102 | Let’s Go Bahia - Edição 70A forma como o mundo consome moda mudou. Se durante o ano passado vivemos diversas mudanças de tendências a cada chegada de um novo mês, tudo indica que, para 2026, essa velocidade de transformação será reduzida, dando lugar ao senso de acolhimento por meio do estilo. Dessa forma, a moda passa a ocupar um espaço que vai além do consumo de roupas, criando uma atmosfera responsável por construir identidade e pertencimento. Assim, podemos compreender melhor algumas das estéticas que chegam para o verão e que, apesar de visualmente diferentes, ocupam um mesmo lugar: a busca por autenticidade e expressão pessoal.Moda Advogada e criadora de conteúdo digital@renatarangeljcRenata RangelAS ESTÉTICAS PARA O VERÃO: DA PROCURA PELO ESTILO PRÓPRIO À PROPOSTA DE NOVAS IDENTIDADES CULTURAISSUMMER GOTHNa contramão dos tons solares que se destacam durante o verão, uma nova estética surge com cores sóbrias, modelagens dramáticas e ornamentações que se destacam pelo baixo contraste: o summer goth. Essa proposta surgiu inicialmente na Copenhagen Fashion Week, mas ganhou destaque com grandes marcas como Ann Demeulemeester e Vivienne Westwood.Além disso, a cultura pop também contribuiu para a popularização da estética gótica nas mídias, desde filmes até a escolha de castingsINSTAGRAM- @WALLFLOWERROOMque levaram as maiores it-girls desse estilo ao auge, como a modelo Gabbriette Bechtel. O summer goth ficou conhecido não só por produções que misturam um olhar sexy e rebelde no styling, mas também na beleza ao popularizar o termo “messy girl”, com maquiagens escuras, cabelo bagunçado e uma beleza que ganha um tom ousado. Essa tendência chega como um pedido de ruptura com o minimalismo, abraçando as imperfeições e o natural como um dos principais pilares.INSTAGRAM- @ANNDEMEULEMEESTER INSTAGRAM- @GABBRIETTE
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 103Em um período marcado por incertezas globais e instabilidades, o reflexo desse cenário na moda é a busca por propósito. Assim, a América Latina passa a conquistar o pódio das tendências. Na moda, no cinema e na música, artistas latino-americanos ganham reconhecimento; dessa forma, somos abraçados por um período de “renascimento latino”, marcado pelo fortalecimento intelectual e artístico, que coloca a cultura latino-americana no centro de inspiração e referência internacional.Surgindo da mistura entre romantismo, rebeldia e espírito aventureiro, o boho pirata explora camadas que evocam liberdade, delicadeza e mistério, através dos tecidos fluidos, corsets e novas silhuetas.Essa estética surge no street style como uma evolução das peças românticas que marcaram a alta do estilo boho no ano passado. Porém, desta vez, o olhar contido ganha um tom vintage, adentrando uma atmosfera expressiva que nos convida a experimentar novas combinações. As botas ganham protagonismo, junto às sobreposições e golas dramáticas, e esse estilo passa a conquistar também as grandes marcas, aparecendo nos desfiles Na moda, alguns elementos passam a se popularizar e já marcam as principais propostas para o verão, como as cores saturadas, ponchos, estampas florais, babados e as transparências, principalmente nos vestidos. Além, da valorização do fazer manual e das peças artesanais, com técnicas como o tricô e o crochê, que chamaram a atenção nas principais passarelas durante as últimas semanas de moda.INSTAGRAM- @CAMILACOELHO @HOLLIEMERCEDESda Ferragamo e da Balmain, que se encarregam de traduzir essa tendência para um contexto de elegância e sofisticação, explorando o oversized, os tons terrosos e as famosas calças Aladim.Moda e sociedade sempre caminham juntas, e cada tendência torna-se um reflexo de seu tempo. Assim, a moda cumpre seu ciclo em um período socialmente incerto, no qual a retomada de estilos evoca a nostalgia e cria um lugar de conforto que conquista o mercado como um mecanismo de escape, por meio do processo de abraçar a própria identidade, criando um terreno seguro para seguir vivendo de forma mais tranquila. INSTAGRAM- @HANNEBLOCH INSTAGRAM- @PATBO @BARBARAKRISTOFFERSEN @RITAMONTEZUMALATIN FAIRYINSTAGRAM- @MARIAATORQUATO BOHO PIRATA
104 | Let’s Go Bahia - Edição 70Luxo & BelezaPatricia ZanottiJornalista@patricia_zanottiA Intermarine apresenta o novo 25M, iate de luxo assinado pelo estúdio Luiz de Basto Designs, com balcony lateral de 9 m que cria um verdadeiro terraço sobre o mar e um flybridge de 50 m2com opções de bar de 180° e jacuzzi.Estiloem focoA LATAM Airlines Brasil anunciou a ampliação da sua malha internacional a partir de abril de 2026, com o aumento de frequências do Brasil para os Estados Unidos e a Europa. A expansão contempla voos adicionais para Miami, Barcelona e Roma, além do reforço na operação do novo destino europeu Amsterdã, que terá mais frequências do que o inicialmente previsto. O movimento responde ao crescimento da demanda por viagens internacionais e reforça a estratégia da companhia de ampliar conectividade e opções de horários para os passageiros.A LIVE! entra no mercado de calçados esportivos com os modelos LIVE! One e LIVE! Loop, tênis autorais com tecnologia de performance, conforto e design contemporâneo, reforçando sua estratégia de crescimento no segmento esportivo.
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 105A temporada de verão 2025-2026 da Pousada Estrela D’Água, em Trancoso, ganha um novo capítulo com a realização de uma mostra de decoração assinada por David Bastos. A iniciativa integra a programação do hotel e reforça o diálogo entre hospitalidade, arquitetura e design em um dos destinos mais desejados do litoral brasileiro.O Panerai Luminor Marina BronzoPAM01678 combina caixa de bronze de 44 mm, mostrador azul em dégradé e calibre automático P.980 com três dias de reserva de marcha, em um diver de luxo com resistência à água de 500 m. O material da caixa desenvolve pátina com o tempo, tornando cada peça única, enquanto o relógio é entregue com pulseira de couro azul com costura bege e uma opção extra em borracha, reforçando o equilíbrio entre elegância, performance técnica e espírito de aventura.A Le Lis apresenta a coleção Preview 2026 com estampas botânicas reinterpretadas, vestidos fluidos, alfaiataria em xadrez leve e lenços de seda, em uma paleta de off-white, azul claro, tons naturais e rosé queimado, traduzindo uma elegância versátil e atemporal para a mulher urbana.Em parceria inédita, Pantys e Caderno Inteligente lançam o Diário do Bem-Estar, caderno não datado e personalizável que reúne autocuidado, organização e criatividade para apoiar emoções, rotina e saúde mental, com o preço sugerido de R$ 129,99.Foto: Tomás Vianna
106 | Let’s Go Bahia - Edição 70Luxo & BelezaA Calvin Klein, marca do portfólio da Coty, lança no Brasil a linha CK Hair & Body Perfume Mists, composta por quatro fragrâncias desenvolvidas para envolver pele e cabelos como uma segunda pele. Leves, fáceis de usar e pensadas para a aplicação em camadas, as novas fragrâncias equilibram frescor e presença, acompanhando a rotina diária com naturalidade.A M·A·C Cosmetics amplia o universo da icônica linha Dazzle e apresenta o DazzleLips Crayon, novo lápis labial megametálico que transforma qualquer lip combo com brilho multidimensional e acabamento radiante. Reconhecida como referência em cores para os olhos, a marca leva agora essa assinatura luminosa para os lábios, reforçando sua autoridade criativa no uso de pigmentos e efeitos de luz.CeraVe lança Air Foam Espuma de Limpeza Reequilibrante com tecnologia Glycolysine™, desenvolvida para a pele mista, com hidratação prolongada e controle da oleosidade.A Jo Malone London apresenta Amber Labdanum, nova fragrância da coleção Colônias Intensas. Inspirada nos campos selvagens de Granada, a criação explora contrastes marcantes e uma construção olfativa envolvente, pensada para quem busca perfumes de presença e profundidade.A Ada Tina lança no Brasil o Normalize Solar Matte Intense FPS 50, protetor solar desenvolvido especialmente para pele oleosa e acneica. O produto é o primeiro do país a utilizar a exclusiva Tecnologia Organo Mineral Ultra Matificante, que combina ingredientes orgânicos de alta segurança com filtros solares minerais que não permeiam a pele, oferecendo alta proteção com conforto e toque seco.O NutLift Hyaluronic Lift Complex Stick, da Juvia, é um bastão liftingpara o pescoço, o colo e as mãos que combina um complexo de ácido hialurônico e ativos vegetais para melhorar a firmeza, a densidade, a textura e o viço da pele. Com efeito tensor e hidratação imediata e prolongada, o produto ajuda a prevenir rugas, manchas e flacidez, enquanto o extrato de jasmim e a fragrância aromaterapêutica entregam uma sensação de frescor, bem-estar e cuidado sensorial na rotina diária.
