Na abertura do encontro, RosenyFlávia Martins saudou o público eressaltou a robustez do trabalhocientífico conduzido pelo CECS. Elaafirmou que, desde maio de 2024, ogrupo realiza um levantamentobibliográfico sistemático, capaz demapear as principais referênciasacadêmicas e publicações digitais embancos de dados e plataformas daweb.“Hoje já contamos com mais de 650referências catalogadas. Cadacolaborador, de forma voluntária,selecionou obras e autores dedestaque, o que permitiu convidarpesquisadores relevantes paraenriquecer este espaço decompartilhamento do saberacadêmico e do conhecimentodisponível na esfera digital”, destacouRoseny. Ela enfatizou o papelestratégico de Erica Lopes Ferreira noprojeto.“Ela coordena a supervisãodo banco de dados bibliográfico”,informou.Espaço de compartilhamentodo saber acadêmico e doconhecimento disponívelnaesfera digitalLivepromovidapelo Centrode Excelência emConstelaçõesSistêmicas comapsicóloga epsicoterapeuta Jane Rochadiscute a contribuiçãoda ConstelaçãoFamiliarSistêmica noenfrentamentodadoença inflamatória intestinal: ciência eprática clínica integrativa
Erica Lopes Ferreira abriu sua fala aoressaltar a importância do rigorcientífico no campo das práticasintegrativas e sistêmicas.“Quandonos aproximamos da pesquisa, elapassa a circular em nossas veias comoalgo vital”, afirmou.Amediadora destacou que o trabalhoda psicóloga Jane Rocha emergiucom destaque no acervo bibliográficodo grupo, não apenas pelo caráterautoral, mas pela relevância prática ecientífica das abordagens voltadas àsConstelações Familiares no Brasil.Na sequência, Erica apresentou aorientadora do estudo, DanielaJakubaszko, doutora e mestre emCiências da Comunicação pela ECAUSP e graduada em Linguística ePortuguês pela mesma universidade.Pesquisadora nas áreas de storytelling,memória e ficção audiovisual, iniciousua trajetória em ConstelaçãoFamiliar em 2009 e atua comofacilitadora desde 2019. É especialistaem Constelação Sistêmica pelaUniversidade Municipal de SãoCaetano do Sul e membro do comitêde ética da instituição, onde avaliaprojetos acadêmicos.“Quando nosaproximamos dapesquisa, ela passa acircular em nossasveias como algo vital”“Jane Rocha tornou-seuma referênciaimportante, pois seuestudo traz umacontribuição concreta eacessível, especialmentepara quem buscaaprofundar-secientificamente nestecampo. Seu olhar oferecenovos caminhos àcompreensão dotratamento de doençascomplexas sob aperspectiva sistêmica”(Erica Lopes Ferreira)‘A Constelação não rompecom a ciência, amplia oolhar terapêutico’A psicóloga e psicoterapeuta depráticas integrativas Jane Rochainiciou sua apresentação com umrelato pessoal e acadêmico quefundamenta sua trajetória na pesquisae no atendimento clínico. Eladestacou que a motivação nasceu deuma inquietação pessoal, e não deuma exigência curricular.“Escolhirealizar esta pesquisa por convicçãoprópria. Hoje, as pós-graduações nemsempre exigem trabalhos científicos,mas reconheci que este estudopoderia oferecer dados concretos ereflexões relevantes sobre asConstelações Familiares no contextoda saúde”, afirmou.
Ao contextualizar seu percurso, Janeexplicou que a trajetória acadêmicana pesquisa começou ainda nagraduação em Psicologia pelaUniversidade de Guarulhos. Naocasião, investigou aspectos dapersonalidade de usuários desubstâncias psicoativas e aplicou oteste deWartegg em uma clínica dereabilitação. O projeto foi submetidoao comitê de ética e aprovado, o queproporcionou dois anos de dedicaçãodireta à pesquisa e à prática clínicaem Psicologia Social.Na pós-graduação em PsicologiaHospitalar, Jane aprofundou temasrelacionados à qualidade de vida eanalisou relações entre depressão,alcoolismo e insuficiência renalcrônica em pacientes submetidos àhemodiálise. Apesar de ter elaboradoa monografia, percebeu a ausência deaplicação prática da pesquisa. Por essarazão, após concluir a especialização,retornou à Universidade deGuarulhos e desenvolveu um novoprojeto sob orientação de um de seusprofessores, que também submeteuao comitê de ética.Com mais de uma década de atuaçãoclínica junto a pacientes renaiscrônicos, Jane descreveu comprecisão a rotina desses indivíduossubmetidos à hemodiálise, detalhouo ambiente hospitalar e ofuncionamento das máquinasutilizadas no tratamento.Em 2018, assumiu funções naatenção básica em saúde, onde atuouna Estratégia da Saúde da Família,ampliou a escuta clínica e fortaleceuo olhar sistêmico.A psicóloga compartilhou a vivênciapessoal com a doença de Crohn,condição inflamatória intestinalcrônica e autoimune que afeta commaior frequência o intestino delgadoe o cólon. O diagnóstico transformousua percepção sobre a dor e osofrimento.Vivência pessoal com adoença de Crohn“A dor nos iguala.Estive do outro lado dacadeira. Onde antesatendia pacientes emhemodiálise, passei aocupar o lugar depaciente em infusãomedicamentosa.Compreendi, então,o que significadepender de umtratamento crônico,submeter-se acirurgias e a umarotina terapêuticarigorosa” (Jane Rocha)
Jane relatou que conheceu asConstelações Familiares em 2007,enquanto cursava a graduação.Naquele momento, manteve umapostura cética, influenciada por umaformação mais cartesiana. Com otempo, amadureceu suacompreensão sobre o método eevoluiu de cliente para pesquisadorae facilitadora.“O estudo e a práticamostraram que a Constelação nãorompe com a ciência, mas amplia oolhar terapêutico”, afirmou.Em 2018, aprofundou a aplicação daabordagem sistêmica no campo dasaúde pública, especialmente noatendimento a famílias em situaçãode vulnerabilidade. A experiênciaprofissional e pessoal consolidou oolhar com que estruturou a pesquisasobre o enfrentamento da inflamaçãointestinal crônica, tema central doestudo apresentado.A psicóloga e psicoterapeuta depráticas integrativas Jane Rochadescreveu a atuação em UnidadeBásica de Saúde, na periferia de SãoPaulo. Nesse contexto, aplicou oolhar sistêmico ao atendimento dosusuários do SUS, ao incorporarexercícios e metodologias dasConstelações Familiares nosacompanhamentos clínicos.Durante esse período, enfrentou umprocesso pessoal delicado ao adoecerna pandemia de Covid-19. Diantedessa experiência, buscou novoscaminhos e ingressou na pósgraduação na UniversidadeMunicipal de São Caetano do Sul(USCS).Segundo ela, o adoecimento e oambiente crítico da pandemia aimpulsionaram a aprofundar osestudos. Recordou, emocionada, oimpacto da primeira reunião noSenado sobre Constelações, quedescreveu como uma experiênciahostil:“Senti-me como uma bruxaprestes a ser queimada. Foi ummomento energeticamente pesado,mas ali compreendi meu papel:desenvolver a pesquisa e contribuirpara a ciência”.Trajetória pessoal e acadêmicamolda pesquisa sobreenfrentamento da doençaApsicóloga epsicoterapeutaintegrativa Jane Rochadefendeque aConstelaçãoFamiliarampliaoolharterapêuticoe ressignificaolugardosofrimento nocamposistêmico
Essa vivência a motivou a iniciar oestudo com portadores de doençainflamatória intestinal. Ela ressaltouque sua primeira vivência práticacom Constelação Sistêmica —realizada ainda no primeiro dia deaula presencial, sob protocolossanitários e uso de máscaras —abordou justamente a experiênciacom a doença de Crohn.“Aabordagem trouxe-me de volta àvida”, afirmou.A partir dessa trajetória pessoal eacadêmica, Jane estruturou apesquisa, que evoluiu até 2022 e2023. Nesse período, participou daelaboração de uma carta aberta sobreConstelações e psicologia, que reuniumais de 15 mil assinaturas.Também contribuiu na elaboração danota técnica assinada por 123psicólogos e consteladores, a fim deconstruir um novo olhar sobre ainterface entre psicologia e práticassistêmicas.Além disso, atuou como diretoraadjunta no Grupo Técnico de Estudos(GTE) de Práticas de Constelação eEspecializações do CECS. Nesseespaço, colaborou na construção deuma linha do tempo das formaçõessistêmicas no Brasil, organizouseminários internacionais e compiloudados sobre as fases da constelaçãosegundo Bert Hellinger, apresentadosem eventos presenciais.Jane Rocha destacou que asdificuldades na pesquisa — como aescassez de financiamento, carênciade infraestrutura e a excessivaburocracia — representam desafiosconstantes para pesquisadoresindependentes.Ressaltou que a dedicação à pesquisacientífica exige renúncia pessoal,sendo movida por propósito e amorao conhecimento.“Desenvolvi esteestudo por vontade própria, semapoio financeiro ou institucional,motivada pela convicção de que aciência precisa caminhar por novoshorizontes”, pontuou.Ela apontou a importância dasubmissão dos projetos ao Comitê deÉtica em Pesquisa com SeresHumanos, apontou a necessidade decritérios claros e rigorosos paraassegurar a integridade ética dosestudos. Seu projeto foicuidadosamente delineado, aocontemplar objetivo geral eespecíficos, hipóteses e justificativasclaras.O estudo defendeu a ConstelaçãoFamiliar Sistêmica como práticaintegrativa capaz de auxiliar noenfrentamento e na melhoria daqualidade de vida de pessoas comdoença inflamatória intestinal. .O rigor metodológico comobase da prática sistêmica
Para isso, estruturou uma introduçãoabrangente sobre a condição crônica,os modos de enfrentamento e asPráticas Integrativas eComplementares em Saúde (PICS),ao fundamentar a Constelação comotécnica de apoio.O método seguiu um delineamentocasuístico rigoroso. A amostra contoucom cinco voluntários, selecionadospor critérios específicos, e o estudoocorreu integralmente on-line, emsessões individuais. A autora aplicouinstrumentos validados no Brasil,como a Escala de Modos deEnfrentamento de Problemas (Emep)e o Instrumento de Qualidade deVidaWHOQOL-bref reconhecidosinternacionalmente. Cada etapaseguiu o protocolo aprovado peloComitê de Ética, o que incluiprocedimentos de segurança ecritérios para encerramento dapesquisa.Jane relatou dificuldades napublicação do artigo. A primeirarevista recusou o estudo, semjustificativa científica, o que evidenciao preconceito ainda existente contraas Constelações Sistêmicas no meioacadêmico. Após oito meses e umarevisão, a pesquisa foi finalmentepublicada em periódico classificadopelo Sistema Qualis na categoria B.Ao concluir esta etapa daapresentação, Jane sublinhou que apesquisa científica só avança comorientação qualificada.Reforçou a importância de contarcom orientadores que, além detitulação acadêmica, possuamabertura ao diálogo interdisciplinar.“Realizei este percurso comautonomia e organização, sempre emrespeito aos princípios éticos emetodológicos que norteiam a ciênciaresponsável”, ressaltou.Responsabilidade éticanodesenvolvimento de pesquisascientíficas em saúdeNa continuidade da apresentação,Jane Rocha abordou a importância daresponsabilidade ética nodesenvolvimento de pesquisascientíficas em saúde. Relatou suaprópria experiência ao acessarmedicamentos de alto custo peloSistema Único de Saúde (SUS), aoexemplificar que, quando o pacientesegue corretamente os protocolosoficiais, o acesso ao tratamento ocorrede forma eficiente.
