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RADIOLOGIA - APOSTILA FISICA E PROTEÇÃO DAS RADIAÇÕES

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Published by Designer educacional, 2024-04-17 10:40:07

RADIOLOGIA - APOSTILA FISICA E PROTEÇÃO DAS RADIAÇÕES

RADIOLOGIA - APOSTILA FISICA E PROTEÇÃO DAS RADIAÇÕES

FISICA E PROTEÇÃO DAS RADIAÇÕES Soluções Educacionais APOSTILA RADIOLOGIA


2 CONTEÚDO PROGAMÁTICO I – O ESTUDO DA FÍSICA II – A FÍSICA NA RADIOLOGIA UNIDADES: 1- FÍSICA DAS RADIAÇÕES 1.1- RADIAÇÃO 1.2- CLASSIFICAÇÃO DAS RADIAÇÕES 1.2.1- FORMA 1.2.2- ORIGEM 1.2.3- PODER DE IONIZAÇÃO 1.3- APLICAÇÕES DAS RADIAÇÕES 1.3.1- INDÚSTRIA 1.3.2- PESQUISA 1.3.3- MEDICINA 2- OS RAIOS X 2.1- APRESENTAÇÃO 2.2- PRODUÇÃO DE RAIOS X 2.2.1- O TUBO DE RAIOS X 2.2.1.1- CATODO 2.2.1.2- ANODO 2.2.1.3- AMPOLA DE ENCAPSULAMENTO 2.2.1.4- OBSERVAÇÕES 2.2.2- FASES DE PRODUÇÃO DOS RAIOS X 2.2.3- TIPOS DE RAIOS X 2.2.3.1- RAIOS X CARACTERÍSTICOS 2.2.3.2- RAOS X DE FRENAGEM 2.3- A PRODUÇÃO DE CALOR 2.4- PRINCÍPIO DO FOCO LINEAR 2.5- PROPIEDADES FUNAMENTAIS DOS RAIOS X 2.6- ELEMENTOS DE UM CONJUNTO GERADOR DE RAIOS X 2.7- PARÂMETROS 3- FORMAÇÃO DA IMAGEM RADIOGRÁFICA 3.1- INTRODUÇÃO 3.2- ABSORÇÃO DE RAIOS X 3.3- FATORES QUE AFETAM A ABSORÇÃO DE RAIOS X 3.3.1- ESPESSURA 3.3.2- DENSIDADE 3.3.3- NÚMERO ATÔMICO 3.3.4- MEIOS DE CONTRASTE 3.3.5- KILOVOLTAGEM 3.3.6- FILTRAGEM


3 3.3.6.1- FILTRAGEM INERENTE 3.3.6.2- FILTRAGEM ADICIONAL OU ARTIFICIAL 3.3.6.3- OBSERVAÇÕES 3.3.7- COMPOSIÇÃO DO OBJETO 3.4- ABSORÇÃO DIFERENCIAL NO CORPO HUMANO 3.5- CONTRASTE DO SUJEITO 3.6- FATORES DE EXPOSIÇÃO QUE AFETAM A IMAGEM AÉREA 3.6.1- MILIAMPERAGEM 3.6.2- DISTÂNCIA 3.6.3- KILOVOLTAGEM 3.7- EFEITO DE TALÃO 3.8- GEOMETRIA NA FORMAÇÃO DA IMAGEM 3.8.1- BORROSIDADE GEOMÉTRICA DA IMAGEM 3.8.2- DISTORÇÃO 3.9- MOVIMENTO 4- RADIAÇÃO DISPERSA 4.1- INTRODUÇÃO 4.2- EFEITO NO CONTRASTE DO SUJEITO 4.3- FONTES DE RADIAÇÃO DISPERSA 4.4- REDUÇÃO DA RADIAÇÃO DISPERSA 4.4.1- LIMITAÇÃO DO FEIXE 4.4.1.1- DIAFRAGMAS DE ABERTURA 4.4.1.2- CONES 4.4.1.3- DISPOSITIVOS LIMITADORES DE ABERTURA VARIÁVEL 4.4.2- DIMENSÕES DO CAMPO PROJETADO 4.4.3- GRADES 4.4.4- ESPAÇO DE AR 4.4.5- COMPRESSÃO 4.4.6- DISPERSÃO INVERTIDA 4.4.7- REBAIXAMENTO 4.5-RADIAÇÃO EXTRA FOCAL 5- TECNOLOGIAS EM RADIOADIAGNÓSTICO E RADIOTERAPIA 5.1- INTRODUÇÃO 5.2- ANGIOGRAFIA 5.3- DENSITOMETRIA 5.4-HEMODINÃMICA 5.5-MAMOGRAFIA 5.6-MEDICINA NUCLEAR 5.7-RADIOTERAPIA 5.8-RADIOLOGIA DIGITAL 5.9-RESSONÂNCIA NUCLEAR MAGNÉTICA 5.10-TOMOGRAFIA COMUTADORIZADA 5.11-RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA


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6 Vamos tentar responder as seguintes questões: o O que é radiação? o De onde vêm? o Como interagem com o meio em que se encontram? o Como fazemos para detectá-las? o Como podemos utilizá-las? o Como se proteger de seus efeitos? Radiação, Energia e Ondas. É possível que o termo RADIAÇÃO, a princípio, pareça um pouco estranho. Com certeza, você já deve tê-lo visto associado a acidentes nucleares ou usinas atômicas. O que ocorre é uma confusão de termos, ou melhor, trata-se de um mesmo termo aplicado a coisas diferentes. IRRADIAR significa emitir, espalhar, projetar etc. Pode ser aplicado a diversas situações ou fenômenos diferentes. O Sol irradia luz, calor e ultravioleta. Já RADIAÇÃO é aquilo que é IRRADIADO por alguma coisa. Pode ser aplicado às várias formas de luz visíveis e “invisíveis” ou a feixes de partículas ATÔMICAS. Radiação é o processo pelo qual uma fonte emite energia que se propaga no espaço. Segundo o dicionário Aurélio: “Qualquer dos processos físicos de emissão e propagação de energia, seja por intermédio de fenômenos ondulatórios, seja por meio de partículas dotadas de energia cinética” ou “Energia que se propaga de um ponto a outro no espaço vazio ou através de um meio material”. O termo se usa também para designar a própria energia emitida. Portanto: radiação é energia em movimento. Este conceito é geral e inclui as ondas mecânicas (como o ultra-som ou as oscilações de um maremoto), ondas eletromagnéticas ou de radiações nucleares associadas a partículas com massa, como veremos mais adiante. Mas o que é Energia? O conceito de Energia é muitas vezes considerado intuitivo e só pode ser medido (ou quantificado) quando temos a transformação de um tipo de energia em outro tipo (trabalho). Em física, ENERGIA é tudo aquilo capaz de realizar trabalho. Como por exemplo, a eletricidade é capaz de fazer um motor elétrico funcionar e, portanto realizar trabalho. A mistura ar-combustível do motor de um carro acumula uma certa quantia de energia química. Pela ação da centelha da vela de ignição, esta energia química é transformada em energia térmica que promove a expansão dos gases no


