SUMÁRIO
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03
FOCO NA REDAÇÃO 03
05
1ª PARTE 09
1. POR DENTRO DO ENEM 11
2. COMPETÊNCIA 1 14
3. COMPETÊNCIA 2 18
4. COMPETÊNCIA 3
5. COMPETÊNCIA 4 25
6. COMPETÊNCIA 5 25
27
2ª PARTE 34
1. ESTRUTURA DO TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO 39
2. O PARÁGRAFO DE INTRODUÇÃO
3. OS PARÁGRAFOS DE DESENVOLVIMENTO 41
4. PARAGRAFO DE CONCLUSÃO 41
41
FOCO NAS LINGUAGUENS
88
1ª PARTE 89
1. ENTENDENDO A PROVA DE LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS 89
99
2ª PARTE 106
1. GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS 115
2. FUNÇÕES DA LINGUAGEM 121
3. FIGURAS DE LINGUAGEM 136
4. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA 142
5. ARTES, SUAS MANIFESTAÇÕES E LINGUAGENS 150
6. HISTÓRIA DA ARTE
7. OS GÊNEROS LITERÁRIOS 172
8. A LITERATURA EM LÍNGUA PORTUGUESA
9. LITERATURA BRASILEIRA 177
DE OLHO NA GRAMÁTICA 179
PLANEJAMENTO E PRODUÇÃO TEXTUAL 178
191
ANEXOS 201
PROVAS LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS - ENEM 2020
214
1ª APLICAÇÃO
ENEM DIGITAL 1
2ª APLICAÇÃO
REFERÊNCIAS
2
PARTE I - FOCO NA REDAÇÃO
1ª PARTE
1. POR DENTRO DO ENEM
1.1 A AVALIAÇÃO DA REDAÇÃO NO ENEM
Em outros tempos, a definição de um bom texto contava apenas com a qualidade da produção textual em si, ou seja,
as palavras utilizadas em sua estrutura, mas hoje variados aspectos são levados em consideração. Esses aspectos
vão desde o planejamento do texto, feito por quem escreve, até os critérios de aceitação por parte de quem corrige.
Eles carregam a mesma importância da produção em si para que se alcance a pontuação máxima na redação. Nesse
sentido, entendendo-se o texto como uma unidade de sentido em que todos os aspectos estão relacionados para a
configurar textualidade, a separação por competências na matriz tem a finalidade de tornar a avaliação mais objetiva,
as quais veremos de modo detalhado por cada uma das cinco competências a serem avaliadas na redação.
COMO AS NOTAS SÃO ATRIBUÍDAS?
Todas as redações são inicialmente corrigidas por dois avaliadores, cada um deles atribuirá uma nota entre 0 e 200
pontos para cada uma das cinco competências.
A nota final do participante será a média aritmética das notas totais atribuídas pelos dois avaliadores, desde que não
haja discrepância, no total da nota, em mais de 100 pontos ou superior a 80 pontos em qualquer uma das competên-
cias.
QUAL A SOLUÇÃO PARA O CASO DE HAVER DISCREPÂNCIA ENTRE AS AVALIAÇÕES?
A redação será avaliada, de forma independente, por um terceiro avaliador, de modo que a nota final será a média
aritmética das duas notas totais que mais se aproximarem.
Caso a discrepância se mantenha, a redação será avaliada por uma banca presencial composta por três professores,
que atribuirá a nota final do participante.
1.2 QUAIS AS RAZÕES PARA SE ATRIBUIR NOTA 0 (ZERO) A UMA REDAÇÃO?
A redação receberá nota 0 (zero) se apresentar uma das características a seguir:
• fuga total ao tema;
• não obediência à estrutura dissertativo-argumentativa;
• extensão total de até 7 linhas;
• cópia integral de texto(s) da Prova de Redação e/ou do Caderno de Questões;
• impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação, em qualquer parte da folha de redação;
• números ou sinais gráficos fora do texto e sem função clara;
• parte deliberadamente desconectada do tema proposto;
O QUE SÃO PARTES DELIBERADAMENTE DESCONECTADAS DO TEMA PROPOSTO?
• reflexões sobre o próprio processo de escrita, a prova ou seu próprio desempenho no exame;
• bilhetes destinados à banca avaliadora, por exemplo, mensagens políticas ou de protesto, orações, mensagens
religiosas;
• frases desconectadas do corpo do texto;
• trechos de música, de hino, de poema ou de qualquer texto, desde que estejam desarticulados da argumentação
feita na redação.
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Isso quer dizer que uma constatação de algum problema social, por exemplo, não é, por si só, avaliada como um pro-
testo e, consequentemente, como parte desconectada, se estiver devidamente articulada à argumentação construída
ao longo da redação. Em suma, para que uma redação anulada por esse critério, é preciso que haja a inserção, de
forma proposital, pontual e desarticulada, de elementos estranhos ao tema e ao projeto de texto ou que atentem contra
a seriedade do exame.
DE OLHO NAS DICAS
Para alcançar uma boa nota na redação do Enem, é fundamental conhecer bem as regras do jogo, ou seja, as com-
petências avaliativas e desenvolver estratégias de treinamento. Algumas, bastante simples, mas muito eficientes nesta
primeira etapa de preparação.
• Estude a Cartilha do participante do Enem e outros materiais do Inep.
• Analise redações nota 1000.
• Construa um “caderno de repertório” por eixos temáticos.
• Tenha disciplina, estabeleça dia e horário fixo para escrever.
• Desenvolva o hábito de planejar seu texto e cronometrar o tempo de escrita.
• Analise a correção e não guarde as dúvidas, sempre esclareça tudo com o corretor.
• Se cometeu muitas falhas, reescreva fazendo os ajustes apontados na correção.
COMO FUNCIONA NA PRÁTICA
Vejamos a seguir, uma redação nota 1000 de 2019 e os comentários de especialistas sobre cada uma das cinco com-
petências, disponíveis na Cartilha do Participante/2020.
Redação de Gabriel Merli
Na obra “A Invenção de Hugo Cabret”, é narrada a relação entre um dos pais do cinema, Georges Mélies, e um
menino órfão, Hugo Cabret. A ficção, inspirada na realidade do começo do século XX, tem como um de seus pontos
centrais o lazer proporcionado pelo cinema, que encanta o garoto. No contexto brasileiro atual, o acesso a essa for-
ma de arte não é democratizado, o que prejudica a disponibilidade de formas de lazer à população. Esse problema
advém da centralização das salas exibidoras em zonas metropolitanas e do alto custo das sessões para as classes
de menor renda.
Primeiramente, o direito ao lazer está assegurado na Constituição de 1988, mas o cinema, como meio de garantir
isso, não tem penetração em todo território brasileiro. O crescimento urbano no século XX atraiu as salas de cinema
para as grandes cidades, centralizando progressivamente a exibição de filmes. Como indicativo desse processo, há
menos salas hoje do que em 1975, de acordo com a Agência Nacional de Cinema (Ancine). Tal fato se deve à falta
de incentivo governamental – seja no âmbito fiscal ou de investimento – à disseminação do cinema, o que ocasionou
a redução do parque exibidor interiorano. Sendo assim, a democratização do acesso
ao cinema é prejudicada em zonas periféricas ou rurais.
Ademais, o problema existe também em locais onde há salas de cinema, uma vez que o custo das sessões é
inacessível às classes de renda baixa. Isso se deve ao fato de o mercado ser dominado por poucas empresas ex-
ibidoras. Conforme teorizou inicialmente o pensador inglês Adam Smith, o preço decorre da concorrência: a com-
petitividade força a redução dos preços, enquanto os oligopólios favorecem seu aumento. Nesse sentido, a baixa
concorrência dificulta o amplo acesso ao cinema no Brasil.
Portanto, a democratização do cinema depende da disseminação e do jogo de mercado. A fim de levar os filmes a
zonas periféricas, as prefeituras dessas regiões devem promover a interiorização dos cinemas, por meio de investi-
mentos no lazer e incentivos fiscais. Além disso, visando reduzir o custo das sessões, cabe ao Ministério da Fazenda
ampliar a concorrência entre as empresas exibidoras, o que pode ser feito pela regulamentação e fiscalização das
relações entre elas, atraindo novas empresas para o Brasil. Isso impediria a formação de oligopólios, consequent-
emente aumentando a concorrência. Com essas medidas, o cinema será democratizado, possibilitando a toda a
população brasileira o mesmo encanto que tinha Hugo Cabret com os filmes.
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COMENTÁRIOS:
Competência 1
O participante demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, uma vez que a estru-
tura sintática é excelente e não há presença de desvios em seu texto. Em relação aos princípios da estruturação do
texto dissertativo-argumentativo, percebe-se que o participante apresenta introdução em que expõe seu ponto de vista,
desenvolvimento de justificativas que comprovam esse ponto de vista e conclusão que encerra a discussão, demon-
strando excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo.
Competência 2
O tema é abordado de forma completa, revelando uma leitura cuidadosa da proposta de redação: ainda no primeiro
parágrafo, o participante anuncia a problemática ao abordar a centralização das salas de cinema e o preço elevado dos
ingressos que impedem a democratização efetiva do cinema. Observa-se também o uso produtivo de repertório soci-
ocultural pertinente à discussão proposta pelo participante em mais de um momento do texto: no primeiro parágrafo, o
filme “A Invenção de Hugo Cabret” foi utilizado com o objetivo de contextualizar o tema, apresentando o cinema como
um lugar de lazer; no segundo parágrafo, o participante compara o que é assegurado pela Constituição Federal com
a situação atual do país; e, no terceiro parágrafo, ele se vale de um argumento de autoridade, encontrado no pensam-
ento de Adam Smith, para fundamentar a justificativa de que o preço dos ingressos é alto porque há poucas empresas
atuando no Brasil.
Competência 3
Percebe-se, também, ao longo da redação, a presença de um projeto de texto estratégico, com informações, fatos e
opiniões relacionados ao tema proposto, desenvolvidos de forma consistente e bem organizados em defesa do ponto
de vista. No primeiro parágrafo, o participante destaca a importância do cinema como fonte de lazer e apresenta a sit-
uação dessa arte no Brasil: de acordo com ele, o acesso ao cinema é prejudicado porque as salas estão centralizadas
em grandes cidades e o preço dos ingressos é alto. Esses dois aspectos serão aprofundados de forma organizada,
cada um em um parágrafo próprio. No segundo parágrafo, discutem-se as causas da centralização das salas do cine-
ma nas grandes cidades, o que fez com que as áreas rurais ou periféricas ficassem sem acesso a ele. Já no terceiro
parágrafo, as causas do alto custo das sessões de cinema são apresentadas e detalhadas. No último parágrafo, são
apresentadas propostas de solução para os dois problemas discutidos no texto, reforçando a importância de se propor-
cionar esse tipo lazer à população brasileira.
Competência 4
Em relação à coesão, encontra-se, nessa redação, um repertório diversificado de recursos coesivos, sem inade-
quações. Há articulação tanto entre os parágrafos (“Ademais”, “Portanto”) quanto entre as ideias dentro de um mesmo
parágrafo (1º parágrafo: “seus pontos centrais”, “essa forma de arte”, “o que”; 2º parágrafo: “mas”, “desse processo”,
“Sendo assim”; 3º parágrafo: “também””, “uma vez que”, “enquanto”; 4º parágrafo: “dessas regiões”, “Além disso”, “Com
essas medidas”, entre outros).
Competência 5
Por fim, o participante elabora proposta de intervenção muito boa: concreta, articulada à discussão desenvolvida no
texto, detalhada e que respeita os direitos humanos ao propor investimentos em salas de cinemas em lugares afasta-
dos e aumento da competitividade entre as empresas exibidoras.
Agora que já vimos as regras de modo geral, vamos nos aprofundar na análise de cada competência isoladamente a
fim compreendermos exatamente o que deve ser apresentado em cada uma delas para se atingir a pontuação máxima.
2. COMPETÊNCIA 1
DEMONSTRAR DOMÍNIO DA MODALIDADE ESCRITA FORMAL DA LÍNGUA PORTUGUESA
A Competência 1 avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa. Isso inclui o conhecimento das
convenções da escrita, entre as quais se encontram as regras de ortografia e de acentuação gráfica regidas pelo atual
Acordo Ortográfico. Além disso, o domínio da modalidade escrita formal será observado na adequação do seu texto
em relação tanto às regras gramaticais quanto à fluidez da leitura, que pode ser prejudicada ou beneficiada pela con-
strução sintática. Desse modo, a redação, nessa Competência, será corrigida considerando-se os possíveis problemas
de construção sintática e a presença de desvios (gramaticais, de convenções da escrita, de escolha de registro e de
escolha vocabular).
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NÍVEIS DE DESEMPENHO
Fonte: Cartilha do Participante Enem 2020
COMO FUNCIONA NA PRÁTICA
ASPECTOS AVALIADOS
a) Desvios
• Convenções da escrita: acentuação, ortografia, separação silábica, uso do hífen e uso de letras maiúsculas e
minúsculas.
• Gramaticais: concordância verbal e nominal, flexão de nomes e verbos, pontuação, regência verbal e nominal,
colocação pronominal, pontuação e paralelismo.
• Escolha de registro: adequação à modalidade escrita formal, isto é, ausência de uso de registro informal e/ou de
marcas de oralidade.
• Escolha vocabular: emprego de vocabulário preciso, o que significa que as palavras selecionadas são usadas em
seu sentido correto e são apropriadas para o texto.
b) Construção sintática: estrutura das orações e dos períodos do texto sempre buscando, o que garante que eles
estejam completos e contribui para a fluidez da leitura.
- Orações justapostas: é o que ocorre quando, em vez de um ponto final (indicando o fim da oração), coloca-se uma
vírgula.
A formação da identidade nacional depende do conhecimento dos patrimônios culturais
pela população. Isso é extremamente relevante para a sensação de pertencimento
O empreendedorismo no Brasil tem crescido muito. O que tem gerado emprego e ren-
da para muitas famílias.
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- Truncamentos: emprego do ponto final para separar duas orações que deveriam constituir um único período.
O empreendedorismo no Brasil tem crescido muito. O que tem gerado emprego e
renda para muitas famílias.
O empreendedorismo no Brasil tem crescido muito, o que tem gerado emprego e ren-
da para muitas famílias.
- Ausência e excesso de termos: a falta de um termo, prejudicando a compreensão da ideia é penalizada como falha
de estrutura sintática. Da mesma forma que se penaliza o excesso, em geral, verificada na repetição de um termo de
modo sequenciado.
Percebe-se que, nos discursos políticos, há estratégias objetivo de iludir a população.
Percebe-se que, nos discursos políticos, há estratégias com o objetivo de iludir a po-
pulação.
Não é possível possível a construção de uma sociedade digna sem justiça.
Não é possível a construção de uma sociedade digna sem justiça.
- Parágrafos com um único período: cada parágrafo da redação deve ser desenvolvido com, no mínimo, dois perío-
dos (no caso do parágrafo de introdução, que deve ser sucinto) ou três (demais parágrafos). Quando se constrói um
parágrafo inteiro com a apenas um período, verifica-se a presença de estruturas justapostas e falhas de coesão. Desse
modo, o texto poderá ser penalizado na Competência 1 e também na 4.
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DE OLHO NAS DICAS
1. Evite a prolixidade.
Ainda em relação à estrutura sintática, procure evitar a prolixidade, característica que se manifesta pelo abuso
da escrita, da prorrogação desnecessária do discurso, é a superabundância de argumentos e de palavras. Isso não é
bom, pois o texto fica confuso, monótono, entediante.
O escritor não sabe a hora de parar, de pontuar, tampouco consegue organizar as ideias de maneira concisa e
clara.
É óbvio que não devemos omitir informações importantes ao leitor, fundamentais para a compreensão do
assunto abordado. Mas a falta de objetividade ocasiona repetição de vocábulos e de ideias que, consequentemente,
originam o texto prolixo.
Não enfatizamos aqui a quantidade, mas sim a qualidade textual. É melhor discursar sobre um ponto específico
de determinado tema, do que falar de todos e não concluir nenhuma das argumentações. Para identificar se seu texto
está prolixo, procure verificar:
• pequenas orações ou expressões que podem ser retiradas sem qualquer dano ao significado;
• recorrência de preciosismo e/ou rebuscamento.
