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Carta do editor:<br><br>2024 definitivamente é o ano de mudança, é o ano de criar o novo, de pensar na transformação, mas não apenas no sentido prático e profissional da coisa. Talvez essa virada seja tempo de repensar o novo eu, é momento de se desprender das convicções antigas. Mas para poder pensar no que vem por aí, é preciso se apegar às raízes, pois quem somos é subproduto do que foi.<br><br>Até que ponto estou sendo totalmente e unicamente eu? Quanto do outro existe em mim? O quanto sou influenciado pelo meu espaço? Particularmente, eu não sou daqui (Cuiabá - Mato Grosso), mas nestes 7 anos em solo do Centro-Oeste, percebo o quanto de mim já se foi e o quanto o Pedro de agora também tem um pouco da baixada cuiabana.<br><br>Para mim, um erro mortal do povo deste lugar tão único é não entender a potência que existe neste espaço. Já morei em 4 estados, em 7 cidades, viajei por lugares incontáveis, vi todo tipo de gente, já tive todo tipo de conversa, mas jamais Cuiabá-MT saiu da minha cabeça. No dia a dia, talvez a gente se esqueça um pouco do quanto o calor excessivo, a chita, o siriri e cururu e o lambadão tornam esse chão tão único.<br><br>Retorno, 2024 definitivamente é o ano de mudança, mas não aquela de esquecer o tradicional, é tempo de abraçá-lo, de a partir dele criar o pós-contemporâneo, é tempo de conhecer a galera independente que está agitando a cena cultural, de ir assistir àquela apresentação na Edgar Vieira, mas não apenas passar e olhar por cima seguindo reto, olhe com atenção: O que existe de único naquela pessoa de pé performando? Qual história ela pode me contar?<br><br>E a mesma coisa segue para a cena de teatro, de companhia ou independente, para as exposições de arte, para a moda, o audiovisual. Acho que, no fim, este ano é tempo de sair da zona de conforto e conhecer mais sobre o que os artistas daqui têm de novo para nos mostrar.

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Published by TheAvantGarde, 2024-02-29 18:44:58

TheAvantGarde Brasil Fev. 2024

Carta do editor:<br><br>2024 definitivamente é o ano de mudança, é o ano de criar o novo, de pensar na transformação, mas não apenas no sentido prático e profissional da coisa. Talvez essa virada seja tempo de repensar o novo eu, é momento de se desprender das convicções antigas. Mas para poder pensar no que vem por aí, é preciso se apegar às raízes, pois quem somos é subproduto do que foi.<br><br>Até que ponto estou sendo totalmente e unicamente eu? Quanto do outro existe em mim? O quanto sou influenciado pelo meu espaço? Particularmente, eu não sou daqui (Cuiabá - Mato Grosso), mas nestes 7 anos em solo do Centro-Oeste, percebo o quanto de mim já se foi e o quanto o Pedro de agora também tem um pouco da baixada cuiabana.<br><br>Para mim, um erro mortal do povo deste lugar tão único é não entender a potência que existe neste espaço. Já morei em 4 estados, em 7 cidades, viajei por lugares incontáveis, vi todo tipo de gente, já tive todo tipo de conversa, mas jamais Cuiabá-MT saiu da minha cabeça. No dia a dia, talvez a gente se esqueça um pouco do quanto o calor excessivo, a chita, o siriri e cururu e o lambadão tornam esse chão tão único.<br><br>Retorno, 2024 definitivamente é o ano de mudança, mas não aquela de esquecer o tradicional, é tempo de abraçá-lo, de a partir dele criar o pós-contemporâneo, é tempo de conhecer a galera independente que está agitando a cena cultural, de ir assistir àquela apresentação na Edgar Vieira, mas não apenas passar e olhar por cima seguindo reto, olhe com atenção: O que existe de único naquela pessoa de pé performando? Qual história ela pode me contar?<br><br>E a mesma coisa segue para a cena de teatro, de companhia ou independente, para as exposições de arte, para a moda, o audiovisual. Acho que, no fim, este ano é tempo de sair da zona de conforto e conhecer mais sobre o que os artistas daqui têm de novo para nos mostrar.

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THEAVANTGARDE FEV 2024


TheAvantGarde Brasil, 2º edição, Cuiabá-MT 2024 THEAVANTGARDE Editor-chefe Pedro Fraga Editor-assistente João Rafael Derbali Redatora-chefe Camila Alves Redator-Assistente André Paulino Diretora de Produção Vitória Florentino REDAÇÃO Editora de Moda Eduarda Amorim Editor de Música Gabriel Zys
 Editor de Cinema & Estilo André Paulino Editor de Cinema Thiago Delapola Editora de Beleza Karina Stein Editora de Beleza & Lifestyle Vitória Florentino Editora de Moda e Beleza Camila Alves Editor de Moda e Cultura Pedro Fraga FOTOGRAFIA Fotografia de Moda Uri Bezerra Direção de Arte & Styling Pedro Fraga Assistente de Direção e Styling Camila Alves Iluminação Laís Wrzesinski Fotografia de Beleza Roberts Gonsalves Beleza Vitória Florentino Assistente de Beleza Sarah Santiago Audiovisual Beto Fauth ARTE Diagramação & Design Pedro Fraga Ilustração Gustavo Melo MÍDIA Direção João Rafael Derbali Produção Gustavo Melo Estratégia Gabrielly Amorim Design Pedro Fraga Redação Camila Alves Redação Vitoria Florentino PRODUÇÃO Executiva Bruna Mattoso Moda Roberto Pinheiro Administrativo Sara Soares Assistente Gabrielly Amorim Assistente Vitor Marçal CONVIDADOS Tay Rodriguez Luana Dantas Natália Lima Giovana Marques APOIO IESB Onng Evolve


