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Published by Henrique Santos, 2024-01-11 16:50:11

CadernoEO-CHumanasV4_2022 _compressed

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Caro aluno O Hexag Medicina é, desde 2010, referência na preparação pré-vestibular de candidatos às melhores universidades do Brasil. Ao elaborar o seu Sistema de Ensino, o Hexag Medicina considerou como principal diferencial em relação aos concorrentes sua exclusiva metodologia em período integral, com aulas e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado. Você está recebendo o livro Estudo Orientado. Com o objetivo de verificar se você aprendeu os conteúdos estudados, este material apresenta nove categorias de exercícios: Aprendizagem: exercícios introdutórios de múltipla escolha para iniciar o processo de fixação da matéria dada em aula. Fixação: exercícios de múltipla escolha que apresentam um grau de dificuldade médio, buscando a consolidação do aprendizado. Complementar: exercícios de múltipla escolha com alto grau de dificuldade. Dissertativo: exercícios dissertativos seguindo a forma da segunda fase dos principais vestibulares do Brasil. Enem: exercícios que abordam a aplicação de conhecimentos em situações do cotidiano, preparando o aluno para esse tipo de exame. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios de múltipla escolha das universidades públicas de São Paulo. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios dissertativos da segunda fase das universidades públicas de São Paulo Uerj (exame de qualificação): exercícios de múltipla escolha que possibilitam a consolidação do aprendizado para o vestibular da Uerj. Uerj (exame discursivo): exercícios dissertativos que possibilitam a consolidação do aprendizado para o vestibular da Uerj. Visando a um melhor planejamento dos seus estudos, os livros de Estudo Orientado receberão o encarte Guia de Códigos Hierárquicos, que mostra, com prático e rápido manuseio, a que conteúdo do livro teórico corresponde cada questão. Esse formato vai auxiliá-lo a diagnosticar em quais assuntos você encontra mais dificuldade. Essa é uma inovação do material didático. Sempre moderno e completo, trata-se de um grande aliado para seu sucesso nos vestibulares. Bons estudos!


SUMÁRIO HISTÓRIA HISTÓRIA GERAL 3 AULAS 27 E 28: PRIMEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E REVOLUÇÃO AMERICANA 4 AULAS 29 E 30: REVOLUÇÃO FRANCESA 19 AULAS 31 E 32: ERA NAPOLEÔNICA E CONGRESSO DE VIENA 34 AULA FUNDAMENTO: IDEOLOGIAS DO SÉCULO XIX 44 AULAS 33 E 34: FRANÇA NO SÉCULO XIX E SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 52 HISTÓRIA DO BRASIL 67 AULAS 27 E 28: REPÚBLICA OLIGÁRQUICA: ASPECTOS POLÍTICOS E ECONÔMICOS 68 AULAS 29 E 30: REPÚBLICA OLIGÁRQUICA: MOVIMENTOS SOCIAIS 81 AULAS 31 E 32: CRISE DA REPÚBLICA OLIGÁRQUICA E REVOLUÇÃO DE 1930 97 AULAS 33 E 34: ERA VARGAS: GOVERNOS PROVISÓRIO E CONSTITUCIONAL 112 GEOGRAFIA GEOGRAFIA 1 127 AULAS 27 E 28: AGROPECUÁRIA BRASILEIRA 128 AULAS 29 E 30: TIPOS DE INDÚSTRIA 154 AULAS 31 E 32: INDUSTRIALIZAÇÃO DO BRASIL 166 AULAS 33 E 34: TRANSPORTES I 180 GEOGRAFIA 2 195 AULAS 27 E 28: REGIÕES SOCIOECONÔMICAS MUNDIAIS II: AMÉRICA LATINA 196 AULAS 29 E 30: REGIÕES SOCIOECONÔMICAS MUNDIAIS III: EUROPA 210 AULAS 31 E 32: REGIÕES SOCIOECONÔMICAS MUNDIAIS IV: RÚSSIA E ÁSIA CENTRAL 225 AULAS 33 E 34: REGIÕES SOCIOECONÔMICAS MUNDIAIS V: CHINA 237


HISTÓRIA CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 4 HISTÓRIA GERAL


4 VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (UFG) Leia as informações a seguir. Em meados do século XVIII, James Watt patenteou na Inglaterra seu invento, sobre o qual escreveu a seu pai: “O negócio a que me dedico agora se tornou um grande sucesso. A máquina de fogo que eu inventei está funcionando e obtendo uma resposta muito melhor do que qualquer outra que tenha sido inventada até agora”. Disponível em: <http://www.ampltd.co.uk/digital_ guides/ ind-rev-series-3-parts-1-to-3/detailed-listingpart-1. aspx>. Acesso em: 29 out. 2012. (Adaptado). A revolução histórica relacionada ao texto, a fonte primária de energia utilizada em tal máquina e a consequência ambiental de seu uso são, respectivamente: a) puritana, gás natural e aumento na ocorrência de inversão térmica. b) gloriosa, petróleo e destruição da camada de ozônio. c) gloriosa, carvão mineral e aumento do processo de desgelo das calotas polares. d) industrial, gás natural e redução da umidade atmosférica. e) industrial, carvão mineral e aumento da poluição atmosférica. 2. (Mackenzie) Tendo como base de análise a figura e os aspectos que definiram a Primeira Revolução Industrial, considere as afirmativas a seguir: I. Inicia-se nas últimas décadas do século XVIII e estende- -se até meados do século XIX. A invenção da máquina a vapor e o uso do carvão como fonte de energia primária marcam o início das mudanças nos processos produtivos. II. O Reino Unido foi o primeiro país a reunir condições básicas para o início da industrialização devido à intensa acumulação de capitais no decorrer do Capitalismo Comercial. III. Os mais destacados segmentos fabris desta fase foram o têxtil, o metalúrgico e o de mineração. IV. As transformações produtivas desta fase atingiram rapidamente outros países como a Alemanha, França e Estados Unidos ainda no Século XVIII recrutando operários com salários atrativos promovendo, assim, um intenso êxodo rural. Estão corretas: a) apenas I, II e III. b) apenas I, II e IV. c) apenas II, III e IV. d) apenas I, III e IV. e) I, II, III e IV. 3. (ESPCEX) “O acúmulo de capitais, a modernização da agricultura, a disponibilidade de mão de obra e de recursos naturais e a força do puritanismo ajudam a explicar o pioneirismo da __________ na Revolução Industrial”. BOULOS Jr, p.421 Das opções abaixo listadas, o país que melhor preenche o espaço acima é: a) Alemanha. b) Holanda. c) Itália. d) Inglaterra. e) Espanha. 4. (PUC-RJ) A Revolução Industrial representou uma profunda mudança nas relações políticas e econômicas no ocidente e no mundo. Sobre esse processo, é INCORRETO afirmar: a) que, em seus inícios, a industrialização se deu em setores de baixo investimento tecnológico e financeiro como, por exemplo, a indústria de tecidos e fibras. b) que a Revolução Industrial se desenvolveu com especial vigor na Inglaterra tornando-a a principal potência industrial do século XIX. c) que, com novas tecnologias, como o uso industrial do vapor e do aço, os investimentos do capitalismo nascente se voltaram para novos setores econômicos como transportes e siderurgia. PRIMEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E REVOLUÇÃO AMERICANA COMPETÊNCIA(s) 2, 3, 4 e 5 HABILIDADE(s) 7, 9, 10, 12, 13, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23 e 24 CH AULAS 27 E 28


5VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias d) que, em meados do século XIX, parte do continente europeu, inclusive a Rússia, a América do Norte e a Ásia, já apresentavam importantes núcleos industriais. e) que a nova forma da economia, o capitalismo industrial, exigiu uma reforma nos modelos de administração do Estado e fez com que países desenvolvidos adotassem políticas de regulação do mercado global. 5. (UFRN) Segundo o historiador David Landes, a Revolução Industrial: [...] começou na Inglaterra no século XVIII e expandiu-se de forma distinta nos países da Europa continental e em algumas áreas do ultramar. Em um espaço de menos de duas gerações, transformou a vida do homem ocidental, a natureza de sua sociedade e seu relacionamento com outros povos do mundo. LANDES, David S. Prometeu desacorrentado: transformação tecnológica e desenvolvimento industrial na Europa ocidental, desde 1750 até os dias de hoje. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. p. 1. A Revolução Industrial significou mudanças radicais, promovendo: a) avanços técnicos, oposição entre a burguesia e o proletariado, e revalorização mundial dos princípios mercantilistas. b) alteração no processo de produção, sujeição do proletariado ao capital e divisão internacional do trabalho. c) aumento da produtividade, acelerada urbanização e equilíbrio geopolítico entre as nações europeias. d) exploração de nova fonte de energia, modificações de estilos de vida e rejeição às práticas políticas imperialistas. 6. (UECE) Atente ao seguinte excerto: “O crime [...] consistiu em herdar as piores feições do sistema doméstico num contexto em que inexistiam as compensações do lar: ‘ele sistematizou o trabalho das crianças pobres e desocupadas, explorando-o com uma brutalidade tenaz...’ [...] Na fábrica a máquina ditava as condições, a disciplina, a velocidade e a regularidade da jornada de trabalho, tornando-as equivalentes para o mais delicado e o mais forte”. Edward P. Thompson. A Formação da Classe Operária Inglesa. Vol. II: A maldição de Adão. Rio de Janeiro, Paz e Terra. 1987. p. 207. Considerando os processos de transformação ocorridos na sociedade ocidental, é correto afirmar que esse trecho da obra do historiador inglês Edward P. Thompson se refere à: a) Revolução Gloriosa, ocorrida na Inglaterra entre 1688 e 1689, que garantiu o fim do absolutismo na Inglaterra e possibilitou o desenvolvimento social e econômico daquele país. b) Revolução Francesa, que no final do século XVIII criou um novo modelo social e econômico para o mundo ocidental. c) Revolução Industrial, que, principiando no século XVIII, estabeleceu novas formas de organização do trabalho na sociedade capitalista. d) Revolução Haitiana, que teve início em 1791 e marcou a independência do país caribenho do domínio francês, mas colocou-o sob o controle do capital industrial inglês. 7. (UPE) A Revolução Industrial não dependeu só de um tipo qualquer de expansão econômica, técnica ou científica, mas, da criação da fábrica, isto é, de um sistema fabril mecanizado, a produzir em quantidades tão grandes e a um custo tão rapidamente decrescente, a ponto de não depender de uma demanda existente, mas de criar seu próprio mercado. CANÊDO, Letícia Bicalho. A revolução industrial. São Paulo: Atual, 1991, p. 31. (Adaptado). Sob o aspecto apontado pelo texto, apenas uma indústria estava em condições de expandir sua produção de forma simples e barata. Estamos tratando da indústria: a) do aço. b) têxtil. c) petrolífera. d) siderúrgica. e) da mineração. 8. (Espcex) A Revolução Industrial, que teve lugar na Inglaterra do século XVIII, pode ser definida como uma transformação sem precedentes no modo da produção manufatureira que trouxe profundas mudanças na estrutura social e econômica da sociedade. Teve papel preponderante na sua ocorrência : a) o Cartismo. b) o Ludismo. c) uma ampla geração de energia elétrica. d) a obtenção de empréstimos financeiros obtidos da França. e) a Revolução Gloriosa que favoreceu o capitalismo. 9. (UPE) A Filosofia das Luzes teria destruído as bases sobre as quais a monarquia se mantivera durante séculos. Revolução, Iluminismo e Republicanismo formariam assim uma tríade inseparável para a compreensão dos acontecimentos que abalaram a França no final do século XVIII. (BIGNOTTO, Newton. As aventuras da virtude: As ideias republicanas na França do século XVIII. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. pp. 16-17. Adaptado) Sobre a temática e o período indicado no texto, assinale a alternativa CORRETA. a) O ideário republicano iluminista teve um papel muito importante na formatação ideológica da Revolução Americana de 1776. b) Na América Hispânica, esse ideário não influenciou o processo de independência das antigas colônias espanholas. c) Jean-Jacques Rousseau foi um dos grandes críticos do Republicanismo. d) As ideias republicanas francesas foram a base política do processo de independência do Brasil em 1822. e) Apesar da força do pensamento republicano no processo revolucionário, a monarquia persistiu na França, após a Revolução de 1848.


6 VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 10. (UPE) A passagem do século XVIII para o XIX foi marcada por um desequilíbrio nas relações entre a Europa e o Novo Mundo. As lutas políticas na América estavam ligadas à resistência contra a colonização europeia e às influências das ideias liberais. Sobre essa crise do Antigo Regime e suas implicações na América, assinale a alternativa CORRETA. a) A Guerra de Independência dos Estados Unidos acirrou as tensões políticas pré-existentes entre a França e a Inglaterra, servindo de palco para um confronto indireto entre essas duas nações. b) As tensões políticas entre a Espanha e suas colônias na América acabaram por reestruturar o império espanhol que, mediante as reformas bourbonianas, conseguiu manter seu poderio na América, até o final do século XIX. c) As relações entre Portugal e a América Portuguesa só se agravaram após a transmigração da família real para o Brasil em 1808, fugindo da invasão napoleônica. d) A Guerra do Paraguai, envolvendo Brasil, Portugal, Paraguai, Espanha e Inglaterra, é fruto direto desse contexto. e) As Conjurações Baiana e Mineira, ocorridas no início do século XIX, são reflexos desse quadro de desequilíbrio político entre Portugal e sua colônia na América. 11. (PUC-RJ) Os parágrafos que se seguem foram extraídos do documento “Declaração de Independência dos Estados Unidos”, assinado pela unanimidade dos representantes políticos das Treze Colônias, no Segundo Congresso Continental no ano de 1776. “Quando no decurso da História do Homem se torna necessário um povo quebrar os elos políticos que o ligavam a outro e assumir, de entre os poderes terrenos, um estatuto de diferenciação e igualdade ao qual as Leis da Natureza e do Deus da Natureza lhe conferem o direito, o respeito que é devido perante as opiniões da Humanidade exige que esse povo declare as razões que o impelem à separação. (...) (...) o Povo tem direito a (...) instituir um novo governo, assentando os seus fundamentos nesses princípios e organizando os seus poderes do modo que lhe pareça mais adequado à promoção de sua Segurança (...).” http://www.infopedia.pt/$declaracao-de-independencia-dos-estados Assinale a alternativa que corresponde CORRETAMENTE ao conjunto de ideias e ideais relacionados à época histórica tratada pelo documento. a) O liberalismo enquanto doutrina defendia a menor intervenção possível do Estado na condução política da sociedade. b) O racionalismo científico renascentista atribuía ao homem o poder de conhecimento e intervenção tanto na natureza como na condução política das sociedades. c) O nacionalismo partia do pressuposto de que a lealdade do indivíduo ao Estado-nação deveria estar acima dos interesses pessoais ou dos interesses de determinados grupos. d) O Iluminismo defendia, de modo geral, a ideia de que o Estado deveria assegurar ao Homem o direito de expressar sua consciência de forma autônoma, bem como os direitos inalienáveis à vida e à busca da felicidade. e) As doutrinas sociais emergentes do contexto da sociedade industrial pregavam a ampliação da participação política à classe operária, além de melhores condições de vida para a mesma. E.O. Fixação 1. (Uern) O movimento Cartista, retratado na charge, e o movimento Ludista ocorridos na Inglaterra, estão diretamente ligados: (Disponível em: http://1.bp.blogspot.com/-Pqns5CuawTQ/UF8 Csz3BQWI/AAAAAAAAAsE/LhiBm-B-Quk/s1600/cartismo.jpg.) a) a luta pela liberdade religiosa empreendida pelos anglicanos, a partir da carta papal que os impedia de escolher o culto que mais lhes conviesse. b) ao processo de unificação engendrado pelos países da Grã-Bretanha – Escócia, Inglaterra e Irlanda –, com o objetivo de fortalecer a hegemonia inglesa. c) aos embates entre capitalistas e socialistas radicais, em luta pela supremacia política no parlamento inglês, até então dominado pela Câmara dos Lordes. d) ao processo conhecido como Revolução Industrial, que trouxe, entre outras consequências, a mobilização operária por melhores condições de trabalho. 2. (PUC-RJ) Entre 1837 e 1839, o escritor inglês Charles Dickens publicou o romance “Oliver Twist”. Abaixo, estão reproduzidos os primeiros parágrafos desse texto de Dickens: “Dentre os vários monumentos públicos que enobrecem uma cidade de Inglaterra, cujo nome tenho a prudência de não dizer, e à qual não quero dar um nome imaginário, um existe comum à maior parte das cidades grandes ou pequenas: é o asilo da mendicidade. Lá em certo dia, cuja data não é necessário indicar, tanto mais que nenhuma importância tem, nasceu o pequeno mortal que dá nome a este livro. Muito tempo depois de ter o cirurgião dos pobres da paróquia introduzido o pequeno Oliver neste vale de lágrimas, ainda se duvidava se a pobre criança viveria ou não; se sucumbisse, é mais que provável que estas memórias nunca aparecessem, ou então ocupariam poucas páginas, e deste modo teriam o inapreciável mérito de ser o modelo de biografia mais curioso e exato que nenhum país em nenhuma época jamais produziu.” (Charles Dickens, Oliver Twist, Tradução de Machado de Assis e Ricardo Lísias, 1ª. Ed., São Paulo, Hedra, 2002.)


7VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Considerando a passagem acima, assinale a alternativa que indica corretamente as características do período a que Dickens se refere. a) Crescimento urbano e pobreza que acompanharam o desenvolvimento material da revolução industrial. b) Revolução comercial, reforma protestante e surgimento de uma nova ética de trabalho. c) Crise econômica do feudalismo e ascensão das ideias científicas do liberalismo. d) Espírito regenerador dos valores cristãos praticados pela Contra Reforma na Inglaterra. e) Exaltação da classe operária inglesa e suas propensões naturais para o socialismo e a revolução. 3. (PUC-RS) A Revolução Industrial que se consolidou na Inglaterra da segunda metade do século XVIII apresentava fatores condicionantes em variados campos da sociedade britânica. No campo institucional, tem-se a _________; no que se refere ao pensamento econômico, apresenta-se o _________; no plano ético de fundamentação religiosa, cita-se o _________ e, no campo econômico, verifica-se a liberação de mão de obra causada pela prática dos _________. a) Monarquia Parlamentar; mercantilismo; protestantismo; cercamentos. b) República Parlamentar; liberalismo; catolicismo; campos abertos. c) Monarquia Parlamentar; liberalismo; protestantismo; cercamentos. d) República Parlamentar; mercantilismo; protestantismo; campos abertos. e) Monarquia Parlamentar; liberalismo; catolicismo; cercamentos. 4. (UFPR) Considere o fragmento a seguir: Afirmo que cada homem, e cada mulher, e cada criança deve obter algo mais, na distribuição geral dos frutos do trabalho, além de alimento, farrapos e uma miserável rede com uma manta pobre a cobri-la: e isso, sem ter de trabalhar doze ou quatorze horas por dia [...] dos seis aos sessenta anos. - Eles têm uma reivindicação, uma sagrada e inviolável reivindicação por um pouco de comodidade e divertimento [...] por algum tempo livre razoável para essas discussões, e por alguns meios ou informações que possam levá-los à compreensão dos seus direitos. (Os Direitos da Natureza. Thelwall, John. In: THOMPSON, Edward P. A formação da classe operária inglesa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004. p. 175-176.) Sobre o período destacado no excerto, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: ( ) O contexto se dá na Revolução Industrial na Inglaterra, em que as condições de trabalho eram insalubres, motivo pelo qual muitos trabalhadores adoeciam ou faleciam, causando a diminuição habitacional das cidades inglesas, uma das principais características do período. ( ) O trecho se refere aos movimentos de trabalhadores que sofriam as consequências da Revolução Industrial. Um exemplo desses movimentos foram os Luditas, que se opunham ao desenvolvimento industrial destruindo máquinas, em revolta contra as condições de trabalho sub-humanas e os baixos salários. ( ) Nesse período houve a primeira Divisão Internacional do Trabalho, na qual as matérias-primas eram transformadas em produtos manufaturados que provinham do império chinês, como o tecido. ( ) O aumento populacional foi uma das características da Revolução Industrial, entre os fatores que levaram a esse aumento está a intensa migração do campo para a cidade, motivada pela criação de empregos nas indústrias. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. a) F – V – V – F. b) V – V – F – F. c) V – F – V – F. d) F – V – F – V. e) V – F – F – V. 5. (UEMG) “Uma sociedade de bem-estar social teria sem dúvida distribuído alguns destes vastos acúmulos para fins sociais. Na Inglaterra do período de 1780 a 1840 nada era menos provável. Virtualmente livre de impostos, as classes médias continuaram a acumular em meio a um populacho faminto, cuja fome era o reverso daquela acumulação.” HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções: Europa, 1789-1848. Tradução de Maria Tereza Lopes Teixeira e Marcos Penchel. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977, p. 75. Em resposta às transformações acima salientadas, os trabalhadores organizaram-se para lutar por seus direitos, formando a) partidos operários de composição camponesa e de multidões em paralisação. b) manifestações fabris de exigência de salário e de impedimento de grevistas. c) associações políticas de discussões sindicais e de simpatia pelos cercamentos. d) movimentos sociais de destruição de máquinas e de reivindicações por escrito. 6. (UFSJ) Entre os processos políticos citados abaixo, aquele que instaurou um regime republicano fundamentado em princípios liberais como a eleição do chefe de Estado e a defesa da propriedade privada foi a: a) Revolução Gloriosa na Inglaterra, em 1688. b) Independência dos Estados Unidos da América, em 1776. c) Independência do Brasil, em 1822. d) Revolução Russa, em 1917. 7. (FGV) “Consideramos (...) que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Que para garantir esses direitos são instituídos entre os homens governos que derivam os seus justos poderes do consentimento dos governados; que toda vez que uma forma qualquer de governo ameace destruir esses fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir um novo governo, assentando a sua fundação sobre tais princípios e organizando-lhe os poderes da forma que pareça mais provável de proporcionar segurança e felicidade.” A Declaração de Independência dos Estados Unidos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 53.


8 VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Sobre a Declaração de Independência dos Estados Unidos, é correto afirmar que: a) Defendia o princípio da igualdade de direitos dos seres humanos, mas condenava o direito à rebelião como uma afronta à ordem social. b) O radicalismo da sua formulação, com respeito ao direito de rebelião dos escravos, provocou forte reação dos proprietários de escravos em toda a América. c) Sua formulação foi baseada no ideário liberal-iluminista e acabou influenciando outros movimentos políticos na América e na Europa. d) Influenciada pelos tratadistas espanhóis, a declaração defendia a origem do poder divino e condenava a desobediência dos subordinados. e) A declaração sustentava que os governos poderiam cercear a liberdade dos indivíduos em nome da segurança e da felicidade coletivas. 8. (Espcex) Durante a colonização inglesa na América, as colônias do norte tiveram uma flexibilização política ao monopólio, pois, durante algum tempo, permitiram o comércio entre as colônias e com as Antilhas francesas e espanholas, além de a metrópole não reprimir o contrabando. Tal fato sucedeu-se devido a estas colônias: a) terem como características o trabalho livre e a grande propriedade. b) estarem localizadas em área de clima temperado, que não favorecia o cultivo da cana-de-açúcar, tabaco e algodão, por isto não produziam produtos tropicais que interessavam à Inglaterra. c) terem sido formadas por pessoas da nobreza parasitária, que desejavam manter o “status quo”. d) serem de origem holandesa, colônia fundada por Giovanni Caboto, italiano radicado em Amsterdã. e) estarem numa posição geográfica próxima às Antilhas; além disso, a Inglaterra encontrava-se em guerra com a França e por isso sofriam com a escassez de mão de obra especializada. E.O. Complementar 1. (Unitau) O capitalismo, com base na transformação técnica, atinge seu processo específico de produção, caracterizado pela produção em larga escala, onde há uma radical separação entre o trabalho e o capital. Esta afirmativa está tratando: a) da separação entre capitalismo e socialismo. b) da Revolução Industrial. c) do advento do Mercantilismo. d) da Revolução comunista na Rússia. e) do plano Marshall após a 2a Guerra Mundial. 2. (UFJF) Leia a frase a seguir: Por meio de tudo isso – pela divisão de trabalho, supervisão do trabalho, multas, sinos e relógios, incentivos em dinheiro, pregações e ensino, supressão das feiras e dos esportes – formaram-se novos hábitos de trabalho e impôs-se uma nova disciplina de tempo. THOMPSON, E. P. Costumes em Comum. São Paulo: Cia das Letras, 2000, p. 297. O relógio era um aparelho pouco utilizado até o século XVIII. O tempo era marcado pelos movimentos naturais e atividades agrícolas da maioria da população da Inglaterra. A partir da Revolução Industrial, o relógio passou a ser considerado o principal marcador do tempo nas sociedades capitalistas. Sobre a relação entre a marcação do tempo e o processo de industrialização na Europa, marque a resposta CORRETA: a) o relógio se tornou o principal objeto de troca comercial durante o processo de industrialização europeia. b) o controle do tempo servia para ampliar as horas de lazer dos trabalhadores da indústria, garantindo melhor qualidade de vida. c) a utilização do tempo do relógio passou a servir para controlar o trabalho e disciplinar os trabalhadores nas fábricas, garantindo maior produtividade. d) a preocupação com o controle do tempo do relógio servia para a realização das tarefas na agricultura, de modo que a família pudesse trabalhar coletivamente. e) o controle do tempo, através do relógio, não gerou benefício para o capitalismo industrial, uma vez que o trabalhador não podia ser disciplinado. 3. (Cesgranrio) A independência das 13 colônias inglesas da América do Norte - a Revolução Americana - resultou: I. do desdobramento natural da relativa autonomia econômica e política dessas colônias de povoamento; II. da reação dos colonos às medidas fiscais e administrativas tomadas pela Inglaterra após a Guerra dos Sete Anos; III. dos prejuízos causados aos colonos pela política liberal inglesa, que aboliu o “pacto colonial”; IV. da manutenção e intensificação das práticas mercantilistas britânicas que se opunham ao “comércio triangular”. Assinale se estão corretas apenas: a) I e II. b) I e III. c) II e IV. d) I, II e III. e) I, II e IV. 4. (Cesgranrio) Uma das características básicas do processo de independência das 13 colônias da América do Norte é: a) isolamento do movimento no contexto americano. b) ocorrência pacífica. c) adoção de uma constituição republicana parlamentarista. d) alteração da estrutura social vigente. e) preservação da unidade territorial. 5. (Cesgranrio) No século XVIII, nas tensões entre Inglaterra e França, ocupou um lugar privilegiado a questão dos domínios coloniais, o que se pode verificar pela Guerra dos Sete Anos (1756 - 1763), durante a qual: a) se consolida o poder britânico sobre a América do Norte com a vitória, em Quebec, sobre os franceses e pela ampliação da fronteira oeste com a conquista do México. b) a França, apesar de derrotada pela Inglaterra na disputa pelo domínio da América do Norte, preserva o controle sobre a região do Québec, que mantém a cultura e a língua francesa.


9VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias c) os dois estados disputam suas possessões na América e na Índia, luta que termina com o Tratado de Paris (1763), que concedia à Inglaterra a posse da Índia, Canadá, Senegal, parte da Louisiânia e das Antilhas. d) a Inglaterra incorpora a Escócia e transforma-se em Grã-Bretanha, consolidando também seu domínio sobre a Irlanda, enquanto a França entra num processo agudo de crise econômica que acentua a decadência da sociedade do Antigo Regime. e) a França adquire a região das Antilhas dos espanhóis e amplia seu domínio sobre a Ásia, assumindo o controle da região do sudeste asiático. E.O. Dissertativo 1. (UEL) Leia os textos a seguir. O reino recém-unido da Grã-Bretanha estava emergindo como uma potência europeia, intelectual, militar e comercial. Newton era reconhecido como o gênio supremo da época, enquanto a Royal Society de Londres era vista como seu árbitro científico supremo. Locke estava fundando a Filosofia empírica e promulgando as ideias políticas liberais que, na altura do fim do século, seriam corporificadas na constituição americana. Enquanto isso, Robinson Crusoé, de Defoe, e As Viagens de Gúliver, de Swift, satisfaziam, cada um à sua maneira, a fome de aventuras estrangeiras do público. Essa era uma nação autoconfiante, experimentando os primeiros rebuliços do que viria a ser a Revolução Industrial – a máquina a vapor já estava sendo usada nas minas da Cornualha. (STRATHERN, P. Uma Breve História da Economia. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p.62.) Há hoje, nas planícies da Índia e da China, homens e mulheres, infestados por pragas e famintos, vivendo pouco melhor, aparentemente, do que o gado que trabalha com eles de dia e que compartilha seu local de dormir à noite. Esse padrão asiático, e esses horrores não mecanizados, é o destino daqueles que aumentam seus números sem passar por uma revolução industrial. (ASHTON, T. S. The Industrial Revolution, 1760-1830. London: Oxford University Press, 1948. p.161.) Com base nos textos e nos conhecimentos sobre o tema, responda aos itens a seguir. a) Explique o contexto histórico da Revolução Industrial. b) Situe o posicionamento dos autores desses textos quanto a esse evento histórico. 2. (PUC-RJ) “A Revolução Industrial assinala a mais radical transformação da vida humana já registrada em documentos. Durante um breve período ela coincidiu com a história de um único país, a Grã-Bretanha. Assim, toda uma economia mundial foi edificada com base na Grã- -Bretanha, ou antes, em torno desse país. (...) Houve um momento na história do mundo em que a Grã-Bretanha podia ser descrita como sua única oficina mecânica, seu único importador e exportador em grande escala, seu único transportador, seu único país imperialista e quase que seu único investidor estrangeiro; e, por esse motivo, sua única potência naval e o único país que possuía uma verdadeira política mundial. Grande parte desse monopólio devia-se simplesmente à solidão do pioneiro, soberano de tudo quanto se ocupa por causa da ausência de outros ocupantes.” (Eric J. Hobsbawm. “Da Revolução Industrial Inglesa ao Imperialismo”. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1983, p.9) Tendo como referência o texto anterior: a) Explique dois fatores que contribuíram para que a Inglaterra tenha experimentado a “solidão do pioneiro” no processo de Revolução Industrial. b) Identifique duas mudanças ocorridas na sociedade inglesa do século XIX que exemplifiquem a afirmativa do autor de que “a Revolução Industrial assinala a mais radical transformação da vida humana já registrada em documentos”. 3. (Ufrrj) Sobre o movimento ludista veja as impressões do industrial inglês Wedgwood e responda às questões a seguir. Quando chegávamos a Bolton, encontramos no caminho várias centenas de homens. Creio que eram aproximadamente uns quinhentos; e como perguntássemos a um dentre eles por que se encontravam reunidos em tão grande número, responderam-nos que iam destruir as máquinas e que fariam o mesmo em todo o país. MANTOUX, . Apud ARRUDA, J. J. de A. “História Moderna e Contemporânea”. São Paulo: Ática, 1976. p.126. a) Aponte dois fatores que possibilitaram a revolução industrial. b) De que forma podem ser explicados os movimentos ludistas?


10VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES A segunda coluna da tabela abaixo expressa os percentuais das exportações da Inglaterra frente ao conjunto da produção nacional daquele país durante o século da Revolução Industrial. As colunas seguintes indicam os pesos das diferentes áreas consumidoras destas exportações no comércio externo inglês. 4. (Ufrj) Variação (%) dos valores das exportações britânicas frente ao total da produção nacional bruta e de acordo aos seus mercados compradores Anos % da produção nacional britânica voltada para a exportação % das exportações britânicas destinadas à Europa Continental % das exportações britânicas destinadas às Américas % das exportações britânicas destinadas a outras partes do mundo 1700-1701 8 85 10 5 1750-1760 15 77 16 7 1770-1780 9 49 37 14 1797-1800 16 30 57 13 Fonte: Adaptado de SOLOW, Barbara & ENGERMAN, Stanley (eds.). Slavery and the rise of the atlantic system. Cambridge, Cambridge University Press, 1991, p.186-187. Considerando que muitos historiadores associam o crescimento da produção nacional britânica do século XVIII ao mercado consumidor externo - particularmente ao das Américas -, explique de que modo a tabela acima questiona semelhante ideia. 5. (UFRJ) Variação (%) dos valores das exportações britânicas frente ao total da produção nacional bruta e de acordo aos seus mercados compradores Anos % da produção nacional britânica voltada para a exportação % das exportações britânicas destinadas à Europa Continental % das exportações britânicas destinadas às Américas % das exportações britânicas destinadas a outras partes do mundo 1700-1701 8 85 10 5 1750-1760 15 77 16 7 1770-1780 9 49 37 14 1797-1800 16 30 57 13 Fonte: Adaptado de SOLOW, Barbara & ENGERMAN, Stanley (eds.). Slavery and the rise of the atlantic system. Cambridge, Cambridge University Press, 1991, p.186-187. Explique como a conjuntura europeia própria do período 1797-1800 contribuiu para o declínio das exportações britânicas destinadas à Europa continental. 6. (UFJF) Como se vê na figura abaixo, a Europa, na segunda metade do século XVIII, foi abalada por revoluções e reivindicações que envolviam também suas colônias americanas. Baseando-se na imagem e em seus conhecimentos, responda ao que se pede: a) Qual foi o primeiro movimento vitorioso da história americana que ilustra a vitória das reivindicações das elites locais contra o sistema colonial europeu? b) Analise uma repercussão desse episódio no restante do continente americano.


11VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 7. (UFRJ) “Entre outra qualquer população, ou num período mais moderno da história da Nova Inglaterra, a sisuda rigidez que petrificava as caras hirsutas daqueles bons cidadãos teria indicado algum tremendo acontecimento em perspectiva. Teria indicado nada menos do que a execução de algum criminoso notório, sobre o qual a sentença do tribunal da lei não fizesse mais do que confirmar o veredicto da opinião popular. Entretanto, em face da primitiva rigidez do caráter puritano, não era dado estabelecer-se com certeza uma conclusão dessa espécie. Podia ser que um escravo preguiçoso ou um menino rebelde, entregue à autoridade civil, tivesse de ser castigado no pelourinho. Podia ser que um antinomiano, um quacre, ou qualquer sectário da religião heterodoxa, estivesse em via de expulsão da cidade [Boston], ou que um índio vadio e errante, que a água-de-fogo dos brancos houvesse tornado turbulento nas ruas, fosse ser tingido a chicote para as sombras da floresta. Também podia ser que uma feiticeira [...] fosse subir ao pelourinho. Em qualquer dos casos haveria da parte dos espectadores a mesma solenidade, como cumpria a uma gente para a qual a religião e a lei constituíam quase uma só coisa, e em cuja mentalidade ambas se fundiam de tal maneira que os mais suaves ou os mais severos atos de disciplina coletiva eram, igualmente, veneráveis e terríveis.” Fonte: HAWTHORNE, Nathaniel. A letra escarlate. São Paulo: Martin Claret, 2006, p. 57. Identifique um elemento que configurará a maior diferença econômica e social entre o norte e o sul dos Estados Unidos, sobretudo após a independência. 8. (UFRJ) “Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem- -lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos - Guardas para sua futura segurança.” Declaração de Independência dos Estados Unidos da América (4 de julho de 1776) O fragmento faz menção a medidas de natureza coercitiva impostas pela Inglaterra às Treze Colônias após a Guerra dos Sete Anos (1756-1763). a) Cite e explique uma destas medidas. b) Identifique e explique um princípio, presente no texto, derivado da mentalidade democrática e liberal da época. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Eu chamo, pois, república todo Estado regido por leis, independente da forma de administração que possa ter; porque então somente o interesse público governa, e a coisa pública algo representa. Todo governo legítimo é republicano (...). As leis não são propriamente senão as condições de associação civil. O povo, submetido às leis, deve ser o autor das mesmas; compete unicamente aos que se associam regulamentar as condições da sociedade. 9. (UFJF) Leia atentamente um trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos, de 1776. Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário a um povo dissolver os laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno para com as opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação. Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade. (...) Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos Guardiães para sua futura segurança. Tal tem sido o sofrimento paciente destas colônias e tal agora a necessidade que as força a alterar os sistemas anteriores de governo. A história do atual Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidas injúrias e usurpações, tendo todos por objetivo direto o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados. Fonte: Disponível em: <http://www.arqnet.pt/portal/teoria/ declaracao_vport.html>. Acesso em: 28 ago. 2014. a) Segundo os autores da declaração, quais as justificativas para a ruptura com a metrópole? b) Relacione a Declaração a um ideário político do período. 10. (Pucrj 2017) Às vésperas da independência das 13 colônias inglesas na América, em janeiro de 1776, Thomas Paine publica o seu famoso panfleto Senso Comum, no qual defendia enfaticamente a separação da Inglaterra: “A Inglaterra é, apesar de tudo, a pátria-mãe, dizem alguns. Sendo assim, mais vergonhosa resulta sua conduta, porque nem sequer os animais devoram suas crias nem fazem os selvagens guerra a suas famílias; de modo que esse fato volta-se ainda mais para a condenação da Inglaterra. [...] Europa é a nossa pátria-mãe, não a Inglaterra. Com efeito, este novo continente foi asilo dos amantes perseguidos da liberdade civil e religiosa de qualquer parte da Europa [...] a mesma tirania que obrigou os primeiros imigrantes a deixar o país segue perseguindo seus descendentes”. A partir da leitura do documento acima, faça o que se pede nos itens abaixo. a) Explique as razões para a referência que o autor do panfleto faz à “vergonhosa conduta” e à “tirania” para descrever as relações da Inglaterra com suas colônias nesse momento. b) Indique duas ações empreendidas pela coroa inglesa que exemplifiquem essa conduta.


12VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Enem 1. (Enem) A Inglaterra pedia lucros e recebia lucros, Tudo se transformava em lucro. As cidades tinham sua sujeira lucrativa, suas favelas lucrativas, sua fumaça lucrativa, sua desordem lucrativa, sua ignorância lucrativa, seu desespero lucrativo. As novas fábricas e os novos altos-fornos eram como as Pirâmides, mostrando mais a escravização do homem que seu poder. DEANE, P. A Revolução Industrial. Rio de Janeiro: Zahar, 1979 (adaptado). Qual relação é estabelecida no texto entre os avanços tecnológicos ocorridos no contexto da Revolução Industrial Inglesa e as características das cidades industriais no início do século XIX? a) A facilidade em se estabelecerem relações lucrativas transformava as cidades em espaços privilegiados para a livre iniciativa, característica da nova sociedade capitalista. b) O desenvolvimento de métodos de planejamento urbano aumentava a eficiência do trabalho industrial. c) A construção de núcleos urbanos integrados por meios de transporte facilitava o deslocamento dos trabalhadores das periferias até as fábricas. d) A grandiosidade dos prédios onde se localizavam as fábricas revelava os avanços da engenharia e da arquitetura do período, transformando as cidades em locais de experimentação estética e artística. e) O alto nível de exploração dos trabalhadores industriais ocasionava o surgimento de aglomerados urbanos marcados por péssimas condições de moradia, saúde e higiene. 2. (Enem) A prosperidade induzida pela emergência das máquinas de tear escondia uma acentuada perda de prestígio. Foi nessa idade de ouro que os artesãos, ou os tecelões temporários, passaram a ser denominados, de modo genérico, tecelões de teares manuais. Exceto em alguns ramos especializados, os velhos artesãos foram colocados lado a lado com novos imigrantes, enquanto pequenos fazendeiros tecelões abandonaram suas pequenas propriedades para se concentrar na atividade de tecer. Reduzidos à completa dependência dos teares mecanizados ou dos fornecedores de matéria-prima, os tecelões ficaram expostos a sucessivas reduções dos rendimentos. THOMPSON, E. P. The making of the english working class. Harmondsworth: Penguin Books, 1979 (adaptado). Com a mudança tecnológica ocorrida durante a Revolução Industrial, a forma de trabalhar alterou-se porque a) a invenção do tear contribuiu para a manutenção das relações sociais. b) os tecelões mais hábeis prevaleceram sobre os inexperientes. c) os novos teares exigiam treinamento especializado para serem operados. d) os artesãos, no período anterior, combinavam a tecelagem com a produção agrícola. e) os trabalhadores não especializados se apropriaram dos lugares dos antigos artesãos nas fábricas. 3. (Enem) “... Um operário desenrola o arame, o outro o endireita, um terceiro corta, um quarto o afia nas pontas para a colocação da cabeça do alfinete; para fazer a cabeça do alfinete requerem-se 3 ou 4 operações diferentes, ...” SMITH, Adam. A Riqueza das Nações. Investigação sobre a sua Natureza e suas Causas. Vol. I. São Paulo: Nova Culturas, 1985. FRANK & ERNEST/Thaves “Jornal do Brasil”, 19 de fevereiro de 1997. A respeito do texto e do quadrinho são feitas as seguintes afirmações: I. Ambos retratam a intensa divisão do trabalho, à qual são submetidos os operários. II. O texto refere-se à produção informatizada e o quadrinho, à produção artesanal. III. Ambos contêm a ideia de que o produto da atividade industrial não depende do conhecimento de todo o processo por parte do operário. Dentre essas afirmações, apenas: a) I está correta. b) II está correta. c) III está correta. d) I e II estão corretas. e) I e III estão corretas. E.O. UERJ Exame Discursivo 1. (UERJ)


13VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Coketown era uma cidade de tijolos vermelhos, ou melhor, de tijolos que seriam vermelhos se a fumaça e as cinzas permitissem, cidade de máquinas e de altas chaminés. Apresentava muitas ruas largas, todas iguais, e muitas ruazinhas ainda mais iguais, cheias de pessoas também muito iguais, pois todas saíam e entravam nas mesmas horas, andando com passo igual na mesma calçada, para fazer o mesmo trabalho, e para elas cada dia era parecido com o da véspera e com o dia seguinte. CHARLES DICKENS In: ENDERS, Armelle e outros. História em curso. Rio de Janeiro: FGV, 2008. A Revolução Industrial provocou grandes mudanças em algumas cidades inglesas a partir de finais do século XVIII. A imagem de Birmingham, de 1886, e o fragmento do romance Tempos difíceis, publicado em 1854, apresentam sinais dessas transformações. Apresente uma mudança causada pelo processo de industrialização nas cidades inglesas e uma de suas consequências para as condições de vida do operariado. 2. (UERJ) Que os tiranos de todos os países, que todos os opressores políticos ou sagrados saibam que existe um lugar no mundo onde se pode escapar aos seus grilhões, onde a humanidade desonrada reergueu a cabeça; (...); onde as leis não fazem mais que garantir a felicidade; onde (...) a consciência deixou de ser escrava (...). (RAYNAL (abade). “A Revolução da América”. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1993.) A posição apresentada pelo abade Raynal sintetiza alguns aspectos da ilustração política. a) A partir do texto, indique, com suas próprias palavras, dois princípios do pensamento iluminista. b) Para o autor do texto, a independência das treze colônias inglesas foi um processo revolucionário, razão pela qual denomina-a de Revolução Americana. Cite e explique um fator que contribuiu para essa Revolução. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unesp) Leia. Todo processo de industrialização é necessariamente doloroso, porque envolve a erosão de padrões de vida tradicionais. Contudo, na Grã-Bretanha, ele ocorreu com uma violência excepcional, e nunca foi acompanhado por um sentimento de participação nacional num esforço comum. Sua única ideologia foi a dos patrões. O que ocorreu, na realidade, foi uma violência contra a natureza humana. De acordo com uma certa perspectiva, esta violência pode ser considerada como o resultado da ânsia pelo lucro, numa época em que a cobiça dos proprietários dos meios de produção estava livre das antigas restrições e não tinha ainda sido limitada pelos novos instrumentos de controle social. Não foram nem a pobreza, nem a doença os responsáveis pelas mais negras sombras que cobriram os anos da Revolução Industrial, mas sim o próprio trabalho. (Edward P. Thompson. A formação da classe operária inglesa, vol. 2, 1987. Adaptado.) O texto afirma que a Revolução Industrial a) aumentou os lucros dos capitalistas e gerou a convicção de que era desnecessário criar mecanismos de defesa e proteção dos trabalhadores. b) provocou forte crescimento da economia britânica e, devido a isso, contou com esforço e apoio plenos de todos os segmentos da população. c) representou mudanças radicais nas condições de vida e trabalho dos operários e envolveu-os num duro processo de produção. d) piorou as condições de vida e de trabalho dos operários, mas trouxe o benefício de consolidar a ideia de que o trabalho enobrece o homem. e) preservou as formas tradicionais de sociabilidade operária, mas aprofundou a miséria e facilitou o alastramento de epidemias. 2. (Fuvest) Maldito, maldito criador! Por que eu vivo? Por que não extingui, naquele instante, a centelha de vida que você tão desumanamente me concedeu? Não sei! O desespero ainda não se apoderara de mim. Meus sentimentos eram de raiva e vingança. Quando a noite caiu, deixei meu abrigo e vagueei pelos bosques. (...) Oh! Que noite miserável passei eu! Sentia um inferno devorar-me, e desejava despedaçar as árvores, devastar e assolar tudo o que me cercava, para depois sentar-me e contemplar satisfeito a destruição. Declarei uma guerra sem quartel à espécie humana e, acima de tudo, contra aquele que me havia criado e me lançara a esta insuportável desgraça! Mary Shelley. Frankenstein. 2ª ed. Porto Alegre: LPM, 1985. O trecho acima, extraído de uma obra literária publicada pela primeira vez em 1818, pode ser lido corretamente como uma a) apologia à guerra imperialista, incorporando o desenvolvimento tecnológico do período. b) crítica à condição humana em uma sociedade industrializada e de grandes avanços científicos. c) defesa do clericalismo em meio à crescente laicização do mundo ocidental. d) recusa do evolucionismo, bastante em voga no período. e) adesão a ideias e formulações humanistas de igualdade social. 3. (Unesp) Este considerável aumento de produção que, devido à divisão do trabalho, o mesmo número de pessoas é capaz de realizar, é resultante de três circunstâncias diferentes: primeiro, ao aumento da destreza de cada trabalhador; segundo, à economia de tempo, que antes era perdido ao passar de uma operação para outra; terceiro, à invenção de um grande número de máquinas que facilitam o trabalho e reduzem o tempo indispensável para o realizar, permitindo a um só homem fazer o trabalho de muitos. (Adam Smith. “Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações (1776)”. In: Adam Smith/Ricardo. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1984.) O texto, publicado originalmente em 1776, destaca três características da organização do trabalho no contexto da Revolução Industrial:


14VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias a) a introdução de máquinas, a valorização do artesanato e o aparecimento da figura do patrão. b) o aumento do mercado consumidor, a liberdade no emprego do tempo e a diminuição na exigência de mão de obra. c) a escassez de mão de obra qualificada, o esforço de importação e a disciplinarização do trabalhador. d) o controle rigoroso de qualidade, a introdução do relógio de ponto e a melhoria do sistema de distribuição de mercadorias. e) a especialização do trabalhador, o parcelamento de tarefas e a maquinização da produção. 4. (Fuvest) Identifique, entre as afirmativas a seguir, a que se refere a consequências da Revolução Industrial: a) redução do processo de urbanização, aumento da população dos campos e sensível êxodo urbano. b) maior divisão técnica do trabalho, utilização constante de máquinas e afirmação do capitalismo como modo de produção dominante. c) declínio do proletariado como classe na nova estrutura social, valorização das corporações e manufaturas. d) formação, nos grandes centros de produção, das associações de operários denominadas “trade unions”, que promoveram a conciliação entre patrões e empregados. e) manutenção da estrutura das grandes propriedades, com as terras comunais, e da garantia plena dos direitos dos arrendatários agrícolas. 5. (Fuvest 2017) Níveis per capita de industrialização, 1750-1913 (Reino Unido em 1900 = 100) País 1750 1800 1860 1913 Alemanha 8 8 15 85 Bélgica 9 10 28 88 China 8 6 4 3 Espanha 7 7 11 22 EUA 4 9 21 126 França 9 9 20 59 Índia 7 6 3 2 Itália 8 8 10 26 Japão 7 7 7 20 Reino Unido 10 16 64 115 Rússia 6 6 8 20 Ronald Findlay e Kevin O’Rourke. Power and Plenty: Trade,War, and the World Economy in the Second Millennium. Princeton: Princeton University Press, 2007. Adaptado. Com base na tabela, é correto afirmar: a) A industrialização acelerada da Alemanha e dos Estados Unidos ocorreu durante a Primeira Revolução Industrial, mantendo-se relativamente inalterada durante a Segunda Revolução Industrial. b) Os países do Sul e do Leste da Europa apresentaram níveis de industrialização equivalentes aos dos países do Norte da Europa e dos Estados Unidos durante a Segunda Revolução Industrial. c) A Primeira Revolução Industrial teve por epicentro o Reino Unido, acompanhado em menor grau pela Bélgica, ambos mantendo níveis elevados durante a Segunda Revolução Industrial. d) Os níveis de industrialização verificados na Ásia em meados do século XVIII acompanharam o movimento geral de industrialização do Atlântico Norte ocorrido na segunda metade do século XIX. e) O Japão se destacou como o país asiático de mais rápida industrialização no curso da Primeira Revolução Industrial, perdendo força, no entanto, durante a Segunda Revolução Industrial. 6. (Unesp 2017) Nem todos os homens se renderam diante das forças irresistíveis do novo mundo fabril, e a experiência do movimento dos quebradores de máquina demonstra uma inequívoca capacidade dos trabalhadores para desencadear uma luta aberta contra o sistema de fábrica. De um lado, esse movimento de resistência visava investir contra as novas relações hierárquicas e autoritárias introduzidas no interior do processo de trabalho fabril, e nessa medida a destruição das máquinas funcionava como mecanismo de pressão contra a nova direção organizativa das empresas; de outro lado, inúmeras atividades de destruição carregaram implicitamente uma profunda hostilidade contra as novas máquinas e contra o marco organizador da produção que essa tecnologia impunha. Edgar de Decca. O nascimento das fábricas, 1982. Adaptado. De acordo com o texto, os movimentos dos quebradores de máquinas, na Inglaterra do final do século XVIII e início do XIX, a) expunham a rápida e eficaz ação dos sindicatos, capazes de coordenar ações destrutivas em fábricas de diversas partes do país. b) representavam uma reação diante da ordem e da disciplinarização do trabalho, facilitadas pelo emprego de máquinas na produção fabril. c) indicavam o aprimoramento das condições de trabalho nas fábricas, que contavam com aparato de segurança interna contra atos de vandalismo. d) revelavam a ingenuidade de alguns trabalhadores, que não percebiam que as máquinas auxiliavam e facilitavam seu trabalho. e) simbolizavam a rebeldia da maioria dos trabalhadores, envolvidos com partidos e agrupamentos políticos de inspiração marxista. 7. (Fuvest) Qual das afirmações seguintes, sobre o regime republicano de governo, é verdadeira? a) Na Europa, por volta de 1900, era o regime político da maioria dos países. b) O Brasil adotou esse regime político por intervenção direta dos demais países da América espanhola. c) Os Estados Unidos e o Canadá adotaram simultaneamente o regime referido. d) Como regime político, apareceu no mundo ocidental, pela primeira vez, no século XVIII. e) As ex-colônias espanholas da América adotaram tal regime político antes de sua ex-metrópole.


15VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 8. (Unesp) Todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais figuram a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Para assegurar esses direitos, entre os homens se instituem governos, que derivam seus justos poderes do consentimento dos governados. Sempre que uma forma de governo se dispõe a destruir essas finalidades, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la, e instituir um novo governo, assentando seu fundamento sobre tais princípios e organizando seus poderes de tal forma que a ele pareça ter maior probabilidade de alcançar-lhe a segurança e a felicidade. (Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776). In: Harold Syrett (org.). Documentos históricos dos Estados Unidos, 1988.) O documento expõe o vínculo da luta pela independência das treze colônias com os princípios: a) liberais, que defendem a necessidade de impor regras rígidas de protecionismo fiscal. b) mercantilistas, que determinam os interesses de expansão do comércio externo. c) iluministas, que enfatizam os direitos de cidadania e de rebelião contra governos tirânicos. d) luteranos, que obrigam as mulheres e os homens a lutar pela própria salvação. e) católicos, que justificam a ação humana apenas em função da vontade e do direito divinos. 9. (Unesp) Leia as assertivas sobre a independência das 13 colônias inglesas na América do Norte. I. Foi um movimento que manteve as bases da estrutura da sociedade colonial, preservando a escravidão. II. A resistência interna das colônias foi fortalecida com o apoio externo dos países ibéricos. III. Sofreu influência das ideias iluministas francesas, baseadas nos princípios da liberdade, propriedade e igualdade civil. IV. A união das 13 colônias inglesas contra a Inglaterra objetivou a ruptura do pacto colonial. Estão corretas as afirmativas: a) I e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) I e II, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Fuvest) Durante o século XVIII, na Europa, constituíram-se dois polos dinâmicos: um de dimensão cultural, representado pela França, e outro de dimensão econômica, representado pela Inglaterra. Descreva aspectos referentes ao a) primeiro polo. b) segundo polo. 2. (Unesp) Sob qualquer aspecto, este [a Revolução Industrial] foi provavelmente o mais importante acontecimento na história do mundo, pelo menos desde a invenção da agricultura e das cidades. E foi iniciado pela Grã-Bretanha. É evidente que isto não foi acidental. (Eric Hobsbawm. A era das revoluções: 1789-1848, 1986.) Aponte dois fatores que justifiquem a importância dada pelo texto à Revolução Industrial e indique dois motivos do pioneirismo britânico. 3. (Unesp) Noite após noite, quando tudo está tranquilo E a lua se esconde por trás da colina, Marchamos, marchamos para realizar nosso desejo. Com machado, lança e fuzil! Oh! meus valentes cortadores! Os que com golpes fortes As máquinas de cortar destroem. Oh! meus valentes cortadores! (...). (Canção popular inglesa do início do século XIX. Citada por: Luzia Margareth Rago e Eduardo F. P. Moreira. O que é Taylorismo, 1986.) A canção menciona os “quebradores de máquinas”, que agiram em muitas cidades inglesas nas primeiras décadas da industrialização. Alguns historiadores os consideram “rebeldes ingênuos”, enquanto outros os veem como “revolucionários conscientes”. Justifique as duas interpretações acerca do movimento. 4. (Unicamp) Na Europa, até o século XVIII, o passado era o modelo para o presente e para o futuro. O velho representava a sabedoria, não apenas em termos de uma longa experiência, mas também da memória de como eram as coisas, como eram feitas e, portanto, de como deveriam ser feitas. Atualmente, a experiência acumulada não é mais considerada tão relevante. Desde o início da Revolução Industrial, a novidade trazida por cada geração é muito mais marcante do que sua semelhança com o que havia antes. (Adaptado de Eric Hobsbawm, O que a história tem a dizernos sobre a sociedade contemporânea?, em: Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 37-38.) a) Segundo o texto, como a Revolução Industrial transformou nossa atitude em relação ao passado? b) De que maneiras a Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX alterou o sistema de produção? 5. (Unifesp) A paz não passa de um engodo, de uma quimera, de um sonho fugaz; a indústria tornou-se o suplício dos povos, depois que uma ilha de piratas [refere-se à Inglaterra] bloqueia as comunicações (...) e transforma suas fábricas e oficinas em viveiros de mendigos. (Charles Fourier. Théorie des quatre mouvements (1808), in OEuvres complètes. Paris: Anthropos, vol. I, 1978, citado por Elias Thomé Saliba. As utopias românticas. São Paulo: Estação Liberdade, 2003.) O fragmento, escrito em 1808, mostra a visão de Charles Fourier acerca do nascimento das fábricas. Explique a) Por que o autor chama as fábricas de “viveiros de mendigos”. b) O que leva o autor a afirmar que a Inglaterra “bloqueia as comunicações”.


16VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 6. (Unesp) As colônias europeias da América realizaram as suas independências entre os anos de 1776 e 1824. O movimento iniciou-se com a emancipação das colônias inglesas da América do Norte. O processo de independência da América Latina ocorreu, com algumas exceções, entre 1808 e 1824. Considerando-se esse processo de independência, explique: a) O pioneirismo das 13 colônias inglesas da América. b) A conjuntura política e econômica europeia favorável à libertação das colônias espanholas e portuguesa da América. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. E 2. A 3. D 4. E 5. B 6. C 7. B 8. E 9. A 10. A 11. D E.O. Fixação 1. D 2. A 3. C 4. D 5. D 6. B 7. C 8. B E.O. Complementar 1. B 2. C 3. E 4. E 5. C 6. B E.O. Dissertativo 1. a) Espera-se que o candidato, em um primeiro momento, apresente as razões elementares para o surgimento da Revolução Industrial, as transformações produzidas por ela na estrutura social, de modo a justificar a sua categorização como revolução: a decadência da produção no campo devido à necessidade de criação de ovelhas para a matéria-prima da indústria têxtil; o empobrecimento do camponês; o êxodo rural; os camponeses se transformando em operários; a fabricação de produtos em série; o aumento da jornada de trabalho; a diferença entre salários de homens, mulheres e crianças; o enriquecimento dos industriais; mais descobertas científicas; o pensamento liberal/nacional em substituição ao pensamento místico, tradicional, conservador; tecnologia mais complexa; o desenvolvimento urbano, entre outros. b) Em um segundo momento, o candidato deve analisar os textos e estabelecer contrastes. Espera-se, minimamente, que o candidato constate que o primeiro texto é descritivo e apresenta um tom otimista com relação ao evento histórico em questão, ao passo que o segundo texto tem um tom crítico e apresenta uma defesa da Revolução Industrial, pois considera que regiões como Índia e China vivem de forma precária, por não se ter fomentado a Revolução Industrial. 2. a) O aluno deverá explicar dois dentre os fatores a seguir: a acumulação de capital entre os séculos XVI e XVIII por parte da burguesia e da gentry nas atividades agrícolas, comerciais e manufatureiras; a existência de uma massa de mão de obra disponível, barata e farta resultante dos cercamentos dos campos, para ser utilizada nas primeiras fábricas; a existência de mercados produtores de matérias-primas e de mercados consumidores para os produtos industrializados ingleses, decorrência de seu grande poderio naval e comercial, que permitiu à Inglaterra formar um dos maiores impérios coloniais da época moderna; a abundância, em seu território, de jazidas de ferro e carvão, matérias-primas fundamentais para a construção das máquinas e para a produção de energia; os interesses da burguesia estavam representados na política do Estado inglês desde a Revolução Gloriosa. b) O aluno poderá identificar duas dentre as seguintes mudanças: a crescente urbanização; o aumento demográfico, devido, em parte, às modificações nas técnicas agrícolas; o início do movimento de resistência dos trabalhadores, como o Ludismo e o Cartismo, em função das péssimas condições de trabalho e de vida naquela época; o desenvolvimento da produção em massa e a maior divisão do trabalho; a formulação de políticas econômicas liberais e industriais; o início da organização do movimento operário com o surgimento das tradeunions; o surgimento de novas teorias sociais, como o Socialismo e o Anarquismo. 3. a) Entre os fatores que possibilitaram a Revolução Industrial na Inglaterra no século XVIII, pode-se destacar a disponibilidade de capitais acumulados durante a fase mercantilista do capitalismo e os cercamentos (enclusers) responsáveis pela redução da oferta de trabalho no campo e o consequente êxodo rural, gerando nas áreas urbanas, um contingente de mão de obra barata para a nascente indústria. b) O movimento ludista caracterizou-se pela reação, sobretudo de artesãos falidos por não conseguirem concorrer com as fábricas, mas também devido às precárias condições de vida, através da destruição das máquinas por considerá-las responsáveis pela situação em que se encontravam. Tal atitude evidencia uma manifestação de revolta, mas também a falta da consciência política dos operários em relação à sua situação. 4. A tabela evidencia que apesar do crescimento das exportações, sobretudo para a América a partir de 1770, o mercado interno inglês absorvia a maior parte da produção industrial britânica, elemento decisivo para o crescimento do processo de industrialização na Inglaterra no século XVIII. 5. A conjuntura europeia no final do século XVIII e no início do XIX, era de conflitos decorrentes dos efeitos da Revolução Francesa, como os que envolviam a França e o império austríaco e em particular as guerras napoleônicas, responsáveis pelas dificuldades para as exportações britânicas na Europa


17VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Ocidental. Ao mesmo tempo, a dependência de Portugal e Espanha em relação ao capital inglês, permitia aos britânicos a exportação de seus produtos para as colônias ibéricas na América. 6. a) A Independência das 13 colônias. b) A Independência das 13 colônias guiadas por preceitos iluministas e o rompimento do sistema colonial nessa área, vão influenciar uma série de movimentos pela separação política colonial. No Brasil, a Independência dos Estados Unidos influenciou as revoltas emancipacionistas que lutavam pela independência de regiões coloniais portuguesas. 7. Um elemento que configurou a maior diferença econômica e social entre o norte e o sul dos Estados Unidos após a Independência, sem dúvida, foi a predominância do trabalho escravo e da grande propriedade exportadora nos territórios sulinos, enquanto que, no Norte, predominava a pequena propriedade e o trabalho livre. 8. a) Após a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), a metrópole inglesa, endividada, reforçou as medidas monopolistas em relação ao território das Treze Colônias com a imposição de uma série de leis como a Lei do Selo, na qual toda publicação, jornal ou contrato que circulasse na colônia deveria receber uma selagem da metrópole. O aluno poderia explicar ainda a Lei do Açúcar, Lei do Aquartelamento, Atos Townshend e Lei do Chá como medidas restritivas e monopolistas por parte da metrópole. b) “Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos...”. O princípio expresso no trecho diz respeito ao direito dos povos à insurreição visando a mudança dos governantes, assim como defende o princípio das liberdades individuais. 9. a) O texto se apoia nas ideias do pensador inglês John Locke, defensor dos “direitos naturais” do homem, tais como o direito à vida, liberdade, propriedade e à busca da felicidade. Caso o governo instituído não garanta estes direitos cabe à sociedade civil se rebelar. A metrópole inglesa, segundo o texto, tem abusado do poder político e explorado muito a colônia. b) A Declaração está vinculada ao ideário Iluminista, movimento filosófico do século XVIII que defendia ideias como liberdade política, religiosa e de expressão, igualdade política, entre outras. 10. a) O autor está inconformado com a política Inglesa diante dos Estados Unidos. A Inglaterra venceu a França na Guerras dos Sete Anos, 1756-1763, porém contraiu dívidas e repassou o prejuízo para os colonos na forma de impostos. O autor critica a tirania da política inglesa bem como a exploração econômica. b) Criação de diversos impostos como as leis do chá, açúcar, alojamento, selo, etc. Inconformados com tais desmandos e inspirados pelos escritos dos pensadores John Locke e Thomas Paine, grandes opositores da dominação colonial, os colonos norte-americanos começaram a se opor à presença britânica nas Treze Colônias. Em dezembro de 1773, organizaram uma revolta contra o monopólio do chá que ficou conhecida como Boston Tea Party. Intransigente aos protestos coloniais, a Inglaterra decidiu fechar o porto de Boston (local da revolta) e impor as chamadas Leis Intoleráveis. E.O. Enem 1. E 2. D 3. E E.O. UERJ Exame Discursivo 1. Uma das mudanças: • expansão, diversificação e maior complexidade da paisagem urbana; • separação entre bairros operários, mais próximos das zonas de localização das indústrias, e bairros nobres, áreas de lazer e logradouros destinados à administração; • alteração do espaço natural decorrente da concentração industrial em áreas urbanas, causadora de efeitos poluentes e de degradação ambiental, associados tanto à aplicação dos progressos tecnológicos na mecanização da produção quanto aos processos de expansão e de concentração demográfica; • crescimento populacional decorrente da ampliação da demanda por mão de obra e alimentado por feixes migratórios originários das áreas rurais. Uma das consequências: • crescente divisão do trabalho; • padronização dos ritmos de vida. 2. a) Dois dentre os princípios: • tolerância religiosa; • liberdade de expressão; • condenação à escravidão; • liberdade de pensamento; • crítica ao governo absoluto. b) Um dentre os fatores e sua respectiva explicação: • Imposição de novos impostos por parte da Inglaterra às colônias americanas. Os colonos consideravam que apenas suas assembleias coloniais tinham de consentir a cobrança de qualquer novo imposto. • Fim da “negligência salutar”. A perda de autonomia dos colonos constituiu-se em um empecilho para a continuação do desenvolvimento das elites das colônias. • As ideias de liberdade oriundas do pensamento da Ilustração. As ideias de liberdade levaram os colonos a questionar a aplicação do pacto colonial. • Insatisfação dos colonos em relação à Linha da Proclamação Régia. Por meio desta a Coroa Inglesa estabelecia o monopólio sobre as terras obtidas em decorrência do Tratado de Paris.


18VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. C 2. B 3. E 4. B 5. C 6. B 7. E 8. C 9. D E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) A França foi , no século XVIII, o centro de difusão dos ideais liberais contrários ao então vigente Antigo Regime e que inspiraram as chamadas revoluções burguesas. As ideias liberais tinham por fundamento a filosofia iluminista, cujos princípios mais relevantes eram a defesa da razão como único caminho para o conhecimento e a defesa da liberdade e da igualdade de direitos. b) A Inglaterra era, no século XVIII, o principal centro dinâmico do capitalismo. O país foi o berço da Revolução Industrial, importante processo que desencadeou inúmeras transformações econômicas, sociais, políticas e culturais em dimensões mundiais, verificadas a partir do século XIX, promovendo a consolidação do capitalismo. 2. A Revolução Industrial gerou uma série de transformações no mundo, tais como: a consolidação do capitalismo, o surgimento de proletariado, a separação entre capital (burguesia) e trabalho (operário), intensificou o êxodo rural, entre outros. O pioneirismo da Inglaterra na Revolução Industrial se deve a um conjunto de fatores, entre eles: marinha forte, recursos naturais como ferro e carvão, acúmulo de capital, estabilidade política, ética protestante, entre outros. 3. O movimento dos quebradores de máquinas entre os séculos XVIII e XIX, na Inglaterra, também conhecido por “Ludismo”, reuniu operários nos principais centros urbanos, que invadiam as fábricas e destruíam as máquinas. Para alguns, em especial os autores marxistas, eram rebeldes ingênuos, pois representaram um movimento espontâneo, sem ideologia, objetivos concretos ou forma mais acabada de organização, portanto, fadados à derrota. Para outros, eram revolucionários conscientes, encaixando-se nessa visão, historiadores mais tradicionais que entendem que os operários tinham consciência do papel nefasto das máquinas e das fábricas em suas vidas, responsáveis pelo aumento do desemprego e pela precarização do trabalho; ou ainda os historiadores anarquistas, que consideram que o movimento organizado de massas tem potencial revolucionário e, de alguma forma, pretende se opor ao “status quo”. 4. a) De acordo com o texto sim, pois antes da Revolução Industrial, “o passado era o modelo para o presente e o futuro”, pois o velho representava a sabedoria, experiência e a memória. Depois da Revolução Industrial, as novidades surgidas a cada geração ganharam mais importância em relação a sua semelhança com o que havia antes. b) A Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX promoveu a substituição da produção artesanal como sistema de produção predominante pelo sistema fabril. Promoveu também a mecanização da produção e a perda o controle por parte do trabalhador sobre o processo de trabalho, isto é, a alienação. 5. a) Nas fábricas dos primeiros tempos da Revolução Industrial, os operários trabalhavam em precárias condições, devido às longas jornadas de trabalho em ambientes insalubres, sujeitos a acidentes e a castigos físicos e em troca de salários insignificantes. b) A afirmação de Charles Fourier de que a Inglaterra “bloqueia as comunicações”, remete, no contexto em que se deu, à hegemonia inglesa no comércio internacional, condição que a Inglaterra ostentava desde o século XVII e que foi consolidada com a Revolução Industrial no século XVIII. 6. a) As Treze Colônias inglesas na América do Norte foram pioneiras no processo de independência porque este foi liderado pelas colônias nortistas de povoamento que já haviam alcançado no século XVIII, um grau de desenvolvimento econômico e social superior ao das colônias de exploração. As colônias de povoamento tinham autonomia administrativa; e, quando esta lhes foi limitada pelo Parlamento Inglês, os colonos iniciaram o processo de independência. b) Hegemonia napoleônica sobre o continente europeu, provocando o enfraquecimento da autoridade da Espanha sobre suas colônias e, de outro lado, forçando a transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil. Interesse histórico em quebrar o Pacto Colonial Ibérico, com a finalidade de ampliar seus mercados consumidores.


19VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (UEL) Leia o texto a seguir. A conquista do tempo através da medida é claramente percebida como um dos importantes aspectos do controle do Universo pelo homem. De um modo não tão geral, observa-se como, em uma sociedade, a intervenção dos detentores do poder na medida do tempo é um elemento essencial do seu poder: o calendário é um dos grandes emblemas e instrumentos do poder; por outro lado, apenas os detentores carismáticos do poder são senhores do calendário: reis, padres, revolucionários. LE GOFF, J. História e Memória. Trad. de Bernardo Leitão et al. 7.ed. Campinas: Unicamp, 2013. p.442. No processo histórico das sociedades humanas, os senhores do poder procuram ampliar o seu domínio socioeconômico vinculando-o ao tempo cronológico. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, um exemplo de apropriação do tempo associado a um poder que originou um novo calendário. a) O Édito de Constantino impôs o calendário Justiniano a todo o Ocidente cristão modificando as datas de celebrações religiosas. b) A Reforma Calvinista produziu uma nova contagem de tempo para a sociedade referente ao mundo sagrado, consagrando a epopeia da libertação. c) A Revolução Chinesa criou um novo calendário apropriando-se do controle da temporalidade no campo pelas novas técnicas agrícolas desenvolvidas por Mao Tse Tung. d) A Revolução Francesa rompeu com o calendário em vigor, a partir da deposição do rei pela Convenção criada para formular uma nova constituição. e) A Revolução Inglesa modificou o calendário no qual se regulava a balança comercial britânica com as suas colônias, aprimorando a concentração do lucro. 2. (UECE) “Quem era a burguesia? Eram os escritores, os doutores, os professores, os advogados, os juízes, os funcionários – as classes educadas; eram os mercadores, os fabricantes, os banqueiros – as classes abastadas, que já tinham direitos e queriam mais. Acima de tudo, queriam – ou melhor, precisavam – lançar fora o jugo da lei feudal numa sociedade que realmente já não era feudal. Precisavam deitar fora o apertado gibão feudal e substituí-lo pelo folgado paletó capitalista. Encontraram a expressão de suas necessidades no campo econômico, nos escritos dos fisiocratas de Adam Smith; e a expressão de suas necessidades, no campo social, nos trabalhos de Voltaire, Diderot e dos enciclopedistas. O laissez-faire no comércio e indústria teve sua contrapartida no ‘domínio da razão’ na religião e na ciência.” HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem. 21ª ed. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1986, p. 149. Essa burguesia, descrita por Leo Huberman, foi responsável por uma das principais transformações políticas e sociais, que teve um impacto duradouro na história do país onde ocorreu e, mais amplamente, em todo o continente europeu. Essa burguesia está ligada à: a) Revolução Gloriosa, de 1688 a 1689. b) Revolução Francesa, de 1789 a 1799. c) Revolução Russa, de 1917. d) Revolução de Avis, de 1383 a 1385. 3. (PUC-SP) “O Terror, que se tornou oficial durante certo tempo, é o instrumento usado para reprimir a contrarrevolução(...). É a parte sombria e mesmo terrível desse período da Revolução [Francesa], mas é preciso levar em conta o outro lado dessa política.” Michel Vovelle. A revolução francesa explicada à minha neta. São Paulo: Unesp, 2007, p. 74-75. São exemplos dos “dois lados” da política revolucionária desenvolvida na França, durante o período do Terror: a) o julgamento e a execução de cidadãos suspeitos e o tabelamento do preço do pão. b) a prisão do rei e da rainha e a conquista e colonização de territórios no norte da África. c) a vitória na guerra contra a Áustria e a Prússia e o fim do controle sobre os salários dos operários. d) a ascensão política dos principais comandantes militares e a implantação da monarquia constitucional. e) o início da perseguição e da repressão contra religiosos e a convocação dos Estados Gerais. 4. (Ufrgs) O texto abaixo refere-se à Revolução Francesa. O Terror é doravante um sistema de governo, ou melhor, uma parte essencial do governo revolucionário. Seu braço. (...) Ele é também um meio de governo omnipresente, através do qual a ditadura revolucionária de Paris deve fazer sentir sua mão de ferro em todos os lugares, tanto nas províncias quanto nas forças armadas. FURET, François ; OZOUF, Mona. Diccionnaire critique de la Révolution française. Événements. Paris: Flammarion, 1992. p. 298-299. Considere as seguintes afirmações sobre o denominado Terror. REVOLUÇÃO FRANCESA COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4, 5 e 6 HABILIDADE(s) 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 13, 14, 16, 17, 18, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 28 e 29 CH AULAS 29 E 30


20VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias I. O governo jacobino, dirigido por Robespierre, e o Comitê de Salvação Pública foram responsáveis pelo período do Terror. II. O Terror foi uma política de extermínio liderada pelos girondinos de origem burguesa. III. O objetivo dessa política centrava-se na defesa da Revolução contra os inimigos internos e externos. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) Apenas I e III. 5. (Espcex-adaptado) “Em fins do século XVIII, enquanto a Inglaterra se industrializava rapidamente, a França era ainda um país agrário. [...] Enquanto isso, na França, vigorava ainda uma organização social baseada em estamentos - chamados estados, ou ordens -, herdada da Idade Média.” (ARRUDA & PILETTI, 2007) Sobre o tema, leia as afirmações abaixo. I. O primeiro Estado era constituído pela burguesia. II. O clero estava subdividido em alto clero e baixo clero. III. O terceiro estado lutava pela abolição dos privilégios e por igualdade de tratamento em relação à nobreza e clero. IV. Os sans-cullottes eram os pobres que não tinham os privilégios da nobreza. V. Os Estados Gerais eram compostos por representantes dos três Estados, que possuíam igualdade de votos. Assinale a única alternativa em que todos os itens estão corretos. a) I, II e III. b) II, III e IV. c) I, III e V. d) I, IV e V. e) II, IV e V. 6. (UECE) Atente para as seguintes citações: I. “Os reis, aristocratas e tiranos, independentemente da nação a que pertençam, são escravos que se revoltam contra o soberano da Terra, isto é, a humanidade, e contra o legislador do universo, a natureza.” (Maximilien Robespierre, líder e comandante do terror Jacobino, defensor de ideias revolucionárias para aquele tempo, como voto universal, eleições diretas, educação gratuita e obrigatória, e imposto progressivo, segundo a renda.) II. “[...] garantir a propriedade do rico, a existência do pobre, o usufruto do industrial e a segurança de todos.” (Boissy d’Anglas, sobre o objetivo da Constituição de 1795, da qual foi o relator, promulgada pela Convenção após a queda do regime de terror implantado pelos jacobinos sob liderança de Robespierre.) Analisando as citações acima, pode-se afirmar corretamente que: a) representam, respectivamente, os momentos de maior radicalização popular e de acomodação burguesa dentro do movimento revolucionário que derrubou o antigo regime na França em 1789. b) caracterizam o processo de reação da nobreza que, liderada por Robespierre, atacou os interesses da burguesia que a escravizava. c) significam o fim do Estado burguês, pois tanto Robespierre quanto d’Anglas desejavam a segurança de todos os franceses indistintamente. d) ambas reproduzem a preponderância dos princípios burgueses de supremacia da liberdade individual e da fraternidade entre as classes sociais. 7. (Acafe) Classificada pela história como modelo clássico de revolução burguesa, a Revolução Francesa deu sua contribuição para o Ocidente, seja no vocabulário político ou na influência das constituições que adotaram alguns princípios da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Sobre a revolução francesa é correto afirmar, exceto: a) A Assembleia Nacional aboliu as taxas e impostos que recaiam sobre o campesinato, acabando com os vestígios do feudalismo que ainda perdurava em várias regiões francesas. b) Monarquias como a Prússia e a Áustria assinaram a declaração de Pillnitz e anunciaram a intenção de intervir militarmente na França e deter o processo revolucionário. c) No período do Terror, os excessos de Robespierre fizeram-no perder o apoio político. Posteriormente, o próprio Robespierre foi guilhotinado. d) Os jacobinos defendiam posições moderadas e representavam, sobretudo, os interesses da alta burguesia e do primeiro Estado. 8. (UFRN) Os diversos grupos envolvidos na Revolução Francesa interpretaram diferentemente os princípios teóricos que a fundamentaram. Uma interpretação desses princípios pode ser exemplificada no Manifesto dos Iguais, que se expressava nos seguintes termos: Desde a própria existência da sociedade civil, o atributo mais belo do homem vem sendo reconhecido sem oposição, mas nem uma só vez pôde ver-se convertido em realidade: a igualdade nunca foi mais do que uma bela e estéril dicção da lei. E hoje, quando essa igualdade é exigida numa voz mais forte do que nunca, a resposta é esta: “Calai-vos, miseráveis! A igualdade não é realmente mais do que uma quimera; contentai-vos com a igualdade relativa: todos sois iguais em face da lei. Que quereis mais, miseráveis?” Que mais queremos? Queremos igualdade efetiva ou a morte. De que mais precisamos além da igualdade de direitos? Queremos vê-la entre nós, sob o teto das nossas casas. BABEUF, Graco. Manifesto dos Iguais. Disponível em: <www.marxists.org/portugues/babeuf/1796/mes/ manifesto. htm>. Acesso em: 17 set. 2012. [Adaptado] Elaborado na fase do Diretório, esse Manifesto inspirou a “Conspiração dos Iguais”, que foi sufocada, e seu líder, Graco Babeuf, preso e executado.


21VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias No contexto da Revolução Francesa, esses acontecimentos evidenciam que a) o partido conservador, cujos membros eram conhecidos como realistas, uniu-se à alta burguesia e lutava para restaurar a monarquia. b) a facção dos radicais, liderada por Robespierre, temia a ascensão das massas operárias. c) os ideais inspiradores do movimento revolucionário foram aplicados na medida em que atenderam os interesses da burguesia. d) as ideias radicais orientaram a ação dos jacobinos, que assumiram a liderança do processo revolucionário. 9. (PUC-RJ) “A Revolução Francesa constitui um dos capítulos mais importantes da longa e descontínua passagem histórica do feudalismo ao capitalismo. Com a Revolução (científica) do século XVII e a Revolução Industrial do século XVIII na Inglaterra, e ainda com a Revolução Americana de 1776, a Grande Révolution lança os fundamentos da História contemporânea”. [Mota, C. G. A Revolução Francesa]. Entre as transformações promovidas pela Revolução na França, iniciada em 1789, é CORRETO afirmar que: a) os privilégios feudais e o regime de servidão foram abolidos destruindo a base social que sustentava o Antigo Regime absolutista francês. b) a Revolução aboliu o trabalho servil e fortaleceu o clero católico instituindo uma série de medidas de caráter humanista. c) os revolucionários derrubaram o rei e proclamaram uma República fundamentada no igualitarismo radical na qual a propriedade privada foi abolida. d) a Revolução rompeu os laços com a Igreja católica iniciando uma reforma de cunho protestante que se aproximava dos ideais da ética do capitalismo moderno. e) a Revolução, mesmo em seu momento mais radical, não foi capaz de romper com as formas de propriedade e trabalho vigentes no antigo regime. 10. (Espcex (Aman)) Leia as afirmações abaixo referentes à Revolução Francesa. I. Sua principal função social era defender a nação. II. Fase da Revolução Francesa que durou de 1794 até 1799. III. Revoltas camponesas comuns na França na década de 1780. IV. Defendiam um governo central forte, o voto universal e a participação popular na direção do processo revolucionário. Os fragmentos I, II, III e IV referem-se, respectivamente, ao/à(s) a) jacobinos, diretório, nobreza, jaqueries. b) nobreza, diretório, jaqueries, jacobinos. c) diretório, jaqueries, jacobinos, nobreza. d) nobreza, jaqueries, diretório, jacobinos. e) jaqueries, jacobinos, nobreza, diretório. E.O. Fixação 1. (UFPA) A imagem do filme Danton (abaixo), com Robespierre, interpretado pelo ator Wojciech Pszoniak, e Danton, com os braços abertos, interpretado por Gérard Depardieu, evidencia a diferença de atitude entre os dois personagens da Revolução Francesa. A leitura da imagem e o conhecimento sobre o processo revolucionário na Europa de 1789 autorizam afirmar que os posicionamentos de Danton e Robespierre caracterizavam que: a) Danton defendeu as revindicações dos sans-cullotes e, por apoiar a criação de um exército revolucionário, entrou em conflito com Robespierre. b) Robespierre, de peruca, símbolo da aristocracia do antigo regime, foi o representante dos monarquistas no Comitê de Salvação Pública. c) Robespierre representou a burguesia francesa, e Danton representou o povo nos debates no Tribunal Revolucionário. d) Danton tinha origem popular, e Robespierre vinha de uma linhagem nobre, por isso conflitaram em seus ideais sobre a revolução. e) o filme é uma obra de ficção, por isso é incorreto dizer que houve conflitos entre Robespierre e Danton durante os acontecimentos da Revolução Francesa. 2. (UERN) Felizmente, a Revolução Francesa ainda está viva. Pois a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade, os valores da Razão e do Iluminismo – os valores que construíram a civilização moderna (...) – são mais necessários do que nunca, na medida em que o irracionalismo, a religião fundamentalista, o obscurantismo e a barbárie estão, mais uma vez, avançando sobre nós. É, portanto, uma boa coisa que, no ano de seu bicentenário (1989), tenhamos a ocasião de pensar novamente sobre os acontecimentos históricos que há dois séculos transformaram o mundo. Para melhor. (Hobsbawm, Eric. Ecos da Marselhesa: Dois séculos reveem a Revolução Francesa. São Paulo: Companhia da Letras, 1996. p. 127. In: Marques, Adhemar. Pelos caminhos da história. Ensino médio. Curitiba: Positivo, 2006. p. 254.) Na visão do autor do texto, um dos mais conceituados historiadores de nosso tempo, a “Revolução Francesa ainda está viva”. Acerca do pensamento de Hobsbawm e os acontecimentos que permeiam o cotidiano atual, é correto afirmar que:


22VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias a) é possível estabelecer relações de semelhança entre os atores sociais, que protagonizaram a revolução burguesa em questão, e os embates, que ainda permanecem presentes em nossa sociedade. b) a presença de sinais de conflito, tais como o “irracionalismo” e o “obscurantismo”, citados pelo historiador, comprova a total ineficácia do processo revolucionário empreendido em 1789. c) percebe-se, nos dias atuais, que os entraves feudais, os quais foram os grandes causadores da Revolução Francesa, permanecem como uma constante na realidade de toda a Europa ocidental. d) como ainda existem, na atualidade, as mesmas classes sociais do período moderno, palco da Revolução Francesa, a história permanece a mesma, sem alterações que possam ser consideradas válidas. 3. (UFU) As mães, as filhas, as irmãs, representantes da Nação pedem ser constituídas em Assembleia Nacional. Considerando que a ignorância, o esquecimento ou o menosprezo dos direitos da mulher são as únicas causas das desgraças públicas e da corrupção do governo, resolvemos expor, numa declaração solene, os direitos naturais, inalteráveis e sagrados da mulher. Em consequência, o sexo superior em beleza, como em coragem nos sofrimentos maternais, reconhece e declara, em presença e sob os auspícios do Ser Supremo, os seguintes direitos da mulher e da cidadã. Art. 1 – A mulher nasce livre e permanece igual ao homem em direitos. As distinções sociais não podem ser fundadas, senão, sobre a utilidade comum. Art. 2 – A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis da mulher e do homem. Estes direitos são: a liberdade, a prosperidade, a segurança e, sobretudo, a resistência à opressão. Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. 1791. (adaptado) O documento acima foi proposto à Assembleia Nacional da França, durante a Revolução Francesa, por Marie Gouze. A autora propunha uma Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã para igualar-se à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada anteriormente. A proposta de Marie Gouze expressa: a) o reconhecimento da fragilidade feminina, devendo a Constituição francesa garantir ações legais e afirmativas com o objetivo de reparar séculos de exploração contra a mulher. b) a participação das mulheres no processo revolucionário e a reivindicação de ampliação dos direitos de cidadania, com o intuito de abolir as diferenças de gênero na França. c) a disputa política entre os jacobinos e girondinos, uma vez que estes últimos defendiam uma radicalização cada vez maior das conquistas sociais no processo revolucionário. d) o descontentamento feminino ante as desigualdades que as leis francesas até então garantiam entre os integrantes do terceiro Estado e a aristocracia. 4. (UFRN) Em 1789, no contexto da Revolução Francesa, na Assembleia Nacional, os representantes do povo elaboraram a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que, entre outras proposições, enunciou: Os homens nascem livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem ter fundamento na utilidade comum. O fim de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Estes direitos são: a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão. A lei é a expressão da vontade geral. Deve ser igual para todos, protegendo ou punindo. Sendo todos os cidadãos iguais perante a lei, são, igualmente, admitidos a todas as dignidades, cargos e empregos públicos, segundo a capacidade de cada um e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes ou talentos. In: PAINE, T. Os direitos do homem. Petrópolis: Vozes, 1989. [Adaptado]. As proposições citadas, de ampla repercussão no Mundo Contemporâneo, estão fundamentadas: a) nas ideias liberais, defensoras do intervencionismo estatal com a adoção de minuciosa regulamentação de todos os aspectos da vida social. b) nos valores defendidos pelos adeptos do liberalismo, em oposição aos governos autoritários e à organização social baseada em privilégios. c) nas posições políticas burguesas, favoráveis à harmonia coletiva garantida pelo acesso de todos os grupos sociais à propriedade privada dos meios de produção. d) nos princípios iluministas, alicerçados na defesa da igualdade econômica como um direito que garantiria a cidadania proletária. 5. (UPE) A Revolução Francesa marcou a ascensão da burguesia ao poder, acabando com o absolutismo francês. Sobre a França revolucionária, assinale a alternativa correta. a) A burguesia atuava também no campo, em especial no sul da França, onde dominava o comércio de tecido. b) Os grupos políticos urbanos se restringiam ao apoio da nobreza reformada, a qual, assim como o clero, clamava por reformas econômicas. c) A burguesia parisiense contestava o alto índice de impostos que era obrigada a pagar. d) O drástico corte de gastos da Corte de Luís XVI diminuiu a crise econômica da França no fim do século XVIII. e) Os camponeses ficaram alheios ao processo revolucionário, colhendo depois os frutos das conquistas burguesas. 6. (Espcex) “A execução de Luís XVI, em janeiro de 1793, abalou a nobreza europeia. No interior da França, eclodiram revoltas (...). No exterior, formou-se a Primeira Coligação europeia (...). A França foi novamente invadida. (...) Teve início então, o Período do Terror, que se estenderia até julho de 1794.” (ARRUDA & PILETTI, 2007)


23VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias O Período do Terror, caracterizado pela radicalização do processo revolucionário, ocorreu durante a fase da(o): a) Monarquia Constitucional e era chefiado por jacobinos. b) Diretório e era dirigido por girondinos. c) Assembleia Legislativa e era comandado por “sans- -culottes”. d) Assembleia Nacional Constituinte e era orientado por girondinos. e) Convenção Nacional e era liderado por jacobinos. 7. (Espm) Que o preço de todos os gêneros de primeira necessidade seja fixado invariavelmente sobre os dos ditos antigos, depois de 1789 até, inclusive, o ano 90, proporcionalmente às suas qualidades diversas; que as matérias-primas sejam também tabeladas, de maneira que os lucros da indústria, os salários do trabalho e os benefícios do comércio possam facultar ao homem industrioso, ao agricultor, ao comerciante, adquirir a coisas necessárias e indispensáveis à subsistência, e ainda tudo quanto possa contribuir para o bem-estar. (Albert Soboul. História da Revolução Francesa) A medida tratada no texto e colocada em vigor durante a Revolução Francesa pelo Comitê de Salvação Pública foi: a) a Lei do Máximo. b) a Lei dos Suspeitos. c) a redação dos cadernos de queixas. d) a abolição dos direitos feudais. e) a abolição das corporações de ofício. 8. (UFTM) A cada um a sua função e o seu lugar na terra. No topo estão os religiosos, intermediários indispensáveis entre a cidade terrestre e a cidade celeste (...). Depois vêm os nobres, que receberam da Providência a qualidade de guerreiros e estão, portanto, investidos da missão de manutenção da ordem. Finalmente, para o último lugar são relegados os trabalhadores, destinados ao trabalho e ao sofrimento para o bem comum. (Pierre Bonnassie. Dicionário de história medieval, 1985. Adaptado.) O texto faz referência: a) a um tipo de organização social que se apoiava nas diferentes aptidões dos seres humanos. b) às crenças milenaristas, segundo as quais apenas os pobres alcançariam o reino dos céus. c) à igualdade social, que caracteriza a sociedade ocidental desde a Antiguidade. d) ao antropocentrismo, que reservava lugar de destaque para a vontade dos indivíduos. e) à divisão da sociedade em três ordens, colocada em xeque pela Revolução Francesa. 9. (Udesc) Entre 1789 e 1799, a França atravessou um período profundamente transformador conhecido por Revolução Francesa. Em relação às características desse processo revolucionário e seus desdobramentos, analise cada proposição e assinale (V) para verdadeira ou (F) para falsa. ( ) A França foi inovadora, pois não havia notícias de uma revolução de caráter burguês e liberal na Europa do século XVIII. ( ) Durante os dez anos do processo revolucionário, houve uma série de acordos que garantiram uma transição tranquila e pacífica da monarquia absolutista para a república federativa. ( ) A Revolução Francesa pode ser subdividida em quatro momentos: a Assembleia Constituinte, a Assembleia Legislativa, a Convenção e o Diretório. ( ) A Revolução Francesa disseminou nova concepção política e organizacional do Estado; suas ideias influenciaram a disseminação de guerras e conflitos e seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade passaram a ser buscados por quase todas as nações do mundo contemporâneo. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. a) V – F – V – F b) V – V – F – F c) F – V – V – V d) V – V – V – V e) F – F – V – V 10. (UFTM) O esquema refere-se à situação da receita e da despesa do Estado francês na década de 1780. Impostos diretos Impostos 46% indiretos 32% Outras receitas 22% Casa real (Incluindo salários e pensões: 4,3%) 10,3% Marinha, guerra, negócios exteriores 17,2% Pagamento da dívida 50,3% Outras despesas 22,2% Receitas: 471,6 milhões de libras Despesas: 633 milhões de libras Déficit: 161,4 milhões de libras (Anne Bernet. Sem nenhum tostão em caixa. In História Viva, 2004.) A partir da observação dos dados, pode-se inferir: a) o equilíbrio da economia do país, obtido pela administração centralizada, típica do absolutismo. b) a fragilidade das contas públicas, agravada pelo envolvimento do país em guerras externas, que aprofundaram a crise econômica. c) a importância das taxas pagas pela nobreza, que compunham grande parte das receitas do poder público. d) a necessidade de se aumentar o controle das fronteiras, para evitar a evasão de divisas para outros países europeus. e) os efeitos das revoltas camponesas, que desestruturaram a produção rural e diminuíram a arrecadação de impostos.


24VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Complementar 1. (IFSP) Antes de 1789, inúmeros problemas devastavam a França, o que a levou à grande revolução de 14 de julho. Assinale a alternativa que contém os fatores que propiciaram o surgimento da Revolução. a) O decreto do Bloqueio Continental por Napoleão Bonaparte, o que levou praticamente toda a Europa a uma guerra. Esta, fazendo milhares de vítimas entre os franceses, trouxe um colapso à economia (pela diminuição da mão de obra) o que levou o país à revolução de 14 de julho. b) A coroação de Luis XIV como o “rei Sol”. Monarca vaidoso e perdulário, construiu Versalhes, solapando as finanças francesas, o que levou o país a imensos deficits. Descontentes com a situação, filósofos iluministas pregavam a substituição da monarquia por uma república e a luta entre monarquistas e republicanos levou ao início da Revolução. c) O enorme deficit causado por altos gastos com a corte e o pagamento de dívidas aliado às baixas receitas, recaindo todo o ônus dos impostos sobre o terceiro Estado. Além disso, o ideário iluminista adotado pela burguesia fez com que esta se dispusesse a lutar por uma igualdade jurídica. d) A França estava devastada pelas guerras de religião, havendo perseguições e assassinatos de huguenotes pelos católicos. Buscando a paz social, o rei Luis XIV estabeleceu o Edito de Nantes, trazendo a liberdade religiosa. Descontentes com a medida real, os católicos depuseram e aprisionaram o rei, o que deu início à revolução. e) O surgimento da Revolução Industrial na França, o que levou milhares de camponeses às cidades, em busca de melhores condições de vida. Não encontrando trabalho (não conheciam o trabalho fabril), vivendo nas ruas e lançados à miséria, grande parte da população de Paris invadiu a Bastilha, buscando um teto para se abrigar do rigoroso inverno francês. O rei reagiu expulsando os invasores, o que deu início à revolução. 2. (Famerp 2017) A Revolução é feita de sombra, mas, acima de tudo, de luz. Michel Vovelle. A Revolução Francesa explicada à minha neta, 2007. A frase apresenta a Revolução Francesa, destacando a) a aliança de setores católicos, associados à luz da revelação divina, com a ação revolucionária, que representava as trevas da morte. b) o contraste entre a obscura violência de alguns de seus momentos e a razão luminosa que guiou muitos de seus propósitos. c) a vitória do projeto aristocrático, que representava a luz, sobre as lutas burguesas, que representavam as sombras. d) o contraponto entre o esforço obscuro de impor o terror e a vontade iluminista de restaurar a monarquia parlamentar. e) a derrota do ideal republicano, que associava a revolução às trevas, e o sucesso da monarquia absoluta, liderada pelo Rei Sol. 3. (UFMG) O Grande Medo de 1789 foi um dramático acontecimento histórico, ocorrido no interior da Revolução Francesa. Todas as alternativas contêm afirmações corretas sobre o Grande Medo, EXCETO: a) Fez parte de uma conjuntura marcada por numerosas agitações e insurreições urbanas e rurais. b) Foi considerado pelos revolucionários e pelo povo, em geral, como um complô das hordas inimigas da ordem, do rei e da Igreja. c) Foi uma das faces da revolução camponesa que, durante os primeiros anos da Revolução Francesa, impulsionou e conduziu a revolução burguesa. d) Foi um acontecimento fundamentado em reações coletivas de medo e pânico da população diante da divulgação de boatos. e) Gerou fugas, medidas preventivas tais como ataques às propriedades aristocráticas e a decisão de armar a população para enfrentar os bandidos. 4. (UFJF-PISM 2) Em julho de 1789, houve a explosão de movimentos populares em Paris. Artesãos, operários e desempregados se envolveram fortemente com o processo revolucionário, que ocasionou a tomada da Bastilha, momento simbólico da Revolução Francesa. Os grupos populares que protagonizaram a revolução passaram a ser conhecidos como sans-culottes. Em relação aos sans-culottes, assinale a resposta que CORRESPONDA às suas reivindicações e atitudes. a) Desejavam tomar o poder do rei de forma moderada, mediante as decisões do primeiro Estado. b) Defendiam o aprofundamento das reformas políticas e a tomada de poder por parte da aristocracia. c) Tinham um projeto político bem definido, cuja principal proposta era o alinhamento com grupos contrarrevolucionários. d) Exigiam melhores condições de vida e participação política dos setores sociais médios e pobres, saqueando armazéns e tomando edifícios governamentais. e) Defendiam que os preços fossem tabelados e o fim da exploração econômica, sem qualquer proximidade com os camponeses e suas reivindicações. 5. (UFPR) Considere os seguintes excertos produzidos no contexto da Revolução Francesa (1789-1799): Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (26 de agosto de 1789) Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã (setembro de 1791) Art. 1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum. Art. 1º. A mulher nasce livre e tem os mesmos direitos do homem. As distinções sociais só podem ser baseadas no interesse comum.


25VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Art. 2º. A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão. Art. 2º. O objeto de toda associação política é a conservação dos direitos imprescritíveis da mulher e do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e, sobretudo, a resistência à opressão. Art. 13. Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração, é indispensável uma contribuição comum, que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades. Art. 13. Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração, as contribuições da mulher e do homem serão iguais; ela participa de todos os trabalhos ingratos, de todas as fadigas, deve então participar também da distribuição dos postos, dos empregos, dos cargos, das dignidades e da indústria. * Essa declaração, escrita e proposta pela francesa Olympe de Gouges, não foi aprovada pela Assembleia Nacional; Olympe foi guilhotinada por ordem de Robespierre em 1793. Compare as duas declarações e assinale a alternativa que identifica a principal diferença entre o texto de 1789 e o de 1791. a) O texto de 1791 estabelece direitos e obrigações detalhados e separados para homens e mulheres na política e nos negócios, conforme o projeto burguês de sociedade, enquanto o texto de 1789 defende um ideal universalista, sem distinção social. b) O texto de 1789 defende direitos para os homens, sem romper com a lógica patriarcal da sociedade enquanto o texto de 1791 defende a igualdade de direitos entre os gêneros, reivindicando a atuação feminina em assuntos considerados masculinos, como a política e os negócios. c) O texto de 1791 defende a luta contra a opressão das mulheres após séculos de dominação monárquica na França, enquanto o texto de 1789 é contra a opressão masculina causada pela predominância do clero e da nobreza sobre o terceiro Estado. d) O texto de 1789 utiliza o termo “homem” para designar a todo o conjunto de cidadãos, sem distinção de classe e origem, enquanto o texto de 1791 substitui “homem” por “mulher”, a fim de reivindicar direitos exclusivos para as cidadãs da classe burguesa. e) O texto de 1789 defende que nenhum direito é válido se não incluir todos os cidadãos, enquanto o texto de 1791 contradiz esse princípio ao privilegiar as mulheres, que reivindicavam maior espaço na sociedade após a morte da rainha Maria Antonieta. E.O. Dissertativo 1. (PUC-RJ) A gravura abaixo se intitula A derrubada em massa e foi produzida em 1794 para defender o programa revolucionário dentro e fora da França. À esquerda, um revolucionário aciona uma máquina em cuja roda lê-se “Declaração dos Direitos do Homem” e, acima da máquina elétrica, lê-se “Eletricidade republicana gerando nos déspotas uma comoção que derruba seus tronos”. No cabo elétrico, sucedem-se os impulsos “Liberdade, Fraternidade, Unidade, Indivisibilidade da República” que derrubam dois imperadores, vários reis e um papa. Considerando esta gravura no contexto revolucionário em que foi produzida: a) identifique duas ações tomadas pelos revolucionários, durante o período da Convenção Nacional (1792-1795), para garantir a “unidade e indivisibilidade da República” contra os que julgavam serem seus adversários internos; b) explique por quais motivos o autor da gravura representa o enfrentamento das coalizões europeias como uma guerra universal contra todos os regimes despóticos. 2. (UEL) Observe a imagem a seguir. Explique o contexto histórico da Revolução Francesa destacando o posicionamento do autor da imagem quanto à Igreja católica. 3. (PUC-RJ) As transformações ocorridas nas Américas durante a Era das Revoluções Atlânticas estiveram marcadas por dois grandes eventos, ambos igualmente radicais: (a) a Revolução Americana, que, com a independência das 13 colônias em 1776, causou uma primeira séria fratura na ordem do Antigo Regime e cujo pioneirismo na criação da primeira república moderna não seria esquecido e (b) a Revolução de Santo Domingo, no Haiti, nos anos de 1790, a qual veio associada a uma gigantesca, única e bem sucedida rebelião de escravos nos tempos modernos. Esta libertou os escravos e criou a segunda república independente do novo mundo. a) Explique a contribuição da Revolução Americana para a ideia de República no mundo moderno.


26VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias b) Caracterize como os cidadãos franceses, em meio às próprias experiências revolucionárias iniciadas em 1789 na metrópole, reagiram à rebelião dos escravos em sua colônia e à subsequente abolição da escravidão. 4. (UFG) Leia o hino a seguir. Avante, filhos da Pátria, O dia de glória chegou! Contra nós da tirania, O estandarte ensanguentado se ergueu Ouvis nos campos Rugir esses ferozes soldados? Vêm eles até os vossos braços Degolar vossos filhos, vossas mulheres! Às armas, cidadãos, Formai vossos batalhões, Marchemos, marchemos! Que um sangue impuro Banhe o nosso solo! LISLE, Joseph Rouget de. A Marselhesa. Disponível em: <www.ambafrance-br.org/A-Marselhesa>. Acesso em: 14 nov. 2012. (Adaptado). “A Marselhesa” foi apropriada como canção revolucionária em 1793, no ano III. Passando por modificações em sua letra, no final do século XIX, em meio à corrida imperialista europeia, a composição tornou-se hino nacional francês. Diante do exposto: a) relacione um trecho da composição “A Marselhesa” ao contexto revolucionário francês; b) explique a mudança ocorrida na ideia de nacionalismo no final do século XIX, relacionando-a à apropriação de “A Marselhesa” como hino nacional francês. 5. (FGV) O texto a seguir narra algumas mudanças ocorridas na França ao tempo da Revolução. Depois da proclamação da República, em setembro de 1792 (...). Até mesmo as medidas de espaço, tempo e peso passaram a ser questionadas. Todos deveriam falar a mesma língua, usar os mesmos pesos e medidas e entregar as moedas antigas. Uma comissão trabalhou para estabelecer o sistema métrico, e a Convenção instituiu um novo calendário. Em vez da semana de sete dias, haveria a decade, período de dez dias sem variação de mês para mês. No lugar dos nomes da ‘época vulgar’, os nomes dos meses e dias refletiriam a natureza e a razão. Germinal, floreal e prairial (fins de março a fins de junho), por exemplo, evocavam os brotos e flores da primavera, enquanto primidi, duodi etc. Ordenavam os dias racionalmente, sem a ajuda dos nomes de santos. Em Toulouse, as autoridades municipais chegaram a contratar um relojoeiro para ‘decimalizar’ o relógio da Câmara Municipal. Até os relógios podiam testemunhar a Revolução. HUNT, L. Política, cultura e classe na Revolução Francesa. Trad., São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 97. a) Apresente quatro características da França durante o período republicano de 1792 a 1795. b) Explique os significados históricos dessa tentativa de estabelecer outras referências e denominações para o calendário. c) Relacione o novo calendário instituído pela revolução às ideias ilustradas do século XVIII. 6. (UNB) No processo da Revolução Francesa, quando destruíram os últimos resquícios do feudalismo na eufórica noite de 4 de agosto de 1789, os deputados concordaram em manter o dízimo da Igreja, em vez de simplesmente aboli-lo sem qualquer compensação. Mas, desde então, houve sinais de que a promessa seria abandonada. “Eles desejam ser livres, mas não sabem ser justos”, reclamou o abade de Sieyès, referindo-se a alguns colegas da Assembleia. Robespierre não era nem antipadres nem anticlerical; é difícil determinar sua posição quanto ao futuro da Igreja na Revolução. Às vezes, era veemente crítico e, em outras vezes, retornava à interpretação da doutrina cristã, pois, a seu ver, o cristianismo era a religião dos pobres e daqueles de coração puro - riqueza chamativa e luxo não deveriam fazer parte dele. Os pobres, segundo ele, eram oprimidos não apenas pela fome, mas também pelo espetáculo escandaloso de clérigos autoindulgentes, que esbanjavam insensivelmente o que pertencia aos pobres por direito. Ruth Scurr. Pureza fatal: Robespierre e a Revolução Francesa. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2009, p. 140-1 (com adaptações). Com base no texto acima, julgue os itens a seguir como corretos ou incorretos e justifique. a) A invasão da península Ibérica, etapa do expansionismo francês conduzido por Bonaparte, gerou cenário estimulador do processo de independência das colônias espanholas e portuguesa na América. b) As características aristocráticas, conservadoras e eclesiásticas do sistema feudal, que impediam práticas comerciais e financeiras, explicam a sobrevivência desse sistema até 1789. c) O dízimo, imposto que abrangia o universo dos cristãos, possibilitou que os papas, desde a Idade Média até o final do antigo regime, destinassem a Roma 10% da riqueza produzida na Europa, o que transformou a Igreja na principal instituição a ser combatida pelos iluministas e revolucionários do século XVIII. d) A Reforma, ocorrida quase três séculos antes da Revolução Francesa, constituiu evento de ruptura no interior do cristianismo. Entre outros aspectos, ela condenava o espetáculo pouco cristão dos eclesiásticos católicos, quer no plano econômico, quer no plano dos costumes. e) A forma como a autora do texto refere-se ao abade de Sieyès e a Robespierre permite compreender a convivência, no auge dos acontecimentos da Revolução Francesa, de duas perspectivas, a tradicional e a moderna, assumidas, inclusive, por um mesmo indivíduo. f) Os miseráveis da época mencionada no texto não eram representantes da totalidade do povo, o qual, como categoria social, compreendia também indivíduos e grupos que estavam além da linha de miséria. Essa categoria teria, em seguida, seu significado ampliado ao nível político da nação.


27VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 7. (UFBA) TEXTO I Trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos “São verdades incontestáveis para nós: que todos os homens nascem iguais; que lhes conferiu o Criador certos direitos inalienáveis, entre os quais o de vida, o de liberdade e o de buscar a felicidade; que, para assegurar esses direitos, se constituíram entre os homens governos, cujos poderes justos emanam do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo tenda a destruir esses fins, assiste ao povo o direito de mudá-la ou aboli-la, instituindo um novo governo, cujos princípios básicos e organização de poderes obedecem às normas que lhes pareçam mais próprias para promover a segurança e a felicidade gerais.” (AQUINO, 2005, p. 203). TEXTO II Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão No dia 26 de agosto de 1789, a Assembleia Nacional Constituinte proclamou a célebre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, tendo como base o ideário burguês do Iluminismo. Entre os principais pontos defendidos por esse documento, destacam-se: • o respeito, pelo Estado, à dignidade da pessoa humana; • a liberdade e a igualdade dos cidadãos perante a lei; • o direito à propriedade individual; • o direito de resistência à opressão política; • a liberdade de pensamento e de opinião. De maneira solene, a Declaração tornava explícitos os pressupostos filosóficos sobre os quais deveria ser construída a nova sociedade liberal burguesa. (COTRIM, 1994, p. 290). Com base nas declarações que compõem os textos I e II, cite duas características comuns que marcaram o momento histórico no qual foram produzidas essas duas Declarações. 8. (UFRJ) Entre os séculos XVII e XIX, a Europa foi sacudida por uma série de revoluções sociais que resultaram na constituição do sistema político liberal e democrático. Entre elas destacaram-se as revoluções inglesa de 1688 e francesa de 1789. Indique um princípio de natureza econômica e outro de natureza política presentes nessas duas revoluções. 9. (FGV 2007) Cidadãos: O homem nasceu para a felicidade e para a liberdade, e em toda parte é escravo e infeliz. A sociedade tem por fim a conservação de seus direitos e a perfeição do seu ser, e por toda parte a sociedade o degrada e oprime. Chegou o tempo de chamá-la a seus verdadeiros destinos; os progressos da razão humana prepararam esta grande Revolução, e a vós especialmente é imposto o dever de acelerá-la. Para cumprir vossa missão, é necessário fazer precisamente o contrário do que existiu antes de vós. (Maximilien de Robespierre. Paris, 10 de maio de 1793.) Maximilien de Robespierre foi um dos principais líderes da corrente jacobina da Revolução Francesa. Ao discursar na Convenção acerca dos fundamentos que deveriam orientar a elaboração da primeira Constituição Republicana na história do país, Robespierre aplicou princípios iluministas para defender a construção de uma nova ordem política e social. a) Aponte uma medida adotada pelos jacobinos no contexto da radicalização do processo revolucionário francês (1792-1794). b) Explique um princípio iluminista presente no documento. 10. (PUC-RJ) Em princípios de 1789, a França era uma sociedade do antigo regime. A crise dessa estrutura manifestou-se ao longo desse ano, dando início a um período de transformações que se estendeu por dez anos: a Revolução Francesa. a) Indique 3 (três) características de natureza político-social da sociedade do antigo regime na França. b) Indique 3 (três) transformações operadas durante o 1° momento da Revolução Francesa – a “Era das Instituições” (1789 -1792) – que evidenciam o caráter revolucionário dessa experiência histórica. E.O. Enem 1. (Enem) Em nosso país queremos substituir o egoísmo pela moral, a honra pela probidade, os usos pelos princípios, as conveniências pelos deveres, a tirania da moda pelo império da razão, o desprezo à desgraça pelo desprezo ao vício, a insolência pelo orgulho, a vaidade pela grandeza de alma, o amor ao dinheiro pelo amor à glória, a boa companhia pelas boas pessoas, a intriga pelo mérito, o espirituoso pelo gênio, o brilho pela verdade, o tédio da volúpia pelo encanto da felicidade, a mesquinharia dos grandes pela grandeza do homem. HUNT, L. Revolução Francesa e Vida Privada. In: PERROT, M. (Org.) História da Vida Privada: da Revolução Francesa à Primeira Guerra. Vol. 4. São Paulo: Companhia das Letras, 1991 (adaptado). O discurso de Robespierre, de 5 de fevereiro de 1794, do qual o trecho transcrito é parte, relaciona-se a qual dos grupos político-sociais envolvidos na Revolução Francesa? a) À alta burguesia, que desejava participar do poder legislativo francês como força política dominante. b) Ao clero francês, que desejava justiça social e era ligado à alta burguesia. c) A militares oriundos da pequena e média burguesia, que derrotaram as potências rivais e queriam reorganizar a França internamente.


28VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias d) À nobreza esclarecida, que, em função do seu contato, com os intelectuais iluministas, desejava extinguir o absolutismo francês. e) Aos representantes da pequena e média burguesia e das camadas populares, que desejavam justiça social e direitos políticos. 2. (Enem) Em 4 de julho de 1776, as treze colônias que vieram inicialmente a constituir os Estados Unidos da América (EUA) declaravam sua independência e justificavam a ruptura do Pacto Colonial. Em palavras profundamente subversivas para a época, afirmavam a igualdade dos homens e apregoavam como seus direitos inalienáveis: o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Afirmavam que o poder dos governantes, aos quais cabia a defesa daqueles direitos, derivava dos governados. Esses conceitos revolucionários que ecoavam o Iluminismo foram retomados com maior vigor e amplitude treze anos mais tarde, em 1789, na França. Emília Viotti da Costa. Apresentação da coleção. In: Wladimir Pomar. Revolução Chinesa. São Paulo: UNESP, 2003 (com adaptações). Considerando o texto acima, acerca da independência dos EUA e da Revolução Francesa, assinale a opção correta. a) A independência dos EUA e a Revolução Francesa integravam o mesmo contexto histórico, mas se baseavam em princípios e ideais opostos. b) O processo revolucionário francês identificou-se com o movimento de independência norte-americana no apoio ao absolutismo esclarecido. c) Tanto nos EUA quanto na França, as teses iluministas sustentavam a luta pelo reconhecimento dos direitos considerados essenciais à dignidade humana. d) Por ter sido pioneira, a Revolução Francesa exerceu forte influência no desencadeamento da independência norte-americana. e) Ao romper o Pacto Colonial, a Revolução Francesa abriu o caminho para as independências das colônias ibéricas situadas na América. 3. (Enem) Algumas transformações que antecederam a Revolução Francesa podem ser exemplificadas pela mudança de significado da palavra “restaurante”. Desde o final da Idade Média, a palavra ‘restaurant’ designava caldos ricos, com carne de aves e de boi, legumes, raízes e ervas. Em 1765 surgiu, em Paris, um local onde se vendiam esses caldos, usados para restaurar as forças dos trabalhadores. Nos anos que precederam a Revolução, em 1789, multiplicaram-se diversos ‘restaurateurs’, que serviam pratos requintados, descritos em páginas emolduradas e servidos não mais em mesas coletivas e mal cuidadas, mas individuais e com toalhas limpas. Com a Revolução, cozinheiros da corte e da nobreza perderam seus patrões, refugiados no exterior ou guilhotinados, e abriram seus restaurantes por conta própria. Apenas em 1835, o Dicionário da Academia Francesa oficializou a utilização da palavra restaurante com o sentido atual. A mudança do significado da palavra restaurante ilustra: a) a ascensão das classes populares aos mesmos padrões de vida da burguesia e da nobreza. b) a apropriação e a transformação, pela burguesia, de hábitos populares e dos valores da nobreza. c) a incorporação e a transformação, pela nobreza, dos ideais e da visão de mundo da burguesia. d) a consolidação das práticas coletivas e dos ideais revolucionários, cujas origens remontam à Idade Média. e) a institucionalização, pela nobreza, de práticas coletivas e de uma visão de mundo igualitária. 4. (Enem) O Estado sou eu. Frase atribuída a Luíz XIV, Rei Sol (1638-1712). Disponível em http:// wwwportaldoprofessor.mec.gov.br. Acesso em 30 nov. 2011. A nação é anterior a tudo. Ela é a fonte de tudo. Sua vontade é sempre legal: na verdade é a própria lei. SIEYÈS, E. J. O que é o Terceiro Estado. Apud ELIAS, N. Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus no século XIX e XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. Os textos apresentados expressam alteração na relação entre governantes e governados na Europa. Da frase atribuída ao rei Luis XIV até o pronunciamento de Sieyès, representante das classes médias que integravam o Terceiro Estado Francês, infere-se uma mudança decorrente da: a) ampliação dos poderes soberanos do rei, considerado guardião da tradição e protetor de seus súditos e do Império. b) associação entre vontade popular e nação, composta por cidadãos que dividem uma mesma cultura nacional. c) reforma aristocrática, marcada pela adequação dos nobres aos valores modernos, tais como o princípio do mérito. d) organização dos Estados centralizados, acompanhados pelo aprofundamento da eficiência burocrática. e) crítica ao movimento revolucionário, tido corno ilegítimo em meio à ascensão popular conduzida pelo ideário nacionalista. E.O. UERJ Exame Discursivo 1. (UERJ) Carta de Convocação dos Estados Gerais Por ordem do Rei. Temos necessidade de nossos fiéis súditos para nos ajudarem a superar todas as dificuldades em que nos achamos e para estabelecer uma ordem constante e invariável em todas as partes do governo que interessam à felicidade dos nossos súditos e à prosperidade de nosso reino. Esses grandes motivos nos determinaram convocar a assembleia dos Estados de todas as províncias sob nossa obediência, para que seja achado, o mais rapidamente possível, um remédio eficaz para os males do Estado e para que os abusos de toda espécie sejam


29VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias reformados e prevenidos. Versalhes, 24 de janeiro de 1789.Adaptado de MATTOSO, K. de Q. Textos e documentos para o estudo de história contemporânea. São Paulo: Edusp, 1976 A convocação dos Estados Gerais deu início à Revolução Francesa, ocasionando um conjunto de mudanças que abalaram não só a França, mas também o mundo ocidental em finais do século XVIII. Cite um motivo para a convocação dos Estados Gerais na França, em 1789, e apresente duas consequências da Revolução Francesa para as sociedades europeias e americanas. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Fuvest) Oh! Aquela alegria me deu náuseas. Sentia- -me ao mesmo tempo satisfeito e descontente. E eu disse: tanto melhor e tanto pior. Eu entendia que o povo comum estava tomando a justiça em suas mãos. Aprovo essa justiça, mas poderia não ser cruel? Castigos de todos os tipos, arrastamentos e esquartejamentos, tortura, a roda, o cavalete, a fogueira, verdugos proliferando por toda parte trouxeram tanto prejuízo aos nossos costumes! Nossos senhores colherão o que semearam. Graco Babeuf, citado por R. Darnton. O beijo de Lamourette. Mídia, cultura e revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 31. Adaptado. O texto é parte de uma carta enviada por Graco Babeuf à sua mulher, no início da Revolução Francesa de 1789. O autor: a) discorda dos propósitos revolucionários e defende a continuidade do Antigo Regime, seus métodos e costumes políticos. b) apoia incondicionalmente as ações dos revolucionários por acreditar que não havia outra maneira de transformar o país. c) defende a criação de um poder judiciário, que atue junto ao rei. d) caracteriza a violência revolucionária como uma reação aos castigos e à repressão antes existentes na França. e) aceita os meios de tortura empregados pelos revolucionários e os considera uma novidade na história francesa. 2. (Unesp) O secular regime absolutista, apesar de subvertido e abalado pela Revolução Francesa, reagiu e resistiu durante certo tempo. Assinale a alternativa que mais se identifica como efetiva ação contrarrevolucionária. a) Rebelião de Camponeses na Vendeia, instigados e apoiados pela aristocracia. b) Forte oposição ao rei Luiz XVI, sustentada pela aristocracia que lutava pela manutenção de seus privilégios. c) Manobra militar que resultou na tomada da Bastilha e na libertação de centenas de presos políticos. d) Solução de compromisso entre a alta burguesia e a aristocracia para restaurar o absolutismo. e) A fuga para o exterior de nobres e padres franceses, em busca de apoio da Guarda Nacional. 3. (Fuvest) Na Revolução Francesa, foi uma das principais reivindicações do Terceiro Estado: a) a manutenção da divisão da sociedade em classes rigidamente definidas. b) a concessão de poderes políticos para a nobreza, preservando a riqueza dessa classe social. c) a abolição dos privilégios da nobreza e instauração da igualdade civil. d) a união de poderes entre Igreja e Estado, com fortalecimento do clero. e) o impedimento do acesso dos burgueses às funções políticas do Estado. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Fuvest) O problema agrário era portanto o fundamental no ano de 1789, e é fácil compreender por que a primeira escola sistematizada de economia do continente, os fisiocratas franceses, tomara como verdade o fato de que a terra, e o aluguel da terra, era a única fonte de renda líquida. E o ponto crucial do problema agrário era a relação entre os que cultivavam a terra e os que a possuíam, os que produziam sua riqueza e os que a acumulavam. Eric Hobsbawm. A era das revoluções. 1789–1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982, p. 29. a) Caracterize o momento social e econômico por que a França passava no período a que se refere o texto. b) Quais são as principais diferenças entre as propostas fisiocratas e as práticas mercantilistas anteriores a elas? 2. (Unesp) A charge ilustra as três ordens sociais existentes na França antes da Revolução de 1789. (As três ordens, 1789. http://online-lemen.levrai.de) Identifique essas três ordens e justifique o posicionamento dos personagens na charge.


30VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 3. (Unicamp) Observe a distribuição de custos dos camponeses franceses, em percentual da colheita, às vésperas da Revolução de 1789. Esses custos referem-se ao arrendamento da terra, ao custo das sementes e aos impostos pagos ao rei, ao senhor da terra e ao clero. a) Relacione os dados apresentados com as condições vividas pelos camponeses na França do final do Século XVIII. b) Por quais motivos a questão econômica foi um elemento importante para o Terceiro Estado durante a Revolução Francesa? 4. (Unesp) (Hubert Robert. A Bastilha nos primeiros dias de sua demolição, 20 de julho de 1789. Museu Carnavalet, Paris, França.) Esta representação da Bastilha, prisão política do absolutismo monárquico, foi pintada em 1789. Indique dois elementos da tela que demonstrem a solidez e a força da construção e o significado político e social da jornada popular de 14 de julho de 1789. 5. (Unicamp) As primeiras vítimas da Revolução Francesa foram os coelhos. Pelotões armados de paus e foices saíam à cata de coelhos e colocavam armadilhas em desafio às leis de caça. Mas os ataques mais espetaculares foram contra os pombais, castelos em miniatura; dali partiam verdadeiras esquadrilhas contra os grãos dos camponeses, voltando em absoluta segurança para suas fortalezas senhoriais. Os camponeses não estavam dispostos a deixar que sua safra se transformasse em alimento para coelhos e pombos e afirmavam ser a “vontade geral da nação” que a caça fosse destruída. Aos olhos de 1789, matar caça era um ato não só de desespero, mas também de patriotismo, e cumpria uma função simbólica: derrotando privilégios, celebrava-se a liberdade. (Adaptado de Simon Schama, “Cidadãos: uma crônica da Revolução Francesa”. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, pp. 271-272.) a) De acordo com o texto, por que os camponeses defendiam a matança de animais? b) Cite dois privilégios senhoriais eliminados pela Revolução Francesa. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. D 2. B 3. A 4. E 5. B 6. A 7. D 8. C 9. A 10. B E.O. Fixação 1. A 2. A 3. B 4. B 5. C 6. E 7. A 8. E 9. E 10. B E.O. Complementar 1. C 2. B 3. B 4. D 5. B E.O. Dissertativo 1. a) O período da Convenção Nacional ( 21 de setembro de 1792 a 1º. de outubro de 1795) começa com a abolição da Monarquia e a instauração da Primeira República Francesa. Neste período, a República Francesa conduzirá, ao mesmo tempo, uma guerra revolucionária contra as coalizões europeias e uma guerra civil contra realistas e federalistas, qualificados de "contrarrevolucionários". A percepção de que a pátria e a república estavam em perigo levou os republicanos a tomarem um conjunto de medidas para enfrentar os "inimigos da revolução" como as insurreições federalistas contra Paris, os levantes realistas contra o regime republicano (Vendeia e Lyon) e a penúria, a carestia e a crise econômica e social. As medidas concretas tomadas para enfrentar os riscos da divisão interna foram: • A execução do rei Luís XVI e de alguns membros da família real (janeiro de 1793). • A criação do Tribunal Revolucionário (março de 1793), que julgava os opositores da República e não permitia nenhum tipo de recurso às decisões que emanava. Durante o período do Terror, este tribunal emitiu cerca de 5.342 sentenças, das quais mais da metade resultaram na pena de morte. • A reorganização dos exércitos (agosto de 1793) e a imposição do alistamento em massa para todos os homens celibatários entre 18 e 25 anos, aumentando os efetivos e incorporando batalhões de voluntários que agora integram um exército que aos poucos é "nacionalizado".


31VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias • O decreto da "Lei dos Suspeitos" (setembro de 1793), pela qual o clero refratário é declarado suspeito, parentes da nobreza emigrada são aprisionados ou eliminados e membros da nobreza em geral são indiciados e presos. • A proclamação do "governo revolucionário" (outubro de 1793), suspende a aplicação da constituição de 1793 e as liberdades individuais são suspensas até o "retorno da paz". A tomada de decisão é centralizada e as decisões da Convenção são aplicadas de imediato. • A repressão à guerra da Vendeia (1793-1796), que explodiu como reação ao recrutamento obrigatório no exército revolucionário decretado pela Convenção Nacional, à perseguição do clero e à imposição de novos impostos para custear as despesas militares na contenção das invasões dos exércitos coligados externos. b) A charge em questão aborda o processo de expansão revolucionária decorrente da decisão de enfrentar a Primeira Coalizão (1793-97) das monarquias europeias, criada após o julgamento e a execução de Luís XVI (janeiro de 1793). Esse período é marcado pela internacionalização da guerra revolucionária, que passa a se apresentar como uma oposição entre duas ordens políticas e sociais opostas: a da França republicana e revolucionária (com os seus valores destacados nas legendas dentro da gravura) e a da Europa do Antigo Regime (representada pelos soberanos em queda). Neste contexto, em 1793, o Comitê de Salvação Pública tomou uma decisão repleta de consequências: anexar os territórios conquistados fora da França, implantando neles a nova ordem republicana. 2. A Revolução Francesa ocorre no final do século XVIII, em um período marcado pela difusão das ideias iluministas e das lutas pela liberdade. Nas áreas coloniais, os primeiros movimentos pela independência ocorriam influenciados pelo Iluminismo e as críticas ao absolutismo se avolumavam. Especificamente na França, o Terceiro Estado sofria com a alta dos preços, decorrente das péssimas colheitas nos finais da década de 80 e com o aumento da tributação por conta das dívidas do Estado Francês. É nesse contexto que tem início o processo revolucionário. O autor da charge claramente ignora o posicionamento da Igreja em relação ao movimento revolucionário. A Igreja era uma das principais beneficiadas pela ordem política e social anterior à eclosão da Revolução Francesa. 3. a) A República americana, adotou a ideia de igualdade de condição entre todos os homens livres e pactuantes do novo contrato social. Além disso, o direito à liberdade, que a partir de então foi apresentada como uma garantia universal. Porém, a contribuição mais importante que pode ser ressaltada diz respeito às primeiras experiências com o governo representativo, ensaiadas na jovem república. A ideia de que o povo deve governar por meio de representantes e de que esse corpo eleitoral deve ser o responsável pela seleção dos governantes viria complementar a união em curso entre os princípios republicanos e o liberalismo que marcaram o final do século XVIII. b) Em meio aos intensos debates e ações radicais que marcaram a escalada revolucionária de 1789 aos anos do Terror, os franceses da metrópole guardaram as bandeiras da “liberdade, igualdade e fraternidade” para si apenas. Opuseram-se não apenas à rebelião de escravos em Santo Domingo como à libertação de sua colônia (apelidada à época de a “joia francesa do Caribe”). Ironicamente, coube aos revolucionários haitianos, inspirados nessas mesmas ideias metropolitanas, combaterem os canhões e a marinha da França revolucionária que foram submetê-los e tentar mantê-los sob o jugo colonial. 4. a) “A Marselhesa” foi composta no período de guerra entre a França e as outras monarquias europeias. Considerando-se suas distintas apropriações, muitas passagens da composição relacionam-se ao contexto revolucionário francês, por exemplo (o candidato deve relacionar apenas um trecho da composição ao contexto): • “Avante filhos da Pátria” ou ainda “Às armas, cidadãos”: nestas passagens, a conclamação à guerra se sustenta no sentimento nacional (daí a referência a filhos da pátria e cidadãos), emergente durante a era revolucionária. • “Que um sangue impuro/banhe o nosso solo”: nesta passagem, a alusão à sangue impuro (do invasor) é uma metáfora da ambiência da guerra. A composição explicita a presença dos inimigos (da revolução e/ou da mudança) e a ameaça à pátria. • “Contra nós da tirania”: nesta passagem, encontra-se a exposição do princípio da Revolução: a luta contra a tirania, identificada no privilégio aristocrático e representada, sobretudo, pela figura do Rei. b) No final do século XIX, há uma mudança importante em relação à ideia de nacionalismo, definida pelo contexto de competição entre os estados nacionais europeus. Para explicar a mudança, é importante salientar que, no período jacobino, o nacionalismo francês era uma expressão revolucionária e inclusiva, ou seja, ser cidadão francês significava, mais do que simplesmente nascer em território francês, defender os princípios da Revolução, alicerçados na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Entretanto, a partir da corrida imperialista, o sentimento nacional passou a estar associado a viver em um território definido (ter uma nação), a ter uma língua e uma cultura (francesa, alemã, italiana, assim por diante), a possuir colônias e a se sentir parte integrante do projeto civilizacional europeu. Em virtude disso, cada vez mais, o nacionalismo conclamaria à defesa da nação, à posse de territórios coloniais e à guerra. Assim, a apropriação de “A Marselhesa” é bem-vinda, na medida em que o hino, elaborado em um contexto de invasão (a França lutava contra os regimes monárquicos da Europa, em 1792), exortava o sentimento nacional e qualificava a guerra como heroica e gloriosa.


32VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 5. a) A república Jacobina foi o período em que ocorreram as mudanças mais radicais da Revolução com medidas de grande repercussão. Com o fim da monarquia simbolizada pela decapitação do rei, a Convenção assume o comando do governo com a sucessão entre montanheses e jacobinos no poder. Internamente, a República enfrentou uma crise econômica, que tentou ser contida através do tabelamento de preços e salários a partir da Lei do Máximo. As pressões e revoltas dos sans-culottes por modificações foi acompanhada pelo constante embate armado e político entre jacobinos e girondinos o que levou ao estabelecimento do Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário iniciando o chamado “Período de Terror” com a perseguição dos contrarrevolucionários. Medidas sociais foram tomadas e/ou continuadas como a Declaração dos Direitos do Homem, o sufrágio universal masculino, a abolição da escravidão nas colônias, a formação de escolas públicas e ensino estendido a todos. Externamente, a França teve que combater os países absolutistas apoiados pelos realistas, o que levou ao fortalecimento e destaque do exército. b) Para qualquer governo o domínio dos símbolos indica o controle sobre o cotidiano da sociedade. Para os revolucionários, a imposição de novos símbolos seria a construção de um novo presente indicando um promissor futuro da França, o caráter transformador da Revolução de maneira a desvincular o país de seu passado aristocrático opressor, além de romper com o domínio da Igreja Católica no controle do tempo e da cultura. Esse novo sistema buscava ressaltar os valores burgueses, assim como também criar uma nova identidade francesa que os diferenciasse dos demais países monárquicos e não adeptos das ideias revolucionárias. Portanto, a substituição dos sistemas era realizar a revolução completa ao modificar a memória social. c) Para qualquer governo o domínio dos símbolos indica o controle sobre o cotidiano da sociedade. Para os revolucionários, a imposição de novos símbolos seria a construção de um novo presente indicando um promissor futuro da França, o caráter transformador da Revolução de maneira a desvincular o país de seu passado aristocrático opressor, além de romper com o domínio da Igreja Católica no controle do tempo e da cultura. Esse novo sistema buscava ressaltar os valores burgueses, assim como também criar uma nova identidade francesa que os diferenciasse dos demais países monárquicos e não adeptos das ideias revolucionárias. Portanto, a substituição dos sistemas era realizar a revolução completa ao modificar a memória social. 6. a) Correto. A expansão francesa impôs grave crise às Monarquias Ibéricas, agravando as relações com as colônias, particularmente no caso espanhol. b) Incorreto. Apesar de preservadas, as características feudais tinham cada vez menor expressão, e, desde o final da Idade Média, as práticas mercantis estavam em expansão. c) Incorreto. Apesar de receberem o dízimo – 10% – dos fiéis, apenas parte desse valor destinava-se à Roma. d) Correto. A reforma religiosa, denominada de “protestante”, teve como um de seus estopins a crítica ao comportamento mundano de parte do clero. e) Correto. Apesar de considerado tradicionalmente como um radical, o texto deixa transparecer que Robespierre não era ferrenho anticlerical. f) Correto. De uma forma geral, o “povo” designava todos aqueles que não possuíam direitos e privilégios, envolvendo setores com poder econômico, como a burguesia. 7. • Influência das ideias iluministas e da expansão do liberalismo; • Ascensão da burguesia industrial (papel político e ideológico); • Crise do Antigo Regime e contestação revolucionária aos seus princípios: absolutismo, dominação colonial. 8. Entre outros princípios o candidato poderá indicar os seguintes: liberdade de expressão, liberdade comercial, liberdade individual e respeito à propriedade privada. 9. a) Foram medidas adotadas pelos jacobinos no contexto da radicalização do processo revolucionário: a política do “terror”; a abolição dos escravos nas colônias; a “Lei do Máximo”. b) Para importantes pensadores iluministas, “a organização política da sociedade só é legítima quando defende os direitos do homem”. Esse princípio iluminista está presente no discurso de Robespierre e deverá ser desenvolvido pelo candidato. 10. a) Alguns exemplos: • o caráter estamental dessa sociedade; • o fato de a nobreza e o clero serem estamentos privilegiados; • o fato de caber à burguesia e às camadas populares toda a carga tributária, • a vigência de uma monarquia absoluta; • a legitimação do poder absoluto do monarca por meio da teoria do direito divino; • o caráter consultivo e não deliberativo da Assembleia dos Estados Gerais; • a concentração de poderes executivos, legislativos e judiciários e religiosos nas mãos do monarca; • a subordinação da Igreja ao Estado. b) Alguns exemplos de transformações: • o estabelecimento de uma monarquia constitucional; • o estabelecimento de três poderes: executivo, legislativo e judiciário; • o fim dos privilégios; • a abolição dos direitos feudais; • a instituição da igualdade jurídica; • o estabelecimento da liberdade de culto; • o estabelecimento da liberdade de expressão; • a afirmação da inviolabilidade da propriedade.


33VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Enem 1. E 2. C 3. B 4. B E.O. UERJ Exame Discursivo 1. Um motivo para a convocação dos Estados Gerais, em 1789, foi a crise econômica pela qual o Estado francês passava e a questão quanto à tributação do Primeiro e Segundo Estado naquele momento. Uma consequência da Revolução Francesa para a Europa foi, sem dúvida, a eliminação de privilégios feudais e dos regimes absolutistas. Na América, o processo revolucionário francês contribuiu para a aceleração do processo emancipatório na região. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. D 2. A 3. C E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) A França se caracterizava por um ordenamento social marcado pela baixa mobilidade social e a divisão da sociedade em estamentos (Primeiro Estado, Segundo Estado e Terceiro Estado). Essa divisão garantia uma série de privilégios aos estamentos superiores, sendo o maior deles, a isenção fiscal. Economicamente, o Estado Francês passava por uma grave crise na qual os gastos da Monarquia eram muito superiores às suas rendas, além das crises de abastecimento por conta de péssimas colheitas. Esses fatores desgastavam a condição de vida dos membros do Terceiro Estado, que além de enfrentar o processo inflacionário pagavam impostos cada vez mais altos. b) O mercantilismo se caracterizava pela intensa intervenção do Estado na economia e por restrições comerciais devido ao protecionismo dos Estados Monárquicos. Já a corrente fisiocrata propunha a liberdade econômica e valorizava a terra como a grande fonte de riqueza de um Estado. 2. A charge mostra o Primeiro Estado representado pelo Alto Clero, o Segundo Estado representado pela nobreza e o Terceiro Estado representado por um camponês. O posicionamento dos personagens na imagem revela a hierarquia social existente na França pré-revolucionária. Isentos de impostos, Primeiro e Segundo Estado eram carregados nas costas pelo Terceiro Estado, único estamento que era pesadamente tributado pelo Estado francês. 3. a) O gráfico indica que os custos com a produção e com os impostos representavam 65% da colheita realizada pelos camponeses. Desta forma, o usufruto do menor percentual da colheita disponível às pessoas do campo significava a existência de precárias condições de vida para as famílias numerosas, sendo que a miséria e a fome eram riscos constantes no período pré-revolucionário. b) A questão solicitava o estabelecimento da relação entre a crise econômica e o Terceiro Estado (burgueses, camponeses, sans-cullottes, profissionais liberais) durante a Revolução Francesa. Os custos dos impostos e a manutenção de um grupo de privilégios (nobreza e clero) uniram o Terceiro Estado em sua insatisfação contra o regime vigente. A conjuntura de endividamento público e a ineficiência de medidas contra a crise levaram à convocação dos Estados Gerais e fizeram com que as reivindicações do Terceiro Estado entrassem na pauta política francesa. A pobreza foi instrumentalizada pela burguesia, que se incomodava com a ausência de mobilidade social e exigia o fim do sistema de privilégios e o estabelecimento de igualdade jurídica. 4. As paredes grossas e as muralhas que envolvem a edificação, além da aparente grandiosidade da prisão diante dos elementos humanos que aparecem na tela demonstram a solidez e a força da construção. O significado político da tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789, é a derrubada de um símbolo do absolutismo, prenúncio da queda do Antigo Regime. Socialmente, o acontecimento nos revela a tomada dos espaços públicos pela população e a descoberta da força das massas diante das estruturas políticas. 5. a) Segundo o texto, os camponeses defendiam a matança de animais, pois estes destruíam a produção agrícola dos camponeses e sendo a caça um direito exclusivo da nobreza, a matança desses animais simbolizava uma afronta a um privilégio aristocrático. b) Podemos citar como privilégios eliminados pela Revolução Francesa: a exclusividade na caça, a cobrança de obrigações feudais pela nobreza, o uso de títulos de nobreza, a exploração do trabalho servil, a existência de tribunais especiais para os nobres, a isenção de impostos, a exclusividade no exercício de altos cargos na administração pública, justiça, Exército e Igreja.


34VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (Espcex) A Revolução Francesa teve início em 1789. Neste processo a(o): a) Assembleia Nacional Constituinte, representando interesses das classes populares, foi responsável por abolir a escravidão, por acabar com os privilégios do clero e da nobreza e por instituir o voto universal. b) partir de 1792, os girondinos deram início ao Período do Terror, executando milhares de pessoas acusadas de serem contrarrevolucionários. c) Diretório foi um governo que conseguiu conciliar diferentes interesses, obtendo o apoio dos jacobinos, através de medidas populares como o tabelamento de preços de alimentos, e da alta burguesia, estimulando o desenvolvimento da indústria de algodão. d) 18 Brumário foi um golpe de estado que recebeu o apoio de um grupo político-militar e foi responsável por consolidar os interesses burgueses na França. e) Convenção Nacional teve início com a tomada da Bastilha, símbolo da arbitrariedade do poder real e pôs fim ao absolutismo francês, limitando o poder do rei com a instauração de uma monarquia constitucional. 2. (Espcex) No início do século XIX, Napoleão Bonaparte ordenou a ocupação de Portugal, motivando com isso a fuga da família real portuguesa para o Brasil. Esse evento desencadeou primeiramente a(o): a) Conjuração Baiana. b) abdicação de D. Pedro I. c) elevação do Brasil à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. d) introdução das ideias revolucionárias francesas no Brasil. e) estabelecimento do Pacto Colonial. 3. (FGV) Restauração é o nome do regime estabelecido na França durante quinze anos, de 1815 a 1830, mas essa denominação convém a toda a Europa. Ela é múltipla e se aplica a todos os aspectos da vida social e política. (René Rémond, O século XIX: introdução à história do nosso tempo) Reconhece-se a Restauração no processo que: a) restituiu o poder aos monarcas europeus alinhados a Napoleão Bonaparte, provocando a generalização da contrarrevolução na América colonial, que havia sido varrida pelas independências nacionais. b) alçou a Inglaterra à condição da nação mais poderosa do mundo, com capacidade de reverter a proibição do tráfico de escravos africanos para a América e de defender a recolonização de espaços coloniais espanhóis americanos. c) restabeleceu as bases do sistema colonial na América e na Ásia, com a recriação de companhias de comércio marcadas pela rigidez metropolitana, além da prática do “mar fechado” e do porto único. d) permitiu a volta das antigas dinastias ao poder, que o haviam perdido com as guerras napoleônicas, e que criou a Santa Aliança, nascida com o intuito de reprimir movimentos revolucionários. e) ampliou os direitos trabalhistas em toda a Europa, condição que provocou as revoluções de 1820 e 1830, eventos fundamentais para a retomada dos valores políticos anteriores à Revolução Francesa. 4. (Ufrgs) Em 1815, foi encerrado o Congresso de Viena que tinha como propósito reorganizar o mapa político da Europa. A respeito desse Congresso, considere as seguintes afirmações. I. Foi realizado após a derrota de Napoleão Bonaparte, que havia alterado o equilíbrio de forças na Europa. II. Resultou na formação da Santa Aliança para coibir qualquer tentativa de revolução liberal. III. Garantiu a Portugal e Espanha ganhos territoriais na Europa, por terem lutado contra as forças napoleônicas. Quais estão corretas? a) Apenas I. d) Apenas l e III. b) Apenas II. e) I,II e III. c) Apenas I e II. 5. (UEG) Em 1804, Napoleão Bonaparte recebeu o título de Imperador, mediante um plebiscito. Durante sua cerimônia de coroação, ele retirou do Papa a coroa e colocou-a em sua cabeça com as próprias mãos. Esse gesto ousado representou: a) o rompimento entre a Igreja Católica Romana e o novo Estado Revolucionário Francês. b) que Napoleão estava assumindo todas as responsabilidades do Poder Moderador na França. c) que Napoleão, símbolo máximo da força da burguesia, considerava-se mais importante que a tradição da Igreja. d) a criação de uma religião de Estado, tendo como figura central o Imperador, a exemplo do Anglicanismo inglês. ERA NAPOLEÔNICA E CONGRESSO DE VIENA COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4, 5 e 6 HABILIDADE(s) 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 13, 14, 16, 17, 18, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 28 e 29 CH AULAS 31 E 32


35VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 6. (Cesgranrio) Na caricatura, os vencedores de Napoleão – o rei da Inglaterra, o rei da Prússia, o czar da Rússia e o imperador austríaco – se preparam para dividir um patê, que contém o antigo Imperador. Sob a mesa, o rei francês Luís XVIII espera as migalhas. No que se refere a esse momento histórico, é incorreto afirmar-se que: a) o Congresso de Viena, ao reformular o mapa europeu e favorecer os grandes rivais da França napoleônica, não respeitou as reivindicações nacionais das populações dos territórios ocupados. b) a França recebeu algumas “migalhas”, pois manteve sua integridade territorial e teve restaurada no poder a dinastia deposta pela Revolução Francesa, apesar de temporariamente ocupada por forças militares vencedoras. c) as grandes reservas de matéria-prima necessárias ao desenvolvimento econômico dos países vencedores encontravam-se nas áreas submetidas, até então, ao domínio da França, o que explica a situação humilhante do rei francês na caricatura. d) todos os soberanos sentados à mesa obtiveram vantagens territoriais pelo Congresso de Viena, contudo, coube à Inglaterra a anexação da maior parte de áreas estratégicas para a manutenção da supremacia marítima. e) alguns dos países cujos soberanos foram retratados na caricatura reuniram-se, dando origem à Santa Aliança, na tentativa de evitar, a qualquer custo, a eclosão de revoluções liberais, contendo a burguesia e mantendo o Antigo Regime. 7. (Ufrgs) A Santa Aliança, coalizão entre Rússia, Prússia e Áustria, criada em setembro de 1815, após a derrota de Napoleão Bonaparte, tinha por objetivo político: a) promover e proteger os ideais republicanos e revolucionários franceses em toda a Europa. b) impedir as intenções recolonizadoras dos países ibéricos e apoiar as independências dos países latino-americanos. c) lutar contra a expansão do absolutismo monárquico e a influência do papado em todos os países europeus. d) combater e prevenir a expansão dos ideais republicanos e revolucionários franceses em toda a Europa. e) apoiar o retorno de Napoleão ao governo francês e garantir o equilíbrio entre as potências europeias. 8. (UEMG) “Há duzentos anos, em 9 de junho de 1815, encerrava-se o Congresso de Viena, conferência de países europeus que, após nove meses de deliberações, estabeleceu um plano de paz de longo prazo para o continente, que vivia um contexto político conturbado(...). Para alcançar esse objetivo, os diplomatas presentes ao Congresso de Viena criaram um mecanismo de pesos e contrapesos conhecido como “Concerto Europeu”(...). O Concerto Europeu procurou substituir um arranjo unipolar por um sistema inovador de consultas plurilaterais. Esse esforço visava a garantir a estabilidade europeia no pós-guerra”. http://blog.itamaraty.gov.br/63-historia/146-200-anosdo-congresso-de-viena.Acesso em: 20/7/2015. O contexto conturbado vivido pela Europa antes do Congresso de Viena e os resultados deste foram, respectivamente: a) a guerra dos sete anos que colocaram em confronto Inglaterra e França em função de disputas territoriais na América. – A expulsão da França da Liga das nações por ter desrespeitado regras internacionais preestabelecidas. b) a disputa imperialista protagonizada pelas nações europeias em função da crise econômica vivida no século XIX. – Evitou-se provisoriamente um conflito de proporções mundiais já que, por meio de concessões, garantiu-se um equilíbrio político. c) a expansão napoleônica que destronou reis e promoveu a invasão e ocupação militar sobre diversas regiões. – Restauração das monarquias depostas por Napoleão, legitimação das existentes à época e a criação da Santa Aliança. d) a primeira grande guerra, que foi consequência de um momento marcado pelo nacionalismo exacerbado e por rivalidades econômicas e territoriais. – A imposição de uma paz despreocupada com o equilíbrio mundial pois humilhava os derrotados. 9. (UFU) Durante o Congresso de Viena, estabeleceram-se as bases políticas e jurídicas para uma nova ordenação da Europa destinada a durar um século redondo. O resultado dos pactos inaugurou uma época na qual os conflitos externos foram poucos; por outro lado, aumentaram as guerras civis e a “revolução” se fez incessante. KOSELLECK, Reinhart. La época das revoluciones europeas: 1780-1848. México: Siglo XXI, 1998. p.189. (Adaptado).


36VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias A constituição do Congresso de Viena, em 1815, evidenciava a instabilidade da geopolítica da Europa, e tinha entre seus objetivos a) o incentivo aos movimentos de libertação colonial, como forma de reduzir os conflitos que pudessem ameaçar o equilíbrio europeu. b) a recomposição do equilíbrio europeu sob o domínio das forças conservadoras, antirrevolucionárias e anti-iluministas. c) a preservação das aspirações nacionais de vários povos europeus, com o objetivo de evitar novos conflitos que colocassem em risco o equilíbrio da Europa. d) a aceitação das fronteiras nacionais existentes em 1815, o que era visto como essencial para o fim dos conflitos entre as grandes potências. E.O. Fixação 1. (Ibmecsp) A expansão napoleônica no século XIX influenciou decisivamente vários acontecimentos históricos no período. Dentre esses acontecimentos podemos destacar: a) a Independência dos Estados Unidos. Com a atenção da Inglaterra voltada para as batalhas com a marinha napoleônica, os colonos americanos declararam sua independência, vencendo rapidamente os ingleses. b) a formação da Santa Aliança, um pacto militar entre Áustria, Prússia, Inglaterra e Rússia que evitou a eclosão de movimentos revolucionários na Europa e impediu a independência das colônias espanholas e inglesas na América. c) a Independência do Brasil. Com a ocupação de Portugal pelas tropas napoleônicas, houve um enfraquecimento da monarquia portuguesa que culminou com as lutas pela independência e o rompimento de D. Pedro I com Portugal. d) a Independência das colônias espanholas. Em 1808 a Espanha foi ocupada pelas tropas napoleônicas ao mesmo tempo em que se difundiam os ideais liberais da Revolução Francesa que inspirou as lutas pela independência. e) o Congresso de Viena. A França de Napoleão assinou um pacto com a Áustria, Inglaterra e Rússia cujo objetivo maior era estabelecer uma trégua e reorganizar todo o mapa europeu. 2. (UFC) Entre 1792 e 1815, a Europa esteve em guerra quase permanente. No final, os exércitos napoleônicos foram derrotados. Em seguida, as potências vencedoras, Rússia, Prússia, Grã-Bretanha e Áustria, conjuntamente com a França, reuniram-se no Congresso de Viena, que teve como consequência política a formação da Santa Aliança. A partir do comentário acima, marque a alternativa que contenha duas decisões geopolíticas aprovadas pelo citado Congresso. a) Defesa do liberalismo e auxílio aos movimentos socialistas na Europa. b) Restabelecimento das fronteiras anteriores a 1789 e isolamento da França do cenário político europeu. c) Valorização das aristocracias em toda a Europa continental e ascensão dos girondinos no governo da França a partir de 1815. d) Reentronização das casas reais destituídas pelos exércitos napoleônicos e criação de um pacto político de equilíbrio entre as potências europeias. e) Apoio aos movimentos republicanos e concentração de poderes na coroa britânica, permitindo a esta a utilização da sua marinha de guerra como instrumento contrarrevolucionário. 3. (PUC-RJ) Como general, cônsul e, depois, imperador, Napoleão Bonaparte transformou a França de um país sitiado numa potência expansionista com influência em todo o continente europeu. No entanto, a expansão francesa com seus ideais burgueses encontrou muitas resistências principalmente entre as nações dominadas por setores aristocráticos. Assinale a opção que identifica corretamente uma ação implementada pelo governo napoleônico. a) O estabelecimento do catolicismo cristão e romano como religião de estado. b) A descentralização das atividades econômicas, o que permitia que as economias locais prosperassem sem o pagamento de impostos. c) A adoção do Código Civil que garantia a liberdade individual, a igualdade perante a lei e o direito à propriedade privada. d) O estímulo, por parte das leis francesas, à criação de sindicatos de trabalhadores, livres da influência do Estado. e) A estatização de toda a propriedade agrícola, comercial e industrial nas regiões dominadas pelo exército napoleônico. 4. (FGV) Os soberanos do Antigo Regime venceram Napoleão, em que eles viam o herdeiro da Revolução, e a escolha de Viena para a realização do Congresso, para a sede dos representantes de todos os Estados europeus, é simbólica, pois Viena era uma das únicas cidades que não haviam sido sacudidas pela Revolução e a dinastia dos Habsburgos era o símbolo da ordem tradicional, da Contrarreforma, do Antigo Regime. René Remond, “O século XIX: introdução à história do nosso tempo” Acerca do Congresso de Viena (1815), é correto afirmar que: a) tornou-se a mais importante referência da vitória do liberalismo na Europa, na medida em que defendia a legitimidade de todas as dinastias que aceitavam a limitação dos seus poderes por meio de cartas constitucionais. b) países como a Inglaterra, Portugal e a Espanha, os mais prejudicados com o expansionismo napoleônico, defendiam que a França deveria tornar-se republicana, com o intuito de evitar novos surtos revolucionários. c) foi orientado, entre outros, pelo princípio da legitimidade – que determinava a volta ao poder das antigas dinastias reinantes no período pré-revolucionário, além do recebimento de volta dos territórios que possuíam em 1789. d) presidido pelo chanceler austríaco Metternich, mas controlado pelo chanceler francês Talleyrand, decidiu-se por uma solução conciliatória após o caos napoleônico:


37VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias haveria a restauração das dinastias, mas não a volta das antigas fronteiras. e) criou, a partir da sugestão do representante da Prússia, um organismo multinacional, a Santa Aliança, que detinha a tarefa de incentivar regimes absolutistas a se modernizarem com o objetivo de sufocar as lutas populares. 5. (UFU) A chamada “Era Napoleônica” (1799-1814) foi uma época marcada por grandes conflitos bélicos na Europa. Sobre esse momento e suas repercussões na história do continente americano, assinale a alternativa INCORRETA. a) A necessidade financeira decorrente dos custos militares levou Napoleão Bonaparte a vender territórios coloniais franceses na América do Norte. Nesse contexto, o vasto território da Louisiana foi incorporado aos EUA. b) O envolvimento da França em conflitos bélicos contra quase toda Europa favoreceu a perda de colônias francesas na América. A independência do Haiti e a ocupação da Guiana Francesa pelos portugueses são exemplos disso. c) Durante o apogeu do Império Napoleônico, a Espanha tornou-se politicamente dependente da França. Essa situação favoreceu anseios autonomistas na América espanhola e levou a Inglaterra a apoiar movimentos de independência. d) Com o “bloqueio continental”, a Inglaterra teve seus interesses comerciais na América seriamente prejudicados. Nesse contexto, os britânicos invadiram a Argentina em 1806 e a controlaram até 1815, quando o Congresso de Viena decretou sua independência. 6. (UFC) Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, uma realização de Napoleão Bonaparte, que representou uma consolidação das ideias da Revolução Francesa. a) O impedimento do retorno do uso de títulos de nobreza, reivindicado pelos seus generais e pela burguesia francesa que desejava tornar-se a nova elite do país. b) A criação do Código Civil, inspirado no direito romano e nas leis do período revolucionário, que, na sua essência, vigora até hoje na França. c) A abolição da escravidão nas colônias francesas, reafirmando o princípio da liberdade presente na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. d) A realização de uma reforma agrária, prometida, mas não efetivada, pelos jacobinos, o que garantiu a popularidade de Napoleão entre os camponeses. e) A criação da Constituição Civil do Clero, que proibiu toda forma de culto religioso no território francês. 7. (Ufrgs) No Congresso de Viena, concluído em 1815, pouco antes da derrota de Napoleão em Waterloo, os soberanos europeus vitoriosos fixaram os destinos da Europa. Nessa reconstrução geopolítica: a) a Inglaterra, lesada em posições estratégicas, perdeu definitivamente o domínio dos mares para potências emergentes, como Espanha e Itália. b) a nova carta político-territorial da Europa assegurou o equilíbrio entre as grandes potências ao reconhecer as aspirações nacionais. c) a França, apesar da derrota, foi poupada, não perdendo seus territórios nem sendo obrigada a pagar indenizações de guerra, em nome do equilíbrio europeu. d) a Rússia abdicou de qualquer pretensão de tornar-se a potência dominante da Europa oriental, enquanto a Áustria, que conquistou a Bélgica, perdeu seus domínios na Itália. e) o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido de Portugal e Algarves, o que permitiu a permanência da família real no continente americano, sem perda do trono. 8. (FGV) Entre 1814-1815, representantes das nações europeias reuniram-se no chamado Congresso de Viena. As principais discussões desses encontros giraram em torno: a) da adoção do Código Napoleônico por todos os Estados europeus, como forma de modernizar as instituições sociais e adequá-las ao desenvolvimento capitalista do período. b) da reorganização da Europa após as guerras napoleônicas, procurando garantir à burguesia os avanços conquistados após anos de revoluções. c) da definição de fronteiras e governantes europeus a partir da ideia de legitimidade, isto é, a restauração do poder e das divisões territoriais anteriores à Revolução Francesa. d) da necessidade de banir definitivamente os princípios fundamentais do Antigo Regime, tais como a desigualdade jurídica, a dominação aristocrática e o absolutismo. e) da implementação do Parlamentarismo como a única forma de garantir a dominação aristocrática e a restauração das dinastias destronadas pelas revoluções. 9. (PUC-MG) O mapa a seguir mostra a Europa Ocidental nos anos iniciais do século XIX. A situação assinalada resultou na vinda da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808. Portanto, o mapa retrata: a) o Tratado de Comércio e Navegação, assinado entre D. João e lord Strangford, que garantia liberdade comercial para ingleses e portugueses. b) o Tratado de Fontainebleau, assinado por França e Espanha, que supunha a invasão de Portugal e divisão de suas colônias. c) a Convenção Secreta, acordo entre Inglaterra e Portugal, que determinava a defesa marítima dos lusitanos pelos ingleses. d) o Bloqueio Continental determinado por Napoleão Bonaparte, que proibia os países europeus de comercializarem com os ingleses.


38VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 10. (Unisc) Sobre a história dos direitos, considere as seguintes afirmativas. I. A Magna Carta – documento concebido em 1215 na Inglaterra – pode ser considerada inovadora para a época, pois ao restringir a vontade do Rei, estabelece que os indivíduos deveriam ser julgados nos ditames da lei. II. Ao declarar no 1º artigo que “Todos os homens nascem igualmente livres e independentes”, a Declaração de Direitos de Virginia (1776) pode ser considerada o primeiro documento conhecido no continente americano que aboliu formalmente a escravidão. III. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão na França (1789), conhecida pelo lema “liberdade – igualdade – fraternidade”, foi o primeiro passo para a conquista dos direitos de homens e mulheres através do sufrágio universal. IV. O Código Napoleônico (1804) garantiu a todos os cidadãos masculinos a igualdade perante a lei. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e III estão corretas. b) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas. c) Somente as afirmativas II e IV estão corretas. d) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. e) Somente as afirmativas I e IV estão corretas. E.O. Complementar 1. (Ufrgs) Por volta de 1811, o Império napoleônico atingiu o seu apogeu. Direta ou indiretamente, Napoleão dominou mais da metade do continente europeu. Tal conjuntura, no entanto, reforçou os sentimentos nacionalistas da população dessas regiões. A ideia de nação, inspirada nas próprias concepções francesas, passou a ser uma arma desses nacionalistas contra Napoleão. Assinale a afirmação correta, relativa à conjuntura acima delineada. a) Após o bloqueio continental, em todos os Estados submetidos à dominação napoleônica, os operários e os camponeses, beneficiados pela prosperidade econômica, atuaram na defesa de Napoleão contra o nacionalismo das elites locais. b) A Inglaterra, procurando manter-se longe dos problemas do continente, isolou-se e não interveio nos conflitos desencadeados pelos anseios de Napoleão de construir um Império. c) A Espanha, vinculada à França pela dinastia dos Bourbon desde o século XVIII, não reagiu à dominação francesa. Em nome do respeito às suas tradições e ao seu nacionalismo, a Espanha aceitou a soberania estrangeira imposta por Napoleão. d) Em 1812, Napoleão estabeleceu sólida aliança com o Papa, provocando a adesão generalizada dos católicos. Temporariamente, os surtos nacionalistas foram controlados, o que o levou a garantir suas progressivas vitórias na Rússia. e) Herdeira da Filosofia das Luzes, a ideia de nação, tal como difundida na França, fundou-se sobre uma concepção universalista do homem e de seus direitos naturais. Essa concepção, porém, pressupunha o princípio do direito dos povos de dispor sobre si mesmos. 2. (UFMG) Antes, Napoleão havia levado o Grande Exército à conquista da Europa. Se nada sobrou do império continental que ele sonhou fundar, todavia ele aniquilou o Antigo Regime, por toda parte onde encontrou tempo para fazê-lo; por isso também, seu reinado prolongou a Revolução, e ele foi o soldado desta, como seus inimigos jamais cessaram de proclamar. LEFEBVRE, Georges. A Revolução Francesa. São Paulo: IBRASA, 1966. p. 573. Tendo-se em vista a expansão dos ideais revolucionários proporcionada pelas guerras conduzidas por Bonaparte, é CORRETO afirmar que: a) os governos sob influência de Napoleão investiram no fortalecimento das corporações de ofício e dos monopólios. b) as transformações provocadas pelas conquistas napoleônicas implicaram o fortalecimento das formas de trabalho compulsório. c) Napoleão, em todas as regiões conquistadas, derrubou o sistema monárquico e implantou repúblicas. d) o domínio napoleônico levou a uma redefinição do mapa europeu, pois fundiu pequenos territórios, antes autônomos, e criou, assim, Estados maiores. Texto para proxima questão. “Sob os preceitos do Iluminismo (...) a Academia Francesa de Ciências assumiu a incumbência de criar medições padronizadas. (...) A Academia convencionou que a unidade-padrão de comprimento seria a décima milionésima parte da distância entre o Polo Norte e o Equador. (...) Os padrões de massa e de volume foram calculados a partir do metro, seguindo o mesmo princípio. O grama foi definido como a massa de 1 decímetro cúbico de água pura a 4° C, temperatura em que atinge a maior densidade. O litro passou a equivaler ao volume de um cubo com 10 centímetros de lado (ou seja, 1 centímetro cúbico). Foi uma mudança e tanto. (...) Apesar da revolução no pensamento e na concepção de mundo, um fator não mudou: as medidas continuaram a ser usadas como instrumento de poder. (...) Na época, dois impérios rivalizavam em equilíbrio de poder: o francês, sob o comando de Napoleão Bonaparte, e o inglês. Por isso, a França e todos sob sua influência direta ou indireta adotaram o sistema métrico decimal, como o Brasil, que, em 1862, por decreto de dom Pedro II, abandonou as medidas de varas, braças, léguas e quintais para aderir ao metro.” Revista Superinteressante, nº 186, São Paulo: Abril, 2003. p. 45-6 3. (PUC-Camp) O iluminismo inspira o movimento revolucionário francês no final do século XVIII. No tocante a esse movimento, pode-se afirmar que: a) a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder estava relacionada à garantia de consolidar o poder político da alta burguesia contra ameaças da esquerda e de forças externas contrárias à difusão dos ideais da Revolução Francesa. b) o governo de Napoleão Bonaparte tornou-se conhecido pela intensa repressão política, sendo inclusive o responsável direto pela ordem de execução de Luis XV e de sua família, durante a segunda fase da Revolução Francesa.


39VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias c) a Comuna de Paris, sob o comando de Robespierre, Marat e Danton, desencadeou a luta política que provocou a deposição do Império Napoleônico, iniciado com a Revolução Francesa. d) a queda de Napoleão Bonaparte, no início da Revolução Francesa, teve grande repercussão na Assembleia Constituinte, já que os senhores feudais perderam a hegemonia sobre o poder legislativo. e) os jacobinos, que tiveram uma participação ativa na Revolução Francesa, aliaram-se à Napoleão Bonaparte buscando garantir, no seu governo, garantias sociais para os camponeses e para os operários de Paris. 4. (Mackenzie) Os soberanos do Antigo Regime venceram Napoleão, que eles viam como o herdeiro da Revolução. A escolha de Viena para a realização do Congresso, para a sede de todos os Estados Europeus, foi simbólica, pois Viena era uma das únicas cidades que não havia sido sacudida pela Revolução e a dinastia dos Habsburgos era símbolo da ordem tradicional, da Contra Reforma e do Antigo Regime. René Rémond Dentre as decisões acordadas no Congresso de Viena em 1814-1815, podemos assinalar a: a) criação de uma aliança anti-liberal, denominada Santa Aliança. b) convocação da Reunião dos Estados Gerais. c) criação do Comitê de Segurança Geral. d) formação da II Coligação antifrancesa. e) restauração dos princípios revolucionários. 5. (Ufrgs) Considere as afirmações a seguir, referentes ao período napoleônico. I. Um dos objetivos do Bloqueio Continental era anular a defasagem industrial da França em relação à Inglaterra. II. As Guerras Napoleônicas produziram desdobramentos de cunho político na América do Sul. III. A expansão napoleônica debilitou os fundamentos do Antigo Regime europeu e estimulou o surgimento dos nacionalismos. IV. O Bloqueio Continental possibilitou a hegemonia do capitalismo industrial francês em toda a Europa. V. O Congresso de Viena confirmou, na Europa, os avanços sociais e políticos conquistados durante a Revolução Francesa. Quais estão corretas? a) Apenas I e II. b) Apenas I e III. c) Apenas I, II e III. d) Apenas III, IV e V. e) I, II, III, IV e V. E.O. Dissertativo 1. (UFMG) Em 21 de novembro de 1806, em Berlim, Napoleão Bonaparte assinou um decreto, em que se estabeleciam as bases do que ele próprio denominou Bloqueio Continental. Leia este trecho desse decreto: Considerando [...] Que a Inglaterra considera inimigo todo indivíduo que pertence a um Estado inimigo e, por conseguinte, faz prisioneiros de guerra não somente as equipagens dos navios armados para a guerra, mas ainda as equipagens das naves de comércio e até mesmo os negociantes que viajam para os seus negócios; [...] Decretamos o que segue: Artigo 1º As Ilhas Britânicas são declaradas em estado de bloqueio, Artigo 2º Qualquer comércio e qualquer correspondência com as Ilhas Britânicas ficam interditados [...] Artigo 3º Qualquer indivíduo, súdito da Inglaterra, qualquer que seja sua condição, que for encontrado nos países ocupados por nossas tropas ou pelas tropas de nossos aliados, será constituído prisioneiro de guerra. Artigo 4º Qualquer loja, qualquer mercadoria, qualquer propriedade pertencente a um súdito da Inglaterra será declarada boa presa. Artigo 5º O comércio de mercadorias inglesas é proibido, e qualquer mercadoria pertencente à Inglaterra, ou proveniente de suas fábricas e de suas colônias é declarada boa presa. Campo Imperial de Berlim, 21 de novembro de 1806. A partir da leitura desse trecho e considerando outros conhecimento sobre o conflito, explique as diferenças relacionadas às políticas praticadas pela França e pela Inglaterra. 2. (UFF-adaptado) A Revolução Francesa de 1789 foi pródiga em gerar ideias e projetos de reforma social dos mais diversos e radicais. Um deles, por sua projeção futura, merece ser destacado: a Conspiração dos Iguais, cuja crítica à propriedade estava respaldada na crença de que ela era “odiosa em seus princípios e mortífera nos seus efeitos”. No entanto, a Conspiração dos Iguais não conseguiu concretizar seu projeto de defesa da abolição da propriedade privada. Com base nesta afirmativa: a) discuta a principal reforma napoleônica em relação à propriedade e suas repercussões na Europa. 3. (FGV) A Revolução Francesa foi marcada por uma série de reviravoltas políticas. Em novembro de 1799, o general Napoleão Bonaparte liderou um golpe de Estado que pôs fim ao Diretório, inaugurando uma nova fase da História francesa. a) Quais eram as características do Código Civil estabelecido por Napoleão? b) Em que medida o Código Civil chocava-se com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789? 4. (UFF) “Poucas vezes a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva do que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou ainda a catástrofe pior de uma revolução europeia generalizada tendo como


40VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de 20 anos para derrotar a primeira” Hobsbawm, Eric. “A Era das Revoluções”. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1982, p. 127 O período conhecido como Restauração representou a vitória das potências europeias contra o domínio napoleônico. Reunidos no Congresso de Viena, entre setembro de 1814 e junho de 1815, os países vencedores estabeleceram o princípio da legitimidade, que significou a sua recomposição territorial e a restauração dos governos, tal como existiam antes do avanço napoleônico. Analise o papel da Santa Aliança na preservação dos princípios estabelecidos pelo Congresso de Viena, indicando a nação cuja atuação foi decisiva para a Restauração. 5. (Ufrrj) “Em nome da Santíssima e Indivisível Trindade e conforme as palavras das Sagradas Escrituras (...), Suas Majestades o Imperador da Áustria, o Rei da Prússia e o Imperador da Rússia (...) permanecerão unidos por laços de verdadeira e indissolúvel fraternidade; considerando-se compatriotas, EM TODA OCASIÃO E EM TODO LUGAR ELES PRESTARÃO ASSISTÊNCIA, AJUDA E SOCORRO (...).” Artigo 1º do Tratado da Santa Aliança. O trecho destacado no texto anterior demonstra o caráter intervencionista da Santa Aliança no processo de Restauração europeia após a derrota napoleônica (1814 /1815 ). Esta política das grandes potências absolutistas não conseguiu, porém, impedir por muito tempo o processo histórico que se desenvolvia, então, no continente europeu. a) Explique o que as potências continentais europeias pretendiam evitar com a criação da Santa Aliança. b) Cite um inibidor da ação da Santa Aliança na América Latina neste período. 6. (UFPR) Em 1806 o imperador Napoleão Bonaparte decretou o chamado Bloqueio Continental. Explique as motivações desse ato e indique suas repercussões. 7. (UEMA) “Aproximamo-nos do segundo centenário do Congresso de Viena, quando, depois da Revolução Francesa e das Guerras Napoleônicas, delegações de praticamente todos os estados europeus então se aproximaram para participar dessa cúpula histórica entre setembro de 1814 e junho de 1815, na cidade de Viena”. Fonte: Associação dos Historiadores Latino-Americanos e do Caribe – ADHILAC. Disponível em: <http://adhilac.com.ar/?p=9219>. Acesso em: 21 set. 2014. (Adaptado e traduzido do espanhol) Explique a função do Congresso de Viena no processo de reorganização dos países europeus após a derrota de Napoleão Bonaparte. 8. (UFES) Em 9 de junho de 1815, encerrou-se o Congresso de Viena, que contou com a presença de representantes diplomáticos das principais nações europeias, após mais de uma década de conflitos intitulados, posteriormente, de guerras napoleônicas. a) Analise dois impactos das guerras napoleônicas para o Brasil. b) Indique duas consequências ou resultados do Congresso de Viena para os países europeus. 9. No ano de 801, assim foi registrada a coroação de Carlos Magno: “Então, como no mais santo dia de Natal, tendo ele entrado na Basílica de São Pedro, para a celebração das missas solenes, e tendo-se colocado diante do altar, a cabeça inclinada, em preces, o papa Leão lhe colocou a coroa sobre a cabeça.” Quando, em 1804, Napoleão torna-se imperador da França, mesmo com a presença do papa, ele coroa a si mesmo. a) Por que seria impossível para Carlos Magno, homem de tantos feitos, autocoroar-se? b) Por que Napoleão pôde colocar a própria coroa? E.O. UERJ Exame Discursivo 1. (UERJ) A União Europeia dá continuidade ao seu processo de ampliação. Com o ingresso da Bulgária e Romênia em 2007, o bloco passa a contar com 27 países-membros. www.dw-world.de Vem de longe o esforço europeu para desenvolver estratégias que garantam a paz e o equilíbrio entre as nações que formam o continente. No século XIX, por exemplo, a tentativa realizada pelas nações participantes do Congresso de Viena (1814-1815) foi rompida com a unificação alemã, fruto da política empreendida por Bismarck. Apresente dois objetivos do Congresso de Viena e um efeito da unificação alemã sobre as relações políticas europeias estabelecidas na época. 2. (UERJ) Em 1815, Napoleão Bonaparte, considerado o herdeiro da Revolução Francesa, foi derrotado, procedendo-se a uma restauração dos “legítimos soberanos” na França e em todos os países europeus onde o Antigo Regime havia sido destronado. Essa Restauração não desfez, porém, a obra liberal já construída. Em tal perspectiva, conservadorismo e liberalismo tornaram-se as palavras-chave para os debates políticos que permearam a primeira metade do século XIX. a) Cite duas características do liberalismo político. b) Entre as ações realizadas pelas forças de conservação na primeira metade do século XIX, encontra-se a política de intervenção da Santa Aliança. Conceitue essa política, identificando um de seus objetivos.


41VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unesp) O Congresso de Viena, entre 1814 e 1815, reuniu representantes de diversos Estados europeus e resultou: a) na afirmação do caráter laico dos regimes políticos e da importância da separação entre Estado e Igreja. b) na criação da Santa Aliança e no esforço de reafirmar valores do Antigo Regime. c) na validação da nova divisão política da Europa, definida pelas conquistas napoleônicas. d) na derrubada dos regimes republicanos e na restauração monárquica na França e na Inglaterra. e) na defesa dos princípios do livre comércio e da emancipação das colônias na América. 2. (Unesp) Artigo 5º — O comércio de mercadorias inglesas é proibido, e qualquer mercadoria pertencente à Inglaterra, ou proveniente de suas fábricas e de suas colônias é declarada boa presa. (...) Artigo 7º — Nenhuma embarcação vinda diretamente da Inglaterra ou das colônias inglesas, ou lá tendo estado, desde a publicação do presente decreto, será recebida em porto algum. Artigo 8º — Qualquer embarcação que, por meio de uma declaração, transgredir a disposição acima, será apresada e o navio e sua carga serão confiscados como se fossem propriedade inglesa. Excerto do Bloqueio Continental, Napoleão Bonaparte. Citado por Kátia M. de Queirós Mattoso. Textos e documentos para o estudo da história contemporânea (1789-1963), 1977. Esses artigos do Bloqueio Continental, decretado pelo Imperador da França em 1806, permitem notar a disposição francesa de: a) estimular a autonomia das colônias inglesas na América, que passariam a depender mais de seu comércio interno. b) impedir a Inglaterra de negociar com a França uma nova legislação para o comércio na Europa e nas áreas coloniais. c) provocar a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, por meio da ocupação militar da Península Ibérica. d) ampliar a ação de corsários ingleses no norte do Oceano Atlântico e ampliar a hegemonia francesa nos mares europeus. e) debilitar economicamente a Inglaterra, então em processo de industrialização, limitando seu comércio com o restante da Europa. 3. (Fuvest) A cena retratada no quadro simboliza a: Fonte: Francisco José de Goya y Lucientes, 03 de maio [de 1808] em Madri a) estupefação diante da destruição e da mortalidade causadas por um tipo de guerra que começava a ser feita em escala até então inédita. b) razão, propalada por filósofos europeus do século XVIII, e seu triunfo universal sobre o autoritarismo do Antigo Regime. c) perseverança da fé católica em momentos de adversidade, como os trazidos pelo advento das revoluções burguesas. d) força do Estado nacional nascente, a impor sua disciplina civilizatória sobre populações rústicas e despolitizadas. e) defesa da indústria bélica, considerada força motriz do desenvolvimento econômico dos Estados nacionais do século XIX. 4. (Unesp) Durante o império de Napoleão Bonaparte (1804-1814), foi instituído um Catecismo, que orientava a relação dos indivíduos com o Estado. O cristão deve aos príncipes que o governam, e nós devemos particularmente a Napoleão 1°, nosso imperador, amor, respeito, obediência, fidelidade, serviço militar, os impostos exigidos para a conservação e defesa do império e de seu trono; nós lhe devemos ainda orações fervorosas pela sua salvação, e pela prosperidade espiritual e material do Estado. (Catecismo Imperial de 1806.) O conteúdo do Catecismo contradiz o princípio político da cidadania estabelecido pela Revolução de 1789, porque: a) o cidadão participa diretamente das decisões, sem representantes políticos e comandantes militares. b) a cobrança de impostos pelo Estado impede que o cidadão tenha consciência de seus direitos. c) a cidadania e a democracia são incompatíveis com as formas políticas da monarquia e do império. d) o cidadão foi forçado, sob o bonapartismo, a romper com o cristianismo e o papado. e) o cidadão reconhece os poderes estabelecidos por ele e obedientes a leis.


42VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 2. a) O Código Civil Napoleônico de 1804 garantiu a liberdade individual, a igualdade perante a lei e o direito à propriedade privada. Além disso, o código exerceu marcante influência na institucionalização do direito privado nos países europeus, principalmente os que foram palco da expansão imperialista francesa e é parte fundamental na constituição do direito liberal, pois foi fonte das diretrizes legais dos países capitalistas. Como consequência para os países europeus, o Código Civil consagrou os interesses burgueses, sendo a expressão jurídica dos anseios burgueses conquistados com a Revolução Francesa. 3. a) O Código Civil Napoleônico consagrava os interesses da burguesia ao reconhecer e privilegiar o direito de propriedade e a liberdade individual e econômica e estabelecia ainda o caráter secular e laico do Estado. b) Enquanto a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão tinha como objetivo definir os direitos naturais e inalienáveis dos cidadãos franceses, o Código Civil Napoleônico era um código jurídico que regulava as relações privadas, tratando de questões pertinentes ao direito civil, como as pessoas, os bens e a aquisição de propriedade. 4. A Santa Aliança funcionou como um instrumento político ideológico do absolutismo estabelecido pelo Congresso de Viena em 1815. Seus objetivos residiam na intervenção militar em movimentos que ameaçassem o equilíbrio europeu ou a soberania de monarcas absolutos. A atuação do chanceler Metternich, representando o Império Austríaco foi fundamental para a restauração promovida pelo Congresso de Viena. 5. a) As potências europeias pretendiam evitar movimentos revolucionários liberais inspirados na Revolução Francesa que ameaçassem o poder de monarcas absolutos e o equilíbrio europeu. b) A postura inglesa funcionou como inibidora da Santa Aliança neste período, pois a Inglaterra era contra recolonização da América Latina temendo pelo retorno do Pacto Colonial, prejudicial aos seus interesses econômicos no continente. 6. O Bloqueio Continental foi motivado pela ambição napoleônica de expandir seus domínios e aumentar a influência francesa pela Europa. Sem conseguir derrotar seu principal adversário militarmente, Napoleão procurou destruir a economia inglesa por meio de um embargo econômico que visava interromper as ligações econômicas com a parte continental da Europa. Como repercussão do Bloqueio Continental, podemos citar a invasão francesa da Rússia que levou à sua derrota, a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil e o início do processo emancipatório nos territórios coloniais americanos da Espanha. 7. Após a Era Napoleônica, o mapa político europeu estava completamente alterado. As grandes potências absolutistas trataram de reorganizar os governos europeus no Congresso E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Fuvest) As guerras napoleônicas, entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do século XIX, tiveram consequências diretas muito importantes para diversas regiões do mundo. Mencione e explique uma delas, relativa: a) ao leste da Europa; b) ao continente americano. 2. (Fuvest) “Os soldados franceses que guerrearam da Andaluzia a Moscou, do Báltico à Síria [...] estenderam a universalidade de sua revolução mais eficazmente do que qualquer outra coisa. E as doutrinas e instituições que levaram consigo, mesmo sob o comando de Napoleão, eram doutrinas universais, como os governos sabiam e como também os próprios povos logo viriam a saber.” Eric Hobsbawm. A era das revoluções - 1789 - 1848. Baseando-se no texto, aponte: a) as doutrinas e instituições referidas pelo autor. b) os desdobramentos dessas guerras para a América Ibérica. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. D 2. C 3. D 4. C 5. C 6. C 7. D 8. C 9. B E.O. Fixação 1. D 2. D 3. C 4. C 5. D 6. B 7. E 8. C 9. D 10. E E.O. Complementar 1. E 2. D 3. A 4. A 5. C E.O. Dissertativo 1. As políticas praticadas por Inglaterra e França, no início do XIX, diferiam nos seguintes termos: a Inglaterra se configurava como uma monarquia constitucional e liberal, enquanto a França se caracterizava por um Império chefiado por Napoleão Bonaparte. Economicamente, a Inglaterra expandia sua produção industrializada acumulando capitais, enquanto a França desenvolvia sua industrialização enfrentando a forte concorrência inglesa, que funcionava como um obstáculo ao seu desenvolvimento. O Bloqueio Continental Napoleônico é uma tentativa de enfraquecer a vigorosa economia inglesa e revela o expansionismo francês no continente europeu.


43VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias de Viena. Preocupando-se, principalmente, em garantir a permanência dos reis absolutistas no poder, Rússia, Prússia, Inglaterra, Áustria e França discutiram a resolução das questões de fronteiras e a legitimidade dos governos que reassumiram as Monarquias após a derrota napoleônica. 8. a) A principal característica das Guerras Napoleônicas relacionada ao Brasil está associada a invasão de Portugal e a transferência da Corte para a Colônia. Do ponto de vista político, o Brasil se tornou a sede do Império Português, daqui do Rio de Janeiro partiam as ordens para os territórios portugueses na África e no Oriente, assim como para aqueles que ficaram em Portugal no processo de resistência e nas negociações com os ingleses. Do ponto de vista econômico as mudanças se associam à abertura dos portos às nações amigas, permitindo o comércio direto que, na prática, significou o fim do monopólio português e, para muitos, o fim do pacto colonial. b) O Congresso de Viena se baseou no “Princípio da Legitimidade”, que orientou a restauração monárquica e absolutista nos países europeus. Dinastias derrubadas pelas guerras napoleônicas foram reestabelecidas e reconhecidas internacionalmente, destacando-se os governos de Portugal e Espanha. Outra decisão importante se refere às fronteiras, sendo que a França foi obrigada a devolver territórios que havia conquistado e ocupado. Apesar da ideia de “equilíbrio” as antigas fronteiras, alguns territórios e ilhas foram dominados por novos agentes, destacando-se a Inglaterra e houve a preocupação de desmembrar o antigo Império Germânico, que deu origem a 38 novos Estados independentes, na prática enfraquecendo a Prússia. 9. a) Durante a Idade Média, por influência e poder da Igreja no plano político, o poder espiritual se sobrepunha ao poder temporal, e portanto, o Estado Pontifício tinha poder sobre os imperadores que, para serem reconhecidos, deveriam ser coroados pelo Papa. b) A partir da Revolução Francesa e sobretudo da Concordata de 1801, evidencia-se na França a separação definitiva entre Igreja e Estado, ficando a Igreja submissa ao Estado, o que justifica a atitude de Napoleão Bonaparte. E.O. UERJ Exame Discursivo 1. O congresso de Viena, além de visar o equilíbrio entre as potências europeias, tinha como objetivo a contenção dos movimentos revolucionários por meio de uma aliança militar (Santa Aliança) e a restauração da ordem continental pré-Revolução Francesa, ou seja, a reconfiguração do Antigo Regime. Em relação a Unificação Alemã na segunda metade do século XIX, o surgimento de uma nação com pretensões expansionistas e belicista veio a desequilibrar a ordem do continente e contribuiu para a eclosão da Primeira Guerra Mundial. 2. a) Podemos citar a limitação constitucional dos poderes do Estado, a liberdade de expressão, a tolerância religiosa e a defesa ao direito de propriedade. b) A política de intervenção da Santa Aliança se caracteriza como instrumento político-ideológico do absolutismo, adotado pelo Congresso de Viena em 1815. O objetivo da Santa Aliança era conter qualquer movimento revolucionário ou liberal que ameaçasse o equilíbrio europeu e oferecer assistência e socorro mútuo aos soberanos ameaçados pelas forças liberais. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. B 2. E 3. A 4. E E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) Uma consequência para o Leste da Europa foi o fortalecimento da Rússia no contexto geopolítico e anexação de territórios por parte do Império Russo. A participação de destaque do Império austríaco coordenado por Meternich e a restauração do Antigo Regime, de maneira temporária. Além disso, a fundação da Confederação do Reno em substituição ao Sacro Império Romano germânico pode ser vista como consequência das guerras napoleônicas. b) Para o Continente Americano as Guerras Napoleônicas aceleraram os processos emancipatórios levando ao desmembramento do Império colonial espanhol e a formação de novas Repúblicas. O Império colonial português na América deu origem a um único país de dimensões continentais, o Brasil. 2. a) Durante as guerras napoleônicas foram difundidas as doutrinas liberais surgidas durante o iluminismo e consagradas na Revolução Francesa de 1789, bem como a defesa de instituições do governo constitucional e o Código Civil para salvaguardar o direito à propriedade e a liberdade econômica. b) Na América Ibérica as Guerras Napoleônicas aceleraram os processos emancipatórios levando ao desmembramento do Império colonial espanhol e a formação de novas Repúblicas. O Império colonial português na América deu origem a um único país de dimensões continentais, o Brasil.


44VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (UECE) O século XIX foi marcado pelo surgimento de correntes de pensamento que contestavam o modelo capitalista de produção e propunham novas formas de organizar os meios de produção e a distribuição de bens e riquezas, buscando uma sociedade que se caracterizasse pela igualdade de oportunidades. No que diz respeito a essas correntes, assinale a afirmação verdadeira. a) O socialismo cristão buscava aplicar os ensinamentos de Cristo sobre amor e respeito ao próximo aos problemas sociais gerados pela industrialização, mas apesar de vários teóricos importantes o defenderem, a Igreja o rejeitou através da Encíclica Rerum Novarum, lançada pelo Papa Leão XIII. b) No socialismo utópico, a doutrina defendida por Robert Owen e Charles Fourrier, prevaleciam as ideias de transformar a realidade por meio da luta de classes, da superação da mais valia e da revolução socialista. c) O socialismo científico proposto por Karl Marx e Friedrich Engels, através do manifesto Comunista de 1848, defendia uma interpretação socioeconômica da história dos povos, denominada materialismo histórico. d) O anarquismo do russo Mikhail Bakunin defendia a formação de cooperativas, mas não negava a importância e a necessidade do Estado para a eliminação das desigualdades. 2. (Fatec) Em 2012, o Brasil comemorou os 100 anos de nascimento do escritor baiano Jorge Amado. Uma das características de seus livros é a defesa de suas ideias políticas. Leia atentamente o trecho do romance Jubiabá, publicado em 1937. “Quando eu saio de casa, digo a meus filhos: vocês são irmãos de todas as crianças operárias do Brasil. Digo isso porque posso morrer e quero que meus filhos continuem a lutar pela redenção do proletariado. O proletariado é uma força e se souber se conduzir, se souber dirigir a sua luta, conseguirá o que quiser...” (AMADO, Jorge. Jubiabá. São Paulo: Martins Fontes, s/d, p. 286. Adaptado) Considerando que o trecho expressa o ponto de vista do escritor, conclui-se que Jorge Amado defendia uma posição política: a) integralista. d) absolutista. b) socialista. e) nazifascista. c) neoliberal. 3. (UFSM) Recentemente, aconteceram no Brasil diversas marchas e manifestações de protesto em favor de mudanças em setores e em serviços prestados especialmente pela máquina pública de governo. Grande parte dos manifestantes protestou de maneira pacífica, inclusive levando filhos às marchas. Algumas lideranças, inspiradas no Anarquismo, usaram violência, enfrentaram a polícia e causaram várias depredações em bancos, lojas, veículos etc. Dentre as principais ideias clássicas do Anarquismo, está: a) o fim da autoridade do Estado e da propriedade privada. b) a instauração de uma república anarquista, apenas com um presidente e sem leis. c) a criação de uma ditadura do proletariado, dirigida por representações políticas. d) a instauração de uma coletividade socialista, baseada em valores cristãos e solidários. e) a implantação de um regime coletivista, igualitário e estamental. 4. (Fgv 2001) Na distinção entre 'socialistas utópicos e socialistas científicos', são representantes dos primeiros: a) L. Blanc, R. Owen e M. Bakunin; b) C. Fourrier; Saint-Simon e F. Engels; c) M. Bakunin, Proudhon e A. Bebel; d) R. Owen, F. Engels e A. Bebel; e) L. Blanc, Saint-Simon e R. Owen. 5. (G1 - CFTMG 2018) Mantos ou condecorações em brasões Nós os tecemos para vós, grandes da terra, E nós, pobres operários, sem roupa, somos enterrados. Somos nós os canuts [operários] Nós estamos nus. Porém, quando chegar nosso reino, Quando vosso reino terminar, Então nós teceremos a 1 mortalha do velho mundo. Porque já se percebe a revolta que troa. Somos nós os canuts [operários] Não estaremos mais nus. Disponível em: <https://histdocs.blogspot.com.br/2014/03/ascondicoes-da-classe-operaria-na.html>. Acesso em: 20 set. 2017. Vocabulário de apoio: 1. Mortalha: vestimenta de defuntos Essa canção, entoada pelos tecelões franceses na década de 1830, expressa um crescente sentimento entre trabalhadores durante a industrialização, o qual NÃO motivou o(a) IDEOLOGIAS DO SÉCULO XIX COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4, 5 e 6 HABILIDADE(s) 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 13, 14, 16, 17, 18, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 28 e 29 CH AULA FUNDAMENTO


45VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias a) surgimento de tendências anarquistas. b) emergência da defesa dos princípios do liberalismo. c) afloramento de ideias socialistas e de oposição à burguesia. d) eclosão de greves, protestos violentos e reivindicações de direitos. E.O. Fixação 1. (Espcex (Aman)) No século XIX, uma corrente de filósofos acreditava ser possível reformar o capitalismo por meio da ação do estado ou da associação dos trabalhadores em cooperativas autogeridas. Esses princípios são denominados: a) Materialismo Histórico. b) Socialismo Utópico. c) Socialismo Científico. d) Liberalismo. e) Anarquismo. 2. (Mackenzie 2020) “A história de todas as sociedades até agora tem sido a história das lutas de classe. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, membros das corporações e aprendiz, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em contraposição uns aos outros e envolvidos em uma luta ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta, que terminou sempre com a transformação revolucionária da sociedade inteira ou com o declínio conjunto das classes em conflito.” Trecho do Manifesto do Partido Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels – 1848 Sobre o contexto histórico e as propostas de Marx e Engels considere as seguintes afirmações: I. O Manifesto do Partido Comunista foi escrito às vésperas das Revoluções de 1848, as quais abalaram os setores mais conservadores da Europa, preocupada em barrar o avanço das transformações iniciadas com a Revolução Francesa de 1789. II. Assim como em 1871 na Comuna de Paris; em 1848, a classe operária europeia tornara-se protagonista nos movimentos revolucionários críticos do modelo capitalista e da sua exploração do trabalho. III. Conhecida como a Primavera dos Povos, as Revoluções de 1848 uniram anarquistas, comunistas e socialistas em torno de um projeto essencialmente marxista, culminando em ações revolucionárias nas principais capitais europeias. IV. Na construção de sua teoria, Marx e Engels reapropriam-se criticamente da filosofia alemã, em especial Hegel, das reflexões dos socialistas utópicos, da teoria econômica inglesa e da prática política dos movimentos sociais e operários europeus. Assinale se a) apenas II e III são corretas. b) apenas I é correta. c) I, II e III são corretas. d) I, II e IV são corretas. e) todas são corretas. 3. (Espcex (Aman) 2019) No início do século XX, os trabalhadores brasileiros se organizaram para defenderem seus direitos. Duas ideologias oriundas do século XIX predominavam nesta época: o comunismo e o anarquismo. Avalie as afirmações abaixo. I. Defendia a conquista do Estado e o estabelecimento de uma ditadura. II. Era contraria a existência do Estado. III. Valorizava o partido político como meio de organizar as lutas. IV. Não concordava com as eleições pois viam nestas um meio de manipulação do povo. A opção que apresenta os fatos relacionados à doutrina do Anarquismo é a) I e II. d) II e III. b) II e IV. e) I e III. c) I e IV. 4. (Uece 2019) As contribuições de Karl Marx e Max Weber formam a base da maioria das análises sociológicas sobre a estruturação e organização da sociedade em classes sociais. Assinale a opção que corresponde ao conceito de classe social na perspectiva de Karl Marx. a) Existe entre as classes uma relação de dominação estabelecida a partir do lugar que os indivíduos ocupam nas religiões. b) As classes sociais estruturam a sociedade e por meio delas são construídas as relações de interesses harmônicos entre os grupos sociais. c) Classe social é uma invenção teórica e não tem correspondência com a dinâmica de estruturação das sociedades contemporâneas. d) Uma classe social é um grupo de pessoas que se encontra em uma relação comum com os meios de produção por meio dos quais elas extraem seu sustento. 5. (Udesc 2019) Leia atentamente o trecho a seguir: “Os anarquistas, senhores, são cidadãos que, em um século em que se prega por toda parte a liberdade de opiniões, acreditam ser seu dever recomendar liberdade ilimitada (...) Os anarquistas propõem, pois, a ensinar ao povo a viver sem governo, da mesma forma como ele começa a aprender a viver sem Deus.” (Declaração dos anarquistas, 1883) A respeito dos princípios anarquistas, e com base na informação, assinale a alternativa correta. a) Identifica-se, no trecho, a superioridade da ação profissional e pessoal sobre a ação política. b) O trecho apresenta a recusa dos processos eleitorais e a defesa do sindicalismo revolucionário. c) O trecho argumenta a necessidade do fim da Igreja e do Estado, substituindo-os por ações de cunho cooperativista associativista. d) O trecho trata da negação do poder instituído e, assim, da rejeição à necessidade do Estado. e) O trecho trata, explicitamente, da necessidade de independência dos partidos políticos.


46VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Complementar 1. (Uespi) O capitalismo se propagou em busca de mercados e de novas técnicas de produção. No entanto, o progresso desejado não atingia a todos e provocava desigualdades. Uma crítica radical ao capitalismo se expressou na obra de Marx, que: a) renovou a concepção econômica da época, negando todos os princípios defendidos pelos economistas clássicos e fisiocratas. b) formulou propostas de revoluções sociais que lembram as teses anarquistas mais comuns no movimento bolchevique. c) definiu utopias importantes para resolver as questões da desigualdade social, adotadas, com coerência, pelo socialismo no século XX. d) acusou a existência de exploração do trabalho humano, que trazia dificuldades sociais para a maioria de população. e) defendeu a organização da classe operária em sindicatos urbanos com a finalidade de constituir seus movimentos de reivindicação. 2. (Uel 2019) Leia o texto a seguir. Hoje em dia [...] as máquinas, dotadas da propriedade maravilhosa de encurtar e tornar mais frutífero o trabalho humano, provocam a fome e o esgotamento do trabalhador. [...] O domínio do homem sobre a natureza é cada vez maior; porém, [...] todos os nossos inventos e progressos parecem dotar de vida intelectual as forças materiais, enquanto que reduzem a vida humana ao nível de uma força material bruta. MARX, K. Discurso pronunciado na festa de aniversário do “People’s Paper”, MARX, K.; ENGELS, F. Obras Escolhidas, V.1. São Paulo: Editora Alfa - Ômega. p. 298. Atentando para o movimento de razão e desrazão na sociedade contemporânea, o texto, de autoria de Marx, acentua a presença, no modo de produção capitalista, do(a) a) luta de classes. b) anomia social. c) fetichismo social. d) indústria cultural. e) fim da história. 3. (Uel 2020) Em museus como o Louvre, encontram-se objetos produzidos em diversos e determinados modos de produção: utensílios, esculturas, pinturas, entre outras manifestações. Com base nos conhecimentos sobre modos de produção, no pensamento de Marx, considere as afirmativas a seguir. I. O primeiro modo de produção existente na história foi baseado na estrutura homens livres e escravos. II. Modos de produção específicos produzem superestruturas que mantêm íntima ligação com a infraestrutura. III. O modo de produção capitalista é a última estrutura produtiva de classes antes do processo de constituição da sociedade comunista. IV. Os modos de produção possuem leis próprias e existem independentemente das vontades individuais dos homens. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 4. (Fgv 2002) Leia com atenção as proposições abaixo: I. "A história de qualquer sociedade até aos nossos dias foi apenas a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre e companheiro, numa palavra opressores e oprimidos em oposição constante, desenvolveram uma guerra que acabava sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta." II. "Se me pedissem para responder à pergunta - 'O que é a escravidão?' e eu respondesse numa só palavra: 'Assassinato!', todos entenderiam imediatamente o significado da minha resposta. Não seria necessário utilizar nenhum outro argumento para demonstrar que o poder de roubar um homem de suas ideias, de sua vontade e sua personalidade é um poder de vida ou morte e que escravizar um homem é o mesmo que matá-lo. Por que, então, não posso responder da mesma forma a essa outra pergunta: 'O que é a propriedade?' com uma palavra só: 'Roubo'." Assinale a alternativa CORRETA: a) A primeira proposição reproduz um trecho de uma das mais importantes obras do filósofo alemão Karl Marx, que serviu de base para a ideologia liberal desenvolvida no século XIX. b) A segunda proposição refere-se ao manifesto cristão proposto por bispos da Igreja, indignados com a miséria que assolava as classes trabalhadoras europeias no século XIX. c) A "luta de classes" é um dos principais aspectos da doutrina marxista e a definição da "propriedade como um roubo" tornou-se um dos principais lemas do anarquismo desde o século XIX. d) A segunda proposição é de Joseph Proudhon, teórico liberal francês, indignado com a escravidão ainda praticada em determinados continentes no século XIX. e) A segunda proposição refere-se à região da Palestina na perspectiva sionista, desenvolvida na Europa ao final do século XIX. 5. (Uece 2020) Segundo a teoria econômica de Karl Marx (apud SELL, 2015) o lucro do capitalista se origina da produção de Mais-Valia na exploração do seu trabalhador. Em síntese, a Mais-Valia é o tempo de trabalho não pago pelo capitalista ao trabalhador que executa horas a mais sem receber por esse tempo gasto. É o trabalho excedente não pago. Vamos imaginar que em uma jornada diária de oito (8) horas, o trabalhador receba o equivalente ao seu salário ao final do mês nas duas (2) primeiras horas deste dia. Assim, o restante das 6 horas que passa trabalhando equivale às horas a mais (a Mais-Valia) não pagas pelo patrão. E para Marx, existem dois tipos de Mais-Valia no sistema capitalista: a Mais-Valia Absoluta, que é aquela obtida pelo aumento da jornada de trabalho, sem reajuste real dos ganhos do trabalhador; e a Mais-Valia


47VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Relativa, obtida pelo aumento da produtividade do trabalhador através do uso de maquinários e tecnologias sem o acréscimo das horas de trabalho. SELL, Carlos Eduardo. Sociologia Clássica: Marx, Durkheim e Weber. 7ª ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2015. Assim, tendo como referência essa concepção teórica de Karl Marx sobre Mais-Valia, é correto afirmar que a) os trabalhadores autônomos e os pequenos comerciantes vendedores do varejo, na sociedade brasileira, produzem Mais-Valia Relativa com o uso das máquinas de cartão de crédito, que lhes aumentam as vendas dos produtos. b) os trabalhadores das indústrias têxteis, no Brasil, combatem a produção da Mais-Valia de seus patrões quando passam a vender as peças de vestuário que produzem nas feiras populares e em bazares comunitários. c) o uso de novas tecnologias de informática nas 6 horas, em média, de jornada de trabalho dos operadores de telemarketing, no Brasil, diminuem consideravelmente a Mais-Valia Relativa dos empresários do setor. d) os entregadores de comida em bicicletas, prestadores de serviço por aplicativos, que trabalham, em média, de 10 a 12 horas/dia e, por vezes, sete dias na semana, são produtores de Mais-Valia Absoluta para as empresas a que prestam esse serviço. E.O. Dissertativo 1. (UFF) “Os libertários – anarquistas e anarcossindicalistas – concentram sua atuação na vida educativa, feita através da propaganda escrita e oral – jornais, livros, folhetos, revistas, conferências, comícios, além de festas, piqueniques, peças teatrais –, no sentido de disseminar o ideal libertário de emancipação social (...)” SFERRA, Giuseppina. Anarquismo e Anarcossindicalismo. São Paulo: Ática, 1987, p. 21. Tomando como referência o fragmento de texto acima: a) indique duas ideias ligadas ao movimento anarquista na Europa do século XIX; b) analise a concepção de Estado defendida pelos anarquistas. 2. (Ufrrj) Leia os trechos a seguir, extraídos do Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels, e responda ao que se pede. “O operário moderno ao invés de ascender com o progresso da indústria, afunda-se cada vez mais abaixo das condições de sua própria classe. (...) A burguesia produz, antes de mais nada, seus próprios coveiros. Seu declínio e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis. (...) O que caracteriza o comunismo não é a supressão da propriedade privada em si, mas a supressão da propriedade burguesa. (...) A propriedade burguesa moderna constitui a última e mais completa expressão do modo de produção e apropriação baseado em antagonismos de classe, na exploração de uma classe por outra.” (In Reis Filho, Daniel Aarão (Org.). “O Manifesto Comunista 150 anos depois”. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1998, pp. 19, 20 e 21.) a) A Igreja toma posição sobre as ideias socialistas por meio da Encíclica “Rerum Novarum” do Papa Leão XIII. Mencione um posicionamento da Igreja que contradizia as ideias defendidas, pelo texto apresentado, por Karl Marx e Friedrich Engels. b) Relacione o capitalismo industrial com o surgimento dos movimentos socialistas. 3. (UFSCar) Observe a figura. Neste cartaz do século XIX está escrito: oito horas de trabalho, oito horas de lazer e oito horas de repouso. a) Qual o contexto histórico que produziu essa frase? b) Relacione o conteúdo da frase com a situação atual dos trabalhadores brasileiros. 4. (UFJF) Leia, atentamente, a citação a seguir e responda: “Marx defendia a necessidade da ação política e da conquista do poder pelo proletariado organizado em um partido político. Bakunin propunha a necessidade da solidariedade e a prática da revolução, ou seja, a realização da revolução. Bakunin considerava que a manutenção do Estado, mesmo que na forma da ditadura do proletariado, acabaria levando à formação de uma nova classe exploradora e privilegiada, que perpetuaria a opressão econômica e política do Estado.” TOLEDO, Edilene. “Travessias revolucionárias”. Campinas, SP: Ed. Unicamp, 2004, p. 100. a) Bakunin e Marx representaram duas correntes ideológicas de contestação da ordem liberal burguesa na segunda metade do século XIX. Qual o nome das duas correntes? b) Explique, com suas palavras, o que defendia o movimento idealizado por Bakunin. 5. (PUC-RJ) “[os anarquistas] acreditavam que seu objetivo seria atingido com a derrubada da burguesia do poder, sem um longo período de transição posterior. Isso seria alcançado por meio de um grande ato: a greve geral revolucionária. O sindicato anarquista, dirigido por comissões que deveriam expressar a vontade dos sindicalizados e não a sua vontade própria, representava um esboço da sociedade que pretendiam restaurar. Uma sociedade sem Estado, sem desigualdade, organizada em uma federação livre de trabalhadores.” FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2013. p. 255. O anarquismo surgiu em um contexto de efervescência do movimento operário no qual diversos projetos políticos e sociais disputavam os corações e mentes dos trabalhadores. O texto apresenta, sinteticamente, as ideias da


48VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias vertente sindicalista do anarquismo que teve forte influência na construção do movimento operário brasileiro na Primeira República. Considerando o trecho acima: a) explique uma diferença entre as concepções políticas anarquistas e aquelas defendidas pelos socialistas; b) cite uma ação que, na primeira República, teve a marca dos anarquistas no Brasil. 6. (Usf) A reação operária aos efeitos da Revolução Industrial fez surgir críticos ao progresso industrial, que propunham reformulações sociais e a construção de um mundo mais justo – os teóricos socialistas, que se dividiram em grupos distintos: os socialistas utópicos (Robert Owen, Saint Simon e Charles Fourier), os socialistas científicos (marxistas) e os anarquistas. VICENTINO, Claudio. História para o Ensino Médio: geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2005. p. 296. Com relação às Doutrinas Sociais, que surgiram após a Revolução Industrial, resolva o que se pede. a) Robert Owen é conhecido como “humanizador do capitalismo”. Justifique essa afirmação. b) Segundo Karl Marx, quais seriam os passos para a superação dos problemas sociais causados pelo capitalismo? 7. (Ufpr 2020) Considere a passagem abaixo: O ponto de vista de Marx estava fundado no que ele chamava de concepção materialista da história. De acordo com essa concepção, não são as ideias ou os valores que os seres humanos guardam as principais fontes da mudança social. Em vez disso, a mudança social é estimulada primeiramente por influências econômicas. Os conflitos de classe proporcionam a motivação para o desenvolvimento histórico [...]. Nas palavras de Marx: “toda a história humana até aqui é a história da luta de classes”. (GIDDENS, Anthony. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005, p. 32.) Por que, para Marx, a luta de classe é a expressão concreta da concepção materialista da história? 8. (Uel 2020) Leia a charge e o texto a seguir. O conceito de ideologia, nos termos propostos por Karl Marx (1818-1883), refere-se, também, àquela ideia ou declaração “(...) que em algum aspecto significativo ela é falsa, enganosa ou um relato parcial da realidade e, portanto, uma ideia que pode e deve ser corrigida.” GIDDENS, A.; SUTTON, P. W. Conceitos essenciais da Sociologia. São Paulo: Editora da Unesp, 2016, p. 229. A charge sugere a presença de uma “ideologia do mérito” quando está em pauta a discussão da desigualdade social na sociedade de tipo capitalista. Com base na charge e no texto, explique como a “ideologia do mérito” justifica a desigualdade social no capitalismo e, em seguida, identifique os motivos que a caracterizam como enganosa ou um relato parcial da realidade. E.O. Enem 1. (Enem 2013) Na produção social que os homens realizam, eles entram em determinadas relações indispensáveis e independentes de sua vontade; tais relações de produção correspondem a um estágio definido de desenvolvimento das suas forças materiais de produção. A totalidade dessas relações constitui a estrutura econômica da sociedade — fundamento real, sobre o qual se erguem as superestruturas política e jurídica, e ao qual correspondem determinadas formas de consciência social. MARX, K. “Prefácio à Crítica da economia política.” In: MARX, K.; ENGELS, F. Textos 3. São Paulo: Edições Sociais, 1977 (adaptado). Para o autor, a relação entre economia e política estabelecida no sistema capitalista faz com que a) o proletariado seja contemplado pelo processo de mais-valia. b) o trabalho se constitua como o fundamento real da produção material. c) a consolidação das forças produtivas seja compatível com o progresso humano. d) a autonomia da sociedade civil seja proporcional ao desenvolvimento econômico. e) a burguesia revolucione o processo social de formação da consciência de classe. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicampe Unifesp) 1. (Unicamp) A história de todas as sociedades tem sido a história das lutas de classe. Classe oprimida pelo despotismo feudal, a burguesia conquistou a soberania política no Estado moderno, no qual uma exploração aberta e direta substituiu a exploração velada por ilusões religiosas. A estrutura econômica da sociedade condiciona as suas formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, ao contrário, são as relações de produção que ele contrai que determinam a sua consciência. (Adaptado de K. Marx e F. Engels, Obras escolhidas. São Paulo: AlfaÔmega, s./d., vol 1, p. 21-23, 301-302.0


49VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias As proposições dos enunciados acima podem ser associadas ao pensamento conhecido como: a) materialismo histórico, que compreende as sociedades humanas a partir de ideias universais independentes da realidade histórica e social. b) materialismo histórico, que concebe a história a partir da luta de classes e da determinação das formas ideológicas pelas relações de produção. c) socialismo utópico, que propõe a destruição do capitalismo por meio de uma revolução e a implantação de uma ditadura do proletariado. d) socialismo utópico, que defende a reforma do capitalismo, com o fim da exploração econômica e a abolição do Estado por meio da ação direta. 2. (Fuvest) No final do século XIX, a Europa Ocidental torna-se “teatro de atentados contra as pessoas e contra os bens. Sem poupar os países do Norte... esta agitação afeta mais a França, a Bélgica e os Estados do Sul... Na Itália e na Espanha, provoca ou sustenta revoltas camponesas. Numerosos e espetaculares atentados são cometidos contra soberanos e chefes de governo”. R. Schnerb, “O Século XIX”, 1969. O texto trata das ações empreendidas, em geral, por: a) anarquistas. b) fascistas. c) comunistas. d) militaristas. e) fundamentalistas. 3. (Unesp) A condição essencial da existência e da supremacia da classe burguesa é a acumulação da riqueza nas mãos dos particulares, a formação e o crescimento do capital; a condição de existência do capital é o trabalho assalariado. [...] O desenvolvimento da grande indústria socava o terreno em que a burguesia assentou o seu regime de produção e de apropriação dos produtos. A burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros. Sua queda e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis. (Karl Marx e Friedrich Engels. “Manifesto Comunista”. Obras escolhidas, vol. 1, s/d.) Entre as características do pensamento marxista, é correto citar a) o temor perante a ascensão da burguesia e o apoio à internacionalização do modelo soviético. b) o princípio de que a história é movida pela luta de classes e a defesa da revolução proletária. c) a caracterização da sociedade capitalista como jurídica e socialmente igualitária. d) o reconhecimento da importância do trabalho da burguesia na construção de uma ordem socialmente justa. e) a celebração do triunfo da revolução proletária europeia e o desconsolo perante o avanço imperialista. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicampe Unifesp) 1. (Fuvest) O cartaz abaixo parte de uma campanha sindical pela redução da jornada diária de trabalho, foi divulgado em 1919 pela União Interdepartamental da Confederação Geral dos Trabalhadores da Região do Sena, na França. Tradução dos escritos do cartaz: “União dos Sindicatos de Trabalhadores do Sena”. “As 8 horas”. “Operário, a regra foi aprovada, mas apenas sua ação a fará ser aplicada”. a) Identifique um elemento visual no cartaz que caracterize a principal reivindicação dos sindicatos e o explique. b) Identifique e analise a visão de luta social que a cena principal do cartaz apresenta. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. C 2. B 3. A 4. E 5. B E.O. Fixação 1. B 2. D 3. B 4. D 5. D E.O. Complementar 1. D 2. C 3. E 4. C 5. D E.O. Dissertativo 1. a) O movimento anarquista defendia uma sociedade baseada na liberdade e na solidariedade entre indivíduos, a coexistência harmoniosa, a abolição da propriedade privada, a autodisciplina, a responsabilidade (individual e coletiva) e uma forma de governo


50VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias baseada na autogestão. b) Os anarquistas defendem que em lugar de se apoderarem do Estado, os trabalhadores devem lutar pela sua abolição radical e imediata. Da mesma forma, acreditam que deve ser abolido todo o tipo de autoridade política opressora da liberdade humana. Preconizam a autogestão. E também concordam com a organização dos indivíduos. Essa organização deve levar em conta a ação consciente e voluntária de seus membros, promovendo a total igualdade de modo a limitar as formas tradicionais de domínio político. Os anarquistas defendem desde o século XIX a criação de sociedades mutualistas, cooperativas, associações de trabalhadores (sindicatos e confederações), escolas, colônias e experiências de auto-gestão. 2. a) A Igreja defendia a preservação da propriedade privada, recusava a ideia da luta de classes e sustentava a proposta da convivência harmoniosa entre as classes sociais. b) O capitalismo industrial trouxe como consequência o surgimento da classe operária. Nesse sentido, as péssimas condições oferecidas aos trabalhadores levaram à organização desses, que passaram a elaborar teorias em defesa de seus interesses como o socialismo. 3. a) O cartaz produzido no século XIX trata da consolidação do capitalismo industrial e a organização dos trabalhadores em defesa de direitos trabalhistas como a redução da jornada de trabalho. b) A luta dos trabalhadores do século XIX levou a conquistas como, por exemplo, a redução da jornada de trabalho para 8 horas. Esses direitos, conquistados ainda no século XIX, só foram implantados no Brasil ao longo do século XX e prevalecem até os dias atuais. 4. a) 1) Anarquismo 2) Marxismo / socialismo / socialismo científico b) O aluno deveria destacar: • A extinção de Estado e de outras instituições como Igreja, partido político, família, etc. • A passagem para o comunismo diretamente e pela via revolucionária • Auto-governo. • A distinção entre os dois pensadores. 5. a) O anarquismo nas suas diversas vertentes se opôs ao projeto político socialista, apesar de ambos partilharem uma visão comum de crítica ao modelo capitalista liberal. Nesse sentido, anarquistas e socialistas divergiam sobre a concepção de Estado. Os socialistas defendiam que a construção de uma sociedade mais igualitária dependia de uma etapa histórica necessária que se caracterizaria pela criação de um novo Estado controlado por trabalhadores. Por meio da chamada Ditadura do Proletariado seria possível eliminar as diferenças sociais e construir uma sociedade de plena igualdade, o comunismo. Os anarquistas eram contrários a essa ideia de Estado intermediário, pois no entendimento de seus principais intelectuais qualquer governo tinha como fim último legitimar uma nova classe no poder e cercear as liberdades individuais. A partir dessa discordância de fundo, desenvolveram-se diferentes noções de sociedade e liberdade para os dois grupos políticos. Diversos autores anarquistas recusaram a ideia de uma sociedade dirigida por grupos ou classes, assim sendo, os homens, na sociedade anarquista deveriam adotar formas de cooperação voluntárias e autorreguladas, capazes de estabelecer um equilíbrio ideal entre a ordem social e as liberdades individuais. Nesse sentido, a oposição do anarquismo às instituições socialistas se inspira na ideia de que a liberdade humana parte dos próprios homens e não de suas instituições. A responsabilidade individual deveria tomar o lugar das regras dos líderes e governos. Inspirando diversos trabalhadores pelo mundo, a ideologia anarquista teve forte influência nos sindicatos e mobilizações trabalhistas entre o fim do século XIX e o início do século XX. b) Como corrente do pensamento político brasileiro, o Anarquismo, teve significativa importância para as lutas sociais da Primeira República. No fim do século XIX e começo do século XX, devido em boa parte à imigração de trabalhadores, as ideias anarquistas começaram a ganhar o mundo. Um marco da presença anarquista no Brasil foi a fundação da Colônia Cecília, em 1890, com o propósito de ser uma comunidade organizada a partir de princípios libertários. Quanto a atuação de anarquistas, principalmente anarcossindicalistas, no cenário político brasileiro, o candidato poderá citar os diversos sindicatos e federações sindicais que foram criados tendo como bandeira a defesa de jornadas de trabalho mais curtas, melhores condições de trabalho e salários maiores. Também podem ser citadas algumas greves importantes, como as do porto de Santos e dos trabalhadores ferroviários da São Paulo Railway na década de 1890 e as greves gerais de 1906 e 1917, todas com a presença de anarquistas. Em 1906 e 1913, anarquistas atuaram na organização do primeiro e do segundo Congresso Operário Brasileiro. Além disso, o candidato poderá apontar que a ação dos anarquistas teve importantes desdobramentos como a fundação de jornais (por exemplo: “A Lanterna”, “ A Plebe” e “A Voz do Trabalhador”); a criação de escolas com o desenvolvimento de uma pedagogia associada ao seu projeto político e a criação de grupos de teatro. 6. a) Robert Owen, 1771-1858, vinculado ao socialismo utópico, buscou a criação de uma comunidade ideal pautada na igualdade absoluta na qual as pessoas trabalhassem dez horas por dia e tivessem acesso a um alto nível educacional. Sua proposta era criar cooperativa chegando a criar uma comunidade com alto padrão bem diferente da realidade da grande maioria que era violentamente explorada. Robert Owen foi para os EUA, onde


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