• explicações genéricas;
• repetição de termos de mesmo conteúdo;
• excesso de verbos no gerúndio;
• pronome relativo “que” de modo excessivo.
Como evitar que seu texto seja prolixo:
• Evite as inversões sintáticas pedantes e artificiais;
• Escolha a simplicidade no uso da linguagem, dispensando expressões preciosas e rebuscadas somente para
impressionar. A linguagem dissertativa, embora elaborada, deve parecer natural;
• Seja objetivo e direto. Nada de expressões redundantes, nem palavras desnecessárias.
2. Algumas dúvidas comuns em relação à Competência I
- Letra cursiva ou de imprensa? Para o Enem, a letra só precisa ser legível. Há vestibulares que tiram ponto pelo
uso da letra de forma. Não é o caso do Enem. Caso opte pelo emprego da letra de forma, procure distinguir bem (pelo
tamanho) maiúsculas e minúsculas.
- Rasura tira ponto? Não de modo isolado, mas um texto com rasuras compromete a estética e pode dificultar a legi-
bilidade. Atenção com a limpeza e a apresentação do texto.
- Qual é o procedimento correto caso seja cometido algum erro no texto definitivo? Se acontecer de você errar
uma palavra, ou mesmo um trecho, simplesmente passe um traço sobre o conteúdo errado e reescreva na sequência
a forma correta.
Veja os exemplos:
“A caza casa era grande».
“As ideias eram muito boas foram bem elaboradas e, porisso, por isso, mereceram elogios”.
Atenção! Não coloque a palavra ou o trecho entre parênteses para sinalizar o erro, pois uma das funções dos parênte-
ses é acrescentar ideias, e não as suprimir. Colocar o trecho a ser descartado entre parênteses pode gerar problemas
de sentido ao texto
- Escrevi o nome de um autor errado. E agora? Via de regra, não perde ponto.
- Como grafar palavras estrangeiras? A convenção gramatical sugere o emprego de aspas.
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3. COMPETÊNCIA 2
COMPREENDER A PROPOSTA DE REDAÇÃO E APLICAR CONCEITOS DAS VÁRIAS ÁREAS DE CONHECIMEN-
TO PARA DESENVOLVER O TEMA, DENTRO DOS LIMITES ESTRUTURAIS DO TEXTO DISSERTATIVO-ARGU-
MENTATIVO EM PROSA.
A segunda competência avaliada é uma das mais complexas, visto que ela verifica três aspectos diferentes.
1. A compreensão da proposta de redação, composta por um tema específico. Nesse item será avaliada se abor-
dagem está completa, atendendo ao recorte definido ou se houve tangenciamento ou fuga ao tema.
2. O tipo textual a ser desenvolvido, o texto dissertativo-argumentativo em prosa – tipo de texto organizado em
parágrafos que se estruturam em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. Além disso, esse tipo de
texto demonstra, por meio de argumentação, a assertividade de uma ideia ou de uma tese. É mais do que uma
simples exposição de ideias; por isso, deve-se evitar elaborar um texto de caráter apenas expositivo, é preciso
assumir claramente um ponto de vista, a ser defendida ao longo de toda a produção.
3. A aplicação de conceitos das várias áreas do conhecimento. Nesse aspecto será avaliado se o candidato possui
um bom repertório sociocultural e se é capaz de fazer uso dele de forma pertinente e bem articulada.
TEMA 1. Baseado na coletânea
TIPO TEXTUAL 2. Pessoal
REPERTÓRIO 3. Sociocultural
1. Tangente 1. Apresenta todas as partes 4. Pertinente e produtivo
2. Abordagem completa 2. Apresenta ponto de vista
NÍVEIS DE DESEMPENHO
Fonte: Cartilha do Participante Enem 2020
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3.1 COMPREENSÃO DA PROPOSTA DE REDAÇÃO
• Fuga total ao tema
Considera-se que uma redação tenha fugido ao tema quando nem o assunto mais amplo nem o tema proposto são
desenvolvidos.
No Enem 2019, recebeu a rubrica fuga ao tema a redação estruturada integralmente em assunto não solicitado, ou
seja, qualquer encaminhamento que não tratou do tema ou, pelo menos, de assunto a ele relacionado – ou seja, a
abordagem exclusiva de assuntos sem relação com qualquer elemento ligado ao universo do cinema.
IMPORTANTE!
Para evitar que seja atribuída a nota zero a seu texto por fuga ao tema, é importante que você desenvolva uma dis-
cussão dentro dos limites do tema definido pela proposta. Mencioná-lo apenas no título, por exemplo, ou deixá-lo sub-
entendido, supondo que a banca irá saber sobre o que você está falando, não é suficiente. Por isso, muita atenção à
abordagem do tema, que deve ser clara e explícita
• O que é tangenciar o tema?
Considera-se tangenciamento ao tema uma abordagem parcial baseada somente no assunto mais amplo a que o tema
está vinculado, deixando em segundo plano a discussão em torno do eixo temático objetivamente proposto.
No Enem 2019, foi configurado como tangenciamento ao tema o encaminhamento que tratou apenas de assunto a ele
relacionado, por exemplo, cinema, sem tratar de sua democratização; ou outros tipos de produções audiovisuais que
não o cinema.
3.2 TIPO TEXTUAL
No Exame Nacional do Ensino Médio, a estrutura textual exigida, desde o início desta avaliação, é o modelo dissertati-
vo-argumentativo. Como vimos anteriormente, essa tipologia baseia-se nas explicitações das relações argumentativas
e crítica sobre os argumentos apresentados. O texto dissertativo-argumentativo apresenta o posicionamento do autor
sobre acerca de determinado tema e pode utilizar como recursos de persuasão fatos, dados, argumentos, exemplifi-
cações, citações, alusões, no sentido de persuadir seu leitor.
Atenção! Nesse tipo de texto não deve haver emprego de elementos que configuram outros tipos textuais, como tópi-
cos, discursos diretos (indicados por travessão) e relatos pessoais. No entanto, o emprego de trechos narrativos pode
ser bem aceito se tiver como função consolidar argumentos.
3.3 REPERTÓRIO
Entende-se por repertório as informações reunidas no texto para comprovar o ponto de vista do autor do texto. Para
apresentar tais informações, o autor costuma usar três fontes distintas na hora de redigir: o repertório pessoal (não
aconselhável); o repertório dos textos motivadores (perigoso) e o sociocultural (aconselhável).
• O próprio indivíduo como fonte
O repertório pessoal está relacionado às experiências próprias da vida de cada indivíduo, que muitos candidatos quer-
em usar como exemplo para validar sua tese. Apesar de a tese até poder ser válida e o argumento até combinar com
ele, a experiência particular não deve ser ponto de partida para comprovar nenhum posicionamento argumentativo.
Exemplo:
É possível afirmar que a economia do Brasil tem melhorado nos últimos anos. Isso se evidencia pelo meu pai, que
recentemente conquistou a compra da sua primeira casa própria como da minha tia, que recebeu já o terceiro aumento
de salário em seu emprego.
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• A coletânea de textos como fonte
O repertório dos textos motivadores representa um perigo. Se o aluno copia suas palavras, o trecho é desconsiderado
pela banca. Se o aluno faz uma paráfrase dos trechos da coletânea, as passagens só vão compor uma boa pontuação
se na argumentação o candidato não se restringir às ideias do texto de apoio. Desse modo, a qualidade dos seus ar-
gumentos está ligada sobre tudo à apresentação de novos dados relacionados ao tema da redação.
• Cultura e sociedade como fonte
Entende-se como repertório sociocultural as informações validadas pelas diversas áreas de conhecimento como disci-
plinas escolares, artes, música, entre outros. Apesar de música, desenho animado, filmes e outros elementos poderem
contribuir para um bom texto, a forma mais segura de usar conteúdo cultural em seu texto é apropriar-se de infor-
mações relacionadas a matérias escolares: História, Filosofia, Biologia, Sociologia, Física, Matemática etc.
Atenção!
- Sobre as referências de diferentes áreas do conhecimento, as citações e alusões são boas estratégias, mas em vez
de “decorar” e apenas reproduzir a fala dos pensadores, procure compreendê-las a partir de seus contextos.
- Umas das principais preocupações do candidato deve ser, porém, contextualizar, retomar, explicitar as referências
que emprega. Portanto, em vez de empregar várias citações de variadas disciplinas, o ideal é retomar a que já foi usada
com seu contexto histórico, com seus ideais, com os personagens envolvidos na situação do que foi mencionado. Uma
outra fonte a ser combinada com esses dados relaciona-se aos fatos cotidianos. Usar jornais, revistas e outras base de
informação e notícia para dar suporte aos seus posicionamentos contribui bastante para sua boa pontuação.
3.4 O CONTEÚDO DO TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO
De acordo com a Cartilha do Participante do Enem, O texto dissertativo-argumentativo é aquele que se organiza na def-
esa de um ponto de vista sobre determinado assunto. É fundamentado com argumentos, a fim de influenciar a opinião
do leitor, tentando convencê-lo de que a ideia defendida está correta. É preciso, portanto, expor e explicar ideias. Daí a
sua dupla natureza: é argumentativo porque defende uma tese, uma opinião, e é dissertativo porque utiliza explicações
para justificá-la.
O objetivo desse texto é, em última análise, convencer o leitor de que o ponto de vista em relação à tese apresentada é
acertado e relevante. Para tanto, mobiliza informações, fatos e opiniões, à luz de um raciocínio coerente e consistente.
4. COMPETÊNCIA 3
SELECIONAR, RELACIONAR, ORGANIZAR E INTERPRETAR INFORMAÇÕES, FATOS, OPINIÕES E ARGUMEN-
TOS EM DEFESA DE UM PONTO DE VISTA
O terceiro aspecto a ser avaliado é a forma como você, em seu texto, seleciona, relaciona, organiza e interpreta infor-
mações, fatos, opiniões e argumentos em defesa do ponto de vista escolhido como tese. É preciso, então, elaborar um
texto que apresente, claramente, uma ideia a ser defendida e os argumentos que justifiquem a posição assumida por
você em relação à temática da proposta de redação.
11
NÍVEIS DE DESEMPENHO
Fonte: Cartilha do Participante Enem 2020
A Competência 3 trata da inteligibilidade do seu texto, ou seja, de sua coerência e da plausibilidade entre as ideias
apresentadas, o que é garantido pelo planejamento prévio à escrita, ou seja, pela elaboração de um projeto de texto.
Essa inteligibilidade depende dos seguintes fatores:
• Seleção de argumentos.
• Relação de sentido entre as partes do texto.
• Progressão temática adequada ao desenvolvimento do tema, revelando que a redação foi planejada e que as
ideias desenvolvidas são, pouco a pouco, apresentadas, de forma organizada, em uma ordem lógica.
• Desenvolvimento dos argumentos, com a explicitação da relevância das ideias apresentadas para a defesa do
ponto de vista definido.
a) Selecionar, relacionar, organizar e interpretar
Selecionar – Entre as várias informações possíveis, relacionadas ao seu tema, você deve escolher a que melhor
coopere para defesa do seu posicionamento. Lembre-se de que os argumentos concorrem entre si para melhor defend-
er sua tese. Não acumule fatos, exemplos, simplesmente para demonstrar a banca que os conhece. Use os melhores.
E os melhores são aqueles que você é capaz de comentar no período seguinte.
Relacionar – A apresentação de dados não deve estar disposta em sua redação de forma aleatória, mas relacionada a
um projeto de texto. Cada exposição de dados no desenvolvimento deve estar relacionada ao tópico frasal do mesmo
parágrafo que, por sua vez, deve retomar elementos do parágrafo de introdução.
Organizar – Para apresentar no texto os dados de que dispõe, é necessário, muitas vezes, reescrevê-lo, parafraseá-lo,
adaptar o pensamento ou as informações ao seu projeto pessoal de escrita.
Interpretar – É imprescindível a correta compreensão do tema, das informações apresentadas, dos textos de apoio, das
citações e de todos os exemplos empregados no texto, a fim de que não se use, por exemplo, um dado cujas palavras
combinem com o que se diz no texto, mas que relacionadas a um contexto que difere completamente do tema.
Incoerência
• Coerência externa: relação de verdade entre o que o candidato diz no texto e a realidade do mundo. Inventar fatos,
exemplos e citações representa, portanto, quebra de coerência externa.
• Coerência interna: relaciona-se ao fato de o candidato apresentar fatos ou exemplo sem relacionar uns aos outros
ou ao próprio projeto de texto, de forma desconexa entre si. Disso, deriva a importância da seleção na hora de
escrever.
12
Dessa forma, é essencial empregar dados que você possa comentar e relacionar a outros elementos do parágrafo.
Quando a banca percebe sua preocupação em retomar elementos anteriores para exemplificar ou apresentar sua
argumentação, fica claro que você tem uma continuidade de ideias e boa organização de pensamento para escrever.
Estas qualidades são avaliadas como PROJETO DE TEXTO. A partir disso, os parágrafos não são percebidos como
“estanques” dentro do mesmo tema, mas como parte de um fluxo dissertativo.
b) Projeto de texto
É o planejamento prévio à escrita da redação. É o esquema que se deixa perceber pela organização estratégica dos
argumentos presentes no texto. É nele que são definidos quais os argumentos que serão mobilizados para a defesa
de sua tese, quais os momentos de introduzi-los e qual a melhor ordem para apresentá-los, de modo a garantir que o
texto final seja articulado, claro e coerente. Assim, o texto que atende às expectativas referentes à Competência 3 é
aquele no qual é possível perceber a presença implícita de um projeto de texto, ou seja, aquele em que é claramente
identificável a estratégia escolhida por quem está escrevendo para defender seu ponto de vista.
c) Marca de autoria
A dissertação solicitada no Enem tem caráter ARGUMENTATIVO e não EXPOSITIVO. Isso significa que não basta
apresentar informações, dados, exemplos e citações relacionados a um ponto de vista. É necessária uma análise
crítica. Quem escreve precisa demonstrar seu incômodo, sua indignação, seu comentário acerca dos dados apresenta-
dos. Por isso, o ideal é que se organize cada parágrafo de desenvolvimento numa média de três períodos, conforme
a sugestão a seguir.
1º período: trecho em que se retoma elemento da introdução
2º período: informações, dados, exemplos, citações que comprovem o período 1.
3º período: comentário crítico, indignação diante do que foi exposto no período 2.
• Dica: é comum utilizar na última frase desses parágrafos expressões como “É inadmissível que”, “É inaceitável
que”, “Trata-se, portanto, de um panorama social degradante”, “Urge, nesse sentido, a percepção de que não se
pode”; “Em uma realidade como a do provo brasileiro, é inconcebível que”. Tais expressões ajudam a demonstrar
à banca o teor crítico da passagem.
COMO FUNCIONA NA PRÁTICA
A seguir, apresentamos dois parágrafos (introdução e desenvolvimento 1) de um texto dissertativo-argumentativo sobre
a questão das pessoas em situação de rua. Analise-os e observe a organização e a articulação entre os períodos.
O livro ‘‘Capitães da Areia’’, de Jorge Amado, retrata o drama de crianças que, além de morarem na rua,
enfrentam os estigmas de uma sociedade opressiva do início do século XX. Esse problema se estende até os
dias, trata-se de uma questão social que no Brasil é pouco debatida. Dessa maneira, é primordial analisar a falta
de engajamento social e a baixa atuação do Estado nesse impasse.
Convém ressaltar, de início, que a população brasileira deve lutar para que o respeito à dignidade, propos-
ta pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, também seja uma realidade para a pessoa em situação de
rua. Sob esse prisma, uma sociedade que não reconhece a vulnerabilidade – assim como a invisibilidade – que
esse segmento marginalizado sofre, colabora para a ocorrência de abuso e violência. Prova disso é a Chacina
da Candelária, em 1993, em que policiais militares mataram oito jovens moradores de rua. Tal fato, certamente,
evidencia a necessidade do engajamento social como um dos mecanismos para diminuir o entrave.
13
DE OLHO NAS DICAS
O que deve ser feito:
• Selecionar as ideias mais pertinentes para a defesa do ponto de vista.
