SIMULADO
PRÉ-IFES
Profº Alexander
FÍSICA
1. Uma força constante age sobre um corpo de 100kg e em 2s varia sua velocidade de 10m/s para 30m/s.
A intensidade mínima dessa força deve ser de
a) 1500N b) 1000N c) 500N d) 100N e) 10N
2. Observe a tirinha a seguir :
A análise da tirinha, em particular do último quadro, faz uma referência a(o)
a) Conservação da quantidade de movimento
b) Primeira Lei de Newton
c) Conservação da energia
d) Terceira Lei de Newton
e) Princípio de Lavoisier
3. Leia com atenção a tira da Turma da Mônica mostrada a seguir e assinale a alternativa correta:
1
a) Cascão está em movimento em relação ao skate
b) Cascão está em repouso em relação ao skate e em movimento em relação ao Cebolinha.
c) Cascão está em movimento em relação a qualquer referencial na superfície da Terra.
d) Cebolinha está em repouso em relação a qualquer referencial na superfície da Terra
e) Cebolinha está em repouso em relação a Cascão.
4. Para deslocar tijolos, é comum vermos em obras de construção civil um operário no solo, lançando
tijolos para outro que se encontra postado no piso superior. Considerando o lançamento vertical, a
resistência do ar nula, a aceleração da gravidade igual a 10 m/s² e a distância entre a mão do lançador
e a do receptor 3,2m, a velocidade com que cada tijolo deve ser lançado para que chegue às mãos do
receptor com velocidade nula deve ser de
a) 5,2 m/s
b) 6,0 m/s
c) 7,2 m/s
d) 8,0 m/s
e) 9,0 m/s
MATEMÁTICA
5. Uma empresa repartiu um bônus de R$ 1.800,00 entre três empregados, de forma diretamente
proporcional aos tempos de serviço de cada um, que são iguais a 10, 6 e 4 anos. Nessas condições, o
empregado mais antigo foi bonificado com uma quantia
a) inferior a R$ 700,00
b) superior a R$ 700,00 e inferior a R$ 750,00
c) superior a R$ 750,00 e inferior a R$ 800,00
d) superior a R$ 800,00 e inferior a R$ 850,00
e) superior a R$ 850,00
6. Sabe-se que 4 máquinas , operando 4 horas por dia, durante 4 dias, produzem 4 toneladas de certo
produto. Quantas toneladas do mesmo produto seriam produzidas por 6 máquinas daquele tipo,
operando 6 horas por dia, durante 6 dias?
a) 8 b) 15 c) 10,5 d) 13,5 e) 4
2
7. Para asfaltar 1 km de estrada, 30 homens gastaram 12 dias trabalhando 8 horas por dia. Vinte homens,
para asfaltar 2 km da mesma estrada, trabalhando 12 horas por dia, gastarão
a) 6 dias
b) 12 dias
c) 24 dias
d) 28 dias
e) 30 dias
8. Um lojista, na tentativa de iludir a freguesia, deu um aumento de 25% nas suas mercadorias e, depois,
as anunciou com 20% de desconto. Podemos, então, concluir que
a) a mercadoria subiu 5%
b) a mercadoria diminuiu 5%
c) aumentou 2,5%, em média
d) diminuiu 2,5%, em média
e) manteve o seu preço
9. Um capital de R$ 150,00, aplicado no sistema de juros simples, produziu um montante de R$ 162,00
após 4 meses de aplicação. Qual foi a taxa de juros?
a) 1% ao mês
b) 2% ao mês
c) 3% ao mês
d) 4% ao mês
e) 5% ao mês
3
10. Numa cidade do interior, à noite, surgiu um objeto voador não identificado, em forma e disco, que
estacionou a 50 m do solo, aproximadamente. Um helicóptero do exército, situado a aproximadamente
30 m acima do objeto, iluminou-o com um holofote, conforme mostra a figura abaixo. Sendo assim,
pode-se afirmar que o raio do disco-voador mede, em m, aproximadamente,
a) 3,0 b) 3,5 c) 4,0 d) 4,5 e) 5,0
11. Uma pessoa encontra-se num ponto A, localizado na base de um prédio, conforme mostra a figura
adiante. Se ela caminhar 90 metros em linha reta, chegará a um ponto B, de onde poderá ver o topo C
do prédio, sob um ângulo de 60°. Quantos metros ela deverá se afastar do ponto A, andando em linha
reta no sentido de A para B, para que possa enxergar o topo do prédio sob um ângulo de 30°?
a) 150 b) 180 c) 270 d) 300 e) 310
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12. No jogo de bocha, disputado num terreno plano, o objetivo é conseguir lançar uma bola de raio 8 o mais
próximo possível de uma bola menor, de raio 4. Num lançamento, um jogador conseguiu fazer com que
as duas bolas ficassem encostadas, conforme ilustra a figura abaixo. A distância entre os pontos A e B,
em que as bolas tocam o chão, é
a) 8 b) 6 2 c) 8 2 d) 4 2 e) 6 3
13. A crise energética tem levado as médias e grandes empresas a buscarem alternativas na geração de
energia elétrica para a manutenção do maquinário. Uma alternativa encontrada por uma fábrica foi a de
construir uma pequena hidrelétrica, aproveitando a correnteza de um rio que passa próximo às suas
instalações. Observando a figura e admitindo que as linhas retas r, s e t sejam paralelas, pode-se
afirmar que a barreira mede
a) 33 m
b) 38 m
c) 43 m
d) 48 m
e) 53 m
5
14. O curso X declara que seus alunos ocuparam 60% das vagas oferecidas em certo concurso vestibular.
Outros cursos retrucam que apenas 15% dos alunos do curso X foram classificados. Se todos dizem a
verdade, a razão entre o número de candidatos do curso X inscritos nesse concurso e o número de
vagas oferecidas é igual a
a) 4 b) 4,5 c) 5 d) 6 e) 7,5
15. O perímetro de um terreno é 72 m. As medidas de seus lados são inversamente proporcionais a 2, 3, 5
e 6. A medida, em metros, do menor lado desse terreno, é
a) 10
b) 20
c) 30
d) 40
e) 60
Gabarito: A
:
16. O volume de uma caixa d’água é de 2,760 m3. Se a água nela contida está ocupando os 3/5 de sua
capacidade, quantos decalitros de água devem ser colocados nessa caixa para enchê-la
completamente?
