51VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias fundou a cidade de New Harmony, no estado de Indiana. b) Diferente de Robert Owen, Marx e Engels, elaboraram o socialismo científico e o materialismo histórico e dialético defendendo a destruição do capitalismo, das classes sociais e da propriedade privada. 7. A análise marxista da sociedade parte das relações materiais de produção para descrever as relações humanas. Por essa lógica, pode-se perceber como determinada classe se beneficia do trabalho alheio para manter seu poder. Descrever essa apropriação do trabalho é exatamente fazer aparecer a luta de classes ao longo da história. 8. Dentre os argumentos utilizados para a “ideologia do mérito”, encontra-se a sugestão de que as posições sociais resultam de uma sequência de escolhas e decisões tomadas pelos próprios indivíduos autônomos e livres, numa sociedade cuja economia é baseada, por sua vez, na livre concorrência/disputa pelos lugares/posições mais valorizados pelo mercado. Seria, principalmente, da diversidade de talentos, de capacidades e de preparação técnica, que derivaria a desigualdade social, como resultado da forma de distribuição de renda baseada na diferenciação de preços e salários pagos a bens e serviços com valor agregado diferente. De modo que a desigualdade social seria, em grande parte, consequência dos esforços individuais demonstrados por meio da qualificação e do trabalho. A explicação da “ideologia do mérito” para a desigualdade social apresenta-se como enganosa, pois há obstáculos sociais iniciais, como a posse e a propriedade de bens, o acesso a serviços, como a educação qualificada, que afetam a mobilidade social ascendente dos indivíduos, mesmo que haja alguma variação de talento ou disposição ao esforço. E.O. Enem 1. B E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. B 2. A 3. B E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) A partir da análise do cartaz, podemos dizer que a principal reivindicação dos sindicatos era a redução da jornada de trabalho dos operários para oito horas. b) A cena principal do cartaz apresenta a luta entre patrões e operários. A luta denota a organização do operariado na disputa contra os patrões para a conquista de seus interesses.
52VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (Ufrgs) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, sobre as Revoluções de 1848, ocorridas na Europa. ( ) A origem desses conflitos foi o levante espanhol antiabsolutista de 1848. ( ) A principal meta dos revolucionários foi o restabelecimento do absolutismo nos países europeus. ( ) Os revolucionários foram extremamente heterogêneos, representando ideologias e setores sociais diversos. ( ) Os efeitos dos conflitos foram sentidos inclusive no Brasil, como demonstra a Revolta da Praieira. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: a) F - V - F - V. d) F - F - V - V. b) V - F - V - F. e) F - V - F - F. c) V - V - F - F. 2. (UFSM) Analise o texto: Com todas as suas deficiências, as primeiras Leis Fabris [Grã-Bretanha, 1802 e 1819] foram os primeiros direitos sociais legalmente conquistados na era do capitalismo industrial. A limitação da idade para o trabalho infantil e da jornada de trabalho para crianças e adolescentes são intervenções significativas do Estado no funcionamento [...] do mercado de trabalho. Essas leis declaram que a liberdade de contratar não é ilimitada e que o limite é a pessoa humana, cuja integridade física e mental tem de ser preservada. SINGER, Paul. “A cidadania para todos”. In: PINSKY, J. (org.). História da Cidadania. SP: Contexto, 2010. p. 222. A partir do texto, assinale a alternativa correta. a) Interessados na integridade e bem-estar dos trabalhadores, os industriais e o Estado britânico, desde cedo, favoreceram uma ampla legislação trabalhista. b) Desde a Revolução Industrial, os capitães de indústrias se preocupam com a implantação de uma legislação trabalhista estabelecida pelo Estado, pois só assim se concretizam os ideais do liberalismo. c) As leis que asseguram limites às relações de trabalho são importantes para o movimento operário, porém, historicamente, não garantiram a sua efetivação, exigindo a mobilização dos trabalhadores. d) Do ponto de vista do movimento operário, desde o início da Revolução Industrial, era importante defender a livre contratação dos empregados pelos patrões, assim como a não intermediação do Estado nas negociações salariais. e) Os interesses do Capital e os do Trabalho foram harmonizados pelo Estado britânico, tendo em vista os preceitos liberais quanto à intervenção estatal na esfera das relações trabalhistas. 3. (UFSM) Analise os textos: A indústria foi modernizada na Inglaterra, durante o século XIX, mas os velhos métodos de exploração do trabalho não mudaram: as jornadas de trabalho foram prolongadas e os salários diminuídos, fazendo crescer os lucros, especialmente nas minas de carvão, com o trabalho infantil. Os escrúpulos humanitários resumiram-se às casas para trabalhadores desvalidos, sobre as quais escreveu Charles Dickens, em Oliver Twist: ‘os pobres têm duas escolhas, morrer de fome lentamente se permanecem no depósito, ou de repente, se saem de lá’. ARRUDA, J. Nova História Moderna e Contemporânea. Bauru, SP: Edusc 2005, v. 2, p. 40. Quando examinei as três cabanas de barro que servem de hospital aos nativos em Leopoldville, todas deterioradas e duas com o teto de palha praticamente destruído, encontrei dezessete pacientes com doença do sono, homens e mulheres, jogados na pior sujeira. A maioria jazia no chão nu – muitos do lado de fora, em frente às casas e, pouco antes da minha chegada, uma mulher em estágio final de insensibilidade tinha caído no fogo e se queimado horrivelmente. FARIA, R.; MIRANDA, M., CAMPOS, H. Estudos de História, 2. São Paulo: FTD, 2009, p. 178. (adaptado) Os textos relatam duas manifestações do(a): a) racismo dos europeus em relação aos nativos africanos. b) espoliação dos trabalhadores na etapa imperialista do capitalismo. c) falência das políticas assistenciais propostas pelos socialistas. d) despreparo das autoridades para lidar com moléstias pouco conhecidas. e) insuficiência da missão civilizadora restringida à dimensão religiosa. 4. (FGV) A nova entrada da pobreza indigente será não mais um fenômeno temporário do desemprego ou como resistência ao trabalho dos pobres não moralizados, mas como Criatura da própria sociedade industrial, como resíduo que, produzido por ela, nela não tem lugar. É em FRANÇA NO SÉCULO XIX E SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4, 5 e 6 HABILIDADE(s) 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 13, 14, 16, 17, 18, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 28 e 29 CH AULAS 33 E 34
53VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Londres que o sistema de fábrica despeja sua escória humana. Mais uma vez questiona-se o pensamento liberal em um dos seus pressupostos básicos, o laissez-faire. Uns pedem ao governo leis severas de controle da superpopulação e medidas no sentido de se exportar o resíduo para as colônias. (Maria Stella Bresciani, Londres e Paris no século XIX. p. 104-7. Adaptado) Segundo o texto: a) a produção do “resíduo” pelo sistema de fábrica torna a pobreza algo crônico, o que leva a propostas intervencionistas que colocam em xeque a própria ação do Estado liberal. b) soluções para o intervencionismo do Estado absolutista reforçam o laissez-faire, uma vez que a miséria produzida pelo sistema fabril é pontual e não gera tensões sociais. c) o laissez-faire passa a ser questionado porque o sistema industrial produz a miséria, ou seja, não acentua as diferenças sociais e garante ao Estado liberal todas as formas de intervenção. d) a miséria não é produto do sistema de fábrica e sim do desemprego e da vagabundagem, o que torna as propostas do controle do “resíduo” inviáveis para o Estado liberal. e) a industrialização produz o vagabundo e o desempregado, mas não a miséria, e, portanto, soluções intervencionistas harmonizam-se com o Estado absolutista e não com o Estado liberal. 5. (UEPB) Entre as décadas de 60 e 70 do século XIX, o mundo experimentou a chamada “Segunda Revolução Industrial”. Foi o momento em que a economia capitalista foi impulsionada com um ritmo ainda mais acelerado em termos de produção e com avanços significativos no processo de industrialização. Sobre este momento histórico, que Eric Hobsbawn chama de a “Era dos Impérios”, assinale a única alternativa INCORRETA. a) O desenvolvimento de meios de transporte como o trem e o navio a vapor permitiu um aumento na circulação de mercadorias. Num processo cíclico, aumentava- -se a produção na medida em que se desenvolviam as tecnologias fabris e isso levava ao incremento do modo como os produtos manufaturados circulariam pelo mundo inteiro. b) O imperialismo trouxe uma brutal concentração da produção e do capital. Mesmo com todo o apogeu, havia crises periódicas a partir da segunda metade do século XIX e isso levou as pequenas e médias empresas a desaparecerem ou serem absorvidas pelas grandes empresas. c) A 2ª Revolução Industrial propiciou outra revolução. O desenvolvimento do telégrafo e da imprensa escrita, além da invenção do telefone, se deu, dentre outras coisas, por uma demanda imposta pelo acelerado processo de desenvolvimento industrial e tecnológico. d) A 2ª Revolução Industrial fez com que o setor manufatureiro de matérias-primas dependesse cada vez mais das inversões e empréstimos bancários. A crescente complexidade do processo produtivo exigia que se investissem vultosas somas, fazendo com que cada vez mais se recorresse aos bancos para dinamizar o setor industrial. e) Importante consequência da 2ª Revolução Industrial foi o desaparecimento das chamadas oligarquias financeiras. Com economias capitalistas altamente desenvolvidas, baseadas no liberalismo inglês, não havia mais lugar no mundo para pequenos grupos controlando grandes quantidades de bens materiais. 6. (PUC-RJ) Ao longo do ano de 1848, o continente europeu passou por uma série de revoluções configurando um momento que muitos historiadores vieram a denominar de “Primavera dos Povos”. Sobre esses movimentos, é CORRETO afirmar que: a) as revoluções de 1848 foram movimentos em defesa do retorno dos regimes monárquicos, uma vez que as tentativas de reformas políticas e econômicas de caráter burguês tinham fracassado e produzido uma grave crise econômica e social. b) este conjunto de revoluções, de caráter liberal e nacionalista, foi iniciado com demandas por governos constitucionais e, ao longo do processo, trabalhadores e camponeses se manifestaram contra os excessos da exploração capitalista. c) o movimento de 1848 deu prosseguimento às reformas religiosas estendendo o protestantismo para a Europa centro-oriental e enfraquecendo a posição dos regimes autocráticos católicos em países da região como a Áustria e Polônia. d) a “Primavera dos Povos” está relacionada à publicação do Manifesto Comunista em fevereiro de 1848 e com a organização de ações políticas revolucionárias de cunho anarquista, republicano e secular. e) essas revoluções estavam associadas às demandas burguesas por maior integração comercial e pelo fim das políticas mercantilistas intervencionistas ainda em vigor em países europeus dominados pela velha classe política aristocrática. 7. (FGV-RJ) A chamada Segunda Revolução Industrial, ocorrida nas últimas décadas do século XIX, foi caracterizada: a) pela concentração do processo de industrialização na Inglaterra e pela montagem do império colonial britânico. b) pelo desenvolvimento da eletricidade e da siderurgia e pela expansão da industrialização para além do continente europeu. c) pela industrialização e pela formação de Estados nacionais no continente africano, a partir das suas antigas fronteiras culturais e linguísticas. d) pelo equilíbrio de forças entre as antigas colônias europeias e os Estados europeus devido à difusão da industrialização. e) pela retração da economia mundial devido à mecanização da produção e à diminuição da oferta de produtos industrializados.
54VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 8. (Uece 2022) A segunda metade do século XIX foi marcada por uma série de mudanças econômicas, políticas e culturais na Europa Ocidental. No que diz respeito a essas mudanças, assinale a afirmação verdadeira. a) O Darwinismo social foi uma corrente de pensamento que aplicava, de forma literal, as ideias de Charles Darwin à sociedade. b) A ascensão da burguesia, enquanto classe, ao comando do poder político possibilitou uma maior democratização das relações, principalmente no seio da família. c) A Revolução microbiana, ocorrida na segunda metade do século XIX, levou à elaboração das normas de higiene como as conhecemos hoje. d) Apesar de a tecnologia ser muito utilizada na segunda revolução industrial, esse recurso não modificou os níveis de analfabetismo da classe trabalhadora. 9. (Ufmg) O ano de 1848 ficou célebre em razão da onda de revoluções que varreu, então, a Europa – evento denominado Primavera dos Povos. O objetivo maior dos revolucionários de toda parte era alcançar a liberdade e combater a opressão; em algumas regiões, porém, as palavras de ordem reivindicavam, também, o fim do jugo estrangeiro, ou seja, demandavam autonomia para as nações. Considerando-se os eventos ocorridos em 1848 e suas consequências, é correto afirmar que: a) na Alemanha, se instalou, com sucesso, uma República parlamentar, que aboliu as instituições imperiais e consolidou a unidade do país. b) na França, se proclamou, outra vez, a República, mas Luís Napoleão Bonaparte, o Presidente eleito, instituiu, por meio de um golpe, o II Império. c) na Inglaterra, uma série de greves gerais colocou em xeque a Monarquia, que precisou recorrer à Lei Marcial para recobrar a ordem. d) na Rússia, os revolucionários ocuparam o poder durante alguns meses, o que provocou reação sangrenta e guerra civil. 10. (Udesc 2017) Sobre os processos de industrialização é correto afirmar que: a) No final do século XIX ocorreu a chamada “Segunda Revolução Industrial”, com a diversificação do uso da energia elétrica, que permitiu o desenvolvimento do rádio e do telefone; assim como a invenção do motor à explosão, que permitiu o surgimento do automóvel e do avião. b) A produção de bens no antigo Egito era realizada por artesãos que gozavam de boa reputação em toda a sociedade, sendo famosos e bem remunerados por isso. c) A moenda da cana-de-açúcar, no Brasil colonial, era realizada com base no trabalho assalariado e na produção em série, visando diminuir o preço do produto para vendê-lo em grande quantidade para o mercado interno. d) A chamada Revolução Industrial iniciou-se na Alemanha, graças às inovações produzidas nas universidades que aplicaram os conhecimentos em empresas públicas para atender à melhoria das condições de vida da classe trabalhadora. e) No século XX ficou comprovada a tese de que, na divisão internacional do trabalho, alguns países com vocação agrária podiam se tornar economicamente desenvolvidos, sem que houvesse indústrias em seu território. E.O. Fixação 1. (UFSJ) Analise as afirmativas abaixo. I. As revoluções liberais do século XIX foram originadas a partir das Revoluções Americana (1776), Inglesa (1688) e Francesa (1789), bem como da Revolução Industrial Inglesa, que vinha acontecendo desde meados do século XVIII. II. As revoluções liberais do século XIX atingiram seu ápice em 1848, trazendo, além do seu caráter liberal e burguês, um novo elemento: a participação da classe operária vinculada à indústria, com tendências socialistas. III. As bases do liberalismo defendido pelos revolucionários liberais do século XIX eram: propriedade privada, individualismo econômico e liberdade de comércio, de produção e de contrato de trabalho sem controle do Estado. IV. As revoluções liberais do século XIX tiveram caráter socialista e anarquista e defendiam uma sociedade livre, sem classes sociais, fim da propriedade privada e da livre concorrência. Sobre as revoluções liberais do século XIX, estão CORRETAS apenas as afirmações: a) I, II e IV. b) I, II e III. c) I, III e IV. d) II, III e IV. 2. (UFTM) Leia o texto. Em 1801, em todo o continente [europeu], não havia mais de 23 cidades com mais de 100 mil habitantes, agrupando menos de 2% da população da Europa. Em meados do século, seu número já se elevava para 42; em 1900 eram 135 e, em 1913, 15% dos europeus moravam em cidades. Quanto às cidades com mais de 500 mil habitantes que, na época, pareciam monstros, só existiam duas no início do século XIX: Londres e Paris. Às vésperas da Primeira Guerra Mundial, elas já eram 149. (René Rémond. Introdução à história do nosso tempo – O Século XIX, 1976.) A situação descrita pode ser explicada: a) pela pressão dos senhores feudais, que substituíram os antigos servos por trabalhadores livres. b) pela descoberta dos antibióticos, que contribuiu para erradicar doenças e aumentar a expectativa média de vida. c) pelo crescimento da publicidade, que incentivava o deslocamento de populações por todo o continente.
55VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias d) pelo processo de industrialização, que concentrou a produção e a mão de obra nos centros urbanos. e) pela política armamentista, que incentivava o serviço militar obrigatório e o crescimento do exército nas áreas urbanas. 3. (Fatec) Considere a foto para responder à questão. Paris - Arco do Triunfo (http://www.linternaute.com/paris/magazine/diaporama/06/paris-vu-du-ciel/1950/images/2.jpg, acessado em 02.09.2009) O Arco do Triunfo foi iniciado por ordem de Napoleão Bonaparte em 1806, e a Paris dos boulevares (das avenidas) surgiu a partir da reforma urbana implantada pelo barão Haussmann, prefeito de Paris entre 1853 e 1870, período em que a França era governada por Luís Bonaparte. A foto demonstra o resultado final dessas duas iniciativas que representam a vitória do projeto: a) socialista de uma cidade em que seus espaços devem pertencer igualmente a todos os cidadãos. b) burguês em que o embelezamento da cidade, os parques, novos edifícios e monumentos devem atender mais às necessidades da classe burguesa do que às da população mais pobre. c) anarquista de uma cidade onde a população não precisaria de um órgão governamental, pois os próprios cidadãos a governariam. d) neoliberal em que a economia da cidade deve ser gerada não mais pelo investimento do Estado e sim pelo livre investimento das empresas privadas. e) comunista de uma cidade moldada nas diretrizes da Primeira Internacional Comunista. 4. (Unemat) Para muitos historiadores, o período compreendido entre 1850 e 1914, do ponto de vista econômico, é conhecido como “Segunda Revolução Industrial”. Sobre o tema assinale a alternativa correta. a) Nesse período, a industrialização se concentrou na Inglaterra, que era conhecida como a Oficina do Mundo. b) Esta fase da industrialização ficou limitada ao uso do ferro, do carvão e do vapor. c) Nesta época, devido ao progresso econômico que a industrialização proporcionou, o movimento operário praticamente desapareceu na Europa e nos Estados Unidos. d) Entre os anos de 1873 e 1896, ocorreu uma grave crise econômica na Europa, cuja maior consequência foi o fim dos trustes e cartéis. e) A deflagração da I Guerra Mundial (1914-1918) teve como uma de suas motivações a rivalidade entre as nações industrializadas, resultante do acelerado desenvolvimento econômico ocorrido a partir do final do século XIX. 5. (FGV) “A nova onda se propagou rapidamente por toda a Europa. Uma semana depois da queda de Luís Filipe I, o movimento revolucionário tomou conta de uma parte da Alemanha e, em menos de um mês, já estava na Hungria, passando pela Itália e pela Áustria. Em poucas semanas, os governos dessa vasta região foram derrubados, e supostamente se inaugurava uma nova etapa da História europeia, a Primavera dos Povos”. (Luiz Koshiba, “História - origens, estruturas e processos”) O texto faz referência: a) à Belle Epoque. b) às Revoluções de 1848. c) à Restauração de 1815. d) à Guerra Franco-Prussiana. e) às Revoluções liberais de 1820. 6. (Udesc) Assinale a alternativa CORRETA, em relação à chamada “Primavera dos Povos”. a) A “Primavera dos Povos” não influenciou a formação dos movimentos sociais do Século XIX. b) Foi uma revolução brasileira, mas que atingiu também outros países do Cone Sul. c) Houve influência da “Primavera dos Povos” no Brasil através do movimento dos “Seringueiros”. d) Atribuição colocada ao movimento revolucionário francês em 1848, que derrubou a monarquia de Luis Felipe e trouxe à discussão a exploração burguesa e a dominação política. e) A influência da “Primavera dos Povos” se restringiu às preocupações francesas do período. 7. (UFF) Um dos efeitos mais importantes da fotografia, na passagem do século XIX para o século XX, foi a sua condição de ser um efeito de demonstração de progresso. Uma das opções a seguir caracteriza corretamente o período mencionado. Assinale-a. a) As renovações técnicas no final do século XIX ocorreram em função da curiosidade do homem pós-iluminista e das necessidades de se resolverem as questões sociais decorrentes da superprodução. b) As descobertas científicas do século XIX tiveram como base a ciência do século XVII e atendiam aos requisitos do capitalismo liberal de livre-concorrência. c) As inovações tecnológicas do final do século XIX resultaram do enorme investimento de capital que os proprietários rurais europeus fizeram na agricultura como base da expansão do ludismo. d) As novidades científicas do século XIX decorreram da busca por novas áreas de mercado, seguindo a orientação do mercantilismo estatal, baseado no evolucionismo. e) As invenções do final do século XIX foram fruto do desenvolvimento do capitalismo, da expansão da ciência após o iluminismo e da necessidade de dar utilidade aos seus resultados.
56VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 8. (Mackenzie) Ao analisar os acontecimentos e consequências de 1848, na França, Karl Marx denominou de “18 brumário de Luís Bonaparte” o golpe de Estado realizado por esse último. A denominação é historicamente possível, pois: a) estendeu a ação de seu Império da França até o norte da África, incluindo regiões na Itália e Alemanha, territórios anteriormente também conquistados por seu tio. b) organizou um Império de caráter despótico absolutista, impôs a censura aos meios de comunicação e proclamou-se cônsul vitalício, atitudes já realizadas por Napoleão. c) assim como Napoleão, Luís Bonaparte legitimou seu golpe por meio de um plebiscito, extinguindo a República até então vigente para proclamar-se imperador. d) Luís Napoleão, assim como Napoleão, a princípio realizou reformas absolutistas para depois, já no Império, introduzir princípios iluministas de administração pública. e) assim como seu tio, Luís Bonaparte se auto coroou imperador, reduziu a interferência do alto clero no governo e limitou o direito ao voto a critérios censitários. 9. (Upe-ssa 2 2022) As Revoluções Industriais não podem ser explicadas somente pelas invenções ou descobertas de novas máquinas, fontes de energia, materiais ou métodos. Esses foram fatores fundamentais no desenvolvimento da economia nos últimos dois séculos e meio. Antes já existiam máquinas, como as da imprensa e os moinhos hidráulicos. Contudo, a difusão das máquinas, chamada de maquinismo, caracteriza e diferencia esse período em relação aos anteriores. (Adaptado) Referência: DATHEIN, Ricardo. Inovação e Revoluções Industriais: uma apresentação das mudanças tecnológicas determinantes nos séculos XVIII e XIX. Publicações DECON Textos Didáticos 02/2003. DECON/ UFRGS, Porto Alegre, Fevereiro 2003. http://www.ufrgs.br/decon/ Foram características da primeira e da segunda fase do movimento descrito no texto, respectivamente: a) Máquinas de fiar e energia a vapor / Eletricidade e aço. b) Inteligência Artificial e Robótica / Petróleo e Hidrogênio. c) Gás natural e navios de ferro / Tear mecânico e estamparia. d) Eletricidade e química industrial / Carvão Mineral e energia solar. e) Fornalha de alta temperatura e plástico / Trem elétrico e energia hidráulica 10. (Ufjf-pism 2) Leia as afirmações abaixo sobre os movimentos revolucionários do século XIX, na França. I. Em 1848, formou-se um governo provisório que, com o apoio da pequena burguesia e dos trabalhadores, proclamou a República. Contudo, a Assembleia Geral Constituinte passou a ser constituída por uma maioria republicana contrária às propostas revolucionárias dos candidatos operários. II. Em 1848, as ruas de Paris foram tomadas pela população pobre e trabalhadora que desejava implantar medidas que garantissem direitos políticos e melhores condições de vida. As revoltas foram violentamente reprimidas; temerosos, os grupos conservadores inauguraram a Segunda República Francesa sob o comando de Luís Napoleão Bonaparte. III. A Comuna de Paris, que teve duração efêmera, assumiu um caráter socialista, tendo por referência os princípios da Primeira Internacional dos Trabalhadores. A Comuna não chegou a implantar o Socialismo, mas tomou medidas revolucionárias, tais como a extinção da polícia e do exército que eram usados na repressão aos trabalhadores. Agora, assinale a alternativa CORRETA. a) Todas as afirmativas são verdadeiras. b) Todas as afirmativas são falsas. c) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras. d) Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras. e) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras. E.O. Complementar 1. (UFSM) Júlio Verne (1828-1905) foi um famoso romancista francês. Em seus livros, descreveu engenhos, máquinas e viagens que somente seriam realizadas décadas depois. Em 1863, imaginou o balão dirigível, em “Cinco semanas num balão”; em 1870, inventou o submarino elétrico, em “Vinte mil léguas submarinas”; no mesmo ano, descreveu uma viagem espacial, em “À roda da Lua”. Sua ficção relaciona-se com: a) o surgimento da física quântica, decorrente do crescimento urbano e industrial desenfreados. b) o avanço do movimento operário, das lutas populares e do “espectro do comunismo”, tal qual Marx previra. c) o desmantelamento dos Estados liberais e a montagem das monarquias constitucionais e parlamentaristas. d) a descrença em relação à ciência e à cultura patrocinada pela Europa Imperialista. e) o avanço da ciência e da tecnologia do mundo industrial, bem como com o otimismo da sociedade burguesa. 2. (FGV) “As perspectivas de desenvolvimento econômico e progresso científico pareciam infinitas no princípio do século. As estradas de ferro se espalhavam por todo o mundo (...) O cientista italiano Guglielmo Marconi preparava-se para transmitir, pela primeira vez, sinais de rádio através do Oceano Atlântico. O automóvel, o telefone e o cinema se popularizavam, mudando a face das cidades”. BRENER, J., “Jornal do século XX”, São Paulo, Moderna, 1998, p. 24. O texto refere-se a um contexto de inovações tecnológicas propiciadas: a) pela Segunda Revolução Industrial, marcada pelo surgimento das primeiras fábricas, da utilização das máquinas a vapor e de matérias-primas como carvão e ferro. b) pela Revolução Agrária Europeia, marcada pela mecanização da produção agrícola e pela estrutura-
57VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias ção fundiária em pequenas e médias propriedades. c) pelo Período Entre-Guerras, marcado pela expansão da economia industrial e pela disseminação do liberalismo como referência econômica entre as potências europeias. d) pela Primeira Revolução Industrial, marcada pelo desenvolvimento industrial norte-americano e pela proliferação da produção de eletrodomésticos. e) pela Segunda Revolução Industrial, marcada pela aplicação de descobertas científicas à produção, pela utilização da energia elétrica e o desenvolvimento de indústrias químicas. 3. (FGV) “(...) os homens que naquele momento estavam encarregados de pôr termo à Revolução de 1848 eram precisamente os mesmos que fizeram a de 30. (...) O que a distinguia ainda, entre todos os acontecimentos que se sucederam nos últimos sessenta anos na França, foi que ela não teve por objetivo mudar a forma, mas alterar a ordem da sociedade. Não foi, para dizer a verdade, uma luta política (...), mas um embate de classe (...). Havia se assegurado às pessoas pobres que o bem dos ricos era de alguma maneira o produto de um roubo cujas vítimas eram elas (...). É preciso assinalar ainda que essa insurreição terrível não foi fruto da ação de certo número de conspiradores, mas a sublevação de toda uma população contra outra (...).” (Alexis de Tocqueville, Lembranças de 1848. 1991) A partir do texto, é correto afirmar que: a) a revolução limitou-se, em 1848, a apelos políticos, no sentido de a classe burguesa, líder do movimento, atrair as classes populares para a luta, contra o absolutismo de Carlos X, usando as ideias liberais como combustível para a implantação do Estado liberal. b) a revolução de 1848, liderada pelos homens de 1830, isto é, a classe burguesa, tinha como maiores objetivos a queda de Luís Bonaparte e a vitória das ideias socialistas, pregadas nos banquetes e nas barricadas contra o rei e contra a nobreza. c) a revolução de 1848, influenciada pelo socialismo utópico, significou a luta entre a classe burguesa, líder da revolução de 1830, e as classes populares que, cada vez mais organizadas na campanha dos banquetes e nas barricadas, forçaram a queda do rei Luís Felipe. d) os líderes revolucionários de 1848, os mesmos da revolução de 1830, sob forte propaganda das ideias liberais e influenciados pela luta política, convocaram e obtiveram o apoio das classes populares, no Parlamento, contra o rei Luís Felipe. e) o rei Luís Felipe, no trono francês entre 1830 e 1848, foi derrubado por uma bem orquestrada luta política no Parlamento, que uniu liberais e socialistas, vitoriosa para essa aliança, que formou o governo provisório e elegeu o presidente Luís Bonaparte. E.O. Dissertativo 1. (PUC-RJ) A Revolução Liberal de 1830 na França sepultou definitivamente as intenções restauradoras do Congresso de Viena de 1815, motivando uma onda de progressismo e de ímpeto revolucionário, que levaria às revoluções de 1848 e a diversos movimentos nacionalistas do período. A partir desta afirmativa: a) Apresente uma resolução do Congresso de Viena que exemplifique suas “intenções restauradoras”. b) Indique um princípio do Liberalismo que caracterize a “onda de progressismo e o ímpeto revolucionário” ocorridos na primeira metade do século XIX. 2. (Ufrrj) Observe a tabela a seguir: Principais exportações britânicas como percentagem das exportações totais, 1830-1870 1830 1850 1870 Fios e artigos de algodão 50,8 39,6 35,8 Ferro, aço, maquinaria, veículos 10,7 13,1 16,8 Carvão, coque 0,5 1,8 2,8 Extraído de HOBSBAWM, Eric J. Da Revolução Industrial Inglesa ao Imperialismo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1986. Pág. 107. A tabela indica uma mudança na produção industrial inglesa com grandes consequências tanto internas quanto na relação e na posição da Grã-Bretanha no mundo. Com base nisto: a) especifique a(s) diferença(s) existentes entre a fase de industrialização ocorrida a partir da segunda metade do século XIX e a primeira iniciada ainda no século XVIII. b) De que forma se pode relacionar as transformações na produção industrial no século XIX e o fenômeno do imperialismo? 3. (Ufrrj) “Qualquer historiador reconhece-a imediatamente: as barbas, as gravatas esvoaçantes, os chapéus dos militantes, as bandeiras tricolores, as barricadas, o sentido inicial de libertação, de imensa esperança e confusão otimista. Era a ‘primavera dos povos’ – e, como a primavera, não durou”. (Eric Hobsbawm “Era do Capital”, Paz e Terra, RJ, 1982, p.33). As revoluções de 1848 tiveram seu início na França, em fevereiro daquele ano, com a derrubada do “Rei Burguês”, Luís Felipe, e se estenderam por diversos Estados europeus em pouco tempo. a) Exponha um resultado da forte participação operária, já de base socialista, na derrubada do “Rei Burguês”. b) Explique as palavras de Hobsbawm sobre a duração da “primavera dos povos”.
58VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 4. (UFRJ) GRAVURA: O mundo do capital - a fábrica: Iron & Steel, em Barrow, in: HOBSBAWM, Eric. “A era do capital”, 1848 - 1875. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977, ilustração 71. A industrialização desencadeou diversas mudanças econômicas e políticas na Europa de 1780 em diante. a) Identifique duas características da produção fabril no século XIX. b) No plano político, a industrialização contribuiu para o fortalecimento das ideias e práticas liberais. Cite duas características do liberalismo no século XIX. 5. (UFRJ) Intensos debates na Paris de 1848 (M. Carnavalet, Paris) A historiografia tradicionalmente considera a revolução de 1848, na França, como um divisor de águas na história dos movimentos populares europeus do século XIX. Justifique tal afirmativa. 6. (UFRJ) “Quando um estrangeiro passa pelas massas humanas que se acumularam ao redor das tecelagens e estamparias... não pode deixar de contemplar essas “colmeias abarrotadas” sem uma sensação de ansiedade e apreensão que beira o desalento. A população, tal como o sistema em que ela pertence, é nova, mas cresce a cada momento em força e extensão. Ela é um agregado de massas que nossas concepções revestem com termos que exprimem algo de prodigioso e terrível... como a lenta e gradual formação das ondas de um oceano que deverá, em algum momento futuro, mas não distante, carregar todos os elementos da sociedade em sua superfície, e arrastá-los só Deus sabe para onde. Há energias vigorosas nessas massas... A população manufatureira não é nova apenas em sua formação: é nova também em seus hábitos de pensamento e ação, que se formaram, pelas circunstâncias da sua condição, com pouca instrução, e orientação externa ainda menor...”. (Cooke Taylor, NOTES OF A TOUR IN A MANUFACTURING DISTRICTS OF LANCASHIRE (1842), citado em E. P. Thompson, A FORMAÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA INGLESA, v.lI, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987) a) Explique duas mudanças produzidas pela Revolução Industrial na sociedade inglesa do século XIX. b) Caracterize as condições de trabalho da classe operária inglesa na primeira metade do século XIX. 7. (PUC-RJ) No texto Lembranças de 1848, o escritor e parlamentar francês Alexis de Tocqueville observava sobre as insurreições parisienses de junho de 1848: “[...] o que a distinguia ainda, entre todos os acontecimentos do gênero que se sucederam nos últimos sessenta anos na França, foi que ela não teve por objetivo mudar a forma de governo, mas alterar a ordem da sociedade. Não foi, para dizer a verdade, uma luta política (no sentido que até então tínhamos dado à palavra), mas um combate de classe”. a) Identifique as forças que protagonizaram o “combate de classe” a que se refere Tocqueville. b) Explique duas demandas políticas e sociais que distinguiam a Revolução de 1848 da Revolução de 1789. 8. (PUC-RJ) Com essas palavras, um negociante francês se referia à situação social de seu país, por volta de 1830: “Todo fabricante vive em sua fábrica como os plantadores coloniais no meio de seus escravos, um contra uma centena, e a subversão de Lyon é uma espécie de insurreição de São Domingos [Haiti]. (...) Os bárbaros que ameaçam a sociedade não estão nem no Cáucaso nem nas estepes tártaras; estão nos subúrbios de nossas cidades industriais (...)”. (Apud Eric Hobsbawn. “A Era das Revoluções 1789-1848”, p. 221) a) Tomando como referência o texto apresentado, explique a questão social que caracterizou países europeus, no curso da expansão industrial do século XIX. b) O autor do texto menciona a insurreição de São Domingos (Haiti), área de colonização francesa, no Caribe. Identifique uma característica desse acontecimento. 9. (UFES) As revoluções de 1848, chamadas por Marx de “Primavera dos Povos”, pela primeira vez, entre suas causas, combinaram (A) o liberalismo, (B) o nacionalismo e (C) o socialismo. Explique como esses fatores influíram na eclosão revolucionária. 10. (UFRJ) “A Revolução de Fevereiro foi um ataque de surpresa, apanhando desprevenida a velha sociedade, e o povo proclamou esse golpe inesperado como um feito de importância mundial que introduzia uma nova época.”
59VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias (...) “No umbral da Revolução de Fevereiro, a república social apareceu como uma frase, como uma profecia. Nas jornadas de junho de 1848 foi afogada no sangue do proletariado de Paris, mas ronda os subsequentes atos da peça como um fantasma.” (MARX, Karl, “O 18 Brumário e Cartas a Kugelmann”. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 5a. ed., pp. 20 e 110.) O documento anterior refere-se à situação política e social da França entre 1848, época das insurreições dos trabalhadores parisienses e 1851, quando foi golpeada a República e reinstalado o Império. A ideia da luta de classes como motor da História, sustentada por Marx, teria sua fundamentação definitiva quando, no mesmo ano de 1848, lançou com Engels o “Manifesto Comunista”. a) Compare, do ponto de vista das classes sociais, a Revolução de 1848 e a Revolução Francesa de 1789. b) Justifique, através de um argumento, a frase “A Revolução de Fevereiro foi (...) um feito de importância mundial que introduzia uma nova época.” E.O. Enem 1. (Enem) Na imagem do início do século XX, identifica-se um modelo produtivo, cuja forma de organização fabril baseava-se na: a) autonomia do produtor direto. b) adoção da divisão sexual do trabalho. c) exploração do trabalho repetitivo. d) utilização de empregados qualificados. e) incentivo à criatividade dos funcionários. 2. (Enem) O consumo diário de energia pelo ser humano vem crescendo e se diversificando ao longo da História, de acordo com as formas de organização da vida social. O esquema apresenta o consumo típico de energia de um habitante de diferentes lugares e em diferentes épocas. Consumo de energia em diferentes lugares e épocas (escala não linear de tempo) 1 2 3 4 5 6 Alimentação Indústria e Agricultura Moradia e Comércio Transporte 0 8 642 10 12 14 16 18 20 22 Consumo diário per capita (mil kcal) 1 Século XX Um norte-americano 2 Final do Século XIX Um inglês 1.400 d.C. Um europeu 3 4 5.000 a.C. Um habitante da Mesopotâmia 5 100 mil anos Um nômade europeu 6 500 mil anos Um habitante do Leste da África (E. Cooks, Man, Energy and Society) Segundo esse esquema, do estágio primitivo ao tecnológico, o consumo de energia per capita no mundo cresceu mais de 100 vezes, variando muito as taxas de crescimento, ou seja, a razão entre o aumento do consumo e o intervalo de tempo em que esse aumento ocorreu. O período em que essa taxa de crescimento foi mais acentuada está associado à passagem: a) do habitante das cavernas ao homem caçador. b) do homem caçador à utilização do transporte por tração animal. c) da introdução da agricultura ao crescimento das cidades. d) da Idade Média à máquina a vapor. e) da Segunda Revolução Industrial aos dias atuais. 3. (Enem) Se compararmos a idade do planeta Terra, avaliada em quatro e meio bilhões de anos (4,5 × 109 anos), com a de uma pessoa de 45 anos, então, quando começaram a florescer os primeiros vegetais, a Terra já teria 42 anos. Ela só conviveu com o homem moderno nas últimas quarto horas e, há cerca de uma hora, viu-o começar a plantar e a colher. Há menos de um minuto percebeu o ruído de máquinas e de indústrias e, como denuncia uma ONG de defesa do meio ambiente, foi nesses últimos sessenta segundos que se produziu todo o lixo do planeta! O texto, ao estabelecer um paralelo entre a idade da Terra e a de uma pessoa, pretende mostrar que: a) a agricultura surgiu logo em seguida aos vegetais, perturbando desde então seu desenvolvimento. b) o ser humano só se tornou moderno ao dominar a agricultura e a indústria, em suma, ao poluir. c) desde o surgimento da Terra, são devidas ao ser humano todas as transformações e perturbações. d) o surgimento do ser humano e da poluição é cerca de dez vezes mais recente que o do nosso planeta. e) a industrialização tem sido um processo vertiginoso, sem precedentes em termos de dano ambiental.
60VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 4. (Enem) A figura representada por Charles Chaplin critica o modelo de produção do início do século XX, nos Estados Unidos da América, que se espalhou por diversos países e setores da economia e teve como resultado: a) a subordinação do trabalhador à máquina, levando o homem a desenvolver um trabalho repetitivo. b) a ampliação da capacidade criativa e da polivalência funcional para cada homem em seu posto de trabalho. c) a organização do trabalho, que possibilitou ao trabalhador o controle sobre a mecanização do processo de produção. d) o rápido declínio do absenteísmo, o grande aumento da produção conjugado com a diminuição das áreas de estoque. e) as novas técnicas de produção, que provocaram ganhos de produtividade, repassados aos trabalhadores como forma de eliminar as greves. E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. (UERJ) Postal da Exposição de Paris http://upload.wikimedia.org A Exposição de Paris de 1889 centrava-se na “Torre de Gustave Eiffel” com 300 m de altura, mais de 7.000 toneladas e mais de um milhão de rebites. Tinha duas longas galerias devotadas às Belas-Artes e às artes decorativas; por detrás ficava o imponente “Palácio das Máquinas”. Adaptado de http://www.esec-josefa-obidos.rcts.pt As exposições internacionais iniciaram-se em Londres, em 1851. A Torre Eiffel, um dos símbolos da cidade de Paris, foi erguida para a exposição de 1889, comemorativa do centenário da Revolução Francesa. Durante a expansão capitalista europeia, no século XIX, essas exposições tiveram como principal objetivo ressaltar a importância da: a) cooperação financeira franco-britânica. b) modernização tecnológica da produção. c) consolidação das democracias burguesas. d) uniformização dos padrões de desenvolvimento. E.O. UERJ Exame Discursivo 1. (UERJ) PERROT, Michele. (org). História da vida privada: da Revolução Francesa à Primeira Guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 1991. Por volta de 1860/70, a economia capitalista ganha ritmo acelerado, contribuindo para a superação do chamado capitalismo livre-concorrencial. Apesar do progresso, as grandes cidades europeias não estavam isentas de sérios problemas sociais. As cités (vilas), amontoados de barracos, eram as únicas moradias acessíveis para muitos trabalhadores parisienses. Essa situação influiu no significativo aumento da imigração europeia. Aponte um elemento característico das transformações verificadas nas economias capitalistas durante a segunda metade do século XIX e explique como esse processo influenciou o aumento da imigração europeia para a América em finais desse século.
61VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 2. (UERJ) DISCURSO À CÂMARA DOS DEPUTADOS DE PARIS No momento em que estamos, creio que dormimos sobre um vulcão (...). Não ouvis então, por uma espécie de intuição instintiva que não se pode analisar, mas que é certa, que o solo treme de novo na Europa? Não ouvis então ... como direi? ... um vento de revolução que paira no ar? 29 de janeiro de 1848 (TOCQUEVILLE, A. Lembranças de 1848. As jornadas revolucionárias em Paris. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.) As palavras de Tocqueville concretizaram-se ao longo do ano de 1848, marcado por uma série de revoluções que agitaram não só a Europa, como também a América. Em relação a este ano, identifique: a) duas condições relacionadas às camadas populares que contribuíram para a eclosão das revoluções na França; b) um movimento revolucionário ocorrido no Brasil, apontando um fator para sua eclosão. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicampe Unifesp) 1. (Unicamp) Observe a obra do pintor Delacroix, intitulada A Liberdade guiando o povo (1830), e assinale a alternativa correta. a) Os sujeitos envolvidos na ação política representada na tela são homens do campo com seus instrumentos de ofício nas mãos. b) O quadro evoca temas da Revolução Francesa, como a bandeira tricolor e a figura da Liberdade, mas retrata um ato político assentado na teoria bolchevique. c) O quadro mostra tanto o ideário da Revolução Francesa reavivado pelas lutas políticas de 1830 na França quanto a posição política do pintor. d) No quadro, vê-se uma barricada do front militar da guerra entre nobres e servos durante a Revolução Francesa, sendo que a Liberdade encarna os ideais aristocráticos. 2. (Fuvest) No Ocidente, o período entre 1848 e 1875 “é primariamente o do maciço avanço da economia do capitalismo industrial, em escala mundial, da ordem social que o representa, das ideias e credos que pareciam legitimá-lo e ratificá-lo”. E. J. Hobsbawm. A era do capital 1848-1875. A “ordem social” e as “ideias e credos” a que se refere o autor caracterizam-se, respectivamente, como: a) aristocrática e conservadoras. b) socialista e anarquistas. c) popular e democráticas. d) tradicional e positivistas. e) burguesa e liberais. 3. (Unifesp) ... a multiplicação dos confortos materiais; o avanço e a difusão do conhecimento; a decadência da superstição; as facilidades de intercâmbio recíproco; o abrandamento das maneiras; o declínio da guerra e do conflito pessoal; a limitação progressiva da tirania dos fortes contra os fracos; as grandes obras realizadas em todos os cantos do globo graças à cooperação de multidões. (do filósofo John Stuart Mill, em 1830.) O texto apresenta uma concepção: a) de progresso, que foi dominante no pensamento europeu, tendo chegado ao auge com a ‘belle époque’. b) da evolução da humanidade, a qual, por seu caráter pessimista, foi desmentida pelo século XX. c) positivista, que serviu de inspiração a Charles Darwin para formular sua teoria da evolução natural. d) relativista das culturas, a qual considera que não há superioridade de uma civilização sobre outra. e) do desenvolvimento da humanidade que, vista em perspectiva histórica, revelou-se profética. 4. (Unifesp) Signos infalíveis anunciam que, dentro de poucos anos, as questões das nacionalidades, combinadas com as questões sociais, dominarão sobre todas as demais no continente europeu. (Henri Martin, 1847.) Tendo em vista o que ocorreu século e meio depois dessa declaração, pode-se afirmar que o autor: a) estava desinformado, pois naquele momento tais questões já apareciam como parcialmente resolvidas em grande parte da Europa. b) soube identificar, nas linhas de força da história europeia, a articulação entre intelectuais e nacionalismo. c) foi incapaz de perceber que as forças do antigo regime eram suficientemente flexíveis para incorporar e anular tais questões. d) demonstrou sensibilidade ao perceber que aquelas duas questões estavam na ordem do dia e como tal iriam por muito tempo ficar. e) exemplificou a impossibilidade de se preverem as tendências da história, tendo em vista que uma das questões foi logo resolvida.
62VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicampe Unifesp) 1. (Unesp) (A Liberdade guiando o povo. Museu do Louvre, Paris, 1831.) A tela de Eugène Delacroix celebra a revolução de julho de 1830 na França, que derrubou o rei Carlos X e encerrou o período da Restauração. Explique o significado do movimento de 1830 e identifique, através da análise da tela, dois elementos que atestem sua relação com a Revolução de 1789. 2. (Unesp) Os historiadores costumam distinguir a primeira Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra no século XVIII, de uma segunda Revolução, datada do último quartel do século XIX. a) Estabeleça duas distinções entre a 1a e a 2a Revolução Industrial. b) Aponte uma consequência política da 2ª Revolução Industrial. 3. (Fuvest) Viver numa grande cidade implica o reconhecimento de múltiplos sinais. Trata-se de uma atividade do olhar, de uma identificação visual, de um saber adquirido, portanto. Se o olhar do transeunte, que fixa fortuitamente uma mulher bonita e viúva ou um grupo de moças voltando do trabalho, pressupõe um conhecimento da cor do luto e das vestimentas operárias, também o olhar do assaltante ou o do policial, buscando ambos a sua presa, implica um conhecimento específico da cidade. Maria Stella Bresciani, Londres e Paris no século XIX: o espetáculo da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 1982, p.16. Adaptado. O texto mostra como o forte crescimento territorial e demográfico de algumas cidades europeias, no século XIX, redefiniu formas de convivência e sociabilidade de seus habitantes as quais, em alguns casos, persistem até hoje. a) Cite e explique dois motivos do crescimento de cidades como Londres e Paris, no século XIX. b) Indique e analise uma característica, dentre as mencionadas no texto, que se faça presente em grandes cidades atuais. 4. (Unicamp) Um motivo para a melhoria da dieta ao longo do século XIX era que chegavam cada vez mais alimentos do que chamamos de “periferia” da Europa, denominação vaga que engloba a Rússia e a Europa do Leste, como também das zonas de abastecimento do Novo e do Velho Mundo. Grande parte da Europa acabou por beneficiar-se dessas importações, mas os países mais necessitados desses produtos eram aqueles onde a industrialização e o desenvolvimento urbano ocorreram com maior ímpeto, ou seja, Grã-Bretanha, os Países Baixos e a Alemanha. Do Novo Mundo chegavam o açúcar, o café e o cacau, e da China, do Ceilão e da Índia chegavam o chá e o arroz. (Adaptado de Norman J. G. Pounds, La Vida Cotidiana: historia de la cultura material. Barcelona: Editorial Crítica, 1992, p. 507-509.) a) Explique a relação entre o processo de industrialização e importação de alimentos na Europa. b) Por que a dieta europeia melhorou ao longo do século XIX? Gabarito E.O. Aprendizagem 1. D 2. C 3. B 4. A 5. E 6. B 7. B 8. C 9. B 10. A E.O. Fixação 1. B 2. D 3. B 4. E 5. B 6. D 7. E 8. C 9. A 10. A E.O. Complementar 1. E 2. E 3. C E.O. Dissertativo 1. a) A restauração do poder das casas reais, o reordenamento das fronteiras anteriores à Revolução Francesa e a criação da Santa Aliança para conter os movimentos revolucionários. b) A limitação dos poderes do governante por meio de uma Constituição, o direito à propriedade privada e a garantia dos direitos naturais do homem (vida, liberdade e propriedade). 2. a) A Primeira Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra, principalmente na produção têxtil e utilizava como combustível o carvão mineral. A Segunda Revolução Industrial se espalhou pela Europa e pelos Estados Unidos, ampliando a criação de indústrias de bens de produção e apresentou o uso de novas fontes de energia como petróleo e eletricidade. b) A expansão industrial na segunda metade do século XIX levou os países europeus a buscarem novos mercados e fontes de matéria-prima para os seus produtos. Esse processo corresponde à exploração de novos continentes como Ásia e África.
63VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 3. a) A participação operária na Primavera dos Povos resultou na instalação do Governo Provisório logo após a revolução de fevereiro de 1848 e contou com representantes (mesmo em minoria) do pensamento socialista. Esse curto governo colocou em prática as chamadas “oficinas nacionais”, em que se buscava a garantia de emprego para trabalhadores urbanos. b) A onda de revoluções liberais no continente europeu em 1848 teve curta duração, pois a grande quantidade de discursos políticos resultou no rápido controle e repressão por parte da burguesia, que, a partir de então, assumiu uma postura conservadora. Dessa maneira, as concepções socialistas presentes na Primavera dos Povos foram rapidamente reprimidas. 4. a) O candidato poderá responder, dentre outras, o predomínio do trabalho assalariado, a produção de mercadorias em larga escala, a divisão do trabalho marcada pela especialização das tarefas, a concentração de máquinas, ferramentas e mão de obra no mesmo estabelecimento, a alienação do trabalhador diante do processo tecnológico (o trabalhador não possuía mais conhecimento de todas as etapas da produção da mercadoria por ele confeccionada) e o controle mais rigoroso sobre o tempo de trabalho. b) Liberdade de expressão, igualdade de direitos políticos, defesa da propriedade privada, independência dos poderes (executivo, legislativo e judiciário), voto censitário etc. No campo da política econômica, entre outras medidas, defesa da iniciativa privada e da liberdade de mercado. 5. A Revolução de 1848 marca a separação entre os trabalhadores e a burguesia, pois os primeiros desenvolveram uma ideologia própria como o direito à organização de sindicatos, a redução da jornada de trabalho, sufrágio universal, criação de uma república democrática, e etc. Já o segundo grupo, assumiu o controle do poder político e tornou-se conservador. 6. a) O crescimento das cidades e a urbanização acelerada são consequências da Revolução Industrial na Inglaterra do século XIX. A mecanização do campo tirou as opções de trabalho da população camponesa, que migrou em massa para as cidades em busca das oportunidades que essas ofereciam. Além disso, o surgimento do operariado, a organização dos trabalhadores e o socialismo podem ser consideradas consequências da Revolução Industrial por conta das péssimas condições às quais os trabalhadores eram submetidos. b) Os operários eram submetidos a longas jornadas de trabalho que chegavam a 16 horas, péssimas condições de higiene e insalubridade, ausência de legislação trabalhista e exploração de mulheres e crianças que recebiam salários inferiores aos homens. 7. a) Tendo como base o trecho do livro Lembranças de 1848 de Alexis de Tocqueville, os candidatos devem identificar o processo de radicalização da luta entre burgueses e proletários que ocorreu entre fevereiro e junho de 1848 na França. A insurreição de fevereiro de 1848, que provocou a abdicação de Luiz Felipe de Orleans e derivou na proclamação da Segunda República, foi protagonizada por setores pequenoburgueses, operários e estudantes. O governo provisional teve representantes socialistas como Louis Blanc, que promoveu medidas como a limitação da jornada de trabalho a 10 horas. No entanto, no mês de junho, a revolução radicalizou- -se e a pequena-burguesia, até então do lado da classe operária, juntou-se com a alta burguesia. A luta contra o absolutismo se transformou, então, no que Tocqueville chama no texto de “combate de classe” entre burgueses e operários. b) Os candidatos devem explicar a diferença entre a revolução de 1789 , na qual o foco era a luta contra o Antigo Regime, e as insurreições de junho de 1848. Nestas últimas, as demandas das classes trabalhadoras, as ideias socialistas e o questionamento ao direito à propriedade ocuparam o centro da cena. Por isso, além da proclamação da República, o sufrágio universal, a abolição da escravidão das colônias francesas e a liberdade de imprensa, os direitos trabalhistas constituíram demandas fundamentais para as massas operárias que participaram da Revolução de 1848. Entre as conquistas decorrentes dessas demandas, os candidatos podem mencionar a liberdade de associação e de greve, a limitação da jornada de trabalho e a criação por iniciativa dos socialistas das chamadas Oficinas Nacionais; fábricas dirigidas por operários e sustentadas com capital estatal, que tinham como objetivo diminuir o desemprego. 8. a) Nos quadros da expansão industrial, em países europeus, no decorrer do século XIX, a questão social correspondeu ao conjunto de tensões envolvendo os interesses contraditórios entre o operariado fabril, mão de obra assalariada, habitantes dos subúrbios das cidades, e os empresários e negociantes que respondiam pelo controle e pela posse dos empreendimentos industriais. Nas palavras de alguns intelectuais da época, a questão social era a materialização dos conflitos entre CAPITAL e TRABALHO em relações de produção onde a expansão do primeiro se estabelecia a partir da exploração do segundo. Tal conflito, em larga medida, fomentou a criação de associações operárias e a proposição de ideias políticas que denunciavam as condições de exploração do operariado fabril, exigindo mudanças e reparações. O testemunho do negociante francês explicita o quanto tais tensões entre capital e trabalho ameaçavam os interesses dos que eram donos dos estabelecimentos fabris. b) Entre as características da insurreição de São Domingos estão a luta pela emancipação política, a ampla participação dos escravos e a defesa do fim da escravidão.
64VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 9. a) Liberalismo: ideologia burguesa que contestava o Estado Absolutista, desejando a implantação do Estado Liberal mínima presença do Estado na economia. b) Nacionalismo: ideologia que postulava a unificação de povos de mesma origem etno-linguística, como foi o caso da Unificação Italiana e da Unificação Alemã, ou movimentos separatistas como o da Polônia que procurou se libertar do domínio austríaco. c) Socialismo: ideologia proletária que reivindicava a supressão das desigualdades sociais, fim da propriedade privada e controle dos meios de produção pelos trabalhadores. 10. a) Em 1789 a burguesia liderava o processo revolucionário para abrir espaço político, enquanto que em 1848 o povo (a massa popular) teve uma ampla participação contra os abusos da burguesia que mantinha o voto censitário privando o povo de participar da vida política francesa. b) A Revolução de fevereiro de 1848 refletiu-se por todo o mundo, exaltando o ânimo das massas, ansiosas por profundas transformações na sociedade, esta irradiou-se por todo o continente europeu, numa sucessão de eventos que passou à história como “Primavera dos Povos “. Além disso, esta revolução marca a separação entre os trabalhadores e a burguesia, dado que, inspirados pelos ideais liberais, a burguesia havia alcançado o poder e, consequentemente, seus objetivos políticos. Entretanto, os trabalhadores europeus passam a questionar a estrutura política e econômica que sustentava a exclusão política e a exploração econômicas dos operários, resultando na emergência de uma ideologia própria que demandava reformas econômicas, como a aprovação de leis trabalhistas que reconhecessem o direito à organização de sindicatos, a redução da jornada de trabalho e o aumento dos salários, e reformas políticas, como o sufrágio universal. E.O. Enem 1. C 2. E 3. E 4. A E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. B E.O. UERJ Exame Discursivo 1. A modernização da tecnologia aplicada à produção agrícola ampliou o êxodo rural das populações europeias em direção às cidades. No entanto, a migração acelerada não garantia emprego a todos os trabalhadores que migravam para outras regiões do planeta. 2. a) O aumento da inflação na França por conta das péssimas colheitas na década de 40 do século XIX, a condição de trabalho a qual os trabalhadores estavam submetidos e a ausência de direitos políticos por parte da classe trabalhadora levaram à eclosão da Primavera dos Povos na França. b) A Revolução Praieira de 1848, ocorrida dentre outro fatores pelo centralismo político imposto pelo Imperador, a presença portuguesa no comércio da região e o monopólio da exploração da terra por um pequeno grupo. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. C 2. E 3. A 4. D E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. A Revolução de 1830 significou o fim do absolutismo na França com a deposição de Carlos X e o recuo das ideias do Congresso de Viena. A relação com a Revolução Francesa é atestada pela bandeira tricolor empunhada pelos revolucionários e a aliança entre burguesia e trabalhadores urbanos. 2. a) A primeira Revolução Industrial ocorreu em meados do século XVIII na Inglaterra e se caracterizou por uma grande evolução no setor têxtil com uso de máquinas movidas através da queima do carvão. A segunda Revolução Industrial ocorre em meados do século XIX e início do XX, se espalhando por toda Europa Ocidental, Estados Unidos e Japão. Esta fase da Revolução Industrial se caracteriza pelo uso de novas fontes de energia como petróleo e eletricidade e pelo avanço das indústrias de bens de produção. b) A Segunda Revolução Industrial permitiu o desenvolvimento do capitalismo monopolista e a corrida Imperialista dos países europeus pela África e Ásia. 3. a) O principal motivo de crescimento dessas duas cidades foi a industrialização, bastante acentuada no decorrer do século XIX, apesar da revolução industrial na Inglaterra ter-se iniciado no século anterior. A segunda metade do século XIX foi marcada pela 2ª Revolução Industrial, que promoveu não apenas as novas tecnologias, mas também um aumento significativo do número de fábricas e, portanto, de postos de trabalho. A segunda causa é a crise no setor agrário, colocado em segundo plano pelos governantes e burguesia dessas nações e que sofreu a interferência do processo de mecanização, principalmente nas últimas décadas do século, provocando desemprego entre os camponeses que, em um primeiro momento, tendiam a migrar para as grandes cidades. b) No trecho: “(...) o olhar do assaltante ou o do policial, buscando ambos, a sua presa (...)”, podemos
65VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias observar uma situação cada vez mais comum nas grandes cidades, marcadas pelo banditismo e pela organização da criminalidade, com aumento constante da violência urbana em praticamente todas as grandes metrópoles brasileiras, que tem como contrapartida a “ação policial” e a preocupação da sociedade civil. 4. a) O século XIX foi caracterizada por uma divisão internacional do trabalho na qual alguns países (como a Grã-Bretanha, os Países Baixos e a Alemanha) se destacaram na produção de industrializados, enquanto países da periferia da Europa, do Novo Mundo e de áreas coloniais asiáticas se tornaram fornecedores de alimentos. A maior demanda por gêneros alimentícios explica-se em função do crescimento urbano em torno das áreas de atividade fabril. O abastecimento dessas regiões somente pôde ser alcançado em virtude da revolução dos transportes, com o emprego do vapor nos navios e nas locomotivas. b) A melhoria na dieta europeia ocorreu em função de três aspectos básicos: o aumento do poder aquisitivo da burguesia, que buscava o consumo de produtos extra-europeus; a obtenção de novos tipos de alimentos em quantidades cada vez maiores; e o aumento da produtividade no campo e no processamento de alimentos – o primeiro, em função de novas técnicas de adubação, e o segundo, em razão da introdução de máquinas no beneficiamento.
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HISTÓRIA CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 4 HISTÓRIA DO BRASIL
68VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (Espcex) Durante o período conhecido por “República Velha”, para assegurar a manutenção do controle das oligarquias sobre a vida política do país foi criada pelo(a)(s): a) Congresso Nacional a Comissão de Verificação de Poderes. b) Governo Federal a Guarda Nacional, composta de grandes proprietários rurais, que recebiam o título de coronéis. c) presidentes estaduais, verdadeiros exércitos que impunham a vontade popular contra a vontade política dos governantes. d) Presidente da República, Prudente de Morais, primeiro presidente civil e paulista, a política café com leite. e) Constituição dos Estados Unidos do Brasil, o voto de cabresto, que permitia transparência na escolha dos candidatos por parte do eleitor. 2. (Acafe) As culturas da cana-de-açúcar e do café ilustram muito bem alguns aspectos da economia brasileira desde a colônia até o período republicano. Acerca das mesmas e de suas correlações internas e externas é correto afirmar, exceto: a) Há uma clara correlação entre esses dois produtos e o processo de inserção brasileira na economia mundial. De forma geral o Brasil (colônia e depois independente) tornou-se exportador de bens primários. Manufatura e indústria foram atividades secundárias em boa parte da História econômica brasileira. b) Os acordos de Taubaté em 1920 definiram claramente espaços e zonas de produção açucareira e cafeeira no Brasil. Dessa forma, evitava-se a superprodução e a baixa do preço no mercado internacional. c) O autoritarismo e a escravidão foram visíveis aspectos da conformação política e social do Brasil nessas duas atividades agrícolas. As grandes lavouras exportadoras usavam de trabalho escravo e qualquer rebelião ou contestação era reprimida com muita violência. d) Em clara correlação com o perfil produtivo açucareiro e cafeeiro, o latifúndio marcou a conformação da propriedade no Brasil. 3. (PUC-RJ) “É de lá [dos estados] que se governa a República, por cima das multidões que tumultuam, agitadas, nas ruas da capital da União. A política dos estados [...] é a política nacional.” (SALES, Manoel Ferraz Campos. Da propaganda à presidência, 1908). A partir do diagnóstico acima, o presidente Campos Sales (1898-1902) criou a “Política dos Governadores”, esquema político que deu ao país uma estabilidade de configuração oligárquica. Assinale a opção que resume o funcionamento daquela política. a) Pela Constituição republicana de 1891, as pessoas de baixa renda não tinham direito de voto, sendo, portanto, o congresso nacional composto somente por membros das elites e dos sindicatos oficiais. b) A inacessibilidade das camadas populares aos poucos serviços públicos tornava-as dependentes dos chefes locais para o atendimento de suas necessidades básicas, destituindo-as, na prática, da cidadania e, portanto, do exercício do voto. c) A Constituição de 1891 estabeleceu uma tal superposição do executivo federal sobre todas as outras instâncias de poder que os municípios e os estados ficaram alijados da política nacional. d) Os executivos estaduais, apoiados pelo executivo federal, garantiam a eleição dos candidatos oficiais graças às suas ligações com o poder local dos “coronéis”, o que estabeleceu uma cadeia nacional de troca de favores. e) A inexistência de uma legislação trabalhista na Primeira República (1898-1930) afastou os trabalhadores urbanos da vida política, entregando, dessa forma, o comando do Estado brasileiro aos grandes empresários. 4. (Espcex) “O período da história política brasileira que vai de 1889 a 1930 costuma ser designado pelos historiadores de diferentes modos: República Oligárquica, República do ‘Café-com-Leite’, República Velha ou Primeira República. Neste período, em troca de ‘favores’, os coronéis exigiam que os eleitores votassem nos candidatos por eles indicados. Tal prática ficou conhecida como ‘voto de cabresto’”. (COTRIM, 2009, modificado) As duas expressões grifadas (“coronéis” e “voto de cabresto”) referem-se, respectivamente, a) aos grandes proprietários de terras e ao voto secreto. b) aos oficiais de carreira que exerciam cargos políticos e ao voto censitário. c) à influência de oficiais do Exército na tomada de decisões políticas e ao voto censitário. d) aos grandes proprietários de terras e ao voto aberto dado sob pressão. e) aos grandes proprietários de terras e ao voto censitário. REPÚBLICA OLIGÁRQUICA: ASPECTOS POLÍTICOS E ECONÔMICOS COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4 e 5 HABILIDADE(s) 1 ,7, 8, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 21, 22 e 24 CH AULAS 27 E 28
69VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 5. (ESPM) A República dos Estados Unidos do Brasil e a República da Bolívia, animadas do desejo de consolidar para sempre a sua antiga amizade, removendo motivos de ulterior desavença, e querendo ao mesmo tempo facilitar o desenvolvimento das suas relações de comércio e boa vizinhança convieram em celebrar um tratado de permuta de territórios e outras compensações. (Eugênio Vargas Garcia. Diplomacia Brasileira) O texto pertence ao Tratado de Petrópolis concluído em 17 de novembro de 1903. Assinale a alternativa que apresente, respectivamente, o território adquirido pelo Brasil por permuta e uma compensação prometida ao governo da Bolívia de acordo com o tratado. a) Rondônia – Porto de Paranaguá. b) Rondônia – Rodovia Transamazônica. c) Acre – Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. d) Acre – Rodovia Transamazônica. e) Roraima – Estrada de Ferro Norte-Sul. 6. (UFG) Analise o quadro a seguir. Estado Número de trabalhadores Ano 1907 Ano 1920 São Paulo 24186 83998 Rio Grande do Sul 15426 24661 Rio de Janeiro 13632 16796 Pernambuco 12042 15761 Minas Gerais 9405 18522 Total no Brasil 149018 275514 CARONE, Edgar. República Velha: instituições e classes sociais. São Paulo: Difel, 1972. p. 77. (Adaptado). O quadro apresentado registra o aumento no número de trabalhadores por estado no Brasil, de 1907 para 1920. Considerando-se o contexto histórico e os dados do quadro, conclui-se que o referido aumento deveu-se: a) à valorização da produção leiteira em Minas Gerais, que transformou a produtividade nos latifúndios voltados à indústria de laticínios. b) ao crescimento demográfico no Rio Grande do Sul, que recebeu imigrantes platinos em razão da desindustrialização provocada pela Guerra do Paraguai. c) à dinamização da produção com novas contratações na região do Vale do Paraíba no Rio de Janeiro, que decorreu da ampliação da exportação de café. d) ao investimento no potencial turístico de Pernambuco, que demandou mão de obra interna para a prestação de serviços. e) ao impulso do desenvolvimento das indústrias em São Paulo, que implicou no fortalecimento do movimento operário e das greves na capital paulista. 7. (UECE) No Brasil, o Coronelismo, fenômeno político da Primeira República, tinha como uma de suas principais prerrogativas a: a) limitação do exercício da cidadania, com o voto de cabresto, que assegurava o controle do voto. b) autonomia política resultante da organização da economia rural da época. c) prática da cidadania política vinculada à estrutura social dominante no período. d) adoção de valores éticos para o atendimento das demandas políticas da sociedade. 8. (Mackenzie) Os reflexos da Primeira Guerra Mundial para economia brasileira, durante o governo de Wenceslau Brás (1914–1918), ocasionaram: a) o aumento do déficit orçamentário, pois para corrigir os problemas financeiros do governo anterior, Wenceslau Brás teve de recorrer a um novo Funding Loan. b) a ampliação da produção industrial brasileira e a criação de novas fábricas para suprir o mercado nacional, devido à queda das importações de produtos industrializados estrangeiros. c) a sensível diminuição na produção industrial brasileira, devido à enorme evasão de mão de obra das indústrias, pois grande contingente de operários foi enviado, como soldados, para lutar no conflito. d) o aumento de empréstimos e investimentos em diversos setores da nossa economia, por parte de banqueiros e industriais estrangeiros que, temerosos dos rumos do conflito mundial, passaram a investir no país. e) a drástica redução dos investimentos no setor industrial e a queda de sua produção, uma vez que o governo brasileiro incentivou os produtores agrícolas a aumentarem suas safras a fim de abastecer o mercado externo. 9. (PUC-RS) Associe os nomes dos Presidentes do Brasil durante a República Velha (coluna 1) às principais características de seus respectivos governos (coluna 2). Coluna 1 1. Campos Sales 2. Rodrigues Alves 3. Hermes da Fonseca 4. Arthur Bernardes Coluna 2 ( ) Paulistano, foi o terceiro presidente civil do Brasil; durante o seu governo, ocorreram as famosas reformas urbanas do Rio de Janeiro, e o país apresentou considerável crescimento econômico, com a exportação de bens primários. Enfrentou a Revolta da Vacina. ( ) Militar, derrotou o baiano Rui Barbosa durante a campanha eleitoral que o elegeu. Em seu governo, enfrentou diversas rebeliões internas, como a Revolta da Chibata, na qual marinheiros lutaram contra as más condições de trabalho, e a Guerra do Contestado, ocorrida em Santa Catarina. ( ) Foi responsável por promover a estratégia de sucessão presidencial conhecida como política “Café com Leite”, na qual os dois principais Estados da Federação,
70VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias São Paulo (Café) e Minas Gerais (Leite), revezavam-se na Presidência da República. Procurou também sustentação no Congresso pela Política dos Governadores. ( ) Mineiro, teve um mandato conturbado, no qual ocorreram várias revoltas, como o Movimento Tenentista; por isso, governou o país em “estádio de sítio” por vários anos. No plano econômico, foi responsável por uma política que procurou nacionalizar os recursos naturais do país, controlando a exploração do subsolo. ( ) Durante o seu governo, adotou uma política de saneamento econômico no Brasil, combatendo a alta inflação e o déficit público. Para tanto, renegociou a dívida externa brasileira, num acordo chamado Funding Loan, cortou despesas, aumentou impostos e promoveu a valorização da moeda nacional. O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) 1 – 2 – 4 – 3 – 3 b) 2 – 3 – 1 – 4 – 1 c) 2 – 3 – 2 – 4 – 1 d) 4 – 2 – 3 – 1 – 4 e) 4 – 2 – 1 – 3 – 4 10. (Acafe) Mesmo após a queda da monarquia em 1889, o Brasil estava longe de ter um governo democrático e com eleições gerais. Ao longo da história política da República, ocorreram permanências e mudanças no sistema eleitoral. Nesse contexto é correto afirmar, exceto: a) Durante a República Velha (1889-1930), o voto censitário evidenciava o controle do coronelismo em muitos municípios do nordeste brasileiro. b) Na constituição de 1934 foi efetivado o voto feminino e a votação passou a ser secreta. c) Durante a vigência do Estado Novo (1937-1945) as eleições para os governos estaduais e para a presidência do Brasil ficaram suspensas. d) No governo de João Figueiredo, durante o governo militar, ocorreram eleições diretas para governadores dos estados e para prefeitos. E.O. Fixação 1. (FGV-RJ) A história da construção do Estado brasileiro na primeira metade do século XIX foi a história da tensão entre unidade e autonomia. Por outro lado, no interior do Estado, de elites com fortes vínculos com os interesses de sua região de origem e ao mesmo tempo comprometidas com uma determinada política nacional, pautada pela negociação destes interesses e pela manutenção da exclusão social, marcou não apenas o século XIX, como também o século XX. Através do parlamento essas elites regionais têm imposto uma determinada dinâmica para o jogo político que se materializa na imensa dificuldade de empreender reformas sociais profundas. Dolhnikoff, Miriam. O pacto imperial. As origens do federalismo no Brasil. São Paulo: Globo, 2005, p. 11-12. De acordo com o ponto de vista apresentado no texto: a) a história brasileira é marcada por práticas de tolerância política acentuadas nas últimas décadas com a redemocratização do país. b) o parlamento é a única instituição política imune aos interesses e ao controle das elites regionais brasileiras. c) as profundas reformas sociais só foram possíveis graças às transformações políticas ocorridas na primeira metade do século XIX no Brasil. d) a dinâmica política do Estado nacional se constituiu com base em negociações entre as elites regionais e a exclusão social de outros setores. e) as características descritas sobre o Estado revelam a supremacia do Poder Judiciário sobre o Poder Legislativo na história política brasileira. 2. (FGV) O conhecimento da industrialização no Brasil, isto é, das formas particulares da industrialização no Brasil, deve estar, explícita ou implicitamente, apoiado na análise das relações entre o café e a indústria. E a análise correta dessas relações é impossível se considerarmos café e indústria como elementos opostos. É indispensável reunir café e indústria como partes da acumulação de capital no Brasil; mais precisamente, como partes das novas formas de acumulação cuja formação encontra as suas origens na década de 1880 a 1890. (Sérgio Silva, Expansão cafeeira e origens da indústria no Brasil) No contexto do Brasil da passagem do século XIX para o XX, acerca das relações entre a produção cafeeira e a indústria, é correto considerar que: a) o avanço da produção industrial foi inversamente proporcional ao crescimento da produção cafeeira, uma vez que a entrada de recursos derivada da exportação de café era reaplicada apenas na produção cafeeira. b) a ampliação do trabalho livre permitiu que parcelas dos capitais acumulados fossem investidas nas atividades industriais, desse modo, a economia cafeeira e a indústria fazem parte de um mesmo processo de desenvolvimento. c) os empresários ligados à produção e exportação do café tinham representação política hegemônica e seus interesses eram defendidos pelo Estado brasileiro, que impedia a inversão de capitais cafeeiros na indústria. d) os interesses dos cafeicultores e os dos industriais eram excludentes, visto que, com a expansão cafeeira, as maciças exportações desse produto atrapalharam os investimentos na indústria. e) a exportação cafeeira atrelou o comércio externo brasileiro às importações de produtos industrializados da Europa e dos Estados Unidos, impedido o desenvolvimento da indústria no Brasil antes de 1930. 3. (ESPM) A partir do fim do século XIX, a cotação do café no mercado internacional havia começado a cair, pois outros países também produziam café. O excesso de oferta do produto derrubou os preços. Os produtores brasileiros não se conformavam com a queda na cotação do produto. Em 1906, os governadores de São
71VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reuniram-se para tratar da situação. (Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação) Assinale a alternativa que apresente respectivamente o nome da reunião mencionada no texto, bem como a política dela derivada: a) Convênio de Taubaté – fechamento da Caixa de Conversão; b) Convênio de Taubaté – compra do excedente pelo governo a fim de manter o equilíbrio entre oferta e procura; c) Pacto de Pedras Altas – manutenção do preço mínimo por saca; d) Pacto de Pedras Altas – empréstimos externos de 15 milhões de libras; e) Tratado de Petrópolis – queima dos estoques excedentes. 4. (Mackenzie) Sabendo-se que as personagens retradas na charge são dois ex-presidentes do Brasil – o da esquerda, Campos Sales (1898-1902), e o da direita, Ernesto Geisel (1974- 1979), e ainda que o primeiro governou durante a vigência da República das Oligarquias (1894-1930) e o segundo durante o Regime Militar (1964-1985), a ironia consiste no (a): a) fato de que os dois presidentes adotaram práticas autoritárias. Campos Sales foi o responsável pelo início do militarismo na República brasileira. Geisel, por sua vez, iniciou a intervenção do Executivo nas eleições para o Legislativo. b) percepção de que os dois instituíram práticas antidemocráticas no Brasil. O primeiro, a não diplomação de deputados federais oposicionistas à “Política dos Governadores”. O segundo, a determinação de eleições indiretas para senadores, dentro do chamado “Pacote de Abril”. c) certeza de que ambos adotaram medidas autoritárias. Porém, é correto afirmar, ao mesmo tempo, que se deve a Geisel a percepção de que medidas autoritárias não seriam mais toleradas no Brasil, por isso o hipotético diálogo com Campos Sales, e a crítica feita às práticas desse. d) dúvida gerada pelo diálogo. Não fica claro se foi o primeiro o responsável pela criação de medidas antidemocráticas, ou se foi o segundo. Ao mesmo tempo, percebe-se a inclinação democrática do governo Geisel, referindo-se à eleição direta dos “senadores biônicos”. e) percepção de que os governos de ambos instituíram medidas antidemocráticas. Campos Sales foi o responsável pelo início da “República do Café com Leite”. Já Geisel, o responsável pelo período de maior perseguição aos opositores, legalizada pela criação dos “senadores biônicos”. 5. (FGV) Sobre a gênese das fronteiras brasileiras, assinale a alternativa correta: a) O Tratado de Madri, assinado em 1750, definiu cerca de 2/3 da extensão total das atuais fronteiras brasileiras. b) Todas as fronteiras delimitadas durante o período imperial se originaram de conflitos armados. c) Uma parcela das linhas internacionais de fronteiras da área amazônica foi delimitada após a proclamação da República. d) O atual traçado das fronteiras brasileiras já estava plenamente configurado em 1900. e) Em nenhum período, o governo brasileiro recorreu ao arbitramento internacional para resolver questões fronteiriças. 6. (UFU) No final do governo de Prudente de Moraes (1894-8), ficou evidente que a liberdade do Executivo, do Legislativo e dos poderes estaduais não tendia ao equilíbrio institucional, gerando conflitos de soberania e, por extensão, incerteza. Com relação a esse dilema, já antes da eleição, e através de seu Manifesto eleitoral, redigido em 1897, Campos Sales defendia a seguinte teoria: os Estados são autônomos, o Parlamento é digno e fundamental, mas quem manda é o presidente. Para tal, uma vez eleito, é necessário entender-se com os chefes estaduais e controlar o congresso. LESSA, Renato. O pacto dos estados. Revista de História da Biblioteca Nacional. Edição Número 05. Rio de Janeiro, Novembro de 2005, p.39. (adaptado) Para o autor do texto, o pacto político proposto por Campos Sales consolidou as normas de funcionamento da República Velha, vigentes no Brasil até 1930. Por sua particular maneira de organizar a política, esta nova ordem republicana resultava: a) na abolição do pacto federativo, proposta já na Constituição de 1891. b) no revezamento das diferentes regiões do país na presidência. c) no enfraquecimento das instituições representativas clássicas. d) na consolidação dos grupos oposicionistas nas instâncias governamentais.
72VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 7. (UFRN) Na obra Raízes do Brasil, publicada pela primeira vez em 1936, Sérgio Buarque de Holanda, ao analisar o processo histórico de formação da nossa sociedade, afirma: Desde o período colonial, para os detentores dos cargos públicos, a gestão política apresentava-se como assunto de seus interesses particulares. Isso caracteriza justamente o que separa o funcionário patrimonial e o puro burocrata. Para o funcionário patrimonial, as funções, os empregos e os benefícios que deles recebe relacionam-se a direitos pessoais dos funcionários e não a interesses objetivos, como ocorre no verdadeiro Estado burocrático. Assim, no Brasil, pode-se dizer que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. [Adaptado]. Considerando as reflexões do autor e levando em conta práticas políticas constatadas no Brasil Republicano, é possível inferir que : a) os limites entre os domínios do público e do privado, no âmbito da administração pública, se confundem, não obstante as leis que visam a combater o patrimonialismo. b) o patrimonialismo está presente nas regiões mais carentes do País, em razão apenas do baixo nível de formação dos quadros da administração pública. c) as estruturas do poder administrativo no Brasil permanecem as mesmas do período colonial, daí a manutenção do patrimonialismo disseminado na sociedade. d) o predomínio do interesse particular sobre o interesse público, no Brasil, foi efetivamente rompido com o êxito da Revolução de 1930. 8. (Fatec) Entre as principais características do modelo político adotado no Brasil durante a República Velha (1889-1930), destacaram-se: a) a política do Regresso Conservador, o militarismo e o voto censitário. b) a “política dos governadores”, o coronelismo e o “voto de cabresto”. c) o “parlamentarismo às avessas”, o clientelismo e o voto a descoberto. d) a “política do café com leite”, o coronelismo e o voto secreto censitário. e) a política de valorização do café, o populismo e o voto universal. 9. (ESMP) Em 2012 se completa o centenário do desaparecimento de um dos mais influentes brasileiros do século passado. A seu respeito leia o que declararam alguns outros importantes brasileiros que foram seus contemporâneos: Um nome universal: uma reputação imaculada; uma glória brasileira; serviços incomparáveis; popularidade sem rival; o hábito de ver os interesses nacionais do alto, acima do horizonte visual dos partidos. (Rui Barbosa) Felizmente continuo a olhar para o ministro a quem tenho servido com a mesma admiração e simpatia. Único grande homem vivo desta terra, traça na universal chateza destes dias uma linha superior e firme de estadista. (Euclides da Cunha) O brasileiro em questão exerceu a função de chanceler do Brasil e representou o país na negociação do Tratado de Petrópolis em que foi negociada a incorporação ao Brasil de um território. Assinale a alternativa que traga, respectivamente, o chanceler e o território: a) Joaquim Nabuco – Amapá; b) Lauro Müller – Rondônia; c) Barão do Rio Branco – Acre; d) Afrânio de Mello Franco – Território das Missões; e) José Carlos de Macedo Soares – Roraima. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Um pensamento liberal moderno, em tudo oposto ao pesado escravismo dos anos 1840, pode formular-se tanto entre políticos e intelectuais das cidades mais importantes quanto junto a bacharéis egressos das famílias nordestinas que pouco ou nada poderiam esperar do cativeiro em declínio. (BOSI, Alfredo. Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 224) 10. (PUC-CAMP) O poder local exercido por um reduzido número de famílias abastadas, não apenas nas províncias nordestinas, como o texto indica, mas em todo o território brasileiro, manteve-se após a proclamação da República e contribuiu para que alguns historiadores denominassem de “oligárquica” essa fase do período republicano. Em nível nacional, o favorecimento do poder das oligarquias se evidenciava, nessa época, a) no formato das eleições, que prescindiam do voto secreto e admitiam a participação e a candidatura de cidadãos analfabetos. b) no combate a movimentos populares como o cangaço, que vinham causando o fim do coronelismo no interior do país. c) na existência de uma Comissão de Verificação de Poderes, que, a cada eleição, redistribuía os poderes do Legislativo, Executivo e Judiciário. d) na nomeação de interventores junto aos governos estaduais, pelo presidente, a fim de garantir que os interesses das principais oligarquias fossem atendidos. e) na política dos governadores, baseada em acordos de colaboração política entre a presidência e os governos estaduais, localmente amparados pela ação de “coronéis”.
73VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Complementares 1. (UPF) A República Velha (1889-1930) no Brasil teve na chamada “Política dos Governadores” um dos seus elementos mais caracterizadores. O objetivo desta política era: a) Fortalecer o poder central diante do fortalecimento das oligarquias estaduais. b) Dissolver as oligarquias rurais, concentrando o poder nos governos estaduais. c) Promover o fortalecimento da Federação do Brasil, dividindo o poder entre Estados fortes e fracos no país. d) Enfraquecer as alianças oligárquicas estaduais que comprometessem nas eleições a sucessão presidencial. e) Harmonizar os interesses dos Estados mais ricos, ao mesmo tempo em que favorecia os objetivos do poder central em relação à política nacional. 2. (Unimontes) Campos Sales governou o Brasil entre 1898 e 1902. Em sua presidência, foi consolidada a República Liberal Oligárquica Brasileira. Acerca de sua atuação no governo, pode-se afirmar que: a) concebeu o arranjo que garantiu um acordo entre a União e os Estados, colocando fim nas hostilidades entre Executivo e Legislativo. b) implantou a chamada política do “Café com leite”, que consistia na alternância de paulistas e mineiros no poder. c) governou por meio de Decretos, marginalizando o poder legislativo e limitando o funcionamento da Constituição de 1891. d) criou o sistema coronelista, garantindo a hegemonia política dos grandes proprietários de terras. 3. (Fac. Albert Einstein - Medicin 2018) Em 1919, o presidente eleito Rodrigues Alves foi uma das vítimas da epidemia que matou por volta de 35 mil pessoas no Brasil e cerca de 50 milhões, entre 1918 e 1920, em todo o mundo. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a doença mortal e seus impactos na cidade do Rio de Janeiro: a) A peste bubônica, que se alastrou entre os combatentes da 1ª Guerra mundial, atingiu os grupos de brasileiros ligados ao exército e à política na capital do país, o que implicou o isolamento de partes da cidade para impedir a disseminação. b) O sarampo, uma doença comum entre as crianças, tornou-se mortal entre os adultos, mesmo com o fechamento das escolas da capital e o rápido atendimento das crianças, o que a médio prazo erradicou a doença infectocontagiosa da cidade. c) A tuberculose, conhecida como o “mal do século”, alastrou-se no Rio de Janeiro em função das más condições de alimentação e pobreza da população, e foi enfrentada pelos governantes com a quarentena dos infectados em cidades como Petrópolis. d) A gripe espanhola, doença que assolou os países europeus durante a 1ª Guerra, atingiu também a população brasileira, levando o governo da capital a contratar um grupo de higienistas para combater a disseminação da doença. 4. (UFPA) Borracha e borracheiro, segundo o dicionário Houaiss, podem significar: “Borracha: substância elástica e impermeável, resultante da coagulação do látex de vários vegetais, esp. de árvores dos gên. Hevea e Ficus, com propriedades diversas e inúmeros usos industriais, segundo os vários tipos de tratamento a que é submetida; caucho, goma-elástica”. “Borracheiro: 1) aquele que produz, industrializa ou vende borracha (‘substância’) 2) Regionalismo: Brasil. indivíduo que repara e/ou vende pneus; 3) Regionalismo: Norte do Brasil. m.q. seringueiro (‘trabalhador’). Houaiss (Dicionário da Língua portuguesa. Verbetes Borracha e borracheiro. Versão digital, SP: Instituto Antônio Houaiss, Editora Objetivo, 2009). Os verbetes acima esclarecem os significados do termo “borracha” no Brasil. Um desses significados põe em evidência o Norte do país, em que a palavra tem um emprego diferenciado historicamente porque: a) o norte do Brasil teve um contato mais próximo com a produção do látex e, nesta região, a palavra borracheiro passou a significar mais do que a produção da borracha em si, definindo também o seu produtor (trabalhador), o seringueiro. b) o Brasil, como um todo, conheceu a borracha como um produto que se industrializa, pois esse produto era extraído da Amazônia e industrializado no Centro Sul. Assim, no Norte o significado da borracha ligou-se ao campo do trabalho e no Sul vinculou-se ao da produção. c) o Norte do Brasil percebe a goma elástica de maneira mais ampla e correta, pois, distinguindo-se do resto do Brasil, os nortistas conhecem o processo de produção e trabalho com o látex, diferentemente do que ocorre com os nordestinos e sulistas. d) o Centro-Sul do Brasil visualiza a borracha em seus produtos como os pneus; já o povo do Norte e Centro- -Oeste percebem o produto em todo o seu processo produtivo, desde a extração do látex até a sua produção e comercialização. e) o Centro-Sul do Brasil é o reduto da produção e do trabalho com o látex, por isso o significado da palavra é mais amplo. Já no Norte e Nordeste apenas se sabe que a borracha tem utilidades como a fabricação do pneu, o que justifica o uso mais simplificado da palavra. 5. (Pucrj 2018) “Em que pese os centralistas, o verdadeiro público que forma a opinião e imprime direção ao sentimento nacional é o que está nos Estados. É de lá que se governa a República, por cima das multidões que tumultuam, agitadas, as ruas da Capital Federal.” CAMPOS SALLES, Manuel Ferraz de. Da propaganda à presidência. Brasília: UNB, 1983, p. 127. Nessa passagem, o presidente Campos Salles (1898-1902) sintetiza a estrutura de funcionamento político formulada em seu governo para a Primeira República brasileira. Sobre essa estrutura, assinale a alternativa correta: a) O comando da política republicana estava exclusivamente nas mãos dos coronéis que controlavam os municípios de acordo com seus interesses particulares.
74VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias b) A despeito dos acordos políticos inerentes ao pacto oligárquico, o livre exercício do voto e a participação eleitoral possibilitavam a constante alternância de poder. c) Os últimos anos foram marcados por diversas tensões e sérios conflitos como a Revolta da Armada e a Revolução Federalista ocorrida no Rio Grande do Sul. d) Os debates e as articulações políticas na Capital Federal foram incentivados, valorizando-se, assim, um dos princípios republicanos fundamentais. e) A concessão de verbas somada às interferências no processo eleitoral garantiam a perpetuação das oligarquias estaduais e seu apoio à política do governo federal. E.O. Dissertativo 1. (UFBA) Tendo como foco o caráter dependente da economia brasileira, resultante do seu processo histórico, apresente uma informação relativa a essa dependência: a) Na República Velha (1889-1930); b) No Período Desenvolvimentista (década de 1950). 2. (UFTM) Observe a charge de Raul, publicada na Revista da Semana em 03 de março de 1917, no Rio de Janeiro. a) A que situação política a charge faz referência? b) Cite e comente duas características do processo eleitoral nesse período. 3. (UFRJ) Porcentagem de votantes nas eleições presidenciais entre 1894 e 1930: Candidato vencedor Nº de votantes (em milhares) % de votantes sobre a população Prudente de Morais (1894) 345 2,2 Campos Sales (1898) 462 2,7 Rodrigues Alves (1902) 645 3,4 Afonso Pena (1906) 294 1,4 Hermes da Fonseca (1910) 698 3,0 Venceslau Brás (1914) 580 2,4 Rodrigues Alves (1918) 390 1,5 Epitácio Pessoa (1919) 403 1,5 Artur Bernardes (1922) 833 2,9 Washington Luís (1926) 702 2,3 Júlio Prestes (1930) 1890 5,6 Fonte: adaptado de Carvalho, José Murilo de. “Os três povos da República”. In: Carvalho, Maria Alice Resende de (org). República no Catete. Rio de Janeiro: Museu da República, 2001, p. 72. Os dados eleitorais presentes na tabela indicam uma pequena participação popular nas eleições presidenciais na Primeira República (1890-1930). Identifique duas restrições impostas pela Constituição de 1891 ao exercício do voto. 4. (UFRJ) “O regime que preconizamos, de evolução natural, sem nenhuma pressão sistemática sobre sua alma, dará ao índio a capacidade de melhor aproveitar os dotes naturais da raça no que diz respeito às suas qualidades primordiais de caráter. Em consequência, melhores elementos para bem servir à Pátria no que ela mais precisa: guarda de suas fronteiras e respectiva defesa; ali o encontraria o Exército.” (Relatório do coronel-chefe do SPI (Serviço de Proteção ao Índio) ao Ministro da Agricultura e aos membros da Comissão Nacional de Proteção ao Índio, em 30 de dezembro de 1939. Rio de Janeiro, acervo do Museu do Índio – FUNAI) Identifique, a partir do documento acima, uma das bases do pensamento característico desse período da vida política brasileira. 5. (UFRJ) “A consolidação da República liberal (1889- 1930) foi completada com a sucessão de Prudente de Morais (1894-1898) por outro paulista, Campos Sales (1898-1902), que em seu governo concebeu um arranjo conhecido como política dos governadores”. Fonte: Adaptado de FAUSTO, Boris. “História do Brasil”. São Paulo: Edusp, 1995, p.258. Apresente duas características da chamada Política dos Governadores. 6. (UFPA) Eneida de Moraes, escritora paraense, em suas memórias registrou: “No meu tempo de menina, com a borracha alta, as elegantes de Belém mandavam buscar na Europa vestidos especiais para as noites de Festa de Nazaré. E desfilavam no Largo, como em passarelas”. (Eneida de MORAES. “Banho de Cheiro”. Belém: SECULT; FCPTN, 1989, p. 216) Considerando esse registro de memória e seus conhecimentos sobre a história do Pará, responda: Que motivos concorreram para que a borracha estivesse em alta no tempo em que Eneida de Moraes era menina?
75VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 7. (UFRRJ) “Convênio entre os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, para o fim de valorizar o café, regular o seu comércio, promover o aumento do seu consumo e a criação da Caixa de Conversão, fixando o valor da moeda. Art. 1°. - Durante o prazo que foi conveniente, os Estados contratantes obrigam-se a manter nos mercados nacionais, o preço mínimo de 55 a 65 fr. em ouro, em moeda corrente do país, ao câmbio do dia, por saca de 60 quilos de café (...).” [“Documentos Parlamentares. Valorização do Café, tomo I”, (1895- 1906). RJ: Tipografia do Jornal do Comércio, 1915, p.228.] O ano de 2006 assinala os cem anos da assinatura do Convênio de Taubaté, marco fundamental das políticas de valorização do café que se reproduziram até o final dos anos 20 do século passado. a) Explique como seria alcançado o objetivo formulado no art. 1º. b) Aponte as razões que impediram a continuidade das valorizações do café, tal qual se davam, até então, a partir do final dos anos 20. 8. (UFRJ) Fonte: FREIRE, Américo et al. “História em curso (o Brasil e suas relações com o mundo ocidental)”. Rio de Janeiro, Editora do Brasil: FGV/CPDOC, 2004, p.257. A tabela acima mostra que, durante a República Velha, o café era o principal produto da pauta de exportações do Brasil. O chamado Convênio de Taubaté (1906) proveu os cafeicultores de importantes mecanismos para a continuidade da hegemonia do café dentre os produtos exportados pelo Brasil. Cite duas iniciativas estabelecidas pelo Convênio de Taubaté que visavam à valorização dos preços do café. 9. (UFRRJ) Maria Isaura Pereira de Queirós resumiu da seguinte forma a estrutura coronelista como fundamento do poder político da Primeira República no Brasil: A pergunta: “Quem é você?” recebia invariavelmente a resposta: “Sou gente do coronel fulano”. Esta maneira de redarguir dava imediatamente a quem ouvia as coordenadas necessárias para conhecer o lugar sócio-econômico do interlocutor, além de sua posição política. O termo “gente” indicava primeiramente que não se tratava de alguém do mesmo nível que o “coronel” ou sua família; caso contrário, o parentesco seria invocado logo de início para situar o indivíduo dentro do grupo (diria por exemplo “sou primo do coronel Fulano”). QUEIRÓS, M. I. P. de. “O coronelismo numa interpretação sociológica.” In: Fausto, Boris (org.). História Geral da Civilização Brasileira. v. 8. São Paulo: Difel, 1985, p. 185. a) Aponte duas características do coronelismo. b) Comente a importância do coronelismo para a “Política dos governadores”. 10. (UFV) No carnaval carioca de 1997, o júri escolheu como melhor samba-enredo o da “Acadêmicos do Grande Rio”, cuja letra foi inspirada em um fato histórico importante. Leia o trecho da letra do samba a seguir e responda: “Sonha, a Grande Rio é um sonho Em águas claras eu quero sonhar Enfeitar a vida de alegria Pra quem um dia o sol quis despertar Chegaram cheios de esperança Não sabiam dos mistérios que teriam que enfrentar Essa mata tem segredos que o homem não consegue desvendar É um mundo de encanto e magia, perfume e fantasia Cicatriz que a Amazônia fez chorar Olha o índio no caminho, é caçador Meu cavalo é de fogo, eu vou que vou Se a selva é perigosa, meu amor Rondônia é alegria, esqueça a dor (Foi assim) Era o eldorado do látex no Brasil A riqueza que a cobiça alimentou Nessa história o Tio Sam também entrou No tratado de Petrópolis tudo começou O Acre da Bolívia ganhei E a borracha para o mundo exportei Cada dormente é uma vida, a vida em flor Na Maria Louca delirando eu vou Em sucata o meu sonho terminou Vou voltar para onde não fui...”. (Autores: SABARÁ, MURALHA, JARBAS da CUÍCA e GRAJAÚ) a) Qual é o fato histórico abordado no trecho acima? b) Transcreva duas passagens, da letra acima, em que fica bem caracterizado esse fato histórico. E.O. Enem 1. (Enem) Até que ponto, a partir de posturas e interesses diversos, as oligarquias paulista e mineira dominaram a cena política nacional na Primeira República? A união de ambas foi um traço fundamental, mas que não conta toda a história do período. A união foi feita com a preponderância de uma ou de outra das duas frações. Com o tempo, surgiram as discussões e um grande desacerto final. FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: EdUSP, 2004 (adaptado).
76VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias A imagem de um bem-sucedido acordo café com leite entre São Paulo e Minas, um acordo de alternância de presidência entre os dois estados, não passa de uma idealização de um processo muito mais caótico e cheio de conflitos. Profundas divergências políticas colocavam-nos em confronto por causa de diferentes graus de envolvimento no comércio exterior. TOPIK, S. A presença do estado na economia política do Brasil de 1889 a 1930. Rio de Janeiro: Record, 1989 (adaptado). Para a caracterização do processo político durante a Primeira República, utiliza-se com frequência a expressão Política do Café com Leite. No entanto, os textos apresentam a seguinte ressalva a sua utilização: a) A riqueza gerada pelo café dava à oligarquia paulista a prerrogativa de indicar os candidatos à presidência, sem necessidade de alianças. b) As divisões políticas internas de cada estado da federação invalidavam o uso do conceito de aliança entre estados para este período. c) As disputas políticas do período contradiziam a suposta estabilidade da aliança entre mineiros e paulistas. d) A centralização do poder no executivo federal impedia a formação de uma aliança duradoura entre as oligarquias. e) A diversificação da produção e a preocupação com o mercado interno unificavam os interesses das oligarquias. 2. (Enem) A charge, datada de 1910, ao retratar a implantação da rede telefônica no Brasil, indica que esta: a) permitiria aos índios se apropriarem da telefonia móvel. b) ampliaria o contato entre a diversidade de povos indígenas. c) faria a comunicação sem ruídos entre grupos sociais distintos. d) restringiria a sua área de atendimento aos estados do norte do país. e) possibilitaria a integração das diferentes regiões do território nacional. 3. (Enem) O problema central a ser resolvido pelo Novo Regime era a organização de outro pacto de poder que pudesse substituir o arranjo imperial com grau suficiente de estabilidade. O próprio presidente Campos Sales resumiu claramente seu objetivo: “É de lá, dos estados, que se governa a República, por cima das multidões que tumultuam agitadas nas ruas da capital da União. A política dos estados é a política nacional”. CARVALHO, J. M. Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987 (adaptado). Nessa citação, o presidente do Brasil no período expressa uma estratégia política no sentido de: a) governar com a adesão popular. b) atrair o apoio das oligarquias regionais. c) conferir maior autonomia às prefeituras. d) democratizar o poder do governo central. e) ampliar a influência da capital no cenário nacional. 4. (Enem) No final do século XIX, as Grandes Sociedades carnavalescas alcançaram ampla: popularidade entre os foliões cariocas. Tais sociedades cultivavam um pretensioso objetivo em relação à comemoração carnavalesca em si mesma: com seus desfiles de carros enfeitados pelas principais ruas da cidade, pretendiam abolir o entrudo (brincadeira que consistia em jogar água nos foliões) e outras práticas difundidas entre a população desde os tempos coloniais, substituindo-os por formas de diversão que consideravam mais civilizadas, inspiradas nos carnavais de Veneza. Contudo, ninguém parecia disposto a abrir mão de suas diversões para assistir ao carnaval das sociedades. O entrudo, na visão dos seus animados praticantes, poderia coexistir perfeitamente com os desfiles. PEREIRA, C. S. Os senhores da alegria: a presença das mulheres nas Grandes Sociedades carnavalescas cariocas em fins do século XIX. In: CUNHA, M. C. P. Carnavais e outras frestas: ensaios de história social da cultura. Campinas: Unicamp; Cecult, 2002 (adaptado). Manifestações culturais como o carnaval também têm sua própria história, sendo constantemente reinventadas ao longo do tempo. A atuação das Grandes Sociedades, descrita no texto, mostra que o carnaval representava um momento em que as: a) distinções sociais eram deixadas de lado em nome da celebração. b) aspirações cosmopolitas da elite impediam a realização da festa fora dos clubes. c) liberdades individuais eram extintas pelas regras das autoridades públicas. d) tradições populares se transformavam em matéria de disputas sociais. e) perseguições policiais tinham caráter xenófobo por repudiarem tradições estrangeiras. 5. (Enem) Nos estados, entretanto, se instalavam as oligarquias, de cujo perigo já nos advertia Saint-Hilaire, e sob o disfarce do que se chamou “a política dos governadores”. Em círculos concêntricos esse sistema vem cumular no próprio poder central que é o sol do nosso sistema. PRADO, P. Retrato do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972.
77VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias A crítica presente no texto remete ao acordo que fundamentou o regime republicano brasileiro durante as três primeiras décadas do século XX e fortaleceu o(a): a) poder militar, enquanto fiador da ordem econômica. b) presidencialismo, com o objetivo de limitar o poder dos coronéis. c) domínio de grupos regionais sobre a ordem federativa. d) intervenção nos estados, autorizada pelas normas constitucionais. e) isonomia do governo federal no tratamento das disputas locais. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicampe Unifesp) 1. (Unicamp) A denominação de república oligárquica é frequentemente atribuída aos primeiros 40 anos da República no Brasil. Coronelismo, oligarquia e política dos governadores fazem parte do vocabulário político necessário ao entendimento desse período. (Adaptado de Maria Efigênia Lage de Resende, “O processo político na Primeira República e o liberalismo oligárquico”, em Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado (orgs.), O tempo do liberalismo excludente – da Proclamação da República à Revolução de 1930. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 91.) Relacionando os termos do enunciado, a chamada “república oligárquica” pode ser explicada da seguinte maneira: a) Os governadores representavam as oligarquias estaduais e controlavam as eleições, realizadas com voto aberto. Isso sustentava a República da Espada, na qual vários coronéis governaram o país, retribuindo o apoio político dos governadores. b) Diante das revoltas populares do período, que ameaçavam as oligarquias estaduais, os governadores se aliaram aos coronéis, para que chefiassem as expedições militares contra as revoltas, garantindo a ordem, em troca de maior poder político. c) As oligarquias estaduais se aliavam aos coronéis, que detinham o poder político nos municípios, e estes fraudavam as eleições. Assim, os governadores elegiam candidatos que apoiariam o presidente da República, e este retribuía com recursos aos estados. d) Os governadores excluídos da política do “café com leite” se aliaram às oligarquias nordestinas, a fim de superar São Paulo e Minas Gerais. Essas alianças favoreceram uma série de revoltas chefiadas por coronéis, que comandavam bandos de jagunços. 2. (Fuvest) A charge satiriza uma prática eleitoral presente no Brasil da chamada “Primeira República”. Tal prática revelava a: a) ignorância, por parte dos eleitores, dos rumos políticos do país, tornando esses eleitores adeptos de ideologias políticas nazifascistas. b) ausência de autonomia dos eleitores e sua fidelidade forçada a alguns políticos, as quais limitavam o direito de escolha e demonstravam a fragilidade das instituições republicanas. c) restrição provocada pelo voto censitário, que limitava o direito de participação política àqueles que possuíam um certo número de animais. d) facilidade de acesso à informação e propaganda política, permitindo, aos eleitores, a rápida identificação dos candidatos que defendiam a soberania nacional frente às ameaças estrangeiras. e) ampliação do direito de voto trazida pela República, que passou a incluir os analfabetos e facilitou sua manipulação por políticos inescrupulosos.
78VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 3. (Unesp) A disputa pelo Acre, entre Brasil e Bolívia, na passagem do século XIX para o XX, envolveu: a) guerra entre os dois países, que durou mais de dez anos e provocou a destruição de boa parte das áreas de plantio e extrativismo na região. b) atuação militar e política da Grã-Bretanha, que mediou as negociações entre os países sul-americanos e estabeleceu a hegemonia britânica na região amazônica. c) interesses dos dois países relacionados à exploração do látex, que atraíra grande contingente de brasileiros para a região, na segunda metade do século XIX. d) intervenção dos Estados Unidos, que aproveitaram o conflito entre os países sul-americanos para assumir o controle sobre a exploração do gás natural boliviano. e) conflitos armados, que se alastraram por toda a região amazônica no princípio do século XX e dos quais participaram, também, a Colômbia e a Venezuela. 4. (Unesp) Entre os mecanismos que sustentavam o regime político da Primeira República brasileira, pode-se citar a) a Constituição, que restringia aos chamados homens bons o acesso aos principais postos dos poderes executivo e legislativo. b) a política de compromissos, que vinculava os sindicatos de trabalhadores urbanos ao Ministério do Trabalho. c) a política do café com leite, que proibia as candidaturas eleitorais de representantes dos estados do Sul e Nordeste. d) a política dos governadores, que articulava a ação do governo federal aos interesses das oligarquias locais. e) a reforma política, que eliminou o voto censitário e instituiu o sufrágio universal nas eleições parlamentares. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicampe Unifesp) 1. (Fuvest) Estimativa da população do Brasil (1700-1970) Ano População em milhares de habitantes (inclui populações indígenas e escravas) 1700 300 1770 2.000 1810 4.000 1870 10.000 1920 30.600 1970 100.000 www.ibge.gov.br. Acesso em 18/11/2014. Adaptado Com base nos números apresentados na tabela acima, identifique e explique o fator determinante para o aumento populacional registrado entre: a) 1700 e 1770; b) 1920 e 1970. 2. (Fuvest) CUSTO DE VIDA, SALÁRIOS E PRODUÇÃO INDUSTRIAL NO BRASIL: Ano Custo de vida Salários Produção industrial 1914 100 100 100 1915 108 100 118 1916 116 101 140 1917 128 107 197 1918 144 117 171 1919 148 123 209 1920 163 146 188 Fonte: Simonsen, R. C. “A evolução industrial do Brasil”, 1939. a) Os dados da tabela indicam que, apesar das oscilações, houve expressivo crescimento industrial no período de 1914-1920. Explique as razões desse crescimento. b) Estabeleça relações entre os dados da tabela sobre custo de vida e salários com o movimento operário do período. 3. (Fuvest) A expressão “política do café com leite” é muito utilizada para caracterizar a Primeira República no Brasil. Sobre essa política, descreva: a) seu funcionamento; b) seu colapso na década de 1920. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. A 2. B 3. D 4. D 5. C 6. E 7. A 8. B 9. B 10. A E.O. Fixação 1. D 2. B 3. B 4. B 5. C 6. C 7. A 8. B 9. C 10. E E.O. Complementar 1. E 2. A 3. D 4. A 5. E
79VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Dissertativo 1. a) No período da República Velha, a dependência econômica do Brasil se articula com o caráter exportador de gêneros primários da nossa economia. Por essas condições, nossa economia refletia as crises que aconteciam nos países desenvolvidos, perpetuando a condição economicamente dependente. Além disso, o aluno poderia citar o caráter dependente da importação de produtos industriais da economia brasileira e dos empréstimos realizados constantemente junto ao mercado externo para suprir as necessidades internas. b) Já no período desenvolvimentista, mesmo com o desenvolvimento do parque industrial, o Brasil continuava dependente da importação de tecnologias do mercado externo e aos investimentos estrangeiros em setores importantes de nossa economia. 2. a) A charge faz referência ao controle político de São Paulo e Minas Gerais no contexto da República Velha (1889-1930). Os dois estados, economicamente fortalecidos pelas exportações de café e com o maior número de eleitores do país dominavam o poder político nesse momento. b) Durante a República Velha, a cidadania era um privilégio apenas de homens, alfabetizados e maiores de 21 anos. Além disso, o voto era aberto e facilitava fraudes no processo eleitoral, assim como a opressão de fazendeiros em relação aos seus dependentes. Dessa maneira, o Governo instituiu um esquema (Política de Governadores) que garantia a vitória dos estados mais influentes (São Paulo e Minas Gerais) por meio de troca de favores que interligava os poderes locais (coronéis) até o governo federal. 3. A Constituição de 1891 restringia o voto aos analfabetos, aos menores de 21 anos e às mulheres. 4. A nacionalização dos indígenas, incorporando-os como guardas de fronteiras, como estabelece o fragmento utilizado na questão, baseia-se no ideal nacionalista e nas teorias ou as ideologias racialistas de origem europeia e difundidas no Brasil no início do século XX. Quanto ao ideal nacionalista, este já se evidenciava desde a segunda metade do século XIX atribuindo ao índio a autêntica brasilidade e incorporá-los às atribuições do exército seria incorporá-los à Pátria. A criação do SPI (Serviço de Proteção ao Índio) em 1910, durante no governo do Presidente Nilo Peçanha, sendo organizado pelo Marechal Candido Rondon, seu primeiro diretor, com o objetivo de prestar assistência à população indígena do Brasil, denuncia na própria denominação “Serviço de Proteção”, uma atitude paternalista do homem branco civilizado que coloca o índio numa condição de inferioridade e de incapacidade frente ao que se pode definir como civilização. 5. A política dos governadores consistiu em uma troca de favores em nível federal, estadual e local. Nesse sentido, a nomeação de cargos e privilégios por parte do governo estadual e federal resultavam em um apoio irrestrito por parte dos mandatários do poder local (coronéis) que despejavam seus currais eleitorais nos governadores e presidentes da situação. Outra característica da política dos governadores é o uso da Comissão Verificadora de Poderes que não diplomava os candidatos da oposição alegando fraude, institucionalizando dessa maneira, a fraude eleitoral como meio de vencer as disputas pelo poder. 6. O desenvolvimento industrial do período e, em específico, a indústria de pneumáticos que demandavam cada vez mais a matéria prima da borracha. Além disso, a grande quantidade encontrada na região Amazônica e o sistema de financiamento e de comercialização que sustentavam a prática da extração concorreram para o desenvolvimento da prática no período. 7. a) O objetivo formulado pelo artigo primeiro seria alcançado através da contratação de empréstimos no exterior pelos Estados vinculados ao Convênio de Taubaté para financiar a formação do estoque regulador de café. b) Com a eclosão da crise internacional do capitalismo em 1929 não houve mais a possibilidade de contrair empréstimos no exterior, o que levou a um aumento dos estoques de café, a queda dos preços e à falência de inúmeros fazendeiros. 8. Dentre outras: garantir preços mínimos ao produtor; estimular o consumo; e comprar os excedentes cafeeiros visando melhores condições de comercialização. 9. a) Política clientelística, baseada na troca de favores; dependência da pessoa; apadrinhamento; hierarquia social. b) O controle do eleitorado rural nas respectivas localidades em que atuavam os “coronéis”, em que estes forneciam votos aos candidatos do estado e da União, em troca de proteção econômica e liberdade de atuação política nos municípios. 10. a) Ciclo da Borracha, iniciado no século XIX e que atingiu o auge em 1912. b) “Cicatriz que a Amazônia fez chorar”; “E a borracha para o mundo exportei” E.O. Enem 1. C 2. E 3. B 4. D 5. C E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. C 2. B 3. C 4. D
80VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) No período que se estende de 1700 à 1770 acredita-se que o fator determinante para o aumento da população tenha sido proporcionado pela atividade mineradora que estimulou a vinda de portugueses para a colônia e acelerou o povoamento da região Centro-Sul. Além disso, a concessão da cidadania aos indígenas, nesse período, também contribuiu para o aumento da população. b) No período que se estende de 1920 a 1970, é possível perceber o aumento da imigração europeia e o estímulo às atividades industriais. Nessas condições, há um aumento significativo da população urbana brasileira e a melhora nas condições de vida do país, que contribuem para o crescimento da população. 2. a) O crescimento industrial nesse período reflete as condições da indústria internacional. O quadriênio entre 1914-1918 representou um golpe às indústrias europeias por conta do conflito de ordem mundial que se estabeleceu na Europa e, dessa maneira, o Brasil incapaz de importar gêneros de primeira necessidade (indústria alimentícia e bens não-duráveis) passou a criar indústrias com o ideal de substituição das importações. b) A tabela nos mostra um crescimento muito maior do custo de vida em relação ao aumento dos salários, ou seja, gastava-se mais para viver nesse período, mas os salários não cresciam na mesma proporção. Por conta disso, há uma organização maior do movimento operário nesse período com inúmeras greves, sendo a primeira delas ocorrida em 1917 em São Paulo. 3. a) O funcionamento da “política do café com leite” está associado ao controle político das elites cafeeiras de São Paulo e Minas Gerais por meio da política dos governadores que institucionalizava a fraude eleitoral e a troca de favores em níveis federal, estadual e local. b) O colapso da política do café com leite nos anos 20 se deve ao soerguimento de novas forças políticas e novos grupos sociais. O crescimento da classe média urbana, assim como o desenvolvimento industrial e da classe operária que passaram a reivindicar espaço e políticas sociais no regime oligárquico, concorreram para a sua derrubada. No entanto, o golpe final foi dado pela crise do capitalismo internacional que levou a uma queda nos preços do café e ao enfraquecimento das elites cafeeiras.
81VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (UECED) A Revolta da Chibata, de 1910, foi um(a): a) revolta de marinheiros que faziam o tráfico negreiro dos portos africanos para o Rio de Janeiro. b) rebelião de escravos, ocorrida no Vale do Paraíba, contra os castigos corporais por eles sofridos. c) rebelião de marinheiros negros e mulatos contra os castigos corporais e as condições de trabalho nos navios da Marinha Brasileira. d) protesto organizado por soldados do exército contra os baixos soldos e os castigos aplicados aos militares de baixa patente considerados insubordinados. 2. (Udesc) Sobre a Revolta da Chibata (1910) assinale a alternativa correta. a) Movimento revoltoso desenvolvido entre facções políticas rivais encontradas no governo do Rio Grande do Sul, que acabou alcançando também os Estados de Santa Catarina e Paraná. b) Ficou assim conhecido o movimento de rebelião promovido por marinheiros contra o governo do marechal Floriano Peixoto. c) Ficou assim conhecido o protesto de marinheiros dos couraçados Minas Gerais e São Paulo. Eles protestavam sobre a sua dura rotina de trabalho, baixos salários e castigos físicos a que eram submetidos os membros de baixa patente sempre vez que não cumpriam uma ordem estabelecida. d) Conhecida como uma das primeiras manifestações do movimento tenentista, foi uma das mais significativas demonstrações de crise da hegemonia oligárquica na República Velha. e) Revolta em que negros e índios se insurgiram contra a elite política e tomaram o poder no Pará (Brasil). Entre as causas da revolta encontra-se a extrema pobreza das populações. 3. (Udesc) Sobre a Guerra do Contestado (1912-1916), assinale a alternativa incorreta. a) Iniciou-se como um fenômeno religioso de características messiânicas, mas acabou também por ganhar feições de lutas política e social ao integrar diferentes grupos como posseiros e sitiantes expulsos de suas terras, comunidades negras e caboclas, dentre outros insatisfeitos com suas precárias condições de vida. b) A região, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico, passava por uma grave crise econômica e social. Esta crise fez com que sertanejos, muitos deles ex-escravos, passassem a seguir o monge Antônio Conselheiro que pregava a criação de um mundo novo, regido pelas leis de Deus, onde todos viveriam em paz, com prosperidade justiça e teriam terras para trabalhar. c) Ganhou este nome em razão de os conflitos terem ocorrido em uma área de disputa territorial entre os Estados do Parará e Santa Catarina. d) A construção da ferrovia na região, realizada pela empresa concessionária Brazil Railway, contribuiu fortemente para a instabilidade social e, assim, para os conflitos que resultaram na Guerra do Contestado. e) Os conflitos na região do Contestado podem ser lidos como parte integrante de um movimento social que se apresentou de forma bastante heterogênea. Paralelamente ao discurso religioso da “guerra santa” os sertanejos acabaram demonstrando por discursos e ações que desenvolveram consciência das condições sociais e políticas e de sua marginalização. 4. (PUC-RS) A instauração da República no Brasil, no final do século XIX, provocou insatisfação popular que deu origem a diversos movimentos sociais, políticos, religiosos e militares. São exemplos da realidade rural do Brasil desse contexto os movimentos conhecidos como: a) Revolta da Chibata, Revolta da Armada e Cangaço. b) Revolta da Chibata, Revolta da Vacina e Revolta da Armada. c) Canudos, Contestado e Cangaço. d) Canudos, Revolta da Armada e Revolta da Vacina. e) Canudos, Contestado e Revolta da Chibata. 5. (Ueg) Leia o excerto que segue. Os subúrbios do Rio de Janeiro são a mais curiosa coisa em matéria de edificação da cidade. A topografia do local, caprichosamente montanhosa, influiu decerto para tal aspecto, mais influíram, porém, os azares das construções. Nada mais irregular, mais caprichoso, mais sem plano qualquer, pode ser imaginado. As casas surgiram como se fossem semeadas ao vento e, conforme as casas, as ruas se fizeram. Há algumas delas que começam largas como boulevards e acabam estreitas que nem vielas; dão voltas, circuitos inúteis e parecem fugir ao alinhamento reto com ódio tenaz e sagrado. BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: Penguin, 2011. p. 191. REPÚBLICA OLIGÁRQUICA: MOVIMENTOS SOCIAIS COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4 e 5 HABILIDADE(s) 2, 4, 8, 9, 10, 12, 13, 14, 15, 18, 22, 23 e 24 CH AULAS 29 E 30
82VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Neste fragmento, o autor descreve a irregularidade do traçado das ruas cariocas. Com o propósito de criar uma cidade mais moderna, com ruas e avenidas mais retilíneas, é que se efetivou: a) a derrubada do antigo morro do Castelo, durante o governo do presidente Campos Sales. b) a derrubada dos cortiços da cidade promovida pelo sanitarista Oswaldo Cruz. c) a reforma urbana promovida por Pereira Passos, a qual ficou conhecida como o “Bota-abaixo”. d) o primeiro plano de se transferir a Capital Federal para a região Centro-Oeste. 6. (IBMEC-RJ -Adaptado.) O escritor e político peruano Mario Vargas Llosa recebeu da Academia Sueca o Prêmio Nobel de Literatura de 2010 pelo conjunto de sua obra, da qual podemos destacar “A guerra do fim do mundo”, publicada em 1981, tendo como tema básico: a) as previsões feitas pelos maias sobre uma possível catástrofe que ocorreria no dia 21 de dezembro de 2012; b) a queda do Muro de Berlim, fato que mudou de forma radical as relações internacionais ao pôr fim à Guerra Fria; c) a ocorrência, na Bahia, da Guerra de Canudos, tomando como referência a obra “Os Sertões”, de Euclides da Cunha; d) um inevitável desastre ecológico, resultado da ação predadora do homem ao longo do tempo em todo o planeta; e) uma análise comparativa entre a Guerra da Coreia e a Guerra do Vietnã, tomando como referência a ótica norte-americana sobre os conflitos. 7. (UERN) (...) olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada dana a latir, instantaneamente – então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja; que situado sertão e por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucuia. (...) Lugar sertão se divulga: e onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. (Guimarães Rosa. Grande Sertão Veredas.) Nos confins do Brasil decidiam-se as eleições durante a República Oligárquica. No final do século XIX, mais de 60% da população brasileira vivia nos meios rurais. Nesse contexto, formaram-se vários movimentos sociais que, de certa forma, sinalizavam as discrepâncias econômicas características daquela realidade. Diante do exposto, analise as afirmativas. I. O Cangaço, movimento considerado de grande repercussão no Nordeste brasileiro, representou, acima de tudo, a revolta dos estancieiros pela política brasileira em relação ao comércio do Charque. II. O movimento de Canudos teve um cunho religioso e ficou conhecido como um movimento messiânico. Conseguiu angariar inúmeros adeptos e chegou a ameaçar a ordem vigente. III. Com o deslocamento do eixo da economia agroexportadora para o Sudeste e com o declínio acentuado da economia açucareira, houve uma queda muito grande na qualidade de vida dos nordestinos. IV. Apesar das desavenças entre grupos religiosos e políticos e de uma tradição política de conflitos no sertão nordestino não houve a presença do coronelismo, como nos estados mais avançados – Minas Gerais e São Paulo. Estão corretas apenas as afirmativas: a) II e III. c) I, II e III. b) II e IV. d) I, II e IV. 8. (UEG) Leia o fragmento. Glória a todas as lutas inglórias Que através da nossa história Não esquecemos jamais Salve o navegante negro Que tem por monumento As pedras pisadas do cais. BOSCO, João; BLANC, Adir. O mestre-sala dos mares. In: COTRIM, Gilberto. História global: Brasil e geral. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 477. A citação é uma estrofe da música “O mestre-sala dos mares”, de Aldir Blanc e João Bosco, composta em homenagem a João Cândido, o líder da Revolta da Chibata, ocorrida no Rio de Janeiro em 1910. Em termos sociológicos, a Revolta da Chibata foi um movimento social: a) camponês, pois os seus integrantes expressavam valores e práticas coerentes com suas origens rurais. b) popular, pois foi efetivada pelos marinheiros de baixo escalão que reivindicavam o fim de castigos corporais. c) messiânico, pois era motivada pelo milenanarismo, crença em uma nova era de paz, justiça social e felicidade. d) militar, pois foi uma sublevação dos altos oficiais da Marinha, explorando a fraqueza do regime republicano. 9. (UECE) Em agosto de 2016, completaram-se 100 anos do fim da Guerra do Contestado e o ano de 2017 marcará os 120 anos da queda de Canudos, ocorrida em outubro de 1897, frente à poderosa expedição militar enviada pelo Estado republicano brasileiro. Sobre esses dois eventos, é correto afirmar que a) se caracterizam pela oposição dos senhores de terra ao novo modelo político da República que implantara o fim do escravismo e a igualdade legal entre os brasileiros. b) marcam reações negativas dos setores médios da população urbana contra as mudanças promovidas pela modernização e pela República, que reduziram seus privilégios. c) demonstram a capacidade do Estado brasileiro daquela época em lidar com questões sociais, como a distribuição de terras e riquezas, de forma pacífica e integradora.
83VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias d) se caracterizam pelo messianismo de seus líderes, aliado aos descontentamentos em relação às condições concretas de vida das populações rurais exploradas. 10. (UFPR) Observe a imagem e leia o fragmento a seguir: Desde 1853, a disputa territorial entre o Paraná e Santa Catarina vinha se arrastando e, já no início do século XX – após a Proclamação da República e o princípio de autonomia dos estados da Federação – constituiu motivo de discussões acirradas entre as instâncias de poder desses estados brasileiros, contando, em diversos momentos, com as opiniões de representantes políticos de outras regiões do país. Diversos foram os pareceres emitidos pelo poder federal, ora dando ganho de causa a um, ora a outro. (DALFRÉ, Liz A. Outras narrativas da nacionalidade: o movimento do Contestado. Coleção Teses do Museu Paranaense. v. 8. Curitiba: SAMP. 2014. p. 38-39.) Sobre o movimento do Contestado, considere as seguintes afirmativas: 1. O movimento do Contestado se deu no leste paranaense, no qual vários missionários buscavam resgatar terras adquiridas por Santa Catarina no final do século XIX. 2. Entre as figuras mais emblemáticas do movimento está a de José Maria, um monge leigo que teve vários seguidores, dando feição messiânica ao combate. 3. Em 1912, o governo federal deu por finalizado o conflito, após a batalha de Irani, em que morreram vários sertanejos, entre eles, José Maria. 4. O movimento do Contestado compreende o conflito que ocorreu entre sertanejos catarinenses e paranaenses e as forças do governo federal e local. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. b) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras. c) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras. d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras. e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras. E.O. Fixação 1. (Acafe) Um dos acontecimentos importantes da história catarinense, o Contestado, iniciou nos primeiros anos do século XX. Acerca dos eventos que caracterizaram o Contestado é correto afirmar, exceto: a) Conflitos entre os latifundiários catarinenses e empresas do Paraná e de São Paulo acerca da exploração da madeira e da erva-mate na serra catarinense. b) Construção do trecho catarinense da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande, pela Brazil Railway Co. c) Disputas jurídicas entre Santa Catarina e Paraná sobre limites territoriais entre os dois Estados. d) Combates entre o exército brasileiro e os caboclos da região do Contestado, estes últimos influenciados pela liderança de “monges”. 2. (UFRN) No início do século XX, a cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, modernizou-se significativamente. Uma dessas mudanças pode ser observada na Avenida Central, conforme mostra a imagem abaixo. Disponível em: <aprendario.com.br/rj_expovirtual.asp> Acesso em: 28 jul. 2011. Analisando essas mudanças ocorridas no Rio de Janeiro, o historiador Nicolau Sevcenko afirma: As autoridades criaram um plano em três dimensões para enfrentar os problemas. Executar simultaneamente a modernização do porto, o saneamento da cidade e a reforma urbana. Aos líderes desse empreendimento foram dados poderes ilimitados para executarem suas tarefas, tornando-os imunes a possíveis ações judiciais. Como era de se prever, as mudanças atingiram o grosso da população pobre. SEVCENKO, Nicolau. O prelúdio republicano, astúcias da ordem e ilusões do progresso. In: SEVCENKO, Nicolau (Org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 22-23. [Adaptado]. Considerando a imagem, o fragmento textual e seu conhecimento histórico sobre a temática, é possível inferir que: a) o enfrentamento dos problemas urbanos foi realizado pelos governantes de maneira cautelosa, contando, por isso, com o apoio dos grupos mais politizados. b) a política sanitarista contou com maciça adesão dos positivistas, que mobilizaram as classes operárias e fundaram a Liga de Apoio à Vacinação Obrigatória. c) o apoio dos moradores do centro da cidade foi decisivo para o processo de higienização e a eliminação dos focos de doenças. d) a reurbanização, a partir de uma visão elitista e autoritária, provocou a expulsão das camadas populares do centro da cidade para áreas periféricas.
84VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 3. (Udesc) Leia o excerto e abaixo. “Tanto o episódio de Canudos quanto o da Revolta da Vacina, com suas evidentes afinidades, são dos mais exemplares para assinalar as condições que se impuseram com o advento do tempo republicano. Um tempo mais acelerado, em que a exigência de acertar os ponteiros brasileiros com o relógio global suscitou a hegemonia de discursos técnicos, confiantes em representar a vitória inelutável do progresso e por isso dispostos a fazer valer a modernização a ‘qualquer custo’. As ações concretas desencadeadas por esses discursos, como visto nesses dois exemplos, se traduziram em formas extremas de opressão quando voltadas para as populações destituídas de qualquer educação formal e alheadas dos processos decisórios. No afã do esforço modernizador, as novas elites se empenhavam em reduzir a complexa realidade social, singularizada pelas mazelas herdadas pelo colonialismo e pela escravidão, ao ajustamento em conformidade com padrões abstratos de gestão social aspirados dos modelos europeus ou norte-americanos. Os episódios de Canudos e da Revolta da Vacina revelam o quanto essa situação era precária para as camadas subordinadas da população. A autoridade pública permitia-se invadir e não raro destruir, seja o casebre sertanejo, seja o cortiço, o barraco ou o mocambo das cidades. Em suma, nem lares, nem âmbitos sagrados, nem corpos, tinham garantias quando se tratava de grupos populares.” SEVCENKO, Nicolau. Introdução. O prelúdio republicano, astúcias da ordem e ilusões do progresso. SEVCENKO, Nicolau (org.) História da vida privada no Brasil. Vol. 3. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 27-30 [Adaptado]. Considerando a análise realizada pelo historiador Nicolau Sevcenko sobre as relações sociais e de poder na Primeira República e os movimentos citados, analise as proposições abaixo. I. A Revolta da Vacina foi uma resposta da população do Rio de Janeiro à vacinação obrigatória aprovada por decreto em 1904. As autoridades, por sua vez, reprimiram violentamente a revolta, deixando um saldo de dezenas de mortos, presos e feridos. II. Para Nicolau Sevcenko a Revolta da Vacina e de Canudos possuem evidentes afinidades, por exemplo, ambos os grupos eram compostos por pessoas pobres, excluídas e marginalizadas socialmente, que sofreram violenta repressão por parte das autoridades. III. Para Nicolau Sevcenko, parte da violência cometida pelas autoridades republicanas às populações pobres pode ser explicada pelo projeto de modernização e progresso valorizado nos discursos republicanos. Em nome do progresso, as autoridades estavam dispostas a fazer valer a modernização a “qualquer custo”. IV. Com a grave crise econômica e social que assolava o Nordeste, no final do século XIX, milhares de ex-escravos e sertanejos humildes seguiram Antônio Conselheiro, acreditando em uma salvação milagrosa que os pouparia dos flagelos do clima e da pobreza extrema. Pressionados por lideranças locais as autoridades republicanas empreenderam diferentes ações contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Dos confrontos havidos, estima-se que até 20 mil sertanejos tenham sido mortos. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. c) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras. d) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 4. (UPE) O período de afirmação da República no Brasil, em especial aquele compreendido entre a última década do século XIX e as duas primeiras do século XX, foi palco de várias revoltas e motins que, muitas vezes, manifestavam o descontentamento popular com o novo regime. Sobre essa realidade, analise as afirmações seguintes: I. As revoltas se restringiram ao espaço urbano, demonstrando o conformismo da população rural de então. II. A Revolta da Vacina (1904) no Rio de Janeiro é exemplo das manifestações populares na Capital Federal. III. Canudos foi um exemplo de agitação no campo a qual conturbou também os anos iniciais do regime republicano no Brasil. IV. A Guerra do Contestado (1912-1916) foi outro exemplo do conflito no campo, tendo como palco o estado do Pará. V. A Revolta da Chibata (1910), restrita ao interior da marinha, também está nesse contexto da jovem república. Estão corretas: a) I, II e III. d) I, II e IV. b) II, III e V. e) II, III e IV. c) I, III e V. 5. (Unioeste) Fazendo uso do humor a charge acima revela um grave problema de saúde pública que tem assustado muitos brasileiros em pleno início do século XXI. Entretanto, a febre amarela não representa um problema da saúde propriamente novo. Cerca de cem anos atrás, no Rio de Janeiro, capital do país, houve uma grande revolta que teve como estopim a campanha contra a febre amarela, organizada pelo sanitarista Osvaldo Cruz. Esta revolta ficou conhecida como a: a) Revolta da Chibata. b) Revolta da Vacina. c) Revolta de Canudos. d) Revolta dos Balaios. e) Revolta da Armada.
85VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 6. (UECE) Em 9 de Julho de 1917, a Força Pública de São Paulo, reprimiu uma greve de trabalhadores em frente à Fábrica Mariângela, no Brás. O movimento exigia melhores condições de trabalho e de vida. No embate, o jovem sapateiro José Martinez, de 21 anos de idade, foi morto. Dois dias depois, a cidade estava tomada pelos protestos contra o assassinato. O enterro transformou-se em uma imensa passeata que ia do bairro do Brás, até o cemitério do Araçá, localizado no outro lado da cidade de São Paulo daquela época. Diversos setores econômicos foram paralisados. Um número que varia de 50.000 a 70.000 trabalhadores participaram do movimento. Armazéns foram saqueados, bondes foram queimados e barricadas erguidas nas ruas para que os operários em greve pudessem fazer frente ao poder policial do Estado. Os eventos narrados fizeram parte a) da crise política que desencadeou a Revolução de 1930, responsável por acabar com a política dos governadores e estabelecer Vargas no poder. b) do início da Revolta da Chibata, na qual os operários reagiram aos maus tratos que sofriam no cotidiano das indústrias paulistanas. c) do movimento operário de tendência anarquista que se desenvolveu junto à industrialização e à imigração europeia para o Brasil. d) do processo que desencadeou o estabelecimento do Estado Novo, após Getúlio Vargas acusar os comunistas de planejar um golpe de Estado. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO São evidentes as marcas da linguagem do espaço urbano moderno na produção literária atual, sobretudo na poesia. Outdoors, inscrições, pichações, logotipos, signos públicos, grafites passam a constituir uma espécie de comunicação entre as várias camadas da sociedade, dos empresários aos excluídos, da cultura pop às criações das grandes agências publicitárias, das manifestações populares às campanhas políticas ou institucionais. Há uma espécie de fermentação de signos desejosos de expor seja o rosto triunfante do capitalismo, seja a reação aos valores que ele propaga – fenômeno a que muitos poetas contemporâneos se mostram sensíveis. (SEPÚLVEDA, Alaor, inédito) 7. (PUC-CAMP) O espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro foi reformulado no começo do século XX com vistas à modernização. No decorrer dessa reforma urbanista eclodiu uma revolta popular a) apelidada de Bota Abaixo, que procurava deter as construções e obras urbanas ordenadas pelo prefeito Pereira Passos, mediante a alegação de que a população mais pobre havia sido transferida para os morros da cidade, sob a promessa, não cumprida, de que teriam moradias. b) motivada pela reação de setores populares à imposição da vacinação executada de forma violenta por agentes de saúde com o auxílio da polícia, em um contexto de inconformismo causado pela demolição de casebres e cortiços para o embelezamento da cidade. c) iniciada por marinheiros que, indignados com a permanência de castigos físicos na Marinha, em um momento em que se celebravam os ares modernos do Rio de Janeiro, amotinaram-se e bombardearam parte da região portuária da capital, com o apoio de outros segmentos da população. d) desencadeada após a execução de dezoito jovens tenentes lotados no Forte de Copacabana, que haviam se insurgido contra o poder das oligarquias e o autoritarismo dos governantes, cujas mortes causaram grande comoção popular e a realização de barricadas na cidade. e) popularizada como Noite das Garrafadas, uma vez que populares se armaram com pedaços de paus, garrafas e outras armas improvisadas para resistirem à ação de sanitaristas e milícias que interditaram os bairros pobres da cidade e atearam fogo, a fim de combater as epidemias de febre amarela e varíola. 8. (Fac. Albert Einstein – Medicina) “A revolta não visava o poder, não pretendia vencer, não podia ganhar nada. Era somente um grito, uma convulsão de dor, uma vertigem de horror e indignação. Até que ponto um homem suporta ser espezinhado, desprezado e assustado? Quanto sofrimento é preciso para que um homem se atreva a encarar a morte sem medo? E quando a ousadia chega nesse ponto, ele é capaz de pressentir a presença do poder que o aflige nos seus menores sinais: na luz elétrica, nos jardins elegantes, nas estátuas, nas vitrines de cristal, nos bancos decorados dos parques, nos relógios públicos, nos bondes, nos carros, nas fachadas de mármore, nas delegacias, agências de correio e postos de vacinação, nos uniformes, nos ministérios e nas placas de sinalização.” Nicolau Sevcenko. A revolta da vacina. São Paulo: Brasiliense, 1984, p. 68. O texto trata da Revolta da Vacina, ocorrida em 1904, e associa a reação popular contra a vacinação obrigatória a) à irracionalidade da população do Rio de Janeiro e aos benefícios que a vacina traria para a saúde pública. b) ao programa higienizador empreendido pelo prefeito do Rio de Janeiro e ao amplo esclarecimento da opinião pública quanto aos benefícios da vacina. c) à participação de funcionários de todos os setores do governo federal na campanha de erradicação dos focos epidêmicos. d) ao projeto de reurbanização do Rio de Janeiro e às diversas formas de segregação e exclusão social que ele promoveu. 9. (Mackenzie) “E era preciso embelezar as principais cidades, para que bem representassem suas funções: cuidar dos edifícios públicos; afastar a pobreza para os novos subúrbios; implementar o transporte coletivo, e construir instituições representativas. Foi com esse intuito ‘civilizatório’ que o presidente Rodrigues Alves (1902-1906) montou uma equipe técnica para fazer do Rio de Janeiro uma vitrine para os interesses estrangeiros (...). A comissão responsável pelas obras
86VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias recebeu poderes ilimitados e estabeleceu um plano com três grandes metas: a modernização do porto, que estaria a cargo do engenheiro Lauro Müller; o saneamento da cidade, de cuja realização se incumbiria o médico sanitarista Oswaldo Cruz, e a reforma urbana, que caberia ao engenheiro Pereira Passos, o qual conhecia de perto o projeto para Paris elaborado pelo barão de Haussmann”. Lilia M. Schwarcz e Heloísa M. Starling. Brasil: Uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 327. No início do século XX, as autoridades republicanas elaboraram um projeto de embelezamento das principais cidades do Brasil, sintonizando o país com a modernização vivenciada por outros centros urbanos mundiais. No entanto, tal projeto provocou diversas reações contrárias, principalmente por parte das camadas populares, diretamente afetadas. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta. a) Símbolo do “Ciclo da Borracha”, a cidade de Manaus passou por um grande processo de reforma urbana, liderada por Pereira Passos. A pujança econômica contribuiu para a remodelação do centro da cidade e para a construção do teatro municipal, aprofundando as desigualdades sociais e, por isso, gerando revoltas. b) A construção de Belo Horizonte, pelos republicanos mineiros, representou um projeto autoritário de deslocamento da população pobre para a zona suburbana. Ao mesmo tempo, simbolizou a intenção das elites burguesas, ao fazer da cidade uma pretensa candidata à condição de nova capital federal. c) Em São Paulo, o acelerado crescimento econômico contribuiu, de forma decisiva, para o surgimento de uma nova paisagem urbana. A construção de grandes avenidas resultou na destruição de todos os casebres de madeira e na vacinação obrigatória contra a varíola, gerando contestações da população. d) No Rio de Janeiro, a Revolta da Vacina (1904) representou a contestação popular às medidas autoritárias da prefeitura. Resultado da incompreensão de parte a parte, tal Revolta não deixou de simbolizar o entendimento, por parte das camadas atingidas, sobre os limites das ações das autoridades públicas. e) A construção de Brasília representava o desenvolvimento econômico e social do interior do país. Ao mesmo tempo, permitia às autoridades públicas inserir a nova capital entre as cidades mais modernas e planejadas do mundo, acentuando o caráter modernizador e positivista da República recém-instaurada. 10. (UFU) Palavras do Barão de Geremoabo, latifundiário baiano: O trabalho estava desorganizado porque a maioria das famílias estava sempre pronta para seguir o Conselheiro, muitos pequenos proprietários também vendiam seus bens e partiam para Canudos. ATAÍDE, Yara Dulce Bandeira de. As origens do povo do Bom Jesus do Conselheiro. Revista da USP. São Paulo, n. 20, 1993-94. p. 89 (Adaptado). A forte mobilização gerada em torno da figura de Antonio Conselheiro foi um dos elementos causadores da rebelião de Canudos, pois a) o modelo de organização da produção que defendia, baseado em larga extensões de terra, conseguia atrair um grande número de trabalhadores assalariados. b) sua aliança com os setores republicanos mais radicais foi fundamental na luta do governo federal contra o poder dos oligarcas. c) seu carisma messiânico expressava concepções religiosas tradicionalistas e muito identificadas ao modo de vida camponês. d) a sua aproximação com os setores tradicionais da Igreja Católica teve grande importância na mobilização dos camponeses, quase todos eles profundamente religiosos. E.O. Complementar 1. (UFPR) Os movimentos messiânicos brasileiros, como Canudos e Contestado, ocorreram entre o final do século XIX e início do XX. Sobre esses movimentos, considere as seguintes afirmativas: 1. Foram movimentos de resistência social, liderados pelos anarquistas de origem italiana. 2. Foram movimentos baseados na religiosidade popular, como reação à laicização do estado brasileiro imposta pela proclamação da República. 3. Foram movimentos religiosos liderados pela Igreja Católica, contrária às reformas políticas do estado brasileiro. 4. Foram movimentos relacionados à disputa pelo poder local e à luta pela terra, acirrados pelas reformas impostas pelo regime republicano. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras. b) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. c) Somente a afirmativa 3 é verdadeira. d) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras. e) Somente a afirmativa 4 é verdadeira. 2. (UFT) Só mesmo São João Maria de Agostinho para dar um jeito nas coisas e endireitar a vida do povo. Somente ele! Em toda aquela região ficara profundamente gravada na lembrança dos mais velhos a imagem do homem que percorrera o sertão, anos antes. Esperanças ele trouxera para todos, quando pelo mundo peregrinava, auxiliando os oprimidos e consolando os aflitos. Ele se fora, mas os pobres, relembrando seus conselhos e palavras, neles encontravam lenitivo. Envolto em lenda ele surgira, no meio de uma lenda também desaparecera. Escondera-se no morro do Taió, havia anos, mas prometera voltar quando cumprisse a penitência. Esperavam-no. Mentira pura as notícias de sua morte. Quando muito ele fora ao céu, falar com Deus, mas regressaria para cuidar da sua gente. [...]
87VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias — São João Maria voltou! — Voltou mesmo? — Voltou. Meu pai falou com ele Pediam detalhes. Vinha a explicação: — Não é São João Maria, não. — Então quem é? — Dizem que é seu irmão. — Ele tinha irmão? — Tinha, sim. Ele sempre falou do irmão dele, monge também. Pois foi o irmão que veio, em lugar de São João Maria. SASSI, Guido Vilmar. Geração do Deserto. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1964, p. 06-15. A Primeira República (1889-1930) foi marcada pela instabilidade política e econômica. Propunha uma modernização conservadora, sem participação popular. Nesse contexto eclodiram conflitos em diferentes pontos do território nacional. O texto acima reporta-se a: a) Revolta da Vacina b) Guerra do Contestado c) Revolta da Armada d) Guerra de Canudos e) Revolta da Chibata 3. (Ufpr 2018) Considere a seguinte imagem: Sobre a questão operária e a Greve Geral de 1917, mostrada na imagem, assinale a alternativa correta. a) O operariado brasileiro era composto majoritariamente por homens maiores de 21 anos, uma vez que o trabalho infantil e o feminino haviam sido abolidos após os conflitos da Revolta da Vacina. b) As greves gerais no Brasil tiveram relativa aderência popular, uma vez que o povo brasileiro primava por manter a ordem e evitar o que os governantes chamavam de “excessos”. c) Durante a Primeira República, a frase “a questão social é um caso de polícia” tornou-se um mote da ação do governo; afinal, ela resumia a preocupação das elites políticas com o descaso com que eram tratados os trabalhadores. d) Existem diversos debates na História que discutem as tendências políticas dos participantes e, principalmente, das lideranças da greve de 1917, mas é comum defini-la como uma greve de tendências anarco-sindicais. e) A participação do Partido Comunista brasileiro foi fundamental na articulação dos trabalhadores no ano de 1917. Sem essa instituição, não seria possível organizar um movimento em nível nacional. 4. (Fmp 2018) A respeito das propostas de regulamentação sobre o mercado de trabalho, no contexto da Primeira República, o historiador Luiz Werneck Vianna escreveu: Mais tarde, em 1917, quando o parlamento discutir o projeto de Código do Trabalho proposto por Maurício Lacerda, retoma-se a linguagem da ortodoxia, como no seguinte voto vencedor de Borges de Medeiros: “limitar as horas de trabalho diário de homens e mulheres e vedar a labuta noturna de adultos do sexo feminino é regulamentar o exercício de profissões e violar o artigo 72, parágrafo 24, da Constituição Federal”. VIANNA, L. W. Liberalismo e sindicato no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989, p. 48. De acordo com o texto, a ortodoxia é uma referência à(ao) a) anarco-sindicalismo b) liberalismo econômico c) herança escravista d) política desenvolvimentista e) ideologia trabalhista 5. (UFSC) Tragédia anunciada Coronéis locais, forças estaduais e exército se uniram para combater as “cidades santas”, territórios autônomos criados por caboclos. Cerca de 200 seguidores do monge e curandeiro José Maria estão reunidos em Irani. Todos eles homens simples, sertanejos, refugiaram-se ali na esperança de evitar um confronto com as forças do governo. Mas é tarde demais: a essa altura, o simples agrupamento – em uma região de conflitos fronteiriços e de instabilidade social – já é considerado uma atitude hostil às autoridades. Em resposta à ameaça, o governo resolve atacar: uma força de 58 soldados do Regimento de Segurança do Paraná entra em combate com os sertanejos. Morrem 21 pessoas, entre elas os chefes dos grupos em confronto – o coronel João Gualberto Gomes de Sá e o monge José Maria. MACHADO, Paulo Pinheiro. Tragédia anunciada. Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 7, n. 85, p. 17, out. 2012. Sobre o movimento do Contestado, narrado no trecho acima, e os demais movimentos sociais rurais ocorridos na Primeira República (1889-1930), é correto afirmar que: 01) diferentemente do que ocorria nas regiões Norte e Nordeste do país, o coronelismo catarinense caracterizava-se pela atuação em defesa das populações sertanejas na luta pela legitimação da posse da terra.
88VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 02) para autoridades civis e militares do governo republicano e para amplos setores da imprensa, o movimento do Contestado era uma reedição do fanatismo de Canudos que, portanto, precisava ser energicamente eliminado. 04) no final do século XIX, apoiado oficialmente pela Igreja Católica, Antônio Conselheiro liderou sertanejos do interior da Bahia em um movimento pela defesa do retorno da Monarquia e pela pacificação dos conflitos no sertão nordestino. 08) o messianismo foi a crença que alimentou as esperanças das populações sertanejas e contribuiu para a organização de movimentos de resistência. 16) a Cabanagem e a Balaiada, movimentos ocorridos no meio rural do Norte e do Nordeste do país, buscaram articular as populações sertanejas na luta contra o coronelismo nas primeiras décadas da República brasileira. 32) entre o final do século XIX e a década de 1930, no interior do Nordeste do Brasil, bandos de homens armados, conhecidos como cangaceiros, agiam à margem da lei e contestavam a ordem dominante dos latifundiários e dos coronéis. E.O. Dissertativo 1. (PUC-RJ) Publicada em 11 de outubro de 1904, a imagem acima opõe o jovem Oswaldo Cruz, então Diretor Geral de Saúde Pública do Rio de Janeiro, à figura do “Zé Povinho” – personagem usado pelos caricaturistas do período para representar o povo. Ela trata da tensão causada na cidade pela discussão da proposta de se tornar obrigatória, pela primeira vez, a vacinação contra a varíola. A partir das tensões sugeridas na caricatura, faça o que se pede. a) Caracterize a conjuntura política e cultural que ajuda a explicar esta animosidade contra o projeto de vacinação; b) Cite dois outros exemplos de embates e insurreições na Primeira República que marcam a distância entre os projetos políticos e culturais dos primeiros governos republicanos e as aspirações e práticas dos trabalhadores da cidade ou do campo. 2. (UFG) Analise a fotografia e leia a carta a seguir. Ilmo. Sr. Francisco de Souza Aspiro boa saúde com a Exma. Família. Tendo eu frequentado uma fazenda sua deliberei, saudando-o em uma cartinha, pedir um cobrezinho. Basta dois contos de réis. Eu reconheço que o senhor não se sacrifica com isto e eu ficarei bem agradecido e não terei razão de lhe odiar nem também a gente de Virgulino terá esta razão. Sem mais do seu criado, obrigado. Hortêncio, vulgo Arvoredo, rapaz de Virgulino. A TARDE. 20 jan. 1931. In: Coletânea de documentos históricos para o primeiro grau. São Paulo: SE/CENP, 1980, p. 51. A fotografia e a carta apresentadas remetem ao cotidiano do Cangaço brasileiro, entre as décadas de 1920 e 1930. Nesse contexto, esse fenômeno social era interpretado pelo Estado brasileiro, que o combatia, como símbolo de desordem social. Diante do exposto, explique uma característica a) associada ao Cangaço brasileiro, presente na carta; b) atribuída, na fotografia, ao Cangaço e aos cangaceiros. 3. (UFBA) O episódio de Canudos resultou em um dos clássicos da literatura brasileira: Os sertões. Euclides da Cunha, seu autor, na época era jornalista e acompanhou a luta no próprio local como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo. Apesar de demonstrar preconceitos de “civilizado” falando de “incultos” e apesar de dar ênfase exagerada às condições geográficas e étnicas, configurando um determinismo geográfico e racial nas suas explicações, Euclides da Cunha deu atenção ao caráter comunitário da economia de Canudos. Deixou claro que o movimento não era isolado, revelando a revolta desesperada das populações miseráveis ignoradas por um sistema sociopolítico que lhes exigia fidelidade sem lhes dar nada em troca. (NADAI; NEVES, 1995, p. 271). Os movimentos messiânicos — expressões dos desequilíbrios socioeconômicos entre o litoral e o interior do Brasil no final do século XIX — ocorreram, sobretudo, em contextos rurais, dentre os quais o arraial de Canudos representa uma das mais importantes experiências.
89VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Com base nessas considerações e no conteúdo do texto, cite uma forma de sobrevivência econômica e uma prática espiritual da população referida. 4. (UFG) Analise a imagem e leia o fragmento a seguir. Pela Bahia: o celebre Conselheiro, tem dado que fazer e póde-se mesmo dizer que tem pintado o diabo, REVISTA ILUSTRADA. Rio de Janeiro, 1897. Disponível em: <www.al.sp.gov.br/...Charges/charges/18.html>. Acesso em: out. 2009. (Adaptado) Protesto contra a perseguição que se está fazendo à gente de Antônio Conselheiro […] Não se lhe conhecem discursos. Diz-se que tem consigo milhares de fanáticos […] Se na última batalha é certo haverem morrido novecentos deles e o resto não se desapega de tal apóstolo, é que algum vínculo moral e fortíssimo os prende até a morte. Que vínculo é este? ASSIS, Machado de. Jornal Gazeta de Notícias, 31 jan. 1897. In: ASSIS, Machado de, 1839-1908. Obra Completa. Organização de Aluízio Leite Neto, Ana Lima Cecílio e Heloísa Jahn. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. p. 1365-1366. V. 2. A figura de Antônio Conselheiro está associada à Guerra de Canudos (1893-1897). Quatro expedições militares foram necessárias para destruir a comunidade de Belo Monte, na Bahia. Considerando o contexto das primeiras décadas republicanas, explique a) as críticas presentes na charge e no texto de Machado de Assis; b) o interesse do governo republicano em disseminar uma imagem negativa sobre a comunidade liderada por Antônio Conselheiro. 5. (PUC-RJ) Analise o discurso de Antônio Conselheiro, em Canudos, em 1890: “(...) a república é o ludibrio [zombaria ou desprezo] da tirania para os fiéis (...) e por mais ignorante que seja o homem, conhece que é impotente o poder humano para acabar com a obra de Deus (...). O presidente da república, porém, movido pela incredulidade que tem atraído sobre ele toda sorte de ilusões, entende que pode governar o Brasil como se fora um monarca legitimamente constituído por Deus; tanta injustiça os católicos contemplam amargurados.” Prédica “Sobre a república” Apud Jacqueline Hermann. Religião e Política no Alvorecer da República In: O Brasil Republicano. Volume 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 147-148. a) INDIQUE a crítica central que o documento apresenta ao governo republicano. b) IDENTIFIQUE um grupo social e sua principal motivação para se fixar em Canudos. 6. (UFMG) Em 1897, o Exército contratou o fotógrafo Flávio de Barros para documentar aquela que viria a ser a última expedição militar contra os seguidores de Antônio Conselheiro. Em meio à luta, o Brigadeiro Marcos Evangelista Villela Júnior, que combateu os rebelados de Canudos nesse ano, disse que a população de Belo Monte era composta por “vinte e cinco mil bandidos em armas”, o que, na sua opinião, impunha a necessidade de se exterminar o movimento liderado por Conselheiro. Observe esta fotografia, produzida, nesse mesmo ano, logo após a vitória das tropas republicanas sobre os rebelados de Canudos: a) Com base na composição e nas informações dessa fotografia, ESTABELEÇA uma relação entre o que se vê nela e a afirmativa do Brigadeiro Marcos Evangelista Villela Júnior a respeito do movimento de Canudos. b) CITE e ANALISE dois argumentos que levaram muitos contemporâneos do movimento de Canudos a classificá-lo como um obstáculo à consolidação da República. 7. (UFRRJ) “(...) Que o Presidente da República não se iluda sobre o sentido latente em grande parte do território brasileiro e apenas na Bahia, em armas. Trata-se da restauração, conspira-se, forma-se o exército imperialista”. (“O Estado de São Paulo”, 9 de março de 1897, p. 1.) O texto apresentado indica a grande preocupação da elite dirigente do país, à época, com os acontecimentos que se desenrolavam no arraial de Canudos, na Bahia. a) Explique a caracterização do movimento de Canudos, feito pelo jornal, como restaurador. b) Aponte a preocupação da Igreja Católica com o crescimento da influência, exercida na época, pelo arraial de Canudos. 8. (UEG) A peça teatral “O santo e a porca”, de Ariano Suassuna, tem como referência histórica a Primeira República - período caracterizado por fenômenos socioculturais como cangaço e fervor religioso. Analise a relação do governo republicano com esses fenômenos.
90VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 9. (UFRJ) “A revolta deixou entre os participantes um forte sentimento de auto-estima, indispensável para formar um cidadão. Um repórter de ‘A Tribuna’ ouviu de um negro acapoeirado frases que atestam esse sentimento. Chamando sintomaticamente o jornalista de cidadão, o negro afirmou que a sublevação se fizera para ‘não andarem dizendo que o povo é carneiro’. O importante - acrescentou - era ‘mostrar ao governo que ele não põe o pé no pescoço do povo’.” Fonte: CARVALHO, José Murilo de. “Abaixo a vacina”, in: Revista Nossa História. Ano 2, no13, novembro 2004, p.73-79. A Revolta da Vacina (1904) a que se refere o texto, é considerada a principal revolta popular urbana da Primeira República (1889-1930). a) Cite e explique dois motivos geradores de insatisfações que levaram a população da cidade do Rio de Janeiro a rebelar-se em 1904. b) Identifique dois movimentos populares na área rural, à época da Primeira República. 10. (UFJF) “Com as grandes invenções: Nem o tal mata mosquitos, Nem também as desinfecções. Nem a compra dos tais ratos Não passa de vexatória. Agora querem impingir A vacina obrigatória.” O texto acima é um trecho de uma modinha composta por Rios Silva, chamada “Peste Bubon”, que se refere ao episódio que ficou conhecido como Revolta da Vacina, ocorrido no Rio de Janeiro, em 1904. Com base no texto e em seus conhecimentos, responda ao que se pede: a) Aponte duas razões que levaram à eclosão da Revolta da Vacina. b) Como este episódio está associado à reforma urbana implantada no Rio de Janeiro no período? E.O. Enem 1. (Enem) Charge capa da revista “O Malho”, de 1904. Disponível em: http://1bp.blogspot.com A imagem representa as manifestações nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, na primeira década do século XX, que integraram a Revolta da Vacina. Considerando o contexto político-social da época, essa revolta revela: a) a insatisfação da população com os benefícios de uma modernização urbana autoritária. b) a consciência da população pobre sobre a necessidade de vacinação para a erradicação das epidemias. c) a garantia do processo democrático instaurado com a República, através da defesa da liberdade de expressão da população. d) o planejamento do governo republicano na área de saúde, que abrangia a população em geral. e) o apoio ao governo republicano pela atitude de vacinar toda a população em vez de privilegiar a elite. 2. (Enem) As ruínas do povoado de Canudos, no sertão norte da Bahia, além de significativas para a identidade cultural, dessa região, são úteis às investigações sobre a Guerra de Canudos e o modo de vida dos antigos revoltosos. Essas ruínas foram reconhecidas como patrimônio cultural material pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) porque reúnem um conjunto de: a) objetos arqueológicos e paisagísticos. b) acervos museológicos e bibliográficos. c) núcleos urbanos e etnográficos d) práticas e representações de uma sociedade. e) expressões e técnicas de uma sociedade extinta. 3. (Enem) A serraria construía ramais ferroviários que adentravam as grandes matas, onde grandes locomotivas com guindastes e correntes gigantescas de mais de 100 metros arrastavam, para as composições de trem, as toras que jaziam abatidas por equipes de trabalhadores que anteriormente passavam pelo local. Quando o guindaste arrastava as grandes toras em direção à composição de trem, os ervais nativos que existiam em meio às matas eram destruídos por este deslocamento. MACHADO P. P. Lideranças do Contestado. Campinas: Unicamp. 2004 (adaptado). No início do século XX, uma série de empreendimentos capitalistas chegou à região do meio-oeste de Santa Catarina – ferrovias, serrarias e projetos de colonização. Os impactos sociais gerados por esse processo estão na origem da chamada Guerra do Contestado. Entre tais impactos, encontrava-se: a) a absorção dos trabalhadores rurais como trabalhadores da serraria, resultando em um processo de êxodo rural. b) o desemprego gerado pela introdução das novas máquinas, que diminuíam a necessidade de mão de obra. c) a desorganização da economia tradicional, que sustentava os posseiros e os trabalhadores rurais da região. d) a diminuição do poder dos grandes coronéis da região, que passavam disputar o poder político com os novos agentes. e) o crescimento dos conflitos entre os operários empregados nesses empreendimentos e os seus proprietários, ligados ao capital internacional.
91VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 4. (Enem) O artigo 402 do Código penal Brasileiro de 1890 dizia: Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal, conhecidos pela denominação de capoeiragem: andar em correrias, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, provocando tumulto ou desordens. Pena: Prisão de dois a seis meses. SOARES, C. E. L. A Negregada instituição: os capoeiras no Rio de Janeiro: 1850-1890. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994 (adaptado). O artigo do primeiro Código Penal Republicano naturaliza medidas socialmente excludentes. Nesse contexto, tal regulamento expressava: a) a manutenção de parte da legislação do Império com vistas ao controle da criminalidade urbana. b) a defesa do retorno do cativeiro e escravidão pelos primeiros governos do período republicano. c) o caráter disciplinador de uma sociedade industrializada, desejosa de um equilíbrio entre progresso e civilização. d) a criminalização de práticas culturais e a persistência de valores que vinculavam certos grupos ao passado de escravidão. e) o poder do regime escravista, que mantinha os negros como categoria social inferior, discriminada e segregada. 5. (Enem) No alvorecer do século XX, o Rio de Janeiro sofreu, de fato, uma intervenção que alterou profundamente sua fisionomia e estrutura, e que repercutiu como um terremoto nas condições de vida da população. BENCHIMOL, J. Reforma urbana e Revolta da Vacina na cidade do Rio de Janeiro. In: FERREIRA, J.; DELGADO, L. A.N. O Brasil republicano: o tempo do liberalismo excludente. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. O texto refere-se à reforma urbanística ocorrida na capital da República, na qual a ação governamental e seu resultado social encontram-se na: a) Cobrança de impostos — ocupação da periferia. b) Destruição de cortiços — revolta da população pobre. c) Criação do transporte de massa — ampliação das favelas. d) Construção de hospitais públicos — insatisfação da elite urbana. e) Edificação de novas moradias — concentração de trabalhadores. E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. (UERJ) Cheio de apreensões e receios despontou o dia de ontem, 14 de novembro de 1904. Muito cedo tiveram início os tumultos e depredações. Foi grande o tiroteio que se travou. Estavam formadas em toda a rua do Regente, estreita e cheia de casas velhas, grandes e fortes barricadas feitas de montões de pedras, sacos de areia, bondes virados, postes e pedaços de madeira arrancados às casas e às obras da avenida Passos. Jornal do Comércio, 15/11/1904. Adaptado de Nosso Século (1900-1910). São Paulo: Abril Cultural, 1980. O progresso envaidecera a cidade vestida de novo, principalmente inundada de claridade, com jornais nervosos que a convenciam de ser a mais bela do mundo. Era a transição da cidade doente para a maravilhosa. PEDRO CALMON (historiador/ 1902-1985). Adaptado de Nosso Século (1900-1910). São Paulo: Abril Cultural, 1980. Os textos referem-se aos efeitos da gestão do prefeito Pereira Passos (1902-1906), momento em que a cidade do Rio de Janeiro passou por uma de suas mais importantes reformas urbanas. Uma intervenção de destaque foi a abertura da avenida Central, hoje avenida Rio Branco, provocando não só elogios, como também conflitos sociais. A principal motivação para esses conflitos esteve relacionada à: a) restrição ao comércio popular b) devastação de áreas florestais c) demolição de moradias coletivas d) elevação das tarifas de transporte 2. (UERJ) http://www1.folha.uol.com.br http://www1.folha.uol.com.br O cangaço representou uma manifestação popular favorecida, basicamente, pela seguinte característica da conjuntura social e política da época:
92VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias a) cidadania restringida pelo voto censitário b) analfabetismo predominante nas áreas rurais c) criminalidade oriunda das taxas de desemprego d) hierarquização derivada da concentração fundiária 3. (UERJ) Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, mandamos esta honrada mensagem para que Vossa Excelência faça aos marinheiros brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da República nos facilitam. Tem Vossa Excelência 12 horas para mandar-nos a resposta satisfatória, sob pena de ver a Pátria aniquilada. Adaptado do memorial enviado pelos marinheiros ao presidente Hermes da Fonseca, em 1910. In: MARANHÃO, Ricardo e MENDES JUNIOR, Antônio. Brasil história: texto e consulta. São Paulo: Brasiliense, 1983. Os participantes da Revolta da Chibata (1910-1911) exigiam direitos de cidadania garantidos pela Constituição da época. As limitações ao pleno exercício desses direitos, na Primeira República, foram causadas pela permanência de: a) hierarquias sociais herdadas do escravismo. b) privilégios econômicos mantidos pelo Exército. c) dissidências políticas relacionadas ao federalismo. d) preconceitos étnicos justificados pelas teorias científicas. 4. (UERJ) Prisioneiros de Canudos http://acervos.ims.uol.com.br A Guerra de Canudos, de 1896 a 1897, foi um dos principais conflitos que marcaram o início do período republicano no Brasil. Os prisioneiros retratados na foto são sobreviventes dessa guerra, sertanejos vítimas de exclusão social e política. Os fatores responsáveis por essa exclusão, naquele contexto, foram: a) êxodo rural – voto de cabresto b) desemprego – reação monarquista c) crise agrícola – sincretismo religioso d) concentração fundiária – coronelismo 5. (UERJ 2018) Miséria em revolta. Movimento grevista assume cada vez maiores proporções. Apresenta-se com aspecto cada vez mais alarmante o movimento que começou no Cotonifício Crespi e se propagou a outras fábricas em número avultado. Não há como negar a justiça do movimento grevista. São suas causas inegáveis: salários baixos e vida caríssima. Com elas coincide a época de ouro da indústria, que trabalha como nunca e tem lucros como jamais. Censuram-se as violências dos grevistas. Entretanto, no fundo, não se encontraria uma justificação para essa atitude? Pais de família que vivem sendo explorados pelos patrões, que veem os industriais fazendo-se milionários à custa de seu suor e de sua miséria. Esses pais não podem ter a calma precisa para reclamar dentro de uma lei que não os protege, antes permite que o seu sangue seja sugado por vampiros insaciáveis. O Combate, 12/07/1917. Adaptado de memoria.bn.br. De greve em greve Ao longo da história republicana, vários movimentos sociais preferiram interpretação própria da modernização, como expansão de direitos. E agiram para converter ideia em fato. São Paulo viu isso em 1917, quando assistiu a sua primeira greve geral. A cidade parou. Aderiram categorias em cascata, demandantes de melhoras salariais e de condições de trabalho. Manifestantes daquele tempo se parecem mais com os de hoje do que se possa imaginar. A resposta das autoridades de então também segue a moda. Em 1917, um jovem sapateiro espanhol foi baleado no estômago. Em 2017, um estudante teve a cabeça golpeada com um cassetete. O enterro do sapateiro virou a maior manifestação de protesto que os paulistanos tinham visto até então. Já na greve geral de abril de 2017, 35 milhões de pessoas pararam, segundo os sindicatos. Angela Alonso Adaptado de Folha de São Paulo, 07/05/2017. As matérias jornalísticas referem-se a movimentos grevistas ocorridos no Brasil nos anos de 1917 e 2017, apresentando contextos diretamente associados aos conflitos entre capital e trabalho em área urbana. Tendo como base essas matérias, as principais semelhanças entre os dois contextos mencionados se relacionam aos seguintes fatores: a) precarização salarial e ampliação da regulação estatal b) aumento do desemprego e revisão de leis trabalhistas c) repressão policial e relevância das reivindicações populares d) ilegalidade da ação sindical e desqualificação da mão de obra E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicampe Unifesp) 1. (Unesp) Durante o período da presidência de Rodrigues Alves (1902-1906), o Rio de Janeiro passou por um amplo processo de reurbanização. Um dos objetivos desse processo foi: a) a democratização no uso do espaço urbano, com a criação de áreas de lazer e de divertimento popular. b) o estímulo ao turismo e à organização de grandes eventos na cidade, aumentando a captação de recursos financeiros.
93VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias c) a ocupação sistemática dos morros, ampliando a disponibilidade de áreas de residência e prestação de serviços. d) a melhoria da higiene e do saneamento urbanos, com a vacinação obrigatória e a erradicação de epidemias. e) o combate à violência e ao crime organizado, que proliferavam nos morros e nas áreas centrais da cidade. 2. (Unesp) Nunca se viu uma campanha como esta, em que ambas as partes sustentaram ferozmente as suas aspirações opostas. Vencidos os inimigos, vós lhes ordenáveis que levantassem um viva à República e eles o levantavam à Monarquia e, ato contínuo, atiravam-se às fogueiras que incendiavam a cidade, convencidos de que tinham cumprido o seu dever de fiéis defensores da Monarquia. (Gazeta de Notícias, 28.10.1897 apud Maria de Lourdes Monaco Janotti. Sociedade e política na Primeira República.) O texto é parte da ordem do dia, 06.10.1897, do general Artur Oscar e trata dos momentos finais de Canudos. Para o militar, o principal motivo da luta dos canudenses era a: a) restauração monárquica, embora hoje saibamos que a rejeição à República era apenas uma das razões da rebeldia. b) valorização dos senhores rurais, ligados ao monarca, cujo poder era ameaçado pelo crescimento e enriquecimento das cidades. c) restauração monárquica, que, hoje sabemos, era de fato a única razão da longa resistência dos sertanejos. d) valorização do meio rural, embora hoje saibamos que Antônio Conselheiro não apoiava os incêndios provocados por monarquistas nas cidades republicanas. e) restauração monárquica, o que fez com que a luta de Antônio Conselheiro recebesse amplo apoio dos monarquistas do sul do Brasil. 3. (Fuvest) — Não entra a polícia! Não deixa entrar! Aguenta! Aguenta! — Não entra! Não entra! repercutiu a multidão em coro. E todo o cortiço ferveu que nem uma panela ao fogo. — Aguenta! Aguenta! Aluísio Azevedo, O cortiço, 1890, parte X. O fragmento acima mostra a resistência dos moradores de um cortiço à entrada de policiais no local. O romance de Aluísio Azevedo: a) representa as transformações urbanas do Rio de Janeiro no período posterior à abolição da escravidão e o difícil convívio entre ex-escravos, imigrantes e poder público. b) defende a monarquia recém-derrubada e demonstra a dificuldade da República brasileira de manter a tranquilidade e a harmonia social após as lutas pela consolidação do novo regime. c) denuncia a falta de policiamento na então capital brasileira e atribui os problemas sociais existentes ao desprezo da elite paulista cafeicultora em relação ao Rio de Janeiro. d) valoriza as lutas sociais que se travavam nos morros e na periferia da então capital federal e as considera um exemplo para os demais setores explorados da população brasileira. e) apresenta a imigração como a principal origem dos males sociais por que o país passava, pois os novos empregados assalariados tiraram o trabalho dos escravos e os marginalizaram. 4. (Unicamp) A reação popular conhecida como Revolta da Vacina se distinguiu pelo trágico desencontro de boas intenções: as de Oswaldo Cruz e as da população. Mas em nenhum momento podemos acusar o povo de falta de clareza sobre o que acontecia à sua volta. Ele tinha noção clara dos limites da ação do Estado. (Adaptado de José Murilo de Carvalho, “Abaixo a vacina!”. Revista Nossa História, ano 2, nº 13, novembro de 2004, p. 74.) A Revolta da Vacina pode ser considerada como uma reação popular contra a ação do Estado porque: a) o povo não se revoltava contra a obrigatoriedade da vacinação, mas contra os meios violentos pelos quais o Estado a executava, demolindo cortiços e expulsando os pobres para os morros. b) o povo se revoltava contra certas medidas do governo, como a expulsão de moradores e a demolição de cortiços para a abertura de avenidas, e a vacinação obrigatória, realizada com intervenção violenta da polícia. c) o povo se revoltava contra a ação do Estado, por considerá-la um desrespeito à moral das famílias, embora desejasse a vacinação gratuita e obrigatória. d) o povo se revoltava contra a obrigatoriedade da vacinação porque essa medida era tomada por um governo ditatorial, que fechou o congresso nacional e ficou conhecido como “república da espada”. 5. (Unesp 2018) Entre as manifestações místicas presentes no Nordeste brasileiro no final do Império e nas primeiras décadas da República, identificam-se a) as pregações do Padre Ibiapina, relacionadas à defesa do protestantismo calvinista, e a literatura de cordel, que cantava os mitos e as lendas da região. b) o cangaço, que realizava saques a armazéns para roubar alimentos e distribuí-los aos famintos, e o coronelismo, com suas práticas assistencialistas. c) a liderança do Padre Cícero, vinculada à dinâmica política tradicional da região, e o movimento de Canudos, com características de contestação social. d) a peregrinação de multidões a Juazeiro do Norte, para pedir graças aos padres milagreiros, e a liderança messiânica do fazendeiro pernambucano Delmiro Gouveia. e) a ação catequizadora de padres e bispos ligados à Igreja católica e a atuação do líder José Maria, que comandou a resistência na região do Contestado.
94VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 6. (Unicamp 2018) Em julho de 1917, convocou-se, em São Paulo, uma greve geral, com adesão de 45.000 trabalhadores, para pedir aumento salarial. A greve se estendeu ao Rio de Janeiro e levou o governo a reforçar o aparato repressivo e decretar estado de sítio em 1918. Nos anos de 1917-1919, o Chile registrou o recrudescimento da agitação sindical. Mobilizavam-se com facilidade 100.000 trabalhadores, como durante as manifestações contra o custo dos alimentos em 1918 e 1919. A Argentina foi outro país que teve um movimento sindical poderoso. Entre 1917 e 1921, o movimento sindical conheceu seu apogeu. Apenas durante o ano de 1919, registraram-se 367 greves na capital Buenos Aires. (Adaptado de Olivier Dabène, América Latina no século XX. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003, p. 64-65.) Considerando o texto acima e seus conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa correta. a) Os movimentos grevistas foram espontâneos e apartidários nos anos de 1910, rejeitando a infiltração ideológica das lideranças sindicais, de maioria marxista e comunista, pouco mobilizadoras no período. b) Os movimentos sindicais estavam em processo de fortalecimento, entre outras razões, pela intensa ruralização dos países latino-americanos na década de 1900. c) O processo de fortalecimento dos movimentos sindicais enfrentou um forte aparato repressivo, nos anos de 1920, marcado pela colaboração entre os Estados latino-americanos. d) Os movimentos sindicais latino-americanos apresentavam, em 1917, especificidades em relação aos da Europa quanto às pautas reivindicatórias dos trabalhadores. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Fuvest) A cidade do Rio de Janeiro abre o século XX defrontando-se com perspectivas extremamente promissoras. Aproveitando-se de seu papel privilegiado na intermediação dos recursos da economia cafeeira e de sua condição de centro político do país, a sociedade carioca via acumularem-se no seu interior vastos recursos enraizados principalmente no comércio e nas finanças, mas derivando já para as aplicações industriais. A mudança da natureza das atividades econômicas do Rio foi de monta, portanto, a transformá-lo no maior centro cosmopolita da nação, em íntimo contato com a produção e o comércio europeus e americanos, absorvendo-os e irradiando-os para todo o país. Muito cedo, no entanto, ficou evidente o anacronismo da velha estrutura urbana do Rio de Janeiro diante das demandas dos novos tempos. SEVCENKO, Nicolau. Literatura como missão. Tensões sociais e criação cultural na Primeira República. São Paulo: Brasiliense, 1983. Adaptado. a) Cite dois exemplos que justifiquem o mencionado “anacronismo da velha estrutura urbana do Rio de Janeiro”. b) Cite duas importantes mudanças socioeconômicas pelas quais a cidade do Rio de Janeiro passou no princípio do século XX. 2. (Unesp) O número dos bandos de cangaceiros assume às vezes proporções assombrosas, mui especialmente quando se destinam à tomada duma vila ou cidade. Centenas de criminosos apoderaram-se do Crato, no Ceará, e de Alagoa do Monteiro, na Paraíba. Duzentos homens atacaram Tamboril, no sertão cearense. Quinhentos bandidos saquearam a cidade paraibana de Patos. Trezentos incendiaram a cidade cearense de Aurora. Quatrocentos derrotaram a polícia da Paraíba em Carrapateira, Amparo e Monteiro, ameaçando tocar fogo na vila do Teixeira, violar as mulheres e sangrar os homens. (...) (Gustavo Barroso, 1917 apud Gregg Narber, Entre a Cruz e a Espada: violência e misticismo no Brasil rural) Analise as condições históricas que intensificaram o fenômeno do Cangaço, nas primeiras décadas do século XX. 3. (Fuvest) “Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até ao esgotamento completo. [...] Caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.” Euclides da Cunha, “Os Sertões”. Relacione o movimento de Canudos com a) os problemas econômico-sociais da região. b) a crença religiosa e a luta política da população. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. C 2. C 3. B 4. C 5. C 6. C 7. A 8. B 9. D 10. B E.O. Fixação 1. A 2. D 3. E 4. B 5. B 6. C 7. B 8. D 9. D 10. C E.O. Complementar 1. D 2. B 3. D 4. B 5. 02 + 08 + 32 = 42 E.O. Dissertativo 1. a) A partir dos primeiros anos da República, começou a evidenciar-se a grande distância que separava a nova ordem moderna que as lideranças políticas e intelectuais tentavam instaurar na capital federal e as práticas e tradições costumeiras dos ex-escravos e seus descen-
95VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias dentes, alvos maiores desse impulso civilizador. Dessa distancia entre os projetos republicanos e as aspirações e experiências populares resultaram momentos de tensão e conflito como aquele expresso na imagem - que remete para a antipatia dos trabalhadores cariocas em relação aos princípios da Ciência defendidos pelas autoridades republicanas. b) O candidato poderá citar: • Guerra de Canudos (1897): ataque do exército republicano ao Arraial de Canudos, visto como foco de atraso e de resistência monárquica. • Revolta da Chibata (1910): revolta dos marinheiros contra a imposição de castigo físico aos marujos da Armada. • Guerra do Contestado (1912-1916): conflito armado em uma região de fronteira entre Paraná e Santa Catarina que opôs forças dos governos federal e estadual à população cabocla local, marcada por crenças messiânicas que as autoridades republicanas não conseguiam compreender. • Greve geral (1917): articulação de amplo movimento grevista em São Paulo e no Rio de Janeiro para combater os baixos salários e as más condições de vida dos trabalhadores urbanos. 2. a) Na carta pode-se verificar que os cangaceiros intimidavam os fazendeiros e ainda saqueavam suas propriedades. Esta característica pode ser explicada pela configuração econômico-social do espaço em que eles atuavam. No sertão nordestino predominava o latifúndio e a intensa exploração dos trabalhadores. b) Na imagem fica evidente a configuração dos cangaceiros como grupo armado. Essa característica explica o sucesso das ações do bando e o terror que causava aos fazendeiros e ao Estado. 3. A economia de Canudos se caracterizava por ser comunitária e a sobrevivência do povoado se dava através de práticas agrícolas em conjunto, mas também pelo saque ou pelo comércio com fazendas vizinhas. As práticas espirituais se davam em uma capela construída no interior do povoado e seguiam as orientações eram feitas por Antônio Conselheiro, líder da comunidade. 4. a) Na charge, há um jogo de palavras. A ironia de que Antônio Conselheiro “estaria pintando o diabo” estabelece uma relação com a religiosidade popular, que encara o diabo como a representação do mal. Nesse sentido, a crítica relaciona-se à demonização de Antônio Conselheiro, disseminada durante o período republicano, quando sua figura passa a ser associada ao Monarquismo e ao fanatismo religioso. Ao mesmo tempo, há a indicação de um líder resistente, que “está dando o que fazer” e “pintando o diabo”. No fragmento de Machado de Assis, a referência ao desconhecimento do discurso dos amotinados de Canudos indica que, na realidade, há indiferença quanto aos princípios que mobilizam os seguidores de Conselheiro. Ainda, quando faz tal crítica, Machado sugere que é preciso algo mais do que apenas adjetivar os seguidores de Conselheiro como fanáticos, propondo, então, uma reflexão sobre o vínculo estabelecido entre o Conselheiro e seus seguidores – vínculo, segundo ele, “moral e fortíssimo”. b) Era importante para o governo republicano disseminar uma imagem negativa da comunidade de Canudos, visto que a resistência dessa comunidade às incursões militares associava a República à fraqueza político-administrativa. Esse movimento reforçava as dificuldades vividas, no decurso das primeiras décadas republicanas, quando assistia-se às várias mobilizações sociais no campo e na cidade, que exigiam do governo ações pontuais para controlar os descontentamentos. Além disso, as pregações de Antônio Conselheiro foram vinculadas ao monarquismo por introduzirem críticas às políticas implementadas pelo regime republicano, tais como o casamento e o registro civil, e a separação entre Igreja e Estado. 5. a) A crítica que o documento faz à República é em relação aos poderes conferidos ao Presidente. Este, por não ter o seu poder legitimado por Deus, representa a tirania e, portanto, governa ilegitimamente. b) A população sertaneja, ex-cangaceiros, deficientes físicos, vítimas de doenças e prostitutas poderiam ter sido citados como grupos sociais presentes em Canudos. A motivação desses grupos se dá pelo descaso do governo em relação a eles, a falta de oportunidades e a exploração por parte de ricos proprietários. 6. a) A afirmativa do brigadeiro revela a maneira pela qual o governo tratava os movimentos sociais. A foto claramente revela uma população camponesa que vivia em condições miseráveis e encontraram em Canudos a única saída para o descaso do governo em relação a eles e a exploração dos grandes proprietários de terra. b) As críticas veementes à República e a defesa da Monarquia, associada à retomada do mito português do sebastianismo por parte de Antônio Conselheiro, serviram de argumento àqueles que viam no movimento de Canudos um obstáculo à consolidação da República. No entanto, tal argumento carecia de fundamento, pois o movimento não se configurava como monarquista, dada a ignorância dos sertanejos seguidores de Conselheiro quanto às questões políticas e o fato destes integrarem o movimento em busca de melhores condições de vida. 7. a) As dificuldades iniciais do regime republicano no Brasil levavam muitos a identificar qualquer movimento contrário à situação vigente como de restauração monárquica. No caso de Canudos, as críticas do Conselheiro a determinadas medidas do governo republicano e a ação autônoma do movimento estimularam este tipo de acusação.
96VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias b) O desenvolvimento, no interior do país e, em especial, em Canudos, de uma religiosidade popular desvinculada da hierarquia católica gerava nesta o temor da perda de controle sobre uma imensa gama de fiéis. 8. O governo republicano brasileiro tratou esses dois fenômenos de maneira diversa. No caso do cangaço, apesar de muitas vezes ser combatido no âmbito local, foi também utilizado pelo governo, como no caso do grupo liderado por Lampião, para fazer frente à Coluna Prestes. No caso dos movimentos religiosos populares, principalmente de caráter messiânico, ocorridos na Primeira República, o governo brasileiro tratou de forma repressiva, como pode ser notado no caso do movimento de Canudos, no interior da Bahia e Contestado, em Santa Catarina. 9. a) Alguns motivos para a insatisfação popular que levou à Revolta: o rígido regulamento aprovado pelo Congresso Nacional destinado a promover a campanha de vacinação para eliminar os focos de varíola que tomavam conta da cidade (obrigatoriedade da vacinação; isolamento à força dos doentes; multa aos refratários, etc.); a falta de amplo esclarecimento público sobre a campanha; a tensão vivida por setores da população com as repercussões da reforma urbana. b) Canudos e Contestado. 10. a) Entre as várias razões que podem ser apontadas, destacam-se: 1. A reforma urbana, implementada no governo Rodrigues Alves, levou à demolição das moradias populares, gerando insatisfações generalizadas. 2. O autoritarismo utilizado na implementação da vacina anti-variólica, sem que um processo prévio de esclarecimento da população fosse realizado. 3. A oposição à obrigatoriedade da vacinação por parte de alguns setores, tais como: movimento operário organizado, positivistas, jacobinos e outros. 4. Sentimento de desrespeito à privacidade sentido por parte da população, em razão da presença dos agentes de saúde em suas casas e do contato corporal exigido pelo processo de vacinação. 5. Incerteza da população quanto à eficácia da vacina. 6. O uso político, de alguns opositores ao governo Rodrigues Alves, do descontentamento popular. b) O projeto do prefeito Pereira Passos previa a modernização da capital federal - objetivava a organização urbana e arquitetônica da cidade, com base em modelos europeus e na tentativa da construção de uma “Paris dos trópicos”. Esta programação excluía amplos setores da população, que se rebelaram, por terem sido desalojados de suas moradias. E.O. Enem 1. A 2. A 3. C 4. D 5. B E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. C 2. D 3. A 4. D 5. C E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. D 2. A 3. A 4. B 5. C 6. D E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) Podemos citar: 1) a insalubridade da cidade, responsável pela epidemia de algumas doenças, como a varíola e 2) a presença de diversos cortiços na cidade, construídos em antigos casarões. b) Podemos citar: 1) derrubada dos cortiços (política do “bota-abaixo” de Pereira Passos) e 2) grande chegada de imigrantes à cidade. 2. A estagnação econômica de regiões como o sertão nordestino, além da concentração fundiária e de renda da região e a exploração da comunidade sertaneja concorrem para o surgimento do cangaço nas primeiras décadas do século XX. 3. a) A região era marcada pela concentração fundiária, a exploração do trabalho de camponeses e o descaso de políticas públicas. Esse cenário abrigava uma população miserável e sem perspectivas de mudança em relação a essas condições. b) Em um contexto de pobreza e miséria, a religião se apresenta como alternativa a população camponesa do sertão da Bahia que passa a seguir Antônio Conselheiro que, indiretamente inicia uma luta política de maneira autônoma com a fundação do povoado de Canudos.
97VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (UECE) Atente às seguintes afirmações acerca do Movimento Tenentista no Brasil. I. O Tenentismo surgiu entre militares, especialmente entre os militares de baixa patente. II. Os Tenentes, de modo geral oriundos das camadas médias da população, defendiam a moralização da vida política. III. Nos anos 1920, organizaram várias ações militares, entre elas o chamado Levante de Copacabana. IV. Os Tenentistas pretendiam um governo comunista e exigiram, a partir de 1922, que seus líderes se filiassem ao PCB (Partido Comunista Brasileiro). Está correto o que se afirma apenas em: a) I e IV. b) I, II e III. c) II e III. d) III e IV. 2. (FGV) Observe a tabela. Indústria – 1920 – Percentagem por ramos Produção (valor) % % Indústria da alimentação 1.200.118 : 000$ 40,2 Indústrias têxteis 825.400 : 650$ 27,6 Indústria do vestuário e toucador 246.201 : 560$ 8,2 Indústria de produtos químicos propriamente ditos e análogos 237.315 : 001$ 7,9 Outros grupos industriais 480:141 070$ 16,1 Total 2.989.176 : 281$ 100,00 (Recenseamento do Brasil, 1920 Apud Boris Fausto, A revolução de 1930: historiografia e história, 1979, p. 20) A partir dos dados, é correto afirmar que a indústria brasileira, em 1920: a) concentrava a sua produção em grandes fábricas, especialmente localizadas nas capitais nordestinas, com o aproveitamento das matérias-primas locais, como a juta. b) apresentava-se como a principal atividade econômica do país, superando as rendas da exportação do café, prejudicadas pelos efeitos da Primeira Guerra Mundial. c) caracterizava-se pela dependência do setor agrário- -exportador e pela presença pouco representativa dos ramos da infraestrutura industrial, caso da siderurgia. d) representava o sucesso da política federal de apoio à indústria de base, concretizada nas isenções tributárias e nos empréstimos públicos oferecidos aos industriais. e) revelava um crescimento sólido e surpreendente, porque contou com rígidas leis protecionistas, como a que restringia a importação de bens de consumo duráveis. 3. (PUC-RJ) Período de intensas discussões e questionamentos acerca dos rumos da República, os “anos 20” foram uma época de crise, mas também de fertilidade da vida brasileira. Naquele momento, variados projetos políticos e culturais foram elaborados tendo por objetivos organizar a sociedade e propiciar um sentido de pertencimento à população brasileira. A respeito da forma como se comportaram os distintos grupos sociais frente a esses projetos, assinale a afirmativa CORRETA. a) A ausência de leis trabalhistas e a repressão imposta pelo governo impediam qualquer mobilização entre os trabalhadores urbanos, que se mantiveram alheios ao debate. b) Entre a jovem oficialidade militar brasileira, o chamado movimento tenentista questionava o caráter oligárquico da República brasileira e clamava por um papel proeminente das camadas populares na condução dos rumos da nação. c) O movimento artístico e cultural modernista, surgido no seio das camadas populares, propunha-se a descobrir a “essência” da brasilidade a partir da valorização de aspectos regionais da sociedade brasileira. d) A despeito dos questionamentos aos rumos da República, a Igreja Católica continuava a ser uma fiel aliada dos governos da Primeira República em função da manutenção da união Estado-Igreja, garantida pela Constituição de 1891, e da valorização do ensino religioso nas escolas. e) A precariedade de educação e de saúde da maior parte da população eram entendidas por educadores e sanitaristas como um entrave ao desenvolvimento da nação brasileira. Por essa razão, alguns deles defendiam a necessidade da formulação de projetos nacionais unificados de ensino e saúde públicos que pressupunham uma reforma do Estado brasileiro. CRISE NA REPÚBLICA OLIGÁRQUICA E REVOLUÇÃO DE 1930 COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4 e 5 HABILIDADE(s) 2, 3, 5, 9, 10, 11, 13, 15, 22 e 25 CH AULAS 31 E 32
98VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 4. (UPE) As eleições de março de 1922 e o governo de Arthur Bernardes podem ser considerados um exemplo expressivo do tipo de resposta que a política brasileira daria à discussão sobre o caráter desmobilizador da legislação social. (GOMES, Angela Maria de Castro. Burguesia e Trabalho. Política e legislação social no Brasil 1917- 1937. Rio de Janeiro: Campus, 1979, p. 91.) Esse governo se caracterizou no âmbito sociopolítico pela: a) legalização das ações do movimento operário e rápida valorização de câmbio e inflação. b) aceleração da produção industrial e escassez de mão de obra, proporcionada pelas migrações internas. c) decretação sucessiva de estado de sítio e pela repressão aos oficiais rebeldes do movimento tenentista e aos sindicatos e às associações operárias. d) mobilização substancial do movimento operário e ausência de pressão da burguesia urbana no governo. e) desregulamentação do seguro social, promovida pela lei ‘Eloy Chaves’, apresentada pelo deputado paulista. 5. (PUC-RS) O Movimento Tenentista foi um dos principais fatores de desestabilização da República Velha. Sobre esse movimento, é INCORRETO afirmar que: a) foi provocado pelo descontentamento da baixa oficialidade do Exército com suas condições de trabalho e com o sistema político do período, baseado no controle do poder pelas elites agrárias do País. b) pregou, entre outras medidas, o voto secreto, a independência do Poder Judiciário e um Estado mais centralizado no Governo Federal. c) caracterizou-se pela formação de Colunas, como a Coluna Prestes, agrupamentos militares rebeldes que atravessaram o País, procurando mobilizar a população contra o Governo Federal. d) opôs-se à Aliança Liberal e à Revolução de 30, pois a maioria de seus integrantes via, em Getúlio Vargas e no grupo que ascendeu ao poder com ele, a continuidade dos mesmos vícios políticos do regime anterior. e) teve, como principais líderes: Eduardo Gomes, um dos heróis da Revolta dos 18 do Forte de Copacabana; Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, comandantes da famosa Coluna Miguel Costa-Prestes. 6. (PUC-RS) A Aliança Liberal, que em 1930 apresentou a candidatura de Getúlio Vargas à Presidência da República, em oposição ao candidato situacionista Júlio Prestes, NÃO defendeu a proposta de a) representação popular pelo voto secreto, com instalação da Justiça Eleitoral. b) anistia para os revolucionários do Movimento Tenentista, como ocorreu em 1922 e 1924. c) voto universal para maiores de 21 anos, estendido a mulheres e analfabetos. d) adoção de medidas econômicas protecionistas para produtos de exportação, como o café. e) medidas de proteção aos trabalhadores, como a extensão do direito à aposentadoria. 7. (UFRGS) Leia o texto abaixo. O período republicano pode ser considerado emblemático quanto à questão dos conflitos armados ocorridos no Rio Grande do Sul. Inaugura-se com uma guerra civil, considerada um dos mais mortíferos conflitos desse tipo havidos no Brasil – algumas estimativas referem que deixou algo em torno de 10 mil mortos –, e se estende no sentido da superação de formas anteriores de resolução de pendengas político-partidárias, mediante violência física aberta por meios mais brandos, formalizados. GRIJÓ, L.A. Entre a barbárie e a civilização: os conflitos armados no período republicano. In: NEUMANN, E.; GRIJÓ, L.A. (orgs.) O continente em armas: uma história da guerra no sul do Brasil. Rio de Janeiro: Apicuri, 2010. p. 159. Considere as seguintes afirmações sobre o que pode ser incluído nesse período. I. A revolução Federalista de 1893, que opôs os partidários de Gaspar Silveira Martins do Partido Liberal, aos partidários do Partido Republicano Rio-Grandense, liderados por Júlio de Castilhos. II. A chamada Revolução “Libertadora” de 1923, que colocou em campos opostos, de um lado, federalistas (Raul Pilla) e democratas (Assis Brasil) e, de outro, o Partido Republicano Rio-Grandense. III. Os distúrbios que se seguiram à revolução de 1930 e à “constitucionalista” de 1932. Quais estão corretas? a) Apenas I. d) Apenas I e II. b) Apenas II. e) I, II e III. c) Apenas III. 8. No dia 5 de julho de 1922, três dias depois de ter sido decretada a prisão de Hermes da Fonseca, 302 jovens militares do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, se sublevaram. Para reprimi-los, o governo enviou para lá cerca de 3 mil soldados, que cercaram a fortaleza. Numericamente inferiorizados, a grande maioria dos amotinados se rendeu, mas poucos militares, mesmo sem condições de enfrentar as tropas legalistas, saíram pelas ruas de Copacabana de armas em punho. No meio do caminho, alguns rebeldes debandaram [...]. Nos tiroteios que se seguiram, apenas dois rebeldes sobreviveram.” (AZEVEDO & SERIACOPI, 2007). O texto acima, descreve o(a) a) Intentona Comunista”, movimento desencadeado a partir de alguns quartéis do Rio de Janeiro, Recife e Natal, e que seguindo o exemplo do que ocorria na Rússia, objetivava a implantação do comunismo no Brasil. b) revolta dos “302 do Forte”, tentativa de golpe de Estado que tinha como intuito colocar o Marechal Hermes da Fonseca na presidência do País. c) “Intentona Integralista”, tentativa de tomada de poder por forças de extrema direita, com o objetivo de introduzir um governo centralizado com fortalecimento do Poder Executivo.
99VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias d) episódio que ficou conhecido como os “18 do Forte”, e que marca o início do movimento conhecido como Tenentismo. e) “Revolta da Armada”, iniciada no Rio de Janeiro e disseminada por todo o sul do Brasil, unindo forças com os integrantes da Revolta Federalista. 9. (Cefet MG) Entre os acontecimentos que agitaram o Brasil em 1922, destaca-se a disputa eleitoral entre Arthur Bernardes, sustentado por Minas Gerais e São Paulo, e Nilo Peçanha, do Rio de Janeiro, ligado à chamada Reação Republicana. Sobre esse contexto da história brasileira, afirma-se que: I. o movimento tenentista foi base de apoio da Reação Republicana. II. a Reação Republicana quis estabelecer um eixo alternativo de poder. III. o movimento tenentista defendeu a moralização da política eleitoral. IV. a participação dos tenentes garantiu um processo eleitoral sem fraudes. V. os tenentes conquistaram a vitória de seu candidato da Reação Republicana. Estão corretas apenas as alternativas: a) I, II e III. b) I, II e IV. c) I, III e IV. d) II, IV e V. e) III, IV e V. 10. (Udesc) Leia o excerto abaixo: “Na década de vinte, o tenentismo é o centro mais importante de ataque ao predomínio da burguesia cafeeira, revelando traços específicos, que não podem ser reduzidos simplesmente ao protesto das classes médias. Se sua contestação tem um conteúdo moderno, expresso em um tímido programa modernizador, a tática posta em prática é radical e altera as regras do jogo, com a tentativa aberta de assumir o poder pelo caminho das armas.” FAUSTO, Boris. A Revolução de 1930: historiografia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 113. A partir das considerações de Boris Fausto a respeito do tenentismo na história do Brasil, analise as proposições. I. Surgido no interior das forças armadas, o movimento tenentista foi um dos fatores de instabilidade política e militar na década de 20. II. As rebeliões militares, que marcaram a década de 20, evidenciam tanto a insatisfação de parte das camadas urbanas com o regime oligárquico quanto a própria situação dos militares que recebiam baixos salários e ocupavam posição inferior no Estado. III. Na década de 20, uma série de ações de protestos de jovens oficiais, tenentes e capitães que pregavam maior moralidade política e administrativa, no governo republicano, ficou conhecida como tenentismo. Assinale a alternativa CORRETA. a) Somente a afirmativa I é verdadeira. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. c) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. d) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. E.O. Fixação 1. (Mackenzie) Em 2012, completam-se 90 anos da Semana de Arte Moderna, marco de renovações artístico-culturais do Brasil. A respeito desse acontecimento, assinale a alternativa INCORRETA. a) Internacionalismo e nacionalismo foram, simultaneamente, suas características básicas. O nacionalismo, em especial, viria como decorrência de afirmação, presente desde a implantação da República em 1889, de uma arte e cultura genuinamente brasileiras. b) Tal Semana exprimia o anseio de uma nova mentalidade intelectual, insatisfeita com o status quo das artes de então. Por isso, tinha como um dos objetivos centrais a modernização, por meio de um olhar para o social e para o que havia de mais avançado na criação artística. c) Existia naquele movimento um olhar para o futuro, que trazia um desejo de ruptura, de inovação e de experimentação. Mas, ao mesmo tempo, marcava presença um sentimento de nostalgia, um retomar das raízes culturais que marcaram a formação histórica do país. d) Internacionalismo e nacionalismo foram, simultaneamente, seus aspectos básicos. As letras e as artes do período desejavam o rompimento com o século XIX, e seu academicismo, sendo o exterior – em especial a Europa – símbolo desse rompimento. e) Por partirem de concepções nacionalistas, esses artistas negavam as influências externas na cultura brasileira. Para eles, uma arte genuinamente brasileira somente aconteceria por meio do total afastamento em relação às principais vanguardas europeias. 2. (Mackenzie) A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um marco cultural e a expressão da busca de um novo Brasil que conseguisse superar suas características arcaicas, refletindo mudanças em todas as áreas de nosso país. Em 1928, Oswald de Andrade publicou o Manifesto Antropofágico, que procurou “traduzir” o espírito da cultura nacional. A respeito do contexto histórico e cultural da época, é correto afirmar que: a) Como proposta de mudança para a Arte do século XX, ao se aceitarem as influências estrangeiras, sem se menosprezar a identidade nacional, e sim reforçando- -a, retoma-se a proposta da antropofagia como “ferramenta” na elaboração da verdadeira cultura nacional. b) Todas as novas correntes artísticas advindas da Europa, no início do século XX, são fundamentais para a elaboração de uma cultura verdadeiramente nacional, pois estavam engajadas na preocupação de favorecer as classes trabalhadoras dentro da nova sociedade moderna mundial.
100VOLUME 4 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias c) O Modernismo brasileiro surgiu com a intenção de promover uma atualização da arte brasileira, capaz de ajudar na consolidação da identidade nacional de tal forma que tiveram de se desligar da influência cultural externa para a dedicação única da arte, considerada nacional e genuína. d) Reflete um novo posicionamento em relação à Arte no Brasil, reproduzindo as ideias que, no plano político, eram defendidas pelo movimento Verde-Amarelismo de Plínio Salgado que defendia a presença de estrangeirismos em nossa cultura. e) Mostra o rompimento de vários artistas nacionais, como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, com as influências externas, principalmente com o movimento futurista italiano, profundamente aliado aos ideais fascistas e autoritários. 3. (UPE) Considere a imagem seguinte: Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/modernismo/arte-moderna-1.php O quadro Os operários (1933), de Tarsila do Amaral, é um dos exemplos da arte moderna brasileira. Com base na análise desse quadro e no contexto histórico de sua produção, analise as seguintes afirmações: I. Esse quadro foi o marco inicial da pintura modernista no Brasil. II. A Semana de Arte Moderna, realizada no Rio de Janeiro, em 1922, foi um dos eventos iniciais de divulgação da estética modernista no país. III. O quadro Os operários representa, entre outras questões, a diversidade étnica do povo brasileiro. IV. Além de Tarsila do Amaral, destacaram-se, na pintura modernista brasileira, as figuras de Anita Malfatti e Cândido Portinari. V. A presença africana no Brasil também está representada na referida obra da artista. Estão CORRETAS a) I, II e IV. b) II, IV e V. c) III, IV e V. d) I, III e V. e) II, III e V. 4. (UFRGS) Em 1924, grupos de militares rebeldes, que ficaram conhecidos como “tenentes”, revoltaram-se em São Paulo e no Rio Grande do Sul. O movimento paulista liderado por Miguel Costa; e o rio-grandense, por Luís Carlos Prestes, unidos, iniciaram uma marcha de protesto que percorreu o país até 1927 e ficou conhecida como Coluna Prestes. Uma das principais características do movimento foi: a) a alta mobilidade dos rebeldes que percorreram o interior do país, evitando os choques diretos com as forças legalistas. b) o combate às tropas legalistas em batalhas constantes, demoradas e sangrentas. c) o levante das massas urbanas descontentes, provocado pela passagem do grupo nas grandes cidades do litoral do país. d) a extinção da hierarquia interna do Exército, ocasionando a revolta dos sargentos e dos cabos. e) a cooptação de operários, ligados ao movimento anarquista. 5. (UERN) Ode ao burguês Eu insulto o burguês! O burguês-níquel, o burguês-burguês! A digestão bem-feita de São Paulo! O homem-curva! o homem-nádegas! O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco-a-pouco! Eu insulto as aristocracias cautelosas! Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros! que vivem dentro de muros sem pulos; e gemem sangues de alguns mil-réis fracos para dizerem que as filhas da senhora falam o francês e tocam os “Printemps” com as unhas! [...] Fora! Fu! Fora o bom burguês! (De pauliceia desvairada. Mário de Andrade. Disponível em: http://www.horizonte.unam.mx/brasil/mario4.html.) O poema de Mário de Andrade, exposto em 1922 na Semana de Arte Moderna, causou furor com essa visão crítica do burguês capitalista. O significado do termo “burguês”, destacado pelo poeta, a) difere-se da visão inicial de “burguesia”, como “moradores citadinos” que praticavam o comércio, buscando autonomia e uma nova forma de organização social. b) refere-se à visão de “burguês” preconizada na fase inicial do sistema feudal, quando os comerciantes reativaram o comercio, e controlaram as instituições sociais. c) reforça a maneira como o burguês era identificado na Europa pré-capitalista: como sustentáculo de uma sociedade hierarquizada e uma economia de subsistência. d) se distingue da forma como era visto na Idade Antiga, uma vez que a burguesia representava a classe servil, submissa aos ritos de vassalagem tradicionais no feudo.