Férias, no plural.Em uma ilha singular.(11) 4040-3322 CENTRAL DEATENDIMENTOESCANEIE O QR CODE E ACESSE NOSSO SITE OU CONSULTE SEU AGENTE DE VIAGENS
COQUIMBO:ENTREESTRELAS,VALES E OPACÍFICOFoto: Alan FontesPor Por Déborah e Alan Fontes108 | Let’s Go Bahia - Edição 70Turismo
Paisagemlocal do Valle Edição 70 - Let’s Go Bahia | 109
110 | Let’s Go Bahia - Edição 70TurismoAstroturismoLocalizada ao norte do Chile, a Região de Coquimbo é um destino que combina natureza, ciência, cultura e um ritmo de vida mais tranquilo. Menos árida que o Deserto do Atacama e mais ensolarada que o Chile central (faz sol cerca de 360 dias por ano), a região oferece um equilíbrio raro entre litoral, vales férteis e montanhas.A capital La Serena é uma das cidades mais antigas do Chile e se destaca pelo famoso Vale do Elqui, pela tradição na produção de pisco, pelas belas praias banhadas pelo Oceano Pacífico, além do seu céu cristalino, considerado como um dos melhores do mundo para a observação astronômica.A geografia da região é marcada por três grandes áreas: o litoral, os vales e a pré-Cordilheira dos Andes. Essa diversidade cria paisagens muito distintas em poucos quilômetros de distância e dá todo o charme à região.No litoral, as cidades de La Serena e Coquimbo figuram como ponto principal. As cidades são contíguas e se complementam, formando uma grande área urbana que oferece praia, centro histórico preservado com igrejas coloniais, infraestrutura turística, gastronomia do mar, pontos turísticos encantadores e uma longa Orla, ideal para caminhadas. Um clima urbano descontraído, com vida cultural e movimento!Saindo do litoral a caminho do interior, a cidade de Vicuña oferece bons hotéis, como o CasaMolle, conhecido por presentear o hóspede com uma experiência de luxo em meio ao seu design rústico-moderno, que oferece jardins, piscina, SPA e campo de golfe. A observação de estrelas faz parte da programação, assim como o restaurante especializado em ingredientes locais.Já no interior a pedida é se entregar ao silêncio dos vales, em especial ao Vale do Elqui, que encanta por ser repleto de Hotel Casa MolleFotos: Alan Fontes Foto: Alan Fontese preservando a adega original. É um museu vivo da história do pisco chileno, oferecendo tours e experiências aos visitantes.Com características únicas de amplitude térmica e altitude, o vale também é propício para o cultivo de uvas viníferas, sendo a região conhecida pela produção de Syrah e Sauvignon Blanc.Bem no coração do vale fica a vinícola Cavas del Valle, uma boutique histórica famosa, com foco na cuidadosa produção anual de pouco mais de 20.000 garrafas, que traduzem a expressão dos vinhos de altitude com manejo vilarejos tranquilos, vinhedos, pisqueras artesanais e montanhas que parecem tocar o céu. O Vale do Elqui é, sem dúvida, o grande ícone da região. Rodeado por montanhas e cortado por um rio de águas claras, o local atrai viajantes interessados em natureza, espiritualidade e astronomia.O vale é famoso pela produção do pisco chileno, com diversas destilarias abertas à visitação. Pausa para a Fundo Los Nichos, destilaria mais antiga do Chile e ainda em atividade. Fundada em 1868, mantém a sua produção artesanal, utilizando métodos tradicionais
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 111Valle de Elquiartesanal. Os tours guiados exploram uma experiência sensorial diferenciada, combinando a beleza do vale com a história do local, já que está instalada em um casarão histórico do século XIX, com arquitetura preservada.Outra vinícola famosa na região é a Viñedos de Alcohuaz, um dos projetos mais exclusivos dedicado ao vinho de altitude no Chile. Seus vinhedos situam-se a, aproximadamente, 2.000 metros acima do nível do mar, sendo as castas Syrah, Garnacha e Petit Verdot as mais presentes entre seus vinhos. Os tours oferecem visita às parcelas nos Andes, explicação sobre vinificação e seus estágios, degustação de vinhos e passeio pela bodega, que possui uma impressionante caverna de armazenamento escavada na rocha granítica.Mas a experiência transcende o vinho! O tour, que se inicia no pôr do sol e entra pela noite, permite apreciar o céu mais escuro do Vale do Elqui, conhecendo a história e a filosofia da vinícola em uma experiência íntima, autêntica e profundamente elquiana. Contemplar as estrelas e saborear vinhos de altitude: esta é a proposta da Alcohuaz.Um dos maiores espetáculos do vale é o seu céu! Graças à baixa umidade, à altitude e à pouca poluição luminosa, o Vale do Elqui é referência mundial em astroturismo. Uma das atrações mais procuradas é o Observatório Mamalluca, o primeiro observatório do Chile voltado para o turismo, inaugurado em 1994. Oferece tours noturnos guiados, observação telescópica e possui um planetário com espaços educativos. O ponto alto da visitação é a experiência de tirar o fôlego, quase mágica, de poder ver Saturno com seus anéis perfeitos. Essa imagem cria um impacto emocional profundo, em que é possível sentir a imensidão do universo e, claro, a sua pequenez!Vinhedos da Vínicola AlcohuazFoto: Alan Fontesa Sky Airline, companhia aérea chilena que opera a rota entre Salvador e a capital Santiago, de onde partem voos para o interior do país, incluindo La Serena.Trata-se de um destino para desacelerar! A Região de Coquimbo é um destino para sentir. Seja observando estrelas em silêncio absoluto, degustando um pisco artesanal ao entardecer ou caminhando pela Orla do Pacífico, a experiência é marcada por calma e conexão com a natureza.Coquimbo não busca competir com destinos mais badalados do Chile, e talvez seja exatamente isso que a torna tão especial! A região tem uma forte ligação com a poetisa Gabriela Mistral, Nobel de Literatura em 1945, sua filha mais ilustre. Nascida no vale onde se formou humana, intelectual e espiritualmente, Gabriela incorporou o Elqui à sua identidade, à sua linguagem e à sua visão de mundo. Tudo em sua vida e obra demonstra que ela esteve pelo mundo e levou o vale consigo.O Governo do Chile e a Secretaria de Turismo do país são muito atuantes no fortalecimento do turismo na região e apoiam ativamente o seu desenvolvimento. Eles mantêm uma parceria com
A magia e o luxodos resorts na Bahia Foto: Alan FontesPor Por Jacson GonçalvesResorts e destinos reposicionam a Bahia no mapa do turismo premium, conectandoexperiência, território e bem-estar112 | Let’s Go Bahia - Edição 70TurismoFoto: Inteligência Artificial
Paisagem icônica da Bahia com resort integrado à natureza Edição 70 - Let’s Go Bahia | 113
114 | Let’s Go Bahia - Edição 70TurismoTivoli Ecoresort Praia do ForteA Bahia sempre foi sinônimo de paisagens exuberantes, cultura pulsante e hospitalidade reconhecida internacionalmente. Mas, nos últimos anos, um novo movimento vem redesenhando a forma como o Estado se apresenta ao turismo de alto padrão. Longe da lógica do turismo de massa, resorts e destinos assumem um papel estratégico na construção de experiências mais profundas, sensoriais e conectadas ao território.Não se trata apenas de hospedagem. O que está em curso é um reposicionamento do turismo baiano como ativo de valor, no qual arquitetura, natureza, serviço, bem-estar e sustentabilidade se integram a uma narrativa mais sofisticada, contemporânea e alinhada ao perfil do viajante premium.Quando o destino vira experiênciaNa Praia do Forte, o Tivoli Ecoresort se consolidou como um dos símbolos desse novo olhar sobre o luxo. Inserido em uma área de proteção ambiental, o empreendimento dialoga com a Mata Atlântica e propõe uma experiência que equilibra conforto, exclusividade e consciência ambiental.Mais do que infraestrutura, o Tivoli constrói uma relação direta com o entorno, valorizando o território como parte essencial da jornada do hóspede. O luxo, aqui, está na harmonia entre paisagem, serviço e tempo.Essa integração entre natureza, identidade local e hospitalidade de alto padrão tornou-se um dos pilares do turismo premium contemporâneo e vem sendo replicada em outros pontos estratégicos do litoral baiano.Território, futuro e desenvolvimento planejadoMais ao norte, Baixio, projeto que envolve a Rede Slaviero e a região de Ponta de Inhambupe, representa um novo vetor de desenvolvimento turístico no Estado. O destino nasce com uma proposta clara: Destino BaixioFoto: Ibson Matheus Foto: Eduardo Moodyexperiência humana coexistem em equilíbrio. O conceito articula dois eixos complementares: o Santuário Intocado, que preserva grandes áreas naturais sob proteção rigorosa, reconhecendo a paisagem como valor absoluto e inegociável; e o Santuário do Bem-Viver, onde a presença humana acontece de forma consciente, discreta e integrada, permitindo habitar o lugar sem dominá-lo.Inserido na lógica do slow travel, Baixio propõe uma experiência que desacelera o ritmo, privilegia estadas mais longas e substitui o consumo de atrações pela vivência profunda do território. As hospedagens assumem a forma de retreats e refúgios integrados à planejamento territorial, respeito ambiental e impacto positivo na economia local.Baixio não surge apenas como um empreendimento, mas como um território em construção, no qual turismo, comunidade e sustentabilidade caminham juntos desde a origem do projeto.De acordo com Antônio Barretto Junior, diretor do Destino Baixio no Grupo Prima, a visão do projeto está ancorada em uma leitura profunda do território e na construção de um novo modelo de turismo premiumna Bahia: “A visão de longo prazo de Baixio como destino turístico se sustenta na compreensão do território como um santuário contemporâneo, onde natureza, tempo e
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 115Txai Itacarépaisagem, com arquitetura de baixo impacto e forte vínculo com saberes locais, oferecendo pertencimento e contemplação.Esse modelo é reforçado por uma abordagem consistente de turismo regenerativo e pela ressignificação do bem-estar, na qual cada visita contribui positivamente para o território, seja pela recuperação ambiental, pela valorização cultural ou pela economia local. Baixio se posiciona, assim, como um destino de transformação, alinhado às tendências globais de bem-estar integral, sustentabilidade profunda e experiências de alto valor simbólico.Exclusividade que atravessa geraçõesNo sul da Bahia, onde a paisagem define o ritmo dos dias, a Ilha de Comandatuba segue como um dos destinos mais consistentes para quem busca férias em contato direto com a natureza. É ali que está o Transamerica Resort Comandatuba, instalado entre o rio e o mar, em um cenário que preserva a vegetação nativa e a sensação de isolamento, mesmo com estrutura completa.A chegada faz parte do percurso. O acesso pelo Aeroporto de Una Comandatuba, seguido da travessia até a ilha, já coloca o visitante em outro compasso. A paisagem de coqueirais e o silêncio que se impõem aos poucos ajudam a explicar por que o destino mantém sua relevância ao longo do tempo.O resort reúne 363 acomodações distribuídas entre apartamentos, suítes e bangalôs, integradas ao ambiente natural. Os espaços privilegiam conforto e funcionalidade, com uma proposta que dialoga com o clima tropical da região e atende a diferentes perfis de hóspedes, de famílias a casais em busca de pausa.A experiência gastronômica acompanha a lógica do conjunto. No sistema all inclusive, os Transamerica ComandatubaFoto Transamérica/Divulgaçãostatus, busca significado, equilíbrio e presença.Um ecossistema que fortalece o turismo premiumEsse movimento não acontece de forma isolada. Empreendimentos como Iberostar Praia do Forte e Imbassaí, Costa do Sauípe, Fasano Trancoso, Barracuda Hotel & Villas, em Itacaré, e o Campo Bahia Hotel Villas Spa, em Santo André, compõem um ecossistema diverso e complementar.No encontro entre natureza, serviço, cultura e visão estratégica, a Bahia se consolida não apenas como destino turístico, mas também como experiência de luxo com identidade, propósito e futuro. restaurantes e bares apresentam uma leitura variada da culinária baiana e de cozinhas internacionais, com serviço contínuo ao longo do dia.O luxo que desaceleraEm Itacaré, o Txai Resort ocupa um lugar especial no turismo de experiência. Reconhecido internacionalmente, o empreendimento aposta no silêncio, na natureza e no bem-estar como elementos centrais da jornada do hóspede.Ali, o tempo ganha outro ritmo. O luxo se manifesta na simplicidade sofisticada, na privacidade e na conexão genuína com o ambiente natural. A proposta dialoga com um viajante que busca mais do que Divulgação
116 | Let’s Go Bahia - Edição 70Por Ana Paula GarridoFort Myers, Sanibele Captiva: os encantos da Costa OesteÀs vezes, viajar é descobrir que o luxo mora no silêncio, no brilho dourado do pôr do sol e na suavidade das ondas. Na Costa Oeste da Flórida, Fort Myers, Sanibel e Captiva formam um triângulo perfeito onde natureza, história e charme se encontram em harmonia rara.Foto: Ana Paula GarridoTurismoO percurso é cinematográfico: começa no ambiente urbano de Fort Myers, atravessa a ponte sobre águas calmas até a ilha das conchas, Sanibel, e termina na bucólica Captiva, onde o tempo parece desacelerar para que o mar conte suas próprias histórias.
