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Published by hmilheiro, 2018-03-22 13:46:47

CASAS_166

CASAS_166

casaswww.casasdeportugalproperties.com Nº 166 | ABR / MAI 2018 | 3,95€ (Cont.)
de

PORTUGAL

CASAS DE CAMPO E DE PRAIA. ESCOLHER, COMPRAR, VIVER...

AàBPEARTISAAS GEM BEACH,
COUNTRY
HOUSES,
& FARMS

FOR
SALE!

A CASA
DOS PÁTIOS
PEQUENO
REFÚGIO RURAL
COM VISTA
PARA A SERRA

NOVOS CONTEÚDOS
DECORAÇÃO ● JARDINS ● ANIMAIS ● RECEITAS





SUMÁRIO Fotografia de capa

Paulo Lima

Diretora

Amparo Santa-Clara
[email protected]
Telefone: +351 910 512 800
+351 919 982 289

Fotografia

Giorgio Baroni
José Manuel Ferrão
Paulo Lima
Ricardo Oliveira Alves

Produção

Amparo Santa-Clara

Tradução

Margaret Santos

Revisão editorial

Carla Ferreira

Colaboradores editoriais

Anja Tschoepe; Isabel Figueiredo;
Marta Almeida de Carvalho;
Mafalda Galamas

Design editorial

Maria RL
Herberto Santos

“Casas & Terrenos à Venda”

Margarida Pereira
[email protected]
Tel.: +351 918 829 082
Amparo Santa-Clara
[email protected]
Tel.: +351 919 982 289

+351 910 512 800

Publicidade e assinaturas

Diretora
Paula Vasconcelos
Rua Manuel Inácio, nº 8B
2770-223, Paço de Arcos
[email protected]
Tel.: +351 910 512 802

6 – 9 Cá dentro: inspirações para os interiores Proprietário e editor do título
10 – 24 Casa: do sonho se fez realidade, e nasceu este projeto de linhas
“Casas de Portugal”
simples, grandes aberturas de vidro e interiores acolhedores MoonMedia - Comunicação, Lda.
26 – 27 Flores: Amores mais do que perfeitos Rua Manuel Inácio, nº 8B
28 – 29 Lá fora: inspirações para o jardim ou terraço 2770-223 Paço de Arcos
30 – 39 Casa: da velha ruína ao pequeno paraíso de férias Telefone: +351 910 512 800/802
40 – 41 Animais: o cão da Serra de Aires, em destaque NIPC: 508980186
42 – 56 Casa: não muito distante do mar, e acolhida pelo pinhal, uma
Administração
casa pensada para ser vivida em plena comunhão com o exterior PRÓXIMA
58 – 59 Receita: bolo de avelã, para comer até à última fatia EDIÇÃO Amparo Santa-Clara
60 – 61 Na cozinha: inspirações para cozinhados no ponto JUNHO / JULHO
63 – 114 O melhor do Imobiliário de Norte a Sul do país Impressão

Jorge Fernandes, Lda
Rua Quinta do Conde de Mascarenhas, 9
Vale Fetal
2820-652 Charneca da Caparica

Tiragem

16.000 exemplares

Depósito Legal

86460/09

N.º de registo no ICS

121881

Membro de

4 | CASAS DE PORTUGAL

EDITORIAL

DE PAR EM PAR

Às portas dos dias solarengos, mornos
e aromatizados pela vegetação que reage
ao bom tempo, e libertam perfumes que
invadem mente e alma, as nossas inspirações
assentam sobretudo na vida ao ar livre.
Este contacto visual e táctil com o exterior
promove a vontade de encher as nossas casas
de novas cores, de abrir janelas e portas e deixar
todas estas boas energias que a Natureza nos
oferece entrarem, sem rodeios, num intercâmbio
sempre renovador.
As casas desta edição são abertas à paisagem
e estão implantadas em cenários naturais
de grande beleza, entre o mar e a serra,
beneficiando de localizações únicas, a poucos
passos da praia, mas suficientemente recolhidas
do bulício das cidades e vilas, fazendo delas
verdadeiros refúgios de onde não apetece sair.
Dois exemplos de arquitetura contemporânea
e uma reconstrução, em que foram preservadas
cada uma das pedras originais, são bons
exemplos de projetos residenciais que aqui
partilhamos consigo e, esperamos, sirvam
de inspiração.
Vemo-nos em breve.

