■ Quinta, 23 de abril Ano Bíblico: 2Rs 6-8
A Bíblia
O Espírito Santo, que revelou e inspirou o conteúdo da Bíblia, nunca
nos conduzirá contrariamente à Palavra de Deus nem para longe dela.
Para os Adventistas do Sétimo Dia, a Bíblia tem uma autoridade superior
à tradição, à experiência, à razão ou às culturas humanas. Somente a Bí-
blia é a norma pela qual todo o restante precisa ser provado.
7. Leia João 5:46, 47; 7:38. Para Jesus Cristo, qual era a melhor fonte para en- 4
tender questões espirituais? Como a Bíblia confirma que Jesus é o verda-
deiro Messias?
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Algumas pessoas alegam ter recebido “revelações” e instruções espe-
ciais do Espírito Santo, mas essas instruções vão contra a clara mensa-
gem da Bíblia. Para essas pessoas, um suposto “Espírito Santo” alcançou
autoridade maior que as Escrituras. Quem anula a Palavra escrita e ins-
pirada e se esquiva de sua mensagem clara está andando em terreno pe-
rigoso e não está seguindo a direção do Espírito de Deus. A Bíblia é nossa
única salvaguarda espiritual. Somente ela é a norma confiável para toda
matéria de fé e prática.
“Por meio das Escrituras, o Espírito Santo fala à mente e grava a ver-
dade no coração. Assim expõe o erro, expulsando-o do coração. É pelo Es-
pírito da verdade, agindo pela Palavra de Deus, que Cristo submete a Si
Seu povo escolhido” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 671).
O Espírito Santo nunca deve ser interpretado como substituto da Pa-
lavra de Deus. Em vez disso, Ele trabalha em harmonia com a Bíblia e por
meio dela para nos atrair a Cristo, tornando as Escrituras a única norma
para a verdadeira espiritualidade bíblica. A Bíblia apresenta a sã doutri-
na (1Tm 4:6) e, sendo a Palavra de Deus, é confiável e merece plena acei-
tação. Não é nossa tarefa julgar as Escrituras. Em vez disso, a Palavra de
Deus tem o direito e a autoridade para julgar nossa vida e nossos pensa-
mentos. Afinal, é a Palavra escrita do próprio Deus.
Por que a Bíblia é um guia mais seguro em questões espirituais do que impressões
subjetivas? Quais são as consequências de não aceitar a Bíblia como o padrão pelo
qual provamos todos os ensinamentos e até mesmo nossa experiência espiritual? Se a
revelação particular fosse a palavra final nas questões espirituais, por que isso não le-
varia a nada além do caos e do erro?
Ter comunhão com Deus em oração é contar coisas da sua vida a Ele.
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■ Sexta, 24 de abril Ano Bíblico: 2Rs 9-11
Estudo adicional
T exto de Ellen G. White: O Grande Conflito, p. 593-602 (“Nossa Única
Salvaguarda”).
A tradição, a experiência, a cultura, a razão e a Bíblia estão presentes em
nossa reflexão sobre a Palavra de Deus. A pergunta decisiva é: qual dessas
fontes tem a palavra final e a autoridade suprema em nossa teologia? Uma
coisa é confirmar a Bíblia, mas algo completamente diferente é permitir
que ela, mediante o ministério do Espírito Santo, influencie e mude a vida.
4 “Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento necessá-
rio para a salvação. As Santas Escrituras devem ser aceitas como autori-
tativa e infalível revelação de Sua vontade. Elas são a norma do caráter, o
revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa” (Ellen
G. White, O Grande Conflito, p. 9).
Perguntas para consideração
1. P or que é mais fácil defender os detalhes de algumas tradições huma-
nas do que viver o espírito da Lei de Deus: amar o Senhor, nosso Deus,
de todo o nosso coração e entendimento, e amar o próximo como a nós
mesmos? (veja Mt 22:37-40).
2. C omente sua resposta à pergunta final de domingo. Que função a tra-
dição deve ter em nossa igreja? Quais bênçãos e desafios você observa
nas tradições religiosas?
3. Como podemos garantir que a tradição, não importando quanto ela seja
boa, não substitua a Palavra escrita de Deus como nossa norma e au-
toridade final?
4. I magine que alguém afirme ter recebido um sonho em que o Senhor
lhe teria dito que o domingo é o verdadeiro dia de descanso e adoração
nos tempos do Novo Testamento. Como você responderia a essa pes-
soa? O que uma história semelhante a essa nos ensina sobre como a ex-
periência deve sempre ser provada pela Palavra de Deus?
5. F ale sobre a cultura em que sua igreja está imersa. Como essa cultura
influencia sua fé? Quais exemplos encontramos na História em que a
cultura tenha influenciado grandemente as ações dos membros da igreja
de uma forma que hoje vemos como negativa? Que lições podemos ex-
trair desse fato para não cometer erros semelhantes?
Respostas e atividades da semana: 1. B. 2. Pela imutável Palavra de Deus provamos as transitórias tradições huma-
nas. 3. Experimentamos essas coisas pela bondade de Deus, pois Ele faz surgir em nós todas as virtudes. Nossa fé deve
ser experimental e não apenas cognitiva, pois a fé que transforma é fruto da experiência e não apenas do intelecto.
É preciso, no entanto, provar as experiências à luz da Palavra, pois elas podem nos levar para longe da verdade.
4. Devemos cuidar para que as experiências não nos enganem. Elas são manchadas pelo pecado. 5. Que nosso cora-
ção não deve estar nas coisas mundanas, mas nas divinas. 6. A. 7. A fonte é a Palavra de Deus. A Bíblia confirma que
Cristo é o Messias, pois testifica Dele desde o Antigo Testamento.
| 50 | Como interpretar as Escrituras
Anotações
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RESUMO DA LIÇÃO 4
A Bíblia – a fonte autoritativa
de nossa teologia
TEXTOS-CHAVE: Is 8:20; Mc 7:1-13; 1Co 11:2; 2Ts 3:6; Rm 2:4; Tt 3:4, 5; 1Jo 2:15-17;
2Co 10:5, 6; Pv 1:7; 9:10; Jo 5:46-48; 7:38
ESBOÇO
Muitas vezes não temos consciência da influência de outras fontes em nosso pensa-
4 mento e em nossa teologia. Mesmo que queiramos viver dirigidos somente pelas Escri-
turas, nosso entendimento delas é significativamente moldado e influenciado por vários
fatores: as tradições a que estamos acostumados e com as quais crescemos, a maneira
pela qual somos treinados para pensar e nosso modo de usar a razão para explicar as coi-
sas, nossa experiência com certas pessoas e ideias e a cultura formativa que nos rodeia.
A prioridade dada a qualquer fonte ou combinação de fontes tem influência relevante em
nossa teologia; em última análise, essas coisas determinarão a direção de todo o raciocínio
teológico. Nas igrejas católicas e ortodoxas, a tradição costuma desempenhar um papel
importante e decisivo. Nas igrejas carismáticas e pentecostais, a experiência geralmen-
te é creditada como autoridade final. Na teologia liberal, a razão humana com frequência
assume a última palavra para decidir o que é aceitável ou não. Além disso, toda igreja é
impactada em algum nível pela cultura local, e nenhuma igreja existe sem a Bíblia. Não
queremos uma fé desprovida de experiência e reflexão – uma fé que não seja razoável e
que não seja abençoada por tradições positivas. É importante estar ciente de todas essas
influências e entender a contribuição positiva que cada fonte tem em nossa fé, mas tam-
bém é essencial ver claramente as limitações delas. Eis a pergunta decisiva: a que fonte
concedemos autoridade suprema e final em matéria de fé e prática?
COMENTÁRIO
Tradição
A tradição geralmente tem má reputação, uma vez que está associada à estreiteza
mental que se apega de maneira servil à rígida repetição e execução de certos rituais e
práticas, porém ela não é de todo ruim. Pensemos em alguns de seus pontos positivos:
mantém atos recorrentes de estrutura e estabilidade; conecta-nos com o passado e tal-
vez até com nossas origens; transmite valores e conceitos essenciais; ajuda a manter viva
a memória de acontecimentos e fatos importantes.
O problema surge quando essas tradições ganham vida própria e acabam se tornan-
do mais significativas do que as coisas originais que tentam preservar. As tradições tam-
bém tendem a crescer ao longo do tempo e a acrescentar aspectos que vão muito além
do que deu início a elas.
| 52 | Como interpretar as Escrituras
Em Gálatas 1:9, Paulo aconselhou os crentes a não aceitar outro evangelho além da-
quele que haviam recebido. Assim, existe uma tradição que Deus iniciou, mas também
existem tradições humanas que não fazem parte originalmente do plano divino ou da Pa-
lavra divina.
Experiência 4
Os seres humanos são criados com capacidade de experimentar amor. Somos capazes de
experimentar beleza, harmonia, música e arte, e podemos nos relacionar com as coisas e ou-
tros relacionamentos de um modo que vai muito além do aspecto racional. A experiência faz
parte da vida e desempenha papel significativo em nossa espiritualidade.
Pense sobre dimensões de sua fé em que a experiência de alegria, perdão, consciên-
cia limpa e atos de bondade e amor impactaram positivamente seu relacionamento com
Deus e com outros crentes.
A experiência de rejeição, preconceito, ódio, suspeita, dúvida, inveja e ciúme impactou
negativamente seu relacionamento com Deus e sua compreensão Dele? O que isso ensina
acerca da responsabilidade de cada um de ser carta viva de Cristo (2Co 3:2, 3), que pode
ser lida por outras pessoas e que leva a elas o conhecimento do amor de Deus?
Ilustração
A experiência humana é poderosa, mas também pode ser enganosa e desorientado-
ra. Como você reagiria se um cristão carismático lhe dissesse que, em sua experiência,
Deus lhe houvesse dito para adorar a Deus no domingo, enquanto a Bíblia afirma clara-
mente que o sábado é o dia sagrado de descanso para Ele? O que devemos fazer se a ex-
periência de um dom espiritual em particular se tornar a norma para o que significa ter
uma vida cheia do Espírito?
Cultura
A palavra cultura deriva do latim cultura, que provém, por sua vez, de colere, que sig-
nifica cultivar. A cultura abrange, entre outras coisas, o conjunto de costumes, valores,
comportamento social e normas encontradas nas sociedades humanas. Deus nos deu a
capacidade de moldar a cultura, mas ao mesmo tempo todos nós somos influenciados pe-
las respectivas culturas em que vivemos.
A Bíblia surgiu em uma cultura específica, e familiarizar-nos com essa cultura nos ajuda
a entender algumas de suas declarações. O contexto cultural em que as Escrituras foram
escritas não as limita a essa cultura. Afinal, elas são a Palavra de Deus revelada. Como
tal, a Bíblia pode ter um impacto positivo na cultura humana e elevar qualquer sociedade.
Liste exemplos em que o pensamento bíblico mudou a sociedade e sua cultura para
melhor ou onde poderia ter um impacto positivo em nossa sociedade e cultura. Pense com
os membros da sua classe de Escola Sabatina sobre estratégias para introduzir as ideias
bíblicas de maneira que sejam bem recebidas, criando uma contracultura bíblica positi-
va em nossa sociedade.
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Nenhuma cultura é perfeita, e toda cultura é afetada pelo pecado; portanto, nem tudo
nela é positivo. Algumas questões culturais podem ter impacto negativo em nossa fé ou
podem ter origem demoníaca. Como podemos distinguir entre aspectos positivos e ne-
gativos de nossa cultura? Como evitar simplesmente copiar nossa cultura em nossa ado-
ração? Por que precisamos ser culturalmente relevantes para alcançar outras pessoas?
Como a Bíblia pode ser a norma final nessa busca?
Raciocínio
Deus nos criou com a capacidade de pensar. Grande parte da Bíblia nos chama a refle-
tir sobre o que está escrito nas Escrituras e estimula nossos pensamentos e reflexão. A
pergunta frequente “Que vos parece?” (Mt 17:25; 18:12; 21:28; 22:17; 22:42; 26:66, etc.) ou
4 “Não lestes?” (Mt 12:3, 5; 19:4; 21:16; 21:42; 22:31; etc.) implica que Deus quer que usemos
nosso raciocínio para entender a Ele e a Sua Palavra. Embora possamos entender Deus
de forma correta e verdadeira, temos que reconhecer que nunca compreenderemos com-
pletamente tudo sobre Ele. Afinal, somos seres criados. Nós não somos Deus! Além disso,
nosso pensamento é obscurecido e afetado pelo pecado. Portanto, precisamos levar “ca-
tivo todo pensamento à obediência de Cristo” (2Co 10:5). Se não estivermos dispostos a
submeter nosso pensamento à autoridade superior das Escrituras, começaremos rapida-
mente a julgar cada vez mais partes das Escrituras de acordo com o que pensamos ser ra-
zoável e verdadeiro, tornando nossa razão a norma para o que podemos aceitar ou não.
Essa mentalidade eliminará os milagres da Bíblia e afetará suas verdades, como a doutri-
na de Deus e Sua natureza triúna, a divindade de Cristo, a personalidade do Espírito San-
to, a ressurreição corporal ou a relação entre o livre-arbítrio humano e a soberania divina,
para citar apenas alguns ensinamentos. Por fim, “um método crítico possivelmente fa-
lhará, porque apresenta uma impossibilidade inerente. Pois o aspecto correspondente
ou o contraponto à revelação não é a crítica, mas a obediência; não é correção [...] mas
é um deixe-me-ser-corrigido” (Gerhard Maier, O Fim do Método Histórico-Crítico. St. Louis:
Concordia, 1977, p. 23).
A Bíblia
A Bíblia é nossa autoridade superior e definitiva em todos os assuntos de fé e prática,
pois cremos que o Espírito Santo inspirou seus escritores a escrever de maneira confiável
e fidedigna o que Deus desejou comunicar por meio deles. Jesus e os apóstolos trataram
as Escrituras com essa compreensão. Para Jesus, a Palavra de Deus é a verdade (Jo 17:17).
