APOSTILA METROFERROVIÁRIO MATERIAL RODANTE Soluções Educacionais
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Introdução Caro aluno, Seja bem-vindo à unidade curricular de capacitação em Material Rodante! - dades ferroviárias, ligadas diretamente à operação de transporte. Abordaremos situações corriqueiras e outras nem tanto, usando uma linguagem simples e objetiva, facilitando sua compreensão e interesse pelo assunto. Então, vamos lá! Este livro contém oito capítulos, sendo o primeiro a Introdução. Para que você conheça a essência deste trabalho, veja abaixo o que trabalharemos por capítulo. No capítulo dois, veremos o conceito de Material Rodante e a apresentação dostipos de veNo capítulo três, falaremos dos engates, conhecendo os tipos, funções, componentes, operação e riscos da atividade. tipos, funções, operação e riscos da atividade. No capítulo cinco, apresentaremos as noções do sistema de freios, seus tipos, funções, princípios de funcionamento de cada um, os procedimentos de sua aplicação e osriscos da atividade. No capítulo seis, falaremos da importância do manômetro (medição de pressão), aprendendo os procedimentos de sua medição, instalação, testes de vazamentos e aplicação de freios, bem como os riscos da atividade. - cia, seus princípios de funcionamento, os procedimentos de instalação e os riscos da atividade. - Tipos de cargas existentes; - Operação de carga e descarga e suas anomalias;
MATERIAL RODANTE - Acondicionamento de cargas e suas anomalias; - Riscos das atividades relacionadas. - cedimentos operacionais e de segurança, assim como avaliar e administrarsuas anomalias e avarias; de freio; - nuseio, leitura e instalação; anomalias em relação ao seu carregamento e descarregamento, acondicionamento e vazamentos; Conhecer a legislação aplicada ao transporte de cargas e produtos perigosos. nosso empenho e sua dedicação e compromisso com a aprendizagem. Mãos à obra!
Conceito de Material Rodante Neste capítulo, você conhecerá o Material Rodante e compreenderá a importância desse equipamento e o seu poder no transporte e na execução de serviços de engenharia da via permanente1 e anomalias comuns à operação, e se conscientizará da necessidade dos procedimentos de segurança na execução das atividades relacionadas à sua operação. Material Rodante é todo veículo ferroviário, autopropulsor ou não, que circula sobre trilhos, destinado ao transporte de passageiros e cargas de pequeno, médio e grande porte. 2.1 TIPOS DE VEÍCULOS Os veículos variam de acordo com a sua utilização dentro da operação ferroviária, pois apresentam funções distintas para o transporte de cargas e passageiros ou manutenção e correção - sitivas particulares. Apresentaremos, a seguir, os veículos comuns à atividade ferroviária, suas funções e aplicações no setor. Acompanhe abaixo com atenção! Carros : São veículos rebocados, destinados ao transporte de passageiros. Incluem classe econômica e executiva, restaurante e dormitório, que garantem conforto e segurança, indispensáveis em viagens de longa distância. Existem também os carros do trem-unidade, formado por carros tanto motores quanto reboques; no entanto operam permanentemente engatados entre si, operando geralmente no transporte em massa de passageiros, a exemplo do metrô. Vagões : São veículosrebocados destinados ao transporte de cargas, diferenciados pelo ser- - de acordo com as características de cada um. Locomotivas : São veículos de tração própria destinados a rebocar vagões e carros. Dispõem de um comando operado pelo maquinista ou similar, que tem a função de condução e controle de sua operação, seja em trens de manobra, serviço ou de viagem. Podem ter diferensua capacidade de tração. 1 É um conjunto de elementos e equipamentos que compõem a infraestrutura e superestrutura da linha, dando suporte para a circulação de veículos no transporte ferroviário, garantindo seu deslocamento de forma ágil e segura.
MATERIAL RODANTE Veículos de manutenção da via : São todos os veículos destinados à instalação, manutenção e correção geométrica da via permanente, necessários à operação. Cada um desempenha determinada função relacionada às inúmeras necessidades existentes na engenharia de construção e manutenção da malha ferroviária. Podemos destacar como exemplo assocadoras, niveladoras, alinhadoras, reguladoras de lastro, Figura 1. Veículo de manutenção de via Guindaste de socorro : Veículo rebocado, destina principalmente à desobstrução da via em caso de acidentes, encarrilhando veículos e remanejando cargas supostamente envolvidas. Veículo rodoferroviário : Veículo especial de tração própria dotado de equipamento para locomoção, tanto na ferrovia quanto na rodovia. Pode ser usado em vários serviços de correção de anomalias da via permanente ou manutenção de sua estrutura, de acordo com a sua característica. Utiliza as opções de locomoção para facilitar seu acesso ao campo na execução dos serviços emergenciais. Figura 2. Veículo rodoferroviário 2 Pequenos vagões rebocados exclusivamente por automóveis de linha. Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Automóvel de linha : Veículo de tração própria, destinado principalmente à inspeção da via permanente. Também é usado no transporte do pessoal encarregado da execução de serviços ao longo da via permanente, bem como de suas ferramentas e equipamentos, transportadas separadamente nos vagonetes2 . 2.2 VAGÕES São veículos destinados ao transporte de cargas. Eles podem ser abertos ou fechados, com ou sem conhecer agora as três partes que compõem um vagão e relacionar os componentes de cada uma delas? Siga em frente! Os vagões dividem-se em: Truque Estrado Caixão Truque : Componente estrutural do vagão onde são montados osrodeiros e a suspensão do vagão. Para que você compreenda melhor, o rodeiro é constituído de um eixo e um par de rodas, uma em cada extremidade. Cada truque contém um par de rodeiros, caixas de rolamentos, travessa central, travessas laterais, molas ou suspensão, triângulo de freio, sapatas de freio, prato pião, ampara balanço e coxim do ampara Figura 3 - Truque e seus componentes Para ampliar seus conhecimentos, sugerimos a leitura do Manual Básico de Engenharia Ferroviária de Rui José da Silva Navabais, organizador – São Paulo: Oficina das Letras, no qual você encontrará mais informações sobre veículos ferroviários. SAIBA MAIS Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
MATERIAL RODANTE Estrado : Estrutura plana em aço, ferro ou madeira apoiada sobre o truque. É a parte mais resistente do vagão, pois recebe a carga a ser transportada, distribuindo o seu peso para os truques, além de receber os impactos transferidos pelos engates. O estrado divide-se em testeira, longarina e assoalho. Nele, estão Engates Dispositivo vazio carregado Coletor de pó com torneira combinada Reservatórios de ar (auxiliar e emergência combinados) Válvula retentora de alívio Timoneria de freio Ajustador automático de folga Cilindro de freio Figura 4. Válvula de controle Caixão : Caixa montada sobre o estrado e confeccionada em aço, alumínio ou madeira. A caixa tem a (para vagões fechados). Na cabeceira B, encontra-se como referência, o direcionamento da haste do cilinvagão, temos como referência o cilindro de freio que está montado no lado esquerdo do vagão. Portanto, o lado direito do vagão é o lado oposto ao cilindro de freio. Conhecça a seguir a divisão do vagão: Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Figura 5. Componentes do vagão Continuemos motivados porque ainda há muito o que estudar! Sigamos! 2.2.1 - TIPOS E IDEN TIFICAÇÕES - ra de normas Técnicas (ABNT), a partir das normas da Association of American Railroads (AAR) e dividida em três grupos: A, B e C, que conheceremos a seguir: Grupo A: Formado por três letras, exemplo PMD, onde: A primeira letra indica o tipo do vagão que apresenta grandes diferenças em função da diversidade dos produtos envolvidos no transporte. A segunda letra indica o subtipo - res, características que o diferenciam dentro de um mesmo modelo de vagão, como o material usado no estrado ou caixão, tipo de carga e descarga, se é aberto ou fechado entre outros. A terceira letra indica a capacidade da manga de eixo (peso máximo) e a bitola. de medidas de bitolas espalhadas mundo afora. No Brasil, encontramos, na maioria das ferrovias, a bitola de 1,60m, chamada larga e a de 1,00m, chamada métrica. Ainda existe, em algunstrechos, a histórica bitolinha de 0.76m, onde rodam locomotivas a vapor, conhecidas como Maria Fumaça, geralmente utilizadas no transporte de turistas em cidades históricas, mas são ramais isolados. Também quase em desuso, está a bitola standard, de 1,435m, quase extinta no Brasil em função de conveniências técnicas e econômicas. Para facilitar o intercâmbio entre algumas ferrovias no Brasil, existe a incorporação do terceiro trilho em alguns Fonte: DE JESUS, Cássia; ARAÚJO, Fernando (2016)
