Natural de Belo Horizonte e atualmenteFotos Mayra Azzi/Editora Globodia após dia”, conta ela, que define seu
morando em São Paulo, a designer têxtil estilo como “livre com afeto”.
Leka Oliveira se dedica à pesquisa e ao LEKA OLIVEIRAEntre os itens para decorar a casa, a
desenvolvimento de tingimentos com designer produz mantas, almofadas,
extratos vegetais há 12 anos. jogos americanos e toalhas de mesa. Leka
O interesse por tecidos naturais, utiliza matérias-primas biodegradáveis
materiais orgânicos, reutilização de oriundas de fontes renováveis, como
fios e técnicas de tingimento com o fibras naturais e extratos vegetais, nas
uso de plantas surgiu em 2006. No quais aplica técnicas tradicionais de
ano seguinte, deu início ao Atelier estamparia, como shibori, block printing,
Etno Botânica para criar produtos impressão vegetal e eco printing. Ela
biodegradáveis, tingimentos vegetais vende suas criações pelas redes sociais e
e estampas tradicionais para diversas em feiras de pequenos produtores. “Por
marcas de moda e decoração. E, em trás de cada peça tingida artesanalmente
2014, Leka abriu o Studio InBlue Brazil prevalece o comércio justo e sustentável
para realizar trabalhos autorais, cursos que valoriza o pequeno produtor”, revela
de capacitação e desenvolvimento Leka. “Produtos naturais não devem ser
de novos produtos. “O tingimento entendidos como um modismo. Buscar
com plantas e a arte têxtil são duas esses novos modelos faz parte do nosso
expressões artísticas complementares. desenvolvimento como ser humano,
E eu procuro evoluir no meu trabalho na preservação da vida e dos recursos
praticando, ensinando e pesquisando como um todo”, completa.
5 1C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
ESTILO › TENDÊNCIA
Aos 76 anos, a artista Hisako Kawakami seH I SA KO K AWA K A M I verduras, folhas e flores. A artista conta
tornou uma referência quando se fala em que busca inspiração na natureza para criar
técnicas de tingimento natural de tecidos. Fotos Mayra Azzi/Editora Globopanôs e quadros decorativos produzidos
Nascida em Tóquio, no Japão, estudou com técnicas tradicionais em sintonia
na Faculdade de Belas Artes Femininas e com um estilo mais moderno. As peças
fez uma especialização em tingimento no são vendidas diretamente em seu ateliê,
Instituto de Tintura de Setagaya. onde ela também ministra aulas. “Eu tenho
Hisako chegou ao Brasil em 1967 e, desde um ateliê em minha casa. É um espaço
então, vive na cidade de São Paulo. privativo, porém aberto ao público com
Ela trabalha com tingimentos lisos e com hora marcada”, diz a artista. Entre seus
as técnicas de shibori e batik. “O shibori eu alunos está a pupila Sílvia Mitsue, que é
faço com dois métodos diferentes: com formada em design de interiores e que
costuras e amarrações, e na modalidade atualmente trabalha com tingimento
itajime, com tecidos dobrados e madeira natural e com cerâmica, produzindo
com amarrações. Já no batik faço peças autorais. “O mercado brasileiro está
desenhos com cera aplicada através do cada dia mais consciente e em busca de
pincel”, revela. Como tinta natural, Hisako produtos artesanais que respeitem o meio
utiliza ervas medicinais, ervas daninhas, ambiente. Isso me inspira”, conclui Sílvia.
Fotos Sérgio Lima/Editora Globo
MAIBE MAROCCOLO
Contatos na página 118 Fundadora da Mattricaria, marca voltada cartela de cores com cerca de trinta itens
para a pesquisa e o desenvolvimento de catalogados”, diz. “Os corantes naturais
corantes naturais, a brasiliense Maibe estão presentes em todas as culturas do
Maroccolo é formada em Tecnologia planeta. Olhar para essas histórias tão
em Produtos de Moda e trabalha com ricas é uma poderosa forma de resgatar
tingimento natural desde 2008. receitas e técnicas interessantes. Para
Depois de um mestrado em mim, aprender com o nosso passado,
desenvolvimento sustentável na London envolvendo técnicas sustentáveis, é
College of Fashion, ela voltou ao Brasil e fundamental para a preservação do nosso
começou a pesquisar e mapear plantas planeta”, completa.
tintórias junto a cooperativas de artesãos Além das linhas de vestuário e corantes
têxteis no Distrito Federal, em Goiás e naturais, a Mattricaria também vende
em Minas Gerais. Assim, seu trabalho é produtos para a casa e, em breve, deve
marcado pelo conhecimento adquirido na lançar uma nova coleção com capas de
Europa e pela experiência com as plantas edredom, guardanapos e adornos de
tradicionais brasileiras. “A proposta parede. Ela atende o público com hora
inicial era comercializar roupas tingidas marcada em sua casa-oficina em Brasília.
e estampadas naturalmente, mas eu Ali, ministra oficinas, além de oferecer
sentia a necessidade de contar como o serviço de tingimento natural para
chegávamos a essas cores, como os marcas de moda e também para pessoas
produtos eram feitos. Graças ao nosso físicas, que podem comprar suas peças
projeto de pesquisa, montamos uma através da loja virtual da marca.
