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Educação de Jovens e Adultos - 6º ao 9º Ano

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Published by mande1meio, 2019-04-06 18:26:58

EJA - HISTORIA

Educação de Jovens e Adultos - 6º ao 9º Ano

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

onde foram encontrados os vestígios de seres humanos, para que o arqueólogo conheça mais sobre as condições
em que eles viveram.

Um artefato de pedra trabalhado pelo ser humano, por exemplo, requer a perícia de um geólogo para deter-
minar a sua origem e idade, enquanto o arqueólogo acrescenta mais informações, identificando qual era a utilidade
do artefato. O arqueólogo:

• identifica o tipo, a qualidade da rocha utilizada para fabricar a ferramenta e o local de onde ela foi retirada;
• ajuda a entender as habilidades e as dificuldades que os povos antigos tiveram ao produzi-la;
• localiza vestígios do solo onde foram encontrados restos de habitações humanas. Isso ajuda a entender as

condições de sobrevivência desses ancestrais humanos.

Escavando mais fundo

O que também pode ser encontrado junto a vestígios deixados pelo homem? Restos humanos.

Nesse caso, é necessária a ajuda de um antropólogo (do grego: antropo/homem e logia/estudo). Ele auxilia o
arquólogo, estudando não só o desenvolvimento biológico dos seres humanos, mas também a sua organização
cultural e social, ou seja, as suas habilidades manuais, o desenvolvimento intelectual e as relações existentes entre
eles, enquanto compartilham desejos, interesses e conhecimento.

Com a ajuda do antropólogo, podemos observar tanto o desenvolvimento físico/biológico da criatura humana
quanto o aperfeiçoamento de suas ferramentas de trabalho.

Leia o texto a seguir, no qual o autor fala sobre as desvantagens e vantagens e do desenvolvimento físico/
biológico dos seres humanos.

Como compensação a essas vantagens, o homem não só tem que aprender a usar, como também a fazer,
o seu equipamento. O pinto logo se vê armado de penas, asas, bico e esporas. É certo que tem que aprender
a usá-los – como manter limpas as penas, por exemplo. Mas isso é simples e não lhe tomará muito tempo.
Uma criança não vem ao mundo com esses recursos, que não crescerão espontaneamente. As pedras redondas
no chão não sugerem, em si, facas. Muitos processos e fases são necessários para que as peles de animais
possam ser transferidas para o corpo da criança como agasalho.

V. Gordon Childe. O que aconteceu na História. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.

TRABALHANDO COM TEXTO

Ablestock

Instrumentos feitos
de pedra do Período
Paleolítico, há cerca de
dois milhões de anos.

49 6o ano UNIDADE 1 • IDENTIDADE 153

UNIDADE 1 • IDENTIDADE

Por dentro do texto
1. Por que um artefato de pedra não é um pedaço de pedra qualquer?

Educador, peça aos alunos que observem a forma e tentem imaginar para o que mais ela poderia servir e como o artefato foi fabricado
pelos seus idealizadores.

2. Você utiliza ou já utilizou algum artefato de pedra? Para quê?

Resposta pessoal. Educador, veja o Manual específico.

Revelando o que aprendeu

1. Segundo o texto de Gordon Childe, o que diferencia as crianças dos filhotes de outros animais?

A criança não nasce sabendo a usar e adaptar os equipamentos necessários à sua sobrevivência, enquanto os animais já nascem
quase prontos para suprir as próprias necessidades.

2. Localize no texto “Escavando mais fundo” o trecho que explica por que o arqueólogo precisa da contri-
buição do antropólogo. Escreva-as com suas palavras.

Para que ele analise os vestígios deixados pelos seres humanos e possa mostrar o desenvolvimento biológico e a organização
cultural e social do período estudado.

Ampliando o tema

Se os antropólogos podem nos revelar hábitos e costumes dos povos antigos, outros pesquisadores podem nos
ajudar identificando os animais que conviveram com nossos ancestrais. São os paleontólogos.

Podemos aprender com os animais?

O paleontólogo auxilia a Arqueologia e a Antropologia, estudando vestígios de animais e vegetais que faziam
parte do cotidiano dos seres humanos do passado.

Em sua pesquisa, o paleontólogo pode colaborar com o arqueólogo, identificando os restos de animais
e vegetais utilizados pelos antigos em sua alimentação e construções. Eles são fundamentais para que os
antropólogos possam conhecer a dieta de nossos ancestrais e os efeitos que ela teve sobre a nossa formação
física e cultural.

154 HISTÓRIA 6o ano 50

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Para paleontólogos e antropólogos, é importante encontrar os restos de animais e plantas que, depois
de mortos, ficaram petrificados, foram cobertos por lama e outros resíduos, deixando a sua marca em um
molde. Esse molde permite que observemos a forma que esses seres tiveram no passado. É chamado de
material fóssil.

É importante notar que, quando os pesquisadores cavam o solo, acabam destruindo muito daquilo que
querem salvar. Por isso, a única forma de documentar todas as etapas do seu trabalho é por meio de desenhos,
fotografias e filmes de tudo aquilo que veem e fazem.

fóssil: vestígio ou resto petrificado ou endurecido de seres que habitaram a
Terra e se conservaram em depósitos sedimentares da crosta terrestre, sem
perder as características essenciais.

Revelando o que aprendeu

1. Podemos afirmar que o paleontólogo colabora com quais ciências?

O paleontólogo colabora com a Arqueologia e a Antropologia.

2. O que o paleontólogo estuda?

Os vestígios de animais e vegetais que faziam parte do cotidiano dos seres humanos do passado.

3. Por que as pesquisas são fundamentais para o antropólogo?

Para que ele possa determinar a dieta de nossos ancestrais e os efeitos que ela teve sobre a nossa formação física e cultural.

4. Explique o que é material fóssil.

Restos de animais e plantas que, depois de mortos, ficaram petrificados, foram cobertos por lama e outros resíduos, deixando a sua
marca em um molde.

51 6o ano UNIDADE 1 • IDENTIDADE 155

UNIDADE 1 • IDENTIDADE

Sua vez...

Desde a Pré-História, a maneira como os homens constroem suas habitações e garantem o seu sustento mudou
significativamente.

Observe as imagens 1 e 2. A imagem 1 representa uma aldeia neolítica. A imagem 2 é uma metrópole moderna.

Renato Arlen

Juvenal Pereira/Pulsar Imagens

São Paulo, SP, 2012.

Agora pense e responda no caderno:
a) Para você, como os moradores da aldeia neolítica da imagem 1 garantiam o próprio sustento?

Por meio principalmente da pesca.

b) E os moradores da metrópole da imagem 2, como garantem o sustento deles?
Trabalham em diversas atividades, como comércio, prestação de serviços etc.

156 HISTÓRIA 6o ano 52

CAPÍTULO 3 UNIDADE 1 • IDENTIDADE

Em busca das origens O objetivo deste capítulo é que os alunos percebam a construção da
identidade como um processo constante e contínuo, relacionado ao
Educador, veja encaminhamento para trabalhar ambiente (natural, social, cultural) em que vivem.
este capítulo no Manual específico.

Pra começo de conversa

No capítulo 1, você aprendeu como a sociedade humana é construída.

No capítulo 2, conheceu como os cientistas trabalham conjuntamente para tirar as suas conclusões sobre
as nossas origens.
Que tal agora conhecermos um pouco de nossas origens?

Primeiro, responda à seguinte questão: Quais são as nossas origens?

Desvendando o tema

Antes de ler o texto “E as nossas origens”, a seguir, discuta com seus colegas o sentido da expressão
“fazer ciência”. Pense e responda:
Você conhece essa expressão? O que ela significa? Resposta pessoal.
Agora leia:

Fazer ciência, pesquisar, analisar e tirar conclusões é um processo
permanente porque novas descobertas sempre colocam em dúvida as
conclusões anteriores.

Não há conhecimento definitivo, por isso, além das dúvidas, é normal
que existam discordâncias entre os cientistas. O mesmo acontece quando
estudamos as nossas origens.

1. Resposta pessoal. Educador, um exemplo simples de fazer ciência é quando preparamos a massa de um bolo e o assamos. Um bolo
de laranja, por exemplo. A receita básica da maioria dos bolos, as pessoas, geralmente, já conhecem: ovos, açúcar, farinha, leite e fer-

1. Cite um exemplo de “fazer ciência” que você conhece. mento, inclusive as suas propriedades, evidentes ao nosso
paladar. Fazer ciência, nesse caso, seria realizar um processo controlado usando procedimentos já conhecidos: assar o bolo sob uma
determinada temperatura durante um certo tempo. Depois é só conferir o resultado.

2. Os conhecimentos sobre as nossas origens são definitivos? Por quê?
Não, já que é um processo permanente, porque novas descobertas sempre colocam em dúvida as conclusões anteriores.

E as nossas origens?

A palavra “origem” pode ter diferentes significados: ponto de partida, começo, local de nascimento, natura-
lidade, nacionalidade, proveniência de um grupo social ou de um povo.

E será que todos os seres vivos têm a mesma origem?
Vamos conhecer as duas principais versões sobre a origem do ser humano e de todos os seres que habitam ou
habitaram o planeta Terra?

53 6o ano UNIDADE 1 • IDENTIDADE 157

UNIDADE 1 • IDENTIDADE

Para alguns, o universo foi criado de uma só vez por vontade divina – é o chamado criacionismo. De acordo
com essa versão, todas as espécies surgiram de repente, diferenciadas e especializadas. Não houve evolução, tudo
aconteceu num período muito curto de tempo.

Palácio Apostólico, Capela Sistina, Vaticano

Michelangelo di Ludovico Buonarroti Simoni, conhecido apenas
como Michelangelo (1475-1564). A criação de Adão (detalhe).
1508. Afresco, 350 × 380 cm.

A Capela Sistina faz parte do Palácio do Vaticano, em Roma, e deve seu nome ao
papa Sisto IV, que iniciou sua construção no ano de 1473. Ela foi decorada pelo escultor
e pintor italiano Michelangelo, que fez o trabalho de pintura sozinho. Ele levou muito
tempo para pintar o teto (de 1508 a 1512) e a parede do altar (1536 a 1541) da capela. No
teto, Michelangelo pintou nove cenas do livro bíblico do Gênesis, entre as quais a célebre
A criação de Adão, que você vê acima.

009 CONTEÚDO
DIGITAL

Por dentro do texto digita

1. Quem aparece representado na pintura A criação de Adão? Deus e o primeiro homem, Adão.
2. Você já viu alguma pintura semelhante a essa? Onde? Resposta pessoal.
3. Que outro título você daria a essa parte do afresco pintado por Michelangelo? Resposta pessoal.

Aprofundando o tema

O começo de tudo – o universo e a vida – sempre foi e continua sendo uma preocupação de todos os povos
do planeta. As explicações são várias e, fora da área científica, sempre tiveram fundamentação religiosa, guardando
uma semelhança muito grande entre elas.

158 HISTÓRIA 6o ano 54

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Leia o texto a seguir, no qual é contada uma versão sobre a origem da Terra.

A Grande Água

Em muitos mitos norte-americanos, uma deidade suprema conhecida como o Grande Espírito é sobretudo
vista como a criadora da Grande Água e suas criaturas, ou da mãe-terra e do pai-céu, ou do Sol e da Lua, que

possuem um papel mais ativo. Como em outros lugares, a vida emerge de uma vasta extensão de água, talvez

um dilúvio, e os animais nela mergulham para trazer

terra. Em determinada versão, uma grande tartaruga

deidade: divindade, deus ou deusa. mergulha até o fundo da água para obter a lama que

mito: narrativa de significação simbólica. Personagens se tornará a terra; em outras, um pássaro mergulha

mitológicos são imaginários, representados idealmente, na água procurando por terra (como a pomba de Noé),
fazem parte de uma história fantasiosa geralmente de
origem popular. Os mitos tiveram uma função didática e traz um pouco de lama para a superfície, onde ela
importante na vida dos povos antigos, pois os valores cresce, tornando-se tão pesada que apenas o dorso da
culturais eram transmitidos de geração para geração por tartaruga pode aguentá-la. [...]

meio de histórias de deuses e deusas, expressando uma Verônica Íons. História ilustrada da mitologia.
visão de mundo, uma maneira de pensar, sentir e agir. São Paulo: Manole, 2005. Fragmento.

Segundo a teoria criacionista, que tem como referência a Bíblia, Noé, um de seus personagens, teria recebido ordens
de Deus para construir uma arca e colocar nela sua família e um casal de cada espécie animal antes do dilúvio. Ele então
teria construído a arca. Quando já estavam todos na arca, Deus enviou uma chuva muito forte que durou 40 dias e 40
noites. As águas foram subindo até que cobriram completamente a superfície da Terra. Ao final desse tempo, quando a
chuva parou e as águas começaram a descer, Noé soltou uma pomba que, ao voltar para a arca, trouxe uma folha de oli-
veira no bico. A partir daí, os descendentes de Noé teriam repovoado a Terra, dando origem a todos os povos conhecidos.

É interessante notar que “águas” e “dilúvios” estão presentes em mitos e em pesquisas científicas que buscam
o início ou reinício de todas as coisas.

Cientistas, como biólogos e paleontólogos, partem do princípio de que a vida na Terra teve início nos mares
primitivos do nosso planeta há 2 bilhões de anos, pelo menos.

Mitos à parte, o que é aceito pela comunidade científica é que tudo aconteceu ao acaso e progressivamente.
Essa concepção sobre a origem da vida na Terra é chamada de evolucionismo.

Foi um naturalista inglês chamado Charles Darwin quem desenvolveu a teoria evolucionista, após observar
diversas espécies animais existentes no planeta. Segundo a teoria de Darwin, ao longo do tempo as características
das criaturas podem sofrer pequenas mudanças. Quando essas mudanças são benéficas e hereditárias, colaboram
para a sobrevivência da espécie. Sucessivas mudanças benéficas e hereditárias levam
ao surgimento de uma nova espécie. Esse processo é chamado de evolução.

Quando as mudanças aumentam as possibilidades de sobreviver às alterações no primata: mamífero
meio ambiente, ocorre o que é conhecido como adaptação. de cérebro e membros
muito desenvolvidos;
Ao competir, essa nova espécie leva vantagem, o que pode provocar a extinção por exemplo, o ser
das concorrentes. Isso é conhecido como seleção natural. humano, o macaco.

Partindo do princípio evolucionista, nós, seres humanos, espécie chamada cientifica-
mente de Homo sapiens, somos descendentes de primatas primitivos muito semelhantes aos macacos modernos, como

chimpanzés, orangotangos e gorilas.

O pensamento evolucionista de Darwin provocou e ainda provoca duras reações dos criacionistas. Em sua época,
ele foi ridicularizado por suas ideias e atacado por grupos religiosos que não aceitavam a possibilidade de haver
algum parentesco entre os homens e os animais irracionais.

55 6o ano UNIDADE 1 • IDENTIDADE 159

UNIDADE 1 • IDENTIDADE

Os antropólogos ainda buscam explicações para a origem das espécies. Eles precisam apresentar explica-
ções coerentes (teorias) sobre, por exemplo, a evolução humana, onde ela começou e como o Homo sapiens se
espalhou pelo planeta. Para isso, são necessários os restos fósseis dos ancestrais dos seres humanos. Veja as
ilustrações a seguir. São desenhos representando os primatas em diversos estágios evolutivos. O último à direita
é o da nossa espécie.

EVOLUÇÃO

4 5 Renato Arlen

3
2
1

1 Australopithecus 2 Homo habilis 3 Homo erectus 4 Homo sapiens 5 Homo sapiens
neanderthalensis sapiens
Apareceu há cerca Apareceu há cerca
de 3,9 milhões de de 2 milhões de Apareceu entre 1,5 Apareceu há Distingue-se do resto
anos. anos. Foi o primeiro e 2,5 milhões de aproximadamente dos primatas por seu
EXTINTO a construir e a anos atrás. 150 mil anos. maior volume cranial,
utilizar ferramentas EXTINTO EXTINTO menor número de pelos,
de pedra lascada, o sua linguagem complexa,
que lhe valeu o nome maior inteligência e
específico: habilis, o capacidade tecnológica.
habilidoso.
EXTINTO

Há ainda quem acredite que a existência de uma vontade divina, criadora do universo, não elimina as provas
encontradas pela ciência e que, ao mesmo tempo, essas provas não desmentem a existência de um criador. Que tal
pensar a respeito disso?

