The words you are searching are inside this book. To get more targeted content, please make full-text search by clicking here.
Discover the best professional documents and content resources in AnyFlip Document Base.
Search
Published by erickgalvao_, 2020-04-25 10:30:59

Lição Adulto Prof. 2ºtri 2020.pdf

Lição Adulto Prof. 2ºtri 2020.pdf

COMO INTERPRETAR AS ESCRITURAS • ABR | MAI | JUN 2020

1

Groenlândia

Suécia

Islândia Noruega Finlândia

Oslo Helsinque
Estocolmo
Estônia Rússia
Nuuk Reykjavik

Dinamarca Copenhague Letônia
Holanda Lituânia

DIVISÃO TRANSEUROPEIA Dublin Reino Polônia Bielorrússia
Unido
Irlanda
Londres Alemanha Varsóvia

UNIÕES IGREJAS GRUPOS MEMBROS POPULAÇÃO Bélgica Ucrânia
15 3.664 9.050.000 Luxemburgo Rep. Tcheca
Adriática 94 8 5.986 6.033.000 Eslováquia
112 38.213 71.546.000
Báltica 89 1 2.447 5.892.000
9 4.678 5.518.000
Britânica 294 29 5.223 9.758.000 Suíça Áustria Budapeste Moldávia
16 6.002 17.235.000
Dinamarquesa 39 2 4.535 5.314.000 França Hungria Romênia
26 5.790 38.434.000
Finlandesa 62 6 7.378 15.016.000 Eslôvenia
4 2.916 10.183.000 2Croácia Zagrebe
Húngara 113 1 103 876.000 Belgrado
3 463 10.600.000 HeBrózesngioaveina
Holandesa 58 1 469 354.000 Sérvia
Itália Sarajevo
Norueguesa 62 233 87.867 205.809.000 Montenegro Kosovo

Polonesa 115 PROJETOS Escópia

Sudeste Europeia 210 Tirana Macedônia

Sueca 32 1 Abrir um centro de influência em Sortland, Noruega. Albânia
2 Estabelecer uma igreja em Nova Belgrado, Sérvia.
Região do Chipre 2 Grécia Turquia

Missão Grega 11 Atenas

Associação Islandesa 6 3 Construir uma igreja e um centro de influência
em Nicósia, Chipre.
TOTAL 1.187 Tunísia Chipre
3

Exemplar Avulso: R$ 12,70. Assinatura Anual: R$ 41,40 ABR MAI JUN 2020
ADULTOS•PROFESSOR

ECosmco rinitetruprertaar ass

UMA VIAGEM DE DESCOBRIMENTO ATRAVÉS DA BÍBLIA

Março 28 o Salmo 55 O Grande
Março 29 o Salmo 56 Conflito

30 o Salmo 57 28
31 o Salmo 58 O Grande
Abril 1 o Salmo 59 Conflito
2 o Salmo 60
3 o Salmo 61 29
4 o Salmo 62
5 o Salmo 63 O Grande 4 o Salmo 92 O Grande 31 o Salmo 119 O Grande
6 o Salmo 64 Conflito 5 o Salmo 93 Conflito Junho 1 o Salmo 120 Conflito
7 o Salmo 65 30 e 31 6 o Salmo 94
8 o Salmo 66 O Grande 7 o Salmo 95 35 2 o Salmo 121 39
9 o Salmo 67 Conflito 8 o Salmo 96 O Grande 3 o Salmo 122 O Grande
10 o Salmo 68 9 o Salmo 97 Conflito 4 o Salmo 123 Conflito
11 o Salmo 69 32 10 o Salmo 98 5 o Salmo 124
12 o Salmo 70 O Grande 11 o Salmo 99 36 6 o Salmo 125 40
13 o Salmo 71 Conflito 12 o Salmo 100 O Grande 7 o Salmo 126 O Grande
14 o Salmo 72 13 o Salmo 101 Conflito 8 o Salmo 127 Conflito
15 o Salmo 73 33 14 o Salmo 102 9 o Salmo 128
16 o Salmo 74 O Grande 15 o Salmo 103 37 10 o Salmo 129 41
17 o Salmo 75 Conflito 16 o Salmo 104 O Grande 11 o Salmo 130 O Grande
18 o Salmo 76 17 o Salmo 105 Conflito 12 o Salmo 131 Conflito
19 o Salmo 77 34 18 o Salmo 106 13 o Salmo 132
20 o Salmo 78 19 o Salmo 107 38 14 o Salmo 133 42
21 o Salmo 79 20 o Salmo 108 15 o Salmo 134
22 o Salmo 80 21 o Salmo 109 16 o Salmo 135
23 o Salmo 81 22 o Salmo 110 17 o Salmo 136
24 o Salmo 82 23 o Salmo 111 18 o Salmo 137
25 o Salmo 83 24 o Salmo 112 19 o Salmo 138
26 o Salmo 84 25 o Salmo 113 20 o Salmo 139
27 o Salmo 85 26 o Salmo 114 21 o Salmo 140
28 o Salmo 86 27 o Salmo 115 22 o Salmo 141
29 o Salmo 87 28 o Salmo 116 23 o Salmo 142
30 o Salmo 88 29 o Salmo 117 24 o Salmo 143
Maio 1 o Salmo 89 30 o Salmo 118 25 o Salmo 144
2 o Salmo 90 26 o Salmo 145
3 o Salmo 91

Compromisso

Pela graça de Deus estudarei
a Bíblia e a Lição da Escola Sabatina todos os dias.

Quero me envolver na missão da igreja.

...............................................................................................................................

ASSINATURA

AMAZONAS MINAS GERAIS SÃO PAULO
MANAUS BELO HORIZONTE ENGENHEIRO COELHO
SÃO GERALDO CENTRO UNASP/EC
(92) 3304-8288 / (92) 98113-0576 (31) 3309-0044 / (31) 99127-1392 (19) 3858-1398 / (19) 98165-0008
Av. Constantino Nery, 1212 Rua dos Guajajaras, 860 Rod. SP 332, km 160 | Faz. Lagoa Bonita
69050-000 30180-100 13445-970 – Cx. Postal 11
[email protected] [email protected] [email protected]

BAHIA PARÁ HORTOLÂNDIA MKT CPB | Imagens: Divonzir Ferelli
CACHOEIRA BELÉM PARQUE ORTOLÂNDIA
FADBA MARCO (19) 3503-1070
(75) 3425-8300 / (75) 99239-8765 (91) 3353-6130 R. Pastor Hugo Gegembauer, 656
Rod. BR 101, km 197 Tv. Barão do Triunfo, 3588 13184-010
44300-000 66095-055 [email protected]
[email protected] [email protected]
PARANÁ SANTO ANDRÉ
SALVADOR CURITIBA CENTRO
NAZARÉ CENTRO (11) 4438-1818
(71) 3322-0543 / (71) 99407-0017 (41) 3323-9023 / (41) 99706-0009 Tv. Lourenço Rondinelli, 111
Av. Joana Angélica, 1039 R. Visc. do Rio Branco, 1335 | Loja 1 09020-120
40050-001 80420-210 [email protected]
[email protected] [email protected]
PERNAMBUCO SÃO PAULO
CEARÁ RECIFE MOEMA
FORTALEZA SANTO AMARO (11) 5051-1544
CENTRO (81) 3031-9941 / (81) 99623-0043 Av. Juriti, 563
(85) 3252-5779 / (85) 99911-0304 R. Gervásio Pires, 631 04520-001
R. Barão do Rio Branco, 1564 50050-070 [email protected]
60025-060 [email protected]
[email protected] RIO DE JANEIRO PRAÇA DA SÉ
RIO DE JANEIRO (11) 3106-2659 / (11) 95975-0223
DISTRITO FEDERAL TIJUCA Praça da Sé, 28 | 5o Andar
BRASÍLIA (21) 3872-7375 01001-000
ASA NORTE R. Conde de Bonfim, 80 | Loja A [email protected]
(61) 3321-2021 / (61) 98235-0008 20520-053
SCN | Bl. A | Qd. 1 | Lj. 17/23 | Ed. Number One [email protected] VILA MATILDE
70711-900 RIO GRANDE DO SUL (11) 2289-2021
[email protected] PORTO ALEGRE R. Gil de Oliveira, 153
CENTRO 03509-020
GOIÁS (51) 3026-3538 [email protected]
GOIÂNIA R. Coronel Vicente, 561
SETOR CENTRAL 90030-041 TATUÍ
(62) 3229-3830 [email protected] LOJA DA FÁBRICA
Av. Goiás, 766 | Quadra 12 | Lote 82 (15) 3205-8905
74020-200 livraria Rod. SP 127, km 106
[email protected] 18279-900
[email protected]
MATO GROSSO DO SUL
CAMPO GRANDE Conheça nossas
CENTRO
(67) 3321-9463 livrarias em todo o brasil
R. Quinze de Novembro, 589
79002-140 literatura para seu bem-estar total
[email protected]

ABR MAI JUN 2020

ADULTOS•PROFESSOR

Publicação trimestral – no 500 – ISSN 1414-364X

Como interpretar as Escrituras

A Lição da Escola Sabatina dos Adultos é pre- ÍNDICE
parada pelo Departamento da Escola Sabatina 1. A singularidade da Bíblia ............................................ 6
e Ministério Pessoal da Associação Geral dos 2. Origem e natureza da Bíblia ................................... 19
Adventistas do Sétimo Dia. 3. A visão de Jesus e dos apóstolos acerca da Bíblia ����� 31
4. A Bíblia – a fonte autoritativa de nossa teologia �����44
20% das ofertas de cada sábado são dedicados 5. Somente pelas Escrituras – Sola Scriptura ������ 57
aos projetos missionários ao redor do mundo, in- 6. Por que a interpretação é necessária? ............... 69
cluindo os projetos especiais da Escola Sabatina. 7. Idioma, texto e contexto ......................................... 82
8. A criação: Gênesis como fundamento (parte 1) ���� 95
A Casa Publicadora Brasileira é a editora oficial- 9. A criação: Gênesis como fundamento (parte 2) �� 107
mente autorizada a traduzir, publicar e distribuir, 10. A Bíblia como História ............................................. 119
com exclusividade, em língua portuguesa, a Lição 11. A Bíblia e as profecias ............................................... 131
da Escola Sabatina, para todas as faixas etárias, 12. Lidando com passagens bíblicas difíceis .......... 143
sendo proibida a sua edição, alteração, modificação, 13. Vivendo pela Palavra de Deus .............................. 155
adaptação, tradução, reprodução ou publicação,
de forma total ou parcial, por qualquer pessoa ou
entidade, sem a prévia e expressa autorização por
escrito de seus legítimos proprietários e titulares.

Todos os direitos reservados. Proibida
a reprodução, total ou parcial, por
qualquer meio, sem prévia autoriza-
ção escrita do autor e da Editora.

Autores: Frank Hasel e Michael Hasel Lição + Coment. EGW – Avulso: R$ 23,20 Diretor-Geral: José Carlos de Lima
Tradutoras: Carla N. Modzeieski e Lição + Coment. EGW – Ass. Anual: R$ 77,30 Diretor Financeiro: Uilson Garcia
Fernanda Andrade Redator-Chefe: Marcos De Benedicto
Editores: André Oliveira Santos e Adriana Teixeira 13690/41218 Gerente de Produção: Reisner Martins
Revisoras: Josiéli Nóbrega e Rosemara Santos Chefe de Arte: Marcelo de Souza
Projeto Gráfico e Capa: André Rodrigues e A Lição da Escola Sabatina Gerente de Vendas: João Vicente Pereyra
Eduardo Olszewski constitui marca registrada
Programação Visual: Levi Gruber perante o Instituto Nacional Serviço de Atendimento ao Cliente:
Ilustração de Capa: Thiago Lobo da Propriedade Industrial. (15) 3205-8888
Ilustrações Internas: Marta Irokawa Para assinar, ligue grátis:
Copyright © da edição internacional: 0800-9790606.
Visite nosso site para obter General Conference of Seventh-day De 2a a 5a, das 8h às 20h.
comentário adicional sobre Adventists, Silver Spring, EUA. Sexta, das 7h30 às 15h45.
esta lição: www.cpb.com.br Direitos internacionais reservados. Domingo, das 8h30 às 14h.
E-mail: [email protected] E-mail: [email protected]
Twitter: @LEScpb Direitos de tradução e publicação
em língua portuguesa reservados à
Exemplar Avulso: R$ 12,70
Assinatura Anual: R$ 41,40 Casa Publicadora Brasileira
Rodovia SP 127 – km 106
5866/40700 Caixa Postal 34
18270-970 – Tatuí, SP
Exemplar Avulso Espiral: R$ 15,10 Tel.: (15) 3205-8800 / Fax: (15) 3205-8900
Assinatura Anual Espiral: R$ 53,10 www.cpb.com.br

12561/41217

Esta lição pertence a: __________________________________________________________________
Igreja:_________________________________________ Fone:__________________________________

TEM – TODOS ENVOLVIDOS NA MISSÃO

TEMPO PARA O TODOS ENVOLVIDOS NA MISSÃO
O que é o Todos Envolvidos na Missão?
O TEM é um esforço evangelístico da igreja mundial que envolve cada pessoa, cada

igreja, cada entidade administrativa e todo tipo de ministério de divulgação pública, in-
cluindo ações missionárias pessoais e institucionais.

É um plano intencional para alcançar pessoas ao longo do ano. O primeiro passo é des-
cobrir as necessidades das famílias, dos amigos e dos vizinhos. O segundo passo é testemu-
nhar como Deus satisfaz cada necessidade. O resultado é o plantio e o crescimento de igre-
jas com foco na conservação, na pregação, no evangelismo e no discipulado.

COMO IMPLEMENTAR O TEMPO DO TEM NA ESCOLA SABATINA
Dedique os primeiros 15 minutos* de cada lição para planejar, orar e compartilhar:
TEM VOLTADO PARA DENTRO: Planeje visitar, orar e prestar assistência aos membros

desaparecidos, ou feridos, e atribua responsabilidades territoriais aos alunos. Encontre for-
mas de ministrar às necessidades das famílias da igreja, dos membros inativos, dos jovens,
dos homens e das mulheres, abordando as várias maneiras de envolver toda a igreja.

TEM VOLTADO PARA FORA: Ore e discuta formas de alcançar a comunidade, a cidade
e o mundo, cumprindo a grande comissão do evangelho, semeando, colhendo e conser-
vando. Envolva todos os ministérios da igreja enquanto planeja projetos de curto e longo
prazo para alcançar pessoas para Cristo. O objetivo do TEM é a realização de atos conscien-
tes de bondade. Aqui estão algumas maneiras práticas de se envolver pessoalmente:
1. desenvolva o hábito de verificar necessidades da sua comunidade; 2. faça planos para
atender a essas necessidades; 3. ore pelo derramamento do Espírito Santo.

TEM VOLTADO PARA CIMA: Estudo da lição. Incentive os membros a se envolverem
no estudo bíblico individual. Motive-os a se tornarem participativos no estudo da Bíblia na
­Escola Sabatina. Estudem para transformação, em vez de apenas buscar informação.

TEM Tempo Explicação

Comunhão Ore, planeje e se organize para agir. Alcance os membros

Ações sociais e evangelísticas 15 min.* desaparecidos com o amor de Cristo. Programe a ação missionária.

