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Orientação vocacional

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Published by aida.psi.edu, 2020-04-07 06:08:30

Caderno O.V.

Orientação vocacional

Keywords: Orientação

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Orientação Vocacional Ocupacional 301

Hall e “si mesmo” como objeto (sentimentos, percepções e apreciações de si)
Lindzey “si mesmo”como processo (agrega operações ativas, como pensar, lembrar,
(1975) perceber, as quais oferecem conotações de controle de comportamento e
William de ajustamento).
James (1945)
Horney Constituintes (“si mesmo” material, social, espiritual e o egopuro); senti-
(1966) mentos e ações

Skinner O “mim mesmo real” é a força original para o desenvolvimento para a
(1972) realização do indivíduo, a qual o capacita a uma perfeita e completa iden-
Allport tificação. Quando sob pressão interna, o jovem passa a adotar defesas con-
(1966) tra a angústia, alicerçadas pelo “si mesmo idealizado”, ou seja, passa à
criação e à construção de uma imagem falsa e idealizada de si mesmo.
Rogers
(1976) O “mim mesmo” é uma maneira de apresentar um sistema de respostas
funcionalmente unificado, mas sempre sujeito às eventualidades ambien-
Erikson tais.
(1976)
O primeiro aspecto do “mim mesmo” a desenvolver-se é no sentido cor-
poral, seguido pelos rudimentos de autoidentidade, autoestima e orgu-
lho (estruturam-se durante os três primeiros anos de vida). Até os 6 anos,
ocorre uma ampliação do “si mesmo”e da autoimagem. Dos 6 aos 12 anos,
o “si mesmo” como solucionador racional marca o início do pensamen-
to reflexivo. Finalmente, é na juventude que se efetua a busca central do
“proprium” (uma das habilidades destacadas é a individuação). O ser hu-
mano só adquire saúde de personalidade através de uma imagem com-
pleta e unificada de “si mesmo”.

Concebe o “si mesmo” como uma gestalt, passível de alterações. Desen-
volve-se quando partes do conhecimento em nível consciente do indiví-
duo se associam com sentimentos de “pertencer”. As percepções do “mim
mesmo” formam a figura, e as de relação com o mundo exterior e com
as outras pessoas constituem o fundo. O “si mesmo” se desenvolve bem
quando não sofre desconformidades nas autopercepções, nos sentimen-
tos, nas atitudes e nos valores que o formam. Ressalta que não é apenas o
somatório desses valores, mas sim uma gestalt cuja significação é susce-
tível de mudar sensivelmente em consequência da modificação de qual-
quer um desses elementos. Também fala no “mim mesmo ideal” como
resultante das aspirações do “vir a ser” do indivíduo.

Em cada indivíduo existe um núcleo observador da consciência e da von-
tade, o “si mesmo”, segundo o qual o indivíduo sente ser o centro da
percepção consciente de um mundo de experiências no qual possui uma
identidade e a percepção coerente, capaz de exprimir o que vê e o que
pensa. A formação da identidade sofre variações culturais. Descreve oito
estágios evolutivos do “si mesmo”, sendo que é na juventude inicial que
se produzem as transformações mais radicais da autoimagem.

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302 Levenfus, Soares & Cols.

capazes de organizar seu comportamento de que o texto seja escrito a lápis, sem apagar-
forma a obter o rendimento esperado. se nada, apenas riscando-se o que se quer
desprezar.
O ajustamento vocacional do indivíduo
com estabilidade e satisfação estaria relacio- O referido autor coloca que suas suges-
nado diretamente a uma tradução adequada tões não invalidam que cada pesquisador
do autoconceito no mundo ocupacional (Su- aplique as variáveis e as instruções que me-
per et al., 1963; Lassance et al., 1993). lhor lhe parecerem em acordo com suas expe-
riências.
APLICAÇÃO DA AUTOBIOGRAFIA
Alvarez, Michel e Diuk (1996) sugerem
A autobiografia é própria para ser aplica- que se solicite ao sujeito que escreva uma pá-
da em adolescentes e adultos de inteligência gina sobre o tema EU. O sujeito pode trabalhar
normal, com o ensino fundamental concluído livremente sem nenhuma outra restrição que
(Portuondo, 1979). não seja o tempo limite de 20 minutos. Caso o
sujeito faça perguntas sobre o que deve escre-
Pode ser aplicada individual ou coletiva- ver, apontam-se respostas neutras, no sentido
mente. Quando a solicitação pela realização da de estimulá-lo a escrever os aspectos que ele
autobiografia for feita em um grupo, pede-se mesmo considera relevantes.
que a tarefa seja realizada individualmente.
Na minha prática, durante muito tempo
Os orientandos são avisados previamen- pedi, que escrevessem em uma folha a história de
te de que o material é sigiloso; portanto, não sua vida. Mantive sempre a neutralidade pro-
fará parte das atividades grupais, sendo seu posta pelos autores mencionados. Nos últimos
uso restrito à entrevista individual. anos, a fim de observar as autobiografias para
fins de pesquisa, comecei a utilizar o seguinte
Creio ser importante explicitar que, mes- rapport verbal:4
mo no atendimento grupal, reservo uma en-
trevista individual para finalizar o processo. Escreva, em uma folha, sobre sua vida,
Isso ocorre em função das múltiplas questões de forma que possa conhecê-la melhor: aspec-
de ordem pessoal que interferem no processo tos de sua história de vida (doenças, perdas,
e que não serão aprofundadas em grupo. Não aventuras, vitórias, etc.); de sua vida escolar
aprofundo questões individuais em grupo por (se houve repetência, que matérias gosta e
não se tratar de grupo terapêutico, com possi- quais não, etc.); de sua personalidade (timi-
bilidades de um pacto forte em termos de sigi- dez, medos, ansiedades, tristezas, etc.); aspec-
lo grupal; por dispormos de pouco tempo; por tos de relacionamento (com familiares, com
manter a atividade centrada na tarefa; por, amigos, namorados, etc.); e outros assuntos
muitas vezes, termos um grupo formado por que lhe parecerem importantes. Esse material
pessoas que já se conhecem ou se encontram é sigiloso, portanto, quanto mais autêntica for
com frequência (em escolas, cursinhos). sua explanação, melhor.

RAPPORT Percebi que o conteúdo escrito pelos
orientandos não difere em qualidade entre
Portuondo (1979) pede que o sujeito es- uma e outra forma de rapport. Uma vez que
creva em papel ofício, sem linhas, sua pró- o sujeito dispõe de apenas uma página para
pria biografia. Sugere que se peça ao sujeito expressar-se, fatalmente acaba por explanar
sua história passada e presente e como ima- aquilo que considera mais importante ou os
gina sua vida no futuro. Deve conter, ainda, aspectos em que se encontra emocionalmente
esse rapport, a advertência de que se deseja fixado. Deixo livre ao orientando o tempo e o
obter uma história “o mais fiel e ampla pos- uso de tipos de folhas e o material para escre-
sível”, não importando seu estilo literário ver sua autobiografia. É comum que utilizem
nem seus erros de ortografia. O autor pede

4 A fim de verificar se surgiriam diferenças importantes no conteúdo das autobiografias, apliquei em alguns
sujeitos a autobiografia com rapport verbal e em outros com rapport escrito. Como não comprovei diferenças
relevantes, optei pelo rapport verbal.

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Orientação Vocacional Ocupacional 303

folha de caderno e caneta. Solicito apenas que Bom, na verdade, eu achou6 meio ridícu-
não o façam no computador. Embora minha lo estar escrevendo a história da minha vida
observação principal seja centrada no conteú- (nada contra esse método psicológico), mas é
do, tipo de escrita, erros ortográficos, atos fa- que me parece com aquelas redações do pri-
lhos, tipo e tamanho de letra, tudo isso pode mário. P. ex.:“Conte suas férias”. Bom, está
nos fornecer muitos dados. Seria uma pena se parecendo mais uma carta vamos ao que in-
fossem eliminados com uma simples correção teressa.
computadorizada.
Nota: Este foi um breve relato daqueles
AVALIAÇÃO que considero como os principais
fatos de minha vida, claro que exis-
Em minha prática, prefiro fazer uma lei- tem inúmeras ocasiões importan-
tura livre, informal, com atenção flutuante à tes, e até mesmo interessantes, mas,
cadeia de associações do sujeito.5 No entanto, neste caso, eu acabaria escrevendo
para níveis formais de avaliação, sem gran- um livro. Espero ter conseguido
des riscos de interpretações influenciadas descrever a minha vida, tentei fa-
pela subjetividade, pode-se sistematizar as zer o máximo, mas condições como
informações coletadas. falta de tempo e pressa dificultaram
um pouco a realização deste relato.
Essa sistematização certamente poderia Peço desculpas por eventuais erros
ocorrer das mais diversas formas, dada a ri- de linguística.
queza de diferentes teorias da personalidade
que formularam conceitos sobre o “si mesmo” Obs: Este é um resumo de minha vida, pois se
(ver resumos). eu fosse escrever tudo o que aconteceu eu
precisaria de um livro.
Pouco se encontra na literatura a respeito
de métodos de análise de autobiografia. É mais • Apresentação de si mesmo (expressão de
comum que encontremos métodos de análise sentimentos sobre as próprias capa-
de Testes de Frases Incompletas. Cunha (1993) cidades e vivências e sobre o próprio
propõe que a análise seja feita em dois planos: corpo; autoestima e autoconceito):
análise formal e análise de conteúdo.
Sou uma pessoa muito ciumenta, insegu-
Com essas mesmas bases, Álvarez, Mi- ra, responsável, medrosa, egoísta, perfeiccio-
chel e Diuk (1996) concebem dois planos de nista, detalista, vaidosa, espontânea, comuni-
análise: Plano do Conteúdo e Plano das Estrutu- cativa, chorona, curiosa e “fechada” em relação
ras Formais (p. 235). a meus problemas intímos com meus pais, pois
já com as minhas amigas mais próximas e con-
Apresento, a seguir, uma proposta de fiáveis, a minha vida é um livro aberto.
sistematização baseada nos autores citados,
acrescida de outros dados e exemplos de re-
latos escritos.

PLANO DO CONTEÚDO Adoro dar concelhos e ajudar as pessoas
quando elas me procuram, por isso, a escolha
Esse plano trata de reunir todos os con- da profissão de pisicologia em primeira opção
teúdos de ordem subjetiva. Esses conteúdos e educação física por robi em segunda opção.
podem ser alocados em diversas subdivisões:
Sempre fui uma pessoa super comuni-
• Implicância pessoal ou abordagem do ins- cativa, expressiva e “pronta para o que der e
trumento (referência que o sujeito faz vier” com todas as pessoas independentimen-
sobre si mesmo como narrador): te a suas idades. Sou uma pessoa super famí-
liar, saio pouco mas sempre em turma ou com
uma amiga ou amigo.

5 Nesta modalidade, quanto mais neutro for o rapport, melhor.

6 Todos os trechos de autobiografias estão transcritos exatamente como seus autores o fizeram, inclusive com
erros de português. Apenas substituímos nomes pessoais por iniciais a fim de preservar o sigilo.

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304 Levenfus, Soares & Cols.

