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Published by Revista O Lutador, 2019-04-03 09:38:53

Caderno de Cidadania 313 ABRIL 2019

Saúde mental e trabalho

Keywords: Caderno de Cidadania,Revista O Lutador,Jornal O Lutador,Revista Católica,IMSNS

Caderno
de Cidadania

ANO 18 * Nº 313 * ABRIL * 2019 * BELO HORIZONTE * MG

Saúde
mental e
trabalho

Trabalho Todas Nós
e dignidade Projeto financiado pela CESE estimula o em-
preendedorismo e empoderamento femini-
MATHEUS R. GARBAZZA no em Matozinhos, MG

UTRO dia alguém me lembrava que no fim da Entre os meses de agosto de 2018 e fevereiro
vida, geralmente, as pessoas sentem falta de de 2019, foi realizado pelo Instituto dos Mis-
seus trabalhos. Voltam ao passado e se lem- sionários Sacramentinos de Nossa Senho-
bram, com saudade, das atividades que de- ra, em sua filial Casa de Formação São José,
senvolveram, dos desafios que superaram, dos pro- em Matozinhos, MG, e com financiamento
gressos que imprimiram às suas áreas. O tempo do da CESE, o Projeto Todas Nós.
exercício profissional passou, mas as vivências con-
tinuam ecoando pela vida e conferindo a ela um sen- Com o objetivo de reduzir as situações
tido, uma sensação de dever cumprido, de utilidade de risco e violência contra as mulheres, por
para a humanidade. meio do empoderamento construído a par-
Tal convicção independe do ramo ou tipo de tir do desenvolvimento de habilidades pa-
profissão exercida, mas se baseia no simples fato do ra geração de renda e autoconhecimento, o
projeto beneficiou diretamente 187 mulhe-
res, entre jovens, adultas e idosas.

Aconteceram encontros de grupo tera-
pêuticos, passeio à museu, oficina lúdica de
teatro, formação em “Empreendedorismo
Feminino: Como gerar renda a partir dos
nossos talentos e habilidades?” e estímu-
lo ao desenvolvimento de uma Feira Todas
Nós, em que mulheres organizaram e mo-
bilizaram a cidade com a visão de empreen-
dedorismo feminino.

A próxima feira já tem data: 7 de abril
de 2019. São os frutos lançados, que nascem
e se multiplicam.

Quando ninguém solta a mão de nin-
guém, todas ficam mais fortes!

trabalho mesmo. Na capacidade que o ser humano

tem de aprender, progredir e desempenhar ativi-

dades que façam a sociedade funcionar. Sobretudo

quando há uma real identificação com aquilo que se

faz, quando a profissão é exercida com prazer e gosto.

Se por um lado contemplamos com alegria o

quanto o trabalho é fonte de dignidade para as pes-

soas, não é novidade que o exercício profissional ain-

da é muito cercado de desafios e problemas. A come-

çar pela realidade cruel do desemprego, que cerceia o

direito ao próprio sustento (bem como da família) e

pouco a pouco vai desestruturando a autoestima.

É triste também constatar os ataques à dig-

nidade dos trabalhadores nas mais diversas frentes, Feira Todas Nós
e que acabam contrariando os princípios fundamen-

tais dos direitos humanos. Sempre é preciso resistir e

manifestar-se contra os sérios problemas verificados

alhures.

Não por acaso, portanto, refletiremos bastan- Participantes da formação: “Empreendedorismo
te sobre o tema do trabalho nesta edição do Caderno Feminino: Como gerar renda a partir dos nossos
de Cidadania. Estamos vivendo entre elementos con- talentos e habilidades?”

traditórios e desafiantes para a sociedade brasileira.

