MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO
tendo em vista a preservação das identidades nacionais; caracterizar • reconheça a existência de ambientes e realidades diferentes e
processos sociais, reconhecendo mudanças e permanências tempo- semelhantes no cotidiano;
rais e espaciais; dominar linguagens, realizar leitura e interpretação
de diferentes gêneros textuais; compreender e utilizar indicadores • conscientize-se da influência do meio na construção de sua iden-
sociais; compreender as escalas de tempo; utilizar indicadores sociais tidade;
e contextualizar processos históricos.
• amplie o seu vocabulário;
No decorrer do capítulo, há palavras destacadas e o significado • tenha uma aprendizagem significativa sobre leitura e interpreta-
delas no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco de palavras para
ampliar o vocabulário dos alunos e auxiliá-los no entendimento dos ção de textos;
textos. Mas esteja atento também a outras palavras que não conheçam. • reconheça-se enquanto sujeito histórico;
• adquira consciência de que partilha sua identidade com os demais
Ajude-os a compreender essas palavras a partir do contexto em
que aparecem, refletindo com eles sobre as hipóteses de sentidos membros de sua comunidade;
sugeridos ou solicite a pesquisa do significado dessas outras palavras • obtenha a noção de que todos partilham a mesma história e que
no dicionário, orientando-os quanto à forma de utilizá-lo.
isso exige cooperação entre os indivíduos;
PRA COMEçO DE CONVERSA • eleve a sua autoestima.
Questão 4: Você pode utilizar qualquer material fotográfico, recor- AVALIANDO A APRENDIzAGEM
tes de jornais, revistas etc. para fazer esse tipo de comparação. Será 1. Qual foi a atividade de que mais gostou de realizar até esse
interessante perguntar para os seus alunos se eles trabalham, onde, momento?
desde qual idade e o que fazem nos momentos de lazer. Aproveite Resposta pessoal.
esse momento para conhecê-los e despertar o desejo de aprender, 2. O que você aprendeu sobre os efeitos da passagem do tempo
de envolvimento com os conteúdos a serem estudados na disciplina em sua vida?
de História. Resposta possível: Além de envelhecermos, vários fatos novos
vão causando mudanças em nossas vidas.
Questões 5, 6 e 7: É importante que se façam trabalhos com a 3. O que torna o homem um ser social e histórico?
expressão oral, como um debate organizado e mediado por você. É Resposta possível: A sua capacidade de criar e recriar de uma
importante ouvir o que os alunos têm a dizer a respeito de deter- maneira inovadora o ambiente em que vive e as relações so-
minados assuntos. Significa trabalhar a aprendizagem a partir da ciais a partir da interação entre os homens e o meio em que
leitura de mundo deles, a capacidade de expressar-se oralmente e até vivem.
mesmo a argumentação. Pode ser considerado também uma troca 4. Na sua opinião, é correto afirmar que a história começa somente
de conhecimentos entre alunos e educadores. a partir da invenção da escrita?
Resposta possível: Não, essa divisão permite que se cometam
APROFUNDANDO O TEMA enganos, pois diminui a importância dos povos pré-históricos,
podendo gerar preconceitos contra os povos que não dominam
Sobre a parábola “A águia e a galinha”. Educador, nessa parábola, a escrita hoje.
o objetivo principal é que o aluno observe a influência do meio na 5. O lugar em que você vive é importante para a formação de sua
construção de nossa identidade e, ao mesmo tempo, que não perdemos identidade? Por quê?
a essência dela, sendo capazes de conduzir e transformar nossas vidas. Resposta possível: Sim, pois influencia na adoção de certos
hábitos, nas formas de pensar e agir.
REVELANDO O QUE APRENDEU
TEXTO COMPLEMENTAR
É importante aproveitar esta oportunidade para discutir a conduta,
a postura das pessoas diante da sua realidade. EU, ETIQUETA
A opinião do aluno sobre o texto pode ser o ponto de partida para o Em minha calça está grudado um nome
início de um debate. Sugestão: o foco da discussão pode ser ampliado que não é meu de batismo ou de cartório,
para a ação dos seres humanos no meio social em que vivem, como um nome... estranho.
simples reprodutores da ordem instituída ou como questionadores da Meu blusão traz lembrete de bebida
ordem vigente, propiciando uma visão crítica da realidade. que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
AMPLIANDO O TEMA que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que tal construir um histórico pessoal? que nunca experimentei
Educador, você pode fazer uma pesquisa pessoal e apresentá-la mas são comunicados a meus pés.
aos alunos ou desenvolvê-la com eles. Assim, você ganhará a con- Meu tênis é proclama colorido
fiança dos alunos, que provavelmente ficarão menos constrangidos de alguma coisa não provada
na elaboração dessa atividade. por este provador de longa idade.
Os alunos podem montar uma pasta para guardar todo esse ma- Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
terial, evitando, assim, o seu extravio. Esse material pode ser anexado minha gravata e cinto e escova e pente,
à autobiografia em sua montagem final. meu copo, minha xícara,
Na construção da linha do tempo, procure mostrar aos alunos a minha toalha de banho e sabonete,
semelhança da linha do tempo da vida deles com a da história. Procure meu isso, meu aquilo,
esclarecer a importância da história oral, que antecedeu a escrita e desde a cabeça ao bico dos sapatos,
que, em algumas regiões do nosso país e em outras culturas, como a são mensagens,
africana, é fundamental para manter as tradições e a cultura. A história letras falantes,
oral hoje também é reconhecida como fonte histórica, substituindo, gritos visuais,
muitas vezes, os documentos escritos. ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
INDICADORES DE APRENDIzAGEM indispensabilidade,
Neste capítulo, espera-se que o aluno:
MANUAl DO EDUCADOR
• reconheça a sua identidade individual e coletiva;
99
e fazem de mim homem-anúncio itinerante, 8. Na opinião de Carlos Drummond de Andrade, “estar na moda”
escravo da matéria anunciada. significa abrir mão da identidade. E na sua opinião?
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda 9. Você se julga “coisa” ou “homem”? Por quê?
seja negar minha identidade, 10. No poema há algumas palavras inventadas pelo autor. Exemplo:
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas, “coisamente”. Que tal você inventar algumas e colocá-las numa
todos os logotipos de mercado. frase?
Com que inocência demito-me de ser Sugestão: Leia esse poema com a participação dos alunos;
eu que antes era e me sabia incentive-os e oriente-os a procurar no dicionário as palavras
tão diverso de outros, tão mim-mesmo, que desconhecem. Dessa forma descobrirão outras palavras
ser pensante, sentinte e solidário do poema.
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição. Capítulo 2
Agora sou anúncio, um olhar para o passado
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua OBJETIVOS
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória • Propiciar ao aluno o reconhecimento da importância da pesquisa
de minha anulação. científica na história como ciência e da sistematização do conheci-
Não sou – vê lá – anúncio contratado. mento para facilitar o entendimento do fato estudado no momento,
Eu é que mimosamente pago como, por exemplo, o passado da humanidade.
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas, • Conscientizar o aluno da importância da colaboração mútua entre
e bem à vista exibo esta etiqueta especialistas de diversas áreas do conhecimento para a constru-
global no corpo que desiste ção do saber científico, apresentando, dessa forma, a relação da
de ser veste e sandália de uma essência interdisciplinaridade.
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum compromete. • Propiciar ao aluno o seu reconhecimento como sujeito histórico.
Onde terei jogado fora • Auxiliar o aluno numa aprendizagem significativa de nossa iden-
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas indiossincrasias tão pessoais, tidade histórica, a partir de nossas origens.
tão minhas que no rosto se espelhavam, • Propiciar ao aluno a aprendizagem significativa de estratégias de
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa leitura, interpretação de textos e documentos diversos.
resumia uma estética? • Propiciar ao aluno a elevação da autoestima.
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal, CONTEÚDOS CONCEITUAIS
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, me recolocam, • Compreensão do papel das fontes históricas, materiais,
objeto pulsante mas objeto documentais e orais para a reconstrução da História.
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados. • Compreensão do papel do conhecimento científico para a
Por me ostentar assim, tão orgulhoso elaboração de teorias e hipótese sobre a origem dos seres
de ser não eu, mas artigo industrial, vivos, sobretudo do Homo sapiens sapiens.
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem. • Compreensão da evolução do pensamento humano, da
Meu nome novo é coisa. concepção religiosa ou mítica à racionalista.
Eu sou a coisa, coisamente.
CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS
Carlos Drummond de Andrade. In: Poesia completa. Nova Aguilar:
• Elaboração de atividades individuais.
Rio de Janeiro, 2001. Volume único. • Análise e interpretação de documentos diversos, como textos,
Questões sobre o texto quadros e fotografias.
1. Você daria outro título a esse poema? Qual? • Desenvolvimento da habilidade de compartilhar, oralmente ou
2. Pesquise no dicionário o significado da palavra “eu”.
3. Agora, pesquise no dicionário o significado da palavra “coisa”. por escrito, os conhecimentos.
4. Qual a diferença entre “eu” e “coisa”? • Desenvolvimento da habilidade de aplicar o conhecimento de
5. Você, assim como o autor do poema, também se sente “coisi-
uma atividade na subsequente.
ficado”? Por quê? • Informações etc.
6. Selecione um trecho do poema que demonstra a perda da • Análise e interpretação de textos iconográficos.
identidade para a propaganda. CONTEÚDOS ATITUDINAIS
Resposta possível:
“Em minha calça está grudado um nome • Reconhecimento da importância da colaboração estreita entre
que não é meu de batismo ou de cartório, vários ramos da pesquisa científica.
um nome... estranho.”
7. Você procura “estar na moda”? Por quê? • Reconhecimento dos valores humanos positivos, como a
percepção da viabilidade do trabalho coletivo – elemento
100 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO imprescindível para o bem-estar geral.
• Valorização da leitura autônoma.
• Valorização das várias formas de leitura de documento.
• Valorização do exercício de reflexão.
MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO
ORIENTAçõES GERAIS DO CAPÍTULO 2 • tenha uma aprendizagem significativa de nossa identidade histórica,
Educador, ao longo deste capítulo espera-se que o aluno desenvolva a partir de nossas origens;
as seguintes competências e habilidades: dominar a norma urbana de • tenha uma aprendizagem significativa de estratégias de leitura,
prestígio da Língua Portuguesa; construir e aplicar conceitos das várias interpretação de textos e documentos diversos;
áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais,
de processos históricos, da produção tecnológica; identificar formas • eleve sua autoestima.
de representação de fatos e fenômenos históricos expressos em textos
e/ou imagens; dominar linguagens; realizar leitura e interpretação AVALIANDO A APRENDIzAGEM
de diferentes gêneros textuais; contextualizar processos históricos e 1. Arqueólogos, geólogos, antropólogos e paleontólogos podem
compreender a diversidade da vida. trabalhar juntos? Para quê?
Resposta possível: Os cientistas precisam compartilhar os seus
No decorrer do capítulo, há palavras destacadas e o significado conhecimentos, ajudando uns aos outros em suas pesquisas.
delas Glossário. A sugestão é utilizar esse banco de palavras para Educador, reveja o que fazem esses cientistas para explorar os
ampliar o vocabulário dos alunos e auxiliá-los no entendimento dos aspectos comuns de seus trabalhos.
textos. Mas esteja atento também a outras palavras que desconhecem. 2. Você acha que diferentes ambientes podem modificar o com-
portamento das pessoas? Por quê?
Ajude-os a compreender essas palavras a partir do contexto em Resposta possível: Sim, o ambiente social e cultural é importante
que aparecem, refletindo com eles sobre as hipóteses de sentidos para a formação dos nossos hábitos.
sugeridos, ou solicite a pesquisa do significado dessas outras palavras 3. Na sua opinião, o passar do tempo pode transformar as pessoas
no dicionário, orientando-os quanto à forma de utilizá-lo. e a sociedade? Justifique sua resposta.
Resposta possível: Sim, faz parte da natureza humana sempre
DESVENDANDO O TEMA criar o novo a partir do velho; aprendendo com as experiências
do passado, os seres humanos constroem novas experiências,
Sugestão de livro: O que é lógica?, de Carlos Lungarzo. São Paulo: transformando o mundo em que vivem.
Brasiliense, 1989. (Coleção Primeiros Passos).
TEXTO COMPLEMENTAR
Penso, logo existo
A conclusão acima define o pensamento de René Descartes (1596- A ESCOLA
1650), filósofo e matemático francês que, por vezes, é chamado o
fundador da filosofia moderna e o pai da matemática moderna. É Escola é...
considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da o lugar onde se faz amigos
história humana. Ele inspirou os seus contemporâneos e gerações não se trata só de prédios, salas, quadros,
de filósofos. programas, horários, conceitos...
Conheça um pouco mais sobre o raciocínio aplicado à pesquisa Escola é, sobretudo, gente,
científica: gente que trabalha, que estuda,
Há o raciocínio dedutivo, que significa partir de uma premissa uni- que se alegra, se conhece, se estima.
versal, ou seja, aquela que é mais geral, e aplicá-la a casos particulares. O diretor é gente,
Por exemplo: “Todas as pessoas são capazes de aprender, eu sou O coordenador é gente, o professor é gente,
uma pessoa.” o aluno é gente,
Premissa universal: “Todas as pessoas aprendem.” cada funcionário é gente.
Segunda premissa: “EU sou uma pessoa.” E a escola será cada vez melhor
Conclusão: “Logo, eu sou capaz de aprender.” na medida em que cada um
Raciocínio indutivo, que significa partir de premissas particulares, se comporte como colega, amigo, irmão.
na busca de uma lei geral, universal. É uma forma de raciocínio que Nada de ‘ilha cercada de gente por todos os lados’.
começa ao contrário do raciocínio dedutivo. Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
Por exemplo: “Ana, Jesiane e Junior não são capazes de pensar”. que não tem amizade a ninguém
Primeira premissa: “Ana, Jesiane e Junior são pessoas”. nada de ser como o tijolo que forma a parede,
Segunda premissa: “Ana, Jesiane e Junior são capazes de pensar”. indiferente, frio, só.
Lei geral ou conclusão: “Todas as pessoas são capazes de pensar”. Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade,
APROFUNDANDO O TEMA é criar ambiente de camaradagem,
é conviver, é se ‘amarrar nela’!
TRABALHANDO COM TEXTO Ora, é lógico...
Questão 2: Muitas vezes, na infância, utilizamos pedras em numa escola assim vai ser fácil
jogos, para amassar objetos, amarrar com uma linha ou estudar, trabalhar, crescer,
barbante ou até para não deixar papéis voarem ao vento. fazer amigos, educar-se,
Educador, trabalhe e amplie o conceito de artefato com os ser feliz.
seus alunos. Talvez, em sua região, a pedra seja usada como
matéria-prima para alguma atividade. Solicite-lhes que Poesia do educador Paulo Freire. Disponível em: <http://www.
pesquisem seu uso na comunidade. paulofreire.org>. Acesso em: 24 jul. 2006.
INDICADORES DE APRENDIzAGEM
Neste capítulo, espera-se que o aluno: Sugestão de questões para análise do texto
• reconheça a importância da pesquisa científica, na História, enquan-
to ciência, e da sistematização do conhecimento para facilitar o 1. O que é a escola para você?
entendimento do fato estudado no momento, como, por exemplo, Resposta pessoal.
o passado da humanidade;
• adquira consciência da importância da colaboração entre os es- 2. De acordo com o poema, o que é a escola?
pecialistas de diversas áreas do conhecimento do saber científico Resposta possível: escola é o lugar onde se faz amigos.
e estabeleça relação com a interdisciplinaridade;
• reconheça-se como sujeito histórico; 3. Quem o autor do poema diz que é gente na escola?
Resposta possível: o diretor, o coordenador, o educador, o aluno
e cada um dos funcionários da escola.
MANUAl DO EDUCADOR 101
4. Paulo Freire, autor do poema, diz que a escola poderá ser melhor. CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS
Qual é a condição necessária para isso, na opinião dele? • Leitura, localização e observação de mapas.
Resposta possível: o comportamento de cada um como colega,
amigo ou irmão. CONTEÚDOS ATITUDINAIS
• Valorização da leitura autônoma.
5. O autor do poema diz também que o importante não é só • Valorização das várias formas de leitura de documento.
estudar. O que ele quis dizer com isso? • Valorização do exercício de reflexão.
Resposta possível: que é preciso, além de estudar, criar laços de • Valorização do debate e da exposição de opiniões como
amizade, um ambiente de camaradagem, uma boa convivência
para que todos “se amarrem” na escola. formas de crescimento intelectual, adoção de uma postura
colaborativa no seu grupo-classe e de relação com o
6. De acordo com o poema, o que fica mais fácil fazer na escola? educador, trocando e criando ideias coletivamente.
Resposta possível: estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, • Valorização do exercício de reflexão.
educar-se, ser feliz. • Valorização da ampliação da leitura do mundo aprendida em
sua comunidade.
7. Você concorda com o que Paulo Freire diz em seu poema? • Valorização das diferentes leituras de mundo.
Justifique a sua resposta.