CARTA DO Editor 2024 definitivamente é o ano de mudança, é o ano de criar o novo, de pensar na transformação, mas não apenas no sentido prático e profissional da coisa. Talvez essa virada seja tempo de repensar o novo eu, é momento de se desprender das convicções antigas. Mas para poder pensar no que vem por aí, é preciso se apegar às raízes, pois quem somos é subproduto do que foi. Até que ponto estou sendo totalmente e unicamente eu? Quanto do outro existe em mim? O quanto sou influenciado pelo meu espaço? Particularmente, eu não sou daqui (Cuiabá - Mato Grosso), mas nestes 7 anos em solo do Centro-Oeste, percebo o quanto de mim já se foi e o quanto o Pedro de agora também tem um pouco da baixada cuiabana. Para mim, um erro mortal do povo deste lugar tão único é não entender a potência que existe neste espaço. Já morei em 4 estados, em 7 cidades, viajei por lugares incontáveis, vi todo tipo de gente, já tive todo tipo de conversa, mas jamais Cuiabá-MT saiu da minha cabeça.No dia a dia, talvez a gente se esqueça um pouco do quanto o calor excessivo, a chita, o siriri e cururu e o lambadão tornam esse chão tão único. Retorno, 2024 definitivamente é o ano de mudança, mas não aquela de esquecer o tradicional, é tempo de abraçá-lo, de a partir dele criar o pós-contemporâneo, é tempo de conhecer a galera independente que está agitando a cena cultural, de ir assistir àquela apresentação na Edgar Vieira, mas não apenas passar e olhar por cima seguindo reto, olhe com atenção: O que existe de único naquela pessoa de pé performando? Qual história ela pode me contar? E a mesma coisa segue para a cena de teatro, de companhia ou independente, para as exposições de arte, para a moda, o audiovisual. Acho que, no fim, este ano é tempo de sair da zona de conforto e conhecer mais sobre o que os artistas daqui têm de novo para nos mostrar. Pedro Fraga Editor-chefe


Na Ilustração “MT 4:19”, explora a dificuldade da conservação da arte e da cultura no contexto regional matogrossense. A peça mostra uma figura feminina que guia os peixes menores em direção oposta ao grande pirarucu que facilmente poderia mata-los sem nenhum esforço. Ir contra as forças de controle maiores, cego e ferido é, sem duvidas, um dos maiores atos de esperança e coragem que alguém poderia ter.


Sumário FEV2024 LIFESTYLE 41 Mandrakes: A comunidade mais alternativa do Brasil Descubra como aplicar a arte milenar chinesa no lar neste guia prático feito por nossa equipe. ENTREVISTAS 52 SOB OS HOLOFOTES O PRODÍGIO DE TAY RODRIGUEZ 62 DE CUIABÁ PARA O MUNDO; LUANA VIEIRA TENDÊNCIAS 66 Do suede à camurça: o upgrade dos streetsneakers  Entenda tudo sobre essa tendência e o saiba como customizar seu tênis 70 RECOMENDAÇÕES DOS EDITORES Numa leva tão frenética de tendências de consumo, confira nossa seleção de melhores produtos e tendências: 72 A MODA ROCOCÓ NA SUA CASA O luxury do século XVIII em artefatos que enriquecem sua decoração  74 Horror: o gênero esnobado pelo Oscar s 07 NEWS MODA 11 Caminhos para a moda em 2024 Como os últimos acontecimentos do globo podem dizer muito sobre as estratégias comerciais das grandes marcas. 15 Feito para mulheres, mas não por mulheres Como o principal mercado de consumo feminino é comandado majoritariamente por homens. 17 BRASILEIROS INTERNACIONAIS Estilistas brasileiros que já levaram coleções para semanas de moda fora do país. BELEZA 33 Maquiagem e a religião Uma breve análise da relação do sacro religioso com a arte da maquiagem. 37 Granado: A potência da perfumaria brasileira Conheça um pouco mais da estratégia única da brasileiríssima marca e veja nossa recomendação 38 4 motivos para ter o protetor solar como seu melhor amigo


TheAvantGarde Brasil, 2º edição, Cuiabá-MT 2024 se esqueça de nos seguir nas redes sociais Não Instagram: TikTok: @theavantgarde.br TheAvantGarde Brasil


news por camila alves, pedro fraga sara soares Rolou a New York Fashion Week (outono/ inverno 2024), mas não ficamos nem um pouco surpresos Cowboy Core, Beyoncé e Pharrell Williams - nova tendência na moda A NYFW começou no dia 09 de fevereiro e terminou dia 14, dando início a temporada das semanas de moda para coleção outono/inverno das marcas. Apesar de nada muito… novo, na nossa opinião, grandes marcas pisaram nas passarelas Nova Iorquinas, entre elas Tommy Hilfiger, Coach, Monse, entre outras.  Vale ressaltar, também, a presença do “toque brasileiro” nos desfiles estadunidenses com PatBo, que entregou uma proposta voltada para cores neutras e sóbrias. Contudo, sem deixar a renda, as franjas, os bordados e a transparência de lado.  A estética cowboy core ganhou ainda mais protagonismo nos últimos dias, em grande parte por uma “aposta de fichas” de Beyoncé e Pharrell Williams, que são grandes referências no mundo fashion.  Pharrell lançou uma coleção com pegada western na Louis Vuitton e Beyoncé anunciou dois singles com essa temática, na sequência, o que não parece ser simplesmente inconsciente coletivo. A nova versão country apareceu de forma fortíssima, indo além das botas de western já vistas há muitos anos na sociedade da moda — depois do boom das botas no ano passado—, agora é a vez dos chapéus e outros acessórios para compor uma estética cowboy moderna. Portanto, podem anotar, os chapéus podem ser o acessório da temporada!  Apesar de ser cheio de personalidade, seu uso no cotidiano é mais comum em países gelados. No entanto, esse cenário tem mudado, principalmente com a tendência do country tomando cada vez mais espaço no mercado. MODA CULTURA & 7