1. Com qual dos primatas da ilustração mais nos parecemos? Por quê?

Com o Homo sapiens sapiens, devido à postura ereta e por possuir um crânio maior.

2. Com qual dos primatas menos nos parecemos? Por quê?

Com o Australopithecus. O posicionamento e a cobertura do corpo, o formato dos membros, os traços faciais são alguns aspectos que
nos tornam muito diferentes, na atualidade, do Australopithecus.

160 HISTÓRIA 6o ano 56

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Revelando o que aprendeu

1. Escreva como os criacionistas explicam o surgimento do universo e das espécies.

Para os criacionistas, o universo foi criado de uma só vez, por vontade divina, e todas as espécies surgiram de repente,

diferenciadas e especializadas. Não houve evolução, tudo aconteceu num período muito curto.

2. Agora, escreva como os evolucionistas explicam o surgimento das espécies.

Os evolucionistas defendem a teoria de que toda forma de vida é resultado de um processo de adaptação contínuo que provoca

diferenciações entre as espécies quando estas precisam se adaptar às mudanças profundas do meio em que vivem.

3. As teorias criacionista e evolucionista são diferentes ou semelhantes? Justifique sua resposta.
São diferentes: uma defende que a humanidade surgiu a partir da vontade divina, a outra defende que a humanidade surgiu de um pro-
cesso de evolução das espécies.

4. O que podemos aprender com a sequência de figuras da página anterior?

Podemos conhecer os passos evolutivos que levaram os primatas primitivos a se tornar seres humanos.

5. Quais são as habilidades desenvolvidas pelos seres humanos?

Educador, veja resposta no Manual específico.

6. Descreva como nós, seres humanos, utilizamos uma de nossas habilidades.

Por exemplo: com a habilidade manual, pintamos quadros, produzimos vários materiais.

Ampliando o tema

Pode ser que você esteja se perguntando: “Em qual lugar do mundo estão as nossas origens?”
Leia o texto a seguir e conheça uma explicação.

Onde tudo começou?

Entre os evolucionistas, sobretudo antropólogos, a premissa mais aceita é a de que foi na África que teve início o

processo que deu origem ao Homo sapiens. Mas como se chega a uma conclusão dessas? Encontrando vestígios, ou

seja, fósseis que comprovem onde se iniciou a evolução humana e como aconteceu o

processo que deu origem à nossa espécie. hipótese: suposição
que orienta uma
A hipótese mais aceita hoje é a de que nossos ancestrais mais antigos apareceram investigação.
no continente africano.

Pelas escavações arqueológicas e pelo trabalho dos antropólogos, busca-se responder
como, por que e quando os seres humanos se espalharam pelo planeta. De acordo com as pesquisas feitas até agora,
os rastros deixados pelos fósseis humanos permitem concluir que alguns grupos abandonaram a África e migraram
para a Europa e para a Ásia. Foi na Etiópia (África), por exemplo, que ocorreu a descoberta, em 1974, dos restos de

57 6o ano UNIDADE 1 • IDENTIDADE 161

UNIDADE 1 • IDENTIDADE

Lucy, fêmea que viveu há aproxi- MIGRAÇÃO DO HOMEM ANATOMICAMENTE MODERNO
madamente 3,2 milhões de anos
e é considerada um dos maiores 0° 90°L
exemplos de nossa ancestralidade. Meridiano
de Greenwich
Em 1992, os antropólogos
fizeram outra descoberta fóssil, Círculo Polar Ártico Kids Produções Gráficas

batizada de Ardi. Também encon-

trada na Etiópia, era uma fêmea

que viveu há 4,4 milhões de anos.

Já em 2000, foram encontrados no

Quênia (também na África) fósseis

de outra espécie ainda mais antiga
que viveu há aproximadamente Trópico de Câncer

6 milhões de anos e que muitos

suspeitam pertencer a um ances- Equador N 0°
tral humano, batizada de Orrorin OL
tugenensis. Em 2001, foi a vez dos

restos de um primata batizado de Trópico de Capricórnio S
Toumai, possivelmente o fóssil mais
antigo, conhecido até o momento, 0 2040 4080
de um ancestral humano. Ele viveu
km

Rotas de migração do homem
moderno, entre 100.000 e 11.000 anos

há aproximadamente 7 milhões Fonte de referência: Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

de anos onde hoje se encontra o Educador, com a ajuda dos alunos, localize os continentes africano, europeu e asiático e o norte da África.

Chade (outro país africano).

Como Lucy, Ardi e a espécie Orrorin tugenensis, os restos de Toumai também foram encontrados na África, o que
reforça a teoria sobre a origem africana de todos os seres humanos que existem hoje.

CRONOLOGIA DAS DESCOBERTAS MAIS RECENTES

Descoberta Descoberta Descoberta da espécie Descoberta
de Lucy de Ardi Orrorin tugenensis de Toumai

1974 1992 2000 2001

Os nossos ancestrais africanos migraram para outras regiões em busca de alimentação, água e abrigo, para garantir
a própria sobrevivência. Foi preciso superar a fome, a sede e a insegurança – as principais alavancas de nossas ações.

Será que eles, em suas migrações, chegaram até aqui, em nosso continente? Se essa viagem de fato aconteceu,
como fizeram para sair da África e chegar até a América do Sul?

Para conhecer as respostas a essas questões, leia o próximo texto.

América: quem foram os primeiros? autóctone: que é
oriundo da terra onde
Quando os antropólogos começaram a estudar os nativos do continente america- se encontra, sem
no, chegaram a pensar que os indígenas da América não tinham ancestrais africanos, resultar de imigração
ou seja, alguns cientistas formularam a hipótese de que eles podiam ter evoluído de ou importação.
seres primitivos daqui mesmo, da América.
6o ano 58
Seriam autóctones? Afinal, a América parecia isolada dos outros continentes.

162 HISTÓRIA

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Essa hipótese não é mais aceita hoje, TRAJETO FEITO PELOS NOSSOS ANCESTRAIS ATÉ A AMÉRICA
porque não foi encontrado em nosso con-
tinente nenhum resíduo fóssil que compro- 180° 50° O
vasse que parte da evolução humana tenha
ocorrido aqui. Círculo Polar Ártico Kids Produções Gráficas

A teoria mais aceita é a de que a migra- Estreito de Bering
ção humana pela Terra levou o homem até o
continente americano. Antropólogos, geólogos ÁSIA
e historiadores discutem, ainda hoje, quan-
do e como chegaram os primeiros habitantes Trópico de Câncer
humanos à América. Existem várias teorias a
respeito, entre elas: atravessaram o Oceano Equador AMÉRICA 0°
Pacífico e chegaram às Américas Central e do DO NORTE
Sul, a partir do Sudeste asiático, ou através OCEANO
do estreito de Bering, alcançando o Alasca, na Trópico de Capricórnio ATLÂNTICO
América do Norte.
OCEANO
Observe no mapa-múndi as possíveis rotas PACÍFICO
que seguiram:
N AMÉRICA
Educador, oriente e acompanhe os alunos na localização DO SUL
dos continentes, do estreito de Bering, do Alasca e das três O
Américas. Procure demonstrar no mapa o provável trajeto AUSTRÁLIA L
feito pelos nossos ancestrais até chegarem às Américas. S 5308
Rotas de migração do homem 0 2654
moderno da Ásia para as Américas km

Fonte de referência: Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

1. Releia o texto “Onde tudo começou?” e responda:
a) Como a maioria dos antropólogos chegou à conclusão de que foi na África que surgiu o Homo sapiens?

Na África foram encontrados os vestígios fósseis mais antigos que explicam o processo evolutivo que deu origem à nossa espécie.

Educador, peça aos alunos que revejam o texto “Escavando mais fundo” no capítulo 2.

b) Por que alguns grupos humanos abandonaram a região em que viviam?

Para buscar alimentos, água, abrigo, ou seja, melhores condições de sobrevivência.

c) Escreva com suas palavras quais são os principais motivos que fazem as pessoas migrar para outras
regiões atualmente.

A seca, a falta de alimentos, a esperança de uma vida melhor em outra região etc.

2. Registre os nomes dos continentes, mares e oceanos por onde podem ter passado os viajantes da

Pré-História. África, mar Mediterrâneo, Ásia, oceano Índico, Oceania, oceano Pacífico, estreito de Bering e América.

E no Brasil... Niéde Guidon: arqueóloga e
diretora da Fundação Museu do
O lugar onde foram encontrados os vestígios mais antigos da presença Homem Americano (Fumdham).
humana no Brasil chama-se Parque Nacional da Serra da Capivara, que fica Administra a preservação do Parque
no município de São Raimundo Nonato, a 540 km ao sul de Teresina, capital Nacional da Serra da Capivara, local
do estado do Piauí. A partir desse sítio arqueológico, seguiremos as pistas onde, segundo Niéde, encontram-se
deixadas pelos prováveis primeiros habitantes do Brasil. os vestígios mais antigos deixados
por seres humanos no Brasil.
Brasileiros moradores dessa região estão colaborando com a arqueóloga
Niéde Guidon na busca, organização e preservação de vestígios deixados UNIDADE 1 • IDENTIDADE 163

59 6o ano

UNIDADE 1 • IDENTIDADE

por habitantes humanos que há muito LOCALIZAÇÃO DO PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CAPIVARA Mário Yoshida
tempo desapareceram daquela região.
Em geral, esses vestígios são restos de 50º O
madeira carbonizados. Equador

Os trabalhos coordenados pela São Raimundo
arqueóloga trouxeram resultados e re- Nonato
velações inéditas – como a presença
do homem na América do Sul em uma OCEANO OCEANO
época muito anterior àquela comumen- PACÍFICO ATLÂNTICO
te aceita –, que provocaram impacto
no campo da Arqueologia e até hoje Trópico de Capricórnio N
são contestados por antropólogos que OL
consideram que os primeiros homens só
chegaram à América do Sul nos últimos
20 mil anos, e não há 40 mil anos ou
mais, como ela afirma.

Em São Raimundo Nonato, Piauí, está S
localizada parte do Parque Nacional da 0 510 1020
Serra da Capivara.
km

Fonte de referência: Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

Entretanto, Niéde Guidon afirma que os restos de carvão encontrados em São Raimundo Nonato, datados de
Educador, sítios arqueológicos são as localidades
mais de 40 mil anos atrás, são restos de fogueiras feitas por seres humanos. onde são encontrados vestígios de ocupação
Agora, leia o texto e descubra o que foi encontrado na Carolina do Sul, Ehsutmaadnoas. Unidos.

Carvão de 50 mil anos é encontrado nos Estados Unidos

O arqueólogo americano Al Goodyear, da Universidade da Carolina do Sul, divulgou ontem o que afirma
serem evidências da presença humana na América do Norte há 50,3 mil anos – bem antes da época nor-
malmente aceita.

Ele achou, em maio, no sítio de Topper, no Estado da Carolina do Sul, uma placa de carvão de uma
possível fogueira pré-histórica. Foram identificados diferentes tipos de madeira, como pinheiro e carvalho,
que foram queimados em temperatura relativamente baixa.

Os arqueólogos aceitam que o homem entrou nas Américas há no máximo 20 mil anos, viajando entre
a Sibéria e o Alasca. [...]

Folha de S.Paulo, São Paulo, 19 de nov. 2004. Folha Ciência. Fragmento.

Para alguns antropólogos e arqueólogos, os restos de carvão descobertos por Niéde Guidon no Piauí (Brasil) e por
Al Goodyear na Carolina do Sul (Estados Unidos) não provam, de forma conclusiva, que foram queimados em fogueiras
produzidas por homens. Alegam que podem ser o resultado de incêndios naturais.

1. O que afirmam Niéde Guidon e Al Goodyear sobre a origem humana na América?

Ambos concordam que os seres humanos chegaram à América há mais de 40 mil anos.

164 HISTÓRIA 6o ano 60

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

2. O que afirmam aqueles que não concordam com esses arqueólogos?

Afirmam que não há provas conclusivas de que a madeira queimada (carvão) foi produzida por seres humanos e que, portanto, eles não

chegaram na América antes de 20 mil anos atrás.

3. Localize, em um atlas geográfico, os estados da Carolina do Sul (Estados Unidos) e do Piauí (Brasil). Re-
gistre em quais partes do continente americano eles se encontram.

Carolina do Sul (América do Norte) e Piauí (América do Sul).

4. O que se diz no texto “E no Brasil...” que mais chamou a sua atenção? Por quê?

Resposta pessoal.

Revelando o que aprendeu

1. Em que município brasileiro foram encontrados os vestígios humanos mais antigos?

No município de São Raimundo Nonato, a 540 km ao sul de Teresina, capital do estado do Piauí.

2. Niéde Guidon é o nome da arqueóloga responsável pela busca, organização e preservação desses ves-
tígios. O que suas pesquisas podem indicar?

Podem indicar que os primeiros seres humanos chegaram ao Brasil há cerca de 40 mil anos ou mais.

3. Você aprendeu algo novo sobre pesquisas históricas? O quê? Registre no caderno.

Resposta pessoal. Resposta possível: Os pesquisadores nem sempre concordam entre si quanto às conclusões tiradas das pesquisas.

Ampliando o tema LOCALIZAÇÃO DO SÍTIO ARQUEOLÓGICO EM MINAS GERAIS Mário Yoshida

Não foi somente a pesquisa de Ni- 50º O
éde Guidon que fez ampliar os debates
sobre a chegada dos primeiros habitan- Equador
tes do Brasil. Em 1975, uma expedição
recuperou alguns ossos encontrados Lagoa Santa OCEANO
em um sítio arqueológico no município ATLÂNTICO
de Pedro Leopoldo, na região de Lagoa
Santa, Minas Gerais. OCEANO N
PACÍFICO OL
As análises revelaram que os ossos
pertenciam a um mesmo indivíduo, prova- Trópico de Capricórnio
velmente do sexo feminino e que teria en-
tre 20 e 25 anos de idade quando morreu. S
A essa mulher que viveu na Pré-História 0 510 1020
brasileira há aproximadamente 11 mil
anos foi dado o nome de Luzia. km

Em Lagoa Santa, Minas Gerais, Fonte de referência: Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.
está localizado um importante
sítio arqueológico.

61 6o ano UNIDADE 1 • IDENTIDADE 165

UNIDADE 1 • IDENTIDADE

TRABALHANDO COM TEXTO

O que foi possível aprender com os resultados das análises dos Museu Nacional, Rio de
Educador, no Manual específico há um Janeiro, RJ
ossos de Luzia? Vamos descobrir? texto complementar com hipoteses a
serem trabalhadas com os alunos.
Observe, nas imagens ao lado, a fisionomia de Luzia e da in-

dígena camacã pintada por Debret.

Por dentro do texto Museus Castro Maya – IPHAN/ Reconstituição
1. Resposta possível. Revela que se trata de MINC, Rio de Janeiro, RJ da fisionomia
uma pessoa com características étnicas negras. de Luzia.
1. O que o rosto reconstruído de Luzia revela sobre a sua Jean-Baptiste
origem? Responda no caderno. Debret (1768-
1848). Índia
2. O que chamou a atenção no rosto da indígena do camacã
quadro de Debret? (detalhe) c.
1834-1839.
Resposta pessoal. Possivelmente, os olhos, parecidos com os das Aquarela, 27,6
× 20,6 cm.
pessoas de origem oriental.

3. A fisionomia da indígena pode indicar alguma coisa
sobre sua origem? O quê?

Sim, que seus ancestrais provavelmente eram do continente asiático.

4. Quais as principais diferenças entre a fisionomia de Luzia e a da indígena retratada por Debret?

O formato dos olhos, dos lábios, do nariz.

Revelando o que aprendeu

1. Releia as respostas das questões anteriores e formule as suas conclusões sobre os antepassados de Luzia

e da indígena camacã retratada por Debret. Reúna-se com um colega, troquem ideias e registrem suas

conclusões no caderno. Resposta possível: Provavelmente, elas têm origens diferentes. Os antepassa-
dos de Luzia vieram da África e os da indígena camacã, da Ásia.