Resposta pessoal. ORIENTAçõES GERAIS DO CAPÍTULO 3
Educador, ao longo deste capítulo espera-se que o aluno desen-
8. O que você está fazendo para ser feliz na escola?
Resposta pessoal. volva as seguintes competências e habilidades: dominar a norma
urbana de prestígio da Língua Portuguesa; selecionar, organizar,
Educador, peça aos alunos que façam um desenho inspirado no poema. relacionar, interpretar dados e informações representados de dife-
rentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema;
Capítulo 3 relacionar informações, representadas de diferentes formas; iden-
Em busca das origens tificar formas de representação de fatos e fenômenos históricos
expressos em textos e/ou imagens; caracterizar processos sociais,
OBJETIVOS reconhecendo mudanças e permanências temporais e espaciais;
utilizar mapas, gráficos ou fontes históricas para explicar fatos
• Conceituar o trabalho historiográfico. e processos históricos e seus impactos na sociedade brasileira;
• Confrontar diferentes visões sobre a origem da humanidade. comparar diferentes explicações para fatos e processos históricos;
• Contribuir para que o aluno reconheça a sua identidade histórica. realizar leitura e interpretação de diferentes gêneros textuais;
• Confrontar as teorias científicas sobre a origem do homem americano. compreender a diversidade da vida; enfrentar situações-problema;
• Aprofundar o conhecimento sobre o processo investigativo. compreender diferentes pontos de vista; contextualizar processos
• Ampliar o debate sobre as diferenças culturais. históricos e compreender dados históricos.
• Reconhecer que existe uma identidade nacional.
No decorrer do capítulo, há palavras destacadas e o significado
CONTEÚDOS CONCEITUAIS delas no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco para ampliar o
• Compreensão do papel das fontes históricas, materiais, vocabulário dos alunos e auxiliá-los no entendimento dos textos. Mas
esteja atento também a outras palavras que desconhecem.
documentais e orais para a reconstrução da História.
• Compreensão do papel do conhecimento científico para a Ajude-os a compreender essas palavras a partir do contexto em
que aparecem, refletindo com eles sobre as hipóteses de sentidos
elaboração de teorias e hipótese sobre a origem dos seres sugeridos, ou solicite a pesquisa do significado dessas palavras no
vivos, sobretudo do Homo sapiens sapiens. dicionário, orientando-os quanto à forma de utilizá-lo.
• Compreensão da evolução do pensamento humano, da
concepção religiosa à racionalista. REVELANDO O QUE APRENDEU
• Conhecimento da teoria evolucionista, confrontada com a
concepção criacionista. Questão 5: A capacidade de comunicação, utilizando representa-
• Conhecimento da origem dos primeiros habitantes da América ções gráficas, de raciocínio e as habilidades manuais complexas são as
e do Brasil como elementos formadores da identidade mais importantes. Educador, debata com os alunos sobre as múltiplas
coletiva. habilidades humanas que não encontramos nos outros animais. Para
complementar, você pode retomar o texto de V. Gordon Childe, no
CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS capítulo 2. (p. 185).
• Realização de atividades individuais.
• Análise e interpretação de documentos diversos, como textos AMPLIANDO O TEMA
e quadros. E no Brasil...
• Desenvolvimento da habilidade de compartilhar, oralmente ou
Sobre os primeiros habitantes do Brasil: Aqueles que defendem
por escrito, os conhecimentos. uma origem mais recente para os primeiros habitantes do Brasil
• Desenvolvimento da habilidade de aplicar o conhecimento de baseiam seus argumentos na descoberta de um fóssil de mulher,
batizada de Luzia, datado de mais de 11.500 anos, encontrado no
uma atividade na subsequente. município de Lagoa Santa, Estado de Minas Gerais. Para muitos, ele
• Informações etc. é considerado um dos fósseis mais antigos encontrados na América.
• Análise e interpretação de textos iconográficos.
• Observação e percepção de transformações, permanências, Os espécimes de Lagoa Santa eram significativamente diferentes
de outros grupos indígenas atuais. Eles se pareceriam mais com os
semelhanças e diferenças. grupos ancestrais que habitavam a África e a Austrália do que com
grupos asiáticos. Tais constatações estão causando uma grande revi-
ravolta nas teorias sobre o povoamento pré-histórico das Américas.
102 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO
MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO
As pesquisas a partir de materiais como “Luzia” têm sugerido Quando tocamos no assunto leitura, referimo-nos não somente ao
outro modelo de ocupação do continente americano, apontando ato de ler símbolos gráficos e visuais, mas também, e especialmente,
para a possibilidade de pelo menos mais uma onda migratória, à leitura do mundo: formas de interpretar valores, conceitos e suas
além das três tradicionalmente postuladas. transformações ao longo da história humana.
Disponível em: <http://www.antropologiabiologica.mn.ufrj.br/ OBJETIVOS GERAIS DA UNIDADE
luzia/historia1.htm>. Acesso em: 10 abr. 2005, às 14h55. • Desenvolver o prazer pela leitura e compreendê-la como uma
INDICADORES DE APRENDIzAGEM atividade ampla de interpretação do mundo e da realidade. Reco-
Neste capítulo, é esperado que o aluno: nhecer as diversas aplicações e finalidades da leitura, percebendo
as possibilidades de:
• apreenda a conceituação do trabalho historiográfico; • Ler para obter informações específicas;
• confronte as diferentes visões sobre a origem da humanidade; • Ler para pesquisar;
• confronte as teorias científicas sobre as origens do homem americano; • Ler por prazer;
• conheça algumas pesquisas arqueológicas em andamento para • Ler para entreter-se;
• Ler para informar;
examinar os vestígios mais antigos no Brasil; • Ler para resolver problemas.
• aprofunde o conhecimento sobre o processo de pesquisa;
• amplie o conhecimento sobre as diferenças culturais; Capítulo 4
• reconheça a existência de uma identidade nacional. Cidadania e leitura
AVALIANDO A APRENDIzAGEM OBJETIVOS
1. Na sua opinião, qual é a importância de resgatarmos histórias
passadas? • Conceituar o significado de cidadania em diferentes momentos
Resposta possível: permitir que os seres humanos tenham um no Brasil.
referencial, ou seja, uma ligação com o passado e com o pre-
sente, afastando-os da crença de que a história se desenvolve • Conscientizar o aluno de que ele tem uma leitura prévia do mundo.
independentemente da ação dos homens. Também propicia às • Confrontar e diferenciar os valores atuais com os existentes no
pessoas os instrumentos necessários para que se reconheçam
como ativas nas mudanças da sociedade no decorrer do tempo Brasil durante o período imperial.
e responsáveis pelo próprio destino. • Aprofundar a percepção da existência de vários ambientes e
2. Você acha que existe alguma relação entre o historiador e os
outros cientistas de quem falamos (antropólogos, arqueólogos, culturas diferenciadas.
paleontólogos)? Qual? • Propiciar ao aluno o reconhecimento de que a ação coletiva é capaz
Resposta possível: sim, cada um dos outros cientistas possui
uma parte do conhecimento necessário para que o historiador de causar transformações no meio, tendo em vista o bem-estar geral.
possa realizar o seu trabalho. A troca de experiências entre eles
contribui para o aprofundamento de suas pesquisas. CONTEÚDOS CONCEITUAIS
3. Qual é o objetivo do trabalho do historiador? • Compreensão do conceito de leitura de mundo.
Resposta possível: comprovar que a humanidade vem cons- • Compreensão sobre o que é ser cidadão em diferentes tempos
truindo a si mesma ao longo do tempo.
4. Como o historiador pode dividir o seu trabalho com os outros no Brasil.
cientistas citados nos capítulos 1 e 2?
Resposta possível: compartilhando informações. CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS
5. O que você entendeu sobre a teoria evolucionista? • Desenvolvimento da habilidade de compartilhar oralmente ou
Resposta possível: ela busca uma explicação para o surgimento
da vida na Terra em suas diversas formas, a partir de evidências por escrito os conhecimentos.
materiais. • Análise e interpretação de textos iconográficos.
6. Por que o Homo sapiens ocupou grandes espaços do planeta, • Observação e percepção de transformações, permanências,
ainda durante a Pré-História?
Resposta possível: porque foi levado pelas necessidades básicas semelhanças e diferenças.
de todos os seres vivos, como a busca de outros ambientes mais • Análise e interpretação de documentos diversos, como textos
propícios para a sua sobrevivência.
e quadros.
“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens
se educam entre si, mediatizados pelo mundo” CONTEÚDOS ATITUDINAIS
• Valorização da leitura autônoma.
Paulo Freire. Pedagogia do oprimido. • Valorização das várias formas de leitura de documento.
São Paulo: Paz e Terra, 2002. • Valorização do exercício de reflexão.
• Valorização do debate e da exposição de opiniões como
UNIDADE 2 • CIDADANIA E LEITURA
formas de crescimento intelectual, adoção de uma postura
Nesta unidade – Cidadania e leitura – nossa intenção é demonstrar colaborativa no grupo-classe e de relação com o educador,
que o letramento em nossa sociedade não é só uma necessidade bá- trocando e criando ideias coletivamente.
sica para a integração no mercado de trabalho, mas, sobretudo, para • Valorização do exercício de reflexão.
permitir-nos apreender o conhecimento necessário para garantir a • Valorização da ampliação da leitura do mundo aprendida em
plenitude de nossos direitos, como cidadãos que somos, não só neste sua comunidade.
país, mas também perante outros povos e nações. • Valorização das diferentes leituras de mundo.
• Reconhecimento da importância da ação política e do acesso
à informação para a criação de uma sociedade voltada para o
bem-estar geral.
MANUAl DO EDUCADOR 103
ORIENTAçõES GERAIS DO CAPÍTULO 4 • amplie seu vocabulário;
Educador, ao longo deste capítulo espera-se que o aluno desenvolva • conscientize-se sobre a importância das diferentes formas de ler
as seguintes competências e habilidades: dominar a norma urbana o mundo;
de prestígio da Língua Portuguesa; caracterizar processos sociais, • conscientize-se da importância da alfabetização em uma sociedade
reconhecendo mudanças e permanências temporais e espaciais; iden-
tificar em documentos históricos os fundamentos da cidadania e da tecnológica;
democracia presentes na vida social; compreender os processos de • conscientize-se sobre as formas de degradação dos seres humanos;
formação das instituições sociais e políticas, de forma a favorecer uma • reconheça os próprios direitos e deveres de cidadão.
atuação consciente do indivíduo na sociedade; comparar diferentes
processos de formação de instituições sociais e políticas; relacionar os AVALIANDO A APRENDIzAGEM
fundamentos da cidadania e da democracia, do presente e do passado, 1. Para você, o que é ser cidadão?
aos valores éticos; avaliar situações em que os direitos dos cidadãos Resposta possível: além de respeitar e ser respeitado, é ter acesso a
foram conquistados, mas não usufruídos por todos os segmentos so- todo o conhecimento existente na sociedade e aprender a usá-lo.
ciais; dominar linguagens; realizar leitura e interpretação de diferentes 2. Você acha que os indígenas podem exercer a sua cidadania da
gêneros textuais; enfrentar situações-problema; compreender diferentes mesma forma que nós? Por quê?
pontos de vista; contextualizar processos históricos; compreender dados Resposta possível: sim, desde que tenham acesso aos recursos
históricos e elaborar propostas de intervenção solidária. e aos conhecimentos necessários para a plena realização de
suas necessidades.
No decorrer do capítulo, há palavras destacadas e o significado 3. O que você aprendeu neste capítulo sobre ser cidadão no Brasil
delas no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco para ampliar o imperial?
vocabulário dos alunos e auxiliá-los no entendimento dos textos. Mas Resposta possível: que os escravos não eram cidadãos e entre
esteja atento também a outras palavras que desconhecem. a maioria dos libertos não existia cidadania plena.
4. O que você aprendeu sobre os Direitos Humanos na comunidade
Ajude-os a compreender essas palavras a partir do contexto em em que você mora?
que aparecem, refletindo com eles sobre as hipóteses de sentidos Resposta pessoal.
sugeridos, ou solicite a pesquisa do significado dessas outras palavras
no dicionário, orientando-os quanto à forma de utilizá-lo. TEXTO COMPLEMENTAR
PRA COMEçO DE CONVERSA SOU NORDESTINO
Meu nordeste, terra amada. eu sou do Nordeste,
Sobre o questionamento: “Na sua opinião, o que é
ser cidadão?” Terra da mulher rendeira, sou cabra da peste.
Educador, debata o conteúdo do texto “Ser cidadão no Brasil – a lei e
a prática” para comparar com as definições dadas pelos alunos, de modo do coco, da embolada, De tudo aqui tem.
que eles se reconheçam enquanto cidadãos. Significa lutar para que nos-
sos direitos sejam respeitados, respeitar os direitos dos outros e cumprir e da velha benzedeira. Canta o violeiro,
os nossos deveres de forma que seja garantido o bem-estar coletivo. Nesta terra idolatrada, aboia o vaqueiro
Sobre o questionamento: “Você cumpre seus quero ainda a vida inteira E o bom sanfoneiro
deveres de cidadão? Quais?”
Educador, esclareça aos alunos que os deveres podem ser: pa- Refrão toca o xem nhem nhem
gamento de impostos; preservação dos espaços públicos, como a
escola, estátuas, praças, ruas etc.; respeitar os direitos dos outros; Por ordem celeste, Sou Nordestino e me orgulho
votar em eleições etc. E eu sou do Nordeste, da terra que Deus me deu.
sou cabra da peste, Aqui, com a natureza,
AMPLIANDO O TEMA De tudo aqui tem. foi que o artista aprendeu.
Canta o violeiro, Neste solo abençoado,
POR DENTRO DO TEXTO aboia o vaqueiro, o Rei do Baião nasceu
Questão 1: Na figura 1: a superlotação em um presídio. Figura 2: e o bom sanfoneiro
influência de uma cultura sobre outra. Figura 3: a perda de parentes,
bens materiais e o trauma emocional causado pela guerra. Sugestão: toca o xem nhem nhem. Refrão
Oriente os alunos para que eles procedam da seguinte forma: primei-
ro observar a figura, em seguida responder. Depois ir para a figura Não há coisa mais bonita Por ordem celeste,
seguinte e assim por diante. do que se ouvir, no Sertão, eu sou do Nordeste,
POR DENTRO DO TEXTO o Sabiá sonoroso, sou cabra da peste.
Questão 1: Se possível, providencie revistas e jornais para os alunos cantando sua canção. De tudo aqui tem.
pesquisarem notícias sobre conflitos étnicos e religiosos, conflitos arma- E se ver o sol brilhante, Canta o violeiro,
dos por disputa de poder, questões econômicas, desrespeito às culturas cobrindo a face do chão. aboia o vaqueiro
indígenas, afro-brasileiras e regionais, casos de epidemias etc., para que
possam identificar os problemas políticos, sociais, culturais e econômicos Refrão E o bom sanfoneiro
de responsabilidade do Estado, por sua omissão ou ação. Oriente os
alunos a primeiro lerem as notícias, em seguida apresentarem para os Por ordem celeste, toca o xem nhem nhem
colegas, iniciando a discussão. Seria interessante tirarem conclusões.
INDICADORES DE APRENDIzAGEM Patativa do Assaré. Aqui tem coisa. São Paulo: Hedra, 2004.Coleção
Neste capítulo, é esperado que o aluno:
• reconheça que existem várias formas de ler o mundo; de Literatura Popular.
• reconheça que o direito à cidadania foi limitado no Brasil e se
ampliou nas últimas décadas; Sugestão de questões para análise do texto
• amplie seus conhecimentos sobre os princípios que justificam um 1. Para você, o que é ser nordestino?
governo monárquico;
Resposta pessoal.
104 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO 2. O autor do poema é de qual região brasileira?
Do Nordeste.
3. Você é de qual região brasileira?
Resposta pessoal.
4. Para Patativa do Assaré, o que há de mais bonito no Sertão?
Resposta possível: “Ouvir o sabiá cantando a sua canção, ver o
sol brilhante cobrir a face do chão”.
MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO
5. Qual é o sentimento que Patativa do Assaré tem por ter nascido Ajude-os a compreender essas palavras a partir do contexto em
no Nordeste? Por quê? que aparecem, refletindo com eles sobre as hipóteses de sentidos
Resposta possível: Orgulho. sugeridos, ou solicite a pesquisa do significado dessas outras palavras
no dicionário, orientando-os quanto à forma de utilizá-lo.
6. Escreva, com suas palavras, o que você gosta mais na região
em que nasceu e por quê? DESVENDANDO O TEMA
Resposta pessoal.
Sugestão: educador, no momento desta atividade, mostre a seus Faça com os alunos uma leitura do texto “Direito no decorrer dos
alunos um mapa com as divisões regionais do Brasil; esclareça tempos”. Comente-o parágrafo por parágrafo, acompanhando o en-
que o país é dividido em cinco regiões. tendimento dos alunos. Faça o mesmo com os dois textos seguintes,
localizando no mapa-múndi as regiões citadas.
