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Apostila com conteúdo de Linguagens e Redação - módulo extensivo Enem

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Published by cursoclaudiafernandes, 2021-08-19 07:27:30

Apostila Extensivo

Apostila com conteúdo de Linguagens e Redação - módulo extensivo Enem

Keywords: Extensivo;Enem

Pela análise do conteúdo, constata-se que essa cam- De acordo com esse infográfico, as redes sociais estimu-

panha publicitária tem como função social lam diferentes comportamentos dos usuários que revelam

a) propagar a imagem positiva do Ministério Público. a) exposição exagerada dos indivíduos.

b) conscientizar a população que direitos implicam b) comicidade ingênua dos usuários.

deveres. c) engajamento social das pessoas.

c) coibir violações de direitos humanos nos meios de d) disfarce do sujeito por meio de avatares.

comunicação. e) autocrítica dos internautas.

d) divulgar políticas sociais que combatem a intolerân-

cia e o preconceito. 05.

e) instruir as pessoas sobre a forma correta de expres-

são nas redes sociais.

03.

Nesse cartaz, o uso da imagem do calçado aliada ao texto
verbal tem o objetivo de

Essa campanha se destaca pela maneira como utiliza a a) criticar as difíceis condições de vida dos refugiados.
linguagem para conscientizar a sociedade da necessi- b) revelar a longa trajetória percorrida pelos refugiados.
dade de se acabar com o bullying. Tal estratégia está cen- c) incentivar a campanha de doações para os refugia-
trada no(a)
dos.
a) chamamento de diferentes atores sociais pelo uso d) denunciar a situação de carência vivida pelos refu-
recorrente de estruturas injuntivas.
giados.
b) variedade linguística caracterizadora do português e) simbolizar a necessidade de adesão à causa dos
europeu.
refugiados.
c) restrição a um grupo específico de vítimas ao apre-
sentar marcas gráficas de identificação de gênero - HABILIDADE 3
como “o(a)”.
01.
d) combinação do significado de palavras escritas em
línguas inglesa e portuguesa.

e) enunciado de cunho esperançoso “passe à história”
no título do cartaz.

04.

Os tipos cheios de si
O difícil é encontrar quem nunca cruzou com (ou se pas-
sou por) um desses on-line.

50

TEXTO II O que está em jogo é o controle da inovação tecnológica.
Software livre é uma questão de liberdade de expressão
Quadrinista surda faz sucesso na CCXP com narrati- e não apenas uma relação econômica. Hoje existem mil-
vas silenciosas hares de programas alternativos construídos dessa forma
e uma comunidade de usuários com milhões de membros
A área de artistas independentes da Comic Con Experi- no mundo.
ence (CCXP) deste ano é a maior da história do evento
geek, são mais de 450 quadrinistas e ilustradores no Art- BRANCO, M. Software livre e desenvolvimento social e econômico. In: CAS-
ists’ Alley. TELLS, M.; CARDOSO, G. (Org). A sociedade em rede: do conhecimento à ação
E a diversidade vai além do estilo das HQ. Em uma das
mesas na fila F, senta a quadrinista com deficiência au- política. Lisboa: Imprensa Nacional, 2005 (adaptado).
ditiva Ju Loyola, com suas histórias que classifica como
“narrativas silenciosas”. São histórias que podem ser A criação de softwares livres contribui para a produção do
compreendidas por crianças e adultos, e pessoas de conhecimento na sociedade porque
qualquer nacionalidade, pelo simples motivo de não terem
uma única palavra. a) democratiza o acesso a produtos construídos cole-
A artista não escreve roteiros convencionais para suas tivamente.
obras. Sua experiência de ter que entender a comuni-
cação pelo que vê faz com que ela se identifique muito b) complexifica os sistemas operacionais disponíveis
mais com o que observa do que com o que as pessoas no mercado.
dizem.
E basta folhear suas obras que fica claro que elas não são c) qualifica um maior número de pessoas para o uso
histórias em quadrinhos que perderam as palavras, mas de tecnologias.
sim que ganharam uma nova perspectiva.
d) possibilita a coleta de dados confidenciais para seus
Disponível em: https://catracalivre.com.br. Acesso em: 8 dez. 2018 (adaptado). desenvolvedores.

e) insere profissionalmente os hackers na área de
inovação tecnológica.

03.

O Texto I exemplifica a obra de uma artista surda, que
promove uma experiência de leitura inovadora, divulgada
no Texto II. Independentemente de seus objetivos, ambos
os textos

a) incentivam a produção de roteiros compostos por

imagens.

b) colaboram para a valorização de enredos românticos.

c) revelam o sucesso de um evento de cartunistas.

d) contribuem com o processo de acessibilidade.

e) questionam o padrão tradicional das HQ. A utilização de determinadas variedades linguísticas em

02. campanhas educativas tem a função de atingir o públi-
O que é software livre co-alvo de forma mais direta e eficaz. No caso desse tex-
to, identifica-se essa estratégia pelo(a)

Software livre é qualquer programa de computador con- a) discurso formal da língua portuguesa.
struído de forma colaborativa, via internet, por uma co- b) registro padrão próprio da língua escrita.
munidade internacional de desenvolvedores indepen – c) seleção lexical restrita à esfera da medicina.
dentes. São centenas de milhares de hackers, que negam d) fidelidade ao jargão da linguagem publicitária.
sua associação com os “violadores de segurança”. Esses e) uso de marcas linguísticas típicas da oralidade.
desenvolvedores de software se recusam a reconhecer
o significado pejorativo do termo e continuam usando a
palavra hacker para indicar “alguém que ama programar
e que gosta de ser hábil e engenhoso”. Além disso, ess-
es programas são entregues à comunidade com o código
fonte aberto e disponível, permitindo que a ideia original
possa ser aperfeiçoada e devolvida novamente à comu-
nidade. Nos programas convencionais, o código de pro-
gramação é secreto e de propriedade da empresa que
o desenvolveu, sendo quase impossível decifrar a pro-
gramação.

51

04. - HABILIDADE 4
TEXTO I
01.
TEXTO II
A  body art  põe o corpo tão em evidência e o submete bom... o... eu tenho impressão que o rádio provocou uma
a  experimentações tão variadas, que sua influência revolução... no país na medida que:... ahn principalmente
estende-se  aos dias de hoje. Se na arte atual as o rádio de pilha né? quer dizer o rádio de pilha represen-
possibilidades de investigação do corpo parecem ilimitadas tou a quebra de um isolamento do homem do campo prin-
– pode-se escolher entre representar, apresentar, ou ainda cipalmente quer dizer então o homem do campo que nun-
apenas evocar o corpo – isso ocorre graças ao legado dos ca teria condição de ouvir... falar... de outras coisas... de
artistas pioneiros. outros lugares... de outras pessoas, entende? através do
rádio de pilha... ele pôde se ligar ao resto do mundo saber
SILVA, P R. Corpo na arte, body art, body modification: fronteiras. II Encontro de Histó- que existem outros lugares outras pessoas, que existe um
ria da Arte: IFCH-Unicamp, 2006 (adaptado). governo, que existem atos do governo... de modo que...
o rádio, eu acho que tem um papel até... numa certa me-
dida... ele provocou pelo alcance que tem uma revolução
até maior do que a televisão... o que significou a quebra
do isolamento... entende? de certas pessoas... a gente vê
hoje o operário de obra com o rádio de pilha debaixo do
braço durante todo o tempo que ele está trabalhando...
quer dizer... se esse canal que é o rádio fosse usado da
mesma forma como eu mencionei a televisão... num sen-
tido cultural educativo de boas músicas e de... numa linha
realmente de crescimento do homem [...] Esses veículos...
de telecomunicações se colocassem a serviço da cultura
e da educação seria uma beleza, né?

Nos textos, a concepção de  body art  está relacionada CASTILHO, A. T.; PRETTI, D. (Org.). A linguagem falada na cidade de São
à intenção de Paulo: materiais para seu estudo. São Paulo: T. A. Queiroz; Fapesp, 1987.

a) estabelecer limites entre o corpo e a composição. A palavra comunicação origina-se do latim communicare
b) fazer do corpo um suporte privilegiado de expressão. e significa “tornar comum”, “repartir”. Nessa transcrição de
c) discutir políticas e ideologias sobre o corpo como entrevista, reafirma-se esse papel dos meios de comuni-
cação de massa porque o rádio poderia
arte.
d) compreender a autonomia do corpo no contexto da a) oferecer diversão para as massas, possibilitando um
melhor ambiente de trabalho.
obra.
e) destacar o corpo do artista em contato com o expec- b) atender as demandas de mercado, servindo de
instrumento à indústria do consumo.
tador.
c) difundir uma cultura homogênea, abolindo as marcas
05. identitárias de toda uma coletividade.

d) trazer oportunidades de aprimoramento intelectual,
permitindo ao homem o acesso a informações e a
bens culturais.

e) inserir o indivíduo em sua classe social, fornecendo
entretenimento de pouco aprofundamento crítico.

A internet proporcionou o surgimento de novos para- 02.
digmas sociais e impulsionou a modificação de outros
já estabelecidos nas esferas da comunicação e da infor- “Escrever não é uma questão apenas de satisfação
mação. A principal consequência criticada na tirinha sobre pessoal”, disse o filósofo e educador pernambuca-
esse processo é a no Paulo Freire, na abertura de suas Cartas a Cristi-
na, revelando a importância do hábito ritualizado da
a) criação de memes. escrita para o desenvolvimento de suas ideias, para a con-
b) ampliação da blogosfera. cretização de sua missão e disseminação de seus pontos de
c) supremacia das ideias cibernéticas. vista. Freire destaca especial importância à escrita pelo
d) comercialização de pontos de vista. desejo de “convencer outras pessoas”, de transmitir seu
e) banalização do comércio eletrônico. pensamentos e de engajar aqueles que o leem na real-
ização de seus sonhos.

KNAPP, L. Linha fina. Comunicação Empresarial, n. 88, out. 201

52

Segundo o fragmento, para Paulo Freire, os textos devem 04.
exercer, em alguma medida, a função conativa, porque a TEXTO I
atividade de escrita, notadamente, possibilita

a) levar o leitor a realizar ações.
b) expressar sentimentos do autor.
c) despertar a atenção do leitor.
d) falar da própria linguagem.
e) repassar informações.

03.

A ascensão das novas tecnologias de comunicação cau- TEXTO II
sou alvoroço, quando não gerou discursos apocalípticos
acerca da finitude dos objetos nos quais se ancorava a Metade da nova equipe da Nasa é composta por mulheres
cultura letrada. As atenções voltaram-se, sobretudo, para
o mais difundido de todos esses objetos: o livro impresso. Até hoje, cerca de 350 astronautas americanos já estiver-
A crer nesses diagnósticos sombrios, os livros e a noção am no espaço, enquanto as mulheres não chegam a ser
romântica de autoria estavam fadados ao desapareci- um terço desse número. Após o anúncio da turma com-
mento. O triunfo do hipertexto e a difusão dos e-books posta 50% por mulheres, alguns internautas escreveram
inscreveriam um marco na linha do tempo, semelhante comentários machistas e desrespeitosos sobre a escolha
aos daqueles suscitados pelo advento da escrita e da nas redes sociais.
“revolução do impresso”. Decerto porque as mudanças
no padrão tecnológico de comunicação alteram práticas Disponível em: https//catracalivre com br. Acesso em 10 mar 2016
e representações culturais. Contudo, os investigadores in-
sistem que uma perspectiva evolutiva e progressiva aca- A comparação entre o anúncio publicitário de 1968 e a
ba por obscurecer o fato de que as normas, as funções repercussão da notícia mostra a
e os usos da cultura letrada não são compartilhados de
maneira igual, como também não anulam as formas prec- a) elitização da carreira científica.
edentes. b) qualificação da atividade doméstica.
Apesar dos avanços, a história da leitura não pode re- c) ambição de indústrias patrocinadoras.
stringir seu interesse ao livro, tendo de considerar outras d) manutenção de estereótipos de gênero.
formas de impresso de ampla circulação e suportes de e) equiparação de papeis nas relações familiares.
textos não impressos. Isso é particularmente relevante no
Brasil, onde a imprensa aportou tardiamente e o letramen- 05.
to custou a se espalhar pela sociedade.
TEXTO I
SCHAPOCHNIK, N. Cultura letrada: objetos e práticas – uma introdu-
ção. In: ABREU, M.; SCHAPOCHNIK, N. (Org.). Cultura letrada no

Brasil: objetos e práticas. Campinas: Mercado das Letras, 2005 (adap-
tado).

Nesse texto, ao abordar o desenvolvimento da cultura let-
rada no país, o autor defende a ideia de que

a) livros eletrônicos revolucionam ações de letramento.
b) veículos midiáticos interferem na formação de leito-

res.
c) tecnologias de leitura novas desconsideram as an-

teriores.
d) aparatos tecnológicos prejudicam hábitos culturais.
e) práticas distintas constroem a história da leitura.

53

TEXTO II 02.

Os santos tornaram-se grandes aliados da Igreja para O debate sobre o conceito de saúde refere-se à importân-
atrair novos devotos, pois eram obedientes a Deus e ao cia de minimizar a simplificação que abrange o entendi-
poder clerical. Contando e estimulando o conhecimento mento do senso comum sobre esse fenômeno. É possível
sobre a vida dos santos, a Igreja transmitia aos fiéis os entendê-lo de modo reducionista, tão somente, à luz dos
ensinamentos que julgava corretos e que deviam ser imi- pressupostos biológicos e das associações estatísticas
tados por escravos que, em geral, traziam outras crenças presentes nos estudos epidemiológicos. Os problemas
de suas terras de origem, muito diferentes das que pre- que daí decorrem são: a) o foco centra-se na doença; b)
conizava a fé católica. a culpabilização do indivíduo frente à sua própria doença;
c) a crença na possibilidade de resolução do problema en-
OLIVEIRA, A. J. Negra devoção. Revista de História da Biblioteca cerrando-se uma suposta causa, a qual recai no processo
Nacional, n. 20, maio 2007 (adaptado) de medicalização; d) a naturalização da doença; e) o ce-
ticismo em relação à contribuição de diferentes saberes
Posteriormente ressignificados no interior de certas irman- para auxiliar na compreensão dos fenômenos relaciona-
dades e no contato com outra matriz religiosa, o ícone e dos à saúde.
a prática mencionada no texto estiveram desde o século
XVII relacionados a um esforço da Igreja Católica para BAGRICHEVSKY, M. et al. Considerações teóricas acerca das questões relacionadas à promo-
ção da saúde. In: BAGRICHEVSKY, M.; PALMA, A.; ESTEVÃO, A. (Org.). A saúde em debate

na educação física. Blumenau: Edibes, 2003.

a) reduzir o poder das confrarias.  
b) cristianizar a população afro-brasileira. O texto apresenta uma reflexão crítica sobre o conceito de
c) espoliar recursos materiais dos cativos. saúde, que deve ser entendida mediante
d) recrutar libertos para seu corpo eclesiástico.
e) atender a demanda popular por padroeiros locais. a) dados estatísticos presentes em estudos epidemio-
lógicos.
• COMPETÊNCIA 3
b) pressupostos relacionados à ausência de doenças
- HABILIDADE 9 nos indivíduos.

01. c) responsabilização dos indivíduos pela adoção de
hábitos saudáveis.
Esporte e cultura: análise acerca da esportivização de
práticas corporais nos jogos indígenas d) intervenção da medicina nos diferentes processos
que acometem a saúde.

e) compreensão dos fenômenos sociais, políticos e
econômicos relacionados à saúde.

Nos Jogos dos Povos Indígenas, observa-se que as práti- 03.
cas corporais realizadas envolvem elementos tradicionais
(como as pinturas e adornos corporais) e modernos (como A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao de-
a regulamentação, a fiscalização e a padronização). O ver. […] O jogo se transformou em espetáculo, com poucos
arco e flecha e a lança, por exemplo, são instrumentos protagonistas e muitos espectadores, futebol para olhar, e
tradicionalmente utilizados para a caça e a defesa da o espetáculo se transformou num dos negócios mais lu-
comunidade na aldeia. Na ocasião do evento, esses ar- crativos do mundo, que não é organizado para ser jogado,
tefatos foram produzidos pela própria etnia, porém sua mas para impedir que se jogue. A tecnocracia do esporte
estruturação como “modalidade esportiva” promoveu uma profissional foi impondo um futebol de pura velocidade e
semelhança entre as técnicas apresentadas, com o senti- muita força, que renuncia ã alegria, atrofia a  fantasia e
do único da competição. proíbe a ousadia. Por sorte ainda aparece nos  campos,
[…] algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate
ALMEIDA, A. J. M.; SUASSUNA, D. M. F. A. Pensar a prática, n. 1, jan.-abr. de driblar o time adversário inteirinho, além do juiz e do
2010 (adaptado) público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que
se lança na proibida aventura da liberdade.
A relação entre os elementos tradicionais e modernos nos
Jogos dos Povos Indígenas desencadeou a GALEANO, E. Futebol ao sol e à sombra. Porto Alegre: L&PM Pockets,
1995 (adaptado).

a) padronização de pinturas e adornos corporais. O texto indica que as mudanças nas práticas corpo-
b) sobreposição de elementos tradicionais sobre os rais, especificamente no futebol,

modernos.

c) individuação das técnicas apresentadas em diferen- a) fomentaram uma tecnocracia, promovendo uma

tes modalidades. vivência mais lúdica e irreverente.

d) legitimação das práticas corporais indígenas como b) promoveram o surgimento de atletas mais habilido-

modalidade esportiva. sos, para que fossem inovadores.

e) preservação dos significados próprios das práticas c) incentivaram a associação dessa manifestação à

corporais em cada cultura. fruição, favorecendo o improviso.

54

d) tornaram a modalidade em um produto a ser consu- Com base em fatos históricos, o texto retrata o processo
mido, negando sua dimensão criativa. de adaptação pelo qual passou um tipo de brincadeira.
Nesse sentido, conclui-se que as brincadeiras comportam
e) contribuíram para esse esporte ter mais jogadores, o(a)
bem como acompanhado de torcedores.
a) caráter competitivo que se assemelha às suas ori-
04. gens.

Terezinha Guilhermina é uma das atletas mais premia- b) delimitação de regras que se perpetuam com o
das da história paraolímpica do Brasil e um dos principais tempo.
nomes do atletismo mundial. Está no Guinness Book de
2013/2014 como a “cega” mais rápida do mundo. c) definição antecipada do número de grupos partici-
Observatório: Quais os desafios você teve que superar pantes.
para se consagrar como atleta profissional?
Terezinha Guilhermina:  Considero a ausência de d) objetivo de aperfeiçoamento físico daqueles que a
recursos financeiros, nos três primeiros anos da minha praticam.
carreira, como meu principal desafio. A falta de um atleta-
guia, para me auxiliar nos treinamentos, me obrigava a e) possibilidade de reinvenção no contexto em que é
treinar sozinha e, por não enxergar bem, acabava sofrendo realizada.
alguns acidentes como trombadas e quedas.
Observatório:  Como está a preparação para os Jogos - HABILIDADE 10
Paraolímpicos de 2016?
Terezinha Guilhermina: Estou trabalhando intensamente, 01.
com vistas a chegar lá bem melhor do que estive em
Londres. E, por isso, posso me dedicar a treinos diários,
trabalhos preventivos de lesões e acompanhamento
psicológico e nutricional da melhor qualidade.

Revista do Observatório Brasil de Igualdade de Gênero, n. 6, dez. 2014
(adaptado).

O texto permite relacionar uma prática corporal com uma A utilização de determinadas variedades linguísticas  em
visão ampliada de saúde. O fator que possibilita identificar campanhas educativas tem a função de atingir o  públi-
essa perspectiva é o(a) co-alvo de forma mais direta e eficaz. No caso desse tex-
to, identifica-se essa estratégia pelo(a)
a) aspecto nutricional.
b) condição financeira. a) discurso formal da língua portuguesa.
c) prevenção de lesões. b) registro padrão próprio da língua escrita.
d) treinamento esportivo. c) seleção lexical restrita à esfera da medicina.
e) acompanhamento psicológico. d) fidelidade ao jargão da linguagem publicitária.
e) uso de marcas linguísticas típicas da oralidade.
05.

Riscar o chão para sair pulando é uma brincadeira que
vem dos tempos do Império Romano. A amarelinha orig-
inal tinha mais de cem metros e era usada como treina-
mento militar imitações reduzidas do campo utilizado pe-
los soldados e acrescentaram numeração nos quadrados
que deveriam ser pulados. Hoje as amarelinhas variam
nos formatos geométricos e na quantidade de casas. As
palavras “céu” e “inferno” podem ser escritas no começo
e no final do desenho, que é marcado no chão com giz,
tinta ou graveto.

Disponível em: www.biblioteca.ajes.edu.br. Acesso em: 20 maio 2015 (adap-
tado).

55

02. TEXTO I 03.

Educação para a saúde mediante programas de
educação física escolar

TEXTO II A educação para a saúde deverá ser alcançada medi-
ante interação de ações que possam envolver o próprio
homem mediante suas atitudes frente às exigências am-
bientais representadas pelos hábitos alimentares, estado
de estresse, opções de lazer, atividade física, agressões
climáticas etc. Dessa forma, parece evidente que o es-
tado de ser saudável não é algo estático. Pelo contrário,
torna-se necessário adquiri-lo e construí-lo de forma in-
dividualizada constantemente ao longo de toda a vida,
apontando para o fato de que saúde é educável e, portan-
to, deve ser tratada não apenas com base em referenciais
de natureza biológica e higienista, mas sobretudo em um
contexto didático-pedagógico.