FOTOGRAFIA: FORMA&ENREDO

ESTATUTO EDITORIAL
1. A Casas de Portugal é uma revista bimestral, de informação geral que aborda temas de decoração, arquitetura e reabilitação, imobiliário, conselhos e sugestões na área
de decoração e reabilitação e outros de interesse geral, através de um tratamento privilegiado da imagem, do texto da entrevista e da reportagem. 2. A Casas de Portugal,
para além da responsabilidade de informar, pretende ser uma referência de bom gosto e inspiração para os seus leitores. 3. A Casas de Portugal rege-se pelo escrupuloso
cumprimento das normas éticas e deontológicas que regulamentam o jornalismo. 4. A Casas de Portugal é independente de qualquer tipo de poder, económico ou politico,
ou de qualquer grupo de pressão.

CASAS DE PORTUGAL | 5

DECOR

Ambiente da coleção
de primavera /
verão 2018 da
Bloomingville,
procure na
Glamourarte,
www.glamourarte.pt

Da Guzzini, prato da nova
coleção, sob consulta,
procure na Pollux,
www.pollux.pt

CHAMAR

A PRIMAVERA

A CASA ABRE-SE AO BOM TEMPO E DEIXA
ENTRAR AS CORES VIVAS DA NOVA ESTAÇÃO.

Ambiente com tecidos
da nova coleção Manuel
Canovas, sob consulta, para
a Pedroso&Osório,
www.pedrosoeosorio.com

Papel de parede da The
Little Greene, Starflower
Peacock, 113€ (rolos de
10.05m x 52cm),
www.littlegreene.eu

6 | CASAS DE PORTUGAL

Da Bloomingville, Soluções de arrumação da Ferm Living, em três
manta para qualquer tamanhos e cores (rosa, cinza claro e verde).
espaço, em cor neutra, Feitos à mão, devem ser limpos com pano
21€, procure na apenas humedecido, 135€, www.fermliving.com
Casas com Design,
casascomdesign.com

Da Hus and Hem,
almofada com tecido
que lembra uma antiga
tapeçaria, sob
consulta em
www.husandhem.co.uk

Conjunto de taças Hachi-Boru, da artista Roos
van de Velde para a Serax, a partir de 35€ (PVP
recom.), procure em perfektes-geschenk.com

Da La Redoute, jarro
em vidro, 39,99€,
www.laredoute.pt

Copos azuis, Mikasa, 28.17€ (conj. de 4),
www.creative-tops.com

CASAS DE PORTUGAL | 7

DECOR

Jarras Doctor Almofada Chakati oval,
House, na Loja bicolor, novidade de
Inexistência, 2018, em feltro, feita
desde 57,25€, à mão no Nepal, 30 x
inexistencia.pt 40cm, limpeza a seco,
sob consulta, www.
muskhane.com

Pratos da Zara
Home, sob
consulta, nas
lojas Zara Home

Mantas Crinkle, da HAY, a partir de 99€, em Prato octogonal, Kyma Florilegium,
algodão muito macio, procure na Linha da uma série exclusiva da Rosenthal para a
Vizinha, www.alinhadavizinha.pt Sambonet, coleção desenhada por Serena
Confalonieri, agora renovada segundo
Vito Nesta, que reinterpreta as tendências
sofisticadas dos tecidos e papel de parede
da atualidade, www.rosenthal.de

8 | CASAS DE PORTUGAL

Da Eva Solo, taças em cerâmica
para um café espresso, lungo
ou latte, três tamanhos e cores
diferentes, e capa de silicone, para
manter a bebida quente.
A partir de 14,95€ (PVP recom.),
procure na loja Inexistência, loja.
inexistencia.com

Coleção Paisley, da Spal
Porcelanas, nas lojas Spal,
www.spal.pt

Apresentada em Milão, na flagship
da Piazza San Babila, a nova
coleção Milano Linen da Zara
Home, sob consulta, nas lojas
Zara Home

Da Rosenthal, jarro
Core, por Cédric
Ragot (1973–2015),
o seu design alude
à feminilidade,
sob consulta,
www.rosenthal.de

Zinc Textile, coleção
Geronimo, para a
Forma&Enredo, à venda na
Ártica, sob consulta,
www.formaenredo.com

