MC Dricka é uma forte influência no meio do funk, tanto nas ruas de São Paulo, quanto no mundo. 50
SOB OS HOLOFOTES O PRODÍGIO DE TAY RODRIGUEZ ENTREVISTA POR ANDRÉ PAULINO Direção de arte & Styling Pedro Fraga Fotografia de moda Uri Bezerra Produção executiva Bruna Mattoso Fotografia Still PEDRO FRAGA Beleza SARAH SANTIAGO Audiovisual gabrielly AMORIM Assistência Geral DANILO MUNDIM 52
Se destacar como artista em Mato Grosso não é fácil, mas pode-se considerar Tay Rodriguez uma pessoa de sorte. Um prodígio na infância, se mudou de Poxoréu, do interior, para a capital cuiabana em busca de maiores oportunidades para cantar profissionalmente, o que, felizmente, rendeu muitos frutos a se colher. Aos 11 anos de idade já havia sido o maior destaque de um reality show de projeção nacional, conquistando o pódio e, além disso, já adulta foi selecionada para outros dois programas -- dentre eles o The Voice Brasil – e, assim, novamente, pôde reviver um sonho. Cantora e produtora da Companhia Sinfônica de Mato Grosso, Tay se consolida como uma artista autêntica e única no estado, oferecendo uma voz sofisticada e esbanjando elegância em eventos privados com exclusividade. Fã de Marisa Monte, A-há e Tina Turner, a cantora propõem uma interpretação ímpar de canções memoráveis em suas apresentações, com muita personalidade e um carisma genuíno. Durante esse mês, a artista concedeu uma entrevista inédita para a The Avant Garde, confira na íntegra. 52
THEAVANTGARDE Primordialmente cantora e atriz, Tay Rodriguez desde o berço se sentia artista. Como você enxerga essa intimidade com a arte que você cultivou por toda a sua vida? Existiria uma Tay realizada sem um microfone? TAY RODRIGUEZ Eu enxergo como uma religião. A gente tem uma intimidade com aquilo que acredita, e eu tenho isso com a arte que eu faço. É algo que não tem como explicar, mas eu estou sempre ali conectada o tempo inteiro. Por isso é impossível minha realização sem o microfone. Porque a música é como se fosse um órgão vital para minha vida e, se tirar, eu não saberia viver sem. THEAVANTGARDE Tay, Como uma boa cúspide de Virgem com Libra, de engenharia à faculdade de moda, você já buscou um leque de carreiras profissionais a seguir, mas o que te puxa de volta para a música? De onde vem essa paixão magnética pelo palco? TAY RODRIGUEZ Essa paixão vem desde sempre, né. Desde quando eu me entendo por gente, na infância, quando havia alguma interação com outras crianças eu já expressava. E essa parte de “engenharia até moda” foi uma tentativa de focar em alguma outra coisa que não fosse música. Mas eu não consigo fazer outra coisa, a música é muito mais forte, nada me fez sentir essa paixão em querer me empenhar tanto como a música. THEAVANTGARDE Um talento nato, aos 5 anos você começou a fazer aulas de canto, aos 8 se mudou para Cuiabá e aos 11 anos participou do programa Gente Inocente da rede Globo. Como foi lidar, ao ganhar essa projeção ainda como uma artista mirim inexperiente, com as expectativas recebidas de milhares de olhares voltados para você tão cedo? TAY RODRIGUEZ Eu fui ao programa mais pela questão de querer ir, não vislumbrando ganhar algo, assim, mas pra ter a experiência. E acabou que deu muito certo, o que eu não esperava, de verdade, porque na minha cabeça era só pra aparecer na televisão, que era um sonho. Quando eu ganhei, eu percebi que realmente eu tinha o dom de cantar e não era só uma coisa da minha cabeça e da minha família, sabe? Foi assim que eu tive certeza de que era aquilo que eu queria pra sempre, então comecei a profissionalizar mais e a fazer shows nessa época. THEAVANTGARDE Como foi conciliar a sua participação no programa com a infância? TAY RODRIGUEZ Foi na época de férias, então foi bem tranquilo fazer essas coisas que eu havia feito depois que o pro programa acabou. E no programa em si, a gente ia em momentos específicos e voltava, então não era algo que tinha que ficar muito tempo e perder aula ou desfocar. Então foi tranquilo, tanto é que meus pais me ajudavam, me apoiavam, justamente por não atrapalhar em nada, sabe? A gente conseguia conciliar bem, naquela época. THEAVANTGARDE De que maneira você acredita que essa Tay Rodriguez de 11 anos descobrindo o mundo ainda existe aí dentro? Quais fragmentos da criança ingênua e sonhadora ainda são influentes na sua imagem profissional agora mais solidificada? TAY RODRIGUEZ Acho que a essência de acreditar, de ter esperança e de achar que tudo é possível, sabe? Se eu me dedicar, tudo é possível. Isso era uma coisa da Tay criança que eu tento resgatar, sabe? THEAVANTGARDE Como foi para a sua família – pai, mãe e outros parentes – participar ativamente do seu desempenho como potência mirim em um programa nacional? Houve uma receptividade espontânea ou a insegurança a respeito da grande expectativa que pairava sobre você predominou? TAY RODRIGUEZ Não, nem um pouco. Estava todo mundo empolgado, ansiosos para acontecer, para dar certo, todos torciam muito por mim. Eles fizeram uma camiseta com meu nome, a família inteira... Cara, minha família me apoia muito, então eu nunca tive problema. E sempre que eu estava tipo “Ah, não sei...” minha família “Não, ‘vambora’, vai, está muito parada. Cadê?”