Imaginemos um cidadão, residente na periferia de  um GUEDES, D. P. Motriz, n. 1, 1999.
grande centro urbano, que diariamente acorda às 5h para
trabalhar, enfrenta em média 2 horas de transporte  pú- A educação para a saúde pressupõe a adoção de compor-
blico, em geral lotado, para chegar às 8h ao trabalho. tamentos com base na interação de fatores relacionados à
Termina o expediente às 17h e chega em casa às 19h para,
aí sim, cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos  etc. a) a adesão a programas de lazer.
Como dizer a essa pessoa que ela deve praticar exercíci- b) opção por dietas balanceadas.
os, pois é importante para sua saúde? Como ela irá en- c) constituição de hábitos saudáveis.
tender a mensagem da importância do exercício físico? A d) evasão de ambientes estressores.
probabilidade de essa pessoa praticar exercícios regular- e) realização de atividades físicas regulares.
mente é significativamente menor que a de  pessoas da
classe média/alta que vivem outra realidade. Nesse caso, 04.
a abordagem individual do problema tende  a fazer com Obesidade causa doença
que a pessoa se sinta impotente em não conseguir pratic-
ar exercícios e, consequentemente, culpada pelo fato de A obesidade tornou-se uma epidemia global, segundo a
ser ou estar sedentária. Organização Mundial da Saúde, ligada à Organização das
Nações Unidas. O problema vem atingindo um número
FERREIRA, M. S. Aptidão física e saúde na educação física escolar: amplian- cada vez maior de pessoas em todo o mundo, e entre
do o enfoque. RBCE, n. 2,jan. 2001 (adaptado). as principais causas desse crescimento estão o modo de
vida sedentário e a má alimentação. Segundo um médico
O segundo texto, que propõe uma reflexão sobre o primei- especialista em cirurgia de redução de estômago, a taxa
ro acerca do impacto de mudanças no estilo de vida  na de mortalidade entre homens obesos de 25 a 40 anos é
saúde, apresenta uma visão 12 vezes maior quando comparada à taxa de mortalidade
entre indivíduos de peso normal. O excesso de peso e
a) medicalizada, que relaciona a prática de exercícios de gordura no corpo desencadeia e piora problemas de
físicos por qualquer indivíduo à promoção da saúde. saúde que poderiam ser evitados. Em alguns casos, a boa
notícia é que a perda de peso leva à cura, como no caso
b) ampliada, que considera aspectos sociais interve- da asma, mas em outros, como o infarto, não há solução.
nientes na prática de exercícios no cotidiano.
FERREIRA, T. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com. Acesso em: 2
c) crítica, que associa a interferência das tarefas da ago. 2012 (adaptado).
casa ao sedentarismo do indivíduo.
O texto apresenta uma reflexão sobre saúde e aponta o
d) focalizada, que atribui ao indivíduo a responsabili- excesso de peso e de gordura corporal dos indivíduos
dade pela prevenção de doenças. como um problema, relacionando-o ao:

e) geracional, que preconiza a representação do culto
à jovialidade.

a) padrão estético, pois o modelo de beleza dominante
na sociedade requer corpos magros.

b) equilíbrio psíquico da população, pois esse quadro
interfere na autoestima das pessoas.

c) quadro clínico da população, pois a obesidade é um
fator de risco para o surgimento de diversas doenças
crônicas.

56

d) preconceito contra a pessoa obesa, pois ela sofre c) dá o melhor de si na vivência das diversas atividades
discriminação em diversos espaços sociais. relacionadas ao esporte ou aos jogos, participando
e progredindo de acordo com seus objetivos, o que
e) desempenho na realização das atividades cotidianas, caracteriza o valor da coragem.
pois a obesidade interfere na performance.
d) manifesta a habilidade de enfrentar a dor, o sofri-
05. mento, o medo, a incerteza e a intimidação nas
atividades, agindo corretamente contra a vergonha,
A perda de massa muscular é comum com a idade, porém, a desonra e o desânimo, o que caracteriza o valor
é na faixa dos 60 anos que ela se torna clinicamente per- da determinação.
ceptível e suas consequências começam a incomodar no
dia a dia, quando simples atos de subir escadas ou ir à e) inclui em suas ações o fair play (jogo limpo), a ho-
padaria se tornam sacrifícios. Esse processo tem nome: nestidade, o sentimento positivo de consideração
sarcopenia. Essa condição ocasiona a perda da força e por outra pessoa, o conhecimento dos seus limites,
qualidade dos músculos e tem um impacto significante na a valorização de sua própria saúde e o combate ao
saúde. doping, o que caracteriza o valor do respeito.

Disponível em: www.infoescola.com. Acesso em: 19 dez. 2012 (adaptado). 02.

A sarcopenia é inerente ao envelhecimento, mas seu No esporte-participação ou esporte popular, a manifes-
quadro e consequentes danos podem ser retardados com tação ocorre no princípio do prazer lúdico, que tem como
a prática de exercícios físicos, cujos resultados mais rápi- finalidade o bem-estar social dos seus praticantes. Está
dos são alcançados com o(a) associado intimamente com o lazer e o tempo livre e
ocorre em espaços não comprometidos com o tempo e
a) hidroginástica. fora das obrigações da vida diária. Tem como propósitos
b) alongamento. a descontração, a diversão, o desenvolvimento pessoal e
c) musculação. o relacionamento com as pessoas. Pode-se afirmar que o
d) corrida. esporte-participação, por ser a dimensão social do esporte
e) dança. mais inter-relacionada com os caminhos democráticos,
equilibra o quadro de desigualdades de oportunidades
- HABILIDADE 11 esportivas encontrado na dimensão esporte-performance.
Enquanto o esporte-performance só permite sucesso aos
01. talentos ou àqueles que tiveram condições, o esporte-par-
ticipação favorece o prazer a todos que dele desejarem
Tanto os Jogos Olímpicos quanto os Paralímpicos são mais tomar parte.
que uma corrida por recordes, medalhas e busca da ex-
celência. Por trás deles está a filosofia do barão Pierre de GODTSFRIEDT, J. Esporte e sua relação com a sociedade: uma síntese
Coubertin, fundador do Movimento Olímpico. Como edu- bibliográfica. EFDeportes, n. 142, mar. 2010.
cador, ele viu nos Jogos a oportunidade para que os pov-
os desenvolvessem valores, que poderiam ser aplicados O sentido de esporte-participação construído no texto
não somente ao esporte, mas à educação e à sociedade. está fundamentalmente presente
Existem atualmente sete valores associados  aos Jogos.
Os valores olímpicos são: a amizade, a  excelência e o a) nos Jogos Olímpicos, uma vez que reúnem diversos
respeito, enquanto os valores paralímpicos são: a deter- países na disputa de diferentes modalidades espor-
minação, a coragem, a igualdade e a inspiração. tivas.

MIRAGAYA, A. Valores para toda a vida. Disponível em: ww.esporteessencial. b) nas competições de esportes individuais, uma vez
com.br. Acesso em: 9 ago. 2017 (adaptado). que o sucesso de um indivíduo incentiva a partici-
pação dos demais.
No contexto das aulas de Educação Física escolar, os va-
lores olímpicos e paralímpicos podem ser identificados c) nos campeonatos oficiais de futebol, regionais e
quando o colega nacionais, por se tratar de uma modalidade esportiva
muito popular no país.
a) procura entender o próximo, assumindo atitudes
positivas como simpatia, empatia, honestidade, com- d) nas competições promovidas pelas federações e
paixão, confiança e solidariedade, o que caracteriza confederações, cujo objetivo é a formação e a des-
o valor da igualdade. coberta de talentos.

b) faz com que todos possam ser iguais e receber o e) nas modalidades esportivas adaptadas, cujo objetivo
mesmo tratamento, assegurando imparcialidade, é o maior engajamento dos cidadãos.
oportunidades e tratamentos iguais para todos, o
que caracteriza o valor da amizade.

57

03. d) As modificações incorporadas ao MMA têm por fi-
nalidade aprimorar as técnicas das diferentes artes
É possível considerar as modalidades esportivas coletivas marciais, favorecendo o desenvolvimento da moda-
dentro de uma mesma lógica, pois possuem uma estrutu- lidade enquanto defesa pessoal.
ra comum: seis princípios operacionais divididos em dois
grupos, o ataque e a defesa. Os três princípios operacio- e) As transformações do MMA visam delimitar a violên-
nais de ataque são: conservação individual e coletiva da cia das lutas, preservando a integridade dos atletas
bola, progressão da equipe com a posse da bola em di- e enquadrando a modalidade no formato do esporte
reção ao alvo adversário e finalização da jogada, visando de espetáculo.
a obtenção de ponto. Os três princípios operacionais da
defesa são: recuperação da bola, impedimento do avanço 05.
da equipe contrária com a posse da bola e proteção do
alvo para impedir a finalização da equipe adversária. O jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida
dentro de certos e determinados limites de tempo e de
DAOLIO, J. Jogos esportivos coletivos: dos princípios operacionais aos ges- espaço, segundo regras livremente consentidas, mas ab-
tos técnicos – modelo pendular a partir das ideias de Claude Bayer. Revista solutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo,
acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e
Brasileira de Ciência e Movimento, out. 2002 (adaptado). de uma consciência de ser diferente da “vida quotidiana”.

Considerando os princípios expostos no texto, o drible no HUIZINGA, J. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. São Paulo:

handebol caracteriza o princípio de Perspectiva, 2004.

a) recuperação da bola. Segundo o texto, o jogo comporta a possibilidade de
b) progressão da equipe. fruição. Do ponto de vista das práticas corporais, essa
c) finalização da jogada. fruição se estabelece por meio do(a)
d) proteção do próprio alvo.
e) impedimento do avanço adversário. a) fixação de táticas, que define a padronização para
maior alcance popular.
04.
b) competitividade, que impulsiona o interesse pelo
O boxe está perdendo cada vez mais espaço para um sucesso.
fenômeno relativamente recente do esporte, o MMA. E o
maior evento de Artes Marciais Mistas do planeta é o Ul- c) refinamento técnico, que gera resultados satisfató-
timate Fighting Championship, ou simplesmente UFC. O rios.
ringue, com oito cantos, foi desenhado para deixar os lu-
tadores com mais espaço para as lutas. Os atletas podem d) caráter lúdico, que permite experiências inusitadas.
usar as mãos e aplicar golpes de jiu-jitsu. Muitos podem e) uso tecnológico, que amplia as opções de lazer.
falar que a modalidade é uma espécie de vale-tudo, mas
isso já ficou no passado: agora, a modalidade tem regras • COMPETÊNCIA 4
e acompanhamento médico obrigatório para que o es-
porte apague o estigma negativo. - HABILIDADE 12

01.

CORREIA, D. UFC: saiba como o MMA nocauteou o boxe em oito gol-
pes. Veja, 10 jun. 2011 (fragmento)

O processo de modificação das regras do MMA retrata
a tendência de redimensionamento de algumas práticas
corporais, visando enquadrá-las em um determinado
formato.
Qual o sentido atribuído a essas transformações incorpo-
radas historicamente ao MMA?

a) A modificação das regras busca associar valores
lúdicos ao MMA, possibilitando a participação de
diferentes populações como atividade de lazer.

b) As transformações do MMA aumentam o grau de
violência das lutas, favorecendo a busca de emoções
mais fortes tanto aos competidores como ao público.

c) As mudanças de regras do MMA atendem à ne-
cessidade de tornar a modalidade menos violenta,
visando sua introdução nas academias de ginástica
na dimensão da saúde.

58

Na obra Cabeça de touro, o material descartado torna-se Utilizando chocolate derretido como matéria-prima, essa
objeto de arte por meio da obra de Vick Muniz reproduz a célebre fotografia do pro-
cesso de criação de Jackson Pollock. A originalidade des-
a) reciclagem da matéria-prima original. sa releitura reside na
b) complexidade da combinação de formas abstratas.
c) perenidade dos elementos que constituem a escul- a) apropriação parodística das técnicas e materiais
utilizados.
tura.
d) mudança da funcionalidade pela integração dos b) reflexão acerca dos sistemas de circulação da arte.
c) simplificação dos traços da composição pictórica.
objetos. d) contraposição de linguagens artísticas distintas.
e) fragmentação da imagem no uso de elementos di- e) crítica ao advento do abstracionismo.

versificados.

02. 03. TEXTO I

Fotografia de Jackson Pollock pintando em seu ateliê, realizada por TEXTO II
Hans Namuth em 1951.

CHIPP, H. Teorias da arte moderna. São Paulo: Martins Fontes,
1988.

MUNIZ, V. Action Photo (segundo Hans Namuth em Pictures in As duas imagens são produções que têm a cerâmica como
Chocolate). Impressão fotográfica. The Museum of Modern Art, matéria-prima. A obra Estrutura vertical dupla se distingue
da urna funerária marajoara ao
Nova Iorque, 1977.
a) evidenciar a simetria na disposição das peças.
NEVES, A. História da Arte 4. Vitória: Ufes – Nead, 2011.  b) materializar a técnica sem função utilitária.
c) abandonar a regularidade na composição.
d) anular possibilidades de leituras afetivas.
e) integrar o suporte em sua constituição.

59

04. - HABILIDADE 13
01.

Ao se apossarem do novo território, os europeus ignorar-
am um universo de antiga sabedoria, povoado por homens
e bens unidos por um sistema integrado. A recusa em se
inteirar dos valores culturais dos primeiros habitantes lev-
ou-os a uma descrição simplista desses grupos e à sua
sucessiva destruição.
Na verdade, não existe uma distinção entre a nossa arte e
aquela produzida por povos tecnicamente menos desen-
volvidos. As duas manifestações devem ser encaradas
como expressões diferentes dos modos de sentir e pensar
das várias sociedades, mas também como equivalentes,
por resultarem de impulsos humanos comuns.

A instalação  Dengo  transformou a sala do MAM-SP em SCATAMACHIA, M. C. M. In: AGUILAR, N. (Org.). Mostra do redes-
um ambiente singular, explorando como principal carac- cobrimento: arqueologia. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo
terística artística a
– Associação Brasil 500 anos artes visuais, 2000.

a) participação do público na interação lúdica com a De acordo com o texto, inexiste distinção entre as artes
obra.
produzidas pelos colonizadores e pelos colonizados, pois
b) distribuição de obstáculos no espaço da exposição. ambas compartilham o(a)
c) representação simbólica de objetos oníricos.

d) interpretação subjetiva da lei da gravidade a) suporte artístico.

e) valorização de técnicas de artesanato. b) nível tecnológico.

c) base antropológica.

05. d) concepção estética.

e) referencial temático.

02. TEXTO I

TOZZI, C. Colcha de retalhos. Mosaico figurativo. Estação de Metrô
Sé. Disponível em: www.arteforadomuseu.com.br. Acesso em 8 mar.

2013.

Colcha de retalhos  representa a essência do mural e
convida o público a

a) apreciar a estética do cotidiano.
b) interagir com os elementos da composição.
c) refletir sobre elementos do inconsciente do artista.
d) reconhecer a estética clássica das formas.
e) contemplar a obra por meio da movimentação física.

60

TEXTO II O gravador Oswaldo Goeldi recebeu influências de  um
movimento artístico europeu do início do século XX, que
Ao ser questionado sobre seu processo de criação de apresenta as características reveladas nos traços da obra
ready-mades, Marcei Duchamp afirmou: — Isto dependia de
do objeto; em geral, era preciso tomar cuidado com o seu
look. É muito difícil escolher um objeto porque depois de
quinze dias você começa a gostar dele ou a detestá-lo. É
preciso chegar a qualquer coisa com uma indiferença tal
que você não tenha nenhuma emoção estética. A escolha
do ready-made é sempre baseada na indiferença visual
e, ao mesmo tempo, numa ausência total de bom ou mau
gosto.

CABANNE, P Marcel Duchamp: engenheiro do tempo perdido.
São Paulo: Perspectiva, 1987 (adaptado).

Relacionando o texto e a imagem da obra, entende-se
que o artista Marcel Duchamp, ao criar os ready-mades,
inaugurou um modo de fazer arte que consiste em

a) designar ao artista de vanguarda a tarefa de ser o
artífice da arte do século XX.

b) considerar a forma dos objetos como elemento es-
sencial da obra de arte.

c) revitalizar de maneira radical o conceito clássico do
belo na arte.

d) criticar os princípios que determinam o que é uma
obra de arte.

e) atribuir aos objetos industriais o status de obra de
arte.

03.

TEXTO II

Na sua produção, Goeldi buscou refletir seu caminho  pes-
soal e político, sua melancolia e paixão sobre os intensos
aspectos mais latentes em sua obra, como: cidades, peix-
es, urubus, caveiras, abandono, solidão, drama e medo.

ZULIETTI, L. F. Goeldi: da melancolia ao inevitável. Revista de Arte,
Mídia e Política. Acesso em: 24 abr. 2017 (adaptado).

61

04. d) negociação colaborativa de sentidos entre a artista
e a pessoa com quem interage.

e) aproximação entre artista e público, o que rompe

com a elitização dessa forma de arte.

- HABILIDADE 14
01. TEXTO I

TEXTO II Também chamados impressões ou imagens fotogramáti-
cas […], os fotogramas são, numa definição genérica, im-
Speto agens realizadas sem a utilização da câmera fotográfica,
por contato direto de um objeto ou material com uma su-
Paulo César Silva, mais conhecido como Speto, é  um perfície fotossensível exposta a uma fonte  de luz. Essa
grafiteiro paulista envolvido com o  skate  e a música. técnica, que nasceu junto com a fotografia e  serviu de
O fortalecimento de sua arte ocorreu, em 1999, pela modelo a muitas discussões sobre a ontologia da imagem
oportunidade de ver de perto as referências que trazia há fotográfica, foi profundamente transformada pelos artistas
tempos, ao passar por diversas cidades do Norte do Brasil da vanguarda, nas primeiras décadas do século XX. Rep-
em uma turnê com a banda O Rappa resentou mesmo, ao lado das colagens, fotomontagens e
outros procedimentos técnicos, a  incorporação definitiva
Revista Zupi, n. 19, 2010 da fotografa à arte moderna e seu distanciamento da rep-
resentação figurativa.

COLUCCI, M. B. Impressões fotogramáticas e vanguardas: as expe-
riências de Man Ray. Studium, n. 2, 2000.

TEXTO II

O grafite do artista paulista Speto, exposto no Museu Afro
Brasil, revela elementos da cultura brasileira reconhecidos

a) na influência da expressão abstrata.
b) na representação de lendas nacionais.
c) na inspiração das composições musicais.
d) nos traços marcados pela xilogravura nordestina.
e) nos usos característicos de grafismos dos skates.

05.

Na exposição “A Artista Está Presente”, no MoMA, em No fotograma de Man Ray, o “distanciamento da  repre-
Nova Iorque, a  performer  Marina Abramovic fez uma sentação figurativa” a que se refere o Texto I manifesta-se
retrospectiva de sua carreira. No meio desta, protagonizou na
uma performance marcante. Em 2010, de 14 de março a
31 de maio, seis dias por semana, num total de 736 horas,
ela repetia a mesma postura. Sentada numa sala, recebia
os visitantes, um a um, e trocava com cada um deles um
longo olhar sem palavras. Ao redor, o público assistia a
essas cenas recorrentes.

ZANIN, L. Marina Abramovic, ou a força do olhar. Disponível em: a) ressignificação do jogo de luz e sombra, nos moldes
http://blogs.estadao.com.br. Acesso em: 4 nov. 2013. surrealistas.

O texto apresenta uma obra da artista Marina Abramovic, b) imposição do acaso sobre a técnica, como crítica à
cuja performance se alinha a tendências contemporâneas arte realista.
e se caracteriza pela
c) composição experimental, fragmentada e de contor-
a) inovação de uma proposta de arte relacional que nos difusos.
adentra um museu.
d) abstração radical, voltada para a própria linguagem
b) abordagem educacional estabelecida na relação da fotográfica.
artista com o público.
e) imitação de formas humanas, com base em diferen-
c) redistribuição do espaço do museu, que integra tes objetos.
diversas linguagens artísticas.

62

02. 04.

Fotografia: LUCAS HALLEL. Disponível em: www.fiickr.com. Acesso
em: 16 abr. 2018 (adaptado)

O grupo O Teatro Mágico apresenta composições au-
torais  que têm referências estéticas do rock, do pop e
da música  folclórica brasileira. A originalidade dos seus
shows tem relação com a ópera europeia do século XIX
a partir da

a) disposição cênica dos artistas no espaço teatral. TEXTO II
b) integração de diversas linguagens artísticas.
c) sobreposição entre música e texto literário. No verão de 1954, o artista Robert Rauschenberg (n.1925)
d) manutenção de um diálogo com o público. criou o termo combine para se referir a suas novas obras
e) adoção de um enredo como fio condutor. que possuíam aspectos tanto da pintura como da escul-
03. TEXTO I tura.
Em 1958, Cama foi selecionada para ser incluída em uma
TEXTO II exposição de jovens artistas americanos e  italianos  no
Festival dos dois Mundos em Spoleto, na Itália.  Os re-
Stephen Lund, artista canadense, morador em  Victoria, sponsáveis pelo festival, entretanto, se recusaram a expor
capital da Colúmbia Britânica (Canadá),  transformou-se a obra e a removeram para um depósito.
em fenômeno mundial produzindo obras  de arte virtuais Embora o mundo da arte debatesse a inovação de se pen-
pedalando sua bike. Seguindo rotas traçadas com o aux- durar uma cama numa parede, Rauschenberg consider-
ílio de um dispositivo de GPS, ele  calcula ter percorrido ava sua obra “um dos quadros mais acolhedores que já
mais de 10 mil quilômetros. pintei, mas sempre tive medo de que alguém quisesse se
enfiar nela”.
Disponível em: www.booooooom.com. Acesso em: 9 dez. 2017 (adap-
tado) DEMPSEY, A. Estilos, escolas e movimentos: guia enciclopédico
da arte moderna.
Os textos destacam a inovação artística proposta por Ste-
phen Lund a partir do(a) São Paulo: Cosac e Naify, 2003.

a) deslocamento das tecnologias de suas funções A obra de Rauschenberg chocou o público na época em
habituais. que foi feita, e recebeu forte influência de um movimen-
to artístico que se caracterizava pela
b) perspectiva de funcionamento do dispositivo de GPS.
c) ato de guiar sua bicicleta pelas ruas da cidade. a) dissolução das tonalidades e dos contornos, reve-
d) análise dos problemas de mobilidade urbana. lando uma produção rápida.
e) foco na promoção cultural da sua cidade.
b) exploração insólita de elementos do cotidiano, dia-
logando com os ready-mades.

c) repetição exaustiva de elementos visuais, levando
à simplificação máxima da composição.

d) incorporação das transformações tecnológicas, va-
lorizando o dinamismo da vida moderna.

e) geometrização das formas, diluindo os detalhes sem
se preocupar com a fidelidade ao real.

63

Escrita na década de 1960, a narrativa põe em evidência
05. uma dramaticidade centrada na

a) insinuação da lacuna familiar gerada pela ausência
da figura paterna.

b) associação entre a angústia da menina e a reação
intempestiva da mãe.

c) relação conflituosa entre o trabalho doméstico e a
emancipação feminina.

d) representação de estigmas sociais modulados pela
perspectiva da criança.

e) expressão de dúvidas existenciais intensificadas pela
percepção do abandono.