5 3C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
ESTILO › LIFE BY LUFE
TYROWN VINCENT
O alemão Tyrown Vincent é produtor de shows, coreógrafo e apresentador de TV, mas
sua paixão é colecionar arte. Eu me senti privilegiado ao visitar seu apartamento em
Frankfurt. A casa revela muitas de suas paixões e pude perceber a forte conexão entre ele e
todos os objetos que o cercam. Como é curador de arte, nada está ali por acaso, e ele conta
com entusiasmo a história de cada peça. O visual industrial da sala veio naturalmente ao
tirar os papéis de parede e descobrir a estrutura original de 1965 , que Tyrown
fez questão de preservar, pois traz o clima perfeito de casa, ateliê e galeria de arte.
Por L U F E G O M E S
5 4C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
IMPRESSÕES › O sofá italiano é um convite
para se jogar e admirar as artes que estão
por toda a parte, a exemplo da estátua
africana de 1920, das fotografias de Zuza
Krajewska e das pinturas de jogadores de
rúgbi de Rudolf Nicolai, de 1960. As esguias
estátuas africanas foram compradas em
lugares e momentos diferentes (a primeira
a ser adquirida está com Tyrown há mais de
30 anos), mas parecem contar uma história
comum em todo o apartamento: a harmonia
perfeita de elementos históricos com objetos
modernos. O corredor tem paredes com
textura e cor marrom e abriga as obras mais
delicadas para evitar a luz direta, como os
desenhos de 1810 e um vaso raro da
Era Meiji do Japão (1867-1912). A Bíblia
Sagrada de Johannes von Dietenberger é
de 1631. O morador valoriza a luz e a energia
únicas de cada cômodo. Em um dos cantos
da sala fica a pintura original de Pablo Picasso,
de 1964, em moldura dourada. O delicado
vaso Satsuma é de 1820 e explicita o cuidado
de Tyrown com os detalhes e com tudo
o que é produzido à mão.
lifebylufe.com é um projeto fotográfico de Lufe Gomes, que retrata a casa como uma exteriorização do ser que a habita. youtube.com/lifebylufe
NINHO › DECORAÇÃO
A CASA NA
MADALENA
A mudança para um novo lar deu ao casal
Teka e Marko Brajovic a liberdade para
estabelecer um futuro com mais
qualidade de vida
Texto M A R K O B R A J O V I C
Realização M A R I A B E AT R I Z G O N Ç A LV E S
Produção B R U N A P E R E I R A
Fotos L U F E G O M E S
LIVING Teka aproveita o momento de leitura enquanto Marko confere
a lição de casa da filha Zoe. À frente, Zion desenha no canto do sofá.
No alto, à esq., caixas de som vintage da Bose modelo 901, herdadas
da família da moradora. Ao fundo, espelho em formato de
coração comprado em Istambul. A luminária de teto dos anos
1960 foi encontrada em um brechó no Bixiga. Conjunto de
mesa e cadeiras da série Chanceler, de Jorge Zalszupin
5 9C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
éCtoumdiodadedbe ovmó !
Em seu Caderno de receitas,
vovó Risoleta, avó da
apresentadora Micaela Góes
do programa Santa Ajuda no
GNT, compartilha as receitas que
colecionou ao longo da vida.
De bolos a biscoitos e sobremesas,
passando por assados e
empadões, as iguarias da vovó são
acompanhadas por dicas preciosas
e histórias deliciosas.
www.globolivros.com.br nas livrarias e em e-book
Ninho
CASAS E HISTÓRIAS INSPIRADORAS PARA CONSTRUIR UM VERDADEIRO LAR
58
DECORAÇÃO
Zion e Zoe se
divertem na sala
de TV da casa da
família Brajovic
NINHO › DECORAÇÃO
impor um estilo e amamos a miscige-
nação de várias linguagens. Sim, te-
mos também obras de arte, mas tudo
de pouco valor comercial e sempre
de imenso valor emocional. Colecio-
namos conchas, sementes, ninhos e
outras peças de “design” naturais que
encontramos em viagens.
Considero o nosso lar uma casa
“viva” no sentido de permitir trans-
formação, intervenção e liberdade
aos nossos filhos. Eles usam cada es-
paço com total liberdade, brincam
onde querem e como querem, por isso
não estamos interessados em manter
um visual decorativo rígido. Aqui os
objetos se encontram e reencontram
em novos lugares o tempo todo, criam
outras relações e contam, assim, a his-
tória da nossa vida. CJ
BANHEIRO Ao fundo do corredor, com
piso de ladrilho hidráulico, o banheiro das
crianças tem uma enorme cesta dos índios
Guarani, comprada das artesãs da aldeia
indígena de Parati-Mirim
COZINHA Na parede, quadro adquirido
na Miami Art Basel de 2016 em uma
galeria no Wynwood. A mesa de refeitório
dos anos 1970, com cadeiras giratórias
acopladas, foi comprada na internet.
