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Published by Paula Rocha Nogueira Diário do Entorno, 2026-02-17 18:51:42

REVISTA CECS_ed1 (3)

REVISTA CECS_ed1 (3)

As Constelações Sistêmicas foramreafirmadas no encontro como umaabordagem integrativa de impactosocial crescente, com aplicaçõesreconhecidas nos campos da saúdepública, do sistema de justiça, dasorganizações e da educação.Ao fim do encontro, foi reforçadoque a abordagem, ao promoverreconciliação, pertencimento efortalecimento dos vínculoshumanos, é, em sua essência, uminstrumento de defesa da dignidadehumana — e, por isso, um direito quedeve ser garantido a todos. (Textopublicado no dia 1º de agosto de2025 e atualizado em 19 de janeirode 2026)Dagmar Ramos, segunda dirigente a ocupara presidência do CECS, médica psiquiatra,psicoterapeuta, homeopata, especialista emmedicina preventiva e social, reafirmou quemanter as Constelações no SUS é umabandeira de justiça social e uma ação dedefesa da saúde como direitofundamental


Professor, psicoterapeuta transpessoal, PhD emantropologia social, pesquisador e consteladorportuguês apresenta em live internacional promovidapelo CECS reflexões sobre a escrita como instrumentode cura e a prática fenomenológica como caminho detransformação.“A Constelação não é um ritual derespostas, é um convite à escuta profunda”, afirma.Médica Dagmar Ramos enfatiza importância daunião de esforços em prol da valorização desseconhecimento:“Celebrar a abordagem é celebrar avida”. Diretora Científica Roseny Flávia Martins citaimportância da construção de um espaço deaprendizado contínuo. Mediadora Erica LopesFerreira chama atenção para importância dasheranças emocionais na criança interiorEscrita,curaefenomenologia:JoaquimMarujodefende éticaeprofundidadenas ConstelaçõesSistêmicasFamiliares


O Centro de Excelência emConstelações Sistêmicas (CECS)realizou, no dia 30 de julho de 2025,uma live internacional com oportuguês Joaquim Marujo,psicoterapeuta transpessoal, doutorem antropologia e mestre em ClínicaSaúde Mental.A partir do tema‘Escrita e cura: umencontro com as Constelações emPortugal’, o autor compartilhoutrajetória e estudos que integrampráticas terapêuticas e reflexãoacadêmica sobre a narrativa comocaminho de cura eautoconhecimento.Amediação ficou sobresponsabilidade da diretoraCientífica do CECS, Roseny FláviaMartins, pesquisadora PhD ereferência na área e Erica LopesFerreira, cirurgiã-dentista formadapela UFPR, que acumula produçãocientífica nacional e internacional,formação em Constelação Familiarna água, psicossomática, físicaquântica e consciência sistêmica.Joaquim Marujo defendeu que anarrativa escrita é um gesto deconsciência que integra corpo, mentee alma ao promover processosprofundos de reorganização interna.“A Constelaçãonão é ciência nosentidoreducionista. Ela éuma ética paciente dever o que é, como é, edeixar que semanifeste”, afirmouJoaquim Marujo.“Averdadeira curaacontece quandodeixamos dequerer controlar epassamos a escutar”,pontuouDurante o encontro, ele enfatizou aimportância de uma postura éticapor parte do facilitador.“AConstelação não é um exercício decontrole, mas um campo de escutafenomenológica e de suspensão dosaber”, afirmou. Ele alertou sobre osriscos das interpretações prematurase das práticas invasivas quedesrespeitam a singularidade dashistórias de cada cliente.


Segundo observa, a alma se revela napresença silenciosa, no acolhimentorespeitoso e na ausência de qualquertentativa de controle ou interpretaçãoapressada.Segunda dirigente a ocupar apresidência do CECS, médica,homeopata e psicoterapeuta DagmarRamos, especialista em medicinapreventiva e social, destacou aresponsabilidade do facilitador dianteda potência da abordagem.Roseny Flávia Martins ressaltou aurgência de promover espaços deescuta ética e de aprofundamentoacadêmico. Erica Lopes Ferreirachamou atenção para a integraçãodas heranças emocionais de traumase dinâmicas dentro do sistemafamiliar e a criança no camposistêmico. Dentro do contexto dasConstelações Familiares, solicitou acontribuição do professor Joaquimem relação ao trabalho com a criançainterior.O evento reafirmou ocompromisso do CECScom a construção de umabase acadêmica sólidapara as Constelações, aoarticular teoria, práticaclínica e responsabilidadeéticaO convidado especial JoaquimMarujo anunciou a produção de ume-book exclusivo para a instituição, afim de ampliar os recursos didáticospara formação de consteladores noBrasil.Compromisso com a defesada abordagem sistêmicaNa abertura do evento, a médicaDagmar Ramos deu as boas-vindasao convidado e aos participantes.Destacou a relevância do momentopara a comunidade das Constelaçõesno Brasil. Citou a recente reuniãoentre as três associações quedefendem a abordagem no país:Associação Brasileira deConsteladores Sistêmicos (ABC),Instituto Brasileiro de ConsteladoresFamiliares (IBCF) e Centro deExcelência em ConstelaçõesSistêmicas (CECS). Ela enfatizou aimportância da união de esforços emprol da valorização desseconhecimento.Dagmar ressaltou o trabalho dearticulação do CECS que, desde afundação em 22 de fevereiro de2024, promove iniciativas paraampliar a presença das Constelaçõesna sociedade e no campo acadêmico.