news Dua Lipa é o novo rosto da YSL Beauty global BELEZA Com anúncio em suas redes sociais, no dia 26 de fevereiro Dua Lipa é oficialmente a embaixadora da Yves Saint Laurent Beauty em todo o globo. Desde 2019, a pop star em ascensão é embaixadora do perfume “Libre”. Desta vez, a campanha para sua estreia global na marca é com estréia da nova coleção de batons “YSL Loveshine” que coloca em destaque o gloss “Candy Glaze”. A cantora britânica, se prepara agora para o lançamento de seu terceiro álbum de estúdio. AVAVAV faz desfile com modelos sendo atingidos por lixo MODA Sem qualquer medo de perder sua “credibilidade” no mundo da moda, AVAVAV mais uma vez faz um espetáculo pronto para as redes sociais. Papéis amassados, latas, garrafas de plástico e até mesmo comida foram arremessados nos modelos que desfilavam as peças. Chegando até mesmo a atingir o rosto de uma das modelos, criou-se uma forte onda de discussões na internet sobre os limites nas passarelas. Agora fica a questão, no fim do dia a marca será lembrada por seus produtos ou pelo show de pretensiosismo nas passarelas? Maju Trindade se casa na Bahia WEB Recebendo somente 130 convidados em um Hotel na cidade de Santa Cruz Cabrália-BA, Maju Trindade e Mateus Asato se casam na tarde de um sábado (24.02). Com 23 anos, a influenciadora marcou uma geração desde a ascensão do Vine e Snapchat, hoje conta com mais de 7 anos de internet.


Milão fashion week (inverno 24/25); Principais acontecimentos O mundo fashion chegou à Milão para a tão aguardada temporada feminina de prêt-à-porter do Inverno 24/25. O evento apresentou marcas italianas de luxo e exclusivas, deixando os amantes da moda com expectativas altíssimas. Portanto, o que foi entregue nesta temporada? A programação de terça-feira (20) contou com muitos eventos e com o primeiro show da marca italiana Twinset. A Diesel abriu o segundo dia de desfiles, nesta quarta-feira (21), que contou com um total de 56 desfiles, incluindo dois duplos.                                                                           Entre as participantes estavam as tradicionais Gucci, Giorgio Armani, Dolce & Gabbana, Bottega Veneta, Prada, Diesel, Fendi, Ferragamo, Versace, Maison Margiela, Moschino, entre outras. Além das tradicionais marcas citadas acima, muitas outras marcas também apresentaram suas coleções de Outono/Inverno 2024. MILÃO Diesel Prada Roberto Cavalli Tom Ford Alberta Ferretti  Fiorella Mattheis e responsabilidade social por meio da moda Na quinta-feira (22), uma seleção de bolsas de luxo usadas ficou disponível no site Gringa, o mercado secondhand da atriz Fiorella Mattheis. Nesta iniciativa, 100% do lucro gerado foi destinado ao resgate de animais em situações de risco, a sua recuperação e a promoção de adoção consciente. Além de contribuir para a causa animal, essa ação também teve um impacto positivo no meio ambiente, ajudando a reduzir o impacto da indústria da moda ao planeta.⁠ ⁠Fiorella Mattheis destacou: “Ao reverter os lucros obtidos com a venda das bolsas de luxo para o resgate de animais em situações de risco, estamos demonstrando como é possível unir moda e responsabilidade social de maneira eficaz”.⁠ GERAL news 9


news GERAL Anitta leva o funk para Miami no Lo Nuestro MÚSICA No dia 22, Anitta compareceu ao prêmio Lo Nuestro, sediado em Miami. Dessa vez, não só como apresentação, a carioca estava entre os indicados em "Colaboração do Ano – PopUrbano", com “La Loto“, parceria com Tini e Becky G, e "Artista Feminina do Ano – Urbano. Em uma performance que passa por todos os seus últimos lançamentos, a primeira artista latina a atingir top #1 solo no Spotify, deixa o público ainda mais ansioso em relação ao seu próximo álbum de estúdio. Março movimentado em Cuiabá-MT; Exposição de arte e espetáculo. Abrindo o mês de março, o espetáculo JANTAR, uma coprodução entre o Coletivo Spectrolab Brasil e França, conta a história de um futuro e passado que confrontam-se em palco: “as novas tecnologias, aliadas a um contexto de consumo excessivo e de danos ambientais, ressoam no quotidiano de uma família que vive numa aldeia e trabalha à mercê de uma fábrica.” Depois, em parceria com o Labirinto Espaço Criativo, o Museu de Arte e de Cultura Popular da UFMT apresenta à partir de 07/03 a exposição Paisagens Ásperas, primeira individual do artista Renato Medeiros , com curadoria de Jeff Keese. São cerca de 50 trabalhos produzidos em técnicas mistas, especialmente envolvendo desenho, pintura, fotografia e processos digitais. “As obras operam na trincheira entre o cenário de guerra e a paisagem paradisíaca, estabelecendo zonas de tensão e contraste. Paisagem é percepção. Fruto de um ponto de vista, de enquadramentos abstratos no contínuo processo de atribuição de sentido ao mundo.” TEATRO & ARTE @macp.museu @spectrolabcena


Caminhos para a moda em 2024 “Como os últimos acontecimentos do globo podem dizer muito sobre as estratégias comerciais das grandes marcas” MODA POR PEDRO FRAGA Diante de um grande histórico de recessão, pandemia, guerras, diversos outros conflitos e grandes acontecimentos no globo, ao que tudo indica, em 2024 o mundo da moda está prestes a adentrar uma nova era disruptiva. Em meio a tantas transformações no mundo e no meio digital, a forma em que consumimos e até mesmo o ato de se vestir pela manhã para começar o dia têm se tornado um ato político. Na verdade, a história da indumentária sempre foi escrita a partir da forma em que nos vestimos, mas enquanto o globo pedia socorro em 2023 os influencers discutiam sobre o que é ou não “brega”. O escapismo precisou tomar seu fim, uma hora ele sempre acaba.  Ao que grandes agências de tendências como a WGSN indicam, o ano de 2024 anda para um mundo cada vez mais presencial, mesmo que forçadamente. Relatórios para 2024 apontam uma forte onda de procura pelo comércio presencial. Experiências cada vez mais afetivas no ato de comprar têm tido alta procura pela nova geração, coisa que claramente está ligada às fortes marcas que o “old money aesthetic” têm deixado em toda a indústria. Além disso, a busca pela identidade, pelo “eu” em um mundo tão plural, tem aumentado gradativamente, seja pela busca de uma identidade própria como pela busca de ter uma identidade cultural, pertencer a um grupo, a algum lugar. D 11