O cacho de bananas orgânicas veio da
agrofloresta da casa da família em Paraty
6 5C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › DECORAÇÃO
6 0C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
H á doze anos moro no Brasil, CANTO DE LEITURA No alto, os antigos vidros de laboratório são de uma
e a casa da Rua Engenheiro fábrica no Brás, e os coolers em formato de abacaxi vintage trazem charme ao
Mário Pamponet é a minha espaço. A poltrona da avó de Teka Brajovic foi trazida do Rio e forrada com tecidos
quarta residência. Nós nos encontrados no Gran Bazar de Istambul; acima dela, a manta em forma de coelho
mudamos a cada quatro acompanha Marko desde os tempos em que morava em Barcelona. O piano infantil
anos e isso se alinha com os antigo da fábrica Ipiranga foi adaptado para funcionar como bar
momentos da nossa vida como família.
A minha primeira moradia foi um aparta- SALA DE ESTAR Painel de floresta, da Pandora (1969), adquirido em Nova
mento na Rua Higienópolis, onde vivi por um York. O abajur original da década de 1950, comprado em Murano, está apoiado na
ano. Em seguida me mudei com a Teka e come- mesa Diamante, desenhada por Teka e Marko para a Firma Casa. Poltronas vintage
çamos a peregrinar entre as casas. De fato, vi- compradas de um casal japonês: “Imaginamos que seja da década de 1950 ou 1960.
sitar casas para alugar era quase um programa Entre as dobras, encontramos moedas antigas do Japão e até listas de compras do
de fim de semana, em que a gente brincava de casal”, conta Marko. As almofadas foram adquiridas em Moscou
“Imobiliários Anônimos” como desculpa para
ver projetos de arquitetura modernista e con-
temporânea que tínhamos vontade de conhe-
cer. Nessas “expedições”, encontrávamos pes-
soas excêntricas, modos de viver, alguns imóveis
interessantes, outros banais, mas esse hábito
sempre foi um aprendizado e uma forma de pes-
quisa sobre como e onde gostaríamos de morar.
O que aprendemos pode ser resumido em
uma frase: não adianta uma casa bonita em um
bairro que não tem nada a ver com você. A lo-
calização foi sempre fundamental na escolha
da casa e, por fim, a casa atual é o resultado
desses dois parâmetros: o nosso momento de
vida e o bairro em que queremos morar. Os cri-
térios para a escolha de um novo lar orbitavam
a vontade de fazer tudo a pé. Desde a ida para o
trabalho, para a escola das crianças e o merca-
do até a possibilidade de ir a uma praça arbo-
rizada bem ao lado e, finalmente, ter vizinhos
com as mesmas preocupações que as nossas e
estilos de vida parecidos.
A região da conhecida Praça das Corujas
(Praça Dolores Ibarruri, como aparece no
mapa) resume bem essas aspirações e pro-
porciona a experiência de vida que estávamos
buscando em São Paulo. Acho que essa região é
um dos últimos refúgios da cidade. Os vizinhos
são bem unidos, ajudam uns aos outros, cui-
dam da horta urbana, da praça e da segurança.
Gostamos de alugar casas porque isso nos
NINHO › DECORAÇÃO
ESPAÇO DE TRABALHO No alto, a luminária
Herba foi desenhada por Marko para a Bertolucci.
Atrás dela, a folha de bananeira foi pintada pela filha
do casal. Em destaque, a fotografia feita por Alice
Kohler é o retrato de uma menina da tribo Caiapó
e foi comprada em Paris. Sobre a escrivaninha
encontrada na feira do Bixiga, retrato do bisavó de
Teka, Oswaldo Aranha. Ao lado, estátua de bronze
comprada no Japão e imagem da performance de
Fyodor Pavlov-Andreevich, chamada Temporary
Monument. No chão, a cesta foi feita pelos índios
Guarani, da aldeia Tekoa Araponga
deixa mais livres para imaginar o futuro a par- ESCADA O casal instalou muitas prateleiras nas escadas e nos
tir das decisões que tomamos. Quando você se corredores para acomodar as centenas de livros que os acompanham
muda para um imóvel que não é seu, tem duas
opções: reformar e fazer intervenções estrutu- LAVABO A extensa coleção de pinturas e gravuras ocupa as paredes
rais, mudando os ambientes conforme a neces-
sidade, ou se adaptar ao que já existe, intervindo
de forma mais sutil, se comunicando pouco a
pouco com a casa e as energias que existem ali.
Nós sempre vamos pela segunda opção.
A casa não sofreu nenhuma intervenção de
ordem estrutural, apenas de acabamentos. En-
tramos com muita cor, um vermelho quase vis-
ceral na sala; no subsolo, com verdes; no quarto
das crianças com amarelo, e no nosso quarto e
no banheiro com um laranja. Usamos papéis de
parede e impressões gráficas em alguns cômo-
dos. O da sala foi encontrado em Nova York nos
anos 1970 pela mãe da Teka; na sala de brincar
das crianças, colocamos uma enorme imagem
de cachoeira. No nosso quarto instalamos um
trabalho de Fornasetti com desenhos de coru-
jas. As demais paredes estão cobertas de livros.