MATERIAL RODANTE trechos. A bitola mista, como é conhecida, permite a circulação de veículos de bitolas distintas, métrica e larga; assim, é possível compartilharem a mesma via. Figura 6. Bitola mista seguinte parâmetro: Da letra A até a letra G, bitola métrica; Da letra P até a letra U, bitola larga. Para cada letra, de A a G e de P a U, existe um valor que corresponde ao peso máximo que o vagão suporta, como mostra a tabela a seguir: Os primeiros veículos conduzidos por estradas, que eram canaletas abertas na pedra ou na terra, foram as carroças. Com o passar do tempo, os sulcos no chão foram substituídos por barras de ferro e as carroças por veículos maiores, mas ainda com tração animal constituída por uma dupla de cavalos. Essa medida foi usada como parâmetro para criação da bitola standard, por mais estranho que possa parecer. FONTE: Via permanente aplicada: guia teórico e prático/Fábio STEFFLER.- Rio de Janeiro: LTC, 2013. il.; p.140. CURIOSI DADES Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) Bitola métrica Bitola larga
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Tabela 1 - Capacidade da manga de eixo U de acordo com a bitola. O exemplo PMD citado acima refere-se a um vagão plataforma (letra P), com assoalho de madeira (letra M) e de bitola métrica com capacidade de 80 ton. (letra D). Vejamos outros exemplos de vagões: HFE = Vagão Hopper (letra H), fechado (letra F) e de bitola métrica com capacidade de 100 toneladas (letra E). - trica com capacidade de 64 toneladas (letra C). TCP = Vagão-tanque (letra T), para líquidos (letra C) e de bitola larga com capacidade de 47 toneladas (letra P). Grupo B Constituído por seis dígitos, sendo que o primeiro dígito corresponde ao proprietário do vagão, que pode ser de uma empresa particular ou ferroviária. Os demais correspondem ao número de série do vagão. Grupo C Prossigamos! BITOLA MÉTRICA A = 30 toneladas B = 47 toneladas C = 64 toneladas D = 80 toneladas E = 100 toneladas F = 119 toneladas G =143 toneladas BITOLA LARGA P = 47 toneladas Q= 64 toneladas R = 80 toneladas S = 100 toneladas T = 119 toneladas U=143 toneladas Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015) O dígito de controle ou verificador é resultado de um cálculo entre os números que constituem o grupo B da classificação do veículo. CURIOSI DADES
MATERIAL RODANTE Muito interessante tudo isso, não é? Multiplique por 7 o primeiro dígito da numeração; Multiplique por 6 o segundo dígito da numeração; Multiplique por 5 o terceiro dígito da numeração; Multiplique por 4 o quarto dígito da numeração; Multiplique por 3 o quinto dígito da numeração; Multiplique por 2 o sexto dígito da numeração; Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) A B C Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Some esses 6 produtos; Divida a soma por 11 e guarde o“resto”; De 11, subtraia esse “resto”; Dividindo por 11, o“resto” pode variar de 0 a 10. Se o “resto” da divisão for 10, a subtração (11 menos 10) dará 1. Neste caso, o dígito também será 1. Como você pode ver, tudo é muito interessante. Veja o exemplo: GFD 630536 - ? = 9 Figura 9 -Desenho explicativo 2.2.2 - TIPOS DE VAGÕES EM FUNÇÃO DA CARGA É importante compreendermos que cada vagão atende determinado tipo de carga, que, por sua caferrovia. Eles diferenciam-se basicamente pelas condições funcionais ou dispositivos de carga e descarga. Existem ainda os vagões exclusivamente fabricados para atender uma única carga, em razão de sua particularidade, a exemplo de carros, cimento a granel, trilhos, rodeiros, entre outros. Conheceremos agora Para saber mais sobre identificação de vagões, sugerimos acessar o site: http://www.revistaferroviaria.com.br/encontro/pdfs/Apressentacao4.pdf SAIBA MAIS Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015)
MATERIAL RODANTE os vagões mais comuns, utilizados pelas ferrovias no Brasil e no mundo e a diversidade de produtos que alguns transportam. Fique ligado! Plataforma : Veículo com multiplicidade de cargas sem a parte do caixão. Atende vários tipos de cargas equipamentos toras de madeira e contêineres3 . Pode ter o assoalho de madeira ou de metal e tem em seu contorno algumas barras de metal para contenção da carga chamadas fueiros, que são distribuídos em suas laterais e extremidades. Figura 10 - Vagão plataforma com destaque dos fueiros. Gôndola : Veículo sem cobertura ou teto adequado para o transporte de cargas em granéis sólidos que não exigem proteção contra intempéries, como carvão, minérios e produtos siderúrgicos. Possuem vaFigura 11 - Vagão gôndola Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) 3 Termo internacionalizado na terminologia ferrovia para os“cofres de carga”, como eram antes conhecidas no Brasil as caixas utilizadas no transporte de diversos produtos, que devido às características, facilita a sua manipulação, seja qual for o meio de transporte escolhido. Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Hopper : Veículo fechado ou aberto com fundo rampeado e descarga automática inferior por meio de tremonhas. A carga superior é feita, utilizando nos vagõesfechados. O vagão hopper é usado no transporte de granéis sólidos como minério, brita, carvão, grãos e farelos. Tanque : Veículo cilíndrico resistente à baixa e alta pressão com carga superior e descarga por válvulas de fundo, destinado ao transporte de granéislíquidos como derivados de petróleo, álcool, produtos químicom serpentinas internas para o aquecimento de líquidos muitos viscosos, e outros para o transporte de gases sob pressão. Também há o modelo de tanque côncavo, usado exclusivamente para o transporte de - do por tubulação para serem descarregadas devido ao adensamento da carga durante a viagem. Figura 12 - Vagão-tanque Antigamente, era comum o transporte de animais vivos, como aves e gado, em vagões chamados de gaiolas. Essa prática foi eliminada, restando poucos exemplares deste veículo em operação, e atualmente são utilizados, de forma improvisada, no transporte de dormentes, tijolos e outros materiais. CURIOSI DADES Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