Capítulo 5
Cidadania: uma construção histórica TRABALHANDO COM O TEXTO
OBJETIVOS Após as leituras e comentários, peça aos alunos que respondam
• Conhecer e compreender, de modo integrado e sistêmico, as às questões de números 1 a 4. Comente as respostas.
noções básicas relacionadas à construção histórica da cidadania. REVELANDO O QUE APRENDEU
• Perceber, em diversos momentos históricos, o encadeamento e relações
Registre no quadro de giz as respostas dadas à questão 3. Verifique
de causa-efeito entre o desenvolvimento da escrita e a ampliação dos as regras mais comuns citadas pelos alunos. Comente-as.
direitos de cidadania, utilizando essa percepção para posicionar-se
criticamente diante do exercício da cidadania em seu meio. APROFUNDANDO O TEMA
CONTEÚDOS CONCEITUAIS A questão central é proposta pelo tema: a memória é importante
• Compreensão do processo de criação das leis escritas e a sua para as pessoas e para a História?
evolução ao longo da história. Leia para os alunos o texto “Memória e poder”. Comente-o, sempre
• Compreensão sobre diferentes culturas em diferentes regiões localizando no mapa-múndi as regiões citadas.
e tempos. AMPLIANDO O TEMA
CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS Leia e comente os textos sobre Roma e Grécia antes de pedir aos
• Observação e percepção de transformações, permanências, alunos que respondam às questões propostas na seção REVELANDO
O QUE APRENDEU.
semelhanças e diferenças.
• Análise e interpretação de documentos diversos, como textos INDICADORES DE APRENDIzAGEM
Neste capítulo, é esperado que o aluno:
e quadros.
• Desenvolvimento da habilidade de leitura e interpretação de • Reconheça que as leis evoluíram de acordos mútuos e orais para
registros escritos.
textos.
• Seleção de fatos e sujeitos históricos e estabelecimento de • Reconheça a importância da escrita para preservar e recuperar
conhecimento necessário para o exercício da cidadania.
relações entre eles no tempo.
• Adquira consciência sobre o papel do discurso em sociedades que
CONTEÚDOS ATITUDINAIS praticam alguma forma de democracia.
• Valorização da leitura autônoma.
• Valorização das várias formas de leitura de documento. • Reconheça o papel dos mitos na construção do conhecimento
• Valorização do exercício de reflexão. humano.
• Valorização das diferentes leituras de mundo.
• Reconhecimento da importância da ação política e do acesso AVALIANDO A APRENDIzAGEM
1. Sou capaz de reconhecer atualmente a região geográfica onde
à informação para a criação de uma sociedade voltada para o se situava o reino de Hamurabi?
bem-estar geral. Resposta possível: atualmente, é onde está localizado o Iraque.
2. Sou capaz de apontar a Grécia no mapa?
ORIENTAçõES GERAIS DO CAPÍTULO 5 Educador, se possível, apresente um mapa-múndi para que os
Educador, ao longo deste capítulo espera-se que o aluno desenvolva alunos localizem a região da Grécia antiga e atual.
3. Sei escrever um item do Código de Hamurabi?
as seguintes competências e habilidades: dominar a norma urbana de Resposta possível: “Se um homem quebrar o dente de um seu
prestígio da Língua Portuguesa; recorrer aos conhecimentos desenvolvidos igual, o dente deste homem também deverá ser quebrado”
para a elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade; (Dente por dente).
compreender processos sociais, utilizando conhecimentos históricos; 4. Sei definir o significado de “retórica”?
caracterizar processos sociais, reconhecendo mudanças e permanências Resposta possível: é a técnica de convencer os outros por meio
temporais e espaciais; interpretar realidades históricas, estabelecendo do uso persuasivo da linguagem.
relações entre diferentes fatos e processos socioespaciais; dominar lingua- 5. Sou capaz de reconhecer a importância da escrita e leitura no
gens; contextualizar processos históricos; enfrentar situações-problema; processo de construção da cidadania?
compreender diferentes pontos de vista; compreender dados históricos. Resposta possível: Em nossa sociedade, o domínio e o uso da
oralidade e da escrita são instrumentos importantes para a
No decorrer do capítulo, há palavras destacadas e o significado manutenção ou conquista dos direitos.
delas no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco para ampliar o
vocabulário dos alunos e auxiliá-los no entendimento dos textos. Mas
esteja atento também a outras palavras que desconheçam.
MANUAl DO EDUCADOR 105
TEXTO COMPLEMENTAR Sugestão de questões para análise do texto
1. Após a leitura do texto, que tal debater com os seus alunos
A justiça é cega... Mas o juiz não é
sobre o significado de vadiagem previsto pelo Artigo 59 da
Num inquérito pela contravenção de vadiagem, que ocor- Lei das Contravenções Penais: “entregar-se habitualmente à
reu na 5a Vara Criminal de Porto Alegre, o juiz Moacir Danilo ociosidade, sendo válido para o trabalho...”?
Rodrigues proferiu a sentença que transcrevemos a seguir: Destaque as contradições existentes no Artigo 59, segundo o
“Marco Antônio Dornelles de Araújo, com 29 anos, brasileiro, Juiz de Direito Moacir Danilo Rodrigues.
solteiro, operário, foi indiciado pelo inquérito policial pela Resposta possível: A vadiagem é classificada de acordo com o
contravenção de vadiagem, prevista no artigo 59 da Lei das nível econômico e social da pessoa.
Contravenções Penais.Requer o Ministério Público a expedição 2. Após os debates ocorridos no item um, que tal solicitar aos
de Portaria contravencional. alunos que interpretem, por escrito, o significado da frase final
do Juiz: A justiça é cega... Mas o juiz não é.
O que é vadiagem? A resposta é dada pelo artigo supramen- Resposta possível: O termo “a justiça é cega” se refere ao fato
cionado: ‘entregar-se habitualmente à ociosidade, sendo válido de que a ela não cabe ver a quem está julgando, mas, neste
para o trabalho...’ caso, o juiz entendeu que a lei é injusta.
3. Você acha que a interpretação dessa Lei pelo Juiz colaborou
Trata-se de uma norma legal draconiana, injusta e parcial. para reduzir ou ampliar os direitos à cidadania plena? Por quê?
Destina-se apenas ao pobre, ao miserável, ao farrapo humano, Resposta possível: Sim, pois levou em consideração a condição
curtido, vencido pela vida. O pau de arara do Nordeste, o boia-fria econômica e social do réu e observou que a lei era parcial e
do Sul. O filho do pobre que pobre é, sujeito está à penalização. destinava-se apenas ao pobre, miserável, que representa a
O filho do rico, que rico é, não precisa trabalhar, porque tem maioria da população brasileira.
renda paterna para lhe assegurar os meios de subsistência.
Capítulo 6
Depois se diz que a lei é igual para todos! Máxima sonora Cidadania e imprensa
na boca de um orador, frase mística para apaixonados e so-
nhadores acadêmicos de Direito. Realidade dura e crua para OBJETIVOS
quem enfrenta, diariamente, filas e mais filas na busca de um • Propiciar ao aluno o reconhecimento de como os jornais escritos
emprego. Constatação cruel para quem, diplomado, incursiona
pelos caminhos da justiça e sente que os pratos da balança não fizeram e fazem parte da história humana e também da história
têm o mesmo peso. brasileira.
• Conscientizar o aluno de como a imprensa escrita foi fundamental
Marco Antônio mora na Ilha das Flores (?) no estuário do tanto para difundir novas visões de mundo como para defender
Guaíba. Carrega sacos. Trabalha “em nome” de um irmão. Seu velhas concepções.
mal foi estar em um bar na Voluntários da Pátria, às 22 horas. • Propiciar ao aluno o reconhecimento de que a imprensa representa
Mas se haveria de querer que estivesse numa uisqueria ou interesses diversos, sobretudo, privados.
choperia do centro, ou num restaurante de Petrópolis, ou ainda • Auxiliar o aluno a acompanhar a história recente do Brasil a partir
numa boate de Ipanema? dos órgãos de imprensa nacionais.
Na escala de valores utilizada para valorar as pessoas, quem CONTEÚDOS CONCEITUAIS
toma um trago de cana, num boliche da Volunta, às 22 horas e • Compreensão dos avanços institucionais conquistados pela
não tem documento, nem um cartão de crédito, é vadio. Quem
se encharca de uísque escocês numa boate da Zona Sul e ao nação brasileira ao longo do período republicano.
sair, na madrugada, dirige (?) um belo carro, com a carteira • Compreensão sobre o que é ser cidadão em diferentes tempos
recheada de “cheques especiais”, é um burguês.
no Brasil.
Este, se é pego ao cometer uma infração de trânsito, consta-
tada a embriaguez, paga a fiança e se livra solto. Aquele, se não CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS
tem emprego é preso por vadiagem. Não tem fiança (e mesmo • Desenvolvimento da habilidade de compartilhar, oralmente ou
que houvesse, não teria dinheiro para pagá-la) e fica preso.
por escrito, os conhecimentos.
De outro lado, na luta para encontrar um lugar ao sol, ficará • Análise e interpretação de textos iconográficos.
sempre de fora o mais fraco. É sabido que existe desemprego • Observação e percepção de transformações, permanências,
flagrante. O zé-ninguém (já está dito) não tem amigos influentes.
Não há apresentação, não há padrinho. Não tem referências, semelhanças e diferenças.
não tem nome, nem tradição. É sempre preterido. É o Nico • Análise e interpretação de documentos diversos como textos
Bondade, já imortalizado no humorismo (mais tragédia que
humor) do Chico Anísio. e quadros.
As mãos que produzem força, que carregam sacos, que produzem CONTEÚDOS ATITUDINAIS
argamassa, que se agarram na picareta, nos andaimes, que trazem • Valorização da leitura autônoma.
calos, unhas arrancadas, não podem se dar bem com a caneta • Valorização das várias formas de leitura de documento.
(veja-se a assinatura do indiciado à fls. 5v.) nem com a vida. • Valorização do debate e da exposição de opiniões como
E hoje, para qualquer emprego, exige-se no mínimo o primeiro
grau. Aliás, grau acena para graúdo. E deles é o reino da terra. formas de crescimento intelectual, adoção de uma postura
colaborativa no seu grupo-classe e de relação com o
Marco Antônio, apesar da imponência do nome, é miúdo. E educador, trocando e criando ideias coletivamente.
sempre será. Sua esperança? Talvez o Reino do Céu. • Valorização do exercício de reflexão.
• Valorização da ampliação da leitura do mundo aprendida em
A lei é injusta. Claro que é. Mas a Justiça não é cega? Sim, sua comunidade.
mas o juiz não é. • Valorização das diferentes leituras de mundo.
Por isso: Determino o arquivamento do processo deste
inquérito.
Porto Alegre, 27 de setembro de 1979.
Moacir Danilo Rodrigues. Juiz de Direito – 5a Vara Criminal.”
Suplemento Jurídico: DER/SP, n. 108, 1982.
106 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO
MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO
CONTEÚDOS ATITUDINAIS • Reconheça-se como sujeito histórico.
• Reconhecimento da importância da ação política e do acesso • Tenha uma aprendizagem significativa sobre o papel da imprensa
à informação para a criação de uma sociedade voltada para o na história do Brasil.
bem-estar geral.
• Valorização da ampliação da leitura de mundo, sobretudo AVALIANDO A APRENDIzAGEM
através do domínio da linguagem escrita. Valorização 1. Para você, direito a livre informação e cidadania andam juntos?
do papel da imprensa nos processos políticos, sociais e Por quê?
econômicos da sociedade. Resposta possível: Sim. Já que sem informação disponível não
temos condições de compreender o que acontece e decidir o
ORIENTAçõES GERAIS DO CAPÍTULO 6 que é melhor para a coletividade.
Educador, ao longo deste capítulo espera-se que o aluno desen- 2. Segundo você, o que é necessário para ampliar as informações
sobre o mundo em que vivemos?
volva as seguintes competências e habilidades: dominar a norma Resposta possível: Aprender a ler e interpretar as notícias vei-
urbana de prestígio da Língua Portuguesa, compreender processos culadas pela imprensa.
sociais utilizando conhecimentos históricos, identificar formas de 3. Por que você acha que as ditaduras costumam controlar a
representação de fatos e fenômenos históricos expressos em textos imprensa?
e/ou imagens, utilizar mapas, fontes históricas para explicar fatos e Resposta possível: Porque assim eles podem controlar o que o
processos históricos e seus impactos na sociedade brasileira, identificar povo sabe e evitar que as notícias prejudiquem a popularidade
em documentos históricos os fundamentos da cidadania e da demo- dos governantes.
cracia presentes na vida social, dominar linguagens, realizar leitura 4. Na sua opinião, a imprensa falada, TVs e/ou rádios podem
e interpretação de diferentes gêneros textuais, enfrentar situações- influenciar a opinião dos cidadãos? Como?
-problema, compreender diferentes pontos de vista, contextualizar Resposta possível: Sim. Fazendo com que as pessoas vejam e/
processos históricos, compreender dados históricos e elaborar propostas ou ouçam os jornais.
de intervenção solidária. 5. Responda com suas palavras: Agora está mais fácil para você
ter acesso às informações? Por quê?
Educador, no decorrer do capítulo, há palavras destacadas e o
significado delas está no Glossário. A sugestão é utilizar esse banco TEXTO COMPLEMENTAR
para ampliar o vocabulário dos alunos e auxiliá-los no entendimento
dos textos. Mas esteja atento também a outras palavras que dificultem MULHERES ÀS URNAS
a leitura deles.
Muitas mulheres ainda levam uma vida de dependência e
Ajude-os a compreender essas palavras a partir do contexto em submissão, mas, considerando que elas não lutaram pelo di-
que aparecem, refletindo com os alunos sobre as hipóteses de sen- reito de voto até 1848, os avanços feministas são notáveis. A
tidos sugeridos por eles ou ainda solicite a pesquisa do significado Declaração de Sentimentos, escrita por Elizabeth Cady Stanton
dessas outras palavras no dicionário, orientando-os, inclusive, quanto e assinada na Convenção dos Direitos Femininos, realizada em
à forma de utilizá-lo. Seneca Falls, Nova York, não foi a primeira expressão do femi-
nismo, mas as doze resoluções adotadas formaram uma agenda
PRA COMEçO DE CONVERSA suficiente para aterrorizar muita gente. Suas defensoras foram
agredidas com frutas podres, insultadas pela imprensa, igno-
Questão 1. Resposta possível: conversar com as pessoas, assistir radas. No final do século, as sufragistas já estavam nas ruas,
à TV, ler jornais, revistas, livros etc. com uma ira diferente: “Homens, seus direitos e nada mais!
Mulheres, seus direitos e nada menos!”. Ainda assim, demorou
Questão 2. Resposta possível: leitura, alfabetização, leitura crítica até 1920 para que as americanas conquistassem o direito de
e a utilização de todos os recursos disponíveis em seu meio para voto. Na década de 1960, as mulheres marcharam de novo, em
atender este objetivo. defesa de salário igual por trabalho igual e liberdade de escolha
sobre a gravidez. Essas lutas continuam, mas elas agora falam
APROFUNDANDO O TEMA com seus votos e não apenas com suas vozes.
Informação e poder Revista Veja, Edição especial, n. 1.578, ano 31/n. 51. “Milênio,
Educador, chame a atenção dos alunos para a seguinte observação:
os mesmos jornais que Vargas controlou de 1937 a 1945, através do os 100 fatos que mudaram o mundo do ano 1001 até hoje”.
DIP, divulgaram a sua queda em outubro de 1945.
Discuta com eles o significado dessa atitude. Estimule-os a refletir Sugestão: Educador, oriente os alunos no seguinte
sobre o sentido dessas ações jornalísticas. exercício de leitura.
A saída de Goulart 1. Primeiro, faça uma leitura descompromissada do texto.
Sobre o PTB: Educador, o PTB, partido de João Goulart, não é o 2. Faça uma segunda leitura, desta vez com mais atenção, e escreva
mesmo que existe atualmente. A ditadura militar extinguiu aquele
partido em 1965. Com o fim da ditadura e a restauração da democracia, no seu caderno as palavras que você desconhece.
essa sigla partidária renasceu após disputa entre o grupo historica- 3. Com a ajuda de um dicionário, pesquise o significado de cada
mente ligado ao PTB, liderado por Leonel de Moura Brizola, e o grupo
liderado por Ivete Vargas. Tendo o Tribunal Superior Eleitoral dado palavra desconhecida do item 2 e escreva no caderno.
ganho de causa ao grupo de Ivete, o grupo de Brizola funda então o 4. Reescreva o texto, substituindo as palavras que lhe eram desco-
PDT (Partido Democrático Trabalhista).
nhecidas por outras que, para você, melhor se encaixem nas frases.
INDICADORES DE APRENDIzAGEM 5. Na sua opinião, qual é a principal mensagem do texto?
Neste capítulo, é esperado que o aluno:
Resposta possível: As lutas das mulheres, através dos tempos,
• Reconheça a importância da imprensa escrita como veículo infor- para serem respeitadas como cidadãs.
mativo necessário para a construção da cidadania. Educador, se preferir, pode destacar somente um trecho do
texto para o exercício sugerido.
• Adquira consciência de que toda informação escrita representa um Pode ainda, se preferir, orientar a classe num debate sobre a
determinado ponto de vista e muitas vezes interesses de grupos mensagem do texto.
que nem sempre têm compromisso com a verdade.
