as motivações que impulsionam o mercado de compra e venda;
Educador, ao longo deste capítulo, espera-se que o aluno desen-
• reconheça as contradições criadas por um modelo econômico que
volva as seguintes competências e habilidades: dominar a norma intensificou a produção de riquezas, ao mesmo tempo que provo-
urbana de prestígio da Língua Portuguesa; aprender a aprender; cou sua concentração nas mãos de uma minoria, e as expectativas
selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações e consequências criadas pelo mercado de consumo e como este
representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar influencia as necessidades humanas.
situações-problema; identificar formas de representação de fatos e
fenômenos históricos expressos em textos e/ou imagens; caracterizar AVALIANDO A APRENDIZAGEM
processos sociais, reconhecendo mudanças e permanências temporais 1. Sei definir o que é o sistema capitalista?
e espaciais; compreender a importância do patrimônio cultural e suas É o sistema econômico que tem por base o lucro, a propriedade
relações com a organização das sociedades; compreender os processos privada dos meios de produção e a utilização da mão de obra
de formação das instituições sociais e políticas de forma a favorecer assalariada.
uma atuação consciente do indivíduo na sociedade; inter-relacionar 2. Sou capaz de explicar como funciona o mercado capitalista?
pensamentos, ideias e conceitos; desenvolver o pensamento crítico e Para funcionar, as pessoas precisam sentir o desejo de comprar,
flexível e a autonomia intelectual; dominar linguagens; realizar leitura gastar suas economias, trabalhar mais e continuar comprando,
e interpretação de diferentes gêneros textuais; avaliar e transmitir senão a economia capitalista para e quebra.
informações; saber trabalhar em grupo e contextualizar processos 3. Sou capaz de explicar o pensamento positivista?
históricos. Segundo o pensamento positivista, riqueza e miséria são as
duas faces de uma mesma ordem natural. A sociedade supera o
No decorrer do capítulo, há palavras destacadas e o significado indivíduo, os homens devem se submeter à ordem em benefício
delas no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco para ampliar o do progresso.
vocabulário dos alunos e auxiliá-los no entendimento dos textos. Você 4. Sou capaz de explicar o pensamento socialista?
pode pedir a pesquisa do significado de outras palavras no dicionário. Os pensadores socialistas defendem uma sociedade igualitária,
apoiando a abolição das desigualdades econômicas entre as
PRA COMEÇO DE CONVERSA classes sociais.

Sobre competição – questão 1, letra f: a palavra competição TEXTO COMPLEMENTAR
também pode ser entendida como concorrência, disputa entre em-
presas ou pessoas. A concorrência pode ser equilibrada, quando O trabalho e a saúde mental
ocorre igualdade de direitos entre os concorrentes ou desequilibrada,
quando um ou mais concorrentes manipulam preços, produtos ou O carpinteiro imagina um móvel, faz o desenho com as me-
obtêm vantagens geralmente ilegais sobre os demais. didas, corta a madeira, dá a ela a forma que imaginou e depois
monta, enverniza e lustra o móvel que construiu. Admira a obra
DESVENDANDO O TEMA que realizou com seu trabalho criativo. Ele tem um resultado
que lhe dá satisfação, mesmo que não lhe dê muitos milhões
O tempo e o dinheiro em dinheiro por mês. Já o cobrador de ônibus fica o dia todo
Sobre o consumismo: o consumismo é próprio de uma sociedade sentado, não fala com ninguém, mal olha para as pessoas, apenas
de consumo. Situação comum em países altamente industrializados, recebe o dinheiro e dá o troco durante 8 horas por dia. No fim
caracterizada pela produção e pelo consumo ilimitado de bens,

164 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 7o ANO

MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 7o ANO

está deprimido e cansado de fazer esse trabalho repetitivo e 1. Com qual dos tipos de trabalhadores mencionados no texto
monótono. Nem muitos milhões em dinheiro seriam suficientes você se parece? Por quê?
para pagar trabalho tão ingrato.
Resposta pessoal.
Um operário da linha de montagem de televisores põe uma
pecinha em um aparelho que imediatamente é transportado 2. Na sua opinião, a autora do texto acertou na descrição dos tipos
pela esteira de montagem para outro operário, que coloca de trabalhos e nas sensações que causam? Justifique. Resposta
outra pecinha, e assim por diante. E o dia passa: um aparelho, pessoal.
uma pecinha, outro aparelho, outra pecinha, mês após mês,
ano após ano. 3. Dê exemplos diferentes dos que aparecem no texto de:

Assim trabalham hoje milhões de pessoas em todo o mundo: a) um trabalho criativo;
sem gosto, sem alegria, sem prazer. Por isso não é exagero dizer
que o mundo moderno, com sua tecnologia, tirou da maioria dos Resposta possível: artes plásticas, pinturas e reaproveitamento
seres humanos algo de que eles precisam e gostam: o trabalho de diversos materiais recicláveis para criação de objetos como
criativo, que dá prazer. cadernos e agendas, vestuários etc.

Quem faz o que gosta enquanto trabalha sente pouco a b) um trabalho monótono.
diferença entre trabalho e lazer. Nesse caso, o trabalho faz
bem à saúde. Resposta possível: operação de máquinas em geral, caixa de
supermercado, balconista de loja de conveniência etc.
Quem faz o que detesta fica o tempo todo olhando no relógio
e o tempo não passa; espera com ansiedade o último dia de 4. Identifique no texto e transcreva no caderno os sintomas que
trabalho da semana e fica irritado quando a volta ao trabalho surgem com o trabalho sofrido e monótono.
se aproxima; sonha com as férias e, mais do que tudo, sonha
ganhar na loteria para fazer só o que gosta. Com tanto sofri- “… espera com ansiedade, … fica irritado, … sem gosto, sem
mento, trabalhar acaba fazendo mal para a saúde. alegria, sem prazer, … deprimido e cansado, … desânimo, falta
de confiança em si próprio, tédio, tristeza…”
O sonho da maioria dos jovens é encontrar um trabalho que
dê muito dinheiro, mas isso não é suficiente. O trabalho deve 5. Você concorda que prazer, alegria, satisfação, disposição, cria-
dar prazer. Trabalhos feitos contra a vontade causam desânimo, tividade também significam saúde e qualidade de vida? Por
falta de confiança em si próprio, tédio, tristeza. Esse estado de quê?
espírito negativo acaba criando doenças e perder a saúde não
vale a pena por nenhum dinheiro do mundo. Resposta pessoal.

RODRIGUES, Rosicler Martins. Vida e saúde. São Paulo: Moderna, 6. O que você costuma fazer que causa prazer, alegria, satisfação
e paz?
1993. (Coleção Desafios)
Resposta pessoal.

MANUAl DO EDUCADOR 165

ANOTAÇÕES

166 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 7o ANO

ANOTAÇÕES

MANUAl DO EDUCADOR 167

HISTÓRIA

8oano

Iracema Chequer/Agência Estado

EDIMAR ARAÚJO SILVA

Licenciada em História, Geografia e Sociologia e Bacharel em Ciências Políticas e Sociais pela
Fundação e Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Pós-graduanda em História na
Uniban. Professora de História e Geografia. Autora de livros didáticos e paradidáticos.

JOSÉ WAGNER DE MELO COSTA SOUSA

Bacharel e licenciado em História pela Faculdade de Filosofia e Letras das Faculdades Associadas
do Ipiranga (Unifai-SP). Licenciado em Pedagogia pelo Centro Universitário Nove de Julho
(Uninove-SP). Professor da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, tendo ministrado
aulas também nas redes municipal e particular. Autor de livros didáticos.

140 HISTÓRIA 8o ano 168

CAPÍTULO 1 UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

A formação da cultura nacional Educador, inicie o trabalho fo-
lheando o livro com seus alunos.
Educador, veja encaminhamento para trabalhar este capítulo no Manual específico. Analise as seções e seus sub-
títulos e explique a função dos
Pra começo de conversa ícones:

Registro escrito.
Registro no caderno
Expressão oral.
Trabalho individual.
Trabalho em grupo.
Pesquisa individual.
Pesquisa em grupo.

Observe as fotos a seguir.

12 Mario Friedlander/Pulsar Imagens João Prudente/Pulsar Imagens

Poconé, MT, 2012. Serrita, PE, 2010. Cesar Diniz/Pulsar Imagens
4
Cavalhadas de São Benedito no Pantanal.
Iracema Chequer/Agência Estado
3

São Luiz do Paraitinga, SP, 2012. Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

Orquestra Piraquara de Viola Caipira em São Luiz do Paraitinga.

5

Salvador, BA, 2009. Santa Maria, RS, 2012. 141

Apresentação do bloco Olodum em Salvador Semana Farroupilha em Santa Maria.
UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA
169 8o ano

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

1. O que as imagens mostram? Pessoas participando juntas de festas, apresentações musicais e esportivas.

2. Na sua opinião, as pessoas que aparecem nas imagens têm coisas em comum? O quê?

Resposta pessoal. Resposta possível: sim. Elas estão manifestando livremente seus gostos, hábitos e tradições.

3. Você já viu cenas como essas? Quando? Onde? Resposta pessoal.

4. Ao olhar essas imagens, você sente vontade de se colocar no lugar de alguma dessas pessoas? De qual
delas? Por quê? Resposta pessoal.