A moda e o comércio nacional, no geral, têm apresentado um grande crescente e marcas como Farm Rio, Ginger, NV, Granado, Misci e etc, têm retido cada vez mais olhares pela Gen Z e Millennials. Não só no Brasil como no globo, essa retomada às origens tem crescido cada vez mais. Em fevereiro de 2024, a New York Fashion Week (NYFW) mostrou ao público um pouco mais dessa identidade norte-americana, desse ar mais fechado, simples e utilitário. Em contrapartida, a London Fashion Week (LFW) apresenta um visual bem mais clubber, edgy, porém sempre com muita classe. Para quem gosta de tendências, a moda é o "quiet luxury", a sofisticação, a simplicidade, é sobre saber ser sóbrio sem ser simples, é sobre saber transmitir sua essência através das roupas, e não necessariamente criar uma personalidade a partir da roupa que veste. “Quem é você, de onde você vem? Que história pode me contar? Que estilo de música escuta para trabalhar? Quais locais frequenta? Quem te inspira?” No livro “A moda imita a vida” de André Carvalhal, entendemos como é importante para uma marca criar sua persona, entender seu consumidor, como criar propósitos. Caminho esse que tem sido seguido cada vez mais intensamente por marcas como Gucci, Louis Vuitton, e, acredite se quiser, a famigerada Carmen Steffens, que tem buscado gradativamente plantar seu rebranding, que antes carregava um forte estereótipo de “perua” e extravagante, e hoje busca aos poucos ficar cada vez mais sóbria e atender um público mais elitizado e nichado. É preciso entender hoje, que ao realizar uma compra em uma marca, você busca por carregar um pouco da identidade dela. Em termos de marcas brasileiras, se você veste Ellus, você é a garota descolada, se veste Farm, é a me- menina mais tropical, se veste Osklen, é mais ligada à natureza, e assim por diante. Para além de tudo, 2024 é tempo de calor – também o calor do outro –, mas principalmente, aquele que é climático, questão apontada à pelo menos duas décadas, daqueles que ignoramos e continuamos utilizando de combustíveis fósseis, mas não só isso, falo daquele calor alimentado pela agroindústria, que mesmo acobertada pela grande mídia, é a maior responsável por essa grande onda de altas temperaturas.  Nesse meio, surge a grande questão: a forma como consumimos realmente tem relação com isso? Minha resposta é: Depende! Para aqueles jovens europeus que performam revolução utilizando jaquetas superfaturadas de couro sintético sustentável, talvez sim! Mas, para o latino-americano médio que tem uma preocupação imensamente maior em conseguir sobreviver diante das Na página inicial, Ludovic de Saint Sernin na London Fashion Week 2024; Acima a coleção “Valor Latino” por Misci; E ao lado o livro “A moda imita a vida” de André Carvalhal. 12


De acordo com a revista Galileu em 2017 É o agronegócio, responsável por 76% das emissões de gases do efeito estufa no Brasil. Se a agropecuária nacional fosse um país, seria o oitavo maior poluidor do planeta, à frente do Japão.


das grandes revoluções econômicas da década (e que talvez compre na Shein para conseguir minimamente se expressar através da forma como se veste), a melhor resposta é que a culpa é toda do governo, e realmente é! Enquanto o cidadão brasileiro com o privilégio do acesso ao conhecimento aceitar ser a fazenda da Europa e dos Estados Unidos, continuaremos sendo culpabilizados individualmente por um problema sistêmico. Hoje o estado mantém a ideia de que financiar o agro é pop, enquanto grandes mentes brasileiras precisam ser exportadas para fazer ciência e inovação em outros lugares. Talvez 2024 seja época de valorizar a moda nacional, mas não só deixando mais de quatro dígitos em um vestido na loja que dá champagne no final da compra, e sim, pensando em adentrar a luta pela valorização de uma economia criativa mais consistente, que investe mais em criadores com produtos originais, que fazem parcerias com os artesãos brasileiros, que abraçam a cultura afro-brasileira e indígena e que utilizam de matéria-prima nacional. Pensemos nós – pessoas privilegiadas e que temos acessos – que ao invés de deixar 300 reais naquele jeans da marca multinacional, talvez seja mais interessante deixar 350 numa marca que coloque a bandeirinha do Brasil na etiqueta. Na página anterior, foto de fazendo pela Forbes; Ao lado foto de campanha da Ellus em comemoração aos 50 anos de marca.


Feito para mulheres, mas não por mulheres “Como o principal mercado de consumo feminino é comandado majoritariamente por homens” MODA POR CAMILA ALVES De tempos em tempos acontece a “dança das cadeiras” no mundo da moda, onde um diretor criativo abre espaço para um novo em marcas de luxo por todo o globo. O momento esperado por muitos — desde fãs e apreciadores até os próprios indicados — tem gerado grandes debates nas mídias sociais ao redor de uma pergunta que não quer calar: por que tão poucas mulheres estão à frente de marcas de luxo? A discussão sempre foi uma pauta, mas foi reacesa quando a cadeira da direção criativa das marcas Alexander MacQueen e Moschino foram ocupadas por — nada de novo no front — homens. Mesmo o grande consumo desse mercado sendo majoritariamente feminino, parece que ser homem branco é o pré-requisito para ocupar tal cargo.  Em 2023, boa parte das grandes marcas do mercado de luxo foram comandadas por homens. Nomes de peso como Yves Saint Laurent, Valentino Garavani e Oscar de la Renta somam às 33 marcas citadas na pesquisa da Financial Times sobre marcas comandadas pelo gênero masculino. A querida de muitos, Burberry, nunca teve uma mulher ocupando a cadeira. Nesse ano, seguimos com Sabato de Sarno na Gucci, Matteo Tamburini na Tod’s, Seán McGirr na na Alexander McQueen e Alessandro Vigilante na Rochas.  Ainda há salvação! Atualmente, apenas algumas marcas se destacam por ter uma mulher à frente da direção criativa: Chanel com Virginie Viard, Prada com a herdeira Miuccia Prada — acompanhada de Raf Simons e Chlóe com Chemera Kamali herdando a cobiçada cadeira de Gabriela Hearst. Contudo, é um número praticamente inexpressivo dentro do mercado. Apesar de poucas mulheres à frente no mundo da moda, não podemos dizer que elas passam despercebidas. Grandes ícones e peças clássicas nasceram das mãos de mulheres, como Coco Chanel que popularizou o uso do vestido preto e incentivou o uso de calça entre as mulheres, ideias essas que iam totalmente contra os padrões da época. Mary Quant, que criou a minissaia e a hot pant e revolucionou a moda na década de 60. Trazendo para os dias atuais, a própria Miuccia Prada que fundou a queridinha Miu Miu em 1993, além de ser produtora de filmes e doutora em ciências políticas. D Ao lado, de cima para baixo, da esquerda para direita, Virginie Viard, Miuccia Prada ( foto para Harper’s Bazaar) e Maria Grazia Chiuri. 15