2. O que a descoberta e a análise dos ossos de Luzia permitiram?

Permitiram formular novas conclusões sobre as origens dos primeiros habitantes da América.

3. Com base em suas leituras e nas discussões com os colegas, responda: por que essas descobertas foram

importantes? Responda no caderno. Resposta possível: Essas descobertas trouxeram revelações inéditas – como
a presença do ser humano na América do Sul em uma época muito anterior
àquela comumente aceita – e causaram impacto no campo da Arqueologia.

Vamos compartilhar? Educador, veja orientações no Manual geral.

Que tal compartilhar com outras pessoas da comunidade escolar o que você aprendeu? Para isso, você
será convidado a montar uma exposição muito especial. Os visitantes farão uma viagem pelo túnel do
tempo, movidos pelas lembranças provocadas pelos textos, mapas, imagens, objetos criados ou sele-
cionados por você e seu grupo-classe. Siga as orientações de seu educador.

166 HISTÓRIA 6o ano 62

CAPÍTULO 4 UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

Cidadania e leitura Alexandre Tokitaka/Pulsar Imagens Educador, veja encaminhamento para trabalhar Marcus Ramos
este capítulo no Manual Específico.
Pra começo de conversa
2
Observe as fotografias a seguir:

1

Mãe e filho atravessam faixa de pedestres em dia de Luis Salvatore/Pulsar Imagens Pessoas fazendo compras em uma feira livre em João Prudente/Pulsar Imagens
chuva, na cidade de São Paulo, SP, 2012. Jacobina, BA, 2012.
3 4

Pessoas seguem trilha no Vale do Pati, Parque Nacional Tropeiros no Vale do Quilombo, São José do Barreiro,
da Chapada Diamantina, Andaraí, BA, 2011. SP, 2010.

1. Você percebeu que ao olhar uma imagem, um desenho ou uma ilustração também faz uma leitura?
a) O que você vê na fotografia 1? Pessoas atravessando numa faixa de pedestre em uma avenida de São Paulo.
b) E na fotografia 2, o que você lê? Uma banca de frutas de uma feira livre de Juazeiro, BA.
c) E na fotografia 3? Uma trilha em um parque nacional na Bahia.
d) E, finalmente, na fotografia 4? Tropeiros em São José do Barreiro, em São Paulo.

2. O exercício 1, que você acabou de fazer, é uma das formas de realizar uma leitura do mundo, aquela
que sempre vem antes da leitura da palavra. Você pode fazê-la de várias outras formas, por exemplo:
olhando o céu, pode saber se vai chover ou não.
A leitura da palavra também é muito importante, principalmente em nossa sociedade, em que quase
tudo é escrito. Além disso, as diversas formas de leitura, juntas, facilitam o acesso ao conhecimento,
à informação e ao exercício da cidadania.
E você, de que formas faz a sua leitura do mundo? Resposta pessoal.

63 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 167

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

3. Na sua opinião, o que é ser cidadão? Resposta pessoal. Educador, veja as orientações no Manual específico.

4. Você se considera respeitado como cidadão? Por quê? Resposta pessoal.

5. Você cumpre seus deveres de cidadão? Quais? Resposta pessoal. Educador, veja as orientações no Manual específico.

6. Para você, existe alguma relação entre a leitura de mundo e da palavra e a cidadania?

Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba que a leitura do mundo e da palavra per-
mite maior acesso a informações, aos direitos e aos deveres dos cidadãos.

Desvendando o tema

Cidadania pode ser entendida como direitos e obrigações ligados às liberdades individuais, como o direito à
expressão, à propriedade e à justiça; à liberdade política, como o direito de participar do exercício do poder político;
à liberdade socioeconômica, como os direitos à segurança e ao bem-estar econômico. Tais direitos e obrigações estão
inerentemente ligados à leitura do mundo e da palavra escrita.

A leitura das condições climáticas e dos elementos naturais em uma floresta é, para os povos silvícolas (aqueles
que vivem nas matas), tão importante quanto a leitura dos códigos escritos para aqueles que vivem em sociedades
urbanas. Nestas, a cidadania, ou seja, a participação plena dos direitos e deveres sociais depende muitas vezes do grau
de instrução, ou seja, da capacidade de leitura e interpretação de um texto escrito, sem a qual ficam limitados o acesso
ao conhecimento científico, a melhoria das condições materiais e o reconhecimento de direitos e deveres.

Outra leitura

Uma pessoa cega, ou com deficiência visual severa, também tem direito a uma vida normal, desempenhando
todas as atividades que realizam as pessoas que enxergam, inclusive estudar.

Mas como um deficiente visual faz a leitura do mundo? O que há em comum entre você e essa pessoa no mo-

mento em que fazem uma leitura? Educador, aproveite este momento para mediar um debate que desperte a curiosidade dos alunos em
relação aos vários recursos que utilizamos para fazer uma leitura do mundo.

Troque ideias com seus colegas sobre essas questões.

Além da visão, temos outros sentidos que utilizamos para ler o mundo em que vivemos, como o tato, a audição, o pa-
ladar e o olfato. Algumas pessoas têm necessidade de usar esses sentidos com mais frequência e intensidade do que outras.

Observe atentamente a imagem.

O sistema de leitura braile para cegos foi inventado © Gabe Palmer/Corbis
pelo francês Louis Braille.

Braille perdeu a visão aos três anos. Quatro anos
depois, ingressou no Instituto de Cegos de Paris. Em
1827, então com 18 anos, tornou-se professor desse
mesmo instituto. Ao ouvir falar de um sistema de pon-
tos e buracos inventado por um oficial do exército para
ler mensagens durante a noite em lugares onde seria
perigoso acender a luz, Braille pesquisou e fez algumas
adaptações, criando o sistema braile, que é um alfabeto
convencional cujos caracteres são indicados por pontos
em relevo que são distinguidos por meio do tato.

Um deficiente visual treinado pode ler duzentas
palavras por minuto.

168 HISTÓRIA 6o ano 64

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

1. Agora, responda: o que mostra a fotografia da página anterior?

Uma pessoa ensinando uma criança a ler pelo método braille.

2. Pense e escreva uma legenda para a fotografia. Resposta pessoal.

3. Além da visão, quais outros sentidos o ser humano possui para fazer a leitura do mundo?
O tato, o paladar, a audição e o olfato.

Ser cidadão no Brasil – a lei e a prática

Para garantirmos nossos direitos, é necessário lutar por um Estado no qual os direitos sejam, de fato, garantidos
pela Constituição – conjunto de leis que regula a organização do Estado, estabelecendo a forma de governo, a relação
entre os três poderes, os poderes públicos, os direitos e os deveres dos cidadãos. O Brasil teve várias Constituições
aprovadas: a monarquista de 1824; a primeira republicana de 1891, reformada em 1926; a segunda republicana de
1934; a outorgada por Getúlio Vargas em 1937; as Constituições de 1946, 1967, 1969 (as duas últimas sob o regime
militar) e, novamente sob o regime democrático, a de 1988, que atualmente está em vigor.

Vejamos o Capítulo I da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

Estado: nação politicamente Capítulo I – Dos direitos e deveres individuais e coletivos:
organizada. Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer na-
inviolabilidade: o que é tureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País
inviolável, ou seja, que está a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança
legalmente protegido contra e à propriedade [...].
qualquer tipo de violência.
Rogério Forasteri Silva. Histórico das constituições brasileiras.
São Paulo: Núcleo, 1989. p.118. Fragmento.

1. Um país dialoga com seu povo por meio de sua Constituição. A Constituição é uma lei. Lei magna, pois não
se submete a nenhuma outra lei. Ela precisa ser legítima. Sua legitimidade vem do diálogo de posições,
quando é elaborada por uma Assembleia Nacional Constituinte, composta pelos deputados federais e
senadores eleitos pelo povo.

A Constituição do Brasil foi elaborada por uma Assembleia Nacional Constituinte eleita pelo povo. No
entanto, os jornais, as rádios apresentam diariamente inúmeros casos nos quais os direitos dos cidadãos
não são respeitados. Por que isso acontece? Justifique sua resposta.

Resposta pessoal. Educador, aproveite as respostas de seus alunos para debater sobre como programas sensacionalistas, que se

autoproclamam jornalísticos, abordam os problemas sociais. Em que sentido eles influenciam seus telespectadores, utilizando argumentos

emocionais, sem aprofundar criticamente os problemas e soluções?

2. Você conhece algum fato que demonstre, na prática, que todos são iguais perante a lei? Escreva no
caderno. Resposta pessoal.

3. Pesquise, em jornais e internet, artigos, reportagens e fotografias que apresentem situações que mostrem
desrespeito ao Artigo 5o da Constituição de 1988. Cole-os no caderno.

4. Agora, faça uma leitura de cada situação que você identificou e escreva uma reflexão sobre a importância
do respeito ao Artigo 5o da Constituição de 1988.

Resposta pessoal.

65 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 169

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

5. Leia a reportagem a seguir:

“[...]
A expansão da nova classe média que, atualmente representa
a metade da população brasileira, aconteceu pela melhora da
renda de quatro protagonistas: negros, mulheres, nordestinos e
jovens. Em dez anos, os montantes da renda de negros e mulheres
cresceram mais que as somatórias dos rendimentos de não negros
e homens. Na Região Nordeste, onde existia a predominância da
classe baixa, houve uma migração considerável de pessoas para
a classe média. [...]”

Renato Meirelles. Pirâmide social – 2022: o futuro é logo ali (fragmento). São
Paulo: Carta Capital (20 de janeiro de 2013). Disponível em: <http://www.cartacapital.

com.br/sociedade/2022-o-futuro-e-logo-ali/>. Acesso em: jan. 2013. Fragmento.

Após ler esse trecho da reportagem, responda no caderno:
a) Segundo a reportagem, quais dos direitos de cidadania estão sendo ampliados?

O direito ao bem-estar econômico.

b) Quais foram os membros da sociedade que mais se beneficiaram com a melhoria de renda?
Negros, mulheres, nordestinos e jovens.

c) Você concorda com a reportagem? Converse com os colegas sob a orientação de seu educador.
Resposta pessoal.

Aprofundando o tema

É necessário lembrar que os direitos de cidadania são indissociáveis das obrigações políticas e sociais, tais como
cumprir as leis e respeitar os direitos de outras pessoas, sem os quais os direitos não serão garantidos para todos.

Será que os direitos do cidadão sempre foram os mesmos ao longo do tempo?
Leia o texto e descubra mais sobre o assunto.

Direitos para quem?

Em muitos períodos da história brasileira, somente uma minoria privilegiada possuía direitos. Eles não eram
reconhecidos nas leis e nos costumes para a maioria da população.

Existiram governos que se baseavam na origem divina do poder, ou seja, na ideia de que o poder dos gover-
nantes representava a vontade de Deus. No Brasil isso aconteceu no passado (1822-1889). Você sabia que o Brasil já
teve como forma de governo a monarquia? Na monarquia, o chefe de governo pode ser chamado de monarca, rei
ou imperador.

O trono real não é o trono de um homem, mas o trono do monarquia: regime de
próprio Deus [...]. Os reis [...] são deuses e participam, de alguma governo em que o chefe de
maneira, da independência divina. O rei vê de mais longe e de mais Estado é o monarca. O seu
alto; deve acreditar-se que ele vê melhor, e deve obedecer-se-lhe poder é vitalício, transmitido
sem murmurar, pois o murmúrio é uma disposição para a sedição. de pai para filho ou para um
parente mais próximo.
Jacques-Béngne Bossuet. Política tirada da Sagrada Escritura. In: Gustavo de Freitas.
900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano, s/d, p. 201. Fragmento.

Vamos prosseguir com nossa reflexão sobre os direitos de cidadania? Para isso, continue a leitura.

170 HISTÓRIA 6o ano 66

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Direitos de cidadania

O imperador estava no topo da hierarquia. Abaixo dele havia os privilegiados da terra – grandes proprietários,
cuja maior preocupação era manter o poder político, o controle sobre a terra e os escravos.

Vamos conhecer o texto de alguns artigos da primeira Constituição do Brasil, a de 1824, para entender melhor
o significado da palavra “cidadania” na época do Império.

Art. 6o: São cidadãos brasileiros: ingênuo: (do latim
ingenuus) não alterado
I. Os que no Brasil tiverem nascido, quer sejam ingênuos, ou liber- por trocas externas, puro,
tos, ainda que o pai seja estrangeiro, uma vez que este não resida por legítimo (tratando-se de
serviço de sua Nação. filho), nascido livre, digno
de homem livre, recatado,
[...] honesto, franco, leal.

Gabinete Civil da Presidência da República.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao24.htm>.

Acesso em: 12 fev. 2013. Fragmento.

1. Ao longo da história brasileira, os direitos foram exclusivos de quem?

De uma minoria privilegiada.

2. De acordo com o texto de Bossuet, o trono real é o trono de quem?

Do próprio Deus.

3. Quem vê de mais longe e mais alto, segundo Bossuet?

O rei.

4. No período entre 1822 e 1889, tivemos dois imperadores: Dom Pedro I e Dom Pedro II.Responda a seguir.

Museu Imperial/IPHAN/MINC (Petrópolis, RJ).1 Simplício de Sá 2
MASP
(1785-1839).
Dom Pedro I. 1826.
Óleo sobre tela,
76 × 60 cm.

Victor Meireles (1832-1903).
Dom Pedro II. 1864.
Óleo sobre tela, 252 × 165 cm.

a) Em que época a obra 1, de Simplício de Sá, foi pintada?

Na época do Império. UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 171
67 6o ano

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

b) O que a pintura 1 revela a você?

Resposta possível: A valorização da imagem de Dom Pedro I na história brasileira, como o primeiro imperador do Brasil. Educador,

é interessante mostrar aos alunos que Dom Pedro I sempre aparece mais jovem que seu filho nas imagens; isso ocorre porque

morreu jovem, aos 36 anos de idade, enquanto Dom Pedro II viveu até os 66 anos.

c) Agora, observe o quadro 2, feito pelo pintor Victor Meireles, e escreva a sua opinião sobre ele.

Resposta pessoal.

Na época em que os quadros da página anterior foram pintados, ainda existiam escravos no Brasil.

Os escravos foram vistos, ao mesmo tempo, como propriedade e como seres humanos – uma contra-
dição que gerava tensões permanentes. [...] Num mundo governado pela Providência Divina, a escravidão
era uma punição para o pecado: os negros deviam pagar por transgressões presentes e passadas. [...]

Emilia Viotti da Costa. Da Monarquia à República. São Paulo: Brasiliense, 1987. p. 237-238. Fragmento.

Ser escravo no Brasil

Sendo o negro escravo, não era considerado cidadão, mas, sim, um objeto, uma mercadoria. Era castigado
constantemente para seguir as ordens daqueles que se julgavam seus proprietários.

Não eram somente os escravos os únicos indivíduos sem direitos. A falta de direitos também atingia a maioria
dos libertos, mesmo aqueles considerados cidadãos. Somente uma minoria podia ocupar os altos cargos do Império.

Art. 45: Para ser Senador requer-se:

IV. Que tenha de rendimento anual por bens, indústria, comércio, ou empregos, a soma de
oitocentos mil réis.

Gabinete Civil da Presidência da República.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao24.htm>. Acesso em: 12 fev. 2013.

O voto era censitário, ou seja, não era direito de todos. Somente podia votar quem tivesse propriedades e dinheiro.

Um outro tipo de leitura

Como os homens que vivem na cidade, os indígenas precisam conhecer o meio em que vivem. Isso significa
fazer uma leitura, isto é, ler o mundo ao seu redor, assim como se leem as páginas de um livro, revista ou jornal.

172 HISTÓRIA 6o ano 68

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Em uma sociedade letrada, o acesso ao conhecimento também depende do domínio e da interpretação da
leitura dos sinais impressos, enquanto nas sociedades indígenas as informações estão nos formatos, nas cores e
nos cheiros. Isso significa que o indígena, que sabe ler o que diz a natureza, está mais preparado, em seu meio, para
exercer o seu direito à vida, obter alimentos, materiais e remédios necessários à sua sobrevivência.

