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Published by Revista O Lutador, 2019-04-03 09:35:49

Caderno de Cidadania 312 MARÇO 2019

Centro de Convivência Projeto TEIA

Keywords: Caderno de Cidadania,Revista O Lutador,Jornal O Lutador,IMSNS

Caderno
de Cidadania

ANO 18 * Nº 312 * MARÇO * 2019 * BELO HORIZONTE * MG

Centro de
Convivência

Projeto
TEIA

Individualidade e 8 de Março Unificado 2019
seus reconhecimentos

MATHEUS R. GARBAZZA

VELOCIDADE da informação que crescentemente Várias cidades do país estão pre-
experimentamos nos últimos decênios trouxe parando um grande Ato Unificado
consigo um aumento da exposição individual. para o Dia Internacional da Mu-
Nas diversas redes sociais existentes, que agru- lher. Em Belo Horizonte a cons-
pam textos, fotos e vídeos, cada um quer mostrar um trução conta com vários movi-
pouco de si, de suas ideias, daquilo que sente e vive. É mentos sociais de mulheres mi-
um processo crescente! litantes, independentes, coletivos
Isso é apenas um sintoma daquilo que os estu- partidários e não partidários. Es-
diosos constatam cada vez mais: vivemos no tempo da tão ocorrendo reuniões centrali-
subjetividade. As instituições, outrora fortes e agrega- zadas e descentralizadas nas re-
doras, já não conseguem mais formatar as pessoas com gionais da cidade mais distantes,
a mesma intensidade. As opiniões, gostos e costumes com programação de rodas de con-
de cada um ganham bastante destaque. versas com temáticas como direi-
Entretanto, paradoxalmente, é também forte to, empoderamento, sexualida-
a tentação de enquadrar as pessoas utilizando apenas de, entre outros assuntos, para a
critérios extrínsecos, frágeis e meramente secundários. mobilização de muitas mulheres
São os famosos “rótulos” sociais, que podem ter como para o dia 8 de março. A progra-
pano de fundo a origem econômica, gênero, etnia, po- mação completa esta disponível
sição no espectro político e tantos outros fatores. É co- na página: https://www.facebook.
com/8mRMBH/ Confira!

Carnaval com empatia!

mo se apenas uma dessas coisas fosse suficientemen-
te capaz de definir o todo de cada um(a).

E não é assim! O ser humano é plural, multifa-

cetado, influenciado pelas reviravoltas da história e da

vida. Não se deixa prender por este ou aquele estereó-

tipo. Ele se reinventa, extravasa, muda de ideia, sente Carnaval é uma festa de muitas
diferente a cada vez. Reconhecer essa diversidade que brincadeiras e humor garantido,
habita a cada um é respeitar a subjetividade e a digni- mas também, um evento de pre-
dade de nossos pares. servação da cultura popular do
nosso país. Quando falamos de
Neste mês de março, o tema do Dia Internacio- cultura, estamos tratando de cos-
nal da Mulher está sempre em pauta. Nesta edição do tumes, valores, modos de vida, vi-
Caderno de Cidadania, veremos que valorizar e respei- vências e todas as formas de ma-
tar a mulher é garantir a todas e a cada uma o direito à nifestações de existência de gru-
individualidade. Cada uma tem um sonho, um passado, pos e povos. E por isso é tão ne-
uma psique... Não comportam generalizações apressa- cessário o exercício da empatia e
das ou comparações cruéis. respeito para que o carnaval não
seja um espaço de desvalorização
Enfim, saber viver em sociedade comporta essa cultural ou agressão aos valores e
dimensão irrenunciável: criar condições para que cada costumes dos nossos povos. An-
um(a) possa desenvolver suas potencialidades e dons tes de sair com sua fantasia, vale
próprios, na relação sadia e fraterna com os demais.* a pena pensar um pouco se você
pode ofender alguém?