5. Qual título você daria ao conjunto das imagens da página anterior? Resposta pessoal.

6. Para você, o que é cultura? Educador, no Manual específico há um pequeno texto para apresentar aos alunos o conceito de cultura.

7. Cite um exemplo de manifestação cultural que você conhece.

Resposta pessoal. Resposta possível: alimentação, música, cantigas de roda, vestimenta, escola, livros etc.

8. Existe um só tipo de cultura? Resposta possível: não, existem a cultura oficial e a cultura popular.

9. Na sua opinião, o que é cultura popular? Resposta pessoal. Resposta possível: é aquela criada pelo povo de cada lugar.

10. Diga uma frase que resuma a ideia que vem à sua mente ao ver essas imagens.
Resposta pessoal.

Desvendando o tema

Antes de ler o texto a seguir, discuta com seus colegas o sentido desta expressão que aparece nele: “diversidade
cultural”. Você conhece esta expressão? Sabe o que ela significa?

Tudo o que foi adquirido, apreendido e que pode ser transmitido é “cultura”. As
expressões artísticas, religiosas e esportivas, o conhecimento tecnológico e a percepção
de mundo são construídos por nós à medida que nos relacionamos com o mundo que nos
rodeia.

O hábito de beijar, por exemplo, pode ser entendido como uma manifestação cultural.
O beijo pode acontecer às claras ou de forma discreta e em diferentes partes do corpo:
na boca, no rosto ou nas mãos, dependendo do povo que o pratica.
Por que isso acontece?
Pense no seguinte: quantas pessoas você conhece, ou já viu, que têm origens, hábitos,
religiões, jeito de falar (sotaque), alimentação, gostos musicais, maneira de se vestir,
danças etc., ou seja, uma cultura diferente da sua?
Podemos chamar essas diferenças de diversidade cultural.

1. Cite um exemplo de diversidade cultural existente no local em que você vive. Resposta pessoal.

2. Observe o título do tópico que você vai ler a seguir. O que você acha que ele quer dizer? Resposta pessoal.

142 HISTÓRIA 8o ano 170

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Tribo não é só de indígena

Somos um país de muitas tribos, a soma de várias culturas e tradições com sentimentos
comuns e diversidade de opiniões.

O nosso sistema político democrático garante a todos os brasileiros igualdade perante a
lei, o que determina que deve haver tolerância nessa convivência com o diferente – palavra
que não é sinônimo de “desigual”.

Você pode estar se perguntando: aqui no Brasil sempre existiu essa diversidade cultural?
Quando ela começou?

3. O que você conhece sobre os indígenas? Resposta pessoal.

4. Você conhece alguma aldeia indígena? Como ela é organizada? Resposta pessoal.

5. Observe as imagens a seguir.

12
Renato Soares/Pulsar Imagens
Museus Castro Maya/IPHAN/MinC

Kuikuros e Kalapalos, Alto Xingu, MT, 2012. Indígenas da Missão de São José.
Jean-Baptiste Debret, século XIX.
Kuikuros e Kalapalos se apresentam na festa do
Kuarup em Gaúcha do Norte, Mato Grosso.

Descreva o que você vê nas duas imagens.

Resposta possível: na imagem 1, indígenas paramentados de acordo com as tradições de sua tribo, dançando; na imagem 2, indígenas
com o rosto pintado também de acordo com as tradições de sua tribo.

6. Você já ouviu a frase “Terra à vista”? A que momento da nossa história ela se refere?

Resposta pessoal.

171 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 143

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

Continue sua leitura e descubra mais sobre as origens de nossa diversidade.

Os primeiros habitantes

“Terra à vista!”. Este grito marcou o encontro de dois mundos, o português
e o indígena, o que está na origem da miscigenação e da diversidade cultural
existentes hoje.

Antes da chegada dos europeus, o Brasil era habitado por diversos povos,
que foram chamados genericamente de índios, com línguas, tradições e religiões
diferentes. Em todo o território, talvez houvesse pouco mais de 2 milhões deles.
Sem eles, os colonizadores teriam tido muito mais trabalho para dominar o interior
da colônia. Os indígenas eram os olhos, as mãos e os músculos dos portugueses.

E o que aconteceu com esses povos?
Eles foram subjugados e dizimados pelos invasores europeus.
Os portugueses faziam guerra contra os indígenas com o objetivo de dominá-
-los e escravizá-los. Utilizavam, por recomendação do próprio rei de Portugal, o
enforcamento e a exposição dos corpos para humilhar a tribo. Além da violência
física, os colonizadores faziam uso da religião como outra forma de dominação.
Eles diziam que os indígenas só seriam “salvos” se fossem convertidos ao cato-
licismo por meio da catequese. Foi a dominação pelo medo.

7. O que quer dizer a frase: “Os indígenas eram os olhos, as mãos e os músculos dos portugueses”?

Resposta possível: os indígenas serviam de guias e trabalhadores para os portugueses.

8. O que significou a ocupação do Brasil para os indígenas?

Resposta possível: representou a dominação de outro povo sobre eles e a perda de sua integridade física e
psicológica.

Será que os nossos indígenas aceitaram tanta violência sem reagir? Descubra lendo o texto a seguir.

A resistência indígena

Diante da violência dos colonizadores, houve muita resistência por parte dos indígenas.
Uma das mais importantes foi a Confederação dos Tamoios, que chegou a reunir, em 1563,
os tupinambá, do Rio de Janeiro, e os carijó, do planalto paulista, ajudados pelos goitacaz e
pelos aimoré, da Serra do Mar.

Confederação dos Tamoios: devido às atrocidades
praticadas pelos colonos portugueses, grupos indígenas
deixaram de lado as rivalidades e formaram uma aliança
para expulsá-los. Foram apoiados pelos franceses, que
estavam interessados no enfraquecimento da presença
portuguesa no Brasil.

144 HISTÓRIA 8o ano 172

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Observe esta aquarela, feita pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret quando esteve
no Brasil.

Museu da Chácara do Céu

Jean-Baptiste Debret (1768-1848). Carga de cavalaria guaicuru,1822.
Aquarela sobre papel, 16,8 × 25,8 cm.

Essa obra retrata indígenas guaicuru em uma investida contra inimigos da tribo.
Os guaicuru aprenderam a utilizar os cavalos como montaria e, por isso, ofereciam maior
resistência à penetração de espanhóis e portugueses na região Centro-Oeste do Brasil.

Agora, responda:
a) Quem é o autor da aquarela Carga de cavalaria guaicuru?

Jean-Baptiste Debret.

b) Em que ano ela foi pintada?

Em 1822.

c) Onde possivelmente aconteceu a cena retratada?

Região Centro-Oeste do Brasil.

d) O que ela revela sobre a capacidade de resistência dos guaicuru?

Que os guaicuru aprenderam a utilizar cavalos, o que ajudou na reação contra os invasores.

Não são preguiçosos, mas diferentes

É comum, quando estudamos a escravidão no Brasil, algumas pessoas acharem que os indígenas eram pregui-
çosos e que, por isso, os portugueses trouxeram os africanos para trabalhar aqui. O que ocorre é que, geralmente,
os indígenas são avaliados de acordo com os valores da cultura europeia, que considerava o acúmulo de riquezas
materiais o principal objetivo de vida, enquanto os indígenas achavam necessário produzir somente o que consumiam.

173 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 145

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

As sociedades indígenas são igualitárias, ou seja, sociedades sem classes. Têm, portanto, uma cultura diferente da
nossa, outros hábitos, costumes e tradições.

Ao serem dominados, os indígenas foram, ao mesmo tempo, culturalmente, algoz: carrasco.
transformados e transformadores. Mudaram gostos e hábitos dos seus algozes. In-

fluenciaram na alimentação, na língua, nos costumes, na forma de vida, contribuindo

para a formação da sociedade brasileira.

Os indígenas lutaram e lutam, árdua e constantemente, através de movimentos e organizações indígenas e da
participação política, elegendo vereadores e prefeitos indígenas, para conquistar e garantir os seus direitos, como o da
inclusão, na atual Constituição Federal, dos direitos indígenas, principalmente os de garantia à terra, o reconhecimento
de sua identidade e o ensino bilíngue, ou seja, o uso da língua materna e do português no processo de alfabetização,
mesmo que para isso tenham que lutar contra garimpeiros, madeireiros, grandes fazendeiros criadores de gado, plan-
tadores de arroz e invasores em geral.

Revelando o que aprendeu

1. Escreva uma diferença entre a sociedade portuguesa e as sociedades indígenas.

Enquanto os portugueses consideravam o acúmulo de riquezas materiais o principal objetivo da vida, os indígenas não achavam
necessário produzir mais do que consumiam. As sociedades indígenas eram igualitárias, ou seja, sociedades sem classes.

2. O que você pensa sobre essas diferenças?

Educador, o objetivo da questão é levar o educando a refletir sobre o papel da cultura na inserção do indivíduo no meio social e sobre o
fato de que cada sociedade possui as suas especificidades, tais como determinados comportamentos, crenças e valores. Lembre-se que
tais especificidades é que definem a identidade de um grupo humano em um determinado território e período histórico.

3. Qual é uma ideia comum quando se fala na substituição dos indígenas por escravos negros?

A ideia é que os indígenas eram preguiçosos.

