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Atlas colaborativo do projeto de pesquisa sobre gás e desenvolvimento de Morada Nova de Minas.
Publicação que apresenta elementos sobre os aspectos físicos, sociais e econômicos de Morada Nova de Minas, que pode ser utilizada como referência para outros estudos e políticas públicas.

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Published by Atelier Online, 2020-07-28 11:03:40

Atlas As Muitas Moradas

Atlas colaborativo do projeto de pesquisa sobre gás e desenvolvimento de Morada Nova de Minas.
Publicação que apresenta elementos sobre os aspectos físicos, sociais e econômicos de Morada Nova de Minas, que pode ser utilizada como referência para outros estudos e políticas públicas.

Keywords: atlas,morada nova de minas

Atlas

Muitas M adas

Atlas colaborativo do projeto de pesquisa
sobre gás e desenvolvimento de
MORADA NOVA DE MINAS

REALIZAÇÃO

Vista da lagoa da Represa de Fotografia:
Três Marias, em Morada Nova de Minas Arnaldo Vieira, 2020

Atlas

Muitas M adas

Atlas colaborativo do projeto de pesquisa
sobre gás e desenvolvimento de
MORADA NOVA DE MINAS

Atlas As Muitas Moradas: Atlas colaborativo do projeto de pesquisa sobre gás
e desenvolvimento de Morada Nova de Minas

1ª Edição: 2021 - 84 páginas

1. Geografia, I.Título: Atlas As Muitas Moradas: Atlas colaborativo do
projeto de pesquisa sobre gás e desenvolvimento de Morada Nova de Minas,
1ª Edição: 2021

2021
© Rede Gasbras Seção Minas Gerais
Projeto apoiado financeiramente pela
Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
________________________________________

Permitida a reprodução, no todo ou em parte,
mediante solicitação prévia e citação da fonte.
________________________________________

Realização:
Rede Gasbras Seção Minas Gerais

Coordenação Técnica-Executiva:
Renato Ciminelli
Eng. Químico, MSC, MBA (INCT Acqua)

UFMG
Coordenadora do INCT-Acqua: Profa. Virgínia S. T. Ciminelli, PHD
Gestora da Rede Gasbras-MG junto à Fusp: Dra. Cláudia L. Caldeira

Equipe técnica do contrato Fusp/Gasbras/UFMG:
Enga. Ambiental: Jussara S. D. Lima
Geólogo Ambiental: M.Sc. Vinícius G. Ferreira

CDTN
Prof. Carlos A. de Carvalho Filho - Dr. Pesquisador em Geoquímica Ambiental
Prof. Rubens M. Moreira - Dr. Pesquisador Ambiental Emérito
M. SC Gustavo F. C. Lima - Pesquisador em Geologia
B. SC Joyce C. de Menezes - Pesquisadora em Qímica

AIIEGA
Dr. Donato S. Abe - Pesquisador em Qualidade de Água

UFOP
Prof. Humberto L. S. Reis - Dr. Pesquisador em Geociências

Comitê de Comunicação:
Jornalismo: Katharina Lacerda
Design: Isaac Abraão Silva

Autores desta publicação:

Coordenador de Conteúdos
Dr. Administração e Mestre em Geografia: Paulo Vitor Siffert

Participação especial:
Geólogo Ambiental: M.Sc. Vinícius G. Ferreira
Enga. Ambiental: Jussara S. D. Lima
Ramboll: Dr Marcos Gomes
Versátil: Arnaldo Clemente Vieira
Artista Plástico: Marcelo Maia
Bacharel em Direito Maria de Lourdes Almeida

Agradecimentos

Alguns dos trabalhos de campo realizados não seriam possíveis sem o auxílio da
Financiadora de Estudos e Projeto (FINEP), órgão este que financiou o trabalho aqui apresen-
tado. Quanto aos trabalhos de campo no município de Morada Nova de Minas a equipe não
poderia deixar de agradecer ao nosso companheiro Messias, mais conhecido como
Caxambú e o Sr Lucas Amaral, que nos ajudaram no levantamento de dados ambientais como
a localização de alguns poços tubulares, nascentes, rios, entre outros dados, e por isso não
podemos deixar de agradecer a boa vontade de nos ajudar e contribuir com o projeto Gasbras
seção-MG. Adicionalmente, gostaríamos de agradecer aos Secretários Municipais e demais
funcionários da Prefeitura de Morada Nova de Minas por compartilhar algumas informações
de extrema importância para este trabalho. Agradecemos ainda à COPASA, Polícia Civil e à
Polícia Militar de Meio Ambiente de Morada Nova de Minas por todo o apoio recebido.

Embarcações sobre o Rio Indaiá próximo Fotografia:
ao encontro da Represa de Três Marias Jussara Lima, 2020

Índice

AGRADECIMENTOS .........................................................................................................05
ÍNDICE .............................................................................................................................06
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................08
PREÂMBULO - O PROJETO GASBRAS
E O ATLAS DE MORADA NOVA DE MINAS ........................................................................10
SUMÁRIO EXECUTIVO......................................................................................................12
A IMPORTÂNCIA DE SE ARTICULAR O GÁS NATURAL NÃO-CONVENCIONAL
COM O DESENVOLVIMENTO REGIONAL ..........................................................................13
Descrição e contextualização de Morada Nova de Minas

Capítulo 1: História de Morada Nova de Minas.............................................................14
Capítulo 2: A Geografia do Município: contextualização geográfica

do município dentro da microrregião de Três Marias.................................18
Capítulo 3: Resumo dos aspectos físicos do município ................................................22

3.1) Geologia ...........................................................................................22
3.2) Pedologia .........................................................................................24
3.3) Relevo e Declividade .........................................................................26
3.4) Uso e Cobertura do Solo....................................................................26
3.5) Hidrografia........................................................................................27
3.6) Clima ................................................................................................27
3.7) Biodiversidade ..................................................................................27
Capítulo 4: Resumo da caracterização socioeconômica do município ..........................28
4.1) Econômica e Social...........................................................................28
4.2) População..................................................................................................30
4.3) Trabalho e Rendimento.............................................................................30
Capítulo 5: Análise de Forças & Fraquezas, Oportunidades & Ameaças (SWOT) do
município, levando em conta aspectos físicos e socioeconômicos ...........32
Condições para o desenvolvimento
Capítulo 6: Desenvolvimento sustentável – o fio condutor............................................34
Capítulo 7: As novas economias: estratégias para o desenvolvimento .........................36
Capítulo 8: Economia circular ......................................................................................38
Capítulo 9: Economia verde e empreendedorismo verde ..............................................40
Capítulo 10: Ecossistema empreendedor.....................................................................42
Capítulo 11: ISDEL: condições sistêmicas para
empreender em Morada Nova de Minas...................................................44

06

Cadeias produtivas estabelecidas e possibilidades de crescimento
e fortalecimento competitivo

Capítulo 12: A segmentação local de negócios: quais os negócios atuais da cidade? ...46
Capítulo 13: Caracterização da indústria local de tilápia e sua competitividade relativa

(novas tecnologias de beneficiamento e expansão da comercialização) .......48
Capítulo 14: Agricultura (familiar e latifúndio) – como fortalecer a agricultura? ............50
Capítulo 15: Alternativas para agregar valor à cadeia da

piscicultura – a economia circular em prática .........................................52
15.1: Reduzindo o custo da ração: o uso de ingredientes

alternativos, baratos e de fácil acesso ...........................................52
15.2: Pele da tilápia: usos na indústria da moda e na medicina................52
15.3: O potencial inexplorado de desenvolvimento da

piscicultura para pequenos e médios produtores ...........................53
Capítulo 16: Carvão: o paradoxo da sustentabilidade ...................................................56
Morada Nova de Minas mirando o futuro: o turismo como âncora
Capítulo 17: Piscicultura e o potencial de turismo de negócios: Planejamento estratégico

de Nova Feira da Tilápia – gastronomia e outros negócios associados....58
Capítulo 18: Produção artesanal local: “produtos da terra” como fonte de riqueza ........60
Capítulo 19: A proposta de um Jardim Botânico: ecoturismo e educação ambiental.....62
Capítulo 20: Trilhas e mirantes: conservação e valorização do

patrimônio ambiental e cultural através de seu uso .................................64
Capítulo 21: A Represa de Três Marias:

potencial único para a pesca esportiva e esportes náuticos ....................66
Iconografia e geomarketing: iniciativa transversal às atividades de desenvolvimento

Capítulo 22: Valorizando os símbolos da cidade: iconografia local e geomarketing
(valores culturais, naturais e imagéticos indutores de desenvolvimento ...68

Recomendações para se alavancar as atividades de desenvolvimento
Capítulo 23: Capacitação dos agentes locais de desenvolvimento ...............................78

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................80
GLOSSÁRIO DE TERMOS TÉCNICOS.................................................................................84
GLOSSÁRIO DE SIGLAS INSTITUCIONAIS ........................................................................86

05

Introdução

O Atlas As Muitas Moradas surge como Curvelo e Montes Claros, além de dispor
um produto dos extensos levantamentos de uma cultura rica e de inúmeras belezas
feitos por membros da Rede GASBRAS in naturais, como o próprio lago da Represa
loco, no próprio município, complemen- de Três Marias e a natureza preservada
tados com dados e demais informações em seu entorno.
coletadas em bases governamentais de
livre acesso. Foi feito um extenso trabalho Morada Nova de Minas dispõe de inú-
na região, em que inúmeros dados meros atributos que a colocam em uma
relacionados ao meio ambiente (clima, posição interessante e de muito potencial
vegetação, geologia...) e à questões para o desenvolvimento, especialmente
socioeconômicas (IDH, PIB, escolarida- um desenvolvimento que abrace os
de...) foram coletados. Mas, além de ser preceitos da sustentabilidade e do
um compêndio de dados e informações, o empreendedorismo. Formas de fomentar
objetivo deste Atlas é elaborar ideias que tais valores sejam incentivados nas
tentadoras sobre as possibilidades de cadeias produtivas já estabelecidas da
desenvolvimento de Morada Nova de cidade, como é o caso da piscicultura, da
Minas a partir do rico cenário que nos foi extração de carvão vegetal e agricultura
desenhado. são discutidas e apresentadas nesse
Atlas. Além disso, é levantado o potencial
Os primeiros habitantes de Morada Nova do turismo - especialmente o tipo de
de Minas chegaram à região do que viria turismo que valoriza os recursos naturais,
ser a cidade ainda em meados do Século tal qual o ecoturismo e o geoturismo -
XVIII, por volta dos anos de 1730 e 1740. como uma nova atividade econômica
Já em 1810 se inicia a construção da capaz de envolver a comunidade local,
Capela de Nossa Senhora do Loreto, contribuir para atração da prosperidade e
marco icônico da identidade do município gerar empregos.
até hoje. Em 1943, o então distrito de
Abaeté, ganha o status de município e vive Discutimos aqui também a elaboração de
seu apogeu durante as duas décadas que instrumentos que possam incentivar a
se seguiram, tendo a agropecuária como criação de um ambiente empresarial
força motriz e chegando a contabilizar saudável para a região, para que novos
mais de 14 mil habitantes em 1950. A negócios locais surjam e se sustentem.
construção da Represa de Três Marias São exemplos desses instrumentos a
(1962), cujo lago inundou parte conside- figura de uma agência de fomento, o
rável da área do município, fez com que treinamento de agentes de desenvolvi-
um capítulo da história de Morada Nova mento local e a criação de um Geoparque.
de Minas se encerrasse para que outro
começasse. Esperamos que esse Atlas possa contri-
buir de alguma forma, seja para gestores
Desde a submersão de parte da área do públicos, a população da cidade ou
município, a cidade observou uma grande investidores interessados, para que um
queda populacional (tendo cerca de 8.863 novo capítulo de prosperidade seja
habitantes em 2019) e a necessidade de escrito para Morada Nova de Minas:
se reinventar economicamente. Morada calcado na sustentabilidade e no empre-
Nova de Minas dispõe de uma localização endedorismo, sendo um desenvolvimento
central no estado de Minas Gerais, democrático e igualitário e que tenha
próxima a importantes centros regionais, força para perdurar e se adaptar ao longo
como Patos de Minas, Divinópolis, das próximas décadas.