MANUAl DO EDUCADOR 107
ANOTAçõES
108 MANUAL ESPECÍFICO • HISTÓRIA • 6o ANO
HISTÓRIA
7oano
Coleção particular
EDIMAR ARAÚJO SILVA
Licenciada em História, Geografia e Sociologia e Bacharel em Ciências Políticas e Sociais pela
Fundação e Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Pós-graduanda em História na
Uniban. Professora de História e Geografia. Autora de livros didáticos e paradidáticos.
JOSÉ WAGNER DE MELO COSTA SOUSA
Bacharel e licenciado em História pela Faculdade de Filosofia e Letras das Faculdades Associadas
do Ipiranga (Unifai-SP). Licenciado em Pedagogia pelo Centro Universitário Nove de Julho
(Uninove-SP). Professor da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, tendo ministrado
aulas também nas redes municipal e particular. Autor de livros didáticos.
1CAPÍTULO UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
Gerson Gerloff/Pulsar Imagens
Paulo Fridman/Pulsar Imagens
Natureza: domínio e descontrole Educador, inicie o trabalho folheando
o livro com seus alunos. Analise as
Educador, veja encaminhamento para trabalhar este capítulo no Manual específico. seções e seus subtítulos e explique a
função dos ícones:
Pra começo de conversa
Registro escrito.
Observe as imagens a seguir. Registro no caderno
Expressão oral.
Trabalho individual.
Trabalho em grupo.
Pesquisa individual.
Pesquisa em grupo.
12
Canal que deságua na Lagoa dos Patos, Queimada na zona rural de
RS, 2011. Bonito, MT, 2010.
a) Que problemas ambientais as fotografias mostram? Lixo e queimadas.
b) Você já viu cenas como essas? Onde? Quando? Resposta pessoal.
c) O que elas revelam sobre a interferência do ser humano na natureza?
Revelam que a interferência do ser humano na natureza pode provocar sérios problemas ambientais, que podem prejudicar a vida no planeta.
d) No caderno, escreva uma frase que expresse, em poucas palavras, o que você pensa e sente em
relação aos problemas que as fotografias mostram. Resposta pessoal.
Desvendando o tema
Antes de ler o texto a seguir, discuta com seus colegas o sentido da palavra “revolução” e da expressão “pro-
priedade privada”.
Você conhece o significado dessas palavras? Qual seria?
142 HISTÓRIA 7o ano 110
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
A palavra “revolução” aparece em muitos livros, não só nas obras
de História. Você já teve ou tem um LP (long play)? Antigamente,
na etiqueta (selo) dos LPs, hoje em dia mais conhecidos como discos
de vinil, aparecia o termo “rotação por minuto” (rpm), que pode ser
entendido como “revolução por minuto”, ou seja, as voltas que o
disco faz em torno de si mesmo por minuto.
Nas áreas de Ciências e Geografia, a palavra “revolução” pode
ser usada para nomear o movimento da Terra em torno do Sol (mais
comumente, é usada a palavra “translação”).
Em História, revolução pode ser entendida como um conjunto
de fortes mudanças na trajetória humana, um novo caminho que
os homens encontraram ou criaram em busca da satisfação de suas
necessidades. Compreendemos, então, que a história não acontece
de forma linear, ou seja, não segue sempre a mesma direção. Ao se
estudar História, observa-se que ocorrem muitas voltas e reviravoltas.
Por outro lado, a palavra “propriedade” possui muitos significados,
mas junto ao termo “privado” ela adquire um significado próprio.
“Propriedade privada” é algo sobre o que podemos individualmente
ter posse. Por exemplo, nas sociedades em que o mercado é livre, uma
fábrica pertence a este ou àquele empresário (propriedade privada);
em sociedades socialistas, as fábricas pertencem ao Estado (proprie-
dade pública ou estatal).
Responda às questões.
1. O que a palavra “revolução” significa em História?
Pode ser entendida como um conjunto de fortes mudanças na trajetória humana.
2. O que você acha que significa a expressão “revolução agrícola”?
Um conjunto de fortes mudanças na agricultura.
Leia apenas o título do texto a seguir, pense e responda oralmente: Qual pode ser o assunto do texto?
De caçador a criador,
de coletor a agricultor
Você já pensou como é possível ter alimentos suficientes para os bilhões de seres humanos que existem em
nosso planeta? No decorrer da história da humanidade, para garantir a alimentação, deixamos de ser aqueles Homo
sapiens que sofriam lutando com lança na mão contra feras selvagens. Não andamos mais de um lugar para outro,
famintos, em busca de raízes e frutos. O que aconteceu? A mudança foi fruto da nossa capacidade de observação e
do nosso raciocínio, que nos permitiram escapar da fome e da extinção.
Há pouco mais de dez mil anos, alguns grupos humanos, em diferentes momentos e regiões do planeta, passa-
ram a uma nova fase na luta pela sobrevivência. Aprenderam a plantar o próprio alimento e colocar os animais em
cercados. Esse conjunto de mudanças passou a ser conhecido como revolução agrícola.
111 7o ano UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE 143
UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
Esse acontecimento foi importantíssimo porque:
• permitiu que as pessoas pudessem viver toda a sua vida no mesmo lugar;
• o tempo livre, após o plantio e a colheita, passou a ser utilizado para desenvolver novos utensílios.
O aumento na produção de alimentos permitiu:
• a criação de uma reserva alimentar;
• a diminuição da mortalidade infantil;
• o aumento populacional;
• a utilização da sobra da produção, além da manutenção de estoques para troca;
• o surgimento da propriedade privada.
O surgimento da agricultura provocou grandes mudanças na sociedade humana. Uma delas foi a necessidade
de ter o controle das terras agricultáveis. Por causa disso, surgiram muitos conflitos, devido à concentração de terras
mais produtivas nas mãos de poucas famílias, fazendo aparecer então a propriedade privada da terra.
Revelando o que aprendeu
1. Com a revolução agrícola, os alimentos começaram a sobrar e as pessoas passaram a estocar e fazer
trocas de alimentos. Responda.
a) Após a revolução agrícola, o tempo livre dos homens passou a ser destinado a quê?
Ao desenvolvimento de novos utensílios.
b) Quando surgiu a propriedade privada?
Quando as pessoas aprenderam a plantar e passaram a viver no mesmo lugar.
2. O que o desenvolvimento da agricultura representou para a humanidade?
Permitiu que as pessoas pudessem viver toda a sua vida no mesmo lugar, desenvolver novos utensílios, aumentar a produção de
alimentos, ter uma reserva alimentar. Também permitiu a diminuição da mortalidade infantil, o aumento populacional, o desenvolvi-
mento do comércio e o surgimento da propriedade privada.
3. Para você, o que teria acontecido com a humanidade se o ser humano não tivesse desenvolvido a agri-
cultura?
Educador, espera-se que os alunos percebam a importância da revolução agrícola para a existência do ser humano, inclusive na
formação da sociedade atual.
144 HISTÓRIA 7o ano 112
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
Aprofundando o tema
1. Observe a imagem. Educador, leia as sugestões no Manual específico.
iStockphoto
Renato Arlen a) O que aparece na imagem?
Alimentos agrícolas.
b) Como esses alimentos são produzidos?
São cultivados, normalmente, em grandes propriedades rurais.
c) Algum deles é produzido na região onde você mora? Qual?
Resposta pessoal.
d) Para que esses e outros alimentos continuem sendo produzidos, é preciso ter algum cuidado especial
com o solo? Por quê?
Sim, para que ele continue fértil e os alimentos possam ser obtidos.
2. Observe a representação de uma aldeia neolítica.
Descreva o que você vê nesta aldeia.
Construções feitas pelas pessoas; pessoas trabalhando na plantação
e em outros afazeres; crianças brincando.
113 7o ano UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE 145
UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
3. Uma série de invenções foi possível desde que o ser humano, com a sua criatividade, passou a ter tempo
livre para criar novas ferramentas. Ele desenvolveu sobretudo suas habilidades manuais, aprendeu a
produzir objetos de cerâmica, a transformar fibras em fios etc.
Observe as imagens a seguir. 041 CONTEÚDO
DIGITAL
Marco Antônio Sá/Pulsar Imagens
Marco Antônio Sá/Pulsar Imagens
Artesão modelando vaso em argila. Artesã produzindo suas peças com fibras
Bragança, PA, 2011. naturais. Taguatinga, TO, 2011.
Você já realizou alguma atividade parecida com as das imagens? Qual?
Resposta pessoal.
Agricultura, problemas e soluções
Mais recentemente, a humanidade tem enfrentado um dos mais graves problemas dos últimos tempos: a de-
gradação do solo.
As limitações impostas pela natureza, como a falta de chuvas, o solo pobre, o relevo montanhoso e outras, têm
sido superadas aos poucos. Mas há uma preocupação: a qual preço?
O mau uso do solo e dos recursos naturais traz consequências negativas para todo o planeta, não só para os
seres humanos e os animais. Certas doenças crônicas, como asma e bronquite, provavelmente estão relacionadas
à poluição do ar. As estações do ano estão cada vez mais confusas: fenômenos naturais como chuvas e estações
de seca se intensificam em certas regiões do planeta, e questiona-se a responsabilidade humana nesse processo.
A falta de cuidado com o meio ambiente provoca vários problemas. O excesso assoreamento: acúmulo
de esgoto e lixo cria um ambiente favorável ao desenvolvimento de baratas, outros de areia ou de terra,
insetos e ratos, além do mau cheiro. A devastação de matas e florestas causa o causado por enchentes
assoreamento de rios, o que, por sua vez, altera as condições climáticas e destrói ou construções.
áreas de plantio.
E qual é a responsabilidade do ser humano em relação a tudo isso?
146 HISTÓRIA 7o ano 114
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
Observe as imagens.
2
1 Sergio Ranalli/Pulsar Imagens
Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens
Aérea de floresta desmatada para produzir lenha no Córrego e brejo assoreados por ação de erosão na área
Parque Indígena do Xingu. Querência, MT, 2011. rural de Manoel Viana, RS, 2008.
a) O que você vê nessas imagens e que se relaciona ao que estudou até o momento neste capítulo?
Alguns exemplos do modo como o ser humano vem interferindo na natureza.
b) Cite outros exemplos de interferências do ser humano na natureza que provocam problemas am-
bientais.
Queimadas, uso de venenos químicos, derrubada de florestas para criação de pastos, exploração de madeira ou de reservas minerais.
Sua vez...
Parte 1
Procure em jornais ou revistas imagens que mostrem problemas ambientais causados pela interferência
do ser humano na natureza.
Recorte e organize as imagens em um cartaz. Escreva uma legenda para cada uma delas, informando
lugar e data. Dê um título para o cartaz.
Sugestão: educador, você pode, juntamente com os alunos, construir um varal no
espaço que julgarem mais adequado na sala de aula, para expor os trabalhos.
Parte 2
Exponha o seu trabalho para a classe. Depois, converse com os colegas.
1. No lugar em que vocês vivem, ocorrem problemas ambientais? Quais? Resposta pessoal.
2. Para diminuir esses problemas ambientais, qual atitude está sendo tomada ou deveria ser tomada?
Resposta pessoal.
115 7o ano UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE 147
UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
Ampliando o tema 1. Educador, que tal debater sobre o que são considerados recursos naturais? Explique aos alunos que
são os recursos naturais os responsáveis pela sobrevivência e conforto da sociedade e que eles podem
ser tanto renováveis como a energia dos ventos e do sol, como não renováveis, tais como petróleo e
minério. Debata também sobre o papel da sociedade na preservação ou na destruição dos recursos
potencialmente renováveis, como a água e as reservas alimentares de origem animal ou vegetal.
Antes de ler o próximo texto, pense no meio em que você vive e responda:
1. Que recursos naturais você utiliza no seu dia a dia? Repostas possíveis: Alimentos, água, ar etc.
2. Quais são os recursos da natureza mais abundantes na região onde você mora? Resposta pessoal.
3. E quais são os recursos naturais mais escassos na região?
Resposta pessoal.
4. Para você, o que é consumir? Resposta possível: É o ato de comprar coisas.
5. Na sua opinião, você consome demais? Justifique. Resposta pessoal.
6. Observe as imagens.
Renato Soares/Pulsar Imagens
Tony Karumba/AFP PHOTO
Consumidora em banca de temperos no Mercado Fila de crianças esperando por alimento em um centro de
Municipal de Curitiba, PR, 2012. distribuição na capital, Mogadíscio. Somália, 2012.
a) Essas fotografias despertam algum sentimento especial em você? Qual? Por quê?
Resposta pessoal.
b) Para você, por que são produzidos tantos alimentos no planeta e tanta gente passa fome?
Educador, espera-se que o aluno perceba que isso acontece em países com má distribuição de renda.
Agora, vamos entender melhor a relação entre consumismo e meio ambiente ao longo da história, lendo o
texto a seguir.
Consumismo versus meio ambiente
Outra consequência da revolução agrícola foi o desenvolvimento da atividade comercial, um mercado de troca
de excedentes agrícolas surgido no Período Neolítico, ou seja, na Pré-História. Nascia o comércio e, depois, a moeda.
Desde então, o ser humano tem aperfeiçoado os meios de transporte e de exploração dos recursos naturais.
148 HISTÓRIA 7o ano 116
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
A exploração organizada e em larga escala dos recursos da Terra começou larga escala: em grande
no século XV, entre o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna europeia. quantidade.
As grandes viagens marítimas realizadas pelos europeus visando a exploração co-
mercial de outras regiões da Terra tinham como objetivo a acumulação de moedas
usando o trabalho humano.
A exploração comercial
• visava o aumento da quantidade da moeda no mercado por meio da exploração do ouro e da prata de
outros continentes;
• buscava o controle das regiões produtoras de bens para o comércio; por exemplo: açúcar, pimenta, noz-
-moscada etc.;
• estimulava o uso da moeda tanto nas trocas comerciais quanto nas relações de trabalho;
• empregava o trabalho escravo estimulado ou obrigatório nas regiões produtoras de produtos tropicais.
Os investimentos necessários para a exploração comercial de outras regiões da Terra só estiveram disponíveis
com o aparecimento do Estado Nacional em meados dos séculos XIII e XIV. França, Inglaterra e Portugal foram os
primeiros reinos a se organizar.
Eram características desses estados nacionais europeus naquele momento:
• a definição de fronteiras que estabeleciam os limites do território nacional;
• a centralização do poder nas mãos de um rei;
• a união das leis no território nacional;
• a unificação da moeda;
• a criação de um exército;
• a escolha de uma língua.
Os estados nacionais europeus arrecadavam impostos, reunindo dinheiro para a
construção de navios, para o desenvolvimento de tecnologias náuticas e para a for- náutico: referente à
mação de exércitos que garantissem o domínio das nações europeias sobre as regiões navegação marinha.
produtoras de riquezas na África, na Ásia e na América. O Estado Nacional se tornou
um grande parceiro e protetor dos grupos comerciais, permitindo a estes aumentar os seus ganhos.
Hoje, os representantes de governos nacionais e organizações internacionais são pressionados a controlar abusos
de empresas que colocam o lucro pessoal acima do bem-estar coletivo.
Passados cerca de quinhentos anos desde o início das grandes viagens marítimas, a obsessão pelo consumo
levou à exploração cada vez maior dos recursos naturais e a muitos gastos. Tudo isso tem um preço. Nunca a hu-
manidade esteve tão próxima de esgotar os recursos naturais não renováveis como os minerais, o petróleo etc.
O mercado estimula o consumo de uma minoria cada vez mais exigente, sem atender às necessidades básicas de
bilhões de pessoas.
Consumir, gastar e possuir. Quem não gosta? Além disso, são direitos. O cidadão precisa ter certo poder de
consumo para sentir-se como tal. Mas essa prática sem controle tem consequências e provoca um impacto negativo
no meio ambiente, como é o caso do aumento do lixo, e também aprofunda a desigualdade social.
Para calcular a desigualdade de distribuição de renda, em 1912, o italiano Corrado Gini criou uma medida co-
nhecida como coeficiente Gini.
117 7o ano UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE 149
UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
Veja no mapa-múndi o coeficiente Gini dos países do mundo.
COEFICIENTE GINI
180ºO 150ºO 120ºO 90ºO 60ºO 30ºO Meridiano de Greenwich0º30ºL60ºL 90ºL 120ºL 150ºL180ºL 90ºN
Mario YoshidaOCEANO GLACIAL ÁRTICO
Círculo Polar Ártico
60ºN
OCEANO 30ºN
ATLÂNTICO
Trópico de Câncer
OCEANO
PACÍFICO
Equador OCEANO 0º
PACÍFICO
OCEANO
ÍNDICO
Trópico de Capricórnio
30ºS
< 0,25 Círculo Polar Antártico N
0,25 - 0,29 60ºS
0,30 - 0,34 O L
0,35 - 0,39
0,40 - 0,44 90ºS S
0,45 - 0,49
0,50 - 0,54
0,55 - 0,59
> 0,60
não possui
dados precisos
0 2493 4986
km
Quanto mais próximo o coeficiente Gini está de 1,00 mais desigual é o país; quanto mais próximo de 0, menos desigual.
Fonte:DCaoedfiocisencteoGleINtIa(dWoorsldeCnIAtrReepoorst)a, 2n0o09s.de 1995 e 2008.
