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No ano de 2022, Alice e seus pais se despediram do Brasil para dar início a uma nova vida em Portugal. Conheça aqui mais um capítulo da vida da doce Alice.<br><br>—<br>Esta é uma publicação da empresa Foi Assim e faz parte da coleção “Memórias da Infância”, uma recordação anual da vida dos pequenos.

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Published by Foi Assim, 2023-08-14 09:52:30

Alice no país do Ora, pois! | Alice Reis_2022

No ano de 2022, Alice e seus pais se despediram do Brasil para dar início a uma nova vida em Portugal. Conheça aqui mais um capítulo da vida da doce Alice.<br><br>—<br>Esta é uma publicação da empresa Foi Assim e faz parte da coleção “Memórias da Infância”, uma recordação anual da vida dos pequenos.

“ O D I A M A I S F E L I Z D A M I N H A V I D A ” C A P Í T U L O I I I


Era manhã de 11 de abril, o dia estava nublado, ventoso e frio. Já não me lembro mais como foi o voo, e isso deve dizer algo sobre os níveis de ansiedade que envolveram a nossa chegada. Empilhamos as 12 malas - que continham a nossa vida - numa van e seguimos para Belém, onde moraríamos durante os primeiros três meses. Ainda não sabíamos o que esperar. Chegamos mais cedo do que o estimado e ficamos em frente à porta do prédio, tentando nos esconder do forte vento que soprava, enquanto aguardávamos o responsável pelo apartamento com as chaves. Estava um tempo sem graça, a edificação do nosso novo lar era antiga e desgastada, os vizinhos tinham suas roupas estendidas pelas janelas… Logo vi nas feições do Dan que as primeiras impressões fugiam às suas expectativas. Eu, por outro lado, estava apreciando aquele ar europeu e adorei o entorno, que me parecia tão sereno naquela praceta. Já a Alice, só queria saber de entrar logo e poder se aquecer! Quando finalmente conseguimos subir ao apartamento, foi uma confusão com todas aquelas malas. Havia apenas um pequeno elevador, “das antigas”, com grades nas portas e segurança duvidosa. Claro que a Alice adorou! A limpeza do apartamento tinha acabado de ser feita, então, o chão ainda estava levemente úmido. Entramos de meias e sentimos os pés congelados. Deu para notar que o frio ali não estava para brincadeira. A Alice saiu correndo pelos cômodos toda feliz; queria escolher um quarto para ela! Era um local pequeno, mas aconchegante. Ela se apaixonou no momento em que começamos a morar lá. 50


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Nosso primeiro dia foi exaustivo. Fomos ao shopping para comprar alguns itens básicos para a casa e só voltamos, literalmente, no dia seguinte! Estava por volta de 13 graus e o apartamento era bastante gelado e sem aquecimento ou cobertas. Corremos atrás de pijamas, blusas, pantufas e mantas quentinhas; mas não foi muito fácil, porque àquela altura do ano, as lojas já exibiam sua coleção de primavera e não havia mais itens de inverno. Carregando um monte de sacolas, já perto da meia-noite, quando o shopping ia fechar, pensei em ir rapidamente ao mercado (dentro do shopping, mesmo) para comprar shampoo e sabonete líquido para o nosso primeiro banho em terras lusitanas. Não deveria ser algo difícil, mas o supermercado, que era mesmo “super” e, ironicamente, se chamava Continente, era gi-gan-tes-co! Eu não podia acreditar que havia uma seção inteira apenas para sabonetes líquidos de mãos! Claro, demorou mais do que o previsto. Quando voltei, os dois me aguardavam desesperançosos e esgotados. A pequena havia até dormido sentada em uma cadeira no meio de uma loja! Lembro-me com uma certa graça de que, naquela noite de estreia, pedimos um lanche do McDonalds delivery para o jantar! Parecia o fim da picada, mas a Alice amou. As nossas primeiras semanas não tiveram nenhum glamour. Ficamos, mesmo, na loucura de colocar tudo em ordem e comprar itens de sobrevivência básica. Dormíamos bem tarde da noite, naqueles tempos, e mal sobrava tempo para “turistarmos” ou para a pequena brincar. Mas ela sabia se divertir à sua maneira. Lembro-me dela fazendo um “chá da tarde” com os produtos em exposição do Ikea. A Alice foi uma grande companheira e não havia “tempo ruim” com ela. 52