No que diz respeito ao Senhor, se não cremos em Moisés, não acreditamos em Suas pala-
vras (Jo 5:46, 47). Para Ele, as Escrituras são a norma para a nossa fé: “Quem crer em Mim,
como diz a Escritura” (Jo 7:38). De igual modo, os apóstolos se referiam repetidamente às
Escrituras como a norma de seus ensinamentos (At 17:11; Rm 10:11, etc.) e criam nelas:
“pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela
paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15:4). Não pode-
mos ser mais apostólicos em nosso tratamento das Escrituras do que os próprios apósto-
los foram, e não podemos ser mais cristãos do que o próprio Cristo. Ele é o nosso exemplo.
| 54 | Como interpretar as Escrituras
Fazemos bem em seguir Seus passos na maneira pela qual Ele usou as Escrituras e
constantemente Se referiu a elas como norma decisiva para Sua fé.
APLICAÇÃO PARA A VIDA 4
Quando amamos alguém, vários dos fatores que discutimos nesta semana entram em
cena. No amor, experimentamos sentimentos fortes. No entanto, o amor é mais do que
apenas sentimento. Ao amar outra pessoa, normalmente temos algumas boas razões para
fundamentar a realidade desse sentimento e o motivo para a outra pessoa nos amar. Con-
tudo, não devemos fundamentar o amor apenas na razão.
Em um relacionamento amoroso, tendemos a desenvolver algumas práticas ou tradi-
ções comuns que nos lembram momentos significativos juntos. Mas quando as tradições
se tornam mais importantes que o próprio relacionamento, elas nos afastam do caminho
correto e podemos perder algo essencial. Quando mostramos nosso amor por outra pes-
soa, normalmente o fazemos de maneiras que se assemelham aos costumes e normas co-
muns de nossa cultura. Porém, quando permitimos que apenas a cultura defina como o
amor deve ser praticado, podemos rapidamente ser levados a fazer coisas que são expli-
citamente proibidas nas Escrituras. Por esse motivo, precisamos de uma fonte que não
seja apenas de origem humana para nos guiar e orientar no amor e na vida. Precisamos de
uma fonte confiável, que seja mais profunda do que aquilo que sentimos, mais elevada do
que pensamos e mais relevante do que qualquer tradição ou cultura humana. Agradeça a
Deus pela Palavra duradoura e confiável que encontramos na Bíblia.
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Esta obra o ajuda a compreender
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| 56 | Como interpretar as Escrituras
Somente pelas Lição
Escrituras –
Sola Scriptura 5
VERSO PARA MEMORIZAR: “Porque a
Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais
cortante do que qualquer espada de
dois gumes, e penetra até ao ponto de
dividir alma e espírito, juntas e medulas,
e é apta para discernir os pensamentos e
propósitos do coração” (Hb 4:12).
Leituras da semana: 1Co 4:1-6; Tt 1:9;
2Tm 1:13; Mc 12:10, 26; Lc 24:27, 44, 45;
Is 8:20
■ Sábado, 25 de abril Ano Bíblico: 2Rs 12-14
A declaração protestante “somente as Escrituras” (sola Scriptura) ele-
vou a Bíblia como o único padrão e fonte decisiva para a teologia. Em
contraste com a teologia católica romana, que enfatizava as Escrituras e
a tradição, a fé protestante enfatizava a palavra-chave somente; isto é, so-
mente as Escrituras são a autoridade final quando assuntos de fé e dou-
trina estão em discussão.
A Bíblia deu força e autoridade decisivas à Reforma Protestante e à sua
revolta contra Roma e os erros que esta vinha ensinando durante séculos.
Em oposição a uma interpretação alegórica das Escrituras, em que muitos
significados diferentes eram atribuídos ao texto, os reformadores enfa-
tizaram a importância de uma interpretação histórico-gramatical da Bí-
blia, que levava a sério o significado gramatical e literal do texto bíblico.
Nesta semana, examinaremos o princípio da sola Scriptura com mais
detalhes. Descobriremos que sola Scriptura implica alguns princípios fun-
damentais de interpretação bíblica indispensáveis a uma compreensão
apropriada da Palavra de Deus. Sendo protestantes, devemos manter a
Bíblia como autoridade doutrinal suprema.
Peça a Deus que faça você sentir mais e mais necessidade de orar. | 57 |
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■ Domingo, 26 de abril Ano Bíblico: 2Rs 15-17
As Escrituras como a norma dominante
D esde o início de seu movimento, os Adventistas do Sétimo Dia têm se
considerado um povo do “Livro”, isto é, cristãos que creem na Bíblia.
A fim de confirmar o princípio escriturístico da sola Scriptura (somente
pelas Escrituras), reconhecemos a autoridade singular da Bíblia. Essa é
a norma dominante para nossa teologia e a autoridade suprema para a vida
e a doutrina. Outras fontes, como a experiência religiosa, a razão humana
ou a tradição, são subservientes à Bíblia. Na verdade, o princípio da sola
Scriptura tinha a intenção de proteger a autoridade das Escrituras da de-
pendência da igreja e de sua interpretação, e ele descartava a possibilida-
de de que o padrão de sua interpretação viesse de fora da Bíblia.
5 1. E m 1 Coríntios 4:1-6, especialmente o verso 6, Paulo disse que não devemos
“ultrapassar o que está escrito”. Por que esse ponto é crucial para nossa fé?
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Não ultrapassar o que está escrito não exclui ideias de outros campos
de estudo, como a arqueologia bíblica ou a história. Outros campos podem
lançar luz sobre alguns aspectos bíblicos e sobre o contexto das passagens
bíblicas, e assim podem nos ajudar a compreender mais o texto bíblico.
Também não exclui o auxílio de outros recursos na tarefa da interpreta-
ção, como léxicos, dicionários, concordâncias e outros livros e comentá-
rios. No entanto, na interpretação correta da Bíblia, o texto das Escrituras
tem prioridade sobre todos os outros aspectos, ciências e auxílios secun-
dários. Outros pontos de vista devem ser avaliados cuidadosamente da
perspectiva das Escrituras como um todo.
O que confirmamos positivamente quando praticamos o princípio da
sola Scriptura é que, se surge um conflito na interpretação da nossa fé, en-
tão somente as Escrituras têm a autoridade que transcende e julga qualquer
outra fonte ou tradição da igreja. Não devemos ultrapassar nem contra-
riar o que está escrito na Bíblia. O verdadeiro cristianismo e a pregação
convincente do evangelho dependem de um firme compromisso com a au-
toridade das Escrituras.
“Somente as Escrituras são o verdadeiro senhor e mestre de todos os
escritos e doutrinas da Terra” (Martin Luther, Luther’s Works, v. 32: Ca-
reer of the Reformer II, ed. Jaroslav Jan Pelikan, Hilton C. Oswald e Helmut
T. Lehmann [Philadelphia: Fortress Press, 1999], p. 11, 12).
Leia Atos 17:10, 11. Como esses versos esclarecem a primazia das Escrituras?
| 58 | Como interpretar as Escrituras
■ Segunda, 27 de abril Ano Bíblico: 2Rs 18, 19
A unidade das Escrituras
A própria Bíblia afirma que “toda a Escritura é inspirada por Deus”
(2Tm 3:16) e que “nenhuma profecia da Escritura provém de particular
elucidação”, e que “homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo
Espírito Santo” (2Pe 1:20, 21). Tendo Deus como o Autor fundamental da
Bíblia, podemos admitir uma harmonia e unidade básicas entre as várias
partes das Escrituras em relação às principais questões ensinadas por ela.
2. L eia Tito 1:9 e 2 Timóteo 1:13. Por que a unidade da Bíblia é importante 5
para a nossa crença?
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Somente com base em sua unidade interna, derivada de sua inspiração
divina, as Escrituras podem funcionar como seu próprio intérprete. Se as
Escrituras não tivessem uma unidade abrangente em seus ensinamentos,
não poderíamos chegar a uma harmonia na doutrina sobre nenhum as-
sunto. Sem a unidade da Bíblia, a igreja não teria meios para distinguir a
verdade do erro e repudiar a heresia. Não teria base para aplicar medidas
disciplinares nem corrigir desvios da verdade de Deus. As Escrituras per-
deriam seu poder de convencimento e libertação.
Jesus e os escritores bíblicos, porém, reconheceram a unidade das Es-
crituras, que está fundamentada na origem divina delas. Observamos esse
fato em sua prática comum de citar livros do Antigo Testamento como ten-
do peso igual e harmonioso (Rm 3:10-18; aqui Paulo fez citações bíblicas
de Eclesiastes 7:20; Salmos 14:2, 3; 5:9; 10:7 e Isaías 59:7, 8).
Os escritores da Bíblia consideravam as Escrituras um todo coerente,
inseparável, no qual os principais temas são desenvolvidos. Não há dis-
cordância entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento. O Novo Testa-
mento não contém um novo evangelho nem uma nova religião. O Antigo
Testamento é expandido no Novo, que se fundamenta no Antigo. Sendo
assim, os dois Testamentos têm uma relação recíproca na qual ambos es-
clarecem um ao outro.
A unidade das Escrituras também implica que toda a Escritura (tota
Scriptura) deve ser levada em consideração quando estudamos um assun-
to bíblico, em vez de desenvolvermos nosso ensino com base somente em
declarações isoladas.
O que devemos fazer quando nos deparamos com textos ou conceitos bíblicos que pa-
recem contraditórios entre si? Como trabalhar para resolvê-los?
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■ Terça, 28 de abril Ano Bíblico: 2Rs 20, 21
A clareza das Escrituras
Q ualquer apelo em favor do princípio das “Escrituras somente” tem
pouco sentido se o texto da Bíblia não for claro em seu significado.
3. L eia Mateus 21:42; 12:3, 5; 19:4; 22:31; 24:15; Marcos 12:10, 26; 13:14; Lucas
6:3. O que a repetida referência de Jesus às Escrituras sugere em relação
à clareza de sua mensagem? Assinale a alternativa correta:
A. ( ) Que elas não são claras à nossa compreensão.
B. ( ) Que elas são claras ao nosso entendimento.
O testemunho bíblico é inequívoco: a Bíblia é suficientemente clara
5 no que ensina. A Bíblia é tão clara que pode ser entendida tanto por crian-
ças quanto por adultos, especialmente em seus ensinamentos mais básicos.
No entanto, ainda existem oportunidades infinitas para que nosso co-
nhecimento e compreensão se desenvolvam mais profundamente. Não
precisamos que nenhum magistério eclesiástico nos apresente o signifi-
cado da Bíblia. Em vez disso, seus ensinamentos fundamentais podem ser
compreendidos por todos os cristãos. Ela admite o sacerdócio de todos os
crentes, em vez de restringir sua interpretação a um grupo seleto, como o
sacerdócio clerical. Portanto, a própria Bíblia nos encoraja a estudá-la por
nós mesmos, pois somos capazes de entender a mensagem de Deus para nós.
Tem sido apropriadamente apontado que “o exemplo uniforme dos
escritores da Bíblia mostra que as Escrituras devem ser tomadas em seu
sentido literal, a menos que se trate, óbvia e claramente, de linguagem fi-
gurada [...]. Não é preciso retirar a ‘casca’ para alcançar o ‘miolo’ de um
significado místico, secreto ou alegórico, que somente iniciados podem
descobrir” (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, Casa Publicado-
ra Brasileira, 2011, p. 75). Em vez disso, a clareza da Bíblia diz respeito à
linguagem, sentido e palavras das Escrituras, pois há uma verdade defi-
nida pretendida pelos escritores bíblicos, em vez de múltiplos significa-
dos subjetivos e incontrolados do texto bíblico.
Isso não significa que, às vezes, não nos depararemos com textos e
ideias que não captamos nem compreendemos completamente. Afinal, é a
Palavra de Deus, e somos apenas seres humanos caídos. Contudo, as Escri-
turas são suficientemente claras acerca das coisas que realmente precisa-
mos conhecer e entender, especialmente em relação à questão da salvação.
Você já teve dificuldade para compreender alguns textos, mas conseguiu esclarecê-
los posteriormente? Como pode ajudar outras pessoas a lutar com algo semelhante?
| 60 | Como interpretar as Escrituras
■ Quarta, 29 de abril Ano Bíblico: 2Rs 22, 23
As Escrituras interpretam as Escrituras
U nicamente porque existe uma unidade fundamental na Bíblia, ela
pode funcionar como sua própria intérprete. Sem essa unidade, as
Escrituras não poderiam ser a luz que revela seu próprio significado, em
que uma parte da Bíblia interpreta outras partes e, portanto, torna-se in-
dispensável para entender as passagens relacionadas.
4. Leia Lucas 24:27, 44, 45. Como Jesus Se referiu às Escrituras para expli- 5
car quem Ele é? Como podemos usar as Escrituras?
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A beleza de deixar as Escrituras interpretarem a si mesmas é que elas
esclarecem ainda mais seu significado. Ao fazê-lo, não reunimos indiscri-
minadamente várias passagens para provar nossa opinião. Em vez disso,
cuidadosamente levamos em consideração o contexto de cada passagem.
Além do contexto imediato antes e após uma passagem sob investigação,
devemos considerar o contexto do livro no qual a passagem se encontra.
Além disso, uma vez que, de acordo com Paulo, “tudo quanto, outrora, foi
escrito para o nosso ensino foi escrito” (Rm 15:4), devemos estudar tudo
o que as Escrituras declaram sobre determinado assunto.
“A Bíblia se autoexplica. Textos devem ser comparados com textos. O es-
tudante deve aprender a ver a Palavra como um todo, e também a relação
entre suas partes. Deve obter conhecimento de seu grandioso tema central,
do propósito original de Deus em relação a este mundo, da origem do gran-
de conflito, e da obra da redenção” (Ellen G. White, Educação, p. 190).
Ao compararmos as Escrituras com elas mesmas, é importante estudá-
las completamente. Se possível, devemos fazê-lo em suas línguas originais,
ou pelo menos com uma tradução bíblica apropriada, fiel ao significado con-
tido nos originais hebraico e grego. Embora o conhecimento das línguas
originais não seja necessário para se ter uma boa compreensão da Bíblia,
certamente ajuda quando possível. Caso não haja essa possibilidade, estu-
dar a Palavra fielmente e em espírito de oração, com atitude de humildade
e submissão, certamente ainda renderá grandes frutos.
Ao pensar em uma doutrina, como o estado dos mortos, concentrar-se em poucas pas-
sagens escolhidas poderia levar ao erro. Por que é importante ler tudo o que a Bíblia
diz sobre um assunto para entender melhor o que ela ensina?
Ore muitas vezes. Era assim que Enoque andava com Deus (Caminho a Cristo, p. 97).