a) 331,2
b) 184
c) 165,6
d) 110,4
e) 55,2
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17. O estádio de futebol de uma cidade, depois de passar por obras durante 2 anos, será reinaugurado com
um grande jogo de início de campeonato regional, entre o time local e o time vencedor do campeonato
anterior. Reformaram o campo, os vestiários, os banheiros e ampliaram a capacidade de receber
torcedores. Num jogo com lotação máxima, o estádio pode receber 5/6 do total de torcedores em
arquibancadas, 1/10 em cadeiras estofadas, e os 1000 torcedores restantes em camarotes. A lotação
máxima de torcedores desse estádio é de
a) 20.000
b) 30.000
c) 7.500
d) 10.000
e) 15.000
18. O valor da expressão x2 − 2xy + y2 . x2 − y2 , para x = 1,25 e y = 0,75, é
x−y x+y
a) – 0,25.
b) –0,125.
c) 0.
d) 0,125.
e) 0,25
19. No retângulo a seguir, o valor, em graus, de α + β, é
a) 50.
b) 90.
c) 120.
d) 130.
e) 220.
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BIOLOGIA
20. Analise o folheto a seguir.
Fonte: http://fafich-de-carona.blogspot.com/. Acesso: 11/06/2011.
Para se defender do contágio do vírus da gripe, o corpo da mulher apresenta
a) ácido vaginal que limita o crescimento e a proliferação de micro-organismos.
b) pele que contém antibiótico natural dificultando a entrada de micro-organismos.
c) pelos nasais que filtra o vírus presente no ar que entra no sistema respiratório.
d) suco gástrico que contém ácido clorídrico e enzimas digestórias que destroem o vírus.
e) pele que contém antibiótico artificial dificultando a entrada de micro-organismos.
21. Analise a imagem a seguir, que contém um dos pratos mais pedidos do Brasil: arroz, feijão, bife e
salada.
Fonte: http://www.naturezabrasileira.com.br/foto/20568/prato_de_comida.aspx. Acesso: 10/06/2011.
Podemos encontrar maior quantidade de proteína no(s) número(s)
a) 1 e 3.
b) 2.
c) 2 e 3.
d) 4.
e) 1 e 2.
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22. Leia o texto a seguir sobre o peso e a dieta de Jessica Futtert.
Jessica Futtert, de Chicago, Illinois, EUA, tem apenas 7 anos e pesa nada menos que 222 kg. Isso
tudo é resultado de uma dieta de 10.000 calorias diárias, que inclui 1 kg de chocolate e 5 litros de bebida de
cola, a qual sua mãe insiste em não cortar para não deixá-la triste. Só para comparação, uma criança da
mesma idade deve consumir uma dieta de 1.800 calorias apenas.
Fonte: http://www.vejaki.com.br/2009/11/. Acesso: 08/06/2011.
De acordo com os nutricionistas, para ter uma vida mais saudável Jessica Futtert deveria comer mais
a) carboidratos. c) proteínas. e) sacarose.
b) lipídeos. d) vitaminas.
23. Analise a letra da canção Feijoada, de Chico Buarque de Holanda.
Mulher, não vá se afobar;
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar.
Ponha os pratos no chão e o chão tá posto
E prepare as linguiças pro tira-gosto.
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão.
Mulher, você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar:
Arroz branco, farofa e a malagueta;
A laranja-bahia ou da seleta.
Joga o paio, carne seca,
Toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão.
Fonte: http://letras.terra.com.br/chico-buarque/85966/. Acesso: 10/06/11
Na feijoada descrita na canção, aparecem alimentos ricos em
a) carboidratos, como a laranja e o feijão.
b) lipídios, como o toucinho e a linguiça.
c) proteína, como o açúcar e a carne seca.
d) vitamina, como o limão e o arroz.
e) lipídios, como o açúcar.
QUÍMICA
24. Imagine um copo cheio de refrigerante bem geladinho. O copo está "suado" e há gelo no refrigerante.
Qual(is) o(s) fenômeno(s) físico(s) envolvido(s)?
a) Vaporização e condensação. b) Sublimação e fusão. c) Condensação e fusão.
d) Condensação. e) Fusão.
