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Published by erickgalvao_, 2020-04-25 10:30:59

Lição Adulto Prof. 2ºtri 2020.pdf

Lição Adulto Prof. 2ºtri 2020.pdf

■ Quarta, 20 de maio Ano Bíblico: 2Cr 32, 33
Criação e casamento

A última década testemunhou enormes mudanças na maneira como a
sociedade e os governos definem o casamento. Muitas nações apro-
varam casamentos entre pessoas do mesmo sexo, derrubando leis ante-
riores que protegiam a estrutura familiar, cujo centro é um homem e uma
mulher. Esse é um acontecimento sem precedentes em muitos aspectos
e levanta novas questões sobre a instituição do casamento, a relação en-
tre Igreja e Estado e a santidade do casamento e da família, conforme de-
finida nas Escrituras.

5. Leia Gênesis 1:26-28; 2:18, 21-24. O que esses textos nos ensinam sobre

o ideal de Deus para o casamento?

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No sexto dia, Deus chegou ao clímax da semana da criação: Ele fez a hu- 8
manidade. É impressionante que o plural seja usado para Deus em Gênesis
1:26 pela primeira vez: “‘Façamos o homem à Nossa imagem”. Todas as pes-
soas da trindade divina, em um relacionamento de amor umas com as ou-
tras, criaram o casamento humano divinamente instituído aqui na Terra.

“Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou;
homem e mulher os criou” (Gn 1:27). Adão declarou: “Esta, afinal, é osso
dos meus ossos e carne da minha carne” (Gn 2:23) e a chamou de “varoa”
ou “mulher”. O casamento exige que o homem deixe pai e mãe e se una “à
sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2:24).

As Escrituras são claras e inquestionáveis quanto ao fato de que essa
relação deve ocorrer entre um homem e uma mulher, que se originaram de
seu pai e mãe, também um homem e uma mulher. Esse conceito foi escla-
recido nas instruções dadas aos primeiros pais da Terra: “E Deus os aben-
çoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a”
(Gn 1:28). No quinto mandamento, é declarado que os filhos (descenden-
tes) devem honrar seu pai e sua mãe (Êx 20:12). Esse relacionamento mú-
tuo só pode ser consumado em uma relação heterossexual.

Leia as palavras de Jesus em Mateus 19:3-6. O que elas ensinam sobre a natureza e a
santidade do casamento? Embora nunca devamos nos esquecer do amor de Deus por
toda a humanidade e de que todos somos pecadores, como devemos assumir uma
posição firme e fiel sobre os princípios bíblicos do casamento, à luz de Suas palavras?

Experimente viver com base em um orçamento financeiro. Isso lhe dará mais tranquilidade.

Abr l Mai l Jun 2020 | 99 |

■ Quinta, 21 de maio Ano Bíblico: 2Cr 34-36
A criação, a queda e a cruz

A Bíblia apresenta uma ligação ininterrupta entre a criação perfeita, a
queda, o Messias prometido e a redenção. Esses eventos importantes
tornam-se o fundamento do tema da história da salvação da humanidade.

6. L eia Gênesis 1:31; 2:15-17; 3:1-7. O que aconteceu com a criação perfeita de
Deus? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A. ( ) Tornou-se corrompida pelo pecado.
B. ( ) Permaneceu perfeita.

Deus declarou que tudo o que Ele havia criado era “muito bom” (Gn 1:31).
“Agora a criação estava completa [...]. O Éden florescia sobre a Terra. Adão
e Eva tinham livre acesso à árvore da vida. Nenhuma mancha de pecado ou
sombra de morte desfigurava a linda criação” (Ellen G. White, P­ atriarcas
e Profetas, p. 47). Deus havia advertido Adão e Eva de que, se comessem
da árvore proibida, certamente morreriam (Gn 2:15-17). A serpente co-
meçou seu discurso com uma pergunta e contradisse completamente o que
Deus havia dito: “É certo que não morrereis” (Gn 3:4). Satanás prometeu a
Eva grande conhecimento e que ela seria como Deus. Evidentemente, ela
acreditou nele.

8 7. Como Paulo confirmou as palavras do Senhor em Gênesis 2:15-17? Leia
Romanos 5:12; 6:23. Como esses ensinos contradizem a evolução teísta?
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Os escritores bíblicos posteriores confirmaram declarações bíblicas an-
teriores e apresentaram ideias adicionais. Em Romanos 5–8, Paulo escre-
veu sobre o pecado e a beleza da salvação: “Assim como por um só homem
entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a mor-
te passou a todos os homens” (Rm 5:12). Mas na perspectiva evolutiva, a
morte já estaria presente ao longo de milhões de anos antes da humanida-
de. Essa ideia tem sérias implicações para o ensino da origem do pecado,
da morte substitutiva de Cristo na cruz e do plano da salvação. Se a mor-
te não está relacionada ao pecado, então o salário do pecado não é a mor-
te (Rm 6:23), e Cristo não teria razão para morrer pelos nossos pecados.
Portanto, a criação, a queda e a cruz estão intimamente ligadas. O primei-
ro Adão está ligado ao último Adão (1Co 15:45, 47). A crença na evolução
darwinista destruiria o próprio fundamento do cristianismo, mesmo que
algum conceito de Deus seja inserido no processo.

| 100 | Como interpretar as Escrituras

■ Sexta, 22 de maio Ano Bíblico: Ed 1-3
Estudo adicional

T extos de Ellen G. White: Patriarcas e Profetas, p. 44-51 (“A Criação”) e
p. 111-116 (“A Semana Literal”).
“A evidência cumulativa, fundamentada em considerações comparati-
vas, literárias, linguísticas e outras, converge em todos os níveis, levando
à conclusão singular de que a designação yôm, ‘dia’, em Gênesis 1, signifi-
ca constantemente um dia literal de 24 horas.

“O autor de Gênesis 1 não poderia ter produzido maneiras mais abran-
gentes e inclusivas de expressar a ideia de um ‘dia’ literal do que as escolhi-
das” (Gerhard F. Hasel, “The ‘Days’ of Creation in Genesis 1: Literal ‘Days’
of Figurative ‘Periods/Epochs’ of Time?”. Origins 21/1, 1994, p. 30, 31).

“As mais vigorosas mentes, se não forem guiadas pela Palavra de Deus,
tornam-se desnorteadas em suas tentativas de investigar as relações en-
tre a ciência e a revelação. O Criador e Suas obras encontram-se além da
compreensão dessas pessoas; visto que não conseguem explicar esses fe-
nômenos pelas leis naturais, afirmam que a história bíblica é indigna de
confiança” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 8, p. 258).

Perguntas para consideração 8
1. O fato de que alguns cristãos aceitem as alegações da ciência acima do

relato bíblico prova que a histórica bíblica “seja indigna de confiança”?
2. P or que é impossível levar a Bíblia a sério enquanto se aceita a evolução

teísta? Como explicar a cruz à luz do que Paulo escreveu em Romanos
5 sobre a relação direta entre a queda, a morte de Adão e a cruz de Cris-
to? Qual é a explicação do evolucionista teísta?
3. P or que os cristãos são chamados de pessoas de “mente fechada” quan-
do estão abertos às verdades das Escrituras, reveladas por um Deus infi-
nito? A visão ateísta e materialista do mundo não é muito mais estreita
do que a cosmovisão cristã?
4. S endo fiéis à Palavra de Deus, como podemos ministrar aos que lutam
com questões de identidade sexual? Por que não devemos lançar pedras,
mesmo em pessoas que, como a mulher em adultério, não conseguem
viver os princípios da Palavra de Deus e se sentem culpadas?

Respostas e atividades da semana: 1. Deus existia antes da criação do tempo; a Terra foi formada por Sua palavra.
2. B. 3. A. 4. O quarto mandamento se refere ao sétimo dia da semana da criação, pois, assim como o Senhor des-
cansou de Sua obra de criação no sábado, devemos descansar; o sábado nos lembra do Criador e é o selo de Deus;
na primeira mensagem angélica há uma referência à adoração ao Criador do Céu, da Terra, do mar e das fontes das
águas. 5. O homem e a mulher foram feitos à imagem de Deus. No casamento, ambos devem se tornar um, como Ele
é um com os outros membros da Divindade. 6. V; F. 7. Declarou que, assim como o pecado entrou no mundo por um
só homem, por um só Homem também veio a salvação.

Abr l Mai l Jun 2020 | 101 |

Anotações

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| 102 | Como interpretar as Escrituras

RESUMO DA LIÇÃO 8

A criação:
Gênesis como fundamento (parte 1)

TEXTOS-CHAVE: Gn 1:3-5; Jo 1:1-3; Êx 20:8-11; Ap 14:7; Mt 19:3-6; Rm 5:12

ESBOÇO

Jesus disse: “Todo aquele, pois, que ouve estas Minhas palavras e as pratica será 8
comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chu-
va, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa,
que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha” (Mt 7:24, 25). Se a revelação de Cris-
to para nós, Sua Palavra, a Bíblia, deve ser a base de nossa vida, em que se fundamenta
toda a Escritura? A resposta é em Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, no qual os princi-
pais ensinamentos ou doutrinas têm sua fonte.

Ali encontramos o ensino fundamental da criação e de Deus, o Criador. Dada a im-
portância desse fundamento, poderíamos pensar que é uma coincidência, então, que
tem havido na atualidade um ataque sem precedentes contra o ensino bíblico da cria-
ção? Seria por acaso que a igreja do tempo do fim seja incumbida de proclamar Jesus
como Criador, o qual enfatiza essa característica única de Si mesmo? Na introdução da
mensagem para a igreja de Laodiceia (a última das sete igrejas em Apocalipse 2 e 3),
Jesus Se referiu a Si mesmo como “o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio
da criação de Deus” (Ap 3:14). As mensagens dos três anjos começam com a proclama-
ção do primeiro anjo: “Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu ju-
ízo; e adorai Aquele que fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14:7).
Durante as próximas duas semanas, estudaremos como o relato da criação deve ser in-
terpretado e por que o ensino da criação é fundamental para a mensagem e missão do
povo de Deus no tempo do fim.

COMENTÁRIO

Escrituras
Você já se perguntou sobre sua existência? De onde veio? Por que está aqui? Qual é o

significado da vida? Quem é você? Os grandes filósofos ponderam essas questões há mi-
lênios. Elas estão no centro da narrativa da criação e, de fato, são respondidas nos dois
primeiros capítulos de Gênesis. Ao longo da história, esses capítulos ofereceram à huma-
nidade dignidade, significado e propósito e ainda inspiraram as maiores mentes a explo-
rar o mundo ao redor e descobrir as maravilhas da criação de Deus.

Na simples frase de abertura, em Gênesis 1:1, a Bíblia aborda a mais profunda das
questões humanas. Antes de sermos criados, no princípio existia Deus. Ele projetou um
ecossistema para nós, criando a habitação perfeita para Suas novas criaturas, a fim de
sustentar a vida. A Terra está localizada a uma distância precisa do Sol, nem muito longe

Abr l Mai l Jun 2020 | 103 |

nem muito perto. O Sol é perfeitamente dimensionado para produzir energia suficiente à
manutenção da vida e não causar destruição. Há água abundante na Terra e uma atmos-
fera respirável. A Lua é do tamanho certo para controlar as marés. O campo magnético é
ajustado de modo a impedir que sejamos fritos pelo Sol. Não é de admirar que, após cada
estágio da criação, Deus tenha dito que era bom (tôv; Gn 1:4, 10, 18, 21, 25); quando tudo
foi concluído, o Senhor disse que era tôv mě’ōd, “muito bom” (Gn 1:31). Em hebraico, a de-
signação “bom” pode incluir beleza estética e aspectos éticos, porque a criação se origi-
nou de Deus, que é amor (1Jo 4:8).

Ilustração
No Salmo 139:14, reconhecendo as complexidades do corpo humano, Davi diz: “Gra-

ças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste”. Atualmen-
te, sabemos muito mais sobre as complexidades do menor elemento do corpo humano,
a célula, do que sabiam as pessoas da época de Davi. A célula humana é composta pela
menor das máquinas que, para funcionar, deve ter todas as suas partes. Como uma ratoei-
ra, se for retirada uma parte o dispositivo deixa de funcionar. Cada célula contém o DNA
de uma pessoa. Um computador funciona com base no código binário de 0s e 1s. O DNA é
composto de um código quaternário (A, C, G e T), que é muito mais complexo que um có-
digo binário. Uma linguagem inteira com gramática e sintaxe está associada ao DNA, com
3 bilhões de bases. Além disso, esse DNA pode se replicar e o faz dentro de quase 40 tri-
lhões de células no corpo humano. Cada um dos 200 tipos de células do corpo humano
tem uma função diferente. Esses são os principais elementos da vida que trabalham em
harmonia para desempenhar as funções básicas de sobrevivência. Certamente, somos fei-
tos de forma assombrosa e maravilhosa. Essa complexidade e as características comuns

8 entre todos os seres humanos e criaturas vivas apontam para um único Criador, que pro-
jetou a vida. Mas não somos simplesmente máquinas; fomos dotados com mente criativa,
consciência e a capacidade de experimentar amor, esperança e felicidade. A consciência
da mente humana e a liberdade que temos para escolher e criar são impossíveis de expli-
car a partir de uma perspectiva evolutiva. Quão mais fácil é acreditar em um Criador, que
nos criou à Sua imagem e semelhança! (Gn 1:27).

Escrituras
Depois de criar o ecossistema para a vida e enchê-lo de peixes, pássaros e animais ter-

restres, a Divindade projetou a humanidade como o ápice da criação para existir em comu-
nidade. “Façamos o homem à Nossa imagem. [...] Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem,
à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1:26, 27). Os seres humanos deve-
riam viver em comunhão com Deus e entre si. O Senhor planejou que homem e mulher fos-
sem biológica, física e emocionalmente a contrapartida um do outro. Eles foram criados para
se complementarem. Eles eram o “encaixe perfeito” um para o outro, de modo que Adão pôde
exclamar quando Eva foi retirada de Sua costela: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne
da minha carne!” (Gn 2:23, NVI). Adão a chamou de “mulher”. O casamento requer que o ho-
mem deixe pai e mãe e se una à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne (Gn 2:24, NVI).

| 104 | Como interpretar as Escrituras

A base da cultura e da civilização na Terra era a unidade de marido e mulher e os filhos 8
que nasceriam desse relacionamento por meio da procriação. É por isso que a Bíblia coloca
tanta ênfase na unidade familiar. Essa ênfase também é destacada nos Dez Mandamen-
tos. Os quatro primeiros mandamentos descrevem o relacionamento da humanidade com
Deus, culminando no sábado, que solidifica a obediência e a honra dada ao Criador por
meio de um relacionamento especial de semana a semana. Observe que, após o preceito
do sábado, a transição para o quinto mandamento se concentra principalmente na famí-
lia, pois é ali que o caráter divino deve ser transmitido para as gerações futuras: “Honra
teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus,
te dá” (Êx 20:12). O propósito original da criação divina foi que o mundo fosse cheio de
famílias amorosas, que considerassem a Deus de forma suprema, sustentassem Seu cará-
ter na vida e educassem seus filhos em humilde obediência.

A tentativa de Satanás de destruir o propósito divino levou à separação entre Deus e a
humanidade e depois entre Adão e Eva. A separação de Adão e Eva proporcionou a Sata-
nás uma abertura. Num momento em que estava desprotegida, Eva se aproximou curiosa-
mente da proibida árvore do conhecimento do bem e do mal. Satanás, ao insinuar dúvidas
sobre a palavra divina, conseguiu distorcer e interromper o plano do Criador. Os resulta-
dos imediatos foram devastadores. Depois que eles comeram do fruto da árvore, o senti-
mento de separação e culpa destruiu o relacionamento do primeiro casal com o Criador.
Adão e Eva agora sentiam sua própria nudez. Depois que Deus em Seu amor os buscou,
eles se culparam, promovendo a divisão. No capítulo seguinte, Gênesis 4, vemos o resul-
tado completo do pecado no assassinato do filho Abel, morto pelo irmão Caim. A desobe-
diência à Palavra de Deus deu o seu fruto final na destruição da criação divina.