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■ Quinta, 30 de abril Ano Bíblico: 2Rs 24, 25
Sola Scriptura e Ellen G. White
5. Leia Isaías 8:20. Por que é importante voltar à “Lei” e ao “Testemunho”
bíblicos como as normas para nosso ensino e doutrina? O que isso signi-
fica para o ministério dos profetas que não se tornaram parte do cânon
bíblico? Assinale a alternativa correta:
A. ( ) Porque sem eles não há garantia de unidade na doutrina.
B. ( ) Porque o conhecimento da Lei nos salva do pecado.
Q uando falamos da sola Scriptura (somente as Escrituras), os Adven-
tistas do Sétimo Dia são inevitavelmente confrontados com a ques-
tão do que fazer com Ellen G. White, que também foi inspirada por Deus
5 e serviu como mensageira do Senhor para Seu povo remanescente. Qual é
a relação de seus escritos com as Escrituras?
Mesmo uma leitura superficial dos escritos de Ellen G. White mostra
claramente que, para ela, a Bíblia era fundamental e central em todo o seu
pensamento e teologia. Ela repetidamente confirmou que a Bíblia é a au-
toridade superior, norma e padrão supremos para toda doutrina, fé e prá-
tica (veja O Grande Conflito, p. 595). Além disso, ela claramente apoiou e
defendeu o grande princípio protestante da sola Scriptura (veja O Grande
Conflito, p. 9).
Na visão de Ellen G. White, seus escritos, quando comparados com as
Escrituras, são uma “luz menor para levar homens e mulheres à luz maior”,
a Bíblia (The Advent Review and Sabbath Herald, 20 de janeiro de 1903). Seus
escritos nunca são um atalho nem substituto para um estudo sério da Bí-
blia. Na verdade, ela comentou: “Vocês não estão familiarizados com as
Escrituras. Se tivessem feito da Bíblia o objeto de seus estudos, com o pro-
pósito de atingir o padrão bíblico e a perfeição cristã, não teriam necessita-
do dos testemunhos. Porque negligenciaram tomar conhecimento do Livro
inspirado de Deus, Ele procurou alcançar vocês por meio de testemunhos
simples e diretos” (Testemunhos Para a Igreja, v. 2, p. 605).
Sendo assim, seus escritos devem ser estimados. Eles compartilham
o mesmo tipo de inspiração dos escritores bíblicos, mas têm uma função
diferente da Bíblia. Os escritos de Ellen G. White não são um acréscimo
às Escrituras, mas estão sujeitos à Palavra de Deus. Ela nunca pretendeu
que seus escritos tomassem o lugar da Bíblia; em vez disso, elevou-a como
o único padrão de fé e prática.
Pense no dom maravilhoso que recebemos mediante o ministério de Ellen G. White.
Como podemos apreciar mais a luz maravilhosa que vem de seus escritos enquanto
também defendemos a supremacia das Escrituras?
| 62 | Como interpretar as Escrituras
■ Sexta, 1o de maio Ano Bíblico: 1Cr 1-3
Estudo adicional
N o capítulo sobre Interpretação Bíblica, no Tratado de Teologia Ad- 5
ventista do Sétimo Dia, leia as seções sobre A Analogia da Escritura
(“A Escritura É Sua Própria Intérprete”, “A Harmonia da Escritura” e
“A Clareza da Escritura”, p. 74-77. Textos de Ellen G. White: Educação,
p. 185-192 (“Ensino e Estudo da Bíblia”); Mensagens Escolhidas, v. 3,
p. 29-33 (“A Primazia da Palavra”).
“O estudante da Bíblia deve ser ensinado a aproximar-se dela com um
espírito de aprendiz. Devemos pesquisar suas páginas, não em busca de pro-
vas para manter nossas opiniões, mas com o objetivo de saber o que Deus
diz. Um verdadeiro conhecimento da Bíblia só pode ser obtido pelo auxílio
Daquele Espírito pelo qual a Palavra foi dada. E, a fim de obter esse conhe-
cimento, devemos viver de acordo com ele. Temos que obedecer a tudo que
a Palavra de Deus ordena. [...]. O estudo da Bíblia exige nosso mais dedica-
do esforço e perseverante meditação. Com o mesmo empenho e persistên-
cia com que o mineiro cava para obter o dourado tesouro da terra, devemos
procurar o tesouro da Palavra de Deus” (Ellen G. White, Educação, p. 189).
“Quando vocês fizerem da Bíblia seu alimento, sua comida e sua bebida,
quando fizerem de seus princípios os elementos de seu caráter, conhece-
rão melhor como receber conselho de Deus. Enalteço a preciosa Pala-
vra diante de vocês neste dia. Não repitam o que eu declarei, afirmando:
‘A irmã White disse isto’ e ‘a irmã White disse aquilo’. Descubram o que o
Senhor Deus de Israel diz e façam então o que Ele ordena” (Ellen G. White,
Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 33).
Perguntas para consideração
1. Quais crenças errôneas as pessoas defendem por terem examinado ape-
nas alguns textos selecionados em vez de pesquisar tudo o que a Bíblia
diz sobre um assunto?
2. Leia o que Jesus disse em Mateus 11:11 sobre João Batista. Jesus desta-
cou um profeta que não tem nenhum escrito na Bíblia. Por que um pro-
feta pode ser verdadeiro mesmo que não tenha escrito um livro bíblico?
Como Adventistas do Sétimo Dia, que mensagem extraímos desse fato?
3. C omo adventistas, não estamos sozinhos em reivindicar a Bíblia como
nossa autoridade final. Outras igrejas também o fazem. Como expli-
car as doutrinas contraditórias que outros cristãos afirmam encontrar
na Bíblia?
Respostas e atividades da semana: 1. Porque, se ultrapassarmos o que está escrito, atribuiremos doutrinas de seres
humanos à Palavra de Deus. 2. Porque evita confusão na doutrina e nos procedimentos da igreja. 3. B. 4. Jesus utili-
zou as Escrituras para explicar Sua missão, pois elas testificam Dele. Podemos usá-las para conhecê-Lo melhor. 5. A.
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Anotações
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| 64 | Como interpretar as Escrituras
RESUMO DA LIÇÃO 5
Somente pelas
Escrituras – Sola Scriptura
TEXTOS-CHAVES: Hb 4:12; 1Co 4:6; Is 8:20; Tt 1:9; 2Tm 1:13; Lc 24:27, 44, 45
ESBOÇO 5
A Bíblia e o protestantismo estão entrelaçados em uma história comum. Pode-se dizer
que a história do cristianismo é, em certo sentido, a história da interpretação das Escritu-
ras Sagradas. sola Scriptura – somente a Bíblia – tem sido o grito de guerra da Reforma
Protestante. O princípio sola Scriptura elevou o papel das Escrituras à condição de pa-
drão único e fonte normativa da teologia. Além disso, o sola Scriptura era um instrumento
para criticar as estruturas do poder eclesiástico e as antigas tradições da igreja. Ele de-
volveu a Bíblia às mãos das pessoas comuns. Assim, sola Scriptura é o princípio crítico di-
recionador que guia a igreja. Indica a convicção de que a Bíblia, e somente a Bíblia, é o
único critério para a fé e o viver cristão. O que cremos em matéria de fé só é verdadeiro
se nossas crenças correspondem ao testemunho de toda a Escritura (tota Scriptura). Esse
preceito implica a unidade das Escrituras e a premissa de que a Bíblia é suficientemen-
te clara no que afirma.
Assim, o sola Scriptura é muito mais do que apenas um slogan da Reforma. Sem esse
livro sagrado a Reforma não teria sido capaz de realizar o que fez. O sola Scriptura tam-
bém sugere vários princípios importantes para a interpretação das Escrituras que estão
indissoluvelmente entrelaçados com esse conceito. Nesta semana, examinaremos mais
de perto alguns desses princípios de interpretação.
COMENTÁRIO
Quando afirmamos a importância do sola Scriptura para nossa fé, reconhecemos a au-
toridade divina única da Bíblia sobre qualquer outra fonte que possa influenciar nossa
teologia. Sola Scriptura não significa Scriptura Solo (escritura não acompanhada). Existem
outras fontes que inevitavelmente fazem parte do que acreditamos, mas somente as Es-
crituras são a norma padrão e autoridade final sobre todas as outras fontes quando se
trata de questões de fé e prática. As Escrituras estão acima de qualquer credo da igreja;
não estão sujeitas ao julgamento da ciência ou da voz da maioria, nem de qualquer tra-
dição, razão ou experiência. Nas palavras de Ellen G. White: “No entanto, Deus terá na
Terra um povo que se fundamentará na Bíblia, e apenas na Bíblia, como norma de todas
as doutrinas e base de todas as reformas. Nem a opinião de sábios, nem as deduções da
ciência, nem os credos ou decisões dos concílios eclesiásticos, tão numerosos e discor-
dantes como são as igrejas que representam, nem a voz da maioria, nada disso deve ser
considerado evidência a favor ou contra qualquer ponto de fé religiosa. Antes de aceitar
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qualquer doutrina ou preceito, devemos conferir se há um categórico “assim diz o Senhor”
(O Grande Conflito, p. 595).
A Bíblia tem um papel magistral devido à sua origem e autoridade divinas. Portanto,
não devemos diminuir o conteúdo das Escrituras, tampouco devemos acrescentar às suas
palavras e ir além de seus ensinamentos claros. No fim do último livro da Bíblia, lemos o
seguinte aviso, que pode ser aplicado a toda a Escritura: “Eu, a todo aquele que ouve as
palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus
lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das pa-
lavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa
e das coisas que se acham escritas neste livro” (Ap 22:18, 19).
Perguntas para consideração
Por que é importante não adicionar nem tirar palavras das Escrituras? O que aconte-
ceria se adicionássemos ou subtraíssemos sua verdade? O que significaria tal adição ou
5 subtração para a autoridade das Escrituras? O que essa resposta nos diz sobre a autorida-
de da pessoa que acrescenta ou tira seções das Escrituras?
Somente a Bíblia é a norma que rege nossa fé. Esse preceito implica vários outros as-
pectos e princípios, como veremos a seguir:
A unidade das Escrituras
O fato de que as Escrituras são um guia e padrão teológicos só é possível devido à sua
unidade, a qual é resultado de inspiração divina. A unidade não se sobrepõe às Escritu-
ras, mas flui de sua origem divina. A própria Bíblia atesta essa unidade pelo fato de que
os escritores do Novo Testamento citam basicamente todo o Antigo Testamento (as Es-
crituras de sua época); além disso, as palavras de Jesus e os escritos do Novo Testamen-
to foram postos no mesmo nível de autoridade do Antigo (ver Lc 10:16, 2Pe 3:16). Assim,
nenhuma parte das Escrituras tem mais autoridade do que a outra. O Novo Testamento
não está acima do Antigo; e o Antigo é revelado no Novo.
Se não houvesse inspiração divina, não haveria unidade nas Escrituras. Sem a inspi-
ração de Deus, teríamos apenas escritos bíblicos diferentes e contraditórios. Sem essa
unidade, não seria possível desenvolver uma teologia bíblica abrangente. Poderíamos
apenas debater sobre as diversas e inconsistentes teologias de diferentes escritores bí-
blicos. Somente a unidade bíblica nos permite levar todo o conteúdo em consideração e
comparar Escritura com Escritura. Se não houvesse unidade na Bíblia, não mais podería-
mos fazer essa comparação, nem usá-la para responder a perguntas. Sua harmonia tem
implicações de longo alcance para nossa teologia. Sem uma unidade básica das Escritu-
ras, não seríamos aptos a distinguir a verdade do erro, nem mais poderíamos nos opor à
heresia teológica. O resultado seria uma pluralidade de crenças distintas, contradições
e inconsistências na Bíblia. Se isso ocorresse, a Bíblia teria efetivamente perdido sua ca-
pacidade de ser a norma e a diretriz para as nossas crenças e não poderia ser usada para
trazer unidade teológica entre os crentes.
| 66 | Como interpretar as Escrituras
Aplicação
Há quem afirme que o Novo Testamento tem mais autoridade que o Antigo. Afirmam que
o Antigo Testamento ensina ira, vingança e a salvação com base em obras, ao passo que no
Novo Testamento encontramos amor, misericórdia, perdão e graça. Assim, não há unidade
de pensamento. Portanto, nessa visão, o Novo Testamento e, especialmente, as palavras de
Jesus são colocados acima das palavras do Antigo. Como você reage a essa posição? Existem
problemas nessa abordagem? Que implicações essa visão tem para a autoridade da Bíblia?
A clareza das Escrituras 5
Quando recorremos somente à Bíblia, também expressamos de forma implícita a con-
vicção de que as afirmações das Escrituras são suficientemente claras para ser entendi-
das, a fim de podermos colocar em prática. Talvez os textos mais difíceis da Bíblia não
sejam aqueles que nos desafiam em nosso entendimento limitado. Em vez disso, os textos
mais difíceis podem ser aqueles que entendemos claramente, mas com frequência resis-
timos em seguir. A Bíblia pode ser claramente entendida por crianças e adultos. No en-
tanto, há um alcance infinito para as verdades das Escrituras além do que conhecemos.
Sendo assim, mesmo a mente mais instruída tem amplo espaço para aprofundar-se em
compreensão e conhecimento.
As Escrituras afirmam repetidamente que é clara o suficiente para ser entendida por
quem a lê e a ouve (ver Ne 8:8, 12; Ef 3:4; Mt 21:42; 12:3, 5; 19:4; 22:31; Mc 12:10, 26;
Lc 6:3). Por haver clareza suficiente nas Escrituras, somos totalmente responsáveis pelas
decisões que tomamos diante da sua mensagem, e pelo que fazemos ou deixamos de fa-
zer, quando entendemos suas verdades.
De que serviria a Bíblia se ela fosse obscura e pouco clara? Poderia então ter o papel
de norma e guia? Explique.
As Escrituras interpretam a si mesmas
Por causa de sua unidade, a Bíblia pode ser sua própria intérprete. Uma parte das Escrituras
pode lançar luz sobre outras partes. Portanto, devemos levar em consideração cuidadosamen-
te os contextos histórico e literário das declarações bíblicas, em vez de apenas agrupar passa-
gens que contenham a mesma palavra. Quando deixamos que as Escrituras esclareçam partes
das próprias Escrituras em que ideias e palavras são repetidas, devemos levar em conta tudo
o que a Bíblia têm a dizer sobre determinado assunto. A comparação cuidadosa e o estudo de-
vem ter prioridade sobre qualquer comentário ou autor secundário que escreva sobre tópicos
da Bíblia ou faça uma interpretação das Escrituras. Mesmo Ellen G. White não deve ser usada
como atalho para o estudo atento da Bíblia. Embora possamos obter informações valiosas em
seus escritos, ela não substitui uma investigação completa do livro sagrado.