MATERIAL RODANTE Figura 13- Vagão-gaiola Continuando nossos estudos, é importante ressaltar que alguns vagões menos comuns fazem parte da frota de algumas ferrovias no transporte de cargas especiais, exclusivas de determinada região ou país. Entre eles estão os vagõesisotérmicos, para produtos congelados ou resfriados e os de características bem peculiares, para o transporte de cargas como carros, grandes estruturas e produtos siderúrgicos de alta temperatura, chamados de vagões especiais. Figura 14 - Vagão especial para bobinas Bom, você conheceu os diversostipos básicos dos vagões comuns na maioria dasferrovias do Brasil e do mundo. De acordo com nosso comentário anterior, cada um dostipos de vagões pode apresentar algumas variações, por exemplo: o seu sistema de carga e descarga, o material utilizado em seu assoalho, ou até Conheceremos a seguir uma tabela que apresenta todos os vagões mencionados e suas possíveis variações dentro do mesmo modelo. Vejam como é interessante essa diversidade! Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015) Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE 1ª LETRA TIPO BÁSICO 2ª LETRA SUBTIPO G Gôndola D Vagão com descarga car-dump P F M T Com bordastombantes S Com bordas semitombantes H Com bordas basculantes ou semitombantes com fundo em lombo de camelo C Com bordas basculantes ou semitombantes com fundo em lombo de camelo e cobertura móvel B Basculante Q Outros tipos P Plataforma M Convencional com piso de madeira E Convencional com piso metálico D Convencional com dispositivo para contêineres C Para contêineres R Com estrado rebaixado T Para autotrem G Para piggy-back P Com cabeceira (bulkhead) B Para bobinas A Com dois pavimentos, para automóveis N Não remunerado Q Outros tipos T Tanque C Convencional S Com serpentina para aquecimento P Para produtos pulverentos F Para fertilizantes A Para ácidos ou outros corrosivos líquidos G Para gás liquefeito de petróleo N Não remunerado Q Outros tipos F Fechado R Convencional, caixa metálica com revestimento S Convencional, caixa metálica sem revestimento M Convencional, caixa de madeira ou mista E Com escotilhas H Com escotilhas e tremonhas L Laterais corrediças (all door) P Com escotilhas, portas basculantes, fundo em I. de camelo e proteção anticorrosiva V Ventilado N Não remunerado Q Outros
MATERIAL RODANTE 2.2.3 - PORTAS E COMPORTAS: TIPOS E FUNÇÕES Cada vagão tem seu sistema de carga e descarga que facilita esta operação, proporcionando agilidade e segurança na movimentação dos produtostransportados. Como vimos anteriormente, a variação de carConheceremos agora alguns tipos de portas e comportas comuns entre os vagões apresentados anteriormente: Escotilhas : Sistema de carregamento superior de vagões hopper fechados, dotados de tampas articuladas para a sua vedação; I Isotérmico C Convencional F N Não remunerado Q Outros H Hopper F Fechado convencional P Fechado com proteção anticorrosiva E T A Aberto N Não remunerado Q Outros 1ª LETRA TIPO BÁSICO 2ª LETRA SUBTIPO s Vagão especial T Torpedo – produtos siderúrgicos de alta temperatura B Basculante P Plataforma para lingotes, placas de aço etc. G Gondolas para sucata, escória etc. Q Outros
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Figura 15 - Escotilhas Tremonhas : Sistema de descarga inferior de vagões hopper. Consiste de um mecanismo que aciona a abertura ou vedação de uma comporta por engrenagens. A descarga automaticamente inicia-se com sua abertura, escoando o produto em receptores posicionados sob os trilhos ou na sua lateral; Figura 16 - Modelos de tremonhas Portas de correr : Dispositivo na lateral da caixa do vagão fechado, que trabalha com uma ou duas bandas de portas encarrilhadas. Seu fechamento e abertura se fazem no movimento de correr horizontal. A carga e descarga do vagão é feita por esta porta, de forma manual ou com maquinário próprio; Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
MATERIAL RODANTE Figura 17 - Carregamento de um vagão com porta de correr Portas articuladas em vagões gôndola : Os vagões gôndola têm seu sistema de descarga variado. Suas descargas podem ser inferiores, pelo assoalho e lateral, ou central, pelas bordas móveis tombantes ou semitombantes. Granéis sólidos, como brita, minério e carvão, utilizam vagões com o sistema inferior, nos quais a descarga é automática, enquanto a central é ideal para produtos que, por sua natureza, necessitam de manuseio, como dormentes, tarugos e bobinas. Figura 18 - Modelo de descarga de vagão gôndola 2.2.4 - IMPORTÂNCIA DO FECHAMENTO E TRAVAMENTO DE PORTAS E COMPORTAS O fechamento e travamento das portas e comportas contribuem para a contenção e proteção da carga transportada e para a segurança operacional. O seu bom funcionamento evita vandalismos e vazamentos, que podem contaminar o solo ou causar um acidente, além da alterar o produto em sua totalidade. No caso graves em razão da periculosidade que oferecem ao meio ambiente e à população. Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015) Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE 2.2.5 PROCEDIMENTOS DA ATIVIDADE DE FECHAMENTO E TRAVAMENTO Na operação de fechamento e travamento de portas e comportas, é importante avaliar o equipamento em sua condição física e funcional. Quando necessário, devemossolicitar ajuda devido ao peso de algumas portas. As obstruções que impedem sua vedação, como avarias ou resto de produtos, devem ser observadas e eliminadas, garantindo o travamento. Também não podemos esquecer de providenciar o seu devido lacre, no caso de vagões carregados. Muitasinformaçõesimportantes, não é? Pronto para prosseguir? Então vamoslá! Neste contexto, aprecomportas. Acompanhe! Um trem carregado com milho a granel passava pela área urbana de uma cidade com a velocidade reduzida devido a uma restrição na via permanente, quando alguns vândalos observaram que um - tura do vagão com o trem em movimento, derramando-a sobre a linha, colocando em risco suas próprias vidas e a segurança do trem. Na primeira parada, a carga, que ainda escoava, acumulou-se debaixo do vagão, criando uma situação ainda maior de risco de descarrilamento ou até de tombamento dos vagões, caso o trem entrasse em movimento novamente. Graças a uma postura atenta e compromissada de um funcionário, essa situação foi detectada, impedindo a partida do trem e, consequentemente, um grave acidente. Asirregularidades no fechamento e travamento dos vagões, como vimos, podem trazer sérios riscos à operação e à segurança da população, exigindo atitudes que vão desde sua correção no fechamento do vagão até as vistorias constantes durante o percurso do trem. Figura 19 - Vagão com vazamento de milho CASOS E RELATOS Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015)
MATERIAL RODANTE 2.2.6 - POSSÍVEIS ANOMALIAS PRESEN TES NO FECHAMENTO E TRAVAMENTO Conheceremos agora as anormalidades mais comuns que interferem no fechamento e travamento das Falta de portas e comporta A falta de portas e comportas cria uma condição irregular que impossibilita a circulação do vagão pela sua incapacidade de proteção da carga. Antes de ser encaminhado para o carregamento, o vagão deve ter de portas e ou comportas do vagão carregado em trânsito, devemos comunicar à estação ou ao Centro com os recursos disponíveis. Figura 20 - Vagão faltando porta Falta de travas nas portas e comportas A falta de travas nas portas e comportas deixa a carga vulnerável, sujeita a saques, vazamentos e pode - videnciará a reparação imediata do vagão carregado. Se estiver vazio, será feita uma programação para correção na primeira oportunidade antes do seu carregamento. Porta descarrilada - dação. Seu encarrilamento deverá ser providenciado pela mecânica, que avaliará a necessidade de encacarga, a perda da porta pelo seu desprendimento total na circulação do trem ou na sua operação, além de inibir um grave acidente. Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Figura 21 - Porta devidamente encarrilada Portas/comportas empenadas por má operação ou quebra de dobradiça O empeno das portas e comportas pode ser proveniente de má operação ou quebra de algum compoalém de poder provocar um acidente enquanto estiverem sendo operadas ou durante a circulação do trem. Essa anomalia deverá ser comunicada à estação ou ao Centro de Controle, que encaminhará o vagão 2.2.7 - RISCOS OPERACIONAIS DA ATIVIDADE DE FECHAMENTO E TRAVAMENTO Você sabe o que é risco? Risco é a expectativa de uma perda. É expresso como a combinação da graviDurante a realização da atividade de fechamento e travamento de portas e comportas, poderão ocorrer situações de riscos, tais como: Quando o trabalhador realiza sozinho o fechamento das portas que pesam até 150kg, adotando postura inadequada e esforço físico excessivo; exposto a possíveis queimaduras, intoxicação e outros danos à saúde. Para isso, é necessário o uso A presença de piso irregular, canaletas, bueiros e vegetação alta principalmente nas áreas de animais peçonhentos; Quando não observadas as avarias no sistema de fechamento e travamento de portas e comportas ou na sua má operação, poderão ocorrer acidentes pessoais e/ou operacionais. Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015)