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 117delicadeza se transforma em arte. O museu reúne espécies raras e coloridas de conchas, além de exibições interessantes como a Shells in Fashion, que revelam a presença das conchas em vestimentas históricas e coleções de luxo de marcas como Dior e Gucci.Onde ficarPara viver Sanibel de forma plena, o Sundial Beach Resort & Spa oferece a hospedagem ideal: de frente para o mar e com excelente serviço e estrutura com piscinas aquecidas, quadras de tênis e pickelball, bicicletas, esportes aquáticos, restaurantes e muitas atividades, além de apartamentos completos, com sala e cozinha, perfeitos para férias em família. O resort combina conforto, privacidade e paisagens encantadoras.Para completar a experiência, dentro do hotel fica o ótimo Kay Casperson Lifestyle Spa & Boutique, com massagens, tratamentos e excelentes produtos da marca. A massagem relaxante de 90 minutos é imperdível!Onde comerDentro do resort há ótimos restaurantes como o elegante Shima, famoso pelos sushis fresquíssimos. Outra boa opção é o Captain’s Catch, especializado em frutos do mar. Para um programa divertido em família, o clássico Cheeburger Downtown Fort MyersAna Paula Garrido Ana Paula GarridoEdison and Ford Winter EstatesO museu das conchasFort Myers: história, charme e vida à beira do rioAntes de chegar às ilhas, vale conhecer e se encantar pela atmosfera vibrante de Fort Myers. A cidade, que já serviu de refúgio de inverno a Thomas Edison, o pai da lâmpada elétrica, e Henry Ford, o homem que revolucionou o transporte mundial, preserva o legado desses dois visionários no belíssimo Edison and Ford Winter Estates, um complexo com museu, laboratórios preservados, jardins tropicais e objetos pessoais que revelam curiosidades de suas vidas.Caminhar pelo centro histórico é outro convite delicioso. Ruas arborizadas, cafés, galerias, restaurantes e livrarias criam um cenário perfeito para um fim de tarde descontraído. Na primeira sexta-feira do mês, o Music Walk transforma o downtownem um palco a céu aberto, com músicos que ocupam cada esquina, tocando diferentes ritmos de música.Boa gastronomiaA gastronomia de Fort Myers oferece boas surpresas que vão de bares descontraídos a restaurantes refinados. O Oxbow é uma excelente opção para um almoço leve com vista para o Rio Caloosahatchee, perfeito para turmas animadas e drinks ao pôr do sol. Já o elegante Fancy’s Southern Café traz um toque contemporâneo à culinária sulista e é ideal para um jantar romântico.Sanibel: onde o luxo se revela na naturezaA poucos minutos de Fort Myers, Sanibel surge como uma joia do Golfo. Suas praias cobertas de conchas refletem a luz do sol como pequenas peças raras, resultado da posição geográfica única da ilha, que recebe diretamente as correntes oceânicas que enchem as praias da ilha com milhares de lindas conchas, fenômeno que lhe rendeu o título de capital mundial das conchas.No Bailey-Matthews National Shell Museum & Aquarium, essa Ana Paula Garrido
118 | Let’s Go Bahia - Edição 70TurismoAna Paula Garrido Ana Paula GarridoAs casinhas coloridas de Captiva IslandO farol de SanibelCheeburger, restaurante queridinho dos locais, sempre arranca sorrisos, principalmente entre crianças e adolescentes, por causa dos seus hambúrgueres gigantes, que rendem prêmios e reconhecimento para quem conseguir devorá-los em menos de 30 minutos, e pelos milk-shakes com incontáveis combinações.Para explorarO icônico Sanibel Lighthouse, o farol construído em 1884, que marca o ponto mais oriental da ilha, oferece um dos cenários mais fotogênicos da região. O Sanibel Historical Museum & Village completa a experiência com casas originais do século XIX e histórias narradas por voluntários que preservam a memória local.Captiva: a ilha da poesia e dos pores do solSeguindo viagem, Captiva surge com aura romântica. Menor e mais reservada, ela tem casas, lojas e restaurantes charmosos e bem coloridos. Mas nada supera o espetáculo de Captiva Beach, onde visitantes se reúnem diariamente para aplaudir o pôr do sol, tradição celebrada com entusiasmo no lendário The Mucky Duck, que ainda se ergue depois de ter sido destruído pelo furacão que fez um enorme estrago em boa parte das construções da ilha anos atrás.Experiência obrigatóriaO Wildlife Sunset Cruise, da Captiva Cruises, proporciona 90 minutos de pura poesia em um delicioso passeio de barco. Imagine os golfinhos surfando nas ondas no fundo da embarcação, dando um verdadeiro show de acrobacias, aves marinhas que são avistadas ao longo do passeio e, para finalizar, o céu em cores vibrantes depois de mais um belo pôr do sol que o Golfo oferece. Esse, certamente, é um dos momentos mais inesquecíveis da viagem.Gastronomia divertidaEm Captiva, o restaurante icônico The Bubble Room é uma experiência única. O local é supercolorido e iluminado como se fosse Natal o ano inteiro, com brinquedos vintage, salões enfeitados com tudo que você consiga pensar. Atendentes com fantasias divertidas e sobremesas gigantes como o Orange Crunch Cake, o bolo de laranja mais famoso da região, fazem desse restaurante uma parada obrigatória.Lojas e outletsA região também agrada quem busca compras tranquilas. Bem menos concorrido do que os outlets perto de Miami e Orlando, o Miromar tem todas as lojas que os brasileiros amam, com bem menos gente; é quase um oásis secreto de compras para deixar as malas cheias de presentes.Um convite ao descansoFort Myers fica a 2h30 de Miami e pouco mais de 3 horas de Orlando, e vale muito reservar uns dias para conhecer esse paraíso ainda pouco conhecido pelos brasileiros.Com praias intocadas, natureza abundante, boa gastronomia, cultura, história e experiências que misturam simplicidade e sofisticação, Fort Myers, Sanibel e Captiva formam um destino perfeito para quem busca férias tranquilas e inesquecíveis na Flórida.
As Pool Villas do Tivoli Ecoresort Praia do Forte combinam elegância contemporânea com a natureza viva da Bahia. Este refúgio de luxo oferece três suítes espaçosas, um living com ilha gastronômica e uma piscina privativa, desenhando o cenário perfeito para momentos únicos entre familiares ou amigos.Viva uma hospedagem privilegiada, em total harmonia com o cenário paradisíaco da região.A estrutura do resort é um convite ao prazer, com bares, piscinas, o renomado Anantara Spae as atrações do clubinho infantil Caretta Caretta.Faça a sua reserva e transforme suas próximas férias em memórias inesquecíveis.tivolihotels.comO C O N F O RT O D E U M R ES O RT, C O M A PRIVACIDADE DE UMA CASA NA PR AIA
120 | Let’s Go Bahia - Edição 70Apresentador e influenciador [email protected] SampaioGarimpandoo melhor presente da vidaAmigos:Sim, a amizade é algo único que abastece as nossas almas o tempo inteiro. Viver momentos especiais ao lado daqueles que possuem uma vasta história na sua jornada é essencial e indispensável para quem quer guardar o melhor para sempre.Há dois meses, eu tive a oportunidade de viver uma experiência apaixonante ao lado de irmãos de uma vida inteira comemorando os nossos 50 anos de amizade e 40 de formados no Ensino Médio (na nossa época, chamava-se colegial) do tradicional Colégio Santo Américo, em São Paulo. Como sou um viajante, garimpeiro convicto, profissional e apaixonado, uni dois destinos que amo (sou baiano de alma) e chamei a nossa “turma de colégio” para vivenciarmos experiências inesquecíveis na minha terra do coração. A simplicidade de lugares naturais e verdadeiros que contam histórias foi o mote desse encontro em terras baianas. Nosso ponto de chegada foi Salvador, com um almoço impecável no clássico Mistura Itapuã, com os seus maravilhosos frutos do mar. Depois, seguimos para o paraíso de Baixio, no Litoral Norte da Bahia. A estrada da Linha Verde que nos leva a Baixio, por si só, já é um espetáculo e abriga praias de tirar o fôlego. Lá, hospedamo-nos no charmoso e acolhedor Hotel Spa Ponta de Inhambupe, do Grupo Slaviero, e curtimos lagoas, praias e uma gastronomia impecável. Um charme de vilarejo que mantém o seu estilo de vida valorizando o local. Muitas risadas, choros emotivos, danças, mergulhos, abraços e sorrisos coloriram nossos dias. Depois de três dias abarrotados de festas e emoções, voltamos a Salvador a fim de curtir um pouco a história e a bossa dessa cidade no histórico e praiano Hotel Casa Di Vina, onde o poeta Vinicius de Moraes viveu por anos com Gessy Gesse, sua divina esposa. Música e poesia com muita bossa e aquele marzão à frente, cujas ondas tocam em nossos sonhos a melodia de uma “Tarde em Itapoã”.O almoço final desse encontro foi no impecável Restaurante Amado, que entregou-nos alta gastronomia e uma vista linda da Baía de Todos-os-Santos. Brindes e mais brindes!Por fim, encerramos os dias juntos (apenas alguns ficaram mais tempo) no deslumbrante Hotel Fasano, no coração da capital baiana e do Brasil: o Pelourinho. Lá, no Centro Histórico, caminhamos por horas, acompanhados pelo historiador Rafael Dantas, e mergulhamos na história baiana com uma profundidade indescritível, o que nos fez viajar no tempo e nos movimentos passados do país. Momentos que nunca sairão do meu coração; nunca sairão dos nossos corações. Vivemos história, natureza, sabores, sol, mar... e tudo sempre com muita energia, inclusive desfrutamos de um mergulho delicioso nas águas transparentes da Ilha dos Frades, harmonizando o momento com muitas delícias do Restaurante Preta.Isso é viver: agradecermos a oportunidade de estarmos juntos para momentos que ficarão eternamente em nossas memórias e em nossos corações. Paz e Luz!Fechei 2025 abraçando fortemente aqueles irmãos que a vida me presenteou e criarei um novo ano de 2026 lotado de lindos e energéticos amigos. Que venham essas pérolas divinas Aeroporto de Salvador com amigos Capela de São Francisco, em Baixio para nossas vidas!