25. Dada a tabela ao lado:
Qual substância estará no estado sólido à temperatura
ambiente (25ºC)?
a) Clorofórmio
b) Éter etílico
c) Etanol
d) Fenol
e) Pentano
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26. Marque a alternativa que descreve um fenômeno químico:
a) Evaporação da água b) Formação da ferrugem c) Derretimento do gelo
e) Chuva
d) Diminuição do tamanho de uma bolinha de naftalina
27. Marque a alternativa que contém uma substância pura:
a) Aliança de ouro 18 quilates
b) Ar
c) Água
d) Sorvete
e) Leite
GEOGRAFIA
28. As chamadas chuvas ácidas, tão comuns nas proximidades de Cubatão, são um dos exemplos de como
as sociedades humanas podem interferir na natureza, modificando-a. Do ponto de vista de ação
antrópica, essas chuvas são causadas por
a) encontro de massas de ar continentais e equatoriais úmidas.
b) frente tropical que provoca a formação de ventos alísios.
c) processos erosivos presentes na Serra do Mar que provocam grandes deslizamentos nas encostas
íngremes.
d) emissão no ar de gases por veículos automotores; gases, poeiras e outros poluentes industriais.
e) poluição hídrica dos mananciais que ficam desprotegidos pelo contínuo desmatamento.
29. Estes rios fazem parte da paisagem e do dia a dia do homem do Nordeste, servindo como fonte de
água, áreas de recreação, cultivo de vegetais e criação de animais. O sertanejo apresenta estratégias
de sobrevivência durante os períodos de estiagem, que são resultado direto de suas percepções sobre
as variações no fluxo de água desses rios. Estes ambientes fazem parte da cultura do sertanejo sendo
citados em sua produção artística por grandes escritores como Euclides da Cunha, João Cabral de Melo
Neto, José Lins do Rego e Guimarães Rosa.
(www.ecodebate.com.br/2012/09/03/reducao-de-apps-compromete-rios-e--biomas-brasileiros-entrevista-com-o-biologo-elvio-sergio-
medeiros)
O texto faz referência a dois elementos naturais de grande importância na região Nordeste. São eles os rios
a) efêmeros e a paisagem de colinas. b) cársticos e a paisagem de chapadas.
c) intermitentes e a paisagem de caatingas. d) de talvegue e a paisagem de cerrados.
e) temporários e a paisagem de terras baixas.
30. Analise o climograma abaixo:
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Sobre o clima Equatorial, pode-se dizer que
a) apresenta elevada amplitude térmica e elevado índice pluviométrico.
b) apresenta temperaturas médias e chuvas bem distribuídas.
c) apresenta elevadas médias térmicas e elevado índice de chuvas.
d) apresenta baixa amplitude térmica e chuvas escassas.
e) apresenta chuvas concentradas no verão e seca no inverno.
31. Leia o texto a seguir:
Floresta Equatorial corresponde a um tipo de formação vegetativa que se desenvolve
principalmente na Zona Intertropical da Terra. Nessas regiões ocorrem grandes florestas com formas
exuberantes e densas. Nesses lugares existe uma variedade de vegetação e animais.
As Florestas Equatoriais oferecem uma condição favorável para o surgimento de uma enorme
diversidade de vida que é aproveitada para fins econômicos de comunidades sustentáveis e para a
grande economia.
Ações econômicas mais agressivas vêm intensificando o processo de devastação deste importante
bioma e comprometendo a qualidade do ar, água e dos solos.
(adaptado) http://www.brasilescola.com/geografia/floresta-equatorial-1.htm
Dentre as causas da devastação ambiental das florestas equatoriais, a mais amplamente destrutiva é
a) a biopirataria.
b) a expansão das fronteiras agrícolas.
c) o garimpo ilegal.
d) o extrativismo vegetal.
e) pesca tradicional.
HISTÓRIA
32. O Império Brasileiro presenciou, nos anos 30, a emergência de movimentos revolucionários.
Todas as alternativas apresentam movimentos desse período, EXCETO
a) a Balaiada, no Maranhão, que se caracterizou por sucessivas e ininterruptas rebeliões da população
sertaneja escrava.
b) a Cabanagem, na Província do Pará, que foi uma das lutas mais violentas do período regencial.
c) a Farroupilha, no Rio Grande do Sul, marcada pelas aspirações do patriciado urbano e rural da região.
d) a Praieira, em Pernambuco, que teve como objetivo o fortalecimento da monarquia.
e) a Sabinada, na Bahia, caracterizada pelo antilusitanismo da camada social média.
33. Leia os dois textos abaixo:
Texto 1:
Depois que os últimos escravos houverem sido arrancados ao poder sinistro que representa para a
raça negra a maldição da cor, será ainda preciso desbastar, por meio de uma educação viril e séria, a lenta
estratificação de trezentos anos de cativeiro, isto é, de despotismo, superstição e ignorância.
(NABUCO, Joaquim. O abolicionismo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; São Paulo: Publifolha, 2000, p. 3)
Texto 2:
A propósito do dia 13 de maio, dois professores do Instituto de Economia (IE) da Unicamp
divulgaram estudos relativos à situação dos negros brasileiros no mercado de trabalho, com indicadores
denunciando o preconceito, que preferem chamar de “diferenças de cor e gênero”, para utilizar uma
terminologia política e academicamente correta no Brasil. Marcio Pochmann e Waldir José de Quadros,
ambos do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) (...), chegam a uma constatação
comum: que a falta de acessibilidade aos melhores postos de trabalho torna muito mais difícil para o negro
sua ascensão social.
(SUGIMOTO, Luiz. Pesquisa revela situação dos negros no mercado de trabalho nos últimos 25 anos. Jornal da
UNICAMP. Disponível em: <http:// www.unicamp.br.htm>. Acesso em: 30 de Agosto de 2013.
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Publicada antes da Lei Áurea de 1888, a obra O Abolicionismo de Joaquim Nabuco registra observações
que podem ser comparadas às atuais análises feitas por pesquisadores do Cesit, podendo-se afirmar que:
I. Os dois textos indicam preocupação quanto à desigualdade de cor no Brasil.
II. O 1º texto mostra uma solução que, certamente, poderia ser sugerida para o problema constatado
no 2º texto.