7 interior do cilindro. Esta expansão empurra o pistão do motor, realizando um trabalho. Da mesma forma, a energia eletromagnética do Sol pode ser convertida em eletricidade por meio de uma célula solar ou em calor por meio de aquecedores solares. Uma forma importante de conversão da energia do Sol é a fotossíntese. Neste processo a luz solar é transformada em energia química, que por sua vez é responsável pelo crescimento das plantas e de quebra libera oxigênio para o ar. Portanto: Energia é a capacidade que possui um corpo de realizar trabalho. Possuem massa e formam os átomos e os núcleos atômicos; Esta radiação pode ser descrita como energia em movimento a velocidades inferiores à da luz Sua energia está associada à velocidade de maneira diretamente proporcional segundo a equação: 2 2 mv Ec = Onde: m de massa e v de velocidade; Ec é chamada de energia cinética (de movimento); Ex: o Elétrons, prótons, nêutrons. o Íons leves e pesados (átomos sem elétrons) o Píons, káons, múons, etc. o Suas anti-partículas Você com certeza sabe ou já ouvir falar que o controle remoto de sua TV ou videocassete funcionam por infravermelho. Também já não é mais novidade um microcomputador operado por mouse e teclado sem fios, ou seja, por infravermelho. - Mas afinal de contas o que vem a ser esse tal de infravermelho? Alguma espécie de raio invisível? - Exatamente! O Universo que nos rodeia é banhado por um imenso "oceano" de luzes, das quais nossos olhos conseguem captar apenas uma pequeníssima fração. Essa pequena fração de radiações que o olho humano vê, é chamada de luz visível ou apenas luz. Por esta razão, é mais conveniente chamarmos ao conjunto de todas as “luzes” que não vemos de RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA. O termo luz fica reservado à pequena parcela de radiação eletromagnética que conseguimos enxergar. A radiação eletromagnética é uma forma de energia. Sem ela simplesmente não haveria vida na Terra. Um outro aspecto importante da radiação eletromagnética é seu caráter ondulatório, isto é, a radiação eletromagnética é constituída de ondas elétricas e magnéticas. Portanto o conceito de onda é de fundamental importância para a compreensão de uma série de fenômenos físicos. Em termos formais, onda é o resultado de algum tipo de perturbação que se propaga em um meio qualquer, sem que este meio sofra qualquer deslocamento líquido de matéria. Por exemplo, no mar, as ondas se formam basicamente devido à perturbação da água pela atração da Lua e da ação dos ventos. Se você estiver boiando um pouco além da rebentação, deve ter percebido que seu corpo alternadamente sobe e desce, mas na média permanece praticamente no mesmo lugar. O fato de seu corpo subir e descer significa que existe uma energia associada à onda. Esta energia é


8 transportada pela onda, sem, entretanto causar um deslocamento líquido final do meio, no caso, a água. Já no caso da rebentação, outros fatores interferem com a onda, acarretando um movimento efetivo da água ou de algum objeto flutuante. A brusca frenagem da onda pelo fundo de areia da praia, faz com que à parte de cima da onda se projete para frente, literalmente despejando a água. Quanto à origem, existem basicamente dois tipos de onda: Ondas Mecânicas e Ondas Eletromagnéticas. As ondas mecânicas dependem de um meio material para se propagarem, como as ondas do mar e as ondas sonoras, por exemplo. As ondas eletromagnéticas não dependem de um meio material, pois correspondem à propagação de uma perturbação nos campos elétricos e magnéticos. Estes campos podem existir independentemente de um meio material. Os elementos fundamentais de uma onda são: Uma onda é a propagação de uma perturbação em um meio qualquer, sem que haja movimento líquido das partículas do meio, isto é, as partículas sobem e descem, como indicado pelas setas verticais, mas na média permanecem no mesmo lugar. A distância entre dois picos ou dois vales, ou ainda, dois pontos quaisquer equivalentes da onda, define o que se chama comprimento de onda, designado normalmente pela letra grega LAMBDA (). O número de ciclos de sobe e desce, por unidade de tempo define a freqüência da onda, medida normalmente em Hertz ou ciclos por segundo e representada normalmente pela letra f. O produto do comprimento de onda pela freqüência da onda fornece a velocidade de propagação da onda no meio em questão, isto é, a velocidade com que a perturbação se propaga. No caso das ondas eletromagnéticas no vácuo, este produto fornece a velocidade da luz, c = 299 793 km/s Para as ondas eletromagnéticas, a energia transportada depende unicamente de sua freqüência ou comprimento de onda, já que ambos estão relacionados pela velocidade da luz que é uma constante universal. Se o homem não houvesse compreendido os fundamentos da radiação eletromagnética, sua característica ondulatória e forma de propagação, ainda estaríamos usando sinais de fumaça ao invés de Internet ou telefone. A luz se desloca no espaço por meio de ondas eletromagnéticas, que não necessitam de um meio físico para serem transportadas, e, portanto diferem dos outros exemplos de ondas encontrados na natureza, como ondas na água, ondas sonoras, sísmicas, etc. Portanto as Radiações Eletromagnéticas: Não possuem massa São ondas com componentes elétricos e magnéticos; crista depressão ou vale comprimento de onda


9 Nas figuras abaixo temos uma representação simbólica de uma radiação eletromagnética: Sua velocidade é igual da LUZ (c = 3x108 m/s); Sua Energia varia de acordo com o comprimento de onda e de maneira inversamente proporcional, segundo a equação: λ hc E = Onde: h é a constante universal chamada constante de Planck e cujo valor é h = 6,63 X 10-34 J.s (Joule x segundo); c é a velocidade da LUZ e λ é o comprimento da onda.


10 O conjunto de todas as radiações eletromagnéticas é chamado de: Ex: o Rádio e TV o Microondas o Infra-vermelho (calor) o Luz visível (vermelho ao violeta) o Ultra-violeta o Raios X o Raios gama


11 Possuem origem no NÚCLEO do átomo. Ex: Radiações alfas, betas, nêutrons e gama. Obs: Estas radiações são chamadas de RADIOATIVAS devido serem uma conseqüência do fenômeno chamado de RADIOATIVIDADE Possuem origem na ELETROSFERA atômica devido a transições eletrônicas e/ou colisões entre partículas carregadas Ex: Raios X, Ultravioleta, Luz visível, calor,... o Colisões atômicas: elétrons, prótons, íons leves e pesados. o Transições atômicas: elétrons o Transições nucleares (incluindo fissão): o prótons, nêutrons, elétrons (beta), pósitrons, alfa, íons leves e pesados o Aceleração (+/-) de cargas o todo o espectro, principalmente rádio a luz visível. o Transições atômicas: o luz visível, radiação ultra-violeta, raios X. o Transições nucleares (incluindo fissão): raios gama o Aniquilação partícula/anti-partícula: raios gama


12 São aquelas radiações capazes de arrancar elétrons de átomos ou moléculas do meio com a qual interagem, produzindo íons. Ex: Raios Gama, RAIOS X, Ultravioleta, Radiações alfas, betas e de nêutrons. Ex: Todas as demais radiações do espectro eletromagnético.