4. Por que essa ideia é comum?

Porque, geralmente, os indígenas são avaliados de acordo com os valores da cultura europeia.

146 HISTÓRIA 8o ano 174

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

5. Pesquise na mídia (televisão, jornais, revistas e internet), e cite um exemplo recente de luta dos grupos
indígenas para garantir seus direitos.

Educador, são diversos os conflitos no território brasileiro entre grupos indígenas e invasores de suas terras. Pode-se citar a ques-
tão que envolve a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte em Altamira, no Pará, e os impactos desta sobre as aldeias indí-
genas que vivem na região, ou os conflitos para a reintegração de terras indígenas na região de Ribeirão de Cascalheira, interior do
Mato Grosso (MT).

6. Pesquise em jornais, revistas, na internet, em livros etc. artigos, reportagens e fotografias sobre a situação
atual dos indígenas no Brasil com relação a moradia, trabalho, saúde, educação, transporte. Recorte-os
e cole-os no caderno ou em uma folha à parte. Reúna-se com dois colegas e façam uma leitura do que
cada um descobriu, de acordo com os itens a seguir:

a) trabalho;
b) moradia;
c) saúde;
d) transporte;
e) educação.

7. Reúna-se com seus colegas de grupo. Discutam sobre a situação atual dos indígenas no Brasil. Tirem
suas conclusões e apresentem-nas para a classe.

Aprofundando o tema

De Portugal para o mundo

Diferentemente das sociedades indígenas, a sociedade dos portugueses estava sob o controle de um rei e uma
poderosa organização, o Conselho Ultramarino, que planejava e coordenava todas as ações fora da Europa, e uma
Igreja Católica disposta a impor a sua doutrina religiosa no mundo.

Interessado na expansão do catolicismo, o Vaticano apoiou as ações dos reis católicos em outros continentes.
Em sua bula Romanus Pontifex de 8 de janeiro de 1454, o papa Nicolau V concede ao rei Afonso V de Portugal:

[...] a plena e livre faculdade, entre outras, de invadir, bula: na Igreja Católica Apostólica
conquistar e subjugar a quaisquer sarracenos e pagãos, ini- Romana, carta pontifícia de caráter
migos de Cristo, suas terras e bens, a todos reduzir à servidão especialmente solene.
e tudo praticar em utilidade própria e dos seus descendentes. doutrina: conjunto de princípios que
serve de base a um sistema religioso,
Darcy Ribeiro. O povo brasileiro. 2.ed. político, filosófico, científico etc.
São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 40. Fragmento. pagão: diz-se do indivíduo que não foi
batizado.
Foi com o apoio do papa que Portugal e Espanha, em 1494, dividiram sarraceno: muçulmano.
as terras já descobertas e as terras ainda desconhecidas do globo. Esse
acordo ficou conhecido como Tratado de Tordesilhas. Veja o mapa a seguir.

Educador, veja o Manual específico.

175 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 147

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

TRATADO DE TORDESILHAS

Meridiano de Tordesilhas 0º

TERRITÓRIO DE Meridiano de GreenwichOCEANO
EXPLORAÇÃO Mario YoshidaATLÂNTICO
DA ESPANHA

Trópico de Câncer

Equador BRASIL OCEANO
ÍNDICO
Trópico de Capricórnio
OCEANO
OCEANO ATLÂNTICO
PACÍFICO
N

OL

S

TERRITÓRIO DE EXPLORAÇÃO DE PORTUGAL 0 1253 2506

km

Fonte de referência: Atlas histórico escolar. Rio de Janeiro: Ministério da Educação/FDE, 1991.

Portugal iniciou, no século XV, a sua expansão comercial pelo mundo e foi o respon-

sável pela colonização de várias regiões do globo terrestre. Não é à toa que hoje a língua

portuguesa é falada em vários lugares do mundo: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau,

Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste etc. Observe: Sugestão: educa-
dor, localize, com
DOMÍNIOS PORTUGUESES 120ºO 60ºO 0º 60ºL 120ºL 180º 90ºN os alunos, em um
mapa-múndi ou atlas,
180º os países citados no
texto e seus respecti-
vos continentes.

Círculo Polar Ártico

60ºN

Trópico de Câncer MACAU 30ºN

OCEANO CABO OCEANO
PACÍFICO VERDE GOA PACÍFICO

Mario Yoshida Equador GUINÉ
BISSAU

BRASIL SÃO TOMÉ OCEANO TIMOR
E PRÍNCIPE MOÇAMBIQUE ÍNDICO LESTE

ANGOLA

Trópico de Capricórnio

OCEANO 30ºS
ATLÂNTICO N

OL

Territórios colonizados por Portugal

Círculo Polar Antártico 60ºS S
0 2862
5724

90ºS km

Fonte de referência: Atlas histórico escolar. Rio de Janeiro:
Ministério da Educação/FDE, 1991.

Esses países e o território de Macau, que era uma zona administrativa especial da
República Popular da China e foi administrado por Portugal até 20 de dezembro de 1999,
são exemplos de como as atividades comerciais lusitanas espalharam-se mundo afora.

148 HISTÓRIA 8o ano 176

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

1. Explique alguns direitos que as bulas papais davam aos conquistadores europeus.

Tomar as terras dos não cristãos e torná-los servos.

2. Qual era o interesse da Igreja Católica em apoiar as conquistas europeias?

Expandir a fé católica.

3. O que você sabe sobre a escravização dos povos africanos? Que tal dividir com seus colegas esses co-
nhecimentos? Resposta pessoal.

Depois, leia o texto a seguir.

Ampliando o tema

Os nossos ancestrais africanos 071 CONTEÚDO
DIGITAL

Os escravos africanos foram trazidos para o Brasil principalmente da costa ocidental da África. Os nossos colo-

nizadores trouxeram aproximadamente 5 milhões de pessoas, que foram utilizadas como mão de obra escrava em

diversas atividades, como agricultura, mineração, serviços domésticos etc. Observe o mapa a seguir. Ele mostra os

principais locais de origem dos escravos africanos trazidos para o Brasil. Sugestão: educador, localize com seus alunos as regiões
citadas no texto e também a distância com relação a

PRINCIPAIS LOCAIS DE ORIGEM DOS ESCRAVOS AFRICANOS Portugal e ao Brasil.

60ºO Meridiano de Greenwich0º 60ºL
Mario Yoshida
PORTUGUAL

Trópico de Câncer

OCEANO NIGÉRIA
ATLÂNTICO

GUINÉ-BISSAU
SERRA LEOA

Equador OCEANO
BRASIL ÍNDICO

ANGOLA

N MOÇAMBIQUE

Trópico de Capricórnio O L

OCEANO S
PACÍFICO
0 1080 2160

km

Fonte de referência: Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

Educador, informe aos alunos este mapa apresenta a divisão política atual e possibilita identificar os
locais de onde eram trazidos os escravos para o Brasil

Havia os banto, de áreas hoje conhecidas com os nomes de Angola e Moçambique. Também vieram grupos
africanos de formação religiosa islâmica, como os mandinga, hauça e, do norte da Nigéria, os malê, e alguns grupos
menores de Serra Leoa e Costa do Marfim.

177 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 149

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

A escravidão africana foi praticada durante mais de três séculos. No Brasil, estendem-se do século XVI ao final
do século XIX.

Os sofrimentos pelos quais os escravos africanos passaram foram inúmeros e cruéis. Para os europeus, não
passavam de objetos, mercadorias, e, quando chegavam à América, eram registrados e marcados para venda. Eram
obrigados a executar os piores tipos de tarefas por horas intermináveis. Sofriam terríveis torturas físicas.

Os colonos evitavam deixar juntos escravos de mesma origem porque sabiam que a diversidade linguística, étnica
e cultural entre diferentes grupos dificultava que se organizassem. Dessa forma, sem referência de identidade e de
cultura, isolados, os escravos africanos passaram a falar o português misturado com palavras da língua materna. Mes-
mo assim, longe de sua pátria, eles resistiram, mantendo suas crenças religiosas, danças, música e criações culinárias.

TRABALHANDO COM TEXTO

Observe esta imagem pintada por Debret.

Texto

Museus Castro Maya/Iphan/MinC

Feitor castigando negro, obra de
Jean Baptiste Debret, 1826.
Aquarela sobre papel, 15 × 19,8 cm.

feitor: empregado que
cuidava dos escravos para
seus senhores.

Por dentro do texto

1. O que a imagem mostra? Um escravo sendo castigado pelo feitor.
2. Que lugar é esse retratado na pintura? Uma fazenda.

A resistência negra

A resistência à escravidão começava em terras africanas e continuava durante a travessia do oceano Atlântico,
pois muitos negros escravizados suicidavam-se a bordo dos navios.

No Brasil, os negros formavam quilombos ou mocambos e organizavam revoltas, praticavam roubos, sabotagem,
assassinatos, suicídios, faziam abortos, trabalhavam com lentidão ou destruíam as ferramentas de seus senhores.

150 HISTÓRIA 8o ano 178

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

A fuga, por si só, representava a liberdade e o distanciamento dos maus-tratos, e também expressava um ataque ao
“direito de propriedade” dos lusitanos, para quem os escravos eram propriedades deles.