• Relações vinculares (como descreve seus tudo o que ganho. Quando me formar quero
vínculos familiares e suas relações com montar minha própria empresa.
amigos e parceiros sexuais):
Adorei a minha infância! Foi a melhor
Era para eu ter mais uma irmã, mais ve- época da minha vida. Morávamos numa casa
lha que a C., que morreu na cesária por negli- com páteo e eu vivia solta, correndo, brincado
gência do médico. Minha mãe brinca dizendo de tudo, me sujando bastante. Nos domingos
que eu nasci de novo, porque a menina que reuníamos toda a família e era a maior festa.
morreu era muito parecida comigo. A vó sempre fazia aquele bolo delicioso que
cheirava por toda a visinhança! Vinham os
Tenho pais separados, pouco convivi, primos, os tios e traziam sempre um doce
com eles juntos, pois quando eu tinha apenas para as crianças. As melhores recordações que
um ano e meio de idade eles se separaram, eu tenho são daquela época, do meu cachor-
moro com a minha mãe, mas a cada 15 dias rinho Dido, das bonecas já carecas de tanto
vou para a casa do meu pai passar o final de pentear, enfim, de tudo.
semana. Convivo pouco com ele. Com a mi-
nha mãe, me dou super bem, ela me “mima” • Nível de aspirações (metas e desejos de
bastante e eu amo ela. Minha mãe casou no- realização):
vamente, e meu pai também. Converso pou-
co com o marido da minha mãe, pois ele está Tenho muita preocupação em ajudar os
sempre trabalhando mas ele é um cara bem outros - materialmente e espiritualmente. Ver
legal. Já com a mulher do meu pai não me dou alguém sorrir me deixa feliz. Queria fazer com
muito bem, pois já briguei algumas vezes com que as pessoas acreditassem no poder que
ela. Mas ela é uma boa pessoa. cada ser humano tem; ser cidadão, solidário,
alegre. Queria encaixar isso na profissão que
No começo do meu namoro, tudo era eu for exercer.
perfeito. Deve ter passado mais de um ano
sem haver brigas. Mas agora é bem diferente. • Nível somático (relacionado ao corpo,
Eu arrumo qualquer motivo para brigar. Sou a doenças suas ou de familiares, bem
muito ciumenta, apesar de saber que ele jamais como uso de medicação):
faria alguma coisa que me magoasse. Ele, ao
contrário, não é nem um pouco ciumento. Es- Quando eu era menor, tive alguns pro-
tou sempre acusando-o, parece que não posso blemas na garganta, tive que tomar diver-
ver ele feliz. Só me sinto bem depois que “jogo sas injesões, mas de lá para cá, só voltei ao
tudo em cima dele”. Sei que estou totalmente hospital há uns três meses atraz, tive que
errada, mas é difícil parar com isso. operar a perna, pois tomei uma pancada
muito forte jogando futebol, foi um gran-
Tive muitos amigos e vários conhecidos de susto, mas a operação foi um sucesso, já
neste período de ensino fundamental, alguns estou até jogando futebol, e a minha perna
conservo até hoje, é muito difícil eu brigar ou está 100%.
me desentender com alguém, a não ser por
algo que me magoe fundo. Faço musculação 3 vezes por semana e
gosto muito.
• Dimensão temporal (centrado no passa-
do, no presente e no futuro ou fixado A minha infância foi muito boa, mas
em uma só época): curta. Fiquei menstruada precocemente com
9 anos, apartir daí comecei a me portar como
Desde pequeno gosto de lidar com di- uma “mocinha” influenciada pela situação. Fiz
nheiro, já tenho uma poupança para começar vários tratamentos para crescer durante quatro
meus investimentos quando estiver na ad- anos. Depois de muitos tratamentos frustrados
ministração. Por enquanto estou guardando me adaptei a um que consistia em uma injeção

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Orientação Vocacional Ocupacional 305

na barriga a cada 20 dias. Esta foi uma época tempo, conversando de tudo e fumando. Na
traumatizante p/ mim. oitava série acabei repetindo o ano. Depois
melhorei um pouco mas no segundo ano re-
Aos 3 anos era submetido a uma ope- peti novamente... agora tenho que me esforçar
ração de retirada de algumas alergias. Aos 7 mas não sei como vai ser pois nunca fui de
anos, submetí-me a outra cirurgia – extração estudar.
de um cisto – e entrei na escola em que seguí
até a conclusão do ensino médio, sem muitas O ano chegou ao fim, e com ele também
dificuldades. Aos 14 anos, minha mãe mor- acabava meu ensino médio, já tinham come-
reu vítima de um câncer, desde então minha çado os preparativos para a formatura de
vida mudou radicalmente. Agora estou no fim de ano e me escolheram como orador. Na
cursinho estudando para o vestibular pois cerimônia, após eu ter discursado para uma
não obtive aprovação para medicina – facul- grande platéia que me assistia atentamente,
dade que sempre esteve na minha mente – e me deixava nervoso, ainda fui homenage-
mas agora estou meio indeciso sobre a minha ado pela escola, por alcançar a média nove
escolha. nos três anos. Foi aí que percebí que valeu
a pena o esforço que tinha feito até aquele
• Adições: momento, para superar todas as barreiras
impostas pela vida. Claro que ainda tenho
Com a chegada da puberdade (11 anos) muito a fazer, estou apenas começando, ago-
a obesidade tornou-se uma coisa horrível e ra tem os preparativos para o vestibular, fal-
vergonhosa. Então comecei um regime, per- ta só um pouco mais de três meses, e aí, se
di 20 quilos em 3 meses e engordei tudo de tudo correr bem, começa mais uma fase em
novo. Aos 12 anos decidi que queria ema- minha vida.
grecer mesmo. Fiz um regime e perdi 40 Kg.
Estava magra, comecei uma carreira como • Ato falho (erros na forma de escrever
modelo e fiquei nessa uns dois anos. Estive frases ou palavras que afetam o conte-
quase com anorexia.Nessa época fumei meu údo, deixando transparecer conteúdos
primeiro baseado. E continuei fumando sem- latentes):
pre. Com 15 anos quando briguei com meu
ex-namorado cherei meu 1o papel de cocaí- Minha 1a infância não foi muito legal,
na. Já experimentei muitas drogas. Tive uns na parte familiar, pois desde meus 4, 5 anos
três meses (quando já cheirava e fumava) de meus pais brigavam muito. E aos 7 anos eles
fissura constante, passei um mês cheirando vieram a enfim se separar. Amor de pais e re-
todos os dias (o ano passado que aconteceu lação pais e filha eu só tive forte mesmo com
isso). Isto nunca influenciou na minha vida a minha. Meu pas e eu nunca fomos muito
escolar. Depois de fissurada em cocaína, con- chegados. E a família materna para mim, é a
segui, ou melhor, me senti forçada a parar de única família até hoje. Tive que apoiar muito
cheirar cocaína, mas a maconha ainda fumo a minha mãe após a separação e vice-versão
até hoje. Meus pais não sabem ou pelo me- por causa disso nós ficamos muito unidades.
nos não demonstram saber. Foi meu atual Na escola, quando menor, nunca tive muitos
namorado que me ajudou muito a superar a amigos, e era considerada a mongolona feio-
depressão da cocaína. sa da turma. Mas gostava muito de ir para
o sítio dos meus avós maternos (por quem
• Vida escolar: sou apaixonada até hoje) e lá passava mui-
to tempo com os bichos. Gostaria de morrar
Nunca gostei de estudar. Desde a sétima com eles.
série fui um aluno que passava no limite. Pre-
feria ficar pensando em outras coisas e saindo • Quantidade de conteúdo:
da aula. Tinha uma turma que se escondia no
banheiro e a gente ficava lá uma boa parte do Percebemos uma tendência, nas moças,
em escrever maior quantidade de conteúdo do

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306 Levenfus, Soares & Cols.

que os rapazes. Eles, por sua vez, diminuem a Aprendi a ser cidadã, não aceitar as coisas
quantidade mas não perdem em qualidade; ruins e erradas de cabeça baixa e saber que
apenas são mais diretos, mais objetivos. não estou aqui simplesmente para “curtir as
delícias da vida”. Tenho também que dar um
Percebemos que as autobiografias escritas sentido, um propósito a minha vida.
por orientandos que apresentam situações gra-
ves ou traumáticas tendem a ser bem mais cur- PLANO DAS ESTRUTURAS FORMAIS
tas (em média 15 a 18 linhas) do que as demais
autobiografias (em média 25 a 30 linhas), abor- Diz respeito às estruturas mais concre-
dando diretamente os fatores traumáticos.7 tas e objetivamente ligadas à escrita do texto,
como o uso de pronomes, erros gramaticais e
Em duas situações com orientandos em outros.
estado psicótico recebi autobiografias conten-
do mais de 10 páginas. • Sintaxe (confusa, lógica, convencional,
original)
• Experiências de vida: Uma autobiografia em forma de poe-
sia foi apresentada por Álvarez, Michel
O Ballet é uma opção muito importante e Diuk (1996) como exemplo de texto
na minha vida. Comecei a fazer ballet quando original.
tinha 4 anos e desde então virou, praticamen-
te a minha vida. Eu me entreguei para o bal- • Vocabulário (variedade de termos, ri-
let, abri mão de várias coisas da minha vida, queza e precisão)
como por exemplo: fazer trabalhos individuais É possível observar autobiografias ri-
quando eram para ser feitos em grupo por falta quíssimas em termos de vocabulário e
de tempo para se reunir ou até mesmo passar precisão. Outras podem se apresentar
uma tarde inteira no shopping com as minhas de forma muito pobre, na qual o sujeito
amigas. Mas também tive grandes realizações: apresenta dificuldade para expressar
ganhei vários prêmios em concursos de dança, seu pensamento.
hoje já sou formada em ballet.
• Estrutura do relato (descritiva, enu-
No ano passado passei por uma aventu- merada, obsessiva), como o exemplo
ra muito importante e significativa na minha seguinte:
vida: passei 6 meses estudando nos EUA. Fi-
quei morando numa casa de família america- FASES E FATOS DA MINHA VIDA
na e estudei em escola normal lá. Essa foi uma
grande conquista pra mim, pois mesmo sendo Na minha infância não frequentei
difícil no começo, consegui suportar e mos- creches nem escolinhas e isso de
trar pra mim mesma que era capaz de vencer. uma certa forma prejudicou a minha
Venci, aproveitei e aprendi muito com esta integração nos primeiros momentos
experiência. Mas com isto tive também uma em que engrecei no colégio. Sitia-me
grande perda no qual sinto até hoje: “perdi” diferente e algumas vezes inferiori-
uma família e muitos amigos americanos. Sin- zada e insegura. Com o tempo isso
to muito a falta deles e gostaria que eles esti- passou.
vessem aqui comigo.
Na minha adolecência entrei em con-
• Religiosidade: flito com os meus pais e me afastei um
pouco deles, mas com o tempo isso
O grupo fez com que eu me encontrasse, passou. Nesse perío-do eu emagre-
olhasse para dentro de mim e visse cristo e os ci e a minha nova aparência fez com
outros. Aprendi a amar de todas as formas e que eu me tornasse mais confiante. A
a importância de ser eu mesma para ser feliz. partir desse momento comecei a me

7 Pesquisa realizada por Levenfus, 2000, não publicada.

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Orientação Vocacional Ocupacional 307

interessar pela estética e tornei-me ASPECTOS CONCLUSIVOS QUANTO
perfeccionista, exigente e obstinada. AO OBJETIVO DESSE INSTRUMENTO
Na escola sempre fui ótima aluna, EM OVO
por isso meus pais nunca me cobra-
ram notas, mas eu sei que os estu- O objetivo da aplicação da autobiografia
dos são muito importante para eles, em Orientação Vocacional não é o de chegar
principalmente para o meu pai, que a um diagnóstico definitivo, mas, sim, de de-
é muito exigente nesse sentido. limitar áreas aparentemente significativas,
O último ano foi diferente, cheio levantando hipóteses, que podem orientar à
de comemorações e compromissos, compreensão do caso.
por isso quando ele acabou me senti
muito sozinha. Nesse semestre que É possível tentar identificar áreas de con-
passou os meus amigos ou estavam flito e perturbação por meio de alguns indica-
na faculdade ou, como eu, estavam dores. Baseados em Cunha (1993), enumera-
preparando-se para o vestibular. Foi mos alguns:
um período muito ruim para mim,
pois comecei a questionar muitas a) Impulsividade, representada por um
coisas da minha vida entre elas a mi- texto muito breve, concreto, escrito em
nha decisão de cursar odontologia. “garranchos” e/ou com conteúdos de
No vestibular de julho passei em queixa e negação frente à tarefa.
odontologia na Ulbra e em arquite-
tura na PUC, mas essas conquistas b) Conteúdos inusitados podem ser indi-
não representaram muita coisa para cativos de forte mobilização afetiva.
mim, pois eu não tinha certeza do
que realmente gostaria de fazer. Fi- c) Perseveração de algum conteúdo espe-
quei com medo de cursar arquitetu- cífico, denunciando temas dominantes
ra e tranquei a matrícula na Ulbra. em que o afeto associado, além de in-
Agora estou estudando para o ves- tenso, é pouco controlado.
tibular de janeiro, mas não sei para
qual curso. d) Falta de conteúdo, que pode indicar
omissão consciente, resistência, blo-
• Vícios de linguagem queio, choque por ansiedade.