CASAS DE PORTUGAL | 9

SOMOS
FELIZES, AQUI

10 | CASAS DE PORTUGAL

Acolhida pela vila de Desenhada pelas mãos do ar- Linhas direitas, arquitetura
Sintra, onde a natureza quiteto Gonçalo Salazar de bem integrada na envolvente,
casa com a arquitetura Sousa, as linhas intemporais muita iluminação natural que
e a História está latente desta casa não reve-lam es-
em toda a parte, foi tilo nem época, apenas um banha a casa de luz através
erguido o que era um conjunto de bons materiais com bom dos planos de vidro convidam
sonho: uma casa que gosto e a ideia bem conseguida de com-
reunisse a família binar a estrutura da casa da melhor for- ao usufruto da casa, dentro
e amigos, que fosse ma possível com a natureza circundante. e fora. Os exteriores são da
uma porta aberta, um O branco, a madeira que inspira conforto e responsabilidade da Topiaris
convite constante à um ambiente familiar, as texturas naturais e
partilha e ao convívio. CASAS DE PORTUGAL | 11

FOTOGRAFIA: RICARDO OLIVEIRA ALVES

São nota de
destaque os planos
de vidro que
rasgam paredes,
o equilíbrio entre
o branco,
dominante, e a
doçura da madeira,
que os aquece e
aporta conforto

12 | CASAS DE PORTUGAL

CASAS DE PORTUGAL | 13

COZINHA MINIMALISTA, MAS MESMO ASSIM O PONTO DE
ENCONTRO DA CASA, PARA REUNIR SABORES E CONVIVAS

mesmo a decoração de interiores parecem tro fulcral. «A divisão que mais uso é a cozi-
ser uma continuação quase natural das li- nha e a sala, porque é onde estamos todos
nhas familiares e acolhedoras da arquite- reunidos a cozinhar, com música, claro,
tura. Esta intemporalidade e ligação com ou a ver filmes, ou a jogar no meu canti-
a obra arquitetónica foram da responsabi- nho, onde tenho a mesa de jogo», relata
lidade da arquiteta de interiores Cristina a proprietária. «Adoro o banco do João
Sousa Uva, que soube tão bem usar os tons Videira, feito com lãs de Arraiolos, o qua-
naturais, matérias-primas de boa qualida- dro grande da sala de jantar, uma grande
de e peças de mobiliário com linhas clean e bola azul da Sofia Areal e as minhas toa-
despojadas para obter aquele “clique” ins- lhas e mantas, que integram a decoração
tantâneo entre a casa, a decoração e a na- e complementam os espaços», acrescenta.
tureza. A luz natural ajudou, claro. Pelos A Milpanos, empresa da proprietária, cria
grandes planos de vidro entra a luz, a místi- acessórios têxteis decorativos que combi-
ca luz de Sintra, que enaltece e realça cada nam ricos padrões e texturas num jogo de
uma das peças de decoração, tornando o patchwork único, e claro que seria impen-
espaço, se possível, ainda mais especial. sável não integrar estas pe-ças na casa!
Nos interiores, Cristina recorreu ainda a Próximo de Lisboa, numa zona acessível,
têxteis ricos em texturas, como é o caso mas sossegada, onde as montanhas en-
das mantas e almofadas da Milpanos, contram o mar, este paraíso familiar passou
que enriquecem o espaço sem cansar. a ser o ponto de encontro desta família.
Para além deste rigor na escolha de têx- Os exteriores têm um papel fundamental,
teis e materiais, e numa casa portuguesa, na beleza, no conforto e até na lógica des-
como nunca poderia deixar de ser, a cozi- ta moradia. Com 350m2 interiores, a casa
nha ganha destaque e é ponto de encon- é complementada por 4000m2 de área

14 | CASAS DE PORTUGAL

CASAS DE PORTUGAL | 15

ÁREAS AMPLAS, ESPAÇOS ABERTOS, PARA
UMA VIDA FEITA SEM PRESSAS OU ATROPELOS

16 | CASAS DE PORTUGAL

CASAS DE PORTUGAL | 17

A arquiteta de interiores
Cristina Sousa Uva soube
usar com mestria as cores,
as matérias primas de boa
qualidade, combinando
têxteis, alguns de manufatura
artesanal, e padrões,
com mobiliário de linhas
simples, num jogo cromático
ponderado, que inspira
tranquilidade e bem estar

18 | CASAS DE PORTUGAL

CASAS DE PORTUGAL | 19

NPOTIAM NOTIFECTUI IA RE HOCCU OIUU UO IUOI UOIIDE
RIBULICIS,DUCIAEQUIT. CIONSULTUM, MAXIMUM IA?

20 | CASAS DE PORTUGAL

ESCADAS DE MADEIRA
DE ACESSO AO PISO DOS

QUARTOS, UMA PEÇA
COM IMPACTO
NESTA CASA

CASAS DE PORTUGAL | 21

NPOTIAM NOTIFECTUI IA RE HOCCU OIUU UO IUOI UOIIDE
RIBULICIS,DUCIAEQUIT. CIONSULTUM, MAXIMUM IA?