08

Igreja de Morada Nova de Minas: 09Fonte Jussara Lima, 2020
Nossa Senhora do Loreto

Preâmbulo

O Projeto Gasbras
e o Atlas de Morada Nova de Minas

A Rede de Pesquisa e Desenvolvimento vimento da Tecnologia Nuclear da Univer-
em Gás Não Convencional do Brasil – sidade Federal de Minas Gerais
GASBRAS é uma rede temática nacional, (CDTN/UFMG), Universidade Federal do
fundada em 2013 por várias instituições Pará (UFPA), Universidade Federal do Rio
federais, estaduais e não governamentais Grande do Norte (UFRN) e a Universidade
de todo país, amparado financeiramente do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
pela Fundação de Estudos e Projetos (UENF).
(FINEP).
Dentre os coexecutores que realizaram a
A gestão do projeto foi realizada através pesquisa dentro do contexto da Bacia do
de um trabalho em rede composta pelas São Francisco em Minas Gerais, estão a
intuições integrantes, sendo coordenada Universidade Federal de Minas Gerais
pelo Instituto de Energia e Ambiente da (UFMG), o Centro de Desenvolvimento da
Universidade de São Paulo (IEE-USP) que Tecnologia Nuclear (CDTN) e a Associ-
foi também a executora principal. Além do ação Instituto Internacional de Ecologia e
IEE-USP, outros cinco Institutos Nacionais Gerenciamento Ambiental (AIIEGA).
e Ciência e Tecnologia (INCT) são Desta forma as instituições se uniram
também coexecutores, a saber: Instituto para formar a Equipe GASBRAS Seção
de Técnicas Analíticas Aplicadas à MG. Estas três instituições envolveram-se
Exploração de Petróleo e Gás (Univer- nos temas relacionados ao desenvolvi-
sidade de São Paulo), de Geofísica de mento de técnicas para preservação
Petróleo (Universidade Federal da Bahia), ambiental e aos aspectos socioeconômi-
de Energia e Ambiente (Universidade cos, onde escolheram uma bacia sedi-
Federal da Bahia), de Óleo e Gás (Univer- mentar para implementação metodoló-
sidade Estadual do Rio de Janeiro) e de gica quanto a avaliação ambiental em
Recursos Minerais, Água e Biodiversidade uma potencial exploração e explotação
(Universidade Federal de Minas Gerais). do gás não convencional. Entretanto,
Também integram a equipe 2 centro de visando uma otimização quanto aos
pesquisas no pais com experiência em estudos nesta grande bacia a equipe
projetos na área de gás não convencional, decidiu que deveria haver uma área de
o Laboratório de Analise de Carvão e investigação menor dentro da bacia do
Rochas Geradores de Petróleo do São Francisco e que fosse representativa
Instituto de Geociências da Universidade quanto ao tema de gás não convencional.
Federal do Rio Grande do Sul e o Centro de O estabelecimento da bacia de investi-
Excelência em Pesquisa e Inovação em gação fundamentou-se em ponderações
Petróleo, Recursos Minerais e Armazena- relativas aos processos geológicos do
mento de Carbono da Pontifícia Univer- gás não convencional. Nesta etapa fez-se
sidade Católica do Rio Grande do Sul. necessário uma parceria com a Universi-
Adicionalmente, foram inclusos novos dade Federal de Ouro Preto (UFOP) devido
coexecutores ao projeto, sendo eles as à existência de pesquisadores com
instituições: Associação Instituto Interna- expertise no tema de gás natural na bacia
cional de Ecologia e Gerenciamento geológica do São Francisco.
Ambiental (AIIEGA), Centro de Desenvol-

10

Em Minas Gerais, o foco de exploração e Ademais, propomos aqui uma discussão
atuação da Equipe GASBRAS foi o vale do sobre desenvolvimento local e ensaiamos
Rio São Francisco e, em especial, as bacias possíveis caminhos para alcançá-lo
dos rios Borrachudo e Indaiá. Nessa região, mediante à realidade socioeconômica e
uma das cidades que apresenta potencial ambiental – apresentada nos dados primá-
futuro para a exploração de gás não- rios e secundários – de Morada Nova de
convencional é Morada Nova de Minas. Esse Minas. A abordagem de desenvolvimento
Atlas surge, então, como um produto para- considerada aqui é uma que pressupõe a
lelo do Projeto GASBRAS para Morada Nova sustentabilidade como princípio básico e o
de Minas e seu entorno, no sentido de empreendedorismo como a via mais promis-
contribuir para a catalogação sistemática de sora. Ou seja, trata-se de uma concepção de
dados socioeconômicos e ambientais desenvolvimento holística (considerando a
relevantes para o desenvolvimento do natureza e o bem-estar socioeconômico da
município. Ou seja, acreditamos que os população) e democrática (permitindo e
dados levantados pela Equipe GASBRAS encorajando que todos sejam capazes de
configuram um interessante panorama – começar seu próprio negócio). Nesse
holístico e integrado – do contexto do contexto, o poder público pode assumir o
município e devem ser compartilhados com importante papel de indutor e coordenador
a população. de esforços locais para que essa realidade
se torne verdadeira e se consolide.
Outro aspecto que consideramos ser
importante sobre esse Atlas é a mescla Por fim, esse Atlas é, então, um produto
entre dados primários – coletados no local, deixado pela Rede GASBRAS – Seção Minas
através de entrevistas, medições, observa- Gerais como resultado dos inúmeros e
ções – e dados secundários – oriundos de extensos levantamentos realizados por
grandes bases de dados, como o Instituto nossas equipes, ordenados e apresentados
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o aqui de uma forma que se possibilite uma
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e articulação clara entre todos os aspectos
Pequenas Empresas (SEBRAE), a Empresa que compõem o contexto de Morada Nova
Brasileira de Pesquisa Agropecuária de Minas. Acreditamos que se trata de um
(EMBRAPA), entre outros órgãos. Trata-se importante material que poderá ser utilizado
de um esforço de coordenar dados de como referência para outros estudos mais
naturezas distintas, mas complementares profundos ou específicos, como baliza para
em essência, contribuindo para que se fosse elaboração de políticas públicas, para
alcançado um diagnóstico o mais completo investidores interessados em fomentar
possível do município de Morada Nova de novos negócios na cidade, entre outros
Minas. usos.

11

Sumário Executivo

Este Atlas As Muitas Moradas é fruto do às ideias de desenvolvimento
esforço da Rede GASBRAS – Minas apresentadas anteriormente (Capítulos
Gerais e busca ser um compêndio de 12; 13; 14; 15; e 16). Como as indústrias já
informações relevantes ao desenvolvi- estabelecidas de Morada Nova de Minas
mento da cidade. Foram reunidos dados poderiam se mobilizar para aproveitarem
primários e secundários de aspectos ao máximo os benefícios trazidos pela
ambientais e socioeconômicos, fruto de sustentabilidade e o empreendedorismo?
visitas de campo de membros da equipe e
informações disponíveis em grandes Nas visitas técnicas feitas pelos mem-
bancos de dados governamentais. A bros da Rede GASBRAS à Morada Nova de
partir da análise dessa coletânea de Minas, o turismo surgiu como um dos
dados, ensaiou-se estabelecer possíveis principais vetores em potencial do
caminhos para o desenvolvimento de desenvolvimento na cidade nos próximos
Morada Nova de Minas. anos. Apesar disso, é reconhecido pelos
próprios gestores do município e também
O Preâmbulo deste Atlas tem o objetivo de por sua população, que a cidade ainda
apresentar o que é e o que faz a Rede precisa se preparar nesse quesito. Dessa
GASBRAS, tanto em âmbito nacional, forma, apresentamos alguns exercícios
como no âmbito do estado de Minas de caminhos possíveis para o turismo em
Gerais e, em especial, na região de Morada Nova de Minas nos próximos
Morada Nova de Minas. Também será anos (Capítulos 17; 18; 19; 20; 21; e 22).
descrito, com mais detalhes, do que se
trata o Atlas e, rapidamente, discorre-se Colocamos em debate algumas estraté-
sobre a abordagem de desenvolvimento gias que poderiam ser adotadas para
adotada aqui. facilitar que algumas das ideias de
desenvolvimento enumeradas pudessem
Partindo dos dados sociais, econômicos sair do papel: a capacitação de agentes
e ambientais levantados e apresentados de desenvolvimento, a formação de uma
na primeira parte desse Atlas (os agência de fomento ao desenvolvimento
Capítulos 1; 2; 3; 4; e 5), propusemos uma e mesmo a criação de um Geoparque,
discussão sobre caminhos para o capaz de fomentar o surgimento de novos
desenvolvimento que estão em voga no negócios locais e a sustentabilidade
século XXI, com a preocupação de (Capítulos 23; 24; e 25). Com a exploração
aproximar essas ideias do contexto de do gás natural não-convencional sendo,
Morada Nova de Minas (Capítulos 6; 7; 8; também, uma possibilidade em Morada
9; 10; e 11). Trata-se de ideias que têm em Nova de Minas, ensaiamos formas pelas
seu cerne questões relativas à quais o debate acerca dos benefícios e
sustentabilidade, novas economias e cuidados necessário para uma
empreendedorismo, e que valorizam a exploração limpa e segura seja conduzido
força dos atores locais na promoção de (Capítulo 26).
um desenvolvimento que seja de base
comunitária e democrático. Ao fim do Atlas, os dados socioeconô-
micos e ambientais, bem como fotos
Num terceiro momento, buscamos tiradas por membros de nossa Equipe
apresentar as principais cadeias GASBRAS e recomendações de leituras
produtivas já estabelecidas no município, para o aprofundamento em alguns temas
porém, sem perder de vista os caminhos de interesse poderão ser encontrados.
que estas poderiam tomar para se alinhar

