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Published by Renato Cataneo, 2021-04-24 11:37:05

Apostila Máquinas Agrícolas

YBR Cursos

OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS
Nome do aluno:
© 2021. YBR Cursos. Todos os direitos reservados.
www.ybrcursos.com.br
OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
SUMÁRIO
1. ÉTICA E PROFISSÃO.......................................................................................................... 03 1.1 Ética e Moral.................................................................................................................. 04 1.2 Ética e Cidadadania........................................................................................................ 04 1.3 Ética Profissional............................................................................................................ 05 1.4 Comportamento Ético Profissional................................................................................ 05 1.5 Direitos x Deveres.......................................................................................................... 08 2. EMPREGABILIDADE.......................................................................................................... 11 2.1 Dicas para obter sucesso nessa busca por uma vaga...................................................... 15
3. PROFISSÃO OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS........................................................ 21
21 21 22
3.1 Divisões de categorias da CBO 6410-15...........................................................................
3.2 Descrição de cargos.........................................................................................................
3.3 Condições de trabalho.....................................................................................................
3.4 Exigências do mercado de trabalho................................................................................ 22 3.5 Funções........................................................................................................................... 22 3.6 Atividades........................................................................................................................ 22 3.7 Competencias................................................................................................................ 24 3.8 O Operador de Máquinas Agrícolas................................................................................. 25 3.9 Segurança ao operar máquinas...................................................................................... 26 3.10 Responsabilidade do Operador de máquinas............................................................... 27 3.11 Polivalência x Especialização........................................................................................ 27 3.12 Mercado de Trabalho e carreia como Operador de Máquinas..................................... 28 4. CONCEITO DE MÁQUINAS................................................................................................ 30 4.1 Máquinas Agrícolas......................................................................................................... 30 5. TRATORES......................................................................................................................... 37 5.1 Classificação Geral......................................................................................................... 39 6.COLHEITADEIRAS............................................................................................................... 42 7. PULVERIZADORAS ...................................................................................................... 50 8. FUTURO DAS MÁQUINAS AGRICOLAS ......................................................................... 59 EXERCICIOS........................................................................................................................... 63 REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA............................................................................................... 65 ANOTAÇÕES.......................................................................................................................... 66
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
1. ÉTICA E PROFISSÃO 1.1 Ética e Moral
Os termos possuem origem etimológica distinta. A palavra “ética” vem do Grego “ethos” que significa “modo de ser” ou “caráter”. Já a palavra “moral” tem origem no termo latino “morales” que significa “relativo aos costumes”.
Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional, fundamentada, científica e teórica. É uma reflexão sobre a moral (SIGNIFICADO, 2015).
Moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por cada cidadão. Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau.
No sentido prático, a finalidade da ética e da moral é muito semelhante. São ambas responsáveis por construir as bases que vão guiar a conduta do homem, determinando o seu caráter, altruísmo e virtudes, e por ensinar a melhor forma de agir e de se comportar em sociedade.
Em um sentido mais prático podemos compreender um pouco melhor esse conceito examinando certas condutas do nosso dia a dia, quando nos referimos por exemplo, ao comportamento de alguns profissionais tais como um médico, jornalista, advogado, empresário, um político e até mesmo um professor. Para estes casos, é bastante comum ouvir expressões como: ética médica, ética jornalística, ética empresarial e ética pública, mas também existe a ética relacionado a todos os trabalhadores, inclusive dos operadores de máquinas de máquinas agrícolas.
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
A ética pode ser confundida com lei, embora que, com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Porém, diferente da lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; mas a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas pela ética.
A ética abrange uma vasta área, podendo ser aplicada à vertente profissional. Existem códigos de ética profissional, que indicam como um indivíduo deve se comportar no âmbito da sua profissão. A ética e a cidadania são dois dos conceitos que constituem a base de uma sociedade próspera (SIGNIFICADO, 2015).
1.2 Ética e Cidadania
Cidadania significa o conjunto de direitos e deveres pelo qual o cidadão, o indivíduo está sujeito no seu relacionamento com a sociedade em que vive. O termo cidadania vem do latim, civitas que quer dizer “cidade”.
Um dos pressupostos da cidadania é a nacionalidade, pois desta forma ele pode cumprir os seus direitos políticos. No Brasil os direitos políticos são orquestrados pela Constituição Federal. O conceito de cidadania tem se tornado mais amplo com o passar do
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
tempo, porque está sempre em construção, já que cada vez mais a cidadania diz respeito a um conjunto de parâmetros sociais.
Com o passar dos anos, a cidadania no Brasil sofreu uma evolução no sentido da conquista dos direitos políticos, sociais e civis. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer, tendo em conta os milhões que vivem em situação de pobreza extrema, a taxa de desemprego, um baixo nível de alfabetização e a violência vivida na sociedade (PORTAL MEC, 2015).
A ética e a moral têm uma grande influência na cidadania, pois dizem respeito à conduta do ser humano. Um país com fortes bases éticas e morais apresenta uma forte cidadania (SIGNIFICADO, 2015).
1.3 Ética Profissional
Ética profissional é o conjunto de normas éticas que formam a consciência do profissional e representam imperativos de sua conduta.
Ser ético é agir dentro dos padrões convencionais, é proceder bem, é não prejudicar o próximo. Ser ético é cumprir os valores estabelecidos pela sociedade em que se vive.
O indivíduo que tem ética profissional cumpre com todas as atividades de sua profissão, seguindo os princípios determinados pela sociedade e pelo seu grupo de trabalho.
Cada profissão tem o seu próprio código de ética, que pode variar ligeiramente, graças a diferentes áreas de atuação.
No entanto, há elementos da ética profissional que são universais e por isso aplicáveis a qualquer atividade profissional, como a honestidade, responsabilidade, competência e etc.
1.4 Comportamento Ético Profissional
Agir corretamente hoje não é só uma questão de consciência. É um dos quesitos fundamentais para quem quer ter uma carreira longa e respeitada. Em escolhas aparentemente simples, muitas carreiras brilhantes podem ser jogadas fora. Atualmente, mais do que nunca, a atitude dos profissionais em relação às questões éticas pode ser a diferença entre o seu sucesso
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
e o seu fracasso. Basta um deslize, uma escorregadela, e pronto. A imagem do profissional ganha no mercado a mancha vermelha da desconfiança.
Ser ético é uma característica fundamental. Cada vez mais as organizações estão adotando o hábito de checar o passado dos candidatos a alguma vaga. Quem tem a ficha limpa sempre terá as portas abertas nas melhores empresas do mercado. Mas afinal, como é esse profissional?
Ser ético nada mais é do que agir direito, proceder bem, sem prejudicar os outros. É ser altruísta, é estar tranquilo com a consciência pessoal. É também agir de acordo com os valores morais de uma determinada sociedade.
Qualquer decisão ética tem por trás um conjunto de valores fundamentais. Entre eles: ser honesto em qualquer situação, ter coragem para assumir decisões, ser tolerante e flexível, ser íntegro, educado, fiel, humilde e prudente.
Empresas não são apenas entidades jurídicas, elas são formadas por pessoas e só existem por causa delas. Por trás de qualquer decisão, de qualquer erro ou imprudência, estão seres de carne e osso. E são eles que vão viver as glórias ou os fracassos da organização. Quanto mais uma organização se destaca no mercado, mais se deve preocupar com as relações éticas. Errar é humano, mas falhas éticas destroem carreiras e organizações.
Para saber se uma empresa é ou não ética é preciso verificar a maneira como ela se planeja e cria soluções para evitar deslizes e problemas. Prevenção é a palavra de ordem em qualquer organização que valorize a ética nos seus negócios e no ambiente de trabalho.
Ética gera questões extremamente delicadas e, na maioria das vezes, de foro íntimo. Não existe uma receita universal, pronta e completamente eficaz para resolver essas questões. A decisão sempre varia de pessoa para pessoa, de consciência para consciência. Cada um tem seus limites, impostos por suas crenças e pelas leis, e deve segui-los.
O que fazer para andar com um pouco mais de segurança nesse terreno nebuloso? Eis algumas estratégias:
 Não faça nada que não possa assumir em público.