Por sinal, eles foram um grande desafio:
instalamos prateleiras nas escadas, corredo-
res, banheiro, cozinha, quarto e sala para aco-
modar centenas de publicações. No começo,
nosso maior problema parecia, de fato, ser o
espaço (viemos de uma casa de quase 600 m2
no Pacaembu para uma de 250 m2). O que fa-
zer com todo o mobiliário? O mais difícil, se-
guramente, foi acomodar a coleção de roupas
e acessórios vintage e modernos da Teka, que,
por fim, tomou um quarto inteiro.
Não temos o hábito de comprar mobiliário
novo; achamos indecentes os valores de peças de
design e, mais do que peças assinadas, o que nos
nutre é a autenticidade e o conforto. Gostamos
de ter por perto objetos encontrados em feiras
nas nossas viagens, peças que trouxe da minha
última casa em Barcelona ou itens de herança
familiar da Teka, presentes inusitados, produ-
tos desenhados por amigos, artesanato indíge-
na brasileiro ou simplesmente um objet trouvé
ressignificado. Não temos muito interesse em
6 3C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › DECORAÇÃO
“MAIS DO QUE PEÇAS ASSINADAS, O QUE NOS
NUTRE É A AUTENTICIDADE E O CONFORTO”
MARKO
QUARTO Papel de parede de Fornasetti. A cabeceira da cama foi
comprada em um antiquário no Bixiga. O abajur de cavalos foi pintado de
preto pelo casal e as cúpulas feitas com tecido do acervo da antiga marca
de Teka. Na parede, os anjos de papel são desenhos feitos por Zoe e Zion
DETALHES Da esquerda para a direita, o retrato de casamento
de Marko e Teka na Croácia, uma antiga forma de sapato que era
do avô da moradora e uma coleção de broches diversos
6 6C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
COLEÇÃO O acervo
de acessórios de Teka
Brajovic reúne peças
garimpadas pelo mundo
afora, em tribos, nas
gavetas da família e da
marca dela, A figurinista
Contatos na página XXX
NINHO › DECORAÇÃO
7 0C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
POR
MAIS
ESPAÇO
Com a área externa
transformada em
prolongamento do interior
deste apê paulistano, o
proprietário hoje aproveita
88 m2 bem bolados. Projeto
da arquiteta Vanessa Féres
Texto R O B E R T O A B O L A F I O J U N I O R
Produção B R U N A P E R E I R A
Fotos M A Í R A A C AYA B A
LIVING Sofá de linhas retas, poltrona de Jader Almeida
e mesa de centro de Ilmari Tapiovaara, tudo da Micasa,
compõem o estar, com TV sobre um aparador de aço
inox. A luminária de chão é da À La Garçonne, e o
tapete, da Vitrine Casa Fortaleza. À dir., uma prancha
de madeira engastada na parede exibe fotos de
Fernando Prandi. Paisagismo de Catê Poli
7 1C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › DECORAÇÃO
EM FAMÍLIA uando não está em dife-
O morador Alberto rentes países, que visita
Weisser e, no sofá, seus bastante a trabalho, o
filhos, Pedro e André. economista e executivo
Junto à bancada de Alberto Weisser encontra
refeições, cadeiras de abrigo nesse apê localiza-
Henry Klein compradas do no Brooklin, em São
na Artesian. A estrutura Paulo. Originalmente, o
de vidro foi produzida imóvel tinha 50 m² mais um quintal. “Uma ami-
ga sugeriu que eu deslocasse a sala e a cozinha
pela Temperbox para o exterior, e foi o começo de tudo”, conta
o proprietário. Hoje, Alberto dispõe de 88 m²,
plenamente usados por ele e pelos filhos, Pedro,
9 anos, e André, 7, que o visitam com frequência.
A arquiteta Vanessa Féres assina o projeto.
“Para englobar a área externa, projetei uma
cobertura de vidro laminado com estrutura de
alumínio e panos de vidro no lugar de paredes”,
explica ela, que ainda previu um corredor fora
para a criação de um jardim. O living tem sofá
de linhas retas, de frente para a TV, uma poltro-
na de Jader Almeida e uma mesa de centro com
design escandinavo. Ao fundo, fica uma bancada
para refeições, com cadeiras e banquetas, se-
guida de outra com cooktop e, embaixo, forno
e micro-ondas. Há ainda frigobar, um pequeno
freezer e até uma lava e seca. “Quis que os ele-
trodomésticos ficassem à mostra o mínimo pos-
sível”, lembra Alberto. “Com isso e elementos
horizontalizados, criamos certa sensação de
amplitude”, comenta a arquiteta. Ela empregou
cimento queimado, fácil de manter, no piso de
todo o apê e pintou as paredes de cinza.
