TheAvantGarde Brasil Fev. 2024
Carta do editor:<br><br>2024 definitivamente é o ano de mudança, é o ano de criar o novo, de pensar na transformação, mas não apenas no sentido prático e profissional da coisa. Talvez essa virada seja tempo de repensar o novo eu, é momento de se desprender das convicções antigas. Mas para poder pensar no que vem por aí, é preciso se apegar às raízes, pois quem somos é subproduto do que foi.<br><br>Até que ponto estou sendo totalmente e unicamente eu? Quanto do outro existe em mim? O quanto sou influenciado pelo meu espaço? Particularmente, eu não sou daqui (Cuiabá - Mato Grosso), mas nestes 7 anos em solo do Centro-Oeste, percebo o quanto de mim já se foi e o quanto o Pedro de agora também tem um pouco da baixada cuiabana.<br><br>Para mim, um erro mortal do povo deste lugar tão único é não entender a potência que existe neste espaço. Já morei em 4 estados, em 7 cidades, viajei por lugares incontáveis, vi todo tipo de gente, já tive todo tipo de conversa, mas jamais Cuiabá-MT saiu da minha cabeça. No dia a dia, talvez a gente se esqueça um pouco do quanto o calor excessivo, a chita, o siriri e cururu e o lambadão tornam esse chão tão único.<br><br>Retorno, 2024 definitivamente é o ano de mudança, mas não aquela de esquecer o tradicional, é tempo de abraçá-lo, de a partir dele criar o pós-contemporâneo, é tempo de conhecer a galera independente que está agitando a cena cultural, de ir assistir àquela apresentação na Edgar Vieira, mas não apenas passar e olhar por cima seguindo reto, olhe com atenção: O que existe de único naquela pessoa de pé performando? Qual história ela pode me contar?<br><br>E a mesma coisa segue para a cena de teatro, de companhia ou independente, para as exposições de arte, para a moda, o audiovisual. Acho que, no fim, este ano é tempo de sair da zona de conforto e conhecer mais sobre o que os artistas daqui têm de novo para nos mostrar.
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