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Published by Henrique Santos, 2024-01-11 14:55:30

CadernoEO-LCódigosV3_2022

CadernoEO-LCódigosV3_2022

51VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Sem Facebook Das minhas relações mais próximas, só três comungam comigo não ter facebook. Não pensem que tenho críticas, sou um entusiasta, apenas não quero usar. Pouco dou conta dos meus amigos, onde vou arranjar tempo para mais? Minha etiqueta me faz responder a tudo, teria que largar o trabalho se entrasse na rede social. Só recentemente minhas filhas me convenceram que se não respondesse um spam ninguém ficaria ofendido. 1 A 2 cidade ganhou a parada. Acabou o pequeno mundo onde todos se conheciam, 3 onde não se podia esconder segredos e pecados. Viver na 4 urbe é cruzar com desconhecidos, sentir a frieza do anonimato. Essa é a realidade da maioria. Meu 5 apreço com as redes sociais é por acreditar que elas são um antídoto para o isolamento urbano. São uma novidade que imita o passado, uma nova versão, por vezes mais rica, por vezes mais pobre, da antiga comunidade. Detalhe: não quero 6 retroceder, a simpatia é pelo resgate da nossa essência social. Vivemos para o olhar dos outros, essa é a realidade simples, evidente. 7 Quem pensa o contrário vai à conversa da literatura de autoajuda, 8 que idolatra a autossuficiência e acredita que é possível ser feliz sozinho. É uma ilusão tola. Nascemos para vitrine. Quando checamos insistentemente para saber como reagiram às nossas postagens, somos desvelados no pedido amoroso. 9 O viciado em rede social é 10obcecado pela sociabilidade. Está em busca de um olhar, de uma aprovação, precisa disso para existir. Ou vamos acreditar que a carência, o desespero amoroso e a busca pelo reconhecimento são novidades da internet? 11Sei que o facebook é o retrato da felicidade fingida, todos vestidos de ego de domingo, mas essa é a demanda do nosso tempo. Critique nossos costumes, não o espelho. Sei também que as redes são usadas basicamente para 12frivolidades, é certo, mas isso somos nós. Se a vida miúda de uma cidadezinha fosse transcrita, não seria diferente. Fofoca, sabedoria de almanaque, dicas de produtos culturais, troca de impressões e às vezes até um bom conselho, além de ser um amplificador veloz para mobilizações. Também apontam que amigos virtuais não substituem os presenciais. 13Todos se dão conta, e justamente usam a rede na esperança de escapar dela. O 14objetivo final é ser visto e conhecido também fora. Usamos esse grande palco para ensaiar e se aproximar dos outros, fazer o que sempre fizemos. 15O facebook é a nostalgia da aldeia e sua superação. CORSO, Mário. Sem Facebook. Disponível em: http:// zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/ blogs/. Acesso em: 31 de agosto de 2013. (adaptado) 3. (ifba) A respeito das funções que os elementos da língua exercem no texto, é verdadeiro: a) O termo “obcecado” (ref. 10) é predicativo de “viciado” (ref. 9). b) A palavra “onde” (ref. 3) é um pronome e se refere à palavra “cidade” (ref. 2). c) A palavra “que” na oração “Sei que o facebook é o retrato da felicidade fingida” (ref. 11) é um pronome relativo. d) O sujeito da oração “que idolatra a autossuficiência” (ref. 8) é “Quem pensa o contrário” (ref. 7). e) A oração “Todos se dão conta” (ref. 13) apresenta um sujeito oculto. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O Outro Marido 14Era conferente da Alfândega – mas isso não tem importância. Somos todos alguma coisa fora de nós; o eu irredutível nada tem a ver com as classificações profissionais. Pouco importa que nos avaliem pela casca. 9 Por dentro, sentia-se diferente, capaz de mudar sempre, enquanto a situação exterior e familiar não mudava. Nisso está o espinho do homem: ele muda, os outros não percebem. Sua mulher não tinha percebido. Era a mesma de há 23 anos, quando se casaram (quanto ao íntimo, é claro). 3 Por falta de filhos, os dois viveram demasiado perto um do outro, sem derivativo. Tão perto que se desconheciam mutuamente, como um objeto desconhece outro, na mesma prateleira de armário. 10Santos doía-se de ser um objeto aos olhos de Dona Laurinha. Se ela também era um objeto aos olhos dele? Sim, mas com a diferença de que Dona Laurinha não procurava fugir a essa simplificação, nem reparava; era de fato, objeto. Ele, Santos, sentia-se vivo e desagradado. 1 Ao aparecerem nele as primeiras dores, Dona Laurinha penalizou-se, mas esse interesse não beneficiou as relações do casal. Santos parecia 6comprazer-se em estar doente. 11Não propriamente em queixar-se, mas em alegar que ia mal. A doença era para ele ocupação, emprego suplementar. O médico da Alfândega dissera-lhe que certas formas reumáticas levam anos para ser dominadas, exigem adaptação e disciplina. Santos começou a cuidar do corpo como de uma planta delicada. E mostrou a Dona Laurinha a nevoenta radiografia da coluna vertebral com certo orgulho de estar assim tão afetado. – Quando você ficar bom... – Não vou ficar. Tenho doença para o resto da vida. Para Dona Laurinha, a melhor maneira de curar-se é tomar remédio e entregar o caso à alma de Padre Eustáquio, que vela por nós. 2 Começou a fatigar-se com a importância que o reumatismo assumira na vida do marido. E não se amolou muito 12quando ele anunciou que ia internar-se no hospital Gaffré e Guinle. – Você não sentirá falta de nada – assegurou-lhe Santos. – Tirei licença com ordenado integral. Eu mesmo virei aqui todo começo de mês trazer o dinheiro. Hospital não é prisão. – Vou visitar você todo domingo, quer? – É melhor não ir. Eu descanso, você descansa, cada qual no seu canto. Ela também achou melhor, e nunca foi lá. Pontualmente, Santos trazia-lhe o dinheiro da despesa, ficaram até um pouco amigos nessa breve conversa a longos intervalos. 4 Ele chegava e saía curvado, sob a garra do reumatismo que nem melhorava nem matava. A visita não era de todo desagradável, desde que a doença deixara de ser assunto. Ela notou como a vida de hospital pode ser distraída: os internados sabem de tudo cá de fora. – Pelo rádio – explicou Santos. Um dia, ela se sentiu tão nova, apesar do tempo e das separações fundamentais, que imaginou uma alteração: por que ele não ficava até o dia seguinte, só essa vez?


52VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias – 5 É tarde – respondeu Santos. E ela não entendeu se ele se referia à hora ou a toda a vida passada sem compreensão. É certo que vagamente o compreendia agora, e recebia dele mais que a mesada: uma hora de companhia por mês. Santos veio um ano, dois, cinco. Certo dia não veio. 13Dona Laurinha preocupou-se. Não só lhe faziam falta os cruzeiros; ele também fazia. Tomou o ônibus, foi ao hospital pela primeira vez, em alvoroço. Lá ele não era conhecido. Na Alfândega informaram-lhe que Santos falecera havia quinze dias, a senhora quer o endereço da viúva? – Sou eu a viúva – disse Dona Laurinha, espantada. O informante olhou-a com incredulidade. Conhecia muito bem a viúva do Santos, Dona Crisália, fizera bons piqueniques com o casal na Ilha do Governador. Santos fora seu parceiro de bilhar e de pescaria. Grande praça. Ele era padrinho do filho mais velho de Santos. Deixara três órfãos, coitado. E tirou da carteira uma foto, um grupo de praia. Lá estavam Santos, muito lépido, sorrindo, a outra mulher, os três garotos. Não havia dúvida: era ele mesmo, seu marido. Contudo, 7 a outra realidade de Santos era tão destacada da sua, que o tornava outro homem, completamente desconhecido, irreconhecível. – Desculpe, foi engano. 8 A pessoa a que me refiro não é esta – disse Dona Laurinha, despedindo- se. (Carlos Drummond de Andrade) 4. (Espcex) “... a outra realidade de Santos era tão destacada da sua, que o tornava outro homem, completamente desconhecido, irreconhecível.” (ref.7) Os termos sublinhados são a) núcleos do sujeito composto. b) núcleos do objeto direto. c) predicativos do sujeito. d) predicativos do objeto. e) adjuntos adverbiais. 5. (FAMERP) Leia o poema de Fernando Pessoa para responder à questão Autopsicografia O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama o coração. (Obra poética, 1984.) Para a correta compreensão da terceira estrofe, deve-se entender que o sujeito de “Gira” é a) “roda”. b) o poeta. c) “Esse comboio de corda”. d) “a razão”. e) o leitor. E.O. Dissertativo 1. (Pucrj) A amizade, nos séculos XVIII e XIX, é aceita, valorizada, mas não está em evidência. O amor, o casal e a família ocupam o primeiro plano. As práticas de amizade acrescentam-se a eles, desempenhando muitas vezes papéis secundários. A amizade é alegria suplementar, marca de uma eleição, não é uma instituição. Ela estabelece redes de influência, inventa lugares de convivência e laços de resistência enquanto se multiplicam para a maioria as oportunidades de encontros e de interações. Todos a dizem essencial: na verdade, é “acessória”. Seu exercício voluntário torna-lhe a existência mais frágil, mais submetida ao acaso. Os valores da amizade parecem tanto mais invocados quanto mais outras obrigações, outras injunções tendem a limitar de fato a possibilidade do seu exercício. A amizade no entanto se exerce, ela ocupa, é atuante. Esse exercício da amizade forma e transforma: praticando-o, elaboram-se tanto o si mesmo quanto o entre-si. Indo ao encontro dos outros, é ao encontro de si mesma que a pessoa se lança. Nela se conjugam a alegria comum e o ethos, que eu gostaria de traduzir ao mesmo tempo como uso e como fragmento de ética. VINCENT-BUFFAULT, Anne. Da amizade: uma história do exercício da amizade nos séculos XVIII e XIX. Trad. de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996. p. 9. a) O texto revela o caráter secundário da amizade nos séculos XVIII e XIX, o que fica explícito em “O amor, o casal e a família ocupam o primeiro plano. As práticas de amizade acrescentam-se a eles, desempenhando muitas vezes papéis secundários.” Transcreva do 2º parágrafo do texto o adjetivo que reitera essa ideia. b) Tendo em vista a regra básica de concordância verbal, identifique o sujeito de “se multiplicam”, no último período do 1º parágrafo do texto. c) No texto, há o predomínio de um determinado tempo verbal. Identifique-o e explique o seu emprego. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Lisboa: aventuras tomei um 1 expresso cheguei de foguete subi num bonde desci de um elétrico pedi cafezinho serviram-me uma bica quis comprar meias só vendiam peúgas fui dar a descarga


53VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias disparei um autoclisma gritei “ó cara!” responderam-me “ó pá!” positivamente as aves que aqui 2 gorjeiam não gorjeiam como lá (José Paulo Paes. A poesia está morta, mas juro que não fui eu. São Paulo, Duas Cidades, 1988, p.40.) 1 Expresso: trem de alta velocidade 2 Gorjeiam: cantam 2. (Cp2) Na primeira estrofe do texto, que forma verbal não apresenta o eu lírico como seu sujeito ou seu complemento? TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: TEXTO I Grafite é arte? A prefeitura de São Paulo quer preservar os desenhos Carol Patrocinio A discussão entre arte e poluição visual gira em torno do grafite e da pichação desde que o mundo é mundo. 1 Os artistas se defendem falando sobre a arte e as experiências em outros países, onde sua influência criativa é reconhecida. As autoridades ainda não conseguem diferenciar o que é arte e o que é sujeira. E no fim das contas, como fica essa situação? No começo deste mês [julho de 2008], a prefeitura de São Paulo contratou uma empresa para limpar os muros da cidade que tinham pichações. 2 A empresa terceirizada seguiu as ordens e começou a passar tinta branca em tudo, inclusive em uma das obras dos grafiteiros mais aclamados da atualidade, Os Gêmeos. A Prefeitura disse que houve um equívoco da empresa contratada, mas os artistas não acreditam que tenha sido “sem querer”. Eles questionam qual seria o critério adotado para pintar as paredes, já que a obra da dupla tinha mais de 700 metros quadrados. Os irmãos acabaram de voltar dos EUA, onde tiveram suas obras expostas e nos últimos meses também pintaram a fachada da Tate Modern, em Londres. Depois desse incidente, a Prefeitura da cidade de São Paulo concluiu que os painéis de grafite devem ser preservados. A ideia é que seja criada uma comissão de grafiteiros para produzir uma lista com os endereços dos painéis que deverão ser preservados durante a limpeza da cidade. Na década de 80 surgiu o Profeta Gentileza, que fazia grafites com inscrições e textos sob alguns viadutos do Rio de Janeiro. Após sua morte os murais foram apagados e pintados de cinza, porém, com a crítica feita sobre a atitude, puderam ser restaurados. Para a restauração foi criada a ONG Rio com Gentileza. O trabalho começou em 1999 e em maio de 2000 estava concluída e o patrimônio preservado. A obra do poeta gerou um livro com as imagens de seus painéis e uma música com seu nome, interpretada por Marisa Monte. (http://jovem.ig.com.br/street/noticias/2008/07/30/ grafite_e_arte_1479987.html - acesso em 08/10/2011) TEXTO II Gentileza Apagaram tudo Pintaram tudo de cinza A palavra no muro Ficou coberta de tinta Apagaram tudo Pintaram tudo de cinza Só ficou no muro Tristeza e tinta fresca Nós que passamos apressados Pelas ruas da cidade Merecemos ler as letras E as palavras de Gentileza Por isso eu pergunto A você no mundo Se é mais inteligente O livro ou a sabedoria O mundo é uma escola A vida é o circo Amor palavra que liberta Já dizia o Profeta (Marisa Monte. Cd Memórias, crônicas e declarações de amor. EMI, 2000) 3. (Cp2) Sabe-se que o sujeito indeterminado é empregado quando não se quer ou não se pode determiná-lo. No texto II, foi usada uma marca de indeterminação do sujeito no verso “Apagaram tudo”. Por uma aproximação entre a ação de “limpar a cidade”, que ocorre nos textos I e II, no entanto, é possível determinar esse sujeito. Transcreva do segundo parágrafo do texto I um substantivo que poderia ser núcleo do sujeito, caso ele fosse determinado. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Era conferente da Alfândega – mas isso não tem importância. Somos todos alguma coisa fora de nós; o eu irredutível nada tem a ver com as classificações profissionais. Pouco importa que nos avaliem pela casca. Por dentro, sentia-se diferente, capaz de mudar sempre, enquanto a situação exterior e familiar não mudava. Nisso está o espinho do homem: ele muda, os outros não percebem. Sua mulher não tinha percebido. Era a mesma de há 23 anos, quando se casaram (quanto ao íntimo, é claro). Por falta de filhos, os dois viveram demasiado perto um do outro, sem derivativo. Tão perto que se desconheciam mutuamente, como um objeto desconhece outro, na mesma prateleira de armário. Santos doía-se de ser um objeto aos olhos de Dona Laurinha. Se ela também era um objeto aos olhos dele? Sim, mas com a diferença de que Dona Laurinha não procurava fugir a essa simplificação, nem reparava; era, de fato, objeto. Ele, Santos, sentia-se vivo e desagradado. (Carlos Drummond de Andrade, O outro marido.)


54VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 4. (Uftm) Com base no texto, responda: a) Por que, para o narrador, o fato de Santos ser conferente da Alfândega não tem importância? b) Reescreva o trecho – ... o eu irredutível nada tem a ver com as classificações profissionais. – fazendo os ajustes necessários para empregar a expressão as classificações profissionais como sujeito da oração. 5. (Ufal) A sala ficou vazia. Todos os homens se dirigiram para o curral. As mulheres foram depois. Os vaqueiros decidiram, como já era um pouco tarde, que os animais fossem montados de dois em dois. Transcreva do texto: 1. uma oração sem sujeito. 2. uma oração na voz passiva. E.O. UERJ Exame de Qualificação TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO UM BOI VÊ OS HOMENS Tão delicados (mais que um arbusto) e correm e correm de um para outro lado, sempre esquecidos de alguma coisa. Certamente, falta-lhes não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves, até sinistros. Coitados, dir-se-ia que não escutam nem o canto do ar nem os segredos do feno, como também parecem não enxergar o que é visível e comum a cada um de nós, no espaço. E ficam tristes e no rasto da tristeza chegam à crueldade. Toda a expressão deles mora nos olhos - e perde-se a um simples baixar de cílios, a uma sombra. Nada nos pelos, nos extremos de inconcebível fragilidades, e como neles há pouca montanha, e que secura e que reentrâncias e que impossibilidade de se organizarem em formas calmas, permanentes e necessárias. Têm, talvez, certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem perdoar a agitação incômoda e o translúcido vazio interior que os torna tão pobres e carecidos de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme (que sabemos nós?), sons que se despedaçam e tombam no campo como pedras aflitas e queimam a erva e a água, e difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade. (ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião.10 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977.) 1. (UERJ) É comum encontrar nos livros escolares a definição de predicado como aquilo que se declara sobre o sujeito de uma oração. Essa definição de predicado, entretanto, não é suficiente para identificá-lo em todas as suas ocorrências. O exemplo em que NÃO se poderia identificar o predicado pela definição dada é: a) “falta-lhes / não sei que atributo essencial,” (v. 3-4) b) “Toda a expressão deles mora nos olhos” (v.11) c) “neles há pouca montanha,” (v. 14) d) “sons que se despedaçam” (v. 22) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O Brasil ainda não é propriamente uma nação. Pode ser um Estado nacional, no sentido de um aparelho estatal organizado, abrangente e forte, que acomoda, controla ou dinamiza tanto estados e regiões como grupos raciais e classes sociais. Mas as desigualdades entre as unidades administrativas e os segmentos sociais, que compõem a sociedade, são de tal monta que seria difícil dizer que o todo é uma expressão razoável das partes - se admitimos que o todo pode ser uma expressão na qual as partes também se realizam e desenvolvem. Os estados e as regiões, por um lado, e os grupos e as classes, por outro, vistos em conjunto e em suas relações mútuas reais, apresentam-se como um conglomerado heterogêneo, contraditório, disparatado. O que tem sido um dilema brasileiro fundamental, ao longo do Império e da República, continua a ser um dilema do presente: o Brasil se revela uma vasta desarticulação. O todo parece uma expressão diversa, estranha, alheia às partes. E estas permanecem fragmentadas, dissociadas, reiterando-se aqui ou lá, ontem ou hoje, como que extraviadas, em busca de seu lugar. É verdade que o Brasil está simbolizado na língua, hino, bandeira, moeda, mercado, Constituição, história, santos, heróis, monumentos, ruínas. Há momentos em que o país parece uma nação compreendida como um todo em movimento e transformação. Mas são frequentes as conjunturas em que se revelam as disparidades inerentes às diversidades dos estados e regiões, dos grupos raciais e classes sociais. Acontece que as forças da dispersão frequentemente se impõem àquelas que atuam no sentido da integração. As mesmas forças que predominam no âmbito do Estado, conferindo-lhe a capacidade de controlar, acomodar e dinamizar, reiteram continuamente as desigualdades e os desencontros que promovem a desarticulação. (IANNI, Octávio. A ideia de Brasil moderno. São Paulo: Brasiliense, 1992.) 2. (UERJ) “o Brasil se revela uma vasta desarticulação” A organização do trecho acima disfarça a condição sintaticamente passiva do termo sujeito. Para remover o disfarce e manter o sentido, deve-se reescrever a sentença da seguinte forma: a) O Brasil é percebido de maneira desarticulada. b) O Brasil indica sua desarticulação aos brasileiros. c) O Brasil é desarticulado em fragmentos dissociados. d) O Brasil é mostrado como uma vasta desarticulação. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO PALAVRAS “Veio me dizer que eu desestruturo a linguagem. Eu desestruturo a linguagem? Vejamos: eu estou bem sentado num lugar.


55VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Vem uma palavra e tira o lugar de debaixo de mim. Tira o lugar em que eu estava sentado. Eu não fazia nada para que a palavra me desalojasse daquele lugar. E eu nem atrapalhava a passagem de ninguém. Ao retirar de debaixo de mim o lugar, eu desaprumei. Ali só havia um grilo com a sua flauta de couro. O grilo feridava o silêncio. Os moradores do lugar se queixavam do grilo. Veio uma palavra e retirou o grilo da flauta. Agora eu pergunto: quem desestruturou a linguagem? Fui eu ou foram as palavras? E o lugar que retiraram de debaixo de mim? Não era para terem retirado a mim do lugar? Foram as palavras pois que desestruturaram a linguagem. E não eu.” (BARROS, Manoel de. Ensaios fotográficos. Rio de Janeiro: Record, 2000.) 3. (UERJ) As gramáticas em geral registram duas ocorrências que deixam o sujeito indeterminado: frases como “Falaram mal de você”, em que o verbo aparece na terceira pessoa do plural e não há sujeito reconhecível, e frases como “Precisa-se de servente”, em que o pronome “se” na terceira pessoa do singular, indetermina o sujeito. O poema de Manoel de Barros, no entanto, cria uma outra ocorrência de sujeito indeterminado, que aparece no seguinte trecho: a) “Veio me dizer que eu desestruturo a linguagem” b) “Vejamos: eu estou bem sentado num lugar” c) “Ali só havia um grilo com sua flauta de couro” d) “E o lugar que retiraram de debaixo de mim?” E.O. UERJ Exame Discursivo TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO TEXTO I - ARTE DE AMAR Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus - ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não. (BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira: poesias reunidas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974.) TEXTO II - MINERAÇÃO DO OUTRO Os cabelos ocultam a verdade. Como saber, como gerir um corpo alheio? Os dias consumidos em sua lavra significam o mesmo que estar morto. Não o decifras, não, ao peito oferto, monstruário de fomes enredadas, ávidas de agressão, dormindo em concha. Um toque, e eis que a blandícia1 erra em tormento, e cada abraço tece além do braço a teia de problemas que existir na pele do existente vai gravando. Viver-não, viver-sem, como viver sem conviver, na praça de convites? Onde avanço, me dou, e o que é sugado ao mim de mim, em ecos se desmembra; nem resta mais que indício, pelos ares lavados, do que era amor e dor agora, é vício. O corpo em si, mistério: o nu, cortina de outro corpo, jamais apreendido, assim como a palavra esconde outra voz, prima e vera, ausente de sentido. Amor é compromisso com algo mais terrível do que amor? - pergunta o amante curvo à noite cega, e nada lhe responde, ante a magia: arder a salamandra2 em chama fria. (ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988.) 1 blandícia – meiguice, brandura; afago, mimo, carícia 2 salamandra – animal anfíbio que, segundo a mitologia, era capaz de viver no fogo sem ser consumido 1. (Uerj) Transcreva os sujeitos de “vai gravando” (verso 11 - texto II) e “resta” (verso 16 - texto II). TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A CORRIDA DO OURO Duzentos anos de buscas foram necessários para que os portugueses chegassem ao ouro de sua América. Aos espanhóis não se apresentou o problema da procura e pesquisa dos metais preciosos. 6 Assim que desembarcaram no México, na Colômbia ou no Peru, seus olhos mercantis foram ofuscados pelo ouro e prata que os homens da terra ostentavam nas suas armas, adornos e 7 utensílios. 2 Junto às suas civilizações, o gentio havia desenvolvido a exploração e o trabalho dos metais, para 4 eles mais preciosos pelas suas serventias que pelo poder e valor que 5 agregavam ao homem da Europa cristã, de alma lapidada pela cultura 3 ocidental. O primeiro trabalho que tiveram os castelhanos foi o de imediatamente afirmarem a inferioridade daquele homem que se recusava a total subserviência à majestade de Deus e d’el Rei, através de concepções bastante convenientes a seus propósitos. O brilho do metal, como o canto da sereia, tornou-os surdos a qualquer apelo contrário que não fosse o da ambição pelo ouro e pela prata, tornando-os insensíveis a qualquer consideração humana no “trabalho” de 1 submetimento do indígena, até o seu extermínio ou à redução, dos que sobreviveram, à condição de servos ou escravos nas fainas da mineração. Os sucessos castelhanos atiçaram os colonos portugueses a iniciarem suas buscas, seja pelo encanto daquelas descobertas, seja pelas fantasias que se criaram a partir delas: de tesouros fabulosos perdidos nas entranhas generosas das Américas; de relatos imprecisos de indígenas vindos do interior; de noções equivo-


56VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias cadas da geografia do continente como a da proximidade do Peru; ou mesmo de alguns possíveis indícios concretos, surgiram lendas como as de Sabarabuçu e as de Paraupava, que avivavam os colonos na procura de pedras e metais preciosos. (MENDES Jr., A., RONCARI, L. e MARANHÃO, R. Brasil história: texto e consulta. São Paulo. Brasiliense, 1979.) 2. (Uerj) Na construção do texto, empregam-se pronomes pessoais e possessivos que ora estabelecem relações indispensáveis à compreensão do sentido, ora se tornam redundantes nesta função textual. a) Observe atentamente o trecho compreendido entre as ref. 2 e 3 do primeiro parágrafo e indique os termos antecedentes de ELES (ref. 4) e do sujeito oculto de AGREGAVAM (ref. 5). b) Transcreva dois trechos em que o possessivo possa ser suprimido sem qualquer prejuízo para a compreensão do texto. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO V – O samba À direita do terreiro, adumbra-se* na escuridão um maciço de construções, ao qual às vezes recortam no azul do céu os trêmulos vislumbres das labaredas fustigadas pelo vento. (...) É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome que tem um grande pátio cercado de senzalas, às vezes com alpendrada corrida em volta, e um ou dois portões que o fecham como praça d’armas. Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo chão, que ela cobriu de brasido e cinzas, dançam os pretos o samba com um frenesi que toca o delírio. Não se descreve, nem se imagina esse desesperado saracoteio, no qual todo o corpo estremece, pula, sacode, gira, bamboleia, como se quisesse desgrudar-se. Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam no cangote das mães, ou se enrolam nas saias das raparigas. Os mais taludos viram cambalhotas e pincham à guisa de sapos em roda do terreiro. Um desses corta jaca no espinhaço do pai, negro fornido, que não sabendo mais como desconjuntar-se, atirou consigo ao chão e começou de rabanar como um peixe em seco. (...) José de Alencar, Til. (*) “adumbra-se” = delineia-se, esboça-se. 1. (Fuvest) Na composição do texto, foram usados, reiteradamente, I. sujeitos pospostos; II. termos que intensificam a ideia de movimento; III. verbos no presente histórico. Está correto o que se indica em a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) I, II e III. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Um sarau é o bocado mais delicioso que temos, de telhado abaixo. Em um sarau todo o mundo tem que fazer. O diplomata ajusta, com um copo de champagne na mão, os mais intrincados negócios; todos murmuram, e não há quem deixe de ser murmurado. O velho lembra-se dos minuetes e das cantigas do seu tempo, e o moço goza todos os regalos da sua época; as moças são no sarau como as estrelas no céu; estão no seu elemento: aqui uma, cantando suave cavatina, eleva-se vaidosa nas asas dos aplausos, por entre os quais surde, às vezes, um bravíssimo inopinado, que solta de lá da sala do jogo o parceiro que acaba de ganhar sua partida no écarté, mesmo na ocasião em que a moça se espicha completamente, desafinando um sustenido; daí a pouco vão outras, pelos braços de seus pares, se deslizando pela sala e marchando em seu passeio, mais a compasso que qualquer de nossos batalhões da Guarda Nacional, ao mesmo tempo que conversam sempre sobre objetos inocentes que movem olhaduras e risadinhas apreciáveis. Outras criticam de uma gorducha vovó, que ensaca nos bolsos meia bandeja de doces que veio para o chá, e que ela leva aos pequenos que, diz, lhe ficaram em casa. Ali vê-se um ataviado dandy que dirige mil finezas a uma senhora idosa, tendo os olhos pregados na sinhá, que senta-se ao lado. Finalmente, no sarau não é essencial ter cabeça nem boca, porque, para alguns é regra, durante ele, pensar pelos pés e falar pelos olhos. E o mais é que nós estamos num sarau. Inúmeros batéis conduziram da corte para a ilha de... senhoras e senhores, recomendáveis por caráter e qualidades; alegre, numerosa e escolhida sociedade enche a grande casa, que brilha e mostra em toda a parte borbulhar o prazer e o bom gosto. Entre todas essas elegantes e agradáveis moças, que com aturado empenho se esforçam para ver qual delas vence em graças, encantos e donaires, certo sobrepuja a travessa Moreninha, princesa daquela festa. (Joaquim Manuel de Macedo. A Moreninha, 1997.) 2. (Unifesp) Assinale a alternativa em que a eliminação do pronome em destaque implica, contextualmente, mudança do sujeito do verbo. a) Ali vê-se um ataviado dandy [...]. b) [...] aqui uma, cantando suave cavatina, eleva-se vaidosa nas asas dos aplausos [...]. c) O velho lembra-se dos minuetes e das cantigas do seu tempo [...]. d) [...] mesmo na ocasião em que a moça se espicha completamente [...]. e) [...] daí a pouco vão outras, pelos braços de seus pares, se deslizando pela sala [...]. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Nos últimos três anos foram assassinadas mais de 140 mil pessoas no Brasil. Uma média de 47 mil pessoas por ano. Uma parcela expressiva destas mortes, que varia de região para região, é atribuída à ação da polícia, que se respalda na impunidade para continuar cometendo seus crimes. São 25 assassinatos ao ano por cada 100 mil pessoas, índice considerado de violência epidêmica, segundo organismos internacionais. Se os assassinatos com armas de fogo são uma face da violência vivida na nossa sociedade, ela não é a única. Logo atrás, em


57VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias termos de letalidade, estão os acidentes fatais de trânsito, com cerca de 33 mil mortos em 2002 e 35 mil mortes por ano em 2004 e 2005. Isto, sem falar nos acidentados não fatais socorridos pelo Sistema Único de Saúde, que multiplicam muitas vezes os números aqui apresentados e representam um custo que o IPEA estima em R$ 5,3 bilhões para o ano de 2002. A lista da violência alonga-se incrivelmente. Sobre as mulheres, os negros, os índios, os gays, sobre os mendigos na rua, sobre os movimentos sociais etc. Uma discussão num botequim de periferia pode terminar em morte. A privação do emprego, do salário digno, da educação, da saúde, do transporte público, da moradia, da segurança alimentar, tudo isso pode ser compreendido, considerando que incide sobre direitos assegurados por nossa Constituição, como tantas outras formas de violência. (Silvio Caccia Bava. Le Monde Diplomatique Brasil, agosto 2010. Adaptado.) 3. (Unifesp) No período "Uma parcela expressiva destas mortes, que varia de região para região, é atribuída à ação da polícia, que se respalda na impunidade para continuar cometendo seus crimes", as palavras sublinhadas referem-se, respectivamente, a) à palavra parcela e tem a função de sujeito; à palavra polícia e tem a função de sujeito. b) à palavra mortes e tem a função de sujeito; à palavra polícia e tem a função de sujeito. c) à palavra parcela e tem a função de objeto; à palavra polícia e tem a função de objeto. d) à palavra parcela e tem a função de objeto; à palavra ação e tem a função de sujeito. e) à palavra parcela e tem a função de sujeito; à palavra ação e tem a função de sujeito. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Uma feita em que deitara numa sombra enquanto esperava os manos pescando, o Negrinho do Pastoreio pra quem Macunaíma rezava diariamente, se apiedou do panema e resolveu ajudá-lo. Mandou o passarinho uirapuru. Quando sinão quando o herói escutou um tatalar inquieto e o passarinho uirapuru pousou no joelho dele. Macunaíma fez um gesto de caceteação e enxotou o passarinho uirapuru. Nem bem minuto passado escutou de novo a bulha e o passarinho pousou na barriga dele. Macunaíma nem se amolou mais. Então o passarinho uirapuru agarrou cantando com doçura e o herói entendeu tudo o que ele cantava. E era que Macunaíma estava desinfeliz porque perdera a muiraquitã na praia do rio quando subia no bacupari. Porém agora, cantava o lamento do uirapuru, nunca mais que Macunaíma havia de ser marupiara não, porque uma tracajá engolira a muiraquitã e o mariscador que apanhara a tartaruga tinha vendido a pedra verde pra um regatão peruano se chamando Venceslau Pietro Pietra. O dono do talismã enriquecera e parava fazendeiro e baludo lá em São Paulo, a cidade macota lambida pelo igarapé Tietê. (Mário de Andrade, Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. 4. (Unifesp) O sujeito da oração “Mandou o passarinho uirapuru” pode ser identificado por meio da análise do contexto linguístico interno. Trata-se de: a) sujeito indeterminado. b) “uirapuru” = sujeito expresso. c) “passarinho” = sujeito expresso. d) Ele (“o herói”) = sujeito oculto. e) Ele (“o Negrinho do Pastoreio”) = sujeito oculto. 5. (Fuvest) O caso triste, e digno da memória Que do sepulcro os homens desenterra, Aconteceu da mísera e mesquinha Que depois de ser morta foi rainha. Para o correto entendimento destes versos de Camões, é necessário saber que o sujeito do verbo DESENTERRA é a) OS HOMENS (por licença poética. b) ele (oculto). c) o primeiro QUE. d) o CASO TRISTE. e) SEPULCRO. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A(s) próxima(s) questão(ões) toma(m) por base um poema de Luiz Gama (1830-1882), poeta, jornalista e líder abolicionista brasileiro, nascido livre e vendido como escravo pelo próprio pai, e um excerto da narrativa Doze anos de escravidão, de Solomon Northup (1808-1863), homem livre sequestrado em Washington em 1841 e submetido à escravidão em fazendas da Louisiana, livro que serviu de base ao roteiro do filme 12 anos de escravidão, dirigido por Steve McQueen. No cemitério de S. Benedito Em lúgubre recinto escuro e frio, Onde reina o silêncio aos mortos dado, Entre quatro paredes descoradas, Que o caprichoso luxo não adorna, Jaz da terra coberto humano corpo, que escravo sucumbiu, livre nascendo! Das hórridas cadeias desprendido, Que só forjam sacrílegos tiranos, Dorme o sono feliz da eternidade. Não cercam a morada lutuosa Os salgueiros, os fúnebres ciprestes, Nem lhe guarda os umbrais da sepultura Pesada laje de espartano mármore, Somente levantado em quadro negro Epitáfio se lê, que impõe silêncio! — Descansam n’este lar 1 caliginoso O mísero cativo, o desgraçado!... Aqui não vem rasteira a vil lisonja Os feitos decantar da tirania, Nem ofuscando a luz da sã verdade Eleva o crime, perpetua a infâmia. Aqui não se ergue altar ou trono d’ouro Ao torpe mercador de carne humana.


58VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 5 Aqui se curva o filho respeitoso Ante a lousa materna, e o pranto em fio Cai-lhe dos olhos revelando mudo A história do passado. Aqui nas sombras Da funda escuridão do horror eterno, 6 Dos braços de uma cruz pende o mistério, Faz-se o 2 cetro 3 bordão, andrajo a túnica, Mendigo o rei, o 4 potentado escravo! Primeiras trovas burlescas e outros poemas, 2000. 1 caliginoso: muito escuro, tenebroso. 2 cetro: bastão de comando usado pelos reis. 3 bordão: cajado grosso usado como apoio ao caminhar. 4 potentado: pessoa muito rica e poderosa. Doze anos de escravidão Houvera momentos em minha infeliz vida, muitos, em que o vislumbre da morte como o fim de sofrimentos terrenos — do túmulo como um local de descanso para um corpo cansado e alquebrado — tinha sido agradável de imaginar. Mas tal contemplação desaparece na hora do perigo. Nenhum homem, em posse de suas forças, consegue ficar imperturbável na presença do “rei dos horrores”. A vida é cara a qualquer coisa viva; o verme rastejante lutará por ela. Naquele momento, era cara para mim, escravizado e tratado tal como eu era. Sem conseguir livrar a mão dele, novamente o peguei pelo pescoço e dessa vez com uma empunhadura medonha que logo o fez afrouxar a mão. Tibeats ficou enfraquecido e desmobilizado. Seu rosto, que estivera branco de paixão, estava agora preto de asfixia. Aqueles olhos miúdos de serpente que exalavam tanto veneno estavam agora cheios de horror — duas órbitas brancas precipitando-se para fora. Havia um “demônio à espreita” em meu coração que me instava a matar o maldito cão naquele instante — a manter a pressão em seu odioso pescoço até que o sopro de vida se fosse! Não ousava assassiná-lo, mas não ousava deixá-lo viver. Se eu o matasse, minha vida teria de pagar pelo crime — se ele vivesse, apenas minha vida satisfaria sua sede de vingança. Uma voz lá dentro me dizia para fugir. Ser um andarilho nos pântanos, um fugitivo e um vagabundo sobre a Terra, era preferível à vida que eu estava levando. Doze anos de escravidão, 2014. 1. (Unesp) Indique os termos que exercem a função de sujeito nas orações que constituem os versos das referências 5 e 6 do poema de Luiz Gama e o que há de comum nesses versos no que se refere à posição que ocupam em relação aos respectivos predicados. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Soneto de Fernando Pessoa / Álvaro de Campos Quando olho para mim não me percebo. Tenho tanto a mania de sentir Que me extravio às vezes ao sair Das próprias sensações que eu recebo. O ar que respiro, este licor que bebo, Pertencem ao meu modo de existir, E eu nunca sei como hei de concluir As sensações que a meu pesar concebo. Nem nunca, propriamente reparei, Se na verdade sinto o que sinto. Eu Serei tal qual pareço em mim? Serei Tal qual me julgo verdadeiramente? Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu, Nem sei bem se sou eu quem em mim sente. (Fernando Pessoa, Obra poética, Rio de Janeiro, Cia. J. Aguilar Ed., 1974, p. 301) 2. (Fuvest) “O ar que respiro, este licor que bebo, pertencem ao meu modo de existir.” É composto o sujeito do verbo PERTENCEM. a) Qual é esse sujeito composto? b) Qual a classificação das orações que acompanham cada membro desse sujeito? TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO LXXII Uma Reforma Dramática Nem eu, nem tu, nem qualquer outra pessoa desta história poderia responder mais, tão certo é que o destino, como todos os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho. Eles chegam a seu tempo, até que o pano cai, apagam- -se as luzes, e os espectadores vão dormir. Nesse gênero há porventura alguma coisa que reformar, e eu proporia, como ensaio, que as peças começassem pelo fim. Otelo mataria a si e a Desdêmona no primeiro ato, os três seguintes seriam dados à ação lenta e decrescente do ciúme, e o último ficaria só com as cenas iniciais da ameaça dos turcos, as explicações de Otelo e Desdêmona, e o bom conselho do fino Iago: “Mete dinheiro na bolsa.” Desta maneira o espectador, por um, acharia no teatro a charada habitual que os periódicos lhe dão, porque os últimos atos explicariam o desfecho do primeiro, espécie de conceito, e, por outro lado, ia para a cama com uma boa impressão de ternura e de amor: CXXXV Otelo Jantei fora. De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. Vi as grandes raivas do mouro, por causa de um lenço, - um simples lenço! - e aqui dou matéria à meditação dos psicólogos deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo. Os lenços perderam-se, hoje são precisos os próprios lençóis, alguma vez nem lençóis há, e valem só as camisas. Tais eram as ideias que me iam passando pela cabeça, vagas e turvas, à medida que o mouro rolava convulso, e Iago destilava a sua calúnia. Nos intervalos não me levantava da cadeira; não queria expor-me a encontrar algum conhecido. As senhoras ficavam quase todas nos camarotes, enquanto os homens iam fumar. Então eu perguntava a mim mesmo se alguma daquelas não teria amado alguém que jazesse agora no cemitério, e vinham outras incoerências, até que o pano subia e continuava a peça. O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras


59VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público. Machado de Assis, Dom Casmurro 3. (Fuvest) No último período do capítulo LXXII “espectador” acaba sendo sujeito de dois verbos. a) Quais são esses verbos? b) Em que modo e tempo se encontram os verbos Gabarito E.O. Aprendizagem 1. A 2. D 3. A 4. E 5. E 6. A 7. C 8. B 9. D 10. B E.O. Fixação 1. D 2. B 3. B 4. B 5. E 6. A 7. A 8. C 9. E 10. B E.O. Complementar 1. A 2. B 3. A 4. D 5. C E.O. Dissertativo 1. a) O adjetivo é a palavra “acessória”. b) O sujeito é “oportunidades de encontros e de interações.” c) Há predomínio pelo presente do indicativo para tratar até mesmo de ações do passado. 2. A forma verbal é “vendiam”. Podemos observar que todos os outros verbos apresentam o eu lírico como seu sujeito ou seu complemento. Os verbos que apresentam o eu lírico como sujeito são: “tomei”, “cheguei”, “subi”, “desci”, “pedi”, “quis”, “fui”, “disparei” e “gritei”. Todos na primeira pessoa e, portanto, com a primeira pessoa como sujeito (no caso, o eu lírico). Os verbos que apresentam o eu lírico como complemento são “serviram-me” e “responderam-me”, pois ambos apresentam o pronome oblíquo “me” que indica que a primeira pessoa (eu lírico) é objeto direto do verbo. 3. O substantivo pode ser “prefeitura” ou “empresa”, pois no texto I é dito que a prefeitura contratou uma empresa terceirizada para “limpar” os muros que tivessem pichações e, assim, muitas obras foram apagadas. 4. a) Para o narrador, o que importava era a essência e não a aparência (“Pouco importa que nos avaliem pela casca. Por dentro, sentia-se diferente, capaz de mudar sempre, enquanto a situação exterior e familiar não mudava”). b) As classificações profissionais nada têm a ver com o eu irredutível. 5. 1. “já era um pouco tarde...” oração sem sujeito 2. “...os animais fossem montados de dois em dois” (voz passiva) E.O. UERJ Exame Objetivo 1. C 2. D 3. A E.O. UERJ Exame Discursivo 1. vai gravando: existir resta: indício 2. a) Eles: gentio. Agregavam: os metais. b) - que os homens da terra ostentavam nas suas armas, adornos e utensílios. § mais preciosos pelas suas serventias § Os sucessos castelhanos atiçaram os colonos portugueses a iniciarem suas buscas, E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. E 2. A 3. A 4. E 5. C E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. A referência 5 (“Aqui se curva o filho respeitoso”) apresenta como sujeito simples os termos “o filho respeitoso”, cujo núcleo é o substantivo “filho”. A referência 6 (“Dos braços de uma cruz pende o mistério”) apresenta como sujeito simples os termos “o mistério”, cujo núcleo é o substantivo “mistério”. Em relação aos predicados de ambas as referências nota-se que o sujeito de cada oração está posposto. 2. a) “ar” e “licor” são os núcleos do sujeito composto. b) “que respiro” e “que bebo” são orações subordinadas adjetivas restritivas. 3. a) Achar e ir. b) Acharia: futuro do pretérito do indicativo Ia: pretérito imperfeito do indicativo (mas tem valor de futuro do pretérito: iria)


60VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. (Ifal 2018) Considerando que o verbo estar pode ser interpretado como sendo verbo de ligação, se indica apenas um estado, ou verbo intransitivo, se a estada em determinado local, assinale a opção em que, no par de sentenças, o verbo estar seja verbo de ligação na primeira sentença e verbo intransitivo na segunda. a) Astrogildo estava em casa. Ele estava cansado. b) Astrogildo estava cansado. Por isso ele estava em casa. c) Adalgiza está cansada. Ela está doente. d) Publílio está em casa. Ele está em Maceió. e) Epafrodito está no sítio do tio. Ele está em Rio Largo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Inteligência o quê? Inteligência vem da junção das palavras latinas inter (entre) legere (escolher). Por meio da seleção e da escolha os humanos compreendem as coisas. Na idade média, os filósofos se referiam à inteligência como a parte superior da alma e sua capacidade de conhecimento. Desde então, compõe um trio inseparável: memória-inteligência-vontade. Quando se fala em inteligência artificial, ninguém pode deixar de lado esse ternário. É aterrorizante imaginar essas três atividades operando conjuntamente em outro local que não o cérebro humano. Seria possível dotar um computador de razão? Capaz de compreender, julgar, ter bom senso, juízo? Os computadores guardam ainda a base de seu desenvolvimento na década de 40, a capacidade algorítmica, aptos para resolver cálculos científicos, mas não para analisá-los, como se explica na “Enciclopédia Filosófica Universal”,o local menos suspeito para uma consulta sobre máquinas teoricamente habilitadas a simular a inteligência. O computador tem conseguido ultrapassar o homem na rapidez e na confiabilidade das operações matemáticas, nas tarefas de rotina, nos encadeamento lógicos. A máquina na qual escrevi essa coluna, evidentemente, não compreende o texto escrito nela. Pode até vertê-lo para outra língua, mas jamais vai poder entender e traduzir em toda a sua profundidade o significado doce e doloroso de uma palavra como saudade, existente somente na língua portuguesa. Já inventaram programas de computador como o Elisa que “conversa” com as pessoas e parece compreendê-las. Representa comportamentos pré-definidos como o de um psicanalista e responde com alguma lógica a questões menos profundas. Tudo pré-programado e incapaz de evitar o inesperado. Enganar com o computador, como se vê, pode ser possível. Calma. Ninguém se preocupe se a técnica parece dominar tudo e os técnicos assumem ares de seres superpoderosos e únicos receptáculos de um saber só entendido por eles, porque falam entre si numa linguagem cifrada e incompreensível. Tudo pode ser decodificado facilmente, e o que hoje perece intransponível não o será logo mais. Basta ver a facilidade da criançada com os computadores. Assim, termos como inteligência artificial ainda servem apenas para ocultar a vontade de um domínio tecnicista sobre o saber universal e humanista. Se é possível criar máquinas habilitadas no domínio da lógica para resolver problemas estratégicos, não é possível dotá-las de atributos inerentes à condição humana. Conforme defende L.H. Dreyfus (“intelligence artificiele – Mythes et limites”, 1984), existem quatro postulados bastantes discutíveis quando se fala de inteligência- artificial: o biológico (os impulsos cerebrais), o psicológico (a própria mente), o epistemológico (relativo ao saber e às suas formulações) e o ontológico (os elementos determinados e independentes de todo contexto). Na porta do século XXI, o desenvolvimento das tecnologias é exponencial, basta refletir com tranquilidade para saber que a técnica ajuda, facilita e até resolve, mas não é tudo e nem pode superar o cérebro humano naquilo que ele tem de melhor – e pior: a razão – ou desrazão. A desafiadora expressão inteligência artificial, portanto pode enganar mais do que esclarecer. Prefiro a reação de Millôr Fernandes ao saber deste diálogo impertinente: “Me chamem quando forem discutir a burrice natural”. Caio Túlio Costa in Folha de São Paulo, 23 jul. 2017. 2. (Ifba 2018) “A tecnologia tornou possível a existência de grandes populações. Grandes populações agora tornam a tecnologia indispensável” (Joseph Krutch – escritor) Na citação acima, o termo “grandes populações” aparece, respectivamente, com as seguintes funções: a) Especificador do nome “existência” e sujeito da forma verbal “tornam”. b) Complemento do nome “existência” e sujeito da forma verbal “tornam”. c) Especificador do nome “existência” e objeto da forma verbal “tornam”. d) Complemento do nome “existência” e objeto da forma verbal “tornam”. e) Complemento do nome “existência” e especificador da forma verbal “tornam”. PERÍODO SIMPLES: TERMOS INTEGRANTES COMPETÊNCIA(s) 1, 6 e 8 HABILIDADE(s) 1, 3, 4, 18, 25 e 27 LC AULAS 23 E 24


61VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Eu, etiqueta Carlos Drummond de Andrade Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório, um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nesta vida. Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produto que nunca experimentei mas são comunicados a meus pés. (...) Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, minha gravata e cinto e escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça até o bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordem de uso, abuso, reincidência, costume, hábito, premência, indispensabilidade, e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda. É doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim-mesmo, ser pensante, sentinte e solitário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição. Agora sou anúncio, ora vulgar, ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer, principalmente). (...) Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente. 3. (Cp2 2017) A inversão de termos sintáticos é um recurso que objetiva conferir maior expressividade ao texto. No verso “Já não me convém o título de homem.” (verso 44), o termo “o título de homem”, que está na ordem indireta, exerce função sintática de a) aposto. b) sujeito. c) objeto direto. d) complemento nominal. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Tintim Durante alguns anos, o tintim me intrigou. Tintim por tintim: o que queria dizer aquilo? Imaginei que fosse alguma misteriosa medida de outros tempos que sobrevivera ao sistema métrico, como a braça, a légua, etc. Outro mistério era o triz. Qual a exata definição de um triz? É uma subdivisão de tempo ou de espaço. As coisas deixam de acontecer por um triz, por uma fração de segundo ou de milímetro. Mas que fração? O triz talvez correspondesse a meio tintim, ou o tintim a um décimo de triz. Tanto o tintim quanto o triz pertenceriam ao obscuro mundo das microcoisas. Há quem diga que não existe uma fração mínima de matéria, que tudo pode ser dividido e subdividido. Assim como existe o infinito para fora – isto é, o espaço sem fim, depois que o Universo acaba – existiria o infinito para dentro. A menor fração da menor partícula do último átomo ainda seria formada por dois trizes, e cada triz por dois tintins, e cada tintim por dois trizes, e assim por diante, até a loucura. Descobri, finalmente, o que significa tintim. É verdade que, se tivesse me dado o trabalho de olhar no dicionário mais cedo, minha ignorância não teria durado tanto. Mas o óbvio, às vezes, é a última coisa que nos ocorre. Está no Aurelião. Tintim, vocábulo onomatopaico que evoca o tinido das moedas. Originalmente, portanto, "tintim por tintim" indicava um pagamento feito minuciosamente, moeda por moeda. Isso no tempo em que as moedas, no Brasil, tiniam, ao contrário de hoje, quando são feitas de papelão e se chocam sem ruído. Numa investigação feita hoje da corrupção no país tintim por tintim ficaríamos tinindo sem parar e chegaríamos a uma nova concepção de infinito. Tintim por tintim. A menina muito dada namoraria sim-sim por sim-sim. O gordo incontrolável progrediria pela vida quindim por quindim. O telespectador habitual viveria plim-plim por plim- -plim. E você e eu vamos ganhando nosso salário tin por tin (olha aí, a inflação já levou dois tins). Resolvido o mistério do tintim, que não é uma subdivisão nem de tempo nem de espaço nem de matéria, resta o triz. O Aurelião não nos ajuda. "Triz", diz ele, significa por pouco. Sim, mas que pouco? Queremos algarismos, vírgulas, zeros, definições para "triz". Substantivo feminino. Popular. "Icterícia." Triz quer dizer icterícia. Ou teremos que mudar todas as nossas teorias sobre o Universo ou teremos que mudar de assunto. Acho melhor mudar de assunto. O Universo já tem problemas demais. (VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) 4. (Ifsp) Considere o recorte: “O Aurelião não nos ajuda.”. O trecho em destaque, de acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa, exerce a função sintática de: a) sujeito. b) objeto direto. c) complemento nominal. d) predicativo do sujeito. e) adjunto adnominal.


62VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A mulher e a casa Tua sedução é menos de mulher do que de casa: pois vem de como é por dentro ou por detrás da fachada. Mesmo quando ela possui tua plácida elegância, esse teu reboco claro, riso franco de varandas, uma casa não é nunca só para ser contemplada; melhor: somente por dentro é possível contemplá-la. Seduz pelo que é dentro, ou será, quando se abra; pelo que pode ser dentro de suas paredes fechadas; pelo que dentro fizeram com seus vazios, com o nada; pelos espaços de dentro, não pelo que dentro guarda; pelos espaços de dentro: seus recintos, suas áreas, organizando-se dentro em corredores e salas, os quais sugerindo ao homem estâncias aconchegadas, paredes bem revestidas ou recessos bons de cavas, exercem sobre esse homem efeito igual ao que causas: a vontade de corrê-la por dentro, de visitá-la. Disponível em: http://amoraroxa.blogspot.com.br/2008/02/mulhere-casa-joo-cabral-de-melo-neto.html. Acesso em: 24.09.2015 5. (Ifba) Fazendo a análise morfossintática da última estrofe, pode-se afirmar que, em “visitá-la”: a) o verbo é intransitivo. b) o “la” é objeto indireto. c) o acento agudo é facultativo. d) o “la” é complemento nominal. e) o “la” é pronome oblíquo e assume a função de objeto direto. 6. (Cps) Comida é o nome de uma das músicas dos Titãs. Leia um fragmento dela. “A gente não quer só comida A gente quer comida Diversão e arte A gente não quer só comida A gente quer saída Para qualquer parte” (...) (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto) (http:// tinyurl.com/lwl3v2c Acesso em: 31.07.2014. Adaptado) Podemos afirmar que os termos “comida, diversão e arte”, nesse trecho, exercem sintaticamente a função de a) complemento nominal. b) sujeito composto. c) objeto indireto. d) objeto direto. e) aposto. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO OS HUMANOS SÃO UMA PARTE IMPORTANTE DA BIOSFERA As maravilhas do mundo natural atraem a nossa curiosidade sobre a vida e tudo que nos cerca. Para muitos de nós, nossa curiosidade sobre a Natureza e os desafios de seu estudo são razões suficientes. 1 Além disso, contudo, nossa necessidade de compreender a Natureza está se tornando mais e mais urgente, 2 à medida que o crescimento da população humana estressa a capacidade dos sistemas naturais em manter sua estrutura e funcionamento. Os ambientes que as atividades humanas dominam ou criaram – incluindo nossas áreas de vida urbanas e suburbanas, nossas terras cultivadas, nossas áreas de recreação, plantações de árvore e pesqueiros – são também ecossistemas. O bem-estar da humanidade depende de manter o funcionamento desses sistemas, sejam eles naturais ou artificiais. Virtualmente toda a superfície da Terra é, ou em breve será, fortemente influenciada por pessoas, se não completamente sob seu controle. 3 Os humanos já usurpam quase metade da produtividade biológica da biosfera. Não podemos assumir essa responsabilidade de forma negligente. 4 A população humana se aproxima da marca de 7 bilhões, e consome energia e recursos, e produz rejeitos muito além do necessário ditado pelo metabolismo biológico. Essas atividades causaram dois problemas relacionados de dimensões globais. O primeiro é o seu impacto nos sistemas naturais, incluindo a interrupção de processos ecológicos e a exterminação de espécies. O segundo é a firme e constante deterioração do próprio ambiente da espécie humana à medida que pressionamos os limites dentro dos quais os ecossistemas podem se sustentar. 5 Compreender os princípios ecológicos é um passo necessário para lidar com esses problemas. RICKLEFS, Robert E. A economia da natureza. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. p. 15. (Adaptado). 7. (Ueg) Comparando-se as frases “A população humana se aproxima da marca de 7 bilhões” (ref. 4) e “Compreender os princípios ecológicos é um passo necessário para lidar com esses problemas” (ref. 5), verifica-se que os trechos sublinhados desempenham a função sintática de a) sujeito em ambas as orações. b) objeto na primeira oração e sujeito na segunda. c) objeto em ambas as orações. d) sujeito na primeira oração e objeto na segunda. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Felicidade Clandestina Clarice Lispector Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. (...) Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. (...)


63VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. (...) No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. (...) E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. (...) Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. (...) Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! (...) Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. (...) Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. (...) Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. (...) (http://tinyurl.com/veele-contos Acesso em: 27.08.14. Adaptado) 8. (Fatec) Leia este fragmento: “Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão.” A função sintática do termo destacado nesse período é a) complemento nominal. b) objeto indireto. c) objeto direto. d) sujeito. e) aposto. 9. (Ifce) A preposição DE pode preceder diferentes tipos de funções sintáticas, por exemplo, objeto indireto, como na frase Eu preciso de você. O termo destacado também exerce a função de objeto indireto em a) A construção de novas casas deve ser uma prioridade no governo atual. b) Necessitamos de novas casas para abrigar a população. c) A necessidade de novas casas não pode ser esquecida pelo governo. d) A banca de madeira quebrou completamente. e) A mesa de madeira está no outro cômodo. 10. (Insper) O que motivou o apito do juiz foi a) a necessidade de empregar a ênclise para seguir a norma padrão. b) o uso de um objeto direto no lugar de um objeto indireto. c) a opção pelo pronome pessoal oblíquo “o” em vez de “a”. d) a obrigatoriedade da mesóclise nessa construção linguística. e) a transgressão às regras de concordância nominal relacionadas ao pronome. E.O. Fixação TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO CPFL Energia apresenta: Planeta Sustentável É buscando alternativas energéticas renováveis que a gente traduz nossa preocupação com o meio ambiente Sustentabilidade é um 1 conceito que 2 só ganha força quando 3 boas ideias se transformam 4 em grandes ações. É por acreditar 5 nisso que nós, da CPFL, estamos desenvolvendo alternativas energéticas eficientes e renováveis e tomando as medidas necessárias para gerar cada vez menos impactos ambientais. A utilização da energia elétrica de forma consciente, o investimento em pesquisa e o desenvolvimento de veículos elétricos, o emprego de novas fontes, como a biomassa e a energia eólica,


64VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias e a utilização de créditos de carbono são preocupações que há algum tempo já viraram ações da CPFL. E esta é a nossa busca: contribuir para a qualidade de vida de nossos consumidores e oferecer a todos o direito de viver em um planeta sustentável. Revista Veja. 30 dez. 2009 1. (Ifal) Releia o segundo parágrafo do texto e observe os substantivos: “utilização”, “investimento” e “emprego”, que, em todas as situações, exigem o seguinte termo sintático como complemento: a) objeto direto. b) objeto indireto. c) adjunto adverbial. d) complemento nominal. e) adjunto adnominal. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Fofoca: uma obra sem autor O próprio som da palavra fofoca dá a ela um certo ar de frivolidade. Fofoca, mexerico, coisa sem importância. Difamação é crime, 1 mas fofoca é só uma brincadeira. O que seria da vida sem um bom diz que me diz que, não? Não. Dispenso fofocas e fofoqueiros. 2 Quando alguém se aproxima de mim, segura no meu braço e olha para o lado antes de começar a falar, já sei que 3 vem aí uma lama que não me diz respeito. Se não tiver como fugir, deixo que a indiscrição entre por um ouvido e saia pelo outro, dando assim o pior castigo para o meu interlocutor: não passarei adiante nem uma palavra. Não recuso uma olhada na revista Caras, especialista em entregar 4 quem dormiu com quem, quem traiu quem, quem faliu, quem casou, quem separou. É a única publicação do gênero que passa alguma credibilidade, 5 porque sei que os envolvidos foram escutados, deram declarações por vontade própria, deixaram-se fotografar. São fofocas profissionais, consentidas e quase sempre assinadas. Fofoca anônima é que é golpe baixo. A fofoca nasce na boca de quem? Ninguém sabe. Ouviu-se falar. É uma afirmação sem fonte, uma suspeita sem indício, uma leviandade órfã de pai e mãe. Quem fabrica uma fofoca quer ter a sensação de poder. Poder o quê? Poder divulgar algo seu, ver seu “trabalho” passado adiante, provocando reações, mobilizando pessoas. Quem dera o criador da fofoca pudesse contribuir para a sociedade com um quadro, um projeto de arquitetura, um 6 plano educacional, mas sem talento para tanto, ele gera boatos. Quem faz intrigas sobre a vida alheia quer ter algo de sua autoria, uma obra que se alastre e cresça, que se torne pública e que seja muito comentada. Algo que lhe dê continuidade. É por isso que fofocar é uma tentação. Porque nos dá, por poucos minutos, a sensação de ser portador de uma informação valiosa que está sendo gentilmente dividida com os outros. Na verdade, está-se exercitando uma pequena maldade, não prevista no Código Penal. Fofocas podem provocar lesões emocionais. 7 Por mais inocente ou absurda, sempre deixa um rastro de desconfiança. Onde há fumaça há fogo, acreditam todos, o que transforma toda fofoca numa verdade em potencial. Não há fofoca que compense. Se for mesmo verdade, é uma bala perdida. Se for mentira, é um tiro pelas costas. MEDEIROS, Martha. Almas gêmeas, 20 set. 1999. Disponível em: <http://almas.terra.com.br/martha/ martha_2D_09.htm/>. Acesso em: 7 dez. 2005. 2. (Ifce) Os termos destacados no trecho “Quando alguém se aproxima de mim, segura no meu braço e olha para o lado antes de começar a falar, já sei que vem aí uma lama que não me diz respeito.” (ref. 2) desempenham, respectivamente, as funções de a) objeto indireto, complemento nominal e objeto direto. b) objeto indireto, adjunto adverbial e sujeito. c) complemento nominal, objeto indireto e objeto direto. d) objeto indireto, objeto indireto e sujeito. e) complemento nominal, adjunto adverbial e objeto direto. 3. (Espcex) Assinale a alternativa que contém um complemento verbal pleonástico. a) Assistimos à missa e à festa. b) As moedas, ele as trazia no fundo do bolso. c) Deste modo, prejudicas-te e a ela. d) Atentou contra a própria vida e dos passageiros. e) Técnica e habilidade sobram-lhe e aos adversários. 4. (Uel) Relativamente A ESSE ASSUNTO, tenho muito que dizer. A expressão em destaque na frase anterior classifica-se, sintaticamente, como: a) objeto indireto. b) adjunto adverbial. c) adjunto adnominal. d) objeto direto preposicionado. e) complemento nominal. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO INVESTIMENTO SEM RISCO "Em julho do ano passado, EXAME encomendou ao jornalista 1 Stephen Hugh-Jones, editor da seção de assuntos internacionais da centenária revista inglesa The Economist, um 2 artigo para a edição especial sobre o primeiro ano do Plano Real. (...) Aqui, chocou-o profundamente a constatação de que quase um quinto da população brasileira com idade superior a 15 anos não sabia ler nem escrever. Em números absolutos, isso significa quase 20 milhões de pessoas materialmente incapacitadas, em função da ignorância, para fruir do desenvolvimento ou colaborar com ele. Essa cifra triplica caso sejam incluídos os chamados analfabetos funcionais, isto é, aquelas pessoas que não completaram a 4ª série do primário. (...) Não se trata, apenas, de uma questão elementar de justiça. O sistema educacional brasileiro simplesmente não faz sentido do ponto de vista econômico. As dezenas de milhões de brasileiros desprovidos de educação não têm (nem terão) chances reais de obter renda, não consomem mais do que produtos básicos, não pagam impostos, não produzem bens ou serviços com real valor econômico, não estão aptos a ser empregados num número crescente de atividades". (EXAME, 17/07/1996) 5. (Fei) Observe os termos indicados no texto: "ao jornalista Stephen Hugh-Jones" (ref. 1) e "um artigo" (ref. 2). Em análise sintática, classificamos os termos desta-


65VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias cados. respectivamente como: a) objeto direto e objeto indireto. b) complemento nominal e objeto direto. c) adjunto adverbial e aposto. d) objeto indireto e objeto direto. e) objeto indireto e adjunto adverbial. 6. (Mackenzie) Na frase de Otto Lara Resende, "Mineiro só é SOLIDÁRIO NO CÂNCER", a expressão em destaque é: a) predicativo do sujeito. b) aposto. c) objeto direto. d) adjunto adverbial de modo. e) adjunto adnominal de MINEIRO. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a taxa média de reincidência (amplamente admitida, mas nunca comprovada empiricamente) é de mais ou menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia. Alguns perguntariam "Por quê?". E eu pergunto: "Por que não?" O que esperar de um sistema que propõe reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa situação realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche). Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor taxa de homicídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a reabilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas 2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas de reincidência do mundo. Em uma prisão em Bastoy, chamada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas, estupradores e traficantes que por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência e o Reino Unido, 50%. A média europeia é 50%. A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação e não na punição por vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, nesse caso, não é uma opção, ela é obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá ser condenado à pena máxima prevista pela legislação do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar totalmente reabilitado para o convívio social, a pena será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegração seja comprovada. O presídio é um prédio, em meio a uma floresta, decorado com grafites e quadros nos corredores, e no qual as celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, banheiro com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas e porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário, quadro para afixar papéis e fotos, além de geladeiras. Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de esportes, campo de futebol, chalés para os presos receberem os familiares, estúdio de gravação de música e oficinas de trabalho. Nessas oficinas são oferecidos cursos de formação profissional, cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma pequena remuneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a estratégia. A prisão é construída em blocos de oito celas cada (alguns dos presos, como estupradores e pedófilos, ficam em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos próprios detentos, que podem comprar alimentos no mercado interno para abastecer seus refrigeradores. Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem passar por no mínimo dois anos de preparação para o cargo, em um curso superior, tendo como obrigação fundamental mostrar respeito a todos que ali estão. Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar. A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação ao sistema da maioria dos países, como o brasileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e pautado na reabilitação e não no tratamento cruel e na vingança. O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progressos educacionais, laborais e comportamentais, e, dessa forma, provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade novamente junto à sociedade. A diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente não cometem crimes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e matando pessoas. Mas essas são consequências aparentemente colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche). LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista, diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do Portal atualidadesdodireito. com.br. Estou no blogdolfg.com.br. ** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil. FONTE: Adaptado de http://institutoavantebrasil. com.br/noruega-como-modelo-de-reabilitacao-decriminosos/. Acessado em 17 de março de 2017. 7. (Espcex (Aman) 2018) Assinale o período que contém agente da passiva: a) O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. b) Há pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos. c) A comida é oferecida pela prisão, mas é preparada pelos próprios detentos. d) Situação contrária é encontrada na Noruega. e) A reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas, estupradores e traficantes que por ali passaram. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O padeiro Levanto cedo, faço a higiene pessoal, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento − mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter


66VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lockout, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. Está bem. Tomo meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando: – Não é ninguém, é o padeiro! Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo? Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou por uma outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém... Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação do jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão um dos exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno. Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estavam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi uma lição daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”. E assoviava pelas escadas. (Rubem Braga, Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960. Adaptado) 8. (Ifsp) Considere o trecho em que a expressão em destaque exerce a função de agente da passiva. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou por uma outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz... Assinale a alternativa em que o trecho em destaque exerce a mesma função sintática. a) Esta é a avenida por onde passarão as escolas de samba. b) Ele fez tudo isso por você, a quem admira muito. c) Incomodou-o por semanas um problema que parecia sem solução. d) O vestido, que havia sido feito por um renomado estilista, impressionou a todos. e) Ela sentiu-se arrependida por ter respondido de forma indelicada ao funcionário. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Iria morrer, quem sabe naquela noite mesmo? E que tinha ele feito de sua vida? Nada. Levara toda ela atrás da miragem de estudar a pátria, por amá-la e querê-la muito, no intuito de contribuir para a sua felicidade e prosperidade. Gastara a sua mocidade nisso, a sua virilidade também; e, agora que estava na velhice, como ela o recompensava, como ela o premiava, como ela o condecorava? Matando-o. E o que não deixara de ver, de gozar, de fruir, na sua vida? Tudo. Não brincara, não pandegara, não amara - todo esse lado da existência que parece fugir um pouco à sua tristeza necessária, ele não vira, ele não provara, ele não experimentara. Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois se fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas causas de tupi, do folklore, das suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma! Lima Barreto 9. (Pucsp) No período: "Não brincara, não pandegara, não amara - todo esse lado da existência que parece fugir um pouco à sua tristeza necessária, ele não vira, ele não provara, ele não experimentara", as últimas orações - "não vira", "não provara", "não experimentara", têm a mesma organização sintática, e seus predicados são: a) verbais, formados por verbos transitivos diretos, complementados por um objeto direto explícito no período. b) verbais, formados por verbos intransitivos. c) verbais, formados por verbos transitivos indiretos, complementados por um objeto indireto não explícito no período. d) verbais, formados por verbos transitivos direto e indireto. e) verbo-nominais, formado por verbos e predicativos do sujeito. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Nasce um escritor O primeiro dever passado pelo novo professor de português foi uma 7 descrição tendo o mar como tema. A classe inspirou, toda ela, nos encapelados mares de Camões, aqueles nunca dantes navegados. O 5 episódio do Adamastor foi reescrito pela 2 meninada. Prisioneiro no internato, eu vivia na saudade das 4 praias do Pontal onde conhecera a liberdade e o sonho. O mar de Ilhéus foi o tema de minha descrição. Padre Cabral levara os deveres para corrigir em sua cela. Na aula seguinte, entre risonho e solene, anunciou a existência de uma vocação autêntica de escritor naquela sala de aula. Pediu que escutassem com atenção o dever que 1 ia ler. Tinha certeza, afirmou, que o autor daquela página seria no futuro um escritor conhecido. Não regateou elogios. 3 Eu acabara de completar onze anos. Passei a ser uma personalidade, segundo os cânones do colégio, ao lado dos futebolistas, dos campeões de matemática e


67VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias de religião, dos que 6 obtinham medalhas. Fui admitido numa espécie de Círculo Literário onde 9 brilhavam 8 alunos mais velhos. Nem assim deixei de me sentir prisioneiro, sensação permanente durante os dois anos em que estudei no colégio dos jesuítas. 11Houve, porém, 10sensível mudança na limitada vida do aluno interno: o padre Cabral tomou-me sob sua proteção e colocou em minhas mãos livros de sua estante. Primeiro "As Viagens de Gulliver", depois clássicos portugueses, traduções de ficcionistas ingleses e franceses. Data dessa época minha paixão por Charles Dickens. Demoraria ainda a conhecer Mark Twain: o norte-americano não figurava entre os prediletos do padre Cabral. Recordo com carinho a figura do jesuíta português erudito e amável. Menos por me haver anunciado escritor, sobretudo por me haver dado o amor aos livros, por me haver revelado o mundo da criação literária. Ajudou-me a suportar aqueles dois anos de internato, a fazer mais leve a minha prisão, minha primeira prisão. AMADO, Jorge. O menino Grapiúna. Rio de Janeiro. Record. 1987. p. 117-20. 10. (Ifce) A expressão “... alunos mais velhos.” (ref. 8) exerce a função de a) sujeito da forma verbal “brilhavam” (ref. 9). b) objeto indireto. c) agente da ação expressa pela forma verbal “obtinham” (ref. 6). d) agente da passiva. e) objeto direto. E.O. Complementar TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Quando se pergunta à população brasileira, em uma pesquisa de opinião, qual seria o problema fundamental do Brasil, a maioria indica a precariedade da educação. Os entrevistados costumam apontar que o sistema educacional brasileiro não é capaz de preparar os jovens para a compreensão de textos simples, elaboração de cálculos aritméticos de operações básicas, conhecimento elementar de física e química, e outros fornecidos pelas escolas fundamentais. [...] Certa vez, participava de uma reunião de pais e professores em uma escola privada brasileira de destaque e notei que muitos pais expressavam o desejo de ter bons professores, salas de aula com poucos alunos, mas não se sentiam responsáveis para participarem ativamente das atividades educacionais, inclusive custeando os seus serviços. Se os pais não conseguiam entender que esta aritmética não fecha e que a sua aspiração estaria no campo do milagre, parece difícil que consigam transmitir aos seus filhos o mínimo de educação. Para eles, a educação dos filhos não se baseia no aprendizado dos exemplos dados pelos pais. Que esta educação seja prioritária e ajude a resolver outros problemas de uma sociedade como a brasileira parece lógico. No entanto, não se pode pensar que a sua deficiência depende somente das autoridades. Ela começa com os próprios pais, que não podem simplesmente terceirizar essa responsabilidade. Para que haja uma mudança neste quadro é preciso que a sociedade como um todo esteja convencida de que todos precisam contribuir para tanto, inclusive elegendo representantes que partilhem desta convicção e não estejam pensando somente nos seus benefícios pessoais. Sobre a educação formal, aquela que pode ser conseguida nos muitos cursos que estão se tornando disponíveis no Brasil, nota-se que muitos estão se convencendo de que eles ajudam na sua ascensão social, mesmo sendo precários. O número daqueles que trabalham para obter o seu sustento e para ajudar a família, e ao mesmo tempo se dispões a fazer um sacrifício adicional frequentando cursos até noturnos, parece estar aumentando. A demanda por cursos técnicos que elevam suas habilidades para o bom exercício da profissão está em alta. É tratada como prioridade tanto no governo como em instituições representativas das empresas. O mercado observa a carência de pessoal qualificado para elevar a eficiência do trabalho. Muitos reconhecem que o Brasil é um dos países emergentes que estão melhorando, a duras penas, a sua distribuição de renda. Mas, para que este processo de melhoria do bem-estar da população seja sustentável, há que se conseguir um aumento da produtividade do trabalho, que permita, também, o aumento da parcela da renda destinada à poupança, que vai sustentar os investimentos indispensáveis. A população que deseja melhores serviços das autoridades precisa ter a consciência de que uma boa educação, não necessariamente formal, é fundamental para atender melhor as suas aspirações. (YOKOTA, Paulo. Os problemas da educação no Brasil. Em http://www.cartacapital.com.br/educacao/os-problemasda-educacao-no-brasil-657.html - Com adaptações) 1. (Col. naval) Assinale a opção na qual o termo oracional foi classificado corretamente. a) “[...] inclusive elegendo representantes que partilhem desta convicção e não estejam pensando somente nos seus benefícios pessoais.” (5º §) (núcleo do predicado verbal) b) “[...] e notei que muitos pais expressavam o desejo de ter bons professores [...].” (2º §) (predicativo do sujeito) c) “O mercado observa a carência de pessoal qualificado para elevar a eficiência do trabalho.” (7º §) (objeto indireto) d) “[...] mas não se sentiam responsáveis para participarem ativamente das atividades educacionais, [...].” (2º §) (complemento nominal) e) “[...] parece difícil que consigam transmitir aos filhos o mínimo de educação.” (2º §) (objeto direto) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A mídia realmente tem o poder de manipular as pessoas? Por Francisco Fernandes Ladeira À primeira vista, a resposta para a pergunta que intitula este artigo parece simples e óbvia: sim, a mídia é um poderoso instrumento de manipulação. A ideia de que o frágil cidadão comum é impotente frente aos gigantescos e poderosos conglomerados da comunicação é bastante atrativa intelectualmente. Influentes nomes, como Adorno e Horkheimer, os primeiros pensadores a realizar análises mais sistemáticas sobre o tema, concluíram que os meios de comunicação em larga escala moldavam e direcionavam as opiniões


68VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias de seus receptores. Segundo eles, o rádio torna todos os ouvintes iguais ao sujeitá-los, autoritariamente, aos idênticos programas das várias estações. No livro Televisão e Consciência de Classe, Sarah Chucid Da Viá afirma que o vídeo apresenta um conjunto de imagens trabalhadas, cuja apreensão é momentânea, de forma a persuadir rápida e transitoriamente o grande público. Por sua vez, o psicólogo social Gustav Le Bon considerava que, nas massas, o indivíduo deixava de ser ele próprio para ser um autômato sem vontade e os juízos aceitos pelas multidões seriam sempre impostos e nunca discutidos. 1 Assim, fomentou-se a concepção de que a mídia seria capaz de manipular incondicionalmente uma audiência submissa, passiva e acrítica. Todavia, como bons cidadãos céticos, 2 devemos duvidar (ou ao menos manter certa ressalva) de proposições imediatistas e aparentemente fáceis. As relações entre mídia e público são demasiadamente complexas, vão muito além de uma simples análise behaviorista de estímulo/resposta. 3 As mensagens transmitidas pelos grandes veículos de comunicação não são recebidas automaticamente e da mesma maneira por todos os indivíduos. 4 Na maioria das vezes, o discurso midiático perde seu significado original na controversa relação emissor/receptor. Cada indivíduo está envolto em uma “bolha ideológica”, apanágio de seu próprio processo de individuação, que condiciona sua maneira de interpretar e agir sobre o mundo. Todos nós, ao entramos em contato com o mundo exterior, construímos representações sobre a realidade. Cada um de nós forma juízos de valor a respeito dos vários âmbitos do real, seus personagens, acontecimentos e fenômenos e, consequentemente, acreditamos que esses juízos correspondem à “verdade”. [...] [...] 5 A mídia é apenas um, entre vários quadros ou grupos de referência, aos quais um indivíduo recorre como argumento para formular suas opiniões. 6 Nesse sentido, competem com os veículos de comunicação como quadros ou grupos de referência fatores subjetivos/psicológicos (história familiar, trajetória pessoal, predisposição intelectual), o contexto social (renda, sexo, idade, grau de instrução, etnia, religião) e o ambiente informacional (associação comunitária, trabalho, igreja). 7 “Os vários tipos de receptor situam-se numa 8 complexa rede de referências em que a comunicação interpessoal e a midiática se completam e modificam”, afirmou a cientista social Alessandra Aldé em seu livro A construção da política: democracia, cidadania e meios de comunicação de massa. 9 Evidentemente, o peso de cada quadro de referência tende a variar de acordo com a realidade individual. Seguindo essa linha de raciocínio, no original estudo Muito Além do Jardim Botânico, Carlos Eduardo Lins da Silva constatou como telespectadores do Jornal Nacional acionam seus mecanismos de defesa, individuais ou coletivos, para filtrar as informações veiculadas, traduzindo-as segundo seus próprios valores. 10“A síntese e as conclusões que um telespectador vai realizar depois de assistir a um telejornal não podem ser antecipadas por ninguém; nem por quem produziu o telejornal, nem por quem assistiu ao mesmo tempo que aquele telespectador”, inferiu Carlos Eduardo. Adaptado de: http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-emquestao/a-midia-realmente-tem-o-poder-de-manipular-as-pessoas/. (Publicado em 14/04/2015, na edição 846. Acesso em 13/07/2016.) 2. (Ita 2017) Marque a alternativa em que o verbo destacado está classificado corretamente quanto à transitividade. VTD – verbo transitivo direto VTI – verbo transitivo indireto VI – verbo intransitivo a) [...]devemos duvidar (ou ao menos manter certa ressalva) de proposições imediatistas e aparentemente fáceis. – VTD (ref. 2) b) Na maioria das vezes, o discurso midiático perde seu significado original na controversa relação emissor/receptor. – VTI (ref. 4) c) A mídia é apenas um, entre vários quadros ou grupos de referência, aos quais um indivíduo recorre como argumento para formular suas opiniões. – VTI (ref. 5) d) Nesse sentido, competem com os veículos de comunicação como quadros ou grupos de referência fatores subjetivos/psicológicos [...] – VTD (ref. 6). e) Evidentemente, o peso de cada quadro de referência tende a variar de acordo com a realidade individual. – VI (ref. 9) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Marte é o Futuro O pouso na Lua não foi só o ápice da corrida espacial. Foi também o passo inicial do turbocapitalismo que dominaria as três décadas seguintes. Dependente, porém, de matérias-primas do século 19: aço, carvão, óleo. 5 Lançar-se ao espaço implicava algum reconhecimento dos limites da Terra. Ela era azul, mas finita. Com o império da tecnociência, ascendeu também sua nêmese, o movimento ambiental. Fixar Marte como objetivo para dentro de 20 ou 30 anos, hoje, parece 2 tão louco quanto chegar à Lua em dez, como determinou John F. Kennedy. 6 Não há um imperialismo visionário como ele à vista, e isso é bom. 7 A ISS (estação espacial internacional) representa a prova viva de que certas metas só podem ser alcançadas pela humanidade como um todo, não por 1 nações forjadas no tempo das caravelas. 8 Marte é o futuro da humanidade. 9 Ele nos fornecerá a experiência vívida e a imagem perturbadora de um planeta devastado, inabitável. Destino certo da Terra em vários milhões de anos. 3 Ou, mais provável, em poucas décadas, 4 se prosseguir o saque a descoberto da energia fóssil pelo hipercapitalismo globalizado, inflando a bolha ambiental. (Adaptado de: LEITE, M. Caderno Mais!. Folha de São Paulo. São Paulo, domingo, 26 jul. 2009. p. 3.) 3. (Uel) Quanto à predicação verbal, é correto afirmar: a) Em “Lançar-se ao espaço implicava algum reconhecimento” (ref. 5), o verbo implicar, nesse contexto, é um verbo transitivo direto, por isso seu complemento não exige preposição. b) Em “Não há um imperialismo visionário como ele à vista” (ref. 6), o verbo haver é considerado um verbo de ligação, pois estabelece relação entre sujeito e seu predicativo. c) Em “A ISS (estação espacial internacional) representa a prova viva” (ref. 7), o verbo representar é intransitivo, portanto, não necessita complemento. d) Em “Marte é o futuro da humanidade” (ref. 8), o verbo ser é classificado como verbo transitivo direto e indireto, ou seja, possui um complemento precedido de preposição e outro não. e) Em “Ele nos fornecerá a experiência vívida e a imagem” (ref. 9), o verbo fornecer é classificado como verbo defectivo, pois não apresenta a conjugação completa.


69VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Costureira receberá indenização de ex-noivo Casamento adiado por 17 anos vale 20 salários para mulher "enganada" Belo Horizonte - Abandonada pelo noivo depois de 17 anos de namoro, a costureira Nair Francisca de Oliveira está comemorando um ganho inusitado: o Tribunal de Alçada de Minas Gerais condenou o motorista aposentado Otacílio Garcia dos Reis, de 54 anos, a pagar à ex-noiva uma indenização de 20 salários mínimos por danos morais. Ela receberá ainda 30% do valor da casa que os dois estavam construindo juntos, em Passos, sudoeste de Minas. "Estou cobrando pelo tempo que fui enganada", diz ela. Nair não revela a idade, diz apenas que tem mais de 40 anos. Ela lembra que, mais do que o término do namoro, o que a fez decidir pela ação de danos morais foram as falsas palavras de Otacílio. Ao romper com a noiva, ele disse que, além de não gostar dela, sabia que não tinha sido o primeiro homem de sua vida. "Me caluniou e humilhou minha família", lamenta Nair, que não consegue explicar como pôde ficar tantos anos ao lado de uma pessoa que ela diz, agora, não conhecer. Otacílio foi longe ao explicar o motivo do fim do relacionamento. Disse à ex-noiva que tinha por ela apenas um "vício carnal" e que nenhum homem seria capaz de resistir aos encantos de seu corpo bem feito. "Ele daria um bom ator", analisa Nair, lembrando que, a cada ano, a desculpa para não oficializar a união mudava. A costureira confessa que nunca teve vontade de terminar o namoro, mesmo tendo-o iniciado sem gostar muito de Otacílio. Ele teria insistido no relacionamento. "Eu dei tempo ao tempo e acabei gostando dele", afirma, frustrada com o tempo perdido, especialmente pelo fato de não ter tido filhos. "Engraçado, eu nunca evitei. Não sei por que não aconteceu." Papéis - A história de Nair e Otacílio começou em 1975. Após quatro anos de namoro, ficaram noivos e deram entrada nos papéis para o casamento religioso. Na ocasião, já haviam comprado um terreno, onde construíram a casa, que, segundo Nair, foi erguida com o dinheiro de seu trabalho de costureira, com a ajuda dos pais e também com dinheiro de Otacílio. Hoje, o que seria o lar dos dois é uma casa alugada. O advogado de Nair, José Cirilo de Oliveira, pretende requerer uma indenização também pelo tempo de aluguel. "Fiquei satisfeito com a vitória de Nair, não tanto pelo valor da indenização, mas porque houve realmente a má intenção por parte do ex-noivo", afirma Oliveira. Os juízes da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Alçada também ficaram sensibilizados com o caso da noiva abandonada. O relator do processo, juiz Dorival Guimarães Pereira, justificou sua decisão destacando que "o casamento é o sonho dourado de toda mulher, objetivando com ele, a par da felicidade pessoal de constituir um lar, também atingir o seu bem-estar social, a subsistência e o seu futuro econômico". A costureira, entretanto, afirma que não estava preocupada com os ganhos financeiros do casamento. (Roselena Nicolau - JORNAL DO BRASIL, 11/08/1996) 4. (Pucrj) Aponte a opção em que a função sintática do termo cujo núcleo está destacado NÃO está correta. a) "... a pagar à EX-NOIVA uma indenização de 20 salários mínimos..." – objeto indireto b) "... mas porque houve realmente a má intenção por parte do EX-NOIVO..." – agente da passiva c) "Abandonada pelo NOIVO depois de 17 anos de namoro..." - agente da passiva d) "Disse à EX-NOIVA que tinha por ela apenas um vício carnal..." – objeto indireto e) "Após quatro anos de namoro, ficaram NOIVOS..." – predicativo do sujeito TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Morre Steve Jobs, fundador da Apple e revolucionário da Tecnologia À frente da empresa que criou, o executivo foi o responsável pelo lançamento de aparelhos que mudaram o mundo, como o iPad, o iPhone e o Macintosh. O Estado de S. Paulo CUPERTINO – Morreu, aos 56 anos, Steve Jobs, cofundador da Apple. Ele havia renunciado à presidência da empresa em agosto, após 14 anos no comando. "Estamos profundamente entristecidos com o anúncio de que Steve Jobs morreu hoje", informou a empresa, em um pequeno comunicado. "O brilho, paixão e energia de Steve são fontes de inúmeras inovações que enriqueceram e melhoraram todas as nossas vidas. O mundo é imensuravelmente melhor por causa de Steve." Jobs foi responsável por lançamentos de equipamentos que mudaram o mundo, como o Macintosh, o iPod, o iPhone e o iPad. Ele sofreu por anos de uma forma rara de câncer pancreático e passou por um transplante de fígado. (...) Em 2004, Jobs foi submetido a uma cirurgia para tratamento de câncer no pâncreas. Cinco anos mais tarde, precisou realizar um transplante de fígado. Os dois procedimentos são complicadíssimos e de elevado risco para a vida do paciente. (http://economia.estadao.com.br/noticias/negocos%20tecnologa,morresteve-jobs-fundador-da-apple-e revolucionario-da-tecnologia,87094,0. htm e www.geekaco.com/apple-steve-jobs. Acessado em 10/10/11.) 5. (ifal) No título da notícia: “Morre Steve Jobs, fundador da Apple e revolucionário da Tecnologia”, fazendo-se uma análise sintática desse período, é correto afirmar que: a) Steve Jobs é objeto direto. b) Steve Jobs é sujeito simples. c) Steve Jobs é aposto. d) Steve Jobs é sujeito composto. e) Steve Jobs é objeto indireto.


70VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A ANIMALIZAÇÃO DO PAÍS Clóvis Rossi, Folha de São Paulo, 21 de fevereiro de 2006 SÃO PAULO - No sóbrio relato de Elvira Lobato, lia-se ontem, nesta Folha, a história de um Honda Fit abandonado em uma rua do Rio de Janeiro "com uma cabeça sobre o capô e os corpos de dois jovens negros, retalhados a machadadas, no interior do veículo". Prossegue o relato: "A reação dos moradores foi tão chocante como as brutais mutilações. Vários moradores buscaram seus celulares para fotografar os corpos, e os mais jovens riram e fizeram troça dos corpos". Os próprios moradores descreveram a algazarra à reportagem. "Eu gritei: Está nervoso e perdeu a cabeça?", relatou um motoboy que pediu para não ser identificado, enquanto um estudante admitiu ter rido e feito piada ao ver que o coração e os intestinos de uma das vítimas tinham sido retirados e expostos por seus algozes. "Ri porque é engraçado ver um corpo todo picado", respondeu o estudante ao ser questionado sobre a causa de sua reação. O crime em si já seria uma clara evidência de que bestas-feras estão à solta e à vontade no país. Mas ainda daria, num esforço de auto-engano, para dizer que crimes bestiais ocorrem em todas as partes do mundo. Mas a reação dos moradores prova que não se trata de uma perversidade circunstancial e circunscrita. Não. O país perde, crescentemente, o respeito à vida, a valores básicos, ao convívio civilizado. O anormal, o patológico, o bestial, vira normal. "É engraçado", como diz o estudante. O processo de animalização contamina a sociedade, a partir do topo, quando o presidente da República diz que seu partido está desmoralizado, mas vai à festa dos desmoralizados e confraterniza com trambiqueiros confessos. Também deve achar "engraçado". Alguma surpresa quando é declarado inocente o comandante do massacre de 111 pessoas, sob aplausos de parcela da sociedade para quem presos não têm direito à vida? São bestas-feras, e deve ser "engraçado" matá-los. É a lei da selva, no asfalto. 6. (Pucsp) No trecho "Os próprios moradores descreveram a ALGAZARRA à REPORTAGEM", pode-se dizer que os dois termos DESTACADOS são, respectivamente, a) o sujeito e o predicado do verbo "descreveram". b) o adjunto adnominal e o adjunto adverbial do verbo "descreveram". c) o objeto direto e o objeto indireto do verbo "descreveram". d) o aposto e o vocativo do verbo "descreveram". e) o complemento nominal e o agente da passiva do verbo "descreveram". TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 1 Dois passageiros em uma cabine de trem. Apossaram-se das mesinhas, cabines e bagageiros e +se instalaram à vontade. 11Jornais, casacos e bolsas ocupam os assentos vazios. 2 A porta 7 se abre e 8 entram dois outros viajantes. 3 Não são vistos com bons olhos. Os dois primeiros passageiros, 4 mesmo que não se conheçam, comportam-se com uma solidariedade notável. Há uma nítida relutância em desocuparem os assentos vazios 12e deixarem que os lançado recém-lançado-chegados também 9 se acomodem. A cabine do trem tornou-se território seu, para disporem dele a seu bel-prazer, 13e cada novo passageiro que entra é considerado um intruso. Esse comportamento 10não pode ser justificado racionalmente - está arraigado mais a fundo. (...) O próprio vagão do trem é um domicílio transitório, um lugar que serve apenas para mudar de lugar. O passageiro é a negação da pessoa sedentária. Trocou seu território real por um virtual. 5 Apesar disso, ele defende sua moradia temporária com um carrancudo ressentimento. Hans Magnus Enzensberger. O vagão humano (fragmento). In: Veja 25 anos - reflexões para o futuro. 7. (Pucrs) Indique o tipo de relação estabelecida entre o sujeito (Coluna I) e a ação expressa pelo verbo (Coluna II). COLUNA I 1. O sujeito é agente da ação verbal. 2. O sujeito é paciente da ação verbal. 3. O sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente da ação verbal. COLUNA II ( ) "se instalaram" (ref. 6) ( ) "se abre" (ref. 7) ( ) "entram" (ref. 8) ( ) "se acomodem" (ref. 9) ( ) "não pode ser justificado" (ref.10) A numeração correta dos parênteses, de cima para baixo, é a) 1 - 1 - 1 - 3 - 2 b) 2 - 2 - 1 - 3 - 3 c) 2 - 1 - 3 - 3 - 3 d) 3 - 1 - 1 - 2 - 2 e) 3 - 2 - 1 - 3 - 2 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: TEXTO I "Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Gonçalves Dias TEXTO II Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista, os sargentos do exército são monistas, cubistas, os filósofos são polacos vendendo a prestações. A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos. Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.


71VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Eu morro sufocado em terra estrangeira. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade! Murilo Mendes 8. (Faap) "As aves QUE aqui gorjeiam...". O pronome em maiúsculo é relativo; vem no lugar de aves e exerce a função sintática de: a) sujeito b) objeto direto c) objeto indireto d) complemento nominal e) agente da passiva TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Pesquisadores querem colocar carne artificial à venda em até 5 anos Os cientistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, montaram uma nova companhia para transformar a carne artificial em um hambúrguer que seja, segundo eles, mais saboroso e barato. Dois anos atrás, a equipe de pesquisadores mostrou um protótipo em Londres. Mas o custo para a produção desse hambúrguer era altíssimo: cerca de 215 mil libras (mais de 1,2 milhão). "Estou confiante que, quando for oferecido como uma alternativa à carne, um número cada vez maior de pessoas vai achar difícil não comprar nosso produto por razões éticas", disse à BBC o diretor da nova empresa, Peter Verstrate. "Acredito que vamos colocar (o produto) no mercado em cinco anos", disse o professor Mark Post, que desenvolveu a carne artificial nos laboratórios da Universidade de Maastricht. Post acrescentou que, inicialmente, o produto estaria disponível apenas sob encomenda, mas, quando a demanda pela carne artificial se estabelecer e o preço cair, deve chegar às prateleiras de supermercados. Células-tronco O hambúrguer artificial é feito a partir de células-tronco, aquelas que podem se desenvolver em tecidos em diversas formas, tais como nervos e pele. A maioria dos pesquisadores que trabalham com células-tronco tenta cultivar tecido humano para transplantes ou para substituir tecido muscular doente, células nervosas ou cartilagem. Mark Post, no entanto, usa essas células para cultivar músculo e gordura para a fabricação dos hambúrgueres artificiais. O processo começa com células-tronco retiradas do músculo de uma vaca. No laboratório, essas células são colocadas em uma cultura – uma solução – com nutrientes e elementos químicos que promovem seu aumento para ajudá-las a crescerem e se multiplicarem. Três semanas depois os cientistas já estão com mais de um milhão de células-tronco, que são divididas e colocadas em recipientes menores. As células já crescidas se transformam em pequenas tiras de músculo de aproximadamente um centímetro de comprimento e apenas alguns milímetros de espessura. As pequenas tiras são então coletadas e juntadas em pequenos montes, coloridas e misturadas com gordura. O hambúrguer resultante deste processo foi preparado e provado em uma entrevista coletiva em Londres, há dois anos. Um especialista gastronômico que provou a iguaria disse que o gosto estava "próximo da carne, mas não era tão suculento", mas outro disse que tinha gosto de um hambúrguer de verdade. Peter Verstrate disse à BBC que o hambúrguer servido em 2013 ainda não era o produto finalizado. "Era proteína, fibra muscular. Mas carne é muito mais que isso – é sangue, é gordura, tecido de ligação, e tudo isso soma ao gosto e à textura." "Se você quer imitar a carne, precisa fazer todas estas coisas também – e você pode usar tecnologias de engenharia de tecido –, mas ainda não tínhamos feito isso naquele momento", acrescentou. Mosa Meat, a empresa que Verstrate estabeleceu com Post e a Universidade de Maastricht, quer sintetizar carne moída no laboratório de forma que ela seja tão saborosa quanto a carne real e a um custo igual ao da carne moída vendida hoje. Nos últimos dois anos, Post e sua equipe progrediram nas pesquisas, mas o cientista percebeu que, para colocar o produto no mercado em um prazo de cinco anos, terá que acelerar os estudos. A Mosa Meat vai empregar 25 cientistas, técnicos de laboratórios e gerentes. Um dos objetivos principais é descobrir como iniciar a produção em massa dessa carne. Os pesquisadores também vão analisar formas de fazer costeletas usando impressoras 3D. Mas vai demorar um pouco mais para comercializar esses produtos. http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151017_ carne_artificial_mercado_fn 9. (Ifsp) Considere o recorte: “Um especialista gastronômico que provou a iguaria disse que o gosto estava ‘próximo da carne, mas não era tão suculento’, mas outro disse que tinha gosto de um hambúrguer de verdade”. O trecho em destaque, de acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa, exerce a função sintática de: a) objeto direto. b) objeto indireto. c) sujeito. d) predicativo do sujeito. e) adjunto adnominal. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO NÓS, OS BRASILEIROS Uma editora europeia me pede que traduza poemas de autores estrangeiros sobre o Brasil. Como sempre, 14eles falam da floresta amazônica, uma floresta muito pouco real, aliás. Um bosque poético, com 3 "mulheres de corpos alvíssimos espreitando entre os troncos das árvores, e olhos de serpentes hirtas acariciando esses corpos como dedos amorosos". Não faltam flores azuis, rios cristalinos e tigres mágicos.


72VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 11Traduzo os poemas por dever de ofício, mas com uma secreta - e nunca realizada - vontade de inserir ali um grãozinho de realidade. 19Nas minhas idas (nem tantas) ao exterior, onde convivi sobretudo com escritores ou professores e estudantes universitários - portanto, gente razoavelmente culta -, fui invariavelmente surpreendida com a profunda ignorância a respeito de quem, como e o que somos. 5 - A senhora é brasileira?- comentaram espantados alunos de uma universidade americana famosa. - Mas a senhora é loira! 13Depois de ler num congresso de escritores em Amsterdam um trecho de um dos meus romances traduzido em inglês, 17ouvi de um senhor elegante, dono de um antiquário famoso, que segurou comovido minhas duas mãos: 7 - Que maravilha! 23Nunca imaginei que no Brasil houvesse pessoas cultas! 21Pior ainda, no Canadá alguém exclamou incrédulo: 6 - Escritora brasileira? 22Ué, mas no Brasil existem editoras? 1 A culminância foi a observação de uma crítica berlinense, num artigo sobre um romance meu editado por lá, acrescentando, a alguns elogios, a grave restrição: "porém 8 não parece um livro brasileiro, pois não fala nem de plantas nem de índios nem de bichos". 12Diante dos três poemas sobre o Brasil, esquisitos para qualquer brasileiro, 24pensei mais uma vez que 4 esse desconhecimento não se deve apenas à natural (ou inatural) alienação estrangeira quanto ao geograficamente fora de seus interesses, mas também a culpa é nossa. 2 Pois o que mais exportamos de nós é o exótico e o folclórico. 15Em uma feira do livro de Frankfurt, no espaço brasileiro, o que se via eram livros (não muito bem arrumados), muita caipirinha na mesa, e televisões mostrando carnaval, futebol, praia e... mato. 16E eu, mulher essencialmente urbana, escritora das geografias interiores de meus personagens neuróticos, 9 me senti tão deslocada quanto um macaco em uma loja de cristais. 10Mesmo que tentasse explicar, ninguém acreditaria que eu era tão brasileira quanto qualquer negra de origem africana vendendo acarajé nas ruas de Salvador. Porque o Brasil é tudo isso. E nem a cor de meu cabelo e olhos, nem meu sobrenome, nem os livros que li na infância, 18nem o idioma que falei naquele tempo além do português, 20me fazem menos nascida e vivida nesta terra de tão surpreendentes misturas: imensa, desaproveitada, instigante e (por que ter medo da palavra?) maravilhosa. (LUFT, Lya. Pensar e transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2005, p. 49-51.) 10. (Cftmg) A função do substantivo destacado está corretamente identificada em: a) "Ué, mas no Brasil existem EDITORAS?" (ref. 22) OBJETO DIRETO b) "[...] eles falam da FLORESTA amazônica (...)" (ref. 14) OBJETO INDIRETO c) "Nunca imaginei que no Brasil houvesse PESSOAS cultas!" (ref. 23) SUJEITO d) "A culminância foi a observação de uma CRÍTICA berlinense, num artigo sobre um romance meu editado por lá (...)" (ref. 1) COMPLEMENTO NOMINAL E.O. Dissertativo 1. (G1 1996) Nas frases a seguir, o termo em maiúsculo é um complemento. Indique se é um complemento nominal ou complemento verbal: a) Narrava SUCESSOS LONGOS. b) A narração de LONGOS SUCESSOS cansava os ouvintes. c) Misturava ASSUNTOS. d) A mistura de ASSUNTOS complicava a exposição. 2. (G1) Nas frases a seguir, o termo em maiúsculo é um complemento. Indique se é um complemento nominal ou complemento verbal: a) Tratava DOS BOIS. b) O tratamento DOS BOIS, na fazenda, estava a cargo de um veterinário. c) As Folias anunciavam A FESTA. d) O anúncio DA FESTA era feito pelas Folias. 3. (G1) Lembrando-se de que objeto indireto é complemento de um verbo transitivo indireto e complemento nominal são palavras que completam o sentido de um nome (substantivo, adjetivo, advérbio), identifique, a seguir, os objetos indiretos e os complementos nominais: a) Lembre-se, pelo menos, dos amigos. b) Fez grandes investimentos em terras. c) A notícia agradou a todos. d) O orador fez alusão ao fato. e) O gosto pela música vem desde criança. f) Absteve-se de bebidas alcoólicas durante o carnaval. 4. (G1) Lembrando-se de que objeto indireto é complemento de um verbo transitivo indireto e complemento nominal são palavras que completam o sentido de um nome (substantivo, adjetivo, advérbio), identifique, a seguir, os objetos indiretos e os complementos nominais: a) Cuide de seus interesses que eu cuido dos meus. b) Temos confiança em nossos jogadores. c) Já organizamos a resistência a qualquer ataque inimigo. d) A assistência às aulas tem sido normal. e) Naquela situação difícil recorremos ao diretor. f) Gostamos de pessoas sinceras. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. A China detonou uma bomba e pouca gente percebeu o estrago que ela causou. Assim que abriu as portas para as multinacionais oferecendo mão de obra e custos muito baratos, o país enfraqueceu as relações de trabalho no mundo. Em uma recente análise, a revista inglesa The Economist mostra que a entrada da China, da Índia e da ex-União Soviética na economia mundial dobrou a força de trabalho. Com isso, o poder de barganha de sindicatos do mundo inteiro teria se esfacelado. Provavelmente por isso, diz a revista, salários e benefícios tenham crescido apenas 11% desde 2001 nas empresas privadas dos Estados Unidos, ante 17% nos cinco anos anteriores. (Você s/a, setembro de 2005)


73VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 5. (Fgv) Considere o seguinte trecho do texto: Em uma recente análise, a revista inglesa "The Economist" mostra que a entrada da China, da Índia e da ex- -União Soviética na economia mundial dobrou a força de trabalho. Redija duas novas versões desse trecho, adotando a voz passiva, a) com agente da passiva expresso em todo o trecho; b) empregando pronome apassivador, somente na passagem - Em uma recente análise, a revista inglesa "The Economist" mostra. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. A invasão A divisão ciência/humanismo se reflete na maneira como as pessoas, hoje, encaram o computador. Resiste-se ao computador, e a toda a cultura cibernética, como uma forma de ser fiel ao livro e à palavra impressa. Mas o computador não eliminará o papel. Ao contrário do que se pensava há alguns anos, o computador não salvará as florestas. Aumentou o uso do papel em todo o mundo, e não apenas porque a cada novidade eletrônica lançada no mercado corresponde um manual de instrução, sem falar numa embalagem de papelão e num embrulho para presente. O computador estimula as pessoas a escreverem e imprimirem o que escrevem. Como hoje qualquer um pode ser seu próprio editor, paginador e ilustrador sem largar o mouse, a tentação de passar sua obra para o papel é quase irresistível. Desconfio que o que salvará o livro será o supérfluo, o que não tem nada a ver com conteúdo ou conveniência. Até que lancem computadores com cheiro sintetizado, nada substituirá o cheiro de papel e tinta nas suas duas categorias inimitáveis, livro novo e livro velho. E nenhuma coleção de gravações ornamentará uma sala com o calor e a dignidade de uma estante de livros. A tudo que falta ao admirável mundo da informática, da cibernética, do virtual e do instantâneo acrescente-se isso: falta lombada. No fim, o livro deverá sua sobrevida à decoração de interiores. (O Estado de S. Paulo, 31.05.2015.) 1. (Unesp) Os termos “o uso do papel” e “um manual de instrução” (1º parágrafo) se identificam sintaticamente por exercerem nas respectivas orações a função de a) objeto direto. b) predicativo do sujeito. c) objeto indireto. d) complemento nominal. e) sujeito. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Leia o excerto da crônica “Mineirinho” de Clarice Lispector (1925-1977), publicada na revista Senhor em 1962, para responder à(s) questão(ões). É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um 1 facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram 2 Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: “O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no céu”. Respondi-lhe que “mais do que muita gente que não matou”. Por quê? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim. Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro. Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos. Até que treze tiros nos acordam, e com horror digo tarde demais – vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu – que ao homem acuado, que a esse não nos matem. Porque sei que ele é o meu erro. E de uma vida inteira, por Deus, o que se salva às vezes é apenas o erro, e eu sei que não nos salvaremos enquanto nosso erro não nos for precioso. Meu erro é o meu espelho, onde vejo o que em silêncio eu fiz de um homem. Meu erro é o modo como vi a vida se abrir na sua carne e me espantei, e vi a matéria de vida, placenta e sangue, a lama viva. Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. (Clarice Lispector. Para não esquecer, 1999.) 1 facínora: diz-se de ou indivíduo que executa um crime com crueldade ou perversidade acentuada. 2 Mineirinho: apelido pelo qual era conhecido o criminoso carioca José Miranda Rosa. Acuado pela polícia, acabou crivado de balas e seu corpo foi encontrado à margem da Estrada Grajaú- -Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. 2. (Unifesp) “Até que treze tiros nos acordam, e com horror digo tarde demais – vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu – que ao homem acuado, que a esse não nos matem.” (4º parágrafo) Os termos “a esse” e “nos” constituem, respectivamente, a) objeto indireto e objeto direto. b) objeto indireto e objeto indireto. c) objeto direto preposicionado e objeto direto. d) objeto direto preposicionado e objeto indireto. e) objeto direto e objeto indireto.


74VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. A(s) questão(ões) abordam uma passagem da peça teatral Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett (1799-1854). Cena V – JORGE, MADALENA E MARIA JORGE – Ora seja Deus nesta casa! (Maria beija-lhe o 1 escapulário e depois a mão; Madalena somente o escapulário.) MADALENA – Sejais bem-vindo, meu irmão! MARIA – Boas tardes, tio Jorge! JORGE – Minha senhora mana! A bênção de Deus te cubra, filha! Também estou desassossegado como vós, mana Madalena: mas não vos aflijais, espero que não há de ser nada. É certo que tive umas notícias de Lisboa... MADALENA (assustada) – Pois que é, que foi? JORGE – Nada, não vos assusteis; mas é bom que estejais prevenida, por isso vo-lo digo. Os governadores querem sair da cidade... é um capricho verdadeiro... Depois de aturarem metidos ali dentro toda a força da peste, agora que ela está, se pode dizer, acabada, que são raríssimos os casos, é que por força querem mudar de ares. MADALENA – Pois coitados!... MARIA – Coitado do povo! Que mais valem as vidas deles? Em pestes e desgraças assim, eu entendia, se governasse, que o serviço de Deus e do rei me mandava ficar, até a última, onde a miséria fosse mais e o perigo maior, para atender com remédio e amparo aos necessitados. Pois, rei não quer dizer pai comum de todos? JORGE – A minha donzela Teodora! Assim é, filha, mas o mundo é doutro modo: que lhe faremos? MARIA – Emendá-lo. JORGE (para Madalena, baixo) – Sabeis que mais? Tenho medo desta criança. MADALENA (do mesmo modo) – Também eu. JORGE (alto) – Mas enfim, resolveram sair: e sabereis mais que, para corte e “buen retiro” dos nossos cinco reis, os senhores governadores de Portugal por D. Filipe de Castela, que Deus guarde, foi escolhida esta nossa boa vila de Almada, que o deveu à fama de suas águas sadias, ares lavados e graciosa vista. MADALENA – Deixá-los vir. JORGE – Assim é: que remédio! Mas ouvi o resto. O nosso pobre Convento de São Paulo tem de hospedar o senhor arcebispo D. Miguel de Castro, presidente do governo. Bom prelado é ele; e, se não fosse que nos tira do humilde sossego de nossa vida, por vir como senhor e príncipe secular... o mais, paciência. Pior é o vosso caso... MADALENA – O meu! JORGE – O vosso e de Manuel de Sousa: porque os outros quatro governadores – e aqui está o que me mandaram dizer em muito segredo de Lisboa – dizem que querem vir para esta casa, e pôr aqui 2aposentadoria. MARIA (com vivacidade) – Fechamos-lhes as portas. Metemos a nossa gente dentro – o 3terço de meu pai tem mais de seiscentos homens – e defendemo-nos. Pois não é uma tirania?... E há de ser bonito!... Tomara eu ver seja o que for que se pareça com uma batalha! JORGE – Louquinha! MADALENA – Mas que mal fizemos nós ao conde de Sabugal e aos outros governadores, para nos fazerem esse desacato? Não há por aí outras casas; e eles não sabem que nesta há senhoras, uma família... e que estou eu aqui?... (Teatro, vol. 3, 1844.) 1 escapulário: faixa de tecido que frades e freiras de certas ordens religiosas cristãs usam pendente sobre o peito. 2 pôr aposentadoria: ficar, morar. 3 terço: corpo de tropas dos exércitos português e espanhol dos séculos XVI e XVII. 3. (Unesp) “Nada, não vos assusteis; mas é bom que estejais prevenida, por isso vo-lo digo.” Em relação à forma verbal “digo”, os pronomes oblíquos átonos “vo-lo” atuam, respectivamente, como a) objeto direto e objeto indireto. b) objeto indireto e objeto direto. c) objeto direto e predicativo do objeto. d) sujeito e objeto direto. e) sujeito e predicativo do sujeito. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O fim do marketing A empresa vende ao consumidor — com a web não é mais assim. Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam mais. O paradigma era simples e unidirecional: as empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma todas essas atividades. (...) Os produtos agora são customizados em massa, envolvem serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas concepções industriais na definição e marketing de produtos. (...) Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado, os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores vão oferecer vários preços por um produto, dependendo de condições específicas. Compradores e vendedores trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados, e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos e serviços. (...) A empresa moderna compete em dois mundos: um físico (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso, mas sim de uma grande comunidade online e com o capital de relacionamento.


75VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Corações, e não olhos, são o que conta. Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace. (...) Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder. As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo. Os consumidores com frequência têm acesso a informações sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião pública” online. Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom. (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo, Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.) 4. (Unesp) Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. Nós controlamos a mensagem. Nas orações que compõem os dois períodos transcritos, os termos destacados exercem a função de a) sujeito. b) objeto direto. c) objeto indireto. d) predicativo do sujeito. e) predicativo do objeto. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. De tudo que é nego torto Do mangue e do cais do porto Ela já foi namorada O seu corpo é dos errantes Dos cegos, dos retirantes É de quem não tem mais nada Dá-se assim desde menina Na garagem, na cantina Atrás do tanque, no mato É a rainha dos detentos Das loucas, dos lazarentos Dos moleques do internato E também vai amiúde Co’os velhinhos sem saúde E as viúvas sem porvir Ela é um poço de bondade E é por isso que a cidade Vive sempre a repetir Joga pedra na Geni Joga pedra na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni (Chico Buarque. Geni e o zepelim.) 5. (Unifesp) Indique a alternativa que apresenta a função sintática do verso De tudo que é nego torto. a) Adjunto adverbial de modo. b) Objeto indireto. c) Predicativo do sujeito. d) Adjunto adnominal. e) Complemento nominal. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. B 2. B 3. B 4. B 5. E 6. D 7. A 8. C 9. B 10. B E.O. Fixação 1. D 2. D 3. B 4. E 5. D 6. A 7. C 8. D 9. A 10. A E.O. Complementar 1. A 2. C 3. A 4. B 5. B 6. C 7. E 8. A 9. C 10. B E.O. Dissertativo 1. a) verbal b) nominal c) verbal d) nominal 2. a) verbal b) nominal c) verbal d) nominal 3. a) Lembre-se, pelo menos, DOS AMIGOS. b) Fez grandes investimentos EM TERRAS. c) A notícia agradou A TODOS. d) O orador fez alusão AO FATO. e) O gosto PELA MÚSICA vem desde criança. f) Absteve-se DE BEBIDAS ALCOÓLICAS durante o carnaval. a) objeto indireto b) complemento nominal c) objeto indireto d) complemento nominal e) complemento nominal f) objeto indireto


76VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 4. a) Cuide DE SEUS INTERESSES que eu cuido dos meus. b) Temos confiança EM NOSSOS JOGADORES. c) Já organizamos a resistência A QUALQUER ATAQUE INIMIGO. d) A assistência ÀS AULAS tem sido normal. e) Naquela situação difícil recorremos AO DIRETOR. f) Gostamos DE PESSOAS SINCERAS. a) objeto indireto b) complemento nominal c) complemento nominal d) complemento nominal e) objeto indireto f) objeto indireto 5. a) Voz passiva analítica: Em uma recente análise, é mostrado pela revista "The Economist" que a força de trabalho foi dobrada pela entrada da China, da Índia e da ex-União Soviética na economia mundial. b) Voz passiva sintética: Em uma recente análise, mostra-se que a entrada da China, da Índia e da ex-União Soviética na economia mundial dobrou a força de trabalho. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. E 2. C 3. B 4. B 5. E


77VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a taxa média de reincidência (amplamente admitida, mas nunca comprovada empiricamente) é de mais ou menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia. Alguns perguntariam "Por quê?". E eu pergunto: "Por que não?" O que esperar de um sistema que propõe reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa situação realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche). Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor taxa de homicídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a reabilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas 2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas de reincidência do mundo. Em uma prisão em Bastoy, chamada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas, estupradores e traficantes que por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência e o Reino Unido, 50%. A média europeia é 50%. A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação e não na punição por vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, nesse caso, não é uma opção, ela é obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá ser condenado à pena máxima prevista pela legislação do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar totalmente reabilitado para o convívio social, a pena será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegração seja comprovada. O presídio é um prédio, em meio a uma floresta, decorado com grafites e quadros nos corredores, e no qual as celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, banheiro com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas e porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário, quadro para afixar papéis e fotos, além de geladeiras. Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de esportes, campo de futebol, chalés para os presos receberem os familiares, estúdio de gravação de música e oficinas de trabalho. Nessas oficinas são oferecidos cursos de formação profissional, cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma pequena remuneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a estratégia. A prisão é construída em blocos de oito celas cada (alguns dos presos, como estupradores e pedófilos, ficam em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos próprios detentos, que podem comprar alimentos no mercado interno para abastecer seus refrigeradores. Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem passar por no mínimo dois anos de preparação para o cargo, em um curso superior, tendo como obrigação fundamental mostrar respeito a todos que ali estão. Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar. A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação ao sistema da maioria dos países, como o brasileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e pautado na reabilitação e não no tratamento cruel e na vingança. O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progressos educacionais, laborais e comportamentais, e, dessa forma, provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade novamente junto à sociedade. A diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente não cometem crimes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e matando pessoas. Mas essas são consequências aparentemente colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche). LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista, diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do Portal atualidadesdodireito. com.br. Estou no blogdolfg.com.br. ** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil. FONTE: Adaptado de http://institutoavantebrasil. com.br/noruega-como-modelo-de-reabilitacao-decriminosos/. Acessado em 17 de março de 2017. 1. (Espcex (Aman)) Em "A população manifesta muito mais prazer no massacre contra o preso", o termo destacado tem a função de: a) Adjunto Adnominal b) Agente da Passiva c) Objeto Direto d) Objeto Indireto e) Complemento Nominal PERÍODO SIMPLES: TERMOS ACESSÓRIOS COMPETÊNCIA(s) 1, 6 e 8 HABILIDADE(s) 1, 3, 4, 18, 25 e 27 LC AULAS 25 E 26


78VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 2. (Espcex (Aman)) Marque a alternativa correta quanto à função sintática do termo grifado na frase abaixo. “Em Mariana, a igreja, cujo sino é de ouro, foi levada pelas águas”. a) adjunto adnominal b) objeto direto c) complemento nominal d) objeto indireto e) vocativo TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Saudade de escrever Apesar da concorrência (internet, celular), a carta continua firme e forte. Basta uma folha de papel, selo, caneta e envelope para que uma pessoa do Rio Grande do Norte, por exemplo, fique por dentro das fofocas registradas por um amigo em São Paulo, dois dias depois. “Adoro receber cartas, fico super ansiosa para descobrir o que está escrito”, conta Lívia Maria, de 9 anos. Mas ela admite que faz tempo que não escreve nenhuma cartinha. “As últimas foram para a Angélica e para um dos programas do Gugu.” Isabela, de 9 anos, lembra que, quando morava em Curitiba, no Paraná, trocava correspondência com sua amiga Raquel, que vive em Belo Horizonte, Minas Gerais. “Eu ficava sabendo das novidades e não gastava dinheiro com telefonemas.” Já Amanda, de 10 anos, também gosta de receber cartinhas, mas prefere enviar e-mails. “Atualmente estou conversando com meu primo que está nos Estados Unidos via computador, já que a mensagem chega mais rápido e não pago interurbano.” TOURRUCCO, Juliana. Saudade de escrever. O Estado de São Paulo, p.5, 25 jul.1998. Suplemento infantil. 3. (Ifal) Quanto à análise morfossintática dos elementos textuais, apenas uma alternativa está errada, contrariando o que prescreve a norma padrão da Língua Portuguesa. Assinale-a. a) Na frase Basta uma folha de papel, selo, caneta e envelope..., o verbo está no singular concordando com folha, o núcleo mais próximo do sujeito composto. b) O verbo Basta também poderia ficar no plural se o sujeito composto fosse papel, selo, caneta e envelope. c) Pelas regras ortográficas atuais, quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal, sendo assim, a expressão superansiosa, no segundo parágrafo, deveria se constituir num só vocábulo. d) As expressões que, no texto, indicam a idade das crianças são aposto, razão por que vêm separadas dos termos antecedentes por vírgulas. e) As expressões adverbiais no Paraná e Minas Gerais, no terceiro parágrafo, funcionam como vocativo, por isso estão isoladas por vírgulas. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Leia a tirinha que apresenta o diálogo entre Mafalda e seu pai e responda à(s) questão(ões). 4. (Cps) Na tirinha, Mafalda faz uso de um vocativo. Ela usa esse termo – que atua como uma forma de chamamento de um interlocutor real ou hipotético – como forma de deixar evidente o seu interlocutor. Tendo isso em vista, assinale a alternativa que contenha o vocativo utilizado por Mafalda. a) você b) se c) tão d) papai e) como


79VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 5. (Epcar (Cpcar)) Analise as afirmativas abaixo. I. A vírgula utilizada depois da palavra “contente” separa um vocativo, enquanto os dois pontos empregados depois de “doente” introduzem apostos. II. Na frase “Eu estaria sendo hipócrita”, há dois verbos e duas orações. III. O vocábulo “Aí” marca a coloquialidade do diálogo e poderia ser substituído, em um registro mais formal, pela expressão “desse modo”, sem modificação do sentido. IV. Em “analisar o que me deixa”, o pronome “que”, sintaticamente, exerce a função de objeto direto. Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s) a) II. b) I, II e IV. c) I e III. d) III e IV. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Ele se encontrava sobre a estreita marquise do 18º andar. Tinha pulado ali a fim de limpar pelo lado externo as vidraças das salas vazias do conjunto 1801/5, a serem ocupadas em breve por uma firma de engenharia. Ele era um empregado recém-contratado da Panamericana – Serviços Gerais. O fato de haver se sentado à beira da marquise, com as pernas balançando no espaço, se devera simplesmente a uma pausa para fumar a metade de cigarro que trouxera no bolso. Ele não queria dispensar este prazer, misturando-o com o trabalho. Quando viu o ajuntamento de pessoas lá embaixo, apontando mais ou menos em sua direção, não lhe passou pela cabeça que pudesse ser ele o centro das atenções. Não estava habituado a ser este centro e olhou para baixo e para cima e até para trás, a janela às suas costas. Talvez pudesse haver um princípio de incêndio ou algum andaime em perigo ou alguém prestes a pular. Não havia nada identificável à vista e ele, através de operações bastante lógicas, chegou à conclusão de que o único suicida em potencial era ele próprio. Não que já houvesse se cristalizado em sua mente, algum dia, tal desejo, embora como todo mundo, de vez em quando... E digamos que a pouca importância que dava a si próprio não permitia que aflorasse seriamente em seu campo de decisões a possibilidade de um gesto tão grandiloquente. E que o instinto cego de sobrevivência levava uma vantagem de uns quarenta por cento sobre seu instinto de morte, tanto é que ele viera levando a vida até aquele preciso momento sob as mais adversas condições. In: MORICONI, Ítalo (org.). Os cem melhores contos brasileiros do século. R. Janeiro: Objetiva, 2000. 6. (Insper) Em “... não lhe passou pela cabeça que pudesse ser ele o centro das atenções”, os pronomes pessoais destacados exercem, respectivamente, a função sintática de a) objeto indireto, sujeito. b) complemento nominal, objeto direto. c) adjunto adnominal, sujeito. d) objeto indireto, predicativo do objeto. e) adjunto adnominal, predicativo do sujeito. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: No português, encontramos variedades históricas, tais como a representada na cantiga trovadoresca de João Garcia de Guilhade, ilustrada a seguir. Non chegou, madre, o meu amigo, e oje est o prazo saido! Ai, madre, moiro d’amor! Non chegou, madre, o meu amado, e oje est o prazo passado! Ai, madre, moiro d’amor! E oje est o prazo saido! Por que mentiu o desmentido? Ai, madre, moiro d’amor! E oje, est o prazo passado! Por que mentiu o perjurado? Ai, madre, moiro d’amor! 7. (Ifsp) No verso – Ai, madre, moiro d’amor! – a função sintática do termo madre é a seguinte: a) sujeito. b) objeto direto. c) adjunto adnominal. d) vocativo. e) aposto. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Portal do Assinante Estadão. Aqui não há visitantes, só gente de casa. O Portal do Assinante Estadão é um lugar dedicado especialmente a você, 24 horas por dia, feito para as pessoas se sentirem em casa. Veja alguns privilégios: entrega em dois endereços, transferência temporária, interrupção de entrega, promoções exclusivas do Clube do Assinante, informações sobre o jornal. Entre sem bater, fique à vontade e acesse. Afinal, a casa é sua.


80VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 8. (Mackenzie) É correto afirmar que a) as orações "entrega em dois endereços, transferência temporária,... informações sobre o jornal", funcionando como aposto, sintetizam o conteúdo detalhado em "alguns privilégios". b) as formas verbais "veja", "entre" , "fique" e "acesse" concordam com a expressão "as pessoas", empregada no início do texto. c) no trecho "entrega em dois endereços", o segmento "em dois endereços" oferece uma circunstância de lugar à forma verbal "entrega", funcionando, portanto, como adjunto adverbial. d) no trecho "Um lugar dedicado ESPECIALMENTE a você", o advérbio sugere, ao mesmo tempo, exclusividade e preferência. e) no trecho "a casa é sua", o pronome possessivo "sua" funciona como adjunto adnominal de "casa", tal como o artigo "a". TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO CPFL Energia apresenta: Planeta Sustentável É buscando alternativas energéticas renováveis que a gente traduz nossa preocupação com o meio ambiente Sustentabilidade é um 1conceito que 2 só ganha força quando 3boas ideias se transformam 4 em grandes ações. É por acreditar 5 nisso que nós, da CPFL, estamos desenvolvendo alternativas energéticas eficientes e renováveis e tomando as medidas necessárias para gerar cada vez menos impactos ambientais. A utilização da energia elétrica de forma consciente, o investimento em pesquisa e o desenvolvimento de veículos elétricos, o emprego de novas fontes, como a biomassa e a energia eólica, e a utilização de créditos de carbono são preocupações que há algum tempo já viraram ações da CPFL. E esta é a nossa busca: contribuir para a qualidade de vida de nossos consumidores e oferecer a todos o direito de viver em um planeta sustentável. Revista Veja. 30 dez. 2009 9. (G1 - ifal) Considerando a análise sintática dos termos no texto, avalie as correspondências abaixo e, após preencher com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações que seguem, assinale a alternativa em que se encontra a sequência correlata de preenchimento dos parênteses. ( ) “conceito” (ref. 1) – predicativo do sujeito; ( ) “em grandes ações” (ref. 4) – objeto direto; ( ) “nisso” (ref. 5) – objeto direto; ( ) “só” (ref. 2) – adjunto adverbial; ( ) “boas” (ref. 3) – adjunto adnominal. a) V – F – F - F – F b) V – F – F – V - V c) V – F – F – V - F d) V – F – F – F - V e) F – F – F - V – V E.O. Fixação TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A PIPOCA Rubem Alves A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento. As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do candomblé... A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!


81VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa − voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão – sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! − e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante. Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morre e transforma-te!” − dizia Goethe. Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á.” A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira... Disponível em http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp. Acessado em 31 de mai. 2016. Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico. 1. (Efomm) Ao longo do texto o autor se vale de diferentes tipos de aposto. Assinale a única opção em que NÃO se encontra essa construção sintática: a) Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. b) A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa (...) c) Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé (...) d) Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. e) Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se (...) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Acauã Luiz Gonzaga Acauã, acauã vive cantando Durante o tempo do verão No silêncio das tardes agourando Chamando a seca pro sertão Chamando a seca pro sertão Acauã, Acauã, Teu canto é penoso e faz medo Te cala acauã, Que é pra chuva voltar cedo Que é pra chuva voltar cedo Toda noite no sertão Canta o João Corta-pau A coruja, mãe da lua A peitica e o bacurau Na alegria do inverno Canta sapo, gia e rã Mas na tristeza da seca Só se ouve acauã Só se ouve acauã Acauã, Acauã... 2. (G1 - ifpe) Julgue as proposições, a seguir, quanto às relações sintático-semânticas estabelecidas tanto dentro de um mesmo período quanto entre os períodos constantes no texto. I. No trecho “Te cala acauã” (nono verso), deveria ser acrescentada uma vírgula antes de “acauã”, uma vez que essa palavra desempenha o papel de vocativo. II. No verso “A coruja, mãe da lua”, a vírgula foi utilizada, justamente, para isolar o aposto “mãe da lua”.


82VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias III. Por se tratar de sujeito posposto, seria provocado um erro de concordância se, em “Canta o João Corta- -pau / A coruja, mãe da lua / A peitica e o bacurau”, fosse pluralizado verbo. IV. Em “Na alegria do inverno / Canta sapo, gia e rã”, deveria ser acrescentada uma vírgula depois de “inverno” para isolar um adjunto adverbial. V. No verso “Mas na tristeza da seca”, a conjunção foi utilizada para estabelecer uma relação de concessão com os dois versos anteriores. São verdadeiras as afirmativas a) II, IV e V. b) I, III e V. c) I, II e IV. d) II, III e IV. e) I, II, III, IV e V. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO SOMOS TODOS ESTRANGEIROS Volta e meia, em nosso mundo redondo, colapsa o frágil convívio entre os diversos modos de ser dos seus habitantes. Neste momento, vivemos uma nova rodada dessas com os inúmeros refugiados, famílias fugitivas de suas guerras civis e massacres. Eles tentam entrar na mesma Europa que já expulsou seus famintos e judeus. Esses movimentos introduzem gente destoante no meio de outras culturas, estrangeiros que chegam falando atravessado, comendo, amando e rezando de outras maneiras. Os diferentes se estranham. Fui duplamente estrangeira, no Brasil por ser uruguaia, em ambos os países e nas escolas públicas por ser judia. A instrução era tentar mimetizar-se, falar com o menor sotaque possível, ficar invisível no horário do Pai Nosso diário. Certamente todos conhecem esse sentimento de sentir-se estrangeiro, ficar de fora, de não ser tão autêntico quanto os outros, ou não ser escolhido para o que realmente importa. Na infância, tudo é grande demais, amedronta e entendemos fragmentariamente, como recém-chegados. Na puberdade, perdemos a familiaridade com nossos familiares: o que antes parecia natural começa _______ soar como estrangeiro. Na adolescência, sentimo-nos estranhos ________ quase tudo, andamos por aí enturmados com os da mesma idade ou estilo, tendo apenas uns aos outros como cúmplices para existir. O fim desse desencontro deveria ocorrer no começo da vida adulta, quando trabalhamos, procriamos e tomamos decisões de repercussão social. Finalmente deveríamos sentir-nos legítimos cidadãos da vida. Porém, julgamos ser uma fraude: imaginávamos que os adultos eram algo maior, mais consistente do que sentimos ser. Logo em seguida disso, já começamos a achar que perdemos o bonde da vida. O tempo nos faz estrangeiros _______ própria existência. Uma das formas mais simples de combater todo esse mal-estar é encontrar outro para chamar de diferente, de inadequado. Quem pratica o bullying, quer seja entre alunos ou com os que têm hábitos e aparência distintos do seu, conquista momentaneamente a ilusão da legitimidade. Quem discrimina arranja no grito e na violência um lugar para si. Conviver com as diferentes cores de pele, interpretações dos gêneros, formas de amar e casar, vestimentas, religiões ou a falta delas, línguas faz com que todos sejam estrangeiros. Isso produz a mágica sensação de inclusão universal: se formos todos diferentes, ninguém precisa sentir-se excluído. Movimentos migratórios misturam povos, a eliminação de barreiras de casta e de preconceitos também. Já pensou que delícia se, no futuro, entendermos que na vida ninguém é nativo. A existência de cada um é como um barco em que fazemos um trajeto ao final do qual sempre partiremos sem as malas. Texto adaptado de Diana Corso, publicado em 12 de setembro de 2015. Disponível em: <http://wp.clicrbs.com. br/opiniaozh/2015/09/12/artigo-somos-todos-estrangeir os/?topo=13,1,1,,,13>. Acesso em: 19 out. 2015 3. (G1 - ifsul) Na frase “Quem pratica o bullying, quer seja entre alunos ou com os que têm hábitos e aparência distintos do seu, conquista momentaneamente a ilusão da legitimidade”, a expressão em destaque representa a função sintática de a) adjunto adnominal. b) complemento nominal. c) aposto. d) objeto indireto. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO CAFEZINHO Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café. 1 Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das delícias do gênio carioca é exatamente esta frase: – Ele foi tomar café. A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um “cafezinho”. 2 Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho” é qualquer coisa infinita e torturante. Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer: – 3 Bem, cavalheiro, eu me retiro. Naturalmente, o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho. 4 Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago: – Ele saiu para tomar um café e disse que volta já. Quando a Bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar: – Ele está? – alguém dará nosso recado sem endereço. Quando vier o amigo, e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo: – 5 Ele disse que ia tomar um cafezinho... Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão: – Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí... Ah! 6 Fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra, O melhor é não estar.


83VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Quando vier a grande hora de nosso destino nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho. BRAGA, Rubem. In.: O conde e o passarinho & Morro do isolamento. Rio de Janeiro: Record, 2002, p. 156-157. 4. (G1 - ifsc) Considere as seguintes afirmações: I. Em “Bem, cavalheiro, eu me retiro.” (referência 3), o termo em destaque exerce função sintática de aposto. II. Na frase “Ele disse que ia tomar um cafezinho...” (referência 5), o verbo em destaque é transitivo. III. Em “Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho.” (referência 4), a palavra em destaque foi empregada no sentido conotativo. IV. Na oração “Tinha razão o rapaz de ficar zangado.” (referência 1), o sujeito é oculto. Assinale a alternativa CORRETA: a) Todas as afirmações são verdadeiras. b) Somente I, II e III são verdadeiras. c) Somente I e II são verdadeiras. d) Somente II, III e IV são verdadeiras. e) Somente II e III são verdadeiras. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Grande parte dos avanços tecnológicos integra o processo evolutivo da comunicação, conduzindo-nos para uma maior democratização da informação e, consequentemente, do saber. A comunicação virtual introduz um conceito de descentralização da informação e do poder de comunicar. Todo computador, conectado à internet, possui a capacidade de transmitir palavras, imagens, sons. Não se limita apenas aos donos de jornais e emissoras; qualquer pessoa pode construir um site na internet, sobre qualquer assunto e propagá-lo de maneira simples. O espaço cibernético tem se tornado um lugar essencial, um futuro próximo de comunicação completamente distinta da mídia clássica. [...]. A internet proporciona a interação entre locutor e interlocutor, uma vez que, na rede, qualquer elemento adquire a possibilidade de interação, havendo interconexões entre pessoas dos mais diferentes lugares do planeta, facilitando, portanto, o contato entre elas, assim como a busca por opiniões e ideias convergentes. Uma prova da eficiência da internet em construir esse ideal de propagação de mensagens e opiniões está na multiplicidade de temas que podem ser encontrados nela. Além dos sites, as listas de discussão, que agregam pessoas interessadas em um dado assunto, também merecem consideração. É nesse ponto que a internet se sobressai, pois integra e condensa nela todos os recursos de todas as formas de comunicação, como jornal, por exemplo. Além de apresentar todas as funções do jornalismo, que, segundo Beltrão são econômica, social educativa e de entretenimento, ela é um meio de comunicação interativo. Além disso, há a questão da dinamicidade e da interatividade: o espaço virtual, diferentemente de um texto de jornal ou revista em papel, está constantemente em movimento. GALLI, Fernanda. Linguagem da internet: um meio de comunicação global. In: Hipertexto e gêneros digitais. MARCUSCHI, Luiz Antônio; XAVIER, Antonio Carlos (Org.). São Paulo: Cortez, 2010, p. 151-2. (adaptado) 5. (G1 - ifba) Quanto à função da vírgula no trecho a seguir, marque a alternativa correta: [...] o espaço virtual, diferentemente de um texto de jornal ou revista em papel, está constantemente em movimento (último período). a) Destacar o vocativo. b) Indicar um aposto. c) Separar uma oração subordinada adjetiva explicativa. d) Separar uma oração coordenada assindética. e) Enumerar termos de mesmo valor sintático. 6. (G1 - ifce) Na frase “Isto lhe será bastante útil”, o termo em destaque é um a) adjunto adverbial. b) complemento nominal. c) adjunto adnominal. d) predicativo do sujeito. e) objeto indireto. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Sobre o mar e o navio Na guerra naval, existem ainda algumas peculiaridades que merecem ser abordadas. Uma delas diz respeito ao cenário das batalhas: o mar. Diferente, em linhas gerais, dos teatros de operações terrestres, o mar não tem limites, não tem fronteiras definidas, a não ser nas proximidades dos litorais, nos estreitos, nas baías e enseadas. Em uma batalha em mar aberto, certamente, poderão ser empregadas manobras táticas diversas dos engajamentos efetuados em área marítima restrita. Nelas, as forças navais podem se valer das características geográficas locais, como fez o comandante naval grego Temístocles, em 480 a.C. ao atrair as forças persas para a baía de Salamina, onde pôde proteger os flancos de sua formatura, evitando o envolvimento pela força naval numericamente superior dos invasores persas. As condições meteorológicas são outros fatores que também afetam, muitas vezes de forma drástica, as operações nos teatros marítimos. O mar grosso, os vendavais, ou mesmo as longas calmarias, especialmente na era da vela, são responsáveis por grandes transtornos ao governo dos navios, dificultando fainas e manobras e, não poucas vezes, interferindo nos resultados das ações navais ou mesmo impedindo o engajamento. É oportuno relembrar que o vento e a força do mar destruíram as esquadras persa (490 a.C.), mongol (1281) e a incrível Armada Espanhola (1588), salvando respectivamente a Grécia, o Japão (que denominou de kamikaze o vento divino salvador) e a Inglaterra daqueles invasores vindos do mar. O cenário marítimo também é o responsável pela causa mortis da maioria dos tripulantes dos navios afundados nas batalhas navais, cujas baixas por afogamento são certamente mais numerosas do que as causadas pelos ferimentos dos impactos dos projéteis, dos estilhaços e dos abalroamentos. Em maio de 1941, o cruzador de batalha britânico HMS Hood, atingido pelo fogo da artilharia do Bismarck, afundou, em poucos minutos, levando para o fundo cerca de 1400 tripulantes, dos quais apenas três sobreviveram.


84VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Aliás, o instante do afundamento de um navio é um momento crucial para a sobrevivência daqueles tripulantes que conseguem saltar ou são jogados ao mar, pois o efeito da sucção pode arrastar para o fundo os tripulantes que estiverem nas proximidades do navio no momento da submersão. Por sua vez, os náufragos podem permanecer dias, semanas, em suas balsas à deriva, em um mar batido pela ação dos ventos, continuamente borrifadas pelas águas salgadas, sofrendo o calor tropical escaldante ou o frio intenso das altas latitudes, como nos mares Ártico, do Norte ou Báltico, cujas baixas temperaturas dos tempos invernais limitam cabalmente o tempo de permanência n’água dos náufragos, tornando fundamental para a sua sobrevivência a rapidez do socorro prestado. O navio também é um engenho de guerra singular. Ao mesmo tempo morada e local de trabalho do marinheiro, graças à sua mobilidade, tem a capacidade de conduzir homens e armas até o cenário da guerra. Plataforma bélica plena e integral, engaja batalhas, sofre derrotas, naufraga ou conquista vitórias, tornando-se quase sempre objeto inesquecível da história de sua marinha e país. (CESAR, William Carmo. Sobre o mar e o navio. In: __________. Uma história das Guerras Navais: o desenvolvimento tecnológico das belonaves e o emprego do Poder Naval ao longo dos tempos. Rio de Janeiro: FEMAR, 2013. p. 396-398) 7. (Esc. Naval) Marque a opção em que a função sintática do pronome relativo está corretamente indicada. a) “[...] que merecem ser abordadas.” (1º parágrafo) – objeto direto b) “[...] onde pôde proteger [...]” (3º parágrafo) – adjunto adverbial c) “[...] cujas baixas por afogamento [...]” (5º parágrafo) – aposto d) “[...] dos quais apenas três [...]” (5º parágrafo) – objeto indireto e) “[...] que conseguem saltar [...]” (6º parágrafo) – adjunto adnominal TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO ‘London River’ é drama simples e emocionante de tom político André Barcinski. Crítico da Folha de São Paulo “London River” – “Destinos Cruzados” é um filme simples e emocionante sobre como duas pessoas de origens totalmente diferentes podem ser afetadas da mesma maneira por uma tragédia. Brenda Blethyn (“Segredos e Mentiras”) vive Elisabeth, viúva que mora num sítio no interior da Inglaterra. No dia 7 de julho de 2005, Elisabeth está assistindo à TV quando vê o noticiário sobre atentados suicidas em Londres. Ela imediatamente liga para a filha, que mora na capital inglesa. Mas a filha não atende. As horas passam, Elisabeth liga de novo, e nada. Preocupada, decide ir a Londres, procurar a menina. Enquanto isso, Ousmane (Sotigui Kouyaté, veterano ator nascido em Mali e morto neste ano), um franco-africano mulçumano, também vai para Londres, procurando o filho. Como antecipa o título do filme em português, os destinos dessas duas almas perdidas vão se cruzar. A vida deles está, de alguma forma, conectada. O filme, até então um drama com ares de mistério, ganha um viés mais político, explorando temas como preconceito e a dificuldade de comunicação. Tanto Elisabeth quanto Ousmane vão perceber que nada sabem sobre o outro. Dirigido pelo franco-argelino Rachid Bouchareb, “London River” peca por um roteiro um tanto esquemático, mas as atuações contidas de Blethyn e Kouyaté (vencedor do Urso de Ouro em Berlim) dão ao filme uma dignidade comovente. (Folha de São Paulo, 01/10/2010) 8. (G1 - ifal) Os termos grifados no texto constituem, respectivamente: a) agente da passiva, objeto indireto, aposto e adjunto adverbial. b) sujeito simples, objeto indireto, predicativo do sujeito e complemento nominal. c) sujeito simples, complemento nominal, aposto e adjunto adverbial. d) agente da passiva, complemento nominal, aposto e adjunto adverbial. e) agente da passiva, objeto direto, aposto e adjunto adverbial. TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. TEXTO I O Espelho É um retângulo de luar aquecido no quarto - que a lua não recolheu na sua pressa noturna Imitador como um plagiário decalca servilmente a imagem que reflete. Não tem memórias. Não guarda na sua glacial retina indiferente o brilho de um olhar e a flor de um gesto. Entretanto o corpo núbil dela deu-lhe estátuas miraculosamente lindas! (Menotti del Picchia) TEXTO II INTERROGAÇÕES 1- "Certa vez estranhei a ausência de espelhos nos sonhos. 2- Talvez porque neles não nos podemos ver, como no velho conto do homem que perdeu a sombra. 3- Pelo contrário, seremos tão nós mesmos a ponto de dispensar o testemunho dos reflexos? 4- Ou será tão outra a nossa verdadeira imagem - e aqui começa um arrepio de medo - que seríamos incapazes de a reconhecer naquilo que de repente nos olhasse do fundo de um espelho? 5- Em todo caso, lá deve ter suas razões o misterioso cenarista dos sonhos..." (Mario Quintana)


85VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 9. (Unirio) Marque a opção INCORRETA quanto à função sintática do termo em destaque. a) "...QUE a lua não recolheu na sua pressa noturna..." (texto I - l. 2) - objeto direto b) "...o brilho DE UM OLHAR..." (texto I - l. 7) - adjunto adnominal c) "...o corpo núbil dela deu-LHE estátuas..." (texto I - l. 9) - objeto indireto d) "...que de repente NOS olhasse do fundo de um espelho?" (texto II - par. 4) - objeto direto e) "...LÁ deve ter suas razões o misterioso cenarista dos sonhos..." (texto II - par. 5) - adjunto adverbial de lugar E.O. Complementar TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche corretamente a lacuna da frase apresentada. 1. (Uel) Exerce a função de........o termo em destaque na frase "Ninguém ficou SATISFEITO com aquela medida". a) complemento verbal b) adjunto adverbial c) predicativo do sujeito d) sujeito e) complemento nominal 2. (Eear 2017) Leia: I. Lembrou-se da pátria com saudades e desejou sentir novamente os aromas de sua terra e de sua gente. II. A defesa da pátria é o princípio da existência do militarismo. Assinale a alternativa que apresenta correta afirmação sobre os termos destacados nas frases I e II. a) As frases I e II apresentam em destaque adjuntos adnominais. b) As frases I e II apresentam em destaque complementos nominais. c) A frase I apresenta em destaque um objeto indireto e a frase II apresenta em destaque um complemento nominal. d) A frase I apresenta em destaque um objeto indireto e a frase II apresenta em destaque um adjunto adnominal. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. RETRATO Eu não tinha este rosto de hoje, Assim calmo, assim triste, assim magro, Nem estes olhos tão vazios, Nem o lábio amargo Eu não tinha estas mãos sem força, Tão paradas e frias e mortas; Eu não tinha este coração Que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, Tão simples, tão certa, tão fácil: – em que espelho ficou perdida a minha face? MEIRELES, Cecília. Obra Poética de Cecília Meireles. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958. 3. (Epcar (Afa)) Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta. a) Os termos “calmo”, “triste” e “magro” (v. 2) acrescentam circunstâncias de modo ao verbo “ter” (do primeiro verso), exercendo, pois, a função de adjuntos adverbiais de modo. b) A oração “que nem se mostra” (v. 8) está sintaticamente ligada ao substantivo coração, caracterizando- -o; portanto, essa oração exerce a função sintática de adjunto adnominal. c) O verbo “dar” (v. 9) significa notar, perceber e classifica-se como verbo transitivo direto, embora esteja ligado a seu complemento por meio de preposição. d) O pronome pessoal “se” (v. 8) é recíproco e funciona como complemento do verbo mostrar; já o pronome “que” (v. 11) é relativo e funciona como adjunto adverbial de lugar. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Encontros e Desencontros Hoje, jantando num pequeno restaurante aqui perto de casa, pude presenciar, ao vivo, uma cena que já me tinham descrito. Um casal de meia idade se senta à mesa vizinha da minha. Feitos os pedidos ao garçom, o homem, bem depressinha, tira o celular do bolso, e não mais o deixa, a merecer sua atenção exclusiva. A mulher, certamente de saber feito, não se faz de rogada e apanha um livro que trazia junto à bolsa. Começa a lê-lo a partir da página assinalada por um marcador. Espichando o meu pescoço inconveniente (nem tanto, afinal as mesas eram coladinhas) deu para ver que era uma obra da Martha Medeiros. Desse modo, os dois iam usufruindo suas gulodices, sem comentários, com algumas reações dele, rindo com ele mesmo com postagens que certamente ocorriam em seu celular. Até dois estranhos, postos nessa situação, talvez acabassem por falar alguma coisa. Pensei: devem estar juntos há algum tempo, sem ter mais o que conversar. Cada um sabia tudo do outro, nada a acrescentar, nada de novo ou surpreendente. E assim caminhava, decerto, a vida daquele casal. O que me choca, mesmo observando esta situação, como outras que o dia a dia me oferece, é a ausência de conversa. Sem conversa eu não vivo, sem sua força agregadora para trocar ideias, para convencer ou ser convencido pelo outro, para manifestar humor, para desabafar sobre o que angustia a alma, em suma, para falar e para ouvir. A conversa não é a base da terapia? Sei não, mas, atualmente, contar com um amigo para jogar conversa fora ou para confessar aquele temor que lhe está roubando o sossego talvez não seja fácil. O tempo também, nesta vida corre-corre, tem lá outras prioridades. Mia Couto é contundente: “Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão.” Até se fala muito, mas


86VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias ouvir o outro? Falo de conversas entre pessoas no mundo real. Vive-se hoje, parece, mais no mundo digital. Nele, até que se conversa muito; porém, é tão diferente, mesmo quando um está vendo o outro. O compartilhamento do mesmo espaço, diria, é que nos proporciona a abrangência do outro, a captação do seu respirar, as batidas de seu coração, o seu cheiro, o seu humor... Desse diálogo é que tanta gente está sentindo falta. Até por telefone as pessoas conversam, atualmente, bem menos. Pelo WhatsApp fica mais fácil, alega-se. Rapidinho, rapidinho. Mas e a conversa? Conversa-se, sim, replicam. Será? Ou se trocam algumas palavras? Quando falo em conversa, refiro-me àquelas que se esticam, sem tempo marcado, sem caminho reto, a pularem de assunto em assunto. O WhatsApp é de graça, proclamam. Talvez um argumento que pode ser robusto, como se diz hoje, a favor da utilização desse instrumento moderno. Mas será apenas por isso? Um amigo me lembra: no WhatsApp se trocam mensagens por escrito. Eu sei. Entretanto, língua escrita é um outra modalidade, outro modo de ativar a linguagem, a começar pela não copresença física dos interlocutores. No telefone, não há essa copresença física, mas esse meio de comunicação não é impeditivo de falante e ouvinte, a cada passo, trocarem de papéis e até mesmo de falarem ao mesmo tempo, configurando, pois, características próprias da modalidade oral. Contudo, não se respira o mesmo ar, ainda que já se possa ver o outro. As pessoas passaram a valer-se menos do telefone, e as conversas também vão, por isso, tornando-se menos frequentes. Gosto, mesmo, é de conversas, de preferência com poucos companheiros, sem pauta, sem temas censurados, sem se ter de esmerar na linguagem. Conversa sem compromisso, a não ser o de evitar a chatice. Com suas contundências, conflitos de opiniões e momentos de solidariedade. Conversa que é vida, que retrata a vida no seu dia a dia. No grupo maior, há de tudo: o louco, o filósofo, o depressivo, o conquistador de garganta, o saudosista... Nem sempre, é verdade, estou motivado para participar desses grupos. Porém, passado um tempo, a saudade me bate. Aqueles bate-papos intimistas com um amigo tantas afinidades, merecedores que nos tornamos da confiança um do outro, esses não têm nada igual. A apreensão abrangente do amigo, de seu psiquismo, dos seus sentimentos, das dificuldades mais íntimas por que passa, faz-no sentir, fortemente, a nossa natureza humana, a maior valia da vida. Esses momentos vão se tornando, assim me parece, uma cena menos habitual nestes tempos digitais. A pressa, os problemas a se multiplicarem, as tarefas a se diversificarem, como encontrar uma brecha para aquela conversa, que é entrega, confiança, despojamento? Conversa que exige respeito: um local calminho, sem gritos, vozes esganiçadas, garçons serenos. Sim, umas tulipas estourando de geladas e uns tira-gostos de nosso paladar a exigirem nova pedida. Não queria perder esses encontros. Afinal, a vida está passando tão depressa... Adaptado de: UCHOA, Carlos Eduardo. Disponível em: http://carloseduardouchoa.com.br/blog/. 4. (G1 - col. naval) Assinale a opção na qual o termo oracional em destaque foi corretamente classificado. a) “Ou se trocam algumas palavras?” (4º parágrafo) – objeto direto b) “[...] assinalada por um marcador.” (1º parágrafo) – complemento nominal c) “[...] me oferece, é a ausência de conversas.” (3º parágrafo) – objeto indireto d) “[...] um amigo de tantas afinidades [...]” (7º parágrafo) – adjunto adverbial e) “[...] temor que lhe está roubando o sossego [...]” (3º parágrafo) – adjunto adnominal TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Quando se pergunta à população brasileira, em uma pesquisa de opinião, qual seria o problema fundamental do Brasil, a maioria indica a precariedade da educação. Os entrevistados costumam apontar que o sistema educacional brasileiro não é capaz de preparar os jovens para a compreensão de textos simples, elaboração de cálculos aritméticos de operações básicas, conhecimento elementar de física e química, e outros fornecidos pelas escolas fundamentais. [...] Certa vez, participava de uma reunião de pais e professores em uma escola privada brasileira de destaque e notei que muitos pais expressavam o desejo de ter bons professores, salas de aula com poucos alunos, mas não se sentiam responsáveis para participarem ativamente das atividades educacionais, inclusive custeando os seus serviços. Se os pais não conseguiam entender que esta aritmética não fecha e que a sua aspiração estaria no campo do milagre, parece difícil que consigam transmitir aos seus filhos o mínimo de educação. Para eles, a educação dos filhos não se baseia no aprendizado dos exemplos dados pelos pais. Que esta educação seja prioritária e ajude a resolver outros problemas de uma sociedade como a brasileira parece lógico. No entanto, não se pode pensar que a sua deficiência depende somente das autoridades. Ela começa com os próprios pais, que não podem simplesmente terceirizar essa responsabilidade. Para que haja uma mudança neste quadro é preciso que a sociedade como um todo esteja convencida de que todos precisam contribuir para tanto, inclusive elegendo representantes que partilhem desta convicção e não estejam pensando somente nos seus benefícios pessoais. Sobre a educação formal, aquela que pode ser conseguida nos muitos cursos que estão se tornando disponíveis no Brasil, nota-se que muitos estão se convencendo de que eles ajudam na sua ascensão social, mesmo sendo precários. O número daqueles que trabalham para obter o seu sustento e para ajudar a família, e ao mesmo tempo se dispões a fazer um sacrifício adicional frequentando cursos até noturnos, parece estar aumentando. A demanda por cursos técnicos que elevam suas habilidades para o bom exercício da profissão está em alta. É tratada como prioridade tanto no governo como em instituições representativas das empresas. O mercado observa a carência de pessoal qualificado para elevar a eficiência do trabalho. Muitos reconhecem que o Brasil é um dos países emergentes que estão melhorando, a duras penas, a sua distribuição de renda. Mas, para que este processo de melhoria do bem-estar da população seja sustentável, há que se conseguir um aumento da produtividade do trabalho, que permita, também, o aumento da parcela da renda destinada à poupança, que vai sustentar os investimentos indispensáveis. A população que deseja melhores serviços das autoridades precisa ter a consciência de que uma boa educação, não ne-


87VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias cessariamente formal, é fundamental para atender melhor as suas aspirações. (YOKOTA, Paulo. Os problemas da educação no Brasil. Em http://www.cartacapital.com.br/educacao/os-problemasda-educacao-no-brasil-657.html - Com adaptações) 5. (G1 - col. naval) Qual das orações abaixo traz o adjunto adnominal em destaque? a) “[...] qual seria o problema fundamental do Brasil, a maioria indica a precariedade da educação.” (1° §) b) “Para eles, a educação dos filhos não se baseia no aprendizado dos exemplos dados pelos pais.” (3° §) c) “A demanda por cursos técnicos que elevam suas habilidades para o bom exercício da profissão está em alta.” (7° §) d) “[...] a compreensão de textos simples, elaboração de cálculos aritméticos de operações básicas, [...].“ (1° §) e) “No entanto, não se pode pensar que a sua deficiência depende somente das autoridades.” (4° §) E.O. Dissertativo TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Samba da bênção É melhor ser alegre que ser triste Alegria é a melhor coisa que existe É assim como a luz no coração Mas pra fazer um samba com beleza É preciso um bocado de tristeza É preciso um bocado de tristeza Senão, não se faz um samba não Senão é como amar uma mulher só linda E daí? Uma mulher tem que ter Qualquer coisa além de beleza Qualquer coisa de triste Qualquer coisa que chora Qualquer coisa que sente saudade Um molejo de amor machucado Uma beleza que vem da tristeza De se saber mulher Feita apenas para amar Para sofrer pelo seu amor E pra ser só perdão Fazer samba não é contar piada E quem faz samba assim não é de nada O bom samba é uma forma de oração Porque o samba é a tristeza que balança E a tristeza tem sempre uma esperança A tristeza tem sempre uma esperança De um dia não ser mais triste não Feito essa gente que anda por aí Brincando com a vida Cuidado, companheiro! A vida é pra valer E não se engane não, tem uma só Duas mesmo que é bom Ninguém vai me dizer que tem Sem provar muito bem provado Com certidão passada em cartório do céu E assinado embaixo: Deus E com firma reconhecida! A vida não é brincadeira, amigo A vida é arte do encontro Embora haja tanto desencontro pela vida Há sempre uma mulher à sua espera Com os olhos cheios de carinho E as mãos cheias de perdão Ponha um pouco de amor na sua vida Como no seu samba Ponha um pouco de amor numa cadência E vai ver que ninguém no mundo vence A beleza que tem um samba, não Porque o samba nasceu lá na Bahia E se hoje ele é branco na poesia Se hoje ele é branco na poesia Ele é negro demais no coração (...) Vinícius de Moraes. (http://letras.mus.br/vinicius-demoraes/86496. Acessado em 10/10/2013) 1. (G1 - cp2) No poema, quais são os dois vocativos usados pelo eu lírico, para dirigir-se ao leitor? TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Coisa da Antiga Na 1 tina, vovó lavou, vovó lavou A roupa que mamãe vestiu quando foi batizada E mamãe quando era menina teve que passar, teve que passar Muita fumaça e calor no ferro de engomar Hoje mamãe me falou de vovó só de vovó Disse que no tempo dela era bem melhor Mesmo agachada na tina e soprando no ferro de carvão Tinha-se mais amizade e mais consideração Disse que naquele tempo a palavra de um mero cidadão Valia mais que hoje em dia uma nota de milhão Disse afinal que o que é de verdade Ninguém mais hoje liga Isso é coisa da antiga, ai na tina... Hoje o olhar de mamãe marejou só marejou Quando se lembrou do velho, o meu bisavô Disse que ele foi escravo mas não se entregou à escravidão Sempre vivia fugindo e arrumando confusão Disse pra mim que essa história do meu bisavô, negro fujão Devia servir de exemplo a "esses nego 2 pai João" Disse afinal que o que é de verdade Ninguém mais hoje liga Isso é coisa da antiga Oi na tina... (Wilson Moreira e Nei Lopes -http://www.letras.mus.br. acessado em 11/01/2013.)


88VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Vocabulário: 1 Tina: vasilha grande usada para lavar roupa, carregar água, tomar banho etc. 2 Pai João: pessoa submissa 2. (G1 - cp2) No texto, são empregados adjuntos adverbiais para se comparar a época antiga com a atual. Indique um adjunto adverbial referente a cada uma dessas épocas. a) época antiga: b) época atual: 3. (G1 - cp2) Uma índia Guajá amamenta um cateto, filhote de porco-do-mato, ato comum nesta tribo do Maranhão. Depois da caça, quando os índios percebem que mataram a fêmea e há filhotes órfãos, estes são levados para a tribo e criados como filhos legítimos. É uma maneira de preservar a fauna. No primeiro período do texto, há um aposto relativo ao animal encontrado na foto. Transcreva esse aposto. TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: TEXTO I Eu estava deitado num velho sofá amplo. 3 Lá fora, a chuva caía com redobrado rigor e ventava fortemente. A nossa casa frágil parecia que, de um momento para outro, ia ser arrasada. 1 Minha mãe ia e vinha de um quarto próximo; removia baús, arcas; cosia, futicava. Eu devaneava e ia-lhe vendo o perfil esquálido, o corpo magro, premido de trabalhos, as faces cavadas com os malares salientes, tendo pela pele parda manchas escuras, como se fossem de fumaça entranhada. 4 De quando em quando, ela lançava-me os seus olhos aveludados, redondos, passivamente bons, onde havia raias de temor ao encarar-me. Supus que adivinhava os perigos que eu tinha de passar; sofrimentos e dores que a educação e inteligência, qualidades a mais na minha frágil consistência social, haviam de atrair fatalmente. 2 Não sei que de raro, excepcional e delicado, e ao mesmo tempo perigoso, ela via em mim, para me deitar aqueles olhares de amor e espanto, de piedade e orgulho. LIMA BARRETO. Recordações do escrivão Isaías Caminha. Rio de Janeiro; Belo Horizonte: Livraria Garnier, 1989. p.26-27. TEXTO II TEIA de aranha, galho seco da roseira, quem sou? Luz calçada em alpargatas de prata rapta as flores da fronha, quem sou? Pássaro que mora na neblina destila seu canto de água limpa – longe, sozinho – me diga quem sou. ROQUETTE-PINTO, Claudia. Corola. São Paulo: Ateliê Editorial, 2000. p. 67. 4. (Uff) No texto I, vários recursos gramaticais são usados para garantir a progressão, a coesão e a coerência. Observe no texto o uso das expressões “Lá fora” (ref. 3) e “De quando em quando” (ref. 4). Em seguida: a) Identifique a função sintática exercida por cada uma; b) Explique a importância dessas expressões para a progressão textual. 5. (G1 - cp2) TEXTO I Lisboa: aventuras tomei um ¹expresso cheguei de foguete subi num bonde desci de um elétrico pedi cafezinho serviram-me uma bica quis comprar meias só vendiam peúgas fui dar a descarga disparei um autoclisma gritei "ó cara!" responderam-me "ó pá!" positivamente as aves que aqui ²gorjeiam não gorjeiam como lá (José Paulo Paes. A poesia está morta, mas juro que não fui eu. São Paulo, Duas Cidades, 1988, p.40.) ¹Expresso: trem de alta velocidade ²Gorjeiam: cantam TEXTO II


89VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias No texto II, há uma expressão e uma palavra que foram empregadas com o mesmo objetivo de “ó cara” e “ó pá”, no texto I. Transcreva-as. E.O. UERJ Exame Discursivo 1. (UERJ) Considere, nas passagens abaixo, as orações iniciadas por preposição: Olhou para o céu, certificando-se de que não ia chover. (ref. 1) Clarete também teve o bom senso de não insistir, (ref. 2) Aponte o valor sintático de cada uma dessas orações. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO ROMANCE II OU DO OURO INCANSÁVEL Mil bateias1 vão rodando sobre córregos escuros; a terra vai sendo aberta por intermináveis sulcos; infinitas galerias penetram morros profundos. De seu calmo esconderijo, o ouro vem, dócil e ingênuo; torna-se pó, folha, barra, prestígio, poder, engenho... É tão claro! - e turva tudo: honra, amor e pensamento. Borda flores nos vestidos, sobe a opulentos altares, traça palácios e pontes, eleva os homens audazes, e acende paixões que alastram sinistras rivalidades. Pelos córregos, definham negros, a rodar bateias. Morre-se de febre e fome sobre a riqueza da terra: uns querem metais luzentes, outros, as redradas2 pedras. Ladrões e contrabandistas estão cercando os caminhos; cada família disputa privilégios mais antigos; os impostos vão crescendo e as cadeias vão subindo. Por ódio, cobiça, inveja, vai sendo o inferno traçado. Os reis querem seus tributos, - mas não se encontram vassalos. Mil bateias vão rodando, mil bateias sem cansaço. Mil galerias desabam; mil homens ficam sepultos; mil intrigas, mil enredos prendem culpados e justos; já ninguém dorme tranquilo, que a noite é um mundo de sustos. Descem fantasmas dos morros, vêm almas dos cemitérios: todos pedem ouro e prata, e estendem punhos severos, mas vão sendo fabricadas muitas algemas de ferro. (MEIRELES, Cecília. Poesias completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.) 1 peneiras de madeira 2 depuradas, selecionadas 2. (UERJ) Há no poema de Cecília Meireles construções a que se atribui duplo sentido em virtude da natureza poética do discurso. a) A expressão "Por ódio, cobiça, inveja" (v. 31) desempenha dupla função sintática. Aponte a palavra responsável por essa ambiguidade e identifique as funções sintáticas dessa expressão. b) Na última estrofe, narra-se uma sequência de ações que giram em torno da busca de riqueza. O verso "e estendem punhos severos" (v. 46) expressa, entretanto, um duplo sentido. Explique sua duplicidade dentro da estrofe. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. ENTREVISTA COM JURANDIR FREIRE COSTA (Entrevistador) "Quando você fala do amor nos dias de hoje, parece identificar dois problemas opostos e complementares: a) uma espécie de utilitarismo sexual, em que os indivíduos se servem dos parceiros como quem consome produtos; b) o mito do amor romântico, que condena ao sofrimento as pessoas que se sentem incapazes de encontrar o parceiro ideal. Como essas duas distorções se combinam? (Entrevistado) "De fato, o que parece ser antagônico, como você bem observou, no fundo é complementar. Em função do crescente individualismo, queremos sempre descartar o que nos causa problema, o que nos entedia, o que é incapaz de despertar fortes sensações ou grandes instantes de êxtase. É assim que estamos aprendendo a ser felizes, como, em épocas anteriores, aprendemos a ser felizes de outras formas. No entanto, na raiz desse utilitarismo tosco existe a promessa oculta de que, um dia, iremos encontrar alguém que preencha todos esses requisitos, ou seja,


90VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias alguém que, de forma permanente, seja interessante, excitante, apaixonante, tolerante. Ora, esse alguém, todos sabemos, não existe, exceto na ficção de nossos ideais. Mas, embora todos saibam que esse alguém não existe, ninguém pensa em desistir de procurar, porque, sem ele, a vida perde todo atrativo. Eis o impasse. Jamais encontramos a figura ideal de pessoa perfeita para amar, mas não podemos dispensar a ilusão porque não sabemos inventar outras formas de satisfação pessoal, exceto a obsessão amorosa e sexual. No fundo, o triste resultado disso tudo é a descrença, a amargura, o ressentimento, a inveja e a espera passiva e resignada do milagre amoroso - que quase nunca chega - ou da morte, que, com certeza, chega! Isso, fique claro, não significa "condenar" ou "menosprezar" a emoção amorosa, o que seria uma tolice. Isso significa constatar que a via de satisfação amorosa atual está condenada ao impasse, até que venhamos a inventar novos modos de amar. É porque fomos habituados a pensar que o "amor é único, universal, e sempre o mesmo de hoje em dia" que não encontramos ânimo para imaginar novos modelos de realização amorosa. Ora, o que procurei mostrar no trabalho é que isso, em absoluto, não é verdade. O romantismo amoroso é uma invenção cultural recente, recentíssima, na história da humanidade. Não temos por que imaginar que ele é a "última forma de amar" nem mesmo que seja a melhor." (Entrevista com Jurandir Freire Costa. In: CARVALHO, J. M. de et alii. Quatro autores em busca do Brasil. Entrevistas a José Geraldo Couto. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.) 3. (UERJ) No texto, o entrevistado expõe as ideias combinando declarações e opiniões suas e de outras pessoas. Enquanto formula seu raciocínio, ele recorre a contrastes, contrapontos, ressalvas. Tomando por base o segundo parágrafo da resposta do entrevistado, a) transcreva dele um trecho que exemplifique a citação de uma declaração ou opinião alheia e indique o recurso textual que a caracteriza como citação; b) cite os dois adjuntos adverbiais que exprimem, no primeiro período, um contraste inerente à experiência humana. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Pensoroso: Vê - o mundo é belo. A natureza estende nas noites estreladas o seu véu mágico sobre a terra, e os encantos da criação falam ao homem de poesia e de Deus. As noites, o sol, o luar, as flores, as nuvens da manhã, o sorriso da infância, até mesmo a agonia consolada e esperançosa do moribundo ungido que se volta para Deus. (...) Quando tua alma ardente abria seus voos para pairar sobre a vida cheia de amor, que vento de morte murchou-te na fronte a coroa das ilusões, apagou-te no coração o fanal do sentimento, e despiu-te das asas da poesia? Alma de guerreiro, deu-te Deus porventura o corpo inteiriçado do paralítico? (...) Oh! Não! Abre teu peito e ama. Tu nunca viste tua ilusão gelar-se na frente da amante morta, teu amor degenerar nos lábios de uma adúltera. Alma fervorosa, no orgulho de teu ceticismo não te suicides na atonia do desespero. A descrença é uma doença terrível: destrói com seu bafo corrosivo o aço mais puro. (...) Para os peitos rotos, desenganados nos seus afetos mais íntimos, onde sepultam-se como cadáveres todas as crenças, para esses aquilo que se dá a todos os sepulcros, uma lágrima! (...) A esses leva uma torrente profunda: revolvem-se na treva da descrença como satã no infinito da perdição e do desespero! Mas nós, mas tu e eu que somos moços, que sentimos o futuro nas aspirações ardentes do peito, que temos a fé na cabeça e a poesia nos lábios, a nós o amor e a esperança: a nós o lago prateado da existência. Embalame-nos nas suas águas azuis - sonhemos, cantemos e creiamos. (AZEVEDO, Álvares de. Macário, Noites na Taverna e Poemas Malditos. Rio de Janeiro, Francisco Alves 1983, p.138-9.) VOCABULÁRIO: fanal = farol, guia inteiriçado = rijo, imóvel atonia = fraqueza 4. (UERJ) "Quando tua alma ardente abria seus voos para pairar sobre a vida cheia de amor, que vento de morte murchou-te na fronte a coroa das ilusões, apagou-te no coração o fanal do sentimento, e despiu-te das asas da poesia?" a) Transcreva da frase acima o termo que o pronome possessivo "seus" retoma. Explique, em uma frase completa, a relação sintática entre "seus" e " voos". b) Reescreva integralmente apenas a quarta oração colocando-a na ordem direta e substituindo o pronome oblíquo por um pronome possessivo. Faça somente as alterações necessárias. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. MULHER AO ESPELHO Hoje, que seja esta ou aquela, pouco me importa. Quero apenas parecer bela, pois, seja qual for, estou morta. Já fui loura, já fui morena, já fui Margarida e Beatriz. Já fui Maria e Madalena. Só não pude ser como quis. Que mal faz, esta cor fingida do meu cabelo, e do meu rosto, se tudo é tinta: o mundo, a vida, o contentamento, o desgosto? Por fora, serei como queira a moda, que me vai matando. Que me levem pele e caveira ao nada, não me importa quando. Mas quem viu, tão dilacerados, olhos, braços e sonhos seus, e morreu pelos seus pecados, falará com Deus. Falará, coberta de luzes, do alto penteado ao rubro artelho. Porque uns expiram sobre cruzes, outros, buscando-se no espelho. (MEIRELES, Cecília. Poesias Completa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1973.)


91VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 5. (UERJ) Considere os pares de palavras: loura, morena / Maria, Madalena a) Explique, em uma frase completa, o contraste existente em cada par. b) Indique a classe gramatical e a função sintática de cada um desses pares de palavras na 2a estrofe do poema. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Leia o poema do português Eugênio de Castro (1869- 1944) para responder às questões a seguir. MÃOS Mãos de veludo, mãos de mártir e de santa, o vosso gesto é como um balouçar de palma; o vosso gesto chora, o vosso gesto geme, o vosso gesto canta! Mãos de veludo, mãos de mártir e de santa, rolas à volta da negra torre da minh’alma. Pálidas mãos, que sois como dois lírios doentes, Caridosas Irmãs do hospício da minh’alma, O vosso gesto é como um balouçar de palma, Pálidas mãos, que sois como dois lírios doentes... Mãos afiladas, mãos de insigne formosura, Mãos de pérola, mãos cor de velho marfim, Sois dois lenços, ao longe, acenando por mim, Duas velas à flor duma baía escura. Mimo de carne, mãos magrinhas e graciosas, Dos meus sonhos de amor, quentes e brandos ninhos, Divinas mãos que me heis coroado de espinhos, Mas que depois me haveis coroado de rosas! Afilhadas do luar, mãos de rainha, Mãos que sois um perpétuo amanhecer, Alegrai, como dois netinhos, o viver Da minha alma, velha avó entrevadinha. (Obras poéticas, 1968.) 1. (Unesp 2016) Na última estrofe do poema, os termos “Afilhadas do luar”, “mãos de rainha” e “Mãos que sois um perpétuo amanhecer” funcionam, no período de que fazem parte, como a) orações intercaladas. b) apostos. c) adjuntos adverbiais. d) vocativos. e) complementos nominais. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Leia o trecho extraído do livro A dança do universo do físico brasileiro Marcelo Gleiser para responder à(s) questão(ões) a seguir. Durante o século VI a.C., o comércio entre os vários Estados gregos cresceu em importância, e a riqueza gerada levou a uma melhoria das cidades e das condições de vida. O centro das atividades era em Mileto, uma cidade-Estado situada na parte sul da Jônia, hoje a costa mediterrânea da Turquia. Foi em Mileto que a primeira escola de filosofia pré-socrática floresceu. Sua origem marca o início da grande aventura intelectual que levaria, 2 mil anos depois, ao nascimento da ciência moderna. De acordo com Aristóteles, Tales de Mileto foi o fundador da filosofia ocidental. A reputação de Tales era legendária. Usando seu conhecimento astronômico e meteorológico (provavelmente herdado dos babilônios), ele previu uma excelente colheita de azeitonas com um ano de antecedência. Sendo um homem prático, conseguiu dinheiro para alugar todas as prensas de azeite de oliva da região e, quando chegou o verão, os produtores de azeite de oliva tiveram que pagar a Tales pelo uso das prensas, que acabou fazendo uma fortuna. Supostamente, Tales também previu um eclipse solar que ocorreu no dia 28 de maio de 585 a.C., que efetivamente causou o fim da guerra entre os lídios e os persas. Quando lhe perguntaram o que era difícil, Tales respondeu: “Conhecer a si próprio”. Quando lhe perguntaram o que era fácil, respondeu: “Dar conselhos”. Não é à toa que era considerado um dos Sete Homens Sábios da Grécia Antiga. No entanto, nem sempre ele era prático. Um dia, perdido em especulações abstratas, Tales caiu dentro de um poço. Esse acidente aparentemente feriu os sentimentos de uma jovem escrava que estava em frente ao poço, a qual comentou, de modo sarcástico, que Tales estava tão preocupado com os céus que nem conseguia ver as coisas que estavam a seus pés. (A dança do universo, 2006. Adaptado.) 2. (Unesp 2016) Em “Tales também previu um eclipse solar que ocorreu no dia 28 de maio de 585 a.C.” (3º parágrafo), o termo destacado exerce função de a) adjunto adnominal. b) adjunto adverbial. c) sujeito. d) objeto indireto. e) objeto direto. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A(s) questão(ões) a seguir toma(m) por base uma passagem de um livro de José Ribeiro sobre o folclore nacional. Curupira Na teogonia* tupi, o anhangá, gênio andante, espírito andejo ou vagabundo, destinava-se a proteger a caça do campo. Era imaginado, segundo a tradição colhida pelo Dr. Couto de Magalhães, sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo. Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá e a visão determinava logo a febre e, às vezes, a loucura. O caapora é o mesmo tipo mítico encontrado nas regiões central e meridional e aí representado por um homem enorme coberto de pelos negros por todo o rosto e por todo o corpo, ao qual se confiou a proteção da caça do mato. Tristonho e taciturno, anda sempre montado em um porco de grandes dimensões, dando de quando em vez um grito para impelir a vara. Quem o encontra adquire logo a certeza de ficar infeliz e de ser mal sucedido em tudo que intentar. Dele se originaram as expressões portuguesas caipora e caiporismo, como sinônimo de má sorte, infelicidade, desdita nos negócios. Bilac assim o descreve: “Companheiro do curupira, ou sua duplicata, é o Caapora, ora gigante, ora anão, montado num caititu, e cavalgando


92VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias à frente de varas de porcos do mato, fumando cachimbo ou cigarro, pedindo fogo aos viajores; à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho”. Ambos representam um só mito com diferente configuração e a mesma identidade com o curupira e o jurupari, numes que guardam a floresta. Todos convergem mais ou menos para o mesmo fim, sendo que o curupira é representado na região setentrional por um “pequeno tapuio” com os pés voltados para trás e sem os orifícios necessários para as secreções indispensáveis à vida, pelo que a gente do Pará diz que ele é músico. O Curupira ou Currupira, como é chamado no sul, aliás erroneamente, figura em uma infinidade de lendas tanto no norte como no sul do Brasil. No Pará, quando se viaja pelos rios e se ouve alguma pancada longínqua no meio dos bosques, “os romeiros dizem que é o Curupira que está batendo nas sapupemas, a ver se as árvores estão suficientemente fortes para sofrerem a ação de alguma tempestade que está próxima. A função do Curupira é proteger as florestas. Todo aquele que derriba, ou por qualquer modo estraga inutilmente as árvores, é punido por ele com a pena de errar tempos imensos pelos bosques, sem poder atinar com o caminho de casa, ou meio algum de chegar até os seus”. Como se vê, qualquer desses tipos é a manifestação de um só mito em regiões e circunstâncias diferentes. (O Brasil no folclore, 1970.) (*) Teogonia, s.f.: 1. Filos. Doutrina mística relativa ao nascimento dos deuses, e que frequentemente se relaciona com a formação do mundo. 2.Conjunto de divindades cujo culto forma o sistema religioso dum povo politeísta. (Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI). 3. (Unesp) [...] à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho. Eliminando-se o aposto, a frase em destaque apresentará, de acordo com a norma-padrão, a seguinte forma: a) à frente voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho. b) à frente dele voam os vaga-lumes batedores, alumiando o caminho. c) à frente dele voam seus batedores, alumiando o caminho. d) à frente dele voam os vaga-lumes, alumiando o caminho. e) à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO As questões a seguir tomam por base o seguinte fragmento do diálogo Fedro, de Platão (427-347 a.C.). Fedro SÓCRATES: – Vamos então refletir sobre o que há pouco estávamos discutindo; examinaremos o que seja recitar ou escrever bem um discurso, e o que seja recitar ou escrever mal. FEDRO: – Isso mesmo. SÓCRATES: – Pois bem: não é necessário que o orador esteja bem instruído e realmente informado sobre a verdade do assunto de que vai tratar? FEDRO: – A esse respeito, Sócrates, ouvi o seguinte: para quem quer tornar-se orador consumado não é indispensável conhecer o que de fato é justo, mas sim o que parece justo para a maioria dos ouvintes, que são os que decidem; nem precisa saber tampouco o que é bom ou belo, mas apenas o que parece tal – pois é pela aparência que se consegue persuadir, e não pela verdade. SÓCRATES: – Não se deve desdenhar, caro Fedro, da palavra hábil, mas antes refletir no que ela significa. O que acabas de dizer merece toda a nossa atenção. FEDRO: – Tens razão. SÓCRATES: – Examinemos, pois, essa afirmação. FEDRO: – Sim. SÓCRATES: – Imagina que eu procuro persuadir-te a comprar um cavalo para defender-te dos inimigos, mas nenhum de nós sabe o que seja um cavalo; eu, porém, descobri por acaso uma coisa: “Para Fedro, o cavalo é o animal doméstico que tem as orelhas mais compridas”... FEDRO: – Isso seria ridículo, querido Sócrates. SÓCRATES: – Um momento. Ridículo seria se eu tratasse seriamente de persuadir-te a que escrevesses um panegírico do burro, chamando-o de cavalo e dizendo que é muitíssimo prático comprar esse animal para o uso doméstico, bem como para expedições militares; que ele serve para montaria de batalha, para transportar bagagens e para vários outros misteres. FEDRO: – Isso seria ainda ridículo. SÓCRATES: – Um amigo que se mostra ridículo não é preferível ao que se revela como perigoso e nocivo? FEDRO: – Não há dúvida. SÓCRATES: – Quando um orador, ignorando a natureza do bem e do mal, encontra os seus concidadãos na mesma ignorância e os persuade, não a tomar a sombra de um burro por um cavalo, mas o mal pelo bem; quando, conhecedor dos preconceitos da multidão, ele a impele para o mau caminho, – nesses casos, a teu ver, que frutos a retórica poderá recolher daquilo que ela semeou? FEDRO: – Não pode ser muito bom fruto. SÓCRATES: – Mas vejamos, meu caro: não nos teremos excedido em nossas censuras contra a arte retórica? Pode suceder que ela responda: “que estais a tagarelar, homens ridículos? Eu não obrigo ninguém – dirá ela – que ignore averdade a aprender a falar. Mas quem ouve o meu conselho tratará de adquirir primeiro esses conhecimentos acerca da verdade para, depois, se dedicar a mim. Mas uma coisa posso afirmar com orgulho: sem as minhas lições a posse da verdade de nada servirá para engendrar a persuasão”. FEDRO: – E não teria ela razão dizendo isso? SÓCRATES: – Reconheço que sim, se os argumentos usuais provarem que de fato a retórica é uma arte; mas, se não me engano, tenho ouvido algumas pessoas atacá-la e provar que ela não é isso, mas sim um negócio que nada tem que ver com a arte. O lacônio declara: “não existe arte retórica propriamente dita sem o conhecimento da verdade, nem haverá jamais tal coisa”. (Platão. Diálogos. Porto Alegre: Editora Globo, 1962.)


93VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 4. (Unesp) “... para quem quer tornar-se orador consumado não é indispensável conhecer o que de fato é justo, mas sim o que parece justo para a maioria dos ouvintes, que são os que decidem; nem precisa saber tampouco o que é bom ou belo, mas apenas o que parece tal...” Neste trecho da tradução da segunda fala de Fedro, observa-se uma frase com estruturas oracionais recorrentes, e por isso plena de termos repetidos, sendo notável, a este respeito, a retomada do demonstrativo o e do pronome relativo que em "o que de fato é justo, o que parece justo, os que decidem, o que é bom ou belo, o que parece tal". Em todos esses contextos, o relativo que exerce a mesma função sintática nas orações de que faz parte. Indique-a. a) Sujeito. b) Predicativo do sujeito. c) Adjunto adnominal. d) Objeto direto. e) Objeto indireto. TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO TEXTO I: Perante a Morte empalidece e treme, Treme perante a Morte, empalidece. Coroa-te de lágrimas, esquece O Mal cruel que nos abismos geme. Cruz e Souza, Perante a morte. TEXTO II: Tu choraste em presença da morte? Na presença de estranhos choraste? Não descende o cobarde do forte; Pois choraste, meu filho não és! Gonçalves Dias, I Juca Pirama. TEXTO III: Corrente, que do peito destilada, Sois por dous belos olhos despedida; E por carmim correndo dividida, Deixais o ser, levais a cor mudada. Gregório de Matos, Aos mesmos sentimentos. TEXTO IV: Chora, irmão pequeno, chora, Porque chegou o momento da dor. A própria dor é uma felicidade... Mário de Andrade, Rito do irmão pequeno. TEXTO V: Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia?!... Silêncio! ... Musa! Chora, chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto... Castro Alves, O navio negreiro. 5. (Unifesp) No texto V, o sintagma "no teu pranto" desempenha a função sintática de adjunto adverbial. Esta mesma função vem desempenhada por a) perante a Morte (em I) e nos abismos (em I). b) de lágrimas (em I) e do forte (em II). c) momento da dor (em IV) e uma felicidade (em IV). d) em presença da morte (em II) e correndo dividida (em III). e) Mal cruel (em I) e Na presença de estranhos (em II). E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unicamp) Os enunciados abaixo são parte de uma peça publicitária que anuncia um carro produzido por uma conhecida montadora de automóveis. UM CARRO QUE ATÉ A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE APROVARIA: ANDA MAIS E BEBE MENOS. ELE CABE NA SUA VIDA. SUA VIDA CABE NELE. (Adaptado de Superinteressante, jun. 2009, p. 9.) a) A menção à Organização Mundial da Saúde na peça publicitária é justificada pela apresentação de uma das características do produto anunciado. Qual é essa característica? Explique por que o modo como a característica é apresentada sustenta a referência à Organização Mundial da Saúde. b) A peça publicitária apresenta duas orações com o verbo caber. Contraste essas orações quanto à organização sintática. Que efeito é produzido por meio delas? TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO BYE BYE BRASIL Mulher Nordestina: - Meu santo, minha família foi embora, meu santo. Filho, nora, neto..., fiquei só com o meu velho que morreu na semana passada. Agora, quero ver o meu povo. Meu santo, me diga, onde é que eles foram, meu santo? Lord Cigano: - E eu sei lá? Como é que eu vô saber? Quer dizer... eu sei... eu... Eu tô vendo. Eu estou vendo a sua família, eles estão a muitas léguas daqui. Mulher Nordestina: - Vivos? Lord Cigano: - É, vivos, se acostumando ao lugar novo. Mulher Nordestina: - A gente se acostuma com tudo... Onde é que eles estão agora, meu santo?


94VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Lord Cigano: - Ah, pera aí, deixa eu ver! Eu tô vendo: eles estão num vale muito verde onde chove muito, as árvores são muito compridas e os rios são grandes feito o mar. Tem tanta riqueza lá, Que.. ninguém precisa trabalhar. Os velhos não morrem nunca e os jovens não perdem sua força. É uma terra tão verde... Altamira! (In: filme BYE BYE BRASIL (1979). Produzido por Lucy Barreto. Escrito e dirigido por Carlos Diegues.) 2. (Unesp) A primeira fala da Mulher Nordestina, em "Bye Bye Brasil", caracteriza-se pelas interpelações em primeira pessoa, repetições de palavras e a retomada insistente dos mesmos conteúdos. Releia com atenção o referido discurso direto e, em seguida, a) indique uma frase em que ocorre repetição do elemento vocativo; b) explique o valor semântico que o vocábulo "povo" representa na elocução emotiva da personagem. TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Esparsa - Ao desconcerto do Mundo. (Luís de Camões) Os bons vi sempre passar No Mundo graves tormentos; E para mais me espantar, Os maus vi sempre nadar Em mar de contentamentos. Cuidando alcançar assim O bem tão mal ordenado, Fui mau, mas fui castigado, Assim que só para mim Anda o Mundo concertado. (In: REDONDILHAS - OBRAS COMPLETAS. Rio de Janeiro: Aguilar, 1963, pp. 475-6.) Nós (Cesário Verde) Ai daqueles que nascem neste caos, E, sendo fracos, sejam generosos! As doenças assaltam os bondosos E - custa a crer - deixam viver os maus! (In: O LIVRO DE CESÁRIO VERDE. 9ª ed. Lisboa: Editorial Minerva, 1952, p. 122.) 3. (Unesp) Vocábulos como Bom e Bem, Mau e Mal, em virtude da variedade de seu uso em nossa língua, não podem ser classificados senão após se examinar o contexto de cada frase. Isto se verifica nos poemas em pauta. Com base nestas observações: a) aponte a classe e a função sintática de Bem, no sétimo verso de Camões; b) aponte a classe e a função sintática de Mau, no oitavo verso de Camões. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO “Brancas rochas, pelas encostas, alastravam a sólida nudez do seu ventre polido pelo vento e pelo sol; outras, vestidas de líquen e de silvados floridos, avançavam como proas de galeras enfeitadas; e, de entre as que se apinhavam nos cimos, algum casebre que para lá galgara, todo amachucado e torto, espreitava pelos postigos negros, sobre as desgrenhadas farripas de verdura, que o vento lhe semeara nas telhas. Por toda a parte a água sussurrante, a água fecundante... Espertos regatinhos fugiam, rindo com os seixos, de entre as patas da égua e do burro; grossos ribeiros açodados saltavam com fragor de pedra em pedra; fios direitos e luzidios como cordas de prata vibravam e faiscavam das alturas aos barrancos; e muita fonte, posta à beira de veredas, jorrava por uma bica, beneficamente, à espera dos homens e dos gados...” 4. (Unesp) Na oração "grossos RIBEIROS açodados saltavam com fragor de pedra em pedra", o substantivo destacado ocupa o núcleo do sujeito (grossos RIBEIROS açodados). Baseando-se neste comentário, analise a frase a seguir e indique as funções sintáticas que nela exercem os substantivos em destaque: "Brancas rochas, pelas ENCOSTAS, alastravam a sólida NUDEZ do seu ventre polido pelo vento e pelo sol". 5. (Unicamp) A experiência que comprovou a existência da partícula conhecida como bóson de Higgs teve ampla repercussão na imprensa de todo o mundo, pelo papel fundamental que tal partícula teria no funcionamento do universo. Leia o comentário abaixo, retirado de um texto jornalístico, e responda às questões propostas. Por alguma razão, em língua portuguesa convencionou-se traduzir o apelido do bóson como “partícula de Deus” e não “partícula Deus”, que seria a forma correta. (Folha de São Paulo, São Paulo, 05/07/2012, Caderno Ciência, p. 10.) a) Explique a diferença sintática que se pode identificar entre as duas expressões mencionadas no trecho reproduzido: “partícula de Deus” e “partícula Deus”. b) Explique a diferença de sentido entre uma e outra expressão em português. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. E 2. A 3. E 4. D 5. C 6. C 7. D 8. D 9. B E.O. Fixação 1. A 2. C 3. B 4. E 5. B 6. B 7. B 8. A 9. E E.O. Complementar 1. C 2. C 3. B 4. E 5. A E.O. Dissertativo 1. Vocativo é um termo utilizado para fazer um chamado ao interlocutor. No caso do poema, vê-se que o eu lírico utiliza “companheiro” para chamar seu interlocutor, como em “Cuidado, companheiro!” e usa também “amigo”, como em “a vida não é brincadeira, amigo”. Nota-se que nos dois casos os termos não têm nenhum tipo de relação sintática com o resto da oração, somente uma função de deixar claro quem é o interlocutor.


95VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 2. Um adjunto adverbial refere à época antiga é "naquele tempo" e um referente à época atual á "hoje". 3. O aposto é “filhote de porco-do-mato”, pois observa-se que o termo está entre vírgulas e apresenta uma explicação para o termo “cateto”. Exerce, portanto, função de aposto explicativo. 4. a) A expressão “lá fora” é adjunto adverbial de lugar e “de quando em quando” é adjunto adverbial de tempo. Ou: ambas são adjuntos adverbiais. b) Essas expressões servem para mostrar o progresso da narrativa no tempo e no espaço. Ou: Tais expressões mostram a sucessão dos acontecimentos no espaço e no tempo, garantindo a progressão da narrativa. Ou: As expressões, ao localizar a ação no tempo e no espaço, contribuem para a progressão textual, porque particularizam os lugares em que a ação se desenrola (lá fora opondo-se ao aqui dentro do espaço da casa) e indicam a passagem do tempo, que dinamiza a ação narrada. Ou: Uma narrativa caracteriza-se por sucessões de acontecimentos e transformações. No caso analisado, as expressões destacadas mostram o desenrolar dos fatos no tempo e no espaço e, com isso, garantem a progressão da narrativa. 5. Expressão: “Ô, pai!” Palavra: “fio” As expressões “ó cara” e “ó pá” foram empregadas como vocativo, isto é, com o objetivo de chamar ou se dirigir a alguém. No quadrinho, a expressão “ô pai!” e a palavra “fio” também são empregadas com essa função. A primeira é utilizada por Chico Bento para se dirigir ao seu pai, e a segunda é utilizada pelo pai para se dirigir a Chico Bento. E.O. UERJ Exame Discursivo 1. Valor sintático: objeto indireto/oração subordinada substantiva objetiva indireta certificando-se de que não ia chover. VTI OI Valor sintático: complemento nominal/oração subordinada substantiva completiva nominal Clarete também teve o bom senso de não insistir Suj. VTD OD CN 2. a) Preposição: por. Agente da passiva e adjunto adverbial de causa. b) Busca da riqueza e também privação da liberdade. 3. a) O amor é único, universal e sempre o mesmo de hoje em dia". Uso de aspas b) Quase nunca Com certeza 4. a) "tua alma ardente". "Seus" é adjunto adnominal ou determinante de "voos". b) Apagou o teu fanal do sentimento no coração. Apagou o fanal do sentimento no teu coração. Apagou o fanal do teu sentimento no coração. 5. a) O primeiro par expressa um contraste físico e o segundo, um contraste moral. b) loura, morena Adjetivo. Predicativo do sujeito. Maria, Madalena Substantivo próprio. Predicativo do sujeito. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. D 2. C 3. D 4. A 5. A E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) O carro é personificado através das características que lhe são atribuídas pelas expressões “anda mais” e “bebe menos”, o que pressupõe a aprovação de uma organização que tem por objetivo desenvolver ao máximo possível o nível de saúde das pessoas, combatendo a redução de ingestão de álcool e o sedentarismo. b) Trata-se de dois períodos simples com orações absolutas em que as palavras “ele” e “vida” funcionam, respectivamente, no primeiro como sujeito e adjunto adverbial e no segundo, como adjunto adverbial e sujeito. A disposição simétrica e cruzada destes elementos provoca efeito de empatia entre produto e público a quem o anúncio se dirige, pois o carro, além de ser acessível ao bolso do comprador (ele cabe na sua vida), também atende às necessidades do seu cotidiano (“sua vida cabe nele”). 2. a) Trata-se do vocativo "Meu santo" empregado com repetição em: "MEU SANTO, minha família foi embora, MEU SANTO"; "MEU SANTO, me diga, onde é que eles foram, MEU SANTO". b) O vocábulo "povo" tem o valor semântico de "família". 3. a) Substantivo e objeto direto. b) Adjetivo e predicativo do sujeito. 4. Encostas: núcleo do adjunto adverbial


96VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Nudez: núcleo de objeto direto. 5. a) Na expressão “partícula de Deus”, o segmento “de Deus” é uma locução adjetiva que caracteriza o substantivo “partícula”, exercendo a função sintática de adjunto adnominal, enquanto em “partícula Deus”, o termo “Deus” é um substantivo próprio que individualiza o substantivo comum “partícula”, exercendo função sintática de aposto. b) Ao excluir a preposição “de” da expressão “de Deus”, atribui-se valor específico à partícula e ela mesma seria “Deus”, ou seja, com capacidade para criar o universo. No caso de se manter a preposição, a partícula seria uma parte de Deus ou, então, ela teria sido criada por Deus.


LITERATURA LINGUAGENS CÓDIGOS e suas tecnologias ENTRE LETRAS 3


98VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. Leia os poemas apresentados a seguir. MALVA-MAÇÃ A P... De teus seios tão mimosos Quem gozasse o talismã! Quem ali deitasse a fronte Cheia de amoroso afã! E quem nele respirasse A tua malva-maçã! Dá-me essa folha cheirosa Que treme no seio teu! Dá-me a folha… hei de beijá-la Sedenta no lábio meu! Não vês que o calor do seio Tua malva emurcheceu... [...] AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: Obra completa. Organização de Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 269. Há uma flor que está em redor de mim, uma flor que nasce nos cabelos da aurora e desce sobre as águas e os ombros de todos nós. Não, não quero amar senão a natureza quando ela se abre como uma flor e suas corolas à madrugada; eu não quero amar, senão a mulher que está em redor de mim, a mulher que me acolhe com seus braços e me oferece o que há de mais íntimo, a sua pérola e sonho à madrugada. GARCIA, José Godoy. Poesia. Brasília: Thesaurus, 1999. p. 153. Nos poemas transcritos, a representação da figura feminina se assemelha por apresentar: a) a sensualidade da mulher metaforizada pelos elementos da natureza. b) a idealização de uma mulher única enfatizada pela fidelidade do eu lírico. c) o distanciamento da mulher exemplificado por sua indiferença aos apelos do eu lírico. d) a simplicidade da mulher evidenciada por suas qualidades morais. e) o exotismo da mulher emoldurado pela descrição de um cenário idílico. 2. Leia o fragmento do poema apresentado a seguir. SPLEEN E CHARUTOS I SOLIDÃO […] As árvores prateiam-se na praia, Qual de uma fada os mágicos retiros... Ó lua, as doces brisas que sussurram Coam dos lábios teus como suspiros! Falando ao coração que nota aérea Deste céu, destas águas se desata? Canta assim algum gênio adormecido Das ondas moças no lençol de prata? Minh’alma tenebrosa se entristece, É muda como sala mortuária... Deito-me só e triste, sem ter fome Vejo na mesa a ceia solitária. Ó lua, ó lua bela dos amores, Se tu és moça e tens um peito amigo, Não me deixes assim dormir solteiro, À meia-noite vem cear comigo! AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: Obra completa. Organização de Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 232. Fenômeno recorrente na estética romântica, o processo de adjetivação permite ao eu lírico, no poema transcrito: a) intensificar sua tristeza, ressaltando uma perspectiva pessimista da vida. b) demarcar sua individualidade, expressando seu estado de espírito. c) detalhar suas intenções amorosas, nomeando seus sentimentos. d) descrever as coisas circundantes, apresentando uma visão objetiva da realidade. e) revelar um sentimento platônico, enumerando as qualidades da amada. ESTÉTICA ROMÂNTICA: POESIA COMPETÊNCIA(s) 5 HABILIDADE(s) 15, 16 e 17 LC AULAS 17 E 18


99VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 3. TEXTO I Se eu tenho de morrer na flor dos anos, Meu Deus! não seja já; Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde, Cantar o sabiá! Meu Deus, eu sinto e bem vês que eu morro Respirando esse ar; Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo Os gozos do meu lar! Dá-me os sítios gentis onde eu brincava Lá na quadra infantil; Dá que eu veja uma vez o céu da pátria, O céu de meu Brasil! Se eu tenho de morrer na flor dos anos, Meu Deus! Não seja já! Eu quero ouvir cantar na laranjeira, à tarde, Cantar o sabiá! ABREU, C. Poetas românticos brasileiros. São Paulo: Scipione, 1993. TEXTO II A ideologia romântica, argamassada ao longo do século XVIII e primeira metade do século XIX, introduziu-se em 1836. Durante quatro decênios, imperaram o “eu”, a anarquia, o liberalismo, o sentimentalismo, o nacionalismo, através da poesia, do romance, do teatro e do jornalismo (que fazia sua aparição nessa época). MOISÉS, M. A literatura brasileira através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1971 (fragmento). De acordo com as considerações de Massaud Moisés no Texto II, o Texto I centra-se: a) no imperativo do “eu”, reforçando a ideia de que estar longe do Brasil é uma forma de estar bem, já que o país sufoca o eu lírico. b) no nacionalismo, reforçado pela distância da pátria e pelo saudosismo em relação à paisagem agradável onde o eu lírico vivera a infância. c) na liberdade formal, que se manifesta na opção por versos sem métrica rigorosa e temática voltada para o nacionalismo. d) no fazer anárquico, entendida a poesia como negação do passado e da vida, seja pelas opções formais, seja pelos temas. e) no sentimentalismo, por meio do qual se reforça a alegria presente em oposição à infância, marcada pela tristeza. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO TEXTO 1 CANÇÃO DO TAMOIO (...) Porém se a fortuna, Traindo teus passos, Te arroja nos laços Do imigo falaz! Na última hora Teus feitos memora, Tranquilo nos gestos, Impávido, audaz. E cai como o tronco Do raio tocado, Partido, rojado Por larga extensão; Assim morre o forte! No passo da morte Triunfa, conquista Mais alto brasão. (...) (Gonçalves Dias) TEXTO 2 BERIMBAU Quem é homem de bem não trai O amor que lhe quer seu bem. Quem diz muito que vai não vai E, assim como não vai, não vem. Quem de dentro de si não sai Vai morrer sem amar ninguém, O dinheiro de quem não dá É o trabalho de quem não tem, Capoeira que é bom não cai E, se um dia ele cai, cai bem! (Vinícius de Moraes e Baden Powell) 4. O modo como a morte é figurativizada no fragmento de Gonçalves Dias é semelhante ao seguinte verso da canção de Vinicius e Baden: a) O amor que lhe quer seu bem b) Vai morrer sem amar ninguém c) O dinheiro de quem não dá d) É o trabalho de quem não tem e) E, se um dia ele cai, cai bem! TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A questão a seguir toma por base um fragmento de Glória moribunda, do poeta romântico brasileiro Álvares de Azevedo (1831-1852). É uma visão medonha uma caveira? Não tremas de pavor, ergue-a do lodo. Foi a cabeça ardente de um poeta, Outrora à sombra dos cabelos loiros. Quando o reflexo do viver fogoso Ali dentro animava o pensamento, Esta fronte era bela. Aqui nas faces Formosa palidez cobria o rosto; Nessas órbitas — ocas, denegridas! — Como era puro seu olhar sombrio!


100VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Agora tudo é cinza. Resta apenas A caveira que a alma em si guardava, Como a concha no mar encerra a pérola, Como a caçoula a mirra incandescente. Tu outrora talvez desses-lhe um beijo; Por que repugnas levantá-la agora? Olha-a comigo! Que espaçosa fronte! Quanta vida ali dentro fermentava, Como a seiva nos ramos do arvoredo! E a sede em fogo das ideias vivas Onde está? onde foi? Essa alma errante Que um dia no viver passou cantando, Como canta na treva um vagabundo, Perdeu-se acaso no sombrio vento, Como noturna lâmpada apagou-se? E a centelha da vida, o eletrismo Que as fibras tremulantes agitava Morreu para animar futuras vidas? Sorris? eu sou um louco. As utopias, Os sonhos da ciência nada valem. A vida é um escárnio sem sentido, Comédia infame que ensanguenta o lodo. Há talvez um segredo que ela esconde; Mas esse a morte o sabe e o não revela. Os túmulos são mudos como o vácuo. Desde a primeira dor sobre um cadáver, Quando a primeira mãe entre soluços Do filho morto os membros apertava Ao ofegante seio, o peito humano Caiu tremendo interrogando o túmulo... E a terra sepulcral não respondia. (Poesias completas, 1962.) 5. No verso Morreu para animar futuras vidas?, sob forma interrogativa, o eu lírico sugere com o termo animar que: a) a morte de uma pessoa deve ser festejada pelos que ficam. b) o verdadeiro objetivo da morte é demonstrar o desvalor da vida. c) a vida do poeta é mais consistente e animada que todas as outras. d) a alma que habitou o corpo talvez possa reencarnar em novo corpo. e) outras pessoas passam a viver melhor quando um homem morre. 6. TEXTO 1 CANÇÃO DO EXÍLIO Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. [...] Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar — sozinho, à noite — Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras Onde canta o Sabiá. DIAS, G. Poesia e prosa completas.Rio de Janeiro: Aguilar, 1998. TEXTO 2 CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase tem mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que eu veja a rua 15 E o progresso de São Paulo ANDRADE, O. Cadernos de poesia do aluno Oswald. São Paulo: Círculo do Livro, s/d. Os textos 1 e 2, escritos em contextos históricos e culturais diversos, enfocam o mesmo motivo poético: a paisagem brasileira entrevista a distância. Analisando-os, conclui-se que”: a) o ufanismo, atitude de quem se orgulha excessivamente do país em que nasceu, é o tom de que se revestem os dois textos. b) a exaltação da natureza é a principal característica do texto 2, que valoriza a paisagem tropical realçada no texto 1. c) o texto 2 aborda o tema da nação, como o texto 1, mas sem perder a visão crítica da realidade brasileira.


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