• Definir uma ordem, uma sequência lógica que possibilite ao leitor acompanhar o raciocínio apresentado facilmente.
• Desenvolver todas as informações, fatos e opiniões e de modo articulado com as outras ideias apresentadas.
• Deixar clara a marca de autoria.
• Observar a introdução e a conclusão e verificar se há coerência entre o início e o fim.
5. COMPETÊNCIA 4
DEMONSTRAR CONHECIMENTO DOS MECANISMOS LINGUÍSTICOS NECESSÁRIOS PARA A CONSTRUÇÃO DA
ARGUMENTAÇÃO
De acordo com as orientações disponibilizadas pelo Inep, na Cartilha do Participante do Enem, os critérios
avaliados na competência dizem respeito à estruturação lógica e formal entre as partes da redação. Na prática isso sig-
nifica que as orações, períodos e parágrafos estejam articulados de modo a garantir uma sequência coerente do texto
e a interdependência entre as ideias. Essa articulação é feita por meio de recursos coesivos, em especial operadores
argumentativos, que são responsáveis pelas relações de sentido construídas ao longo do texto, por exemplo, relações
de igualdade, de adversidade, de causa/consequência e de conclusão, entre outras.
Esse processo é que que se chama de coesão textual, que se constrói por meio de preposições, conjunções,
advérbios e locuções adverbiais. São esses termos que estabelecem uma inter-relação entre orações, frases e parágr-
afos. Cada parágrafo será composto por um ou mais períodos também articulados; cada ideia nova precisa estabelecer
relação com as anteriores.
NÍVEIS DE DESEMPENHO
Fonte: Cartilha do Participante Enem 2020
a) Relação entre as competências 3 e 4
É importante destacar que ambas as competências consideram a construção da argumentação ao longo do texto,
porém avaliam aspectos diferentes. Na Competência 3, é avaliada a capacidade de o participante “selecionar, relacion-
ar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista”, ou seja, trata-se
da estrutura mais profunda do texto. Já a Competência 4 avalia o processo de coesão, como as partes do texto estão
linguisticamente articuladas e os recursos mobilizados para isso.
Assim, você deve, na construção de seu texto, demonstrar conhecimento sobre os mecanismos linguísticos
necessários para um adequado encadeamento textual, considerando os recursos coesivos que garantem a conexão
de ideias tanto entre os parágrafos quanto dentro deles.
Veja no quadro de níveis de desempenho como a banca pontua essa competência.
14
b) Coesão e coerência
Embora os conceitos de coesão e coerência estejam intimamente relacionados e, por essa razão mesmo seja tão
comum haver confusão entre eles, é importante deixar claro que se trata de questões diferentes e avaliadas separad-
amente.
Vejamos o exemplo a seguir.
Levantamos muito cedo. Fazia frio e a água havia congelado nas torneiras. Até os animais, acostumados
com baixas temperaturas, permaneciam, preguiçosamente, em suas tocas. Apesar disso, deixamos de fazer nossa
caminhada matinal com as crianças.
O trecho é composto por vários períodos, agrupados em dois segmentos distintos. No primeiro, fala-se do frio
intenso e suas consequências; no segundo, a decisão de não fazer a caminhada matinal. O que aparece para fazer a
ligação entre esses dois segmentos? A locução “apesar disso”. Ora, esse termo tem valor concessivo, liga duas coisas
contraditórias, opostas; mas o que segue a ele é uma consequência do frio que fazia naquela manhã. Dessa forma, no
lugar de “apesar disso”, deveríamos usar um termo que expressasse a ideia de consequência, como “por isso”, “por
causa disso”, entre outros.
A partir dessa análise, pode-se concluir que as partes do texto não estavam devidamente ligadas. Diz-se então
que faltou coesão textual. Consequentemente, o trecho ficou sem coerência, isto é, sem sentido lógico.
• coesão é a ligação entre partes de um texto;
• coerência é a sequência lógica das ideias de um texto.
Desse modo, para atender aos critérios avaliados nesta competência, é necessário que o candidato apresente suas
ideias de forma coesa e coerente. Portanto, deve-se ter bastante atenção com os seguintes aspectos:
1. Parágrafos
Evite parágrafos muito longos e mal pontuados. Em um texto dissertativo-argumentativo, o parágrafo é formado por
uma ideia principal relacionada a ideias secundárias. De maneira geral, a divisão de um parágrafo em três períodos
favorece bastante sua organização.
2. Períodos
No tipo textual dissertativo-argumentativo, os períodos devem ser estruturados com mais de uma oração, períodos com-
postos. Isso se deve à necessidade de expressarem-se ideias de causa-consequência, contradição, temporalidade,
comparação, conclusão, além de outras possibilidades.
3. Repetições
Em um texto com finalidade lógico-gramatical, a palavra escrita não pode chamar mais atenção do que as ideias por
ele expressas. Nesse sentido, repetir palavras de forma excessiva e desnecessária chama a atenção do para dois
aspectos negativos: desorganização e domínio insuficiente dos recursos coesivos.
c) Tipos de coesão
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada ou antecipação de palavras/ expressões/frases,
chamada de coesão referencial, e o encadeamento de segmentos, a coesão sequencial.
• Coesão referencial
Toda palavra ou expressão que se refere a coisas passadas no texto, ou mesmo às que ainda virão, são ele-
mentos conectores. Os termos a que eles se referem podem ser chamados de referentes. Utilizam-se os mecanismos
de coesão referencial para evitar as repetições desnecessárias. Assim, Pode-se suprimir algo que já está subentendi-
do; usar sinônimos, hipônimos hiperônimos, pode-se promover referências textuais para que o leitor remeta sua com-
preensão do texto a algo já mencionado etc.
A coesão referencial, portanto, realiza-se no texto por meio de cadeias de referência retomada ou antecipação
pode acontecer por meio de pronomes, verbos, advérbios, substantivos e adjetivos.
15
Observe o exemplo a seguir.
“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total igualdade entre homens e mulheres: estas ainda ganham
menos do que aqueles em cargos equivalentes.”
Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o termo mulheres, enquanto “aqueles” recupera a palavra
homens.
O processo em que um termo retoma outra é denominado anáfora; o que serve para anunciar, para antecipar outro
é chamado catáfora. Há ainda um terceiro recurso, a elipse, omissão de elementos subentendidos na frase.
• Coesão sequencial
Coesão por Conexão
Há na língua uma série de palavras ou locuções que são responsáveis pela concatenação ou relação entre
segmentos do texto. Esses elementos denominam-se conectores ou operadores argumentativos. Por exemplo: visto
que, até, ora, no entanto, contudo, ou seja etc.
Para além de ligar parte do texto, esses elementos estabelecem entre elas relações semânticas de diver-
sos tipos, como contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, entre outros. Essas relações exercem
função argumentativa no texto, por isso os operadores argumentativos (ou discursivos) não podem ser usados
indiscriminadamente.
De acordo com Ingedore Kock, “ Os operadores ou marcadores argumentativos são, pois, elementos linguísti-
cos que permitem orientar nossos enunciados para determinadas conclusões. São, por isso mesmo, responsáveis
pela orientação argumentativa dos enunciados que introduzem, o que vem a comprovar que a argumentatividade está
inscrita na própria língua. ” (2016, p. 64)
A autora faz, ainda, uma seleção dos vários tipos de operadores argumentativos, de acordo com as ideias por
eles expressas ou introduzidas.
• somam argumentos a favor de uma mesma conclusão: e, também, ainda, nem, não só... mas também, tanto...
como, além de, além disso (...)
• indicam o argumento mais forte em uma escala a favor da mesma conclusão: inclusive, até mesmo, nem, nem
mesmo (...)
• deixam subentendida a existência de uma escala com outros argumentos mais fortes: ao menos, pelo menos, no
mínimo (...)
• contrapõem argumentos orientados para conclusões contrárias: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entre-
tanto, embora, ainda que, posto que, apesar de (...)
• introduzem uma conclusão com relação a argumentos apresentados em enunciados anteriores: logo, portanto,
pois, por isso, por conseguinte, em decorrência, resumindo, concluindo (...)
• introduzem uma justificativa ou explicação relativa ao enunciado anterior: porque, porquanto, pois, visto que, já
que, para que, para, a fim de (...)
• estabelecem relações de comparação entre elementos, visando a uma determinada conclusão: mais... (do) que,
menos... (do) que, tão... quanto (...)
• introduzem argumentos alternativos que levam a conclusões diferentes ou opostas: ou... ou, quer... quer, seja...
seja, (...)
• introduzem no enunciado conteúdos pressupostos: já, ainda, agora (...)
• funcionam numa escala orientada para a afirmação da totalidade ou para a negação da totalidade - afirmação: um
pouco, quase (...) Negação: pouco, apenas (...).
Coesão por justaposição
É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enunciados, marcada ou não com sequenciadores.
Entre os principais sequenciadores, temos:
- Sequenciadores temporais: dois meses depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados pre-
dominantemente nas narrações).
- Sequenciadores espaciais: à esquerda, à direita, junto de, etc. (são usados principalmente nas descrições).
- Sequenciadores de ordem: primeiramente, em segunda, a seguir, finalmente, etc.
- Sequenciadores para introdução: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto, fazendo um parêntese, etc.
- Operadores discursivos não explicitados: se o texto for construído sem marcadores de sequenciação, o leitor de-
verá inferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos não explicitados na superfície textual. Nesses
casos, os lugares dos diferentes conectores estarão indicados, na escrita, pelos sinais de pontuação: ponto-final, vír-
gula, ponto-e-vírgula, dois-pontos.
16
a) OPERADORES ARGUMENTATIVOS
A seguir, alguns conectivos, agrupados de acordo com o sentido estabelecido por eles.
Esses operadores devem ser utilizados de forma variada, de modo a articular partes do texto, garantindo progressão
e continuidade.
VALOR CONECTIVOS
SEMÂNTICO
Causa pois, tendo em vista, pois que, visto que, já que, porque, dado que, uma vez que, por
Finalidade/ causa de, posto que, em virtude de, devido a, graças a...
objetivo/intenção
Hipótese/ com o fito de, com o intuito de, para (que), a f m de, com o fim de, com o objetivo de, de
Condição forma a, de maneira a...
Sequência se, caso, considerando que, a menos que, salvo se, exceto se, a não ser que, desde
temporal/ que, supondo que, admitindo que...
espacial.
primeiro, em primeiro lugar, num primeiro momento, antes de, em segundo lugar, em
Concessão seguida, seguidamente, então, durante, ao mesmo tempo, quando, simultaneamente,
depois de, após, até que, enquanto, entretanto, logo que, no fim de, por fim, finalmente,
Conclusão/ distante de, acima, abaixo, atrás, ao lado, à direita, à esquerda, ao centro, adiante, em
síntese/resumo cima, em baixo, no meio, naquele lugar, detrás, por trás (de), próximo de, sob, sobre...
Confirmação conquanto, apesar disso, ainda que, embora, mesmo que, por mais que, se bem que,
ainda assim, mesmo assim...
Explicitação/
particularização pois (deslocado), destarte, dessarte, portanto, por conseguinte, assim, logo, enfim, con-
cluindo, em conclusão, em síntese, consequentemente, em consequência, por outras
Opinião palavras, ou seja, em resumo, em suma
Dúvida com efeito, efetivamente, na verdade, de fato, sem dúvida, de certo, desse modo, na
verdade, ora, aliás, veja-se, assim...
Alternância
melhor dizendo, quer dizer, isto (não) significa que, por outras pala-
Comparação/ vras, isto é, por exemplo, ou seja, é o caso de, nomeadamente, em particu-
conformidade lar, a saber, entre outros, especificamente, ou melhor, assim, ressalte-se que,
Conclusão/
consequência saliente-se que, importa salientar, é importante frisar que...
Prioridade
acreditamos que, a nosso ver, em meu entender, no meu ponto de vista, parece-nos
Ênfase que, creio que, penso que, para mim...
Adição/Soma é possível que, talvez, provavelmente, é provável que,
Certeza possivelmente, porventura...
posição/
contraste faça... faça, fosse...fosse, ou, ou então, ou ...ou, ora...ora, quer...quer, seja...seja, alter-
nativamente, em alternativa, senão...
consoante, como, conforme, também, tanto...quanto, tal como,
assim como, tão como, pela mesma razão, do mesmo modo,
de forma idêntica, igualmente, de acordo com ...
com isso, desse modo, por tudo isso, sendo assim, de modo que, e tal forma que, de
sorte que, tanto...que, tamanho...que, tão... que, é por isso que...
em primeiro lugar, primeiramente, de saída, antes de tudo, acima de tudo, inicialmente,
sobretudo
até, até mesmo, só, no mínimo, no máximo, mormente,
principalmente
e, nesse sentido, além disso, além do mais, e ainda, e até, também, igualmente, do
mesmo modo, não só ...como também, não só ... como ainda, bem como, assim como,
por um lado ... por outro, nem...nem, de novo, incluindo...
indubitavelmente, com certeza, decerto, naturalmente, é evidente que, certamente,
sem dúvida que...
entretanto, mas, porém, todavia, contudo, no entanto, doutro
modo, ao contrário, pelo contrário, contrariamente, não obstante, por outro lado...
17
DE OLHO NAS DICAS
Um problema recorrente no desenvolvimento das ideias e argumentos é o emprego inadequado e ou excessivo
do pronome “que”, vício chamado de “queísmo”. Essa falha pode ser configurada tanto como um problema de estrutu-
ra sintática (competência 1), como de coesão (competência 4). Portanto, esse tipo de inadequação deve ser evitado.
Vejamos algumas estratégias para isso.
1) Eliminar “que é”, “que foi”, “que era”
- A população de Caruaru, (que é) uma das maiores cidades de Pernambuco, já tem problemas de trânsito nas ruas.
2) Trocar oração adjetiva por nome
- o menino que estuda → o estudante
3) Reduzir orações
- Carla disse que sabe utilizar citações. → Carla disse saber utilizar citações.
- Assim que tiver terminado o curso, serei promovido. → Terminado o curso, serei
promovido.
4) Substituir a oração pelo termo nominal
- Os alunos exigem que o diretor seja demitido. → Os alunos exigem a demissão do diretor.
- Ninguém duvida de que os policiais sejam corajosos. → Ninguém duvida da coragem dos
policiais.
6. COMPETÊNCIA 5
ELABORAR PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PARA O PROBLEMA ABORDADO, RESPEITANDO OS DIREITOS HU-
MANOS
A quinta e última competência da redação do Enem avalia a apresentação de uma proposta de intervenção
para o problema abordado que respeite os direitos humanos. Isso significa que o candidato deve sugerir uma iniciativa
de enfrentamento, mesmo que mínimo, ao problema delimitado a partir do tema. É importante destacar que, em geral,
o Enem aborda temas complexos, muitas vezes problemas de difícil resolução, por isso não se exige uma proposta
que represente uma solução completa, uma sugestão de combate e ou redução dos impactos advindos do problema,
desde que seja factível e objetiva.
Nessa competência, o candidato tem a oportunidade de demonstrar que está preparado para o exercício da
cidadania, para atuar na realidade em conformidade com os direitos humanos. Para tanto, ele deve usar os conhe-
cimentos prévios de mundo e acadêmicos na produção de um texto que, além de apresentar uma posição crítica e
argumentar a favor de um ponto de vista, indique uma iniciativa que interfira no problema em discussão.
Outro aspecto relevante na avaliação dessa competência é que a proposta de intervenção precisa estar rela-
cionada ao tema e à tese, ou seja, deve ser coerente em relação às ideias desenvolvidas e aos argumentos utilizados.
Desse modo, é necessário que a intervenção apontada responda aos problemas discutidos, mostrando-se articulada
ao projeto de texto, aspecto avaliado na Competência 3.
18
NÍVEIS DE DESEMPENHO
Fonte: Cartilha do Participante Enem 2020
6.1. ELEMENTOS DA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
Conforme as instruções da Cartilha do Participante, para construir uma proposta muito bem elaborada, deve-se
não apenas propor uma ação interventiva, mas também o ator social competente para executá-la, de acordo com o
âmbito da ação escolhida: individual, familiar, comunitário, social, político, governamental e mundial. Além disso, deve-
se determinar o meio de execução da ação e o seu efeito ou finalidade, bem como algum outro detalhamento.