“Celebrar as Constelações é celebrar avida. Elas transformaram as nossaspráticas profissionais e têmimpactado positivamente a existênciade muitas pessoas. Nossocompromisso é continuar na defesa eno fortalecimento dessa abordagemno Brasil”, pontuou.Roseny Flávia Martins iniciou aparticipação na live com destaque paraos avanços do Grupo de Trabalho (GT)Científico na produção e organizaçãode referências acadêmicas sobreConstelações Familiares e Sistêmicas.Segundo ela, a equipe atua de formacontínua na construção de uma basesólida de materiais teóricos e práticos,essenciais para o fortalecimento daabordagem.O GT Científico realizou um extensolevantamento bibliográfico aocatalogar referências disponíveis sobreConstelações, informa Roseny. Comoresultado, foi elaborada uma planilhaque atualmente reúne mais de 650referências, sendo aproximadamente50% compostas por livros, 25% porartigos científicos e o restante pormateriais diversos, o que incluidocumentos técnicos, vídeos epublicações especializadas.GT Científico amplia base dereferências acadêmicas sobreConstelações SistêmicasO tema da live –‘Escrita ecura: um encontro com asConstelações em Portugal’- foi apontado por RosenyFlávia como umaoportunidade ímparparaaprofundar as discussõessobre a narrativa comoinstrumento terapêutico. Aproposta, segundo ela, foiexplorar como a escritapode se articular à práticasistêmica, ao promoverprocessos de autoconhecimentoe reorganização internanosindivíduos, referendada peloprofessor Joaquim MarujoDurante sua fala, Roseny enfatizou arelevância do professor Joaquim Marujocomo membro integrante do GTCientífico. Ressaltou sua atuação diretano apoio às atividades de pesquisa e naconsolidação de uma produção teóricaque dialogue com as práticas deConstelações Sistêmicas, especialmenteno contexto europeu.“Ele nos auxilia de maneira muitovaliosa, traz uma perspectivainternacional e uma base teórica densapara o nosso trabalho”, afirmou.


O trabalho desenvolvido pela equipecientífica do CECS, conformesalientado pela diretora, buscalegitimar e ampliar o campo deestudos sobre Constelações Familiares,a fim de assegurar uma baseacadêmica robusta que dialogue compráticas clínicas e a realidade dosprofissionais que atuam na área.Erica Lopes Ferreira destacavolume expressivo da produçãocientífica de MarujoErica Lopes Ferreira apontou aparticipação do professor JoaquimMarujo no evento como um marcopara o aprofundamento acadêmico ecientífico das Constelações Sistêmicasno Brasil. Ela enfatizou que a presençado convidado representa um momentode grande relevância para o CECS pelaqualidade de sua trajetória e pelaprofundidade de suas pesquisas.Durante a introdução, Erica destacou apublicação do livro‘A puta daevidência científica versus a ingênuafenomenologia sistêmica e psicológicanas Constelações SistêmicasFamiliares’, obra de autoria deJoaquim Marujo que já se encontra naterceira edição. Ela apontou que aleitura do livro é essencial paracompreender os desafioscontemporâneos enfrentados pelaabordagem, especialmente no cenáriobrasileiro.“Recebi o livro como umpresente e faço questão de agradecerpublicamente, pois é uma obra deextrema relevância, que dialoga com ocontexto atual que vivemos no Brasil”,pontuou. A edição atual do livro,revista e aumentada, conta com otítulo atualizado'A cura da loucura oua loucura que cura - ConstelaçõesFamiliares entre a Fenomenologia e aCiência'. A aquisição no Brasil pode serfeita por meio da Loja UiclapParticipantesda live internacional comprofessor JoaquimMarujoque teve comotema “Escrita e Cura: umencontrocomas Constelações emPortugal”emeventopromovidopelo CECSquediscutiu a narrativa comoinstrumentoterapêuticodeautoconhecimentoe transformação


Erica leu a biografia do convidado esalientou o volume expressivo daprodução científica de Marujo, comdezenas de artigos e publicações emjornais acadêmicos e de divulgaçãocientífica, voltados às áreas depsicologia e gerontologia. Ele integradoze associações internacionais depesquisa e prática em Constelações,entre elas o próprio CECS, onde atuacomo membro ativo do GT Científico.JoaquimMarujo defendeética e profundidade naprática terapêuticaJoaquim Parra Marujo é PhD emantropologia social, com extensaatuação como investigador e terapeutatranspessoal em Portugal e em outrospaíses da Europa. CEO daUnitranspessoal – Unidade deInvestigação em Gerontologia ePsicologia Transpessoal. Atua comoformador em psicologia transpessoal eConstelações Familiares,Organizacionais e Pedagógicas emLisboa, Leiria, Polônia, Malta, Noruegae Brasil.O professor iniciou a participação nalive internacional do CECS ao relatar ocontexto que motivou a escrita de seumais recente livro sobre ConstelaçõesFamiliares. Explicou que, após convitede sua editora e de alunos, foi desafiadoa produzir a obra em apenas três meses.O livro‘A puta da evidência científicaversus a ingênua fenomenologiasistêmica e psicológica nasConstelações Sistêmicas Familiares’surgiu a partir da necessidade derefletir criticamente sobre os desafiosenfrentados pelas ConstelaçõesSistêmicas no campo científico, bemcomo de defender a legitimidade e acomplexidade da abordagemfenomenológica frente aos discursosque desconsideram sua contribuiçãopara a saúde e o bem-estar.Assim, Marujo assumiu aresponsabilidade de elaborar umaobra que confrontasse adesinformação com fundamentoscientíficos e filosóficos, ao ofereceruma defesa qualificada da abordagemsistêmica.Marujo destacou que a escritaterapêutica nas Constelações não sereduz a uma narrativa linear, mas deveser compreendida como gesto,símbolo e presença.Para ele, a escrita é um ato deconsciência que integra corpo, mentee alma. Permite ao indivíduo resgatare reorganizar fragmentos dispersos desua história.