Sabe, quando eu era pequeno, sabe, eu e) Presença de lapsos que podem sugerir,
era muito moleque. Uma vez eu estava brin- por exemplo, a negação da ansiedade
cando com um vizinho, sabe, e pulamos de associada ao tema.
uma janela, daquelas meio baixas, sabe, que
dá para pular e não se machucar, sabe. Só que f) Textos predominantemente humorísti-
daí acabei quebrando o pé, sabe, e fiquei in- cos que também podem envolver o uso
gessado um tempão. da negação como defesa.

• Características da escrita (pressão, regula- Pode ser que o sujeito expresse direta-
ridade, tamanho da letra) mente temas perturbadores como os relativos
Alguns profissionais observam esses à morte de familiares, doenças, separação dos
aspectos a partir de estudos grafológi- pais e outros que podem ter contribuído para
cos a fim de levantar outros dados tais sua problemática atual. Às vezes também são
como ansiedade, agressividade, emoti- feitas referências a sintomas, ideias de suicídio,
vidade. Não pensamos ser necessário fobias, episódios depressivos e outros. Em to-
esse tipo de abordagem em Orientação dos esses casos é recomendável que os temas
Vocacional Ocupacional. sejam abordados em entrevista posterior a fim
não apenas de buscar compreender a relação
desses episódios com a atual dificuldade de
escolher uma profissão, mas também para
poder proporcionar algum encaminhamento
terapêutico se assim se fizer necessário.

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308 Levenfus, Soares & Cols.

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25

Técnica de bombons

Rosane Schotgues Levenfus

A técnica dos bombons é uma delícia! bre como se processa o fenômeno da escolha
Trata-se de uma técnica grupal adaptada profissional. Quanto aos grandes grupos, te-
à Orientação Vocacional Ocupacional. Tive nho aplicado em palestras nas escolas, mesmo
contato com essa técnica no II Encontro da As- em auditórios repletos de pais e filhos.
sociação Brasileira de Orientação Profissional
e I WORKSHOP sobre técnicas de Orientação Com a finalidade de enriquecer esse ca-
Profissional, ocorrido em Porto Alegre, em pítulo, será feita uma simulação de aplicação
1997. Desde então não parei mais de aplicá-la, em grupo composto por pais e filhos. Apre-
introduzindo algumas variações. sentarei a sessão de forma dialogada, colocan-
O objetivo dessa técnica é proporcionar do, entre parênteses, alguns comentários da
aos orientandos a oportunidade de fazer uma técnica dirigidos aos leitores.
profunda e ampla reflexão acerca de como se
processa a escolha profissional. Observando Material: suas variações e efeitos no grupo
como cada participante escolhe um bombom
da caixa e a posterior explicação que cada um O material é simplesmente uma caixa de
dá a sua escolha, o orientador auxilia o grupo bombons. Concluí, pela minha prática, que é
a inferir inúmeras associações entre a escolha mais proveitoso utilizar uma caixa de bom-
de cada participante com a escolha profissio- bons sortidos e bem conhecidos pela popula-
nal e com as ansiedades dessa escolha interli- ção local.
gadas ao vestibular.
É possível, de uma forma lúdica, pen- Quando estou com um grupo pequeno,
sando sobre bombons conhecidos e desco- retiro previamente alguns bombons da caixa,
nhecidos, grandes e pequenos, que traduzem deixando-a com o mesmo número de partici-
lembranças ou investimentos pela mídia, en- pantes ou com um bombom a menos. É inte-
tre outros fatores, refletir acerca da escolha ressante deixar um bombom a menos porque
profissional. Pode-se observar que, ao térmi- isso representará a “falta de vagas para todos
no do processo, os orientandos apresentam nas universidades”. Em grupos maiores do
insight sobre as bases em que o ser humano (e que a quantidade de bombons disponíveis
ele próprio) se apoia no momento de realizar também é muito interessante trabalhar com
escolhas. apenas uma caixa, deixando os demais sem
Foi constatado que tal técnica é bem indi- bombons. Isso provoca uma reação muito inte-
cada para grupos médios (8 a 10 sujeitos), bem ressante no grupo, como descreverei a seguir.
como a grandes grupos (20 sujeitos ou mais)
que se reúnem com a finalidade de refletir so- Uma outra variação do material é colocar
nessa caixa de bombons dois ou três bombons
que não pertencem a essa mesma qualidade.
Esse fato costuma provocar no grupo uma re-

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310 Levenfus, Soares & Cols.

ação de indignação, apontando que aqueles do que pelos cursos novos, recém-introduzi-
bombons não pertencem àquela caixa. Isso dos no mercado.
pode ser manejado no sentido de falar sobre
seus sentimentos quando frente a cursos des- Aproveito o momento para dizer que não
conhecidos ou outros caminhos profissionais estarei interpretando o movimento específico
que não passem, necessariamente, pelos ban- de cada um, mas as maneiras como as pes-
cos universitários. soas, em geral, escolhem. Digo que a forma
como cada um fez a escolha agora represen-
O início da aplicação da técnica ta as várias formas possíveis de escolha, sem
particularizar a interpretação. Nós procurare-
Se estivermos em um grupo de Orienta- mos aqui relacionar tudo o que for possível
ção Vocacional Ocupacional, os orientandos com a escolha da profissão.
estarão sentados em círculo. No caso de gru-
pos grandes, em auditórios, se houver espaço, Analisando cada escolha
chamo todos a ocuparem o palco do auditó-
rio ou outro espaço disponível, formando um Nesse momento, passo a perguntar para
grande círculo. cada um o motivo pelo qual foi escolhido jus-
tamente aquele bombom. Fazemos isso em
Abro a caixa de bombons e digo que círculo e em voz alta, de forma que todos pos-
iniciaremos com um momento no qual cada sam se ver e se ouvir.
um retirará um bombom para depois conver-
sarmos. Peço que ninguém coma (ainda) seu Como abordei inicialmente, a partir de
bombom! agora apresentarei trechos de uma sessão dia-
logada em um grupo composto por pais e fi-
Quando as pessoas percebem que a lhos. Utilizo as iniciais OV para referir-me às
oferta de bombons começará por um lado do intervenções do Orientador Vocacional.
grupo, a parte do grupo que ficará sem bom-
bom costuma vaiar (depende de cada grupo). Em geral, as pessoas recebem de forma
Podemos, com isso, trabalhar o sentimento positiva as associações feitas pelo orientador
de não haver vagas para todos nas universi- e pelos colegas entre a forma de escolha do
dades e outras questões sociais no sentido de bombom e a forma da escolha profissional,
que algumas pessoas gozam de privilégios ou sorriem e fazem pequenos comentários ou ba-
até mesmo de sorte. Em algumas situações lançam afirmativamente a cabeça. É comum
nas quais essa parte do grupo reagiu de forma que deem risadas, pais e filhos troquem olha-
muito queixosa, interrompi o curso da caixa res cúmplices, etc. Dependendo do tempo de
de bombons, repassando para aquele lado. É que dispusermos, manejaremos os comentá-
claro que aqueles que se viram subitamente rios do grupo. No relato a seguir priorizamos
afastados dos bombons passam também a re- as intervenções diretas, e não o manejo do
agir com queixas. Tudo isso torna o ambiente grupo para tornar o texto mais objetivo.
muito animado e interativo, além de ampliar
o universo a ser trabalhado. OV: “Essa mãe foi a primeira a se servir. Va-
mos pedir agora que cada um diga por
Depois que todos os bombons forem re- que escolheu esse bombom.”
tirados é interessante observar que os últimos
que conseguiram algum bombom pegaram, Mãe: “Nem escolhi, sei lá, foi o primeiro que
simplesmente, aqueles que sobraram. Em eu vi.”
geral, esses que sobraram são bombons des-
conhecidos pela maioria ou algum bombom Pai: “Eu também, pois estava por cima...”
novo introduzido na caixa pelo próprio fabri- Mãe: “Tinha um monte de gente esperando
cante. Caso isso ocorra, é interessante comen-
tar sobre as resistências que as pessoas têm ao para pegar, então peguei logo esse.”
desconhecido e como, em geral, existe uma Pai: “Eu também...”
busca muito maior pelos cursos tradicionais OV: “Não é dessa mesma forma que, mui-

tas vezes, os filhos escolhem as coisas?
‘Rápido, porque abriram as inscrições
do vestibular’; ‘sem revirar bem toda a
caixa’ (cursos oferecidos pela universi-

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Orientação Vocacional Ocupacional 311

dade); ficam ansiosos porque tem ‘um são diferentes, melhor é conhecer bem
monte de gente olhando’ – as expectati- antes de pegar... Não é por acaso que
vas da família, dos colegas, que muitas têm nomes diferentes.”
vezes pedem logo uma tomada de deci- Sílvia: “Eu peguei esse porque gosto. Na ver-
são. E você? Por que escolheu esse?” dade, eu adoro chocolate! Eu ficaria feliz
Pedro: “Eu também não escolhi direito... que- com qualquer um que eu ganhasse por-
ro dizer, eu gosto desse, mas se tivesse que eu adoro todos!”
mais tempo eu teria pego aquele lá por- OV: “Isso também acontece na escolha da
que eu gosto mais de chocolate branco.” profissão! Há pessoas que têm múlti-
OV: “E quem disse que não tinha mais tempo? plas potencialidades ou que gostam de
Que tinha que ser rápido?... Aqui está muitas coisas ao mesmo tempo. Por um
ocorrendo aquilo que os pais acabaram lado, isso é muito bom; por outro, pode
de demonstrar. Parece que é bem comum dificultar o momento de escolher uma
que isso ocorra. (Na minha experiência, só dessas coisas, em especial se for uma
isso ocorre sempre. Os primeiros a esco- escolha mais definitiva. Na realidade, a
lherem ficam com pressa, com vergonha gente vive fazendo escolhas, mas há ve-
de os outros estarem olhando para sua zes em que elas são mais difíceis, porque
escolha, desejando também pegar bom- a gente sempre tem que abrir mão de
bons, e acabam por pegar qualquer um, uma coisa quando escolhe outra. Se va-
sem escolher direito.)” mos a uma loja comprar um par de tênis
Maria: “Peguei esse porque eu gosto desses novos com dinheiro somente para um
bombons que são com biscoito por den- par e gostamos muito de dois modelos
tro.” diferentes, teremos que nos conformar
OV: “Você sabe se esse bombom tem biscoito com o fato de que nem sempre dá para a
por dentro?” gente ter tudo que a gente quer (elaborar
Maria: “Não sei, eu não conheço esse, mas luto pelos objetos perdidos). O que inte-
acho que tem. A forma dele, assim re- ressa nessa situação é que a gente con-
donda, lembra outro que eu conheço e siga ficar satisfeito com aquele par que
que é branco por fora e preto por dentro. levou. Já pensou, chegar em casa e conti-
Acho que esse é igual àquele.” nuar sem saber se queria mesmo esse, ou
OV: “Quantos de vocês conhecem esse bom- quem sabe pensar em voltar e trocar por
bom? Levantem a mão... Poucos conhe- aquele (e ficar em uma dúvida obsessi-
cem... e se não for como você está pen- va)? Então, para escolher algo, é preciso
sando?” aceitar que não vai poder levar tudo.”
Maria: “Tá, azar... daí errei!” Paulo: “Eu, quando vou a uma pizzaria, vou
OV: “Vamos abrir para conferir! (Maria abriu em um rodízio porque não conseguiria
e o bombom realmente tinha biscoito escolher só um sabor no cardápio! As-
por dentro, mas, por fora era preto e, por sim, o garçom vem largando todas as
dentro, branco.) E agora? O que você pizzas no meu prato e eu vou comendo
acha?” todas!”
Maria: “Errei, mas, menos mal, tinha biscoito OV: “E como fez aqui para escolher um bom-
por dentro!” bom?”
OV: “Ainda bem que foi só um bombom! Já Paulo: “Eu também peguei qualquer um, é
pensaram escolher um curso universitá- como ela, eu acho que tanto faz.”
rio assim? ‘Olha, alguma coisa ali parece OV: “Bem, estamos vendo que não existe re-
com outra...’; ciências da computação, gra, cada situação é diferente da outra e
Informática, Engenharia de Computa- diferente para cada pessoa. Esse exem-
ção, Análise de sistemas... todos esses plo do Paulo pode se prestar tanto para
têm biscoito (computador), mas o resto o que falamos sobre a Sílvia como até o
é bem diferente; às vezes é a casca, às ve- contrário – algumas pessoas não conse-
zes é o recheio! Como de fato os cursos guem escolher porque não sabem o que