III. O 2º texto prova que eram infundadas as preocupações enunciadas no 1º texto.
Marque a resposta correta:
a) Todas as afirmativas são verdadeiras.
b) Todas as afirmativas são falsas.
c) Somente são verdadeiras as afirmativas I e II.
d) Somente são verdadeiras as afirmativas II e III.
e) Somente é verdadeira a afirmativa III.
34. O Iluminismo como movimento intelectual do século XVIII representou
a) as ideias revolucionárias da burguesia.
b) o renascer do pensamento clássico greco-romano.
c) a revolução ideológica da aristocracia.
d) a expansão do pensamento religioso.
e) o fortalecimento do estado absolutista.
35. A chamada Revolução Industrial, que promoveu o aparecimento de uma nova ordem econômica,
eclodiu no século XVIII, na Inglaterra. Verifica-se a primazia britânica, por quê?
I. Não tinha sido possível na Inglaterra, a acumulação de lucros, devido ao grande crescimento do
comércio marítimo dos outros países europeus;
II. Dada a existência na Inglaterra de grandes reservas carboníferas;
III. Ocorreu, na Inglaterra, um grande surto de mecanização das atividades manufatureiras;
IV. Dada a inexistência, na Inglaterra, de mão de obra disponível;
V. Devido ao puritanismo religioso que estimulou precondições para o desencadeamento do
processo industrial.
De acordo com as proposições acima, assinale a alternativa correta:
a) Apenas as afirmativas I e IV estão corretas.
b) Apenas a afirmativa IV está correta.
c) Apenas a afirmativa V está correta.
d) Apenas as afirmativas II, III e V estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
PORTUGUÊS
36. Leia o trecho abaixo e assinale a alternativa em que, substituindo os termos em negrito, por outros
equivalentes, não há prejuízo de significado.
“A democracia é o regime que reconhece o direito fundamental à liberdade de expressão e opinião. No
entanto, ela também reconhece que nem tudo é objeto de opinião. Uma opinião é uma posição subjetiva a
respeito de algo que posso ser contra ou a favor. Mas há coisas a respeito das quais não é possível ser
contra. Por exemplo, não posso ser contra a universalização de direitos e a generalização do respeito a
grupos sociais historicamente excluídos. Ao fazer isto, coloco-me fora da democracia”.
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a) Entretanto; pois; exemplificando; em seguida.
b) Entretanto; contudo; dito isso; ao fazê-lo.
c) Porque; uma vez que; dessa forma; desse jeito.
d) Mas; por essa razão; contudo; assim sendo.
e) Pois; mas; contudo; assim sendo.
Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um
anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque
esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa 2reparti-la. Paga-se
extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente, pois a alegria dessa
pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se
urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais.
Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz
mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes
que se transforme em drama. Implora-se também que venha, 1implora-se com a humildade da alegria-sem-
motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos.
Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se
pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria
até mesmo divina para dar.
Clarice Lispector (http://pensador.uol.com.br/frase. Acesso dia 30/05/2012, 17h03min)
37. Assinale a afirmativa FALSA a respeito do texto.
a) A palavra fugaz, no contexto, está sendo empregada no sentido de “que passa rapidamente; de pouca
duração; transitório, efêmero, fugidio, fugitivo”.
b) Em “reparti-la” (ref. 2), o pronome “la” retoma o antecedente “alegria”.
c) A preposição a em “Essa pessoa que atenda ao anúncio [...]” (ref. 3) é justificada pela regência do verbo
“atender”.
d) O verbo haver na última frase do texto iria para o plural, caso o sujeito dele fosse substituído, por
exemplo, por “em meu rosto e em meus olhos”.
38. A embalagem de determinada sopa traz as seguintes instruções:
– Coloque 1 litro de água em uma panela.
– Despeje o conteúdo da embalagem na água fervente e mexa esporadicamente por 5 minutos.
– Caso a consistência da sopa fique muito espessa, acrescente um pouco de leite.
– Desejando um sabor mais acentuado, polvilhe queijo ralado antes de servir.
Para preparar a sopa corretamente, o consumidor deve
a) mexer constantemente o conteúdo da panela, acrescentar leite se houver necessidade de que a sopa
fique mais cremosa e, ao final, salpicar queijo ralado.
b) mexer constantemente o conteúdo da panela para evitar que a sopa fique espessa e não haja
necessidade do acréscimo de leite e, se apreciar queijo ralado, polvilhar um pouco quando a sopa
estiver pronta.
c) mexer de vez em quando o conteúdo da panela e esperar até que o aspecto fique espesso para
acrescentar leite, polvilhando queijo ralado para substituir o sal.
d) mexer de vez em quando o conteúdo da panela e, ficando a consistência espessa, adicionar leite, não
se esquecendo, também, de que se pode salpicar queijo ralado se desejar.
e) mexer de vez em quando até que a água chegue ao ponto ideal de fervura, dissolver o conteúdo da
embalagem e misturar o queijo ralado para que ele vá acentuando o sabor da sopa.
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O padeiro
Levanto cedo, faço a higiene pessoal, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do
apartamento − mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa
nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lockout, greve
dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã
com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.
Está bem. Tomo meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou
me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar pão à porta do
apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
– Não é ninguém, é o padeiro!
Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera
bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou por uma outra pessoa qualquer, e
ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para
dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...
Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para
explicar que estava falando com um colega, ainda menos importante. Naquele tempo eu também, como os
padeiros, fazia trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação do jornal, quase sempre
depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão um dos exemplares rodados,
o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal
que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou
artigo com o meu nome. O jornal e o pão estavam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu
coração eu recebi uma lição daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o
padeiro!”.