Fonte de referência: Coeficiente GINI (World CIA Report), 2009..
Observando o mapa, pode-se perceber que o acesso às riquezas produzidas está longe do alcance de grande
parte da população mundial.
Por outro lado, verifica-se que, para funcionarem, o mercado mundial, a indústria, o comércio e as finanças
precisam produzir, vender e transferir moedas de um país para outro. Para isso, é preciso incentivar cada vez mais
a compra por parte daqueles que podem consumir. Dessa forma, tudo se torna ultrapassado rapidamente. Você
mesmo deve observar quantos objetos são jogados fora ou desperdiçados. Olhe a lixeira de sua casa: quantas
coisas aparentemente inúteis são jogadas fora. Pense: tudo o que está lá foi tirado da natureza ou feito com re-
cursos da natureza. Pela pressa do ser humano para ter cada vez mais, o meio ambiente e a vida vêm sendo cada
vez mais desrespeitados.
Revelando o que aprendeu
1. O que foi a atividade comercial na Pré-História?
Um mercado de troca dos excedentes agrícolas.
150 HISTÓRIA 7o ano 118
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
2. Quais os objetivos das grandes viagens marítimas realizadas no século XV pelos europeus?
Exploração comercial de outras regiões da Terra, acumulação de moedas usando o trabalho humano.
3. Cite duas características dos estados nacionais europeus na época.
A definição de fronteiras que estabeleciam os limites do território nacional, a centralização do poder nas mãos de um rei, entre outras.
4. A obsessão pelo consumo trouxe várias consequências negativas para o meio ambiente. Cite uma.
Exploração cada vez maior dos recursos naturais.
5. O que é necessário para que a indústria, o comércio e as finanças funcionem?
É preciso produzir, vender e transferir moedas de um país para outro. Para isso, é necessário incentivar cada vez mais a compra por
parte daqueles que podem consumir.
6. Qual a relação entre consumismo e meio ambiente?
Pela pressa do ser humano em ter cada vez mais, o meio ambiente vem sendo cada vez mais desrespeitado.
7. Segundo o coeficiente Gini, qual é o índice do Brasil no quadro de distribuição de renda?
Ele se encontra entre os índices 0,55 e 0,59
Educador, no Manual específico há um texto complementar para este capítulo, bem como orientação de atividades para trabalho com ele.
119 7o ano UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE 151
CAPÍTULO 2 UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
Natureza: a busca pelo equilíbrio
Educador, veja encaminhamento para trabalhar este capítulo no Manual específico.
Pra começo de conversa
Pátria não é a natureza, não é o território. É o homem. Se o homem é pequeno, ela é insignificante;
se o homem é grande, ela é grandiosa.
Viriato Correia. Cazuza. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2004.
Observe as imagens. 2
1
Daniel Cymbalista/Pulsar Imagens
Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
Luciana Whitaker/Pulsar Imagens
3 Educador, veja o Manual específico.
a) Qual semelhança você percebe entre as imagens?
As três mostram acúmulo de lixo.
b) Que diferenças você observa entre elas?
Na fotografia 1, o lixo aparece descartado; na 2, uma pessoa
c) Orecqoulhee oeslixsoa; nsae3q,uoêlinxociaapadreeceimcoamgpeacntasdroeeveemlap?ilhado.
As pessoas produzem muito lixo, mas têm a capacidade de orga-
nizá-lo e reciclá-lo. Educador, é importante deixar que os alunos
expressem livremente suas impressões a respeito daquilo que
observam nas imagens.
Desvendando o tema Educador, peça aos alunos que criem um banco de palavras, por meio de pesquisa em dicioná-
rios, enciclopédias, e registrem o que descobrirem no caderno.
Desde a Pré-História, o ser humano tem aproveitado os recursos naturais à sua disposição. Além dos objetos
resistentes que encontrou – como ossos, madeira e pedra –, talvez o fogo tenha sido o elemento mais útil que
descobriu. O mesmo fogo que usamos em nosso dia a dia, seja para cozinhar algum alimento, aquecer a casa ou,
simplesmente, o que observamos em uma fogueira na noite de São João. O fogo que Prometeu – herói da mito-
logia grega – roubou dos deuses para dar aos homens.
152 HISTÓRIA 7o ano 120
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
De acordo com arqueólogos, antropólogos e historiadores, nossos ancestrais conheceram o fogo observando a
natureza. Aprenderam a fazê-lo produzindo faíscas ao bater duas pedras ou gerando calor ao friccionar duas varetas
de madeira.
Não é à toa que o fogo existe desde os primórdios da espécie humana. Ficou conhecido pelos antigos ances-
trais dos seres humanos por aquecer as noites frias, além de iluminar e espantar os animais selvagens. Mas se o ser
humano não possuía dados científicos à sua disposição, também não deixava de buscar explicações para o mundo
em que vivia. Na tentativa de explicar as origens de um ser, fenômeno, costume ou de se autoexplicar, criou mitos.
Leia o mito a seguir, que conta como os seres humano tiveram acesso ao fogo.
Prometeu
Prometeu era filho de Jápeto e Clímene. Pertencia à estirpe dos Titãs, descendentes de
Urano e Gaia, que eram inimigos dos deuses do Olimpo. Foi Prometeu que, usando o limo da
terra, modelou o corpo do primeiro homem, que deu origem a outros homens. Os primeiros
homens só se alimentavam de frutas e carne crua. Dormiam em grutas profundas, onde não
havia luz nem calor. Prometeu resolveu então dar o fogo aos homens. Para isso, roubou uma
centelha de fogo que fundia os metais de Hefestos e ofereceu-a a eles. Desde então, os ho-
mens passaram a viver melhor, a comer alimentos cozidos, a ter luz e calor. Mas esqueceram
seus deveres para com os deuses. Zeus resolveu então castigar Prometeu, pois era por culpa
dele que isso tinha acontecido. Mandou Hefestos acorrentá-lo a um penhasco. Todos os dias,
uma águia ia comer o fígado de Prometeu, que se reconstituía. Ao fim de algum tempo, Zeus
perdoou Prometeu e mandou libertá-lo. Na Grécia, sobretudo em Atenas, havia altares de
culto a Prometeu. Nas festas chamadas lampadófonas – festas das lâmpadas –, cultuava-se
Prometeu, Hefestos e Atena, a qual tinha ensinado os homens a fazer óleo de oliva.
Compare a versão do mito e a dos estudiosos sobre o surgimento do fogo, respondendo às questões a
seguir.
a) O que há em comum entre as duas versões?
Ambas tentam explicar como surgiu o fogo.
b) O que existe de diferente entre as duas versões?
De acordo com os cientistas, o fogo foi descoberto pelos nossos ancestrais, ao observarem a natureza; já de acordo com a mito-
logia grega, Prometeu roubou o fogo dos deuses para dá-lo aos homens. Educador, debata com seus alunos sobre as diferenças
entre as explicações mitológicas e as conclusões historiográficas. Enquanto as conclusões historiográficas se baseiam em fontes
históricas, bem como na observação das comunidades primitivas sobreviventes nos dias atuais, para fazer inferências sobre o
processo de desenvolvimento tecnológico dos povos que viveram no passado, os mitos procuram explicar a realidade, ou os fenô-
menos naturais, a partir da intervenção de forças sobrenaturais ou sobre-humanas.
c) Por que hoje não precisamos mais utilizar os métodos do homem pré-histórico?
Porque, com os avanços tecnológicos, o fogo passou a ser produzido de outras maneiras. É o que ocorre com o fogão a gás,
por exemplo.
121 7o ano UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE 153
UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
Desenvolvimento de novos equipamentos e tecnologias
Desde que aprenderam a plantar, os homens passaram a ter mais tempo para desenvolver novos equipamentos
e tecnologias. O fogo contribuiu muito para isso. Os fornos permitiram criar a cerâmica, forjar ferramentas e armas de
metal. Em consequência, a emissão de gases na atmosfera aumentou. Também contribuíram para isso as queimadas
provocadas intencionalmente pelos agricultores para limpar o solo e prepará-lo para novo plantio.
A queimada pode ser técnica barata e antiga e permite a reutilização rápida do solo, mas polui, diminui a ca-
pacidade produtiva da terra e destrói vidas, até mesmo a dos organismos que colaboram para o desenvolvimento
das plantas.
E no Brasil?
A agricultura teve início em nossas terras antes da chegada dos portugueses em 1500.
Os primeiros habitantes de nosso país praticavam uma agricultura de subsistência: plantavam mandioca para
complementar uma alimentação baseada na coleta de frutos e raízes e caçavam pequenos animais.
Na região da Mata Atlântica, as evidências de coletores/caçadores agricultura de subsistência: plantio de
datam de cerca de 11 mil anos. Ainda hoje se discute se os grandes produtos necessários para sustentar a vida.
mamíferos que existiram nessa região foram extintos por esses ca-
çadores humanos ou devido às mudanças climáticas.
É possível que esses povos caçadores praticassem queimadas periódicas, transformando florestas em um ter-
reno de caça.
O conhecimento das plantas pelos povos pré-agrícolas possibilitou a passagem da coleta de produtos vegetais
Educador, as florestas tropicais não ofereciam condições ideais para a caça devido à sua densidade e difícil penetração,
para o plantio e o cultivo. por isso era prática comum entre as populações indígenas do Brasil derrubar a mata com queimadas, facilitando assim
o aparecimento de campos desmatados nos quais os animais estariam desprotegidos. Posteriormente, com o desenvolvimento das práticas agrícolas, as
queimadas passaram a servir para limpar o solo preparando-o para o cultivo, prática conhecida como coivara.
A adoção da agricultura transformou radicalmente a
relação dos homens com a floresta. […] Desde o começo, a
agricultura na região da Mata Atlântica exigiu o sacrifício
da floresta.
Warren Dean. A ferro e fogo: a história
e a devastação da Mata Atlântica brasileira.
São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 44.
A agricultura praticada durante mil anos pelos povos indígenas colaborou para que o espaço das florestas fosse
reduzido, mas nada se compara ao que estava por acontecer com a chegada dos europeus em nosso território.
Um dos primeiros atos dos marinheiros portugueses que,
a 22 de abril de 1500, alcançaram a costa sobrecarregada
de floresta do continente sul-americano […] foi derrubar
uma árvore. Do tronco desse sacrifício ao machado de aço,
confeccionaram uma cruz rústica – para eles, o símbolo de
salvação da humanidade.
Warren Dean. A ferro e fogo: a história e a devastação da Mata
Atlântica brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 59.
154 HISTÓRIA 7o ano 122
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
1. Copie do texto o trecho que fala sobre o início da devastação de nossas florestas pelos marinheiros
portugueses.
“Um dos primeiros atos dos marinheiros portugueses […] foi derrubar uma árvore […] confeccionaram uma cruz”.
2. O texto menciona a chegada dos navegadores portugueses ao Brasil. Escreva um pequeno texto con-
tando o que você sabe a respeito do que aconteceu em 22 de abril de 1500.
Educador, esta atividade possibilita resgatar conhecimentos que os alunos já têm. A intenção é que escrevam livremente. Após a
escrita do texto, alguns alunos poderão ler o que escreveram para a classe.
História do Brasil Educador, veja orientação no Manual específico.
Somente após a chegada dos europeus é que teve início a exploração das riquezas nas terras brasileiras para
fins comerciais.
Identifique, na linha do tempo a seguir, o momento da história da humanidade em que se insere a história do
Brasil.
HISTÓRIA DA HUMANIDADE
Brasil
± 150.000 ± 3.000 anos 476 1 453 1 789 Hoje
anos
Idade Idade Idade Idade
Pré-História Antiga Média Moderna Contemporânea
123 7o ano UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE 155
UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
Vejamos, com mais detalhes, como está dividida a história do Brasil.
DIVISÃO DA HISTÓRIA DO BRASIL EM PERÍODOS
Pré-colonial Colonial Império República
1500 1531 1822 1889 Hoje
Os primeiros nestas terras
Agora, leia com atenção este trecho da carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da esquadra de Pedro Álvares
Cabral.
Eles não lavram, nem criam. Nem há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem
outra nenhuma alimária que seja costumada ao viver dos homens, nem comem senão desse inhame – que
aqui há muito –, e dessa semente e frutos que a terra e as árvores lançam de si. E com isso andam tais, tão
rijos e tão nédios que não o somos nós tanto, conquanto comamos trigo e legumes. […]
Esta terra, senhor, me parece que – da ponta que vimos, mais para o sul, até a outra ponta que
vem do norte, de que nós houvemos vista deste porto – será tamanha que haverá nela bem 20 ou 25
léguas de costa. Traz ao longo do mar, em algumas partes, grandes barreiras, [algumas] delas verme-
lhas e [algumas] delas brancas. A terra por cima [é] toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De
ponta a ponta é toda praia palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, [vista] do mar,
muito grande, porque a estender os olhos não podíamos ver senão terra e arvoredos, que nos parecia
mui longa terra. […]
Não pudemos saber até agora que nela haja ouro, nem prata, nem nenhuma chã: plana.
coisa de metal, nem de ferro, nem lho vimos. Porém, a terra em si é de mui- lavrar: plantar; cultivar.
to bons ares, frios e temperados, como os de Entre Douro e Minho, porque, légua: antiga unidade
neste tempo de agora, assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas, de medida equivalente
infindas. E de tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la, dar-se-á nela a 6.600 metros.
tudo, por bem das águas que tem. […] nédio: de pele lustrosa.
temperado: moderado;
Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, 1º dia suave; agradável.
de maio de 1500.
Janaína Amado e Luiz Carlos Figueiredo. Brasil 1500: quarenta documentos. Brasília: UnB, São
Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2001. Disponível em: <http://www.educacaopublica.
rj.gov.br/biblioteca/historia/0015.html>.
Acesso em: 13 fev. 2013.
1. Segundo Caminha, do que se alimentavam os indígenas? 7o ano 124
De inhame, sementes e frutos.
156 HISTÓRIA
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
2. A qual conclusão o autor da carta chegou, na época, a respeito das terras que mais tarde viriam a compor
nosso país? Justifique sua resposta com um trecho do texto.
“Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo […]”
3. Você notou que Pero Vaz de Caminha escrevia de forma diferente da nossa? Por quê?
Sim, porque a linguagem da carta era a que se usava na época em Portugal.
4. Na sua opinião, o que mais chamou a atenção de Pero Vaz de Caminha?
A riqueza natural da terra, o modo de vida e a alimentação dos indígenas..
Aprofundando o tema
Invasão e destruição
A exploração do pau-brasil deu início a uma devastação ambiental que continua a acontecer. Com a produção de
açúcar no Nordeste brasileiro, iniciada no período colonial, e, mais recentemente, com a exploração de mogno e minério
no Norte do país, aliada à prática da pecuária em larga escala na região Centro-Oeste, a mata nativa foi sendo elimina-
da, transformando o clima nessas regiões e aumentando os conflitos pela posse das reservas naturais remanescentes.
Os europeus que chegaram aqui em 1500 não estavam simplesmente migrando. Eles mantinham contato com
o Velho Mundo, a Europa. Trouxeram espécies de plantas e animais que logo se espalharam pelo novo continente.
As plantações foram realizadas em campos em que foi praticada a queimada. Utilizaram-se as mesmas técnicas dos
tupis. Aliás, as duas primeiras gerações de invasores portugueses dependiam do conhecimento que os indígenas
possuíam sobre a terra.
Com a introdução de ferramentas, a derrubada de árvores e as queimadas passaram a ser feitas com maior veloci-
dade. No final do século XVII, a destruição da Mata Atlântica intensificou-se. Além da cana-de-açúcar, a introdução de
galinhas, cabras, porcos e principalmente vacas colaborou para que a ocupação no interior do território aumentasse.
Ao longo da costa de Recife, de Salvador, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, a produção açucareira era a única
atividade econômica de grande valor. Como essas plantações ocupavam sempre novas áreas, devido ao esgotamento
do solo, provocado pela prática das queimadas, após 150 anos de exploração comercial, em 1700, os campos de cana
já tinham eliminado cerca de 1.000 km2 de Mata Atlântica.
Por sua vez, a grande descoberta de ouro e diamantes no Brasil, no século XVIII, fez aumentar a população da
região de Minas Gerais, retirando 4.000 km2 de Mata Atlântica da região. Em 1800, cerca de 1.800.000 pessoas mo-
ravam na região e, no final do século XIX, essa ocupação cresceu seis vezes.
•A mineração contribuiu para a destruição da Mata Atlântica porque mogno: árvore cuja madeira é
provocou o acúmulo de detritos (cascalho) no fundo dos rios, tornando utilizada para fabricar mobiliário.
suas águas lamacentas;
• as terras eram revolvidas e no lugar de florestas surgiam áreas alagadas;
125 7o ano UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE 157
UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
• a retirada da vegetação das encostas provocou erosão de camadas de terra;
• a erosão provocou o assoreamento de leitos de riachos, causando enchentes que persistem até hoje;
Já afirmou alguém, com muita razão, que o cultivo da João Prudente/Pulsar Imagens
cana-de-açúcar se processa em regime de autofagia: a cana
devorando tudo em torno de si, engolindo terras e mais ter- Plantação de cana-de-açúcar às margens da represa
ras, dissolvendo o húmus do solo, aniquilando as pequenas do Rio Piracicaba. Anhembi, SP, 2010.
culturas indefesas e o próprio capital humano, do qual a
sua cultura tira toda a vida. E é a pura verdade... Donde a
caracterização inconfundível das diferentes áreas geográ-
ficas açucareiras, com seu ciclo econômico, com as fases de
rápida ascensão, de esplendor transitório e de irremediável
decadência. Ciclo este que se processa tanto mais rapida-
mente quanto menores os recursos de terras disponíveis.
