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Published by Henrique Santos, 2024-01-11 14:55:30

CadernoEO-LCódigosV3_2022

CadernoEO-LCódigosV3_2022

151VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 10. (Unesp) Os dois trechos citados, que pertencem a romances de José de Alencar (1829-1877) e Aluísio Azevedo (1857-1913), têm em comum o fato de descreverem personagens femininas. Um confronto entre as duas descrições permite detectar não somente diferenças nos planos físico e psicológico das duas mulheres, mas também no modo como cada uma é concebida pelo respectivo narrador, segundo os princípios estéticos do Romantismo e do Naturalismo. O resultado final, em termos de leitura, é o surgimento de duas personagens completamente distintas, vale dizer, duas mulheres que causam impressões inconfundíveis no leitor. Levando em conta estas informações, procure relacionar a diferença essencial entre as duas personagens com os princípios estéticos do Romantismo e do Naturalismo. Gabarito E.O. Aprendizagem 1. V-V-V-F 2. B 3. D 4. E 5. D 6. B 7. D 8. B 9. A 10. B E.O. Fixação 1. V-V-F-V-F 2. B 3. D 4. B 5. B 6. B 7. E 8. E 9. A 10. A E.O. Complementar 1. D 2. A 3. D 4. C 5. F-F-V E.O. Dissertativo 1. a) Duas características do Naturalismo que se encontram nesse trecho d’ O cortiço são o zoomorfismo e o descritivismo objetivo. b) O zoomorfismo aparece em “aglomeração de machos e fêmeas”, “não molhar o pelo”, “fossando” . A análise objetiva, voltada para elementos sensoriais, aparece em “fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos”, “chão inundava-se”, “metiam bem debaixo da água e esfregavam com força”, dentre outras. 2. a) Nas duas obras referidas o Sol ocupa posição central, tributário das teorias naturalistas. Na tela, o sol atinge o “Caipira picando fumo”, marcando não apenas a paisagem (como se verifica pelas sombras) como também o Homem (a pele queimada). A impressão de quem vê o quadro é que a luz solar tem presença marcante. b) A “apreciação positiva” apontada pelo crítico de arte se dá pelo caipira plenamente integrado no meio em que está inserido: sua atividade de picar fumo para próprio deleite é tranquilamente realizada, apesar da grande luminosidade – o sol não interfere negativamente em seu cotidiano. 3. Convergência: tanto o Realismo como o Naturalismo retratam o real, cuja fundamentação se encontra nos princípios do positivismo e do determinismo. São anti-românticos. Divergência: o Realismo faz uma interpretação indireta dos fatos; já o Naturalismo, uma interpretação direta e avança até as últimas consequências. E.O. UERJ Exame Discursivo 1. A onomatopeia é uma figura da retórica que, através de imitação ou reprodução, aproxima por semelhança o som de uma palavra à realidade que representa, seja o canto dos animais, o som dos instrumentos musicais ou o barulho que acompanha os fenômenos da natureza. “Retintim” expressa o ruído de objetos metálicos que se chocam entre si e contra a pedra, e “zoada”, o zumbido provocado pelas vozes e ruídos que vinham do cortiço. 2. Trata-se de personificação, prosopopeia ou animismo, recurso expressivo que atribui predicados humanos a seres inanimados ou irracionais. No texto, a pedreira é dotada de vida, um gigante em duelo com os trabalhadores descritos como “uns atrevidos pigmeus de forma humana” que desfechavam golpes de picareta contra ele. No entanto, a imperícia dos trabalhadores provocava uma sensação de tristeza em Jerônimo que, como cavouqueiro experiente, notava o desperdício na forma como trabalhavam e extraíam as pedras (“Esta parte aqui é toda granito, é a melhor! Pois olhe só o que eles têm tirado de lá – umas lascas, uns calhaus que não servem para nada!”, “É uma dor de coração ver estragar assim uma peça tão boa!”,” E brada aos céus, creia! ter pedra desta ordem para empregá-la em macacos”). 3. A descrição enfatiza o trabalho árduo dos homens que trabalhavam na pedreira, sujeitos ao calor e à sede. Em ordem crescente, o autor usa a gradação em progressão semântica, para exprimir a intensidade desse esforço. O mesmo recurso é utilizado imediatamente a seguir para descrever as ações que provocavam essas sensações (“a quebrarem, a espicaçarem, a torturarem a pedra”). E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. E 2. B 3. E 4. C 5. A 6. D 7. D 8. C 9. B 10. E E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. a) Ambas são representantes da mulher brasileira, pois Iracema era uma índia nativa, detentora de sensualidade que atrai o colonizador Martim, e Rita Baiana, uma mulata que também provoca uma série de impressões em Jerônimo, imigrante português. Ambas representam “o grande mistério, a síntese das impressões” que eles receberam “chegando aqui”.


152VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias No entanto, enquanto Iracema é descrita por Alencar como uma espécie de “vestal” índia que se vai sacrificar na entrega amorosa, Rita Baiana é apresentada de forma animalesca (“movimentos de cobra amaldiçoada”, “a lagarta viscosa”, “a muriçoca doida”). b) Ambos são portugueses, sentem-se atraídos pela beleza e sensualidade da mulher brasileira e sucumbem ao seus encantos. No entanto, Martim submete Iracema, que abandona a sua tribo para o seguir e viver com ele, como heroína romântica que morre pelo seu grande amor, enquanto Jerônimo abandona esposa, filha e trabalho, transformando-se em assassino e alcoólatra. 2. O Cortiço foi baseado principalmente nas ideias do determinismo, em que o homem é fruto do meio, cuja máxima “inquestionável” perdurou até o século XX. No cortiço, toda a classe operária era mostrada de modo a se render ao que o próprio meio proporcionava de miséria, de promiscuidade, levando as personagens a adquirirem uma conformação quase animalesca chamada de zoomorfismo. A visão darwinista da lei do mais forte também aparece na figura autoritária e egoísta de João Romão, representante de uma burguesia cruel e tacanha capaz de ganhar pela exploração sem dó nem piedade, levando-nos também a ideias marxistas do lucro e da mais valia. 3. a) O trecho revela a influência do Determinismo. A personagem Rita Baiana é conduzida de acordo com as características da sua raça (“o sangue da mestiça”). Era comum na época acreditar-se que algumas raças eram superiores a outras. Rita Baiana, sendo mestiça, trazia a mistura de duas raças. Então, ela deixa de lado o homem da raça inferior, para unir-se ao de raça superior: o português, branco (“reclamou os seus direitos de apuração”). É evidente que é uma visão racista, negada pela ciência de hoje. No entanto, Aluísio, na obra, revela as concepções de sua época. b) A orientação doutrinária aqui é também determinista, pois “Cedendo às imposições mesológicas” revela o homem sucumbindo às imposições de seu meio. Jerônimo, vivendo agora entre brasileiros, abrasileira-se, ou seja, não tem forças para resistir a algo maior do que o seu livre-arbítrio: o meio social. 4. a) O ascetismo rigoroso, esforço austero a que se refere o autor, caracteriza a personalidade e a forma de vida a que se submete João Romão para ascender socialmente. Suportando todo tipo de privação, executando trabalho pesado, sujeitando-se a uma vida sem conforto, pensava somente em enriquecer a qualquer custo. Para isso não se importava de roubar, mentir ou explorar os outros, obrigando os trabalhadores a consumirem na sua venda ou aproveitando-se da gratidão de Bertoleza enquanto esta lhe era conveniente. b) Bertoleza, acreditando que João Romão a tinha como amiga e confidente, entrega-lhe as suas poupanças para pagar a sua alforria. Por gratidão, dedica-se inteiramente, trabalha de sol a sol como uma escrava, além de lhe servir de amante. Quando já não é mais conveniente aos planos de João Romão, passa a ser desprezada, principalmente quando este começa a pensar num conveniente casamento com a filha do Miranda, transformando-se assim em “companheira máquina”, “mulher objeto”. Finalmente, ao descobrir que a carta de alforria era falsa e que João Romão tencionava entrega-la à polícia, opta pelo suicídio. 5. As entidades referidas no primeiro parágrafo dizem respeito à dualidade Bem e Mal, contextualizadas na religião cristã através de Deus (“céu” e “Altíssimo”) e Demônio (Satanás”, “chifres”, “cauda”). Enquanto ao primeiro estão associados o Bem e as Virtudes, ao segundo se associam o pecado e a condenação: eterna (Inferno) ou temporária (Purgatório). 6. Sanches, o colega mais velho, é destacado ironicamente por sua “proficiência” no ensino da doutrina cristã, em cujas explicações o narrador não acreditava piamente (“achava que metade daquilo era invenção malvada”), mas que, segundo o narrador, excitavam a sua imaginação (“capricho de surpreender com as fantasias do Mal”) e serviriam para posterior reflexão (“julgar ... oportunamente”). Como o narrador se considera inapto para o cálculo, diverte-se apenas com o desenho (“divertindo-me a geometria miúda”) e prescinde do auxílio de Sanches, útil apenas no ensino da religião. 7. O contexto em que o termo se apresenta permite inferir a intenção positiva como o narrador usou. Ao associar o complemento nominal “de magnífico agouro” ao predicado “com este preparo, sorria-me”, exclui-se o significado negativo, comum no uso popular. 8. a) O postulado fundamental que Araripe Júnior compartilha com o Naturalismo e que explica a feição que o “estilo” assume “nesta terra” é o determinismo de meio, tese segundo a qual o homem estaria condicionado ao meio em que vive. As diversas referências a elementos do ambiente brasileiro evidenciam essa tendência determinista: “sumo da pinha, que, quando viça, lasca, deforma-se, e, pelas fendas irregulares”, “ácido do ananás do Amazonas, que desespera de sabor, deixando a língua a verter sangue, picada e dolorida”. b) Sim. O cortiço é um romance de tese, cuja narrativa evidencia, de acordo com as ideias deterministas, a influência do meio sobre o ser humano. Jerônimo, português, é conduzido a uma série de transformações em seus hábitos e caráter, abrasileirando-se. Pombinha, moça pura, cede ao ambiente supersensual que a circunda, entre outros exemplos. 9. a) “Baixote, socado, de cabelos à escovinha, a barba sempre por fazer”: estes traços correspondem à sua mesquinhez. b) João Romão age impelido pelas condições biofisiológicas. 10. A personagem de Alencar é idealizada, divinizada, como manda o ideário romântico. A personagem de Azevedo é mais terrena, mais sensual e descrita em detalhes que acentuam a sua materialidade.


153VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias E.O. Aprendizagem 1. Não caracteriza a estética parnasiana: a) a oposição aos românticos e distanciamento das preocupações sociais dos realistas. b) a objetividade advinda do espírito cientificista, e o culto da forma. c) a obsessão pelo adorno e contenção lírica. d) a perfeição formal na rima, no ritmo, no metro e volta aos motivos clássicos. e) a exaltação do “eu” e fuga da realidade presente. 2. (Uff) A PÁTRIA Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste! Criança! não verás nenhum país como este! Olha que céu! que mar! que rios! que floresta! A Natureza, aqui, perpetuamente em festa, É um seio de mãe a transbordar carinhos. Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos, Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos! Vê que luz, que calor, que multidão de insetos! Vê que grande extensão de matas, onde impera Fecunda e luminosa, a eterna primavera! Boa terra! jamais negou a quem trabalha O pão que mata a fome, o teto que agasalha... Quem com o seu suor a fecunda e umedece, Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece! Criança! não verás país nenhum como este: Imita na grandeza a terra em que nasceste! (OLAVO BILAC) As estéticas literárias, embora costumem ser datadas nos livros didáticos com início e término pós-determinados, não se deixam aprisionar pela rigidez cronológica. Assinale o comentário adequado em relação à expressão estética do poema “A Pátria” de Olavo Bilac (1865-1918). a) O poema transcende a estética parnasiana ao tratar a temática da exaltação da terra, segundo a estética romântica. b) O poema exemplifica os preceitos da estética parnasiana e valoriza a forma na expressão comedida do sentimento nacional. c) O poema se antecipa ao discurso crítico da identidade nacional - tema central da estética modernista. d) O poema se insere nas fronteiras rígidas da estética parnasiana, dando ênfase à permanência do ideário estético, no eixo temporal das escolas literárias., 16 e 17 e) O poema reflete os valores essenciais e perenes da realidade, distanciando-se de um compromisso com a afirmação da nacionalidade. 3. (Ufsm) Observe as afirmativas a seguir: I. Nos sonetos de VIA LÁCTEA, há relevância do amor sensual, vivido com exaltação. II. Sua poesia caracteriza-se pela eloquência e pelo apuro formal. III. Em composições, como “As pombas”, é admirado pelas combinações semânticas e musicais dos versos. Refere(m)-se a Olavo Bilac a) apenas I. b) apenas II. c) apenas III. d) apenas I e II. e) apenas II e III. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Leia os versos de Olavo Bilac e responda Não se mostre na fábrica o suplício Do mestre. E, natural, o efeito agrade, Sem lembrar os andaimes do edifício: Porque a Beleza, gêmea da Verdade, Arte pura, inimiga do artifício, É a força e a graça na simplicidade. 4. Olavo Bilac e Alberto de Oliveira representam um estilo de época de acordo com o qual: a) o valor estético deve resultar da linguagem subjetiva e espontânea que brota diretamente das emoções. b) a forma literária não pode afastar-se das tradições e das crenças populares, sem as quais não se enraíza culturalmente. c) a poesia deve sustentar-se enquanto forma bem lapidada, cuja matéria-prima é um vocabulário raro, numa sintaxe elaborada. d) devem ser rejeitados os valores do antigo classicismo, em nome da busca de formas renovadas de expressão. e) os versos devem fluir segundo o ritmo irregular das impressões, para melhor atender ao ímpeto da inspiração. PARNASIANISMO E SIMBOLISMO COMPETÊNCIA(s) 5 HABILIDADE(s) 15, 16 e 17 LC AULAS 25 E 26


154VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO SONETO PARNASIANO E ACRÓSTICO EM LOUVOR DE HELENA OLIVEIRA “Houve na Grécia antiga uma beleza rara (Em versos de ouro o grande Homero celebrou-a), Linda mais do que a mente humana imaginara, E cuja fama sem rival inda ressoa. Não a compararei porém (quem a compara?) À que celebro aqui: a outra não era boa. O esplendor da beleza é sol que só me aclara Luzindo sob o véu do pudor que afeiçoa. Inspiremo-nos, pois, não na Helena de Tróia, Versátil coração, frio como uma joia, Em cujo lume ardeu uma cidade inteira. Inspiremo-nos, sim, de uma Helena mais pura. Ronsard mostrou na sua uma flor de ternura: A mesma flor que orna esta Helena brasileira.” (Manuel Bandeira) 5. (Fatec) Apesar de ser modernista, Bandeira chama de parnasiano o seu poema porque: I. sua forma, o soneto metrificado com rimas ricas, caracteriza a poesia tipicamente parnasiana. II. na sua descrição de Helena de Tróia e de Helena de Oliveira não há espaço para as apreciações subjetivas características da poesia romântica que precedeu o parnasianismo. III. em seu elogio a Helena retoma uma personagem da antiguidade clássica, evitando tratar da mulher comum. Quanto a essas afirmações, deve-se concluir que apenas: a) I e II estão corretas. b) I e III estão corretas. c) II e III estão corretas. d) II está correta. e) I está correta. 6. (UFRRJ) Leia o fragmento a seguir do poema “Evocações” de Alphonsus de Guimaraens: “Na primavera que era a derradeira, Mãos estendidas a pedir esmola Da estrada fui postar-me à beira. Brilhava o sol e o arco-íris era a estola Maravilhosamente no ar suspensa” Como se sabe, Alphonsus de Guimaraens é tido como um dos mais importantes representantes do Simbolismo no Brasil. No fragmento acima, pode-se destacar a seguinte característica da escola à qual pertence: a) bucolismo, que se caracteriza pela participação ativa da natureza nas ações narradas. b) intensa movimentação e alta tensão dramática. c) concretismo e realismo nas descrições. d) foco no instante, na cena particular e na impressão que causa. e) tom poético melancólico, apresentando a natureza como cúmplice na tristeza. 7. (ITA) Leia os seguintes versos: Mais claro e fino do que as finas pratas O som da tua voz deliciava... Na dolência velada das sonatas Como um perfume a tudo perfumava. Era um som feito luz, eram volatas Em lânguida espiral que iluminava, Brancas sonoridades de cascatas... Tanta harmonia melancolizava. (SOUZA, CRUZ E. “CRISTAIS”, IN “OBRAS COMPLETAS.” RIO DE JANEIRO: NOVA AGUILAR, 1995, P. 86.) Assinale a alternativa que reúne as características simbolistas presentes no texto: a) Sinestesia, aliteração, sugestão. b) Clareza, perfeição formal, objetividade. c) Aliteração, objetividade, ritmo constante. d) Perfeição formal, clareza, sinestesia. e) Perfeição formal, objetividade, sinestesia. 8. Leia os seguintes versos: Para as Estrelas de cristais gelados As ânsias e os desejos vão subindo, Galgando azuis e siderais noivados De nuvens brancas a amplidão vestindo... (CRUZ E SOUSA) Assinale a opção em que expresse incorretamente a análise do poema: a) As “nuvens brancas” mencionadas sugerem as vestes tradicionais de noiva. b) A aliteração do /s/ em “As ânsias e os desejos vão subindo” produz cacofonia. c) Os “cristais gelados” estão de acordo com a frialdade do espaço sideral. d) As “Estrelas”, com maiúscula alegorizante, podem significar uma dimensão humana superior. e) Galgar “azuis e siderais noivados” é imagem que remete ao anseio de atingir um mundo espiritual. 9. Leia a estrofe que segue e assinale a alternativa correta, quanto às suas características. “Visões, salmos e cânticos serenos Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes... Dormências de volúpicos venenos Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...” a) valorização da forma como expressão do belo e a busca pela palavra mais rara . b) linguagem rebuscada, jogos de palavras e jogos de imagens, característica do cultismo. c) incidência de sons consonantais (aliterações) explorando o caráter melódico da linguagem . d) pessimismo da segunda geração romântica, marcada por vocábulos que aludem a uma existência mais depressiva. e) lírica amorosa marcada pela sensualidade explícita que substitui as virgens inacessíveis por mulheres reais, lascivas e sedutoras.


155VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 10. (ITA) Leia com atenção as duas estrofes a seguir e compare-as quanto ao conteúdo e à forma. I “Mas que na forma se disfarce o emprego Do esforço; e a trama viva se construa De tal modo que a ninguém fique nua Rica mas sóbria, como um templo grego.” II “Do Sonho as mais azuis diafaneidades que fuljam, que na Estrofe se levantem e as emoções, todas as castidades Da alma do Verso, pelos versos cantem.” Comparando as duas estrofes, conclui-se que: a) I é parnasiana e II, simbolista. b) I é simbolista e II, romântica. c) I é árcade e II, parnasiana. d) I e II são parnasianas. e) I e II são simbolistas. E.O. Fixação 1.(UNB) Vaso grego Esta, de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. Era o poeta de Teos que a suspendia Então e, ora repleta ora esvazada, A taça amiga aos dedos seus tinia Toda de roxas pétalas colmada. Depois... Mas o lavor da taça admira, Toca-a, e, do ouvido aproximando-a, às bordas Finas hás de lhe ouvir, canora e doce, Ignota voz, qual se da antiga lira Fosse a encantada música das cordas, Qual se essa a voz de Anacreonte fosse. Alberto De Oliveira. Poesias Completas. In: Crítica. Marco Aurélio De Mello Reis. Rio De Janeiro: Eduerj, 197, P.144. A partir da leitura do soneto Vaso grego, assinale a opção correta a respeito do tratamento estético conferido aos mitos antigos pela poética parnasiana. a) A recorrência a temas mitológicos atraía o leitor comum e amenizava os efeitos de distanciamento impostos a ele pelo rebuscamento da linguagem parnasiana. b) Os mitos antigos são atualizados na poesia parnasiana e recebem um significado poético novo, que promove a ruptura efetiva com o passado e a tradição mítica. c) O tratamento estético dos mitos gregos na poesia parnasiana aproxima o antigo mundo mitológico dos problemas imediatos e concretos da vida social brasileira. d) A presença de elementos da arte e da mitologia gregas no soneto apresentado está de acordo com uma máxima do Parnasianismo: a arte pela arte. 2. (UFRGS) Com relação ao Parnasianismo, são feitas as seguintes afirmações. I. Pode ser considerado um movimento anti-romântico pelo fato de retomar muitos aspectos do racionalismo clássico. II. Apresenta características que contrastam com o esteticismo e o culto da forma. III. Definiu-se, no Brasil, com o livro “Poesias”, de Olavo Bilac, publicado em 1888. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) I, II e III. 3. (UFU) Leia o trecho seguinte, de “Triste fim de Policarpo Quaresma”, que reproduz um diálogo de Ricardo Coração dos Outros com Quaresma e D. Adelaide. “- Oh! Não tenho nada novo, uma composição minha. O Bilac - conhecem? - quis fazer-me uma modinha, eu não aceitei; você não entende de violão, Seu Bilac. A questão não está em escrever uns versos certos que digam coisas bonitas; o essencial é achar- -se as palavras que o violão pede e deseja. (...) - (...) vou cantar a Promessa, conhecem? - Não - disseram os dois irmãos. - Oh! Anda por aí como as “Pombas” do Raimundo.” Lima Barreto. “Triste Fim De Policarpo Quaresma”. Parta do trecho lido para marcar a alternativa INCORRETA. a) Olavo Bilac e Raimundo Correia deram vazão à sensibilidade pessoal, evitando como compromisso único o esmero técnico e produziram uma poesia lírica amorosa e sensual (Olavo Bilac), marcada por uma certa inquietação filosófica (Raimundo Correia). b) Bilac (Olavo Bilac), Raimundo (Raimundo Correia) e Alberto de Oliveira formaram a “tríade parnasiana” da literatura brasileira, escrevendo uma poesia de grande qualidade técnica, que concebia a atividade poética como a habilidade no manejo do verso. c) O Parnasianismo, pela supervalorização da linguagem preciosa, pela busca da palavra exata, do emprego da rima rica e da métrica perfeita, foi um estilo literário de curta duração que se restringiu à elite literária do Rio de Janeiro. d) Assim como Ricardo, que deseja “a palavra que o violão pede”, Lima Barreto acreditava que a linguagem literária clássica, formal, não era adequada para o tipo de literatura que produzia: marcada pela visão crítica, pela objetividade da denúncia, pela simplicidade comunicativa. 4. (Ufpe) O Arcadismo (no século XVIII) e o Parnasianismo (em fins do século XIX) apresentam, em sua caracterização, pontos em comum. São eles: a) bucolismo e busca da simplicidade de expressão. b) amor galante e temas pastoris. c) ausência de subjetividade e presença da temática e da mitologia greco-latina.


156VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias d) preferência pelas formas poéticas fixas, como o soneto, e pelas rimas ricas. e) a arte pela arte e o retorno à natureza. 5. (FGV) Assinale a alternativa correta a respeito do Parnasianismo: a) A inspiração é mais importante que a técnica. b) Culto da forma: rigor quanto às regras de versificação, ao ritmo, às rimas ricas ou raras. c) O nome do movimento vem de um poema de Raimundo Correia. d) Sua poesia é marcada pelo sentimentalismo. e) No Brasil, o Parnasianismo conviveu com o Barroco. 6. (PUC-RS) Na esteira da busca ________, o Parnasianismo tende ao ________. Dessa forma, ________ a possibilidade de vínculo com a realidade. a) da impessoalidade / dogmatismo / estabelece. b) da perfeição formal / esteticismo / rejeita. c) da perfeição formal / ilogismo / estabelece. d) do psicologismo / ilogismo / refuta. e) da impassibilidade / descritivismo / recupera. 7. (UFPA) “CREPUSCULAR” Há no ambiente um murmúrio de queixume, De desejos de amor, dais comprimidos... Uma ternura esparsa de balidos, Sente-se esmorecer como um perfume. As madressilvas murcham nos silvados E o aroma que exalam pelo espaço, Tem delíquios de gozo e de cansaço, Nervosos, femininos, delicados. Sentem-se espasmos, agonias dave, Inapreensíveis, mínimas, serenas... Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas, O meu olhar no teu olhar suave. As tuas mãos tão brancas danemia... Os teus olhos tão meigos de tristeza... É este enlanguescer da natureza, Este vago sofrer do fim do dia. Camilo Pessanha é considerado o expoente máximo da poesia simbolista portuguesa. Os seus versos reúnem o que há de mais marcante nesse estilo de época por traduzirem sugestões, imagens visuais, sonoras e estados de alma, além de notória ausência de elementos que se detenham em descrição ou em referência objetiva. É correto afirmar que os versos do soneto “Crepuscular” transcritos nas opções, a seguir, traduzem as considerações postas nesses comentários, com exceção de: a) “Uma ternura esparsa de balidos,” b) “As madressilvas murcham nos silvados” c) “É este enlanguescer da natureza,” d) “Há no ambiente um murmúrio de queixume,” e) “Este vago sofrer do fim do dia.” 8. (UEPA) Respirando os ares da modernidade literária, a estética simbolista revela-se uma reação artística à referencialidade que violentamente restringe a palavra poética ao mundo das coisas e conceitos. No intuito de libertar a linguagem poética, o Simbolismo explora diversos recursos sensoriais a fim de sugerir mistérios. Simbolista, Alphonsus de Guimaraens escreve muitos textos que apelam para o símbolo visual, a imagem, carregado de insinuações de misticismo e morte. Marque a alternativa cujos versos se relacionam ao comentário acima. a) Queimando a carne como brasas, Venham as tentações daninhas, Que eu lhes porei, bem sob as asas, A alma cheia de ladainhas. b) Quando Ismália enlouqueceu, Pôs-se na torre a sonhar... Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar. c) Encontrei-te. Era o mês... Que importa o mês? agosto, Setembro, outubro, maio, abril, janeiro ou março, Brilhasse o luar, que importa? ou fosse o sol já posto, No teu olhar todo o meu sonho andava esparso. d) Lua eterna que não tiveste fases, Cintilas branca, imaculada brilhas, E poeiras de astros nas sandálias trazes... e) Venham as aves agoireiras, De risada que esfria os ossos... Minh’alma, cheia de caveiras, Está branca de padre-nossos. 9. (UESC) Ah! lilásis de Ângelus harmoniosos, Neblinas vesperais, crepusculares, Guslas gementes, bandolins saudosos, Plangências magoadíssimas dos ares... Serenidades etereais d‘incensos, De salmos evangélicos, sagrados, Saltérios, harpas dos Azuis imensos, Névoas de céus espiritualizados. [...] É nas horas dos Ângelus, nas horas Do claro-escuro emocional aéreo, Que surges, Flor do Sol, entre as sonoras Ondulações e brumas do Mistério. [...] Apareces por sonhos neblinantes Com requintes de graça e nervosismos, fulgores flavos de festins flamantes, como a Estrela Polar dos Simbolismos. Cruz E Sousa, João Da. Broquéis. Obra Completa. Rio De Janeiro: Nova Aguilar, 1995. P. 90.


157VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Marque V ou F, conforme sejam as afirmativas verdadeiras ou falsas. Os versos de Cruz e Sousa traduzem a estética simbolista, pois apresentam ( ) descrição sintética do mundo imediato. ( ) uso de recursos estilísticos criando imagens sensoriais. ( ) enfoque de uma realidade transfigurada pelo transcendente. ( ) apreensão de um dado da realidade sugestivamente ambígua. ( ) imagens poéticas que tematizam o amor em sua dimensão física. A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a: a) F V V V F d) V F V F F b) V F F V F e) V F V F V c) V F V V F TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Leia o poema de Camilo Pessanha para responder à questão a seguir. INTERROGAÇÃO Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar, Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo; E apesar disso, crês? nunca pensei num lar Onde fosses feliz, e eu feliz contigo. Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito. E nunca te escrevi nenhuns versos românticos. Nem depois de acordar te procurei no leito, Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos. Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo A tua cor sadia, o teu sorriso terno... Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso Que me penetra bem, como este sol de Inverno. Passo contigo a tarde e sempre sem receio Da luz crepuscular, que enerva, que provoca. Eu não demoro o olhar na curva do teu seio Nem me lembrei jamais de te beijar na boca. Eu não sei se é amor. Será talvez começo. Eu não sei que mudança a minha alma pressente... Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço, Que adoecia talvez de te saber doente. (Pessanha, Camilo. Clepsidra. São Paulo: Núcleo, 1989.) 10. (Fatec) No poema, o eu lírico demonstra que a) apresenta uma atração explicitamente física e carnal pela pessoa citada. b) possui plena antipatia por versos românticos, pois a razão realista é o que o move. c) resiste à mudança que sua alma imagina, pois ele não dá espaço para sentimentos. d) procura abrigo quando já está curado, pensando em não ser um devedor à pessoa amada. e) possui várias dúvidas a respeito de seu sentimento, o qual apresenta uma série de contradições. E.O. Complementar 1. (Ufrgs) Os parnasianos, na virada do século, notabilizaram-se por: a) elaborarem poemas de métrica rigorosa nos quais a impessoalidade do sujeito lírico permitia a perspectiva filosofante e a visada descritiva. b) denunciarem o autoritarismo da República Velha e as más condições de vida da maioria da população da cidade do Rio de Janeiro. c) revelarem perícia na elaboração de poemas de quatro a seis versos cujos temas principais eram o amor não correspondido e as características da natureza nacional. d) escreverem longos poemas narrativos em verso livre misturando mitos greco-latinos e o cotidiano das modernas metrópoles. e) recusarem-se a participar da vida política no início da República e por retomarem a lírica religiosa de tradição renascentista e barroca. 2. (UFV) Leia as seguintes observações sobre a estética parnasiana: I. O poeta parnasiano pretende ser um artesão, um ourives que molda friamente o seu verso. Tal atitude de objetividade levou-o a preferir temas distantes no tempo. No aspecto formal, sua meta era a perfeição, tendo sido o soneto a forma de composição predominante. II. O Parnasianismo legou-nos, em sua produção em poesia e prosa, obras cuja temática é sentimental e amorosa. A mulher surge como a Musa inspiradora de versos ternos e afetivos, em meio à paisagem brasileira com sua natureza típica e exuberante. III. No Parnasianismo, a atitude de contenção emotiva do poeta e a busca obsessiva da perfeição na métrica e nas rimas era tal, que em um poema do modernista Manuel Bandeira, este fora comparado ao “sapo tanoeiro”, numa crítica à “arte pela arte”. Assinale agora a alternativa CORRETA: a) Apenas a afirmativa I é verdadeira. b) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras. c) Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras. d) Apenas a afirmativa II é verdadeira. e) Apenas a afirmativa III é verdadeira. 3. (Ufal) As afirmações seguintes referem-se ao Parnasianismo no Brasil: I. Para bem definir como entendia o trabalho de um poeta, Olavo Bilac comparou-o ao de um joalheiro, ou seja: escrever poesia assemelha-se à perfeita lapidação de uma matéria preciosa. II. Pelas convicções que lhe são próprias, esse movimento se distancia da espontaneidade e do sentimentalismo que muitos românticos valorizavam. III. Por se identificarem com os ideais da antiguidade clássica, é comum que os poetas mais representativos desse estilo aludam aos mitos daquela época.


158VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias Está correto o que se afirma em a) II, apenas. d) II e III, apenas. b) I e II, apenas e) I, II e III c) I e III, apenas 4. (UFV) Considere as alternativas abaixo, relativas ao Simbolismo: I. No plano temático, o Simbolismo foi marcado pelo mistério e pela inquietação mística com problemas transcendentais do homem. No plano formal, caracterizou-se pela musicalidade e certa quebra no ritmo do verso, precursora do verso livre do modernismo. II. O Simbolismo, surgido contemporaneamente ao materialismo cientificista, enquanto atitude de espírito, passou ao largo dos maiores problemas da vida nacional. Já a literatura realista-naturalista acompanhou fielmente os modos de pensar das gerações que fizeram e viveram a Primeira República. III. O Simbolismo, com Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens, nossos maiores poetas do período, legou-nos uma produção poética que se caracterizou pela busca da “arte em arte”, isto é, uma preocupação com o verso artesanal, friamente moldado. Devido a essa tendência à objetividade na composição, o movimento também se denominou “decadentista”. Assinale a alternativa CORRETA: a) I é falsa; II e III verdadeiras. b) I, II e III são verdadeiras. c) I é verdadeira; II e III, falsas. d) I e II são verdadeiras: III é falsa. e) I e III são falsas; II, verdadeira. 5. (UFG) Leia o poema de Cruz e Sousa. ACROBATA DA DOR Gargalha, ri, num riso de tormenta, Como um palhaço, que desengonçado, Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado De uma ironia e de uma dor violenta. Da gargalhada atroz, sanguinolenta, Agita os guizos, e convulsionado Salta, “gavroche”, salta, “clown”, varado Pelo estertor dessa agonia lenta... Pedem-te bis e um bis não se despreza! Vamos! retesa os músculos, retesa Nessas macabras piruetas d’aço... E embora caias sobre o chão, fremente, Afogado em teu sangue estuoso e quente, Ri! Coração, tristíssimo palhaço. Sousa, Cruz E. “Broquéis, Faróis E Últimos Sonetos”. 2a. Ed. Reform., São Paulo: Ediouro, 2002. P. 39-40. (Coleção Super Prestígio). Vocabulário: “gavroche”: garoto de rua que brinca, faz estripulias “clown”: palhaço estertor: respiração rouca típica dos doentes terminais estuoso: que ferve, que jorra Uma característica simbolista do poema apresentado é a: a) linguagem denotativa na composição poética. b) biografia do poeta aplicada à ótica analítica. c) perspectiva fatalista da condição amorosa. d) exploração de recursos musicais e figurativos. e) presença de estrangeirismos e de barbarismos E.O. Dissertativo TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO O ASSINALADO Tu és o louco da imortal loucura, o louco da loucura mais suprema. A terra é sempre a tua negra algema, prende-te nela a extrema Desventura. Mas essa mesma algema de amargura, mas essa mesma Desventura extrema faz que tu’alma suplicando gema e rebente em estrelas de ternura. Tu és Poeta, o grande Assinalado que povoas o mundo despovoado, de belezas eternas, pouco a pouco. Na Natureza prodigiosa e rica toda a audácia dos nervos justifica os teus espasmos imortais de louco! (Sousa, Cruz E. Poesia Completa. Florianópolis: Fundação Catarinense De Cultura, 1981. P. 135) 1. (UFRJ) O título do texto – “O ASSINALADO” – remete a uma concepção de poeta que se associa, a um só tempo, às correntes estéticas do Simbolismo e do Romantismo. Apresente essa concepção. 2. (UFG) Leia os fragmentos do poema “Violões que choram...”, de Cruz e Sousa. [..] Vozes veladas, veludosas vozes, Volúpias dos violões, vozes veladas, Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas. [...] Velhinhas quedas e velhinhos quedos, Cegas, cegos, velhinhas e velhinhos, Sepulcros vivos de senis segredos, Eternamente a caminhar sozinhos; [...] Sousa, Cruz E. “Broquéis, Faróis E Últimos Sonetos”. 2a Ed. Reformulada. São Paulo: Ediouro, 2002. P. 78 E 81. (Coleção Super Prestígio). Com base na leitura desses fragmentos, explicite a figura de linguagem predominante nas estrofes e explique sua função na estética simbolista.


159VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA AS PRÓXIMAS QUATRO QUESTÕES AS VELHAS ÁRVORES “Olha estas velhas árvores, - mais belas, Do que as árvores moças, mais amigas, Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procelas... O homem, a fera e o inseto à sombra delas Vivem livres de fomes e fadigas; E em seus galhos abrigam-se as cantigas, E alegria das aves tagarelas... Não choremos jamais a mocidade! Envelheçamos rindo! Envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem, Na glória da alegria e da bondade, Agasalhando os pássaros nos ramos, Dando sombra e consolo aos que padecem!” Bilac, Olavo. Obra Reunida, Rio De Janeiro: Nova Aguilar, 1996, P. 336. 3. (UFRRJ) Quanto à forma, destaque uma característica do Parnasianismo presente no poema. 4. (UFRRJ) Do ponto de vista da temática abordada, o que se pode afirmar do Parnasiansismo? 5. (UFRRJ) a) Identifique a comparação feita pelo autor. b) Destaque as passagens onde o autor empresta às árvores características humanas. 6. (UFRRJ) Quem é o interlocutor do poema? Cite uma marca gramatical que comprove quem é esse interlocutor. E.O. Enem TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES Epígrafe* Murmúrio de água na clepsidra** gotejante, Lentas gotas de som no relógio da torre, Fio de areia na ampulheta vigilante, Leve sombra azulando a pedra do quadrante*** Assim se escoa a hora, assim se vive e morre... Homem, que fazes tu? Para que tanta lida, Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça? Procuremos somente a Beleza, que a vida É um punhado infantil de areia ressequida, Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa... (Eugênio De Castro. “Antologia Pessoal Da Poesia Portuguesa”) (*) Epígrafe: inscrição colocada no ponto mais alto; tema. (**) Clepsidra: relógio de água. (***) Pedra do quadrante: parte superior de um relógio de sol. 1. (Enem) A imagem contida em “lentas gotas de som” (verso 2) é retomada na segunda estrofe por meio da expressão: a) tanta ameaça. b) som de bronze. c) punhado de areia. d) sombra que passa. e) somente a Beleza. 2. (Enem) Neste poema, o que leva o poeta a questionar determinadas ações humanas (versos 6 e 7) é a: a) infantilidade do ser humano. b) destruição da natureza. c) exaltação da violência. d) inutilidade do trabalho. e) brevidade da vida. E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. (Unifesp) Essa poesia não logrou estabelecer-se em Portugal. De origem francesa, suas primeiras manifestações datam de 1866, quando um editor parisiense publica uma coletânea de poemas; em 1871 e 1876, saem outras duas coletâneas. Os poetas desse movimento literário pregam o princípio da Arte pela Arte, isto é, defendem uma arte que não sirva a nada e a ninguém, uma arte inútil, uma arte voltada para si própria. A Arte procuraria a Beleza e a Verdade que existiriam nos seres concretos, e não no sentimento do artista. Por isso, o belo se confundiria com a forma que o reveste, e não com algo que existiria dentro dele. Daí vem que esses poetas sejam formalistas e preguem o cuidado da forma artística como exigência preliminar. Para consegui-lo, defendem uma atitude de impassibilidade diante das coisas: não se emocionar jamais; antes, impessoalizar-se tanto quanto possível pela descrição dos objetos, via de regra inertes ou obedientes aos movimentos próprios da Natureza (o fluxo e refluxo das ondas do mar, o voo dos pássaros, etc.). Esteticistas, anseiam uma arte universalista. Em Portugal, tentou-se introduzir esse movimento; certamente, impregnou alguns poetas, exerceu influência, mas não passou de prurido, que pouco alterou o ritmo literário do tempo. Na verdade, o modo fortuito como alguns se deixaram contaminar da nova moda poética revelava apenas veleidade francófila, em decorrência de razões de gosto pessoal ou de grupos restritos: faltou-lhes intuito comum. (Massaud Moisés. A Literatura Portuguesa, 1999. Adaptado.) As informações apresentadas no texto referem-se à literatura: a) simbolista, cuja busca pelo Belo implicou a liberdade na expressão dos sentimentos. O texto deixa claro que essa literatura alcançou notável aceitação entre os poetas da época. b) simbolista, cuja preocupação com a expressão do sentimento filia-se à tradição poética do Renascimento. O texto deixa claro que essa literatura teve um desenvolvimento tímido na cena literária portuguesa.


160VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias c) parnasiana, cuja preocupação com a objetividade a opõe ao subjetivismo romântico. O texto deixa claro que essa literatura não se impôs na cena literária portuguesa. d) parnasiana, cuja liberdade de expressão e cujo compromisso social permitem fundamentar a Arte pela Arte. O texto deixa claro que essa literatura teve pouco espaço na cena literária portuguesa. e) realista, cuja influência da tradição clássica é fundamental para se chegar à perfeição. O texto deixa claro que essa literatura teve uma disseminação irregular na cena literária portuguesa. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES Leia os versos de Olavo Bilac e responda. Não se mostre na fábrica o suplício Do mestre. E, natural, o efeito agrade, Sem lembrar os andaimes do edifício: Porque a Beleza, gêmea da Verdade, Arte pura, inimiga do artifício, É a força e a graça na simplicidade 2. (Unifesp) Os versos denunciam a) vocabulário simples e pouca preocupação com as qualidades técnicas do poema, já que as sugestões sonoras não estão neles presentes. b) emoção expressa racionalmente, embora seja bastante evidente o caráter subjetivo na construção das imagens. c) a busca da perfeição na expressão, visando ao universalismo, como exemplificam os termos Beleza e Verdade, grafados com maiúsculas. d) o afastamento da realidade social, decorrente de uma visão idealizada do mundo, descrito por metáforas pouco objetivas. e) a forma de expressão pouco idealizada, resultante de uma concepção de mundo marcada pela complexidade que, nos versos, se manifesta em vocabulário seleto. 3. (Unifesp) Nos versos, apresenta-se uma concepção de arte baseada _________, própria dos poetas _________. Na frase, os espaços devem ser preenchidos por a) na expressão dos sentimentos ... românticos. b) na sugestão de sons e imagens ... parnasianos. c) na contestação dos valores sociais ... simbolistas. d) no extremo rigor formal ... parnasianos. e) na expressão dos conflitos humanos ... simbolistas. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Arte suprema Tal como Pigmalião, a minha ideia Visto na pedra: talho-a, domo-a, bato-a; E ante os meus olhos e a vaidade fátua Surge, formosa e nua, Galateia. Mais um retoque, uns golpes... e remato-a; Digo-lhe: “Fala!”, ao ver em cada veia Sangue rubro, que a cora e aformoseia... E a estatua não falou, porque era estatua. Bem haja o verso, em cuja enorme escala Falam todas as vozes do universo, E ao qual também arte nenhuma iguala: Quer mesquinho e sem cor, quer amplo e terso, Em vão não e que eu digo ao verso: “Fala!” E ele fala-me sempre, porque e verso. (Júlio César Da Silva. Arte De Amar. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1961.) 4. (Unesp) O soneto Arte suprema apresenta as características comuns da poesia parnasiana. Assinale a alternativa em que as características descritas se referem ao parnasianismo. a) Busca da objetividade, preocupação acentuada com o apuro formal, com a rima, o ritmo, a escolha dos vocábulos, a composição e a técnica do poema. b) Tendência para a humanização do sobrenatural, com a oposição entre o homem voltado para Deus e o homem voltado para a terra. c) Poesia caracterizada pelo escapismo, ou seja, pela fuga do mundo real para um mundo ideal caracterizado pelo sonho, pela solidão, pelas emoções pessoais. d) Predomínio dos sentimentos sobre a razão, gosto pelas ruínas e pela atmosfera de mistério. e) Poesia impregnada de religiosidade e que faz uso recorrente de sinestesias. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES Leia o poema do português Eugênio de Castro (1869- 1944) para responder às questões a seguir. MÃOS Mãos de veludo, mãos de mártir e de santa, o vosso gesto é como um balouçar de palma; o vosso gesto chora, o vosso gesto geme, o [vosso gesto canta! Mãos de veludo, mãos de mártir e de santa, rolas à volta da negra torre da minh’alma. Pálidas mãos, que sois como dois lírios doentes, Caridosas Irmãs do hospício da minh’alma, O vosso gesto é como um balouçar de palma, Pálidas mãos, que sois como dois lírios doentes... Mãos afiladas, mãos de insigne formosura, Mãos de pérola, mãos cor de velho marfim, Sois dois lenços, ao longe, acenando por mim, Duas velas à flor duma baía escura. Mimo de carne, mãos magrinhas e graciosas, Dos meus sonhos de amor, quentes e brandos ninhos, Divinas mãos que me heis coroado de espinhos, Mas que depois me haveis coroado de rosas! Afilhadas do luar, mãos de rainha, Mãos que sois um perpétuo amanhecer, Alegrai, como dois netinhos, o viver Da minha alma, velha avó entrevadinha. (Obras Poéticas, 1968.)


161VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 5. (Unesp) “Alegrai, como dois netinhos, o viver / Da minha alma, velha avó entrevadinha.” Considerados em seu contexto, tais versos a) reforçam o modo negativo como o eu lírico enxerga a si mesmo. b) evidenciam o ressentimento do eu lírico contra os familiares. c) assinalam uma reaproximação do eu lírico com a própria família. d) atestam o esforço do eu lírico de se afastar da imagem obsessiva das mãos. e) reafirmam o otimismo manifestado pelo eu lírico ao longo do poema. 6. (Unesp) A musicalidade, as reiterações, as aliterações e a profusão de imagens e metáforas são algumas características formais do poema, que apontam para sua filiação ao movimento a) romântico. b) modernista. c) parnasiano. d) simbolista. e) neoclássico. 7. (Unesp) Indique o verso cuja imagem significa “trazer sofrimentos, padecimentos”. a) “O vosso gesto é como um balouçar de palma,” b) “Divinas mãos que me heis coroado de espinhos,” c) “Duas velas à flor duma baía escura.” d) “Mãos de pérola, mãos cor de velho marfim,” e) “Sois dois lenços, ao longe, acenando por mim,” 8. (Unesp) Na última estrofe do poema, os termos “Afilhadas do luar”, “mãos de rainha” e “Mãos que sois um perpétuo amanhecer” funcionam, no período de que fazem parte, como a) orações intercaladas. b) apostos. c) adjuntos adverbiais. d) vocativos. e) complementos nominais. E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) TEXTOS PARA AS PRÓXIMAS TRÊS QUESTÕES TERCETOS Olavo Bilac Noite ainda, quando ela me pedia Entre dois beijos que me fosse embora, Eu, com os olhos em lágrimas, dizia: “Espera ao menos que desponte a aurora! Tua alcova é cheirosa como um ninho... E olha que escuridão há lá fora! Como queres que eu vá, triste e sozinho, Casando a treva e o frio de meu peito! Ao frio e à treva que há pelo caminho?! Ouves? é o vento! é um temporal desfeito! Não me arrojes à chuva e à tempestade! Não me exiles do vale do teu leito! Morrerei de aflição e de saudade... Espera! até que o dia resplandeça, Aquece-me com a tua mocidade! Sobre o teu colo deixa-me a cabeça Repousar, como há pouco repousava... Espera um pouco! deixa que amanheça!” - E ela abria-me os braços. E eu ficava. (In: Bilac, Olavo. Alma Inquieta, Poesias. 13ª Ed. São Paulo: Livr. Francisco Alves, 1928, Pp. 171-72) ELA DISSE-ME ASSIM Lupicínio Rodrigues. Ela disse-me assim Tenha pena de mim, vá embora! Vais me prejudicar Ele pode chegar, está na hora! E eu não tinha motivo nenhum Para me recusar, Mas aos beijos caí em seus braços E pedi pra ficar. Sabe o que se passou Ele nos encontrou, e agora? Ela sofre somente porque Foi fazer o que eu quis. E o remorso está me torturando Por ter feito a loucura que fiz. Por um simples prazer, fui fazer Meu amor infeliz. (Samba-Canção Gravado Por José Bispo Dos Santos, O Jamelão. Continental, 1959.) 1. (Unesp) Embora seja considerado um dos mais típicos representantes do Parnasianismo brasileiro, cuja estética defendeu explicitamente no célebre poema “Profissão de Fé”, Olavo Bilac revela em boa parcela de seus poemas alguns ingredientes que o afastam da rigidez característica da escola parnasiana e o aproximam da romântica. Partindo desta consideração: Identifique duas características formais do poema de Bilac que sejam tipicamente parnasianas. 2. (Unesp) Aponte um aspecto do mesmo poema que o aproxima da estética romântica. 3. (Unesp) O que pode ser afirmado sobre o texto de Lupicínio Rodrigues que o descreveria distante da estética parnasiana?


162VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias TEXTO PARA AS PRÓXIMAS DUAS QUESTÕES As questões a seguir tomam por base um texto do poeta simbolista brasileiro Alphonsus de Guimaraens (1870-1921). ERAS A SOMBRA DO POENTE Eras a sombra do poente Em calmarias bem calmas; E no ermo agreste, silente, Palmeira cheia de palmas. Eras a canção de outrora, Por entre nuvens de prece; Palidez que ao longe cora E beijo que aos lábios desce. Eras a harmonia esparsa Em violas e violoncelos: E como um voo de garça Em solitários castelos. Eras tudo, tudo quanto De suave esperança existe; Manto dos pobres e manto Com que as chagas me cobriste. Eras o Cordeiro, a Pomba, A crença que o amor renova... És agora a cruz que tomba À beira da tua cova. (“Pastoral aos crentes do amor e da morte”, 1923. In: guimaraens, alphonsus de. Poesias - i. Rio De janeiro: org. Simões, 1955, p. 284.) 4. (Unesp) O texto em pauta, de Alphonsus de Guimaraens, apresenta nítidas características do simbolismo literário brasileiro. Releia-o com atenção e, a seguir, a) aponte duas características tipicamente simbolistas do poema; b) com base em elementos do texto, comprove sua resposta. 5. (Unesp) A reiteração é um procedimento que, aplicado a diferentes níveis do discurso, permite ao poeta obter efeitos de musicalidade e ênfase semântica. Para tanto, o escritor pode reiterar fonemas (aliterações, assonâncias, rimas), vocábulos, versos, estrofes, ou, pelo processo denominado “paralelismo”, retomar mesmas estruturas sintáticas de frases, repetindo alguns elementos e fazendo variar outros. Tendo em vista estas observações, a) identifique no poema de Alphonsus um desses procedimentos. b) servindo-se de uma passagem do texto, demonstre oprocesso de reiteração que você identificou no item a. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Solar Encantado Só, dominando no alto a alpestre serrania, Entre alcantis, e ao pé de um rio majestoso, Dorme quedo na névoa o solar misterioso, Encerrado no horror de uma lenda sombria. Ouve-se à noite, em torno, um clamor lamentoso, Piam aves de agouro, estruge a ventania, E brilhando no chão por sobre a seiva fria, Correm chamas sutis de um fulgor nebuloso. Dentro um luxo funéreo. O silêncio por tudo... Apenas, alta noite, uma sombra de leve Agita-se a tremer nas trevas de veludo... Ouve-se, acaso, então, vaguíssimo suspiro, E na sala, espalhando um clarão cor de neve, Resvala como um sopro o vulto de um vampiro. (Silva, Vítor. Ln: Ramos, P.e. Da Silva. Poesia Parnasiana - Antologia. São Paulo: Melhoramentos, 1967, P. 245.) 6. (Unesp) Tendo em mente que Vítor Silva foi poeta parnasiano quando o Simbolismo ou Decadentismo já começava a ser exercitado em nosso país, e por isso recebeu algumas influências do novo movimento, leia o poema “Solar Encantado” e, em seguida, a) mencione duas características tipicamente parnasianas do poema; b) identifique elementos do poema que denunciam certa influência simbolista Gabarito E.O. Aprendizagem 1. E 2. A 3. D 4. C 5. E 6. D 7. A 8. B 9. C 10. A E.O. Fixação 1. D 2. C 3. C 4. C 5. B 6. B 7. B 8. E 9. A 10. E E.O. Complementar 1. A 2. C 3. E 4. D 5. D E.O. Dissertativo 1. A concepção de poeta que se refere ao Simbolismo e ao Romantismo é a de um ser divino, ou melhor dizendo, de um gênio, uma espécie de ser eleito entre outros com a capacidade de indicar à humanidade aquilo que não se percebe. 2. A principal figura de linguagem encontrada nos fragmentos do poema “Violões que choram...” de Cruz e Souza é a aliteração. Através dessa figura de linguagem, que repete as mesmas consoantes em todas as palavras, intensifica-se o caráter musical (fonético) dos versos, criando um efeito sugestivo daquilo que se descreve, típico dos poetas simbolistas. 3. Uma das características do Parnasianismo que aparece no poema é o culto à forma. Construído como um soneto, esse poema de Olavo Bilac apresenta versos decassílabos e rimas


163VOLUME 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias próprias, sendo que estas se constroem de maneiras diferentes nos quartetos e no tercetos. Nos quartetos, o primeiro verso rima com o quarto e o segundo rima com o terceiro, ambos na mesma estrofe. Já no caso dos tercetos, as rimas não estão na mesma estrofe. A rima encontrada no primeiro verso do primeiro terceto rima com o primeiro verso do segundo e, assim, sucessivamente, como acontece com o verso “Não choremos jamais a mocidade!”, do primeiro terceto, que rima com “Na glória da alegria e da bondade,” do segundo. 4. O Parnasianismo tinha como proposta estética retratar a “arte pela arte”, o que supunha trazer como temática a seus poemas o que tivesse relação com o que se considerava ser o Belo, entendido como o valor estético que uma determinada obra possui. Esse valor deveria ser buscado pelo trabalho com a linguagem através da forma do poema e também através da escolha dos temas a serem retratados. A escolha da Natureza como temática, a fim de fugir da realidade e dos problemas da vida, vinculando a ambição atrelada ao “ideal da torre de marfim”, mostra como o poema retratava temas considerados sublimes, ao invés de trazer temas cotidianos que poderiam fazer refletir sobre questões sociais. O culto à natureza foge ao social e, assim, atinge o ideal de beleza que os parnasianos tinham como principal desejo de busca. 5. a) O autor compara o envelhecimento das árvores com o envelhecimento das pessoas. b) Árvores moças, árvores amigas, árvores que consolam, árvores que têm sentimentos como os homens. 6. Primeiramente, o autor se dirige ao leitor somente. Depois, ele se inclui. Olha... (segunda pessoa) Não choremos... Envelheçamos... (primeira pessoa do plural) E.O. Enem 1. B 2. E E.O. Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. C 2. C 3. D 4. A 5. A 6. D 7. B 8. D E.O. Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 1. O rigor métrico do poema, que se compõe de decassílabos, e a rima encontrada ao final dos versos podem ser consideradas duas características do Parnasianismo que aparecem nesse poema de Olavo Bilac, já que essa estética literária, dentre outras características, prezava o culto à forma. 2. O poema de Olavo Bilac, ao retratar o amor de um eu-lírco por sua amada, utiliza versos carregados de sentimento e emoção. Ainda que haja diferenças entre a estética romântica e a presente no poema, a forma como o amor é retratado no poema de Olavo Bilac o aproxima do romantismo. 3. A canção de Lupicínio Rodrigues não se estrutura como soneto e não utiliza como métrica o verso decassílabo. Por essas duas características, percebemos que a canção se distancia da estética parnasiana, pois não possui rigor formal, além do tom coloquial que ela apresenta quando comparada ao poema de Olavo Bilac. 4. a) Musicalidade e misticismo religioso. b) Musicalidade: aliterações e assonâncias “Eras a sombra do poente”. Misticismo religioso: POMBA e CORDEIRO que são metáforas bíblicas. 5. a) Uma das figuras de linguagem que se encontra no poema é a anáfora, que consiste na repetição de uma mesma palavra ao início dos versos b) O processo da anáfora pode ser encontrado nos seguintes versos: “Eras a canção de outrora”/ “Eras a harmonia esparsa”/ “Eras tudo, tudo quanto”, nos quais vemos a palavra “eras” sendo reiterada ao início de cada verso, sugerindo os atributos da amada morta, chegando à sublimação mística da mulher que é relacionada com o “Cordeiro” e a “Pomba” 6. a) Características parnasianas: descritivismo minucioso (poesia-pintura); presença de rimas "ricas" ou antigramaticais ("serrania", substantivo/ "sombria", adjetivo/ "ventania", substantivo / "fria", adjetivo; "de leve", locução adverbial / "de neve", locução adjetiva); tentativa de "chave-de-ouro" para encerrar o soneto (ver o último verso) b) Elementos simbolistas: clima de mistério; imagens e sonoridade sugestivas, gosto do macabro.


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