Joaquim Marujo manifestoupreocupação com a popularizaçãoindiscriminada das Constelações.Criticou cursos de baixa qualidade epráticas que desrespeitam princípioséticos e epistemológicos.Ética constelativa e osriscos da popularizaçãosem critériosEle descreveu a escrita como um canalque transita do trauma ao sentido, dador à lucidez, e da separação à unidade.Enfatizou que, quando associada àsConstelações Familiares, ultrapassa aesfera do individual e acessa camposcoletivos, ancestrais e transgeracionais.Marujo alertou para os riscos deinterpretações precipitadas egeneralizações. Reforçou que aabordagem exige uma escuta ética, umapostura fenomenológica e umaprofunda reverência à singularidade decada história.Ele relatou exemplos de condutasinadequadas, como diagnósticosapressados e interpretações invasivaspor parte de facilitadores que impõemao cliente narrativas não confirmadas,o que gera traumas secundários erompimento da aliança terapêutica.A escrita, segundo Marujo, deve serconduzida com extrema cautela.Condenou o uso de exercíciospadronizados de perdão, que ignorama história pessoal do cliente e forçamreconciliações artificiais.Para ele, a escrita constelativa deveemergir de forma espontânea, comoum espaço de expressão livre eprofunda, sem imposições ouexpectativas de resultado.“A escritaconstelativa não éuma técnica, é umaabordagemmultidimensionalque atravessaterritóriosíntimos daalma humana”(Joaquim Marujo)JoaquimMarujo, PhDemantropologia social comextensaatuaçãocomoinvestigadore terapeutatranspessoal emPortugal e emoutrospaísesda Europa:“Aalma nãosecontrola. Ela semanifestaquandoofacilitador sustentaosilêncio, respeitaotempodocliente epermiteque adorrevele seu sentido”


A Constelação como campo deescuta e suspensão do saberO convidado defendeu que overdadeiro papel do facilitador é ocuparo lugar de uma“testemunha humilde”,capaz de sustentar o campo constelativosem invadir ou interpretarprematuramente os fenômenos queemergem.Ele criticou práticas que atribuemsignificados fixos a imagens simbólicas.Ressaltou que o campo dasConstelações não oferece provas, masindícios, e que cabe ao clientereconhecer, no seu tempo, o sentido desua experiência.Marujo enfatizou que a abordagemtrabalha com verdades existenciais, enão empíricas.“A Constelação não opera porexplicações causais, mas pela apariçãodos fenômenos. O foco é no que semostra, não no porquê”, afirmou.Ele alertou para os riscos de umaatuação terapêutica contaminada porcrenças pessoais. Defendeu uma éticada escuta inspirada nos filósofosEmmanuel Lévinas e Paul Ricoeur, emque o outro é reconhecido como sujeitoirredutível.Lévinas e Ricoeur são dois importantesfilósofos franceses do século XX, cujasobras compartilham foco na ética e narelação com o outro.Marujo propôs diretrizes para umaprática ética que incluem o respeito àautonomia do cliente, sigilo econfidencialidade, contenção eneutralidade do facilitador, e distinçãoclara entre escrita criativa econstelativa.Joaquim Marujo reiterou que averdadeira ajuda no contexto dasConstelações não é salvar ou corrigir ooutro, mas sustentar um campo depresença que permita à pessoacaminhar em seu próprio ritmo, emrespeito à complexidade de suatrajetória.A prática da escrita constelativa:limites e possibilidades“A Constelaçãonão é umritual derespostas, mas umconvite à escutaprofunda e aoreconhecimentodas múltiplasdimensões daalma humana”(Joaquim Marujo)O psicoterapeuta transpessoalJoaquim Marujo aprofundou suaexplanação sobre os fundamentos dasConstelações ao destacar a alma comoelemento central do campo sistêmico.


Ele utilizou a metáfora do átomo paraexplicar como o espaço vazio, onde amatéria não é visível, representa aalma dentro de uma Constelação.Segundo Marujo, o verdadeiroconteúdo não se encontra noselementos visíveis, mas no vazio queabriga a informação sistêmica.“Quando um representante entra emcampo, ele ocupa apenas 0,1% dainformação disponível. O restantepermanece no campo invisível, àespera de ser percebido semjulgamentos”, afirmou.Para Marujo, a Constelação não é umprocesso de repetição mecânica, masum fenômeno único, que exige dofacilitador uma posturafenomenológica: escutar sem rotular,observar antes de interpretar epermitir que o fenômeno se manifestecom integridade.Ele ressaltou que a alma sistêmicaabarca vínculos familiares, padrõestransgeracionais e dimensõestranspessoais. Integra ordens ocultasque só emergem pela abertura docampo.Marujo trouxe a teoria dos camposmórficos do biólogo britânico RupertSheldrake para ilustrar como estruturasinvisíveis modelam padrões decomportamento ao longo do tempo.Ele mencionou as ideias do biólogoaustríaco Ludwig von Bertalanffy sobrea auto-organização dos organismoscomo sistemas abertos, ao reforçar quea Constelação opera numa lógica deressonância intersubjetiva.Durante o processo, os representantesacessam emoções, dores e intuições quenão lhes pertencem individualmente,mas refletem desordens, exclusões erepetições presentes na alma coletiva.“O campo revela o que estava oculto,traz à consciência aquilo que precisa serintegrado e curado”, disse Marujo.Campos mórficos e aressonância da alma coletivaA atitude do facilitador:escuta e suspensão do saberO professor português frisou aimportância de uma postura ética porparte do facilitador. Ele destacou que averdadeira função do terapeuta ésustentar o campo com uma escutaativa e sem interpretações precipitadas.


