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Published by Henrique Santos, 2024-01-11 16:02:22

CadernoEO-CHumanasV3_2022_compressed

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Caro aluno O Hexag Medicina é, desde 2010, referência na preparação pré-vestibular de candidatos às melhores universidades do Brasil. Ao elaborar o seu Sistema de Ensino, o Hexag Medicina considerou como principal diferencial em relação aos concorrentes sua exclusiva metodologia em período integral, com aulas e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado. Você está recebendo o livro Estudo Orientado. Com o objetivo de verificar se você aprendeu os conteúdos estudados, este material apresenta nove categorias de exercícios: Aprendizagem: exercícios introdutórios de múltipla escolha para iniciar o processo de fixação da matéria dada em aula. Fixação: exercícios de múltipla escolha que apresentam um grau de dificuldade médio, buscando a consolidação do aprendizado. Complementar: exercícios de múltipla escolha com alto grau de dificuldade. Dissertativo: exercícios dissertativos seguindo a forma da segunda fase dos principais vestibulares do Brasil. Enem: exercícios que abordam a aplicação de conhecimentos em situações do cotidiano, preparando o aluno para esse tipo de exame. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios de múltipla escolha das universidades públicas de São Paulo. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios dissertativos da segunda fase das universidades públicas de São Paulo Uerj (exame de qualificação): exercícios de múltipla escolha que possibilitam a consolidação do aprendizado para o vestibular da Uerj. Uerj (exame discursivo): exercícios dissertativos que possibilitam a consolidação do aprendizado para o vestibular da Uerj. Visando a um melhor planejamento dos seus estudos, os livros de Estudo Orientado receberão o encarte Guia de Códigos Hierárquicos, que mostra, com prático e rápido manuseio, a que conteúdo do livro teórico corresponde cada questão. Esse formato vai auxiliá-lo a diagnosticar em quais assuntos você encontra mais dificuldade. Essa é uma inovação do material didático. Sempre moderno e completo, trata-se de um grande aliado para seu sucesso nos vestibulares. Bons estudos!


SUMÁRIO HISTÓRIA HISTÓRIA GERAL 3 AULAS 17 E 18: BAIXA IDADE MÉDIA 4 AULAS 19 E 20: RENASCIMENTOS CULTURAL E CIENTÍFICO 20 AULAS 21 E 22: REFORMA E CONTRARREFORMA 36 AULAS 23 E 24: ANTIGO REGIME: ABSOLUTISMO, MERCANTILISMO E A MONARQUIA FRANCESA 49 AULAS 25 E 26: MONARQUIA INGLESA E AS REVOLUÇÕES INGLESAS DO SÉCULO XVII 63 AULA FUNDAMENTO: ILUMINISMO 71 HISTÓRIA DO BRASIL 83 AULAS 17 E 18: PRIMEIRO REINADO (1822-1831) 84 AULAS 19 E 20: REGÊNCIA (1831-1840) E SEGUNDO REINADO: POLÍTICA INTERNA (1840-1889) 100 AULAS 21 E 22: SEGUNDO REINADO: POLÍTICAS EXTERNA E ECONOMIA 113 AULAS 23 E 24: CRISE DO IMPÉRIO 131 AULAS 25 E 26: REPÚBLICA DA ESPADA 149 GEOGRAFIA GEOGRAFIA 1 163 AULAS 17 E 18: DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS II 164 AULAS 19 E 20: PROBLEMAS AMBIENTAIS DO BRASIL 175 AULAS 21 E 22: CONFERÊNCIAS E PROTOCOLOS PARA O MEIO AMBIENTE 193 AULAS 23 E 24: REGIONALIZAÇÃO DO ESPAÇO BRASILEIRO 204 AULAS 25 E 26: SISTEMAS AGRÁRIOS 217 GEOGRAFIA 2 229 AULAS 17 E 18: ANTIGA ORDEM MUNDIAL 230 AULAS 19 E 20: NOVA ORDEM MUNDIAL 243 AULAS 21 E 22: GLOBALIZAÇÃO E BLOCOS ECONÔMICOS 251 AULAS 23 E 24: COMÉRCIO INTERNACIONAL 266 AULAS 25 E 26: REGIÕES SOCIOECONÔMICAS MUNDIAIS I: AMÉRICA ANGLO-SAXÔNICA 279


HISTÓRIA CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 3 HISTÓRIA GERAL


4 VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (UEPA) A cidade medieval era dominada por seus campanários: torres e agulhas de igrejas paroquiais, de conventos e, evidentemente, da catedral Romana, depois gótica, a igreja do bispo era objeto de todas as atenções [...] a catedral medieval nunca era uma construção isolada, ela dominava toda uma circunscrição. [...] Eram muitos os carpinteiros, vidreiros e pintores a participar do embelezamento da catedral. Os ourives e os comerciantes vendiam relicários aos eclesiásticos, além de tapeçarias de seda e incenso destinado a enobrecer a liturgia. BROUQUET, Sophie Cassagnes. Novas cidades, novos ricos. In: História Viva. Ano III, N°34, p. 44. A partir da descrição acima sobre a paisagem da cidade medieval e dos estudos históricos que há sobre este período, afirma-se que a catedral: a) desarticulava os poderes episcopais e políticos, porque os fiéis utilizavam-se do espaço onde ocorriam os rituais católicos, para fins comerciais, enfraquecendo os vínculos feudo-vassálicos entre o clero, nobreza e os artesãos. b) centralizava as atividades de comércio, agrícola e de construção, promovendo a criação de uma rede de trabalhadores de diversas regiões que, organizadas nas corporações de ofícios, depuseram o poder do episcopado romano. c) projetava o poder exercido pelas corporações de ofício que controlavam o trabalho dos artesãos e dos comerciantes, contratados no período das edificações das catedrais, fortalecendo os mestres de obras e os mercadores. d) enfraqueceu o poder dos senhores feudais, ao promover o enriquecimento dos ourives e dos comerciantes que se tornaram a nova classe social consumidora dos produtos da Igreja e dos serviços dos clérigos. e) era objeto de grandes atenções na sociedade medieval, pois não só congregava os religiosos e os fiéis que para ela se dirigiam, como também atraía todo tipo de profissionais, constituindo-se em um verdadeiro centro cultural, em que relações de caráter religioso e profissional se inter-relacionavam. 2. (Ufpr 2022) Leia o seguinte excerto: [...] o acúmulo de agressões que atingiram as populações do Ocidente de 1348 ao começo do século XVIII criou, de alto a baixo do corpo social, um abalo psíquico profundo [...]. Constitui-se um ‘país do medo’ no interior do qual uma civilização se sentiu ‘pouco à vontade’ e povoou de fantasmas mórbidos. (DELUMEAU, J. História do Medo no Ocidente: 1300-1800, Uma Cidade Sitiada. Tradução Maria Lucia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 43.) De acordo com os conhecimentos sobre a Europa no século XIV, são duas das principais “agressões” relacionadas ao excerto acima: a) a crise do sistema mercantilista e as revoltas burguesas. b) a querela das investiduras e as controvérsias iconoclastas. c) a chamada caça às bruxas e as expedições cruzadas. d) a guerra das Duas Rosas e as invasões dos hunos. e) a epidemia de peste bubônica e as ondas de fome. 3. (UFPR) O Papa Francisco, eleito em março de 2013, chamou atenção novamente para a figura de Francisco de Assis, considerado o fundador da Ordem dos Franciscanos (ou dos Frades Menores) na Baixa Idade Média. Assinale a alternativa que relaciona o contexto de surgimento dos Franciscanos e sua motivação de ação. a) Com a retração do renascimento comercial e urbano, aumentaram a pobreza e o abandono de crianças, que eram recolhidas pelas Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Franciscanos, para evitar que fossem recrutadas nas Cruzadas. b) Com o renascimento comercial e urbano, aprofundaram-se a pobreza e as desigualdades sociais, suscitando o aparecimento de várias Ordens Mendicantes, que pretendiam atuar junto aos necessitados, entre elas a Ordem dos Franciscanos. c) O renascimento comercial e urbano gerou um empobrecimento da Igreja Católica na Baixa Idade Média, suscitando o aparecimento das Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Franciscanos. d) Com o renascimento comercial e urbano, surgem as Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Franciscanos, que constituíram uma força de contestação da ordem feudal e do poder econômico da Igreja. e) Com a crescente ruralização e o aumento da pobreza no espaço europeu, surgiram as Ordens Mendicantes, como a dos Franciscanos, para se tornar a principal instância da Igreja Católica. 4. (PUC) Considere as afirmativas abaixo sobre o renascimento comercial, ocorrido na Europa Ocidental durante a Baixa Idade Média. I. A explosão demográfica que se verifica na Europa a partir do século X, devido à queda na mortalidade e à elevação da natalidade, foi um dos fatores que BAIXA IDADE MÉDIA COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4, 5 e 6 HABILIDADE(s) 1, 4, 5, 7, 8, 9, 11, 14, 15, 16, 17, 18, 22 e 29 CH AULAS 17 E 18


5VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias favoreceram o aumento das atividades mercantis no período. II. O movimento religioso das Cruzadas, a partir do século XI, contribuiu para a consolidação do renascimento comercial europeu, afastando do Mar Mediterrâneo os árabes e as cidades autônomas do norte da Itália. III. As feiras ocorriam na confluência das principais rotas de comércio na Europa, e nelas os senhores feudais, em troca de proteção militar e judicial, costumavam cobrar a capitação – imposto por cabeça – de todos os participantes. Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s): a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 5. (UFJF) Leia com atenção o texto a seguir sobre o fim do período medieval. ... o final do milênio medieval costuma ser visto sob a forma de uma crise profunda e generalizada. Brutal, a mortalidade provocada pelo bacilo da peste espalha- -se rápida e maciçamente. Os doentes sucumbem em alguns dias, sem remédio nem alívio possíveis. No dizer das testemunhas, toda organização social, até os laços familiares, foi violentamente perturbada por isso. BASCHET, J. A civilização feudal: do ano mil à colonização da América. São Paulo: Globo, 2006, p. 247-248. Adaptado. Acerca da chamada “Crise do século XIV”, assinale a alternativa CORRETA: a) a expansão agrícola que precedeu a crise do século XIV foi realizada à custa de arroteamentos, o que contribuiu para minimizar o impacto ambiental e conter o processo inflacionário. b) a diminuição da produtividade levou a uma maior exploração da mão de obra camponesa. Nesse momento a teoria das três ordens foi responsável pela aceitação do aumento da tributação, evitando, assim, as revoltas camponesas. c) os deslocamentos de camponeses que fugiam para as cidades ajudaram na eliminação da epidemia nas zonas rurais, já que a peste apenas atingia as populações mais pobres e desnutridas. d) tentando fazer frente à crise do século XIV, a Igreja transferiu sua sede de Roma para Avignon, na França. Essa medida contribuiu para manter a unidade da cristandade, a autonomia e o caráter universalista da Igreja. e) nesse contexto, a fome e as epidemias contribuíram para o processo de desintegração do feudalismo e o fortalecimento do poder dos reis, que aos poucos foram tomando para si a autoridade administrativa e militar até então em mãos senhoriais. 6. (FGV) [A crise] do feudalismo deriva não propriamente do renascimento do comércio em si mesmo, mas da maneira pela qual a estrutura feudal reage ao impacto da economia de mercado. O revivescimento do comércio (isto é, a instauração de um setor mercantil na economia e o desenvolvimento de um setor urbano na sociedade) pode promover, de um lado, a lenta dissolução dos laços servis, e de outro lado, o enrijecimento da servidão. (...) Nos dois setores, abre-se pois a crise social. Fernando A. Novais, Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema colônial. p. 63-4 Segundo o autor: a) a crise foi provocada pelo impacto do desenvolvimento comercial e urbano na sociedade, pois, na medida em que reforça a servidão, origina as insurreições camponesas e, quando fragiliza os vínculos servis, provoca as insurreições urbanas. b) a crise do feudalismo nada mais é do que o marasmo econômico provocado pela queda da produção, uma vez que há um número menor de camponeses livres, o que leva à crise social do campo, prejudicando também a nobreza. c) a crise foi motivada por fatores externos ao feudalismo, isto é, o alargamento do mercado pressiona o aumento da produção no campo e na cidade, o que leva à queda dos preços e às insurreições camponesas e urbanas. d) o desenvolvimento comercial e urbano em si não leva à crise, pois o que deve ser levado em consideração é a crise social provocada pelo enfraquecimento dos laços servis, tanto no campo como na cidade. e) as insurreições camponesas e urbanas são as respostas para a crise feudal, pois a servidão foi reforçada tanto no campo como na cidade, garantindo a sobrevivência da nobreza por meio do pagamento de impostos. 7. (UFRGS) Leia o segmento abaixo. O homem medieval pensa no cotidiano usando os mesmos moldes de sua teologia. HUIZINGA, Johan. O outono da Idade Média. São Paulo: Cosacaify, 2010. p. 375. A base da teologia, no mundo medieval, sustenta-se: a) na escolástica. b) no epicurismo. c) no protestantismo. d) no cristianismo primitivo. e) no paganismo. 8. (UFG) Leia o fragmento a seguir. A cidade contemporânea, apesar de grandes transformações, está mais próxima da cidade medieval do que esta última da cidade antiga. LE GOFF, Jacques. Por amor às cidades. São Paulo: Editora Unesp, 1998. p. 25. Nessa passagem, o historiador Jacques Le Goff compara a cidade medieval com a contemporânea, estabelecendo uma aproximação entre ambas. A característica da cidade medieval que permite tal relação é a: a) exaltação da vida cívica, associada aos jogos e aos espetáculos promovidos por seus governantes. b) laicização da cultura, expressa na arquitetura dos edifícios públicos em contraste com o domínio religioso.


6 VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias c) valorização das atividades de produção e de trocas comerciais, alimentadas por uma economia monetária. d) afirmação da autonomia política, revelada pela oposição dos citadinos ao poder dos senhores feudais. e) segregação social, manifestada na criação de bairros periféricos pobres e violentos. 9. (UEL) No período da Baixa Idade Média, a cidade de Veneza foi progressivamente revigorada pelo comércio, o qual produziu instituições políticas autônomas, libertando-se do poder papal. Com base na influência político-econômica das cidades mercantis nesse período, considere as afirmativas a seguir. I. Os senhores feudais detentores dos domínios aristocráticos atacaram o poder político das cidades nascentes, pois este os impedia de arrecadar os seus tributos e taxas. II. As guildas e as corporações de ofícios inseriram nos burgos a concorrência ao libertarem o comércio do monopólio e os trabalhadores de seus padrões rígidos de produção. III. As rotas comerciais tornaram-se pontos de confluência de inúmeras culturas e credos, professados por diversos povos, entre os quais judeus, muçulmanos e chineses. IV. Na Europa, as cidades de Veneza e Gênova eram consideradas portas de entrada de produtos muito valorizados, como especiarias e tecidos, advindos do Oriente. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. E.O. Fixação 1. (UERN) O florescimento econômico e cultural ocorrido na Europa entre os séculos XI e XIII sofreu sério abalo a partir do século XIV. Nesta época, uma conjunção de fatores levou os europeus a enfrentarem uma profunda crise econômica e social, que transformou o continente em palco de diversas revoltas e lugar de desolação. São fatores que justificam esta grave crise, cuja consequência foi a desagregação feudal: a) As invasões dos povos germânicos e as lutas que marcaram o final do Império Romano e a ocidentalização da cultura europeia. b) O grande cisma do Oriente, que gerou a Igreja Ortodoxa e dividiu a Europa em Ocidente e Oriente, enfraquecendo-a economicamente. c) A fome, a peste negra e a ocorrência de várias guerras que contribuíram para o desequilíbrio demográfico e, consequentemente, social da Europa. d) O desmantelamento dos ideais cristãos e pagãos, que sustentaram durante bastante tempo a ordem hierárquica e de trabalho à qual a sociedade feudal se submetia. 2. (FGV-RJ) A partir do século X, mas principalmente do XI, é o grande período de urbanização – prefiro utilizar esse termo mais do que o de renascimento urbano, já que penso que, salvo exceção, não há continuidade entre a Idade Média e a Antiguidade. LE GOFF, Jacques. Por amor às cidades. Conversações com Jean Lebrun. São Paulo: Unesp, 1998, p. 16. A respeito das cidades medievais, após o ano mil, é CORRETO afirmar: a) Tornaram-se centros econômicos e financeiros e vinculados às rotas mercantis e à produção agrária das áreas rurais próximas. b) Eram fundamentalmente sedes episcopais e centros administrativos do Sacro Império Romano Germânico. c) Tornaram-se núcleos da produção industrial que começou a desenvolver-se sobretudo no norte da Itália, a partir do século XI. d) Tornaram-se os principais entrepostos do comércio de escravos africanos desde o início das Cruzadas. e) Apresentaram-se como legado das póles gregas e das cidades romanas da Antiguidade. 3. (UFSM) Analise o mapa e o texto a seguir. A difusão da Peste Negra Oceano Atlântico 1349 1351 1348 1349 Constantinopla Veneza Gênova Damasco 1347 Samarcanda Rota da Seda Bagdá Meca Peregrinação a Meca Oceano Índico 1333 Pequim Oceano Pacífico zonas mais castigadas pela epidemia rota terrestre ou marítima centro de difusão Fonte: Disponível em <http://vascogama.no.sapo.pt/Crise_1383_85/peste_negra.htm>. Acesso em: 15 ago. 2012. (adaptado) Todos os testemunhos concordam em situar a origem da peste na Ásia Central, onde ela existia em estado endêmico. O grande viajante Ibn Batouta, que visitou a Índia Meridional pouco depois de 1342, assinalou-a ali. Em 1347, os próprios mongóis, que sitiavam o estabelecimento mercantil genovês em Caffa, no mar Negro, foram atingidos e, por um requinte de crueldade, enviaram vários cadáveres para a cidade através de suas máquinas de guerra. Um navio que partiu de Caffa para a Itália semeou, na passagem, a peste em Constantinopla [...] depois chegou a Gênova: quando se deram conta do mal que transportavam e ordenaram que partisse, era tarde demais. A peste atacava a Itália pelos portos. As cidades do interior não souberam organizar nenhuma defesa. WOLFF, Philippe. Outono da Idade Média ou Primavera dos Tempos Modernos? São Paulo: Martins Fontes, 1988. p. 15. (Adaptado) A análise permite associar a rápida propagação da Peste Negra, na Baixa Idade Média europeia, a fatores, como: a) o êxito das navegações ibéricas na abertura do caminho marítimo para as Índias orientais. b) a retomada das peregrinações a Jerusalém após a vitória dos cristãos europeus nas guerras das Cruzadas. c) o aumento do intercâmbio comercial entre a China e os países europeus, intercâmbio esse estimulado e protegido nos domínios do Império Mongol.


7VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias d) a intensificação das transações econômicas entre o Ocidente europeu, em pleno renascimento comercial urbano, e o Oriente, através das cidades italianas e de Constantinopla. e) o dinamismo comercial dos Turcos Otomanos, ao transformarem a Constantinopla bizantina na Istambul moderna. 4. (UFG) Leia o texto a seguir. O corpo é considerado perigoso: é o lugar das tentações; nele se manifesta o que depende do mal; sobre ele se aplicam os castigos purificadores que expulsam o pecado. Testemunha, o corpo denuncia as particularidades da alma por seus traços específicos, mas também pela maneira pela qual suporta a prova da água ou do ferro em brasa. DUBY, Georges. A solidão nos séculos XI a XIII. In: DUBY, G.; ARIÈS, P. (Orgs.). História da vida privada: da Europa feudal à Renascença. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 515-516. (Adaptado). O dualismo entre corpo e alma era uma característica da cultura europeia, nos séculos XII e XIII. Com base no texto, esse dualismo expressava-se: a) no desprezo com a higienização do corpo, que era um recurso para encobrir os pecados da alma. b) na prática caritativa com os doentes, que se tornavam exemplo em virtude do sofrimento do corpo. c) no controle do comportamento, que revelava a alma resguardada pelo corpo. d) na hierarquização entre homens e mulheres, que regulava a moral segundo os preceitos bíblicos. e) no exercício do ritual de exorcismo, que expulsava o pecado do corpo. 5. (FGV) Chegam a Jerusalém a 7 de junho de 1099. Jejuam e fazem procissões em redor da cidade, esperando que as suas orações deitem abaixo as muralhas, do mesmo que as trombetas de Josué tinham derrubado as de Jericó. A chegada a Jafa de navios genoveses, pisanos e venezianos é para eles de um grande auxílio [...] A cidade tão cobiçada é tomada a 15 de julho de 1099. Assistimos, então, à pilhagem e ao massacre sistemático de toda a população. Depois do regresso dos cruzados ao Ocidente, a posse de Jerusalém torna-se precária. Tate, G. Dois séculos de confronto entre o Oriente e o Ocidente. In: Arneville, M. B. D et al. As Cruzadas. Trad. Cascais: Pergaminho, 2001, p. 22. O texto acima refere-se à: a) terceira Cruzada e revela os interesses bizantinos nessa expedição. b) Reconquista Ibérica e apresenta as motivações religiosas dessa empreitada. c) sétima Cruzada e demonstra a forte presença da monarquia francesa. d) primeira Cruzada e revela a forte religiosidade da peregrinação armada. e) quarta Cruzada e revela a participação exclusiva dos fiéis franceses. 6. (UEPB) No contexto bélico medieval, surgiram as Cruzadas, expedições militares empreendidas pelos cristãos e legitimadas pela Igreja, que concediam a seus participantes supostas recompensas espirituais. Sobre estas expedições é correto afirmar: a) Em decorrência de terem alcançado todos os seus objetivos, as cruzadas são responsáveis por provocarem grandes transformações no ocidente europeu. b) As Cruzadas fortaleceram o sistema feudal, fortalecendo o poder dos nobres e dificultando a centralização política por parte dos reis. c) O espírito cruzadista ficou restrito à nobreza guerreira e à ação dos cavaleiros, porque os pobres eram considerados impuros. d) As Cruzadas possibilitaram aos ocidentais o contato com importantes conhecimentos produzidos pelos muçulmanos, no campo da matemática, da medicina e da astronomia. e) Os comerciantes das repúblicas italianas foram prejudicados com o advento das Cruzadas, porque estas favoreceram a permanência dos árabes, que monopolizavam o comércio no Mediterrâneo. 7. (UFSJ) A partir do século XI, os povoados denominados burgos começaram a crescer pelo desenvolvimento do comércio. Artigos manufaturados, como tecidos, eram produzidos, fazendo com que novas cidades surgissem e as mais antigas se desenvolvessem. Esses artesãos começaram a se organizar em Corporações de Ofício estruturadas em associações de: a) artesãos que reuniam todos aqueles que se dedicavam ao mesmo ofício. b) artesãos dos mais diversos ofícios que se uniam com o objetivo de atuar no livre mercado. c) artesãos de diversos ofícios e trabalhadores assalariados que se uniam com o objetivo de atuar no livre mercado. d) camponeses que se reuniam para reivindicar maior participação política nas cidades. 8. (ESPCEX) A crise do sistema feudal motivou uma série de mudanças sociais e culturais com o revigoramento do comércio e das cidades, entre os séculos XI e XIII, na Europa. Nas alternativas abaixo, assinale aquela que se relaciona com o surgimento da burguesia. a) Os avanços tecnológicos adotados na agricultura não foram suficientes para ampliar o comércio de alimentos, incentivando a produção e comercialização de bens manufaturados. b) A intensificação das invasões bárbaras motivou o surgimento de cidades fortificadas onde a prática comercial era intensa. c) A Peste Negra, por ser mais facilmente combatida nas cidades, onde havia melhores condições de higiene, fez com que as cidades multiplicassem suas populações e ampliassem as trocas comerciais. d) O crescimento do comércio com o Oriente e o surgimento de feiras nas principais rotas comerciais da Europa favoreceram o estabelecimento de uma nova classe social de mercadores e artesãos, assim como o surgimento de várias cidades no interior europeu. e) O advento da Guerra Santa desmotivou as práticas comerciais entre os artesãos e os organizadores das Cruzadas, em função de sérias ameaças às rotas comerciais no Oriente, limitando o comércio ao continente europeu.