Missão mundial Oferta para a missão.

Estudo da lição 45 min.* Envolva todos no estudo da lição. Faça perguntas.
Destaque os textos-chave.

Almoço Planeje um almoço para a classe após o culto.
ENTÃO SAIA E ALCANCE ALGUÉM PARA JESUS!

* Ajuste o tempo conforme a necessidade da igreja.

| 4 | Como interpretar as Escrituras

Como interpretar as
Escrituras

Sendo protestantes, cremos no princípio Sola Scriptura, somente a Bíblia
como o único fundamento autoritativo de nossa fé e doutrinas. Nos
últimos dias, “Deus terá na Terra um povo que se fundamentará na Bíblia,
e apenas na Bíblia, como norma de todas as doutrinas e base de todas as
reformas” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 595).

Muitos que alegam seguir a Bíblia aceitam a santidade do domingo em
lugar do sábado, a imortalidade da alma, o tormento eterno dos perdidos e
até mesmo um arrebatamento secreto dos salvos.

As Escrituras são a “infalível revelação de Sua vontade. Constituem o padrão
de caráter, a prova da experiência, o autoritativo revelador de doutrinas e o re-
gistro fidedigno dos atos de Deus na História” (Nisto Cremos, 2003, p. 25). Elas
são a fonte das verdades que proclamamos, mesmo que algumas partes da Bí-
blia “pisem em nosso calo” e não sejam “politicamente corretas” (2Tm 3:15-17).

A Bíblia nos ensina a interpretar a si mesma. Em vez de ir primeiramen-
te a fontes extrabíblicas como a ciência, a filosofia e a história (que, se usa-
das corretamente, são uma bênção), buscaremos na Bíblia as ferramentas
que revelam a verdade. “Homens [santos] falaram da parte de Deus, movi-
dos pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21). Entre as coisas que eles falaram estão
explicações que ajudam na interpretação da Palavra.

Veremos como os escritores do Novo Testamento interpretavam o Antigo
Testamento. Se eles foram inspirados por Deus, sua maneira de ler e inter-
pretar as Escrituras nos ajuda a fazer o mesmo. Como Jesus usou e interpre-
tou as Escrituras? Afinal, Ele é o melhor exemplo de como ler a Bíblia.

Estudaremos o contexto, idioma, cultura e história, e como eles impac-
tam nossa maneira de ler e compreender a Palavra. Como interpretar as
parábolas, profecias, história, advertências, cânticos de louvor, visões profé-
ticas e sonhos encontrados nas Escrituras?

Frank M. Hasel, PhD, é diretor associado do Instituto de Pesquisa Bíblica
(BRI) da Associação Geral. Michael G. Hasel, PhD, é professor de Teologia na
Southern Adventist University e diretor do Instituto de Arqueologia e Museu
Arqueológico Lynn H. Wood.

Notas do editor:

1. A s perguntas do estudo de segunda a quinta-feira, com alternativas de múltipla escolha, “falso ou verdadeiro”,

“assinale a alternativa correta”, etc., são elaboradas para dinamizar e facilitar o estudo da lição. O estudo de sexta-­

feira traz respostas sugestivas para essas questões. Porém, essas respostas não excluem a possibilidade de opi-

niões e interpretações diferentes, principalmente em pontos para os quais não há uma clara definição bíblica nem

uma posição definida pela Igreja.

2. A versão bíblica adotada nesta Lição é a Almeida Revista e Atualizada no Brasil, 2a edição. Outras versões utiliza-

das são identificadas como segue: NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje; NVI – Nova Versão Internacional;

ARC – Almeida Revista e Corrigida no Brasil.

Abr l Mai l Jun 2020 |5|

Lição A singularidade
da Bíblia
11

VERSO PARA MEMORIZAR: “Lâmpada para
os meus pés é a Tua Palavra e, luz para os
meus caminhos” (Sl 119:105).

Leituras da semana: Dt 32:45-47;
Gn 49:8-12; Is 53:3-7; 1Co 15:3-5, 51-55;
Rm 12:2

■ Sábado, 28 de março Ano Bíblico: 1Sm 17-19

Composta de 66 livros e escrita ao longo de 1.500 anos em três conti-
nentes (Ásia, África e Europa), por mais de quarenta autores, a Bíblia
é singular. Não há outro livro, sagrado ou religioso, como as Escrituras.
E não é de admirar, pois ela é a Palavra de Deus.

Há mais de 24.600 manuscritos do Novo Testamento sobreviventes dos
primeiros quatro séculos depois de Cristo. Dos manuscritos originais de
Platão, existem sete; dos de Heródoto, oito, e a Ilíada, de Homero, tem um
pouco mais: 263 cópias. Portanto, há poderosas evidências confirmando
a integridade do texto do Novo Testamento.

A Bíblia foi o primeiro livro a ser traduzido, o primeiro publicado na
imprensa no Ocidente e o primeiro a ser distribuído em tantas línguas a
ponto de poder ser lido por 95% da população da Terra hoje.

Ela é singular em seu conteúdo e mensagem, que se concentram nas
ações redentivas do Criador ao longo dos séculos. A História está entre-
laçada com a profecia, pois esta prediz o futuro dos planos de Deus e Seu
reino. A Bíblia é a Palavra viva do Senhor, visto que o mesmo Espírito me-
diante o qual a Escritura foi inspirada (2Tm 3:16, 17) é prometido aos cris-
tãos para guiá-los a toda a verdade bíblica (Jo 14:16, 17; Jo 15:26; Jo 16:13).

| 6 | Como interpretar as Escrituras

■ Domingo, 29 de março Ano Bíblico: 1Sm 20-23
A Palavra viva de Deus
1

M uitas vezes, as palavras mais importantes são as últimas que uma
pessoa pronuncia. Moisés, o escritor dos cinco primeiros livros fun-
damentais da Bíblia, entoou um cântico para o povo pouco antes de sua
morte (Dt 31:30–32:43).

1. L eia Deuteronômio 32:45-47. Como Moisés descreveu a Palavra de Deus
e seu poder na vida dos hebreus prestes a entrar na Terra Prometida? As-
sinale a alternativa correta:

A. ( ) C omo algo útil e que prolonga a vida dos filhos de Deus.
B. ( ) Como algo dispensável, pois foi escrita apenas para o povo hebreu.

Entre as últimas palavras de Moisés está uma forte exortação. Ao or-
denar que aplicassem o coração a todas as palavras que Deus lhes havia
falado por seu intermédio, Moisés desejava enfatizar que o foco dos israe-
litas deveria permanecer em Deus e em Sua vontade para a vida deles. Ao
ensinar essas palavras aos seus filhos, cada geração havia transmitido o
divino plano de salvação da aliança. Eles não deveriam escolher as pala-
vras, mas obedecer a “todas as palavras desta lei” (Dt 32:46).

No final da História da Terra, Deus terá um povo que permanecerá fiel
a todas as Escrituras, o que significa guardar os mandamentos de Deus e
ter a fé de Jesus (Ap 12:17; 14:12). Esse povo permanecerá fiel ao ensino
da Bíblia, pois ela não apenas garante uma vida mais abundante na Ter-
ra, mas um destino eterno no lar que Jesus preparou para nós (Jo 14:1-3).

2. L eia João 1:1-5, 14; João 14:6. O que esses textos nos ensinam sobre Jesus

e a vida eterna? Como o Verbo encarnado Se relaciona com a revelação e

inspiração das Escrituras?

________________________________________________________________

Jesus é o foco e objetivo de todas as Escrituras. Sua encarnação como
Messias foi um cumprimento das promessas do Antigo Testamento. Vis-
to que Ele viveu, morreu e reviveu, temos não apenas a confirmação das
Escrituras, mas, melhor ainda, a grande promessa de vida eterna em uma
existência totalmente nova.

Leia novamente Deuteronômio 32:47. Em sua experiência, por que a obediência à Pala-
vra de Deus não é vã? Por que a fé em Deus e a lealdade às Escrituras nunca são inúteis?

Ao longo do dia, eleve seus pensamentos a Deus em oração.

Abr l Mai l Jun 2020 |7|

■ Segunda, 30 de março Ano Bíblico: 1Sm 24-27

1 Quem escreveu a Bíblia e onde ela foi escrita?

A variedade de autores bíblicos, que viveram em diferentes locais e ti-
veram históricos diversos, apresenta um testemunho singular de que
Deus trabalha para comunicar a História e a Sua mensagem a pessoas tão
culturalmente distintas quanto o público-alvo da Sua Palavra.

3. O que os seguintes textos revelam sobre os escritores bíblicos e suas ori-
gens? Êx 2:10; Am 7:14; Jr 1:1-6; Dn 6:1-5; Mt 9:9; Fp 3:3-6; Ap 1:9

___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________

A Bíblia foi escrita por pessoas de origens muito diferentes e em vá-
rias circunstâncias. Alguns escreveram em palácios, outros em prisões,
alguns no exílio e outros ainda durante suas viagens missionárias para
compartilhar o evangelho. Esses homens tinham formações e ocupações
diferentes. Alguns, como Moisés, estavam destinados a ser reis ou, como
Daniel, a ocupar altos cargos. Outros eram simples pastores. Alguns eram
muito jovens, e outros, muito idosos. Apesar dessas diferenças, todos
eles tinham algo em comum: foram chamados por Deus e inspirados pelo
E­ spírito Santo para escrever mensagens ao Seu povo, não importando
quando nem onde viveram.

Além disso, alguns escritores foram testemunhas oculares dos eventos
que relataram. Outros fizeram investigação pessoal dos eventos ou usa-
ram cuidadosamente documentos existentes (Js 10:13; Lc 1:1-3). Todas as
partes da Bíblia são inspiradas (2Tm 3:16). Essa é a razão pela qual Paulo
afirmou que “tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi es-
crito, a fim de que, [...] pela consolação das Escrituras, tenhamos esperan-
ça” (Rm 15:4). O Deus que criou a linguagem humana habilitou pessoas
escolhidas a comunicar o pensamento inspirado de maneira fidedigna e
confiável em palavras humanas.

“Foi do agrado de Deus comunicar Sua verdade ao mundo mediante ins-
trumentos humanos, e Ele próprio, por Seu Santo Espírito, habilitou e au-
torizou homens a fazer Sua obra. Ele guiou a mente na escolha do que dizer
e do que escrever. O tesouro foi confiado a vasos de barro, todavia não é
por isso menos do Céu” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 26).

A Bíblia foi escrita por diversos autores, em contextos diferentes, e ainda assim Deus é
revelado por todos eles. Como esse incrível fato confirma a veracidade das Escrituras?

| 8 | Como interpretar as Escrituras

■ Terça, 31 de março Ano Bíblico: 1Sm 28-31
A Bíblia como profecia
1

A Bíblia é singular entre outras obras religiosas conhecidas porque até
30% de seu conteúdo é composto por profecias e literatura profética.
A integração da profecia e seu cumprimento no tempo é fundamental para
a cosmovisão bíblica, pois o Deus que atua na História também conhece
o futuro e o revelou a Seus profetas (Am 3:7). A Bíblia não é apenas a Pa-
lavra viva, ou a Palavra histórica, ela é a Palavra profética.

4. L eia os textos a seguir. Quais detalhes são revelados sobre a vinda do
Messias?

Gn 49:8-12 _________________________________________________________
Sl 22:12-18 _________________________________________________________
Is 53:3-7 ___________________________________________________________
Dn 9:2-27 __________________________________________________________
Mq 5:2 _____________________________________________________________
Ml 3:1 ______________________________________________________________
Zc 9:9 ______________________________________________________________

Há pelo menos 65 predições messiânicas diretas no Antigo Testamen-
to. Além dessas, há muitas outras se acrescentarmos a tipologia (o estudo
de como os rituais do Antigo Testamento, tais como os sacrifícios, eram
pequenas profecias sobre Jesus). Essas profecias se referem a detalhes es-
pecíficos. Por exemplo: “O cetro não se arredará de Judá” (Gn 49:10); Je-
sus nasceria em Belém, em Judá (Mq 5:2); Ele seria “desprezado e o mais
rejeitado entre os homens”; espancado, falsamente acusado, mas não abri-
ria a boca para Se defender (Is 53:3-7); Suas mãos e pés seriam perfura-
dos; Suas vestes seriam divididas (Sl 22:12-18).

O fato de que essas profecias do Antigo Testamento foram cumpridas
com tanta precisão na vida, morte e ressurreição de Cristo comprova a
inspiração e revelação divinas da Palavra. Também indica que Jesus era
quem Ele dizia ser e quem os outros diziam que Ele era. O Salvador se-
guiu os profetas antigos ao predizer Sua morte e ressurreição (Lc 9:21, 22;
Mt 17:22, 23), a queda de Jerusalém (Mt 24:1, 2) e Sua segunda vinda
(Jo 14:1-3). Portanto, a encarnação, a morte e a ressurreição foram predi-
tas pela Bíblia, e o cumprimento delas garante sua confiabilidade.

Quais são as razões para nossa crença em Jesus e em Sua morte por nós? Comente com
a classe e faça a pergunta: por que as evidências são tão convincentes?

Ao Senhor pertence tudo o que temos e somos. Nossa fidelidade é um reconhecimento disso.

Abr l Mai l Jun 2020 |9|

■ Quarta, 1o de abril Ano Bíblico: 2Sm 1-4

1 A Bíblia como História

A Bíblia é singular quando comparada a outros livros “sagrados” por-
que é constituída na História. Isso significa que a Bíblia não apresenta
meramente os pensamentos filosóficos de um ser humano (como Con-
fúcio ou Buda), mas registra as ações de Deus na História à medida que
elas se desenvolvem em direção a objetivos: 1) a promessa de um Messias;
e 2) a segunda vinda de Jesus. Essa progressão é singular à fé judaicocris-
tã, em contraste com a visão cíclica de muitas outras religiões mundiais
desde o Egito antigo às religiões orientais modernas.

5. Leia 1 Coríntios 15:3-5, 51-55; Romanos 8:11 e 1 Tessalonicenses 4:14.

O que essas passagens ensinam sobre a verdade histórica da ressurrei-

ção de Cristo e a respeito de seu significado pessoal para nós? Assinale

a alternativa correta:

A. ( ) A ressurreição de Jesus não nos afeta pessoalmente.
B. ( ) Sua ressurreição nos dá a possibilidade de também ressuscitar.

O testemunho dos quatro evangelhos e de Paulo é que Jesus morreu,
foi sepultado, ressuscitou dos mortos e apareceu a várias pessoas. Isso foi
confirmado por testemunhas oculares que O colocaram no túmulo e pos-
teriormente não O encontraram ali. Testemunhas tocaram Jesus, e Ele
partilhou refeição com elas. Maria Madalena, Maria (a mãe de Jesus) e ou-
tras mulheres O viram como o Cristo ressuscitado. Os discípulos falaram
com Ele na estrada para Emaús. Cristo apareceu a eles para apresentar a
grande comissão do evangelho. Paulo escreveu que, se o testemunho das
Escrituras é rejeitado, nossa pregação e fé são vãs (1Co 15:14). Outras tra-
duções dizem “inútil” (NVI; NVT). Os discípulos declararam: “O Senhor
ressuscitou” (Lc 24:34). O termo grego ontos se refere a algo que realmen-
te aconteceu. É traduzido como “realmente”, “certamente” ou “de fato”. Os
discípulos testificaram: “ressuscitou, verdadeiramente, o Senhor” (ARC).