Sendo assim, ao elaborar a proposta, deve-se procurar responder às seguintes perguntas:
O que é possível apresentar como proposta de intervenção para o problema apresentado pelo tema? AÇÃO.
Quem deve executá-la? AGENTE
Como viabilizar essa proposta? MODO/MEIO
Qual efeito ela pode alcançar? EFEITO
Que informação adicional posso apresentar acerca de um desses elementos? DETALHAMENTO
• Será considerada uma boa proposta de intervenção aquela que, além de estar de acordo com a argumentação
desenvolvida, apresentar os elementos que constituem sua estrutura: AÇÃO, AGENTE, MODO/MEIO, EFEITO e
DETALHAMENTO, conforme explicados a seguir.
- AGENTE: instituição ou grupo que deve protagonizar a medida proposta. Podem ser Governo, Ongs, Mídia,
Instituições, Família, Escola, Sociedade (GOMIFES), entre outros.
- AÇÃO: atividade a ser praticada pelo agente (criar campanhas, aumentar diminuir impostos, debater, educar,
orientar, proibir, reunir-se, etc.). Atenção: nunca use ações abstratas, como “conscientizar”, “amar mais”, “to-
mar uma postura”, “respeitar”, “viver melhor” etc.
- MEIO/MODO: recurso ou maneira utilizada para pôr a ação em prática. Alguns exemplos possíveis são: “por
meio de campanhas”, “através do fomento de debates sobre”, “por meio de leis de incentivo a” etc.
- EFEITO: O candidato não deve se esquecer de apontar textualmente o objetivo da ação. Ainda que pareça
óbvio ou natural, é necessário escrever aonde se quer chegar com a mobilização do agente e emprego da
ação.
- DETALHAMENTO: Especificação do agente, da ação, do meio ou modo ou mesmo da finalidade. Apresenta
instrumentos, detalhes de atividades, participantes, dinâmicas etc. “com exposições verbais e não verbais”,
“com a ajuda de funcionários, pais e membros da comunidade”, “com debates sobre filme” etc.
19
• Lembrando que a intervenção não precisa, necessariamente, solucionar o problema, mas minimizá-lo, atenuá-lo,
reduzir os impactos provocados por ele. A escolha do efeito adequado vai depender do tipo de proposta apresen-
tada e da discussão desenvolvida ao longo do texto.
COMO FUNCIONA NA PRÁTICA
1. AÇÃO: “O que deve ser feito?”
2. AGENTE: “Quem executa?”
3. MODO/MEIO: “Como se executa/Por meio do quê?”
4. EFEITO/FINALIDADE: “Para quê?”
5. DETALHAMENTO: “Que outra informação sobre esses elementos pode ser acrescentada?”
O detalhamento da ação, do agente e do modo/meio é variado, podendo se apresentar na forma de uma exemplificação,
explicação, justificativa ou contextualização.
Exemplos de detalhamento da ação:
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Exemplos do detalhamento do agente:
Exemplos do detalhamento do modo/meio:
Exemplo do detalhamento do efeito:
6.2 POSSIBILIDADES E ESTRATÉGIAS DE ORGANIZAÇÃO DA PROPOSTA NA CONCLUSÃO
1. EVOCAR OS AGENTES
Sendo assim, a fim de solucionar esse impasse, é necessária a mobilização dos agentes implicados em (problema
social). Portanto, o (agente) deve (ação), por intermédio de (meio/modo), com (detalhamento). Como resultado dessa
nova perspectiva, (indicar o que se realizaria – finalidade).
2. EVOCAR OS IDEAIS DA CITAÇÃO E ESPECIFICAR AGENTE
Portanto, para que os ideias de igualdade defendidos por (autor da citação) não sejam apenas uma proposição teóri-
ca, mas se torne uma realidade em nossos dias, é necessária uma ação mais efetiva por parte do (Governo. Sendo
assim, o Ministério X ( agente) precisa (ação), por meio de (meio/ modo), como (detalhamento), para definitivamente
(finalidade).
3. REAFIRMAÇÃO DO PROBLEMA
Portanto, (o problema) representa uma ameaça concreta não apenas aos indivíduos diretamente envolvidos como a
todos os cidadãos que, indiretamente, também figuram como vítimas de seu legado. Nesse sentido, o (agente) deve
(ação), por meio de (meio/modo). Espera-se, com isso, (finalidade).
21
6.3 OS AGENTES SOCIAIS E O QUE ELES PODEM FAZER? (GOMIFES)
AGENTE AÇÃO
Governo Implementar, criar/fiscalizar leis. Fomentar parcerias com outras instituições.
Ongs
Criar projetos de apoio à sociedade, organizar ou auxiliar a mobilização social
Mídia em relação à problemática do texto.
Instituições (relig., Planejar/ executar campanhas educativas/ informativas/ influenciadoras/ que
públicas, privadas orientem/esclareçam/motivem/empoderem as vítimas do problema abordado no
etc) texto, etc.
Família
Informar seus fiéis em relação…, comunicar seus funcionários sobre, capacitar
Escola seus funcionários para atender…
Sociedade Estabelecer debate com seus membros sobre… Mobilizar-se para prevenir seus
filhos em relação à...
Propor debates com seus alunos sobre.., criar projeto pedagógicos inclusivos
que motivem o empoderamento de…, associar-se aos pais ou à comunidade no
sentido de…
Mobilizar-se pacificamente e ir às ruas…, mudar seu comportamento diante
de…, reivindicar seus direitos e fiscalizar as ações do governo em relação à…
OBSERVAÇÃO
Evite apresentar ideias abstratas, tais como AMAR, RESPEITAR, AGIR e CONSCIENTIZAR como AÇÃO.
6.4 MARCAS LINGUÍSTICAS
A escolha das palavras mais adequadas para apresentar a proposta de intervenção é fundamental, tanto para que as
ideias sejam expostas de maneira clara e objetiva, quanto para colaborar com o trabalho do corretor na identificação
dos elementos exigidos. A seguir, apresentamos sugestões de marcas linguísticas que podem ser usadas para esse
propósito.
1. AÇÃO - locuções compostas pelas formas verbais: deve, precisa, cabe, pode; expressões como: é preciso, é
necessário, é imprescindível, etc.
2. AGENTE - frases nominais e substantivos.
3. MODO/MEIO - expressões como: por meio de, a partir de, mediante a, com, e verbos no gerúndio.
4. EFEITO - expressões com: para, para que, a fim de, de modo a; verbos como: objetivar e visar (em geral, no
gerúndio).
5. DETALHAMENTO – em geral, exemplificações e explicações: como, tais como, por exemplo, etc.; trechos inter-
calados/destacados entre vírgulas ou travessões.
COMO FUNCIONA NA PRÁTICA
Os textos a seguir são trechos de redações do Enem 2019 que obtiveram nota 1000, disponibilizadas na cartil-
ha de redação de 2020. Vamos analisar as propostas de intervenção apresentadas observar essas marcas em algumas
propostas de intervenção apresentadas em redações.
Exemplo 1
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca da democratização do cinema é imprescindível para a
construção de uma sociedade mais igualitária. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Economia destine verbas
para a construção de salas de cinema, de baixo custo ou gratuitas, nas periferias brasileiras por meio da inclusão de
seu objetivo na base de Diretrizes Orçamentárias, com o intuito de democratizar o acesso à arte. Além disso, cabe às
instituições de ensino promover passeios aos cinemas locais, desde o início da vida escolar das crianças, mediante au-
torização e contribuição dos responsáveis, a fim de desconstruir a ideia de elitização da cultura, sobretudo em regiões
carentes. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminhar para completude da democracia no âmbito cultural.
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Exemplo 2
Portanto, cabe ao Governo investir em projetos que facilitem o acesso ao cinema, principalmente nas regiões
interioranas, por intermédio do auxílio financeiro a empresas exibidoras, a fim de descentralizar os lugares em que há
transmissões de filmes. Outrossim, compete às ONGs, como organizações que visam suprir as necessidades popu-
lacionais, realizar campanhas em prol de salas bem estruturadas e de reduções do preço cobrado pelos ingressos
das sessões cinematográficas, por meio das redes sociais e dos outros veículos de comunicação, com o objetivo de
democratizar a ida ao cinema e de, dessa maneira, afastar-se da realidade narrada no filme “Cine Hollyúde”.
• A cartilha do participante chama atenção, ainda, ao seguinte ponto:
IMPORTANTE!
Existem várias formas de propor uma intervenção e você deve explorar aquela que mais se adéque ao tema e ao seu
projeto texto. Contudo, fique atento para que sua proposta esteja explícita. Constatar a falta de uma ação ou de um
projeto ainda não é suficiente para configurar uma proposta de intervenção; apresentar estruturas que não permitam
ter certeza de que você está propondo de fato uma intervenção também não (como em “se x for feito, o resultado
poderá ser y”). Além disso, evite propostas vagas, genéricas ou incompatíveis com a discussão. Ou seja, você deve
ser claro ao apresentar seu desejo de intervir na realidade, e sua proposta deve contemplar a situação problematiza-
da em seu texto.
6.5 DIREITOS HUMANOS
• UM OLHAR AOS ANTECEDENTES DOS DIREITOS HUMANOS
Originalmente, as pessoas só tinham direitos por causa de pertencerem a um grupo, tal como uma família.
Então, em 539 a.C., Ciro o Grande, depois de conquistar a cidade da Babilónia, fez algo totalmente inesperado: ele
libertou todos os escravos para que eles pudessem regressar aos seus lares. Além disso, ele declarou que as pessoas
deveriam escolher a sua própria religião. O Cilindro de Ciro, uma peça de argila que contém as suas afirmações, é a
primeira declaração dos direitos humanos na história.
A ideia dos direitos humanos espalhou-se rapidamente à Índia, à Grécia e finalmente a Roma. Os avanços mais impor-
tantes desde então incluem:
1215: A Magna Carta — que deu novos direitos às pessoas e tornou o rei sujeito à lei.
1628: A Petição de Direito — que definiu os direitos do povo.
1776: A Declaração de Independência dos Estados Unidos — que proclamou o direito à vida, liberdade e à busca da
felicidade.
1789: A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão — um documento da França, que afirmou que todos os ci-
dadãos eram iguais perante a lei.
1948: A Declaração Universal dos Direitos do Homem — o primeiro documento que lista os trinta direitos de
que deve gozar cada ser humano.
• A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
A Segunda Guerra Mundial resultou na perda de um grande número de pessoas, sobretudo com as muitas
violações a direitos individuais cometidas por governos fascistas durante o período. Logo após o fim do conflito, formou-
se a Organização das Nações Unidas (ONU), cujo objetivo declarado é trazer paz a todas as nações do mundo.
Além disso, foi criada uma comissão, liderada por Eleanor Roosevelt, com o propósito de criar um docu-
mento onde seriam escritos os direitos que toda pessoa no mundo deveria ter. Esse documento é a Declaração Uni-
versal, formada por 30 artigos que tratam dos direitos inalienáveis que devem garantir a liberdade, a justiça e a paz
mundial.
Entre os diversos direitos garantidos pela Declaração Universal, estão o direito a não ser escravizado, de ser
tratado com igualdade perante as leis, direito à livre expressão política e religiosa, à liberdade de pensamento e de par-
ticipação política. O lazer, a educação, a cultura e o trabalho livre e remunerado também são garantidos como direitos
fundamentais.
Hoje, a Declaração Universal é assinada pelos 192 países que compõem as Nações Unidas e, ainda que não
tenha força de lei, o documento serve como base para constituições e tratados internacionais.
23
Atualmente, a Constituição da República Federativa do Brasil consolida os Direitos Humanos e a dignidade
da pessoa humana, bem como apresenta os mesmos fundamentos para o Estado Democrático de Direito. No ENEM,
até 2016, o desrespeito textual a esses critérios implicava eliminação do candidato na avaliação. A partir de 2017, tal
postura passa a zerar apenas a proposta de intervenção. Vejamos o que diz o manual do candidato.
O QUE É CONSIDERADO DESRESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS?
A prova de redação do Enem sempre assinalou a necessidade de o participante respeitar os direitos humanos, e essa
determinação está na matriz de referência da redação do Enem. Conforme a matriz, as redações que apresentarem
propostas de intervenção que desrespeitem os direitos humanos serão penalizadas na Competência 5.
Pode-se dizer que determinadas ideias e ações serão sempre avaliadas como contrárias aos direitos humanos,
tais como: defesa de tortura, mutilação, execução sumária e qualquer forma de “justiça com as próprias mãos”,
isto é, sem a intervenção de instituições sociais devidamente autorizadas (o governo, as autoridades, as leis, por
exemplo); incitação a qualquer tipo de violência motivada por questões de raça, etnia, gênero, credo, condição
física, origem geográfica ou socioeconômica; explicitação de qualquer forma de discurso de ódio (voltado
contra grupos sociais específicos).
Para a avaliação das redações, são considerados os seguintes princípios norteadores dos direitos humanos, pauta-
dos no artigo 3º da Resolução nº 1, de 30 de maio de 2012, o qual estabelece as Diretrizes Nacionais para a Edu-
cação em Direitos Humanos:
• Dignidade humana.
• Igualdade de direitos.
• Reconhecimento e valorização das diferenças e diversidades.
• Laicidade do Estado.
• Democracia na educação.
• Transversalidade, vivência e globalidade.
• Sustentabilidade
• socioambiental.
6.6 DÚVIDAS FREQUENTES SOBRE A COMPETÊNCIA 5
1. É necessário apresentar mais de uma proposta?
Não. Atualmente é obrigatório apresentar apenas uma proposta. Caso o candidato apresente mais de uma, a banca
vai considerar a mais completa. No caso de haver elementos válidos repetidos (2 agentes, 3 ações, 4 finalidades...), a
banca só vai pontuar uma vez para cada elemento.
2. A pena de morte e a prisão perpétua são consideradas ações válidas ou ferem os direitos humanos?
Embora o manual do candidato condene qualquer sugestão de agressão, assassinato, humilhação, ou seja, violência
administrada pelo indivíduo, a institucionalização da pena de morte pelo Estado é aceita como proposta válida (ainda
que tal medida não seja legal no Brasil e vá contra a Declaração Universal dos Diretos Humanos do qual o país é sig-
natário). A prisão perpétua também é muito utilizada e não fere os DH, segundo o Inep.
3. É obrigatória a apresentação da proposta só no último parágrafo?
Não, mas é aconselhável. Apesar de a proposta poder ocupar outro parágrafo do texto ou poder estar diluída na
redação, a maioria dos candidatos costuma sentir mais facilidade para organizá-la na conclusão. Além disso, como se
trata de um processo avaliativo em larga escala, é importante aplicar estratégias que facilitem a identificação de cada
aspecto a ser avaliado. Nesse caso, a proposta costuma ter mais visibilidade no final do texto.
24
2ª PARTE
1. ESTRUTURA DO TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO
O texto dissertativo-argumentativo, como o nome propõe, tem como finalidade a argumentação com base em co-
mentários e explicações sobre determinada temática. Ou seja, o foco principal do seu texto será defender um ponto de
vista e é essa defesa que norteará a sua escrita.
Para desenvolver um bom texto dissertativo-argumentativo, entre outros aspectos, é necessário organizar as ideias se-
lecionadas em 3 partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. Essas partes compõem a macroestrutura do texto,
cada uma delas tem um objetivo específico e são desenvolvidas em parágrafos. Estes configuram a microestrutura,
vamos rever isso de forma mais detalhada.
a) MICROESTRUTURA
Antes de pensarmos na estruturação global do texto dissertativo-argumentativo, devemos conhecer a estrutura de uma
de suas unidades básicas: o parágrafo.
O parágrafo é organizado em torno de uma ideia-núcleo, que é desenvolvida por ideias secundárias, articuladas entre
si. Sua extensão é variável, dependendo da estruturação do texto como um todo e da complexidade
das ideias apresentadas. O parágrafo-padrão é composto de três partes: introdução, ampliação e
conclusão, conforme demonstrado a seguir.