Em 1956, o artista Flávio de Resende Carvalho desfilou 02.
pela Avenida Paulista com o traje New Look, uma propos-
ta tropical para o guarda-roupa masculino. Suas obras A Casa de Vidro
mais conhecidas são relacionadas às performances. A im- Houve protestos.
agem permite relacionar como características dessa man- Deram uma bola a cada criança e tempo para brin-
ifestação artística o uso car.  Elas aprenderam malabarismos incríveis e algu-
mas  viajavam pelo mundo exibindo sua alegre ha-
a) da intimidade, da política e do corpo. bilidade.  (O problema é que muitos, a maioria, não
b) do público, da ironia e da dor. tinham jeito e  eram feios de noite, assustadores. Se-
c) do espaço urbano, da intimidade e do drama. ria melhor prender  essa gente – havia quem dissesse.)
d) da moda, do drama e do humor. Houve protestos.
e) do corpo, da provocação e da moda. Aumentaram o preço da carne, liberaram os preços  dos
cereais e abriram crédito a juros baixos para o agricultor.
• COMPETÊNCIA 5 O dinheiro que sobrasse, bem, digamos, ora o  dinheiro
que sobrasse!
- HABILIDADE 15 Houve protestos.
01. Diminuíram os salários (infelizmente aumentou o  núme-
ro de assaltos) porque precisamos combater a inflação e,
Menina como se sabe, quando os salários estão acima do índice
de produtividade eles se tornam altamente inflacionários,
de modo que.
Houve protestos.
Proibiram os protestos.
E no lugar dos protestos nasceu o ódio. Então surgiu a
Casa de Vidro, para acabar com aquele ódio.

A máquina de costura avançava decidida sobre o pano, ÂNGELO, I. A casa de vidro. São Paulo: Círculo do Livro, 1985.
Que bonita que a mãe era, com os alfinetes na boca.
Gostava de olhá-la calada, estudando seus gestos, en- Publicado em 1979, o texto compartilha com outras
quanto recortava retalhos de pano com a tesoura. Inter- obras da literatura brasileira escritas no período as marcas o
rompia às vezes seu trabalho, era quando a mãe pre- contexto em que foi produzido, como a
cisava da tesoura. Admirava o jeito decidido da mãe ao
cortar pano, não hesitava nunca, nem errava. A mãe sabia a) referência à censura e à opressão para alegorizar
tanto! Tita chamava-a de ( ) como quem diz ( ). Tentava a falta de liberdade de expressão característica da
não pensar as palavras, mas sabia que na mesma hora época.
da tentativa tinha-as pensado. Oh, tudo era tão difícil. A
mãe saberia o que ela queria perguntar-lhe intensamente b) valorização de situações do cotidiano para atenuar
agora quase com fome depressa depressa antes de mor- os sentimentos de revolta em relação ao governo
rer, tanto que não se conteve e — Mamãe, o que é des- instituído.
quitada? — atirou rápida com uma voz sem timbre. Tudo
ficou suspenso, se alguém gritasse o mundo acabava ou c) utilização de metáforas e ironias para expressar um
Deus aparecia — sentia Ana Lúcia. Era muito forte aquele olhar crítico em relação à situação social e política
instante, forte demais para uma menina, a mãe parada do país.
com a tesoura no ar, tudo sem solução podendo desabar
a qualquer pensamento, a máquina avançando desgo – d) tendência realista para documentar com verossimi-
vernada sobre o vestido de seda brilhante espalhando luz lhança o drama da população brasileira durante o
luz luz. Regime Militar.

ÂNGELO. I. Menina. In: A face horrível. São Paulo: Lazuli, 2017. e) sobreposição das manifestações populares pelo
discurso oficial para destacar o autoritarismo do
momento histórico.

64

03. O romance, de 1939, traz à cena tipos e situações que es-
— Não digo que seja uma mulher perdida, mas recebeu pelham o Rio de Janeiro daquela década. No fragmento, o
uma educação muito livre, saracoteia sozinha por toda narrador delineia esse contexto centrado no
a cidade e não tem podido, por conseguinte, escapar à
implacável maledicência dos fluminenses. Demais, está a) julgamento da mulher fora do espaço doméstico.
habituada ao luxo, ao luxo da rua, que é o mais caro; em b) relato sobre as condições de trabalho no Estado
casa arranjam-se ela e a tia sabe Deus como. Não é mul-
her com quem a gente se case. Depois, lembra-te que Novo.
apenas começas e não tens ainda onde cair morto. Enfim, c) destaque a grupos populares na condição de prota-
és um homem: faze o que bem te parecer.
  gonistas
Essas palavras, proferidas com uma franqueza por tantos d) processo de inclusão do palavrão nos hábitos de
motivos autorizada, calaram no ânimo do bacharel. Inti-
mamente ele estimava que o velho amigo de seu pai o linguagem.
dissuadisse de requestar a moça, não pelas consequên- e) vínculo entre as transformações urbanas e os papéis
cias morais do casamento, mas pela obrigação, que este
lhe impunha, de satisfazer uma dívida de vinte contos femininos.
de réis, quando, apesar de todos os seus esforços, não
conseguira até então pôr de parte nem o terço daquela 05.
quantia.
E fui mostrar ao ilustre hóspede [o governador do Esta-
AZEVEDO, A. A dívida. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: do] a serraria, o descaroçador e o estábulo. Expliquei em
20 ago. 2017. resumo a prensa, o dínamo, as serras e o banheiro car-
rapaticida. De repente supus que a escola poderia trazer
  a benevolência do governador para certos favores que eu
O texto, publicado no fim do século XIX, traz à tona repre- tencionava solicitar.
sentações sociais da sociedade brasileira da época.
  — Pois sim senhor. Quando V. Exª. vier aqui outra vez, encontrará essa
Em consonância com a estética realista, traços da visão gente aprendendo cartilha. RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro:
crítica do narrador manifestam-se na
Record, 1991.

O fragmento do romance de Graciliano Ramos dialoga
com o contexto da Primeira República no Brasil, ao fo-
calizar o(a)

a) caracterização pejorativa do comportamento da a) derrocada de práticas clientelistas.
mulher solteira. b) declínio do antigo atraso socioeconômico.
c) liberalismo desapartado de favores do Estado.
b) concepção irônica acerca dos valores morais ine- d) fortalecimento de políticas públicas educacionais.
rentes à vida conjugal. e) aliança entre a elite agrária e os dirigentes políticos.

c) contraposição entre a idealização do amor e as - HABILIDADE 16
imposições do trabalho.
01.
d) expressão caricatural do casamento pelo viés do 1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da
sentimentalismo burguês. energia e da temeridade.
2. A coragem, a audácia, a rebelião serão elementos
e) sobreposição da preocupação financeira em relação essenciais de nossa poesia.
ao sentimento amoroso. 3. A literatura exaltou até hoje a imobilidade pensativa,
o êxtase, o sono. Nós queremos exaltar o movimento
04. agressivo, a insônia febril, o passo de corrida, o salto
O trabalho não era penoso: colar rótulos, meter  vidros mortal, o bofetão e o soco.
em caixas, etiquetá-las, selá-las, envolvê-las em  pa- 4. Nós afirmamos que a magnificência do mundo
pel celofane, branco, verde, azul, conforme o produ- enriqueceu-se de uma beleza nova: a beleza da
to,  separá-las em dúzias… Era fastidioso. Para passar velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre
mais  rapidamente as oito horas havia o remédio: con- enfeitado com tubos grossos, semelhantes a ser-
versar.  Era proibido, mas quem ia atrás de proibições? pentes de hálito explosivo… um automóvel rugidor,
O patrão  vinha? Vinha o encarregado do serviço? Ca- que parece correr sobre a metralha, é mais bonito
lavam o  bico, aplicavam-se ao trabalho. Mal viravam as que a Vitória de Samotrácia.
costas, voltavam a taramelar. As mãos não paravam, as 5. Nós queremos entoar hinos ao homem que segura o
línguas  não paravam. Nessas conversas intermináveis, volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada
de  linguagem solta e assuntos crus, Leniza se comple- também numa corrida sobre o circuito da sua órbita.
tou. Isabela, Afonsina, Idália, Jurete, Deolinda – foram me- 6. É preciso que o poeta prodigalize com ardor, fausto
stras. O mundo acabou de se desvendar. Leniza perdeu o e munificiência, para aumentar o entusiástico fervor
tom ingênuo que ainda podia ter. Ganhou um jogar de cor- dos elementos primordiais.
po que convida, um quebrar de olhos que promete tudo,
à toa, gratuitamente. Modificou-se o timbre de sua voz. Fi- MARINETTI, F. T. Manifesto futurista. In: TELES, G. M. Vanguardas europeias e
cou mais quente. A própria inteligência se transformou. Modernismo brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1985.
Tornou-se mais aguda, mais trepidante

REBELO, M. A estrela sobe. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009.

65

O documento de Marinetti, de 1909, propõe os referenci-

ais estéticos do Futurismo, que valorizam a 04.

a) composição estática. Namorados 
b) inovação tecnológica.  
c) suspensão do tempo. O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:  
d) retomada do helenismo. — Antônia, ainda não me acostumei com o seu
e) manutenção das tradições.                                                [ corpo, com a sua cara.  
A moça olhou de lado e esperou. ,
02. — Você não sabe quando a gente é criança e de  
                                 [ repente vê uma lagarta listrada?  
Reclame A moça se lembrava:
 — A gente fica olhando...  
Se o mundo não vai bem A meninice brincou de novo nos olhos dela.  
a seus olhos, use lentes O rapaz prosseguiu com muita doçura:  
... ou transforme o mundo — Antônia, você parece uma lagarta listrada.  
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.  
ótica olho vivo O rapaz concluiu:  
agradece a preferência — Antônia, você é engraçada! Você parece louca.  
 
CHACAL et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006.
Manuel Bandeira. Poesia completa & prosa.  Rio de Janeiro: Nova
Chacal é um dos representantes da geração poética de Aguilar, 1985. 
1970. A produção literária dessa geração, considerada
marginal e engajada, de que é representativo o poema  No poema de Bandeira, importante representante da poe-
apresentado, valoriza sia modernista, destaca-se como característica da escola
literária dessa época

a) o experimentalismo em versos curtos e tom jocoso. a) a reiteração de palavras como recurso de constru-
b) a sociedade de consumo, com o uso da linguagem ção de rimas ricas.

publicitária. b) a utilização expressiva da linguagem falada em si-
c) a construção do poema, em detrimento do conteúdo. tuações do cotidiano.
d) a experimentação formal dos neossimbolistas.
e) o uso de versos curtos e uniformes quanto à métrica. c) a criativa simetria de versos para reproduzir o ritmo
do tema abordado.
03.
d) a escolha do tema do amor romântico, caracteriza-
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a im- dor do estilo literário dessa época.
agem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio e) o recurso ao diálogo, gênero discursivo típico do Re-
faz por trás de sua casa se chama enseada. alismo.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia
uma volta atrás da casa. 05.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem. Quando Deus redimiu da tirania
Da mão do Faraó endurecido
O Povo Hebreu amado, e esclarecido,
Páscoa ficou da redenção o dia.

BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 2001. Páscoa de flores, dia de alegria
Àquele Povo foi tão afligido
Manoel de Barros desenvolve uma poética singular, mar- O dia, em que por Deus foi redimido;
cada por “narrativas alegóricas”, que transparecem nas Ergo sois vós, Senhor, Deus da Bahia.
imagens construídas ao longo do texto. No poema, essa
característica aparece representada pelo uso do recurso Pois mandado pela alta Majestade
de Nos remiu de tão triste cativeiro,
Nos livrou de tão vil calamidade.
a) resgate de uma imagem da infância, com a cobra de
vidro. Quem pode ser senão um verdadeiro Deus,
que veio estirpar desta cidade
b) apropriação do universo poético pelo olhar objetivo. O Faraó do povo brasileiro.
c) transfiguração do rio em um vidro mole e cobra de
DAMASCENO, D. (Org.). Melhores poemas: Gregório de Matos. São
vidro. Paulo: Globo, 2006.
d) rejeição da imagem de vidro e de cobra no imaginário

poético.
e) recorte de elementos como a casa e o rio no sub-

consciente.

66

Com uma elaboração de linguagem e uma visão de mundo o ponto em que me entrego.
que apresentam princípios barrocos, o soneto de Gregório às vezes!…
de Matos apresenta temática expressa por
CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza, 2007 (fragmento).
a) visão cética sobre as relações sociais.
b) preocupação com a identidade brasileira. Na literatura de temática negra produzida no Brasil,  é
c) crítica velada à forma de governo vigente. recorrente a presença de elementos que traduzem  ex-
d) reflexão sobre os dogmas do cristianismo. periências históricas de preconceito e violência. No poe-
e) questionamento das práticas pagãs na Bahia. ma, essa vivência revela que o eu lírico

- HABILIDADE 17 a) incorpora seletivamente o discurso do seu opressor.

b) submete-se à discriminação como meio de fortale-

01. cimento.

Do amor à pátria c) engaja-se na denúncia do passado de opressão e

injustiças.

 São doces os caminhos que levam de volta à pátria. Não d) sofre uma perda de identidade e de noção de per-
tencimento.
à pátria amada de verdes mares bravios, a mirar em berço
esplêndido o esplendor do Cruzeiro do Sul; mas a uma e) acredita esporadicamente na utopia de uma socie-
dade igualitária.
outra mais íntima, pacífica e habitual – uma cuja terra se

comeu em criança, uma onde se foi menino ansioso por
crescer, uma onde se cresceu em sofrimentos e esper- 03.

anças plantando canções, amores e filhos ao sabor das

estações.

MORAES, V. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
1987.

O nacionalismo constitui tema recorrente na literatura BRANCO, A. Disponível em: www.oesquema.com.br. Acesso em: 30jun.
romântica e na modernista. No trecho, a representação 2015 (adaptado).
da pátria ganha contornos peculiares porque
A internet proporcionou o surgimento de novos para-
a) o amor àquilo que a pátria oferece é grandioso e digmas sociais e impulsionou a modificação de outros
eloquente. já estabelecidos nas esferas da comunicação e da infor-
mação. A principal consequência criticada na tirinha sobre
b) os elementos valorizados são intimistas e de dimen- esse processo é a
são subjetiva.
a) criação de memes.
c) o olhar sobre a pátria é ingênuo e comprometido pela b) ampliação da blogosfera.
inércia. c) supremacia das ideias cibernéticas.
d) comercialização de pontos de vista.
d) o patriotismo literário tradicional é subvertido e motivo e) banalização do comércio eletrônico.
de ironia.

e) a natureza é determinante na percepção do valor da
pátria.

02. 04.
Quebranto Contranarciso

às vezes sou o policial que me suspeito em mim
me peço documentos eu vejo o outro
e mesmo de posse deles e outro
me prendo e me dou porrada e outro
às vezes sou o porteiro enfim dezenas
não me deixando entrar em mim mesmo trens passando
a não ser vagões cheios de gente
pela porta de serviço centenas
[…] o outro
às vezes faço questão de não me ver que há em mim
e entupido com a visão deles é você
sinto-me a miséria concebida como um eterno você
começo e você
fecho-me o cerco assim como
sendo o gesto que me nego eu estou em você
a pinga que me bebo e me embebedo eu estou nele
o dedo que me aponto em nós
e denuncio e só quando

67

estamos em nós • COMPETÊNCIA 6
estamos em paz - HABILIDADE 18
mesmo que estejamos a sós

Leminsky P. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2013. 01.

A busca pela identidade constitui uma faceta da tradição Física com a boca
literária, redimensionada pelo olhar contemporâneo. No
poema, essa nova dimensão revela a Por que nossa voz fica tremida ao falar na frente do ven-
tilador?
a) ausência de traços identitários. Além de ventinho, o ventilador gera ondas sonoras. Quan-
b) angústia com a solidão em público. do você não tem mais o que fazer e fica falando na frente
c) valorização da descoberta do “eu” autêntico. dele, as ondas da voz se propagam na direção contrária
d) percepção da empatia como fator de autoconheci- às do ventilador. Davi Akkerman – presidente da Asso-
ciação Brasileira para a Qualidade Acústica –diz que isso
mento. causa o mismatch, nome bacana para o desencontro en-
e) impossibilidade de vivenciar experiências de perten- tre as ondas. “O vento também contribui para a distorção
da voz, pelo fato de ser uma vibração que influencia no
cimento. som”, diz. Assim, o ruído do ventilador e a influência do
vento na propagação das ondas contribuem para distorcer
05. sua bela voz.

A emergência da sociedade da informação está associa- Disponível em: http://super.abril.com.br. Acesso em: 30 jul. 2012 (adap-
da a um conjunto de profundas transformações ocorridas tado).
desde as últimas duas décadas do século XX. Tais mu-
danças ocorrem em dimensões distintas da vida humana Sinais de pontuação são símbolos gráficos usados para
em sociedade, as quais interagem de maneira sinérgica organizar a escrita e ajudar na compreensão da men-
e confluem para projetar a informação e o conhecimen- sagem. No texto, o sentido não é alterado em caso de
to como elementos estratégicos, dos pontos de vista substituição dos travessões por
econômico-produtivo, político e sociocultural.
A sociedade da informação caracteriza-se pela crescente a) aspas, para colocar em destaque a informação se-
utilização de técnicas de transmissão, armazenamento de guinte.
dados e informações a baixo custo, acompanhadas por in-
ovações organizacionais, sociais e legais. Ainda que tenha b) vírgulas, para acrescentar uma caracterização de
surgido motivada por um conjunto de transformações na Davi Akkerman.
base técnico-científica, ela se investe de um significado
bem mais abrangente. c) reticências, para deixar subentendida a formação do
especialista.
LEGEY, L.-R.; ALBAGLI, S. Disponível em: www.dgz.org.br. Acesso em:
4 dez. 2012 (adaptado). d) dois-pontos, para acrescentar uma informação intro-
duzida anteriormente.
O mundo contemporâneo tem sido caracterizado pela
crescente utilização das novas tecnologias e pelo acesso e) ponto e vírgula, para enumerar informações funda-
à informação cada vez mais facilitado. mentais para o desenvolvimento temático.
De acordo com o texto, a sociedade da informação cor-
responde a uma mudança na organização social porque 02.
L.J.C.
a) representa uma alternativa para a melhoria da qua-
lidade de vida. – 5 tiros?
– É.
b) associa informações obtidas instantaneamente por – Brincando de pegador?
todos e em qualquer parte do mundo. – É. O PM pensou que…
– Hoje?
c) propõe uma comunicação mais rápida e barata, – Cedinho.
contribuindo para a intensificação do comércio.
COELHO, M. In: FREIRE, M. (Org.). Os cem menores contos brasileiros
d) propicia a interação entre as pessoas por meio de do século. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004.
redes sociais.
Os sinais de pontuação são elementos com importantes
e) representa um modelo em que a informação é utili- funções para a progressão temática. Nesse miniconto, as
zada intensamente nos vários setores da vida. reticências foram utilizadas para indicar

a) uma fala hesitante.
b) uma informação implícita.
c) uma situação incoerente.
d) a eliminação de uma ideia.
e) a interrupção de uma ação.

68

03. 05.
  Quem procura a essência de um conto no espaço que
fica entre a obra e seu autor comete um erro: é muito mel- Prima Julieta Prima Julieta irradiava um fascínio singular.
hor procurar não no terreno que fica entre o escritor e sua Era a feminilidade em pessoa. Quando a conheci, sendo
obra, mas justamente no terreno que fica entre o texto e ainda garoto e já sensibilíssimo ao charme feminino, teria
seu leitor. ela uns trinta ou trinta e dois anos de idade. Apenas pelo
seu andar percebia-se que era uma deusa, diz Virgílio de
OZ, A. De amor e trevas. São Paulo: Cia. das Letras, 2005 (fragmento). outra mulher. Prima Julieta caminhava em ritmo lento, ag-
itando a cabeça para trás, remando os belos braços bran-
A progressão temática de um texto pode ser estruturada cos. A cabeleira loura incluía reflexos metálicos. Ancas po-
por meio de diferentes recursos coesivos, entre os quais derosas. Os olhos de um verde azulado borboleteavam. A
se destaca a pontuação. Nesse texto, o emprego dos voz rouca e ácida, em dois planos: voz de pessoa da alta
dois  pontos caracteriza uma operação textual realizada sociedade.
com a finalidade de
MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968.
a) comparar elementos opostos.
b) relacionar informações gradativas. Entre os elementos constitutivos dos gêneros, está o modo
c) intensificar um problema conceitual. como se organiza a própria composição textual, tendo-se
d) introduzir um argumento esclarecedor. em vista o objetivo de seu autor: narrar, descrever, argu-
e) assinalar uma consequência hipotética. mentar, explicar, instruir. No trecho, reconhece-se uma
sequência textual
04.
a) explicativa, em que se expõem informações objetivas
As alegres meninas que passam na rua, com suas pas- referentes à prima Julieta.
tas escolares, às vezes com seus namorados. As alegres
meninas que estão sempre rindo, comentando o besouro b) instrucional, em que se ensina o comportamento
que entrou na classe e pousou no vestido da professo- feminino, inspirado em prima Julieta.
ra; essas meninas; essas coisas sem importância. O uni-
forme as despersonaliza, mas o riso de cada uma as difer- c) narrativa, em que se contam fatos que, no decorrer
encia. Riem alto, riem musical, riem desafinado, riem sem do tempo, envolvem prima Julieta.
motivo; riem. Hoje de manhã estavam sérias, era como se
nunca mais voltassem a rir e falar coisas sem importância. d) descritiva, em que se constrói a imagem de prima
Faltava uma delas. O jornal dera notícia do crime. O cor- Julieta a partir do que os sentidos do enunciador
po da menina encontrado naquelas condições, em lugar captam.
ermo. A selvageria de um tempo que não deixa mais rir.
As alegres meninas, agora sérias, tornaram-se adultas de e) argumentativa, em que se defende a opinião do
uma hora para outra; essas mulheres. enunciador sobre prima Julieta, buscando-se a
adesão do leitor a essas ideias.
ANDRADE, C. D. Essas meninas. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1985. - HABILIDADE 19

No texto, há recorrência do emprego do artigo “as” e do 01.
pronome “essas”. No último parágrafo, esse recurso lin-
guístico contribui para O Instituto de Arte de Chicago disponibilizou para visu-
alização on-line, compartilhamento ou download (sob li-
a) intensificar a ideia do súbito amadurecimento. cença  Creative Commons), 44 mil imagens de obras de
b) indicar a falta de identidade típica da adolescência. arte em altíssíma resolução, além de livros, estudos e
c) organizar a sequência temporal dos fatos narrados. pesquisas sobre a história da arte.
d) complementar a descrição do acontecimento trágico. Para o historiador da arte, Bendor Grosvenor, o sucesso
e) expressar a banalidade dos assuntos tratados na das coleções on-line de acesso aberto, além de democra-
tizar a arte, vem ajudando a formar um novo público mu-
escola. seológico. Grosvenor acredita que quanto mais pessoas
forem expostas à arte on-line, mais visitas pessoais acon-
tecerão aos museus.
A coleção está disponível em seis categorias: paisagens
urbanas, impressionismo, essenciais, arte africana, moda
e animais. Também é possível pesquisar pelo nome da
obra, estilo, autor ou período. Para navegar pela imagem
em alta definição, basta clicar sobre ela e utilizar a ferra-
menta de zoom. Para fazer o download, disponível para
obras de domínio público, é preciso utilizar a seta localiza-
da do lado inferior direito da imagem.

Disponível em: www.revistabula.com. Acesso em: 5 dez. 2018 (adaptado).