. Graças a Deus, eu tive essa sorte de ter uma família que me apoiou totalmente, minha família inteira, todos. Isso é legal. THEAVANTGARDE Não apenas participante do Gente Inocente, você também foi, ainda na infância, vencedora da edição participante. Nesse sentido, quais sentimentos essa conquista despertou na Tay de 11 anos, brilhante e promissora? TAY RODRIGUEZ Despertou aquele sonho que a gente estava falando de acreditar e de que era possível, não era só uma coisa da minha mente, da minha imaginação. Realmente, eu tive a constatação que eu podia sim ser cantora, tinha sim talento, tinha sim o dom e que eu podia muito bem me aperfeiçoar e tentar crescer nessa área. Tentar evoluir e não desistir realmente. Esse foi o momento que eu tive a noção de que era para toda a minha vida, que era sim capaz de viver de música, de cantar profissionalmente, de viver uma carreira.aC 53
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THEAVANTGARDE Durante sua caminhada profissional, já adulta, você teve a honra de ir não apenas para um programa midiático de projeção nacional, mas dois dos mais assistidos reality shows musicais do Brasil. Qual foi a sensação, inicialmente, de ter sido convidada para o The Four, na Record? TAY RODRIGUEZ O The Four foi uma surpresa, porque era um programa que não tinha ainda. Seria a primeira edição do programa, era uma estreia de um programa de um reality novo que ninguém sabia, então eu não sabia. Fui chamada sem nem saber de o que se tratava, mas perguntaram se eu tinha interesse em participar e, depois de uma semana, me falaram do que se tratava, como seria o programa e que a Xuxa seria a apresentadora. Eu fiquei muito feliz por ter sido lembrada, por ter sido chamada, sabe? Tipo, eu me senti “Nossa! Realmente eu tenho alguma diferença, eu tenho um diferencial que eles gostam, então vamos lá, vamos para cima”. THEAVANTGARDE De que maneira essa oportunidade contribuiu para sua aptidão ao se classificar para o The Voice no último ano? TAY RODRIGUEZ Acho que do The Four saíram várias pessoas que foram pro The Voice nos anos seguintes, então deu uma certa visibilidade. Além do poder do digital, graças ao Instagram, que nos colocou no radar de outras emissoras.. Querendo ou não, isso deu uma abertura boa visibilidade para nós, como artistas. Abriu a visão de outros produtores e diretores e direcionou para a gente. THEAVANTGARDE Agora, com 32 anos, mãe de 2 filhos, como é conciliar a maternidade com a carreira artística profissional? TAY RODRIGUEZ No começo eu achava que iria ser bem difícil, porque era um novo desafio, era um momento novo. Então eu tinha medo do que poderia vir depois de eu não ser uma boa mãe, de eu não ser uma boa cantora, de eu não ser boa em nada por causa disso, de me dividir demais. Mas graças a Deus eu tenho uma rede de apoio muito boa, que é minha família, que me ajuda muito. Eu sempre tenho esse apoio quando eu preciso viajar para cantar, se eu preciso trabalhar, até mesmo para trabalhar no dia a dia, eles me apoiam. Eles ficam com as crianças, eles cuidam sempre. O pai dos meus filhos me ajuda muito nesse ponto, então não posso reclamar e minha família realmente é a base que me ajuda demais. THEAVANTGARDE E eles têm algum grau de afinidade com a música? Têm algum instrumento que eles gostam? Eles vão para os shows? Como é? TAY RODRIGUEZ Eles gostam muito de música. O meu filho mais velho eu quero colocar para fazer algum instrumento. Até então eu estava esperando a madurecer um pouco, porque eu não queria forçar nada, mas eles gostam. Pretendo colocá-los em alguma coisa... Vou sondar, vou perguntar, vou saber, entendeu? E aí eu vou iniciando nessa coisa musical THEAVANTGARDE Na última edição do The Voice Brasil você selecionou para a audição às cegas a música Creep, de Radiohead, já em um episódio de The Four você preteriu a brasileiríssima Legião Urbana. Quais são as possíveis inspirações para suas performances em competições? TAY RODRIGUEZ Eu costumo dizer que eu sinto a música. Eu escuto muitas músicas, mas tem algumas que me fisgam melhor. Daquelas que eu consigo sentir e contagiar. Então, a do Legião foi