Caro aluno O Hexag Medicina é, desde 2010, referência na preparação pré-vestibular de candidatos às melhores universidades do Brasil. Ao elaborar o seu Sistema de Ensino, o Hexag Medicina considerou como principal diferencial em relação aos concorrentes sua exclusiva metodologia em período integral, com aulas e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado. Você está recebendo o livro Estudo Orientado. Com o objetivo de verificar se você aprendeu os conteúdos estudados, este material apresenta nove categorias de exercícios: Aprendizagem: exercícios introdutórios de múltipla escolha para iniciar o processo de fixação da matéria dada em aula. Fixação: exercícios de múltipla escolha que apresentam um grau de dificuldade médio, buscando a consolidação do aprendizado. Complementar: exercícios de múltipla escolha com alto grau de dificuldade. Dissertativo: exercícios dissertativos seguindo a forma da segunda fase dos principais vestibulares do Brasil. Enem: exercícios que abordam a aplicação de conhecimentos em situações do cotidiano, preparando o aluno para esse tipo de exame. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios de múltipla escolha das universidades públicas de São Paulo. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios dissertativos da segunda fase das universidades públicas de São Paulo Uerj (exame de qualificação): exercícios de múltipla escolha que possibilitam a consolidação do aprendizado para o vestibular da Uerj. Uerj (exame discursivo): exercícios dissertativos que possibilitam a consolidação do aprendizado para o vestibular da Uerj. Visando a um melhor planejamento dos seus estudos, os livros de Estudo Orientado receberão o encarte Guia de Códigos Hierárquicos, que mostra, com prático e rápido manuseio, a que conteúdo do livro teórico corresponde cada questão. Esse formato vai auxiliá-lo a diagnosticar em quais assuntos você encontra mais dificuldade. Essa é uma inovação do material didático. Sempre moderno e completo, trata-se de um grande aliado para seu sucesso nos vestibulares. Bons estudos!
SUMÁRIO ENTRE LETRAS GRAMÁTICA 3 AULAS 17 E 18: NUMERAIS, PREPOSIÇÕES E INTERJEIÇÕES 4 AULAS 19 E 20: CONJUNÇÕES 17 AULAS 21 E 22: PERÍODO SIMPLES: TERMOS ESSENCIAIS 43 AULAS 23 E 24: PERÍODO SIMPLES: TERMOS INTEGRANTES 60 AULAS 25 E 26: PERÍODO SIMPLES: TERMOS ACESSÓRIOS 77 LITERATURA 97 AULAS 17 E 18: ESTÉTICA ROMÂNTICA: POESIA 98 AULAS 19 E 20: ESTÉTICA REALISTA E REALISMO EM PORTUGAL 116 AULAS 21 E 22: REALISMO NO BRASIL: MACHADO DE ASSIS 125 AULAS 23 E 24: NATURALISMO NO BRASIL 138 AULAS 25 E 26: PARNASIANISMO E SIMBOLISMO 153
GRAMÁTICA LINGUAGENS CÓDIGOS e suas tecnologias ENTRE LETRAS 3
4 VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: A terra dos meninos pelados Havia um menino diferente dos outros meninos: tinha o olho direito preto, o esquerdo azul e a cabeça pelada. Os vizinhos mangavam dele e gritavam: – Ó pelado! Tanto gritaram que ele se acostumou, achou o apelido certo, deu para se assinar a carvão, nas paredes: Dr. Raimundo Pelado. Era de bom gênio e não se zangava; mas os garotos dos arredores fugiam ao vê-lo, escondiam-se por detrás das árvores da rua, mudavam a voz e perguntavam que fim tinham levado os cabelos dele. Raimundo entristecia e fechava o olho direito. Quando o *aperreavam demais, aborrecia-se, fechava o olho esquerdo. E a cara ficava toda escura. Não tendo com quem entender-se, Raimundo Pelado falava só, e os outros pensavam que ele estava malucando. Estava nada! Conversava sozinho e desenhava na calçada coisas maravilhosas do país de Tatipirun, onde não há cabelos e as pessoas têm um olho preto e outro azul. RAMOS, Graciliano. Alexandre e outros heróis. Rio de Janeiro: Record, 1987, p. 104. * aperreavam – chateavam. 1. (G1 - cp2) Qual das alternativas a seguir poderia substituir a interjeição sublinhada em “Ó pelado!” (2.˚ parágrafo)? a) Urgh. b) Ah. c) Ei. d) Ui. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: <http://tinyurl.com/hv2r4hp> Acesso em: 06.09.2016. Original colorido. 2. (G1 - cps 2017) As palavras “sete”, “fome” e “colabore”, em destaque no cartaz, podem ser classificadas, correta e respectivamente, nas classes gramaticais a) artigo, substantivo e adjetivo. b) artigo, adjetivo e substantivo. c) numeral, preposição e verbo. d) numeral, advérbio e conjunção. e) numeral, substantivo e verbo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto de Jacques Fux para responder à(s) questão(ões). Literatura e Matemática Letras e números costumam ser vistos como símbolos opostos, correspondentes a sistemas de pensamento e linguagens completamente diferentes e, muitas vezes, incomunicáveis. Essa perspectiva, no entanto, foi muitas vezes recusada pela própria literatura, que em diversas ocasiões valeu-se de elementos e pensamentos matemáticos como forma de melhor explorar sua potencialidade e de amplificar suas possibilidades criativas. A utilização da matemática no campo literário se dá por meio das diversas estruturas e rigores, mas também através da apresentação, reflexão e transformação em matéria narrativa de problemas de ordem lógica. Nenhuma leitura é única: o texto, por si só, não diz nada; ele só vai produzir sentido no momento em que há a recepção por parte do leitor. A matemática pode, também, potencializar o texto, tornando ainda mais amplo o seu campo de leituras possíveis a partir de regras ou restrições. Muitas passagens de Alice no País das Maravilhas e Alice através do espelho, de Lewis Carroll, estão repletas de enigmas e problemas que até os dias de hoje permitem aos leitores múltiplas interpretações. Edgar Allan Poe é outro escritor a construir personagens que utilizam exaustivamente a lógica matemática como instrumento para a resolução dos enigmas propostos. Explorar as relações entre literatura e matemática é resgatar o romantismo grego da possibilidade do encontro de todas as ciências. É fazer uma viagem pelo mundo das letras e dos números, da literatura comparada e das ficções e romances de diversos autores que beberam (e continuarão bebendo) de diversas e potenciais fontes científicas, poéticas e matemáticas. <http://tinyurl.com/h9z7jot > Acesso em: 17.08.2016. Adaptado. 3. (Fatec 2017) No trecho “correspondentes a sistemas de pensamento e linguagens”, a palavra destacada é a) um artigo definido feminino que concorda com o substantivo sistemas. b) um pronome possessivo referente ao substantivo pensamento. NUMERAIS, PREPOSIÇÕES E INTERJEIÇÕES COMPETÊNCIA(s) 1, 6 e 8 HABILIDADE(s) 1, 2, 3, 18 e 27 LC AULAS 17 E 18
5VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias c) uma conjugação no presente do indicativo para o verbo haver. d) uma preposição regida pelo adjetivo correspondentes. e) um adjetivo para destacar o advérbio linguagens. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: O BOM HUMOR FAZ BEM PARA SAÚDE O bom humor é, antes de tudo, a expressão de que o corpo está bem Por Fábio Peixoto “Procure ver o lado bom das coisas ruins.” Essa frase poderia estar em qualquer livro de auto-ajuda ou parecer um conselho bobo de um mestre de artes marciais saído de algum filme ruim. Mas, segundo os especialistas que estudam o humor a sério, trata-se do maior segredo para viver bem. (...) O bom humor é, antes de tudo, a expressão de que o corpo está bem. Ele depende de fatores físicos e culturais e varia de acordo com a personalidade e a formação de cada um. Mas, mesmo sendo o resultado de uma combinação de ingredientes, pode ser ajudado com uma visão otimista do mundo. “Um indivíduo bem-humorado sofre menos porque produz mais endorfina, um hormônio que relaxa”, diz o clínico geral Antônio Carlos Lopes, da Universidade Federal de São Paulo. Mais do que isso: a endorfina aumenta a tendência de ter bom humor. Ou seja, quanto mais bem-humorado você está, maior o seu bem-estar e, consequentemente, mais bem-humorado você fica. Eis aqui um círculo virtuoso, que Lopes prefere chamar de “feedback positivo”. A endorfina também controla a pressão sanguínea, melhora o sono e o desempenho sexual. (Agora você se interessou, né?) Mas, mesmo que não houvesse tantos benefícios no bom humor, os efeitos do mau humor sobre o corpo já seriam suficientes para justificar uma busca incessante de motivos para ficar feliz. Novamente Lopes explica por quê: “O indivíduo mal-humorado fica angustiado, o que provoca a liberação no corpo de hormônios como a adrenalina. Isso causa palpitação, arritmia cardíaca, mãos frias, dor de cabeça, dificuldades na digestão e irritabilidade”. A vítima acaba maltratando os outros porque não está bem, sente-se culpada e fica com um humor pior ainda. Essa situação pode ser desencadeada por pequenas tragédias cotidianas – como um trabalho inacabado ou uma conta para pagar –, que só são trágicas porque as encaramos desse modo. Evidentemente, nem sempre dá para achar graça em tudo. Há situações em que a tristeza é inevitável – e é bom que seja assim. “Você precisa de tristeza e de alegria para ter um convívio social adequado”, diz o psiquiatra Teng Chei Tung, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “A alegria favorece a integração e a tristeza propicia a introspecção e o amadurecimento.” Temos de saber lidar com a flutuação entre esses estágios, que é necessária e faz parte da natureza humana. O humor pode variar da depressão (o extremo da tristeza) até a mania (o máximo da euforia). Esses dois estados são manifestações de doenças e devem ser tratados com a ajuda de psiquiatras e remédios que regulam a produção de substâncias no cérebro. Uma em cada quatro pessoas tem, durante a vida, pelo menos um caso de depressão que mereceria tratamento psiquiátrico. Enquanto as consequências deletérias do mau humor são estudadas há décadas, não faz muito tempo que a comunidade científica passou a pesquisar os efeitos benéficos do bom humor. O interesse no assunto surgiu há vinte anos, quando o editor norte-americano Norman Cousins publicou o livro Anatomia de uma Doença, contando um impressionante caso de cura pelo riso. Nos anos 60, ele contraiu uma doença degenerativa que ataca a coluna vertebral, chamada espondilite ancilosa, e sua chance de sobreviver era de apenas uma em quinhentas. Em vez de ficar no hospital esperando para virar estatística, ele resolveu sair e se hospedar num hotel das redondezas, com autorização dos médicos. Sob os atentos olhos de uma enfermeira, com quase todo o corpo paralisado, Cousins reunia os amigos para assistir a programas de “pegadinhas” e seriados cômicos na TV. Gradualmente foi se recuperando até poder voltar a viver e a trabalhar normalmente. Cousins morreu em 1990, aos 75 anos. Se Cousins saiu do hospital em busca do humor, hoje há muitos profissionais de saúde que defendem a entrada das risadas no dia a dia dos pacientes internados. Uma boa gargalhada é um método ótimo de relaxamento muscular. Isso ocorre porque os músculos não envolvidos no riso tendem a se soltar – está aí a explicação para quando as pernas ficam bambas de tanto rir ou para quando a bexiga se esvazia inadvertidamente depois daquela piada genial. Quando a risada acaba, o que surge é uma calmaria geral. Além disso, se é certo que a tristeza abala o sistema imunológico, sabe-se também que a endorfina, liberada durante o riso, melhora a circulação e a eficácia das defesas do organismo. A alegria também aumenta a capacidade de resistir à dor, graças também à endorfina. Evidências como essa fundamentam o trabalho dos Doutores da Alegria, que já visitaram 170.000 crianças em hospitais. As invasões de quartos e UTIs feitas por 25 atores vestidos de “palhaços-médicos” não apenas aceleram a recuperação das crianças, mas motivam os médicos e os pais. A psicóloga Morgana Masetti acompanha os Doutores há sete anos. “É evidente que o trabalho diminui a medicação para os pacientes”, diz ela. O princípio que torna os Doutores da Alegria engraçados tem a ver com a flexibilidade de pensamento defendida pelos especialistas em humor – aquela ideia de ver as coisas pelo lado bom. “O clown não segue a lógica à qual estamos acostumados”, diz Morgana. “Ele pode passar por um balcão de enfermagem e pedir uma pizza ou multar as macas por excesso de velocidade.” Para se tornar um membro dos Doutores da Alegria, o ator passa 8 num curioso teste de autoconhecimento: reconhece o que há de ridículo em si mesmo e ri disso. “Um clown não tem medo de errar – pelo contrário, ele se diverte com isso”, diz Morgana. Nem é preciso mencionar quanto mais de saúde haveria no mundo se todos aprendêssemos a fazer o mesmo. (super.abril.com.br/saúde/bom-humor-faz-bem-saude-441550. shtml - acesso em 11 de abril de 2015, às 11h.) 4. (G1 - epcar (Cpcar) 2016) Assinale a alternativa em que a preposição "de" estabelece a mesma relação semântica presente na frase abaixo. “...num curioso teste de autoconhecimento: ...” (último parágrafo) a) “...as pernas bambas de tanto rir.” b) “Você precisa de tristeza e de alegria...” c) “Sob os olhos atentos de uma enfermeira.” d) “...há muitos profissionais de saúde...”
6 VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 5. (G1 - ifsc) Marque a alternativa que contém, entre parênteses, a classificação morfológica CORRETA da palavra destacada em cada oração: a) A cibernética me atrai! (adjetivo) b) Tem razão, Mafalda. (advérbio) c) A ciência me chama. (preposição) d) Adoro a cibernética! (pronome) e) É a geração da tecnologia, da era espacial, da eletrônica, etc. (substantivo) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: A canção Vilarejo foi composta por Marisa Monte, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes e Pedro Baby. “Há um vilarejo ali Onde areja um vento bom Na varanda, quem descansa Vê o horizonte deitar no chão Pra acalmar o coração La o mundo tem razão Terra de heróis, lares de mãe Paraíso se mudou para la Por cima das casas, cal Frutas em qualquer quintal Peitos fartos, filhos fortes Sonho semeando o mundo real Toda gente cabe lá Palestina, Shangri-lá (...) Lá o tempo espera Lá é primavera Portas e janelas ficam sempre abertas Pra sorte entrar Em todas as mesas, pão Flores enfeitando Os caminhos, os vestidos, os destinos E essa canção Tem um verdadeiro amor Para quando você for (...)” (http://tinyurl.com/muth987 Acesso em: 01.09.2014.) 6. (G1 - cps) Assinale a alternativa que apresenta corretamente o valor semântico, entre parênteses, expresso pela preposição em destaque. a) Pra acalmar o coração / Lá o mundo tem razão. (posse) b) Portas e janelas ficam sempre abertas / Pra sorte entrar. (finalidade) c) Por cima das casas, cal / Frutas em qualquer quintal. (tempo) d) Terra de heróis, lares de mãe. (oposição) e) Em todas as mesas, pão. (causa) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Super-heróis ajudam crianças a aceitar quimioterapia Hospital cria tratamento infantil com acessórios da Liga da Justiça e oferece gibi sobre a luta do Batman contra o câncer como inspiração a crianças com a doença. Batman está com câncer, mas os vilões nem tiveram tempo de comemorar a revelação feita na edição extra da história em quadrinhos (HQ). Logo após o diagnóstico, o herói mascarado já 3 começou a receber uma 5 “Superfórmula” contra a doença e, apesar de ter perdido cabelo e emagrecido um pouco, está forte para voltara combater o mal. Na vida real, todos os pacientes infantis atendidos no Centro de Referência AC.Camargo, em São Paulo, também 4 passaram a ter acesso ao tratamento que, no gibi, promete salvar a vida do homem-morcego. Parceria firmada há 20 dias entre o AC. Camargo, a Warner e a agência JWT transformou o 6° andar da unidade hospitalar na nova sede da Liga da Justiça. O QG de super-heróis instalado no hospital tem 15 vagas ocupadas por heróis mirins que precisam de uma ajudinha externa da medicina para voltar à ativa. Natan Henrique Roseno, 7 anos, e Porthos Martinez, 13, são os integrantes mais recentes da ala infantil. Após lerem 6 a HQ com a trajetória vitoriosa de Batman, os meninos estavam confiantes de que a Superfórmula também 1 vai ajudá-los a vencer a leucemia diagnosticada em ambos. [...] Todos os quartos e acessórios utilizados no tratamento dos pacientes da oncologia pediátrica receberam a adaptação em cores, símbolos e adereços de personagens como Mulher-Maravilha, Batman, Lanterna Verde e Superman. A chefe da 7 oncologia pediátrica do AC.Camargo, Cecília Maria de Lima da Costa, explica que usar os adereços é uma fórmula de 8 apresentar o câncer às crianças de uma maneira lúdica e didática, já que elas precisam entender o tratamento para aceitá-lo melhor. “A quimioterapia tem efeitos colaterais que não são agradáveis (como enjoos, apetite desregulado, queda de cabelos). Se a criança não entende que o medicamento é um benefício, apesar de todos esses sintomas, pode ficar confusa e resistente”, afirma a especialista. Enxergar a vilã quimioterapia como a mocinha Superfórmula 9 faz toda a diferença para os meninos e as meninas, dizem os próprios heróis-mirins. [...] “Fica menos confuso na cabeça da gente. Porque às vezes eu não gosto dos remédios, dá um nó no estômago. Mas sei que eles 2 vão me ajudar e saber disso ajuda”, diz um dos garotos. ARANHA, Fernanda. Minha Saúde. iG São Paulo. Disponível em: <www.saude.ig.com.br/2013-06-06/super-herois-ajudam-criancas-aaceitar-quimioterapia.html> Acesso em: 06. jun. 2013. (adaptado).
7VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 7. (Ufsm) Assinale a alternativa correta quanto ao papel semântico exercido pela preposição no excerto em destaque, tendo em vista o contexto em que foi empregada no texto. a) “Superfórmula contra a doença” (ref. 5) – proximidade b) “a HQ com a trajetória vitoriosa” (ref. 6) – companhia c) “oncologia pediátrica do AC.Camargo” (ref. 7) – posse d) “apresentar o câncer às crianças”( ref. 8) – causa e) “faz toda a diferença para os meninos e as meninas” (ref. 9) – lugar TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: O padeiro Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando: – Não é ninguém, é o padeiro! Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo? “Então você não é ninguém?” Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém... Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno. Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!” E assobiava pelas escadas. BRAGA, Rubem. O padeiro. In: ANDRADE, Carlos Drummond de; SABINO, Fernando; CAMPOS, Paulo Mendes; BRAGA, Rubem. Para gostar de ler: v. 1. Crônicas. 12ª ed. São Paulo: Ática, 1982. p.63 - 64. 8. (G1 - ifsc) Quanto à classe gramatical das palavras do texto, é correto afirmar que: a) em “Ele me contou isso sem mágoa nenhuma”, a palavra “mágoa” é um pronome. b) em “recebi a lição de humildade”, a palavra “humildade” é um advérbio. c) em “ainda que menos importante”, a palavra “menos” é um numeral. d) em “não encontro o pão costumeiro”, a palavra “costumeiro” é um adjetivo. e) em “Muitas vezes lhe acontecera”, a palavras “muitas” é um verbo. 9. (G1 - ifsc) Pela primeira vez um filme catarinense concorreu à vaga para representar o Brasil no Oscar. A Antropologa, dirigido por Zeca Pires, disputou a vaga com outros quatorze filmes, numa lista que incluiu Tropa de Elite 2, de José Padilha, e Bruna Surfistinha, de Marcus Balbini. Zeca Pires considerava suas chances remota, mas avaliava que, ao participar da disputa, o filme seria visto por um grupo de profissionais de reconhecida competência, que provavelmente não iriam assistir ao longa em outra situação. (...) Fonte: Candidatura que vale ouro. Diário Catarinense. Caderno Variedades. 14/08/2011. p. 5 adaptado). Com relação ao texto, assinale a alternativa CORRETA. a) O adjetivo “remota”, no segundo parágrafo, refere-se ao substantivo “chances”; deveria, portanto, ser usado no plural. b) Segundo o texto, os filmes A Antropologa, Tropa de Elite 2 e Bruna Surfistinha vão representar o Brasil na disputa do Oscar. c) O trecho “Zeca Pires considerava suas chances remota” indica que ele acreditava que havia pouca possibilidade de seu filme ser escolhido. d) No primeiro parágrafo, encontram-se dois numerais ordinais: “primeira” e “quatorze”. e) No trecho “o filme seria visto por um grupo de profissionais de reconhecida competência”, ocorrem dois artigos, os quais antecedem os dois únicos substantivos do trecho. 10. (G1 - ifsc)
8 VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias O texto acima é uma tirinha do cartunista argentino Quino, na qual aparecem as crianças Miguelito, Manolito e Susanita. Com base na leitura, analise as seguintes proposições e assinale a CORRETA. a) Em “Manolito, o que você acha...” (primeiro quadrinho) e “É verdade, Miguelito” (terceiro quadrinho), temos vírgulas separando o sujeito do restante da oração. b) No primeiro quadrinho, em vez do pronome “nos”, Miguelito usa a locução “a Gente”, que torna sua fala mais formal, de forma a corresponder à seriedade do tema da pergunta. c) No terceiro quadrinho, se em vez de “nascer e morrer” tivéssemos “nascimento e morte”, o verbo preocupar deveria ser flexionado no plural: “esse negócio de nascimento e morte não me preocupam”. d) A interjeição usada por Miguelito no último quadrinho revela seu triunfo perante o erro de julgamento de Susanita a respeito da inteligência de Manolito. e) No segundo quadrinho, a palavra “justo” funciona como um adjetivo, que tem sentido de correto, ético. E.O. Fixação TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: REFLETINDO SOBRE APROPRIAÇÃO CULTURAL Os efeitos desta supervalorização da cultura europeia é a existência de uma hierarquia cultural Já há algum tempo, acompanho esse debate sobre apropriação cultural e, lendo os artigos produzidos (a favor ou contra), percebi que a maioria não consegue articular este debate com questões mais amplas: racismo e capitalismo. É preciso aceitar que há apropriação cultural. E que esta apropriação não é resultado de uma troca cultural. E por quê? A cultura predominante em nosso país é a ocidental que nos obriga a digerir a cultura europeia. Isso é bem problemático numa sociedade marcada pela diversidade étnico-cultural. Os efeitos desta supervalorização da cultura europeia é a existência de uma hierarquia cultural. E é aqui que racismo e capitalismo se articulam na apropriação da cultura do outro. Ninguém no Brasil é proibido de usar um turbante, uma guia ou de pertencer a alguma religião de matriz africana. Porém, há um olhar diferenciado quando negros ou negras usam um turbante, uma guia que os identificam com o candomblé em espaço público. Diferente de brancos. Os primeiros são logo tachados de macumbeiros e os segundos, na moda, estilo e tendência étnica. O cerne da questão se dá quando a cultura africana e afro- -brasileira é apropriada por empresas e os protagonistas são excluídos do processo. Outro problema da assimilação cultural é seu retorno. Esta retorna na forma de mercadoria esvaziada de sentido. A filósofa e feminista negra Djamila Ribeiro faz a provocação: “A etnia Maasai não quer ser reparada pelo mundo da moda por apropriação, porque lucraram com sua cultura sem que eles recebessem por isso.” A relação entre capitalismo e racismo se manifesta desta forma. O debate sobre apropriação cultural propõe refletir sobre o uso da cultura africana e afro-brasileira por empresas sem a presença e um retorno aos protagonistas. Para os que fazem este debate de forma ampla, há uma compreensão de que não é justo atingir pessoas. Estas não possuem um conhecimento sobre tal problemática. É preciso atacar as empresas que usam e abusam da cultura desses povos e a transformam em simples mercadoria. Chamo atenção (finalizando) para o fato de alguns artigos que, sem entender ou por pura desonestidade intelectual, procuram, ao combater os argumentos daqueles que escrevem sobre a apropriação cultural, desqualificar toda uma produção de conhecimento forjada a partir de uma longa experiência no combate ao racismo. Penso que todo debate é válido, porém, sejamos éticos. FERREIRA, H. Refletindo sobre apropriação cultural. Disponível em: < http://www.opovo.com.br/jornal/opiniao/2017/02/ hilario-ferreira-refletindo-sobre-apropriacao-cultural. html>. Acesso em: 09 maio 2017 (adaptado). 1. (G1 - ifpe 2017) Acerca das estratégias e dos elementos coesivos do texto, assinale a única alternativa CORRETA. a) No primeiro parágrafo, a expressão “questões mais amplas” tem como referentes: o racismo e o capitalismo. b) No trecho “Isso é bem problemático”, segundo parágrafo, o pronome demonstrativo grifado retoma o substantivo “apropriação cultural”. c) No terceiro parágrafo, o pronome “os”, em “os identificam”, antecede o referente “brancos”, por isso está no masculino plural, estabelecendo a concordância. d) Ainda no terceiro parágrafo, os numerais “primeiros” e “segundos” se relacionam a brancos e negros, respectivamente. e) No quinto parágrafo, a expressão “tal problemática” refere-se à realização de um debate de forma ampla. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Os ideais da nossa Geração Y Uma pesquisa inédita mostra como pensam os jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Eles são bem menos idealistas que os americanos. Daniella Cornachione Quando o jornalista Otto Lara Resende, diante das câmeras de TV, pediu ao dramaturgo Nelson Rodrigues que desse um conselho aos jovens telespectadores, a resposta foi contundente: “Envelheçam!”. A recomendação foi dada no programa de entrevistas Painel, exibido pela Rede Globo em 1977. Pelo menos no quesito trabalho, os brasileiros perto dos 20 anos de idade parecem dispensar o conselho. 9 Apesar de começarem a procurar emprego num momento de otimismo econômico, quase eufórico, os jovens brasileiros têm expectativas de carreira bem menos idealistas que os americanos e europeus — e olha que por lá eles estão enfrentando uma crise brava. É o que revela uma pesquisa da consultoria americana Universum, feita em 25 países. (...). No estudo, chamado Empregador ideal, universitários expressam seus desejos em relação às empresas, em diversos quesitos. O Brasil é o primeiro país sul-americano a participar -- foram entrevistados mais de 11 mil universitários no país de fevereiro a abril. De acordo com o estudo, 4 dois em cada três universitários brasileiros acham que o empregador ideal oferece, em primeiro lugar, treinamento e desenvolvimento — quer dizer, a possibilidade de virar um profissional melhor. A mesma característica é valorizada
9VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias só por 38% dos americanos, que colocam no topo das prioridades, neste momento, a estabilidade no emprego. 3 Os brasileiros apontaram como segundo maior objetivo a possibilidade de empreender, criar ou inovar, numa disposição para o risco que parece estar diminuindo nos Estados Unidos. O paulista Guilherme Mosaner, analista de negócios de 25 anos, representa bem as preocupações brasileiras. “O trabalho precisa ser desafiador. Tenho de aprender algo todo dia.” 10Mosaner trabalha há um ano e meio em uma empresa de administração de patrimônio, mas acha improvável construir a carreira numa mesmacompanhia, assim como metade dos estudantes brasileiros entrevistados pela Universum. 2 Entre as boas qualidades de um empregador, os universitários incluem seu sucesso econômico e a valorização que ele confere ao currículo. “A gente sabe que não vai ficar 40 anos em um mesmo lugar, por isso já se prepara para coisas novas”, diz Mosaner. Apesar de mais pragmáticos, os universitários brasileiros, assim como os americanos e europeus, 8 consideram como objetivo máximo equilibrar trabalho e vida pessoal. 6 Quem pensa em americanos como viciados em trabalho e em europeus como cultivadores dos prazeres da vida talvez precise reavaliar as crenças diante da geração que está saindo da faculdade: o bom balanço entre trabalho e vida pessoal é a meta número um de 49% dos brasileiros, 52% dos europeus e... 65% dos americanos. (ÉPOCA, 21 de junho de 2010) 2. (Epcar (Afa)) Assinale a alternativa que traz uma explicação pertinente ao emprego de numerais ao longo do texto. a) Confere rigor matemático ao texto, tornando-o inquestionável. b) Tem valor argumentativo e, portanto, reforça a ideia central do texto. c) É indispensável porque o texto é jornalístico e traduz uma opinião do autor. d) Relativiza o acentuado rigor matemático predominante no texto. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: A JUVENTUDE MERECE MAIS Por: Alan Miranda. [email protected] Aos 16 anos de idade, uma pessoa pode ter inúmeras ocupações, anseios, possibilidades e perspectivas de vida em nossa sociedade. Com 16 anos, geralmente as/os adolescentes estão cursando o ensino médio, às vezes fazendo um curso técnico concomitante, outros têm a oportunidade de cursar uma língua estrangeira, estudar música, teatro, circo, artes, praticar esportes, viajar para outros estados, países, tudo isso partindo de uma perspectiva otimista. Nesta idade surgem novas responsabilidades: o voto é facultativo e, com a permissão dos pais, pode ser emancipado. Mas ainda é uma fase de experimentação, de descobertas, de “primeiras vezes”. Segundo a Constituição do país, crianças e adolescentes deveriam ter preferência na formulação e execução de políticas públicas. O documento ressalta também a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento. No Brasil, nem todos gozam das mesmas oportunidades: muitos nessa faixa etária estão em situação de exploração sexual, gravidez precoce, dependência química, violência doméstica, evasão escolar. Atualmente um dos temas mais discutidos na agenda política do país é a redução da maioridade penal. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/1993 encontra-se em análise pelo Congresso Nacional. Criada pelo hoje ex-deputado Benedito Domingos (PP), a proposta prevê que a maioridade penal seja reduzida para 16 anos. Depois de aprovada pela maioria dos deputados na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a PEC agora é debatida em uma comissão especial da Casa, que tem cerca de três meses para analisar o projeto. Em seguida, será votado novamente e, se aprovada, seguirá para o Senado. Partindo do princípio de que o debate está sendo travado no campo da segurança pública, a atual proposta sugere a responsabilização da juventude pelos altos índices de violência do país. É preciso apontar que não é a maioridade civil que está em pauta, mas a penal. Os que desejam a emenda na constituição argumentam que isso resultará na diminuição da criminalidade; que a lei não pune ou quando pune não é rigorosa o suficiente; se com 16 anos, o jovem possui maturidade intelectual suficiente para votar, logo, também pode ser responsabilizado criminalmente por delitos. Ou seja, com essa medida, o Estado passaria a reconhecer a maioridade de um indivíduo fundamentalmente para puni-lo. Eduardo Alves, sociólogo e um dos diretores do Observatório de Favelas, critica o viés pelo qual o assunto é abordado, discutindo a maioridade pelo aspecto penal e não civil: “Quando se formula políticas para a juventude é necessário pensar no presente e no futuro, pois, o jovem de hoje é o adulto de amanhã. Que tipo de adulto formaremos retirando dois anos da juventude? Retirar dois anos significa inclusive uma redução de investimentos em políticas para a juventude, ou seja, consideramos que já há investimento suficiente? Há violência de sobra em nossa sociedade e a responsabilidade disso é dos adultos e não da juventude. Cabe aos adultos elaborar políticas que diminuam a violência e potencializem a cultura de direitos na juventude. Se a responsabilidade, portanto, é dos adultos, por que diminuir dois anos da juventude? Por que ampliar o tempo de punição daqueles que não são os principais responsáveis?”, questionou Alves. E A VIOLÊNCIA PRATICADA CONTRA A JUVENTUDE? A maioria das justificativas e a proposta em si da PEC afirma em suas negativas que pretende combater a violência praticada por adolescentes, alargando a faixa etária passível de punição penal. Porém, raramente (ou nunca) aparece na consideração de seus defensores os números alarmantes que retratam a violência sofrida pelos jovens, como mostra o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) – estudo recentemente divulgado pelo Observatório de Favelas, Unicef, Secretaria de Direitos Humanos e Laboratório de Análise da Violência da UERJ. De acordo com a pesquisa, mais demil adolescentes (12 a 18 anos) poderão ser vítimas de homicídio nos municípios com mais demil habitantes entre 2013 e 2019. Os jovens negros são as vítimas mais recorrentes. Ou seja, a principal vítima da violência, principalmente a violência letal é a juventude. Para o delegado Orlando Zaconne, há uma inversão de pautas quando se discute segurança pública no Brasil. “Na verdade, o grande tema não é a violência praticada por adolescentes, mas a violência praticada contra adolescentes. O Brasil é um dos países com maiores índices de violência contra a criança e o adolescente, mas nada disso parece escandalizar a socieda-
10VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias de. E a pauta da redução da maioridade penal serve inclusive para omitir esse dado” – disse Zaconne em vídeo de policiais civis contra a redução. Além do IHA, existem outras pesquisas relacionadas ao tema, que demonstram a deficiência do Estado em cumprir as leis já existentes, mas pouco aplicadas, no que tange a garantia dos direitos do adolescente e na reintegração social daqueles que cumpriram pena. Vale lembrar que o Brasil já está comprometido com pelo menos três pactos internacionais: a Convenção da ONU (1948), que considera maioridade penal como 18 anos; a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica – 1969), que separa o tratamento dado à criança e ao adolescente do adulto; e a Convenção dos Direitos da Criança (1990), da qual nasceu o Estatuto da Criança e do Adolescente. Além disso, a legislação brasileira já responsabiliza toda pessoa acima de 12 anos por atos ilegais. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o jovem deve merecer medidas socioeducativas, como advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviço à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. A medida é aplicada segundo a gravidade da infração. Enquanto nas penitenciárias o percentual de reincidência no crime é deno sistema socioeducativo esse número cai paraCom efeito, esses dados mostram gargalos da atuação do Estado nesse âmbito, que a atual proposta parece ignorar. O Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e o Plano Individual de Atendimento (PIA), previstos como ferramentas para reintegração de jovens infratores à sociedade, chegam a apenasdos adolescentes apreendidos no Brasil, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). MELHOR PREVENIR QUE REMEDIAR (...) Embora careça de melhorias e adaptações, o ECA é um dos documentos que tratam da garantia de direitos da criança e do adolescente e deveria pautar as ações para essa parte da população. Em entrevista à Revista Fórum, o advogado Ariel de Castro Alves, membro do grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e do Movimento Nacional de Direitos Humanos destacou a importância das ações preventivas: “O Estatuto da Criança e do Adolescente tem o caráter mais preventivo do que repressivo. Se o ECA fosse realmente cumprido, sequer teríamos adolescentes cometendo crimes. Se o Estado exclui, o crime inclui. A ausência de políticas públicas, programas e serviços de atendimento, conforme prevê a lei, e a fragilidade do sistema de proteção social do país favorecem o atual quadro de violência que envolve adolescentes como vítimas e protagonistas” – explicou Ariel. (...) Sendo a juventude o futuro do país, é preciso debatê-la afirmando seus valores e potências. Em vez de sugerir redução dos seus direitos, faz-se necessário pensar e criar alternativas para as necessidades específicas desse grupo. O que está em debate são as possibilidades de crescimento a que os jovens têm ou deveriam ter acesso. Reivindicar o direito de puni-los como adultos é ceifar direitos e oportunidades e diminuir o tempo da fase mais importante da formação humana A nossa juventude merece mais, muito mais! http://of.org.br/noticias-analises/a-juventude-merece-mais/. Adaptado. 3. (Ufjf-pism 3) Releia o trecho abaixo: Para o delegado Orlando Zaconne, há uma inversão de pautas quando se discute segurança pública no Brasil. “Na verdade, o grande tema não é a violência praticada por adolescentes, mas a violência praticada contra adolescentes”. Nesse trecho, o jogo linguístico feito pelo delegado Zaconne para mostrar a “inversão de pautas” na política de segurança pública brasileira foi o uso: a) da locução “na verdade” para mostrar que ele, sim, diz uma verdade. b) do adjetivo “grande” para destacar a importância do tema. c) de duas preposições diferentes, o que troca a pauta a ser debatida. d) de um advérbio de negação para inverter o sentido do enunciado. e) de uma conjunção adversativa para confirmar o que foi dito antes. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Tarde de sábado A tardezinha de sábado, um pouco cinzenta, um pouco fria, parece não possuir nada de muito particular para ninguém. Os automóveis deslizam; as pessoas entram e saem dos cinemas; os namorados conversam por aqui e por ali; os bares funcionam ativamente, numa fabulosa produção de sanduíches e cachorros-quentes. Apesar da fresquidão, as mocinhas trazem nos pés sandálias douradas, enquanto agasalham a cabeça em echarpes de muitas voltas. Tudo isso é rotina. Há um certo ar de monotonia por toda parte. O bondinho do Pão de Açúcar lá vai cumprindo o seu destino turístico, e moços bem falantes explicam, de lápis na mão, em seus escritórios coloridos e envidraçados, apartamentos que vão ser construídos em poucos meses, com tantos andares, vista para todos os lados, vestíbulos de mármore, tanto de entrada, mais tantas prestações, sem reajustamento – o melhor emprego de capital jamais oferecido! (...) Andam barquinhos pela baía, com um raio de sol a brilhar nas velas; há uns pescadores carregados de linhas, samburás, caniços, muito compenetrados da sua perícia; há famílias inteiras que não se sabe de onde vêm nem se pode imaginar para onde vão, e que ocupam muito lugar na calçada, com a boca cheia de coisas que devem ser balas, caramelos, pipocas, que passam de uma bochecha para a outra e lhes devem causar uma delícia infinita. (Cecília Meireles. Texto extraído do livro Escolha o seu sonho. Rio de Janeiro: Editora Record, 2002. Fragmento.) 4. (G1 - cp2) Releia a seguinte passagem do texto: “(...) devem ser balas, caramelos, pipocas, que passam de uma bochecha para a outra e lhes devem causar uma delícia infinita.” (último período). As preposições, em português, além de sua função de conectivos, servem também para expressar relações de sentido no texto. Assinale a alternativa que contém a relação expressa, respectivamente, pelas preposições sublinhadas no trecho anterior.
11VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias a) Tempo e tempo. b) Lugar e finalidade. c) Lugar e lugar. d) Modo e finalidade. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Trem de aço 1 Viajar de trem me dá saudade de coisas que não vivi. É também diante de um trem, estando eu dentro ou fora dele, que revejo cenas que não presenciei e histórias que incluem pessoas que nem sempre conheci. 2 Gente esperando na plataforma, dando adeus aos amigos, beijando a namorada, enxugando uma lágrima, mas fingindo sorrir. São como muitas imagens que povoam os nossos sonhos e que, 3 ao nos lembrarmos delas, ficamos em dúvida sobre sua vivência real ou sonhada. Se estou dentro de um deles, imediatamente me acomodo junto à janela, para ver o desfile das pequenas cidades, as crianças acenando, as mulheres suspendendo por um instante o que estão fazendo 4 e assim, com os olhos cheios de sonhos, se postarem nas janelas e nos quintais, suspirando por uma vida bonita como uma viagem de trem. [...] Uma viagem, qualquer uma, curta ou longa, seja por um meio, seja por outro, sempre nos deixa imagens de vida que ficam para sempre. Mas as que fazemos de trem perduram muito além das outras. Num avião, por exemplo, não temos paisagem. É como se viajássemos dentro de um tubo de ensaio. Num navio existe sempre a monótona solidão do oceano que parece não ter fim. 5 O trem, ao contrário, nos enriquece os olhos e a imaginação, com as múltiplas imagens desfilando diante de nós, como no cinema. Muitas vezes viajei no “trem de aço”, como era chamado o comboio que fazia o trajeto entre São Paulo e Rio, ainda que o nome oficial fosse Santa Cruz. Quantos enredos foram vividos ali, 6 nas viagens quase semanais que eu fazia para participar do Grande Teatro. Muitas na companhia ocasional de Caymmi, do Cyro Monteiro, da Aracy de Almeida, entre outros. No carro-restaurante rolavam uísque e boas histórias. 7 Fui testemunha de romances que começaram e que terminaram nessas viagens. Quantas lágrimas felizes e infelizes vertidas na madrugada. Numa dessas viagens presenciei a bofetada de uma amante, indignada e raivosa com suposta traição, em seu parceiro. E em meio a essas cenas, quando nos dávamos conta, já era dia claro. Então corríamos às nossas cabines, para um simples cochilo que fosse e que nos devolvesse uma aparência melhor para enfrentar o dia que estava começando. Muitos de nós viajávamos de trem por economia. Outros, por medo de voar, como o próprio Cyro Monteiro, que chamava o trem de “avião dos covardes”. [...] (CARLOS, Manoel. Revista Veja Rio, Editora Abril, 31/10/12, p. 130.) 5. (G1 - cp2) Preposições são conectivos que, em determinados contextos, expressam diferentes relações de sentido. Por vezes, no entanto, esvaziam-se de sentido para complementar termos. Assinale a alternativa em que a preposição destacada apenas complementa um termo, sem expressar relação de sentido: a) “Viajar de trem me dá saudade de coisas que não vivi.” (ref. 1) b) “(...) e assim, com os olhos cheios de sonhos, se postarem nas janelas e nos quintais (...)” (ref. 4) c) “Fui testemunha de romances que começaram e que terminaram nessas viagens (...)” (ref. 7) d) “(...) nas viagens quase semanais que eu fazia para participar do Grande Teatro.” (ref. 6) 6. (G1 - ifal) Leia esta tirinha e responda à questão. Assinale a única alternativa correta quanto à classificação das palavras, feita a partir da análise do uso destas no diálogo entre a avó e os netos. a) Levado é o infinitivo do verbo levar, que se classifica, no texto, como adjetivo do substantivo menino. b) O pronome indefinido isso é um elemento de coesão, que retoma o conteúdo da fala da garota, expressa no primeiro quadrinho. c) Em Menino levado!!!, o substantivo e o adjetivo funcionam como uma locução interjetiva, isto é, têm natureza de uma interjeição. d) A forma nominal Querida é o gerúndio do verbo querer que, na fala da avó, classifica-se como substantivo. e) O adjetivo legal funciona, no texto, como uma interjeição, expressando uma ideia apreciativa, cujo sentido é “conforme ou relativo à lei.” 7. (Pucsp) Em uma peça publicitária recentemente veiculada em jornais impressos, pode-se ler o seguinte: "Se a prática leva à perfeição, então imagine o sabor de pratos elaborados bilhões e bilhões de vezes". A segunda oração que compõe a referida peça publicitária contém a expressão "pratos elaborados BILHÕES E BILHÕES de vezes". Em recente declaração à "Revista Veja" a respeito de seu filho, o presidente Luís Inácio Lula da Silva fez a seguinte afirmação "Deve haver UM MILHÃO de pais reclamando: por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho". ("Revista Veja" Edição 1979 - 25 out. 2006). A respeito das expressões destacadas nos trechos acima, é linguisticamente adequado afirmar que a) apenas em BILHÕES E BILHÕES, em que "bilhões" é essencialmente advérbio, existe uma indicação precisa de quantidade. b) apenas em UM MILHÃO, em que é "milhão" é essencialmente adjetivo, existe uma indicação precisa de quantidade. c) em ambas as expressões, que são conjunções coordenativas aditivas, existe uma indicação precisa de quantidade. d) em ambas as expressões, que são essencialmente numerais, existe um uso figurado que expressa exagero intencional.
12VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias e) apenas em BILHÕES E BILHÕES, em que "bilhões" é essencialmente pronome, existe um uso figurado que expressa exagero intencional. 8. (G1 - ifsc) “Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue a sua alegria, a sua paz, a sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja. A razão de ser da sua vida é você mesmo. A sua paz interior deve ser a sua meta de vida; quando sentir um vazio na alma, quando acreditar que ainda falta algo, mesmo tendo tudo, remeta o seu pensamento para os seus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe dentro de si.(...)” Fonte: Roberto Gaefke. (Disponível em: http://www.mensagenscomamor. com/diversas/textos_felicidade.htm Acesso em: 27 maio de 2015.) Com base no texto, assinale a alternativa CORRETA. a) Em “(...) remeta o seu pensamento para os seus desejos mais íntimos (...)”, o vocábulo destacado é um numeral. b) Em “(...) busque a divindade que existe dentro de si (...)”, a palavra em destaque é um pronome possessivo. c) Em “(...) por isso não entregue a sua alegria, a sua paz, a sua vida nas mãos de ninguém (...)”, os termos em destaque são objeto indireto do verbo “entregar”. d) Ninguém, tudo e algo são pronomes indefinidos. e) Em “(...) quando acreditar que ainda falta algo (...)”, as palavras destacadas são preposições. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Literatura Indígena Ainda não há consenso sobre o uso da expressão Literatura Indígena. Afinal, sob o conceito de “indígena” reconhecem-se, atualmente, segundo o censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 305 grupos étnicos, com culturas e histórias próprias, falando 274 línguas. Portanto, encontrar uma denominação de referência geral não é muito simples. Outras expressões, embora menos usadas, vêm se apresentando na tentativa de caracterizar esse campo de interesse, como Literatura Nativa, Literatura das Origens, Literatura Ameríndia e Literatura Indígena de Tradição Oral. Próxima a 1 essas, mas já com significado e alcance próprio, ainda contamos com Literatura Indianista, para se referir à produção do Romantismo brasileiro do século XIX de 2 temática indígena, como os versos de Primeiros Cantos (1846) e de Os Timbiras (1857), de Gonçalves Dias, e os romances O Guarani (1857) e Iracema (1865), de José de Alencar. Diante desse quadro, quando usamos, hoje, a expressão Literatura Indígena, uma questão, necessariamente, ainda se apresenta: quais objetos 3 ela incorpora ou para quais aponta ou tem apontado? Em perspectiva ampla, diríamos que essa produção cultural 4 assinala 5 textos criativos em geral (orais ou escritos) produzidos pelos diversos grupos indígenas, 6 editados ou não, incluindo 7 aqueles que não se apresentam, em um primeiro momento, como 8 constituídos a partir de um desejo 9 especificamente estético-literário intencional, como as narrativas, os grafismos e os cantos em contextos próprios, ritualísticos e 10cerimoniais. Parte dessa produção ganha visibilidade com os registros realizados por antropólogos e pesquisadores em geral. Outra 11parte surge por meio de levantamentos realizados por professores atuantes em cursos de licenciatura indígena e dos próprios alunos desses cursos, oriundos de várias etnias. Estima-se que 1564 professores indígenas estavam em formação no ano de 2010, em cursos financiados pelo Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Interculturais Indígenas (PROLIND), do Ministério da Educação. Em perspectiva 12restrita, a expressão Literatura Indígena tem sido utilizada para designar 13aqueles textos editados e reconhecidos pelo chamado sistema literário (autores, público, 14críticos, mercado editorial, escolas, programas governamentais, legislação), como sendo de autoria indígena. Um marco importante se dá em 1980, ano de publicação do considerado 15primeiro livro de autoria indígena com tais características, intitulado Antes o Mundo não Existia, de Umúsin Panlõn & Tolamãn Kenhíri, pertencentes ao povo Desâna, do Alto Rio Negro/AM. A partir das licenciaturas indígenas, 16assistimos, na década de 1990, ao incremento dessa produção editorial. Carlos Augusto Novais. Universidade Federal de Minas GeraisUFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita-CEALE. Acessado em: http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/ glossarioceale/verbetes/literatura-indigena, 14/03/2016. 9. (G1 - ifce) Sobre reconhecimento e emprego das classes de palavras, é correto afirmar-se que a) críticos (referência 14) é adjetivo e especificamente (referência 9) é advérbio. b) parte (referência 11) é verbo e aqueles (referência 13) é pronome. c) temática (referência 2) é adjetivo e primeiro (referência 15) é numeral. d) cerimoniais (referência 10) é substantivo e assinala (referência 4) é verbo. e) temática (referência 2) é substantivo e restrita (referência 12) é adjetivo. E.O. Complementar TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: VELHO MARINHEIRO Homenagem aos marinheiros de sempre... e para sempre. Sou marinheiro porque um dia, muito jovem, estendi meu braço diante da bandeira e jurei lhe dar minha vida. Naquele dia de sol a pino, com meu novo uniforme branco, senti-me homem de verdade, como se estivesse dando adeus aos tempos de garoto. Ao meu lado, as vozes de outros jovens soavam em uníssono com a minha, vibrantes, e terminamos com emoção, de peitos estufados e orgulhosos. Ao final, minha mãe veio em minha direção, apressada em me dar um beijo. Acariciou-me o rosto e disse que eu estava lindo de uniforme. O dia acabou com a família em festa; eu lembro-me bem, fiquei de uniforme até de tarde... Sou marinheiro, porque aprendi, naquela Escola, o significado nobre de companheirismo. Juntos no sofrimento e na alegria, um safando o outro, leais e amigos. Aprendi o que é civismo, respeito e disciplina, no princípio, exigidos a cada dia; depois, como parte do meu ser e, assim, para sempre. A cada passo havia um novo
13VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias esforço esperando e, depois dele, um pequeno sucesso. Minha vida, agora que olho para trás, foi toda de pequenos sucessos. A soma deles foi a minha carreira. No meu primeiro navio, logo cedo, percebi que era novamente aluno. Todos sabiam das coisas mais do que eu havia aprendido. Só que agora me davam tarefas, incumbências, e esperavam que eu as cumprisse bem. Pouco a pouco, passei a ser parte da equipe, a ser chamado para ajudar, a ser necessário. Um dia vi-me ensinando aos novatos e dei-me conta de que me tornara marinheiro, de fato e de direito, um profissional! O navio passou a ser minha segunda casa, onde eu permanecia mais tempo, às vezes, do que na primeira. Conhecia todos, alguns mais até do que meus parentes. Sabia de suas manhas, cacoetes, preocupações e de seus sonhos. Sem dar conta, meu mundo acabava no costado do navio. A soma de tudo que fazemos e vivemos, pelo navio, é uma das coisas mais belas, que só há entre nós, em mais nenhum outro lugar. Por isso sou marinheiro, porque sei o que é espírito de navio. Bons tempos aqueles das viagens, dávamos um duro danado no mar, em serviço, postos de combate, adestramento de guerra, dia e noite. O interessante é que em toda nossa vida, quando buscamos as boas recordações, elas vêm desse tempo, das viagens e dos navios. Até as durezas por que passamos são saborosas ao lembrar, talvez porque as vencemos e fomos adiante. É aquela história dos pequenos sucessos. A volta ao porto era um acontecimento gostoso, sempre figurando a mulher. Primeiro a mãe, depois a namorada, a noiva, a esposa. Muita coisa a contar, a dizer, surpresas de carinho. A comida preferida, o abraço apertado, o beijo quente... e o filho que, na ausência, foi ensinado a dizer papai. No início, eu voltava com muitos retratos, principalmente quando vinha do estrangeiro, depois, com o tempo, eram poucos, até que deixei de levar a máquina. Engraçado, vocês já perceberam que marinheiro velho dificilmente baixa a terra com máquina fotográfica? Foi assim comigo. Hoje os navios são outros, os marinheiros são outros - sinto-os mais preparados do que eu era - mas a vida no mar, as viagens, os portos, a volta, estou certo de que são iguais. Sou marinheiro, por isso sei como é. Fico agora em casa, querendo saber das coisas da Marinha. E a cada pedaço que ouço de um amigo, que leio, que vejo, me dá um orgulho que às vezes chega a entalar na garganta. 4 Há pouco tempo, voltei a entrar em um navio. Que coisa linda! Sofisticado, limpíssimo, nas mãos de uma tripulação que só pode ser muito competente para mantê-lo pronto. Do que me mostraram eu não sabia muito. Basta dizer que o último navio em que servi já deu baixa. Quando saí de bordo, parei no portaló*, voltei-me para a bandeira, inclinei a cabeça... e, minha garganta entalou outra vez. Isso é corporativismo; não aquele enxovalhado, que significa o bem de cada um, protegido à custa do desmerecimento da instituição; mas o puro, que significa o bem da instituição, protegido pelo merecimento de cada um. Sou marinheiro e, portanto, sou corporativista. Muitas vezes a lembrança me retorna aos dias da ativa e morro de saudades. Que bom se pudesse voltar ao começo, vestir aquele uniforme novinho — até um pouco grande, ainda recordo — Jurar Bandeira, ser beijado pela minha falecida mãe... Sei que, quando minha hora chegar, no último instante, verei, em velocidade desconhecida, o navio com meus amigos, minha mulher, meus filhos, singrando para sempre, indo aonde o mar encontra o céu... e, se São Pedro estiver no portaló, direi: – Sou marinheiro, estou embarcando. Autor desconhecido. In: Língua portuguesa: leitura e produção de texto. Rio de Janeiro: Marinha do Brasil, Escola Naval, 2011. p. 6-8) Glossário *Portaló: abertura no casco de um navio, ou passagem junto à balaustrada, por onde as pessoas transitam para fora ou para dentro, e por onde se pode movimentar carga leve. 1. (Esc. Naval) Na epígrafe, “Homenagem aos marinheiros / de sempre... e para sempre.”, qual o valor semântico estabelecido pelas preposições destacadas? a) Tempo e finalidade. b) Restrição e direção. c) Consequência e temporalidade. d) Propriedade e destinação. e) Especificação e instrumento. O texto a seguir é referência para a próxima questão As razões da revolta As manifestações das ruas trouxeram pelo menos uma certeza: o jovem brasileiro, com seu poder de articulação pelas redes sociais, mudou. De uma forma de protestar à distância, com certa dose de descaso e “chacota” contra as instituições (de que sempre se percebeu apartado), ele se mobilizou com rapidez, invadiu o espaço público e reagiu contra o que não concorda. O estopim foram o aumento do ônibus e a reação truculenta da polícia. Na esteira do protesto inicial, vieram as demandas concretas: a péssima qualidade do transporte, a corrupção, os conchavos políticos, as incongruências entre o investimento em saúde e educação e as fortunas gastas com estádios e futebol, enfim, o abismo entre o Brasil que se vende para o mundo e a nação real, com sua violência, trânsito e serviços precários. Muitos críticos cobraram falta de foco dos jovens e dificuldade de controle das massas que saíram às ruas. Isso deu, dizem os críticos, espaço para grupos mais radicais e bandidos, que causaram violência. Mas será que houve falta de foco? Embora as queixas sejam muitas e variadas, alguns padrões em comum podem ser identificados. Trata-se, em primeiro lugar, de um movimento mais horizontal, sem liderança clara. Alguns grupos, como o Movimento Passe Livre (MPL), logo apareceram. Mesmo dentro deles, não parece haver voz única. Boa parte das manifestações se dá “por contágio”. Mesmo o jovem inicialmente acomodado se sente “tocado” pela onda de protestos e decide sair à rua, para participar do momento histórico. A insatisfação crônica com o status do país se transformou de forma rápida, talvez pela capilaridade das redes sociais, numa indignação ativa, potente geradora de força de mobilização. [...] Os políticos correram para achar uma explicação e tentar dar respostas (algo que não andam acostumados a fazer). Algumas demandas foram rapidamente atendidas. É simplista, porém, justificar o que aconteceu com o fato de o jovem não se sentir representado. Além da crise de representatividade política, que não
14VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias é queixa só do jovem, faltam a perspectiva de um país melhor – mais justiça, melhores condições de transporte, saúde e educação – e uma percepção menos ufanista e mais real do Brasil. O desafio dos jovens é manter a força do movimento, num momento em que os governos atendem parcialmente a algumas demandas. Os políticos deveriam perceber que o desafio é usar essa força para mudar o país naquilo que ele tem de pior. Têm de limpar as feridas para facilitar a cicatrização. Não adianta dourar indefinidamente a pílula, na espera de um Brasil que nunca chega. (Jorge Bouer, Época, 08 jul. 2013.) 2. (UFPR) “É simplista, porém, justificar o que aconteceu com o fato de o jovem não se sentir representado.” Observe que Jorge Bouer escreveu “de o jovem” e não “do jovem”. Diferentemente do que acontece na fala, a escrita não aceita a contração da preposição com um artigo em certos casos. Em qual das sentenças abaixo a contração é VETADA na escrita culta? a) O delegado interrogou o agressor por horas para tentar entender as razões [de+o] sujeito. b) No momento [de+o] invasor entrar no palco, o diretor segurou-o e pediu aos seguranças para prendê-lo. c) Todos se assustaram com o aparecimento daquele monstro, principalmente com a cara [de+o] bicho. d) À maneira [de+o] pai, o filho agiu com absoluta ética. e) A atuação [de+o] Daniel no jogo foi impecável. Leia o trecho do conto “As caridades odiosas”, de Clarice Lispector, para responder à questão. Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchara na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos. – Um doce, moça, compre um doce para mim. Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido deste pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água. Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino. (A descoberta do mundo, 1999.) 3. (FAMERP) “Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete” (4o parágrafo) A preposição destacada assume valor semântico semelhante ao que se verifica na frase: a) A crítica tem Machado de Assis por um grande autor. b) Há ainda algumas questões por fazer. c) Ficaremos na Europa por cinco dias. d) As tropas cercaram os inimigos por terra e por mar. e) Muitas pessoas vão cedo para casa por medo. Leia o texto de Eugênio Bucci para responder à questão. Se há, como há, um “marketing do bem” que promove a solidariedade social, devemos admitir que a solidariedade se tornou um valor de mercado e um valor para o mercado. Logo, estamos diante de uma “solidariedade de mercado”, uma solidariedade que é não bem um sentimento interior, mas uma imagem de solidariedade. É uma imagem que ganha vida própria e que vai se associar a outras imagens para valorizá-las – imagens de empresas, de marcas, de governos e governantes, de personalidades públicas. A solidariedade, assim posta, como imagem autônoma ou como imagem que reforça outras imagens, existe no mercado não como um fim que se basta, um fim desinteressado, mas como um argumento para o consumo – o consumo de marcas (consumo que é pago em dinheiro, pela compra dos produtos), de governos e governantes (consumo que é pago em delegação de poder, pelo voto), de personalidades públicas, as tais celebridades (que são consumidas pela imitação, pela admiração, o que se remunera com índices de popularidade). Portanto, esse tipo mercadológico de solidariedade, além de constituir um valor de mercado e para o mercado, torna-se também um fator que, para usar aqui a linguagem dos marqueteiros e marquetólogos, “agrega valor” a produtos, marcas, empresas, pessoas e governos. A solidariedade assim posta, mais que um valor ético, é um fator de lucro – ou de proteção contra prejuízos (econômicos e de imagem). É, necessariamente, uma solidariedade exibicionista. (Eugênio Bucci. “A solidariedade que não teme aparecer”. In: Eugênio Bucci e Maria Rita Kehl. Videologias: ensaios sobre televisão, 2004.) 4. (SÃO CAMILO – UNESP 2017) “Se há, como há, um ‘marketing do bem’ que promove a solidariedade social, devemos admitir que a solidariedade se tornou um valor de mercado e um valor para o mercado.” As preposições destacadas expressam, respectivamente, os sentidos de a) finalidade e movimento. b) modo e finalidade. c) modo e movimento. d) posse e movimento. e) posse e finalidade. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Os bens e o sangue VIII (...) Ó filho pobre, e descorçoado*, e finito ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais com a faca, o formão, o couro... Ó tal como quiséramos
15VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias para tristeza nossa e consumação das eras, para o fim de tudo que foi grande! Ó desejado, ó poeta de uma poesia que se furta e se expande à maneira de um lago de pez** e resíduos letais... És nosso fim natural e somos teu adubo, tua explicação e tua mais singela virtude... Pois carecia que um de nós nos recusasse para melhor servir-nos. Face a face te contemplamos, e é teu esse primeiro e úmido beijo em nossa boca de barro e de sarro. Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma. * “descorçoado”: assim como “desacorçoado”, é uma variante de uso popular da palavra “desacoroçoado”, que significa “desanimado”. ** “pez”: piche. 1. (Fuvest 2018) Considere o tipo de relação estabelecida pela preposição “para” nos seguintes trechos do poema: I. “ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais”. II. “Ó tal como quiséramos para tristeza nossa e consumação das eras”. III. “para o fim de tudo que foi grande”. IV. “para melhor servir-nos”. A preposição “para” introduz uma oração com ideia de finalidade apenas em a) I. b) I e II. c) III. d) III e IV. e) IV. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Uma campanha alegre, IX Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado: Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder, trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos, como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos. Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder, esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da Fazenda, a ruína do País! Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País. Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se, para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros liberais, e os interesses do País! Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País. Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País... Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações mais hostis... Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa constitucional do poder moderador... E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai, feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto** tão triunfante! (*) Pela: bola. (**) Chouto: trote miúdo. (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].) 2. (Unesp 2012) Assinale a alternativa cuja frase contém um numeral cardinal empregado como substantivo. a) Há muitos anos que a política em Portugal apresenta... b) Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o Poder... c) ... os cinco que estão no Poder fazem tudo o que podem para continuar... d) ... são tirados deste grupo de doze ou quinze indivíduos... e) ... aos quatro cantos de uma sala... TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados, Um garbo senhoril, nevada alvura, Metal de voz que enleva de doçura, Dentes de aljôfar, em rubi cravados. Fios de ouro, que enredam meus cuidados, Alvo peito, que cega de candura, Mil prendas; e (o que é mais que formosura) Uma graça, que rouba mil agrados. Mil extremos de preço mais subido Encerra a linda Márcia, a quem of'reço Um culto, que nem dela inda é sabido. Tão pouco de mim julgo que a mereço, Que enojá-la não quero de atrevido Co'as penas que por ela em vão padeço. (Filinto Elísio) 3. (Unifesp 2006) No verso "Metal de voz que enleva de doçura", a preposição DE ocorre duas vezes, formando expressões que indicam, respectivamente, relação de a) posse e de consequência. b) causa e de posse. c) qualificação e de causa. d) modo e de qualificação. e) posse e de modo.
16VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: A carruagem parou ao pé de uma casa amarelada, com uma portinha pequena. Logo à entrada, um cheiro mole e salobro enojou-a. A escada, de degraus gastos, subia ingrememente, apertada entre paredes onde a cal caía, e a umidade fizera nódoas. No patamar da sobreloja, uma janela com um gradeadozinho de arame, parda do pó acumulado, coberta de teias de aranha, coava a luz suja do saguão. E por trás de uma portinha, ao lado, sentia-se o ranger de um berço, o chorar doloroso de uma criança. (Eça de Queirós, O PRIMO BASÍLIO) 4. (Fuvest 1999) O segmento do texto em que a preposição DE estabelece uma relação de causa é: a) "ao pé de uma casa amarelada". b) "escada, de degraus gastos". c) "gradeadozinho de arame". d) "parda do pó acumulado". e) "luz suja do saguão". 5. (Fuvest 1995) Ao ligar dois termos de uma oração, a preposição pode expressar, entre outros aspectos, uma relação temporal, espacial ou nocional. Nos versos "Amor total e falho... Puro e impuro... Amor de velho adolescente..." a preposição "de" estabelece uma relação nocional. Essa mesma relação ocorre em: a) "Este fundo de hotel é um fim de mundo." b) "A quem sonha de dia e sonha de noite, sabendo todo sonho vão." c) "Depois fui pirata mouro, / flagelo da Tripolitânia." d) "Chegarei de madrugada, / quando cantar a seriema." e) "Só os roçados da morte / compensam aqui cultivar." Gabarito E.O. Aprendizagem 1. C 2. E 3. D 4. D 5. E 6. B 7. C 8. D 9. C 10. D E.O. Fixação 1. A 2. B 3. C 4. C 5. C 6. C 7. D 8. D 9. E E.O. Complementar 1. A 2. B 3. E 4. E E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. E 2. C 3. C 4. D 5. E
17VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. QUANTOS SERES HUMANOS A TERRA SERIA CAPAZ DE SUPORTAR? O número ideal seria entre 1,5 a 3 bilhões de pessoas. Atualmente, porém, a população é de 7 bilhões. Ou seja, já somos mais do que o dobro do que a Terra conseguiria abrigar de forma sustentável. De acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), três fatores devem ser considerados para o cálculo: disponibilidade de comida, água e terra; padrão de consumo e capacidade do planeta de absorver a poluição; e número de pessoas. Para o pesquisador Alan Weisman, autor de Contagem Regressiva – A Nossa Última e Melhor Esperança para um Futuro na Terra, há um paradoxo. Não adianta aumentar a nossa capacidade de alimentar e manter bilhões de pessoas vivas se cada vez mais pessoas continuarem nascendo. “No início do século 20 éramos 2 bilhões e tínhamos vastas florestas, qualidade de vida, comida para todo mundo e pouca emissão de combustíveis fósseis. Ou seja, tínhamos um planeta saudável”, afirma Weisman. SACO SEM FUNDO Com o avanço da tecnologia e da medicina, mais gente vive por mais tempo. Também produzimos mais grãos utilizando o mesmo espaço – atualmente, nos EUA, cerca de 70% dos grãos alimentam gado (que geram alimento para o homem). Porém, quanto mais comida produzimos, mais pessoas surgem para serem alimentadas. ALÍVIO TEMPORÁRIO A taxa de natalidade mundial está diminuindo. Atualmente muitas pessoas vivem nas cidades e as famílias não precisam ter tantas crianças (antigamente, os filhos eram importante força de trabalho na lavoura). Além disso, os lares estão cada vez menores e o custo de vida maior. Por tudo isso, pessoas urbanas têm cada vez menos filhos. SOMOS EXAGERADOS Desenvolvimento também não é garantia de abundância. Se toda a população consumisse como os americanos, a Terra não suportaria - precisaríamos do triplo de recursos existentes atualmente. MAS nem precisamos ir tão longe: com o consumo médio atual, já exploramos pelo menos duas vezes mais do que o planeta oferece. PLANEJAMENTO FAMILIAR De acordo com Alan Weisman, podemos reduzir a quantidade de pessoas que vivem na Terra ao longo de três gerações sem tomar medidas extremas. “Há países que reduziram o número de habitantes apenas com distribuição de contraceptivos, educação e planejamento familiar, sem precisar obrigar as famílias a ter menos filhos”. http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quantosseres-humanos-a-terra-seria-capaz-de-suportar 1. (Ifsp) Considere o trecho: “MAS nem precisamos ir tão longe: com o consumo médio atual, já exploramos pelo menos duas vezes mais do que o planeta oferece”. A conjunção destacada pode ser substituída, sem perda significativa do sentido, por: a) ALÉM DISSO nem precisamos ir tão longe: com o consumo médio atual, já exploramos pelo menos duas vezes mais do que o planeta oferece. b) COMO, nem precisamos ir tão longe: com o consumo médio atual, já exploramos pelo menos duas vezes mais do que o planeta oferece. c) ASSIM nem precisamos ir tão longe: com o consumo médio atual, já exploramos pelo menos duas vezes mais do que o planeta oferece. d) CONQUANTO nem precisamos ir tão longe: com o consumo médio atual, já exploramos pelo menos duas vezes mais do que o planeta oferece. e) ENTRETANTO nem precisamos ir tão longe: com o consumo médio atual, já exploramos pelo menos duas vezes mais do que o planeta oferece. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. CHUVA FORA DE ÉPOCA DÁ SÓ 18 DIAS DE ALÍVIO ÀS REPRESAS DA GRANDE SP As primeiras duas semanas de setembro trouxeram chuvas acima da média e ampliaram em 50 bilhões de litros as reservas das principais represas da Grande São Paulo. Todo esse volume, PORÉM, representa apenas um ligeiro alívio nos agonizantes mananciais e deverá ser todo consumido num intervalo de apenas três semanas de estiagem – como aconteceu nos últimos 18 dias do mês de agosto. E é justamente essa a previsão dos climatologistas para a próxima semana. Segundo essas previsões, a região metropolitana e seu entorno, ONDE estão os seis principais reservatórios, terá bastante calor e quase nenhuma chuva. Setembro é o último mês da estação seca, iniciada em abril. A expectativa do governo Geraldo Alckmin (PSDB) é que as chuvas em grande volume voltem a partir de outubro – na última estação chuvosa, porém, elas só vieram em fevereiro e março. A Grande SP vive hoje a mais grave seca já registrada. Fabrício Lobel (Disponível em http://www1.folha.uol. com.br/cotidiano. Acesso em 15.09.2015) CONJUNÇÕES COMPETÊNCIA(s) 1 e 8 HABILIDADE(s) 1, 3, 4, 25 e 27 LC AULAS 19 E 20
18VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 2. (Utfpr) Sobre o texto, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: ( ) A conjunção PORÉM, no segundo parágrafo, introduz uma ideia de oposição às informações do primeiro parágrafo. ( ) No segundo parágrafo, o travessão ( – ) foi empregado para introduzir um esclarecimento à informação anterior. ( ) No terceiro parágrafo, o pronome indefinido ONDE foi empregado para retomar o lugar, citado anteriormente . ( ) No título da notícia, a palavra ALÍVIO recebe acento por ser uma paroxítona terminada em - A. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. a) F – V – F – V. b) F – F – V – V. c) F – V – V – F. d) V – V – F – F. e) V – F – F – V. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. 1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo QUE chegam. E falou dos equívocos de nossa política imigratória. 2 As pessoas QUE ele encontrou não eram agricultores e técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas. Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial, Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo 15gente para o asfalto, “para entulhar as grandes cidades”, como diz o repórter. 6 O repórter tem razão. 3 Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao olhar essas belas fotografias QUE ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz, essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja única experiência na vida parece ter sido vender bombons 11– não, essa gente não vai aumentar a produção de batatinhas e quiabos nem 16plantar cidades no Brasil Central. 7 É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. 8 A humanidade não vive apenas de carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras, esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa12: emigraram. Trazem pelo menos o patrimônio de sua inquietação e de seu 17apetite de vida. 9 Muitos se perderão, sem futuro, na vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para 18fazer um mundo; e cada pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem pergunta hoje, 10e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, 4 e quem nos garante QUE uma legislação exemplar de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da pessoa humana: 5 o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino QUE neste momento está saltando assustado na praça Mauá13, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma política de imigração sábia, perfeita, materialista14; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da fantástica 19loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória. (BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963) 3. (Ita) Assinale a opção em que o termo grifado é conjunção integrante. a) José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo QUE chegam. (ref. 1) b) As pessoas QUE ele encontrou não eram agricultores e técnicos, gente capaz de ser útil. (ref. 2) c) Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao olhar essas belas fotografias QUE ilustram a reportagem. (ref. 3) d) [...] e quem nos garante QUE uma legislação exemplar de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, [...] (ref. 4) e) [...] o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino QUE neste momento está saltando assustado na praça Mauá, [...] (ref. 5) 4. (Espcex) Em “Não sei, sequer, SE me viste...”, a alternativa que classifica corretamente a palavra em destaque é: a) conjunção subordinativa condicional. b) conjunção substantiva subjetiva. c) conjunção subordinativa temporal. d) conjunção coordenativa explicativa. e) conjunção subordinativa integrante. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. PARÁGRAFO DO EDITORIAL “NOSSAS CRIANÇAS, HOJE”. “Oportunamente serão divulgados os resultados de tão importante encontro, mas ENQUANTO nordestinos e alagoanos sentimos na pele e na alma a dor dos mais altos índices de sofrimento da infância mais pobre. Nosso Estado e nossa região padece de índices vergonhosos no tocante à mortalidade infantil, à educação básica e tantos outros indicadores terríveis.” (Gazeta de Alagoas, seção Opinião, 12.10.2010) 5. (Ifal) Em que alternativa a seguir, a conjunção “enquanto” apresenta o mesmo sentido expresso no parágrafo? a) “Enquanto era jovem, viveu intensamente.” b) “Dorme enquanto eu velo...” (Fernando Pessoa) c) “João enriquece, enquanto o irmão cai na miséria.” d) “A gramática é o estudo da língua enquanto sistema...” (Sílvio Elia) e) “Eu trabalhava enquanto ele dormia a sono solto.”
19VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 6. (Insper) FILME-ENIGMA DE CHRISTOPHER NOLAN GERA DISCUSSÕES SOBRE SIGNIFICADO E CITAÇÕES OCULTAS OU ÓBVIAS EM SUA TRAMA ONÍRICA Certa vez o sábio taoísta Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta. Ao acordar, entretanto, ele não sabia mais se era um homem que sonhara ser uma borboleta ou uma borboleta que agora sonhava ser um homem. Será que Dom Cobb está sonhando? Será que a vida real é esta mesma ou somos nós que sonhamos? Alguns podem ir ao cinema para assistir “A Origem”, de Christopher Nolan (“Batman - O Cavaleiro das Trevas”) e achar tão chato que vão sonhar de verdade, dormindo na fase de sono REM. Mas outros estão sonhando acordados. Em blogs, sites e grupos de discussão, os já fanáticos pelo filme de Nolan apontam referências (de mitologia grega), veem citações (de “Lost”), tecem teorias malucas e conspiratórias (o sonho dentro do sonho). Alguns acusam o diretor de copiar filmes os mais variados, de “Blade Runner” (1982) a “eXistenZ” (1999), de se inspirar em “2001 - Uma Odisseia no Espaço” (1968) e até de roubar a ideia de um quadrinho do Tio Patinhas de 2002. O fato é que Nolan acertou o alvo. E ele sabia do potencial “nerdístico” de seu filme. Tanto é que cogitou mudar a canção que toca no filme todo, “Non, Je Ne Regrette Rien”, com Edith Piaf, porque uma das atrizes escaladas, Marion Cotillard, havia vivido a cantora francesa em um filme de 2007. (...) Além da música, uma boa diversão de “A Origem” é identificar os objetos impossíveis deixados por Nolan ao longo do filme. A escada de Penrose, criada pelo psiquiatra britânico Lionel Penrose, aparece diversas vezes na tela - e também inspirou o quadro que tenta explicar facetas do longa. Melhor ir ver o filme e não pensar em escadas... No que você está pensando agora? (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1908201010.htm) Em “O fato é que Nolan acertou o alvo”, o “QUE” exerce a função de a) conjunção integrante, pois introduz uma oração subordinada substantiva. b) pronome relativo, pois introduz uma oração subordinada adjetiva. c) conjunção coordenativa adversativa, pois há uma relação de oposição entre as orações. d) advérbio de intensidade, pois atribui uma circunstância ao verbo “acertar”. e) preposição, pois relaciona o verbo “ser” à oração subordinada substantiva. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. SOMOS TODOS ESTRANGEIROS Volta e meia, em nosso mundo redondo, colapsa o frágil convívio entre os diversos modos de ser dos seus habitantes. Neste momento, vivemos uma nova rodada dessas com os inúmeros refugiados, famílias fugitivas de suas guerras civis e massacres. Eles tentam entrar na mesma Europa que já expulsou seus famintos e judeus. Esses movimentos introduzem gente destoante no meio de outras culturas, estrangeiros que chegam falando atravessado, comendo, amando e rezando de outras maneiras. Os diferentes se estranham. Fui duplamente estrangeira, no Brasil por ser uruguaia, em ambos os países e nas escolas públicas por ser judia. A instrução era tentar mimetizar-se, falar com o menor sotaque possível, ficar invisível no horário do Pai Nosso diário. Certamente todos conhecem esse sentimento de sentir-se estrangeiro, ficar de fora, de não ser tão autêntico quanto os outros, ou não ser escolhido para o que realmente importa. Na infância, tudo é grande demais, amedronta e entendemos fragmentariamente, como recém-chegados. Na puberdade, perdemos a familiaridade com nossos familiares: o que antes parecia natural começa a soar como estrangeiro. Na adolescência, sentimo-nos estranhos a quase tudo, andamos por aí enturmados com os da mesma idade ou estilo, tendo apenas uns aos outros como cúmplices para existir. O fim desse desencontro deveria ocorrer no começo da vida adulta, quando trabalhamos, procriamos e tomamos decisões de repercussão social. Finalmente deveríamos sentir-nos legítimos cidadãos da vida. 1 PORÉM, julgamos ser uma fraude: imaginávamos que os adultos eram algo maior, mais consistente do que sentimos ser. Logo em seguida disso, já começamos a achar que perdemos o bonde da vida. O tempo nos faz estrangeiros da própria existência. Uma das formas mais simples de combater todo esse mal-estar é encontrar outro para chamar de diferente, de inadequado. Quem pratica o bullying, quer seja entre alunos ou com os que têm hábitos e aparência distintos do seu, conquista momentaneamente a ilusão da legitimidade. Quem discrimina arranja no grito e na violência um lugar para si. Conviver com as diferentes cores de pele, interpretações dos gêneros, formas de amar e casar, vestimentas, religiões ou a falta delas, línguas faz com que todos sejam estrangeiros. Isso produz a mágica sensação de inclusão universal: 2 SE formos todos diferentes, ninguém precisa sentir-se excluído. Movimentos migratórios misturam povos, a eliminação de barreiras de casta e de preconceitos também. Já pensou que delícia se, no futuro, entendermos que na vida ninguém é nativo. A existência de cada um é como um barco em que fazemos um trajeto ao final do qual sempre partiremos sem as malas. Texto adaptado de Diana Corso, publicado em 12 de setembro de 2015. Disponível em: <http://wp.clicrbs.com. br/opiniaozh/2015/09/12/artigo-somos-todos-estrangeir os/?topo=13,1,1,,,13>. Acesso em: 19 out. 2015 7. (Ifsul) As conjunções porém (ref. 1) e se (ref. 2) estabelecem, respectivamente, relações de a) condição e oposição. b) concessão e oposição. c) oposição e concessão. d) oposição e condição.
20VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Leia a letra de música abaixo e responda ao que se pede na(s) questão(ões) a seguir. O SEGUNDO SOL (Cássia Eller) Quando o segundo sol chegar Para realinhar as órbitas dos planetas Derrubando com assombro exemplar O que os astrônomos diriam Se tratar de um outro cometa Não digo que não me surpreendi Antes que eu visse você disse E eu não pude acreditar Mas você pode ter certeza De que seu telefone irá tocar Em sua nova casa Que abriga agora a trilha Incluída nessa minha conversão Eu só queria te contar Que eu fui lá fora E vi dois sóis num dia E a vida que ardia sem explicação Explicação, não tem explicação Explicação, não Não tem explicação Explicação, não tem Não tem explicação Explicação, não tem Explicação, não tem Não tem Disponível em: http://letras.mus.br/cassiaeller/12570/. Acesso em: 19.09.2015. 8. (Ifba) Na primeira estrofe da letra de música “O Segundo Sol”, há duas conjunções subordinativas que, respectivamente, dão ideia de: a) causa e modo. b) tempo e modo. c) tempo e causa. d) modo e finalidade. e) tempo e finalidade. 9. (Acafe) As conjunções destacadas nas frases abaixo expressam, respectivamente, relações de: ( ) ASSIM QUE receber os livros, vou deixá-los à venda na Livraria Letras Finas. ( ) EMBORA tenhamos boas intenções, nossos atos, às vezes, são mal compreendidos. ( ) VISTO QUE o dinheiro não foi suficiente para concluir a obra em conformidade com o plano inicial, os sócios optaram por abandonar o projeto de construir um novo modelo de barco. ( ) À MEDIDA QUE novos casos de contaminação foram comprovados, o governo foi impelido a disponibilizar um maior volume de recursos financeiros e humanos para conter o avanço da doença. A sequência correta, de cima para baixo, é: a) proporcionalidade / concessão / conformidade / condição b) temporalidade / concessão / causalidade / proporcionalidade c) consequência / concessão / causalidade /condição d) consequência / finalidade / concessão / temporalidade TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. BRASI DE CIMA E BRASI DE BAXO (Fragmento) Meu compadre Zé Fulô, Meu amigo e companhêro, Faz quage um ano que eu tou Neste Rio de Janêro; Eu saí do Cariri Maginando que isto aqui Era uma terra de sorte, Mas fique sabendo tu Que a miséra aqui no Su É esta mesma do Norte. Tudo o que procuro acho. Eu pude vê neste crima, Que tem o Brasi de Baxo E tem o Brasi de Cima. Brasi de Baxo, coitado! É um pobre abandonado; O de Cima tem cartaz, Um do ôtro é bem deferente: Brasi de Cima é pra frente, Brasi de Baxo é pra trás. Aqui no Brasil de Cima, Não há dô nem indigença, Reina o mais soave crima De riqueza e de opulença; Só se fala de progresso, Riqueza e novo processo De grandeza e produção. Porém, no Brasi de Baxo Sofre a feme e sofre o macho A mais dura privação. Brasi de cima festeja Com orquestra e com banquete, De uísque dréa e cerveja Não tem quem conte os rodete. Brasi de baxo, coitado! Vê das casa despejado Home, menino e muié Sem achá onde morá Proque não pode pagá O dinhêro do alugué. No Brasi de Cima anda As trombeta em arto som Ispaiando as propaganda De tudo aquilo que é bom. No Brasi de Baxo a fome Matrata, fere e consome Sem ninguém lhe defendê; O desgraçado operaro
21VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Ganha um pequeno salaro Que não dá pra vivê. Inquanto o Brasi de cima Fala de transformação, Industra, matéra-prima, Descobertas e invenção, No Brasi de Baxo isiste O drama penoso e triste Da negra necissidade; É uma coisa sem jeito E o povo não tem dereito Nem de dizê a verdade. No Brasi de Baxo eu vejo Nas ponta das pobre rua O descontente cortejo De criança quage nua. Vai um grupo de garoto Faminto, doente e roto Mode caçá o que comê Onde os carro põe o lixo, Como se eles fosse bicho Sem direito de vivê. Estas pequenas pessoa, Estes fio do abandono, Que veve vagando à toa Como objeto sem dono, De manêra que horroriza, Deitado pela marquiza, Dromindo aqui e aculá No mais penoso relaxo, É deste Brasi de Baxo A crasse dos Marginá. Meu Brasi de Baxo, amigo, Pra onde é que você vai? Nesta vida do mendigo Que não tem mãe nem tem pai? Não se afrija, nem se afobe, O que com o tempo sobe, O tempo mesmo derruba; Tarvez ainda aconteça Que o Brasi de Cima desça E o Brasi de Baxo suba. [...] (ASSARÉ, Patativa do. Melhores poemas. Seleção de Cláudio Portella. São Paulo: Global, 2006. p.329-332) 10. (Ifpe) No que diz respeito às conjunções coordenativas grifadas nos versos “[...] PORÉM, no Brasi de Baxo / Sofre a feme E sofre o macho [...] / Sem achá onde morá / PROQUE não pode pagá [...] Não se afrija, NEM se afobe, [...]”, é correto afirmar que estas exercem, respectivamente, os seguintes valores semânticos: a) Explicação, adversidade, explicação, adição. b) Adversidade, adição, explicação, adversidade. c) Adição, alternância, conclusão, adição. d) Conclusão, adição, explicação, adversidade. e) Adversidade, adição, explicação, adição. E.O. Fixação 1. (Fgv) Observe os períodos a seguir e escolha a alternativa correta em relação à ideia expressa, respectivamente, pelas conjunções ou locuções SEM QUE, POR MAIS QUE, COMO, CONQUANTO, PARA QUE. 1. Sem que respeites pai e mãe, não serás feliz. 2. Por mais que corresse, não chegou a tempo. 3. Como não tivesse certeza, preferiu não responder. 4. Conquanto a enchente lhe ameaçasse a vida, Gertrudes negou-se a abandonar a casa. 5. Mandamos colocar grades em todas as janelas para que as crianças tivessem mais segurança. a) Condição, concessão, causa, concessão, finalidade. b) Concessão, causa, concessão, finalidade, condição. c) Causa, concessão, finalidade, condição, concessão. d) Condição, finalidade, condição, concessão, causa. e) Finalidade, condição, concessão, causa, concessão. 2. (Fatec) Observe o texto publicitário a seguir reproduzido, que explora de forma criativa o uso da conjunção. Assinale a afirmação correta a respeito dos procedimentos linguísticos encontrados em “Viver ou Sonhar?” e “Viver e Sonhar.”. a) Temos, respectivamente, conjunção coordenativa aditiva e conjunção coordenativa alternativa, pois, quando se joga com o sentido das frases, opondo-se as ações umas às outras, as conjunções podem assumir valores e significados diferentes ou até mesmo opostos. b) A primeira frase traz uma conjunção coordenativa alternativa com valor aditivo, e a segunda frase, uma conjunção coordenativa aditiva com valor adversativo. Isto se dá devido à intenção do autor de fazer um jogo de palavras muito em uso na linguagem publicitária. c) Vê-se que a conjunção coordenativa, presente em ambos os casos, apesar de adquirir significativos diferentes, não altera o sentido das frases, já que liga elementos independentes, estabelecendo relações de alternância, no primeiro caso, e de igualdade ou alternância, no segundo caso. d) Temos, respectivamente, conjunção coordenativa alternativa e conjunção coordenativa aditiva. A mudança de sentido obtida com a troca das conjunções está na escolha a ser feita: a primeira implica exclusão de ações, o que leva à indecisão, enquanto a segunda expressa a soma de uma ação à outra, resultando disso um modo mais completo de vida. e) Temos, respectivamente, conjunção coordenativa alternativa e conjunção coordenativa aditiva. O autor do texto publicitário, ao fazer um jogo, alternando as
22VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias conjunções, tenta obter uma mudança de sentido; porém, como podemos observar com uma leitura mais cuidadosa, nem toda troca de conjunção caracteriza uma alternância de pensamento. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. FAMÍLIA Três meninos e duas meninas, sendo uma ainda de colo. A cozinheira preta, a copeira mulata, o papagaio, o gato, o cachorro, as galinhas gordas no palmo de horta e a mulher que trata de tudo. A espreguiçadeira, a cama, a gangorra, o cigarro, o trabalho, a reza, a goiabada na sobremesa de domingo, o palito nos dentes contentes, o gramofone rouco toda noite e a mulher que trata de tudo. O agiota, o leiteiro, o turco, o médico uma vez por mês, o bilhete todas as semanas branco! mas a esperança sempre verde. A mulher que trata de tudo e a felicidade. Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do Mundo. Rio de Janeiro: Record, 1999. 3. (Ifal 2017) Assinale a alternativa FALSA quanto às relações de coerência textual estabelecidas no poema. a) Os numerais “TRÊS” e “DUAS”, no primeiro verso, concordam, respectivamente, com os substantivos que acompanham, funcionando como quantificadores destes; entretanto, no que toca à flexão de gênero, apenas o segundo é variável. b) No poema, a articulação entre as palavras, com predominância de substantivos, estabelece uma coerência que o torna inteligível e constrói um significado para o título “FAMÍLIA”, definindo-a em moldes patriarcais. c) Considerando-se, não apenas a questão sintática, mas principalmente o contexto, a conjunção “E”, no último verso de cada estrofe, pode sugerir outras relações semânticas que não a de mera adição. d) O adjetivo “CONTENTES”, que modifica o substantivo “DENTES”, na segunda estrofe, traduz a felicidade do homem, satisfeito em suas necessidades pessoais, como o descanso, o erotismo, o prazer do fumo, o trabalho, a religiosidade e o alimento. e) A conjunção “MAS”, na terceira estrofe, é um conectivo que estabelece uma oposição entre “o bilhete todas as semanas branco” e “a esperança sempre verde”, ligando os substantivos “bilhete” e “esperança”, que se opõem entre si. 4. (Espcex) Leia o conjunto de frases a seguir e responda, na sequência, quais funções são assumidas pela palavra “que”. Cinco contos QUE fossem, era um arranjo menor... QUE bom seria viver aqui! Leio nos seus olhos claros um QUÊ de profunda curiosidade. A nós QUE não a eles, compete fazê-lo. Falou de tal modo QUE nos empolgou. a) conjunção subordinativa consecutiva - interjeição de admiração - pronome indefinido – conjunção subordinativa comparativa - conjunção subordinativa consecutiva. b) conjunção subordinativa concessiva - interjeição de admiração - substantivo - pronome relativo - conjunção subordinativa consecutiva. c) conjunção subordinativa consecutiva - advérbio de intensidade - substantivo - pronome relativo - conjunção subordinativa consecutiva. d) conjunção subordinativa concessiva - advérbio de intensidade - substantivo – conjunção coordenativa - conjunção subordinativa consecutiva. e) conjunção subordinativa comparativa - interjeição de admiração - pronome indefinido – substantivo – conjunção subordinativa consecutiva. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. APRESENTADOR CHRIS ROCK FICA À REVELIA DE POLÊMICA SOBRE RACISMO NO OSCAR Quando Chris Rock, 51, apresentou o Oscar pela primeira vez, em 2005, 20% dos indicados 1 às categorias de atuação eram negros. Naquele ano, foram lembrados Jamie Foxx, Don Cheadle, Morgan Freeman e Sophie Okonedo. As vitórias históricas de Halle Berry e Denzel Washington em 2002 – primeira e única vez em que as estatuetas de melhor ator e atriz foram para negros – também estavam frescas na memória. Onze anos depois, a história é outra. O anúncio da volta de Rock como apresentador da edição do prêmio antecedeu o 2 anúncio dos indicados e 3 a constatação de que, pelo segundo ano consecutivo, 4 não havia negros nas categorias de atuação. 5 Muito se especulou que o comediante poderia abrir mão do cargo como forma de protesto, mas sua resposta foi um tuite apontando o Oscar como o equivalente branco do BET (Black Entertainment Television), prêmio anual dedicado a artistas negros. Agora, recai sobre ele a responsabilidade de fazer coro 6 às críticas de colegas como Spike Lee e 7 o casal Will e Jada Pinkett Smith – que não irão à 8 cerimônia em protesto –, mas só o suficiente para não espantar o público. Há pressão do canal ABC sobre Rock para reverter a queda acentuada de audiência do ano passado (15%), ainda maior entre a população negra (20%), segundo a consultora especializada Nielsen. Segundo Reginald Hudlin, um dos produtores-executivos da transmissão da cerimônia – e também negro –, o espectador deve esperar piadas sobre a controvérsia. 9 “A Academia espera que ele faça isso”, declarou ao programa de TV “Entertainment Tonight”. “Os membros estão animados com a possibilidade, porque sabem que é disso que precisam. 10Sabem que é o desejo do público.” Além de Rock, a produção do Oscar já anunciou a participação de 11 negros na cerimônia, entre eles Whoopi Goldberg, Quincy Jones e Kerry Washington. A escolha reflete os recentes esforços da Academia, anunciados pela presidente, a afro-americana Cheryl Boone Isaacs, para se diversificar. Folha de São Paulo, SP, 28/02/2016. Autora: Maria Clara Moreira.
23VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 5. (Ifce) A palavra QUE pode assumir inúmeras funções sintáticas (substantivo, pronome, preposição, conjunção etc.). Dentre estas, seu uso mais comum no texto foi de conjunção integrante, isto é, uma conjunção que introduz uma oração subordinada substantiva. Todas as alternativas abaixo trazem comprovações disso, EXCETO a) “(...) a constatação de QUE, pelo segundo ano consecutivo, não havia negros nas categorias de atuação.” (referência 3) b) “(...) o casal Will e Jada Pinkett Smith – QUE não irão à cerimônia em protesto” (referência 7) c) “Muito se especulou QUE o comediante poderia abrir mão do cargo” (referência 5) d) “A Academia espera QUE ele faça isso” (referência 9) e) “Sabem QUE é o desejo do público.” (referência 10) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. DE COMO O NARRADOR, COM CERTA EXPERIÊNCIA ANTERIOR E AGRADÁVEL, DISPÕE-SE A RETIRAR A VERDADE DO FUNDO DO POÇO Minha intenção, minha única intenção, acreditem! é apenas restabelecer a verdade. A verdade completa, de tal maneira que nenhuma dúvida persista em torno do comandante Vasco Moscoso de Aragão e de suas extraordinárias aventuras. 3 “A verdade está no fundo de um poço”, li certa vez, não me lembro mais se num livro ou num artigo de jornal. Em todo caso, em letra de forma, e como duvidar de afirmação impressa? Eu, pelo menos, não costumo discutir, muito menos negar, a literatura e o jornalismo. E, como se isso não bastasse, 7 várias pessoas gradas repetiram-me a frase, não deixando sequer margem para um erro de revisão a retirar a verdade do poço, a situá-la em melhor abrigo: paço (“a verdade está no paço real”) ou colo (“a verdade se esconde no colo das mulheres belas”), polo (“a verdade fugiu para o Polo Norte”) ou povo (“a verdade está com o povo”). Frases, todas elas, parece-me, menos grosseiras, mais elegantes, sem deixar essa obscura sensação de abandono e frio inerente à palavra “poço”. O meritíssimo dr. Siqueira, juiz aposentado, respeitável e probo cidadão, de lustrosa e erudita careca, explicou-me tratar-se de um lugar-comum, ou seja, coisa tão clara e sabida a ponto de transformar-se num provérbio, num dito de todo mundo. 19Com sua voz grave, de inapelável sentença, acrescentou curioso detalhe: 4 não só a verdade está no fundo de um poço, mas lá se encontra inteiramente nua, 8 sem nenhum véu a cobrir-lhe o corpo, sequer as partes vergonhosas. No fundo do poço e nua. 2 O dr. Alberto Siqueira é o cimo, o ponto culminante da cultura nesse subúrbio de Periperi onde habitamos. 11É ele quem pronuncia o discurso do Dois de Julho na pequena praça e o de Sete de Setembro no grupo escolar, sem falar noutras datas menores e em brindes de aniversário e batizado. 14Ao juiz devo muito do pouco que sei, a essas conversas noturnas no passeio de sua casa; devo- -lhe respeito e gratidão. Quando ele, com a voz solene e o gesto preciso, esclarece-me uma dúvida, 10naquele momento tudo parece-me claro e fácil, nenhuma objeção me assalta. Depois que o deixo, porém, e ponho-me a pensar no assunto, vão-se a facilidade e a evidência, como, por exemplo, nesse caso da verdade. 20Volta tudo a ser obscuro e difícil, busco recordar as explicações do meritíssimo e não consigo. Uma trapalhada. Mas, como duvidar da palavra de homem de tanto saber, as estantes entulhadas de livros, códigos e tratados? No entanto, por mais que ele me explique tratar-se apenas de um provérbio popular, muitas vezes encontro-me a pensar nesse poço, certamente profundo e escuro, onde foi a verdade esconder sua nudez, deixando-nos na maior das confusões, a discutir a propósito de um tudo ou de um nada, causando-nos a ruína, o desespero e a guerra. 6 Poço não é poço, fundo de um poço não é o fundo de um poço, na voz do provérbio isso significa que a verdade é difícil de revelar-se, sua nudez não se exibe na praça pública ao alcance de qualquer mortal. Mas é o nosso dever, de todos nós, procurar a verdade de cada fato, mergulhar na escuridão do poço até encontrar sua luz divina. “Luz divina” é do juiz, como aliás todo o parágrafo anterior. 18Ele é tão culto que fala em tom de discurso, gastando palavras bonitas, mesmo nas conversas familiares com sua digníssima esposa, dona Ernestina. 15“A verdade é o farol que ilumina minha vida”, costuma repetir-se o meritíssimo, de dedo em riste, quando, à noite, 1 sob um céu de incontáveis estrelas e pouca luz elétrica, conversamos sobre as novidades do mundo e de nosso subúrbio. Dona Ernestina, gordíssima, lustrosa de suor e um tanto quanto débil mental, concorda balançando a cabeça de elefante. 5 Um farol de luz poderosa, iluminando longe, eis a verdade do nobre juiz de direito aposentado. 21Talvez por isso mesmo sua luz não penetre nos escaninhos mais próximos, nas ruas de canto, no escondido beco das Três Borboletas onde se abriga, na discreta meia-sombra de uma casinha entre árvores, 16a formosa e risonha mulata Dondoca, cujos pais procuraram o meritíssimo quando Zé Canjiquinha desapareceu da circulação, viajando para o sul. Passara Dondoca nos peitos, na frase pitoresca do velho Pedro Torresmo, pai aflito, e largara a menina ali, sem honra e sem dinheiro: – 22No miserê, doutor juiz, no miserê... O juiz deitou discurso moral, coisa digna de ouvir-se, prometeu providências. E, à vista do tocante quadro da vítima a sorrir entre lágrimas, afrouxou um dinheirinho, pois, sob o peito duro da camisa engomada do magistrado, pulsa, por mais difícil que seja acreditar-se, pulsa um bondoso coração. Prometeu expedir ordem de busca e apreensão do “sórdido dom-juan”, esquecendo-se, no entusiasmo pela causa da virtude ofendida, de sua condição de aposentado, sem promotor nem delegado às ordens. Interessaria no caso, igualmente, seus amigos da cidade. O “conquistador barato” teria a paga merecida... E foi ele próprio, tão cônscio é o dr. Siqueira de suas responsabilidades de juiz (embora aposentado), dar notícias das providências à família ofendida e pobre, na moradia distante. Dormia Pedro Torresmo, curando a cachaça da véspera; 12labutava no quintal, lavando roupa, a magra Eufrásia, mãe da vítima, e a própria cuidava do fogão. 13Desabrochou um sorriso nos lábios carnudos de Dondoca, tímido mas expressivo, o juiz fitou-a austero, tomou-lhe da mão: – Venho pra repreendê-la... – Eu não queria. Foi ele... – choramingou a formosa. – Muito malfeito – segurava-lhe o braço de carne rija. Desfez-se ela em lágrimas arrependidas e o juiz, para melhor repreendê-la e aconselhá-la, sentou-a no colo, acariciou-lhe as faces, beliscou-lhe os braços. Admirável quadro: a severidade implacável do magistrado temperada pela bondade compreensiva do homem. Escondeu Dondoca o rosto envergonhado no ombro confortador, seus lábios faziam cócegas inocentes no pescoço ilustre.
24VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Zé Canjiquinha nunca foi encontrado, em compensação Dondoca ficou, desde aquela bem-sucedida visita sob a proteção da justiça, anda hoje nos trinques, ganhou a casinha no beco das Três Borboletas, Pedro Torresmo deixou definitivamente de trabalhar. Eis aí uma verdade que o farol do juiz não ilumina, 9 foi-me necessário mergulhar no poço para buscá-la. Aliás, para tudo contar, a inteira verdade, devo acrescentar ter sido agradável, deleitoso mergulho, pois 17no fundo desse poço estava o colchão de lã de barriguda do leito de Dondoca onde ela me conta – depois que abandono, por volta das dez da noite, a prosa erudita do meritíssimo e de sua volumosa consorte – divertidas intimidades do preclaro magistrado, infelizmente impróprias para letra de fôrma. AMADO, Jorge. Os velhos marinheiros: duas histórias do cais da Bahia. 23.ed. São Paulo: Martins, s.d., p.p. 71-73 6. (Ifce) A conjunção “que” destacada em “(...) Ele é tão culto QUE fala em tom de discurso (...)" inicia uma oração subordinada adverbial que expressa um sentido de: a) causa. b) consequência. c) condição. d) concessão. e) conformidade. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. O menino sentado à minha frente é meu irmão, assim me disseram; e bem pode ser verdade, ele regula pelos dezessete anos, justamente o tempo em que estive solto no mundo, sem contato 5 nem notícia. A princípio quero tratá-lo como intruso, mostrar-lhe 1 a minha hostilidade, não abertamente para não chocá-lo, 11MAS de maneira a não lhe deixar dúvida, como se lhe 6 perguntasse com todas as letras 18: que direito tem você de estar aqui na intimidade de minha família, entrando nos nossos segredos mais íntimos, dormindo na cama onde eu dormi, lendo meus velhos livros, talvez sorrindo das minhas anotações à margem, tratando meu pai com intimidade, talvez discutindo a minha conduta, talvez até criticando-a? 12MAS depois vou notando que ele não é totalmente estranho. De repente fere-me 2 a ideia de que o intruso talvez 7 seja eu, que ele 8tenha mais direito de hostilizar- -me do que eu a ele 19, que vive nesta casa há dezessete anos. O intruso sou eu, não ele. Ao pensar nisso vem-me o desejo urgente de entendê-lo e de ficar amigo. Faço-lhe 21perguntas e noto a sua avidez em respondê-las, 13MAS logo vejo a inutilidade de prosseguir nesse caminho, 22as perguntas parecem-me formais e 23as respostas forçadas e complacentes. Tenho tanta coisa a dizer, mas não sei como começar, até a minha voz parece ter perdido a naturalidade. Ele me olha 20, e vejo que está me examinando, procurando decidir se devo ser tratado como irmão ou como estranho, e imagino que as suas dificuldades não devem ser menores do que as minhas. 24Ele me pergunta se eu moro em uma casa grande, com muitos quartos, e antes de responder procuro descobrir o motivo da pergunta. 25Por que falar em casa? 14E qual a importância de 9 muitos quartos? Causarei inveja nele se responder que sim? 26Não, não tenho casa, há 10muitos anos que tenho morado em hotel. Ele me olha, parece que fascinado, diz que deve ser bom viver em hotel, 15E conta que, toda vez que faz reparos 3 na comida, mamãe diz que ele deve ir para um hotel, onde pode reclamar e exigir. De repente o fascínio se transforma em alarme, 16E ele observa que se eu vivo em hotel não posso ter um cão em minha companhia, o jornal disse uma vez que um homem foi processado por ter um cão em um quarto de hotel. Confirmo 4 a proibição. Ele suspira 17E diz que então não viveria em um hotel nem de graça. Adaptado de: VEIGA, José J. Entre irmãos. In: MORICONI, Ítalo M. Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 186-189. 7. (Ufrgs) Considere as afirmações abaixo, sobre os usos de E e MAS no texto. I. Nas referências 11, 12 e 13, a conjunção MAS tem o papel de mostrar, por meio de oposições de sentido, os conflitos do narrador-personagem. II. Na referência 14, a conjunção E funciona como um articulador das dúvidas do irmão do narrador-personagem sobre o motivo da pergunta. III. Nas referências 15, 16 e 17, a conjunção E, além de estabelecer relação aditiva entre orações de idêntica função, também sinaliza a mudança de ações na narrativa. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) I, II e III. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. VESPERTINA TROPICAL 24Então 4 Deus, tendo acabado de criar o firmamento e os continentes, o homem e 10a mulher, a zebra, os elétrons, o umbu e a neblina, quis dar um último toque em Sua obra: num arroubo de lirismo, lá pelas 17h54 do sexto dia, pintou a aurora boreal. É, 12de fato, um 3 troço estupendo: 28mais bonito QUE o pôr do sol, mais improvável que a girafa, mais grandioso que o relâmpago. Era pra ser o corolário da criação, a maior atração da Terra, 32diante da qual casais em lua de mel deixariam cair os queixos, japoneses ergueriam as câmeras e mochileiros bateriam palmas, contentes por terem nascido neste planeta abençoado e multicolor, mas, 14infelizmente, como se sabe, 25a aurora boreal 1 não 15pegou. 16Claro: 31é longe, é raro e é muito cedo, COMO esses espetáculos incríveis encenados domingo de manhã no Sesc Belenzinho. Imagina se a aurora boreal fosse nos trópicos, seis e meia da tarde? 11O sujeito tá num táxi na avenida Atlântica, olha pro lado, o céu todo verde e amarelo e laranja e roxo, saca o celular, faz um “selfie” [tava louco pra usar essa palavra], posta “#vespertinatropical!!!” e segue pra casa, satisfeito. Mas não, é pra lá da Groenlândia, 4h30 AM, ninguém sabe quando: aí, não adianta reclamar que o público é ignorante e prefere a caretice hollywoodiana de um arco-íris. Fosse só a aurora boreal, 13beleza, mas 18a natureza tá cheia de desarranjos semelhantes. Não surpreende: ela foi criada há milhões de anos, nunca passou por uma revisão e ainda é administrada pelo fundador. 30SE eu fosse 5 Javé, chamava uma dessas consultorias especializadas em fazer a transição de 8empresas
25VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias familiares para organizações, digamos, mais competitivas, e dava um choque de gestão. Nem precisa gastar muito, basta alocar melhor os recursos. 19Veja os cometas, por exemplo. Tudo espalhado por aí, nos visitam só a cada 70, cem anos, às vezes chegam de lado, outras vezes de dia, ninguém vê, 2 baita desperdício de energia. Por que não 9 otimizar essas órbitas? 33Fazer com que venham cinco, dez ao mesmo tempo na noite de Réveillon, proporcionando uma queima de fogos global à nossa sofrida humanidade? 20A gravidade é outro assunto que merece uma calibrada: tem que ser mesmo 9,8 m/s2 ? Por quê? Como Deus chegou a esse número? Gostaria que Ele abrisse as planilhas para entendermos se cada m/s2 é realmente necessário. Com metade dessa atração, nós continuaríamos colados ao chão e seria muito mais agradável se locomover por aí. O mínimo que o Senhor poderia fazer era dar uma amainada de dezembro a março: imagina que alívio encarar esse calorão com 25% menos esforço, durante a “Gravidade de Verão”. 17Sem falar, óbvio, em 50% para grávidas, idosos e cadeirantes. 26Não tenho dúvida de que o 6 Todo Poderoso resistirá a essas e outras reformas. 22Criar o Universo é o tipo da coisa que infla um pouco o ego do sujeito, 27mas seria bom se Ele se animasse a colocar o mundo nos eixos - literalmente: 23já repararam como a Terra gira toda torta, envergada como um frei Damião? 21Se meu pacote de sugestões não puder convencê-lo pelo bom senso, quem sabe ao menos uma parte cutuque a Sua vaidade? Ora, 7 El Shaddai, 29a aurora boreal é um negócio tão lindo, tão grandioso, tão divino, não é justo que siga sendo exibida, ano após ano, apenas para os ursos-polares, as focas e a Björk, é ou não é? PRATA, Antonio. “Vespertina Tropical”. Folha de São Paulo. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/ colunas/antonioprata/2014/02/1406077-vespertinatropical.shtml. Acesso em 21 mar. 2014 8. (Upf) Analise as construções sintáticas a seguir. I. “mais bonito QUE o pôr do sol, mais improvável que a girafa, mais grandioso que o relâmpago” (ref. 28). II. “SE eu fosse Javé, chamava uma dessas consultorias especializadas” (ref. 30). III. “é longe, é raro e é muito cedo, COMO esses espetáculos incríveis encenados domingo de manhã no Sesc Belenzinho” (ref. 31). Assinale a alternativa que apresenta a relação semântica veiculada pela conjunção destacada em cada período, respectivamente: a) comparação – condição – comparação. b) causa – consequência – conformidade. c) conformidade – causa – comparação. d) consequência – adversidade – causa. e) condição – causa – tempo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: AINDA O RISCO DA OPÇÃO NUCLEAR Quando comecei a dirigir nas estradas brasileiras, alguém me explicou uma “vantajosa teoria” para ultrapassagens perigosas em lombadas durante a noite. O 5 expediente consistia em apagar as luzes do carro, o que 10“facilitaria” a percepção das luzes de outro carro que viesse em direção contrária – as chances de um carro vir em direção contrária com as luzes apagadas eram quase nulas. O que escapava 1 dessa visão dessa 7 “brilhante teoria” 8 (ou apagada?) era o fato 2 de que 12se viesse realmente um carro com as luzes apagadas em sentido contrário, as chances de não ocorrer uma grande 11catástrofe eram nulas. 6 A metáfora pode ser pobre. Mas encaixa na tragédia das usinas nucleares. 9 A do Japão não se limita ao acidente. Como toda tragédia, começa muito antes, em gerações anteriores. E compromete o futuro das próximas. Se as usinas em construção 13OU planejadas forem 14DE FATO concluídas, sua produção cobrirá mais de 30% da energia elétrica consumida no mundo. Só na França, cerca de 80% vem dessa fonte. 15APENAS Alemanha, Itália e Reino Unido congelaram a construção de novas unidades – embora o atual governo alemão tenha alongado a vida das unidades existentes por até 14 anos. No papel e no discurso, as usinas deveriam resistir 3 a tudo: de terremotos a ataques aéreos; de falhas humanas a deficiências técnicas. 19Na prática, a música é outra, e a Marcha Triunfal já se transformou em Marcha Fúnebre algumas vezes. Chernobyl, na Ucrânia (então parte da União Soviética), ainda na década de 1980, resultou em mais de 25 mil mortes, além de inutilizar uma enorme área terrestre para a vida humana por gerações. Provocada por uma série de deficiências técnicas aliadas a falhas humanas, a catástrofe contou com gestos extraordinários de heroísmo por parte de técnicos, bombeiros e outros 4 que com o sacrifício da própria vida, impediram desastre ainda maior. Mas 16a lição não se enraizou. A proliferação de usinas nucleares no mundo inteiro prosseguiu, como se nada houvesse acontecido. Agora, o desastre de Fukushima, no Japão, pode ter o mesmo destino, o desse “relativo esquecimento” que o colocará 17num limbo aureolado pelo descaso. Explicar essa 18desrazão apenas pelo lobby de empresas e agências de governo encarregadas da construção e administração das usinas – que existe, e é poderosíssimo com a mídia e fora dela – é insuficiente. As usinas nucleares fazem parte do 20sonho e do 21pesadelo do estilo contemporâneo de consumo. E, 22como nos sonhos e pesadelos, nossa tendência é lembrar os primeiros e esquecer os segundos. 23Assim como no caso do aquecimento global, a questão nuclear demonstra que não basta mudar os padrões de produção da economia. 24É necessário intervir nos padrões de consumo, em escala mundial, com educação e debate democrático. Não adianta querer impedir que o Brasil construa novas usinas nucleares se o cidadão da França continuar a consumir perto de 80% de sua energia elétrica a partir dessa fonte. Nem reprovar que os chineses comprem automóveis enquanto os norte-americanos continuam a ter mais de 70 veículos para cada 100 habitantes. Já li manchete de artigo dizendo que “a energia nuclear vale o risco”, é “limpa”, tem taxa de acidentes baixa etc. Mas não se discutem a dimensão dos desastres nem a obliteração da memória. Este talvez seja o maior risco e a maior tragédia, hoje, dessa forma de energia: a introdução de sua presença no mundo dos esquecimentos programáticos. No caso de Chernobyl, houve uma tendência a ligar o desastre às sombras da “ineficiência” e do “autoritarismo” do “regime comunista”. A que atribuir agora a catástrofe japonesa? À “eficiência” do regime capitalista? Talvez. É necessário ampliar, aprofundar, insistir nessa discussão de fazer ultrapassagens perigosas em lombadas noturnas. Com as luzes apagadas. (AGUIAR, Flávio. Revista do Brasil, n. 58, p. 11, abr. 2011. – Texto adaptado.)
26VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 9. (Ucs) Com base no texto, analise a veracidade (V) ou a falsidade (F) das proposições abaixo. ( ) A conjunção OU (ref. 13), apesar de ser considerada pelos compêndios de gramática, genericamente, como a palavra que “exprime” escolha, alternância, exclusão, estabelece, no contexto em questão, a relação de sentido de inclusão, acréscimo. ( ) A expressão DE FATO (ref. 14) poderia ser substituída, sem prejuízo de sentido ao texto, por imediatamente. ( ) O uso da palavra APENAS (ref. 15) leva-nos a crer que a expectativa acerca das decisões dos adeptos do uso da energia nuclear era superior ao que foi anunciado. Assinale a alternativa que preenche corretamente os parênteses, de cima para baixo. a) V – V – V b) F – F – F c) V – F – F d) V – F – V e) F – V – V TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO TARDE CINZENTA A tarde de inverno é perfeita. O tempo nublado acinzenta tudo. Mesmo os mais empedernidos cultores da agitação, do barulho, das cores, hoje se rendem a uma certa passividade e melancolia. Os espíritos ensimesmados reinam; os ativos pagam tributo à reflexão. Sem o sol, que provoca a rudeza dos contrastes, 2 tudo é sutil, tudo é suave. Tardes assim nos reconciliam com o efêmero. Longe das certezas substanciais, ficamos flutuando entre as névoas da dúvida. A superficialidade, que aparentemente plenifica, dissolve-se; acabamos ancorados no porto das insatisfações. E, ao invés de nos perenizarmos como singularidade, desejamos subsumir na névoa...como a montanha e a tarde. A vida sempre para numa tarde assim. É como se tudo congelasse. Moléculas, músculos, máquinas e espíritos interrompem seu 5 furor produtivo e se rendem, estáticos, à 6 magia da tarde cinzenta. Numa tarde assim, não há senão uma coisa a fazer: contemplar. O espírito, carregando consigo um corpo por vezes contrariado, aquieta-se e divaga; torna-se receptivo a tudo: aos mínimos sons, às réstias de luz que atravessam a névoa, ao lento e pesado progresso que tudo conduz para o fim do dia, para o mergulho nas brumas da noite. As narinas absorvem com prazer um odor que parece carregado de umidade; a pele sente o toque enérgico do frio. O langor impõe-se e comanda esse estar-no-mundo como que suspenso por um tênue fio que nos liga, timidamente, à vida ativa. Nas tardes cinzentas, o coração balança entre a paz e a inquietação, PORQUE a calma e o silêncio inquietam. O azáfama anestesia; o não fazer deixa o espírito alerta — como um nervo exposto a qualquer acontecer. Não há jamais nada de espetacular nas tardes cinzentas, a não ser o espetáculo da própria tarde. E este é grandiosamente simples: ar friorento, claridade difusa que se perde no cinza, contemplação, inatividade e o contraditório do espírito aguçado e acuado por esse acontecer minimalista da vida. Na tarde fria e cinzenta, corpos se rendem ao aconchego de roupas macias ou de braços macios em abraços suaves. Somente olhares e corações conservam o fogo das paixões. As vozes agudas e imperativas transformam-se em sons baixos, quase guturais, que muitas vezes convertem-se em sussurros, como temendo quebrar a magia da tarde. Não nos iludamos com as aparências: não há necessariamente tristeza nas tardes cinzentas. Mas também não existe aquela alegria inconsequente dos dias cálidos e dourados pelo sol. Existe, sim, um equilíbrio perfeito, numa equidistância entre o tédio e a euforia, fazendo-nos caminhar sobre um tênue fio distendido entre o amargor e a satisfação, entre o entusiasmo e o tédio. Tudo isso, porém, só se mostra aqui e ali, em meio à bruma difusa, ao cinza que permeia tudo. Uma simples tarde cinzenta pode parar o mundo, pode deter a vida. Somente por um instante. Mas talvez apenas nos corações sensíveis. CARINO, J. Disponível em: http://www.almacarioca.net/tardecinzenta-j-carino/Acesso em: 23 ago. 2010. (Adaptado) 10. (Cesgranrio) A locução conjuntiva que substitui a conjunção destacada na oração “PORQUE a calma e o silêncio inquietam.”, sem provocar alteração de sentido, é: a) sempre que. b) por conseguinte. c) visto que. d) à medida que. e) não obstante. E.O. Complementar TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, SOIS o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? OU é PORQUE o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. OU é PORQUE o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. OU é PORQUE o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. OU é PORQUE o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; OU PORQUE a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal! (Antônio Vieira, Sermão de Santo Antônio, em: <http://www. dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000033.pdf>.) 1. (Ufpr adaptada) Vieira é um homem do século XVII. É possível detectar, no texto de Vieira, características da língua portuguesa que divergem de seu uso contemporâneo. Pensando nessa diferença entre o português atual e o português usado por Vieira, considere as seguintes afirmativas:
27VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 1. O verbo “sois” está empregado no presente do indicativo com valor durativo. 2. O “porque” é empregado no texto como conjunção explicativa e sua grafia é a mesma usada atualmente. 3. A conjunção “ou” tem no texto um uso que não é o de alternância. Assinale a alternativa correta. a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. b) Somente a afirmativa 3 é verdadeira. c) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. TER MAIS E TER MENOS Vários leitores me escreveram para acusar os “tempos modernos”, em que “ter” é mais importante do que “ser”. Hoje, o que temos nos define, à condição, claro, de ostentá-lo o suficiente para que os outros saibam: constatando nossos “bens”, eles reconheceriam nosso valor social. Essa seria a razão da cobiça de todos e, em ÚLTIMA INSTÂNCIA, da facilidade com a qual todos nos tornamos criminosos. A partir dessa constatação, alguns de meus correspondentes tentam explicar uma diferença entre ricos e pobres em matéria de crime. O argumento básico funciona mais ou menos assim: 1) para ser alguém, na nossa sociedade, é preciso ter e ostentar bens; 2) quem vale menos na consideração social (o desfavorecido, o excluído, o miserável) teria um anseio maior de conquistar aqueles bens que aumentariam seu valor aos olhos dos outros. EM SUMA, precisamos ter para ser – e, se formos pouco relevantes ou invisíveis socialmente, só poderemos querer ter mais e com mais urgência. À primeira vista, faz sentido. Mas, antes de desenvolver o raciocínio, uma palavra em defesa da modernidade. TUDO BEM, uma sociedade em que as diferenças são decididas pelo “ter” (vale mais quem tem mais) pode parecer um pouco sórdida. Acharíamos mais digna uma sociedade na qual valeria mais quem “é” melhor, não quem acumulou mais riquezas. O problema é que, em nosso passado recente, as sociedades organizadas pelo “ser” já existiram, e não foram exatamente sociedades para onde a gente voltaria alegremente – eu, ao menos, não gostaria de voltar para lá. Geralmente, uma sociedade organizada pelo “ser” é uma sociedade imóvel. Por exemplo, no antigo regime, você podia nascer nobre, perder todos os bens de sua família, inclusive a honra, e continuaria nobre, porque você já era nobre. Inversamente, você podia nascer numa sarjeta urbana e enriquecer pelo seu trabalho ou pela sua sabedoria, e nem por isso você se tornaria nobre, porque você não o era. OU SEJA, em matéria de mobilidade social, as sociedades nas quais o que importa é o “ser” são sociedades lentas, se não paradas, e as sociedades nas quais o que importa é o “ter” são sociedades nas quais a mudança é possível, se não encorajada. É bom lembrar disso quando criticamos nossa “idolatria” consumista ou nossa vaidade. Podemos sonhar com uma sociedade organizada pelas qualidades supostamente intrínsecas a cada um (haveria os sábios, os generosos, os fortes etc.), mas a alternativa real a uma sociedade do “ter” são sociedades em que castas e dinastias exercem uma autoridade contra a qual o indivíduo não pode quase nada. Voltemos agora à observação de que, numa sociedade do “ter” como a nossa, os que têm menos seriam, por assim dizer, famintos – e, portanto, propensos a querer a qualquer custo. Eles recorreriam ao crime porque sua dignidade social depende desse “ter” – para eles, ter (como navegar) é preciso. Agora, o combustível de uma sociedade do “ter” é uma mistura de cobiça com vaidade. Por cobiça, preferimos os bens materiais a nossas eventuais virtudes, mas essa cobiça está a serviço da vaidade. A riqueza que acumulamos não vale “em si”, ela vale para ser vista e reconhecida pelos outros: é a inveja deles que afirma nossa desejada “superioridade”. Em outras palavras, os bens que desejamos são indiferentes; o que importa é o reconhecimento que esperamos receber graças a eles. Por consequência, nenhum bem pode nos satisfazer, e a insatisfação é parte integrante de nosso modelo cultural. Não é que estejamos insatisfeitos porque nos falta alguma coisa (aí seria fácil, bastaria encontrá-la). Somos (e não estamos) insatisfeitos porque o reconhecimento dos outros é imaterial, difícil de ser medido e nunca suficiente. A procura por bens é infinita ou, no mínimo, indefinida, como é indefinida a procura pelo reconhecimento dos outros. Os bens que conquistamos (roubando ou não, tanto faz) não estabelecem nenhum “ser”, apenas alimentam, por um instante, um olhar que gratificaria nossa vaidade. Não existe uma acumulação a partir da qual nós nos sentiríamos ao menos parcialmente acalmados em nossa busca por esse reconhecimento. Ao contrário, é provável que a cobiça e a vaidade cresçam com o “ter”. Ou seja, é bem possível que a tentação do crime seja maior para quem tem mais do que para quem tem menos. Contardo Calligaris. Disponível em: http://www1.folha.uol. com.br/colunas/contardocalligaris/2015/05/1634384-termais-e-ter-menos. shtml. Acesso em: 27/06/15. Adaptado. 2. (Upe) Quanto aos recursos empregados na construção linguística do texto, que cooperam para a compreensão de seu conteúdo, analise as proposições a seguir. I. No trecho: “Essa seria a razão da cobiça de todos e, EM ÚLTIMA INSTÂNCIA, da facilidade com a qual todos nos tornamos criminosos.” (2º parágrafo), a expressão destacada reitera a ideia de inclusão já anunciada pela conjunção que a antecede, “e”. II. A expressão “EM SUMA”, que inicia o 3º parágrafo, introduz uma espécie de síntese dos parágrafos anteriores, e também sinaliza para o leitor uma reiteração das ideias veiculadas. III. A expressão “TUDO BEM”, que inicia o 4º parágrafo, confere ao texto um coloquialismo que se mostra inadequado ao gênero em que ele se realiza. IV. No 6º parágrafo, a expressão “OU SEJA” é responsável por introduzir uma ideia de conclusão ou resumo do conteúdo veiculado anteriormente, no mesmo parágrafo. Estão CORRETAS, apenas: a) I e II. b) I, II e III. c) I, II e IV. d) II e IV. e) III e IV.
28VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Um dos maiores problemas das cidades grandes é a solidão. 1 QUANTO MAIOR A CIDADE, 2 maior o isolamento das 3 pessoas de todas as idades, principalmente as idosas, 4 CUJOS filhos ou parentes partiram em busca de suas 5 próprias 6 vidas. Os filhos casam, os parceiros viajam antes do tempo normal, 7 ocorrem divórcios e 8 separações 9 pelo desgaste dos relacionamentos, e assim por diante. Percebendo ou não, sofrendo ou não, um dia 10a gente se surpreende morando só. Todos conhecem as vantagens e desvantagens da solidão. A liberdade, o direito de escolher o livro, o programa de televisão, o filme, o que fazer nas horas vagas, sem o inconveniente de outras pessoas exercendo também o mesmo direito, num mesmo ambiente, atrapalhando nosso desfrute. As desvantagens são incontáveis, talvez em maior número. Não ter com quem dividir os sentimentos é o mais premente. Uma colega de trabalho me relatou que o maior sonho de sua vida 11seria 12alugar alguns filmes e passar uns três dias em casa. Marido e filha não permitem. Fiz a experiência, 13OU MELHOR, tentei. Uma coisa é ver um filme no cinema, em casa não tem graça. E quando tentei a solidão experimental, permanecendo um fim de semana em casa, foi também a pior experiência. Caiu de vez a 14TESE 15QUE TENTAVA DEFENDER QUE A GENTE PODE VIVER BEM, sem depender de ninguém. Na verdade, a solidão é boa em algumas circunstâncias, ruim em outras. Num determinado momento pode ser conveniente, 16MAS já me convenci de que não deve ser adotada como estilo de vida. TINÉ, Flávio. Solidão experimental. Disponível em: <http://blogdotine. blogspot.com.br/2014/ 12/solidao-experimental.html>. Acesso em: 25 ago. 2015. Adaptado. 3. (Ebmsp) Considerando-se os elementos que garantem a progressão textual, é correto afirmar: a) O conectivo presente em “QUANTO MAIOR A CIDADE” (ref. 1) introduz uma ideia de comparação, que será concluída no fragmento “maior o isolamento das pessoas de todas as idades.” (ref. 2). b) O pronome relativo “CUJOS”, em “cujos filhos” (ref. 4), retoma a expressão “pessoas de todas as idades” (ref. 3), estabelecendo uma ideia de posse. c) A expressão “OU MELHOR” (ref. 13) dá progressão temática ao texto, indicando uma justificativa do que foi declarado anteriormente. d) O elemento coesivo “QUE”, nas duas ocorrências, em “QUE TENTAVA DEFENDER QUE A GENTE PODE VIVER BEM” (ref. 15), é um termo que apresenta diferentes funções, na medida em que o primeiro retoma o substantivo “TESE” (ref. 14), e o segundo introduz um complemento verbal, permitindo concluir que as classes gramaticais a que um e outro pertencem são distintas. e) A conjunção “MAS” (ref. 16) introduz uma informação contrária, rejeitando a afirmação anterior sobre a importância da solidão no cotidiano das pessoas que vivem na cidade grande. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. ARTICULISTA DA FORBES IRONIZA O STATUS QUE O BRASILEIRO DÁ PARA O AUTOMÓVEL (1) Até a americana revista Forbes anda rindo da obsessão do brasileiro em encarar o automóvel como símbolo de status. No último sábado, o blog do colaborador Kenneth Rapoza, especialista nos chamados Bric´s (Brasil, Rússia, Índia e China), trouxe um artigo intitulado “O Jeep Grand Cherokee de ridículos 80 mil dólares do Brasil”. A tese do artigo: os brasileiros confundem qualidade com preço alto e se dispõem a pagar 189 mil reais (89.500 dólares) por um carro desses que, nos Estados Unidos, é só mais um carro comum. Por esse preço, ironiza Rapoza, “seria possível comprar três Grand Cherokees se esses brasileiros vivessem em Miami junto de seus amigos.” (2) O articulista lembra que a Chrysler lançará o Dodge Durango SUV, que nos Estados Unidos custa 54 mil reais, no Salão do Automóvel de São Paulo por 190 mil reais. “Um professor de escola primária do Bronx pode comprar um Durango. Ok, não um zero quilômetro, mas um de dois ou três anos, absolutamente bem conservado”, exemplifica, PARA mostrar que o carro supostamente não vale o quanto custa no País. (3) O autor salienta que o alto custo ocorre por conta da taxação de 50% em produtos importados e da ingenuidade do consumidor que acredita que um Cherokee tem o mesmo valor que um BMW X5 SÓ PORQUE tem o mesmo preço. “Desculpem, ‘Brazukas’, MAS não há nenhum status em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand ou Dodge Durango. Não sejam enganados pelo preço de etiqueta. Vocês definitivamente estão sendo roubados.” (4) E conclui o artigo: “Pensando dessa maneira, imagine que um amigo americano contasse que acabou de comprar um par de Havaianas de 150 dólares. Você diria que ele pagou demais. É claro que esses chinelos são sexy e chic, mas não valem 150 dólares. QUANDO o assunto é carro e seu status no Brasil, as camadas mais altas estão servindo Pitu e 51 em suas caipirinhas e pensando que é bebida de alta qualidade.” Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/articulista-daforbes-ironiza-o-status-que-o-brasileiro-da-para-oautomovel. (Adaptado) 4. (Upe) Ao longo do texto, relações semânticas e coesivas são construídas por diferentes tipos de expressões conectivas e sequenciadoras. Sobre esse aspecto, analise as proposições a seguir. I. A preposição “ATÉ” (1º parágrafo) sugere exclusividade no que tange ao posicionamento da revista Forbes sobre o status do automóvel para o brasileiro. II. A preposição “PARA” (2º parágrafo) introduz o propósito, a finalidade do exemplo trazido pelo articulista Kenneth Rapoza. III. A expressão “SÓ PORQUE” (3º parágrafo) estabelece uma relação de causa e consequência entre as partes do texto que conecta. IV. A conjunção “MAS” (3º parágrafo) explicita uma oposição a um fato do senso comum brasileiro, ironicamente desacreditado pelo articulista da Forbes. V. Embora resida na conjunção “QUANDO” (4º parágrafo) um sentido temporal, nesse contexto, a relação configurada é espacial, pois se compara o Brasil a outros países. Estão CORRETAS, apenas, a) I, II e III. d) II, III e IV. b) I, III e IV. e) II, IV e V. c) I e V.
29VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. OS IDEAIS DA NOSSA GERAÇÃO Y 5 Uma pesquisa inédita mostra COMO pensam os jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Eles são bem menos idealistas que os americanos. Daniella Cornachione 1 Quando o jornalista Otto Lara Resende, diante das câmeras de TV, pediu ao dramaturgo Nelson Rodrigues que desse um conselho aos jovens telespectadores, a resposta foi contundente: “Envelheçam!”. A recomendação foi dada no programa de entrevistas Painel, exibido pela Rede Globo em 1977. Pelo menos no quesito trabalho, os brasileiros perto dos 20 anos de idade parecem dispensar o conselho. 9 Apesar de começarem a procurar emprego num momento de otimismo econômico, quase eufórico, os jovens brasileiros têm expectativas de carreira bem menos idealistas que os americanos e europeus — e olha que por lá eles estão enfrentando uma crise brava. É o que revela uma pesquisa da consultoria americana Universum, feita em 25 países. (...). No estudo, chamado Empregador ideal, universitários expressam seus desejos em relação às empresas, em diversos quesitos. O Brasil é o primeiro país sul-americano a participar -- foram entrevistados mais de 11 mil universitários no país de fevereiro a abril. 11De acordo com o estudo, 4 dois em cada três universitários brasileiros acham que o empregador ideal oferece, em primeiro lugar, treinamento e desenvolvimento — quer dizer, a possibilidade de virar um profissional melhor. A mesma característica é valorizada só por 38% dos americanos, que colocam no topo das prioridades, neste momento, a estabilidade no emprego. 3 Os brasileiros apontaram como segundo maior objetivo a possibilidade de empreender, criar ou inovar, numa disposição para o risco que parece estar diminuindo nos Estados Unidos. O paulista Guilherme Mosaner, analista de negócios de 25 anos, representa bem as preocupações brasileiras. “O trabalho precisa ser desafiador. Tenho de aprender algo todo dia.” 10Mosaner trabalha há um ano e meio em uma empresa de administração de patrimônio, mas acha improvável construir a carreira numa mesma companhia, assim como metade dos estudantes brasileiros entrevistados pela Universum. 2 Entre as boas qualidades de um empregador, os universitários incluem seu sucesso econômico e a valorização que ele confere ao currículo. “A gente sabe que não vai ficar 40 anos em um mesmo lugar, por isso já se prepara para coisas novas”, diz Mosaner. 7 Apesar de mais pragmáticos, os universitários brasileiros, assim COMO os americanos e europeus, 8 consideram COMO objetivo máximo equilibrar trabalho e vida pessoal. 6 Quem pensa em americanos COMO viciados em trabalho e em europeus como cultivadores dos prazeres da vida talvez precise reavaliar as crenças diante da geração que está saindo da faculdade: o bom balanço entre trabalho e vida pessoal é a meta número um de 49% dos brasileiros, 52% dos europeus e... 65% dos americanos. (ÉPOCA, 21 de junho de 2010) 5. (Epcar) Assinale a alternativa em que o vocábulo “como” é uma conjunção integrante. a) “Uma pesquisa inédita mostra COMO pensam os jovens que estão entrando no mercado de trabalho.” (ref.5) b) “Quem pensa em americanos COMO viciados em trabalho...” (ref.6) c) “Apesar de mais pragmáticos, os universitários brasileiros, assim COMO os americanos e europeus...” (ref.7) d) “... consideram COMO objetivo máximo equilibrar trabalho e vida pessoal.” (ref.8) E.O. Dissertativo TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Sr. Diretor do Imposto de Renda: (...) Minha dúvida, meu problema, Sr. Diretor, consiste na desconfiança de que sou, tenho sido a vida inteira um sonegador do Imposto de Renda. Involuntário, inconsciente, mas de qualquer forma sonegador. Posso alegar em minha defesa muita coisa: a legislação, 3 EMBORA PROFUSA E ATÉ FLORESTAL, é omissa ou não explícita; os itens das diferentes cédulas não preveem o caso; o órgão fiscalizador jamais cogitou disso; todo mundo está nas mesmas condições que eu, e ninguém se acusa ou reclama contra si mesmo. Contudo, não me conformo, e venho expor-lhe lealmente as minhas rendas ocultas. A lei manda cobrar imposto a quem tenha renda líquida superior a determinada importância; parece claro que só tributam rendimentos em dinheiro. A seguir, entretanto, a mesma lei declara: “São também contribuintes as pessoas físicas que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse, como se lhes pertencessem.” E aqui me vejo enquadrado e faltoso. Tenho a posse de inúmeros bens que não me pertencem e que desfruto copiosamente. Eles me rendem o máximo, e nunca fiz constar de minha declaração tais rendimentos. Esses bens são: o Sol, para começar do alto (só a temporada de praia, neste verão que acabou, foi uma renda fabulosa); a Lua, que, vista do terraço ou da calçada da Avenida Atlântica, diante do mar, me rendeu milhões de 1 cruzeiros-sonho; (...) as crianças brincando no play-ground ou a caminho da escola; em particular, três meninos que vêm e vão pelo ar, tão moleques e tão 5 RENDOSOS para este coração; (...) certos prazeres como andar por andar, ver figura em edições de arte, conversar sem sentido e sem cálculo, um filmezinho como Le petit poisson rouge, em que o gato salva o peixe para ser gentil com o canário, indicando um caminho aos senhores da guerra fria; e isso e aquilo e tudo mais de alta 6 RENTABILIDADE... 2 não em espécie. Estes os meus verdadeiros rendimentos, senhor; salários e dividendos não computados na declaração. Agora estou confortado porque confessei; invente depressa uma rubrica para incluir esses 4 LUCROS e taxe-me sem piedade. Multe, se for o caso; pagarei feliz. Atenciosas saudações. Carlos Drummond de Andrade, “Cadeira de balanço”. 1. (Fgv) Atenda ao que se pede. a) Reescreva o trecho “embora profusa e até florestal” (ref. 3), substituindo a conjunção e os adjetivos por expressões equivalentes e introduzindo um verbo, sem alterar o sentido do texto. b) As palavras “renda(s)” e “rendimentos”, usadas várias vezes no texto, apenas no final foram substituídas por “lucros” (ref. 4). Que palavras poderiam substituir “rendosos” (ref. 5) e “rentabilidade” (ref. 6), tendo em vista o contexto? TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. O HOMEM QUE QUERIA ELIMINAR A MEMÓRIA Entrou no hospital, mandou chamar o melhor neurocirurgião. O médico: — Sim?
30VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias — Quero me operar. Quero que o senhor tire um pedaço do meu cérebro. — Um pedaço do cérebro? Por que vou tirar um pedaço do seu cérebro? — Quero eliminar a memória. — Para quê? — Gozado, as pessoas só sabem perguntar: o quê? Por quê? Para quê? 1 Falei com dezenas de pessoas, e todos me perguntaram: por quê? Não podem aceitar pura e simplesmente alguém que deseja eliminar a memória. — Já que o senhor veio a mim para fazer esta operação, tenho ao menos o direito dessa informação. — Não quero mais me lembrar de nada. Só isso. As coisas passaram, passaram. Fim! — Não é tão simples assim. 2 Na vida diária, o senhor precisa da memória. Para lembrar pequenas coisas. Ou grandes. Compromissos, encontros, coisas a pagar, etc. — É tudo que vou eliminar. Marco numa agenda, olho ali e pronto. — 3 Não dá pra fazer isso, de qualquer modo. 4 A medicina não está tão adiantada assim. (...) — Seria muito melhor para os homens. O dia a dia. O dia de hoje para frente. Entende o que eu quero dizer? Nenhuma lembrança ruim ou boa, nenhuma neurose. O passado fechado, encerrado. Definitivamente bloqueado. Não seria engraçado? Não se lembrar sequer do que se tomou no café da manhã? E pra que eu quero me lembrar do que tomei no café da manhã? — 5 Se todo mundo fizesse isso, acabaria a história. — E quem quer saber de história? — Imaginou o mundo? — Feliz, tranquilo. Só de futuro. O dia em vez de se transformar em passado de hoje, mudando-se em futuro. Cada instante projetado para frente. — Não seria bem assim. Teríamos apenas uma soma de instantes perdidos. Nada mais. Cada segundo eliminado. A sua existência comprovada através do quê? — Quem quer comprovar a existência? — A gente precisa. — Pra quê? O médico pensou. Não conseguiu responder. O homem tinha-o deixado totalmente confuso. Pediu ao homem que voltasse outro dia. Despediram-se. O médico subiu para os brancos corredores do hospital, passou pela sala de operações. Chamou um amigo. — Estou pensando em tirar um pedaço do meu cérebro. Eliminar a memória. O que você acha? — Muito boa ideia. Por que não pensamos nisso antes? Opero você e depois você me opera. Também quero. (Ignácio de Loyola Brandão. Cadeiras proibidas: contos. Rio de Janeiro: Codecri, 1984, pp. 32-34.) 2. (Cp2) “Falei com dezenas de pessoas, E todos me perguntaram: por quê?” (ref. 1) Qual é o valor semântico da conjunção destacada? TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. O YUAN CAI – NA NOSSA CABEÇA Assim que a China anunciou, no dia 11 [11.08.2015], que permitira uma queda de 1,9% no valor de sua moeda, o yuan, Bolsas e moedas de outros países desabaram. Foi a maior desvalorização cambial na China desde 1994. Ao baratear sua moeda e, como consequência, seus salários e seus produtos, os chineses impulsionaram suas exportações. Mas dificultam a vida da concorrência e a recuperação econômica em outros países. Entre esses sofredores, está o Brasil. O Brasil já vinha sentindo um baque duplo: a China em desaceleração consome menos de nossa soja e de nosso minério de ferro, e os preços desses produtos no mercado internacional estão em baixa. O Brasil normalmente vende para a China mais do que compra. (Época, 17.08.2015) 3. (Fgv) Analise o período inicial do texto: “Assim que a China anunciou, no dia 11 [11.08.2015], que permitira uma queda de 1,9% no valor de sua moeda, o yuan, Bolsas e moedas de outros países desabaram.” a) Justifique o uso das formas verbais “anunciou” e “permitira” e reescreva o período, utilizando o tempo verbal composto que pode substituir esta última, no contexto, conforme a norma-padrão da língua portuguesa. b) O período está organizado a partir de uma perspectiva temporal, como indica a conjunção “Assim que”. Reescreva-o numa perspectiva de causa. 4. (Pucrj) TEXTO 1 A BUSCA DA FELICIDADE Felicidade é um truque. Um truque da natureza concebido ao longo de milhões de anos com uma só finalidade: enganar você. A lógica é a seguinte: quando fazemos algo que aumenta nossas chances de sobreviver ou de procriar, nos sentimos muito bem. Tão bem que vamos querer repetir a experiência muitas e muitas vezes. E essa nossa perseguição incessante de coisas que nos deixem felizes acaba aumentando as chances de transmitirmos nossos genes. “As leis que governam a felicidade não foram desenhadas para nosso bem-estar psicológico, mas para aumentar as chances de sobrevivência dos nossos genes a longo prazo”, escreveu o escritor e psicólogo americano Robert Wright, num artigo para a revista americana Time. A busca da felicidade é o combustível que move a humanidade — é ela que nos força a estudar, trabalhar, ter fé, construir casas, realizar coisas, juntar dinheiro, gastar dinheiro, fazer amigos, brigar, casar, separar, ter filhos e depois protegê-los. Ela nos convence de que cada uma dessas conquistas é a coisa mais importante do mundo e nos dá disposição para lutar por elas. Mas tudo isso é ilusão. A cada vitória surge uma nova necessidade. Felicidade é uma cenoura pendurada numa vara de pescar amarrada no nosso corpo. Às vezes, com muito esforço, conseguimos dar uma mordidinha. Mas a cenoura continua lá adiante, apetitosa, nos empurrando para a frente. Felicidade é um truque. Extraído de AXT, Barbara. “A busca da felicidade”. Revista Superinteressante – n.212, abril de 2005. http://super.abril.com.br/ cultura/busca-felicidade-464107.shtml. Acesso em 26/07/2013. TEXTO 2 — Macabéa! Tenho grandes notícias para lhe dar! Preste atenção, minha flor, porque é da maior importância o que vou lhe dizer. É coisa muito séria e muito alegre: sua vida vai mudar completamente! E digo mais: vai mudar a partir do momento em que você sair da minha casa! Você vai se sentir outra! Fique sabendo, minha florzinha, que até o seu namorado vai voltar
31VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias e propor casamento, ele está arrependido! E seu chefe vai lhe avisar que pensou melhor e não vai mais lhe despedir! Macabéa nunca tinha tido coragem de ter esperança. Mas agora ouvia a madama como se ouvisse uma trombeta vinda dos céus – enquanto suportava uma forte taquicardia. Madama tinha razão: Jesus enfim prestava atenção nela. Seus olhos estavam arregalados por uma súbita voracidade pelo futuro (explosão). E eu também estou com esperança enfim. — E tem mais! Um dinheiro grande vai lhe entrar pela porta adentro em horas da noite trazido por um homem estrangeiro. Você conhece algum estrangeiro? — Não senhora, disse Macabéa já desanimando. — Pois vai conhecer. Ele é alourado e tem olhos azuis ou verdes ou castanhos ou pretos. E se não fosse porque você gosta de seu ex-namorado, esse gringo ia namorar você. Não! Não! Não! Agora estou vendo outra coisa (explosão) e apesar de não ver muito claro estou também ouvindo a voz de meu guia: esse estrangeiro parece se chamar Hans, e é ele quem vai se casar com você! Ele tem muito dinheiro, todos os gringos são ricos. Se não me engano, e nunca me engano, ele vai lhe dar muito amor e você, minha enjeitadinha, você vai se vestir com veludo e cetim e até casaco de pele vai ganhar! Macabéa começou (explosão) a tremelicar toda por causa do lado penoso que há na excessiva felicidade. Só lhe ocorreu dizer: — Mas casaco de pele não se precisa no calor do Rio... — Pois vai ter só para se enfeitar. Faz tempo que não boto cartas tão boas. E sou sempre sincera: por exemplo, acabei de ter a franqueza de dizer para aquela moça que saiu daqui que ela ia ser atropelada, ela até chorou muito, viu os olhos avermelhados dela? E agora vou lhe dar um feitiço que você deve guardar dentro deste sutiã que quase não tem seio, coitada, bem em contacto com sua pele. Você não tem busto mas vai engordar e vai ganhar corpo. Enquanto você não engordar, ponha dentro do sutiã chumaços de algodão para fingir que tem. Olha, minha queridinha, esse feitiço também sou obrigada por Jesus a lhe cobrar porque todo o dinheiro que eu recebo das cartas eu dou para um asilo de crianças. Mas se não puder, não pague, só venha me pagar quando tudo acontecer. — Não, eu lhe pago, a senhora acertou tudo, a senhora é... Estava meio bêbada, não sabia o que pensava, parecia que lhe tinham dado um forte cascudo na cabeça de ralos cabelos, sentia-se tão desorientada como se lhe tivesse acontecido uma infelicidade. Sobretudo estava conhecendo pela primeira vez o que os outros chamavam de paixão: estava apaixonada por Hans. — E que é que eu faço para ter mais cabelo?, ousou perguntar porque já se sentia outra. — Você está querendo demais. Mas está bem: lave a cabeça com sabão Aristolino, não use sabão amarelo em pedra. Esse conselho eu não cobro. LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 2006. p.95-97. a) Reescreva o períodoz abaixo no futuro, substituindo a conjunção “QUANDO” pela conjunção “SE”. QUANDO fazemos algo que aumenta nossas chances de sobreviver, nos sentimos muito bem. b) Indique um conectivo que possa substituir o travessão no segundo parágrafo do texto A busca da felicidade (Texto 1). c) Na linguagem oral informal, por vezes há um relaxamento da norma culta. Determine qual, dentre os trechos abaixo, transcritos do Texto 2, apresenta um desvio da norma culta e explique em que consiste o desvio. I. “Preste atenção, minha flor, porque é da maior importância o que vou lhe dizer.” II. “E seu chefe vai lhe avisar que pensou melhor e não vai mais lhe despedir!” TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. TEXTO 1 Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia, e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: - Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? - Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; 2 o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os 1 Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a uns e outros definiu com o mesmo nome: “Eodem loco pone latronem et piratam, quo regem animum latronis et piratae habentem”. Se o Rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome. Fragmento do Sermão do bom ladrão, de Pe. Antonio Vieira TEXTO 2 Entre a desordem carnavalesca, que permite e estimula o excesso, e a ordem, que requer a continência e a disciplina pela obediência estrita às leis, como é que nós, brasileiros, ficamos? Qual a nossa relação e a nossa atitude para com e diante de uma lei universal que teoricamente deve valer para todos? 3 Como procedemos diante da norma geral, se fomos criados numa casa onde, desde a mais tenra idade, aprendemos que há sempre um modo de satisfazer nossas vontades e desejos, mesmo que isso vá de encontro às normas do bom senso e da coletividade em geral? Num livro que escrevi - “Carnavais, malandros e heróis” -, lancei a tese de que o dilema brasileiro residia numa trágica oscilação entre um esqueleto nacional feito de leis universais cujo sujeito era o indivíduo e situações onde cada qual se salvava e se despachava como podia, utilizando para isso o seu sistema de relações pessoais. Haveria assim, nessa colocação, um verdadeiro combate entre leis que devem valer para todos e relações que evidentemente só podem funcionar para quem as tem. O resultado é um sistema social dividido e até mesmo equilibrado entre duas unidades sociais básicas: o indivíduo (o sujeito das leis universais que modernizam a sociedade) e a pessoa (o sujeito das relações sociais, que conduz ao polo tradicional do sistema). Entre os dois, o coração dos brasileiros balança. E no meio dos dois, a malandragem, o “jeitinho”, e o famoso e antipático “sabe com quem está falando?” seriam modos de enfrentar essas contradições e paradoxos de modo tipicamente brasileiro. [...] De fato, como é que reagimos diante de um “proibido estacionar”, “proibido fumar”, ou diante de uma fila quilométrica? Como é que se faz diante de um requerimento que está sempre errado? Ou diante de um prazo que já se esgotou e conduz a uma multa automática que não foi divulgada de modo apropriado pela autoridade pública? Ou de uma taxação injusta e abusiva que o Governo novamente decidiu instituir de modo drástico e sem consulta?
32VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Nos Estados Unidos, na França e na Inglaterra, somente para citar três bons exemplos, as regras ou são obedecidas ou não existem. Nessas sociedades, sabe-se que não há prazer algum em escrever normas que contrariam e, em alguns casos, aviltam o bom senso e as regras da própria sociedade, abrindo caminho para a corrupção burocrática e ampliando a desconfiança do poder público. Assim, diante dessa enorme coerência entre a regra jurídica e as práticas da vida diária, o inglês, o francês e o norte-americano param diante de uma placa de trânsito que ordena parar, o que - para nós - parece um absurdo lógico e social, pelas razões já indicadas. Ficamos, pois, sempre confundidos e, ao mesmo tempo, fascinados com a chamada disciplina existente nesses países. Aliás, é curioso que a nossa percepção dessa obediência às leis universais seja traduzida em termos de civilização e disciplina, educação e ordem, quando na realidade ela é decorrente de uma simples e direta adequação entre a prática social e o mundo constitucional e jurídico. É isso que faz a obediência que tanto admiramos e, também, engendra aquela confiança de que tanto sentimos falta. Porque, nessas sociedades, a lei não é feita para explorar ou submeter o cidadão, ou como instrumento para corrigir e reinventar a sociedade. Lá, a lei é um instrumento que faz a sociedade funcionar bem e isso - começamos a enxergar - já é um bocado! 4 Claro está que um dos resultados dessa confiança é uma aplicação segura da lei que, por ser norma universal, não pode pactuar com o privilégio ou com a lei privada, aquela norma que se aplica diferencialmente se o crime ou a falta foi cometida por pessoas diferencialmente situadas na escala social. Isso que ocorre diariamente no Brasil, quando, digamos, um bacharel comete um assassinato e tem direito a prisão especial e um operário, diante da mesma lei, não tem igual direito porque não é, obviamente, bacharel... A destruição do privilégio engendrou uma justiça ágil e operativa na base do certo ou errado. Uma justiça que não aceita o mais ou menos e as indefectíveis gradações e hierarquias que normalmente acompanham a ritualização legal brasileira, que para todos os delitos estabelece virtualmente um peso e uma escala. Fragmento de “O modo de navegação social: a malandragem e o ‘jeitinho’”, cap. 7 de O que faz o Brasil, Brasil, de Roberto DaMatta 5. (Pucrj) a) Em apenas um dos períodos a seguir, a conjunção SE pode ser substituída pela conjunção condicional CASO, sem alterar o sentido original do texto. Selecione o período em que isso ocorre e reescreva o trecho destacado, substituindo SE por CASO. Faça as adaptações necessárias. Período 1: “Como procedemos diante da norma geral, SE fomos criados numa casa onde, desde a mais tenra idade, aprendemos que há sempre um modo de satisfazer nossas vontades e desejos, mesmo que isso vá de encontro às normas do bom senso e da coletividade em geral?” (Texto 2, ref. 3) Período 2: “Claro está que um dos resultados dessa confiança é uma aplicação segura da lei que, por ser norma universal, não pode pactuar com o privilégio ou a lei privada, aquela norma que se aplica diferencialmente SE o crime ou a falta foi cometida por pessoas diferencialmente situadas na escala social”. (Texto 2, ref. 4) b) A construção a seguir é ambígua. Reescreva-a de forma a eliminar a ambiguidade, escolhendo uma de suas leituras possíveis. “O deputado que tinha alegado imunidade parlamentar na semana passada foi preso”. E.O. Enem 1. (Enem) TAREFA Morder o fruto amargo e não cuspir Mas avisar aos outros quanto é amargo Cumprir o trato injusto e não falhar Mas avisar aos outros quanto é injusto Sofrer o esquema falso e não ceder Mas avisar aos outros quanto é falso Dizer também que são coisas mutáveis... E quando em muitos a não pulsar – do amargo e injusto e falso por mudar – então confiar à gente exausta o plano de um mundo novo e muito mais humano. CAMPOS, G. Tarefa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981. Na organização do poema, os empregos da conjunção “mas” articulam, para além de sua função sintática, a) a ligação entre verbos semanticamente semelhantes. b) a oposição entre ações aparentemente inconciliáveis. c) a introdução do argumento mais forte de uma sequência. d) o reforço da causa apresentada no enunciado introdutório. e) a intensidade dos problemas sociais presentes no mundo. 2. (Enem) RECICLAR É SÓ PARTE DA SOLUÇÃO O lixo é um grande problema da sustentabilidade. Literalmente: todos os anos, cada brasileiro produz 385 kg de resíduos – dá 61 milhões de toneladas no total. O certo seria tentar diminuir ao máximo essa quantidade de lixo. OU SEJA, em vez de ter objetos recicláveis, o ideal seria produzir sempre objetos reutilizáveis, o que diminui os resíduos. MAS, enquanto isso não acontece, temos que nos contentar com a reciclagem. E é aí que vem um detalhe perigoso: reciclar o lixo TAMBÉM polui o ambiente e gasta energia. Reciclar vidro, por exemplo, é 15% mais caro do que produzi-lo a partir de matérias-primas virgens. AFINAL, é feito basicamente de areia, soda e calcário, que são abundantes na natureza. ENTÃO, nenhuma empresa tem interesse em reciclá-lo. Já o alumínio é um supernegócio, porque economiza muita energia. HORTA, M. Disponível em: http://super.abril.com.br. Acesso em: 25 maio 2012. O emprego adequado dos elementos de coesão contribui para a construção de um texto argumentativo e para que os objetivos pretendidos pelo autor possam ser alcançados. A análise desses elementos no texto mostra que o conectivo: a) “ou seja” introduz um esclarecimento sobre a diminuição da quantidade de lixo. b) “mas” instaura justificativas para a criação de novos tipos de reciclagem.
33VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias c) “também” antecede um argumento a favor da reciclagem. d) “afinal” retoma uma finalidade para o uso de matérias-primas. e) “então” reforça a ideia de escassez de matérias- -primas na natureza. 3. (Enem) Nessa charge, o recurso morfossintático que colabora para o efeito de humor está indicado pelo(a) a) emprego de uma oração adversativa, que orienta a quebra da expectativa ao final. b) uso de conjunção aditiva, que cria uma relação de causa e efeito entre as ações. c) retomada do substantivo “mãe”, que desfaz a ambiguidade dos sentidos a ele atribuídos d) utilização da forma pronominal “la”, que reflete um tratamento formal do filho em relação à “mãe”. e) repetição da forma verbal “é”, que reforça a relação de adição existente entre as orações. 4. (Enem) BRASIL É O MAIOR DESMATADOR, MOSTRA ESTUDO DA ONU O Brasil reduziu sua taxa de desmatamento em vinte anos, mas continua líder entre os países que mais desmatam, segundo a FAO (órgão da ONU para a agricultura). A entidade apresentou ontem estudo sobre a cobertura florestal no mundo e o resultado é preocupante: em apenas dez anos, uma área de floresta do tamanho de dois estados de São Paulo desapareceu do país. De forma geral, a queda no ritmo da perda de cobertura florestal foi de 37% em dez anos. Entre 1990 e 1999, 16 milhões de hectares por ano sumiram. Entre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares. Mas o número é considerado alto. A América do Sul é apontada como a maior responsável pela perda de florestas do mundo, com cortes anuais de 4 milhões de hectares. A África vem em seguida, com 3,4 milhões de hectares/ano. O Estado de São Paulo, 26 mar. 2010. Na notícia lida, o conectivo “MAS” (terceiro parágrafo) estabelece uma relação de oposição entre as sentenças: “Entre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares” e “o número é considerado alto”. Uma das formas de se reescreverem esses enunciados, sem que lhes altere o sentido inicial, é: a) Porque, entre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares, o número é considerado alto. b) Entre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares, por isso o número é considerado alto. c) Entre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares, uma vez que o número é considerado alto. d) Embora, entre 2000 e 2009, esse número tenha caído para 13 milhões de hectares, o número é considerado alto. e) Visto que, entre 2000 e 2009, esse número caiu para 13 milhões de hectares, o número é considerado alto. 5. (Enem) Cultivar um estilo de vida saudável é extremamente importante para diminuir o risco de infarto, mas também como de problemas como morte súbita e derrame. Significa que manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente já reduz, por si só, as chances de desenvolver vários problemas. Além disso, é importante para o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de glicose no sangue. Também ajuda a diminuir o estresse e aumentar a capacidade física, fatores que, somados, reduzem as chances de infarto. Exercitar-se, nesses casos, com acompanhamento médico e moderação, é altamente recomendável. ATALIA, M. Nossa vida. Época. 23 mar. 2009. As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo relações que atuam na construção do sentido. A esse respeito, identifica-se, no fragmento, que: a) A expressão “Além disso” marca uma sequenciação de ideias. b) o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia de contraste. c) o termo “como”, em “como morte súbita e derrame”, introduz uma generalização. d) o termo “Também” exprime uma justificativa. e) o termo “fatores” retoma coesivamente “níveis de colesterol e de glicose no sangue”. E.O. UERJ Exame de Qualificação TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. O FUTURO ERA LINDO A informação seria livre. Todo o saber do mundo seria compartilhado, bem como a música, o cinema, a literatura e a ciência. O custo seria zero. O espaço seria infinito. A velocidade, estonteante. A solidariedade e a colaboração seriam os valores supremos. A criatividade, o único poder verdadeiro. O bem triunfaria sobre os males do capitalismo. O sistema de representação se tornaria obsoleto. Todos os seres humanos teriam oportunidades iguais em qualquer lugar do planeta. Todos seriam empreendedores e inventivos. Todos poderiam se expressar livremente. Censura, nunca mais. As fronteiras deixariam de existir. As distâncias se tornariam irrelevantes. O inimaginável seria possível. O sonho, qualquer sonho, poderia se tornar realidade. 1 Livre, grátis, inovador, coletivo, palavras-chave do novo mundo que a internet inaugurou. Por anos esquecemos que a internet foi uma invenção militar, criada para manter o poder de quem já o tinha. Por anos fingimos que transformar produtos físicos em produtos virtuais era algo ecologicamente correto, esquecendo que a fabricação de computadores e celulares, com a obsolescência embutida em seu DNA, demanda o consumo de quanti-
34VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias dades vexatórias de combustíveis fósseis, de produtos químicos e de água, sem falar no volume assombroso de lixo não reciclado em que resultam, incluindo lixo tóxico. 2 Ninguém imaginou que o poder e o dinheiro se tornariam tão concentrados em megahipercorporações norte-americanas como o Google, que iriam destruir para sempre tantas indústrias e atividades em tão pouco tempo. Ninguém previu que os mesmos Estados Unidos, graças às maravilhas da internet sempre tão aberta e juvenil, se consolidariam como os maiores espiões do mundo, humilhando potências como a Alemanha e também o Brasil, impondo os métodos de sua inteligência militar sobre a população mundial, e guiando ao arrepio da justiça os bebês engenheiros nota dez em matemática mas ignorantes completos em matéria de ética, política e em boas maneiras. 3 Ninguém previu a febre das notícias inventadas, a civilização de perfis falsos, as enxurradas de vírus, os arrastões de números de cartão de crédito, a empulhação dos resultados numéricos falseados por robôs ou gerados por trabalhadores mal pagos em países do terceiro mundo, o fim da privacidade, o terrorismo eletrônico, inclusive de Estado. Marion Strecker. Adaptado de Folha de São Paulo, 29/07/2014. 1. (UERJ) Ninguém imaginou que o poder e o dinheiro se tornariam tão concentrados em megahipercorporações norte-americanas como o Google, que iriam destruir para sempre tantas indústrias e atividades (ref. 2) O vocábulo TÃO, associado ao conectivo QUE, estabelece uma relação coesiva de: a) concessão b) explicação c) consequência d) simultaneidade TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. A NAMORADA Havia um muro alto entre nossas casas. 1 Difícil de mandar recado para ela. Não havia e-mail. 2 O pai era uma onça. A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por um cordão E pinchava a pedra no quintal da casa dela. Se a namorada respondesse pela mesma pedra Era uma glória! Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira E então era agonia. No tempo do onça era assim. Manoel de Barros Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010. 2. (UERJ) Difícil de mandar recado para ela. Não havia e-mail. O pai era uma onça. (ref. 1) O primeiro verso estabelece mesma relação de sentido com cada um dos dois outros versos. Um conectivo que expressa essa relação é: a) porém b) porque c) embora d) portanto TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. MEMÓRIAS DO CÁRCERE 1 Resolvo-me a contar, depois de muita hesitação, casos passados há dez anos − e, antes de começar, digo os motivos por que silenciei e por que me decido. Não conservo notas: algumas que tomei foram inutilizadas, e assim, 16com o decorrer do tempo, ia-me parecendo cada vez mais difícil, quase impossível, redigir esta narrativa. Além disso, julgando a matéria superior às minhas forças, esperei que outros mais aptos se ocupassem dela. Não vai aqui falsa modéstia, como adiante se verá. 2 Também me afligiu a ideia de jogar no papel criaturas vivas, sem disfarces, com os nomes que têm no registro civil. Repugnava-me deformá-las, 9 dar-lhes pseudônimo, fazer do livro uma espécie de romance; mas teria eu o direito de 5 utilizá-las em história presumivelmente verdadeira? Que diriam elas se se vissem impressas, realizando atos esquecidos, repetindo palavras contestáveis e obliteradas? (...) O receio de cometer indiscrição exibindo em público pessoas que tiveram comigo convivência forçada já não me apoquenta. Muitos desses antigos companheiros distanciaram-se, apagaram-se. 10Outros permaneceram junto a mim, ou vão reaparecendo ao cabo de longa ausência, alteram-se, completam-se, avivam recordações meio confusas − e não vejo inconveniência em mostrá-los. (...) E aqui chego à última objeção que me impus. 13Não resguardei os apontamentos obtidos em largos dias e meses de observação: num momento de aperto fui obrigado a atirá-los na água. 6 Certamente me irão fazer falta, mas terá sido uma perda irreparável? Quase me inclino a supor que foi bom privar-me desse material. 17Se ele existisse, ver-me-ia propenso a consultá-lo a cada instante, mortificar-me-ia por dizer com rigor a hora exata de uma partida, 11quantas demoradas tristezas se aqueciam ao sol pálido, em manhã de bruma, a cor das folhas que tombavam das árvores, num pátio branco, a forma dos montes verdes, tintos de luz, frases autênticas, gestos, gritos, gemidos. Mas que significa isso? 15Essas coisas verdadeiras podem não ser verossímeis. E se esmoreceram, deixá-las no esquecimento: valiam pouco, pelo menos imagino que valiam pouco. Outras, porém, conservaram- -se, cresceram, associaram-se, e é inevitável mencioná-las. 7 Afirmarei que sejam absolutamente exatas? Leviandade. (...)14Nesta reconstituição de fatos velhos, neste esmiuçamento, exponho o que notei, o que julgo ter notado. 3 Outros devem possuir lembranças diversas. Não as contesto, mas espero que não recusem as minhas: 4 conjugam-se, completam-se e me dão hoje impressão de realidade. Formamos um grupo muito complexo, que se desagregou. De repente nos surge a necessidade urgente de recompô-lo. Define-se o ambiente, as figuras se delineiam, vacilantes, ganham relevo, a ação começa. 18Com esforço desesperado arrancamos de cenas confusas alguns fragmentos. Dúvidas terríveis nos assaltam. De que modo reagiram os caracteres em determinadas circunstâncias? O ato que nos ocorre, nítido, irrecusável, terá sido realmente praticado? Não será incongruência? Certo a vida é cheia de incongruências, mas estaremos seguros de não nos havermos enganado? Nessas vacilações dolorosas, 12às vezes necessitamos confirmação, apelamos para reminiscências alheias, convencemo-nos de que a minúcia discrepante não é ilusão. Difícil é sabermos a causa dela, 8 desenterrarmos pacientemente as condições que a determinaram. Como isso variava em
35VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias excesso, era natural que variássemos também, apresentássemos falhas. Fiz o possível por entender aqueles homens, penetrar-lhes na alma, sentir as suas dores, admirar-lhes a relativa grandeza, enxergar nos seus defeitos a sombra dos meus defeitos. Foram apenas bons propósitos: devo ter-me revelado com frequência egoísta e mesquinho. E esse desabrochar de sentimentos maus era a pior tortura que nos podiam infligir naquele ano terrível. GRACILIANO RAMOS Memórias do cárcere. Rio de Janeiro: Record, 2002. 3. (UERJ) Não resguardei os apontamentos obtidos em largos dias e meses de observação: NUM MOMENTO DE APERTO FUI OBRIGADO A ATIRÁ-LOS NA ÁGUA. (ref.13) O fragmento acima poderia ser reescrito com a inserção de um conectivo no início do trecho destacado. Esse conectivo, que garantiria o mesmo sentido básico do fragmento, está indicado em: a) porque b) embora c) contudo d) portanto TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. JUVENTUDE E PARTICIPAÇÃO Inicialmente, gostaria de destacar que toda avaliação é feita a partir de uma comparação. Neste caso, essa comparação poderia ser feita em duas direções. Uma delas em relação a outras faixas etárias e a outra em relação à juventude de épocas passadas. Em relação à primeira dimensão, me parece que o comportamento político da juventude não seja diferente do de outras faixas etárias. 1 Os que avaliam como baixa a participação política da juventude atual não podem afirmar que seja diferente da participação política das outras faixas. 10Existem parcelas da população passivas (e entre elas há jovens e também adultos), assim como existem parcelas da população com alta taxa de participação política, e entre elas podemos igualmente identificar jovens e adultos. Logo, uma comparação entre faixas etárias não nos leva a concluir que seja baixa a participação política da juventude. Agora, em relação à outra dimensão, a comparação entre juventudes de épocas diferentes, podemos constatar diferenças que aparentemente levem algumas pessoas a afirmações do tipo “a juventude atual não está com nada”, “antigamente os jovens tinham maior consciência e atuação política”. E aqui, novamente, 11devemos analisar a questão por partes. Jovens alienados e passivos sempre existiram ao lado de jovens conscientizados e ativos politicamente. 9 Deve-se reconhecer que 5 a proporção entre essas duas categorias muda com o tempo, 12tem épocas em que a proporção de jovens ativos se amplia e em outras épocas diminui. Mas esse aumento ou diminuição é uma expressão da sociedade como um todo e não de uma determinada faixa etária. Se numa época a parcela de jovens cresce e se torna mais intensa, 6 é porque esse mesmo fenômeno se manifesta na sociedade como um todo. 2 O comportamento juvenil expressa as tendências gerais da sociedade como um todo. 3 A grande diferença está nos meios de que dispõem os jovens para desenvolver sua consciência crítica 7 ou para manifestar sua postura política. Aí, sim, registramos mudanças radicais em relação a outras épocas. 4 Atualmente, os jovens têm acesso aos meios de comunicação que permitem ampliar a velocidade e a abrangência da transmissão de ideias, o que oferece facilidades nunca antes disponíveis para a expressão política da juventude. A minha resposta pode parecer otimista 8 e tenho plena consciência de que ela é. Os jovens da atualidade não são diferentes dos jovens de outras épocas, aceitam ou rechaçam valores, assumem ou não atitudes políticas com a mesma postura dos jovens do passado, a diferença não está no grau e sim na forma. 13Não muda o caminho, muda a forma de caminhar. LUÍS DE LA MORA Adaptado de www.cipo.org.br 4. (UERJ) Deve-se reconhecer que a proporção entre essas duas categorias muda com o tempo, TEM ÉPOCAS EM QUE A PROPORÇÃO DE JOVENS ATIVOS SE AMPLIA E EM OUTRAS ÉPOCAS DIMINUI. (ref. 9) A relação de sentido entre o fragmento destacado e o anterior, neste exemplo, poderia ser indicada pelo emprego do seguinte conectivo: a) porque b) conforme c) no entanto d) não obstante TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. 1 PIAIMÃ 17A inteligência do herói estava muito perturbada. 25Acordou com os berros da bicharia lá em baixo nas ruas, disparando entre as malocas temíveis. E aquele diacho de 2 sagui-açu (...) não era saguim não, chamava elevador e era uma máquina. 21De-manhãzinha ensinaram QUE todos aqueles piados berros cuquiadas sopros roncos esturros não eram nada disso não, eram mas 3 cláxons campainhas apitos buzinas e tudo era máquina. 12As onças pardas não eram onças pardas, se chamavam fordes hupmobiles chevrolés dodges mármons e eram máquinas. Os tamanduás os 4 boitatás as 5 inajás de 6curuatás de fumo, em vez eram caminhões bondes autobondes anúncios-luminosos relógios faróis rádios motocicletas telefones gorjetas postes chaminés... Eram máquinas e tudo na cidade era só máquina! O herói aprendendo calado. De vez em quando estremecia. Voltava a ficar imóvel escutando assuntando maquinando numa cisma assombrada. 18Tomou-o um respeito cheio de inveja por essa deusa de deveras forçuda, 7 Tupã famanado que os filhos da mandioca chamavam de Máquina, mais cantadeira que a 8 Mãe d’água, em 9 bulhas de 10sarapantar. 26Então resolveu ir brincar com a Máquina pra ser também imperador dos filhos da mandioca. 19Mas as três 11cunhãs deram muitas risadas e falaram que isso de deuses era gorda mentira antiga, que não tinha deus não 22e que com a máquina ninguém não brinca PORQUE ela mata. 13A máquina não era deus não, nem possuía os distintivos femininos de que o herói gostava tanto. Era feita pelos homens. Se mexia com eletricidade com fogo com água com vento com fumo, os homens aproveitando as forças da natureza. Porém jacaré acreditou? nem o herói! (...) 14Macunaíma passou então uma semana sem comer nem brincar só maquinando nas brigas sem vitória dos filhos da mandioca com a Máquina. A Máquina era que matava os homens porém os homens é que mandavam na Máquina... Constatou pasmo que os filhos da mandioca 23eram donos sem mistério E sem força da máquina sem mistério sem querer sem fastio,
36VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias incapaz de explicar as infelicidades por si. 27Estava nostálgico assim. Até que uma noite, suspenso no terraço dum arranhacéu com os manos, Macunaíma concluiu: — 24Os filhos da mandioca não ganham da máquina NEM ela ganha deles nesta luta. Há empate. 20Não concluiu mais nada porque inda não estava acostumado com discursos porém palpitava pra ele muito embrulhadamente muito! 15que a máquina devia de ser um deus de que os homens não eram verdadeiramente donos só porque não tinham feito dela uma Iara explicável mas apenas uma realidade do mundo. 16De toda essa embrulhada o pensamento dele sacou bem clarinha uma luz: os homens é que eram máquinas e as máquinas é que eram homens. Macunaíma deu uma grande gargalhada. Percebeu que estava livre outra vez e teve uma satisfa mãe. MÁRIO DE ANDRADE Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Belo Horizonte: Itatiaia, 1986. Vocabulário: 1 Piaimã – personagem do romance 2 sagui-açu, saguim – macacos pequenos 3 cláxon – buzina externa nos automóveis antigos 4 boitatá – cobra-de-fogo, na mitologia tupi-guarani 5 inajá – palmeira de tamanho médio 6 curuatá – flor de palmeira 7 Tupã – entidade da mitologia tupi-guarani 8 Mãe-d’água – espécie de sereia das águas amazônicas 9 bulha – confusão de sons 10sarapantar – espantar 11cunhã – mulher jovem, em tupi 5. (UERJ) Além de ligar palavras ou partes da frase, os conectivos podem apresentar sentido específico. O conectivo destacado que contém traço de sentido negativo está exemplificado em: a) “De-manhãzinha ensinaram QUE todos aqueles piados” (ref. 21) b) “e que com a máquina ninguém não brinca PORQUE ela mata.” (ref. 22) c) “eram donos sem mistério E sem força da máquina” (ref. 23) d) “Os filhos da mandioca não ganham da máquina NEM ela ganha deles” (ref. 24) E.O. UERJ Exame Discursivo TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. NOMES DO HORROR Uma reportagem de Philip Gourevitch na revista New Yorker mostra como, vinte anos depois da guerra de Ruanda, ocorrida em 1994, quando hutus assassinaram 800 mil tutsis em cem dias, ainda é difícil chegar a um consenso sobre como chamar o que aconteceu. O país discute se a melhor palavra para tanto está na língua local, na língua dos colonizadores, se basta precisão verbal (“gutsemba”, “massacrar”) ou se é preciso a redundância de um neologismo (“gutsembatsemba”, “massacrar radicalmente”) para descrever os atos de uma tragédia absoluta. Debates semelhantes acompanham qualquer trauma coletivo. Há grupos judaicos que rejeitam a expressão consagrada “holocausto”, com seu caráter sacrificial, de expiação de pecados, em nome da menos ambígua “shoah” (“calamidade”, “aniquilação”). Na Turquia, ainda é tabu usar “genocídio” para a matança armênia iniciada em 1915. No Brasil, dá-se algo semelhante na luta pelo reconhecimento do que foi e é praticado contra comunidades indígenas. De qualquer forma, são batalhas pequenas dentro de uma guerra longa e difícil, de transmissão da memória para que o horror não se repita. Palavras são a primeira arma das vítimas de tentativas de extermínio, às vezes a única, e é preciso chegar a um modo eficiente – que não se resuma a slogans com vocabulário chancelado – para que elas não traiam a natureza do que se viveu. Ou seja, é preciso saber narrar. Discursos facilmente se banalizam, tornam-se solenes, sentimentais em excesso, causando o efeito contrário do que pretendem. 1 Chegar à sensibilidade do público, causando empatia, desconforto e revolta ativa, o que é objetivo de qualquer militância antiviolência, demanda não apenas reproduzir a verdade dos fatos. 2 A mensagem não é nada sem um receptor disposto a entendê-la, por mais pungentes* que sejam as vítimas. Como isso não é comum, o que ocorreu em 1994 continua sendo apenas um item numa lista atemporal e universal de genocídios, holocaustos, limpezas, extermínios, calamidades, aniquilações, massacres e gutsembatsembas. Michel Laub Adaptado de Folha de São Paulo, 09/05/2014. *pungentes: comoventes 1. (UERJ) A mensagem não é nada sem um receptor disposto a entendê-la, POR MAIS PUNGENTES QUE SEJAM AS VÍTIMAS. (ref. 2) Reescreva o trecho acima, substituindo o conectivo da parte sublinhada por outro de mesmo sentido e fazendo as adaptações necessárias. Em seguida, aponte o sentido estabelecido pelo conectivo empregado. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. O PRIMO BASÍLIO Ia encontrar Basílio no Paraíso pela primeira vez. 8 E estava muito nervosa: não pudera dominar, desde pela manhã, um medo indefinido que lhe fizera pôr um véu muito espesso, e bater o coração ao encontrar Sebastião. Mas ao mesmo tempo uma curiosidade intensa, múltipla, impelia-a, com um estremecimentozinho de prazer. − Ia, enfim, ter ela própria aquela aventura que lera tantas vezes nos romances amorosos! Era uma forma nova do amor que ia experimentar, sensações excepcionais! Havia tudo − a casinha misteriosa, o segredo ilegítimo, todas as palpitações do perigo! Porque 9 o aparato impressionava-a mais que o sentimento; e a casa em si interessava-a, atraía-a mais que Basílio! Como seria? (...) Desejaria antes que fosse no campo, numa 1 quinta, com arvoredos murmurosos e relvas fofas; passeariam então, com as mãos enlaçadas, num silêncio poético; e depois o som da água que cai nas bacias de pedra daria um ritmo 2 lânguido aos sonhos amorosos... Mas era num terceiro andar − quem sabe como seria dentro? (...) E ao descer o 3 Chiado, sentia uma sensação deliciosa em ser assim levada rapidamente para o seu amante, e mesmo olhava com certo desdém os que passavam, no movimento da vida trivial − enquanto ela ia para uma hora tão romanesca da vida amorosa!
37VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias (...) Imaginava Basílio esperando-a estendido num divã de seda; e quase receava que a sua simplicidade burguesa, pouco experiente, não achasse palavras bastante finas ou carícias bastante exaltadas. Ele devia ter conhecido mulheres tão belas, tão ricas, tão educadas no amor! Desejava chegar num 4cupê seu, com rendas de centos de mil-réis, e ditos tão espirituosos como um livro... A carruagem parou ao pé duma casa amarelada, com uma portinha pequena. Logo à entrada um cheiro mole e 5 salobre enojou-a. A escada, de degraus gastos, subia ingrememente, apertada entre paredes onde a cal caía, e a umidade fizera 6 nódoas. No patamar da sobreloja, uma janela com um gradeadozinho de arame, parda do pó acumulado, coberta de teias de aranha, coava a luz suja do saguão. E por trás duma portinha, ao lado, sentia-se o ranger dum berço, o chorar doloroso duma criança. (...) Luísa viu logo, ao fundo, uma cama de ferro com uma colcha amarelada, feita de remendos juntos de chitas diferentes; e os lençóis grossos, dum branco encardido e mal lavado, estavam 7 impudicamente entreabertos... Eça de Queirós Obras de Eça de Queiroz. Porto: Lello & Irmão, s/d. 1 quinta − pequena propriedade campestre 2 lânguido − sensual 3 Chiado − bairro de Lisboa 4 cupê − antiga carruagem fechada 5 salobre − salgado 6 nódoas − manchas 7 impudicamente − sem pudor 2. (UERJ) E estava muito nervosa: não pudera dominar, desde pela manhã, um medo indefinido (ref. 8) No trecho acima, o sinal de dois-pontos estabelece uma relação de sentido. Identifique essa relação. Depois, reescreva o trecho, substituindo o sinal de dois-pontos por um conectivo que mantenha a mesma relação de sentido. Faça adaptações, se for necessário. 3. (UERJ) A pergunta da personagem Mafalda, no segundo quadrinho, inicia-se com a palavra “então”, que estabelece uma relação de sentido com a situação anterior. Identifique a relação de sentido estabelecida e reescreva a pergunta, substituindo o vocábulo “então” por outro conectivo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. O chefe da estação me olhou de cara feia, e me deu a passagem e o troco. Bateu com a prata na mesa. Se fosse falsa, estaria perdido. Guardei o cartão com ganância no bolso da calça. A estação se enchera. Um vendedor de bilhete me ofereceu um. Não desconfiava de mim. O chefe foi que me olhou com a cara fechada. Já se ouvia o apito do trem. Cheguei para o lugar onde paravam os carros de passageiros. E o barulho da máquina se aproximando. Estava com medo, com a impressão de que chegasse uma pessoa para me prender. Ninguém saberia. E o trem parado nos meus pés. Tomei o carro num banco do fim, meio escondido. O Padre Fileto me viu. Tirava esmolas para a obra da igreja. – Não foi para a parada? – Não senhor, vou ver o meu avô que está doente. A mesma mentira saída da boca automaticamente. Os meninos passavam vendendo tareco1 . Quis comprar um pacote, mas estava com receio. Qualquer movimento de minha parte me parecia uma denúncia. O homem do bilhete voltou outra vez me oferecendo. Num banco da minha frente estava um sujeito me olhando. Sem dúvida, passageiro do trem. E me olhando com insistência. Levantou-se e veio falar comigo: – Menino, que querem dizer estas letras? – Instituto Nossa Senhora do Carmo. – Pensei que fosse “Isto não se conhece”... Ri-me sem querer. E as outras pessoas acharam graça. Pedi a Deus que o trem partisse. Por que não partira aquele trem? Meu boné me perderia. Podia ter vindo de chapéu. Nisto vi Seu Coelho. Entrei disfarçando para a latrina do trem. E não vi mais nada. Só saí de lá quando vi pelo buraco do aparelho a terra andando. Sentei-me no mesmo lugar. Vi a cadeia, o cemitério.(...) E o Pilar chegando. O Recreio do Coronel Anísio, com a sua casa na beira da linha. E a gente já via a igreja. O trem apitava para o sinal. Passou o poste branco. Saltei do trem como se tivesse perdido o jeito de andar. Escondi-me do moleque do engenho. O trem saía deixando no ar um cheiro de carvão de pedra. Lá se ia Ricardo com os jornais para o meu avô. Faltava- -me coragem para bater na porta do engenho como fugitivo. E fui andando à toa pela linha de ferro. Que diria quando chegasse no engenho? Lembrei-me então que pela linha de ferro teria que atravessar a ponte. E desviei-me para a caatinga. Pegaria mais adiante o mesmo caminho. Estava pisando em terras do meu avô. O engenho de Seu Lula mostrava o seu bueiro pequeno, com um pedaço caído. Que diabo diria no Santa Rosa, quando chegasse? Era preciso inventar uma mentira. Fiquei parado pensando um instante. Achei a mentira com a alegria de quem tivesse encontrado um roteiro certo. Sonhara que meu avô estava doente e não pudera aguentar o aperreio do sonho. E fugira. Achariam graça e tudo se acabaria em alegria. Mas cadê coragem para chegar? Já me distanciava pouco da minha gente. O bueiro do Santa Rosa estava ali perto, com a sua boca em diagonal. Subia fumaça da destilação. Com mais cinco minutos estaria lá. Era só atravessar o rio. Fiquei parado pensando. O rio dava água pelos joelhos. O gado do pastoreador passava para o outro lado. E cadê coragem para agir? E
38VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias o tempo a se sumir. E a tarde caindo. A casa-grande inteira brigaria comigo. No outro dia José Ludovina tomaria o trem para me levar. E o bolo, e os gritos de Seu Maciel. Vou, não vou, como as cantigas dos sapos na lagoa. Um trem de carga apitou na linha. Tirei os sapatos, arregaçando as calças para a travessia. A porteira do cercado batia forte no mourão2 . E no silêncio da tarde, tudo aumentava de voz. (...) JOSÉ LINS DO RÊGO Doidinho. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971. Vocabulário: 1 tareco − biscoito 2 mourão − estaca 4. (UERJ) Os trechos transcritos abaixo exemplificam o emprego do mesmo conectivo “E” para exprimir diferentes relações temporais entre dois fatos. E o barulho da máquina se aproximando. (...) E o trem parado nos meus pés. (1º parágrafo) E o tempo a se sumir. E a tarde caindo. (11º parágrafo) Aponte o significado desse conectivo. Em seguida, explicite a relação temporal dos fatos em cada um dos trechos. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. DO BOM USO DO RELATIVISMO Hoje, pela multimídia, imagens e gentes do mundo inteiro nos entram pelos telhados, portas e janelas e convivem conosco. É o efeito das redes globalizadas de comunicação. A primeira reação é de perplexidade que pode provocar duas atitudes: ou de interesse para melhor conhecer, que implica abertura e diálogo, ou de distanciamento, que pressupõe fechar o espírito e excluir. De todas as formas, surge uma percepção incontornável: nosso modo de ser não é o único. Há gente que, sem deixar de ser gente, é diferente. Quer dizer, nosso modo de ser, de habitar o mundo, de pensar, de valorar e de comer não é absoluto. Há mil outras formas diferentes de sermos humanos, desde a forma dos esquimós siberianos, passando pelos yanomamis do Brasil, até chegarmos aos sofisticados moradores de 1Alphavilles, onde se resguardam as elites opulentas e amedrontadas. O mesmo vale para as diferenças de cultura, de língua, de religião, de ética e de lazer. Deste fato surge, de imediato, o relativismo em dois sentidos: primeiro, importa relativizar todos os modos de ser; nenhum deles é absoluto a ponto de invalidar os demais; impõe-se também a atitude de respeito e de acolhida da diferença porque, pelo simples fato de estar-aí, goza de direito de existir e de co-existir; segundo, o relativo quer expressar o fato de que todos estão de alguma forma relacionados. 3Eles não podem ser pensados independentemente uns dos outros, porque todos são portadores da mesma humanidade. Devemos alargar a compreensão do humano para além de nossa concretização. Somos uma geo-sociedade una, múltipla e diferente. Todas estas manifestações humanas são portadoras de valor e de verdade. Mas são um valor e uma verdade relativos, vale dizer, relacionados uns aos outros, autoimplicados, sendo que nenhum deles, tomado em si, é absoluto. Então não há verdade absoluta? Vale o 2everything goes de alguns pós-modernos? Quer dizer, o “vale tudo”? Não é o vale tudo. Tudo vale na medida em que mantém relação com os outros, respeitando-os em sua diferença. Cada um é portador de verdade mas ninguém pode ter o monopólio dela. Todos, de alguma forma, participam da verdade. Mas podem crescer para uma verdade mais plena, na medida em que mais e mais se abrem uns aos outros. Bem dizia o poeta espanhol António Machado: “Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua, guarde-a”. Se a buscarmos juntos, no diálogo e na cordialidade, então mais e mais desaparece a minha verdade para dar lugar à Verdade comungada por todos. A ilusão do Ocidente é de imaginar que a única janela que dá acesso à verdade, à religião verdadeira, à autêntica cultura e ao saber crítico é o seu modo de ver e de viver. As demais janelas apenas mostram paisagens distorcidas. Ele se condena a um fundamentalismo visceral que o fez, outrora, organizar massacres ao impor a sua religião e, hoje, guerras para forçar a democracia no Iraque e no Afeganistão. Devemos fazer o bom uso do relativismo, inspirados na culinária. Há uma só culinária, a que prepara os alimentos humanos. Mas ela se concretiza em muitas formas, as várias cozinhas: a mineira, a nordestina, a japonesa, a chinesa, a mexicana e outras. Ninguém pode dizer que só uma é a verdadeira e gostosa e as outras não. Todas são gostosas do seu jeito e todas mostram a extraordinária versatilidade da arte culinária. Por que com a verdade deveria ser diferente? LEONARDO BOFF http://alainet.org Vocabulário: ref. 1: Alphavilles: condomínios de luxo ref. 2: everything goes: literalmente, “todas as coisas vão”; equivale à expressão “vale tudo” 5. (UERJ) Eles não podem ser pensados independentemente uns dos outros, PORQUE TODOS SÃO PORTADORES DA MESMA HUMANIDADE. (ref. 3) Identifique a relação de sentido que a oração destacada estabelece com a parte do período que a antecede. Reescreva todo o período, substituindo o conectivo e mantendo essa mesma relação de sentido. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Belo Horizonte, 28 de julho de 1942. Meu caro Mário, Estou te escrevendo rapidamente, se bem que haja muitíssima coisa que eu quero te falar (a respeito da Conferência, que acabei de ler agora). Vem-me uma vontade imensa de desabafar com você tudo o que ela me fez sentir. Mas é longo, não tenho o direito de tomar seu tempo e te chatear. Fernando Sabino. 1. (Fuvest) No texto, o conectivo “se bem que” estabelece relação de a) conformidade. b) condição. c) concessão. d) alternância. e) consequência.
39VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. E disse [Deus]: Certamente tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara tua mulher terá um filho. E Sara escutava à porta da tenda, que estava atrás dele. E eram Abraão e Sara já velhos, e adiantados em idade; já a Sara havia cessado o costume das mulheres. Assim, pois, riu-se Sara consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho? (...) E concebeu Sara, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Deus lhe tinha falado. (www.bibliaonline.com.br, Gn 18, 10-12; 21, 2.) 2.(Unifesp) Em “- Assim, POIS, riu-se Sara consigo...” “- ... que Deus LHE tinha falado.” a conjunção POIS tem valor ........... e o pronome LHE refere-se ao termo ............ Os espaços devem ser preenchidos, respectivamente, com a) conclusivo e Abraão. b) explicativo e Sara. c) causal e Sara. d) explicativo e Abraão. e) condicional e Abraão. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. INSTRUÇÃO: As questões seguintes baseiam-se no poema Pneumotórax, do modernista Manuel Bandeira (1886-1968). PNEUMOTÓRAX Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: - Diga trinta e três. - Trinta e três... trinta e três... trinta e três... - Respire. .................................................................. - O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. - Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? - Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. (Manuel Bandeira, Libertinagem) 3. (Unifesp) Em uma de suas ocorrências, no poema “Pneumotórax”, a conjunção “E” poderia ser substituída por “mas”, sem prejuízo semântico. Essa possibilidade verifica-se em: a) dispneia, e suores noturnos. b) trinta e três... trinta e três. c) Diga trinta e três. d) pulmão esquerdo e o pulmão direito... e) ter sido e que não foi. 4. (Fuvest) Considerando-se a relação lógica existente entre os dois segmentos dos provérbios adiante citados, o espaço pontilhado NÃO poderá ser corretamente preenchido pela conjunção MAS, apenas em: a) Morre o homem, (...) fica a fama. b) Reino com novo rei (...) povo com nova lei. c) Por fora bela viola, (...) por dentro pão bolorento. d) Amigos, amigos! (...) negócios à parte. e) A palavra é de prata, (...) o silêncio é de ouro. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Só os roçados da morte compensam aqui cultivar, e cultivá-los é fácil: simples questão de plantar; não se precisa de limpa, de adubar nem de regar; as estiagens e as pragas fazem-nos mais prosperar, e dão lucro imediato; nem é preciso esperar pela colheita: recebe-se na hora mesma de semear. (João Cabral de Melo Neto, MORTE E VIDA SEVERINA) 5. (Fuvest) Substituindo-se os dois-pontos por uma conjunção, em “(...) pela colheita: recebe-se (...)”, mantém- -se o sentido do texto APENAS em “(...) pela colheita, a) embora se receba (...)”. b) ou se recebe (...)”. c) ainda que se receba (...)”. d) já que se recebe (...)”. e) portanto se recebe (...)”. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unicamp) Em ensaio publicado em 2002, Nicolau Sevcenko discorre sobre a repercussão da obra de Euclides da Cunha no pensamento político nacional. “Acima de tudo Euclides exaltava o papel crucial do agenciamento histórico da população brasileira. Sua maior aposta para o futuro do país era a educação em massa das camadas subalternas, qualificando as gentes para assumir em suas próprias mãos seu destino e o do Brasil. Por isso se viu em conflito direto com as autoridades republicanas, da mesma forma como outrora lutara contra os tiranetes da monarquia. Nunca haveria democracia digna desse nome enquanto prevalecesse o ambiente mesquinho e corrupto da ‘república dos medíocres’(...). Gente incapaz e indisposta a romper com as mazelas deixadas pelo latifúndio, pela escravidão e pela exploração predatória da terra e do povo. (...) Euclides expôs a mistificação republicana de uma ‘ordem’ excludente e um ‘progresso’ comprometido com o legado mais abominável do passado. Sua morte precoce foi um alívio para os césares. A história, porém, orgulhosa de quem a resgatou, não deixa que sua voz se cale.” (Nicolau Sevcenko, O outono dos césares e a primavera da história. Revista da USP, São Paulo, n. 54, p. 30-37, jun-ago 2002.) a) No último período do texto, há uma ocorrência do conectivo “PORÉM”. Que argumentos do texto são articulados por esse conectivo? b) Apresente o argumento que embasa a posição atribuída a Euclides da Cunha em relação ao lema da Bandeira Nacional.
40VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 2. (Unicamp) Na última década, os sites de comércio eletrônico têm alterado preços com base em seus hábitos na Web e atributos pessoais. Qual é a sua situação geográfica e seu histórico de compras? Como você chegou ao site de comércio eletrônico? Em que momentos do dia você o visita? Toda uma literatura emergiu sobre ética, legalidade e promessas econômicas de otimização de preços. E o campo está avançando rapidamente: em setembro passado, o Google recebeu a patente de uma tecnologia que permite que uma companhia precifique de forma dinâmica o conteúdo eletrônico. Pode, por exemplo, subir o preço de um livro eletrônico SE determinar que você tem mais chances de comprar aquele item em particular do que um usuário médio; ao contrário, pode ajustar o preço para baixo como um incentivo SE julgar que é menos provável que você o compre. E você não saberá que está pagando mais do que outros exatamente pelo mesmo produto. (Michael Fertik, Um conto de duas internets. Scientific American Brasil, São Paulo, março 2013, p. 18.) a) Considerando as informações presentes no trecho, explique o sentido de “precificar”. b) Substitua os dois conectivos “se” destacados, fazendo as adaptações gramaticais necessárias e mantendo o nível de formalidade do período. 3. (Fuvest) Leia os seguintes versos, extraídos de uma canção de Dorival Caymmi. BALADA DO REI DAS SEREIAS O rei atirou Sua filha ao mar E disse às sereias: - Ide-a lá buscar, Que se a não trouxerdes Virareis espuma Das ondas do mar! Foram as sereias... Quem as viu voltar?... Não voltaram nunca! Viraram espuma Das ondas do mar. a) Aponte na fala do rei (primeira estrofe), um efeito expressivo obtido por meio do emprego da segunda pessoa do plural. b) Sem alterar o sentido, reescreva a fala do rei, passando os verbos para a 3a pessoa do plural e substituindo, por outra, a conjunção QUE. 4. (Fuvest) Ao se discutirem as ideias expostas na assembleia, chegou-se à seguinte conclusão: pôr em confronto ESSAS IDEIAS com outras menos polêmicas seria avaliar melhor o peso DESSAS IDEIAS, à luz do princípio geral que vem regendo AS MESMAS IDEIAS. a) Transcreva o texto, substituindo as expressões destacadas por PRONOMES PESSOAIS que lhes sejam correspondentes e efetuando as alterações necessárias. b) Reescreva a oração AO SE DISCUTIREM AS IDEIAS EXPOSTAS NA ASSEMBLEIA, introduzindo-a pela conjunção adequada e mantendo a correlação entre os tempos verbais. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Tão inteiramente conhecia Cristo a Judas, como a Pedro, e aos demais; mas notou o Evangelista com especialidade a ciência do Senhor, em respeito de Judas, porque em Judas mais que em nenhum dos outros campeou a fineza do seu amor. Ora vede: definindo S. Bernardo o amor fino, diz assim:” Amor non quaerit causam, nec fructum”: O amor fino não busca causa nem fruto. Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que amem, tem fruto: e amor fino não há de ter por quê, nem para quê. Se amo porque me amam, é obrigação, faço o que devo; se amo para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há de amar o amor para ser fino? “Amo, quia amo, amo, ut amem”: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam, é agradecido; quem ama, para que o amem, é interesseiro; quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, esse só é fino. E tal foi a fineza de Cristo, em respeito de Judas, fundada na ciência que tinha dele e dos demais discípulos. (In Vieira, SERMÕES, 4ª ed., Rio de Janeiro, Agir 1966, p. 64.) 5. (Unesp) Em sua argumentação insistente, repetitiva, Vieira sintetiza a sua teoria do amor com a frase “O amor fino não busca causa nem fruto”. Lendo atentamente a sequência do texto em pauta, percebemos que os vocábulos CAUSA e FRUTO dessa frase apresentam relação contextual, respectivamente, com os conectivos PORQUE e PARA QUE e com orações como por exemplo “porque me amam” e “para que me amem”. Partindo deste comentário: a) explique a relação contextual mencionada; b) justifique-a em função da teoria do amor proposta por Vieira. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. E 2. D 3. D 4. E 5. D 6. A 7. D 8. E 9. B 10. E E.O. Fixação 1. A 2. D 3. E 4. D 5. B 6. B 7. C 8. A 9. D 10. C E.O.Complementar 1. C 2. C 3. D 4. D 5. A E.O. Dissertativo 1. a) Mesmo sendo abundante e até densa… b) No contexto, e atendendo a derivações do substantivo “lucros”, as palavras “rendosos” e “renta-
41VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias bilidade” poderiam ser substituídas por lucrativos e lucratividade, respectivamente. 2. O valor semântico da conjunção “e” é aditivo, pois expressa um acréscimo de informação ao período: além de ter falado com dezenas de pessoas, todas elas lhe perguntaram por quê. 3. a) "Anunciou" está conjugado no pretérito perfeito do modo Indicativo, apontando para uma ação pontual e concluída no passado; já “permitira”, conjugado no pretérito mais-que-perfeito do modo Indicativo, está apontando para uma ação anterior à outra ação (“anunciou”) também no pretérito. A reescrita solicitada é: Assim que a China anunciou, no dia 11 [11.08.2015], que havia permitido uma queda de 1,9% no valor de sua moeda, o yuan, Bolsas e moedas de outros países desabaram.” b) Uma vez que a China anunciou, no dia 11, que permitira uma queda de 1,9% no valor de sua moeda, o yuan, Bolsas e moedas de outros países desabaram.” 4. a) Se fizermos algo que aumente nossas chances de sobreviver ou de procriar, nos sentiremos muito bem. b) Pois. c) A frase II apresenta um desvio da norma culta no segundo emprego do pronome lhe. O verbo “despedir” é transitivo direto e o seu complemento – o objeto direto – não necessita de preposição. Como o pronome lhe implica a existência da preposição a ou para, é inadequado empregá-lo na função de objeto direto. 5. a) Período 2: [...] CASO o crime ou a falta tenha sido cometida por pessoas diferencialmente situadas na escala social. b) Respostas possíveis: • O deputado que, na semana passada, tinha alegado imunidade parlamentar foi preso. • O deputado que tinha alegado imunidade parlamentar foi preso na semana passada. E.O. Enem 1. C 2. A 3. A 4. D 5. A E.O. UERJ Exame de Qualificação 1. C 2. B 3. A 4. A 5. D E.O. UERJ Exame Discursivo 1. Algumas respostas: • A mensagem não é nada sem um receptor disposto a entendê-la, embora as vítimas sejam muito pungentes. • A mensagem não é nada sem um receptor disposto a entendê-la, ainda que as vítimas sejam muito pungentes. • A mensagem não é nada sem um receptor disposto a entendê-la, mesmo que as vítimas sejam muito pungentes. Sentido: concessão. 2. A relação de sentido estabelecida é a relação de causa E estava muito nervosa, porque não dominara ou uma vez que não dominava ou já que não conseguia dominar, desde pela manhã, um medo indefinido. 3. A fala de Mafalda, no segundo quadro, expressa a conclusão de que, devido aos inúmeros e variados afazeres de cada um, a brincadeira deve ser rápida, pois a vida moderna assim o exige. A pergunta poderia ser formulada com outras conjunções coordenativas conclusivas (“Logo”, “Por isso”, “Portanto”): Portanto, acho que só dá tempo de brincar de guerra nuclear, não é? 4. No dois trechos, o conectivo “e” estabelece ligação entre duas orações de idênticas funções. Seu significado é o de adição dessas orações. No primeiro trecho, as orações ligadas pelo conectivo referem-se a fatos que se sucedem no tempo, sucessão indicado pelas expressões “se aproximando” e “parado”. No segundo trecho, as orações ligadas pelo conectivo referem- -se a fatos concomitantes, uma vez que “e o tempo a se sumir” corresponde a “E a tarde caindo”. 5. Uma das relações e uma das respectivas reescrituras: • Causa – Eles não podem ser pensados independentemente uns dos outros visto que todos são portadores da mesma humanidade. – Eles não podem ser pensados independentemente um dos outros já que todos são portadores da mesma humanidade. Como todos são portadores da mesma humanidade, eles não podem ser pensados independentemente uns dos outros. • Explicação – Eles não podem ser pensados independentemente um dos outros, pois todos são portadores da mesma humanidade. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. C 2. A 3. E 4. B 5. D E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) A conjunção coordenativa adversativa “porém” estabelece relação de oposição entre a posição reformista dos republicanos, que discordavam das teses de Euclides da Cunha, e o julgamento histórico que viria a dar razão às críticas escritor. Segundo o autor, não haveria condições para a instalação da democracia enquanto um sistema alicerçado na exploração do trabalhador do campo e na destruição da terra não fosse erradicado do país: “Gente incapaz e indisposta a romper com as mazelas deixadas pelo latifúndio, pela escravidão e pela exploração predatória da terra e do povo”.
42VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias b) Segundo Euclides da Cunha, os termos “ordem” e “progresso” que constituem o lema político do Positivismo, cujos ideais visavam à busca de condições sociais básicas através do respeito aos seres humanos, não eram respeitados pelos republicanos. Na verdade, da mesma forma que o sistema monárquico anterior, a República continuava a mesma prática de exploração do povo, relegando-o à exclusão social ou submetendo-o a meios de sobrevivência indignos. 2. a) “Precificar”: atribuir um preço, um valor em dinheiro a ser pago. Neste contexto, atribuir um preço maior ou menor a um determinado produto, a partir do nível de interesse demonstrado pelo consumidor e usuário do comércio eletrônico. b) (...) subir o preço de um livro eletrônico caso determine que você tenha mais chances de comprar aquele item em particular do que um usuário médio; ao contrário, pode ajustar o preço para baixo como um incentivo, caso julgue que seja menos provável que você o compre. 3. a) A segunda pessoa do plural conota formalidade e antiguidade. b) Vão lá buscá-la, pois, se não a trouxerem, virarão espuma das ondas do mar. 4. a) pô-LAS em confronto avaliar melhor o SEU peso ou avaliar melhor o peso DELAS que AS VEM regendo ou que vem regendo-AS ou que vem regendo A ELAS. b) ASSIM QUE se discutiram ou LOGO QUE se discutiram 5. a) Porque – é conjunção subordinativa causal. Para que – é conjunção subordinativa final. b) Amo porque me amam: o amor tem uma causa, o amor dos outros. Amo para que me amem: o amor tem uma finalidade, angariar o amor dos outros.
43VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 1. (Ifsc 2017) Considerando a tirinha, assinale (V) para o que for verdadeiro e (F) para o que for falso. ( ) A fala da personagem no segundo quadrinho pode ser reescrita da seguinte maneira: “É isso mesmo. Ficarei aqui sentado enquanto espero a vida me dar algo”, sem que seu sentido seja modificado. ( ) Em “Será que o mundo está assim porque está cheio de Miguelitos?”, a palavra em destaque foi empregada em sentido figurado. ( ) Em “Não estou entendendo, Miguelito.” O termo em destaque é o sujeito. ( ) No terceiro quadrinho, em “Será que o mundo está assim porque está cheio de Miguelitos?”, há um erro de grafia na palavra em destaque, pois ela está sendo utilizada em uma frase interrogativa e deveria ser grafada como “por que”. Marque a alternativa que contém a sequência CORRETA das respostas, de cima para baixo. a) V – V – F – F. b) V – F – V – F. c) V – F – F – V. d) F – V – F – V. e) F – V – V – V. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Leia o fragmento, abaixo, extraído do poema “Quilombos”, do poeta baiano José Carlos Limeira. “Te vejo meu povo feliz Teu sonho querendo sentir Se Palmares ainda vivesse Pra Palmares teria que ir Você já pensou se Domingos Jorge Velho e sua malta Não houvessem tido tanta sorte? Já pensou naquele país da Serra da Barriga? Sei que talvez não, É difícil imaginar uma terra (...) Onde não fosse possível ver 1 Criancinhas De dez, oito, seis anos Voltando às quatro da manhã Depois de vender chicletes e o último resquício de dignidade Nos cruzamentos da cidade. (...) Por menos que conte a história Não te esqueço meu povo 2 Se Palmares não vive mais Faremos Palmares de novo.” LIMEIRA, José Carlos; SEMOG, Éle. Atabaques. Rio de Janeiro: Ed. dos Autores, 1983. 2. (Ifba 2017) A análise dos versos: “Se Palmares não vive mais/ Faremos Palmares de novo.” (ref. 2) permite afirmar corretamente que: a) na segunda oração, a ausência de um sujeito explícito indica a indeterminação do mesmo. b) a primeira oração exerce função de sujeito em relação à segunda. c) tanto na primeira quanto na segunda oração, o sujeito é composto. d) o termo “faremos” sugere que há um sujeito implícito na oração. PERÍODO SIMPLES: TERMOS ESSENCIAIS COMPETÊNCIA(s) 1, 6 e 8 HABILIDADE(s) 1, 3, 4, 18, 25 e 27 LC AULAS 21 E 22
44VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias e) o sujeito oculto na segunda oração é uma palavra substantivada. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Leia a charge abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir. 3. (Ifpe 2017) No que diz respeito à forma verbal “roubaram”, no segundo balão da charge, podemos dizer que a) possui um sujeito indeterminado, por isso, o verbo está na terceira pessoa do plural. b) faz parte de uma oração sem sujeito, uma vez que o verbo é impessoal. c) tem como núcleo de seu sujeito simples a palavra “giz”. d) possui sujeito simples que, no caso, é o termo “professora”. e) seu sujeito é a palavra “ética”, em negrito no balão anterior. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Leia o cartum e responda à(s) questão(ões). 4. (Cps 2017) Releia as orações retirados do cartum. “[...] quando acordei e descobri que meu computador estava sem conexão com a internet [...]” Ao analisarmos essas orações, percebemos que o sujeito correspondente às formas verbais destacadas é oculto (ou desinencial), pois a) possui um verbo impessoal. b) possui mais de um núcleo exposto na frase. c) possui somente um núcleo exposto na frase. d) os verbos apresentam-se na 3ª pessoa do plural. e) é indicado pela desinência verbal. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO TRABALHO ESCRAVO É AINDA UMA REALIDADE NO BRASIL Esse tipo de violação não prende mais o indivíduo a correntes, mas acomete a liberdade do trabalhador e o mantém submisso a uma situação de exploração. O trabalho escravo ainda é uma violação de direitos humanos que persiste no Brasil. A sua existência foi assumida pelo governo federal perante o país e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1995, o que fez com que se tornasse uma das primeiras nações do mundo a reconhecer oficialmente a escravidão contemporânea em seu território. Daquele ano até 2016, mais de 50 mil trabalhadores foram libertados de situações análogas à de escravidão em atividades econômicas nas zonas rural e urbana. Mas o que é trabalho escravo contemporâneo? O trabalho escravo não é somente uma violação trabalhista, tampouco se trata daquela escravidão dos períodos colonial e imperial do Brasil. Essa violação de direitos humanos não prende mais o indivíduo a correntes, mas compreende outros mecanismos, que acometem a dignidade e a liberdade do trabalhador e o mantêm submisso a uma situação extrema de exploração. Qualquer um dos quatro elementos abaixo é suficiente para configurar uma situação de trabalho escravo: TRABALHO FORÇADO: o indivíduo é obrigado a se submeter a condições de trabalho em que é explorado, sem possibilidade de deixar o local seja por causa de dívidas, seja por ameaça e violências física ou psicológica. JORNADA EXAUSTIVA: expediente penoso que vai além de horas extras e coloca em risco a integridade física do trabalhador, já que o intervalo entre as jornadas é insuficiente para a reposição de energia. Há casos em que o descanso semanal não é respeitado. Assim, o trabalhador também fica impedido de manter vida social e familiar. SERVIDÃO POR DÍVIDA: fabricação de dívidas ilegais referentes a gastos com transporte, alimentação, aluguel e ferramentas de trabalho. Esses itens são cobrados de forma abusiva e descontados do salário do trabalhador, que permanece sempre devendo ao empregador. CONDIÇÕES DEGRADANTES: um conjunto de elementos irregulares que caracterizam a precariedade do trabalho e das condições de vida sob a qual o trabalhador é submetido, atentando contra a sua dignidade. Quem são os trabalhadores escravos? Em geral, são migrantes que deixaram suas casas em busca de melhores condições de vida e de sustento para as suas famílias. Saem de suas cidades atraídos por falsas promessas de aliciadores ou migram forçadamente por uma
45VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias série de motivos, que podem incluir a falta de opção econômica, guerras e até perseguições políticas. No Brasil, os trabalhadores provêm de diversos estados das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, mas também podem ser migrantes internacionais de países latino-americanos – como a Bolívia, Paraguai e Peru –, africanos, além do Haiti e do Oriente Médio. Essas pessoas podem se destinar à região de expansão agrícola ou aos centros urbanos à procura de oportunidades de trabalho. Tradicionalmente, o trabalho escravo é empregado em atividades econômicas na zona rural, como a pecuária, a produção de carvão e os cultivos de cana-de-açúcar, soja e algodão. Nos últimos anos, essa situação também é verificada em centros urbanos, principalmente na construção civil e na confecção têxtil. No Brasil, 95% das pessoas submetidas ao trabalho escravo rural são homens. Em geral, as atividades para as quais esse tipo de mão de obra é utilizado exigem força física, por isso os aliciadores buscam principalmente homens e jovens. Os dados oficiais do Programa Seguro-Desemprego de 2003 a 2014 indicam que, entre os trabalhadores libertados, 72,1% são analfabetos ou não concluíram o quinto ano do Ensino Fundamental. Muitas vezes, o trabalhador submetido ao trabalho escravo consegue fugir da situação de exploração, colocando a sua vida em risco. Quando tem sucesso em sua empreitada, recorre a órgãos governamentais ou organizações da sociedade civil para denunciar a violação que sofreu. Diante disso, o governo brasileiro tem centrado seus esforços para o combate desse crime, especialmente na fiscalização de propriedades e na repressão por meio da punição administrativa e econômica de empregadores flagrados utilizando mão de obra escrava. Enquanto isso, o trabalhador libertado tende a retornar à sua cidade de origem, onde as condições que o levaram a migrar permanecem as mesmas. Diante dessa situação, o indivíduo pode novamente ser aliciado para outro trabalho em que será explorado, perpetuando uma dinâmica que chamamos de “Ciclo do Trabalho Escravo”. Para que esse ciclo vicioso seja rompido, são necessárias ações que incidam na vida do trabalhador para além do âmbito da repressão do crime. Por isso, a erradicação do problema passa também pela adoção de políticas públicas de assistência à vítima e prevenção para reverter a situação de pobreza e de vulnerabilidade de comunidades. Adaptado.SUZUKI, Natalia; CASTELI, Thiago. Trabalho escravo é ainda uma realidade no Brasil. Disponível em: <http://www. cartaeducacao.com.br/aulas/fundamental-2/trabalho-escravoe-ainda-uma-realidade-no-brasil/>. Acesso: 19 mar. 2017. 5. (Ifpe 2017) Em relação à forma verbal grifada no trecho “Quando tem sucesso em sua empreitada, recorre a órgãos governamentais ou organizações da sociedade civil para denunciar a violação que sofreu.” (7º parágrafo),é CORRETO afirmar que a) tem como núcleo do sujeito o termo “empreitada”. b) o verbo grifado tem sujeito indeterminado, por não ser possível encontrá-lo na oração. c) o sujeito está posposto ao verbo, sendo ele “órgãos governamentais”. d) possui sujeito simples o qual, no caso, é “sociedade civil”. e) o sujeito é oculto, mencionado na oração anterior e, portanto, pode ser compreendido pelo contexto. 6. (Ifba) Com base no trecho da música “Silêncio de um minuto”, de Noel Rosa, analise as quatro primeiras orações da estrofe a seguir e identifique o tipo de sujeito de cada uma delas. Não te vejo, nem te escuto, o meu samba está de luto, eu peço o silêncio de um minuto... Homenagem à história De um amor cheio de glória Que me pesa na memória. Disponível em: http://www.vagalume.com.br/maria-bethania/ silencio-de-um-minuto.html. Acesso em: 18.09.2015. a) Oculto, Oculto, Simples e Simples. b) Simples, Simples, Oculto e Inexistente. c) Inexistente, Inexistente, Simples e Simples. d) Indeterminado, Indeterminado, Simples e Simples. e) Indeterminado, Indeterminado, Oculto e Inexistente. 7. (Eear 2017) Assinale a alternativa em que o "se" é índice de indeterminação do sujeito na frase. a) Não se ouvia o barulho. b) Perdeu-se um gato de estimação. c) Precisa-se de novos candidatos militares. d) Construíram-se casas e apartamentos na rua pacata. 8. (Eear 2017) Na oração “Informou-se a novidade aos membros e diretores do grupo”, qual é a classificação do sujeito? a) Oculto b) Simples c) Composto d) Indeterminado 9. (Eear 2017) Relacione as colunas e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: I. Predicado Verbal II. Predicado Nominal III. Predicado Verbo-nominal ( ) Receava que eu me tornasse rancorosa. ( ) As irmãs saíram da missa assustadas. ( ) Da janela da igreja, os padres assistiam à cena. a) II – I – III b) III – I – II c) I – III – II d) II – III – I 10. (Ifba) Leia a anedota de Ziraldo e indique a opção que corresponde aos tipos de predicado presentes na fala atribuída à professora, obedecendo à ordem em que eles aparecem no texto. A inspetora da escola visitando todas as turmas quando o Juquinha levou um tombo no corredor e berrou todos os palavrões que conhecia.
46VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Escandalizada, a inspetora perguntou: – Onde essa criança aprendeu tanto palavrão? E a professora, muito sem graça: – Aprendeu nada! Isso é dom natural. (Fonte: Ziraldo. Mais anedotinhas do Bichinho da Maçã. 10 ed. São Paulo: Melhoramentos, 1993. p. 10-11) a) Nominal e Verbal. b) Verbal e Nominal. c) Verbal e Verbo-Nominal. d) Verbo-Nominal e Verbal. e) Verbo-Nominal e Nominal. E.O. Fixação 1. (Ifsp) Com relação à classificação do sujeito, assinale a alternativa correta. a) A oração: “Todos cantaram durante o evento” apresenta um exemplo de sujeito indeterminado. b) A oração: “A respeito desta informação, falo eu!” apresenta um exemplo de sujeito oculto (determinado). c) A oração: “Andavam devagar, em fila, nove ou dez”, apresenta um exemplo de oração sem sujeito. d) A oração: “Falam por nós os desprovidos de justiça, os humildes de alma”, apresenta um exemplo de sujeito composto. e) A oração: “Não se falava dele na reunião”, apresenta um exemplo de sujeito simples. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Celular liberado Em 2010, a pesquisadora em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação Glaucia da Silva Brito e o mestrando em Educação Marlon de Campos Mateus, ambos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizaram uma pesquisa com professores de um colégio estadual de Curitiba (PR). A pergunta era: é possível usar os aparelhos celulares dos alunos com propósito pedagógico em sala de aula? A maioria não via nenhuma utilidade nos aparelhos, e ainda os considerava como um empecilho em suas aulas. Quatro anos depois, é crescente o número de professores que veem os celulares com outros olhos. E muitos os estão usando como aliados. No Colégio Vital Brazil, de São Paulo (SP), costuma-se dizer que a liberação do uso dos smartphones e outros aparelhos eletrônicos em aula foi uma “necessidade”. A coordenadora pedagógica do ensino médio, Maria Helena Esteves da Conceição, conta que, desde 2013, o uso dos aparelhos eletrônicos passou a ser feito em laboratórios e aulas específicas, como artes e matemática. (...) Os pesquisadores da UFPR sugerem ainda outras possibilidades de uso pedagógico dos smartphones: pesquisas em dicionários on-line ou aplicativos, a câmera como recurso nas aulas de artes, as redes sociais com geolocalização para as aulas de geografia. Tudo depende do propósito pedagógico e da disponibilidade do professor. Mas será que esses aparelhos precisam ser usados em sala de aula? Não haveria outros meios para chegar aos mesmos resultados de pesquisa? (...) Para incorporar os smartphones nas classes, é preciso preparo dos professores e planejamento para as aulas, acredita Vanderlei Cardoso, professor e assessor de matemática do Colégio Vital Brasil. Mãe do aluno David, do 9.º ano do Colégio Bandeirantes, Beatriz Silva, aprova a utilização dos aparelhos eletrônicos em aula, “já que fazem parte do dia a dia dessa nova geração” e, segundo sua percepção, houve mudanças no processo de aprendizagem de seu filho. “Ele se tornou mais motivado para algumas atividades escolares específicas nas quais usa os aparelhos e apresentou mais autonomia para fazer pesquisa na internet e criatividade no uso de programas relacionados às artes gráficas”, relata. Mas Beatriz não esconde suas preocupações, que são as mesmas de muitos pais e pesquisadores, preocupados com o uso excessivo da tecnologia no cotidiano de jovens e crianças. “Minha preocupação é com o fato de os jovens permanecerem o tempo todo conectados aos smartphones. Considero que, 9 dessa forma, há o risco de os recursos de informática se tornarem os ‘protagonistas’ do processo quando, na verdade, o foco deve ser sempre o recurso ‘humano’”, diz Beatriz. Disponível em: http://revistaeducacao.uol.com. br. Acesso em: 24.09.2015. Adaptado. 2. (Ifba) No trecho destacado, pode-se afirmar sobre a classificação morfossintática da palavra “Tudo” que: a) é um predicado nominal. b) é o sujeito simples da oração. c) compõe o predicado da oração. d) morfologicamente, pode ser classificada como substantivo. e) constitui o sujeito indeterminado, uma vez que é impossível determinar quem pratica a ação. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Leia a letra de música abaixo e responda ao que se pede na(s) questão(ões) a seguir. O Segundo Sol (Cássia Eller) Quando o segundo sol chegar Para realinhar as órbitas dos planetas Derrubando com assombro exemplar O que os astrônomos diriam Se tratar de um outro cometa Não digo que não me surpreendi Antes que eu visse você disse E eu não pude acreditar Mas você pode ter certeza De que seu telefone irá tocar Em sua nova casa Que abriga agora a trilha Incluída nessa minha conversão Eu só queria te contar Que eu fui lá fora E vi dois sóis num dia E a vida que ardia sem explicação
47VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Explicação, não tem explicação Explicação, não Não tem explicação Explicação, não tem Não tem explicação Explicação, não tem Explicação, não tem Não tem Disponível em: http://letras.mus.br/cassiaeller/12570/. Acesso em: 19.09.2015. 3. (Ifba) As quatro primeiras orações da segunda estrofe apresentam os sujeitos classificados, respectivamente, em: a) oculto, oculto, oculto, oculto. b) oculto, oculto, simples, simples. c) simples, simples, simples, simples. d) oculto, indeterminado, simples, simples. e) indeterminado, indeterminado, simples, simples. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Leia o fragmento do conto “A mulher ramada”, abaixo, e responda à(s) questão(ões) a seguir. Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em cada tronco, em cada haste, em cada pedúnculo, a seiva empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas pontas verdes. Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores, nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira. Nua, obedecia ao esforço do seu jardineiro que, temendo viesse a floração romper tanta beleza, cortava rente todos os botões. De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada. Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la, percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra no seio despontava. Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que nunca mais teria coragem de podá-la. Nem mesmo para mantê-la presa em seu desenho. (COLASANTI, M. Doze reis e a moça no labirinto do vento. 12. ed. São Paulo: Global Editora, 2006. p. 26-28.) 4. (Uel) Em relação à função sintática dos termos sublinhados no texto, atribua V (exercem a função de sujeito) ou F (não exercem essa função) aos itens a seguir. ( ) “a floração” ( ) “a primavera” ( ) “a marca da sua ausência” ( ) “outra” ( ) “a perfeição do rosto” Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta. a) V, V, V, F, F. b) V, F, F, V, V. c) F, V, V, V, F. d) F,V, F, F, V. e) F, F, V, V, V. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO FELICIDADE CLANDESTINA Clarice Lispector Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”. Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais
48VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando-me mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. 5. (Efomm) Assinale a opção em que a expressão sublinhada NÃO é o sujeito da oração. a) Como contar o que se seguiu? b) Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. c) Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro (...) d) No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração (...) e) Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras (...) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 1 “Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. Caíra no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta da casa deserta. ELE, a mulher e os filhos tinham-se habituado à camarinha escura, pareciam ratos - e a lembrança dos sofrimentos passados esmorecera (...). 2 - Fabiano, VOCÊ é um homem, exclamou em voz alta. 3 Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era um homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. (...) Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, ALGUÉM tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando: 4 - Você é um bicho, Fabiano. 5 Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho capaz de vencer dificuldades”. 6. (Fei) Observe a oração: “Fabiano ia SATISFEITO”. O termo em destaque assume a função de: a) predicativo do sujeito b) objeto direto c) adjunto adverbial d) adjunto adnominal e) agente da passiva 7. (Espcex (Aman)) Assinale a alternativa que classifica corretamente a sequência de predicados das orações abaixo. • Soa um toque áspero de trompa. • Os estudantes saem das aulas cansados. • Toda aquela dedicação deixava-o insensível. • Em Iporanga existem belíssimas grutas. • Devido às chuvas, os rios estavam cheios. • Eram sólidos e bons os móveis. a) verbal; verbo-nominal; verbo-nominal; verbal; nominal; nominal b) verbal; verbal; verbo-nominal; nominal; verbo-nominal; nominal c) nominal; verbal; verbo-nominal; verbal; nominal; verbo-nominal d) verbo-nominal; verbal; nominal; verbal; verbo-nominal; nominal e) nominal; verbal; verbal; nominal; nominal; verbo- -nominal TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO De um jogador brasileiro a um técnico espanhol João Cabral de Melo Neto Não é a bola alguma carta que se leva de casa em casa: é antes telegrama que vai de onde o atiram ao onde cai.
49VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Parado, o brasileiro a faz ir onde há-de, sem leva e traz; com aritméticas de circo ele a faz ir onde é preciso; em telegrama, que é sem tempo ele a faz ir ao mais extremo. Não corre: ele sabe que a bola, Telegrama, mais que corre voa. (Disponível em: <http://www.revista.agulha.nom.br/ futebol.html#jogador> Acesso em: 12 out. 2011.) 8. (Ifpe) Quanto aos aspectos morfossintáticos do texto, assinale a alternativa correta. a) O sujeito das duas primeiras estrofes é indeterminado, como se verifica pelos verbos “se leva” e “atiram”. b) O predicado em “Não é a bola alguma carta” e “é antes telegrama...” é verbal, pois os verbos indicam o estado da bola. c) O sujeito simples “brasileiro” da terceira estrofe é retomado nas demais estrofes pelo pronome “ele”. d) O predicado da oração “Ele a faz ir”, na quarta e quinta estrofes, é verbo-nominal, pois indica ação e descreve a bola. e) O substantivo “telegrama”, no último verso do poema, é um adjunto adnominal de “bola”. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO FOLHA – Seus estudos mostram que, entre os mais escolarizados, há maior preocupação com a corrupção. O acesso à educação melhorou no país, mas a aversão à corrupção não parece ter aumentado. Não se vê mais mobilizações como nos movimentos pelas Diretas ou no Fora Collor. Como explicar? ALMEIDA – Esta questão foi objeto de grande controvérsia nos Estados Unidos. Quanto maior a escolarização, maior a participação política. Mas a escolaridade também cresceu lá, e não se viu aumento de mobilização. O que se discutiu, a partir da literatura mais recente, é que, para acontecerem grandes mobilizações, é necessária também a participação atuante de uma elite política. No caso das Diretas-Já, por exemplo, essa mobilização de cima para baixo foi fundamental. O governador de São Paulo na época, Franco Montoro, estava à frente da mobilização. No Rio, o governador Leonel Brizola liberou as catracas do metrô e deu ponto facultativo aos servidores. No caso de Collor, foi um fenômeno mais raro, pois a mobilização foi mais espontânea, mas não tão grande quanto nas Diretas. Porém, é preciso lembrar que Collor atravessava um momento econômico difícil. Isso ajuda a explicar por que ele caiu com os escândalos da época, enquanto Lula sobreviveu bem ao mensalão. Collor não tinha o apoio da elite nem da classe média ou pobre. Já Lula perdeu apoio das camadas mais altas, mas a população mais pobre estava satisfeita com o desempenho da economia. Isso fez toda a diferença nos dois casos. A preocupação de uma pessoa muito pobre está muito associada à sobrevivência, ao emprego, à saúde, à própria vida. Para nós, da elite, jornalistas, isso já está resolvido e outras questões aparecem como mais importantes. São dois mundos diferentes. (Adaptado de: GOIS, Antonio. Mais conscientes, menos mobilizados. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br// fsp/mais/fs2607200914.htm>. Acesso em: 26 jul. 2009). 9. (Uel) Considere o trecho: “Isso fez toda a diferença nos dois casos. A preocupação de uma pessoa muito pobre está muito associada à sobrevivência, ao emprego, à saúde, à própria vida. Para nós, da elite, jornalistas, isso já está resolvido e outras questões aparecem como mais importantes. São dois mundos diferentes”. As palavras grifadas são a) predicados verbais. b) núcleos do sujeito. c) substantivos. d) advérbios. e) adjetivos. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO QUEM É O CRIMINOSO? “Outro dia, durante uma conversa despretensiosa, um dos líderes da Central Única de Favela (Cufa), entidade surgida no Rio de Janeiro para representar os favelados do país, descrevia uma cena que presenciou durante anos a fio em sua vida: ‘É o bacana da Zona Sul estacionar seu Mitsubishi no pé do morro e comprar cocaína de um garotinho de 12 anos’. Em seguida, fez uma pergunta perturbadora: ‘Quem é o criminoso? O bacana da Zona Sul ou o garoto de 12 anos?’. E deu a resposta: ‘Para vocês, o garoto de 12 anos tem de ser preso porque ele é um traficante de drogas. Para nós, tem de prender o bacana da Zona Sul porque ele está aliciando menores para o crime’. Não resta dúvida de que a situação retrata um dilema poderoso: de um lado, tem-se uma vítima do vício induzida ao crime de comprar drogas e, de outro, tem-se uma vítima da pobreza e da desigualdade 5 induzida ao crime de vendê-las. Na cegueira legal em que vivemos, a solução é simples: prendem-se vendedor e comprador. (...) Começa agora a surgir uma alternativa mais realista com a intenção do governo federal de implantar a chamada ’política de redução de danos’. Ou seja: em vez de punir os usuários, tratando-os como criminosos, passa-se a encará-los como doentes e atendê-los de modo a reduzir os riscos a que estão expostos - como a overdose, aids, hepatite e outras doenças. É mais realista porque a repressão do uso de drogas é uma política bem-intencionada, na qual se pretende a purificação pela via da punição, mas que tem se mostrado sistematicamente falha. A ideia brasileira - já em uso em outros países, e não apenas na Holanda - é um pedaço de bom senso e humildade. Encarar um viciado como doente é um enfoque justo e generoso.” André Petry. Revista VEJA, 24 de novembro de 2004, p. 50. 10. (Cftce) Em "... a repressão do uso de drogas é uma política bem intencionada", verifica-se que o predicado é: a) verbal b) nominal c) verbo-nominal d) nominal, porque o verbo é intransitivo e) verbal, porque o verbo é de ligação
50VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias E.O. Complementar TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O filósofo e romancista Umberto Eco concedeu uma entrevista ao Jornal El País em março de 2015, pouco menos de um ano antes de sua morte. Na ocasião, o escritor falou sobre o conteúdo de seu último romance, Número Zero, uma ficção sobre o jornalismo inspirada na realidade e sobre as relações da temática da obra com a atualidade: o papel da imprensa, a Internet e a sociedade. Pergunta: Agora a realidade e a fantasia têm um terceiro aliado, a Internet, que mudou por completo o jornalismo. Resposta: A Internet pode ter tomado o lugar do mau jornalismo... Se 1 você sabe que está lendo um jornal como EL PAÍS, La Repubblica, Il Corriere della Sera…, pode pensar que existe um certo controle da notícia e confia. 2 Por outro lado, se ³você lê um jornal como aqueles vespertinos ingleses, sensacionalistas, não confia. Com a Internet acontece o contrário4 : confia em tudo porque não sabe diferenciar a fonte credenciada da disparatada. Basta pensar no sucesso que faz na Internet qualquer página web que fale de complôs 5 ou que 6 invente histórias absurdas: tem um acompanhamento incrível, de internautas e de pessoas importantes que as levam a sério. Pergunta: Atualmente é difícil pensar no mundo do jornalismo que era protagonizado, aqui na Itália, por pessoas como Piero Ottone e Indro Montanelli… Resposta: Mas a crise do jornalismo no mundo começou nos anos 1950 e 1960, bem quando chegou a televisão, antes que eles 7 desaparecessem! Até então o jornal 8 te contava o que acontecia na tarde anterior, por isso muitos eram chamados jornais da tarde: Corriere della Sera, Le Soir, La Tarde, Evening Standard… Desde a invenção da televisão9 , o jornal te diz pela manhã o que você já sabe. E agora é a mesma coisa. O que um jornal deve fazer? Pergunta: Diga o senhor. Resposta: Tem que se transformar em um semanário. Porque um semanário tem tempo, são sete 10dias para construir 11suas reportagens. Se você lê a Time ou a Newsweek vê que várias pessoas 12contribuíram para uma história concreta, que trabalharam nela semanas ou meses, enquanto que em um jornal tudo é feito da noite para o dia. Um jornal que em 1944 tinha quatro páginas hoje tem 64, então tem que preencher obsessivamente com notícias repetidas, cai na fofoca, não consegue evitar... A crise do jornalismo, 13então, começou há quase cinquenta anos e é um problema muito grave e importante. Pergunta: Por que é tão grave? Resposta: Porque é verdade que, como dizia Hegel, a leitura dos 14jornais é a oração matinal do homem moderno. E 15eu não consigo tomar meu café da manhã se não folheio o jornal; mas é um ritual quase afetivo e religioso, porque folheio olhando os títulos, e por 16eles me dou conta de que quase tudo já sabia na noite anterior. 17No máximo, leio um editorial ou um artigo de opinião. Essa é a crise do jornalismo contemporâneo. E disso não sai! Pergunta: Acredita de verdade que não? Resposta: O jornalismo poderia ter outra função. Estou pensando em alguém que faça uma crítica cotidiana da Internet, e é algo que acontece pouquíssimo. Um jornalismo que me diga: 18“Olha o que tem na Internet, olha que coisas falsas estão dizendo, reaja a isso, eu te mostro”. E isso pode ser feito tranquilamente. 19No entanto, ainda 20pensam que o jornal é feito para que seja lido por alguns velhos senhores 21– já que os jovens não 22leem – que ainda não usam a Internet. Teria que se fazer um jornal que não se torne apenas a crítica da realidade cotidiana, mas também a crítica da realidade virtual. Esse é um futuro possível para um bom jornalismo. (EL PAÍS. Caderno cultura. 30 de março de 2015. Disponível em http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/26/ cultura/1427393303_512601.html. Acesso em 10 abr. 2016) 1. (Upf) Há, no texto, um recurso linguístico usado para indeterminar o sujeito. Trata-se de um aspecto rico e complexo empregado no texto a fim de se construir uma referência genérica. Esse recurso é percebido na seguinte ocorrência verbal: a) “pensam” (ref. 20). b) “invente” (ref. 6). c) “desaparecessem” (ref. 7). d) “contribuíram” (ref. 12). e) “leem” (ref. 22). 2. (Ifal) O texto abaixo é referência para a questão a seguir. “Aliás versos não se escrevem para leitura de olhos mudos. Versos cantam-se, urram-se, choram-se. Quem não souber cantar não leia Paisagem nº 1. Quem não souber urrar não leia Ode ao Burguês. Quem não souber rezar, não leia Religião. Desprezar: A Escalada. Sofrer: Colloque Sentimental. Perdoar: a cantiga do berço, um dos solos de Minha Loucura, das Enfibraturas do Ipiranga. Não continuo. Repugna-me dar a chave de meu livro. Quem for como eu tem essa chave.” Mário de Andrade. Literatura Comentada, p.131. Ed. Nova Cultural Ltda. Tomando como base esse texto de Mário de Andrade, assinale a única alternativa falsa quanto às classes de palavras e suas flexões no uso da língua. a) Os verbos “escrever”, “cantar”, “urrar” e “chorar” têm como sujeito o substantivo “Versos”, por isso estão no plural. b) Em: “Versos cantam-se, urram-se, choram-se.”, o pronome “se” é índice de indeterminação do sujeito. c) A vírgula, em: “Quem não souber rezar, não leia Religião.”, de acordo com os aspectos básicos da pontuação, está empregada indevidamente, uma vez que não se separa o sujeito do predicado. d) Os substantivos “Escalada”, “Colloque” e “cantiga” são, respectivamente, núcleos dos objetos diretos do verbo “ler”, subentendido em: “Desprezar: A Escalada. Sofrer: Colloque Sentimental. Perdoar: a cantiga do berço...” e) Se substituirmos a preposição “a”, em: “Ode ao Burguês”, pela preposição “de”, teremos o sentido de finalidade alterado para o sentido de posse.