Cristo também é representado como “as primícias” (1Co 15:20) de to-
dos os que morreram. O fato histórico de que Ele ressuscitou dos mortos
e ainda vive é a garantia de que os mortos também ressuscitarão. Todos
os justos “serão vivificados em Cristo” (1Co 15:22). O termo aqui implica um
ato futuro de criação, quando “os que são de Cristo”, ou permanecerem
fiéis a Ele, serão ressuscitados “na Sua vinda” (1Co 15:23), “ao ressoar da
última trombeta” (1Co 15:52).

Por que a promessa da ressurreição é tão central à nossa fé, especialmente pelo fato
de que os mortos estão dormindo? Sem ela, por que a nossa fé seria, de fato, “inútil”?

| 10 | Como interpretar as Escrituras

■ Quinta, 2 de abril Ano Bíblico: 2Sm 5-7
O poder transformador da Palavra
1

6. Leia 2 Reis 22:3-20. Por que o rei Josias rasgou as vestes? Como sua des-
coberta mudou não somente ele, mas toda a nação de Judá? Assinale “V”
para verdadeiro ou “F” para falso:

A. ( ) P or causa da morte de seu filho. Depois disso, Judá prosperou.
B. ( ) P orque a leitura do livro da Lei mudou a sorte dele a de sua nação.

E m 621 a.C., quando Josias tinha cerca de 25 anos, Hilquias, o sumo sa-
cerdote, descobriu “o livro da Lei”, que pode ter sido os cinco primeiros
livros de Moisés ou, especificamente, o livro de Deuteronômio. Durante o
reinado de seu pai, Amom, e de seu avô mais perverso, Manassés, esse li-
vro havia se perdido em meio à adoração a Baal, Astarote e “todo o exérci-
to dos céus” (2Rs 21:3-9). Ao ouvir as condições da aliança, Josias rasgou
as vestes em absoluta aflição, pois percebeu o quanto ele e seu povo se ha-
viam distanciado da adoração ao verdadeiro Deus. O rei, então, começou
uma reforma em todo o país, derrubando os lugares altos em que era pra-
ticada a idolatria e destruindo imagens de deuses estrangeiros. Termina-
da a reforma, havia apenas um lugar para adorar em Judá: o templo de
Deus em Jerusalém. A descoberta da Palavra de Deus leva à convicção do
pecado, ao arrependimento e ao poder para mudar. Essa mudança come-
çou com Josias e, por fim, espalhou-se para o restante de Judá.

7. C omo a Bíblia nos assegura que tem o poder para mudar nossa vida e nos

mostrar o caminho para a salvação? Jo 16:13; 17:17; Hb 4:12; Rm 12:2

_______________________________________________________________

Um dos mais poderosos testemunhos do poder da Bíblia é uma vida
transformada. É a Palavra que entra em nossa mente, mostrando o peca-
do e depravação humanos e revelando nossa verdadeira natureza e a ne-
cessidade de um Salvador.

Um livro singular como a Bíblia, constituído na História, imbuído de
profecias e com o poder para transformar a vida também deve ser interpre-
tado de maneira singular. Não pode ser explicado como outros livros, pois
a Palavra viva de Deus deve ser entendida à luz de um Cristo vivo, que pro-
meteu enviar Seu Espírito para nos conduzir “a toda a verdade” (Jo 16:13).
A Bíblia, então, como revelação da verdade de Deus, deve conter seus pró-
prios princípios internos de interpretação. Esses princípios podem ser en-
contrados no estudo de como seus escritores a utilizaram e foram guiados
por ela, quando permitiram que ela interpretasse a si mesma.

Abr l Mai l Jun 2020 | 11 |

■ Sexta, 3 de abril Ano Bíblico: 2Sm 8-10

1 Estudo adicional

T extos de Ellen G. White: O Grande Conflito, p. 593-602 (“Nossa Úni-
ca Salvaguarda”); O Desejado de Todas as Nações, p. 662-680 (“Não se
Turbe o Vosso Coração”).

“Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento necessá-
rio para a salvação. As Santas Escrituras devem ser aceitas como revela-
ção autorizada e infalível de Sua vontade. Elas são a norma do caráter, o
revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa” (Ellen
G. White, O Grande Conflito, p. 9).

Muitos morreram por defender e permanecer fiéis à Palavra. O Dr. Rowland
Taylor, inglês, ministro de paróquia, resistiu à imposição da missa católica du-
rante o reinado de Maria Sanguinária (1553 a 1558) em sua paróquia de Ha-
dley, na Inglaterra. Depois de ser expulso da igreja e ridicularizado por sua
adesão às Escrituras, ele apelou pessoalmente ao bispo de Winchester, o Lor-
de Chanceler da Inglaterra, mas este o mandou para a prisão e, por fim, o en-
viou para a fogueira. Pouco antes de sua morte, em 1555, ele disse:

“Bom povo! Eu lhes ensinei apenas a santa Palavra de Deus e as lições
que tirei de Seu livro abençoado, a Bíblia Sagrada. Eu vim aqui neste dia
para selá-la com meu sangue” (John Foxe, The New Foxe’s Book of Martyrs
[O Novo Livro dos Mártires de Foxe], reescrito e atualizado por Harold
J. Chadwick. North Brunswick, Nova Jersey: Bridge-Logos Publishers,
1997, p. 193). O Dr. Taylor foi ouvido repetindo o Salmo 51 pouco antes
de morrer.

Perguntas para consideração
1. A s profecias cumpridas confirmam a origem divina da Bíblia? Elas for-

talecem nossa fé?
2. Por que é tão poderosa a evidência de Jesus como o Messias?
3. Jesus e os apóstolos demonstraram fé inabalável na fidedignidade e au-

toridade divinas da Palavra. Muitas vezes Jesus Se referiu às Escritu-
ras e disse que elas deviam ser “cumpridas” (Mt 26:54, 56; Mc 14:49;
Lc 4:21; Jo 13:18; Jo 17:12). Assim, se Cristo levou tão a sério as Escritu-
ras (no Seu caso, o Antigo Testamento), especialmente em termos de pro-
fecias sendo cumpridas, qual deveria ser a nossa atitude diante da Bíblia?

Respostas e atividades da semana: 1. A. 2. Jesus Cristo é a vida eterna. Ele é o Verbo encarnado e foi o responsá-
vel pela criação de todas as coisas, inclusive pela revelação de Deus nas Escrituras. 3. Os escritores da Bíblia tiveram
origens diferentes, e as circunstâncias de seu chamado também foram distintas. 4. Gênesis 49:8-12: o Messias viria
como leão; o cetro não se apartaria de Judá; Salmo 22:12-18 e Isaías 53:3-7: o Messias seria cercado por malfeitores;
Seus pés e mãos seriam traspassados; lançariam sortes sobre Suas vestes; Daniel 9:2-27: ocorreria a vinda e a mor-
te do Ungido, quando o sacrifício diário seria cessado. Miqueias 5:2: o Messias viria de Belém-Efrata. Malaquias 3:1:
o Messias viria como o Anjo da Aliança; Zacarias 9:9: o Messias Se manifestaria como Rei, montado em um jumenti-
nho. 5. B. 6. F; V. 7. O Espírito da verdade inspirou a Bíblia e usa a Palavra para nos transformar.

| 12 | Como interpretar as Escrituras

Anotações 1

____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________

Abr l Mai l Jun 2020 | 13 |

RESUMO DA LIÇÃO 1

1 A singularidade da Bíblia

TEXTOS-CHAVES: Dt 32:45-47; Gn 49:8-12; Is 53:3-7; 1Co 15:3-5, 51-55; Rm 12:2

ESBOÇO

Neste mundo com sobrecarga de mídia, somos cada vez mais bombardeados por ideias
que competem pela nossa atenção e ditam as últimas tendências para guiar nossa vida.
Nesse ambiente de superestimulação, tornou-se mais difícil reservar a hora tranquila para
estudar a Palavra de Deus. Alguns podem até se perguntar se a Bíblia ainda é relevante
no mundo acelerado de hoje. Precisamos recordar esta ordem: “sabei que Eu Sou Deus”
(Sl 46:10) como uma forma de nos ajudar a reconhecer que a Bíblia ainda é o maior pre-
sente de Deus para comunicar Seu plano da redenção. Não há outro livro como esse em
nenhum lugar do mundo.

Vários aspectos importantes tornam a Bíblia única quando comparada a outros livros
religiosos. Quatro elementos, em particular, destacam-se em forte contraste com pensa-
mentos filosóficos e esotéricos como os de Confúcio, do Alcorão e dos escritos sagrados
hindus: (1) a Bíblia é composta de até 30% de profecia e literatura profética; (2) é funda-
mentada na História, isto é, fala de um Deus que atua na História; (3) seus eventos estão
dispostos em uma dimensão espacial de locais geográficos reais; e (4) ela tem o poder de
transformar vidas por causa do Deus que nos fala através de Sua Palavra viva. Portanto,
não é de admirar que durante séculos ela tenha inspirado as maiores obras da música, arte
e literatura. Nesta semana, estudaremos por que a Bíblia continua sendo única e incom-
parável, mesmo com o rápido crescimento da tecnologia e do conhecimento no século 21.

COMENTÁRIO

Ilustração
As grandes pirâmides do Egito se elevam sobre a moderna cidade do Cairo. As esca-

vações revelaram que elas foram construídas durante o antigo império com sofisticada
tecnologia e conhecimento arquitetônico que matemáticos e astrônomos supunham não
haver antes dos gregos. Até a Torre Eiffel ser concluída em Paris, em 1889, a Grande Pi-
râmide era a construção mais alta do mundo há milhares de anos. Até hoje, os arqueó-
logos ainda se esforçam para compreender a logística e a dimensão desse feito. Moisés
chegou ao Egito antigo centenas de anos depois do erguimento da Grande Pirâmide e foi
educado para ser o futuro rei desse que era o maior dos impérios. No entanto, “Pela fé,
Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó” (Hb 11:24).

| 14 | Como interpretar as Escrituras

Escritura 1
As últimas palavras de Moisés ao povo que ele levou à terra prometida foram as seguin-

tes: “Aplicai o coração a todas as palavras que, hoje, testifico entre vós, para que ordeneis
a vossos filhos que cuidem de cumprir todas as palavras desta Lei” (Dt 32:46). Aplicar o
coração é uma expressão usada na Bíblia para descrever os atos de guardar e internalizar
a Palavra de Deus no coração. Moisés enfatizou essa ideia quando instruiu que especial-
mente as crianças deviam receber ordens para seguir as instruções divinas, ou a Lei, que
é mais importante do que qualquer coisa, pois “é a [nossa] vida” (Dt 32:47).

Pergunte aos alunos como eles lidam com as distrações ao seu redor e mantêm um re-
lacionamento vivo com Cristo por meio de Sua Palavra. Peça que avaliem quanto tempo
gastam em determinadas atividades todos os dias (respondendo a e-mails, mensagens de
texto, acompanhando mídias sociais, assistindo à TV, trabalhando, convivendo com a fa-
mília ou em momentos de devoção). Observe que as atividades em que passamos a maior
parte do tempo são geralmente as mais importantes em nossa vida. Que estratégias seus
alunos utilizam para transmitir sua experiência cristã aos filhos? Por que esse legado vivo
é tão importante no tempo em que vivemos?

A Bíblia está repleta de lugares em que Deus Se revelou. Entre eles, os mais memorá-
veis são o monte Moriá, onde Abraão esteve prestes a matar Isaque (Gn 22:2), a sarça ar-
dente no monte Horebe, no Sinai (Êx 3:1-4), o Mar Vermelho, por onde Israel escapou em
terra seca (Êx 14:1-30), e Cafarnaum, onde ocorreram muitos dos milagres de Jesus. Esse
padrão de incorporar uma dimensão espacial aos eventos descritos diferencia a Bíblia da
maioria dos outros escritos sagrados (todo o Alcorão, por exemplo, contém menos desig-
nações geográficas do que o encontrado apenas em Gênesis 1 a 20). A Bíblia menciona
centenas de cidades e terras, incluindo referências a montanhas, corpos de água, desertos
e áreas selvagens, regiões e estados específicos. Há momentos em que a geografia é um
elemento crucial que confere significado e dimensão adicionais a um evento.

Belém é um exemplo de como a geografia é importante para a nossa compreensão da
história bíblica. Em hebraico, Belém significa “a casa do pão”. Foi ali que Rute e Boaz se
conheceram e se casaram. Ali, tiveram um filho chamado Obede, que teve um filho cha-
mado Jessé, que se tornou pai de Davi, que mais tarde estabeleceria uma dinastia de reis
que reinariam em Jerusalém por centenas de anos até a destruição do templo (Rt 4:13-17;
Mt 1:5, 6). Quando Samuel partiu para ungir um novo rei, ele foi a Belém, onde Deus o
instruiu a ungir Davi. Depois, 700 anos antes do nascimento de Jesus, em Miqueias 5:2,
o profeta predisse que o Messias nasceria em Belém, na Judeia. Portanto, não deveria nos
surpreender que Deus enviasse Jesus, “o pão da vida” (Jo 6:33-51), para nascer em Belém,
a casa do pão. Nascido do Espírito Santo em Maria, Jesus trouxe a plenitude do evangelho
ao mundo sobre o qual Ele um dia reinará para sempre como Rei dos reis.

Pergunte à classe que outras ideias importantes podem ser obtidas com a compreensão
da geografia e do nome dos lugares em torno dos eventos históricos da Bíblia. Por exem-
plo, qual foi a relação entre o encontro de Abraão com Deus no monte Moriá e a morte de
Cristo na mesma localidade quase dois mil anos depois?

Abr l Mai l Jun 2020 | 15 |

Ilustração

1 José cresceu no centro da cidade de Detroit, Michigan. Aos onze anos, ele se envolveu
com uma gangue local e fazia e falava o que lhe mandavam. Seus pais ficaram preocupa-
dos com o destino do filho. Certo dia receberam um anúncio de uma escola de culinária
vegetariana; o pai de José era cozinheiro em um restaurante local e, por isso, decidiu fre-
quentar as aulas com sua esposa. Em uma das reuniões, falaram da Escola Cristã de Férias,
e os pais de José encaminharam o menino e suas irmãs para o evento. José não era acos-
tumado a ouvir sobre a Bíblia e ficou bastante intrigado com a história de Josué e a con-
quista de Canaã sob a liderança divina. Aprendeu que Deus era poderoso e podia vencer
os inimigos de Seu povo. José queria conhecer mais e passou a ler a Bíblia. Logo se matri-
culou no Clube de Desbravadores. Seus pais notaram grandes mudanças no seu linguajar
e nas vestimentas do filho. Até o jeito de andar tinha mudado. Seis meses depois, José pe-
diu o batismo. Seus familiares ficaram impressionados com a mudança na vida do rapaz e
desejaram também experimentar essa transformaçao de vida. Depois de realizar estudos
bíblicos com o pastor, toda a família foi batizada em uma manhã de sábado. O poder da
Palavra de Deus havia transformado a vida de toda a família.