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 121Lagoa da Panela, em Baixio Hotel Ponta de Inhambupe, em BaixioRestaurante Amado, em Salvador Santa Casa da Misericórdia, na Rua ChileLobby do Hotel Fasano Amado no Shopping Salvador Delícias do Dona MariquitaRua do Meio com o Volvo da GNC Suécia Salvador
Guia SalvadorCaleidoscópica: publicitária, fotógrafa e amante da BahiaPatricia GuerraLet’s GoGuia Salvador122 | Let’s Go Bahia - Edição 70O verão chegou e Salvador está do jeitinho que a gente ama: fervilhando! Salvador não se explica: se sente. É a cidade que a gente vive no cheiro do café passado cedo, no dendê que esquenta a cozinha e na brisa do mar que atravessa o dia sem pedir licença. É esse cotidiano cheio de memória, afeto e axé que faz cada esquina contar uma história e cada pôr do sol lembrar por que ficar. Entre o sagrado e o profano, o batuque e o silêncio, Salvador se revela em camadas: generosa, intensa, profundamente nossa. Nesta coluna, o convite é redescobrir a cidade: lugares para revisitar, experiências para viver e detalhes que, mesmo tão próximos, ainda surpreendem. Porque Salvador sempre se reinventa, se lança e mostra algo novo. Afinal, a gente não nasce... a gente estreia!Hype HistóricoNo verão de 2026, o Centro Histórico de Salvador vive um momento especialmente vibrante, com suas ladeiras cheias de vida, música e encontros. Entre o Pelourinho e as praças históricas, moradores, artistas e visitantes ocupam o espaço com apresentações ao ar livre, rodas de samba, exposições, feiras criativas e uma cena gastronômica em ebulição, fazendo dos casarões centenários palcos de novas experiências culturais. Novos espaços na Rua Chile, com restaurantes contemporâneos, bares acolhedores e iniciativas culturais têm atraído ainda mais público, integrando gastronomia, arte e convivência em um corredor que hoje é um dos pontos mais animados do circuito cultural. É a cidade reafirmando sua identidade ao unir passado e presente com naturalidade, transformando o Centro Histórico em um grande ponto de Foto: Patrícia Guerraconvivência, celebração e axé. Viver a Rua Chile hoje é experimentar um dos roteiros mais interessantes da cidade, daqueles para se fazer sem pressa e a pé. O dia pode começar com um café tranquilo na Casaria Salvador, contemplando a rua mais antiga do Brasil despertar entre casarões restaurados e um vaivém cheio de vida. Na hora do almoço, a dica é escolher entre a cozinha contemporânea do Omí Restaurante ou a culinária autoral e afetiva do Restaurante da Preta, ambos traduzindo a nova fase gastronômica da região. À tarde, o convite é circular pelos novos espaços culturais instalados no Palacete Tira-Chapéu, onde galerias, lojas criativas e exposições reforçam o diálogo entre passado e presente. Quando o sol começa a baixar, o programa ideal é subir para o Pala7 Rooftop ou para o rooftop do Hotel Fasano, com vista privilegiada para a Baía de Todos--os-Santos e clima perfeito para um drink. A noite pode seguir no Atarah Rooftop, que une coquetelaria, gastronomia e uma atmosfera vibrante, fechando o dia com a sensação de que o Centro Histórico não apenas revive, ele pulsa, contemporâneo e cheio de axé.
Let’s Go ShowsFerVeu!!Janeiro em Salvador é sinônimo de música, encontros e energia em alta, e o Festival de Verão Salvador, que aconteceu nos dias 24 e 25 de janeiro na Arena FV – Wet Eventos, traduziu tudo isso em dois dias intensos de celebração, com um lineup que misturou grandes nomes da música brasileira e artistas que estão dominando as playlists. No sábado (24), subiram ao palco Rachel Reis, que convidou Márcio Victor, Carlinhos Brown, Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Dominguinhos (João Gomes, Mestrinho e Jotapê) e Ivete Sangalo. Já no domingo (25), o público conferiu apresentações de Péricles, Wesley Safadão, que convidou Elba Ramalho, Léo Santana, Luísa Sonza, Belo e Teto & WIU. Crença & FéCelebrada com fé, sincretismo e uma atmosfera profundamente baiana, a Festa de São Lázaro é uma das manifestações religiosas mais emblemáticas de Salvador. Este ano a celebração aconteceu no dia 25/01 no entorno da Igreja de São Lázaro e São Roque e reuniu missas, procissão e uma vibrante ocupação das ruas, onde o sagrado e o popular caminham juntos. No sincretismo religioso, São Lázaro é associado a Omolu, orixá da cura, e essa conexão se expressa nos rituais, nas vestes brancas, nos fios de contas e na devoção emocionada de quem pede proteção, saúde e renovação. Entre rezas, cantos e o aroma do acarajé e de outras comidas típicas, a festa permanece revelando Salvador em sua essência mais autêntica.Salve, Iemanjá!No dia 2 de fevereiro, o Rio Vermelho, em Salvador, se transformou num dos palcos mais vibrantes da cultura baiana, onde a celebração a Iemanjá mistura religiosidade, tradição e festa profana. Mas, assim que a energia da alvorada cede lugar ao sol alto, o clima muda e o bairro se torna um festival a céu aberto de música, gastronomia e alegria. Um dos pontos altos deste ano foi a festa Yemanjá e Samba, que aconteceu no Estacionamento da Academia Vila Forma, e teve como atrações Arlindinho Cruz em um show que homenageou seu pai Arlindo Cruz (falecido ano passado), o cantor Diggo e a banda Samba Trator. Animação e Alfazema não faltaram! Edição 70 - Let’s Go Bahia | 123No dia 1º de fevereiro de 2026, Saulo Fernandes realizou mais uma edição do Saulo Som Sol, projeto querido do verão baiano, que pela primeira vez aconteceu no Estacionamento E do Shopping da Bahia, em Salvador. A mudança de cenário marca uma nova fase do evento, unindo a vibe solar e acolhedora que consagrou o Foto: Jardel SouzaBaPHONICANo dia 28 de março de 2026, a Arena Fonte Nova em Salvador será palco de um dos eventos musicais mais aguardados do ano: o show da turnê “Phonica – Marisa Monte & Orquestra Ao Vivo”, trazendo à capital baiana a voz e a presença única de Marisa Monte em um espetáculo que promete encantar fãs e amantes da música, com arranjos grandiosos e uma sonoridade rica. A apresentação une a cantora à sua banda e a uma orquestra sinfônica de 55 músicos, sob a regência do maestro André Bachur, criando uma experiência musical envolvente que revisita o repertório de Marisa com profundidade e refinamento. I-m-p-e-r-d-í-v-e-l! Foi lindo!SSS à praticidade e localização central do novo espaço. Mais do que um show, o Saulo Som Sol segue como um ritual de celebração à vida, reunindo música, emoção e conexão em uma tarde marcada pelo pôr do sol, pela energia contagiante do artista e pelo encontro de um público que busca afeto, liberdade e alegria.CRIAmov
GastrôPor Ana Virgínia VilalvaMariscada:o prato que nasce da maré, cresce na panela e viraidentidade na BahiaFreepik124 | Let’s Go Bahia - Edição 70
Ela não tem receita fixa, não segue regra rígida nem aceita enquadramento. A mariscada é um daqueles pratos que nascem do improviso, e a lembrança permanece viva justamente por isso. Um cozido de frutos do mar que muda conforme o dia, a maré, a panela disponível e o saber de quem o cozinha. Mutável, viva e profundamente ligada à natureza, a mariscada atravessa séculos como símbolo de partilha, abundância e identidade costeira.A origem da mariscada está nas comunidades litorâneas, onde cozinhar sempre foi um ato de adaptação. Muito antes de virar item de cardápio, ela era comida do dia a dia: o que o mar entregava virava refeição. Peixes pequenos, mariscos, crustáceos, caldo quente e mesa cheia.A mariscada chegou ao Brasil com a colonização portuguesa, inspirada nos ensopados ibéricos de mariscos, como caldeiradas e açordas. No entanto, o prato que conhecemos hoje é resultado de um encontro cultural. Aliados à técnica europeia do cozido, foram acrescidos ingredientes indígenas e africanos, especialmente na Bahia, onde o dendê, o leite de coco e o coentro deram identidade própria ao preparo. Ultrapassando as questões hereditárias, a mariscada brasileira hoje é considerada uma criação híbrida, moldada pela maré, pelo território e pelo saber popular.Presente em todo o litoral brasileiro, a mariscada aparece com variações regionais marcantes. No Nordeste, ela é mais aromática e encorpada, com leite de coco, coentro e, em alguns casos, dendê, como já foi dito aqui, e repetimos. Porque na Bahia, quando nós gostamos de algo, nós repetimos. Ainda mais se tiver dendê! Edição 70 - Let’s Go Bahia | 125
GastrôMariscada baianaIngredientes: 500 g de camarão médio limpo 300 g de sururu ou mexilhão 300 g de lula em anéis 1 cebola grande picada 2 dentes de alho amassados 2 tomates maduros picados 1 pimentão pequeno picado 200 ml de leite de coco 2 colheres (sopa) de azeite de dendê Azeite de oliva Coentro fresco a gosto Sal, pimenta-do-reino e limãoModo de preparo:Em uma panela funda, refogue a cebola e o alho no azeite de oliva. Acrescente o tomate e o pimentão e deixe formar um molho. Junte a lula e cozinhe por alguns minutos. Acrescente o sururu (ou mexilhão), o leite de coco e o dendê. Ajuste sal e pimenta. Por último, entre com o camarão, cozinhe-o rapidamente até ficar rosado, finalize com coentro e algumas gotas de limão.Foto: Rafael VenturaFreepik126 | Let’s Go Bahia - Edição 70No Sudeste, existem versões que se aproximam das caldeiradas portuguesas, com tomate, ervas e azeite de oliva. Já no Sul, o destaque vai para os mexilhões e mariscos locais, com um preparo mais seco.Ela é facilmente encontrada em restaurantes de praia, barracas à beira-mar, mercados de peixe e cozinhas familiares. Além da Bahia, é também encontrada em Estados como Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Santa Catarina.Na Bahia, a mariscada deixa de ser apenas um ensopado e ganha identidade própria. Entram o dendê, o leite de coco, a “tríade cebola, tomate e coentro” e, sobretudo, a mistura generosa de mariscos locais: sururu, lambreta, siri, camarão, ostra, peguari e sarnambi.Ela se aproxima da moqueca, mas não é moqueca. É mais líquida, mais improvisada, menos ritualizada. É prato de panela grande, feito para dividir, para servir no centro da mesa. Enquanto a moqueca carrega um preparo mais solene, a mariscada é cotidiana, coletiva e afetiva. É comida de festa popular, de reunião de família, de quintal, de praia, de dia a dia, de data festiva, de todos os momentos.E é impossível falar da mariscada sem falar das marisqueiras. Essas mulheres dominam um conhecimento passado de geração em geração. São elas que conhecem o tempo exato da maré, identificam os melhores pontos de coleta e sabem como limpar, cozinhar e temperar cada marisco com uma precisão quase intuitiva.O trabalho começa cedo, muitas vezes ainda de madrugada, entre mangues, lama e sol forte. É um ofício físico, artesanal e essencial, que garante alimento, renda e continuidade cultural para comunidades inteiras.Na panela, esse saber vira caldo, sustância e identidade. A mariscada carrega o gesto coletivo dessas mulheres: a escolha do marisco, o respeito ao tempo do cozimento, o tempero que não segue receita escrita, mas memória e experiência.As marisqueiras não apenas alimentam mesas, mas também preservam um patrimônio vivo da Bahia, onde cozinhar é também um ato de pertencimento e sobrevivência.Nos últimos anos, a mariscada ganhou novos espaços. Saiu do quintal e entrou nos mais renomados restaurantes, muitas vezes com leitura autoral. Chefs contemporâneos valorizam o que sempre esteve ali: marisco fresco, caldo limpo, menos excesso e mais respeito ao ingrediente.Ficou com água na boca? Então confira esta receita, que é fácil, fácil. Para acompanhar, arroz branco e farofa. E para quem gostar: aquele pirão do caldo, feito com farinha de boa qualidade. É só preparar e se deliciar!