12

A importância de se articular o
gás natural não-convencional
com o desenvolvimento regional

Segundo Smil, em 2018, o gás natural tais como a Licença Social de Operar (LSO),
alcançava 11% da matriz energética mundial a Avaliação de Impacto de Investimento
(Smil, 2018). O valor econômico do gás Social (do inglês SROI "Social Return On
natural, junto com o petróleo e o carvão Investment") e medidas de ASG (do inglês
mineral de origem fóssil, prepondera diante “ESG - Environment, Social and
de outras fontes energéticas pela sua Governance”). Essas medidas de ASG
disponibilidade e custo, uma vez que seus consistem em amarrar de modo consistente
custos das chamadas externalidades a estratégia do negócio com as boas prá-
ambientais eram pouco considerados até a ticas tecnológicas para redução da pegada
última década, quando comparado com o de ecológica e combate às mudanças climá-
outras fontes, por exemplo, das energias ticas do ponto de vista ambiental, comparti-
renováveis. (Salgado Jr. et al., 2017). Então, lhar valor do investimento em ações sociais
ainda mais por ser considerado um combus- de alto impacto social além de empregos e
tível fóssil de transição, a produção de gás impostos gerados e organizar um gover-
natural é atrativa e fator gerador de incre- nança interna e externa que favoreça um
mento considerável do Produto Interno engajamento dos atores sociais em uma
Bruto - PIB. A geração de valor da exploração perspectiva ampliada de fortalecer as
do gás natural, contudo, segue uma ten- capacidades locais e regionais para um
dência de concentração de riqueza nas aproveitamento mais sinérgico do incre-
empresas operadoras da exploração, seus mento do PIB que a atividade vai gerar ao
fornecedores de suprimentos e tecnologia e, mesmo tempo que gera inteligência coletiva
em alguma medida, no executor do trans- para a gestão dos riscos não técnicos e o
porte viário ou por duto ou potencial usuário controle das ameaças decorrentes dos
para conversão em eletricidade e sua impactos ambientais controláveis e adver-
distribuição. sos.

Para a região na qual é instalada a planta de Essa governança sinérgica regional fun-
exploração, especialmente quando a eco- ciona como fomento ao desenvolvimento de
nomia é pouco diversificada e baseada em um ambiente favorável à sustentabilidade
ativos de circulação de baixo valor agregado, do negócio de exploração do gás natural em
costuma ficar apenas o emprego da mão de si ao mesmo tempo que investe em articu-
obra de menor qualificação e as consequên- lação pública e privada para que os benefí-
cias mais negativas das externalidades cios e riscos sejam mais compartilhados de
ambientais além da convivência com os modo consciente, estratégico e preventivo,
riscos associados. gerando confiança setorial e intersetorial de
modo a garantir mais valores e responsabili-
As políticas corporativas e certificações que dades também compartilhados que
agregam valor duradouro à atividade e aumentam a segurança sistêmica como um
evitam riscos não técnico, reputacionais e todo e a longevidade lucrativa do negócio,
de litígios onerosos, vem sendo adotadas conforme as pesquisas já evidenciam (Khan
mais recententemente na última década, & Serafeim, 2016).

13

Capítulo 1 Por Paulo Vitor Siffert

História de Morada Nova de Minas

DESCRIÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DE MORADA NOVA DE MINAS Morada Nova de Minas tem status de Nos anos que se seguiram, parentes de D.
município desde 1943 e conta com uma Inácia, pessoas da região e também de
população de 8.255 habitantes outras partes começaram a se estabe-
(IBGE/CENSO, 2010). A cidade se localiza lecer no entorno da capela de Nossa
na mesorregião Central Mineira, cerca de Senhora do Loreto, formando uma
300km distante da capital do estado de primeira comunidade dedicada à lavoura
Minas Gerais, Belo Horizonte. Em termos e à criação de gado. Em 1852 esse
mais específicos, a cidade é parte da povoado é finalmente reconhecido por lei²
microrregião de Três Marias, juntamente e batizado, oficialmente, de Nossa
com os municípios de Pompéu, Abaeté, Senhora do Loreto de Morada Nova,
Biquinhas, Cedro do Abaeté, Três Marias e sendo considerado como um distrito de
Paineiras. Abaeté. Mais tarde, em 1861, o povoado é
integrado à diocese de Mariana.
Morada Nova de Minas ganhou o status
de cidade em 1943, depois da assinatura Em 1935, obras de reforma e ampliação
de um Decreto Estadual¹ que a eman- na capela se iniciam para que esta se
cipou de Abaeté. Em 1960 foi inundada transforme em uma igreja matriz. Ainda
parcialmente para a construção da em 1939, o povoado é elevado à categoria
Represa de Três Marias e, nas últimas de Vila. Até que em 1943, coincidindo com
décadas, encontra na pesca, agropecuá- o fim das obras da nova igreja matriz,
ria, extração de carvão mineral e turismo Nossa Senhora do Loreto de Morada Nova
as principais atividades econômicas para ganha o status de município, se emanci-
se desenvolver. pando de Abaeté. Inicialmente, a cidade
foi rebatizada simplesmente de Morada,
O início de sua história, no entanto, remete porém mais tarde o nome foi alterado
ainda ao século XVIII, quando os prime- para Moravânia (1948) e, finalmente,
iros habitantes estabeleceram residência Morada Nova de Minas (1953).
na região da foz do Rio Paraopeba nas
décadas de 1730 e 1740. Entre 1801 e Em 1950, de acordo com as estimativas
1804, as imediações do Rio Borrachudo do Departamento Estadual de Estatís-
passaram a ser habitadas até que, em ticas de Minas Gerais, a cidade possuía
1810, a história de Morada Nova de Minas 14.264 habitantes. As principais ativi-
definitivamente começa a ser contada. dades econômicas da cidade nessa
Nesse ano, Dona Inácia Maria do Rosário, época eram, de acordo com o Recensea-
habitante da Fazenda Saco Bom, doou mento Geral do Instituto Brasileiro de
180 alqueires de terra (cerca de 871,2 Geografia e Estatística – IBGE de 1950, a
hectares) na região para a Igreja. Nesse agricultura, pecuária e a silvicultura. Os
terreno, padres Franciscanos construíram principais produtos eram o arroz, milho,
uma capela em homenagem à Nossa feijão, cana de açúcar, mandioca, algodão
Senhora do Loreto e, ao lado, D. Inácia e pescados. Grande parte desta produção
construiu um novo sobrado onde passou era destinada aos mercados consumi-
a residir, sendo esta casa sua “morada dores de Belo Horizonte, Pará de Minas e
nova”. Divinópolis, em Minas Gerais, e São Paulo
e Distrito Federal, fora do estado.

14 1. Decreto Lei Estadual 1058 de 31 de dezembro de 1943.
2. Lei Provincial nº 603 de 1852.

Antiga Igreja de Nossa Senhora do Loreto (sem data)

Fonte: Câmara Municipal de Morada Nova de Minas

Vista panorâmica de Morada Nova de Minas - 2015

Fonte: Câmara Municipal de Morada Nova de Minas

15

CAPÍTULO Já em 1960, quando a cidade conhecia o A partir da inundação dos campos em
auge de seu desenvolvimento econômico 1960, a cidade tentou recuperar sua
01 calcado na agropecuária, iniciaram-se os produção agrícola, porém sem o mesmo
trabalhos de inundação de parte da área sucesso anterior. Essa atividade foi
DESCRIÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DE MORADA NOVA DE MINAS do município para a construção da gradualmente perdendo espaço para o
Represa de Três Marias. Terras férteis e setor de serviços, como mostram os
estradas foram submersas, deixando dados da Fundação João Pinheiro – FJP
Morada Nova de Minas parcialmente (2019): em 2017, 37,8% dos empregos
ilhada e comprometendo seu desenvolvi- eram no setor agropecuário, enquanto os
mento. Ou seja, após a década de 1950 o serviços eram responsáveis por 45,3%.
município passou por um processo de Hoje, a cidade procura estabelecer-se
diminuição drástica de sua área rural, que como polo turístico, aproveitando as
perdeu importância perante as atividades margens da represa para o turismo
desempenhadas em sua zona urbana. ecológico e rural. Além disso, também
busca se reestabelecer economicamente
O reflexo da mudança de panorama em a partir da extração de carvão vegetal e,
Morada Nova de Minas pode ser visto na principalmente, da produção de tilápias
variação populacional da cidade nas em tanques rede.
décadas que se seguiram. Após as
primeiras inundações, houve um grande As mudanças no panorama econômico
êxodo demográfico, com o número de de Morada Nova de Minas, especialmente
habitantes caindo para 8.352 habitantes após a inauguração da Represa de Três
no ano de 1970, de acordo com o Instituto Marias (1961), podem ser melhor enten-
Brasileiro de Geografia e Estatística – didas se levarmos em conta dados
IBGE. No ano de 1980, chegou-se a 6.019 socioeconômicos da cidade nos últimos
habitantes. A partir de 1991 observa-se anos. Mais adiante neste Atlas apresenta-
uma volta do crescimento populacional, o remos alguns dados relativos a popula-
que pode denotar uma recuperação nas ção; trabalho e rendimento; educação;
últimas décadas, com a cidade chegando economia e sociedade; saúde; e território
à 6.652 habitantes, 7.591 em 2000 e, no e ambiente contribuem para a compreen-
ano de 2010, alcançando a marca de são, como um todo, de Morada Nova de
8.255. Estima-se que em 2019 a cidade Minas no século XXI.
alcançou o número de 8.863 habitantes.

Para saber mais

Livro “A Saga do Nosso Povo”,
de Adelaide Santos Dias:
conta a história de
Morada Nova de Minas.