A partir da entrada, à frente, há um lavabo e,
à direita, um caminho que leva ao quarto, cuja
cama foi desenhada por Vanessa: para aco-
modar os garotos, ela embutiu duas camas de
solteiro na parte de baixo do móvel. “É bacana
porque ficamos todos juntos”, alegra-se o pai.
Outro truque da arquiteta foi criar uma estru-
tura de freijó com armários e uma porta que
leva ao closet e ao banheiro.
Antigo morador de uma casa de 450 m²,
Alberto garante não se sentir “claustrofóbico”
no novo lar. “Queria espaços práticos, com boa
iluminação e automatizados, além de ter um
pouco de verde”, resume ele. Assim se fez. CJ
7 2C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
COZINHA Armários
feitos de madeira de
demolição embutem
forno e micro-ondas.
O cooktop fica na
bancada de silestone.
É possível acionar
persianas ao fundo
NINHO › DECORAÇÃO
NOVO USO O armário antigo da família de Teka foi trazido do Rio de Contatos na página 118
Janeiro e agora é usado como guarda-roupa pelos filhos do casal
BRINQUEDOTECA Zoe e Zion se divertem na brinquedoteca.
O papel de parede de cachoeira é da Leroy Merlin. Ao fundo, chaise-
longue da família de Teka, forrada com tecidos africanos. Ao centro,
mesa da Minúsculos e urso trazido de uma viagem pelo fotógrafo,
designer e cenógrafo Felipe Morozini, que é padrinho de Zion
6 8C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › DECORAÇÃO
“QUERIA ESPAÇOS PRÁTICOS ,
COM BOA ILUMINAÇÃO E
COMPLETAMENTE AUTOMATIZADOS ,
ALÉM DE TER UM POUCO DE VERDE.”
ALBERTO
Contatos na página 118 QUARTO Desenhada por Vanessa Féres, a estrutura
de freijó clareado exibe armários e uma porta, que leva
ao closet e ao banheiro. A cama, também desenhada
pela arquiteta e produzida pela RA Marcenaria, embute
camas de solteiro dos dois lados, na parte de baixo.
O piso, como no restante do apê, é de cimento
queimado. Spots da Decorlight. Poltrona da Loja Teo
DETALHES Uma espécie de mesa de cabeceira,
executada pela RA Marcenaria, apoia vaso da
À La Garçonne e foto de Fernando Prandi
7 5C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › DECORAÇÃO PELO MUNDO
MERGULHO NAS CORES
Nesta casa na região costeira da Austrália, a reforma manteve a
estrutura original, mas readaptou o uso a um contexto contemporâneo
em que a criatividade é a protagonista do décor
Produção J U L I A G R E E N E R A C H A E L H A R R Y Fotos A R M E L L E H A B I B /L I V I N G I N S I D E
Edição M A R I A B E AT R I Z G O N Ç A LV E S Tradução A N D R É A V I D A L
SALA DE ESTAR Cada
ambiente da casa marca o
gosto da moradora pelos tons
vibrantes. Mantas, almofadas
e obras de arte são da Lumiere
Art + Co. A obra acima do sofá
é de Carla Fletcher. A cadeira
Husk é de Patricia Urquiola
para a B&B Italia
7 7C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › DECORAÇÃO PELO MUNDO
PERSONALIDADE A casa emana E mma Cleine enxerga beleza infini-
uma vibração de paz e uma exuberância ta nas cores, estampas e texturas.
Sua casa na Península Morning-
encantadora. “É muito importante ton, região costeira de Victoria, na
ater-se ao que você gosta em vez de Austrália, é um reflexo disso. Diretora
criativa de uma marca de produtos
seguir tendências”, diz a moradora para o lar chamada Lumiere Art + Co, a empresária
não poupou esforços para fazer de cada espaço um
SALA DE JANTAR Com vista lugar cheio de estilo e originalidade.
para as copas das árvores, o espaço É nesse local que ela, com alegria evidente, reú-
ne a família para temporadas de dias quentes entre
tem como base o piso de madeira o extenso gramado e o pé na areia. “É um lugar onde
original. As cadeiras, que combinam as pessoas podem relaxar”, diz Emma. Mais do que
perfeitamente com o sofá de couro fazer da decoração uma espécie de showroom de
customizado, foram um verdadeiro sua marca, porém, a reforma trouxe à tona elemen-
achado no eBay. As almofadas e obras tos marcantes do estilo vitoriano que prevalece nas
construções da região, partindo de uma abordagem
de arte são da Lumiere Art + Co ao mesmo tempo respeitosa e renovadora. “A casa foi
construída originalmente na década de 1950 e refor-
mada com o passar dos anos, cômodo por cômodo.
Hoje é iluminada e bem ventilada”, conta.
Em meio à vegetação costeira e com vistas recom-
pensadoras da baía e do farol, o imóvel de cinco quar-
tos ganhou ambientes integrados para possibilitar
uma conexão com o jardim folhoso. A cada olhar, de
dentro para fora e vice-versa, à paisagem natural e às
paredes brancas se juntam obras de arte coloridas,
padronagens instigantes dos muitos tapetes e itens
de decoração personalizados que anunciam um
espaço rico em contrastes.
