MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
A instituição da escravidão entre os africanos era formalmente bem diferente
daquela que o europeu implantou: o escravo era sujeito de Direito, não podendo
ser vendido nem maltratado, e tinha até mobilidade social. Na África, o que de-
terminava a relação de sujeição era o status e não o “valor econômico” da pessoa.
Nei Lopes. Bantos, malês e identidade negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
Na Grécia e em Roma, a mão de obra escrava também sustentava a economia. Os escravos produziam artesanato,
faziam tarefas domésticas, trabalhavam na mineração, na agricultura e na navegação.
O filósofo grego Aristóteles de Estagira já afirmava: “O uso dos escravos e dos animais é aproximadamente o mesmo”.
A escravidão na antiguidade europeia foi diferente daquela praticada na Idade Moderna, no continente americano,
pelos europeus. Na Europa, na Idade Antiga, ao contrário do que aconteceu na América, não havia distinção de cor
de pele e origem. Existiam até escravos gregos na Grécia, romanos em Roma e africanos na África.
Aristóteles (384-322 a.C.),Archäologisches Institut der Universität Göttingen
filósofo grego.
Responda a estas questões sobre o texto.
1. Quais tipos de escravidão existiram na África?
Na África, houve três tipos de escravidão: a tradicional, a que foi feita pelos árabes e aquela praticada pelos europeus.
2. A escravidão na Antiguidade ocidental foi igual à ocorrida no continente americano? Qual é uma dife-
rença entre elas?
Não. Uma diferença é que na antiguidade ocidental não havia distinção de cor de pele e origem, como aconteceu na América.
249 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 143
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO CPG/Museu do Louvre, França
Aprofundando o tema
A escravidão na Antiguidade: uma instituição
Instituições são organizações com regras sociais que
controlam o funcionamento da sociedade e dos indivíduos.
Geralmente, elas passam a existir após serem aceitas como
parte da moral e dos costumes de um povo.
Pintura grega em vaso que retrata
escravos colhendo olivas, 500-490 a.C.
Durante a Antiguidade, o trabalho escravo, em alguns
momentos, foi visto como uma instituição socialmente aceita
pelas diversas civilizações do Oriente e do Ocidente.
Na África, antes da escravidão praticada pelos árabes,
ela era considerada:
[...] um fato normal, o seu uso era codificado pela tradição. Do momento em que um senhor o tomava
como seu, o escravo pertencia de corpo e alma ao mestre. Não havia necessidade de marcar, de prisão, de
segregação, pois o escravo, ele mesmo, só se compreendia, deste momento em diante, como escravo.
Mas o status de escravo, antes da escravidão europeia, era substancialmente diferente. Por exemplo,
os escravos que trabalhavam no campo viviam em uma relativa independência. Podiam constituir mesmo
verdadeiras dinastias escravas.
Cheikanta Diop. Nations nègres et culture. In: Eduardo D’Amorin.
África: essa mãe quase desconhecida. São Paulo: FTD, 1997.
Mas não se pode esquecer que, embora a escravidão na Antiguidade tenha sido institucionalizada em vários
momentos históricos, ela não foi aceita com passividade. A história está repleta de conflitos, fugas e assassinatos de
senhores por seus escravos.
Além disso, para justificar a escravidão, havia o argumento do apoio divino dos deuses na Antiguidade e de
Deus na Idade Moderna , além da utilização de raciocínios como este de Aristóteles:
Desde a hora em que nascem, alguns estão marcados para a submissão, outros para o comando.
Aristóteles
Porém, nem todos os gregos concordavam com o filósofo.
Deus nos criou a todos livres: a natureza não escraviza.
Alcidamas (século IV a.C.)
Cada sociedade escravista entendia a escravidão segundo seu ponto de vista. Por exemplo, foram diferentes as
relações escravistas na Mesopotâmia, no Egito Antigo e no Império Romano.
144 HISTÓRIA 9o ano 250
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
A escravidão como instituição começa a desaparecer na Europa a partir do século II.
Leia o texto a seguir para descobrir como e por que desapareceu.
E surge outra forma de trabalho
Enquanto ampliou suas conquistas, Roma prosperou e se transformou num dos maiores impérios escravocratas
da Antiguidade. Mas o Império Romano não conseguiu manter esse crescimento indefinidamente.
O fim das conquistas impossibilitou a obtenção de novos escravos e fez o preço deles elevar-se. Os grandes
proprietários de terras passaram a arrendar a terra para homens livre, os coloni, já que estes, diferentes dos escravos,
não precisavam ser alimentados pelo senhor.
Inicialmente, arrendatários (os colonis) e escravos serviam ao mesmo proprietário da terra. Essa convivência e
as mudanças nas regras de arrendamento transformaram gradualmente os escravos em arrendatários da terra, ao
mesmo tempo que os coloni foram perdendo sua liberdade, porque:
• passaram a ficar presos ao solo. Se abandonassem as terras, eram trazidos de volta e punidos;
• seus filhos e descendentes permaneciam nas mesmas condições que os pais e avós.
Escravos e coloni foram, assim, transformados em uma nova categoria de trabalhador: o servo.
Revelando o que aprendeu
1. Leia o texto.
Após meses procurando emprego, Renato conseguiu trabalho na lanchonete do João. Sua função era sim-
ples, só tinha de preparar suco de laranja para os fregueses. Trabalhava oito horas por dia, produzia 64 copos do
suco ao preço de R$ 3,00 cada, consumindo 192 laranjas. João comprava a dúzia de laranjas no mercado por R$
4,00. No final de cada dia, Renato recebia R$ 35,00 como salário. O ganho diário com a venda ficava nas mãos do
João como lucro, menos o valor das laranjas e o salário pago, totalizando R$ 93,00 (podemos imaginar também
algum gasto com energia e manutenção).
Responda:
a) Qual é a posição de Renato no mercado de trabalho? Trabalhador.
b) Qual é a posição de João no mercado de trabalho? Capitalista.
c) Segundo os marxistas, onde se encontra a mais-valia na situação apresentada no texto?
A mais-valia está na parte do valor do trabalho que Renato deveria receber, mas que ficou com João, como parte de seu lucro.
d) Segundo os defensores de Adam Smith, por que caberia a João ficar com a maior parte do lucro
gerado pela venda dos sucos?
Porque cabe a ele transformar o lucro em capital para aumentar a produtividade.
251 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 145
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
2. Qual era o tipo de trabalho mais utilizado na Idade Antiga? Trabalho escravo.
3. Por que esse tipo de trabalho, como toda mão de obra, sustenta a economia?
Porque produz os bens necessários à sobrevivência de todos.
4. Quem eram os coloni? Eram os homens livres que arrendavam a terra para cultivá-la no final do Império Romano.
5. Escravos e coloni foram transformados em uma nova categoria de trabalhador. Qual?
A dos servos.
6. E nos dias atuais, você observa alguma mudança no mercado de trabalho? Qual?
Resposta pessoal.
7. Para você, o que está sendo mais cobrado do trabalhador nos dias atuais?
Resposta pessoal. Educador, esclareça aos alunos, através do diálogo, que o que tem sido mais cobra-
do do trabalhador nos dias atuais é a formação, especialização e experiência no emprego pretendido.
Ampliando o tema Educador, veja o Manual específico.
Servo por vontade de Deus Museu Conde, Chantilly
Como a escravidão na Antiguidade, a servidão também se transformou
em uma instituição em toda a Europa. Desenvolveu-se a partir do século V
e nos primeiros séculos da Idade Média (até o século X).
O tipo de trabalho era servil, realizado pelo servo, e o dono dos meios
de produção era o senhor feudal.
Os servos deviam entregar parte de sua produção ao senhor feudal.
Reparavam estradas, pontes, construções. Eram proibidos de abandonar o
trabalho e a terra. Em troca, tinham a proteção do senhor e o direito de cultivar
lotes de terra somente para si.
Cada feudo era economicamente autossuficiente. Nele eram produzidos
os alimentos necessários aos servos e senhores, bem como roupas, instru-
mentos de trabalho e armas.
Servos utilizando o arado de
ferro em um feudo. Irmãos
Limbourg. 29 × 21. 1414-1416.
146 HISTÓRIA 9o ano 252
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
A relação entre servos e senhores era regulada pelo clero católico que, juntamente com a nobreza feudal, exercia
seu poder e autoridade sobre a mão de obra servil. Entenda melhor observando o esquema a seguir.
AO CLERO... cabia cuidar do mundo NOBREZA
espiritual, reconhecendo
os direitos terrenos da
cabia defender a SERVOS a quem cabia defender a
autoridade absoluta de propriedade feudal,
Deus e da Igreja Católica aos quais cabia trabalhar
e obedecer. seus privilégios e seus
sobre senhores e
E outra vez a escravidão...
Com o fim da sociedade feudal, surgiram novas relações de produção, voltadas quase inteiramente para o
mercado de compra e venda. Isso fez ressurgir o trabalho escravo, com características diferentes daquelas que pos-
suía na Antiguidade. A terceira fase da escravidão africana foi praticada pelos europeus, e a que trouxe as piores
consequências ao povo africano.
O impacto do comércio negreiro de além-mar é superior a tudo o que possa ter causado a guerra, a
peste, o tráfico para a África do Norte tanto tempo praticado pelos árabes e pelos reis negros, superior
mesmo à escravidão praticada pelos negros na feudalidade africana [...] O comércio com a Europa foi
completamente diferente em seus aspectos catastróficos, de esmagamento de povos fracos por povos
fortes, que era o resultado das conquistas e guerras africanas. Mais mortal que a peste da Idade Média
que, dizem, matou mais que um terço da população do continente europeu, o tráfico negreiro exigido
pelos europeus foi mais devastador em suas consequências sociais. A peste foi um golpe que durou al-
guns anos, enquanto que a sede de escravos pelos europeus durou aproximadamente quatro séculos. Ela
degradou a mentalidade e a ação tanto de africanos como de europeus, semeando no período de gerações
o desprezo pela vida humana.
Basil Davidson. L’Afrique avant les blancs. In: Eduardo D’Amorin.
África: essa mãe quase desconhecida. São Paulo: FTD, 1997.
O tráfico de escravos na Europa começou em 1441, com a captura de doze negros na costa atlântica da África,
dados de presente ao príncipe Henrique, o navegador (1394-1460). Entusiasmado, ele pediu a aprovação do papa
para outras guerras de captura.
A resposta do papa foi:
A todos que estiverem engajados na dita guerra, total perdão de todos
os seus pecados.
Milton Meltzer. História ilustrada da escravidão. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003. p. 212.
253 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 147
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
Em 1455, uma bula papal autorizava Portugal a submeter à escra-
vidão todos os povos gentios.
gentio: pagão, neste caso, que não
seguia a doutrina católica.
1. Copie do texto do quadro da página anterior a frase em que é feita a comparação entre o comércio
negreiro e fatos ocorridos na Europa da Idade Média.
“O impacto do comércio negreiro de além-mar é superior a tudo o que possa ter causado a guerra, a peste, o tráfico...”
2. Compare a escravidão na Idade Antiga à que foi praticada no continente africano até a chegada dos
europeus.
Enquanto na Idade Antiga a escravidão sustentava principalmente a economia, na África, era predominantemente doméstica.
3. Releia esta parte do texto da página anterior:
“A peste foi um golpe que durou alguns anos, enquanto que a sede de escravos pelos europeus durou
aproximadamente quatro séculos. Ela degradou a mentalidade e a ação tanto de africanos como de
europeus, semeando no período de gerações o desprezo pela vida humana.”
O que a escravidão praticada pelos europeus provocou, de acordo com o texto?
A degradação da mentalidade e da ação de africanos e europeus, o desprezo pela vida humana.
Aprofundando o tema
Escravidão nas Américas
A escravidão africana praticada pelos europeus se espalhou pelo continente americano rapidamente, onde
serviu de força de trabalho. A mão de obra escrava era abundante nas fazendas de açúcar, tabaco, algodão, café,
nas minas de ouro, casas, cidades etc.
Na Idade Moderna, foi o trabalho escravo que garantiu a maior parte da produção agrícola e aurífera da América,
colaborou para o enriquecimento da burguesia europeia e atrasou o desenvolvimento econômico do Brasil, pois, por
ser uma forma de trabalho barata na época, desestimulava investimentos nas técnicas agrícolas.
Não podemos nos esquecer de que a América foi construída so- entreposto: vasto depósito
bre a África. De um mero entreposto entre a Europa e a Ásia ou em de mercadorias.
um fortuito depósito de ouro, a América tornou-se, graças à mão de
obra africana, o centro do império de açúcar e do reino do algodão...
W. E. B. DuBois. In: Milton Meltzer. História ilustrada da escravidão.
Rio de Janeiro: Ediouro, 2003, p. 344.
148 HISTÓRIA 9o ano 254
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Economia e sociedade pelos europeus para economia e sociedade
coloniais americanas complementar a acumulação burguesas europeias.
foram criadas de capitais da
Escravos: mãos e pés do senhor
Nas Américas, os escravos foram responsáveis pela agricultura de exportação praticada pelo sistema de planta-
tion. Neste sistema, a agricultura de um só produto, voltada para o mercado de exportação, era realizada em grandes
propriedades nas quais se utilizava a mão de obra escrava. A produção se destinava basicamente à exportação de
gêneros tropicais, como algodão, fumo, café, açúcar etc.
Museus Castro Maya – IPHAN – MinC Os escravos negros faziam todo tipo de
trabalho físico e manual considerado
inferior pela sociedade da época.
Na aquarela Volta à cidade de um
proprietário de chácara, do início do
século XIX, Debret representou uma
dessas tarefas.
Jean-Baptiste Debret. 16,2 × 24,5 cm.
No Brasil, no plantation açucareiro, a palavra “trabalho” assumiu o seu sentido original. Essa palavra deriva do
latim tripalium, que dava nome a um instrumento de ferro de três pontas usado na agricultura, em um primeiro
momento, e depois como instrumento de tortura.