22 | CASAS DE PORTUGAL

No piso superiror
aloja-se a zona
privada, com os
quartos, amplos,
devidamente
equipados com
zona de vestir e
casas de banho,
sempre tendo
como linha
condutora a
ligação, através
dos materiais
empregues,
com a envolvente.
Uma presença
constante nesta
casa

CASAS DE PORTUGAL | 23

De novo, a aposta nos têxteis, cores e materiais que
se harmonizam pela escolha acertada de tons suaves,
imprimindo serenidade aos quartos

A ZONA PRIVADA,
NO PISO SUPERIOR,
EVIDENCIA A PREFERÊNCIA
POR TONS SUAVES
QUE CONVIDAM AO

DESCANSO

verde, cuja responsável, Teresa Barão, da
empresa Topiaris, desenhou com todos o
pormenores, não deixando nada ao acaso.
Numa casa única e pensada ao de-
talhe por uma série de profissionais,
pousada aos pés de uma das serras
mais bonitas de Portugal, saímos com
uma certeza: seríamos tão felizes, aqui.

24 | CASAS DE PORTUGAL



JARDINS

AMORES
PERFEITOS
VIOLA TRICOLOR
TEXTO: MARTA ALMEIDA DE CARVALHO

26 | CASAS DE PORTUGAL

se quiser ter um outono, inver- gem. De seguida, coloque no fundo do a nível da plantação e cultivo, crescendo
no e primavera floridos, os vaso pedras ou pedaços de telhas para de forma rápida e ocupando pouco es-
amores-perfeitos são uma óti- evitar que a água se acumule no fundo paço. l
ma opção para o seu jardim e deste. Encha depois o vaso com a mis-
uma das plantas mais populares tura de terra, areia e adubo e depois
do mundo. Pela beleza das suas flores, o coloque as sementes cobrindo-as com
seu nome não podia ser mais adequado.
Vulgarmente conhecida como amor-per- 2mm de terra. À medida que as sementes
feito, a Viola Tricolor é uma espécie do
género Viola, pertencente à família das forem germinando deve acrescentar ter-
Violaceae, que inclui 23 géneros e
inúmeras espécies, entre estas ra. Quando as plantas atingirem 6cm de
as muito conhecidas violetas e
amores-perfeitos. altura, pode transplantá-las para o seu
O seu desenvolvimento fica a
dever-se a jardineiros amadores local definitivo, seja este no jardim, flo-
do Norte da Europa que, duran-
te o século dezanove, cruzaram reira ou vaso. Para que o
diversas vezes a flor selvagem com
outras espécies de violetas, obten- amor-perfeito dê flores AS PÉTALAS AVELUDADAS
do assim flores mais atraentes. deve coloca-lo em local DOS AMORES-PERFEITOS SÃO
Os amores-perfeitos cultivados COMESTÍVEIS E MUITO UTILIZADAS
atualmente são maioritariamente com boa luz solar direta NA ALTA COZINHA PARA DECORAÇÃO
híbridos, resultantes do cruza- ou indireta, durante pelo DE PRATOS REQUINTADOS E EM
mento da espécie Viola Tricolor menos 4 horas por dia. SALADAS, SALADAS DE FRUTA,
com outras espécies do género Vio- Sempre que a terra es- SOBREMESAS, ETC...
la. O número de cultivares hoje existente
apresentam flores de muitas cores, no- tiver seca deve regar as
meadamente branco, amarelo, encar- suas plantas, evitando o
nado, violeta, roxo, formando diversos seu encharcamento. As
padrões e geralmente combinando três plantas darão flor nor-
cores, existindo também bicolores, de
só uma cor ou até mesmo com quatro malmente entre 7 e 21
cores. Os amores-perfeitos são plantas
pequenas e rasteiras, não atingindo mais dias depois de atingirem
que 15-25cm de altura. As suas flores
apresentam diâmetros com um média cerca de 15 cm de altura.
de 6cm, embora existam cultivares com
flores mais pequenas de 2 ou 3cm e Ideais para bordaduras de canteiros
outros com flores de cerca de 10cm de
diâmetro. Apesar se ser uma planta pe- ou plantadas em grandes maciços des-
rene, deve ser tratada como uma anual,
terminando o seu ciclo de vida (germina, tinados a plantações de estação, os
cresce e morre) num período de um ano,
sendo uma nova plantação necessária no amores-perfeitos podem também ser us-
ano seguinte.
Ideais para plantar no seu jardim ou em ados separadamente em vasos ou florei-
vasos no terraço ou varanda, o melhor
momento para as plantar é durante o ou- ras ou misturados com outras plantas de
tono, ou só no final do inverno em sítios
onde haja geada. Geralmente floresce no flor. Para um maior impacto visual plante
outono e primavera, mantendo as suas
flores se o inverno for ameno. grupos de plantas com flores da mesma
Esta planta pode ser comprada já cresci-
da em vaso ou plantada em semente. Se cor. Dispostas em cestos ou outro tipo de
este for o caso, deve primeiro misturar
terra fértil com um pouco de areia e adu- recipiente acrescentam um agradável el-
bo, pois os amores-perfeitos gostam de
solos meios arenosos e com boa drena- emento decorativo à sua sala.