Os quilombos eram os locais ideais para fugir ao cativeiro. Eles foram criados em todo o Brasil, e o mais conhecido
é o de Palmares, formado por várias aldeias localizadas entre os estados de Alagoas e Pernambuco.

Foi no quilombo de Palmares, que existiu entre 1630 e 1695, que seu último líder, Zumbi, resistiu, até a destrui-
ção do quilombo e a sua própria morte, a um exército de 9 mil homens comandados pelo bandeirante Domingos
Jorge Velho. Muitos anos depois, o dia 20 de novembro, possível dia da morte de Zumbi, foi escolhido como o “Dia
Nacional da Consciência Negra”.

Outro exemplo marcante da resistência negra no Brasil foi a Revolta dos Malês, ocorrida em 1835 na cidade
de Salvador.

“Malê” é um termo ioruba que designa “muçulmano”. Os malês, que exerciam atividades livres e eram conheci-
dos como “negros de ganho” (alfaiates, pequenos comerciantes, artesãos e carpinteiros), se organizaram em torno
de propostas de libertação dos escravos negros e contra a repressão do catolicismo.

Traídos, os revoltosos que não foram mortos em combate acabaram condenados à tortura, ao degredo e até à
pena de morte.

A influência da cultura africana é grande no Brasil, na língua, na alimentação, nos ritmos musicais, nas danças,
na literatura, poesia, religião, nos instrumentos musicais, nas vestimentas, nos modos de pentear os cabelos etc.

Revelando o que aprendeu

1. Como os portugueses consideravam os povos diferentes deles?

Para os portugueses, todos os povos diferentes deles eram considerados inferiores.

2. Localize e transcreva do texto “Os nossos ancestrais africanos” o trecho que revela uma das estratégias
da classe dominante para dificultar a resistência organizada do escravo africano.

A classe dominante evitava colocar no mesmo lugar os escravos de mesma origem porque sabia que a diversidade linguística,
étnica e cultural aumentava a dificuldade para que eles se organizassem.

3. Troque ideias com seus colegas a respeito da importância dos quilombos para a resistência dos negros
africanos contra a escravidão. Escreva a conclusão a que vocês chegaram.

Resposta pessoal.

4. “A influência da cultura africana é grande no Brasil [...]”. Tendo por base a leitura do texto “A resistência
negra”, justifique essa afirmação.

A cultura africana teve influência na língua portuguesa, na nossa alimentação, nos ritmos musicais, nas danças, na literatura, na
poesia, na religião, nos instrumentos musicais, nas vestimentas, nas várias tradições culturais etc.

179 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 151

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA
5. Para você, qual o significado do “Dia da Consciência Negra”? Resposta pessoal.

Educador, todo povo ou grupo social elege seus heróis, personagens que inspiram coragem e superação e servem de modelo e
exemplo. A celebração da morte de Zumbi dos Palmares e a sua elevação ao posto de herói permitem a reflexão sobre a impor-
tância da cultura e da história do negro no Brasil e dos movimentos negros para o resgate da liberdade e da autoestima dos afro-
-brasileiros.

6. Algumas pessoas acham que os negros trazidos da África eram todos iguais. Isso não é verdade, havia
diferenças entre eles. Justifique esta última afirmação.

Eles foram trazidos de diversas regiões da África, com costumes e línguas diferentes.

7. Você conhece músicas, costumes ou alimentos de origem africana? Quais? Dê exemplos.

Resposta pessoal.

8. Quais são as origens de nossa diversidade cultural?

Resposta possível: a mistura de elementos das culturas indígenas, africana e europeia.

Novas ondas migratórias

Em 1845, o Parlamento inglês aprovou a Bill Aberdeen, lei que proibia o comércio de escravos entre a África e
a América. Isso obrigou o governo brasileiro a promulgar a Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que pôs fim ao tráfico
legal de escravos para o Brasil.

A partir de então começou a chegar aqui um enorme contingente de imigrantes europeus que ajudou a con-
tornar o problema da falta de mão de obra, um dos efeitos provocados pela Lei Eusébio de Queirós.

A chegada dos imigrantes também foi bem vinda para a elite brasileira por outra razão que nada tem a ver com
a necessidade de mão de obra.

Mesmo antes da assinatura da Lei Áurea, no dia 13 de maio de 1888, pela princesa Isabel – filha de D. Pedro II –,
outro problema perturbava as cabeças de parte da elite nacional.

Essa elite defendia a tese do branqueamento do povo brasileiro como um projeto nacional. Para atingir esse
objetivo, achava necessário aumentar a quantidade de europeus no Brasil.

Essa classe social desejava viver aqui como se estivesse na Europa, cercada por pessoas de cor branca e falando
francês. Queria “apagar da memória” os traços e as lembranças de nossa herança negra e indígena.

O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, na década de 1930, antes de vir ao Brasil para trabalhar e realizar
pesquisas, ouviu do embaixador brasileiro a seguinte declaração:

Índios? Infelizmente, prezado cavalheiro, lá se vão anos que eles desapareceram.

Claude Lévi-Strauss. Tristes trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 46.

152 HISTÓRIA 8o ano 180

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Reprodução (*) Educador, desde a Antiguidade a escra-
vidão está baseada em forte preconceito em
Família de imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, início do século XX. relação ao escravo, visto como uma merca-
doria que podia ser negociada como qual-
quer objeto pessoal, independentemente de
sua origem. Brancos escravizavam brancos
na Europa, negros escravizavam negros na
África e indígenas americanos escravizavam
outros indígenas. O mesmo aconteceu na
Mesopotâmia, Índia, China etc.
Ocorre que durante a Idade Moderna o
preconceito em relação ao escravo adqui-
riu uma forte conotação racial e a palavra
“escravidão” passou a ser associada à cor
da pele negra. Por isso, quando se fala de
escravidão hoje logo vem a imagem de um
negro trabalhando.
O negro não foi escravizado por ser negro,
mas por ser de fácil acesso no período colo-
nial. Como a escravidão americana ocorreu
entre “raças” diferentes, isso possibilitou aos
defensores do sistema escravista usar pri-
meiro argumentos baseados na fé e depois
na razão para justificar - mesmo depois de
John Locke – a contraditória manutenção
da escravidão negra. A partir de então, no
imaginário da população branca, os africanos
e seus descendentes se tornavam escravos
porque eles seriam então menos do que
seres humanos. O ódio, o descaso e os
maus-tratos para com a população negra são
decorrentes dessa concepção.

Os imigrantes europeus chegaram aqui fugindo da miséria e da fome em seus países. Mas, antes de conquistar a
melhoria de vida, tiveram que lidar com uma elite agrária acostumada a tratar de forma preconceituosa a sua mão de obra.

Apesar disso, eles recebiam tratamento melhor do que os afro-brasileiros, já que o padrão de beleza no Brasil,
naquela época, era o do homem branco. (*) Ver orientação anterior.

Desde a descoberta até o início do século XX, chegaram ao Brasil cerca de 5 milhões de imigrantes, sendo:
• 1,7 milhão de portugueses; • 250 mil alemães; • 700 mil espanhóis;
• 1,6 milhão de italianos; • 230 mil japoneses; • 90 mil sírio-libaneses.

Hoje somos mais de 190,7 milhões de brasileiros e conseguimos abrigar, até o final do século XX, 4,5 milhões de
imigrantes, incluindo eslavos, ingleses, suíços, suecos, húngaros, franceses, holandeses, poloneses, árabes, judeus,
coreanos e norte-americanos.

1. Que atitude a elite tomou após a libertação dos escravos? Com quais objetivos?

A partir do século XIX, com a libertação dos escravos, a elite estimulou a vinda de imigrantes para o Brasil, com a finalidade de
obter mão de obra e branquear a população.

2. Compare a atitude da elite com relação à mão de obra dos europeus, no século XIX, e com relação à mão
de obra africana: Quais as semelhanças? Quais as diferênças?

A semelhança foi a forma preconceituosa como tratava tambem o trabalhador europeu. A diferença é que o tratamento dado ao europeu

era melhor.

181 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 153

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

3. Observe as imagens a seguir:ReproduçãoDesfile da Oktoberfest (festival de cerveja de Blumenau). Santa Catarina 2011 Edu Lyra/Pulsar Imagens

1 2

O judoca brasileiro Tiago Camilo comemora depois de vencer o Rubens Cavallari/Folhapress Oktoberfest. Blumenau, SC, 2011. Sergio Castro/Agência Estado
cubano Jorge Benavides na final da categoria até 90 kg. Jogos Pan- 4
-Americanos do Rio de Janeiro, 2007.

3

Lutadores de judô. Jogos Pan-Americanos. Rio de Janeiro, RJ, 2007. Restaurante de comida árabe. São Paulo, SP, 2010.

Escreva uma frase que resuma o que mostram as imagens.

Resposta pessoal. Resposta possível: As imagens mostram alguns elementos culturais que foram trazidos ao Brasil com os imigran-
tes e que foram integrados à cultura brasileira.

154 HISTÓRIA 8o ano 182

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Aprofundando o tema

O preconceito não está só aqui Educador, veja o Manual específico.

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de
sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para
odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender
a odiar, podem ser ensinadas a amar.