*[ 2 olutador [ março ] 2019 [ Caderno de Cidadania

Eu quero respeito,
equidade e flores

Não nos neguem as flores

LÍVIA TEODORO*

HOJE é o dia de pautar a dis- “Eu nunca ganhei flores. Confesso que já fantasiei
cussão “não quero flores, enviar flores a mim mesma, no trabalho ou na escola,
quero respeito”, principal- de maneira “anônima”, para experimentar a sensação
mente nas redes sociais. de receber flores. Nunca me deram flores.”
[...] Só coloquei os pés para fora de
casa uma vez no dia de hoje e nesta tuído o Dia Internacional da Mulher, Angela Davis escreveu em seu li-
única vez fui assediada, de maneira nós estávamos em pé de igualdade em vro Mulheres, Raça e Classe: “Obriga-
nojenta e invasiva, como todo “bom luta, em colocação social e em papel da pelos seus senhores de escravos a
e velho” homem cis-gênero sabe fa- na sociedade? Não. Não estávamos! trabalhar de modo tão “masculino”
zer muito bem. De que adiantariam, quanto seus companheiros, as mu-
então, flores vindas desses homens? A história de lutas e busca por lheres negras devem ter sido profun-
Nada, concordo absolutamente. mudanças sempre esteve presente damente afetadas pelas vivências du-
dos dois lados da história, mas nós rante a escravidão. [...] Um viajan-
No entanto, é preciso também tra- precisamos por muito tempo - e al- te daquela época observou escravas
tar de outra perspectiva, uma forma de gumas de nós até hoje precisam - lu- e escravos que voltavam para casa
ver que me leva a perguntar: “E então, tar para, primeiramente, sermos en- após o trabalho no campo, no Mis-
eu não sou uma mulher?” A mesma xergadas como mulheres e, só então, sissipi, e relatou que o grupo incluía
pergunta foi feita por SojournerTruth lutar por outros direitos que também “quarenta das maiores e mais fortes
em 1851 e, hoje, nós, mulheres negras, foram negados a nós. A gentileza no mulheres que já vi juntas; todas ves-
temos de nos perguntar o mesmo. O simbolismo de dar flores certamen- tiam um uniforme simples, xadrez
assédio não é, nem nunca foi “privi- te é um destes cuidados que muitas azulado; suas pernas estavam nuas
légio”, ao contrário do que circulou de nós, mulheres negras, nunca ex- e os pés, descalços; elas tinham uma
em um texto, produzido e reproduzi- perimentaram ao longo da vida. Falo postura altiva, cada uma com uma en-
do por mulheres que fazem parte de aqui de um gesto que simboliza essa xada no ombro, e caminhavam com
uma maioria política opressora nas gentileza, mas que pode ser represen- um passo livre, firme, como solda-
redes sociais, muito recentemente, e o tado por muitos outros que ainda nos dos [chasseurs] em marcha.” (DAVIS,
assédio no caso das mulheres negras faltam diariamente. Experimentar Angela. Mulheres, Raça e Classe. São
sempre vem acompanhado do racis- este lugar de ser cuidada e ampara- Paulo: Boi Tempo, 2016. p. 23.)
mo. Sarah Baartman foi exposta nua da, deixando nítido que não falo aqui,
como “espetáculo” em 1810, período portanto, das opressões do machis- Colocadas assim, então, em pé de
histórico em que as opressões sofridas mo e dos comportamentos machis- igualdade de tratamento social com
por mulheres não negras eram mui- tas de tratar a mulher como incapaz. os nossos homens, também escravi-
to diferentes das que sofremos hoje. Seria uma experimentação nova para zados, posso apontar que não eram
a maior parte das mulheres negras direcionadas a nós as flores, nesta
“Eu não serei livre enquanto hou- brasileiras. As flores que, nesse con- data, por muitos anos, ainda que com
ver mulheres que não são, mesmo texto, simbolizam a gentileza, não são hipocrisia. Então, por que não con-
que suas algemas sejam muito di- um “mimo” comumente cedido a nós. siderar pedir junto com o respeito, a
ferentes das minhas.” (audre lorde.) equidade social, o fim dos assédios,
(assim mesmo, minúsculo). A nós foi negado o local “diferen- da violência, do racismo e do machis-
ciado”, reservado para mulheres bran- mo, as flores que também não nos
Quando é que nós, mulheres ne- cas, no período da escravidão, e per- foram dadas nestes anos?*
gras, fomos colocadas no posto de manece o tratamento da herança es-
“sensível”, merecedora de cuidados cravocrata em nossa construção so- *Lívia Teodoro é jornalista editora do Blog Na Veia da Nêga
ou aquela que não poderia trabalhar cial até os dias de hoje.
por ser frágil, por exemplo? É possível
dizer que, lá em 1914, quando foi insti-