69

 A função da linguagem que predomina nesse texto se car- no cotidiano. Frente a essa  discussão, sugere-se que o
acteriza por trabalho antirracismo, feito nos diversos espaços sociais,
considere o uso de estratégias para uma “descolonização
a) evidenciar a subjetividade da reportagem com base estética”  que empodere os sujeitos negros por meio de
na fala do historiador de arte. sua valorização estética e protagonismo na construção de
uma ética da diversidade.
b) convencer o leitor a fazer o acesso on-line, levando-o
a conhecer as obras de arte. Palavras-chave: Estética, racismo, mídia, educação, diversidade.
SANT’ANA, J. A imagem da negra e do negro em produtos de beleza e a
c) informar sobre o acesso às imagens por meio da estética do racismo. Dossiê: trabalho e educação básica. Margens Interdis-
descrição do modo como acessá-las.
ciplinar. Versão digital. Abaetetuba, n.16,jun. 2017 (adaptado).
d) estabelecer interlocução com o leitor, orientando-o
a fazer o download das obras de arte. O cumprimento da função referencial da linguagem é uma
marca característica do gênero resumo de artigo acadêm-
e) enaltecer a arte, buscando popularizá-la por meio ico. Na estrutura desse texto, essa função é estabelecida
da possibilidade de visualização on-line. pela

02. a) impessoalidade, na organização da objetividade das
informações, como em “Este artigo tem por finalida-
“Escrever não é uma questão apenas de satisfação de” e “Evidencia-se”.
pessoal”, disse o filósofo e educadorpernambuca-
no Paulo Freire, na abertura de suas Cartas a Cristi- b) seleção lexical, no desenvolvimento sequencial do
na, revelando a importância do hábito ritualizado da texto, como em “imaginário racista” e “estética do
escrita para o desenvolvimento de suas ideias, para a con- negro”.
cretização de sua missão e disseminação de seus pontos de
vista. Freire destaca especial importância à escrita pelo c) metaforização, relativa à construção dos sentidos
desejo de “convencer outras pessoas”, de transmitir seu figurados, como nas expressões “descolonização
pensamentos e de engajar aqueles que o leem na real- estética” e “discurso midiático-publicitário”.
ização de seus sonhos.
d) nominalização, produzida por meio de processos
KNAPP, L. Linha fina. Comunicação Empresarial, n. 88, out. 201 derivacionais na formação de palavras, como “infe-
riorização” e “desvalorização”.
Segundo o fragmento, para Paulo Freire, os textos devem
exercer, em alguma medida, a função conativa, porque a e) adjetivação, organizada para criar uma terminologia
atividade de escrita, notadamente, possibilita antirracista, como em “ética da diversidade” e “des-
colonização estética”.

04.

a) levar o leitor a realizar ações. Há o hipotrélico. O termo é novo, de impensada origem e
b) expressar sentimentos do autor. ainda sem definição que lhe apanhe em todas as pétalas
c) despertar a atenção do leitor. o significado. Sabe-se, só, que vem do bom português.
d) falar da própria linguagem. Para a prática, tome-se hipotrélico querendo dizer: an-
e) repassar informações. tipodático, sengraçante imprizido; ou talvez, vicedito: in-
divíduo pedante, importuno agudo, falta de respeito para
03. com a opinião alheia. Sob mais que, tratando-se de pa-
lavra inventada, e, como adiante se verá, embirrando o
A imagem da negra e do negro em produtos de hipotrélico em não tolerar neologismos, começa ele por se
beleza e a estética do racismo negar nominalmente a própria existência.

Resumo:  Este artigo tem por finalidade discutir ROSA, G. Tutameia: terceiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001
a  representação da população negra, especialmente  da (fragmento).
mulher negra, em imagens de produtos de  beleza
presentes em comércios do nordeste goiano.  Evidencia- Nesse trecho de uma obra de Guimarães Rosa,
se que a presença de estereótipos  negativos nessas depreende-se a predominância de uma das funções da
imagens dissemina um imaginário  racista apresentado linguagem, identificada como
sob a forma de uma estética  racista que camufla a
exclusão e normaliza a  inferiorização sofrida pelos(as) a) metalinguística, pois o trecho tem como propósito
negros(as) na sociedade brasileira. A análise do material essencial usar a língua portuguesa para explicar a
imagético  aponta a desvalorização estética do negro, própria língua, por isso a utilização de vários sinô-
especialmente da mulher negra, e a idealização da  be- nimos e definições.
leza e do branqueamento a serem alcançados por  meio
do uso dos produtos apresentados. O discurso  midiáti- b) referencial, pois o trecho tem como principal objetivo
co-publicitário dos produtos de beleza rememora e legit- discorrer sobre um fato que não diz respeito ao es-
ima a prática de uma ética racista  construída e atuante critor ou ao leitor, por isso o predomínio da terceira
pessoa.

c) fática, pois o trecho apresenta clara tentativa de
estabelecimento de conexão com o leitor, por isso
o emprego dos termos “sabe-se lá” e “tome-se hipo-
trélico”.

70

d) poética, pois o trecho trata da criação de palavras A identidade de uma nação está diretamente ligada à cul-
novas, necessária para textos em prosa, por isso o tura de seu povo. O texto mostra que, no período colonial
emprego de “hipotrélico”. brasileiro, o Português, o Índio e o Negro formaram a base
da população e que o patrimônio linguístico brasileiro é
e) expressiva, pois o trecho tem como meta mostrar a resultado da
subjetividade do autor, por isso o uso do advérbio
de dúvida “talvez”. a) contribuição dos índios na escolarização dos brasi-
leiros.
05.
b) diferença entre as línguas dos colonizadores e as
Ave a raiva desta noite dos indígenas.
A baita lasca fúria abrupta
Louca besta vaca solta c) importância do padre Antônio Vieira para a literatura
Ruiva luz que contra o dia de língua portuguesa.
Tanto e tarde madrugada
d) origem das diferenças entre a língua portuguesa e
LEMINSKI, P. Distraídos venceremos. São Paulo: Brasiliense, 2002 (fragmen- as línguas tupi.
to).
e) interação pacífica no uso da língua portuguesa e da
No texto de Leminski, a linguagem produz efeitos sonoros língua tupi.
e jogos de imagens. Esses jogos caracterizam a função
poética da linguagem, pois 02.

Riqueza ameaçada

a) objetivam convencer o leitor a praticar uma determi- Boa parte dos 180 idiomas sobreviventes está ameaçada
nada ação. de extinção – mais da metade (110) é falada por menos de
de 500 pessoas. No passado, era comum pessoas serem
b) transmitem informações, visando levar o leitor a amarradas em árvores quando se expressavam em suas
adotar um determinado comportamento. línguas, lembra o cacique Felisberto Kokama, um anal-
fabeto para os nossos padrões e um guardião da pureza
c) visam provocar ruídos para chamar a atenção do de seu idioma (caracterizado por uma diferença marcante
leitor. entre a fala masculina e a feminina), lá no Amazonas,
no Alto Solimões. Outro Kokama, o professor Leonel, da
d) apresentam uma discussão sobre a própria lingua- região de Santo Antônio do Içá (AM), mostra o problema
gem, explicando o sentido das palavras. atual: “Nosso povo se rendeu às pessoas brancas pelas
dificuldades de sobrevivência. O contato com a língua por-
e) representam um uso artístico da linguagem, com o tuguesa foi exterminando e dificultando a prática da nossa
objetivo de provocar prazer estético no leitor. língua. Há poucos falantes, e com vergonha de falar. A
língua é muito preconceituada entre nós mesmos”.
- HABILIDADE 20

01.

Quando os portugueses se instalaram no Brasil, o país Revista Língua Portuguesa. São Paulo: Segmento, nº 26 , 2007
era povoado de índios. Importaram, depois, da África,
grande número de escravos. O Português, o Índio e o Ne- O desaparecimento gradual ou abrupto de partes impor-
gro constituem, durante o período colonial, as três bases tantes do patrimônio linguístico e cultural do país possui
da população brasileira. Mas no que se refere à cultura, causas variadas. Segundo o professor Leonel, da região
a contribuição do Português foi de longe a mais notada. de Santo Antônio do Içá (AM), os idiomas indígenas so-
Durante muito tempo o português e o tupi viveram lado a breviventes estão ameaçados de extinção devido ao
lado como línguas de comunicação. Era o tupi que utiliza-
vam os bandeirantes nas suas expedições. Em 1694, dizia a) medo que as pessoas tinham de serem castigadas
o Padre Antônio Vieira que “as famílias dos portugueses por falarem a sua língua.
e índios em São Paulo estão tão ligadas hoje umas com
as outras, que as mulheres e os filhos se criam mística e b) número reduzido de índios que continuam falando
domesticamente, e a língua que nas ditas famílias se fala entre si nas suas reservas.
é a dos Índios, e a portuguesa a vão os meninos aprender
à escola.” c) contato com falantes de outras línguas e a imposição
de um outro idioma.
TEYSSIER, P. História da língua portuguesa. Lisboa: Livraria Sá da Costa,
1984 (adaptado). d) desaparecimento das reservas indígenas em decor-
rência da influência do branco.

e) descaso dos governantes em preservar esse patri-
mônio cultural brasileiro

71

Reflexiones sobre la xenofobia en Europa TEXTO II

La xenofobia es una lacra que se resiste como el peor de Na reflexão gramatical dos séculos XVI e XVII, a influên-
los cánceres a lo largo de las últimas décadas, al punto cia árabe aparece pontualmente, e se reveste sobretudo
que el escritor portugués José Saramago se llegó a pre- de item bélico fundamental na atribuição de rudeza aos
guntar: “¿Cómo ha sido posible encontrarnos con esta idiomas português e castelhano por seus respectivos de-
plaga de vuelta, después de haberla creído extinta para tratores. Parecer com o árabe, assim, é uma acusação de
siempre, en dessemelhança com o latim.

03. SOUZA, M. P. Linguística histórica. Campinas: Unicamp, 2006.
A porca e os sete leitões
Relacionando-se as ideias dos textos a respeito da história
      É um mito que está desaparecendo, pouca gente e memória das línguas, quanto à formação da língua por-
o conhece. É provável que a geração infantil atual o de- tuguesa, constata-se que
sconheça. (Em nossa infância em Botucatu, ouvimos falar
que aparecia atrás da igreja de São Benedito no largo do a) a presença de elementos de outras línguas no por-
Rosário.) Aparece atrás das igrejas antigas. Não faz mal tuguês foi historicamente avaliada como um índice
a ninguém, pode-se correr para apanhá-la com seus ba- de riqueza.
corinhos que não se conseguirá. Desaparecem do lugar
costumeiro da aparição, a qual só se dá à noite, depois de b) o estudioso da língua pode identificar com precisão
terem “cumprido a sina”. os elementos deixados por outras línguas na trans-
        Em São Luís do Paraitinga, informaram que se a formação da língua portuguesa.
gente atirar contra a porca, o tiro não acerta. Ninguém
é dono dela e por muitos anos apareceu atrás da igreja c) o português é o resultado da influência de outras
de Nossa Senhora das Mercês, na cidade onde nasceu línguas no passado e carrega marcas delas em suas
Oswaldo Cruz. múltiplas camadas.

ARAÚJO, A. M. Folclore nacional I: festas, bailados, mitos e lendas. d) o árabe e o latim estão na formação escolar e na
São Paulo: Martins Fontes, 2004. memória dos falantes brasileiros.

Os mitos são importantes para a cultura porque, entre out- e) a influência de outras línguas no português ocorreu
ras funções, auxiliam na composição do imaginário de um de maneira uniforme ao longo da história.
povo por meio da linguagem. Esse texto contribui com o
patrimônio cultural brasileiro porque 05.

“Acuenda o Pajubá”: conheça o “dialeto secreto”
utilizado por gays e travestis

a) preserva uma história da tradição oral. Com origem no iorubá, linguagem foi adotada por
b) confirma a veracidade dos fatos narrados. travestis e ganhou a comunidade
c) indentifica a origem de uma história popular.
d) apresenta as diferentes visões sobre a aparição. “Nhaí, amapô! Não faça a loka e pague meu acué, deixe
e) reforça a necessidade de registro das narrativas de equê se não eu puxo teu picumã!” Entendeu as pala-
vras dessa frase? Se sim, é porque você manja alguma
folclóricas. coisa de pajubá, o “dialeto secreto” dos gays e travestis.
Adepto do uso das expressões, mesmo nos ambi-
04. TEXTO I entes mais formais, um advogado afirma: “É claro que eu
não  vou falar durante uma audiência ou numa reunião,
Estratos mas na firma, com meus colegas de trabalho, eu falo de
‘acué’ o tempo inteiro”, brinca. “A gente tem que ter cuida-
Na passagem de uma língua para outra, algo sempre per- do de falar outras palavras porque hoje o pessoal já en-
manece, mesmo que não haja ninguém para se lembrar tende, né? Tá na internet, tem até dicionário…”,  comenta.
desse algo. Pois um idioma retém em si mais memórias O dicionário a que ele se refere é o Aurélia, a dicionária da
que os seus falantes e, como uma chapa mineral marcada Ungua afíada, lançado no ano de 2006 e escrito pelo jornal-
por camadas de uma história mais antiga do que aquela ista Angelo Vip e por Fred Libi. Na obra, há mais de 1 300
dos seres viventes, inevitavelmente carrega em si a im- verbetes revelando o significado das palavras do pajubá.
pressão das eras pelas quais passou. Se as “línguas são Não se sabe ao certo quando essa linguagem surgiu, mas
arquivos da história”, elas carecem de livros de registro e sabe-se que há  claramente uma relação entre o pajubá e
catálagos. Aquilo que contêm pode apenas ser consultado a cultura africana, numa costura iniciada ainda na época
em parte, fornecendo ao pesquisador menos os elemen- do Brasil colonial.
tos de uma biografia do que um estudo geológico de uma
sedimentação realizada em um período sem começo ou Disponível em: www.midiamax.com.br. Acesso em: 4 abr. 2017 (adaptado)
sem fim definido.

HELLER-ROAZEN, D. Ecolalias: sobre o esquecimento das línguas. Campi-
nas: Unicamp, 2010.

72

Da perspectiva do usuário, o pajubá ganha  sta- c) restrição a um grupo específico de vítimas ao apre-
tus  de  dialeto, caracterizando-se como elemento de
sentar marcas gráficas de identificação de gênero
patrimônio linguístico, especialmente por
como “o(a)”.

a) ter mais de mil palavras conhecidas. d) combinação do significado de palavras escritas em

b) ter palavras diferentes de uma linguagem secreta. línguas inglesa e portuguesa.

c) ser consolidado por objetos formais de registro. e) enunciado de cunho esperançoso “passe à história”

d) ser utilizado por advogados em situações formais. no título do cartaz.

e) ser comum em conversas no ambiente de trabalho.

03.

• COMPETÊNCIA 7

- HABILIDADE 21

01.

A imagem da caneta de tinta vermelha, associada às  
frases do cartaz, é utilizada na campanha para mostrar ao
possível doador que Disponível em: www.separeolixo.gov.br. Acesso em: 4 dez. 2017 (adaptado).

a) a doação de sangue faz bem à saúde. Nessa campanha, a principal estratégia para convencer o
b) a linha da vida é fina como o traço de caneta.  leitor a fazer a reciclagem do lixo é a utilização da  lin-
c) a atitude de doar sangue é muito importante.  guagem não verbal como argumento para
d) a caneta vermelha representa a atitude do doador.
e) a reserva do banco de sangue está chegando ao fim. a) reaproveitamento de material.
b) facilidade na separação do lixo.
02. c) melhoria da condição do catador.
d) preservação de recursos naturais.
e) geração de renda para o trabalhador.

04.

Essa campanha se destaca pela maneira como utiliza a
linguagem para conscientizar a sociedade da necessi-
dade de se acabar com o bullying. Tal estratégia está cen-
trada no(a)

a) chamamento de diferentes atores sociais pelo uso
recorrente de estruturas injuntivas.

b) variedade linguística caracterizadora do português
europeu.

73

Campanhas publicitárias podem evidenciar problemas so- - HABILIDADE 22
ciais. O Cartaz tem como finalidade
01.
a) alertar os homens agressores sobre as consequên-
cias de seus atos, PROPAGANDA – O exame dos textos e mensagens  de
Propaganda revela que ele apresenta posições parciais,
b) Conscientizar a população sobre a necessidade que refletem apenas o pensamento de uma minoria, como
de denunciar a violência doméstica. se exprimissem, em vez disso a convicção de uma popu-
lação; trata-se, no fundo, de convencer o ouvinte ou leitor
c) instruir as mulheres sobre o que fazer em casos de que, em termos de opinião, está fora do caminho certo,
de agressão. e de induzi-lo a aderir às teses que lhes são apresentadas,
por um mecanismo bem conhecido da psicologia social, o
d) despertar nas crianças a capacidade de reconhecer do conformismo induzido por pressões do grupo sobre o
atos de violência doméstica. indivíduo isolado.

e) exigir das autoridades ações preventivas contra a BOBBIP, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. Brasí-
Violência doméstica. lia: UnB, 1998 (adaptado).

05.

De acordo com o texto, as estratégias argumentativas e o
uso da linguagem na produção da propaganda favorecem
a

a) reflexão da sociedade sobre os produtos anunciados.
b) difusão do pensamento e das preferências das gran-

des massas.
c) imposição das ideias e posições de grupos especí-

ficos.
d) decisão consciente do consumidor a respeito de

sua compra.
e) identificação dos interesses do responsável pelo

produto divulgado.

02. TEXTO I

Disponível em: www.greenpeace.org. Acesso em: 20 maio 2013. A introdução de transgênicos na natureza expõe nossa
biodiversidade a sérios riscos, como a perda ou alteração
Nessa campanha publicitária, para estimular a economia do patrimônio genético de nossas plantas e sementes e o
de água, o leitor é incitado a aumento dramático no uso de agrotóxicos. Além disso, ela
torna a agricultura e os agricultores reféns de poucas em-
a) adotar práticas de consumo consciente. presas que detêm a tecnologia e põe em risco a saúde de
b) alterar hábitos de higienização pessoal e residencial. agricultores e consumidores. O Greenpeace defende um
c) contrapor-se a formas indiretas de exportação de modelo de agricultura baseado na biodiversidade agrícola
e que não se utilize de produtos tóxicos, por entender que
água. só assim teremos agricultura para sempre.
d) optar por vestuário produzido com matéria-prima
TEXTO II
reciclável.
e) conscientizar produtores rurais sobre os custos de Os alimentos geneticamente modificados disponíveis no
mercado internacional não representam um risco à saúde
produção. maior do que o apresentado por alimentos obtidos através
de técnicas tradicionais de cruzamento agrícola.

Essa é a posição de entidades como a Organização Mundial da Saú-
de (OMS), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e para
Agricultura (FAO), o Comissariado Europeu para Pesquisa, Inovação e
Ciência e várias das principais academias de ciência do mundo.

A OMS diz que até hoje não foi encontrado nenhum caso
de efeito sobre a saúde, resultante do consumo de alimen-
to geneticamente modificado (GM) “entre a população dos
países em que eles foram aprovados”.

Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 20 maio 2013.

74

Os textos tratam de uma temática bastante discutida na 04.
atualidade. No que se refere às posições defendidas, os A ciência do Homem-Aranha
dois textos
    Muitos dos superpoderes do querido Homem-Aranha
a) revelam preocupações quanto ao cultivo de alimen- de fato se assemelham às habilidades biológicas das ara-
tos geneticamente modificados.  nhas e são objeto de estudo para produção de novos ma-
teriais.
b) destacam os riscos à saúde causados por alimentos     O “sentido-aranha” adquirido por Peter Parker funciona
geneticamente modificados.  quase como um sexto sentido, uma espécie de habilidade
premonitória e, por isso, soa como um mero elemento fic-
c) divergem sobre a segurança do consumo de alimen- cional. No entanto, as aranhas realmente têm um senti-
tos geneticamente modificados.  do mais aguçado. Na verdade, elas têm um dos sistemas
sensoriais mais impressionais da natureza.
d) alertam para a necessidade de mais estudos sobre     Os pelos sensoriais das aranhas, que estão espalhados
sementes modificadas geneticamente.  por todo o corpo, funcionam como uma forma muito boa
de perceber o mundo e captar informações do ambiente.
e) discordam quanto à validade de pesquisas sobre a Em muitas espécies, esse tato por meio dos pelos tem
produção de alimentos geneticamente modificados. papel mais importante que a própria visão, uma vez que
muitas aranhas conseguem prender e atacar suas presas
03. na completa escuridão. E por que os pelos humanos não
Slow Food são tão eficientes como órgãos sensoriais como os das
aranhas? Primeiro, porque um ser humano tem em média
A favor da alimentação com prazer e da responsabilidade 60 fios de pelo em cada cm2 do corpo, enquanto algumas
socioambiental, o slow food é um movimento que vai con- espécies de aranha podem chegar a ter 40 mil pelos por
tra o ritmo acelerado de vida da maioria das pessoas hoje: cm2, segundo, porque cada pelo das aranhas possui até 3
o ritmo fast-food, que valoriza a rapidez e não a qualidade. nervos para fazer a comunicação entre a sensação perce-
Traduzido na alimentação, o fast-food está nos produtos bida e o cérebro, enquanto nós, seres humanos, temos
artificiais, que, apesar de práticos, são péssimos à saúde: apenas 1 nervo por pelo.
muito processados e muito distantes da sua natureza —
como os lanches cheios de gorduras, os salgadinhos e Disponível em: http://cienciahoje.org.br. Acesso em; 11 dez. 2018.
biscoitos convencionais etc. etc. (adaptado).
    Agora, vamos deixar de lado o fast e entender melhor o
slow food. Segundo esse movimento, o alimento deve ser: Como estratégia de progressão do texto, o autor simula
uma interlocução com o público leitor ao recorrer à
• bom: tão gostoso que merece ser saboreado com
calma, fazendo de cada refeição uma pausa especial a) revelação do “sentido-aranha” adquirido pelo super-
do dia; -herói como um sexto sentido.

• limpo: bom à saúde do consumidor e dos produtores, b) caracterização do afeto do público pelo super-herói
sem prejudicar o meio ambiente nem os animais; marcado pela palavra “querido”.

• justo: produzido com transparência e honestidade c) comparação entre os poderes do super-herói e as
social e, de preferência, de produtores locais. habilidades biológicas das aranhas.