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Não precisamos de padres nem do Magistério da Igreja nem mesmo de outras autoridades
para interpretar as Escrituras. Existe um sacerdócio para todos os crentes. No entanto, há
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sabedoria no conhecimento coletivo daqueles que estudam a Bíblia. Deus também guia
pessoas, e uma nova luz resistirá ao teste da investigação mais aprofundada por parte da-
queles que também apreciam a mensagem bíblica. Nas palavras de Ellen G. White: “Deus
não esqueceu Seu povo, escolhendo um homem isolado aqui e outro ali, como os únicos
dignos de que lhes confie a verdade. Ele não dá a uma pessoa luz contrária à fé estabele-
cida do corpo de crentes. [...] Ninguém confie em si mesmo, como se Deus lhe houvesse
conferido luz especial acima de seus irmãos. [...] Alguém aceita umas ideias novas e origi-
nais, que não parecem discordar da verdade. [...] Sobre isso se demora, até que lhe parece
revestido de beleza e importância, pois Satanás tem poder para lhe dar essa falsa aparên-
cia. Por fim torna-se seu tema dominante, o único e grande ponto em volta do qual tudo
gira; e a verdade é arrancada do coração. [...] Advirto-lhes que se protejam contra esses mo-
vimentos desviados, cuja tendência é distrair a mente da verdade. O erro jamais é inofen-
sivo. Ele nunca santifica, mas sempre traz confusão e dissensão (Eventos Finais, p. 90, 91).
5
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| 68 | Como interpretar as Escrituras
Por que a Lição
interpretação é
necessária? 6
VERSO PARA MEMORIZAR: “De fato, sem
fé é impossível agradar a Deus, porquanto
é necessário que aquele que se aproxima
de Deus creia que Ele existe e que Se torna
galardoador dos que O buscam” (Hb 11:6).
Leituras da semana: Lc 24:36-45;
1Co 12:10; 14:26; At 17:16-32; Jo 12:42, 43
■ Sábado, 2 de maio Ano Bíblico: 1Cr 4-6
L er a Bíblia também significa interpretá-la. Mas como fazemos isso?
Quais princípios utilizamos? Como lidamos com os diferentes tipos
de escrita encontrados ali? Por exemplo, como saber se uma passagem que
estamos lendo é uma parábola, um sonho profético-simbólico ou uma nar-
rativa histórica? A definição de uma questão tão importante do contexto
das Escrituras envolve, em si, um ato de interpretação.
Às vezes, algumas pessoas usam a Bíblia como um oráculo divino: sim-
plesmente abrindo-a aleatoriamente para procurar um verso bíblico que
elas esperam que lhes conceda orientação. Mas, relacionar aleatoriamen-
te as passagens da Bíblia à medida que as encontramos pode levar a con-
clusões muito estranhas e equivocadas.
Por exemplo, quando um marido abandonou a esposa por causa de outra
mulher, a esposa obteve grande segurança ao encontrar o seguinte texto:
“Porei inimizade entre ti e a mulher” (Gn 3:15). Com base nesse verso, ela
ficou convencida de que o caso de seu marido com a amante não duraria!
Qualquer texto sem contexto se torna rapidamente um pretexto para
nossos próprios interesses e ideias. Portanto, há uma grande necessidade
de não apenas lermos a Bíblia, mas de interpretá-la corretamente.
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■ Domingo, 3 de maio Ano Bíblico: 1Cr 7-9
Pressuposições
1. L eia Lucas 24:36-45. Embora os discípulos estivessem familiarizados
com as Escrituras, o que os impediu de enxergar o verdadeiro significa-
do da Palavra, mesmo quando os eventos preditos nela haviam aconte-
cido diante deles? Assinale a alternativa correta:
A. ( ) F alta de acesso direto ao texto e o fato de que eram iletrados.
B. ( ) A s pressuposições promovidas pelos líderes religiosos da época.
N inguém chega ao texto das Escrituras com a mente vazia. Todo leitor
e estudante da Bíblia chega a ela com uma história específica e expe-
riência que inevitavelmente impactam o processo de interpretação. Até
mesmo os discípulos tinham suas ideias particulares de quem era o Mes-
sias e o que Ele devia fazer, com base nas expectativas daquele tempo. Suas
fortes convicções impediram uma compreensão mais clara do texto bíblico,
6 o que explica por que tantas vezes eles compreenderam de maneira equi-
vocada Jesus e os eventos que envolviam Sua vida, morte e ressurreição.
Todos temos uma série de crenças acerca deste mundo, da realidade
suprema ou de Deus que pressupomos ou aceitamos, mesmo involunta-
riamente ou inconscientemente, quando interpretamos a Bíblia. Nin-
guém se aproxima do texto bíblico com a mente vazia. Se, por exemplo, a
cosmovisão de uma pessoa categoricamente exclui qualquer intervenção
sobrenatural de Deus, essa pessoa não lerá nem entenderá as Escrituras
como um relato verdadeiro e confiável do que Deus fez na História, mas
a irá interpretar de maneira muito diferente de alguém que aceita a rea-
lidade sobrenatural.
Os intérpretes da Bíblia não podem se despojar completamente de seu
passado, de suas experiências, ideias, noções e opiniões preconcebidas.
A neutralidade total, ou a objetividade absoluta, não pode ser alcança-
da. O estudo da Bíblia e a reflexão teológica sempre ocorrem no contexto
de pressuposições acerca da natureza do mundo e da natureza de Deus.
Mas a boa notícia é que o Espírito Santo pode esclarecer e corrigir nos-
sas perspectivas e pressuposições limitadas ao lermos as palavras das
Escrituras com mente aberta e coração sincero. A Bíblia repetidamente
confirma que pessoas com origens muito diferentes foram capazes de en-
tender a Palavra de Deus e que o Espírito Santo nos guia “a toda a verda-
de” (Jo 16:13).
Quais são seus pressupostos em relação ao mundo? De que maneira você pode
r endê-los à Palavra de Deus para que ela remodele suas ideias a fim de que estejam
em harmonia com a realidade que a Bíblia ensina?
| 70 | Como interpretar as Escrituras
■ Segunda, 4 de maio Ano Bíblico: 1Cr 10-12
Tradução e interpretação
ABíblia foi escrita em línguas muito antigas: o Antigo Testamento foi
escrito, em sua maior parte, em hebraico, com algumas passagens em
aramaico, enquanto o Novo Testamento foi escrito em grego koiné. A maio-
ria da população mundial hoje não fala nem lê essas línguas antigas. Por
isso, a Bíblia precisou ser traduzida para diferentes idiomas modernos.
Mas toda tradução sempre envolve algum tipo de interpretação. Al-
gumas palavras em um idioma não têm um equivalente exato em outro.
A arte e a habilidade de cuidadosamente traduzir e interpretar textos é
chamada de “hermenêutica”.
2. Leia 1 Coríntios 12:10; 14:26; João 1:41; 9:7; Atos 9:36; Lucas 24:27. Em todas 6
essas passagens, vemos a ideia de interpretação e tradução. Em Lucas
24:27, até Jesus teve que explicar o significado das Escrituras aos discí-
pulos. O que isso revela sobre a importância da interpretação?
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A palavra grega hermeneuo, da qual temos a palavra “hermenêutica”
(interpretação bíblica), é derivada do deus grego Hermes, que era consi-
derado emissário e mensageiro dos deuses e, como tal, responsável, entre
outras coisas, pela tradução de mensagens divinas para o povo.
O ponto essencial em relação à hermenêutica é que, a menos que com-
preendamos as línguas originais, nosso único acesso aos textos é por meio
de traduções. Felizmente, muitas traduções fazem um bom trabalho ao
transmitir o significado essencial. Não precisamos conhecer a língua ori-
ginal para compreender verdades cruciais reveladas nas Escrituras, ainda
que esse conhecimento linguístico seja benéfico. No entanto, mesmo com
uma boa tradução, uma interpretação adequada dos textos também é im-
portante, como vimos em Lucas 24:27. Esse é o principal propósito da her-
menêutica: transmitir com precisão o significado dos textos e nos ajudar
a aplicar corretamente o ensino do texto à nossa vida. O texto de Lucas,
mencionado anteriormente, mostra que Jesus fez isso com Seus seguidores.
Imagine ter o próprio Jesus interpretando passagens bíblicas para você!
Algumas pessoas têm acesso a várias traduções, outras não têm. Independentemen-
te das traduções que você possua, por que é importante estudar a Palavra em espíri-
to de oração e buscar obedecer aos seus ensinamentos?
A comunhão com Deus deve levá-lo a compartilhar a verdade. Isso está acontecendo com você?
Abr l Mai l Jun 2020 | 71 |
■ Terça, 5 de maio Ano Bíblico: 1Cr 13-16
A Bíblia e a cultura
3. D e acordo com Atos 17:16-32, Paulo tentou apresentar a mensagem do
evangelho em um novo contexto: a filosofia da cultura grega. Como con-
textos culturais diversos influenciam a maneira de avaliar a importân-
cia de ideias diferentes?
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O conhecimento da cultura do Oriente Próximo é útil para compreender
algumas passagens bíblicas. “Por exemplo, a cultura hebraica atribui
a um indivíduo a responsabilidade por atos que ele não cometeu, mas per-
mitiu que ocorressem. Por essa razão, os escritores da Bíblia comumente
creditavam a Deus como tendo executado ativamente o que no pensamen-
to ocidental Ele permite ou não evita que aconteça. Um exemplo disso é o
endurecimento do coração de Faraó” (Métodos de Estudo da Bíblia, seção 4).
6 A cultura também levanta algumas questões hermenêuticas importan-
tes. A Bíblia é condicionada culturalmente e, portanto, relacionada apenas
a essa cultura naquilo que ela declara? Ou a mensagem divina concedi-
da em uma cultura específica transcende essa cultura específica e fala a
todo ser humano? O que acontece se nossa experiência cultural se torna
o fundamento e a prova decisiva para nossa interpretação das Escrituras?
Em Atos 17:26, o apóstolo Paulo apresentou uma perspectiva interes-
sante sobre a realidade que muitas vezes é negligenciada quando lemos
esse texto. Ele declarou que Deus fez todos nós a partir de um só. Embo-
ra sejamos culturalmente muito diferentes, de acordo com a Bíblia, há um
elo comum que une todas as pessoas, apesar de suas diferenças culturais, e
isso porque Deus é o Criador de toda a humanidade. Nossa pecaminosida-
de e necessidade de salvação não se limitam a uma cultura. Todos precisa-
mos da salvação oferecida a nós pela morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Embora Deus tenha falado a gerações específicas, Ele cuidou para que
as futuras gerações que leriam a Palavra de Deus entendessem que essas
verdades vão além das circunstâncias locais e limitadas em que os textos
da Bíblia foram escritos.
Paralelamente, pense na álgebra, que foi inventada no século IX d.C., em
Bagdá. Isso significaria, então, que as verdades e princípios desse ramo da ma-
temática estão limitados apenas àquele tempo e lugar? Evidentemente que não!
O mesmo princípio se aplica às verdades da Palavra. Embora a Bíblia
tenha sido escrita há muito tempo em culturas muito diferentes da nos-
sa, suas verdades são tão relevantes para nós quanto para quem elas fo-
ram primeiramente endereçadas.
| 72 | Como interpretar as Escrituras
■ Quarta, 6 de maio Ano Bíblico: 1Cr 17-20
Nossa natureza pecaminosa e caída
4. L eia João 9:39-41; 12:42, 43. O que impediu que essas pessoas aceitas-
sem a verdade da mensagem bíblica? Que advertência é apresentada
nesses incidentes?
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É fácil olhar com desprezo para os líderes que rejeitaram Jesus, apesar 6
de evidências tão poderosas. No entanto, precisamos ter cuidado para
não nutrir uma atitude semelhante no que diz respeito à Palavra de Cristo.
É evidente que o pecado mudou radicalmente e rompeu nosso relacio-
namento com Deus. O pecado afeta toda a nossa existência. Ele também
afeta nossa capacidade de interpretar as Escrituras. Não apenas nossos
processos de raciocínio são facilmente empregados para fins pecamino-
sos, mas nossa mente e pensamentos se corromperam pelo pecado e, por-
tanto, fecharam-se à verdade de Deus. As seguintes características dessa
corrupção podem ser detectadas em nosso pensamento: orgulho, engano
próprio, dúvida, afastamento e desobediência.
Uma pessoa orgulhosa se exalta acima de Deus e de Sua Palavra. Isso
ocorre porque o orgulho leva o intérprete a enfatizar excessivamente a ra-
zão humana como o árbitro final da verdade, mesmo as verdades encon-
tradas na Bíblia. Essa atitude rebaixa a autoridade divina das Escrituras.
Algumas pessoas tendem a ouvir somente as ideias que lhe são atrati-
vas, mesmo que elas estejam em contradição com a vontade revelada de
Deus. O Senhor nos alertou sobre o perigo do engano próprio (Ap 3:17).
O pecado também alimenta a dúvida, na qual vacilamos e somos inclina-
dos a não acreditar na Palavra de Deus. Quando começamos a duvidar, a
interpretação do texto bíblico jamais leva à certeza. Em vez disso, aque-
le que duvida rapidamente se eleva a uma posição em que julga o que é e
o que não é aceitável na Bíblia, um terreno muito perigoso.
Em vez disso, devemos abordar a Bíblia com fé e submissão, e não com
uma atitude de crítica e dúvida. O orgulho, o engano próprio e a dúvida
levam a uma atitude de afastamento em relação a Deus e à Bíblia, que
certamente levará à desobediência, isto é, à indisposição de obedecer à
vontade revelada de Deus.
Você já lutou contra a convicção de algo que leu na Bíblia, isto é, ela mostrou claramen-
te o que fazer, mas você queria fazer outra coisa? O que ocorreu e o que você apren-
deu nesse caso?
Abr l Mai l Jun 2020 | 73 |
■ Quinta, 7 de maio Ano Bíblico: 1Cr 21-24
Por que a interpretação é importante?
5. Leia Neemias 8:1-3, 8. Por que uma compreensão clara das Escrituras é
tão importante para nós, não apenas como indivíduos, mas como igreja?