128 | Let’s Go Bahia - Edição 70GastrôAdvogado e conselheiroda Abrasel [email protected] Henrique do Amaral solidezEle empurrou a porta de madeira com aquele gesto de quem já sabe o rangido exato da dobradiça. Não veio pela novidade anunciada no Instagram nem pela promoção do dia. Veio pela certeza. Pela familiaridade daquele aroma que o recebe sempre igual, pelo cumprimento do garçom que lembra seu nome, pelo tempero que nunca trai a memória. Naquele gesto simples, existe uma declaração silenciosa de confiança: aqui, eu sei que encontro o que vim buscar.Mas o que sustenta essa certeza? O que faz um estabelecimento atravessar anos, décadas, gerações, enquanto tantos outros fecham antes de completarem cinco anos? Existe uma solidez que se vê e outra que não se vê, e a arte de equilibrá-las define quem permanece.A solidez visível é aquela que o cliente experimenta: a consistência do sabor, a temperatura exata da cerveja, o sorriso genuíno de quem atende, o ambiente que acolhe sem gritar. É a promessa cumprida toda vez que a porta se abre. Mas existe outra solidez, invisível aos olhos de quem come e bebe: a do fluxo de caixa controlado, da margem de lucro que respira acima dos quinze por cento, do estoque que gira sem desperdício, dos números que fecham no azul mês após mês. Quando sessenta por cento dos restaurantes não alcançam cinco anos de vida, não é apenas estatística, é o testemunho de quantos souberam encantar sem conseguir sustentar.O restaurante mais antigo do mundo funciona em Madri desde 1725. O Sobrino de Botín não preservou o passado como peça de museu; reinventou-se para permanecer. Aqui em Salvador, o Velho Espanha atravessa mais de um século não por teimosia, mas por saber morrer um pouquinho a cada dia — matando anacronismos, não a essência. O Chez Bernard, fundado em 1963 pelo chef francês Bernard Goethals, que se apaixonou pela Bahia, mantém a sofisticação parisiense, adaptando-se aos novos paladares sem trair sua alma. O Bella Napoli, aberto em 1962 pela família Sciarretta, vinda Quando números encontram memórias: a dupla solidez que sustenta bares e restaurantes através do tempo e das gerações.para que a solidez se reinvente, mantendo a essência que fideliza, enquanto cria camadas de experiência que surpreendem. O jovem que fotografa o prato pode se tornar o cliente antigo de amanhã, se encontrar, por trás da estética, a substância que merece retorno.Porque a verdade é esta: a solidez que o empreendedor constrói nos bastidores e a solidez que o cliente sente à mesa não são rivais, são cúmplices. Uma alimenta a outra. O restaurante que investe apenas na experiência, sem cuidar da fundação financeira, constrói castelo de areia. E aquele que cuida apenas dos números, esquecendo que serve gente, perde a alma. O cliente não vê o DRE, mas sente quando o corte de custos estrangulou a qualidade. O empresário não saboreia cada prato, mas os números revelam quando a excelência se perdeu.A solidez verdadeira não grita, não se exibe em fachadas reluzentes. Ela sussurra na constância do tempero, respira na tranquilidade do caixa que fecha no azul e se revela naquele cliente que, ao entrar, suspira aliviado. É esse o equilíbrio que constrói história: quando o rigor dos números encontra a generosidade do gesto, e ambos caminham juntos, sustentando o que merece permanecer. da Itália pós-guerra, criou o filé à parmegiana que o Brasil adotou porque soube inovar dentro da tradição. O Mistura nasceu em uma barraca de praia em Itapuã, em 1989, pelas mãos do italiano Paolo e da potiguar Andréa, cresceu para restaurante em 1993 e hoje também ocupa um casarão na Contorno, porque entendeu que solidez é movimento consciente.E agora surge uma pergunta: a Geração Z, com sua fome por novidades, sua busca pelo instagramável, sua relação líquida com a permanência, representa ameaça à solidez construída no tempo? Talvez não. Talvez seja um convite A dupla
130 | Let’s Go Bahia - Edição 70Aos 29 anos, quase 30, segundo ele mesmo faz questão de frisar, Edu Moraes carrega no rosto a maturidade de quem viveu mais do que a própria idade sugere. Natural do Vale do São Francisco, região que une Juazeiro, na Bahia, a Petrolina, em Pernambuco, o chef construiu sua identidade gastronômica a partir da mistura entre memória afetiva, técnica contemporânea e a potência do Nordeste.Eduardo, nome que só aparece quando a mãe está brava, se tornou conhecido como Edu Moraes e ganhou notoriedade após participar do programa Top Chef Brasil, chegando à reta final da competição e encantando o público com um repertório criativo e profundamente enraizado em suas origens.Em janeiro, Edu completou cinco anos vivendo em Salvador. Solteiro e sem filhos, iniciou sua trajetória profissional como merendeiro da rede pública, cozinhando diariamente para cerca de 1.800 crianças. A partir daí, percorreu todas as etapas da cozinha até chegar à posição de chef de restaurante e montar seu próprio espaço.Depois dessa experiência, veio para a capital baiana, onde recomeçou sua trajetória. Passou por casas como Pepo e Origem e hoje se consolidou no Grupo Red como chef executivo, função que exerce com a consciência de quem conhece o chão da cozinha e respeita os processos.A gastronomia não era um sonho de infância. Nascido em família humilde do interior, onde cozinhar profissionalmente não era visto como possibilidade, e diante do alto custo da faculdade, só conseguiu ingressar no curso durante a pandemia. Ainda assim, o incômodo de seguir caminhos previsíveis sempre o acompanhou.Foi no período como merendeiro que percebeu que a gastronomia não era uma escolha, mas um chamado. Tudo passou a fazer sentido ao recordar os momentos na cozinha com a mãe e a avó. Quando Edu MoraesDe merendeiro a chef de cozinha: conheça a trajetória deDivulgaçãoPerfil do ChefPor Ana Virgínia Vilalva
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 131DivulgaçãoINGREDIENTES:Bisque de camarão:2 batatas inglesasCascas de camarão assadas50 g de alho-poró50 g de salsão200 g cebola200 g cenouraFarofa de pipoca:25 g de milho100 g de panko50 g de manteigaTomilho a gostoZest de limão TahitiSAN SALVADOR BISQUE DE CAMARÃO, FAROFA DE PIPOCA ECAMARÕES GRELHADOSMODO DE PREPARO: Tostar bem as cascas, cozinhar junto dos vegetais, bater tudo e peneirar; depois, deixar reduzir no fogo baixo.Prepare a pipoca e depois use o pulsar do processador ou liquidificador. Na frigideira, adicione manteiga e o panko e toste, depois adicione a pipoca, as folhas de tomilho e o zest de limão; ajuste o sal e reserve.Grelhe os camarões deixando apenas o rabinho, frite as cabeças até ficarem bem crocantes.criança, ele cozinhava escondido dos pais, que diziam ser coisa de mulher. Hoje, a cozinha é seu habitat natural.Com 11 anos de experiência, Edu se inspira em chefs que valorizam a identidade local e também em grandes referências internacionais. As estrelas Michelin o atraem não pela ostentação, mas pela essência: cozinhas que exaltam a comida de mãe, de avó, das nonnas, elevando a tradição ao mais alto nível técnico possível.Nascido em Juazeiro e criado em Petrolina, ele se considera pernambucano de alma e traduz essa força nordestina em pratos servidos com afeto, nostalgia e sabor.O reconhecimento profissional lhe rendeu conquistas antes distantes de sua realidade social e financeira. A passagem pelo reality ampliou sua credibilidade em Salvador, no Nordeste e no Brasil. Ser reconhecido faz parte de seu propósito.Entre os seus sonhos está cozinhar para Marisa Monte e Katy Perry. Já realizou o desejo de cozinhar para Luísa Sonza, durante uma passagem dela pelo Purgatório, improvisando um blend de hambúrguer. Também adoraria servir Anitta e Pabllo Vittar.Entre os pratos mais simbólicos de sua trajetória estão o pastel de arraia, o croquete de moqueca do Pirambeira e o goulash do Purgatório. Já o preparo afetivo por excelência é o baião de dois do Pirambeira, tradição familiar dos domingos.À frente do Pirambeira, eleito entre os melhores bares do Brasil pela Revista Exame, e do Purgatório, reconhecido entre os 500 melhores bares do mundo, Edu Moraes se firma como um dos nomes mais promissores da nova cena gastronômica baiana.Como receita favorita, o chef escolheu o “San Salvador”, um bisque de camarão com farofa de pipoca e camarões grelhados. Confira a receita!