 Avalie detalhadamente os valores da sua empresa ou da empresa na qual trabalha ou
para quem trabalha. Certifique-se de eles combinam com os seus.
 Trabalhe sempre com base em fatos. Não julgue baseando-se em suposições.
 Avalie os riscos de cada decisão que tomar. Meça, cuidadosamente, as consequências
do seu ato em relação a todos os envolvidos.
 Uma empresa ética exige não apenas produtos e serviços de qualidade, mas também de
conteúdo ético: recolher impostos, remunerar dignamente, preservar a ecologia, o meio
ambiente, interagir com lealdade e participar da comunidade.
 Saiba ouvir. É aconselhável ouvir mais do que falar, especialmente em se tratando de
reclamações e consultas de clientes e empregadores.
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
 Trabalhe bem com os temas polêmicos: todas as promessas com relação a atendimento e prazos, inclusive as mais informais, devem ser rigorosamente cumpridas.
 Evite rivalidades. É necessário cultivar boas relações dentro e fora das equipes.
 Evite clientelismos, privilégios e deixar vazar informações. Também é ético assegurar-se de que as informações foram claras, completas, transparentes e bem recebidas pelo outro.
 Não comente NADA que viu ou ouviu.
 Não fume durante seu horário de trabalho e apresente-se
sóbrio ao trabalho.
 Planeje suas ausências no ambiente de trabalho, sempre que
possível, de modo a permitir fluxo normal das
responsabilidades.
 Demonstre interesse pelo próprio desenvolvimento,
participando de reuniões, encontros e eventos de formação,
treinamento e desenvolvimento.
 Seja pontual em termos do horário de trabalho. Observe
políticas, normas e procedimentos.
 Zele pelo bom nome da empresa. Comunique-se, relacione-
se, aja de forma irrepre ensível, dentro e fora da organização.
 Aja de modo participativo, compartilhado, de modo que um problema em qualquer ponto da organização seja
responsabilidade de todos e de cada um.
 Tenha moral elevado e contribua para manutenção do clima
de trabalho em alto nível.
 Zele pelo bom nome dos colegas. Varra de sua vida a
fofoca.
 Respeite seus empregadores, superiores ou
encarregados.
 Cumpra as Normas de Segurança.
 Não se omita. Assuma seus erros. Quando perceber
alguma coisa errada, procure ajudar a consertar.
 Informações confidenciais não de vem sair da empresa
em hipótese alguma.
Ser e manter-se um profissional ético não é fácil de administrar, principalmente para nós brasileiros que fomos criados sob a ética da Lei de Gerson, do jeitinho, da vantagem acima de tudo. Socialmente aprendemos que é preciso fazer o correto, mas na informalidade impera a ideia de que não há nada de errado em levar vantagem. Há corruptos em outros lugares do mundo, mas no Brasil pequenos delitos são apoiados e até elogiados por amigos e pela família.
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
1.5 Direitos X Deveres
Vivemos numa sociedade detentora da informação, atualmente, temos acesso as informações de maneira rápida, mas nem sempre exatas e imparciais. Um exemplo disso é a pergunta a seguir:
Quantos direitos trabalhistas você conhece? Cite 10 direitos que a Legislação Trabalhista lhe garantem como um colaborador.
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Você provavelmente não teve dificuldade em listar os 10 itens solicitados anteriormente. Entre os itens citados, provavelmente estão contrapartida financeira (salário e outros), vale transporte, seguro-desemprego, FGTS, multa do FGTS de 40%, 13o salário, férias, adicionais noturnos, licença maternidade, licença paternidade, hora-extra, adicionais (insalubridade, periculosidade e etc.), aviso-prévio, ação trabalhista entre outros.
Porém, se invertermos a pergunta, e solicitarmos quais são seus deveres como trabalhador, quantos você conseguiria citar com a mesma velocidade? 3, 4, 5? Mais? Cite-os logo a seguir:
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
Esperamos que você faça parte de um seleto grupo que conhece tanto seus direitos quanto seus deveres, mas isso não é muito comum, por exemplo, as pessoas ficam bastante irritadas e se sentem injustiçadas quando recebem seus salários atrasados, mas algumas, não se importam da mesma forma em realizar um pagamento atrasado para outra pessoa ou empresa. Neste caso, quase sempre, encontram uma justificativa para o atraso (problema de saúde, desemprego, não gostou do serviço, está insatisfeito e etc..).
Então é importante ressaltar que temos direitos em todas as áreas, mas também temos deveres. E o dever, vem antes do direito. Dessa forma vamos listar alguns dos principais deveres de um trabalhador, de acordo com a CLT:
 Agir com probidade, isto é, integridade, honestidade e retidão.
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
 Respeitar o sigilo profissional, que consiste em não divulgar informações confidenciais da empresa;
 Cumprir o contrato e realizar as tarefas com competência.
 Ter um bom comportamento - Incontinência de conduta refere-se à prática de atos por
parte do empregado que caracterize o desvirtuamento de seu comportamento, porém, acompanhado de motivação relacionada à sexualidade; Mau procedimento refere-se a prática de atos por parte do empregado que importe em uma atitude desrespeitosa, irregular, incorreta, dele trabalhador com regras previstas no contrato de trabalho ou que violem as regras internas da empresa. Art 482, b, CLT;
 Não praticar ato de indisciplina - Vincula-se ao descumprimento das normas gerais do empregador, costume na empresa, circulares, regulamento interno, etc. Art 482, h, CLT;
 Não praticar ofensas físicas e moral - Nos termos das alíneas j e k, ambas do artigo 482 da CLT, constitui motivo ensejador de demissão por justa causa de empregado o fato deste cometer ato lesivo a honra ou boa fama ou ato que importe em ofensa física praticado contra o seu empregador e superiores hierárquicos ou mesmo contra qualquer pessoa;
 Agir com integridade de caráter; A improbidade constitui motivo ensejador de justa causa, diz respeito à conduta do
empregado e, geralmente, revela o seu
mau caráter. Art 482, a, CLT;
 Não apresentar-se para trabalhar alcoolizado; Pode se configurar no emprego ou fora, nesse último caso deve habitualmente, já no primeiro pode se dar uma única vez. Art 482, f, CLT;
 Deixar de cumprir as obrigações do
contrato; Configura a desídia o
conjunto de pequenas faltas que demonstram o quadro de indiferença
do empregado para com o serviço, Art. 482, e, CLT;
 Não faltar ao trabalho sem aviso prévio; configura a desídia o conjunto de pequenas faltas que demonstram o quadro de indiferença do empregado para com o serviço. Art , 482, 'e"CLT; O abandono de emprego deve ser entendido como a conduta do empregado que deixa seu emprego, desistindo de trabalhar na empresa, alínea i do artigo 482 da CLT;
 Não ser invasivo em assuntos que diz respeito apenas a direção da empresa. Nos termos da alínea g do artigo 482 da CLT, constitui motivo ensejador de demissão por justa causa o fato do empregado revelar segredo da empresa.
 Trabalhar com zelo e diligência;
 Respeitar e tratar com gentileza e retidão o empregador, os superiores hierárquicos e os
colegas, entre outros;
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
 Cumprir ordens e instruções do empregador e superior hierárquico, relativas à execução e disciplina do trabalho e segurança e saúde no trabalho;
 Ser leal com o empregador, nomeadamente não negociando por conta própria ou alheia em concorrência com ele. O sigilo em relação aos métodos de trabalho ou negócio é outro ponto a cumprir;
 Zelar pela conservação e boa utilização de bens relacionados com o trabalho;
 Contribuir para o aumento da produtividade da empresa.
 No caso de incumprimento dos deveres do trabalhador, o empregador pode exercer
sobre si o seu poder disciplinar, aplicando diferentes tipos de sanções, de acordo com a gravidade da sua infração (artigo 126, do CLT).
Utilizamos as questões relacionadas ao direito e deveres trabalhistas para discutirmos um tema muita mais amplo, o fato de sermos sempre conhecedores de nossos direitos e nem sempre conhecermos os nossos deveres com a mesma força e informação. Isso se estende ao nosso direito como consumidor, como cidadão, como pais, como filhos, como parte de uma sociedade. E é sobre isso que precisamos refletir!!!! É importante que façamos esses questionamentos a nós mesmos, para que nos tornemos pessoas melhores!