Escritura
Josias tinha oito anos quando se tornou rei de Judá. A Bíblia diz que seu avô Manas-

sés serviu aos deuses cananeus, participando do espiritualismo e de suas perversões se-
xuais associadas, juntamente com a astrologia. Manassés até sacrificou seu próprio filho
no fogo. Ele levou seu povo a uma terrível apostasia, pois “de tal modo os fez errar, que
fizeram pior do que as nações que o Senhor tinha destruído de diante dos filhos de Israel”
(2Rs 21:9). A partir dos genes e educação de Josias, poderíamos esperar que Judá estives-
se condenado ao mesmo destino que havia tido sob o domínio do rei Manassés. Mas, em
vez disso, a Bíblia relata que Josias fez “o que era reto perante o Senhor, andou em todo
o caminho de Davi, seu pai, e não se desviou nem para a direita nem para a esquerda”
(2Rs 22:2). O que fez a diferença? A descoberta e a leitura da Palavra de Deus, o profundo
arrependimento de Josias e suas ações para restaurar todo o Israel à adoração correta. Es-
cavações em Judá que abrangeram esse período revelaram um templo em Arade, com dois
altares e pedras erigidas no lugar santíssimo, que representava mais de uma divindade. Esse
templo foi destruído no final do século VII a.C., período que muitos estudiosos atribuem à
obra de Josias. Por causa dessa grande reforma, Deus poupou Judá e Jerusalém por algum
tempo e reteve Seu julgamento até 35 anos depois. Deus prometeu: “teus olhos não ve-
rão todo o mal que hei de trazer sobre este lugar” (2Rs 22:20). Depois de ler 2 Reis 21:2-9,
pergunte à classe como essa descrição de Judá se compara aos desafios da atualidade.
Como as Escrituras podem transformar nossa vida para que também possamos vencer?

APLICAÇÃO PARA A VIDA

A Bíblia é a Palavra inspirada de Deus para todas as épocas. Não se limita ao período
nem à cultura em que foi escrita. Assim, ela sempre tem poder para transformar vidas.

| 16 | Como interpretar as Escrituras

Ao se preparar para esta lição em sua cultura específica, reflita sobre o impacto da Bíblia 1
em sua região hoje. Peça aos alunos que compartilhem uma experiência em que eles fo-
ram transformados pela Palavra divina e reconheceram seu poder de mudar a vida. A se-
guir estão algumas perguntas mais específicas que aprofundam esse tema.

Perguntas para consideração
1. Como as profecias das Escrituras nos dão esperança para o futuro, mesmo no contex-

to dos eventos dos últimos dias? De que maneira essas profecias nos dão garantia das
promessas de Deus e de Sua capacidade de levar a cabo Seu plano?
2. C ompartilhe uma experiência sua ou de um amigo que testemunhe do poder da Pala-
vra de Deus para mudar a vida. Relate a forma como essas mudanças ocorreram e de
que modo os outros perceberam o poder do Espírito Santo em ação?
3. De que maneira você pode ser testemunha contínua do poder divino para transformar
sua família, seu bairro e sua cidade? Como você pode compartilhar a Palavra com eficá-
cia para causar mudanças e preparar pessoas para o encontro com Jesus? Lembre-se de
que somos Suas mãos e pés, e o que comunicamos em ações e palavras poderá formar o
conceito que as pessoas terão sobre Deus.

Descubra MKT CPB | AdobeStock
como

conciliar
a fé e a
ciência

Baixe o /cpbeditora
aplicativo

CPB

WhatsApp

cpb.com.br | 0800-9790606 | CPB livraria | 15 98100-5073

Pessoa jurídica/distribuidor 15 3205-8910 | [email protected]

Abr l Mai l Jun 2020 | 17 |

1 TUDO SOBRE ELLEN G. WHITE
NUM SÓ VOLUME

Doutrina e Teologia | Estilo de Vida
Eventos | Lugares e Instituições | Pessoas

MKT CPB | AdobeStock

Baixe o /cpbeditora
aplicativo

CPB

WhatsApp

cpb.com.br | 0800-9790606 | CPB livraria | 15 98100-5073

Pessoa jurídica/distribuidor 15 3205-8910 | [email protected]

| 18 | Como interpretar as Escrituras

Origem e natureza Lição
da Bíblia
2
VERSO PARA MEMORIZAR: “Outra razão 2
ainda temos nós para, incessantemente,

dar graças a Deus: é que, tendo vós
recebido a palavra que de nós ouvistes,
que é de Deus, acolhestes não como palavra
de homens, e sim como, em verdade é,
a palavra de Deus, a qual, com efeito, está

operando eficazmente em vós,
os que credes” (1Ts 2:13).

Leituras da semana: 2Pe 1:19-21;
2Tm 3:16, 17; Dt 18:18; Êx 17:14; Jo 1:14;
Hb 11:3, 6

■ Sábado, 4 de abril Ano Bíblico: 2Sm 11, 12

N ossa maneira de ver e compreender a origem e a natureza das Escritu-
ras impacta grandemente a função que a Bíblia desempenha em nossa
vida e na igreja como um todo. Nossa interpretação da Bíblia é significativa-
mente moldada e influenciada pela compreensão do processo de revelação e
inspiração. Se desejamos entender as Escrituras, precisamos, antes de tudo,
permitir que elas determinem os parâmetros fundamentais de como devem
ser tratadas. Não podemos estudar matemática com os métodos empíricos
empregados em biologia ou sociologia. Não podemos estudar física com
as mesmas ferramentas usadas para estudar história. Semelhantemente, as
verdades espirituais da Bíblia não serão conhecidas nem entendidas por
métodos ateístas, que abordam a Bíblia como se Deus não existisse. Em
vez disso, a interpretação das Escrituras precisa levar a sério a dimensão
divino-humana da Palavra de Deus. Portanto, para compreender as Es-
crituras, é necessário que abordemos a Bíblia com fé e não com ceticismo
metodológico, muito menos com dúvida.

Nesta semana, examinaremos alguns aspectos fundamentais da ori-
gem e natureza da Bíblia, que devem impactar nossa interpretação e com-
preensão da Palavra de Deus.

Abr l Mai l Jun 2020 | 19 |

■ Domingo, 5 de abril Ano Bíblico: 2Sm 13, 14
A revelação divina da Bíblia

1. L eia 2 Pedro 1:19-21. Como o apóstolo expressou sua convicção sobre a

2 origem da mensagem profética das Escrituras?
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

A Bíblia não é como qualquer livro. Segundo o apóstolo Pedro, os pro-
fetas foram movidos pelo Espírito Santo de tal maneira que o con-
teúdo de sua mensagem veio de Deus. Eles não o inventaram. Em vez de
ser “fábulas engenhosamente inventadas” (2Pe 1:16), a mensagem profé-
tica da Bíblia é de origem divina e, portanto, verdadeira e fidedigna. “Ho-
mens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”
(2Pe 1:21). Deus atuou no processo de revelação, no qual manifestou Sua
vontade a seres humanos escolhidos.

A comunicação verbal direta entre Deus e seres humanos específicos é
um fato incontestável das Escrituras. Por isso, a Bíblia tem autoridade di-
vina especial, e precisamos considerar o elemento divino ao i­ nterpretá-la.
Tendo Deus como seu Autor final, os livros bíblicos são apropriadamente
chamados de “Sagradas Escrituras” (Rm 1:2; 2Tm 3:15).

Elas também foram concedidas para fins práticos. São úteis “para o en-
sino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim
de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para
toda boa obra” (2Tm 3:16, 17).

Também precisamos da ajuda do Espírito Santo para aplicar em nos-
sa vida o que O Senhor revelou em Sua Palavra. Por isso, o apóstolo Pe-
dro afirma que a interpretação da Palavra de Deus divinamente revelada
não é uma questão de opinião própria. Precisamos da própria Bíblia e do
E­ spírito Santo para entender corretamente o significado do texto sagrado.

As Escrituras também declaram: “Certamente, o Senhor Deus não
fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os
profetas” (Am 3:7). As palavras bíblicas para “revelação” (em suas várias
formas) expressam a ideia de que algo anteriormente oculto foi revelado
e, portanto, tornou-se conhecido e manifesto. Como seres humanos, pre-
cisamos dessa revelação, pois somos pecaminosos, separados de Deus por
causa do pecado e, assim, dependentes Dele para conhecer Sua vontade.

Já é difícil obedecer à Bíblia quando acreditamos em sua origem divina. O que acon-
teceria se passássemos a desconfiar dela ou até mesmo questionar sua procedência?

Tenha em mente, hoje, uma passagem bíblica e medite nela ao longo do dia.

| 20 | Como interpretar as Escrituras

■ Segunda, 6 de abril Ano Bíblico: 2Sm 15-17
O processo de inspiração

V isto que Deus usa a linguagem para revelar Sua vontade ao ser huma- 2
no, a revelação divina pode ser escrita. No entanto, como já vimos, a
Bíblia é o resultado da verdade reveladora de Deus para nós mediante a
obra do Espírito Santo, que transmite e protege Sua mensagem por meio
de instrumentos humanos. Essa é a razão pela qual podemos esperar a uni-
dade fundamental observada em todas as Escrituras, de Gênesis a Apoca-
lipse (por exemplo, compare Gn 3:14, 15 com Ap 12:17).

2. Leia 2 Pedro 1:21, 2 Timóteo 3:16 e Deuteronômio 18:18. O que esses textos
afirmam sobre a inspiração das Escrituras? Assinale a alternativa correta:

A. ( ) As Escrituras são fruto de pensamentos humanos sobre Deus.
B. ( ) As Escrituras foram inspiradas pelo próprio Deus.

Toda a Escritura é inspirada, mesmo que nem todas as partes sejam em-
polgantes a alguns leitores. No entanto, precisamos aprender com todas
as Escrituras, mesmo com aquelas partes mais difíceis de ler e entender,
ou que não são especificamente aplicáveis hoje. A Bíblia encontra seu cum-
primento em Cristo (por exemplo, as festas hebraicas e o sistema levítico).
Assim, os princípios que fundamentam essas passagens são revelações di-
vinas atemporais. Ao entender a relação de todas as partes das Escrituras
com Jesus, amamos toda a Bíblia e temos interesse em todo o texto bíblico.

Além disso, nem tudo na Bíblia foi revelado de maneira direta ou sobre-
natural. Deus usou escritores bíblicos que investigaram cuidadosamente
os fatos ou usaram documentos existentes (veja Js 10:13; Lc 1:1-3) para
comunicar Sua mensagem.

Mesmo assim, toda a Escritura é inspirada (2Tm 3:16). Essa é a razão
pela qual Paulo afirmou que “tudo quanto” foi escrito, serve para o nosso
ensino, “a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, te-
nhamos esperança” (Rm 15:4).

“A Bíblia aponta para Deus como seu Autor; contudo foi escrita por
mãos humanas e, no variado estilo de seus diferentes livros, apresenta as
características dos diversos escritores. As verdades reveladas são todas
inspiradas por Deus (2Tm 3:16), mas estão expressas em palavras huma-
nas” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 7).

Há estudiosos da Bíblia que negam a autoria divina de muitas de suas partes, a pon-
to de refutar ensinamentos cruciais como a criação, o êxodo e a ressurreição. Por que
é tão essencial não abrirmos essa porta? Afinal, deveríamos julgar a Palavra de Deus?

Abr l Mai l Jun 2020 | 21 |

■ Terça, 7 de abril Ano Bíblico: 2Sm 18, 19
A Palavra escrita de Deus

3. “ Disse mais o Senhor a Moisés: Escreve estas palavras, porque, segundo

2 o teor destas palavras, fiz aliança contigo e com Israel” (Êx 34:27). Por que o
Senhor pediu que Moisés escrevesse essas palavras, em vez de apenas
recitá-las ao povo? Qual é a vantagem evidente da Palavra escrita?
__________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________

O Deus que fala e que criou a linguagem humana habilita pessoas es-
colhidas para comunicar as verdades e os pensamentos divinamen-
te revelados e inspirados de maneira confiável e fidedigna. Por isso, não
é surpresa descobrir que, desde o começo, Deus ordenou aos escritores bí-
blicos que escrevessem Sua instrução e revelação.

4. O que os seguintes textos ensinam sobre a revelação escrita?

Êx 17:14; 24:4 _________________________________________________
_________________________________________________________________________
Js 24:26 ______________________________________________________
__________________________________________________________________________
Jr 30:2 ________________________________________________________
_________________________________________________________________________
Ap 1:11, 19; 21:5; 22:18, 19_________________________________________
_______________________________________________________________________

Por que Deus ordenou que Sua revelação e mensagens inspiradas fossem
escritas? A resposta evidente é: para que não as esqueçamos tão facilmen-
te. As palavras escritas da Bíblia são um ponto de referência constante que
nos direciona a Deus e à Sua vontade. Um documento escrito geralmente
pode ser mais bem preservado e ser muito mais confiável do que mensa-
gens orais, que devem ser comunicadas repetidas vezes. A Palavra escrita,
que pode ser copiada muitas vezes, também é acessível a muito mais pes-
soas. É possível falar com um número limitado de pessoas de uma só vez
em um lugar, mas o que está escrito pode ser lido por inúmeros leitores em
muitas localidades e em diferentes continentes, em diversos contextos,
sendo uma bênção a várias gerações. Na verdade, mesmo em situações em
que há dificuldade de leitura, uns podem ler o texto escrito em voz alta
para os outros e todos são profundamente abençoados.

| 22 | Como interpretar as Escrituras

■ Quarta, 8 de abril Ano Bíblico: 2Sm 20, 21

O paralelo entre Cristo e as Escrituras

5. Leia João 1:14; 2:22; 8:31, 32; 17:17. Quais paralelos existem entre Jesus, o 2

Verbo de Deus encarnado, e as Escrituras, a Palavra escrita do Senhor?

_______________________________________________________

E xiste um paralelo entre o Verbo de Deus, que Se tornou carne (isto
é, Jesus Cristo) e a Palavra escrita de Deus (isto é, as Escrituras). As-
sim como Jesus foi concebido de maneira sobrenatural pelo Espírito San-
to, embora nascido de uma mulher, as Sagradas Escrituras também são
de origem sobrenatural, porém transmitidas mediante seres humanos.

Cristo Se tornou homem no tempo e no espaço. Ele viveu em um tempo
e lugar específicos. No entanto, esse fato não anulou Sua divindade nem
O tornou historicamente relativo. Ele é o único Redentor para todos, em
todo o mundo, durante todo o tempo (At 4:12). Da mesma forma, a Pa-
lavra escrita de Deus, a Bíblia, foi dada em um momento específico e em
uma cultura particular. Assim como Jesus, a Bíblia não é condicionada
pelo tempo, isto é, limitada a um tempo e local específicos; em vez disso,
ela permanece válida para todas as pessoas, em todo o mundo.

Quando Deus Se revelou, Ele desceu ao nível humano. A natureza hu-
mana de Jesus mostrava todos os sinais das enfermidades e os efeitos de
cerca de 4 mil anos de degeneração. No entanto, Ele foi sem pecado. Se-
melhantemente, a linguagem das Escrituras é a linguagem humana, não
uma linguagem “sobre-humana perfeita” que ninguém fala nem entende.
Embora todo idioma tenha suas limitações, o Criador da humanidade, que
é o Criador da linguagem humana, é perfeitamente capaz de comunicar
Sua vontade ao ser humano de maneira confiável, sem enganar.