Daí a semelhança de aspectos entre áreas diferentes como
o Haiti, Cuba, Porto Rico, Java e o Nordeste brasileiro.
Josué de Castro. Geografia da fome: pão ou aço.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
Hoje o modelo agroexportador ainda é responsável agroexportador: que realiza agricultura voltada
por boa parte da nossa produção agrícola. É o chamado para a exportação.
agronegócio. agronegócio: agricultura voltada para o mercado
interno e externo.
Mais do que a agricultura, hoje a pecuária e a extra- assoreamento: o acúmulo de sedimentos por
ção de minérios e de madeira causam os maiores danos depósito de terra, argila etc.
à natureza. autofagia: ato de autoconsumir-se, autodevorar-se.
erosão: desgaste do solo provocado por água
Revelando o que aprendeu corrente, chuva, vento etc.
1. A exploração do pau-brasil trouxe consequências à natureza. Qual foi a principal?
A exploração do pau-brasil deu início a uma devastação da Mata Atlântica que continua a acontecer.
2. Para que os conhecimentos dos indígenas eram necessários para os portugueses?
As duas primeiras gerações de invasores portugueses dependiam do conhecimento que os indígenas possuíam sobre a terra para
sua exploração.
3. O que deu início à devastação da Mata Atlântica no século XVII?
O cultivo da cana-de-açúcar.
4. Formule uma conclusão sobre o texto “Invasão e destruição”. Escreva-a no caderno. Resposta pessoal.
5. Releia o texto de Josué de Castro e escreva de que maneira a cana-de-açúcar provoca a devastação do
meio ambiente. Ocupando grandes extensões, retirando o húmus da terra.
158 HISTÓRIA 7o ano 126
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
TRABALHANDO COM TEXTO
Leia a reportagem a seguir. Sugestão: educador, localize com os alunos os esta-
dos brasileiros no mapa.
Mata Atlântica possui apenas 12%
de sua área original preservada, aponta IBGE
De 1,8 milhão de km², restaram apenas 149,7 mil km².
Estudo também revela desmatamento em outros biomas brasileiros
Da Redação DISTRIBUIÇÃO DA MATA ATLÂNTICA Mario Yoshida
A pesquisa Indicadores de Desen- Equador
volvimento Sustentável 2012 aponta
que apenas 12% da área original da
Mata Atlântica está preservada. O re-
sultado saiu dois dias antes da reunião
da cúpula da Rio+20, que reunirá mais
de cem chefes de Estado. O estudo
foi feito pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).
Dos 1,8 milhão de km² da área Trópico de Capricórnio N
original de Mata Atlântica do país,
restaram apenas 149,7 mil km², re- Mata Atlântica – séc. XVI OL
gistrando, até o ano de 2010, um Mata Atlântica – séc. XXI
desmatamento de 88% do bioma, que é Limites dos estados atuais S
a área com maior número de espécies 0 620 1240
extintas ou ameaçadas de extinção
(260). Ao todo, são 9 espécies extintas, km
122 criticamente em perigo, 166 em
perigo e 330 vulneráveis. O mapa mostra a área de Mata Atlântica que foi desmatada desde a
chegada dos portugueses ao país.
O estudo também apontou o re- Fonte de referência: Dossiê Mata Atlântica, Fundação SOS Mata Atlântica.
gistro de desmatamento nos demais
biomas brasileiros. O segundo mais
devastado é o Pampa, que até 2009
perdeu 54% de sua área original.
Em seguida vem o Cerrado, com
desmatamento de 49,1%, a Caatinga
(45,6%) e o Pantanal (15%).
Foi a primeira vez que o IBGE traçou o desmatamento nos de- bioma: conjunto de populações
mais biomas do país, além da Floresta Amazônica, que possui um de organismos vivos que interagem
monitoramento mais específico e mais antigo. Segundo o instituto, entre si e com o meio ambiente.
o desmatamento dos biomas, além de causar danos ao solo, também
atinge os recursos hídricos, fauna, flora e ainda aumenta o nível
das emissões de gás carbônico na atmosfera.
Disponível em: <http://www.bocainaonline.com.br>.
Acesso em: 8 set. 2012.
127 7o ano UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE 159
UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
Por dentro do texto
1. Escreva o nome da região onde você vive. Resposta pessoal.
2. Observe novamente o mapa da Distribuição da Mata Atlântica e responda:
a) Em 1500, havia Mata Atlântica no estado em que você vive? Resposta pessoal.
b) Ainda existe Mata Atlântica em seu estado? Resposta pessoal.
c) Você já ouviu falar de algum projeto para preservar a Mata Atlântica? Do que se trata?
Resposta pessoal.
Responda no caderno.
3. O que revela a pesquisa Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2012 sobre a Mata Atlântica?
Apenas 12% da área original da Mata Atlântica está preservada.
4. O que a pesquisa revela sobre outros biomas?
Revela que outros biomas também foram devastados, como os Pampas, o Cerrado, a Caatinga e o Pantanal.
5. Segundo o texto, quais são as consequências da destruição desses biomas?
A destruição do solo atinge os recursos hídricos, a fauna e a flora, além de aumentar o nível das emissões de gás carbônico na atmosfera.
Política ambiental
Você acha possível uma solução para os problemas ambientais? Leia o texto a seguir e conheça uma lei sancio-
nada pelo governo em busca de uma solução para esses problemas.
Capítulo I – Da Educação Ambiental Educador, localize
a América Latina
Artigo 1o – Entendem-se por educação ambiental os processos por meio num mapa-múndi
dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conheci- com os alunos. Ela
mentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação é formada pelo Mé-
do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade xico, por países da
de vida e sua sustentabilidade. América Central e
da América do Sul.
Art. 2o – A educação ambiental é um componente essencial e perma- Todos tiveram colo-
nente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, nização espanhola
em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal ou portuguesa.
e não formal.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9795.htm>. Acesso em: fev. 2013.
Um momento importante da luta pela preservação do meio ambiente foi a Conferência da ONU
para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, com a participação
de representantes de 170 países. A Rio 92 tinha como objetivos principais:
• examinar a situação global;
• recomendar medidas de proteção ambiental;
• identificar estratégias para promover o desenvolvimento sustentável.
160 HISTÓRIA 7o ano 128
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
A Rio 92 alcançou os seguintes resultados:
• propôs e articulou tratados, acordos e convenções;
• mobilizou a sociedade em torno do tema ambiental;
• apresentou à sociedade a Agenda 21.
Agenda 21 brasileira
A Agenda 21 vem se constituindo em um instrumento de fundamental importância na construção dessa
nova ecocidadania, num processo social no qual os atores vão pactuando paulatinamente novos consensos
e montando uma Agenda possível rumo ao futuro que se deseja sustentável.
Gilney Viana, secretário de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável do Governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Disponível em: <http://portaldomeioambiente.org.br/index.php?option=com_content&view=
category&layout=blog&id=951&Itemid=151&limitstart=5>. Acesso em: 4 mai. 2013.
A Agenda 21 brasileira é um processo e um instrumento de planejamento participativo para o desenvolvimento
sustentável. Trata de conservação ambiental, justiça social e crescimento
econômico. O documento é resultado de uma vasta consulta à população ecocidadania: cidadania que inclui
respeito pelo meio ambiente.
brasileira e foi elaborado a partir das diretrizes da Agenda 21 global. Trata-se, paulatinamente: pouco a pouco,
portanto, de um instrumento fundamental para a construção da democracia passo a passo.
ativa e da cidadania participativa no país. Em resumo, são estes os principais
desafios do Programa Agenda 21:
• considerar as condições sociais e econômicas das populações;
• promover a conservação dos recursos naturais, sem excluir a utilização deles;
• fortalecer a cooperação dentro da comunidade;
• desenvolver as ações propostas.
Vinte anos depois da Rio-92, ONGs, representantes da sociedade civil e de Estados voltaram a se reunir na Rio+20
para debater o futuro do planeta e os desafios de garantir o crescimento econômico sustentável, a justiça social e
a conservação ambiental. O resultado foi o documento “O futuro que queremos”, considerado um fracasso pelos
ambientalistas, por acharem-no pouco ambicioso.
Por dentro do texto Jorge Araújo/Folhapress
Observe a fotografia.
Manifestações de ONGs UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE 161
contra o uso de combustíveis
fósseis, durante a Rio+20, na
praia de Copacabana. Rio de
Janeiro, RJ, 2012.
129 7o ano
UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
1. Qual foi o motivo da manifestação na praia de Copacabana? O uso de combustíveis fósseis.
2. O que a imagem na faixa colocada na areia da praia reproduz?
Uma nota de dólar, moeda norte-americana.
3. Por que os textos escritos na faixa estão em inglês?
Educador, mostre aos seus alunos que a Rio+20 foi um evento de repercussão internacional, do qual participaram pessoas de todas as
partes do mundo, e que o inglês é a língua mais utilizada na comunicação entre as nações.
4. A partir do texto “Política ambiental”, troque ideias com seus colegas sobre a possibilidade de um de-
senvolvimento sustentável no Brasil. Depois, escreva as conclusões a que vocês chegaram.
Resposta pessoal.
Revelando o que aprendeu
1. Cite uma das consequências para o ambiente do modelo de exploração iniciado pelos colonizadores
portugueses no Brasil.
A destruição da Mata Atlântica.
2. Cite uma vantagem da invenção do fogo.
Passou a servir para aquecer os alimentos, proteger os nossos ancestrais de ataques de animais selvagens, permitiu a criação
da cerâmica etc.
3. Cite uma situação em que o fogo é mal utilizado.
As queimadas para preparar o solo na agricultura.
4. Escreva um exemplo em que o mau uso da terra pode causar danos ao meio ambiente.
A derrubada de árvores faz com que as enxurradas provocadas pelas chuvas retirem os nutrientes do solo, tornando-o estéril
para o plantio e provocando a erosão.
5. Na sua opinião, é possível o desenvolvimento do Brasil caminhar junto com a preservação da natureza?
Justifique.
Resposta possível: Sim, desde que as pessoas tomem consciência da importância da preservação da natureza para a sobrevi-
vência humana, adotando, por exemplo, o hábito da reciclagem.
162 HISTÓRIA 7o ano 130
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
6. Por que a Rio+20 foi considerada um fracasso pelos ambientalistas?
Por ser considerada pouco ambiciosa.
E eu com isso? Veja o Manual específico.
Leia o texto a seguir.
Invasão de sacolas...
[…] estabelecimentos: supermercados (a maioria), lojas de
roupas, bancas de jornal e uma infinidade de outros.
Hoje cheguei em casa do supermercado e me
deparei com uma crise. Desempacotei minhas par- Reprodução: Até onde pude observar, as sacolas não
cas compras (parcas pela falta de financiamento se reproduzem. Mas eu não ponho minha mão no fogo.
do BNDES e do Banco Mundial) e descobri que não
tinha onde guardá-las. Morte: As sacolas partem do ambiente doméstico
carregando lixo para o além.
O meu armário de mantimentos estava cheio
de sacolas. Aí está! Simples! Agora basta fazer um rápido
levantamento populacional estatístico simples e
Como é possível? De onde vieram tantas sacolas? está tudo resolvido.
Desisto do armário e tento o gabinete embaixo Nascimento:
da pia.
Supermercado: vinte e quatro sacolas por mês
Ao abri-lo uma enxurrada de sacolas inundou (seis por semana).
o chão da cozinha (mais ou menos igual ao córrego
Aricanduva quando chove). Lojas de roupas e afins: duas por mês.
Fiquei imaginando que o corpo de bombeiros Livraria/papelaria: duas por mês.
poderia aparecer a qualquer momento para me
resgatar. Bancas de jornal: oito por mês (duas por semana).
Como ninguém apareceu, dei um jeito de empur- Farmácia: duas por mês.
rar as sacolas de volta para o gabinete e fechá-lo.
Morte:
E agora?
Lixo: doze por mês (três por semana).
As compras ficaram em cima da pia, enquanto eu
voltei para o armário de mantimentos para analisar Saldo: vinte e seis por mês.
a situação (a essa altura ele parecia menos ameaça-
dor). Achei que talvez alguém tivesse transportado Vinte e seis sacolas por mês! Isto dá no mínimo
sacolas ilegalmente para minha casa, mas todas as trezentas sacolas novas por ano! Que absurdo!
sacolas pareciam razoavelmente conhecidas. Isto
descartou a possibilidade de interferência externa. Por que ninguém faz nada a respeito?
Para solucionar o problema devemos entendê-lo. Como se não bastasse a crise no Iraque, a
Assim, tracei o ciclo de vida da sacola plástica no escassez de água potável e a gangue do motoboy
ambiente doméstico. amarelo, agora mais essa...
Nascimento: As sacolas plásticas são trazidas Não posso jogar as sacolas fora, elas são de
para casa contendo compras oriundas de diversos plástico, isto não seria ecológico...
Talvez eu deva consu- oriundo: originário.
mir menos... Basta aprender
a fazer fotossíntese, assim
não preciso mais comprar
131 7o ano UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE 163
UNIDADE 1 • MEIO AMBIENTE
alimentos. Se eu parar de limpar a casa e tomar banho Sim! Material não descartável e totalmente ali-
talvez ajude também. Pode ser que funcione. Ou não. nhado com a cultura popular brasileira. Agora sim!
Hmmmmmm... Isto acaba com a ameaça da superpopulação das
sacolas de plástico. As que permanecerem poderão
Que tal se inventássemos a sacola de compras ser usadas para transporte de lixo tranquilamente.
comestível?
Fim da crise. Divulgue a ideia e me indique
Isto resolveria o problema da proliferação das para o Nobel da Paz do ano que vem (afinal, se até
sacolas e também o da fome mundial! o Bush pode...).
Nada como uma solução simples, não é mesmo? “Diga não às sacolas de plástico!”
Ou talvez não seja tão simples. Renato M. Lellis. Disponível em: <http://www.meiotom.art.
br/lellis5cr.htm>. Acesso em: fev. 2013.
Talvez a solução seja abolir o uso das sacolas
de plástico. Devemos voltar aos valores de outrora:
o carrinho de feira e a sacola de lona!
1. Qual seria o material descartável que você escolheria para substituir as sacolas de plástico?
Resposta pessoal.
2. Visite quatro estabelecimentos comerciais diferentes. Anote o número de sacolas que você conseguir
contar usadas pelas pessoas que fazem compras nesses estabelecimentos.
Resposta pessoal.
3. Em algum dos estabelecimentos havia outra opção para carregar as compras?
Resposta pessoal.
4. Para concluir, que tal apresentar soluções para o problema do lixo?
Educador, aproveite este momento para trabalhar a expressão oral. Incentive os alunos a expor suas ideias para os colegas, conside-
rando tudo o que aprenderam nesta unidade.
Vamos compartilhar?
Siga as orientações de seu educador e tenha a oportunidade de compartilhar com muitas pessoas,
por meio de uma assembleia ou uma exposição interativa, o que aprendeu de mais significativo nesta
unidade.
Educador, veja orientações no Manual geral.
1A6T4 HISTÓRIA 7o ano 132
CAPÍTULO 3 UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
Saúde e bem-estar 042 CONTEÚDO
DIGITAL
Educador, veja encaminhamento para trabalhar este capítulo no Manual específico.
Pra começo de conversa
1. Na sua opinião, o que é saúde? Resposta possível: É ter o corpo, a mente, o ambiente e a sociedade saudáveis.
2. Você se vê como uma pessoa saudável? Por quê? Resposta pessoal.
3. Para você, uma pessoa saudável pode ter um corpo sadio e uma mente doente? Justifique.
Resposta pessoal.
4. De que modo a poluição afeta a saúde?
Provoca doenças respiratórias e outras.
5. Nas sociedades em que prevalecem a competição, a miséria, a solidão, a falta de respeito, o desemprego,
as drogas e a violência, as pessoas podem ter boa saúde? Por quê?
Resposta possível: Podem, mas com dificuldade, porque a saúde precisa estar também na sociedade da qual fazemos parte.
6. Observe as fotografias.
12
Ale Ruaro/Pulsar Imagens
João Prudente/Pulsar Imagens
Palafitas construídas em igarapé na Conjunto residencial na periferia da cidade de
região de Altamira, PA, 2011. Arapiraca, AL, 2012.
a) Quais são as diferenças entre as casas mostradas nas fotografias 1 e 2?
Na fotografia 1, há um conjunto de casas deterioradas e na fotografia 2, aparece um conjunto de casas novas e organizadas no espaço.
b) O lugar em que você vive se parece com algum dos lugares mostrados nas fotografias? Qual?
Resposta pessoal.
c) Se não se parece, como é o lugar onde você vive?