53 Nos meses iniciais, tínhamos uma rotina completamente maluca, mas estávamos felizes e curtindo as novidades. Cada ida ao supermercado era um verdadeiro passeio para nós, com tantos produtos diferentes e delícias locais! Também era legal ver que as pessoas se locomoviam de formas muito variadas por ali: bicicletas, bondinhos, barcos etc. A Alice se esbaldava passeando de patinete com o papai! Mas o que mais curtimos, mesmo, foi a “aura” daquele lugar. Era uma tranquilidade, uma paz indescritível. Andar pelas ruas (mesmo se fosse para levar o lixo!) era revigorante. Tudo tão calmo… O céu, com seu brilho único, fazia um capítulo à parte. Lembro-me da Alice dizendo “a bandeira de Portugal deveria ser azul, porque essa é a cor que melhor representa aqui”. É verdade; o céu tinha um azul espetacular! E não era apenas isso, o brilho do sol era especial e a luz do dia durava até quase dez horas da noite. Ninguém queria dormir! Havia muitas diferenças de clima, língua, cultura e estilo de vida. Por alguns meses do ano, o tempo era muito seco e as roupas secavam rapidamente no varal. Aliás, roupas penduradas em varais nas janelas eram uma marca local! Era engraçado também ver que, em algumas casas, equipamentos como geladeiras, freezers e lavadoras ficavam embutidos nos armários. Da mesma forma, achávamos curioso viver sem ralos nos banheiros ou lavanderias. E nos divertíamos com o barulho esganiçado dos albatrozes que pousavam sobre os telhados - mais pareciam bebês chorando ou cachorros latindo. Gostamos de algumas práticas locais, como a coleta seletiva em todos os lugares, as calçadas limpas (e escorregadias!), os sacos de lixo com cheiro de tutti frutti, beber água diretamente da torneira, poder jogar o papel higiênico na privada (ou “sanita”) e tantas outras.


Aproveitando o melhor do Brasil na terrinha 54


A comida foi um fator bastante positivo. Lembro-me da primeira vez que a Alice experimentou o bacalhau a braz. Primeiro, ela fez uma carinha de “que isso, gente?!”. Depois, foi engraçado vê-la revirar os olhinhos logo na primeira garfada. “Isso é muito bom!”, disse ela, se deliciando. No mercado, ela adorava entrar e sentir o cheiro de bacalhau in natura. Eu, hein! E a Alice ficou muito contente que tem atum em abundância em Portugal, com latas do tamanho de panelas! Além disso, não lhe faltava nenhuma das suas comidinhas favoritas, incluindo a tão querida melancia e a água de coco. Também notamos que alguns hábitos eram reconfortantes, com a grande influência que o Brasil tem em Portugal. Era comum ouvir músicas brasileiras em lojas e táxis ou encontrar por toda parte os “tesouros da gastronomia nacional”, como pão de queijo, empada, feijão, açaí, coxinha, brigadeiro e pãozinho. Além disso, marcas brasileiras estavam presentes em peso nos principais shoppings, como Melissa, Boticário, Havaianas, Cia. Marítima e várias outras. A Alice sempre “se sentia em casa” quando passava em frente à Quem Disse Berenice! Da mesma forma, foi uma vantagem estar em um país que compartilhava da mesma língua. A Alice entendia tudo! Era impressionante como foi rápida a adaptação dela. Incentivamos que assistisse aos desenhos animados no português local e ela logo se acostumou. Aprendeu rapidamente umas palavrinhas importantes como “fixe” (legal), “giro” (bonito), “telemóvel” (celular), “perceber” (entender), “casa de banho” (banheiro), “autoclismo” (descarga) e “autocarro” (ônibus). E demos risadas com outras, como “descapotado” (carro conversível), “propina” (mensalidade) e “cuecas” (calcinhas!). Também aprendemos que não se usa “ora, pois” por aqui, mas apenas “pois”, que é uma expressão coringa para qualquer diálogo. Daí, quando menos notamos, a Alice já conseguia reproduzir o sotaque português, mesmo sem ter frequentado a escola, e podia se comunicar facilmente. 55