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
2. EMPREGABILIDADE
No sentido mais comum, ‘empregabilidade’ tem sido compreendida como a capacidade de o indivíduo manter-se ou reinserir-se no mercado de trabalho, denotando a necessidade de o mesmo agrupar um conjunto de ingredientes que o torne capaz de competir com todos aqueles que disputam e lutam por um emprego.
O operador de máquinas agrícolas é fundamental em qualquer trabalho no campo. É das suas mãos que partem os comandos dados aos equipamentos, e com uma boa atuação eles conseguem reduzir perdas e maximizar a produtividade das
lavouras.
Assim, essa profissão demanda cada vez mais preparo e conhecimento. Os equipamentos agrícolas modernos são máquinas inteligentes e precisas, que automatizam muitas tarefas. Por outro lado, erros na sua operação podem prejudicar o cultivo, gerar desperdícios e até mesmo acidentes de trabalho graves.
Portanto, ainda que não seja um trabalho tão duro como literalmente pegar na enxada, operar uma máquina agrícola é uma responsabilidade imensa, que demanda concentração, prudência, dedicação e conhecimento técnico.
Para evoluir como operador de máquinas agrícolas é preciso, então, combinar a tradição do conhecimento do campo e das lavouras com a disposição para aprender mais e se atualizar o tempo todo.
Se você está procurando emprego na área ou pensando em se tornar um operador de máquinas agrícolas precisa, em primeiro lugar, estar constantemente atento aos avanços da tecnologia. Afinal, as máquinas são sempre substituídas por outras mais eficientes e você precisa saber conduzi-las. Além disso, uma boa máquina só faz um bom trabalho quando conduzida por um operador de máquinas agrícolas habilidoso e competente. É preciso dedicação e investimento constante em capacitação. Mas, o que se pode esperar dessa profissão no futuro próximo? (BAMAQ MAQUINAS, 2021).
No cenário atual, no agronegócio estão as principais atividades econômicas nas quais um operador de máquinas agrícolas pode se inserir. Nesse sentido, as perspectivas são animadoras, afinal, é um dos setores de maior movimento no país e com expectativas de crescimento promissor.
O agronegócio é um setor em franco crescimento já durante a crise ocasionada pela pandemia. Em 2020, o segmento aumentou a produção de alimentos em 20% para abastecer o
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
mercado nacional, e ainda, para exportar para parceiros comerciais. Vale lembrar ainda que o agronegócio responde por 25% do PIB brasileiro, garante 20% dos empregos do país e corresponde a 40% das exportações. (Dados da Embrapa).
Para que você entenda o que o mercado espera de um bom operador e o que é necessário para tornar-se um, confira as dicas a seguir:
1) Vontade de aprender: tenha um profundo conhecimento da máquina que está operando:
Além do curso que lhe garantirá o conhecimento sobre o setor e o maquinário, é importante se aprofundar a respeito da aparelhagem com a qual trabalhará. Pesquise sobre as suas potencialidades, regulagem, manuais, enfim, todos os detalhes.
Esse profundo conhecimento garantirá mais segurança, além de melhorar a produtividade. Assim, se tiver dúvidas busque informações. E se a empresa ou fazenda oferecer um treinamento, não desperdice a oportunidade e mostre seu empenho em aprender!
2) Dedicação: saiba com o que está lidando
Ter o conhecimento do maquinário e saber exatamente como operá-lo são ações de extrema importância, mas saber tudo sobre o produto com o qual está lidando também se faz necessário. Sabendo mais sobre o que está produzindo você consegue desempenhar melhor a tarefa e até prever possíveis erros, já que alguns produtos são bastante frágeis e exigem uma agilidade ou cuidado maior.
Assim, lembre-se que o Trator de Esteira é utilizado para a movimentação de material, limpeza, nivelamento e preparo do solo, enquanto uma máquina de colheita vai combinar diversas tarefas, como colheita, debulha e limpeza de culturas de grãos, que podem ser de milho,
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
linhaça, aveia e trigo, por exemplo.estar em uma plantação. Quando o operador de máquinas agrícolas sabe sobre o item com o qual trabalha, pode ter mais cuidados com ele. Viu só? Operar máquinas é algo que vai além de dirigir ou apertar botões!
3) Capacidade de decisão: respeite os limites da máquina
Ainda que você queira turbinar o processo de trabalho, é imprescindível respeitar os limites da máquina e da produção. Por isso, não exija mais do que ela aguenta, pois o resultado pode ser bastante catastrófico. Dessa forma, não sobrecarregue o equipamento pois isso pode causar um acidente.
4) Concentração: não se descuide com distrações
Algumas máquinas podem oferecer muitos riscos ao profissional caso sejam operadas de forma errada. Existem vários casos de pessoas que se acidentaram por não terem o real conhecimento do processo ou simplesmente por se distraírem.
Por isso é tão importante manter o foco no trabalho e evitar distrações. Concentração é primordial para os profissionais que desejam atuar como operadores de máquinas a fim de não comprometer a produtividade.
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
5) Prudência: não se esqueça dos padrões de segurança
Existem máquinas bastante perigosas, por exemplo, uma retroescavadeira. Portanto, nunca descuide dos equipamentos de segurança. Se é preciso usar luvas especiais, por exemplo, use-as.
Respeitar normas é uma das principais qualidades de um operador de máquina. Do contrário pode trazer prejuízos para o empregador, ou pior, causar acidentes.
6) Habilidades mecânicas: não deixe o trabalho parar
Mais do que executar a tarefa mecanicamente o operador de máquinas agrícolas precisa ser um profissional que estuda a respeito do setor, está sempre em busca de atualização, além de manter a tranquilidade e a capacidade de resolver eventuais problemas rapidamente. Assim, ele ainda precisa conhecer um pouco de mecânica para que possa consertar problemas pequenos que prejudicam seu trabalho na máquina, como um simples parafuso solto.
Um bom operador é capaz de reduzir a depreciação do maquinário e os custos de manutenção com o uso correto da ferramenta. Além disso, também minimiza perdas e desperdícios em todas as etapas do cultivo, o que reflete em uma produtividade maior e despesas reduzidas.
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
2.1 Dicas para obter sucesso nessa busca por uma vaga
Para competir com todos que disputam e lutam por uma vaga de Operador de Maquinas Agrícolas é fundamental que o candidato fique atento a algumas dicas:
1. Currículo
O currículo é a principal ferramenta para conseguir trabalho. É preciso manter o documento atualizado e as informações devem estar bem organizadas. Evite currículos muito longos, faça um resumo em todos os tópicos para facilitar a leitura e a compreensão da sua carreira profissional pelo recrutador e não se esqueça de colocar detalhadamente somente as três últimas experiências.
Para aqueles que tem dificuldades na hora de construir um currículo e deixa-lo bem apresentado, uma alternativa é os sites que auxiliam no preparado de currículos sem custo, nele o candidato pode ir preenchendo as opções de informação, escolhe um modelo e imprimir ou enviar para quem quiser.
Nesse momento, qual tipo de operador você deseja ser mesmo?
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
2. Busca de vagas
Para encontrar as vagas abertas recorra à internet. Nas redes sociais faça parte dos grupos de emprego da sua região. Visite os produtores e agricultores da sua região. Já nos sites, confira as vagas postadas diariamente. É importante verificar a veracidade de cada oportunidade, ao saber da vaga, procure mais informações sobre a empresa e tenha a certeza de que ela realmente está contratando. Nos jornais, fique atento aos classificados semanalmente! Use a internet para pesquisar vagas de emprego.
3. Faça um cronograma
O ideal é montar um cronograma para distribuir currículos e mandá-los por e-mail. Faça uma lista com todas as empresas que possuem vagas em aberto e escolha um dia da semana para entregar os currículos pessoalmente, mesmo que você já tenha enviado por e-mail. Essa atitude demonstra ainda mais interesse pelo trabalho ofertado.