Em meados do século XIX, tal como aconteceu com o escravo no final da Idade Antiga europeia, no Brasil, além
da mão de obra escrava, passou a ser usada a mão de obra livre proveniente da Europa. Estes trabalhadores, em sua
maioria imigrantes italianos, substituíram a mão de obra escrava sobretudo na lavoura cafeeira. Os escravos estavam
ficando cada vez mais caros, sobretudo após a promulgação da Lei Eusébio de Queiros, em 1850, que provocou a
extinção do tráfico negreiro no Brasil.
O tráfico negreiro começou a decair depois que a Inglaterra, principal nação ultramarina da época, a partir de
1807 declarou-lo ilegal. A preocupação desse país, além da produtividade, era também o aumento do mercado de
consumo. Afinal, para os ingleses, vender suas mercadorias possibilitava que o trabalho realizado fosse pago em
dinheiro. Escravo não recebia salário, por isso não comprava e não podia fazer parte do mercado consumidor, que
estava em plena expansão na Inglaterra.
Além dos interesses comerciais, a escravidão era contestada moralmente tanto na Europa quanto no Brasil,
graças à disseminação dos ideais de iluministas como John Locke.
Juntem-se aos fatores mencionados as lutas, tanto de negros como de brancos abolicionista, para acabar com
a escravidão. No entanto, eles só foram ouvidos quando o trabalho escravo não sustentava mais a economia.
Ainda hoje, os negros enfrentam dificuldades para ascender socialmente. Isso, no entanto, não impediu que
muitos afro-brasileiros se destacassem em suas profissões. Um deles é Milton Santos (1926-2001), considerado um dos
maiores geógrafos brasileiros. Além dele, podem ser citados muitos outros, como:
Joaquim Benedito Barbosa Gomes, jurista e ministro do Supremo Tribunal Federal; Lázaro Ramos, Milton
Gonçalves, Zezé Mota e outros inúmeros atores; Gilberto Gil, Chico Science, Chico Cesar, inúmeros cantores.
255 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 149
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
TRABALHANDO COM TEXTO
Observe as pinturas a seguir.
1
Biblioteca Mário de Andrade, SP
Coleção Gilberto Ferrez Acervo Instituto Moreira Salles O pintor Rugendas registrou, no século XIX, as condições desumanas do transporte de escravos no navio negreiro.
Johan Moritz Rugendas (1802-1858). Negros no porão do navio, 1835. 25,5 × 15,5 cm.
2
Com o fim da escravidão, muitos
negros buscaram no trabalho informal
uma maneira de sobreviver. Fotografia
de Marc Ferrez de 1899.
150 HISTÓRIA 9o ano 256
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Por dentro do texto
1. Qual atividade comercial praticada pelos europeus mostra a pintura de Rugendas?
O tráfico negreiro.
2. Qual momento da história do Brasil a imagem do texto 2 retrata?
Um momento posterior à libertação dos escravos.
3. De acordo com sua observação, o que mudou do momento representado pela imagem do texto 1 à
situação que aparece no texto 2?
A abolição não representou uma real integração à sociedade para os recém-libertados.
Revelando o que aprendeu
1. O quadro a seguir apresenta os números de escravos africanos desembarcados no Novo Mundo (América)
nos séculos XVIII e XIX. Observe-o com atenção.
Regiões 1701-1810 1811-1870
América do Norte 348.000 —
Brasil 1.891.400 1.145.400
Cuba 131.800 570.200
Total 2.371.200 1.715.600
Fonte: Ciro Flamarion S. Cardoso. A Afro-América: a escravidão no novo mundo. São Paulo: Brasiliense, 1982, p. 23.
Agora, responda:
a) Segundo o quadro, em qual período o tráfico negreiro foi mais intenso?
Entre 1701 e 1810.
b) Qual foi o período em que o tráfico foi menos intenso?
Entre 1811 e 1870.
c) Com base no quadro, formule uma conclusão a respeito do tráfico de escravos na América no
século XIX.
No século XIX, o tráfico negreiro apresentou declínio, o que fica evidente pela queda no total de escravos traficados.
2. Releia o texto do. Copie dele a frase que revela o papel da África na colonização da América.
“[...] a América foi construída sobre a África” ou ”[...] a América tornou-se, graças à mão de obra africana, o centro do império de
açúcar e do reino do algodão...”.
257 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 151
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
3. Agora, escreva o significado da frase que você copiou.
Sem os negros africanos não haveria trabalhadores para tornar viável a colonização da América tropical.
4. Quais foram as primeiras vítimas dos europeus na América.
Os indígenas.
5. Como ficou conhecido o sistema de produção agrícola em larga escala praticado em colônias como Cuba
e Brasil? Quais eram as suas principais características?
Plantation. Características: produção agrícola e monocultura em larga escala; utilização da mão de obra escrava; produção destinada
basicamente à exportação de gêneros tropicais, como algodão, fumo, café, açúcar etc.
6. Argumente contra ou a favor dos interesses do governo inglês na extinção do tráfico negreiro e da
escravidão. Depois, exponha as suas ideias para os seus colegas.
Resposta pessoal.
7. Imagine que você era um abolicionista que vivia nos finais do século XIX. Escreva um pequeno texto
defendendo o fim da escravidão. Use motivações humanitárias como justificativas.
Resposta pessoal.
Ampliando o tema
Escravidão: infelizmente não é só uma triste memória
Quando começou o século XX, legalmente não havia escravidão na maior parte do mundo, mas a realidade era
diferente.
Mesmo que ilegal, a escravidão adquire outras formas, atravessa fronteiras e tenta resistir através dos tempos.
Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), as formas assumidas pela escravidão contemporânea
são a prostituição e o trabalho forçado. Mulheres, indígenas e imigrantes ilegais são os principais alvos desse tipo
de trabalho.
152 HISTÓRIA 9o ano 258
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Além da escravidão tradicional e do tráfico de escravos, esses abusos incluem a
venda de crianças, prostituição infantil, pornografia infantil, exploração do trabalho
infantil, mutilação sexual de meninas, uso de crianças em conflitos armados, escravidão
por dívida, tráfico de pessoas, a venda de órgãos humanos, exploração da prostituição
e certas práticas em regimes de colônias e apartheid.
Milton Meltzer. História ilustrada da escravidão. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003, p. 480-1.
Educador, essa definição está no relatório de 1991 sobre formas contemporâneas de escravidão do Centro de Direitos Alexandre Tokitaka/Pulsar Imagens
Humanos das Nações Unidas.
Em 1919, a OIT aprovou a Declaração dos Princípios e
Direitos Fundamentais, que estabelece a eliminação de todas
as formas de trabalho forçado, incluindo o trabalho infantil.
O que existe em comum entre os que são considerados
escravos na atualidade? A pobreza extrema.
Veja como a Comissão de Direitos Humanos da ONU
descreve o controle físico sobre o trabalho escravo no Brasil:
Educador, essa definição foi desenvolvida pela Convenção Suplementar sobre
a Abolição da Escravidão, do Tráfico e das Instituições e Práticas Similares à
Escravidão, promovida pelas Nações Unidas.
As condições de servidão são enfatizadas com Criança vendendo amendoim no fim do
o uso de homens armados que vigiam os grupos dia no Elevado Costa e Silva. São Paulo,
de trabalhadores, ameaçando aqueles que buscam SP, 2011.
pagamento ou pensam em deixar as propriedades.
São frequentes os relatos de agressões, tratamento
cruel, desumano e degradante, e de assassinato de
trabalhadores que tentam fugir dessas condições.
Milton Meltzer. História ilustrada da escravidão.
Rio de Janeiro: Ediouro, 2003, p. 492.
O Brasil também está intimamente ligado à exploração do chamado “tráfico de escravas brancas” (prostituição).
Mulheres têm sido atraídas para campos de mineração, projetos de construção, entre outras situações. As que vão
para o exterior são obrigadas a se prostituir para pagar as dívidas pelo transporte, alimentação etc.
A escravidão doméstica ocorre em todas as partes do mundo, independente da situação econômica do país. Basta
que uma pessoa adquira sobre a outra “poderes associados aos direitos de propriedade”.
Esse é o caso de maridos que consideram que o casamento lhes dá autoridade para decidir sobre o direito de
ir e vir da esposa ou outros (trabalhar, estudar...). Educador, em 1966, o Brasil ratificou a Convenção Suplementar sobre a Abolição da
Escravidão.
Além da escravidão doméstica, há também o caso das horas extras excessivas e não pagas, compreendidas como
trabalho compulsório, pois acontecem sob coação, pois o trabalhador tem medo de perder o emprego.
Portanto, a escravidão, na época atual, muitas vezes dispensa correntes, algemas e grades. O medo, muitas
vezes, já basta.
1. O que você sabe sobre os tipos de exploração humana citados no texto?
Resposta pessoal.
259 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 153
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
2. No texto que descreveu o controle físico sobre o trabalho escravo no Brasil (quadro da página anterior),
quais palavras melhor caracterizam o controle físico exercido contra os trabalhadores escravos no país?
Copie-as.
Ameaçando, agressões, tratamento cruel, desumano e degradante, assassinato.
3. Escreva uma conclusão sobre o trabalho escravo na época atual.
Resposta pessoal.
E eu com isso?
Você alguma vez pensou que as relações de trabalho podem não ser hierarquizadas? Que se pode trabalhar
em equipe, cada qual colaborando da sua maneira, mas todos trabalhando juntos? Que tal formar uma cooperativa
na escola em que você estuda?
Cooperativa é uma associação sob a forma de sociedade simples, com número aberto de membros, que tem
por objetivo estimular a poupança, a aquisição de bens e a economia de seus sócios, mediante atividade econômica
comum. Ela pode não ter como objetivo o lucro.
Siga as orientações:
1. Reúna-se com o seu grupo. Com o auxílio do educador, pesquisem em sua comunidade escolar o que
mais se produz: peças de artesanato, costura, bordados, pinturas etc.
2. Após a pesquisa, apresentem o que descobriram aos outros grupos. Comparem e identifiquem o tipo de
produção mais comum entre as pessoas da comunidade escolar.
3. Escolham juntos quem comporá a administração da sociedade cooperativa, sem limitação de número.
4. Caso haja envolvimento de dinheiro (capital social), estipulem o valor, em quotas, que cada sócio poderá ter.
Essas quotas do capital não poderão ser transferidas a terceiros, estranhos à sociedade, mas nada impede a
admissão de novos sócios, desde que se criem outras quotas, e um sócio poderá repassá-las a outro.
5. As decisões sobre a cooperativa só poderão ser tomadas em conjunto (assembleia geral), entre os sócios.
Deve ser estabelecido nas normas o número mínimo de sócios para uma reunião. As decisões deverão ser
tomadas pelos cooperados presentes.
Fonte de referência: Maria Helena Diniz. Código Civil anotado. São Paulo: Saraiva, 2012.
Educador, no Manual específico há dois textos complementares para este capí-
tulo, bem como as orientações e sugestões de atividades para o trabalho com
os textos.
1A5T4 HISTÓRIA 9o ano 260
2CAPÍTULO UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
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José Luis da Conceição/Agência Estado
Trabalho ou consumo: Educador, veja encaminhamento para trabalhar
este capítulo no Manual Específico.
o que movimenta a economia?
Pra começo de conversa 2
1
Adolescentes almoçando em restaurante. Pessoas almoçam no restaurante Bom Prato, que oferece
refeições a preços populares. Cidade de São Paulo, SP, 2012.
1. Você sabe quanto pode ser pago por um prato de bacalhau (porção para duas pessoas)?
Resposta possível: em torno de R$ 95,00.
2. E quanto custam, para o consumidor, carnes, massas ou pizzas?
Resposta possível: em torno de R$ 30,00.
3. E uma comida mais popular, como um PF (prato feito)? Qual é o preço dela?
Educador, o PF é servido em bares e restaurantes populares. Geralmente, contém arroz, feijão e uma mistura
qualquer. Resposta possível: o preço médio, na cidade de São Paulo, é de R$ 8,00.
4. Qual é a refeição mais barata e a mais cara no local em que você mora?
Resposta pessoal.
5. Para você, por que existem diferenças tão grandes entre os preços das refeições citadas?
Resposta pessoal.
6. Por que algumas pessoas preferem pagar mais caro por um alimento quando poderiam se satisfazer
com uma comida mais barata?
Educador, explique aos alunos a teoria de Maslow, uma vez que a necessidade mais básica, que é satisfazer a fome, foi ultrapassada, gastar grande quan-
tidade de dinheiro em um alimento considerado mais caro serve para aumentar a autoestima e satisfazer um desejo pessoal.
7. Na sua opinião, o que faz sociedade prosperar de forma mais equilibrada: o trabalho ou o consumo?
Resposta pessoal.
Desvendando o tema
Antes de ler o texto a seguir, responda a estas questões.
1. Na sua opinião, qual das refeições citadas na seção Pra começo de conversa melhor satisfaz as pessoas?
Por quê? Resposta pessoal.
261 9o ano UNIDADE 1 • UTNRIADBAADLEH1O E• CTORNASBUAMLOHO E CONSUMO 1A5T5
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
2. Os trabalhadores costumam consumir o que produzem? Resposta pessoal.
3. Consumir lhe dá satisfação? Por quê? Resposta pessoal.
Educação e consumo Educador, Thorstein Veblen (1857-1929), filho de imigrantes noruegue-
ses, foi economista e sociólogo norte-americano.
Segundo Aristóteles (384 a.C.), “o homem é um animal social por natureza, nasceu para viver em sociedade, e
como tal ser educado”.
A educação, segundo Aristóteles, busca o equilíbrio entre o excesso de consumo e a satisfação natural do prazer.
Mas o que é consumo? Esta palavra assumiu diversos significados ao longo da história humana.
A palavra deriva do latim consumere, que significa “gastar ou corroer até a destruição, devorar, extinguir, ani-
quilar, enfraquecer etc.” Também era utilizada para se referir à tuberculose, doença que “consumia” o organismo.