Revelando o que aprendeu

1. De acordo com o texto de Emilia Viotti da Costa, os escravos eram considerados cidadãos? Como eram vistos?

Não, de acordo com a autora, os escravos não eram considerados cidadãos. Ela deixa claro que eles eram vistos como propriedade.

2. Quem era considerado cidadão, de acordo com a Constituição de 1824?

De acordo com a Constituição de 1824, eram considerados cidadãos os nascidos ingênuos, ou seja, livres ou libertos.

3. Quem tinha direito ao voto em 1824?

Somente quem tivesse propriedades e dinheiro.

4. De acordo com o estudo realizado até o momento, escreva o que você entendeu sobre os direitos do
cidadão na época do Império brasileiro.

Os direitos não eram iguais para todos, mesmo entre aqueles considerados cidadãos. Somente alguns podiam votar e ser votados.

5. Observe a imagem.

Museus Castro Maya – IPHAN/MINC (Rio de Janeiro, RJ). Jean-Baptiste Debret
(1768-1848). Família de um
chefe camacã se prepara
para uma festa. c. 1820-1830.
Aquarela sobre cartão, 18,6 ×
29,3 cm.

a) Descreva a cena retratada por Debret.

A cena retrata um grupo de indígenas, no qual aparecem homens, mulheres e crianças, que parecem encontrar-se dentro de uma

habitação. Fora dela, veem-se pessoas trabalhando.

b) O que a cena revela a você?

Resposta pessoal.

69 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 173

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

6. Como terá sido a comunicação entre os europeus que chegaram ao Brasil no século XV e os indígenas
que aqui viviam?

Educador, essa resposta será trabalhada no próximo texto.

Encontros e desencontros

A chegada da armada portuguesa às nossas terras, em 1500, representou o encontro de dois mundos diferentes.
De um lado, os portugueses, seguros de sua superioridade moral e tecnológica. Do outro, populações nativas da
América que recebiam com surpresa e curiosidade pessoas estranhamente vestidas para elas.

Como será que os dois grupos se comunicavam? Leia com atenção o que escreveu, em um trecho de sua
carta, Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de navios comandada por Pedro Álvares Cabral.

No dia 26 de abril já fazia cinco dias que a armada de Cabral se
encontrava no Brasil. Nesses cinco dias, aos poucos, os contatos com os
índios foram se estreitando. No dia 23, quando se deu o primeiro contato
entre índios e portugueses, houve troca de presentes, mas à distância. Já
no dia seguinte, Afonso Lopes trouxe dois índios a bordo da nau capitânia,
em primeira visita. [...] Porém, de parte a parte, permanecia um receio [...]

Luiz Koshiba. O índio e a conquista portuguesa. Coordenação Maria Ligia Prado, Maria Helena
Capelato. (Coleção Discutindo a História do Brasil). São Paulo: Atual, 2004. Fragmento.

1. Imagine a cena descrita no texto de Luiz Koshiba. Faça um desenho que a represente. Agora procure
responder:

a) Como faziam os indígenas e os portugueses para se comunicar?
Por meio de expressões e gestos.

b) O que você imagina que significou a troca de presentes entre eles?
Uma forma de aproximação amigável que facilitou a comunicação.

2. De acordo com a carta de Caminha, houve uma aproximação ou distanciamento entre os dois grupos?

Justifique. Aproximação, pois os dois grupos foram aos poucos ampliando as leituras do mundo de um e de outro, embora
com receio.

3. Observe a pintura ao lado.

a) Em que época a cena representada aconteceu? MASP
No século XVI.
b) Onde ela aconteceu? No Brasil.
No centro, observa-se um grupo de
c) Descreva a cena. europeus rezando uma missa cristã,
tendo um grupo de indígenas ao seu
d) O que ela revela sroebdorreeaà ccehrteagdaisdtâancdiao. s portu-
nas egauaepasreensteatooleBrârnacsiaile?ntrAseuraoesliingdtieoonsisçidãgaordudepeocsrciasatttãeéqdauoqizsuaeprloeorstmuigonumdeíegsneet-so,.
e) O que ela revela sobre os indígenas, naquele
momento? Uma aparente curiosidade e desconfiança.
Eles estão no quadro a certa distância, obser-
f) Que outro tvítaundloo ovoquceêadcoanrtieaciap.ara essa pintura?
Resposta pessoal.

Victor Meireles (1832-1903). Primeira Missa no
Brasil 1860. Óleo sobre tela, 252 × 165 cm.

174 HISTÓRIA 6o ano 70

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Ampliando o tema Educador, após a leitura deste artigo, que tal pedir para que os alunos redijam uma Declaração de
Direitos à Leitura? A Declaração Universal dos Direitos do Homem pode ser utilizada como modelo.

Em sua opinião, o que acontece à medida que aumenta o seu conhecimento da escrita e da leitura? Converse
com seus colegas a respeito dessa questão.

Em nossa sociedade, a alfabetização nos habilita a fazer uma leitura do mundo mais ampla. Tornou-se funda-
mental que os estados elaborassem planos que garantissem a todos o acesso a esse tipo de educação. Por exemplo,
vejamos o que diz a Declaração Universal dos Direitos do Homem, em seu Artigo 26:

1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus
elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-
-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior.

2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade hu-
mana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais.
A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos
raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.

[...]

Disponível em: <http://www.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm>. Acesso em: 3 ago. 2012.

Observe as imagens. Educador, veja o Manual específico.

Orlando Sierra/AFP PHOTO 12 Ricardo Azoury/Pulsar Imagens

Shah Marai/AFP Homens presos em Honduras, 2009. Família indígena com roupas comuns. Influência da cultura branca.
3 Santa Isabel do Rio Negro, AM, 2012.

Pai foge desesperado com seu filho logo após a • Todo direito civil representa o direi-
explosão de um carro-bomba. Cabul, Afeganistão, 2009. to individual de cada ser humano.

• Todo direito econômico é o direito
a viver dignamente.

• Todo direito social representa o
direito coletivo.

• Todo direito cultural é o direito à
liberdade de praticar suas crenças e
valores, respeitando os dos outros.

71 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 175

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

Por dentro do texto

1. De que maneira o desrespeito aos direitos humanos se mostra nas imagens 1, 2 e 3?
Educador, veja o Manual específico.

2. Qual título você daria a esse conjunto de imagens? Resposta pessoal.

Vamos continuar a reflexão sobre os direitos de cidadania? Para isso, leia o texto a seguir.

As imagens que você acabou de observar representam a degradação dos seres humanos nos aspectos
psicológico, social (físico) e cultural. Nesses casos, em geral, o Estado é o responsável pelos problemas.

1. No aspecto psicológico, é responsável, por omissão, pois não reserva recursos materiais suficientes para
atender decentemente àqueles que sofrem de doenças mentais, ou por ação, quando estimula conflitos
armados, geralmente pela ânsia de obtenção de lucro, por disputa de poder, por diferenças religiosas,
causando danos à saúde psíquica das pessoas envolvidas.

2. No aspecto social, ao servir aos interesses de grupos para manter a exploração econômica sobre a maioria
da população, fomentando a guerra e a destruição.

3. No aspecto cultural, ao permitir o desrespeito para com as culturas indígena, afro e regional, mediante a
imposição de um modelo cultural único por intermédio dos meios de comunicação (televisão, internet,
jornais, revistas etc.).

Preocupada com esses direitos, a Assembleia Geral das Nações Unidas os reafirmou em dezembro de 1977.

Todos os direitos humanos e liberdades fundamentais são indivisíveis e interdependentes
e deve-se observar a mesma valoração na sua aplicação e proteção, tanto dos direitos civis e
políticos, como dos direitos econômicos, sociais e culturais.

Os direitos humanos não são propriedade de governos, nacionalidades, etnias, credos ou ideologias, por-
que pertencem a todos os seres humanos, de todos os continentes. Os direitos têm também uma característica
fundamental: são indivisíveis e interdependentes.

Indivisíveis quer dizer que todos têm que ser tratados com igual respeito e importância.

Interdependentes significa que o não atendimento de um Assembleia Geral das Nações Unidas: é
único direito afeta o cumprimento dos outros. Por exemplo: o não onde todos os Estados estão representados.
atendimento das necessidades materiais básicas, tais como alimen- Na Assembleia Geral, todos os países
tação, habitação e saúde, afeta os seres humanos nos aspectos podem debater as suas divergências, na
psicológico, social e cultural. busca de acordos sobre como resolver os
problemas mais importantes.
Por dentro do texto

1. De acordo com o texto, com relação à degradação dos seres humanos, o Estado é o responsável pelos
problemas psicológicos e sociais (porque mantém a exploração econômica, fomentando a guerra e a
destruição) e pelos culturais (o desrespeito para com a cultura indígena, afro e regional).

Discuta essa afirmação com os colegas, com base na realidade brasileira e mundial. Cite exemplos:
a) de problemas psicológicos por omissão, ou por ação (conflitos armados, disputa por poder, por

diferenças religiosas);

b) de problemas sociais (que mantêm a exploração econômica, fomentando a guerra e a destruição);

c) de problemas culturais (o desrespeito para com as culturas indígena, afro e regional).

Educador, veja o Manual específico.

176 HISTÓRIA 6o ano 72

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

2. O texto deixa claro que os direitos humanos não são propriedade de governos, nacionalidades, etnias,
credos ou ideologias, porque pertencem a todos os seres humanos, de todos os continentes. E eles pos-
suem uma característica fundamental: são indivisíveis e interdependentes. O que isso significa? Justifique
sua resposta.

Indivisíveis quer dizer que todos têm de ser tratados com igual respeito e importância; interdependentes significa que o não atendimento

de um único direito afeta o cumprimento dos outros. Por exemplo: o não atendimento das necessidades materiais básicas, tais como

alimentação, habitação e saúde, afeta os seres humanos nos aspectos psicológico, social e cultural.

Nas sociedades atuais, é fundamental a superação das dificuldades de compreender a leitura da escrita. Isso se torna
um empecilho para “ler o mundo” à nossa volta e tornar as pessoas partes integrantes dele, ou seja, permitir que elas
interfiram na realidade de forma a garantir o cumprimento dos deveres e direitos dos cidadãos conquistados até agora.

Revelando o que aprendeu

1. O que é leitura do mundo?

É a capacidade adquirida pela experiência de interpretar os sinais perceptíveis aos nossos sentidos.

2. Quais são as diferentes formas de leitura do mundo?

Os sinais visuais (escritos e imagens), auditivos (a fala, a música etc.) e táteis (a escrita braile, esculturas etc.) criados pelo homem e

os sinais deixados pela natureza, que nos permitem antecipar chuvas e colheitas, por exemplo.

3. Como os escravos eram tratados pela sociedade brasileira na época da monarquia?

Eram tratados como propriedade.

4. No Artigo 5o da Constituição de 1988, qual trecho fala dos direitos do indivíduo no Brasil?

“Todos são iguais perante a lei”.

5. Nas questões a seguir, você deverá descobrir qual é o significado da palavra SARVALAPO em cada des-
crição. Lembre-se, em cada uma delas SARVALAPO é algo diferente.
a) Ser um sarvalapo significa ter direitos e deveres para com o país em que se vive. O que é sarvalapo?

Nesta frase, sarvalapo é cidadão.

b) Nas escolas, encontram-se sarvalapos. Pode-se aprender muita coisa com um sarvalapo. Eles podem
passar de mão em mão. Um sarvalapo didático tem textos e exercícios.

Nesta frase, sarvalapo é livro.

c) Sarvalapo e leitura representam uma forma de garantir uma melhor participação no mundo.

Nesta frase, sarvalapo é cidadania.

Educador, esse é um jogo para que os alunos aprendam a interpretar o significado Exercício adaptado do livro de Maria Isabel Dalla Zen,
daquilo que é descrito. A palavra SARVALAPO não existe e não é importante. Aqui,
o que importa são os seus diferentes significados.
Histórias de leitura na vida e na escola. São Paulo: Mediação Editora, 1997.

Educador, no Manual específico há um texto complementar para este capítulo, bem como orientação e sugestão de atividades para o trabalho com ele.

73 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 177

5CAPÍTULO UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

Ricardo Azoury/Keydisc
Cidadania: uma construção histórica

Educador, veja encaminhamento para trabalhar
este capítulo no Manual Específico.

Pra começo de conversa

Observe a imagem.

Uma estátua com A Justiça, de Alfredo
olhos vendados repre- Ceschiatti (1918-1989),
senta a justiça. A venda esculpida em granito de
nos olhos significa que Petrópolis, medindo 3,30
“todos são iguais perante m × 1,48 m e 0,40 m de
a lei” ou que “todos têm base, foi colocada (1961) em
iguais direitos”. A justiça frente ao prédio do Supremo
deve buscar a igualdade Tribunal Federal, DF.
entre os cidadãos.

a) O que você vê em destaque na frente da imagem?
Uma estátua sentada com os olhos vendados e uma espada nas mãos.

b) O que essa estátua representa? A justiça.
c) O que indica a venda nos olhos da estátua?

Que a justiça deve ser igual para todos.

d) Para você, a justiça é cega? Por quê? Resposta pessoal.
e) Qual outro nome você daria a essa estátua?

Resposta pessoal.

f) Na sua opinião, o exercício da cidadania depende da
ação das pessoas? Por quê?

Resposta pessoal. Resposta possível: Sim, porque todas as pessoas devem exercer o seu direito de cidadania.

g) A leitura contribui para um melhor exercício da cidadania? Por quê?
Sim, porque permite maior acesso ao conhecimento, às informações.

Desvendando o tema

Relembre o que você estudou no capítulo anterior, os direitos que você conhece e que são garantidos por
lei – tanto aqueles que estão no Artigo 5o de nossa Constituição quanto os da Declaração Universal dos Direitos
Humanos – e responda:

Ao longo do tempo, as pessoas sempre tiveram alguma forma de garantia de direitos? Como eles eram
garantidos?

Troque ideias com seus colegas sobre essas questões. Depois, leia o texto a seguir.

Educador, veja orientação no Manual específico.

Direitos ao longo dos tempos

Ao longo da história do Brasil e do mundo, desde a Antiguidade, a relação entre o Estado (governo) e o povo exigiu
ajustes, a busca de soluções para novas situações. Atualmente, precisamos aperfeiçoar nosso sistema democrático.

178 HISTÓRIA 6o ano 74

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Podemos questionar: Qual o nível de democratização que alcançamos hoje? Será que a liberdade de pensamento,
de ação e o poder do voto, além das leis escritas, no caso da nossa Constituição, são suficientes para garantir uma
vida de qualidade e o exercício da cidadania para todos?

E na Antiguidade, como era a relação entre os governantes e o povo?

Você já ouviu falar na torre de Babel? Segundo a Bíblia, ela foi construída pelos descendentes de Noé com
a finalidade de alcançar o céu. Irado com a ousadia humana, Deus teria feito que todos os trabalhadores da obra
começassem a falar línguas diferentes para que não se entendessem, o que impediu a continuação da construção
da torre. E foi a partir daí que, segundo a Bíblia, teriam surgido os diferentes idiomas do mundo.

Essa versão busca explicar a existência de tantos idiomas diferentes e revela a ansiedade e a capacidade de
organização das pessoas para atingir um objetivo comum.

As grandes construções humanas tornam-se possíveis com o esforço conjunto e certa dose de organização no
trabalho. Portanto, são necessárias regras de comportamento para a organização de um grupo social.

Como será que surgiram as primeiras regras escritas? Sabemos que isso ocorreu há muito tempo. Mas como
eram resolvidas as questões que envolviam os direitos de cada pessoa?

Antes de pensar nessas questões, responda à seguinte pergunta:

Qual é a diferença entre leis orais e escritas? As leis orais são transmitidas pela fala e as leis escritas, por palavras colocadas em
algum tipo de material, como pedra, argila, couro, papiro, papel etc.