16

Linha do tempo de Morada Nova de Minas

1960 1961

Parte da cidade é Inauguração da
alagada para a construção Represa de Três Marias
da Represa de Três Marias
1957
1953
Início da construção da
O nome da cidade muda Represa de Três Marias
para Morada Nova de Minas
1943
1852
Nossa Senhora do Loreto
Povoado de Nossa de Morada Nova ganha
Senhora do Loreto de status de município
Morada Nova é reconhecido
1810
1730 / 1740
Início da construção
Chegada dos primeiros da Igreja de Nossa
habitantes à região Senhora do Loreto

17

Capítulo 2 Por Paulo Vitor Siffert

A Geografia do Município:
contextualização de Morada Nova
de Minas dentro da microrregião
de Três Marias

DESCRIÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DE MORADA NOVA DE MINAS Morada Nova de Minas está localizada na serviços que não são encontrados em
mesorregião Central de Minas Gerais e, Morada Nova de Minas, como instituições
mais especificamente, na microrregião de superiores de educação (faculdades;
Três Marias. A microrregião de Três cursos técnicos/profissionalizantes),
Marias é composta por sete cidades, saúde (hospitais com especialização) e
quais sejam: Morada Nova de Minas, Três outros tipos de serviço (comércio; lazer).
Marias, Pompéu, Abaeté, Biquinhas,
Paineiras e Cedro do Abaeté. Essas sete Em relação ao produto interno bruto per
cidades em conjunto apresentam uma capita (PIB per capita), Morada Nova de
população total de 104.433 habitantes, Minas apresenta o segundo maior na
sendo Três Marias a mais populosa região (R$ 30.761,39 por habitante),
dentre elas, com 32.356. Morada Nova de ficando atrás apenas de Três Marias
Minas é o quarto município mais popu- (R$ 52.625,97 por habitante). Já no Índice
loso da microrregião, tendo 8.863 habi- de Desenvolvimento Humano Municipal
tantes, de acordo com dados de 2020 do (IDHM), Morada Nova de Minas (0,696 -
Instituto Brasileiro de Geografia e médio) ocupa o terceiro lugar dentre as
Estatística - IBGE. sete cidades da microrregião, atrás
apenas de Três Marias (0,752 - alto) e
Outras cidades importantes se localizam Abaeté (0,698 - médio).
relativamente próximas à Morada Nova
de Minas. Além de cidades de maior porte A área territorial de Morada Nova de
na microrregião, como Três Marias, Minas é considerada de grandes propor-
Pompéu e Abaeté, se conformam como ções, levando-se em conta a média de
centralidades no entorno: Patos de Minas todo o estado de Minas Gerais. São
(mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto 2.084,275km² de extensão, sendo a
Paranaíba), Divinópolis (mesorregião terceira maior área municipal na microrre-
Central Mineira) e Curvelo (mesorregião gião: Três Marias tem 2678,253km² e
Central Mineira). Essas centralidades se Pompéu 2551,074km².
caracterizam por oferecerem alguns

18

Mapa de localização
da Microrregião de Três Marias,
com destaque para Morada Nova de Minas

Fonte: elaborado pelos autores 19

CAPÍTULO Para saber mais

01 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio, Plano de
Manejo – Estação Ecológica de Pirapitinga- disponível em : <
DESCRIÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DE MORADA NOVA DE MINAS https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-planos-de-
manejo/esec_pirapitinga_pm.pdf> Acesso em 03 de dezembro de 2019.

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio, disponível em :
<http://www.icmbio.gov.br/cbc/conservacao-da-biodiversidade/especies-
ameacadas-cerrado.html> Acesso em 05 de dezembro de 2019.

Ministério do Meio Ambiente - MMA. Convenção da Diversidade Biológica.
Biodiversidade v. 2. Brasília: MMA, 2000. 30p. MMA. Lista das Espécies da Fauna
Brasileira Ameaçadas de Extinção. Instrução Normativa nº 3. Disponível em: <
http://www.mma.gov.br/port/sbf/fauna/index.cfm >. Acesso em: 18 de dezembro de
2005.

Drummond, G. M. et alii., 2008. Listas vermelhas das espécies da fauna e da flora
ameaçadas de extinção em Minas Gerais. Editores: Gláucia Moreira Drummond et
alii., 2ª Ed. Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas. Belo Horizonte.

Sobre a geologia: Portal da Geologia CODEMIG: http://www.portalgeologia.com.br/
e http://recursomineralmg.codemge.com.br/

Sobre o solo : Classificação de Solos EMBRAPA:
https://www.embrapa.br/solos/sibcs/classificacao-de-solos e IDE-SISEMA Solo
:http://idesisema.meioambiente.mg.gov.br/.

Sobre Uso e Cobertura do Solo: MAPBIOMA:
https://plataforma.mapbiomas.org/map#coverage

Sobre o Clima: CPTEC/INPE: https://www.cptec.inpe.br/previsao-tempo/mg/morada-
nova-de-minas e INMET: http://www.inmet.gov.br/portal/

Sobre a Biodiversidade ICMBIO: https://www.icmbio.gov.br/cbc/conservacao-da-
biodiversidade/biodiversidade.html e
https://www.icmbio.gov.br/portal/unidadesdeconservacao/biomas-
brasileiros/cerrado/unidades-de-conservacao-cerrado/2065-esec-de-pirapitinga

20

Mapa de Acesso de Belo Horizonte
até Morada Nova de Minas

Legenda

Fonte: elaborado pelos autores 21

Capítulo 3 Por Vinicius Gonçalves Ferreira
e Jussara da Silva Diniz Lima

Aspectos Físicos

Geologia

Os principais litotipos e sedimentos encontrados no município são apresentados no
Figura 1.A e podem ser classificados em quatro conjuntos litológicos/sedimentares
distintos, sendo eles:

DESCRIÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DE MORADA NOVA DE MINAS i. Sedimento e depósito Cenozóicos: iii. Arenito e argilito Proterozóicos:
representado por sedimentos e composto por arenitos de tons vari-
depósitos avermelhados argilosos e ados grãos finos a grossos ou sedi-
arenosos às vezes com cangas. Este mentos areno-siltosos de coloração
agrupamento no município representa bege. Este conjunto no município
809km² de área o que equivale a 39% representa uma área de 539km² que
da área total; equivale a 26% da área total;

ii. Arenito e sedimento Cretáceos: iv. Siltito e argilito Proterozóicos: consti-
caracterizados por arenitos averme- tuído por siltitos e argilitos de tons
lhados a esbranquiçados com grãos bege e ocre ou sedimentos silto-
arredondados finos a médio ou argilosos de coloração bege. No
sedimentos arenosos. Este conjunto município este conjunto está em uma
representa 120km² de área o que área de 372km² que representa 18% da
equivale a 6% da área do município; área total;

Qual a importância?

Um levantamento litológico em formato de mapa é uma das ferramentas para o desen-
volvimento econômico e representa a base fundamental de conhecimento do meio
físico. Estes tipos de dados orientam descobertas de recursos minerais, servindo para
subsidiar ainda o gerenciamento de recursos hídricos, áreas de riscos, o ordenamento
territorial e ações que visam a proteção do meio ambiente. Além disso, o conhecimento
geológico pode ser útil nos provimentos de empreendimentos turísticos como geossi-
tios e geoparques.

Recursos Minerais

O diamante é um dos recursos minerais civil; B- Fosfato que é extraído de rochas

historicamente procurados na região por sedimentares rica em potássio (verdetes)

garimpeiros e mais recentemente por e que é utilizado na fabricação de fertili-

empresas do setor. As empresas atual- zantes e C - Areia e cascalho que são

mente requerem áreas dominantemente utilizados na construção civil. Também

nos leitos e margens do Rio Borrachudo e são alvos de extração e pesquisa os

Indaiá localizado na região oeste do arenitos e granitos como potenciais

município (Figura 1.B). fontes de rochas ornamentais na cons-

trução civil. Soma-se como um outro
Outros tipos de exploração e extração recurso, porém não bem esclarecido para
mineral presentes no município são: A- sociedade, as reservas de gás natural na
Ardósia que é o principal bem mineral da região.
região e que é utilizado na construção

22

Aspectos Físicos de Morada Nova de Minas

Figura 1.A Figura 1.B

Figura 1.C Figura 1.D

Fonte: elaborado pelos autores 23

CAPÍTULO Potenciais Geossitios

03 Os geossítios de acordo a literatura representam lugares ou pontos de interesse
geológico com destaque ao valor do meio circundante envolvendo valor científico
24 educativo, cultural ou turístico. Na região de Morada Nova de Minas os potenciais
locais que podem vir a ser geossítios cita-se:

Ÿ Região da Pedra Preta: localizada na Ÿ Gruta Ribeirão do Inferno: trata-se de
Fazenda Kitéria em Morada Nova de uma caverna cadastrada no sistema
Minas. CANIE/CECAV localizada dentro do
contexto da Zona de Cisalhamento do
Ÿ Zona de cisalhamento do Traçadal: Traçadal.
trata-se de uma região caracterizada
por vales profundos, alongados de Ÿ Exsudações no Baixo Rio Indaiá: são
direção NNW-SSE e que apresentam emanações de gases naturais sobre as
alto potencial para cavernas em meio a águas ou solos, porém nítidas por
rochas pelito-carbonáticas. meio de borbulhamento quando
represadas ou no próprio rio Indaiá.

DESCRIÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DE MORADA NOVA DE MINAS Pedologia Figura 2

A Figura 2 apresenta um perfil de solo O – Material Orgânico
padrão com níveis/horizontes principais A – Mineral escurecido
desde superfície até chegar na rocha (R). E – argila e outras

Os tipos de solo preexistente no município partículas finas
de Morada Nova de Minas são: B – Acumulação de

Cambissolos: constituídos por material horizontes anteriores
mineral, com horizonte B incipiente (Bi) com presença de óxidos
subjacente e qualquer tipo de horizonte e hidróxidos de ferro
superficial. Tem sequência de hori- C – Material não consolidado
zontes A ou hísticos, Bi, C, com ou sem
R. R – Rocha Consolidada

Latossolo: constituídos por material
mineral, com horizonte B latossólico
imediatamente abaixo de qualquer um
dos tipos de horizonte diagnósticos
superficial, exceto hístico.

Neossolo: constituídos por mineral, ou por
material orgânico pouco espesso, que
não apresentam alterações expressivas
em relação ao material originário devido
à baixa intensidade de atuação dos
processos pedogenéticos.

Qual a importância?

Útil no planejamento e gerenciamento do uso da terra e dos recursos naturais além de
potencializar a produção agrícola e diversas atividades econômicas para uma região.