No início, Satanás insinuou a dúvida: “‘Foi isto mesmo que Deus disse [...]?’” (Gn 3:1, NVI).
Esse questionamento ainda ressoa por meio da teoria da evolução. A Palavra de Deus testi-
fica claramente que Ele falou e os céus e a Terra passaram a existir. As Escrituras declaram
que “Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele, e, sem Ele, nada do que foi feito se
fez” (Jo 1:3). Se duvidarmos da Palavra divina a respeito da criação, não estaremos seguin-
do uma mentira, assim como fizeram nossos primeiros pais no início da história da Terra?

Cristo veio para resgatar o mundo e Sua criação para Si mesmo e para o Pai. Jesus disse:
“Antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8:58). Com essas palavras, Ele Se declarou como o
autoexistente Deus do Universo. O vento e os mares Lhe obedeceram porque Ele os criou.
Ele ressuscitou a filha de Jairo dos mortos, porque “a vida estava Nele e a vida era a luz dos
homens” (Jo 1:4). A recriação final que Cristo promete (Jo 14:1-4) na Sua segunda vinda só
é possível se Ele tiver sido verdadeiramente nosso Criador no princípio.

APLICAÇÃO PARA A VIDA

“Jesus apontou a Seus ouvintes a antiga instituição do casamento, segundo foi ordena-
da na criação. [...] Então tiveram origem o casamento e o sábado, instituições gêmeas para
a glória de Deus no benefício da humanidade. Então, ao unir o Criador as mãos do santo
par em matrimônio, dizendo: Um homem ‘deixará [...] o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á

Abr l Mai l Jun 2020 | 105 |

à sua mulher, e serão ambos uma carne’ (Gn 2:24, ARC), enunciou a lei do matrimônio
para todos os filhos de Adão, até ao fim do tempo. Aquilo que o próprio Pai Eterno ha-
via declarado bom era a lei da mais elevada bênção e desenvolvimento para o homem”
(Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 63, 64).

Deus pretendia que a família fosse a unidade fundamental da vida humana. O que acon-
tece quando a fundação de um edifício se corrói? Como a erosão da crença na criação pre-
judica o restante da estrutura da sociedade? Que diferença faz a teoria da evolução para o
sentido da nossa existência? O que ocorreu nesta semana que mostra o propósito de Deus
em sua vida?

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Para os cristãos de hoje, haveria significado no ano de 1844 e nos tão
questionados eventos ligados a ele? Existe alguma forma de compreender

o confuso labirinto de animais, datas e reinos descritos em Daniel?
Essa aparente confusão é solucionada neste livro de Clifford Goldstein,

editor da Lição da Escola Sabatina, na Associação Geral da Igreja
Adventista do Sétimo Dia, e autor de O Dia do Dragão.

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| 106 | Como interpretar as Escrituras

A criação: Gênesis como Lição
fundamento (parte 2)
9

VERSO PARA MEMORIZAR: “Os céus
proclamam a glória de Deus, e o rmamento

anuncia as obras das Suas mãos” (Sl 19:1).

Leituras da semana: Jó 26:7-10; Gn 1; 2; 5;
11; 1Cr 1:18-27; Mt 19:4, 5; Jo 1:1-3

■ Sábado, 23 de maio Ano Bíblico: Ed 4-6

M uitos pensadores importantes foram inspirados pelas Escrituras a
investigar o mundo criado por Deus. Como resultado, nasceu a ciên-
cia moderna. Johannes Kepler, Isaac Newton, John Ray, Robert Boyle e
outros grandes cientistas acreditavam que seu trabalho revelava ainda
mais sobre a criação das mãos de Deus.

Contudo, após a Revolução Francesa, a ciência do século 19 passou de
uma cosmovisão teísta para uma cosmovisão fundamentada no naturalis-
mo e no materialismo, frequentemente sem nenhum espaço para o sobre-
natural. Essas ideias filosóficas foram popularizadas por Charles Darwin,
em seu livro A Origem das Espécies (1859). Desde essa época, a ciência tem
se distanciado cada vez mais de seu fundamento bíblico, resultando em
uma reinterpretação radical da história do Gênesis.

Será que a Bíblia ensina uma visão antiquada e não científica da cos-
mologia? O relato bíblico simplesmente teria sido obtido das nações pagãs
vizinhas? A Bíblia foi condicionada culturalmente por seu tempo e lugar,
ou sua natureza inspirada nos eleva a uma visão das origens que é com-
pleta em sua estrutura divina?

Esses são alguns assuntos que estudaremos na lição desta semana.

Tente memorizar uma passagem bíblica hoje e medite nela ao longo do dia.

Abr ● Mai ● Jun 2020 | 107 |

■ Domingo, 24 de maio Ano Bíblico: Ed 7-10
Uma Terra plana?

É comum a crença de que muitos no mundo antigo pensavam que a Ter-
ra fosse plana. No entanto, a maioria das pessoas, por várias razões,
entendia que a Terra era redonda. Mesmo assim, ainda hoje, alguns ale-
gam que a Bíblia ensina que a Terra é plana.

1. L eia Apocalipse 7:1; 20:7, 8. Qual é o contexto desses versos? Eles ensi-

nam o conceito de uma Terra plana?

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João, o autor desses textos, escreveu uma profecia do fim dos tempos,
descrevendo os quatro anjos do Céu “em pé nos quatro cantos da Terra,
conservando seguros os quatro ventos” (Ap 7:1). Ele repetiu a palavra “qua-
tro” três vezes para ligar os anjos aos quatro pontos cardeais.

Em suma, ele apenas usou linguagem figurada, como fazemos hoje
quando dizemos, por exemplo, que “o Sol está se pondo” ou que o vento
“veio do oriente”. Insistir em uma interpretação literal de textos proféticos
quando o contexto indica uma ideia figurativa de norte, sul, leste e oeste,
é tirar essas passagens do contexto e fazê-las ensinar algo que não ensi-
nam. Afinal, quando Jesus disse: “Porque do coração procedem maus de-
sígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos,
blasfêmias” (Mt 15:19), Ele não estava falando sobre fisiologia, nem do
coração humano literal. Jesus usou uma figura de linguagem para defen-

9 der um argumento moral.

2. O que Jó 26:7-10 e Isaías 40:21, 22 ensinam sobre a natureza da Terra? As-

sinale a alternativa correta:

A. ( ) A Terra é quadrada e plana.
B. ( ) A Terra está suspensa no espaço e é redonda.

Em Jó 26:7, a Terra foi descrita como estando suspensa no espaço: “Ele
estende o norte sobre o vazio e faz pairar a Terra sobre o nada.” A Terra é
“um círculo” ou esfera (Jó 26:10). Isaías 40:22 declara: “Ele é o que está as-
sentado sobre a redondeza da Terra, cujos moradores são como gafanho-
tos; é Ele quem estende os céus como cortina.”

Coloque-se no lugar dos que viveram há milhares de anos. Com base nas evidências,
você estaria convencido de que a Terra se move ou de que ela permanece imóvel? Acre-
ditaria que ela é plana ou redonda?

| 108 | Como interpretar as Escrituras

■ Segunda, 25 de maio Ano Bíblico: Ne 1-4
A criação na literatura antiga

A rqueólogos descobriram textos do Egito antigo e do Oriente Próximo
que contêm histórias primitivas da criação e do Dilúvio. Por isso, al-
guns indagaram se o relato de Gênesis foi obtido dessas culturas ou se ele
dependeu delas. Mas será que é isso mesmo?

Veja estes trechos da Epopeia de Atra- asis: “Quando os deuses, em vez
de homens/Fizeram a obra, suportaram as cargas, /A carga dos deuses foi
grande demais, /A obra foi muito difícil, a dificuldade grande demais/ [...].
‘Que a deusa do ventre gere descendência, /E o homem leve a carga dos deu-
ses!” [...]. Geshtu-e, um deus que tinha inteligência, /eles mataram em sua
assembleia. /Nintu misturou barro /Com sua carne e sangue” (Stephanie
Dalley, Myths from Mesopotamia: Creation, the Flood, Gilgamesh and Others
[Nova York: Oxford University Press, 1989], p. 9, 14, 15).

3. Quais são as diferenças entre Gênesis 1 e 2:1-4 com a Epopeia de Atra-Hasis?

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Embora existam semelhanças entre as histórias (por exemplo, os pri- 9
meiros humanos foram feitos de argila), as diferenças são mais definidas.

(1) Em Atra-Hasis, o homem trabalha para os deuses para que estes
descansem. Em Gênesis, Deus cria a Terra e tudo o que nela há para os se-
res humanos, o ápice da criação, e descansa com eles. Em Gênesis, o ser
humano é colocado no jardim e convidado à comunhão com Deus e ao cui-
dado da criação, um conceito ausente em Atra- asis.

(2) Em Atra- asis, um deus menor foi morto, e seu sangue foi mistu-
rado com argila para formar sete machos e sete fêmeas. Em Gênesis, pri-
meiramente Adão foi formado de maneira íntima por Deus, que lhe deu
o fôlego de vida, e a mulher foi feita posteriormente para ser sua auxilia-
dora. Deus não criou Adão e Eva a partir do sangue de um deus morto.

(3) Não há sinal de conflito nem de violência no relato de Gênesis, como
encontramos na história de Atra- asis.

O relato bíblico é sublime ao descrever o Onipotente, que concede à hu-
manidade propósito digno em um mundo perfeito. Essa diferença fez com
que os estudiosos concluíssem que esses relatos são diferentes.

Alguns alegam que as histórias da criação e do Dilúvio foram transmitidas entre os po-
vos, mas distorcidas com o tempo (daí algumas semelhanças entre esses relatos e o
texto bíblico). Em contrapartida, Moisés, inspirado pelo Espírito Santo, revelou o que
tinha acontecido. Por que essa explicação esclarece mais as poucas semelhanças do
que a ideia de que Moisés obteve seu relato a partir das histórias pagãs?

Abr l Mai l Jun 2020 | 109 |

■ Terça, 26 de maio Ano Bíblico: Ne 5-8
Gênesis versus paganismo

L onge de depender de antigos mitos pagãos da criação, o livro de Gê-
nesis foi escrito de um modo que refuta esses mitos, fazendo com que
Deus, como Criador, distancie-Se deles.

4. Leia Gênesis 1:14-19. Como foram descritas as entidades que aparecem
no quarto dia e quais são as suas funções?

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Os termos “Sol” e “Lua” foram certamente evitados no relato porque
seus nomes em hebraico eram os nomes (ou estavam intimamente rela-
cionados aos nomes) dos deuses do Sol e da Lua do antigo Oriente Próxi-
mo e do Egito. O uso dos termos “luzeiro maior” e “luzeiro menor” mostra
que eles foram criados para funções específicas, “para sinais, para esta-
ções, para dias e anos” e para “alumiar a Terra” (Gn 1:14, 15). Ou seja, o
texto mostra muito claramente que o Sol e a Lua não eram deuses, mas
objetos criados com funções naturais específicas, da maneira como os en-
tendemos hoje.

5. Leia Gênesis 2:7, 18-24. Como Deus Se envolveu profundamente na cria-

ção de Adão e Eva? Assinale a alternativa correta:

A. ( ) Suas palavras formaram o homem e a mulher.
B. ( ) S uas mãos criaram, do barro, o homem, e do homem, a mulher.

9 Os antigos mitos do antigo Oriente Próximo descrevem unanimemen-
te a criação do homem como algo que não estava nos planos originais, re-
sultante de uma tentativa de aliviar os deuses do trabalho pesado. Essa
noção mítica é contrariada pela ideia bíblica de que o homem deve gover-
nar o mundo como vice-regente de Deus. Nada na criação do ser humano
foi um pensamento posterior. Ao contrário, o texto aponta para a huma-
nidade como o clímax do relato da criação, mostrando ainda mais clara-
mente quanto os relatos pagão e bíblico são diferentes.
Assim, Gênesis apresenta um corretivo contra os mitos antigos. Moi-
sés usou certos termos e ideias incompatíveis com os conceitos pagãos,
simplesmente expressando a compreensão bíblica da realidade e da fun-
ção e propósito de Deus na criação.

Milhares de anos atrás, a história bíblica da criação estava em desacordo com a cultu-
ra predominante. Hoje, essa mesma narrativa sagrada está em conflito com os padrões
prevalecentes na cultura. Por que não deveríamos nos surpreender?

| 110 | Como interpretar as Escrituras

■ Quarta, 27 de maio Ano Bíblico: Ne 9-11
A criação e o tempo

6. Leia Gênesis 5 e 11. Como a Bíblia traça a história da humanidade de Adão

a Noé e de Noé até Abraão?

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________________________________________________________

H á um elemento que torna essas genealogias singulares na Bíblia: elas 9
contêm o elemento do tempo, fazendo com que alguns estudiosos as cha-
mem corretamente de “cronogenealogias”. Elas contêm um mecanismo de
interligação de informações de descendência juntamente com períodos
de tempo, de maneira que “quando a primeira pessoa tinha vivido uma
quantidade determinada de anos, ela gerou a segunda pessoa. E a primei-
ra pessoa, depois que gerou a segunda, viveu por mais certa quantidade de
anos e gerou outros filhos e filhas”. Gênesis 5 acrescenta a frase padrão:
“Todos os dias da primeira pessoa foram tantos anos”. Esse sistema inter-
ligado teria impedido a exclusão de certas gerações ou o acréscimo de ou-
tras. Gênesis 5 e 11 contêm uma linha contínua de descendência, como é
confirmado por 1 Crônicas 1:18-27, em que não há acréscimo nem ausên-
cia de gerações. Dessa maneira, a Bíblia se interpreta.

Por quase 2.000 anos, especialistas judeus e cristãos têm interpretado
que esses textos representam a história e uma forma precisa de determi-
nar a data do Dilúvio e a idade da Terra, pelo menos a partir dos sete dias
da criação, conforme descritos em Gênesis 1 e 2.

Nas últimas décadas, tem havido tentativas de reinterpretar Gênesis
5 e 11 para acomodar períodos mais longos, o que é sugerido na manei-
ra em que alguns dados arqueológicos e históricos são interpretados por
seres humanos falíveis. Apesar disso, podemos comprovar a confiabilida-
de do registro bíblico.

Se quisermos entender o conceito divino de tempo e seu progresso ao
longo da História, devemos reconhecer que esses dois capítulos são “tan-
to históricos quanto teológicos, ligando Adão ao restante da humanidade
e Deus ao homem no domínio dos limites do espaço e do tempo. Gênesis 5
e 11:10-26 apresentam a estrutura de tempo e a cadeia humana que liga o
povo de Deus ao homem que Ele criou como o clímax do evento da criação
de seis dias deste planeta” (Gerhard F. Hasel, “The Meaning of the Chro-
nogenealogies of Genesis 5 e 11”, Origins 7/2 [1980], p. 69).

Embora esses textos do Antigo Testamento estejam ali por boas e importantes razões,
o que Paulo disse em 1 Timóteo 1:4 e Tito 3:9? Por que devemos dar atenção às pala-
vras do apóstolo quando falamos sobre esses textos de Gênesis?