Marujo apontou que sintomas edoenças devem ser vistos comocaminhos de revelação, e não comoanomalias a serem corrigidas.Ele propôs que a alma, dentro daConstelação, atua como uma ponteentre a personalidade e o self, aointegrar dimensões arquetípicas,espirituais e cósmicas.Trabalhar com a alma significareconhecer os ciclos naturais daexistência, aceitar a impermanência eintegrar as polaridades que habitam aexperiência humana.A palavra escrita, o silêncio do campo ea escuta do corpo foram apontadoscomo veículos essenciais para acessar asdimensões mais profundas da alma. Elecriticou a cultura da busca por soluçõesimediatas. Enfatizou que a Constelaçãopropõe um caminho de pausa e dereverência à complexidade dosprocessos internos.“A Constelação não é ciência no sentidoreducionista. Ela é uma ética pacientede ver o que é, como é, e deixar que semanifeste”, afirmou.A Constelação comopráticamultidimensional“A alma não se controla. Ela se manifestaquando o facilitador sustenta o silêncio,respeita o tempo do cliente e permite quea dor revele seu sentido” (Joaquim Marujo)Marujo sugeriu a incorporação deoutras práticas complementares,como a respiração holotrópica e asConstelações Xamânicas, paraaprofundar o acesso à alma.Ele defendeu uma visão integrativaem que diversas técnicasterapêuticas se articulam paraescutar os movimentos internos docliente e dos representantes.Humildade do terapeutacomo ato de curaMarujo concluiu sua fala ao destacar ahumildade como virtude central doterapeuta fenomenológico. Elerelembra a trajetória de Bert Hellinger,ao mencionar que, nos anos 1980, aConstelação era vista em Portugalcomo uma prática religiosa, até ganharespaço nos contextos clínicos e sociais.Segundo observa, a alma se revela napresença silenciosa, no acolhimentorespeitoso e na ausência de qualquertentativa de controle ou interpretaçãoapressada.


Ao final, Marujo convidou osparticipantes à reflexão sobre a almacomo presença que transcendemétodos e protocolos, ao integrarciência, espiritualidade e éticafenomenológica.“Averdadeira curaacontece quando deixamos de querercontrolar e passamos a escutar”,concluiu.A criança interior e asheranças emocionais práticamultidimensionalApós a exposição do convidadoJoaquim Marujo, a mediadora EricaLopes Ferreira trouxe uma reflexãoa partir das ideias apresentadas emseu livro, ao destacar um pontocrucial sobre as ConstelaçõesFamiliares em relação à criançainterior e aos traumas infantis.Ela observou que, com frequência, aprática das Constelações éerroneamente interpretada comoinsuficiente para lidar com as feridasda infância, restringindo-se apenasàs dinâmicas familiares sistêmicas.Erica citou uma frase do própriolivro de Marujo:“São herançasemocionais de traumas e dinâmicasdentro do sistema familiar”, aoressaltar a clareza e a profundidadedesse enunciado. Para a mediadora,a afirmação evidencia que aConstelação não se limita a trabalharcom as gerações anteriores, mas seestende aos aspectos mais íntimos edelicados da psique individual, oque inclui as memórias traumáticasda infância.Segundo Erica, compreender essaperspectiva é fundamental paradesmistificar a ideia de que aConstelação não tem efetividade notratamento das dores infantis.Em sua interpelação, convidou JoaquimMarujo a comentar de forma maisaprofundada sobre a importância dotrabalho com a criança interior dentrodo campo das Constelações a partir dainterrelação entre as dinâmicasfamiliares transgeracionais e os traumasprecoces que marcam a experiênciasubjetiva do indivíduo.Erica Lopes Ferreiraprovocou uma reflexãosobre como herançasemocionais não apenasatravessam o sistemafamiliar, mas tambémse cristalizam no corpoe na mente da criança,ao influenciar suasestruturas emocionaise comportamentais aolongo da vidaA criança interior como núcleoda identidade emocionalAo responder a interpelação de EricaLopes Ferreira, Joaquim Marujodestacou que o trabalho com a criançainterior é um pilar essencial naformação de consteladores.


Heranças emocionais epadrões comportamentais navida adultaEle explicou que, em seus cursosministrados em Lisboa, Malta eVarsóvia, todos os alunos sãoobrigados a realizar 12 sessões deterapia individual, com foco nareconexão com a criança interior,antes de iniciarem a prática dasConstelações após 470 horas deformação teórica e prática.Marujo enfatizou que a criançainterior representa o coração vivo daexistência. Constitui a identidadeemocional mais autêntica do serhumano.Ele descreveu essa dimensão comosensível, espontânea, curiosa eemotiva, sempre em busca de amor,carinho e reconhecimento.Para o professor, a criança interiorarmazena as primeiras experiênciasde vida, o que inclui memórias deamor, abandono, medo, vergonha etraições que moldamprofundamente a psique adulta.Joaquim Marujo relatou casos clínicosque exemplificam como os traumas dainfância perpetuam padrõescomportamentais na vida adulta. Eledescreveu a história de uma mulherincapaz de estabelecer limites e de dizer“não”, comportamento enraizado nainfância, quando a necessidade deagradar para ser aceita foi internalizadacomo mecanismo de sobrevivência.Mencionou também um homemtímido, que desenvolveu medo de serridicularizado devido a experiências derejeição na infância.Marujo compartilhou um episódiopessoal, no qual um comentáriodepreciativo de seu pai sobre umdesenho infantil bloqueou por décadassua expressão artística. Esse relatoevidenciou como pequenas feridasemocionais da infância podemreverberar ao longo da vida ao limitarpotenciais e sonhos.


A escrita como ferramentade reconexão e curaO convidado propôs a escritaterapêutica como instrumentoessencial no processo de reconexãocom a criança interior.Ele sugeriu que cada pessoa escrevauma carta à sua criança, em três diasde exercício, seguido de umdesenho feito com a mão nãodominante, como forma de acessarregistros profundos e ressignificarexperiências.Marujo defendeu que esse processodeve culminar com a declaração deum compromisso de amorincondicional do adulto para comsua criança interior, reconhecer anecessidade de nutrir, proteger evalorizar essa parte essencial do ser.Ele ressaltou que a escrita, quandoaplicada dentro do contexto dasConstelações, torna-se um ato decura quântica, capaz de resgatarfragmentos da alma e criar um novofuturo.Marujo alertou que, sem essetrabalho de integração, as feridas dainfância perpetuam inseguranças, asíndrome do impostor,autossabotagem e ansiedadespersistentes.Joaquim Marujo finalizou a resposta aocriticar a superficialidade deprofissionais que atuam sem baseteórica consistente. Para ele, oconstelador deve cultivar uma posturade estudo contínuo, atualizando-seconstantemente.Ele compartilhou sua prática pessoal deadquirir livros em todas as viagens aoBrasil. Ressaltou a importância demanter-se em permanenteaprendizado.“Constelador sem leitura éum analfabeto funcional”, afirmou.O conhecimento comocompromisso ético do consteladorJoaquim Marujodestacou que seu livrofoi escrito como umaobra de amor, dedicadaa todos os consteladoresque buscam umaprática ética, profundae verdadeiramentetransformadoraNa sequência do evento, a diretoracientífica do CECS, Roseny FláviaMartins, dirigiu uma questão aoprofessor Joaquim Marujo, ao alinhar odebate ao processo de construção doCódigo de Ética da instituição.