Aspectos Físicos de Morada Nova de Minas

Figura 3.A Figura 3.B

Figura 3.C Figura 3.D

Fonte: elaborado pelos autores 25

CAPÍTULO Relevo Figura 4:
Classificação de relevo em percentual da área de
03 O município possui uma área de investigação no contexto de Morada Nova de Minas
2084km2 e está localizado no
26 interior da Mesorregião Central 1%
Mineira, pertencente a Microrre- 3%
gião de Três Marias. A área apre- 16%
senta as altitudes que vão de 520 a
960 metros, sendo que as maiores 40%
altitudes encontram-se a noroeste
do município, conforme mostra o 40%
mapa hipsômetrico da Figura xD.
Já a declividade, dentro do limite Plano Forte Ondulado
municipal, a predominância é do Suave Ondulado Montanhoso
tipo plana e suave ondulado, Ondulado
ocupando 40% da área, seguido de
domínios ondulado (16%), forte
ondulado (3%) e do tipo monta-
nhoso (1%) (Figura 4).

DESCRIÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DE MORADA NOVA DE MINAS Qual a importância?

O uso do conhecimento da declividade do relevo é útil, pois ela influencia na velocidade
de escoamento superficial da água. Torna-se, portanto, uma boa ferramenta na
detecção de áreas com menor ou maior predominância a susceptibilidade de
ocorrência de erosão.

Uso e cobertura do solo

Dentro do município as principais Figura 5: Tipo de uso e cobertura de solo
classes quanto ao uso e cobertura em percentual da área de investigação no
do solo, cita-se: formação florestal,
formação savânica, floresta contexto de Morada Nova de Minas
plantada, formação campestre,
pastagem, cultura anual perene, 1% 12% 10%
infraestrutura, outra área não 1%
vegetada, e rio/lago. Constatou 13%
que o ew maior domínio dentro do
município é o de pastagem que 1%
representa aproximadamente 38%
da área do município, seguido de 11%
floresta plantada que corresponde 51%
a 18% (Figura 5).
Pastagem Formação Florestal
Formação Savanica Floresta Plantada
Rio e Lago Outra Área Não Vegetada
Formação Campestre Cultural Anual e Perene

Qual a importância?

Útil na avaliação, gerenciamento e planejamento de áreas naturais e antrópicas quanto
as modificações da paisagem e do aumento dos impactos ambientais e
socioeconômicos.

Hidrografia

O município está inserido na bacia hidrográfica O conhecimento do mapa hidrográfico
do Rio São Francisco cujas drenagens locais e está também intimamente ligado com os
pertencentes ao município são apresentadas pontos hidrológicos como: nascentes,
na Figura 3.C O mapa hidrográfico do município lagos, lagoas, represas, poços e cister-
apresenta curso de águas na margem esquerda nas, conforme Figura 3.D.
do Rio São Francisco estendendo até o reserva-
tório da Usina Hidrelétrica de Três Marias.

Qual a importância?

Gerenciar o cadastro de pontos hidrológicos e monitorar quantitativamente e
qualitativamente os recursos hídricos.

Clima Figura 6: Média mensal de precipitação
das últimas duas décadas para o município
Na região do município predominam climas
tropicais semi-úmido, com temperatura de Morada Nova de Minas. Fonte: INMET
média anual quente–média > 18°C em todos (Instituto Nacional de Meteorologia)
os meses e semiúmido de 4 a 5 meses seco.
O gráfico com as médias mensais de
precipitação das duas últimas décadas
encontra-se na Figura 6. Observa-se que o
maior registro de chuvas nos últimos anos
tem ocorrido entre novembro e março. O
acúmulo médio de precipitação na região
nas últimas décadas é em torno de 1137
mm.

Biodiversidade

O município está inserido no bioma cerrado algumas espécies de fauna e flora amea-
que é considerado como a savana tropical çadas e é privilegiado por conter uma
mais rica do mundo, pois há cerca de 5% de importante área de proteção integral, a
toda a diversidade do planeta, abrigando “Estação Ecológica de Pirapitinga”, que tem
30% dos diversos seres vivos identificados como objetivo a preservação da natureza e a
no Brasil. No município identifica-se realização de pesquisas científicas.

Urubu Rei Foto: SGT Agnaldo

27José Pereira da Costa

Capítulo 4 Por Paulo Vitor Siffert

Resumo da caracterização
socioeconômica do município

As mudanças no panorama econômico Trabalho e rendimento; economia e
de Morada Nova de Minas, especialmente sociedade contribuem para a compreen-
após a construção da Represa de Três são, como um todo, de Morada Nova de
Marias (1961), podem ser melhor enten- Minas no século XXI. Nos anexos desse
didas se levarmos em conta dados Atlas, dados completos e mais abran-
socioeconômicos da cidade nos últimos gentes poderão ser encontrados.
anos. Dados relativos a população.

DESCRIÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DE MORADA NOVA DE MINAS Econômica e Social

Produto Interno Bruto (PIB) per capita: O Incidência da Pobreza: Considerando-se
PIB é a soma de todos os bens e ser- pobre a pessoa cuja renda domiciliar
viços finais produzidos por um país, per capita mensal é inferior a R$ 220,70
estado ou cidade, geralmente em um (a preços de dezembro de 2017)
ano. Especificamente, o indicador “PIB (FJP/IMRS, 2019), a proporção de
per capita” mede quanto do PIB caberia pobres em Morada Nova de Minas é de
a cada indivíduo do município se todos 6,84% da sua população, sendo o
recebessem partes iguais. No caso de segundo melhor valor dentre as sete
Morada Nova de Minas, esse valor seria cidades que compõem a microrregião
de R$30.761,39 para cada habitante no de Três Marias, onde a cidade está
ano de 2017. Esse valor colocaria inserida.
Morada Nova de Minas no patamar
mais alto de Minas Gerais, na posição Figura 7: IDH - Municípios de Minas Gerais
98º entre os 853 municípios do estado. Morada Nova de Minas: 0,696

Índice de Desenvolvimento Humano

Municipal - IDHM (2010): O IDHM

abrange as dimensões educação,

longevidade e renda de um município

na construção do índice. O objetivo de

considerar também a educação e a

longevidade seria o de apresentar uma

medida do desenvolvimento municipal

mais abrangente do que apenas o

desempenho econômico, medido pelo

Produto Interno Bruto (PIB). O IDHM

apresenta valores entre 0 e 1, sendo 0 o

pior valor possível e 1 o melhor valor Legenda
possível. O IDHM de Morada Nova de

Minas, em 2010, era 0,696, conside- até 0,633 até 0,67 até 0,703 mais que 0,703
rado, em termos absolutos, médio. É

um IDHM ligeiramente acima da média Morada Nova de Minas
de Minas Gerais, cujo melhor índice é

0,810 e o pior 0,530. Fonte de Dados: IBGE/2010

28

Figura 8:

Mapa de Densidade Urbana 2010

Legenda

Fonte: elaborado pelos autores 29

CAPÍTULO População

04

Densidade Demográfica: Densidade idade e sexo de seus habitantes. Dos
demográfica corresponde à distribu- 8.255 habitantes de Morada Nova em
ição da população em uma determi- 2010, 4.205 eram homens e 4.050
nada área e é calculada a partir da eram mulheres. O eixo horizontal
razão entre o número total de habi- representa a proporção da população e
tantes (hab.) de um município e a área o eixo vertical a faixa etária. O lado
territorial desse município (km²). Esse direito do eixo horizontal é destinado à
dado permite compreender se uma representação das mulheres e o
cidade é muito ou pouco povoada. esquerdo dos homens. A pirâmide nos
Com a média de 3,96 habitantes a cada permite ver que grande parte da
quilômetro quadrado, Morada Nova de população pertencem a dois grandes
Minas apresenta uma baixa densidade grupos etários grupos: dos 10-24 anos
demográfica, estando na 827ª posição e dos 35-49 anos. A queda do número
entre os 853 municípios de Minas de habitantes com idade entre os 25 e
Gerais. os 34 anos mostra que muitos mora-
dores da cidade saem de Morada Nova
Pirâmide etária: Uma pirâmide etária nos de Minas em busca de emprego e
permite enxergar como se dá a compo- estudo justamente em uma faixa etária
sição de uma população a partir da de elevada produtividade.

DESCRIÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DE MORADA NOVA DE MINAS Figura 9: Distribuição da população por sexo, segundo os grupos de idade
Morada Nova de Minas (MG) - 2010

Fonte de Dados: IBGE/2010

Trabalho e Rendimento

Percentual população ocupada: 24,2% da Salário médio mensal dos trabalhadores:
população de Morada Nova de Minas A média dos habitantes de Morada
se encontrava formalmente empre- Nova de Minas recebe 1,7 salários
gada em 2017, o que a coloca no grupo mínimos por mês, colocando a cidade
de cidades onde esse índice é elevado em uma posição intermediária em
(107ª posição em 853 cidades em relação às outras cidades de Minas
Minas Gerais). Esse percentual Gerais (337ª colocação entre 853
representava, em 2017, 2.142 pessoas municípios no estado).
empregadas na cidade.

30

Figura 10:

Imagem de satélite - Morada Nova de Minas

Fonte: elaborado pelos autores 31

Capítulo 5 Por Marcos Affonso Gomes,
Paulo Vitor Siffert,

Vinicius Gonçalves Ferreira
e Jussara da Silva Diniz Lima

Análise de Forças e Oportunidades,
Fraquezas e Ameaças do município

Esse tipo de análise nos permite colocar, desse contexto que a discussão sobre o
lado a lado, os pontos positivos e nega- desenvolvimento do município se darão.
tivos da cidade com o intuito de se fazer Nesse caso, os pontos foram levantados
um diagnóstico do panorama de Morada a partir de observações feitas in loco por
Nova de Minas. Esse exercício é impor- pesquisadores envolvidos nesse Projeto
tante, considerando-se os capítulos que e também por dados disponíveis em
se seguem neste Atlas, pois será a partir plataformas governamentais.