Abr l Mai l Jun 2020 | 111 |

■ Quinta, 28 de maio Ano Bíblico: Ne 12, 13
A criação nas Escrituras

7. L eia as seguintes passagens das Escrituras e descreva como cada um des-

ses autores se referiu aos capítulos 1 a 11 de Gênesis:

Mt 19:4, 5: _____________________________________________________
Mc 10:6-9: _____________________________________________________
Lc 11:50, 51: ___________________________________________________
Jo 1:1-3: _______________________________________________________
At 14:15: ______________________________________________________
Rm 1:20: _______________________________________________________
2Co 4:6: _______________________________________________________
Ef 3:9: _________________________________________________________
1Tm 2:12-15: ___________________________________________________
Tg 3:9: ________________________________________________________
1Pe 3:20: ______________________________________________________
Jd 11, 14: ______________________________________________________
Ap 2:7; 3:14; 22:2, 3: _____________________________________________

J esus e todos os escritores do Novo Testamento se referiram a Gênesis
1 a 11 como história fidedigna. Em Mateus 19:4, Jesus Se referiu aos
escritos de Moisés e à criação do homem e da mulher. Paulo usou repe-
tidamente o relato da criação para fundamentar os argumentos teológi-
cos que ele defendeu em suas epístolas. Ele declarou aos sábios de Atenas:
“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Ele Senhor do Céu
e da Terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas” (At 17:24).

9 Assim, os escritores do Novo Testamento desenvolveram suas mensagens
com base na natureza fundamental do Gênesis para mostrar ao leitor mo-
derno a importância dos seus eventos literais.
Leia, por exemplo, Romanos 5. Paulo fez uma ligação direta entre Adão
e Jesus (veja Rm 5:12, 14-19) por mais de seis vezes. Isto é, ele admitiu a
existência literal de um Adão histórico, um conceito que se torna fatal-
mente comprometida quando um modelo evolutivo das origens substitui
uma leitura literal dos textos.

Se os escritores do Novo Testamento, inspirados pelo Espírito Santo, e o próprio Jesus
consideravam o relato da criação uma história fidedigna, por que seria insensatez, com
base em alegações de homens caídos e falíveis, não fazermos o mesmo?

Decida viver de modo simples, de acordo com seu padrão de vida.

| 112 | Como interpretar as Escrituras

■ Sexta, 29 de maio Ano Bíblico: Et 1-4
Estudo adicional

L eia, de Gerald A. Klingbeil, The Genesis Creation Account and Its Rever-
berations in the Old Testament (Berrien Springs, MI: Andrews Univer-
sity Press, 2015).

“A Bíblia é a mais vasta e mais instrutiva história que os homens pos-
suem. Ela veio pura da fonte da verdade eterna, e a mão divina preservou
sua pureza através dos séculos [...]. Somente aí podemos encontrar a his-
tória da humanidade, não contaminada pelo preconceito ou o orgulho hu-
mano” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 25).

“Foi-me mostrado que, sem a história bíblica, a geologia não pode pro-
var nada. As relíquias encontradas na Terra de fato evidenciam um esta-
do de coisas que diferem em muitos aspectos do presente. Mas o tempo
de sua existência, e por quanto tempo essas coisas estiveram na terra, só
devem ser entendidas pela história bíblica. Pode ser inocente conjecturar
além da história bíblica se nossas suposições não contradizem os fatos en-
contrados nas Sagradas Escrituras. Mas, quando os homens deixam a Pa-
lavra de Deus em relação à história da criação e buscam explicar as obras
criativas de Deus com base em princípios naturais, estão em um oceano
ilimitado de incertezas. Deus nunca revelou aos mortais como exatamente
realizou a obra da criação em seis dias literais. Suas obras criativas são tão
incompreensíveis quanto Sua existência” (Ellen G. White, Spiritual Gifts
[“Dons Espirituais”], livro 3, p. 93).

Perguntas para consideração 9
1. S e explicações científicas sobre a realidade são controversas, por que as

pessoas aceitam teorias acerca de eventos que supostamente ocorreram
há bilhões de anos?
2. A ciência supõe que não se pode usar meios sobrenaturais para expli-
car eventos naturais. Por exemplo, não poderíamos explicar uma fome
alegando que uma bruxa lançou uma maldição na terra. No entanto, se
excluímos o sobrenatural como causa da criação, por que qualquer ou-
tro modelo que elaborarmos estará inevitavelmente errado?

Respostas e atividades da semana: 1. Uma profecia simbólica. Não há quatro cantos literais no mundo. A Ter-
ra não é plana nem quadrada. 2. B. 3. Comente com a classe. 4. Como “luzeiros”, um maior e outro menor, com
a função de fazer separação entre o dia e a noite. 5. B. 6. Por meio de genealogias e cronologias. 7. Há referên-
cias à criação do homem e da mulher; é mencionado o sangue de Abel, que foi derramado; João sugeriu que Jesus
participou da criação; Deus aparece como Aquele que fez o Céu, a Terra, o mar e tudo quanto há neles; Paulo en-
fatizou que as coisas criadas manifestam os atributos divinos e que o Senhor fez resplandecer a luz das trevas;
o apóstolo apresentou Jesus como Criador e confirmou que Adão foi criado primeiro do que Eva; Tiago afirmou
que fomos feitos à semelhança de Deus; Pedro fez referência ao Dilúvio; Judas falou sobre o caminho de Caim, a
transgressão escolhida por ele; João mencionou o paraíso de Deus e a árvore da vida, bem como Aquele que é o
princípio da criação, o Cordeiro.

Abr l Mai l Jun 2020 | 113 |

Anotações

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| 114 | Como interpretar as Escrituras

RESUMO DA LIÇÃO 9

A criação: Gênesis
como fundamento (parte 2)

TEXTOS-CHAVE: Jó 26:7-10; Gn 1; 2; 5; 11; 1Cr 1:18-27; Mt 19:4, 5; Jo 1:1-3

ESBOÇO

Em 1872, enquanto conduzia pesquisas no subsolo do Museu Britânico, George Smith
traduziu uma antiga tabuleta babilônica que continha referências a Utnapishtim, o sobre-
vivente do Dilúvio mundial, e a Gilgamesh, que procurava obter dele o segredo da vida
eterna. Jornais em todo o mundo relataram a surpreendente descoberta do Épico de Gil-
gamesh e da primeira referência ao Dilúvio fora das Escrituras. Desde então, estudiosos
têm documentado em todo o mundo histórias do Dilúvio de diferentes culturas. Também
foram encontrados relatos da criação. Visto que essas descobertas arqueológicas dos últi-
mos 150 anos revelaram essas evidências, surgiram questões sobre a origem e a natureza
dos relatos bíblicos da criação e do Dilúvio. O relato de Gênesis 1 a 11 foi simplesmente
tomado emprestado do antigo Oriente Próximo? Ele contém elementos míticos comuns
aos outros relatos? Se o relato de Gênesis depende dos relatos anteriores da Mesopotâ-
mia ou do Egito, quais são as implicações históricas e teológicas? Como explicar as seme-
lhanças e diferenças encontradas nos diferentes relatos? Como essas narrativas abordam
a questão da cosmologia, ou da origem e estrutura do Universo? A Bíblia também deve ser
considerada um texto mitológico como os do Egito e da Mesopotâmia? Essas e outras per-
guntas serão o tema do estudo desta semana, ao examinarmos a Bíblia em comparação
com o contexto do Oriente Próximo e do Egito.

COMENTÁRIO 9

Ilustração
Galileu Galilei concluiu que o Sol era o centro do sistema solar, declarando que a Terra

e os outros planetas giram em torno dele (cosmovisão heliocêntrica), ao passo que a Igre-
ja Católica ensinava que a Terra era o centro do Universo (visão geocêntrica). Isso fez com
que Galileu fosse julgado pela Inquisição. Como resultado disso, foi forçado a se retratar
e colocado em prisão domiciliar até sua morte, em 1642. O caso de Galileu é frequente-
mente citado como um exemplo de que a Bíblia contém ciência; porém, isso levanta vá-
rias questões. A interpretação da Igreja, usada para condenar Galileu, realmente derivava
da Bíblia? Galileu se opôs à Bíblia em favor da ciência? De fato, a Igreja Católica havia
adotado uma cosmovisão baseada na filosofia aristotélica grega e na matemática de Pto-
lomeu, a qual ela tentava defender com base na Bíblia. Galileu fez a defesa da sua inter-
pretação também com base nas Escrituras. Primeiramente, ele afirmou que Deus é o Autor
da natureza e do livro sagrado, os quais, se bem compreendidos, estariam em harmonia.
Segundo, Galileu apontou que intérpretes podem errar. Então afirmou que a linguagem

Abr l Mai l Jun 2020 | 115 |

usada na Bíblia é adaptada à pessoa comum e nem sempre deve ser tomada de manei-
ra literal. Finalmente, argumentou que se Josué insistiu que o Sol permanecesse para-
do em Gibeão (Js 10:12), então a visão ptolomaica de que a Terra sempre estava parada
no centro do Universo não faria sentido (Richard J. Blackwell, Galileo, Ballermine, and the
Bible [“Galileu, Belarmino e a Bíblia”], South Bend, IN: Notre Dame University Press, 1991,
p. 68, 69). Hoje não há dúvida de que a interpretação estava correta; contudo, a Igreja
Católica levou mais de 350 anos para absolver Galileu, o que aconteceu em 1992.

A lição que tiramos é que o intérprete da Bíblia não deve ler a Palavra de Deus atra-
vés das lentes das cosmovisões do antigo Oriente Próximo, Egito, Grécia ou da visão de
mundo mais moderna. Quando há dificuldades de compreensão, é importante considerar
cuidadosamente o contexto, os padrões de linguagem e o sentido da passagem bíblica.

Escrituras
A Bíblia contém uma visão antiquada de cosmologia? Durante séculos, estudiosos críti-

cos pensavam que Gênesis 1 refletia as ideias dos antigos babilônios. Assim, eles insistiam
em dizer que o termo tehôm, “abismo”, derivava do nome Tiamat, deus do oceano primi-
tivo no épico de Enuma Elish. O épico mostra o deus babilônico Marduk matando Tiamat
num combate mortal. Hoje, reconhece-se que tehôm é simplesmente um termo para uma
grande massa de água que é completamente real, não mítica. De fato, é “impossível con-
cluir que tehôm, ‘oceano’, foi emprestado de Tiamat” (David Toshio Tsumura, “Genesis and
Ancient Near Eastern Stories of Genesis and the Flood: An Introduction” [“Gênesis e as
Histórias do Antigo Oriente Próximo sobre Gênesis e o Dilúvio”], em I Studied Inscriptions
From Before the Flood: Ancient Near Eastern, Literary, and Linguistic Approaches to Genesis
1–11 [“Eu Estudei Inscrições Anteriores ao Dilúvio: Abordagens Literárias e Linguísticas
do Antigo Oriente Próximo sobre Gênesis 1–11”], ed. Richard S. Hess and David Toshio
Tsumura. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1994, p. 31). Sugerir que Gênesis 1 reflete um
conflito pagão entre os deuses é, na verdade, ler no texto algo que ele mesmo combate.

9 A descrição do estado passivo, impotente e desorganizado do “abismo” em Gênesis 1:2 re-
vela que o termo não é mítico no conteúdo e é antimítico em propósito.
Às vezes, o termo rāqîa‘ é traduzido como “firmamento”, a partir do termo firmamen-
tum da tradução latina do Antigo Testamento, chamada Vulgata, que dá uma falsa im-
pressão de que o firmamento é uma cúpula de metal sólido. No entanto, o termo rāqîa‘ é
traduzido de modo mais apropriado como “expansão”, como pode ser visto no Salmo 19:1
e em Daniel 12:3, em algumas versões em inglês. Da mesma forma, a chuva literalmen-
te cai pelas “janelas do céu”? (Gn 7:11; 8:2, NTLH). Em outras passagens, farinha e cevada
(2Rs 7:1, 2), cova e laço (Is 24:18,19) ou bênçãos (Ml 3:10) passam pelas “janelas do céu”.
Evidentemente essas expressões não são literais e servem como metáforas da mesma for-
ma que a expressão “janelas da alma” é usada hoje. Se a Bíblia é lida e interpretada em
seus próprios termos, em geral não é difícil detectar e reconhecer essa linguagem. Ten-
tativas de ler nas Escrituras algum tipo de Universo de três andares com uma cúpula de
metal contendo janelas sustentadas por pilares com um submundo por baixo é conside-
rar literalmente aquilo que não contém significado literal no contexto dessas passagens.

| 116 | Como interpretar as Escrituras

De fato, os escritores da Bíblia se apartaram intencionalmente de ideias míticas que mis- 9
turavam o reino dos deuses e os humanos. Podemos nos referir a essa intenção como uma
abordagem polêmica dos mitos do Antigo Oriente Próximo e do Egito.

Criação pela Palavra. “Disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Gn 1:3). Esse modo de criação
contrasta diretamente com os mitos antigos. No épico de Enuma Elish, o ato criativo de
Marduk se dá por meio de uma terrível divisão de Tiamat. No épico Atra-Hasis, a humani-
dade é criada a partir da carne e do sangue de um deus massacrado misturados com argi-
la. No Egito, a criação do homem se dá como resultado da autogeração ou emanação dos
deuses. Mas em Gênesis não há indício de divindade na própria humanidade. Os seres hu-
manos são criaturas separadas de Deus.

Criaturas marinhas. No quinto dia da criação (Gn 1:20-23), Deus criou os “grandes ani-
mais marinhos” [“grandes baleias”, Bíblia KJV], ou “grandes monstros do mar”, como esse
termo hebraico tem sido traduzido em versões mais recentes. Nos textos ugaríticos, um
termo relacionado aparece como um monstro personificado, ou dragão, que foi vencido
pela deusa Anath, o deus criador. Mas a criação dessas grandes criaturas aquáticas, que
se dá sem grande esforço da parte de Deus, conforme o relato bíblico, como é expres-
so pelo verbo “criar”, sempre enfatiza a criação sem grandes esforços e exibe um argu-
mento deliberado contra o conceito mítico de criação por meio de batalha ou combate.

Semana de sete dias. “No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nes-
se dia descansou” (Gn 2:2, NVI). Nas cosmologias egípcias, a criação não é concluída. Em
vez disso, o ciclo de criação recorrente do deus sol Amun-Re acontece diariamente. Esse
conceito de vida e morte é tão intrínseco ao pensamento egípcio que a própria morte é
vista como parte da ordem normal da criação. Um papiro de um funeral da Vigésima Pri-
meira Dinastia mostra uma serpente alada com a legenda “morte, o grande deus, que fez
deuses e homens” – uma “personificação da morte como um deus criador e uma impres-
sionante percepção visual da ideia de que a morte é característica necessária do mundo
da criação” (Erik Hornung, Conceptions of God in Ancient Egypt [“Concepções de Deus no
Egito Antigo”]. Ithica, NY: Cornell University Press, 1982, p. 81).

A nobre concepção do relato de Gênesis sobre a criação apresenta, em seu centro, um
Deus transcendente que, como Criador supremo e único, faz com que o mundo exista.
O centro de toda a criação é a humanidade como homem e mulher. A cosmologia do Gê-
nesis revela de maneira mais abrangente os fundamentos sobre os quais repousam a reali-
dade e a cosmovisão bíblicas. Gênesis nos dá uma imagem da harmonia que define o tom
do restante das Escrituras. Elas são aptas a falar sobre os eventos do fim, porque Aque-
le que fez todas as coisas no começo ainda é soberano sobre Sua criação (ver Gerhard
F. Hasel and Michael G. Hasel, “The Unique Cosmology of Genesis 1 against Ancient
Near Eastern and Egyptian Parallels” [“A Cosmologia Singular de Gênesis 1 em Compa-
ração com os Paralelos do Antigo Oriente Próximo e do Egito”], em The Genesis Creation
Account and Its Reverberations in the Old Testament [“O Relato da Criação em Gênesis e Sua
Repercussão no Antigo Testamento”], ed. Gerald A. Klingbeil. Berrien Springs, MI: Andrews
University Press, 2015, p. 9-29).