• Tópico frasal: frase inicial que apresenta a ideia-núcleo, desenvolvida a partir do período seguinte. É como se
fosse o título do parágrafo, por isso deve ser curto e objetivo;
• Ampliação: onde será explicado o que foi apresentado no tópico frasal. Essa parte é chamada também de desen-
volvimento ou explanação. Pode ser composta por mais de uma frase, dependendo do tipo de parágrafo.
• Fechamento: finaliza as ideias desenvolvidas, no entanto, é importante destacar que em parágrafos mais curtos
ou com ideias mais simples o período de conclusão pode ser dispensado.
Microestrutura
Cada parágrafo dissertativo parte de uma declaração principal (afirmação, negação, contestação etc.). No
entanto, só a declaração não é suficiente para sustentar um parágrafo. Por isso, além dessa declaração, deve-se apre-
sentar as comprovações daquilo que foi declarado e, por fim, o fechamento, a conclusão da linha de raciocínio que foi
desenvolvida.
Lembrando que o uso de recursos coesivos (conectivos/operadores argumentativos) entre as frases (períodos)
que compõem o parágrafo é fundamental para que as ideias sejam apresentadas de forma coerente e articulada.
Exemplo:
TÓPICO FRASAL Em relação às manifestações políticas no Brasil nos últimos tempos, é possível destacar
tanto aspectos positivos quanto negativos.
AMPLIAÇÃO Se por um lado, os protestos contribuem para a manutenção da democracia no país; por
outro, muitos vândalos têm se utilizado desse tipo de evento para causar transtorno à própria
sociedade.
FECHAMENTO Dessa forma, é necessário analisar os dois aspectos a fim de compreender a questão em
sua totalidade.
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Veja agora o parágrafo na íntegra:
Em relação às manifestações políticas no Brasil nos últimos tempos, é possível destacar tanto aspectos positivos
quanto negativos. Se por um lado, os protestos contribuem para a manutenção da democracia no país; por outro,
muitos vândalos têm se utilizado desse tipo de evento para causar transtorno à própria sociedade. Dessa forma, é
necessário analisar os dois aspectos a fim de compreender a questão em sua totalidade.
b) MACROESTRUTURA
Agora veremos a estrutura da redação como um todo, composta de suas três partes, organizadas em parágrafos que
cumprem funções distintas.
• Introdução: primeiro parágrafo do texto, em que se apresenta a proposta temática, contextualizada e problema-
tizada, o ponto de vista que será defendido e as abordagens argumentativas que lhe darão sustentação e serão
desenvolvidas ao longo do texto.
• Desenvolvimento: geralmente composto por dois parágrafos, retoma as abordagens argumentativas de modo
aprofundado, a partir de recursos variados, como dados, exemplos, citações e resultados de pesquisas, entre
outros. Esses elementos exercem papel fundamental no convencimento do leitor, mas para atingir esse objetivo,
devem ser expostos com clareza e desenvolvidos de forma completa e articulada.
• Conclusão: parágrafo final que fecha o ciclo das ideias iniciadas na introdução, retomando a tese, mas sem
repetições. A conclusão pode apresentar também advertências, uma análise crítica do tema discutido ou fazer
sugestões e, no caso da redação do Enem, espera-se que seja apresentada uma proposta de intervenção para
problema, articulada ao que foi discutido, detalhada e que respeite os direitos humanos.
Macroestrutura
Para internalizar esse modo de organização do texto, vamos desenvolver nossas habilidades a partir de cada
de suas partes, primeiro de modo isolado e depois no conjunto textual. Sendo assim, daremos início a esse processo
aprofundando nossos conhecimentos sobre o parágrafo de introdução.
26
2. O PARÁGRAFO DE INTRODUÇÃO
Já sabemos que primeiro parágrafo do texto – a introdução – deve apresentar o tema, contextualizado e prob-
lematizado; o ponto de vista que será defendido; e as abordagens argumentativas que lhe darão sustentação e serão
desenvolvidas ao longo do texto.
O ponto de vista ou posicionamento é o que se chama de tese. Ela é a protagonista do seu texto, pois além de
esclarecer para o leitor o que será defendido, também organizará a estruturação das ideias.
Além disso, no caso da redação do Enem, é necessário explicitar com clareza o problema a ser discutido, visto
que, ao final, deverá ser apresentada uma proposta de intervenção para ele. Em relação à apresentação do problema,
é importante destacar que os temas abordados no Enem sempre tratam de questões sociais, mas nem sempre a frase
temática (recorte) expõe o problema de forma explícita. Nesses casos, é necessário que o candidato faça essa delim-
itação a fim de que a linha argumentativa tenha uma base firme e previamente definida.
Por isso, quando receber a proposta de redação, a primeira ação a ser feita é ANALISAR a frase temática,
depois fazer a leitura atenta dos textos de apoio e, só então, delimitar o que você irá defender. Para isso, já vimos que
um bom caminho é fazer questionamentos: “Qual o problema a ser discutido?”; “Qual é a minha posição sobre isso?”;
“Por que essa é a minha posição?”; “De que forma(s) esse problema pode ser solucionado?”. A ideia aqui é construir
uma linha de raciocínio que articule bem os elementos essenciais ao texto – tese e argumentos. As respostas para a
primeira e para a segunda pergunta é o que definirá a “tese central” ou “tese principal”, ela é a responsável por delimitar
o objetivo geral do seu texto.
Essa tese que você estabelece na introdução da redação, por ainda ser muito ampla, precisa ser dividida em
ideias menores que determinem os objetivos de cada um dos parágrafos de desenvolvimento. Para isso, use as repos-
tas da questão seguinte: “Por quê” você optou por essa tese central?
Considerando a quantidade de linhas disponibilizadas pela prova do Enem, o ideal é definir duas abordagens
para sustentação da tese, pois, dessa forma, haverá espaço suficiente para uma discussão efetiva de cada uma delas.
É seguindo esse raciocínio que a introdução do seu texto deve contemplar estes três elementos: TEMA, TESE
e ABORDAGENS ARGUMENTATIVAS, organizada em um parágrafo com dois ou três períodos – TÓPICO FRASAL,
AMPLIAÇÃO e FECHAMENTO. Certo?
COMO FUNCIONA NA PRÁTICA
• Digamos que você vai escrever uma redação cujo tema é “A importância da educação formal para a sociedade
brasileira”.
Atenção!
Observe que esse é um tipo de tema cujo problema não está explícito, portanto, é você que deverá identificá-lo. Isso deve ser feito
a partir de seu conhecimento de mundo e da tese que você vai elaborar.
Depois de identificar o problema, elaborar a sua tese e definir as abordagens argumentativas que darão sustentação a
ela, chegou o momento de escrever a introdução.
Indiscutivelmente a educação formal é um dos principais fatores para o avanço do bem-estar social no Brasil. No
entanto, o acesso a esse valioso recurso de crescimento pessoal e acadêmico ainda se encontra obstruído para
uma boa parte da população brasileira. Isso se deve, por um lado, pela configuração de um sistema educacional
que não está adequado à realidade do país e, por outro, pela negligência do poder público em relação às mudanças
necessárias para que a educação formal seja acessível a todos.
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Vamos analisar a estrutura desse parágrafo.
- Tópico frasal:
“Indiscutivelmente a educação formal é um dos principais fatores para o avanço do bem-estar social no Brasil.”
Observe que nesse período foi apresentado apenas o tema da redação, o problema a ser discutido ainda não foi ex-
plicitado.
- Ampliação:
“No entanto, o acesso a esse valioso recurso de crescimento pessoal e acadêmico ainda se encontra obstruído para
uma boa parte da população brasileira.”
Aqui o autor desenvolveu a ideia apresentada no tópico frasal, destacando o problema (que deverá ser discutido nos
parágrafos de desenvolvimento) e já sinalizou a tese que, nesse caso, foi elaborada por atribuição de causas ao prob-
lema, como veremos no período seguinte.
- Fechamento:
“Isso se deve, por um lado, pela configuração de um sistema educacional que não está adequado à realidade do país;
e por outro, pela negligência do poder público em relação às mudanças necessárias para que a educação formal seja
acessível a todos.”
Período que finaliza o parágrafo, apresentando a tese que, por sua vez, também define as abordagens argumentativas
que serão usadas. Ou seja, os parágrafos de desenvolvimento (que estudaremos mais tarde) deverão explicar as duas
questões: a inadequação do sistema educacional e a negligência do poder público.
DE OLHO NAS DICAS
Se você tem dificuldade para começar a sua redação, o ideal é escolher um “modelo” de introdução simples,
composto por uma declaração inicial – que apresente o problema – e uma segunda frase com a tese e as abordagens
argumentativas. Dê preferência a um modelo que possa ser adaptado a diferentes temas e use-o sempre, até sentir
mais segurança e se aventurar com diferentes tipos de introdução.
Lembrando que, antes de iniciar a escrita, é necessário definir com clareza: o problema, a posição crítica (tese)
em relação a ele e a estratégia que será usada na argumentação, tais como: causas e consequências; aspecto 1 e
aspecto 2; subdivisão do problema (problema 1 e problema 2).
Observe os modelos a seguir.
Modelo 1
- Tese composta por dois aspectos:
A questão do TEMA/PROBLEMA representa um desafio a ser enfrentado de forma
mais organizada por toda a sociedade brasileira. Isso se evidencia não só por AS-
PECTO 1 , como por ASPECTO 2 . Desse modo, é fundamental analisar
esses aspectos a fim de compreender o problema em sua totalidade.
Modelo 2
- Tese composta por duas causas:
A questão do TEMA/PROBLEMA representa um desafio a ser enfrentado
de forma mais organizada por toda a sociedade brasileira. Tal problemática ocorre, principalmen-
te, em virtude de CAUSA 1 e de CAUSA 2 .
Desse modo, é fundamental analisar esses aspectos a fim de compreender o problema em sua
totalidade
28
• Observe que nos dois modelos a estrutura é a mesma. O que muda é o direcionamento da argumentação, sendo
necessárias as devidas adaptações para que não haja prejuízo de coesão e nem de coerência.
• Outro aspecto importante no uso desses modelos é a adaptação das palavras usadas para não haver repetição
desnecessária. Por exemplo, se a palavra “desafio” já estiver na frase temática, então você deve substitui-la por
“problema” no texto da introdução. De modo que a ideia geral permanece e a coesão não fica comprometida com
a repetição inadequada.
HORA DE PRATICAR
01. Elabore uma introdução, de acordo com a estrutura do parágrafo-padrão que apresente tema/problema, tese e
abordagens para os temas a seguir.
Tente desenvolver três frases e cinco linhas e, se quiser, use um dos modelos apresentados.
a) Avanços tecnológicos da medicina no século XXI
______________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________
b) Os desafios do envelhecimento na sociedade brasileira
______________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________
c) Os desafios da reciclagem do lixo no Brasil
______________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________
d) As novas configurações de trabalho na era da internet
______________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________
e) Os obstáculos para a doação de sangue no Brasil
______________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________
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2.1 OBJETIVOS DA INTRODUÇÃO
Como temos visto no decorrer de nossas aulas, a introdução é a porta de entrada de seu texto, por isso deve
apresentar o assunto que será discutido de forma clara e objetiva, além de chamar a atenção para os tópicos mais
importantes do desenvolvimento. Um parágrafo introdutório bem produzido é fundamental para o sucesso do texto,
principalmente porque é nele que também deverá ser apresentada a TESE, que, como já sabemos, trata-se do ponto
de vista que o autor pretende defender por meio dos argumentos.
Assim, para que não haja risco de esquecimento, vamos repassar os objetivos da introdução:
1) Apresentar o tema proposto, contextualizando-o.
E COMO É QUE SE FAZ ISSO??
Ilustre o assunto em que o tema se encontra, use uma das diversas estratégias (que veremos adiante), como uma
alusão histórica, uma citação ou uma obra literária ou apenas uma afirmação sobre o problema. Isso situará o avaliador
diante do que será tratado na sequência.
Ah! Não se esqueça de apresentar as palavras-chave da frase temática.
2) Posicionar-se frente ao tema.
COMO ASSIM??
Apresente um discurso marcado por firmeza e convicção. Esses efeitos podem ser alcançados por meio de palavras
que expressam com clareza a sua análise crítica. Pode ser uma afirmação ou até mesmo uma interrogação, desde que
seja retórica.
3) Citar os argumentos sequenciais.
E O QUE É ISSO??
São as ideias que você desenvolverá nos parágrafos seguintes, na sua argumentação. Assim você demonstra coesão
entre a introdução e o desenvolvimento, deixando o correto perceber um projeto de texto.
Antes de analisarmos os tipos de introdução, vamos a mais um exemplo dessa estrutura.
O cinema se tornou uma tecnologia com grande potencial expressivo e, por essa razão, é considerado uma forma de
arte. Simultaneamente, apresenta elevado valor lúdico, prova pelo recente sucesso de obras como “Coringa” e “Vin-
gadores: Ultimato”. Infelizmente, no contexto brasileiro, nem todos têm amplo acesso a tal maravilha. Nesse sentido,
percebe-se a existência de problemas sociais e econômicos que dificultam a democratização dessa atividade no país.
a. Observe cada período do parágrafo e identifique os elementos da estrutura-padrão (tópico frasal, ampliação e
fechamento).
b. Agora, leia-o novamente e observe se o conteúdo atende aos objetivos de um parágrafo de introdução.
30
2.2 FORMAS DE INTRODUÇÃO MAIS COMUNS
Para contextualizar o tema, existem diversas estratégias que, se bem utilizadas, podem garantir que o seu texto vai
despertar uma boa impressão logo nas primeiras linhas. No entanto, esses modelos não são estáticos, não se trata de
uma receita pronta ou uma fórmula mágica. Eles são recursos que o aluno/candidato deve utilizar com bom senso e
criatividade, de forma a construir um texto que atenda às expectativas da banca.
O tipo de tema, o domínio que se tem sobre ele e o estilo de escrita pessoal são fatores decisivos na escolha da melhor
estratégia de introdução, mas cada uma delas apresenta tanto vantagens quanto riscos. Vamos analisar alguns desses
modelos e identificar esses aspectos na prática.
• Declaração/afirmação: posicionamento direto sobre o tema.
- Exemplo:
É condenável a postura de alguns políticos brasileiros. Escândalos acontecem, denúncias são feitas, comissões
de inquérito são formadas, mas ainda assim a situação não muda. É preciso que a população faça cobranças firmes às
autoridades, impondo-se de forma assertiva diante desse cenário pessimista a fim de reverter esse quadro.
- Vantagem: facilidade na elaboração, afirmativa simples, sem recursos mais sofisticados.
- Risco: pela simplicidade, pode diminuir a capacidade de destaque do texto.
• Divisão de assunto: apresentação de dois lados – individuais, coletivos ou contextuais – relacionados ao tema
proposto.
- Exemplo:
De um lado escândalos envolvendo políticos que utilizam seus cargos públicos em benefícios próprios; de
outro, cidadãos inertes diante dos casos de corrupção. O cenário político nacional inspira descrença que, quando se
associa à irresponsabilidade no ato do voto, prejudica os preceitos da cidadania.
- Vantagem: visão abrangente e exemplificação que já direciona as ideias.
- Risco: Ficar “em cima do muro”, não apresentar um posicionamento objetivo.
• Flashes/ frases nominais/sequência de ideias: enumeração de termos que sugerem uma imagem do problema
que será discutido.
- Exemplo:
Escândalos constantes. Desvios de verba. Condutas antiéticas. Abuso de poder. Décadas se passam e a situ-
ação política do país só parece piorar. A corrupção tornou-se algo corriqueiro e os cidadãos se acostumaram com isso.
Nesse contexto, é imperioso que direitos e deveres sejam respeitados por todos para que, assim, essa realidade seja
alterada.
- Vantagem: permite a visualização clara e a contextualização do tema.
- Risco: incoerência entre os termos apresentados e exagero na quantidade de termos.
• Interrogação: forma disfarçada de afirmar (já que se trata de perguntas retóricas). Apresenta um posicionamento
sobre o problema e indica que o desenvolvimento apresentará a resposta.