Nelson Mandela

É equivocada a ideia de que seríamos mais desenvolvidos se tivéssemos sido colonizados pelos ingleses. Basta
conhecer sobre a prática do apartheid na África do Sul. Apartheid é uma palavra de origem africâner, dialeto do
holandês, que significa “vida separada” e foi adotada legalmente em 1948, na África do Sul, para dar nome a um
regime que separava brancos de negros e retirava destes últimos o direito de serem cidadãos.

A escravidão no Brasil não levou ao apartheid, mas a um preconceito racial disfarçado.

A situação era tão delicada que, ao final do século XVI,
o convívio no mesmo recinto religioso foi motivo para que se
solicitasse a realização de duas missas diárias, separando escra-
vos e senhores, a pedido destes últimos. Alegava-se que o mau
cheiro dos negros incomodava os brancos. É bem mais provável
que o cheiro do reconhecimento da humanidade dos negros os
incomodasse ainda mais.

Segundo relato do visitador Cristóvão Gouveia,
em 1589, transcrito por Serafim Leite.

História da Companhia de Jesus no Brasil. Lisboa: Portugália.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

In: DEL PRIORE, Mary [et al.]. 500 anos de Brasil: histórias e reflexões.
São Paulo: Scipione, 1999. (Ponto de Apoio).

O Estatuto da Igualdade Racial em debate

No Brasil ainda existe o mito da democracia racial, ou seja, mito da democracia racial: crença
ainda há pessoas que acreditam que não há preconceito de cor. Po- de que no Brasil não existe racismo e
rém, mesmo tendo passado mais de 120 anos desde a promulgação discriminação racial como ocorre, por
da Lei Áurea, as práticas racistas continuam dissimuladas em livros, exemplo, nos Estado Unidos.
jornais, revistas, tevês e nos comentários diários. Dessa forma, o
preconceito racial vem sendo recriado e realimentado ao longo de
toda a nossa história.

Por isso, desde a década de 1970, os movimentos negros e pesquisadores investigaram a situação dos afro-
-brasileiros e, mais uma vez, observaram uma forte discriminação velada. Tais pesquisas provocaram o debate na-
cional sobre a condição dos afrodescendentes no Brasil, levando à inserção do tema na Constituição de 1988. Nos
anos 2000 alcançaram-se conquistas importantes, como o desenvolvimento de programas de valorização da cultura
e da história do negro no Brasil e dos africanos com a Lei 10.639/03, o programa de estabelecimento de cotas nas

183 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 155

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

universidades, ou seja, a reserva de determinada quantidade de vagas para os afrodescendentes, visando ampliar o
acesso de estudantes negros ao ensino superior.

Mais recentemente, em 2010, foi aprovado, na Câmara dos Deputados, o Estatuto da Igualdade Racial, que tem
como principal objetivo o combate à discriminação racial e às desigualdades estruturais e de gênero que atingem
os afro-brasileiros.

Muito tem sido feito para eliminar o racismo, o preconceito e a discriminação, mas ainda há muito a fazer.

1. Na sua opinião, o que mais pode ser feito para combater a discriminação racial no Brasil?

2. O que você entendeu da mensagem de Nelson Mandela? Resposta pessoal.
Educador, você e seus alunos podem debater sobre as origens culturais do ódio racial e suas bases socioeconômicas.

3. Para você, as pessoas são ensinadas a ter ódio racial? Explique.
Resposta pessoal.

Os herdeiros da nossa terra

A expansão do domínio português terra adentro, na
constituição do Brasil, é obra dos brasilíndios ou mamelucos.
Gerados por pais brancos, a maioria deles lusitanos, sobre
mulheres índias, dilataram o domínio português [...]

Darcy Ribeiro. O povo brasileiro. 2.ed.
São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p.106.

Rejeitados pelos pais brancos e sem laços com as comunidades in- mameluco: no Brasil, assim era
dígenas, os mamelucos, ou brasilíndios, foram os grandes responsáveis chamado o mestiço de indígena
pela expansão bandeirante. Organizados em grande bandos, chegaram com branco.
em Minas Gerais (1698), Mato Grosso (1719) e Goiás (1725), onde encon-
traram ouro. Nessas localidades, cresceram numa terra de ninguém, onde
construíram sua identidade e provocaram mudanças que repercutiram

em toda a colônia.

• A região que hoje é Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso atraiu mais de 300 mil pessoas nos primeiros sessenta
anos do século XVIII.

• O Rio de Janeiro tornou-se o principal porto do país, por onde escoava o ouro de Minas.

• O Rio Grande do Sul e a Argentina tornaram-se fornecedores de mulas para a atividade mineira.

• As fazendas açucareiras do Nordeste passaram a vender seus escravos para os mineiros.

Em determinado momento, no final do século XVIII, o ouro de Minas Gerais acabou. E a população de negros,
mulatos e mamelucos dispersou-se pela região, surgindo um povo com certos modos de viver, comer, vestir e falar.
É a mineiridade.

À medida que indígenas, brancos e negros foram se desfazendo dos laços com seus ancestrais e construindo
juntos novas relações em uma única língua, a portuguesa, foi surgindo o homem brasileiro.

156 HISTÓRIA 8o ano 184

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Revelando o que aprendeu

1. Quem são os mamelucos ou brasilíndios?
Grupos originários da miscigenação entre indígenas e brancos.

2. Qual foi a importância dos mamelucos para a conquista da região central do Brasil?

Eles representavam a maior parte das tropas dos bandeirantes que invadiram a região Centro-Oeste.

3. Observe esta tela do pintor brasileiro Candido Portinari:

Pinacoteca do Estado de São Paulo/Projeto Portinari

Candido Portinari
(1903-1962). Mestiço,
1934. Óleo sobre tela,
81 × 65,5 cm.

Responda:

a) O que aparece retratado nesse quadro de Portinari?
Resposta possível: em primeiro plano, um homem mestiço com traços negros e indígenas. Ao fundo, um campo com plantação.

b) Qual pode ser a ideia expressa na obra sobre o papel do mestiço no Brasil colonial?

Resposta possível: sua importância no desenvolvimento da agricultura.

4. “Estaríamos em situação melhor se não tivéssemos sido colonizados pelos portugueses.” Você já ouviu
frases como esta? Explique por que essa ideia não é verdadeira.

Resposta possível: porque em regiões dominadas pelos holandeses e ingleses, por exemplo, ocorreram formas de exploração e persegui-
ção em benefício do grupo dominante.
Educador, no Manual específico há um texto complementar para este capítulo, bem como orientação de atividades para trabalho com ele.

185 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 157

2CAPÍTULO UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

iStockphoto
A formação da cidadania e
da cultura nos dias atuais

Educador, veja encaminhamento para trabalhar este capítulo no Manual específico.

Pra começo de conversa Ricardo Teles/Pulsar Imagens

1. Observe estas imagens e faça as atividades propostas.

12

4 iStockphoto
3
Christian Tragni/Folhapress

158 HISTÓRIA 8o ano 186

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

a) Escreva o que você vê nas imagens.
Pessoas representantes de diferentes etnias.

b) Você acha que as pessoas que aparecem nas fotos têm coisas em comum? O quê?
Resposta pessoal. Resposta possível: sim, elas representam a população brasileira atual, que é resultado da mistura de várias culturas.

c) Você é parecido com alguma pessoa das fotos? Com qual delas? Resposta pessoal.
d) O que essas imagens revelam sobre o exercício da cidadania e da cultura?

Resposta possível: elas revelam o respeito pelas diferenças e também a liberdade de escolha para viver e se relacionar com
pessoas de cultura e origem étnica diversas. Isso aparece nas fotos de casais.

2. Qual título você daria a essa sequência de fotos? Resposta pessoal.

3. Na sua opinião, é possível praticar a cidadania sem manifestar a própria cultura?

Educador, é importante lembrar que a prática da cidadania implica o respeito pelas diferenças culturais, manifestadas no gosto
musical, no vestuário, na arte, em ideias e conceitos etc.

Desvendando o tema

A cidadania em debate

Você já parou para pensar sobre o que é cidadania?
Ela envolve direitos sociais que incluem o direito de livre expressão, de ser informado, de organizar-se e loco-
mover-se livremente. Também envolve o direito de votar e disputar cargos em eleições livres, o direito ao bem-estar
econômico e à segurança social.
Também envolve o respeito às regras que possibilitam a vida em sociedade e a preservação do meio cultural
e natural em que vivemos.
Antes de ler o texto a seguir, discuta com seus colegas a relação entre História, cidadania e cultura. Pense e
responda: essa relação existe mesmo? Se existe, como vocês imaginam que ela acontece?

Uma das grandes funções do estudo de História
é a contribuição para a construção da cidadania.

Construir a cidadania é perceber a si mesmo como
ser histórico, isto é, capaz de interferir na socieda-
de em que vive, ao mesmo tempo que a transforma
com o objetivo de incentivar a cooperação pessoal
e coletiva para que a vida corra em harmonia.

É por meio de nossas ações que construimos a
história e nos organizamos socialmente. A história é
a construção da sociedade por si mesma através dos
tempos. Ao fazermos essa constatação, verificamos
que na realidade o desenvolvimento da cultura está
diretamente ligado aos processos históricos de cada
povo, assim como a prática da cidadania depende da
consciência do nosso potencial no mundo.

A construção da cidadania se faz por meio da ação, seja ela vinculada ao espaço urbano, rural, ou a ambos.