uma das músicas que eu fiz uma versão diferente porque me tocava e eu acho que tocou muitas pessoas também. Creep é uma música muito forte que, para mim, tem um significado também. Enfim, eu sempre tento transmitir aquilo que eu sinto por meio disso. Então, na competição, eu sempre gosto de levar isso, porque acho que faz muita diferença, sabe? Não só você cantar, só mostrar a sua voz e pronto. Acho que tem que ter uma coisa a mais. Uma personalidade. THEAVANTGARDE Além disso, quais artistas semearam e ainda semeiam em você a paixão pela música? Quais personalidades despertam sua ambição de vida e como eles influenciam os seus próximos passos? TAY RODRIGUEZ Marisa Monte, que é uma das minhas referências desde criança. Depois foi vindo outras artistas mais novas e tal, hoje em dia, como a Loureen, a Beyoncé, a Rihanna. Claro que tem parte de um rockzinho. Eu gosto muito de P!nk porque eu acho que fica legal. Gosto de um pop rock, de uma pegada antiga, tipo Roxette, gosto de Kid Abelha pra caramba. Tem um monte, mas essas foram as que eu lembrei. THEAVANTGARDE Ser artista em uma cidade a qual praticamente não valoriza e divulga expressões culturais, como a baixada cuiabana, pode não ser fácil, mas muitos artistas regionais têm se destacado. De que modo, como uma artista de destaque recentemente, você acredita contribuir para a produção cultural matogrossensse? LUANA VIEIRA Eu tenho certeza que nós, artistas de estilos diferentes, somos uma forma de mostrar que aqui (em Mato G 57
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Grosso) tem várias culturas, não só um sertanejo, não só um lambadão, não só um rasqueado, não é uma coisa só, como muita gente acredita. A gente tem vários artistas que fazem várias coisas, eu me incluo nisso porque eu acho que eu faço algo diferente do que as pessoas “esperam”, sabe? Então, eu acho que eu contribuo abrindo a cabeça de algumas pessoas. Uma vez encontrei algumas pessoas que conhecem minha carreira artística, fãs no shopping, e eles falaram que se inspiram porque eu sou uma pessoa bem autêntica, eu sou alguém que faz coisas diferentes. Mudo de cabelo, sou desprendida a isso e tenho um estilo próprio, por isso eu acho que isso influencia tanto a questão de estilo musical, quanto influencia questões pessoais, de estilo e de personalidade. THEAVANTGARDE Como artista em Cuiabá, quais caminhos você se sente atraída a seguir profissionalmente no seu futuro? Sinta-se à vontade para falar o que achar interessante, lançamentos, participações especiais ou um grande sonho que você queira compartilhar. TAY RODRIGUEZ Eu estou bolando projetos mais para a parte pop e eletrônica. Quero focar muito no público fora daqui também, porque aqui não tem muito onde eu fazer, já que em Mato Grosso o sertanejo predomina, então os bares e as casas (de festa) são muito sertanejas. Então eu quero fazer shows onde consigo aqui e focar também fora do estado, levando um pouco do meu jeito, da minha voz e do meu talento para outros lugares que não sejam em Cuiabá, mas focando no pop eletrônico. 61
DE CUIABÁ PARA O MUNDO Luana Vieira, bailarina e professora de dança cuiabana, começou no mundo da dança com 11 anos. Hoje, com 25 anos, embarcou em sua barreira internacional com a companhia alemã de dança Aida Cruises, onde foi uma das 20 selecionadas entre os 100 brasileiros que concorreram à vaga. Formada pela IFB em licenciatura em dança, a dançarina internacional abriu um tempo na sua agenda de turnê para ceder uma entrevista para a TAG. Confira ENTREVISTA POR CAMILA ALVES 62
THEAVANTGARDE Como você descreveria seu estilo pessoal dentro e fora dos palcos? LUANA VIEIRA Ai, é difícil essa pergunta porque dentro dos palcos a gente sempre tem que tá de acordo com o personagem, de acordo com o que a dança pede, o que o trabalho me pede. Então meu estilo dentro dos palcos é me adaptar ao que está sendo proposto. Meu estilo fora dos palcos acho que é um urbano despojado THEAVANTGARDE Quais são suas fontes de inspiração ao criar? Há algum coreógrafo que te inspire? LUANA VIEIRA Eu tenho coreógrafos que me inspiram e vou citar três brasileiros. Pedro Reis, Arielle Macedo e Flávio Verne, são um exemplo de inspiração quando quero criar alguma coisa. Mas, eu geralmente me forço a sempre fazer coisas que aguçam minha criatividade. Então eu escrevo muito, ouço muita música, eu desenho. Tento fazer coisas que não são relacionadas à dança para que minha criatividade dançando seja mais bem trabalhada. THEAVANTGARDE Como seu estilo de vida influencia sua expressão artística na dança? LUANA VIEIRA Influencia de maneira bem potente, porque eu não consigo repartir e dividir vida pessoal da vida