- Exemplo:
Até que ponto a falta de credibilidade interfere no cenário político de um país? De que forma a banalização de
comportamentos corruptos intervém nas regras da cidadania? Seria mera coincidência viver em uma sociedade que
presencia cada vez mais desvios de conduta? A corrupção é, muitas vezes, reflexo de uma postura deturpada dos
cidadãos.
31
- Vantagem: possibilita uma aproximação com o interlocutor sem as marcas de interação, inadequadas ao tipo textual.
- Risco: não conseguir apresentar as respostas ou mesmo a falta de um posicionamento claro.
• Definição: conceito de uma das palavras-chave da frase temática.
- Exemplo:
Política é uma ciência que busca organizar, administrar e dirigir uma nação. No entanto, ao longo do tempo,
vem sendo uma atividade através da qual indivíduos se ocupam para apenas satisfazer a si mesmos. Para que esse
cenário de corrupção mude, é imprescindível haja uma atuação efetiva dos cidadãos nas questões políticas do país
aliada a punições severas aos que cometerem atos corruptos.
- Vantagem: objetividade, a partir de uma palavra já apresentada na proposta, contextualiza-se o tema de forma clara.
- Risco: deixar a impressão de limitação vocabular ou de ideias; apresentação de um conceito de forma equivocada ou
subjetiva.
• Alusão histórica: por meio de um evento ou período histórico contextualiza o tema e estabelece uma tinha tem-
poral, seja da totalidade, seja de uma parte do problema em questão.
- Exemplo:
Em setembro de 1992, estudantes vestidos e pintados com as cores da bandeira, foram às ruas protestar e
pedir o impeachment do então presidente Collor. O movimento dos “cara-pintadas” foi um marco na luta contra a cor-
rupção na política brasileira. No entanto, o que se vê hoje é uma acomodação da sociedade diante desse problema
que impede o desenvolvimento do país. Para que esse entrave seja combatido, é fundamental o engajamento político
os cidadãos brasileiros.
- Vantagem: apresenta conhecimentos de outra área do saber, marcando a presença de repertório sociocultural já na
introdução.
- Risco: equívoco quanto ao processo histórico apresentado, incompatibilidade com o tema.
• Citação direta/indireta: contextualiza o tema por meio da fala ou do pensamento de uma personalidade conhecida.
- Exemplo:
O físico alemão Albert Einstein afirmou que “é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito”. Com essa
frase, ele revelou um dos maiores obstáculos que envolve o combate às diversas formas de discriminação existentes
na sociedade. Isso inclui o preconceito linguístico, comportamento frequente e inadmissível Brasil, tendo em vista a
pluralidade cultural do país.
- Vantagem: apresenta conhecimentos de outra área do saber, marcando a presença de repertório sociocultural já na
introdução.
- Risco: incompatibilidade da citação com o tema em desenvolvimento.
• Elemento cultural: contextualiza o tema por meio de um objeto cultural, música, filme, série, obra literária etc.
- Exemplo:
No filme “A Invenção de Hugo Cabret”, o protagonista de 12 anos enfrenta grandes dificuldades ao tentar fre-
quentar o cinema de sua cidade, pois esse era considerado um passatempo exclusivo das classes mais abastadas.
Assim como retratado no longa, não há, ainda, a plena democratização do acesso ao cinema no Brasil, tendo em vista
que a maior parte dos locais exibidores de filmes encontra-se nas áreas urbanas do país. Desse modo, o acesso a esse
meio de entretenimento demanda condições econômicas pouco compatíveis com a realidade de muitos indivíduos
brasileiros, inviabilizando o contato com a Sétima Arte.
- Vantagem: apresenta conhecimentos de outra área do saber, marcando a presença de repertório sociocultural já na
introdução.
- Risco: o elemento apresentado não é pertinente ao tema; falta de articulação entre a ficção e a realidade; a descrição
do elemento se sobrepõe à estratégia.
32
DE OLHO NAS DICAS
• O QUE DEVE SER EVITADO
1. Reproduzir o enunciado do tema.
Se o tema de uma redação é “A persistência da violência contra a mulher no Brasil”, começar a redação com exata-
mente a mesma afirmação não é um erro, mas pode comprometer o desenvolvimento da sua autonomia e criatividade.
Sempre que possível, procure fugir do óbvio, mas mantenha a coerência do texto.
Além do mais, existe o risco de você reproduzir uma “estrutura padrão” sem dar atenção ao sentido do período. Se você
escrever, por exemplo, “A persistência da violência contra a mulher no Brasil é um problema a ser combatido” (ENEM
2015), não poderá fazer a mesma coisa com outros temas, como em “Caminhos para combater a intolerância religiosa
no Brasil é um problema a ser combatido” (ENEM 2016), pois, além de ir contra a proposta da redação, é incoerente.
2. Desenvolver demais a introdução.
Por mais que a introdução seja uma parte importante do texto, não se pode esquecer que a função dela é contextualizar
o assunto, não o explorar em detalhes. É possível colocar informações relevantes neste primeiro parágrafo, desde
que elas sejam explicadas e abordadas com mais profundidade no desenvolvimento, afinal, serão importantes para o
processo de argumentação.
Dados, citações e fatos relevantes para a defesa da tese devem ser colocados no desenvolvimento do texto. Mesmo
porque, ao citar esses elementos já na introdução, corre-se o risco de deixá-la muito longa.
3. Clichês.
Expressões como “nos dias de hoje”, “atualmente” ou “desde os primórdios da humanidade” já foram usados com tanta
frequência para iniciar uma dissertação que perderam sua força ou mesmo o seu potencial criativo. Quando o tema já
trata de um assunto atual, muitas vezes não há necessidade para se evidenciar o óbvio. Veja um exemplo:
“Atualmente, as tecnologias digitais têm evoluído muito e, cada vez mais, feito parte do cotidiano das pessoas em
geral.”
Observe como, nesse caso, bastaria afirmar que “As tecnologias digitais têm evoluído muito e, cada vez mais, feito
parte do cotidiano das pessoas em geral.”
4. Citações e alusões que não tenham relação com o tema.
É comum, quando se estuda para fazer redação em vestibulares e concursos, pensar sempre em frases prontas ou
lembrar acontecimentos históricos relevantes para contextualizar o assunto na introdução da redação. Embora isso
também afete um pouco a criatividade, é um recurso interessante para quem tem dificuldades para começar o texto.
Nesse caso, o mais importante é que as citações tenham relevância para o assunto e, principalmente, para o foco que
se deseja dar à argumentação.
Exemplo: se o tema fala sobre a persistência da violência contra a mulher no Brasil, citações relacionadas à campanha
“Diretas Já” ou ao período da ditadura militar só devem ser feitas se houver algum ponto relacionado à violência contra
a mulher nesses contextos e na atualidade, caso não haja, não convém citar esses eventos.
5. Fazer referência à proposta de redação ou responder diretamente a uma pergunta.
Quando começar um texto, qualquer que seja, deve-se pensar que o(a) leitor(a) não terá acesso à proposta. Uma
redação não é como uma pergunta simples de prova, é necessário um desenvolvimento coerente e bem organizado.
Assim, não se inicia o texto como se estivesse respondendo a uma pergunta de prova ou conversando com alguém, ou
seja, a primeira frase do texto deve iniciar a discussão e não apresentar uma ideia de continuação.
Exemplo: “Sobre o tema, é importante destacar (…)” ou “No que se refere ao assunto, é inegável que (…)“.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, se o tema da redação é uma pergunta, não se deve começa-la com “Sim”, “Não”
ou “Talvez”. O (a) leitor (a) precisa ser capaz de ter a resposta para a pergunta a partir da leitura do texto, mas a redação
dissertativa nunca deve ser iniciada já respondendo, de uma vez, ao questionamento proposto na frase temática.
33
3. OS PARÁGRAFOS DE DESENVOLVIMENTO
3.1 CONTEÚDO
É nos parágrafos de desenvolvimento que você vai argumentar e defender seu ponto de vista
em relação ao tema proposto. Isso deverá ser feito por meio do desenvolvimento das abordagens
que você apresentou junto com a tese no parágrafo de introdução. Portanto, o que norteia seu
desenvolvimento é a introdução. Na prática, isso significa que se a última frase do primeiro pará-
grafo (introdução) expressa um encaminhamento argumentativo por consequência, você não pode
mudar de ideia no meio do texto e escrever sobre causas, por exemplo. Você estaria quebrando
a coerência argumentativa da sua redação, isso revela falhas no projeto de texto ou ainda a inex-
istência dele.
3.2 ESTRUTURA
As abordagens argumentativas (de preferência, duas) que foram apresentadas na introdução devem ser reto-
madas no desenvolvimento. Cada uma dessas abordagens deve aparecer no primeiro período, que chamamos de
tópico frasal.
Como vimos anteriormente, o tópico frasal – de um modo amplo – é a ideia principal do parágrafo (resume-o
em uma ou duas linhas). No caso dos parágrafos de desenvolvimento, esse primeiro período deve apresentar o argu-
mento que será discutido. Em seguida, vêm a fundamentação (citação, exemplo, dados estatísticos, etc) e o “encaixe”
do recurso utilizado para embasar o argumento. Trata-se de explicar como a ideia apresentada justifica o seu argumen-
to. Por fim, o fechamento o parágrafo (para evitar que o desenvolvimento acabe “do nada”, sem ter uma finalização)
com a reafirmação do argumento (tópico frasal).
34
COMO FUNCIONA NA PRÁTICA
Vamos ver como é isso na prática, considerando a introdução a seguir.
Observe que a introdução apresenta duas abordagens argumentativas (sublinhadas) junto com a tese. Cada uma delas
dará origem a um parágrafo de desenvolvimento.
Seguindo a seleção e a ordem das ideias/abordagens apresentadas na introdução, vamos a uma possibilidade para o
primeiro parágrafo de desenvolvimento.
D1 (abordagem 1): “O seu principal aspecto positivo é a facilidade de acesso ao conhecimento e à informação”
Possibilidade de parágrafo para a abordagem 1
Em uma primeira análise, é possível afirmar que entre tantos aspectos positivos, o que mais se destaca entre
os benefícios da internet é o caráter de sua acessibilidade. É simples publicar e acessar conteúdos dos mais variados
campos do conhecimento, o que representa um poder de acesso à informação nunca antes testemunhado na história
tecnológica do mundo. Por meio da internet, o usuário pode encontrar grandes acervos de livros digitalizados, visitar
páginas de conteúdos especializados e também acompanhar informações atualizadas por meio de grandes portais
de notícia. Sendo assim, pode-se afirmar a internet inaugurou uma nova geração e uma nova cultura, que é caracte-
rizada pela globalização e pela acessibilidade universal da informação nunca vista antes.
Em vermelho: tópico frasal, estrutura que concentra a ideia principal do parágrafo (apresentada na introdução da
redação, junto com a tese).
Em azul: o “miolo” do parágrafo, a argumentação com o desenvolvimento da ideia central do parágrafo. O objetivo é
convencer o leitor de que o grande benefício da internet é o acesso à informação e ao conteúdo, para tal foi utilizado
o recurso do exemplo.
Em roxo: fechamento do parágrafo, concluindo que a internet passou a caracterizar uma nova geração, na qual as
pessoas que têm o poder de acesso à informação de um modo nunca visto antes. O fechamento é a parte do parágrafo
que dá um tom de conclusão (pode iniciar com algum elemento conclusivo, como “sendo assim”, “portanto”, “dessa
maneira”, “logo”, “então”, etc).
Vamos ao segundo parágrafo de desenvolvimento:
D2 (abordagem 2): entretanto o seu mau uso pode prejudicar os seus usuários de inúmeras formas.
Possibilidade de parágrafo para a abordagem 2
Entretanto, o grande problema da internet é o fato de ela ter falhas que comprometem a segurança de seus
usuários. Por ser pública e global, ela é usada por muitos tipos de pessoas e elas podem ter diferentes propósitos e
objetivos, o que compromete a segurança da rede. Esse fato é agravado ainda pela questão do anonimato, que faci-
lita crimes como racismo, pedofilia, roubos de informações pessoais, falsas identidades e plágio. Além disso, a rede é
vulnerável a ações de hackers, que são capazes de invadirem contas de empresas, de pessoas físicas e até mesmo
do próprio governo. Tudo isso demonstra que a internet, apesar de facilitar o acesso à informação, é um ambiente
inseguro e que, portanto, exige cautela por parte de seus usuários.
35
Em vermelho: tópico frasal, revela a ideia central do parágrafo.
Em azul: toda a estrutura argumentativa, construída de modo a convencer o leitor a aceitar a ideia principal apresenta-
da pelo tópico frasal.
Em roxo: fechamento do parágrafo, onde se conclui e reafirma que a internet realmente é insegura, fato que exige
cuidado por parte dos usuários que nela navegam.
DE OLHO NAS DICAS
1. ATENÇÃO AOS ELEMENTOS QUE NÃO PODEM FALTAR NOS PARÁGRAFOS DE DESENVOLVIMENTO!
• Retomada das ideias de argumentação apresentadas na introdução (projeto de texto).
• Recursos argumentativos, como citações, alusões, dados, estatísticas ou qualquer outro elemento que ilustrem
seu posicionamento e demonstrem domínio de outras áreas.
• Desenvolvimento completo das ideias apresentadas. Não espere que o corretor complete ou interprete suas ideias,
essa função é sua.
• Marca de autoria, sua análise. É comum o candidato se preocupar tanto em demonstrar fatos e citações que acaba
se esquecendo de comentá-las, relacioná-las ao conteúdo do parágrafo ou mesmo posicionar-se claramente em
relação aos dados expostos em seu texto. Em casos assim, fica faltando a chamada “marca de autoria”, ou seja,
a manifestação do juízo de valor por parte do autor em relação. Não esqueça: os dados utilizados por você devem
ser apresentados de forma crítica e explicitamente relacionados à sua argumentação.
1.1 ARTICULAÇÃO ENTRE PARÁGRAFOS E PERÍODOS
Os operadores argumentativos e os conectivos são elementos essenciais para o desenvolvimento das ideias apre-
sentadas em todos os parágrafos de sua redação. No entanto, iniciar os parágrafos de desenvolvimento com opera-
dores argumentativos que indicam a relação de sentido adequadas entre eles é fundamental para a qualidade da argu-
mentação. Além disso, por serem parágrafos mais extensos, é imprescindível o uso de conectivos entre os períodos a
fim de garantir a progressão textual e a continuidade temática.
Sendo assim, não se esqueça de apresentar recursos coesivos diversificados e adequados ao sentido pretendido.
Use o bom senso na hora de selecionar os conectivos e não desperdice a oportunidade de obter a melhor pontuação
possível na Competência 4.
Exemplos:
• Para o D1
Entre os conectivos mais adequados para o D1 estão aqueles que dão a ideia de relevância e/ou prioridade
- Em primeiro lugar/análise/instância
- Primeiramente;
- Antes de tudo...
• Para o D2
a) Se as ideias apresentadas nos dois parágrafos são convergentes, então o D2 deverá ser iniciado por um ope-
rador argumentativo que dê a ideia de adição:
- Ademais
- Outrossim
- Outro fator/aspecto importante é
- Além disso...
b) Caso sejam ideias divergentes, use operadores que estabeleçam relação de oposição:
- Em contrapartida
- Por outro lado
- Em contraste com
- Em oposição a...
36
ANÁLISE DE EXEMPLARES
Os parágrafos a seguir são trechos de redações Enem 2019 com notas entre 980 e 1000. Vamos analisá-los a
fim de identificar, em uma situação real, os aspectos de estrutura e conteúdo que levam à nota máxima.
EXEMPLO 1
Em primeiro plano, observa-se que o Estado não promove, de maneira eficiente, o acesso à cultura no Brasil, princi-
palmente ao cinema. Nesse âmbito, o filósofo contratualista inglês Thomas Hobbes afirma que é obrigação do Poder
Público garantir o bem-estar da população. Entretanto, esse fato não ocorre no contexto nacional, uma vez que políti-
cas públicas que possibilitam a ida de brasileiros às salas de cinemas são, praticamente, inexistentes. Dessa forma,
se o governo não trabalha para resolver esse grave impasse, os segmentos marginalizados, sobretudo os moradores
de periferias e de cidades do interior, continuarão a sofrerem com a exclusão nesses espaços.