Resposta pessoal.
d) Para você, qual das duas fotografias mostra um lugar onde existem boas condições de moradia e saúde?
Por quê?
A fotografia 2, porque provavelmente no lugar retratado existe sanea-
mento básico.
e) Você conhece o termo “qualidade de vida”? O que você sabe a respeito do assunto?
Resposta pessoal. Educador, veja o Manual específico.
f) Ouça a explicação do seu educador sobre qualidade de vida. Anote no caderno o que considerar
mais importante. Resposta pessoal.
133 7o ano UNIDADUENI1DA•DME E2IO•ASMABÚIDENE TEEQUALIDADE DE VIDA 1A6T5
UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
7. Observe as imagens. 2 3
Ablestock
1 Thiago Araújo/Folhapress
Ryan McVay/Digital Vision
a) Há algo em comum entre essas imagens? O quê? Resposta pessoal. Reprodução
b) Para qual ou quais dessas imagens você daria o título: “Boa qualidade de vida”? Por quê?
Resposta pessoal.
c) Qualidade de vida e saúde significam a mesma coisa? Justifique a sua resposta.
Resposta pessoal. a) Educador, todas as imagens estão ligadas à saúde e à qualidade de vida, o hambúrguer é hoje um símbolo
da obesidade e tornou-se um problema não apenas de saúde pessoal, mas também de saúde pública; a ima-
gem no 2 está relacionada às condições materiais, sobretudo sanitárias, que interferem no desenvolvimento
sadio do organismo humano a imagem no 3 retrata uma família em que claramente há harmonia e afetividade,
itens importantes para uma boa qualidade de vida.
Desvendando o tema
Será que sempre foi dada à saúde e à qualidade de vida a mesma importância de hoje? E o poder público, será
que sempre se preocupou com a saúde do povo?
Troque ideias com seus colegas a respeito dessas questões. Depois, leia o texto a seguir.
Saúde não é apenas a ausência de doença.
Ela corresponde ao bem-estar humano nas ver-
tentes física, psíquica e social, tal como consta
na definição mais conhecida, proposta pela
Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ao lado, você pode observar a bandeira da
OMS, agência especializada em saúde, fundada
em 7 de abril de 1948 e dependente da Organi-
zação das Nações Unidas (ONU). Sua sede fica
em Genebra, na Suíça.
Durante muito tempo, o direito à vida e à saúde foi visto como um problema particular e, em geral, não
havia a intervenção do Estado (somente com o Código romano, o Estado passou a interferir diretamente na
vida privada). Foi uma época em que a vida e a forma como ela era vivida dependiam mais das regras morais
e religiosas do que da interferência de um poder central.
Dessa forma, os problemas de saúde e os modos de tratar os membros da família eram privados. Não
existia a preocupação com o direito individual ou coletivo ao bem-estar físico e mental, como na época atual.
Os membros da família estavam sujeitos às regras rígidas passadas de pais para filhos e aplicadas pelo chefe,
geralmente um homem.
166 HISTÓRIA 7o ano 134
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
Revelando o que aprendeu Veja o Manual específico.
Expresse a sua opinião sobre:
a) o direito à vida; Resposta pessoal.
b) o direito privado; Resposta pessoal.
c) o direito coletivo. Educador, este é um bom momento para debater os limites do direito privado e do direito público no
que diz respeito à qualidade de vida.
Antiguidade e poder público
O que é poder?
Pode significar a capacidade de realizar algo, ter força ou autoridade, ter influência, possuir, conseguir etc.
Existem vários tipos de poder. Veja alguns a seguir.
Ilustrações: Renato Arlen O poder do dinheiro ter a possibilidade
significa... de adquirir bens.
O poder das armas ter a capacidade de
significa... destruir o inimigo.
O poder do juiz decidir, conforme as leis,
significa... entre o certo e o errado.
Poder também pode significar:
Ter a capacidade de se libertar.
Ter a capacidade de libertar o outro.
135 7o ano UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 167
UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
Pode-se entender o poder como a capacidade do ser humano de determinar o comportamento de outro ser humano:
o poder do ser humano sobre o ser humano. É poder social a capacidade de um pai de dar ordens para seus filhos (poder
paterno) ou a autoridade de um governo (Estado) para dar ordens aos cidadãos (poder político).
Como pode ter surgido o poder do Estado?
Existem muitas e variadas teorias, mas nenhuma delas pôde ser comprovada pela ciência, pois não existem provas
históricas seguras. Assim, toda e qualquer teoria sobre o assunto só pode ser baseada em hipóteses. Dentre estas hipó-
teses, podemos citar:
• O Estado nasceu a partir de um núcleo familiar, que passou a beneficiar os descendentes mais velhos, dando origem
a uma monarquia hereditária. Essa versão é muito comum nos relatos bíblicos.
• Com o surgimento da agricultura, o uso e, posteriormente, a posse da terra, os agricultores assumiram poder
para tomar decisões de mando.
• O Estado surgiu a partir de conflitos violentos para organizar a relação entre vencedores e vencidos.
• Os antigos caçadores passaram a agir também como protetores, dentro e fora dos centros urbanos, tornando-
-se depois chefes políticos e reis.
Não é muito simples formular uma explicação definitiva. Mas, se descobrir a verdade sobre a origem do Esta-
do permanece um problema, não é difícil perceber que, a medida que aumentava a complexidade do trabalho no
campo e surgiam os primeiros centros urbanos, tornou-se cada vez mais necessária a criação e o desenvolvimento
de centros administrativos, como as cidades.
1. O que é uma cidade?
Cidade ou área urbana é o local onde uma concentração populacional desenvolve atividades industriais, comerciais, de prestação
de serviços etc.
2. Você vive em uma cidade?
Resposta pessoal.
3. Qual é a sua opinião sobre a vida nos grandes centros urbanos?
Resposta pessoal.
4. Qual a diferença entre cidade e campo?
Educador, veja o Manual específico.
168 HISTÓRIA 7o ano 136
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
Cidades: problema ou solução? Educador, veja o Manual específico.
A confusão e a anarquia, a ausência de um plano de conjunto: é essa a pri-
meira impressão que se experimenta, quando se considera a planta da maioria das
cidades antigas.
Catherine Salles. Nos submundos da Antiguidade. 3. ed.
São Paulo: Brasiliense, 1987. p. 16.
Roma nasceu sem planejamento. Suas ruas eram estreitas e sujas, e o povo jogava nelas toda espécie de
lixo. Cheirava muito mal. Não havia iluminação pública nem coleta de lixo e a rede de esgoto só começou a ser
construída no século IV a.C. para recolher os dejetos dos prédios públicos.
Os aquedutos forneciam água a inúmeras fontes onde o povo anarquia: falta de organização,
ia abastecer-se. Havia mais de mil aquedutos em Roma. Nas casas, planejamento.
eram ruins as condições de higiene, exceto entre os patrícios, ricos aqueduto: sistema de canalização ao ar
proprietários de terras. livre ou subterrâneo destinado a captar e
conduzir água de um lugar para outro.
A cidade não era um exemplo de limpeza. Quando chovia, as planta: representação de um terreno e
fezes eram carregadas pelas enxurradas até os rios, contaminando das construções que possui.
as águas e disseminando doenças. Devido às condições precárias de
higiene, muitas epidemias surgiram. Em 65 d.C., um surto matou 30
mil pessoas.
Enquanto a sujeira e as epidemias perseguiam os romanos, a medicina desenvolvia-se lentamente ao longo
dos quinhentos primeiros anos da história da cidade.
Em Atenas não era diferente. Em volta da Ágora também se espremiam habitações em ruas irregulares, mui-
tas delas com no máximo um metro e meio de largura, ruelas inclinadas e escadas unindo diferentes níveis. As
ruas não eram calçadas e o esgoto ficava ao ar livre. A situação nessa cidade não era muito diferente da capital
dos romanos.
Revelando o que aprendeu
1. O que acontecia tanto em Roma como em Atenas na Antiguidade?
Tanto em Roma como em Atenas havia sérios problemas de higiene, de limpeza, de saneamento básico, de epidemias etc.
2. Identifique no texto “Antiguidade e poder público” a hipótese sobre o surgimento do Estado que você
considera a mais correta.
Resposta pessoal.
137 7o ano UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 169
UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
3. Como Catherine Salles descreve a primeira impressão quando se considera a planta das cidades antigas?
“A confusão e a anarquia, a ausência de um plano de conjunto: é essa a primeira impressão que se experimenta, quando se considera a
planta da maioria das cidades antigas”.
4. Encontre no texto “Cidades: problema ou solução?” a justificativa para a primeira impressão de Salles
sobre as plantas das cidades antigas.
“Roma nasceu sem planejamento. Suas ruas eram estreitas e sujas, e o povo jogava nelas toda espécie de lixo. Cheirava muito mal. Não
havia iluminação pública nem coleta de lixo e a rede de esgoto só começou a ser construída no século IV a.C. para recolher os dejetos
dos prédios públicos”.
Fome, peste e morte Educador, veja o Manual específico. Museu do Prado, Madri
Na Europa, no fim da Idade Antiga, diminuiu a atividade
comercial e a importância das cidades. Para os europeus, esse
período representou o retorno da agricultura como atividade
principal. E, para os historiadores, o início dele é conhecido como
Idade Média.
A Idade Média europeia não foi um período de muitos cui-
dados com a higiene. No campo, homens e animais conviviam
sob o mesmo teto. Não eram somente gatos ou cachorros, mas
também cavalos, porcos e galinhas. Havia moscas e mau cheiro.
Em um lugar com tanta falta de higiene, era natural que as
epidemias fossem comuns e que o temor religioso levasse as
pessoas a acreditar no fim do mundo, no Apocalipse, a doença
devorando a tudo e a todos. Veja a imagem ao lado.
Jheronimus (ou Jeroen) Anthonissen Detalhe do painel O jardim das delícias, c. 1500-1510.
van Aken, mais conhecido como Hieronymus Óleo sobre madeira, 220 x 389 cm (obra completa), do
Bosch (1450-1516), foi um pintor holandês pintor Hieronymus Bosch, que foi um dos primeiros a
que viveu entre os séculos XV e XVI. Muitos levar para as telas as visões horrendas do Apocalipse.
dos seus trabalhos retratam cenas de pecado
e tentação, recorrendo à utilização de figuras
simbólicas e imaginativas.
A exploração agrícola durante a Idade Média foi desordenada. Isso levou peste negra: nome dado à
ao desmatamento, que, juntamente com as violentas e constantes chuvas peste bubônica, doença que
ocorridas na maior parte da Europa entre 1314 e 1315, provocou a destruição atacou a Europa durante o
século XIV. A doença espalhou-
das colheitas, a fome, a desnutrição e a diminuição da população, situação que -se por meio de pulgas de ratos.
simbólico: que representa uma
se agravou com a peste negra, que dizimou um terço da população. ideia, figurativo.
Uma angústia coletiva atormentava os homens dos séculos XIV e XV. Depois
de séculos de tranquilidade, voltavam a guerra, a fome, a peste e a morte. A
ocorrência das epidemias muitas vezes era entendida como punição divina aos pecadores.
A desorganização da produção agrícola causou a fuga de trabalhadores do campo, possibilitando mudanças e
o aparecimento de um novo grupo social, a burguesia.
170 HISTÓRIA 7o ano 138
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
A burguesia expandiu o comércio marítimo com a ajuda dos Estados Nacionais. Os portugueses que chegaram ao
território brasileiro no final do século XV representavam parte da burguesia europeia. Veja o Manual específico.
A crise devida à desorganização do trabalho no campo e às epidemias representou:
• a ascensão da burguesia;
• a reconstituição dos poderes públicos, com a centralização do poder nas mãos dos monarcas;
• a retomada do direito romano;
• a retomada da urbanização.
Revelando o que aprendeu
1. Classifique as frases a seguir como “corretas” ou “incorretas”. No caderno, justifique as “incorretas”.
c a) Para os historiadores, depois da Idade Antiga segue-se a Idade Média.
c b Na Europa, o começo da Idade Média significou um retorno para a agricultura.
i c) A Idade Média europeia foi um período em que havia muita higiene e limpeza no campo.
Os camponeses dormiam junto com animais, havia moscas e mau cheiro.
i d) Peste negra foi o nome dado a uma flor na Idade Média.
Foi o nome dado à peste bubônica.
c e) Burguesia foi um novo grupo social que surgiu nas cidades, na Idade Média.
2. Escreva a sua conclusão sobre as condições de saúde e a qualidade de vida na Idade Média.
Resposta pessoal.
3. Na Idade Média europeia, quais foram as consequências da crise no campo?
A ascensão da burguesia, a reconstituição dos poderes públicos, com a centralização do poder nas mãos dos monarcas, a retomada
do direito romano e da urbanização.
As cidades medievais não sofreram tanto quanto o campo com a diminuição da população e as epidemias. Ao
contrário, elas foram ampliadas e ganharam importância como centros do poder político e econômico. Veja a seguir
como isso ocorreu.
A Idade Moderna e o florescimento das cidades
A cidade é uma construção humana. Cidades foram destruídas e reconstruídas ao longo do processo histórico,
nem sempre no mesmo lugar ou pelo mesmo povo ou cultura.
O renascimento das cidades europeias ocorreu com o retorno da atividade comercial às mãos de grupos comer-
ciais que tinham o apoio dos reis. Diferentemente das cidades da Antiguidade, as novas cidades criadas ou ampliadas
pela nascente burguesia europeia eram centros de produção de mercadorias. Elas serviam a um novo objetivo: o
enriquecimento de seus moradores.
O acúmulo de riquezas proporcionava conforto e representava o máximo de qualidade de vida que as elites das
comunidades urbanas daquela época podiam desejar.
Por volta do século XIV, em função das várias guerras e epidemias que ocorreram na Europa, foram tomadas pro-
vidências para melhorar a higiene das cidades e elaboradas políticas públicas, um conjunto de medidas colocadas em
prática pelo Estado com o objetivo de atender às necessidades sociais e de interesse coletivo.
139 7o ano UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 171
UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
Durante os séculos XV e XVI, o pensamento religioso perdeu importância e ganharam destaque as ideias científi-
cas. Com isso, as administrações públicas, tanto na Europa quanto na América, passaram a se organizar para combater
a principal causa das doenças: as péssimas condições físicas e materiais em que vivia a maioria das populações. Os
nossos colonizadores, por exemplo, criaram no Brasil, por volta do século XVI, os cargos de físico-mor e cirurgião-mor
para cuidar da saúde da população colonizada.
Revelando o que aprendeu
1. O que quer dizer este trecho do texto: “A cidade é uma construção humana. Cidades foram destruídas
e reconstruídas ao longo do processo histórico […]”?
As cidades são uma construção das pessoas e muitas delas foram erguidas ou derrubadas ao longo da história.
2. Copie do texto o trecho que diz que as cidades criadas pela burguesia na Idade Média eram diferentes
das cidades da Antiguidade.
“Diferentemente das cidades da Antiguidade, as novas cidades criadas ou ampliadas pela nascente burguesia europeia eram centros de
produção de mercadorias.”
3. Copie do texto uma frase que expresse a preocupação com a saúde e a qualidade de vida nos séculos
XV e XVI.
“[…] as administrações públicas, tanto na Europa quanto na América, passaram a se organizar para combater a principal causa das
doenças […].”
4. Identifique no texto a frase que define “políticas públicas” e copie-a.
“[…] um conjunto de medidas colocadas em prática pelo Estado com o objetivo de atender às necessidades sociais e de interesse cole-
tivo.”
5. Quais medidas fazem parte das políticas públicas da região em que você mora? Pesquise e escreva-as
no caderno. Resposta pessoal.
6. Quais seriam as obrigações do Estado? Para algumas pessoas, cabe ao Estado garantir, em primeiro lugar,
proteção a todos os cidadãos, ou seja, garantir os seus direitos individuais, tais como o direito à vida e
à propriedade. Para outras, seria promover a redistribuição da riqueza nacional.
E para você, quais seriam as obrigações do Estado? Converse com colegas sobre o assunto. Considerem
aspectos como o desemprego, o acesso a serviços como saúde, saneamento, segurança pública e privada e
a equipamentos de uso coletivo, como parques, praças, hospitais, escolas, transportes etc. Resposta pessoal.
172 HISTÓRIA 7o ano 140
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
Aprofundando o tema
Enquanto isso, no Brasil...
Diferentemente das cidades europeias da Idade Moderna, no Brasil colonial as cidades eram fortificações e cen-
tros administrativos. Foram crescendo numericamente à medida que se intensificava a exploração do nosso território
pelos portugueses. No século XVI, havia 18 cidades no Brasil; no século XVII, existiam 28.
As ruas das cidades brasileiras ligavam pontos de interesse: a praça à igreja, às lojas aos largos. Tudo reto,
para facilitar o acesso a esses lugares. Ia-se diretamente de um ponto de interesse a outro. Ou seja, as cidades
foram construídas de acordo com as conveniências dos colonizadores europeus.
Eles trouxeram, além de doenças desconhecidas aqui, um modelo de sociedade em que existia uma minoria
dominante, que controlava as riquezas da terra, e uma maioria escrava, que trabalhava para os donos de terras.