Para Thorstein Veblen, em seu livro A teoria da classe ociosa (1899):
[...] A riqueza provocava um tipo de consumo ostentatório, comprando mercadorias que serviam
apenas para demonstrar o status dos ricos. [...] Esse consumo provocava a imitação dos pobres, que,
por sua vez, passavam, dentro das suas possibilidades, a consumir objetos desnecessários, mas que
lhes davam aparência de “classe superior”.
José Chiavenato. Ética globalizada & sociedade de consumo. São Paulo: Moderna, 1998, p. 25.
Já Karl Marx chamou o consumo de “fetichismo” da mercadoria.
[...] Para Marx, em determinado momento surge fetichismo: adoração de objetos
a ilusão de que as mercadorias têm vida própria. Elas materiais considerados possuidores de
poderão influir no destino das pessoas. Ele relaciona virtudes.
esse fetichismo da mercadoria ao sentimento religioso
do selvagem, que “diviniza os objetos por ele próprio
produzidos”.
José Chiavenato. Ética globalizada & sociedade de consumo.
São Paulo: Moderna, 1998, p. 25.
Hoje, quando você faz uso de um serviço (corta o cabelo no cabeleireiro) ou adquire um bem (o pãozinho da
padaria), está consumindo. Então, consumo é a utilização, o uso ou o gasto de um bem ou serviço por um indivíduo
ou uma empresa.
As observações de Marx e de Veblen revelam uma situação já comum na Europa no século XIX e presente no
mundo no século XXI, caracterizada pela produção e consumo ilimitado de bens, sobretudo artigos supérfluos.
Encantadas pela mídia e pela publicidade, as pessoas confundem suas reais necessidades de consumo com consu-
mismo. Acabam acreditando que precisam daquele objeto tão divulgado (o que pode se tornar um modismo). E,
mais ainda, as pessoas mais pobres se sentem parte de uma “classe superior” quando participam, de alguma forma,
da festa do consumo.
Mas isso não é tudo. Atualmente há a influência de outros fatores, além dos já citados, que contribuem para
um melhor entendimento do crescimento incessante das sociedades de consumo. Esses fatores nos fazem pensar a
respeito do significado do consumo para as pessoas em geral.
156 HISTÓRIA 9o ano 262
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Reflita e troque ideias com seus colegas a respeito desta questão:
Virando um fetiche, será que o consumo pode ser considerado mais um instrumento de exclusão social?
Ou seja, será que o consumo exclui por meio da rejeição daqueles que não exibem sinais claros de per-
tencer a uma “classe social superior”?
O consumo pode ser um exercício de cidadania? Sobre sociedade de consumo, veja o Manual espe-
cífico.
O que leva as pessoas a consumirem produtos que não são de primeira necessidade? Pode ser a procura por di-
ferenciação, a influência da mídia eletrônica e impressa, da família, dos amigos, do grupo de trabalho e/ou da escola?
Em uma sociedade de consumo, ser cidadão muitas vezes confunde-se com ser capaz de adquirir objetos cuja
posse constitui um símbolo de status social. Neste caso, o consumo serve como instrumento de diferenciação.
Mas nem sempre é assim. O acesso aos objetos de consumo também pode significar grande oferta e diversificação
de bens equitativos para as maiorias. Por exemplo: a economia brasileira tem passado por uma transformação desde
2005, quando o consumo das famílias cresceu acima do PIB (produto interno bruto). Isso significa que as classes B e C
já respondem por cerca de 43% do consumo nacional. A elevação de consumo dessa “nova classe média” tem atraído
investimentos e o interesse de empresas de consumo e varejo pelo mercado brasileiro.
Na sociedade, podemos agir como consumidores daquilo que o mercado regula, ou como cidadãos que refle-
tem e experimentam, mas consideram as várias potencialidades dos objetos nas várias oportunidades em que nos
permitam ir ao encontro das pessoas.
1. Copie do texto o que Aristóteles pensava sobre a natureza social do homem.
“O homem é um animal social por natureza, nasceu para viver em sociedade e como tal ser educado”.
2. Agora escreva uma síntese de seu entendimento do texto.
Resposta possível: o homem precisa se educar para aprender a consumir aquilo que faz parte de suas reais necessidades.
3. Segundo Thorstein Veblen e Karl Marx, por que as pessoas, até mesmo as pobres, consomem produtos
desnecessários?
Segundo Thorstein, o consumo ostentatório dá às pessoas, mesmo as pobres, status social. Para Marx, o consumo de mercadorias
desnecessárias cria a ilusão de que elas podem mudar a vida das pessoas.
4. Para você, qual é a diferença entre consumo e consumismo?
Consumo é o nome que se dá à prática de consumir, necessária para a sobrevivência em qualquer sociedade. Já consumismo é a
prática de consumir bens desnecessários, estimulada pela sociedade capitalista, que precisa vender seus produtos.
5. Você se considera um consumidor consciente ou consumista? Justifique sua resposta.
Resposta pessoal.
263 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 157
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMOMuseu Britanico, Londres
6. Na sua opnião, é possível existir consumo e cidadania? Por quê?
Resposta pessoal.
Consumir ou não consumir
A troca de produtos, sua comercialização e os valores estabelecidos para o que se vende e compra são uma
criação humana.
Marxistas e capitalista debatem há muito tempo tanto o valor do trabalho quanto o dos bens produzidos.
Ambos concordam que a produção e o consumo crescentes são a base do capitalismo. Mas a produção capitalista
se caracteriza pela produção e pelo consumo ilimitado de bens, sobretudo dos que duram pouco. Dessa forma, as
pessoas compram mais e mais. Este tipo de comportamento consumista é muito comum.
Prejuízos do consumo ilimitado
O consumismo pode ser considerado prejudicial porque na nossa sociedade não existe equilíbrio entre o que
se produz e o que se consome, não há preços baixos que permitam à maioria das pessoas viver com um conforto
razoável, não há equilíbrio na distribuição de renda. As pessoas não costumam ser educadas para o consumo.
O consumo ilimitado, além de não atender a população que não tem domínio sobre o capital, também pode
levar ao esgotamento dos recursos naturais, comprometendo as gerações futuras.
É possível afirmar que a prática do consumismo tal como o conhecemos hoje começou com a industrialização.
Mãos versus máquina
Locomotiva a vapor construída pelo
engenheiro britânico Robert Stephenson.
Inglaterra, 1859.
A Revolução Industrial foi um conjunto de inovações tecnológicas iniciadas na Inglaterra ao longo dos séculos
XVIII e XIX. Ela foi consequência não só da melhoria das técnicas, mas também da reorganização do trabalho. A
produção artesanal foi sendo substituída pela produção manufatureira, a qual, por sua vez, passou a ser controlada
pelo capitalista.
158 HISTÓRIA 9o ano 264
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Observe o esquema sobre a Revolução Industrial. produção manufatureira, em que cada
trabalhador realizava uma etapa na
A produção artesanal, em que o artesão confecção de um produto
controla todas as etapas do trabalho,
foi substituída pela
REVOLUÇÃO até ocorrer a interferência do capitalista no
INDUSTRIAL processo produtivo, que passou a determinar
o ritmo de produção. Isso, aliado ao
desenvolvimento das técnicas, resultou na
1. Quando você acha que começou o consumismo? Justifique sua resposta.
Começou com a industrialização, pois os donos das fábricas vendiam o que produziam. Na medida em que produziam mais, precisa-
vam vender mais.
2. Qual é a principal diferença entre o artesanato, a manufatura e a mecanização no trabalho?
No artesanato, o trabalhador participava de todas as fases da produção de bens; na manufatura, cada trabalhador fazia uma etapa
da confecção do produto; na mecanização, parte do trabalho do homem foi substituído pelo da máquina.
Operário sim, senhor! Jupiter Images
A Revolução Industrial tornou UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 159
comum um modelo de produção que
concentra os trabalhadores — conhe-
cidos como operariado ou proletariado
— dentro de uma mesma construção
conhecida geralmente como fábrica.
Representados nessa gravura de
1859, indigentes e desabrigados se
multiplicavam no século XIX, no
período de industrialização.
265 9o ano
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
Mesmo reconhecidos como homens livres, esses operários viviam em péssimas condições. Moravam em cortiços,
recebiam baixos salários e trabalhavam, em média, 16 horas por dia.
Com a Revolução Industrial, o esforço muscular foi reduzido e as portas das fábricas foram abertas às mulheres e
às crianças. O objetivo, no entanto, era aumentar a exploração do trabalho, pois tanto as mulheres como as crianças
recebiam um salário bem menor do que aquele pago aos homens, que já era muito baixo.
Marx expôs em sua obra O capital (Das Kapital) as terríveis condições de trabalho a que os operários eram sub-
metidos.
O capital apresenta a análise e a crítica do capitalismo, e muitos consideram essa obra a origem do pensamento
socialista-marxista.
[...] Às 2, 3 e 4 horas da manhã, crianças de 9 e 10 anos são arrancadas de camas
imundas e obrigadas a trabalhar até às 10, 11 ou 12 horas da noite, para ganhar o
indispensável à mera subsistência. Com isso, seus membros definham, sua estatura
se atrofia, suas faces se tornam lívidas, seu ser mergulha num torpor pétreo, horri-
pilante de se contemplar [...].
O capital. In: Edgar Decca, Cristina Meneguello, Maria Helena Simões Paes (coord.).
Fábricas e homens: a Revolução Industrial e o cotidiano dos trabalhadores. São Paulo: Atual, 1999, p. 39-40.
Muitos proletários eram antigos agricultores que haviam A migração em massa do campo
sido expulsos da terra por seus senhores, interessados em para a cidade e a falência dos arte-
trocar a produção de alimentos pela criação de ovelhas, sãos criaram enormes concentrações
atentos às necessidades da indústria têxtil em crescimento. urbanas. A população de Londres
Esse processo de expulsão ficou conhecido como cercamento, (capital da Inglaterra) passou de
pois as terras eram cercadas para a criação de gado bovino 800 mil habitantes, em 1780, para
e de carneiros ou para a plantação de produtos agrícolas mais de 5 milhões, em 1880.
de interesse para a indústria.
Os cercamentos aumentavam o desemprego na área
rural, levando os trabalhadores a buscar emprego na pro-
dução fabril.
Além dos agricultores sem terra, os artesãos — antes, donos dos meios de produção (máquinas e matérias-
-primas) — foram à falência com a concorrência das fábricas. Isso fez aumentar nas cidades a “classe trabalhadora”
e reforçou a divisão da sociedade em duas classes sociais antagônicas: o proletariado, de um lado, e o capitalista,
do outro.
Embora o capitalismo mantivesse a divisão da sociedade entre trabalhadores e donos dos meios de produção
(capitalistas), os proletários não eram iguais aos servos. Diferente deles, o operário ou o filho do proletário não
estava proibido, por lei ou costume, de passar para a classe dominante. A mudança de uma classe para outra é
chamada de mobilidade social.
Em uma sociedade de pode deixar de ser capitalista.
classes o operário... proletário ao se tornar dono
dos meios de produção,
tornando-se assim um...
160 HISTÓRIA 9o ano 266
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Aprofundando o tema
O trabalhador se organiza
A consciência de classe do trabalhador, ou seja, a consciência crítica em relação à sua realidade e de que faz
parte de um grupo com uma identidade comum, ao menos em termos econômicos, só começa a surgir na primeira
metade do século XIX.
Foi na Inglaterra, o primeiro país a iniciar a Revolução Industrial, que surgiram as primeiras organizações ope-
rárias em torno de sindicatos. Sobre os sindicatos, veja o Manual específico.
Os sindicatos se dedicavam apenas à luta por melhores salários, num primeiro momento. Essas reivindicações
foram superadas pela radicalização do movimento operário, sobretudo o francês, devido aos dois anos de más co-
lheitas agrícolas na década de 40 do século XIX.
Em 1848 foi publicado por Karl Marx e Friedrich Engels o Manifesto comunista, que estabelece que a luta de
classes é o que movimenta a história e provocará, inevitavelmente, o desaparecimento do capitalismo e sua supe-
ração pelo comunismo.
Friedrich Engels, filósofo alemão, Library of Congress,Washington, EUA
foi coautor de diversas obras de Marx.
Entre as mais conhecidas, estão o Ma-
nifesto comunista e O capital.
Protetor e principal colaborador de
Karl Marx, Engels desempenhou papel
de destaque na elaboração da doutrina
comunista. Nasceu em 1820 e morreu
em 1895.
A luta de classes consiste nos conflitos e antagonismos entre as classes antagonismo: oposição de ideias,
sociais. Pode se manifestar pela disputa do poder por meio do processo rivalidade, incompatibilidade.
eleitoral, chegando até a luta armada.
Esse antagonismo entre as classes sociais levou à formação de um sin-
dicalismo socialista baseado em quatro aspectos:
Uma atitude Hostilidade ao capitalismo.
Uma técnica
Uma estratégia O uso de quaisquer métodos para atingir o adversário
Uma esperança (o capitalista), inclusive a destruição das máquinas.
267 9o ano Ampliar a consciência de classe de todo o proletariado por meio
das greves.
A construção de uma sociedade igualitária após a derrubada do 161
capitalismo.
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
O movimento operário europeu obteve algumas conquistas ao longo
do século XIX. Por exemplo: ocorreu uma diminuição da carga horária de
trabalho da população adulta. Observe:
• 1780 — carga horária calculada em torno de 80 horas por semana;
• 1820 — 67 horas por semana;
• 1860 — 53 horas por semana.
Além das relações de trabalho, mudaram os modelos administrativos,
como o chamado taylorismo, desenvolvido por Frederick Winslow Taylor
(1856-1915). Ele buscou organizar o trabalho de acordo com uma sequência
e um tempo pré-programados, eliminando, assim, o desperdício.
Seguindo os passos de Taylor, o empresário estadunidense Henry Ford
(1863-1947), fundador da Ford Motor Company, desenvolveu o que ficou
conhecido como fordismo, método de produção caracterizado pela produ-
ção em série.