132 | Let’s Go Bahia - Edição 70Foto: Cláudio ColavolpeNa Lavagem do Bonfim, o tempo não anda em linha reta. Ele gira. Gira nos braços erguidos, nos colares de contas, nas fitinhas coloridas que carregam promessas, pedidos, agradecimentos e dores silenciosas. Gira como gira a água que cai, não apenas para lavar o adro da igreja, mas para lavar o que não se vê: o medo, o cansaço, a esperança ferida.O rosto em primeiro plano não é apenas um rosto, é um altar humano. A boca aberta não grita, reza. Os olhos, protegidos por óculos vermelhos, não veem a multidão, veem para dentro. Há água escorrendo pelo rosto, mas também há tempo escorrendo pela pele: histórias de antes, de agora e de depois.Empresário e fotógrafo documental. Cláudio Colavolpe Photo Art/CEO, vencedor do prêmio popular no 1839 Awards [email protected] Cláudio ColavolpeEsta fotografianasceu no instanteA fé aqui não é contida, é excessiva. Ela escorre, respinga, molha o fotógrafo, atravessa a lente #sósevênabahiaem que a fé transbordouAs fitas do Bonfim, amarradas aos pulsos, ao pescoço, ao corpo inteiro, são como pequenas frases que o povo escreve com as mãos. Cada cor carrega um desejo. Cada nó, tante não cabe em tela nenhuma. Porque o que acontece ali não é espetáculo, é rito. Não é performance, é entrega. A multidão não empurra, ampara. Não grita, canta com o corpo.Esta imagem me lembra que fotografar também é um ato de fé. É acreditar que um fragmento de segundo pode conter um universo inteiro. Que um clique pode guardar cheiro de água, som de tambor, calor de pele, fervor de alma.Na Lavagem do Bonfim, tudo é excesso: de cor, de corpo, de crença. E talvez seja exatamente por isso que a fotografia exista, para tentar organizar o caos, sabendo, desde o início, que ele jamais será domado.Esta foto não fala de religião, fala de humanidade. E, sobretudo, fala desse momento raro em que o mundo se abre e deixa a gente ver, ainda que por um segundo, o que pulsa por dentro. um pacto silencioso. A fé aqui não é contida, é excessiva. Ela escorre, respinga, molha o fotógrafo, atravessa a lente.Um celular erguido tenta capturar o instante, mas o ins-
134 | Let’s Go Bahia - Edição 70Cristina BarudeQuarto Poder?Você já se deparou com uma equipe de reportagem no meio da rua, fazendo uma transmissão ao vivo e, de repente, a câmera se vira para você, e o repórter, de microfone em punho, lhe faz aquela pergunta que você jamais gostaria de responder? Principalmente porque a sua empresa está enfrentando uma crise de imagem, capaz de destruir a reputação da companhia em segundos. Esta é apenas uma das situações que centenas de executivos enfrentam ao redor do mundo e que a maioria jura que nunca vai acontecer com a empresa deles. Mas acontece! E o despreparo para conceder entrevistas de improviso para repórteres, e com eficácia, é só a ponta do iceberg quando se trata de relacionamento com jornalistas. Muitos profissionais, empresários e políticos esquecem que a missão da imprensa é ir em busca da notícia e não proteger a reputação do entrevistado. Para isso, existem os assessores de comunicação. Estes, sim, criam estratégias e planejamentos para potencializar e dar visibilidade ao que uma organização já tem de positivo e, assim, formar e manter a imagem da companhia. Assim, é preciso saber conviver com os profissionais de imprensa. Ainda que esse contato seja passageiro, ocasional, precisa ser coerente. É preciso saber o que falar, como falar, o que comentar e o que calar, para que essa conversa com o repórter, às vezes até informal, não se transforme numa bomba ao ser divulgada nos veículos de comunicação tradicionais ou não. A insegurança ao dar entrevistas pode ser fatal. E a origem dessa insegurança está no medo do chamado Quarto Poder, expressão utilizada para se referir à imprensa, pela sua capacidade de fiscalizar os poderes legislativo, executivo e judiciário, e por influenciar o comportamento da sociedade e das decisões políticas. Por isso, cada vez mais, as empresas que prezam pela prevenção de desastres imateriais, valorizam o Media Training, um treinamento que capacita profissionais, das medidas mais eficazes para se evitar o desmantelamento da reputação de empresas que levaram décadas para construí-la. A quebra acontece em segundos e a recuperação é árdua, leva um tempo incalculável, quando é viável, e custa muito caro. Entre os atributos fundamentais a um orador, em palestras, discursos, nas lives e nas entrevistas aos jornalistas, está o domínio das técnicas de oratória, que nasce no controle das emoções, no autoconhecimento, no autoamor e no conhecimento profundo da missão, da visão e dos valores da empresa que ele está representando. Estar atualizado sobre os temas inerentes ao trabalho e ao cargo que o executivo ocupa também é essencial. Quanto mais um porta-voz pratica a oratória, mais estará habilitado a dar boas entrevistas, principalmente em momentos em que sua reputação está sendo questionada. É claro que nem tudo se resolve com um treinamento. É preciso fazer periodicamente reciclagens, pois o cenário da mídia muda o tempo todo. E mais que treinar, é fundamental contar com um bom Plano de Comunicação em momentos de crise e um Manual de Prevenção e Gestão de Crises, elaborados por profissionais experientes. Mais que isso, colocar em prática um Plano de Comunicação Corporativa para incrementar o relacionamento com todos os públicos da companhia, interno e externo, durante o ano todo. Afinal, a imagem e a reputação se formam com o tempo, com verdade e coerência entre discurso e ação. As empresas que prezam pela prevenção de desastres imateriais, valorizam o Media Training, um treinamento que capacita profissionais, executivos, empresários e políticos a se relacionarem com jornalistasQuem tem medo doexecutivos, empresários e políticos a se relacionarem com jornalistas e concederem entrevistas com eficiência, principalmente em momentos de crise de imagem.Costuma-se dizer que o brasileiro não dá muito valor à contratação de um bom seguro e que só muda de postura quando a primeira tragédia acontece. Infelizmente, muitas vezes, isso ocorre quando o assunto é Media Training. Eu costumo dizer que esse tipo de treinamento é uma Jornalista,sócia/diretora-executiva da Lume Comunicação Integrada ecorrespondente do Jornalistas&Cia na Bahia
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 135
136 | Let’s Go Bahia - Edição 70PauloCoelhoPresidente doSinapro-Bahia tecnologias e IAA tecnologia e a Inteligência Artificial foram alguns dos temas de destaque do Enapro 2025 – De Humanos para Humanos, realizado pelo Sinapro-Bahia em outubro. O evento, que contou com a participação de grandes nomes do mercado local e nacional, evidenciou como essas ferramentas podem impulsionar a criatividade, otimizar processos e fortalecer o branding, mas sem perder o foco na conexão humana. O uso da Inteligência Artificial tem se consolidado como uma prática cada vez mais comum nas agências de propaganda, ao mesmo tempo que avançam na criação de novas áreas e competências ligadas à tecnologia, como Automação, Dados e Business Intelligence.Para trazer mais informações sobre o tema, apresento alguns dados da nova edição da pesquisa VanPro, realizada pelo Ecossistema SINAPRO/FENAPRO desde 2017, que tem como principal objetivo medir e mapear o cenário atual e as perspectivas para o futuro, além de conhecer os principais desafios dos sócios e executivos de agências de todo o país.A pesquisa atual foi feita com 229 agências de 20 Estados e do Distrito Federal. Em parceria com o Sinapro-Bahia, a VanPro também foi aplicada nas agências associadas na Bahia, e a seguir apresento os principais resultados.A VanPro mostra que, nas agências baianas, o uso da IA é quase unânime, seja por meio de equipes dedicadas, seja pela difusão de competências em diferentes áreas. Quase todas as agências já recorrem a essa tecnologia, especialmente nas áreas de criação, digital, planejamento e atendimento. Seu uso é mais tímido apenas em funções de suporte, como o setor financeiro e a produção.Do lado dos clientes, a maioria das agências ainda não tem um posicionamento formal sobre o uso de IA em campanhas (70%); 21% aprovam o seu uso sem restrições; e 9% associam o seu uso a uma política de compliance.Além da adoção crescente das tecnologias, o cenário aponta para um movimento de amadurecimento do mercado, no qual o desafio deixa Sobre a atuação em dados, a pesquisa apontou que a presença de profissionais dedicados a essa área ainda não é majoritária. Apenas 17% das agências têm equipes ou pessoas dedicadas exclusivamente a essa função. Com mais frequência, as agências têm uma (25%) ou duas pessoas (50%) atuando na área; 25% citaram que chegam a ter três profissionais.As funções de digital e audiovisual foram fortalecidas nas agências locais. Também foram mencionadas iniciativas ligadas à consultoria, à criação de hubs de conteúdo e núcleos de equidade racial.No resultado geral Brasil, há menções ainda a analytics avançado, BI e ciência de dados, e a expectativa de reforço em planejamento estratégico e inteligência de mercado. Funções ligadas à gestão de comunidades, relacionamento digital e social listeningsão citadas, bem como novas competências em SEO/SEM, inbound marketing, produção de podcasts e experiências imersivas. Sobre o perfil das agências baianas participantes, todas operam como full service. No foco de atendimento, 65% não distinguem entre clientes públicos ou privados; 30% concentram-se somente no setor privado; e 4% somente no setor público.Mais da metade das agências existe há mais de 21 anos, e apenas 8% têm entre seis e 10 anos de atividade. Já com relação ao tamanho das equipes, 47% possuem entre 11 e 40 pessoas; 8% possuem de 40 a 80 pessoas; e nos extremos, 13% têm equipes de até cinco pessoas; e 4% com mais de 80 pessoas na equipe. Ferramentas deIA impulsionam a criatividade, otimizam processos e fortalecem o branding, masnão devemperder a conexão humana Agências baianas avançam no uso dede ser apenas implementar ferramentas e passa a ser integrá-las de forma estratégica ao modelo de negócio. A Inteligência Artificial, nesse contexto, assume um papel transversal, exigindo governança, critérios claros de uso e alinhamento com os valores das agências e de seus clientes. Mais do que acelerar entregas, a IA amplia a capacidade analítica, apoia decisões e libera o tempo das equipes para atividades de maior valor intelectual e criativo. O diferencial competitivo passa a estar menos na tecnologia em si e mais na forma como ela é utilizada, combinando eficiência, responsabilidade e visão de longo prazo.
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 137 SpotCEO da Yupper InsightsDiego Oliveira Solidez não é rigidez. É base. É aquilo que permanece quando o cenário muda, quando os planos precisam ser revistos e quando a vida pede mais consciência do que velocidade. Em um mundo acelerado, instável e excessivamente ruidoso, ser sólido virou uma escolha diária.A solidez não está no que aparece, mas no que sustenta. Está nas decisões silenciosas, na coerência entre discurso e prática, e na clareza do que é inegociável. É nesse ponto que o Plano A deixa de ser um conceito inspiracional e passa a ocupar o lugar de fundamento.Na liderança, a solidez não vem do cargo, vem da postura. Líderes sólidos não comandam pelo medo nem pela vaidade. Eles constroem confiança, criam ambientes seguros e sabem que escutar é tão estratégico quanto decidir. Quando o líder conhece o próprio Plano A, não precisa reafirmar a sua autoridade o tempo todo, ela se manifesta na coerência.Há um ponto silencioso, mas decisivo, nessa escolha pela solidez: ela exige maturidade. Ser sólido implica abrir mão da ilusão do controle absoluto, aceitar a complexidade e sustentar decisões mesmo quando não há aplauso, validação imediata nem garantia de resultado. É uma construção interna que antecede qualquer estratégia externa. O Plano A, nesse sentido, não nasce do desejo de performance, mas de um compromisso com a própria integridade. Ele é revisitado, ajustado e refinado ao longo do tempo, sem jamais perder o eixo central que o originou. Quem opera a partir dessa base não reage ao mundo, responde a ele com consciência, discernimento e responsabilidade. A solidez, portanto, não elimina dúvidas, mas oferece critério para atravessá-las. Não impede mudanças, mas evita rupturas internas. É essa consistência silenciosa que transforma escolhas cotidianas em legado e intenção em impacto real.Nas relações, a solidez se revela na presença real, no diálogo honesto e no respeito aos limites. Relações sólidas não se sustentam na conveniência nem na fuga do desconforto. Elas existem porque há disposição para conversar, alinhar expectativas e atravessar os silêncios necessários. Quem tem clareza do próprio caminho não usa o outro como plano de escape emocional.Na carreira, ter solidez é pensar em longo prazo. É construir reputação com escolhas consistentes, sem trocar essência por aplausos rápidos. O Plano A funciona como bússola, ajuda a dizer “sim” ao que constrói e “não” ao que desvia, mesmo quando o atalho parece tentador.Na vida, a solidez está na base: saúde, tempo, família, valores e equilíbrio emocional. Nenhum projeto se sustenta se essa base estiver frágil. O Plano A não acelera o caminho, mas garante a direção.No fim, a solidez é a coerência entre quem você é, o que você faz e o impacto que deixa. O mundo pode até balançar, mas a pergunta que fica é simples e profunda: O que, hoje, de fato sustenta o seu Plano A? Solidez é pensar em longo prazo. É construir reputação com escolhas consistentes, sem trocar essência por aplausos rápidos.Solidez: quando o Plano A sustenta quem você é