Cada movimento expressa as contradições presentes na sociedade brasileira, sobretudo no que diz respeito à
desigualdade social ou à ampliação da participação política, como foi o movimento Diretas Já na década de 1980.

187 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 159

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

A partir de 1980, o Movimento Arestides Baptista/Agência Estado
dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra
MST e as Organizações Não Governa- Marcha do MST. Feira de Santana, BA, 2010.
mentais (ONGs) tiveram destaque, jun-
tamente com os movimentos sindicais.

O século XXI aponta para as
denúncias de depredação do meio
ambiente, dos mares e oceanos, e
também para o caos em que estão
se transformando os centros urba-
nos no Brasil, principalmente quando
se fala da falta de moradia, questão
colocada em pauta pelo Movimento
dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST),
nascido em 1997, diante da necessi-
dade de garantir o acesso à moradia
para todos os cidadãos.

MST: O Movimento dos Mauricio Lima/AFP PHOTO
Trabalhadores Rurais Sem-Terra
teve início na década de 1980,
com o objetivo de organizar os
homens e mulheres do campo
para a luta pela reforma agrária.

Membros do MTST durante protesto por
moradias, em São Bernardo do Campo,
São Paulo, SP, 2009.

Educador, fale para os seus alunos que o MTST é independente em relação ao MST, mas em determinadas situações se alia estrategicamente com ele.

Os processos de luta, de resistência etc. são diferentes em cada parte do mundo. Variam de acordo com a cul-
tura de cada povo, ou seja, com o que é adquirido, aprendido e transmitido, ou com o sistema de atitudes, valores
e instituições da sociedade.

1. Qual é uma das grandes funções do estudo de História? 8o ano 188

Contribuir para a construção da cidadania.

2. Como podemos fazer parte da história?

Com nossas ações. Dessa forma, nos organizamos socialmente.

3. Como se faz a construção da cidadania?

Ela se faz por meio da ação, seja ela vinculada ao espaço urbano, rural ou a ambos.

160 HISTÓRIA

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Leia apenas o título do texto a seguir e as duas primeiras linhas e responda: qual deve ser o assunto do texto?

Resposta pessoal.

No texto aparece a expressão “ser senhor de suas ações”. O que você acha que ela significa? Resposta pessoal.

A “luz” que nos ilumina Educador, veja o Manual específico.

A palavra “cidadania” teve origem na Grécia Antiga e o conceito de cidadania mudou muito desde então.
Na França do século XVIII, a burguesia (os grandes comerciantes, manufatureiros e banqueiros) estava
interessada em acabar com a tutela do rei para expandir seus negócios e controlar o Estado.
Ao questionar o poder monárquico, questionava-se também a fé religiosa, a Igreja e a origem divina do
poder, ou seja, a concepção de que a autoridade dos monarcas era concedida por Deus. À “luz” da razão, o
homem passa a ser senhor de suas ações, dentro de uma nova concepção de mundo chamada de Iluminismo.
Um dos iluministas mais conhecidos foi Montesquieu, que considerava o universo sujeito a regras naturais. Segundo
ele, o rei também estava sujeito a regras, como qualquer outra pessoa, devendo levar em consideração não somente
a sua vontade, mas também a vontade do povo, algo considerado impensável na época.

ateu: diz-se daquele que não crê em Deus ou nos deuses.
contrato social: proposta de um pacto de união de todos numa sociedade política cujos
interesses são entendidos como vontade geral. Essa proposta foi feita por Rousseau em sua
obra O contrato social (1768).
Iluminismo: movimento de ideias que tem sua origem no século XVII, que se desenvolveu
no século XVIII, denominado “século das luzes”. Visou estimular a luta da razão contra o
preconceito, isto é, a luta da “luz” contra as “trevas”.
manufatureiro: aquele que produz manufaturas, ou seja, o produto que é feito manualmente.
reformar: emendar, modificar.

Foi Montesquieu quem propôs a teoria da divisão do poder, separando-o em:

• Legislativo, responsável pela elaboração das leis;
• Executivo, responsável pelo cumprimento das leis elaboradas pelo Legislativo;
• Judiciário, responsável pela interpretação das leis, ou seja, como elas podem ser entendidas em cada caso.

François Marie Arouet, conhecido como Voltaire, filósofo iluminista muito crítico, era antirreligioso sem ser
ateu, acreditava mais na religião do que nos padres. Era defensor ferrenho da liberdade individual. Lançou críticas
à Igreja Católica, ressaltando sua crueldade. Escrevia sátiras sobre a nobreza francesa.

Os iluministas propunham reformar a ordem política de seu tempo e suas ideias refletiam os ideais de ascensão
da burguesia. Para Voltaire, além da liberdade, a propriedade privada seria a base dos direitos do homem.

Jean-Jacques Rousseau criticava a desigualdade social, contrariando a burguesia. Para acabar com a desi-
gualdade entre os homens, criou a teoria do contrato social entre as pessoas públicas, pelo qual cada um con-
tribuiria com seu voto para eleger as autoridades que comandariam e, ao mesmo tempo, garantiriam a liberdade
e a justiça geral. A República seria a forma de governo que representaria o homem público. Assim, chegaria ao
fim o período das monarquias.

189 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 161

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

TRABALHANDO COM TEXTO

Observe a imagem a seguir. Educador, veja o Manual específico.

Texto 1

Palácio Episcopal, Capela Sistina – Vaticano Homem Deus

Separação

Razão Fé

Criação de Adão. Faz parte do afresco pintado pelo pintor, escultor, poeta e arquiteto afresco: pintura
italiano Michelangelo Buonarrotti (1475-1564) no teto da Capela Sistina – Vaticano. executada sobre
revestimento fresco de
Por dentro do texto parede ou teto.

a) Identifique os personagens do afresco. Adão e Deus.

b) Descreva a imagem. Resposta pessoal. Resposta possível: na pintura de Michelangelo, há um homem nu que estende seu
braço em direção à mão de Deus. Mas eles estão separados.

c) Qual é o assunto da cena? A criação de Adão.

d) Na sua opinião, por que a imagem está interrompida e, entre as duas partes, aparece a palavra “se-
paração”? Resposta pessoal. Resposta possível: para representar do rompimento entre a razão e a fé.

Observe a pirâmide a seguir:

Texto 2
Organização social na França antes da Revolução Francesa

Rei
Clero Nobreza

Burguesia, sans-cullotes: designação
baixa burguesia, sans-culottes e de população urbana
miserável formada por
camponeses mendigos e trabalhadores.

162 HISTÓRIA 8o ano 190

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Como você pode ver na pirâmide, a sociedade francesa, antes da Revolução Francesa, estava dividida em três
grupos distintos. Cada grupo era chamado de Estado. O primeiro Estado era formado pelo clero, o segundo pela
nobreza e o terceiro pelo restante da população.

Por dentro do texto

1. O que a pirâmide mostra? Os grupos sociais na França antes da Revolução Francesa.

2. Você já viu alguma pirâmide parecida com essa? Onde? Resposta pessoal.

3. O que há no ponto mais alto da pirâmide? Representa o quê?

Uma coroa. Representa o mais alto poder na época, o rei.

4. Que classes sociais estão representadas abaixo do rei?

O clero, poder da Igreja, e a nobreza.

5. A burguesia, a baixa burguesia, os sans-culottes e os camponeses estão em qual posição?

Estão abaixo do rei, do clero e da nobreza, na base da pirâmide.

6. Onde está localizada a maioria da população? Na base da pirâmide.

Aprofundando o tema

As ideias do movimento iluminista serviram de inspiração para uma grande revolução social que veio a seguir.
Ela foi tão forte que se espalhou pelo mundo europeu e influenciou até a América.

Revolução na França: necessidade e desejo

Sugestão: educador, com os alunos, localize num mapa- Biblioteca Nacional, Paris
-múndi ou num atlas o continente europeu e a França.
Gravura popular da época da Revolução Francesa, que representa o Terceiro
Em 1789, na França, ocorreu uma das re- Estado rompendo os grilhões diante da nobreza e do clero. “Obra de autor
voluções mais importantes daquele período: a desconhecido do final do século XVIII.”
Revolução Francesa.

Diferentemente da revolução agrícola,
a revolução que aconteceu na França não foi
resultado de uma inovação técnica, como o
desenvolvimento da agricultura.

A Revolução Francesa foi o resultado de sé-
culos de questionamentos sobre os direitos da
velha classe – a nobreza – feitos pela nova classe
– a burguesia. Eles foram aprofundados pelos
problemas econômicos que deixaram a população
francesa com um quinto de indigentes.

As ideias dos iluministas John Locke, Mon-
tesquieu, Voltaire e Rousseau influenciaram
muitos jovens franceses, outros europeus e até
os americanos do outro lado do oceano Atlântico.

Sugestão: educador, com os alunos, localize num mapa-múndi ou em um atlas o oceano Atlântico, a América e o continente europeu.

191 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 163

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

No final do século XVIII, a França reunia condições para Museu Carnavalet, Paris

grandes transformações, entre elas:

• o aumento de somente 2% dos salários, enquanto os
preços cresceram 60% entre 1630 e 1789;

• o pagamento das obrigações em dinheiro ou em serviços
feito pelos camponeses para a nobreza;

• o gasto excessivo de recursos do Estado feito por quem
não pagava impostos: os nobres e a Igreja;

• o desvio de recursos feito pela França para sustentar as
guerras na América contra a sua maior rival, a Inglaterra.