Na fabricação de veículos, as peças eram colocadas numa esteira. Os
automóveis eram passados de um operário a outro, para que cada um fi-
zesse uma etapa do trabalho. O operário virava especialista em sua função
e trabalhava imóvel. As peças chegavam até ele sem que fosse necessário
sair do lugar.
Juca Martins/Olhar Imagem Henry Ford (1863-1947).
Ford Motor Co./NYT
Linha de montagem do Ford Ka. São
Bernardo do Campo, SP, 2009.
Na segunda metade do século XX, com o surgimento de novas tecnologias, os estrategistas foram obrigados a
repensar o papel do operário dentro da empresa. Isso ocorreu principalmente no Japão, onde havia grande dispo-
nibilidade de mão de obra não especializada.
Essa nova estratégia ficou conhecida como toyotismo. Nesse novo contexto, a mão de obra não podia ser
especializada em funções únicas e restritas, como a fordista. Por isso, os japoneses investiram na duração e qua-
lificação de sua mão de obra. Assim, o toyotismo, em vez de avançar na tradicional divisão do trabalho, seguiu
um caminho inverso: incentivou o trabalhador a exercer várias funções dentro da empresa. Isto é chamado de
flexibilização.
162 HISTÓRIA 9o ano 268
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
TRABALHANDO COM TEXTO 17:00 h
Observe a ilustração a seguir.
Renato Arlen 9:00 h 12:00 h
Por dentro do texto
1. Você percebe na ilustração algum objeto de controle? Qual? Sim, o relógio.
2. Quem teve a ideia de usar esse tipo de controle no processo de organização da produção industrial?
Com qual finalidade?
Frederick Taylor, para estabelecer um tempo predeterminado para a execução do trabalho.
3. Copie as palavras do quadro a seguir em ordem sequencial, tendo como critério a evolução técnica.
manufatura – indústria – artesanato
Artesanato, manufatura e indústria.
4. Qual nome é atribuído à sociedade criada com base no consumo ilimitado de bens, principalmente os
desnecessários à sobrevivência?
Sociedade de consumo.
5. O que impulsionou o surgimento dessa sociedade?
A industrialização.
6. Qual foi a consequência do desenvolvimento industrial, na primeira fase da Revolução Industrial, para
os agricultores sem terra e os artesãos?
Os agricultores foram expulsos do campo e os artesãos se transformaram em artífices, empregados dos donos dos meios
de produção.
269 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 163
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
7. Você se sente parte de alguma classe social? Qual? Por quê?
Resposta pessoal.
8. O que é consciência de classe?
A percepção que um indivíduo tem de fazer parte de um grupo com uma identidade comum, ao menos em termos eco-
nômicos.
9. Qual é a principal característica do taylorismo? E do fordismo? E do toyotismo?
Pré-programação, produção em série e não especialização, respectivamente.
Trabalhadores no Brasil Pela Constituição
imperial de 1824, os
A mão de obra escrava foi, durante muitos anos, a base de sustentação trabalhadores esta-
da economia brasileira. As mudanças econômicas que ocorreram na Europa, vam proibidos de criar
porém, refletiram no Brasil. E, na mentalidade empresarial, foi o que colaborou qualquer organização
para que imigrantes europeus tomassem o lugar dos escravos, principalmente sindical.
nas fazendas paulistas de café, após 1850 (Lei Eusébio de Queirós).
Coleção Particular, SP Imigrantes italianos no porto
de desembarque em Santos,
por volta de 1915.
À medida que o capitalismo industrial avançava na Europa, aumentava a procura pelo café.
Muitos trabalhadores estrangeiros vieram tentar a sorte na produção cafeeira ou nos centros urbanos do Brasil,
depois de ficarem desempregados em razão da Revolução Industrial.
A população negra, apesar da Lei Eusébio de Queirós, e mesmo quando alforriada, não se beneficiou. Geralmente
era marginalizada e mal paga. Quando conseguia emprego, trabalhava nas casas realizando serviços domésticos ou
na construção civil, não integrando o proletariado consciente de seus direitos.
Na área rural, a imigração não trouxe melhorias para as condições de vida do agricultor sem terra. Permaneciam
os maus-tratos e a falta ou o atraso no pagamento. Condições constantemente denunciadas e que levaram muitos
colonos a fugir das fazendas de café e buscar o trabalho urbano industrial como alternativa, migrando do campo
para centros urbanos como São Paulo. Sobre migração, veja o manual específico
164 HISTÓRIA 9o ano 270
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Essa fuga incessante da área rural fez que o proletariado
urbano crescesse entre 1880 e 1920, chegando, nesse último
ano, a 293.673 indivíduos. O que é pouco se considerarmos que,
dos 9.566.840 trabalhadores, 66,7% trabalhavam no campo. No
entanto, esses poucos, no início da República, faziam muito
barulho.
No final do século XIX, a indústria, sobretudo nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, ganha impulso,
possibilitando a formação de uma classe operária nacional. Assim, as relações de trabalho com base industrial
começavam a ser reproduzidas, ou seja, foi formada uma classe proletária sob controle do capital industrial.
As condições desfavoráveis de trabalho levaram os trabalha- anarquista: referente àquele que tem
dores a organizar associações para socorro mútuo em caso de a convicção de que todas as formas
doença, incapacitação para o trabalho, desemprego, funeral etc. de governo interferem injustamente
Sob a Constituição da República, surgiu uma forma de sindicalismo na liberdade individual e defende a
mais voltada para a melhoria das condições de trabalho, salários, substituição do Estado pela cooperação
formas de pagamento etc. Começavam então a surgir as associações de grupos associados.
sindicais socialistas e anarquistas. Sobre anarquismo, veja o manual específico
Socialistas e anarquistas disputavam o controle do movimento
operário. Ambos defendiam uma sociedade sem classes e sem propriedade privada, mas, diferentes dos socialistas
de orientação marxista, os anarquistas eram contrários a qualquer organização partidária e à existência do Estado.
Para alguns, anarquismo significa bagunça. Mas não é bem assim. O anarquismo é uma teoria social e um
movimento político que teve atuação na história ocidental por volta do século XIX e na primeira metade do
século XX. A teoria sustenta a ideia de que a sociedade existe de forma independente e contrária ao Estado,
dispensando a presença deste.
Havia semelhanças e diferenças entre a forma de pensar dessas duas tendências. Os dois grupos defendiam
a formação de uma sociedade sem diferenças de classe, com base na extinção da propriedade privada. Mas,
enquanto os socialistas defendiam a formação de uma representação sindical e partidária forte para alcançar
seus objetivos, os anarquistas eram contrários a qualquer organização partidária. Defendiam o autogoverno e
a destruição do Estado. Para alguns anarquistas, o sindicato era o principal meio de ação libertadora.
O movimento anarquista tinha
este símbolo.
1. Qual fo a principal razão pela qual os trabalhadores europeus passaram a migrar em grandes levas para
o Brasil nos finais do século XIX?
Vieram buscar trabalho na produção cafeeira ou nos centros urbanos do Brasil, depois de ficarem desempregados em razão da
Revolução Industrial.
2. Escreva um pequeno texto argumentando contra ou a favor do anarquismo ou do socialismo. Depois
exponha as suas ideias para os colegas de classe.
Resposta pessoal.
271 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 165
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
Luta de classes no Brasil Acervo FGV
As ideias socialistas e anarquistas foram introduzidas
aqui pelos imigrantes europeus, principais responsáveis pelos
movimentos sindicais. Temendo o crescimento do movimento
operário, estimulado pelos imigrantes, os empresários logo
tomaram medidas para dificultar ou impedir a formação dessas
organizações. Por exemplo: a Câmara de Deputados aprovou a
Lei Adolfo Gordo no início de 1904, que permitia, após processo
na justiça, a expulsão de estrangeiros que causassem alguma
“desordem”. Para isso, bastava uma acusação feita pelo patrão.
Apesar da lei, em 1904 os operários fundaram 27 novas Getúlio Vargas ao tomar posse, em 1930.
entidades nas cidades de São Paulo, Campinas, Rio Claro,
Jundiaí e Rio de Janeiro e em outras cidades de vários es-
tados brasileiros.
Em 1930, Getúlio Vargas assumiu o poder no Brasil e passou a organizar as relações de trabalho entre assalariados
e patrões, impulsionando o desenvolvimento industrial por meio da intervenção estatal.
O Estado, tendo à frente Getúlio, passou a definir os investimentos, priorizando a área industrial e estabelecendo
leis trabalhistas. Ao lado do emprego da força e repressão, Getúlio promoveu a criação, em 1943, de um conjunto
de leis denominado Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com o objetivo de regulamentar as relações coletivas
de trabalho. Veja abaixo a transcrição do art. 1o da CLT.
Art. 1o – Esta Consolidação estatui as normas que regulam as relações individuais e coletivas de
trabalho nela previstas.
A CLT, entre outras coisas, garantiu:
• estabilidade no emprego depois de dez anos de serviço;
• descanso semanal;
• jornada de trabalho de 8 horas por dia.
Regulamentou:
• o trabalho de menores;
• o trabalho da mulher;
• o trabalho noturno.
O mesmo Getúlio que possibilitou a criação da CLT reprimiu a luta de classes, prendendo vários líderes sindicais
e comprando outros para poder controlar o movimento sindical. Sobre o salário mínimo, veja o manual específico
Após o fim do governo ditatorial de Getúlio Vargas, conhecido como Estado Novo (1937-1945), o movimento
operário se reorganizou e obteve vitórias significativas, como o 13o salário, em 1962, e um reajuste salarial de 80%
em 1963 (governo João Goulart). O movimento sindical só foi interrompido com o golpe militar de 1964 e o retorno
da repressão ao sindicalismo. Os sindicatos passaram a ser controlados por pelegos que agiam de acordo com os
interesses do Estado.
Somente na década de 1970 explodiu um movimento sindical inde- pelego: nome dado ao sindicalista
pendente, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva. Esse novo movimento deu considerado traidor da categoria
origem ao Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, e à Central Única dos sindical.
Trabalhadores (CUT), em 1983.
166 HISTÓRIA 9o ano 272
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Bosco/Acervo UH/Folha Imagem O sindicalismo avançou bastante, revelando
um crescente poder dos trabalhadores nos lo-
cais de trabalho e na sociedade como um todo.
Seguem-se algumas das principais posturas atuais
dos sindicatos.
Comício na Central do Brasil, na cidade
do Rio de Janeiro, em 13 de março
de 1964. Na foto, o presidente João
Goulart saúda o público presente.
• Maior presença nos locais de trabalho.
• Orientações aos trabalhadores para que ampliem a capacidade de fazer propostas,
visando a garantir a intervenção no processo de produção, no nível de emprego
• e qualidade de vida etc.
Estado permanente de atenção para que os trabalhadores participem das políticas
• mais gerais do Estado — educação, saúde, meio ambiente, previdência, empregos etc.
Ampliação da representação e da organização dos desempregados, dos integrantes
da economia informal, dos aposentados, dos sem-terra etc.
Enfim, as mudanças no mundo do trabalho exigem também posturas diferentes dos
sindicatos dos trabalhadores para enfrentar velhos e novos desafios.
Aurélio Eduardo do Nascimento, José Paulo Barbosa. Trabalho: história e
tendências. São Paulo: Ática, 1996, p. 62-3.
1. Compare o tratamento dado aos sindicalistas durante o período do Estado Novo e no decorrer da dita-
dura militar no Brasil.
Nos dois momentos históricos, os sindicalistas foram presos, perseguidos e reprimidos de várias formas.
2. Nascimento e Barbosa afirmam em seu texto que os sindicatos dos trabalhadores têm outra postura
atualmente. Por quê?
Segundo os autores, as mudanças no mundo do trabalho trouxeram aos sindicatos novos desafios, que exigem deles outra postura.
273 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 167
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
Ampliando o tema
E no campo?
Muitos dos trabalhadores do campo são conhecidos como boias-frias. Trata-se de assalariados rurais típicos da
grande lavoura, homens, mulheres e crianças de até 7 anos que vivem em vilas periféricas, em favelas ou barracões
de usinas.
As relações de trabalho se baseiam na subcontratação feita com a gato: aquele que recruta trabalhadores,
ajuda do gato. servindo de intermediário entre o patrão
e o boia-fria.
As condições de trabalho e a falta de uma legislação específica
para o trabalhador rural fizeram crescer os conflitos de terras desde os
anos 1970 e tiveram como consequência o surgimento de movimentos
sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
O fim da década de 1970 e parte da década de 1980 foram de ebulição social e política, levando ao fim o regime
militar (1985) e, forçosamente, à edição de uma nova Constituição Federal em 1988, que, além de incluir as principais
conquistas trabalhistas desde a CLT, introduziu algumas novidades:
• indenização por demissão sem justa causa;
• jornada de trabalho de 44 horas semanais (e não 48);
• férias com adicional de 1/3 do salário;
• licença-maternidade de 120 dias;
• direito de greve amplo;
• liberdade de autonomia sindical;
• seguro-desemprego.
Apesar de essa Constituição dedicar um capítulo inteiro dos direitos sociais aos direitos trabalhistas, as inova-
ções nela contidas beneficiaram principalmente as categorias mais organizadas. Isso porque se observa que ainda
há muito desrespeito aos direitos do trabalhador, sobretudo dos trabalhadores rurais.
As mulheres e as crianças... Alexandre Tokitaka/Pulsar Imagens
Mais de dois séculos depois do início da Revolução Industrial, as mulheres 9o ano 274
e crianças continuam a ser exploradas no trabalho, inclusive sexualmente.
No Brasil, o trabalho antes dos 14 anos é proibido. Dos 14 aos 15, so-
mente como aprendiz. Dos 16 aos 17 é liberado, desde que não comprometa
a atividade escolar.
Segundo o IBGE, o número de trabalhadores de 5 a 17 anos diminuiu
de 5,3 milhões, em 2004, para 4,3 milhões, em 2009. A parceria entre a OIT, o
governo federal e o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho
Infantil (FNPETI) tem enfocado o combate às quatro piores formas de trabalho
infantil: o doméstico, o urbano (praticado nas ruas), o agrícola (especialmente
com agrotóxicos) e aquele relacionado ao lixo. A intenção é erradicar essas
formas de trabalho infantil até 2015.