E assoviava pelas escadas.
(Rubem Braga, Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960. Adaptado)
39. Assinale a alternativa em que o pronome em destaque está empregado de acordo com a norma padrão.
a) Avisaram-na de que era necessário reconhecer firma dos documentos.
b) Pediu para mim enviar-lhe as faturas do último mês.
c) Como gostou da bolsa, comprou ela sem pensar duas vezes.
d) Eu e minha irmã se encontraremos com amigos no sábado.
e) Recrutaram-o para realizar tarefas pouco prazerosas.
Em 1966, Armando Nogueira publicou o livro em que aparece a crônica que você lerá a seguir.
Considere-a para responder o que se pede.
A rua do Caloca
Bendito o bairro em que os meninos ainda podem jogar futebol pelas calçadas. Ipanema, as ruas
amenas de Ipanema estão sempre cheias de meninos a chutar bolas. Hoje de manhã, mesmo, passei por
dois garotinhos, um de seis anos, outro de três, no máximo: o maior ensinava, pacientemente, o menor a
chutar com o peito do pé e, ontem, a turma da Rua Barão de Jaguaribe enfrentou o time da Rua Redentor.
Quando estou folgado, subo e desço as ruas da vizinhança, olhando os meninos no futebol: são
vinte, trinta de cada lado, todos garotinhos abaixo de dez anos, ardendo na pelada que nunca tem hora para
acabar; não há muito rigor contra a violência e só uma regra é respeitada − a mão na bola. Tocou o dedo na
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bola, falta, “quem cobra sou eu” e forma-se um bolinho em volta da bola, parece cobrança de pênalti no
Maracanã.
De quando em quando, um automóvel interrompe a partida de futebol, mas invariavelmente os
motoristas têm o carinho de reduzir a marcha a uma velocidade que não ponha em risco a vida das crianças
e que, por outro lado, lhes permita desfrutar, ainda que como espectadores, das emoções da pelada.
Das ruas, a mais encantadora, sem desmerecer as outras, é a Redentor, que eu saúdo como a rua
do time do Caloca. Pena é que, numa das esquinas, more uma senhora estranha ao clima espiritual deste
bairro, onde as meninas brincam de cantigas de roda e os meninos de jogar futebol.
Se eu fosse alguma coisa neste país, já teria corrido de Ipanema aquela mulher rabugenta, que, na
presença de vinte meninos, furou a bola deles com uma tesoura e, depois, cortou em pedacinhos. Só
porque uma rebatida imprecisa do Diguinho jogou a bola contra a casa dela.
Era uma bonita bola, rosada, Seleção de Ouro, que os meninos tinham comprado em uma vaquinha
por novecentos cruzeiros.
(NOGUEIRA, Armando. Na grande área. Rio de Janeiro: Bloch Editores, 1966. Adaptado)
40. Assinale a alternativa em que as duas expressões em destaque são adjuntos adverbiais de lugar.
a) ... as ruas amenas de Ipanema estão sempre cheias de meninos...
... parece cobrança de pênalti no Maracanã.
b) ... os meninos ainda podem jogar futebol pelas calçadas.
... forma-se um bolinho em volta da bola...
c) Pena é que, numa das esquinas, more uma senhora...
... ontem, a turma da Rua Barão de Jaguaribe enfrentou...
d) Se eu fosse alguma coisa neste país...
... que eu saúdo como a rua do time do Caloca.
e) Quando estou folgado, subo e desço as ruas da vizinhança...
... já teria corrido de Ipanema aquela mulher rabugenta...
Gabarito: B
Resolução/comentário:
Apenas em b) os termos grifados são adjuntos adverbiais de lugar, já que designam o espaço onde ocorrem
as ações de “jogar futebol” e “formar bolinho”. Nas opções a), c), d) e e), apresentam-se como
sujeito/adjunto adverbial de lugar, adjunto adverbial de lugar/adjunto adnominal, adjunto adverbial de
lugar/predicativo do objeto, objeto direto/ adjunto adverbial de lugar, respectivamente.
Quando a rede vira um vício
Com o titulo "Preciso de ajuda", fez-se um desabafo aos integrantes da comunidade Viciados em
Internet Anônimos: "Estou muito dependente da web, Não consigo mais viver normalmente. Isso é muito
sério". Logo obteve resposta de um colega de rede. "Estou na mesma situação. Hoje, praticamente vivo em
frente ao computador. Preciso de ajuda." O diálogo dá a dimensão do tormento provocado pela
dependência em Internet, um mal que começa a ganhar relevo estatístico, à medida que o uso da própria
rede se dissemina. Segundo pesquisas recém-conduzidas pelo Centro de Recuperação para Dependência
de Internet, nos Estados Unidos, a parcela de viciados representa, nos vários países estudados, de 5%
(como no Brasil) a 10% dos que usam a web — com concentração na faixa dos 15 aos 29 anos. Os
estragos são enormes. Como ocorre com um viciado em álcool ou em drogas, o doente desenvolve uma
tolerância que, nesse caso, o faz ficar on-line por uma eternidade sem se dar conta do exagero. Ele também
sofre de constantes crises de abstinência quando está desconectado, e seu desempenho nas tarefas de
natureza intelectual despenca. Diante da tela do computador, vive, aí sim, momentos de rara euforia.
Conclui uma psicóloga americana: "O viciado em internet vai, aos poucos, perdendo os elos com o mundo
real até desembocar num universo paralelo — e completamente virtual".