Assinale a alternativa correta:
A. ( ) P orque agiremos com segurança se compreendermos a Palavra
do Senhor.
B. ( ) Porque uma compreensão das Escrituras nos torna infalíveis.
O assunto mais importante da Bíblia é a salvação e a maneira pela qual
somos salvos. Afinal, o que mais importa a longo prazo? Como o pró-
prio Jesus perguntou, de que adianta ganhar tudo o que o mundo ofere-
ce e perder nossa alma? (Mt 16:26).
Mas saber o que a Bíblia ensina sobre a salvação depende muito da
interpretação. Se abordamos e interpretamos a Bíblia de maneira equi-
6 vocada, provavelmente chegaremos a conclusões falsas, não apenas no en-
tendimento da salvação, mas em tudo o que a Bíblia ensina. Na verdade,
mesmo nos dias dos apóstolos, o erro teológico já havia se infiltrado na
igreja, evidentemente sustentado por falsas interpretações das Escrituras.
6. Leia 2 Pedro 3:15, 16. Por que é importante uma leitura correta das Escrituras?
__________________________________________________________________
De fato, se somos um povo do “Livro”, que deseja viver unicamente pela
Bíblia, e não temos outras fontes autoritativas como a tradição, os credos
nem a autoridade de ensino da igreja para interpretar a Bíblia para nós, en-
tão a hermenêutica correta das Escrituras é muito importante, pois temos
somente a Bíblia para nos dizer em que devemos crer e como devemos viver.
A interpretação das Escrituras é um assunto vital à saúde teológica e mis-
siológica da igreja. Sem uma interpretação correta da Bíblia, não pode haver
unidade na doutrina e no ensino e, portanto, nenhuma unidade na igreja e
em nossa missão. Uma teologia precária e distorcida inevitavelmente leva
a uma missão deficiente e distorcida. Afinal, se temos uma mensagem para
dar ao mundo, mas estamos confusos sobre seu significado, com que efi-
ciência poderemos apresentar essa mensagem àqueles que precisam ouvi-la?
Leia as três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12. Quais são as questões teo-
lógicas nessa passagem e por que uma compreensão correta delas é tão importante
para a nossa missão?
Tenha sempre um cântico no coração.
| 74 | Como interpretar as Escrituras
■ Sexta, 8 de maio Ano Bíblico: 1Cr 25-27
Estudo adicional
T extos para leitura: Caminho a Cristo, p. 105-113 (“Expulse a Dúvida”); 6
documento “Métodos de Estudo da Bíblia”, Seção 1: “Estudo Bíblico:
Pressuposições, Princípios e Métodos”; Seção 2: “Pressuposições Origina-
das de Afirmações das Escrituras”; e Seção 3: “Princípios Para Abordar a
Interpretação das Escrituras”. Acesse http://www.centrowhite.org.br/me-
todosde-estudo-da-biblia.
“No estudo da Palavra, deixe de lado as opiniões preconcebidas e as
ideias herdadas e cultivadas. Você nunca alcançará a verdade se estudar
as Escrituras para defender suas próprias ideias. Deixe-as de lado e, com
o coração contrito, ouça o que o Senhor tem a lhe dizer. Quando a pes-
soa humilde que procura a verdade se assenta aos pés de Cristo e apren-
de Dele, a Palavra lhe dá entendimento. Àqueles que são sábios demais
aos próprios olhos para estudar a Bíblia, Cristo diz: Vocês devem se tor-
nar mansos e humildes de coração, se desejam ser sábios para a salvação.
“Não leia a Palavra à luz de opiniões antigas; mas, com a mente livre
de preconceitos, busque-a com cuidado e oração. Se, à medida que lê, você
se sente convicto a respeito de algo, e nota que suas próprias opiniões não
estão em harmonia com a Palavra, não tente adaptá-la a essas opiniões.
Ajuste suas opiniões à Palavra. Não permita que suas crenças ou práticas
anteriores dominem o entendimento. Deixe a mente receptiva às mara-
vilhas da Lei. Descubra o que está escrito, e então firme os pés na Rocha
eterna” (Ellen G. White, Mensagens aos Jovens, p. 260).
Perguntas para consideração
1. Nossa visão de mundo, educação e cultura impactam a interpretação das
Escrituras? É importante identificar influências externas que trazemos
à interpretação da Bíblia?
2. O pecado pode nos levar a interpretar de maneira equivocada a Pala-
vra de Deus? O desejo de fazer algo condenado na Bíblia nos induz a in-
terpretar as Escrituras de modo distorcido? Como o pecado filtra nossa
maneira de interpretar a Bíblia?
3. U ma compreensão maior dos tempos e da cultura bíblica nos ajuda a
entender mais algumas passagens das Escrituras? Dê alguns exemplos.
Respostas e atividades da semana: 1. B. 2. A interpretação é importante, pois sem ela não chegaríamos a nenhu-
ma conclusão sobre um assunto ou temática. Embora não seja possível separar a interpretação dos aspectos pes-
soais, é imprescindível ter a mente aberta ao Espírito Santo, para que Ele nos conduza na leitura e interpretação.
3. A cultura e filosofia inevitavelmente moldam e influenciam nosso pensamento e nossa maneira de avaliar as coi-
sas. Elas, porém, devem ser subordinadas à Palavra de Deus. 4. O orgulho e a glória dos homens impediu que pes-
soas que creram nas verdades da Bíblia e no Messias confessassem essas verdades. 5. A. 6. Porque uma interpreta-
ção equivocada pode nos levar à destruição.
Abr l Mai l Jun 2020 | 75 |
Anotações
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| 76 | Como interpretar as Escrituras
RESUMO DA LIÇÃO 6
Por que a interpretação é necessária?
TEXTOS-CHAVES: Hb 11:6; Lc 24:44, 45; 1Co 12:10; 1Co 14:26; Jo 1:41; 9:7; At 9:36;
Lc 24:27; At 17:22-26; Jo 9:39-41; 12:42, 43; Ne 8:1-3, 8
ESBOÇO
Às vezes, as pessoas dizem que consideram as palavras da Bíblia de maneira literal, 6
sem necessidade de interpretação. Embora seja louvável levar a Palavra de Deus a sério
e estar disposto a seguir o que ela nos ordena a fazer, ninguém lê esse livro com a men-
te neutra. Todos sofremos influência na maneira de pensar e compreender devido à forma
como fomos criados, educados, e em virtude da cultura que nos cerca e da nossa expe-
riência. Todos temos alguns pressupostos com os quais abordamos o texto. A leitura e o
estudo do texto bíblico envolvem inevitavelmente alguma interpretação. A Bíblia foi es-
crita nos idiomas grego, hebraico e aramaico. Muitos não conhecem essas línguas nem
estão sequer familiarizados com elas de modo elementar. E toda tradução para outro idioma
envolve alguma forma de interpretação. É preciso conhecer muito bem um idioma para en-
tender algumas de suas sutilezas ou quando se usa ironia. Além disso, nosso pensamento
é obscurecido pelo pecado e, portanto, não é neutro quando se trata de coisas espirituais.
O próprio fato de existirem diferentes igrejas e denominações, mesmo que todas afirmem
viver pela Bíblia, demonstra que alguma forma de interpretação impera em todos nós. No
entanto, estudamos o mesmo livro e podemos chegar a conclusões que nos unem, ape-
sar de todas essas diferenças citadas. Considerando que interpretação é essencial para a
compreensão, nesta semana estudaremos alguns métodos de interpretação que guiarão
nosso estudo da Bíblia.
COMENTÁRIO
O significado de uma frase não é determinado apenas pelas palavras isoladas, mas pelo
contexto em que estas são empregadas. Se não considerarmos adequadamente o contexto
literário imediato e mais amplo de uma afirmação e como são empregadas as palavras nes-
se contexto, rapidamente chegaremos a conclusões erradas. Da mesma forma, deve-se le-
var em consideração o contexto histórico do que está escrito. Isso nos ajuda a situar o texto.
Qualquer texto sem um contexto rapidamente se torna um pretexto para a opinião indivi-
dual. Se ignorarmos o contexto, logo leremos algo no texto que, na verdade, não era o que
o escritor pretendia transmitir. Chamamos isso de eisegese (interpretação de um texto atri-
buindo-lhe ideias do próprio leitor). Em vez de ler algo que não existe no texto, deve-se fa-
zer uma exegese completa (interpretação gramatical, histórica e jurídica dos textos), ou seja,
devemos ler no texto o que ele realmente afirma. Os Adventistas do Sétimo Dia desejam
Abr ● Mai ● Jun 2020 | 77 |
seguir somente a Bíblia. Não temos um papa ou uma tradição de ensino que determine
o significado definido das Escrituras. Assim, é crucial para nossa teologia e missão uma
interpretação cuidadosa e sólida da Bíblia. Isso molda nossa identidade e nossas cren-
ças teológicas.
Pressuposições e cosmovisões
Toda pessoa possui uma série de crenças que pressupõe consciente ou inconscientemen-
te. Assume-se que sejam verdadeiras, mesmo que não seja possível prová-las por completo.
Essas convicções mais básicas sobre o mundo e sobre valores são chamadas de cosmovisão.
Nossa visão de mundo determina o que é ou não importante para nós. Ela filtra nossa per-
cepção e interpretação da realidade e oferece um padrão do mundo que guia a nossa vida.
Ela abrange nosso entendimento de Deus, da natureza humana, da moralidade e da verda-
de. Uma visão de mundo é composta de crenças e respostas a perguntas nessas áreas e é
influenciada pelos pais, pela educação, pelos amigos e experiências, pela mídia, cultura e
religião. Usamos nossa visão de mundo todos os dias e percebemos e interpretamos a rea-
lidade através dela. A cosmovisão influencia nosso pensamento, comportamento e ações.
6 Reflexão
Pense sobre os diferentes aspectos em que nossa cosmovisão afeta nosso pensamen-
to e comportamento. Compartilhe com a classe os desafios que surgem quando diferen-
tes visões de mundo colidem.
Nossa visão de mundo se desenvolve enquanto aprendemos. Ela pode mudar quando
passamos por uma experiência que altera radicalmente muitas de nossas crenças funda-
mentais, ou quando temos uma experiência de conversão. Em geral, essa mudança ocor-
re quando a visão de mundo anterior se mostra inverídica. Após essa mudança, a pessoa
continuará a fazer ajustes e tentará alinhar outras crenças com o restante de suas crenças
centrais. Uma conversão a Jesus não apaga automaticamente os anos de formação ante-
rior, mas envolve uma mudança de uma visão de mundo para outra e uma possível har-
monização das as crenças pessoais com a Bíblia.
Reflexão
Leia Lucas 24:36-49. De que forma a experiência do Cristo ressuscitado e Sua expli-
cação das Escrituras mudaram a forma como Seus discípulos enxergavam a realidade?
Compartilhe como sua experiência de conversão afetou seu entendimento da Bíblia. Se
gradualmente harmonizamos todas as nossas crenças anteriores com as Escrituras, o que
isso nos diz sobre como devemos lidar com outras pessoas que estão crescendo em seu
entendimento?
Tradução e interpretação
Para se interpretar a Bíblia corretamente, deve-se estudá-la nos idiomas originais em
que foi escrita. Se isso não for possível, use uma tradução que se aproxime ao máximo
dos idiomas originais. Uma versão desse tipo enfatiza a equivalência palavra por palavra
| 78 | Como interpretar as Escrituras
no processo de tradução e oferece uma versão mais exata e literal das línguas bíblicas.
Quando estudamos e comparamos como determinadas palavras são usadas em vários
contextos pelos escritores da Palavra de Deus, a própria Bíblia pode revelar seu signifi-
cado. Embora esse tipo de tradução formal produza uma excelente Bíblia de estudo, sua
leitura é mais engessada e artificial. Ao contrário das traduções formais, existem versões
dinâmicas que enfatizam o significado essencial, em vez da equivalência de palavra por
palavra. Nesse caso, o texto é reestruturado com base no emprego idiomático que repre-
senta o pensamento ou significado equivalente no idioma traduzido. Ainda que essas tra-
duções sejam bem legíveis, a interpretação pode ser enganosa ou errônea. Finalmente,
existem versões de paráfrase, que são muito mais livres do que as traduções dinâmicas.
Como esse tipo de tradução é mais interpretação do que tradução, ela não é adequada
para a pesquisa séria da Bíblia.
Reflexão 6
Se diferentes traduções da Bíblia estiverem disponíveis no seu idioma, mostre-as na
classe da Escola Sabatina e dê exemplos das diferentes traduções de uma passagem bí-
blica. Faça isso de tal maneira que os ouvintes sejam fortalecidos em sua fé e incentiva-
dos a estudar a Bíblia mais seriamente por si mesmos. Recomende uma tradução confiável
para o estudo do livro sagrado em seu idioma.
Algumas denominações possuem sua própria tradução oficial da Bíblia. Esse não é o
caso da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que usa traduções reconhecidas disponíveis nas
sociedades bíblicas. Alguns adventistas trabalham com as sociedades bíblicas a fim de
ajudar a tornar a Palavra de Deus disponível a todos e fazem contribuições valiosas para
várias traduções da Bíblia. Pense em maneiras pelas quais você pode ajudar na promo-
ção, distribuição e estudo das Escrituras.
A Bíblia e a cultura
Conhecer a cultura do Oriente Próximo pode ser útil para entender algumas passagens
bíblicas. Leia algumas ilustrações em “Métodos de Estudo da Bíblia”, seção 4, 8, q. Acesse:
http://www.centrowhite.org.br/metodos-de-estudo-da-biblia/. Estudiosos críticos susten-
tam que a Bíblia é culturalmente condicionada, ou seja, reflete a cultura em que se origi-
nou e, portanto, é restrita em sua autoridade, pois é limitada a um cenário cultural, dizem
eles. Embora a Bíblia tenha sido realmente escrita em uma cultura específica, “os escri-
tores bíblicos insistem que a mensagem teológica das Escrituras não é ligada à cultura,
nem aplicável apenas a certas pessoas ou a determinada época, mas permanente e uni-
versalmente aplicável” (Richard M. Davidson, “Interpretação Bíblica”, em Tratado de Teo-
logia Adventista do Sétimo Dia, ed. Raoul Dederen. Hagerstown, MD: Review and Herald,
2000, p. 85). Jesus nasceu em uma cultura específica e, no entanto, Ele não é o Salvador
apenas do povo de Sua época. Ele é o Salvador do mundo inteiro. O fato de ter vivido em
uma cultura específica não O torna culturalmente relativo, mas Lhe confere um significa-
do que transcende toda cultura.