Meninas vendem amendoim no fim do
dia no Elevador Costa e Silva, SP, 2010.
168 HISTÓRIA
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Preocupados com o abuso de crian- O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
ças e adolescentes brasileiros em eventos mais conhecido por sua sigla IBGE, é uma fundação
esportivos, ONGs têm alertado para os pública da administração federal brasileira com atri-
efeitos negativos da invasão estrangeira buições que incluem a realização de pesquisas e a
no Brasil durante dois eventos que estão organização das informações obtidas para suprir ór-
para acontecer: a Copa do Mundo, em gãos das esferas federal, estadual e municipal e para
2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016. O outras instituições e o público em geral.
objetivo é evitar o chamado “turismo
sexual” e outras formas de exploração Educador, a economia brasileira viveu vários períodos de arrocho salarial, especialmente durante
de crianças e adolescentes no país. os anos compreendidos entre 1981 e 1984.
Somente em 1932 foi criada a primeira lei voltada Agnaldo Brito/Folhapress
para a situação da mulher trabalhadora. Nesse mesmo
ano, a idade mínima para trabalhar foi elevada para 14
anos. Desde então, o arrocho salarial fez que aumentasse
o número de mulheres no trabalho. Nos anos 1960 e 1970,
a participação delas nos sindicatos trabalhistas tornou-se
mais constante, incluindo a criação do Movimento das
Mulheres Trabalhadoras, além de comissões jurídicas e
políticas para atuarem junto ao Estado com o objetivo
de melhorar as condições de vida da mulher no trabalho.
A Constituição de 1988 trouxe conquistas para as
mulheres, tais como a proteção do mercado de trabalho Projeto Acreditar, criado pela
feminino, mediante incentivos específicos nos termos Odebrecht em Porto Velho, RO, 2011.
da lei; o reconhecimento do direito de chefe de família
às mulheres; a fixação de limites diferentes na idade de aposentadoria para homens e mulheres; a instituição da
reciprocidade no casamento e da igualdade entre homem e mulher etc.
Desde a última Constituição, tem crescido a participação das mulheres no mercado de trabalho. Em 2000, elas
ganhavam 67% dos salários dos homens. Em 2010, a diferença diminuiu e elas passaram a receber cerca de 70% do
salário dos homens.
TRABALHANDO COM TEXTO
Observe as fotos a seguir.
12 Ricardo AzouryPulsar Imagens
Rubens Chaves/Pulsar Imagens
Crianças trabalhando em uma olaria Colheita de cana-de-açúcar. Coelho
em Igarapé-Mirim, PA, 2011. Neto, MA, 2010.
275 9o ano
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 169
UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO
Por dentro do texto
1. O que as fotografias revelam sobre as condições de vida de muitas crianças no Brasil?
Revelam que muitas delas ainda trabalham e talvez não frequentem a escola.
2. Cite três conquistas da mulher no mercado de trabalho após a Constituição de 1988.
Na Constituição de 1988, houve importantes conquistas por parte das mulheres, como a proteção ao mercado de trabalho feminino,
mediante incentivos específicos nos termos da lei; o reconhecimento do direito de chefe de família às mulheres; a fixação de limites
diferentes na idade de aposentadoria para homens e mulheres; a instituição da reciprocidade no casamento e da igualdade entre
homem e mulher etc.
3. Na sua opinião, a situação da mulher no mercado de trabalho atualmente é justa? Por quê?
Resposta pessoal.
Revelando o que aprendeu
1. Quais foram as estratégias utilizadas pelos trabalhadores para a conquista de seus direitos após o início da
Revolução Industrial?
A maior parte das conquistas dos trabalhadores pode ser atribuída à organização sindical, a manifestações por meio de greves, ao maior
poder de negociação como grupo, à maior conscientização dos trabalhadores etc.
2. Compare o movimento sindical marxista com o sindicalismo chamado de pelego.
Enquanto o sindicalismo marxista propunha o rompimento com a ordem capitalista, os pelegos abandonaram a luta de classe e se
tornaram aliados do Estado capitalista. Professor, explique a seus alunos que sua prática era assistencialista, limitando-se ao aten-
dimento médico, à doação de medicamentos, à ampliação das colônias de férias e à criação de cooperativas de consumo.
3. Quais foram os fatos que possibilitaram a luta do proletariado por seus direitos?
O aparecimento da consciência de classe e o surgimento do movimento sindical.
Algumas reflexões
As mudanças na produção trazidas pela informática, pela microeletrônica e pela administração fizeram que a mão
de obra não qualificada e a que tem um só tipo de especialização se tornassem cada vez mais desvalorizadas. Houve
crises no mercado de trabalho, redução do emprego na indústria, diminuição dos salários, aumento do setor informal
e crescimento das desigualdades sociais.
170 HISTÓRIA 9o ano 276
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Foi devido às necessidades básicas do ser humano, como alimentação, vestuário, moradia, lazer, saúde, trans-
porte etc., que surgiram as atividades econômicas para satisfazê-las.
[...] Já existe uma “fórmula” de “homem consumidor” previsível. A tal ponto que as multi-
nacionais, ao lançarem um produto, sabem como e por quanto tempo ele será consumido, pois
nada é mais previsível do que esse “homem consumidor” [...] que foi criado para substituir um
perigoso animal em extinção: o cidadão, ou simplesmente, o homem.
José Chiavenato. Ética globalizada & sociedade de consumo. São Paulo: Moderna, 1998, p. 54.
1. Segundo o texto de Chiavenato, quem é o homem previsível? Por quê?
O homem consumidor, porque as multinacionais sabem por quanto tempo ele vai consumir um produto.
2. Reflita sobre esta expressão do texto: “um perigoso animal em extinção: o cidadão”. O que significa
“perigoso” nessa frase? Justifique a sua resposta.
Como cidadão pleno, o homem questionaria o consumismo e contrariaria interesses de muitos grupos capitalistas.
E eu com isso?
Você já fez, junto com o seu grupo, o trabalho de pesquisa e a organização da cooperativa. Agora, siga estas
orientações, passando para a etapa seguinte:
As pessoas da comunidade escolar que sabem produzir o produto passam a ensinar àqueles que não sabem.
As aulas podem ser dadas para pequenos grupos.
Os grupos farão o papel de multiplicadores, ensinando o novo aprendizado a outros grupos, e assim por diante.
Dessa forma, poderá ser criada a equipe de produção de materiais.
Ao término, exponham os resultados dos trabalhos na escola.
Podem ser feitos também cartazes de propaganda para uma venda (a preços baixos) mais eficiente.
O resultado financeiro da cooperativa (se este for o objetivo do grupo) poderá servir para a melhoria das con-
dições da escola. Educador, no Manual específico há um texto complementar para este capítulo, bem como orientação e sugestão
de atividades para o trabalho com ele.
Vamos compartilhar?
Participe como monitor de oficinas em que você vai poder ensinar o que aprendeu nesta unidade a outras
pessoas de sua comunidade.
Educador, veja orientações no Manual geral.
277 9o ano UNIDADE 1 • TRABALHO E CONSUMO 171
CAPÍTULO 3 UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Grande mundo pequeno
Educador, veja encaminhamento para trabalhar
este capítulo no Manual Específico.
Pra começo de conversa
1. Além do lugar onde você vive, quais outros lugares você já visitou? Resposta pessoal.
2. Quais lugares você não visitou, mas conhece por meio de revistas, livros, fotos, internet etc.?
Resposta pessoal.
3. Que lugar do nosso país você gostaria de conhecer? Por quê? Resposta pessoal.
4. Que lugar do planeta você gostaria de conhecer? Por quê? Resposta pessoal.
5. Que facilidades o mundo moderno oferece para visitarmos outros lugares do planeta?
Resposta pessoal.
6. E quais as dificuldades? Resposta pessoal.
7. Como as informações atualmente conseguem chegar mais rápido a seu destino?
Resposta pessoal.
Desvendando o tema
A world wide web — “a web” ou “www”, para encurtar —, “teia do tamanho do mundo”, traduzindo literalmente,
é uma rede de computadores conectados na internet que fornece informações.
O usuário da web pode acessar documentos ou páginas em sites e enviar informações a outro usuário, para
interagir com ele.
O surgimento da web representou uma nova fase profissional para diversos setores. As mudanças atingiram
mais rapidamente os setores comercial, jornalístico, publicitário, editorial, educacional, entre outros.
Um olhar para o passado
O planeta em que vivemos tem o formato de um globo, mais exatamente, de uma esfera achatada nos polos.
Por isso recebe o nome de globo terrestre.
Há dezenas de milhares de anos, o globo é o berço da espécie humana, de outros animais e de vegetais.
Os homens, as mulheres e as crianças que iniciaram a caminhada pelo planeta se separaram, formando novos
grupos humanos que se adaptaram a diferentes condições físicas e climáticas, dando origem a diversos povos e
culturas. Alguns grupos adquiriram tonalidade de pele mais clara ou mais escura, estatura mais alta ou mais baixa etc.
Às vezes, após milhares de anos separados, diferentes grupos se reencontravam. Guerreavam uns contra os
outros ou se uniam, formando uma nova comunidade, uma nova identidade cultural.
Nos últimos 50 mil anos, cavalos, carroças ou pequenas embarcações a vela encurtaram as distâncias entre
os seres humanos. Há aproximadamente 500 anos, com a expansão do comércio e a busca do lucro pela burgue-
sia europeia, o mundo se tornou bem menor. A partir de então, permanecer isolado do resto da humanidade se
tornou cada vez mais difícil.
172 HISTÓRIA 9o ano 278
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
A caravela foi uma em- Library of Congress, Washington, EUA
barcação usada pelos portu-
gueses e espanhóis durante a
expansão marítima. Segundo
alguns historiadores, o vocá-
bulo é de origem árabe, carib
(embarcação de porte médio
e de velas triangulares – ve-
lame latino). Considera-se
que a palavra também pode
ter derivado de carvalho, a
madeira usada para construir
as embarcações.
Com o desenvolvimento de novas tecnologias de transporte marítimo, como a caravela, os europeus puderam
iniciar a integração econômica do globo terrestre em um único mercado. Esse foi o começo da globalização.
1. De que trata o texto lido? É uma introdução ao tema “globalização”.
2. O que você compreendeu a respeito dessa introdução ao tema?
As distâncias encurtam
A globalização é tratada como fenômeno atual e recente, mas tem um passado de mais de cinco séculos.
Os trezentos anos que se seguiram aos “descobrimentos” espanhóis e portugueses, isto é, o período de 1500 a
1800, podem ser considerados a primeira fase do desenvolvimento capitalista.
Nessa fase, foi criada uma rede comercial mundial. Cada região tornou-se área de produção e consumo dos
produtos que circulavam pelo planeta, promovendo a disputa pelo mercado entre grupos capitalistas que buscavam
controlar a produção e a distribuição das mercadorias. Também ocorreu a transferência de capital (máquinas etc.) e
de mão de obra especializada de uma região para outra do globo, quando necessário.
Escreva o que você entendeu sobre:
a) a criação de uma rede comercial mundial;
b) a disputa de mercado;
c) a transferência de capital e mão de obra.
Aprofundando o tema Sobre o mercantilismo, veja o Manual específico
A primeira fase do desenvolvimento capitalista foi marcada pelo predomínio do comércio exterior, pelo controle
das atividades produtivas e comerciais pelo rei absolutista e pelo acúmulo de ouro e prata (mercantilismo). Nessa
fase ocorreu o acúmulo de riqueza monetária, a ser investida na fase seguinte, a técnico-industrial, iniciada com a
Revolução Industrial.
279 9o ano UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS 173
UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Leia com atenção o esquema a seguir sobre esse processo.
O tráfico negreiro e a tornaram possível a
exploração colonial concentração de recursos
um pequeno número de (dinheiro, ouro, prata,
proprietários, favorecendo terras, meios de produção)
o investimento na nas mão de
industrialização e dando
Revolução Industrial.
início à
1. Do século XV ao XVIII, foram desenvolvidas regras para garantir o fortalecimento e o enriquecimento
dos Estados europeus. Que nome os historiadores deram a elas? Resposta possível: Mercantilismo.
2. Estabeleça a relação entre a política mercantilista e o desenvolvimento técnico-científico ocorrido no
século XVIII. O mercantilismo permitiu acumular riqueza monetária suficiente para investir na fase técnico-industrial.
Como se sabe, “o capitalismo, desde o início de sua formação, passou por diversas fases”.
Quer saber como a segunda fase do capitalismo se desenvolveu? Para isso, leia o texto a seguir.
Livres para lucrar
Sobre o liberalismo, veja o Manual específico. Museu de Ciências/Londres
As antigas regras que colocavam sob o
controle do Estado as atividades econômicas
(mercantilismo) foram substituídas pelo libe-
ralismo econômico, que pregava a concor-
rência, a livre iniciativa e o antiabsolutismo.
Segundo o pensamento liberal, cabe Inglaterra na época da Revolução Industrial. Tela Mina de carvão à noite,
ao Estado somente garantir a propriedade de Philip James de Loutherbourg, 1801, óleo sobre tela, 68 cm × 106,5 cm.
privada e a livre concorrência, deixando as
atividades econômicas produtivas sob o
controle do empresariado. Nesse momento,
então, prevaleceu o direito da burguesia
de produzir o que desejava e de comprar
e vender em qualquer mercado.
Desenvolvimento do
capitalismo na segunda fase da Revolução Industrial
Com o desenvolvimento da economia capitalista, no final do século XIX, os princípios do liberalismo foram
cada vez mais entrando em contradição com a nova realidade, baseada na concentração de renda e propriedade.
