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No ano de 2022, Alice e seus pais se despediram do Brasil para dar início a uma nova vida em Portugal. Conheça aqui mais um capítulo da vida da doce Alice.<br><br>—<br>Esta é uma publicação da empresa Foi Assim e faz parte da coleção “Memórias da Infância”, uma recordação anual da vida dos pequenos.

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Published by Foi Assim, 2023-08-14 09:52:30

Alice no país do Ora, pois! | Alice Reis_2022

No ano de 2022, Alice e seus pais se despediram do Brasil para dar início a uma nova vida em Portugal. Conheça aqui mais um capítulo da vida da doce Alice.<br><br>—<br>Esta é uma publicação da empresa Foi Assim e faz parte da coleção “Memórias da Infância”, uma recordação anual da vida dos pequenos.

G ra tidão e aleg ria ao ve r seu novo qua r tinho. 1999


Naqueles dias de verão, o quarto da baixinha ficava todo iluminado, com uma luz dourada que o deixava lindo, lindo. Na nossa casa havia muito sol e eu curtia demais aquilo. Eu sempre olhava pela janela e pensava como estar ali era a realização de diversos sonhos: morar em terras estrangeiras, montar o nosso lar do jeito como queríamos, poder apreciar um bom banho de banheira, ver o pôr do sol todos os dias… Eu nem me considerava merecedora de tanto. De vez em quando, eu pensava que estava pegando um pouco de carona na enorme sorte de vida da Alice, sabe… Mas a verdade é que o Dan acreditou e apostou que isso seria possível, desde o princípio, e a ele devemos tudo que temos. 18100


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103 19 A nossa casinha foi desenhada a muitas mãos e temos uma enorme gratidão pelas “noitadas” online com o Fernando e a Regininha, que doaram seu tempo para nos ajudar com o projeto. Eles estão por todo lugar aqui em casa. Os melhores arquitetos do mundo são da nossa família! Olha que beleza! Na casa nova erámos presenteados diariamente com pores do sol estonteantes no horizonte que se apresentava na janela. Parecia que alguém tinha pintado o céu… Vindos de São Paulo, ficávamos escandalizados! O verão por aqui foi muito bom e aproveitamos cada dia. Nossa filha, tão romântica e sensível, não cansava de se deslumbrar com a linda natureza que se revelava para nós.


O B E M D A R O T I N A C A P Í T U L O V I


A Alice finalmente tinha endereço, amigos e até uma dentista nova; só lhe faltava voltar à rotina escolar. Para isso, ainda teria que atravessar um longo período de férias de verão. Diferentemente do Brasil, no hemisfério Norte, as crianças têm uma pausa prolongada dos estudos no meio do ano, para aproveitar os dias de calor, passando por todo o mês de julho, agosto e metade do mês de setembro. É um bocado de tempo! Para driblar o tédio, tivemos que nos desdobrar por aqui e não faltou criatividade para a Alice, que sempre buscava algo novo para fazer. 18106


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110 Se sentindo parte da família, ao lado dos avós das meninas


11179 Nem tudo eram flores, entretanto. A Alice ainda estava reaprendendo a conviver com mais pessoas e penava para dividir o seu espaço. Além disso, desde o início da pandemia, estava acostumada a brincar apenas comigo e o Dan, que sempre atendíamos a todos os seus pedidos. Com as amigas era diferente, porque tinham suas próprias vontades e opiniões. A turminha brincava e brigava, brincava e brigava. Mas aos poucos foram aprendendo os limites umas das outras e passaram a conviver em maior harmonia. Pudemos ver de perto o amadurecimento e evolução das meninas. Poder contar com os nossos vizinhos foi muito bom. De vez em quando, o Thiago e a Fernanda montavam uma piscina na sacada da casa deles para as bonecas se refrescarem. Era um barato! Até os pais da Fê entraram na dança. Eles ficavam com as três e as levavam para passear no parquinho ou na brinquedoteca do prédio. Foram tão queridos que a Alice os tratava como avós e eles a chamavam de “netinha”. E teve até um dia em que ambos os casais usaram o seu “vale night”, como diz a Fê, e demos uma escapadinha para um show enquanto os queridos Fernando e Terezinha tomaram conta da meninada.


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18114 Aproveitando para se refrescar no verão


103 19 As férias continuaram com muitas novidades para a Alice. A colocamos em um curso rápido de férias de inglês numa escolinha perto de casa, junto com as gêmeas. Durou pouco, mas foi gostoso vê-la com a mochilinha nas costas indo para as aulas. Também a inscrevemos em um curso de dança contemporânea e natação. Estávamos sem carro e íamos caminhando até a academia. Eu adorava aquele momento de batepapo entre mãe e filha enquanto contemplávamos o brilho do sol no rio. Era lindo! Fora isso, fizemos diversos passeios a museus, cinemas, parques, praias etc. Aos finais de semana e depois que terminávamos o trabalho, dava para aproveitar o solzão para se divertir. Fizemos piquenique, montamos Lego, brincamos de boneca e teve até Baile Real, com direito a superprodução! 115 19


116 Fora isso, fizemos diversos passeios a museus, cinemas, parques, praias etc. Aos finais de semana e depois que terminávamos o trabalho, dava para aproveitar o solzão para se divertir. Fizemos piquenique, montamos Lego, brincamos de boneca e teve até Baile Real, com direito a superprodução!