Evidentemente, toda comparação tem seus limites. Jesus Cristo e as
Sagradas Escrituras não são idênticos. A Bíblia não é uma encarnação de
Deus. Deus não é um livro. Deus Se tornou humano em Jesus Cristo. Ama-
mos a Bíblia porque adoramos o Salvador proclamado em suas páginas.

A Bíblia é uma união divino-humana singular e inseparável. Sobre isso,
Ellen G. White declarou: “As Escrituras Sagradas, com verdades dadas por
Deus e expressas na linguagem da humanidade, apresentam uma união
do divino com o humano. União semelhante existiu na natureza de Cristo,
que era o Filho de Deus e Filho do Homem. Pode-se dizer da Bíblia o que
foi dito sobre Cristo: ‘o Verbo Se fez carne e habitou entre nós’” (Jo 1:14;
O Grande Conflito, p. 8).

Por que as Escrituras são fundamentais à nossa fé? Sem elas, onde estaríamos?

Abr l Mai l Jun 2020 | 23 |

■ Quinta, 9 de abril Ano Bíblico: 2Sm 22-24
Compreendendo a Bíblia pela fé

6. Leia Hebreus 11:3, 6. Por que a fé é tão essencial para entender Deus e

2 Sua Palavra? Por que é impossível agradar a Deus sem fé? Assinale a al-
ternativa correta:
A. ( ) Sem fé não é possível crer em Deus nem em Sua Palavra.
B. ( ) Mesmo sem fé podemos compreender profundamente o Criador.

T odo verdadeiro aprendizado acontece no contexto da fé. É a fé implí-
cita da criança em relação aos pais que a habilita a aprender coisas
novas. É um relacionamento de confiança que orienta a criança a apren-
der os aspectos básicos e fundamentais da vida e do amor. Portanto, o
conhecimento e a compreensão surgem de um relacionamento de amor
e de confiança.

Na mesma linha, um bom músico toca bem uma música quando ele não
apenas domina as habilidades técnicas que o ajudam a tocar um instru-
mento, mas quando ele demonstra amor pela música, pelo compositor e
pelo instrumento. De maneira semelhante, não entendemos a Bíblia cor-
retamente quando a abordamos com uma atitude de ceticismo ou dúvi-
da metodológica; é preciso estudá-la em espírito de amor e fé. O apóstolo
Paulo escreveu: “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6). Portan-
to, é indispensável abordar a Bíblia com fé, reconhecendo sua origem so-
brenatural, em vez de vê-la apenas como um livro humano.

Os Adventistas do Sétimo Dia expressam claramente essa percepção
da origem sobrenatural das Escrituras na primeira Crença Fundamental da
Igreja Adventista do Sétimo Dia, que afirma: “As Escrituras Sagradas, o
Antigo e o Novo Testamentos, são a Palavra de Deus escrita, dada por ins-
piração divina por intermédio de santos homens de Deus que falaram e
escreveram ao serem movidos pelo Espírito Santo. Nessa Palavra, Deus
transmitiu ao ser humano o conhecimento necessário para a salvação. As
Escrituras Sagradas são a infalível revelação de Sua vontade. Constituem
o padrão de caráter, a prova da experiência, o autorizado revelador de dou-
trinas e o registro fidedigno dos atos de Deus na História” (Sl 119:105;
Pv 30:5, 6; Is 8:20; Jo 17:17; 1Ts 2:13; 2Tm 3:16, 17; Hb 4:12; 2Pe 1:20, 21;
Nisto Cremos, 2003, p. 14).

O que as pessoas perdem em sua compreensão da Bíblia quando não abordam as Escri-
turas com uma atitude de fé? Por que essa fé não é cega? Quais boas razões temos para
essa fé e por que ela ainda é uma necessidade quando se trata das verdades da Bíblia?

Não confie em suas riquezas, mas em Deus.

| 24 | Como interpretar as Escrituras

■ Sexta, 10 de abril Ano Bíblico: 1Rs 1, 2
Estudo adicional

L eia o documento Métodos de Estudo da Bíblia: seção 2: “Pressuposições 2
Originadas de Afirmações das Escrituras”, parte a) “Origem”, e parte b)
“Autoridade”: http://www.centrowhite.org.br/metodos-de-estudo-
da-biblia.

Por mais essencial que a Bíblia seja para nossa fé, ela sozinha não te-
ria valor espiritual real para nós, se não fosse pela influência do Espírito
Santo em nosso coração e mente quando a lemos e estudamos.

“Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento neces-
sário para a salvação. As Santas Escrituras devem ser aceitas como auto-
rizada e infalível revelação de Sua vontade. Elas são a norma do caráter,
o revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa. [...]
Entretanto, o fato de que Deus revelou Sua vontade aos homens por meio
de Sua Palavra não tornou desnecessária a contínua presença e direção do
Espírito Santo. Ao contrário, o Espírito foi prometido pelo nosso Salvador
para esclarecer a Palavra a Seus servos, iluminando e aplicando seus ensi-
nos. E, considerando que foi o Espírito de Deus que inspirou as Sagradas
Escrituras, é impossível que o ensino do Espírito seja contrário ao da Pa-
lavra” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 9).

Perguntas para consideração
1. Por que Deus revela a Si mesmo e a Sua vontade? Precisamos da revelação?
2. Deus Se revela de maneira mais geral por meio da natureza, porém

mais especificamente mediante sonhos (Dn 7:1), visões (Gn 15:1), sinais
(1Rs 18:24, 38) e mediante Seu Filho (Hb 1:1, 2). Deus já Se revelou a
você? Compartilhe sua experiência.
3. Alguns estudiosos da Bíblia consideram mitos alguns ensinamentos
dela. A criação, Adão e Eva literais, o Êxodo e as histórias de Daniel são
exemplos de relatos rejeitados como sendo meramente histórias inven-
tadas para ensinar verdades espirituais. Isso é o que acontece quando o
ser humano julga a Bíblia. Por que essa atitude é perigosa?
4. Deus revelou Sua vontade na Bíblia. Contudo, Ele deseja nossa ajuda para
propagar a verdade e as boas-novas da salvação somente em Jesus Cris-
to. Que tipo de Deus as pessoas veem em você e em seu comportamento?

Respostas e atividades da semana: 1. Disse que a Palavra profética é confirmada, pois provém de Deus. 2. B. 3.
O que é escrito pode ser facilmente retomado; o povo poderia ler e reler a Palavra. Já o que ouvimos pode ser facil-
mente esquecido. 4. A Palavra escrita tinha o objetivo de fazer com que o povo guardasse na memória os caminhos
e a vontade do Senhor. Os servos de Deus erigiram altares para marcar o que registraram em livros. 5. Jesus é a ver-
dade, e a Palavra testifica da verdade. O que Ele disse foi confirmado nas Escrituras. Há harmonia entre ambos, os
quais têm origem sobrenatural. 6. A.

Abr l Mai l Jun 2020 | 25 |

Anotações

____________________________________________________________________________________

2 ____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________

| 26 | Como interpretar as Escrituras

RESUMO DA LIÇÃO 2

Origem e natureza da Bíblia

TEXTOS-CHAVES: 2Tm 3:16; 2Pe 1:19-21; 1Ts 2:13; 1Co 2:9, 10; Rm 15:4; At 1:16 2
ESBOÇO

Nosso entendimento da origem e natureza das Escrituras influencia significativa-
mente a maneira pela qual lemos e tratamos a Bíblia. Se fosse um livro escrito como
qualquer outro elaborado por seres humanos falíveis, não poderíamos confiar nele. Sob
tais circunstâncias, certamente não teria autoridade divina. Para sermos justos, precisa-
mos permitir que os escritores da própria Bíblia a definam e expliquem o que pensam
sobre seus escritos e, assim, deixar que a Palavra de Deus determine os parâmetros
básicos de como devemos considerá-la. Os escritores bíblicos afirmam que sua mensa-
gem não provém de mente humana, mas é divinamente revelada e inspirada por Deus.

Entender o processo de revelação e inspiração é crucial na definição da nossa manei-
ra de abordar a Palavra divina. Visto que o Senhor usa a linguagem para Se comunicar
com os seres humanos, a revelação divina pode ser escrita. O Espírito Santo permite que
os escritores da Bíblia se comprometam a registrar fielmente o que Ele lhes revelou. Essa
inspiração divina confere à Bíblia autoridade dos Céus e garante a unidade que encontra-
mos desde o Gênesis até o livro do Apocalipse. Embora escrita por seres humanos, ela é
a Palavra escrita de Deus. Nessa dimensão divino-humana há certo paralelo entre Jesus
Cristo, a Palavra de Deus, que Se tornou carne, e a Palavra escrita de Deus, a Bíblia. So-
mente pela fé é que podemos compreender e apreciar essa realidade.

C O M E N TÁ R I O

Imagine um livro puramente humano, escrito por vários autores diferentes durante um
período de centenas de anos. Imagine que esses diversos autores falassem em seus escritos
sobre Deus e sua experiência religiosa. Suas diferentes perspectivas dariam aos seus textos
pouca autoridade além de suas opiniões pessoais, e carregariam apenas alguma autoridade
humana, quando muito. Mas a Bíblia não é assim. Nela mesma encontramos a alegação de
que Seu autor é Deus. Ele Se comunicou por meio do Espírito Santo com os escritores bíbli-
cos, transmitindo-lhes o conteúdo que considera importante que nós conheçamos. O Deus
bíblico fala. Ele criou seres humanos com a capacidade de falar e entender informações
verbais. Portanto, usa a linguagem para Se comunicar com a humanidade. Essas mensagens
divinas não são dadas em linguagem celestial, que apenas os anjos entenderiam, mas são
transmitidas na própria linguagem dos escritores da Bíblia. Elas também são comunicadas
para fins práticos, a fim de que o povo de Deus “seja perfeito e perfeitamente habilitado
para toda boa obra” (2Tm 3:17). Portanto, de maneira coletiva, os livros bíblicos são apro-
priadamente chamados de “Escrituras Sagradas” (Rm 1:2; 2Tm 3:15).

Abr l Mai l Jun 2020 | 27 |

Assim, a autoridade da Bíblia é uma representação da autoridade de Deus, que fala na
Palavra e por meio dela. Para que ela desempenhe o papel divinamente pretendido na
vida das pessoas e da igreja, deve-se levar a sério sua reivindicação de origem divina. Isso
também significa que devemos ouvir todas as Escrituras. Se excluirmos algumas partes
por considerá-las não inspiradas e, portanto, meramente humanas, não teremos mais do

2 que uma autoridade seletiva da Bíblia. Em vez de nos posicionarmos acima das Escritu-
ras e julgarmos seu conteúdo, devemos colocar-nos sob a Palavra, permitindo assim que
as Escrituras nos julguem.
Em 1 Tessalonicenses 2:13, aprendemos algo importante sobre a atitude com que os
crentes em Tessalônica receberam a palavra de Deus. Leia essa passagem e reflita sobre
como isso aconteceu. Com base no exemplo dos tessalonicenses, de que maneira deve-
mos receber a mensagem bíblica quando a lemos ou a ouvimos?

Escritura
Vemos a revelação mais elevada e mais explícita de Deus na encarnação de Seu Filho,

Jesus Cristo. Além disso, a forma mais eficaz e amplamente usada de revelação divina é
a fala do Senhor. Na Bíblia, encontramos repetidas referências ao Deus que fala. Sua Pa-
lavra é dada aos porta-vozes, os profetas. As numerosas ocorrências de expressões como
“Palavra do Senhor”, “Assim diz o Senhor” e “Palavra que o Senhor falou” testemunham
desse fato. Esse discurso divino produz a Palavra do Senhor e, finalmente, leva à sua in-
corporação em um documento escrito. O ato de anotar a Palavra de Deus também é re-
sultado da iniciativa divina (ver Êx 17:14; Êx 24:4; Js 24:26).

Qual é o propósito da revelação escrita de Deus? É um ponto de referência constan-
te para o Seu povo, pois lhe permite ouvi-Lo continuamente de modo inalterado e cui-
dar para fazer o que ela diz (ver Dt 30:9, 10). Um documento escrito pode ser preservado
melhor e com mais confiabilidade do que uma mensagem oral. Um texto escrito pode ter
maior duração do que a palavra falada. Um documento escrito pode ser copiado e mul-
tiplicado e, assim, disponibilizado a muito mais pessoas em muitos locais diferentes do
que qualquer mensagem oral poderia ser. Também está disponível ao longo do tempo e
pode ser uma bênção para leitores e ouvintes de muitas gerações posteriores. Como re-
gistro escrito permanente, continua sendo um padrão para a veracidade da mensagem
bíblica através dos séculos.

Embora seja verdade que Deus inspirou os escritores bíblicos, não saberíamos nada so-
bre essa inspiração se não tivesse sido comunicada mediante palavras, isto é, na lingua-
gem humana. Somente palavras nos dão acesso a pensamentos. Portanto, o processo de
inspiração abrange os pensamentos, bem como o produto final deles: as palavras das Es-
crituras. “Se devemos atribuir a inspiração aos escritores inspirados ou às Escrituras por
eles escritas é em grande parte um dilema desnecessário. É claro que o locus primário da
inspiração está nas pessoas. O Espírito Santo moveu-se sobre as pessoas para que elas fa-
lassem ou escrevessem; contudo, o que elas falaram ou escreveram foi a inspirada palavra
de Deus” (Peter M. van Bemmelen,”Revelação e Inspiração”, em Raul Dederen, ed., Trata-
do de Teologia Adventista do Sétimo Dia. Hagerstown, MD: Review and Herald, 2000, p. 45).

| 28 | Como interpretar as Escrituras

Assim, o apóstolo Paulo escreveu: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensi-
no, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3:16, grifo nosso).

Ilustração 2
Existe um paralelo interessante entre a Palavra de Deus que se tornou carne (Jesus

Cristo) e a Palavra escrita de Deus (a Bíblia). Assim como Jesus foi concebido de forma so-
brenatural pelo Espírito Santo, embora nascido neste mundo por meio de uma mulher, a
Bíblia tem o Espírito Santo como seu Autor, embora tenha sido escrita por seres humanos.

Jesus Cristo Se tornou carne em um momento e local específicos (ou seja, nasceu
em Belém, não em Nova York, Tóquio ou Nairóbi; Ele foi batizado no rio Jordão, não no
Mississippi, no Nilo ou no Ganges). No entanto, essa particularidade não anulou Sua
divindade, nem O limitou a determinado momento histórico. Ele é o único Redentor de
todas as pessoas, em todo o mundo, o tempo todo. De maneira semelhante, os livros
bíblicos foram dados em um momento específico e em uma cultura específica. Mas,
como no caso de Jesus, essa transmissão não torna a Bíblia puramente condicionada
ao tempo ou relativa. A Bíblia é a Palavra de Deus para todas as pessoas, em todo o
mundo, até o fim dos tempos.

Jesus Se tornou humano e viveu como um ser humano real, com todas as marcas de
debilidades humanas. No entanto, Ele era sem pecado. De igual modo, a linguagem bí-
blica é a linguagem humana com todas as suas limitações, não uma linguagem celestial
perfeita. No entanto, o que a Bíblia afirma é confiável, não enganoso.