*olutador [ março ] 2019 [ Caderno de Cidadania 3 ]

Do singular ao coletivo na

❝POLLYANA COSTA SANTOS*

DIZEM que uma história não cias e projetos: singularidade e e reinventando lugares. Assim,
tem fim: “continua sem- coletividade de mãos dadas com surgiu o Projeto TEIA – Território,
pre que alguém responde a cidade, com a cultura, as artes, Entrelaces, Inclusão e Autono-
sim”... Sim! –afirmamos. o meio ambiente. A territoriali- mia: surgiu do desejo do Grupo
Continuemos, então, essa his- zação como força comunitária e Cultivarte de ocupar outros ter-
tória singular de um coletivo a desterritorialização como for- ritórios, transmitindo essas suas
de pessoas em busca de outros ça libertária, pertencimento e experiências na arte de cultivar
lugares. No ano de 2006, den- ampliação de limites, acessando convivência.
tro de uma instituição de tra-
tamento de saúde mental de
Contagem, MG, o Grupo Oficina
ZumZumZum da Criação era de-
sejo começante. Foi nomeado
assim “zum-zum-zum”, por ser
a expressão mesma de uma in-
quietação: o burburinho desejo-
so de recriar lugares para fora
do ensimesmamento institucio-
nal. E foi assim que esse coletivo
partiu de um CAPS em busca de
outros lugares de produção de
cuidados e de vida.

Grupo
Cultivarte
Agregados em torno de uma his-
tória de convivência e do fazer ar-
tístico, os integrantes do Oficina
ZumZumZum se reencontraram
em 2012, e reinventaram a his-
tória: constituíram-se como um
grupo de trabalho da criação de
outros lugares de formação e de
transformação, mobilizados pelo
sentimento coletivo de cultivar
a arte da convivência. O sentido
deste trabalho deu sentido a uma
nova nomeação do grupo, que
passou a se chamar Grupo Culti-
varte.

Desde então, o Grupo Cul-
tivarte mantém encontros se-
manais, agregando pessoas,
pensamentos, afetos... que são
acolhidos em uma Unidade Bá-
sica de Saúde do SUS da cidade
de Contagem. Nesses encontros,
que acontecem uma vez por se-
mana, compartilham-se vivên-

*[ 4 olutador [ março ] 2019 [ Caderno de Cidadania

na direção de outros lugares

vivências. Atualmente, o Centro
de Convivência conta com ofici-
nas de jardinagem, artesanato,
dança, teatro, cinema, culinária,
costura criativa e jornal escrito.