As iniciativas que promovem e amparam os direitos

e o bem-estar dos trabalhadores servem de exemplo

para outras tantas que façam o bem acontecer. Tudo

para forjar uma saúde integral que possa ser usufruí-

da por todos.* Passeio em Inhotim

*[ 2 olutador [ abril ] 2019 [ Caderno de Cidadania

De laço
e de nó
A reinvenção do trabalho como um recurso terapêutico

N❝P O L LY A N A C O S T A S A N T O S se que tais ações devem articular
O cotidiano de atendimento sistematicamente as redes de saú-
do SUS, ao prestarmos assis- de e de economia solidária, com os
tência às pessoas com his- recursos disponíveis no território,
tórico de sofrimento men- em caráter intersetorial, para a in-
tal, nós nos deparamos com clusão produtiva, formação e qua-
os impasses em relação à reabilita- lificação para o trabalho de pessoas
ção psicossocial, cuja inclusão no com transtorno mental ou com ne-
mundo do trabalho enfrenta obs- cessidades decorrentes do uso de
táculos a serem transpostos. crack, álcool e outras drogas.

Ao construirmos os projetos te- A construção biográfica de ca-
rapêuticos de nossos pacientes, en- da sujeito compõe a construção de
contramos pessoas que sofrem im- seu projeto terapêutico, entrelaçan-
pedimentos de natureza mental, do trajetória de vida e circunstân-
em função de um histórico de aba- cia social, impossibilidades e pos-
lo psíquico, sendo que, uma vez re- sibilidades para recriação da pró-
cuperados de tal abalo e estabiliza- pria história. Muitos usuários dos
dos, esses pacientes sofrem ainda serviços de saúde mental do SUS
com seus efeitos. Constatamos, em se veem às voltas com o estigma
nossa práxis, que nossos pacientes de incapazes, marcados pelo sig-
se estabilizam, porém enfrentam nificante “invalidez” pela vida afo-
barreiras impostas pelo mercado ra. Mas, ao contrário, reafirmam o
de trabalho, que obstruem a parti- seu valor e suas possibilidades, su-
cipação em igualdade de condições perando as dificuldades. Em ofici-
com as demais pessoas, ainda que na terapêutica no Centro de Convi-
resguardadas as devidas diferenças. vência, algumas vozes se fizeram
ouvir, válidas em suas vivências e
Nosso dever, enquanto traba- compreensões do mundo.
lhadores, usuários e seus familia-
res, é defender o direito ao trabalho O grupo de usuários do Centro de
como condição de produção de vida Convivência reconhece o trabalho
com saúde. Neste sentido, há que se realizado na “Oficina Jornal TEIA”
desconstruir, muitas vezes, a lógica (onde somos todos aprendizes na
da tutela e do controle. Na produção produção de um Jornal, com a opor-
de cuidados no SUS, a legislação vi- tunidade de fazer a matéria a ser
gente institui a reabilitação psicos- inserida no Caderno de Cidadania),
social como componente da Rede de como trabalho psíquico materiali-
Atenção Psicossocial – RAPS, a ser zado nas páginas do encarte, pro-
composta por iniciativas de geração dução psíquica a serviço da eman-
de trabalho e renda e empreendi- cipação, do fortalecimento da cida-
mentos solidários, orientados pe- dania e promoção da saúde mental
la lógica do cooperativismo social e de direitos.
(Portaria MS 3.088/2011). Entende-

*olutador [ abril ] 2019 [ Caderno de Cidadania 3 ]

Rodrigo/ Romeu/ Rosilene/ Sara/ Selma/ Silvéria/ Stéfany/ Tiago/ Wildes.

Secretaria de Saúde de Contagem, MG

CEREST – CentrRua Livorno, 96 - Santa Cruz

Fone: (31) 3352-5350

em Saúde do Trabalhador e [email protected]
NO mês de fevereiro de 2019, o
Centro de Convivência de Conta-
gem / Projeto TEIA recebeu pro-
fissionais com experiência no
campo da saúde mental rela-
cionada ao trabalho. Em 19 de feverei-
ro, realizou-se uma roda de conversa
com Lorena Silva e com Fátima Brant,
psicóloga e diretora, respectivamen-
te, atuantes no CEREST – Centro de Re-
ferência em Saúde do Trabalhador de
Contagem. Na semana seguinte, em
26 de fevereiro, outra roda de conver-
sa foi realizada com a presença da Psi-
cóloga e Mestre em Psicologia Adriana
de Paula Reis.