Ela agradeceu a profundidade dasreflexões apresentadas, destacouque muitos dos pontos abordadospor Marujo oferecem subsídiosvaliosos para a revisão da posturaética do constelador no campo e emsua formação profissional.Roseny enfatizou a necessidade derepensar o lugar do corpo dentrodas práticas constelativas.Ela observou que, em diversoscontextos, existe uma tendência areprimir a expressão corporal dosrepresentantes, ao restringirmovimentos espontâneos sobjustificativas de formalidade oucontrole.“Há uma resistência em autorizarque o corpo fale, que se mova, quese expresse e manifeste aquilo queestá presente no campo”, pontuou.A diretora trouxe exemplos práticosdessa limitação, ao mencionarproibições comuns, como arestrição de deitar-se no chão ourealizar movimentos mais bruscosdurante as Constelações.Ela questionou Joaquim Marujosobre sua visão a respeito dessasinterdições, solicitou uma análisesobre como o corpo deve sercompreendido e respeitado dentroda fenomenologia sistêmica.No momento em que o CECS iniciaformalmente a discussão sobre diretrizeséticas para a prática das Constelações, aquestão da liberdade de expressão docorpo emerge como um tema central, oque exige uma reflexão profunda sobreos limites e possibilidades dessamanifestação no campo terapêutico,aponta Roseny.A expressão corporal como elementoindispensávelna ConstelaçãoSistêmicaAo responder à questão de Roseny FláviaMartins, Joaquim Marujo foi categóricoao afirmar que proibir o corpo de semanifestar é uma das atitudes maisgraves e limitadoras dentro da práticaterapêutica.Ele destacou que essa repressãointerrompe o fluxo natural decomunicação entre mente e corpo, criauma cisão artificial e prejudicial quecompromete a integridade do processoconstelativo.Marujo enfatizou que o corpo possuiuma linguagem própria, que não podeser silenciada sem consequênciasprofundas.Para ele, as manifestações corporais –tremores, sons internos, impulsos demovimento – representam expressõesdiretas da alma, que devem ser acolhidase interpretadas com respeito e atenção.


Reprimir essas manifestaçõesequivale a negar o próprio campofenomenológico da Constelação.Joaquim Marujo relatou casosconcretos em que a liberação docorpo foi determinante para odesbloqueio emocional e atransformação profunda dosparticipantes.Ele narrou a história de uma jovemvítima de abuso sexual, cuja raivarepresada foi canalizada em umexercício simbólico de agressão, aoliberar tensões acumuladas queacessaram a possibilidade de olharpara o agressor.Marujo defendeu que, nessesmomentos, o papel do facilitador écriar um espaço seguro e ético, ondea agressividade pode ser elaboradasem riscos de transgressão física ouemocional.O risco de silenciar o corpo easimplicações éticasEle frisou que a escuta do trauma nãopode ser silenciada e que o processoterapêutico perde sua potência quando ocorpo é reduzido a um papel passivo.Ele defendeu que o constelador precisadesenvolver uma postura ética,fenomenológica e profundamenterespeitosa, capaz de conter e acolher asmanifestações do campo semjulgamentos ou dramatizações.O facilitador, segundo Marujo, deveconfiar na sabedoria autoreguladora docorpo e do campo sistêmico, ao assegurarque a expressão corporal ocorra dentrode um espaço protegido e legítimo.O corpo como veículo decura e memória vivaMarujo alertou que inibir aexpressão corporal dentro de umaConstelação bloqueia o campoenergético e transforma a práticaem um exercício mental einterpretativo, desconectado daexperiência direta.A necessidade de uma formaçãosólida e responsávelMarujo criticou a formação superficial demuitos consteladores. Apontou aproliferação de cursos de poucas horascomo uma ameaça à seriedade daabordagem. Ele defendeu a necessidadede uma formação extensa, que incluateoria densa e participação ativa emmúltiplas Constelações antes que o alunoesteja apto a conduzir processos deforma autônoma.Para ele, a banalização da formaçãocompromete a ética, a qualidade dotrabalho e expõe os participantes a riscosemocionais graves.\"É o corpo que cura,não a mente\", diz Joaquim Marujo. Negaressa expressão seria como tentar escutaro silêncio com tampões nos ouvidos.


Constelação do eu e amultiplicidade de identidadesEssa constatação a levou a desenvolver,inspirada pela psicossíntese de RobertoAssagioli, uma abordagem quedenominou de“Constelação do Eu”, naqual múltiplos representantes sãoposicionados no campo para dar voz aessas subpersonalidades, o que incluirepresentantes específicos para osintoma ou para a doença.Dagmar destacou que essa prática tempermitido um aprofundamento dasquestões apresentadas, ao favorecer umaescuta mais ampla e integrada dasfragmentações internas que coexistemno cliente.Ela enfatizou que, ao dar espaço paraesses diferentes“eus”, o processoconstelativo ganha profundidade eoferece resultados terapêuticos maisconsistentes.A presidente do CECS perguntoudiretamente a Joaquim Marujo se eletambém utiliza, em sua prática, aestratégia de posicionar representantespara sintomas, doenças ousubpersonalidades, como a criançaferida, a fim de ampliar o campo paraabarcar as múltiplas dimensões do ser.Amédica Dagmar Ramos trouxeuma reflexão pessoal ao convidadoJoaquim Marujo ao destacar umtema central no trabalho comsintomas e doenças no campo dasConstelações: a multiplicidade deidentidades internas que emergemdurante o processo terapêutico.Dagmar direcionou sua atenção àprática clínica e aos desafios deabordar pacientes psiquiátricos,casos de sintomas físicos eemocionais complexos, nos quaisfrequentemente observa-se amanifestação de diferentes“eus”internos. Ela relatou que, em suaexperiência, ao trabalhar comtraumas profundos, percebe aemergência de aspectos distintos docliente, como a criança ferida e o eusobrevivente.Para Joaquim Marujo, averdadeira Constelaçãoacontece quando ofacilitador se posicionacomo testemunhahumilde, respeita o fluxoespontâneo do corpo e docampo, semjamais reduziro fenômeno à lógica racional