MATERIAL RODANTE 2.2.8 EPI’S RELA TIVOS À ATIVIDADE DE VISTORIA DE TRAVAMENTO DE PORTAS E COMPORTAS Para minimizar os riscos decorrentes da atividade de vistoria e travamentos de portas e comportas, é obrigatório o uso dos seguintes equipamentos de segurança individual, EPI’s: Capaceteparaproteçãocontra impactosdeobjetossobreocrânio, choques elétricos e agentestérmicos; Óculos para proteção dos olhos contra impactos de partículas volantes; Luvas para proteção das mãos contra agentes abrasivos, escoriantes, cortantes e perfurocortantes; Perneira para proteção das pernas contra picadas de animais peçonhentos, agentes abrasivos e escoriantes; Calçado para proteção contra impactos de quedas de objetos sobre os artelhos; Cinturão de segurança para proteção do usuário contra riscos de queda em trabalhos em alturas; Em caso de ocorrência de chuva, o trabalhador deverá utilizar a vestimenta para proteção do tronco contra riscos de origem meteorológica. visualização no período noturno e também atentar para as orientações de segurança mencionadas nos procedimentos operacionais estabelecidos pela empresa. Figura 22- EPI’s comuns na operação ferroviária 2.2.9 - CONCEITO DE LIMPEZA DE VAGÕES Limpeza é o ato de retirar impurezas de um material ou de um local. Devido à enorme demanda de transportes e de rotatividade dos vagões, é necessário que a limpeza seja feita de forma interna e externa FIQUE ALERTA Verifique sempre o seu EPI, pois nele deverá ter o nome da empresa fabricante, o lote de fabricação e o número do certificado de aprovação - CA. Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE para evitar a contaminação de mercadorias com resíduos remanescentes e acidentes operacionais, além de contribuir para seu aspecto visual e facilitar a vistoria do material rodante. 2.2.10 - TIPOS DE RESÍDUOS E SUJIDADES PRESEN TES EM VAGÕES A manutenção do vagão, em relação a sua limpeza interna e externa, é tão importante quanto a mecâ- - dem contaminar outras cargas ou até mesmo provocar um acidente. É dever do terminal de carregamento devolver o vagão após a sua carga ou descarga, com a parte externa completamente limpa, ou seja, livre de resíduos no teto, nas bordas, na viga central, nos truques e nas estruturas. Vale ainda esclarecer que a parte interna também deve ser devolvida em condição de uso por outro cliente no caso de descarga. Esse terminal responsável, forma de limpeza, tipo de produto e tipo de vagão. A limpeza dos vagões pode ser feita a seco, com aspiração ou varredura, usando água, ou a seco com ar comprimido. Conheceremos agora os tipos de resíduos e sujidades mais comuns encontrados nos vagões: Resíduos de carga: Após a descarga de todo vagão, é comum permanecerem restos do material no teto, bordas, truques outras cargas que porventura serão acondicionadas neste vagão no próximo carregamento; Figura 23 - Vagão sujo Animais: O descarte de animais vivos ou abatidos em vagões é comumente feito pela população, o que pode contaminar uma carga se não for eliminado. Portanto, antes do carregamento de vagões abertos como ser soterrados por cargas, como minério e carvão, caso não sejam observados e retirados; Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
MATERIAL RODANTE Lixo doméstico: Proveniente da população vizinha à ferrovia, que descarta seu lixo diário no interior de vagões abertos ou sobre seus engates e estrados, quando na sua passagem por centros urbanos. Esse tipo de sujidade apresenta diferentes materiais que podem causar desde lesões como cortes, perfurações e/ou intoxicações no seu manuseio, além da possibilidade de contaminação da carga. Quando encontrado, o lixo doméstico deve ser eliminado e encaminhado ao setor responsável por seu descarte. 2.2.11 - RELAÇÃO LIMPEZA DE VAGÃO X CARGA A relação entre a carga transportada e um vagão limpo, sem resíduos e sujidades, estabelece para a ferrovia uma condição operacional favorável que garante a manutenção das características do produto transdo cliente no transporte de sua mercadoria. 2.2.12 - RISCOS OPERACIONAIS DA VERIFICAÇÃO DE LIMPEZA DE VAGÕES riscos, tais como: Presença de piso irregular ou sujo, canaletas, bueiros e vegetação alta sujeita à presença de animais peçonhentos; Utilização das escadas e estrados dos vagões; Contato com lixo, contendo materiais cortantes, perfurantes, contaminantes ou tóxicos, podendo ocorrer cortes, queimaduras, alergias e intoxicações diversas; Eventualmente, dentro dos vagões, podemos encontrar animais vivos ou mortos. Caso seja necessário retirá-los, os trabalhadores poderão ser atacados ou contaminados. 2.2.13 - EPI’S NECESSÁRIOS À VERIFICAÇÃO DA LIMPEZA DE VAGÕES uso dos seguintes equipamentos de segurança individual, EPI’s, a saber: Capacete para proteção contra impactos de objetos sobre o crânio, choques elétricos e agentes térmicos; Óculos para proteção dos olhos contra impactos de partículas volantes; Luvas para proteção das mãos contra agentes abrasivos, escoriantes, cortantes e perfurocortantes; FIQUE ALERTA Após a descarga, os vagões fechados deverão seguir com suas portas fechadas e travadas, evitando a prática de descarte de lixo no seu interior e vandalismos.
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Perneirasparaproteçãodaspernas contrapicadasde animaispeçonhentos, agentes abrasivos e escoriantes; Calçado de segurança contra impactos de quedas de objetos sobre os artelhos; Cinturão de segurança para proteção do usuário contra riscos de queda em trabalhos em altura. Em caso de ocorrência de chuva, o trabalhador deverá utilizar a vestimenta para proteção do tronco contra riscos de origem meteorológica. visualização no período noturno e também atentar para as orientações de segurança mencionadas nos procedimentos operacionais estabelecidos pela empresa. 2.2.14 - NOÇÕES DE MEDIDAS APLICADAS A VAGÕES Cada vagão contém informações sobre as suas dimensões e limites que são muito importantes para a sua operação e variam de acordo com o seu modelo. Elas estão visivelmente dispostas na lateral inferior do vagão e devem ser respeitadas conforme orientações do fabricante. Conheceremos a seguir todas as informações de medidas que um vagão pode ter. Acompanhe com atenção: a) Comprimento: informa a medida do vagão (metro linear) em sua extensão longitudinal, incluindo os seus engates; b) Largura: informa a medida do vagão (metro linear) em sua extensão transversal; c) Altura: informa a medida do vagão (metro linear) em sua extensão vertical ; d) Tara: informa o peso do vagão vazio, sem a carga; e) Lotação nominal ou limite: informa a capacidade de peso de carga do vagão, exclusivamente da carga; f) Peso bruto: informa a capacidade do peso total do vagão, tara + lotação nominal; h) Volume: alguns vagões podem também informar sua capacidade de volume (m³). FIQUE ALERTA É responsabilidade do empregado comunicar ao empregador qualquer alteração do seu EPI para que esse seja substituído. Usar EPI’s inadequados poderá causar danos à sua saúde.