138 | Let’s Go Bahia - Edição 70O público distingue rapidamente o posicionamento genuíno, sustentado por ações e histórico, do discurso oportunista ativo valiosoComunicação sólida éA solidez na comunicação corporativa se manifesta na capacidade de uma empresa sustentar, ao longo do tempo, um jeito reconhecível de decidir, agir e se posicionar. No cenário atual, em que tudo é registrado, comentado e comparado, sobretudo nas redes sociais, com alcance sem fronteiras, a confiança se consolida na repetição coerente do que se acredita e do que se entrega.Na prática, esse movimento se conecta diretamente à reputação, que transforma coerência em confiança e confiança em valor, influenciando decisões, relações e a própria sustentabilidade do negócio. Por isso, reputação não se “inventa”, mas, sim, se cultiva com a análise de contexto e respeito à cultura organizacional. Ela é construída no cotidiano, na soma de escolhas, discursos, ações e ajustes de rota feitos com responsabilidade.É aqui que muitas companhias ainda se distraem: no alinhamento. A fronteira entre o que a empresa diz ser, o que ela é e como é percebida, na prática, precisa ser tênue. O público consumidor, seja qual for o seu setor de atuação, deixou de ser apenas espectador para ser alguém que confronta, e com base em múltiplas fontes: experiência do cliente, relatos de colaboradores, posicionamentos de lideranças, práticas de governança e matérias na imprensa. Quando a cultura interna não vive os princípios anunciados, até a comunicação mais bem produzida perde força e, em alguns casos, vira evidência de inconsistência. O ponto central é simples, embora exigente. O que acontece dentro sempre aparece fora. Cultura, liderança, processos e decisões do dia a dia são a base real da comunicação.Mas o caminho inverso também é verdadeiro: quando uma marca promete publicamente, ela cria expectativas que retornam como cobrança interna também. Comunicação sólida, portanto, funciona como uma ponte permanente entre prática e mensagem, entre experiência e posicionamento. É essa reciprocidade que forma o lastro capaz de sustentar a marca, principalmente nos momentos mais difíceis.Há ainda um componente decisivo do nosso tempo ultraconectado: as empresas deixaram de ser apenas anunciantes e passaram a ser fontes de comunicação. Com canais próprios, linguagem editorial e audiência fiel, marcas são interpretadas como agentes que influenciam conversas públicas e defendem causas; portanto, a sociedade espera delas mais do que produtos: espera postura, responsabilidade e disposição para encarar temas reais que impactam pessoas e comunidades. Mas isso exige maturidade. O público distingue rapidamente o posicionamento genuíno, sustentado por ações e histórico, do discurso oportunista, acionado apenas quando “convém”.Um exemplo bem-sucedido é O Boticário, marca que conheço e atendo como assessora de comunicação há mais de 30 anos na Bahia (hoje também em Sergipe, Pernambuco e Alagoas), que aborda temas sensíveis em momentos de alta visibilidade, com suas campanhas em datas comemorativas, mas o faz com background, método, segurança e organização de comunicação, de modo que o público reconhece seu protagonismo para além das mensagens pontuais. Isso é fruto de um alinhamento bem estruturado entre o que se vive internamente, o que se entrega ao consumidor e o que se escolhe defender publicamente.Falar sobre temas sensíveis em datas relevantes pode, sim, ser uma contribuição importante para a sociedade. O que define a consistência, porém, é o que vem antes e o que vem depois, transformando a fala em compromisso. É nesse ponto que a comunicação deixa de ser reativa e passa a ser estratégica: quando fortalece a imagem, educa o mercado, engaja públicos e orienta decisões de negócio sem perder o vínculo com valores reais da marca.No fim, a comunicação sólida é o que permanece quando a novidade passa. É o que protege reputações, reduz assimetrias de informação, fortalece relações e amplia a capacidade de uma empresa liderar conversas relevantes com legitimidade. Em tempos de julgamento constante e memória digital, coerência é estratégia. E, para o empresário, talvez seja o ativo mais valioso de todos, porque sustenta tudo o que vem depois. Monique MeloJornalista, assessora de comunicação, CEO da Texto&Cia e diretora regional da ABRACOM-BA
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 139
140 | Let’s Go Bahia - Edição 70Começar o texto desta coluna exaltando o talento, a trajetória artística e a vasta filmografia de Wagner Moura seria algo redundante, além de fatos indiscutíveis. Nos últimos meses, com tantas premiações e a campanha do filme “O Agente Secreto”, o ator baiano está nos holofotes, é celebrado com um pagode que virou hit nacional e estampa capas e notícias mundo afora. Ser um artista nascido em Salvador, fora do eixo Rio-São Paulo, sem influência artística familiar e conseguir projeção e visibilidade nacional nas artes cênicas já é um grande feito, agora, projetemos isso a Cannes, a Londres, a Hollywood, a nível planetário: é um reconhecimento realmente admirável e digno de aplausos e orgulho.Wagner Maniçoba de Moura começou a sua carreira nos palcos de teatros na capital baiana, fez participações em curtas, participou de séries na Globo como “Sexo Frágil” (2003), até que em 2005 veio a primeira grande novela “A Lua me Disse”, no entanto, ele viraria sucesso nacional dois anos depois em “Paraíso Tropical”, dando vida ao personagem Olavo, adorado até hoje pelo público. Dali em diante foi uma sucessão Sessão PipocaEle tem o talento, o molho, o Globo de Ouro e umaindicação ao Oscar!Gabriela PonceTradutora, revisora e apaixonada por cinema@gabycponce
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 141Cinema & TVde êxitos e filmes nacionais aclamadíssimos, a exemplo de “Carandiru”, “Cidade Baixa”, “Ó Paí Ó” e “Tropa de Elite”, com o seu icônico Capitão Nascimento.O Brasil ficou pequeno para o talento do menino de Salvador. Em 2013, Wagner estreou em “Elysium”, ao lado de Matt Damon. Em 2015, veio a sua consagração mundial com “Narcos”, série na qual interpretou magistralmente o traficante Pablo Escobar. Desde então, foi uma produção internacional atrás da outra: “Wasp Network” (2019), “Sergio” (2020), “Shining Girls” (2022), o aclamado “Guerra Civil” (2024), “Dope Thief” (2025), a convite do próprio Ridley Scott, até chegarmos ao premiadíssimo “O Agente Secreto” (2025), longa que até a elaboração deste texto já havia recebido mais de 60 prêmios pelo mundo. Depois de ganhar o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes em 2025, no dia 11 de janeiro deste ano, o soteropolitano entrou para a história como o primeiro ator brasileiro a ser indicado ao Globo de Ouro como Melhor Ator e a sair vitorioso nessa categoria. Não bastasse o feito inédito, no último dia 22, mais uma vez vimos o nome de Wagner Moura de forma extraordinária: ele também se tornou o primeiro brasileiro a ser indicado ao Oscar na categoria de Melhor Ator por seu papel como Marcelo, em “O Agente Secreto”. Além dessa proeza, o filme de Kleber Mendonça Filho ainda foi indicado nas categorias de “Melhor Filme”, a principal da premiação, “Melhor Filme Internacional” e “Melhor Elenco”. No dia 27, o BAFTA 2026, o “Oscar britânico”, deu mais duas indicações ao longa. É o cinema nacional em sua potência máxima!Apesar de toda a minha consciência da realidade, sendo um ano de “páreo duro” para a categoria de Melhor Ator no Oscar, e supondo que a Academia não queira dar um “bicampeonato” sequencial ao mesmo país, não tenho como não celebrar a indicação, tanto de Wagner quanto do filme “O Agente Secreto”, e também fortalecer a torcida de um país que vibra e se orgulha de um cinema de qualidade, de profissionais tão talentosos e do enaltecimento a nossa cultura no mundo. Ver o rosto de Wagner, aquele menino do bairro do STIEP, de Salvador, que eu conheci na minha adolescência, na noite da maior celebração do cinema mundial como um dos cinco melhores atores do mundo é uma emoção incrível! A cerimônia do Oscar 2026 acontecerá no dia 15 de março e queremos esse Oscar para a Bahia e para o Brasil! Wagner Moura premiado como Melhor Ator no Globo de Ouro 2026
142 | Let’s Go Bahia - Edição 70Fotos: DivulgaçãoNascido entre textos, telas e câmeras, é jornalista, estrategista digital e fundador da casa de conteúdo PASTORI.@matheuspastoriMatheus Pastori de AraujoDe Olho nas TelasA cadeira de WilliamBonnerO Jornal Nacional é uma instituição popular. A despeito de concordâncias ou discordâncias sobre linha editorial, isto é indiscutível. Trata--se não apenas de um produto da TV Globo, mas, sim, de algo que extrapola a si mesmo e que, invariavelmente, rege todos os demais noticiários brasileiros. É uma espécie de guia, termômetro, inspiração e aspiração de jornalistas que têm aquele telejornal como ponto de referência – sendo imitado e replicado em diversos níveis e formatos, seja por concorrentes diretos ou em pequenos folhetins do interior.Por tabela, claro, repórteres, apresentadores e editores do JN gozam de um prestígio e de uma responsabilidade equivalentes à magnitude desse alcance. Mexer naquela estrutura é, portanto, de uma complexidade enorme. E a Globo mostrou que sabe disso. Em setembro de 2025, anunciou-se aquela que seria a mais delicada movimentação do telejornalismo brasileiro desde a aposentadoria de Cid Moreira (1927–2024), em 1996.O até então inatingível William Bonner, nome absoluto da comunicação, deixaria a cobiçada cadeira de apresentador titular e editor--chefe do Jornal Nacional, postos que acumulou durante mais de 25 anos. É fácil que o leitor imagine o poder que essas funções emanam nas mais diversas esferas do cenário político-social, e em algo até maior do que isto: no imaginário popular, do telespectador, do público, dos milhões e milhões de pessoas que se habituaram, por gerações, àquela figura.É aqui que destaco o que me levou a escrever esta coluna. Ao preparar o terreno para essa mudança, a Globo deu uma aula pública de gestão de marca ao demonstrar uma consciência louvável da relação entre seus âncoras e o dia a dia do brasileiro; demonstração também de respeito à história, à imagem e à carreira dos envolvidos na movimentação. Para se ter uma ideia, foram mais de cinco anos de estudo até chegar ao nome de César Tralli como substituto de Bonner, coisa que só aconteceu depois de consultas inclusive aos próprios funcionários da casa.Desde o anúncio até a substituição efetiva, houve uma janela Tenho a impressão de que os próprios acionistas entendem que não se faz o que se quer com o Jornal Nacional. Ele é muito grande para isso WILLIAM BONNER
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 143Cinema & TVAGATHA CHRISTIE’S SEVEN DIALSInspirada no universo clássico de Agatha Christie, a série acompanha uma jovem determinada a investigar uma morte cercada de aparente banalidade, mas que esconde uma rede de segredos, convenções sociais e jogos de poder. Com ritmo elegante e atmosfera de mistério britânico, a narrativa aposta menos na ação e mais na inteligência do espectador, resgatando o prazer da dedução e da observação minuciosa.STAR SEARCH: AO VIVOA Netflix revisita o formato de competição musical com uma proposta híbrida entre televisão tradicional e streaming. Com apresentações transmitidas ao vivo e participação direta do público, a série transforma cada episódio em um evento. Mais do que revelar talentos, o programa explora a pressão da exposição imediata, o impacto das redes sociais e a velocidade com que fama e julgamento caminham juntos.REENCARNEUma série que mistura terror, suspense sobrenatural e drama existencial, “Reencarne” acompanha o ex-policial Túlio, que sai da prisão após 20 anos preso por um crime que não lembra ter cometido. Sua vida desmorona até que uma jovem surge afirmando ser a reencarnação do seu parceiro Caio, desencadeando uma investigação perturbadora sobre identidades passadas, culpa e mistério. GLOBOPLAYQUEBRA DE JURAMENTOA série documental mergulha em um caso real que envolve Medicina, ética e poder, acompanhando denúncias e investigações que colocam em xeque a imagem pública de um profissional respeitado. Com narrativa sóbria e abordagem jornalística, a produção se destaca por evitar o sensacionalismo e por provocar reflexões sobre credibilidade, responsabilidade institucional e os limites entre reputação e verdade.de três meses de preparações, tempo em que o público, o mercado e os colegas puderam se acostumar com a ideia. É um cenário completamente oposto àquele em que o apresentador é subitamente trocado, levando a um trauma relacional tanto para o público quanto para o profissional. Algo que, infelizmente, ainda é a prática mais recorrente e amadora no telejornalismo.Com tudo claramente muito bem pensado, azeitado e trabalhado, na edição histórica de 1º de novembro de 2025, a Globo tratou a despedida de William Bonner no tom certo, com dignidade, gratidão e reconhecimento a tudo o que foi construído. Cerca de 30 milhões de pessoas acompanharam a passada do bastão mais caro do jornalismo televisivo, em meio a aplausos de uma redação abarrotada e um clima de confraternização em torno do soar de uma última saudação, simples e poderosa: “Boa noite”. NETFLIXBRIDGERTON — 4ª TEMPORADAA nova temporada desloca o foco para Benedict Bridgerton, o mais artístico e avesso às convenções da família. Entre bailes, máscaras e jogos sociais silenciosos, a série aprofunda o conflito entre desejo individual e expectativas impostas pela aristocracia londrina. O romance surge menos idealizado e mais atravessado por dilemas de identidade, pertencimento e liberdade, mantendo o apelo visual exuberante que transformou “Bridgerton” em um fenômeno global.