Deu pra ver que o slow food traz muita coisa interessante d) pergunta retórica na introdução das causas da efici-
para o nosso dia a dia. Ele resgata valores tão impor- ência do sistema sensorial das aranhas.
tantes, mas que muitas vezes passam despercebidos.
Não é à toa que ele já está contagiando o mundo todo, e) comprovação das diferenças entre a constituição
inclusive o nosso país. física do homem e da aranha por meio de dados
numéricos.
Disponível em: www.maeterra.com.br. Acesso em: 5 ago. 2017.
05. TEXTO I
Algumas palavras funcionam como marcadores textuais,
atuando na organização dos textos e fazendoos progredir. Terezinha de Jesus
No segundo parágrafo desse texto, o marcador “agora” De uma queda foi ao chão
Acudiu três cavalheiros
a) define o momento em que se realiza o fato descrito Todos os três de chapéu na mão
na frase. 
O primeiro foi seu pai
b) sinaliza a mudança de foco no tema que se vinha O segundo, seu irmão
discutindo. O terceiro foi aquele
A quem Tereza deu a mão
c) promove uma comparação que se dá entre dois
elementos do texto.

d) indica uma oposição que se verifica entre o trecho
anterior e o seguinte.

e) delimita o resultado de uma ação que foi apresentada
no trecho anterior.

ATISTA, M. F. B. M.; SANTOS, I. M. F. (Org.). Cancioneiro da Paraíba. João
Pessoa: Grafset, 1993 (adaptado).

75

TEXTO II 02.
O craque crespo
Outra interpretação é feita a partir das condições sociais
daquele tempo. Para a ama e para a criança para quem Desde que Neymar despontou no futebol, uma de suas
cantava a cantiga, a música falava do casamento como marcas registradas é o cabelo. Sempre com um visual
um destino natural na vida da mulher, na sociedade bra- novo a cada campeonato. Mas nesses anos de carreira
sileira do século XIX, marcada pelo patriarcalismo. A músi- ainda faltava o ídolo fazer uma aparição nos gramados
ca prepara a moça para o seu destino não apenas inex- com seu cabelo crespo natural, que ele assumiu recente-
orável, mas desejável: o casamento, estabelecendo uma mente para a alegria e a autoestima dos meninos cachea-
hierarquia de obediência (pai, irmão mais velho, marido), dos que sonham ser craques um dia.
de acordo com a época e circunstâncias de sua vida. É difícil assumir os cachos e abandonar a ditadura do
alisamento em um mundo onde o cabelo liso é tido como
Disponível em: http://provsjose.blogspot.com.br. Acesso em: 5 dez. 2012. o padrão de beleza ideal. Quando conseguimos fazer a
transição capilar, esse gesto nos aproxima da nossa real
  identidade e nos empodera. Falo por experiência própria.
O comentário do texto II sobre o texto I evoca a  mo- Passei 30 anos usando cabelos lisos e já nem me lembra-
bilização da língua oral que, em determinados va de como eram meus fios naturais. Recuperar a textura
contextos, crespa, para além do cuidado estético, foi um ato político,
de aceitação, de autorreconhecimento e de redescoberta
a) assegura a existência de pensamentos contrários à da minha negritude.
ordem vigente. O discurso dos fios naturais tem ganhado uma repre-
sentação cada vez mais positiva, valorizando a volta dos
b) mantém a heterogeneidade das formas de relações cachos sem cair no estereótipo do “exótico”, muito comum
sociais. no Brasil. O cabelo crespo, definitivamente, não é uma
moda passageira. Torço que para Neymar também não
c) conserva a influência religiosa sobre certas culturas. seja.
d) preserva a diversidade cultural e comportamental.     Alexandra Loras é ex-consulesa da França em São
e) reforça comportamentos e padrões culturais. Paulo, empresária, consultora de empresas e autora de
livros.
- HABILIDADE 23
LORAS, A. O craque crespo. Disponível em: http://diplomatique.org.br.
01. Acesso em: 1 set. 2017.

É através da linguagem que uma sociedade se comunica Considerando os procedimentos argumentativos pre-
e retrata o conhecimento e entendimento de si própria e sentes nesse texto, infere-se que o objetivo da autora é 
do mundo que a cerca. É na linguagem que se refletem
a identificação e a diferenciação de cada comunidade e a) valorizar a atitude do jogador ao aderir à moda dos
também a inserção do indivíduo em diferentes agrupa- cabelos crespos.
mentos, estratos sociais, faixas etárias, gêneros, graus de
escolaridade. A fala tem, assim, um caráter emblemático, b) problematizar percepções identitárias sobre padrões
que indica se o falante é brasileiro ou português, francês de beleza.
ou italiano, alemão ou holandês, americano ou inglês, e,
mais ainda, sendo brasileiro, se é nordestino, sulista ou c) apresentar as novas tendências da moda para os
carioca. A linguagem também oferece pistas que permitem cabelos.
dizer se o locutor é homem ou mulher, se é jovem ou ido-
so, se tem curso primário, universitário ou se é iletrado. E, d) relatar sua experiência de redescoberta de suas
por ser um parâmetro que permite classificar o indivíduo origens.
de acordo com sua nacionalidade e naturalidade, sua
condição econômica ou social e seu grau de instrução, e) evidenciar a influência dos ídolos sobre as crianças.
é frequentemente usado para discriminar e estigmatizar
o falante. 03.

LEITE, Y.; CALLOU, D. Como falam os brasileiros. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar, 2002.

 
Nesse texto acadêmico, as autoras fazem uso da lin-
guagem formal para

a) estabelecer proximidade com o leitor.
b) atingir pessoas de vários níveis sociais
c) atender às características do público leitor.
d) caracterizar os diferentes falares brasileiros.
e) atrair leitores de outras áreas do conhecimento.

76

As informações presentes na campanha contra o bullying Nos versos de um menino de 12 anos, o emprego da pa-
evidenciam a intenção de  lavra “Gerimum”grafada com a letra “g” tem por objetivo

a) destacar as diferentes ofensas que ocorrem no am- a) Valorizar usos informais caracterizadores da norma
biente escolar. nacional.

b) elencar os malefícios causados pelo bullying na vida b) confirmar o uso da norma-padrão em contexto da
de uma criança. linguagem poética.

c) provocar uma reflexão sobre a violência física que c) enfatizar um processo recorrente na transformação
acontece nas escolas. da língua portuguesa.

d) denunciar a pouca atenção dada a crianças que d) registrar a diversidade étnica e linguística presente
sofrem bullying nas escolas. no território brasileiro.

e) alertar sobre a relação existente entre o bullying e e) reafirmar discursivamente a forte relação do falante
determinadas brincadeiras. com seu lugar de origem.

04. - HABILIDADE 24

Mais big do que bang 01. Qual a diferença entre freios ventilados, perfura-
dos e sólidos?
A comunidade científica mundial recebeu, na semana pas-
sada,aconfirmaçãooficialdeumadescobertasobrea qualse Da esquerda para a direita: perfurado, ventilado e sólido.
falava com enorme expectativa há alguns meses. Pesqui- (No detalhe, a câmara interna do disco ventilado).
sadores do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian
revelaram ter obtido a mais forte evidência até ago-  
ra de  que o universo em que vivemos começou mesmo     Frenagens geram calor. O sistema de freios transforma
pelo  Big Bang, mas este não foi explosão, e sim uma a energia cinética do movimento em energia térmica por
súbita expansão de matéria e energia infinitas concentra- meio do atrito entre as pastilhas de freio e os discos. Em
das em um ponto microscópico que, sem muitas opções duas linhas, esse é o princípio de funcionamento do freio.
semânticas, os  cientistas chamam de “singularidade”.     Mas há um efeito colateral. Esse calor gerado provoca
Essa semente cósmica permanecia em estado latente e, fadiga dos discos e pastilhas e compromete a eficiência
sem que exista ainda uma explicação definitiva, começou do conjunto de freios.
a inchar rapidamente […]. No  intervalo de um piscar de     O disco de freio sólido é uma peça só, feita de fer-
olhos, por exemplo, seria possível,  portanto, que ocor- ro maciço. A vantagem está em custar mais barato que
ressem mais de 10 trilhões de Big Bangs. os outros. Contudo, tem baixo rendimento em situações
extremas de frenagem (em descidas de serras, por ex-
ALLEGRETTI, F. Veja, 26 mar. 2014 (adaptado). emplo) por não ter estruturas que favoreçam seu resfria-
mento. Por isso, discos sólidos são usados em aplicações
No título proposto para esse texto de divulgação científi- mais leves, comuns no eixo dianteiro dos compactos 1.0
ca,  ao dissociar os elementos da expressão Big Bang, e no eixo traseiro de carros maiores, como sedãs e SUVs
a autora revela a intenção de médios.
    O modelo ventilado, por sua vez, é formado por dois
a) evidenciar a descoberta recente que comprova a discos mais finos unidos por uma câmara interna que
explosão de matéria e energia. tem a função de proporcionar uma passagem do ar entre
eles, resfriando com mais rapidez o conjunto. Eles estão
b) resumir os resultados de uma pesquisa que trouxe nos eixos dianteiros dos compactos mais potentes. Mas
evidências para a teoria do Big Bang. também aparecem nos eixos traseiros de carros espor-
tivos. Mas esportivos com motores de alto desempenho e
c) sintetizar a ideia de que a teoria da expansão de carros de luxo têm discos perfurados. Há pequenos furos
matéria e energia substitui a teoria da explosão. no disco com o objetivo de aumentar o atrito e dispersar
o calor.
d) destacar a experiência que confirma uma investiga-
ção anterior sobre a teoria de matéria e energia. RODRIGUEZ, H. Disponível em: http://quatrorodas.abril.com.br. Acesso
em: 22 ago. 2017 (adaptado).
e) condensar a conclusão de que a explosão de matéria
e energia ocorre em um ponto microscópico.

05.

Sítio Gerimum

Este é o meu lugar (…)
Meu Gerimum é com g
Você pode ter estranhado
Gerimum em abundância
Aqui era plantado
E com a letra g
Meu lugar foi registrado.

OLIVEIRA, H. D. Língua Portuguesa, n. 88, fev. 2013 (fragmento)

77

 O texto mostra diferentes tipos de discos de freio e de- 03.
fende a eficácia de um modelo sobre o outro. Emagrecer sem exercício?
 
Para convencer o leitor disso, o autor utiliza o recurso de Hormônio aumenta a esperança de perder gordura sem sair do sofá. A
solução viria em cápsulas.
a) definir em duas linhas o princípio de funcionamento
do freio de esportivos de alto desempenho com      O sonho dos sedentários ganhou novo aliado. Um estu-
discos perfurados. do publicado na revista científica Nature, em janeiro, sug-
ere que é possivel modificar a gordura corporal sem fazer
b) divulgar os modelos de carros que adotam os me- exercício. Pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute
lhores sistemas de frenagem e resfriamento dos e da Escola de Medicina de Harvard, nos EUA, isolaram
componentes. em laboratório a irisina, hormônio naturalmente produzido
pelas células musculares durante os exercícios aeróbicos,
c) apresentar cada tipo de disco, criticando a forma como caminhada, corrida ou pedalada. A substância foi
como eles geram calor nas frenagens. aplicada em ratos e agiu como se eles tivessem se exer-
citado, inclusive com efeito protetor contra o diabetes.
d) evidenciar os riscos do baixo desempenho dos dife-      O segredo foi a conversão de gordura branca – aquela
rentes modelos de discos de freio. que estoca energia inerte e estraga nossa silhueta – em
marrom. Mais comum em bebês, e praticamente inex-
e) comparar o custo, a eficiência e a forma como os istente em adultos, esse tipo de gordura serve para nos
discos dissipam o calor da frenagem. aquecer. E, nesse processo, gasta uma energia tremen-
da. Como efeito colateral, afinaria nossa silhueta.
02.      A expectativa é que, se o hormônio funcionar da mes-
ma forma em humanos, surja em breve um novo medica-
Um amor desse mento para emagrecer. Mas ele estaria longe de substituir
Era 24 horas lado a lado por completo os benefícios da atividade física. “Possivel-
Um radar na pele, aquele sentimento alucinado mente existem muitos outros hormônios musculares lib-
Coração batia acelerado erados durante o exercício e ainda não descobertos”, diz
Bastava um olhar pra eu entender o fisiologista Paul Coen, professor assistente da Univer-
Que era hora de me entregar pra você sidade de Pittsburgh, nos EUA. A irisina não fortalece os
Palavras não faziam falta mais músculos, por exemplo. E para ficar com aquele tríceps
Ah, só de lembrar do seu perfume de fazer inveja só o levantamento de controle remoto não
Que arrepio, que calafrio daria conta.
Que o meu corpo sente
Nem que eu queira, eu te apago da minha mente LIMA, F. Galileu. São Paulo, n. 248, mar. 2012
Ah, esse amor
Deixou marcas no meu corpo Para convencer o leitor de que o exercício físico é impor-
Ah, esse amor tante, o autor usa a estratégia de divulgar que
Só de pensar, eu grito, eu quase morro
a) a falta de exercício físico não emagrece e desenvolve
AZEVEDO, N.; LEÃO, W.; QUADROS, R. Coração pede socorro. doenças.
Rio de Janeiro: Som Livre, 2018 (fragmento).
b) se trata de uma forma de transformar a gordura
Essa letra de canção foi composta especialmente para branca em marrom e de emagrecer.
uma campanha de combate à violência contra as mul-
heres, buscando conscientizá-las acerca do limite entre c) a irisina é um hormônio que apenas é produzido com
relacionamento amoroso e relacionamento abusivo. Para o exercício físico.
tanto, a estratégia empregada na letra é a
d) o exercício é uma forma de afinar a silhueta por
a) revelação da submissão da mulher à situação de eliminar a gordura branca.
violência, que muitas vezes a leva à morte.
e) se produzem outros hormônios e há outros benefícios
b) ênfase na necessidade de se ouvirem os apelos da com o exercício.
mulher agredida, que continuamente pede socorro.
04.
c) exploração de situação de duplo sentido, que mostra Enquanto isso, nos bastidores do universo
que atos de dominação e violência não configuram
amor. Você planeja passar um longo tempo em outro país, tra-
balhando e estudando, mas o universo está prepa-
d) divulgação da importância de denunciar a violência rando  a chegada de um amor daqueles de tirar o
doméstica, que atinge um grande número de mulhe- chão, um amor  que fará você jogar fora seu atlas e
res no país. criar raízes no quintal  como se fosse uma figueira.
Você treina para a maratona mais desafiado-
e) naturalização de situações opressivas, que fazem ra de  todas, mas não chegará com as duas per-
parte da vida de mulheres que vivem em uma so- nas intactas na  hora da largada, e a primeira per-
ciedade patriarcal. plexidade será esta: a  experiência da frustração.
O universo nunca entrega o que promete. Aliás,
ele  nunca prometeu nada, você é que escuta vozes.
No dia em que você pensa que não tem nada a  diz-
er para o analista, faz a revelação mais bombásti-

78

ca  dos seus dois anos de terapia. O resultado de um • COMPETÊNCIA 8
exame de rotina coloca sua rotina de cabeça para
baixo.  Você não imaginava que iriam tantos amigos à - HABILIDADE 25
sua  festa, e tampouco imaginou que justo sua grande
paixão não iria. Quando achou que estava bela, não ar- 01.
rasou  corações. Quando saiu sem maquiagem e com
uma  camiseta puída, chamou a atenção. E assim seg- Óia eu aqui de novo xaxando
uem  os dias à prova de planejamento e contrariando Óia eu aqui de novo para xaxar
nossas vontades, pois, por mais que tenhamos ensaiado Vou mostrar pr’esses cabras
nossa  fala e estejamos preparados para a melhor cena, Que eu ainda dou no couro
nos  bastidores do universo alguém troca nosso papel Isso é um desaforo
de última hora, tornando surpreendente a nossa vida. Que eu não posso levar
Que eu aqui de novo cantando
MEDEIROS, M. O Globo, 21 jun. 2015. Que eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo mostrando
Entre as estratégias argumentativas utilizadas para  sus- Como se deve xaxar
tentar a tese apresentada nesse fragmento, destaca-se a Vem cá morena linda
recorrência de Vestida de chita
Você é a mais bonita
a) estruturas sintáticas semelhantes, para reforçar a Desse meu lugar
velocidade das mudanças da vida. Vai, chama Maria, chama Luzia
Vai, chama Zabé, chama Raque
b) marcas de interlocução, para aproximar o leitor das Diz que eu tou aqui com alegria
experiências vividas pela autora.
BARROS, A. Óia eu aqui de novo. Disponível em: www.luizluagonzaga.mus.
c) formas verbais no presente, para exprimir reais br. Acesso em: 5 maio 2013 (fragmento).
possibilidades de concretização das ações.
A letra da canção de Antônio de Barros manifesta aspec-
d) construções de oposição, para enfatizar que as tos do repertório linguístico e cultural do Brasil. O verso
expectativas são afetadas pelo inesperado. que singulariza uma forma característica do falar popular
regional é:
e) sequências descritivas, para promover a identifica-
ção do leitor com as situações apresentadas.

05.

a) “Isso é um desaforo”.
b) “Diz que eu tou aqui com alegria”.
c) “Vou mostrar pr’esses cabras”.
d) “Vai, chama Maria, chama Luzia”.
e) “Vem cá morena linda, vestida de chita”.

02.

Disponível em: www.separeolixo.gov.br. Acesso em: 4 dez. 2017 (adaptado). PINHÃO Sai ao mesmo tempo que BENONA entra.
BENONA: Eurico, Eudoro Vicente está lá fora e quer falar
Nessa campanha, a principal estratégia para convencer o com você.
leitor a fazer a reciclagem do lixo é a utilização da  lin- EURICÃO: Benona, minha irmã, eu sei que ele está lá
guagem não verbal como argumento para fora, mas não quero falar com ele.
BENONA: Mas Eurico, nós lhe devemos certas atenções.
a) reaproveitamento de material. EURICÃO: Você, que foi noiva dele. Eu, não!
b) facilidade na separação do lixo. BENONA: Isso são coisas passadas.
c) melhoria da condição do catador. EURICÃO: Passadas para você, mas o prejuízo foi meu.
d) preservação de recursos naturais. Esperava que Eudoro, com todo aquele dinheiro, se tor-
e) geração de renda para o trabalhador. nasse meu cunhado. Era uma boca a menos e um pat-
rimônio a mais. E o peste me traiu. Agora, parece que
ouviu dizer que eu tenho um tesouro. E vem louco atrás
dele, sedento, atacado de verdadeira hidrofobia. Vive
farejando ouro, como um cachorro da molest’a, como um
urubu, atrás do sangue dos outros. Mas ele está engana-
do. Santo Antônio há de proteger minha pobreza e minha
devoção.

SUASSUNA, A. O santo e a porca, Rio de Janeiro: José Olympio, 2013
(fragmento)

79

Nesse texto teatral, o emprego das expressões “o peste” Raquel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de
e “cachorro da molest’a” contribui para variação linguística que se percebe no falar de pessoas
de diferentes regiões. As características regionais explo-
a) marcar a classe social das personagens. radas no texto manifestam-se:
b) caracterizar usos linguísticos de uma região.
c) enfatizar a relação familiar entre as personagens. a) na fonologia.
d) sinalizar a influência do gênero nas escolhas voca- b) no uso do léxico.
c) no grau de formalidade
bulares. d) na organização sintática.
e) demonstrar o tom autoritário da fala de uma das e) na estruturação morfológica.

personagens. 05.
O cordelista por ele mesmo
03.
Assum preto Aos doze anos eu era
forte, esperto e nutrido.
Tudo em vorta é só beleza Vinha do Sítio de Piroca
Sol de abril e a mata em frô muito alegre e divertido
Mas assum preto, cego dos óio vender cestos e balaios
Num vendo a luz, ai, canta de dor que eu mesmo havia tecido.
Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió Passava o dia na feira
Furaro os óio do assum preto e à tarde regressava
Pra ele assim, ai, cantá mió levando umas panelas
Assum preto veve sorto que minha mãe comprava
Mas num pode avuá e bebendo água salgada
Mil veiz a sina de uma gaiola nas cacimbas onde passava.
Desde que o céu, ai, pudesse oiá
BORGES, J. F. Dicionário dos sonhos e outras histórias de cordel. Porto
GONZAGA, L.; TEIXEIRA, H. Disponível em: www.luizgonzaga.mus.br. Aces- Alegre: LP&M, 2003 (fragmento).
so em: 30 jul. 2012 (fragmento).
Literatura de cordel é uma criação popular em verso, cuja
As marcas da variedade regional registradas pelos com- linguagem privilegia, tematicamente, histórias de cunho
positores de  Assum preto  resultam da aplicação de um regional, lendas, fatos ocorridos para firmar certas cren-
conjunto de princípios ou regras gerais que alteram a ças e ações destacadas nas sociedades locais. A respeito
pronúncia, a morfologia, a sintaxe ou o léxico. do uso das formas variantes da linguagem no Brasil, o
verso do fragmento que permite reconhecer uma região
No texto, é resultado de uma mesma regra a brasileira é

a) pronúncia das palavras “vorta” e “veve”. a) “muito alegre e divertido”.
b) pronúncia das palavras “tarvez” e “sorto”. b) “Passava o dia na feira”.
c) flexão verbal encontrada em “furaro” e “cantá”. c) “levando umas panelas”.
d) redundância nas expressões “cego dos óio” e “mata d) “que minha mãe comprava”
e) “nas cacimbas onde passava”.
em frô”
e) pronúncia das palavras “ignorança” e “avuá”.

04.

Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao merca- - HABILIDADE 26
do, apuro o ouvido; não espero só o sotaque geral dos
nordestinos, onipresentes, mas para conferir a pronúncia 01.
de cada um; os paulistas pensam que todo nordestino fala
igual; contudo as variações são mais numerosas que as Prezada senhorita,
notas de uma escala musical. Pernambuco, Paraíba, Rio
Grande do Norte, Ceará, Piauí têm no falar de seus na- Tenho a honra de comunicar a V. S. que resolvi, de acor-
tivos muito mais variantes do que se imagina. E a gente do com o que foi conversado com seu ilustre progenitor,
se goza uns dos outros, imita o vizinho, e todo mundo ri, o tabelião juramentado Francisco Guedes, estabelecido
porque parece impossível que um praiano de beira-mar à Rua da Praia, número 632, dar por encerrados nossos
não chegue sequer perto de um sertanejo de Quixeramo- entendimentos de noivado. Como passei a ser o contabil-
bim. O pessoal do Cariri, então, até se orgulha do falar ista-chefe dos Armazéns Penalva, conceituada firma des-
deles. Têm uns tês doces, quase um the; já nós, ásperos ta praça, não me restará, em face dos novos e pesados
sertanejos, fazemos um duro ciu ou eu de todos os termi- encargos, tempo útil para os deveres conjugais. Outros-
nais em al ou d - car- navau, Raqueu... Já os paraibanos sim, participo que vou continuar trabalhando no varejo da
trocam o í pelo r. José Américo só me chamava, afetuosa- mancebia, como vinha fazendo desde que me formei em
mente, de Raquer. contabilidade em 17 de maio de 1932, em solenidade pre-
sidida pelo Exmo. Sr. Presidente do Estado e outras autor-
Queiroz. R O Estado de S Paulo. 9 maio 1998. Fragmento adaptado.