profissional, pra mim é uma coisa só. Então me expresso a partir do que estou vivendo no momento. Se eu tive um dia péssimo, o meu sentimento com certeza vai influenciar diretamente a minha criação. E eu não consigo ter essa repartição de estilo de vida e expressão artística, pra mim os dois estão juntos e acabam influenciando o outro. É claro que nós, artistas, sempre temos que ter essa maturidade cênica de […] trabalhar isso psicologicamente e fazer o nosso sentimento não atrapalhar nosso profissional. THEAVANTGARDE Quais são as peças indispensáveis de roupa quando está viajando pelo mundo para performances? LUANA VIEIRA Roupa de ensaio. Como geralmente estou em países frios, então casaco sempre. Mas a velha legging, um camisetão e um tênis estão comigo em todos os momentos. Então legging, um tênis confortável, um camisetão comprido e uma xuxinha. Um item indispensável que eu sempre tô é a xuxinha de cabelo. THEAVANTGARDE Como você equilibra conforto e estilo em seus trajes de dança? LUANA VIEIRA Tênis bom e confortável, eu uso sempre um camisetão porque eu acompanho muito uma vibe meio urban urbano, um estilo bem urbano. É sempre interessante estar com um boné legal, um tênis bonito e confortável. Eu acho que eu equilibro assim: estando confortável com meu tênizinho, com minha legging preta básica e um camisetão. Sem estar brega. Risos THEAVANTGARDE Você tem alguma marca favorita? LUANA VIEIRA Adidas. Eu amo a Adidas, sou apaixonada pela Adidas. I love Adidas. Risos” THEAVANTGARDE Quais tendências você acha que estão influenciando a cena da dança atualmente? LUANA VIEIRA Cara… eu não sou a melhor pessoa para falar sobre tendências de moda porque eu realmente nunca levei minha atenção a isso. Mas na dança, eu acho que é isso que te falei. Independente do tipo de dança, acho que está todo mundo indo por esse caminho mais urbano, meio street dance. Tipo moletom, uma roupa bem mais larga, mais despojada, boné. As meninas estão usando muito coque e aí o coque já remete ao balé clássico, mas não é o coque de balé. É um coque mais desarrumado, então acho que a tendência tá sendo essa. THEAVANTGARDE Como você adapta seu estilo de dança para diferentes culturas ao redor do mundo? LUANA VIEIRA Então, essa pergunta é difícil porque aqui a gente não precisa se adaptar, pelo menos a minha experiência que tô tendo aqui fora a gente trabalha em cima de shows que já existem. A companhia em que eu trabalho é alemã, então a gente trabalha em cima de shows que já existem dentro da companhia. Diferente de eu ter que me adaptar aos lugares que visitamos, eu tenho que me adaptar aos shows que já existem aqui. Eu procuro ser bem flexível, essa é minha forma de me adaptar, sabendo de tudo um pouco. Se eles pedirem balé clássico, eu consigo. Se precisar que eu dance Hip-Hop, eu consigo. Se precisarem que eu dance de salto, eu consigo. Se precisarem que eu dance contemporâneo, eu consigo. Ser versátil e estar disponível a aprender, caso eles precisem de algo que eu não sei. Eu vou estar preparada e disponível para aprender algo novo. THEAVANTGARDE Como você vê a interseção entre moda e dança em sua própria carreira? LUANA VIEIRA Caramba, eu acho que… a roupa que eu me visto interfere diretamente no estilo que eu tô dançando e na aula que eu tô fazendo. Por exemplo, se eu faço uma aula de Hip-Hop de collant e meia calça eu me sinto horrível e se eu faço uma aula de clássico de camisetão e moletom vice e xxxxx 64
versa. Eu acho que a moda acompanha diretamente o estilo que estou fazendo, acho que na minha carreira fui bem influenciada pelo meio que estava inserida. Quando eu morava de Cuiabá, eu não gostava de algumas roupas que outras pessoas usavam tipo moletom ou roupa larga, eu achava feio porque o meio que eu estava inserida era o balé clássico, quando me mudei para Brasília, me inseri no meio do Hip-Hop e aí eu passei a usar essas roupas mais largas e hoje sou apaixonada. Então acho que essa influência desses dois mundos — dança e moda — estão totalmente interligados porque são muitos grupos e cada grupo tem o seu estilo, acaba que […] os dois andam juntos. THEAVANTGARDE O que definitivamente não pode faltar dentro da sua bolsa de aula? LUANA VIEIRA “xuxinha de cabelo. Sempre. Tanto que eu uso xuxinha de cabelo como pulseira, risos […] não pode faltar o meu moletom, a minha legging e um top bem bonito, com desenho diferente. Sou apaixonada por tops, que combinam com shorts. Eu gosto muito de combinar […] acho que um boné também de vez em quando, as vezes eu não quero comprimentar ninguém e o boné me deixa ficar mais invisível.” THEAVANTGARDE Nesse mundo das competições de dança, o que um dançarino precisa ter em mente para não se deixar levar só pela competitividade? LUANA VIEIRA Difícil essa pergunta, acho que nem sei responder…mas acho que autoconfiança, trabalhar a cabeça e o psicológico para se sentir autossuficiente e bem consigo mesma. Por que o ambiente da dança tem essa falha de sempre nos levar para o caminho da autocobrança. Então nunca vai estar bom, nunca vai ser suficiente, a gente sempre tem que treinar mais, e sim isso é fato, a gente sempre tem que estar em busca de conhecimento e praticar, mas de forma saudável. Que isso não influencie negativamente e que isso não se torne doentio futuramente. O segredo seria trabalhar a autoconfiança e estudar muito. 65