“As pessoas costumam criticar osistema, mas quando seguimos asnormas e apresentamos adocumentação correta, o processofunciona. Saí com o medicamentoem mãos sem enfrentar obstáculos,porque cumpri todas as exigências”,afirmou.Ela associou essa experiência ao rigornecessário no processo de submissãoe aprovação de pesquisas junto aosComitês de Ética. Para Jane, muitascríticas surgem não por excesso deburocracia, mas pela necessidadelegítima de proteger os participantes.“O comitê não está ali para impedir.Ele existe para garantir a segurançado pesquisador e, principalmente, doparticipante da pesquisa”, enfatizou.Ao comentar a própria trajetória,explicou que enfrentou apenas umadevolutiva do Comitê de Ética,corrigiu os ajustes solicitados e obteveaprovação na etapa seguinte.Reforçou que, apesar de trabalhoso, oprocesso se torna viável quando opesquisador segue rigorosamente asnormas.“Hoje o sistema está maisacessível. Na minha época degraduação, tudo era em papel. Agoratodo o trâmite ocorre on-line, o quefacilita muito”, pontuou.Sobre a condução da pesquisa comconstelação familiar sistêmica,detalhou que adotou critériosrigorosos para garantir o suporteemocional aos voluntários. Comopsicóloga, ofereceuacompanhamento clínico aosparticipantes e contou com o apoiode colegas consteladores e psicólogospara casos de necessidade. Dos cincovoluntários, apenas uma participanteprecisou de suporte adicional,prontamente oferecido.Jane destacou que, empesquisas que envolvemConstelação Familiar ecampo sistêmico, ocuidado emocional éfundamental, já que aspráticas acessamconteúdos profundos dahistória pessoal dosindivíduos“É imprescindível que o pesquisadorassegure apoio psicológico aoparticipante, que pode vivenciaremoções intensas ao acessar aspectosinconscientes da própria trajetória”,explicou.
Ao refletir sobre os desafiosenfrentados por pesquisadoresindependentes, reconheceu que amaior dificuldade está em encontrarorientadores qualificados einstituições que acolham estudos forado ambiente tradicional da pósgraduação stricto sensu.“Na universidade, o caminho estámais claro. Fora dela, o pesquisadorprecisa construir sua própria rede deapoio. Mas é possível. Basta buscarcentros de pesquisa sérios e montarequipes comprometidas com o rigorcientífico”, afirmou.Jane defendeu a necessidade deestudos longitudinais que avaliem osefeitos da Constelação Familiar aolongo do tempo. Na pesquisaapresentada, avaliou os participantesem três momentos: antes daintervenção, imediatamente após aConstelação e 21 dias depois. Aplicouinstrumentos validados, como aEscala de Modos de Enfrentamentode Problemas (Emep) e a Escala dequalidade de vidaWHOQOL-bref,além de questionários qualitativos.A amostra restrita a cinco participantesrefletiu sua preocupação com aqualidade e não com a quantidade.“Escolhi trabalhar com poucosvoluntários para garantir aprofundidade e a integridade. Trata-sede um estudo qualitativo e exploratório.O objetivo não foi produzir estatísticasamplas, mas compreender astransformações subjetivas”, explicou.Jane relatou que estruturou todo oprotocolo em plataformas digitais,desde a aplicação dos termos deconsentimento até a coleta de dadospor meio do Google Forms. As sessõesde Constelação ocorreram emambiente on-line, gravadas comautorização dos participantes paragarantir a segurança metodológica.Na análise dos resultados, observou umaumento nas pontuações das escalas deenfrentamento de problemas equalidade de vida, o que indicoupercepção de melhora emocional epsicológica após a Constelação. Relatou,ainda, exemplos concretos demudanças significativas no discurso dosparticipantes, o que evidencia umreposicionamento interno diante doadoecimento.As sessões de Constelaçãoocorreram em ambiente on-line,gravadas com autorização dosparticipantes
Entre os relatos, destacou a trajetóriade uma participante que inicialmenteatribuía à família a responsabilidadepor seu bem-estar. Após aConstelação, passou a assumir umpapel mais ativo no enfrentamentoda doença e retomou projetospessoais, como os estudos.“As falas dos participantes e asmudanças observadas comprovamque, ao reorganizar as dinâmicasfamiliares, há um impacto positivotanto na relação com a enfermidadequanto nos vínculos afetivos”,explicou.Relatou casos em que os participantesexperimentaram transformaçõessignificativas no cotidiano. Um deles,que antes mal saía de casa devido àgravidade dos sintomas, passou aviajar internacionalmente após oprocesso terapêutico.“Essa mudança de atitude representaum movimento para a vida. Quemtrabalha com Constelação reconheceesse tipo de transformação: a pessoaamplia seu horizonte, reencontra osentido da existência”, afirmou.Jane também ressaltou que aConstelação, ao favorecer oreconhecimento das históriasfamiliares e a aceitação dos próprioslimites, gera maior leveza noenfrentamento do adoecimento.“Aprática amplia a capacidade da pessoade se posicionar com mais autonomiadiante das questões familiares eexistenciais, o que melhora aqualidade de vida não apenas dequem tem doença crônica, mas dequalquer indivíduo”, pontuou.“Percebi que ela deixoude esperar que osoutros resolvessem suavida e passou aconstruir os próprioscaminhos. Essatransformação foivisível tanto nos relatosquanto nosinstrumentos aplicados”( Jane Rocha)Jane Rocha destacou que alcançou oprincipal objetivo da pesquisa:demonstrar que a ConstelaçãoFamiliar Sistêmica representa umaprática integrativa em saúde, capazde restabelecer as ordens do amor nosistema do constelado e de revelar asraízes ocultas da doença no campofamiliar.A Constelação comoprática integrativanoenfrentamento da doença
Jane frisou que a Constelação nãosubstitui o tratamento médico, masatua como um recurso complementarque pode favorecer a estabilidadeemocional e psicossomática.Defendeu, ainda, que esse cuidadointegrativo deve estar disponível nãoapenas na rede privada, mas tambémno serviço público de saúde.A psicóloga compartilhou que, aoconstelar outras pessoas, tambémtransformou aspectos de sua própriahistória com a doença de Crohn.Afirmou que cada sessão possibilitounovas compreensões sobre suatrajetória, ajudando-a a reconhecer adoença como parte da vida, e nãocomo sua totalidade.“O Crohnintegra minha história, mas nãodefine quem eu sou”, disse.Transformaçõesinternas eimpacto na prática clínicaAo refletir sobre o impactoda pesquisa, Jane Rocharelatou que viveu umprocesso pessoal deremissão da doença.“Eumesmame surpreendi aoperceber que meu corpo estavaemremissão. A inflamaçãointestinal havia diminuído, eminha qualidade de vidamelhorou significativamente”,relatouPesquisa qualitativa ecompromisso com aciência ampliadaJane Rocha comentou que a pesquisa,mesmo com metodologia qualitativae exploratória, exigiu rigor naelaboração dos instrumentos deavaliação. Utilizou escalas validadasno Brasil para medir qualidade devida e modos de enfrentamento,além de questionários específicossobre a experiência da Constelação.Destacou que a ciência qualitativaenfrenta desafios no meioacadêmico, principalmente quandotrata de temas subjetivos como asConstelações.“As perguntas e instrumentosaplicados buscaram tornar visível oimpacto da Constelação na vida daspessoas, ainda que a prática tenha umcaráter não palpável e difícil demensurar estatisticamente”, explicou.Amotivação principal foi contribuircom a ciência e com a vida daspessoas.“No Senado, quando assistiàquele debate duro sobre asconstelações, me perguntei: qual é aminha gota neste oceano? Escolhipesquisar e trazer dados, em vez deapenas criticar. Essa foi a minhacontribuição”, enfatizou.
A educadora e terapeuta Selma Hortaparabenizou a pesquisadora e trouxeuma reflexão sobre o alcance e adelicadeza do estudo. Em suapergunta, buscou compreender omodo como Jane Rocha abordou osparticipantes da pesquisa,especialmente diante da novidade daConstelação Familiar para algunsdeles.“Fiquei curiosa para saber como vocêrealizou essa aproximação. Afinal,trata-se de algo novo, que talvez elesnão conhecessem. E queroparabenizá-la por essa gota tãopioneira e generosa. A históriamostrará a importância desse passo”,afirmou.Em resposta, Jane Rocha relatou queo processo de seleção dosparticipantes ocorreu de formaorgânica e colaborativa. Ao divulgarpublicamente o diagnóstico deCrohn em seu perfil no Instagram,foi convidada pela ONG DII Brasil(Associação Brasileira de ColiteUlcerativa e Doença de Crohn), paraatuar como membro científico epsicóloga voluntária. A partir dessevínculo, a diretoria ampliou adivulgação da pesquisa, atraiuinteressados que conviviam com acondição clínica.Abordagem cuidadosa eemergências do camposistêmico“Recebi muitas mensagens de pessoasdispostas a participar. Como o estudoprevia apenas cinco vagas, selecioneios primeiros que demonstraraminteresse e preencheram os critérios”,explicou Jane. Além da ONG,algumas pessoas que mantinhamperfis informativos sobre doençasinflamatórias intestinais tambémajudaram na divulgação e ampliou arede de contatos.Jane destacou que, apesar dadiversidade dos participantes, aconexão emocional com a doençacriou um campo comum de partilhae compreensão.“Não os conhecia pessoalmente, mashouve uma identificação imediatapela história compartilhada. No diada Constelação, esclareci todos ospontos do estudo, enviei previamenteos termos de consentimento econduzi o processo de forma clara eacolhedora”, afirmou.Ela relatou ainda sua atuaçãovoluntária em iniciativas deconscientização sobre as doençasinflamatórias intestinais, como oprojeto“Quebra o Silêncio”,vinculado à DII Brasil. Nessas ações,participou de lives e rodas deconversa, onde pacientes relataramdificuldades para obter diagnósticoprecoce.