80

idades civis e militares, bem assim como representantes 03.
da Associação dos Varejistas e da Sociedade Cultural e Até quando?
Recreativa José de Alencar. Sem mais, creia-me de V. S.
patrício e admirador, Sabugosa de Castro Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
CARVALHO, J. C. Amor de contabilista. In: Porque Lulu Bergatim não Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
atravessou o Rubicon. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971. E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
A exploração da variação linguística é um elemento que Virar a cara pra não ver
pode provocar situações cômicas. Nesse texto, o tom de Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
humor decorre da incompatibilidade entre  Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!

a) o objetivo de informar e a escolha do gênero textual. GABRIEL, O PENSADOR. Seja você mesmo (mas não seja sempre o
b) a linguagem empregada e os papéis sociais dos mesmo). Rio de Janeiro: Sony Music, 2001 (fragmento).

interlocutores As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao tex-
c) o emprego de expressões antigas e a temática de- to

senvolvida no texto. a) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da
d) as formas de tratamento utilizadas e as exigências internet.

estruturais da carta. b) cunho apelativo, pela predominância de imagens
e) o rigor quanto aos aspectos formais do texto e a metafóricas.

profissão do remetente.  c) tom de diálogo, pela recorrência de gírias.
d) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial.
02. TEXTO I e) originalidade, pela concisão da linguagem.

Entrevistadora – eu vou conversar aqui com a professo- 04.
ra A. D. … o português então não é uma língua difícil?
Professora – olha se você parte do princípio… que a lín- Diz-se, em termos gerais, que é preciso “falar a mesma
gua portuguesa não é só regras gramaticais… não se língua”: o português, por exemplo, que é a língua que
você se apaixona pela língua que você… já domina que utilizamos. Mas trata-se de uma língua portuguesa ou de
você já fala ao chegar na escola se o teu professor cativa várias línguas portuguesas? O português da Bahia é o
você a ler obras da literatura… obras da/ dos meios de mesmo português do Rio Grande do Sul? Não está cada
comunicação… se você tem acesso a revistas… é… a um deles sujeito a influências diferentes ― linguísticas,
livros didáticos… a… livros de literatura o mais formal o e/ climáticas, ambientais? O português do médico é igual ao
o difícil é porque a escola transforma como eu já disse as do seu cliente? O ambiente social e o cultural não deter-
aulas de língua portuguesa em análises gramaticais. minam a língua? Estas questões levam à constatação de
que existem níveis de linguagem. O vocabulário, a sintaxe
TEXTO II e mesmo a pronúncia variam segundo esses níveis.

Entrevistadora – Vou conversar com a profes- VANOYE, F. Usos da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1981 (frag-
sora A. D. O português é uma língua difícil? mento).
Professora – Não, se você parte do princípio que a lín-
gua portuguesa não é só regras gramaticais. Ao chegar à Na fala e na escrita, são observadas variações de uso,
escola, o aluno já domina e fala a língua. Se o professor motivadas pela classe social do indivíduo, por sua região,
motivá-lo a ler obras literárias, e se tem acesso a revistas, por seu grau de escolaridade, pelo gênero, pela intencion-
a livros didáticos, você se apaixona pela língua. O que alidade do ato comunicativo, ou seja, pelas situações lin-
torna difícil é que a escola transforma as aulas de língua guísticas e sociais em que a linguagem é empregada. A
portuguesa em análises gramaticais. variedade linguística adequada à situação específica de
uso social está expressa
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização.
São Paulo: Cortez, 2001 (adaptado).

O Texto I é a transcrição de uma entrevista concedida por a) na fala de um professor ao iniciar a aula no ensino
uma professora de português a um programa de rádio. O superior: “Fala galerinha do mal! Hoje vamos estudar
Texto II é a adaptação dessa entrevista para a modalidade um negócio muito importante”.
escrita. Em comum, esses textos
b) na leitura de um discurso de uma autoridade pública
a) apresentam ocorrências de hesitações e reformula- na inauguração de um estabelecimento educacional:
ções. “Senhores cidadões do Brasil, com alegria, inaugu-
ramos mais uma escola para a melhor educação de
b) são modelos de emprego de regras gramaticais. nosso país”.
c) são exemplos de uso não planejado da língua.
d) apresentam marcas da linguagem literária. c) no memorando da diretora da escola ao responsável
e) são amostras do português culto urbano. por um aluno: “Responsável pelo aluno Henrique, dê
uma chegadinha na diretoria da escola para saber o
que o seu filhinho anda fazendo de besteira”.

81

d) na fala de uma criança, na tentativa de convencer a c) Diante da gravidade da situação e do risco a que
mãe a entregar-lhe a mesada: “Mãe, assim não dá nos expomos, há a necessidade de se evitarem
para ser feliz! Dá pra liberar minha mesada? Prometo aglomerações de pessoas, para que se possa conter
que só vou tirar notão nas próximas provas”. o avanço da epidemia.

e) na fala de uma mãe em resposta ao filho que soli- d) Diante da gravidade da situação e do risco os quais
citou a mesada: “Caro descendente, por obséquio, nos expomos, há a necessidade de se evitar aglo-
antecipe a prestação de suas contas, a fim de fazer merações de pessoas, para que se possa conter o
jus ao solicitado”. avanço da epidemia.

05. e) Diante da gravidade da situação e do risco com que
nos expomos, tem a necessidade de se evitarem
Foi sempre um gaúcho quebralhão, e despilchado sem- aglomerações de pessoas, para que se possa conter
pre, por ser muito de mãos abertas. Se numa mesa de o avanço da epidemia.
primeira ganhava uma ponchada de balastracas, reunia
a gurizada da casa, fazia pi! pi! pi! como pra galinhas e 02.
semeava as moedas, rindo-se do formigueiro que a mi-
uçada formava, catando as pratas no terreiro. Gostava de Uma língua é um sistema social reconhecível em difer-
sentar um laçaço num cachorro, mas desses laçaços de entes variedades e nos muitos usos que as pessoas
apanhar da palheta à virilha, e puxado a valer, tanto que o fazem dela em múltiplas situações de comunicação.
bicho que o tomava, de tanto sentir dor, e lombeando-se, O texto que se apresenta na variedade padrão formal da
depois de disparar um pouco é que gritava, num caim! língua é
caim! caim! de desespero.
a) Quando você quis eu não quis Qdo eu quis você ñ
LOPES NETO, J. S. Contrabandista. In: SALES, H. (org). Antologia de con- quis Pensando mal quase q fui Feliz (Cacaso)
tos brasileiros. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001 (adaptado).
b) — Aonde é que você vai, rapaz?! — Tá louco, bicho,
A língua falada no Brasil apresenta vasta diversidade, vou cair fora! — Mas, qual é, rapaz?! Uma simples
que se manifesta de acordo com o lugar, a faixa etária, operação de apendicite! (Ziraldo)
a classe social, entre outros elementos. No fragmento do
texto literário, a variação linguística destaca-se c) Eu, hoje, acordei mais cedo e, azul, tive uma ideia
clara. Só existe um segredo. Tudo está na cara.
a) por inovar na organização das estruturas sintáticas. (Paulo Leminski)
b) pelo uso de vocabulário marcadamente regionalista.
c) por distinguir, no diálogo, a origem social dos falan- d) Com deus mi deito com deus mi levanto comigo eu
calo comigo eu canto eu bato um papo eu bato um
tes. ponto eu tomo um drink eu fico tonto. (Chacal)
d) por adotar uma grafia típica do padrão culto, na
e) O tempo é um fio por entre os dedos. Escapa o fio,
escrita. perdeu-se o tempo. (Henriqueta Lisboa)
e) pelo entrelaçamento de falas de crianças e adultos.
03.

- HABILIDADE 27
01.

Diante do número de óbitos provocados pela gripe H1N1
- gripe suína - no Brasil, em 2009, o Ministro da Saúde fez
um pronunciamento público na TV e no rádio. Seu objetivo
era esclarecer a população e as autoridades locais so-
bre a necessidade do adiamento do retorno às aulas, em
agosto, para que se evitassem a aglomeração de pessoas
e a propagação do vírus. Fazendo uso da norma padrão
da língua, que se pauta pela correção gramatical, seria
correto o Ministro ler, em seu pronunciamento, o seguinte
trecho:

a) Diante da gravidade da situação e do risco de que
nos expomos, há a necessidade de se evitar aglo-
merações de pessoas, para que se possa conter o
avanço da epidemia.

b) Diante da gravidade da situação e do risco a que
nos expomos, há a necessidade de se evitarem
aglomerações de pessoas, para que se possam
conter o avanço da epidemia.

82

A carta manifesta reconhecimento de uma empresa pe- enfurecido, forçou o rapaz a se casar com ela. O soldado,
los serviços prestados pelos consultores da PC Speed. porém, bateu o pé: “Nem por bem, nem por mar!”, não se
Nesse contexto, o uso da norma-padrão casaria. Um linguista pesquisador estranhou a citação, já
que o fato se passava na Vila de São Paulo, mas depois
a) constitui uma exigência restrita ao universo financeiro percebeu: “Ele quis dizer ‘nem por bem, nem por mal!’. O
e é substituível por linguagem informal. soldado escrevia como falava. Não se sabe se casou com
a filha do fazendeiro, mas deixou uma prova valiosa de
b) revela um exagero por parte do remetente e torna o como se falava no início do século XIX.” FIORAVANTI, C.
texto rebuscado linguisticamente. Ora pois, uma língua bem brasileira.

c) expressa o formalismo próprio do gênero e atribui Pesquisa Fapesp, n. 230, abr. 2015 (adaptado).
profissionalismo à relação comunicativa.
O fato relatado evidencia que fenômenos presentes na
d) torna o texto de difícil leitura e atrapalha a compre- fala podem aparecer em textos escritos. Além disso, sug-
ensão das intenções do remetente. ere que

e) sugere elevado nível de escolaridade do diretor e a) os diferentes falares do português provêm de textos
realça seus atributos intelectuais. escritos.

04. b) o tipo de escrita usado pelo soldado era despresti-
Alegria, alegria giado no século XIX. 

Que maravilhoso país o nosso, onde se pode contratar c) os fenômenos de mudança da língua portuguesa
quarenta músicos para tocar um uníssono. (Mile Davis, são historicamente previsíveis. 
durante uma gravação)
antes havia orlando silva & flauta, e até mesmo no meio d) as formas variantes do português brasileiro atual já
do meio-dia. antes havia os prados e os bosques na gra- figuravam no português antigo escrito. 
vura dos meus olhos. antes de ontem o céu estava muito
azul e eu & ela passamos por baixo desse céu. ao mesmo e) as origens da norma-padrão do português brasileiro
tempo, com medo dos cachorros e sem muita pressa de podem ser observadas em textos antigos.
chegar do lado de lá.
do lado de cá não resta quase ninguém. apenas os sa- • COMPETÊNCIA 9
patos polidos refletem os automóveis que, por sua vez,
polidos, refletem os sapatos... - HABILIDADE 28

VELOSO, C. Seleção de textos. São Paulo: Abril Educação, 1981. 01.

Quanto ao seu aspecto formal, a escrita do texto de Cae- De vez em quando, nas redes sociais, a gente se pega
tano Veloso apresenta um(a)  compartilhando notícias falsas, fotos modificadas, boatos
de todo tipo. O problema é quando a matéria é falsa. E,
a) escolha lexical permeada por estrangeirismos e pior ainda, se é uma matéria falsa que não foi criada por
neologismos. motivos humorísticos ou literários (sim, considero o “jor-
nalismo ficcional” uma interessante forma de literatura),
b) regra típica da escrita contemporânea comum em mas para prejudicar a imagem de algum partido ou de al-
textos da internet.  gum político, não importa de que posição ou tendência.
Inventa-se uma arbitrariedade ou falcatrua, joga-se nas
c) padrão inusitado, com um registro próprio, decorrente redes sociais e aguarda-se o resultado. Nesse caso, a
da criação poética.  multiplicação da notícia falsa (que está sempre sujeita
a ser denunciada juridicamente como injúria, calúnia ou
d) nova sintaxe, identificada por uma reorganização da difamação) se dá em várias direções. Antes de curtir, co-
articulação entre as frases. mentar ou compartilhar, procuro checar as fontes, ir aos
links originais.
e) emprego inadequado da norma-padrão, gerador de
incompreensão comunicativa. TAVARES, B. Disponível em: www.cartafundamental.com.br. Acesso
em: 20 jan. 2015 (adaptado).
05.
O texto expõe a preocupação de uma leitora de notícias
A expansão do português no Brasil, as variações regio- on-line de que o compartilhamento de conteúdos falsos
nais com suas possíveis explicações e as raízes das pode ter como consequência a
inovações da linguagem estão emergindo por meio do
trabalho de linguistas que estão desenterrando as raízes a) displicência natural das pessoas que navegam pela
do português brasileiro ao examinar cartas pessoais e ad- internet.
ministrativas, testamentos, relatos de viagens, processos
judiciais, cartas de leitores e anúncios de jornais desde b) desconstrução das relações entre jornalismo e lite-
o século XVI, coletados em instituições como a Bibliote- ratura. 
ca Nacional e o Arquivo Público do Estado de São Pau-
lo. No acervo de documentos que servem para estudos c) impossibilidade de identificação da origem dos tex-
sobre o português paulista está uma carta de 1807, es- tos.
crita pelo soldado Manoel Coelho, que teria seduzido a
filha de um fazendeiro. Quando soube, o pai da moça, d) disseminação de ações criminosas na internet.
e) obtenção de maior popularidade nas redes.

83

02. Com o aprimoramento dos recursos tecnológicos, a cir-
culação de informações e seus usos têm reconfigurado
10 anos de “hashtag”: a ferramenta que mobiliza a internet os mais diversos setores da sociedade. O texto trata da
A “hashtag”, ícone das redes sociais, celebrou em 2017 legislação que regulamenta o uso da internet, criando a
seus primeiros 10 anos de uso no acompanhamento dos seguinte expectativa para o usuário brasileiro:
grandes eventos mundiais com um efeito de mobilização
e expressão de emoção e humor. a) Proibição do corte do acesso pelo uso excessivo.
A palavra-chave precedida pelo símbolo do jogo da velha b) Aumento da capacidade da rede.
foi popularizada pelo Twitter antes de ser incorporada por c) Mudança no perfil do internauta.
outras redes sociais. A invenção foi de Chris Messina, de- d) Promoção do acesso irrestrito.
signer americano especialista em redes sociais. Em 23 de e) Garantia de conexão a baixo custo.
agosto de 2007, o usuário intensivo do Twitter propôs em
um tuíte usar o jogo da velha para reagrupar mensagens 04.
sobre um mesmo assunto. Ele lançou, então, a primeira Expostos na web desde a gravidez
“hashtag” #barcamp sobre oficinas participativas dedica-
das à inovação na web. Mais da metade das mães e um terço dos pais ouvidos em
O compartilhamento das palavras-chaves — que já são uma pesquisa sobre compartilhamento paterno em mídias
citadas 125 milhões de vezes por dia no mundo — já sociais discutem nas redes sociais sobre a educação dos
serviu de trampolim para mobilizações em massa. filhos. Muitos são pais e mães de primeira viagem, frutos
Alguns slogans que tiveram grande efeito mobilizador fo- da geração Y (que nasceu junto com a internet) e usam
ram o #BlackLivesMatter (Vidas negras importam), após a esses canais para saberem que não estão sozinhos na
morte de vários cidadãos americanos negros pela polícia, empreitada de educar uma criança. Há, contudo, um risco
e #OccupyWallStreet (Ocupem Wall Street), referente ao no modo como as pessoas estão compartilhando essas
movimento que acampou no coração de Manhattan para experiências. É a chamada exposição parental exagera-
denunciar os abusos do capitalismo. da, alertam os pesquisadores.
De acordo com os especialistas no assunto, se você com-
AFP. Disponível em: http://exame.abril.com.br. Acesso em: 24 ago. partilha uma foto ou video do seu filho pequeno fazendo
2017 (adaptado).  algo ridículo, por achar engraçadinho, quando a criança
tiver seus 11, 12 anos, pode se sentir constrangida. A au-
  toconsciência vem com a idade.
Ao descrever a história e os exemplos de utilização da A exibição da privacidade dos filhos começa a assumir
hashtag, o texto evidencia que uma característica de linha do tempo e eles não participar-
am da aprovação ou recusa quanto à veiculação desses
a) a incorporação desse recurso expressivo pela socie- conteúdos. Assim, quando a criança cresce, sua privaci-
dade impossibilita a manutenção de seu uso original.  dade pode já estar violada.

b) a incorporação desse recurso expressivo pela so- OTONI, A. C. O Globo, 31 mar. 2015 (adaptado).
ciedade o flexibilizou e o potencializou. 
Sobre o compartilhamento parental excessivo em mídias
c) a incorporação pela sociedade caracterizou esse sociais, o texto destaca como impacto o(a)
recurso expressivo de forma definitiva. 
a) interferência das novas tecnologias na comunicação
d) esse recurso expressivo se tornou o principal meio entre pais e filhos.
de mobilização social pela internet. 
b) desatenção dos pais em relação ao comportamento
e) esse recurso expressivo precisou de uma década dos filhos na internet.
para ganhar notabilidade social.
c) distanciamento na relação entre pais e filhos é pro-
03. vocado pelo uso das redes sociais.

Um ponto interessante do marco civil da internet, segun- d) fortalecimento das redes de relações decorrente da
do Marília Maciel, pesquisadora do Centro de Tecnologia troca de experiências entre as famílias.
e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (CTS/FGV), é
o que trata da garantia do princípio da neutralidade de e) desrespeito à intimidade das crianças cujas imagens
rede. “Isso quer dizer que, se eu compro um pacote de um têm sido divulgadas nas redes sociais.
mega ou de cinco megas de internet, o uso que eu vou
fazer desses meus megas de velocidade depende das
minhas escolhas. Não é o operador que vai dizer o que eu
posso acessar. Eu comprei tantos megas e posso acessar
texto, vídeo ou fazer um curso de ensino a distância on-
line”. O novo texto assegura que o usuário vai poder con-
tinuar a contratar pacotes de velocidades diferentes, mas,
dentro daquela velocidade escolhida, ele poderá acessar
qualquer tipo de aplicativo na internet.

GANDRA, A. Disponível em: www.ebc.com.br. Acesso em: 20 nov. 2013
(adaptado).

84

05.  A função sociocomunicativa desse texto é

Na semana passada, os alunos do colégio do meu filho se a) A ilustrar como uma famosa figura dos EUA foi criada
mobilizaram, através do Twitter, para não comprarem na para incentivar jovens a se alistar no exército. 
cantina da escola naquele dia, pois acharam o preço do
pão de queijo abusivo São adolescentes. Quase senhores b) explicar como é feita a publicidade na forma de
das novas tecnologias, transitam nas redes sociais, var- anúncios para venda de carros, bebidas ou roupas.
rem o mundo através dos teclados dos celulares, iPads e
se organizam para fazer um movimento pacífico de não c) convencer o público sobre a importância do consu-
comprar lanches por um dia. Foi parar na TV e em muitas mo.
páginas da internet.
  d) esclarecer dois conceitos usados no senso comum.
e) divulgar atividades associadas à disseminação de
GOMES, A. A revolução silenciosa e o Impacto na sociedade das
redes sociais. Disponível em: www. hsm.com.br. Acesso em: 31 jul. ideias.

2012 02.

O texto aborda a temática das tecnologias da informação “O computador, dando prioridade à busca pela própria fe-
e comunicação, especificamente o uso de redes sociais. licidade, parou de trabalhar para os humanos”. E assim
Muito se debate acerca dos benefícios e malefícios do uso que termina o conto  O dia em que um computador es-
desses recursos e, nesse sentido, o texto creveu um conto, escrito por uma inteligência artificial com
a ajuda de cientistas humanos.
a) aborda a discriminação que as redes sociais sofrem Os cientistas selecionaram palavras e frases que seri-
de outros meios de comunicação. am usadas na narrativa, e definiram um roteiro geral da
história, que serviria como guia para a inteligência artifi-
b) mostra que as reivindicações feitas nas redes sociais cial. A partir daí, o computador criou o texto combinando
não têm impacto fora da internet. as frases e seguindo as diretrizes que os cientistas im-
puseram. Os juízes não sabem quais textos são escritos
c) expõe a possibilidade de as redes sociais favorecem por humanos e quais são feitos por computadores, o que
comportamentos e manifestações violentos dos mostra que o conto estava bem escrito. O dia só não pas-
adolescentes que nela se relacionam. sou para as próximas etapas porque, de acordo com os
juízes, os personagens não foram muito bem descritos,
d) trata as redes sociais como modo de agregar e em- embora o texto estivesse estruturalmente impecável.
poderar grupos de pessoas, que se unem em prol A ideia dos cientistas é continuar desenvolvendo a criativ-
de causas próprias ou de mudanças sociais. idade da IA para que ela se pareça cada vez mais com a
humana. Simular esse tipo de resposta é difícil, porque o
e) evidencia que as redes sociais são usadas inade- computador precisa ter, primeiro, um banco de dados vas-
quadamente pelos adolescentes, que, imaturos, não to vinculado a uma programação específica para cada tipo
utilizam a ferramenta como forma de mudança social. de projeto – escrita, pintura, música, desenho e por aí vai.

- HABILIDADE 29

01. DANGELO, H. Disponível em: https: /isuper.abril.com.br. Acesso em: 5
Qual a diferença entre publicidade e propaganda? dez. 2018

Esses dois termos não são sinônimos, embora sejam usa-  
dos indistintamente no Brasil. Propaganda é a atividade O êxito e as limitações da tecnologia utilizada na com-
associada à divulgação de ideias (políticas, religiosas, posição do conto evidencia a
partidárias etc.) para influenciar um comportamento. Al-
guns exemplos podem ilustrar, como o famoso Tio Sam, a) indistinção entre personagens produzidos por má-
criado para incentivar jovens a se alistar no exército dos quinas e seres humanos.
EUA; ou imagens criadas para “demonizar” os judeus, es-
palhadas na Alemanha pelo regime nazista; ou um pôster b) necessidade de reformulação da base de dados
promovendo o poderio militar da China comunista. No elaborada por cientistas.
Brasil, um exemplo regular de propaganda são as cam-
panhas políticas em período pré-eleitoral. c) autonomia de programas computacionais no desen-
Já a publicidade, em sua essência, quer dizer tornar algo volvimento ficcional.
público. Com a Revolução Industrial, a publicidade ganhou
um sentido mais comercial e passou a ser uma ferramen- d) diferença entre a estrutura e a criatividade da lingua-
ta de comunicação para convencer o público a consumir gem humana.
um produto, serviço ou marca. Anúncios para venda de
carros, bebidas ou roupas são exemplos de publicidade. e) qualidade artística de textos produzidos por compu-
tadores.

VASCONCELOS, Y. Disponível em: https://mundoestranho.abril.com.br.
Acesso em: 22 ago. 2017 (adaptado).

85

03. 05.