Trabalho: meio de diálogo social ra Lisângela. Debateu-se, então, sobre o adoeceu pela pressão e assédio moral
a relação entre as condições de traba- que sofria e, que foi neste contexto que
Sabemos que o trabalho, muitas vezes, lho, o adoecimento do trabalhador e o
ocupa um lugar central na vida de quem prejuízo disso nas relações familiares. F/ Centroteve seu primeiro surto: “Eu era muito
o realiza, quer pelo fato de ser um meio
de sobrevivência, quer pelo tempo da Transtornos mentais pressionado. Passei por muita coisa
vida a ele dedicado, quer pelo fato de e afastamento do trabalho no trabalho, fui muito humilhado.
ser um meio de realização não apenas O número de trabalhadores com trans- Trabalhava numa fábrica de botinas,
profissional, mas também pessoal. Sa- tornos mentais têm crescido signi- onde havia uma máquina barulhen-
bemos que o trabalho é um dos princi- ficativamente nos últimos anos. No ta, tinha o cheiro de cola de sapatei-
pais instrumentos através dos quais o Brasil, os transtornos mentais e com- ro, muito esforço, sem parar. Passei
homem dialoga com seu meio social, portamentais têm sido, nos últimos por pressão psicológica, fui muito in-
com seu tempo e consigo mesmo. Sa- anos (período de 2012 a 2106), a ter- juriado. Eu estava fazendo um servi-
bemos também que o trabalho na vida ceira causa de afastamento do traba- ço, o encarregado mandava-me fa-
de cada pessoa pode estar relacionado lho, ficando atrás apenas das doen- zer outro serviço. E xingava. Passei
a ganhos ou perdas, saúde ou doença, ças do sistema osteomuscular e das por assédio moral. Eu guardava tu-
inclusão ou exclusão. lesões geradas por acidentes de tra- do dentro de mim, até que eu explo-
balho, conforme dados do INSS – Ins- di... Implodi... Esgotamento total. Fi-
Na roda, destacou-se que o traba- tituto Nacional de Seguridade Social quei impossibilitado de trabalhar. Eu
lho na vida da pessoa pode gerar prazer (Reis, 2016). era novo, com a força toda e a vonta-
e ganhos, mas também adoecimento e de de vencer...”
perdas. Falou-se da importância do tra- Contribuem para o cenário de agra-
balho, que envolve não só a questão fi- vamento do adoecimento mental no Sobre a vontade de vencer, Dél-
nanceira, mas também as relações so- âmbito do trabalho as situações de ba- cio considera que venceu a opressão
ciais, e o que o trabalho significa para a nalização da violência, como o assédio e o sofrimento quando buscou aten-
pessoa na construção da identidade e moral institucionalizado, as relações dimento psicológico e psiquiátrico.
expressão de singularidade. Refletiu-se interpessoais norteadas por autorita- Ele expressa sua gratidão à possibili-
que em cada pessoa há uma formação rismo e competitividade, a demanda dade de tratamento no SUS. Fala que
humana e que a formação profissional constante por produtividade com alto foi acolhido pela psicóloga, assisten-
é uma parte dessa formação humana. nível de exigência, a organização dos te social e psiquiatra da UBS, onde se
processos de trabalho sem condições mantém em acompanhamento até
Lisângela, que está em acompanha- viáveis de execução, e a desvaloriza- hoje. Também reconhece o valor da
mento pelo CAPS e frequenta o Centro ção das potencialidades e subjetivida- religião que o amparou: “Com tudo is-
de Convivência, compartilhou sua ex- des dos trabalhadores. so, eu me libertei”.
periência de trabalho, quando viven-
ciou a exigência no cumprimento de Délcio, usuário do Centro de Convi- Falou-se sobre ser livre e respon-
metas e conflitos por estar ausente da vência e em acompanhamento na Uni- sável pelo caminho a seguir, e sobre a
família e absorvida pelas demandas de dade Básica de Saúde - UBS, relata que a importância de ter liberdade no tra-
dedicação ao trabalho. Falou-se sobre sua primeira experiência profissional balho para se expressar, sobretudo
o ideal de excelência associado à exi- se houver situação de opressão a ser
gência e à aceleração do trabalho, fato- transposta.
res desencadeantes de adoecimentos:
“Existem patrões que só querem lucro e
não se preocupam com as condições de
trabalho para o trabalhador” – asseve-