4. Consultorias de RH
Algumas empresas contam com as consultorias para fazer a contratação na área agrícola, portanto, entregar currículo em alguma delas, é a certeza de que o seu perfil será analisado e quem sabe encaminhado para das vagas lá disponibilizadas.
O operador de máquinas agrícolas é um profissional que vai lidar diariamente com um dos principais patrimônios de um produtor rural: o seu maquinário. O investimento realizado para adquirir equipamentos agrícolas é algo que pesa no bolso de boa parte dos agricultores. Portanto, não seria inteligente deixar essas máquinas nas mãos de uma pessoa desqualificada.
Mas fazer uma boa contratação pode ser um desafio grande. No segmento agrícola, é incomum que os produtores tenham um setor de Recursos Humanos próprio ou qualquer tipo de processo formal na contratação de mão de obra. Com isso, pode acontecer de a pessoa escolhida para assumir essa função não ser, de fato, a melhor opção.
E mesmo com um processo seletivo mais afiado, pode ser difícil encontrar o candidato certo para a posição de operador de máquinas agrícolas, já que as competências exigidas não são poucas. Por essa razão, aproveite essa oportunidade de capacitação, mas amplie seus conhecimentos nas demais áreas correlacionadas.
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
5. Fique atento a caixa de e-mails e ao seu WhastApp
Ao analisar o currículo, as empresas/produtores e fazendeiros/agricultores também fazem contato com os profissionais através do telefone de contato do currículo, por isso é importante manter o celular sempre por perto para não perder nenhuma ligação. Porém, algumas convocam os candidatos para entrevista por e-mail ou WhatsApp, então vale a pena verificar a todo dia.
6. Não crie raízes
Caso não queira arriscar tanto e continuar atuando na área que possui experiência, não
crie raízes. Procure oportunidades em todas as regiões do país e deixe claro no currículo a disponibilidade para mudança.
7. Esteja aberto a propostas
As propostas de salário em meio à crise econômica não costumam ser muito animadoras, mas é preciso colocar na balança e ter a consciência de que continuar desempregado com certeza é menos vantajoso do que ganhar abaixo do esperado. Esteja aberto a mostrar seu trabalho, a fazer além do que lhe é solicitado e resistir no ambiente adverso dessa profissão.
Afinal, você escolheu ser um Operador de Máquinas raiz, não é mesmo?
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
8. Vagas temporárias
É preciso aproveitar a oportunidade, as empresas costumam efetivar grande parte dos empregados temporários. Aprenda a mostrar seu trabalho, nem que seja gratuitamente, ofereça seus serviços por um intervalo de tempo para que a empresa conheça você. Seja o mais dedicado, o primeiro a chegar, o último a sair, aquele que é solicito a todos, humilde, mas seguro de si e de sua capacidade.
9. Comportamento na entrevista e nas redes sociais
A decisão do recrutador, gerente ou empregador é totalmente influenciada pelo comportamento do candidato na entrevista. Nunca haja como se já estivesse preparado para tudo, é importante reconhecer e expor os pontos a desenvolver, mas não passe maior parte da entrevista falando sobre seus pontos negativos. Dê destaque a todas as suas habilidades como profissional! Preocupe-se com o seu desempenho na entrevista.
Atenha-se as perguntas relacionadas ao seu trabalho, quais atividades deverá fazer, em quais locais, quais máquinas irá operar. Evite perguntas como qual é o salário, benefícios e fatores relacionados apenas aos seus benefícios. Demonstre preocupação em atender as necessidades da empresa.
Fique atento ao seu perfil nas redes sociais. Trata-se de prática comum atualmente dos contratantes e empregadores analisarem seu passado, seu comportamento, mas também suas manifestações nas redes sociais. Que tipo de pessoa é você, qual seu hobby, você é mais familiar ou mais independente? Gosta de festa? Mais na igreja? Qual sua posição politica, sua relação com temáticas como preconceito, racismo e outros. Tudo conta.
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
Então faça uma análise das suas redes sociais e prepare-as para o Operador de Máquinas Agrícolas que você está disposto a ser!
10. Demonstre interesse
Não são todos os candidatos que são contemplados com a chance de contato direto com o gestor da empresa. Por este motivo, principalmente nas entrevistas com gerentes e coordenadores, é importante evidenciar a vontade de trabalhar e de fazer parte da equipe da empresa.
11. Estude
É comum fazer parte dos processos seletivos provas de conhecimentos gerais. Portanto, revisar conteúdos de matemática e língua portuguesa é muito importante para não correr o risco de ser reprovado nessa etapa.
12. Mantenha-se atualizado
As empresas buscam pessoas bem informadas e muitas vezes questionam o candidato sobre diversos assuntos que estão em alta na mídia, o que pode acontecer na redação ou durante a entrevista. Ler jornais e assistir noticiários ajuda. Mantenha-se atualizado e au mente as suas chances.
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
13. Invista em você
É principalmente durante a crise que os empregadores exigem profissionais capacitados e mão de obra qualificada para contribuir com os resultados da empresa. Faça cursos, cursos gratuitos, assista palestras na internet e leia o máximo de informações sobre a sua área de atuação.
Como em qualquer trabalho diretamente relacionado com a
tecnologia, a capacitação de um operador de máquinas agrícolas tem
um prazo de validade. Mesmo que ele domine a operação de um
equipamento específico, em alguns anos essa máquina pode estar obsoleta, e será necessário aprender a lidar com uma nova.
A recomendação principal aqui é tentar se manter conectado com as novidades e tendências da área, participando de eventos de agricultura e acompanhando publicações especializadas, sejam revistas, sejam páginas na internet.
E para se capacitar, é interessante participar dos treinamentos promovidos pelos próprios fabricantes de máquinas e cursos profissionalizantes que são boas opções para adquirir mais conhecimento técnico, assim como a leitura de manuais e materiais de referência das máquinas.
Agora você já tem informações úteis de como arrumar emprego. Coloque as nossas dicas em prática e com certeza será possível voltar ao mercado de trabalho.
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
3. PROFISSÃO OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS
Por meio desta publicação o Ministério do Trabalho e Emprego - MTE disponibiliza à sociedade a Classificação Brasileira de Ocupações – CBO. A CBO é o documento que reconhece, nomeia e codifica os títulos e descreve as características das ocupações do mercado de trabalho brasileiro. Sua atualização e modernização se devem às profundas mudanças ocorridas no cenário cultural, econômico e social do País nos últimos anos, implicando alterações estruturais no mercado de trabalho (CBO, 2017).
No caso dos Operadores de Máquinas Agrícolas, veja o que descreve a CBO.
CBO 6410-15 é o Código Brasileiro da Ocupação de trabalhadores da mecanização agrícola que pertence ao grupo dos trabalhadores da mecanização agropecuária, segundo a tabela CBO divulgada pela Secretaria Especial da Previdência e Trabalho do Ministério da Economia (antigo MTE - Ministério do Trabalho).
Agora vamos ver as funções
desempenhadas pelo cargo, descrição de atividades principais, atribuições, mercado de trabalho para a função.
3.1 Divisões de categorias profissionais do CBO 6410-15
 Trabalhadores agropecuários, florestais e da pesca.
 Trabalhadores da mecanização agropecuária e florestal.
 Trabalhadores da mecanização agropecuária.
 Trabalhadores da mecanização agrícola.
3.2 Descrição dos cargos da categoria trabalhadores da mecanização agrícola
Os Trabalhadores da mecanização agrícola CBO 6410-15 operam, ajustam e preparam máquinas e implementos agrícolas. Realizam manutenção em primeiro nível de máquinas e implementos. Empregam medidas de segurança e auxiliam em planejamento de plantio.
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
3.3 Condições de trabalho
Essas ocupações são exercidas por trabalhadores com carteira assinada empregados na agricultura e na pecuária. O trabalho é exercido em equipe, com supervisão ocasional. O operador de máquina de beneficiamento de produtos agrícolas trabalha em ambiente fechado, o operador de colheitadeira e o tratorista agrícola trabalham em veículos. O trabalho é realizado em rodízio de turnos, diurno e noturno. Os profissionais estão expostos a materiais tóxicos e a ruído intenso.