Purista no design e longe da monocromia, a casa
que Emma montou na região onde nasceu e cresceu
virou também o lugar de onde ela vê aumentar sua
pequena família e florescerem seus projetos. É o es-
paço onde ela conecta suas paixões. CJ
7 8C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › DECORAÇÃO PELO MUNDO
8 0C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
COZINHA Bancadas de
mármore e marcenaria branca
formam uma dupla elegante
na arejada cozinha em formato
de L. A gravura Abbot Kinney
emoldurada é da Lumiere Art + Co
DESTAQUE A mesa de carvalho
antigo, que faz conjunto com as
cadeiras Canteen, da Industria X,
é a protagonista do espaço. “Pode
acomodar cerca de trinta pessoas
em um jantar”, diz Emma
8 1C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › DECORAÇÃO PELO MUNDO
SUÍTE A cama da Industria X recebeu lençóis e
cobertores rosa-choque da Lumiere Art + Co.
O tapete veio da Marrakesh by Design
BANHEIRO Com paleta de cores suave,
traz cortina tingida pela própria moradora.
O banco veio da HK Living, enquanto a pia de
argila refratária e as torneiras da Astra Walker
são da English Tapware Company
8 2C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
“GOSTO DE PENSAR QUE AJUDEI A CRIAR
UMA CASA COM UM SENSO DE ESTILO
AGRADÁVEL E ACOLHEDOR.”
EMMA
8 3C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › DECORAÇÃO PELO MUNDO
8 4C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
QUARTO As paredes foram
pintadas de Antique White, da Dulux,
assim como as do resto da casa.
O abajur de cacatua, da That Little
Shop, em Balnarring, traz um toque
de excentricidade ao espaço
JARDIM A área externa é um
importante espaço de convivência da
família, com vista panorâmica do mar
QUARTO DAS CRIANÇAS Os
têxteis coloridos e os beliches da HK
Living deixam o ambiente divertido
8 5C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › ARQUITETURA
LIVRE PARA
O FRESCOR
Uma passarela interliga os três blocos que compõem esta arejada
casa de férias, com 700 m2, voltada para um campo de golfe, em
Trancoso, BA. Trata-se de uma mescla de arquitetura local e
contemporânea. Projeto da arquiteta Claudia Haguiara
Texto R O B E R T O A B O L A F I O J U N I O R Fotos C H R I S T I A N M A L D O N A D O
8 6C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
FUNDOS Vista do campo de golfe,
a construção, com telhado de duas
águas e taubilhas, parece uma cabana.
As áreas sociais abrem-se para o
deque de pínus, com espreguiçadeiras
Slash, da Sapetti na Carbono, e para
a piscina, revestida de pastilhas da
Jatobá. Treliças pintadas de vermelho
protegem o interior contra o sol
8 7C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › ARQUITETURA
TÚNEL A passarela com piso de
pínus que liga os três blocos é
coberta na segunda parte. O mesmo
material reveste uma das paredes.
Atrás da outra parede, que não
chega até o teto, fica a área de
serviço. A porta à esq. dá para a sala
de TV; já a de treliça vermelha leva
à terceira parte da construção
SALA DE TV Pufe de palha e tapete
de taboa, produzidos por artesãos
locais. No sofá Lounge, da Micasa,
almofadas da Divino’s. Mesas laterais
Trio, da MTrancoso, e luminária de
chão São João, de Luciana Martins
e Gerson de Oliveira, da Ovo.
Na parede, composição de fotos
produzidas por Christian Maldonado.
Luminária de teto da LabLuz
uem tem casa em paisagens praianas O segundo bloco, o “cubo”, apresenta dois andares. “Ele
costuma querer contar com espaço tem uma arquitetura mais moderna, onde janelas verme-
para abrigar familiares e convidados. lhas de treliça – uma influência colonial – destacam-se em
Foi assim com o casal de proprietá- meio às paredes brancas”, explica. No térreo, há uma sala de
rios deste imóvel, localizado em um TV e uma suíte. Uma escada revestida de pínus leva ao piso
condomínio fechado em Trancoso, no superior, onde estão a suíte principal, da qual se avistam os
litoral sul da Bahia. Além de vários jardins, e outra suíte de hóspedes. O banheiro do casal tem
quartos de hóspedes, eles solicitaram à arquiteta Claudia piso de cimento queimado, como a maioria dos ambientes,
Haguiara –responsável pela arquitetura e pelos interiores e paredes revestidas com o mesmo acabamento. Já a pia de
– que o projeto explorasse a vista do campo de golfe que há concreto foi moldada in loco, assim como a ilha da cozinha.
nos fundos do terreno de esquina de 1.500 m². A casa, com
700 m² de área construída, foi dividida em três blocos en- Uma longa passarela de pínus forma um eixo que interliga
tremeados por jardins, que permitiram maior integração os três blocos. “Ela inicia no primeiro, atravessa o jardim, pe-
com a área externa, iluminação natural e ventilação cruza- netra o segundo transformando-se em uma espécie de túnel,
da. “Há nessa construção uma mistura de arquitetura local e termina ao chegar ao terceiro”, aponta a arquiteta. Em para-
e contemporânea”, explica Claudia. lelo, está a área de serviço camuflada, junto do muro.