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312 Levenfus, Soares & Cols.

gostam e o que não gostam. Se eu esti- des particulares e foi aprovada. Durante
vesse oferecendo bombons totalmente aquele período ela foi mais exigente com
desconhecidos pode ser que a confusão o filho para que tentasse uma vaga na
ficasse grande também, já que vocês es- pública. O filho foi aprovado na pública
tariam escolhendo coisas que não sabe- e ela cursou a particular!)”
riam se gostam ou se não gostam.” Outra mãe: “Eu fiz o contrário! Lá em casa,
Gisele: “Eu, por exemplo, conheço um por quando a gente abre essa caixa de bom-
um cada bombom dessa caixa e escolhi bons, eu nunca consigo comer esse da-
esse aqui porque tem ‘leite condensado, qui porque algum filho pega primeiro...
caramelizado, com flocos crocantes e o como a caixa chegou logo em mim e o
puro chocolate Nestlé’! É o que eu gosto bombom ainda estava lá, dessa vez re-
mais!” solvi pegar! Viu, filho (em tom provoca-
OV: “Nada como conhecer bem as diferenças tivo)?!”
e semelhanças! Se fosse um curso uni- OV: “O que você achou (dirigi-me ao filho)?”
versitário você saberia até quais são as Filho: “Pô, mãe, eu nem sabia que tu gostavas
cadeiras (matérias) de cada curso! Aqui tanto desse, por que nunca falou?”
também podemos ver o poder da mídia. OV: “Agora que você já sabe, como será?”
Esse versinho ficou bastante tempo na te- Filho: “Sei lá, acho que a gente vai ter que
levisão! As propagandas ‘são a alma do combinar uma vez para cada um! Mas
negócio’, elas interferem muito em nosso sabe... quando eu pensei em fazer Odon-
comportamento. Existem muitas profis- tologia, e minha mãe é dentista, a gente
sões que são valorizadas pela mídia em logo combinou que eu poderia usar o
detrimento de outras. É sempre bom a consultório dela no início, até mesmo
gente ter consciência das influências que porque ela não fica lá o tempo todo. Não
recebemos. E você (outra mãe)?” vai me dizer agora que estou querendo
Mãe: “Ah, eu peguei qualquer um. Por mim pegar teu consultório!”
nem pegava, ia deixar para a garotada Mãe: “Claro que não! Isso é diferente, nós va-
que estava toda de olho na caixa. Só pe- mos dividir um pouco para cada, nem só
guei por causa da brincadeira que foi meu, nem só teu!”
proposta.” Filho: “Já sei! Na próxima vez vamos dividir
OV: “Como os pais abrem mão de coisas pelos esse bombom ao meio (risadas)!”
filhos, hein?! (Certa vez, em um grupo de OV: “Como você escolheu esse?”
OVO, uma senhora que já tinha os filhos Filho: “Eu nem tinha pensado naquele... esco-
crescidos resolvera fazer vestibular para lhi esse porque era o maior da caixa!”
cursar Direito, mas sentia-se na obriga- OV: “Na escolha da profissão, às vezes, tam-
ção de passar no vestibular mais concor- bém acontece de alguém querer ‘um
rido porque era na universidade pública. curso grande’, só porque é mais concor-
A família não teria condições de susten- rido, porque parece que é mais valori-
tar a ela e mais um filho que também zado... Às vezes essa pessoa pode estar
faria vestibular se ambos passassem em realmente identificada com aquele cur-
uma universidade particular. Dessa for- so, mas às vezes pode representar até
ma, temerosa de tomar a vaga do filho, mesmo uma insegurança sua, escolher
essa senhora preferia nem se inscrever ‘aquele grande’ para mostrar como ‘ele
no vestibular da universidade particular. também é grande’. O problema aqui é
Acontece que o filho tinha muito mais que estamos falando de coisas que pa-
condições de ser aprovado na universi- recem engraçadas, mas que são muito
dade pública do que ela, já que ela estava sérias quando se trata da escolha de
há muito tempo sem estudar as matérias um curso universitário, pois nem sem-
do ensino médio, necessárias para aquele pre um curso valorizado para os outros
momento. No fim das contas, ela se ins- pode ser bom para todos! Essa escolha é
creveu em vestibulares das universida- muito particular e é importante que se

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Orientação Vocacional Ocupacional 313

possa refletir sobre o significado de cada pessoas e que, se ela descobri-la será
escolha importante.” feliz para sempre’! Não é possível que,
Cláudia: “Eu não gosto de chocolate, peguei com mais de 150 profissões de nível su-
esse por pegar, nem vou comer, se al- perior nesse país, cada um iria ficar feliz
guém quiser posso dar...” apenas com uma, ‘aquela única, divina’.
OV: “Vocês sabiam que muita gente nem gos- Às vezes, as pessoas pensam assim por
taria de fazer um curso na universidade? desconhecerem as outras profissões ou
Mas desde que nasceram em determina- por terem preconceitos; enfim, vários
da família, os pais já faziam poupanças são os motivos que levam alguém a es-
e sonhos com a universidade do filho. colher desse ou daquele jeito.”
Chega nesse momento e a pessoa, às
vezes, nem se dá conta de que ela nem Concluímos que não existem “interven-
queria isso. Não existe espaço para esse ções prontas”; para cada explicação dada
pensamento naquela família. Tem gente pode se fazer inúmeras associações. Não exis-
que, por causa disso, é reprovado várias te uma preocupação em se fazer a “interven-
vezes no vestibular. E você?” ção certa”, e sim em poder aproveitar cada
Marcos: “Ah, eu queria mesmo era aquele lá, momento para trabalhar a questão da escolha
que já pegaram. Então fiquei com esse profissional.
que eu gosto também!”
OV: “Percebem? Às vezes alguém fica com No exemplo dado, quando trabalho com
uma segunda opção por não conseguir uma plateia de pais e filhos, utilizo essa técnica
aprovação na primeira. Por outro lado, para estimular o público a participar de uma
isso também pode representar que não palestra que faço em seguida. Já nos grupos de
é só uma profissão que deixará alguém Orientação Vocacional, percebemos que essa
feliz ou infeliz pelo resto da vida. Al- técnica motiva amplos debates e, inclusive,
gumas pessoas pensam assim: ‘vocação uma maior busca por informações profissio-
é um raio divino que cai na cabeça das nais.

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26

A técnica do “Círculo da Vida”

Mariza Tavares Lima

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA À dade de expressão do psiquismo e a utilização
TÉCNICA DO “CÍRCULO DA VIDA” das cores como expressão/representação da
emoção.
A técnica denominada “Círculo da Vida”
tem por objetivo ajudar o cliente de Orienta- Nas palavras de Kolck (1984, p. 1), no
ção Profissional/Vocacional a realizar uma plano do diagnóstico psicológico o grafismo e,
primeira reflexão sobre o que ele considera em especial, o desenho, têm ocupado lugar de
importante em sua vida e se constitui como destaque como instrumento indispensável.
um objeto intermediário que favorece a re-
flexão sobre prioridades, interesses e valores Considerou-se a ideia de que o círculo
desse Sujeito (S). (uma “bola”) é uma das formas mais primiti-
vas de possibilidade de desenho ou represen-
É basicamente uma técnica facilitadora tação gráfica.
à entrevista diagnóstica e auxilia o orienta-
dor na realização do levantamento da moti- Meredieu (1997) aponta a predominân-
vação do cliente para o trabalho demandado cia das formas circulares e acrescenta que os
(OP/OV ou outro). Pode contribuir também primeiros rabiscos consistem em espirais ova-
no prognóstico da orientabilidade por meio ladas, executadas com um só traço, sem que a
da verificação do grau de importância que criança interrompa o gesto ou levante o lápis.
têm para o indivíduo a escolarização e o tra-
balho – fundamentais à escolha profissional. Assim, considerando-se que o círculo
é uma forma executada com facilidade pela
Cunha (1993), definindo a entrevista maioria das pessoas, independentemente de
diagnóstica, aponta que a coleta de dados ob- sua idade ou de seu grau de escolaridade,
tida pela da entrevista permite obter informa- propõe-se a execução da tarefa como base
ções preliminares para diagnóstico, prognós- para o trabalho do cliente.
tico e indicação terapêutica.
No que tange à sugestão do uso de cores,
Preferencialmente, sugere-se a utilização Pfister, em suas considerações, aponta o “va-
da técnica do “Círculo da Vida” em uma das lor sintomático das cores e suas relações com
primeiras sessões do processo de OP/OV (1a estados ou reações emocionais corresponden-
ou 2a sessão), quando se inicia o reconheci- tes” (Amaral, 1978, p. 15).
mento do cliente e o processo de autoconhe-
cimento. O tamanho e a localização do círculo
na folha serão considerados na mesma óti-
A criação da técnica tem como base co- ca de quando se analisa o desenho da figura
nhecimentos sobre o desenho como possibili- humana, e a análise desses itens oferecerá
bons indícios da relação do sujeito consigo
mesmo e com o mundo externo. Ao explorar

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Orientação Vocacional Ocupacional 315

a técnica, o orientador aponta suas observa- bre seus problemas e interfere, fazendo per-
ções, trazendo-as para o sujeito, na medida guntas, confrontações, oferecendo feedback”
do possível, ajudando-o a conscientizar-se (Cunha, 1993, p. 35).
de suas motivações, de seus interesses, de
seus valores, etc. A compreensão das cores tem como base
o teste das “Pirâmides Coloridas de Pfister”,
Conforme Hammer (1991, p. 46), “o ta- do qual, à guisa de facilitação, é apresentada
manho do conceito desenhado nos oferece uma síntese, em adendo, ao final deste capítu-
pistas a respeito da autoestima realista do su- lo, com base em Amaral (1978).
jeito, sua autoexpansividade característica ou
sua fantasia de autoinflação”. Na obra desse mesmo autor, encontra-se
importante citação:
As críticas que a própria pessoa pode
estabelecer em relação a seu trabalho, como, Rorschach, em 1921, com genial
por exemplo, “Não ficou redondo, está mais para intuição, foi um dos primeiros, senão
oval! ”, “Minha bola está muito torta!” e outras o primeiro, a chamar a atenção, de
similares, podem ser consideradas como indi- maneira objetiva, para “o fenômeno
cativas de maior índice de exigência consigo cor” como fator estimulante capaz de
mesmo ou como sinal de busca de perfeição, despertar emoções latentes que pode-
podendo-se apontá-las ao indivíduo – quando riam ser estudadas ou avaliadas atra-
se percebe que tal indício é positivo. Por ou- vés de reações peculiares ou típicas.
tro lado, a autocrítica auxilia na descontração, (Amaral, 1978, p. 64)
ampliando a possibilidade de expressão oral
dos conteúdos abordados. Para a compreensão do significado das
cores, utilizam-se as mesmas referências apre-
Especialmente os mais jovens tendem a sentadas por Pfister, mas também se considera
ser muito críticos com relação à sua própria importante ouvir e dar significação à maneira
produção e consideram o trabalho realizado como a própria pessoa a realiza.
como uma “brincadeira” que lhes permite
falar mais sobre eles mesmos. A atividade O propósito é, então, reunir em uma só
pode, então, até certo ponto, tornar-se lúdica técnica a possibilidade de expressão do dese-
e facilitar a exposição de conteúdos emocio- nho associada às cores – que dizem da emo-
nais. ção expressa nessa representação.