Abr l Mai l Jun 2020 | 117 |

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Prevalece em nossa cultura hoje a ideia de que a Bíblia é um livro antiquado, com pou-
ca relevância para as principais questões do século 21. A visão evolucionista de mundo
deriva, em grande parte, do conceito mítico de que não há limites distintos entre os seres
humanos, o mundo natural e o mundo do divino, pois eles são um. No hinduísmo, prega-
se que na morte as pessoas evoluem por meio da reencarnação para outra forma de vida.
Deus está em tudo e é tudo. Segundo o hinduísmo, existem 33 milhões de deuses perso-
nificados pela natureza. Esse conceito remonta ao Egito antigo, onde havia 22.000 deu-
ses e onde morte e vida eram vistas como parte do grande ciclo da vida.
1. P or que é importante para nós, cristãos, entendermos que fomos criados em um esta-

do perfeito e sem pecado, numa época em que a morte não existia? Por que o poder de
escolha, conforme descrito em Gênesis 3, é importante? Como a escolha errada de um
homem, Adão, foi transformada em escolha correta do Filho do Homem, Jesus Cristo?
2. U ma teoria evolucionista de milhões de anos de morte, e da morte de uma espécie após
outra em um holocausto de dor oferece alguma esperança para o futuro? Se a morte
sempre foi o outro lado da vida neste Universo, poderia haver uma existência sem morte?
3. Como o ensino da Bíblia sobre vida e morte é completamente diferente do que ensi-
nam outras grandes religiões do mundo? Por que a morte física de Cristo e a Sua res-
surreição corporal são essenciais na transformação da nossa vida? Compartilhe seus
motivos para ter esperança nas promessas encontradas nas Escrituras.

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| 118 | Como interpretar as Escrituras

A Bíblia Lição
como História
10

VERSO PARA MEMORIZAR: “Eu Sou o
Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do

Egito” (Êx 20:2; veja também Dt 5:6).

Leituras da semana: 1Sm 17; Is 36:1-3;
Is 37:14-38; Dn 1; 5; Mt 26:57-67;
Hb 11:1-40

■ Sábado, 30 de maio Ano Bíblico: Et 5-7

A Bíblia é constituída na História. A história bíblica se move em uma di-
reção linear de um início definido, quando Deus criou todas as coisas,
para um objetivo final, quando Ele restaurará a Terra em Sua segunda vinda.

A natureza histórica das Escrituras é uma característica que as distin-
guem dos livros “sagrados” de outras religiões. A Bíblia admite um Deus,
que age pessoalmente na História; ela não tenta provar essa existência.
No princípio, Deus falou, e a vida foi criada na Terra (Gn 1:1-31). Ele cha-
mou Abrão do meio dos caldeus. Ele libertou Seu povo da escravidão do
Egito. Ele escreveu os Dez Mandamentos em tábuas de pedra com Seu
próprio dedo (Êx 31:18). Ele enviou profetas e juízos. Chamou o povo a
viver e compartilhar Sua Lei divina e o plano da salvação com outras na-
ções. Por fim, Ele enviou Seu Filho Jesus Cristo ao mundo, dividindo as-
sim a História para sempre.

Nesta semana, examinaremos algumas das principais questões da His-
tória, conforme retratadas na Bíblia, e perceberemos algumas evidências
arqueológicas que ajudam a sustentar a História expressa nas Escrituras.

Abr l Mai l Jun 2020 | 119 |

■ Domingo, 31 de maio Ano Bíblico: Et 8-10
Davi, Salomão e a monarquia

A monarquia de Davi e Salomão representa a era dourada na história
de Israel. E se Davi e Salomão não existiram, como alguns afirmam?
E se o reino deles não tivesse sido tão extenso quanto a Bíblia descreve,
como alguns também alegam? Sem Davi não haveria Jerusalém, a capital
da nação (2Sm 5:6-10). Sem Davi não teria existido nenhum templo cons-
truído por seu filho Salomão (1Rs 8:17-20). Finalmente, sem Davi, não ha-
veria um futuro Messias, pois mediante a linhagem de Davi um Messias
foi prometido (Jr 23:5, 6; Ap 22:16). A história israelita precisaria ser com-
pletamente reescrita. No entanto, essa história, como se lê nas Escrituras,
é precisamente o que dá a Israel e à igreja sua função e missão singulares.

1. Leia 1 Samuel 17. Como Deus concedeu uma vitória decisiva a Israel? Quem

foi usado para essa vitória? Onde ela aconteceu?

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_______________________________________________________________

Observe a precisa descrição geográfica das linhas de batalha em 1 Samuel
17:1-3. O sítio de Khirbet Qeiyafa está localizado nas colinas exatamente na
área do acampamento israelita descrito nesse capítulo. Escavações recentes
revelaram uma fortaleza massivamente fortificada da época de Saul e Davi,
com vista para o vale. Dois portões do mesmo período de tempo foram esca-
vados. Como a maioria das cidades em Israel tinha apenas um portão, essa
característica pode ajudar a identificar o local como Saaraim (1Sm 17:52),
que em hebraico significa “dois portões”.

Se esse for o caso, então identificamos pela primeira vez essa antiga
cidade bíblica. Em 2008 e 2013 foram encontradas respectivamente duas

10 inscrições que muitos acreditam que representam a mais antiga escrita
hebraica já descoberta. A segunda inscrição menciona o nome Esbaal, o
mesmo nome de um dos filhos de Saul (1Cr 9:39).
Em 1993, escavações na cidade de Tel Dan, no norte, descobriram uma
inscrição enorme escrita pelo rei Hazael de Damasco, que registrou sua
vitória sobre o “rei de Israel” e o rei da “casa de Davi”. A dinastia de Davi
foi descrita na Bíblia dessa mesma maneira, o que acrescenta evidências
arqueológicas poderosas de que Davi existiu historicamente, exatamen-
te como a Bíblia declara.
Imagine se o rei Davi realmente não tivesse existido, como alguns afir-
mam. Quais seriam as implicações disso para a nossa fé?

Deus tem sido prioridade em sua vida?

| 120 | Como interpretar as Escrituras

■ Segunda, 1o de junho Ano Bíblico: Jó 1, 2
Isaías, Ezequias e Senaqueribe

2. L eia Isaías 36:1-3; 37:14-38. Nesse relato de uma forte campanha assíria

contra Judá, como Deus libertou Seu povo?

A. ( ) O Anjo de Deus destruiu o exército de Senaqueribe.
B. ( ) A ousadia de Ezequias derrotou os assírios.

E m 701 a.C., Senaqueribe atacou Judá. O relato foi registrado nas Es-
crituras. Essa história também foi relatada de várias maneiras pelo
próprio Senaqueribe. Em seus anais históricos, descobertos na capital de
Nínive, ele se vangloriou: “Sitiei e conquistei quarenta e seis das cidades
fortificadas [de Ezequias] e inúmeras aldeias menores em sua vizinhan-
ça.” No palácio de Senaqueribe, em Nínive, ele celebrou o fato de ter der-
rotado a cidade de Laquis, na Judeia, cobrindo as paredes de uma sala
central do palácio com representações em alto-relevo de seu cerco e bata-
lha contra a cidade.

Escavações recentes em Laquis descobriram os escombros da imensa
destruição da cidade, que ocorreu quando ela foi queimada por Senaque-
ribe. Mas Jerusalém foi miraculosamente poupada. Senaqueribe pôde
­vangloriar-se apenas disto: “Quanto a Ezequias, o judeu, eu o encerrei em
sua cidade como um pássaro em uma gaiola.” Não há descrição de uma
destruição de Jerusalém no período assírio nem relato sobre cativos sen-
do levados à escravidão.

De fato, Jerusalém foi sitiada, mas a Bíblia registra que o cerco durou
apenas um dia, quando o Anjo do Senhor livrou Seu povo. Como Isaías
havia predito: “Pelo que assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: Não
entrará nesta cidade, nem lançará nela flecha alguma, não virá perante
ela com escudo, nem há de levantar tranqueiras contra ela. Pelo caminho
por onde vier, por esse voltará; mas nesta cidade não entrará, diz o Se-

10nhor. Porque Eu defenderei esta cidade, para a livrar, por amor de Mim e

por amor do Meu servo Davi” (Is 37:33-35).
É interessante que somente Laquis tenha sido preeminentemente re-

presentada em Nínive, a capital assíria. Não foram encontrados registros
de Jerusalém nas paredes do palácio. Senaqueribe podia orgulhar-se ape-
nas de ter derrotado Laquis. A prova final entre o Deus do Céu e os deuses
dos assírios foi demonstrada na libertação do povo de Deus. Ele viu os atos
de agressão da Assíria e ouviu a oração de Ezequias. Deus age na História.

Como você pode se lembrar de que o Deus que tão miraculosamente libertou Israel
naquele tempo é o mesmo Deus a quem você ora, em quem você confia e de quem
você depende?

Abr l Mai l Jun 2020 | 121 |

■ Terça, 2 de junho Ano Bíblico: Jó 3-5
Daniel, Nabucodonosor e Babilônia

E m julho de 2007, um estudioso da Universidade de Viena estava tra-
balhando em um projeto no Museu Britânico quando encontrou um
tablete da época de Nabucodonosor, rei de Babilônia. No tablete, ele en-
controu o nome “Sarsequim” [Nebo-Sarsequim, NVI], o nome de um oficial
babilônico mencionado em Jeremias 39:3. Sarsequim foi um dos muitos
indivíduos, tanto reis como oficiais, que (graças à arqueologia) foram re-
descobertos da época de Daniel e Nabucodonosor.

3. L eia Daniel 1 e 5. Como as primeiras decisões de Daniel correspondem às

ações de Deus em usá-lo como Seu servo e profeta para influenciar mi-

lhões de pessoas ao longo da História?

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Daniel resolveu firmemente (Dn 1:8) permanecer fiel a Deus em rela-
ção à sua alimentação e às suas orações. Esses bons hábitos, formados no
início de sua experiência, tornaram-se o padrão que lhe daria força para
sua longa vida. O resultado foi um pensamento claro, sabedoria e enten-
dimento que vinham do Céu. Isso foi reconhecido por Nabucodonosor e
Belsazar, de modo que Daniel foi elevado às posições mais altas do reino.
Contudo, talvez mais importante, seu testemunho resultou na conversão
do próprio rei Nabucodonosor (Dn 4:34-37).

O rei era filho de Nabopolassar. Juntos, eles construíram uma cidade
gloriosa, insuperável no mundo antigo (Dn 4:30). A cidade de Babilônia
era enorme, com mais de 300 templos, um palácio espetacular e cerca-
da por enormes muros duplos com cerca de 4 e 7 metros de espessura. Os
muros eram intercalados por oito portões principais, todos nomeados em

10 homenagem às principais divindades babilônicas. O mais famoso é o por-
tão de Ishtar, escavado pelos alemães e reconstruído no Museu de Pérga-
mo, em Berlim.
Em Daniel 7:4, Babilônia é descrita como um leão com asas de águia.
O caminho de procissão que conduz ao portão de Ishtar é revestido com
imagens de 120 leões. Uma imagem de um enorme leão lançando-se so-
bre um homem também foi encontrada durante escavações e permanece
até hoje fora da cidade. Todas essas imagens testemunham do leão como
símbolo apropriado para Babilônia, a Grande. A história bíblica e sua men-
sagem profética são confirmadas.

Daniel 1:8 declara que o profeta resolveu firmemente. O que isso significa? Quais coi-
sas você precisa decidir energicamente fazer ou deixar de fazer?

| 122 | Como interpretar as Escrituras

■ Quarta, 3 de junho Ano Bíblico: Jó 6, 7
O Jesus histórico

4. Leia Mateus 26:57-67; João 11:45-53; 18:29-31. Quem foi Caifás e qual foi

seu papel na morte de Cristo? Quem foi Pôncio Pilatos? Qual foi a im-

portância da sua decisão para que o Sinédrio realizasse seus objetivos?

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C aifás foi um sumo sacerdote e instigou uma conspiração para buscar
a morte de Jesus. Sua existência foi registrada também por Josefo, o
historiador judeu que escreveu em nome dos romanos. “Além disso, ele
também privou José, que também era chamado Caifás, do sumo sacerdó-
cio e nomeou Jônatas, filho de Ananus, sumo sacerdote, para sucedê-lo”
(Josephus Complete Works; Grand Rapids, MI: Kregel Publications, 1969,
livro 18, capítulo 4, p. 381).

Em 1990, uma tumba familiar foi descoberta ao sul de Jerusalém, con-
tendo doze ossuários, ou caixas de ossos. As moedas e a cerâmica da tumba
datam de meados do primeiro século d.C. O ossuário mais ornamentado,
com vários conjuntos de ossos, contém o nome “José, filho de Caifás”. Mui-
tos estudiosos acreditam que essa tenha sido a tumba e caixa de ossos de
Caifás, o sumo sacerdote tão diretamente envolvido na morte de Jesus.

Em 1961, uma inscrição com o nome de Pôncio Pilatos, governador da
Judeia sob o imperador Tibério César, foi encontrada em uma pedra no
teatro de Cesareia Marítima.

Assim, em ambos os casos, algumas das principais figuras que envol-
vem a morte de Cristo foram confirmadas pela História.

Historiadores seculares dos dois primeiros séculos também falam so-
bre Jesus de Nazaré. Tácito, historiador romano, escreveu sobre Cristo,
Sua execução por Pôncio Pilatos no reinado de Tibério César e acerca dos

10primeiros cristãos em Roma. Plínio, o Jovem, governador romano, escre-

veu em 112–113 d.C. ao imperador Trajano, perguntando como deveria
tratar os cristãos. Ele os descreveu dizendo que se reuniam em determi-
nado dia antes do alvorecer, cantando hinos como se fosse para um deus.

Essas descobertas arqueológicas e fontes históricas apresentam uma
base adicional, extra-bíblica para a existência de Jesus, que foi adorado
nos primeiros 50 anos após Sua morte. Os próprios evangelhos são as fon-
tes primárias sobre Jesus, e devemos estudá-los cuidadosamente para
aprender mais sobre Cristo e Sua vida.

Embora seja sempre bom ter evidências arqueológicas que apoiem nossa fé, por que

nossa fé não deve depender dessas provas, por mais úteis que elas possam ser?

Abr l Mai l Jun 2020 | 123 |

■ Quinta, 4 de junho Ano Bíblico: Jó 8-10
Fé e História

N ão vivemos isolados. Nossas escolhas influenciam não apenas a nós
mesmos, mas a outros também. Da mesma forma, muitas pessoas
do antigo povo de Deus impactaram grandemente o futuro de outras. Em
Hebreus 11, o famoso capítulo da fé, vemos um resumo da influência de
muitos desses antigos heróis da fé.

5. Leia Hebreus 11:1-40. Quais lições podemos aprender com a vida desses

heróis antigos?

Enoque: ______________________________________________________
Noé: _________________________________________________________
Abraão: _______________________________________________________
Sara: _________________________________________________________
José: _________________________________________________________
Moisés: _______________________________________________________
Raabe: ________________________________________________________
Sansão: _______________________________________________________

Fé não é simplesmente uma crença em algo ou alguém; é agir em res-
posta a essa crença. É uma fé que atua; e isso é considerado como justiça.
Esses atos de fé mudam a História. Cada um deles depende da confiança
na Palavra de Deus.