Chemena Kamali foi anunciada recentemente como a nova diretora criativa da grife francesa Chloé. A Alemã, começou sua carreira na maison, mas já passou também pela Saint Laurent, Alberta Ferretti e Strenesse. Entretanto, a falta de espaço vai muito além da diversidade de gênero, pois há também uma falta de diversidade de raça. No presente, Pharrell Williams segue chefiando a área criativa da Louis Vuitton Men, mas são raros os casos de negros desenvolvendo a parte criativa. As marcas parecem ter medo de abrir lugar para o novo, por isso boa parte dos “herdeiros” da posição geralmente possuem designs similares ou relativamente na mesma linha que o anterior. Mesmo diante do talento — que não há nem como ser negado — dos diretores, ainda sim eles ocupam esp espaços que poderiam ser ofertados a novas perspectivas, diversidades e realidades. Para muito além de um problema superficial, a sequência de homens brancos ditando as trends e o que “deve ou não deve ser usado” apenas mostra o que sempre esteve debaixo dos nossos narizes: os homens sempre controlaram — e querem controlar — os corpos femininos. A moda é apenas uma das ferramentas para isso e a mudança nesse cenário parece estar em um futuro distante. E xx não adianta, marcas de luxo estão muito além de cancelamentos na internet, afinal o grande consumo não vem da massa e sim de poucos que possuem capital em mãos. Portanto, cabe a nós, meros mortais e entusiastas, dar visibilidade ao trabalho de mulheres que são constantemente ignoradas, ainda que não sendo “mercado de luxo” e, apesar de não ter um efeito tão imediato, continuar protestando. Quem sabe, num trabalho de formiguinha, consigamos mudar essa realidade daqui alguns anos. Torçamos para isso. 16


Brasileiros Internacionais  “Estilistas brasileiros que já levaram coleções para semanas de moda fora do país” MODA POR EDUARDA AMORIM imagem de moda que poucos têm.  Em sua coleção "Alienation" de 2023, apresentada na New York Fashion Week, Herchcovitch explorou temas de estranhamento e desconexão na sociedade contemporânea, utilizando tecidos tecnológicos de última geração e cortes assimétricos para transmitir uma sensação de alienação. Já em Milão, onde a sofisticação é enaltecida, outra brasileira rouba a cena na Milan Fashion Week, a catarinense Karoline Vitto recheia a passarela de sensualidade e diversidade. Em sua Coleção para a semana de moda de verão 2024, Vitto apresentou modelos fora do padrão, com numeração até 58. Apoiada por Dolce & Gabbana, a brasileira se inspirou na coleção de verão da marca, trazendo a sensualidade e ousadia que apenas uma brasileira poderia trazer. Vitto não vê problema, muito pelo contrário, ela se esforça para valorizar as ‘’dobrinhas’’ das modelos. Com tecidos reutilizados de coleções anteriores da marca, ela traz sua assinatura com jersey e metal, sempre entregando jeans e atrevimento.  Na capital mundial da moda, estilistas brasileiros também vêm sendo reconhecidos. No mundo da moda as Semanas de Moda em Nova York, Milão e Paris representam não apenas eventos de destaque, mas também vitrines necessárias para os talentos emergentes e os já estabelecidos da indústria da moda. Entre os designers que se destacam nessas passarelas globais, muitos brasileiros têm conquistado reconhecimento internacional não só pela sua criatividade, mas também pela excelência, individualidade e capacidade de inovar em suas coleções.  O Brasil, com sua riqueza cultural e intelectual, oferece uma fonte inesgotável de inspiração para designers e estilistas. Desde as florestas tropicais até as metrópoles urbanas, a diversidade de influências reflete nas coleções dos brasileiros que frequentemente combinam técnicas tradicionais com uma abordagem contemporânea e tecnológica.  Um desses brasileiros é Alexandre Herchcovitch, estilista paulista que tem ganhado destaque nas semanas de moda mundo afora, mas principalmente na Semana de Moda de Nova York, Herchcovitch se destaca por suas técnicas inovadoras, brincar com cores e a leveza dos elementos infantis, provando ter um domínio de im Em Paris, sob o tema Tropicana, a estilista paulistana Silvia Ulson, que já apresentou sua coleção na New York Fashion Week, representou o Brasil na Paris Fashion Week 2023. Ulson explora elementos da cultura da cultura brasileira traduzindo-os para a mulher moderna internacional, sua coleção traz efeitos em 3D e tecidos planos, valorizando a confecção manual.  A estilista já se apresentou em quatro semanas internacionais de moda, sendo: New York Fashion Week; Swim Miami, em 2016 e 2017; e Paris Haute Couture. Silvia Ulson tem sido uma embaixadora incansável da moda brasileira em eventos internacionais, ajudando a ampliar o alcance e a visibilidade dos designers e estilistas brasileiros.  A moda não para de se reinventar, mas cada vez mais os estilistas brasileiros têm se redescobrido junto com ela, afirmando seu local na indústria internacional e demonstrando que o Brasil não só tem uma rica história na indústria da moda, mas também está moldando seu futuro com excelência técnica e criativa, abrindo espaço para que gradativamente mais estilistas brasileiros venham representar nosso país seja em Nova York, Milão ou Paris. 