Ambiente Interno Ambiente Externo

Forças Oportunidades

Área territorial municipal; Propriedades rurais com Localização regional: relativa
abertura para diversificar proximidade a BH e Brasília
Atrações turísticas: Lagoa da novas rendas
Represa CODEVASF oferece cursos de
de Três Marias e natureza no % da População empregada aperfeiçoamento na piscicultura
entorno;
Atividade de piscicultura bem Abertura econômica
Base educacional do ensino desenvolvida (2º maior do Estado de MG
fundamental tem alcançado produtor de tilápia do pais)
melhoria sustentável; Abaeté é fornecedora de
Disponibilidade de ensino superior e técnico
Bom nível transporte fluvial (6
da saúde básica; portos, 9 embarcações
e 2 reboques)
Cultura um pouco
mais aberta para
renovação econômica;

Baixa capacidade de investimento Baixo nível da infraestrutura industrial Baixa disponibilidade de energia elétrica
próprio instalada: Tratamento do resíduo da Inconsistências na qualidade dos
piscicultura inadequado; Baixa qualidade serviços de telefonia móvel
Saneamento Básico atende apenas sanitária da produção de carne bovina
1/3 da população residente Municípios polos regionais atraírem
Pouco suporte local e capacidade de mais investimentos na cadeia
Baixa qualificação da mão-de-obra: investimento privado em montagem da de suprimentos e serviços
Educação de nível médio cadeia de serviços
insuficiente; Educação Ameaças
profissionalizante é pouco Pouca exploração
disponível; Ausência de oferta de econômica dos
ensino superior potenciais turísticos

Baixa infraestrutura digital, Dificuldade de acesso
telecomunicações e de por via terrestre;
comunicação instalada e em Estradas rurais e
operação. transporte municipal bem
limitados no período das chuvas
Baixa Renda do trabalho e dos
negócios locais Saneamento básico insuficiente

Muitas pessoas com renda até 1/2 Estrutura ineficiente de saúde pública:
salário mínimo ausência de atendimento
de complexidade (especialidades)
Fraquezas

32

Vista Parcial do Rio Indaiá 33Fonte Jussara Lima, 2020

Capítulo 6 Por Paulo Vitor Siffert

Desenvolvimento Sustentável:
o fio condutor

O que é Desenvolvimento Sustentável?

CONDIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO O conceito principal que está por trás do suas próprias necessidades, em que todo ser
desenvolvimento sustentável é a sustenta- humano tem a oportunidade de se desen-
bilidade. A ideia é que nossas decisões volver em liberdade, dentro de uma socie-
atuais não devem prejudicar as perspec- dade equilibrada e em harmonia com o meio
tivas de manter ou melhorar o padrão de ambiente (ONU, 1987, p. 43).
vida no futuro, considerando a capacidade
de regeneração dos recursos naturais em Esse conceito estabelece, então, uma
nossas decisões econômicas. forma fundamental de se pensar a vida
humana na Terra: somos os responsáveis
Em 1987, um relatório elaborado pela por garantir a sobrevivência das gerações
Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e futuras em um mundo com condições
o Desenvolvimento, órgão pertencente à ambientais e sociais, no mínimo, similares
Organização das Nações Unidas (ONU), foi às que temos hoje e, idealmente, melhores.
o responsável por estabelecer de vez o
conceito de desenvolvimento sustentável: Dessa forma, esse conceito articula três
esferas -- econômica, social e ambiental --
A humanidade tem a capacidade de tornar o considerando que o equilíbrio entre elas é
desenvolvimento sustentável, ou seja, um fundamental para o bem-estar do ser
desenvolvimento que satisfaça as necessi- humano na Terra, hoje e no futuro. Esse é o
dades presentes, sem comprometer a chamado “tripé da sustentabilidade” ou os
capacidade das gerações futuras de suprir “pilares da sustentabilidade”.

Como alcançar o desenvolvimento sustentável?

O primeiro passo é reconhecer que os advindos de recursos naturais. A população

recursos naturais da Terra não são infinitos também é parte importante nisso, adotando

e que devem, sim, ser gerenciados em prol práticas mais conscientes de consumo --

do bem comum - hoje e no futuro. O evitando o desperdício, por exemplo. A

segundo passo é estabelecer as diferenças iniciativa privada também ganha adotando

entre crescimento econômico e desenvolvi- medidas similares: empresas sustentáveis

mento: o primeiro depende do consumo têm cada vez maior rentabilidade, ao passo

crescente e desenfreado de energia e que contribuem para o bem-estar social e

recursos naturais; o segundo faz parte de natural.

uma visão mais holística, em que cresci- A Organização das Nações Unidas (ONU)
mento econômico só é benéfico se lançou, em 2015, a Agenda 2030 para o
promover a igualdade social e contribuir na Desenvolvimento Sustentável, em que
conservação da natureza. estipula 17 objetivos a serem almejados

As práticas sustentáveis devem ser apli- pela sociedade civil, da esfera pública e

cadas pelo poder público, através de privada, em conjunto. Trata-se de um marco

incentivos fiscais, programas de educação de mudança de paradigmas sobre o desen-

ambiental para sua população e, mesmo, volvimento que impacta, inclusive, na

adoção de processos internos mais mais criação e geração de novos empregos.

atentos ao uso e desperdício de materiais

34

O desenvolvimento sustentável

• Reestabelece a relação entre economia e meio ambiente;

• Promove a igualdade social e a geração de riqueza sem comprometer
o acesso das gerações futuras aos recursos naturais;

• É capaz de criar novos mercados em que novos empregos serão gerados.

Figura 11: Os 17 Objetivos do
Desenvolvimento
Sustentável da ONU

Economia

Sociedade

Biosfera

Fonte: adaptado de Rockström e Sukhdev (2017) 35

Para saber mais

Sobre os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável da Agenda 2030:
website da Agenda 2030 da ONU - https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030
e http://www.agenda2030.org.br/sobre

Sobre novas carreiras ligadas à sustentabilidade: website da Associação Brasileira
dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (ABRAPS) - https://abraps.org.br

Como criar um plano de negócios sustentável para micro e pequenas empresas:
“Plano de sustentabilidade para micro e pequenos negócios”, disponível no website
do SEBRAE-MG: https://inovacaosebraeminas.com.br/plano-de-sustentabilidade-
para-micro-e-pequenos-negocios

Capítulo 7 Por Paulo Vitor Siffert

As novas economias: estratégias
para o desenvolvimento

As Novas Economias e o desenvolvimento local:

Ÿ Surgimento das Novas Economias: valorização de recursos intangíveis
(saberes, conhecimentos, experiências, relacionamentos);

Ÿ As Novas Economias: Criativa; do Compartilhamento; Colaborativa; Multivalor;
Ÿ Novas Economias e desenvolvimento local: busca por novos recursos e

compartilhamento desses recursos.

CONDIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO O elevado padrão de consumo de bens ECONOMIA CRIATIVA: relativa às “maté-
materiais das últimas décadas impôs rias primas” abundantes, que não se
limitações à disponibilidade dos recursos consomem, mas se multiplicam com o
tangíveis (mão-de-obra, maquinário, uso, como cultura, conhecimento,
novas unidades de produção localizadas criatividade, experiências da comuni-
próximas aos mercados consumidores dade.
etc.) e das matérias-primas (as não-
renováveis, em especial, apresentando ECONOMIA DO COMPARTILHAMENTO:
grande aumento de valor). As crescentes relativa ao acesso à infraestrutura de
dificuldades de acesso aos recursos forma mais acessível e sustentável, a
materiais necessários à produção dos partir do compartilhamento de espa-
bens de consumo induziu o surgimento ços, equipamentos, materiais.
das chamadas “Novas Economias”.
Essas Novas Economias se apoiam nos ECONOMIA COLABORATIVA: relativa ao
bens intangíveis (imateriais), como fluxo de iniciativas conectadas e
saberes, conhecimentos, experiências, direcionando potencias por meio de
relacionamentos etc., que são abun- gestão distribuída e processos em
dantes e se multiplicam com a utilização, rede. É relacionada à conexão em rede
promovendo a inclusão e a colaboração entre as pessoas para a produção de
entre as partes envolvidas. novos produtos, serviços ou formas de
trabalho.
Essas Novas Economias poderiam ser
definidas de acordo com quatro grandes ECONOMIA MULTIVALOR: fluxo de
categorias relacionadas à quatro dimen- recursos e resultados de toda natu-
sões importantes para o bem-estar da reza, não apenas monetários, mas
vida humana: cultural, ambiental, social e também culturais, ambientais e
financeira. As categorias são: sociais.

As Novas Economias podem atuar como vetores de desenvolvimento de uma região
ao: 1) incentivarem a busca por novos recursos capazes de se tornarem fonte de
riqueza e; 2) ao encorajarem o compartilhamento desses recursos como maneira de
democratizar o acesso aos mesmos, promovendo um desenvolvimento calcado na
igualdade de oportunidades oferecidas para as comunidades locais.

36

Figura 12:

As Novas Economias

Fonte: Deheinzelin (2017)

Para saber mais

Website de Lala Deheinzelin, especialista em Novas Economias. No site, cursos 100% online
sobre a temática são ofertados: disponível em http://laladeheinzelin.com.br

37

Capítulo 8 Por Paulo Vitor Siffert

Economia Verde
e Empreendedorismo Verde

Ÿ O investimento do poder público em tecnologias limpas contribui para o
desenvolvimento local e gera retorno econômico, social e ambiental;

Ÿ Organizações públicas ou privadas podem se beneficiar de adotar práticas
“verdes”;

Ÿ O incentivo ao surgimento de novas empresas verdes traz benefícios para o
empreendedor e também para a comunidade ao seu redor.

CONDIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO Economia Verde De acordo com o Pnuma, mobilizar e
reorientar a economia global para investi-
A economia verde consiste em uma série mentos em tecnologias limpas e
de diretrizes econômicas elaboradas pelo empresas verdes são as melhores
Programa de Meio Ambiente das Nações apostas para o crescimento efetivo, o
Unidas (Pnuma) a partir de 2011 e dedi- combate às mudanças climáticas e a
cadas à “melhoria do bem-estar humano e promoção de um boom de empregos no
equidade social, ao mesmo tempo em século XXI. O objetivo-chave de uma
que reduz significativamente os riscos transição para uma economia verde seria
ambientais e a escassez ecológica” eliminar os trade-offs entre crescimento
(Unep/Pnuma, 2011, p. 2). Trata-se de econômico e investimento, de um lado, e
uma economia de baixo carbono, efici- os ganhos em qualidade ambiental e
ente no uso de recursos naturais e social- inclusão social, de outro, promovendo um
mente inclusiva, surgindo, assim, como desenvolvimento robusto, equilibrado e
uma das principais indutoras do desen- justo.
volvimento sustentável.