Quando Jesus viveu aqui, Ele queria ser aceito por quem Ele realmente era: o divino
Filho de Deus. O Criador também não quer que a Bíblia seja lida como apenas mais um li-
vro, mas que seja aceita pelo que realmente é: a Palavra escrita do Senhor. Como tal, ela
carrega uma autoridade inata que vai além de qualquer sabedoria humana, o que a quali-
fica como o único padrão de Deus para toda doutrina e experiência religiosa.

Obviamente, Jesus Cristo e a Bíblia não são idênticos. Existem diferenças significati-
vas. A Bíblia não é uma encarnação de Deus. O Altíssimo não Se tornou um livro. Nós não
adoramos um livro, adoramos o Salvador, que é proclamado na Bíblia, mas sem ela não
saberíamos muito sobre Jesus. A Bíblia sem Jesus estaria sem sua mensagem mais impor-
tante. Porém, sem a Palavra não saberíamos que Ele é o Messias prometido, e não po-
deríamos aceitá-Lo como Salvador. Estaríamos perdidos. Portanto, ela é fundamental e
indispensável à nossa fé.

Escritura
As Escrituras são fundamentais para nossa crença, e precisamos considerar a Bíblia

com fé, a fim de fazer justiça à sua natureza divina. Em Hebreus 11:6, lemos que “sem fé
é impossível agradar a Deus”. A mensagem de mudança de vida contida na Bíblia não é
discernida adequadamente a uma distância crítica, mas deve ser aceita com fé e obede-
cida com amor.

Abr l Mai l Jun 2020 | 29 |

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Saber que a Bíblia tem autoridade divina nos motiva a tratá-la com respeito e amor.
Não falamos com irreverência a respeito do que amamos. A maneira como falamos sobre
esse livro deve revelar nosso profundo apreço pela Palavra de Deus. Essa consideração

2 se tornará evidente não apenas em nosso modo de carregar e segurar a Bíblia, porém,
mais importante, na forma como seguimos e implementamos seus ensinamentos. Nossa
atitude será de gratidão e fidelidade. Ser fiel à Palavra escrita de Deus não é venerar um
livro. É antes uma expressão do nosso amor pelo Deus triúno sobre quem esse livro fala.
“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos; ora, os Seus man-
damentos não são penosos” (1Jo 5:3). A Bíblia nos familiariza com o Deus vivo e nos aju-
da a nos tornar mais semelhantes a Jesus.
Como seria uma atitude de gratidão e fidelidade às Escrituras? Como a autoridade de-
las difere da de outra literatura? Em que sentido você é tentado a não seguir a Bíblia de-
vido a experiências e sentimentos pessoais que o levam a uma direção diferente? Como
você pode adquirir confiança?
Ser fiel às Escrituras não é o mesmo que ser fiel às minhas ideias favoritas sobre a Bí-
blia. No último caso, eu seria fiel apenas a mim mesmo. A fidelidade às Escrituras exi-
ge abertura para permitir que a Bíblia modele e transforme meus pensamentos e ações.

MKT CPB | AdobeStock 1) Gênesis a Deuteronômio
2) Josué a 2 Reis
3) 1 Crônicas a Cântico dos Cânticos
4) Isaías a Malaquias
5) Mateus a João
6) Atos a Efésios
7) Filipenses a Apocalipse
8) Dicionário Bíblico
9) Tratado de Teologia

Amplie sua compreensão dos temas estudados
na lição da Escola Sabatina e ofereça mais
conhecimento aos seus alunos.

Baixe o /cpbeditora
aplicativo

CPB

WhatsApp

cpb.com.br | 0800-9790606 | CPB livraria | 15 98100-5073

Pessoa jurídica/distribuidor 15 3205-8910 | [email protected]

| 30 | Como interpretar as Escrituras

A visão de Jesus Lição
e dos apóstolos
acerca da Bíblia 3

VERSO PARA MEMORIZAR: “Jesus, porém,
respondeu: Está escrito: Não só de pão

viverá o homem, mas de toda palavra que
procede da boca de Deus” (Mt 4:4).

Leituras da semana: Mt 4:1-11;
22:37-40; Lc 24:13-35, 44, 45; 4:25-27;
At 4:24-26

■ Sábado, 11 de abril Ano Bíblico: 1Rs 3, 4

I nfelizmente, nesta era pós-moderna, a Bíblia tem sido amplamente rein-
terpretada por lentes de uma filosofia que questiona tanto sua inspiração
quanto sua autoridade. Na verdade, a Bíblia é vista meramente como ideias
de seres humanos que viveram em uma cultura relativamente primitiva e
que não podiam compreender o mundo como nós o compreendemos hoje.
Ao mesmo tempo, o elemento sobrenatural foi minimizado ou mesmo ti-
rado de cena, transformando a Bíblia em um documento que, em vez de
ser a visão de Deus acerca do homem, tornou-se a visão do homem acerca
de Deus. E o resultado é que, para muitos, a Bíblia se tornou amplamen-
te irrelevante em uma era de pensamento darwinista e filosofia moderna.

No entanto, rejeitamos completamente essa posição. Em vez disso, no
Novo Testamento, percebemos a maneira inspirada de ver todas as Escritu-
ras ao estudarmos a maneira pela qual Jesus e os apóstolos compreendiam
o Antigo Testamento, a única Bíblia que eles tinham na época. Como eles se
relacionaram com as pessoas, lugares e eventos descritos? Quais eram suas
pressuposições e consequentes métodos de interpretação? Nesta semana va-
mos estudar tais pontos percebendo os equívocos de homens não inspirados
cujas suposições levam apenas ao ceticismo e à dúvida sobre a Palavra de Deus.

Abr l Mai l Jun 2020 | 31 |

■ Domingo, 12 de abril Ano Bíblico: 1Rs 5, 6
Está escrito

O batismo de Jesus, realizado por João Batista, marcou o início do mi-
nistério do Salvador. Após esse evento, Cristo foi levado pelo Espí-
rito ao deserto da Judeia, onde, em Sua condição humana mais fraca, foi
tentado por Satanás.

3
1. L eia Mateus 4:1-11. Como Jesus Se defendeu contra as tentações de Sa-

tanás no deserto? O que aprendemos sobre a Bíblia nesse relato? Assi-

nale a alternativa correta:

A. ( ) E le citou as Escrituras. A Palavra de Deus é nossa armadura con-
tra a tentação.

B. ( ) E le amaldiçoou Satanás. A Bíblia não teve importância nesse relato.

Quando tentado pelo apetite, Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão
viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4).
Jesus apontou para a Palavra viva e sua fonte divina fundamental. Dessa
maneira, Ele confirmou a autoridade das Escrituras. Quando tentado com
os reinos e glórias do mundo, Jesus respondeu: “Está escrito: Ao Senhor, teu
Deus, adorarás, e só a Ele darás culto” (Mt 4:10; Lc 4:8). Cristo nos lembrou
de que a verdadeira adoração se concentra em Deus, e não em alguma outra
pessoa, e que submissão à Sua Palavra é verdadeira adoração. Finalmente,
em relação à tentação do amor à exibição e à presunção, Jesus respondeu:
“Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus” (Mt 4:7; Lc 4:12).

Nas três tentações, Jesus respondeu com as palavras “está escrito”. Isto é,
Ele foi diretamente à Palavra e nada mais para lidar com os ataques e en-
ganos de Satanás. Essa é uma lição poderosa para todos nós: a Bíblia, e a
Bíblia somente, é o padrão supremo e fundamento de nossa crença.

Sim, somente a Bíblia, e unicamente a Bíblia, foi o método de defesa de
Jesus contra os ataques do adversário. Cristo é Deus, mas, em Sua defesa,
contra Satanás, Ele Se submeteu unicamente à Palavra de Deus.

Não foi opinião; não foi um argumento elaborado e complicado; nem
foi com palavras de animosidade pessoal. Foi pelas simples, mas profun-
das palavras das Escrituras. Para Cristo, a Palavra tinha a maior auto-
ridade e o maior poder. Assim, Seu ministério começou com um fundamento
certo e continuou a se desenvolver com base na confiabilidade da Bíblia.

Como podemos ser tão dependentes da Palavra de Deus e tão submissos a ela, de acor-
do com o exemplo de Jesus?

Estabeleça o hábito do culto familiar. Como interpretar as Escrituras
| 32 |

■ Segunda, 13 de abril Ano Bíblico: 1Rs 7, 8
Jesus e a Lei

2. L eia Mateus 5:17-20; 22:29; 23:2, 3. O que Jesus disse nesses contextos? 3
Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A. ( ) Que Ele não veio para revogar a Lei, mas para cumpri-la.
B. ( ) Que Ele veio ao mundo para anular a Lei.

J esus ensinou aos Seus discípulos a obediência à Palavra de Deus e à Lei.
Não há de Sua parte sequer um indício de dúvida acerca da autoridade
ou relevância das Escrituras. Ao contrário, Ele constantemente Se referiu
a elas como a fonte da autoridade divina. Aos saduceus, Ele disse: “Errais,
não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22:29). Cristo
ensinou que um mero conhecimento intelectual da Bíblia e de seus ensi-
namentos era insuficiente para conhecer a verdade e, mais importante,
para conhecer o Senhor, Aquele que é essa verdade.

3. Leia Mateus 22:37-40. Qual é a visão de Jesus acerca da Lei de Moisés?

___________________________________________________________________
__________________________________________________________________

Na declaração ao intérprete da Lei, Jesus resumiu os Dez Mandamen-
tos, dados a Moisés quase 1.500 anos antes. Jesus Se concentrou na Lei do
Antigo Testamento e elevou-a ao mais alto nível. Muitos cristãos têm con-
cluído erradamente que um novo mandamento foi dado nessa passagem,
e, portanto, de alguma forma, a Lei do Antigo Testamento foi substituída
pelo evangelho do Novo Testamento. Mas o que o Jesus estava ensinan-
do está fundamentado na Lei do Antigo Testamento. Cristo havia revela-
do a Lei mais plenamente e resumiu os Dez Mandamentos, cujos quatro
primeiros se concentram no relacionamento divino-humano, e os seis úl-
timos focalizam os relacionamentos humanos. Ele disse que desses “dois
mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22:40). Assim, com
a expressão “a Lei e os Profetas”, Jesus também enalteceu o Antigo Testa-
mento, pois essa é uma maneira abreviada de se referir à Lei, aos profetas
e aos escritos, ou às três divisões do Antigo Testamento.

“[Cristo] apontava às Escrituras como de autoridade inquestionável, e
devemos fazer o mesmo. A Bíblia deve ser apresentada como a Palavra do
Deus infinito, como o termo de toda polêmica e o fundamento de toda fé”
(Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 39, 40).

Há outras autoridades competindo contra nossa submissão à Bíblia (família, filoso-

fia, cultura)?

Abr l Mai l Jun 2020 | 33 |

■ Terça, 14 de abril Ano Bíblico: 1Rs 9, 10
Jesus e todas as Escrituras

4. Leia Lucas 24:13-35, 44, 45. Como Jesus usou as Escrituras para ensinar

aos discípulos a mensagem do evangelho?

____________________________________________________________

3 A pós a morte de Cristo, Seus seguidores ficaram confusos e em dú-
vida. Como isso pôde acontecer? O que significava a Sua morte? De
acordo com Lucas, Jesus apareceu a eles duas vezes, primeiramente a dois
que estavam a caminho de Emaús e depois a outros. Em duas ocasiões di-
ferentes, Jesus explicou como tudo havia se cumprido das profecias do
Antigo Testamento: “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os
Profetas, expunha-lhes o que a Seu respeito constava em todas as Escri-
turas” (Lc 24:27).
Novamente em Lucas 24:44, 45, Ele disse: “São estas as palavras que
Eu vos falei, [...]: importava se cumprisse tudo o que de Mim está escrito
na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. Jesus “então, lhes abriu o
entendimento para compreenderem as Escrituras”.
Observe a referência específica em Lucas 24:27 a “todas as Escrituras”.
Isso foi enfatizado novamente na segunda passagem como a “Lei de Moi-
sés”, os “Profetas” e os “Salmos” (Lc 24:44). Isso estabelece claramente que
Jesus, o Verbo encarnado (Jo 1:1-3, 14), confiava na autoridade das Escri-
turas para explicar como essas coisas foram preditas centenas de anos an-
tes. Ao Se referir à totalidade das Escrituras, Jesus estava ensinando os
discípulos pelo exemplo. À medida que fossem espalhar a mensagem do
evangelho, eles também deveriam expor todas as Escrituras para trazer
compreensão e poder aos novos conversos em todo o mundo.
Em Mateus 28:18-20, Jesus disse aos Seus discípulos naquela ocasião
(e para nós hoje) que “toda a autoridade” Lhe “foi dada no Céu e na Terra”.
Mas essa autoridade permanecia fundamentada em Seu Pai e em toda a
Divindade, pois Ele lhes disse: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. En-
tão vem a passagem-chave: “ensinando-os a guardar todas as coisas que
vos tenho ordenado”. O que Jesus ensinou e ordenou? Seus ensinamentos
estão fundamentados em todas as Escrituras. Ele veio com base na auto-
ridade profética da Palavra, e em cumprimento das profecias das Escritu-
ras Ele Se submeteu a Seu Pai.

Se Jesus aceitava todas as Escrituras, não devemos fazer o mesmo? Como podemos
aceitar a autoridade da Bíblia inteira, mesmo quando percebemos que nem tudo é ne-
cessariamente aplicável atualmente? Comente com a classe.

| 34 | Como interpretar as Escrituras

■ Quarta, 15 de abril Ano Bíblico: 1Rs 11, 12
Jesus e a origem e história da Bíblia

J esus ensinou que a Bíblia é a Palavra de Deus no sentido de que o que 3
ela declara é sinônimo do que Deus diz. A origem da Bíblia se encontra
em Deus e, portanto, ela contém a autoridade suprema para todos os as-
pectos da vida. Deus trabalhou ao longo da História para revelar Sua von-
tade à humanidade por meio da Bíblia.

Por exemplo, em Mateus 19:4, 5, Jesus citou um texto escrito por
­Moisés. Mas Ele Se referiu a essa passagem da seguinte maneira: “o C­ riador,
desde o princípio, os fez homem e mulher e [...] disse: Por esta causa dei-
xará o homem pai e mãe”. Em vez de dizer “assim dizem as Escrituras”, Je-
sus declarou: “o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e [...]
disse”, atribuindo à palavra do Senhor o que o narrador de Gênesis escre-
veu. Deus é considerado o Autor dessa declaração, mesmo que ela tenha
sido escrita por Moisés.

5. Como Jesus compreendia as pessoas e os eventos históricos da Bíblia?

Mt 12:3, 4; Mc 10:6-8; Lc 4:25-27; Lc 11:51; Mt 24:38

_______________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

Jesus tratava constantemente pessoas, lugares e eventos do Antigo
Testamento como verdade histórica. Ele Se referiu a Gênesis 1 e 2, a Abel
em Gênesis 4, a Davi comendo os pães da proposição e a Eliseu, entre ou-
tras figuras históricas. Ele falou repetidamente dos sofrimentos dos pro-
fetas antigos (Mt 5:12; 13:57, 23:34-36, Mc 6:4). Em uma mensagem de
advertência, Cristo também descreveu os dias de Noé: “Porquanto, assim
como nos dias anteriores ao Dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-
-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o percebe-
ram, senão quando veio o Dilúvio e os levou a todos, assim será também
a vinda do Filho do Homem” (Mt 24:38, 39). Há aqui todos os indícios de
que Jesus estava Se referindo a esse ato poderoso de juízo de Deus como
um evento histórico.