Rede de Atenção Psicossocial entrelaçarmos os Pontos de Cui- “Lírios não nascem da lei”
A partir de 2016, esse desejo do dados na rede de saúde mental, O Centro de Convivência de Con-
TEIA foi agregando o desejo de ou- o Projeto TEIA é, então, entrela- tagem vem construindo o seu
tras pessoas: um coletivo forma- çado ao Centro de Convivência de lugar na cidade, enfrentando as
do por usuários e seus familiares, Contagem. Aquele desejo de cria- lacunas existentes nos modos de
trabalhadores e gestores da Rede ção de outros lugares permanece atenção psicossocial. Lacunas que
de Atenção Psicossocial – RAPS de com seu zum-zum-zum de querer trazem a dimensão sociocultural
Contagem, cujo anseio é a imple- cultivar a arte da convivência e, e a necessidade de se expandir as
mentação de políticas públicas de dessa forma, vem ao encontro da experiências de inclusão social,
saúde mental no campo da rea- acolhida de um Centro de Convi- através da efetivação das políti-
bilitação psicossocial. O Projeto vência, como não poderia deixar cas públicas para esse fim. Apesar
TEIA, com a lógica territorial, vem de ser. de toda a legislação vigente e da
sendo elaborado como um dispo- conquista de direitos, as barrei-
sitivo de atenção à saúde mental, O Centro de Convivência de ras de acesso existem e ignoram
que proponha possibilidades te- Contagem foi criado em 2006 as leis. Como já dizia nosso poeta
rapêuticas outras, para além da e, desde então, vem acolhendo Drummond: “As leis não bastam.
medicalização, configurando-se usuários dos serviços de saúde Os lírios não nascem da lei.”
como um elo importante entre o mental de vários pontos da rede:
atendimento clínico e a reabilita- do CAPS, da Unidade Básica de Então, é preciso haver a mu-
ção psicossocial em cada territó- Saúde, dos Serviços Residenciais dança social. Nesse cenário, há
rio. Terapêuticos, entre outros. É um que se avançar na construção do
componente da RAPS a serviço de fortalecimento de laços comuni-
No contexto desta construção práticas inclusivas e inventivas tários em torno da atenção à saú-
coletiva do Projeto TEIA, persiste o num cotidiano de trabalho estru- de, potencializando o vínculo no
desejo de fortalecimento de Pon- turado em oficinas terapêuticas. território; assim como há que se
tos de Cuidados da rede de saú- É um lugar estratégico na produ- ampliar o diálogo e parcerias no
de, para que se fortaleçam como ção de saúde mental, por ser po- campo do trabalho; e, sobretudo,
pontos de encontros, onde a arte tente na promoção de processos há que se promover o protagonis-
da convivência – e toda a impli- criativos e colaborativos, que pos- mo de usuários e familiares para
cação com os direitos de inclusão sibilitem a reinvenção de modos intervenções socioculturais, já
social – possa ser potencializada. de existir, ressignificando vivên- que é fundamental a intervenção
Na cartografia desse desejo, ao cias singulares a partir de outras na cultura, no sentido de trans-
formar o olhar social – muitas ve-
zes restrito e preconceituoso – em
torno daquele que traz história de
sofrimento mental.

*olutador [ março ] 2019 [ Caderno de Cidadania 5 ]

O Projeto TEIA, uma vez agre- O Projeto TEIA vem sendo “Dentre as
gado ao seio do Centro de Convi- construindo coletivamente e con- denominações ou
vência, vem somando esforços siste em espaços associados às adjetivações localizadas
frente à necessidade de recriar Unidades Básicas de Saúde, abran- para os Centros de
estratégias de reabilitação psicos- gendo os oito territórios da cidade Convivência, aquela que
social no município de Contagem. de Contagem, onde são desenvol- os nomeia como um
O Centro de Convivência, então, vidas oficinas terapêuticas como ‘entre lugar’ comporta
passa a ocupar-se da articulação estratégias de promover movi- bem a ideia de transição,
do Projeto TEIA, com estratégias mentos coletivos na direção dos deslocamento, travessia.
descentralizadas, visando à parti- cuidados com a saúde articulados Travessia do ponto de
cipação ativa dos territórios, bem à cidadania e à inclusão social. apatia ao movimento
como, a potencialização das ações de busca, entre a
compartilhadas de cuidados e in- impossibilidade e a
clusão na arte, na cultura e no troca, entre o isolamento
trabalho. e o convívio, entre a
‘invalidez’ e o fazer criativo,
justificando a ideia de que
este é um lugar potente
para as transformações.”
(Marta Soares, em
seu texto: “A Reforma
Psiquiátrica e o Centro de
Convivência: invenções e
outras práticas”.)