JoaquimMarujo defende ainclusão de representantesfenomenológicos no campoEm resposta à presidente do CECS,Dagmar Ramos, sobre o uso derepresentantes para sintomas,doenças e subpersonalidades comoa criança ferida, o psicoterapeutaJoaquim Marujo afirmou que taiselementos são fundamentais em suaprática constelativa.Ele explicou que sempre inicia asConstelações definindo sintoma oudoença. Posiciona representantesespecíficos para essas manifestaçõesno campo.Para Marujo, esse procedimento éclássico, pois todo sintoma, semexceção, carrega consigo umalealdade invisível a algum aspectooculto do sistema familiar.Marujo descreveu que o sintoma e adoença devem ser convidados a seexpressar livremente no espaço,com movimentos e verbalizaçõesespontâneas, sem restrições.Ele ressaltou que, na maioria doscasos, a doença revela exclusões ouesquecimentos dentro do sistema, eresgata figuras que foramsilenciadas ao longo das gerações.Segundadirigente aocuparapresidênciado CECS,médica epsicoterapeuta DagmarRamos,especialista emmedicinapreventiva esocial:“As Constelações transformaramas nossaspráticasprofissionais e têmimpactadopositivamente a existênciademuitaspessoas”Medicamentos comorepresentantes e a dinâmicados excluídosO terapeuta avançou em sua análiseao relatar a prática de incluirrepresentantes para osmedicamentos que os clientesutilizam, principalmente em casosde transtornos psiquiátricos.Eledestacou que, ao posicionar osremédios no campo,frequentemente emergemdinâmicas de exclusão associadas apessoas do sistema que foramapagadas da memória familiar, nãopor crimes ou lealdades trágicas,mas por simples indiferença ouesquecimento.


O uso da roupa e das marcascomo portais de acesso aoinconsciente familiarMarujo compartilhou exemplosclínicos nos quais os medicamentos,ao serem representados, revelaramhistórias de humilhações, abortosclandestinos e relaçõesextraconjugais mantidas emsegredo.Ele sublinhou que essesmovimentos, aparentementedesconexos, são frequentemente osportadores de conteúdos profundose essenciais para o processo de curado cliente.A doença como ponto departida e não como históriaMarujo explicou que, diante desituações em que a Constelaçãoparece bloqueada ou confusa, aroupa frequentemente fornece achave para desbloquear o campo.Ele considera esse tipo deobservação uma forma de leiturafenomenológica, onde o facilitadordeve aguçar sua percepção eintuição para captar as mensagensque o campo oferece em suamaterialidade mais sutil.Além de sintomas e medicamentos,Marujo revelou um elementosingular de sua prática: a observaçãoatenta das roupas, acessórios e atétatuagens dos participantes comoindicadores fenomenológicos.Ele afirmou que as inscrições,símbolos e cores presentes nasvestimentas podem oferecer pistaspreciosas sobre os conteúdosocultos que precisam emergir nocampo.Em um dos exemplos citados, umaâncora tatuada e o histórico familiarde construção naval abriramcaminho para a revelação dedinâmicas transgeracionaisrelacionadas a exclusões e abusos.Marujo foi incisivo ao declarar que,em suas Constelações, não buscanarrativas elaboradas ou explicaçõesprévias dos clientes sobre suashistórias de vida.Para ele, as histórias tendem adistorcer o olhar do facilitador edesviam a atenção do fenômenovivo que se manifesta no campo.“Eu só quero o problema, não queroa história”, afirmou.Ele ressaltou que a Constelaçãocomeça quando o representante doproblema é colocado no campo, aopermitir que o verdadeiro enredo serevele a partir da movimentaçãofenomenológica e não da narrativaconstruída.


Responsabilidade ética e orisco de interpretaçõessuperficiaisFormação profunda doconstelador e a responsabilidadedo trabalho internoEle reafirmou sua abordagemfenomenológica em que aobservação direta, a escuta do corpoe a atenção às sutilezas do campoprevalecem sobre qualquer roteiropré-concebido.Marujo também fez um alerta sobreos perigos das interpretaçõesapressadas e da manipulação docampo.Criticou práticas que conduzem ocliente a estados alterados deconsciência sem a devidapreparação e cuidado. Ele defendeuque a Constelação, ao dar voz aosintoma e à doença, exige doconstelador uma escuta ética, isentade julgamentos, capaz de sustentar ocampo com neutralidade eprofundidade.Na sequência do encontro, adiretora de Fundamentos eEstruturação Teórica dasConstelações do CECS, YolandaFreire, trouxe uma reflexão sensívele profunda sobre a importância daformação do constelador.Ela agradeceu ao professor JoaquimMarujo e descreveu a experiência deescutar suas palavras como ondasintensas que, mesmo à distância,reverberavam de forma impactante.Yolanda mencionou que, diante daforça das informações recebidas,decidiu não se preocupar em anotar,na confiança de que o conteúdopermaneceria gravado não só nosregistros eletrônicos, mas tambémem sua própria percepção.Marujo reiterou aimportância de umaformação extensa ecriteriosa, quecapacite o consteladora trabalhar com asnuances do camposemreduzir osfenômenosa explicações simplistas