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16 Em Novembro de 1895, Wilhelm Conrad Roentgen, fazendo experiências com raios catódicos (feixe de elétrons), notou um brilho em um cartão colocado a pouca distância do tubo. Notou ainda que o brilho persistia mesmo quando a ampola (tubo) era recoberta com papel preto e que a intensidade do brilho aumentava à medida que se aproximava o tubo do cartão. Este cartão possuía em sua superfície uma substância fosforescente (platinocianeto de bário). Roentgen concluiu que o aparecimento do brilho era devido a uma radiação que saia da ampola e que também atravessava o papel preto. A esta radiação desconhecida, mas de existência comprovada, Roentgen deu o nome de raios-X, posteriormente conhecido também por raios Roentgen. Roentgen constatou também que estes estranhos raios podiam atravessar materiais densos, em um desses resultados ele pode visualizar os ossos da mão de sua mulher. As maquinas de Raios-X foram planejadas de modo que um grande número de elétrons é produzido e acelerado para atingirem um anteparo sólido (alvo) com alta energia cinética. No tubo de raios X os elétrons obtêm alta velocidade pela alta tensão aplicada entre o anodo e o catodo. Os elétrons que atingem o alvo (anodo) interagem com o mesmo transferindo suas energias cinéticas para os átomos do alvo. Os elétrons interagem com qualquer elétron orbital ou núcleo dos átomos do anodo. As interações resultam na conversão de energia cinética em energia eletromagnética (calor, cerca de 99% e Raios X, cerca de 1%)


17 É montado dentro de uma calota protetora de metal forrada com chumbo, projetada para evitar exposição à radiação fora do feixe útil (e choque elétrico). Os raios-X produzidos dentro do tubo, são emitidos em todas as direções (feixe divergente). Os raios-X utilizados em exames são emitidos através de uma janela (feixe útil). Os raios-X que passam pela capa de proteção são chamados radiação de vazamento ou de fuga e podem causar exposição desnecessária tanto do paciente quanto do operador. É o pólo negativo do tubo de raios-X. Dividindo-se em duas partes: Filamento catódico e capa focalizadora ou copo de foco (cilindro de welmelt). Tem forma de espiral, construído em tungstênio e medindo cerca de 2mm de diâmetro, e 1 ou 2 cm de comprimento. Através dele são emitidos os elétrons, quando uma corrente de aproximadamente 6 ampères atravessa o filamento. Este fenômeno se chama emissão termoiônica. A ionização nos átomos de tungstênio ocorre devida ao calor gerado e os elétrons são emitidos. O tungstênio é utilizado porque possui um alto ponto de fusão, suportando altas temperaturas (cerca de 3.400 °C). Normalmente os filamentos de tungstênio são acrescidos de 1 a 2% de tório, que aumenta eficientemente a emissão termoiônica e prolonga a vida útil do tubo. Sabe-se que os elétrons são carregados negativamente havendo uma repulsão entre eles. Ao serem acelerados na direção do anodo, ocorre uma perda, devido a dispersão dos mesmos. Para evitar esse efeito, o filamento do catodo é envolvido por uma capa carregada negativamente, mantendo os elétrons unidos em volta do filamento e concentrando os elétrons emitidos em uma área menor do anodo.


18 A maioria dos aparelhos de raios-X diagnóstico, possuem dois filamentos focais, um pequeno e um grande. A escolha de um ou outro é feita no seletor de mA, no painel de controle. O foco menor abrange uma faixa de 0,3 a 1,0 mm e o foco maior, de 2,0 a 2,5 mm. Ambos os filamentos estão inseridos no copo de foco. O foco menor e associado ao menor filamento e o maior, ao outro. O foco menor ou foco fino (2), permite maior resolução da imagem, mas também, tem limitado a sua capacidade de carga ficando limitado as menores cargas . O foco maior ou foco grosso (1), permite maior carga, mas em compensação, tem uma imagem de menor resolução. É o lado ou pólo positivo do tubo de raios-X. Existe dois tipos de anodo: anodo fixo e anodo rotatório (ou giratório). O anodo recebe os elétrons emitidos pelo catodo. Além de ser um bom condutor elétrico, o anodo é também um bom condutor térmico. Quando os elétrons se chocam contra o anodo, mais de 95% de suas energias cinéticas são transformadas em calor. Este calor deve ser conduzido para fora rapidamente, para não derreter o anodo. O material mais usado no anodo é tungstênio em base de cobre por ser adequado na dissipação do calor. Foco grosso Foco fino Catodo Filamento Catódico Copo de Foco


19 É encontrado normalmente em tubos onde não é utilizada corrente alta, como aparelhos de raiosX dentários, unidades portáteis, unidades de radioterapia convencional e etc.. Esquema de uma ampola com anodo fixo Exemplo de uma ampola com anodo fixo Detalhe do anodo fixo Detalhe do Catodo, com seu copo de foco


20 A maioria dos tubos de raios-X utiliza este, devido a sua capacidade de resistir a uma maior intensidade de corrente em tempo mais curto, e com isso, produzir feixes mais intensos. Esquema de uma ampola com anodo giratório Exemplo de uma ampola com anodo giratório Detalhe do anodo giratório Detalhe do Catodo, com seu copo de foco


21 É a área do anodo que recebe o impacto dos elétrons. No anodo fixo, o alvo é feito de uma liga de tungstênio incluída em um anodo de cobre. No anodo rotatório o alvo é um disco giratório. Este disco tem uma resistência grande à alta temperatura. A escolha do tungstênio deve-se à: 1. Alto número atômico, acarretando grande eficiência na produção de raiosX. 2. Condutividade térmica quase igual a do cobre, resultando em uma rápida dissipação do calor produzido. 3. Ponto de fusão (3.400 ° C), superior à temperatura de bombardeamento de elétrons (2.000 ° C). O anodo rotatório permite uma corrente mais alta pois os elétrons encontram uma maior área de impacto. Com isso o calor resultante não fica concentrado apenas em um ponto como no anodo fixo. Fazendo a comparação de ambos, num tubo com foco de 1mm, temos: no anodo fixo a área de impacto (alvo) é de aproximadamente 1mm x 4mm = 4mm². No anodo rotatório de diâmetro de 7 cm, o raio de impacto é de aproximadamente 3 cm (30 mm). Sua área alvo total é aproximadamente 2 x p x 30mm x 4mm = 754mm². Portanto, o anodo rotatório permite o uso de área uma centena de vezes maior que um anodo fixo, com mesmo tamanho de foco.