Cabe aqui assinalar que a técnica não foi É possível dizer que “se tomou empres-
idealizada para ser usada exclusivamente em tado” o referencial dessas duas formas de
OP/OV, mas é proposta como forma de obter expressão, reunindo-as em uma única, com
mais facil e suavemente informes pessoais so- o intuito claro de facilitar ao sujeito o “dizer
bre o indivíduo; portanto, pode ser usada em de si”, ajudando-o em seu processo de auto-
outros tipos de intervenção psicológica com o conhecimento.
mesmo objetivo de obtenção de dados da en-
trevista e facilitação à reflexão. DETALHAMENTO DA APLICAÇÃO DA
“TÉCNICA DO CÍRCULO DA VIDA”
Vale demarcar que serão abordadas
questões tendo como ponto de partida o que Objetivos
o Sujeito (S) aponta como significativo para
ele. Assim, propõe-se uma mudança de ótica Técnica facilitadora à entrevista diagnós-
ao que é comum em uma entrevista na qual tica que visa a precipitar a introspecção, per-
cabe ao psicólogo formular as perguntas. mitindo ao cliente verbalizar mais facilmente
Aqui, contrariamente, não caberá ao profis- questões referentes à sua vida.
sional estabelecer a prioridade: buscam-se os
conteúdos conforme o que é direcionado pelo Material
cliente.
Folha de papel A4
Assim, a técnica se constitui em um ob-
jeto intermediário pelo qual “o entrevistador
pede que o entrevistado fale sobre si e so-

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316 Levenfus, Soares & Cols.

Lápis no 2 e borracha macia corretamente a tarefa a ser realizada, acom-
Caixa de lápis de cor (12 cores) panhando de perto pelo menos o início da
execução. Caso o S manifeste dúvida, repetir
Observações: a consigna fornecendo, se necessário, algum
exemplo a respeito das áreas que, espera-se,
1. Não se deve usar giz de cera ou cane- serão destacadas no desenho (exemplo de
ta hidrocor em lugar do lápis de cor, itens importantes: família, escola). Deve-se
porque ambos dificultam a percepção ter o cuidado de fornecer no máximo dois
das diferenças de pressão do lápis ao exemplos para não induzir o trabalho do S.
colorir, tendendo a formar uma massa Os dois antes citados são os mais indicados
homogênea. por estarem, ambos, conectados a aspectos
importantes a serem considerados no traba-
2. Deve-se observar a posição em que a lho de OP/OV.
folha é entregue ao Sujeito(S), pois a
modificação eventualmente introduzi- A proposta de que o desenho seja feito
da por ele também será analisada. Se no verso da folha tem por objetivo possibilitar
possível, especialmente na aplicação que o S tenha todo o espaço do papel para a
individual, a folha é entregue em uma realização da tarefa, uma vez que o tamanho
posição neutra (em diagonal), mas o do Círculo será um dos itens questionados.
S poderá realizar sua tarefa usando-
a na posição vertical ou horizontal. EXPLORAÇÃO DA TÉCNICA
Vale salientar que a posição vertical
é a mais frequentemente adotada em Concluída a produção – que dura em
função do hábito da escrita. média de 20 a 30 minutos –, solicitar ao cliente
que apresente seu trabalho, falando sobre ele e
Consigna sobre cada um dos itens ou áreas evidencia-
das no “Círculo da Vida”.
• Pense em sua vida, em tudo o que é im-
portante para você. (Pausa) Caso o orientador se depare com um
cliente mais detalhista, que ultrapassa o perío-
• Faça uma lista daquilo em que pensou. do de tempo mencionado, deve estimulá-lo a
(Aguardar que o S a registre.) concluir a tarefa com maior presteza, dizendo-
lhe que seria interessante terminar o trabalho
• Agora, vire a folha e desenhe um círcu- com mais diligência para que se possa conver-
lo repartindo-o em tantas partes quan- sar sobre a produção ainda na mesma sessão.
tos foram os itens listados.
De qualquer modo, caso não seja possí-
• Concluída essa etapa da tarefa, você vel proceder à exploração de toda a tarefa em
deve colorir à sua vontade e dar um uma única sessão, retomar a investigação na
nome a cada parte, identificando o que sessão seguinte.
ela representa.
A exploração da técnica passará funda-
• Quando seu trabalho estiver pronto, mentalmente por dois momentos:
conversaremos a respeito dele.
Exploração do conteúdo
Observação:
Neste primeiro momento, deve-se deixar
Durante a execução da tarefa, visando o cliente mais à vontade, permitindo-lhe de-
a facilitar a reflexão e a introspecção, é reco- marcar e assinalar, conforme seus critérios, o
mendável colocar uma música de fundo, do que considera importante. Ele fará a exposição
tipo new-age ou clássica. conforme sua vontade.

Procedimento Se a fala do cliente for muito rápida e
superficial, o orientador deverá, em um pri-
Ao dar as instruções, o orientador deverá meiro momento, acompanhar a exposição
assegurar-se de que o Sujeito (S) entendeu sem interrompê-la e depois, a seguir, fazer

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Orientação Vocacional Ocupacional 317

perguntas com o objetivo de maior exploração nadas, geralmente dizem não ter se lembrado
dos conteúdos. dela possivelmente por estarem bem. No en-
tanto, vale questionar como está a saúde do S,
É importante não perder de vista que a como é a saúde da sua família, que cuidados
técnica é facilitadora à entrevista e à aborda- o indivíduo tem consigo mesmo, etc., muito
gem de fatos e dados da vida do cliente; por- especialmente se o S coloca a área de saúde
tanto, deve-se buscar informações referentes como possível interesse de escolha.
às áreas básicas de investigação habitualmen-
te focadas em uma entrevista: familiar, esco- Assim, cabe demarcar as áreas “esqueci-
lar, profissional, de saúde e social – na qual das”, com o intuito de conscientizar o indiví-
se incluirão lazer, hábitos, relações afetivas, duo de que somos um todo integrado e de que
hobbies e religião (ver Figuras de 26.1 a 26.6). o autoconhecimento passa por essa amplitude
de nos vermos como seres inteiros.
Observa-se também se o indivíduo se re-
fere ao próprio processo de OP/OV ou à esco- Exploração da forma
lha e vida profissional e se esses são aspectos
demarcados no Círculo como algo importante O orientador também deverá levar o S a
para ele (Figuras 26.5 e 26.6). refletir sobre tamanho e localização do círcu-
lo na folha de papel, número e tipo de áreas
Cabe assinalar aqui que não necessaria- incluídas, tamanho de cada uma delas, cores
mente a pessoa coloca os itens como o ante- utilizadas e intensidade do colorido (Figuras
riormente referido. Em resposta ao convite de 26.1 a 26.6).
distinguir o que é importante em sua vida, o
cliente coloca palavras ou expressões como O orientador deve estar atento à obser-
“meus pais” (em vez de família), “meu namora- vação da produção de seu cliente, refletindo
do”, “sair e passear” (em vez de vida social), etc. e ajudando-o a refletir sobre todos esses parâ-
metros. Deve estar preparado para facilitar o
É ainda comum que, em vez de concei- questionamento sobre:
tos como os já expostos, o cliente registre nas
áreas delimitadas palavras expressando juízo Posição da folha de papel
de valor, como, por exemplo: “solidariedade”,
“honestidade”, “respeito”, “caráter”, “amiza- O S altera a posição original em que a fo-
de”, etc. Nesses casos, deve-se buscar enten- lha de papel lhe foi entregue ou a mantém ao
der seu significado para o Sujeito. Não raro, desenhar? Caso tenha alterado, por que o faz?
ao explicar o porquê da inclusão desses itens
em seu “Círculo da Vida”, o cliente refere-se Kolck (1984, p.7) nos indica que “repre-
às áreas sobre as quais se busca informações. sentando a folha o ambiente delimitado pelas
Por exemplo, ao falar em “solidariedade” e bordas do papel imposto ao sujeito, sua posi-
“amizade”, a pessoa refere-se à sua família, ção indicará como este se coloca perante ele e
dizendo nela encontrar esses valores e a ên- o manipula”
fase a eles.
Tamanho do desenho
De qualquer maneira, o orientador deve-
rá ouvir seu cliente e ajudá-lo a ouvir-se, para O círculo é pequeno (menos de ¼ da fo-
que ele tome consciência do que valoriza em lha), médio ou ocupa a maior parte da folha?
sua vida e para que conheça até que ponto as
áreas mencionadas estão correlacionadas às Observação:
questões referentes à escolha profissional.
Pode-se considerar o diâmetro do círculo
Concluída essa fase da exploração do como correspondente à área de contato do S
conteúdo, antes de passar à etapa seguinte, com o ambiente.
é importante questionar áreas que não foram
mencionadas pelo S e que são de considerável Anderson e Anderson (1967, p. 361) afir-
relevância. Por exemplo, é comum que algu- mam que “o tamanho da figura tem relação
mas pessoas, especialmente os mais jovens,
se esqueçam de colocar qualquer referência
à saúde (Figuras 26.3 e 26.6). Quando questio-

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318 Levenfus, Soares & Cols.

com a fantasia, o grau de autoestima realística Aqui, vale salientar para o cliente a ques-
ou com a expansividade do sujeito”. tão da realização de “escolhas” em situações
diversas como forma de exercício para esco-
Localização do desenho na folha lhas mais significativas na vida, como é a es-
colha profissional.
O círculo está posicionado na parte cen-
tral da folha ou em um dos quadrantes? Em Cabe comentar que a exploração do tra-
qual deles? balho produzido estará a critério do profissio-
nal, dependendo de seu domínio da técnica
Vale observar se há uma preferência pela de entrevista e do conhecimento da técnica do
metade superior da folha, muito principal- “Círculo da Vida”, especificamente.
mente pelo quadrante superior esquerdo, o
que vem ao encontro da observação de Kolck Como vem sendo demarcado, assinala-
(1984) de que, entre os sinais comuns nos dese- se que o objetivo é favorecer a conscientização
nhos dos adolescentes, “em resumo há orien- e auxiliar o cliente a realizar uma comparação
tação do centro para a esquerda e para o alto entre sua maneira de agir durante a execução
da folha” (Kolck, 1984, p. 41). da tarefa e em seu dia-a-dia. O parâmetro de
referência é também aquele utilizado na in-
Ainda referente à questão da localização terpretação do desenho projetivo da figura.
na folha, temos, em Hammer (1991), Como afirma Hammer (1991, p. 42), “na reali-
dade, muitas vezes, nossa expressão psicomo-
No que se refere à localização na di- tora é mais eloquente do que as palavras”.
mensão vertical da página, Buck apresen-
ta a seguinte hipótese: quanto mais acima Exemplos de intervenção
o ponto médio do conceito desenhado
estiver do ponto médio da página, maior É importante salientar que a observação
a implicação de a) que o sujeito sinta que feita pelo orientador será um ponto de partida
está se esforçando, de que seu alvo é re- para o questionamento e visa a ajudar o orien-
lativamente inatingível; b) que o sujeito tando em seu processo de autoconhecimento.
tenda a procurar satisfação na fantasia em
vez de procurá-la na realidade; c) que ele O orientador deve facilitar a percepção
tenda a se manter distante e relativamen- que o Sujeito possa ter de si mesmo, fazendo
te inacessível. (Hammer, 1991, p. 51) comentários sobre a produção e submetendo-
os à apreciação do S para reflexão. Vale ainda
Diversidade e tamanho das áreas enfatizar que não apenas se deve comentar e
chamar a atenção para aspectos “negativos”
O círculo é dividido em muitas ou pou- do desenho (p. ex., círculo pequeno e com
cas áreas? Há diferença de tamanho entre poucas áreas apresentadas), como também é
elas? Se existir, ela deve ser questionada. Essa muito importante facilitar para que o S per-
diferença relaciona-se ao grau de importância ceba e valorize seus aspectos positivos (ca-
ou valorização diferenciada atribuída a cada pacidade de reflexão, amplitude de aspectos
uma? (Figuras 26.1 até 26.6) abordados, estética da produção, etc.).