SILVIA ULSON SILVIA ULSON KAROLINE VITTO KAROLINE VITTO ALEXANDRE HERCHCOVITCH


CORAÇÃO CUIABANO Direção de arte & Styling Pedro Fraga Fotografia de moda Uri Bezerra Assistente de Styling Camila Alves Produção executiva Bruna Mattoso Assistentes de produção Vitor Marçal & Sara Soares Iluminação Laís Wrzesinski Fotografia Still Thiago Delapola Direção de Produção & Beleza Vitória Florentino Assistência de beleza Sarah Santiago Assistência de moda Roberto Pinheiro Audiovisual Beto Fauth Assistência Geral João Rafael Derbali, Gustavo Melo & André Paulino MODELOS NATÁLIA LIMA, GIOVANA MARQUES & BRUNA MATTOSO 19


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Maquiagem e a religião “Uma breve análise da relação do sacro-religioso com a arte da maquiagem” BELEZA POR VITÓRIA FLORENTINO Desde a antiguidade sociedades primitivas utilizavam da maquiagem com cunho cultural e religioso, realizando pinturas faciais com pigmentos extraídos de plantas durante seus rituais. Para esses povos, a maquiagem era detentora de propriedades mágicas e protetoras. Mas se a arte de maquiar existe antes do surgimento de algumas religiões predominantes na sociedade, por que seu uso é condenado pelas mesmas? Um grande exemplo do uso ritualístico da maquiagem é o povo Bororo, presente em Mato-Grosso a centenas de anos, donos de uma estética única e exuberante.  É somente no Egito Antigo que a maquiagem passa a ser vista como um meio de embelezamento, além de religioso. Essa era foi marcada pelas famosas pinturas com henna para destacar os olhos, o que veio a se tornar o nosso delineado gatinho, também notamos nessas maquiagens a predominância do dourado e sombras azuis. A cultura egípcia valorizou muito a beleza, chegando a criar a prática de maquiar os Faraós após sua morte, pois o povo acreditava na ressurreição e que o líder deveria estar com uma boa aparência durante esse momento. Mas do que eram feitos os primeiros produtos de maquiagem? De acordo com registros históricos e o estudo realizado pelo químico Christian Amatore a maquiagem tinha como base quatro produtos ORI oriundos do chumbo: galena, cerusita, laurionita e fosgenita, que juntos criavam as cores dos produtos. Já na idade média, com predomínio de religiões monoteístas, a maquiagem passou a ser condenada pelas igrejas e vista como uma prática pecaminosa, o que nos leva a pensar: em uma época onde a pele mais clara era relacionada a beleza e pureza enquanto a pele mais escura ao trabalho e escassez, não seria óbvio o surgimento de uma busca pela adequação aos padrões? Mesmo que contrária aos conselhos religiosos de incentivo a “valorização da beleza natural” essa busca aconteceu - e ainda acontece - dando início ao uso de produtos a base de chumbo para clareamento da pele. D Fotos da exposição virtual Funeral Bororo, QR code para acesso na página ao lado. 33


oriundos do chumbo: galena, cerusita, laurionita e fosgenita, que juntos criavam as cores dos produtos. Já na idade média, com predomínio de religiões monoteístas, a maquiagem passou a ser condenada pelas igrejas e vista como uma prática pecaminosa, o que nos leva a pensar: em uma época onde a pele mais clara era relacionada a beleza e pureza enquanto a pele mais escura ao trabalho e escassez, não seria óbvio o surgimento de uma busca pela adequação aos padrões? Mesmo que contrária aos conselhos religiosos de incentivo a “valorização da beleza natural” essa busca aconteceu - e ainda acontece - dando início ao uso de produtos a base de chumbo para clareamento da pele. Acima, Reatro de Rainha Elizabeth, por George Gower, 1588 De acordo com o Guinnes World Records a Rainha Elizabeth I está entre as celebridades que aderiram a tendência Cerusa Veneziana


Chegando na Renascença, a maquiagem passa a ser vista oficialmente como arte e a igreja chega a aceitar pinturas simples, voltando a ser feitas com ingredientes naturais como clara de ovo, madrepérolas em pó e pigmentos vegetais. Mesmo com produtos a base de elementos naturais, essa fase ficou marcada na história da maquiagem com a tendência da Cerusa Veneziana, utilizado para deixar a pele com tom uniforme, mas mantendo o aspecto natural. Podemos dizer que essa criação foi uma espécie de “BB cream tóxico”. O alvaiade - como é conhecido atualmente - não só carbonato de chumbo como fragmentos de metais em sua composição, o que a longo prazo levava seus consumidores a desenvolverem a perda de cabelos, dentes, e sobrancelhas. Entre as consequências do uso também estão corrosão e cicatrizes na pele, e a longo prazo declínio cognitivo precoce. Apesar de possuir uma formulação tão degradante à saúde humana, o alvaiade fora bastante comercializado como a base “Espíritos de Saturno” Décadas se passaram e após a era de ouro de Hollywood (com suas peles perfeitas e batons vermelhos), o impacto de Andy Warhol - criador do movimento art pop - e as tendências criadas em mídias sociais, ainda notamos a presença de estigmas religiosos sobre a arte de maquiar. Para muitos povos, ainda é utilizada com grande relevância cultural e religiosa, para outros como embelezamento e para alguns grupos sociais, vista como exagero desnecessário. Estando esses ideais presentes na nossa história, não podemos negar a importância e impacto social da maquiagem, que continua e sempre continuará representando movimentos, momentos históricos e a beleza. Maquiar é, sim, embelezar, mas não apenas isso, maquiar também é comunicar, fazer arte, simbolizar culturas, é representar e até mesmo empoderar pessoas. acima retrato de uma mulher, de Guido Reni, 163; Na página anterior, Retrato de Rainha Elizabeth, por George Gower, 1588 Ao lado, imagem de Marilyn Monroe, figura icônica na era de ouro de Hollywood que inspirou também a erado Art Pop. 35