*[ 4 olutador [ abril ] 2019 [ Caderno de Cidadania

ro de Referência
tro de Convivência / Projeto TEIA*

Nesse contexto, o Centro de Referên- Assim, Centro de Convivência e CE- mais força da criação e imaginação.”
cia em Saúde do Trabalhador de Con- REST passam a atuar conjuntamente (Anderson)
para fortalecer, junto a outros pontos
ro de Ctmaogenelhmvoir-varCêEansREccoSinTadpirçoõmesodveetraaçbõaelshpoaeraa da rede, uma escuta qualificada deste “O trabalho é uma coisa boa, por
qualidade de vida do trabalhador, por trabalhador (a), não somente em rela- ser útil para alguma coisa ou alguém.
meio da prevenção e da vigilância. Ca- ção ao valor do trabalho em sua vida e Eu não consigo ficar sem o trabalho.
be ao CEREST promover a integração da as respectivas orientações previden- Trabalhei muito tempo nos Correios,
rede de serviços de saúde do SUS, assim ciárias relacionadas à saúde do traba- na Cemig. Como segurança também.
como suas vigilâncias e gestão, visan- lhador (a), mas também como lugares Hoje, sou professor de matemática no
do à incorporação da Saúde do Traba- de fomento de iniciativas de inclusão EJA.” (Flávio)
lhador em sua atuação rotineira, con- laboral, na perspectiva de potenciali-
forme previsto na Portaria nº 2.728/GM, zar a saúde por meio de um trabalho “Já fui professora e promotora de
de 11 de novembro de 2009. que seja produção de vida, e não sub- vendas. Todos os dois me davam con-
tração de vida. tato com vários tipos de trabalho e pes-
Acolhimento aos trabalhadores soas. O trabalho é uma função que par-
O CEREST oferece acolhimento aos tra- A articulação entre o Centro de Con- tilha nosso tempo. E compartilha com
balhadores com queixas relacionadas vivência e o CEREST traz como direção pessoas que nos veem nessas funções e
ao trabalho e desenvolve ações de as- das ações a promoção da autonomia nos ajudam com conselhos, verifican-
sistência médica, psicológica, em en- dos sujeitos e o fortalecimento de la- do nosso desempenho, e com reuniões
fermagem e em serviço social (orien- ços de convivência e diálogo na inter- mensais para saber sobre a meta de tra-
tação trabalhista/ previdenciária e face da saúde com o trabalho. balho.” (Lisângela)
acompanhamento social), além de
exames complementares, vigilância (Endereço do CEREST Contagem: Ave- “Já fiz trabalho de jardinagem, de
epidemiológica, vigilância em saúde nida Pedro Olímpio da Fonseca, n° 545, varrer, de capinar, de colocar carga de
do trabalhador e atividades de supor- Bairro Santa Cruz. Fone: (031)3351–6130.) caminhão, de servente de pedreiro, pin-
te técnico e de educação permanente tura. Trabalho é pra conseguir dinhei-
em Saúde do Trabalhador para a rede Depoimentos ro, pra ocupar a mente. É um ânimo pra
SUS. (Reis, 2016) “O trabalho é para mim muito impor- gente.” (José Juliano)
tante, pois é parte da vida cotidiana.
É esta a perspectiva do trabalho que Tem o trabalho dentro da saúde men- “Trabalhei no ramo gráfico. Dia-
vem sendo construído, em parceria com tal: fazendo oficinas, compartilhando gramação, informação, fotografia, re-
o Centro de Convivência/ Projeto TEIA, a amizade dos meus colegas. Há muito gistrar os momentos, informática. O
buscando fortalecer mais esse ponto tempo, na Guarda Mirim, fazendo as trabalho, hoje, é esse jornal com in-
de encontro da rede, cujo entrelace na ordens unidas, as ginásticas, os exer- formação da TEIA, desenvolver a pro-
produção de cuidados visa ao acolhi- cícios físicos e estudando, o que marcou dução gráfica. É a satisfação em divul-
mento de trajetórias de vidas marca- muito a minha vida. Já hoje, não. Hoje gar...” (Gérson)
das pela exclusão no trabalho associa- estou aposentado. Tudo o que eu fiz no
do ao sofrimento mental. passado, está contribuindo para o su- * Texto elaborado em Oficina
cesso de hoje.” (Romeu) Terapêutica do Centro de
Convivência de Contagem.
“O trabalho é uma forma de ocupa- Colaboradores: Adriana/ Alci/ Alexan-
ção para o cidadão, e um meio de sobre- dre/ Aline/ Anderson/ Carlos/ Cristiano/
viver e de ser uma pessoa honesta e não Délcio/ Dione/ Edith/ Edson/ Eduardo/
ir para a criminalidade, drogas, alcoo- Elizabete/ Ellen/ Elza/ Fátima/ Flávio/
lismo, prostituição. O trabalho é muito Geiza/ Geralda/ Geraldo/ Gérson/ Ha-
importante na vida das pessoas. O tra- roldo/ João Márcio / Jonas/ José Cíce-
balho, sendo feito com valor, é cresci- ro/ José Juliano/ José Luiz/ José Sales/
mento e independência. Eu acho que eu Linayane/ Lisângela/ Lorena/ Luiz Ber-
poderia ser professor de educação física, nardino/ Marcelo/ Maria/ Maurício/
porque eu gosto de esportes e tem tudo Nádia/ Nitael/ Nixon/ Osvaldo/ Oziel/
com a minha infância.” (Délcio) Paulo/ Pollyana/ Raissa/ Rodrigo/ Ro-
meu/ Rosilene/ Sara/ Selma/ Silvéria/
“O trabalho é feito de várias ativi- Stéfany/ Tiago/ Wildes.
dades que temos em viver. Envolve ques-
tões fabris e ciências, entre outros. Tem Secretaria de Saúde
atividade no campo: agropecuária. Nas de Contagem, MG
cidades: as fábricas. No campo artísti- Rua Livorno, 96 - Santa Cruz
co: circo, cinema, teatro. Enfim, o tra- Fone: (31) 3352-5350
balho é uma forma de atividade, para [email protected]
não ficar ocioso, porque nos engrande-
ce e nos faz dignos. Pode-se viver com