MATERIAL RODANTE Figura 24 - Informações de medidas e capacidade dos vagões 2.3 LOCOMOTIVA Desde o surgimento da primeira locomotiva a vapor e com a evolução do transporte ferroviário, em todos esses anos, tivemos uma grande evolução nesses equipamentos no que diz respeito aos meios de propulsão e diversidade de modelos, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, a primeira locomotiva surgiu somente em 1854, para inaugurar a Estrada de Ferro de Petrópolis, mais conhecida como Estrada de Ferro Mauá com 14,5 km de extensão e bitola de 1,63m. Ela ligava o porto de Mauá, no interior da Baía da Guanabara, à Raiz da Serra, em Petrópolis. Essa locomotiva era movida a vapor e fabricada pela empresa William Farbairn & Sons, na Inglaterra. Ela recebeu o nome de Baronesa em homenagem à esposa de Irineu Evangelista de Sousa, brilhante empresário e político brasileiro, responsável pela construção dessa estrada e que, nessa ocasião, ganhou o título de Barão de Mauá. Atualmente, essa locomotiva está exposta no Museu do Trem, na cidade do Rio de Janeiro. É importante ressaltar que dos vários modelos de locomotivas já fabricadas, muitos deles passaram pelas ferrovias brasileiras onde permaneceram aqueles que melhor se adaptaram a nossa realidade. Atualmente, algunsfatoressão relevantes para a escolha e aquisição de uma locomotiva, tais como: extensão da 4 e volume de carga. Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Figura 25 - Irineu Evangelista de Sousa. (Barão de Mauá) 2.3.1 - TIPOS E IDEN TIFICAÇÕES - mico ou elétrico, de combustão externa ou interna), aos números de cilindros do motor nas locomotivas diesel- elétricas, ao tipo de truque (rígido ou articulado) ou à disposição das rodas e seu tipo, conforme disposição das rodas nas locomotivas diesel e elétricas, usam-se letras e números, sendo que as letras correspondem à quantidade de eixos motores ou motrizes, e os números representam a quantidade de eixos sem motor ou simplesmente suportadores de peso, pois não concorrem com a tração do trem. Cada letra indica um número de eixos igual ao número de ordem da letra do alfabeto. Quando os eixos têm acionamento individual, repete-se a letra. Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015) A primeira locomotiva movida a vapor foi construída por Richard Trevitch, no pais de Gales, no início do século XIX e fez o seu primeiro percurso em 21 de fevereiro de 1804. Somente depois de vários anos, tornou-se um meio de transporte rápido e viável. Disponível em: www.fem.unicamp.br acesso em 20/11/2014 CURIOSI DADES
MATERIAL RODANTE Para indicar que o eixo tem acionamento individual, pode-se também colocar o algarismo zero como índice da letra. Exemplo: B0 - B0 em vez de AA – AA No caso de locomotiva com articulação nos truques, usa-se o sinal +, por exemplo: C+C. No esquema de arranjo dasrodas, podemos diferenciá-las, observando que as motorassão desenhadas com ponto no centro da circunferência, como mostra o exemplo a seguir: Figura 26 - Esquema das principais rodagem de locomotivas Diesel Elétricas. Já nas locomotivas a vapor, temos as rodas motrizes ou motoras, as portantes e, em alguns casos, as - ção chamada Whyte entre as demais existentes, como a francesa, UIC, alemã e suíça. Na White, o primeiro número indica a quantidade de rodas-guias, o segundo, de rodas motrizes e o terceiro representa as porPersistamos, o saber o espera! Continuando nosso estudo, vale a pena saber que, atualmente, os motores diesel-elétrico são os mais usuais no setor de cargas, enquanto os elétricos, que têm sua alimentação externa, são largamente exPara conhecer melhor sobre a classificação das locomotivas a vapor, consulte na internet “classificações de locomotivas” e descubra mais detalhes e vários outros modelos. Você também pode assistir ao filme Faroeste e ver uma locomotiva a vapor em operação, conhecida como Atlantic, com a classificação White 4-4-2. Muito interessante! SAIBA MAIS Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015) DISPOSIÇÃO CLASSIF. WHYTE CLASSIF. FRANCESA CLASSIF. UIC CLASSIF. ALEMÃ CLASSIF. SUÍÇA O-o 0-2-2 011 A1 A1 1/2 OO 0-4-0 020 B B 2/2 OOo 0-4-2 021 B1 B1 2/2 oOo 2-2-2 111 1A1 1A1 1/3 oOOoo 2-4-4 122 1B2 1B2 2/5 OOO 0-6-0 030 C C 3/3 Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE plorados no transporte de passageiros. Apresentaremos, a seguir, alguns exemplos de locomotivas fabricadas desde a sua invenção. Algumas sobreviveram, correspondendo às exigências e ao crescimento do atividades restritas. Locomotivas a Vapor Estaslocomotivas utilizam o vaporsob pressão para acionar os êmbolos5 , que transmitem o movimento às rodas. Existem duas categorias de locomotivas a vapor que conheceremos agora. Locomotivas de duas partes Esta locomotiva é dividida em duas partes: A primeira é a unidade frontal, propriamente a máquina a vapor, que consiste em uma caldeira para gerar energia e o mecanismo que usa essa energia para transformá-la em movimento mecânico. A caldeira é basicamente um tanque de aço resistente a altas pressões, com um grande volume d’agua e tubulações conectando a fornalha à caixa de fumaça, por onde passa a chama para o aquecimento e para a produção do vapor. A segunda parte consiste em um veículo também conhecido como tender, que armazena o combustível (carvão, lenha ou óleo) e a água, que são os elementos necessários para gerar e transferir a energia. Locomotivas-tanque Estas locomotivas transportam o combustível e a água em depósitos tanques integrados a sua própria estrutura. Devido a sua pouca capacidade de armazenamento, são destinadas a pequenos percursos. Figura 27 - Locomotiva a vapor de duas partes Locomotivas Elétricas Aslocomotivas elétricassão alimentadas externamente,seja por catenárias ou por um terceiro carril. Ela foi empregada pela primeira vez pela Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico em 1892, e pela Estrada 5 São dispositivos do motor preso à biela que sai do cilindro e que é ligada ao virabrequim. Fonte: PAZ, Alexandre; AGUIAR, Leonardo (2015)
MATERIAL RODANTE de Ferro do Corcovado em 1910, ambas na cidade do Rio de Janeiro. Após ser estendida a várias ferrovias brasileiras, a locomotiva elétrica foi aos poucos sendo desativada devido à obsolescência dos equipamencapacidade superior de aceleração e de travagem, o que astornam ideais para o transporte de passageiros mantidos atualmente em algumas cidades com um nível populacional denso. Automotrizes São veículosferroviáriosindependentes, com tração própria e uma cabine de comando em pelo menos uma das extremidades. Geralmente são utilizados no transporte de passageiros e podem ser acoplados com outros veículos equivalentes sob um comando único. As primeiras automotrizes surgiram com base em trechos e ramais de pouco movimento. Conhecida também como litorina, as modernas automotrizes, em sua maioria, são movidas por um motor diesel e operam geralmente com apenas um carro, podendo também trabalhar em tração múltipla com outras unidades. Locomotiva Diesel Mecânica A locomotiva diesel mecânica tem a transmissão por caixa de velocidades, forma como a energia é transmitida para as rodas, igual à usada nos automóveis. É uma das mais antigas tentativas de utilização do motor de combustão interna no transporte ferroviário. Devido ao alto atrito entre os dentes das engrenagens, há um desgaste excessivo das partes, causando a substituição constante da transmissão. Isso levou vários fabricantes à confecção de vários tipos de transmissão na tentativa de anular ou minimizar os desgastes e quebras constantes, mas quase sempre sem sucesso. Locomotiva Diesel-Hidrostática A locomotiva diesel-hidrostática é outra forma de transmissão empregada em locomotivas com motor diesel que aciona diretamente uma bomba hidráulica, assim como o motor de uma locomotiva diesel-elé- - são faz girar as pás do motor hidráulico, acionando as rodas das locomotivas por engrenagens redutoras. Locomotiva Diesel-Hidráulica. Também é outra forma de transmissão empregada em locomotivas com motor diesel. A força é conduzida para as rodas por um mecanismo chamado Conversor de Torque, que consiste em três partes: Bomba - parte permanentemente ligada ao motor; Turbina - parte movida e conectada à caixa de velocidade. Não existe contato entre a bomba e a turbina.