Na página, frame do clipe Like a Prayer, do álbum de mesmo nome. Madonna, figura conhecida por confrontar o conservadorismo norte-americano, foi peça chave nesse debate da expressão feminina e religiosidade


Granado: A potência da perfumaria brasileira “Conheça um pouco mais da estratégia única da brasileiríssima marca e veja nossa recomendação” BELEZA POR PEDRO FRAGA Fundada em 1870 no centro do Rio de Janeiro e cultivando suas ervas em Teresópolis-RJ, a Granado nos últimos anos tem se destacado no mercado da perfumaria por ter uma identidade única! Ilustrações tropicais, lojas com arquitetura diferenciada, produtos com fortes raízes brasileiras e fragrâncias exclusivas fizeram com que nos últimos tempos, a marca Granado Rio tenha ganhado holofotes pela web. Começando como uma pequena farmácia no Rio de Janeiro, a marca posteriormente tornou-se uma grande potência nacional, e agora, um expoente na perfumaria internacional. Com lojas em Nova Iorque, Londres e Paris, a marca hoje leva o frescor e o calor brasileiro para a Europa. Mas não se engane em pensar que assim como no Brasil, ela tenha preços acessíveis, na verdade, enquanto aqui um perfume custa na média de R$170,00, fora do país ele pode chegar a uma média de 120€ (Algo por volta de R$648 na última cotação do Euro). À nível de comparação, um Chanel n°5, por exemplo, custa por volta de 80€ na França, já um Miss Dior algo por volta de 82€ (ambos eau de parfum). Enquanto no Brasil a estratégia de marca é pensada para que o produto seja “premium”, na Europa e Estados Unidos, os perfumes da marca são considerados de luxo e muito exclusivos. Não há marca que consiga fazer perfumes para o calor como a Granado. Sempre explorando notas tropicais e formulações que não enjoam, a marca se destaca muito do mercado nacional ao trazer fragrâncias que exalem tão naturais. Quando falamos de concorrentes como Boticário, vemos muitas fragrâncias com notas artificiais, que têm alta projeção, mas não têm um diferencial ou algo fora da curva. Nossa principal recomendação da Granado para esta temporada de tanto calor, é a colônia Folha de Laranjeira que é de uma singularidade enorme: Esta fragrância compartilhável é um floral muito ambarado, com as notas de topo: Limão Siciliano, Bergamota, Petitgrain e Mandarina; Notas de coração: Petitgrain, Hortelã e Peônia; E notas de fundo: Almíscar, Íris, Patchouli e Musgo. É uma colônia que se desenvolve muito na pele durante o dia e é a pedida perfeita para dias onde se quer um frescor, mas não se quer optar por aqueles cítricos mais óbvios. 37


4 motivos para ter o protetor solar como seu melhor amigo BELEZA POR KARINA STEIN Quando se fala em proteção solar, essas duas siglas aparecem com frequência. Os dois raios ultravioleta são produzidos pelo sol e a exposição excessiva pode causar vários danos à saúde da nossa pele. Os raios UVA, por exemplo, são aqueles que podem atingir a pele até quando o clima está completamente nublado. Eles penetram mais fundo na nossa derme e podem causar envelhecimento precoce, manchas, ressecamento e é um dos principais responsáveis pelo câncer de pele. Já os raios UVB são mais superficiais, porém são aqueles que causam queimaduras e vermelhidão e costumam ficar mais intensos das 9 da manhã às 16 horas. Faça chuva ou faça um sol de rachar, a proteção solar é indispensável.
 1. Barreira de proteção contra os raios UVA e UVB A mesma foto viral nos mostra também outro benefício do uso contínuo do protetor solar - a prevenção contra manchas. A exposição contínua às luzes solares e artificiais sem proteção adequada pode intensificar manchas já existentes, além de criar novas marcas na pele. Se você já faz aquela rotina de cuidados super detalhada, é muito importante que isso seja selado com um bom protetor solar para que todo o seu trabalho não seja em vão, ok? Então ok!
 3. Previne contra manchas
 Não é só da luz do sol que devemos nos proteger todos os dias. As luzes visíveis de aparelhos eletrônicos como celulares, computadores e tablets também prejudicam a saúde da pele. Por isso, mesmo trabalhando em locais fechados como em casa ou no escritório, a aplicação do protetor solar é essencial. 4. Protege contra a luz artificial
 Se você esteve online em 2022 provavelmente deve ter visto a foto do rosto e do pescoço de uma senhora de 92 anos que viralizou na internet por conta do uso do protetor solar. A imagem fazia parte de um artigo científico publicado no periódico Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology que falava sobre a prevenção contra o câncer de pele. A foto repercutiu por conta da diferença gritante entre a pele que foi tratada com regularidade e a pele que não recebia a proteção solar adequada. O protetor solar cria uma barreira contra o fotoenvelhecimento e previne o surgimento de flacidez e linhas de expressão, por exemplo.
 2. Ajuda contra o envelhecimento da pele
 Veja na nossa seção de recomendações, o protetor com melhor custo benefício de 2024! 38


Artístico cuiabano Direção & BELEZA VITÓRIA FLORENTINO FOTOGRAFIA ROBERTS GONSALVES DIREÇÃO DE Fotografia JOÃO RAFAEL DERBALI Assistente de BELEZA SARAH SANTIAGO ASSISTÊNCIA DE HAIR BEAUTY DINHO THOMPSON produção GERAL ROBERTO PINHEIRO MÍDIA JOÃO RAFAEL DERBALI & GUSTAVO MELO AUDIOVISUAL BETO FAUTH MODELOS LUANA DANTAS & DENNER LERIS 39


41 A beleza nesta edição representa um dos elementos mais marcantes da arte e cultura cuiabana: O tecido da chita. Explorando as cores na pele dos modelos, trouxemos formatos inspirados nas flores do tecido de origem indiana que se tornou praticamente um patrimônio cultural cuiabano.