*olutador [ abril ] 2019 [ Caderno de Cidadania 5 ]

AO falar de trabalho como O trágico no trabalho
subtração de vida, muitos de mineração
participantes da roda de
conversa entre o CEREST em Brumadinho
e o Centro de Convivência
expressaram seu pesar em relação Mina de desenterrar dinheiro e enterrar vida
aos trabalhadores-vítimas do rom-
pimento da Barragem do Córrego do dos e preparados para projetos des- balho e Emprego - SRTE/MTE e a Se-
Feijão, em Brumadinho, MG. Os par- sa natureza, bem como fiscalizá-los cretaria Municipal de Saúde de Con-
ticipantes teceram reflexões sobre e implantá-los. Mas falta selecionar tagem, por meio da Coordenação Mu-
a ganância das empresas, a lógica melhor estes profissionais. Falta dei- nicipal de Saúde Mental, celebrou,
capitalista que maximiza lucros, o xar de paternalismo, por parte dos ór- no mês de março de 2019, o início de
governo que passa a mão na cabe- gãos públicos, para este tipo de obra. uma promissora articulação inter-
ça das empresas, a falta de condi- Providências terão que ser tomadas. setorial para implantação do Proje-
ções dignas de trabalho, que levam Acredito nos nossos engenheiros e nos to de Inclusão de Pessoas com Sofri-
ao adoecimento e à morte. nossos governantes.” (Engenheiro Ci- mento Mental no Mercado de Traba-
vil Paulo Afonso Carneiro). lho, que integra ações do Projeto de
Wildes, usuário dos serviços de Inclusão de Pessoas com Deficiência
saúde e delegado titular do Conse- Parceria Intersetorial no Contexto do Trabalho, da Audito-
lho Municipal de Saúde, alerta para A Superintendência Regional do Tra- ria Fiscal do Trabalho do Ministério
a responsabilidade da empresa Vale balho e Emprego – Ministério do Tra- do Trabalho.
do Rio Doce, referindo-se à previsão
de riscos de rompimento e proteção
dos trabalhadores contra o acidente.
Paulo, usuário dos serviços de saúde
do SUS, com trajetória em engenha-
ria de segurança do trabalho, contri-
buiu para o debate com a produção
do texto abaixo, o qual nomeou co-
mo “Nota de Desagravo”:

Nota de Desagravo
Gostaria de comentar a tragédia do
rompimento da barragem de rejei-
to de minério de ferro da Cia. Vale do
Rio Doce, ocorrido na cidade de Bru-
madinho, Minas Gerais. A Seguran-
ça do Trabalho da empresa Vale, sua
diretoria, nossa fiscalização e órgãos
de licenciamento envolvidos na libe-
ração das obras da barragem, tan-
to federal, estadual e municipal, se
apresentaram falhos. Há o despre-
paro de todos – omissão, negligência
e imperícia de ações efetivas para a
estabilidade da barragem. Há tam-
bém deficiência de normas e proje-
tos a serem usados. Sendo assim, é
de se consternar com a situação. A
engenharia de segurança do traba-
lho age para acidente zero.

Penso que nossos engenheiros,
tanto da engenharia de segurança do
trabalho, como das demais modali-
dades envolvidas, estão bem forma-

*[ 6 olutador [ abril ] 2019 [ Caderno de Cidadania

De acordo com a Convenção sobre conceito de pessoa com deficiência, Artesãos da própria
os Direitos da Pessoa com Deficiência previsto na Convenção da ONU. história: mãos à obra!
da ONU, recepcionada e ratificada pe- Em Contagem, o coletivo de usuários
lo Brasil com status constitucional, O objetivo do Projeto de Inclusão Cultivarte vem-se mobilizando para
as pessoas acometidas por esquizo- de Pessoas com Sofrimento Mental a criação de uma cooperativa: a “As-
frenia, transtorno bipolar com sin- no Mercado de Trabalho é potencia- sociação de Usuários e Familiares dos
tomas psicóticos, bem como outros lizar o cumprimento da reserva de Serviços de Saúde Mental pela Inclu-
transtornos psicóticos, foram incluí- cargos estabelecida na Lei das Cotas, são no Trabalho e Produção Solidária
das no rol de pessoas com deficiência, que prevê a contratação de pessoas Cultivarte”. Em 2016, em pleno exer-
que ensejam a proteção da chamada com deficiência psicossocial, após a cício de participação social junto ao
“Lei de Cotas” (Lei nº 8213/1991), sendo conclusão de curso de aprendizagem SUS, o Grupo Cultivarte idealizou o 1º
categorizados como pessoas com de- profissional conduzido por institui- Seminário de Reabilitação Psicosso-
ficiência mental ou deficiência psi- ção qualificadora de ensino. cial de Contagem, construído lado a
cossocial. A Lei Brasileira da Inclusão lado com gestores e trabalhadores
– LBI (Lei nº 13.146/2015) adotou esse O projeto vem sendo realizado pela do município.
SRTE-MG, em parceria com a Secreta-
ria Municipal de Saúde de Contagem e Na ocasião, foram convidadas
a Rede Cidadã. O Supermercado Mart duas cooperativas de trabalhadores
Minas é a primeira empresa em Con- usuários de serviços de saúde men-
tagem a aderir à proposta, por meio tal, SURICATO / Belo Horizonte e TEAR
da qual serão incluídos no ambien- / São Paulo, cujas trajetórias contri-
te de trabalho, inicialmente, cerca buíram para discussões em torno do
de 20 trabalhadores com esse perfil. direito ao trabalho e da necessidade
de implementação de políticas pú-
A coordenadora do projeto é a blicas de saúde mental e reabilita-
auditora- fiscal do trabalho da SR- ção psicossocial, nas interfaces com
TE-MG Patrícia Siqueira. Ela explica: a economia solidária, o cooperativis-
“Inicialmente, os trabalhadores são mo social. Entre os núcleos de tra-
indicados pelo Centro de Convivên- balho da futura Associação Cultivar-
cia de Contagem/ Projeto TEIA, para te, estão previstas atividades labo-
participarem da aprendizagem pro- rais de artesanato em madeira, jar-
fissional realizada pela Rede Cida- dinagem, panificação, costura cria-
dã. Durante a aprendizagem teóri- tiva e teatro.
ca e prática na empresa contratan-
te, os aprendizes são pouco a pouco * Texto elaborado em Oficina
inseridos no ambiente de trabalho. Terapêutica do Centro de
Ao fim do processo, essas pessoas são Convivência de Contagem.
efetivadas como trabalhadores com Colaboradores: Adriana/ Alci/ Alexandre/
contrato indeterminado”. Aline/ Anderson/ Carlos/ Cristiano/
Délcio/ Dione/ Edith/ Edson/ Eduardo/
Elizabete/ Ellen/ Elza/ Fátima/ Flávio/
Geiza/ Geralda/ Geraldo/ Gérson/ Haroldo/
João Márcio / Jonas/ José Cícero/ José
Juliano/ José Luiz/ José Sales/ Linayane/
Lisângela/ Lorena/ Luiz Bernardino/
Marcelo/ Maria/ Maurício/ Nádia/
Nitael/ Nixon/ Osvaldo/ Oziel/ Paulo/
Pollyana/ Raissa/ Rodrigo/ Romeu/
Rosilene/ Sara/ Selma/ Silvéria/ Stéfany/
Tiago/ Wildes