Foi a burguesia, juntamente com a maioria da população

francesa, que derrubou a monarquia francesa. Apesar de a fa-

mosa Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão afirmar Jean-Baptiste Lesueur (1749 - 1826). Os famintos e o
a igualdade entre os homens perante a lei, logo os direitos penhorista, final do século XVIII. Guache sobre papel
da maioria foram restringidos pela burguesia que tomou o cartão, 33 x53,5 cm.
controle do movimento. Algumas restrições: Gravura popular da época da Revolução Francesa, que
representa o povo faminto.
• O acesso dos camponeses à propriedade privada foi
dificultado.

• Os trabalhadores da cidade e do campo que não sabiam ler ou escrever ficaram impedidos votar.
• Os não europeus não tinham direitos de cidadania.
• As greves foram proibidas.

Em 1792 veio a reação da baixa burguesia, dos sans-culottes e camponeses. Liderados por Robespierre, retoma-
ram o controle da República.

Lembremos que a sociedade humana é construída a partir da interação entre os homens, e entre estes e o meio
em que vivem. Essa interação provoca conflitos.

A burguesia não estava sozinha nesse movimento. Os outros grupos que a apoiaram foram enganados por ela
na Constituição de 1791:

• a baixa burguesia, uma espécie de classe média educada segundos os ideais iluministas;
• a população urbana miserável, formada por mendigos e trabalhadores, os sans-cullotes;
• os camponeses, a maioria da população francesa.

1792: radicalização ou necessidade?

Sob a liderança de Robespierre, os grupos sociais que foram enganados pela burguesia assumiram o controle
da República.

Algumas medidas que foram tomadas a favor dos grupos populares:

• libertação dos escravos nas colônias francesas;
• invasão e ocupação de vários territórios europeus, contribuindo para a divulgação dos ideais iluministas.

164 HISTÓRIA 8o ano 192

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

A bandeira atual da França, Ablestock
nas cores azul, branca e vermelha,
foi criada em 1789 porque a Revo-
lução Francesa exigiu a mudança
das armas e emblemas do governo
absolutista.

Sua adoção definitiva só ocor-
reu em 1830.

Arco do Triunfo,
Paris, 2009.

A monarquia ruiu. O casal real, Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta, guilhotinado: que teve a cabeça
foi guilhotinado em 1793. E a França deixou de ser governada por uma cortada com a guilhotina, aparelho
monarquia absolutista. no qual o golpe é desferido por uma
lâmina triangular precipitada de
O exemplo francês serviu de inspiração para os defensores do Ilumi- certa altura.
nismo nas Américas.

Se hoje um cidadão qualquer [...] for tratado grosseiramente por um guarda, responde
com firmeza ‘Sim, pode me multar, mas porte-se com o devido respeito, caso contrário vou
apresentar queixa’. Isso acontece porque houve a Revolução Francesa. [...] Ela exportou
suas ideias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade [...].

A ideia de que se não houver república, haja ao menos uma monarquia constitucional
[...], a própria ideia das independências nacionais, nasce e se difunde com a Revolução
Francesa. E, portanto, nós somos como somos, votamos, escrevemos cartas aos jornais,
organizamos manifestações, pressionamos o nosso deputado, porque houve a Revolução
Francesa.

Umberto Eco. O Sr./Sra. tomaria a Bastilha? A Revolução Francesa: 1789/1989.
São Paulo: Editora Três, 1990.

Revelando o que aprendeu

1. Selecione um trecho do texto “A luz que nos ilumina” que demonstre o desejo da burguesia europeia
na época.

Na França do século XVIII, a burguesia (os grandes comerciantes, manufatureiros e banqueiros) estava interessada em acabar com
a tutela do rei para expandir seus negócios e controlar o Estado.

2. Identifique no mesmo texto a explicação da origem do poder do rei.
“[...] a origem divina do poder[...]”

3. Você já deve ter ouvido expressões como estas: “viva a liberdade”, ”viva a igualdade”, “viva a fraternidade”,
“o Iluminismo deixou marcas profundas na humanidade”. O Iluminismo é muito complexo. Podemos, no
entanto, perceber que ele provocou profundas transformações na sociedade, na maneira de ser, pensar
e sentir. Com base no que aprendeu sobre o Iluminismo, apresente o que se pede a seguir:

193 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 165

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

a) As novas concepções que ele introduziu sobre o papel dos homens.
À “luz” da razão, o homem passa a ser senhor de suas próprias ações.

b) As principais ideias de Montesquieu. Os governantes não poderiam governar segundo a sua vontade ou o seu livre ar-
bítrio. Era necessário considerar a vontade do povo que estava sendo governado.

c) A divisão de poderes proposta por Montesquieu.
Legislativo, Executivo e Judiciário.

4. Atualmente, os três poderes propostos por Montesquieu existem no nosso país? Onde funcionam?
Sim, eles funcionam nos centros urbanos, onde se encontram a câmara municipal, a prefeitura e os tribunais; nas capitais dos estados
estão a Assembleia Legislativa, onde se reúnem os deputados estaduais, além da sede do governo do estado e dos tribunais.

5. “Para acabar com a desigualdade entre os homens, Rousseau propôs um contrato social entre todos os
cidadãos do país.” Quais são as duas palavras mais importantes nessa frase?

Contrato social. Educador, veja as orientação adiante.

6. Identifique no texto um exemplo de exercício de cidadania que praticamos hoje.
Rousseau propôs que cada pessoa contribuísse com seu voto para eleger as autoridades que comandariam a todos.

7. Selecione uma frase do texto de Umberto Eco que demonstre os direitos de cidadania que temos hoje
graças à Revolução Francesa.

Resposta possível: ”[...] nós somos como somos, votamos, escrevemos cartas aos jornais, organizamos manifestações, pressiona-
mos o nosso deputado, porque houve a Revolução Francesa”.

8. Quem liderou a Revolução Francesa?

A Revolução foi liderada pela burguesia.

9. O que aconteceu com o rei da França, Luís XVI, e sua esposa na Revolução Francesa?
Foram guilhotinados.

10. A Revolução Francesa foi o resultado de uma luta entre forças defensoras da monarquia e das ideias ilumi-

nistas. Quem representava a monarquia? Quem representava e defendia as ideias iluministas?

A monarquia era representada pelos integrantes da Igreja e pela nobreza, e o Iluminismo era representado pela burguesia, pela
baixa burguesia, pelos sans-cullottes e pelos camponeses.

11. Explique a disputa entre a burguesia (os grandes comerciantes, manufatureiros e banqueiros) e os radicais

liderados por Robespierre pelo controle da Revolução.
A disputa ocorreu porque a burguesia pretendia garantir sua propriedade privada e limitar a participação popular, e Robespierre
pretendia estender os direitos republicanos para todos os franceses, inclusive os escravos das colônias.

Ampliando o tema 5. Educador, o contrato social – ou contratualismo – se refere a um conjunto de teorias que pro-
curam explicar por que os indivíduos abrem mão de certos direitos para um Estado ou autoridade
política, ou seja, elas se referem a um acordo entre os membros da sociedade. Que tal debater
com seus alunos sobre as vantagens ou desvantagens desse pacto social e sobre o que ganha-
mos ou perdemos ao transferirmos o poder de decisão para autoridades constituídas? Pode-se
também trabalhar os limites da intervenção do Estado na vida pública e na vida privada.

Iluminismo à brasileira Educador, no Manual específico há um complemento sobre o Pacto Colonial, que trata da domi-
nação da metrópole sobre a economia da colônia, cerne do descontentamento dos adeptos dos
ideais iluministas no Brasil.

No Brasil, o pensamento iluminista foi disseminado entre os filhos das classes abastadas da colônia que iam
estudar na Europa.

A população crescente da rica região de Minas Gerais formava um heterogêneo: diversificado.
grupo heterogêneo de mamelucos, negros, mestiços e brancos; havia
cidadãos ricos, escravos, artesãos, músicos, comerciantes, funcionários
públicos etc. Esses homens fizeram da exploração direta ou indireta da
lavra do ouro e do diamante a fonte de sua riqueza ou miséria.

Essa diversidade de classes reunida em aglomerados urbanos, os impostos crescentes cobrados pela Coroa e
o surgimento de uma elite letrada, formada pelos que iam estudar na Europa, permitiram a reunião das condições
necessárias para a criação de um projeto local com o objetivo de modificar as relações existentes entre a colônia
e sua metrópole, no caso, Portugal. Esse projeto foi chamado de Inconfidência Mineira.

No começo, era cobrado um quinto de todo o ouro das minas. Entretanto, o desespero de Portugal para pagar
suas dívidas levou o país, em 1750, a decretar o pagamento anual de um mínimo de 1.456 quilos de ouro. Caso
essa quantia não fosse paga, a metrópole aplicava a “derrama” – toda a comunidade tinha que pagar a Portugal
determinada quantia até completar 1.456 quilos de ouro.

A queda da produção de ouro agravou o problema, principalmente o dos mais pobres, porque não conseguiam
pagar o valor mínimo. Em 1789, até os mais ricos perceberam que a situação não poderia continuar, como estava.

166 HISTÓRIA 8o ano 194

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

Conspirar para quê? Contra quem?