43 Entre as pinceladas foram utilizados basicamente corretivo nos pontos de luz e correção da pele e sombra colorida, além de uma boa preparação dos modelos com hidratante facial e primer.


Mandrakes: A comunidade mais alternativa do Brasil “Subversivos, com estilo e jeito de ser únicos, conheça o movimento que mais cresce nas periferias brasileiras” LIFESTYLE POR JOÃO RAFAEL DERBALI Não é novidade que o movimento Mandrake está inserido a algum tempo no território brasileiro como um todo, pois todas as vezes que se sai na rua, com certeza verá alguém com no mínimo um óculos Oakley e uma camisa de time usando um tênis 12 molas. Porém, os que pertencem ao grupo sempre deixaram claro que ser Mandrake não é só a vestimenta e a ostentação, é também sobre uma cultura política e um lifestyle. Sabendo disso, o questionamento que fica é: como um estilo nacional tão marcante e singular é praticamente invisível aos olhos das grandes passarelas de moda do Brasil? Na verdade, a resposta está na história do surgimento do movimento, que se inicia no final dos anos 90, com a introdução do funk nas periferias brasileiras, sendo o grande “boom” com DJ Malboro nos anos 2000 lançando os hits “Ela só pensa em beijar” e “Glamourosa”. Nesse momento, o termo “mandrake” ainda não era utilizado, quem ouvia funk e usava acessórios chamativos dourados eram simplesme N 41


Na página anterior e acima, fotos de Mandrakes do site Art of it.


simplesmente “funkeiros”, assim como quem ouvia me- tal e usava roupas pretas eram os “metaleiros”. Já em 2010, com uma estética mais característica e consolidada nas ruas, os agora intitulados “chavosos” dominavam a cena contra-cultural brasileira, com letras expondo a violência de- senfreada que sofrem as favelas, porém tam- bém com muitas canções expressando o orgulho de ser “favelado” e conquistar lugares na sociedade que antigamente jamais seriam possíveis. Mesmo sendo duramente criticados e marginalizados pela mídia por ser um movimento que batia de frente com  a elite musical, o sertanejo, – e claro – por ser o que o senso comum considerava “música de pobre”, o grupo alternativo popularizou Ao lado, MD Chefe para a Rider seu estilo, fazendo surgir a necessidade dos jovens da época de sair com um look “chave” para as festas noturnas. O termo “Mandrake” e “Mandraka”, que significa basicamente ser descolado, se difundiu mesmo no vocabulário brasileiro em 2019, com o sucesso da música “Casal Mandrake”, de Mc Paulin e Mc Dricka, furando a bolha mais uma vez, porém agora com um grande aliado – ou inimigo –, a nova rede social sensação do momento, o Tiktok. O problema surge porque as pessoas não queriam mais somente estar com um look “chavoso” como em 2010, elas queriam ser mandrakes, o que esvaziou diversas pautas importantes em decorrência de vídeos virais se apropriando da estética, pois quem vive o movimento na pele sabe que ser Mandrake não é só uma questão de vestimenta, por exemplo, mas também é sobre ser contra o abuso de poder policial nas favelas, valorizar a cultura preta e querer quebrar o ciclo social de que quem vem de baixo não pode subir. “Cê não vive, por isso parece fantasia” (MD CHEFE, REI LACOSTE) Precisa-se entender que não há nada de muito diferente no surgimento do movimento se comparado com outros estilos musicais, são cidadãos que se identificam uns com os outros e ouvem músicas que falam sobre suas vivências. A repulsa social com o estilo é decorrente de um pensamento preconceituoso a respeito da periferia, por isso há uma dificuldade tão grande em dar o reconhecimento aos mandrakes como grupo alternativo influente na moda brasileira.  Separamos aqui os principais adereços que compõe a imagem de um Mandrake ou uma Mandrake: 47


O KIT MANDRAKE: fl" Medus " réplica ff" Camisas de time )" tênis 12 mola -" óculos julie+ $" correntes 1 2 3 4 5 6 48


e a influência internacional? Apesar do descaso nacional com o movimento, o cenário mundial já nota o imenso potencial que é o estilo e a estética da periferia brasileira. O criador do jogo CyberPunk, Mike Pondsmith comentou recentemente que as favelas do Rio de Janeiro e São Paulo são os ambientes mais fiéis aos gráficos do jogo, o que chocou grande parte de seu público, que sempre associou o game com a cidade de Tokyo, no Japão, por ser um ambiente altamente eletrônico e com superpopulação. Contudo, fios expostos e qualidade de vida precária são características muito claras das periferias brasileiras, certamente não deveriam ser pontos a se admirar, visto que precarizam a vida de muitos, mas que influenciaram um dos jogos mais famosos da atualidade. Recentemente também, muitos gringos estão utilizando camisas do Brasil e postando em seus perfis nas redes sociais com hashtags como “BrazilCore” e “BrazilianAesthetic”, andando pelas ruas de grandes metrópoles do mundo como Londres e Washington de verde e amarelo, – o que até dá um alívio em desvincularem as cores da bandeira com partidos políticos. Basta pesquisar no Tiktok pelas hashtags que irá encontrar centenas de vídeos de famosos da gringa fazendo uso da estética periférica brasileira. A favela é referência de moda para o mundo porque os estrangeiros certamente não pensam que estão se inspirando em um estilo de “favelado”, sendo isso justamente o motivo pelo qual impede os brasileiros de valorizarem e abraçarem a causa, de fato fazendo a moda no Brasil ser entendida como arte que precisa de investimento e espaço. A autenticidade brasileira existe e está onde a maioria dos estilistas brasileiros menos olham, para o seu país e suas raízes. Ao lado fotos da Vogue Runway e Vogue Japão; Na foto final, imagem de divulgação da cantora MC Dricka.


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