Abr l Mai l Jun 2020 | 79 |
Reflexão
Algumas pessoas se concentram apenas naquilo que difere de cultura para cultura e,
assim, rapidamente perdem de vista os pontos em comum que existem em todo ser hu-
mano. Quais aspectos básicos da existência e dos anseios humanos estão presentes em
todas as culturas? Como a resposta espiritual de Deus a esses aspectos transcende qual-
quer cultura específica e fala a todas as pessoas? Como você pode ajudar a tornar a men-
sagem bíblica aplicável às pessoas da sua cultura? Em que aspecto a cultura pode se tornar
um obstáculo para a aceitação da mensagem bíblica?
Nossa natureza pecaminosa e a interpretação bíblica
Além de todos os aspectos mencionados até aqui, que mostram por que a interpreta-
ção é necessária, há outro fator que é frequentemente esquecido e que tem que ver com
as consequências de nossa natureza pecaminosa. Leia Efésios 4:17, 18 e reflita sobre o
que Paulo escreveu ali. Ele descreveu algumas consequências da cegueira do nosso co-
ração e da futilidade da nossa mente. Às vezes, nossa compreensão e interpretação das
Escrituras é manchada e obscurecida por causa do pecado. Além disso, não seguimos a
Bíblia porque tememos a pressão dos colegas ou o desprezo de parentes e amigos. É por
isso que precisamos da ajuda do Espírito Santo para iluminar nossa mente e nos tornar
6 dispostos a obedecer às instruções que descobrimos na Palavra.
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Uma pessoa ouviu a verdade bíblica. A leitura das Escrituras lhe deu uma nova pers-
pectiva de que Deus é real e vivo e que vale a pena viver a mensagem da Bíblia. No en-
tanto, quando algumas orações não são respondidas como era esperado, e a saúde de uma
criança está em risco, essa pessoa recorre às fontes tradicionais de cura de sua cultura.
Essas fontes tradicionais de cura são mediadas por poderosos feiticeiros da comunidade.
Pense em hábitos e tentações semelhantes que você enfrenta quando sua fé bíblica é
desafiada. Você é tentado a confiar mais na educação recebida, na educação dos pais ou
na experiência do que na verdade bíblica? Em quais áreas da vida isso ocorre?
Alguns que são instruídos na filosofia ocidental e no pensamento crítico acreditam que
não existe um ser sobrenatural que possa intervir na história ou fazer milagres. Sua es-
treita visão de mundo os impede de aceitar muitas histórias sobrenaturais da Bíblia como
reais. Em que sentido sua visão de mundo influencia sua interpretação das Escrituras?
Uma pessoa nova na fé quer estudar a Bíblia mais detalhadamente. Qual tradução da
Bíblia você recomendaria para ela?
Por que a fé é importante para um entendimento adequado das Escrituras? Qual é o
papel da fé no processo de interpretação?
| 80 | Como interpretar as Escrituras
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Abr l Mai l Jun 2020 | 81 |
Lição Idioma, texto
e contexto
7
VERSO PARA MEMORIZAR: “Tomai este
Livro da Lei e ponde-o ao lado da arca da
Aliança do Senhor, vosso Deus, para que ali
esteja por testemunha contra ti” (Dt 31:26).
Leituras da semana: Dt 32:46, 47;
1Rs 3:6; Nm 6:24-26; Gn 1:26, 27;
2:15-23; 15:1-5
■ Sábado, 9 de maio Ano Bíblico: 1Cr 28, 29
M ais de 6 mil línguas são faladas entre os bilhões de habitantes do
mundo. A Bíblia completa foi traduzida para mais de 600 idiomas,
tendo o Novo Testamento ou algumas partes dele sido traduzidos tam-
bém para mais de 2.500 outros idiomas. Certamente são muitas línguas.
Mas, ao mesmo tempo, ainda é menos da metade dos idiomas conheci-
dos do mundo.
Estima-se que 1,5 bilhão de pessoas não tenham nenhuma parte das
Escrituras traduzida em sua língua materna. Embora ainda haja mui-
to trabalho a ser feito, os esforços das sociedades bíblicas garantem que
6 bilhões de pessoas possam ler as Escrituras.
E que bênção é estarmos entre aqueles que têm a Bíblia em seu idio-
ma! Muitas vezes, não damos o devido valor a esse fato, esquecendo-nos
de que não apenas muitos não têm a Bíblia, mas também que, durante sé-
culos, na Europa, a Bíblia foi intencionalmente mantida longe das multi-
dões. Graças à invenção da imprensa e à Reforma, esse não é mais o caso.
Os que têm acesso à Bíblia e a estudam com oração, recebem a plenitude
do Espírito Santo e conhecem o Senhor revelado em suas páginas.
| 82 | Como interpretar as Escrituras
■ Domingo, 10 de maio Ano Bíblico: 2Cr 1-4
Compreensão das Escrituras
1. Leia 2 Timóteo 3:16, 17. Para quais propósitos a Bíblia nos foi dada?
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A Bíblia foi escrita como um testemunho do plano divino de redimir a 7
humanidade caída e da obra de Deus na História. Ela foi dada para
nos instruir nos caminhos da justiça. O Senhor escolheu fazer isso em lin-
guagem humana, tornando Seus pensamentos e ideias visíveis mediante
palavras que entendemos. Ao redimir Israel do Egito, Deus escolheu uma
nação específica para transmitir Sua mensagem a todos os povos. Ele per-
mitiu que essa nação comunicasse Sua Palavra por meio de seu idioma, o
hebraico (e algumas porções em aramaico, língua relacionada ao hebraico).
A ascensão da cultura grega trouxe uma nova oportunidade, permitindo
que o Novo Testamento fosse transmitido por meio do idioma universal,
o grego, que era amplamente falado naquela parte do mundo nesse perío-
do. (Além disso, houve até uma tradução grega do Antigo Testamento, a
Septuaginta.) Após a morte de Cristo, essa linguagem universal habilitou
os apóstolos e a igreja primitiva a espalhar a mensagem por toda parte
com um novo zelo missionário. Posteriormente, o apóstolo João “atestou a
palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu”
(Ap 1:2). Dessa maneira, a Bíblia demonstra a continuidade desse inspi-
rado “testemunho” desde o primeiro escritor das Escrituras até o último.
2. L eia Deuteronômio 32:46, 47. Por que era tão importante que os filhos
de Israel cumprissem “todas as palavras desta Lei” (Dt 32:46), a Torá ou
“instrução”? Como a Palavra de Deus “prolonga” nossos dias? O que isso
significa em nosso contexto hoje?
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Algumas pessoas não apenas têm a Bíblia traduzida em seu idioma na-
tivo, mas possuem até mesmo várias versões dela em sua língua. Outros
têm apenas uma versão e, em alguns casos, nem isso. Contudo, indepen-
dentemente da versão disponível, o ponto essencial é estimá-la como a Pa-
lavra de Deus e, mais importante, obedecer ao que ela ensina.
Por que nunca é “coisa vã” (Dt 32:47) obedecer à Palavra de Deus e ensiná-la aos seus filhos?
Peça a Deus que torne você um sábio administrador dos recursos que Ele lhe confiou.
Abr l Mai l Jun 2020 | 83 |
■ Segunda, 11 de maio Ano Bíblico: 2Cr 5-7
Palavras e seus significados
E m todas as línguas, há palavras tão ricas e profundas em significa-
do que são difíceis de traduzir adequadamente em uma única palavra
para outro idioma. Essas palavras exigem um amplo estudo de seu uso na
Bíblia para a compreensão da amplitude de seu significado.
3. L eia 1 Reis 3:6; Salmo 57:3; 66:20; 143:8; Miqueias 7:20. Como a misericór-
dia e a bondade de Deus se estendem às Suas criaturas? Assinale a alter-
nativa correta:
A. ( ) O Senhor é misericordioso para com os que aceitam a Sua salva-
ção e Seu perdão.
B. ( ) O Senhor mantém a graça para com os que rejeitam a salvação.
A palavra hebraica chesed (“misericórdia”) é uma das mais ricas e pro-
fundas do Antigo Testamento. Ela descreve o amor de Deus, Sua bonda-
de, misericórdia e o propósito da aliança em relação ao Seu povo. Nessas
poucas passagens, O vemos demonstrando “grande benevolência (chesed)
[...] para com [Seu] servo Davi” e “[mantendo-lhe] esta grande benevolên-
7 cia (chesed)” (1Rs 3:6). “Deus enviará a Sua misericórdia (chesed) e a Sua
verdade” (Sl 57:3; ARC). Em relação a Israel, Ele mostrou “a Jacó a fideli-
dade e a Abraão, a misericórdia (chesed)” (Mq 7:20). Livros inteiros foram
escritos sobre a palavra chesed, tentando captar a profundidade da mise-
ricórdia e do amor de Deus para conosco.
4. L eia Números 6:24-26; Jó 3:26; Salmo 29:11; Isaías 9:6; 32:17. O que é a
“paz” (ou shalom) mencionada nessas passagens?
__________________________________________________________________
A palavra hebraica shalom é muitas vezes traduzida como “paz”. Mas seu
significado é muito mais profundo e amplo do que esse termo. Ela pode ser
traduzida como “plenitude, inteireza e bem-estar”. A bênção e a bondade de
Deus nos mantêm em estado de shalom, que é um dom de Deus (Nm 6:24-
26). Em contrapartida, a experiência de aflição de Jó produziu uma situação
em que ele não tinha “descanso” nem “sossego”, pois lhe faltava shalom. Nes-
te mundo agitado, é uma bênção profunda receber o sábado com as palavras
Shabbat shalom, pois nossa comunhão com Deus proporciona paz e plenitude.
Mesmo que não conheçamos o significado original dessas palavras, como podemos
viver a realidade da sua essência mediante a boa compreensão e dedicação no estu-
do das Escrituras?
| 84 | Como interpretar as Escrituras
■ Terça, 12 de maio Ano Bíblico: 2Cr 8, 9
Repetição, padrões de palavras e significado
N o pensamento hebraico, existem diversas maneiras de expressar ideias
que reforçam o significado e enfatizam a importância de conceitos.
Ao contrário das línguas europeias, o hebraico não possui sinais de pon-
tuação no idioma original. Por isso, na estrutura do idioma foram desen-
volvidas outras formas de comunicar essas ideias.
5. Quais palavras foram repetidas em Gênesis 1:26, 27 e Isaías 6:1-3? Como
essas palavras são realçadas por diferentes conceitos introduzidos por
meio da repetição?
___________________________________________________________________
Uma das maneiras pelas quais o escritor hebraico podia enfatizar cer- 7
to atributo de Deus era repeti-lo três vezes. À medida que o relato da cria-
ção chega ao ápice da divina obra criativa, o texto enfatiza a importância
singular da humanidade criada. O termo bara (“criar”) sempre tem apenas
Deus como sujeito. Ou seja, somente Deus tem o poder de criar sem depen-
der de matéria pré-existente. O texto descreve a criação do homem: “Criou
Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e
mulher os criou” (Gn 1:27). Observe a tripla repetição do verbo “criar”. Por-
tanto, Moisés enfatizou que o ser humano foi criado por Deus e que tam-
bém foi criado à Sua imagem. Essas verdades eram a sua ênfase.
Na visão e chamado de Isaías, os serafins repetiram as palavras “san-
to, santo, santo é o Senhor dos Exércitos” (Is 6:3). A ênfase está na santi-
dade de um Deus maravilhoso, cuja presença enche o templo. Também
vemos essa santidade mediante as palavras de Isaías, quando ele estava
na presença do Todo-Poderoso: “Ai de mim! Estou perdido!” (Is 6:5). Mes-
mo o profeta Isaías, confrontado com a santidade e o caráter de Deus, en-
colheu-se ante a sua indignidade. Vemos assim, muito antes da exposição
de Paulo sobre a pecaminosidade humana e a necessidade de um Salvador
(Rm 1-3), a Bíblia expressando a natureza decaída da humanidade, mes-
mo em uma pessoa “boa” como Isaías.
Em Daniel 3, há uma repetição (com variações) da expressão “imagem
que o rei Nabucodonosor tinha levantado” (Dn 3:1-3, 5, 7, 12, 14, 15, 18).
Essa expressão, ou variações dela, é repetida dez vezes no capítulo para
contrastar a ação de Nabucodonosor em desafio à imagem que Deus lhe
havia revelado por meio de Daniel (Dn 2:31-45). A ênfase nesse caso está
na tentativa do ser humano de se tornar um deus a ser adorado, em con-
traste com o único Deus verdadeiro, o único digno de adoração.
Abr l Mai l Jun 2020 | 85 |
■ Quarta, 13 de maio Ano Bíblico: 2Cr 10-13
Textos e contextos
N as Escrituras, as palavras sempre ocorrem em um contexto. Elas não
estão isoladas. Uma palavra tem seu contexto imediato dentro de
uma frase; e essa unidade precisa ser compreendida primeiramente. De-
pois, há o contexto mais amplo da unidade geral em que a frase ocorre.
Essa pode ser uma seção do texto, um capítulo ou uma série de capítulos.
É essencial entender tão bem quanto possível o contexto das palavras e
frases para não chegar a conclusões equivocadas.
6. Compare Gênesis 1:27 com 2:7. Em seguida, leia Gênesis 2:15-23. Como po-
demos entender, a partir dessas diferentes passagens e contextos, a de-
finição de adam, a palavra hebraica para “homem”?
_____________________________________________________________
Já vimos que a repetição do termo bara em Gênesis 1:27 indica uma
ênfase na criação do homem. Agora vemos que o homem é definido no
contexto desse verso como “homem e mulher”. Isso significa que o termo
hebraico adam deve ser entendido nessa passagem como uma referência
7 genérica à humanidade.
Contudo, em Gênesis 2:7, o mesmo termo adam é usado para se refe-
rir à formação de Adão do pó da “terra” (em hebraico, adamah – observe o
jogo de palavras). Aqui há apenas a referência ao homem Adão (masculino),
pois Eva só foi criada posteriormente e de maneira completamente dife-
rente. Portanto, em cada passagem, mesmo no contexto de dois capítulos,
vemos uma diferenciação entre a definição de adam como “humanidade”
(Gn 1:27) e o homem Adão (Gn 2:7). O fato de Adão ser uma pessoa é pos-
teriormente confirmado nas genealogias (Gn 5:1-5; 1Cr 1:1; Lc 3:38) e em
relação com Jesus, que Se tornou o “segundo Adão” (Rm 5:12-14).