3.4 Exigências do mercado de trabalho
Essas ocupações são exercidas por trabalhadores com escolaridade de até quarta série do ensino fundamental. A experiência profissional ocorre com a prática do dia a dia e ocorre em cerca de de um a dois anos. Os cargos listados nesta família ocupacional, demandam formação profissional para efeitos do cálculo do número de aprendizes a serem contratados pelos estabelecimentos, nos termos do Consolidação das Leis do Trabalho - CLT.
3.5 Funções dos Trabalhadores da mecanização agrícola CBO 6410-15
Trabalhadores da mecanização agrícola devem:
 preparar máquinas e implementos;
 empregar medidas de segurança;
 operar máquinas e implementos agrícolas;
 ajustar máquinas e implementos;
 demonstrar competências pessoais;
 realizar manutenção em primeiro nível de máquinas e implementos;
 auxiliar em planejamento de plantio;
3.6 Atividades dos cargos
Entre as principais atribuições dos Trabalhadores da mecanização agrícola CBO 6410-15 estão as de:
 atentar para intempéries;
 verificar nível de água e óleo;
 programar horários de atividades de máquinas;
 dar prova de resistência física;
 limpar filtro de ar;
 manifestar iniciativa;
 controlar painel de comandos e instrumentos;
 acionar alavancas;
 fixar balizas em solo;
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 conferir ruídos de máquinas e implementos;
 trocar peças de implementos e máquinas;
 trocar óleos e filtros;
 colocar óculos, abafadores, máscaras e luvas;
 engrenar máquinas agrícolas estacionadas;
 assessorar em treinamento de colegas;
 informar dados de profundidade e umidade de solo;
 guardar máquinas, implementos e equipamentos;
 regular velocidade de máquinas;
 ligar e desligar implementos;
 trabalhar em equipe;
 contar sementes germinadas;
 vestir uniformes de proteção individual;
 lavar máquinas e implementos;
 regular quantidade de sementes e adubos;
 engraxar rolamentos, engrenagens e buchas;
 carregar e descarregar adubos e colheitas;
 ajustar profundidade e largura de implementos;
 programar rotações de motor e turbinas;
 controlar barras de pulverização;
 ligar e desligar máquinas;
 propor medidas para aprimoramento de plantio;
 coletar amostra de solo;
 auxiliar em planejamento de direção de plantio de lavoura;
 manifestar atenção difusa;
 inverter polias;
 calçar botas;
 regular altura de máquinas e implementos;
 trocar pneus;
 misturar agrotóxicos e fertilizantes;
 sinalizar áreas de riscos de acidentes;
 ajustar baliza de plantadeira;
 encapar correias, correntes e giratórias de motor;
 armazenar produtos químicos;
 confirmar desligamento de máquinas e implementos;
 colocar água em pneus e baterias;
 calibrar pneus;
 abastecer máquinas e implementos;
 manifestar coordenação motora múltipla;
 verificar condições de filtro de ar;
 acoplar implementos em trator;
 auxiliar em planejamento de quantidade de sementes e adubos por área de plantio;
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
 conferir tensionamento de correias;
 testar germinação de sementes;
3.7 Competências necessárias
O operador de máquinas agrícolas é um dos profissionais mais importantes para os resultados na agricultura. Responsável por comandar os equipamentos das lavouras, ele precisa ter uma boa capacitação teórica, prática e conhecimentos sobre as tecnologias disponíveis.
A mecanização transformou o trabalho no campo. Hoje, uma equipe relativamente pequena de trabalhadores é capaz de render mais do que centenas de lavradores conseguiam há relativamente pouco tempo atrás. E, além de novas técnicas, uma parte importante dessa mudança são as novas máquinas, como colhedoras, adubadoras e pulverizadores. São máquinas com piloto automático, que dispensam a direção do operador em todo o percurso, se tornaram mais comuns nas lavouras; em breve, veículos totalmente automatizados devem chegar ao campo.
Por essa razão, o conhecimento de informática é fundamental para os operadores, já que muitas vezes é mais importante as configurações do software do maquinário do que a direção manual. Mesmo equipamentos de pequeno porte já estão com bastante tecnologia embarcada, e o operador deve estar familiarizado com ela e capaz de aprender com rapidez as novidades do mercado.
Outra habilidade importante é a capacidade de interpretação de relatórios de operação. Saber o que os números significam é decisivo para entender a hora de realizar manutenção nas máquinas ou a simples correção de ajustes. Também é importante ser capaz de compreender quando o equipamento está sendo “forçado” além dos seus limites operacionais.
Naturalmente, o conhecimento básico da operação agrícola também é um pré-requisito para os operadores. Saber como funciona o trabalho no campo, quando plantar e quando colher, quais as principais pragas e a relação com o clima é algo necessário para o sucesso da produção.
Mesmo que o operador não seja a pessoa que tomará as decisões relacionadas à operação, ele precisa ter uma boa visão desses processos, para que seja capaz de encaixar suas responsabilidades com facilidade no planejamento geral.
Por fim, é interessante que o operador tenha boas noções de manutenção e mecânica. É esperado que especialistas assumam essas responsabilidades quando for preciso reparar ou realizar cuidados com o equipamento, mas, no dia a dia, pequenas correções podem ser necessárias. Além disso, entender do assunto permite que o operador saiba quando indicar uma manutenção preventiva antes de uma quebra.
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Algumas dessas habilidades serão trabalhadas no seu curso, outras você precisará se especializar futuramente. Questões sobre Software, GPS e etc, por exemplo, variam demasiadamente de fazenda a fazenda, incluindo, as que não as tem. Desta forma, é necessário se aprofundar nesses conceitos, aplicativos e outros, futuramente e constantemente.
3.8 O Operador de Máquinas Agrícolas
O operador de máquinas agrícolas é fundamental em qualquer trabalho no campo. É das suas mãos que partem os comandos dados aos equipamentos, e com uma boa atuação eles conseguem reduzir perdas e maximizar a produtividade das lavouras.
Assim, essa profissão demanda cada vez mais preparo e conhecimento. Os equipamentos agrícolas modernos são máquinas inteligentes e precisas, que automatizam muitas tarefas. Por outro lado, erros na sua operação podem prejudicar o cultivo, gerar desperdícios e até mesmo acidentes de trabalho graves.
Portanto, ainda que não seja um trabalho tão duro como literalmente pegar na enxada, operar uma máquina agrícola é uma responsabilidade imensa, que demanda concentração, prudência, dedicação e conhecimento técnico.
Para evoluir como operador de máquinas agrícolas é preciso, então, combinar a tradição do conhecimento do campo e das lavouras com a disposição para aprender mais e se atualizar o tempo todo (JACTO, 2021).
3.8.1 Curso de operador de máquinas agrícolas
Como em qualquer trabalho diretamente relacionado com a tecnologia, a capacitação de um operador de máquinas agrícolas tem um prazo de validade. Mesmo que ele domine a operação de um equipamento específico, em alguns anos essa máquina pode estar obsoleta, e será necessário aprender a lidar com uma nova.
A recomendação principal aqui é que após o curso de Operador de Máquinas Agrícolas, que você se mantenha conectado com as novidades e tendências da área, participando de eventos de agricultura e acompanhando publicações especializadas, sejam revistas, sejam páginas na internet.
Continuar a estudar é muito importante, é interessante participar dos treinamentos promovidos pelos próprios fabricantes de máquinas e que abordam bastante conteúdo. Cursos de especializações na área de Softwares Agrícolas, Operação de Drones, interpretação de relatórios entre outros, também são boas opções para adquirir mais conhecimento técnico, assim como a leitura de manuais e materiais de referência das máquinas.
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Geralmente os requisitos mínimos para se tornar um operador de máquinas é ter pelo menos 18 anos de idade, ser habilitado com CNH categoria B e possuir ensino fundamental, embora quanto maior o grau de instrução do indivíduo, mais fácil e melhor o aprendizado no curso de operador de máquinas (TERRAPLANAGEM, 2017).