22 A capacidade de carga é aumentada com o número de rotações do anodo. Normalmente a capacidade de rotação é de 3.400 rotações por minuto. Existe anodo de tubos de maior capacidade que giram a 10.000 rpm. É um recipiente hermeticamente fechado que serve de blindagem, isolante elétrico e de suporte estrutural para o anodo e catodo. Ajuda na refrigeração da ampola. O sistema de encapsulamento serve para manter o vácuo no interior do tubo. A presença de ar dentro do tubo é indesejável, pois, além de interferir na produção de raios X, permitiria que eletricidade percorresse o tubo, na forma de pequenos raios e centelhas, danificando o sistema. O mecanismo do rotor de um tubo rotatório pode falhar ocasionalmente. Quando isso acontece, há um superaquecimento criando depressões no anodo (danos sérios) ou rachaduras causando danos irreversíveis ao tubo. Ao acionar o disparador de exposições de uma unidade radiográfica, deve-se esperar 1 a 2 segundos, antes da exposição, para que o rotor acelere e desenvolva o número de rotações por minuto desejadas. Quando a exposição é completada pode-se ouvir o rotor diminuir a rotação e parar em mais ou menos 1 minuto. O rotor e precisamente balanceado, existindo uma pequena fricção sem a qual o rotor levaria 10 a 20 minutos para parar, após o uso. O operador do aparelho de raios-X deve estar atento à capacidade máxima de operação do tubo para não danificá-lo. Existe vários tipos de tabelas que podem ser usadas para estabelecer os valores máximos de operação do tubo de raios-X, mas apenas três são mais discutidas: 1. Curvas de rendimento máximo; 2. Resfriamento do anodo; 3. Resfriamento da calota do tubo. Sendo que estas três variáveis, são normalmente calculadas pelos fabricantes adotando o sistema de bloqueio de carga superior ao limite do tubo, mas, sendo de suma importância o conhecimento destas pelo operador, pois, em caso de falha do sistema, o próprio profissional poderá poupar o tubo das cargas excessivas. Depressões no anodo causado por superaquecimento


23 1. O filamento catódico é aquecido devido a passagem de uma corrente elétrica (corrente de filamento – mA) de uma fonte de baixa voltagem, controlada por um seletor de mA. 2. Aumentando-se o mA, maior será a corrente, elevando a temperatura e produzindo elétrons por efeito termiônico, criando uma nuvem negativa em torno do catodo. 3. A aplicação de uma diferença de potencial elevada (kV) no conjunto catodo e anodo acelera os elétrons da nuvem catódica em direção ao anodo. 4. Os elétrons com grande velocidade “colidem” com o anodo, no ponto de foco, causando um desarranjo na estrutura atômica do objetivo, criando os Raios X e calor. C A Raios X Raios X (1) (2) (3) (4)


24 Filtro


25 Existe duas formas de raios-X, dependendo do tipo de interação entre elétrons e o alvo. Esse processo envolve uma “colisão” entre o elétron incidente e um elétron orbital ligado ao átomo no material do alvo. O elétron incidente transfere energia suficiente ao elétron orbital para que seja ejetado de sua órbita ou “salte” para uma outra órbita, deixando um "buraco". Esta condição instável é imediatamente corrigida com a passagem de um elétron de uma órbita mais externa para este “buraco”. Como os níveis de energia dos elétrons são únicos para cada elemento, os raios-X decorrentes deste processo também são únicos e, portanto, característicos de cada elemento (material). Daí o nome de raios-X característico. O processo envolve um elétron passando bem próximo a um núcleo do material alvo. A atração entre o elétron carregado negativamente e o núcleo positivo faz com que o elétron seja desviado de sua trajetória perdendo parte de sua energia. Esta energia cinética perdida é emitida na forma de um raios-X, que é conhecido como "bremsstrahlung"("braking radiation") ou radiação de frenagem.


26 O calor também é produzido pelo “impacto” de elétrons. O PONTO DE FOCO REAL é a área do objetivo onde os elétrons “colidem”. O tamanho do ponto de foco real (FONTE) tem um efeito na formação da imagem radiográfica, como já foi visto. Sua relação é: Quanto menor é o ponto de foco mais nítida é a imagem. O PRINCÍPIO DE FOCO LINEAR faz com que o tamanho do ponto de foco real pareça menor quando visto da posição do filme devido a uma angulação do anodo com relação ao feixe catódico. Este ponto de foco projetado é chamado de PONTO DE FOCO APARENTE ou EFETIVO. Entretanto a um limite para esta angulação (15° à 20°). Se for muito pequeno causa um excessivo declínio de intensidade do lado anódico do feixe, chamado de EFEITO DE TALÃO. Causam fluorescência em certos sais metálicos; Enegrecem placas fotográficas; São radiações eletromagnéticas, não sofrem desvio em campos elétricos ou magnéticos; São diferentes dos raios catódicos (feixe de elétrons); Tornam-se "duros" (mais penetrantes) após passarem por absorvedores; Produzem radiações secundárias em todos os corpos que atravessam; Propagam-se em linha reta (do ponto focal) para todas as direções (divergência); Transformam gases em condutores elétricos (ionização); Atravessam o corpo tanto melhor quanto maior for a tensão no tubo (kV).


27 A fonte de alimentação vem da rede elétrica. Acoplados a ampola existem dois circuitos: BV – Baixa voltagem, com corrente regulável que aquece o filamento. AV – Alta voltagem que funciona junto a um retificador que fornece o campo elétrico e mantém a polaridade no tubo. Numa instalação de Raios X, observa-se: a) Transformador que recebe 110/220V e fornece ao filamento aproximadamente 10V e ao conjunto catodo-anodo uma tensão variável entre 40kV e 150kV. b) Painel de controle que possuem os controles b.1) Liga/desliga; b.2) Seletor de kV; b.3) Seletor de mA; b.4) Seletor de mAs c) Ampola. d) Mesa para o paciente. As máquinas de Raios-X podem operar a diversas tensões e a diversas correntes no tubo. De um modo geral, temos as seguintes características: • Diagnóstico: de 40 à 150 KVP e correntes de 25 à 1200 mA. • Terapia: de 60 à 250 KVP e correntes de aproximadamente 8 Ma • Raio-X dentário: de 50 à 90 KVP e correntes de até 10 mA. • Raio-X industrial: de 50 à 300 KVP e correntes de até 10 mA