Mesopotâmia – o primeiro código escrito

Foi na Mesopotâmia, atual Iraque, que Hamurabi, um dos reis da Mesopotâmia (do grego meso e
Babilônia, criou o primeiro código de leis escritas (cerca de 1780 a.C. antes potamos – entre rios): região geográfica
do nascimento de Jesus Cristo). Ele reinou de 1728 a.C. até sua morte, em histórica do Oriente Médio, delimitada
1686 a.C. pelos rios Tigre e Eufrates, ocupada
atualmente pelo Iraque.
Hamurabi tornou-se famoso por ter mandado registrar em linguagem
escrita o conjunto de leis que antes era transmitido oralmente.

Sabe como? Continue a leitura para descobrir.

O Código de Hamurabi

Situada no Oriente Médio, entre os rios Tigre e Eufrates, a Mesopotâmia foi uma das primeiras regiões da Terra a
desenvolver a agricultura e, certamente, uma das grandes consequências disso foi a melhoria das condições gerais de vida
da população. Por outro lado, com mais alimentos, a população cresceu, o que deu origem a boa parte dos problemas
sociais e urbanos. Por exemplo: aumento da violência, disputas por diversos motivos (principalmente territoriais) etc.

Nessa época, as leis eram passadas de geração para geração oralmente e a aplicação delas estava nas mãos de
parentes e amigos das próprias vítimas, que seguiam as regras obedecidas e aceitas pelas comunidades mesopotâmicas.

O aumento populacional e o surgimento de autoridades que controlavam uma vasta região levaram os gover-
nantes a ampliar o alcance das leis.

E o que fizeram? Transformaram as velhas leis orais em leis escritas.

Assim há cerca de 3.780 anos, surgiu um dos primeiros códigos de leis escritas da humanidade. Não que antes
não existissem leis, mas elas eram orais, isto é, cantadas em músicas, repetidas nas orações, nos cultos coletivos,
reafirmadas nas duras penalidades que cabiam àqueles que ousassem descumpri-las.

E foi na Mesopotâmia que surgiu o primeiro código escrito de leis, conhecido como o Código de Hamurabi,
que recebeu esse nome porque, no período, Hamurabi era rei da Babilônia e foi ele quem mandou transformar as
leis orais em códigos escritos.

75 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 179

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

Nesse código de leis, as penalidades eram realmente duras. Vejamos algumas:

• “Se um homem arrancar o olho de outro homem, o olho do primeiro deverá ser arrancado [Olho por olho].”
• “Se um homem quebrar o dente de um seu igual, o dente deste homem também deverá ser quebrado
[Dente por dente].” Educador, aproveite as referências geográficas para localizar, com os alunos, os países cita-
dos, em um atlas ou mapa-múndi.

Atualmente, em alguns países, como na Arábia Saudita, as leis continuam a ser extremamente severas.

TRABALHANDO COM TEXTO Educador, veja orientação no Manual específico.

Leia com atenção o texto jornalístico.

1

Saudita é executado e crucificado por assassinar a mãe

Riad, 31 dez. (EFE) – Um saudita foi executado e crucificado nesta sexta-feira depois
que um tribunal islâmico o condenou à morte por haver assassinado sua mãe, informa hoje
um comunicado do Ministério do Interior.

Magued Bin Yahiya “matou a mãe, roubou suas joias e jogou o corpo em um edifício
em construção antes de queimá-lo”, diz a nota, que não especifica datas.

O veredicto contra Yahiya foi ratificado neste mês pelo Tribunal de Cassação e pelo
Conselho Supremo de Justiça do reino, onde se aplica com rigor a “Sharia” ou Lei Islâmica.

UOL Notícias. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2004/12/31/ult1807u12806.jhtm>.
Acesso em: 12 fev. 2013.

Por dentro do texto Educador, que tal fazer uma “viagem” pelo Brasil e pelo mundo, utilizando o mapa do Brasil e
o mapa-múndi para, com os alunos, descobrir onde fica a Arábia Saudita e sua capital Riad, e
as regiões brasileiras em que os conflitos pela posse de terra estão presentes? Vale um debate
sobre os castigos corporais praticados por diversos Estados modernos.

1. A partir dos dois exemplos do Código de Hamurabi transcritos acima, analise os direitos das pessoas
naquela época e compare-os com os direitos das pessoas na atualidade.

Naquela época os direitos eram garantidos de maneira bastante violenta.

2. Você considera a lei saudita severa como a do Código de Hamurabi? Por quê?

Resposta pessoal.

3. Compare as respostas das perguntas 1 e 2 e escreva, com suas palavras, a sua conclusão.

Educador, informe aos alunos que a prática do “olho por olho, dente por dente” ainda faz parte do cotidiano de alguns países e em

alguns lugares no Brasil, pois acontecem situações nas quais as pessoas tentam resolver seus problemas fazendo justiça com as

próprias mãos. Podemos citar como exemplo os conflitos pela posse de terras.

4. Para você, quais são as principais diferenças entre o Código de Hamurabi e as leis atuais aplicadas no Brasil?

As leis atuais não permitem mutilar os culpados por algum crime e toda e qualquer punição perante a lei é exclusividade do Estado.

180 HISTÓRIA 6o ano 76

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Revelando o que aprendeu

1. Como, desde a Antiguidade, os homens se organizam para realizar grandes obras que exigem um esforço
coletivo?

Criando regras de comportamento para a organização do trabalho coletivo.

2. Qual é a vantagem das leis escritas sobre as orais?

As leis orais são passadas de pessoa para pessoa por meio da comunicação verbal e podem ser distorcidas ao longo do tempo,

enquanto as leis escritas são mais difíceis de ser descumpridas, mesmo pelos poderosos.

3. Reflita sobre algumas regras adotadas em sua casa e que não são executadas. Compare-as com as dos
colegas. Tirem conclusões e registrem-nas no caderno. Resposta pessoal. Educador, veja orientação no Manual específico.

4. Escreva alguma regra que você conheça e que faça parte do nosso código de leis escritas.

Resposta pessoal.

Aprofundando o tema Educador, antes de inciar a Alguns especialistas
leitura com os alunos, veja o afirmam que memória é a
Manual específico. capacidade de reter quase
tudo o que experimentamos.
Antes de ler o texto a seguir, discuta com seus colegas a impor- É como um arquivo de infor-
tância da memória para as pessoas e para a História. mações. Reter informações
não é problema, a questão
Ter boa memória é importante mesmo? Por quê? é recuperá-las no momento
Como o problema de preservar a memória vem sendo resolvido necessário e, em algumas
ao longo dos tempos? circunstâncias, transmitir
Agora, leia o texto. informações a outras pessoas.

Memória e poder

Desde a invenção da escrita, foi essencial para mercadores, artesãos, proprietários de terras etc. ter um registro,
ou seja, um controle sobre o que se produzia e/ou vendia.

A partir de Hamurabi, escrever e interpretar as leis passou a ser útil para garantir e conquistar direitos.

As pessoas, de maneira geral, costumam dizer que quem tem memória tem poder. A memória pode ser
compreendida como o registro escrito de ideias, informações, impressões, além das experiências anteriores. Esse
registro permite ao ser humano acumular informações, experiências e transmiti-las a outras gerações. Dessa forma,
é muito útil para a humanidade.

As mesmas sociedades que iniciaram a revolução agrícola perceberam a necessidade de criar instrumentos que
pudessem guardar e transmitir informações de forma mais duradoura, por exemplo: o registro da quantidade de
grãos colhidos e armazenados.

A necessidade fez surgir a palavra escrita, uma combinação de sinais visuais que representam ideias (ideogra-
mas) e sons (fonogramas).

Vejamos agora dois exemplos de sociedades da Antiguidade que utilizaram a palavra escrita: os sumérios, povo
que habitou a Mesopotâmia há mais de três mil anos antes de Cristo e criou a escrita cuneiforme, e os egípcios, que
criaram a escrita hieroglífica. Essas são as mais antigas escritas criadas pelo homem.

77 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 181

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

Na Mesopotâmia surgiu o primeiro código escrito. É dessa região que temos Museu Britânico
os registros mais antigos da palavra escrita. Localizada entre os rios Tigre e Eufra-
tes, tinha solo fértil, excelente para a agricultura e por isso foi muito disputada
pelos antigos habitantes da região.

A escrita criada pelos povos da Mesopotâmia foi muito importante para a econo-
mia (contabilidade) e os rituais religiosos, importantes para a manutenção do poder.

Escrita e poder também misturavam-se no Antigo Egito, e não era à toa que os
escribas egípcios, conhecedores da leitura e da escrita, estavam a serviço do faraó.
Eram responsáveis pela coleta de impostos, controle da produção agrícola etc.

Faraó era o título dos antigos reis do Egito que governavam de forma teo- Tábua arqueológica babilônica com
crática, quer dizer, acreditava-se que o seu poder era divino. A religião egípcia era inscrições cuneiformes descrevendo
politeísta, ou seja, admitia a existência de vários deuses. Na verdade, o próprio trechos da Epopeia de Gilgamesh,
faraó também era considerado um deus. século 17 a.C.

Não só o domínio da escrita garantia aos faraós e seus escribas o CPG
controle sobre as leis, a economia e as crenças populares, mas também o
domínio sobre o conhecimento astronômico permitiu aos egípcios “ler”
no movimento dos astros a periodicidade das enchentes do Nilo, funda-
mental para planejar as ações do Estado e justificar a crença nos poderes
sobrenaturais do faraó.

O desenvolvimento de um calendário que estabelecia o ano de 365
dias e o conhecimento de que o surgimento no céu da estrela Sirius, ao
nascer do Sol do dia 19 de julho, coincidia com o início das enchentes do
rio Nilo permitiam ao faraó prevê-las para o povo egípcio, o que reforçava
o mito de sua divindade.

O rio Nilo foi fonte de água necessária para o desenvolvimento da Rainha oferece vasos para a deusa Hathor. Os
agricultura no Egito. No período das cheias, suas águas transbordavam “desenhos” que decoram a parede desta tumba,
cerca de 20 quilômetros além do leito e inundavam as margens, depo- no Egito, são um exemplo de escrita hieroglífica.

sitando no solo os nutrientes necessários para o plantio. Logo que o

período de enchentes passava, o solo fértil era aproveitado ao máximo astronômico: relativo a astronomia,
ciência que envolve a observação e a
para o cultivo. Assim como a civilização mesopotâmica dependia dos explicação de eventos que ocorrem fora
rios Tigre e Eufrates, a sociedade egípcia dependia do rio Nilo.

da Terra e de sua atmosfera.

1. Cite um exemplo que demonstre que memória é poder.

Resposta pessoal. Educador, a escrita garantia aos faraós e seus escribas o controle sobre as leis, a economia e as crenças populares,
bem como o conhecimento astronômico para “ler” no movimento dos astros a periodicidade das enchentes do Nilo, justificando a crença
nos poderes sobrenaturais do faraó.

2. Quem tinha o domínio da palavra escrita na Mesopotânia e no Antigo Egito?

Faraós, reis, príncipes e seus auxiliares, como os sacerdotes e os escribas.

3. Como os faraós utilizavam o conhecimento astronômico de seus sacerdotes a seu favor?

O conhecimento de que o surgimento da estrela Sirius, ao nascer do Sol do dia 19 de julho, coincidia com o início das enchentes do rio

Nilo permitia-lhes antecipar as enchentes para o povo egípcio, o que reforçava o mito de sua divindade. 6o ano 78
182 HISTÓRIA

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA
4. Descreva como você utiliza a escrita no seu dia a dia.

Resposta pessoal.

Ampliando o tema Educador, antes de inciar a
leitura com os alunos, veja o
Manual específico.

Ser reconhecido pelo povo como um deus significava fazer parte de um grupo detentor do conhecimento
disponível. Sabemos que hoje a justiça é pública, obrigação do Estado, mas, para que todos tenham acesso a ela, é
necessário que saibam ler as leis escritas e interpretá-las. Isso contribui para o exercício da cidadania.

Vamos conhecer um pouco mais sobre o desenvolvimento das leis, agora no mundo ocidental.

Roma e o Direito Romano

A Itália é um país europeu, localizado ao sul do continente. Ocupa quase a totalidade da Península Itálica, mais
as ilhas da Sardenha e da Sicília. Roma é conhecida hoje como a capital da Itália, e é também a maior cidade do país.
No passado, foi o centro de um grande império.

Como toda história contada, a do aparecimento de Roma tem várias versões. Conheça-as, nos textos a seguir:

Educador, aproveite as referências geográficas para localizar os países citados em um atlas ou mapa-múndi com os alunos.

O mito

Diz a lenda que Roma foi fundada por dois irmãos chamados Rômulo e Remo em meados do século VIII.
Filhos de uma princesa com o deus Marte, foram abandonados em uma cesta e jogados no rio Tibre.
Salvos e amamentados por uma loba, foram criados por um casal de pastores.
Adultos, fundaram uma cidade no lugar onde a loba os encontrou, Roma (ano de 753 a.C.). Para demarcar o
território da cidade, os irmãos, usando um arado de ferro, desenharam um grande círculo no chão. Esse círculo não
era completamente fechado: apresentava interrupções onde seriam os portões da cidade. Para mostrar ao irmão que
aquelas muralhas não valiam nada, Remo pulou o sulco aberto com o arado. Então, Rômulo o matou, deixando claro
que quem infringisse as leis romanas sofreria as consequências.

O que dizem os historiadores?

Para alguns historiadores, Roma foi fundada pelos etruscos.

Reunidos para melhor resistir a seus inimigos, em meados do etruscos: aglomerado de povos que
século VIII a.C. os etruscos fundaram a cidade em duas etapas. Na viveram na Itália. Desconhece-se ao
primeira, criaram-na materialmente, secando os pântanos entre as certo quando se instalaram lá, mas foi
colinas. Propiciaram, assim, condições de vida. Na segunda, deram-lhe provavelmente entre os anos 1.200 a.C.
organização política, ou seja, Roma transformou-se em um Estado. e 700 a.C.

Hoje, os Estados são os responsáveis pela criação, execução e interpretação das leis. No Brasil, por exemplo,
cabe aos legisladores (vereadores, deputados e senadores) a criação das leis, enquanto o Executivo (prefeitos, go-
vernadores e presidente da República) deve garantir o seu cumprimento e o Judiciário (juízes) deve interpretá-las.
A Justiça não é mais privada, e sim pública, direito dos cidadãos e obrigação do Estado.

Como isso aconteceu? Ao longo da história humana, aos poucos o direito à justiça deixou de ser praticado pelas
vítimas e passou a ser exclusividade do Estado. O Estado romano é um bom exemplo. Ao longo de sua existência,

79 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 183

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

foi elaborado um conjunto de leis e procedimentos legais que ficou Direito Romano: conjunto de regras
conhecido como Direito Romano. jurídicas observadas pelos habitantes de
Roma entre o século VIII a.C. e o século
Com o Direito Romano, diferentemente do Código de Hamurabi, XVI d.C. Essas regras influenciaram as leis
o direito individual de punir ou fazer justiça foi transferido gradual- no Ocidente. O Direito Romano estava
mente para o Estado. dividido em três: o direito público, o
direito privado e o direito de todos os
1. Copie do texto o trecho que mostra como a justiça mudou cidadãos.
após a elaboração do Direito Romano.

Ao longo da história humana, aos poucos o direito à justiça deixou de ser praticado pelas vítimas e passou a ser exclusividade do

Estado. O Estado romano é um bom exemplo. Ao longo de sua existência, foi elaborado um conjunto de leis e procedimentos legais

que ficou conhecido como Direito Romano.

2. Atualmente, no Brasil, quem são os responsáveis pela criação das leis?

São os vereadores, deputados e senadores.

3. Quem representa o Poder Executivo no Brasil?

O Poder Executivo é representado pelos prefeitos, governadores e pelo presidente da República.

4. De qual versão sobre a fundação de Roma você mais gostou? Justifique sua resposta.

Resposta pessoal.

Vamos continuar nosso estudo sobre os direitos do cidadão no decorrer da História.

A Grécia antiga: a democracia de poucos

A Grécia antiga não era representada por um único Estado. Na verdade, cada cidade grega era um Estado (pólis)
com suas próprias leis e organização social. Uma dessas cidades era Atenas.