144 | Let’s Go Bahia - Edição 70Patrimônioso antes e o depois de um patrimônio da BahiaUm véu remanescente de Mata Atlântica emoldura o que outrora foi um dos mais expressivos engenhos do Recôncavo Baiano. O que antes eram quase ruínas, ecoando a pujança da economia açucareira e a imponência do sobrado erguido na segunda metade do século XVIII, apresenta hoje, já reinaugurado, um vasto panorama sociocultural, econômico e simbólico de séculos na região. Trata-se do antigo Engenho Freguesia, hoje museu e um verdadeiro palco da história da Bahia e do seu povo.Para o visitante que chega pelo mar, singrando as águas da Baía de Todos-os-Santos, o conjunto arquitetônico se revela como um cartão-postal, quase um convite a uma travessia no tempo. Já para aqueles que acessam o sítio pela estrada, em curvas sinuosas cercadas por fragmentos de mata na região de Caboto, em Candeias, surge a lateral do sobrado portador de particular elegância em suas janelas e balcões do último pavimento. Ao adentrar nos espaços que, até o final do século XIX, concentraram um expressivo contingente de pessoas escravizadas e mantiveram uma intensa dinâmica comercial com outras Museu do Recôncavo Wanderley Pinho:Por Rafael Dantasvilas do Recôncavo e com Salvador, o visitante é imediatamente envolvido por uma experiência sensorial e reflexiva crítica, onde arquitetura, paisagem e memória se entrelaçam.Na primeira parada, à direita, em direção à baía, encontram-se as ruínas do antigo engenho. Ali, visíveis os tachos de ferro, fornos, áreas destinadas ao melaço e ao açúcar, colunas e rampas que conduziam diretamente ao mar, evidenciando a lógica produtiva e comercial do período colonial. Como registrou Wanderley Pinho em seus escritos, até o final do século XIX o engenho mantinha uma dinâmica própria de relações locais, marcada pela persistência secular da estrutura econômica local. Cada pedra, cada camada de argamassa, as telhas e as grandes toras de madeira extraídas das outrora abundantes matas do Recôncavo narram silenciosamente tanto a prosperidade econômica quanto a violência estrutural que o sustentou.No térreo do solar, ao transpor uma das amplas portas que parecem guardar segredos à espera de ser revelados, o visitante se deparava com um mosaico de vestígios materiais: restos de engrenagens, entalhes, adornos decorativos, chaves, faianças. Entre esses fragmentos, surge de forma quase silenciosa, mas profundamente perturbadora, um tronco de madeira, instrumento de suplício utilizado até o século XIX para aprisionar braços e pernas de a materialidade do sítio revela a complexidade da engrenagem econômica sustentada pelo trabalho escravo. Nas primeiras visitas realizadas em 2020, na época do nosso trabalho na Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (SETUR), ainda eram O que eram quase ruínas, ecoando a pujança da economia açucareira e a imponência do sobrado erguido na segunda metade do século XVIII, apresenta hoje, já reinaugurado, um vasto panorama sociocultural, econômico e simbólico de séculos na região.
Edição 70 - Let’s Go Bahia | 145Museu do Recôncavo Wanderley Pinhopessoas escravizadas. Um testemunho doloroso de um passado que, embora distante no tempo, permanece presente nas cicatrizes sociais contemporâneas.Adiante, ao subir a rampa, o percurso conduzia a uma escadaria marcada pelo desgaste do tempo, levando à capela e à entrada principal do solar. O forro da nave, adornado por uma delicada pintura de Nossa Senhora da Conceição, encontrava-se, em 2020, sustentado por um cuidadoso trabalho de restauro, enquanto o altar passava por uma minuciosa prospecção, de onde emergiram antigas cores e douramentos esquecidos e que hoje podem ser contemplados. No casarão, abre-se um labirinto de corredores, amplos salões e antigos aposentos. No passado, esses espaços foram palcos de bailes, casamentos, batizados, da circulação de senhores, sinhás, mucamas e trabalhadores, entre móveis, pratarias, louças e cadeiras de jacarandá e pau-d’arco. Em 2020, os salões estavam vazios; apenas os feixes de luz atravessam as janelas seculares, desenhando o assoalho de largos pranchões. Por eles, na época das visitas técnicas, transitavam engenheiros, arquitetos, restauradores e operários, responsáveis por devolver o museu à comunidade baiana, ação que finalmente tornou-se realidade em dezembro de 2025.As antigas áreas de serviço revelam uma cozinha de dimensões quase monumentais, evocando cenários medievais, além de quartos, escadas e passagens que conectam os diversos ambientes do conjunto. No ponto mais alto, o sótão oferece uma vista panorâmica para o mar. Solitário e silencioso, com suas janelas abertas, coroa a estrutura do solar como um mirante privilegiado de quase três séculos de história.O Engenho Freguesia figura entre as mais significativas construções do período colonial na Bahia. Iniciado na segunda metade do século XVI, passou por sucessivas transformações ao longo do tempo. No século XVII, em 1624, foi atacado e incendiado durante a invasão holandesa. Reconstruído, pertenceu a Antônio da Rocha Pita e, no século XIX, foi adquirido pelo conde de Passé. O atual solar data da década de 1760. O museu foi inaugurado em fevereiro de 1971, recebendo o nome do historiador Wanderley de Araújo Pinho (1890–1967), cuja atuação foi decisiva para o tombamento do imóvel e sua existência até hoje. A família Araújo Pinho foi a última proprietária do conjunto, Foto: Acervo Hotel da Bahiahoje sob a responsabilidade do IPAC.As obras de recuperação e restauro foram realizadas com recursos do Prodetur Nacional Bahia, por meio de financiamento do BID, no valor de R$ 24 milhões, sob a coordenação, na época, da SETUR. Depois de 25 anos, finalmente, o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho foi reaberto, dando o devido destaque às comunidades locais, de ontem e de hoje, e às artes que revelam em cada toque as camadas de resistência, força e representatividade dos que fazem e sempre fizeram de Caboto o seu lar.
CrônicaJornalista, publicitário e mercadólogo. Atua nas revistas Let’s Go Bahia e Febradisk, e na Darana RPFlamarion ReisPara sermos sólidos no que fazemos, na profissão que temos e chegarmos aonde queremos estar, é necessário entender que nada é urgente. E se um dia parecer que é, talvez seja a vida avisando, com um certo atraso, que você poderia ter providenciado antes.até virarNada era pressa,O mundo não nasceu correndo. Nós que começamos a apertar o passo. Nesse contexto, o dia amanhece, o sol se põe... e, entre um afazer e outro, o tempo corre, passa, atropela. Nossa agenda urra pelos excessos, mas seguimos preenchendo cada página com atividades das quais sabemos que não conseguiremos dar conta.Vivemos como se tudo estivesse atrasado. Não há solidez em nosso planejamento diário. O café esfria porque já estamos pensando no almoço. O almoço passa porque o celular vibra. A conversa acaba porque alguém precisa resolver alguma coisa rapidamente. O dia termina, mas aquela sensação estranha de que fizemos muito, mas não fizemos nada permanece dia após dia. A urgência virou um vício elegante. Parece que quanto mais ocupado estamos, mais importantes acreditamos ser.Embora a verdade seja outra. E ela costuma ser bem dolorida. Quase nada é realmente urgente. E não é mesmo. Apenas nos moldamos a querer jogar para o outro a responsabilidade sobre aquilo que não providenciamos a tempo. Resultado: o corpo avisa antes de quebrar, mas nem sempre o ouvimos. O amor reclama antes de ir embora, mas não o percebemos. O cansaço cochila antes de gritar. Mas há mesmo o grito dos inocentes? Se virou emergência, quase sempre foi porque ignoramos os sinais, adiamos o essencial, deixamos para depois o que pedia o agora.O tempo não retroage. A pressa tem um talento perverso: disfarçar o descuido de produtividade. Seguimos cheios de afazeres, sem tempo, com pressa, sob pressão. Então percebemos que a solidez que imaginamos ter não passa de farelos, mas esperada. O grande sucesso do celular hoje é por sabermos que, diferente do ontem, o telefone, o e-mail, a mensagem instantânea com fotos, vídeos e filtros estão na palma da mão. Paciência aqui pode até ser sinônimo de solidez ou um ato de rebeldia. É difícil desligar o modo automático em um mundo que exige respostas imediatas. O sentar-se sem culpas, ouvir sem interromper nem ser interrompido, fazer uma coisa de cada vez, mesmo que o resto reclame. E a solidez da qualidade do que é feito segue ficando para depois.A urgência não nasce do tempo, ela vem da ausência, da falta de atenção, do cuidado, da procrastinação. Chegar antes é difícil: é olhar, sentir, perceber, escutar. É não empurrar para amanhã o que sustenta hoje.Então, pare, inspire, expire e reflita. Longe de uma meditação. Mas, para sermos sólidos no que fazemos, na profissão que temos, e para chagarmos aonde queremos estar, é necessário entender que nada aqui é urgente. E se um dia parecer que é, talvez seja a vida avisando, com certo atraso, que você podia ter providenciado antes. seguimos correndo para não sentir, acelerando para não pensar, empilhando tarefas... e quando nos damos conta já estamos cansados demais para lembrar quando a calma, o fôlego e o caminho foram perdidos.Não dá mais para esperar chegar ao escritório para resolver aquele problema do trabalho. Não dá mais para chegar em casa e finalmente atender aquela ligação