28 É a tensão aplicada no tubo; É a tensão máxima aplicada no tubo que determina a energia do fóton mais energético em keV (Kiloeletronvolt) não representa a energia efetiva do feixe que está em torno de 30% a 40% do valor do kVp; Transforma CORRENTE ALTERNADA (ca) em CORRENTE CONTÍNUA (cc); É o número total de elétrons que elétrons que atingem o anodo; Freqüentemente, as unidades mA e mAs são confundidas ou tomadas como termos sinônimos. Não são. Cada uma dessas unidades refere-se a uma grandeza diferente. A unidade mA refere-se à grandeza física corrente elétrica (i). A corrente elétrica é definida como a quantidade de carga elétrica Q, dada em Coulomb (C), que passa por um meio qualquer, dividido pelo intervalo de tempo em que ocorre esta passagem, em segundo (s). Dispositivo que controla o nível de exposição, suspendendo a geração de Raios X quando o receptor de imagens (conjunto tela-filme) recebe uma determinada quantidade de exposição prédeterminada considerada ideal para um determinado exame; Capacidade de penetração que depende da energia dos Raios X; g) O feixe de Raios X possui diversas energias (policromático); A filtragem do feixe aumenta a energia média do feixe, pois retira radiação com pouco poder de penetração “raios X moles”.


29 Em radiografias, a exposição é iniciada pelo operador do equipamento e terminada depois que se esgota o tempo selecionado previamente. Em fluoroscopia, a exposição é iniciada e terminada pelo operador, mas há um indicador do tempo de exposição acumulado que emite um sinal sonoro após 5 minutos de exposição. Os temporizadores e botões de controle ajustados pelo operador ativam e desativam a geração de raios X acionando dispositivos de chaveamento que pertencem, ao circuito primário do gerador. Nos temporizadores manuais, o ajuste do tempo de exposição deve ser feito pelo operador antes de iniciar o procedimento. A seleção adequada dos ajustes do tempo de exposição no equipamento dependerá do conhecimento pessoal ou da consulta a uma Tabela de Exposição que correlaciona a espessura do paciente com o kV, o mA e o tempo. Além da inegável importância na medicina, na tecnologia e na pesquisa científica atual, a descoberta dos raios X tem uma história repleta de fatos curiosos e interessantes, e que demonstram a enorme perspicácia de Roentgen. Por exemplo, o físico inglês Sir William Crookes (1832-1919) chegou a queixar-se da fábrica de insumos fotográficos Ilford, por lhe enviar papéis "velados". Esses papéis, protegidos contra a luz, eram geralmente colocados próximos aos seus tubos de raios catódicos, e os raios X ali produzidos (ainda não descobertos) os velavam. Outros físicos observaram esse "fenômeno" dos papéis velados, mas jamais o relacionaram com o fato de estarem próximos aos tubos de raios catódicos! Mais curioso e intrigante é o fato de que o físico alemão Philipp Lenard (1862-1947) "tropeçou" nos raios X antes de Roentgen, mas não percebeu. Assim, parece que não foi apenas o acaso que favoreceu Roentgen, a descoberta dos raios X estava "caindo de madura", mas precisava de alguém suficientemente sutil para identificar seu aspecto fenomenal.


30 Os Raios X, assim como a luz visível, irradiam em todas as direções (divergência) propagando-se em linhas retas (a partir do ponto de foco) até que são detidos por um absorvente.Por este motivo, o tubo de Raios X está situado em um alojamento de metal que detém a maioria da radiação X. Somente uma quantidade de radiação útil sai do tubo, e esta radiação constituem o feixe primário. O centro geométrico do feixe primário é chamado de Raio Central. Na maioria dos equipamentos de raios X usados em medicina, a quilovoltagem pode variar dentro de um amplo limite, o que possibilita uma ampla aplicabilidade de exames ou terapias. Podemos classificar os raios X que saem da ampola segundo a quilovoltagem usada em: RAIOS X “SUAVES” OU “MOLES”, com maiores comprimentos de ondas e baixa energia produzidos com baixa quilovoltagem, estes são facilmente absorvidos. RAIOS X “DUROS”, com menores comprimentos de ondas e alta energia produzidos com alta quilovoltagem, esta radiação é mais penetrante e responsável pela imagem radiográfica. Os raios X utilizados em radiografia médica são heterogêneos por constituírem-se de radiações com diferentes comprimentos de ondas, energias e poderes de penetração.


31 Uma das principais característica dos raios X é o seu poder de penetrar a matéria, mas nem todos os raios X que entram na matéria a penetram completamente; alguns são absorvidos e aqueles que entram formam a imagem aérea. Segue-se alguns fatores que influenciam a absorção da radiação X. É uma relação intuitivamente óbvia: um pedaço de material “grosso” absorve mais radiação X do que um pedaço de material “fino” do mesmo material. Elementos mais densos (maior quantidade de matéria por unidade de volume) absorvem mais que os menos densos, como por exemplo a água (que absorve mais) do vapor de água. O estado de agregação dos átomos do meio favorece esta absorção. O número atômico de um elemento químico representa a quantidade de prótons presente em seu núcleo, esta relação é um tanto complicada e depende da energia da radiação incidente. No entanto, de uma maneira geral, elementos com baixos números atômicos absorvem menos do que aqueles com maiores números atômicos, como por exemplo, o alumínio (que absorve menos) do chumbo (usado para proteção e isolamento). Os meios de contraste são substâncias que diferem em densidade e número atômico do meio em que estão cuja função é evidenciar estruturas que normalmente não são vistas numa radiografia. Como exemplo temos: Suspensões aquosas de sulfato de bário são usados para realçar o trato gastrintestinal.Compostos orgânicos líqidos contendo iodo, para radiografias dos sistemas vascular, urinário, linfático ou respiratório e o canal vertebral. Obs: Substâncias que absorvem radiação X são chamadas de RADIOPACOS. Caso contrário são RADIOTRANSPARENTES. Intestino Grosso Esofagografia Contrastado


32 A kilovoltagem aplicada no tubo age como intensificadora de Raios X, quanto mais kV, mais energéticos são os Raios X produzidos (portanto com menores comprimentos de ondas) influindo assim em sua absorção.


33 Filtrar é remover Raios X inúteis, com baixa energia. È a filtragem que ocorre na própria ampola através de seus elementos como a superfície do vidro e o óleo isolante ao redor do tubo. É a filtragem que ocorre propositalmente, através de folhas de metal inseridas no tubo (como no caso do alumínio), cuja função é remover Raios X de baixa energia. 1. A maioria das radiações menos energéticas irão somente adicionar-se à dose absorvida pelo paciente; 2. A filtragem necessária depende fundamentalmente da kilovoltagem aplicada; 3. A inserção de filtros “endurece” o feixe; 4. A filtragem pode ser especificada em termos de equivalente de alumínio, ou seja, em termos da espessura de alumínio que produziria a mesma filtragem. O material que compõe objetivo também influi na absorção. Na maioria das aplicações médicas são usados objetivos de Tungstênio enquanto que em Mamógrafos são usados objetivos de Molibdênio (que produzem uma maior porcentagem de radiação de baixa energia, facilmente absorvidos).