Empresas Verdes e Empreendedorismo Verde

Nessa esteira, empresas verdes vem rial. Algumas iniciativas de gestão de
ganhando espaço e propiciando cada vez recursos naturais, como o descarte
mais retornos, tanto para o próprio consciente, a reciclagem de resíduos, e a
empreendedor, quanto para a comuni- utilização de tecnologias que possibi-
dade em sua volta. Os empreendedores litam o uso e reuso de matérias primas
verdes atuam na busca por oportuni- são alternativas efetivas e que agregam
dades de se criar produtos, processos e valor ao produto.
serviços que geram ganhos econômicos,
mas também contribuem para a redução Em suma, a empresa verde gera valor para
dos impactos ambientais e sociais. si e também para o meio social em que
está inserida, pois seu sucesso é capaz de
Ou seja, trata-se do alinhamento das disseminar em sua cadeia de fornecedo-
empresas às necessidades do mundo res, clientes e investidores uma mentali-
atual, vertente de negócio que já tem dade sustentável com poder multipli-
ganhado destaque no mundo empresa- cador e transformador.

38

39Foto: Depositphotos

Capítulo 9 Por Paulo Vitor Siffert

A Economia Circular

Principais benefícios da Economia Circular:

Ÿ Promove a sustentabilidade;
Ÿ Oferece novas oportunidades de negócios que estão em demanda no

mercado;
Ÿ Dispõe de manuais para confecção de modelo de negócios para os

empresários interessados na economia circular.

CONDIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO A economia circular surge como contra- necessidade de se obter e processar
ponto ao tradicional modelo linear da novas matérias-primas, por exemplo.
economia, em que os produtos têm um
“prazo de validade” determinado e, após A economia circular se estende a todo
isso, são descartados. Em geral, os tipo de negócio, seja de bens duráveis,
processos industriais mais comuns não-duráveis ou serviços. Modelos de
naturalizam o desperdício de matérias- negócio já foram desenvolvidos para
primas e outros recursos naturais neces- auxiliar aqueles que buscam implementar
sários à produção. Já a abordagem esses preceito -- e links para acesso à
circular obtém sua inspiração dos sis- esse material está disponível nos anexos
temas vivos: nela, considera-se que deste Atlas.
nossos sistemas econômicos devem
funcionar como organismos, proces- A sustentabilidade tem se provado, nas
sando “nutrientes” que podem ser introdu- últimas décadas, um filão promissor para
zidos de volta ao ciclo – biológico ou empresas que buscam obter resultados
técnico – para serem reaproveitados, financeiros sem se descuidarem da
participando na criação de novos produ- natureza. Nesse aspecto, empresas que
tos. aderem à economia circular contribuem
na criação desses novos cenários econô-
Dessa forma, os sistemas circulares micos em que a utilização inteligente dos
empregam a reutilização, compartilha- recursos naturais é, ao mesmo tempo,
mento, reparo, reforma, remanufatura e parte de sua estratégia de negócio e fonte
reciclagem para criar um sistema de de criação de valor para uma ampla
circuito fechado, minimizando a necessi- cadeia de stakeholders com o qual se
dade de novos recursos e, por consequên- relaciona. Ou seja, o sucesso de uma
cia, a geração de resíduos. Isso reduziria empresa sustentável é também o
gastos energéticos e emissão de polu- sucesso social, econômico e ambiental
entes (como o carbono), advindos da da sociedade em que ela está inserida.

40

Figura 13:

A Economia Circular

SUPRIMENTOS MANUFATURA & VIDA ÚTIL DO PRODUTO:
CIRCULARES: REMANUFATURA
Prolongar o ciclo de vida dos
Use energia renovável, produtos e componentes
materiais de entrada revendendo, reparando,
biológicos ou remanufaturando e
totalmente atualizando.
recicláveis
para substituir VENDA &
os materiais REVENDA
tóxicos e
de ciclo de
vida único.

RESTAURAR & CADEIA
REPROCESSAR DE VALOR
CIRCULAR
USO &

COMPARTILHAMENTO

RETOMAR

PRODUTO REPARAÇÃO &
COMO ADAPTAÇÃO
SERVIÇO:
RECUPERAÇÃO PLATAFORMA DE Fonte: Iritani (2019)
Oferecer acesso DE RECURSOS: COMPARTILHAMENTO:
ao produto e
manter a Recupere materiais, Permite uma maior taxa de
propriedade recursos e energia de utilização dos produtos,
para internalizar produtos descartados possibilitando o uso
os benefícios da ou subprodutos.
produtividade compartilhado / acesso /
circular dos propriedade
recursos.

Para saber mais

“O que é a Economia Circular?” disponível em https://eco.nomia.pt/pt/economia-
circular/estrategias

“Os Modelos de Negócios para a Economia Circular” (D. Iritani): dicas sobre os benefícios e
desafios de se montar um negócio circular - disponível em:
www.linkedin.com/pulse/os-modelos-de-negócios-para-economia-circular-diego-iritani

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Capítulo 10 Por Paulo Vitor Siffert

Ecossistema Empreendedor:
Empreendedorismo e Desenvolvimento
Local

Explicando um Ecossistema Empreendedor:

Ÿ O empreendedorismo é capaz de trazer desenvolvimento para uma região,
multiplicando o número de empregos e incentivando a participação da comu-
nidade local na geração de riqueza;

Ÿ O empreendedorismo é capaz de florescer mesmo em regiões estagnadas
economicamente: Morada Nova de Minas tem condições para desenvolver um
ecossistema empreendedor próprio;

Ÿ Atores locais, como o poder público e outros empresários podem se organizar
e atuar ativamente na criação de um ambiente favorável ao surgimento de um
ecossistema empreendedor.

CONDIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO O empreendedorismo representa a fonte complementares entre si. É o caso do
mais importante de crescimento econô- poder público, que atua elaborando
mico em diversos países, já que atividade políticas públicas relevantes ao aqueci-
empreendedora é capaz de fomentar a mento da economia; as agências de
inovação, competitividade, produtividade, fomento atuando na coordenação e
geração de riqueza, criação de empregos captação de recursos; e mesmo os
e formação de novos campos econômi- empresários da região, importantes como
cos. Dessa forma, os empreendedores exemplos de sucesso e, também, poten-
são considerados atores-chave no ciais investidores em novos negócios
processo de desenvolvimento local, já locais promissores. Dessa forma, o
que contribuem para a introdução de ecossistema empreendedor pode ser
novas tecnologias, combinam recursos e considerado um catalisador para o
matérias primas de maneira criativa e progresso econômico em países de
comercializam inovações, criando economia estável, mas também força
empregos e alavancando o crescimento motriz do desenvolvimento para econo-
econômico. mias em crise ou em fase de transição,
como é o caso de Morada Nova de Minas.
A ideia de ecossistema empreendedor
(EE) se inspira nos ecossistemas natu- Trata-se de estabelecer um interesse
rais, onde as diferentes espécies animais estratégico comum a partir dos recursos,
e vegetais necessitam que determinadas habilidades e padrões de comportamento
condições existam naquele ambiente estratégico compartilhados localmente e
para que eles prosperem. Num ambiente trabalhar, ao mesmo tempo, cooperando
empresarial, a existência de um ecossis- e competindo entre si – “coopetindo” –
tema de fomento à novos negócios se em busca da criação de um ambiente
torna próspero quando existe um con- empresarial cada vez mais saudável e
junto de atores heterogêneos, porém inovador.

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Estratégias podem ser desenvolvidas para a prioridades do poder público. Essas condi-
criação das condições sistêmicas capazes ções sistêmicas podem ser categorizadas
de alavancar um ecossistema empreende- em seis domínios distintos: políticas públi-
dor, que poderia gerar frutos em questão de cas, mercados, recursos humanos, cultura,
poucos anos. Para isso, o fomento ao capital financeiro e suporte.
empreendedorismo deveria ser uma das

Figura 14:

Os seis domínios
de um Ecossistema Empreendedor

íticas Públi
Pol eiro
Mercados Capcas
ital Financ

Governo Liderança

Consumidores EMPRE Disponibilidade
iniciais ENDEDO de Capital
RISMO
Redes de contato Casos
de sucesso
Instituições Normas sociais
educacionais

Trabalho

Infraestrutura Profissões Fonte: adaptado de Isenberg (2011)
de suporte

Instituições
não governamentais

Para saber mais 43

Cartilha sobre o que é e para o que serve um ecossistema empreendedor - disponível em:
https://www.napratica.org.br/ecossistema-empreendedor-o-que-e/

“Ecossistema Empreendedor: 6 caminhos para potencializar a inovação” - disponível em:
https://blog.sementenegocios.com.br/ecossistema-empreendedor/

Capítulo 11 Por Paulo Vitor Siffert

Índice SEBRAE de Desenvolvimento
Local (ISDEL): condições sistêmicas para
empreender em Morada Nova de Minas

O que nos diz o ISDEL de Morada Nova de Minas?:

Ÿ Como um todo, Morada Nova de Minas está um pouco abaixo da média do
resto de MG nas condições já existentes para o desenvolvimento;

Ÿ O ponto mais fraco da cidade é seu 'tecido empresarial': existem poucas
organizações associativas empresariais e também sociais;

Ÿ Porém... o empreendedorismo pode contribuir para reverter esse cenário:
existe um grande 'capital empreendedor' em potencial na cidade para ser
usado;

Ÿ Esse capital empreendedor pode se beneficiar de uma maior mobilização do
poder público, já que a 'governança para o desenvolvimento' ainda pode
crescer.

O ISDEL tem como objetivo representar, Dessa forma, podemos fazer alguns

em termos quantitativos, as dimensões apontamentos a partir do ISDEL 2019

do desenvolvimento consideradas para Morada Nova de Minas:

CONDIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO importantes pelo Sebrae. No total, se O índice geral de desenvolvimento de
tratam de cinco dimensões: capital Morada Nova de Minas, tomando-se por
empreendedor, tecido empresarial, base o ISDEL, é de 0,336, numa contagem
governança para o desenvolvimento, que vai de 0,000 até 1,000. Esse valor é um
organização produtiva e inserção compe- pouco abaixo da média de Minas Gerais,
titiva. Cada uma dessas cinco dimensões 0,395.
são compostas por outros elementos,

conferindo ao ISDEL amplitude e subs- Uma dimensão que se destaca negativa-

tância para diagnosticar o panorama local mente é o tecido empresarial (índice

para o desenvolvimento. 0,000), podendo ser considerado um

Pode-se observar semelhanças entre os importante gargalo para o desenvolvi-
modelos do Sebrae/ISDEL e o de Ecossis- mento da cidade. No entanto, associa-
tema Empreendedor (Capítulo 10), ções profissionais das diversas ativi-
podendo-se aproximar dimensões dades econômicas que a cidade dispõe
existentes nos dois: capital empreen- podem ser formadas para fortalecer o
dedor com recursos humanos; gover- tecido empresarial da cidade. Associa-
nança para o desenvolvimento e políticas ções de piscicultores ou produtores rurais
públicas; organização produtiva com familiar, por exemplo, poderiam se
suporte e também finanças; inserção fortalecer, contribuindo para movimentar
competitiva e mercados; tecido empresa- o cenário empresarial da cidade.

rial com suporte e recursos humanos.