Do suede à camurça: o upgrade dos streetsneakers “Entenda tudo sobre essa tendência e o saiba como customizar seu tênis” TENDÊNCIAS POR ANDRÉ PAULINO meados de 2022, o training sneaker retornou com intensidade às prateleiras e logo se tornou uma tendência viral. Sendo um dos tênis mais vendidos na história da multinacional alemã, o tradicional modelo branco carrega as três listras pretas da marca com o diferencial da parte frontal revestida em suede cinza tingido, transformando a conhecida estilização da marca em um design mais sofisticado. Entretanto, em virtude da sua hiperpopularidade no nicho da moda streetwear, a tradicional combinação de cores foi transformada com novas possibilidades, multiplicando a paleta p&b em recombinações de tonalidades e estampas que eu não sou capaz de contabilizar. Dos 40's diretamente para o meu guarda-roupas, o modelo vintage originalmente projetado para ser uma chuteira não é o único design atlético da marca. O modelo Gazelle, muito similar ao design do Samba, se diferencia pelo solado mais alto e robusto e seu revestimento externo 100% em suede, originalmente desenvolvido para o gramado e surpreendentemente elegante para o XX Após a febre de Panda Dunks, Superstars, Jordans e muitos outros sapatos encouraçados, o streetwear, ou melhor chamando "o streetsneaker", precisava se renovar. E foi assim que o suede (ou camurça) se destacou nos últimos tempos, relembrando seu potencial no destaque da parte mais inferior do vestuário, sem a necessidade de franjas ou fivelas marcantes, sendo notado unicamente pela versatilidade ao completar e melhorar qualquer look. Derivadas do couro, a camurça e o suede são tecidos que, na moda, enfrentam a dualidade entre a sofisticação e a impraticidade para o dia-a-dia. Entretanto, a popularização da textura por alguns vestuários reconhecidos internacionalmente, nos últimos anos, está relembrando a versatilidade de ambos os materiais, que podem ser usados até mesmo na peça-chave do seu look. Desde que várias imagens da supermodelo norte-americana de ascendência palestina, Bella Hadid, repercutiu entre as redes TikTok e Pinterest pela sua obsessão pelo modelo "Samba", da Adidas Originals, em XXXX cotidiano sem abrir mão do conforto. Para completar o trio, o Spezial, tênis feito para a prática de handebol, tem sido uma alternativa para aqueles que não querem o 100% encamurçado Gazelle nem se render à febre de Sambas. Além da aclamação da Adidas, outras empresas globais de vestuário também se consolidam como opções de moda interessantes para o cotidiano, sendo gabaritadas pelos mais formidáveis 'Sneakerheads' (adeptos da cultura urbana Sneaker). Um dos modelos mais famosos é o Puma Suede, sendo também um dos menos ousados, apesar das diversas edições limitadas autênticas e com diversas referências pop, mas o grande destaque da marca, na opinião desse humilde autor, é o collab entre a Puma e a Fenty que, ao combinar o universo fashion e o atlético, desenvolveu uma estética ainda mais sofisticada que a proposta pela adidas. Há outros streetsneakers que também petiscam da camurça de maneira similar, entretanto são menos notáveis em comparação com os modelos já citados, como a New Balance, Vans e a honrosa Onitsuka Tiger. 66
Personalize o seu tênis: A primeira sugestão é de uma simples substituição dos cadarços pela fita de cetim, artefato sagrado de todas as coquettes. E , se ainda não for o suficiente, a adição de outros acessórios (como pingentes de cadarço) também pode ser uma alternativa para transformar seu tênis único e autêntico. Além disso, de bônus, aos que preferem a praticidade, existem cadarços de cetim disponíveis para compra on-line. COQUETTE ATÉ A MORTE