Noé agiu com fé quando construiu a arca, confiando na Palavra de
Deus acima da experiência e da razão. Em virtude de nunca ter chovido,
a experiência e a razão sugeriam que um dilúvio não tinha absolutamen-
te nenhum sentido. Mas Noé obedeceu a Deus, e a humanidade sobrevi-
veu. Abraão, então chamado Abrão, deixou Ur no sul da Mesopotâmia, a

10 cidade mais sofisticada do mundo naquela época, e saiu, sem saber aonde
Deus o levaria. Mas ele escolheu agir de acordo com a Palavra do Senhor.
Moisés escolheu tornar-se um pastor levando o povo de Deus à Terra Pro-
metida, em vez de se tornar o rei do Egito, o maior império do seu tem-
po. Ele confiou na voz do Todo-Poderoso chamando-o da sarça ardente.
Raabe decidiu confiar nos relatos da libertação promovida por Deus. Ela
protegeu os dois espias e se tornou parte da linhagem de Jesus. Sabemos
tão pouco sobre como nossas decisões afetarão a vida de inúmeras pes-
soas nesta geração e nas que estão por vir!

Quais decisões cruciais estão diante de você? Como você faz escolhas? Por quê?

Qual é o seu talento? Peça a Deus que o transforme em seu ministério para salvar outros.

| 124 | Como interpretar as Escrituras

■ Sexta, 5 de junho Ano Bíblico: Jó 11-14
Estudo adicional

T extos de Ellen G. White: Patriarcas e Profetas, p. 643-648 (“Davi
e Golias”); Profetas e Reis, p. 331-339 (“Ezequias”) e p. 349-366
(“Libertos da Assíria”); “Métodos de Estudo da Bíblia”, seção 4.k: aces-
se em http://www.centrowhite.org.br/metodos-de-estudo-da-biblia.

“A Bíblia é a história mais antiga e abrangente que a humanidade pos-
sui. Veio diretamente da fonte da verdade eterna, e, ao longo dos séculos,
a mão divina tem preservado sua pureza. Ilumina o remoto passado, que a
pesquisa humana em vão procura desvendar. Somente na Palavra de Deus
contemplamos o poder que lançou os fundamentos da Terra e estendeu os
céus. Unicamente ali encontramos um relato autêntico da origem das na-
ções. Apenas ali se apresenta a história de nossa humanidade, não macula-
da por orgulho e preconceito humanos” (Ellen G. White, Educação, p. 173).

“Aquele que tem conhecimento de Deus e de Sua Palavra tem consu-
mada fé na origem divina das Santas Escrituras. Ele não testa a Bíblia pe-
las ideias científicas do homem. Ele traz essas ideias ao teste da norma
infalível. Sabe que a Palavra de Deus é verdade, e a verdade jamais pode
se contradizer; seja o que for que, nos ensinamentos da chamada ciência,
contradiga a verdade da revelação divina, é mera suposição humana. Para
o homem verdadeiramente sábio, os conhecimentos científicos abrem vas-
tos campos de pensamento e informações” (Ellen G. White, Testemunhos
Para a Igreja, v. 8, p. 325).

Perguntas para consideração
1. O que acontece quando evidências arqueológicas são interpretadas de

uma forma que contradiga a história bíblica? O que isso revela sobre o
fato de que devemos depender da Palavra de Deus e confiar nela, inde-
pendentemente das alegações da arqueologia ou de qualquer outra ciên-

10cia humana?

2. Pense nas profecias bíblicas cumpridas no passado. Por exemplo, a maio-
ria dos reinos de Daniel 2 e 7. Como podemos aprender com essas profe-
cias, que foram cumpridas na História, e confiar no Senhor acerca das
profecias que ainda não se cumpriram?

Respostas e atividades da semana: 1. Deus usou Davi, que acertou a cabeça de Golias com uma pedra, no Vale de
Elá. 2. A. 3. As decisões de Daniel na juventude o habilitaram a cumprir uma missão e função planejadas por Deus
para ele e para Seu povo. 4. Caifás foi sumo sacerdote na época de Jesus e instigou o Sinédrio a buscar a execução
de Cristo; Pilatos governava a província da Judeia e se eximiu da responsabilidade de julgar Jesus, deixando que o
povo judeu o fizesse. Isso levou à condenação de Cristo. 5. Enoque andou com Deus e foi levado ao Céu; Noé teve fé
no que não podia ver, construiu a arca e salvou sua família; Abraão partiu sem saber aonde ia, mas Deus o recom-
pensou; Sara confiou na promessa de que teria uma descendência numerosa; José permaneceu fiel a Deus no Egito;
Moisés desprezou a cidadania egípcia e preferiu ser contado com os israelitas; Raabe arriscou a vida para acolher os
espias; apesar dos seus erros, Sansão foi usado pelo Senhor e livrou seu povo das mãos dos filisteus.

Abr l Mai l Jun 2020 | 125 |

Anotações

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| 126 | Como interpretar as Escrituras

RESUMO DA LIÇÃO 10

A Bíblia como História

TEXTOS-CHAVE: 1Sm 17; Dn 1; 5; Is 36:1-3; 37:14-38; Mt 26:57-67; Hb 11:1-40

ESBOÇO

A História é importante porque toda a vida está enraizada nela. Não há existência hu-
mana fora da História. Ela é o tecido da vida. É onde Deus escolheu nos colocar e Se reve-
lar. Como a Bíblia é historicamente constituída, a História é o “lugar” em que Deus nos dá
a oportunidade de testar e confirmar a veracidade de Sua Palavra. É por isso que a Histó-
ria bem como seus detalhes são o cenário em que a confiabilidade da Bíblia é mais desa-
fiada e em que ocorrem primeiramente as críticas. Paulo abordou esse mesmo tema com
a igreja de Corinto ao mencionar como alguns na igreja questionavam o testemunho da
palavra do apóstolo: “Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mor-
tos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não
há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é
vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé” (1Co 15:12-14). Paulo afirmou que a confiabilidade
do evento histórico da ressurreição corporal de Cristo era a pedra angular da fé cristã. Se
esse evento não ocorreu, nossa fé se baseia em uma farsa piedosa, não na realidade. A
fé bíblica é fundamentada nos fatos históricos e em um Deus que atua na História. Nesta
semana, o tema do nosso estudo é a História do ponto de vista bíblico.

COMENTÁRIO

Ilustração 10
Walter Dietrich, teólogo do Antigo Testamento, escreveu: “Na era moderna, a História

deve ser entendida e descrita como etsi deus non daretur (como se Deus não existisse)”.
Mas ele admite que isso é difícil quando se avalia a história bíblica. Na Bíblia “Deus de-
sempenha um papel ativo. [...] Ele Se envolve pessoalmente. [...] Envia profetas. [...] Move
os eventos.” Dietrich conclui: “Que pessoa esclarecida pode aceitar todas essas coisas
como relatos históricos?” (The Early Monarchy in Israel: The Tenth Century B.C.E. [“Início da
Monarquia em Israel: O Décimo Século a.C.”]. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2007,
p. 102, 103). Toda uma série de métodos críticos removeu a estrutura histórica da Bíblia
e de seus ensinamentos, negando os mesmos eventos que Deus deu para confirmar Sua
obra pessoal na vida de Seu povo. Nos últimos 200 anos, esses métodos de esclarecimen-
to foram usados com frequência para desconstruir o claro ensino bíblico. O criticismo his-
tórico põe em xeque eventos, e até períodos inteiros na Bíblia, e os relega à condição de
mitos, sagas, histórias ou apenas teologia no sentido da imaginação humana. Esses perí-
odos incluem a criação, o Dilúvio, o período patriarcal, a permanência no Egito, o Êxodo
e a conquista da terra de Canaã, a monarquia unida, entre outros. Os estudiosos do Novo

Abr l Mai l Jun 2020 | 127 |

Testamento que usam esses métodos dissecaram as palavras de Jesus para determinar,
segundo afirmam, o que Ele realmente disse e o que os outros Lhe atribuíram (falsamen-
te). Muitos dos nossos jovens são confrontados com essas abordagens críticas quando
frequentam universidades seculares. Isso levanta algumas questões importantes para o
estudante sério da Bíblia. Questões históricas realmente importam para a fé? Como pos-
so viver pela fé quando essa fé é desafiada pelo pensamento moderno e pós-moderno?
Como a Bíblia, a Palavra inspirada por Deus, abre meus olhos e expande meu pensamento?

10 Escrituras
Como estudantes sérios da Bíblia, devemos questionar se ela deve ser avaliada com

base em suposições e normas externas do modernismo e pós-modernismo ou se a Pala-
vra de Deus deve ser avaliada com base em seus próprios termos. O testemunho interno
das Escrituras indica que Deus falou ao Seu povo por meio de profetas e, às vezes, direta-
mente. Ele Se dirigiu a eles no tempo e no espaço. Ou seja, Ele agiu em tempo real (even-
tos), entre pessoas reais e em lugares reais.

Pessoas. A existência de pelo menos cem indivíduos da Bíblia, incluindo reis, servos,
escribas e governadores foi confirmada por cuidadosa pesquisa arqueológica e histórica.
Nas últimas duas décadas, muitas outras pessoas foram adicionadas a essa lista com a
descoberta de selos, impressões de selos, pequenas inscrições e registros monumentais.
Abaixo estão apenas alguns exemplos:

Baalis. Em 1984, em Tell el-cUmeiri, na Jordânia, os arqueólogos da Universidade An-
drews descobriram uma impressão em argila de um selo com o nome “Milkom’ur” [...], ser-
vo de Baalyasha, sem dúvida uma referência a Baalis, rei dos filhos de Amom, mencionado
em Jeremias 40:14. Dizia-se que esse rei desconhecido havia conspirado contra o rei da Ju-
deia pouco tempo antes da destruição babilônica (Randall W. Younker, “Israel, Judah and
Ammon and the Motifs on the Baalis Seal from Tell el-cUmeiri” [“Israel, Judá e Amom e os
temas no selo de Baalis de Tell el-cUmeiri”]. Biblical Archaeologist 48/3 [1985], p. 173–180).

Isaías, o profeta. As escavações em Jerusalém em 2009 revelaram a impressão de um
selo contendo o escrito “Isaías, o profeta”. A escavadora Eilat Mazar acredita que essa
era de fato a impressão do selo de Isaías, o profeta. Foi encontrada a menos de três me-
tros da impressão do selo de “Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá” (Eilat Mazar, “Is This
the Prophet Isaiah’s Signature?” [“Esta é a assinatura do profeta Isaías?”]. Biblical Archa-
eology Review 44/2&3 2018, p. 64-73, 92). Em 2014, estudantes da Southern Adventist
University (Universidade Adventista do Sul dos Estados Unidos) descobriram duas impres-
sões de Eliaquim na cidade de Laquis. De acordo com Isaías 37:1, 2, todos os três indiví-
duos, Ezequias, Eliaquim e Isaías, estavam presentes em Jerusalém durante a invasão de
Senaqueribe em Judá.

Herodes, o Grande. Em 1996, estudantes que trabalhavam com Ehud Netzer em Masa-
da, a fortaleza de Herodes no deserto, descobriram um fragmento importado de uma ân-
fora de vinho. No fragmento havia uma inscrição: regi Herodi Iudaico (“para Herodes, rei da
Judeia”). Foi a primeira menção ao título de Herodes, o Grande, fora do Novo Testamento
e de Josefo, encontrado em um contexto arqueológico (Pottery With a Pedigree: Herod

| 128 | Como interpretar as Escrituras

Inscription Surfaces at Masada [“Cerâmica com Pedigree: Inscrição de Herodes é Encon- 10
trada em Massada”]. Biblical Archaeology Review 22/6, novembro-dezembro de 1996, p. 27).

Cidades. Foram escavados dezenas de locais no Oriente Médio, revelando seus segre-
dos e confirmando a existência de culturas prósperas, conforme a descrição da Bíblia.
As escavações em Babilônia revelaram paredes de tijolos vitrificados coloridos cobertos
com imagens de leões, touros e grifos (animal fabuloso da mitologia, com cabeça, bico e
asas de águia e corpo de leão, que possui dupla natureza: divina, representada pelo espa-
ço aéreo, próprio da águia, e terrestre, representada pelo leão. Tais animais simbolizam,
ainda, respectivamente, a sabedoria e a força.) As ruínas de Azor, Megido e Gezer esta-
vam cercadas por enormes muros duplos e portões, atribuídos às atividades de constru-
ção de Salomão (1Rs 9:15).

As cidades filisteias de Ascalom, Asdode, Ecrom e Gate foram escavadas extensiva-
mente, revelando uma cultura sofisticada de arquitetura, arte e tecnologia. Em 1996, uma
inscrição foi descoberta em Ecron, que revelou uma linhagem dinástica de cinco reis, in-
cluindo Aquis, filho de Padi, que governou Ecrom até a destruição da cidade por Nabucodo-
nosor (Seymour Gitin, Trude Dothan e Joseph Naveh, “A Royal Dedicatory Inscription from
Ekron” [“Uma Inscrição Real de Dedicatória de Ecrom”], Israel Exploration Journal 47/1–2
[1997], p. 9-16). A cerâmica decorada ao estilo do mar Egeu e a tecnologia dessas cidades
revelam que os filisteus eram a elite na antiga terra de Canaã. A esta pequena lista po-
deriam ser adicionados dezenas de outros locais, como Jericó, Jerusalém, Aco, Dã, Abel,
Azeca, Libna, todos atualmente sendo escavados no Oriente Médio.

Eventos. Um dos eventos mais ilustrados da Bíblia é a campanha de Senaqueribe con-
tra Judá em 701 a.C., como registrado em Isaías 36, 37; 2 Reis 18, 19; e 2 Crônicas 32. As
escavações em Nínive, no atual Iraque, revelaram os anais do rei Senaqueribe, que des-
creve detalhadamente sua campanha contra Judá: “Quanto a Ezequias, o judeu, que não se
submeteu ao meu jugo, eu o prendi em seu palácio real como um pássaro em uma gaio-
la.” Relevos esculpidos na sala central de seu palácio retratam o ataque assírio contra a
cidade de Laquis, sua derrota e a procissão de prisioneiros diante do rei sentado em um
trono. Escavações realizadas de 2013 a 2017 pela Southern Adventist University (Univer-
sidade Adventista do Sul dos Estados Unidos) e pela Universidade Hebraica de Jerusalém
revelaram a grande destruição de Laquis, em Israel, recuperando dezenas de pontas de
flechas, pedras de funda e peças metálicas de couraças entre os escombros deixados pe-
los exércitos assírios. No entanto, Jerusalém foi poupada, um testemunho vívido da pre-
cisão do registro bíblico referente a esse evento.

Contudo, após 200 anos, a arqueologia mal arranhou a superfície do que poderia ser
encontrado. Apenas uma fração das centenas de sítios existentes foi localizada até hoje,
e apenas uma fração desses foi escavada. Apenas uma fração dos locais escavados foi es-
cavada em grau real (geralmente menos de 5%). Apenas uma fração dessas escavações foi
publicada. E apenas uma fração daquelas que foram publicadas contribuem diretamente
para a compreensão de pessoas e eventos da Bíblia. Portanto, não devemos nos surpre-
ender com o fato de que muitas pessoas, lugares e eventos ainda não tenham sido desco-
bertos. À medida que centenas de arqueólogos, voluntários e outros especialistas estão

Abr l Mai l Jun 2020 | 129 |

descobrindo essas antigas ruínas, mais evidências continuam a se acumular para confir-
mar a historicidade da Bíblia, preenchendo os detalhes de como as pessoas dessas cultu-
ras antigas trabalhavam, viviam e interagiam uns com os outros.