8 VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Complementar 1. (FGV) Guerra dos Cem Anos – Denominação dada a uma série de conflitos ocorridos entre a França e a Inglaterra no período 1337-1475. O termo, que vem sendo considerado impróprio, é uma criação moderna dos historiadores do século XIX, introduzido nos manuais escolares. (...) Alguns historiadores têm mesmo proposto que seja utilizada a expressão “cem anos de guerra” e não a tradicional. Antônio Carlos do Amaral Azevedo, Dicionário de nomes, termos e conceitos históricos apud Luiz Koshiba, História: origens, estruturas e processos Sobre essa guerra, é correto afirmar que: a) decorreu diretamente da chamada Crise do Século XIV, pois a Inglaterra e a França tinham leituras divergentes da paralisia econômica que atingiu a Europa ocidental desde os primeiros anos desse século. b) resultou da imediata reação da França, aliada dos reinos de Castela e Aragão, à aliança econômica e militar entre a Inglaterra e Portugal, iniciando o mais sangrento conflito bélico da Europa moderna. c) desenrolou-se quase toda em território francês, com batalhas entremeadas por tréguas e períodos de paz, e as suas origens se ligam à sucessão do trono francês, também disputado pela Inglaterra. d) derivou da disputa por territórios recém-descobertos por franceses no norte da África, mas que eram estratégicos para a expansão da economia inglesa, já produtora de manufaturados. e) desenvolveu-se no contexto das reformas religiosas, obrigando cada nação europeia a se posicionar na defesa ou não do papado, fator principal do conflito bélico entre franceses e ingleses. 2. (UFG) Leia o poema a seguir. A morte para todos faz a escura, E faz da terra uma toalha; Sem distinção, ela nos serve, Põe os segredos a descoberto, A morte libera o escravo, A morte submete rei e papa E paga a cada um seu salário, E devolve ao pobre o que ele perde E toma do rico o que ele abocanha. FROIDMONT, Hélinand. Os versos da morte. São Paulo: Ateliê/Imaginário, 1996. p. 50. (Adaptado). Este poema do século XII refere-se ao impacto das mudanças ocorridas no Ocidente Medieval, relacionadas à expansão urbana e comercial. Tendo em vista esse ambiente, ao transformar a morte em personagem, o poema caracteriza-a com uma atitude: a) moralizadora, que expressa a necessidade de correção dos costumes na vida terrena. b) racionalista, que manifesta a retomada do pensamento aristotélico. c) idealista, que constrói uma imagem sublime do homem como criatura de Deus. d) heroica, que denota o desejo de incentivar a coragem nos homens. e) indulgente, que promove a convivência tolerante entre cristãos e pagãos. 3. (UFG) Analise a imagem a seguir. SANTIGO MATAMOUROS. Disponível em: <http://www.wga.hu/art/c/carreno/st_james.jpg>. Acesso em: 29 fev. 2012. Desde a Idade Média, São Tiago Maior foi retratado de várias formas. Nessa imagem do século XVII, que recorre à Reconquista na Península Ibérica, sua figura é representada como Matamouros. Com base na imagem, conclui-se que essa recorrência alude à: a) valorização da cultura islâmica, derivada do contato com os muçulmanos. b) apropriação de personagens bíblicos, utilizados para legitimar a disputa territorial e religiosa. c) formação de uma matriz cultural ibérica, renovada pela fusão entre belicismo islâmico e apostolicismo cristão. d) incorporação do princípio muçulmano da Guerra Santa, favorecida pela expansão árabe. e) adoção do ideal muçulmano de martírio, advindo da experiência adquirida nas Cruzadas. 4. (FGV) Leia o documento. Deus criador do universo fixou duas grandes luminárias no firmamento do céu: a luminária maior para dirigir o dia e a luminária menor para dirigir a noite. Da mesma maneira, para o firmamento da Igreja universal, como se se tratasse do Céu, nomeou duas grandes dignidades; a maior para tomar a direção das almas, como se estas fossem dias, a menor para tomar a direção dos corpos, como se estes fossem as noites. Estas dignidades são a autoridade pontifícia e o poder real. Assim como a Lua deriva a sua luz da do Sol e na verdade é inferior ao Sol


9VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias tanto em quantidade como em qualidade, em posição como em efeito, da mesma maneira o poder real deriva o esplendor da sua dignidade da autoridade pontifícia: e quanto mais intimamente se lhe unir, tanto maior será a luz com que é adornado; quanto mais prolongar [essa união], mais crescerá em esplendor. Apud Luiz Koshiba, História: origens, estruturas e processos. No documento – escrito pelo papa Inocêncio III, em 1198 – é correto identificar: a) a recuperação de um preceito dos primeiros tempos do cristianismo, que defendia a pureza da alma e a pecaminosidade do corpo. b) uma associação entre a estrutura moral dos monarcas e a aprovação dos seus governos pelas autoridades religiosas. c) a condenação de todas as teorias que adotavam a cosmologia divina sobre a constituição do poder dos líderes da Igreja Católica. d) uma determinada visão sobre as relações hierárquicas entre o poder espiritual e o poder temporal no mundo medieval europeu. e) os resquícios de uma concepção da Antiguidade Oriental que reconhecia a supremacia das religiões monoteístas sobre o paganismo. 5. (UFSM) Observe o mapa: Expansão do gótico pela Europa Primeira arte gótica - séc. XII Expansão da arte gótica - séc. XIII Fonte: http://www.google.com/imagens (adaptado) Nos começos da Baixa Idade Média europeia, a construção das catedrais góticas tornou-se possível graças ao(à): I. aumento da importância das cidades, transformadas em novos centros dinâmicos da vida econômica, social, cultural e religiosa das populações. II. articulação de várias forças políticas, religiosas e econômicas urbanas, sobretudo as ligadas ao comércio em expansão e às atividades produtivas nas corporações de ofício. III. busca de novas expressões artísticas para expressar o revigoramento do fervor religioso, devido à euforia dos cristãos pelas vitórias das Cruzadas e pela derrota das forças demoníacas causadoras dos flagelos da Peste Negra. IV. desenvolvimento da engenharia e da arquitetura a partir de inovações técnicas que permitiram construções mais elevadas, paredes menos espessas dotadas de grandes janelas com vitrais multicoloridos, através dos quais a luz do dia penetrava no interior das igrejas. Está(ão) correta(s): a) apenas I. b) apenas II. c) apenas III e IV. d) apenas I, II e IV. e) I, II, III e IV. E.O. Dissertativo 1. (UFG) Analise as imagens a seguir. JOGO DE XADREZ. Iluminura, século XI. Disponível em: <http://www.corbisimagens.com/stock-photo/rights-managed/IH164151/medieval- illuminated-manuscript-of-two-ladies-playing>. Acesso em: 22 out. 2012. <htt JOGO DE XADREZ. Iluminura, século XI. Disponível em: <http://www.corbisimagens.com/stock-photo/rights-managed/IH164151/medieval- illuminated-manuscript-of-two-ladies-playing>. Acesso em: 22 out. 2012. JOGO DE WAR. Disponível em: <http://fotos.noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2012/07/18/veja-jogos- detabuleiro-e-on-line-para-empreendedores.htm#fotoNav=10> Acesso em: 22 out. 2012. As imagens referem-se a dois jogos de tabuleiro: o xadrez, que popularizou-se na Europa a partir do século XI, representando um cenário de batalha medieval, e o War, que foi lançado no mercado mundial em 1959. Com base no exposto, explique como as imagens: a) expressam uma transformação geopolítica da Idade Medieval para a Idade Contemporânea; b) referem-se a uma prática comum às Idades Medieval e Contemporânea. 2. (UFPR) Durante o período das Cruzadas, São Bernardo de Claraval (1090-1153) escreveu: “Mas os soldados de Cristo combatem confiantes nas batalhas do Senhor, sem nenhum temor de pecar por pôr- -se em perigo de morte e por matar o inimigo. Para eles, morrer ou matar por Cristo não implica qualquer crime, pelo contrário, traz a máxima glória. (...) Em outras palavras: o soldado de Cristo mata com a consciência tranquila e morre com a consciência mais tranquila ainda.” BLASCO VALLÈS, Almudena; COSTA, Ricardo da (Coords.). Mirabilia 10. A Idade Média e as Cruzadas. jan.-jun. 2010, p. XIII. No que se refere às Cruzadas no período medieval, determine quem eram esses soldados de Cristo referenciados no trecho acima, quais as motivações para empreender suas batalhas e quais as suas consequências para o mundo ocidental daquele período.


10VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 3. (UFG) “Na cidade de Florença, nenhuma prevenção foi válida nem valeu a pena qualquer providência dos homens. A praga, a despeito de tudo, começou a mostrar, quase ao principiar a primavera do ano referido [1348], de modo horripilante e de maneira milagrosa, os seus efeitos. A cidade ficou purificada de muita sujeira, graças a funcionários que foram admitidos para esse trabalho. A entrada nela de qualquer enfermo foi proibida. Muitos conselhos foram divulgados para a manutenção do bom estado sanitário. Pouco adiantaram as súplicas humildes, feitas em número muito elevado, às vezes por pessoas devotas isoladas, às vezes por procissões de pessoas, alinhadas, e às vezes por outros modos dirigidas a Deus.” BOCCACCIO, Giovanni. Decameron In: MOTA, Myriam B.; BRAYCK, Patrícia R. História das cavernas ao Terceiro Milênio. São Paulo: Moderna, 1997. p. 91. No trecho acima, o escritor florentino descreveu o cenário urbano na época da peste negra (1348), a pandemia (doença epidêmica amplamente disseminada) que causou milhares de mortes por toda a Europa. Com base no exposto, a) estabeleça as relações entre as atividades comerciais das cidades italianas com o Oriente e a presença da peste negra no continente europeu. b) explique duas consequências sociopolíticas da peste negra na Europa no século XIV. 4. (CFTC-E) As Cruzadas foram um importante movimento que provocou o renascimento dos contatos econômicos e culturais entre a Europa e o Oriente Médio. Aponte e explique três de suas principais causas. 5. (UFES) A ocorrência de feiras livres é observada, em cidades brasileiras, desde a época colonial, quando se destacaram a Feira de Santana e as feiras de Sorocaba, Campina Grande, Caruaru, entre outras. Em cidades europeias, esses eventos econômicos e culturais se tornaram comuns, a partir da Idade Média, com o renascimento do comércio e da vida urbana, quando se notabilizaram as feiras de Provins e de Troyes, na região de Champagne; as feiras de Bruges e de Antuérpia, na região de Flandres; as feiras de Colônia, de Lubeck e de outras cidades que constituíram a Liga Hanseática. Explique: a) dois fatores que contribuíram para o renascimento do comércio e da vida urbana, no contexto europeu; b) o significado das corporações de ofícios, que se difundiram, a partir do século XII, nas cidades europeias. 6. (UFG) Leia o texto a seguir. O futebol brasileiro vive ainda no sistema feudal. E é verdade. As federações são feudos, e os cartolas, senhores feudais. Embora estejam todos milionários, não têm dimensão do quanto podem tirar desta galinha de ovos de ouro sem matá-la. Eles querem é raspar o tacho. JUCA KFOURY CONTRA O FEUDALISMO DA BOLA. 02 out. 2011. Disponível em: <www1.folha.uol.com. br/ilustrissima/shtml>. Acesso em: 14 mar.2012. No seu comentário, Juca Kfouri faz uma comparação entre o sistema feudal medieval e o futebol contemporâneo, desconsiderando a historicidade do feudalismo. Tendo em vista esta afirmação: a) explique o que fundamenta, no texto, a comparação entre o sistema feudal e a organização do futebol brasileiro. b) Caracterize um elemento do sistema feudal, que foi desconsiderado na comparação apresentada. 7. (UFG) “O ar da cidade torna o homem livre”. PAIS, Marco Antonio de O. O despertar da Europa. 4.ed. São Paulo: Atual, 1992. p. 38. Relacione o provérbio alemão do século XI, anteriormente transcrito, com o renascimento comercial urbano. 8. (UFBA) A Idade Média, na Europa, foi caracterizada pelo aparecimento, apogeu e decadência de um sistema econômico, político e social denominado “feudalismo”. Esse sistema começou a se estruturar na Europa, ao final do Império Romano do Ocidente (século V), atingiu seu apogeu no século X e registrou-se o seu declínio ao final do século XV. (MELLO; COSTA, 1994, p. 235). De acordo com o texto e com os conhecimentos sobre o sistema econômico e político-administrativo que caracterizou o feudalismo na Europa, indique uma característica do seu apogeu, no século X, e um fator responsável pelo seu declínio no final do século XV. • Século X — apogeu: • Século XV — declínio: E.O. Enem 1. (Enem) Se a mania de fechar, verdadeiro habitus da mentalidade medieval nascido talvez de um profundo sentimento de insegurança, estava difundida no mundo rural, estava do mesmo modo no meio urbano, pois que uma das características da cidade era de ser limitada por portas e por uma muralha. DUBY, G. et al. “Séculos XIV-XV”. In: ARIÈS, P.; DUBY, G. História da vida privada da Europa Feudal à Renascença. São Paulo: Cia. das Letras, 1990 (adaptado). As práticas e os usos das muralhas sofreram importantes mudanças no final da Idade Média, quando elas assumiram a função de pontos de passagem ou pórticos. Este processo está diretamente relacionado com: a) o crescimento das atividades comerciais e urbanas. b) a migração de camponeses e artesãos. c) a expansão dos parques industriais e fabris. d) o aumento do número de castelos e feudos. e) a contenção das epidemias e doenças. 2. (Enem) A Peste Negra dizimou boa parte da população europeia, com efeitos sobre o crescimento das cidades. O conhecimento médico da época não foi suficiente para conter a epidemia. Na cidade de Siena, Agnolo di Tura escreveu: “As pessoas morriam às centenas, de dia e de noite, e todas eram jogadas em fossas cobertas com terra e, assim que essas fossas ficavam cheias, cavavam-se mais. E eu enterrei meus cinco filhos com minhas próprias mãos (...) E morreram tantos que todos achavam que era o fim do mundo.” Agnolo di Tura. The Plague in Siena: An Italian Chronicle. In: William M. Bowsky, The Black Death: a turning point in history? New York: HRW, 1971.


11VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias O testemunho de Agnolo di Tura, um sobrevivente da Peste Negra que assolou a Europa durante parte do século XIV, sugere que: a) o flagelo da Peste Negra foi associado ao fim dos tempos. b) a Igreja buscou conter o medo, disseminando o saber médico. c) a impressão causada pelo número de mortos não foi tão forte, porque as vítimas eram poucas e identificáveis. d) houve substancial queda demográfica na Europa no período anterior à Peste. e) o drama vivido pelos sobreviventes era causado pelo fato de os cadáveres não serem enterrados. 3. (Enem) Os cruzados avançavam em silêncio, encontrando por todas as partes ossadas humanas, trapos e bandeiras. No meio desse quadro sinistro, não puderam ver, sem estremecer de dor, o acampamento onde Gauthier havia deixado as mulheres e crianças. Lá os cristãos tinham sido surpreendidos pelos muçulmanos, mesmo no momento em que os sacerdotes celebravam o sacrifício da Missa. As mulheres, as crianças, os velhos, todos os que a fraqueza ou a doença conservava sob as tendas, perseguidos até os altares, tinham sido levados para a escravidão ou imolados por um inimigo cruel. A multidão dos cristãos, massacrada naquele lugar, tinha ficado sem sepultura. J. F. Michaud. História das cruzadas. São Paulo: Editora das Américas, 1956 (com adaptações). Foi, de fato, na sexta-feira 22 do tempo de Chaaban, do ano de 492 da Hégira, que os franj* se apossaram da Cidade Santa, após um sítio de 40 dias. Os exilados ainda tremem cada vez que falam nisso; seu olhar se esfria como se eles ainda tivessem diante dos olhos aqueles guerreiros louros, protegidos de armaduras, que espelham pelas ruas o sabre cortante, desembainhado, degolando homens, mulheres e crianças, pilhando as casas, saqueando as mesquitas. *franj = cruzados. Amin Maalouf. As Cruzadas vistas pelos árabes. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1989. Avalie as seguintes afirmações a respeito dos textos, que tratam das Cruzadas. I. Os textos referem-se ao mesmo assunto – as Cruzadas, ocorridas no período medieval –, mas apresentam visões distintas sobre a realidade dos conflitos religiosos desse período histórico. II. Ambos os textos narram partes de conflitos ocorridos entre cristãos e muçulmanos durante a Idade Média e revelam como a violência contra mulheres e crianças era prática comum entre adversários. III. Ambos narram conflitos ocorridos durante as Cruzadas medievais e revelam como as disputas dessa época, apesar de ter havido alguns confrontos militares, foram resolvidas com base na ideia do respeito e da tolerância cultural e religiosa. É correto apenas o que se afirma em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. 4. (Enem) Considere os textos a seguir. (...) de modo particular, quero encorajar os crentes empenhados no campo da filosofia para que iluminem os diversos âmbitos da atividade humana, graças ao exercício de uma razão que se torna mais segura e perspicaz com o apoio que recebe da fé. Papa João Paulo II. Carta Encíclica Fides et Ratio aos bispos da igreja católica sobre as relações entre fé e razão, 1998. As verdades da razão natural não contradizem as verdades da fé cristã. (São Tomás de Aquino – pensador medieval) Refletindo sobre os textos, pode-se concluir que: a) a encíclica papal está em contradição com o pensamento de São Tomás de Aquino, refletindo a diferença de épocas. b) a encíclica papal procura complementar São Tomás de Aquino, pois este colocava a razão natural acima da fé. c) a Igreja medieval valorizava a razão mais do que a encíclica de João Paulo II. d) o pensamento teológico teve sua importância na Idade Média, mas, em nossos dias, não tem relação com o pensamento filosófico. e) tanto a encíclica papal como a frase de São Tomás de Aquino procuram conciliar os pensamentos sobre fé e razão. 5. (Enem) Queixume das operárias da seda Sempre tecemos panos de seda E nem por isso vestiremos melhor [...] Nunca seremos capazes de ganhar tanto Que possamos ter melhor comida [...] Pois a obra de nossas mãos Nenhuma de nós terá para se manter [...] E estamos em grande miséria Mas, com os nossos salários, enriquece aquele para quem trabalhamos Grande parte das noites ficamos acordadas E todo o dia para isso ganhar Ameaçam-nos de nos moer de pancada Os membros quando descansamos E assim, não nos atrevemos a repousar. CHRÉTIEN DE TROYES apud LE GOFF. J. Civilização do Ocidente Medieval. Lisboa: Edições 70, 1992. Tendo em vista as transformações socioeconômicas da Europa Ocidental durante a Baixa Idade Média, o texto apresenta a seguinte situação: a) Uso da coerção no mundo do trabalho artesanal. b) Deslocamento das trabalhadoras do campo para as cidades. c) Desorganização do trabalho pela introdução do assalariamento. d) Enfraquecimento dos laços que ligavam patrões e empregadas. e) Ganho das artífices pela introdução da remuneração pelo seu trabalho.


12VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unesp) Mais ou menos a partir do século XI, os cristãos organizaram expedições em comum contra os muçulmanos, na Palestina, para reconquistar os “lugares santos” onde Cristo tinha morrido e ressuscitado. São as cruzadas [...]. Os homens e as mulheres da Idade Média tiveram então o sentimento de pertencer a um mesmo grupo de instituições, de crenças e de hábitos: a cristandade. (Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) Segundo o texto, as cruzadas: a) contribuíram para a construção da unidade interna do cristianismo, o que reforçou o poder da Igreja Católica Romana e do Papa. b) resultaram na conquista definitiva da Palestina pelos cristãos e na decorrente derrota e submissão dos muçulmanos. c) determinaram o aumento do poder dos reis e dos imperadores, uma vez que a derrota dos cristãos debilitou o poder político do Papa. d) estabeleceram o caráter monoteísta do cristianismo medieval, o que ajudou a reduzir a influência judaica e muçulmana na Palestina. e) definiram a separação oficial entre Igreja e Estado, estipulando funções e papéis diferentes para os líderes políticos e religiosos. 2. (Fuvest) Assim como o camponês, o mercador está a princípio submetido, na sua atividade profissional, ao tempo meteorológico, ao ciclo das estações, à imprevisibilidade das intempéries e dos cataclismos naturais. Como, durante muito tempo, não houve nesse domínio senão necessidade de submissão à ordem da natureza e de Deus, o mercador só teve como meio de ação as preces e as práticas supersticiosas. Mas, quando se organiza uma rede comercial, o tempo se torna objeto de medida. A duração de uma viagem por mar ou por terra, ou de um lugar para outro, o problema dos preços que, no curso de uma mesma operação comercial, mais ainda quando o circuito se complica, sobem ou descem tudo isso se impõe cada vez mais à sua atenção. Mudança também importante: o mercador descobre o preço do tempo no mesmo momento em que ele explora o espaço, pois para ele a duração essencial é aquela de um trajeto. Jacques Le Goff. Para uma outra Idade Média. Petrópolis: Vozes, 2013. Adaptado. O texto associa a mudança da percepção do tempo pelos mercadores medievais ao a) respeito estrito aos princípios do livre comércio, que determinavam a obediência às regras internacionais de circulação de mercadorias. b) crescimento das relações mercantis, que passaram a envolver territórios mais amplos e distâncias mais longas. c) aumento da navegação oceânica, que permitiu o estabelecimento de relações comerciais regulares com a América. d) avanço das superstições na Europa ocidental, que se difundiram a partir de contatos com povos do leste desse continente e da Ásia. e) aparecimento dos relógios, que foram inventados para calcular a duração das viagens ultramarinas. 3. (Fuvest) A cidade é [desde o ano 1000] o principal lugar das trocas econômicas que recorrem sempre mais a um meio de troca essencial: a moeda. [...] Centro econômico, a cidade é também um centro de poder. Ao lado do e, às vezes, contra o poder tradicional do bispo e do senhor, frequentemente confundidos numa única pessoa, um grupo de homens novos, os cidadãos ou burgueses, conquista “liberdades”, privilégios cada vez mais amplos. GOFF, Jacques Le. São Francisco de Assis. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado. O texto trata de um período em que: a) os fundamentos do sistema feudal coexistiam com novas formas de organização política e econômica, que produziam alterações na hierarquia social e nas relações de poder. b) o excesso de metais nobres na Europa provocava abundância de moedas, que circulavam apenas pelas mãos dos grandes banqueiros e dos comerciantes internacionais. c) o anseio popular por liberdade e igualdade social mobilizava e unificava os trabalhadores urbanos e rurais e envolvia ativa participação de membros do baixo clero. d) a Igreja romana, que se opunha ao acúmulo de bens materiais, enfrentava forte oposição da burguesia ascendente e dos grandes proprietários de terras. e) as principais características do feudalismo, sobretudo a valorização da terra, haviam sido completamente superadas e substituídas pela busca incessante do lucro e pela valorização do livre comércio. 4. (Fuvest) Se o Ocidente procurava, através de suas invasões sucessivas, conter o impulso do Islã, o resultado foi exatamente o inverso. Amin Maalouf, As Cruzadas vistas pelos árabes. São Paulo: Brasiliense, p. 241, 2007. Um exemplo do “resultado inverso” das Cruzadas foi a: a) difusão do islamismo no interior dos Reinos Francos e a rápida derrocada do Império fundado por Carlos Magno. b) maior organização militar dos muçulmanos e seu avanço, nos séculos XV e XVI, sobre o Império Romano do Oriente. c) imediata reação terrorista islâmica, que colocou em risco o Império britânico na Ásia. d) resistência ininterrupta que os cruzados enfrentaram nos territórios que passaram a controlar no Irã e Iraque. e) forte influência árabe que o Ocidente sofreu desde então, expressa na gastronomia, na joalheria e no vestuário. 5. (Unesp) As feiras foram muito difundidas pela Europa a partir do século XI. Entre os motivos que provocaram tal fenômeno, podemos citar


13VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias a) a unificação da moeda europeia, que facilitou a atividade dos banqueiros e a aquisição de mercadorias. b) o aumento da produção agrícola, provocado pelos desmatamentos, que ampliavam a quantidade de terras cultiváveis. c) a eliminação das práticas feudais, que prendiam os camponeses à terra e reduziam a monetarização da economia. d) o crescimento urbano, provocado pelas doenças e epidemias que grassavam nas áreas rurais e provocavam êxodo em direção às cidades. e) a regionalização das economias, que limitou significativamente a obtenção de mercadorias provenientes de terras distantes. 6. (Unesp) Com o crescimento comercial, na Baixa Idade Média, a Europa atravessou períodos de pânico coletivo, provocados por manifestações endêmicas ou epidêmicas da peste bubônica e de outras doenças, como tifo, varíola, gripe pulmonar e disenteria. A disseminação de várias dessas doenças era facilitada, entre outros motivos, pela a) condição precária de higiene, enfrentada principalmente pelos habitantes das cidades. b) crença de que as epidemias não podiam ser combatidas, pois advinham da vontade divina. c) dificuldade de contato e comunicação entre as populações do continente europeu. d) proibição religiosa das pesquisas médicas e científicas durante toda a Idade Média. e) omissão dos poderes políticos, uma vez que as doenças só atingiam as camadas pobres. 7. (Unesp) Entre as formas de organização econômica pré-fabris no continente europeu, estão as oficinas artesanais, em que: a) um mestre trabalhava juntamente com aprendizes e vendia seus produtos para compradores locais. b) o produtor submetia-se a um comerciante que lhe fornecia a matéria-prima e adquiria o produto acabado. c) um proprietário possuía máquinas sofisticadas e explorava um grande número de trabalhadores. d) os mestres e os assalariados dividiam as tarefas produtivas e usufruíam com igualdade dos lucros obtidos. e) a unidade produtora supria as necessidades da família e não comercializava os produtos excedentes. 8. (Unifesp) “Por trás do ressurgimento da indústria e do comércio, que se verificou entre os séculos XI e XIII, achava-se um fato de importância econômica mais fundamental: a imensa ampliação das terras aráveis por toda a Europa e a aplicação à terra de métodos mais adequados de cultivo, inclusive a aplicação sistemática de esterco urbano às plantações vizinhas”. Lewis Mumford. A cidade na história. São Paulo: Martins Fontes, 1982. O texto trata da expansão agrícola na Europa ocidental e central entre os séculos XI e XIII. Dentre as razões desse aumento de produtividade, podemos citar: a) O crescimento populacional, com decorrente aumento do mercado consumidor de alimentos. b) A oportunidade de fornecer alimentos para os participantes das cruzadas e para as áreas por eles conquistadas. c) O fim das guerras e o estabelecimento de novos padrões de relacionamento entre servos e senhores de terras. d) A formação de associações de profissionais, com decorrente aperfeiçoamento da mão de obra rural. e) O aprimoramento das técnicas de cultivo e uma relação mais intensa entre cidade e campo. 9. (Unifesp) Houve, nos últimos séculos da Idade Média ocidental, um grande florescimento no campo da literatura e da arquitetura. Contudo, se no âmbito da primeira predominou a diversidade (literária), no da segunda predominou a unidade (arquitetônica). O estilo que marcou essa unidade arquitetônica corresponde ao a) renascentista. b) românico. c) clássico. d) barroco. e) gótico. 10. (Unifesp) Na Baixa Idade Média, mais precisamente entre os séculos XII e XIII, o centro-norte da Itália formava um viveiro de prósperas cidades que expressavam o vigor da retomada econômica do Ocidente naqueles séculos. Muitas dessas cidades, em termos político-administrativos, eram a) autônomas, organizadas como repúblicas, e internamente divididas em simpatizantes do papa (guelfos) e simpatizantes do imperador (gibelinos). b) repúblicas, internamente coesas, e aliadas umas às outras na luta contra os poderes universais do papa e do imperador. c) organizadas internamente como democracias, e externamente como uma federação, para tratar com o papa e o imperador. d) governadas por condottieri, que garantiam sua independência frente aos inimigos externos, constituídos pelo papa e pelo imperador. e) soberanas que, para escapar à dominação bizantina e sarracena, financiavam o Império e o Papado. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unesp) Era uma doença exótica, contra a qual os organismos dos europeus não tinham defesas. Veio da Ásia pela rota da seda. Veja: a epidemia, essa catástrofe, é, portanto, também um dos efeitos do progresso, do crescimento. (Georges Duby. Ano 1000, ano 2000. Na pista de nossos medos, 1998.) O texto refere-se à peste que atingiu a Europa no século XIV. Indique dois fatores, além da falta de defesa dos organismos dos europeus, que ajudaram na propagação da doença, e explique a associação, feita pelo texto, da peste com o progresso.


14VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 2. (Fuvest) Leia o texto e examine a imagem. A arte gótica reúne e desenvolve os fermentos novos [...] e os organiza em sistema; e esse sistema tem um lugar seguro na mais vasta organização do saber. G. C. Argan. História da arte italiana. Da Antiguidade a Duccio. São Paulo: Cosac & Naif, 2003, v. 1, p. 337. Adaptado. Abadia de Fossanova (Itália), interior, iniciada em 1187 e consagrada em 1208. a) Identifique, a partir da imagem, dois elementos característicos do chamado estilo gótico. b) Do ponto de vista cultural, apresente e explique uma característica do “sistema”, que, segundo o texto, “tem um lugar seguro na mais vasta organização do saber”. 3. (Fuvest) Nos tempos de São Luís [Luís IX], as hordas que surgiam do leste provocaram terror e angústia no mundo cristão. O medo do estrangeiro oprimia novamente as populações. No entanto, a Europa soubera digerir e integrar os saqueadores normandos. Essas invasões tinham tornado menos claras as fronteiras entre o mundo pagão e a cristandade e estimulado o crescimento econômico. A Europa, então terra juvenil, em plena expansão, estendeu-se aos quatro pontos cardeais, alimentando-se, com voracidade, das culturas exteriores. Uma situação muito diferente da de hoje, em que o Velho Continente se entrincheira contra a miséria do mundo para preservar suas riquezas. Georges Duby. Ano 1000 ano 2000. Na pista de nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998, p. 50-51. Adaptado. a) Justifique a afirmação do autor de que “essas invasões tinham (...) estimulado o crescimento econômico” da Europa cristã. b) Cite um caso do atual “entrincheiramento” europeu e explique, em que sentido, a Europa quer “preservar suas riquezas”. 4. (Unicamp) Godrici de Finchale foi um mercador que viveu no século XI, na Baixa Idade Média, no leste da atual Inglaterra. “Quando o rapaz, depois de ter passado os anos da infância sossegadamente em casa, chegou à idade varonil, principiou a aprender com cuidado e persistência o que ensina a experiência do mundo. Para isso decidiu não seguir a vida de lavrador, mas estudar, aprender e exercer os rudimentos de concepções mais sutis. Por esta razão, aspirando à profissão de mercador, começou a seguir o modo de vida do vendedor ambulante, aprendendo primeiro como ganhar em pequenos negócios e coisas de preço insignificante; e, então, sendo ainda um jovem, o seu espírito ousou pouco a pouco comprar, vender e ganhar com coisas de maior preço.” Reginald of Durnham, Libellus de Vita et Miraculis S. Godrici. In: Fernando Espinosa, Antologia de textos históricos medievais. 3. ed., Lisboa: Sá da Costa Editora, 1981, p. 198. a) Segundo o texto, o ofício de mercador exigia uma preparação diferente daquela do lavrador. Quais eram as diferenças entre esses dois ofícios? b) Cite duas características do renascimento comercial e urbano ocorrido no final do período medieval. 5. (Fuvest) Se, para o historiador, a Idade Média não pode ser reduzida a uma “Idade das Trevas”, para o senso comum, ela continua a ser lembrada dessa maneira, como um período de práticas e instituições “bárbaras”. Com base na afirmação acima, indique e descreva: a) duas contribuições relevantes da Idade Média. b) duas práticas ou instituições medievais lembradas negativamente. 6. (Fuvest) Na Europa Ocidental, durante a Idade Média, o auge do feudalismo (século X ao XIII) coincide com o auge da servidão. Explique a) no que consistia a servidão. b) por que a servidão entrou em crise e deixou de ser dominante a partir do século XIV. 7. (Fuvest) Curiosamente, apesar das limitações impostas por uma base material e técnica rudimentar, a Europa medieval tardia (séculos XII a XV) vivenciou, pelo menos no plano da religião e do ensino nas universidades, uma unidade tão ou mais intensa do que a da atual União Europeia, alicerçada na complexa economia capitalista. Em face disso, indique: a) Como foi possível, naquela época, diante da precariedade das comunicações e da base material, ocorrer essa integração? b) As principais características das universidades medievais. 8. (Unesp) [Na Idade Média] A arte das catedrais significa acima de tudo, na Europa, o despertar das cidades. Muitos dos vitrais são oferecidos pelas associações de trabalhadores, que pretendiam assim consagrar ostensivamente as primícias de sua jovem prosperidade. Esses doadores não eram camponeses, mas pessoas de ofício. Homens que, na cidade, nos bairros em constante expansão, trabalhavam a lã, o couro e os metais, que vendiam belos tecidos, bem como joias, e corriam de feira em feira, em caravana. Esses artesãos, esses negociantes quiseram que na igreja matriz de sua cidade, nos vãos, transfigurados pela luz de Deus, se representassem os gestos e as ferramentas do seu mister. Que seu ofício e sua função produtiva fossem assim celebrados nesse monumento que a todos reunia por ocasião das grandes festas, suficientemente vasto para acolher a população inteira da cidade. Os burgueses, com efeito, não entravam na catedral apenas para rezar. Era ali que se reuniam suas confrarias e toda a comuna para suas assembleias civis. A catedral era a casa do povo. Do povo citadino. DUBY, Georges. A Europa na Idade Média, 1988.


15VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Identifique o momento da Idade Média em que ocorre o “despertar das cidades”, mencionado no texto, e aponte três características do papel exercido pelas catedrais na vida cotidiana dos moradores das cidades. 9. (Unesp) Pregada por Urbano II, a primeira cruzada... [estendeu-se de 1096 a 1099]. O sucesso dos pregadores faz dela uma cruzada popular (aventureiros, peregrinos). É um choque militar, político, mas também cultural e mental, pois a cruzada dilata o espaço e o tempo. P. Tétart, Pequena história dos historiadores. O que foi escrito sobre a primeira cruzada aplica-se, de maneira geral, às demais. a) Qual era a finalidade imediata das cruzadas? b) Além das alterações culturais e mentais, as cruzadas provocaram modificações de ordem comercial no continente europeu. Discorra sobre essas últimas. 10. (Unicamp) “Guerreiros a pé e cavaleiros fizeram um caminho através dos cadáveres. Mas tudo isso ainda era pouca coisa. Fomos ao Templo de Salomão, onde os sarracenos tinham o costume de celebrar seus cultos. O que se passou nestes lugares? Se dissermos a verdade, ultrapassaremos o limite do que é possível crer. Será suficiente dizer que, no Templo e no pórtico de Salomão, cavalgava-se em sangue até os joelhos dos cavaleiros e até o arreio dos cavalos. Justo e admirável julgamento de Deus, que quis que este lugar recebesse o sangue daqueles que blasfemaram contra Ele durante tanto tempo.” Raymond d’Aguiller, Historia Francorum qui ceperunt Jerusalem. http://www.fordham.edu/halsall/source/raymondcde.asp#jerusalem2. Acessado em: 01/10/2014. O texto acima se refere à Primeira Cruzada (1096-1099). Responda às questões abaixo. a) Identifique um motivo econômico e um motivo político para o movimento das Cruzadas. b) Que grupo social liderou esse movimento e como o cronista citado identifica o apoio de Deus ao empreendimento cruzadístico? 11. (Unicamp 2018) A ideia de que a demanda de especiarias resultava da necessidade de disfarçar o gosto da carne e do peixe putrefatos é um dos grandes mitos da história da alimentação. Na Europa medieval, os alimentos frescos eram mais frescos que os atuais, pois provinham da produção local. Os alimentos em conserva mantinham-se em salga, curtição, dessecação ou gordura, assim como hoje em dia são enlatados, refrigerados, liofilizados ou embalados a vácuo. De qualquer forma, os aspectos determinantes do papel desempenhado pelas especiarias na gastronomia eram o gosto e a cultura. A cozinha muito temperada com especiarias era objeto de desejo por ser cara e por “condimentar” a posição social dos ricos e as aspirações de quem ambicionava sê-lo. Além disso, a moda gastronômica predominante na baixa Idade Média europeia imitava as receitas árabes, que exigiam sabores doces e ingredientes fragrantes: leite de amêndoa, extratos de flores aromáticas e outras iguarias orientais. (Adaptado de Felipe Armesto-Fernández, 1492: o ano em que o mundo começou. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p.27). A partir do texto acima e de seus conhecimentos históricos: a) defina o que são as especiarias e explique seu significado social na Europa medieval. b) explique como era feito o comércio de especiarias na baixa Idade Média. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. E 2. E 3. B 4. C 5. E 6. A 7. A 8. C 9. C E.O. Fixação 1. C 2. A 3. D 4. C 5. D 6. D 7. A 8. D E.O. Complementar 1. C 2. A 3. B 4. D 5. D E.O. Dissertativo 1. a) As imagens expressam uma transformação geopolítica da Idade Medieval para a Idade Contemporânea na medida em que projetam diferentes ambientes de guerra, nos dois jogos. Na primeira imagem, a projeção criada pelo jogo de xadrez alude a um cenário de batalha medieval em que se confrontam dois exércitos com as peças tradicionais do jogo (peões, torres, cavalos e reis são destacados na imagem). Nesse sentido, o espaço geográfico da batalha travada pelos jogadores está associado a um território restrito, que tinha na Europa seu palco privilegiado. Por sua vez, a segunda imagem alude a um espaço geográfico ampliado, que toma todo planeta como palco de batalha. Essa transformação do espaço, onde a guerra é ambientada, toma como base o “mundo conhecido” para cada um dos períodos. Assim, essa ambiência remete às diferenças entre o século XI, dominado por conflitos entre as monarquias medievais, e a segunda metade do século XX, que tinha na Guerra Fria um de seus principais marcos geopolíticos. b) Pela análise das imagens, pode-se identificar duas práticas comuns, tanto à Idade Média quanto à Idade Contemporânea (o candidato deve apresentar apenas uma prática): • a de guerrear: nas duas imagens, os jogos de tabuleiro aludem à utilização do conflito bélico como mecanismo para a resolução de conflitos políticos em suas épocas. Nesse sentido, muito embora as técnicas utilizadas, os ambientes de guerra e as implicações políticas aludidas nos jogos sejam diferentes, o fenômeno da guerra continua sendo um mecanismo utilizado nas duas épocas;


16VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias • a de jogar: os jogos de tabuleiro representados indicam que, nos dois períodos, os momentos de descanso e lazer têm nos jogos uma de suas formas de expressão. Nesse sentido, apesar de os jogos serem diferentes, a prática cultural do jogo é comum às duas épocas. 2. Os “soldados de Cristo” eram todos os cristãos europeus que participaram das Cruzadas, em sua maioria, camponeses, liderados por nobres e reis. Para a massa dos participantes, o verdadeiro motivo era a fé, a luta contra os infiéis muçulmanos e a libertação da Terra Santa; no entanto, havia diversas outras motivações de cunho econômico e político. As cruzadas foram responsáveis pela abertura do Mediterrâneo ao comércio entre o ocidente e oriente, contribuindo para o renascimento comercial e urbano vivido pela Europa durante a baixa Idade Média. 3. a) A Peste Bubônica chegou à Europa através dos ratos vindos nos navios mercantes do Oriente que aportavam em Gênova em razão de um intenso comércio entre as cidades italianas e o Oriente. A partir daí disseminou-se como epidemia favorecida pelas precárias condições de higiene no mundo europeu. b) As altas taxas de mortalidade verificadas no século XIV, levaram á superexploração dos servos por parte dos senhores feudais devido à redução da oferta de mão de obra, o que desencadeou violentas revoltas camponesas. Para conter as revoltas, os nobres feudais recorriam à ajuda militar dos reis, o que contribuiu para o enfraquecimento do poder senhorial local em favor do fortalecimento do poder real no contexto da formação das Monarquias Nacionais europeias. 4. Podem ser apontadas como principais cauas das Cruzadas: • a marginalização de parte da população europeia em decorrência do crescimento demográfico, incompatível com as estruturas de produção feudal; • o interesse de nobres feudais sem direito a herança em obter feudos no Oriente; • o interesse de mercadores italianos em ampliar seus negócios com o Oriente; • o interesse do Papa na reunificação da Igreja do Oriente com o Ocidente; • o fervor religioso, expresso no desejo dos cruzados em reconquistar Jerusalém, a “Terra Santa” em poder dos muçulmanos, considerados infiéis. 5. a) Apesar de não ser uma exigência a ser verificada na elaboração da resposta, subentende-se que as invasões “bárbaras” ou germânicas marcaram um novo processo na formação social medieval, enquanto fenômenos que intensificaram a ruralização no contexto geográfico europeu, especialmente no Império Romano do Ocidente. Enquanto isso, as relações comerciais e a vida urbana mantiveram-se ativas no Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, ou seja, na Ásia Menor e no Oriente Próximo ou Oriente Médio, bem como no mar Mediterrâneo, compreendendo aí as cidades litorâneas e a outrora denominada Magna Grécia. Assim, independentemente dos pressupostos acima, serão consideradas, positivamente, as citações de fatores e respectivas descrições que expliquem o renascimento do comércio e da vida urbana, no contexto europeu, entre outras citações afins ou correlatas: • as peregrinações de cristãos europeus aos Lugares Santos, propiciando o estabelecimento de relações comerciais necessárias ao suprimento das necessidades gerais daqueles peregrinos em romaria, implicando em relações de trocas de produtos e/ou de produtos por moedas; • as Cruzadas ou Guerra Santa, enquanto iniciativa do cristianismo representado pelo Bispo de Roma, para libertação dos Lugares Santos, que se encontravam sob o controle principalmente dos povos identificados com a fé islâmica. Trata-se de um embate iniciado no final do século XI e que se estendeu até o final do século XIII, contribuindo significativamente para o incremento do intercâmbio comercial e para a própria expansão europeia, inclusive no que concerne ao intercâmbio comercial entre as regiões europeias e o Oriente; • a estabilização dos reinos medievais e relativa pacificação, propiciando o incremento demográfico e o esgotamento das terras férteis, contribuindo para a migração dos excedentes demográficos em busca de alternativas de sobrevivência nas vilas e nos burgos e disponibilizando mão de obra para as atividades artesanais, bem como para as relações de trocas ou intercâmbios comerciais; • enriquecimento da nobreza feudal decorrente da Guerra Santa ou Cruzadas, inclusive por meio de saques, propiciando acumulação de riqueza que seria empregada na aquisição de produtos disponibilizados pelos intercâmbios comerciais, incluindo o gosto pelos artigos de luxo geralmente observados no Oriente; também se incluem o conhecimento de novos produtos, como as especiarias, que se incorporaram aos hábitos alimentares e à conservação de alimentos perecíveis; • a própria tradição comercial das cidades da outrora denominada Magna Grécia, no mar Mediterrâneo, destacando-se as cidades da península italiana, que atuaram como entrepostos e pontos de origem das novas rotas comerciais que se consolidaram no interior da Europa, em cujos entroncamentos se originaram ou se desenvolveram burgos ou cidades como polos comerciais; • quanto à Guerra Santa, deve-se considerar que foi por ocasião da Quarta Cruzada que os mercadores europeus das cidades do Mediterrâneo obtiveram o privilégio de fixação de entrepostos comerciais para distribuição de mercadorias provenientes do Oriente para as rotas comerciais terrestres e fluviais, que adentravam ao interior do continente europeu, em direção às feiras que se consolidavam. b) Apesar de não ser uma exigência a ser verificada na elaboração da resposta, é bom lembrar que a associação formal de pessoas com interesses comuns já ocorria desde os tempos dos reis de Roma, Numa Pompílio (716-673 a.C.) e Sérvio Túlio (578-526 a.C.),


17VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias quando se constituíram as clássicas associações ou confrarias, com caráter religioso, bem como as primeiras corporações de arquitetos e as associações de artes e ofício, congregando pessoas segundo habilidades práticas e profissionais mais comuns. Portanto, desde a Antiguidade Tardia (cerca de 300-600 d.C.), e durante a Alta Idade Média (476-1000 d.C.), constituíram-se, na península italiana, corporações de artis et officium, congregando artigianos, bem como corporações de comerciantes. Assim, independentemente dos pressupostos acima, serão consideradas, positivamente, nas respostas, explicações afins ou correlatas que tratem dos aspectos essenciais das corporações de ofícios, enquanto organização social urbana para fins de auxílio mútuo e proteção, no contexto do renascimento do comércio e da vida urbana em ambiente europeu, mormente a partir do século XII: • as confrarias religiosas, comuns entre os cristãos, também influenciaram a formação de agremiações ou corporações de ofícios, bem como as guildas, nas cidades que renasciam, na Idade Média; • as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou importância a proteção mútua mediante constituição de um fundo, nos burgos, especialmente contra a predominância da aristocracia feudal, que se impunha nos feudos; enfim, as guildas ou corporações de ofícios tinham como objetivo principal a defesa dos interesses econômicos e profissionais dos trabalhadores que lhes eram associados; • as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou importância a associação de mestres, que eram donos de oficinas, bem como artesãos ou artistas e aprendizes das artes e ofícios; agregavam pessoas das relações familiares ou pessoas outras, desprovidas de status e condições econômicas, como aprendizes de uma profissão; • as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou importância a reprodução e consolidação do conhecimento, bem como a normatização e refinamento das competências e especializações profissionais; constituíram-se guildas de alfaiates, sapateiros, ferreiros, açougueiros, artesãos, comerciantes, artistas plásticos entre outros profissionais; – as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou importância a associação de professores e estudantes que, a partir do final do século XII e início do século XIII, constituíram corporações que se denominaram Universitas Magistrorum, reunindo professores, e Universitas Scholarium, reunindo estudantes, com vistas aos estudos gerais e que propiciaram a gênese das Universidades; • também serão considerados, positivamente, os comentários críticos ou ressalvas sobre as supostas diferenças entre corporações de ofícios, enquanto ambientes de aprendizagem de uma profissão, diferentemente das guildas, consideradas como corporações de comerciantes, segundo o princípio de que o mestre de uma corporação de ofício é também um comerciante de sua produção artesanal, da mesma forma que o comerciante de uma guilda vem a ser também o mestre de sua oficina de produção artesanal; portanto, as duas denominações são equivalentes, mesmo porque são muito mais diferenciações dialetais ou idiomáticas; • também serão considerados, positivamente, as ressalvas sobre as articulações entre corporações de cidades de uma região, constituindo as LIGAS, mormente de comerciantes, com a finalidade de protegerem o comércio, ou seja, com a finalidade protecionista tanto das relações comerciais quanto do mercado. 6. a) A comparação entre o sistema feudal e a organização do futebol brasileiro fundamenta-se: na redução do feudalismo a um sistema fechado, autossuficiente e hierárquico, o que permite associar o feudo às federações, uma vez que ambos são apreendidos como unidades capazes de produzir riqueza e sustentar relações de poder; na atribuição de riqueza, de poder de mando e de exploração aos senhores feudais e aos cartolas. No caso do senhor feudal, a “massa” explorada é constituída pelos servos; no caso dos cartolas, a “massa” explorada é composta de torcedores dos vários clubes de futebol. b) Na comparação, são desconsiderados os seguintes elementos que caracterizam o feudalismo (o candidato deve caracterizar apenas um): economia com uso restrito de moeda, baseada na troca e no dom; posse da terra como critério de diferenciação dos grupos sociais, sobretudo dos senhores e dos servos; constituição da camada servil pela maior parte da população camponesa; presença da cavalaria que, em decorrência da relação feudovassálica, cumpre obrigações militares para com os senhores feudais. Pode-se ressaltar, também, o poder adquirido pela Igreja Católica durante o período e seu papel como sustentáculo do regime e como grande proprietária de terras e recebedora de benefícios. 7. O ar da cidade torna o homem livre, pois, na Baixa Idade Média, os centros urbanos em luta por seus direitos libertaram-se, em parte, da tutela feudal. Os impostos cobrados em dinheiro, as atividades bancárias, a força política dos comerciantes (burguesia), o crescimento das corporações de ofícios, a retomada com mais vigor das rotas de comércio internacional impuseram um novo modo de viver ao mundo citadino. 8. Século X – apogeu: Características: • vigência das relações de suserania e vassalagem; • complexa hierarquia feudal, baseada nas relações de dependência entre os diferentes papéis representados pela nobreza; • confirmação do poder figurativo dos reis; • fortalecimento da sociedade estamental, legitimada pela ideologia católica expressa na “Cidade de Deus” de Santo Agostinho. • fortalecimento do feudalismo como modo de produção: terra/servidão/economia fechada e autossuficiente. Século XV – declínio: Fatores responsáveis: • crescimento demográfico na Europa Ocidental criando novas demandas de consumo;


18VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias • renascimento das cidades e ocorrência de lutas visando à autonomia por parte das mais fortes e desenvolvidas; • revolução comercial na área europeia/ mediterrânea, trazendo novas práticas financeiras e comerciais; • mudanças na estrutura social com a formação da burguesia comercial; • guerra dos Cem Anos; • peste Negra; • formação das monarquias nacionais e expansão marítimo-comercial. Vale destacar que essa cronologia e interpretação são tradicionais e podem variar. Muitos historiadores consideram que, a partir do século XI, a Europa vivenciou o apogeu do feudalismo. Segundo a divisão que adotamos, a questão deve ser enquadrada em duas classificações, Alta e Baixa Idade Média. E.O. Enem 1. A 2. A 3. D 4. E 5. A E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. A 2. B 3. A 4. B 5. B 6. A 7. A 8. E 9. E 10. A E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. Um conjunto de fatores pode ser considerado para a contribuição da propagação, como a precariedade das condições de higiene nas cidades, a precariedade de hábitos de higiene pessoal ou o desconhecimento das causas da doença. O comércio europeu atravessava um momento de grande desenvolvimento, conduzido principalmente por mercadores italianos que passaram a dominar as rotas e portos do mar Mediterrâneo. Na Europa, havia grande efervescência do comércio e da vida urbana. 2. a) O estilo Gótico desenvolveu-se na Europa, principalmente na França, durante a Baixa Idade Média, e é identificado como a Arte das Catedrais. Do ponto de vista material, a construção gótica, de modo geral, se diferenciou pela elevação e desmaterialização das paredes, assim como pela especial distribuição da luz no espaço. Tudo isso foi possível graças a duas das inovações arquitetônicas mais importantes desse período: o arco em ponta, responsável pela elevação vertical do edifício, e a abóbada cruzada. b) O sistema religioso cristão e sua instituição, a Igreja Católica, foram responsáveis pela formação cultural na Idade Média e controladora do saber. Durante a Baixa Idade Média, quando se desenvolveu o estilo gótico, também se desenvolveram as Universidades medievais, controladas por membros do clero. 3. a) As invasões normandas são consideradas as últimas invasões bárbaras sobre a Europa. Em princípio, geraram destruição e medo. Posteriormente, a Europa viveu um processo de expansão econômica, não apenas com o estabelecimento de relações com as regiões ao norte, de onde os normandos eram originários, mas, principalmente, em relação ao sul, onde grupos de italianos ampliaram o comércio com o oriente, de onde provinham as especiarias, fundamental para o desenvolvimento de feiras e rotas de comércio ao longo da Baixa Idade Média. b) Alguns países europeus têm desenvolvido uma política de restrição à entrada de imigrantes, mesmo daqueles que proveem de antigas áreas coloniais. A situação de crise econômica e de aumento do desemprego nesses países reforça a xenofobia ao identificar no estrangeiro o elemento que ocupa um posto de trabalho e, ainda, é responsável por maior gasto dos governos em política social. 4. a) O ofício de lavrador era o ofício tradicional, da maioria dos trabalhadores, pois a economia feudal era essencialmente agrária, que demandava conhecimento de técnicas agrícolas básicas, assim como sobre a terra e os períodos de chuva ou de estiagem. O ofício de mercador era uma exceção. Considera-se que, a partir do século XI, ele passou a se desenvolver, parte das transformações que caracterizaram a Baixa Idade Média. O mercador deveria ter conhecimento sobre moedas, sistema de pesos e medidas e as necessidades do pequeno mercado que se formava. b) Durante a Baixa Idade Média, houve a grande expansão do comércio na Europa, parte dele de produtos oriundos do oriente através de mercadores italianos, principalmente a partir das cruzadas. A intensidade do comércio foi fundamental para o desenvolvimento urbano e para a formação da classe burguesa. Nas cidades, além do comércio, a produção artesanal também conheceu grande desenvolvimento. É importante ressaltar que, apesar do desenvolvimento urbano e comercial, essa situação era uma exceção, pois ainda predominavam as relações feudais. 5. a) Entre as contribuições da Idade Média para a posteridade, podem-se destacar: • A preservação e difusão da filosofia clássica; • A invenção de um novo tipo de arado, a charrua, e a utilização da rotação trienal (rodízio de campos). b) Entre as práticas ou instituições que conferiram à Idade Média a denominação de “Idade das Trevas”, conceito este formulado no Renascimento e reforçado pelo Iluminismo, podem-se destacar: • As limitações ao desenvolvimento das ciências, uma vez que experimentos químicos eram associados à bruxaria; • As ações violentas da Inquisição para impor os valores e poder da Igreja, vista como monopolizadora do saber.


19VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 6. a) Na servidão característica do feudalismo, os camponeses fixavam-se a uma propriedade territorial sob a dependência e proteção de um senhor, devendo ao proprietário (senhor feudal) obrigações costumeiras em gêneros ou em trabalho. b) No século XVI, as altas taxas de mortalidade, em decorrência da Peste Negra, que reduziam a oferta de mão de obra, aliadas às revoltas camponesas decorrentes da superexploração dos servos, contribuíram para que o trabalho servil fosse substituído por novas relações de trabalho. O arrendamento das terras aos camponeses passou a ser em troca de rendas em dinheiro e não mais em obrigações e em algumas terras, empregava-se o trabalho assalariado. Acrescenta-se ainda que no entorno das cidades que começavam a ressurgir ou crescer, expandiram-se as terras comunais, nas quais os trabalhadores eram livres. 7. a) A unidade da Europa Ocidental da Idade Média identificada no texto, decorreu da influência política e sobretudo cultural, exercida pela Igreja. b) As Universidades medievais europeias, eram centros produção cultural nas áreas urbanas e de difusão do Humanismo. 8. O texto do historiador Georges Duby remete a Baixa Idade Média, séculos XII ao XV, quando a Europa estava sob a égide do Renascimento Comercial e Urbano caracterizado pela crise do sistema feudal e pelo surgimento de cidades, bancos, universidades, catedrais em estilo gótico, maior uso de moedas, economia mais urbana, dinâmica e monetária e o surgimento da burguesia. Surgiram cidades e no seu interior eram construídas as catedrais com apoio das Corporações de Ofício que consistiam em uma associação de artesãos. Estes monumentos religiosos eram a casa do povo, um local sagrado para as orações para Deus e Santos, celebração das festas católicas, reuniões das diversas confrarias que surgiram neste contexto. 9. a) Libertar a Terra Santa (Jerusalém) do domínio muçulmano. b) As Cruzadas proporcionaram a reabertura do Mediterrâneo Ocidental ao comércio europeu, intensificando as relações mercantis da Europa com o Oriente, sobretudo com Constantinopla, Alexandria e Antioquia, criando-se assim, as bases para o Renascimento Comercial e Urbano da Baixa Idade Média. 10. a) Um objetivo ECONÔMICO: reestabelecer rotas de comércio com a Ásia; Um objetivo POLÍTICO: recuperar o domínio da cidade de Jerusalém, então sob domínio muçulmano. b) O grupo social que liderou esse movimento foi o dos SENHORES FEUDAIS. O cronista afirma que Deus estava ao lado dos cruzadistas, uma vez que os muçulmanos blasfemaram contra Ele e violaram Sua cidade sagrada (Jerusalém). 11. a) Especiarias eram produtos típicos das Índias, em geral de origem vegetal, utilizadas, principalmente, como condimentos e remédios. Na sociedade da Europa Medieval, o consumo de especiarias conferia status social, uma vez que a compra de especiarias era dispendiosa. b) Existiam dois caminhos para o comércio: um por terra, pela chamada Rota da Seda, com as especiarias saindo da Índia, passando pela China e chegando à Constantinopla pelo Mediterrâneo; e outra pelo mar, com os árabes trazendo as especiarias pelo Oceano Índico e pelo Mar Vermelho.


20VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (UEPA) As crenças de navegadores portugueses e espanhóis dos séculos XV e XVI, inspiradas na teologia medieval, de que o Paraíso estava ao alcance dos homens, embora em lugar ainda desconhecido, estimularam as viagens de “descobertas” que incorporaram o Novo Mundo ao espaço geográfico das terras conhecidas pelos europeus. As pistas desta mentalidade estão em obras filosóficas e literárias da Antiguidade Greco- -Romana e de autores humanistas, além de novelas de cavalaria. O conteúdo destas obras fazia parte do patrimônio intelectual europeu de fins da Idade Média e forneceu o quadro mental a partir do qual foram escritas as obras de viajantes europeus que vieram à América no século XVI. A busca do paraíso terrestre, quando da expansão marítima europeia voltada para a descoberta de novas rotas de comércio com o Oriente, significou: a) a ruptura entre a mentalidade medieval e aquela do Renascimento. b) a permanência de elementos da mentalidade medieval no período inicial do Renascimento. c) a confirmação dos relatos bíblicos, que podiam ser constatados com as navegações. d) a correspondência entre as crenças europeias e os mitos indígenas do Novo Mundo. e) o uso da justificativa religiosa para o financiamento das navegações pelas Coroas Ibéricas. 2. (UEPA) O teólogo humanista Tomas Morus publicou em 1516 aquele que seria um dos mais importantes livros de todos os tempos. Trata-se de uma descrição conjectural de um não lugar, numa ilha do Atlântico Sul, com uma baia esplendorosa e ao fundo uma cadeia de montanhas. Ali viveria um povo diferente: homens e mulheres solidários uns aos outros, sem diferenças sociais ou econômicas decidindo os assuntos políticos em coletivo. De onde Morus havia tirado as informações? No prólogo, ele relata que conversara com marinheiros irlandeses que haviam estado no Brasil e lhe contado detalhes sobre o povo que lá vivia: eram os tupinambás. Foi esse povo o modelo para a obra que irá influenciar todo um sonho do Ocidente. GOMES, Mércio Pereira. Bom selvagem, mau selvagem. Revista de História da Biblioteca Nacional. Ano 8/N° 91/Abril 2013. p.34). Identifique, nas alternativas abaixo, a obra e o período histórico a que o texto se refere. a) Elogio da Loucura que, junto com Ensaios, iniciava a época do Renascimento, cujas origens localizam-se na Itália, mas que ganha uma grande projeção em Portugal e Espanha, a partir do momento que esses dois países se projetam nas grandes navegações. b) Utopia, escrito no período de transição entre o chamado Medievo e os tempos Modernos, quando muitas mudanças ocorrem não só na percepção do espaço geográfico, como também por acontecimentos que apontam para mudanças culturais, pregadas inicialmente pelos humanistas. c) Gargântua e Pantagruel que, escrito inicialmente em francês, ganha notoriedade quando ocorre a Reforma e seu conteúdo passa a se constituir como modelo de sociedade a ser construída por essa nova doutrina religiosa. d) Ensaios, que ganhou projeção após seu autor ter sido condenado e morto pela Inquisição num momento em que a Igreja Católica, sentindo-se ameaçada pela Reforma, passa a combater de forma drástica ideias que apresentassem modelos que se contrapunham à teologia católica. e) Utopia, escrita em inglês inicialmente e logo publicada em diversos idiomas devido à projeção que ganham os livros em função da invenção da imprensa, o que provoca na sociedade europeia da época o desejo de se aventurar por além-mar em busca desse lugar em que o ser humano era valorizado. 3. (UPE) Que obra de arte é o homem! Que nobre na razão, que infinito nas faculdades, na expressão e nos movimentos, que determinado e admirável nas ações; que parecido a um anjo de inteligência, que semelhante a um deus! (SHAKESPEARE, William. Hamlet. São Paulo: Abril Cultural, 1976. p. 87.) Partindo da análise da fala da personagem shakespeariana, assinale a alternativa que a associa às características do Renascimento Cultural. a) A fala de Hamlet ilustra o teor teocêntrico do Renascimento ao associar o homem a anjos e deuses. b) O texto apresenta Deus como centro do universo ao explorar a semelhança entre o homem e o divino. c) Hamlet apresenta o homem como uma obra-prima nata, dialogando com a perspectiva filosófica do empirismo. d) O texto explora o hedonismo ao destacar o homem como “infinito nas faculdades, na expressão e nos movimentos”. e) Hamlet apresenta um elogio ao homem, ilustrando o antropocentrismo característico do Renascimento Cultural. RENASCIMENTOS CULTURAL E CIENTÍFICO COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4, 5 e 6 HABILIDADE(s) 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15,16, 17, 18, 19, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 27 e 28 CH AULAS 19 E 20


21VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 4. (UFRGS) Os humanistas dos séculos XV e XVI procuraram validar os modelos antigos nas artes, na filosofia, na política, na literatura, desviando-se das derivações medievais. Nesse sentido, as inovações do Renascimento podem ser definidas como retomada de concepções antigas e criações inéditas. Considere os seguintes autores e respectivas obras. I. Maquiavel e a obra O Príncipe – Thomas Morus e a obra Utopia II. Montaigne e a obra Ensaios – Rousseau e a obra O contrato social III. Da Vinci e a obra Mona Lisa – Michelângelo e a obra Moisés Quais são desse período? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) Apenas I e III. 5. (Uepa) Produzir e divulgar livros em Portugal, no século XV, estava longe de ser uma tarefa tranquila. Em 1451, no mesmo ano em que Johannes Gutenberg (1400-1468) revolucionava a Europa com a prensa mecânica, o rei Afonso V (1432-1481) promulgava um alvará mandando queimar livros falsos ou heréticos, difundidos ainda como manuscritos. Foi sob este clima de forte repressão cultural que o país adotou a tipografia, por volta de 1490. Durante o reinado de D. Manuel I, entre 1495 e 1521, o ofício ganhou impulso, graças à ação empreendedora de Valentin Fernandes, um alemão de nome lusitano. Essa expansão, porém, não significou o fim da repressão. ZILBERMAN, Regina. Letras entre a cruz e a espada. In: Revista História. Ano 2, nº 19, 2005, p.68. A censura à publicação de livros no Império Português do século XVI, no contexto de expansão da arte tipográfica na Europa, se explica pelo fato de(a): a) difusão das ideias humanistas através de obras de grande tiragem produzidas por escritores renascentistas portugueses como Luís de Camões e Gil Vicente, ferozes opositores da doutrina católica. b) preocupação geopolítica de controlar a difusão de ideias religiosas e políticas nas colônias americanas, de modo a conter a notória expansão religiosa protestante na América Portuguesa, como ocorreu com a instalação da França Antártica. c) criação da tipografia ser avaliada pelo Tribunal do Santo Ofício como uma ameaça ao domínio ideológico católico na Península Ibérica, já abalado pela forte presença religiosa islâmica. d) nova tecnologia ser vista pelo estado português de forma ambivalente: tanto como revolução cultural quanto como instrumento de subversão dos princípios morais da sociedade civil e religiosa. e) invenção dos tipos móveis ter sido feita por um alemão protestante, o que assinalava o perigo do domínio político-religioso alemão da nova tecnologia, num contexto de disputa por espaços coloniais entre as potências europeias. 6. (UCS) Sobre as características do Renascimento, movimento artístico, cultural e intelectual que atingiu seu apogeu nos séculos XV e XVI, é correto afirmar que a) defendia ser Deus o centro de tudo e que a fé se sobrepunha à razão. b) pregava a democratização do saber letrado como uma forma de diminuir a distância entre os moradores do campo e da cidade. c) se contrapôs ao modelo medieval, procurando enaltecer o individualismo, o nacionalismo e a fé. d) tinha como fundamentos a retomada dos valores clássicos (greco-romanos), o antropocentrismo e o racionalismo. e) defendia a crença inabalável na fé e se contrapunha à existência de leis naturais regendo a dinâmica do progresso. 7. (Espcex) “A partir do século XI, a Europa Ocidental foi palco de uma série de mudanças: crescimento da população, avanço técnico, aumento da produtividade agrícola, intensificação do comércio entre o Ocidente e o Oriente e ascensão da burguesia (mercadores, armadores, banqueiros). Todas essas mudanças inspiraram uma nova visão do mundo, da arte e do conhecimento, impulsionando, assim, um movimento de grande renovação cultural, único na história do Ocidente: o Renascimento.” BOULOS JR, 2011 São características do Renascimento: a) antropocentrismo e misticismo. b) hedonismo e antropocentrismo. c) teocentrismo e individualismo. d) teocentrismo e nacionalismo. e) misticismo e hedonismo. 8. (UEPB) Das universidades medievais italianas surgiram duas práticas culturais que teriam impacto na formação de estudiosos: o estudo vernacular, a língua própria de um lugar, e a prática da retórica (...). Os letrados italianos, como Petrarca e Leonardo Bruni, defendiam o uso do próprio idioma para se expressar, e não a língua oficial da cristandade, o latim. A utilização de uma língua própria estimulava a adoção de expressões da particularidade de cada local, criando um estilo próprio e negando a padronização feita por outros (...). A retórica tinha a função de educar e persuadir. O ato de estudar e debater levava à reformulação dos pensamentos e à capacidade de expressar ideias publicamente.” José A. de Freitas Neto e Célio Ricardo Tasinafo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Editora Habra, p. 168. O texto oferece subsídios para compreensão: a) do liberalismo b) do medievalismo c) do catolicismo d) do culturalismo e) do humanismo


22VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 9. (PUC) A imagem acima, “A Escola de Atenas”, é considerada uma das maiores obras de arte renascentista. Foi elaborada sob a forma de afresco, realizado entre os anos de 1506 e 1510, sob encomenda do Vaticano para ornar um dos aposentos do palácio principal. Rafael Sanzio soube representar de modo magistral o espírito de sua época. No centro do afresco, as figuras dos filósofos Platão e Aristóteles bem como de outros sábios da Antiguidade. Considerando o contexto histórico retratado na obra e as proposições que se seguem, marque a alternativa CORRETA. I. A realização da grandiosa obra foi em parte possível pela prática do mecenato, que propiciava ao artista as condições materiais para a produção de obras de arte e de inventos científicos. II. A técnica da perspectiva, a valorização do volume dos corpos pelo contraste claroescuro, e a utilização, no original, de cores vivas revelam a preocupação em representar as pinturas da forma mais realista possível. III. Apesar da crença em um conhecimento racional do mundo, os intelectuais desse contexto acreditavam na existência de Deus, que dotou o homem de raciocínio para desvendar as leis do universo. IV. Os intelectuais renascentistas buscaram inspiração nos padrões estéticos e nos conhecimentos produzidos pelos clássicos greco-romanos da Antiguidade. a) I, II, III e IV. b) I e IV, apenas. c) II e III, apenas. d) II e IV, apenas. e) I e III, apenas. E.O. Fixação 1. (UEPB) O olhar que os europeus tinham sobre o mundo medieval mudou com o advento do chamado mundo moderno, devido à inserção de novos elementos, tais como: a) A presença dos cavaleiros, a economia autossuficiente, a força dos artesãos e o teocentrismo. b) A presença dos cavaleiros, o pensamento humanista; a contrarreforma católica e a descentralização do poder político. c) O teocentrismo, a presença do Estado Moderno e as reformas religiosas, e o tribunal de Inquisição. d) A imprensa como espaço de divulgação do pensamento teocêntrico, a descentralização do poder político e a Guerra dos Cem Anos. e) A descoberta do Novo Mundo, a presença de novos atores sociais como a burguesia e a utilização da bússola, da pólvora e da imprensa. 2. (PUC) A renovação literária que se verifica no norte da Itália no século XIV, com as obras de Dante Alighieri (1265-1321), Francesco Petrarca (1304-1374) e Giovani Boccaccio (1313-1375), é considerada um marco para o chamado Renascimento Cultural. Produzindo obras de transição para a cultura renascentista, esses autores NÃO: a) glorificavam as conquistas humanas. b) utilizavam uma linguagem popular. c) ironizavam a moral corrente. d) criticavam a cultura medieval. e) ignoravam a temática religiosa. 3. (UPE) Analise a imagem a seguir: O quadro O nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, é uma das grandes realizações da arte renascentista. Sobre essa obra e seu contexto histórico, assinale a alternativa CORRETA. a) A temática pagã da obra, baseada na mitologia greco-romana, constituiu-se numa ousadia que destoava do restante da produção artística do Renascimento. b) A nudez representada no quadro também aparece em obras de outros artistas da época, como Michelangelo. c) Botticelli, personagem símbolo do ideal humanista, também foi arquiteto, engenheiro, músico e poeta. d) O nascimento de Vênus, assim como a Última Ceia de Da Vinci, é uma pintura de temática bíblica. e) Botticelli destacou-se por sua produção em escultura. 4. (UEMG) As transformações históricas geralmente não acontecem de forma repentina; elas se dão de forma gradual, com o passar dos anos, décadas ou séculos. Se levarmos em consideração as mudanças culturais, as transformações são ainda mais demoradas. No período medieval, não foi diferente: as mudanças culturais começaram a ser percebidas nos dois séculos anteriores. Sobre esse assunto, leia a passagem seguinte: “Mas o novo humanismo era, mais geralmente, um humanismo cristão. «Somos anões empoleirados nos om-


23VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias bros de gigantes»: esta fórmula de Bernard de Chartres (cerca de 1130), muitas vezes repetida, ilustra a extensão da dívida que os espíritos mais sérios da época reconheciam ter para com a cultura clássica”. BLOCH, Marc. A Sociedade Feudal. Lisboa: Edições 70, 1979, p.135. Segundo o relato de Marc Bloch sobre o pensamento de Bernard de Chartres, é CORRETO afirmar: a) A sociedade do tempo de Chartres, após as descobertas dos originais gregos, via-se como independente das influências clássicas. b) Faziam parte do contexto da época de Chartres a mediocridade dos intelectuais que lhe foram contemporâneos e a supremacia da mentalidade grega. c) Todo o universo acadêmico estava dedicado a suplantar suas heranças passadas, motivo pelo qual os intelectuais contemporâneos a Chartres dedicavam- -se ao estudo dos clássicos. d) Os intelectuais da geração de Chartres são gratos aos clássicos, pois, com suas obras em mãos, podiam perceber a magnitude de seus conceitos. 5. (UFRN) Os historiadores fazem distinção entre o período medieval e a modernidade na Europa Ocidental. As imagens a seguir evidenciam essa nova concepção de mundo, característica da modernidade. Sistema copernicano, de Andreas Cellarius. Homem vitruviano, de Leonardo da Vinci. Essas imagens remetem a aspectos da mentalidade do mundo moderno, que era caracterizado: a) pela reafirmação da visão aristotélica do universo e do homem, afirmando um padrão de círculos perfeitos no movimento dos astros. b) pela subordinação à visão clerical, que valorizava a iluminação divina para chegar à verdade sobre o homem, a mais perfeita realização de Deus. c) por um esquema do universo baseado no modelo heliocêntrico e por uma exaltação das capacidades humanas para chegar à verdade. d) por um ideal que partia da valorização do homem e, por consequência, via a Terra como centro do universo. 6. (PUC) Os humanistas e artistas do Renascimento italiano apregoavam a “volta aos Antigos” como fundamento de suas ações no presente. Assinale a alternativa que expressa o que era entendido por “volta aos Antigos”. a) Dar continuidade ao pensamento medieval, em particular aos preceitos da Escolástica que apregoava a conciliação da fé cristã com a razão fundada na tradição grega de Platão e Aristóteles. b) Tomar como fundamento exclusivamente as Escrituras Sagradas – o Antigo e o Novo Testamento – na medida em que as formas culturais deveriam estar a serviço da religião. c) Inspirar-se na arte e na cultura da civilização greco- -romana que teria sido desvalorizada pelo pensamento medieval, o qual limitava a liberdade do indivíduo. d) Imitar fielmente as atitudes dos homens da antiguidade, em seu modo de escrever, falar, esculpir, pintar, construir, se vestir, entre outras. Assim, sentiam-se alcançando as glórias do passado. e) Reagir ao movimento que defendia a autoridade do presente em relação ao Antigo e exigia uma ruptura total com o passado. IMAGEM PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 7. (UEL) A figura acima se insere em um momento histórico marcado por inúmeras transformações científicas, tecnológicas e culturais. Com base nessas transformações e nos conhecimentos sobre cultura e ciência na Idade Moderna, considere as afirmativas a seguir. I. A imprensa de tipos ou caracteres móveis restringiu a disseminação das informações científicas e culturais por meio da censura realizada pelo aparato estatal. II. Por meio do ensino do latim e da autorização da interpretação dos dogmas pelos fiéis, a Igreja Católica disseminou os conhecimentos bíblicos para a população. III. O método científico baseado na experiência, na observação e na verificação buscou as regularidades, estabelecendo certezas científicas sobre a natureza.


24VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias IV. Os Bizantinos e os Islâmicos preservaram os valores clássicos da cultura greco-romana, e o antropocentrismo constituiu-se em um modelo de proporções exatas. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 8. (UPE) Quais características do Renascimento estão presentes na obra? a) A filosofia Escolástica e a Patrística b) A exaltação a Deus e o Teocentrismo c) A misoginia e a exaltação do masculino d) O Orientalismo e as influências chinesas e) O Humanismo e a retomada de temas clássicos 9. (ESPM) Que obra de arte é o homem: tão nobre no raciocínio; tão vário na capacidade; em forma de movimento, tão preciso e admirável, na ação é como um anjo; no entendimento é como um Deus; a beleza do mundo, o exemplo dos animais. (Willian Shakespeare. Hamlet) Pois o Senhor reinará na terra com seus santos, como dizem as escrituras, e nela terá sua Igreja, na qual nenhum mal penetrará, afastada e pura de toda a mancha do mal. A Igreja se revelará então com grande clareza, dignidade e justiça. Então não haverá prazer em enganar, em mentir, em ocultar o lobo sob a pele da ovelha. (Santo Agostinho. A Cidade de Deus) Os textos permitem constatar o contraste de diferentes concepções entre a renascença e a mentalidade medieval. A alternativa que apresenta o contraste que os textos revelam é: a) humanismo × laicismo; b) individualismo × coletivismo; c) antropocentrismo × teocentrismo; d) hedonismo × misticismo; e) naturalismo × dogmatismo. E.O. Complementar 1. (UFMG) “Que obra de arte é o homem: tão nobre no raciocínio, tão vário na capacidade; em forma o movimento, tão preciso e admirável; na ação é como um anjo; no entendimento é como um Deus; a beleza do mundo, o exemplo dos animais.” (SHAKESPEARE, William. HAMLET.) O valor renascentista expresso nesse texto é: a) o antropomorfismo. b) o hedonismo. c) o humanismo. d) o individualismo. e) o racionalismo. 2. (UEL) A arte renascentista, de uma forma geral, se caracterizou pela a) representação abstrata do mundo. b) estreita relação entre arte-romantismo-melancolia. c) representação cubista da ideia de Deus. d) aproximação entre arte-pesquisa-inovações técnicas. e) valorização estética dos afrescos da antiguidade egípcia. 3. (FEI) As principais características do Renascimento foram: a) teocentrismo, realismo e intensa espiritualidade; b) romantismo, espírito crítico em relação à política, temas de inspiração exclusivamente naturalistas; c) ausência de perspectiva e adoção de temas do cotidiano religioso, tendo como foco apenas os valores espirituais; d) uso de temas ecológicos evidenciando a preocupação com o meio ambiente, execução de variados retratos de personalidades da época. e) antropocentrismo, humanismo e inspiração greco- -romana. 4. (Unitau) Durante o Renascimento, houve um notável desenvolvimento da produção literária, além das artes plásticas. Indique a alternativa em que obra e autor estão corretos: a) O príncipe − Shakespeare b) Dom Quixote − Miguel de Cervantes c) Os Lusíadas − Erasmo de Rotterdan d) Hamlet − Dante Alighieri e) Utopia − François Rabelais 5. (UFPE) Sobre o Renascimento, pode-se afirmar: a) pode ser visto como uma revolução religiosa, resultado das profundas transformações que ocorreram na transição entre o feudalismo e o capitalismo; b) Florença e Roma, Pequim e Bagdá foram centros de irradiação do movimento renascentista;


25VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias c) o Renascimento valorizava o anonimato e fortalecia o sentimento nacionalista; d) o Renascimento foi um movimento artístico, literário e científico defensor do humanismo, baseado no antropocentrismo e no espírito crítico em oposição ao teocentrismo; e) o Renascimento fez renovar toda tradição islâmica da península Ibérica reprimida pelas Cruzadas. E.O. Dissertativo 1. (UFG) Leia a citação a seguir. Mago designa um homem que alia o saber ao poder de agir para a criação de mundos desejáveis. BRUNO, Giordano. Tratado da magia, 1591. Apud JOB, Nelson. Ontologias em devir: confluências entre magia e ciência. Disponível em: <www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh3/ trabalhos/NelsonJob.pdf>. Acesso em: 14 nov. 2012. Tal como demonstra a citação de Giordano Bruno, sentenciado pela Inquisição à morte na fogueira, a magia despertava o interesse de pensadores e cientistas que estudavam as formas de intervir nas forças da natureza, no período entre os séculos XV e XVI. Com base no exposto, a) explique como a citação de Giordano Bruno contraria os princípios que sustentaram a ação da Inquisição; b) relacione a citação de Giordano Bruno aos valores renascentistas sobre o conhecimento humano. 2. (UFPR) Considere os dois extratos de documentos abaixo: I. Ilustrações publicadas na obra “De humani corporis fabrica”, do médico belga André Vessálio (1543). II. “Aconselho-te, meu filho, a que empregues a tua juventude em tirar bom proveito dos estudos e das virtudes (...). Do direito civil quero que saibas de cor os belos textos e que mos compare com filosofia. Enquanto ao conhecimento das coisas da natureza, quero que a isso te entregues curiosamente (...) depois (...) revisita os livros dos médicos gregos, árabes e latinos, sem desprezar os talmudistas e cabalistas, e por frequentes anatomias adquire perfeito conhecimento do outro mundo [o microcosmos] que é o homem.” (RABELAIS, François. Pantagruel [1532]. In: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano, 1976, v. 11) Considerando os documentos acima, além dos conhecimentos sobre o período, disserte sobre as principais características do Renascimento, relacionando-as com as transformações sociais em curso na Europa. 3. (UFJF) Observe as seguintes figuras e leia o texto a seguir: No final da Idade Média, a Europa Ocidental passou por transformações sociais, políticas e econômicas relacionadas ao desenvolvimento do comércio e das cidades. E, no âmbito da cultura, as cidades italianas constituíam um ambiente propício para a consolidação de um movimento de transformação cultural, o chamado Renascimento. a) Disserte sobre uma transformação socioeconômica que possibilitou a afirmação da cultura renascentista na Península Itálica. b) Cite e analise um aspecto da cultura renascentista que entrava em conflito com os ensinamentos da Igreja. c) Analise um aspecto do Renascimento no âmbito das artes. 4. (UFF) Um dos aspectos mais importantes da nova ordem decorrente do Renascimento foi a formação das repúblicas italianas. Dentre elas, se destacaram Florença e Veneza. Essas repúblicas inovaram no sentido das suas formas de governo, assim como na redefinição do lugar do homem no mundo, inspirando a partir daí novas formas de representá-lo. a) Tomando o caso de Florença, explique como funcionavam as repúblicas italianas, levando em conta a organização política e os vínculos entre os cidadãos e a cidade, e indique o nome do principal representante das ideias sobre a política florentina no século XVI. b) Analise o papel de Veneza no desenvolvimento do comércio europeu, e suas relações com o Oriente. 5. (UFJF) As imagens abaixo ilustram alguns procedimentos utilizados por um novo modo de conhecer e explicar a realidade que se estruturou entre os séculos XVI e XVIII. Ilustração do Sistema solar no manuscrito de Copérnico na obra “Das Revoluções das esferas celestes” Ilustração de Andreas Versalius na obra “Da Organização do Corpo Humano” Fonte: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org>. Acesso em: 8 out. 2011. Fonte: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org>. Acesso em: 8 out. 2011.


26VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Com base nas informações acima e em seus conhecimentos, responda ao que se pede: a) Que processo histórico pode ser identificado pelas referências acima? b) Cite e analise uma característica desse novo modo de conceber o conhecimento. c) Explique o impacto desse novo modo de conceber o conhecimento sobre os dogmas religiosos vigentes na época. 6. (FGV-RJ) Observe atentamente a imagem abaixo e responda às questões propostas. a) Aponte duas características da pintura que permitam identificá-la com o movimento cultural conhecido como Renascimento. b) Explique por que o Renascimento pode ser associado ao processo de transição da Idade Média para a Idade Moderna. 7. (UFG) Leia o texto a seguir. Enquanto andava à procura de ossos pelas estradas rurais, onde eventualmente os indivíduos executados são deixados, deparei-me com um cadáver ressecado. Os ossos estavam totalmente expostos, mantendo-se unidos apenas pelos ligamentos, e tinham sido preservadas somente a origem e a inserção dos músculos. Escalei o poste e destaquei o fêmur do osso ilíaco. Quando puxei a peça com força, a omoplata, os braços e as mãos também se destacaram, embora faltassem os dedos de uma das mãos, as duas rótulas e um dos pés. Depois de trazer secretamente para casa as pernas e os braços e após sucessivas idas e vindas (tinha deixado para trás a cabeça e o tronco), permaneci durante quase toda noite fora dos limites da cidade a fim de conseguir pegar o tórax, que se encontrava firmemente preso a uma corrente. VESALIUS, Andreas. De humani corporis fabrica, 1543. Disponível em: www.cienciahoje.uol.com.br/noticias/ historiada-ciencia-e-epistemologia/relancado-tratadoque-inaugurouanatomia-moderna/. Acesso em: 11 out.. 2010. [Adaptado] Datada de 1543, a narração do médico Andreas Vesalius, considerado o precursor dos estudos de anatomia moderna, indica a formação de um novo modelo de conhecimento, no período. Com base na leitura do texto e considerando o contexto histórico, a) explique o processo pelo qual a concepção de mundo dos homens se transformou na época do Renascimento; b) analise a concepção de ciência que se formava, apresentando o conflito social que essa nova concepção gerou. 8. (UFBA) O Renascimento, como expressão de concepções inovadoras de artistas, escritores e cientistas, marcou o campo cultural e o científico da civilização europeia ocidental. Partindo dos conhecimentos sobre o movimento renascentista, indique uma concepção, relativa a cada grupo indicado, responsável por modificações na mentalidade da época. Concepção inovadora de: • artistas: • escritores: • cientistas: 9. (PUC) A CIDADE IDEAL Em 1485, uma peste matou quase a metade da população de Milão, na Itália. No final dos anos 1480, Leonardo da Vinci transferiu-se para lá e, entre outros projetos, dedicou-se a planejar a "cidade ideal", tema e preocupação regular do Renascimento. Quase cinco séculos depois, a busca utópica da cidade ideal prosseguia, manifesta em projetos urbanos como o de Brasília. "Uma cidade, ou melhor, um lugar, um sítio urbano fixado sobre uma perspectiva que desdobra sobre o olhar o leque simétrico de suas linhas de fuga. A imagem de uma praça deserta, grosseiramente retangular, pavimentada de mármore policrômico, cercada em três de seus lados pela fachada de palácios e de casas burguesas; e um edifício de forma circular, com dois planos superpostos de colunas e uma cobertura cônica, ocupa o centro." Sobre "A cidade Ideal de Urbino". Hubert DAMISCH. "L'origine de la perspective". Paris: Flammarion, 1993, p. 192 "Compara-se [...] Brasília com as duas cidades ideais de Le Corbusier [arquiteto modernista suíço, 1887-1965]. Notem-se as similaridades explícitas entre ambas e Brasília: o cruzamento de vias expressas; as unidades de moradia com aparência e altura uniformes, agrupadas em superquadras residenciais com jardins e dependências coletivas; os prédios administrativos, financeiros e comerciais em torno do cruzamento central; a zona de recreação rodeando a cidade. O 'pedigree' de Brasília é evidente". James HOLSTON. A cidade modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 38 "(...) o modelo urbanístico de Leonardo da Vinci, um desenho de cidade perfeita, detalhava como deveriam ser as ruas, casas, esgotos, etc. Pelas ruas altas não deveriam andar carros nem outras coisas similares, mas apenas gentis-homens; pelas baixas deveriam andar carros e outras coisas somente para uso e comodidade do povo. De uma casa a outra, deixando a rua baixa no meio, por onde chegam vinho, lenha, etc. Pelas ruas subterrâneas estariam as estrebarias e outras coisas fétidas.


27VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias A cidade descrita por Leonardo já é, de certa forma, utopia: é uma exigência completamente racional que espera ser traduzida na prática." BERRIEL, Carlos Eduardo Ornelas. Cidades utópicas do renascimento. Disponível em:>http://cienciaecultura.bvs.br./ pdf/cic/v56n2/a21v56n2.pdf>. FIGURA 1: Artista desconhecido. Painel A cidade Ideal de Urbino. Galerie Nationale des Marches. FIGURA 2: Leonardo da Vinci: esquema de via de circulação e edifícios, em dois níveis, para a cidade ideal (c. 1485). Elke BUCHHOLZ. Leonardo da Vinci. Vida y Obra. Barcelona: Konemann, 2000, p. 36 FIGURA 3: Brasília. A partir dos textos e imagens apresentadas, escreva um texto sobre a ideia de "cidade ideal" no Renascimento e no mundo atual, considerando: • sua relação com as preocupações humanistas e racionalistas do Renascimento cultural e com as concepções de arte que se afirmaram na época de Leonardo; • as semelhanças de objetivos do urbanismo renascentista com o urbanismo modernista que resultou na cidade de Brasília, capital brasileira. 10. (UFMG) Analise esta imagem: Davi, de Michelangelo. A partir da análise dessa imagem e considerando outros conhecimentos sobre o assunto, a) identifique o movimento artístico a que pertence a obra. b) identifique e explique duas características desse movimento artístico. E.O. Enem 1. (Enem) Acompanhando a intenção da burguesia renascentista de ampliar seu domínio sobre a natureza e sobre o espaço geográfico, através da pesquisa científica e da invenção tecnológica, os cientistas também iriam se atirar nessa aventura, tentando conquistar a forma, o movimento, o espaço, a luz, a cor e mesmo a expressão e o sentimento. SEVCENKO, N. O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984. O texto apresenta um espírito de época que afetou também a produção artística, marcada pela constante relação entre a) fé e misticismo. b) ciência e arte. c) cultura e comércio. d) política e economia. e) astronomia e religião. 2. (Enem) O texto foi extraído da peça “Tróilo e Créssida” de William Shakespeare, escrita provavelmente, em 1601. “Os próprios céus, os planetas, e este centro reconhecem graus, prioridade, classe, constância, marcha, distância, estação, forma, função e regularidade, sempre iguais; eis porque o glorioso astro Sol está em nobre eminência entronizado e centralizado no meio dos outros, e o seu olhar benfazejo corrige os maus aspectos dos planetas malfazejos, e, qual rei que comanda, ordena sem entraves aos bons e aos maus.” (personagem Ulysses, Ato I, cena III). SHAKESPEARE, W. Tróilo e Créssida. Porto: Lello & Irmão, 1948.


28VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias A descrição feita pelo dramaturgo renascentista inglês se aproxima da teoria: a) geocêntrica do grego Claudius Ptolomeu. b) da reflexão da luz do árabe Alhazen. c) heliocêntrica do polonês Nicolau Copérnico. d) da rotação terrestre do italiano Galileu Galilei. e) da gravitação universal do inglês Isaac Newton. 3. (Enem) O franciscano Roger Bacon foi condenado, entre 1277 e 1279, por dirigir ataques aos teólogos, por uma suposta crença na alquimia, na astrologia e no método experimental, e também por introduzir, no ensino, as ideias de Aristóteles. Em 1260, Roger Bacon escreveu: “Pode ser que se fabriquem máquinas graças às quais os maiores navios, dirigidos por um único homem, se desloquem mais depressa do que se fossem cheios de remadores; que se construam carros que avancem a uma velocidade incrível sem a ajuda de animais; que se fabriquem máquinas voadoras nas quais um homem (...) bata o ar com asas como um pássaro. Máquinas que permitam ir ao fundo dos mares e dos rios” BRAUDEL, Fernand. Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV-XVIII. São Paulo: Martins Fontes, 1996, vol. 3. Considerando a dinâmica do processo histórico, pode- -se afirmar que as ideias de Roger Bacon: a) inseriam-se plenamente no espírito da Idade Média ao privilegiarem a crença em Deus como o principal meio para antecipar as descobertas da humanidade. b) estavam em atraso com relação ao seu tempo ao desconsiderarem os instrumentos intelectuais oferecidos pela Igreja para o avanço científico da humanidade. c) opunham-se ao desencadeamento da Primeira Revolução Industrial, ao rejeitarem a aplicação da matemática e do método experimental nas invenções industriais. d) eram fundamentalmente voltadas para o passado, pois não apenas seguiam Aristóteles, como também baseavam-se na tradição e na teologia. e) inseriam-se num movimento que convergiria mais tarde para o Renascimento, ao contemplarem a possibilidade de o ser humano controlar a natureza por meio das invenções. 4. (Enem) Assentado, portanto, que a Escritura, em muitas passagens, não apenas admite, mas necessita de exposições diferentes do significado aparente das palavras, parece-me que, nas discussões naturais, deveria ser deixada em último lugar. GALILEI, G. Carta a Benedetto Castelli. In: Ciência e fé: cartas de Galileu sobre o acordo do sistema copernicano com a Bíblia. São Paulo: Unesp, 2009. (adaptado) O texto, extraído da carta escrita por Galileu (1564- 1642) cerca de trinta anos antes de sua condenação pelo Tribunal do Santo Ofício, discute a relação entre ciência e fé, problemática cara no século XVII. A declaração de Galileu defende que a) a Bíblia, por registrar literalmente a palavra divina, apresenta a verdade dos fatos naturais, tornando-se guia para a ciência. b) o significado aparente daquilo que é lido acerca da natureza na Bíblia constitui uma referência primeira. c) as diferentes exposições quanto ao significado das palavras bíblicas devem evitar confrontos com os dogmas da Igreja. d) a Bíblia deve receber uma interpretação literal porque, desse modo, não será desviada a verdade natural. e) os intérpretes precisam propor, para as passagens bíblicas, sentidos que ultrapassem o significado imediato das palavras. E.O. UERJ Exame Discursivo 1. (UERJ) “O casal Arnolfini” http://upload.wikimedia.org JAN VAN EYCK (1389-1441) Sempre que se evoca o tema do Renascimento, a imagem que nos vem à mente é a dos grandes artistas e de suas obras mais famosas. Isso nos coloca a questão: por que razão o Renascimento implica esse destaque tão grande dado às artes visuais? De fato, as artes plásticas acabaram se convertendo num centro de convergência de todas as principais tendências da cultura renascentista. E mais do que isso, acabaram espelhando os impulsos mais marcantes do processo de evolução das relações sociais e mercantis. NICOLAU SEVCENKO. O Renascimento. São Paulo: Atual; Campinas: Ed. Unicamp, 1984. As diversas manifestações da cultura renascentista na Europa ocidental, entre os séculos XIV e XVI, estiveram relacionadas à criação de novos valores e práticas sociais que se confrontaram com aqueles da sociedade medieval. Cite dois aspectos da cultura renascentista que justifiquem a sua importância para o início dos Tempos Modernos. 2. (UERJ) Leia o texto escrito por Marsílio Ficino no século XV: Quem poderia negar que o homem possui quase o mesmo gênio que o Autor dos céus? E quem pode negar que o homem também poderia de algum modo criar os céus, obtivesse ele os instrumentos e o material celeste, pois até agora o faz, se bem que com um material diferente mas ainda segundo uma mesma ordem? HELLER, Agnes. O homem do Renascimento.Lisboa: Presença, 1982. Explique uma característica da civilização do Renascimento evidenciada no texto.


29VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unesp) Podemos afirmar que as obras A divina comédia, escrita por Dante Alighieri no início do século XIV, e Dom Quixote, escrita por Miguel de Cervantes no início do século XVII, a) parodiaram as novelas de cavalaria e defenderam a hegemonia da Igreja Católica e da aristocracia, respectivamente. b) derivaram de registros orais e foram apenas organizadas e sistematizadas na escrita de seus autores. c) contribuíram para a unificação e o estabelecimento da forma moderna dos idiomas italiano e espanhol. d) assumiram forte conotação anticlerical e intensificaram as críticas renascentistas à conduta e ao poder da Igreja Católica. e) retrataram o imaginário da burguesia comercial ascendente na Itália e na Espanha do final da Idade Média. 2. (Unicamp) De uma forma inteiramente inédita, os humanistas, entre os séculos XV e XVI, criaram uma nova forma de entender a realidade. Magia e ciência, poesia e filosofia misturavam-se e auxiliavam-se, numa sociedade atravessada por inquietações religiosas e por exigências práticas de todo gênero. Eugenio Garin, Ciência e vida civil no Renascimento italiano. São Paulo: Ed. Unesp, 1994, p. 11. Sobre o tema, é correto afirmar que: a) O pensamento humanista implicava a total recusa da existência de Deus nas artes e na ciência, o que libertava o homem para conhecer a natureza e a sociedade. b) A mistura de conhecimentos das mais diferentes origens – como a magia e a ciência – levou a uma instabilidade imprevisível, que lançou a Europa numa onda de obscurantismo que apenas o Iluminismo pôde reverter. c) As transformações artísticas e políticas do Renascimento incluíram a inspiração nos ideais da Antiguidade Clássica na pintura, na arquitetura e na escultura. d) As inquietações religiosas vividas principalmente ao longo do século XVI culminaram nas Reformas Calvinista, Luterana, Anglicana e finalmente no movimento da Contrarreforma, que defendeu a fé protestante contra seus inimigos. 3. (Fuvest) Em uma significativa passagem da tragédia Macbeth, de Shakespeare, seu personagem principal declara: “Ouso tudo o que é próprio de um homem; quem ousa fazer mais do que isso não o é”. De acordo com muitos intérpretes, essa postura revela, com extraordinária clareza, toda a audácia da experiência renascentista. Com relação à cultura humanista, é correto afirmar que a) o mecenato de príncipes, de instituições e de famílias ricas e poderosas evitou os constrangimentos, prisão e tortura de artistas e de cientistas. b) a presença majoritária de temáticas religiosas nas artes plásticas demonstrava as dificuldades de assimilar as conquistas científicas produzidas naquele momento. c) a observação da natureza, os experimentos e a pesquisa empírica contribuíram para o rompimento de alguns dos dogmas fundamentais da Igreja. d) a reflexão dedutiva e o cálculo matemático limitaram-se à pesquisa teórica e somente seriam aplicados na chamada Revolução Científica do século XVII. e) a avidez de conhecimento e de poder favoreceu a renovação das universidades e a valorização dos saberes transmitidos pela cultura letrada. 4. (Fuvest) Nos séculos XIV e XV, a Itália foi a região mais rica e influente da Europa. Isso ocorreu devido à a) iniciativa pioneira na busca do caminho marítimo para as Índias. b) centralização precoce do poder monárquico nessa região. c) ausência completa de relações feudais em todo o seu território. d) neutralidade da península itálica frente à guerra generalizada na Europa. e) combinação de desenvolvimento comercial com pujança artística. 5. (Fuvest) "No campo científico e matemático, o processo da investigação racional percorreu um longo caminho. Os Elementos de Euclides, a descoberta de Arquimedes sobre a gravidade, o cálculo por Eratóstenes do diâmetro da terra com um erro de apenas algumas centenas de quilômetros do número exato, todos esses feitos não seriam igualados na Europa durante 1500 anos." Moses I. Finley. Os gregos antigos O período a que se refere o historiador Finley, para a retomada do desenvolvimento científico, corresponde a) ao Helenismo, que facilitou a incorporação das ciências persa e hindu às de origem grega. b) à criação das universidades nas cidades da Idade Média, onde se desenvolveram as teorias escolásticas. c) ao apogeu do Império Bizantino, quando se incentivou a condensação da produção dos autores gregos. d) à expansão marítimo-comercial e ao Renascimento, quando se lançaram as bases da ciência moderna. e) ao desenvolvimento da Revolução Industrial na Inglaterra, que conseguiu separar a técnica da ciência. 6. (Unesp) A pintura representa no martírio de Cristo os seguintes princípios culturais do Renascimento italiano:


30VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias a) a imitação das formas artísticas medievais e a ênfase na natureza espiritual de Cristo. b) a preocupação intensa com a forma artística e a ausência de significado religioso do quadro. c) a disposição da figura de Cristo em perspectiva geométrica e o conteúdo realista da composição. d) a gama variada de cores luminosas e a concepção otimista de uma humanidade sem pecado. e) a idealização do corpo do Salvador e a noção de uma divindade desvinculada dos dramas humanos. 7. (Unesp) Os centros artísticos, na verdade, poderiam ser definidos como lugares caracterizados pela presença de um número razoável de artistas e de grupos significativos de consumidores, que por motivações variadas — glorificação familiar ou individual, desejo de hegemonia ou ânsia de salvação eterna — estão dispostos a investir em obras de arte uma parte das suas riquezas. Este último ponto implica, evidentemente, que o centro seja um lugar ao qual afluem quantidades consideráveis de recursos eventualmente destinados à produção artística. Além disso, poderá ser dotado de instituições de tutela, formação e promoção de artistas, bem como de distribuição das obras. Por fim, terá um público muito mais vasto que o dos consumidores propriamente ditos: um público não homogêneo, certamente (...). Carlo Ginzburg. A micro-história e outros ensaios, 1991. Os “centros artísticos” descritos no texto podem ser identificados: a) nos mosteiros medievais, onde se valorizava especialmente a arte sacra. b) nas cidades modernas, onde floresceu o Renascimento cultural. c) nos centros urbanos romanos, onde predominava a escultura gótica. d) nas cidades-estados gregas, onde o estilo dórico era hegemônico. e) nos castelos senhoriais, onde prevalecia a arquitetura românica. 8. (Unicamp) A primeira lei de Kepler demonstrou que os planetas se movem em órbitas elípticas e não circulares. A segunda lei mostrou que os planetas não se movem a uma velocidade constante. PERRY, Marvin. Civilização Ocidental: uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 289. (Adaptado) É correto afirmar que as leis de Kepler: a) confirmaram as teorias definidas por Copérnico e são exemplos do modelo científico que passou a vigorar a partir da Alta Idade Média. b) confirmaram as teorias defendidas por Ptolomeu e permitiram a produção das cartas náuticas usadas no período do descobrimento da América. c) são a base do modelo planetário geocêntrico e se tornaram as premissas científicas que vigoram até hoje. d) forneceram subsídios para demonstrar o modelo planetário heliocêntrico e criticar as posições defendidas pela Igreja naquela época. 9. (Unicamp) A teoria da perspectiva, iniciada com o arquiteto Filippo Bruneleschi (1377-1446), utilizou conhecimentos geométricos e matemáticos na representação artística produzida na época. A figura a seguir ilustra o estudo da perspectiva em uma obra desse arquiteto. É correto afirmar que, a partir do Renascimento, a teoria da perspectiva: a) foi aplicada nas artes e na arquitetura, com o uso de proporções harmônicas, o que privilegiou o domínio técnico e restringiu a capacidade criativa dos artistas. b) evidencia, em sua aplicação nas artes e na arquitetura, que as regras geométricas e de proporcionalidade auxiliam a percepção tridimensional e podem ser ensinadas, aprendidas e difundidas. c) fez com que a matemática fosse considerada uma arte em que apenas pessoas excepcionais poderiam usar geometria e proporções em seus ofícios. d) separou arte e ciência, tornando a matemática uma ferramenta apenas instrumental, porque essa teoria não reconhece as proporções humanas como base de medida universal. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unesp) [...] tudo que os renascentistas pretendiam era assumir a condição humana até seus limites, até as últimas consequências. Nem Deus e nem o demônio; todo o desafio consistia em ser absolutamente, radicalmente humano, apenas humano. (Nicolau Sevcenko. O Renascimento, 1985.) Explique a caracterização que o texto faz do Renascimento e dê exemplo de uma obra artística em que tal intenção se manifeste. 2. (Fuvest) Observe a imagem e leia o texto a seguir. Fonte: Michelangelo, A criação de Adão, detalhe do teto da Capela Sistena, Vaticano (c. 1511). www.rastel.com


31VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Michelangelo começou cedo na arte de dissecar cadáveres. Tinha apenas 13 anos quando participou das primeiras sessões. A ligação do artista com a medicina foi reflexo da efervescência cultural e científica do Renascimento. A prática da dissecação, que se encontrava dormente havia 1.400 anos, foi retomada e exerceu influência decisiva sobre a arte que então se produzia. Clayton Levy, Pesquisadores dissecam lição de anatomia de Michelangelo. In: Jornal da Unicamp, nº 256, junho de 2004. a) Explique a relação, mencionada no texto, entre artes plásticas e dissecação de cadáveres, no contexto do Renascimento. b) Identifique, na imagem acima, duas características da arte renascentista. 3. (Fuvest) Se utilizássemos, numa conversa com homens medievais, a expressão “Idade Média”, eles não teriam ideia do que isso poderia significar. Eles, como todos os homens de todos os períodos históricos, se viam vivendo na época contemporânea. De fato, falarmos em Idade Antiga ou Média representa uma rotulação posterior, uma satisfação da necessidade de se dar nome aos momentos passados. No caso do que chamamos de Idade Média, foi o século XVI que elaborou tal conceito. Ou melhor, tal preconceito, pois o termo expressava um desprezo indisfarçado pelos séculos localizados entre a Antiguidade Clássica e o próprio século XVI. Hilário Franco Júnior. A Idade Média. Nascimento do Ocidente. 3ª ed. São Paulo: Brasiliense, s.d. [1986]. p.17. Adaptado. A partir desse trecho, responda: a) Em que termos a expressão “Idade Média” pode carregar consigo um valor depreciativo? b) Como o período comumente abarcado pela expressão “Idade Média” poderia ser analisado de outra maneira, isto é, sem um julgamento de valor? 4. (Fuvest) O grande mérito do sábio toscano estava exatamente na apresentação de suas conclusões na forma de “leis” matemáticas do mundo natural. Ele não apenas defendia que o mundo era governado por essas “leis”, como também apresentava as que havia “descoberto” em suas investigações. Carlos Z. Camenietzki, Galileu em sua órbita. In: Revista de História, jan. 2014. Considerando que o texto se refere a Galileu Galilei (1564-1642), a) identifique uma das “leis” do mundo natural proposta por ele; b) indique dois dos principais motivos pelos quais ele foi julgado pelo Tribunal da Inquisição. 5. (Fuvest) A personagem "Dom Quixote" representava um ideal de vida não mais dominante no tempo em que Miguel de Cervantes escreveu sua famosa obra (1605-1615). a) Explique esse ideal. b) Por que tal ideal deixou de ser dominante? 6. (Unesp) Leia o trecho de A divina comédia, escrita pelo poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321), no início do século XIV. Como, em seu 1 Arsenal, os venezianos fervem, no inverno, o pegajoso 2 pez, pra de seus 3 lenhos consertar os danos, pois, não podendo navegar, ao invés há quem renove o lenho, ou 4 calafete o casco que viagem muita fez; e um na proa, na popa outro arremete, um faz o remo, outro torce o cordame, um remenda a grã vela, outro o 5 traquete. A divina comédia, 2009. 1 arsenal: lugar de conserto de navios. 2 pez: piche. 3 lenho: barco. 4 calafetar: vedar, fechar. 5 traquete: mastro. Nos versos, o poeta refere-se ao trabalho de reparação dos navios venezianos. Descreva a natureza do trabalho desenvolvido no arsenal e explique o motivo da crise econômica das cidades italianas a partir do final do século XV. 7. (Unesp) Um peso colossal de estupidez esmagou o espírito humano. A pavorosa aventura da Idade Média, essa interrupção de mil anos na História da civilização. Ernest Renan. Reminiscências da infância e da mocidade, 1883. a) Explique a origem, no Renascimento, do termo Idade Média. b) Forneça dois exemplos de natureza cultural que contradizem o juízo do autor sobre o período medieval. 8. (Unicamp) A partir do século IX, aumentou a circulação da ciência e da filosofia vindas de Bagdá, o centro da cultura islâmica, em direção ao reino muçulmano instalado no Sul da Espanha. No século XII, apesar das divisões políticas e das guerras entre cristãos e mouros que marcavam a península ibérica, essa corrente de conhecimento virou um rio caudaloso, criando uma base que, mais tarde, constituiria as fundações do Renascimento no mundo cristão. Foi dessa maneira que o Ocidente adquiriu o conhecimento dos antigos. No quadro pintado pelo italiano Rafael, A escola de Atenas (1509), o pintor daria a Averróis, sábio muçulmano da Andaluzia, um lugar de honra, logo atrás do grego Aristóteles, cuja obra Averróis havia comentado e divulgado. David Levering Lewis, God’s Crucible: Islam and the Making of Europe, 570-1215. New York: W. W. Norton, 2008, p. 368-69, 376-77. a) Identifique no texto dois aspectos da relação entre cristãos e muçulmanos na Europa medieval. b) Relacione as características do Renascimento cultural europeu à redescoberta dos valores da Antiguidade clássica. 9. (Unicamp) Em Roma, no século XV, destruíram-se muitos e belos monumentos, sem que as autoridades ou


32VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias os mecenas se lembrassem de os restaurar. No melhor período desse "regresso ao antigo", ocorrido durante o Renascimento italiano, não se restaura nenhuma ruína, e toda a gente continua a explorar templos, teatros e anfiteatros, como se fossem pedreiras. Jacques Heers. Idade Média: uma impostura. Porto: Edições Asa. 1994, p. 111. a) Segundo o texto, quais foram as duas atitudes em relação à cidade de Roma no Renascimento? b) Explique a importância da cidade de Roma na Antiguidade. c) Por que o Renascimento italiano valorizou as cidades? Gabarito E.O. Aprendizagem 1. B 2. B 3. E 4. E 5. D 6. D 7. B 8. E 9. A E.O. Fixação 1. E 2. E 3. B 4. D 5. C 6. C 7. C 8. E 9. C E.O. Complementar 1. C 2. D 3. E 4. B 5. D E.O. Dissertativo 1. a) Os princípios que sustentaram a ação da Inquisição eram baseados no combate a toda e qualquer forma de oposição aos dogmas da Igreja Católica. Esses princípios eram efetivados por meio de práticas como: vigilância e controle do comportamento moral dos fiéis e severa censura às produções culturais e às inovações científicas. A citação de Giordano Bruno contraria esses princípios por exaltar o “saber” e o “poder de agir” do homem, avaliado, então, como ator capaz de dominar a natureza para criar “mundos desejáveis”. A citação se refere ao trabalho desenvolvido pelo mago. No período citado, seus conhecimentos provinham de fontes não aprovadas pela Igreja, que resultavam em práticas consideradas ocultas por ameaçarem os dogmas religiosos. Em virtude dessa compreensão por parte da Igreja, a Inquisição reservaria aos hereges (dentre eles, os magos) denúncias, investigações, julgamentos e condenações, com penas como prisão perpétua e morte na fogueira (o caso de Giordano Bruno). b) A citação está associada aos valores renascentistas porque se refere a um tipo distinto de poder e de saber, que ultrapassa os limites impostos pelos dogmas da Igreja Católica, na medida em que essa instituição tem a revelação divina como fonte única do saber. Três pontos associam a citação a esses valores: 1) a eleição do homem como agente; 2) a referência a uma ação racionalmente elaborada para transformar a realidade, o que remete à criação de novos mundos; 3) o registro de que os mundos a serem criados dependeriam da vontade humana. Assim, os pontos mencionados explicitam os seguintes valores do Renascimento: o humanismo e o antropocentrismo (valorização do homem e de seu poder de ação, o que resultava em colocar o homem no centro da ação e conferir-lhe vontade e desejo para a intervenção na natureza); o racionalismo (a valorização da razão humana). 2. O Renascimento Cultural foi um amplo movimento caracterizado por uma mudança significativa na forma de enxergar o mundo, principalmente nos centros urbanos, caracterizada pelo antropocentrismo, individualismo e racionalismo. Tanto as imagens do corpo humano, destacando o esqueleto e a musculatura de forma científica, quanto o texto reforçam a necessidade do conhecimento racional sobre o ser humano e o universalismo desse conhecimento, que deixa de ser monopólio da Igreja Católica e pode ser formado a partir de diferentes culturas. 3. a) A reabertura do Mar Mediterrâneo, proporcionada pela ocorrência das Cruzadas, favoreceu o enriquecimento de mercadores e comerciantes. Tal segmento social passou a apoiar práticas que denotavam luxo e riqueza, como o colecionamento de obras de arte, o que incentivou a prática do mecenato, principalmente na Península Itálica. b) Concepção antropocêntrica de mundo, em oposição à concepção teocêntrica proposta pela Igreja Católica. c) Influência da cultura greco-romana, humanismo, valorização do corpo humano. 4. a) As repúblicas italianas da Renascença desenvolveram formas de organização política opostas ao domínio dos senhores feudais, estabelecendo como base a cidade e nela constituindo um governo coletivo voltado para a garantia de sobrevivência da cidade e liderado pelos chanceleres. Para efetivar isso, desenvolveram uma verdadeira atitude de patriotismo entre os seus habitantes que recebeu o nome de virtude cívica e que coloca a cidade como principal objetivo da vida do cidadão. O principal nome da política de Florença foi Maquiavel. No entanto, vale a pena lembrar que a organização independente das cidades italianas é anterior ao Renascimento e sua importância já é destacada na Baixa Idade Média, como renascimento comercial. b) O papel vanguardista de Veneza no desenvolvimento do comércio com o Oriente e associar a isso a variedade de produtos colocados na Europa que aumentaram o comércio e expandiram o luxo. Em decorrência disso, foram criadas novas necessidades que ajudaram a alterar as formas econômicas feudais e que levaram às trocas científicas e culturais com o Ocidente. Tais modificações alimentaram mudanças no cenário da ciência, da religião e da arte. Os mercadores de Veneza tiveram papel fundamental na reabertura do Mediterrâneo ao comércio europeu, na época das cruzadas, contribuindo para o aumento da circulação de mercadorias orientais, as especiarias.


33VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 5. a) Revolução Científica. Também serão aceitos: renascimento científico, renascimento da ciência moderna. O Renascimento Científico pode ser enquadrado no contexto do Renascimento Cultural que, ao contrário do senso comum, não deve ser vinculado apenas à arte, mas a toda produção cultural guiada pelo racionalismo, espírito crítico, antropocentrismo e humanismo. b) O racionalismo, empirismo, o antropocentrismo, a experimentação, a observação. O racionalismo se contrapõe ao dogmatismo (a crença em verdades absolutas e universais), dessa forma está associado ao senso crítico e a possibilidade de levantar e discutir novas hipóteses em todos os campos do saber. O antropocentrismo não deve ser percebido apenas como “o homem no centro”, representa a preocupação em entender e, nesse sentido, em dar importância ao ser humano. c) O choque entre as concepções teocêntricas e da Igreja Católica e as baseadas no empirismo e no racionalismo. Também será considerada a identificação das reações que este processo produziu na Igreja, a exemplo do acirramento das perseguições aos adeptos desta nova forma de pensar e da condenação de diversas obras de intelectuais da época. Além de obras condenadas, diversos intelectuais foram condenados e executados na fogueira, destacando- -se como principais exemplos Giordano Bruno e Galileu Galilei (que para fugir à condenação negou suas teorias). 6. a) Antropocentrismo (valorização do homem) e Naturalismo (valorização da natureza). b) Na transição da Idade Média para a Idade Moderna havia na Europa uma mudança estrutural em toda sociedade. Na Política, uma transição da descentralização política feudal para a centralização do poder nas mãos dos reis. Na economia, de uma economia agrária, rural e de subsistência para uma economia mais urbana, monetária e comercial. Na religião, quebrou a unidade cristã com o surgimento de novas religiões no início do século XVI como o luteranismo, calvinismo, anglicanismo. No plano da cultura, uma mudança do teocentrismo medieval para o antropocentrismo moderno. Assim, o Renascimento Cultural que ocorreu nos séculos XIV, XV e XVI caracteriza esta transição no âmbito da cultura. 7. a) No processo de formação do mundo moderno (XII- -XVII), o Renascimento introduziu algumas importantes transformações, que incidiram sobre a concepção de mundo dos homens daquela época. Colocou no centro de suas preocupações o homem, o que ficaria conhecido como antropocentrismo. O humanismo, o estudo da natureza e o desenvolvimento do espírito crítico, em conjunto, colaboraram para a ampliação dos horizontes em vários campos do conhecimento, que, difundidos, transformaram a concepção do homem sobre o mundo. b) Desenvolvia-se a importância de observação direta nos estudos científicos, procedimento que afirmaria a empiria como forma de construção do conhecimento científico. Com o Renascimento e a difusão de seus princípios, as dúvidas sobre o corpo humano tornaram legítima, por parte dos médicos, a investigação empírica, daí a prática de dissecação de cadáveres. Ainda assim, a narrativa do médico, ao revelar que as suas atividades eram feitas em segredo, indica implicitamente que, apesar das mudanças produzidas pelo Renascimento, tais “novidades” provocavam conflitos, posto que não eram consensuais. Na verdade, nesse mesmo período, a Igreja Católica condenava práticas como a da dissecação de cadáveres, pois o corpo humano era considerado sagrado e não poderia ser violado. 8. Concepções inovadoras de artistas: • técnicas de perspectiva, de tridimensionalidade, introduzindo a impressão de realismo; • inclusão de paisagens da natureza; • influência do humanismo na reprodução de formas humanas; • temas religiosos revestidos de percepção humanista. Concepções inovadoras de escritores: • humanismo, destacando-se as emoções humanas; • textos em línguas nacionais, abordando temas profanos e das culturas locais; • revisão crítica de textos clássicos; • inclusão de temas políticos. Concepções inovadoras de cientistas: • valorização da observação e da experiência; • influência do humanismo, libertando o estudo do universo e da Terra; • abordagens de estudos no campo da física e no da medicina. Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas. 9. A concepção de "cidade ideal" na Época Renascentista pode ser explicada a partir de um conjunto de fatores, quais sejam: • A influência dos valores da Antiguidade Clássica que levaram à retomada dos padrões estéticos da arquitetura greco-romana; • A eliminação ou minimização dos problemas sanitários e de funcionalidade das cidades medievais, cacterizados pela precariedade dos edifícios, os esgotos a céu aberto e as ruas estreitas; • A influência do racionalismo e o humanismo presentes nas concepções de filósofos, artistas e cientistas quanto à solução de todos os problemas. As semelhanças de objetivos do urbanismo renascentista com o urbanismo modernista que resultou na cidade de Brasília podem ser identificadas quanto: ao arrojo dos projetos em relação às respectivas épocas, à amplitude das vias de circulação e quanto à organização do espaço urbanizado, particularmente a setorização das práticas econômicas, administrativas e sociais. 10. a) Renascimento Cultural. b) Dentre as principais características do movimento renascentista, pode-se destacar o antropocentrismo, visão que considera o homem o centro de tudo, e o racionalismo, princípio de que o exercício da razão é o único caminho para o saber.


34VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Enem 1. B 2. C 3. E 4. E E.O. UERJ Exame Discursivo 1. Dois dos aspectos: • valorização do indivíduo. • abandono do teocentrismo. • defesa dos ideais humanistas. • defesa dos valores burgueses. • valorização da liberdade individual. • utilização da razão na explicação do mundo. • visão mais natural e humanizada da religião. O início da modernidade coincide com o período de expansão das atividades mercantis e de ascensão da classe burguesa. Os valores do renascimento expressão uma nova visão de mundo na qual a capacidade de criação e de ação humana se destaca. 2. No texto, destaca-se a visão humanista que defendia, numa perspectiva otimista, as potencialidades do homem, característica da civilização do Renascimento. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. C 2. C 3. C 4. E 5. D 6. C 7. B 8. D 9. B E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. O Renascimento caracterizou-se por ser anticlerical, opondo- -se à cultura religiosa e teocêntrica da Idade Média. Valoriza o homem a partir do antropocentrismo e do humanismo (glorificação do natural e do humano). Como exemplo as esculturas Davi e Pietá de Michelangelo. 2. a) Influenciado pelas concepções gregas de humanismo e naturalismo, os renascentistas procuravam reproduzir e valorizar o homem. A dissecação de cadáveres – como mencionada no texto – permitiu maior conhecimento do corpo humano, favorecendo a riqueza de detalhes e fortalecendo o realismo. b) A valorização do ser humano (antropocentrismo) e a adoção da perspectiva na pintura, associada a novidades como a noção de profundidade e a projeção de luz e sombra. 3. a) A expressão “Idade Média” foi cunhada pelos renascentistas do século XV, que consideravam o momento em que viviam como sendo de grande desenvolvimento intelectual, artístico e científico, comparável ao momento que gregos e romanos viveram no passado, intermediado por um período de obscurantismo, de trevas. Portanto, ao valorizar uma cultura antropocêntrica, racional e individualista, criaram profundo desprezo e preconceito ao período anterior, marcado por características diferenciadas, consideradas inferiores. b) A Idade Média deve ser compreendida a partir de suas próprias características, entendida dentro de seu tempo, portanto em um contexto específico, com seus valores e contradições, sem ser comparada com outros períodos em termos de valores. 4. a) Podemos citar algumas leis criadas por Galileu, como (1) a teoria de que todos os planetas orbitam em torno do Sol – o heliocentrismo e (2) a teoria de que, sem a resistência do ar, todos os corpos em queda livre atingem a mesma velocidade independente de suas massas. b) Como todos os pensadores renascentistas, Galileu primava pelo uso da razão em suas análises. Assim, muitas vezes, suas teorias iam de encontro ao que a Igreja Católica preconizava. Em especial, ele foi perseguido pela teoria do heliocentrismo, uma vez que a Igreja defendia o geocentrismo. 5. a) O personagem Dom Quixote representa o ideal de cavalaria, característico do mundo feudal, baseado nos princípios de lealdade, honra, coragem e proteção aos mais fracos. b) Porque os ideais medievais, próprios da nobreza feudal, foram superados pelos valores da burguesia, classe social em ascensão no contexto da transição feudo-capitalista. 6. O texto relata o trabalho de construção e reparo dos navios em Veneza. Tal trabalho era livre, assalariado e especializado. No que diz respeito à crise do século XV nas cidades italianas, ela se deve, basicamente, a duas razões: (1) os turcos, ao tomarem Constantinopla, passaram a dificultar e encarecer a travessia do Mediterrâneo e (2) portugueses e espanhóis lançaram-se ao mar, achando caminhos alternativos para as Índias e inseriram-se no mercado das especiarias. 7. a) O termo Idade Média foi empregado pelos humanistas da Renascença para estabelecer a divisão da História em três grandes períodos: a Idade Antiga, a Idade Média e a Idade Moderna. Os humanistas referiam-se ao período como a "Idade das Trevas" por negarem os valores da cultura medieval fundamentados na exaltação do divino. b) Os mosteiros medievais contribuíram significativamente para a preservação de obras da antiguidade clássica e durante o reinado de Carlos Magno, promoveu-se um grande estímulo ás artes e à cultura, consagrando-se a criação da "Escola Palatina". Acrescenta-se ainda que do contato do ocidente medieval europeu com o mundo árabe, importantes conhecimentos técnicos e culturais foram assimilados e difundidos pelos europeus.


35VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 8. a) De acordo com o texto, pode-se considerar como aspectos da relação entre cristãos e muçulmanos na Idade Média, a transmissão conhecimentos da antiguidade clássica dos muçulmanos ao ocidente cristão e presença islâmica na península ibérica deu origem à guerra da Reconquista. b) O Renascimento é assim chamado em virtude da redescoberta e revalorização das referências culturais da antiguidade clássica durante a passagem da Idade Média para a Idade Moderna, destacando-se o racionalismo, o antropocentrismo, o individualismo e o naturalismo. 9. a) No Renascimento, houve, em Roma, a valorização dos elementos do seu passado “antigo”, refletidos em seus monumentos e edificações. A cidade se tornou o modelo de capital das monarquias europeias e viveu um processo de reformas promovido pelo papado, que edificou a nova Basílica de São Pedro. Também houve um grande investimento artístico e monumental na cidade de Roma, por exemplo, com o teto da Capela Sistina de Michelangelo ou o túmulo do papa Júlio II, buscando igualar, em grandeza, seu presente com a Antiguidade clássica. Por outro lado, conforme o texto assinala, não havia uma preocupação com a restauração e manutenção das obras da Antiguidade, usadas como se fossem pedreiras. b) Foi a capital do mais importante império na Antiguidade, sendo um poderoso centro político e administrativo e centro de difusão, irradiação e consolidação dos valores da civilização clássica (greco-romana). c) Por que as cidades italianas à época do Renascimento eram, além de importantes centro econômicos, verdadeiros Estados dotados de soberania, onde os governantes ou a burguesia em busca de projeção, estimulavam as artes. Também, os valores da Renascença representavam uma contraposição aos valores do mundo feudal, essencialmente rural.


36VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (UFMG) Leia estes trechos: I. “Assim vemos que a fé basta a um cristão. Ele não precisa de nenhuma obra para se justificar.” II. “O rei é o chefe supremo da Igreja [...] Nesta qualidade, o rei tem todo o poder de examinar, reprimir, corrigir [...] a fim de conservar a paz, a unidade e a tranquilidade do reino...” III. “Por decreto de Deus, para manifestação de sua glória, alguns homens são predestinados à vida eterna e outros são predestinados à morte eterna.” A partir dessa leitura e considerando-se outros conhecimentos sobre o assunto, é CORRETO afirmar que as concepções expressas nos trechos I, II e III fazem referência, respectivamente, às doutrinas: a) católica, anglicana e ortodoxa. b) luterana, anglicana e calvinista. c) ortodoxa, luterana e católica. d) ortodoxa, presbiteriana e escolástica. 2. (UFRGS) Em 1648, foi celebrada a Paz de Vestfália, um conjunto de tratados que encerrava a Guerra dos Trinta Anos e, como consequência, o período de guerras religiosas europeias, causadas pela Reforma Protestante. Entre os principais efeitos da Paz, pode-se citar: a) a unificação política do Sacro Império Romano Germânico e o surgimento do Estado-nação alemão. b) o reconhecimento da soberania nacional como elemento lapidar das relações internacionais entre os diferentes Estados europeus. c) a supressão do luteranismo do Sacro Império Romano Germânico e o reconhecimento do catolicismo e do calvinismo como únicas religiões permitidas nos Estados alemães. d) a ascensão da Casa dos Habsburgo como a mais poderosa das dinastias reais europeias. e) a subjugação completa da Revolta Holandesa contra a Espanha e a anexação dos Países Baixos ao Império Espanhol. 3. (PUC-RJ) “O ódio contra o clero, muito extenso, desempenhou o seu papel (...). A cobiça, o endividamento e os cálculos políticos, também devem ser levados em conta. Mas a mensagem dos reformadores, respondeu – isto é indubitável – a uma intensa sede espiritual que a igreja oficial foi incapaz de satisfazer (...) os pregadores da reforma não necessitaram de nenhum apoio político para atrair seus partidários, ainda que esse apoio se fizesse necessário para consolidar os resultados alcançados pelo ataque inicial dos profetas. Não se pode esquecer que, em seus inícios, a Reforma foi um movimento espiritual com uma mensagem religiosa.” Lucien Febvre apud MARQUES, Adhemar Martins; BERUTTI, Flavio Costa, FARIA, Ricardo de Souza. História Moderna Através de Textos. São Paulo: Contexto, 2005 - coleção textos e documentos - 3. Em relação aos movimentos religiosos que atingiram a Europa no século XVI, é INCORRETO afirmar que: a) Lutero, apesar de não ter sido o primeiro teólogo a se posicionar de forma contrária à Igreja, apresentava como um dos pontos centrais de seus questionamentos a condenação da prática, coordenada pelos próprios membros do clero católico, da venda de indulgências, de relíquias e de cargos religiosos. b) as reformas religiosas levaram a Europa a testemunhar sangrentas rebeliões e guerras, que, apesar de figurarem como motivadas por questões de cunho estritamente religioso, estavam também associadas a disputas políticas ou insatisfações das camadas menos favorecidas da população. c) o Anglicanismo surgiu na Inglaterra sob o governo de Henrique VIII. Este, sendo um religioso fervoroso, começou a questionar e, posteriormente, a criticar, alguns dogmas como os sacramentos do matrimônio e do celibato. Essa discordância teve como consequência a ruptura definitiva com a Igreja Católica. d) a contrarreforma foi a resposta dada pela Igreja Católica, a partir de duas frentes de ação: por um lado procurou corrigir alguns desvios de conduta de seus membros, alvos recorrentes de ataque dos reformadores; e por outro reafirmou os dogmas que foram condenados pelas novas religiões. e) o calvinismo pregava a devoção à oração e ao trabalho como valores edificadores daqueles que, segundo a doutrina da predestinação, estariam encaminhados ao paraíso. Os homens que não vivessem de acordo com esses valores, sinalizariam que seu destino seria a danação no inferno. 4. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre a Companhia de Jesus, ordem fundada em 1534, pelo ex- -militar espanhol Ignacio de Loyola, e à qual pertence o papa Francisco. I. Foi um instrumento importante da Igreja Católica na luta contra a Reforma Protestante do século XVI, defendendo a ortodoxia católica contra os movimentos reformadores, como o luteranismo e o calvinismo. REFORMA E CONTRARREFORMA COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4, 5 e 6 HABILIDADE(s) 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9,10, 11, 12, 13, 14, 15,16, 17, 18, 19, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 27 e 28 CH AULAS 21 E 22


37VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias II. Foi banida pela bula papal Dominicus ad Redemptor, de 21 de julho de 1773, mas recuperou suas prerrogativas em 1814. III. Desempenhou um papel essencial na atividade evangelizadora dos indígenas nas Américas, com o estabelecimento das chamadas “reduções”, a partir do início do século XVII. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) I, II e III. 5. (FGV) Em 1939, atendendo ao apelo do Papa Pio XII, o Conselho de Imigração e Colonização do Ministério das Relações Exteriores do Brasil resolveu autorizar a entrada de 3000 imigrantes de origem “semita”. Condição sine qua non para obter “o visto da salvação”: a conversão ao catolicismo. Pressionados pelos acontecimentos que marcavam a história do III Reich, os judeus, mais uma vez, foram obrigados a abandonar seus valores culturais em troca do título de cristão. [Maria Luiza Tucci Carneiro, O antissemitismo na Era Vargas (1930-1945)] A situação apresentada tem semelhança com o processo histórico da: a) permissão apenas do culto católico no Brasil, conforme preceito presente na primeira Constituição, de 1891. b) repressão ao arraial de Canudos, no sertão baiano, pois recaiu sobre os sertanejos a acusação de ateísmo. c) obrigatoriedade, conforme costume colonial, dos negros alforriados de conversão ao catolicismo para a obtenção da efetiva liberdade. d) conversão obrigatória dos judeus na Espanha e em Portugal, a partir do final do século XV, o que gerou a denominação cristão-novo. e) separação entre Estado e Igreja no Brasil, determinada pelo Governo Provisório da República, comandada por Deodoro da Fonseca. 6. (FGV) Leia o fragmento. Um famoso escândalo político foi o de Antônio Perez, que em 1571 era secretário de Estado de Felipe II, tendo alcançado um dos postos mais importantes na monarquia. Por rivalidades, viu-se envolvido em intrigas internacionais. Conhecia todos os segredos da coroa, tendo absoluto controle sobre o Tesouro. Foi acusado de vender cargos, de suborno e de trair segredos do Estado. Felipe viu um caminho para atingi-lo: a Inquisição. Tinha de ser acusado de heresia. Foi difícil encontrar provas contra seu catolicismo, mas o confessor do rei conseguiu-as. Mesmo sendo íntimo amigo do inquisidor-mor e tendo o apoio da população de Saragoça, Perez foi acusado de herege. Conseguiu fugir e morreu em Paris, e, conforme testemunhou o núncio apostólico da região, sempre viveu como fiel católico. (Anita Novinsky, A inquisição) A partir do texto, é correto concluir que a Inquisição espanhola a) ampliou as suas prerrogativas nas nações europeias menos fiéis ao poder do papado, com o intuito de ampliar o número de seguidores. b) perdeu parte de suas atribuições e poderes a partir da Contrarreforma católica, conforme deliberação do Concílio de Trento. c) manteve, durante a sua existência secular, vínculos essenciais com a questão religiosa, excepcionalmente confundindo-se com a questão política. d) resumiu sua atuação a alguns poucos casos exemplares, com o intuito de evitar a propagação do islamismo e das igrejas reformadas. e) apesar de sua fundamentação religiosa, esteve vinculada ao Estado e serviu aos interesses de grupos ligados ao poder. 7. (Espcex (Aman) 2021) Alguns humanistas cristãos, a partir do século XI, condenaram o distanciamento do clero católico do que chamavam de “espírito do Evangelho”. Qual o nome do francês que criou uma vertente do Protestantismo que foi adotada na França, na Suíça, na Inglaterra, na Escócia e nos Países Baixos? a) Martinho Lutero. b) Rei Henrique VIII. c) Zwinglio. d) Calvino. e) Pedro Valdo. 8. (UPE) No início da Idade Moderna, a Europa Ocidental experimentou uma profunda mudança na vivência religiosa do cristianismo. Sobre a Reforma Religiosa do século XVI, analise as afirmativas seguintes: I. O pensamento de Jan Huss influenciou as ideias de Lutero. II. Sobre a questão da salvação dos fiéis, Calvino e Lutero consideravam a teoria da predestinação. III. Muitos franceses se converteram ao calvinismo, tornando-se conhecidos como huguenotes. IV. A reforma anglicana teve início por meio das ações do monarca britânico Henrique VIII. V. A Rússia converteu-se ao luteranismo durante o reinado de Pedro Romanov. Estão CORRETAS: a) I, III e IV. b) I, II e V. c) I, II e III. d) II, IV e V. e) III, IV e V. 9. (Udesc) Em 1545, o papa convocou uma reunião entre os membros mais importantes da Igreja Católica a fim de debater sobre questões doutrinárias e disciplinares. O Concílio de Trento, como ficou conhecida esta reunião, durou 18 anos e foi motivado pelos questionamentos à Igreja Católica os quais se tornaram cada vez mais frequentes no início do século XVI, e que levaram à Reforma Protestante.


38VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Analise as proposições em relação ao contexto. I. A Reforma Protestante difundiu-se em várias regiões da Europa, entre as quais as regiões que atualmente compõem a Alemanha, Suíça, Inglaterra e Holanda. II. Martinho Lutero foi um crítico da Igreja Católica. Após a publicação das suas críticas, conhecidas como 95 teses, que foram afixadas na porta da Igreja de Wittenberg, ele foi excomungado pelo Papa Leão X. III. Entre as novas doutrinas que surgiram com a Reforma Protestante estão o Luteranismo, o Calvinismo e o Anglicanismo. IV. A Reforma Protestante ocorreu juntamente com outras mudanças, como o aumento do poder dos reis e o fortalecimento dos Estados Nacionais. Assinale a alternativa CORRETA. a) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. c) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras. d) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 10. (FMP) A respeito das relações entre o Renascimento e o Cristianismo na Europa, os professores Francisco Falcon e Edmilson Rodrigues escreveram: Não buscavam os humanistas o caminho até Deus pelo desespero, como Lutero, e muito menos concordavam com o servo-arbítrio. Além disso, desaprovavam a violência e os cismas, o que explicava por que grandes intelectuais se recusaram a aderir à Reforma. Essa atitude dos humanistas, como Erasmo e Morus, acabou por criar uma terceira via para a crise que se apresentava sob a forma de uma renovação das doutrinas e dos sentimentos diante do mundo. A utopia foi uma das representações dessa terceira via. Nesse sentido, o luteranismo e o calvinismo, no que se referem à doutrina, são anti-humanistas. FALCON, F.; RODRIGUES, A. E. A formação do mundo moderno. A construção do Ocidente dos séculos XIV ao XVIII. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. p. 130. As ideias apresentadas pelos autores no trecho acima, a respeito do contexto das divergências teológicas do século XVI, apontam para o fato de que o(a) a) Luteranismo é uma doutrina em tudo oposta ao Calvinismo. b) Renascimento deve ser interpretado como pertencendo à teologia católica. c) Humanismo não caracterizou apenas os reformadores protestantes. d) Reforma protestante se opôs às ideias do classicismo grego. e) Utopia foi um movimento de reafirmação das doutrinas anglicanas. E.O. Fixação 1. (UEPB) “A arte mineira caracterizou-se pelo estilo barroco que esteve em voga na Europa até princípios do século XVIII.” (José Alves de Freitas Neto e Célio Ricardo Tasinafo. História Geral e do Brasil. HARBRA. p. 325). Sobre o barroco é correto afirmar: a) Como forma única de expressão, as imagens barrocas são uniformes e regulares, conforme o pensamento religioso católico. b) O barroco expressava o racionalismo da época moderna, condenando as expressões metafísicas e o sentimento religioso. c) Era um estilo intimamente ligado à Contrarreforma, pois expressava os fundamentos da devoção religiosa por meio de construções, esculturas e iconografias que enalteciam os princípios da fé católica. d) O barroco esteve intimamente ligado ao protestantismo, condenando as iconografias e dando ênfase apenas ao estilo arquitetônico. e) O barroco mineiro desenvolveu características universais evitando as especificidades e o regionalismo. 2. (ESPCEX) A Reforma protestante foi um movimento ocorrido no século XVI que causou uma grande ruptura no mundo cristão e deu origem a novas doutrinas religiosas. Dentre os fatores que levaram a esse movimento, está(estão) o(a)(s): a) apoio da Igreja católica à prática da usura e ao lucro. b) críticas de alguns membros da Igreja a práticas promovidas pela instituição, como a venda de indulgências (perdão dos pecados). c) reação à decisão da Igreja de restabelecer e reorganizar a Inquisição. d) valorização do racionalismo e do cientificismo, além dos ideais iluministas. e) estímulo à leitura e à livre interpretação da Bíblia, promovido pelo Vaticano. 3. (Unioeste) “Em primeiro lugar, nosso modesto pedido (…) nos sejam dados poder e autoridade para que cada comunidade possa eleger o seu pastor (…). Ele nos pregará o Evangelho de maneira acessível e sem deturpá-lo (...). Em terceiro lugar, até agora éramos tratados como escravos, o que é uma vergonha, pois, com o seu precioso sangue, Jesus Cristo nos salvou a todos, (…). Por esse motivo, deduzimos das Sagradas Escrituras que somos livres, e livres queremos ser. (...) Em quarto lugar, somos prejudicados ainda pelos nossos senhores, que se apoderam de todas as florestas. Se o pobre precisa de lenha ou madeira tem que pagar o dobro por ela. Nós somos da opinião que deve ser restituída à comunidade toda e qualquer floresta que se encontra em mãos de leigos ou religiosos que não adquiriram legalmente. (...)”. Manifesto dos Camponeses em 1525. In: Antologia Humanística Alemã. Porto alegre, Globo, 1972, pp.15-16. O trecho acima reproduz parte do manifesto elaborado durante as Revoltas Camponesas ocorridas no contexto da Reforma Protestante. Sobre o sentido da Reforma Protestante e Revoltas Camponesas, pode-se afirmar que: a) a Reforma Protestante foi um movimento de caráter estritamente religioso sem qualquer conotação política ou social. b) inspirados na doutrina calvinista de que todos os cristãos já nasciam salvos, os camponeses liquidaram com a servidão existente nos principados alemães.


39VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias c) sob a influência da reforma luterana os camponeses alemães questionaram os privilégios da Igreja Católica e dos príncipes alemães. d) a revolta dos camponeses alemães culminou num evento trágico conhecido como a Noite de São Bartolomeu em que o ódio religioso dos protestantes matou centenas de católicos. e) com o apoio da Igreja Anglicana, interessada no rompimento com o controle exercido pelo Papa, os camponeses lutaram pela distribuição das terras da Igreja Católica. 4. (UFRN) Ao comentar a Reforma Protestante do século XVI, Márcio Ferrari afirma: O nascimento do protestantismo teve profundas implicações sociais, econômicas e políticas. Na educação, o pensamento de Lutero produziu uma reforma global do sistema de ensino alemão, que inaugurou a escola moderna. [...] A ideia da escola pública e para todos, organizada em três grandes ciclos (fundamental, médio e superior) e voltada para o saber útil nasce do projeto educacional de Lutero. FERRARI, Márcio. Martinho Lutero: o criador do conceito de educação útil. Nova escola. n. 187, nov. 2005. p. 30. A proposta educacional de Lutero, referida no comentário acima, está diretamente relacionada: a) à defesa, por parte dos reformadores, da liberdade de interpretar a Bíblia, de modo que qualquer fiel tivesse acesso às fontes da doutrina. b) ao desejo de facilitar para os fiéis a leitura da Vulgata, tradução da Bíblia em latim, aceita como versão oficial da Igreja Luterana. c) ao projeto de melhoria da instrução do povo para que este pudesse compreender a doutrina luterana, cujo ensino era de competência exclusiva dos sacerdotes. d) à proposta de difusão da leitura entre o povo, para que este conhecesse os catecismos produzidos no Concílio de Trento. 5. (UFPR) As guerras de religião na França (século XVI) e a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) marcaram profundamente as sensibilidades coletivas e exerceram uma influência considerável na reflexão política produzida por católicos e protestantes. Sobre as relações entre religião e poder político no contexto de consolidação dos Estados monárquicos modernos, é correto afirmar: a) Os conflitos religiosos desencadeados com a Reforma Protestante estão na origem dos poderes teocráticos das monarquias modernas. b) Desde que a tolerância religiosa se consolidou nos domínios do Sacro Império Romano Germânico, sob o poder de Carlos V, houve um enfraquecimento do poder papal, que ficou restringido somente ao Vaticano. c) Autores como Maquiavel, Montaigne e Jean Bodin foram defensores da religião protestante, e seus escritos constituíram um ataque à monarquia centralizada. d) Apesar da violência crescente contra os protestantes, Lutero e Calvino defenderam a autoridade civil e condenaram qualquer forma de resistência aos poderes legitimamente instituídos. e) As guerras de religião foram desencadeadas pelas classes populares (artesãos urbanos e camponeses), em luta contra a nobreza e a monarquia. 6. (Espcex Aman) A Reforma foi um movimento religioso ocorrido no século XVI, marcado pelo surgimento de novas religiões cristãs. Dentre suas consequências, observamos: a) uma grande ruptura na Igreja Católica, levando ao retrocesso de práticas, como a usura e os juros nas regiões onde foi adotado o luteranismo. b) o aumento da interferência da Igreja Católica em questões políticas, nos países que se tornaram calvinistas. c) o surgimento da Igreja Anglicana na Inglaterra, que adotou o calvinismo e criou um novo papa, para se tornar o chefe da nova igreja. d) a reação da Igreja Católica, para tentar acabar com o avanço do movimento, promovendo guerras religiosas contra os países protestantes e revendo alguns de seus dogmas. e) a tentativa da Igreja Católica de se fortalecer novamente, promovendo uma reorganização da Instituição e reafirmando princípios tradicionais. 7. (UFG) No século XVI, com a ocorrência da Reforma e da Contra-reforma, católicos e protestantes, apesar de manterem o tronco comum no cristianismo, passam a divergir quanto às práticas e às explicações para suas crenças. Considerando as divergências, conclui-se que, em relação à hierarquia religiosa: a) os católicos aceitaram o poder temporal dos Reis, constituindo uma relação de submissão da Igreja em relação ao Estado. b) os luteranos aceitaram a relação direta entre Deus e o fiel por meio da oração, sem dispensar a figura de um religioso. c) os católicos negavam a autoridade dos clérigos, indignados com o privilégio que eles tinham como intérpretes das Escrituras. d) os calvinistas conservaram o ritual litúrgico determinado por Roma, mantendo o culto aos santos e à Virgem Maria. e) os luteranos aboliram os sacramentos do batismo e da eucaristia, rompendo com o ordenamento proposto pelo cristianismo. 8. (FGV) A ligação entre os reformadores com o poder político pode ser verificada por meio: a) da defesa que o duque Frederico da Saxônia fez de Martinho Lutero e da adesão dos príncipes alemães às teses luteranas. b) da ação de Henrique VIII que, pautado pela doutrina da predestinação divina, funda a igreja nacional na Inglaterra, mas ainda ligada a Roma. c) do decisivo apoio político de Martinho Lutero e dos seus seguidores à revolta dos camponeses alemães, em 1524. d) da efetivação da aliança, a partir de 1533, entre João Calvino e a monarquia francesa, ambos interessados em reforçar o poder da Igreja católica. e) da interferência da nobreza alemã para que os luteranos e calvinistas se mantivessem fiéis ao papa.


40VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 9. (UEG) O protestantismo encontra-se em franca expansão no estado de Goiás. Suas origens remontam aos movimentos reformistas ocorridos na Europa entre os séculos XIV e XVI. Sobre a Reforma Protestante, é CORRETO afirmar: a) Martinho Lutero pregou a volta dos valores clássicos greco-romanos para combater a corrupção da Igreja. b) As teses reformistas de Lutero tiveram apoio de setores da burguesia e da nobreza do Sacro Império Romano-Germânico, interessados em escapar da influência da Igreja. c) A Reforma Protestante impediu o desenvolvimento do capitalismo, uma vez que condenava radicalmente a usura. d) Na Inglaterra, a Reforma Protestante foi suprimida através da criação da Igreja Anglicana, resultante de um acordo entre Henrique VIII e o Papa. 10. (FGV) Leia trechos do Manifesto dos camponeses, documento de 1525. (...) nos sejam dados poder e autoridade, para que cada comunidade possa eleger o seu pastor e, da mesma forma, possa demiti-lo, caso se porte indevidamente. (...) somos prejudicados ainda pelos nossos senhores, que se apoderaram de todas as florestas. Se o pobre precisa de lenha ou madeira tem que pagar o dobro por ela. (...) preocupam-nos os serviços que somos obrigados a prestar e que aumentam dia a dia (...) In Antologia humanística alemã, apud Marques e outros. História moderna através de textos, 2010. A partir do documento, é correto afirmar que, no território da atual Alemanha: a) os movimentos camponeses foram liderados por Lutero contra a exploração feita pelos nobres que, de forma ilegal, apropriavam-se das florestas e reprimiam violentamente os movimentos trabalhistas. b) os movimentos dos trabalhadores em favor das mudanças propostas por Lutero baseavam-se na solidariedade entre os homens e em contraposição ao individualismo tão característico da Idade Média. c) a liderança dos movimentos camponeses defendeu a exploração dos trabalhadores, na Alemanha, apoiada por Lutero, e, juntos, receberam proteção dos nobres locais contra a perseguição feita pela Igreja Católica. d) as revoltas camponesas irromperam exigindo reformas sociais e religiosas que prejudicariam parte da nobreza apoiada por Lutero, o qual se colocou abertamente contra os movimentos. e) as experiências dos camponeses contra os nobres, apoiados por Lutero, restringiram-se aos aspectos religiosos, isto é, de domínio da Igreja Católica, pois a cooperação entre os trabalhadores e os proprietários marcava a sociedade alemã. E.O. Complementar 1. (Puc-Camp) No início da Época Moderna pode-se relacionar a Reforma Protestante, nos campos político e cultural, respectivamente: a) à fragmentação do poder temporal na Inglaterra e à disseminação do racionalismo. b) ao enfraquecimento do poder central no Santo Império e à divulgação da língua alemã, a partir da tradução da Bíblia. c) ao surgimento do poder de origem divina na França e ao progresso científico. d) ao desaparecimento do poder absolutista e à valorização do individualismo, na Espanha. e) à expansão do poder feudal e ao desenvolvimento da estética barroca na pintura e na escultura, na Itália. 2. (Unirio) Dentre os fatores que contribuíram para a eclosão do movimento reformista protestante, no início do século XVI, destacamos o(s): a) declínio do nacionalismo no processo de formação dos estados modernos. b) embate entre o progresso do capitalismo comercial e as teorias religiosas católicas. c) fim do comércio de indulgências patrocinado pela Igreja Católica. d) encerramento da liberdade de crítica provocado pelo Renascimento Cultural. e) abusos cometidos pela Companhia de Jesus e pela ação política do Concílio de Trento. 3. (PUC-Camp) O Calvinismo foi: a) a doutrina que sintetizou as ideias dos reformadores que a antecederam, formulando o campo protestante em torno dos princípios do cesaropapismo e culto dos santos. b) apenas um prolongamento das ideias preconizadas por Lutero, que admitia que o Príncipe, além de exercer poder civil absoluto, devia vigiar e governar, por direito divino, a Igreja cristã. c) um movimento originário na Suíça, como resultado de convulsões sociais locais, que revelavam uma manifestação de rebeldia contra as taxas cobradas pela Igreja e sobre a liberação da prática do divórcio. d) o resultado das preocupações pessoais de Ulriko Zwinglio e dos problemas relacionados com o celibato clerical. e) a mais extremada seita protestante em relação ao Catolicismo e a mais próxima das questões levantadas, em termos éticos, pelo rápido desenvolvimento do capital comercial e financeiro. 4. (Puc-RS) O Parlamento Inglês, ao promulgar o chamado Ato de Supremacia (Act of Supremacy), em 1534, subordinou as leis da Igreja à soberania jurídica das leis civis, concedendo ao Rei Henrique VIII o poder de “único chefe supremo da Igreja”. O resultado do Ato de Supremacia foi/foram: a) a difusão do protestantismo calvinista, principalmente pela Escócia. b) o início do expansionismo inglês, constituindo as bases do seu império colonial. c) a centralização de poder, que esteve na base da reforma anglicana. d) a implantação do catolicismo, que gerou repressão tanto dos reformistas quanto do parlamento inglês. e) os conflitos entre o Rei e o Parlamento, pois o primeiro buscava restaurar antigos direitos feudais retirados da Magna Carta de 1215.


41VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 5. (Udesc) Na obra O queijo e os vermes, o historiador Carlo Ginzburg conta a história de Domenico Scandella, vulgo Menocchio, um moleiro do norte da Itália que, no século XVI, foi considerado herege pela Igreja por afirmar que a origem do mundo estava na putrefação. Ao analisar o processo inquisitorial que trata do caso, Ginzburg chama a atenção para as peculiares opiniões de Menocchio sobre os dogmas da igreja e para suas críticas ao seu poder excessivo: a igreja chegou a controlar um terço das terras cultiváveis da Europa. Para o autor, dois grandes eventos históricos tornaram possível um caso como o de Menocchio: a invenção da imprensa e a Reforma. Com base nas informações e nos estudos sobre a Idade Moderna europeia, analise as proposições. I. A Reforma Protestante contribuiu para a uniformização das práticas e dos significados religiosos no século XVI. II. O desenvolvimento da imprensa contribuiu para que pessoas comuns tivessem acesso a informações antes controladas pela Igreja Católica. III. A venda de indulgências pela Igreja Católica foi um dos motivos que levou o monge Martinho Lutero a escrever suas 95 teses, criticando vários pontos da doutrina católica. IV. Uma das medidas da Contrarreforma foi o retorno da Inquisição, que tinha como objetivo reprimir aqueles que não estavam seguindo a doutrina católica. V. A censura exercida pela Igreja Católica Apostólica Romana foi determinante para a expansão do protestantismo na Itália e na Península Ibérica. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. c) Somente a afirmativa IV é verdadeira. d) Somente a afirmativa I é verdadeira. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. E.O. Dissertativo 1. (UFG) Somos prejudicados pelos nossos senhores, que se apoderam de nossas florestas. Se o pobre precisa de lenha, tem que pagar o dobro por ela. Nós somos de opinião que deve ser restituída à comunidade toda e qualquer floresta que se encontre nas mãos de leigos ou religiosos que não a adquiriram legalmente. […] Preocupam-nos os serviços que somos obrigados a prestar e que aumentam dia a dia. Exigimos que esse assunto seja examinado, a fim de que não sejamos sobrecarregados. […] Não queremos que nosso senhorio aumente suas exigências, mas que se atenha ao acordo estabelecido entre ambas as partes. MANIFESTO DOS CAMPONESES, datado de 1525. In: MARQUES, Adhemar Martins; BERUTTI, Flávio Costa; FARIA, Ricardo de Moura. História Moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 1990. p. 128. (Adaptado). O texto destacado consiste em trechos do manifesto elaborado pelo movimento camponês da Alemanha no século XVI durante a chamada Reforma Protestante. A partir do documento e de seu contexto histórico, explique: a) as críticas e as reivindicações do movimento camponês expressas no manifesto. b) a reação de Martinho Lutero e da nobreza alemã diante da revolta camponesa. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO “O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião são crimes inafiançáveis e imprescritíveis.” (“Intolerância religiosa é crime de ódio e fere a dignidade”. Portal de Notícias do Senado Federal. Publicado em 16 de abril de 2013. Disponível em: <http://www12. senado.gov.br/jornal/ edicoes/2013/04/16/intoleranciareligiosa-e-crime-de odio-e-fere-a-dignidade>). 2. (UFPR) Destaque dois conflitos religiosos ocorridos após a Reforma Protestante na Europa, entre os séculos XVI e XVII, discorrendo sobre os motivos de seu desenvolvimento. 3. (FGV) Luteranismo, anglicanismo e calvinismo são expressões religiosas ligadas à chamada Reforma Protestante, iniciada na Europa a partir do século XVI. a) Aponte uma característica de cada uma dessas expressões religiosas. b) Por que luteranismo e calvinismo espalharam-se por diversas regiões da Europa e o anglicanismo concentrou-se sobretudo na Inglaterra? c) Quais relações podem ser estabelecidas entre o calvinismo e o desenvolvimento do capitalismo? 4. (UEG) A Reforma Protestante marcou o grande cisma do cristianismo no Ocidente. Acerca desse acontecimento, a) cite duas diferenças teológicas entre o protestantismo luterano e o catolicismo romano. b) cite os principais desdobramentos políticos da Reforma Protestante na Suíça e na Inglaterra. 5. (UFJF) Os Tribunais da Inquisição foram criados pela Igreja no século XIII, para investigar e punir os crimes contra a fé. No século XVI a Inquisição foi reativada em vários países europeus, inicialmente para fazer frente ao avanço do protestantismo. Portugal foi um dos países que não só reativou essa instituição, como estendeu sua atuação também para seus domínios ultramarinos, inclusive para o Brasil. Inquiseção na Espanha, por Bernard Picard, 1723. Disponível em: <www.integral.br/zoom> e capturada em junho de 2009. Com base nas afirmações anteriores, na imagem e em seus conhecimentos, cite e analise: a) uma característica da Inquisição na Europa Moderna. b) uma característica da atuação da Inquisição no Brasil colonial.


42VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 6. (UFJF) O texto e a gravura abaixo se referem ao contexto de um importante processo histórico ocorrido no século XVI em vários países europeus. Deus chama cada um para uma vocação particular cujo objetivo é a glorificação dele mesmo. O comerciante que busca o lucro, pelas qualidades que o sucesso econômico exige: o trabalho, a sobriedade, a ordem, responde também ao chamado de Deus, santificando de seu lado o mundo pelo esforço, e sua ação é santa. (CALVINO, João apud MOUSNIER, Roland). MOUSNIER, Roland. Os séculos XVI e XVII: os processos da civilização europeia. In: CROUZET, Maurice. História geral das civilizações. 4. ed. São Paulo: Difel, 1973, p. 90. v. 1, tomo IV. Com base nas referências acima e em seus conhecimentos, responda ao que se pede. a) Qual movimento pode ser identificado pelas referências acima? b) Identifique e analise dois desdobramentos desse movimento para a Europa moderna: • quanto aos aspectos econômicos. • quanto às questões religiosas. 7. (PUC-RJ) Observe a reprodução da gravura Os reformadores: Wycliffe, Huss, Lutero, Zwínglio, Calvino, Melanchton, Bucer e Beza (1886). a) A imagem sugere que a problemática central desses reformadores era o retorno à Bíblia, às Sagradas Escrituras, traduzidas e consideradas como o único fundamento da fé e da conduta para todos os seres humanos. EXPLIQUE um motivo pelo qual a adoção desse princípio foi uma das causas das reformas religiosas no século XVI. b) Na imagem, Calvino e Lutero estão enfileirados em primeiro plano, ressaltando a importância de suas propostas para a criação de novas igrejas, reformadas, na Época Moderna. APRESENTE DUAS diferenças entre o luteranismo e o calvinismo. 8. (UFU) O chamado “cisma protestante” foi um dos fenômenos que teve importantes consequências na Europa Moderna entre os séculos XVI e XVII. Desse fenômeno surgiram várias Igrejas separadas do catolicismo romano, destacando-se aquelas de base teológica Luterana e outras de base teológica Calvinista. Sobre este assunto, responda: a) Quais são as principais características comuns entre as Igrejas Luterana e Calvinista, que surgiram do chamado “cisma protestante”? b) Quais as principais diferenças entre as Igrejas Luterana e Calvinista? 9. (UFES) “A Reforma protestante do século XVI teve um duplo caráter de revolução social e revolução religiosa. As classes populares não se sublevaram somente contra a corrupção do dogma e os abusos do clero. Também o fizeram contra a miséria e a injustiça. Na Bíblia, não buscaram unicamente a doutrina da salvação pela fé, mas também a prova da igualdade original de todos os homens”. (HAUSE, H. apud MARQUES, A. et al. “História moderna através de textos”. São Paulo: Contexto, 2001, p. 107.) A Reforma protestante foi desencadeada por fatores sociais, políticos e religiosos difíceis de separar na História Moderna do século XVI. Com base no texto anterior, identifique e explique dois princípios doutrinários dessa Reforma que respondiam aos anseios sociais e religiosos do povo europeu da época. E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. (UERJ) No meio de pestes terríveis, de repetidas guerras e de aflitivas lutas civis, numa Europa Ocidental e Central abalada por brutais reviravoltas da conjuntura econômica, a Igreja de Cristo parecia navegar à deriva para o abismo. Mas o século XVI viu-a recuperar-se e, ao mesmo tempo, quebrar-se e mostrar à luz do dia o escandaloso espetáculo de ódio entre os seus filhos. (DELUMEAU, J. A Civilização do Renascimento. Lisboa, Estampa, 1984.) O texto acima refere-se à conjuntura do seguinte processo histórico: a) Iluminismo. b) Liberalismo. c) Reforma Religiosa. d) Revolução Filosófica e Científica.


43VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. UERJ Exame Discursivo 1. (UERJ) De forma especial, queria que esse mandato ressoasse em vocês, jovens da Igreja na América Latina, comprometidos com a Missão Continental promovida pelos Bispos. Este continente recebeu o anúncio do Evangelho, que marcou o seu caminho e produziu muito fruto. Agora este anúncio é confiado também a vocês, para que ressoe com uma força renovada. A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que os caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o Bem- -aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido por vocês. PAPA FRANCISCO. Adaptado de estadao.com.br, 28/07/2013. A visita do Papa Francisco ao Brasil, em julho de 2013, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, mobilizou milhares de fiéis, representando valores e práticas do projeto missionário da Igreja Católica para a América Latina. No texto, a menção a José de Anchieta aponta para outra época da ação da Igreja: a colonização da América portuguesa no século XVI. Explicite o principal objetivo do projeto missionário da Igreja Católica no século XVI. Em seguida, cite uma proposta atual da Igreja Católica associada ao projeto missionário para a América Latina. 2. (UERJ) Relações entre a pregação protestante e as estruturas políticas então existentes foram muitas vezes decisivas tanto para os destinos da pregação em si quanto para os rumos afinal tomados pela organização das novas Igrejas. FRANCISCO JOSÉ CALAZANS FALCON In: RODRIGUES, Antonio Edmilson M. e Falcon, Francisco José C. “Tempos modernos: ensaios de história cultural”. Rio de Janeiro: civilização Brasileira, 2000. O texto acima se refere a processos da Reforma Religiosa ocorridos na Europa. O movimento reformista, entretanto, conheceu diferentes reações em distintas áreas. Indique duas causas para a Reforma Religiosa na Inglaterra e uma consequência econômica desse movimento. 3. (UERJ 2018) O “Muro dos Reformadores” foi construído em Genebra, Suíça, em 1909, em celebração aos 400 anos de nascimento de João Calvino, protagonista das reformas religiosas dos séculos XVI e XVII. O monumento, composto por 10 estátuas, algumas com 5 metros de altura, representa reformadores que atuaram em diversos países, revelando a difusão e o alcance do movimento. Considerando a Época Moderna, apresente uma característica – política, social, econômica ou tecnológica – que tenha contribuído para a difusão das reformas religiosas em diferentes países. Em seguida, cite uma medida da Igreja Católica, naquela época, que explique o número reduzido de reformadores vinculados ao continente americano, como se observa no monumento.


44VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Fuvest) “O senhor acredita, então”, insistiu o inquisidor, “que não se saiba qual a melhor lei?” Menocchio respondeu: “Senhor, eu penso que cada um acha que sua fé seja a melhor, mas não se sabe qual é a melhor; mas, porque meu avô, meu pai e os meus são cristãos, eu quero continuar cristão e acreditar que essa seja a melhor fé”. Carlo Ginzburg. O queijo e os vermes. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 113. O texto apresenta o diálogo de um inquisidor com um homem (Menocchio) processado, em 1599, pelo Santo Ofício. A posição de Menocchio indica: a) uma percepção da variedade de crenças, passíveis de serem consideradas, pela Igreja Católica, como heréticas. b) uma crítica à incapacidade da Igreja Católica de combater e eliminar suas dissidências internas. c) um interesse de conhecer outras religiões e formas de culto, atitude estimulada, à época, pela Igreja Católica. d) um apoio às iniciativas reformistas dos protestantes, que defendiam a completa liberdade de opção religiosa. e) uma perspectiva ateísta, baseada na sua experiência familiar. 2. (Unifesp) No século XVI, nas palavras de um estudioso, “reformar a Igreja significava reformar o mundo, porque a Igreja era o mundo”. Tendo em vista essa afirmação, é correto afirmar que: a) os principais reformadores, como Lutero, não se envolveram nos desdobramentos políticos e socioeconômicos de suas doutrinas. b) o papado, por estar consciente dos desdobramentos da reforma, recusou-se a iniciá-la, até ser a isso obrigado por Calvino. c) a burguesia, ao contrário da nobreza e dos príncipes, aderiu à reforma, para se apoderar das riquezas da Igreja. d) os cristãos que aderiram à reforma estavam preocupados somente com os benefícios materiais que dela adviriam. e) o aparecimento dos anabatistas e outros grupos radicais são a prova de que a reforma extrapolou o campo da religião. 3. (Fuvest) O período 1450-1550, de transição da Medievalidade para a Modernidade, conheceu dentre outras características: a) decadência econômica e racionalização da vida religiosa. b) revalorização do aristotelismo e consolidação do Estado Absolutista. c) forte efervescência religiosa e intensa expansão comercial. d) avanço do liberalismo burguês e recuo do feudalismo. e) hegemonia europeia francesa e despontar da arte gótica. 4. (Unesp) Remonta ao Século XVI a mensagem religiosa associado à ideia de que “no mundo comercial e da concorrência, o êxito ou a bancarrota não dependem da atividade ou da aptidão do indivíduo, mas de circunstâncias independentes dele” (Friedrich Engels - DO SOCIALISMO UTÓPICO AO SOCIALISMO CIENTÍFICO). Assinale o nome do movimento protestante que pregava a salvação da alma e apresentava princípios básicos apoiados na prática econômica da burguesia nascente. a) Luteranismo. b) Medievalismo. c) Jansenismo. d) Calvinismo. e) Judaísmo. 5. (Unesp) As reformas protestantes do princípio do século XVI, entre outros fatores, reagiam contra : a) a venda de indulgências e a autoridade do Papa, líder supremo da Igreja Católica. b) a valorização, pela Igreja Católica, das atividades mercantis, do lucro e da ascensão da burguesia. c) o pensamento humanista e permitiram uma ampla revisão administrativa e doutrinária da Igreja Católica. d) as missões evangelizadoras, desenvolvidas pela Igreja Católica na América e na Ásia. e) o princípio do livre-arbítrio, defendido pelo Santo Ofício, órgão diretor da Igreja Católica. 6. (Unesp) A imagem reproduz um auto de fé. Essas cerimônias a) ocorreram em todos os países da Europa e nas regiões colonizadas por portugueses e espanhóis. b) permitiram a difusão do catolicismo e tiveram papel determinante na erradicação do protestantismo na Europa central. c) eram conduzidas por autoridades leigas, pois a Igreja Católica não tinha vínculo com a perseguição e a punição dos hereges. d) tinham caráter exemplar, expondo publicamente os réus forçados a pedir perdão, antes de serem encaminhados para a execução. e) visavam a executar os judeus e islâmicos, não atingindo protestantes nem católicos romanos ou ortodoxos.


45VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unicamp) Observe a imagem abaixo: Adriaen van de Venne. A pesca de almas (1614). Rijksmuseum, Amsterdã, Holanda. Detalhe. a) A imagem representa a disputa entre calvinistas e católicos. Como estão representados os calvinistas na obra do artista holandês? b) Explique a importância econômica da Holanda como potência marítima no contexto europeu do século XVII. 2. (Unicamp) A base da teologia de Martinho Lutero reside na ideia da completa indignidade do homem, cujas vontades estão sempre escravizadas ao pecado. A vontade de Deus permanece sempre eterna e insondável e o homem jamais pode esperar salvar-se por seus próprios esforços. Para Lutero, alguns homens estão predestinados à salvação e outros à condenação eterna. O essencial de sua doutrina é que a salvação se dá pela fé na justiça, graça e misericórdia divinas. (Adaptado de Quentin Skinner, “As fundações do pensamento político moderno”. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 288-290.) a) Segundo o texto, quais eram as ideias de Lutero sobre a salvação? b) Quais foram as reações da Igreja Católica à Reforma Protestante? 3. (Fuvest) A Reforma religiosa do século XVI provocou na Europa mudanças históricas significativas em várias esferas. Indique transformações decorrentes da Reforma nos âmbitos: a) político e religioso. b) socioeconômico. 4. (Fuvest) Antes de o luteranismo e calvinismo surgirem, no século XVI, e romperem com a unidade do cristianismo no ocidente, houve, na Baixa Idade Média, movimentos heréticos importantes, como o dos cátaros e dos hussitas, que a Igreja Católica conseguiu reprimir e controlar. Explique: a) como a Igreja Católica conseguiu dominar as heresias medievais? b) por que o luteranismo e o calvinismo tiveram êxito? Gabarito E.O. Aprendizagem 1. B 2. B 3. C 4. E 5. D 6. E 7. D 8. A 9. E 10. C E.O. Fixação 1. C 2. B 3. C 4. A 5. D 6. E 7. B 8. A 9. B 10. D E.O. Complementar 1. B 2. B 3. E 4. C 5. A E.O. Dissertativo 1. a) O documento critica a concentração de terras afirmando que os nobres exploram de forma ilícita as terras. Critica também à exploração dos senhores sobre os servos através de pesados impostos. Desta forma, os camponeses pedem a revisão e a limitação das obrigações servis. b) Príncipes e nobres reagiram de maneira truculenta contra os camponeses na década de 1520 na Alemanha. Milhares de camponeses foram mortos entre eles o líder dos anabatistas Thomas Munzer. Lutero, por sua vez, também contribuiu para a violência praticada contra os camponeses. Lutero tinha uma aliança com os nobres considerando que a nobreza o defendeu diante do papa. 2. Os conflitos ocorridos após a Reforma Protestante ocorreram, em geral, em função do direito ao reconhecimento da liberdade de culto das novas religiões e das disputas de poder entre nobreza e burguesia em várias nações. Podemos citar os seguintes conflitos: Noite de São Bartolomeu (França), Guerra dos Trinta Anos (vários países) e Revolução Puritana (Inglaterra). 3. a) Luteranismo: segue as ideias de Martinho Lutero; não aceita a autoridade do papa; propõe uma relação direta entre Deus e os fieis, dispensando, portanto, a necessidade da intermediação dos sacerdotes, como acontece no catolicismo; não aceita todos os sacramentos defendidos pela Igreja Católica; defende que a fé é fundamental para a salvação da alma, e não as “boas obras”, como defende o catolicismo; incentiva a leitura dos textos sagrados como meio de manutenção da fé. Calvinismo: segue as ideias de João Calvino; tem muitas posições em comum com o luteranismo, principalmente no que se refere à condenação de ideias e práticas do catolicismo. Defende a doutrina da predestinação, segundo a qual somente Deus tem o poder da


46VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias salvação das almas, sendo que os homens já nascem com seu destino traçado pelos desígnios divinos. Anglicanismo: manteve a maioria das ideias e práticas do catolicismo (como rituais religiosos e sacramentos). Não aceita a autoridade do papa; o celibato sacerdotal não é uma obrigação. O chefe da Igreja Anglicana é o monarca inglês. b) O luteranismo e o calvinismo ofereceram “respostas”, no campo espiritual, para uma população de grande religiosidade num tempo de crise e de mudanças na Europa. O calvinismo difundiu-se, inicialmente, sobretudo através da burguesia localizada na França e nas Províncias Unidas. O Luteranismo difundiu-se, sobretudo, na Alemanha e Suíça, sendo fortemente disseminado pela aristocracia nobiliárquica dessas regiões. Ambos propunham novas maneiras de aproximar-se do divino e de obter a salvação da alma. O anglicanismo foi criado pela monarquia inglesa, num momento de afirmação do poder real, e transformou-se na Igreja nacional da Inglaterra vinculada aos poderes absolutistas. c) Para João Calvino e seus seguidores, o trabalho e a poupança eram formas de aproximar-se de Deus. A acumulação de riquezas era vista como sinal da graça divina, como um dom que cabia aos “eleitos” de Deus para a salvação eterna de suas almas. A doutrina calvinista ia ao encontro dos anseios da burguesia mercantil que se desenvolvia na Europa do século XVI, num contexto de transição do feudalismo para o capitalismo, aceitando as práticas da usura e do lucro e a valorização do trabalho. 4. a) Duas das seguintes especificidades do Protestantismo Luterano em relação ao Católico: salvação pela fé, interpretação livre das escrituras bíblicas, negação da autoridade do Papa, reconhecimento de apenas dois sacramentos: batismo e eucaristia, dentre outras. b) O controle de João Calvino por meio do Consistório do governo de Genebra e a criação, por motivações políticas, da Igreja Anglicana, na Inglaterra, por Henrique VIII. 5. a) A Inquisição na Europa Moderna está inserida no contexto da Contrarreforma, uma vez que visava a combater o avanço protestante por meio do perseguição e punição aos que se recusavam aceitar o catolicismo como doutrina-mor. b) A Inquisição no Brasil colonial funcionou apenas como visitação. Tinha como característica a perseguição aos cristãos novos, além da defesa constante das práticas católicas. Ao ser observado pelo inquisidor, ou simplesmente ser denunciado por algum desafeto, o réu era levado a julgamento. Caso condenado, poderia ser punido até com a morte. 6. a) A Reforma Protestante. b) Quanto aos aspectos econômicos, o candidato poderá destacar entre outros aspectos: a dinamização das transações mercantis e o fortalecimento da burguesia atrelada ao fim da condenação da usura, sobretudo nas monarquias protestantes. Quanto às questões religiosas, o candidato poderá destacar entre outros aspectos: questionamento do poder do papa como autoridade maior do mundo cristão; cisão da cristandade e surgimento de distintas igrejas protestantes; incentivo à livre interpretação da Bíblia no mundo protestante, acirramento dos conflitos religiosos culminando com o fortalecimento da inquisição nas monarquias católicas 7. a) A gravura faz uma referência explicita à centralidade da Bíblia, considerada única fonte de autoridade religiosa e única regra em que o crente deve acreditar. A livre interpretação da Bíblia eliminava a necessidade e o valor da hierarquia eclesiástica; introduzia as línguas nacionais nos ofícios religiosos e estimulava a tradução da Bíblia de modo a torná-la diretamente acessível aos crentes. Assim, o acesso direto ao texto sagrado convertia-se em um forte instrumento de contestação da autoridade espiritual e temporal da Igreja Católica. b) As principais diferenças entre calvinismo e luteranismo eram quanto à doutrina da salvação - o luteranismo defendia que apenas a fé em Deus salvaria, enquanto o calvinismo acrescentava de forma explicita a doutrina da predestinação – e quanto à difusão: o luteranismo se concentrou naqueles países dos quais recebeu o apoio direto das autoridades políticas (a nobreza germânica e a monarquia na Dinamarca, Suécia e Noruega), enquanto os calvinistas penetraram na Escócia (conhecidos como presbiterianos), na França (huguenotes), e na Inglaterra (puritanos), onde foram perseguidos e imigraram em grande número para a América. Além disso, o calvinismo se diferenciava do luteranismo pela sua valorização do trabalho e do enriquecimento material fruto do empenho honesto, vistos como sinais da salvação, o que lhe rendeu um explícito apoio da burguesia. 8. a) Tanto o luteranismo quanto o calvinismo surgiram num contexto de contestação à Igreja Católica Romana no início do século XVI, devido ao luxo e ostentação do alto clero, à prática da simonia, ao distanciamento do clero em relação aos anseios dos fiéis e sobretudo à cobrança de indulgências. Ambas as doutrinas defendiam a livre interpretação da Bíblia, a supressão dos cultos aos santos e às imagens e da maioria dos sacramentos, exceto o batismo, a eucaristia e o casamento. Defendiam ainda, o uso dos idiomas nacionais nas celebrações e no exame da Bíblia. b) Lutero defendia a tese de que a salvação depende da fé em Deus. Calvino estabeleceu a Teoria da Predestinação em que sustentava ser o destino de todos homens, ou a vida eterna ou a eterna danação, previamente determinado por Deus, ressaltando que o progresso material resultante do trabalho e um comportamento ascético e legal são indícios da escolha de Deus.


47VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 9. • Doutrina da “Salvação pela fé, e não pelas obras”; • Doutrina do “Livre Exame”. Com a institucionalização da compra da salvação por meio de esmolas e doações, que quanto mais vultosas maior era a possibilidade de indulgência dos pecados, a Igreja aprofunda o desespero e a confusão dos valores morais na sociedade europeia do século XVI. A venda de indulgências praticada pela Igreja era uma forma de manter e resguardar sua riqueza feudal ameaçada pela economia comercial emergente. O povo (lavradores, mercadores, artesãos), amedrontado pela ameaça de condenação e, ao mesmo tempo, revoltado com a exploração e os abusos econômicos da Igreja, vê na reforma da doutrina cristã, pregada por Martinho Lutero, uma resposta religiosa às suas angústias morais e sociais. A doutrina reformista da “salvação pela fé e não pelas obras” se opunha à doutrina tradicional da “salvação pela compra de indulgências” e consequente perdão papal. A salvação pela fé e não pelas “doações” à Igreja ou compra de cartas de indulgência oferece ao povo o canal religioso para a salvação individual, por meio da contrição e penitência e para a contestação à instituição católica e sua autoridade feudal. A doutrina reformista do “livre exame” condena o latim, de acesso restrito ao clero e aos homens ilustrados, e proclama o alemão, de acesso popular, como a língua oficial a ser usada nos ritos religiosos e nas Sagradas Escrituras. A tradução da Bíblia do latim para o alemão por Lutero oferece ao povo comum o acesso às Sagradas Escrituras e estabelece que a Verdade só poderia ser encontrada na palavra de Deus e não na palavra do Papa. Com a doutrina do “livre exame”, difunde-se o princípio da igualdade entre os homens diante de Deus, propiciando a todos os cristãos o direito à busca individual da salvação, bastando a prática da contrição, da simplicidade e a fé. O “livre exame” faz emergir um novo princípio religioso, o do individualismo cristão. Essas doutrinas protestantes, entre outras, fundamentam a Reforma e favorecem a revolução social e política em curso na Europa. No princípio do individualismo cristão defendido pelos reformistas, pobres, nobres e burgueses encontram o apoio moral necessário à libertação social, política e econômica da Igreja, principal representante do poder e da ordem feudais. Uma vez que na Idade Média religião e sociedade se confundiam, a Reforma contribuiu para a deflagração da “revolução burguesa” na Europa, deixando o caminho aberto em direção à autonomia política dos Estados com relação a Roma, à liberdade social e a um novo tipo de riqueza: não mais a terra e o domínio territorial, mas o comércio e o dinheiro. E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. C E.O. UERJ Exame Discursivo 1. O grande objetivo do projeto missionário da Igreja Católica no Brasil era a expansão da religião para o Novo Mundo, em uma clara tentativa de recuperação de parte do prestígio perdido após a Reforma Protestante. Atualmente, a Igreja Católica tem como preocupação missionária na América Latina a contenção do avanço protestante, a colocação dos jovens como evangelizadores e a aproximação com os menos favorecidos. 2. Duas das causas: • interesse do rei Henrique VIII nas terras da Igreja; • interesse da burguesia na queda de taxas e impostos; • interesse da burguesia em ampliar o seu poder no Parlamento; • interesse do rei em fortalecer sua autoridade a partir da criação de uma Igreja subordinada diretamente a ele; • não concessão da anulação do casamento do rei com Catarina de Aragão pelo Papa e consequente interdição de seu casamento com Ana Bolena. Uma das consequências: • aceleração do processo de cercamento dos campos • início da projeção da Inglaterra como potência econômica e naval na Europa • confisco e leilão das terras da Igreja Católica, ampliando os recursos disponíveis à monarquia 3. Uma das características: • difusão da imprensa • ascensão da burguesia comercial • fortalecimento do Estado Moderno • avanço da navegação intercontinental Uma das medidas: • criação do Index • instituição do seminário • promoção da contrarreforma • atuação da Companhia de Jesus • realização do Concílio de Trento • reafirmação dos dogmas católicos • reativação do Tribunal do Santo Ofício • adoção do padroado nas colônias ibéricas E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. A 2. E 3. C 4. D 5. A 6. D E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) No primeiro plano, a disciplina e organização. O rigor religioso, típico da burguesia calvinista, e o livro representam o uso, e a valorização da Bíblia uma crítica aos desvios da Igreja Católica. b) Praticando o mercantilismo (comercialismo) a Holanda se tornou hegemônica através dos negócios com o açúcar brasileiro (financiamento, transporte e refino), criação de companhias comerciais levando os flamengos a uma disputa com a Espanha, Inglaterra e Portugal.


48VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 2. a) Segundo o texto, para Lutero o homem, por seus próprios esforços não faria jus salvação eterna, ficando dependente de sua fé na misericórdia divina. b) No que se convencionou chamar “Contrarreforma”, a Igreja Católica promoveu o combate ao protestantismo pela ação da Companhia de Jesus nos campos da catequese e da educação, através da Inquisição (Tribunal do Santo Ofício) e pela censura imposta no Índice dos Livros Proibidos (Index). No Concílio de Trento a Igreja reviu e reafirmou os dogmas católicos e procurou reorganizar e moralizar o clero. 3. a) No âmbito político, favoreceu o fortalecimento da autoridade real em decorrência do enfraquecimento da Igreja Católica e ocorreram violentos conflitos religiosos envolvendo católicos e protestantes que influenciaram eventos como a migração de puritanos para as Treze Colônias Inglesas, a fundação da França Antártica no Brasil por huguenotes e os conflitos envolvendo os reis Habsburgos. No âmbito religioso, promoveu o segundo grande cisma no interior da Cristandade devido o advento do protestantismo. b) No âmbito socioeconômico, o calvinismo, através da Teoria da Predestinação, ao estabelecer a salvação condicionada à acumulação material, contribuiu para ajustar a moral cristã ao capitalismo nascente. O calvinismo foi rapidamente incorporado pela burguesia por justificar moralmente a acumulação primitiva de capital. 4. a) No combate às heresias medievais, a Igreja utilizou-se da Inquisição das Cruzadas e do rígido controle ideológico sobre a sociedade. b) As mudanças estruturais ocorridas entre a Baixa Idade Média e o início da Idade Moderna – como, por exemplo, o desenvolvimento comercial e urbano e o surgimento de novas elites econômicas propiciaram o questionamento das interpretações que a Igreja fazia do cristianismo. Além disso, a corrupção do clero e particularidades regionais também contribuíram para o fortalecimento tanto do luteranismo quanto do calvinismo. O luteranismo contou ainda com o apoio da nobreza alemã, interessada em ampliar seus poderes políticos e econômicos, enquanto o calvinismo foi favorecido por burguesias locais que questionavam a mentalidade católica.


49VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (UEMG) O Absolutismo como forma de governo esteve presente na península Ibérica, na França e na Inglaterra, tendo impactado e influenciado as maiores economias de seu tempo. Seus pensadores mais conhecidos e suas teorias foram: a) Nicolau Maquiavel e sua teoria de que o indivíduo estava subordinado ao Estado; Thomas Hobbes, criador da teoria do Contrato; Jacques Bossuet e Jean Bodin, que defenderam que o Rei era um representante divino. b) Nicolau Maquiavel e a teoria do Contrato; Thomas Hobbes e a teoria da supremacia do Rei como representante divino; Jacques Bossuet e Jean Bodin, que defenderam a subordinação do indivíduo ao Estado. c) Maquiavel, Jacques Bossuet e Jean Bodin, cujas teorias só se diferenciaram na aplicabilidade teológica, bem como Thomas Hobbes, que preconizou o indivíduo como senhor de seus direitos. d) Maquiavel e Thomas Hobbes, que conceberam o Contrato Social, Jacques Bossuet, que estabeleceu o conceito de individualismo primordial, e Jean Bodin, que defendeu a primazia da esfera governamental. 2. (ESPCEX) O absolutismo desenvolveu-se no ocidente europeu durante a Idade Moderna (séculos XV ao XVIII), favorecido, principalmente, pela(o)(s): a) falta de freio nas concepções morais e nos costumes da época. b) fortalecimento da Igreja Católica e pelos lucros auferidos pelas vitórias dos cruzados. c) formação dos estados nacionais e transferência do eixo econômico do Oceano Atlântico para o Mar Mediterrâneo. d) riquezas obtidas pelos reis europeus na América, África e Ásia. e) reforma protestante e transferência do eixo econômico do Oceano Atlântico para o Mar Mediterrâneo. 3. (UEPB) A frase no quadro abaixo teria sido dita por Luís XIV e muito já se discutiu se o “Rei-Sol” francês a teria realmente pronunciado, em que pese ela simbolizar o espírito do absolutismo, em que a glória do rei e o bem do Estado eram princípios inseparáveis. “L’État c’est moil”. (O Estado sou eu!) Analise as assertivas abaixo: I. O reinado de Luís XIV durou mais de 50 anos, fundado no absolutismo monárquico. O rei controlava a política e os assuntos do Estado, a economia, a sociedade e até mesmo o modo da nobreza se vestir. Ele incentivava as artes, pois as considerava, também, assunto de Estado. II. O poder absoluto e a centralização administrativa eram objetivos de Luís XIV. Ele fez o Estado francês se tornar ateu e laico. A ideia era acabar com a influência que a Igreja Católica tinha no meio da nobreza para que o rei não tivesse que perder fatias de seu próprio poder. III. Luís XIV seguia a tradição da dinastia capetiana adepta da ideia do “rei que faz alguma coisa” (para não dizer do rei que faz tudo!). Após a coroação, ele anunciou que comandaria o Estado por si mesmo e que solicitaria a opinião de seus ministros apenas quando julgasse necessário. IV. Luís XIV fez uma reorganização administrativa, econômica, política e militar e se dedicou a coisas como a fortificação das regiões fronteiriças, o fortalecimento da marinha de guerra, a criação de academias e a elaboração do primeiro mapa da França. A construção do Palácio de Versalhes, uma vitrine cultural, científica e política da França, foi por ele acompanhada de perto. Assinale a alternativa correta: a) I e II corretas, enquanto III e IV incorretas. b) II e III corretas, enquanto I e IV incorretas. c) I, III e IV corretas, enquanto II incorreta. d) II, III e IV corretas, enquanto I incorreta. e) III e IV corretas, enquanto I e II incorretas. ANTIGO REGIME: ABSOLUTISMO, MERCANTILISMO E A MONARQUIA FRANCESA COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4, 5 e 6 HABILIDADE(s) 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9,10, 11, 12, 13, 14, 15,16, 17, 18, 19, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 27 e 28 CH AULAS 23 E 24


50VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 4. (UPF) Nos séculos XIV e XV, a Europa medieval vivenciou uma grave crise geral, que abalou profundamente as estruturas da sociedade, abrindo espaços para a criação de relações capitalistas no interior dessas sociedades europeias, dando início ao que se convencionou chamar de Idade Moderna. Dentre as alternativas abaixo, assinale a que não caracteriza os efeitos da transição da Idade Média para a Idade Moderna. a) A expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI, rompendo os estreitos limites do comércio medieval. b) A centralização do poder nas mãos do rei, totalmente diferente do poder pulverizado dos senhores feudais. c) O surgimento de uma nova cultura, mais urbana e laica, em oposição à cultura ruralreligiosa do período medieval. d) A busca de uma nova espiritualidade, possibilitando a ruptura da unidade cristã a partir da Reforma Religiosa. e) A ocupação do poder político pela burguesia, baseada no crescente enriquecimento econômico dessa classe social. 5. (ESPM) A França no século XVI viveu mergulhada em uma instabilidade que envolvia aspectos políticos e religiosos, como foi exemplo o infame massacre da Noite de São Bartolomeu, em 1572. Com a intenção de pacificar o país, o rei Henrique IV promulgou o Edito de Nantes pelo qual: a) foi concedida liberdade de culto aos protestantes, bem como o direito de conservar algumas praças de guerra para sua defesa. b) o rei renunciou ao protestantismo e se fez batizar católico. c) revogou a liberdade de culto permitida aos franceses e impôs o catolicismo. d) o rei obteve o direito de nomear bispos e cardeais o que permitiu que a dinastia Bourbon pudesse exercer influência so bre a Igreja Católica. e) foi criada a Igreja Anglicana, separada da Igreja Católica Romana, subordinada ao poder do rei. 6. (FGV) O paradoxo aparente do absolutismo na Europa ocidental era que ele representava fundamentalmente um aparelho de proteção da propriedade dos privilégios aristocráticos, embora, ao mesmo tempo, os meios pelos quais tal proteção era concedida pudessem assegurar simultaneamente os interesses básicos das classes mercantis e manufatureiras nascentes. Essencialmente, o absolutismo era apenas isto: um aparelho de dominação feudal recolocado e reforçado, destinado a sujeitar as massas camponesas à sua posição tradicional. Nunca foi um árbitro entre a aristocracia e a burguesia, e menos ainda um instrumento da burguesia nascente contra a aristocracia: ele era a nova carapaça política de uma nobreza atemorizada. (Perry Anderson. Linhagens do Estado absolutista. p. 18 e 39. Adaptado) Segundo Perry Anderson, o Estado absolutista: a) não tinha força política para submeter os trabalhadores do campo e a aristocracia com a cobrança de pesados impostos e, simultaneamente, oferecer participação política e vantagens econômicas para o crescimento da burguesia comercial e manufatureira. b) nunca se submeteu aos interesses da burguesia mercantil e manufatureira em detrimento da aristocracia, mas, ao contrário, tornou-se um escudo de proteção dos camponeses contra o domínio feudal exercido por meio de pesados impostos. c) garantiu, sob a sua proteção, o domínio econômico e político da aristocracia sobre os camponeses e, para sobreviver economicamente, atendeu aos interesses de expansão do mercado da burguesia mercantil e manufatureira, mas a afastou do poder político. d) preservou a propriedade feudal e os interesses dos camponeses, mas, para que isso se efetivasse, submeteu-se à pressão da burguesia mercantil e manufatureira ao aproximá-la do poder político, oferecendo cargos públicos a essa classe. e) não protegeu a aristocracia nem os camponeses que, para sobreviverem, estabeleceram alianças pontuais com a burguesia comercial em ascensão econômica e com crescente participação política, com o intuito de obter acesso à terra. 7. (Ufrgs) Leia o segmento abaixo. O rei tomou o lugar do Estado, o rei é tudo, o Estado não é mais nada. Ele é o ídolo a quem se oferecem as províncias, as cidades, as finanças, os grandes e os pequenos, em uma palavra, tudo. JURIEN, Pierre. Apud ELIAS, Norbert. A sociedade de corte. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. p. 133. Essa afirmação de um contemporâneo de Luís XIV, na França, diz respeito a uma forma de governo que ficou conhecida como a) monarquia constitucional. b) autocracia despótica oriental. c) autocracia parlamentar. d) monarquia absolutista. e) tirania teocrática. 8. (Mackenzie) “O Estado sou eu”, frase atribuída ao rei francês Luís XIV, traduzia o grau de centralização de poderes típica


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