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Eram muitas as semelhanças entre Portugal e Brasil, de fato, mas foi pelas diferenças que nos apaixonamos. Já fazia tempo que não nos sentíamos tão seguros. Era estranho poder passear pelas ruas com o celular na mão ou andar com o vidro aberto do carro. Em Portugal, crianças da idade da Alice vão à escola sozinhas a pé e também podem brincar nos parques e espaços públicos mais livres. Não é incomum ver alguém deixar a bolsa em cima do banco na praça para ir ao banheiro ou largar seus pertences na praia enquanto entra no mar. Na região onde moramos, as praças são seguras, não há moradores de rua, as calçadas são limpas. A cordialidade também é um ponto alto. As pessoas atravessam na faixa e os carros sempre param para que elas passem. Fiquei surpresa, certa vez, quando uma senhora ofereceu avançar à sua frente na fila do mercado porque eu tinha menos itens do que ela. Saber que a Alice vai crescer num ambiente assim nos enche de tranquilidade e esperança. Não me esqueço, entretanto, de reforçar a ela todos os dias o quanto isso é um imenso privilégio. Parecia difícil de entender que aquela era a nossa nova vida, nossa nova realidade. A Alice expressou bem o que estava sentindo naquele momento, quando disse: “Tem 90% de mim que acredita que estamos aqui, mas 10% ainda acha que é um sonho”. Espero que esse sentimento perdure por anos. 57


Quando já estávamos um pouco mais acomodados, ainda nos nossos primeiros meses, ensaiamos passear um pouco e aproveitar os dias de sol. Com o horário de verão iluminando o céu de Lisboa até tão tarde, era possível aproveitar os dias, mesmo depois do trabalho. Viver mais perto da natureza, do rio e do mar foi um ponto alto da nossa mudança e, com o tempo, entendemos como isso é um tremendo benefício. Fazíamos caminhadas à beira do Tejo, passeávamos por lindos parques e praças, visitávamos museus e podíamos até ir à praia após o expediente. Eu nunca vi a minha filha tão contente! Ter mais tempo ao ar livre foi uma mudança profunda no nosso dia a dia. 1858


Dias ensolarados e espaços livres para curtir 1959


1860


1961 Meus olhos sempre ficam marejados ao me lembrar da primeira vez que a Alice viu o mar em Portugal. Em nossa jornada para reconstruir a vida, havíamos ido a mais uma das inúmeras lojas de móveis, quando, sem qualquer pretensão, resolvemos esticar um pouquinho e ir caminhar na orla, ali perto, na região da praia de Carcavelos. Nós nos sentamos em uma rocha alta para ver o horizonte. Alice ficou em silêncio. Ela estava lá, apreciando o encontro do céu com o mar - tão saturadamente azul -, sentido o vento bater nos cabelos, observando as ondas saltitarem nas pedras e o brilho do sol reluzindo na água, sem dizer qualquer palavra. Ficou assim por quase meia hora. Ela a contemplar o mar, eu a contemplá-la. Depois, rompeu o silêncio e saiu correndo de braços abertos pela orla gritando vigorosamente: “A gente mora aqui, mamãe, aquiiii!”. Encantador ver tamanha felicidade refletida nos olhos dela.


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63 O litoral entre Lisboa e Cascais era bastante diverso. Apesar de estarem muito próximas umas das outras, as praias que visitamos apresentavam estilos diferentes. Tinha opção para todo gosto: com ondas fortes, mar calmo, com pedras, com areia fofa clara, com areia batida escura, com calçadão etc. Mas o que era unânime entre elas era a temperatura da água, que congelava o cérebro só de colocar os pés. Gelada, mesmo! A Alice se aventurava a entrar e ficava com os lábios roxinhos! Reconheço que, por muito tempo, essa história de pisar em areia e tomar sol nunca foi “a minha praia”, mas depois da Alice passei a apreciar.