APLICAÇÃO PARA A VIDA
História não é apenas um assunto entediante que precisamos estudar para conseguir

aprovação no colégio ou na faculdade, ou para discutirmos na classe da Escola Sabatina.
É a nossa história, e é “a história Dele”. Se Deus tem atuado pessoalmente ao longo da
História do mundo, você acredita que Ele ainda está ativo em sua vida hoje? Ainda expe-
rimentamos libertações miraculosas dos poderes dos nossos inimigos, de doenças e difi-
culdades? Muitas vezes lemos sobre os milagres realizados na Bíblia e nos perguntamos se
esses milagres ainda ocorrem hoje. Se coletássemos as verdadeiras histórias de milagres
de curas divinas, os sonhos que Deus enviou e Sua atuação no curso de nossa vida pes-
soal ou de nossa família na igreja ao redor do mundo, não poderíamos escrever um livro?
1. Compartilhe com a classe como Deus tem trabalhado em sua vida. O que Ele fez por

você ou talvez por um amigo ou membro da família? Faça essa pergunta à sua classe.
Que testemunhos eles têm para compartilhar?
2. Um jovem adventista inicia as aulas em uma universidade pública e é confrontado por
um professor que declara que, embora alguns dos alunos tenham sido criados em igre-
jas e sinagogas, agora eles estão na universidade e aprenderão o que realmente acon-
teceu no passado. Como esse aluno deve reagir nessa situação?

10

| 130 | Como interpretar as Escrituras

A Bíblia e Lição
as profecias
11

VERSO PARA MEMORIZAR: “Ele me disse:
Até duas mil e trezentas tardes e manhãs;

e o santuário será purificado” (Dn 8:14).

Leituras da semana: Dn 2:27-45;
Jo 14:29; Nm 14:34; Dn 7:1-25; Dn 8:14;
1Co 10:1-13

■ Sábado, 6 de junho Ano Bíblico: Jó 15-17

A s profecias bíblicas são essenciais para nossa identidade e missão.
Elas apresentam um mecanismo interno e externo para confirmar
a exatidão da Palavra de Deus. Jesus disse: “Disse-vos agora, antes que
aconteça, para que, quando acontecer, vós creiais” (Jo 14:29; veja também
Jo 13:19). A pergunta crucial é: como podemos interpretar as profecias
corretamente a fim de saber quando elas realmente aconteceram?

Durante a Reforma, os reformadores adotaram o método historicista.
Esse método é o mesmo que Daniel e João usaram como chave para sua
própria interpretação. O método historicista considera as profecias um
cumprimento progressivo e contínuo da História, começando no passado
e terminando com o reino eterno de Deus.

Nesta semana estudaremos os pilares da interpretação profética histo-
ricista. “Devemos ver na História o cumprimento da profecia, estudar as
operações da Providência nos grandes movimentos reformatórios, e en-
tender o progresso dos acontecimentos ao ver as nações mobilizando-se
para o combate final do grande conflito” (Ellen G. White, Testemunhos
Para a Igreja, v. 8, p. 307).

Um aperto de mão dado por um cristão pode transformar vidas. Experimente olhar para as pessoas
como Cristo olhava!

Abr l Mai l Jun 2020 | 131 |

■ Domingo, 7 de junho Ano Bíblico: Jó 18, 19
O historicismo e as profecias

O método fundamental aplicado pelos Adventistas do Sétimo Dia para
estudar as profecias chama-se historicismo. É a ideia de que muitas
das principais profecias da Bíblia seguem um fluxo linear ininterrupto da
História, do passado ao presente, e ao futuro. Esse método é semelhante à
maneira pela qual a História é estudada nas escolas. Adotamos esse méto-
do porque a própria Bíblia interpreta as profecias dessa maneira.

1. L eia Daniel 2:27-45. Quais aspectos do sonho indicam uma sucessão con-
tínua e ininterrupta de poderes ao longo da História? De que maneira a
própria Bíblia nos mostra como interpretar a profecia apocalíptica (rela-
cionada ao tempo do fim)?

___________________________________________________________________

Observe que o reino de Nabucodonosor é reconhecido como a cabeça de
ouro. Portanto, Daniel identificou Babilônia como o primeiro reino (Dn 2:38).
Em seguida, ele disse: “Depois de ti, se levantará outro reino, inferior ao
teu; e um terceiro reino” (Dn 2:39) e depois um quarto (Dn 2:40). O fato
de que esses reinos tinham uma sequência, um após o outro, sem quais-
quer lacunas, também está implícito na própria estátua, pois cada reino
é representado em partes de um corpo maior, movendo-se da cabeça aos
dedos dos pés. Essas partes estavam conectadas, assim como o tempo e a
História estão conectados.

Em Daniel 7 e 8, em vez de uma estátua, são usados símbolos especí-
ficos de animais para ensinar sobre os mesmos acontecimentos. Vemos
uma sequência ininterrupta de quatro reinos terrestres (três em Daniel 8).
Eles começam na Antiguidade e atravessam a História até o presente e o
futuro, quando Cristo retornará, e Deus estabelecerá Seu reino eterno.

Portanto, a estátua de Daniel 2 e as sucessivas visões de Daniel 7 e
8 proveram o fundamento para a interpretação historicista protestante
das profecias, que os Adventistas do Sétimo Dia ainda defendem.

11
2. L eia João 14:29. Segundo as palavras de Jesus, como as profecias podem
funcionar? Assinale a alternativa correta:
A. ( ) C omo sinais para confirmar nossa fé no Senhor.
B. ( ) C omo indicações para calcularmos a data da volta de Cristo.

Que enorme vantagem temos hoje, em relação a alguém que viveu no tempo de Babi-
lônia, considerando que grande parte da história já se passou?

| 132 | Como interpretar as Escrituras

■ Segunda, 8 de junho Ano Bíblico: Jó 20, 21
O princípio do dia/ano

U ma das chaves interpretativas do historicismo é o princípio do dia/
ano. Ao longo dos séculos, muitos estudiosos aplicaram esse princí-
pio às profecias de tempo de Daniel e Apocalipse. Eles o retiraram de vá-
rios textos fundamentais e do contexto imediato das próprias profecias.

3. L eia Números 14:34 e Ezequiel 4:6, 7. Nesses textos, como Deus explicou

o princípio do dia/ano?

___________________________________________________________________

Nesses textos, vemos muito claramente a ideia do princípio do dia/ 11
ano. Mas como justificamos o uso desse princípio com algumas profe-
cias de tempo, como em Daniel 7:25 e 8:14, bem como Apocalipse 11:2, 3;
12:6, 14; e 13:5?

Três outros elementos apoiam o princípio do dia/ano nessas profecias
de Daniel e Apocalipse: o uso de símbolos, longos períodos de tempo e ex-
pressões peculiares.

Primeiramente, a natureza simbólica dos animais e chifres represen-
tando os reinos sugere que as expressões de tempo também devam ser
entendidas simbolicamente. Os animais e chifres não devem ser conside-
rados de maneira literal. Eles simbolizam outra coisa. Portanto, visto que
o restante da profecia é simbólico, não literal, por que deveríamos consi-
derar literais as profecias de tempo? Evidentemente, não devemos.

Em segundo lugar, muitos acontecimentos e reinos descritos nas profecias
abrangem um período de muitos séculos, o que seria impossível se as profe-
cias de tempo que as descrevem fossem tomadas literalmente. Aplicando o
princípio do dia/ano, o tempo se ajusta aos eventos de maneira precisa, o que
seria impossível se as profecias de tempo fossem consideradas literalmente.

Por fim, as expressões peculiares usadas para designar esses períodos
de tempo sugerem uma interpretação simbólica. Em outras palavras, não
são normais as maneiras pelas quais o tempo é expresso nessas profecias
(por exemplo, “2.300 tardes e manhãs”, em Daniel 8:14), mostrando-nos
que os períodos de tempo descritos devem ser tomados simbolicamente
e não literalmente.

Se a profecia das 70 semanas (Dn 9:24-27) fosse literal, o período “desde a saída da
ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe” (Dn 9:25),
seria de 69 semanas, ou seja, um ano e quatro meses. A profecia não teria sentido. Os
eventos proféticos ficam claros quando aplicamos o princípio do dia/ano, e as 70 se-
manas se tornam 490 anos?

Abr l Mai l Jun 2020 | 133 |

■ Terça, 9 de junho Ano Bíblico: Jó 22-24
Identificando o chifre pequeno

D urante séculos, os reformadores protestantes identificaram o poder
do chifre pequeno em Daniel 7 e 8 como a igreja romana. Por quê?

4. Leia Daniel 7:1-25; 8:1-13. Quais são as características comuns do chifre

pequeno em ambos os capítulos? Como podemos identificá-lo?

___________________________________________________________________

Existem sete características comuns entre o chifre pequeno de Daniel 7
e o de Daniel 8: (1) ambos são descritos como um chifre; (2) ambos são
poderes perseguidores (Dn 7:21, 25; 8:10, 24); (3) ambos são blasfemos e
exaltam a si mesmos (Dn 7:8, 20, 25; 8:10, 11, 25); (4) ambos têm como
alvo o povo de Deus (Dn 7:25, 8:24); (5) ambos têm aspectos de sua ativi-
dade descritos pelo tempo profético (Dn 7:25; 8:13, 14); (6) ambos se es-
tendem até o fim dos tempos (Dn 7:25, 26; 8:17, 19); e (7) ambos devem
ser destruídos de maneira sobrenatural (Dn 7:11, 26; 8:25).

A História identifica o primeiro reino como Babilônia (Dn 2:38), o se-
gundo como a Média-Pérsia (Dn 8:20) e o terceiro como a Grécia (Dn 8:21).
A História mostra, de maneira incontestável, que depois desses impérios
mundiais vem Roma.

Em Daniel 2, o ferro que representa Roma continua nos pés de ferro mis-
turado com barro; isto é, até o fim dos tempos. O chifre pequeno de Daniel 7
surge do quarto animal, mas permanece como parte desse quarto animal.

Qual poder surgiu de Roma e exerceu influência político-religiosa por
pelo menos 1.260 anos? Apenas um poder se encaixa na História e na pro-
fecia: o papado, que chegou ao poder entre as dez tribos bárbaras da Europa
e exterminou três delas. Esse poder era “diferente dos primeiros” (Dn 7:24),
indicando sua singularidade em comparação com as outras tribos. O pa-
pado falava “palavras contra o Altíssimo” (Dn 7:25) e “­engrandeceu-se
até ao príncipe do exército” (Dn 8:11), usurpando a função de Jesus e
­substituindo-a pela figura do papa. Durante a Contrarreforma, o papado

11 cumpriu a profecia de perseguir “os santos do Altíssimo” e lançar por ter-
ra “alguns do exército” (Dn 8:10), quando os protestantes foram massa-
crados. O papado buscou “mudar os tempos e a Lei” ao remover o segundo
mandamento e mudar o sábado para o domingo.

Em Daniel 2, 7 e 8, depois da Grécia, surge um poder que subsiste até o fim dos tempos.
Qual poder seria esse, senão Roma, agora em seu estágio papal? Não importa quan-
to seja politicamente incorreto, por que esse é um ensinamento fundamental das três
mensagens angélicas e, portanto, um elemento crucial da verdade presente?

| 134 | Como interpretar as Escrituras

■ Quarta, 10 de junho Ano Bíblico: Jó 25-28
O juízo investigativo

O esboço profético estudado nesta semana tem encontrado apoio ma-
joritário entre historicistas protestantes desde a Reforma. Porém,
somente com o movimento milerita, no início dos anos 1800, os 2.300
dias e o juízo investigativo foram reconsiderados. Veja o seguinte gráfico:

Daniel 7 Daniel 8
Babilônia (leão) ------
Média-Pérsia (urso) Média-Pérsia (carneiro)
Grécia (leopardo) Grécia (bode)
Roma pagã (quarto animal) Roma pagã (o chifre se move horizontalmente)
Roma papal (chifre pequeno) Roma papal (o chifre se move verticalmente)

5. Leia Daniel 7:9-14; 8:14, 26. O que estava acontecendo no Céu? Assinale

a alternativa correta:

A. ( ) Uma cena de juízo.
B. ( ) Uma festa do Cordeiro.

Em Daniel 7 e 8, o juízo acontece após o período de perseguição medie- 11
val, que terminou em 1798 com a prisão do papa Pio VI pelo general Berthier
(Ap 13:3). O juízo ocorre no Céu, onde “assentou-se o tribunal” (Dn 7:10,
13). Essa cena ocorre depois de 1798, antes da segunda vinda de Jesus.

O juízo em Daniel 7 está em paralelo com a purificação do santuário
(Dn 8:14). Os dois capítulos falam sobre a mesma coisa. O tempo dessa puri-
ficação, que é a terminologia do Dia da Expiação, é de 2.300 tardes e manhãs,
ou dias. Com o princípio do dia/ano, esses dias representam 2.300 anos.

O ponto de partida dos 2.300 anos é a profecia das 70 semanas (490 anos),
que é “cortada” (chatak) da visão dos 2.300 dias (Dn 9:24). Muitos estudiosos
veem a profecia dos 2.300 dias (anos) e a profecia das 70 semanas (490 anos)
de Daniel 9:24-27 como uma mesma profecia, sendo esta última a parte ini-
cial da primeira. O verso seguinte à profecia das 70 semanas, Daniel 9:25,
apresenta o início do período de tempo: “desde a saída da ordem para restau-
rar e para edificar Jerusalém”. Esse evento ocorreu no “sétimo ano do rei Ar-
taxerxes” (Ed 7:7), ou 457 a.C. Se contarmos 2.300 anos a partir dessa data,
chegaremos a 1844, que não é muito depois de 1798 e precede a segunda vin-
da de Jesus. Foi quando Cristo entrou no santíssimo e começou a obra de in-
tercessão e purificação do santuário. Veja o gráfico no estudo de sexta-feira.

Abr l Mai l Jun 2020 | 135 |

■ Quinta, 11 de junho Ano Bíblico: Jó 29-31
Tipologia como profecia

O s símbolos das profecias apocalípticas, como os encontrados em Da-
niel e Apocalipse, têm um único cumprimento. Por exemplo, o bode
se cumpriu na Grécia, um reino singular (Dn 8:21). Afinal de contas, o
texto o nomeou para nós! Isso poderia ser mais claro?

Contudo, a tipologia se concentra em pessoas, eventos ou instituições
reais do Antigo Testamento, fundamentados em uma realidade históri-
ca, mas que apontam para uma realidade maior no futuro. O uso da tipo-
logia como método de interpretação remonta a Jesus e aos escritores do
Novo Testamento e se encontra até mesmo no Antigo Testamento. O úni-
co guia para reconhecer um tipo e antítipo é quando um escritor inspira-
do das Escrituras os identifica.

6. L eia 1 Coríntios 10:1-13. A quais eventos na História Paulo se referiu quan-
do admoestou a igreja de Corinto? Como isso se relaciona conosco hoje?

__________________________________________________________________

Paulo se referiu à realidade histórica do Êxodo e desenvolveu uma tipo-
logia com base na experiência dos antigos hebreus no deserto. Ele mostrou
que Deus, que inspirou Moisés a registrar esses eventos, tinha a intenção
de que essas coisas fossem “exemplos para nós” (1Co 10:6), exortando, as-
sim, o Israel espiritual a suportar a tentação enquanto vive nos últimos dias.

7. L eia as passagens abaixo e anote cada tipo e o seu cumprimento antitípi-

co, conforme descritos por Jesus e pelos escritores do Novo Testamento:

Mt 12:40 _____________________________________________________
Jo 19:36 ______________________________________________________
Jo 3:14, 15 ____________________________________________________
Rm 5:14 ______________________________________________________
Jo 1:29 _______________________________________________________

11 Em cada um desses casos, Jesus e os escritores do Novo Testamento
aplicaram a interpretação de tipo e antítipo que permite que o significa-
do profético se destaque. Dessa maneira, eles apontam para um cumpri-
mento maior da realidade histórica.