Não é fácil detectar o momento em que alguém deixa de fazer uso saudável e produtivo da rede
para estabelecer com ela uma relação doentia, como a que se revela nas histórias relatadas ao longo desta
reportagem. Em todos os casos, a internet era apenas "útil" ou "divertida" e foi ganhando um espaço central,
a ponto de a vida longe da rede ser descrita agora como sem sentido. Mudança tão drástica se deu sem
que os pais atentassem para a gravidade do que ocorria. "Como a internet faz parte do dia a dia dos
adolescentes e o isolamento é um comportamento típico dessa fase da vida, a família raramente detecta o
problema antes de ele ter fugido ao controle", diz um psiquiatra. A ciência, por sua vez, já tem bem
mapeados os primeiros sintomas da doença. De saída, o tempo na internet aumenta — até culminar,
pasme-se, numa rotina de catorze horas diárias, de acordo com o estudo americano. As situações vividas
na rede passam, então, a habitar mais e mais as conversas. É típico o aparecimento de olheiras profundas
e ainda um ganho de peso relevante, resultado da frequente troca de refeições por sanduíches — que
prescindem de talheres e liberam uma das mãos para o teclado. Gradativamente, a vida social vai se
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extinguindo. Alerta outra psicóloga: "Se a pessoa começa a ter mais amigos na rede do que fora dela, é um
sinal claro de que as coisas não vão bem".
Os jovens são, de longe, os mais propensos a extrapolar o uso da internet. Há uma razão estatística
para isso — eles respondem por até 90% dos que navegam na rede, a maior fatia —, mas pesa também
uma explicação de fundo mais psicológico, à qual uma recente pesquisa lança luz. Algo como 10% dos
entrevistados (viciados ou não) chegam a atribuir à internet uma maneira de "aliviar os sentimentos
negativos", tão típicos de uma etapa em que afloram tantas angústias e conflitos. Na rede, os adolescentes
sentem-se ainda mais à vontade para expor suas ideias. Diz um outro psiquiatra: "Num momento em que a
própria personalidade está por se definir, a internet proporciona um ambiente favorável para que eles se
expressem livremente". No perfil daquela minoria que, mais tarde, resvala no vicio se vê, em geral, uma
combinação de baixa autoestima com intolerância à frustração. Cerca de 50% deles, inclusive, sofrem de
depressão, fobia social ou algum transtorno de ansiedade. É nesse cenário que os múltiplos usos da rede
ganham um valor distorcido. Entre os que já têm o vicio, a maior adoração é pelas redes de relacionamento
e pelos jogos on-line, sobretudo por aqueles em que não existe noção de começo, meio ou fim.
Desde 1996, quando se consolidou o primeiro estudo de relevo sobre o tema, nos Estados Unidos,
a dependência em internet é reconhecida — e tratada — como uma doença. Surgiram grupos
especializados por toda parte. "Muita gente que procura ajuda ainda resiste à ideia de que essa é uma
doença", conta um psicólogo. O prognóstico é bom: em dezoito semanas de sessões individuais e em
grupo, 80% voltam a niveis aceitáveis de uso da internet. Não seria factível, tampouco desejável, que se
mantivessem totalmente distantes dela, como se espera, por exemplo, de um alcoólatra em relação à
bebida. Com a rede, afinal, descortina-se uma nova dimensão de acesso às informações, à produção de
conhecimento e ao próprio lazer, dos quais, em sociedades modernas, não faz sentido se privar. Toda a
questão gira em torno da dose ideal, sobre a qual já existe um consenso acerca do razoável: até duas horas
diárias, no caso de crianças e adolescentes. Quanto antes a ideia do limite for sedimentada, melhor. Na
avaliação de uma das psicólogas, "Os pais não devem temer o computador, mas, sim, orientar os filhos
sobre como usá-lo de forma útil e saudável". Desse modo, reduz-se drasticamente a possibilidade de que,
no futuro, eles enfrentem o drama vivido hoje pelos jovens viciados.
Silvia Rogar e João Figueiredo, Veja, 24 de março de 2010. Adaptado.
41. Em qual das opções, considerando o trecho destacado, estrutura-se um caso de sujeito indeterminado?
a) "[...] fez-se um desabafo aos integrantes da comunidade Viciados em Internet Anônimos [...]". (1°
parágrafo)
b) "[...] o doente desenvolve uma tolerância que... o faz ficar on-line... sem se dar conta do exagero." (1°
parágrafo)
c) "As situações vividas na rede passam, então, a habitar mais e mais as conversas." (2° parágrafo)
d) "Não seria factível, tampouco desejável, que se mantivessem totalmente distantes dela, como se
espera, por exemplo, de um alcoólatra [...]". (4° parágrafo)
e) "Com a rede, afinal, descortina-se uma nova dimensão de acesso às informações [...]". (4° parágrafo)
‘London River’ é drama simples e emocionante de tom político
André Barcinski
Crítico da Folha de São Paulo
“London River” – “Destinos Cruzados” é um filme simples e emocionante sobre como duas pessoas
de origens totalmente diferentes podem ser afetadas da mesma maneira por uma tragédia.
Brenda Blethyn (“Segredos e Mentiras”) vive Elisabeth, viúva que mora num sítio no interior da
Inglaterra.
No dia 7 de julho de 2005, Elisabeth está assistindo à TV quando vê o noticiário sobre atentados
suicidas em Londres. Ela imediatamente liga para a filha, que mora na capital inglesa. Mas a filha não
atende.
As horas passam, Elisabeth liga de novo, e nada. Preocupada, decide ir a Londres, procurar a
menina.