Tão diversos como o litoral eram os bairros de Lisboa. Com o tempo, fomos conhecendo juntos alguns pontos turísticos e também locais importantes da capital portuguesa. Fomos a uma exposição de luzes de “Alice no País das Maravilhas” no Jardim Botânico de Belém, contemplamos o pôr do sol do Castelo São Jorge, visitamos a Praça do Comércio, apreciamos a paisagem única do Tejo com o MAAT e a Ponte 25 de Abril ao fundo, brincamos de escorregar nas calçadas lisas do Chiado, comemos croquetes maravilhosos no Time Out, conhecemos um pouco da história de Portugal no museu do Quake, saboreamos inúmeros pastéis de nata, nos encantamos com o desenho dos ladrilhos das calçadas ao pé do Padrão dos Descobrimentos, sentamos à janela de um bondinho, rimos com a Alice contando piada ao ascensorista do elevador de Santa Justa, aprendemos mais sobre arte no CCB e corremos com a nossa pequena de bochechas coradas, agarrada à sua colorida pipa em frente ao Mosteiro dos Jerônimos. 64


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Q ue sej amos c a p a zes de d ar a ela r aí zes e as as . . .” ” 67


1868


1969


A P O E I R A D O S A A R A C A P Í T U L O I V


Certo dia, o sol nasceu encoberto por uma névoa. Dava até para olhar diretamente para ele, porque havia uma camada translúcida de poeira alaranjada que o deixava opaco. Ao abrir a janela, percebemos que os veículos na rua amanheceram envoltos em uma sujeira amarela e grudenta. Tudo tão estranho! Num táxi, o motorista se queixava de ter que lavar o carro todos os dias para poder trabalhar e explicava que aquela poeira toda vinha soprada do deserto do Saara e que esse fenômeno acontecia de tempos em tempos. Ficamos impressionados. O céu já não estava tão azul em Lisboa. Da mesma maneira, o sol da Alice parecia um pouco encoberto… Ela estava cabisbaixa, murcha mesmo. Havia nela a necessidade tão humana de se relacionar com alguém, de conviver com outras crianças. Ela ligava para os amigos do Brasil e fez até um grupo no WhatsApp com as queridas Rafa e Lara. Porém, a diferença de quatro horas de fuso e o fato de que somente a Alice ainda não estava frequentando a escola tornava os “encontros” online cada vez mais espaçados. 74


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Para que a Alice pudesse estar de volta à sala de aula, precisávamos de um comprovante de residência, e essa pendência nos tirava o sono. Resolver as questões burocráticas era um processo longo e árduo. Os dias pareciam ser tão corridos para nós, adultos, trabalhando, cuidando da casa e tentando achar um lugar para morar; mas passavam-se tão arrastados para a pequena, que não tinha com quem interagir. Ela já nem achava mais tanta graça brincar na cozinha do apartamento como antes… Daí, como no filme “O Náufrago”, a Alice criou o seu próprio amigo. Com uma tira espessa de papelão, desenhou a “Olívia”, que de um lado estava com roupa de passeio e do outro vestia um pijama (com o Snoopy estampado, como o pijama da sua criadora). É engraçado e trágico ao mesmo tempo. Mas não parou por aí. Numa certa tarde, pegamos a pequena com um binóculos na janela, se comunicando com um coleguinha do prédio da frente, o Afonso (que ela achava que era “Alfonso”), por meio de uma folha de papel. Só ela! E quando batia a saudade do Brasil, a Alice colocava o Hino Nacional na Alexa repetidas vezes. Eu não sabia se ria ou chorava. Como se não bastasse, os vizinhos do apartamento no andar de baixo apareceram em nossa porta tarde da noite para reclamar do barulho que fazíamos no dia a dia. Tentamos de tudo: compramos tapete, colocamos feltro nos pés das cadeiras, passamos a usar pantufas e mudamos a rotina, indo para a cama mais cedo. Mesmo assim, alguns dias depois, um bilhete foi colocado em nossa porta com uma nova reclamação. As paredes pareciam ser de papel e era possível ouvir o ruído dos nossos passos, da TV, das conversas, do movimento das cadeiras… Complicado viver sem fazer qualquer barulho, e a Alice, que é uma criança tão sossegada, ficava com medo de andar do sofá até o seu quarto. 76