A Revolução Industrial, durante esse período, deixou de ser um acontecimento exclusivamente inglês. Novas
tecnologias foram desenvolvidas, substituindo-se o vapor pela energia elétrica, e o ferro pelo aço. Os capitalistas se
174 HISTÓRIA 9o ano 280
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
uniram para formar grandes monopólios industriais e comerciais, que passaram a exercer controle sobre as ativida-
des econômicas.
Para entender melhor, leia o quadro.
Características Primeira Revolução Segunda Revolução Industrial
Período Industrial
Região
Energia 1760-1830 1860 em diante
Tecnologia Inglaterra Outras regiões
Formas de organização Vapor Eletricidade, motor de combustão interna, derivados de
empresarial petróleo
Tipo de mercado Uso do ferro, processos Uso do aço, ligas e metais leves, produtos da química
mecânicos de produção industrial, automação
Proprietário é também o Separa-se a propriedade da direção da empresa.
diretor da empresa A direção passa a ser exercida por profissionais
especializados
Predomínio da livre Constituem-se grandes monopólios industriais e
concorrência comerciais
Rogério Forastieri Silva. A Revolução Industrial. São Paulo: Núcleo, 1997, p. 47-8.
1. De acordo com o pensamento liberal:
a) Quais eram os direitos da burguesia?
Produzir o que desejava e comprar e vender em qualquer mercado.
b) Qual era o papel do Estado?
Apenas garantir o direito à propriedade privada e à livre concorrência.
2. Por que, na segunda fase da Revolução Industrial, ela deixou de ser um fato exclusivamente inglês?
Resposta possível: porque outras nações como a França, a Alemanha, os Estados Unidos, Japão etc. também iniciaram seu
processo de industrialização.
3. Escreva o que se pede:
a) A principal diferença entre a primeira e a segunda Revolução Industrial.
Na primeira fase da revolução, defendia-se a livre concorrência; já na segunda foram criados grandes monopólios que pas-
saram a ter exclusividade sobre o mercado.
281 9o ano UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS 175
UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
b) Causas dessas mudanças de práticas no mercado econômico.
Na primeira fase, defendida-se a liberdade de mercado, porém não havia muita concorrência, pois a Inglaterra era a única
nação com capacidade industrial. Já na segunda fase, outras nações desenvolveram suas indústrias, aumentando assim a
disputa pelo controle exclusivo de alguns mercados produtores e consumidores.
4. Na sua opinião, quem se tornou “livre para lucrar”? A burguesia.
O novo colonialismo Veja o Manual específico.
Em nome do direito ao lucro, os grupos empresariais utilizaram os Estados Nacionais para garantir o acesso às
fontes naturais de riqueza.
Os Estados, antes senhores absolutos e controladores do mercado, ficaram então à disposição dos grupos ca-
pitalistas nacionais para defender seus interesses econômicos, sobretudo nos territórios além-mar.
Assim como fizeram portugueses e espanhóis nos séculos XV a XVII, as nações que iniciaram seu desenvolvi-
mento técnico-científico se lançaram na disputa por territórios na Ásia, África e América, desta vez para satisfazer
as necessidades de suas indústrias.
A Revolução Industrial tornou necessário ampliar o controle sobre os possíveis consumidores de produtos
industrializados e produtores de matérias-primas. Isso levou à disputa pelas antigas colônias na África, Ásia e
América Latina, iniciando um novo tipo de colonialismo, chamado de neocolonialismo. No neocolonialismo, as
nações colonizadas tornam-se dependentes das nações industrializadas, por intermédio de empréstimos financei-
ros, tecnologias e investimentos. Tal dependência impedia que os países que recebiam tais “benefícios” tivessem
liberdade para adotar uma política econômica em benefício próprio. No caso de isso acontecer, não receberiam
os investimentos externos.
Seguindo a política neocolonialista, os Estados Unidos procuraram controlar a América Latina e se expandir
pelo Pacífico.
Enquanto o Japão expandiu sua influência pela Coreia, China e iIhas do Pacífico, a Inglaterra entrava no século
XX como principal potência mundial.
O termo neocolonialismo começou a
ser usado após a Segunda Guerra Mundial,
quando teve início a descolonização da
África. Mas ainda é utilizado para se referir
à dependência de países da África, Ásia e
América Latina em relação aos países ricos.
A França, por sua vez, havia criado colônias desde a América até a África e a Ásia. Já a Alemanha se industrializou
tardiamente, porque só em 1871 conseguiu realizar sua unificação política, ou seja, formar um Estado Nacional. Essa
unificação permitiu a ampliação do mercado interno e depois sua expansão na Europa e fora dela.
Os alemães expandiram sua influência ao Oriente Médio, rico em petróleo, e organizaram empresas coloniais na
África, Ásia e Oceania. Dessa forma, começavam, no início do século XX, a ameaçar a sua grande rival: a Inglaterra.
176 HISTÓRIA 9o ano 282
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
1. Retire do texto uma frase que explique o que é neocolonialismo e copie no caderno.
“As nações colonizadas tornam-se dependentes das nações industrializadas, por intermédio de empréstimos financeiros, tecnologias e
investimentos”.
2. O texto se refere ao colonialismo como uma forma de dominação disfarçada. Por quê?
Porque os países que precisam de investimentos subordinam suas necessidades aos interesses dos países ricos, ou seja, não têm total
liberdade de adotar uma política econômica em benefício da própria nação.
TRABALHANDO COM TEXTO
Observe a charge e leia o texto.
R. Arruda
Aposto o Sudoeste daquela minha colônia ali.
Por dentro do texto
Escreva quem são as pessoas representadas na charge e o que fazem.
Homens ao redor de uma mesa de jogo disputando, por meio de apostas, o território africano, como se fossem seus proprietários. Esses
personagens representam os países neocolonialistas.
A Primeira Guerra Mundial
Com o aumento da produção e a necessidade de ampliação do mercado consumidor, as nações europeias
passaram a competir ferozmente entre si.
Essa disputa levou a uma corrida perigosa pelo desenvolvimento da indústria de armas e munições que,
posteriormente, provocou o massacre de milhões de pessoas, entre soldados e população civil.
Pode-se dizer que, pouco tempo antes de 1914, a Europa era uma grande bomba-relógio, porque:
• Cada nação tinha a ambição de apostar no tudo ou nada para garantir o controle sobre extensões territoriais
na Europa e fora dela.
• Alguns países tinham a ilusão de que seu desenvolvimento tecnológico-industrial poderia encurtar a guerra
e garantir a vitória do lado mais bem armado tecnologicamente.
A entrada de dois novos jogadores na disputa neocolonial, Estados Unidos e Japão (este último interessado no
petróleo do Oriente Médio e em áreas do Oceano Pacífico), intensificou ainda mais o jogo pelo poder, tornando as
apostas mais difíceis de ser ganhas por um único jogador.
Esse era o cenário anterior a 1914, que parecia indicar a iminência de uma grande guerra. Faltava apenas uma
justificativa para dar o primeiro tiro, que logo surgiu.
283 9o ano UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS 177
UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
O estopim da guerra foi detonado com o assassinato do herdeiro do trono austríaco no dia 28 de junho de 1914.
Esse fato colocou em campos opostos a França, a Inglaterra e a Rússia (formando a Tríplice Aliança), de um lado, e as
potências centrais, formadas pela Alemanha e pela Áustria-Hungria, do outro. Logo outras nações foram arrastadas
para o conflito.
Os líderes militares alemães acreditavam que a guerra poderia ser breve. Não contavam com quatro anos de
impasse e de brutal carnificina da guerra industrializada.
Primeira Guerra Mundial Nações envolvidas Potências centrais
diretamente no conflito
Tríplice Aliança Alemanha
Áustria-Hungria
França
Inglaterra
Rússia
Nações que posteriormente Nações que posteriormente
apoiaram a Tríplice Aliança apoiaram as potências
centrais
Sérvia, Bélgica, Itália,
Grécia, Romênia, Turquia,
Bulgária e outras
Estados Unidos e outras
Primeira Guerra Mundial
180 150ºO 120ºO 90ºO 60ºO 30ºO 0º 30ºL 60ºL 90ºL 120ºL 150ºL 180º 90ºN
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
Meridiano de Greenwich
Círculo Polar Ártico
Kids Produções Gráficas
Rússia 60ºN
Estados Inglaterra
Unidos BélgicAalemanha
França ÁIutásltSiraiéarvHiaunRgoBrmiualêgnáiraia
Grécia Turquia
OCEANO 30ºN
ATLÂNTICO
Trópico de Câncer
OCEANO
PACÍFICO
Equador OCEANO 0º
PACÍFICO
OCEANO
ÍNDICO
Trópico de Capricórnio
30ºS
Círculo Polar Antártico 60ºS N
Tríplice Aliança OL
Potências centrais
Nações que apoiaram as alianças militares ANTÁRTIDA 90ºS S
178 HISTÓRIA Fonte: IBGE. Atlas Geográfico Escolar. Rio de Janeiro, 2004.
0 2407 4814
km
9o ano 284
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Nunca o desenvolvimento tecnológico foi tão utilizado para exterminar pessoas em larga escala e ao mesmo tempo.
• Os alemães levaram gás venenoso para o campo de batalha.
• Com o aeroplano tiveram início as guerras aéreas.
• O submarino teve o papel de afundar navios que transportavam armas e alimentos para o inimigo. Como a Ingla-
terra precisava das rotas marítimas para se abastecer, os submarinos alemães ameaçavam os navios da Aliança.
Mais ainda, Inglaterra e França rece- Corbis
beram um duro golpe quando a Rússia se
retirou da Tríplice Aliança e da guerra após
a Revolução Russa de 1917.
A Revolução Russa foi um dos aconteci-
mentos históricos mais importantes ocorri-
dos durante a Primeira Guerra Mundial. Em
finais de 1917, a Rússia decidiu se retirar da
guerracontra aAlemanhae seus aliados.Com
a Revolução de 1917, surgia uma proposta
concreta de criação de uma ordem socialista,
inspirada nas teorias de Marx e Engels, que
se opunha ao liberalismo capitalista.
Mesmo com a Rússia fora da guerra, Soldados bolchevistas marcham nas ruas de Moscou, em 1917.
a Tríplice Aliança passou a ter o apoio e a
receber recursos dos Estados Unidos. Graças
a essa ajuda, os aliados se recuperaram
e começaram a avançar sobre o exército
alemão. Em meados de 1918, a derrota das
potências centrais era apenas uma questão
de semanas. Mesmo não admitindo, elas foram derrotadas.
Consequentemente, as nações vencedoras impuseram um acordo de paz conhecido como Tratado de Versalhes,
assinado em junho de 1919. Para a Alemanha, esse acordo foi um desastre, pois, além de esse país ser responsabilizado
pela guerra, impôs-lhe as seguintes obrigações:
• Restituir a Alsácia e a Lorena à França.
• Ceder as minas de carvão do Sarre à França por um prazo de quinze anos.
• Ceder suas colônias, submarinos e navios mercantes à Inglaterra, à França e à Bélgica.
• Pagar aos vencedores, a título de indenização, a fabulosa quantia de US$ 33 bilhões.
• Reduzir seu poderio bélico, ficando proibida de possuir força aérea e fabricar armas.
• Reduzir o exército a menos de 100 mil homens.
1. Cite um dos fatores que motivou a Primeira Guerra Mundial.
As ambições territoriais, sobretudo da Alemanha, do Japão e dos Estados Unidos, assim como a rivalidade crescente da Inglaterra
e da França com a Alemanha.
285 9o ano UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS 179
UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
2. Caso os Estados Unidos não tivessem apoiado também financeiramente os países da Aliança após a saída
da Rússia, o final da Primeira Guerra teria sido o mesmo? Por quê?
Resposta possível: não tendo mais que combater o exército russo, os alemães, mesmo exaustos, poderiam ter ganho a guerra
naquele momento se a Aliança não tivesse recebido apoio e recursos dos Estados Unidos.
O liberalismo em baixa © Dorothea Lange/Governo dos Estados Unidos
A Primeira Guerra Mundial devastou parte do Velho Mundo. Mesmo
os Estados Unidos, longe do cenário da guerra, sofreram com o desmo-
ronamento da economia capitalista mundial. Foi a época da Grande
Depressão.
A Grande Depressão, também chamada de Crise de 1929, foi uma
grande recessão econômica que teve início em 1929 e persistiu ao longo
da década de 1930, terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial.
É considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do
século, o qual causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas na
produção industrial etc.
A fotografia ao lado, intitulada “Mãe migrante”, uma das fotos
americanas mais famosas da década de 1930, mostra Florence
Owens Thompson (32 anos de idade), mãe de sete crianças, em
Nipono, Califórnia, em março de 1936, em busca de um emprego
ou de ajuda social para sustentar a família. Seu marido havia
perdido o emprego em 1931, e morreu no mesmo ano.
Você conhece atualmente, no local em que vive, alguma situação parecida com a história da foto? Se
conhecer, retire-a.
Resposta pessoal.
Ampliando o tema
Parecia que a globalização dava sinais de que parara de avançar ou até regredira — a transferência de capital entre
os países caiu em 90% de 1927 a 1933. Até mesmo a Inglaterra, primeira defensora do liberalismo econômico, aban-
donou o livre-comércio em 1931.
180 HISTÓRIA 9o ano 286
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
A recém-criada União Soviética, em consequência da Revolução Russa de 1917, rompera com o capitalismo e
parecia imune aos problemas do mundo capitalista. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) entrava na
industrialização muito rapidamente. Enquanto sua produção industrial crescia de 5%, em 1929, para 18%, em 1938,
a produção dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França caía de 59% para 52% do total do mundo.
Ainda havia o problema da economia alemã. As altíssimas indeni- direita: termo geralmente utilizado
zações obrigavam-na a recorrer a pesados empréstimos, sobretudo dos para designar indivíduos e grupos
Estados Unidos, para pagar suas dívidas. A depressão iniciada em 1929 relacionados a partidos políticos ou
fez que esse último país se retirasse da economia mundial para salvar a ideais considerados conservadores,
a própria economia. Aprofundou-se a Grande Depressão, colaborando ou liberais, em oposição à esquerda,
para o surgimento de governos radicais militaristas de direita, princi- sobretudo comunista.
palmente no Japão e na Alemanha.