A planta do amor-perfeito, cujas flores

são donas de uma grande beleza, não

apresenta assim uma grande dificuldade

CASAS DE PORTUGAL | 27

DECOR Magara, coleção
contemporânea de
BSRUIASVAE inspiração africana, da
LÁ FORA, O BOM TEMPO Alhambra, sob consulta,
CONVIDA A MUITOS www.alhambraint.com
MOMENTOS DE PREGUIÇA.

Booboo Swing by CIRCU,
alumínio, aço inoxidável,
pele sintética
e veludo, 4730€,
[email protected]

Cesto com flores da época, Da Colos, cadeira
Horto do Campo Grande, Piazza por Yan
35€, nas lojas do Horto do Yasumoto,
Campo Grande inspirada na
tradicional versão
de cadeira de
esplanada dos
anos 1920, com
ou sem braços,
www.colos.it

Blond, sob consulta,
da Alaire, www.alaire.pt

28 | CASAS DE PORTUGAL

Da EcoFurn, design nórdico, a cadeira Eco, para uso exterior,
saunas, spas, terraços e jardins, em diferentes tipos de
madeira e cores, sob consulta, na Alaire, www.alaire.pt

Porta-velas Toalha de mesa Absinthe,
para exterior da da Harmony, sob consulta,
Leonardo, sob na Paris em Lisboa,
consulta, www.parisemlisboa.pt
www.leonardo.de
Da Kasa, Cactus,
19,99€, nas lojas
Continente

Zinc, coleção Salamander, Vasos para
para a Forma&Enredo, bonsai, no
sob consulta, Horto do
na Carmim d’Ourique, Campo
www.carmimdourique.com Grande, 12€,
nas lojas
do Horto do
Campo Grande

CASAS DE PORTUGAL | 29

À SOMBRA DAS

OLIVEIRAS

Outrora ruína, a casa é hoje
o paraíso de férias de uma família
que ali se refugia, entre a brisa suave
do mar e o verde fresco da folhagem.

FOTOGRAFIA: GIORGIO BARONI TEXTO: IF
30 | CASAS DE PORTUGAL

PROJETO DO ESTÚDIO
DE DESIGN DE CLAUDIA

PELIZZARI

Da colina verdejante, com os A pedra e a madeira da
seus carvalhos e oliveiras tão construção combinam
antigos e pesados que se do- com as portadas de
bram, e cujos ramos quase
tocam o chão, pouco se vê o design contemporâneo
mar. Mas ele está lá, ao fundo, e o ar é per- que garantem a
fumado e salgado. Quando a brisa da tarde
sopra, às vezes acompanhada pelo gras- penumbra no interior,
nar de uma gaivota, a temperatura morna quando necessário; o
exalta os aromas das ervas e dos arbustos mesmo sucede no bom
floridos e a magia é ainda mais acentuada. casamento entre mesa
Alojada num plano inclinado, não muito de madeira rústica e o
distante da vila, a antiga casa de pedra, conjunto de cadeiras
entretanto reabilitada, transmite paz de es-
pírito e fortalece os laços de amizade. Não modelo Panton
há aparelhos de TV, apenas um sistema es-
téreo e cinco suítes para hospedar os ami-
gos. O edifício original, totalmente integra-
do no meio natural e cercado por hectares
de terra cultivada para a produção de azei-
te, foi construído sem fundações. A casa,
de dois andares, está rodeada de vege-