Abordagem argumentativa – causa: “A ATUAÇÃO DO GOVERNO NÃO É EFICIENTE NA PROMOÇÃO DO ACESSO
à CULTURA NO BRASIL”
Tópico frasal: Em primeiro plano, observa-se que o Estado não promove, de maneira eficiente, o acesso à cultura no
Brasil, principalmente ao cinema.
Ampliação: Nesse âmbito, o filósofo contratualista inglês Thomas Hobbes afirma que é obrigação do Poder Público ga-
rantir o bem-estar da população. Entretanto, esse fato não ocorre no contexto nacional, uma vez que políticas públicas
que possibilitam a ida de brasileiros às salas de cinemas são, praticamente, inexistentes.
Fechamento: Dessa forma, se o governo não trabalha para resolver esse grave impasse, os segmentos marginaliza-
dos, sobretudo os moradores de periferias e de cidades do interior, continuarão a sofrerem com a exclusão nesses
espaços.
Recurso de argumentação: citação/argumento de autoridade.
Observação: atenção aos operadores argumentativos e conectivos utilizados no parágrafo e a relação de sentido que
eles estabelecem entre as partes.
EXEMPLO 2
Outro fator determinante da pouca democratização do acesso ao cinema na realidade brasileira é falta de reivindi-
cação da sociedade. Sob esse viés, a filósofa alemã Hannah Arendt criou o conceito de ‘‘responsabilidade coletiva’’,
em que todos os indivíduos em uma comunidade são coletivamente responsáveis pelo que o Estado faz ou não em
seus nomes. Nessa lógica, se o tecido social permanece estático diante dos problemas socioculturais, a natural-
ização desses desafios é inevitável. Depreende-se, dessa maneira, a ampliação dessa forma de lazer não depende
apenas do governo, mas também da população.
Abordagem argumentativa - causa: “FALTA DE REINVINDICAÇÃO POR PARTE DA SOCIEDADE”
Tópico frasal: Outro fator determinante da pouca democratização do acesso ao cinema na realidade brasileira é falta
de reivindicação da sociedade.
Ampliação: Sob esse viés, a filósofa alemã Hannah Arendt criou o conceito de ‘‘responsabilidade coletiva’’, em que
todos os indivíduos em uma comunidade são coletivamente responsáveis pelo que o Estado faz ou não em seus no-
mes. Nessa lógica, se o tecido social permanece estático diante dos problemas socioculturais, a naturalização desses
desafios é inevitável.
Fechamento: Depreende-se, dessa maneira, a ampliação dessa forma de lazer não depende apenas do governo, mas
também da população.
Recurso de argumentação: citação/argumento de autoridade.
Observação: atenção aos operadores argumentativos e conectivos utilizados no parágrafo e a relação de sentido que
eles estabelecem entre as partes.
37
EXEMPLO 3
Outrossim, o crescente aumento na utilização de plataformas da internet para obter acesso aos mais diversos filmes e
documentários agrava de forma assídua a ausência na frequência da população no cinema. Diante dessa perspecti-
va, o sociólogo Marshall McLuhan, em seu conceito de ‘‘Aldeia Global’’, discorre sobre o mundo interconectado, onde
há o pleno acesso à internet e aos serviços nela ofertados. Nesse contexto, o avanço de serviços como a Netflix con-
tribui para a efetivação da ‘‘Aldeia Global’’ ao mesmo tempo que favorece, indiretamente, o encarecimento do acesso
ao cinema, o que dificulta de forma intensa a participação popular na sétima arte.
Abordagem argumentativa - causa: “O AUMENTO DO USO DE PLATAFORMAS DE
FILMES NA INTERNET”
Tópico frasal: Outrossim, o crescente aumento na utilização de plataformas da internet para obter acesso aos mais
diversos filmes e documentários agrava de forma assídua a ausência na frequência da população no cinema
Ampliação: Diante dessa perspectiva, o sociólogo Marshall McLuhan, em seu conceito de ‘‘Aldeia Global’’, discorre
sobre o mundo interconectado, onde há o pleno acesso à internet e aos serviços nela ofertados.
Fechamento: Nesse contexto, o avanço de serviços como a Netflix contribui para a efetivação da ‘‘Aldeia Global’’ ao
mesmo tempo que favorece, indiretamente, o encarecimento do acesso ao cinema, o que dificulta de forma intensa a
participação popular na sétima arte.
Recurso de argumentação: citação/argumento de autoridade e exemplo de conhecimento público.
Observação: atenção aos operadores argumentativos e conectivos utilizados no parágrafo e a relação de sentido que
eles estabelecem entre as partes.
• A partir dos exemplos analisados, é possível verificar que os parágrafos de desenvolvimento devem seguir a es-
trutura do parágrafo-padrão e cumprir com a função de desenvolver os argumentos (informados na introdução) a
fim de defender o ponto de vista.
Em síntese:
TÓPICO FRASAL 1 + AMPLIAÇÃO 1 + FECHAMENTO
⠀
• O TÓPICO FRASAL é a ideia central de cada um dos seus desenvolvimentos. É, normalmente, a primeira oração,
aquilo que você vai defender. Lembre-se que ele tem que estar relacionado com a sua tese;
• AMPLIAÇÃO: É o momento que você vai explicar o “PORQUÊ” daquilo que você escreveu anteriormente. Para
convencer o leitor do seu texto, você pode utilizar ideias de sociólogos, filósofos, estudos científicos, dados es-
tatísticos, escritores, entre outros;
• O FECHAMENTO é a finalização do desenvolvimento, ou seja, a ideia que finaliza o desenvolvimento. Esse fe-
chamento não precisa ser visto como algo separado ou exclusivo. Muitas vezes ele vem conectado com a própria
ampliação.
Atenção! Essa é apenas uma das maneiras de montar o desenvolvimento, não a única. Há diferentes formas de ar-
gumentar em defesa de uma tese e você deve praticar bastante a fim de aperfeiçoar cada vez mais sua capacidade
argumentativa. O importante é que você compreenda bem os objetivos desse tipo de parágrafo e desenvolva-os com
segurança.
38
HORA DE PRATICAR
Agora é a sua vez! Siga o exemplo das análises que fizemos e faça o mesmo com o parágrafo a seguir.
Todavia, ocorre, no Brasil, uma nítida elitização do acesso a esse tipo de arte. O baixo número de salas e a concen-
tração destas em shopping centers de grandes cidades tornam produções cinematográficas inacessíveis a grande
parte da população, visto que muitas cidades nem sequer tem estrutura para exibi-las. Além disso, os altos preços
fazem com que, para mais de um terço da população, que, segundo o IBGE, tem renda familiar de até 2 salários mín-
imos, ir ao cinema seja uma atividade inviável. Assim, nega se o direito ao acesso à cultura, provido na Constituição,
e aos benefícios do cinema.
Abordagem argumentativa:
Tópico frasal:
Ampliação:
Fechamento:
Recurso de argumentação:
Observação:
4. O PARÁGRAFO DE CONCLUSÃO
Se a introdução é tão importante para apresentar o pensamento geral do assunto, para prender a atenção, e o
desenvolvimento é fundamental para fornecer exemplos, dados, comparações, causas/consequências, a conclusão é
igualmente importante para sintetizar o que foi dito, dando uma resposta à questão exposta no início.
A conclusão de uma dissertação deve aparecer totalmente sintonizada com o restante do texto. Se, para seu
autor, ela fecha um raciocínio, para o leitor ela abre possibilidades reflexivas, induzindo-o a pensar mais sobre o assun-
to.
A conclusão deve configurar-se como o parágrafo que apresenta o arremate de todas as ideias desenvolvidas
no texto, de modo que a ideia central seja confirmada. Pode apresentar-se na forma de:
a) um resumo das ideias analisadas no texto – consiste em retomar a tese e alguns aspectos do desenvolvimento
do texto, tendo o cuidado para não cair em simples repetições de palavras ou de ideias;
b) uma proposta de solução para as questões levantadas – consiste em fazer propostas ou sugestões para a reso-
lução do problema apresentado ao longo do texto.
Existem muitas expressões que podem facilitar a construção do parágrafo conclusivo: “é assim que”, “em resu-
mo”, “em consequência”, “por fim”, “em poucas palavras”, “assim”, “por conseguinte” etc; mas você pode observar que
muitos textos se fecham sem a sua utilização. O mais importante é ter a clareza de que o último parágrafo conclui sua
argumentação, fechando o assunto aberto pela introdução.
4.1 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
A competência de número 5 do ENEM requer do candidato a apresentação de uma proposta de intervenção.
A maioria dos candidatos opta por apresentá-la no parágrafo de conclusão. Nesse sentido, é relevante que a proposta
de intervenção apresente elementos que estejam diretamente relacionados ao tema e à argumentação desenvolvida.
• A proposta PODE apresentar:
- Síntese das ideias do texto
- Comentário afirmando a urgência na resolução do problema discutido.
• A proposta TEM que apresentar:
- uma solução, uma atenuação ou uma mediação para o problema social discutido no texto contendo 5 elementos:
AGENTE social relevante; AÇÃO relacionada ao agente; a explicação sobre o MODO de aplicação dessas ações; a
FINALIDADE ou as finalidades dessas ações; e o DETALHAMENTO de qualquer um dos elementos anteriores.
39
4.2ESTRUTURA DO PÁRAGRAFO DE CONCLUSÃO
ATENÇÃO! NÃO ESQUEÇA AS MARCAS LINGUÍSTICAS
• AÇÃO - deve, precisa, cabe, pode; “é preciso”, “é necessário”, “é imprescindível” etc.
• AGENTE - frases nominais e substantivos.
• MODO/MEIO - expressões como: por meio de, a partir de, mediante a, com, e verbos no gerúndio.
• EFEITO - expressões com: para, para que, a fim de, de modo a; verbos como: objetivar e visar (em geral, no
gerúndio).
• DETALHAMENTO – em geral, exemplificações e explicações: como, tais como, por exemplo, etc.; trechos inter-
calados/destacados entre vírgulas ou travessões.
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PARTE I - FOCO NA LINGUAGENS
1ª PARTE
1. ENTENDENDO A PROVA DE LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
O objetivo das provas do Enem não é avaliar se o candidato é capaz de memorizar informações, mas se ele tem es-
truturas mentais desenvolvidas o suficiente, de modo que lhe seja possível interpretar dados, refletir, tomar decisões
adequadas, aplicar conhecimentos em situações concretas, ou seja, o nível de compreensão do estudante em relação
ao que lê e sua capacidade de raciocínio. Além disso, também avalia se, na vida social, ele tem uma postura ética e
cidadã.
1.1 OS CINCO EIXOS COGNITIVOS
Para aferir as competências exigidas, o Enem avalia cinco eixos cognitivos – dominar linguagens (DL), compreender
e interpretar fenômenos (CF), enfrentar situações-problema (SP), construir argumentação (CA) e elaborar propostas
(EP) –, comuns às quatro áreas do conhecimento: Linguagens, códigos e suas tecnologias; Matemática e suas tecnolo-
gias; Ciências da natureza e suas tecnologias; e Ciências humanas e suas tecnologias. Vamos entender o que significa
cada um desses eixos.
dominar
linguagens
(DL)
compreender enfrentar
e interpretar situações-pro-
fenômenos
blema (SP)
(CF)
Cinco eixos
cognitivos
construir ar- elaborar
gumentação propostas (EP)
(CA)
I Dominar linguagens (DL) Dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens
II Compreender fenômenos (CF) matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa.
III Enfrentar situações-problema (SP)
IV Construir argumentação (CA) Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a
V Elaborar propostas (EP) compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos,
da produção tecnológica e das manifestações artísticas.
Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações rep-
resentados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situ-
ações-problema.
Relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conheci-
mentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação
consistente.
Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de
propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores
humanos e considerando a diversidade sociocultural.
41
Para o estudante ter um bom desempenho no Enem, não é necessário que ele saiba de cor ou deva recon-
hecer os eixos cognitivos, no entanto, uma maior familiaridade com eles certamente possibilitará uma melhor com-
preensão, por isso veremos alguns exemplos, baseados em questões de Enem, nas diferentes áreas do conhecimento.
Destacamos, ainda, que cada questão da prova pode avaliar o domínio de uma ou mais ou mais eixos, as que veremos
a seguir possuem predominantemente um deles.
1.2 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES
Além dos eixos cognitivos, a Matriz de Referência do exame também define competências e habilidades que o candi-
dato deve demonstrar em cada uma das áreas do conhecimento.
No caso da prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, vale destacar que ela não abrange somente o conteúdo
de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Estrangeira, inclui também Artes, Educação Física e Tecnologias da Infor-
mação e Comunicação e é composta por nove competências, associadas a 30 habilidades variadas.
Em relação à forma como esses conhecimentos são verificados na prática, é importante ressaltar que cada questão
avalia pelo menos uma competência e uma habilidade, mas também é comum uma questão envolver mais de uma
habilidade.
A seguir, analisaremos o que avalia cada uma dessas competências e habilidades do ponto de vista teórico, mas
também identificando como são cobradas na prática.
Competência de área 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em
outros contextos relevantes para sua vida.
• ASPECTOS IMPORTANTES
TERMO-CHAVE: COMUNICAÇÃO.
a) Compreender que os códigos usados para a comunicação são construções humanas aceitas socialmente;
b) Entender que há vários tipos de códigos, além do texto escrito, utilizados para a comunicação, como a linguagem
verbal, visual e sonora
c) Compreender que cada tipo de linguagem tem um uso social e contexto específico.
HABILIDADE 1. Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracter-
ização dos sistemas de comunicação
É necessário saber identificar os gêneros textuais e quais as marcas típicas de cada um, ou seja, a linguagem particular
deles. Os decorrentes das novas tecnologias da informação e da comunicação são bem frequentes, o e-mail e o blog,
por exemplo costumam aparecer muito na prova, mas também é possível que
HABILIDADE 2. “Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação
para resolver problemas sociais”
É preciso identificar qual o melhor tipo de linguagem para solucionar as situações-problemas propostas pela prova.
Entre elas, a verbal, como textos e poemas, e a não verbal, como charges e tirinhas.
HABILIDADE 3. “Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a
função social desses sistemas”
O básico é captar qual a função social da linguagem predominante no texto abordado na questão. Entre elas, estão as
funções sociais, geográficas e históricas, cujas principais características giram em torno de analisar como se comuni-
cam dentro do seu sistema.
HABILIDADE 4. “Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas
de comunicação e informação”
É necessário trabalhar os recursos argumentativos do texto, verificando quais as estruturas que foram mobilizadas para
convencer o leitor. Podem ser usados argumentos de autoridade, de comparação ou dados, por exemplo.
Competência de área 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) (LEM) como instrumento de
acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais.
42
HABILIDADE 5. “Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema”
Esse tópico se refere basicamente a noção de que o candidato deve ter um vocabulário vinculado aos temas abordados
pela prova do Enem. Além disso, ele deve conseguir realizar um jogo de sentido entre as palavras e a ideia central do
texto. Em grande parte das questões de línguas estrangeiras, o examinador vincula propositalmente o aspecto principal
de uma determinada questão a uma palavra chave. Nesses momentos, algumas expressões se tornam o objeto base
para construção da questão.
HABILIDADE 6. “Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibili-
dades de acesso a informações, tecnologias e culturas”.
Os alunos precisam exercitar a competência da localização na prova do Enem, ou seja, esse item define que eles pre-
cisam estar treinados a buscar no próprio texto as informações que precisam para responder os testes.
HABILIDADE 7. “Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social”
Segundo esse tópico, o candidato deve ter conhecimento das variantes linguísticas e da dimensão de como isso pode
aparecer um texto. A principal habilidade analisada é a capacidade do aluno de ler e compreender o que está escrito
em sua totalidade.
HABILIDADE 8. “Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade
cultural e linguística”
Simplificando esse item, o candidato tem que ser capaz de analisar os textos das provas de Inglês ou de Espanhol, com
o objetivo de ampliar o repertório cultural. As habilidades buscadas são envolvem a reflexão sobre a realidade estética
e cultural dos outros países e sobre como a língua estrangeira é trabalhada em cada texto.
Competência de área 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a pró-
pria vida, integradora social e formadora da identidade.