Romanos usavam redes sociais há dois mil anos,
diz livro

SILVA, I.; SANTOS, M. E. P.; JUNG, N. M. Domínios de Lingu@gem, n.4, out.- Ao tuitar ou comentar embaixo do  post de um de seus
dez. 2016 (adaptado). vários amigos no Facebook, você provavelmente se sente
privilegiado por viver em um tempo na história em que é
A fotografia exibe a fachada de um supermercado em Foz possível alcançar de forma imediata uma vasta rede de
do Iguaçu, cuja localização transfronteiriça é marca- contatos por meio de um simples clique no botão “enviar”.
da  tanto pelo limite com Argentina e Paraguai quanto Você talvez também reflita sobre como as gerações
pela presença de outros povos. Essa fachada revela o(a) passadas puderam viver sem mídias sociais, desprovidas
da capacidade de verem e serem vistas, de receber, gerar
a) apagamento da identidade linguística. e interagir com uma imensa carga de informações. Mas o
b) planejamento linguístico no espaço urbano. que você talvez não saiba é que os seres humanos usam
c) presença marcante da tradição oral na cidade. ferramentas de interação social há mais de dois mil anos.
d) disputa de comunidades linguísticas diferentes. É o que afirma Tom Standage, autor do livro Writing on the
e) poluição visual promovida pelo multilinguismo. Wall — Social Media, The first 2 000 Years (Escrevendo
no mural — mídias sociais, os primeiros 2 mil anos, em
04. tradução livre).
Segundo Standage, Marco Túlio Cícero, filósofo e políti-
Farejador de Plágio: uma ferramenta contra a cópia ile- co romano, teria sido, junto com outros membros da elite
gal  No mundo acadêmico ou nos veículos de  comuni- romana, precursor do uso de redes sociais. O autor relata
cação, as cópias ilegais podem surgir de diversas manei- como Cícero usava um escravo, que posteriormente tor-
ras, sendo integrais, parciais ou paráfrases. Para ajudar a nou-se seu escriba, para redigir mensagens em rolos de
combater esse crime, o professor Maximiliano Zambonat- papiro que eram enviados a uma espécie de rede de con-
to Pezzin, engenheiro de computação, desenvolveu junto tatos. Estas pessoas, por sua vez, copiavam seu texto,
com os seus alunos o programa  Farejador de Plágio.  O acrescentavam seus próprios comentários e repassavam
programa é capaz de detectar: trechos contínuos e frag- adiante. “Hoje temos computadores e banda larga, mas
mentados, frases soltas, partes de textos reorganizadas, os romanos tinham escravos e escribas que transmitiam
frases reescritas, mudanças na ordem dos períodos e er- suas mensagens”, disse Standage à BBC Brasil. “Mem-
ros fonéticos e sintáticos. Mas como o programa realmente bros da elite romana escreviam entre si constantemente,
funciona? Considerando o texto como uma sequência de comentando sobre as últimas movimentações políticas e
palavras, a ferramenta analisa e busca trecho por trecho expressando opiniões.”
nos sites de busca, assim como um professor desconfiado Além do papiro, outra plataforma comumente utilizada
de um aluno faria. A diferença é que o programa permite pelos romanos era uma tábua de cera do tamanho e da
que se  pesquise em vários buscadores, gerando assim forma de um tablet moderno, em que escreviam recados,
muito mais resultados. perguntas ou transmitiam os principais pontos da acta di-
urna, um “jornal” exposto diariamente no Fórum de Roma.
Disponível em: http://reporterunesp.jor.br. Acesso em: 19 mar. 2018 Essa tábua, o “iPad da Roma Antiga”, era levada por um
mensageiro até o destinatário, que respondia embaixo da
Segundo o texto, a ferramenta Farejador de Plágio  al- mensagem.
cança seu objetivo por meio da
NIDECKER, F. Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 7 nov. 2013
a) seleção de cópias integrais. (adaptado).
b) busca em sites especializados.
c) simulação da atividade docente. Na reportagem, há uma comparação entre tecnologias de
d) comparação de padrões estruturais. comunicação antigas e atuais. Quanto ao gênero men-
e) identificação de sequência de fonemas. sagem, identifica-se como característica que perdura ao
longo dos tempos o(a)

a) imediatismo das respostas.
b) compartilhamento de informações.
c) interferência direta de outros no texto original.
d) recorrência de seu uso entre membros da elite.
e) perfil social dos envolvidos na troca comunicativa.

86

- HABILIDADE 30 Muda […] mostra em números a intolerância do internauta
tupiniquim. Entre abril e  junho, um algoritmo vasculhou
01. plataformas […] atrás  de mensagens e textos sobre
temas sensíveis, como racismo, posicionamento político e
A rede é, antes de tudo, um instrumento de comunicação homofobia. Foram identificadas 393 284 menções, sendo
entre pessoas, um laço virtual em que as comunidades 84% delas com  abordagem negativa, de exposição do
auxiliam seus membros a aprender o que querem saber. preconceito e da discriminação.
Os dados não representam senão a matéria-prima de um
processo intelectual e social vivo, altamente elaborado. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 6 dez. 2017
Enfim, toda inteligência coletiva do mundo jamais dispen- (adaptado).
sará a inteligência pessoal, o esforço individual e o tempo
necessário para aprender, pesquisar, avaliar e integrar-se Ao abordar a postura do internauta brasileiro mapeada por
a diversas comunidades, sejam elas virtuais ou não. A meio de uma pesquisa em plataformas virtuais, o texto
rede jamais pensará em seu lugar, fique tranquilo.
a) minimiza o alcance da comunicação digital.
LÉVY, P. A máquina universo: criação, cognição e cultura b) refuta ideias preconcebidas sobre o brasileiro.
informática. Porto Alegre: Artmed, 1998. c) relativiza responsabilidades sobre a noção de res-

No contexto das novas tecnologias de informação e co- peito.
municação, a circulação de saberes depende da d) exemplifica conceitos contidos na literatura e na

a) otimização do tempo. sociologia.
b) confiabilidade dos sites. e) expõe a ineficácia dos estudos para alterar tal com-
c) contribuição dos usuários.
d) quantidade de informação. portamento.
e) colaboração de intelectuais.
04.
02.
Mas assim que penetramos no universo da web, de-
O projeto DataViva consiste na oferta de dados oficiais scobrimos que ele constitui não apenas um imenso
sobre exportações, atividades econômicas, localidades e “território” em expansão acelerada, mas que também
ocupações profissionais de todo o Brasil. Num primeiro oferece inúmeros “mapas”, filtros, seleções para ajudar
momento, o DataViva construiu uma ferramenta que per- o navegante a orientar-se. O melhor guia para a web
mitia a análise da economia mineira embasada por essa é a própria web. Ainda que seja preciso ter a paciência
perspectiva metodológica complexa e diversa. No entan- de explorá-la. Ainda que seja preciso arriscar-se a ficar
to, diante das possibilidades oferecidas pelas bases de perdido, aceitar “a perda de tempo” para familiarizar-se
dados trabalhadas, a plataforma evoluiu para um sistema com esta terra estranha. Talvez seja preciso ceder por um
mais completo. De maneira interativa e didática, o usuário instante a seu aspecto lúdico para descobrir, no desvio de
é guiado por meio das diversas formas de navegação dos um link, os sites que mais se aproximam de nossos inter-
aplicativos. Além de informações sobre os produtos ex- esses profissionais ou de nossas paixões e que poderão,
portados, bem como acerca do volume das exportações portanto, alimentar da melhor maneira possível nossa jor-
em cada um dos estados e municípios do País, em pou- nada pessoal.
cos cliques, o interessado pode conhecer melhor o perfil
da população, o tipo de atividade desenvolvida, as ocu- LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
pações formais e a média salarial por categoria.
O usuário iniciante sente-se não raramente desorientado
MANTOVANI. C. A. Guardião de informações. Minas faz Ciência. n. 58. no oceano de informações e possibilidades disponíveis
jun.-jul.-ago 2014 (adaptado). na rede mundial de computadores. Nesse sentido, Pierre
Lévy destaca como um dos principais aspectos da internet
Entre as novas possibilidades promovidas pelo desen- o(a)
volvimento de novas tecnologias, o texto destaca a
a) espaço aberto para a aprendizagem.
a) auditoria das ações de governo. b) grande número de ferramentas de pesquisa.
b) publicidade das entidades públicas. c) ausência de mapas ou guias explicativos.
c) obtenção de informações estratégicas. d) infinito número de páginas virtuais
d) disponibilidade de ambientes coletivos. e) dificuldade de acesso aos sites de pesquisa.
e) comunicação entre órgãos administrativos.

03.

Na sociologia e na literatura, o brasileiro foi por  vezes
tratado como cordial e hospitaleiro, mas não é isso o que
acontece nas redes sociais: a democracia racial apre-
goada por Gilberto Freyre passa ao largo  do que acon-
tece diariamente nas comunidades  virtuais do país. Le-
vantamento inédito realizado pelo projeto Comunica que

87

05.

Até que ponto replicar conteúdo é crime? “A internet e a pirataria são inseparáveis”, diz o diretor do instituto de pesqui-
sas americano Social Science Research Council. “Há uma infraestrutura pequena para controlar quem é o dono dos
arquivos que circulam na rede. Isso acabou com o controle sobre a propriedade e tem sido descrito como pirataria, mas
é inerente à tecnologia”, afirma o diretor. O ato de distribuir cópias de um trabalho sem a autorização dos seus produ-
tores pode, sim, ser considerado crime, mas nem sempre essa distribuição gratuita lesa os donos dos direitos autorais.
Pelo contrário. Veja o caso do livro O alquimista, do escritor Paulo Coelho. Após publicar, para download gratuito, uma
versão traduzida da obra em seu blog, Coelho viu as vendas do livro em papel explodirem.

BARRETO, J.; MORAES, M. A internet existe sem pirataria? Veja, n. 2 308, 13 fev. 2013 (adaptado).

De acordo com o texto, o impacto causado pela internet propicia a

a) banalização da pirataria na rede.
b) adoção de medidas favoráveis aos editores.
c) implementação de leis contra crimes eletrônicos.
d) reavaliação do conceito de propriedade intelectual.
e) ampliação do acesso a obras de autores reconhecidos.

2ª PARTE

1. GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS

Anúncios, poemas, notícias, anedotas, horóscopo, receitas culinárias, bulas, telefonemas, palestras e discursos são
alguns exemplos dos textos que usamos em nosso cotidiano, por meio dos quais estabelecemos comunicação com o
mundo, são os gêneros textuais. Eles compõem uma imensa lista e são flexíveis, pois apesar de terem certa estabili-
dade, podem sofrer variações ao longo do tempo por conta das mudanças na forma como as pessoas se comunicam.

É comum haver uma certa confusão entre gênero e tipo textual, então vamos esclarecer essas diferenças: enquanto
os gêneros cumprem uma função social, em uma dada situação comunicativa, os tipos textuais têm a ver com estru-
tura, objetivo e finalidade dos textos. Em outras palavras, a tipologia textual é responsável pela forma como um texto
se apresenta, e estão classificadas em narração, descrição, dissertação, exposição e injunção. A seguir, vamos ana-
lisá-los individualmente.

Narração – O texto de base narrativa tem como principal característica a presença de alguns elementos: um enredo,
que apresenta ações de personagens em um determinado tempo e espaço, e um narrador, que conta a história e pode
ser, entre outros, do tipo personagem, observador e onisciente. Por fim, a estrutura do texto narrativo é composta pelo
desenvolvimento, clímax e desfecho, e o tempo verbal mais utilizado é o passado.

Descrição – O texto descritivo, como o próprio nome já diz, tem como função descrever, por meio de observações e
características, algo ou alguém. Sendo assim, em sua construção, há muitos verbos de ligação e adjetivos a fim de
estimular uma construção de imagens na nossa mente.

Dissertação – O texto dissertativo pode ser dividido em dois tipos, o dissertativo-argumentativo (tipo textual solicitado
na redação do ENEM, de vestibulares e de concursos públicos em geral) e o dissertativo-expositivo. O primeiro tem
como função, além de defender uma ideia através da argumentação, persuadir o leitor; o segundo tem como objetivo
expor um ponto de vista, sem necessariamente usar artifícios de convencimento.

Exposição – A finalidade do texto expositivo é informar ou esclarecer o leitor, a partir da exposição de um determinado
assunto. Para isso, ao longo da sua estrutura são utilizadas conceituações, definições, informações e descrições. Além
disso, uma linguagem clara e concisa é essencial para essa tipologia textual.

Injunção – O texto injuntivo tem como função instruir ou orientar o leitor, instigá-lo a uma ação. Desse modo, a uti-
lização dos verbos no imperativo é um dos recursos linguísticos mais importantes dessa tipologia.

88

Para esclarecer a diferença entre gênero e tipo textual é importante destacar, ainda, que um determinado gênero
pode apresentar mais de um tipo textual em sua composição, a redação de vestibular é um bom exemplo disso. Tra-
ta-se de um texto cujo objetivo é dissertar sobre um tema, apresentando um ponto de vista e defendendo-o por meio
de argumentos sólidos, portanto, é um texto de base dissertativa-argumentativa, no entanto, nada impede que se faça
uso de pequenos trechos narrativos e/ou descritivos em sua composição, desde que sejam aplicados como estratégias
para atingir o objetivo principal: argumentar em defesa de um ponto de vista.

COMO FUNCIONA NA PRÁTICA

TIPOS TEXTUAIS

NARRAÇÃO DESCRIÇÃO EXPOSIÇÃO ARGUMENTAÇÃO INJUNÇÃO
relato histórico receita culinária
G anedota palestra artigo de opinião
Ê

N conto biografia relatório científico editorial texto publicitário
E curriculum vitae manual de instruções
notícia regulamento
R fábula aula expositiva crônica argumentativa
O verbete carta de reclamação

S lenda

2. FUNÇÕES DA LINGUAGEM

As funções da linguagem são diferentes recursos de comunicação que, conforme o objetivo do emissor, dão ênfase à
mensagem transmitida, em função do contexto em que o ato comunicativo ocorre.

Existem seis funções da linguagem. Estas encontram-se diretamente relacionadas com os elementos da comunicação.

FUNÇÕES DA LINGUAGEM ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO
Função referencial ou denotativa contexto
Função emotiva ou expressiva emissor
Função apelativa ou conativa receptor
Função poética mensagem
Função fática Canal
Função metalinguística código

Deste modo, a linguagem atingiria diferentes funções ao dar prioridade a determinado elemento da comunicação.

• FUNÇÃO EMOTIVA OU EXPRESSIVA

Leia a seguir a carta escrita por Jorge Amado a Zélia Gattai quando o escritor participava do Congresso da Paz, em
Viena, em 1951. Essa carta é um exemplo de função emotiva.

Viena, 4
Meu amor,
Recebi hoje pela manhã teu telegrama, vou a buscar amanhã, segunda-feira, os remédios pedidos. Faço-te este bilhete
durante uma reunião de Comissão para te enviar minha saudade a ti, a João e a Paloma.
Nunca tive tanto trabalho em toda a minha vida. Entro no local da reunião antes das 8 da manhã e saio sempre depois
da meia-noite. Ontem saí 1 e meia da manhã e fui despertado com teu telegrama às 6h. Estou fatigadíssimo. Todo
mundo vai sem novidade. Todos te enviam abraços.
Neste momento que te escrevo Dona Branca deve estar falando em plenário. Oh! Meu Deus!, que senhora chata. Já
estou farto.
Fiquei contente em saber que todos estão bem. Beija os meninos por mim e recebe um beijo meu com toda a saudade
e o carinho do teu Jorge.

(Revista Cult, 165 – ano 15, fev.2012 – in Dossiê Jorge Amado, p.41)

89

Com a leitura, você observa que o autor está centrado em si mesmo, revelando seus sentimentos e suas emoções
(minha saudade a ti, Fiquei contente), por isso é comum a constância do pronome de primeira pessoa (minha, meu,
mim) e verbos nessa mesma pessoa (recebi, tive, saio, escrevo…)
O texto manifesta também opiniões (Oh! Meu Deus!, que senhora chata). A realidade do autor é retratada de forma
subjetiva, é o seu ponto de vista que está em jogo. Além dessas características analisadas, o ponto de interrogação,
reticências e exclamações são sinais que revelam emoções do emissor.
Portanto, tudo o que em uma mensagem revelar emoções, sentimentos, opiniões e avaliações do emissor diante da
vida pertencerá à função emotiva da linguagem.

• FUNÇÃO REFERENCIAL OU INFORMATIVA
Leia a notícia apresentada a seguir: 06/02/2007 – 13h37 – G1 – Planeta Bizarro

Polícia prende 155 cabras e leva todas de camburão para a delegacia
Devastaram plantação de tomate e milho de um argentino.
Verdadeiro dono não apareceu para pagar fiança.

MENDOZA, Argentina – O agricultor Antonio Vergel decidiu colher alguns dos tomates e milhos que cultiva em seu sítio
em Mendoza, na Argentina e, quando pôs os olhos na plantação, seu coração gelou: uma quantidade inacreditável de
cabras devorava tudo o que via pela frente.
Depois de tentar sem sucesso espantar a horda de invasores, Vergel ligou para a delegacia, segundo foi publicado no
site argentino Infobae.
“Eram dez e pouco da manhã e o homem, alucinado, nos contava sua tragédia. Fomos ao local com um caminhão
preparado para o transporte de animais, mas chegando lá vimos que eram realmente muitas”, declarou um dos policiais
ao Los Andes online.
Uma a uma, elas eram colocadas no caminhão na condição de presas. Foram encaminhadas a um centro de detenção
de animais da polícia em Los Corralitos.
Na mesma tarde, pelo menos três pessoas apareceram dizendo ser as proprietárias do rebanho. A polícia afirmou que
não vai ser assim tão fácil tirar a bicharada da cadeia.
Elas foram enquadradas no código 114 do Código Penal argentino, e o verdadeiro dono das cabras vai ter que pagar
uma nota para libertá-las. Sem falar nos tomates e milhos do agricultor inconformado.

(Disponível em: g1.globo.com/planeta-bizarro)
Você notou, que a notícia acima, o autor utiliza a linguagem de forma direta, objetiva e impessoal: não tece comentários
ou expressa qualquer juízo de valor quanto ao assunto abordado. Além disso, os vocábulos não são empregados em
sentido figurado, negando a possibilidade de mais de uma interpretação por parte do leitor. A mensagem foi organizada
com a intenção de transmitir informação precisa.
Portanto, no texto em questão, predomina a função referencial (denotativa) da linguagem, centrada na informação.

Pode-se encontrar esse tipo de função em textos de caráter científico e jornalístico. Também predomina a função ref-
erencial na combinação do código não-verbal e verbal, como pode ser visto neste exemplo.

(Disponível em: blog.mcsx.net)

90

• FUNÇÃO POÉTICA
A rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!
Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A anti-rosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada.

(Vinicius de Moraes)

O poema A rosa de Hiroshima  revela que o poeta desejava valorizar a mensagem a ser transmitida e, para isso,
além de explorar o conteúdo (os efeitos da bomba), também se preocupou com a forma de construção do texto. Para
construí-lo, o autor cultivou alguns recursos que são capazes de despertar no leitor certo prazer estético (pelo seu
caráter inovador) e uma determinada impressão.
Logo, quando o emissor se preocupa em enfatizar a construção e a elaboração da mensagem, tem-se o predomínio
da função poética. Embora esta seja mais corrente em poesias também pode ser encontrada em textos publicitários,
alguns textos jornalísticos (crônicas) e populares (provérbios) e romances (Iracema, de José de Alencar, por exemplo,
é um poema em prosa).

• FUNÇÃO APELATIVA OU CONATIVA

A função apelativa, também chamada de função conativa, tem como principal objetivo influenciar e persuadir o receptor,
sendo um apelo para que este faça algo. Assim, a ênfase é dada ao receptor da mensagem. Entre as características
dessa função estão o predomínio do uso de verbos no imperativo, uso da 2.ª ou 3.ª pessoa do discurso (tu e você) e a
presença de vocativos que direcionam a mensagem. Além disso, é comum se recorrer a pontos de exclamação para
enfatizar o discurso.
A função apelativa ou conativa é usada em publicidades e propagandas; discursos políticos; sermões religiosos; livros
de autoajuda; horóscopo.

91

• FUNÇÃO FÁTICA

A função fática tem como principal objetivo estabelecer um canal de comunicação entre o emissor e o receptor, quer
para iniciar a transmissão da mensagem, quer para assegurar a sua continuação. A ênfase dada ao canal comunica-
tivo. Tem como características o emprego de frases interrogativas para obter resposta do receptor e de interjeições e
onomatopeias para manter o discurso.
Em geral, a função fática é a que se usa em cumprimentos; saudações; conversas telefônicas.
Veja um trecho da canção Sinal Fechado, de Paulinho da Viola, que caracteriza essa função:

– Olá, como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem, eu vou indo correndo pegar meu
lugar no futuro e você?
– Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono
tranquilo, quem sabe...
– Quanto tempo.
– Pois é. Quanto tempo.

[...]

• FUNÇÃO METALINGUÍSTICA

A função metalinguística tem como principal objetivo usar um determinado código para explicar esse próprio código.
Assim, a ênfase dada ao código comunicativo por meio do uso do próprio o código como tema da mensagem com uma
função explicativa. É a função da linguagem que se observa em dicionários e gramáticas. Veja os exemplos:

Gosto da palavra fornida. É uma palavra que diz tudo o quer dizer. Se você lê que uma mulher é bem fornida, sabe
exatamente como ela é. Não gorda, mas cheia, roliça, carnuda. E quente. Talvez seja a semelhança com forno. Talvez
seja apenas o tipo de mente que eu tenho.

(Luis Fernando Verissimo)

Fornido [part. De fornir.] Adj.
1. Abastecido, provido.
2. Robusto, carnudo, nutrido, alentado.

OLLANDA, Aurélio Buarque de. Dicionário Aurélio Eletrônico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.)

Observe que nos dois exemplos temos uma metalinguagem. O cronista escreve um texto em que utiliza o código da
língua portuguesa exatamente para falar da língua portuguesa; já o verbete do dicionário é o exemplo típico, uma vez
que as palavras se organizam para explicar as próprias palavras.

HORA DE PRATICAR

01. Desabafo a) o discurso do enunciador tem como foco o próprio
código.
Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha
divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem como b) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está
disfarçar: esta é uma típica manhã de segunda-feira. sendo dito.
A começar pela luz acesa da sala que esqueci ontem à
noite. Seis recados para serem respondidos na secretária c) o interlocutor é o foco do enunciador na construção
eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que da mensagem.
venceram ontem. Estou nervoso. Estou zangado.
d) o referente é o elemento que se sobressai em detri-
CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento). mento dos demais.

e) o enunciador tem como objetivo principal a manu-
tenção da comunicação.