Cores utilizadas e intensidade do colo- Se o cliente desenha um círculo peque-
rido no, no alto da folha ou em qualquer outro
quadrante, pode-se ter uma percepção de
Questionar o porquê da utilização de sua maneira de relacionar-se com o mundo,
cada uma das cores. O que a cor específica re- de enfrentá-lo e reagir a ele. Nesse caso, o
presenta para o sujeito? Como e por que ela orientador pode dizer: “Vejo que você faz um
foi escolhida para ser colocada no espaço em desenho ocupando apenas parte da folha. O
que se encontra? O colorido é intenso, bem que isso pode indicar?... Em seu dia-a-dia isso
forte (Figuras 26.1 e 26.4), ou as cores parecem também está ocorrendo, ou seja, você ocupa
diluídas e esmaecidas? (Figuras 26.3) apenas uma parte do espaço que lhe é ofere-
cido?... Você está com seu espaço de contato
reduzido como esse círculo?

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Orientação Vocacional Ocupacional 319

Hammer (1991, p. 46) afirma que “dese- Observação: um círculo muito grande –
nhos pequenos são apresentados por sujeitos que ocupa praticamente toda a área do papel
com sentimentos de inadequação e talvez com até quase às bordas – pode indicar excesso de
tendências ao retraimento”. expansividade, sendo, até mesmo, indício de
vivência de uma fase maníaca. Cabe investi-
Vale enfatizar que não se estará fazendo gar melhor por meio da entrevista.
afirmativas, mas sim questionamentos. Con-
vém inclusive dizer ao cliente que ele não 3. Círculo dividido em poucas áreas/
precisa responder às perguntas, mas, espera- itens: pode indicar pessoa inibida e
se, sim, que ele reflita sobre elas naquele mo- com interesses restritos. O orientador
mento e posteriormente à sessão. Caso queira, deverá observar que tipo de áreas ou
poderá responder em outro momento, e o as- itens foram demarcados e auxiliar o
sunto poderá ser debatido. cliente a aperceber-se disso, “chaman-
do-o” a ampliar seu leque de visão,
Como exemplo, serão apresentados al- inclusive através da própria OP/OV,
guns “modelos” de questionamento/reflexão sobretudo a partir da informação ocu-
que o orientador pode realizar referentes ao ta- pacional.
manho, ao número de áreas representadas no
trabalho do cliente e às cores por ele utilizadas: 4. Círculo que apresenta utilização de
poucas cores, com predominância de
1. Círculo bem pequeno (± ¼ da folha), tons suaves que se repetem: pode indi-
na metade inferior do papel: pode es- car baixo nível de energia e pouca liga-
tar representando pessoa com dificul- ção afetiva com as áreas apresentadas. A
dade de posicionar-se, de expor-se e interpretação deve ser feita em relação
pode até ser indicativo de depressão. específica às cores usadas (Figura 26.3).
Nesse caso, o orientador deverá ques-
tionar seu cliente sobre como se sentiu 5. Pessoa que relata não ter escolhido as
frente à execução da tarefa. Foi difícil cores e diz tê-las colocado aleatoria-
realizá-la? É difícil para ele ocupar os mente: vale questionar se, em sua vida
espaços que lhe são oferecidos ou dis- diária, a pessoa procede da mesma
ponibilizados? Como ele vem se sen- forma, ou seja, se recebe as “coisas”
tindo ultimamente frente às exigências prontas, sem nelas interferir. Aprovei-
que lhe são feitas? tar o questionamento para enfatizar a
necessidade e a importância da reali-
O círculo pequeno, em geral, é indicativo zação de pequenas escolhas no dia-a-
de dificuldades no contato consigo mesmo e/ dia que, no entanto, preparam para
ou com os outros (Figura 26.1) ou ainda de co- uma escolha maior e mais significati-
arctação e problemática emocionais. va, como é a escolha profissional.

2. Círculo grande (± ¾ da folha), bem 6. Utilização de cores vivas, colorido pas-
centrado, dividido em diversas áreas e toso: pode indicar sujeito agressivo,
bem colorido: pode indicar pessoa que que busca se impor, ou mesmo sujeito
se coloca com facilidade frente ao meio assertivo e determinado, que investe
e não apresenta maiores inibições; en- no sentido do alcance de seus objeti-
fim, que consegue ocupar bem seu vos (Figuras 26.1 e 26.4).
espaço e diversificar seus interesses
(Figuras 26.2 e 26.3). 7. Uso preferencial por cores muito fortes,
saturadas de preto: pode ser indício de
De acordo com Kolck (1968, p. 8), “de aumento da ansiedade e de repressão.
maneira geral, quanto maior o desenho, maior Pessoa que está em verdadeira ebulição
a valorização de si mesmo, e essa valorização interna e com dificuldades para lidar
será tanto mais compensatória quanto mais
exagerado for o tamanho”.

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320 Levenfus, Soares & Cols.

com seus afetos, tornando-se explosi- orientador, caso não concorde com suas obser-
va, intempestiva (Figura 26.4). Nesses vações. Sempre haverá ganhos nesse diálogo.
casos, quanto maior for o tamanho do
círculo, tanto mais é possível que se CUIDADOS NECESSÁRIOS DURANTE A
esteja frente a um cliente com caracte- INVESTIGAÇÃO
rísticas impulsivas. Lembrar que um
círculo muito grande, que quase não Ao realizar suas indagações, o orien-
cabe na folha de papel, é, por vezes, tador estará convidando o cliente a refletir,
indicativo de elação e até de mania (a favorecendo para que ele possa ampliar a
entrevista poderá confirmar ou não percepção de si mesmo e trazendo também
essa suposição). novas informações ao conjunto de dados. No
entanto, tal questionamento deve ser realiza-
8. Pessoa que se recusa a colorir: geral- do atentando-se para o quê e o quanto o sujeito
mente indica coarctação da emoção, possa receber nesse indagar, ou seja, é neces-
sujeito que nega, teme ou foge das sário que o orientador esteja empaticamente
relações de afeto. Vale comentar que é “conectado” ao cliente, para que não o so-
raro a pessoa se negar a colorir (a ex- brecarregue de perguntas e não o questione
periência aponta maior frequência na além daquilo que ele pode suportar em um
população masculina). Nesses casos, primeiro momento.
os rapazes se utilizam da racionaliza-
ção para justificar sua negativa, dizen- Caso seja interessante, o orientador pode
do, por exemplo: “Já passei da idade voltar a propor a técnica em uma fase mais
de colorir, de desenhar”, “Colorir é adiantada do atendimento, quando perceber
para mulheres”. que o cliente está mais receptivo e conscien-
te; enfim, mais preparado para reflexões de
Os autores especializados são con- maior aprofundamento. Nesses casos, após a
cordes neste ponto: a cor é expressão execução da tarefa, conversará a respeito dela
da afetividade. Os afetos, as emoções e e fará uma comparação com o trabalho ini-
os sentimentos são revelados nos dese- cialmente produzido. Em geral, se percebem
nhos, pelo uso das cores: a quantidade muitos ganhos de uma tarefa para a outra em
de colorido, seja no referente ao número termos de expansão de conhecimentos e de
de cores diferentes utilizadas, seja quan- possibilidades de reflexão.
to à área ou ao espaço colorido; o uso
de tons claros ou escuros; o transborda- É ainda importante comentar que nes-
mento da cor sobre o contorno do dese- sa fase de exploração da técnica (como, aliás,
nho; a escolha de determinadas cores; o deve ser em praticamente todas as técnicas de
riscar no papel em traços fortes; o mis- exploração psicológica), vale a pena não deixar
turar cores para produção de nuances. de considerar a linguagem corporal do S. Deve-se
(Kolck, 1968, p. 80) observar sua postura ao executar a tarefa, o ní-
vel de atenção (e tensão) que a pessoa demons-
Investigações similares, tendo como refe- tra ao realizá-la e ao verbalizar o conteúdo do
rência as aplicações clínicas dos desenhos pro- trabalho executado. Também é interessante
jetivos, podem ser feitas em relação a todos os notar o tom de voz e a expressão do olhar, ou
aspectos do desenho. “A pressão do lápis no seja, a coerência entre o dito e o demonstrado
papel, assim como o tamanho, é uma indica- através do corpo.
ção do nível de energia do sujeito” (Hammer,
1991, p. 47). INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

Reitera-se que o orientador não deve A escolha das cores será questionada para
transformar suas observações em afirmações. averiguação de como ela se deu. Habitualmen-
É importante o orientando perceber que o mo- te ouve-se interpretações do senso comum,
mento é de reflexão; ele pode e deve contestar o como: “Usei esta cor porque verde representa espe-

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Orientação Vocacional Ocupacional 321

rança”; “Azul é cor do céu, significa paz”; “Verme- raro, aparecem também outros tipos de corte
lho é cor quente, cor do coração”, etc. É oportuno – sentido horizontal, diagonal ou outros (Fi-
ouvir a explicação dada pelo cliente e é impor- gura 26.2). Esses cortes “diferentes” sugerem
tante ainda tentar ajudá-lo a entender seu sig- uma pessoa criativa, que se coloca de maneira
nificado relativo à área colorida, questionando, peculiar e preza sua individualidade – o que
por exemplo, “Quando você me diz ser o azul a pode ser um dado importante no que se refere
cor do céu, lhe transmitir paz, como entender o à escolha profissional.
uso do azul aqui, na área de sua família, o que
isso quer dizer? Se o verde lhe sugere esperan- Assim como o tipo de corte mais comum
ça e você o colocou na área da profissão, o que é o “em fatias”, é habitual que as pessoas
você acha que isso representa?”. desenhem utilizando-se da folha no sentido
vertical, principalmente devido aos hábitos
Embora salientando a relevância de ou- de escrita (ver observação no item “Detalha-
vir o cliente e de ajudá-lo a descobrir o motivo mento”).
pelo qual ele fez as escolhas das cores, consi-
dera-se importante que o orientador faça uma Desde que se tenha o cuidado de
leitura das cores de acordo com seu significa- observar a posição em que foi colocada a
do, conforme apresentado por Amaral (1978) folha à frente do sujeito, poder-se-á ano-
(Adendo ao final deste trabalho, com síntese tar as modificações que eventualmente
do significado das cores). Certamente o pro- sejam introduzidas. A modificação ra-
fissional conseguirá mais informações sobre dical na posição tem sido interpretada
seu cliente com esse entendimento, podendo, como sinal de negativismo e de rejeição
na medida do possível, estender a compreen- de sugestões, traduzindo também liber-
são ao próprio S. dade em relação à ordem implícita, que
pode ser manifestação de espírito curio-
Como exemplo, cita-se o atendimento a so e aventureiro, de desejo de afirmação
uma jovem que coloriu de “violeta (vi)” a área e expansão ativa. (Kolck, 1968, p. 19)
que representava o amor. No questionamen-
to, ela disse não saber explicar exatamente por A interpretação deve ser feita conside-
que utilizara aquela cor. Indagou-se, então, se rando-se também outros dados obtidos na
estava tudo bem no relacionamento afetivo, entrevista.
ao que ela respondeu negativamente, dizendo
não ter nenhum contato afetivo no momento e De acordo com Kolck (1968, p. 20), tem-
sentindo-se triste e sozinha. Tentou-se explicar se: “Parece-nos que a interpretação de liberda-
a ela o significado da cor violeta (ver Adendo) de em relação à ordem dada, com seu sentido
e ajudá-la a compreender como, sem saber o de indício de espírito curioso, ativo e cheio
porquê, ela escolhera a cor que melhor repre- de iniciativa, deve prevalecer sobre a ideia de
sentava sua tensão e ansiedade, o incômodo oposição e negativismo”.
frente à situação vivenciada que se referia ao
item “amor”. (Figura 26.5) Raramente encontram-se círculos em
que, em vez de escrever os nomes das áreas
Outros aspectos observados na produção ou dos itens, o S faz desenhos representativos
fornecem indícios possíveis de serem correla- (Figura 26.6). Observa-se que geralmente se
cionados a aptidões e características do cliente. trata de pessoas pouco amadurecidas e com
Assim, a maneira como o S executa e configu- características infantis, devendo ser levado
ra seu trabalho pode sugerir dados relativos em consideração o tipo de desenho realizado.
às aptidões artística e espacial, à criatividade No caso de se perceberem essas duas últimas
e à organização, entre outras, ou mesmo a características no trabalho do S – desenhar no
características de personalidade, como oposi- sentido horizontal da folha e utilizar-se de fi-
cionismo, expansão ou inibição, infantilidade, guras e não de palavras –, é bem provável que
imaturidade, etc. se esteja diante de alguém imaturo e inseguro.
Outros dados do acompanhamento do caso
As figuras apresentadas a seguir eviden- poderão confirmar ou não essa hipótes.
ciam que o mais comum é o S fazer a divisão
do círculo em fatias (formato pizza), mas, não

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322 Levenfus, Soares & Cols.