“Infelizmente, no Brasil, muitaspessoas demoram mais de um anopara receber o diagnóstico. Issoprejudica severamente a qualidade devida e, em casos extremos, leva àperda de parte do intestino e ànecessidade de colostomia”, explicou.Jane observou que o envolvimentocom a ONG e os pacientes fortaleceuo compromisso com a pesquisa eampliou a compreensão sobre oimpacto social e emocional dasdoenças inflamatórias intestinais.“Deus conhece os caminhos. Essarede de apoio me encontrou e,juntos, conseguimos dar visibilidade auma realidade muitas vezessilenciada”, pontuou.O respeito pelo caminhopessoal e a ciência que nascedo cuidado: reflexões sobreuma pesquisa que abre novoshorizontesA psicóloga e consteladora YolandaFreire, diretora de Fundamentos eEstruturação Teórica dasConstelações do CECS, parabenizouJane Rocha pela seriedade esensibilidade da pesquisa. Destacou ocuidado ético e pessoal dapesquisadora. Ressaltou aimportância de preservar o respeitopor si e pelo objeto de estudo aolongo do processo científico.“Primeiramente, parabéns, Jane. Émuito emocionante acompanhar umtrabalho tão sério, bem cuidado eprofundamente respeitoso.Infelizmente, vemos pesquisadoresque não se preservam no processo.Por isso, é inspirador perceber emsua trajetória esse zelo por si mesma.Ao ouvi-la, tocou-me ver o percursode alguém que caminhou com amore respeito, sem confundir dedicaçãocom sacrifício ou auto violência”,destacou Yolanda.“Prestei atenção em um pontoessencial: sua pesquisa representa umpasso inicial fundamental. Semestudos como o seu, as investigaçõesquantitativas não avançam, poisfaltaria uma descrição cuidadosa doprocesso e do caminho terapêutico.No futuro, certamente surgirãotrabalhos que avaliem o antes e odepois da Constelação, comparandogrupos constelados e não constelados.E isso poderá incluir variáveisimportantes, como o tipo dereligiosidade dos participantes, que jáé reconhecida como fator relevanteno enfrentamento das doenças”,acrescentou.
“Vejo que seu estudo aponta para algo aindamaior: não apenas mudanças na consciência ouno autocuidado, mas também os efeitosquando a Constelação promove um corte,uma transformação que proporciona melhorfuncionamento, menos reincidência e maissaúde. Essa visão pode inspirar outras situaçõesclínicas” (Yolanda Freire)“Gostaria de saber, mesmo com umaamostra pequena, se surgiram temascomuns nas Constelações. Quemtrabalha com essa prática sabe que hápadrões que frequentementeaparecem. Naquele período,vivíamos um contexto coletivomarcado pela lealdade aos mortos dapandemia, um campo de memória edor transgeracional. Por isso, fiqueicuriosa: houve repetições,configurações familiares semelhantesou temas recorrentes que criaramum campo comum entre osparticipantes?”, questionou Yolanda.Jane reconheceu que essa é umaquestão que mereceaprofundamento futuro,possivelmente em um novo artigo ouapresentação em congresso científico.Explicou que a pesquisa revelouaspectos inesperados, como casos degemelares ocultos no camposistêmico e gêmeos reconhecidos nonascimento que emergiram duranteas Constelações.Ela esclareceu que, embora tenhaconduzido a pesquisa durante apandemia, a maioria dosparticipantes já possuía diagnósticode longa data. O foco da abordageminicial foi estabelecer um protocolode escuta que partisse do sintomafísico e emocional, conduzindo cadaindivíduo a reconhecer seus próprioscaminhos e significados dentro dahistória familiar.“Cada Constelação seguiu anecessidade emergente do momentode vida da pessoa. Houve quemestivesse em conflito com irmãos,quem vivenciasse o luto recente daavó. O campo conduziu para onde oolhar precisava ir”, explicou.Jane relatou ainda que uma dasparticipantes, por meio daConstelação, reconstruiu o vínculocom a linhagem paterna, com a qualnão mantinha proximidade.
“Essa aproximação surgiuespontaneamente, em conversasparalelas à pesquisa, mostra como ocampo pode transcender o objetivoinicial do estudo”, contou.Jane destacou um conceito central daprática sistêmica: o sintoma nãodesaparece, mas reduz suaintensidade e deixa de ocupar oespaço central no campo doindivíduo.“O custo sistêmicopermanece, mas passa a serresponsabilidade do sistema, não doindivíduo isoladamente. Com isso, apessoa pode ocupar seu próprio lugare lidar com o que lhe cabe nopresente”, afirmou.Ela ressaltou que, em situações comoo autismo, por exemplo, reconhecese um legado transgeracional, masquando se permite que a questãopermaneça no nível transgeracional,o peso do viver cotidiano se tornamais leve.“Cada um precisa enfrentar o custoque sua história impõe, porque issofaz parte da vida. Mas oreconhecimento dessas raízespermite que o presente flua commais leveza”, apontou.Jane reconheceu que esse tema abremargem para novas pesquisas,amplas e aprofundadas, capazes deproduzir dados mais robustos sobreas dinâmicas ocultas que se revelamno campo sistêmico.Durante a apresentação, Jane Rochacompartilhou um depoimentopessoal que evidenciou aprofundidade do processoterapêutico também para oconstelador. Relatou que, ao atenderpacientes com doenças inflamatóriasintestinais, revisitou a própria históriade dor e perda. Revelou que passoupor um aborto gemelar, cujadimensão oculta foi desvelada nocontexto das Constelações Familiares.“As Constelações mostraram que setratava de um aborto gemelar. Essadescoberta ressoou profundamenteem mim e, ao mesmo tempo, ecoouno campo das pessoas que eu atendia.Existe uma troca contínua entrequem facilita e quem constela.Ambos se transformam no processo”,afirmou.Ela exemplificou com o caso de umaparticipante que reconstruiu a relaçãocom a linhagem paterna, mas cujalealdade familiar originava-se do ladomaterno. No caso desta participante,a doença já havia se manifestado nofilho, e, segundo Jane, o movimentoterapêutico precisou acessar asgerações futuras, pois o sintoma jáfazia parte da história familiar dodescendente.A boa pesquisa abrecaminhos, não osfecha
Cada Constelação revelou umpercurso singular, mas todaspartiram do mesmo ponto: osintoma como porta de entrada paraa história do sistema. A boa pesquisaabre caminhos, não os fecha.Roseny destacou que a instituiçãoreúne pesquisadores e profissionaiscomprometidos com odesenvolvimento e a validaçãocientífica das práticas integrativas ecomplementares em saúde no Brasile no mundo.\"O Cabsin agregacientistas e instituições que buscamconstruir uma base sólida deevidências para as práticasintegrativas. Será uma honra ter vocêcomo afiliada\", pontuou.Roseny mencionou ainda arelevância do levantamentobibliográfico que o CECS realizadesde 2024. A planilha contaatualmente com mais de 650referências, das quaisaproximadamente 50% são livros e25% compõem artigos científicos,dissertações e teses. Ressaltou que,mesmo com metodologias rigorosasde análise de evidências, como opadrão-ouro em revisõessistemáticas, a literatura científicasobre Constelações já apresenta umcorpo considerável.“Nos bancos de dados internacionais,identificamos mais de 7 mil artigosrelacionados às Constelações, emboraapenas 16 tenham atendido aoscritérios metodológicos mais rígidos.Ainda assim, o volume inicialdemonstra que a produçãoacadêmica sobre o tema existe eprecisa ser considerada”, pontuou.Está em construção um espaçode análise crítica e científicasobre ConstelaçõesAmediadora Roseny Flávia divulgouo 3º Congresso Mundial de MedicinaTradicional, Complementar eIntegrativa, organizado pelo Centrode Apoio à Pesquisa em SaúdeIntegrativa (Cabsin). Destacou que oconclave está em fase de estruturaçãodo Comitê de Constelações, quereunirá inicialmente doutores da áreae, futuramente, abrirá espaço parapesquisadores e clínicos comdiferentes formações.“Está emconstrução um espaço de análisecrítica e científica sobre Constelações.A proposta é ampliar o debate sobrepesquisa e prática clínica”, explicou.Amediadora Roseny Flávia convidouJane a se filiar ao Centro de Apoio àPesquisa em Saúde Integrativa(Cabsin), organização que mantémparcerias com a Organização PanAmericana da Saúde (Opas) e aOrganização Mundial da Saúde(OMS).