117 Fomos algumas vezes ao cinema e, aos poucos, deu para perceber que a diferença de sotaque já não era mais tão complicada. No início, só a Alice entendia o filme, mas depois eu já nem notava mais que estava no português lusitano. A Alice absorveu muito rapidamente as palavras e o jeito de falar daqui e bastava “clicar a tecla a SAP” para ela mudar de um sotaque para outro. Fizemos questão de que a imersão dela fosse total. Também estimulamos um pouco mais a independência da baixinha, deixando que ela fosse pegar as cartas no térreo, levasse o lixo ou se deslocasse da nossa torre para o apartamento das meninas sozinha. Ela adorava poder fazer essas coisas e sentia que confiávamos nela. Também tinham as tarefas da rotina da casa. Outro dia, ensinei-lhe a fazer um macarrão prático de microondas e ela passou a “preparar o jantar da família”. Ah… Ela adorava!


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119 19 Foi durante as férias de verão também que conhecemos mais uma família de brasileiros. Quando nos mudamos para o apartamento novo, resolvemos vender uma das escrivaninhas que havíamos comprado enquanto morávamos em Belém. Veio em casa, retirar o móvel, um casal simpático, com quem engatamos na conversa! Rafa e Carol tinham passado por uma jornada semelhante à nossa e estavam há pouco tempo em Portugal, morando em Mafra, com as duas filhas pequenas; Teresa, com quatro anos, e Cecília, com sete. Foi “amor à primeira vista”! Quando tivemos um tempinho, fomos conhecer a cidade deles e passamos o dia juntos, inclusive esticando o passeio para Ericeira, que é tão linda! Vivemos um dia magnífico e ficamos até tarde por lá, porque não queríamos que acabasse… Àquela altura já havíamos comprado um carro, o que nos deu liberdade de sair de Lisboa para explorar lugares um pouco mais distantes. Nosso primeiro passeio “motorizados” foi finalmente atravessar a icônica Ponte 25 de Abril para ver o que tinha do outro lado. Visitamos o Cristo Rei - que é o Cristo Redentor daqui -, onde tem uma linda vista da outra margem do rio Tejo. Amamos!


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1999 A volta da escola foi emocionante. Ela estava sorridente, falante, de bochechas coradas e com as trancinhas desfeitas. Dava para ver que havia brincado à beça! Ela fez amiguinhos logo no primeiro dia e não parava de falar como o dia havia sido sensacional. Nós também estávamos bem felizes com a escola. A estrutura, os materiais didáticos, a professora e o programa de aulas eram excepcionais! Mas o melhor de tudo foi perceber que a Alice tinha à sua volta crianças que a receberam com o maior carinho. Desde o primeiro dia deu certo! O maior desafio da Alice na escola foi, na verdade, a comida - sendo a sopa que era servida diariamente a grande vilã da história! Ela dizia que sentia vontade de colocar o caldo para fora a cada colherada; e ainda sofria pressão para comer mais rapidamente! Foram meses assim, na tentativa de esperar que se acostumasse, mas não teve outro jeito senão pedir à escola para que a Alice não tomasse a sopa. Deu certo e ela ficou “que nem pinto no lixo!”. Já não havia mais problemas. 123 19


F I M D E A N O A G I T A D O C A P Í T U L O V I I


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127 19 Outubro havia chegado e recebemos os primeiros hóspedes em casa. Os nossos amigos de longa data, Saulo e Débora, que moravam na Irlanda, vieram nos ver. Foi apenas um fim de semana, mas curtimos cada segundo com eles. Andamos um bocado por Belém, comemos os famosos e deliciosos croquetes do Time Out Market e ainda deu tempo de fazer um happy hour em casa e jogar videogame! Foi bom demais ter pessoas tão queridas por perto. Demos muitas risadas com a dupla! Bom, outubro é mês de Halloween, e aqui, esse papo é sério! A moçadinha foi toda produzida para a escola, com as melhores fantasias! A Alice era a bruxinha mais doce que já se viu! No prédio, a garotada se mobilizou para fazer “doces ou travessuras” pelos apartamentos e foi demais! Os adultos entraram na brincadeira e atenderam as crianças de formas surpreendentes. Amamos o Dia das Bruxas!