Os gregos da Antiguidade são conhecidos por terem criado um tipo de governo chamado democracia.
A maioria é a favor da democracia. Muitos pensam que a praticam, mas poucos sabem realmente o que essa
palavra significa.
Na teoria, é um governo do povo, de todos os cidadãos, ou seja, de todos aqueles que gozam os direitos de
cidadania. É diferente de monarquia, na qual governa um só, e de aristocracia, que é o governo de poucos.
Na história humana, desde que surgiu a democracia, os problemas são estes: Quem é considerado cidadão?
Quais são os direitos do cidadão?
Na Grécia antiga, diferentemente de outros tipos de governo, como a monarquia, a democracia criada pelos
atenienses permitia que mais indivíduos participassem das decisões governamentais. Para que isso acontecesse,
aqueles considerados cidadãos reuniam-se em assembleias, em um espaço da cidade chamado ágora, que era a praça
pública. Os antigos gregos atenienses debatiam e deliberavam acerca de suas questões políticas. Em assembleia, os
cidadãos decidiam sobre os destinos de sua pólis, de sua cidade.

184 HISTÓRIA 6o ano 80

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

E quem era considerado cidadão em Atenas? Somente o indivíduo livre, adulto, do sexo masculino, filho de pai e
mãe atenienses. Quer dizer: a igualdade de direitos existia apenas entre os proprietários de terras nascidos em Atenas,
eram eles que participavam da vida política na cidade.

Cidadãos Proprietários de terras nascidos em Atenas.

Metecos

Estrangeiros residentes em Atenas
– mercadores, artesãos etc. 

Escravos – cultivavam as terras dos cidadãos.

Hilotas

Observe a pirâmide acima. Ela representa as posições sociais ocupadas pelas pessoas na Grécia antiga. Quanto
mais próximas do topo elas estivessem, mais ricas eram; quanto mais distantes do topo da pirâmide, mais pobres.

1. Qual grupo social está no topo da pirâmide?

Os cidadãos, os proprietários de terras.

2. Qual grupo social está abaixo desse grupo?

Os metecos, estrangeiros sem direitos políticos.

3. E qual grupo está na base da pirâmide?

Os escravos.

Confronto de opiniões

Somente 10% dos atenienses, todos homens, tinham direito de participar diretamente das discussões sobre o
governo da pólis.

Ser cidadão em Atenas exigia o confronto de opiniões diferentes.

Você já debateu com seus colegas algum assunto e tentou convencê-los a concordar com suas ideias? Era o que
acontecia na ágora, um debate de ideias.

Preparando-se para a vida política, os cidadãos atenienses aprendiam, desde a ju-

ventude, a falar e expressar-se de modo claro e de forma convincente. Esse procedimento retórica: técnica
era chamado retórica. Para dar certo, os praticantes dessa técnica têm de convencer os de convencer outras
pessoas por meio do uso
ouvintes de que seu raciocínio está correto.

Estudar e participar da vida política nessa sociedade exigia muito tempo livre. En- persuasivo da palavra.

quanto a classe produtora – os mercadores e artesãos (metecos) e os escravos – garantia o

funcionamento da economia, os cidadãos não precisavam trabalhar e recebiam a educação necessária para administrar

a pólis e desenvolver as suas técnicas de convencimento, em seu próprio proveito.

E que faziam os cidadãos de Atenas nas assembleias na ágora?

Discursavam. Usavam o domínio da retórica como recurso para convencer os ouvintes. Não havia comprometi-
mento com a verdade. Utilizavam o modo de falar, os gestos e até a maneira de se vestir para influenciar o público.

81 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 185

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

Você conhece alguma profissão em que a técnica da retórica é utilizada? Qual?

Educador, lembre seus alunos de que o uso da retórica é comum entre políticos, advogados, vendedores, publicitários etc.

Leitura, oralidade e cidadania

Sempre houve divergências sobre o que é direito, certo ou justo.
Sobre os direitos garantidos ao indivíduo nas leis, orais ou escritas, durante a Antiguidade, é importante a se-
guinte reflexão: quem é esse indivíduo do qual estamos falando?
A elaboração das leis é consequência dos conflitos entre os seres humanos, e também é uma construção cultu-
ral. O que é considerado certo ou errado pode mudar de acordo com a cultura ou a posição que o indivíduo ocupa
dentro da sociedade, assim como a punição para o que se considera crime.
Independentemente da cultura de que estejamos falando, a capacidade de criar ou interpretar as leis, seja dos
seres humanos, seja da natureza, está relacionada à prática da cidadania.
Em nossa sociedade, o domínio e o uso da oralidade e da escrita são instrumentos importantes para a manu-
tenção ou conquista dos direitos, mas não são os únicos.

A civilização ocidental recebeu grande influência gre-
ga. A língua portuguesa possui várias palavras originárias
do grego antigo. Exemplos: democracia; pólis, origem da
palavra “política”; cidadão, que significava “habitante da
cidade”. A palavra “teatro” veio do termo grego théatron, ou
seja, théa = espetáculo, vista, visão e tron = instrumento.
Esse é um tipo de prazer que herdamos deles. As letras de
nosso alfabeto derivam das letras gregas: α = A; β = B.

Poemas, como A odisseia, atribuído ao poeta grego
Homero, são admirados e lidos até os nossos dias. Os
médicos, quando se formam, fazem o juramento de Hipó-
crates (considerado o pai da Medicina). A Filosofia nasceu
na Grécia antiga e até os dias atuais os filósofos gregos
são estudados e admirados, entre eles, Sócrates, Platão e
Aristóteles. Diversas teorias e símbolos matemáticos tam-
bém têm a mesma origem. O primeiro grande historiador
foi Heródoto (século V a.C.), que viajou pelo Egito e pela
Babilônia e descreveu o que viu.

Revelando o que aprendeu

1. O que você entendeu sobre o significado da palavra “democracia”?

É um governo do povo, de todos os cidadãos, ou seja, de todos aqueles que gozam dos direitos de cidadania.

186 HISTÓRIA 6o ano 82

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA
2. Na sua opinião, o Brasil é um país democrático? Por quê?

Resposta pessoal.

3. Como podemos definir a retórica para os gregos antigos?

A retórica era uma técnica de convencer os outros por meio da linguagem oral.

4. Com a leitura do texto, você pôde descobrir que o domínio e o uso da oralidade e da escrita eram ins-
trumentos importantes para a manutenção ou a conquista dos direitos entre os gregos. Nos dias atuais,
você acha que a oralidade e a escrita continuam sendo importantes para a conquista dos nossos direitos?
Justifique sua resposta.

Resposta pessoal.

5. Quem não era considerado cidadão na Atenas da Antiguidade?

Os escravos, as mulheres e, no geral, os homens livres, como comerciantes e artesãos e aqueles que não eram descendentes

de atenienses.

6. Cite exemplos da influência grega em nossa cultura.

O uso da palavra “democracia”, o estudo da História, a escrita alfabética, o uso das teorias e símbolos na Matemática etc.

7. Você daria outro título ao texto “Leitura, oralidade e cidadania”? Qual?

Resposta pessoal.

8. Você conhece alguma situação em que as leis foram utilizadas para garantir privilégios? Que tal escrever
sobre isso? Compartilhe com seus colegas.

Resposta pessoal. Educador, aproveite este momento para orientar os alunos em um debate sobre a questão da igualdade de todos

perante as leis numa sociedade democrática.

Educador, no Manual específico há um texto complementar para este capítulo, bem como orientação e sugestão de atividades para trabalho com ele.

83 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 187

6CAPÍTULO

Ablestock
UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

Cidadania e imprensa

Educador, veja encaminhamento para trabalhar
este capítulo no Manual Específico.

Pra começo de conversa

1. De que modo você costuma ter acesso às informações?

Resposta pessoal. Respostas possíveis descritas no Manual específico.

2. O que é preciso para garantir o direito dos cidadãos ao co-
nhecimento produzido pela humanidade?

Resposta pessoal. Respostas possíveis descritas no Manual específico.

3. Observe a imagem ao lado:

a) O que o homem da fotografia está fazendo?
Lendo jornal.

b) Você ou alguém da sua casa lê jornal? Por quê?
Resposta pessoal.

c) Há relação entre leitura de jornal e cidadania? Qual?

Resposta esperada. Educador, a leitura de jornais, revistas ou outros periódicos
permite o acesso não somente a informações, mas também a comentários, mui-
tas vezes contraditórios entre si, sobre os fatos decorrentes das ações huma-
nas, suas causas e consequências. A leitura de tais informativos é importante
para desenvolvermos a capacidade de análise possibilitando uma intervenção

Desvendando o temamais crítica em defesa de nossos direitos, assim como dos direitos coletivos.

O jornal é o meio de comunicação escrita mais acessível à população letrada. Em suas páginas, a História é
contada dia após dia, revelando diferentes opiniões, disputas políticas e movimentos sociais.

Os jornais podem ser utilizados como fonte histórica, por revelarem muita coisa sobre a história passada. Como?
Leia o texto a seguir.

A imprensa e o poder

Na história humana recente, os jornais escritos e falados tornaram-se um dos mais importantes instrumentos
para ter acesso às informações e também para expor diferentes opiniões e posições, reafirmando a autoridade de
quem governa ou condenando governos e governantes, por exemplo.

Há séculos, publicações foram criadas e distribuídas regularmente por governos e grupos particulares.

No Brasil, o primeiro jornal a circular foi o Correio Braziliense, editado por Hipólito da Costa, impresso em Londres

e distribuído na Colônia a partir de 1808. No mesmo ano, o governo real fundou o primeiro jornal publicado inteira-
mente no Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro, jornal oficial que mais falava da vida e da saúde de todos os príncipes da

Europa. Nele não havia espaço para críticas às autoridades.

Dizia Hipólito da Costa sobre o fato de publicar seu jornal em Londres: oficial: proposto por autoridade
ou representante dela.

Resolvi lançar essa publicação na capital inglesa dada a dificuldade de
publicar obras periódicas no Brasil, já pela censura prévia, já pelos perigos a
que redatores se exporiam, falando livremente das ações dos homens poderosos.

Nelson Werneck Sodré. História da imprensa no Brasil.
São Paulo: Martins Fontes, 1999.

188 HISTÓRIA 6o ano 84

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Desde o começo, ser jornalista e falar livremente no Brasil não foi algo muito simples. Ou se era contra ou a favor
de quem estivesse no poder. Contra os jornalistas, muitas vezes, havia interesses econômicos e políticos, homens
ricos e poderosos, até mesmo o imperador.

A adulação que o jornal Gazeta do Rio de Janeiro fazia aos monarcas tinha por objetivo combater aqueles que
eram contrários ao princípio da “origem divina do poder”.

Geralmente, as autoridades publicavam seus próprios jornais, a chamada imprensa oficial, que defendiam seus
interesses. Quem se opunha publicava jornais que contrariavam a informação oficial. Tarefa nem sempre fácil, como
veremos ao longo deste capítulo.

1. Por que Hipólito da Costa decidiu publicar o jornal Correio Braziliense em Londres?

Para fugir da censura dos homens poderosos do Brasil na época.

2. Qual a principal diferença entre os jornais Correio Braziliense e Gazeta do Rio de Janeiro?

Enquanto o primeiro era um jornal de oposição, o segundo representava a opinião oficial do governo.

A fé e a razão

Século XIX. O mundo ocidental passava por uma ampla mudança de mentalidade. A teoria da evolução de-
senvolvida por Charles Darwin era contrária à visão criacionista. Os defensores da fé e os da razão disputavam em
escolas, tribunais e jornais os seus pontos de vista.

É natural que houvesse o questionamento sobre a suposta autoridade divina dos reis.

Para entender melhor esse questionamento, é preciso lembrar que eram tempos em que pessoas, baseadas apenas na
sua origem familiar e religiosa, tomavam todas as decisões sobre o que era certo ou errado.

Nós, seres humanos, percorremos um longo caminho desde o surgimento da nossa espécie no planeta. Ao longo
dessa jornada, muitas perguntas foram feitas sobre a razão de estarmos aqui, sobre o certo e o errado, o bem e o
mal... E, quanto mais perguntávamos, mais dúvidas apareciam.

Os seres humanos sempre buscavam na religião e na razão explicar o mundo ao seu redor. Vimos, no capítulo
3, as argumentações dos criacionistas e dos evolucionistas: cada lado afirmava estar certo.

Nesse contexto de discussão entre o que é certo ou errado, surgiu na Europa um conjunto de ideias que, jun-
tas ou isoladamente, buscavam uma interpretação do mundo baseada no raciocínio e na capacidade de reflexão
do seres humanos.

Foi um inglês, John Locke, que expôs a necessidade de os seres humanos conduzirem o próprio destino. Ele falava
em direitos naturais, ou seja, o direito que cada ser humano tem, independentemente de onde ou como nasceu, à
vida e à liberdade. Estava preocupado sobretudo com o direito dos governados de escolherem seus governantes.
Essa é a essência de um governo republicano.

Revelando o que aprendeu

1. Na sua opinião, a leitura de um jornal pode revelar o quê?

Resposta pessoal. Resposta possível: Diferentes opiniões, disputas políticas, movimentos sociais etc.

85 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 189

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

2. Selecione um trecho do texto “A fé e a razão” que mostre como as pessoas procuravam explicar o mundo
ao seu redor.

“Os seres humanos sempre buscavam na religião e na razão explicar o mundo ao seu redor.”

3. Encontre, no texto “A fé e a razão”, uma frase que explique o que John Locke queria dizer com direitos
naturais.

“O direito que cada ser humano tem, independentemente de onde ou como nasceu, à vida e à liberdade.”

4. Para John Locke, qual é o principal direito dos governados?

Escolher seus governantes. Essa é a essência de um governo republicano.

5. Imagine-se no meio de um grupo de amigos. Vocês têm de tomar uma decisão importante. Por exemplo:
escolher o representante da sala de aula para participar do Conselho de Escola. Como faria?

Resposta possível: Uma consulta a todos para que, juntos, cheguem a uma decisão unânime ou ao menos que atenda ao desejo da

maioria.

Troque ideias com seus colegas a respeito da resposta à questão, pense e responda:
A atitude tomada pelo grupo para escolher um representante da sala de aula foi a “essência da República”
ou foi tomada conforme a “autoridade divina dos reis”? Justifique sua resposta. Resposta pessoal.

Brasil: imprensa e República

Foi somente em 1889 que o Brasil, incorporando a visão de John Locke, deixou de ser uma monarquia. Essa
mudança não ocorreu de imediato, levou algum tempo para ser concretizada.

Com o crescimento da imprensa, aumentou o interesse pelas ideias republicanas. Em 22 de junho de 1889, a
Gazeta da Tarde afirmava: “Os dias da monarquia estão contados”.

Em 16 de novembro de 1889, o jornal A Província de São Paulo saudou o fim da monarquia com um “Viva a Re-

pública” escrito na primeira página, de alto a baixo. Educador, o chefe de Estado, na monarquia, tem acesso ao supremo poder por
direito hereditário; na República, pode ser uma só pessoa ou um colégio de várias
pessoas e é eleito pelo povo, quer direta, quer indiretamente.

TRABALHANDO COM TEXTO

Observe a capa de jornal.

1

Capa do jornal A Província Reprodução/AE
de São Paulo de 16 de
novembro de 1889.
Especial – Páginas da
História. 125 ANOS DE
HISTÓRIA. O Estado de S.
Paulo, São Paulo, 2000.

190 HISTÓRIA 6o ano 86

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Por dentro do texto

Agora responda às questões:
1. Qual é o nome do jornal? A Provincia de São Paulo.

2. Qual é a data completa do jornal? Observe que ele foi publicado um dia após a proclamação da República.
16 de novembro de 1889.

3. Quais são as informações em destaque na capa do jornal? O nome dele e a manchete.

4. Escreva a manchete principal estampada na capa. “Viva a República”.

5. O jornal mostrou-se favorável ou contrário ao fato ocorrido? Favorável.

A Constituição de 24 de fevereiro de 1891

Mudar o tipo de governo do país implicou eleger uma nova Assembleia Constituinte (1890) que, em 1891, apro-
vou a primeira Constituição Republicana.

A derrubada da monarquia ocorreu graças à mobilização de uma parcela do Exército, entre outros grupos,
comandada pelo marechal Deodoro da Fonseca, que veio a se tornar o primeiro presidente da República do Brasil.