Ela lembrou que toda construçãocientífica começa com pequenospassos, como estudos de caso epesquisas qualitativas, paraposteriormente evoluir parainvestigações multicêntricas equantitativas de grande escala.“Quero te parabenizar não apenaspelo rigor metodológico, mastambém pela sensibilidade emconverter seu sintoma em umcaminho de acolhimento etransformação. Você ressignificou suatrajetória e usou a própria dor comolinguagem da alma”, destacou.Roseny ressaltou a importância doformato on-line da pesquisa, queampliou o acesso gratuito e universal,alinhado aos princípios do SistemaÚnico de Saúde (SUS).“O fato de ter realizado a pesquisa deforma remota democratiza o acesso eamplia o alcance dos benefícios. Esseé o espírito do SUS: levar cuidado eciência a quem mais precisa, sembarreiras financeiras ou geográficas”,afirmou.“A ciência avançapor etapas. Estamosno início, emformação da base,mas caminhamoscom seriedade epropósito” (RosenyFlávia Martins)Ela elogiou o percurso acadêmico epessoal de Jane Rocha. Reconheceu aseriedade do estudo e a coragem detransformar uma experiênciaindividual em contribuição científica.Pesquisadora PhD ediretora científicado CECS, amediadora RosenyFláviaMartins afirmaque a forçada Constelaçãovemde raízes ancestrais eexige rigoréticoemetodológicoemsuaprática contemporânea
A consultora, terapeuta econsteladora Eliana Medinaexpressou admiração pelo trabalhoapresentado ao destacar o rigormetodológico e ocomprometimento pessoal de JaneRocha.“Quero parabenizá-la pelaseriedade com que conduziu apesquisa. Em um meio onde tantasvezes a rebeldia nos distancia dosprotocolos, você demonstroudisciplina e respeito pelos passosnecessários. Isso, para mim, éprofundamente significativo”,afirmou.Eliana trouxe uma referência aolivro“Transcendência Natural”, deBert Hellinger, no qual o autorafirma que, quando alguémresponde ao chamado do Espírito,os recursos necessários para superaros desafios surgem ao longo docaminho.“Sua trajetória mostraexatamente isso: você seguiu umchamado interno e encontrou, nomeio das dificuldades, as pessoas eas circunstâncias que tornaram apesquisa possível”, ressaltou.Ela também compartilhou aexperiência clínica com pacientesportadores de doença de Crohn, eafirmou compreender acomplexidade emocional queenvolve o diagnóstico.Em seguida, elogiou os resultados dapesquisa, especialmente no que dizrespeito às mudanças no modo deenfrentamento da doença. Elianadestacou a importância da escala deenfrentamento de problemas Emep edas respostas qualitativas, queevidenciaram o movimento deresponsabilidade pessoal dosparticipantes diante do adoecimento.Mencionou, ainda, a correlação entreos achados da pesquisa e os conceitosda Nova Medicina Germânica,segundo a qual o Crohn estáassociado a conflitos decontrariedade no âmbito familiar.“Na Nova Medicina, a doença deCrohn expressa um conflitoemocional onde a pessoa recebe, aomesmo tempo, algo nutritivo e algoindesejado no ambiente familiar. Oque sua pesquisa mostrou éexatamente isso: participantes queassumiram a própria vida e deixaramde esperar da família aquilo que oscontrariava. Essa transição do apoiofamiliar para o enfrentamentopessoal ficou muito clara”, afirmou.Eliana incentivou Jane a darcontinuidade às pesquisas e aexpandir os estudos sobre osmovimentos de cura gerados pelaConstelação Familiar.Reconhecimento da seriedade metodológicae reflexões sobre o campo emocional da doença
“Precisamos de investigações queaprofundem o que acontece nocampo emocional e sistêmico daspessoas. Seu trabalho trazcontribuições fundamentais paracompreendermos como aConstelação transforma o lugar dosintoma — sem eliminá-lomagicamente, mas reposicionando-ono sistema de forma saudável. Sãoconclusões preciosas”, enalteceu.“Você transcorreu com segurança portodas as etapas da pesquisa, mas oentrave maior surgiu no momento detornar público o trabalho. Aindaassim, conseguiu superar a barreira ehoje o estudo está acessível, livre edisponível, o que é extraordinário”,destacou.Erica Lopes refletiu sobre o desafiode acesso à produção científica,especialmente no Brasil, onde muitosartigos permanecem restritos aplataformas pagas ou exigem vínculoinstitucional.“Quantas vezes buscamos artigosrelevantes e esbarramos na limitaçãode acesso. O fato de sua pesquisa estardisponível publicamente representaum avanço importante para ademocratização do conhecimento”,enfatizou.Reconhecimento da ética edos desafios na publicaçãocientíficaAmediadora Erica Lopes Ferreiraexpressou reconhecimento pelo rigore profundidade do trabalhoapresentado por Jane Rocha.Destacou a consistência ética quepermeou todas as etapas da pesquisa,desde a seleção dos participantes até acondução das constelações.“Foi um prazer imenso estudar seutrabalho e observar como ele foiconstruído com base em critériossólidos e diretrizes éticas claras. Cadapasso respeitou o participante e oprocesso terapêutico”, afirmou.Ela comentou que, a partir da fala daautora, percebeu que a maiordificuldade enfrentada não esteve nodesenvolvimento metodológico dapesquisa, mas na publicação do artigocientífico.Acirurgiã-dentista e especialista emconsciência sistêmica Erica LopesFerreiraressaltaque apesquisaprecisa caminharpelaveiadavida edemocratizaroacessoaocuidadointegrativo
Ela agradeceu a participação de Jane edestacou a alegria em apresentar otrabalho no Centro de Excelência emConstelações Sistêmicas.“Fiqueimuito feliz por termos conseguidotrazer seu estudo para este espaço.Conversamos sobre isso lá nocomeço do ano passado, e hojecelebramos essa realização. Suapresença engrandece o CECS econtribui muito com nossopropósito”, finalizou.Jane descreveu as dificuldadesenfrentadas nas primeirassubmissões, que envolveramnegativas e longos períodos de esperasem clareza sobre o andamento doprocesso editorial.“A primeira revistarecusou o artigo. A segunda trouxeincertezas, porque não sabíamos se anegativa era definitiva ou se aindahavia chances. Esse período foiangustiante, porque eu pensava: fiztudo certo, o comitê aprovou, orelatório final foi entregue, mas e seisso não for publicado?”.Com o incentivo da orientadora,persistiu no processo e, finalmente,conseguiu a publicação.Compartilhou ainda um episódiorecente em que o site da revista ficoutemporariamente fora do ar, o quelhe causou preocupaçãomomentânea.“Por um instantepensei que o artigo tivesse sidoretirado. Mas era só um problematécnico na página. Logo depois, tudose normalizou”, contou.Jane afirmou que o próximo passoserá divulgar amplamente o estudo afim de consolidar o reconhecimentoda Constelação como uma práticacientífica legítima.Superação das barreiras napublicação e defesa da seriedadecientífica da ConstelaçãoNa fala de encerramento, Jane Rochacompartilhou os desafios enfrentadosno processo de publicação do artigocientífico. Explicou que contou como apoio fundamental de suaorientadora, Daniela Jakubaszko, quebuscou uma revista Qualis B,reconhecimento acadêmico e acessogratuito.“A Dani sempre me orientou a buscarum periódico que tivesse pesocientífico, mas que ao mesmo tempofosse acessível ao público, a fim dedemocratizar o conhecimento”,relatou.
“É fundamental que fique registradoe documentado que a ConstelaçãoFamiliar Sistêmica tem basecientífica. Não se trata depseudociência. É possível realizar umtrabalho sério, comprometido com atransformação da vida das pessoas ecom a responsabilidade ética”,ressaltou.Por fim, reforçou o compromissocom a responsabilidade científica ecom a integridade do cuidadoterapêutico.“Com profissionalismo eética, qualquer abordagem podegerar resultados positivos. Quandofaltam esses pilares, o risco aparece —não importa o método. O queimporta é quem conduz”, concluiu.Jane Rocha finalizoucom uma reflexãocrítica sobre opreconceito que recaisobre a abordagem:“Quando há erros,muitas vezes culpam ométodo emvez dequestionar a atuação doprofissional. O problemanão estána Constelação emsi, mas no modo como ela éconduzida. Assim comoocorre na medicina ouem qualquer outraprofissão, a seriedadedo resultado dependeda ética e do preparodo profissional”Agradecimentos e convite àcontinuidade do movimentoemprol das ConstelaçõesAo encerrar o evento, a mediadoraRoseny Flávia Martins expressou, emnome do Centro de Excelência emConstelações Sistêmicas (CECS),gratidão a todos os presentes.“Agradeço profundamente a todosque estiveram conosco nesta noite eàqueles que assistirão a esta gravaçãoposteriormente. É um privilégioreunir profissionais e simpatizantesque acreditam no potencialtransformador das ConstelaçõesSistêmicas e trabalham por suaexcelência”, declarou.Roseny fez um convite especialàqueles que desejam aprofundar seuenvolvimento com o camposistêmico.
“Quem tiver interesse em se juntar anós, pode se associar ao CECS e fazerparte deste movimento que reúnepesquisadores, profissionais e pessoasque reconhecem a efetividade daabordagem sistêmica,independentemente de sua validaçãoacadêmica inicial. Sabemos da forçaancestral que sustenta asConstelações, uma força que BertHellinger canalizou e que tem raízesprofundas na tradição africana e noinconsciente coletivo”, argumentou.Destacou ainda o papel de cadaintegrante da equipe e agradeceunominalmente à colaboradora EricaLopes Ferreira, responsável pelasupervisão científica da planilhabibliográfica do CECS, e àpesquisadora Jane Rocha, cujatrajetória inspirou o encontro.“Muito obrigada, Erica, peladedicação e seriedade na construçãodo nosso acervo científico. Jane, nossaquerida pesquisadora, gratidão pelaentrega e coragem em transformarsua história pessoal em contribuiçãocientífica”, finalizou. (Textopublicado no dia 11 de julho de 2025e atualizado em 19 de janeiro de2026)APsicóloga ediretorade fundamentosteóricosdo CECS,YolandaFreira,observaque a Constelaçãopermite novoscaminhosde aceitaçãoe autocuidadofrente àdoença crônicaAeducadora e terapeuta integrativaSelmaHorta afirmaquepesquisaspioneirascomoade Jane Rocha sãogotaspreciosasque transformarãoa históriadaspráticasintegrativasAconsultora e consteladora sistêmicaElianaMedinadestaca a importânciaderespeitarorigormetodológicosemperdera escuta sensível aosmovimentosdocampoemocional
Quarta edição promovida pelo CECS destacanarrativa de Ricardo Mendes, que percorre trêsgrandes concordâncias — com o mundo, com o outro econsigo mesmo — apresentadas como chaves parareconciliação, presença e propósito. Segundo ele, obraoferece um caminho de reconciliação com a essênciaafetiva, orientada por valores como compaixão,cuidado e presença.“O sentido da vida é cooperativo,não competitivo”, pontua. MediadoraYolanda Freireafirma que“quando leio, eu ouço o autor, dialogo comele, passeio por dentro do texto. Livros são espaços deconversa e expansão”. Médica Dagmar Ramos destacaque“as Constelações abrem espaço de compreensãopara identificar onde o amor está bloqueado e onde omedo precisa ser reconhecido”ProjetoAutoriaapresentaolivro+Amor–Medo:umchamadosistêmicoàreconciliaçãocomavida
A quarta edição do Projeto Autoria,promovido pelo Centro deExcelência em ConstelaçõesSistêmicas (CECS) no dia 23 de julhode 2025, fez um mergulho emquestões existenciais, simbólicas emetodológicas associadas ao campodas Constelações.O evento teve como centro a obra +Amor – Medo, do segundo dirigentea ocupar a vice-presidência do CECS,Ricardo Mendes. O autor éarteterapeuta, docente internacionalem Constelações Familiares eXamanismo. Dirige há 19 anos oInstituto Iralem, no Rio de Janeiro.O encontro foi realizado pelaplataforma Zoom e contou com amediação da psicóloga clínica econsteladora Yolanda Freire, diretorade Fundamentos e EstruturaçãoTeórica das Constelações do CECS,mestre em psicologia social e dapersonalidade. A live destacou o valordo olhar sistêmico como eixo decompreensão do sujeito e do mundo.O livro foi posicionado como umasíntese da jornada pessoal eprofissional do autor. A narrativaconstruída por Ricardo Mendespercorre três grandes concordâncias -com o mundo, com o outro e consigomesmo - apresentadas como chavespara reconciliação, presença epropósito.Amediação sensível de YolandaFreire enriqueceu a leitura comarticulações refinadas sobreidentidade, responsabilizaçãoemocional e potênciatransformadora da escrita.Amédica Dagmar Ramos, em suaintervenção, reafirmou o amor comoforça política, ética e terapêutica quesustenta a prática sistêmica diante dosdesafios contemporâneos.O evento promoveuum diálogo entreteoria, vivência clínica eespiritualidade.Abordou temas comoos Mitos de Criação, afragmentação entreser humano enatureza, abanalização do medocomo instrumentosocial, financeiro, demanipulação políticae a importância deretomar a alegriaessencial comoexpressão legítima do ser