77 Busca incessante por se apegar a alguém


1878 Na “escolhinha da mamãe” enquanto não começam as aulas


Estava tão difícil para ela… Sentimos que era preciso fazer algo para ajudá-la naquele momento. Resolvi, então, criar uma “escola” em casa durante meioperíodo. Fizemos uma agenda com as disciplinas e os horários das aulas. Falamos sobre o corpo humano, o espaço, a história de Portugal e diversos outros assuntos. Também ensinei um pouco de inglês para a baixinha já chegar afiada na escola. Além disso, ela passou a praticar a língua no aplicativo Duolingo. Para incentivá-la, todos nós aderimos à ferramenta, cada um estudando o seu idioma de interesse diariamente. Foi divertido e instrutivo esse período. Nós aproveitamos um bocado para visitar museus locais, fazer experiências, assistir a vários documentários e ler livros diversos. Naquela época, inclusive, ela se tornou uma leitora voraz, devorando histórias com mais de 200 páginas em apenas um dia. Havia tempo de sobra, afinal. Aos poucos, as coisas foram melhorando. Sabíamos que a nuvem de poeira era algo passageiro e inevitável, e tínhamos a consciência de que, apesar de nem todos os dias serem azuis, uma hora o tempo ia se abrir. 1979


N O V O S A R E S C A P Í T U L O V


Estávamos no auge da primavera e a cidade se exibia com suas robustas árvores de jacarandás cheinhas de flores lilás, que insistiam em cair dos galhos enfeitando as calçadas. O vento estava forte como nunca e varria as ruas, anunciando que novos ares estavam para chegar. Esse foi um período de muitas novidades para a nossa família. Já estávamos quase completando um trimestre em terras lusitanas e havia uma forte expectativa de grandes mudanças, uma vez que teríamos que encontrar um lugar definitivo para morarmos. A busca foi difícil, com a escassez de imóveis, a subida dos preços e um prazo tão curto. Nossa vida era trabalhar e visitar apartamentos! A Alice se divertia com isso, porque adorava conhecer lugares novos e pensar nas possibilidades que cada um deles oferecia. Mas para mim e o Dan foi exaustivo e excessivamente estressante. Sem um endereço fixo, éramos impedidos de seguir com todas as burocracias necessárias, incluindo a matrícula da Alice na escola. Já não dormíamos… 82


Insônia apenas para os adultos 83


1884 No meio desse caos, algo muito importante aconteceu em nossa história por aqui. Uma pessoa com quem o Danilo fez contato durante um evento em Lisboa em 2021, o Thiago, nos convidou para uma pizza na casa dele, juntamente com a sua esposa, Fernanda, e as filhas gêmeas, Manuela e Valentina. E foi no dia 21 de maio de 2022 que estabelecemos nosso primeiro vínculo de amizade em Portugal. Na véspera, a Alice era pura ansiedade; preparou uma mochilinha com brinquedos, nos enviou o compromisso pelo Google Calendar e foi para a cama cedinho, na expectativa de chegar logo o dia seguinte. Ela estava eufórica! O nosso primeiro encontro (de tantas outros que se sucederam) não poderia ter sido melhor. Parecia que éramos amigos de infância! Nos apaixonamos perdidamente por essa família de brasileiros e nos tornamos inseparáveis. A Alice finalmente tinha feito amizade, e veio em dose dupla, com as gêmeas mais divertidas de todas! Foi assim que essas pessoas tão maravilhosas surgiram em nossas vidas e se tornaram uma extensão da nossa família.