Enquanto isso, Ousmane (Sotigui Kouyaté, veterano ator nascido em Mali e morto neste ano), um
franco-africano mulçumano, também vai para Londres, procurando o filho.
Como antecipa o título do filme em português, os destinos dessas duas almas perdidas vão se
cruzar. A vida deles está, de alguma forma, conectada.
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O filme, até então um drama com ares de mistério, ganha um viés mais político, explorando temas
como preconceito e a dificuldade de comunicação. Tanto Elisabeth quanto Ousmane vão perceber que
nada sabem sobre o outro.
Dirigido pelo franco-argelino Rachid Bouchareb, “London River” peca por um roteiro um tanto
esquemático, mas as atuações contidas de Blethyn e Kouyaté (vencedor do Urso de Ouro em Berlim) dão
ao filme uma dignidade comovente.
(Folha de São Paulo, 01/10/2010)
42. Os termos grifados no texto constituem, respectivamente,
a) agente da passiva, objeto indireto, aposto e adjunto adverbial.
b) sujeito simples, objeto indireto, predicativo do sujeito e complemento nominal.
c) sujeito simples, complemento nominal, aposto e adjunto adverbial.
d) agente da passiva, complemento nominal, aposto e adjunto adverbial.
e) agente da passiva, objeto direto, aposto e adjunto adverbial.
Nasce um escritor
O primeiro dever passado pelo novo professor de português foi uma 7descrição tendo o mar como
tema. A classe inspirou, toda ela, nos encapelados mares de Camões, aqueles nunca dantes navegados. O
5episódio do Adamastor foi reescrito pela 2meninada. Prisioneiro no internato, eu vivia na saudade das
4praias do Pontal onde conhecera a liberdade e o sonho. O mar de Ilhéus foi o tema de minha descrição.
Padre Cabral levara os deveres para corrigir em sua cela. Na aula seguinte, entre risonho e solene,
anunciou a existência de uma vocação autêntica de escritor naquela sala de aula. Pediu que escutassem
com atenção o dever que 1ia ler. Tinha certeza, afirmou, que o autor daquela página seria no futuro um
escritor conhecido. Não regateou elogios. 3Eu acabara de completar onze anos.
Passei a ser uma personalidade, segundo os cânones do colégio, ao lado dos futebolistas, dos
campeões de matemática e de religião, dos que 6obtinham medalhas. Fui admitido numa espécie de Círculo
Literário onde 9brilhavam 8alunos mais velhos. Nem assim deixei de me sentir prisioneiro, sensação
permanente durante os dois anos em que estudei no colégio dos jesuítas. 11Houve, porém, 10sensível
mudança na limitada vida do aluno interno: o padre Cabral tomou-me sob sua proteção e colocou em
minhas mãos livros de sua estante. Primeiro "As Viagens de Gulliver", depois clássicos portugueses,
traduções de ficcionistas ingleses e franceses. Data dessa época minha paixão por Charles Dickens.
Demoraria ainda a conhecer Mark Twain: o norte-americano não figurava entre os prediletos do
padre Cabral.
Recordo com carinho a figura do jesuíta português erudito e amável. Menos por me haver
anunciado escritor, sobretudo por me haver dado o amor aos livros, por me haver revelado o mundo da
criação literária. Ajudou-me a suportar aqueles dois anos de internato, a fazer mais leve a minha prisão,
minha primeira prisão.
AMADO, Jorge. O menino Grapiúna. Rio de Janeiro. Record. 1987. p. 117-20.
43. Pondo-se a expressão “... sensível mudança...” (ref. 10) no plural, a forma verbal “Houve” (ref. 11)
a) deve ser trocada por houveram.
b) não deve sofrer alteração.
c) pode ser trocada por existiu.
d) pode ser substituída por estão havendo.
e) pode ser trocada por vão haver.
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O poder das pequenas ideias
1Muitas empresas adotam um tipo de programa interno muito inteligente, em que qualquer
funcionário pode apresentar ideias e sugestões. Eu tenho um amigo, o Fernando, que trabalha em uma
dessas empresas 6- um banco. 12Desde que o programa foi implantado, há um ano, o Fernando já
apresentou mais de cem sugestões, uma a cada três dias, em média, 7e metade delas foi aprovada. 4O
interessante é que as ideias do Fernando foram todas simples, coisas fáceis de fazer e que não
necessitavam de grandes investimentos por parte do banco. Tanto que o Fernando até recebeu o título de
“rei das pequenas ideias” e virou uma espécie de minicelebridade interna, coisa meio difícil numa empresa
que tem milhares de funcionários. E de onde o Fernando tirou sua inspiração? 13De uma historinha que
muita gente já ouviu, mas que sempre vale a pena repetir. Em 1980, a 3M, reconhecida mundialmente por
estar sempre inventando um monte de novidades, 2inventou uma cola que não colava. A ideia foi
considerada um fracasso e engavetada, até que um dia, um funcionário chamado Artur Fry - uma espécie
de Fernando da 3M 8- transformou o insucesso num enorme sucesso9: ele sugeriu usar a cola que não
colava para criar o Post-It, 15aquela folhinha amarela que gruda mas não gruda. Vinte e cinco anos depois,
14o Post-It já rendeu uma fortuna para a 3M e pouco mudou10: agora vem em duas cores, amarelo e rosa, e
em dois tamanhos, pequeno e menor ainda. O que o Fernando faz no banco é a mesma coisa11: olhar para
o que todo mundo também está olhando e enxergar um detalhe que ninguém ainda tinha enxergado. Toda
empresa brasileira tem um monte de Fernandos, uma gente criativa 5que só está esperando uma
oportunidade para mostrar que sabe pensar. Sorte dos Fernandos que encontram uma empresa que
acredita no poder das pequenas ideias. 3E azar das empresas que não aproveitam a força criativa de seus
Fernandos.