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As bruxinhas mais charmosas que há! 129 19


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Logo em seguida, no início de novembro, recebemos os nossos primeiros visitantes do Brasil em casa: meus pais! Um abraço tão desejado… Vovô Vanderlei e vovó Silvia trouxeram ainda mais alegria para a nossa vida! Tivemos momentos inesquecíveis com eles, das coisas simples do dia, como ir ao mercado, até cenas cômicas, como o meu pai caindo enquanto corria atrás da Alice. Foi delicioso testemunhar a alegria da pequena vendo os avós na porta da escola para buscá-la ou quando a vovó Silvia se sentava com ela no quartinho para brincar. Também adorei fazer uma bacalhoada de dar água na boca com a minha mãe e ainda poder ir às lojas comprar decorações de Natal e reviver a montagem da árvore, que sempre foi especial ao lado dela. Passeamos um bocado juntos e a Alice teve a felicidade de estar todos os dias ao lado de pessoas que ela ama tanto! Por um instante, parecia até que eles moravam com a gente… Mas o dia da despedida chegou e foi dolorido. O que nos deixava contentes era saber que aquele seria apenas o primeiro de muitos encontros maravilhosos com eles por aqui. 131


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Já em seu look de inverno 134


Era dezembro; o friozinho finalmente bateu à porta e, com ele, veio a chuva. A água trouxe não apenas um ar úmido, como nos deu de presente mais arco-íris do que vimos em toda a nossa vida. O céu também tinha cores diferentes nesses tempos, com pores do sol inéditos à beira do Tejo! Depois, a chuva pegou forte e se tornou um verdadeiro dilúvio, com rios correndo sobre ruas e estradas. Da janela de casa não podia se ver um palmo à frente do nariz. Dias e dias de chuva caindo sem parar. Eu nunca vi tanta água! A natureza foi implacável, como não se via há mais de dois séculos, e bagunçou muita coisa por aqui. Saímos da seca extrema para uma enxurrada histórica. Passado o dilúvio, pudemos curtir o clima de Natal que toma conta da cidade. Ah… É algo fascinante! Fica tudo enfeitado com luzinhas e decorações natalinas, as pessoas saem às ruas com sweaters típicos, são montadas Vilas de Natal e em cada esquina se pode ouvir “hinos” da época, desde Mariah Carey e Michael Bublé a Frank Sinatra e Elvis Presley. É como se tivéssemos vivendo em um filme! Levei a Alice e as gêmeas à uma Vila em Lisboa que parecia encantada. Havia barracas de comidas, lojinhas, pistas de patinação no gelo e brinquedos para as crianças. Foi a primeira vez que a minha menina subiu em uma roda gigante! Ela estava toda corajosa, afinal, era a mais velha das crianças. Eu nunca vou me esquecer da carinha de cada uma delas. Foi fantástico! 135


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137 Nova vida, novos amigos, novas experiências


Tal mãe, tal filha 18138


Com a chegada do inverno, tudo muda: os dias ficam mais curtos e gelados, a paisagem tem árvores completamente sem folhas e a cidade fica mais vazia. Confesso que tive medo do frio, mas foram tantas coisas boas que vieram com ele, que tornou esse um período muito mágico, na verdade. 139 19


E com o fim do ano, veio também uma visita bastante esperada: a família Lovato! Nossos amigos de anos vieram da Inglaterra passar o Natal com a gente! Eles são como família para nós e nos vemos todos os anos. E não podiam ter vindo num período melhor! Os dias estavam ensolarados e pudemos passear um bocado. Foi divertidíssimo ver a alegria do Tim ao pegar o famoso bondinho 28, a surpresa da Rebeca com o copão de cerveja gigante na Av. Augusta, o Claiton todo estabanado na pista de patinação de gelo e a Joy se deliciando com uma pizza no Time Out. 140


Amigos para toda a vida! 141


Crianças turistando em Lisboa 18142


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O Natal de 2022 foi diferente e tão, tão, tão especial! Seguindo a tradição britânica, deixamos a ceia e presentes para o dia 25. Então, na noite da véspera, fizemos uma boa mesa de comidinhas e montamos um “acampamento” na sala para assistirmos, todos juntos, ao Esqueceram de Mim. Nada mais típico! Quando amanheceu, as crianças foram direto para a árvore de Natal, ainda de pijamas, abrir os presentes. Todos amaram o que ganharam, mas nada superou a alegria do Tim com a camisa de futebol do Cristiano Ronaldo. Muito fã! A casa estava uma festa, com as crianças brincando e os adultos cozinhando ao som de músicas natalinas. Colocamos nossos sweaters e nos reunimos em volta de uma mesa farta para um almoço de Natal inesquecível. Depois, ainda fizemos com as crianças as tradicionais casinhas e biscoitos de gengibre decorados. O Tim comeu uns pedaços da massa (e se mandou!), a Alice estava super focada no planejamento e a Joy mostrou todo seu talento, decorando cada detalhe. Foi divertido! 18144


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Coração quentinho para começar um novo ano


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