1985


1886 Depois, ainda tivemos o prazer de conhecer uma família de Porto Alegre que nos foi apresentada pelos pais do Joca, um amigo de infância da Alice. O casal Thaís e Tiago, com seus filhos Pablo e Mila, trouxeram uma alegria a mais à nossa vida em Portugal. As crianças se divertiam muito juntas e todo encontro com nossos novos amigos era feliz e enriquecedor. A Alice ficou especialmente conectada com a Mila, que, apesar de ser uma menina já em fase de adolescência, foi super afetuosa com a nossa pequena. Já não nos sentíamos mais sozinhos por aqui…


1987 Fazendo novos amigos em Portugal


1888 E foi nessa época que recebemos a visita da minha amiga Juliana e sua família. Fomos ao Oceanário de Lisboa com eles e tivemos um dia encantador! O pequeno Pedro, que ficou de mãos dadas com a Alice o tempo todo, ainda lhe deu o enorme prazer de deixar que o pegasse no colo. Ah… Ela se derreteu! A Alice sempre gostou de cuidar dos menorzinhos. A visita de pessoas queridas era um conforto a mais. Também nos encontramos com o meu amigo Luiz e sua fofíssima namorada Paulinha. Caminhamos pela orla do Tejo e visitamos os principais pontos turísticos de Belém com eles. A Alice adorou entrar pela primeira vez na Torre de Belém, de onde era possível ter uma vista linda. Foi um dia e tanto!


1989 Temporada de visitas de amigos do Brasil!


1892 Celebrando seus oito anos em um banho de espuma


O apartamento estava praticamente vazio, com o mínimo para vivermos, mas a Alice nem ligou e fez a maior festa! Ela dançou no meio da sala vazia, pulou no colchão (ainda sem cama), ajudou a montar os móveis e tomou um banho de banheira, feliz da vida, como se não houvesse amanhã. Aquele foi registrado oficialmente como o dia mais curto da história do planeta Terra (verdade!), mas para a nossa família foi um dia cheio, “pra lá” de longo e muito marcante. 1993


Até o fim de semana, a situação de “ocupação ilegal de propriedade privada” já havia sido resolvida. Finalmente podíamos chamar aquele lugar de “nosso lar”. Havia passado o aniversário da Alice, e uma comemoração era muito mais que bem-vinda! Acordamos cedo e levamos a aniversariante à Kidzania, juntamente com as suas amigas Valentina e Manuela. Na minicidade para crianças, elas se divertiram a valer, assumindo o papel de enfermeiras, atendentes de petshop, dentistas, garçonetes, caixas de supermercado… Brincar de “faz de conta” sempre foi o passatempo favorito de Alice e ela se esbaldou! 1894


1995


Depois, fomos para casa, onde preparamos cupcakes com as meninas e montamos uma mesa de aniversário com um bolinho. Ela escolheu o tema “verão”, pois foi a primeira vez que pôde fazer sua festa em dias quentes. Ela estava tão feliz com isso! Cantamos parabéns na companhia dos nossos novos “amigos de infância” e vizinhos. Depois, ela brincou com as meninas e fizeram uma “noite do pijama”, todas vestidas iguaizinhas. “Somos irmãs gêmeas!”, disse ela. 96


97 Primeira festa de aniversário no verão!


A cama da Alice é daquelas que se abrem, se tornando um “camão”. Daí, a galerinha podia dormir junto. O quartinho da pequena foi o primeiro cômodo da casa a ficar completo. Lembro-me do quanto a Alice se emocionou (e me emocionou!) no dia em que viu o cantinho dela decorado. Ela soltava pequenos gritos, colocava as mãos nos rostinho e sorria, ao mesmo tempo em que tinha os olhos cheios de lágrimas. Ela me abraçou forte e disse sem parar: “Obrigada, obrigada, obrigada!”. Adoro fazer as coisas por ela, porque a Alice é uma menina tão grata por tudo! 1898


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