Com tantos conflitos de interesse, era natural que as ideias iluministas fizessem eco aqui no Brasil.

Graças à exploração aurífera, muitos enriqueceram, inclusive ex-escravos, mas isso não diminuiu o preconceito
racial nem de classe. Por isso, negros livres, mamelucos e brancos pobres não foram convidados a participar da
conspiração anticolonial que tinha sido tramada.

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792), foi a principal figura do movimento conhecido como
Inconfidência Mineira. De origem pobre, foi quem mais defendeu os princípios iluministas de Rousseau, diferente-
mente de seus colegas de conspiração, grandes proprietários de minas, gado e escravos que desejavam a criação
de uma república que não incluía como cidadãos a população não branca ou pobre.

Congresso Nacional, Brasília

Rafael de Falco (1885-1967). Reprodução
Tiradentes ante o carrasco, 1941.
Óleo sobre tela, 70 × 55 cm.

Os inconfidentes, Tiradentes no Rio de Janeiro e os demais em Vila Rica (MG), foram delatados e presos
entre março e maio de 1789. Foi o fim de uma revolução que não chegou a começar. Condenado pela Coroa,
Tiradentes foi executado e posteriormente esquartejado. Considerado o patrono cívico do Brasil, a data de
sua morte, 21 de abril, é feriado nacional.

Alguns anos mais tarde, houve outra tentativa de libertação de Portugal: a Conjuração Baiana. Diferentemente
do movimento mineiro, teve forte participação popular e um caráter mais social. Prevista a libertação de todos os
escravos. Mas não foi muito longe, porque seus integrantes também foram traídos, presos e alguns foram mortos.
Não há nomes famosos entre eles: essa conjuração foi do povo.

A bandeira de Minas Gerais foi elaborada de acordo com
os ideais dos inconfidentes. Ela é branca, com um triângulo
vermelho ao centro onde aparece escrito: Libertas quae sera
tamen (“Liberdade ainda que tardia”).

O triângulo simboliza as três pessoas da Santíssima Trin-
dade e também representa os ideais da Revolução Francesa:
liberdade, igualdade e fraternidade.

195 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 167

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA Rogério Reis/Pulsar Imagens

Muitas origens culturais e um só país

O movimento iniciado pelos inconfidentes esboçava os primeiros projetos
de autonomia política brasileira. Culturalmente, esse movimento existia na poesia
dos inconfidentes, nos mulatos pintados pelo artista mineiro Manuel da Costa
Ataíde e nas esculturas de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Artistas como Ataíde e Aleijadinho demonstravam com sua arte que aqui
existia uma identidade coletiva diferente da dos europeus. Era uma espécie de
síntese de descendentes de indígenas, negros e portugueses.

Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho): nasceu em Manuel da Costa Ataíde (1762-1830).
Vila Rica (1738-1814 – não há registros oficiais sobre a data Anjos mestiços no teto da Igreja
de seu nascimento e atribui-se também o ano de 1830). Era do Santuário do Bom Jesus de
filho de uma escrava e de um mestre de obras português. Matozinhos, final do século XVIII.
Iniciou sua vida artística ainda na infância, observando o Entalhe, madeira policromada.
trabalho de seu pai, que também era entalhador.
Manuel da Costa Ataíde: pintor brasileiro do período
da decadência da mineração em Minas Gerais, conhecido
também como Mestre Ataíde. Nasceu na cidade de
Mariana, em Minas Gerais, no ano de 1762. Morreu na
mesma cidade em 1830.

A partir do século XIX, cada grupo de imigrantes que chegava aqui trazia Nair Benedicto/Keydisc
elementos culturais novos para o nosso país, ao manter suas tradições e seus
costumes. Isso significava a preservação de sua identidade cultural. Antônio Francisco Lisboa – Aleijadinho
(1738-1814). Profeta Baruc. Escultura
Embora os imigrantes tentassem preservar seus costumes e suas tradições, em pedra sabão feita entre 1795-1805.
estes acabavam por se misturar aos costumes e tradições da terra, dando ori- Igreja do Santuário do Bom Jesus de
gem a uma nova identidade cultural. Essa troca de culturas e conhecimentos Matozinhos, Congonhas, MG.
se traduziu no atual “jeito da população brasileira”.

Apesar dessa mistura entre povos de vários gostos, credos e tradições,
não foi superada a discriminação contra os indígenas, os negros, os judeus, as
mulheres, os ciganos, os homossexuais, os gordos, os baixos, os evangélicos, os
protestantes, os islâmicos, os árabes, os portadores de necessidades especiais,
os nordestinos etc. Podemos então verificar que, na nossa história, a aceitação
do outro às vezes leva tempo, até gerações. Livrar-se de preconceitos significa
mudar uma concepção de mundo que foi aprendida. Você se lembra da citação
de Nelson Mandela do capítulo anterior?

Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se aprendem a odiar,
podem ser ensinadas a amar.

As pessoas não nascem preconceituosas, elas aprendem isso ao longo da vida, pois valores – atitudes, senti-
mentos e comportamentos – são transmitidos e interiorizados desde cedo.

Como, então, podemos aprender a respeitar a nossa diversidade cultural e sexual? Naturalmente, não há receita
pronta para a resolução de conflitos e contradições, mas existem atitudes que podemos adotar, como:

168 HISTÓRIA 8o ano 196

MANUAL DO EDUCADOR • 8o ANO HISTÓRIA

• reconhecer e respeitar a diversidade das culturas;
• reconhecer e respeitar os direitos das crianças e adolescentes;
• reconhecer e respeitar a diversidade sexual;
• reconhecer e respeitar o direito dos idosos;
• ter consciência de nossas origens;
• reconhecer a escola como um dos espaços sociais propícios para a superação dessas tensões e conflitos;
• entender que a convivência harmônica com o diferente consolida a nossa democracia e o nosso papél

como cidadãos.

Revelando o que aprendeu

1. Faça uma síntese do primeiro parágrafo do texto “Conspirar para quê? Contra quem?”

Resposta pessoal.

2. Troque ideias com seus colegas sobre a convivência com pessoas diferentes. Registre suas conclusões.

Resposta pessoal.

3. Compare suas conclusões com as do texto do livro.

Resposta pessoal.

4. Qual título você daria ao texto que produziu?

Resposta pessoal.

5. Não há uma solução mágica para acabar com os conflitos e contradições existentes na nossa sociedade
em virtude da diversidade cultural, mas há atitudes que podem ajudar a diminuir esses problemas. Cite
três atitudes apontadas no texto.

Resposta possível: reconhecer a diversidade das culturas; ter consciência de nossas origens; reconhecer a escola como um dos
espaços sociais propícios para a superação de tensões e conflitos; entender que a convivência harmônica com o diferente consolida
a nossa democracia e os nossos papéis como cidadãos.

197 8o ano UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA 169

UNIDADE 1 • CIDADANIA E CULTURA

Sua vez...

No Brasil, são vários os motivos por que existe o preconceito. Um deles é resultado de séculos de escravidão;
outro é o padrão de beleza ditado pela classe dominante na mídia (tevê, revistas, jornais etc.). Daí as várias expressões
pejorativas utilizadas para se referir àquele considerado diferente em relação a quem fala.

Daí a expressão macaco, usada até hoje para “se referir pejorativamente aos negros. Só
por curiosidade, os espanhóis também chamavam os indígenas de macacos! No Brasil, além
de macacos, os negros também eram conhecidos por bodes.”

João Carlos Agostini. Brasileiro, sim senhor!: uma reflexão sobre nossa identidade.
8. ed. São Paulo: Moderna, 2004. p. 40.

Você é preconceituoso?
Vamos prestar atenção naquilo que falamos e ouvimos em relação ao outro?
Para você, o que pode ser entendido como preconceito?
Mesmo algumas frases consideradas inocentes podem carregar um conteúdo preconceituoso. Por exemplo:

• Os indígenas são “ingênuos” e devem ser protegidos.
• Ela é uma ótima esposa, sabe passar, cozinhar e lavar.
• Por trás de um grande homem existe uma grande mulher.
• Ele é um negro de alma branca.

Agora responda às questões a seguir.
1. Quando se fala da pobreza, qual é a explicação dada por algumas pessoas?

Resposta possível: as pessoas são pobres porque são vagabundas ou preguiçosas.

2. O que é dito sobre a mulher ao volante?

Resposta pessoal. Resposta possível: “mulher ao volante, perigo constante”.

3. Cite algumas expressões pejorativas empregadas contra negros.
3 e 4. Educador, o tema é sensível e é preciso ter cui-
dado para que os termos pejorativos levantados não
sejam trabalhados de forma jocosa por alguns. Torna-
-se necessário deixar claro aos educandos os
Resposta pessoal.

objetivos a serem alcançados, ou seja, demonstrar
que certas expressões pejorativas são mais utilizadas
4. Cite algumas expressões pejorativas usadas contra brancos. para se referir quase exclusivamente a determinados
grupos sociais, fazendo com que o preconceito racial
contra as populações afrodescendentes se perpetue
por meio de piadas ou expressões que se apresentam
Resposta pessoal como aparentemente inocentes.

5. Foi mais fácil responder à questão 3 ou à 4? Por quê? Resposta pessoal.

170 HISTÓRIA 8o ano 198


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