Secretaria de Saúde de Contagem, MG
Rua Livorno, 96 - Santa Cruz
Fone: (31) 3352-5350
[email protected]

*olutador [ abril ] 2019 [ Caderno de Cidadania 7 ]

CIDADANIA NA REALIDADE CARCERÁRIA...

É possível mudar Onde está você?

Obrigado, meu amigo, pois cometi tantos erros que Procure
acabei aqui nesta prisão e perdi tudo de importante.
Pensei ter vivido muito e aprendido tudo, e tu surges a por produtos
tempo de evitar esta colisão de enganos, pois tens me
mostrado que eu posso recomeçar. Tu me mostras que, certificados
quando se crê no poder restaurador de Deus e se tem FSC®
força de vontade, é possível mudar de atitudes e viver
recomeçando uma nova vida. O mundo enganou-me
deveras, mas hoje vejo com os olhos novos...

Creio que as pessoas se surpreendem, não comi-
go, mas sim com minhas novas atitudes e hábitos...
Obrigado por tudo!

Que esta tua luz continue brilhando e iluminan-
do muitos que, assim como eu, andavam perdidos nas
trevas...

UDA - PPJSA, São Joaquim de Bicas, MG

Caderno de Cidadania

Druck Chemie
Brasil Ltda

Expediente ❱ E-mail da Redação [email protected] ❱ E-mail do Caderno [email protected] ❱ Oficina Belo Horizonte, MG, Praça Pe. Júlio Maria, , Bairro

Planalto - - , Telefone: ( ) - , Telefax: ( ) - ❱ Diretor-Editor Ir. Denilson Mariano da Silva, SDN ❱ Jornalista Responsável Sebastião Sant`Ana - MG P

❱ Equipe Juliana Gonçalves, Cristiane Felipe, Iris Cordeiro da Silva, frater Henrique Cristiano José Matos, cmm, Ir. Denilson Mariano da Silva, SDN ❱, Parcerias: SEDESE – Secretaria de Estado deTrabalho e

Desenvolvimento Social, IDH – Instituto Direitos Humanos,APC –Apoio Pastoral Carcerária ❱ RevisãoAntônio Carlos Santini ❱ Entidade Mantenedora Instituto dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora

❱Tiragem: . exemplares ❱ Impressão eAcabamento: Gráfica e Editora O Lutador, Empresa Certificada – FSC® e Druck Chemie/Brasil Ltda ❱As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores.

*[ 8 olutador [ abril ] 2019 [ Caderno de Cidadania


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