O facilitador como espaço deacolhimento e honra ao outroYolanda enfatizou que a verdadeiraescuta do cliente só se torna possívelquando o facilitador percorre umcaminho de autoconhecimento e deexpansão da própria consciência.Segundo ela, o papel do consteladoré sustentar um espaço onde o outropossa se manifestar de formaautêntica, sem julgamentos ouprojeções, a fim de permitir queseus temas mais profundosencontrem ressonância eacolhimento.Ela afirmou que, para honrarverdadeiramente quem se apresentano campo, é necessário umcompromisso constante com opróprio processo interno.A diretora ressaltou a relevância daabordagem de Marujo sobre apreparação do facilitador. Para ela, aformação do constelador transcendea mera aquisição de técnicas eabrange um processo contínuo deenriquecimento interno.Yolanda destacou que os recursosque cada constelador traz — sejamoriundos do Xamanismo, dasabordagens terapêuticastradicionais, da fenomenologia, doscampos mórficos ou das múltiplasvertentes da psicologia — precisamser integrados de maneiraconsciente, a partir de um trabalhorigoroso sobre si mesmo.A diretora reconheceu que, dentrodas formações em Constelações,muitas vezes o debate sobre aresponsabilidade pessoal dofacilitador é deixado à margem,priorizando-se técnicas e conceitosteóricos.AdiretoradeFundamentos eEstruturaçãoTeóricadas Constelaçõesdo CECS,YolandaFreire, agradeceu aoprofessor JoaquimMarujoedescreveu aexperiênciade escutar suaspalavrascomo“ondas intensas”que,mesmoàdistância, reverberavamde formaimpactanteYolanda pediu que o professorcomentasse sobre a importância dotrabalho interno contínuo, nãoapenas como um processo deformação técnica, mas como umajornada de desenvolvimentopessoal, indispensável para que oconstelador possa sustentar, comética e reverência, a presença diantedo outro. A diretora concluiu a falaao comparar esse aprendizado aomovimento das ondas: cada novainformação, cada experiência vivida,traz consigo a oportunidade deexpandir a consciência e fortalecer acapacidade de acolhimento nocampo sistêmico.


Para Yolanda Freire, o que JoaquimMarujo trouxe ao encontrofoi um chamado à responsabilidade ética e existencial doconstelador: a qualidade da presença e a profundidade da escutadependem diretamente do nível de consciência que oprofissional desenvolve sobre si mesmoA formação do constelador comocaminho iniciático e a essênciafenomenológica da ConstelaçãoEm resposta à diretora Yolanda Freire,Joaquim Marujo aprofundou areflexão sobre a formação doconstelador. Defendeu que apreparação não se limita à aquisiçãode técnicas, mas constitui umverdadeiro caminho iniciático. Marujoafirmou que, para atuar comintegridade no campo dasConstelações, é indispensável que ofacilitador esteja engajado em umprocesso contínuo dedesenvolvimento pessoal, que abranjatanto a formação acadêmica quanto otrabalho interior.Para ele, uma associação séria deconsteladores deveria estabelecercritérios rigorosos de certificação, nosquais o profissional fosse avaliado nãoapenas por horas de curso, mastambém pela prática supervisionada epela constante atualização. Elecomparou esse modelo comprogramas internacionais de hipnose,nos quais a manutenção dacertificação exige créditos anuais, oque demonstra o compromisso doterapeuta com seu aprimoramento.Marujo trouxe exemplos práticos de suaatuação para ilustrar como a dimensãoespiritual está intrinsecamente ligada aotrabalho fenomenológico. Ele relatouuma Constelação em que colocou amorte como representante em um casode câncer metastático. A cliente, aoabraçar a morte, não encontrou medo,mas sim um espaço de reconciliação eaceitação. Para ele, esse momento revelaque a espiritualidade não precisa dedogmas para emergir no campo. Ela semanifesta pela presença autêntica e pelareverência ao mistério daimpermanência. Marujo citou ViktorFrankl, neuropsiquiatra austríaco efundador da terceira escola vienense depsicoterapia, e sua obra sobre a busca desentido para enfatizar que a Constelaçãonão é um exercício de controle ou demanipulação, mas sim um convite aoreconhecimento das dimensõesinvisíveis que atravessam a existênciahumana. O professor sublinhou quetrabalhar com sintomas, doenças outraumas é, em última instância, umaprática de reconciliação com as forças davida e da morte, o que exige doconstelador uma escuta ética eespiritualizada.A espiritualidade como dimensãointegrante do campo


O campo fenomenológico e aobservação sem interpretaçãoJoaquim Marujo destacou que averdadeira Constelação é um exercíciode observação pura. Ele criticouabordagens que se apressam emoferecer explicações causais ouinterpretações precipitadas. Alertouque o papel do constelador não éfornecer respostas, mas sustentar umespaço onde o fenômeno possa serevelar em sua complexidade.Marujo afirmou que, no campo, tudose torna sagrado e que a Constelaçãoexige do facilitador uma capacidadede olhar sem preconceitos. Para ele,não importa se o tema trazido envolvesexualidade, raça ou qualquer outracondição. O compromisso é com aescuta fenomenológica, semjulgamentos, ao acolher a verdade queemerge no presente.Para ele, a fenomenologia é ocaminho mais profundo paracompreender as dinâmicassistêmicas, e que o facilitador devecultivar a humildade de sustentar ocampo sem a ânsia decompreender tudo.A essênciamística daConstelação e a limitaçãoda ciênciaAo finalizar sua resposta, JoaquimMarujo declarou que a Constelação éuma prática essencialmente mística,que a ciência convencional nãoconsegue abarcar em sua totalidade.Ele reiterou que a Constelação nãobusca estatísticas ou replicabilidades,mas se baseia na experiência direta,naquilo que se manifesta no campo deforma única e irrepetível.Marujo defendeu queo consteladorprecisareconhecer aConstelação como umorganismo vivo, onde assoluções emergemorganicamente,respeitando os tempos e osmovimentosinternos dosistemaAdiretora científicado CECSepesquisadora PhDRosenyFláviaMartins:“Anoite foimarcadaporumconteúdodensoe transformador,queexigirá uma ‘digestãoprofunda’de todososparticipantes,dada a amplitudedeperspectivas sobre a abordagemfenomenológicadas ConstelaçõesSistêmicas”