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Locomotiva Diesel-Elétrica É a locomotiva mais usada nas ferrovias brasileiras. É dotada de um motor primário diesel, que aciona um gerador elétrico e transmite a potência para os motores de tração localizados nos truques, que são mecanicamente acoplados às rodas motrizes por engrenagens. A partir da década de 1970, passou-se a de corrente contínua. Em diversas ferrovias da América do Norte, já é comum a tecnologia recente dos motores de tração à corrente alternada, que também já chegou ao Brasil. Figura 28 - Locomotiva diesel elétrica 2.4 EQUIPAMENTOS ESPECIAIS Com a demanda crescente do transporte ferroviário e com o avanço tecnológico, as locomotivas se modernizam a cada dia, aumentando a sua capacidade de tração, conforto na operação e disponibilizando equipamentos de segurança para o tráfego. Destacaremos, a seguir, alguns desses equipamentos mais importantes utilizados pelas ferrovias do Brasil. Vejam! Sistema de vigilância : é um dispositivo de segurança que atua quando detecta a ausência do operador no comando da locomotiva, fazendo uma aplicação nos freios e causando sua parada imediata. Popularmente chamado de “Homem Morto”, esse dispositivo evita que o trem se desgoverne em situações de mal súbito do operador, que precisa acionar uma botoeira no painel de comando ou um pedal no assoalho da cabine a cada espaço de tempo. O modelo de pedal é mais antigo e o seu funcionamento é eletropneumático, enquanto o de botoeira é mais recente e totalmente eletrônico. CURIOSI A numeração daslocomotivas é feita pela ferrovia à qual pertence e é uma maneira de DADES Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
MATERIAL RODANTE Figura 29 - Pedal do“Homem Morto” e botoeira do sistema de vigilância Rádio : equipamento utilizado em operações de manobras, condução de trens e comunicação em geral. Figura 30 - Rádio da cabine da locomotiva. EOT: End Of Train - trata-se de um equipamento instalado na cauda do trem, que permite visualizar a pressão do encanamento geral do último vagão, efetuar testes de vazamentos e fazer aplicação de emerDCA: Detector de Cauda - equipamento também instalado na cauda do trem, similar ao EOT, porém - mentos de transmissão instalados ao longo da via e alimentados por energia solar. Na passagem do último da locomotiva. Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Figura 31 - DCA e equipamento de transmissão DD: Detector de Descarrilamento - dispositivo de segurança instalado na transversal da linha. Na passagem de qualquer veículo descarrilado, sua barra se rompe e uma mensagem de voz é emitida pelo equipamento de transmissão, a exemplo do DCA, que faz parte do conjunto. Figura 32 - Barra do detector de descarrilamento DDV: Detector de Descarrilamento de Vagão - é importante você saber que esse dispositivo tem a quebra ocasionando uma brusca queda de pressão de ar no encanamento geral (EG), fazendo atuar as válvulas de segurança aplicando emergência em toda a composição e interrompendo a sua movimentação. MCI: Módulo Controlador Integrado - é um equipamento de segurança que protege o trem contra avanço da velocidade máxima autorizada - VMA - e de avanço de seção de bloqueio -SB - mediante supervisão de velocidade e da cerca eletrônica que atua como uma espécie de cerca virtual ao redor de um ponto limite. A interface com o rádio da locomotiva permite que o MCI se comunique com o EOT para o monitoramento de pressão da cauda e acionamento de emergência e também para que receba mensagens do detector de descarrilamento para aplicação dos freios. Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
MATERIAL RODANTE Figura 33 - MCI Autotrack : é um equipamento de comunicação via satélite, adotado por algumas ferrovias, sendo responsável pelo rastreamento, monitoramento e licenciamento de trens. Figura 34 - Autotrack OBC: On Board Computer - é um computador de bordo com monitor e teclado que compilou alguns dos equipamentos citados acima; fornece informações mais completas e precisas, como velocidade, ponto de aceleração, mapa da linha, consumo de combustível entre outras. Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Figura 35 -OBC Locotrol : é um equipamento eletrônico que permite o sistema de tração distribuída, no qual aslocomocomando remoto da locomotiva líder, operada pelo maquinista na dianteira. - É um sistema de licenciamento que utiliza sinais de bloqueio e intertravamento controlado por um centro, compreendendo uma série de bloqueios consecutivos, nos quais a circulação de um trem é autorizada por sinais luminosos no campo. ATC: Automatic Train Control - é um equipamento responsável pelasfunções de segurança e operação automática do trem. Seus sinais luminosos, também conhecidos como cabsinais, são importantes para a segurança e operação automática do trem. Figura 36 - ATC Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
MATERIAL RODANTE ROT: (Registrador de eventos das operações do trem) é o equipamento que registra, em sua memória eletrônica, diversos sinais de operação da locomotiva. Quando necessário, ele é consultado, seja numa análise de acidente, manutenção da locomotiva ou simples avaliação de rotina do maquinista. Figura 37 - ROT Freio dinâmico : é um sistema elétrico utilizado para transformar a energia desenvolvida pela locomotiva em força retardatária. Para isso, os motores de tração são conectados eletricamente de forma a trabalhar como geradores elétricos, e suas armaduras são ligadas em série às resistências de grade. Tem o objetivo de reduzir ou estabilizar a velocidade do trem, proporcionando excelentes ganhos ao processo de sua operação, controle ou redução da ação das folgas, do consumo de combustível e do desgaste das sapatas, entre outros. MFA: Manipulador de freio automático. Este equipamento é utilizado na operação do freio pneumático, que é responsável pelo controle de velocidade e parada do trem. No capítulo 5, conheceremos maissobre o MFA. Cabo jumper : é uma tomada que viabiliza as ligações elétricas de comando da locomotiva líder ou comandante para as comandadas na cabeça do trem. Figura 38 - Cabo jumper Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE 2.5 TERMOS TÉCNICOS, EM INGLÊS, UTILIZADOS NO SETOR FERROVIÁRIO PARA IDENTIFICAÇÃO DE VEÍCULOS. Troller : Veículo rebocado por trabalhadores e utilizado na manutenção da via permanente para transporte de material em pequena quantidade e distância. Pode ser montado e desmontado facilmente sob os trilhos com autorização do centro de controle ou estação. Hooper : Vagão utilizado para o transporte de granéis sólidos. Seu nome deriva-se da palavra inglesa escoamento automático do produto pelas tremonhas. Help: Locomotiva geralmente engatada na cauda do trem, que o auxilia em trechos com rampasfortes. Caboose : Veículo utilizado em trens com cargas especiais e viagens de inspeção ou serviço como carro -breque ou brake-vans. Hoje são raros. Antigamente, viajavam engatados na cauda de quase todos ostrens de carga, de onde um guarda-freios observava atentamente o comportamento da composição, podendo acionar os freios de emergência em caso de necessidade. Drop-Botom All door : Vagão fechado com portas laterais corrediças. : Vagão hopper em forma de tanque (cilindro). Bulkhead : Vagão plataforma com cabeceiras Piggyback : Vagão plataforma utilizado no transporte de semirreboques de carretas. Single stack :Vagão plataforma utilizado no transporte simples de dois contêineres distribuídoslado a lado. Double-Stack : Vagão plataforma com capacidade superior de carga, sendo que seu volume pode ser estendido verticalmente com o empilhamento de até dois contêineres. Figura 39 - Vagão double- stack Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
MATERIAL RODANTE 2.6 PARTES DO MATERIAL RODANTE A SEREM VISTORIADAS: O desgaste de um equipamento em função do seu uso contínuo requer que adotemos os procedimentos de vistorias periódicas, atestando sua integridade física e funcional. No material rodante, esse proceaqueles que estão sujeitos a desgastes ou avarias, que podem comprometer a segurança operacional e 1) Truques: É o componente do material rodante mais complexo pela quantidade de peças e importância do conjunto. Para que haja um bom funcionamento do freio e livre deslocamento do veículo, essas peças devem ter uma constante vistoria: do friso e bandagem6 ; b) Molas: Responsáveis pelo amortecimento do veículo, devem ter sua continuidade sem trincas ou empenos. por isso devem ser detectadas e substituídas. d) Ampara balanço: Este dispositivo atua no controle de oscilação lateral do veículo e deve apresentar e) Prato pião: Peça em aço composta por disco e chapa responsável pela ligação da caixa ao truque. Trincas e desgastes do bojo devem ser observadas, além da ausência de parafusos e rebites. curso do seu pistão que não pode ultrapassar as medidas estabelecidas por cada ferrovia. 2) Estrado: Tem dispositivos importantes do freio que devem ser vistoriados e operados manualmente, de acordo com a condição do veículo. a) Válvula de controle (vagão): não deve ter vazamentos, e a torneira de isolamento do freio deve estar na posição vertical, de circulação normal do vagão. b) Válvula AB5 (vagão): é importante que esteja na posição correta, vazio ou carregado, de acordo com FIQUE ALERTA A manutenção da limpeza do material rodante é muito importante para facilitar a verificação de desgastes e trincas. 6 Bandagem é a parte periférica da roda, onde são instalados os frisos e a superfície de rolamento.