Nos textos em geral, é comum a manifestação simultânea
de várias funções da linguagem, com o predomínio, entre-
tanto, de uma sobre as outras. No fragmento da crônica
Desabafo, a função da linguagem predominante é a emo-
tiva ou expressiva, pois

92

02. Assinale a alternativa que contenha a sequência Predomina nesse texto a função da linguagem que se
correta sobre as funções da linguagem, importantes constitui
elementos da comunicação:
a) nas diferenças entre o cronista e o ficcionista.
1. Ênfase no emissor (lª pessoa) e na expressão direta b) nos elementos que servem de inspiração ao cronista.
de suas emoções e atitudes. c) nos assuntos que podem ser tratados em uma crô-

2. Evidencia o assunto, o objeto, os fatos, os juízos. É nica.
a linguagem da comunicação. d) no papel da vida do cronista no processo de escrita

3. Busca mobilizar a atenção do receptor, produzindo da crônica.
um apelo ou uma ordem. e) nas dificuldades de se escrever uma crônica por

4. Ênfase no canal para checar sua recepção ou para meio de uma crônica.
manter a conexão entre os falantes.
04.
5. Visa à tradução do código ou à elaboração do dis-
curso, seja ele linguístico ou extralinguístico. Há o hipotrélico. O termo é novo, de impensada origem e
ainda sem definição que lhe apanhe em todas as pétalas
6. Voltada para o processo de estruturação da men- o significado. Sabe-se, só, que vem do bom português.
sagem e para seus próprios constituintes, tendo em Para a prática, tome-se hipotrélico querendo dizer: an-
vista produzir um efeito estético. tipodático, sengraçante imprizido; ou talvez, vicedito: in-
divíduo pedante, importuno agudo, falta de respeito para
(  ) função metalinguística. com a opinião alheia. Sob mais que, tratandose de pa-
(  ) função poética. lavra inventada, e, como adiante se verá, embirrando o
(  ) função referencial. hipotrélico em não tolerar neologismos, começa ele por se
(  ) função fática. negar nominalmente a própria existência.
(  ) função conativa.
(  ) função emotiva. (ROSA, G. Tutameia: terceiras estórias. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2001) (fragmento).
a) 1, 2, 4, 3, 6, 5.
b) 5, 2, 6, 4, 3, 1. Nesse trecho de uma obra de Guimarães Rosa, depreende-
c) 5, 6, 2, 4, 3, 1. se a predominância de uma das funções da
d) 6, 5, 2, 4, 3, 1.
e) 3, 5, 2, 4, 6, 1.

03. a) metalinguística, pois o trecho tem como propósito
essencial usar a língua portuguesa para explicar a
O exercício da crônica própria língua, por isso a utilização de vários sinô-
nimos e definições.
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fada, como
faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é b) referencial, pois o trecho tem como principal objetivo
levadomeioatapaspelaspersonagensesituaçõesque,azar discorrer sobre um fato que não diz respeito ao escritor
dele, criou porque quis. Com um prosador do ou ao leitor, por isso o predomínio da terceira pessoa.
cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele di- c) fática, pois o trecho apresenta clara tentativa
ante de sua máquina, olha através da janela e bus- de estabelecimento de conexão com o leitor, por
ca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de isso o emprego dos termos “sabese lá” e “tome-se
preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, hipotrélico”.
em que, com as suas artimanhas peculiares, possa injetar
um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de d) poética, pois o trecho trata da criação de palavras
olhar em torno e esperar que, através de um processo as- novas, necessária para textos em prosa, por isso o
sociativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fa- emprego de “hipotrélico”.
tos e feitos de sua vida emocionalmente despertados pela
concentração. Ou então, em última instância, recorrer ao e) expressiva, pois o trecho tem como meta mostrar a
assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do subjetividade do autor, por isso o uso do advérbio
qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado. de dúvida “talvez”.

MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São 05.
Paulo: Cia. das Letras, 1991. O telefone tocou.

— Alô? Quem fala?
— Como? Com quem deseja falar?
— Quero falar com o sr. Samuel Cardoso.
— É ele mesmo. Quem fala, por obséquio?
— Não se lembra mais da minha voz, seu Samuel? Faça
um esforço.
— Lamento muito, minha senhora, mas não me lembro.
Pode dizer-me de quem se trata?

(ANDRADE, C. D. Contos de aprendiz. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1958.)

93

Pela insistência em manter o contato entre o emissor e o c) conativa, uma vez que o leitor é provocado a parti-
receptor, predomina no texto a função cipar de uma ação.

a) metalinguística. d) referencial, já que são apresentadas informações
b) fática. sobre acontecimentos e fatos reais.
c) referencial.
d) emotiva. e) poética, pois chama-se a atenção para a elaboração
e) conativa. especial e artística da estrutura do texto.

08. (ENEM)

06. (ENEM) A biosfera, que reúne todos os ambientes onde se desen-
volvem os seres vivos, se divide em unidades menores
Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sen- chamadas ecossistemas, que podem ser uma tem múlti-
tido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir- plos mecanismos que regulam o número de organismos
lhe significado, conseguir relacioná-lo a todos os outros dentro dele, controlando sua reprodução, crescimento e
textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo migrações.
de leitura que o seu autor pretendia e, dono da própria
vontade, entregar-se a essa leitura, ou rebelar-se contra DUARTE, M. O guia dos curiosos. São Paulo: Companhia
ela, propondo uma outra não prevista. das Letras, 1995.

LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. Predomina no texto a função da linguagem
São Paulo: Ática, 1993.
a) emotiva, porque o autor expressa seu sentimento
Nesse texto, a autora apresenta reflexões sobre o pro- em relação à ecologia.
cesso de produção de sentidos, valendo-se da metalin-
guagem. Essa função da linguagem torna-se evidente b) fática, porque o texto testa o funcionamento do canal
pelo fato de o texto de comunicação.

a) ressaltar a importância da intertextualidade. c) poética, porque o texto chama a atenção para os
b) propor leituras diferentes das previsíveis. recursos de linguagem.
c) apresentar o ponto de vista da autora.
d) discorrer sobre o ato de leitura. d) conativa, porque o texto procura orientar comporta-
e) focar a participação do leitor. mentos do leitor.

e) referencial, porque o texto trata de noções e infor-
mações conceituais.

09. (ENEM)

07. (ENEM) TEXTO I

Canção do vento e da minha vida Fundamentam-se as regras da Gramática Normativa
nas obras dos grandes escritores, em cuja linguagem as
O vento varria as folhas, classes ilustradas põem o seu ideal de perfeição, porque
O vento varria os frutos, nela é que se espelha o que o uso idiomático estabilizou
O vento varria as flores... e consagrou.
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia LIMA, C. H. R. Gramática normativa da língua portuguesa.
De frutos, de flores, de folhas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989.
[...]
O vento varria os sonhos TEXTO II
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres... Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As pala-
E a minha vida ficava vras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sen-
Cada vez mais cheia sualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade
De afetos e de mulheres. real não tem para mim interesse de nenhuma espécie —
O vento varria os meses nem sequer mental ou de sonho —, transmudou-se-me o
E varria os teus sorrisos... desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os
O vento varria tudo! escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de
E a minha vida ficava Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda
Cada vez mais cheia a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremula-
De tudo. mente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal
página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num
1967. delírio passivo de coisa movida.

Predomina no texto a função da linguagem: PESSOA, F. O livro do desassossego. São Paulo: Brasilien-
se, 1986.
a) fática, porque o autor procura testar o canal de co-
municação.

b) metalinguística, porque há explicação do significado
das expressões.

94

A linguagem cumpre diferentes funções no processo de b) enfatizar a tendência da sociedade contemporânea
comunicação. A função que predomina nos textos I e II de buscar hábitos alimentares saudáveis, reforçando
tal postura.
a) destaca o “como” se elabora a mensagem, consi-
derando-se a seleção, combinação e sonoridade do c) criticar o consumo excessivo de produtos industriali-
texto. zados por parte da população, propondo a redução
desse consumo;
b) coloca o foco no “com o quê” se constrói a mensa-
gem, sendo o código utilizado o seu próprio objeto. d) associar o vocábulo “açúcar” à imagem do corpo fora
de forma, sugerindo a substituição desse produto
c) focaliza o “quem” produz a mensagem, mostrando pelo adoçante;
seu posicionamento e suas impressões pessoais.
e) relacionar a imagem do saco de açúcar a um corpo
d) orienta-se no “para quem” se dirige a mensagem, humano que não desenvolve atividades físicas,
estimulando a mudança de seu comportamento. incentivando a prática esportiva.

e) enfatiza sobre “o quê” versa a mensagem, apresen- 12.
tada com palavras precisas e objetivas.
As atrizes
10. (ENEM) Naturalmente
Ela sorria
Poema tirado de uma notícia de jornal Mas não me dava trela
Trocava a roupa
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no Na minha frente
morro da Babilônia num barracão sem número. Uma noite E ia bailar sem mais aquela
ele chegou no bar Vinte de Novembro Escolhia qualquer um
Bebeu Lançava olhares
Cantou Debaixo do meu nariz
Dançou Dançava colada
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu Em novos pares
afogado. Com um pé atrás
Com um pé a fim
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira: poesias reunidas. Rio de Janei- Surgiram outras
ro: José Olympio, 1980. Naturalmente
Sem nem olhar a minha cara
No poema de Manuel Bandeira, há uma ressignificação Tomavam banho
de elementos da função referencial da linguagem pela Na minha frente
Para sair com outro cara
a) atribuição de título ao texto com base em uma notícia Porém nunca me importei
veiculada em jornal. Com tais amantes
[...]
b) utilização de frases curtas, características de textos Com tantos filmes
do gênero jornalístico. Na minha mente
É natural que toda atriz
c) indicação de nomes de lugares como garantia da Presentemente represente
veracidade da cena narrada. Muito para mim

d) enumeração de ações, com foco nos eventos acon-
tecidos à personagem do texto.

e) apresentação de elementos próprios da notícia, tais
como quem, onde, quando e o quê.

11.

CHICO BUARQUE. Carioca. Rio de Janeiro: Biscoito Fino,
2006 (fragmento)

Na canção, Chico Buarque trabalha uma determinada
função da linguagem para marcar a subjetividade do
eu lírico ante as atrizes que ele admira. A intensidade
dessa admiração está marcada em:

Otextoéumapropagandadeumadoçantequetemoseguinte a) “Naturalmente/ Ela sorria/ Mas não me dava trela”.
mote: Mude sua embalagem. A estratégia que o autor uti- b) “Tomavam banho/ Na minha frente/ Para sair com
liza para o convencimento do leitor baseia-se no emprego
de recursos expressivos, verbais e não verbais, com vis- outro cara”.
tas a: c) “Surgiram outras/ Naturalmente/ Sem nem olhar a

a) ridicularizar a forma física do possível cliente do minha cara”.
produto anunciado, aconselhando-o a uma busca d) “Escolhia qualquer um/ Lançava olhares/ Debaixo
de mudanças estéticas;
do meu nariz”.
e) “É natural que toda atriz/ Presentemente represente/

Muito para mim”.

95

O texto tem objetivo educativo. Nesse sentido, além do

13. foco no interlocutor, que caracteriza a função conativa da
linguagem, predomina também nele a função referencial,

que busca

a) despertar no leitor sentimentos de amor pela natu-
reza, induzindo-o a ter atitudes responsáveis que
beneficiarão a sustentabilidade do planeta.

b) informar o leitor sobre as consequências da desti-
nação inadequada do lixo, orientando-o sobre como
fazer o correto descarte de alguns dejetos.

c) transmitir uma mensagem de caráter subjetivo, mos-
trando exemplos de atitudes sustentáveis do autor
do texto em relação ao planeta.

d) estabelecer uma comunicação com o leitor, procu-
rando certificar-se de que a mensagem sobre ações
de sustentabilidade está sendo compreendida.

e) explorar o uso da linguagem, conceituando detalha-
damente os termos utilizados de forma a proporcio-
nar melhor compreensão do texto

15.

TEXTO 1

Entre as funções de um cartaz, está a divulgação de cam-
panhas. Para cumprir essa função, as palavras e as ima-
gens desse cartaz estão combinadas de maneira a

a) evidenciar as formas de contágio da tuberculose.
b) mostrar as formas de tratamento da doença.
c) discutir os tipos da doença com a população.
d) alertar a população em relação à tuberculose.
e) combater os sintomas da tuberculose.

14.

Coisas que você não deve jogar na privada nem no ralo. TEXTO 2
Elas poluem rios, lagos e mares, o que contamina o ambi-
ente e os animais. Também deixa mais difícil obter a água Como já visto, a propaganda emprega a função apelativa
que nós mesmos usaremos. Alguns produtos podem numa intenção persuasiva. É o que acontece com esta
causar entupimentos: propaganda do projeto “Brasil — um país de todos”: Nes-
sa propaganda, para expressar a necessidade de errad-
• cotonete e fio dental; icação do trabalho escravo, as ferramentas apresentam
• medicamento e preservativo; um valor simbólico representado como:
• óleo de cozinha;
• ponta de cigarro; a) armas de defesa que sugerem medo de transforma-
• poeira de varrição de casa; ções;
• fio de cabelo e pelo de animais;
• tinta que não seja à base de água; b) grades de prisão que marcam a intensidade da ex-
• querosene, gasolina, solvente, tíner. ploração;

Jogue esses produtos no lixo comum. Alguns deles, como c) instrumentos de luta que mostram o poder dos ex-
óleo de cozinha, medicamento e tinta, podem ser levados ploradores;
a pontos de coleta especiais, que darão a destinação final
adequada. d) objetos de tortura que expressam a insignificância
do trabalho.
MORGADO, M.; EMASA. Manual de etiqueta. Planeta Sus-
tentável, jul.-ago. 2013(adaptado).

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16. (EPCAR- AFA 2020) d) a carta se utiliza de elementos da função emotiva
– centrada no emissor – ainda que a intenção predo-
Em 1934, um redator de Nova York chamado Robert Pi- minante do autor seja a função apelativa – conquistar
rosh largou o emprego bem remunerado numa agência de o receptor.
publicidade e rumou para Hollywood, decidido a trabalhar
como roteirista. Lá chegando, anotou o nome e o en- 17. (PUCSP-2017)
dereço de todos os diretores, produtores e executivos que
conseguiu encontrar e enviou-lhes o que certamente é o Segundo o crítico Araripe Jr., referindo-se à produção de
pedido de emprego mais eficaz que alguém já escreveu, Alencar no romance Iracema, “os assuntos pouco interes-
pois resultou em três entrevistas, uma das quais lhe ren- savam à sua musa fértil; a linguagem era tudo”. Ou seja,
deu o cargo de roteirista assistente na MGM. o como se diz é mais importante do que aquilo que se
diz. Assim, é correto afirmar que, na linguagem da obra,
Prezado senhor:
a) predomina a função poética, ou seja, a que se volta
Gosto de palavras. para a construção do texto, a partir dos procedimen-
tos de seleção e combinação vocabular, marcado por
Gosto de palavras gordas, untuosas, como lodo, torpi- princípio estético.
tude, glutinoso, bajulador. Gosto de palavras solenes,
como pudico, ranzinza, pecunioso, valetudinário. Gosto b) predomina a função emotiva, em detrimento da
de palavras espúrias, enganosas, como mortiço, liquidar, referencial, já que é sob a ótica de Iracema que se
tonsura, mundana. Gosto de suaves palavras com “V”, constrói a narrativa.
como Svengali, avesso, bravura, verve. Gosto de pala-
vras crocantes, quebradiças, crepitantes, como estilha, c) a função referencial, de caráter histórico, é que dá
croque, esbarrão, crosta. Gosto de palavras emburradas, chão firme para o desenvolvimento do romance que
carrancudas, amuadas, como furtivo, macambúzio, es- alegoriza a fundação do Ceará.
cabioso, sovina. Gosto de palavras chocantes, exclama-
tivas, enfáticas, como astuto, estafante, requintado, hor- d) há largo uso da função apelativa, visto que é forte a
rendo. Gosto de palavras elegantes, rebuscadas, como intervenção do narrador sobre os sentimentos das
estival, peregrinação, Elísio, Alcione. Gosto de palavras personagens.
vermiformes, contorcidas, farinhentas, como rastejar, cho-
ramingar, guinchar, gotejar. Gosto de palavras escorrega- 18. (EPCAR - CPCAR 2017) Leia o texto a seguir e res-
dias, risonhas, como topete, borbulhão, arroto. ponda à questão.
Gosto mais da palavra roteirista que da palavra redator,
e por isso resolvi largar meu emprego numa agência de O Sal da Terra
publicidade de Nova York e tentar a sorte em Hollywood,
mas, antes de dar o grande salto, fui para a Europa, onde Anda!
passei um ano estudando, contemplando e perambulan- Quero te dizer nenhum segredo
do. Falo desse chão, da nossa casa
Acabei de voltar e ainda gosto de palavras. Vem que tá na hora de arrumar
Posso trocar algumas com o senhor? Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Robert Pirosh Quero não ferir meu semelhante
Madison Avenue, 385 Nem por isso quero me ferir
Quarto 610 Vamos precisar de todo mundo
Nova York Pra banir do mundo a opressão
Eldorado 5-6024. Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
(USHER, Shaun .(Org) Cartas extraordinárias: a correspon- A felicidade mora ao lado
dência inesquecível de pessoas notáveis. Trad. de Hildegard E quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor
Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.p. 48.) O pé na terra
A paz na Terra, amor
Analisando a forma e o objetivo do texto, é correto afirmar O sal da
que Terra!
És o mais bonito dos planetas
a) a linguagem utilizada é acentuadamente formal, já Tão te maltratando por dinheiro
que o remetente está em um contexto que necessita Tu que és a nave nossa irmã
desse tipo de tratamento. Canta!
Leva tua vida em harmonia
b) para convencer o destinatário, Robert utilizou, ao E nos alimenta com seus frutos
longo da carta, discurso direto, caracterizando assim Tu que és do homem, a maçã
um tom de proximidade e amizade com o receptor. Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que
c) o texto é marcadamente denotativo, possibilitando dois
ao destinatário perceber a versatilidade linguística Pra melhor juntar as nossas forças
do remetente. É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora

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Para merecer quem vem depois TEXTO III
Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra

GUEDES, Beto. www.mundojovem.com.br/musicas/o-sal-da-terra-be-
to-guedestransito.Acesso em 18/04/2016.

Assinale a opção que contém uma informação correta so-
bre a canção “O Sal da Terra”.

a) A função apelativa é predominante no texto. a) Referencial – apelativa – poética.
b) Apenas a linguagem padrãofoi empregada em toda b) Fática – poética – apelativa.
c) Metalinguística – emotiva – poética.
a canção. d) Poética – metalinguística – emotiva.
c) Foi utilizado, no texto, apenas pronome de segunda e) Metalinguística – referencial – emotiva.

pessoa gramatical para se referir à Terra. 20. (IFSP-2016)
d) A canção foi escrita apenas para dois interlocutores:
Observe o texto adaptado abaixo. O zika vírus
a Terra e o Tempo. foi identificado no Brasil pela primeira vez no
final de abril por pesquisadores da Universidade Federal
19. (IFCE-2016) da Bahia (UFBA). Pertencente à mesma família dos vírus
da dengue e da febre amarela, o zika é endêmico de al-
Leia os textos abaixo e indique a alternativa que contém, guns países da África e do sudeste da Ásia. Veja pergun-
respectivamente, a classificação correta quanto à função tas e respostas sobre a doença:
da linguagem neles predominante.
Como ocorre a transmissão? Assim como os vírus da
TEXTO I dengue e do chikungunya, o zika também é transmitido
pelo mosquito Aedes aegypti. A prevenção, portanto, seg-
“Entendo que poesia é negócio de grande responsabili- ue as mesmas regras aplicadas a essas doenças.
dade, e não considero honesto rotular-se de poeta quem Evitar a água parada, que os mosquitos usam para se re-
apenas verseje por dor de cotovelo, falta de dinheiro ou produzir, é a principal medida. Quais são os sintomas? Os
momentânea tomada de contato com as forças líricas do principais sintomas da doença provocada pelo zika vírus
mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e se- são febre intermitente, erupções na pele, coceira e
cretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo dor muscular. Segundo a infectologista Rosana Richt-
da ação. Até os poetas se armam, um poeta desarmado mann, a boa notícia é que o zika vírus é muito menos
é, mesmo, um ser à mercê de inspirações fáceis, dócil às agressivo que o vírus da dengue: não há registro de
modas e compromissos.” mortes relacionadas à doença. A evolução é benigna e
os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente
(Carlos Drummond de Andrade) em um período de 3 até 7 dias.

TEXTO II Como é o tratamento? Não há vacina nem tratamento es-
pecífico para a doença. Segundo informações do Ministério
“Quando criança, e depois adolescente, fui precoce da Saúde, os casos devem ser tratados com o uso de
em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exem- paracetamol ou dipirona para controle da febre e da dor.
plo, em apreender a atmosfera íntima de uma pes- Assim como na dengue, o uso de ácido acetilsalicílico (as-
soa. Por outro lado, longe de precoce, estava em in- pirina) deve ser evitado por causa do risco aumentado de
crível atraso em relação a outras coisas importantes. hemorragias.
Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso
fazer: parece que há em mim um lado infantil que não
cresce jamais”.

Clarice Lispector)

É correto afrmar que, no que tange às funções da

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linguagem, o texto acima é um exemplo de Função

a) Referencial ou Denotativa.
b) Expressiva ou Emotiva.
c) Apelativa ou Conativa.
d) Fática.
e) Metalinguística

3. FIGURAS DE LINGUAGEM
Figuras de linguagem são manifestações da língua, cuja intenção é estilística, ou seja, explorar seu uso em determina-
dos contextos, buscando a superação da linguagem em prol de maior expressividade para o texto.
Desse modo, é comum que esse recurso seja carregado de palavras expressivas que expõem a sensibilidade do autor.
Uma das características das figuras de linguagem é expor pensamentos que não esboçam o sentido literal do termo.
Subdividem-se em figuras de som (fonéticas), figuras de construção (sintáticas), figuras de pensamento (estilísticas) e
figuras de palavras (semânticas).

• Figuras de som
a) aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais.

“Belos beijos bailavam bebendo breves brumas boreais” (Luan Farigotini)
b) assonância: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos.

“Ó Formas alvas, brancas, Formas claras” (Cruz e Sousa)
c) paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos.

“Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias” (Padre António Vieira)
• Figuras de construção
a) elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável pelo contexto.

“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia)
b) zeugma: consiste na elipse de um termo que já apareceu antes.

Ela come pizza; eu, carne. (omissão de como)
c) polissíndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos da oração ou elementos do período.

“Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!”
com calma sem sofrer” (Olavo Bilac)

d) inversão: consiste na mudança da ordem natural dos termos na frase.

“Do que a terra mais garrida / Teus risonhos, lindos campos têm mais flores” (Osório Duque Estrada, em Hino Na-
cional Brasileiro)

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