Se você gostou da ideia anterior, a próxima sugestão vai ser tão fácil quanto, entretanto mais ousada porque, afinal, não é todo mundo que tem coragem de furar o próprio tênis para colocar um segundo cadarço! Se você gostou da ideia, fique tranquilo, você vai precisar de apenas duas coisas: Um alicate furador de tecido e um par de cadarços novos! MÃO NA MASSA materiais: 1- após retirar o cadarço, faça as marcações de onde você irá furar preenchendo os espaços entre os furos do cadarço original 3- agora é só começar a colocar os cadarços no tênis intercalando as cores 4- PRONTO! Agora você pode sair de casa com a certeza de que seu tênis é só seu e garantir um outfit autêntico. 2-com cuidado, posicione o furador alinhado às marcações feitas anteriormente e fure com cuidado
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RECOMENDAÇÕES D O S E D I T O R E S Numa leva tão frenética de tendências de consumo, confira nossa seleção de melhores produtos e tendências: Para mim, claramente o protetor solar da marca Needs é "disparada" a melhor escolha para proteger a pele nessa onda forte de calor em 2024. Preço abaixo da média, qualidade e proteção ótimas, e para mim, a melhor parte: um viço natural na pele! PEDRO FRAGA EDITOR-CHEFE Protetor solar facial da Needs Se vocês tem alergia a cera e a gilete, bem vindas ao time. O sabonete depilatório da Sol Cósmico promete resolver esse problema em 5 meses. Eu já comecei a testar e a foliculite com certeza já foi resolvida CAMILA ALVES REDATORA-CHEFE Sabonete depilatório sol cósmico 70
Assisti há alguns dias e posso dizer que é o meu favorito do Oscar. A direção maluca e magistral de Lanthimos combinada com a exuberante atuação de Emma Stone e um design de produção fazem um filme que será inesquecível para quem assistir. POBRES CRIATURAS (2023) THIAGO DELAPOLA EDITOR DE CINEMA O álbum "Golden Hour" de Kacey Musgraves, lançado em 2018, recebeu amplos elogios e conquistou o Grammy de Álbum do Ano em 2019. Este terceiro trabalho de estúdio se destaca pela exploração musical diversificada, inovando ao combinar elementos de country, pop e disco. Suas letras poéticas abordam temas como amor e aceitação, enquanto a produção sonora sofisticada incorpora influências que vão do country tradicional à música eletrônica. Faixas notáveis, como "Space Cowboy" e "Rainbow", contribuem para o sucesso do álbum. O reconhecimento do Grammy e os elogios à originalidade consolidaram "Golden Hour" como um marco na carreira de Musgraves, atraindo ouvintes com diferentes preferências musicais. golden hour - kacey musgraves GABRIEL ZYS EDITOR DE MÚSICA A Redoma de Vidro, único romance de Sylvia Plath, se destaca pela escrita suave e elegante, pela narrativa fluida e pela composição autobiográfica. Publicado pela primeira vez semanas antes do suicídio da autora, o enredo incorpora o tempo psicológico como principal recurso para desenvolver o clímax, ou os váááários clímax incessantes. Apesar de ser uma leitura tranquila, a trama se concentra em expressar os sentimentos mais profundos de Esther, com ênfase no período em que, assim como a autora, a personagem passou por hospitais psiquiátricos. O livro é uma ótima opção para aqueles que buscam iniciar leituras clássicas, ou apenas um “comfort book”, visto que os assuntos abordados continuam muito atuais. A REDOMA DE VIDRO - SYLVIA PLATH ANDRÉ PAULINO EDITOR DE ESTILO & CINEMA 71
A moda rococó na sua casa O luxury do século XVIII em artefatos que enriquecem sua decoração INTERIORES POR CAMILA ALVES Nascido no século XVIII, no sul da Alemanha e na Áustria, trazia inspirações do arcadismo e do barroco e tinha a França como principal precursor do movimento. O reinado de Luís XV, muito diferente de Luís XIV, era trabalhado em tons claros e pastéis. A moda não era ditada pela rainha, mas sim pelas amantes do rei. Esse movimento foi caracterizado por sedas e bordados, também prezavam pelos laços e flores. É importante ressaltar que não se deve confundir o estilo rococó com o barroco, enquanto o primeiro foca em cores e traços mais suaves, o barroco é seu completo oposto. Sua principal característica são as cores fortes e linhas retorcidas, que busca a adoração ao detalhe e valoriza as sensações. Já o rococó tem seu enfoque na leveza, buscando um contraponto aos exageros do barroco. E tudo que era moda na Europa, também se tornava moda no Brasil, já que a burguesia e a monarquia seguiam os padrões europeus. O artista com maior renome no rococó brasileiro foi o Aleijadinho e o estilo chegou ao Brasil com grande influência religiosa, sendo muito presente em igrejas e palácios do governo da época. N 72