Eixos de ações “A construção de uma TEIA 2013, foi selecionado pelo Edital
torna cada um de nós seres viven- do Ministério da Saúde “Chama-
O TEIA é composto de três Eixos de tes mais potentes, mais sensíveis da Pública para Seleção de Projetos
ações: às necessidades uns dos outros e de Reabilitação Psicossocial”, con-
mais dispostos a novos encontros. quistando o incentivo financeiro
1. “Trabalho e Geração de Ren- Uma rede viva. Vida que pede aco- de 30 mil reais para realização do
da” – que contempla articula- lhida nas mais diversas circuns- Projeto TEIA – Território, Entrela-
ções para a inclusão no mercado tâncias, nem sempre harmônicas, ces, Inclusão, Autonomia. Em 2015,
formal de trabalho, bem como, nem sempre como o esperado pela a experiência conquistou o 1º Lu-
articulações para a produção so- sociedade. Vida que pede práticas gar na Mostra de Atenção Básica
lidária, dentro da lógica do coo- sociais ampliadoras dos vínculos de Contagem com o relato de ex-
perativismo e empreendedorismo de solidariedade e corresponsabi- periência: “Saúde Mental na Aten-
social; lidade: a democracia das relações, ção Básica: A Clínica do Laço Social
a valorização de todos envolvidos, na Perspectiva do Grupo Cultivar-
2. “Artístico-Cultural” – estru- a garantia dos direitos. Sobretudo te”. Em 2016; a experiência foi se-
turado em parcerias interseto- a garantia de Liberdade: liberda- lecionada pelo CONASEMS, sendo
riais para promoção da inserção de de ser diferente e único, e assim apresentada no XXXII Congresso
de usuários e familiares dos ser- mesmo,conquistar essa liberdade Nacional de Secretarias Munici-
viços de saúde mental nos dispo- em comunhão. Liberdade de in- pais de Saúde - 13ª Mostra Brasil
sitivos culturais experiências ar- ventar um novo caminho. Um ca- Aqui Tem Sus– Fortaleza, CE. Em
tísticas; e, minho de criação de vida.” (Ellen 2016, o Grupo Cultivarte home-
– Terapeuta Ocupacional) nageou um de seus integrantes,
3. “Socioambiental” – que pro- artista e usuário dos serviços de
move intervenções artísticas e Percurso do coletivo Cultivarte saúde mental, inscrevendo a tra-
paisagísticas na ambiência das Em 2013, concorreu ao “Edital de jetória artística dele e colaboração
Unidades de Saúde (UBS, CAPS, Apoio a Projetos Sociais”, sendo no Cultivarte e em outros serviços
SRT), por meio da colaboração reconhecido e contemplado pelo de saúde mental de Contagem, o
comunitária, bem como resgata incentivo financeiro da Vallourec que o levou à conquista do 1º Lugar
valores de proteção ambiental e no valor de 10 mil reais. Ainda em no Prêmio Nacional de Inclusão
sustentabilidade.