Na saudação de abertura do evento, a mediadora Yolanda Freire reafirmou que oencontro faz parte do grupo de trabalho de fundamentação teórica do CECS,“quebusca trazer o aprofundamento, a partilha, a troca de textos e de conhecimentosem Constelação Sistêmica\".Aprofundamento,partilhaetrocadeconhecimentos emConstelaçãoSistêmicaEncontrodo ProjetoAutoria apresentaolivro+Amor–Medo,deRicardoMendes, como umconvite à reconciliaçãointerna e àtransformaçãocoletiva aointegrar identidade, Constelações eespiritualidade comocaminhosde consciência
Yolanda destacou o compromisso dogrupo com a consistência acadêmicae a diversidade de vozes dacomunidade.“A gente traz o olharsistêmico, que é aquele que envasa otrabalho, que fundamenta a nossacompreensão do que acontece noprocesso das Constelações, nasdinâmicas que se revelam e setornam visíveis ao longo doatendimento”.Ela pontuou que o Projeto Autorianasceu com o objetivo de reunirautores e autoras que fazem parte doCECS, ao proporcionar um espaçoonde a vivência clínica e a produçãoescrita possam dialogar.“Temos associados que são autores,associadas que são autoras. Algumasmais voltadas para a academia, para aescrita; outras com textos oriundosdo trabalho terapêutico, com asConstelações. Tem sido uma gratasurpresa esses encontros”, constatou.Yolanda ressaltou ainda a naturezaafetiva e coletiva do projeto, que vaialém da leitura dos livrosapresentados.Ao final da sua introdução, Yolandasaudou oficialmente o convidado danoite:“Esse olhar que nós trocamosaqui é um olhar de aprofundamento,de consistência e de valor para aquiloque a gente faz e acredita. Hojerecebemos Ricardo Mendes, que estáaqui como autor de + Amor - Medo.Tivemos o prazer de olhar esse livrocom todo carinho”. Na sequência, amediadora fez a leitura do prefácioda obra, descrevendo-o como umtexto“muito gentil”, cuja autoria seriarevelada aos participantes logo emseguida.“Para além do livro, agente acaba por trocarexperiências, contarhistórias. Temos umaoportunidade muitobonita de olharmelhorpara o autor, para aautora, e de ver o livro deum outro lugar, esse lugarda construção. Tem sidomuito rico, muitointeressante. Um presente”(Yolanda Freire)
“Talvez não seja prudente nemortodoxo fazer referência a mimmesmo ao iniciar a apresentação dolivro de Ricardo Mendes, mas o fareipor um simples motivo. Comoabençoada surpresa, sinto seu textomuito em sintonia com minhaspróprias ideias e escritos,especialmente com as quedesenvolvo em meu livro Viver naAlma. Amar o que é, amar o quesomos e amar os que são. Esta tríplicedireção do amor, que reflete osubtítulo, diz muito – quase tudo oque é essencial – e não é muitodiferente do que encontraremos natrama central de + Amor – Medo: otema das três concordâncias que serefere justamente a concordar com oque é, com o outro e conoscomesmos.Que bom chegarmos juntos a ideiassimilares, partindo cada um de suaprópria matriz criativa.Compartilhamos, sim, uma vastaexperiência no que diz respeito aoacompanhamento de pessoas emsofrimento, à assimilação do universosistêmico das ConstelaçõesFamiliares, e à nutrição das raízeshumanistas e espirituais mesmo quenão sejam da mesma origem.Claro, o texto é um canto a umastantas verdades sobre a viagem bemsucedida de uma vida, com suasregras, convites e potencialidades.Saber navegar os ventos cambiantesda realidade, evitando o excessoapego ou a rejeição amedrontada.Saber integrar os pais e reconhecerum outro verdadeiro em qualquerpessoa, como genuína expansão danossa consciência e crescimento.Saber governar esta assembleia departes internas que configura aestrutura de quem somos: alma ecorpo físico, emocional, mental eenergético. Saber ser amável ecarinhoso com a criança interior ecom as proteções que lhe serviram dedefesa, que, como adultos, já nãoprecisamos já que se permanecermosnelas, perseveramos no medo.Veja o prefácio do livro:“Apolaridade do amar, queampara e expande, e do medo,que afasta, descuida e contrai”Segundodirigente aocuparavice-presidênciado CECS,arteterapeuta, consteladore autorRicardoMendes:“Precisamosestarempaz comomundo, comooutroe comnósmesmosparapoderentregara nossa grandeza”
Livro criativo, inteligente, com estilopróprio, imbuído de aroma artístico,plasmado em evocadoras fotos,apresenta profundas histórias emetáforas que transmitem sementesdo que é relatado. E Brahma, deidadecriadora do panteão hinduísta,sobrevoa o livro sugerindo respeito edignidade na direção de todomovimento criador, em especial o dereceber nossos pais, a vida e muitomais. Brahma, a grande criadora,configura comVishnu, deidadeconservadora do criado, e com Shiva,deidade destruidora e semeadora demorte, a famosa trimúrti (trígono) dopanteão hinduísta, preenchida desacralidade. Trimúrti dialética queintegra a dualidade da unidade davida.O autor nos mergulha nestas dançasde muitas formas diferentes: comoreconhecer nosso lugar e caminho navida, as forças que nos impulsioname como lidar com a dualidade quecolore todas as coisas antes dotranscendente unitário.Que seu livro, querido Ricardo, aotornar-se um veículo transmissor detantas ideias e propostas preciosas daalma de Bert Hellinger, seja paramuitos auspiciosa fonte de inspiraçãoe ajuda”. ( Joan Garriga Bacardí |Dezembro 2020 | Port de la Selva –Espanha)Após destacar que o prefácio do livro+ Amor –Medo foi escrito pelopsicólogo e psicoterapeuta gestálticoespanhol Joan Garriga Bacardí, umadas maiores referênciasinternacionais em ConstelaçõesSistêmicas, Yolanda Freire deu inícioà apresentação do autor com umconvite direto e acolhedor.“Ricardo, conte um pouco dessagrande jornada que você relata nolivro, desses caminhos que a gentepassa. Queria até que você começassea falar um pouquinho como é que éesse lugar de escrever, de se colocar.Como é isso para você? E depois vocêfala do seu caminho, do que quisertrazer do livro para nós.”“Há 20 anos eu conheci asConstelações Familiares, quemudaram a minha vida”Em sua fala inicial, Ricardo Mendescompartilhou aspectos da trajetóriapessoal e intelectual que deramorigem à obra. Segundo ele, oencontro com as ConstelaçõesFamiliares foi determinante.“Há 20 anos eu conheci asConstelações Familiares, quemudaram a minha vida. Exatamente.Mudou, criou, me trouxe... Muitascoisas aconteceram”, testemunhou.
O autor explicou que + Amor – Medoé o segundo de três livros produzidosno período de duas décadas erepresenta uma síntese do que haviacompreendido até o ano de 2018. Aestrutura da obra, segundo Ricardo,dialoga com o formato da formaçãoque ele mesmo oferece. Os textos,escritos ao longo de vários anos,foram reunidos em uma sequênciaconstruída cuidadosamente.“Eu tinha uma mesa grande de jantar.Botava os textos lá na frente, trocavavárias vezes.‘Não, acho que esse veioantes disso’.‘Não, agora ele veiodepois disso’. Foi um quebra-cabeçafeito ao longo de vários anos”, citou.Ricardo expressou profundasatisfação com o resultado e afirmouque os conteúdos reunidos refletemcompreensões e conhecimentosessenciais adquiridos ao longo de suajornada. Para ele, tais aprendizadossão fundamentais para qualquerprocesso de transformação.“Foram compreensões e algunsconhecimentos que chegaram paramim ao longo desses anos e que euconsidero as coisas mais importantes.Não consigo enxergar nada maisimportante do que isso”, sentenciou.Ricardo Mendessintetizou o espírito daobra:“Compreenderdeterminadas coisase encontrar nossolugar são a base paraa gente trazer onosso mundomelhor”
Na continuidade do encontro, apsicóloga Yolanda Freire ofereceuuma leitura refinada da obra + Amor–Medo, ao enfatizar o modo como olivro introduz e sustenta um olharprofundamente alinhado com asConstelações Sistêmicas.Ao dirigir-se ao autor, destacou que aobra é uma porta de entrada sensívele acessível para quem buscacompreender as bases da construçãosistêmica do sujeito.“A ênfase é muito boa para quemquer começar a olhar para essaconstrução sistêmica: o que nos afeta,o que nos toca, o que toca essaconstrução do indivíduosupostamente único, supostamenteseparado”, refletiu.Yolanda ressaltou que a estruturanarrativa do livro convida o leitor apercorrer, de forma gradual eenvolvente, a passagem entre oindividual e o coletivo — da parte aotodo — em uma integração quefavorece o autoconhecimento e aidentidade ancorada na inter-relação.“Você faz um caminho no livro, nãosó dessa compreensão do todo e daparte, desse mais amplo que nosenvolve, que nos abraça, mas, aomesmo tempo, essa construção deuma identidade, de umadiferenciação que se reconhece nessetodo”, pontuou.Amediadora apontou, ainda, ocaráter vivencial da leitura propostapor Ricardo Mendes. Para ela, o leitornão entra em contato apenas comum conteúdo teórico, mas com umespelho que o conduz aoautoencontro.“A leitura ajuda a pessoa, porque éum convite. Ela olha uma teoria, masa partir do que você traz no livro. Émuito interessante, porque o leitor serecoloca ali”, analisou.Yolanda destacou um dos núcleosconceituais mais importantes daobra: as três concordâncias — com omundo, com o outro e consigomesmo — apresentadas como umcaminho possível para umaexistência mais inteira e presente.Segundo ela, esse eixo atravessa olivro como um convite prático esensível.Três concordâncias e o caminhoda inteireza: uma leituravivencial da obra
Ao aprofundar sua explanação,Ricardo Mendes destacou amotivação fundamental de sua obra +Amor – Medo, caracterizando-acomo uma convocação existencial euma provocação reflexiva.“O nome do livro é uma convocação,uma provocação, é um alerta, é umasérie de coisas”, afirmou, ao comentaro impulso inicial que o levou àescrita. Para ele, o título expressa umapelo à reconexão com o núcleo maisautêntico do ser: a amorosidade.O autor apontou que esseafastamento da essência afetiva nãose limita à experiência individual,mas reflete uma condição coletiva.“A nossa essência é amorosa”, disse, aoacrescentar que inúmeros aspectos darealidade indicam umdistanciamento dessa base interna.Em sua leitura, o cenário atual ilustraessa desconexão:“Se a nossa naturezafosse bélica, estaríamos muito maissatisfeitos com o mundo do jeito queestá.”Ao abordar o impacto dacomunicação contemporânea,Ricardo Mendes enfatizou o papel damídia na intensificação da ansiedade.Para ele, o foco constante emacontecimentos trágicos distorce apercepção global.“Amídia descobriu que, quandocarrega nos acontecimentos difíceis, aaudiência aumenta. Não é que omundo esteja só em guerra... Muitascoisas lindas estão acontecendo”,disse.“Você traz as trêsconcordânciascomo um caminhoessencial. Esse+ amor - medoconvida mesmopara uma vida commais integridade,com mais presença”(Yolanda Freire)Autor apresenta o livro comouma convocação à reconexãocom a essência amorosa do serApsicóloga, consteladora ediretoradeFundamentosTeóricosdo CECS,YolandaFreire,que fez amediaçãodoencontro:“As Constelaçõesoferecemumaritualísticaque facilita essatravessia epermiteoreencontrocomapotência interior”
O autor compartilhou umainquietação íntima que oacompanhou ao longo da vida.Apesar de perceber a existência comoum dom, sempre lhe pareceuinsuficiente limitar-se ao simples fatode estar vivo.“Sempre achei a vida uma bênção,um presente incrível, mas, ao mesmotempo, sempre achei pouco o sentidode só estar aqui e viver”, afirmou. Abusca por um propósito maioratravessa a obra, marcada pormomentos de plenitude afetiva e porepisódios de distanciamento econflito interior.Ele destacou a importância dasConstelações Sistêmicas comorecurso para facilitar a reconexãocom esse campo essencial.“Quando umaConstelação entrano coração docliente, o que sesente é alívio. Oalívio mostra oquanto a gente sereconectou com anossa essência”(Ricardo Mendes)Essa experiência, segundo ele, éconcreta, perceptível e revela umreencontro com o que há de maislegítimo no sujeito.A composição da obra segue essalógica: parte da dimensão abrangenteaté alcançar situações específicas. Essadinâmica, que guia tanto o conteúdoquanto a proposta formativa, traduz aperspectiva sistêmica que sustenta otrabalho.“O medo chega por meiodo que é amplo. Meu olhar no livro édo amplo para o específico.”Ao estruturar esse caminho, RicardoMendes recorreu a mitos de criaçãocomo recurso interpretativo.Inspirou-se nas narrativas fundantesde diversas tradições, com ênfase nasque moldaram o pensamentoocidental.“Fui direto para os mitos de criação.Estudei bastante a mitologia grega,porque venho do teatro. Mastambém considerei os mitos judaicocristãos, os mitos islâmicos, os mitoshindus... Todos eles carregam ideiasque continuam a nos impactar atéhoje”, informou.Mencionou, ainda, as contradições einfluências simbólicas presentesnessas histórias, que se manifestamem padrões de comportamento ecrenças coletivas.