3.8.2 Certificado e carteirinha
3.9 Segurança ao operar máquinas
Nas mãos de um profissional qualificado e capacitado, equipamentos dessa magnitude, na maioria das vezes enormes e que pesam várias toneladas, se transformam numa ferramenta fantástica, produtiva e durável. Já na mão de alguém despreparado esses equipamentos se tornam verdadeiras armas capazes de destruir veículos, construções, causar sérios ferimentos, muitas vezes resultando em invalidez e morte.
É preciso ter em mente que acidentes com equipamentos de grande porte, como máquinas pesadas, máquinas agrícolas e caminhões, quase sempre causam danos de grande monta, e quando envolvem vítimas, quase sempre são fatais. Por isso, é muito importante estar preparado para desempenhar suas funções de maneira eficaz e com segurança (TERRAPLANAGEM, 2017).
Também é importante sempre colocar a segurança em primeiro lugar. Jamais ignore ou negligencie os procedimentos de segurança ou deixe de usar os equipamentos de proteção individual (EPIs) pensando em ganhar
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tempo. Lembre-se que alguns segundos dedicados a segurança podem representar uma vida inteira de produtividade e saúde.
Nunca utilize o equipamento de trabalho para fazer exibições ou acrobacias, tão pouco participe de competições com colegas de trabalho para disputar quem é mais rápido e ágil. Seu objetivo é desempenhar sua tarefa de forma segura e eficaz, sem comprometer sua integridade, do equipamento e de terceiros. Para isso trabalharemos nas próximas aulas as normas de segurança pertinentes a essa profissão (TERRAPLANAGEM, 2017).
3.10 Responsabilidade do operador de máquinas
Além da responsabilidade em relação à segurança do equipamento, das produção/colheita e principalmente das pessoas, é preciso ter em mente que o desenvolvimento da plantação muitas vezes depende do trabalho das máquinas, seja no preparo da terra, plantio, tratamento, controle de pragas ou colheita.
Se o operador atrasa, falta ou causa direta ou indiretamente a paralisação do equipamento, por quebra ou acidente, por exemplo, atrasa assim todo o cronograma de uma plantação, causando sérios prejuízos ao agricultor e a seus clientes e parceiros ligados à cadeia produtiva.
Além disso, é responsabilidade do operador prezar pelo bom funcionamento do equipamento, efetuando verificações periódicas dos níveis dos óleos e da água, vistoria em busca de vazamentos, trincas ou fissuras na estrutura, porcas e parafusos soltos, engraxamento das articulações, etc (TERRAPLANAGEM, 2017).
3.11 Polivalência x Especialização
É recomendável que somente opere determinada máquina o operador que é efetivamente capacitado e treinado para este tipo de máquina. Obviamente um operador especializado em um determinado tipo de máquina oferecerá maior produtividade e segurança. Porém, é muito comum, principalmente em fazendas, o mesmo operador atuar em diversos tipos de equipamentos, principalmente em razão da falta ou atraso do operador designado à ela (TERRAPLANAGEM, 2017).
Um operador deve ter os movimentos da máquina assim como o espaço ocupado por ela e seu raio de giro em mente, para que possa executar seus movimentos com segurança e rapidez, otimizando as tarefas repetitivas. Um operador pode ser considerado polivalente quando consegue operar com eficiência e segurança mais de um tipo de equipamento, porém, isto só é possível com muita prática e experiência (TERRAPLANAGEM, 2017).
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3.12 Mercado de trabalho e carreira como operador de Máquinas agrícolas
Operador de Máquinas Agrícolas é um cargo que está com altíssima demanda no mercado de trabalho brasileiro nos últimos meses. No comparativo entre os meses de Março de 2020 e Fevereiro de 2021, tivemos um aumento de 16.53% nas contratações formais com carteira assinada em regime integral de trabalho (CAGED, 2021).
Uma forma bem realista de de fazer essa análise é avaliar a lista a seguir com os segmentos de atividades econômicas das empresas com o maior número de admissões para o cargo de Operador de Máquina Agrícola. Trata-se de um termômetro fiel para sabermos os setores da economia com maior demanda nas contratações de profissionais para a ocupação em cada setor.
Essa é uma estatística muito importante para um Operador de Máquina Agrícola que busca uma recolocação no mercado de trabalho ou a primeira oportunidade de trabalho.
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Os segmentos das empresas estão listados são de acordo com a descrição do CNAE de cadastro de cada empresa (CNAE - Classificação Nacional de Atividades Econômicas) junto a Receita Federal.
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4. CONCEITO DE MÁQUINAS
A máquina é qualquer dispositivo que utiliza energia para realizar alguma atividade. No uso comum, o significado é o de um dispositivo que tem peças para executar ou auxiliar na execução de qualquer tipo de trabalho. Uma máquina simples é um dispositivo que transforma a direção ou magnitude de uma força sem consumir energia. As máquinas são montadas a partir de tipos normalizados de componentes. Estes elementos consistem em mecanismos que controlam o movimento de várias maneiras, tais como trens de engrenagens, transistores comutadores, cinto ou unidades de cadeia, árvores de cames, sistemas de freios e embreagens, além de componentes estruturais, tais como membros de quadro e parafusos. Máquinas modernas incluem sensores, atuadores e controladores de computador.
4.1 Máquinas Agrícolas
Considerando a conceituação e normalização das Máquinas Agrícolas, de acordo com a ABNT -NB66, segue algumas terminologias importantes:
a. Operação Agrícola: Toda atividade direta e permanentemente relacionada com a execução do trabalho de produção agropecuária.
b. Máquinas Agrícolas: Máquina projetada especificamente para realizar integralmente ou coadjuvar a execução da operação agrícola.
c. Implemento Agrícola: Implemento ou sistema mecânico, com movimento próprio ouinduzido, em sua forma mais simples, cujos órgãos componentes não apresentam movimentos relativos (FILHO&SANTOS, 2001).
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d. Ferramenta Agrícola: Implemento, em sua forma mais simples, o qual entra em contato direto com o material trabalhado, acionado por uma fonte de potência qualquer (FILHO&SANTOS, 2001).
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Ferramentas agricolas e Máquina Agrícola antigas (MFRURAL, 2021).
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Ferramentas agricolas (Enxada, Pá de Bico, Picareta Chibanca, Cavadeira Reta com Socador)(MADARELLI, 2021).
e. Máquina Combinada ou Conjugada: É uma máquina que possui, em sua estrutura básica, órgãos ativos que permitem realizar, simultaneamente ou não, várias operações agrícolas.
Harwarders (Harvester + Forwarder) (COLHEITA DA MADEIRA, 2021).
f. Acessórios: Órgãos mecânicos ou ativos que, acoplados à máquina agrícola ou implemento, permite tanto aprimoramento do desempenho como
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execução de operações diferentes para o qual foi projetado (FILHO&SANTOS, 2001).
GARRA 300 - Arado Escarificador Desarme Automático (RURALISTA, 2021).
4.1.1 Classificação das Máquinas Agrícolas
De forma bem resumida, as máquinas agrícolas foram planejadas para realizar operações agrícolas, e podem ser classificadas em máquinas de preparo do solo, máquinas de semeadura, plantio e transplante, além das máquinas de carregamento, transporte e aplicação de adubos químicos e corretivos do solo. Há também as máquinas para cultivo, desbaste e poda, as máquinas aplicadoras de defensivos, bem como as máquinas de colheita. Independente da classificação, as máquinas usadas no processo agrícola têm como principal objetivo aumentar a produtividade e eficiência dos trabalhos agrícolas.
Seguindo as definições pré-estabelecidas pela ABNT-NB66, já comentada anteriormente, as máquinas agrícolas são divididas em grupos, especificados na seqüência:
a. Grupo 1 – Máquinas para o preparo do solo
a.1) Máquinas para o preparo inicial do solo - São responsáveis pela limpeza do solo, ou seja, pela remoção de árvores, cipós e etc. Constituem-se de destocadores, serras, lâminas empurradoras, lâminas niveladoras, escavadeiras e perfuradoras.
a.2) Máquinas para o preparo periódico do solo - São responsáveis pela movimentação ou mobilização do solo (inversão de leiva). Constituem-se de arados de aivecas, arados de discos, subsoladores, enxadas rotativas, sulcadores, etc.