*[ 6 olutador [ março ] 2019 [ Caderno de Cidadania

Social promovido pela FIOCRUZ e mental é difícil. Essas pessoas são era fechada, não dava confiança.
pelo Conselho Federal de Psicolo- nossa segunda família: não é de Aqui eu consegui me libertar. Te-
gia. sangue, mas é passam pro nosso nho amizades e passei a conviver
sangue o desejo de viver.” (Soraia) melhor com as pessoas e comigo
“Para acontecer um Centro de mesmo, porque antes eu nem li-
Convivência, é preciso que exis- “Ficar junto, um do outro, é gava pra mim. Até raiva de mim
tam as pessoas que amam o que bem melhor que o isolamento. eu tinha. Hoje não. Aprendi a me
fazem, porque lutar pela saúde Aqui é um conhecendo o outro, amar e amar os outros.” (M. Pe-
de mão dada com o outro. Isto é nha)
conhecimento de quem tá com a
gente, quem tá próximo. Aí a gen- “Um lugar de conviver prio-
te mostra nossas qualidades, me- rizando a amizade, o respeito, a
lhora a autoestima.” (Haroldo) solidariedade e tratando da saú-
de. As divisões de tarefas aqui
“Os serviços de saúde mental ajudam a gente a crescer, por-
de Contagem fazem a gente ca- que um ajuda o outro, um com-
minhar junto com eles: crescer, plementa o outro. Um ambiente
aprender a conviver, melhorando de harmonia, humanizado, com
nossa saúde. No Centro de Convi- proteção, que chama a gente pra
vência, chega cada um com seu realidade. A gente se sente inte-
jeito, cada um com aquilo que grado na sociedade, com saúde e
cria na mente e aprende a convi- bem-estar.” (Flávio, Haroldo, Pe-
ver com o que o outro chega tam- nha e Soraia)
bém.” (Soraia)
* Psicóloga Coordenadora do Centro de Convivên-
“O que sei de mim, é que cia de Contagem/ Projeto TEIA. Integrante do Gru-
quando eu vim pra cá, eu me sen- po Cultivarte. Texto elaborado a partir das falas /
ti muito bem. Porque antes eu contribuições das oficinas.

*olutador [ março ] 2019 [ Caderno de Cidadania 7 ]

CIDADANIA NA REALIDADE CARCERÁRIA...

Más escolhas Onde está você?

E disse o Senhor: “E não nos deixeis cair em tenta- Procure
ção, mas livrai-nos do mal”. Nem sempre consegui-
mos perceber os processos da vida, e só assim a vida por produtos
nos mostra quando caímos em tentações. Ficamos
certificados
vulneráveis às tentações FSC®
da vida quando despre-
zamos os ensinamentos
da família, nos afasta-
mos dos valores morais,
espirituais e éticos.

As escolhas pessoais,
quando feitas desprovi-
das de orientações e con-
selhos das pessoas que
se preocupam com nos-
so bem-estar, nos afas-
tam do caminho do bem
e nos lançam na margi-
nalidade. A prisão é uma
das consequências das
más escolhas.

Na prisão, sem nos-
sa família, somos como uma ave pequenina fora do
ninho. Longe de nossas famílias, passamos por mo-
mentos de tristeza, de cólera, abandono e desespe-
rança para a chegada do instante ansiado para tão
sonhada liberdade, para beijar e abraçar com toda
a saudade do mundo a família que nos ama como
Deus ama cada filho dele.

A família é o alicerce da vida como o alicerce de
uma casa. É força, amor, alegria, tristeza, saudade
e serenidade. Família, bonito dizer, na organização
da vida ou na moradia da alma, saudades, sim, de
um ser preso, mas esquecimento nunca.

SAMUEL ALEXANDRE - 30 ANOS

Caderno de Cidadania

Druck Chemie
Brasil Ltda

Expediente ❱ E-mail da Redação [email protected] ❱ E-mail do Caderno [email protected] ❱ Oficina Belo Horizonte, MG, Praça Pe. Júlio Maria, , Bairro

Planalto - - , Telefone: ( ) - , Telefax: ( ) - ❱ Diretor-Editor Ir. Denilson Mariano da Silva, SDN ❱ Jornalista Responsável Sebastião Sant`Ana - MG P

❱ Equipe Juliana Gonçalves, Cristiane Felipe, Iris Cordeiro da Silva, frater Henrique Cristiano José Matos, cmm, Ir. Denilson Mariano da Silva, SDN ❱, Parcerias: SEDESE – Secretaria de Estado deTrabalho e

Desenvolvimento Social, IDH – Instituto Direitos Humanos,APC –Apoio Pastoral Carcerária ❱ RevisãoAntônio Carlos Santini ❱ Entidade Mantenedora Instituto dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora

❱Tiragem: . exemplares ❱ Impressão eAcabamento: Gráfica e Editora O Lutador, Empresa Certificada – FSC® e Druck Chemie/Brasil Ltda ❱As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores.

*[ 8 olutador [ março ] 2019 [ Caderno de Cidadania


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