GEHRINGER, Max. O melhor de Max Gehringer na CBN: 120 conselhos sobre carreira, currículo, comportamento e liderança. v.1. São
Paulo: Globo, 2006, p.103.
44. De acordo com o texto, assinale a alternativa correta.
a) Em “O interessante é que as ideias do Fernando foram todas simples, ...” (ref.4) a palavra interessante
foi empregada como adjetivo.
b) Em “... inventou uma cola que não colava.” (ref.2), o sujeito é oculto.
c) Em “E azar das empresas que não aproveitam a força criativa de seus Fernandos.” (ref.3) força criativa
é objeto indireto.
d) Passando a oração “Muitas empresas adotam um tipo de programa interno muito inteligente, ...” (ref.1)
para o futuro do presente teremos “Muitas empresas adotaram um tipo de programa interno muito
inteligente, ...”
e) O sujeito da oração “... que só está esperando uma oportunidade...” (ref.5) é o pronome relativo que.
45. Assinale a alternativa em que o termo SE tem o mesmo sentido apresentado no período a seguir.
"Isoladamente, nenhum dos múltiplos domínios de competência desenvolvidos pelas empresas é
suficiente SE o conjunto de habilidades de cada indústria não for competitivo, com desempenho equivalente
ou superior ao de seus concorrentes".
a) O conhecimento é uma das mais importantes competências a serem desenvolvidas pelas empresas
para que SE façam presentes de forma competitiva no mundo contemporâneo.
b) As formas mais intensas da concorrência internacional progressivamente estão SE instalando no
mercado brasileiro.
c) As empresas que realizam esforços apenas pontuais, em uma ou outra variável, não vão alcançar a
competitividade suficiente para enfrentar os novos desafios, que SE renovam continuamente.
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d) SE o Banco Central não modificar rapidamente sua rota, o Brasil vai amargar incremento do PIB em
torno de 3% em 2005.
e) A Fiep, sob o lema Diálogo e Desenvolvimento, não SE tem omitido de propor aos poderes da
República a correção do rumo da economia (...).
(Trechos adaptados da revista "Observatório da Indústria", julho/agosto 2005, p. 7)
O Navio Negreiro
Castro Alves
“Estamos em pleno mar...
Era um sonho dantesco... O tombadilho,
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras, moças... mas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.” [...]
Disponível em: http://letras.mus.br/caetano-veloso/77893/ (adaptado)
Luzerna – (substantivo feminino) Grande luz, clarão.
46. Em “O tombadilho, que das luzernas avermelha o brilho, em sangue a se banhar.”, a oração em
destaque tem função de
a) substantivo, indicando as luzernas que avermelham o brilho.
b) advérbio, indicando o modo como as luzernas avermelham o brilho.
c) advérbio, indicando o tempo em que o sangue banhou o tombadilho.
d) adjetivo, explicando qual tombadilho foi banhado pelo sangue.
e) adjetivo, restringindo qual tombadilho foi banhado pelo sangue.
:
47. “Negras mulheres (1) (estão) suspendendo às tetas (2) magras crianças (3)...” Assinale a alternativa
correta da classificação dos termos em destaque.
a) (1) sujeito – (2) objeto direto – (3) objeto indireto
b) (1) sujeito – (2) objeto indireto – (3) objeto direto
c) (1) Agente da passiva – (2) objeto indireto – (3) predicativo do objeto
d) (1) sujeito – (2) objeto direto – (3) complemento nominal
e) (1) Agente da passiva – (2) objeto direto – (3) objeto indireto
Onde surgiu o dominó?
O dominó foi inventado pelos chineses por volta de 200 a.C. e as primeiras pedras eram feitas de
osso e de marfim. No século XVIII, os franceses jogavam com peças feitas de papel e carimbadas com
chapas de madeira. O dominó foi trazido para o Brasil pelos portugueses no século XVI e era muito jogado
pelos escravos.
Fonte: Revista Recreio, 2/11/2001.
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48. Assinale a alternativa correta sobre a classificação dos termos da oração “O dominó foi trazido para o
Brasil pelos portugueses no século XVI e era muito jogado pelos escravos.”
a) O termo “O dominó” é sujeito agente.
b) O termo “pelos portugueses” é predicativo do sujeito.
c) Os termos “pelos portugueses” e “pelos escravos” não se referem ao mesmo sujeito.
d) Os termos “pelos portugueses” e “pelos escravos” são agentes da passiva.
e) O termo “para o Brasil” é agente da passiva.
Disponível em: http://depositodocalvin.blogspot.com.br/2010/01/calvin-haroldo-tirinha-571.html
49. Assinale a alternativa que classifica corretamente os termos apresentados pela tirinha:
a) “um lanche” – predicativo do objeto
b) “uma maçã” – adjunto adnominal
c) “na geladeira” – adjunto adverbial
d) “o mesmo idioma” – agente da passiva
e) “a mesma língua” – predicativo do sujeito
Disponível em: http://magiarubronegra.files.wordpress.com/2008/07/anuncio.jpg
(adaptado)
50. No período “Essa galera não joga, mas faz gol”, a oração em
destaque é classificada como
a) oração principal.
b) oração coordenada assindética.
c) oração subordinada adverbial concessiva.
d) oração subordinada adjetiva explicativa.
e) oração coordenada sindética adversativa.
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