HABILIDADE 9. “Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades
cotidianas de um grupo social.”
O aluno precisa ter a percepção de que a arte é uma expressão da cultura e das identidades específicas. Por isso, essa
parte da prova busca abordar questões voltadas para a significação e a cultura, conectando a bagagem cultural do
candidato ao aprendeu durante o período escolar.
HABILIDADE 10. “Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessi-
dades cinestésicas.”
Simplificando, o candidato deve ser capaz de fazer uma leitura crítica sobre a importância da linguagem corporal e
entender que ela pode ser constantemente ressignificada de acordo com as necessidades sociais.
HABILIDADE 11. “Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de
desempenho e as alternativas de adaptação para diferentes indivíduos.”
Esse tópico define que os alunos precisam ter a competência de identificar a dimensão das linguagens corporais focan-
do no respeito dessas manifestações artísticas como forma de individualidade e diversidade.
• ASPECTOS IMPORTANTES
TERMOS-CHAVE: LINGUAGEM CORPORAL; SAÚDE; CORPO.
a) Compreender a prática física como meio de melhorar a sua qualidade de vida e a saúde pública da sociedade;
b) Valorizar a saúde e não a estética;
c) Refletir acerca dos modelos de beleza como construções culturais, principalmente da mídia e que mudam em
diferentes épocas;
d) Questões relacionadas às formas de manifestação corporal da sociedade, como danças típicas e alguns esportes;
43
Competência de área 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e inte-
grador da organização do mundo e da própria identidade.
HABILIDADE 12. “Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios
culturais”
Esse tópico exige que o aluno tenha domínio das funções da arte, entre elas a social, a política e a artística. A partir
dessa noção, precisam compreender a complexidade das obras baseados na história das mentalidades. O candidato
deve entender que a arte está atrelada aos meios culturais de produção e é a chave para entender a história e respeitar
a diversidade e individualidade.
HABILIDADE 13. “Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, pa-
drões de beleza e preconceitos”
Mais uma vez, a habilidade exigida dos alunos é a capacidade de responder as questões baseados no respeito à
diversidade e aos gêneros, um tema considerado importantíssimo na prova do Enem.
HABILIDADE 14. “Reconhecer o valor da diversidade artística e das interrelações de elementos que se apre-
sentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos”
O aluno deve saber que a cultura pode ser produzida por meio de diferentes elementos, baseados na sociedade em
que está inserido, e assim, ser capaz de responder as questões voltadas para a área de cultura do Enem.
• ASPECTOS IMPORTANTES
TERMO-CHAVE: EXPRESSÕES ARTÍSTICAS
a) Expressão de ideias e emoções por meio das diferentes manifestações artísticas;
b) Relação entre a produção artística e o contexto social;
c) Influência do contexto histórico, social, político ou econômico sobre a produção artística e vice-versa, considerando
a arte um elemento gerador de significados para os grupos sociais;
d) Respeito e valorização da diversidade artística e cultural;
Competência de área 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando
textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acor-
do com as condições de produção e recepção.
HABILIDADE 15. “Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos
do contexto histórico, social e político”
O aluno deve identificar a conexão entre as obras literárias e os períodos históricos em que foram escritas, para com-
preender de fato a complexidade dos textos.
HABILIDADE 16. “Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do
texto literário”
Nesse item, a habilidade esperada é que o candidato deve saber quais as características de cada período literário e
dos movimentos artísticos contemporâneos, que englobam a música, a pintura e a literatura.
HABILIDADE 17. “Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no pat-
rimônio literário nacional”
Os estudantes devem ter a capacidade de identificar quais eram os valores sociais de cada um dos períodos históri-
cos a fim de compreenderem o que está por trás das obras literárias consideradas patrimônio nacional. Além disso, a
prova costuma abordar a noção de que algumas questões morais mudaram com o passar dos anos, enquanto outras
não.
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• ASPECTOS IMPORTANTES
EIXO CENTRAL: LITERATURA
a) movimentos/escolas literárias: atenção às vanguardas;
b) relação entre o texto com os contextos históricos, políticos, sociais, culturais e econômicos;
c) intertextualidade: semelhanças, diferenças ou influências entre os textos destacados;
d) interdisciplinaridade: articulação, principalmente, entre Literatura e História.
Competência de área 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios
de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e infor-
mação.
HABILIDADE 18. “Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e
estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos”
Esse tópico se refere à organização e estruturação dos gêneros, sobre os quais aparecem questões mais conceitu-
ais. É importante conhecer os tipos textuais básicos, que dão origem aos gêneros. Além disso, é necessário analisar
qual o interlocutor, a situação discursiva e se a linguagem escolhida é apropriada para o ambiente comunicacional em
questão.
HABILIDADE 19. “Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de inter-
locução”
Essa parte da prova aborda basicamente a interpretação de textos por meio das funções da linguagem, chamadas de
emotiva ou apelativa, metalinguística, conativa, fática, poética e referencial.
HABILIDADE 20. “Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da
identidade nacional”
O aluno precisa estar preparado para se deparar com textos de outros períodos históricos e, a partir deles, reconhecer
a importância da língua brasileira vista pela própria cultura nacional e pela dos outros países.
• ASPECTOS IMPORTANTES
TERMOS-CHAVE: TEXTO, CONTEXTO E FUNÇÃO.
a) compreender que todo texto tem seu contexto;
b) Entender que todo texto tem sua função.
CONTEÚDOS RELACIONADOS:
• tipos e gêneros textuais;
• Funções da linguagem;
• figuras de linguagem.
Competência de área 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações
específicas.
HABILIDADE 21. “Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não verbais utilizados com
a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos”
Mais uma vez, o aluno precisa saber lidar com os recursos argumentativos presentes em textos verbais e não verbais,
cujo objetivo é convencer ou persuadir.
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HABILIDADE 22. “Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos”
O candidato precisa utilizar as ferramentas disponíveis pelos recursos argumentativos para perceber qual o tema e a
posição do autor dentro de um texto.
HABILIDADE 23. “Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público-alvo, pela
análise dos procedimentos argumentativos utilizados”
Aqui, é essencial identificar o tipo de discurso que está sendo utilizado no texto. A base argumentativa sustenta a
posição de um enunciador, que trabalha os recursos argumentativos dependendo de quem é o público alvo e, por isso,
o estudante precisa ser capaz de identificar as especificidades de cada discurso.
HABILIDADE 24. “Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do pú-
blico, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras”
Esse tópico está mais voltado para o entendimento das linguagens usadas nos textos argumentativos, cuja função é
convencer por meio das mais variadas possibilidades de argumentação. A forma como é escrito pode levar à sedução,
como é o caso do discurso publicitário e do religioso.
• ASPECTOS IMPORTANTES
TERMOS-CHAVE: OPINIÃO, CONVENCIMENTO, PERSUASÃO;
a) Compreensão dos objetivos dos textos (verbais ou não-verbais) nas diversas situações comunicativas;
b) Identificação dos variados interesses e estratégias (intimidação, sedução, comoção, chantagem etc.) na
comunicação;
c) Identificação dos métodos utilizados para criar ou mudar comportamentos ou hábitos do receptor da
mensagem;
CONTEÚDOS RELACIONADOS:
• funções da linguagem;
• figuras de linguagem.
Competência de área 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e
integradora da organização do mundo e da própria identidade.
HABILIDADE 25. “Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as var-
iedades linguísticas sociais, regionais e de registro”
Nesse item, o candidato deve mostrar os conhecimentos sobre as variedades linguísticas e as diferenças das varie-
dades em relação à norma padrão. O aluno precisa saber que elas são subdivididas em sociocultural, regional-ge-
ográfica e histórica, considerando a heterogeneidade da língua.
HABILIDADE 26. “Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social”
Nesse tópico, o candidato deve saber que a linguagem varia de acordo com a situação de comunicação. Um exemplo
prático seria a forma que um palestrante fala de uma forma durante sua apresentação e de outra quando está em um
ambiente familiar.
HABILIDADE 27. “Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de
comunicação”
Dentro desse item, a noção principal é de que a norma padrão é mais uma das variedades possíveis. Sendo assim, o
aluno precisa saber quando e como aplicar cada variante linguística.
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• ASPECTOS IMPORTANTES
TERMO-CHAVE: DIVERSIDADE LINGUÍSTICA
a) Respeito a todo o tipo de diversidade linguística, regionais, sociais e históricas, de modo a:
• posicionar-se contra o preconceito linguístico;
• Reconhecer a necessidade de, nos momentos adequados, se utilizar a forma culta da língua.
b) Compreender as diferenças entre a linguagem formal, informal e seus contextos de uso;
c) Questões ligadas à compreensão da importância do patrimônio linguístico para a constituição e preservação da
memória e da identidade nacional.
Competência de área 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e
da informação na sua vida pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos
científicos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas
que se propõem solucionar.
HABILIDADE 28. Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e infor-
mação.
O candidato deve ser capaz de analisar as novas tecnologias e, principalmente, o impacto que causam no cotidiano,
dentro da esfera profissional e pessoal. O foco é perceber como os alunos enxergam as mudanças sociais geradas por
elas, além de verificar qual a posição crítica deles sobre o assunto.
HABILIDADE 29. Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação.
O aluno precisa demonstrar no momento da prova que entende a dimensão das tecnologias no mundo e tem uma
postura crítica em relação a ela. Além disso, avalia se existe a noção de que os usuários precisam desconfiar das in-
formações que recebem por meio da rede.
HABILIDADE 30. Relacionar as tecnologias da comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades
e ao conhecimento que elas produzem.
Aqui a prova busca abordar qual a noção crítica que o aluno tem sobre o desenvolvimento que as ferramentas digi-
tais trouxeram para a vida social. O aluno precisa demonstrar que entende que a tecnologia encurtou distância e tempo,
focando os impactos sociais.
• ASPECTOS IMPORTANTES
TERMO-CHAVE: TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO (TICs)
a) Reconhecimento das múltiplas tecnologias de comunicação que possibilitam a distribuição do
conhecimento e a democratização do acesso à informação;
b) Análise de questões envolvendo ferramentas tecnológicas atuais, como a internet e seus recursos, mas também
tecnologias já em desuso, como máquinas de datilografia, por exemplo;
c) Compreensão do impacto dessas tecnologias no modo de vida dos indivíduos no passado, no presente e tam-
bém no futuro.
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HORA DE PRATICAR escrito aneurisma “celebral” (com I no lugar de r) e “in-
suficiência” múltipla de órgãos (com um I desnecessário
em “insuficiência” – além do fato de a expressão médica
adequada ser “falência múltipla de órgãos”)
• COMPETÊNCIA 1 M.O.P. foi indiciado pela 2° Delegacia de Divisão de
Crimes de Trânsito. Na casa do acusado, em São Miguel
- HABILIDADE 1 Paulista, zona leste de São Paulo, a polícia encontrou um
01. computador com modelos de documentos.
Língua Portuguesa, n. 12, set. 2006 (adaptado).
Cores do Brasil
Ganhou nova versão, revista e ampliada, o livro lançado O texto apresentado trata da prisão de um fraudador que
em 1988 pelo galerista Jacques Ardies, cuja proposta é emitia documentos com erros de escrita. Tendo em vista o
ser publicação informativa sobre nomes do “movimento assunto, a organização, bem como os recursos linguísti-
arte naïf do Brasil”, como define o autor. Trata-se de um cos, depreende-se que esse texto é um(a)
caminho estético fundamental na arte brasileira, assegura
Ardies. O termo em francês foi adotado por designar in- a) conto, porque discute problemas existenciais e so-
ternacionalmente a produção que no Brasil é chamada de ciais de um fraudador.
arte popular ou primitivismo, esclarece Ardies. O organ-
izador do livro explica que a obra não tem a pretensão de b) notícia, porque relata fatos que resultaram no indi-
ser um dicionário. “Falta muita gente. São muitos artistas”, ciamento de um fraudador.
observa. A nova edição veio da vontade de atualizar in-
formações publicadas há 26 anos. Ela incluiu artistas em c) crônica, porque narra o imprevisto que levou a polícia
atividade atualmente e veteranos que ficaram de fora do a prender um fraudador.
primeiro livro. A arte naïf no Brasil 2 traz 79 autores de
várias regiões do Brasil. d) editorial, porque opina sobre aspectos linguísticos
dos documentos redigidos por um fraudador.
WALTER SEBASTIÃO. Estado de Minas, 17 jan. 2015 (adaptado).
e) piada, porque narra o fato engraçado de um frauda-
dor descoberto pela polícia por causa de erros de
grafia.
O fragmento do texto jornalístico aborda o lançamento de 03.
um livro sobre arte naïf no Brasil. Na organização desse
trecho predomina o uso da sequência “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta
e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinqui-
a) injuntiva, sugerida pelo destaque dado à fala do eta. O que ela quer da gente é coragem.” (ROSA, J. G.
organizador do livro. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
1986.)
b) argumentativa, caracterizada pelo uso de adjetivos
sobre o livro. No romance Grande sertão: veredas, o protagonista Ri-
obaldo narra sua trajetória de jagunço. A leitura do trecho
c) narrativa, construída pelo uso de discurso direto e permite identificar que o desabafo de Riobaldo se aprox-
indireto. ima de um(a)
d) descritiva, formada com base em dados editoriais a) aforismo, por expor uma máxima em poucas pala-
da obra. vras.
e) expositiva, composta por informações sobre a b) notícia, por informar sobre um acontecimento.
arte naïf. c) diário, por trazer lembranças pessoais.
d) crônica, por tratar de fatos do cotidiano.
02. e) fábula, por apresentar uma lição de moral.
Fraudador é preso por emitir atestados com
erro de português
Mais um erro de português leva um criminoso às mãos
da polícia. Desde 2003, M.O.P., de 37 anos, administra-
va a empresa MM, que falsificava boletins de ocorrência,
carteiras profissionais e atestados de óbito, tudo para
anular multas de trânsito. Amparado pela documentação
fajuta de M.O.P., um motorista poderia alegar às Juntas
Administrativas de Recursos de Infrações que ultrapassou
o limite de velocidade para levar uma parente que passou
mal e morreu a caminho do hospital.
O esquema funcionou até setembro, quando M.O.P. foi in-
diciado. Atropelara a gramática. Havia emitido, por exem-
plo, um atestado de abril do ano passado em que estava
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b) revela-se um sujeito que reflete sobre questões
04. existenciais e sobre a construção do discurso.
c) admite a dificuldade de escrever uma história em
razão da complexidade para escolher as palavras
exatas.
d) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica
e metafísica, incomuns na narrativa de ficção.
- HABILIDADE 2
A tirinha denota a postura assumida por seu produtor 01.
frente ao uso social da tecnologia para fins de interação e
de informação. Tal posicionamento é expresso, de forma
argumentativa, por meio de uma atitude
a) crítica, expressa pelas ironias.
b) resignada, expressa pelas enumerações.
c) indignada, expressa pelos discursos diretos.
d) agressiva, expressa pela contra-argumentarão.
e) alienada, expressa pela negação da realidade.
05.
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula dis- O texto tem o formato de uma carta de jogo e apresenta
se sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da dados a respeito de Marcelo Gleiser, premiado pesquisa-
pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o dor brasileiro da atualidade. Essa apresentação subverte
nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas um gênero textual ao
sei que o universo jamais começou.
[...] a) vincular áreas distintas do conhecimento.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta con- b) evidenciar a formação acadêmica do pesquisador.
tinuarei a escrever. Como começar pelo início, se as c) relacionar o universo lúdico a informações biográfi-
coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-
pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta cas.
história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. d) especificar as contribuições mais conhecidas do
Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o
que estou escrevendo. [...] Felicidade? Nunca vi palavra pesquisador.
mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por e) destacar o nome do pesquisador e sua imagem no
aí aos montes.
Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de início do texto.
uma visão gradual – há dois anos e meio venho aos pou-
cos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De 02.
quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou
escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não início
pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece
dizer sobre a vida – porque preciso registrar os fatos an-
tecedentes.
LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (frag-
mento).
A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha
a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a
obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escrito-
ra. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o
narrador observa os acontecimentos que narra sob uma
ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às persona-
gens.
a) relata a história sem ter tido a preocupação de in-
vestigar os motivos que levaram aos eventos que a
compõem.
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