Dessa forma, abriram-se as portas para a Segunda Guerra Mundial.
Um dos fatos mais graves que precederam a Segunda Guerra Mundial foi a ascensão do Partido Nacional Socia-
lista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista) ao poder, tendo à frente Adolf Hitler.
Adolf Hitler (1889-1945) foi o líder do Partido ABC News/NYT
Nacional Socialista dos Trabalhadores alemães,
o NSDAP. Tornou-se chanceler e, posteriormente,
ditador alemão. No período de sua ditadura, os
judeus e outros grupos minoritários considerados
“indesejados”, como os ciganos, foram perseguidos
e exterminados sistematicamente, no que se con-
vencionou chamar de Holocausto.
Sobre o Holocausto, veja o Manual específico.
Adolf Hitler, 1914.
A ascensão de Hitler ocorreu porque a Grande Depressão afetou a economia mundial, surgindo a descrença na
capacidade do mercado de atender às necessidades do sistema capitalista liberal. Os capitalistas, por sua vez, tinham
muito mais medo do sucesso do comunismo soviético do que do crescimento das ditaduras de direita.
Cenários que antecederam a Segunda Guerra Mundial
A paz começou a ser quebrada pelo Japão, quando em 1931 invadiu a Manchúria e a China, importante fonte
fornecedora de matéria-prima, indispensável para a indústria japonesa, sobretudo a militar. A Manchúria é uma vasta
região no Leste da Ásia. Atualmente, inclui o extremo nordeste da China, também chamada Manchúria interior, e
parte da Sibéria.
Enquanto isso, após sua ascensão ao poder, em 1933, Hitler repudiou abertamente o Tratado de Versalhes, ao
reintroduzir o serviço militar obrigatório, o rearmamento e a restauração do poder da marinha de guerra alemã.
No dia 7 de março de 1936, o exército alemão militarizou a Renânia, região fronteiriça entre a França e a Alema-
nha, ato expressamente proibido pelo Tratado de Versalhes.
A Itália de Benito Mussolini, por sua vez, reclamava parte da África e se preparava para invadir a Etiópia. Formou-
-se logo em seguida o Eixo Roma–Berlim, ampliado posteriormente com a inclusão de Tóquio, capital do Japão.
287 9o ano UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS 181
UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS The U.S. National Archives
Benito Amilcare Andrea Mussoli-
ni (1883-1945) foi jornalista e polí-
tico italiano. Governou com poderes
ditatoriais a Itália entre 1922 e 1943,
autodenominando-se Il Duce, que em
italiano significa “o líder”.
Benito Mussolini, à esquerda, e Adolf Hitler, 1937.
As três nações — Alemanha, Itália e Japão — formavam as potências do Eixo, assim chamadas porque uniam-
-se como um eixo central de um dos lados da guerra, em oposição aos países aliados, sobretudo Inglaterra, Estados
Unidos e França.
Sem nenhuma reação efetiva da França e da Inglaterra, Hitler se sentiu à vontade para anexar a Áustria (1938)
e a Checoslováquia (1939).
Somente a invasão nazista à Polônia, em 1o de setembro de 1939, ultimato: últimas exigências que um
fez as outras potências europeias caírem em si. Estado apresenta a outro e cuja não
aceitação implica declaração de guerra.
A Alemanha, então, recebeu um ultimato da França e da Inglaterra,
exigindo sua retirada imediata. Hitler o ignorou.
A reação da França e da Inglaterra foi imediata: no dia 3 de setembro
de 1939, declaravam guerra à Alemanha.
1. Como a situação econômica pós-guerra afetou as políticas liberais?
A Inglaterra, primeira defensora do liberalismo econômico, abandonou o livre comércio em 1931, e a depressão iniciada em 1929 fez
que os Estados Unidos se retirassem da economia mundial para salvar a própria economia.
2. Escreva um pequeno texto relacionando a Grande Depressão e o Tratado de Versalhes à ascensão do
Partido Nazista ao poder na Alemanha.
Tanto a Depressão quanto o Tratado de Versalhes afetaram a reconstrução da economia alemã, a ponto de a população não acre-
ditar mais no capitalismo liberal como saída para a crise. Recorrer a governos autoritários de direita parecia a única solução para
reerguer a economia destruída pela guerra.
O mundo em chamas
Com a Segunda Guerra Mundial ocorreu um fato inédito: o mundo capitalista liberal se uniu ao comunismo
soviético contra um inimigo comum: a Alemanha e suas pretensões de impor sua ideologia, sobretudo na Europa.
O que uniu comunistas e liberais foi o fato de que o nazismo tratava a todos como inimigos a serem igualmente
destruídos. Não havia possibilidade de acordo negociado com a Alemanha. As alternativas eram resistir, iniciando a
guerra, ou aceitar a dominação. Sobre a entrada da URSS na Segunda Guerra Mundial, veja Manual específico
Com a invasão da URSS pela Alemanha em 1941, a União Soviética se uniu à França e à Inglaterra contra as
potências do Eixo.
182 HISTÓRIA 9o ano 288
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
Por sua vez, em 1940, o Japão tentou aumentar The U.S. National Archives
sua influência no Sudeste asiático e no Pacífico. Como
represália, o governo dos Estados Unidos impôs sanções
econômicas ao Japão. A guerra foi declarada quando
a aviação japonesa atacou Pearl Harbor, a maior base
norte-americana do Pacífico, no dia 7 de dezembro de
1941, dando início à guerra nipo-americana.
O cruzador USS Arizona ardeu durante dois
dias após o ataque japonês a Pearl Harbor.
Segunda Guerra Mundial Principais nações Eixo
envolvidas no conflito
Aliados Alemanha
Itália
França Japão
Inglaterra
União Soviética e
Estados Unidos
Segunda Guerra Mundial
180 150ºO 120ºO 90ºO 60ºO 30ºO Meridiano de Greenwich0º30ºL60ºL 90ºL 120ºL 150ºL 180º 90ºN
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
Kids Produções Gráficas
Círculo Polar Ártico
União Soviética 60ºN
Estados Inglaterra
Unidos Alemanha
França
Itália
OCEANO Japão 30ºN
ATLÂNTICO
Trópico de Câncer OCEANO
PACÍFICO
Equador OCEANO 0º
PACÍFICO
OCEANO
ÍNDICO
Trópico de Capricórnio
30ºS
60ºS N
O
Círculo Polar Antártico L
ANTÁRTIDA 90ºS S
Principais países envolvidos na Segunda Guerra Mundial Fonte: IBGE. Atlas Geográfico Escolar. Rio de Janeiro, 2004.
0 2407 4814
km
Em 1942, a Alemanha controlava praticamente toda a Europa. A partir de 1943, os exércitos aliados foram recu-
perando territórios passo a passo. Os soviéticos obrigaram os alemães a retroceder, e os norte-americanos ocuparam
parte da Itália. Apertava-se o cerco sobre a Alemanha nazista. Apesar da evidente superioridade militar aliada, as tropas
alemãs resistiram durante meses. Mesmo assim, as duas grandes potências do eixo, Alemanha e Japão, desabaram.
289 9o ano UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS 183
UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Em 30 de abril de 1945, Adolf Hitler se suicidou quando as tropas soviéticas estavam a exatamente dois quar-
teirões de seu bunker.
Em 7 de maio, seu sucessor, o almirante Dönitz, assinou a capitulação alemã. Em 14 de agosto de 1945, o general
Tojo, do Japão, rendeu-se incondicionalmente.
Antes mesmo de findar a guerra, as grandes potências firmaram acordos para encerrá-la, além de definir parti-
lhas, inaugurando novos confrontos entre os vencedores: capitalismo liberal comandado pelos Estados Unidos, de
um lado, e o bloco comunista, tendo à frente a União Soviética.
Revelando o que aprendeu Ouro e prata
1. Observe os dois grupos de palavras.
Mercantilismo
Liberalismo Livre-comércio
Globalização Integração
Neocolonialismo Submissão
Indique o tipo de relação existente entre essas palavras.
O mercantilismo representa a fase em que o controle das atividades produtivas e comerciais pelo rei absolutista permitiu o acúmulo de
ouro e prata. No liberalismo as antigas regras mercantilistas foram substituídas pelo livre comércio e pelo pensamento antiabsolutista. Na
globalização ocorre a integração entre os países através da informação, tecnologia, economia e mídia. O neocolonialismo exigia o con-
trole sobre os possíveis consumidores de produtos industrializados e produtores de matérias-primas e a submissão econômica e cultural
das colônias.
2. Escreva as causas da Primeira Guerra Mundial.
As nações industrializadas, mesmo as menores, não abriram mão do lucro. Essa disputa levou a uma corrida perigosa pelo desen-
volvimento da indústria de armas e munições, que, posteriormente, levou ao massacre de milhões de pessoas, entre soldados e
população civil.
3. Qual foi o principal fato que desencadeou a Segunda Guerra Mundial?
A invasão nazista à Polônia em 1o de setembro de 1939.
4. Caso não tivesse existido a aliança entre os países capitalistas e a socialista União Soviética, qual poderia
ter sido o fim da Segunda Guerra Mundial? Justifique sua resposta.
Resposta pessoal.
184 HISTÓRIA 9o ano 290
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
5. Um dos grandes debates a respeito da história humana é sobre a importância de alguns indivíduos em
grandes acontecimentos históricos. Por exemplo: muitos acusam Hitler de ser o único responsável pelos
acontecimentos que provocaram a Segunda Guerra Mundial. E você, o que pensa? Dê a sua opinião sobre
as questões a seguir:
a) O povo alemão também teve culpa pela guerra?
Educador, veja sugestão de resposta no Manual específico.
b) Existiu um único culpado, ou foram vários os responsáveis por essa guerra sangrenta?
Educador, veja sugestão de resposta no Manual específico.
c) Você também acha que Hitler foi o único responsável pelos acontecimentos que provocaram a Se-
gunda Guerra Mundial?
Resposta pessoal.
6. Escreva uma síntese sobre as consequências do desenvolvimento tecnológico ao longo dos séculos
XIX e XX.
Resposta pessoal.
7. Você percebe alguma relação entre as duas guerras mundiais e as guerras que ocorrem no mundo na
atualidade? Por quê?
Resposta pessoal.
E eu com isso? Educador, no Manual específico há um texto complementar para este capítulo,
bem como orientação e sugestão de atividades para o trabalho com ele.
Vamos viajar sem sair do lugar?
Dizem que ler é como viajar sem sair do lugar.
Com o livro podemos visitar as pirâmides do Egito, os povos da Índia, conhecer o Japão, a Europa, os Estados
Unidos, o território brasileiro etc. O livro amplia nossos horizontes e estimula nossa imaginação. Ele é capaz de nos
lançar ao centro da Terra, ao fundo dos oceanos, ao espaço. Com ele não há limites. Podemos viajar ao passado, seja
pelos romances de ficção, seja pelos livros de história. Até podemos especular sobre o futuro possível ou imaginário.
Mas é preciso que os livros estejam à nossa disposição, que os encontremos dentro daquela caixa esquecida em um
canto do depósito ou no fundo empoeirado de uma prateleira, para que estejam à disposição de maior número de pessoas.
Você e seus colegas poderão ampliar a biblioteca da escola. Fale com seus vizinhos e conhecidos. Muitos pos-
suem livros de que não precisam mais e gostariam de doá-los.
291 9o ano UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS 185
4CAPÍTULO UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
ShutterstockEstratégias da globalização
Educador, veja encaminhamento para trabalhar
este capítulo no Manual Específico.
Pra começo de conversa
1. Como ficou o mundo após a Segunda Guerra Mundial? Resposta pessoal.
2. Na sua opinião, o processo de globalização é uma solução? Qual é o lado positivo dela? Ou você acha
que a globalização é um problema? Neste caso, qual é o lado negativo dela? Resposta pessoal.
3. Qual é a relação entre tecnologia e globalização?
Resposta pessoal. Resposta possível: o desenvolvimento de novas tecnologias leva ao aumento da
produção e à necessidade de ampliação do mercado consumidor, ao mesmo tempo em que desen-
volve a área da informação, transporte e comunicação, estimulando o processo de globalização.
Educador, oriente seus alunos a refletirem sobre a velocidade do avanço da tecnologia a partir da
intensificação da globalização.
Desvendando o tema
Você já pensou que as relações internacionais podem ser vistas estratégia: arte de explorar condições
como um jogo de estratégia? favoráveis com o fim de alcançar
objetivos específicos.
Por exemplo, você conhece o jogo de xadrez? Veja o Manual específico.
Observe as peças.
Rei Rainha Torre Bispo Cavalo Peão
O jogo de xadrez imita velhos jogos de guerra, e sua estratégia é dominar o inimigo, dar o famoso xeque-mate.
Nele há todos os elementos de uma guerra antiga, mas ele permanece um jogo moderno.
A peça que simboliza o rei é o objetivo a ser conquistado, e pode-se até dizer que, em um mundo globalizado,
ele representa o lucro. As outras peças do jogo (rainha, bispo, cavalo e torre) podem representar as forças de merca-
do (burguesia, capital e meios de produção), peças importantes, com grande capacidade de manobra no tabuleiro.
Os peões são as peças que, por seu maior número, representam o setor produtivo (trabalhadores assalariados),
que é o primeiro a ser sacrificado em nome da vitória final, do crescimento da economia.
Admirável mundo novo Veja o Manual específico.
Com o desenvolvimento tecnológico, mudaram as relações entre patrões e empregados. O fordismo deu lugar
ao toyotismo, ampliou-se a capacidade de produção e consumo, acelerando o ritmo de trabalho.
Em consequência, em uma sociedade altamente mecanizada, são os homens e as mulheres que devem se
adaptar à velocidade das máquinas, o que acaba afetando as relações humanas. Não há tempo nem espaço
186 HISTÓRIA 9o ano 292
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
para conhecer as pessoas, e a única forma prática de diferenciá-las é a maneira como se vestem, os objetos
que exibem etc.