Art. 1o – A Nação brasileira adota como forma de Governo, sob o regime representativo, a República
Federativa, proclamada a 15 de novembro de 1889, e constitui-se, por união perpétua e indissolúvel
das suas antigas Províncias, em Estados Unidos do Brasil.

Gabinete Civil da Presidência da República.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao91.htm>. Acesso em: 12 fev. 2013.

1. Qual tipo de governo passou a existir a partir da Constituição de 1891?

Governo republicano.

2. Segundo a Constituição de 1891, o governo passou a representar a vontade de quem?

A vontade popular.

Aprofundando o tema

República: o que mudou?

A Constituição de 1891 representou um avanço em muitas áreas, mas ainda havia muito a ser conquistado. Por
exemplo, o voto feminino e o dos analfabetos ainda não era permitido. Isso em um país com maioria absoluta de
analfabetos. A cidadania continuava a ser privilégio de poucos.

O Brasil continuou sendo um país de latifundiários, que não precisavam mais da latifundiário: dono
monarquia. Os governos republicanos serviram bem aos interesses dos grandes proprie- de latifúndio; grande
tários de terras. Aliás, a defesa da República e dos ideais de John Locke servia de fachada proprietário de terras.
para reprimir qualquer movimento que não tivesse o controle do Estado republicano.
Os jornais direcionavam a opinião popular contra movimentos rebeldes, chamados pela
imprensa de monarquistas e contrários às liberdades republicanas.

87 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 191

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

Foi o que aconteceu no Sertão baiano, quando fazendeiros da região, apoiados pela Igreja Católica, mani-
festaram insatisfação contra um certo Antônio Conselheiro que, ao fundar a vila de Canudos, conseguiu reunir
dezenas de milhares de sertanejos, questionando a legitimidade da República e pondo em risco o poder dos
latifundiários locais.

Canudos transformou-se, com o auxílio da imprensa, em uma ameaça aos ideais republicanos. A sua população,
predominantemente mestiça, também serviu de alerta para os “perigos” da miscigenação, aprofundando os preconceitos
das elites “brancas”. A opinião pública exigiu a destruição de Canudos, legitimando o massacre de milhares de serta-
nejos. Após o governo republicano ter enviado milhares de soldados à localidade e promovido uma série de combates
violentos, que duraram de 1896 a 1897, a comunidade foi exterminada e os poucos sobreviventes foram degolados.

A primeira fase da História republicana ficou conhecida como República Velha (1889-1930). Apesar do predo-
mínio dos grandes fazendeiros, foi uma época de crescimento da burguesia urbana, do movimento operário e de
crescentes disputas pelo poder nas zonas eleitorais em todo o país.

As disputas eleitorais exigiam a compra de espaço na imprensa, com o fim de conquistar a simpatia do elei-
torado. Os jornais, dependendo de quem lhes comprava a opinião, tratavam de endeusar ou destruir candidatos a
cargos políticos.

Fora a imprensa operária, a grande imprensa burguesa organizava-se para defender os “altos padrões” da elite
branca brasileira. As rebeliões populares, em geral eram atribuídas pelos jornais a “desordeiros” e, de forma pejo-
rativa, a negros e mulatos.

Em 1926, o recém-fundado Partido Democrático utilizava os jornais Estado de S. Paulo e Folha da Manhã
(atual Folha de S.Paulo) para defender a oposição aos governos controlados pelas elites agrárias, sobretudo os
cafeicultores de São Paulo. A grande imprensa, nas mãos da burguesia urbana, preparava-se para o confronto
que poria fim à República Velha.

As forças de oposição estavam unidas na Aliança Liberal, uma aliança política efetuada em 1929 entre

grande parte dos opositores aos paulistas, que controlavam o governo federal. A Aliança lançou a candidatura
de Getúlio Vargas às eleições presidenciais de 1930.

A disputa era travada também por intermédio da imprensa. Getúlio Vargas: político brasileiro que nasceu
Buscava-se conquistar o apoio popular necessário para concretizar a em São Borja (RS) em 1882. Foi várias vezes
deposição do último presidente da República Velha, Washington Luís. presidente da República: 1930-1934 (governo
provisório); 1934-1937 (governo constitucional)
Em 24 de outubro de 1930, foi deposto o então presidente. O 1937-1945 (regime de exceção), 1951-1954
Diário da Noite abriu a primeira página com a manchete: “Viva o Brasil! (governo eleito popularmente). Tinha a
Viva a República nova e redimida!”. alcunha de pai dos pobres. Cometeu suicídio
em 1954 com um tiro no coração, dentro de
Em 3 de novembro, Getúlio Vargas recebia o poder. Iniciava-se seu quarto no Palácio do Catete, na cidade do
o governo provisório. Rio de Janeiro.

Revelando o que aprendeu

1. Como ficou conhecido o período da História do Brasil entre 1889 e 1930?

República Velha.

2. Copie do texto uma frase que mostre que, na República Velha, ainda havia muitos direitos a serem
conquistados.

“O voto feminino e o dos analfabetos ainda não era permitido. Isso em um país com maioria absoluta de analfabetos.”

192 HISTÓRIA 6o ano 88

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

3. Qual era o grupo mais poderoso do Brasil durante a República Velha? Os fazendeiros.
4. Qual classe social estava em crescimento nesse período? A burguesia urbana.
5. De maneira geral, como se comportou a imprensa durante a República Velha?

Os jornais, dependendo de quem comprava a sua opinião, tratavam de endeusar ou destruir candidatos a cargos políticos. Fora a

imprensa operária, chamavam os participantes das rebeliões populares de desordeiros e, de forma pejorativa, de “negros” e “mulatos”.

6. Qual foi o papel da imprensa na derrubada da República Velha?

Através dela, buscava-se conquistar o apoio popular necessário para concretizar a deposição do último presidente da República Velha,

Washington Luís.

7. Por que fazendeiros e o governo republicano se opuseram à existência de Canudos?

Porque o seu líder, Antônio Conselheiro, questionava a legitimidade da República e punha em risco o poder dos latifundiários locais.

8. Como reagiu a opinião pública diante das notícias publicadas na imprensa?

Acabou exigindo a destruição de Canudos, legitimando o massacre de milhares de sertanejos.

Adeus, República Velha!

As constituições brasileiras, assim como a história da humanidade, sofrem constantes mudanças. O Brasil, como
o mundo, mudou e continua mudando com o passar do tempo.

Em 1930, um forte movimento político colocou Getúlio Vargas provisoriamente na presidência da República.

Em 1933, foram realizadas eleições para a Assembleia Constituinte.

Em 1934, foi promulgada uma nova Constituição, a segunda da República. Com essa Constituição, importantes
mudanças ocorreram nas leis:

• O voto passou a ser secreto. Antes, as pessoas não tinham privacidade para escolher os seus governantes e
muitas vezes eram ameaçadas e obrigadas a votar nos poderosos da região.

• As mulheres e os analfabetos finalmente foram reconhecidos como cidadãos e passaram a ter direito ao voto.
• O trabalhador passou a ter um salário-mínimo e uma jornada de trabalho diária de oito horas.

Em 1934, também foi eleito o primeiro presidente da República pelo voto secreto: Getúlio Vargas.

Nessa segunda fase do governo Vargas, ainda havia muita insatisfação e conflito. De um lado, os comu-
nistas defendiam um sistema econômico que negava a propriedade privada; em um sistema comunista, a
produção de uma sociedade é apropriada socialmente, e não por alguns indivíduos. Do outro lado, havia
aqueles que defendiam o capitalismo, um sistema econômico que tem por base o lucro e a propriedade pri-
vada dos meios de produção.

89 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 193

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA
1. O que mudou com a Constituição de 1934?

O voto passou a ser secreto, mulheres e analfabetos passaram a ter direito a votar, foi criado o salário-mínimo e a jornada de trabalho
passou a ser de oito horas diárias.

2. Identifique no texto e copie a frase que define a palavra “comunistas”.

“Defensores” de um sistema econômico que negava a propriedade privada: em um sistema comunista, a produção de uma sociedade é
apropriada socialmente, e não por alguns indivíduos.

3. Selecione no texto e copie a frase que define “capitalismo”.

“Sistema econômico que tem por base o lucro e a propriedade privada dos meios de produção.”

O Estado Novo

Indiferente ao que pensavam comunistas e capitalistas, Getúlio Vargas tinha seus golpe: tomada do
próprios planos para o Brasil. Em novembro de 1937, ele deu um golpe. Nascia o Estado poder, por um grupo ou
Novo, regime ditatorial que exalta a nação e usa a violência, modernas técnicas de pro- indivíduo, com o uso da
paganda e a censura para suprimir pela força a oposição política e que pôs fim a algumas força.
conquistas democráticas da Constituição de 1934.

Como aconteceu esse golpe de Estado?

Eleito presidente da República em 1934, Vargas deveria providenciar as eleições de seu sucessor em 1938, po-
rém, não o fez.

Em 1937, quando as eleições presidenciais eram aguardadas, foi denunciada, pelo governo, a existência de um
plano comunista para tomar o poder, conhecido como Plano Cohen, forjado no interior do próprio governo pelo ca-
pitão Olympio Mourão Filho. O objetivo do plano era criar um clima favorável ao golpe e a posterior instauração do
Estado Novo, fato ocorrido em 10 de novembro de 1937, que significou a implantação de uma ditadura. Getúlio Vargas
determinou o fechamento do Congresso e outorgou uma nova Constituição, que lhe conferia o controle dos poderes
Legislativo e Judiciário.

Foi o medo, criado pelo próprio governo, de uma revolução comunista que permitiu o golpe de Getúlio.
A partir desse momento, Vargas estava à vontade para implementar a reestruturação do Estado do jeito que
achasse melhor. Os jornais que não apoiaram o novo governo getulista foram fechados ou ocupados pelas
forças ditatoriais.

Getúlio Vargas soube e teve as condições para empolgar a tendência direitista que
se acentuou no país, destinada a deter o avanço democrático, instaurando, por via de
golpe palaciano, em novembro de 1937, o Estado Novo, regime ditatorial que se sucedeu
à vigência da Constituição de 1934. [...] Os jornais passaram, assim, por gosto ou a
contragosto, a servir a ditadura.

Nelson Werneck Sodré. História da imprensa no Brasil. São Paulo: Martins Fontes, 1983. Fragmento.

194 HISTÓRIA 6o ano 90

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA
Leia com atenção a notícia de primeira página de um jornal.

2

Mesmo governo, nova Constituição

Folha da Manhã, São Paulo, Reprodução/Arquivo/Folha Imagem
11 nov. 1937.

Por dentro do texto

1. Responda às questões sobre o texto:
a) Qual é o nome do jornal? Folha da Manhã.
b) Em que data foi publicado? 11 de novembro de 1937.
c) Quais são as informações em destaque na primeira página?

Promulgação da nova Constituição e dissolução da Câmara, do Senado, das Assembleias Estaduais e Câmaras Municipais.

2. O que você entendeu dessa manchete?

Getúlio Vargas revogou a Constituição de 1934 e dissolveu a Câmara e o Senado.

3. Atenção: a escrita no jornal Folha da Manhã não está errada, era a grafia da época. Agora, que tal escrever
as mesmas palavras com a grafia atual?

a) paiz país d) Assembléas Assembleias

b) hontem ontem e) Estaduaes Estaduais
c) Camara Câmara f) Municipaes Municipais

Informação e poder Educador, veja orientação no Manual específico.

O golpe não foi do agrado dos donos de jornais, pois a Constituição de 1937 eliminou a liberdade de expres-
são. Isso quer dizer que o teatro, o cinema, as emissoras de rádio e os jornais passaram a ser submetidos à censura

91 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 195

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

prévia. O objetivo foi impedir a divulgação de qualquer informação contra o governo e a figura de Getúlio Vargas.
Para isso, foi criado o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que fiscalizava e censurava previamente os
jornais brasileiros.

Entre 1937 e 1945, foi grande o número de jornais fechados e de jornalistas presos. O DIP, além de perseguir
a imprensa oposicionista, também distribuía verbas para jornais e jornalistas que apoiassem as ações do governo.

Você pode estar se perguntando: “E ninguém reagiu contra essa ditadura?”. Vejamos.

O declínio do Estado Novo

A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em 1942, caricatura: desenho que, pela escolha de
contra as forças fascistas da Alemanha e da Itália, criou um conflito certos detalhes, procura acentuar de modo
interno no país. cômico aspectos das pessoas ou dos fatos.
Segunda Guerra Mundial: conflito
Como os brasileiros iriam lutar contra o fascismo europeu, se o ocorrido entre 1939 e 1945, e que,
próprio governo Vargas era de tendência fascista? oficialmente, causou mais vítimas (cerca de
103 milhões de pessoas, entre militares e
Aos poucos, os jornais foram manifestando a sua insatisfação. Em civis) em toda a história da humanidade.
suas páginas, recomeçou a discussão sobre os problemas nacionais. As
caricaturas passaram a ser utilizadas para representar o sentimento
popular contra a ditadura.

Com o término do conflito, em 1945, as pressões pela redemocratização tornaram-se mais fortes. Apesar de
algumas medidas tomadas, como a definição de uma data para as eleições, a anistia, a liberdade de organização
partidária e o compromisso de eleição de uma nova Assembleia Constituinte, Vargas foi deposto em 29 de outubro
de 1945 por um movimento militar liderado por generais que compunham seu próprio ministério.

Consequências

O fim do Estado Novo trouxe algumas consequências:

• A aliança do Brasil com o bloco capitalista mundial, liderado pelos Estados Unidos.
• O reinício das disputas internas entre nacionalistas, comunistas e grupos capitalistas ligados aos interesses

norte-americanos.

• A elaboração de uma nova Constituição.

Constituição dos Estados Unidos do Brasil (de 18 de setembro de 1946)

Dos direitos e das garantias individuais:

Art. 141 – A Constituição assegura aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
dos direitos concernentes à vida, à liberdade, à segurança individual e à propriedade. [...]

§ 5o – É livre a manifestação do pensamento, sem que dependa de censura, salvo quanto a espetáculos
e diversões públicas, respondendo cada um, nos casos e na forma que a lei preceituar, pelos abusos que co-
meter. Não é permitido o anonimato. É assegurado o direito de resposta. A publicação de livros e periódicos
não dependerá de licença do Poder Público. Não será, porém, tolerada propaganda de guerra, de processos
violentos para subverter a ordem política e social, ou de preconceitos de raça ou de classe.

Gabinete Civil da Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao46.htm>.
Acesso em: fev. 2013.

196 HISTÓRIA 6o ano 92

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

Revelando o que aprendeu

1. Como Vargas conseguiu o apoio necessário para dar o golpe que deu início ao Estado Novo?

Denunciando a existência de um plano comunista para tomar o poder, conhecido como Plano Cohen.

Esse plano era falso e foi criado pelo próprio governo para amedrontar a burguesia e possibilitar o golpe de Estado.

2. Como reagiu o jornal Folha da Manhã ao golpe do Estado Novo?

Limitou-se a divulgá-lo.

3. Durante o Estado Novo, como foi a relação de Vargas com a imprensa?

Foi de conflito, pois Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) para controlar e censurar rádios e jornais.

4. Como essa mesma imprensa tratou Vargas durante a Segunda Guerra Mundial? Por quê?

Passou a manifestar sua insatisfação, a recomeçar a discussão sobre os problemas nacionais, a usar caricaturas para manifestar sua

oposição à ditadura.

5. O que, no § 5o do Artigo 141 da Constituição de 1946, demonstra mudança em relação ao governo Vargas
durante o Estado Novo?

Retira do poder público o controle sobre as publicações de livros, periódicos e jornais, acabando com a censura prévia.

O fim da ditadura

Depois da ditadura, o que será que aconteceu? O que mudou?

O general Eurico Gaspar Dutra assumiu a presidência em 31 de janeiro de 1946. Logo afastou o país do bloco socia-
lista; colocou na ilegalidade o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e rompeu relações diplomáticas com a União Soviética.

Deve-se a Dutra boa parte da predominância que os Estados Unidos exerceram sobre o Brasil nas décadas
seguintes.