CASAS DE PORTUGAL | 31

O EDIFÍCIO ORIGINAL FOI TOTALMENTE ‘DESMONTADO’,
NUMERANDO-SE AS PEDRAS, UMA A UMA

Vigas do teto em madeira tação que a dota de abundante sombra e lhido, uma cavidade, que se exibe como
de castanheiro, chão de zonas de relaxe. O piso de cerâmica, com- nicho e zona de recolhimento. Uma es-
pedra rústica, paredes binado com paredes de pedra e tetos com cada em basalto conduz até os quartos.
pintadas em tons suaves vigas de carvalho caracteriza a sala de es- Cada um foi batizado com o nome de
combinadas com as cores tar, a cozinha e a sala de jantar, que, obvia- uma planta, visível a partir da janela e
naturais da pedra, casam mente, possui uma lareira. Cada ambiente todos oferecem acesso direto ao jardim.
com acessórios e mobiliário integra grandes poltronas, tapetes multi- As tradições locais refletem-se nos muros
de cores vivas, para um coloridos e almofadas, numa mistura única de pedra, nas lareiras de basalto e nas
apontamento de vitalidade de diferentes estilos, matizes e atmosferas. vigas do teto de madeira de castanhei-
O primeiro passo consistiu em desman- ro, enquanto os móveis foram seleciona-
telar a estrutura, numerando as pedras, dos de diversas épocas e proveniências.
uma a uma, de modo a que a casa pu- Na atmosfera suave e acolhedora, casual
desse ser reconstruída de acordo com e refinada, os apontamentos contemporâ-
os padrões modernos. O resultado é neos, ou seja, a modernidade, dá origem
uma casa altamente tecnológica com a uma mistura eclética de toques rústicos,
todo o conforto mas que, como é dese- móveis antigos, peças vintage dos anos 50
jável, mantém sua aparência original. e 70, e obras de design contemporâneo,
Na área de estar, uma parede original- incluindo a mesa de jantar em aço inoxi-
mente construída contra a colina foi am- dável polido e carvalho francês. Esta
pliada de modo a criar um espaço reco- é complementada por uma coleção

32 | CASAS DE PORTUGAL

CASAS DE PORTUGAL | 33

O ARCO DA SALA DE ESTAR DIVIDE
A ZONA MAIS AMPLA DE UMA

OUTRA, CONSTRUÍDA PARA CRIAR
A SENSAÇÃO DE NICHO

340 | CASAS DE PORTUGAL

CASAS DE PORTUGAL | 315

NUMA OUTRA PERSPETIVA, A SALA DE ESTAR COM PAREDE
DA ESCADA EM COR ESCURA ACENTUA OS CONTRASTES

36 | CASAS DE PORTUGAL

Mobiliário e acessórios
decorativos combinam vários

estilos e proveniências,
sublinhando um gosto por
peças do mundo, de design,
funcionais e que aportam

conforto à casa de férias

CASAS DE PORTUGAL | 37

38 | CASAS DE PORTUGAL

A ESCOLHA DAS CORES
DAS PAREDES DOS
QUARTOS VESTE OS

AMBIENTES COM UM
TOQUE DE ENERGIA

Cada quarto da casa
recebeu o nome de uma
planta, visível a partir da
janela, e todos têm acesso

direto ao jardim
de cadeiras numa variedade de esti-
los: uma cadeira de pastor de 1700, um
modelo Panton, uma cadeira da China
do século 18 e uma outra no estilo lo-
cal, e que era parte do espólio da casa.
Uma nova energia anima a antiga proprie-
dade, permeada pela luz que entra livre-
mente pelas portas e janelas (sombreada
quando necessário por toldos de cor berin-
jela),reforçando o espírito e a força da terra.

CASAS DE PORTUGAL | 39

ANIMAIS

PABSOTMOR
O cão da Serra de Aires, além de ser um bom pastor para a condução e vigilância de
rebanhos, é também um excelente cão de companhia e de desporto. Quem lhe resiste?

TEXTO E IMAGENS: CEDIDOS PELA ASSOCIAÇÃO DO CÃO DA SERRA DE AIRES (ACSA)