Pense no serviço do santuário terrestre, que funcionava como tipo do plano da salva-
ção. O que isso ensina sobre a importância da mensagem do santuário para nós hoje?

Peça que o Senhor lhe dê um coração puro.

| 136 | Como interpretar as Escrituras

■ Sexta, 12 de junho Ano Bíblico: Jó 32-34
Estudo adicional

Leia, de Clifford Goldstein, 1844: Uma explicação simples das principais pro-
fecias de Daniel (Casa Publicadora Brasileira) e encontre mais informa-
ções sobre a profecia dos 2.300 dias. Veja também http://1844madesimple.
org. Estude o quadro abaixo:

Daniel 7 Daniel 8
Babilônia (leão) ------
Média-Pérsia (urso) Média-Pérsia (carneiro)
Grécia (leopardo) Grécia (bode)
Roma pagã (quarto animal) Roma pagã (o chifre se move horizontalmente)
Roma papal (chifre pequeno) Roma papal (o chifre se move verticalmente)
Juízo no Céu Purificação do santuário celestial

É crucial que a cena do juízo (Dn 7), que ocorre após 1.260 anos de per-
seguição (Dn 7:25), representa o mesmo que a purificação do santuário
(Dn 8:14). E essa cena de juízo no Céu leva, em última análise, ao estabe-
lecimento do reino de Deus. Por isso, temos uma evidência bíblica da im-
portância que a Bíblia dá a Daniel 8:14 e ao evento que esse texto anuncia.

Perguntas para consideração 11
1. O método historicista é revelado em Daniel 2: uma sequência ininterrup-

ta de impérios começa na Antiguidade e termina com o reino de Deus.
O Senhor nos deu a chave para interpretar as profecias. Poucos usam o
método historicista. O que isso mostra sobre a condição do cristianis-
mo? Por que esse fato confirma a relevância da mensagem adventista?
2. Você entende as 2.300 tardes e manhãs? Se não, deseja estudá-la para com-
partilhar? Surpreenda-se com a solidez da nossa interpretação profética.
3. L eia Daniel 7:18, 21, 22, 25, 27. O que o poder do chifre pequeno faz
com os santos? O que o Senhor faz por eles? Quais são as boas-novas
para os santos em relação ao juízo?

Respostas e atividades da semana: 1. A sequência ininterrupta de poderes mundiais após a cabeça de ouro, Babi-
lônia, simbolizada na inteireza do corpo da estátua em que não há intervalos. A interpretação das profecias apoca-
lípticas deve ter uma sequência histórica contínua. 2. A. 3. Cada dia em que os homens haviam espiado a terra seria
considerado um ano. 4. Ele representa um poder; blasfema contra o Altíssimo; persegue os santos de Deus; seu po-
der dura até o tempo do fim; ele é destruído de maneira sobrenatural. Esse poder é Roma papal. 5. A. 6. Ao Êxodo,
quando os israelitas estavam no deserto rumo a Canaã. Lições que aprendemos: confiança em Deus, o fato de que
não devemos cobiçar as coisas desta Terra, etc. 7. Mateus 12:40: Jonas permaneceu três dias e três noites no gran-
de peixe; Jesus esteve morto por três dias; João 19:36: os ossos de Jesus não seriam quebrados; João 3:14, 15: Jesus
seria levantado assim como Moisés havia levantado a serpente no deserto; Romanos 5:14: Adão prefigurava Aque-
le que havia de vir; João 1:29: João Batista identificou Jesus como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

Abr l Mai l Jun 2020 | 137 |

Anotações

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| 138 | Como interpretar as Escrituras

RESUMO DA LIÇÃO 11

A Bíblia e as profecias

TEXTOS-CHAVE: Dn 2:27-45; Jo 14:29; Nm 14:34; Dn 7:1-25; 8:14; 1Co 10:1-13

ESBOÇO

A reavivamento manifestado na Reforma Protestante foi resultado direto do estudo das
emocionantes profecias de Daniel e Apocalipse e da redescoberta do método historicis-
ta de interpretação, derivado do princípio sola Scriptura. De fato, a maneira como Daniel
e João interpretaram as profecias se tornou a chave para o estudo bíblico protestante. O
método historicista vê o cumprimento da profecia como algo progressivo e contínuo ao
longo do tempo. Essa visão levou homens como Wycliffe, Lutero, Zuínglio, Knox e outros
a identificarem o chifre pequeno em Daniel 7 e 8 e a besta que emerge do mar, confor-
me retratada em Apocalipse 13, como a Igreja Católica Romana, o poder papal. A onda de
reformas teve uma enorme influência na Europa, à medida que o povo saía da Idade das
Trevas. Em seguida aconteceram a Inquisição e a perseguição maciça. Muitos dos refor-
madores fugiram para as pacíficas costas do Novo Mundo, onde puderam adorar a Deus
em espírito e em verdade (ver Ap 12:13-17).

A Bíblia continua sendo singular quando comparada com outras literaturas religiosas
do mundo, pois 30% de seu conteúdo são de natureza profética. A profecia bíblica apre-
senta um mecanismo interno e externo para confirmar a precisão da Palavra de Deus.
A profecia que aponta para a esperança do Messias vindouro, a segunda vinda de Cristo,
mantém a igreja em ansiosa expectativa. Ela provoca um senso e uma urgência de mis-
são, pois se Jesus voltará em breve, isso chama os crentes a prepararem o mundo para
o Seu grande advento. Nesta semana, estudaremos os pilares da interpretação proféti-
ca historicista, que oferece a identidade e a missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

COMENTÁRIO

Ilustração 11
Longe dos inquisidores da Europa, os protestantes americanos estabeleceram as pri-

meiras grandes universidades: Harvard, Yale e Princeton para educar seus ministros. Por
mais de um século e meio, os presidentes e professores dessas instituições produziram
grandes obras descrevendo as profecias de Daniel e Apocalipse a partir de uma perspec-
tiva historicista. Mas Roma não estava ociosa. Os estudiosos católicos da Contrarreforma
reagiram aos protestantes com novas interpretações que tiravam os olhares do papado.

O preterismo foi desenvolvido pelo jesuíta espanhol Luis de Alcazar (1554-1613), que
interpretou as profecias bíblicas como relatos que simplesmente comunicavam even-
tos que aconteceram no passado. Os preteristas negaram amplamente a possibilidade

Abr l Mai l Jun 2020 | 139 |

de profecia preditiva. Alcazar projetou o poder do anticristo no passado, identificando-o
com o imperador romano Nero.

Outro jesuíta espanhol, Francisco Ribera (1537-1591), publicou um comentário de 500
páginas sobre o livro do Apocalipse ensinando que a maioria das profecias deveria se cum-
prir no final dos tempos em um breve período de três anos e meio. O futurismo foi na di-
reção oposta à de Alcazar, colocando a ênfase da profecia no futuro e deixando a igreja
papal da Idade Média completamente fora do período profético.

No início, nenhuma dessas visões teve muita influência; porém, dois acontecimentos mu-
daram esse fato favorável. A abordagem histórico-crítica das Escrituras, no século 18, ale-
gava remover a possibilidade de profecia preditiva, adotando alguns princípios da posição
preterista. Essa visão é a que prevalece no presente, amplamente adotada por estudiosos da
alta crítica, tanto católicos quanto protestantes. Enquanto isso, cristãos mais conservadores
foram fortemente influenciados pela Bíblia de Referência de Scofield (1906), levando uma
grande maioria a aceitar a visão futurista (dispensacionalista), que prevê o arrebatamento se-
creto, a reconstrução do templo em Jerusalém e um milênio antes da segunda vinda de Cristo.
Apenas os Adventistas do Sétimo Dia permanecem como remanescente entre os protestan-
tes na defesa do método historicista. Como os profetas das Escrituras usaram esse método?

11 Escrituras
Daniel interpretou a imagem do sonho de Nabucodonosor, do capítulo 2, e os símbolos

dos capítulos 7 e 8 como uma série de impérios que aparecem um após o outro em uma
sequência contínua. Ele disse especificamente a Nabucodonosor que ele, representante de
Babilônia, era a cabeça de ouro (Dn 2:38). Os três reinos seguintes surgem em sequência,
como partes do corpo conectadas umas às outras, compostas de diferentes metais, que os
distinguem, mas que são conectados pela imagem em ordem decrescente. O segundo e
o terceiro reinos depois de Babilônia são especificamente identificados pelo anjo Gabriel
como “os reis da Média e da Pérsia” (Dn 8:20) e o “rei da Grécia” (Dn 8:21). Claramente, as
pernas de ferro, que vêm a seguir, devem ser identificadas com Roma, conforme demons-
trou o curso da História. A continuação do ferro nos dedos dos pés, embora misturado com
barro, indica a continuidade do poder romano. Cada visão sucessiva expande com mais de-
talhes o que há de ser “nos últimos dias” (Dn 2:28). Daniel 7 e 8 enfatizam o poder do chi-
fre pequeno. A recapitulação, expansão e ampliação dos detalhes continua em Daniel 11,
em que o papado se torna o ponto predominante. Esse foco no papado é apropriado quan-
do se observa que a maior força a ser reconhecida na profecia dos 1.260 dias/anos deve
ser, e só pode ser, o papado até a ferida mortal em 1798 e além. Essa interpretação nos
conecta com os poderes dos quais João falou profeticamente em Apocalipse 12, 13 e 17.

Em Apocalipse 13, o poder da besta que emerge do mar reflete as ações do chifre pe-
queno de Daniel 7 e 8. Ele reina pelo mesmo período de quarenta e dois meses (Ap 13:5) ou
1.260 anos, blasfema o nome de Deus e Seu tabernáculo (Ap 13:6), mata pela espada, faz
guerra contra os santos (Ap 13:10) e recebe adoração (Ap 13:8). Essas descrições se cum-
prem no papado. Mas Deus protegeu a mulher, Sua igreja, do poder da besta que emerge
do mar, instigada pela serpente, e a terra “engoliu o rio” (Ap 12:16).

| 140 | Como interpretar as Escrituras

O preterismo altera a data do profeta Daniel para o segundo século a.C., depois que 11
Babilônia, Media-Pérsia e Grécia entram em cena. Além disso, o preterismo reinterpreta o
poder do chifre pequeno como um rei selêucida, Antíoco IV Epifânio, que governou a Sí-
ria entre 175 a 164 a.C. (O futurismo também tende a interpretar o chifre pequeno como
Antíoco IV, mas sugere que um anticristo aparecerá no fim dos tempos.) Porém, essa iden-
tificação não se encaixa com a realidade por várias razões: (1) A origem do chifre peque-
no. Este surgiu “de um dos chifres” (Dn 8:9). Os preteristas argumentam que ele saiu de
um dos quatro chifres (os generais Lisímaco, Cassandro, Ptolomeu, Seleuco e seus suces-
sores como chefes dos quatro reinos da Macedônia, nos quais o império de Alexandre foi
dividido). Mas a evidência gramatical, contextual e sintática aponta para a conclusão de
que o chifre saiu de um dos “quatro ventos” ou pontos cardeais, uma expressão que pre-
cede imediatamente à frase. (2) A progressão do poder nos reinos. O carneiro medo-persa
“se engrandecia” (Dn 8:4), o bode grego “se engrandeceu sobremaneira” (Dn 8:8), o chi-
fre pequeno “engrandeceu-se até ao príncipe do exército” (Dn 8:10, 11). Mas essa amplia-
ção de poder não pode ser atribuída a um único governante fraco como Antíoco IV. (3)
A disposição da ordem. Antíoco IV governou na metade da dinastia selêucida, o sétimo de
uma série de vinte e sete reis. O poder do chifre pequeno surge “no fim do seu reinado”
(Dn 8:23). Roma aparece na última parte do império grego, mas Antíoco IV não. (4) A di-
reção da conquista. O poder do chifre pequeno devia conquistar em direção ao leste, sul e
em direção à “terra gloriosa” (Dn 8:9); isto é, na direção do oeste. Mas Antíoco IV foi res-
ponsável por perder a Judeia, a “terra gloriosa”, e teve apenas êxito limitado no sul (Egito).
(5) A transgressão assoladora. Os estudiosos acreditam que Antíoco IV causou a desolação
do santuário, mas Jesus, citando Daniel, refere-se a essa desolação como ainda no futuro
em Seus dias (Mt 24:15), e Antíoco IV já havia morrido há dois séculos. (6) As tardes e ma-
nhãs. As 2.300 tardes e manhãs são interpretadas como os sacrifícios que cessaram du-
rante a profanação do templo por Antíoco IV. Assim, para acomodar a interpretação de
Antíoco, o número é reduzido para 1.150 dias literais. Mas a expressão ‘ereb bōqer [“tar-
de e manhã”] é muito semelhante à designação usada em Gênesis 1 para se referir ao dia
de 24 horas. Os sacrifícios da manhã e da tarde associados ao santuário terrestre são men-
cionados em uma ordem diferente; assim, a transgressão mencionada em Daniel 8:13 não
se refere à interrupção dos serviços do santuário terrestre durante o tempo de Antíoco.
(7) A conclusão da previsão profética. A estreita relação entre Daniel 2 e 7 indica que há
uma conclusão gloriosa da profecia. Mas se Judas Macabeu, o judeu, derrotou Antíoco IV,
como Judas vem nas nuvens do céu, como o Filho do Homem (Dn 7:13), e como é eter-
no o seu reino (Dn 7:14)? (Norman R. Gulley, Systematic Theology: The Church and the Last
Things [“Teologia Sistemática: A Igreja e os Últimos Acontecimentos”]. Berrien Springs,
MI: Andrews University Press, 2016, p. 713-17). Nem a interpretação preterista nem a fu-
turista correspondem aos critérios do texto ou do testemunho de Jesus. Assim, por essas
e outras razões, a interpretação de Antíoco para Daniel 8 é insustentável. Apenas a inter-
pretação historicista da profecia identifica com precisão os últimos 2.600 anos da Histó-
ria em perspectiva profética e sequencial.

Abr l Mai l Jun 2020 | 141 |

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Por que esses detalhes são importantes para nós no século 21? Ao examinar alguns dos
desafios colocados ao modelo historicista de interpretação profética, devemos admitir que,
quando usamos as Escrituras para interpretar as Escrituras e permitimos que os profetas
Daniel e João falem sobre esses assuntos, como os reformadores, devemos chegar à con-
clusão de que o poder do chifre pequeno surgiu do quarto animal (Daniel 7), da direção
ocidental dos quatro ventos (Daniel 8), e governou por 1.260 anos, período que terminou
pouco antes de Cristo entrar no lugar santíssimo do santuário celestial. João se refere a
esse mesmo poder como a besta que emerge do mar (Ap 13:1-10). Existe apenas uma en-
tidade que se encaixa nos critérios das Escrituras e da História: Roma papal. Também de-
vemos reconhecer que os outros dois métodos principais de interpretação, preterismo e
futurismo, se originaram em Roma com o objetivo primordial de rejeitar a interpretação
protestante durante a Contrarreforma. Esse fato levanta sérias questões sobre as princi-
pais igrejas protestantes atuais que adotaram esses modelos católicos. Certamente, essa
situação aponta para o cumprimento de nossa missão e a proclamação das três mensa-
gens angélicas, chamando o povo de Deus a sair da confusão de Babilônia enquanto ain-
da há tempo na História da Terra. Faça as seguintes perguntas à classe:

1. Como as igrejas protestantes têm mudado atualmente? De que maneira a posição his-
toricista as havia protegido dos erros ensinados pela Igreja medieval e como essa pro-

teção foi removida?