Assim como a palavra Adão ocorre em um texto específico, o contexto da
criação de Adão e Eva é encontrado no relato mais amplo da criação, visto
em Gênesis 1 e 2. É isso que se pretende dizer com unidade maior. A unidade
informa ao intérprete temas, ideias e desenvolvimentos adicionais. Gênesis
2:4-25 por vezes tem sido chamado de “segundo relato da criação”, mas na ver-
dade há apenas uma diferença na ênfase (veja o estudo da próxima semana).
Contudo, em ambos os relatos, vemos as origens definitivas da humanidade.
De acordo com a Bíblia, homem e mulher são criações diretas de Deus. Por que a “sabe-
doria do mundo” é louca (1Co 1:20) ao afirmar que surgimos do mero acaso?
Peça a Deus que faça você compreender o que significa orar “sem cessar” (1Ts 5:17) .
| 86 | Como interpretar as Escrituras
■ Quinta, 14 de maio Ano Bíblico: 2Cr 14-16
Livros e sua mensagem
A s maiores unidades nas Escrituras são os livros da Bíblia. Os livros
bíblicos foram escritos para diferentes propósitos e em diferentes
contextos. Alguns serviram como mensagens proféticas; outros foram
compilações, como os Salmos. Existem livros históricos como 1 e 2 Reis, e
há cartas para várias igrejas, como as escritas por Paulo e outros autores.
Ao buscarmos entender o significado e a mensagem de um livro, é impor-
tante começar com a autoria e o contexto. São atribuídos autores a muitos
livros da Bíblia. Os primeiros cinco livros do Antigo Testamento são identi-
ficados como tendo sido escritos por Moisés (Js 8:31, 32; 1Rs 2:3; 2Rs 14:6;
21:8; Ed 6:18; Ne 13:1; Dn 9:11-13; Ml 4:4). Isso foi confirmado por Jesus
(Mc 12:26; Jo 5:46, 47; Jo 7:19) e pelos apóstolos (At 3:22; Rm 10:5). Em ou-
tros casos, alguns autores bíblicos não foram identificados. (Por exemplo, os
autores dos livros Ester e Rute, bem como os autores de muitos livros histó-
ricos como Samuel e Crônicas, não são identificados.)
7. L eia Gênesis 15:1-5; 22:17, 18. Qual é a importância do fato de que Moisés 7
escreveu o livro de Gênesis? Assinale a alternativa correta:
A. ( ) Moisés escreveu sobre a origem de tudo e o plano da salvação.
B. ( ) Ele escreveu em linguagem simbólica sobre a origem da vida.
Êxodo, Levítico e Deuteronômio foram escritos por Moisés, depois do
Êxodo. Mas, visto que Gênesis é fundamental como histórico das ações de
Deus da criação ao período patriarcal, esse livro foi escrito antes do Êxodo.
“Enquanto os anos se passavam e ele vagava com seus rebanhos nos
lugares isolados, refletindo sobre a opressão sofrida por seu povo, relem-
brava a maneira pela qual Deus havia lidado com seus antepassados e as
promessas que eram a herança da nação escolhida; e suas orações por Is-
rael subiam ao Céu de dia e de noite. Anjos celestiais derramavam sua luz
em redor dele. Ali, sob a inspiração do Espírito Santo, ele escreveu o livro
de Gênesis” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 251).
No livro de Gênesis, somos informados não apenas sobre nossas ori-
gens, mas sobre o plano da salvação, ou o meio pelo qual Deus redimirá
a humanidade caída. Esse plano se tornou ainda mais claro com a alian-
ça que Deus fez com Abraão, a qual envolvia Sua promessa de estabelecer
por meio dele uma grande nação, a ser formada por uma “descendência
como as estrelas dos céus e como a areia na praia” (Gn 22:17).
Quais outras grandes verdades o livro de Gênesis nos ensina, verdades sobre as quais,
de outra forma, não saberíamos? Por que a Palavra de Deus é importante para nossa fé?
Abr l Mai l Jun 2020 | 87 |
■ Sexta, 15 de maio Ano Bíblico: 2Cr 17-20
Estudo adicional
T extos de Ellen G. White: O Grande Conflito, p. 79-96 (“Arautos de uma
Era Melhor”) e p. 145-170 (“O Poder Triunfante da Verdade”). Leia
também a seção 4 (a–j) do documento “Métodos de Estudo da Bíblia”, que
pode ser encontrado no seguinte link: http://www.centrowhite.org.br/me-
todos-de-estudo-da-biblia.
“Entretanto, o fato de que Deus revelou Sua vontade aos homens por
meio de Sua Palavra não tornou desnecessária a contínua presença e di-
reção do Espírito Santo. Ao contrário, o Espírito foi prometido pelo nosso
Salvador para esclarecer a Palavra a Seus servos, iluminando e aplicando
seus ensinos. E, considerando que foi o Espírito de Deus que inspirou as
Sagradas Escrituras, é impossível que o ensino do Espírito seja contrário
ao da Palavra” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 9).
Perguntas para consideração
1. I ndependentemente de quantas traduções da Bíblia existam em sua lín-
gua, o que você pode fazer para aproveitar ao máximo as versões dispo-
níveis? Como apreciar a Bíblia como a Palavra de Deus e buscar, pela fé,
7 obedecer aos seus ensinamentos?
2. P ense na diferença entre o que a Palavra de Deus ensina sobre as ori-
gens humanas (que fomos criados por Deus no sexto dia da criação) e
o que muitos afirmam, sob o manto da “ciência”, ao alegar que evoluí-
mos ao longo de bilhões de anos. Por que é importante se ater ao que a
Bíblia diz? Até que ponto a humanidade pode chegar quando se afasta
das declarações claras da Palavra de Deus?
3. Q uais ferramentas podem nos ajudar a entender melhor a Bíblia? E mes-
mo não tendo ferramentas extras, como aplicar as lições desta semana
sobre interpretação bíblica?
4. O s filhos de Israel receberam a orientação de que deveriam ensinar aos
seus filhos as verdades dadas a eles e recontar as histórias sobre a dire-
ção de Deus em sua vida (Dt 4:9). Além do benefício evidente de trans-
mitir a fé, por que a instrução e a narração de histórias sobre a direção
de Deus em nossa vida aumentam a nossa própria fé? Isto é, por que
compartilhar a verdade bíblica também é benéfico para nós?
Respostas a atividades da semana: 1. Ensino, repreensão, correção e educação na justiça, para que sejamos ha-
bilitados a fazer boas obras. 2. Porque assim seriam poupados dos sofrimentos causados pela desobediência. Sua
Palavra é vida e, portanto, pode prolongar nossa vida, visto que seus princípios são vivificantes. 3. A. 4. A palavra
shalom, traduzida comumente por “paz”, não significa apenas ausência de guerra, mas descanso, plenitude e intei-
reza. 5. Em Gênesis 1:26, 27, o verbo “criar” é repetido três vezes; em Isaías 6:1-3, a palavra “santo” é repetida três
vezes também. As repetições servem para enfatizar uma verdade importante. 6. Adam [“homem”] foi utilizada em
dois contextos diferentes: na primeira passagem, refere-se à origem do ser humano, sem a ênfase no sexo mascu-
lino; na segunda passagem, essa palavra designou o primeiro homem, Adão. 7. A.
| 88 | Como interpretar as Escrituras
Anotações
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Abr l Mai l Jun 2020 | 89 |
RESUMO DA LIÇÃO 7
Idioma, texto e contexto
TEXTOS-CHAVES: Dt 32:46, 47; 1Rs 3:6; Nm 6:24-26; Gn 1:26, 27; 2:15-23; 15:1-5
ESBOÇO
As palavras têm poder. Elas podem erguer um povo da opressão da escravidão para
uma vida fiel de libertação. Josué exortou o povo: “Escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos
deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos
amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24:15). As
palavras também podem ser devastadoras se forem usadas para destruir e enganar. Quan-
do Satanás tentou Eva no Jardim do Éden, ele insinuou a dúvida: “É assim que Deus disse:
‘Não comereis de toda árvore do jardim?’” (Gn 3:1). As palavras podem ser acusatórias e
condenatórias e podem ser calmantes e gentis, trazendo cura à alma.
Deus escolheu comunicar a história de Sua criação, a queda, o plano da redenção, a
promessa de restauração e a segunda vinda ao mundo por meio de profetas e escrito-
res. Eles escreveram em hebraico, aramaico e grego, idiomas bastante diferentes dos que
aprendemos na infância. A Bíblia inteira foi traduzida para pelo menos 636 idiomas e o
Novo Testamento para outros 3.223 idiomas ou mais, para que 95% da população da Ter-
7 ra possa ler a Palavra de Deus. Na lição desta semana, examinaremos como a interpreta-
ção das palavras, frases e narrativas das Escrituras em seus contextos originais nos ajuda
a entender melhor a mensagem divina para nós.
COMENTÁRIO
Estrutura
É importante entender que o significado deriva das menores partes da língua, da pró-
pria palavra isolada, e se expande para o contexto de uma frase, de uma narrativa e, fi-
nalmente, de um livro. A palavra dabar, em hebraico, é muito rica em significado, pois
pode significar uma “palavra”, “coisa” ou mesmo “profecia”. Por esse motivo, é importante
estudar o contexto maior das palavras e como elas podem ser usadas na Bíblia. As pala-
vras hebraicas chesed (“misericórdia”) e shalom (“paz”) são exemplos dos tipos de pala-
vras que têm ampla extensão semântica e podem ser entendidas mais profundamente se
estudadas em todo o contexto das Escrituras. Em outros casos, existem ensinamentos bí-
blicos (doutrinas) ou ideias que são mais bem compreendidos pelo estudo de um conjun-
to de palavras com significados semelhantes que, juntas, proporcionam ampla gama de
entendimento. Um desses ensinamentos que se beneficia de uma abordagem como essa
é o conceito bíblico de remanescente.
O autor da lição escreveu mais detalhadamente sobre o remanescente aqui ►
| 90 | Como interpretar as Escrituras
Ilustração 7
A Igreja Adventista do Sétimo Dia se identifica como a igreja remanescente da profe-
cia bíblica, chamada como um movimento no tempo do fim para proclamar com clare-
za as três mensagens angélicas. A igreja remanescente proclama o sábado como o selo
que distinguirá aqueles que guardam os mandamentos e têm a fé de Jesus (Ap 14:12).
Sua capacidade de observar os mandamentos vem dos méritos e poder de Cristo, como
mostra Seu exemplo de vencer e herdar a coroa da vida (Jo 16:32, 33; 1Jo 4:4; 5:4, 5;
Ap 2:7; 11, 17, 26; Ap 3:5,12, 21). Contudo, a reivindicação de ser o remanescente pare-
ce bastante exclusivista e arrogante no contexto moderno. Como podemos saber que
Deus tem um remanescente? Sobre o remanescente, passe o mouse ►
Esse conceito se encontra em toda a Escritura. Uma das palavras para “remanescente”
é she’ār, que, em suas várias derivações, ocorre 226 vezes no Antigo Testamento. A forma
substantiva de she’ār pode designar o “restante” de Israel (Is 10:20) ou “o restante do seu
povo” (Is 11:11, 16; 28:5). Nesse caso, o texto indica que esse é um remanescente esco-
lhido por Deus. Isaías 4:2-6 e Isaías 6:13 descrevem ainda um remanescente que passou
por um fogo purificador do juízo divino e emergiu como um povo santo. Outras palavras
hebraicas que descrevem o remanescente também podem ser estudadas e incluem ter-
mos como pālat, mālat, yāthar, sārid e ’aharît, os quais também devem ser estudados em
seus contextos. Qualquer pessoa pode fazer isso com uma boa concordância. Um estudo
desse tipo revela que a Bíblia descreve o conceito de “remanescente” de várias maneiras:
(1) O “remanescente histórico” é como o de Isaías 1:4-9, que são os sobreviventes de uma
catástrofe. (2) O “remanescente fiel” são aqueles que permanecem fiéis a Deus e que cum-
prem todas as promessas de Seu povo. (3) Finalmente, o “remanescente escatológico” são
aqueles que passam pelas tribulações do tempo do fim e saem vitoriosos no grande dia
do Senhor para receber Seu reino. Em Apocalipse, o dragão fica furioso com a mulher e
faz guerra com o “os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de
Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap 12:17). “A natureza rica de cada um desses ter-
mos em seus contextos se soma aos outros até que, dentro de todo o contexto da Bíblia,
o conceito emerge com clareza, e o estudante começa a entender a totalidade da ideia
de ‘remanescente’” (Gerhard F. Hasel, Understanding the Living Word of God [“Entenden-
do a Palavra Viva de Deus”. Mountain View, Califórnia: Pacific Press, 1980, p. 113-116).
Sobre o remanescente, ver também o link: https://bit.ly/2Sow41W.
Ilustração
Duas descobertas ou avanços nos últimos tempos nos ajudam a entender a origem da
Bíblia. A língua egípcia, escrita em hieróglifos, foi decifrada em 1822 por Jean Champollion.
Essa descoberta desvendou os segredos perdidos de uma das civilizações mais antigas e
nos permitiu comparar os textos egípcios antigos com o texto bíblico. Várias contribui-
ções interessantes surgiram ao longo do tempo: (1) Muitos dos lugares geográficos men-
cionados na Bíblia foram registrados pelos egípcios que regularmente negociavam com
Canaã. Encontrou-se muita correspondência e exatidão entre os nomes e locais mencio-
nados no Egito e na Bíblia. (2) Havia numerosas palavras emprestadas dos egípcios en-
contradas particularmente nos livros do Pentateuco. Os estudiosos documentaram várias
Abr l Mai l Jun 2020 | 91 |
palavras-chave, como tevah, a palavra “arca”, que deriva da palavra egípcia que significa
“caixa”, “baú” ou “cofre”. Essa palavra é usada tanto para a arca de Noé quanto para o ces-
to em que Moisés foi colocado quando era bebê. O nome Egito usado na Bíblia é Mitzraim.