Raça relativamente recente, do princípio do séc. XX, outro a não tresmalhação do gado, dependiam unicamente do
reconhecida pelo Clube Português de Canicultu- pastor e do seu cão.
ra (à época, Secção de Canicultura do Clube dos As propriedades eram divididas por transponíveis marcas
Caçadores Portugueses), é uma das dez raças regis- (linhas de água, estradas, linhas de arvoredo, baixos muros
tadas no Livro Português de Origens, fundado em de pedra, ou o simples “lindão”). Este era também um tempo
1936 e publicado em 1942. A sua origem, nome e valorização em que os predadores, essencialmente atuantes na escuridão,
devem-se ao Monte da Serra de Aires, junto à mancha geo- constituíam sério perigo. Havia muitas vezes a presença tam-
gráfica designada Serra de Aires, na freguesia de Santo bém do cão Rafeiro do Alentejo, por ser um cão de guarda por
Aleixo, concelho de Monforte, Alto Alentejo, ao proprietá- excelência, que complementava o trabalho da Serra de Aires.
rio desta herdade, o Conde de Castro Guimarães e ao gestor
da sua exploração agrícola, num âmbito de grande dina- COMPETÊNCIAS
mismo das casas agrícolas. Reportando-nos às condições São muitas as valências que este cão, efetiva e admiravelmente,
de outros tempos, sabe-se que aquela era uma época em tem. Sendo muitíssimo ativo, tem sempre uma expressão viva
que a produção animal não era confinada a espaços mais e dócil, nele sobressaindo a perspicácia, agilidade, rapidez, efi-
ou menos restritos, os animais comiam o que a terra es- cácia, espontaneidade, afirmação, naturalidade, facilidade de
pontaneamente dava, e o pasto seco resultante das cei- aprendizagem e de adaptabilidade.Pela sua atitude e aspeto,
fas das culturas cerealíferas. Era preciso percorrer longas na sua região de origem era também conhecido como “cão
distâncias. Era ainda necessária resistência e adaptação macaco”.
às condições térmicas desta região, ao calor de grande seve- Cão de tamanho médio, pelo longo, mas sem exigir grandes
ridade. Os rebanhos, essencialmente de ovinos, mas também cuidados, o cão de Serra de Aires não tem sub-pelo, o que é
caprinos, suínos, bovinos, equinos, e até perus e gansos, per- uma grande vantagem na sua competência de cão de compa-
corriam territórios de grande extensão sem cercas, pelo que nhia, não deixando os inconvenientes pelos pela casa, porque
a salvaguarda dos muitos espaços interditos por um lado, e por são aqueles que mais caem.

40 | CASAS DE PORTUGAL

HOJE EM DIA SÃO JÁ EM
NÚMERO CONSIDERÁVEL OS
CRIADORES QUE VALORIZAM
ESTA RAÇA, VERIFICANDO-SE NO
ÚLTIMO ANO UM AUMENTO DE
REGISTOS DE CERCA DE 20%

EVOLUÇÃO DA RAÇA
Na década de 50 e 60 registam-se novas medidas de va-
lorização deste cão. É criado em 1954, pelo Dr. António
Cabral e pelo Dr. Filipe Morgado Romeiras, o Estalão da
Raça do Cão da Serra de Aires. E a Serra de Aires destaca-
-se, no final desta década, nas demonstrações de condu-
ção de rebanhos de ovelhas em várias edições da “Prova de
Trabalho do Cão Pastor da Serra D’Aires”, integrada na Feira da
Agricultura de Santarém/Feira do Ribatejo-Santarém.
Entretanto, dá-se uma alteração no maneio dos reba-
nhos. O uso de aramadas, assim como a alteração do re-
gime alimentar dos gados, causando a quase dispensa
de condução, vão provocar um apagamento do cão pastor.
Nas décadas de 70 e 80, foi de enorme importância para a
sobrevivência da raça a Estação de Fomento Pecuário do Alto
Alentejo (fundada em 1952, na Tapada do Arneiro em Alter
do Chão, e entretanto extinta, coexistindo com a centená-
ria Coudelaria de Alter) com a criação de uma componente
de canicultura, direcionada para o Rafeiro do Alentejo e para
a Serra de Aires, que passados alguns anos acaba por ser
extinta. Em 1990, com a finalidade de continuar a preservação
desta raça, foi criado o Clube Português do Cão da Serra de Ai-
res e em 2014 nasce a ACSA - Associação do Cão Serra de Aires,
essencialmente vocacionada para a recolocação, intensificação
do cão na função, com sede em Alter do Chão.
Hoje, e em conjunto com o Município de Monforte, criou-se um
Centro de Reprodução, em Monforte, com protocolos estabele-
cidos com várias entidades. A ACSA organiza ainda vários even-
tos com periodicidade anual, com destaque para o Encontro de
Criadores de Serra de Aires, Concursos Regionais, Demonstra-
ções de Pastoreio, Exposições em Feiras de âmbito Agrícola.

Visite o V Concurso Regional do Cão da Serra de Aires, com lugar
no dia 24 de Abril, pelas 10h30, na Coudelaria de Alter, em Alter
do Chão, que se realiza no mesmo dia do Secular Leilão de Cavalos.