Visto que o próprio Jesus Se referiu a essas pessoas históricas como reais, o que isso
revela sobre o poder dos enganos de Satanás, considerando que muitas pessoas, até
mesmo professos cristãos, negam a existência desses personagens? Por que não de-
vemos cair nessa armadilha?

Abr l Mai l Jun 2020 | 35 |

■ Quinta, 16 de abril Ano Bíblico: 1Rs 13, 14
Os apóstolos e a Bíblia

O s escritores do Novo Testamento abordaram a Bíblia da mesma forma
que Jesus fazia. Em matéria de doutrina, ética e cumprimento pro-
fético, o Antigo Testamento era, para eles, a Palavra autoritativa de Deus.
Nada do que esses homens disseram ou fizeram desafia a autoridade e a

3 autenticidade de qualquer parte da Bíblia.

6. Como os apóstolos entendiam a autoridade da Palavra de Deus? At 4:24-26;
13:32-36; Rm 9:17; Gl 3:8

______________________________________________________________

Nessas passagens, observe como as Escrituras estão intimamente rela-
cionadas à voz do próprio Deus. Em Atos 4, pouco antes de receberem a ple-
nitude do Espírito Santo, os discípulos louvaram a Deus pelo livramento de
Pedro e João. Em seu louvor, eles levantaram as vozes, reconhecendo Deus
como o Criador e admitindo que Ele havia falado por meio de Davi, Seu servo.
Isto é, as palavras de Davi são as palavras de Deus. Em Atos 13:32-36, Davi
foi citado novamente por Paulo, mas suas palavras são atribuídas a Deus,
pois o versículo 32 diz: “o que Deus prometeu a nossos antepassados” (NVI).

Em Romanos 9:17, onde se esperaria que Deus fosse o sujeito, Paulo
usou o termo “Escritura”, afirmando: “Porque a Escritura diz a Faraó”, o
que poderia, na verdade, ser dito de outra forma: “Porque Deus diz a Faraó”.
Em Gálatas 3:8, o sujeito “Escritura” é usado no lugar de “Deus”, mostran-
do quanto a Palavra do Senhor está intimamente ligada ao próprio Criador.

Na verdade, os escritores do Novo Testamento confiavam uniforme-
mente no Antigo Testamento como a Palavra de Deus. No Novo Testa-
mento existem centenas de citações do Antigo Testamento. Um estudioso
compilou uma lista de 2.688 referências específicas, sendo 400 de Isaías,
370 dos Salmos, 220 de Êxodo e assim por diante. Se adicionássemos a
essa lista alusões, temas e ideias, o número aumentaria muito. Os livros
estão repletos de referências às profecias do Antigo Testamento que são
frequentemente introduzidas com a expressão: “está escrito” (Mt 2:5;
Mc 1:2; 7:6, Lc 2:23; 3:4; Rm 3:4; 8:36; 9:33; 1Co 1:19; Gl 4:27; 1Pe 1:16).
Tudo isso confirma que as Escrituras do Antigo Testamento são o funda-
mento sobre o qual repousam os ensinamentos de Jesus e dos apóstolos.

O que esses exemplos nos ensinam sobre os perigos das ideias que diminuem nossa
confiança na autoridade das Escrituras?

Não permita que sua fidelidade entre em crise! Como interpretar as Escrituras
| 36 |

■ Sexta, 17 de abril Ano Bíblico: 1Rs 15, 16
Estudo adicional

T extos de Ellen G. White: O Desejado de Todas as Nações, p. 68-74 (“Em 3
Criança”) e p. 114-123 (“A Tentação”).
“Os homens se consideram mais sábios do que a Palavra de Deus, mais
sábios até mesmo que o próprio Deus; e em vez de firmar seus pés no fun-
damento inabalável, e pôr tudo à prova da Palavra do Senhor, eles pro-
vam essa Palavra por suas próprias ideias de ciência e natureza, e se essa
Palavra não concorda com suas ideias científicas, ela então é descartada
como indigna de crédito” (Ellen G. White, Signs of the Times [Sinais dos
Tempos], 27 de março de 1884, p. 1).

“Os que mais bem se acham familiarizados com a sabedoria e o propó-
sito de Deus da maneira como foram revelados em Sua Palavra tornam-se
homens e mulheres de vigor mental; e podem tornar-se obreiros eficientes
com o grande Educador, Jesus Cristo [...]. Ele deu a Seu povo as palavras da
verdade, e todos são convidados a desempenhar uma parte em torná-las co-
nhecidas ao mundo [...]. Não há santificação à parte da verdade – a Palavra.
Quão essencial, portanto, que ela seja compreendida por todos!” (Ellen G.
White, Fundamentos da Educação Cristã, p. 432).

Perguntas para consideração
1. S e Jesus, os escritores dos evangelhos e Paulo trataram o Antigo Testa-

mento como a Palavra de Deus, por que muitas visões sobre as Escritu-
ras estão erradas? Por que não devemos cair nesses argumentos?
2. M uitos estudiosos bíblicos modernos vão tão longe em seu ceticismo
que chegam a negar verdades bíblicas: rejeitam a criação literal de seis
dias e aceitam bilhões de anos de evolução; recusam um Adão sem pe-
cado em um mundo perfeito; repudiam o Dilúvio universal; rejeitam a
existência literal de Abraão; negam a história do Êxodo; contestam os
milagres de Jesus, incluindo até mesmo Sua ressurreição; e rejeitam a
profecia preditiva, em que os profetas revelam o futuro, às vezes com
séculos ou milênios de antecedência. O que essas conclusões revelam so-
bre o que ocorre quando pessoas duvidam da autoridade e autenticidade
da Bíblia? Como ajudar as pessoas a compreender claramente a verdade?
3. T odas as Escrituras são inspiradas, mesmo as partes que não são neces-
sariamente aplicáveis a nós hoje e que se cumpriram em Cristo? Em que
sentido essas porções da Bíblia nos beneficiam hoje?

Respostas e atividades da semana: 1. A. 2. V; F. 3. Jesus considerava que a Lei de Moisés se resumia em amar a Deus
e amar ao próximo. 4. Mostrou que o Cristo devia padecer para que se cumprissem as profecias acerca de Sua vinda.
5. Como sendo verdades históricas. Sua visão de mundo estava fundamentada nas Escrituras. 6. Eles tinham a Pa-
lavra de Deus como autoridade suprema. Eles citam as Escrituras como sendo a Palavra de Deus revelada a pessoas.

Abr l Mai l Jun 2020 | 37 |

Anotações

____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________

3 ____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________

| 38 | Como interpretar as Escrituras

RESUMO DA LIÇÃO 3

A visão de Jesus e dos
apóstolos acerca da Bíblia

TEXTOS-CHAVE: Mt 4:1-11; Mt 22:37-40; Lc 24:13-35, 44, 45; Lc 4:25-27; At 4:24-26

ESBOÇO 3

O clamor da Reforma foi ad fonts – “de volta às origens”. No contexto do Iluminismo,
esse lema significava que os reformadores decidiram voltar às Escrituras como a fonte ori-
ginal, a fim de realmente entender a natureza do cristianismo e da religião e os deveres
de um cristão. Os reformadores se recusaram a fundamentar sua compreensão das Escri-
turas nas tradições e nos abusos que caracterizavam a igreja medieval. Os pressupostos
modernos resultantes de uma visão de mundo secularizada minimizam a Bíblia e presu-
mem que ela se baseia em ideias equivocadas e primitivas que precisam ser ajustadas ou
rejeitadas. Assim, os cristãos também devem “voltar às origens”.

O exemplo primordial pelo qual devemos nos orientar é Jesus Cristo. De que forma
Ele via as Escrituras? Ele expressou dúvidas sobre certas partes da Palavra, ou citou a Bí-
blia (em Sua época, o Antigo Testamento) como norma autoritativa para todas as áreas
da vida? A era moderna e científica nega a existência de Deus. No máximo, afirma que
Deus não interage na história humana. Em vez de seguir essas pressuposições, não deve-
ríamos provar quaisquer afirmações desse tipo à luz do que as Escrituras dizem que Jesus
ensinava e acreditava, com base em Suas declarações? E quanto aos Seus discípulos, os
apóstolos, que escreveram grandes porções do Novo Testamento? Eles também não se-
guiram Seu exemplo? Nesta semana, voltaremos nossa atenção a Jesus e aos apóstolos
para ver como usavam e interpretavam as Escrituras. Compreendemos que Seus métodos
de interpretação e aplicação ainda servem como guia e inspiração confiáveis no presente.

COMENTÁRIO

Ilustração
Em 1521, Martinho Lutero foi convocado pelo imperador romano para ir a Worms, Ale-

manha, onde aguardou seu julgamento pelo conselho, ou assembleia. Foi um ponto da vi-
rada para a Reforma. Lutero se retrataria e repudiaria seus escritos que agitaram a Europa?
Ou ele defenderia o princípio Sola Scriptura, “Somente a Bíblia”, como seu padrão? Lutero
estava diante do imperador e das mais altas autoridades civis e eclesiásticas. Uma gravura
feita pelo artista Lucas Cranach naquele mesmo ano apresenta o perfil distinto de Lutero,
projetando força e determinação. Quando chegou o momento, ele falou de maneira dire-
ta: “Visto que Sua Majestade e Sua Alteza pedem uma resposta clara, eu a darei. A menos
que me provem que eu esteja errado pelo testemunho das Escrituras e por clara argumen-
tação, pois não posso confiar nas decisões de papas ou concílios, uma vez que é eviden-
te que eles erram e contradizem um ao outro com frequência, estou comprometido pela

Abr l Mai l Jun 2020 | 39 |

consciência e firmado na Palavra de Deus pelas passagens das Sagradas Escrituras
que citei. Portanto, não posso e não retratarei nada, pois não é seguro nem salutar
agir contra a consciência. Deus me ajude! Amém” (Heinrich Boehmer, Martin Luther:
Caminho para a Reforma. Nova York: Meridian Books, 1957, p. 415).

Escritura
Um momento crucial na história terrestre foi quando Satanás tentou Jesus após Seu

batismo e experiência no deserto. Apenas 40 dias antes, o Pai havia dito no batismo do

3 Filho: “Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo” (Mt 3:17). O inimigo desafiou
essa afirmação. Jesus era quem Seu Pai disse que Ele era? A questão era a confiabilida-
de da Palavra divina. Em Sua primeira resposta, Jesus citou uma passagem de Deutero-
nômio 8:3: “Para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que
procede da boca do Senhor”. O contexto dessa passagem é a divina providência susten-
tadora para os antigos israelitas quando vagaram no deserto por 40 anos. Deus os humi-
lhou e os sustentou para que confiassem totalmente Nele. Ao citar essa passagem, Jesus
quis dizer: “Meu Pai, que sustentou Israel por 40 anos, Me sustentará. Confio apenas na
Sua Palavra, porque sei que Ele não é apenas a Fonte de sustento, mas a Fonte da própria
vida.” Também há uma implicação mais profunda nesse contexto. Jesus está Se subme-
tendo ao Pai, assim como o antigo Israel foi ensinado a se submeter à Palavra de Deus. Je-
sus não falou de Sua própria autoridade, mas da autoridade das Escrituras, comunicadas
por Moisés. O argumento em Deuteronômio é que, porque o Criador sustentou Israel e os
preservou como Seu povo para entrar na terra prometida, eles deviam guardar os man-
damentos do Senhor, seu Deus, para andarem nos Seus caminhos e O temerem (Dt 8:6).
“Jesus enfrentou Satanás com as palavras das Escrituras. ‘Está escrito’ (Mt 4:4), Ele de-
clarou. Em toda tentação, Sua arma de guerra era a Palavra de Deus. Satanás exigia de
Jesus um milagre como prova de Sua divindade. Mas aquilo que era maior do que todos
os milagres – uma firme confiança em um ‘assim diz o Senhor’ – era um testemunho ir-
refutável. Enquanto Cristo Se mantivesse nessa atitude, o tentador não conseguiria obter
qualquer vantagem” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 120). Como lidamos
com a tentação? Temos as Escrituras em nosso coração a fim de que as possamos invocar
para responder ao tentador? Não somos forçados a submeter nossas vontades à tentação
e temos o mesmo recurso que Jesus tinha: Sua Palavra.

Ilustração
Em 23 de outubro de 1844, houve intensa tristeza e decepção quando os crentes do

advento acordaram para a realidade de que Jesus não havia retornado para levá-los para
casa como esperavam. Eles venderam casas e propriedades, deram tudo para a procla-
mação da mensagem de que Jesus voltaria no dia anterior, mas sua maior esperança ti-
nha sido esmagada. Alguns dos crentes deixaram a fé. Muitos enfrentaram o ridículo de
céticos que duvidaram o tempo todo. O que deu errado? Tudo o que aprenderam com
o estudo das profecias não serviu de nada? Contudo, ao se voltarem às Escrituras, fo-
ram levados a entender que a data não estava errada; mas que haviam entendido mal a

| 40 | Como interpretar as Escrituras

natureza da “purificação do santuário”, que não se tratava da destruição da Terra, mas o
ministério de Cristo no lugar santíssimo para iniciar outra fase de Sua obra expiatória.
O estudo levou os crentes do advento a entender a profecia de Apocalipse 10:9, 10: a doce
mensagem do livro que se tornou uma amarga decepção. Esse desapontamento não foi
uma experiência nova para os crentes em Jesus. Algo semelhante tinha acontecido antes.

Escritura 3
Os discípulos não podiam entender a morte de Cristo na cruz. Juntamente com o ju-

daísmo em geral, eles acreditavam que o Messias estabeleceria um reino terrestre que os
libertaria da opressão dos romanos. Agora que Jesus estava morto e enterrado, eles fi-
caram arrasados. A resposta para esse desapontamento foi a mesma que o dos primeiros
crentes do advento: pesquisar as Escrituras. Jesus mostrou-lhes o caminho. “E, começando
por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a Seu respeito cons-
tava em todas as Escrituras” (Lc 24:27). Foi uma exposição completa, para que os discí-
pulos pudessem ver que “importava se cumprisse tudo o que [Dele] está escrito na Lei de
Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lc 24:44). Eis outra referência explícita às três divisões
do Antigo Testamento que abrangem “toda a Escritura”. Jesus orou por Seus discípulos:
“Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” (Jo 17:17). Para Jesus, toda a Escritu-
ra era autoritativa e servia de base para Sua autoridade, ministério e missão.