2. De que forma você pode compartilhar a mensagem singular do “evangelho eterno” incor-
porada nas três mensagens angélicas “a cada nação, e tribo, e língua, e povo” (Ap 14:6, 7)?

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| 142 | Como interpretar as Escrituras

Lidando com passagens Lição
bíblicas difíceis
12

VERSO PARA MEMORIZAR: “E tende
por salvação a longanimidade de nosso
Senhor, como igualmente o nosso amado

irmão Paulo vos escreveu, segundo a
sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca
destes assuntos, como, de fato, costuma
fazer em todas as suas epístolas, nas quais
há certas coisas difíceis de entender, que
os ignorantes e instáveis deturpam, como
também deturpam as demais Escrituras,

para a própria destruição deles”
(2Pe 3:15, 16).

Leituras da semana: 2Tm 2:10-15;
1Cr 29:17; Tg 4:6-10; Gl 6:9; At 17:11

■ Sábado, 13 de junho Ano Bíblico: Jó 35-37

A o discutir as cartas do apóstolo Paulo, Pedro escreveu que nelas e em
algumas outras partes das Escrituras existem “certas coisas difíceis
de entender” (2Pe 3:16). Essas palavras são deturpadas ou modificadas por
pessoas “ignorantes e instáveis [...] para a própria destruição” (2Pe 3:16).
Pedro não disse que todas as coisas são difíceis de entender, mas que ape-
nas algumas são.

E sabemos disso, não é mesmo? Qual leitor sincero da Bíblia já não se
deparou com textos que parecem estranhos e difíceis de entender? Certa-
mente, em algum momento, todos já tivemos essa experiência.

Por isso, examinaremos nesta semana, não tanto textos difíceis em si,
mas quais podem ser as razões para esses desafios e de que maneira, como
fiéis investigadores da verdade da Palavra de Deus, podemos solucioná-los.
Algumas dessas declarações desafiadoras podem nunca ser esclarecidas
aqui na Terra. Ao mesmo tempo, a maioria dos textos da Bíblia não apre-
senta dificuldade, e não devemos permitir que um pequeno número de
textos difíceis enfraqueça nossa confiança na fidedignidade e autoridade
da Palavra de Deus como um todo.

Abr l Mai l Jun 2020 | 143 |

■ Domingo, 14 de junho Ano Bíblico: Jó 38-42

Possíveis razões para aparentes contradições

1. L eia 2 Timóteo 2:10-15. Paulo admoestou Timóteo a ser diligente e a ma-
nejar “bem a palavra da verdade”. Qual é a mensagem importante para
nós nesse texto? Assinale a alternativa correta:

A. ( ) Não precisamos estudar muito a Bíblia, pois é fácil entendê-la.
B. ( ) D evemos conhecer a Palavra e usá-la corretamente.

N enhum estudioso honesto das Escrituras negará o fato de que existem
na Bíblia assuntos difíceis de entender. Isso não deve nos perturbar. De
certa maneira, essas dificuldades devem ser esperadas. Afinal, somos seres
imperfeitos e finitos, e não temos um conhecimento abrangente de todas as
áreas do aprendizado, muito menos das verdades divinas. Portanto, quando
o ser humano finito tenta entender a sabedoria infinita das Escrituras, ha-
verá algum impedimento. Essa dificuldade, contudo, não prova de maneira
nenhuma que as declarações da Bíblia sejam falsas.

Os que rejeitam o ensinamento bíblico da revelação e da inspiração di-
vinas muitas vezes declaram que essas dificuldades são contradições e er-
ros. Visto que, para eles, a Bíblia é mais ou menos um livro humano, eles
acreditam que ela deve conter imperfeições e erros. Com essa mentalida-
de, muitas vezes não há tentativas sérias de procurar uma explicação que
leve em consideração a unidade e confiabilidade das Escrituras como re-
sultado de sua inspiração divina. As pessoas que começam a questionar
as primeiras páginas das Escrituras (o relato da criação, por exemplo) po-
dem em breve também ser levadas a colocar em dúvida e incerteza gran-
de parte do restante das Escrituras.

Algumas discrepâncias nas Escrituras podem se dar devido a pequenos
erros de copistas ou tradutores. Ellen G. White afirmou: “Alguns nos olham
seriamente e dizem: ‘Não acha que deve ter havido algum erro nos copistas ou
da parte dos tradutores?’ Tudo isso é provável, e a mente que for tão estreita
que hesite e tropece nessa possibilidade ou probabilidade estaria igualmente
pronta a tropeçar nos mistérios da Palavra Inspirada, porque sua mente fra-
ca não pode ver através dos desígnios de Deus. Sim, com a mesma facilidade
tropeçariam em fatos simples, que a mente comum aceita e em que discer-
ne o Divino, e para quem as declarações de Deus são simples e belas, cheias

12 de essência e riqueza. Mesmo todos os erros não causarão dificuldade a al-
guém, nem farão tropeçar os pés daquele que não fabrique dificuldades da
mais simples verdade revelada” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 16).

Por que é tão importante nos aproximarmos da Bíblia com humildade e submissão?

| 144 | Como interpretar as Escrituras

■ Segunda, 15 de junho Ano Bíblico: Sl 1-9
Abordagem sincera e cuidadosa

V ocê já encontrou um texto ou conjunto de textos que achou difíceis de
serem harmonizados com outros textos ou com a realidade em geral?
É difícil imaginar que, em um momento ou outro, você não tenha enfrenta-
do esse problema. A questão é: como você reagiu? Ou, ainda mais importan-
te, como você deve reagir?

2. L eia 1 Crônicas 29:17; Provérbios 2:7; 1 Timóteo 4:16. Como devemos lidar
com passagens difíceis? Assinale a alternativa correta:

A. ( ) D e modo sincero, honesto e cuidadoso.
B. ( ) D efendendo de forma tendenciosa as nossas ideias.

Somente quando somos sinceros podemos enfrentar as dificuldades de
maneira adequada. A sinceridade nos resguarda de fugir de quaisquer di-
ficuldades ou de tentar ocultá-las. A honestidade também nos impede de
dar respostas superficiais, que realmente não suportam a um exame mi-
nucioso. Deus Se agrada da sinceridade e da integridade. Portanto, deve-
mos imitar Seu caráter em tudo o que fazemos, mesmo no estudo da Bíblia.

As pessoas sinceras lidam com as dificuldades da Bíblia de tal maneira
que são cuidadosas em não apresentar informações fora do contexto, dis-
torcer a verdade com linguagem tendenciosa nem enganar os outros por
meio da manipulação de evidências. É muito melhor aguardar uma respos-
ta sustentável para uma dificuldade do que tentar apresentar uma solução
evasiva ou insatisfatória. Um efeito colateral positivo da sinceridade no es-
tudo da Bíblia é que isso gera confiança, e a confiança está no cerne de to-
dos os relacionamentos pessoais saudáveis. Ela convence as pessoas muito
mais do que as respostas frágeis. É melhor afirmar não saber como respon-
der à pergunta ou explicar com precisão o assunto do que tentar forçar o
texto a dizer o que se quer que ele diga, o que leva a conclusões equivocadas.

Pessoas cuidadosas desejam sinceramente conhecer a verdade da Pa-
lavra de Deus e, portanto, constantemente se certificam de que não che-
garam a conclusões precipitadas com base em conhecimento limitado ou
evidência frágil. Pessoas atenciosas decidem não negligenciar nenhum as-
pecto ou detalhe importante. Elas não são apressadas em seu raciocínio,
mas meticulosas e diligentes em seu estudo da Palavra de Deus e de to-

12das as informações relacionadas.

O que você deve fazer em situações em que não entende completamente certo texto
bíblico ou quando o assunto parece não se encaixar na sua compreensão da verdade?

Abr l Mai l Jun 2020 | 145 |

■ Terça, 16 de junho Ano Bíblico: Sl 10-17
Abordagem humilde

3. L eia Tiago 4:6-10; 2 Crônicas 7:14; e Sofonias 3:12. Por que a humildade é

importante quando tentamos entender passagens difíceis das Escrituras?

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M uitas pessoas chegaram à maravilhosa compreensão e humilhante per-
cepção de que são dependentes de algo e de alguém além de si mes-
mas. Elas percebem que não são o padrão de todas as coisas. Essas pessoas
valorizam mais a verdade do que a necessidade do ego de estar certas e es-
tão cientes de que a verdade não é criada por elas mesmas, mas é aquilo que
as confronta. Talvez a maior verdade compreendida por essas pessoas seja
quanto elas realmente sabem pouco da verdade. Como Paulo descreveu, tais
indivíduos sabem que veem “como em espelho, obscuramente” (1Co 13:12).

Os benefícios dessa humildade de pensamento são múltiplos: o hábito
da investigação humilde é a base de todo crescimento no conhecimento,
pois gera uma liberdade que naturalmente produz um espírito ensinável.
Isso não significa que as pessoas humildes frequentemente estejam ne-
cessariamente equivocadas, nem que elas sempre mudem de ideia e nun-
ca tenham uma convicção firme. Significa apenas que são submissas à
verdade bíblica. Elas estão cientes das limitações de seu conhecimento e,
portanto, são capazes de expandi-lo e de aumentar sua compreensão da
Palavra de Deus de uma forma que a pessoa intelectual, arrogante e or-
gulhosa não fará.

“Todos os que forem à Palavra de Deus em busca de orientação, com
mente humilde e inquiridora, determinados a conhecer os conceitos da sal-
vação, compreenderão o que dizem as Escrituras. Mas os que trazem para
a investigação da Palavra um espírito que ela não aprova, levarão da busca
um espírito que ela não transmitiu. O Senhor não falará a uma mente indi-
ferente. Ele não desperdiça Sua instrução com quem é voluntariamente irre-
verente ou impuro. Mas o tentador educa toda mente que se entrega às suas
sugestões e está disposta a tornar sem nenhum efeito a santa Lei de Deus.

“Precisamos humilhar nosso coração e, com sinceridade e reverência, bus-
car a Palavra da vida; pois apenas a mente humilde e contrita pode ver a luz”
(Ellen G. White, The Advent Review and Sabbath Herald, 22 de agosto de 1907).

12 Como equilibrar corretamente a humildade e a certeza? Por exemplo, como você res-

ponderia à acusação: “Como os adventistas do sétimo dia podem ter tanta certeza de
que estão certos sobre o sábado e que a maioria das pessoas está errada”?

Compartilhe um livro ou um vídeo missionário com alguém hoje.

| 146 | Como interpretar as Escrituras

■ Quarta, 17 de junho Ano Bíblico: Sl 18-22
Determinação e paciência

4. Em Gálatas 6:9, Paulo falou sobre a persistência em fazer o bem aos ou-

tros. Essa mesma atitude é necessária para lidar com questões difíceis?

Por que a determinação e a paciência são importantes na solução de pro-

blemas?

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Averdadeira realização requer sempre tenacidade. Geralmente não da-
mos o devido valor ao que obtemos com demasiada facilidade. As di-
ficuldades na Bíblia nos dão a oportunidade de colocar nosso cérebro para
funcionar, e a determinação e persistência com que buscamos uma solu-
ção revela quanto aquela questão é importante para nós. É bem gasto todo
o tempo que passamos estudando a Bíblia para descobrir mais sobre o seu
significado e sua mensagem. Talvez a experiência de pesquisar diligente-
mente as Escrituras em busca de uma resposta, mesmo que por um longo
tempo, seja uma bênção maior do que a própria solução para o problema,
se, por fim, a encontrarmos. Afinal, quando encontramos uma solução para
um problema inquietante, a Palavra de Deus se torna muito preciosa a nós.

A demora para resolver uma dificuldade não prova que ela não pos-
sa ser solucionada. Frequentemente desconsideramos esse fato evidente.
Muitos, quando encontram uma dificuldade na Bíblia, pensam um pouco
e não conseguem encontrar uma solução. Então concluem que o proble-
ma não pode ser resolvido. Alguns questionam a confiabilidade da Bíblia.
Mas não devemos nos esquecer de que pode haver uma solução fácil, mes-
mo que em nossa limitada sabedoria, ou ignorância, não a percebamos. O
que pensaríamos de um iniciante em álgebra que, tendo tentado em vão
por meia hora resolver um problema difícil, declara que não há solução
possível para o problema, porque ele não a encontrou? A mesma coisa vale
para nós no estudo da Bíblia.

Quando algumas dificuldades desafiam até mesmo seus mais fortes es-
forços para resolvê-las, deixe-as de lado por algum tempo e, enquanto isso,
pratique o que Deus lhe mostrou claramente. Algumas percepções espiri-
tuais são obtidas somente depois que estamos dispostos a seguir o que Deus
já nos disse para fazer. Portanto, seja persistente e paciente em seu estu-

12do da Bíblia. Afinal, a paciência é uma virtude dos cristãos (veja Ap 14:12).

O que aprendemos com pessoas que estudaram com diligência e paciência passagens
desafiadoras da Bíblia? Como incentivar os outros a não desistir da busca da verdade?
Por que não precisamos ter medo quando nos deparamos com uma passagem difícil
nas Escrituras?

Abr l Mai l Jun 2020 | 147 |

■ Quinta, 18 de junho Ano Bíblico: Sl 23-30

Abordagem bíblica e com espírito de oração

5. Leia Atos 17:11; 8:35; 15:15, 16. O que os apóstolos e os membros da igreja

primitiva fizeram quando foram confrontados com questões difíceis? Por

que as Escrituras ainda são a melhor fonte para sua própria interpretação?

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A melhor solução para as dificuldades da Bíblia ainda se encontra na
própria Bíblia. Lidamos melhor com os problemas bíblicos quando os
estudamos à luz de todas as Escrituras, em vez de apenas lidarmos com
um único texto isoladamente dos outros ou de toda a Palavra. Devemos,
de fato, usar a Bíblia para compreender a própria Bíblia. Aprender a esca-
var as grandes verdades encontradas nas Escrituras é uma das coisas mais
importantes que podemos fazer.

Se você não entende uma passagem das Escrituras, tente reunir algum
conhecimento de outras passagens bíblicas que tratam do mesmo assun-
to. Sempre busque encontrar declarações claras das Escrituras para es-
clarecer as passagens que são menos claras. Também é muito importante
nunca obscurecer declarações inequívocas das Escrituras, trazendo a elas
passagens difíceis de entender. Em vez de usar fontes extrabíblicas, a filo-
sofia ou a ciência para explicar o significado da Bíblia, devemos permitir
que o próprio texto das Escrituras nos revele seu significado.

Dizem que, quando estamos ajoelhados, literalmente olhamos para as
dificuldades de uma nova perspectiva, pois, em oração, sinalizamos que
precisamos de ajuda divina para interpretar e compreender as Escrituras.
Em oração, buscamos a iluminação de nossa mente por meio do mesmo Es-
pírito Santo que inspirou os escritores bíblicos a escrever o que escreveram.

Em oração, nossos motivos são revelados e podemos dizer a Deus por
que desejamos entender o que lemos. Em oração, pedimos ao Senhor que
abra nossos olhos para a Sua Palavra e nos dê um espírito disposto a se-
guir e praticar a Sua verdade (isso é fundamental!). Quando Deus nos guia
mediante Seu Espírito Santo em resposta às nossas orações, Ele não con-
tradiz o que revelou na Bíblia. Deus sempre estará em harmonia com a Bí-
blia. O Senhor confirmará o que Ele mesmo inspirou os escritores bíblicos

12 a nos comunicar e edificará com base nesses escritos.

Como a oração ajuda você a ter a atitude correta para compreender mais e obedecer
à Palavra?

Peça a Deus a capacidade de ser fiel com alegria e generosidade.

| 148 | Como interpretar as Escrituras


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