34 O corpo humano é uma estrutura complexa constituída de diferentes espessuras e elementos. Estes elementos absorvem os Raios X de maneira diferenciada. Por exemplo, o osso é mais denso e contém elementos de número atômico maior do que o tecido macio. Por isso, os ossos absorvem mais Raios X que os demais tecidos. Observa-se também que estruturas doentes absorvem os Raios X de forma diferenciada evidenciando uma patologia, por outro lado a idade do paciente também pode ter alguma influência na absorção como é o caso da osteoporose (poros nos ossos) que apresenta uma baixa absorção de Raios X. A radiação que emerge do corpo (chamada de imagem aérea) é resultado desta absorção diferencial e é constituída de diferentes intensidades de Raios X. É a relação entre a intensidade de uma parte do objeto e a intensidade de uma outra parte mais absorvente. O contraste do sujeito depende dos fatores que afetam a absorção dos Raios X.


35 Aumentando-se a miliamperagem aumenta-se a intensidade de Raio X sem no entanto afetar o contraste do sujeito que mantém-se com a mesma proporção (ou seja as diversas intensidades de Raios X que emergem do corpo continuam a manter a mesma relação entre si).


36 A distância entre o tubo e o objeto tem um efeito na intensidade da imagem, conforme a distância entre a fonte e o objeto diminui, a intensidade de Raios X aumenta, e conforme a distância aumenta, a intensidade de radiação no objeto diminui. Isso acontece devido ao fato de que os Raios X propagam-se em linhas retas divergentes. O contraste do sujeito também não é afetado pela mudança na distância. Uma mudança na quilovoltagem resulta em uma mudança no poder de penetração dos Raios X, modificando assim a intensidade total do feixe que incide no paciente e também o contraste do sujeito. Como já foi dito anteriormente.


37 A intensidade de radiação que sai da fonte e incide sobre o paciente não é uniforme (ou seja, é um campo não constante) devido à inclinação que o objetivo possui em relação ao feixe de elétrons. O efeito de talão corresponde a uma variação de intensidades de Raios X devido ao ângulo de emissão de Raios X do ponto de foco. A intensidade diminui rapidamente do raio central em direção ao extremo anódico e aumenta levemente em direção ao extremo catódico. O efeito de talão pode ser usado para obter densidades equilibradas em radiografias das partes do corpo que diferem em absorção. Por exemplo , em radiografias das vértebras torácicas, a área cervical fina deve receber a menor intensidade de radiação da porção do anodo do feixe enquanto que a área grossa do peito deve ser exposta a uma radiação mais intensa da porção catódica. Quando usa-se a porção central do feixe o efeito de talão é menos notado, no caso de exposição de filmes pequenos.


38 É também um método de se obter densidades equilibradas em radiografias por usar filtros de espessuras diferentes para diferentes absorções produzindo diferentes intensidades de radiação X incidente. O objetivo de uma radiografia é o de obter imagens as mais exatas quanto possível e dois fatores que afetam esta nitidez são o grau de borrosidade e o tamanho da imagem. Lâmpadas comuns podem simular o que acontecem com os Raios X. A sombra produzida por uma lâmpada pequena, a uma distância de 90cm da parede, é quase do mesmo tamanho do objeto iluminado, a uma distância de 5cm da parede, e de contornos bem definidos. Movendo o objeto em direção a luz a sombra se torna maior e os contornos mais turvos. Substituindo a lâmpada menor por uma fonte maior note que os contornos ficam turvos mesmo com o objeto a pouca distância da parede, esta borrosidade aumenta quando move-se o objeto em direção a fonte. O efeito da borrosidade também pode ser causado movendo-se a fonte para perto do objeto. Uma vez que a imagem aérea dos Raios X é também uma sombra do objeto, os mesmos princípios de formação de sombra são aplicados em radiografia. Quanto menor for a fonte de radiação (ponto de foco), quanto mais perto o objeto estiver do filme (plano receptor de imagem) e quanto mais longe estiver o objeto da fonte, menos borrosa e mais nítida é a imagem. Mas um ponto de foco maior e mais próximo do objeto e este distante do filme, maiores são a borrosidade e a ampliação.


39 É uma ampliação desigual de partes de uma estrutura. Se o ponto de foco não estiver verticalmente acima do objeto ele produzirá uma ampliação da imagem neste caso tendo o objeto e a superfície de gravação paralela. Se o objeto e a superfície de gravação não forem paralelas a sombra será distorcida. A distorção e a ampliação podem muitas vezes serem úteis quando aplicadas para examinar algumas estruturas que de outra maneira seriam obscuras. O estabelecimento da posição de uma estrutura a partir de sua “sombra” pode ser útil na identificação de uma lesão. O movimento, tanto das estruturas sendo radiografadas quanto do equipamento de exposição, contribui para a borrosidade da imagem. Duas regras devem ser seguidas: Imobilizar a parte radiografada e reduzir o tempo de exposição.


40 Quando os Raios X interagem com a matéria, para formar uma imagem, eles podem ser ABSORVIDOS, TRANSMITIDOS ou ESPALHADOS. A Radiação transmitida após passar pelas estruturas e ter diversas absorções formam a “sombra” que será projetada sobre o écran e formará a imagem radiográfica. Mas nem toda radiação que interage com o objeto será útil na formação da imagem, uma parte será espalhada pelos átomos que compõe o objeto, esta radiação secundária é também conhecida por RADIAÇÃO DISPERSA. Portanto toda radiação criada da interação do feixe primário com o objeto é considerada Radiação dispersa ou secundária. A radiação dispersa é uma fonte capaz de expor o filme, o que é inconveniente porque não contribui para a formação da imagem útil. Ao contrário, ele produz uma intensidade de raios X que se sobrepõe à imagem aérea. A conseqüência desta intensidade de revestimento é o de reduzir o contraste do sujeito, ou seja, de reduzir a proporção de intensidades de Raios X entre as estruturas vizinhas na imagem aérea.