Os discípulos levaram os ensinos de Jesus a sério e fizeram deles o núcleo dos evan-
gelhos e cartas para a igreja. Mateus citou com frequência as profecias do Antigo Testa-
mento. Lucas iniciou seu evangelho com as genealogias, demonstrando que Jesus era o
Messias. Paulo afirma que “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para
a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus
seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:16, 17). Em Hebreus 11,
Paulo lista muitos dos homens e mulheres que foram heróis da fé, de uma forma que con-
sidera suas histórias e cenários originais no Antigo Testamento como verdadeiras e literais.
Não há escritor do Novo Testamento que duvide da autenticidade, historicidade, profecias
ou ensinamentos da Bíblia. Os escritores bíblicos consideram os relatos das Escrituras ple-
namente fidedignos. Os exemplos de Jesus e dos apóstolos deixam claro como abordar a
Palavra de Deus. Eles permitiram que as Escrituras interpretassem as Escrituras; confia-
ram nelas como sua defesa durante a tentação e exigiram um claro “assim diz o Senhor”
para o entendimento mais profundo do texto bíblico e de suas aplicações.

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Nos anos 1990, o movimento WWJD tornou-se popular entre os cristãos. Os jovens usa-
vam pulseiras de plástico com a sigla WWJD (em inglês, What would Jesus do? [“O que Jesus
faria?”]) Essa pergunta também pode ser apropriada ao refletirmos sobre como devemos
considerar a Bíblia. Podemos reformular a pergunta para “O que Jesus diria?” O que Jesus
diria sobre as interpretações modernas que negam a historicidade de grandes eventos no
Antigo Testamento? O que Jesus diria sobre argumentos a favor da crença de que o Antigo

Abr l Mai l Jun 2020 | 41 |

Testamento ensina uma mensagem diferente da que é apresentada no Novo Testamento
e deve ser minimizado e relegado a uma posição de menor autoridade? O que Jesus diria
a alguém na igreja que insiste que certas passagens do Novo Testamento são aplicáveis
apenas à igreja à qual uma carta específica foi endereçada (por exemplo, Éfeso ou Corin-
to)? Jesus limitaria a autoridade da Bíblia? Como discípulos de Cristo, de que modo imi-
tamos Sua abordagem das Escrituras? Como fizeram os fariseus e saduceus, tentaremos
interpretar e distorcer as palavras para apanhar Jesus em uma armadilha?
1. P eça à classe que conte experiências em que certas passagens bíblicas vieram à men-

3 te quando foram tentados a deixar o caminho da verdade. Que tipo de bênçãos recebe-
mos ao memorizar a Bíblia e guardá-la no coração? Quantas promessas de Deus você
tem decorado, preparando-se para um tempo em que a Bíblia pode não estar mais em
suas mãos?
2. P ense em outros exemplos que mostram Jesus e os apóstolos fundamentando seus ar-
gumentos nas Escrituras. Quão eficazes foram essas exposições?

MKT CPB | AdobeStock

Este livro mostra que não precisamos
ter receio quanto ao que está por vir e
fornece respostas aos mais profundos
anseios humanos. Tudo isso com base

na Bíblia, a fonte mais segura.

Baixe o /cpbeditora
aplicativo

CPB

WhatsApp

cpb.com.br | 0800-9790606 | CPB livraria | 15 98100-5073

Pessoa jurídica/distribuidor 15 3205-8910 | [email protected]

| 42 | Como interpretar as Escrituras

Conheça a sua

identidade 3

MKT CPB | AdobeStock

Baixe o /cpbeditora
aplicativo

CPB

WhatsApp

cpb.com.br | 0800-9790606 | CPB livraria | 15 98100-5073

Pessoa jurídica/distribuidor 15 3205-8910 | [email protected]

Abr l Mai l Jun 2020 | 43 |

Lição

A Bíblia – a fonte

4 autoritativa de nossa
teologia

VERSO PARA MEMORIZAR: “À Lei e ao
testemunho! Se eles não falarem desta
maneira, jamais verão a alva” (Is 8:20).

Leituras da semana: Mc 7:1-13; Rm
2:4; 1Jo 2:15-17; 2Co 10:5, 6; Jo 5:46, 47;
7:38

■ Sábado, 18 de abril Ano Bíblico: 1Rs 17-19

N ão há igreja cristã que não use as Escrituras para sustentar suas cren-
ças. No entanto, a função e a autoridade das Escrituras na teologia
não são as mesmas em todas as igrejas. Na verdade, a função das Escri-
turas pode variar muito de igreja para igreja. Exploraremos esse assun-
to importante, porém complexo, por meio do estudo de cinco diferentes
fontes que influenciam nossa interpretação das Escrituras: a tradição, a
experiência, a cultura, a razão e a própria Bíblia.

Essas fontes desempenham uma função significativa em todas as teo-
logias e igrejas. Todos fazemos parte de diversas tradições e culturas que
nos influenciam. Todos temos experiências que moldam nosso pensa-
mento e influenciam nossa compreensão. Todos temos uma mente para
pensar e avaliar as coisas. Todos lemos a Bíblia e a usamos para entender
Deus e Sua vontade.

Qual dessas fontes, ou combinações delas, tem autoridade final so-
bre a nossa maneira de interpretar a Bíblia? Como são usadas em relação
umas às outras? A prioridade dada a alguma fonte ou fontes leva a ênfa-
ses e resultados muito diferentes e determina, por fim, a direção de toda
a nossa teologia.

| 44 | Como interpretar as Escrituras

■ Domingo, 19 de abril Ano Bíblico: 1Rs 20, 21
Tradição

A tradição não é ruim. Ela dá às ações recorrentes na vida certa rotina e
estrutura. Ela nos ajuda a permanecer conectados com nossas raízes.
Por isso, não é surpresa que essa herança tenha uma função importante na
religião. Porém, também existem perigos relacionados à tradição.

1. L eia Marcos 7:1-13. Como Jesus reagiu a algumas tradições humanas em 4

Seus dias? O que isso nos ensina? Assinale a alternativa correta:

A. ( ) C olocou-as acima dos mandamentos de Deus e da Palavra do Se-
nhor.

B. ( ) E xaltou a Lei de Deus como fonte de autoridade acima das tradições.

A tradição que Jesus confrontou era cuidadosamente transmitida na
comunidade judaica de mestre para discípulo. Nos dias de Jesus, ela havia
assumido um lugar ao lado das Escrituras. Contudo, a tradição tem uma
tendência de se desenvolver durante longos períodos de tempo, acumulan-
do assim mais e mais detalhes e aspectos que originalmente não faziam
parte da Palavra de Deus nem de Seu plano. Embora as tradições fossem
promovidas por “anciãos” (Mc 7:3, 5), isto é, pelos líderes religiosos da co-
munidade judaica, não são iguais aos mandamentos de Deus (Mc 7:8, 9).
Eram tradições de homens e, finalmente, levaram a um ponto em que tor-
naram inválida “a Palavra de Deus” (Mc 7:13).

2. L eia 1 Coríntios 11:2 e 2 Tessalonicenses 3:6. Como distinguimos entre a

Palavra de Deus e a tradição humana? É importante fazer essa distinção?

________________________________________________________________

A Palavra viva de Deus faz surgir em nós uma atitude reverente e fiel
para com ela. Essa fidelidade gera certa tradição. Contudo, nossa fidelida-
de precisa sempre ser dedicada ao Deus vivo, que revelou Sua vontade na
Palavra escrita. Portanto, a Bíblia possui uma função singular que suplan-
ta todas as tradições humanas. Ela está acima de todas as tradições, mes-
mo das boas. Tradições que se desenvolvem a partir de nossa experiência
com Deus e Sua Palavra constantemente precisam ser testadas pela me-
dida das Sagradas Escrituras.

O que fazemos como igreja que pode ser rotulado como “tradição”? Por que é impor-
tante distinguir tradição de ensinamento bíblico? Comente com a classe.

Não apenas leia a Bíblia, estude-a!

Abr l Mai l Jun 2020 | 45 |

■ Segunda, 20 de abril Ano Bíblico: 1Rs 22; 2Rs 1
Experiência

3. L eia Romanos 2:4 e Tito 3:4, 5. Como experimentamos a bondade, a pa-

ciência, o perdão, a benevolência e o amor de Deus? Por que é importan-

te que a fé não seja apenas conhecimento abstrato, mas algo vivenciado?

As experiências podem entrar em conflito com a Bíblia e até mesmo nos

enganar na fé?

_________________________________________________________________
_________________________________________________________________

4 ________________________________________________________________

A experiência faz parte da existência humana. Ela influencia nossos
sentimentos e pensamentos de uma forma poderosa. Deus nos proje-
tou de tal maneira que nosso relacionamento com a criação, e até mesmo
com o próprio Deus, é significativamente conectado com nossa experiên-
cia e moldado por ela.

É o desejo de Deus que experimentemos a beleza dos relacionamen-
tos, da arte, da música e das maravilhas da criação, bem como a alegria de
Sua salvação e o poder das promessas de Sua Palavra. Nossa religião e fé
são mais do que apenas doutrina e decisões racionais. O que experimen-
tamos molda significativamente nossa visão de Deus e até mesmo nossa
compreensão da Sua Palavra. Mas precisamos também ver claramente as
limitações e insuficiências de nossas experiências quando se trata de co-
nhecer a vontade de Deus.

4. Que advertência se encontra em 2 Coríntios 11:1-3? O que isso revela so-

bre os limites da confiança nas nossas experiências?

________________________________________________________________
________________________________________________________________
_______________________________________________________________

As experiências podem ser muito enganadoras. Biblicamente, a expe-
riência precisa ter sua esfera apropriada. Deve ser influenciada, moldada e
interpretada pelas Escrituras. Às vezes desejamos experimentar algo que
não está em harmonia com a Palavra e a vontade de Deus. Nessas ocasiões,
precisamos confiar na Bíblia acima de nossa experiência e de nossos dese-
jos. Devemos estar atentos para assegurar que as experiências estejam em
harmonia com as Escrituras e não contradigam o claro ensino da Bíblia.

Na fé em que o amor a Deus e aos outros (Mc 12:28-31) são os mandamentos principais,
a experiência é importante. Todavia, por que é crucial provar a experiência pela Palavra?

| 46 | Como interpretar as Escrituras

■ Terça, 21 de abril Ano Bíblico: 2Rs 2, 3
Cultura

T odos nós pertencemos a culturas específicas. Também somos influen- 4
ciados e moldados pela cultura. Nenhum de nós escapa dela. Basta
analisarmos o quanto do Antigo Testamento é a história do antigo Israel
sendo corrompido pelas culturas ao seu redor. O que nos faz pensar que
hoje as coisas ocorram de modo diferente?

A Palavra de Deus também foi dada em uma cultura específica, embo-
ra não seja limitada a essa única cultura. Mesmo que os fatores culturais
influenciem inevitavelmente nossa compreensão da Bíblia, não devemos
perder de vista o fato de que a Palavra também transcende às estabeleci-
das categorias culturais de etnia, império e status social. Essa é uma ra-
zão pela qual a Bíblia ultrapassa qualquer cultura humana e é até capaz
de transformar e corrigir os elementos pecaminosos que encontramos
em todas as culturas.

5. Leia 1 João 2:15-17. O que João quis dizer ao declarar que não devemos

amar as coisas do mundo? Como podemos viver no mundo e ainda assim

não ter uma mentalidade mundana?

__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________

A cultura, como qualquer outra faceta da criação de Deus, é afetada
pelo pecado. Consequentemente, ela também está sob o juízo de Deus.
Evidentemente, alguns aspectos da nossa cultura podem se alinhar mui-
to bem com nossa fé, mas devemos sempre ter o cuidado de distinguir en-
tre as duas. O ideal é que, se necessário, a fé bíblica se oponha à cultura
existente e crie uma contracultura que seja fiel à Palavra de Deus. A me-
nos que tenhamos algo ancorado em nós que venha de cima, logo nos en-
tregaremos ao que está ao nosso redor.

Ellen G. White apresentou a seguinte ideia:
“Os seguidores de Cristo devem se separar do mundo em princí-
pios e em interesses; não devem, porém, se isolar do mundo. O Salva-
dor Se misturava constantemente com os homens, não para os animar
em qualquer coisa que não estivesse em harmonia com a vontade de
Deus, mas para os elevar e enobrecer” (Conselhos aos Pais, Professores e
Estudantes, p. 323).

Quais aspectos da sua cultura estão em completa oposição à fé bíblica? Como podemos

nos manter firmes contra esses aspectos que tendem a corromper nossa fé?

Abr l Mai l Jun 2020 | 47 |

■ Quarta, 22 de abril Ano Bíblico: 2Rs 4, 5
Razão

6. Leia 2 Coríntios 10:5, 6; Provérbios 1:7; 9:10. Por que a obediência a Cristo

em nossos pensamentos é tão importante? Por que o temor do Senhor

é o princípio da sabedoria? Assinale a alternativa correta:

A. ( ) Porque pensamentos submissos levam à prática da obediência.
B. ( ) Porque devemos obedecer apenas na teoria, não na prática.

4 D eus nos deu a capacidade de pensar e raciocinar. Toda atividade huma-
na e todo argumento teológico supõem nossa capacidade de pensar e
tirar conclusões. Não apoiamos uma fé irracional. Entretanto, como con-
sequência do Iluminismo do século 18, a razão assumiu uma função nova
e dominante, especialmente no mundo ocidental, que vai muito além de
nossa capacidade de pensar e chegar a conclusões corretas.
Em contraste com a ideia de que a base do nosso conhecimento é a ex-
periência sensorial, outra visão considera a razão a principal fonte de co-
nhecimento. Essa visão, chamada racionalismo, é a ideia de que a verdade
não é sensorial, mas intelectual e deriva da razão. Ou seja, certas verda-
des existem, e somente a razão pode compreendê-las diretamente. Isso faz
da razão o teste e a norma da verdade. A razão se tornou a nova autorida-
de diante da qual tudo mais tinha que se curvar, inclusive a autoridade da
igreja e, mais dramaticamente, até mesmo a autoridade da Bíblia como a
Palavra de Deus. Tudo o que não era evidente para a razão foi descartado
e teve sua legitimidade questionada. Essa atitude afetou muitas partes das
Escrituras. Todos os milagres e as ações sobrenaturais de Deus, como a res-
surreição de Jesus, o nascimento virginal ou a criação em seis dias, para ci-
tar apenas alguns, não foram mais considerados verdadeiros e confiáveis.
Lembremo-nos de que mesmo o poder de raciocínio foi afetado pelo
pecado e precisa ser colocado sob Cristo. O ser humano foi obscurecido
em sua compreensão e alienado de Deus (Ef 4:18). Precisamos ser ilumi-
nados pela Palavra. Além disso, o fato de que Deus é o Criador indica que
nossa razão não foi criada como algo que funciona de modo independente.
Em vez disso, “o temor do SENHOR é o princípio da sabedoria” (Pv 9:10;
Pv 1:7). Somente quando aceitamos a revelação de Deus, corporificada em
Sua Palavra escrita, como suprema em nossa vida, e estamos dispostos
a seguir o que está escrito na Bíblia, podemos raciocinar corretamente.

O presidente americano Thomas Jefferson (1743-1826) fez sua própria versão do Novo
Testamento excluindo o que, em sua opinião, fosse contrário à razão. Quase todos os
milagres de Jesus foram excluídos, incluindo a Sua ressurreição. O que isso nos ensina
sobre os limites da razão para a compreensão da verdade?

| 48 | Como interpretar as Escrituras


Click to View FlipBook Version