O retorno de Vargas à presidência em 1951, foi insuficiente para retomar a política nacionalista implementada
por ele mesmo até 1945.

Como presidente constitucional ou como ditador, a política econômica de Getúlio Vargas era nacionalista.

Mas o que é nacionalismo?

Em um sentido amplo, significa a união entre Estado e nação em torno de um projeto nacional voltado para a

unidade e a independência da nação. Educador, essa ideia é aplicada num movimento político que se julga o único e fiel intérprete do prin-
cípio nacional e o defensor exclusivo dos interesses nacionais.

A imprensa e as empresas estrangeiras

Em 1949, aproximou-se o fim do mandato do governo Dutra. Com uma campanha nacionalista, Vargas ganhou as
eleições em 1950, assumindo mais uma vez a presidência do Brasil. Com o retorno de Getúlio, as forças nacionalistas
confrontaram-se com aquelas ligadas aos interesses norte-americanos.

Iniciou-se uma campanha antinacionalista, na tentativa de desestimular a estatal: pertencente ao Estado.

criação de uma empresa petrolífera estatal.

93 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 197

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

A grande imprensa, exceto o jornal Última Hora, tramava contra o governo getulista. As grandes empresas
estrangeiras, contrárias às práticas nacionalistas, contribuíam com os jornais e as emissoras de rádio que faziam
oposição.

Em 1953, foram gastos por essas empresas estrangeiras, em publicidade, 197 milhões nos jornais e 868 milhões
nas emissoras de rádio.

Veja a seguir quais foram algumas dessas empresas estrangeiras e seus gastos com publicidade com a imprensa
oposicionista.

Empresa País Gastos
Shell
Esso Standard do Brasil Inglaterra 18 milhões
Coca-Cola
Johnson & Johnson Estados Unidos 28 milhões
Atlantic
Colgate-Palmolive Estados Unidos 15 milhões

Estados Unidos 13,5 milhões

Estados Unidos 13 milhões

Estados Unidos 12 milhões

Nelson Werneck Sodré. História da imprensa no Brasil.
São Paulo: Martins Fontes, 1983. p.404.

A liberdade de imprensa, na sociedade capitalista, depende dos recursos
financeiros de que a empresa jornalística dispõe e de sua dependência em
relação àqueles que fazem publicidade em suas páginas.

O golpe que era preparado contra Vargas não ocorreu por causa do suicídio do presidente em 1954. De uma hora

para outra, Getúlio deixou de ser o grande corrupto, como era tratado pela imprensa antinacionalista, e transformou-
-se, aos olhos do povo, em um mártir.

Comunistas, nacionalistas e antinacionalistas continuaram a travar uma luta mártir: pessoa que sofre
pela conquista do coração do povo brasileiro nos dois governos seguintes: Juscelino tormentos ou a morte por
Kubitschek e Jânio Quadros. causa de suas crenças ou
opiniões.
Em 1961, após renúncia do presidente Jânio Quadros, assume o seu vice, João Goulart
(1961-1964), comunista para alguns, nacionalista para outros. Logo Goulart tornou-se
alvo da imprensa: alguns a favor dele, a maioria contra ele.

A saída de Goulart Educador, veja o Manual específico há um apontamento importante sobre o PPB.

Venceram aqueles que apoiavam a saída de Goulart.
Em 31 de março de 1964, um golpe interrompeu o governo do presidente João Goulart, que havia sido demo-
craticamente eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – nas mesmas eleições que conduziram
Jânio Quadros à presidência pela União Democrática Nacional (UDN) –, e submeteu o Brasil a uma ditadura militar
que durou até o meio da década de 1980.

198 HISTÓRIA 6o ano 94

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

1. Qual era a relação de empresas estrangeiras, como a Shell e a Coca-Cola, com os meios de comunicação
no Brasil em 1953?

Elas disponibilizavam recursos financeiros para os veículos de comunicação contrários à política nacionalista de Vargas.

2. Como se comportaram os jornais do país diante do governo do presidente João Goulart?

Dividiram-se entre a defesa do seu governo e os que defendiam a sua deposição.

De volta à ditadura

Na ditadura, o poder não está apenas concentrado nas mãos de um homem (o ditador). Também pode estar
nas mãos de um grupo, como aconteceu no Brasil entre 1964 e 1985. O governo ditatorial não é limitado pela lei,
coloca-se acima dela e transforma-a na sua própria vontade.

O golpe militar de 1964 iniciou outro período de ditadura no país, que durou AI-5: o Ato Institucional Cinco,
até 1985. Retornou ao país a prática da censura aos meios de comunicação de imposto pelo governo do
massa, evitando-se dessa forma que fosse veiculado para o público qualquer tipo presidente Costa e Silva no final
de informação que desagradasse ao governo militar. de 1968, ocorreu no momento
em que fortes manifestações
A partir da vigência do AI-5, foram suspensos, por dez anos, os direitos políticas, estudantis e
políticos, de todos aqueles que se opunham à ditadura militar. As liberdades in- intelectuais desafiavam o
dividuais de todos os cidadãos brasileiros foram canceladas e todos os opositores autoritarismo dos militares. O
ao regime passaram a ser vigiados. Educador, lembre os alunos que o período anterior de dita- ato vigorou até 1978.

dura foi no governo de Getúlio Vargas, de 1937 a 1945.

1. Você percebeu alguma característica do AI-5 que se assemelhava às práticas do Estado Novo?

A censura à imprensa.

2. A partir da vigência do AI-5, quais foram as consequências para a sociedade?

Foram suspensos, por dez anos, os direitos políticos de pessoas que se opunham à ditadura militar.

Em um mundo com tantas opiniões diferentes e tantos órgãos de informação, até as ditaduras têm seus limites.

A morte de Vladimir Herzog (1937-1975), jornalista e professor naturalizado brasileiro (nascido na antiga Iugos-
lávia, no Leste europeu), abalou a imagem do governo militar, revelando a sua face cruel.

Herzog foi chamado para depor no quartel do Comando do Segundo Exército Brasileiro, suspeito de ter liga-
ção com grupos comunistas. Foi torturado e encontrado morto em sua cela no dia 25 de outubro de 1975. O corpo
foi disposto de forma a fazer crer que o jornalista havia cometido suicídio por enforcamento, conforme fotografia
divulgada em nota oficial pelas autoridades.

A revelação dessa fotografia pelos órgãos de imprensa gerou uma onda de protestos de toda a imprensa mundial,
mobilizando e iniciando um processo internacional em prol dos direitos humanos na América Latina, em especial no Brasil.
A morte de Herzog foi um marco na resistência ao regime militar no país.

O desgaste dos governos militares fez que, em 1984, com a cobertura da grande imprensa, as populações de
diversas cidades brasileiras saíssem às ruas para exigir eleições diretas e a retomada dos direitos civis cassados
pelo AI-5.

95 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 199

UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA

A nova Constituição foi promulgada em 5 de outubro de 1988. O voto passou a ser obrigatório para maiores de
18 anos e facultativo para analfabetos, maiores de 70 anos, maiores de 16 anos e menores de 18 anos.

Leia a manchete e o destaque da matéria do jornal. CONTEÚDO
DIGITAL

3 010

Folha de S.Paulo, São Paulo,Reprodução
17 abr. 1984.

Por dentro do texto

1. Na sua opinião, a imprensa colaborou para ampliar a participação popular na decisão dos rumos do país
nos anos 1980? Como?

Sim. Tornando pública a insatisfação da população com relação ao regime ditatorial.

2. Qual foi a atitude do governo militar instaurado em 1964 em relação à imprensa e aos direitos individuais?

Estabeleceu a censura à imprensa e cassou os direitos políticos dos opositores ao governo.

3. Como a divulgação da fotografia de Vladimir Herzog, morto pelos órgãos de repressão, colaborou para
o desgaste dos governos militares?

Revelou a crueldade praticada pelos governos militares contra seus opositores.

Revelando o que aprendeu

1. Qual é a importância dos órgãos de informação? Para que servem?

Eles servem para nos informar sobre os acontecimentos que influenciam o nosso dia a dia e também para expressar as opiniões de

diferentes grupos que fazem parte da sociedade.
Educador, no Manual específico há um texto complementar para este capítulo, bem como orientações de atividades para trabalho com ele.

200 HISTÓRIA 6o ano 96

MANUAL DO EDUCADOR • 6o ANO HISTÓRIA

2. Qual a influência da publicidade nos órgãos de imprensa dentro de uma sociedade burguesa?

Muitos órgãos da imprensa tornam-se dependentes do dinheiro de publicidade, sendo obrigados a seguir as orientações dos anunciantes
no que se referia às matérias por eles editadas.

Vamos compartilhar?

Por meio de um jornal mural, compartilhe seus novos conhecimentos com outras pessoas. Siga as orien-
tações de seu educador. Educador, veja orientações no Manual geral.

Indicações de leituras complementares

O cidadão de papel, Gilberto Dimenstein. São Paulo: Ática, 2012.
A crise do regime militar, Roniwalter Jatobá. São Paulo: Ática, 1997.
De Getúlio a Juscelino (1945-1961). Claudio Bertolli Filho. São Paulo: Ática, 2002.
A República Velha e a Revolução de 30, Claudio Bertolli Filho. São Paulo: Ática, 2003.

Bibliografia

ALVES, R. Quando eu era menino. Campinas: Papirus, 2003.
BOSSUET, J.-B. Política tirada da Sagrada Escritura. In: FREITAS, G. de. 900 textos e documentos de história. Lisboa:

Plátano, 1978.
CARDOSO, C. F. S. O Egito antigo. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985.
COSTA, E. V. da. Da Monarquia à República. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 2011.
FERREIRA, O. L. Egito: terra dos faraós. 12. ed. São Paulo: Moderna, 2005.
FLORENZANO, M. B. B. O mundo antigo: economia e sociedade. 6. ed. São Paulo: Brasiliense, 1997.
KOSHIBA, L.; PRADO, M. L.; CAPELATO, M. H. (Coords.). O índio e a conquista portuguesa. São Paulo: Atual, 2004.

(Coleção Discutindo a História do Brasil.)
PADOVANI, U.; CASTAGNOLA, L. História da filosofia. 13. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1995.
PINSKY, J. As primeiras civilizações. 13. ed. São Paulo: Atual, 2001. (Coleção Discutindo a História.).
SILVA, R. Histórico das constituições brasileiras. São Paulo: Núcleo, 2011.
SODRÉ, N. W. História da imprensa no Brasil. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
YOZO, R. Y. K. 100 jogos para grupos. 8. ed. São Paulo: Ágora, 1996.

97 6o ano UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA 201

MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO

UNIDADE 1 • IDENTIDADE • Propiciar ao aluno uma aprendizagem significativa e básica sobre
leitura e interpretação de textos.
“As velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o
mundo social, estão em declínio, fazendo surgir novas iden- • Conscientizar o aluno de que partilha a sua identidade com a de
tidades e fragmentando o indivíduo moderno, até aqui visto outros membros de sua comunidade.
como um sujeito unificado.”
• Conscientizar o aluno de que todos partilham a mesma história e
Stuart Hall. A identidade cultural na pós-modernidade. que isso exige uma cooperação entre os indivíduos.
Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2001.
• Propiciar ao aluno a elevação de sua autoestima.
A escolha do eixo temático identidade, nesta primeira unidade,
tem como objetivo essencial aumentar a autoestima do aluno de EJA, CONTEÚDOS CONCEITUAIS
por meio da valorização, com a finalidade de levá-lo a reconhecer-se
como sujeito histórico. • Compreensão da influência do meio na formação da
identidade.
Atendendo à solicitação dos atuais PCN de EJA em sua Proposta
Curricular de História para o segundo segmento, buscamos também • Compreensão da identidade individual e coletiva através da
contribuir para que esse aluno estabeleça a “relação entre a vida social história.
e individual, identificando relações sociais em seu próprio grupo de
convívio, na localidade, na região e no país, relacionando-as com • Conhecimento da importância da organização cronológica dos
outras manifestações, em outros tempos e espaços”. fatos para um entendimento mais claro do desenvolvimento
do processo histórico.
Para isso, partimos do microcosmo das nossas relações pessoais
para o macrocosmo das relações impessoais entre os seres humanos. • Reconhecimento do papel do indivíduo enquanto ser
É mais que uma viagem às nossas origens; é uma discussão sobre o integrante de uma coletividade.
conhecimento humano, seus mitos e descobertas históricas.
• Compreensão das peculiaridades da visão historiográfica
Esta unidade permitirá a você, educador, desenvolver leitura de oficial a respeito da definição do que é Pré-História.
textos complementares atualizados, o desenvolvimento de projetos
(que você poderá adequar à sua realidade) que levem o educando a • Reconhecimento da importância da micro-história para
se conhecer melhor, a descontrair-se, a desenvolver importantes ha- melhor entendimento da macro-história.
bilidades, a reviver histórias relacionadas a sua cultura, a sua própria
vida cotidiana, vinculada à comunidade em que vive. Esperamos, CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS
assim, ajudá-lo a realizar um bom trabalho.
• Leitura e entendimento dos textos.
OBJETIVOS GERAIS DA UNIDADE • Elaboração de atividades individuais.
• Por meio da valorização da história de vida de cada aluno, refletir • Análise e interpretação de documentos diversos, como textos,

sobre a importância que essas histórias têm para o processo de quadros e fotografias.
autoconhecimento e para a atuação desse sujeito sobre a realidade. • Desenvolvimento da habilidade de compartilhar, oralmente ou
• Desenvolver procedimentos que facilitem ao aluno a percepção dos
conflitos humanos e a relação desses conflitos com o mundo que o cerca. por escrito, os conhecimentos.
• Desenvolvimento da habilidade de aplicar o conhecimento de
ORIENTAçõES GERAIS DA UNIDADE
• Educador, no decorrer do capítulo, há o Glossário, que apresenta uma atividade na subsequente.
• Classificação de dados, informações etc.
o significado das palavras que nos textos aparecem em destaque. • Análise e interpretação de textos iconográficos.
A sugestão é utilizá-lo para ampliar o vocabulário dos alunos e
auxiliá-los no entendimento dos textos. CONTEÚDOS ATITUDINAIS
• Sugerimos também que você ensine os alunos a manusear dicio-
nários, solicitando a pesquisa do significado de outras palavras • Valorização da própria história, de si e das vivências diárias.
que você julgar importantes, para que eles adquiram autonomia • Reconhecimento da importância da participação na
pesquisando palavras que desconheçam.
• Sugerimos ainda, sempre que aparecer um mapa, que procure comunidade, na sociedade e na construção da história.
auxiliar os alunos na localização dos lugares; é importante para • Valorização da identidade individual e coletiva.
que eles adquiram também noção de espaço e exercitem a leitura • Valorização da participação coletiva na construção da
cartográfica.
sociedade.
Capítulo 1 • Valorização da leitura autônoma.
Conhecendo minha história • Valorização das várias formas de leitura de documento.
• Valorização do exercício de reflexão.
• Revalorização do antigo elemento fundador e essencial na

nossa formação psicológica e coletiva, possibilitando o
resgate da importância e do respeito devido aos idosos e aos
mais experientes.
• Valorização da autoestima.

OBJETIVOS ORIENTAçõES GERAIS DO CAPÍTULO 1
• Propiciar ao aluno o reconhecimento de sua identidade individual Educador, ao longo deste capítulo espera-se que o aluno desenvolva

e coletiva. as seguintes competências e habilidades: dominar a norma urbana
• Propiciar ao aluno o reconhecimento da existência de vários de prestígio da Língua Portuguesa; selecionar, organizar, relacionar,
interpretar dados e informações representados de diferentes formas,
ambientes e realidades semelhantes e diferentes no cotidiano. para tomar decisões e enfrentar situações-problema; recorrer aos co-
• Conscientizar o aluno da influência do meio na construção de nhecimentos adquiridos para elaboração de propostas de intervenção
solidária na realidade, respeitando os valores humanos; identificar
sua identidade. propostas que reconheçam a importância do patrimônio cultural,
• Propiciar ao aluno o reconhecimento de si como sujeito histórico.
• Propiciar ao aluno a ampliação de seu vocabulário.

98 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO


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