ROCOCÓ NA MODERNIDADE Usada por pessoas que buscam leveza e requinte, o estilo rococó ainda é muito utilizado pela arquitetura moderna. Nesse quesito, o rococó é trabalhado abrindo espaço para explorar estampas e cores, podendo estar presente de forma total — na decoração e na arquitetura — ou presente em pequenos objetos por todo ambiente. O segredo é saber brincar e deixar o ambiente com o seu toque. Geralmente estão muito presentes nos ambientes comuns através de espelhos, mini estátuas mitológicas e laços. Confira nossa pasta de inspirações no Pinterest: Em Mato Grosso, características do movimento podem ser notadamente em fachadas de prédios antigos e igrejas. Pode-se encontrar também resquícios do período no Museu de Artes Sacra de Mato Grosso, onde se encontra o maior acervo de arte barroca, rococó e neoclássica do estado com cerca de 546 obras. As visitações são abertas ao público de quarta a domingo das 09h às 17h. O rococó tem como principal característica linhas e formas bem mais sucintas que seu antecessor, o barroco. Na arquitetura trouxe as grandes entradas aos prédios, para auxiliar na difusão da luz e diminuiu o tamanho das estátuas e estatuetas. Já na pintura, trouxe tons suaves e pastéis, buscava retratar a vida dos aristocratas e das elites do século XVIII. Na página anterior, “A bela adormecida” de Philippe Curtius (1989); Acima, foto de Mateus Hidalgo da igreja do Rosário e São Benedito em Cuiabá-MT; Ao lado, foto de reprodução do Pinterest. 73
Horror: o gênero esnobado pelo Oscar’s CINEMA POR THIAGO DELAPOLA 74
* Na capa, frame de “Hereditário (2018)”; Acima, frame de “Cisne Negro (2010)” Ao longo de toda a história do Oscar, apenas 18 filmes de terror receberam indicações ao prêmio e quando se trata especificamente da categoria de “Melhor Filme”, esse número cai para seis! Surpreendentemente, apenas um desses filmes, "O Silêncio dos Inocentes", conseguiu erguer a cobiçada estatueta dourada e isso aconteceu em 1991. Não há nenhum impedimento formal para que tão poucos filmes desse gênero sejam premiados na cerimônia, mas por quê isso ocorre? Grande parte das produções de horror costuma ser muito barata e voltada para imagens gráficas, devido a isso, criou-se um estigma de que essas obras seriam menores do que outras de diferentes gêneros, como o drama. Logo, a academia enxergou que esse gênero não possui um valor artístico o suficiente, “digno de Oscar”. Filmes clássicos do horror já foram esnobados, como O Exorcista, que até hoje é lembrado como um dos melhores e mais assustador filme já feito, talvez seja o exemplo mais lembrado, onde, na cerimônia de 1974, o filme recebeu 10 indicações e venceu apenas duas - melhor mixagem de som e melhor roteiro adaptado. Há diversos outros casos em vária as décadas, como O Iluminado, do lendário diretor Stanley Kubrick e inspirado em um livro de Stephen King, que recebeu um total de ZERO indicações. Nem mesmo a marcante atuação de Jack Nicholson (“Here’s Johnny”) foi lembrada. Alien, de Ridley Scott, lançado em 1979, que tirou o fôlego de muita gente por contar a história de uma tripulação de astronautas presos com um xenomorfo assassino na clássica nave Nostromo, também foi esnobado, recebendo apenas duas indicações em prêmios técnicos. Na década passada, dois filmes pertencentes ao polêmico subgênero “Pós-Horror” também foram ignorados: A Bruxa, lançado em 2015, que conta a história de uma família de colonos ingleses no Estados Unidos do Século XVI que é atormentada por uma Bruxa, e não recebeu nenhuma indicação, mesmo tendo um primor técnico e revelar a, desde sempre, talentosa Anya Taylor-Joy. Já em 2018, Hereditário (que é o filme de terror favorito desse editor) mudou o nível do jogo. O filme que mescla luto e cultos satânicos, conta com uma trama complexa, direção e atuações de arrepiar, em especial, a de Toni Collete, que também foi esquecido pela academia. É importante ressaltar que o horror não é o único gênero que é posto de lado na premiação. A ficção científica também tem muitos filmes que foram “ignorados”. É importante dizer que, embora eu tenha focado em prêmios para os filmes, esse gênero propiciou vitórias em prêmios individuais, como a vitória de Natalie Portman em Cisne Negro na edição de 2011 e Kathy Bates também levou a estatueta dourada para casa em 1991 por sua atuação em Louca Obsessão. Ainda que, na última década, o gênero do horror tenha passado por mudanças significativas, onde o terror passou a ser mais psicológico do que sobrenatural ou assassino, a academia ainda insiste em se manter muito fechada a essa categoria. O filme "Corra!" trouxe uma luz de esperança ao ser indicado e ao conquistar o prêmio de Melhor Roteiro Original em 2017. Esse reconhecimento inicial sugeriu uma mudança na percepção do horror, mas, infelizmente, ao longo das sete edições subsequentes do prêmio, nenhum outro filme do gênero recebeu uma indicação em qualquer categoria, mostrando que a resistência da academia em abraçar o horror permanece inabalada.