Esse nome é uma palavra dupla em hebraico, que vem do egípcio msr, a palavra para Egi-
to. O final duplo indica as “duas terras” do Alto e Baixo Egito. Expressões do idioma egíp-
cio também são usadas. A expressão “braço estendido”, usada para descrever a proteção
divina, é uma expressão egípcia comum para força. Títulos egípcios, bem como maneiras
e expressões idiomáticas também foram usados pelo autor. Além disso, aparecem vários
nomes próprios egípcios. Todas essas descobertas apontam para a conclusão de que os
primeiros livros da Bíblia foram escritos durante a geração do Êxodo e que o autor estava
intimamente familiarizado com o Egito, seus costumes e sua história. Moisés certamente
tinha a instrução e os antecedentes necessários para escrever os livros de Gênesis a Deu-
teronômio, como a Bíblia costuma afirmar.
Outra descoberta está relacionada ao fato de Moisés ser o primeiro escritor da Bíblia.
A invenção do alfabeto, derivado dos hieróglifos egípcios, ocorreu na península do Sinai
cerca de um século antes do Êxodo. Esse grande avanço na comunicação simplificou a
escrita e possibilitou a alfabetização das pessoas comuns. Moisés, então, poderia ter es-
crito não em hieróglifos egípcios complicados, mas no alfabeto proto-cananeu simplifi-
cado, que acabaria por se transformar no hebraico. O tempo de Deus é sempre perfeito
para colocar Sua mensagem nas mãos do Seu povo.
7 Escrituras
Outros conceitos e palavras na Bíblia são inteiramente únicos. No relato da criação,
há mais ênfase na criação da humanidade do que em qualquer outro elemento ou cria-
tura. A humanidade é colocada no ápice da criação. É o trabalho da trindade divina con-
forme Eles proclamam Sua intenção: “Façamos o homem à Nossa imagem” (Gn 1:26).
A ênfase tríplice desse verso no verbo bara’, “criar”, reitera a intenção de Deus de criar uni-
camente homem e mulher à Sua imagem e semelhança. O contexto imediato de Gênesis
1 indica que ‘Elohim, “Deus”, em Sua majestosa pluralidade, e ruach Elohim, “o Espírito de
Deus”, estão envolvidos na obra de criação (Gn 1:1, 2). João 1:1-3 deixa claro que Jesus era
o Agente da criação, pois “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo
era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio
Dele, e, sem Ele, nada do que foi feito se fez”. Ao permitir que as Escrituras interpretem
a si mesmas, aprendemos que o pronome “nossa”, em Gênesis 1:26, incluía todos os três
membros da Divindade. Sendo assim, a humanidade foi criada em relacionamento para
relacionamento, a fim de que pudessem realizar o plano de Deus: “Sede fecundos, multi-
plicai-vos, enchei a Terra” (Gn 1:28). Homem e mulher foram criados para comungar com
Deus no sábado que Ele criou para eles (Gn 2:1-3, Êx 20:8-11). O desejo divino de habitar
entre Seu povo continuará sendo Seu propósito por toda a eternidade.
| 92 | Como interpretar as Escrituras
APLICAÇÃO PARA A VIDA 7
Seria possível estudar a Bíblia profundamente sem entender as línguas bíblicas origi-
nais? Temos ferramentas como as concordâncias de Strong ou Young, disponíveis na in-
ternet e fisicamente, que estão mais acessíveis hoje do que nunca. Podemos estudar como
as palavras são usadas nas frases, nos livros e ao longo das Escrituras. Os fundadores de
nossa igreja não tinham todas as ferramentas que temos disponíveis no presente. Eles ti-
nham suas Bíblias e concordâncias e seguiam cuidadosamente os princípios protestan-
tes de interpretação bíblica e, sob a iluminação do Espírito Santo, puderam conhecer o
plano da salvação e as verdades ensinadas pelos profetas e por Jesus. Abaixo estão algu-
mas perguntas para consideração que você pode usar com sua classe de Escola Sabatina:
1. S aber que Moisés escreveu os cinco primeiros livros da Bíblia nos ajuda a aceitar as Es-
crituras como uma fonte confiável? Relembre sua classe das palavras de advertência
que Moisés deu ao povo no momento de sua morte (Dt 32:46, 47). Discuta como pode-
mos praticar esse princípio em nossa família.
2. O que significa permitir que as Escrituras interpretem as Escrituras? Por que é impor-
tante entender o significado do que a própria Bíblia diz, em vez de importar para ela
nossas próprias ideias?
3. Como o entendimento de uma palavra e sua profundidade de significado nos ajuda a
ver o propósito divino para nossa vida? Que tipo de poder certas palavras têm no Anti-
go Testamento (por exemplo: justiça, misericórdia e esperança)? Como essas palavras
afetam nosso conhecimento do caráter de Deus?
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| 94 | Como interpretar as Escrituras
A criação: Gênesis como Lição
fundamento (parte 1)
8
VERSO PARA MEMORIZAR: “No princípio
era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e
o Verbo era Deus. Ele estava no princípio
com Deus. Todas as coisas foram feitas por
intermédio Dele, e, sem Ele, nada do que foi
feito se fez. A vida estava Nele e a vida
era a luz dos homens” (Jo 1:1-4).
Leituras da semana: Jo 1:1-3; Gn 1:3-5;
Êx 20:8-11; Ap 14:7; Mt 19:3-6; Rm 5:12
■ Sábado, 16 de maio Ano Bíblico: 2Cr 21-23
O s primeiros capítulos do livro de Gênesis são fundamentais para o
restante das Escrituras. Os principais ensinamentos ou doutrinas da
Bíblia têm sua fonte nesses capítulos. Neles, encontramos a natureza da
Divindade trabalhando em harmonia como Pai, Filho (Jo 1:1-3; Hb 1:1, 2)
e Espírito Santo (Gn 1:2) para criar o mundo e tudo o que nele há, culmi-
nando na humanidade (Gn 1:26-28). O livro de Gênesis também nos apre-
senta o sábado (Gn 2:1-3), a origem do mal (Gn 3), o Messias e o plano da
redenção (Gn 3:15), o Dilúvio universal (Gn 6-9), a aliança (Gn 1:28; 2:2, 3,
15-17; 9:9-17; 15), a dispersão das línguas e pessoas (Gn 10; 11) e as ge-
nealogias que apresentam a estrutura da cronologia bíblica desde a criação
até Abraão (Gn 5; 11). Por fim, o poder da Palavra falada de Deus (Gn 1:3;
2Tm 3:16; Jo 17:17), a natureza da humanidade (Gn 1:26-28), o cará-
ter de Deus (Mt 10:29, 30), o casamento entre um homem e uma mulher
(Gn 1:27, 28; 2:18, 21-25), a administração da Terra e seus recursos (Gn 1:26;
2:15, 19) e a prometida esperança de uma nova criação (Is 65:17; 66:22;
Ap 21:1) estão todos fundamentados nesses primeiros capítulos de Gêne-
sis, que serão o nosso estudo nesta e na próxima semana.
Abr l Mai l Jun 2020 | 95 |
■ Domingo, 17 de maio Ano Bíblico: 2Cr 24, 25
No princípio...
1. Quais verdades profundas são reveladas em Gênesis 1:1?
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A Bíblia inicia com as palavras mais sublimes e profundas, palavras
simples, mas que ao mesmo tempo contêm uma profundidade inco-
mensurável quando estudadas cuidadosamente. Na verdade, as perguntas
mais importantes da filosofia a respeito de quem somos, por que estamos
aqui e como chegamos aqui são respondidas na primeira frase da Bíblia.
Existimos porque Deus nos criou em um tempo definido no passado.
Não evoluímos do nada; nem chegamos à existência ao acaso, sem um pro-
pósito supremo nem direção planejada, como ensina o modelo científico
contemporâneo das origens. A evolução darwiniana é contraditória às Es-
crituras em todos os aspectos, e as tentativas de alguns de h armonizá-la
com a Bíblia fazem com que os cristãos pareçam insensatos.
Também fomos criados por Deus em determinado momento no tempo:
“no princípio”. Isso significa que Ele existia antes desse “princípio”. Isto é,
Deus já existia antes que o tempo fosse criado e expresso no ciclo diário
de “tarde e manhã” e nos meses e anos, todos marcados pela relação do
mundo com o Sol e a Lua. Esse “princípio” definido é lembrado e susten-
8 tado por outras passagens das Escrituras, que continuamente reafirmam
a natureza e os meios da divina obra criadora (Jo 1:1-3).
2. L eia João 1:1-3 e Hebreus 1:1, 2. Quem foi o agente da criação? Assinale a
alternativa correta:
A. ( ) Os anjos.
B. ( ) Jesus Cristo.
A Bíblia ensina que Jesus foi o agente da criação. Ela declara que “to-
das as coisas foram feitas por intermédio Dele, e, sem Ele, nada do que foi
feito se fez” (Jo 1:3). Por meio de Cristo, Deus “fez o Universo” (Hb 1:1, 2).
Visto que todas as coisas têm sua origem em Jesus no princípio, podemos
ter a esperança de que, no final, Ele completará o que começou, pois Ele é
“o Alfa e Ômega”, “o Primeiro e o Último” (Ap 1:8; 22:13).
Que diferença faz saber que fomos criados por Deus? Se não acreditássemos nisso,
será que consideraríamos a nós mesmos e aos outros de maneira diferente? Por quê?
Como está o cuidado com seu corpo? Ele é o templo do Espírito Santo.
| 96 | Como interpretar as Escrituras
■ Segunda, 18 de maio Ano Bíblico: 2Cr 26-28
Os dias da criação
N os últimos anos tem havido uma tendência de se entender a semana
da criação como não literal, como uma metáfora, uma parábola ou até
mesmo um mito. Isso surgiu como resultado da teoria da evolução, que su-
põe longos períodos de tempo para explicar o desenvolvimento da vida no
planeta Terra.
Mas o que a Bíblia ensina sobre esse assunto? Por que os dias da cria-
ção em Gênesis 1 devem ser entendidos como literais e não simbólicos?
3. L eia Gênesis 1:3-5 e Êxodo 20:8-11. Como o termo “dia” é usado nesses
contextos? Assinale a alternativa correta:
A. ( ) Como dia literal, com “tarde e manhã”.
B. ( ) Como dia simbólico, significando “milhares e milhares de anos”.
A palavra hebraica yôm, ou “dia”, é usada constantemente em toda a 8
narrativa da criação para designar um dia literal. Em Gênesis, nada indi-
ca que algo diferente de um dia literal tenha sido pretendido. Alguns es-
tudiosos que não creem que os dias foram literais admitem, no entanto,
que a intenção do autor era retratar dias literais.
É interessante que o próprio Deus designe esse nome para a primei-
ra unidade de tempo (Gn 1:5). Yôm, ou “dia”, é definido com a frase “hou-
ve tarde e manhã” (Gn 1:5, 8, etc.). O termo foi usado no singular, não no
plural, significando um dia único.
Portanto, os sete dias da criação devem ser entendidos como uma uni-
dade completa de tempo, introduzida pelo número cardinal ‘echad (um),
seguido por números ordinais (segundo, terceiro, quarto, etc.). Esse pa-
drão indica uma sequência consecutiva de dias, culminando no sétimo dia.
Não há indicação, no uso dos termos nem na própria forma narrativa, de
que devesse haver algum intervalo entre esses dias. Os sete dias da cria-
ção, de fato, são dias literais, como descrevemos os dias hoje.
Além disso, a natureza literal do dia foi tomada como certa quando
Deus escreveu com o próprio dedo o quarto mandamento, indicando que
o fundamento para o sétimo dia, o sábado, repousa na sequência de uma
semana da criação de sete dias literais.
Além da criação em Gênesis, temos a recriação, na segunda vinda de Cristo, quando Deus
transformará a mortalidade em imortalidade “num momento, num abrir e fechar de
olhos, ao ressoar da última trombeta” (1Co 15:52). Se Deus recria instantaneamente, por
que Ele usaria bilhões de anos para a primeira criação, como ensina a evolução teísta?
Abr l Mai l Jun 2020 | 97 |
■ Terça, 19 de maio Ano Bíblico: 2Cr 29-31
O sábado e a criação
O sétimo dia, o sábado, está sob fortes ataques na sociedade secular e nas
comunidades religiosas. Esse fato pode ser visto nos cronogramas de
trabalho das corporações mundiais; na tentativa de mudança do calendário
em muitos países europeus, designando a segunda-feira como o primeiro
dia da semana e o domingo como o sétimo dia; e na recente encíclica pa-
pal sobre mudança climática, que chama o sétimo dia, o sábado, de “sábado
judaico” e incentiva o mundo a observar um dia de descanso para reduzir o
aquecimento global (Papa Francisco, Laudato Si', Cidade do Vaticano, 2015.
Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/
documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html).
4. Leia Gênesis 2:1-3; Êxodo 20:8-11; Marcos 2:27; Apocalipse 14:7. Como a
compreensão da semana da criação está ligada ao quarto mandamento?
Qual é a relação disso com as três mensagens angélicas?
___________________________________________________________________
A Bíblia diz: “E, havendo Deus terminado no dia sétimo a Sua obra, que
fizera, descansou nesse dia de toda a Sua obra que tinha feito” (Gn 2:2).
Muitos criacionistas enfatizam a obra de Deus durante os seis dias da cria-
ção, mas deixam de reconhecer que ela não terminou no sexto dia. Igno-
8 ram que a obra terminou quando Ele criou o sábado. Por isso, Jesus disse:
“O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por cau-
sa do sábado” (Mc 2:27). Jesus fez essa declaração autoritativa porque Ele
criou o sábado como sinal e selo eternos da aliança de Deus com Seu povo. O
sábado não era somente para o povo hebreu, mas para toda a humanidade.
Gênesis indica três coisas que Jesus fez depois de ter criado o sábado.
1. Ele “descansou” (Gn 2:2), dando-nos um exemplo divino de Seu desejo
de descansar conosco; 2. O Senhor “abençoou” o sétimo dia (Gn 2:3). Na
narrativa da criação, os animais foram abençoados (Gn 1:22), Adão e Eva
também foram abençoados (Gn 1:28), mas o único dia especificamente
abençoado foi o sétimo; 3. Deus “o santificou” (Gn 2:3).
Nenhum outro dia na Bíblia recebeu essas três designações. Contudo,
essas três ações foram repetidas no quarto mandamento, quando Deus
escreveu com o próprio dedo e apontou para a criação como o fundamen-
to para o sábado (Êx 20:11).
O mandamento do sábado é mencionado como fundamento para a adoração ao
Criador. Como essa ligação com o dia de sábado se relaciona com os eventos finais?
(Ap 14:7; Êx 20:11).
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