Foi nesse mundo pós-guerra que se estabeleceu uma nova divisão do poder mundial e o confronto entre duas
visões diferentes sobre como o mundo deveria ser.
Um mundo dividido
De 1945 a 1991, o mundo estava dividido entre os dois blocos vencedores da guerra: o bloco comunista, liderado
pela União Soviética, e o bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos.
O mundo, com exceção de poucos países, optava, por livre e espontânea vontade, ou de maneira forçada, por
um dos lados. Era a Guerra Fria. Sobre a Guerra Fria, veja o Manual específico.
Mas o que foi a Guerra Fria?
O antagonismo e a constante hostilidade nas relações internacionais entre os Estados Unidos e a União Soviética
se tornaram mais graves, principalmente a partir de 1947. Essa hostilidade não resultou propriamente em um conflito
aberto entre as duas grandes potências e, por isso, recebeu o nome de Guerra Fria.
As duas potências nunca estiveram oficialmente em guerra — chegaram perto, é verdade —, não existiu uma
guerra direta entre ambas, somente ameaças e a utilização de grupos ou países simpatizantes de ambos os lados
para desferir golpes no inimigo.
A Guerra Fria começou a ser definida após o fim da Segunda Guerra, quando, aos poucos, formou-se um
clima de tensão inspirado principalmente nas posições ideológicas de cada uma dessas potências — capitalismo
versus socialismo.
Finda a Segunda Guerra Mundial, o capitalismo procurou:
• reconstruir a economia capitalista euro-
peia, de forma a fortalecer as empresas A grande maioria dos Estados Nacionais
de capital privado perante o inimigo; atuais adota símbolos que funcionam como
• impedir a ação do inimigo, a União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), pontos de referência e os relacionam a senti-
que ameaçava a expansão do capitalismo mentos patrióticos. É o caso do Tio Sam para
mundial. os norte-americanos e da foice e do martelo
para os soviéticos. Veja o Manual específico.
O acontecimento mais representativo dessa divisão do mundo entre capitalistas e comunistas foi a construção
do Muro de Berlim, na Alemanha, que impedia que os berlinenses do lado comunista fugissem para o lado capitalista.
Sobre o Muro de Berlim, veja o Manual específico.
Os governos das duas potências antagônicas aceitaram a
The U.S. National Archives
distribuição global das forças, o que equivalia a certo equilíbrio
de poder, ou seja, assim que a União Soviética adquiriu armas
nucleares em 1949 e bombas de hidrogênio em 1953, as duas
superpotências abandonaram a guerra como instrumento de
política entre si, pois qualquer conflito militar direto seria sinô-
nimo de suicídio.
Arsenal bélico exibido durante parada militar na
Praça Vermelha, Moscou, 1963.
293 9o ano UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS 187
UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
A consequência dessa forma de conflito levou gerações inteiras a viver sob a ameaça de uma guerra nuclear.
O fim dos velhos impérios coloniais deixou um vazio de poder de países dominadores nos continentes africano e
asiático, permitindo que, nessas regiões, os blocos soviético e americano buscassem ampliar suas áreas de influência
ao longo de toda a Guerra Fria. Foi nessas zonas de atrito que os conflitos armados aconteceram.
China: mais um participante do jogo Veja o Manual específico.
Em 1949, outra nação entrou na disputa pela supremacia na Ásia: a República Popular
da China.
Reprodução
CPG
Depois da criação da União Soviética em 1917, foi um dos acontecimentos mais impor-
tantes da história do século XX.
Sob a direção de Mao Tsé-tung e do Partido Comunista Chinês, ocorreu a maior ruptura
com o capitalismo desde a Revolução Russa de 1917.
Recém-proclamada a República Popular da China, Stalin convidou Mao para uma visita
oficial a Moscou (capital da União Soviética). Em 1950, os dois países firmaram uma aliança
formal que os manteve alinhados, ao menos até 1970, contra o bloco capitalista.
A aliança sino-soviética foi importante para o fortalecimento dos grupos comunistas Mao Tsé-tung
no continente asiático. (1893-1976), político,
Como a Guerra Fria se fez presente na Ásia? revolucionário e
Nesse continente, iniciaram-se alguns con- primeiro governante
comunista da
República Popular
flitos, como a Guerra da Coreia, em 1950. Foi da China.
uma guerra sangrenta, que colocou em lados
opostos coreanos, apoiados pelas forças capi-
talistas lideradas pelos Estados Unidos, e aqueles que receberam apoio
da China e, discretamente, da União Soviética.
O conflito coreano revelou uma das características da Guerra Fria:
a extensão do conflito entre as duas grandes potências para as regiões
periféricas, principalmente as nações asiáticas e africanas formadas após
a crise do colonialismo europeu.
Outros conflitos semelhantes também ocorreram no Laos, no Vietnã,
no Camboja e na Tailândia. A Guerra do Vietnã (1964-1975) foi um conflito
armado ocorrido no Vietnã do Sul e nas zonas fronteiriças ao Camboja e
ao Laos; o Vietnã do Norte foi bombardeado.
Cartaz soviético que comemorava a aliança entre os povos soviético e chinês,
em que os líderes Stalin (à esquerda) e Mao (à direita) apertam as mãos.
1. Qual foi uma das consequências da Revolução Chinesa para o equilíbrio do poder entre a União Soviética
e os Estados Unidos durante a Guerra Fria?
A aliança sino-soviética foi importante para o fortalecimento dos grupos comunistas no continente asiático.
188 HISTÓRIA 9o ano 294
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
2. Escreva, com as suas palavras, como a Guerra Fria se fez permanente no continente asiático.
A Guerra Fria levou a conflitos como a Guerra da Coreia, revelando a participação indireta das duas grandes potências antagônicas –
União Soviética e Estados Unidos. Assim também ocorreu no Laos, Camboja, Vietnã e Tailândia.
TRABALHANDO COM TEXTO
Observe as fotos.
Library of Congress, Washington, EUA
Nick Ut/Canapress
12
Crianças coreanas Vietnã, junho de 1972: ao centro, nua e coberta
durante a Guerra da de queimaduras, a sul-vietnamita Kim Phuc,
Coreia, em 1954. de 9 anos, fugindo das bombas napalm norte-
-americanas.
Por dentro do texto
Responda às questões.
1. O que as duas fotos têm em comum?
Crianças nos campos de batalha.
2. Qual tem sido o efeito das guerras para a população civil dos locais em conflito?
A população civil sempre sofre muito com as mortes, a falta de alimentos e a crise que a guerra instala.
A Guerra Fria chega ao espaço
Na década de 1950, o comunismo soviético dava sinais de que poderia superar os Estados Unidos em ter-
mos tecnológicos. O fato mais marcante foi o lançamento do primeiro satélite espacial, o Sputnik, seguido do
primeiro cosmonauta a sair da atmosfera terrestre.
295 9o ano UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS 189
NASA History Office UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Era a chamada corrida espacial, que serviu como pano de
fundo para uma guerra de propaganda na qual cada lado procurou
mostrar, por meio de suas conquistas tecnológicas, a superioridade
de sua visão de mundo.
Iuri Gagarin, primeiro cosmonauta
a sair da atmosfera terrestre, dentro
da cápsula espacial Vostok 1.
Historicamente, a exploração espacial começou com o lançamento do satélite artifi-
cial Sputnik I pela União Soviética, em 1957. Uma semana depois, foi lançado o Sputnik
II, com a cadela Laika, o primeiro ser vivo a ir para o espaço.
Os russos perderam a corrida espacial quando o astronauta americano Neil Arms-
trong deu o primeiro passo na superfície da Lua em 1969 e a União soviética não existe
mais. Desde então, os Estados Unido têm liderado a exploração espacial, embora outras
nações, como a China, estejam investindo em seus próprios programas espaciais e até
a iniciativa privada tenha realizado voos suborbitais.
Sobre a nave Apollo 11, veja o Manual específico.
A União Soviética perdeu a corrida espacial, mas continuou a aumentar sua capacidade industrial. Já na década
de 1980, produzia 80% mais aço e cinco vezes mais tratores do que os Estados Unidos.
Isso tudo acontecia enquanto a política soviética parecia dar frutos internacionalmente. Por exemplo:
• O Vietnã se tornou totalmente comunista com sua vitória contra os Estados Unidos.
• Ex-colônias portuguesas, como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde, passaram para o domínio
comunista, e a Etiópia passou a demonstrar simpatia pela União Soviética.
Parecia que a economia e a política externa da União Soviética microtecnologia: tecnologia que aplica
prosperavam. a unidade de medida do micrômetro
(1 µm equivale à milionésima parte do
Mas não foi bem isso que aconteceu. Era preciso adaptar-se a uma metro).
economia que dependia cada vez mais das tecnologias de informação,
baseadas principalmente na microtecnologia. Veja o Manual específico.
Além disso, outros problemas causaram transtorno à economia
soviética, ameaçando seu status de superpotência.
1. Retire do texto uma frase que justifique o interesse dos Estados Unidos e da União Soviética em ganhar
a corrida espacial.
“Cada lado procurou mostrar, por meio de suas conquistas tecnológicas, a superioridade de sua visão de mundo.”
190 HISTÓRIA 9o ano 296
MANUAL DO EDUCADOR • 9o ANO HISTÓRIA
2. Por que parecia que a União Soviética, mesmo derrotada na corrida espacial, era imbatível no campo
econômico?
Porque continuou a aumentar sua capacidade industrial — na década de 1980, produzia 80% mais aço e cinco vezes mais tratores do
que os Estados Unidos, e as ex-colônias africanas e asiáticas se tornaram comunistas.
TRABALHANDO COM TEXTO
Observe as fotos.
NASA
NASA
Satélite artificial Sputnik. O astronauta Edwin Aldrin, em 1969, retira
equipamentos do módulo lunar Eagle.
Por dentro do texto
1. Qual momento da corrida espacial está representado na fotografia 1?
Seu início, com a União Soviética à frente.
2. Qual acontecimento aparece retratado na fotografia 2?
A chegada do homem à Lua e a vitória norte-americana na corrida espacial.
O fim de uma superpotência Veja o Manual específico.
Possivelmente, o crescimento da indústria levou a União Soviética a querer acompanhar os Estados Unidos na
corrida armamentista, aumentando em 4% e 5% seus gastos anuais ao longo de vinte anos após 1964.
297 9o ano UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS 191
UNIDADE 2 • GLOBALIZAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Essa corrida era muito cara. Enquanto Europa oriental – Áreas de influência da União Soviética
os Estados Unidos e seus aliados podiam se
dar ao luxo de gastar até 3 trilhões de dólares 0º 30ºL Oceano 60ºL Mario Yoshida
com as forças armadas, a economia soviética
e a de seus aliados não iam bem. A corrida Glacial Ártico
armamentista e tecnológica entre os dois
mundos causou, assim, o esgotamento da Círculo Polar Ártico
União Soviética.
60ºN
Esses problemas se acentuaram cada
vez mais desde a década de 1960, quando Estônia Rússia
o Estado soviético resolveu utilizar os recur-
sos disponíveis no mercado não comunista, Letônia N
como petróleo e empréstimos fáceis. Estes OL
empréstimos tornaram a União Soviética de- Lituânia
pendente dos recursos do bloco capitalista. Rússia S
Portanto, não foi um confronto militar que 0 580 1160
levou à destruição da União Soviética, mas Polônia Belarus
o fato de sua economia depender cada vez km
mais do mercado capitalista. Alemanha
Rep.Tcheca Ucrânia
Eslováquia
Meridiano de Greenwich
Eslovênia Hungria Moldova
Bósnia-
Romênia Mar Negro Mar Cáspio
Herzegóvina Sérvia e
Montenegro Bulgária
Macedônia
Albânia
Mar Mediterrâneo
Divisão anterior a 1989: a Rússia (laranja-escuro), país da antiga União
Soviética, e outros países de regime comunista (laranja mais claro).
Fonte de referência: Claudio Vicentino,
Atlas historico geral e do brasil. São Paulo: Scipione, 2012.
Além disso, a corrupção crescente e a repressão aos descontentes tornaram o Partido Comunista Soviético
impopular, favorecendo seu desmoronamento.
Em decorrência desses fatos, o enfraquecimento da economia soviética e de seus aliados da Europa Oriental
(ver mapa) provou a queda do Muro de Berlim, na noite de 9 de novembro de 1989, depois de 28 anos de existência,
possibilitando a abertura das fronteiras entre as duas Alemanhas e a posterior derrubada de outros regimes comunistas
europeus, como se fosse um castelo de cartas. Veja o Manual específico.
O significado desse acontecimento foi a constatação de que o domínio Fred R. Conrad/NYT
soviético estava chegando ao fim, enquanto os Estados Unidos se posiciona-
vam como única grande potência mundial.
O fim da União Soviética foi acelerado pelas mudanças iniciadas por Mi-
khail Gorbachev. Suas tentativas de reforma conduziram ao fim da Guerra Fria
e do poderio do Partido Comunista, levando à dissolução da União Soviética
em 25 de dezembro de 1991.
Embora parecesse que a Guerra Fria se encaminhava para uma guerra
nuclear, essas armas não foram usadas.
Mikhail Gorbachev (1931- ) foi o último
secretário-geral do Comitê Central do
Partido Comunista da União Soviética.
Governou de 1985 a 1991.
No final, a Guerra Fria desapareceu junto com a União Soviética, entre os anos de 1989 e 1991. No entanto, todo
esse potencial bélico ainda existe em diversos países, do Ocidente ao Oriente, como resultado natural de quarenta anos
de competição entre grandes Estados industriais.
Quarenta anos bem aproveitados pelos Estados Unidos, porque, privilegiando-se de sua condição de liderança,
patrocinaram tratados destinados a reduzir as práticas protecionistas de outras nações e as barreiras alfandegárias,
em benefício das empresas transnacionais.
192 HISTÓRIA 9o ano 298