MARCAS PRESENTES NA EDIÇÃO: O propósito da Evolve é a produção de moda de forma sustentável. O slogan da marca é “Um novo caminho”, a marca se compromete a estar sempre em busca de novas soluções para diminuir os impactos ambientais e sociais gerados pela moda. A Evolve trabalha somente com tecidos sustentáveis entre eles, Algodão Orgânico, Algodão BCI, Linho Orgânico, Linho European Flax®, Eco Modal®, Viscose EcoVero™, TENCEL™ Modal. Todas as roupas são fabricadas na cidade de Cuiabá em parcerias com ateliês de moda locais. Também fazemos gerenciamento de resíduos, recolhendo todos os retalhos da produção para a destinação correta. Parte dos tecidos são reaproveitados dentro da própria marca, para a produção de acessórios, como bolsas, portacanudos, prendedores de cabelo, entre outros. O estilo da marca é o estilo clássico contemporâneo, sendo uma marca atemporal, são peças que nunca sairão de moda. Trabalhamos também com collabs com outras marcas e artistas locais. A última collab foi a Coleção Feito à 3, em parceria com a artista Crys Rios, que criou artes exclusivas para cada peça de roupa, e também com a Carol da Fuloriô, que bordou à mão todas as peças. Dentro da nossa loja física hoje também possuímos um espaço colaborativo que conta com produtos de artistas e marcas sustentáveis locais. Assim, nós estamos desenvolvendo boas conexões e ajudando a divulgar o trabalho de pessoas que pensam como a gente. A loja física fica localizada na Galeria S&A - Av. Sen. Filinto Müller, 777 - Quilombo. EVOLVE Instagram:
MARCAS PRESENTES NA EDIÇÃO: A Loja Onng, criada por Maria Cecília Alves, e seus filhos Paulinho Mello e Julia Mello , está no mercado desde Outubro de 2003. Marca genuinamente Cuiabana de Tchapa e Cruz, onde 80% dos nossos produtos são feitos por mãos cuiabanas, costureiras, artesãs e artistas da nossa querida Cuiabá. Hoje nosso principal produto são as camisetas com palavras, imagens, culinária, costumes e dizeres cuiabanos. Entre as mais conhecidas estão: Larga de Moagem, Eu Amo Farofa de Banana e Cuiabanissimo, muitas ideias, estampas e criações de produtos foram inspiradas em conversas com nossos clientes amigos. E lá se vão 20 anos cada dia mais apaixonada.. por está Cuiabá que...nos inspira, e devagarinho fomos conquistando e sendo conquistado, ficando assim...cada dia mais Cuiabana, buscando o melhor para nossos clientes amigos, criando cada peça pensando em tocar o coração dos cuiabanos de tchapa e cruz ou pau rodados, valorizando a cultura e mão de obra local. Nós escolhemos proteger e cuidar do meio ambiente por amor a vida!! A loja física fica localizada no Shopping Pantanal, Av. Historiador Rubens de Mendonça, 3300 - Loja 2158 - Jardim Aclimacao, Cuiabá - MT. ONNG Instagram:
Pedro Fraga Editor-chefe Agradecimentos Gostaríamos de agradecer imensamente à parceria com as Lojas Onng e Evolve que toparam colaborar com suas peças. Gostaríamos também de agradecer à Tay Rodriguez, sempre muito solícita e aberta. Por último, gostaríamos de agradecer ao IESB (Instituto Estadual Sementes do Bem) pelo empréstimo das saias de siriri e cururu.