Ricardo Mendes destacaliberdade de pensamento eafinidade com o espírito deBert HellingerDurante a live internacionalpromovida pelo Centro deExcelência em ConstelaçõesSistêmicas (CECS), o segundodirigente a ocupar a vicepresidência do CECS, RicardoMendes, fez um depoimentoemocionado em homenagem aoconstelador português JoaquimMarujo.Arteterapeuta e docenteinternacional em ConstelaçõesFamiliares e Xamanismo, Ricardodestacou a admiração pessoal eprofissional por Marujo. Evocoulembranças marcantes e afinidadesprofundas com a abordagemfenomenológica de Bert Hellinger.“Eu escuto você falar, Joaquim, eescuto o espírito do Bert Hellinger”,declarou Ricardo, ao reconhecer napostura livre e curiosa do convidadoas mesmas qualidades que via nocriador das Constelações Familiares.Para ele, Marujo carrega o traçoessencial da fenomenologia: arecusa em se deixar limitar porideias fixas ou discursoscristalizados.Ricardo Mendes tambémrememorou sua convivência comBert Hellinger em diversasocasiões. Destacou a aversão domestre alemão a qualquer tentativade aprisionamento conceitual.“Acoisa que mais irritava o Bert eraquando alguém o confrontavacom algo dito há 15 anos, ao tentarcolocá-lo dentro de umpensamento antigo. Ele já estavaem outro lugar, com outrosolhares”, completou.Ele celebrou ainda a participaçãono mais recente livro de JoaquimMarujo – ‘A puta da evidênciacientífica versus a ingênuafenomenologia sistêmica epsicológica nas ConstelaçõesSistêmicas Familiares’. Mencionouum encontro especial ocorrido noRio de Janeiro, que gerouidentificação imediata entreambos.“Você é um serfenomenológico e é porisso que você segue. Sualiberdade, sua recusa ementregar essa liberdade, suaalegria de continuar curiosoe aprendendo sãoprofundamenteinspiradoras” (DeRicardo Mendes sobreJoaquim Marujo)


JoaquimMarujo agradeceparticipação de RicardoMendes emnova edição delivro“Foi uma surpresa, uma alegria euma honra poder contribuir comessa obra que já começa por quebrartodas as expectativas, inclusive pelotítulo”, afirma.Ao encerrar sua fala, RicardoMendes expressou o desejo dereencontro e o reconhecimento porum companheiro de caminhadaque mantém viva a essência daliberdade e da presença.“Umaalegria imensa poder estar contigonesse momento.”“Você continua a fazer parte desseparecer que adorei ter recebido.Precisava de alguém no Brasil queescrevesse algo significativo, e vocêfoi a escolha natural. Era quem euconhecia com mais proximidade econfiança”, assinalou Marujo.Joaquim Marujo respondeu comcarinho e reconhecimento àspalavras do vice-presidente doCECS, Ricardo Mendes. Em tominformal e afetuoso, anunciou achegada da terceira edição de suaobra, agora ampliada e comconteúdo adicional.“Essa nova versão já está pronta,com muito mais conteúdo. Sãocerca de 60 páginas a mais, e porisso enviarei novamente o exemplaratualizado”, disse Marujo, referindose ao livro que conta com umacolaboração especial de RicardoMendes.Roseny FláviaMartins encerraencontro com agradecimento aJoaquimMarujoNo encerramento da liveinternacional promovida peloCentro de Excelência emConstelações Sistêmicas (CECS), adiretora científica Roseny FláviaMartins dirigiu um agradecimentoespecial ao psicoterapeuta JoaquimMarujo. Destacou a profundidade ea relevância das reflexõescompartilhadas ao longo do evento.Em nome da instituição, Rosenyressaltou que a noite foi marcadapor um conteúdo denso etransformador, que exigirá uma\"digestão profunda\" de todos osparticipantes, dada a amplitude deperspectivas sobre a abordagemfenomenológica das ConstelaçõesSistêmicas. Ela destacou que oencontro proporcionou umaexpansão significativa dacompreensão sobre o papel doconstelador, sobre as sutilezas docampo sistêmico e sobre aresponsabilidade ética que permeiaa prática.


A diretora aproveitou o momentopara convidar os participantes da live eaqueles que venham a assistir àgravação a se associarem ao CECS. Elaafirmou que a instituição mantémcomo compromisso central apromoção de encontros que ampliema consciência coletiva, respeitem adiversidade e acolham a pluralidadede olhares e experiências no campodas Constelações.Roseny expressou gratidão aoconvidado especial Joaquim Marujoem nome de toda a equipe do CECS.Reforçou que eventos como este sãofundamentais para a construção deum espaço de aprendizado contínuo ede fortalecimento da abordagemfenomenológica como um campolegítimo de estudo e intervenção.(Texto publicado no dia 08 de agostode 2025 e atualizado em 19 de janeirode 2026)Roseny Flávia enfatizoua importância deespaços como o CECSpara a promoção dediálogos qualificados epara o fortalecimento deuma rede de profissionaiscomprometidos com aseriedade e aprofundidade dotrabalho sistêmicoApesquisadora Erica LopesFerreira,cirurgiã-dentista formadapela UFPRque acumulaproduçãocientíficanacional e internacional,mestre emEducação – Pedagogia Universitáriadestacou ovolume expressivodaproduçãocientíficade JoaquimMarujo,comdezenasde artigos epublicações emjornais acadêmicos ededivulgaçãocientíficaSegundodirigente aocuparavicepresidênciado CECS, RicardoMendesfez umdepoimentoemocionadoemhomenagemaoconsteladorportuguês:“Eu escutovocê falar, Joaquim, e escutooespíritodoBertHellinger”


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