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b. Grupo 2 – Máquinas para a semeadura, plantio e transplante
b.1) Semeadoras, plantadoras e transplantadoras b.2) Cultivo mínimo ou plantio direto
c. Grupo 3 - Máquinas para a aplicação, carregamento e transporte de adubos e corretivos
c.1) Adubadoras e carretas
d. Grupo 4 - Máquinas para o cultivo, desbaste e poda
d.1) Cultivadores de enxadas rotativas, ceifadeiras e roçadoras
e. Grupo 5 - Máquinas aplicadoras de defensivos
e.1) Pulverizadores, polvilhadoras, microatomizadoras, atomizadoras e fumigadores
f.Grupo 6 - Máquinas para a colheita
f.1) Colhedoras ou colheitadoras
g. Grupo 7 - Máquinas para transporte, elevação e manuseio
g.1) Carroças, carretas e caminhões
h. Grupo 8 - Máquinas para o processamento
h.1) Máquinas beneficiadoras de café, milho, arroz, algodão e cana
h.2) Máquinas para o tratamento e polimento: secadoras, classificadoras e polidoras
i. Grupo 9 - Máquinas para a conservação do solo, água e irrigação e drenagem
i.1) Irrigação: motobombas e aspersores
i.2) Drenagem: retroescavadeiras e valetadeiras
j. Grupo 10 - Máquinas especiais
j.1) Reflorestamento: tratores florestais e filler bush (processador de madeira)
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k. Grupo 11 - Máquinas motoras e tratoras
k.1) Tratores agrícolas, tratores industriais e tratores florestais (FILHO&SANTOS, 2001).
Apesar de existirem inúmeras máquinas agrícolas, em nosso curso, optamos por trabalharmos com as de maior interesse e utilidade, bem como, as que tem maior oferta de trabalho, desta forma, as máquinas que serão estudadas nesse material são TRATORES, PULVERIZADORAS e COLHEITADEIRAS. Nos próximos capítulos abordaremos rapidamente sobre cada uma delas, suas utilidades e aplicações.
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5. TRATORES AGRÍCOLAS
Unidade autônoma. Executa a tração ou empurra outros equipamentos para o aumento da tração de carga ou realiza atividades que não exijam o transporte de terras. Pode receber diversos implementos destinados a diferentes tarefas. Os tratores agrícolas são máquinas auto propelidas projetadas para tracionar, transportar e fornecer potência para máquinas e implementos agrícolas. O desenvolvimento de tratores agrícolas veio da necessidade de se cultivar grandes áreas para produzir alimentos.
Sua maior importância está no aumento a produtividade aliado à maior eficiência das atividades agrícolas, tornando-o menos árduo e mais atraente. Condicionam e exigem avanços tecnológicos constantes.
Evolução:
- 1858: Trator à vapor para arar a terra;
- 1889:Trator com combustão interna
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- 1911: Ocorreu a primeira mostra de tratores de Nebraska - E.U.A.;
- 1920: Surgiram dois tratores agrícolas: Massey Harris - Henri Ford e Fergusson;
- 1940: Surgiram tratores equipados com Tomada de Potência (TDP), Barra de Tração (BT) e Sistema de 3 Pontos (1o ponto: inferior esquerdo, 2o ponto: inferior direito e 3o ponto: superior);
- Atualmente: Tratores com potência elevada e tecnologia avançada como os das marcas Ford- New Holland, Agrale, Massey – Fergusson, Caterpillar, Valmet, Muller e SLC.
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Entre as principais funções dos Tratores estão:
 Tracionar máquinas e implementos de arrasto tais como arados, grades, adubadoras e carretas, utilizando a barra de tração;
 Acionar máquinas estacionárias, tais como batedoras de cereais e bombas de recalque d’água, através de polia e correia ou da árvore de tomada de potência;
 Tracionar máquinas, simultaneamente com o acionamento de seus mecanismos, tais como colhedoras, pulverizadores, através da barra de tração ou do engate de três pontos e da árvore de tomada de potência;
5.1 Classificação Geral
A classificação geral dos tratores leva em consideração dois critérios básicos: o tipo de rodado e o tipo de chassi (FILHO&SANTOS, 2001).
5.5.1. Tipo de Rodado
Confere à máquina importantes características com relação à tração, estabilidade e rendimento operacional. Classificam-se em:
a) Tratores de rodas: Os tratores de rodas constituem o tipo predominante para uso agrícola. Caracterizam-se por possuírem, como meio de propulsão, rodas pneumáticas, cujo número e disposição determinam os seguintes subtipos:
a.1) Duas rodas;
- as rodas são motrizes;
- o operador caminha atrás do conjunto; - tobatas ou microtratores.
a.2) Triciclos;
- possuem duas rodas traseiras motrizes e uma roda na frente;
- utilizados como tratores de jardinagem e ceifadores.
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a.3) Quatro rodas
- duas rodas movidas e duas rodas atrás com diâmetro maior às anteriores;
- modelos: 4 X 2 (4 rodas, sendo 2 para tração); 4 X 4 (4 rodas, sendo as 4 para tração;
b) Tratores de semi – esteiras: São tratores de quatro rodas, porém modificadas, de forma a admitirem o emprego de uma esteira sobre as rodas traseiras motrizes.
c) Tratores de esteiras: O rodado desses tratores é constituído, basicamente, por duas rodas motoras dentadas, duas rodas guias movidas e duas correntes sem fim, formadas de elos providos de pinos e buchas dispostos transversalmente, denominados esteiras. As rodas dentadas transmitem movimento às esteiras que se deslocam sobre o solo, apoiadas em chapas de aço denominadas sapatas. Uma estrutura de apoio e um conjunto de roletes completam esse tipo de rodado (FILHO&SANTOS, 2001).
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5.5.2. Tipo de Chassi
Confere características ao trator com relação ao Peso X Potência, distribuição dos esforços e localização do centro de gravidade. Classificam-se em:
a) Tratores industriais: São utilizados para transporte e manuseio de ferramentas em parques industriais. Podem ser de rodas, esteiras e de chassi articulado.
b) Tratores florestais: São tratores utilizados para derrubada e corte de árvores, carregamento, transporte e processamento.
c) Tratores agrícolas: Segundo seu chassi podem ser de 2, 3 e 4 rodas. São transportadores de implementos e formam conjuntos combinados (FILHO&SANTOS, 2001).
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6. COLHEITADEIRAS
Colheitadeiras são máquinas muito úteis no campo, tão comuns quanto os tratores agrícolas, são máquinas agrícolas capazes de realizar a colheita (como o próprio nome diz), a debulha e limpeza dos grãos.
Podem ser empregadas em colheitas de diversos tipos de cultura, incluindo: linhaça, milho, trigo, algodão, cana de açúcar e diferentes tipos de grãos.
São equipamentos grandes e mais eficientes em plantações de grande e médio porte, onde podem ser usadas em seu máximo potencial para garantir aos agricultores uma exportação em saca competitiva com o mercado (FILHO&SANTOS, 2001).
6.1 História da colheitadeira
As primeiras máquinas similares às colheitadeiras eram chamadas de ceifeiras mecânicas, desenvolvidas para campos de milho e trigo. A primeira versão motorizada desses modelos foi inventada por Obed Hussey e patenteada em 1833. Contudo, sua invenção dependia de tração animal.
Outro inventor a quem atribuem a criação da colheitadeira é Hiram Moore, que patenteou e desenvolveu um modelo que, em 1839, foi capaz de colher 20ha. Seus equipamentos nessa época já separavam os produtos das colheitas.
Na virada do século 20, surgiram os primeiros modelos com motores a diesel ou gás. Em 1965, o primeiro maquinário autopropelido a diesel surgiu no Rio Grande do Sul.
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Há 40 anos foi produzida a primeira colheitadeira automotriz no Brasil. O lançamento da colheitadeira SLC modelo 65-A, fabricada em Horizontina-RS, foi feito no dia 5 de novembro de 1965. O equipamento produzido pela empresa gaúcha Schneider Logemann & Cia. teve seu projeto inspirado no modelo 55 da John Deere. Desde esta data histórica para a indústria brasileira de equipamentos, a fábrica de Horizontina fornece modelos cada vez mais produtivos e eficientes para os agricultores do Brasil.