Problemas de saúde e qualidade de vida na colônia eram considerados questões secundárias diante das possi-
bilidades de riqueza que nossas terras ofereciam. Para os colonizadores, esses problemas só se transformavam em
preocupação quando representavam obstáculos para que se estabelecessem no Brasil. A população colonial, rica
ou pobre, utilizava remédios recomendados pelos curandeiros negros ou indígenas.
Aqueles que se arriscavam a habitar no Brasil passavam por vários tipos de sofrimentos o intenso calor ao qual
não estavam acostumados, doenças tropicais, dificuldades materiais da vida na região, ataques de indígenas. Tudo
parecia valer a pena, desde que pudessem enriquecer para gastar nas confortáveis cidades europeias.
Revelando o que aprendeu
1. Em nosso país, o colonizador europeu estava preocupado com a saúde e a qualidade de vida do povo
colonizado? Justifique sua resposta com um trecho do texto.
Não. “Problemas de saúde e qualidade de vida na colônia eram considerados questões secundárias diante das possibilidades de riqueza
que nossas terras ofereciam. Para os colonizadores, esses problemas só se transformavam em preocupação quando representavam
obstáculos para que eles se estabelecessem no Brasil.”
2. Copie do texto a frase que expressa a preferência da população colonial pelos remédios populares.
“A população colonial, rica ou pobre, utilizava remédios recomendados pelos curandeiros negros ou indígenas.”
3. Na sua opinião, nos dias de hoje ainda é comum o uso de remédios populares? Em que situações?
Resposta pessoal.
4. Você costuma utilizar remédios populares? De que tipo? Por quê?
Resposta pessoal.
5. Reflita sobre esta questão: o tipo de moradia em que se vive influencia a saúde e a qualidade de
vida? Por quê? Sob a orientação de seu educador, sente-se com um colega e troquem ideias sobre o
assunto. Depois, compartilhem com a classe o que vocês discutiram. Resposta pessoal.
141 7o ano UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 173
UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
Império: epidemias, caso de polícia ou de saúde pública?
Durante o Império, o número de centros urbanos no Brasil não cresceu muito, porém neles já se percebia gran-
de desigualdade social. Nas cidades, os pobres e miseráveis aglomeravam-se em habitações precárias: os cortiços.
Os pobres representavam para o governo imperial uma ameaça de revolta constante. As condições em que viviam
– a falta de higiene nos cortiços – passaram a ser uma preocupação para a administração pública. Essa preocupação
com a saúde dos mais pobres – vistos como sujos, imorais e cheios de vícios – representava tanto um preconceito
quanto um medo real de contágio.
Na Corte, uma epidemia de febre amarela, ocorrida em 1850, e outra de cólera, acontecida em 1855, fizeram
aumentar muito a preocupação com a saúde pública e a higiene, sobretudo nos cortiços.
Foi criada, então, a Junta Central de Higiene, órgão do governo imperial encarregado de cuidar da saúde pública,
enquanto a Câmara Municipal da Corte cuidava das habitações coletivas.
As ações policiais e os problemas de saúde pública muitas vezes confundiam-se com o controle social dos pobres.
Demolir os cortiços que ameaçavam a segurança e a saúde pública esbarrava no direito à propriedade privada.
Os corticeiros (donos de cortiços) sempre conseguiam, na Justiça, evitar o fechamento dessas casas.
A briga entre os corticeiros e o Estado representava duas características das políticas sociais no Brasil:
• o reconhecimento por parte do poder público da necessidade de intervir no direito privado para garantir
a saúde coletiva;
• a falta de habilidade em lidar com questões sociais relacionadas com a higiene, a saúde e a moradia popular.
Na República, essas questões continuavam sem solução. Vejamos a seguir.
República: “Abaixo a vacina!” Corte: o governo de
um país monárquico.
A forma autoritária como eram postas em prática as políticas sociais no Brasil não mudou mesmo após o fim
do Império.
No Rio de Janeiro, em 1904, a inexistência de saneamento básico e de controle sanitário deixou seus 800 mil
habitantes à mercê de frequentes epidemias de febre amarela, peste bubônica, varíola e outras doenças. A população
pobre, moradora de cortiços nos bairros mais insalubres, foi a principal vítima do caos da saúde pública.
O médico e sanitarista Oswaldo Cruz foi convo- Oswaldo Cruz Keydisc
cado a chefiar o Departamento Nacional de Saúde (1872-1917) foi um
Pública e conduzir a reforma sanitária. cientista, médico,
bacteriologista, epi-
Como era comum acontecer, problemas sociais demiologista e sani-
e de polícia confundiam-se, gerando a remoção tarista brasileiro.
forçada de populares dos cortiços e morros centrais
para bairros distantes.
A lei aprovada pelo Congresso Nacional em 31 Foi pioneiro no
de outubro de 1904 tornou a vacinação obrigatória estudo das moléstias
e permitiu à polícia invadir as casas, se necessário. tropicais e da medi-
cina experimental no
Por ignorância, ou por sentir-se desrespeitada Brasil. Fundou em
em sua privacidade, a população iniciou protestos 1900 o Instituto Soroterápico Nacional no
contra as forças policiais. A reação foi imediata. Rio de Janeiro, transformado em Instituto
Com gritos de “Morra a polícia!” e “Abaixo a vacina!”, Oswaldo Cruz, instituição internacional-
teve início o movimento que ficou conhecido como mente respeitada na época atual.
Revolta da Vacina.
174 HISTÓRIA 7o ano 142
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA Reprodução da Revista da Semana 2/10/1904
Não foram só as medidas autoritárias de Oswaldo “Abaixo a vacina obrigatória!”, charge publicada
Cruz que provocaram a revolta. Disputas políticas na Revista da Semana, em 2 de outubro de 1904,
no país colaboraram para incitar a população contra mostrando Oswaldo Cruz à frente de sua tropa
esses tipos de ações governamentais. Havia ainda a durante a Revolta da Vacina no Rio de Janeiro,
moral da época, que temia a invasão da privacidade RJ, em 1904.
do lar sem a presença do chefe da família. Os homens
temiam que suas mulheres e filhas tivessem que se
despir para serem vacinadas.
Um repórter do jornal A Tribuna ouviu a seguinte
explicação para a revolta: “Isso está ocorrendo para
não andarem dizendo que o povo é carneiro”.
A fala desse brasileiro expressa um sentimento
popular ignorado pela elite governante do Brasil:
o de que o pobre busca algo além da saúde física.
Ele também quer respeito, sem o que a sua vida fica
indigna, perde qualidade.
No Brasil, as políticas públicas voltadas para a criação de
um Estado social somente avançaram a partir de 1930, quando
foram criados os ministérios da Educação e da Saúde Pública, com
grandes modificações nos serviços sanitários do país. O Ministério
da Saúde propriamente dito foi criado somente em 1953.
Revelando o que aprendeu
1. Qual a diferença entre as cidades europeias da Idade Moderna e as cidades fundadas no Brasil no mesmo
período?
As cidades europeias eram centros comerciais; as cidades brasileiras eram centros administrativos e fortificações.
2. Cite duas características das políticas sociais no Brasil da época do Império.
O reconhecimento, por parte do poder público, da necessidade de intervir no direito privado para garantir a saúde coletiva; a falta de
habilidade em lidar com questões sociais relacionadas a higiene, saúde e moradia popular.
3. No início do período republicano brasileiro, a saúde pública era tratada como caso de polícia? Justifique.
Sim. A lei de 31 de outubro de 1904 tornou a vacinação obrigatória e permitiu à polícia invadir as casas, o que provocou a Revolta
da Vacina.
143 7o ano UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 175
UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
4. Um agente de saúde sanitária do Rio de Janeiro tinha como missão visitar as casas de moradores de um
bairro para verificar se nelas havia vasos ou qualquer outro recipiente que pudesse conter água parada,
local propício para o mosquito da dengue (Aedes aegypti) pôr seus ovos e disseminar a doença. Ao tocar a
campainha, uma senhora apareceu na janela, mas não permitiu a entrada do agente de saúde, alegando
que sua residência era um local privado e não estava aberto à entrada de estranhos.
a) Quais são os direitos que o agente da saúde e a senhora estavam defendendo nessa situação?
A senhora, o direito à privacidade; o agente, o direito público à saúde.
b) Como você resolveria essa questão?
Resposta pessoal.
Sua vez...
1. Leia o texto.
O Brasil é um país rico em florestas, rios e cachoeiras, minérios,
terra para plantar, pastos, fauna. Apesar dessa riqueza, grande
parte do povo brasileiro é doente e não tem recursos para se tratar.
Rosicler Martins Rodrigues. Vida e saúde.
São Paulo: Moderna, 1993. (Coleção Desafios.)
2. Pense no texto que você acabou de ler.
3. Sente-se com um colega de turma. Discutam o que pensaram sobre o texto.
4. Sob a orientação do educador, façam um círculo na sala de aula e conversem sobre o assunto, compar-
tilhando os pensamentos.
5. Reúnam-se novamente em duplas e criem um versinho, uma paródia, uma pequena história, um desenho
ou uma colagem para representar a conclusão a que vocês chegaram sobre o texto.
6. Sob a orientação do educador, exponham para a classe o trabalho de vocês.
Educador, veja o Manual específico.
Educador, no Manual específico há um texto complementar para este capítulo, bem como orientação de atividades para trabalho com ele.
1A7T6 HISTÓRIA 7o ano 144
4CAPÍTULO
iStockphoto
Bob Dahm/Keystone
UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
Desenvolvimento e qualidade de vida
Educador, veja encaminhamento para trabalhar este capítulo no Manual específico. 2
Pra começo de conversa
Observe as imagens.
1
a) O que as pessoas da imagem 1 parecem fazer?
Trabalham em grupo, com a cooperação de todos.
b) E a pessoa da imagem 2?
Tenta empurrar sozinha uma enorme pedra morro acima.
c) Que legenda você escreveria para a imagem 1?
Resposta pessoal.
d) E para a imagem 2?
Resposta pessoal.
e) Qual das duas duas situações parece melhor para você? Por quê?
Resposta pessoal.
f) O que você pensa sobre a competição entre as pessoas? Justifique.
Educador, veja o Manual específico.
g) Você se considera uma pessoa competitiva ou cooperativa? Por quê?
Resposta pessoal.
h) Você conhece a palavra “desumanização”? O que quer dizer?
Resposta possível: Perda de determinadas qualidades éticas e morais humanas.
i) Dê um exemplo de uma situação que mostre a desigualdade social.
Resposta pessoal.
j) Quanto maior o desenvolvimento, pior é a qualidade de vida. Você concorda com esta afirmação?
Por quê? Resposta pessoal.
Desvendando o tema
O tempo e o dinheiro
Houve épocas em que a percepção do passar do tempo era diferente de como é hoje nas cidades e no campo.
Antes, na área rural, a terra era lugar de plantar, colher, criar animais e sustentar a família. Isso mudou a partir do
surgimento da burguesia. O relacionamento entre as pessoas passou a acontecer nas cidades e era bem diferente
145 7o ano UNIDADUENI2DA•DSEA2ÚD•E SEAQÚUDAELEIDQAUDAELIDDEAVDIEDDAE VIDA 1A7T7
UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
daquele que existia no campo. Tudo passou a estar relacionado ao dinheiro e à necessidade de ganhá-lo – “time is
money” (tempo é dinheiro).
Hoje, o desejo de ter, no campo ou na cidade, transforma algumas pessoas em escravas do consumismo, do
“viver bem a qualquer custo”. Educador, veja o Manual específico.
O dinheiro passou a ser tudo para muitos, mesmo que não tenham o suficiente nem para atender às necessidades
básicas.
Assim, as grandes transformações sofridas pela sociedade nos últimos anos são a princípio
contempladas com surpresa, depois com progressiva indiferença ou, em outros casos, como a
necessidade de aceitar o inevitável. A nova epidemia de crises e rupturas conjugais, o drama
das drogas, a marginalização de tantos jovens, as greves dos trabalhadores e outros fatos da
vida cotidiana, tudo isso prontamente se admite como algo que está aqui e contra o qual não
se pode fazer nada.
Enrique Rojas. Tradução: Wladir Dupont. O homem moderno.
São Paulo: Mandarim, 1996.
TRABALHANDO COM TEXTO
Observe as imagens.
Ablestock 1
Terra Planeta a ser Motivação Acúmulo
explorado para o de riquezas
trabalho
Bob Scott/Keystone 2
Terra Lugar para Motivação Trabalhar para
morar para o trabalho sustentar a si e
à família
178 HISTÓRIA 7o ano 146
MANUAL DO EDUCADOR • 7o ANO HISTÓRIA
Por dentro do texto
1. Descreva o que você vê na primeira imagem.
Uma mão segurando o planeta Terra.
2. Descreva o que você vê na segunda imagem.
Um operário apertando engrenagens.
3. Quais são as motivações para o trabalho do homem na imagem 1?
Acúmulo de riquezas..
4. E na imagem 2?
Trabalhar para sustentar a si e à família.
5. Qual é a sua motivação para o trabalho?
Resposta pessoal.
Consumo voraz
Talvez você esteja se perguntando: “Qual é o problema em ter dinheiro?”. Afinal, ele traz conforto, satisfaz nossas
necessidades básicas, como alimentação, moradia, roupas, lazer etc.
O problema não está no fato de ter dinheiro, mas sim na forma como ele é utilizado voracidade: avidez,
e nas consequências negativas desse uso em nossa sociedade. Por exemplo, a voracidade ganância.
dos consumistas que querem tudo instantaneamente.
A terra é suficiente para todos, mas não para a voracidade dos
consumistas.
Gandhi
A maioria das nações, para atender a suas necessidades de energia e materiais, apodera-se
de terras produtivas de outras nações.
Genebaldo Freire Dias. Iniciação à temática ambiental. 2. ed. São Paulo: Gaia, 2002. p. 41.
1. Como se caracterizam os países que se apoderam de terras produtivas de outras nações para atender a
suas necessidades de energia e materiais?
Reposta possível: Países ricos, desenvolvidos e mais industrializados.
2. E os país que perdem suas terras produtivas?
Reposta possível: Países pobres, subdesenvolvidos.
Será que o consumismo é apenas mais um dos “males da modernidade” ou há outros motivos que justificam a
sua existência? Vamos descobrir mais sobre isso lendo o texto a seguir.
147 7o ano UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 179
UNIDADE 2 • SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
As motivações humanas
Para o psicólogo norte-americano Abraham Maslow (1908-1970), conhecido por sua proposta de hierarquiza-
ção das necessidades humanas, o ser humano age de acordo com estímulos internos e externos. Os externos todos
conhecemos: fome, frio, calor, dor etc.; os internos são: alegria, medo, ódio, cobiça etc.
Para Maslow, as motivações humanas seguem uma ordem hierárquica, que se inicia com as necessidades mais
básicas, como alimentação, e continua até aquelas que contribuem para melhorar a autoestima, como possuir uma
roupa que muitos gostariam de ter.
O gráfico e o texto a seguir ilustram a teoria de Maslow.
necessidade de autorrealização
necessidade de status e estima
necessidades sociais (afeto)
necessidade de segurança
necessidades fisiológicas
Nenhum homem faminto e sóbrio pode ser convencido a gastar seu último dólar em outra coisa que
não comida. Mas uma pessoa bem alimentada, bem vestida, bem abrigada e em tudo o mais bem cuidada
pode ser convencida a escolher entre um barbeador e uma escova de dente elétrica.
fisiológico: relativo à fisiologia, ao corpo. J. K. Galbraith. The new industrial state. In: Eric Hobsbawn.
Era dos extremos. 10. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
Uma escova de dente comum pode ser muito cara para muitas pessoas. Alguns gastam o que muitos levam
uma vida inteira para ganhar. Isso significa que vivemos, em nossa sociedade, o abismo da desigualdade social. Por
que isso acontece?
Podemos entender esse tipo de situação a partir da compreensão de como funciona o sistema capitalista.
Sabemos que a palavra “sistema” significa “um conjunto de elementos unidos por alguma forma de interação
e interdependência”.
Vamos refletir sobre o capitalismo. Trata-se de um sistema porque é formado por vários elementos que, juntos
e organizados, dependem uns dos outros. Nele, a economia baseia-se na separação entre:
• trabalhadores livres e assalariados, que produzem as mercadorias;
• capitalistas, proprietários das empresas que produzem essas mercadorias.
Toda a produção tem por objetivo a obtenção de lucro. Nesse sistema, trabalhadores assalariados e capitalistas
dependem uns dos outros, mas são os capitalistas que controlam a produção. Parte dos ganhos é destinada ao pa-
gamento dos salários dos empregados, outra parte é retida pelo empresário como lucro.
Responda no caderno.
1. Segundo Maslow, como estão hierarquizadas as motivações humanas?
As motivações humanas seguem uma ordem hierárquica, que vai das necessidades mais básicas, como alimentação, até aquelas
que contribuem para obter autorrealização.
2. Copie do texto de Galbraith a frase que corresponde à seguinte afirmação: “Quem tem fome e está lúcido
gasta seu dinheiro primeiro com comida”.
”Nenhum homem faminto e sóbrio pode ser convencido a gastar seu último dólar em outra coisa que não comida.”
180 HISTÓRIA 7o ano 148