101VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 5. (Uece) No Brasil, o período que seguiu logo após a abdicação de D. Pedro I foi marcado por um conjunto de crises. Observe o que é dito sobre o que ocorria nesse momento. I. As diversas forças políticas lutavam pelo poder, e as reivindicações populares eram por melhores condições de vida. II. Os conflitos ocorridos representavam o protesto do povo contra a centralização do governo, e eram marcados pela reivindicação por maior participação popular na vida política do País. III. As convulsões populares do período exigiam o reforço das antigas realidades sociais, bem como a submissão das forças políticas ao poder central. Está correto o que se afirma somente em: a) II e III. b) I. c) I e II. d) III. 6. (PUC-RJ) Durante o período imperial brasileiro, instaurou-se uma ordem política caracterizada pelo centralismo e unitarismo. Houve, contudo, manifestações de contestação a essa ordem, destacando-se aquelas que possuíam caráter separatista e a defesa de propostas de maior autonomia para as províncias. Assinale a opção que identifica corretamente duas dessas revoltas. a) Revolta dos Malês e Cabanagem. b) Guerra dos Farrapos e Revolução Praieira. c) Balaiada e Revolta do Vintém. d) Sabinada e Revolta do Quebra-Quilos. e) Revolta da Chibata e Revolta da Vacina. 7. (Ufsj) “[...] Nada mais liberal que um conservador na oposição; nada mais conservador que um liberal no governo.” SILVA, Francisco de Assis, BASTOS, Pedro Ivo de Assis. História do Brasil. São Paulo: Editora Moderna, 1976 p. 107. Analise as afirmativas a seguir, sobre a expressão acima. I. Muito propagada no Período Regencial, mostra que, embora com denominações diferentes, “conservadores” e “liberais” possuíam basicamente os mesmos interesses. II. Muito propagada no Período Regencial, mostra que “conservadores” e “liberais” possuíam posições políticas, sociais e econômicas muito distintas. III. Muito propagada no Período Regencial, mostra que “conservadores” e “liberais” possuíam as mesmas origens sociais e não se opunham, por exemplo, à escravidão. IV. Muito propagada no Período Regencial, mostra que “conservadores” e “liberais” possuíam concepções políticas muito diferentes e defendiam a participação popular no poder. De acordo com essa análise, são CORRETAS apenas as alternativas: a) I e III. b) II e IV. c) I e IV. d) II e III. 8. (FGV) A independência oficial do Brasil, prevalecendo sobre a libertação sonhada pelos patriotas – para usar uma palavra em voga na época – frustrou grande parte da população. A independência oficial sedimentou uma estrutura econômica e política herdada da Colônia, pouco alterando a situação das massas e, por adotar um centralismo autoritário, pressionava também o sistema político nas províncias. A oportunidade perdida de democratizar a prática política, de um lado, e a insistência em manter inalterado o instituto da escravidão, de outro, praticamente fizeram aflorar todo o anacronismo do Estado brasileiro, provocando várias reações. Entre elas a Sabinada. (Júlio José Chiavenato, As lutas do povo brasileiro) É correto caracterizar essa rebelião como: a) um movimento apoiado pelas camadas médias e baixas de Salvador, que tinha como objetivo tomar o poder da cidade e separar a província da Bahia do resto do Império do Brasil provisoriamente até a maioridade de D. Pedro de Alcântara. b) a mais radical revolução social ocorrida no Brasil do século XIX, já que o governo sabino foi efetivamente revolucionário, tendo como uma das primeiras ações a extinção do trabalho cativo em terras baianas. c) um episódio marcado pelo ingênuo republicanismo dos rebeldes baianos, derivado das reformas políticas ocorridas nos Estados Unidos do presidente Monroe e que defendia o poder advindo das classes populares. d) uma rebelião elitista, apoiada nos setores da elite baiana – brancos, proprietários e letrados –, que defendia o separatismo como forma de preservar os interesses econômicos da mais rica província nordestina. e) uma revolução liberal radical, inspirada no parlamentarismo inglês, que exigia a imediata convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e a proclamação de uma república federalista. 9. (Cefet - MG) “[...] nasci e me criei no tempo da regência; e que neste tempo o Brasil vivia, por assim dizer, muito mais na praça pública do que mesmo no lar doméstico; ou, em outros termos, vivia em uma atmosfera tão essencialmente política que o menino [...] em casa muito depressa aprendia a falar liberdade e pátria [...], começava logo a ler e aprender a constituição política do império. Daqui resultava que não só o cidadão extremamente se interessava por tudo quanto dizia respeito à vida pública; mas que não se apresentava um motivo, por mais insignificante que fosse de regozijo nacional ou político, que imediatamente todos não se comovessem [...] e se tratasse de por na rua uma bonita alvorada. [...] eu vou dizer o que é que então se tinha
102VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias por costume de chamar de alvorada. Quando se tratava [...] de regozijo geral por qualquer ato político ou público, apenas a noite começava a escurecer, toda a vila tratava logo de iluminar-se [...].” REZENDE, Francisco de Paula Ferreira de. Minhas Recordações. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1987 (1887). p. 67-68. (Adaptado) O texto acima se refere a um período da história brasileira no qual se: a) confirmou o princípio político do republicanismo. b) constatou a influência política de ideários socialistas. c) atribuiu a conquista de direitos humanos à luta política. d) presenciou a emergência de diferentes projetos políticos. e) reproduziu a forma norte-americana de manifestação política. 10. (Fatec) Leia o texto. Em abril de 1831, Dom Pedro I abdicou ao trono do Brasil em favor de seu filho, Dom Pedro de Alcântara que tinha, então, cinco anos de idade. Uma Regência foi criada para governar até que Dom Pedro II, como ficaria conhecido, atingisse a maioridade e pudesse ser coroado. Durante o Período Regencial, a política brasileira foi marcada a) pela intensificação da política expansionista do regente Feijó, que acentuou os conflitos internacionais no Cone Sul (Guerras da Cisplatina e do Paraguai), e pelo aumento progressivo da dívida externa brasileira. b) pela fragmentação do Império, marcada pela perda de territórios fronteiriços (Província Cisplatina, Amazônia Colombiana) nos combates com as tropas de Simón Bolívar e José de San Martín. c) pelo pacto federativo, conduzido pelo jovem imperador, que favoreceu as demandas dos regionalistas, concedendo autonomia administrativa às províncias. d) pela promulgação da primeira Constituição do Império, que sofreu forte resistência das elites regionais por seu caráter centralizador, pela criação do poder Moderador e pela extensão do direito de voto aos analfabetos. e) pela criação das Assembleias Legislativas Provinciais e pela eclosão de rebeliões em diversas províncias, sendo algumas de caráter popular (como a Cabanagem) e outras comandadas pelas elites regionais (caso da Guerra dos Farrapos). E.O. Fixação 1. (UEL) No contexto histórico das transformações ocorridas no século XIX, que envolveram questões da identidade nacional e da política, no Brasil, após a abdicação de D. Pedro I, ocorreu uma grave crise institucional. As tentativas de superação por meio das Regências provocaram uma série de revoltas como a Sabinada (BA), a Balaiada (MA) e a Cabanagem (PA). A superação da crise, que coincidiu com o fim do período regencial, deveu-se à a) antecipação da maioridade do príncipe herdeiro. b) consolidação da Regência Una e Permanente. c) formação e consolidação do Partido Republicano. d) fundação das agremiações abolicionistas. e) volta imediata de D. Pedro I às terras brasileiras. 2. (Ufsj) “Entretanto, a revolta não uniu toda a população gaúcha. Ela foi preparada por estancieiros da fronteira e algumas figuras da classe média das cidades, obtendo apoio principalmente nesses setores sociais. Eles pretendiam acabar com a taxação de gado na fronteira com o Uruguai ou reduzi-la, estabelecendo a livre circulação dos rebanhos que possuíam nos dois países [...]. Nas fileiras dos revoltosos, destacaram-se pelo menos duas dezenas de revolucionários italianos refugiados no Brasil, sendo o mais célebre deles Giuseppe Garibaldi”. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2003, p. 169. O texto refere-se a um dos períodos mais agitados da história política do país, pois estavam em jogo a unidade nacional, a centralização e a descentralização do poder, a autonomia das províncias e a organização das forças armadas. A passagem descreve a revolta da: a) Sabinada. b) Cabanagem. c) Balaiada. d) Farroupilha. 3. (ESPM) Ocorrida no Brasil, no século XIX, foi a última das rebeliões provinciais do Império. Os revoltosos lançaram um manifesto ao mundo em que propunham o voto livre e universal, a liberdade de imprensa, a independência dos poderes constituídos, a extinção do poder moderador, o federalismo e a nacionalização do comércio varejista. A revolta a que o enunciado se refere é: a) Sabinada. b) Farroupilha. c) Confederação do Equador. d) Praieira. e) Balaiada. 4. (Uespi) Após a abdicação de D. Pedro I ao trono, o Brasil foi governado por Regências Trinas, conforme previa a Constituição, mas o Ato Adicional de 1834 provocou algumas mudanças, entre as quais se estabelecia: a) a regência una, para a qual o candidato era eleito e não mais indicado pela Assembleia Nacional, saindo vitorioso no primeiro pleito o Padre Diogo Antônio Feijó. b) a eleição direta e secreta de um regente, cuja candidatura era efetivada por seu partido político, ganhando em primeiro lugar o brigadeiro Francisco de Lima e Silva. c) a nomeação de um regente escolhido pelo presidente do Senado, a partir de uma lista composta dos nomes de três deputados, sendo nomeado o ministro Diogo Antonio Feijó. d) as regências unas provisórias, cujo regente seria escolhido entre os deputados provinciais, que revezavam-se no poder, sendo o primeiro, José da Costa Carvalho. e) a eleição popular de um regente, que ocuparia o cargo até a maioridade do herdeiro do trono, sendo eleito em primeiro lugar o senador Nicolau Vergueiro.
103VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 5. (Ufrgs) A respeito da Revolta dos Malês, ocorrida na cidade de Salvador em 1835, é correto afirmar que ela foi um movimento liderado por: a) escravos oriundos da África Oriental, inspirados na independência do Haiti. b) escravos e libertos de origem africana, que professavam a religião muçulmana. c) escravos nascidos no Brasil e grupos excluídos do processo político-partidário. d) escravos e índios aldeados no Recôncavo, que protestavam contra a exploração. e) populares que se inspiraram na Revolta dos Alfaiates. 6. (Uespi) Durante o governo Regencial, foi criada no Brasil a Guarda Nacional (1831), que teve entre seus objetivos: a) apoiar o reinado de D. Pedro I na consolidação da Independência. b) proteger os grupos que lideravam a oposição à aristocracia rural. c) substituir as tropas das milícias do exército e reforçar o poder das elites agrárias. d) proteger as fronteiras quanto a possíveis invasões, sobretudo as do Nordeste. e) conter as rebeliões e motins que pudessem perturbar a ordem institucional militar. 7. (Uespi) Entre os movimentos sociais que contestavam o poder centralizado do Império brasileiro, destaca-se o conflito cuja duração se estendeu da Regência ao Segundo Reinado, reconhecido como: a) Confederação do Equador, que, iniciando-se em Pernambuco, contou com a adesão de grande parte das demais províncias nordestinas. b) Revolução Praieira, que se singularizou pela luta contra o poder das oligarquias locais de Pernambuco. c) Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador (BA) e organizada por negros de religião muçulmana, sendo considerada a maior rebelião de escravos do Brasil. d) Guerra dos Farrapos, empreendida pelos Republicanos gaúchos, denominados de Farroupilhas, em que lutaram juntos grandes estancieiros, peões e escravos. e) Revolta de Beckman, deflagrada no Maranhão pelos colonos, contra o poder dos jesuítas e o monopólio comercial português. 8. (Ufrgs) Considere as seguintes afirmações, relativas à participação dos escravos na Guerra dos Farrapos (1835-1845). I. Nesta Guerra ocorreu o polêmico episódio conhecido como “Surpresa de Porongos”, o qual resultou no massacre de muitos escravos. II. Nos últimos anos da Guerra, os escravos representavam o principal contingente militar dos rebeldes, em função da dificuldade dos farroupilhas para recrutar soldados. III. No final desta Guerra, foi assinada a Paz de Ponche Verde, que concedia liberdade aos escravos que lutaram ao lado dos farroupilhas. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) I, II e III. 9. (Uftm) No Brasil, os anos que se seguiram à Independência foram marcados por crises políticas e revoltas em várias províncias. A situação ganhou novos rumos com o Golpe da Maioridade, que pode ser caracterizado como: a) o movimento que afastou D. Pedro I e deu início ao Período Regencial. b) a luta entre monarquistas e republicanos, que marcou o Primeiro Reinado. c) a manobra do Partido Liberal, que antecipou a coroação de D. Pedro II. d) a reação conservadora, que restringia o poder das assembleias provinciais. e) a ação de Feijó que, com apoio da Guarda Nacional, instituiu a Regência Una. 10. (Ufjf-pism) Leia atentamente o texto abaixo e em seguida responda: O Ato Adicional de 1834 reformou a constituição em sentido descentralizante. Criou as assembleias provinciais, concedendo mais poder às províncias, e aboliu o Conselho de Estado. À maior descentralização seguiu-se um recrudescimento dos conflitos e revoltas provinciais. Nunca houve período mais conturbado na história do Brasil. CARVALHO, J. M. D. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 36. As revoltas ocorridas durante o período regencial expressavam um grande descontentamento com o projeto centralizado de Estado, liderado pelas elites enraizadas na Corte. Sobre as revoltas regenciais é CORRETO afirmar que: a) os revoltosos eram formados, exclusivamente, por grandes proprietários de terra que disputavam entre si o direito de maior representatividade e projeção no cenário nacional. b) em sua maioria, as revoltas regenciais ameaçavam a unidade do Império por meio de reivindicações que poderiam levar à fragmentação do território em pequenas repúblicas. c) índios e africanos foram os grupos sociais que representaram maior resistência aos movimentos revoltosos, lutando ao lado do governo imperial. d) a luta contra a escravidão era uma reivindicação comum a todas as revoltas que ocorreram no período, representando o início das manifestações abolicionistas no país. e) o sucesso dos conflitos armados contribuiu para que as províncias alcançassem maior autonomia administrativa e suas elites pudessem implementar projetos políticos baseados no federalismo.
104VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Complementar 1. (Cesgranrio) “O período regencial que se iniciou em 1831 teve no Ato Adicional de 1834 um alento de abertura e um ensaio de um regime menos centralizado. Para os monarquistas conservadores, a Regência foi uma ‘verdadeira’ república, que mostrou sua ineficiência. Tal período é caracterizado como sendo de CRISE.” Segundo o texto, pode-se dizer que a crise ocorreu porque: a) a descentralização era um desejo antigo dos conservadores. b) a centralização “encarnava” bem o espírito republicano. c) a partilha do poder não se coadunava com o espírito republicano. d) a descentralização provocou a reação dos meios conservadores. e) a descentralização se opunha aos princípios liberais. 2. (Cesgranrio) No 2º Reinado, o parlamentarismo não ofusca a importância do Poder Moderador, mas o sistema como um todo expressa a hegemonia dos grandes proprietários e o compromisso entre a centralização e o poder local, de modo que: a) os dois partidos - Conservador e o Liberal - dependiam estreitamente do Poder Moderador para implementarem seu projeto político centralizador. b) com o Apogeu do Estado Imperial, foi possível reduzir a intervenção política do Poder Moderador, e assim abrir caminho à descentralização administrativa. c) em oposição ao 1o Reinado, houve uma tendência para ampliar o poder em mãos dos chefes políticos locais - os coronéis - em nome da ordem e do fortalecimento da “Nação”. d) esse regime parlamentar foi a forma encontrada para solucionar os conflitos entre o poder local e o central, garantindo-se, com a Guarda Nacional e o Senado vitalício, a autoridade provincial. e) a vida política assegurava a livre participação de todos os cidadãos, através de eleições democráticas e diretas em todos os níveis. 3. (UEL) Sob o ponto de vista das ideias, foram diversas as correntes políticas que atuaram no período regencial no Brasil (1831-1840). Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, os integrantes e suas posições político-ideológicas. a) Os cabanos situavam-se na região norte do país, eram administradores das províncias, corporações do exército local e elite dos comerciantes portugueses; defendiam o retorno da família imperial. b) Os farroupilhas eram pequenos proprietários rurais e comerciantes, representavam o setor mais conservador do grupo dos chimangos; postulavam o retorno da monarquia com a imposição de medidas centralizadoras. c) Os liberais exaltados eram proprietários rurais, integrantes do exército e classe média urbana, que defendiam a descentralização do poder imperial e a autonomia das províncias. d) Os liberais moderados, ou chimangos, eram comerciantes portugueses, aristocratas e integrantes da alta patente do exército, que defendiam a volta do ex-imperador e a autonomia das províncias. e) Os restauradores, ou caramurus, eram membros do setor rural abolicionista e intelectuais da classe média; defendiam as reformas socioeconômicas que visavam à expulsão do ex-imperador. 4. (FGV) Sobre a regência do paulista Diogo Antônio Feijó, entre 1835 e 1837, é correto afirmar que: a) o regente conseguiu vencer a eleição devido ao apoio recebido dos produtores de algodão do Nordeste, classe emergente nos anos 1830, o que possibilitou o combate às rebeliões regenciais e o início do processo de centralização político-administrativa. b) o apoio inicial que Feijó recebeu de todas as forças políticas do Império foi, progressivamente, sendo corroído porque o regente eleito mostrou simpatia pelo projeto político da Balaiada, que defendia uma Monarquia baseada no voto universal. c) a opção de Feijó em negociar com os farroupilhas e com a liderança popular da Cabanagem provocou forte reação dos grupos mais conservadores, especialmente do Partido Conservador, que organizaram a queda de Feijó por meio de um golpe de Estado. d) o isolamento político do regente Feijó, que provocou a sua renúncia do mandato, relacionou-se com a sua incapacidade de conter as rebeliões que se espalhavam por várias províncias do Império e com a vitória eleitoral do grupo regressista. e) as condições econômicas brasileiras foram se deteriorando durante a década de 1830 e provocaram um forte desgaste da regência de Feijó, que renunciou ao cargo depois de um acordo para uma reforma constitucional. 5. (Ufrgs) O processo de formação do Estado nacional brasileiro, no século XIX, envolveu uma série de fatores políticos, sociais e culturais. Considere as afirmações abaixo, sobre esse processo. I. A vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, ocasionou o completo desmantelamento das elites coloniais, que foram retiradas da administração política. II. A lei de 07 de novembro de 1831, conhecida como Lei Feijó, declarou livres os escravos importados para o Brasil, impondo penas aos mercadores responsáveis pela entrada desses escravos no território brasileiro. III. O período entre a abdicação de Pedro I e a regência efetiva de Pedro II foi caracterizado pela consolidação do processo emancipatório, pelo desenvolvimento econômico com a produção do café e pela estabilidade política marcada pela ausência de conflitos armados. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) I, II e III.
105VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Dissertativo 1. (UFG) Leia o texto e analise a imagem apresentados a seguir. Pela linha paterna, o príncipe imperial descendia de reis e antepassados ilustres. D. Pedro II era o oitavo duque de Bragança, cuja família estava entrelaçada com os Capetos da França. Pela linhagem materna, D. Pedro era ligado ao imperador Francisco I, da Alemanha, da Áustria, da Hungria e da Boêmia, ele mesmo filho de Leopoldo II, imperador da Alemanha e irmão de Maria Antonieta, mulher de Luís XVI. Ao mesmo tempo, isolado no Paço, esquecido em consequência das conturbações políticas e da doença da mãe, D. Pedro II se tornava o “órfão da nação”. SCHWARCZ, L.M. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 47-49. (Adaptado). PALLIÈRE, A. J., (1830). In.?: SCHWARCZ, L. M. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. s. p. O texto descreve a linhagem familiar de D. Pedro II, que descende de portugueses e austríacos, enquanto a imagem representa D. Pedro II criança, que seria considerado órfão da nação, desde a Abdicação de seu pai. Diante do exposto e com base nos documentos, explique a associação entre: a) a linhagem familiar e as relações internacionais, no Império. b) a orfandade de D. Pedro II e a construção de um projeto de nação para o Brasil, no Segundo Império. 2. (FGV) Entre 1831 e 1845, estouraram revoltas em diversas províncias brasileiras. A Revolta dos Malês (1835) teve por base a cidade de Salvador, na Bahia. A Balaiada (1838-1841) alastrou-se pelo Maranhão e Piauí. A Farroupilha (1835-1845) desenrolou-se no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. a) Aponte uma característica de cada revolta indicada no enunciado. b) Do ponto de vista das propostas sociais, qual a grande diferença entre os projetos da Balaiada, em sua fase final, e os da Farroupilha? c) Em que contexto da política brasileira ocorreram tais revoltas? 3. (Unb) Durante séculos, os escravos afro-americanos aprenderam a ler em condições extraordinariamente difíceis, arriscando a vida. Aqueles que quisessem se alfabetizar eram forçados a encontrar métodos tortuosos de aprender. Aprender a ler, para os escravos, não era um passaporte imediato para a liberdade, mas uma maneira de ter acesso a um dos instrumentos poderosos de seus opressores: o livro. Os donos de escravos (tal como os ditadores, tiranos, monarcas absolutos e outros detentores do poder) acreditavam firmemente no poder da palavra escrita. Como séculos de ditadores souberam, uma multidão analfabeta é mais fácil de dominar; uma vez que a arte da leitura não pode ser desaprendida, o segundo melhor recurso é limitar seu alcance. Os livros, escreveu Voltaire no panfleto satírico Sobre o Terrível Perigo da Leitura, “dissipam a ignorância, a custódia e a salvaguarda dos estados bem policiados”. Alberto Manguel. Uma história da leitura. (Trad. Pedro Maia Soares). São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 312-15 (com adaptações). A partir do texto acima, julgue o item abaixo. Em Salvador, na rebelião conhecida como a Revolta dos Malês — confronto sangrento entre escravos africanos seguidores do islamismo e tropas do governo brasileiro —, destaca-se o fato de muitos revoltosos estarem aptos para ler e escrever no idioma árabe, o que contribuiu para a preparação da insurreição. 4. (UFC) Leia o texto a seguir. Não há sombra de dúvidas sobre o papel central desempenhado pelos muçulmanos na rebelião de 1835. Os rebeldes - ou uma boa parte deles - foram para as ruas com roupas usadas na Bahia pelos adeptos do islamismo. No corpo de muitos dos que morreram a polícia encontrou amuletos muçulmanos e papéis com rezas e passagens do Qur’ãn usados para proteção. REIS, João José. “Rebelião escrava no Brasil”. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 158. Considerando os fatos descritos no episódio acima e o tema do islamismo, responda o que se pede a seguir. a) Por qual nome ficou conhecida a rebelião de que trata o texto? b) A imigração forçada de africanos ao Brasil trouxe para trabalhar como escrava uma população de diversas etnias, que pode ser englobada genericamente em dois grupos bastante distintos, com claras diferenciações culturais e linguísticas. I. De qual desses dois grupos se originou a maior parte dos africanos islamizados? II. De qual área geográfica da África esse grupo procede? c) Como ocorreu a propagação da religião islâmica entre as populações da região africana citada acima? 5. (UFC) Em 07 de abril de 1831, o Imperador D. Pedro I renunciou ao trono do Brasil, deixando como herdeiro seu filho de apenas cinco anos de idade, o futuro D. Pedro II. a) Cite quatro elementos que provocaram a renúncia de D. Pedro I. b) Como ficou conhecido o sistema de governo que vigorou no período entre a abdicação de D. Pedro I e a coroação de D. Pedro II?
106VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias c) O que motivou a instalação desse sistema de governo? d) Cite dois fatores que contribuíram diretamente para a antecipação da coroação de D. Pedro II, por meio do “golpe da maioridade”. 6. (UFC) Leia o texto a seguir. “Frequentemente, os liberais reformistas propunham as reformas e os conservadores as implementavam.” CARVALHO, José Murilo de. “A construção da ordem: a elite política imperial”. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 224. Os conservadores e os liberais, citados anteriormente, foram protagonistas de um sistema político engenhoso, que funcionava ao modo de uma monarquia parlamentar, de um lado garantindo a estabilidade política do País, a partir da defesa da “ordem” e da “civilização”, de outro retardando reformas necessárias, como a abolição. A partir dessas informações e dos seus conhecimentos, responda às questões propostas. a) Cite dois grupos sociais que compuseram cada um desses dois partidos. (Partido Conservador e Partido Liberal) b) Apresente uma razão pela qual padres e soldados tiveram sua ação política limitada durante a Regência e o Segundo Reinado. 7. (UFJF) Observe o mapa: REVOLTAS DO PERÍODO REGENCIAL Grão-pará MA RN PB PE AL SE CE PI BA GO MT MG ES SP RJ SC RS Revoluções Cabanagem Balaida Sabinada Juliana (SC) Rio-grandense (Piratini/RS) Repúblicas Farroupilhas } Fonte: Baseado em IstoÉ Brasil, 500 anos; Atlas histórico. São Paulo, Três, 1998. (adaptado) No período regencial (1831-1840), uma série de conflitos surgiu em algumas províncias brasileiras. Sobre esse contexto, responda ao que se pede. a) Cite e analise duas características do contexto no qual ocorreram esses conflitos assinalados no mapa. b) Eleja um desses conflitos e analise-o. 8. (UFRRJ) Estampa anônima de 1839. Litografia de Frederico In: MOREL, Marco. O período das regências Coleção Descobrindo o Brasil. Rio de Janeiro, Jo A caricatura apresentada, de 1839, mostra Bernardo Pereira de Vasconcellos, então líder conservador, acusado de enterrar os avanços liberais conquistados com a abdicação de D. Pedro I, em 7 de abril de 1831, travestido de Napoleão. a) Explique uma atitude política de D. Pedro I considerada autoritária pelos contemporâneos e que provocou sua abdicação em 1831. b) Aponte uma diferença e uma semelhança entre liberais e conservadores nos últimos anos da Regência. 9. (Pucrj) Após a abdicação do primeiro imperador, diversas províncias do Império do Brasil foram sacudidas por uma série de movimentos de contestação política e social, dos quais o mais longo foi a Guerra dos Farrapos (1835-1845). A respeito de tais movimentos, em geral, e da Revolução Farroupilha, em particular: a) Explique duas reivindicações do movimento ocorrido no Rio Grande do Sul. b) Cite dois outros movimentos ocorridos nesse mesmo contexto, indicando as províncias em que ocorreram. 10. (UFG) Analise a imagem e leia o texto a seguir. Na corte, teorias e experimentos médicos tinham livre curso de permeio às terapias tradicionais. Na Regência, ainda se fazia um unguento, supostamente útil para prevenir a queda dos cabelos, com a gordura do corpo dos escravos. Certo Dr. Santos publicou, em 1838, os resultados de uma experiência inédita; fizera uma cascavel picar um negro leproso para estudar os efeitos do veneno da cobra na evolução da doença. Mas o experimento fracassou porque o doente morreu em 24 horas. ALENCASTRO, Luiz Felipe. “Vida privada e ordem privada no Império”. In: História da vida privada no Brasil. Império: a corte e a modernidade nacional. V. 2. 1997. p. 76-77. (Adaptado). A imagem e o texto remetem ao cotidiano da cidade do Rio de Janeiro, na primeira metade do século XIX. Nesse ambiente de intensas trocas culturais, ao negro eram atribuídas diferentes representações. Diante do exposto, explique: a) como a pintura expressa as trocas culturais no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XIX; b) a diferença na forma de representação do negro, na imagem e no texto.
107VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Enem 1. (Enem) Respeitar a diversidade de circunstâncias entre as pequenas sociedades locais que constituem uma mesma nacionalidade, tal deve ser a regra suprema das leis internas de cada Estado. As leis municipais seriam as cartas de cada povoação doadas pela assembleia provincial, alargadas conforme o seu desenvolvimento, alteradas segundo os conselhos da experiência. Então, administrar-se-ia de perto, governar-se-ia de longe, alvo a que jamais se atingirá de outra sorte. BASTOS, T. A província (1870). São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1937 (adaptado). O discurso do autor, no período do Segundo Reinado no Brasil, tinha como meta a implantação do: a) regime monárquico representativo. b) sistema educacional democrático. c) modelo territorial federalista. d) padrão político autoritário. e) poder oligárquico regional. E.O. UERJ Exame Discursivo 1. (UERJ) Em nome do povo do Rio Grande, depus o governador e entreguei o governo ao seu substituto legal. E em nome do Rio Grande do Sul, digo que nesta província extrema, afastada da Corte, não toleramos imposições humilhantes. O Rio Grande é a sentinela do Brasil que olha vigilante o Rio da Prata. Não pode e nem deve ser oprimido pelo despotismo. Exigimos que o governo imperial nos dê um governador de nossa confiança, que olhe pelos nossos interesses, ou, com a espada na mão, saberemos morrer com honra, ou viver com liberdade. Carta escrita em 1835 por Bento Gonçalves, líder farroupilha, ao Regente Feijó. Adaptado de PESAVENTO, S. J. A Revolução Farroupilha. São Paulo: Brasiliense, 1990. Rio-grandenses! Tenho o prazer de anunciar-vos que a guerra civil que por mais de nove anos devastou esta bela província está terminada. Os irmãos contra quem combatíamos estão hoje congratulados conosco e já obedecem ao legítimo governo do Império do Brasil. União e tranquilidade sejam de hoje em diante nossa divisa. Viva a religião, viva o Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. Viva a integridade do Império. Proclamação feita pelo Barão de Caxias em 1845, fim da Revolução Farroupilha. Adaptado de SOUZA, A. B. de. Duque de Caxias: o homem por trás do monumento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. A consolidação do Império do Brasil, entre as décadas de 1830 e 1850, significou a vitória de determinado projeto político e também o combate de propostas, como as defendidas pelos que lutaram na Revolução Farroupilha. Aponte uma das propostas dos líderes farroupilhas e explique por que esse movimento foi considerado ameaçador pelos dirigentes do Império do Brasil. 2. (UERJ) O Sete de Abril de 1831, mais do que o Sete de Setembro de 1822, representou a verdadeira independência nacional, o início do governo do país por si mesmo, a Coroa agora representada apenas pela figura quase simbólica de uma criança de cinco anos. O governo do país por si mesmo, levado a efeito pelas regências, revelou-se difícil e conturbado. Rebeliões e revoltas pipocaram por todo o país, algumas lideradas por grupos de elite, outras pela população tanto urbana como rural, outras ainda por escravos. (...) A partir de 1837, no entanto, o regresso conservador ganhou força, até que o golpe da Maioridade de 1840 colocou D. Pedro II no trono, inaugurando o Segundo Reinado. Estava estruturado o Império do Brasil com base na unidade nacional, na centralização política e na preservação do trabalho escravo. (CARVALHO, J. Murilo et al. Documentação política, 1808- 1840. In: "Brasiliana da Biblioteca Nacional". Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional/Nova Fronteira, 2001.) Indique um exemplo de revolta popular, ocorrida no período regencial e explique por que a antecipação da maioridade de D. Pedro II foi uma solução para a crise. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unesp) A Revolução Farroupilha foi um dos movimentos armados contrários ao poder central no Período Regencial brasileiro (1831-1840). O movimento dos Farrapos teve algumas particularidades, quando comparado aos demais. Em nome do povo do Rio Grande, depus o governador Braga e entreguei o governo ao seu substituto legal Marciano Ribeiro. E em nome do Rio Grande do Sul eu lhe digo que nesta província extrema [...] não toleramos imposições humilhantes, nem insultos de qualquer espécie. [...] O Rio Grande é a sentinela do Brasil, que olha vigilante para o Rio da Prata. Merece, pois, maior consideração e respeito. Não pode e nem deve ser oprimido pelo despotismo. Exigimos que o governo imperial nos dê um governador de nossa confiança, que olhe pelos nossos interesses, pelo nosso progresso, pela nossa dignidade, ou nos separaremos do centro e com a espada na mão saberemos morrer com honra, ou viver com liberdade. (Bento Gonçalves [carta ao Regente Feijó, setembro de 1835] Sandra Jatahy Pesavento. A Revolução Farroupilha, 1986.) Entre os motivos da Revolução Farroupilha, podemos citar: a) o desejo rio-grandense de maior autonomia política e econômica da província frente ao poder imperial, sediado no Rio de Janeiro. b) a incorporação, ao território brasileiro, da Província Cisplatina, que passou a concorrer com os gaúchos pelo controle do mercado interno do charque. c) a dificuldade de controle e vigilância da fronteira sul do império, que representava constante ameaça de invasão espanhola e platina.
108VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias d) a proteção do charque rio-grandense pela Corte, evitando a concorrência do charque estrangeiro e garantindo os baixos preços dos produtos locais. e) a destruição das lavouras gaúchas pelas guerras de independência na região do Prata e a decorrente redução da produção agrícola no Sul do Brasil. 2. (Unesp) A maioridade do príncipe D. Pedro foi antecipada, em 1840, para que ele pudesse assumir o trono brasileiro. Entre os objetivos do chamado Golpe da Maioridade, podemos citar o esforço de: a) obter o apoio das oligarquias regionais, insatisfeitas com a centralização política ocorrida durante o Período Regencial. b) ampliar a autonomia das províncias e reduzir a interferência do poder central nas unidades administrativas. c) abolir o Ato Adicional de 1834 e aumentar os efeitos federalistas da Lei Interpretativa do Ato, editada seis anos depois. d) promover ampla reforma constitucional de caráter liberal e democrático no país, reagindo ao centralismo da Constituição de 1824. e) restabelecer a estabilidade política, comprometida durante o Período Regencial, e conter revoltas de caráter regionalista. 3. (Fuvest) O período regencial foi politicamente marcado pela aprovação do Ato Adicional que: a) criou o Conselho de Estado. b) implantou a Guarda Nacional. c) transformou a Regência Trina em Regência Una. d) extinguiu as Assembleias Legislativas Provinciais. e) eliminou a vitaliciedade do Senado. 4. (Unesp) O resultado da discussão política e a aprovação da antecipação da maioridade de D. Pedro II representou: a) o pleno congraçamento de todas as forças políticas da época. b) a vitória parlamentar do bloco partidário liberal. c) a trama bem-sucedida do grupo conservador que fundara a Sociedade Promotora da Maioridade. d) a anulação da ordem escravista que prevalecia sobre os interesses particulares. e) a debandada do grupo político liderado por um proprietário rural republicano. 5. (Fuvest) Sobre a Guarda Nacional, é correto afirmar que ela foi criada: a) pelo imperador, D. Pedro II, e era por ele diretamente comandada, razão pela qual tornou-se a principal força durante a Guerra do Paraguai. b) para atuar unicamente no Sul, a fim de assegurar a dominação do Império na Província Cisplatina. c) segundo o modelo da Guarda Nacional Francesa, o que fez dela o braço armado de diversas rebeliões no período regencial e início do Segundo Reinado. d) para substituir o exército extinto durante a menoridade, o qual era composto, em sua maioria, por portugueses e ameaçava restaurar os laços coloniais. e) no período regencial como instrumento dos setores conservadores destinado a manter e restabelecer a ordem e a tranquilidade públicas. 6. (Fuvest) "Nossas instituições vacilam, o cidadão vive receoso, assustado; o governo consome o tempo em vãs recomendações... O vulcão da anarquia ameaça devorar o Império: aplicai a tempo o remédio." Padre Antonio Feijó, em 1836. Essa reflexão pode ser explicada como uma reação à: a) revogação da Constituição de 1824, que fornecia os instrumentos adequados à manutenção da ordem. b) intervenção armada brasileira na Argentina, que causou grandes distúrbios nas fronteiras. c) disputa pelo poder entre São Paulo, centro econômico importante, e Rio de Janeiro, sede do governo. d) crise decorrente do declínio da produção cafeeira, que produziu descontentamento entre proprietários rurais. e) eclosão de rebeliões regionais, entre elas, a Cabanagem no Pará e a Farroupilha no sul do país. 7. (Unesp) A escravatura, que realmente tantos males acarreta para a civilização e para a moral, criou no espírito dos brasileiros este caráter de independência e soberania, que o observador descobre no homem livre, seja qual for o seu estado, profissão ou fortuna. Quando ele percebe desprezo, ou ultraje da parte de um rico ou poderoso, desenvolve- se imediatamente o sentimento de igualdade; e se ele não profere, concebe ao menos, no momento, este grande argumento: não sou escravo. Eis aqui no nosso modo de pensar, a primeira causa da tranquilidade de que goza o Brasil: o sentimento de igualdade profundamente arraigado no coração dos brasileiros. Padre Diogo Antônio Feijó apud Miriam Dolhnikoff. O pacto imperial, 2005. O texto, publicado em 1834 pelo Padre Diogo Antônio Feijó, a) parece rejeitar a escravidão, mas identifica efeitos positivos que ela teria provocado entre os brasileiros. b) caracteriza a escravidão como uma vergonha para todos os brasileiros e defende a completa igualdade entre brancos e negros. c) defende a escravidão, pois a considera essencial para a manutenção da estrutura fundiária. d) revela as ambiguidades do pensamento conservador brasileiro, pois critica a escravidão, mas enfatiza a importância comercial do tráfico escravagista. e) repudia a escravidão e argumenta que sua manutenção demonstra o desrespeito brasileiro aos princípios da igualdade e da fraternidade. 8. (Unifesp) Como elemento comum aos vários movimentos insurrecionais que marcaram o período regencial (1831-1840), destaca-se: a) a oposição ao regime monárquico. b) a defesa do regime republicano. c) o repúdio à escravidão. d) o confronto com o poder centralizado. e) o boicote ao voto censitário.
109VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unicamp) O imperador D. Pedro II era um mito antes de ser realidade. Responsável desde pequeno, pacato e educado, suas imagens constroem um príncipe diferente de seu pai, D. Pedro I. Não se esperava do futuro monarca que tivesse os mesmos arroubos do pai, nem a imagem de aventureiro, da qual D. Pedro I não pôde se desvincular. A expectativa de um imperador capaz de garantir segurança e estabilidade ao país era muito grande. Na imagem de um monarca maduro, buscava-se unificar um país muito grande e disperso. (Adaptado de Lilia Moritz Schwarcz, As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 64, 70, 91) a) Segundo o texto, quais os significados políticos da construção de uma imagem de D. Pedro II que o diferenciasse de seu pai? b) Que características do período regencial ameaçavam a estabilidade do país? 2. (Unicamp) Iniciada como conflito entre facções da elite local, a Cabanagem, no Pará (1835-1840), aos poucos fugiu ao controle e tornou-se uma rebelião popular. A revolta paraense atemorizou até mesmo liberais como Evaristo da Veiga. Para ele, tratava-se de gentalha, crápula, massas brutas. Em outras revoltas, o conflito entre elites não transbordava para o povo. Tratava-se, em geral, de províncias em que era mais sólido o sistema da grande agricultura e da grande pecuária. Neste caso está a revolta Farroupilha, no Rio Grande do Sul, que durou de 1835 a 1845. (Adaptado de José Murilo de Carvalho. “A construção da ordem: a elite imperial. Teatro de sombras: a política imperial”. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. p. 252-253.) a) Segundo o texto, o que diferenciava a Cabanagem da Farroupilha? b) Quais os significados das revoltas provinciais para a consolidação do modelo político imperial? c) O que levava as elites agricultoras e pecuaristas a se rebelarem contra o poder central do Império? 3. (Fuvest) Criada pelo Ato Adicional de 1834, a Regência Una (1835-1840) é considerada como uma experiência republicana do Império que usou elementos da Constituição dos EUA. Quais determinações do Ato Adicional tornaram possível tal experiência? Gabarito E.O. Aprendizagem 1. E 2. E 3. D 4. E 5. C 6. B 7. A 8. A 9. D 10. E E.O. Fixação 1. A 2. D 3. D 4. A 5. B 6. C 7. D 8. E 9. C 10. B E.O. Complementar 1. D 2. A 3. C 4. D 5. B E.O. Dissertativo 1. a) A linhagem familiar no Antigo Regime constituía o tamanho da influência internacional de um membro de qualquer casa real. Quanto maior a linhagem familiar, maiores as relações internacionais, uma vez que a linhagem familiar, em especial pelo lado paterno, estabelecia laços políticos e de sucessão de tronos. b) A “orfandade” de Pedro II se deveu, além da morte da mãe, à abdicação ao trono por parte de seu pai, D. Pedro I. Ao deixar o trono brasileiro, D. Pedro I voltou para a Europa, deixando Pedro II, então com 5 anos, aos cuidados de José Bonifacio. O Brasil entrava, então, no Período Regencial. A partir disso, Pedro II começou a ser preparado para assumir o trono, e todo um projeto de nação foi configurado a partir de sua imagem, que passou por um processo de “envelhecimento”, na busca por uma sensação de maturidade. O golpe da maioridade, que fez com que Pedro II assumisse o trono com 14 anos, é uma prova de que nossos políticos associavam o projeto de nação brasileira à figura de nosso segundo imperador. 2. a) A Revolta dos Malês ocorreu na Bahia, em 1835, liderada por negros muçulmanos que falavam árabe. Criticavam a escravidão e a imposição do catolicismo. A Revolta da Farroupilha ocorreu no Rio Grande do Sul, entre 1835-1845, e possuía um caráter separatista, ou seja, separar-se do Brasil e adotar uma república. A Balaiada ocorreu no Maranhão e suas origens remetem às disputas políticas pelo controle do poder local. b) A Balaiada foi constituída por elementos populares, incluindo escravos que sonhavam com a liberdade. Estes sujeitos históricos contestavam os privilégios dos comerciantes portugueses e da elite agrária. Devido à divergência entre os líderes e a falta de unidade em torno de um projeto, o movimento entrou em declínio e foi derrotado em 1841. A Farroupilha, por sua vez, foi um movimento de elite liderado pelos estancieiros contra os impostos abusivos cobrados sobre o charque, que acabavam beneficiando o charque dos países vizinhos. Desta forma, o
110VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias movimento defendeu a separação, surgindo à República Rio-grandense e a República Juliana em Santa Catarina. O movimento terminou em 1845 depois de uma intensa luta entre as tropas do império e os revoltosos. c) Estas revoltas ocorreram no Período Regencial, 1831- 1840, momento em que começou a surgir o Estado Nacional Brasileiro e os partidos políticos: Partido Liberal (defendeu o federalismo, maior autonomia para as províncias) e o Partido Conservador (defendeu a centralização do poder). 3. Correto – considerando que a base da religião é o Corão e que essa obra é escrita em língua árabe e não era traduzida, os convertidos de qualquer região acabavam forçados a aprender o árabe. Isso explica o fato de diversos povos africanos conhecerem essa língua, pois desde o século VII houve um processo de islamização em diferentes regiões do continente. O conflito citado foi uma das rebeliões do período regencial, ocorrida em 1835 e massacrada pelo governo. 4. a) O episódio descrito no texto ficou conhecido como a Revolta dos Malês, que teve a participação de uma maioria de negros muçulmanos. b) Os africanos trazidos ao Brasil entre os séculos XVI e XIX procederam de duas grandes regiões distintas. Os povos sudaneses, que desembarcaram em maior quantidade na Bahia, eram provenientes da África Ocidental, da grande região do Golfo da Guiné ou Costa da Mina ou, ainda, Costa do Ouro, onde atualmente se localizam Gana, o Benin, a Nigéria e a Guiné, entre outros países. Na Bahia, a maioria dos negros sudaneses islamizados pertencia às populações haussás, e também àquela dos nagôs ou iorubá. Já os povos bantos eram provenientes das atuais regiões do Congo e de Angola. A islamização de populações habitantes da África negra norte-ocidental foi feita a partir do século XI pelo contato delas com os mercadores árabes e berberes, viajantes através do deserto do Saara, principalmente pela rota de Tombuctou. Essas incursões islâmicas provocaram a desagregação do antigo Império de Ghana. No século XVI, início do tráfico de escravos para o Brasil, era o Reino Songai, o atual estado do Mali (daí uma das possibilidades para a origem do termo “malê”), que dominava todo o vale do rio Niger, região original das populações islâmicas (principalmente haussás e nagôs) que chegaram ao Brasil. 5. a) São os quatro elementos que provocaram a renúncia do Imperador: • A crise financeira, desencadeada pelo declínio das exportações, pelo crescente endividamento externo e pelos gastos com a Guerra da Cisplatina; • Insatisfação com a centralização do poder e o autoritarismo do Imperador; • Conflitos entre portugueses e brasileiros, representada por meio de partidos políticos (Partido Restaurador e Partido Liberal); • Luta entre D.Miguel, seu irmão, e D. Pedro I pelo trono português, após a morte de D. João VI. b) Ficou conhecido como Período Regencial. c) A menoridade do herdeiro, que tinha, à época da abdicação, apenas cinco anos de idade, o impossibilitou de governar. Por esse motivo, foi estabelecido um governo regencial, que deveria dirigir o Império até que o príncipe atingisse a maioridade. d) A centralidade do poder político em uma única pessoa, além da estratégia de manter a unidade nacional, já que havia rebelições de caráter emancipacionista. 6. a) O partido Conservador congregava os proprietários de terra ligados ao setor exportador e burocratas, em grande parte, magistrados, de importância na consolidação do Estado brasileiro, devido a sua ação em prol da centralização administrativa. • O Partido Liberal reunia proprietários ligados ao mercado interno e às áreas recentes de colonização e profissionais liberais, na sua maioria advogados, professores, jornalistas, médicos e engenheiros. b) Os limites a atuação política de padres e soldados podem ser explicados pelo fato de: • A Constituição de 1824, por unir a Igreja ao Estado, conferindo ao último o poder de nomear os bispos e a responsabilidade de pagar os salários dos padres, a deterioração do ensino religioso e do clero e a situação financeira dos seminários maiores, colocava os religiosos sob a dependência e a autoridade do Estado. • Os soldados, aceitos na véspera e após a independência, pela oposição aos oficiais e comerciantes portugueses, foram descartados na Regência, com a criação da Guarda Nacional, por Feijó. O histórico de participação desses militares em movimentos de cunho popular atemorizava as elites. Com o fim da Guerra do Paraguai, em 1870, reativaram a ação política. 7. a) O candidato deverá indicar e analisar duas características do período regencial. Entre elas, destacamos os mais citados do período marcado pela abdicação de D. Pedro I e minoridade de D. Pedro II e pelo exercício do poder nas mãos dos regentes. • Governo marcado por uma certa instabilidade política, no qual emergiram projetos de natureza política diversa como o republicanismo, a presença de restauradores, os embates entre liberais e conservadores etc. • Questionamento ao modelo político proposto pela constituição de 1824. A aprovação do Ato Adicional, o debate em torno da autonomia provincial, a criação da Guarda Nacional, as restrições ao exercício do poder moderador, entre outros. b) O candidato tinha o auxílio do mapa, no qual encontrava os nomes e locais das quatro grandes revoltas do período. A partir destas informações, deverá apresentar as características gerais das revoltas. Entre os mais citados, tivemos a Revolta Farroupilha, com seu republicanismo e desejo de autonomia regional.
111VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 8. a) O encerramento da Assembleia Nacional Constituinte por forças do Exército, destacando a outorga da Constituição de 1824 através da qual D. Pedro I garantiu a total supremacia do executivo (poder moderador) sobre o legislativo; a dura repressão imposta por D. Pedro aos confederados de Pernambuco, reduzindo o território da província e executando vários líderes do movimento. b) Diferença: os liberais defendiam uma maior autonomia para as províncias do Império e a predominância do legislativo sobre o executivo. Semelhança: ambos temiam a dissolução das antigas fronteiras sociais pela ampliação da participação política. 9. a) 1ª reivindicação: o aumento dos impostos sobre o charque platino, para facilitar a venda do charque gaúcho; 2ª reivindicação: a redução do imposto de importação do sal, que encarecia a produção de charque. b) Cabanagem, no Grão-Pará e Sabinada, na Bahia. 10. a) Na primeira metade do século XIX, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se um ambiente marcado por intensas trocas culturais. Juntamente com a influência europeia, reforçada com a chegada da Família Real e da Missão Francesa, a cultura islâmica era marcante entre negros escravizados. Na pintura de Debret, essas culturas são expressas de diversas formas (o candidato deverá apresentar apenas uma das explicações a seguir): • a prática da medicina: o cirurgião coloca ventosas em seus pacientes, realizando a sangria – prática médica preexistente tanto na Europa quanto na Ásia; • a arquitetura: observa-se na pintura a fusão de estilos – o neoclássico das colunas e o mourisco das treliças nas janelas (muxarabi); • o vestuário da figura feminina: com o rosto semicoberto, sua vestimenta remete à hijab, própria da cultura islâmica; • o vestuário e os adereços do cirurgião: o colete (vestuário) e o barrete (adereço) revelam a apropriação de tradições culturais distintas (europeia e islâmica). Além desses, o cirurgião utiliza amuletos (cavalo marinho no pescoço e chifre de boi para fazer as ventosas), que servem ao misticismo, escapando da tradição cristã. b) O texto e a imagem remetem a representações diferentes do negro, na primeira metade do século XIX: • no texto, o negro é inserido como objeto de atuação do experimento médico. Assim, a força de trabalho e seu corpo não lhe pertenciam, sendo ele objeto de estudo (o experimento com o veneno da cascavel). Pode-se dizer, portanto, que, por ser propriedade de outro, ao escravo negava-se qualquer tipo de humanidade; • na imagem, o negro é representado como sujeito, ele é portador de conhecimentos. O título da obra reforça o protagonismo do cirurgião negro, que é a figura principal da pintura, destacada em primeiro plano." E.O. Enem 1. C E.O. UERJ Exame Discursivo 1. Uma das propostas: • defesa do federalismo. • abolição da escravidão somente para cativos que participaram dos conflitos. • possibilidade de separatismo. • defesa do regime republicano. • revisão da política tributária imperial relativa ao charque sulino. Os farroupilhas criticavam a monarquia e principalmente sua política centralizadora e unitarista, ameaçando a integridade territorial da nação e o ideal de unidade estabelecido pela Constituição de 1824. A principal ameaça da rebelião gaúcha era o separatismo, que romperia a integridade do império do ponto de vista político e territorial. A Revolução Farroupilha iniciou-se no período regencial, marcado pela reorganização do Estado brasileiro e por lutas que ameaçam a estrutura tradicional de poder e encerrou-se já durante o Segundo Reinado, após forte repressão, mas com a preocupação de reconciliação, como se depreende do discurso de Duque de Caxias. 2. Uma dentre as revoltas populares: • Sabinada (Bahia) • Balaiada (Maranhão) • Cabanagem (Grão-Pará) A maioridade de D. Pedro II foi a solução para a crise, pois teve como consequência a restauração do Poder Moderador, além de ser o mecanismo encontrado pelas elites imperiais de retorno à ordem com o fim das revoltas descentralizadoras que ameaçavam a unidade do Império e dos confrontos gerados pelas regências. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. A 2. E 3. C 4. B 5. E 6. E 7. A 8. D E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) De acordo com o texto, a construção da imagem de D. Pedro II, diferenciada da de seu pai, representaria segurança e estabilidade para o país e sua unificação em torno da figura do imperador. b) Das características do período regencial que ameaçavam a estabilidade do país, pode-se considerar a vacância do trono em razão da menoridade de D. Pedro II e a ocorrência de revoltas de caráter separatistas autonomistas em algumas províncias.
112VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 2. a) A Cabanagem foi uma revolta de caráter popular, realizada pelas camadas despossuídas, representadas pelos cabanos, populações ribeirinhas do Pará. Já a Revolução Farroupilha teve caráter elitista, por ter sido conduzida pelos estancieiros ligados à grande propriedade rural. b) As revoltas provinciais puseram em risco a unidade do Brasil, na medida em que representaram a defesa de interesses localizados, representados pelas proposições federalistas e/ou separatistas presentes nos movimentos. Assim sendo, a derrota desses movimentos significou a consolidação do centralismo/unitarismo e dos interesses da aristocracia fundiária e escravista que marcaram a política do Segundo Reinado. c) Essas elites provinciais rebelavam-se fundamentalmente contra o excessivo centralismo do Império, pois aspiravam à autonomia de suas províncias. No caso da Revolução Farroupilha, deve-se acrescentar o descontentamento com as altas taxas cobradas sobre o charque e outros produtos sul-rio-grandenses. 3. A Criação das Assembleias Legislativas nas províncias e a criação da Regência Una com eleição pelo voto censitário com mandato de 4 anos, assemelham-se ao federalismo e presidencialismo que constituíam a organização política dos Estados Unidos. Daí, se falar em experiência republicana no Brasil, durante o Período Regencial.
113VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (PUC-RJ) Assinale a alternativa que NÃO caracteriza de modo correto o rápido processo de urbanização e modernização ocorrido nas Américas, entre 1870 e 1920. a) Os Estados Unidos experimentaram, no período, uma industrialização em grande escala e altamente concentrada, acompanhada de rápida urbanização. A expansão comercial e financeira para além de suas fronteiras atingiu países vizinhos da América Central e Caribe. b) A urbanização e modernização aceleradas foram características visíveis nas capitais dos países latino- -americanos que vinham se beneficiando do sucesso de suas economias agrário-exportadoras, como o México, a Argentina e o Chile. c) A sobrevivência da monarquia e a continuação da escravidão até 1888 impediram a urbanização, o acesso à modernização e ao progresso industrial de fins do século XIX no Brasil cuja economia ainda dependia da produção cafeeira. d) A imigração em massa para as Américas de trabalhadores europeus pobres de distintas nacionalidades foi outro importante aspecto no processo de rápida modernização e industrialização em fins do século XIX e início do século XX. e) As propostas civilizatórias eurocêntricas que fizeram da raça um atributo negativo apenas dos povos não brancos foram admiradas pelas elites governantes das Américas que não raro adotaram políticas de branqueamento para suas populações. 2. (Unifor) O café foi introduzido no Brasil no início do século XVIII para consumo doméstico. Com o avanço da Revolução Industrial, na Europa e depois nos Estados Unidos, a agricultura do café expandiu-se rapidamente e na terceira década do século XIX este produto já era exportado em larga escala. Sobre o assunto assinale a alternativa correta. a) Os primeiros cafezais para exportação concentraram-se no Vale do Rio Paraíba no estado do Rio de Janeiro e no oeste de São Paulo. b) O trabalho assalariado foi a principal forma de uso da mão de obra nesta etapa inicial. c) Na medida em que as boas terras do vale do Paraíba foram esgotando-se o plantio do café deslocou-se para o Espírito Santo e Bahia. d) Na segunda metade do século XIX o café já era o principal produto de exportação com largo crescimento em São Paulo. e) Os governos dos estados produtores optaram por não proteger a agricultura do café, para manter os princípios da não intervenção. 3. (UPE) O Brasil da segunda metade do século XIX viveu um desenvolvimento urbano e econômico, que gerou reflexos na sua produção cultural. Espaço de surgimento e atuação de vários artistas e intelectuais, as cidades do Brasil Imperial foram o palco de uma efervescência artístico-cultural ímpar. Sobre essa realidade, assinale a alternativa CORRETA. a) Machado de Assis, principal escritor do Modernismo brasileiro, foi autor de várias obras que tiveram ampla aceitação popular, o que lhe proporcionou, inclusive, fama no exterior. b) As pinturas de Pedro Américo refletiam um tom romântico e nacionalista, retratando, inclusive, acontecimentos históricos pátrios. c) Aluísio de Azevedo, grande expoente do romantismo literário no Brasil, sofreu com a censura imperial, em relação a sua obra. d) Castro Alves, grande símbolo do chamado ‘mal do século’, foi autor de poesias que tiveram ampla repercussão nacional. e) A produção teatral de Artur de Azevedo era marcada por uma dramaturgia de conotações trágicas. 4. (Ufrgs) Considere as seguintes afirmações sobre a Lei de Terras de 1850. I. Legislou, pela primeira vez, a propriedade privada no país, essencial para a modernização capitalista da nação. II. Possibilitou a compra de terras por imigrantes, independente do tempo de permanência no país. III. Proibiu a doação de terras públicas. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas III. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) I, II e III. 5. (UEPB) O café é uma bebida mundialmente conhecida. No Brasil, as primeiras sementes chegaram no século XVIII e foram introduzidas no Pará por Francisco Melo Palheta. Assinale a alternativa correta. a) Produtores e investidores do café no Oeste Paulista passaram a ter maior sintonia com as tendências capitalistas, o que inicialmente era apresentado pela SEGUNDO REINADO: POLÍTICAS EXTERNA E ECONOMIA COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4 e 5 HABILIDADE(s) 1, 4, 7, 8, 9, 10, 14, 15, 16, 18 e 22 CH AULAS 21 E 22
114VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias base produtiva escravista foi sendo substituído pelo trabalho livre. b) Os fazendeiros do Vale do Paraíba tinham uma visão empresarial moderna, e utilizavam da própria lucratividade do café para investir em outras atividades econômicas. c) A atividade cafeicultora em expansão no Oeste Paulista não incentivou o crescimento urbano na segunda metade do século XIX porque o Brasil tinha uma população efetivamente rural. d) O sistema de parcerias implementado pelo senador Vergueiro resolveu a questão da mão de obra da produção cafeeira, prosperando até o século XX. e) O sucesso da economia cafeeira no século XIX se deve ao fato de este produto ter atendido exclusivamente o mercado interno. 6. (UEG) Leia o texto a seguir. As guerras estrangeiras, como métodos políticos, sempre foram encaradas pelo país como importunas e até criminosas, e nesse sentido especialmente a Guerra do Paraguai não deixou de sê-lo; os voluntários que a ela acudiram eram, de fato, muito pouco por vontade própria. LIMA, Oliveira. In. HOLANDA, Sérgio B. de. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1995. p. 177. O texto citado, do embaixador Oliveira Lima, tematiza a política belicista brasileira e corrobora a ideia de que: a) o Brasil, secularmente, procura passar uma imagem externa de país pacífico e respeitoso da autonomia política dos países vizinhos. b) as guerras externas foram uma estratégia dos governantes a fim de consolidar a hegemonia imperialista do Brasil na América do Sul. c) o governo Imperial relutou decisivamente em envolver-se no conflito com o Paraguai, só o fazendo por causa da pressão popular. d) a participação do país em guerras estrangeiras, como na I e II Guerras Mundiais, faz parte do esforço de transformar o Brasil em uma potência militar. e) as guerras são utilizadas pelos governantes como estratégia política de desviar a opinião pública interna dos graves problemas sociais do país. 7. (Uemg) “As consequências da escravidão não atingiram apenas os negros. Do ponto de vista da formação do cidadão, a escravidão afetou tanto o escravo quanto o senhor. Se um estava abaixo da lei, o outro se considerava acima. A libertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade efetiva. Essa igualdade era afirmada nas leis, mas negada na prática. Ainda hoje, apesar das leis, aos privilégios e à arrogância de poucos correspondem o desfavorecimento e a humilhação de muitos.” CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 14ª ed.Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011, p. 53. No século XIX, o combate à escravidão no Brasil relacionou-se à: a) adesão dos proprietários rurais à plena concretização dos direitos humanos. b) elaboração da Constituição por pessoas comprometidas com a justiça social. c) criação de leis emancipacionistas para a manutenção da Guerra do Paraguai. d) mobilização de diferentes grupos sociais em torno da campanha abolicionista. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Um pensamento liberal moderno, em tudo oposto ao pesado escravismo dos anos 1840, pode formular-se tanto entre políticos e intelectuais das cidades mais importantes quanto junto a bacharéis egressos das famílias nordestinas que pouco ou nada poderiam esperar do cativeiro em declínio. (BOSI, Alfredo. Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 224) 8. (Puccamp) Considere as seguintes proposições sobre a situação do escravismo no Brasil Império, na segunda metade do século XIX: I. A Lei Eusébio de Queiroz, ainda que tenha determinado o fim do tráfico negreiro para o Brasil, não impediu o comércio interno de escravos, ativo até o final do século. II. Diversas rebeliões populares, algumas rurais, outras urbanas, como a Balaiada, a Revolta dos Malês ou a Revolta de Manuel Congo foram integradas por cativos e escravos foragidos, causando ações repressivas virulentas por parte das elites. III. A condenação moral da escravidão fez-se cada vez mais presente na imprensa, durante esse período no qual se fortaleceram os movimentos abolicionistas. IV. A abolição da escravatura foi decretada com a Lei Áurea, que não garantiu o direito à cidadania aos libertos e previu o pagamento de indenizações aos fazendeiros. Está correto o que se afirma APENAS em: a) I, II e IV. b) I e IV. c) II e III. d) I e III. e) II, III e IV. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO É interessante notar como, em Machado de Assis, se aliavam e se irmanavam a superioridade de espírito, a maior liberdade interior e um marcado convencionalismo. Dois termos que se repelem, pensador e burocrata, são os que melhor o exprimem. Entre Memórias póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba, a vida nacional passara pelas profundas modificações da Abolição e da República. − Que pensa de tudo isso Machado de Assis? indagava Eça de Queirós. À queda da Monarquia, disse Machado no seu gabinete de burocrata, diante da conveniência de tirar da parede o retrato do imperador: − Entrou aqui por uma portaria, só sairá por outra portaria.
115VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Era o que tinha a dizer aos republicanos, atônitos com esse acatamento ao ato de um regime findo. Adaptado de: PEREIRA, Lúcia Miguel. Machado de Assis. 6. ed. rev., Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1988, p. 208 9. (Puccamp) De acordo com o texto, na segunda metade do século XIX, ocorreram profundas transformações econômicas e sociais no Brasil. Sobre este tema é correto afirmar que a) o abolicionismo, a imigração e o processo de transformações proporcionadas pela cafeicultura, num contexto mundial de expansão capitalista, selaram a sorte da escravidão. b) a abolição alterou profundamente as formas de produção agrícola, uma vez que possibilitou o estabelecimento das bases do trabalho livre e assalariado em todo o país. c) os movimentos abolicionistas receberam apoio da Igreja Católica, em especial dos padres templários, e foram idealizados por homens livres, desvinculados de tradições locais. d) a incipiente industrialização, a exigência de indenização pelos proprietários e a ineficiente política brasileira de substituição da mão de obra retardaram o fim da escravidão. e) a abolição progressiva da escravidão e o movimento republicano contribuíram para a instalação da indústria de bens de consumo e para a urbanização da região Sudeste. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O setor fabril já se fazia notar, não só em São Paulo, como também em Campinas e Piracicaba, produzindo tecidos, chapéus e calçados. As casas de fundição colocavam à disposição serras, bombas, sinos, prensas e ventiladores (...). As narrativas de viagem, gênero de escrita muito apreciado por autores e leitores, registravam dessa nova sociedade as impressões colhidas em trânsito e dispostas em painel. FERREIRA, Antonio Celso. A epopeia bandeirante. Letrados, instituições e invenção histórica (1870-1940). São Paulo: Editora Unesp, 2002, p. 78-79. 10. (Puccamp) As cidades mencionadas, que assistem ao surgimento de pequenas indústrias nas últimas décadas do século XIX, apresentavam em comum a) grandes concentrações urbanas provenientes da intensa imigração europeia, que as transformou nas três maiores cidades da região e contribuiu para a instalação de comerciantes e empreendedores responsáveis pelas primeiras indústrias paulistas. b) oligarquias rurais endinheiradas, que compartilhavam ideais republicanos, abolicionistas, nacionalistas e que investiam parte substantiva de seu capital em indústrias voltadas para seu próprio consumo de artigos de luxo. c) rápido desenvolvimento econômico proveniente do acúmulo de dividendos gerado pela produção cafeeira baseada no latifúndio e no trabalho escravo, que despontara nessas e em outras cidades do Vale do Paraíba, repercutindo no desenvolvimento fabril. d) ousados investimentos do empresário Barão de Mauá, que, juntamente com negociantes ingleses, fundou inúmeras indústrias fabris e construiu ferrovias, modernizando a região e garantindo o rápido escoamento da produção. e) ricos agricultores latifundiários e o acesso facilitado por linhas férreas que se expandiram vigorosamente a partir de 1860, no oeste do Estado, momento em que a região se consolida como polo cafeeiro após o declínio das fazendas situadas no sudoeste do Rio de Janeiro. E.O. Fixação 1. (UPF) No Segundo Reinado (1840-1889), alguns acontecimentos ocuparam lugar de destaque na política, com efeitos sobre o contexto socioeconômico e sobre as relações internacionais do Brasil. Considerando isso, associe os eventos da coluna 1 com a descrição equivalente na coluna 2. COLUNA 1 1. Guerra do Paraguai. 2. Lei Eusébio de Queiroz. 3. Questão Christie. 4. Lei de Terras. 5. Tarifa Alves Branco. COLUNA 2 ( ) Lei de extinção do tráfico atlântico de escravos para o Brasil. ( ) Medida protecionista das manufaturas brasileiras. ( ) Tríplice Aliança. ( ) As terras públicas seriam vendidas e não mais doadas. ( ) Incidente diplomático que levou ao rompimento das relações entre Brasil e Inglaterra. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: a) 1, 3, 5, 4, 2. b) 2, 5, 3, 4, 1. c) 2, 5, 1, 4, 3. d) 3, 4, 1, 5, 2. e) 4, 2, 3, 5, 1. 2. (Uepa)
116VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias A charge acima apresenta o processo de alistamento ocorrido durante o período da Guerra do Paraguai (1865- 1870) e, sobre este processo é correto afirmar que: a) inicialmente o governo criou o Corpo de Voluntários mas, como a guerra se prolongou por muitos anos, o alistamento era garantido com o uso da violência. Homens eram caçados nas ruas, nas igrejas, prisões eram esvaziadas, e escravos eram comprados pelo Estado. b) a criação do Corpo de Voluntários foi a solução encontrada pelo governo brasileiro para conseguir compor suas tropas, no entanto a oposição utilizava a imprensa alternativa, como o jornal acima citado, para ironizar esse alistamento. c) recrutava principalmente os escravos negros que desejassem ganhar a liberdade, pois em troca do alistamento voluntário e de sua permanência nas tropas até o final do conflito, receberiam a carta de alforria. d) conseguia recrutar voluntariamente um grande número de homens jovens e adultos para as tropas brasileiras, pois as razões que contribuíram para que o conflito ocorresse afetavam profundamente a soberania do império brasileiro. e) recebia um grande número de homens vindos do norte e nordeste desejosos de ingressar na carreira militar e que viam na convocação para o alistamento, feito pela imprensa da época, como uma grande oportunidade de melhorar suas condições materiais de vida. 3. (PUC-RJ) A abolição do tráfico de escravos a partir de 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, provocou significativas mudanças na vida brasileira. Dentre elas, é CORRETO afirmar que: a) houve um deslocamento imediato de mão de obra escrava das áreas decadentes para a região cafeicultora do Vale do Paraíba, o que provocou um agravamento das questões platinas em decorrência do incentivo daqueles países vizinhos à produção para exportação. b) os países da região platina montaram um tráfico clandestino de escravos de maneira a tornar os seus produtos mais competitivos no comércio internacional, desbancando, desta forma, a produção das Antilhas inglesas. c) os capitais liberados do tráfico de escravos foram aplicados em atividades de modernização econômica do país e que a inevitável extinção futura da escravidão suscitou debates sobre a questão da substituição da mão de obra e os primeiros ensaios de imigração estrangeira para o Brasil. d) a abolição do tráfico de escravos para o Brasil levou a Inglaterra a decretar o Bill Aberdeen, lei que conseguiu estancar em definitivo o comércio de cativos no Oceano Atlântico incrementando a produção industrial na região. e) a proibição do tráfico de escravos incentivou a substituição do regime de produção em larga escala para exportação na lavoura brasileira pelo cultivo em pequenas propriedades com mão de obra livre, o que levou ao surgimento de um mercado interno expressivo. 4. (FGV) Somente a partir de 1850 vai se observar um maior dinamismo no desenvolvimento econômico do país em geral e de suas manufaturas, em particular. O crescimento do número de empresas industriais se faria com relativa rapidez. Mas o que provocaria essas mudanças? (Sonia Mendonça, A industrialização brasileira. p. 12) É correto responder à indagação afirmando que: a) a Câmara dos Deputados aprovou medidas restritivas às importações, como a proibição da entrada de mercadorias similares às já produzidas no país, e também criou a primeira política industrial brasileira. b) houve a importante contribuição do fim do tráfico de escravos para o Brasil, que possibilitou a disponibilidade de capitais, além dos efeitos duradouros da agricultura, especialmente do café. c) a nacionalização do subsolo brasileiro, presente na Constituição imperial, impulsionou os investimentos privados na exploração mineral, conjuntamente com os incentivos governamentais na criação de estaleiros. d) ocorreu uma rápida modernização dos grandes engenhos de açúcar do Nordeste em função dos financiamentos ingleses e, em 1851, fundou-se um banco estatal de desenvolvimento. e) acertou-se com a Inglaterra a renovação dos Tratados de 1827, que ofereciam tarifas privilegiadas aos ingleses e estes, em contrapartida, proporcionavam transferência de tecnologia industrial. 5. (UPF) O Brasil foi um dos países receptores de milhões de europeus e asiáticos que vieram para as Américas em busca de oportunidade de trabalho e ascensão social. Aproximadamente 3 milhões de estrangeiros entraram no Brasil entre 1887 e 1914, 72% do total de imigrantes que vieram para o continente americano. É correto afirmar que essa concentração se explica, entre outros fatores, pela: a) forte demanda de força de trabalho para as lavouras de café. b) vinda de um forte contingente de japoneses fugidos da Primeira Guerra. c) necessidade de mão de obra altamente especializada para a indústria do sul do país. d) política de imigração altamente subsidiada pelos governos italiano e japonês. e) excelente recepção oferecida aos imigrantes pelos usineiros do nordeste. 6. (UECE) Pode-se afirmar corretamente que a Guerra do Paraguai representou para o Brasil: a) a afirmação do exército brasileiro como um personagem importante junto à sociedade brasileira. b) a concretização da emancipação política dos escravos nascidos no Brasil. c) o incentivo à adoção de um regime republicano constitucional no País. d) a solução de uma profunda crise financeira pela qual passava o Brasil.
117VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 7. (ESPCEX) “Os interesses na região platina levaram o Brasil a participar de três guerras: contra Oribe e Rosas (presidentes do Uruguai e da Argentina, respectivamente), contra Aguirre (do Uruguai) e a Guerra do Paraguai.” (COTRIM, 2009) Sobre esse tema, leia as afirmações abaixo: I. Garantir o direito de navegação pelo rio da Prata, formado pela junção dos rios Paraná e Uruguai; II. Garantir a permanência de Solano Lopes na presidência do Paraguai; III. Manter o Uruguai como província; IV. Impedir que a Argentina anexasse o Uruguai; V. Conquistar uma saída para o Oceano Pacífico. Assinale a única alternativa que apresenta todas as afirmações corretas sobre os objetivos brasileiros nesses conflitos: a) I e IV. b) II, III e V. c) II e III. d) I, IV e V. e) I e III. 8. (Udesc) No Brasil do século XIX, as principais formas de trabalho e os meios de acúmulo de riquezas estavam ligados à posse de escravos. Além da riqueza, ter escravos era sinal de poder e prestígio na sociedade escravista. Contudo, após 1850 esse sistema sofreria mudanças e entraria em crise. Analise as proposições sobre o contexto histórico que contribuiu para o entendimento da crise do sistema escravista. I. Principalmente nas capitais das províncias passaram a surgir os primeiros movimentos abolicionistas, sendo que em 1880 o abolicionismo representava um amplo movimento social, com o envolvimento de jornais, clubes e comícios, liderado por intelectuais e políticos. Muitos negros e mestiços participaram dessas lutas. II. Com a proibição do tráfico negreiro, o número de escravos, no Brasil, passou a decrescer, consequentemente o preço dos escravos aumentou, dificultando o atendimento da demanda das grandes fazendas de café e de açúcar. III. Fugas em massa, desobediências e rebeliões de escravos ocorreram por quase toda a região Sudeste no último quartel do século XIX, o que contribuiu para fazer ruir o sistema baseado na propriedade escrava. IV. A crise do sistema escravista não pode ser dissociada da própria crise do Império no Brasil. Não é por acaso que o decreto que pôs fim à escravidão seria assinado apenas um ano antes do fim do Império e da inauguração do novo regime político: a República. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. d) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 9. (UFSJ) Sobre o tráfico negreiro no século XIX, é CORRETO afirmar que ele: a) praticamente foi extinto depois de sua proibição pelo Estado brasileiro em 1831 e, a partir de então, o tráfico de cativos ficou restrito ao comércio entre as províncias do Império, pois a cafeicultura paulista e a mineira adquiriam escravos nas províncias nordestinas. b) ocorreu intensamente no Brasil durante a primeira metade do século, apesar de sua proibição legal em 1831, e, a partir de 1850, o Estado brasileiro tomou medidas efetivas para coibir a vinda de cativos da África. c) foi oficialmente proibido no Brasil apenas com a Proclamação da República, na segunda metade do século, quando ocorreu intensa imigração de europeus para as áreas de expansão da cafeicultura, viabilizando o fim do tráfico. d) estava proibido no Brasil desde a chegada da família real portuguesa, em 1808; todavia, continuou a se realizar clandestinamente durante boa parte do século, sendo efetivamente extinto em 1888, em função da pressão britânica. 10. (FGV) Empreiteiro da Companhia Estrada de Ferro D. Pedro II, o imigrante norte-americano David Sompson decidiu dar fim à própria vida na noite de 29 de outubro de 1869, em Sapucaia, província do Rio de Janeiro. Por ser protestante e suicida, Sompson foi enterrado do lado de fora dos muros do cemitério. O diretor da companhia chegou a solicitar a realização de um sepultamento digno para seu funcionário, mas foi em vão: sob a justificativa de impedir a “profanação das almas”, o vigário-geral não autorizou o enterro no mesmo espaço sagrado dos católicos – “Tenho a honra de declarar que as leis da Igreja Católica proíbem o enterrar-se em sagrado aos que se suicidam, uma vez que antes de morrer não tenham dado sinais de arrependimento, acrescendo a circunstância no presente caso de ser o falecido protestante”. Em 20 de abril de 1870, o imperador D. Pedro II tomou conhecimento do parecer e concordou com a opinião dos membros do Conselho de Estado: “Recomende-se aos Reverendos Bispos que mandem proceder às solenidades da Igreja nos cemitérios públicos, para que neles haja espaço em que possam enterrar-se aqueles a quem a mesma Igreja não concede sepultura em sagrado. E aos Presidentes de Província que providenciem para que os cemitérios que de agora em diante se estabelecerem se reserve sempre para o mesmo fim o espaço necessário”. Sérgio Augusto Vicente. Segregação dos mortos, 1.2.2015. In Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 113, fevereiro de 2015. Adaptado. A partir do fato apresentado e do contexto do Segundo Reinado, é correto afirmar que a segregação dos mortos: a) marcou os primeiros embates da chamada Questão Religiosa, que opôs o recém-fundado Partido Republicano Paulista, patrono do projeto legislativo que revia o padroado, contra a cúpula da Igreja Católica no Brasil, que advogava a necessidade de as escolas básicas estarem sob a administração das ordens religiosas.
118VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias b) decorreu dos preceitos constitucionais do Império que atribuíam à Igreja Católica prerrogativas superiores às do Estado em algumas questões, caso dos sepultamentos, mas tais prerrogativas estavam sendo revistas pelo Legislativo, e o Imperador defendia, desde o início do seu reinado, a separação entre a Igreja e o Estado. c) representou a etapa final de um longo processo de desgaste nas relações entre o governo imperial e as mais importantes lideranças da Igreja Católica brasileira, porque havia novas posições católicas que, desde 1850, condenavam a ausência de propostas objetivas para a extinção do trabalho compulsório no Brasil. d) revelou uma face das contradições entre o poder espiritual da Igreja e o poder secular da Monarquia brasileira, em uma conjuntura na qual a hierarquia eclesiástica esforçava-se para ampliar sua autonomia perante as políticas do Estado e o Imperador buscava a conciliação dos interesses da religião oficial com o direito civil dos não católicos. e) anunciou um novo patamar nas relações entre o Estado e as religiões no país, em especial a Igreja Católica, porque o princípio constitucional que permitia apenas a prática do culto católico no Brasil estava em debate público e dom Pedro II já havia manifestado a sua simpatia a uma ampla liberdade religiosa. E.O. Complementar 1. (Cesgranrio) No Brasil, a expansão cafeeira, na segunda metade do século XIX, pode ser identificada a partir das seguintes características: a) Expansão do consumo externo, progressos técnicos, abertura de créditos, desenvolvimento das ferrovias e introdução da mão de obra escrava; b) Expansão das áreas cultivadas na Província Fluminense, tráfico interprovincial de escravos, avanços tecnológicos, créditos externos e maior consumo interno; c) Expansão ferroviária, crescimento do Oeste Novo paulista, aumento do tráfico negreiro, maior consumo interno e externo e chegada dos imigrantes; d) Incentivos estatais à produção, créditos do Banco do Brasil, introdução do trabalho livre, desenvolvimento ferroviário e aumento das áreas cultivadas em Minas Gerais; e) Substituição do escravo pelo imigrante, capitais ingleses, introdução de máquinas modernas, elevação dos preços e rápida urbanização. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO “A unidade básica de resistência no sistema escravista, seu aspecto típico, foram as fugas. (...) Fugas individuais ocorrem em reação a maus tratos físicos ou morais, concretizados ou prometidos, por senhores ou prepostos mais violentos. Mas outras arbitrariedades, além da chibata, precisam ser computadas. Muitas fugas tinham por objetivo refazer laços afetivos rompidos pela venda de pais, esposas e filhos. (...) No Brasil, a condenação [da escravidão] só ganharia força na segunda metade do século, quando o país independente, fortemente penetrado por ideias e práticas liberais, se integra ao mercado internacional capitalista. (...) “Tirar cipó” – isto é, fugir para o mato – continuou durante muito tempo como sinônimo de evadir-se, como aparece no romance A carne, de Júlio Ribeiro. Mas as fugas, como tendência, não se dirigem mais simplesmente para fora, como antes; se voltam para dentro, isto é, para o interior da própria sociedade escravista, onde encontram, finalmente, a dimensão política de luta pela transformação do sistema. “O não quero dos cativos”, nesse momento, desempenha papel decisivo na liquidação do sistema, conforme analisou o abolicionista Rui Barbosa”. REIS, João José. SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 62-66-71. 2. (Udesc) Analise as proposições em relação à escravidão e à abolição no Brasil. I. O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir a escravidão, mantendo-a por praticamente todo o período imperial. II. Milhões de pessoas foram trazidas de diferentes regiões africanas para o Brasil e escravizadas ao longo de mais de três séculos. Contudo, a mão de obra escrava, no Brasil, não foi exclusivamente africana. III. A lei Eusébio de Queirós, em 1850, cessou a compra e a venda de escravos no Brasil, e a pressão inglesa foi significativa para a promulgação desta lei. IV. O fim da escravidão, no Brasil, se deu com a promulgação da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, não tendo os escravos participado do processo de abolição. V. Após a abolição, o estado brasileiro não ofereceu condições adequadas para que os ex-escravos se integrassem no mercado de trabalho assalariado, tendo a imigração europeia sido justificada, inclusive por teorias raciais. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas II, III e V são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras. c) Somente as afirmativas III, IV e V são verdadeiras. d) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. e) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. 3. (Unisc) Na História do Rio Grande do Sul, encontramos diferentes exemplos de disputas entre portugueses e espanhóis, entre grupos políticos regionais, e de conflitos sucessivos em torno de interesses e de fronteiras na Região do Prata. Assinale a alternativa que apresenta exemplos desses conflitos, com a participação sul-rio-grandense, no século XIX. a) Campanha da Legalidade, Guerra da Cisplatina e Guerra do Paraguai. b) Guerra da Cisplatina, Guerra contra Aguirre e Guerra do Paraguai. c) Revolução Farroupilha, Revolução de 1923 e Revolução Federalista. d) Revolta da Armada, Guerra da Cisplatina e Confederação do Equador. e) Guerra da Cisplatina, Guerras Guaraníticas e Campanha da Legalidade.
119VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 4. (Ufrgs) Considere as afirmações abaixo, sobre imigração para o Brasil e as suas políticas públicas de fomento. I. A lei orgânica de 1867 previa uma série de benefícios e facilidades à vinda dos imigrantes europeus, como, por exemplo, o pagamento de suas passagens às colônias e a atribuição de um lote de terra de até 60 hectares por família imigrante. II. Uma das metas do incentivo à imigração europeia era a política de “branqueamento” do país, exemplificada pelo decreto n.º 528 de 1890, que, entre outras medidas, proibia a entrada de imigrantes africanos no país, salvo em condições excepcionais. III. As regiões do país que mais atraíra imigrantes foram o Sudeste e o Nordeste, principalmente pela ausência de latifúndios significativos e de mão de obra disponível à industrialização de ambas as regiões. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e II. d) Apenas II e III. e) I, II e III. 5. (Uece) Em 1850, ano de extinção oficial do tráfico de escravos no Brasil, foi votada a Lei de Terras. Esta lei, em linhas gerais, determinou que: I. todo proprietário registrasse suas terras, ficando proibida a doação de propriedades ou qualquer outra forma de aquisição de bens fundiários, a não ser por meio da compra. II. se mantivesse o alto custo do registro imobiliário, impedindo que os posseiros mais pobres obtivessem a propriedade do solo onde plantavam. III. ficasse assegurado o direito dos imigrantes – cujo trabalho, em muitos casos, substituiria o trabalho dos escravos – de se tornarem proprietários das terras onde laboravam. IV. fossem possíveis a aquisição e a posse de terras públicas, a baixo custo, pelos grandes proprietários, seus herdeiros e descendentes. Estão corretas as complementações contidas em a) I, II, III e IV. b) I e II apenas. c) II, III e IV apenas. d) I, III e IV apenas. E.O. Dissertativo 1. (Uema) Analise a afirmação abaixo: Em 1849, o inglês Robert Hesketh, cônsul no Brasil por mais de trinta anos, afirmava que “todo o comércio do Brasil obedecia ao capital inglês; que todos os manufaturados ingleses eram vendidos a crédito e a prazo; que todos os seus compradores eram ligados ao comércio de escravos; e que calculava os investimentos ingleses no Brasil em 5 milhões de libras, parte dos quais desviado para o comércio de escravos”. TAVARES, Luís Henrique Dias. Comércio proibido de escravos. São Paulo: Ática, 1988. (adaptado) Essa afirmação indica uma contradição da política inglesa com relação ao Brasil. Identifique-a. 2. (UFG) Analise os documentos a seguir. Art. 1º. As embarcações brasileiras encontradas em qualquer parte, e as estrangeiras encontradas nos portos do Brasil, tendo a seu bordo escravos, ou havendo-os desembarcado, serão apreendidas pelas autoridades, ou pelos navios de guerra brasileiros, e consideradas importadoras de escravos. Art. 4. A importação de escravo no território do Império fica nele considerada como pirataria, e será punida pelos seus tribunais com as penas declaradas no Código Criminal. LEI Eusébio de Queirós, de 4 de setembro de 1850. Disponível em: <http://www.gptec.cfch.ufrj.br/html/eusebio. html>. Acesso em: 26 out. 2012. (Adaptado). Art. 1º. Ficam proibidas as aquisições de terras devolutas por outro título que não seja o de compra. Art. 18. O Governo fica autorizado a mandar vir anualmente à custa do Tesouro certo número de colonos livres para serem empregados, pelo tempo que for marcado, em estabelecimentos agrícolas, ou nos trabalhos dirigidos pela Administração pública, ou na formação de colônias nos lugares em que estas mais convierem; tomando antecipadamente as medidas necessárias para que tais colonos achem emprego logo que desembarcarem. LEI DE TERRAS, de 18 de setembro de 1850. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L0601- 1850.htm>. Acesso em: 26 out. 2012. (Adaptado). A promulgação da Lei Eusébio de Queirós e da Lei de Terras revela uma preocupação latente com a definição do estatuto da escravidão e da propriedade fundiária no Brasil. Com base nos documentos apresentados e considerando-se o contexto do Segundo Império, explique: a) uma consequência socioeconômica da implementação da Lei Eusébio de Queirós, no Rio de Janeiro; b) as mudanças na estrutura produtiva brasileira, proporcionadas pelas duas leis. 3. (UFG) Leia o documento a seguir. A que causa devíamos atribuir esta irrupção da cólera ou, melhor, a que causa não a atribuirmos – Seria talvez a carne estragada que éramos obrigados a comer, ou a fome curtida quando as náuseas venciam o apetite, ou ainda o insuportável ardor dos incêndios que nos escaldavam o sangue, quiçá a infecção oriunda de todas as substâncias vegetais que devorávamos, brotos, frutos verdes e podres, ou também, enfim, a insalubridade do ar viciado pela água estagnada dos charcos e lodaçais que naquela região tanto abundam. Supunham alguns fosse o próprio inimigo o veiculador do cólera. É muito possível que aos paraguaios houvesse acontecido – embora jamais suportassem as mesmas privações que nós – porque, de seu exército do Sul, dizimado pelo flagelo, tinham recebido reforços. Uma circunstância ocorria fazendo-nos crer que também rei-
120VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias nasse o mal em suas fileiras: a frouxidão, para o fim, dos ataques, embora sempre frequentes. TAUNAY, Alfredo d´Escragnolle. A retirada de Laguna. 1870. p. 57. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/ texto/bv00304a.pdf>. Acesso em: 20 mar 2013. (Adaptado). O documento apresentado, publicado em 1870, relata um dos principais eventos da Guerra do Paraguai, a Retirada de Laguna. Com base na leitura do documento, explique a) as condições a que as tropas brasileiras foram submetidas, durante o conflito; b) uma consequência para a política interna brasileira, com o fim da Guerra do Paraguai. 4. (UEL) Observe as imagens publicadas, durante a Guerra do Paraguai, pelo jornal paraguaio El Centinela e pela revista ilustrada brasileira Vida Fluminense, e leia os textos. El Centinela, 3, 9.5.1867 T - E que fazem aqui esses três? C - É o Imperador do Brasil, o Visconde de Tamandaré e o Marechal Polidoro que estão em conferência secreta sobre a Guerra do Paraguai. (Adaptado de: TORAL, André. Imagens em desordem: a iconografia da Guerra do Paraguai (1864-1870). São Paulo: Humanitas / FFLCH-USP, p.184.) Vida Fluminense, 58, 6. 2. 1869 Notícias do Sul Tendo dado cabo de tudo quanto havia de bípedes no Paraguai, o El Supremo, que tem muita paciência acha ainda meio de reorganizar um novo exército de quadrúpedes, a quem faz [...] proclamação [...] à qual os soldados entusiasmados respondem: Au! Au! Au! Miau! Au! Miau! (Adaptado de: TORAL, André. Imagens em desordem: a iconografia da Guerra do Paraguai (1864-1870). São Paulo: Humanitas / FFLCH-USP, p.181.) a) Considerando as imagens, os textos e os conhecimentos sobre o tema, apresente uma síntese fundamentada sobre a Guerra do Paraguai. b) A partir das imagens, dos textos e dos conhecimentos sobre o tema, analise o papel desempenhado pela imprensa nesse conflito. 5. (UFF) Estação central da Estrada de Ferro Central do Brasil (Marc Ferrez, c. 1870). A inauguração da estação da Estrada de Ferro Central do Brasil em 1870 simboliza uma aparente contradição: o Brasil era um país escravocrata ao mesmo tempo que buscava instalar as novas e modernas máquinas e tecnologias oriundas da Revolução Industrial. O trem era, assim, o símbolo da modernização. A partir dessa afirmação, discuta a importância da estrada de ferro na manutenção das relações escravistas na economia brasileira do século XIX. 6. (UFPR) O encerramento definitivo do tráfico de escravos em 1850 coincidiu com a ascensão e prosperidade da economia cafeeira, a qual então se expandia principalmente nas províncias de São Paulo e do Rio de Janeiro. Discuta a relação entre escravidão e expansão da cultura do café nessa nova conjuntura, marcada pelo tráfico interno de cativos e por projetos de estímulo à imigração europeia. 7. (Ufjf-pism 2) Dentre os países do continente americano o Brasil foi o último país a acabar com a escravidão em seu território. Até a assinatura do último decreto que libertava definitivamente a escravidão todo um longo percurso foi trilhado, tanto do ponto de vista legal, como dos próprios movimentos sociais, interessados no fim do regime escravocrata. Observe a sucessão das leis decretadas no século XIX: O século XIX e a questão da mão de obra Leis Abolicionistas 1850 – Lei Eusébio de Queirós 1871 – Lei do Ventre Livre 1885 – Lei dos Sexagenários 1888 – Lei Áurea Com base nessas informações e em seus conhecimentos, responda ao que se pede: a) A Lei Eusébio de Queirós proibiu definitivamente o tráfico atlântico de escravos. Com o fim da oferta de escravos africanos, proprietários escravistas no Brasil buscaram outras formas de reposição da mão de obra. Explique DUAS alternativas utilizadas para dar continuidade à exploração escravista. b) A abolição da escravidão no Brasil foi o coroamento de uma política de gabinete, ou seja, ela foi fruto da ação isolada de deputados e senadores do Império do Brasil. Você concorda com essa afirmativa? Explique sua resposta.
121VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 8. (Ufes) Na imagem acima (autoria desconhecida), soldados brasileiros se ajoelham diante da imagem de Nossa Senhora da Conceição em 30 de maio de 1868, em território paraguaio. Eles integravam as forças da Tríplice Aliança, que unia Brasil, Argentina e Uruguai. a) Identifique o conflito que envolveu a Tríplice Aliança. b) Aponte o impacto, para o fim da escravidão no Brasil, da presença de negros, ao lado de brancos e mulatos, nas tropas brasileiras que defenderam os países da Tríplice Aliança. 9. (FGV) Em torno de dois grandes rios, Uruguai e Paraguai, quatro nações dividiam fronteiras: Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. Nesse terreno, quatro contendores aplicavam-se bem em desempenhar o complicado jogo das fronteiras. Em questão, estavam, além do acesso à livre navegação da bacia platina, a hegemonia na região e os diferentes processos por que passavam os Estados nacionais envolvidos. (Lilia Schwartz, “As barbas do Imperador”.) O texto registra algumas questões que estiveram na origem de uma das mais importantes disputas militares entre países sul-americanos no século XIX: a Guerra do Paraguai (1864-1870). A partir dessas informações, EXPLIQUE dois motivos do envolvimento do Império do Brasil nesse conflito. 10. (Ufpr 2018) Leia o excerto abaixo: “Embora o comércio escravista tenha sofrido um forte abalo nos primeiros anos da década de 1830, a partir de 1835-36 assistimos à sua recuperação, muito em função do contexto político da Regência. Do total de africanos trazidos para o Brasil em trezentos anos de tráfico atlântico, aproximadamente 20% chegou entre 1831 e 1855, demonstrando a importância do tráfico ilegal de escravos”. (Cicchelli Pires, Ana Flávia. “A abolição do Comércio Atlântico de Escravos e os Africanos Livres no Brasil”. Em CLACSO, 2008, págs. 96-97. Disponível em: <http://bibliotecavirtual.clacso.org. ar/clacso/coediciones/20100823031440/07pire.pdf>.) Apesar dos esforços de diversos setores abolicionistas, tanto no Brasil como na Grã-Bretanha, e mesmo após a proibição do tráfico decretado pelo país europeu em 1807, temos que o tráfico não apenas não diminuiu, como também passou de um estado de legalidade para um de contrabando ilegal. Considerando o trecho acima e com base nos conhecimentos sobre o tráfico ilegal de escravos para o Brasil, identifique três fatores que facilitaram esse tráfico ilegal, quais regiões da África foram as mais afetadas por esse contrabando, assim como os portos mais importantes de embarque e desembarque em ambas as costas, africana e brasileira. E.O. Enem 1. (Enem) DE VOLTA DO PARAGUAI Cheio de glória, coberto de louros, depois de ter derramado seu sangue em defesa da pátria e libertado um povo da escravidão, o voluntário volta ao seu país natal para ver sua mãe amarrada a um tronco horrível de realidade!... AGOSTINI. “A vida fluminense”, ano 3, n. 128, 11 jun. 1870. In: LEMOS, R. (Org). Uma história do Brasil através da caricatura (1840-2001). Rio de Janeiro: Letras & Expressões, 2001 (adaptado). Na charge, identifica-se uma contradição no retorno de parte dos “Voluntários da Pátria” que lutaram na Guerra do Paraguai (1864-1870), evidenciada na a) negação da cidadania aos familiares cativos. b) concessão de alforrias aos militares escravos. c) perseguição dos escravistas aos soldados negros. d) punição dos feitores aos recrutados compulsoriamente. e) suspensão das indenizações aos proprietários prejudicados. 2. (Enem)
122VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias As imagens, que retratam D. Pedro I e D. Pedro II, procuram transmitir determinadas representações políticas acerca dos dois monarcas e seus contextos de atuação. A ideia que cada imagem evoca é, respectivamente: a) Habilidade militar – riqueza pessoal. b) Liderança popular – estabilidade política. c) Instabilidade econômica – herança europeia. d) Isolamento político – centralização do poder. e) Nacionalismo exacerbado – inovação administrativa. 3. (Enem) Ninguém desconhece a necessidade que todos os fazendeiros têm de aumentar o número de seus trabalhadores. E como até há pouco supriam-se os fazendeiros dos braços necessários? As fazendas eram alimentadas pela aquisição de escravos, sem o menor auxílio pecuniário do governo. Ora, se os fazendeiros se supriam de braços à sua custa, e se é possível obtê-los ainda, posto que de outra qualidade, por que motivo não hão de procurar alcançá-los pela mesma maneira, isto é, à sua custa? Resposta de Manuel Felizardo de Sousa e Mello, diretor geral das Terras Públicas, ao Senador Vergueiro. In: ALENCASTRO, L. F. (Org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1988 (adaptado). O fragmento do discurso dirigido ao parlamentar do Império refere-se às mudanças então em curso no campo brasileiro, que confrontam o Estado e a elite agrária em torno do objetivo de: a) fomentar ações públicas para ocupação das terras do interior. b) adotar o regime assalariado para proteção da mão de obra estrangeira. c) definir uma política de subsídio governamental para o fomento da imigração. d) regulamentar o tráfico interprovincial de cativos para a sobrevivência das fazendas. e) financiar afixação de famílias camponesas para estímulo da agricultura de subsistência. 4. (Enem) Substitui-se então uma história crítica, profunda, por uma crônica de detalhes onde o patriotismo e a bravura dos nossos soldados encobrem a vilania dos motivos que levaram a Inglaterra a armar brasileiros e argentinos para a destruição da mais gloriosa república que já se viu na América Latina, a do Paraguai. CHIAVENATTO, J.J. Genocídio americano: A Guerra do Paraguai. São Paulo: Brasiliense, 1979 (adaptado). O imperialismo inglês, “destruindo o Paraguai, mantém o status quo na América Meridional, impedindo a ascensão do seu único Estado economicamente livre”. Essa teoria conspiratória vai contra a realidade dos fatos e não tem provas documentais. Contudo essa teoria tem alguma repercussão. (DORATIOTO. F. Maldita guerra: nova historia da Guerra do Paraguai. São Paulo: Cia. das Letras, 2002 (adaptado). Uma leitura dessas narrativas divergentes demonstra que ambas estão refletindo sobre: a) a carência de fontes para a pesquisa sobre os reais motivos dessa Guerra. b) o caráter positivista das diferentes versões sobre essa Guerra. c) o resultado das intervenções britânicas nos cenários de batalha. d) a dificuldade de elaborar explicações convincentes sobre os motivos dessa Guerra. e) o nível de crueldade das ações do exército brasileiro e argentino durante o conflito. E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. (UERJ) A RESTITUIÇÃO DA PASSAGEM As famílias chegadas a Santos com passagens de 3ª classe, tendo pelo menos 3 pessoas de 12 a 45 anos, sendo agricultores e destinando-se à lavoura do estado de São Paulo, como colonos nas fazendas ou estabelecendo-se por conta própria em terras adquiridas ou arrendadas de particulares ou do governo, fora dos subúrbios da cidade, podem obter a restituição da quantia que tiverem pago por suas passagens. Adaptado de O immigrante, nº 1, janeiro de 1908
123VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias A publicação da revista O immigrante fazia parte das ações do governo de São Paulo que tinham como objetivo estimular, no final do século XIX e início do XX, a ida de imigrantes para o estado. Para isso, ofereciam-se inclusive subsídios, como indica o texto. Essa diretriz paulista era parte integrante da política nacional da época que visava à garantia da: a) oferta de mão de obra para a cafeicultura. b) ampliação dos núcleos urbanos no interior. c) continuidade do processo de reforma agrária. d) expansão dos limites territoriais da federação. 2. (UERJ) Iracema (1881), de José Maria de Medeiros. www.itaucultural.org.br O romance Iracema, de José de Alencar, publicado em 1865, influenciou artistas, como José Maria de Medeiros, que nele encontraram inspiração para representar imagens do Brasil e do povo brasileiro no período imperial (1822-1889). Na construção da identidade nacional durante o Império do Brasil, identifica-se a valorização dos seguintes aspectos: a) clima ameno e índole guerreira dos ameríndios. b) grandeza territorial e integração racial das etnias. c) extensão litorânea e sincretismo religioso do povo. d) natureza tropical e herança cultural dos grupos nativos. 3. (UERJ) A pintura histórica alcançou no século XIX importante lugar no projeto político do Segundo Reinado. Esse gênero artístico mantinha intenso diálogo com a produção do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Por meio da pintura histórica, forjou-se um passado épico e monumental, em que toda a população pudesse se sentir representada nos eventos gloriosos da história nacional. O trabalho de Araújo Porto-Alegre como crítico de arte e diretor da Academia Imperial de Belas Artes possibilitou a visibilidade da pintura histórica com seus pintores oficiais, Pedro Américo e Victor Meirelles. CASTRO, Isis Pimentel de. Adaptado de periodicos.ufsc.br. Considerando as imagens das telas e as informações do texto, as pinturas históricas para o governo do Segundo Reinado tinham a função essencial de: a) consolidar o poder militar. b) difundir o pensamento liberal. c) garantir a pluralidade política. d) fortalecer a identidade nacional. 4. (UERJ) Sobretudo compreendam os críticos a missão dos poetas, escritores e artistas, neste período especial e ambíguo da formação de uma nacionalidade. São estes os operários incumbidos de polir o talhe e as feições da individualidade que se vai esboçando no viver do povo. O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba pode falar com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pera, o damasco e a nêspera? José de Alencar, prefácio a Sonhos d’ouro, 1872. Adaptado de ebooksbrasil.org. De acordo com José de Alencar, a caracterização da identidade nacional brasileira, no século XIX, estava vinculada ao processo de: a) promoção da cultura letrada. b) integração do mundo lusófono. c) valorização da miscigenação étnica. d) particularização da língua portuguesa.
124VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 5. (UERJ) Diversas experiências históricas da sociedade brasileira interferiram nas variações dos fluxos imigratórios nos séculos XIX e XX. Para o período situado entre 1880 e 1899, a variação indicada no gráfico associou-se ao seguinte fator: a) expansão cafeeira. b) crise da monarquia. c) abolição da escravidão. d) modernização industrial. E.O. UERJ Exame Discursivo 1. (UERJ 2017) O anúncio exemplifica uma prática que se tornou comum na imprensa brasileira no século XIX: a divulgação de oferta de recompensas por escravos fugidos. Tal prática possibilita situar a importância dessa mão de obra em diversas atividades econômicas. A partir das informações do anúncio, identifique duas características da condição de vida dos escravos, no Brasil, naquele momento. Indique, também, a principal transformação no mercado de compra e venda de escravos ocorrida em 1850 que justifique o pagamento de uma recompensa. 2. (UERJ 2018) DEZ PROVÍNCIAS COM MAIOR POPULAÇÃO ESCRAVA SEGUNDO O CENSO DE 1872 Província Número de escravos Número de pessoas livres para cada escravo Minas Gerais 370.459 4,51 Rio de Janeiro 292.637 1,67 São Paulo 156.612 4,37 Bahia 107.824 11,24 Pernambuco 89.028 8,45 Maranhão 74.939 3,79 Rio Grande do Sul 67.791 5,41 Município Neutro* 48.939 4,62 Alagoas 35.741 8,74 Ceará 31.913 21,61 *Designação da cidade do Rio de Janeiro de 1834 a 1889. Adaptado de CHALHOUB, S. População e Sociedade. In: CARVALHO, J. M. de (org.). História do Brasil Nação. Vol. II. Madrid: Fundación MAPFRE; Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. O total de escravos e a quantidade de pessoas livres para cada escravo são indicadores das atividades econômicas desenvolvidas nas províncias do Império do Brasil no século XIX. A partir da tabela, cite a principal atividade econômica nas três províncias com maior concentração de população escrava. Aponte, ainda, uma razão para a proporção de pessoas livres nas províncias que atualmente integram a região Nordeste do Brasil. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Fuvest) O tráfico de escravos africanos para o Brasil: a) teve início no final do século XVII, quando as primeiras jazidas de ouro foram descobertas nas Minas Gerais. b) foi pouco expressivo no século XVII, ao contrário do que ocorreu nos séculos XVI e XVIII, e foi extinto, de vez, no início do século XIX. c) teve início na metade do século XVI, e foi praticado, de forma regular, até a metade do século XIX. d) foi extinto, quando da Independência do Brasil, a despeito da pressão contrária das regiões auríferas. e) dependeu, desde o seu início, diretamente do bom sucesso das capitanias hereditárias, e, por isso, esteve concentrado nas capitanias de Pernambuco e de São Vicente, até o século XVIII.
125VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 2. (Fuvest) Victor Meireles, Moema, 1866. Em seu contexto de origem, o quadro acima corresponde a uma: a) denúncia política das guerras entre as populações indígenas brasileiras. b) idealização romântica num contexto de construção da nacionalidade brasileira. c) crítica republicana à versão da história do Brasil difundida pela monarquia. d) defesa da evangelização dos índios realizada pelas ordens religiosas no Brasil. e) concepção de inferioridade civilizacional dos nativos brasileiros em relação aos indígenas da América Espanhola. 3. (Unesp) Ao lado do latifúndio, a presença da escravidão freou a constituição de uma sociedade de classes, não tanto porque o escravo esteja fora das relações de mercado, mas principalmente porque excluiu delas os homens livres e pobres e deixou incompleto o processo de sua expropriação. (Maria Sylvia de Carvalho Franco. Homens livres na ordem escravocrata, 1983.) Segundo o texto, que analisa a sociedade cafeeira no Vale do Paraíba no século XIX, a) a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre assalariado freou a constituição de uma sociedade de classes durante o período cafeeiro. b) o imigrante e as classes médias mantiveram-se fora das relações de mercado existentes na sociedade cafeeira. c) o caráter escravista impediu a participação direta dos homens livres e pobres na economia de exportação da sociedade cafeeira. d) a inexistência de homens livres e pobres na sociedade cafeeira determinou a predominância do trabalho escravo nos latifúndios. e) a ausência de classes na sociedade cafeeira deveu- -se prioritariamente ao fato de que o escravo estava fora das relações de mercado. 4. (Fuvest) A extinção do tráfico negreiro, em 1850 : a) reativou a escravização do Índio. b) ocasionou a queda da produção cafeeira no Oeste Paulista. c) acarretou uma crise na indústria naval. d) acentuou a crise comercial da segunda metade do século XIX. e) liberou capitais para outros setores da economia. 5. (Fuvest) Qual dos fatores a seguir mais contribuiu para a grande expansão das lavouras de café no Brasil, no período 1830-1890? a) Impulso demográfico interno de 1800 a 1830. b) Maciça transferência de capitais estrangeiros para o setor agrícola. c) Destruição das lavouras nas Antilhas Francesas. d) Adoção das tarifas Alves Branco e Murtinho. e) Elevação dos preços pela crescente demanda mundial. 6. (Fuvest) Durante o Império, a economia brasileira foi marcada por sensível dependência em relação à Inglaterra e a outros países europeus. Essa situação foi alterada em 1844 com: a) a substituição do livre-cambismo por medidas protecionistas, através da Tarifa Alves Branco. b) a criação da Presidência do Conselho de Ministros, que fortaleceu a aristocracia rural. c) a aprovação da Maioridade, que intensificou as relações econômicas com os Estados Unidos. d) a eliminação do tráfico de escravos e a consequente liberação de capitais para novos investimentos. e) o estabelecimento do Convênio de Taubaté com a intervenção do Estado na economia. 7. (Fuvest) O Bill Aberdeem, aprovado pelo Parlamento inglês em 1845, foi: a) uma lei que abolia a escravidão nas colônias inglesas do Caribe e da África. b) uma lei que autorizava a marinha inglesa a apresar navios negreiros em qualquer parte do oceano. c) um tratado pelo qual o governo brasileiro privilegiava a importação de mercadorias britânicas. d) uma imposição legal de libertação dos recém-nascidos, filhos de mãe escrava. e) uma proibição de importação de produtos brasileiros para que não concorressem com os das colônias antilhanas. 8. (Fuvest 2017) No Brasil, do mesmo modo que em muitos outros países latino-americanos, as décadas de 1870 e 1880 foram um período de reforma e de compromisso com as mudanças. De maneira geral, podemos dizer que tal movimento foi uma reação às novas realidades econômicas e sociais resultantes do desenvolvimento capitalista não só como fenômeno mundial, mas também em suas manifestações especificamente brasileiras. Emília Viotti da Costa, “Brasil: a era da reforma, 1870- 1889”. In: Leslie Bethell, História da América Latina, v. 5. São Paulo: Edusp, 2002. Adaptado. A respeito das mudanças ocorridas na última década do Império do Brasil, cabe destacar a reforma:
126VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias a) eleitoral, que, ao instituir o voto direto para os cargos eletivos do Império, ao mesmo tempo em que proibiu o voto dos analfabetos, reduziu notavelmente a participação eleitoral dos setores populares. b) religiosa, com a adoção do ultramontanismo como política oficial para as relações entre o Estado brasileiro e o poder papal, o que permitiu ao Império ganhar suporte internacional. c) fiscal, com a incorporação integral das demandas federativas do movimento republicano por meio da revisão dos critérios de tributação provincial e municipal. d) burocrática, que rompeu as relações de patronato empregadas para a composição da administração imperial, com a adoção de um sistema unificado de concursos para preenchimento de cargos públicos. e) militar, que abriu espaço para que o alto-comando do Exército, vitorioso na Guerra do Paraguai, assumisse um maior protagonismo na gestão dos negócios internos do Império. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unesp) É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais adquirem seu caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico da lavoura canavieira e do “engenho” de açúcar. (Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 1987.) Cite duas semelhanças e duas diferenças significativas entre a exploração agrária cafeeira no Oeste paulista do século XIX e a que predominou na lavoura canavieira no Nordeste colonial. 2. (Unesp) Cheio de glória, coberto de louros, depois de ter derramado seu sangue em defesa da pátria e libertado um povo da escravidão, o voluntário volta ao país natal para ver sua mãe amarrada a um tronco! Horrível realidade!... (Ângelo Agostini. A Vida Fluminense, 11.06.1870. Adaptado.) Identifique a tensão apresentada pela representação e por sua legenda e analise a importância da Guerra do Paraguai para a luta de abolição da escravidão. 3. (Fuvest) Observe os dois quadros a seguir. Essas duas pinturas se referem à chamada Guerra da Tríplice Aliança (ou Guerra do Paraguai), ocorrida na América do Sul entre 1864 e 1870. a) Esses quadros foram pintados cerca de dez anos depois de terminada a Guerra do Paraguai, o da esquerda, por um brasileiro, o da direita, por um uruguaio. Analise como cada um desses quadros procura construir uma determinada visão do conflito. b) A Guerra do Paraguai foi antecedida por vários conflitos na região do Rio da Prata, que coincidiram e se relacionaram com o processo de construção dos Estados nacionais na região. Indique um desses conflitos, relacionando-o com tal processo.
127VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias sobre os seus escravos, as origens desses escravos e os tipos de exploração escravista na sociedade brasileira do século XIX. 6. (Unesp) Analise a tabela. População livre e população escrava no Brasil (em número de habitantes) Ano População livre População escrava 1822 2.000.000 1.000.000 1872 8.500.000 1.500.000 1887 14.000.000 700.000 (Emília Viotti da Costa. A abolição, 1986. Adaptado) Que informações a tabela oferece sobre as mudanças na população escrava, durante o período, comparada à população livre? Que motivos justificaram tais mudanças? 7. (Unifesp) “Na Bélgica haviam impresso e exposto à venda um folheto em flamengo, com tradução francesa, no qual se prometia aos trabalhadores o salário de seis a quinze francos diários. O folheto pareceu-me um chamariz para aliciar gente para o Brasil. Chegaram ao Rio vários navios com esses iludidos”. (Robert Avé-Lallement. “Viagens pelas províncias de Santa Catarina, Paraná e São Paulo”, 1858. Belo Horizonte: Itatiaia, 1980.) O relato mostra o incentivo à imigração europeia para o Brasil na metade do século XIX. Explique: a) Por que o autor considera os imigrantes “iludidos”, explorando a semelhança com a experiência de alemães e suíços que vieram ao Brasil na década anterior. b) A importância e o significado da mão de obra imigrante no Brasil da metade do século XIX. 4. (Fuvest) Imagem de Ângelo Agostini sobre o impacto da Guerra do Paraguai na sociedade brasileira. Observando a ilustração, explique a) o impacto social a que ela se refere; b) os desdobramentos políticos dessa guerra. 5. (Unesp 2017) Leia o trecho do romance Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis (1839-1908), em que o personagem Bento apresenta ao amigo Escobar os bens de sua família. – Não, agora não voltamos mais [a viver na fazenda]. Olhe, aquele preto que ali vai passando, é de lá. Tomás! – Nhonhô! Estávamos na horta da minha casa, e o preto andava em serviço; chegou-se a nós e esperou. – É casado, disse eu para Escobar. Maria onde está? – Está socando milho, sim, senhor. [...] – Bem, vá-se embora. Mostrei outro, mais outro, e ainda outro, este Pedro, aquele José, aquele outro Damião... – Todas as letras do alfabeto, interrompeu Escobar. Com efeito, eram diferentes letras, [...] distinguindo-se por um apelido ou da pessoa [...] ou de nação como Pedro Benguela, Antônio Moçambique. – E estão todos aqui em casa? perguntou ele. – Não, alguns andam ganhando na rua, outros estão alugados. Não era possível ter todos em casa. Nem são todos os da roça: a maior parte ficou lá. Dom Casmurro, 1994. O enredo de Dom Casmurro transcorre na cidade do Rio de Janeiro, capital do Império brasileiro. A partir da análise do trecho, explicite a visão do proprietário
128VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Gabarito E.O. Aprendizagem 1. C 2. D 3. B 4. C 5. A 6. A 7. D 8. D 9. A 10. E E.O. Fixação 1. C 2. A 3. C 4. B 5. A 6. A 7. A 8. E 9. B 10. D E.O. Complementar 1. E 2. B 3. B 4. C 5. B E.O. Dissertativo 1. A Inglaterra no século XIX vivia o contexto da Revolução Industrial. As máquinas produziam muito e o país necessitava de mercado consumidor. Desta forma, os britânicos defendiam o fim tráfico de escravos e consequentemente de toda a escravidão na América Latina. Acontece que a elite agrária, grande consumidora de produtos ingleses, utilizava a mão de obra escrava. Os consumidores, em geral, dos manufaturados ingleses no Brasil estavam vinculados, de alguma forma, ao comércio de escravos. Esta é a grande contradição da política Inglesa no século XIX. 2. a) A implementação da Lei Eusébio de Queirós teve as seguintes consequências socioeconômicas para a cidade do Rio de Janeiro (o candidato deve indicar apenas uma): • inversão dos investimentos aplicados no tráfico de escravos para a consolidação da infraestrutura da cidade. Nesse sentido, as ações podem assim ser descritas: 1) implantou-se a malha ferroviária, a partir de 1864, bem como a primeira linha de telégrafo, em 1852; 2) ampliou-se o sistema bancário; • intensificação do comércio de produtos com a Europa, que incidiu no aumento das importações de bens de consumo; • melhorias na estrutura urbana da capital, que podem ser identificadas por meio da construção de palácios, do calçamento de ruas, da instalação de iluminação a gás e de bonde com tração animal. b) As leis, aprovadas com uma diferença de duas semanas, transformaram diretamente a estrutura econômica do Segundo Império. Por um lado, a implementação da Lei Eusébio de Queirós trouxe como consequência a diminuição da oferta de mão de obra escrava, necessária à manutenção da vida econômica nacional, principalmente em São Paulo, onde a cafeicultura utilizava-se do trabalho compulsório em larga escala. Na indisponibilidade da utilização da mão de obra escrava, o incentivo à imigração foi o mecanismo substitutivo encontrado, capaz de evitar a crise da economia nacional. Ao mesmo tempo, a implementação da mão de obra livre foi feita de modo condicional, com o objetivo de garantir o controle da propriedade fundiária, restringindo-lhe o acesso – esse controle e restrição foram normatizados pela Lei de Terras. Com a implementação dessa lei, o acesso a terra, que antes era considerada sem valor, ficou restrito àqueles que possuíam condições de adquiri-la por meio da compra e de registrá-la. Esse dispositivo visava a impedir que os trabalhadores recém-chegados pleiteassem a posse do solo onde trabalhavam e, ao mesmo tempo, tornou-os dependentes das relações de trabalho impostas pelos proprietários da terra. Em virtude disso, por um lado, ambas as leis garantiram que o instrumento promotor da riqueza individual permanecesse nas mãos da elite proprietária, por outro, sua aplicação modificou a estrutura produtiva da agricultura brasileira. 3. a) A partir do texto, podemos perceber que as tropas brasileiras eram submetidas a condições péssimas na Guerra do Paraguai. “Carne estragada”, “náuseas causadas pela fome”, “incêndios”, “infecções oriundas dos vegetais estragados que comiam” são algumas das informações fornecidas pelo autor que demonstram como era a vida das tropas brasileiras no conflito. b) A Guerra do Paraguai conferiu enorme poder ao exército brasileiro. Os muitos soldados e comandantes que voltaram da guerra passaram a questionar, então, a escravidão e a forma de governo do Brasil. Essa influência do exército brasileiro vai terminar na Proclamação da República, alguns anos à frente. 4. a) Na abordagem da Guerra com o Paraguai, o candidato pode adotar as tradicionais linhagens interpretativas existentes na historiografia e reproduzida nos livros didáticos: a mais conservadora, que trata do Paraguai como responsável pela guerra. Uma outra que vai primar pela apresentação da guerra como decorrência das relações imperialistas, fazendo da aliança apenas uma marionete das intenções inglesas de sufocar o desenvolvimento autônomo do Paraguai. A chave desta interpretação é a ideia de Imperialismo Inglês, decorrente das interpretações marcadamente marxistas elaboradas nos anos 80 e 90 do século XX. Uma terceira linhagem interpretativa é mais contemporânea e procura analisar temas caros à linhagem mais conservadora, que dizem respeito aos problemas de fronteiras, às complexas relações políticas no cone sul entre os países protagonistas da guerra e à problemática da formação nacional destes. Mais do que uma verdade histórica, o que interessa é – não importando qual a versão abraçada pelo candidato – verificar a fundamentação e a coerência da argumentação elaborada por ele. b) É importante destacar que a “liberdade de imprensa” é um elemento fundamental na caracterização dos regimes políticos. Quanto mais livre é a imprensa, mais democrático é o país. Por outro lado, esta liberdade não é absoluta. Se, no século XIX, a considerando os textos em questão, há uma maior liberdade de imprensa, mesmo em situações de guerra, em países regidos por constituições liberais, como o Brasil, isto não é norma geral. De fato, mesmo em países mais livres no mundo
129VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias contemporâneo, a liberdade de imprensa é limitada quer por interesses ligados ao regime, quer por necessidade de sobrevivência econômica ou por motivações ideológicas. Esses limites se tornam mais claros e contundentes em situações de guerra. Nestas situações, muitas vezes, a imprensa se torna uma arma que atua através da propaganda de guerra (é o caso da mídia impressa, televisiva e mesmo do cinema) de modo a mobilizar a sociedade em torno de um esforço de guerra. O candidato aqui deve exemplificar, a partir dos textos e das imagens, esta situação nos séculos XIX e XX. 5. É possível perceber a redução dos custos de transportes propiciada pela instalação dos ramais ferroviários entre as regiões produtoras de café e o porto, mesmo porque, grande parte dos investimentos foi realizada pelo Estado em associação ao capital inglês, desonerando o produtor. Ainda deverá destacar que a ferrovia possibilitou a concentração de mão de obra escrava diretamente na produção cafeeira, força de trabalho antes, também, utilizada no transporte do produto até as zonas portuárias. 6. • Desde os primórdios da história do Brasil, o trabalho na terra foi realizado por escravos, em uma estrutura que envolvia não apenas os latifundiários, mas um setor importante – parte dele português – envolvido no lucrativo tráfico africano. As pressões inglesas contra o tráfico aumentaram numa época de expansão da cafeicultura, portanto, de maior necessidade de trabalhadores. • Para contornar tal situação, desenvolveu-se o tráfico interno, com latifundiários nordestinos vendendo seus escravos para os latifundiários de São Paulo e Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, o governo deu créditos e estimulou a vinda de famílias de imigrantes para trabalhar na lavoura de café como colonos livres, num primeiro momento, utilizando- -se do “sistema de parceria”. 7. a) Duas estratégias foram adotadas: (1) o tráfico interprovincial (de uma província para outra dentro do Brasil) e (2) o tráfico ilegal pelo Atlântico (tentando burlar a fiscalização inglesa) b) A abolição da escravatura no Brasil atendeu muito mais à pressão inglesa (principal credora do Império) do que à vontade de deputados ou senadores (que compunham a elite nacional e, logo, eram adeptos da escravatura). Assim, a abolição foi uma ação isolada do governo imperial na figura de D. Pedro II e sua filha, princesa Isabel, e não de deputados e senadores. 8. a) O conflito é a “Guerra do Paraguai” (para os paraguaios foi a Guerra da Tríplice Aliança). Segundo a visão brasileira, a guerra foi causada pela política militarista e expansionista do Paraguai, que pretendia conquistar, à força, uma saída para o mar, através do Rio da Prata. b) A presença de negros – na maioria escravos – nas fileiras do exército foi de grande importância. Apesar do número inferior ao de brancos, a mortalidade de negros foi muito maior. Muitos negros foram para a guerra alforriados ou com a promessa de alforria. Acabada a guerra cria-se uma contradição em parcela significativa da sociedade urbana, pois dentre os heróis que voltavam da guerra, alguns eram negros. Tal condição contribuiu para o movimento abolicionista, assim como o fato dos militares serem marginalizados pelo império escravista. 9. A participação do Império do Brasil na Guerra do Paraguai foi motivada por fatores como a “defesa da integridade do território brasileiro” diante da invasão paraguaia, o interesse do Império do Brasil “em terminar com os problemas em sua fronteira sul” e assegurar “os interesses políticos e econômicos do país na região do Prata”. 10. Apesar das leis ligadas ao fim do tráfico de escravos aprovadas ao longo do século XIX, alguns elementos contribuíram para o comércio ilegal de africanos para o Brasil, tais como, o lucro com o tráfico de escravos, a necessidade de mão de obra na lavoura cafeeira, a arrecadação de mercadorias necessárias para trocar pelos africanos, entre outros fatores. Bantus e Sudaneses oriundos da África Centro-Ocidental eram deslocados para o Brasil graças a atuação de mercadores e chefes políticos. Os principais portos no Brasil estavam localizados Sudeste, como o porto do Valongo no Rio de Janeiro. Na África os principais portos foram Luanda, Ambriz, Benguela, Cabinda, entre outros. E.O. Enem 1. A 2. B 3. C 4. D E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. A 2. D 3. D 4. D 5. C E.O. UERJ Exame Discursivo 1. A condição de vida dos escravos era muito precária, comprometendo a saúde, com escassez de alimentos e intensa jornada de trabalho. Mesmo com a independência do Brasil e a Constituição de 1824, os negros permaneceram na condição de escravos, sem acesso à cidadania e exercendo as mais diversas atividades econômicas. Em 1850, com a aprovação da Lei Eusébio de Queirós, o comércio intercontinental de escravos foi proibido ocorrendo, a partir desta data, um comércio interprovincial de escravos em geral saindo do Nordeste brasileiro (que estava em crise econômica) para o Sudeste em função da expansão da lavoura cafeeira. 2. Atividade econômica: cafeicultura. Uma das razões: • expansão da cafeicultura no Sudeste; • crise do modelo dos engenhos centrais; • declínio da atividade açucareira nos engenhos; • aumento do preço do escravo após o fim do tráfico Atlântico; • tráfico interno de mão de obra escrava para o sudeste cafeeiro.
130VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. C 2. B 3. C 4. E 5. E 6. A 7. B 8. A E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. • Semelhanças: Entre outros, o latifúndio, a monocultura visando o mercado externo. • Diferenças: Entre outros: em São Paulo surgiu uma elite que podemos denominar de “burguesia cafeeira paulista” com mentalidade empresarial e empreendedora vinculada ao capitalismo internacional (bem diferente da elite tradicional do nordeste colonial). No nordeste colonial prevaleceu a utilização do trabalho escravo africano enquanto em São Paulo ocorreu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre com a chegada dos imigrantes. 2. • A gravura destaca a contradição do soldado negro, ex-escravo, libertado para participar da Guerra do Paraguai que, ao voltar, se depara com a mesma realidade, marcada pela manutenção do cativeiro para a maioria. • A Guerra contribuiu de diversas maneiras com o movimento abolicionista, não apenas por levantar a óbvia questão do heroísmo de todos, inclusive dos escravos que participaram, mas fortaleceu no interior do exército a ideologia liberal, influenciada pelo positivismo, ajudada ainda pelo contato com soldados argentinos e uruguaios, países nos quais não mais havia escravidão. 3. a) O quadro da esquerda, pintado por um brasileiro, retrata uma das mais importantes batalhas da guerra (Batalha do Riachuelo), na qual o exército brasileiro se faz vencedor. Tal obra exalta o exército como uma força superior (navios brasileiros X homens inimigos), que iria acabar definitivamente com o conflito e marcar a hegemonia brasileira na região. Já o quadro da direita, pintado por um uruguaio, representa a situação de destruição e miséria na qual se encontram as localidades marcadas pela guerra (mais especificamente, áreas paraguaias). Vale ainda a ressalva de que esta obra retrata uma mulher solitária em meio à destruição e morte, situação que marcou o Paraguai após o fim do conflito devido ao alto índice de mortandade masculina. b) A Guerra da Cisplatina (Brasil x Argentina), entre 1825 e 1828, que resultou na Independência do Uruguai. A região havia sido anexada por D. João VI e a população local, assim como os argentinos nunca aceitaram tal situação. Apesar do desejo argentino de controlar a região, a guerra garantia a independência e a origem de um novo Estado, o Uruguai. Podemos citar ainda a Guerra contra Oribe e Aguirre, líderes blancos uruguaios contrários à influência do Brasil na sua nação; e a Guerra contra Rosas, líder argentino que buscava anexar o Uruguai e ameaçava o domínio brasileiro na região. 4. a) A ilustração refere-se à contradição existente entre a continuidade da escravidão e a participação dos escravos em defesa da pátria na Guerra do Paraguai. b) A Guerra do Paraguai contribuiu para o declínio do Império por contribuir para a promoção dos ideais abolicionistas e republicanos no Brasil. Acrescenta-se ainda que o fortalecimento do Exército Brasileiro em decorrência da guerra, levou vários oficiais a se envolver na vida política aderindo ao republicanismo. 5. Fica claro que, para Bento, os escravos são propriedades, fazendo parte do patrimônio familiar. O texto também deixa claro que os escravos são de origem africana e trabalham em 4 frentes: (1) lavoura/roça, (2) casa (escravos domésticos), (3) atividades urbanas remuneradas (escravos de ganho) e (4) cedidos a terceiros mediante pagamento (escravos de aluguel). 6. O gráfico destaca a queda acentuada nos números da população escrava no Brasil ao longo do século XIX, em contraste com o crescimento também rápido da população livre. Esta população cresceu não apenas pela incorporação daqueles que deixaram a escravidão, como também pela adição de grandes contingentes de imigrantes que chegavam ao país. Com a aprovação da lei Eusébio de Queirós (1850), que punha fim ao tráfico de escravos nos portos brasileiros, o preço dos escravos nos mercados teve aumento significativo, tornando a mão de obra escrava cada vez mais custosa. A participação de soldados negros na Guerra do Paraguai (1864-1870) contribuiu para aumentar o tom dos protestos contra a exploração e imoralidade associadas à manutenção da escravidão, levando a aristocracia a aprovar novas leis para promover uma transição lenta para o trabalho livre, tais como a Lei do Ventre Livre (1871) e a dos Sexagenários (1885). Desse modo, o gráfico apresenta um processo que se iniciou em 1850 e que foi se acentuando diante do contexto de mudança da própria sociedade brasileira. 7. a) Porque os primeiros imigrantes vindos para o Brasil esperavam encontrar aqui uma vida de boas oportunidades e bem melhor do que a que enfrentavam nos seus países de origem, pois eram seduzidos por falsas propagandas. Quando aqui chegavam, eram em sua maioria, sujeitos à exploração e desmandos de latifundiários que preservavam uma mentalidade escravocrata. b) Em decorrência da demanda por mão de obra na lavoura cafeeira em processo de expansão e da publicação da Lei Eusébio de Queirós que proibia o trafico negreiro africano para o Brasil, ambos em meados do século XIX, os imigrantes vieram atender a essa demanda sendo fundamentais para a implementação do trabalho livre em substituição ao escravismo e a consequente modernização das relações de trabalho. Mais tarde, também foram fundamentais no processo de industrialização sendo muitos na condição de empreendedores e a maioria como operários.
131VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (Acafe) Acerca da Monarquia e da República na construção do Estado brasileiro é correto afirmar, exceto: a) A República brasileira passou por diversas fases. Na chamada 1ª República, apesar do discurso de mudança em relação ao período monárquico, permaneceram muitas formas autoritárias de poder como, por exemplo, a estrutura oligárquica. b) A Monarquia brasileira manteve a escravidão e teve sério atrito com a Grã-Bretanha, quando essa última tentou acabar com o tráfico de escravos no século XIX. c) A transição da Monarquia para a República envolveu um conflito grave entre a aristocracia agrária do nordeste e do sudeste contra os movimentos modernizadores centrados no exército e na burguesia industrial de São Paulo. d) Em 1993 houve um plebiscito no Brasil que contrapôs Monarquia e República. A República foi vitoriosa e manteve-se como a forma de governo no país. 2. (UEPB) “Em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel, que ocupava a regência do trono na ausência do pai, que estava fora do país, assinou a Lei Áurea, que acabava com a escravidão do país.” (Jose A. de Freitas Neto e Célio Ricardo Tasinafo. História Geral e do Brasil. SP. Editora HABRA, 2006) Assinale a alternativa correta. a) O processo de erradicação de trabalho escravo no Brasil foi resultado de uma concessão dos brancos aos cativos, gerando condições para que estes fossem integrados à sociedade urbana. b) Com a abolição, o contingente de escravos que migraram para a cidade foi significativo. Sem qualificação profissional, engrossaram as fileiras daqueles que viviam de biscates e venda ambulante. c) Os negros livres, pardos e mulatos aceitaram a exclusão e viveram pacificamente, sem causar tumultos nas ruas das cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. d) Mesmo sendo proprietários de uma extensa escravaria, fazendeiros do Nordeste e do Vale do Paraíba admitiram a abolição e foram os principais abolicionistas. e) A Lei dos Sexagenários, promulgada em 1885, beneficiou efetivamente os escravos de 65 anos de idade ou mais, pois garantia a liberdade para todos e um auxílio alimentação para que pudessem viver sem precisar de abrigo dos senhores. 3. (Mackenzie) “A partir de hoje, 15 de novembro de 1889, o Brasil entra em nova fase, pois pode-se considerar finda a Monarquia, passando o regime francamente democrático com todas as consequências da Liberdade” Assim se referiu a manchete do jornal carioca Gazeta da Tarde, anunciando a Proclamação da República no Brasil. Pode-se dizer que tal ato: a) reforçou as posições conservadoras dos positivistas brasileiros, o que facilitou a ascensão do exército, como liderança do movimento, e auxiliou na decretação de um Estado em bases religiosas e federalistas. b) resultou da conjugação de variados fatores, destacando as insatisfações de grupos militares, camadas médias urbanas e setores latifundiários com os rumos políticos e sociais do Império no Brasil. c) colocou fim à longa crise do Segundo Reinado, contribuindo para a emergência do populismo enquanto prática política manipuladora, voltada para a satisfação dos anseios de camadas trabalhadoras urbanas. d) rompeu com a legalidade da sucessão ao trono, uma vez que impediu a ascensão da princesa Isabel, como governante, causando, por sua vez, revoltas populares por todo o país. e) corroborou a busca pela modernização política do Brasil e mostrou-se decisivo para a elaboração de políticas governamentais de inserção dos ex-escravos no mercado de trabalho livre. 4. (Uepa) Homens de luta: André Rebouças (1838-1898): Filho do Conselheiro Antônio Pereira Rebouças, político e advogado mulato, e de Carolina Pinto Rebouças, nasceu na Bahia, mudou-se para a Corte e formou-se em Engenharia. Em visita aos EUA nos anos de 1870 revoltou-se com a segregação racial e mais tarde aderiu à Sociedade Brasileira Contra a Escravidão e a Confederação Abolicionista. José do Patrocínio (1854-1905): Filho do padre e dono de escravos João Carlos Monteiro e de sua escrava Justina do Espírito Santos nasceu em Campos do Goitacazes, no Rio de Janeiro. Optou pelo jornalismo, embora tenha se formado farmacêutico. Atuou em periódicos abolicionistas como a Gazeta de Notícias e Gazeta da Tarde. Em 1883 lançou o Manifesto da Confederação Abolicionista e ao lado de Joaquim Nabuco fundou a Sociedade Brasileira contra a Escravidão. Luiz Gama (1830-1882): Nasceu em Salvador, filho de um fidalgo português com uma negra Luiza Mahin. Apesar de livre, seu pai o vendeu como escravo em São Paulo. Foi escrivão, poeta, jornalista e “advogado” dos escravos, sem diploma. Tinha apenas uma provisão do CRISE DO IMPÉRIO COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4 e 5 HABILIDADE(s) 1, 7, 8, 10, 11, 13, 14, 15, 20, 21, 22, 23 e 25 CH AULAS 23 E 24
132VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias governo. Em 1881, criou a Caixa Emancipadora Luiz Gama para a compra de alforrias. Francisco de Paula Brito (1809-1861): Carioca, filho de carpinteiro, nunca foi à escola, mas tornou-se poeta, tradutor, jornalista, editor e livreiro famoso, a ponto de D. Pedro II imprimir todo o material oficial em suas oficinas. Em 1833, publica O homem de cor, considerado um dos primeiros jornais a discutir o preconceito racial. (MATTOS, Hebe Maria. “A face negra da abolição”. In: Revista História, ano 2, n.19, maio de 2005. P. 20). Os breves relatos no texto informam aspectos biográficos de homens que lutaram a favor das ideias abolicionistas, a partir dos quais se infere que: a) o fim da escravidão resultou da articulação política entre simpatizantes da ideologia americana no tocante à igualdade civil dos homens e dos ideais franceses de liberdade defendidos por jovens brancos de classe social privilegiada economicamente que eram jornalistas, bacharéis, poetas e militares conforme aponta o texto. b) as ideias abolicionistas se limitaram ao restrito círculo dos intelectuais menos populares, como o dos jornais, onde trabalhou Luiz Gama, considerado o “advogado” dos escravos e cujas ideias favoreceram a reflexão, a divulgação e o amadurecimento de estratégias de compra de escravos com o intuito de alforriá-los. c) a presença de donos de escravos como a do pai de José do Patrocínio fortaleceu a luta em favor da abolição pois, nestes casos, os laços de solidariedade entre proprietários e negros forros contribuíram para aumentar a pressão sobre o Estado, até que foi promulgada a lei Áurea. d) os jornais foram importantes veículos de comunicação dos ideais de liberdade, embora ainda estivessem sob a guarda de D. Pedro II, que encomendava o material gráfico do Império em uma das tipografias abolicionistas, retardando a publicação da Lei que garantia aos escravos os mesmos direitos dos cidadãos. e) a abolição declarada na Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, é devedora da luta de homens que, em suas vivências, expressaram suas ideias em publicações que discutiam o preconceito, como foi o caso de Francisco de Paula Brito, e que se indignavam com situações de segregação social, como foi o caso de André Rebouças. 5. (Cefet-MG) No dia 01 de janeiro de 1880, uma massa popular concentrou-se nos arredores do Largo de São Francisco, no Rio de Janeiro, protestando contra a entrada em vigor de uma taxa de 20 réis, um vintém, sobre o serviço de bondes puxados a burro. O vintém era moeda de cobre, a de menor valor da época. O delegado que comandava as tropas da polícia pediu reforços ao Exército, mas, antes que a ajuda chegasse, ordenou à polícia que dispersasse a multidão a cacetadas. A um grito de “Fora o vintém!”, os manifestantes começaram a espancar condutores, esfaquear mulas, virar bondes e arrancar os trilhos. Com a chegada do Exército, alguns mais exaltados passaram a arrancar paralelepípedos e atirá-los contra os soldados. Um deles atingiu o comandante da tropa. O oficial descontrolou-se e ordenou fogo contra a multidão. As estatísticas de mortos e feridos são imprecisas. Falou-se em 15 a 20 feridos e em três a dez mortos. A multidão dispersou-se e, salvo pequenos distúrbios nos três dias seguintes, o motim do vintém havia terminado. A cobrança da taxa passou a ser quase aleatória. As próprias companhias de bondes pediam ao governo que a revogasse. Desmoralizado, o ministério caiu a 28 de março. O novo ministério revogou o desastrado tributo. CARVALHO, José Murilo de. A guerra do vintém. Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br> Acesso em: 31 jul. 2013 (Adaptado). A eclosão da chamada Guerra do Vintém, descrita no texto acima, está relacionada com a(o): a) descaso dos cidadãos cariocas com a conservação das vias públicas. b) aversão da população contra o monopólio português do comércio varejista. c) hostilidade do povo com o recrutamento forçado para as tropas nacionais. d) desilusão dos moradores com a atuação das forças armadas brasileiras. e) descontentamento de segmentos sociais com a carestia do transporte urbano. 6. (Uea) Depois da abolição os libertos foram esquecidos. [...] O governo republicano que tomou o poder em 1889 excluiu os analfabetos do direito de voto, eliminando a maioria dos ex-escravos do eleitorado. Poucos foram os abolicionistas que, como o engenheiro negro André Rebouças, continuaram a afirmar que a tarefa deles ainda estava incompleta. Com esse fim em vista, Rebouças propôs uma reforma agrária que poria fim ao latifúndio [...]. A proposta encontrou e encontra, até hoje, feroz oposição dos grandes proprietários de terra. (COSTA, Emília Viotti da. A abolição, 2008.) O excerto refere-se às razões históricas de exclusão social de setores substanciais da população brasileira, que se estende, de certa forma, até os diais atuais. De acordo com a autora, os motivos essenciais da exclusão foram: a) a dedicação das camadas populares à cultura do samba e do futebol e a rápida urbanização do país. b) de ordem política e econômica, pois sustentada pela democratização incompleta e pela marginalidade econômica. c) o forte aparato policial de repressão do povo brasileiro e a ausência de liberdade de imprensa. d) de natureza ideológica, considerando que os ex-escravos julgavam-se incapazes para o trabalho industrial. e) a ampla consciência política do povo brasileiro e o fim do coronelismo no campo. 7. (Unifor) Acontecimentos importantes marcaram a História do Brasil na segunda metade do século XIX, dentre eles pode-se destacar imigração, a abolição da escravidão e a Proclamação da República. Sobre estes acontecimentos assinale a alternativa CORRETA:
133VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias a) A imigração não foi importante para a generalização do trabalho assalariado, pois os colonos viviam praticamente como escravos. b) A República proclamada em 15 de Novembro de 1889 introduziu um amplo programa de adaptação do escravo liberto à vida na sociedade brasileira. c) A Proclamação da República visava, dentro outros objetivos, descentralizar o poder político, facilitando a ação dos estados em favor das economias locais. d) A imigração desenvolveu largamente as formas de trabalho assalariado dinamizando a industrialização do Nordeste do Brasil. e) A indústria brasileira desenvolveu-se no período, basicamente direcionada à exportação, dado o pouco dinamismo do mercado interno. 8. (Udesc) A Lei do Ventre Livre foi uma lei abolicionista, promulgada, no Brasil, em 28 de setembro de 1871. Sobre a Lei do Ventre Livre, assinale a alternativa correta. a) Foi promulgada pelo Imperador Pedro II e concedia liberdade a todas as crianças e às respectivas mães que viviam sob a escravidão no território brasileiro. b) Essa lei encontrou forte resistência entre os senhores, visto que não previa indenização pelo fim da escravidão das crianças nascidas a partir da publicação da lei. c) Instituía a liberdade de todas as crianças nascidas a partir da publicação da lei, mas deixava a possibilidade dessas crianças permanecerem sob “os cuidados” do antigo proprietário até a idade de 21 anos. d) Como a lei libertava a criança, mas não libertava os pais, assim que nasciam essas crianças eram retiradas do convívio com os pais escravizados e eram destinadas a um abrigo mantido pelo Estado. e) De acordo com a lei, os senhores tinham a opção de manter as crianças libertas junto aos pais escravizados até a maioridade, mas os senhores não podiam usufruir da mão de obra delas. 9. (UCS) Sobre o Movimento Republicano no Brasil, é correto afirmar que: a) foi acompanhado de forte mobilização popular, uma vez que grande parte dos brasileiros estava cansada do pagamento de pesados impostos para a manutenção da Corte Imperial. b) aconteceu de forma integrada à campanha abolicionista, uma vez que os líderes tinham os mesmos interesses, o que acabou confundindo um movimento com o outro e propiciando o fortalecimento de ambos. c) ganhou força a partir da criação do Partido Republicano Paulista, em 1873, apoiado no poder econômico dos cafeicultores paulistas e na ação dos estudantes e professores da Faculdade de Direito de São Paulo. d) temeu a ocorrência de tumultos e, consequentemente, prejuízos econômicos, por isso, as camadas médias da população urbana se mantiveram afastadas. e) sofreu com prisões, fechamento de jornais, sedes de clubes e de partidos favoráveis à Monarquia. 10. (FGV) Durante muito tempo, o fim da escravidão no Brasil foi visto como uma concessão generosa da princesa Izabel, em 1888. Atualmente, os historiadores reconhecem o papel das lutas dos escravos pela liberdade, bem como dos diversos movimentos abolicionistas brasileiros. Foram líderes abolicionistas negros: a) o advogado Joaquim Nabuco, o médico Nina Rodrigues e o engenheiro André Rebouças. b) o fazendeiro Nicolau de Campos Vergueiro, o engenheiro Francisco Pereira Passos e o jornalista José do Patrocínio. c) o médico Nina Rodrigues, o fazendeiro Nicolau de Campos Vergueiro e o advogado Luís Gama. d) o engenheiro Francisco Pereira Passos, o advogado Rui Barbosa e o médico Nina Rodrigues. e) o advogado Luís Gama, o engenheiro André Rebouças e o jornalista José do Patrocínio. E.O. Fixação 1. (PUC-RS) Considere as afirmações abaixo sobre a Proclamação da República no Brasil, em 1889. I. Teve, como uma das suas principais causas, a abolição da escravidão, em 1888, pois essa medida levou a oligarquia cafeeira e escravocrata carioca, uma das bases de apoio do Imperador, a se sentir traída pela monarquia e abandonar o regime imperial. II. Resultou em profundas alterações estruturais no Brasil, na medida em que a queda da monarquia acarretou a perda de poder da oligarquia cafeeira, que foi alijada do sistema político, em favor da ascensão das classes médias urbanas. III. Teve, como um dos seus principais agentes, o exército brasileiro, que, desde a Guerra do Paraguai, desejava ampliar o seu papel político no Império, o que não era permitido pelo Imperador. IV. Atendeu aos interesses das camadas mais humildes da população brasileira, tendo em vista a impopularidade do Imperador e a tendência de o regime republicano permitir a participação popular no sistema eleitoral recém-implantado. Estão corretas as afirmativas: a) I e II, apenas. b) II e III, apenas. c) I e III, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 2. (Mackenzie) “Apareceu a 1º do corrente [janeiro de 1888] em Piracicaba o primeiro número de uma folha trissemanal intitulada O Lavrador Paulista, e consagrada aos (...) interesses negreiros das fazendas” [interesses dos grandes proprietários de escravos] Diário Popular (jornal de São Paulo), 03/01/1888 “O órgão escravocrata que sob este título [O Lavrador Paulista] apareceu em Piracicaba, deu três números e morreu. O povo não esteve para sustentar folhas de semelhante jaez” [espécie/qualidade/laia] Diário Popular (jornal de São Paulo), 10/01/1888
134VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Considerando o contexto histórico em que as notícias acima foram divulgadas, assinale a alternativa que apresente uma explicação satisfatória para a falta de apoio popular ao O Lavrador Paulista. a) No momento em que o jornal foi publicado, a população não tinha aderido ao abolicionismo, portanto a principal causa de sua extinção foi o desinteresse popular pelos destinos reservados aos negros após a Lei Áurea, assinada naquele contexto. b) Era consenso, naquele momento, que a abolição fosse uma questão de tempo, por isso a população não deu atenção ao jornal que defendia os interesses escravistas da burguesia cafeeira do Oeste paulista e sua indenização, caso a Lei Áurea fosse assinada. c) O interesse escravista, predominante naquele momento, tentou influenciar as populações rurais de São Paulo a não aderirem ao abolicionismo, daí a necessidade de fundação de um jornal naquele sentido, apesar de sua extinção alguns dias depois. d) O abolicionismo, predominante na sociedade brasileira da época contava com a adesão de diversos sujeitos sociais – camadas médias urbanas, intelectuais, políticos, jornalistas dentre outros – assim como a ação efetiva dos negros na luta pelo fim da escravidão. e) É preciso levar em consideração, na análise, a situação financeira do município citado – Piracicaba – uma vez que, afastado dos grandes centros produtores de café, não foi possível aos seus cidadãos o financiamento do jornal citado. 3. (ESPM) Caifazes foi o nome adotado pelos seguidores de Antonio Bento. O jornal A Redenção, publicado durante os anos de 1887 e 1888, era a face mais visível e conhecida do movimento que sempre manteve um caráter secreto e conspiratório, apesar de penetrar nas diversas esferas da sociedade paulista. (Ronaldo Vainfas – direção. Dicionário do Brasil Imperial) Os caifazes, citados no texto, devem ser relacionados com o seguinte fato ocorrido no Brasil Imperial: a) Movimento Republicano. b) Movimento Abolicionista. c) Movimento Constitucionalista. d) Movimento Federalista. e) Movimento Parlamentarista. 4. (Uespi) Em várias obras historiográficas, D. Pedro II é representado como tendo sido um mecenas, protetor das artes e da cultura, e, o seu longo reinado, como um período de paz social. A propósito, analise as seguintes proposições. 1. O imperador estimulava a produção de obras artísticas e literárias que possibilitassem ao povo brasileiro identificar-se como Nação. 2. O imperador rejeitava qualquer manifestação artística ou cultural que seguisse padrões europeus. 3. O imperador chegou a presenciar a consolidação da economia cafeeira e incentivou o desenvolvimento urbano. 4. O imperador, excetuando-se a Guerra do Paraguai, não enfrentou conflitos ou rebeliões locais. 5. O imperador envolveu-se em questões diplomáticas com a Inglaterra, com a Igreja e com os Militares. Estão corretas apenas: a) 1, 2 e 3. b) 2, 3 e 4. c) 3, 4 e 5. d) 1, 3 e 5. e) 1, 2 e 4. 5. (Upe) Analise a charge a seguir. A charge de Bordallo Pinheiro, publicada em 1875, mostra o imperador D. Pedro II sendo castigado pelo Papa em clara alusão à chamada questão religiosa. Sobre esse episódio do final do regime monárquico no Brasil, é correto afirmar que: a) a tensão entre Estado e Igreja não contribuiu para a crise da monarquia no Brasil. b) a origem da questão foi a não determinação de expulsão de maçons das irmandades religiosas por D. Pedro II, descumprindo determinação papal. c) apesar da opinião pública contrária, o imperador manteve na prisão, até o cumprimento total da pena, os dois bispos por não acatarem suas determinações. d) na província de Pernambuco, as determinações de D. Pedro II foram postas em prática pelo bispo de Olinda. e) após o incidente, a Igreja passou a condenar oficialmente a prática da escravidão negra no Brasil. 6. (Uespi) Vez por outra, nos defrontamos com notícias sobre a escravização de trabalhadores/as em diversas regiões do Brasil, prática coibida pelo Direito e pela Justiça. Mas nem sempre foi assim. A escravidão como sistema de trabalho legal no Brasil apenas extinguiu- -se em 1888, pela promulgação da Lei Áurea, embora o processo de libertação dos escravos tenha sido também pontuado por outras leis, como: a) a Lei do Ventre Livre, de 1871, que libertava os filhos de escravos nascidos no Brasil a partir daquela data, e pela qual se obrigava também o proprietário a sustentá-los até os oitos anos de idade. b) a Lei dos Sexagenários, que obrigava os proprietários a libertar, de imediato, aqueles escravos que tivessem sessenta ou mais anos de idade, recebendo, para tanto, uma indenização. c) a Lei Saraiva Cotegipe, que extinguia o tráfico negreiro, tanto ao nível internacional como entre as províncias brasileiras, favorecendo a contratação de trabalhadores livres.
135VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias d) a Lei de Terras, de 1850, pela qual o governo imperial distribuiu entre ex-escravos lotes de terras devolutas para o cultivo do café na região do Parnaíba do Sul. e) a Lei Eusébio de Queirós, que obrigava os proprietários a prover o sustento dos seus ex-escravos maiores de sessenta e cinco anos. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Há no Romantismo nacional uma expressão evidente do culto da nacionalidade, o qual, tomado num sentido mais amplo, se manifesta também em lutas pela afirmação da liberdade política e determina a exaltação de valores e tradições. Esse sentimento é tomado também nos seus aspectos sociais, sob o apanágio dos direitos do homem livre, razão de ser do movimento abolicionista e matéria para o romance, para o teatro e para a poesia da época. (Adaptado de: CANDIDO, Antonio e CASTELLO, José Aderaldo. Presença da Literatura Brasileira I. Das origens ao Romantismo. São Paulo: DIFE, 1974, p. 207-208) 7. (Puccamp) O texto de Antonio Candido e José Aderaldo Castello faz referência à razão de ser do movimento abolicionista. Sobre este movimento é correto afirmar que: a) se estruturou a partir dos centros urbanos e encontrou apoio no nordeste, onde o contingente de escravos estava declinando desde o século XVIII. b) agravou, com o comércio interno de escravos, a situação econômica do norte/nordeste, mas resolveu o problema de mão de obra do sul. c) alterou as formas de produção agrícola no norte e nordeste ao estimular o tráfico interno entre as províncias do sudeste durante o século XIX d) aproximou-se ideologicamente de movimentos de insurreição de escravos que aconteciam nas colônias europeias no norte da África e na Ásia. e) provocou a diminuição de importação de escravos e reduziu o abastecimento de mão de obra escrava para o setor cafeeiro, durante o século XIX. 8. (UPE) Sobre a produção cultural no Brasil do século XIX, assinale a alternativa CORRETA. a) O auge da produção cultural, especialmente literária no Brasil oitocentista, se deu ainda no Primeiro Reinado, sob o mecenato de D. Pedro I. b) A obra de Machado de Assis consolidou o Romantismo no Brasil, sob forte influência do escritor francês Victor Hugo. c) José de Alencar produziu uma literatura extremamente crítica, voltando sua pena contra a sociedade e o governo do Brasil do Segundo Reinado. d) A obra de Carlos Gomes, especialmente sua produção operística, teve amplo sucesso popular no Brasil. e) Raul Pompeia, autor de convicções republicanas e abolicionistas, escreve uma metáfora sobre a crise do Império no seu romance O Ateneu, publicado em 1888. 9. (Ufpr) Se, durante décadas, o dia 13 de maio foi comemorado como a data da abolição da escravidão, recentemente o dia 20 de novembro foi instituído no Brasil como o Dia da Consciência Negra. Sobre os sentidos dessas duas datas, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: ( ) O 13 de maio simboliza uma libertação conquistada pelos escravos e pelos abolicionistas junto ao Império, que instituiu políticas de reparação aos ex-escravos e aos seus descendentes. ( ) O 20 de novembro tem se firmado como uma data que relembra a resistência escrava, pois a abolição da escravidão não ocorreu sem a luta de parte dos escravos, seja de forma coletiva organizada (quilombos), seja de forma individual (suicídio, fuga, abandono do trabalho). ( ) O 13 de maio foi resultado tanto da resistência dos escravos quanto da atuação dos abolicionistas, porém a abolição da escravidão foi um processo lento que seguiu a situação e as vontades política e econômica das elites. ( ) A razão pela demora em se estabelecer o 20 de novembro como uma data comemorativa deveu-se à escassez de indícios que confirmassem a luta política dos abolicionistas, visto que Rui Barbosa, então ministro da Fazenda do início da República, incinerou os documentos que comprovavam essas ações. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. a) F – V – F – V. b) F – F – V – V. c) F – V – V – F. d) V – F – V – V. e) V – V – F – F. 10. (Uepb) Assinale a única alternativa INCORRETA: a) Com a abolição da escravidão nos Estados Unidos, em 1865, D. Pedro II adotou um discurso abolicionista. Em 1867, ele fez seus conselheiros elaborarem um projeto que tratava da libertação dos filhos de escravos e de um fundo que custearia a compra da liberdade dos escravos. b) A abolição da escravidão foi um processo que durou quase todo o século XIX. A elite escravocrata se adaptou lentamente à ideia de que lucraria mais e melhor se pagasse um salário àqueles que labutavam em suas plantações ao invés de obrigá-los a trabalhar com base no açoite. c) A partir de 1860, se discutia a escravidão no Brasil, mas não para aboli-la e sim para humanizá-la”. Em 1865, o governo imperial decretou que os escravos condenados a trabalhos forçados não poderiam ser chicoteados. Em 1866, declarou extinto o emprego de escravos em obras públicas. d) Mesmo com as ações em prol da abolição do século XIX e com a libertação dos escravos em 1888, a escravidão só acabou de fato em 1915, quando o governo brasileiro precisou montar um exército para enviar para lutar naquela que ficou conhecida como Primeira Guerra Mundial. e) O governo de D. Pedro II foi paulatinamente acabando com a escravidão. Em 1869, editou uma lei que proibia o leilão público de escravos. Proibiu, ainda, que um casal de escravos fosse separado após uma operação de compra e venda.
136VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Complementar 1. (Cesgranrio) A Proclamação da República, em 1889, está ligada a um conjunto de transformações econômicas, sociais e políticas ocorridas no Brasil, a partir de 1870, dentre as quais se inclui: a) a universalização do voto com a reforma eleitoral de 1881, efetivada pelo Partido Liberal. b) o desenvolvimento industrial do Rio de Janeiro e de São Paulo, criando uma classe operária combativa. c) a progressiva substituição do trabalho escravo, culminando com a Abolição em 1888. d) a concessão de autonomia provincial, que enfraqueceu o governo imperial. e) o enfraquecimento do Exército, após as dificuldades e os insucessos durante a Guerra do Paraguai. 2. (FGV) Chiquinha Gonzaga alinha-se a outras figuras femininas do Império (...) como a Imperatriz Leopoldina e Anita Garibaldi. Todas as três, embora de diferentes maneiras, de diferente proveniência social e, em diferentes épocas, desempenharam um papel político que, certamente, contribuiu para as mudanças por elas defendidas e as inscreveu na História do Brasil. (Suely Robles Reis de Queiroz, Política e cultura no império brasileiro. 2010) Em termos políticos, a Imperatriz Leopoldina, Anita Garibaldi e Chiquinha Gonzaga, respectivamente: a) atuou, ao lado de Dom Pedro e de José Bonifácio, no processo de emancipação política do Brasil; participou da mais longa rebelião regencial, a Farroupilha; militou pela abolição da escravatura e pela queda da Monarquia. b) articulou a bancada constitucional brasileira na Assembleia Constituinte; organizou as forças populares participantes da rebelião regencial ocorrida no Grão- -Pará, a Cabanagem; foi a primeira mulher brasileira a se eleger para o Senado durante o Império. c) convenceu Dom Pedro I a assumir o trono português após a morte do rei Dom João VI; defendeu a ampliação dos direitos de cidadania durante a reforma constitucional que instituiu o Ato Adicional; liderou uma frente parlamentar de apoio às leis abolicionistas. d) participou como diplomata do Império brasileiro na Guerra da Cisplatina; foi a primeira mulher a trabalhar como jornalista e romancista durante o Segundo Reinado; tornou-se uma importante liderança política na defesa do fim do tráfico de escravos para as Américas. e) articulou com os diplomatas ingleses o reconhecimento da Independência do Brasil junto a Portugal; foi uma importante liderança militar no processo de Guerra de Independência da Bahia; criou a primeira associação política em defesa do voto feminino no Brasil. 3. (Upf) Convencidos de que a escravidão estava destinada a desaparecer, da mesma maneira que os americanos da época estavam convencidos da inevitabilidade da democracia (uma convicção nunca compartilhada pelos brasileiros), os latifundiários brasileiros decidiram preparar-se para o inevitável. (DA COSTA, Emília Viotti. Da Monarquia à República. Momentos decisivos. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 245.) Assinale a alternativa que apresenta corretamente elementos relativos à conjuntura de transição do trabalho escravo para o trabalho livre. a) Os fazendeiros ofereceram aos escravos leis sociais que os beneficiavam, tais como a lei do Ventre Livre e dos Sexagenários. b) O governo imperial propôs indenizar todos os fazendeiros que perderiam seus escravos com a abolição. c) O movimento abolicionista foi o principal fator na libertação dos escravos das fazendas. d) A contratação de imigrantes chineses foi a opção mais rentável e os chinos adaptaram-se muito bem aos trópicos. e) A vinda dos imigrantes europeus substituiu, ao menos momentaneamente, o braço escravo no trabalho nas fazendas de café. 4. (Uepa) Leia o texto para responder à questão. A expansão cafeeira em direção ao Oeste de São Paulo, inaugurada justamente na fase de abolição do tráfico atlântico, além de estimular os debates e políticas imigrantistas, ativou outras formas de tráfico de escravos, dessa vez entre regiões do Brasil.[...] Essa nova modalidade de tráfico negociou basicamente crioulos e, como no tráfico atlântico, nela predominaram homens adultos, sendo poucas as mulheres e menos ainda as crianças e velhos. (VAINFAS, Ronaldo (Org.). Dicionário do Brasil Imperial (1822-1889). Rio de Janeiro: Objetiva, 2002, p. 237-239.) O desenraizamento do escravo crioulo provocado pelo tráfico interno teve peso considerável para o fim da escravidão, pois: a) a separação de famílias, ou o perigo dela, gerava revoltas, fugas, formação de quilombos e atentados individuais contra senhores e feitores, sem contar os suicídios. b) o progressivo aparecimento de pequenos proprietários de escravos contribuiu para a crescente deslegitimação da propriedade escrava e o aumento das forças opositoras ao escravismo. c) os escravos de nação resistiram ao processo de ladinização, que afetava o modo de vida de africanos, desestimulando o trabalho coletivo, base das estratégias de resistência. d) o número de escravos nas áreas urbanizadas aumentou em relação ao das rurais, onde os fazendeiros rejeitaram o tráfico interprovincial e investiram na abolição. e) as Províncias onde o número de escravos era maior antes de 1850, aderiram à campanha abolicionista deflagrada pelo Império para combater o tráfico interno e estimular a imigração. 5. (UECE) Atente para as afirmações a seguir, acerca do Processo de Abolição dos Escravos no Brasil, e assinale
137VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias com V as afirmações verdadeiras e com F, as falsas. ( ) Em 1850, o Brasil foi levado a extinguir o tráfico internacional, porém, surgiu o tráfico interno com a venda de escravos das áreas mais pobres para as mais desenvolvidas. ( ) Nesse processo, algumas leis foram aprovadas com o objetivo de acalmar os abolicionistas e ir lenta e gradualmente extinguindo a escravidão, quais sejam: Lei do Ventre Livre, Lei do Sexagenário. ( ) Nesse movimento não se tem notícias de insurreições ou ações dos próprios escravos em prol da própria liberdade, em virtude da forte repressão presenciada nos últimos momentos do período escravocrata. ( ) A abolição da escravatura se deu ainda no Reinado de D. Pedro II e representou um grande avanço para a inserção do ex-escravo como cidadão na sociedade brasileira. A sequência correta, de cima para baixo, é: a) V - V - V - F. b) V - V - F - F. c) F - V - F - V. d) F - F - F - V. E.O. Dissertativo 1. (UnB) Leia o texto a seguir. O ano de 1870 é um marco na história do império. No primeiro dia de março, a morte de Solano López em batalha satisfaz a vontade de Pedro II e encerra a sangria material, humana e moral da longa guerra contra o Paraguai. Vitoriosa nos campos de batalha, a monarquia, na Era dos impérios, está exangue. Doravante, defrontar-se-á com questões, tendências, forças sociais, políticas e ideológicas que, avolumando-se, precipitarão o 15 de novembro de 1889. Keila Grinberg e Ricardo Salles (Orgs.). O Brasil imperial (volume III:1870-1889). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009, p. 11. Considerando o fragmento de texto acima como referência inicial, indique os principais acontecimentos que levaram ao colapso final do regime monárquico brasileiro e à implantação da República. 2. (UFF) “A centralização, tal qual existe, representa o despotismo, dá força ao poder pessoal que avassala, estraga e corrompe os caracteres, perverte e anarquiza os espíritos, comprime a liberdade, constrange o cidadão, subordina o direito de todos ao arbítrio de um só poder, nulifica de fato a soberania nacional, mata o estímulo do progresso local, suga a riqueza peculiar das províncias, constituindo-as satélites obrigados do grande atraso da Corte – centro absorvente e compressor que tudo corrompe e tudo concentra em si – na ordem moral e política, como na ordem econômica e administrativa.” (Manifesto Republicano. A República. Rio de Janeiro, 3-12-1870). Com base no trecho extraído do Manifesto Republicano, analise a correlação de forças políticas que deu origem ao Partido Republicano no Brasil em 1870. 3. (UFRJ) – QUEIRA PERDOAR, MAS... COM AQUELLE NEGRINHO NÃO PODE ENTRAR. – MAS É QUE EU NÃO POSSO SEPARAR-ME DELLE: É QUEM ME VESTE, QUEM ME DÁ DE COMER, QUEM... ME SERVE EM TUDO, AFINAL! – É QUE... ENFIM, EM ATTENÇÃO ÁS ILLUSTRES QUALIDADES PESSOAES DE TAO SABIO SOBERANO, CREIO QUE AS NAÇÕES CIVILIZADAS NÃO DUVIDARÃO EM ADMITI-LO. LEMOS, Renato. Uma História do Brasil através da caricatura, 1840-2001. Rio de Janeiro: Bom Texto e Letra & Expressões Editoras, 2001, p. 13) Explique de que maneira a charge acima, de autoria de Angelo Agostini, expressa uma das ambiguidades presentes na sociedade brasileira do Segundo Reinado (1840-1889) em relação à Escravidão. 4. (PUC-RJ) A capa da “Revista Ilustrada” do ano de 1880 apresenta a ilustração de Ângelo Agostini intitulada “Emancipação uma nuvem que não para de crescer”. a) Explique por que a “nuvem da emancipação” não parava de crescer naquela conjuntura. b) Com base na ilustração e nos seus conhecimentos, identifique dois argumentos utilizados por uma parcela dos proprietários de escravos para se oporem ao crescimento da “nuvem da emancipação”.
138VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 5. (UFRJ) A centralização, tal qual existe, comprime a liberdade, constrange o cidadão, subordina o direito de todos ao arbítrio de um só poder, nulifica de fato a soberania nacional, mata o estímulo de progresso local. O regime de federação, [ao contrário, está] baseado na independência recíproca das províncias, e é aquele que adotamos no nosso programa, como sendo o único capaz de manter a comunhão da família brasileira. Fonte: Adaptado de PESSOA, Reinaldo Carneiro. “A ideia republicana no Brasil através de documentos”. São Paulo, Editora Alfa-Omega, 1976, p.39. O trecho apresentado, adaptado do Manifesto Republicano de 1870, representou um marco na história do Segundo Reinado (1840-1889), na medida em que apontava para o início de uma mobilização que mais tarde contribuiu para a queda da monarquia. a) Identifique a instituição da estrutura de poder da monarquia brasileira à qual se destinava a crítica contida no Manifesto. b) Explique a proposta de reorganização do Estado presente no trecho do Manifesto Republicano. 6. (UFG) Analise a charge apresentada a seguir. O Rei, nosso Senhor e amo, dorme o sono da... indiferença. Os jornais que divinamente trazem os desmandos desta Instituição parecem produzir no Senhor Rei o efeito de um narcótico. Bem-aventurado Senhor! Pra vós o reino do Céu e para o nosso povo... o do inferno! AGOSTINI, Ângelo. Revista Ilustrada, Rio de Janeiro, 1887. Disponível em: <www.opapeldaarte.com.br/844/>. Acesso em: 12 mar. 2012. Na charge, explora-se a relação entre os acontecimentos políticos no final do Império e a imagem do Imperador. Considerando-se esta informação, a) identifique um elemento pictórico presente na charge, explicando por que ele se refere à crise dos últimos anos do Império. b) Explique um evento político que marcou a crise do Império, na década de 1880. 7. (UFG) Era um sonho dantesco... O tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho, Em sangue a se banhar, Tinir de ferros... estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar... (ALVES, Castro. O navio negreiro. “Canto da esperança”. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990. p.127.) O poema “O navio negreiro” (1868), ao descrever as condições desumanas do tráfico de escravos, transformou- -se em símbolo da campanha abolicionista na década de 1870. No entanto, deve-se ressaltar que o marco de mudança das relações escravistas ocorreu em 1850, com a Lei Eusébio de Queiroz. Fazem parte dessas modificações, além da abolição do tráfico de escravos, o impulso à imigração, um incipiente surto industrial, a modernização e o crescimento das cidades. Sobre esse contexto, a) descreva a atuação da Inglaterra na extinção do tráfico de escravos da África para o Brasil. b) estabeleça a relação entre a extinção do tráfico de escravos africanos para o Brasil e o início da industrialização brasileira. 8. (UFRJ) População livre segundo a profissão, Província de São Paulo - 1872 Profissão Brasileiros Estrangeiros n° % n° % Profissionais liberais 3.331 0,5 265 1,6 Artistas 4.118 0,6 323 1,9 Capitalistas proprietários 1.898 0,3 192 1,2 Manufatureiros e fabricantes 1.334 0,2 291 1,8 Comerciantes, guardalivros e caixeiros 7.846 1,2 1.909 11,5 Profissões manufatureiras e mecânicas 46.611 7,0 2.653 16,0 Profissões agrícolas 232.965 35,1 4.973 30,0 Criados e jornaleiros 24.570 3,7 1.815 11,0 Serviços domésticos 83.383 12,5 1.861 11,2 Outras profissões 1.790 0,3 101 0,6 Sem profissão 256.329 38,6 2.184 13,2 TOTAL 664.175 100,0 16.567 100,0 Fonte: Adaptado do Atlas da Imigração internacional em São Paulo 1850-1950. BASSANEZI, SCOTT, BACELLAR e TRUZZI. São Paulo: Editora UNESP, 2008, p. 36 Na virada do século XIX para o XX, o Brasil recebeu um imenso contingente de populações da Europa e, em menor número, da Ásia, e boa parte deste contingente se estabeleceu na região paulista. No censo de 1872, a presença de estrangeiros já se manifesta, ainda que com números bem mais modestos do que se verá posteriormente. De todo modo, nesse censo já há indicações das transformações que se anunciam, como é o caso daquelas ocorridas no mercado de trabalho (conforme a tabela acima).
139VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias a) Com base na tabela, compare a forma de inserção dos imigrantes e dos brasileiros no mercado de trabalho paulista daquele momento. b) Diferencie as políticas imigratórias adotadas pelo Segundo Império (1840-1889) para o sul e para o sudeste do Brasil. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO “Vizinhos! - É Olécia que está escrevendo Saúde boa e bem vai se vivendo. Faz sete meses que silenciamos No fim de tal destino já acampamos. Vivemos em florestas, em cabanas, E imensamente estamos trabalhando. Vivemos juntos, não nos separaram, da vila quinze léguas nos distaram. Na mata, sob montanhas....Não chiamos: Não há estradas, trilhas palmilhamos. Brasil! Também se sofre nessa terra: Pegou-nos logo a febre amarela. Em três meses na Ilha das Flores Morreram três mulheres e três homens (...) Que mais escrevo? Novas não alardam. De cobras cinco nossos se finaram. Aqui anda um povo rude pelo mato Que mata e come a gente. Fuja deste fato. Se Deus quiser, e nós nos recompormos. Quarenta fomos, em dezoito somos. (...) (FRANKÓ, Iwan. Carta do Brasil, 1895, In: ANDREAZZA, Maria Luiza. O Paraíso das Delícias. Curitiba: Aos Quatro Ventos, 1999.) O poema acima foi composto a partir das notícias que chegavam na Europa Oriental sobre a situação dos imigrantes eslavos que vieram para o Brasil em 1895. Tal movimento demográfico era parte das chamadas “Grandes Migrações”, que implicaram a transferência de milhões de europeus para as Américas, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX. 9. (Ufrj) Indique dois aspectos presentes no poema que expressam as dificuldades enfrentadas por imigrantes pobres que vieram se estabelecer no Brasil em fins do século XIX. 10. (Ufrrj) “Os paulistas não fazem resistência (...) do que eles fazem questão séria (...) é da substituição e permanência no trabalho, e desde que o governo cure seriamente de empregar os meios que facilitem a substituição do trabalho escravo, desde que facilite a aquisição de braços livres que garantam a permanência do trabalho (...) os paulistas estarão satisfeitos e não farão questão de abrir mão de seus escravos sem indenização (...)”. (Discurso de Prudente de Moraes em Santos, J.M. “Os Republicanos Paulistas e a Abolição”. SP: Martins, p.225.) A posição defendida pelos cafeicultores paulistas, em relação ao problema da mão de obra, acabou sendo importante para a substituição do escravo por um tipo de trabalhador não-cativo. a) Apresente uma razão para a escolha do trabalhador europeu (e não do asiático ou do nacional) no processo de substituição do escravo. b) Explique o questionamento existente ao termo “abolicionista” para caracterizar leis como a do “Ventre Livre” (1871) ou dos “Sexagenários” (1885). E.O. Enem 1. (Enem) A escravidão não há de ser suprimida no Brasil por uma guerra servil, muito menos por insurreições ou atentados locais. Não deve sê-lo, tampouco, por uma guerra civil, como o foi nos Estados Unidos. Ela poderia desaparecer, talvez, depois de uma revolução, como aconteceu na França, sendo essa revolução obra exclusiva da população livre. É no Parlamento e não em fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se há de ganhar, ou perder, a causa da liberdade. NABUCO, J. O abolicionismo [1883]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; São Paulo: Publifolha 2000 (adaptado). No texto, Joaquim Nabuco defende um projeto político sobre como deveria ocorrer o fim da escravidão no Brasil, no qual: a) copiava o modelo haitiano de emancipação negra. b) incentivava a conquista de alforrias por meio de ações judiciais. c) optava pela via legalista de libertação. d) priorizava a negociação em torno das indenizações aos senhores. e) antecipava a libertação paternalista dos cativos. 2. (Enem) Negro, filho de escrava e fidalgo português, o baiano Luiz Gama fez da lei e das letras suas armas na luta pela liberdade. Foi vendido ilegalmente como escravo pelo seu pai para cobrir dívidas de jogo. Sabendo ler e escrever, aos 18 anos de idade conseguiu provas de que havia nascido livre. Autodidata, advogado sem diploma, fez do direito o seu ofício e transformou-se, em pouco tempo, em proeminente advogado da causa abolicionista. AZEVEDO, E. O Orfeu de carapinha. In: Revista de Historia. Ano 1, n. 3. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, jan. 2004 (adaptado). A conquista da liberdade pelos afro-brasileiros na segunda metade do séc. XIX foi resultado de importantes lutas sociais condicionadas historicamente. A biografia de Luiz Gama exemplifica a: a) impossibilidade de ascensão social do negro forro em uma sociedade escravocrata, mesmo sendo alfabetizado. b) extrema dificuldade de projeção dos intelectuais negros nesse contexto e a utilização do Direito como canal de luta pela liberdade. c) rigidez de uma sociedade, assentada na escravidão, que inviabilizava os mecanismos de ascensão social. d) possibilidade de ascensão social, viabilizada pelo apoio das elites dominantes, a um mestiço filho de pai português. e) troca de favores entre um representante negro e a elite agrária escravista que outorgara o direito advocatício ao mesmo.
140VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 3. (Enem) O abolicionista Joaquim Nabuco fez um resumo dos fatores que levaram à abolição da escravatura com as seguintes palavras: “Cinco ações ou concursos diferentes cooperaram para o resultado final: 10) o espírito daqueles que criavam a opinião pela ideia, pela palavra, pelo sentimento, e que a faziam valer por meio do Parlamento, dos “meetings” [reuniões públicas], da imprensa, do ensino superior, do púlpito, dos tribunais; 20) a ação coercitiva dos que se propunham a destruir materialmente o formidável aparelho da escravidão, arrebatando os escravos ao poder dos senhores; 30) a ação complementar dos próprios proprietários, que, à medida que o movimento se precipitava, iam libertando em massa as suas ‘fábricas’; 40) a ação da política dos estadistas, representando as concessões do governo; 50) a ação da família imperial.” Joaquim Nabuco. Minha formação. São Paulo: Martin Claret, 2005. p. 144 (com adaptações). Nesse texto, Joaquim Nabuco afirma que a abolição da escravatura foi o resultado de uma luta: a) de ideias, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que libertavam seus escravos, de estadistas e da ação da família imperial. b) de classes, associada a ações contra a organização escravista, que foi seguida pela ajuda de proprietários que substituíam os escravos por assalariados, o que provocou a adesão de estadistas e, posteriormente, ações republicanas. c) partidária, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que mudavam seu foco de investimento e da ação da família imperial. d) política, associada a ações contra a organização escravista, sabotada por proprietários que buscavam manter o escravismo, por estadistas e pela ação republicana contra a realeza. e) religiosa, associada a ações contra a organização escravista, que fora apoiada por proprietários que haviam substituído os seus escravos por imigrantes, o que resultou na adesão de estadistas republicanos na luta contra a realeza. 4. (Enem) Considerando a linha do tempo acima e o processo de abolição da escravatura no Brasil, assinale a opção correta. a) O processo abolicionista foi rápido porque recebeu a adesão de todas as correntes políticas do país. b) O primeiro passo para a abolição da escravatura foi a proibição do uso dos serviços das crianças nascidas em cativeiro. c) Antes que a compra de escravos no exterior fosse proibida, decidiu-se pela libertação dos cativos mais velhos. d) Assinada pela princesa Isabel, a Lei Áurea concluiu o processo abolicionista, tornando ilegal a escravidão no Brasil. e) Ao abolir o tráfico negreiro, a Lei Eusébio de Queirós bloqueou a formulação de novas leis antiescravidão no Brasil. E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. (UERJ) A um grito de “Fora o vintém!”, os manifestantes começaram a espancar condutores, esfaquear mulas, virar bondes e arrancar trilhos ao longo da rua Uruguaiana. Dois pelotões do Exército ocuparam o Largo de São Francisco, postando-se parte da tropa em frente à Escola Politécnica, atual prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. A multidão dispersou-se e, salvo pequenos distúrbios nos três dias seguintes, estava findo o motim do vintém. A cobrança da taxa passou a ser quase aleatória. As próprias companhias de bondes pediam ao governo que a revogasse. Desmoralizado, o ministério caiu a 28 de março. O novo ministério revogou o desastrado tributo. Adaptado de CARVALHO, José Murilo de. A Guerra do Vintém. Revista de História, setembro/2007. Ocorrida entre o final de 1879 e o início de 1880, a Revolta do Vintém representou a manifestação de segmentos populares descontentes com a decisão do governo de aumentar os preços das passagens dos bondes puxados a burro, que trafegavam na então capital do Império. Um dos principais efeitos dessa revolta naquele momento foi: a) politização dos oficiais militares. b) privatização dos serviços públicos. c) modernização dos meios de transporte. d) enfraquecimento das instituições monárquicas. 2. (UERJ) A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, reuniu uma multidão em frente ao Paço Imperial, no Rio de Janeiro.
141VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Essa ideia de que as pessoas saíram correndo e comemorando, isso é lenda. Depois do 13 de maio, meu bisavô e a maioria dos escravos continuaram vivendo onde trabalhavam. Registros históricos mostram que alguns receberam um pedaço de terra para plantar. Mas poucos passaram a ganhar ordenado, e houve quem recebesse uma porcentagem do café que plantava e colhia − conta o historiador Robson Luís Machado Martins, que pesquisa a história de sua família, e a do Brasil, desde a década de 1990. Adaptado de O Globo, 12/05/2013. A fotografia e a reportagem registram aspectos particulares sobre os significados da abolição, os quais podem ser associados aos seguintes fatores do contexto da época: a) crise monárquica − exclusão social. b) estagnação política − ruptura econômica. c) expansão republicana − reforma fundiária. d) transição democrática − discriminação profissional. E.O. UERJ Exame Discursivo 1. (UERJ) A missa campal em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1888, foi uma celebração de Ação de Graças pela libertação dos escravos no Brasil, decretada quatro dias antes, com a assinatura da Lei Áurea. A festividade contou com a presença da princesa Isabel, regente imperial do Brasil, e de seu marido, o conde D´Eu, príncipe consorte, que, no detalhe assinalado na foto, está ao lado da princesa. Cerca de 30 mil pessoas estiveram presentes. Adaptado de brasilianafotografica.bn.br. A abolição da escravatura no Brasil resultou de manifestações políticas e sociais que mobilizaram diferentes grupos, como ilustra a fotografia. Cite dois grupos sociais diretamente envolvidos no movimento abolicionista. Identifique um grupo opositor a esse movimento e uma das razões para seu posicionamento contrário. 2. (UERJ) Na ilustração anterior, o imperador Pedro II está recebendo buquês de camélias. Segundo Eduardo Silva, essa flor é vista como um emblema do movimento abolicionista radical, que reivindicava o fim da escravidão de forma imediata e incondicional. a) Aponte duas medidas legais do governo imperial, anteriores à “Lei Áurea”, que tenham contribuído para a emancipação dos escravos no Brasil. b) Apesar da abolição da escravidão em 1888, o escritor Lima Barreto comentava, em 1919: “ninguém quer ser negro no Brasil”. Indique dois motivos que confirmem o comentário do autor. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unicamp) Como os abolicionistas americanos previram, os problemas da escravidão não cessariam com a abolição. O racismo continuaria a acorrentar a população negra às esferas mais baixas da sociedade dos Estados Unidos. Mas se tivessem tido a oportunidade de fazer uma viagem pelo Brasil de seus sonhos – o país imaginado por tanto tempo como o lugar sem racismo – eles teriam concluído que entre o inferno e o paraíso não há uma tão grande distância afinal. (Adaptado de Célia M.M. Azevedo, Abolicionismo: Estados Unidos e Brasil, uma história comparada (século XIX). São Paulo: Annablume, 2003, p. 205.) Sobre o tema, é correto afirmar que: a) a experiência da escravidão aproxima a história dos Estados Unidos e do Brasil, mas a questão do racismo tornou-se uma pauta política apenas nos EUA da atualidade. b) os abolicionistas norte-americanos tinham uma visão idealizada do Brasil, pois não identificavam o racismo como um problema em nosso país. c) a imagem de inferno e paraíso na questão racial também é adequada às divisões entre o sul e o norte dos EUA, pois a questão racial impactou apenas uma parte daquele país. d) a abolição foi uma etapa da equiparação de direitos nas sociedades norte-americana e brasileira, pois os direitos civis foram assegurados, em ambos os países, no final do século XIX.
142VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 2. (Unesp) A proclamação da República não é um ato fortuito, nem obra do acaso, como chegaram a insinuar os monarquistas; não é tampouco o fruto inesperado de uma parada militar. Os militares não foram meros instrumentos dos civis, nem foi um ato de indisciplina que os levou a liderar o movimento da manhã de 15 de novembro, como tem sido dito às vezes. Alguns deles tinham sólidas convicções republicanas e já vinham conspirando há algum tempo [...]. Imbuídos de ideias republicanas, estavam convencidos de que resolveriam os problemas brasileiros liquidando a Monarquia e instalando a República. (Emília Viotti da Costa. Da monarquia à república, 1987.) O texto identifica a proclamação da República como resultado a) da unidade dos militares, que agiram de forma coerente e constante na luta contra o poder civil que prevalecia durante o Império. b) da fragilidade do comando exercido pelo Imperador frente às rebeliões republicanas que agitaram o país nas últimas décadas do Império. c) de um projeto militar de assumir o comando do Estado brasileiro e implantar uma ditadura armada, afastando os civis da vida política. d) da disseminação de ideais republicanos e salvacionistas nos meios militares, que articularam a ação de derrubada da Monarquia. e) de uma conspiração de civis, que recorreram aos militares para derrubar a Monarquia e assumir o controle do Estado brasileiro. 3. (Unicamp) Assinale a afirmação correta sobre a política no Segundo Reinado no Brasil. a) Tratava-se de um Estado centralizado, política e administrativamente, sem condições de promover a expansão das forças produtivas no país. b) O imperador se opunha ao sistema eleitoral e exercia os poderes Moderador e Executivo, monopolizando os elementos centrais do sistema político e jurídico. c) O surgimento do Partido Republicano, em 1870, institucionalizou uma proposta federalista que já existia em momentos anteriores. d) A política imigratória, o abolicionismo e a separação entre a Igreja e o Estado fortaleceram a monarquia e suas bases sociais, na década de 1870. 4. (Unesp) [...] até a década de 1870, apesar das pressões, os escravos continuavam a ser a mão de obra fundamental para a lavoura brasileira, sendo que nessa época todos os 643 municípios do Império [...] ainda continham escravos. (Lilia Moritz Schwarcz. Retrato em branco e negro, 1987.) A redução da importância do trabalho escravo, ocorrida após 1870, deveu-se, entre outros fatores: a) ao aumento das fugas e rebeliões escravas e ao crescimento das correntes migratórias em direção ao Brasil. b) ao desinteresse dos cafeicultores do Vale do Paraíba em manter escravos e à intensa propaganda abolicionista direcionada aos próprios escravos. c) à firme oposição da Igreja Católica ao escravismo e ao temor de que se repetisse, no Brasil, uma revolução escrava como a que ocorrera em Cuba. d) à pressão inglesa e francesa pelo fim do tráfico e à dificuldade de adaptação do escravo ao trabalho na lavoura do café. e) à diminuição do preço do escravo no mercado interno e à atuação abolicionista da Guarda Nacional. 5. (Unesp) A República brasileira emergiu no auge de um processo cujas raízes se encontravam no II Reinado. Assinale a alternativa INCORRETA: a) A campanha abolicionista acabou por se confundir com a campanha republicana. b) Nos termos da primeira Constituição Republicana o Brasil era uma República Federativa Presidencialista e o Estado permaneceu atrelado à Igreja. c) Para certos segmentos da sociedade, entre eles os cafeicultores, a forma republicana de governo era concebida como moderna, avançada e mais eficiente. d) No primeiro aniversário da implantação do regime republicano foi instalado o Congresso Constituinte e em 24/02/1891 foi promulgada a Constituição. e) Os militares, influenciados pelas ideias do positivismo, uniram-se à camada média da sociedade contra os monarquistas. 6. (Fuvest) O descontentamento do Exército, que culminou na Questão Militar no final do Império, pode ser atribuído: a) às pressões exercidas pela Igreja junto aos militares para abolir a monarquia. b) à propaganda do militarismo sul-americano na imprensa brasileira. c) às tendências ultrademocráticas das forças armadas, que desejavam conceder maior participação política aos analfabetos. d) à ambição de iniciar um programa de expansão imperialista na América Latina. e) à predominância do poder civil que não prestigiava os militares e lhes proibia o debate político pela imprensa. 7. (Fuvest) O lema “Ordem e Progresso” inscrito na bandeira do Brasil, associa-se aos: a) monarquistas. b) abolicionistas. c) positivistas. d) regressistas. e) socialistas. 8. (Fuvest) Caracteriza o processo eleitoral durante a Primeira República, em contraste com o vigente no Segundo Reinado: a) a ausência de fraudes, com a instituição do voto secreto e a criação do Tribunal Superior Eleitoral. b) a ausência da interferência das oligarquias regionais, ao se realizarem as eleições nos grandes centros urbanos. c) o crescimento do número de eleitores, com a extinção do voto censitário e a extensão do direito do voto às mulheres.
143VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias d) a possibilidade de eleições distritais e a criação de novos partidos políticos para as eleições proporcionais. e) a maior participação de eleitores das áreas urbanas ao se abolir o voto censitário e se limitar o voto aos alfabetizados. 9. (Unesp 2018) É correto interpretar a charge, que representa D. Pedro II e foi publicada em 1887, como uma: a) demonstração da exaustão provocada pela diversidade de atividades exercidas pelo imperador. b) valorização do esforço do imperador em manter-se atualizado em relação ao que acontecia no país. c) crítica à passividade e à inoperância do imperador em meio a um período de dificuldades no país. d) denúncia da baixa qualidade da imprensa monárquica e de suas insistentes críticas ao imperador. e) celebração da serenidade e harmonia das relações sociais no país durante o Império. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unicamp) Angelo Agostini (1833-1910) expressou sua crítica a D. Pedro II em uma caricatura publicada na Revista Ilustrada, em 1887. a) Conforme a imagem, qual é a crítica de Agostini ao Imperador? b) Indique e explique um processo que expresse a situação de crise vivida no final do Império. 2. (Unicamp) Após a queda da monarquia, a República tentou ligar-se à memória da abolição. Seu principal argumento era a recusa do Exército em capturar os escravos fugidos. Reivindicava-se, assim, o reconhecimento dos republicanos militares como atores da abolição e redentores da pátria livre. Nas comemorações oficiais da abolição, o 13 de maio e o 15 de novembro eram apresentados como datas complementares de um mesmo processo de modernização do país, abrindo as portas do Brasil ao progresso e à civilização. De modo complementar, ligava-se o sistema monárquico à escravidão e ao atraso do país. (Adaptado de Robert Daibert Jr., “Guerra de Versões”. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, jun. 2008. http://www.revistadehistoria.com.br/secao/ capa/guerra-de-versoes. Acessado em 30/09/2012.) a) Explique por que o regime republicano associou a monarquia à escravidão. b) Como a questão militar contribuiu para o fim do Império do Brasil? 3. (Unesp) O rei, nosso Senhor e amo, dorme o sono da... indiferença. Os jornais, que diariamente trazem os desmandos desta situação, parecem produzir em Sua Majestade o efeito de um narcótico. Bem aventurado, Senhor! Para vós, o reino do céu e para o nosso povo... o do inferno! (Angelo Agostini. Revista Illustrada, 05.02.1887. Adaptado.) Cite dois elementos presentes na charge ou na sua legenda, que mostrem críticas ao imperador D. Pedro II, e identifique duas dificuldades enfrentadas pela monarquia nas décadas de 1870 e 1880. 4. (Fuvest) A vitória do regime republicano no Brasil (1889) e a consequente derrubada da monarquia podem ser explicadas, levando-se em conta diversos fatores. Entre eles, explique: a) a importância do Partido Republicano. b) o papel dos militares apoiados nas ideias positivistas.
144VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 5. (Fuvest) Este quadro de Modesto Brocos, “A redenção de Cam”, pintado em 1895, mostra uma família brasileira que vai se transformando: da figura mais negra até a mais branca. Relacione o quadro com as questões a) da imigração europeia nas décadas de 1880 e 1890. b) das concepções dominantes sobre raças no período. 6. (Unicamp) Diversos projetos abolicionistas invadiram a cena política brasileira no último quarto do século XIX. O de André Rebouças foi um dos mais radicais. Mulato, baiano, filho de um membro da elite política imperial, engenheiro militar, dedicou-se à modernização de portos e à construção de estradas. Dedicado a compreender os mecanismos que emperravam o desenvolvimento do país, chegou à conclusão de que vivíamos um bloqueio estrutural para a emergência de indivíduos livres. A libertação dos escravos, por si só, não seria suficiente. Entendia a abolição como um primeiro passo, ao qual se seguiria uma necessária eliminação do monopólio da terra, pois a autonomia individual só seria possível com a transformação do ex-escravo em pequeno produtor independente. (Adaptado de Maria Alice Rezende de Carvalho, A terra prometida. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, v. 32, maio de 2008. Disponível em http://www.rhbn.com.br/secao/capa/a-terraprometida. Acessado em 28/09/2015.) a) Por que o projeto de André Rebouças foi caracterizado como um projeto radical? b) Identifique e caracterize outro projeto abolicionista que divergia do projeto de Rebouças. 7. (Fuvest 2018) Este mapa da Província de São Paulo foi elaborado em 1886, sob encomenda da Sociedade Promotora da Imigração (SPI). a) Identifique, no mapa, dois elementos de propaganda empregados pela SPI para atingir seus objetivos. b) Caracterize sucintamente o quadro econômico e político que motivou a criação da SPI e a elaboração do mapa.
145VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 8. (Unicamp 2018) No dia seguinte ao decreto da Libertação, negros e negras deixaram apressadamente os lugares onde tinham vivido durante longo tempo nas humilhações da escravidão e, das fazendas e sítios, afluíram em direção às cidades próximas. A maior parte desses novos cidadãos livres tinha pequenas economias. Ora, seu primeiro ato foi correr às lojas de calçados. (Adaptado de Louis Albert Gaffre, Visions du Brésil. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1912, p. 205. Disponível em: https://archive. org/details/visionsdubrsil00gaff. Acessado em 01/08/2017.) a) Considerando o depoimento citado, explique um significado social do uso do sapato na época. b) Nomeie duas estratégias de sobrevivência dos brancos pobres, mestiços e forros no período do pós- -abolição. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. C 2. B 3. B 4. E 5. E 6. B 7. C 8. C 9. C 10. E E.O. Fixação 1. C 2. D 3. B 4. D 5. B 6. A 7. A 8. E 9. C 10. D E.O. Complementar 1. C 2. A 3. E 4. A 5. B E.O. Dissertativo 1. Três grandes problemas se destacam: 1) a “questão militar”, percebida pela oposição de grande parte dos militares ao governo, grupo influenciado pelas ideias positivistas; 2) a “questão religiosa” ou epíscopo-maçônica, que colocou os membros da Igreja Católica contra o Imperador, uma vez que este não promulgou a bula papal que determinava ações contra a maçonaria; 3) a “questão social”, ligada ao fim da escravidão, que não indenizou os proprietários de escravos, normalmente monarquistas, que se sentiram traídos pelo Império e retiraram seu apoio. 2. Diante a tensão existente entre o projeto da centralização Imperial, subordinado aos interesses do grupo Saquarema – respaldado, sobretudo, pelos barões do café da província fluminense e os interesses dos cafeicultores paulistas do novo Oeste, cuja riqueza e crescimento econômico viam-se ameaçados pela centralização exercida pela Corte, sobretudo a centralização na arrecadação tributaria pelo Rio de Janeiro. A expansão cafeeira, além disso, dera origem ao crescimento das cidades e da indústria, gerando novos grupos sociais com interesses diversos dos tradicionais, dentre eles o empresariado industrial, setores médios urbanos mais dinâmicos. Os republicanos criticavam, ainda, o sistema eleitoral imperial, por sua excludência, posto que pautado pelo critério censitário. Responsabilizavam, ainda, a Coroa e o regime monárquico – sobretudo em função da existência do Poder Moderador do imperador – pelas vicissitudes e vícios do regime imperial, considerado pelos republicanos como uma “anomalia” na América onde somente existiam republicas e criticavam o desequilíbrio existente entre o poder político e o poder econômico que se observava nos fins do Império. Isto porque a prosperidade do Vale do Paraíba na primeira metade do século XIX dera origem à aristocracia do café que, juntamente com os senhores de engenho representavam a parcela dominante da sociedade, controlando a vida econômica, social e política da Nação, controle este que, com o passar do tempo e a expansão cafeeira nas terras novas de São Paulo, tornou-se decadente e politicamente insustentável, uma vez que a representação política das províncias economicamente menos dinâmicas ainda fosse maior. Vale ainda apontar que o cerne da plataforma do Partido Republicano era a descentralização política, a defesa do regime federativo, com maior autonomia às províncias, inclusive na gestão de seus próprios recursos tributários, proporcionalmente ao desempenho da agroexportação de cada região. A emergência dos ideais republicanos no Segundo Reinado coincide com a ascensão econômica dos barões do café cujos interesses econômicos não eram contemplados plenamente pelo governo imperial. 3. A charge expressa a ambiguidade entre o projeto de governo do 2º. Império que pretendia modernizar o país, aproximando-o das referências civilizatórias e de desenvolvimento da grandes potências da época e, de outro, sua vinculação ao arcaísmo que resultava na manutenção da escravidão como peça chave da estrutura produtiva brasileira. 4. a) A “nuvem da emancipação” não parava de crescer naquela conjuntura porque foi a partir da década de 1880 que o movimento abolicionista ganhou força com o surgimento de associações, jornais e o avanço da propaganda construindo uma opinião pública favorável à abolição da escravidão no Brasil. Por outro lado, nesse mesmo momento, intensificaram-se as fugas coletivas e revoltas escravas. Em 1886 atuaram em São Paulo os chamados caifazes libertando os escravos das fazendas. Todos esses fatores contribuíam para o crescimento da “nuvem da emancipação”. No contexto internacional o Brasil figurava como a única nação escravista. b) Ao longo da década de 1880 apegavam-se à escravidão os proprietários de terras das zonas cafeeiras do Vale do Paraíba. Diante do crescimento do movimento abolicionista os defensores dos interesses escravocratas colocavam-se contra o crescimento da “nuvem da emancipação” argumentando que a abolição feria seu direito de propriedade e que, portanto, deveria ser realizada com indenização. Afirmavam, ainda, que a imediata libertação dos escravos provocaria a perturbação da tranquilidade e segurança pública. 5. a) Poder Moderador. b) O trecho citado do Manifesto Republicano propõe a reorganização do Estado com base no federalismo, portanto tendo como princípio a real autonomia das províncias frente ao governo central.
146VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias 6. a) Publicada dois anos antes da Proclamação da República, a charge remete ao período em que o Império enfrentava uma série de problemas políticos, fazendo com que a figura do Imperador e a imagem do regime fossem fundidas em uma ideia, a de crise. Nesse sentido, são vários os elementos pictóricos que indicam a referida associação (o candidato deve indicar um elemento para sua explicação): • o Imperador que dorme segurando o jornal: é a expressão da indiferença e da inação diante dos problemas políticos da nação, retratados efusivamente pela imprensa carioca. O escrito complementa a gravura, quando alude aos desmandos do Império e indica o “efeito narcótico” das notícias cotidianas sobre o Imperador; • o retrato da idade avançada do Imperador: a figura de um ancião dormindo reforça a percepção de fragilidade do governo para enfrentar a crise que gera a decadência do Império brasileiro; • os jornais amontoados na mesa, ao lado do Imperador: imagem indicativa do desinteresse pelos assuntos nacionais. b) Dentre os eventos políticos que marcaram a crise do governo imperial, na década de 1880, estão: • a fundação do Clube Militar: fortalecidos com a vitória da Tríplice Aliança, desde o término da Guerra do Paraguai, em 1870, os militares clamavam por um maior espaço político para o Exército, que era desvalorizado como instituição, em detrimento à Guarda Nacional mantida pelos chamados “coronéis”. Nesse contexto, influenciado pelo positivismo, foi fundado o Clube Militar (1887); • a abolição da escravatura: decretada um ano antes do fim do Império, a abolição foi uma tentativa de alcançar apoio popular e minimizar as críticas dos abolicionistas, mas que redundou num distanciamento em relação à dominante elite política que era escravista, que desejava uma abolição gradual aliada a uma política de indenizações pagas pelo Estado aos ex-proprietários dos escravos que fossem libertados; • o republicanismo: o Império recebia, cada vez mais, duras críticas do movimento republicano. Comícios contra o regime monárquico tornaram-se comuns nos espaços urbanos. 7. a) A extinção tráfico negreiro foi uma das exigências da Inglaterra para o reconhecimento da independência do Brasil em 1826 e formalizada por uma lei em 1831, ignorada pela aristocracia rural brasileira. Em 1845 a Inglaterra publicou o Bill Aberdeen, recorrendo ao uso da força contra os navios negreiros. As pressões inglesas pelo fim da escravidão são justificadas pelo interesse na propagação do trabalho assalariado para atender às exigências de ampliação de mercados consumidores após a Revolução Industrial. b) O fim do tráfico negreiro para o Brasil, proporcionou a geração de capitais excedentes investidos na ampliação de lavouras e em manufaturas e equipamentos necessários à modernização da cafeicultura, o que permite afirmar que o fim do tráfico negreiro favoreceu o início da atividade industrial no Brasil no século XIX. 8. a) A maior presença de estrangeiros nas atividades manufatureiras e industriais, portanto mais especializadas, enquanto que os brasileiros predominam nas atividades agrícolas. Destaca-se ainda o fato de que entre os nacionais prevalece uma porcentagem bem maior de indivíduos sem profissão, o que não ocorre na população de estrangeiros. b) No sul havia a possibilidade de o imigrante adquirir parcelas de terras, o que possibilitava o empreendimento rural com maior autonomia; além disso, incentivava a agricultura de alimentos (visando ao abastecimento do mercado interno) e a ocupação de terras no interior. No sudeste, principalmente em São Paulo, por outro lado, os imigrantes eram dirigidos majoritariamente para as plantações agroexportadoras e na condição de colonos e de trabalhadores livres rurais. 9. A grande mortalidade (“febre amarela” e “picadas de cobras”); e as dificuldades para o estabelecimento e desenvolvimento das colônias, devido ao estado ainda inculto das terras, a falta de estradas e de infraestrutura, o excesso de trabalho e a precariedade das habitações, a antropofagia imaginada. 10. a) Devem ser citadas a visão racista da época que apresentava o europeu como detentor de um maior conhecimento técnico e a necessidade de branqueamento da população brasileira. b) Estas leis, aprovadas por um Parlamento composto por uma maioria de proprietários de terras, demonstravam que este estava mais interessado em adiar o fim da escravidão, até a solução do processo de substituição dessa mão de obra, do que extingui-la imediatamente. E.O. Enem 1. C 2. B 3. A 4. D E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. D 2. A E.O. UERJ Exame Discursivo 1. Grupos que defenderam a abolição da escravidão no Brasil: exército após a Guerra do Paraguai, irmandades religiosas descontentes com o Padroado e Beneplácito, classe média urbana, intelectuais e profissionais liberais.
147VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Contra a abolição: proprietários de terras e escravos que resistiam à ideia de abolição sem indenização, por ter investido capital na aquisição dos escravos. 2. a) Duas dentre as medidas: • emancipação dos filhos dos escravos - “Lei do Ventre Livre” • proibição da separação entre as crianças escravas menores de 8 anos e suas mães; • estabelecimento de normas para a libertação gradual de todos os escravos, mediante indenização; • libertação dos escravos com mais de sessenta anos de idade, embora estes devessem trabalhar mais cinco anos gratuitamente, a título de indenização - “Lei dos Sexagenários”. b) Dois dentre os motivos: • marginalização dos libertos no seio da sociedade; • situação miserável de sobrevivência do ex-escravo no campo; • ausência de um projeto de educação básica para o ex-escravos; • inexistência de um projeto político de inclusão social do ex-escravo; • formação de uma mão de obra marginalizada pela concorrência do imigrante; • limitação de um mercado de trabalho para absorver essa mão de obra excedente. E.O. Objetivo (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. B 2. D 3. C 4. A 5. B 6. E 7. C 8. E 9. C E.O. Dissertativo (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) Angelo Agostini criticava o imobilismo do Imperador diante dos problemas enfrentados pelo Império brasileiro no final da década de 1880. b) A crise vivida pelo Império pode ser explicada por uma série de fatores, a saber: transformações socioeconômicas derivadas da expansão cafeeira, imigração estrangeira, fim do tráfico negreiro, crescimento da campanha abolicionista, e o aumento do movimento republicano. 2. a) De acordo com a ideologia positivista, presente no Exército Brasileiro, era necessário superar o atraso do Brasil, implementando o progresso. A monarquia e a escravidão eram associadas ao atraso, a república e a abolição, associadas ao progresso. Os militares se identificavam como os defensores do progresso e da liberdade. b) A Questão Militar representou uma série de problemas entre Imperador e militares que desde a Guerra do Paraguai reivindicavam uma maior participação e envolvimento nas decisões políticas. As ideias positivistas muito presentes no meio militar levaram os membros da alta hierarquia a liderar o processo de proclamação da República. 3. O imperador é representado dormindo, indicando sua pouca preocupação com a situação do país. Os jornais, no colo ou empilhados na mesa, parecem abandonados, indicando o desinteresse do imperador pelo que eles noticiam; a charge destaca a idade avançada do imperador, sugerindo falta de vigor. As principais dificuldades estão relacionadas às “questões” da época, representando a oposição de militares, Igreja Católica e dos abolicionistas. Pode-se destacar a difusão do positivismo ou do republicanismo. 4. a) Na década de 1870, a fundação do Partido Republicano no Rio de Janeiro e, pouco tempo depois, do Partido Republicano Paulista, fortaleceram o movimento a favor da República, conferindo-lhe organização e capacidade para a difusão de seu ideal. b) Os ideais positivistas, que associavam a ideia de governo forte à instauração de um governo republicano, foram importantes para promover a adesão de militares ao movimento. No entanto, tais ideais foram adotados devido à insatisfação dos militares com o regime monárquico brasileiro, que os excluía da política nacional, e não tanto pelo seu conteúdo. 5. a) No final do século XIX , foram teorizadas e colocadas em prática, políticas de “branqueamento” da população, através do estímulo à imigração de trabalhadores europeus para o Brasil. b) No século XIX, sobretudo no contexto da expansão imperialista europeia, sobre a África e a Ásia, surgiram teorias racistas baseadas na pretensa superioridade da raça branca. Entre os principais teóricos destacam-se Houston Chamberlain, Arthur de Gobineau e Spencer. No Brasil, Silvio Romero, Francisco Adolfo Varnhagen e Nina Rodgrigues, entre outros, apoiados nas teorias europeias, argumentavam sobre a inferioridade da raça brasileira como resultado da miscigenação entre brancos, negros e índios. 6. a) Porque ia de encontro à estrutura latifundiária secular brasileira: a concentração de terra nas mãos da elite. Rebouças propunha a inserção dos extratos inferiores na posse da terra. b) Podemos citar o próprio projeto imperial brasileiro: a libertação gradual, através de leis como a do Ventre Livre e a dos Sexagenários. 7. a) Para atrair os imigrantes, o cartaz oferece algumas vantagens, tais como (1) facilidade de deslocamento entre América e Europa, (2) possibilidade de ocupação de terras sem donos específicos e (3) possibilidade de crescimento financeiro a partir do progresso do próprio país. b) Politicamente, nesse período o Segundo Reinado enfrentava uma crise escravocrata, motivada por leis como a Eusébio de Queirós, a do Ventre Livre e a dos Sexagenários, o que levava o país a uma escassez de
148VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias mão de obra escrava. Economicamente, o ciclo do café prosperava pelo Vale do Paraíba, o que aumentava a necessidade de encontrar uma saída para a falta de mão de obra escrava. 8. a) Aos escravos era proibido o uso de calçados. Por isso, os calçados eram um símbolo de liberdade. b) Realização de trabalhos eventuais e manuais e deslocamento para os centros e periferias das cidades, para habitações como os cortiços.
149VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (Udesc) Leia o excerto e observe a reprodução da pintura: “Não pretendo reconstituir as diferentes versões dadas pelos participantes do 15 de novembro. Basta observar que por muito tempo digladiaram-se partidários de Deodoro, Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva, Floriano Peixoto. A disputa tomava às vezes caráter apaixonado e girava em torno de pontos aparentemente irrelevantes. Tome como exemplo o que se poderia chamar a guerra dos vivas. Quem deu vivas a quem, ou a quê, em que momento? As versões são desencontradas. Deodoro teria dado um viva ao imperador ao entrar no Quartel-General? Ao sair do Quartel? Benjamin Constant deu vivas à República para abafar o viva ao imperador dado por Deodoro? Teria esse censurado os vivas à República dizendo que ainda era cedo ou que fossem deixados ao povo? O que significa o famoso óleo de H. Bernadelli, transformado em versão oficial e sagrada do momento da proclamação?” (CARVALHO, José Murilo. A formação das almas. O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p.36). Analise as proposições considerando o contexto histórico, as questões levantadas pelo historiador José Murilo de Carvalho e o significado da pintura de Henrique Bernadelli. I. Pode-se afirmar que não apenas ocorreram disputas de poder entre os participantes envolvidos no acontecimento, mas também em relação ao próprio estabelecimento de uma versão oficial, sobre o 15 de novembro, destinada à história. II. Transformações tão importantes, como a mudança de um regime político, por exemplo, implicam conflitos sobre a definição dos papéis dos vários atores envolvidos, os títulos de propriedade que cada um julgava ter sobre o novo regime e a própria natureza da República. III. Ao afirmar que o óleo de Henrique Bernadelli é uma versão oficial e sagrada da proclamação, o historiador José Murilo de Carvalho está indicando que o Marechal Deodoro da Fonseca foi o fundador da República no Brasil. IV. A notoriedade como versão oficial do óleo de Henrique Bernadelli, por um lado, permite compreender a força de um grupo que considerava a proclamação um ato estritamente militar, executado sob a liderança do marechal Deodoro da Fonseca e, por outro, refletir sobre a busca de um herói que pudesse significar o novo regime político instaurado e legitimar uma versão oficial. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras. c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. d) Somente a afirmativa III é verdadeira. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 2. (UFRGS) Observe a figura abaixo. Em 1891, ocorreu uma fortíssima crise econômica no Brasil, decorrente da política de Encilhamento do Governo REPÚBLICA DA ESPADA COMPETÊNCIA(s) 1, 2, 3, 4 e 5 HABILIDADE(s) 1, 9, 11, 13, 14, 15, 18, 22 e 24 CH AULAS 25 E 26
150VOLUME 3 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Provisório da República, um plano econômico que tinha por objetivo aumentar a oferta de moeda em circulação, expandir o crédito e promover o desenvolvimento nacional. Entre as consequências dessa crise, está: a) o aumento da especulação financeira, a desvalorização da moeda e o crescimento do desemprego. b) um enorme fluxo de capitais britânicos em direção ao país, com a consequente diminuição da dívida externa brasileira. c) o crescimento da importação de produtos estrangeiros e o enfraquecimento da indústria nacional. d) o fortalecimento dos setores médios e populares urbanos, em decorrência da valorização da moeda nacional naquele contexto. e) a crise na produção do café, substituído pelo açúcar como o principal produto brasileiro de exportação. 3. (PUC-RS) A Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, exigiu que o país adotasse um novo texto constitucional. Sobre a nova Constituição, aprovada em 1891, podemos afirmar que: a) instituiu uma República Federativa no Brasil, transformando as antigas províncias em Estados, mas sem conferir-lhes grande autonomia, pois eles permaneceram dependentes do Governo Federal para prover suas despesas administrativas. b) estabeleceu o direito de voto para todos os cidadãos maiores de 21 anos; entretanto, o contingente de eleitores era restrito, pois estavam excluídos os analfabetos, as mulheres e os mendigos, que constituíam a maioria da população brasileira. c) implementou o regime republicano, com a eleição direta para presidente da República, para o Senado e para a Câmara Federal, sendo que os Estados também podiam eleger seus governadores e suas Assembleias Legislativas, mas não podiam dispor de uma constituição própria. d) estabeleceu a separação entre o Estado e a Igreja Católica, mas o catolicismo continuou sendo considerado a religião oficial do país, tendo em vista o receio dos novos dirigentes republicanos de que as religiões protestantes, introduzidas pelos imigrantes europeus, dividissem a população brasileira. e) aceitou a livre associação e a reunião dos cidadãos brasileiros – exceto em casos de mobilização sediciosa –, tendo sido, por isso, considerada uma constituição liberal; mas também mostrou seu lado conservador ao não instituir o habeas corpus, por julgá-lo excessivamente perigoso à ordem social. 4. (UPF) Anualmente acontece em Passo Fundo a encenação da Batalha do Pulador. Essa batalha, ocorrida em 27 de junho de 1894, está relacionada a um movimento que conturbou os primeiros anos da República brasileira. De qual dos movimentos abaixo relacionados essa batalha fez parte? a) Da revolução Farroupilha, na qual os estancieiros sul-rio-grandenses pegaram em armas contra o governo central e proclamaram a República de Piratini. b) Da revolução Federalista, cujos rebeldes tentavam derrubar o governo sul-rio-grandense devido ao centralismo político, os desmandos e as perseguições do governo de Júlio de Castilhos. c) Da revolução que levou Getúlio Vargas ao poder, acabando com a chamada República Velha. d) Da revolução Libertadora, na qual os partidários de Assis Brasil, derrotado por Borges de Medeiros, pegaram em armas para proclamar a República Rio- -grandense. e) Da Coluna Prestes, que, partindo de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, percorreu a maior parte dos estados brasileiros, denunciando a miséria e a corrupção e pregando a salvação da República. 5. (UEG) Leia o excerto abaixo. O almirante, também, tinha grande confiança nos talentos guerreiros e de estadista de Floriano. A sua causa não ia lá muito bem. Perdera-a em primeira instância, estava gastando muito dinheiro... O governo precisava de oficiais de Marinha, quase todos estavam na revolta. BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. Rio de Janeiro: Record, 2009. p. 152. O trecho citado tem como pano de fundo um importante episódio da História do Brasil, conhecido como: a) Revolta da Armada, quando oficiais da Marinha Brasileira deram ordem para que o Rio de Janeiro fosse alvejado com tiros de canhões de navios de guerra. b) Revolta da Chibata, quando marinheiros, liderados pelo Almirante Negro, se revoltaram contra os maus- -tratos sofridos dentro dos navios. c) Revolta de Canudos, quando a recém-fundada República brasileira teve de enfrentar os sertanejos liderados por Antônio Conselheiro. d) Revolta do Contestado, quando o Exército Brasileiro usou o recém-inventado avião para enfrentar os camponeses da região de fronteira entre Santa Catarina e Paraná. 6. (UFRGS) A Primeira República no Brasil (1889-1930) iniciou com um golpe militar que derrubou a monarquia. Depois de alguns anos de profundas crises, o novo regime foi-se consolidando. A esse respeito, considere as afirmações abaixo. I. Uma figura muito comum no período é a do “coronel”, geralmente um dos grandes proprietários rurais nos municípios interioranos, o qual controlava parte da população local, que o apoiava em lutas políticas. II. Com a ampla autonomia permitida pela Constituição de 1891, estados mais ricos e populosos, e com economia integrada ao mercado, acabaram impondo seus interesses ao restante do país. III. A instabilidade gerada pelo golpe de 15 de novembro de 1889 acarretou uma sucessão de governos militares que caracterizaram a política brasileira ao longo de todo o período da Primeira República. Quais estão corretas?