“Amitologia grega é recheada deparricídios... São novas gerações queeliminam as antigas. Isso aparece nasguerras, nas competições, nasrupturas. Já o mito judaico-cristãotraz dogmas pesados. Eu mesmo,sem ser teólogo ou especialista, sentio impacto dessas ideias”, contou.Mencionou, ainda, as contradições einfluências simbólicas presentesnessas histórias, que se manifestamem padrões de comportamento ecrenças coletivas.“Amitologia grega érecheada de parricídios... São novasgerações que eliminam as antigas.Isso aparece nas guerras, nascompetições, nas rupturas. Já o mitojudaico-cristão traz dogmas pesados.Eu mesmo, sem ser teólogo ouespecialista, senti o impacto dessasideias”, contou.Segundo ele, + Amor – Medo propõeuma reflexão sobre essas herançasculturais e psicológicas. Ao mesmotempo, oferece um caminho dereconciliação com a essência afetiva,orientada por valores comocompaixão, cuidado e presença. Umatrilha possível para restaurar ainteireza no modo de viver.Crítica aos mitosfundadorese à fragmentação entre serhumano e naturezaNa sequência da apresentação,Ricardo Mendes articulou umaanálise das narrativas arquetípicas datradição ocidental, com atenção aosefeitos simbólicos dessas histórias naforma como o ser humano seposiciona diante do planeta, daespiritualidade e dasresponsabilidades existenciais. Aocitar o livro de Gênesis, apontoucomo a ideia de dominação da Terrae dos seres vivos legitimou ummodelo de separação. Segundo ele,essa lógica promoveu odistanciamento entre humanidade eambiente natural, ao ignorar acondição de pertencimento.“Se a gente acabar com a natureza, agente acaba junto também”, afirmou,ao constatar que ainda falta clarezasobre essa interdependência.Ao comentar o episódio bíblico daexpulsão do paraíso, o autor abordoua associação histórica entre pecado esexualidade, sobretudo em relação àmulher. Destacou o impactoduradouro dessa simbologia naformação de culturas patriarcais e nanaturalização da culpa comoferramenta de opressão.
“Tem alguma coisa que não bate”,disse, ao problematizar a narrativa deum Deus onipotente que se exime dacriação do pecado. A crítica estendeuse às consequências sociais dessepensamento, como o feminicídio e ocontrole sobre o corpo feminino.Segundo Ricardo, essas construçõessimbólicas ainda sustentam a crençade que o feminino representa umaameaça à ordem.Responsabilidade,espiritualidade e crítica àsmediações religiosasDurante a escrita de + Amor – Medo,Ricardo conheceu o mito brasileirodos Aruás, incluído em umacompilação de inspiração junguiana.A narrativa apresenta dois irmãoscom perfis distintos — um ativo,outro contemplativo. Acostumadoaos enredos trágicos dos mitosocidentais, esperava um desfechoviolento.No entanto, surpreendeu-se com aaceitação das diferenças e com apossibilidade de coexistência.“Comoseria a nossa civilização se tivéssemosnascido debaixo de um mito decriação que não quer excluirninguém?”, questionou. Segundo ele,histórias como essa ampliam orepertório simbólico e oferecemalternativas mais inclusivas para lidarcom o diverso.O autor questionou o papel dasinstituições religiosas na mediaçãoentre humanidade e o sagrado.Criticou práticas que oferecemperdão automático sem confrontoreal com as consequências dospróprios atos, o que, segundo ele,enfraquece a construção daresponsabilidade pessoal.Apontou que a terceirização daespiritualidade estimula passividade.Em contraposição, destacou aexperiência com o xamanismo, queintegra sua trajetória há três décadas.Descreveu esse caminho como umaprática de acesso direto ao planoespiritual, sem hierarquias oudogmas. Enfatizou que a autonomiaindividual se fortalece quando háliberdade para desenvolver rituaisinternos sem interferênciainstitucional.O mito dos Aruás e avalorização das diferençasAo abordar as trêsconcordâncias — conceitocentral em sua obra —,Ricardo Mendes concentrouse na primeira: aceitar o mundocomo ele é. Inspirado por BertHellinger, desenvolveu umaformulação própria a partirda prática terapêutica. Paraele, concordar com ascondições fundamentais davida — nascimento, crescimentoe morte — é o primeiro passopara construir umaexistência com inteireza
Ele criticou os esforços modernospara negar a passagem do tempo,como a obsessão por reverter oenvelhecimento.“Tem coisas que agente precisa aprender a dizer sim”,afirmou, ao defender oreconhecimento da transitoriedadecomo aspecto essencial damaturidade.Cosmos, culturas e oconvite à presençaEm continuidade ao diálogo, amediadora Yolanda Freireaprofundou a discussão sobre asegunda concordância proposta porRicardo Mendes — concordar com ooutro como ele é — e trouxe umaanálise sobre a tendência humana dejulgar e rotular. Segundo ela, essecomportamento frequentementenasce das próprias carências nãoreconhecidas.“A nossa criançainterna, com suas faltas, cobra dospais e repete esse padrão nosrelacionamentos”, apontou.Yolanda destacou que, nasConstelações, o objetivo não está emperdoar no sentido tradicional, masem mudar a forma de se posicionardiante das experiências. Para ela, nãose trata de absolver, mas de assumirresponsabilidades.“Eu posso dizer: eu fiz coisas que nãoforam tão boas assim. E possotambém olhar para quem me feriu eafirmar: Isso me doeu, isso me fezfalta.”A proposta está em sair daposição de juiz e recusar adesqualificação, tanto do outroquanto de si.No encerramento desta parte daapresentação, Ricardo propôs umareflexão sobre os contrastes darealidade contemporânea. Enquantoparte da humanidade investe emviagens interplanetárias,comunidades indígenas preservamformas de vida tradicionais. Essacoexistência revela o quanto há paraaprender com diferentes modos deestar no mundo.O autor afirmou que muitas pessoasque procuram terapias ouConstelações trazem dores ligadas àorigem — sentimentos de exclusão,dúvidas sobre pertencimento oumarcas de rejeição.“Avida acontecedaqui pra diante”, declarou, aodefender que apenas a reconciliaçãocom o passado permite construir umcaminho possível. A primeiraconcordância, nesse contexto,sustenta todo movimento detransformação.A segunda concordânciae a superação do olharacusatório
Riqueza pessoalsob ameaçado olhar coletivo“Quais os presentesque os Outros nostrazem?Ao esperarmos que ele deixe a suaprópria Vida de lado para vir nosatender, permanecemosdependentes. Acontece que onde nosrecusamos a crescer e assumir oprotagonismo da nossa vida, ela nãoprospera.Pai, mãe, avós, irmãos, terapeuta.Quem está disponível à sua volta?Quem se sente irresistivelmenteatraído em fazer por você? A quemvocê entrega suas tarefas com alegria,fingindo que não percebe? E se umdia não houver ninguém à volta paraacudir?Ao entregarmos o nosso poder aoOutro, abdicando da ação e dosriscos, caminharemos para ummundo repleto de MaioresAbandonados que ainda esperam porum milagre”.Ao concluir a leitura, Yolandaafirmou que o texto interpela comfirmeza e aponta a urgência daautorresponsabilidade.“É uma belaprovocação” — completou, aoreconhecer que esse trecho propõeum corte radical com a lógica daespera passiva e abre espaço para oexercício pleno da potênciaindividual.Ela citou o caso da moça quecarregava o peso de olhares que afizeram duvidar de sua própriaintegridade. Aquilo que poderia seapresentar como potência setransformou em culpa, por causa dadificuldade do meio em reconhecer evalidar o diferente. Segundo Yolanda,esse mecanismo se repetesocialmente e empobrece as relações.Na sequência, leu um excerto da obra+ Amor – Medo que revela o impactoda dependência emocional sobre amaturidade psíquica. O trecho,situado no capítulo da segundaconcordância, convida o leitor arefletir sobre as implicações da recusaem assumir o próprio caminho:Yolanda observou que,muitas vezes, o querepresenta força esingularidade em alguémdesperta medo naspessoas à sua volta. Em vezde acolher a diferença,preferem desqualificaraquilo que nãocompreendem:“Uma dasestratégias mais comunspara se defender do queassusta no outro édeclarar que ele estáerrado. Que é culpado.Que não é bom”
A necessidade de parar einvestigar a própria trajetóriaO autor abordou com precisão osefeitos de experiências malcompreendidas durante a infância.Um exemplo simples — como puxaro rabo de um gato e, no mesmo dia,presenciar a separação dos pais —pode originar crenças distorcidas queatravessam décadas. A criança, semacesso a interpretações racionais,conclui que suas ações provocaram aperda de alguém amado.“Ela pode cresceracreditando que cada erroafasta quem ama”, pontuou.Esse tipo de construção simbólica, aose fixar na estrutura psíquica,compromete a expressão emocional.O indivíduo que internaliza anecessidade de agradar acaba porreprimir sentimentos legítimos,como raiva, tristeza ou frustração.“Essa pessoa pode explodir um dia.Ou adotar posturas ambíguas: gentilcom uns, cruel com outros. Tudo pornão ter elaborado o impacto daquelemomento original.”Ricardo Mendes comparou a jornadaexistencial à experiência de conduzirum veículo. Quando o carroapresenta ruídos ou baixodesempenho, o condutor precisainterromper o percurso e investigaras causas.“Na nossa vida, raramente fazemosisso. Seguimos sem olhar para o queprecisamos”. O autor afirmou quemuitos comportamentos adultosainda refletem estratégias infantis desobrevivência.“Alguém que cresceusendo o filho coitadinho, sempre emdependência, pode acreditar que éassim e que o mundo deve cuidardele”.Para o autor, essa permanência empadrões antigos impede a autonomia.O adulto saudável, segundo ele, devereconhecer quando não sabe, buscarajuda adequada e assumir oprotagonismo da própria história.“Nada impede um adulto de resolveras situações que surgem. Bastareconhecer limites e buscar soluçõesreais”, apontou.Crençasformadas na infânciae as consequências emocionais
A terceira concordância comoreconhecimento da própriasingularidadeEm uma das passagens mais enfáticasde sua fala, Ricardo Mendessublinhou a urgência de cultivar pazinterior como fundamento para oengajamento com o mundo.Defendeu que o alinhamento com opróprio centro permite revelar agrandeza que cada ser humanocarrega.“Precisamos estar em pazcom o mundo, com o outro e comnós mesmos. Precisamos cuidar denós para poder entregar ao mundo anossa grandeza”.Segundo o autor, não bastapermanecer em espaços de confortoou crítica improdutiva. Avida exigepresença ativa, sobretudo em temposde descrença.“Não adianta dizer que o mundo nãoquer, que não tem mais jeito. É umapena, porque faz falta. Todo mundofaz falta.” Para Ricardo, a ausência decontribuição consciente empobrece ocoletivo e perpetua a sensação deimpotência.Ao finalizar esse bloco, Ricardoapresentou a terceira concordância:concordar consigo mesmo. Para ele,aceitar a própria existência comoúnica é um passo essencial parahabitar o mundo com inteireza.O propósito de vida comoexpressão da grandeza pessoal“Cada um precisareconhecer suasingularidade, seuvalor, sua diferença.”A existência humana,afirmou, não suportahomogeneidade. Adiversidade não éerro, mas acerto dacriaçãoRicardo Mendes destacou que até ocorpo carrega essa afirmação dadiferença.“A impressão digital provaque não há dois iguais entre bilhõesde pessoas. Isso não é dogma, está nocorpo.”Ao compreender esse dado, oindivíduo deixa de negar quem é e seautoriza a ocupar seu lugar. Avida,então, se torna espaço de expressãolegítima, onde a potência de cada umse soma ao conjunto com sentido edireção.