SLC 65 A, a pioneira produzida em Horizontina (PAGINA RURAL, 2021).
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O design rotativo foi outra inovação importante, capaz de separar os grãos da palha remanescente no processo de colheita usando ventiladores. Essa tecnologia foi desenvolvida pela empresa estadunidense já fechada International Harvester.
Acompanhando o desenvolvimento tecnológico dos anos 70, surgiu a agricultura de precisão, com medidores de eficiência de debulha instalados nos equipamentos.
Em 1979, ampliando ainda mais a variedade de colheitadeiras, foi inventado no Brasil um modelo adaptado para culturas de café, pelo japonês Shunji Nishimura em Pompeia, no estado de São Paulo (FILHO&SANTOS, 2001).
Shunji Nishimura chegou ao Brasil na década de 1930 e deu ao mundo a primeira colheitadeira de café (JORNAL CAMPO ABERTO, 2021).
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6.2 Funções da Colheitadeira
Hoje em dia, as colheitadeiras contam com tecnologias como Internet, Big Data, GPS e softwares de agricultura digital. Tudo isso ajuda a levantar melhores dados sobre produtividade do maquinário, do campo, sacas colhidas, plantio etc.
Como descrito no parágrafo acima, no mundo rural, a colheitadeira é uma das máquinas essenciais para modernizar e otimizar o trabalho do agricultor. A principal função desse maquinário é o recolhimento de grãos, mas as colheitadeiras podem ser instrumentos versáteis que tornam o processo da colheita mais eficiente e prático (MFRURAL, 2021).
De modo geral, as colheitadeiras têm peças removíveis, conhecidas como cabeçotes, que se integram à parte maior do equipamento. Os cabeçotes geralmente têm dentes metálicos ou plásticos, uma barra de corte e um rolo giratório. Contudo, em essência, a função desses equipamentos agrícolas se mantém quase a mesma. Veja abaixo como funcionam e quais são as partes que compõem o equipamento:
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a. Sistema de Alimentação e Corte
Em todo caso, as máquinas contemporâneas são combinadas, ou seja, capazes de realizar todas as operações da colheita. Estas possuem funções mais específicas.
Como funciona?
 A barra de corte decepa as hastes das plantas;
 As plantas são tombadas pelo molinete, cuja velocidade e posicionamento devem ser
ajustados para diferentes colheitas;
 Um cilindro oco com lâminas superficiais traz o material cortado para o centro, onde
dedos retráteis levam a coleta para a esteira alimentadora (garganta).
Segundo a Embrapa, até 85% das perdas de grãos de soja, por exemplo, ocorrem por falhas nos mecanismos da plataforma de corte das colheitadeiras, como molinetes e caracol. Geralmente, isso ocorre por conta de lâminas quebradas ou equipamentos mau-ajustados. É importante observar que, no caso da soja, a folga entre a navalha e a barra de corte fica entre 0,5mm e 0,6mm.
Para a colheita de feijão, é interessante que a barra de corte da colheitadeira seja equipada com sapatas de plástico, para facilitar o deslizamento, e uma chapa perfurada para eliminar a terra e impurezas antes do material entrar na máquina.
b. Trilhador de grãos
Já o sistema de trilhagem das colheitadeiras é constituído por um cilindro de trilha e um côncavo em formato de calha que o envolve.
Como funciona?
 O cilindro de trilha tem funções mecânicas de impacto, compressão e atrito sobre o material coletado;
 O côncavo envolve o cilindro de trilha e suas barras filtram as sementes, vagens e demais segmentos. O que não é filtrado vai para o sistema de separação.
Para colheita de feijão ou soja, é importante investir em um redutor de velocidade do cilindro trilhador. Assim, é possível chegar aos 200 rpm de velocidade em uma colheitadeira convencional. Já na colheita de arroz irrigado, é essencial regular a abertura entre o côncavo e o cilindro para obter máxima eficiência (MF RURAL, 2021).
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
As colheitadeiras garantem uma colheita mais rápida e, bem ajustadas, evitam grandes perdas de grãos. São funções diferentes para cada componente.
É seguro dizer que, quanto maior a velocidade, menor a ação da colheitadeira no solo, e vice-versa. Assim, para o grão de café, por exemplo, é essencial uma colheita mais lenta que garanta a maior quantidade possível de colheita. Também deve-se prestar atenção para a regulagem da vibração correta, de modo a não danificar demais a planta.
c. Sistema de Separação
O ponto central do sistema é o saca-palha, grande responsável pela devida separação entre a palha e as sementes. Com objetivo de evitar o desperdício de sementes, é importante fazer a manutenção e lubrificação regular do equipamento. Isso é válido para os demais sistemas.
Como funciona?
 Com a extensão regulável do côncavo é suspenso o fluxo de palha e sementes, fazendo com que apenas os grãos soltos caiam no bandejão;
 O batedor reduz a velocidade da palha eliminada e a direciona para a frente do saca- palhas, garantindo uma batedura final da palha graúda;
 As cortinas retardadoras de lona ou borracha diminuem a velocidade de eliminação da palha e garante a filtragem das sementes ainda misturadas;
 O saca-palhas elimina a palha graúda e recupera as sementes misturadas, evitando o desperdício de sementes (MFRURAL, 2021).
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
6.3 Classificação das Colheitadeiras ou Colhedoras
As colheitadeiras podem ter três formas principais. As colhedoras de arrasto têm barras de tração acionadas mecanicamente pela tomada de potência; as montadas possuem um sistema de levantamento hidráulico e, por fim, as autopropelidas são aquelas que tem uma fonte própria de potência.
Além disso, para cada tipo de cultura, existe um cabeçote específico que não danifica o grão colhido e separa a palha e as sementes, de acordo com o tipo de colheita. Ademais, as colhedoras podem recolher desde cana e milho até grãos de feijão e soja.
6.4 Etapas da colheita
Abaixo, estão descritas as etapas da colheita em um equipamento tradicional, você perceberá, que cada parte da colheita envolve uma parte da máquina já descrita.
As etapas da colheita são:
1. As hastes das plantas são decepadas pela barra de corte;
2. O molinete tomba as plantas – velocidade e posicionamento dependem da colheita;
3. A coleta é enviada para a esteira alimentadora (garganta) através de um cilindro oco com
lâminas superficiais.
Trilhagem
Já na etapa de trilhagem, temos os seguintes passos:
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OPERADOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS – PARTE I
1. O material coletado passa por um cilindro de trilha com funções mecânicas de impacto, compressão e atrito;
2. A parte côncava envolvendo o cilindro filtra as sementes, vagens e outros segmentos, o resto vai para a separação.
Separação
O sistema é desenhado ao redor do saca-palha, responsável pela separação entre a palha e as sementes. Manutenção e lubrificação regulares são fundamentais para evitar desperdício na coleta. Os passos de separação são:
1. O fluxo de palha e sementes é suspenso pela extensão regulável do côncavo, fazendo os grãos soltos caírem no bandejão;
2. A palha eliminada tem a velocidade reduzida e é redirecionada para a frente do saca- palhas pelo batedor, gerando uma batedura final graúda;
3. A velocidade de eliminação das palhas é ainda mais reduzida pelas cortinas retardadoras, que também garantem a filtragem de sementes remanescentes na mistura;
Limpeza
A limpeza é composta de duas peneiras, com abertura maior e menor. Essa abertura é determinada para cada plantação e tipo de grão. Seu processo se dá como abaixo:
1. O bandejão realiza movimentos repetitivos, separando partículas mais grossas, as sementes, das mais leves, a palha;
2. A peneira superior possui abertura ajustável e se move com o bandejão, com isso recebe o material e filtra os grãos;
3. A peneira menor recebe o material separado e deixa apenas as sementes passarem;
4. Sob as duas peneiras, um ventilador sopra qualquer material mais leve que os grãos e
sementes (MFRURAL, 2021).
Colhedora de feijão-vagem - TRAC PIX - Sweere Agricultura A(AGRIEXPO, 2021).
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