CONSIDERAÇÕES FINAIS a sensibilidade desenvolvida do profissional
qualificado.
A observação e os comentários a partir do
trabalho realizado permitem auxiliar o cliente Vale o alerta de que talvez seja prefe-
a fazer associações entre a tarefa executada e rível ater-se apenas às áreas representadas,
o que acontece em sua vida diária. É tarefa do usando-as como forma de apresentação pela
orientador transformar suas observações em pessoa e realizar a exploração da relação en-
questionamentos, facilitando a reflexão. tre elas e a escolha profissional, sem que seja
feita a investigação posterior referente à for-
O pedido de utilização de cores é, no- ma (tamanho, localização, cores, etc.), correla-
tadamente, um convite a deixar aflorar a cionando com o dia a dia do sujeito. Especial-
afetividade e dela tomar ciência. Aspectos mente nesses aspectos, a formação de quem
emocionais podem ser observados por meio utiliza a técnica é essencial para saber como e
das cores utilizadas. Pode-se perceber o “mo- até que ponto aprofundar-se.
mento emocional” do S, observando-se se ele
usa cores mais extrovertidas – que sugerem a De qualquer maneira, a aplicação coleti-
ênfase no contato – ou, ao contrário, o esfria- va é possível, e caberá ao profissional orientar
mento afetivo percebido pelo do uso de cores o questionamento, de modo a prevenir um
frias. As cores usadas revelam a relação do S aprofundamento maior do que o desejável no
com a área em que foram utilizadas. grupo e no tipo específico de trabalho (OP/
OV).
APLICAÇÃO COLETIVA DO “CÍRCULO
DA VIDA” A técnica pode fornecer também bons
elementos para discussão de questões como
A técnica pode também ser aplicada co- criatividade, diferenças individuais em rela-
letivamente e servir como forma de apresen- ção aos valores, percepção do que se considera
tação em duplas ou trios. Cada sujeito realiza importante na vida, interferências na escolha
a tarefa individualmente e, em seguida, apre- profissional, etc.
senta-se ao outro a partir do desenho feito.
ADENDO AO “CÍRCULO DA VIDA”
O orientador deve fornecer os parâme-
tros dessa apresentação, coordenando-a e se- Significado das cores segundo o Teste de
guindo as orientações dadas anteriormente
quanto à exploração do “Círculo da Vida”. Pirâmides Coloridas de Pfister, baseado em

A apresentação pode ser feita também Amaral, 1978.
pelo outro membro da dupla ou do trio, ou
seja, primeiramente o próprio sujeito se apre- Verde (vd) – é a cor mais utilizada pelos
senta ao pequeno grupo e, a seguir, é o outro brasileiros, segundo levantamentos estatísti-
membro que o apresenta ao grupo maior. Essa cos. É a cor que, do ponto de vista diagnóstico,
é uma maneira interessante de apresentação. mais significativamente se prende à esfera do
contato, da vida, de relacionamentos afetivo-
No caso da aplicação coletiva, sugere-se sociais. É, por assim dizer, a cor da empatia,
conservar a mesma orientação na aplicação e da intuição e da compreensão.
no uso da técnica, em grupos de até 9 ou 10
pessoas. É ainda conveniente que o orientador Azul (az) – é a cor fundamentalmente
já tenha anteriormente se utilizado dela em representativa do controle. De acordo com
atendimentos individuais e experimentado o grau de intensidade de seus matizes e sua
sua aplicação. Esse cuidado é necessário, pois maior ou menor incidência, o valor significa-
pode ser um pouco difícil a observação e a tivo do azul apresenta certas variações que
possibilidade de boa intervenção por parte do tanto poderão oferecer uma conotação positi-
orientador, caso haja muitas duplas ou trios. A va, de função reguladora e de adaptabilidade,
ajuda do profissional fica limitada, visto que o como negativa, conduzindo à constrição da
questionamento estará sendo feito por outro personalidade.
cliente, por um leigo que não terá, certamente,
Vermelho (vm) – é a cor que surge em ter-
ceiro lugar de preferência na escolha das cores.
É representativa da “acumulação de energia”,

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Orientação Vocacional Ocupacional 323

excitação, impulsividade, irritabilidade. No vamente a partir dos 18 ou 20 anos. Como é
entanto, esse valor só se pode atribuir à cor fruto da associação do vermelho com o azul,
ou à tonalidade quando se leva em considera- traz, igualmente em si, o valor associativo
ção outros fatores observados no trabalho do dessas duas tonalidades. É, então, uma cor
cliente. representativa de tensão e ansiedade por ex-
celência. Expressões como roxo de fome ou roxo
Amarelo (am) – tem a conotação de cor por dinheiro trazem em si, implicitamente, a
estimulante, juntamente com o vermelho conotação de ansiedade que vulgarmente se
(vm) e com o laranja (la). Indica, em princí- empresta à cor.
pio, extroversão, que é tanto mais branda ou
moderada quanto maior for a incidência do Preto (pr) – pertence ao grupo das “co-
amarelo mais claro (am1) sobre o mais escu- res acromáticas”, juntamente com o branco e
ro (am2) ou outras tonalidades claras. Grande o cinza. É, por assim dizer, a negação da cor e
incidência do amarelo pode indicar excitabi- dos estímulos, em termos de vivacidade cro-
lidade afetiva e dificuldade de adaptação ou mática, podendo ser considerado a própria
manifestação do afeto de maneira exagerada, repressão ou negação de estímulos. O preto
pouco convincente, superficial. é, primordialmente, índice de repressão, ini-
bição, constrição, tristeza. Secundariamente,
Laranja (la) – cor intermediária ou as- indica angústia e depressão.
sociada (vm + am), é consequentemente esti-
mulada pela interferência dessas duas. Tem o Branco (br) – é geralmente pouco utili-
valor significativo de extroversão, considerada zado pelos adultos, pois pode ser entendido
como mais ou menos intensa quanto mais es- como contrário às instruções básicas do teste
cura ou clara for a tonalidade do laranja utili- que convida à utilização de cores. Seu valor
zado. Assim, o laranja mais forte (la2) é mais significativo liga-se à noção de vazio interior,
representativo de impulsividade e descontrole. de vazio afetivo, de um hiato afetivo-emocio-
Também se costuma atribuir ao laranja o valor nal. Seu aparecimento em proporções mais
de ambição, anseio de produção e de fazer-se elevadas indica vulnerabilidade, carência ou
valer por meio da produtividade. insuficiência dos dispositivos de controle e de
estabilização, podendo indicar fragilidade da
Marron (ma) – sua afluência é maior na estrutura de personalidade.
infância e início da adolescência até mais ou
menos 15 anos, decaindo com o aumento do Cinza (cz) - seu valor significativo é um
grau de maturidade, tornando a ser expres- pouco ambíguo. Ao mesmo tempo em que é
siva à medida que se verifica o aumento da carência, busca e necessidade de afeto, é tam-
idade até a velhice (acima de 60 ou 65 anos). bém vazio, desadaptação, rejeição e repressão
Parece ligada, em termos de expressividade, afetiva. Indivíduos que usam o cinza em maior
à esfera primitiva dos impulsos. Revela ener- quantidade costumam projetar seus afetos no
gia, ação, dinamismo, reação que poderia se mundo de maneira tímida e extremamente an-
aplicar à destruição, mas que, canalizada com siosa.
adequação, pode converter-se em produtivi-
dade, realização ou mesmo em criatividade. Observação: Este resumo foi feito con-
Pesquisas mais recentes revelam ser represen- siderando-se o significado específico de cada
tativa da adaptação, especialmente para o ho- uma das cores, mas há significações comple-
mem brasileiro. mentares, dependendo do matiz da cor que
é utilizada (mais claro ou mais escuro). Há
Violeta (vi) – Termo usado em substitui- certas cores que possuem até quatro matizes
ção ao “roxo”. Observa-se sensível afluência diferentes, tendo, cada um, seu significado
de violeta no período de transição, pré-puber- determinado. Para maiores informações vale
tário e pubertário, passando a decair gradati- consultar a bibliografia específica.

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324 Levenfus, Soares & Cols.

REFERÊNCIAS

AMARAL, F.V. Pirâmides coloridas de Pfister. 2.ed. Rio de Janeiro: CEPA, 1978.
ANDERSON, H.H.; ANDERSON, G.L. Técnicas projetivas do diagnóstico psicológico. São Paulo:
Mestre Jou, 1967.
CUNHA, J.A. Psicodiagnóstico–R. 4. ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 1993. cap. 3, p.29-50.
HAMMER, E.F. Aplicações clínicas dos desenhos projetivos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1991.
KOLCK, O.L.V. Interpretação psicológica de desenhos. São Paulo: Pioneira, 1968.
_____. Testes projetivos gráficos no diagnóstico psicológico. São Paulo: EPU, 1984.
MÈREDIEU, F. O desenho infantil. 10.ed. São Paulo: Cultrix, 1997.

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Orientação Vocacional Ocupacional 325

Exemplos do Círculo da Vida1

Figura 26.1

Figura 26.2
Figura 26.3
1Veja as figuras coloridas na parte interna da capa deste livro.

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326 Levenfus, Soares & Cols.

Figura 26.4

Figura 26.5
Figura 26.6

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Índice

OP: orientação profissional
OV: orientação vocacional
OVO: orientação vocacional ocupacional

A Metodologia de ativação da aprendizagem
(MAP)
Abordagem clínica da OVO 39, 117-130
conceito 117-118 Autobiografia escrita na OV 299-307
diagnóstico de orientabilidade 123-127 aplicação 302
ansiedades predominantes 125-126 avaliação 303
carreiras como objeto 127 conceito de “si mesmo” 300-302
fantasias de resolução 123-124 fases e fatos da minha vida 306-307
momentos pelos quais o adolescente características da escrita 307
passa 124-125 vícios de linguagem 307
motivo da procura 123 objetivo do instrumento em OVO 307
situações que o adolescente vivencia plano das estruturas formais 306
126-127 plano do conteúdo 303-306
OP 118 adições 305
orientação vocacional clínica na prática apresentação de si mesmo 303
122 ato falho 305
OVO 118-120 dimensão temporal 304
estratégia clínica 119-120 experiência de vida 306
modelo dual 118 implicância pessoal ou abordagem do
OVO como atendimento clínico breve instrumento 303
120 nível de aspirações 304
atividade 120-121 nível somático 304-305
foco 122 quantidade de conteúdo 305-306
planejamento 121-122 relações vinculares 304
OVO versus psicoterapia 127-130 religiosidade 306
sujeito da escolha 122-123 vida escolar 305
possibilidades e vantagens 300
Abordagem cognitivo-evolutiva do rapport 302-303
desenvolvimento vocacional 95-103
Autoconceito 48-49
Abordagem psicopedagógica em OP. Ver

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328 Levenfus, Soares & Cols.