“Revestida de pínus, uma pequena casa com telhado de
duas águas em que foram utilizadas taubilhas (telhas de O bloco final é outra casinha com telhado de duas águas,
madeira), algo típico na região, compõe o primeiro bloco”, em que se observam estruturas de garapa e pilares de eu-
prossegue a arquiteta. Ali, ficam a garagem aberta e três calipto roliço. É um salão que concentra a área social. Salas
suítes, com acesso pelo jardim. O mobiliário dos quartos, de estar, de jantar e de jogos, então, voltam-se à piscina e à
também de pínus, foi desenhado por Claudia, como os de imensidão verde do campo de golfe. “Não podemos dizer
outras partes da casa. que esta é uma casa brasileira simples, mas ela é simples
nas soluções de espaços e na escolha dos materiais nacio-
nais e dos acabamentos”, finaliza. CJ
8 9C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › ARQUITETURA
ÁREA SOCIAL Estruturas de garapa marcam o salão
com os ambientes de jantar, de estar e de jogos
integrados. As cadeiras Hal, de Jasper Morrison,
da Vitra na Micasa, acompanham a grande mesa de
cumaru desenhada por Claudia. Os pendentes de
argila de Calazans são da Estação da Luz. Atrás do
bufê verde, criado pela arquiteta, ficam o sofá Matrix
(branco) e o sofá Lovers (azul), ambos da Micasa
9 0C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
9 1C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › ARQUITETURA
“ALTERNAR ESPAÇOS FECHADOS E
ABERTOS PERMITIU MAIOR INTEGRAÇÃO
COM A ÁREA EXTERNA , ILUMINAÇÃO
NATURAL E VENTILAÇÃO CRUZADA .”
CLAUDIA
JARDIM INTERNO Poltronas Rio Manso,
de Carlos Motta, despontam na área
externa entre o segundo e o terceiro
blocos, com paisagismo de Alex Sá Gomes
CIRCULAÇÃO A partir da área da adega,
vê-se a cozinha, com porta de treliça. Um bloco
de concreto elevado do chão compõe a ilha,
moldada in loco. O piso de ladrilho hidráulico
é da Ornatos Nossa Senhora da Penha
9 2C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
9 3C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › ARQUITETURA
BANHEIRO DO CASAL O ambiente é quase todo
revestido de cimento queimado. A pia de concreto e os
nichos no boxe foram moldados in loco
QUARTO No térreo do segundo bloco, o ambiente tem
cama de pínus desenhada pela arquiteta e criado-mudo
Mínimo, de Luciana Martins e Gerson de Oliveira, da Ovo.
Um painel ripado de madeira faz as vezes de cabeceira
LUMINOSIDADE No piso superior do segundo bloco,
o quarto de hóspedes com janela de vidro e garapa exibe
mobiliário de pínus desenhado por Claudia Haguiara
9 5C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
NINHO › ARQUITETURA
FACHADA Revestido de pínus, o primeiro bloco é
uma pequena casa com telhado de duas águas com
taubilhas. Ele concentra a garagem e três quartos
de hóspedes. Palmeiras pontuam a área ajardinada
AMBIENTE Epta porio comni
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FICHA TÉCNICA
Térreo
Arquitetura e interiores: Claudia Haguiara
1 2 3 5 67 8 9 8 10 Equipe: Vera Turini
13 4 66 Área construída: 700 m²
11 14
12 15 16 Metragem do terreno: 1.500 m²
18 18 19 Ano do projeto: 2014/2015
17 Conclusão da obra: 2015/2016
19 18 19 Construtora: Mirante Engenharia e Construção
20 Paisagismo: Alex Sá Gomes
18 19 1. Pergolado 12. Deque
20 2. Cozinha e churrasqueira 13. Sala de jantar
3. Adega e circulação 14. Sala de estar
4. Lavabo 15. Sala de jogos
5. Cozinha 16. Circulação
Pavimento superior 6. Despensa 17. Sala de TV
21 16 7. Lavanderia 18. Dormitório
8. Quarto de serviço 19. Banheiro
Contatos na página 118
18 9. Banheiro de serviço 20. Terraço
22 10. Garagem 21. Banheiro casal
11. Piscina 22. Quarto casal
19
20
9 6C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
Caseirices
RECEITAS PARA COMER, BEBER E RECEBER BEM OS AMIGOS
107
ARMAZÉM
O ravioli com vitela ao
molho de grana padano é
um destaque do cardápio
do Mondo Gastronômico
CASEIRICES › RECEITA DO CHEF
POLVO NA BRASA
Com salada de avocado,
ervas e brotos (confira a
receita na página 101)
INCANSÁVEL Aos 30,
Thiago já fez estágio com
Erick Jacquin e Marc Le
Dantec, entre outros
chefs renomados
9 8C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
MINEIRO T hiago Cerqueira Lima fechou 2017 com
NADA o prestígio lá em cima. Apontado como
um dos chefs mais promissores de sua
QUIETO geração, ele conseguiu fazer um prato
de língua de boi virar atração gastronô-
Thiago Cerqueira Lima mica em São Paulo. Aberto em 2016, o
é inquieto de nascença. Sympa, restaurante francês do qual é proprietário, já é
considerado um dos melhores da cidade. E Thiago faz
Sempre em busca de o que em meio a esses louros? Resolve mudar tudo!