41 A principal fonte de Radiação dispersa é o volume irradiado, segundo a relação: “Quanto maior o volume irradiado, maior é a intensidade de radiação dispersa produzida”. No caso das partes do corpo consideradas pesadas, tais como o abdômen, a intensidade de radiação dispersa pode ser 10 ou mais vezes maior que a radiação primária atenuada. O feixe primário deve ser limitado a um tamanho e forma que cubra precisamente a área de interesse diagnóstico. As áreas não irradiadas não contribuem para a dispersão nem para a dosagem do paciente. Consistem em lâminas de chumbo com aberturas retangulares, quadradas ou circulares colocadas no feixe de Raios X perto da janela do tubo. São tubos metálicos que podem fornecer campos retangulares ou circulares. São dispositivos que contém placas de chumbo ou obturadores que podem ser ajustados para modificar o campo da área irradiada. Alguns possuem botões rotativos indicadores enquanto que outros são controlados por sensores que ajustam o campo ao tamanho do receptor de imagem (chassis). Podemos calcular a largura do campo projetado seguindo a expressão:


42 X=AxR/C Onde: X é a largura do campo projetado no chassis; A é a distância da fonte ao plano do receptor de imagem; B é a largura da abertura do dispositivo limitador de feixe; C é a distância entre a fonte e a abertura menor ou de controle do dispositivo limitador de feixe. Ex: A= 105 cm, B= 10 cm, C= 30 cm. Usando a fórmula, o diâmetro do campo projetado seria: X=105x10/30 X=35 cm A grade é um dispositivo formado por tiras alternadas de chumbo e material espaçador radiotransparente (fibra ou alumínio) que é escolhido para ter baixa absorção de Raios X. As tiras de chumbo absorvem radiação dispersa aleatória enquanto que os espaçadores permitem a passagem do feixe primário. As tiras podem ser paralelas entre si (grade paralela) ou anguladas de forma que convertam a um ponto (grade enfocada). A distância do ponto focal à grade é chamada de distância focal ou foco radial. É a relação entre a espessura das tiras de chumbo a e espessura dos espaçadores. Por exemplo, se a espessura da tira de chumbo é 8 vezes maior do que a largura dos espaçadores, o índice de grade é 8:1. Mantendo todos os fatores constantes, quanto maior for o índice de grade, mais radiação dispersa esta absorverá. O ponto focal do tubo deve coincidir com o foco radial e o RC do feixe deve atravessar o centro da grade de maneira perpendicular. Quando isso não acontece ocorre o desenfoque. O desenfoque é a diminuição progressiva da intensidade dos raios X transmitidos devido ao aumento do desalinhamento do feixe primário em relação às tiras laterais. O desenfoque pode também ocorrer se o tubo estiver inclinado lateralmente com relação à grade.


43 Ao introduzir uma grade devemos aumentar a exposição para compensar a perda de intensidade e este aumento vai depender de seu índice e da parte do corpo radiografado. Quanto maior for o índice de grade maior será a exposição, mantendo-se todos os fatores constantes. Quando o paciente está perto do receptor de imagem, muita radiação dispersa será transmitida ao receptor. Quando o paciente se afasta do receptor, a quantidade de radiação dispersa que o atinge é reduzida. Lembremos que o uso de espaços de ar implica na ampliação da imagem daí a necessidade de se usar um filme maior. A borrosidade geométrica produzida por uma maior distância entre o objeto e o chassi pelo espaço de ar, pode ser compensada pela melhora do contraste do sujeito devido uma menor dispersão. Comprimir o objeto durante o exame pode oferecer algumas vantagens: a) Aumenta o Contraste do sujeito devido a redução do volume irradiado; b) Reduz a borrosidade causada pelo movimento; c) Reduz a borrosidade geométrica, pois reduz a distância entre o objeto e o chassis


44 Outros elementos que estão na direção do feixe também comtribuem para a dispersão de Raios X, como por exemplo: a mesa, o compartimento de filme, etc... A radiação que emerge por detrás do plano de imagem pode dispersar e voltar à imagem. Chamamos a isto como dispersão invertida. Para reduzir esta dispersão limitamos o campo de atuação do feixe somente a área do chassis e de interesse diagnóstico. A radiação extra focal é a radiação emitida de qualquer parte do tubo de raios X que não seja do ponto focal. Elétrons dispersos e não focados no ponto de foco são responsáveis pela radiação extra focal. Esta radiação também causa borramentos, pois não contribuem com informação e apenas juntamse ao feixe primário reduzindo o contraste do sujeito. Podemos reduzir esta radiação de duas maneiras: a) Inserindo um diafragma de abertura o mais próximo possível do ponto de foco; b) O uso de um tubo com um alvo circular alojado em um anodo de grafite, a grande maioria da radiação extra focal produzida no grafite é de baixa energia e é facilmente absorvida pela filtragem inerente.


45 A Radiologia corresponde à área da medicina que utiliza raios-x, isótopos radioativos e radiações gama para a realização de diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças. Os raios-x foram descobertos pelo físico alemão Wilhelm Konrad Roentgen (1845-1923) em 8 de novembro de 1895, sendo que esta descoberta lhe valeu o Prêmio Nobel de Física em 1901. O impacto de seu trabalho foi tão grande à época que após 12 meses da publicação de seu trabalho na revista Nature (1896) surgiram mais de 1000 trabalhos discorrendo sobre os raios-X. O primeiro raio X do corpo humano foi obtido por Roentgen, uma radiografia da mão de sua esposa, Anna Bertha Ludwig. O cientista alemão estava dando início ao desenvolvimento de um fantástico método diagnóstico não invasivo que se mantém como fundamental até os dias de hoje. O nascimento do imageamento nuclear deve-se à descoberta da radioatividade natural, realizada pelo francês Antoine Henri Becquerel e à descoberta do polônio pelo francês Pierre Curie e por sua esposa Marja Sklodowska Curie, polonesa naturalizada francesa, mais conhecida como Marie Curie, no ano de 1898. As descobertas de Becquerel e do casal Curie valeram o Prêmio Nobel de Física em 1903. No entanto, o uso de isótopos radioativos para obtenção de imagens médicas (medicina nuclear) data de 1947, quando G. E. Moore publicou na revista Science o uso de Iodo 131 na demonstração de tumores cerebrais. O Casal Curie em seu laboratório realizando experiências com elementos radioativos Antoine Henri Becquerel