A jornada doautoconhecimento comobase da cooperaçãoPara Ricardo Mendes, reconhecer aprópria grandeza não configuravaidade nem afirmação narcisista.Trata-se de assumir o compromissocom a potência que cada um carrega.O mundo, afirmou, não podedispensar talentos nem calar vozeslegítimas. A construção do sentido devida emerge quando alguémcompreende que seu gesto, suapresença e sua palavra fazemdiferença. E por isso, precisamocupar espaço.Ao refletir sobre o caminho que levaao propósito, Ricardo Mendesconvocou uma análise direta: por queestudar, refletir, buscar oautoconhecimento? O que justificatanto esforço interior?“Se fosse para viver como umabananeira — nascer, frutificar emorrer — seria mais simples. Masnão é. Temos outras possibilidades”,comparou.A consciência dessas possibilidadesexige movimento e escolha. Para ele,o sentido da vida não se resume àrealização pessoal, mas se manifestano encontro com o outro.“Opropósito é cooperativo, nãocompetitivo.”Nesse ponto, o autor retomou o mitodo Senhor Brahma como metáforapara a contribuição individual. Cadapessoa manifesta uma parte dodivino. Mostrar essa parcela comintegridade é, ao mesmo tempo, atode entrega e celebração da vida.“Agradecemos ao Senhor Brahmapor nos permitir mostrar uma partedele. Que essa parte seja bela,autêntica, digna de somar aoconjunto.”Grandeza comoato de presença ecomprometimentoAo final dessa reflexão, oautor reafirmou que odestino de cada serhumano não está pronto,mas disponível. Omovimento em direção aopropósito exige coragempara se tornar o que se é.Não basta repetir o ciclobiológico. É necessário darforma, nome e direção àsingularidade que habitacada pessoa. Esse é ochamado da vida. Esse é oconvite do livro + Amor –Medo
Amediadora também abordou aexperiência dos representantes,sobretudo nas Constelações ocultas,nas quais os participantes nãoconhecem previamente os papéisque assumem. Para Yolanda, há umaescolha profunda e silenciosa.Durante sua análise, a mediadoraYolanda Freire destacou que aConstelação, embora valiosa, nãodeve ser tratada como solução única.Segundo ela, o medo de nãocorresponder às expectativas podelevar consteladores a assumirem umlugar equivocado, como seestivessem“carregando um pote coma solução para tudo”. Reforçou, assim,que o trabalho com a abordagemsistêmica é apenas um entre muitoscaminhos possíveis rumo àconsciência e à integração pessoal.Yolanda reconheceu a contribuiçãodo livro + Amor – Medo por oferecermúltiplas formas de ampliar o olhar.Ressaltou que a Constelação nãoapenas acolhe a dor individual comotambém provoca reflexões coletivas.“Quando eu atendo em Constelação,sempre agradeço à pessoa que vem.Ela traz sua questão pessoal, mastambém uma provocação preciosaque nos leva a olhar para a nossahistória, nossos vínculos e nossospapéis”, constatou.A representação comoexperiência de ressonânciae cura“A alma escolhe a dedo quem poderepresentar, porque compartilha domesmo tema essencial.” Essasvivências se revelam oportunidadesde cura e reflexão, permitem que ocampo traga à tona conteúdosinconscientes que ecoam em quemobserva, participa ou representa.Entre aceitar e concordar:o poder de soltarYolanda diferenciou com clareza osentido de aceitar e concordar,segundo a proposta do autor.Para ela, aceitar pode carregar certoconformismo — um gesto semprofundidade. Já a concordânciaimplica um movimento maismaduro e libertador.“Aceitar é dizer:aceito porque não tem outro jeito. Sesurgir outro, já não aceito mais.Concordar é soltar.”Com isso, a mediadora reiterou queconcordar (com o que foi) nãosignifica justificar ou minimizardores. Pelo contrário, é reconhecercom inteireza.“Olhar para nossos pais nahumanidade deles e dizer: isso meferiu, isso me faltou, isso me pesou.Não para fingir que tudo está bem,mas para parar de carregar o que nãoé mais necessário”, pontuou.
Ao relatar o caso de uma mulher quebuscou apoio após a rejeição dopróprio pai em relação à neta nascidapor inseminação artificial, RicardoMendes ressaltou a importância dehonrar o tempo e as limitações decada um. A criança, prestes acompletar dois anos, havia sido vistaapenas uma vez pelo avô, cuja recusaem se aproximar parecia ir além daracionalidade. Segundo Ricardo, osintoma físico do pai, que chegou asofrer umAVC no dia do encontromarcado, revelava um bloqueio maisprofundo, ainda não elaborado.Ao finalizar, Yolanda mencionou umaConstelação realizada recentemente,marcada pela emoção e pelosimbolismo. Com esse exemplo,reforçou o quanto as práticassistêmicas revelam dimensõesprofundas da experiência humana ecriam espaços de escuta, reverência etransformação.A potência de respeitaros limites do outroNa Constelação realizada, a mãe pôdese dirigir simbolicamente ao pai, aoreconhecer sua dificuldade e, aomesmo tempo, ao reafirmar seuvínculo com a filha. A práticaevidenciou que, muitas vezes, osofrimento nasce da tentativa deforçar uma concordância que o outronão pode oferecer.“A gente perdetempo na espera que o mundoconcorde com a nossa maneira deser, em vez de aprender a aceitar adiferença do outro”, refletiu o autor.O marketing do medo eo deslocamento daresponsabilidadeRicardo Mendes também criticou ouso generalizado do medo comomotor da economia e da sociedade.Ao abordar sua formação emmarketing, pontuou que o focooriginal da área — identificarnecessidades e atendê-las — foisubstituído por estratégias quealimentam inseguranças.“Hoje, não se trata de satisfazer umanecessidade real, mas de explorarpreocupações para vender soluçõesilusórias”, afirmou.Como exemplo, citou a indústria deseguros e os chamados planos desaúde, que, segundo ele, nãogarantem bem-estar, mas apenasreforçam o receio de adoecer.“O melhor plano de saúde é cultivarrelações amorosas, ter propósito,alimentar-se bem, morar num lugarque faça sentido”. Para o autor, muitasescolhas são feitas a partir do medo, oque nos distancia da potênciatransformadora do amor.
Ricardo Mendes ainda questionou anaturalização da propaganda deprodutos prejudiciais à saúde, comorefrigerantes, cigarro e bebidasalcoólicas. Considerou paradoxal queesses itens sejam amplamentepromovidos, mesmo com oconhecimento de seus efeitosnegativos.“No final, colocam umaviso tímido:‘Beba com moderação’.Mas o certo seria dizer:‘Se puder, nãobeba’”.Essa lógica, para ele, reflete umasociedade movida pelo lucro e pelaindiferença. Enfatizou que, emboraas transformações coletivas sejamnecessárias, o ponto de partida estásempre no indivíduo.“Quais dasminhas escolhas estão ligadas aomedo? Quais nascem do amor?”Crítica à banalização doconsumo e à conivência socialAo concluir essa parte da exposição,Ricardo Mendes apontou a influêncianociva da mídia e da repetição denarrativas violentas na saúdeemocional das pessoas.“Quem assiste aonoticiário todanoitecertamente dorme mal evive em estado dealerta.” Para ele, aindústria da notíciaprioriza o impactonegativo, pois eleva aaudiência e sustentaos anunciantesDiante disso, propôs uma atitudeativa de discernimento: ocupar opróprio lugar no mundo comconsciência.“Amídia alimenta aangústia, mas somos nós queescolhemos nos expor. Quandoentendemos isso, começamos arecuperar o poder que entregamos aomedo”, ressaltou.O poder da escolha individualem ummundo dominado pelaangústia
A alegria como expressãodo ser essencialNa etapa final do encontro, amediadora Yolanda Freire destacou adimensão mais profunda do percursoproposto por Ricardo Mendes em +Amor – Medo: o caminho emdireção ao eu essencial. Segundo ela,esse processo implica atravessarcamadas de crenças limitantes eliberar emaranhamentos queobstruem o fluxo natural da vida.“AsConstelações oferecem umaritualística que facilita essa travessia epermite o reencontro com a potênciainterior”, afirmou.Yolanda ressaltou que a alegria a queRicardo Mendes se refere em suaobra não se confunde com umaeuforia superficial ou com oentusiasmo infantil. Trata-se de umamanifestação serena e íntegra do serancorada na autonomia, na partilha eno pertencimento.“É uma alegriaque nasce da expressão do que se é, enão de um contentamento artificialsustentado por distrações oumedicações.”Amediadora observou que, nasociedade contemporânea, existeuma pressão constante para eliminaro desconforto e evitar qualquerforma de dor emocional.A cultura da anestesia e anegação da frustração“As pessoas recorrem a remédios parasilenciar dores que são naturais,tentam fugir da frustração a qualquercusto.” Para ela, essa cultura daanestesia afasta os indivíduos de seuprocesso de crescimento e bloqueia oacesso à verdadeira alegria.Yolanda enfatizou que, ao estimular aintrospecção, Ricardo Mendesconvida o leitor a permanecer com oque é, sem evitar o confronto com aspróprias sombras.“O livro chama aspessoas para olhar para dentro, pararevisitar suas camadas internas ereavaliar as crenças que sustentam.”A escolha consciente denovas crençasA reflexão avançou para o papel dascrenças na construção da realidadepessoal. Yolanda sublinhou que atransformação não se resume à trocade uma crença por outra, mas requerdiscernimento.“Que crenças mefazem bem? Quaisestão em sintonia como meu ser? Quaisampliamminhacapacidade de respirarcompresença?”(Yolanda Freire)
Dagmar Ramos destaca aforça do amor comoresposta ao medoAo concluir a reflexão, ela reforçouque o alívio gerado por esse percursonão representa apenas um descansomomentâneo, mas a entrada em umnovo estado de consciência.“Não setrata de um simples‘ufa’. É umarespiração que vem de outro lugar,mais profundo, mais livre.”Ao final do evento, a segundadirigente a ocupar a presidência doCECS, médica Dagmar Ramos,prestou uma homenagem à obra deRicardo Mendes, ao destacar asensibilidade com que o autorabordou questões essenciais daexistência.Ela classificou + Amor – Medo comouma leitura transformadora, capaz detratar temas profundos com leveza eprofundidade.“É um livro que nosconecta, nos toca e fala diretamentesobre dois aspectos fundamentais davida: o amor e o medo.”Dagmar compartilhou suaexperiência com os livros de Ricardo.Ressaltou a relevância do conteúdo,especialmente no contexto doatendimento a clientes com questõespsiquiátricas e no campo dasConstelações, onde as emoçõesessenciais se revelam comintensidade.“O amor e o medo são forças queatravessam cada atendimento. AsConstelações abrem um espaço decompreensão para identificar onde oamor está bloqueado e onde o medoprecisa ser reconhecido”, constatouDagmar.Médica epsicoterapeuta DagmarRamos:“Fomosmovidospormuitoamor.Amorporessa abordagem,porBertHellinger,pornósmesmos,epelopróprioamor”Do amor infantil ao amormaduro: uma travessianecessáriaEm sua fala, a presidente reiterou aimportância da transição do amorinocente, típico da infância, para o amormaduro, construído na vida adulta.Referiu-se à contribuição de BertHellinger nesse entendimento e aomodo como o autor tambémdesenvolve esse olhar em sua obra.“Bert já havia nos mostrado com clarezaa diferença entre o amor da criança e oamor do adulto.”