aprendizado, o chef do
Sympa se destaca na cena Com 30 anos recém-completados, esse mineiro
gastronômica com sua cozinha não para. "Sou muito inquieto", assume. Nos oito dias
que foge do lugar-comum de folga que tirou na virada do ano – foram as férias
mais longas desde o começo de sua carreira –, dedi-
Texto PAT R Í C I A O YA M A Fotos R O B E R T O S E B A cou-se a reformular o menu e repensar o conceito do
lugar. Mas os fãs podem ficar tranquilos: a língua com
molho périgueux permanece. O chef também conti-
nua compartilhando suas experiências no menu-de-
gustação – que ele cria, literalmente, na hora em que
chega o pedido.
O chef, porém, quer investir numa cozinha mais
simples, com pegada comfort. "Temos que deixar de
ser um restaurante de ocasião para ser um restau-
rante do dia a dia", diz ele. Claro que o dia a dia de
Thiago vai muito além do arroz com feijão. Tem, por
exemplo, leitão assado lentamente, servido em seu
próprio molho, ou polvo grelhado na brasa com ga-
lette de milho e morcilla. Tudo com a apresentação
impecável de quem se formou sob o rigor da culiná-
ria francesa. "Não importa se é trufa ou foie gras, mi-
lho ou canjiquinha. O produto tem de ter o mesmo
respeito", acredita.
Essa deferência pelo ingrediente tem raízes na
infância. Na fazenda da família, em Minas Gerais, ele
via matar porco, ajudava a fazer queijo e a defumar
linguiça. Na rotina urbana, em Belo Horizonte, já co-
zinhava para valer desde os 12, 13 anos. "Meus pais
sempre trabalharam fora", conta Thiago.
9 9C A S A E J A R D I M FEVEREIRO 2018
CASEIRICES › RECEITA DO CHEF
Thiago tinha 14 anos quando viu uma cozinha
profissional. E não era qualquer uma: era o QG de
Laurent Suaudeau, no Bistrot Jaú, em São Paulo,
onde seu irmão mais velho, Luiz Emanuel Lima,
trabalhava na época. Foi só uma espiada da por-
ta, mas bastou para fascinar o adolescente. Pouco
tempo depois, Luiz Emanuel abriria seu primeiro
restaurante, o Lola Bistrot. O caçula ficou aluci-
nado: "Posso ir na cozinha? Posso assistir?". Na
primeira vez em que entrou na minúscula e quen-
te cozinha do Lola, a pressão caiu. Thiago saiu, to-
mou um ar e já emendou: "Posso voltar?". Com
12 anos a mais que o irmão, Luiz Emanuel é a grande
referência do chef. O Allez, Allez!, segundo restau-
rante do primogênito, era o curso de férias do caçula
– com direito a intensivão na pia.
O irmão foi o nome mais importante na formação
de Thiago, mas não o único. Seu primeiro estágio foi
em Salvador, com Marc Le Dantec, conhecido pelo
estilo linha dura. "Ele sempre foi estudioso, como o
irmão", lembra o chef francês. Com 17 anos, o garoto
morou dois meses na capital baiana, lavando louça,
espiando o que acontecia ao redor e registrando tudo
em um caderno – que ele tem até hoje e contém ano-
tações das cozinhas pelas quais passou. E foram mui-
tas. Uma década depois, Thiago já havia manejado
panelas em BH, São Paulo e Florianópolis. Acumulou
experiência chefiando cozinhas, montando equipes e
cuidando de demissões. Quando avaliava ter aprendi-
do tudo o que podia em um lugar, partia para outro.
Seu recorde de permanência foi no bar paulistano
La Maison est Tombée, onde ficou por quase três
anos. O tempo mínimo? "Um dia", estima ele.
Com o know-how adquirido, Thiago criou confian-
ça para ter o próprio restaurante. Antes, porém, deu
uma lapidada em sua técnica no Tartar&Co, do mas-
terchef Erick Jacquin. "Ele ajustou em mim o que
ainda precisava ser ajustado", diz. Saiu de lá seguro
para assumir a cozinha e a sociedade do Le Repas,
DETALHE Do menu ao décor,
muitas referências à França
PROPOSTA Localizado no bairro
dos Jardins, em São Paulo, o Sympa
tem ambiente informal e acolhedor