Avaliação dos interesses profissionais (AIP), D
teste. Ver Teste: avaliação dos interesses
profissionais (AIP), proposta de interpretação Decisão e OV 41
psicodinâmica
Desenhos de profissionais com estórias
Avaliação dos valores na orientação de (DP-E) na OP 194-203
carreiras 287-296 características e análise dos DP-E 195-196
estudo de caso 196-202
conscientização dos valores 292 análise da 1ª unidade de produção
checklists 292 198-199
análise da 2ª unidade de produção
contexto geracional e valores de carreira 199-201
28-289 análise da 3ª unidade de produção
201-202
diferenças de gênero na percepção de análise da 4ª unidade de produção 208
valores 291-292 trabalho de intervenção em OP 203

estudo de caso 294-296 Dúvida e OV 40-41
Einstein 294
Gandhi 294 E
Napoleão 294-295
Era de Kairos 20
experiências culminantes 292-293
pessoas admiradas 293-294 Escala de Aconselhamento Profissional
(EAP), contribuições para a orientação de
tipos de valores ocupacionais 291 carreira 183-192
valores 287-292
descrição das dimensões 187-188
e desenvolvimento humano 287-288 dimensão 1 – ciências exatas 187
e escolhas de carreira 288 dimensão 2 – artes e comunicação
e interesses ocupacionais 289-291 187
na orientação de carreira 292 dimensão 3 – ciências biológicas e da
saúde 187
B dimensão 4 – ciências agrárias e
ambientais 187-188
Berufsbilder Test (BBT) 211-223 dimensão 5 – atividades burocráticas
BBT e as profissões 215-216 188
contextualização 211-212 dimensão 6 – ciências humanas e
estudo de caso 218-222 sociais aplicadas 188
na OP 217-218 dimensão 7 – entretenimento 88
objetivo e princípios teóricos 212-215
constituição 212-215 EAP 186-187
possibilidades de aplicação 216-217 interesses profissionais e orientação de

C carreira 183-186

Competências 24-25 Escala de maturidade para escolha
Construção de projetos profissionais. Ver profissional (EMEP) 204-209

Escola e escolha profissional

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Orientação Vocacional Ocupacional 329

conceito de maturidade 204 F
descrição da escala 205
usos da escala 207 Filhos de pais separados e escolha
estudos de caso 207-209 profissional 136-144
adaptação 136-137
Escolha e OV 41-42 aspectos referidos por filhos na OV
138-139
Escola e escolha profissional 31-37 negação e idealização 138-139
construção de projetos profissionais 34 autoconceito 137-138
escolas brasileiras 34-37 comportamento evitativo frente à tomada
histórico da OP 31-33 de decisão 139-149
influência da escola 34 autoconceito superpositivo 141-143
medo de escolher errado 140
Escola privada e OP 57-63 relação casamento-profissão 140-141
modelo de OP – ensino médio 61-63 pai desvalorizado versus mãe competente
execução 61 143-144
procedimentos 61 medo de depender dos outros 143
recursos didáticos 61-63 mulher e trabalho 143-144
separação dos pais 136
Escola pública, OP em grupo 65-78
direções possíveis e desafios necessários G
77-78
envolvimento da escola e da família 76-77 Gosto e OV 40-41
objeto de investigação e de intervenção em
OP 66-68 I
método clínico em escolas 66-68
procedimentos de intervenção 68-76 Identificação e OV 49-50
avaliação do processo 76
considerações sobre as técnicas 75-76 Influências e OV 46-48
divulgação e sensibilização 70
entrevistas e encaminhamentos 71-72 Informação e OV 45-46
grupos de OP 72-75
inscrições para a OP 71 Interferência financeira e OV 42
oferecimento da proposta nas escolas
68-70 J
proposta de OP 68
objetivos principais na escola pública Jogo em OP 237-243
68 estudo de caso 241-242
ambiente de trabalho 242
Estágios da OP atividades de trabalho 242
clínico 19 objetos/conteúdos de trabalho 242
informativo 19 profissões relacionadas aos critérios
Kairos 20 para a escolha profissional 242-243
político e social 19
psicométrico 19

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330 Levenfus, Soares & Cols. M

retornos do trabalho 242 Mercado e OV 43-44
rotina de trabalho 242
forma de aplicação 238-239 Metodologia de ativação da aprendizagem
fundamentos teóricos 2237-238 (MAP) 106-115
instruções 239-241 abordagem psicopedagógica em OP
aplicação em grupos grandes 241 111-112
aplicação em pequenos grupos aplicabilidade da abordagem
psicopedagógica 112-114
240-241 bases teóricas 107
aplicação individual 239-240 construção, transformação e continuidade
material 239 115
objetivos 238 fundamentos básicos 108
histórico 107
Jogos e técnicas para grupos de orientação. novos paradigmas e demandas
ver Técnicas e jogos para grupos de contemporâneas 106-107
orientação princípios da Gestalt 110
princípios da unidade operatória 109
Jovens simbiotizados e não escolha princípios de ativação da aprendizagem
profissional 158-167 108
princípios do processo decisório 109
ansiedades mobilizadas pelo processo princípios do processo operatório 109
159-163
baixo índice de informação 162 Modalidades de trabalho e técnicas em OP
desidealização 160 247-257
desidentificação 160 entrevista individual 256-257
duas acepções acerca da separação OP individual e técnicas 255-256
160-161 OP em grupo e uso de técnicas 248-256
indecisão e dúvida 161-162 papel coordenativo do orientador
quase ausência de fala no grupo 161 252-256
sem influência e sem desejo dos pais
162-163 Mudanças de paradigma na orientação
educacional 20-22
autoconceito de emotividade e
incompetência 165-167 N
pânico 165-166
peculiaridades 166-167 Narrativas de vida na orientação de carreira
274-285
individuação na adolescência 159 apresentação da técnica 279
problemas respiratórios e médicos análise e edição do tema de vida
279-280
identificados 163-165 coleta de histórias 279
desejo de uma profissão “bem leve” definição de alternativas futuras 281

165

L

LABOR 26

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Orientação Vocacional Ocupacional 331

relação entre tema de vida e indecisão novos espaços de intervenção 27-29
280-281 criação de centros de carreira nas
universidades 28
carreira como processo subjetivo 274-275 desemprego e grupos de reflexão de
carreira, novos conceitos 274 inclusão social 28
contar histórias 276 escolarização e inclusão no mercado
de trabalho 27
análise evolutiva 276 orientação e planejamento de
e formação da identidade 278 carreira 27
estudo de caso 281-282 OP em cursinhos para população de
análise das histórias e a edição do tema baixa renda 27-28
OP na grade curricular 27
de vida 283 políticas públicas 28
histórias de identidade 282 sindicatos e órgãos de classe 28
histórias familiares 282
relação entre o tema de vida e a novos espaços possíveis 29
OP pela internet 29
indecisão 284-285 programas de TV 29
indecisão vocacional 275-276 publicações de autoajuda 29

definições positivistas da 275 novos espaços de reflexão 29
enfoque construtivista 275-276 Fórum de políticas públicas em OP
nível ideológico 277 29
nível temático 277
primeiras recordações, significado 277-278 papel profissional e de estudante,
tonalidade afetiva 276 justaposição 23-24
mudanças na carreira e na educação
Não escolha profissional de jovens 23-24
simbiotizados. Ver Jovens simbiotizados e
não escolha profissional OP no Brasil, panorama atual 25-27
LABOR 26
NAP 27 NAP 27
NOP 27
NOP 27

O P

Orientação profissional Pais separados: filhos e escolha profissional.
em grupo. Ver Escola pública, OP em grupo Ver Filhos de pais separados e escolha
na pós-modernidade 19-29 profissional
competências 24-25
era de Kairos 20 Perda parental 146-156
estágio clínico 19 características apresentadas em OV por
estágio informativo 19 jovens com perda parental 150-156
estágio político e social 19 dispersão de energia psíquica 150
estágio psicométrico 19 efeitos da baixa autoestima 151-152
mudanças de paradigma 20-22 futuro da dependência 155-156
implicação na orientação profissional influência do morto 152-153
22-23

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332 Levenfus, Soares & Cols.

interesses profissionais e luto 152 Técnicas e jogos para grupos de orientação
marca do inconformismo 150-151 260-272
negação 151 apresentação por telas ou cartões
pessimismo quanto ao mercado de publicitários 260-161
comentários 261
trabalho 151 consigna 261
pouca informação 154-155 histórico 260
solidão 153-154 material 260-261
visão negativa das profissões 154 determinantes da escolha 269-271
marca da ambivalência 149-150 comentários 269-270
qualidade do vínculo 149-150 consigna 270
na adolescência 147-149 impedimentos de escolha 270
luto e melancolia 1148-149 objetivos 270
na infância 147 fantoches das profissões 265-266
consignas 266
Projeto de carreira 82-90 material 266
revisão da literatura 83-89 objetivos 265-266
construção de projeto de carreira 87-88 gincana das profissões 263-264
missão e visão 86 comentários 264
modelos de plano de carreira: modelo consigna 264
de Vicky Bloch 87 material 264
parcerias 89 objetivo 264
projeto como jornada 84-86 loja de trocas profissionais 271
sonhos, obstáculos e contos 83-84 comentários 271
consigna 271
Projetos profissionais. Ver Escola e escolha objetivos 271
profissional sociometria grupal 261
consigna 261-262
T objetivos 261
stop das profissões 264
Técnica do Círculo da Vida 314-323 comentários 263
aplicação 315-316 consigna 263
aplicação coletiva 322 histórico 264-265
cuidados necessários durante a objetivos 264-265
investigação 320-321 técnica da balança 271-272
exploração da técnica 316-320 comentários 272
fundamentação teórica 314-315 consigna 271-272
significados das cores segundo o Teste de objetivo 271
Pirâmides Coloridas de Pfister 322-323 técnica dos interesses em comum 263
comentários 263
Técnica dos bombons 309-313 consigna 263
análise da escolha 310-313 material 263
início da aplicação 310-313 objetivo 263
material 309-310

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técnica para analisar interesses e Orientação Vocacional Ocupacional 333
potencialidades 268-269
comentários 268-269 Teste: avaliação dos interesses profissionais
consigna 268 (AIP), proposta de interpretação
objetivos 268 psicodinâmica 173-192
achados sobre interesses diferenciados por
técnica para trabalhar a percepção da sexo 178
satisfação no trabalho 266-268 achados sobre levantamento de áreas
comentários 267-268 conjugadas 178-180
consignas 267 campos de interesses 174-177
histórico 266 CBS – Ciências Biológicas e da Saúde
material 267 177
objetivos 267 CCE – Campo Comportamental
Educacional 176-177
“teia grupal” associada ao “nome do CCF – Campo Cálculos/Finanças
índio” 262-263 174
comentários 263 CCP – Campo Comunicação/Persuasão
consigna 262-263 175
material 262 CFM – Campo Físico/Matemático 174
objetivos 262 CFQ – Campo Físico/Químico 174
CJS – Campo Jurídico/Social 175
Temas trazidos por jovens em OV 40-48 CMA- Campo Manual/Artístico 176
autoconceito 48-49 COA – Campo Organizacional
decisão 41 Administrativo 174-175
dúvida 40-41 CSL – Campo simbólico/linguístico
escolha 40-42 175-176
gosto 39 entendendo a qualidade da resposta
identificação 49-50 180-181
influências 46 material e aplicação 177
“cara de...” 48 caderno de aplicação 177
da família 48 crivo de apuração 177
das pessoas 48 folha de respostas e rapport 177
de amigos/do(a) namorado(a) 48 protocolo de levantamento 177
do meio 48
dos avós 48 Teste de fotos de profissões. Ver Berufsbilder
dos pais 47-48 Test (BBT)
dos professores 48
informação 45-46 Teste de frases incompletas 225-243
interferência financeira 42 análise 227228
mercado 43-44 análise conclusiva 233
universidade 43 análise das categorias 231-232
vestibular 50-51 ansiedade com relação à escolha
centralização na tarefa de OV e 232-233
maturidade para a escolha ansiedade com relação ao futuro 233
profissional 50-51 habilidades 231-232
influências 232

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334 Levenfus, Soares & Cols.
interesses 231
valores 232

aplicação 226
classificação dos conteúdos 231
estudo de caso 228

U

Universidade e OV 43

V

Vestibular e OV 50-51

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