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Não muito distante de
Lisboa, entre o pinhal e

o mar, uma habitação
de férias onde interior
e exterior se fundem e
dialogam abertamente,

com projeto do
arquiteto belga
Christophe Bernard.

FOTOGRAFIA: PAULO LIMA
TEXTO: IF

ABEA CASA

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Na imagem, o arquiteto Christophe Bernard, autor
do projeto desta casa e da maioria do seu mobiliário.
Bernard é formado em arquitetura na Bélgica e tem um
master de restauro de edifícios classificados.
STUDIO CHRISTOPHE BERNARD
62, Rua dos Remédios à Lapa, R/C Esq.
1200-785 Lisboa

ERTA Aconstrução de raiz, com cerca de 450m2 de
área coberta, mais 550m2 de área exterior, foi
terminada em 2015. De influência modernista,
com inspiração ibérica, refletida nos seus pá-
tios, a casa compõe-se de três volumes bem
definidos entre eles. O módulo da entrada une os volumes
que alojam as zonas de estar, a oeste, e a privada, com os
quartos, a este. O pátio norte é praticamente fechado,
sem aberturas vidradas e assim protegido de ventos e frio.
A única abertura de vidro deste pátio é a porta de en-
trada principal, inscrita no módulo como um quadro.
Ele define, com os seus limites, a perspetiva do pá-
tio sul, com o deque, os jardins verdes bem integrados
e a piscina infinita, que parece diluir-se na vegetação.
Esta transparência é uma nota constante na casa, que
vive de grandes planos envidraçados em todas as divi-
sões de estar e que definem perspetivas na vegetação.
Uma casa aberta, onde interior e exterior se encontram em vá-
rios pontos, e em franca harmonia com a vegetação em redor.
No volume da entrada, voltando à direita, encontramos um la-
vado social, em pedra de Cascais, e logo a seguir a grande sala
comum com cozinha americana em carvalho, desenhada pelo
arquiteto. Na sala, o teto tem uma altura de quase 5 metros.
No sentido longitudinal, as grandes vidraças de vidro re-
colhem e escondem-se dentro das paredes, fundindo-se
a sala com o pátio sul com a sua piscina, como um grande

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Conjunto modular de
assentos em azul e mesas
em pedra Moleanos, no
interior e no exterior, com
design de Christophe
Bernard; tapetes Bugy, cor
tijolo, feitos em Portugal,
em teares reativados,
100% algodão, um projeto
sustentável, disponíveis na
Pátria Interiores

44 | CASAS DE PORTUGAL

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COZINHA AMERICANA EM
MADEIRA DE CARVALHO,
DESIGN DO ARQUITETO

living ao ar livre. Destaque para o conjunto modular de as-
sentos, desenhados por Christophe Bernard, em tons de
azul, os tapetes portugueses de fabrico artesanal, em tom
vermelho bordeaux, e algumas peças de autor exclusivas,
como as cerâmicas alemãs dos anos 1960, entre outros.
Mesa de refeições ladeada por cadeiras da Alias e ban-
cos altos, junto ao balcão da cozinha, de Patricia Urquiola.
Do teto pendem três candeeiros com design de Arik
Levy para a Vibia. Todas as bonitas mesas em mármo-
re Moleanos, uma constante nesta casa, dentro e fora,
têm desenho de Bernard, com sistema de encaixe, re-
metendo-nos para a arquitetura minimalista japonesa.
Nesta mesma sala, quatro vasos de grandes dimensões
guardam oliveiras, mais uma vez unindo interior e ex-
terior, numa homenagem à paisagem natural que cer-
ca a totalidade da construção. Também estes, à seme-
lhança do revestimento da casa, são em micro betão.
Este volume aponta a sul, e abre-se em quase todas
as faces, com exceção da parede da cozinha, deixan-
do ver, de um lado, o pátio da piscina, do outro um ter-
raço revestido a ipê com mesa para refeições ao ar li-
vre e, ao fundo, um outro terraço sombreado, assentos
corridos built-in, para um aperitivo de final de tarde.
O pátio da piscina, com as espreguiçadeiras e aquele pla-
no de água infinito, convida a muitos banhos prolonga-

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NA SALA,
PARTILHADA

COM A
COZINHA,
DESTAQUE PARA
O PÉ DIREITO,
OS PLANOS
DE VIDRO E O
MICRO BETÃO,
NO CHÃO E
NOS VASOS

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