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE a condição de sua carga, além de observar anomalias. c) Mangueiras do encanamento geral, equalização do cilindro de freio e reservatório principal: fazem a comunicação do ar com o sistema de freio do veículo que depende do seu bom estado de conservação, correto posicionamento e medidas. d) Timoneria: Peças soltas, trincadas ou com desgaste excessivo devem ser substituídas. e) Engates: Sujeitos a fortesimpactos pela sua função de acoplamento dos veículos e traz componentes que podem sofrer trincas ou desgastes comprometendo seu desempenho. f) Válvula retentora de alívio (vagão): este dispositivo controla o tempo de alívio dos freios do vagão e tem duas posições: alívio rápido ou restrito. Ele deve estar na posição de acordo com as características do trecho, além de observar possíveis anomalias. g) Torneira de isolamento do truque (locomotiva): em situação normal de circulação, deve estar aberta, permitindo a passagem de ar para os cilindros de freio. a sua atuação, que protege os reservatórios contra o excesso de pressão de ar. 3) Caixão: além dasinformações do vagão, pintadas naslaterais e testeiras, tem outros doisitensimportantes para serem vistoriados: a) Portas e comportas: sua completa vedação e travamento assegura a integridade da carga transportada; Conheça a seguir alguns desses itens: Figura 40 - Principais itens a serem vistoriados nos vagões
MATERIAL RODANTE 2.7 TIPOS DE ANOMALIAS EM MATERIAL RODANTE Na circulação de um veículo, algumas irregularidades poderão surgir, ocasionando um desvio de paquanto antes possível. Para isso, é fundamental conhecer alguns tipos de anomalias às quais está sujeito o material rodante. Veja: Roda calejada, descarrilhada e freada; Fogo e fumaça na roda ou rolamento; Ferragem da timoneria arrastando; Mangueira de arrasto ou avariada; Vazamento de ar; Vazamentos de cargas; Partes móveis destravadas; Portas empenadas; Trincas na travessa central e lateral, escadas, estrados e componentes da suspensão e engate do veículo. E então? Percebeu a importância da vistoria permanente e da manutenção dos veículos? Trata-se de uma questão de vida, de segurança. Caminhando em nossos estudos, falaremos, a seguir, de cada uma das anomalias comuns ao material comprometimento e dedicação aos estudos é muito importante! Estamos torcendo por isso! 2.7.1 - RODA CALEJADA dos freios usada com critério. Quando esse princípio é quebrado, pode acontecer uma alteração física na superfície de rolamento da roda, causada pelo seu travamento total ou parcial, que é conhecida como calo. Os devido a uma alteração drástica no seu formato. Além do alto custo de uma roda, essa anomalia pode causar 7 Parte superior do trilho, onde se apoiam as rodas do veículo. FIQUE ALERTA As vistorias podem evitar sérios acidentes, até mesmo salvar vidas.
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE 2.7.2 - RODA DESCARRILADA Asrodas de um veículo ferroviário têm como fundamento o deslocamento e devem manter-se em constante contato com o boleto7 do trilho, criando uma harmonia entre os veículos e a linha. Essa sincronia pode ser afetada quando um rodeiro ou mais saem dos trilhos, apoiando suas rodas nos dormentes e prejudicando a livre movimentação do veículo. Quando isso acontece, caracterizamos o fato e o chamamos de descarrilamento de rodas. Essa ocorrência deve ser notada o quanto antes para evitar que o veículo - tem algunsfatores que podem causar um descarrilamento, como vandalismo, má operação do maquinista, mau acondicionamento da carga e defeito na linha ou do material rodante, em geral. Para o encarrilamento dasrodas, é usada a encarriladeira, conhecida também como canhota. Esse aparelho é posicionado na lateral do trilho, de forma a conduzir a roda de volta para o boleto do trilho, com a movimentação do veículo. Figura 41 - Roda descarrilada e calejada Figura 42 - Encarriladeira Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
MATERIAL RODANTE 2.7.3 - FOGO E FUMAÇA Ocorrências como o superaquecimento de uma roda, travamento dos rolamentos, timoneria de freio solta e arrastando e roda descarrilhada podem causar sinais de fogo e fumaça, alertando sobre alguma irregularidade no veículo. Ainda pode ocorrer disparo de rodeiros e quebra de engrenagens na locomotiva devido à queima dos motores de tração. Alguns desses sinais só poderão ser observados com o trem em movimento, exigindo uma postura sempre atenta a qualquer anormalidade. Ao surgimento de qualquer vestígio de fogo e/ou fumaça, o maquinista deve ser alertado a parar o trem imediatamente. Caso isso 2.7.4 - RODA FREADA O atrito causado pelo contato da sapata de freio e a roda resultam no controle da velocidade ou parada do veículo numa condição normal. Já no caso de uma aplicação de freio involuntária, resulta no desempenho de movimentação do veículo com travamento total ou parcial das rodas, aumentando o consumo de combustível e retardando o percurso do trem, além de causar um desgaste desnecessário das sapatas e rodas. A roda freada involuntariamente pode ser resultado de uma falha no equipamento de freio ou um procedimento incorreto como torneira do encanamento geral fechada ou freio manual apertado, que deve 2.7.5 FERRAGEM DE FREIO A timoneria de freio é um conjunto de ferragens que faz a ligação do pistão do cilindro de freio com as sapatas de freio. Além da conexão, fazem também a multiplicação da força saída do cilindro de freio até as rodas. A ferragem de freio é constituída de triângulos de freio, tirantes, barra de compressão, alavanca que deve estar íntegro, sem avarias ou interrupções. O desprendimento parcial de algum componente da ferragem de freio poderá causar o seu arrasto e trazer sérios riscos à segurança, podendo ocasionar um
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE Figura 43 - Modelo de ferragem de freio de um vagão. 2.7.6 MANGUEIRAS DE ARRASTO As mangueiras são responsáveis pela continuidade do encanamentos geral, equalização, cilindro de freio e reservatórios, conduzindo o ar para o sistema. Elas devem estar conectadas ao longo do trem, de forma a garantir abastecimento de todos os componentes do freio. Para evitar que as mangueiras sobrespendurador de mangueira, conhecido como engate cego ou briguelo. Esse equipamento evita o arrastamento da mangueira, que pode diminuir sua vida útil e também avariar algum componente do freio com as impurezas trazidas pelos encanamentos. Figura 44 - Exemplo de mangueiras com e sem proteção do engate cego. Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