46 A angiografia é um método de estudo radiológico vascular que utiliza a injeção de contraste no vaso de interesse. Este procedimento é realizado por uma equipe de profissionais de saúde (radiologista, técnico ou enfermeiro qualificado e técnico em radiologia) e serve como auxiliar no diagnostico de diversas doenças. Neste trabalho, abordaremos o conceito, as espécies de angiografia e algumas considerações procedimentais a serem observadas por profissionais de saúde que compõem a equipe de angiografia. Além de analisarmos mais detalhadamente, algumas das espécies de angiografia como, angiografia cerebral, angiografia torácica e angiocardiográfia. 1. CONCEITO Angiografia consiste em um método de estudo radiológico do sistema vascular, por meio do qual se faz a injeção de solutos opacos aos raios x na corrente sanguínea. Englobada como um procedimento de estudo radiológico dos vasos, a angiografia utiliza-se da injeção de contrastes no vaso de interesse para visualização das estruturas. Geralmente, utiliza-se o contraste positivo, no entanto, em alguns casos indica-se a utilização de contraste negativo para se realizar a angiografia. 2. UTILIZADO COMO UM MEIO DE DIAGNOSTICO A ANGIOGRAFIA COMPORTA ALGUMAS ESPÉCIES ENTRE AS QUAIS SE DESTACA: a) Angiografia cerebral (auxiliar no diagnostico de tumores cerebrais, aneurismas, tromboses vasculares, etc). b) Aortográfia (estudo dos vasos dos membros) c) Angiopneumografia (estudo dos vasos dos pulmões) d) Espleno portográfia (estudo dos vasos do baço e do fígado) e) Angiografia abdominal f) Angiocardiografia Adiante, analisaremos mais profundamente alguns aspectos das espécies de angiografias mais utilizadas. 3. ALGUMAS COSIDERAÇÕES PROCEDIMENTAIS: A angiografia é realizada por uma equipe de profissionais de saúde que inclui radiologista qualificado, técnico ou enfermeiro e técnico em radiologia para visualizar os vasos de interesse, deve-se introduzir na vasculatura do paciente um cateter por meio do qual se fará a injeção de contraste. Comumente, utiliza-se a técnica de SELDINGER para a cateterização. Esta é uma técnica percutânea (através da pele) e pode ser usada para acessos venosos ou arteriais. Três vasos são tipicamente avaliados para cateterização: a) Femoral; b) Branquial c) Axilar A realização da angiografia necessita de alguns equipamentos estéreis, como: a) Hemostatos; b) Solução anti-séptica e esponja preparada c) Lâmina de bisturi d) Seringa e agulha para anestesia local e) Bacias e cuba f) Campas e toalhas estéreis g) Band-aids h) Cobertura de intensificador de imagem estéril


47 Na utilização da angiografia deverá sempre se observar se há algumas contra indicações aos pacientes submetidos a esta técnica, isto inclui paciente com alergia ao contraste, paciente com função renal prejudicada, paciente com distúrbios da coagulação sanguínea ou uso de medicamento anticoagulante e função cardiopulmonar ou neurológica instável. Além disso, o profissional de saúde deve ficar atento e protegido contra radiações, isto por que existe um risco potencial quanto à dose aumentada da radiação para os profissionais de saúde que são membros da equipe de angiografia. Assim, deverá ser utilizado os protetores de chumbo, escudos tireoidianos e óculos de chumbo. O profissional de saúde também necessitará fazer e obter a historia clínica do paciente, tudo isto antes do procedimento (a historia clinica deverá incluir perguntas e entrevistas quanto a possíveis medicamentos em uso). Em pacientes pediátricos a angiografia é feita geralmente, sob anestesia geral ou efetiva sedação; já paciente idosos com algumas dificuldades sensoriais de locomoção terão um zelo maior pelo profissional de saúde durante o procedimento, tendo em vista que é comum o medo e o nervosismo nestes pacientes. 4. ANGIOGRÁFIA CEREBRAL A angiografia cerebral é um estudo radiológico dos vasos sanguíneos do cérebro, cujo objetivo principal é fornecer uma espécie de “mapa” do sistema vascular do cérebro para auxiliar no diagnostico de patologias, anormalidades e localização de doenças na região do cérebro e do pescoço. Neste caso, a angiografia é indicada principalmente para detectar: • Estenose e oclusões vasculares • Aneurismas • Trauma • Malformações arteriovenosas • Doenças neoplásicas A realização da angiografia cerebral, normalmente, é feita com abordagem femoral para a inserção do cateter. O contraste tira a quantidade reguladora conforme for o caso a ser examinado, mas usualmente varia entre 5 e 10 ml. Quanto à imagem, o equipamento biplano é preferido e a seqüência de imagem selecionada deve incluir todas as fases da circulação: arterial capilar e venosa, durante de 8 a 10 segundos. 5. ANGIOGRAFIA TORÁCICA A angiografia torácica via demonstrar o contorno e a integridade da vasculatura torácica, sendo indicada para algumas patologias. A aortografia torácica é um estudo angiográfico da aorta ascendente, do arco, da porção descendente da aorta torácica e dos ramos principais. A arteriografia pulmonar, por sua vez, estuda os vasos pulmonares. As indicações de angiografia torácica e pulmonar são sugeridas para pacientes com: • Aneurisma • Anormalidades congênitas • Estenose dos vasos • Embolia • Trauma A inserção do cateter, nos caos destas angiografias, é feita, preferencialmente, na artéria femoral, utilizando-se contraste, cuja quantidade dependerá conforme for o procedimento adotado. Em angiografia torácica a quantidade média de contraste é de 30 a 50 ml, já para angiografia pulmonar seletiva é de 25 a 35 ml. Para obtenção da imagem na angiografia torácica deverá respiração por alguns segundos.


48 6. ANGIOCARDIOGRAFIA A angiocardiografia consiste no estudo radiológico do coração e estruturas associadas, sendo indicado para as seguintes patologias: • Doença arterial coronariana e angina • Infarto do miocárdio • Doença vascular • Dor torácica • Anormalidades cardíacas congênitas • Outras patologias do coração e da aorta O cateter, neste caso, é introduzido na artéria femoral e a quantidade de contraste injetada é de aproximadamente 40 a 50 ml (contraste iodado hidrossolúvel não iônico e de baixa osmolaridade são injetados para o ventriculograma). Nas artérias coronárias se injeta de 7 a 10 ml de contraste. Quanto à imagem, estas são obtidas rapidamente (de 15 a 30 quadros por segundo). CONCLUSÃO A angiografia é um procedimento de estudo do sistema vascular de suma importância para a medicina, tendo em vista que por meio do estudo dos vasos sanguíneos é possível se obter um diagnóstico de diversas patologias em diferentes órgãos do corpo humano. Isto implica em melhoria de vida para pacientes, diagnósticos corretos e precisos para auxiliar o médico no momento das prescrições de tratamento e medicamentos para os pacientes. Assim, todo e qualquer profissional de saúde que componha a equipe angiografia deverá ser qualificado neste método de estudo, possibilitando, desta feita, que a imagem obtida e o contraste utilizado sejam suficientes e eficientes para detectar as possíveis patologias dos pacientes submetidos à angiografia e auxiliar nas indicações da melhor maneira de se buscar a cura ou ao menos o controle da patologia. Diante disto, observa-se que a angiologia é um procedimento da medicina moderna que visa o esclarecimento e ensinamento geral do sistema vascular necessários à defesa da saúde. REFERÊNCIAS RUECAS, Jesus. Grande Compêndio de Enfermagem: verbete angiografia, São Paulo; Sivadi Editorial, 1998. Livro do CD: Bontrager livro digital 5º edição


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