Apenas a dimensão cultura, presente no

modelo de Ecossistema Empreendedor,

não seria contemplada pelo ISDEL.

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Por outro lado, a cidade mostra um grande inovação e também de ação estratégica em
potencial para o empreendedorismo, já que conjunto com outros atores do ecossistema
o capital empreendedor é de 0,595 – acima empresarial local.
da média de Minas Gerais (0,572). O nível da
educação da cidade é o grande ponto forte Conclui-se que existe um potencial muito
por trás desses números, se colocando grande para o empreendedorismo na cidade
como um verdadeiro diferencial para desen- de Morada Nova de Minas, podendo ser este
volvimento do município. Altos índices de um dos caminhos mais promissores para o
educação geralmente denotam uma quali- desenvolvimento da cidade.
dade maior da mão de obra, capacidade de

Figura 15:

Índice Sebrae de Desenvolvimento
Local – Morada Nova de Minas (2019)

Morada Nova de
Minas X Média de MG

O Município de População Capital Empreendedor
Morada Nova
de Minas ocupa 0,336 8.904 Tecido Empresarial
a 280ª posição no
Ranking de Minas Valor de PIB em mil reais
Gerais e a 2.229ª Referência
posição no Ranking 211.589
Brasil 1.000
IDH Organização Produtiva

0,696 Governança para o
Desenvolvimento

Inserção Competitiva

Índice ISDEL 0,590
0,000
Média de MG: 0,395 0,423
0,364
Capital Empreendedor 0,068

Média de MG: 0,572 Fonte: Sebrae (2019)

Tecido Empresarial

Média de MG: 0,400

Governança p/ Desenvolvimento

Média de MG: 0,478

Organização Produtiva

Média de MG: 0,439

Inserção Competititva

Média de MG: 0,100

Maior ISDEL MG Menor ISDEL MG 45

0,576 Belo Horizonte 0,189 Josenópolis

Capítulo 12 Por Arnaldo Clemente Vieira
e Paulo Vitor Siffert

A segmentação local de negócios:
quais os negócios atuais da cidade?
CADEIAS PRODUTIVAS ESTABELECIDAS E POSSIBILIDADES DE CRESCIMENTO E FORTALECIMENTO COMPETITIVO
O panorama dos negócios em Morada Nova de Minas:
Foto: Depositphotos
Foto: Arnaldo Vieira, 2020Ÿ 201 empresas atuando em 2018: cerca de 87% de pequeno porte;
Ÿ Setores de destaque: piscicultura, carvão vegetal e pecuária de corte e leite;
Ÿ Atividades com potencial para crescer: beneficiamento da cana-de-açúcar,

processamento da mandioca, criação de tilápia, plantação de grãos,
fruticultura, pesca esportiva e turismo.

A grande vocação agrícola ainda predo- Na piscicultura local, a principal espécie
mina em Morada Nova de Minas. De criada é a tilápia. O setor emprega cerca
acordo com dados da Fundação João de 30% da população local e, apesar de
Pinheiro (FJP), em 2016, 53% da riqueza dificuldades estruturais e financeiras,
da cidade era gerada pela agropecuária, Morada Nova de Minas aparece como o
enquanto o setor de serviços era respon- segundo maior produtor de tilápia do país.
sável por 41,70% e a indústria por 5,3%. Os A composição do setor da piscicultura na
dados do Cadastro Central de Empresas cidade se dá da seguinte maneira:
(CEMPRE) do IBGE apontam que, em
2018, eram 201 empresas em Morada Ÿ Pequenos produtores = 10 %
Nova de Minas: sendo cerca de 87% delas Ÿ Médios produtores = 60 %
de pequeno porte. As atividades econô- Ÿ Grandes produtores = 30%
micas mais expressivas do município são
a piscicultura, o eucalipto para a side- Obs.: 50% do total comercializa o pescado
rurgia (carvão vegetal) e a pecuária de in-natura.
corte e leite.

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Foto: Depositphotos Foto: Depositphotos

Em relação à carvoaria, existem cinco Outra atividade que tem sua importância
grandes produtores e cerca de 15 outros de para a cidade é a agricultura familiar, que
menor porte que plantam eucalipto para contribui para abastecer o município com
abastecerem, como fonte energética, os hortifrútis. De acordo com a EMATER, o setor
mercados da siderurgia de Minas Gerais e de agricultura se estrutura assim no municí-
outros estados. De acordo com a Empresa pio:
de Assistência Técnica e Extensão Rural do
Estado de Minas Gerais (EMATER-MG), a Ÿ Pequenos produtores com área até 60
área plantada em 2014 atingiu 25.000 hectares = 12
hectares e a produção de carvão no mesmo
ano foi de 2.060 toneladas. Ÿ Grandes produtores com áreas acima de
2.000 hectares = 5 a 10 (grupos de
empresas).

Foto: Depositphotos Foto: Depositphotos

Uma atividade promissora e em pleno Ainda com grande potencial para evoluir,
desenvolvimento, que conta com recursos algumas atividades agrícolas apontadas
da EMATER é a do processamento da pela EMATER são a plantação de grãos
mandioca para produção de farinha e (milho, soja e feijão) e a fruticultura (abacaxi,
polvilho, que devido ao seu estágio ainda maracujá, banana, pitaya e uva já estão
nascente, conta atualmente com apenas sendo plantadas). Além destas, a própria
quatro associados. Além disso, uma uni- criação de tilápia ainda pode se especializar,
dade de processamento de açúcar mascavo com o processamento e introdução de
e rapadura, atualmente com 25 associados, novas linhas de produtos, por exemplo. Por
também está em atuação no município. fim, a pesca profissional e esportiva, além do
turismo ainda são pouco explorados e
podem contribuir para o desenvolvimento da 47
cidade.

Capítulo 13 Por Arnaldo Clemente Vieira

Caracterização da indústria local de
tilápia e sua competitividade relativa
CADEIAS PRODUTIVAS ESTABELECIDAS E POSSIBILIDADES DE CRESCIMENTO E FORTALECIMENTO COMPETITIVO
A indústria da tilápia e seus desafios:
Foto: Depositphotos
Ÿ A COOPEIXE é uma das principais organizações do setor em Morada Nova de
Minas;

Ÿ COOPEIXE: busca por aperfeiçoamento no beneficiamento da tilápia e
comercialização de novos produtos a partir do pescado;

Ÿ Principal gargalo para o crescimento do setor: falta de regularização da
atividade no Estado de Minas Gerais.

Atual panorama da indústria local de tilápia

Além das Pisciculturas de grande porte A Coopeixe, foi criada no ano de 2010 com
existe uma organização que contribui o objetivo de unir e representar os pisci-
para o avanço da atividade local da tilápia: cultores locais. A instituição atualmente
a Cooperativa dos Piscicultores do Alto e emprega 35 colaboradores e, desde a sua
Médio São Francisco - COOPEIXE. fundação, realiza o beneficiamento e
comercialização do pescado. A coopera-
tiva oferece aos clientes, o contra filé,
peito, tilápia espalmada e o peixe inteiro;
já em fase de testes, a tilápia em postas e
o filé defumado podem ser novos
produtos ofertados futuramente.

48

Gargalos para o aumento da produção e competitividade

Apesar de ser a principal atividade econô- lham apenas com uma declaração oficial
mica da cidade, a piscicultura de Morada que permite uma pequena produção.
Nova de Minas enfrenta alguns desafios Quando a produção é ampliada, no entanto,
para o seu desenvolvimento, tanto para os acabam recebendo multas elevadas,
grandes, quanto para os pequenos produto- dependendo do volume de água utilizado.
res, ligados ou não à cooperativa local - Além disso, o processo de licenciamento é
COOPEIXE. O principal entrave à produção é complexo e demorado, o que acarreta em
o fato da piscicultura em Minas não ser dificuldades para o desenvolvimento de
licenciada: em geral, os produtores traba- infraestrutura para a atividade.

Tilápia Foto: Depositphotos

49

Capítulo 14 Por Arnaldo Clemente Vieira

CADEIAS PRODUTIVAS ESTABELECIDAS E POSSIBILIDADES DE CRESCIMENTO E FORTALECIMENTO COMPETITIVO Fortalecendo a agricultura familiar
e a de grande escala

Agricultura de grande escala e familiar:

Ÿ Pequenos agricultores familiares que produzem em 60 hectares;
Ÿ Grandes produtores produzindo em pelo menos 4.800 hectares;
Ÿ Novas oportunidades de negócios relacionados ao aumento da produção

agrícola existem;
Ÿ Dois limitadores ao crescimento da agricultura: infraestrutura energética e

pequena oferta de mão-de-obra qualificada.

De acordo com a EMATER, existem doze Ÿ Empresas para secagem de grãos;
agricultores que atuam em pequenas
propriedades no município de Morada Ÿ Espaços para armazenamento de
Nova de Minas, seja no setor de produção grãos;
de hortifrútis ou na pecuária - de leite e
corte. A prefeitura busca fomentar a Ÿ Prestadores de serviço para fabri-
produção familiar oferecendo, todos os cação e reparos de máquinas e equipa-
sábados, a praça central da cidade para a mentos.
realização da Feira Livre do Produtor
Rural, em parceria com a CODEVASF, além Embora a agricultura seja favorecida pelo
de disponibilizar espaço na Casa do clima, qualidade do solo e variação da
Artesão para exposição e venda dos altitude, sua expansão está limitada a
trabalhos. disponibilidade de energia elétrica, hoje
saturada na região. Além disso, outro
Já na agricultura de grande escala, as possível obstáculo ao crescimento do
culturas de milho, feijão e soja são as setor agrícola em Morada Nova de Minas
mais difundidas, ocupando juntas, mais é a pouca disponibilidade de mão-de-obra
de 4.800 hectares de terras irrigadas por com um nível de qualificação mais
pivô e cultivadas por grandes grupos de elevado. Uma das dificuldades à
empresas. Para atender a este setor em médio/longo prazo é a falta de previsão,
franca expansão em Morada Nova de por parte do município, da oferta de
Minas, a EMATER aponta algumas cursos de especialização para agricul-
demandas que poderão surgir como tores locais. Atualmente, a prefeitura atua
oportunidades de negócios e geração de como mediadora desse processo de
postos de trabalho na cidade: instrução da mão-de-obra, apenas
divulgando cursos, projetos e especializa-
ções que já existem e são ofertadas por
outras organizações.

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