Dagmar mencionou ainda o impactode obras complementares, como olivro da escritora, atriz e consteladoraIngra Lyberato sobre o medo dosucesso, para ilustrar como essaemoção se manifesta de forma sutilem diferentes aspectos da vida.[IngraLyberato - O Medo do Sucesso - Avida nos palcos, no cinema e natelevisão - L&PM Editores(https://acesse.one/XAc4w)].Declarou que reconhece essa mesmasombra em si, o que reforça o valorda leitura de + Amor – Medo comoum convite à autorreflexão.Ao celebrar o encontro promovidopelo CECS, Dagmar Ramos refletiusobre o esforço coletivo necessáriopara sustentar o campo dasConstelações diante de resistências eataques. Afirmou que o grupo decidiuvencer o medo e se comprometer coma missão de defender e expandir aabordagem.Amor como motor deresistência etransformação coletivaPor fim, dirigiu palavras de gratidão àmediadora Yolanda Freire, emreconhecimento ao seu cuidado,profissionalismo e leitura sensível daobra de Ricardo Mendes. Com emoção,encorajou o autor a continuar aescrever.“É muito bom ler você. Continueescrevendo mais. Estamos com você”,incentivou.“Fomos movidos pormuito amor. Amor poressa abordagem, por BertHellinger, por nós mesmos,e pelo próprio amor”(Dagmar Ramos)Livros como portais deencontro e transgressão: aleitura como ato revolucionárioEm um momento de emoção, amediadora Yolanda Freirecompartilhou seu vínculo profundocom o universo dos livros e celebrou aobra de Ricardo Mendes como umaexpressão legítima de arte ehumanidade.Declarou que os livros funcionam comoportais, capazes de criar encontros eampliar percepções.“Quando leio, euouço o autor, dialogo com ele, passeiopor dentro do texto. Livros são espaçosde conversa e expansão.”Yolanda descreveu o hábito da leituracomo uma prática ativa e sensível, ondecada obra se transforma a partir doencontro com o leitor.
Para ela, mesmo os títulos maistécnicos e teóricos ganham dimensãoestética quando revelam o humanoem profundidade.“Vejo cada livrocomo arte. É ali que encontro ohumano em sua expressão maisbonita.”Amediadora também refletiu sobre odesafio de escrever e publicar noBrasil, ao classificar a escrita comouma atitude política e transformadora.Afirmou que lançar um livro no paísrepresenta um ato de coragem edesobediência criativa.A escrita como gesto deresistênciano cenárionacionalAo exaltar a importância de autoresnacionais, Yolanda pontuou que escutarvozes brasileiras no campo dasConstelações e do pensamentosistêmico amplia o repertório coletivo efortalece o campo de saber.“Receber os autores entre nós, ouvi-losdiretamente, é algo de enorme valor.Eles nos aproximam de nós mesmos”,ensinou.Concluiu sua fala com um gesto degratidão e reconhecimento pelacontribuição de Ricardo Mendes, aoenfatizar a alegria de viver um encontroatravessado por arte, presença e afeto.Encerramento celebra espírito decolaboração e anuncia nova edição doProjeto AutoriaAo final do encontro, a mediadoraYolanda Freire compartilhou reflexõessobre o significado do Projeto Autoria,ao destacar o valor da generosidade e daparceria como forças que sustentam ainiciativa. Reconheceu a contribuiçãodos diretores do CECS comoprotagonistas não apenas institucionais,mas também simbólicos, aoinaugurarem com seus próprios livrosessa etapa experimental do projeto.“Escrever é um gestorevolucionário. É umprocesso de transgressãoda ordem estabelecida,que ainda valorizaexcessivamente o que vemde fora” (Yolanda Freire)
“A intenção é acolher as publicaçõesdos nossos associados. Começamoscom os diretores também comoforma de honrar o trabalhovoluntário que tem sido feito comtanto cuidado”, afirmou.Yolanda também anunciou apróxima edição do Projeto Autoria,que terá como destaque a psicólogaclínica Alzira Cristina da Silva,diretora de Ética do CECS,professora universitária, especialistaem Docência na Educação Superiore coordenadora do Instituto IAC.A próxima conversa terá como focoas frases que surgem nos processosde Constelação e sua ressonância nasvivências terapêuticas. O livro deAlzira já se encontra em fase final derevisão, na versão impressa.A noite se encerrou com palavras degratidão ao CECS pela criação de umespaço fértil para encontrossignificativos.“Estamos todos a viver esse passoadiante, como diz Ricardo Mendesem seu livro. Pertencer ao sistema,sim, mas com coragem de viver aliberdade possível”, concluiu YolandaFreire. (Texto publicado no dia 27de julho de 2025 e atualizado em 19de janeiro de 2026)
Movimento surge a propósito da Resolução nº06/2025, do Conselho Nacional de Direitos Humanos(CNDH), que instituiu um Grupo de Trabalho (GT)para analisar as Constelações no Brasilsem a presençade representantes vinculados às entidades legalmentereconhecidas. Medida avançano sentido de proporrestrições arbitrárias à continuidade da abordagemnos serviços públicos. Plenária on-line reúne cerca de300 lideranças de todo o país e marca umanova faseda articulação institucional em defesa do acessogratuito às práticas sistêmicas no SUSReuniãohistóricadetrêsentidadesnacionaisdeflagracampanhaemdefesadoacessoàsConstelaçõesFamiliaresnoSUS:“Umaquestãodedireitoshumanos”
Em plenária on-line que reuniu cercade 300 lideranças de todo o país, foilançada oficialmente no dia 29 dejulho de 2025 a campanha nacional“As Constelações Familiares noSistema Único de Saúde – umaquestão de direitos humanos”.O movimento surge a propósito daResolução nº 06/2025, do ConselhoNacional de Direitos Humanos(CNDH), que instituiu um Grupo deTrabalho (GT) para análise dasConstelações Familiares Sistêmicasno Brasil.O GT ora instaurado pelo CNDH foiconstituído sem a presença dequalquer representante técnico,institucional ou profissionalvinculado às entidades legalmenteestabelecidas, e avança no sentido depropor restrições arbitrárias e sembase empírica à continuidade dasConstelações nos serviços públicos.O evento apontou os vícios deorigem do GT, a ausência derepresentatividade técnica, acondução política e antidemocráticaque visa cercear de forma indevida apresença das Constelações noSistema Único de Saúde (SUS) e noSistema de Justiça.A plenária marca umanova fase de articulaçãoinstitucional em defesa do acesso gratuito àspráticas sistêmicas na saúde pública brasileiraParticiparam consteladores,profissionais do SUS, trabalhadores dasaúde, pesquisadores, usuários,representantes da sociedade civilorganizada e defensores dos direitoshumanos.A ação foi liderada pelas três entidadesrepresentativas do campo no Brasil:Associação Brasileira de ConsteladoresSistêmicos (ABC), Instituto Brasileiro deConsteladores Familiares (IBCF) eCentro de Excelência em ConstelaçõesSistêmicas (CECS).O encontro consolidou uma frenteinstitucional coesa diante da tentativa deexclusão das Constelações da PolíticaNacional de Práticas Integrativas eComplementares (PNPIC),especialmente no contexto do SUS,onde a abordagem incorporadaoficialmente pela Portaria nº 702/2018do Ministério da Saúde já soma mais de25 mil atendimentos gratuitos nosúltimos dois anos.As mensagens das liderançasreforçaram que a pauta da exclusão nãoé técnica, mas política eantidemocrática. Representa um graveretrocesso no direito de acesso à saúdeintegral de populações vulneráveis.
O evento também destacou dados do Mapa de Evidências Científicas,publicado em 2024 pelo Cabsin, em parceria com a Bireme/Opas/OMS,que analisou 16 estudos e apontou que 90% dos desfechos foram positivosou potencialmente positivos.Os três presidentes reforçaram o compromisso com o fortalecimentotécnico, ético e institucional da abordagem sistêmica no Brasil.Segundo as entidades, impedir a oferta dasConstelações Familiares pelo SUS é restringir ocuidado profundo apenas a quem podepagar, o que fere os princípios da equidade euniversalidade que regem o sistemaTarso Firace, presidente daABC, escritor eterapeuta com mais de 30 obras publicadas e5 mil atendimentos realizados, celebrou aconvergência das gerações em torno de umnovo ciclo de maturidade e autorregulaçãoInácio Junqueira, presidente do IBCF,consultor de negócios, educador e especialista emcooperativismo, destacou a urgência deunificar discursos, padronizar formações ehonrar o legado de Bert Hellinger comresponsabilidade institucional
Emplenáriaon-lineque reuniu cercade300 liderançasde todoopaís, foilançada nodia29de julhode2025 a campanha nacional “As ConstelaçõesFamiliares noSistema ÚnicodeSaúde – umaquestãodedireitos humanos”