MATERIAL RODANTE 2.7.7 - VAZAMENTO DE AR - téria-prima. Esse ar é conduzido sob pressão ao longo do encanamento geral e pode apresentar uma perda durante seu percurso, que é aceitável até um determinado limite por cada ferrovia, sem interferir na manobras de retiradas ou inclusão de veículos. Quando os vazamentos ocorrem acima dos limites, devem ser investigados e corrigidos. Geralmente a causa pode estar nas conexões das mangueiras que dispõem de um anel de vedação, supostamente gasto, ou numa mangueira mal posicionada ou furada. 2.7.8 - PARTES MÓVEIS DES TRAVADAS Os dispositivos de fechamento e travamento de contêineres e de portas de vagões ou do compartimento do motor diesel e eletropneumático da locomotiva são utilizados com frequência. Por distração do operador, ação de terceiros ou avaria dos mecanismos de travamento, esses dispositivos podem circular destravados, criando uma situação de risco operacional ou pessoal. Por isso, as vistorias são necessárias e - mal dos veículos. Figura 45 - Vagão vazio circulando com as tampas de descarga destravadas. 2.7.9 - VAGÃO FLAMBADO Acontece em situações em que a força de compressão exercida pelo peso da carga que atua sobre o Outro fator que pode causar essa anomalia seria uma falha na estrutura do estrado do vagão que não suporta os trancos transmitidos pelos aparelhos de choque em suas extremidades, causando também sua Fonte: MOREIRA, Daniel (2015)
CONCEITO DE MATERIAL RODANTE FIQUE ALERTA As anomalias não observadas e tratadas podem ser motivo de uma ocorrência grave. Devemos ficar muito atentos. Adote essa ideia! 2.8 RISCOS PESSOAIS E OPERACIONAIS DA ATIVIDADE DE VISTORIA DE MATERIAL RODANTE A atividade de vistoria do material rodante requer, além do conhecimento prático, uma postura correta em relação aos riscos existentes nessa operação. Presença de obstáculos físicos e naturais como bueiros, canaletas, piso irregular, material remanescente de manutenção da via permanente e vegetação alta podem provocar escorregões e quedas, além de possibilitar o risco de ataques de animais peçonhentos; Durante as correções das não conformidades, poderá ocorrer o contato com materiais cortantes ou que trabalham sob pressão, podendo ocasionar cortes e/ou ferimentos; A movimentação de veículos em linhas adjacentes deverá ser atentamente observada, sob o risco de atropelamento. Ao transitar em pátios de estações, o trabalhador deverá utilizarsempre os acessos seguros. É muito importante também saber que nunca podemos caminhar no meio da linha, entre os trilhos ou sobre o boleto do trilho. A atividade de vistoria do material rodante, quando realizada em pátios com duas ou mais linhas, deverá ser feita às suas margens, mantendo-se uma distância segura e livre da circulação dos veículos. 2.9 EPI’S DA ATIVIDADE DE VISTORIA DE MATERIAL RODANTE Diante dos riscos apresentados na atividade de vistoria do material rodante, é necessário que o funcionário habilitado para exercê-la esteja com os seguintes equipamentos de proteção individual, EPI’s: Capacete para proteção contra impactos de objetos sobre o crânio, choques elétricos e agentes térmicos; Óculos para proteção dos olhos contra impactos de partículas volantes; Luvas para proteção das mãos contra agentes abrasivos, escoriantes, cortantes e/ou perfurocortantes; Perneiras para proteção das pernas contra picadas de animais peçonhentos, agentes abrasivos e escoriantes; Calçados para proteção contra impactos de quedas de objetos sobre os artelhos. Em caso de ocorrência de chuva, o trabalhador deverá utilizar a vestimenta para proteção do tronco contra riscos de origem meteorológica. visualização no período noturno e também atentar para as orientações de segurança mencionadas nos procedimentos operacionais estabelecidos pela empresa.
MATERIAL RODANTE 2.10 PROCEDIMENTOS E RE CURSOS DE COMUNICAÇÃO E REGISTRO DE ANOMALIAS EM MATERIAL RODANTE As anomalias encontradas no material rodante devem ser comunicadas à Estação, Centro de Controle e - leves, se o funcionário habilitado entender que dispõe de recursos para sua correção, haverá necessidade da autorização da Estação ou Centro de Controle e do operador do trem, que fará o boqueio da locomotiva antes de qualquer intervenção no material rodante, assegurando sua total inércia e segurança da operação. Após concluir o reparo, o funcionário comunicará, via rádio, o término do serviço ao operador do trem e à Estação ou ao Centro de Controle. tipos de veículos e suas funções, com atenção especial para os vagões e locomotivas. Prosseguindo, também abordamos as avarias relacionadas ao material rodante, a necessidade de - ponsabilidades para com a segurança. Citamostambém osriscos da atividade de vistorias do material rodante e os equipamentos de segurança individual obrigatórios para a atividade. Espero que os assuntos estudados o tenham surpreendido! Agora, de posse dessas informações, você poderá avançar para o próximo capítulo, assimilando o conteúdo e relacionando-os. Combinado? Então venha comigo! Para conhecer mais sobre avarias do material rodante acesse o site: transportes.ime. eb.br/etfc/monografias/MON003.pdf SAIBA MAIS RECAPITULANDO FIQUE ALERTA Quanto ao EPI, cabe ao empregado utilizá-lo apenas para a finalidade a que se destina.
Engates Caro aluno, dando continuidade, iniciaremos agora o terceiro capítulo, no qual você conhe- - nentes e os riscos no seu manejo. Também se conscientizará da importância dos procedimentos de segurança que implicarão a qualidade da sua operação. No primeiro capítulo, citamos o engate por ser um componente importante do estrado do vagão. Agora, detalharemos esse elemento que tem como função básica promover o acoplamento e reboque dos veículos, transferindo os choques de tração e compressão, decorrentes da variação de velocidade dos vagões, para o aparelho de choque. Então, antes de falarmos do engate, conheceremos o aparelho de choque. Para que você compreenda melhor, ambos trabalham interligados, formando o conjunto de choque e tração. Veja a seguir os componentes do aparelho de choque: a) Conjunto de choque: é o conjunto amortecedor utilizado para absorver os choques de tração e compressão. b) Acessórios de choque e tração têm os seguintes componentes: Chapa de desgaste É uma placa colocada sob a haste do corpo do engate para absorver o desgaste causado pelo alto atrito entre o engate e o espelho. Espelho fortes e servindo de suporte para o corpo do engate.
MATERIAL RODANTE Figura 46 - Espelho e chapa de desgaste Chaveta do engate É uma chapa espessa que trava o corpo do engate à viga central. Alavanca do engate É uma haste encaixada ao rotor onde se faz manualmente a operação de desengate do veículo conforFigura 47 - Alavanca do engate 3.1 TIPOS DE ENGATES A evolução do engate acompanhou o aumento do transporte ferroviário, que cresceu muito nas últimas Para os acoplamentos e desacoplamentos dos veículos, as primeirasferrovias utilizavam diferentestipos de engates que eram totalmente de operação manual. Após o ano de 1893, foram desenvolvidos, nos Estados Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) Fonte: MOREIRA, Daniel (2015) Chapa de desgaste Espelho