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Confira todos os 68 textos e fotos do vencedores da UEFA Champions League publicados em: https://edicaodoscampeoes.blogspot.com

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Published by Everton Ruchel, 2023-06-12 18:17:55

EDIÇÃO DOS CAMPEÕES - Todos os Vencedores da Champions League (Edição 02)

Confira todos os 68 textos e fotos do vencedores da UEFA Champions League publicados em: https://edicaodoscampeoes.blogspot.com

Keywords: UEFA Champions League

EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1 ALMANAQUE TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE DE 1956 A 2023: 68 DECISÕES 23 CAMPEÕES SEGUNDA EDIÇÃO EVERTON RUCHEL


2 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE Sumário PRODUÇÃO, PESQUISA FOTOGRÁFICA E REDAÇÃO: EVERTON RUCHEL 1956 - 4 1957 - 5 1958 - 6 1959 - 7 1960 - 8 1966 - 14 1998 - 46 2000 - 48 2002 - 50 2014 - 62 2016 - 64 2017 - 65 2018 - 66 2022 - 70 1963 - 11 1969 - 17 1989 - 37 1990 - 38 1994 - 42 2003 - 51 2007 - 55 1974 - 22 1975 - 23 1976 - 24 2001 - 49 2013 - 61 2020 - 68 1977 - 25 1978 - 26 1981 - 29 1984 - 32 2005 - 53 2019 - 57 1992 - 40 2006 - 54 2009 - 57 2011 - 59 2015 - 63 1971 - 19 1972 - 20 1973 - 21 1995 - 43 1964 - 12 1965 - 13 2010 - 58 1968 - 16 1999 - 47 2008 - 56 2012 - 60 2021 - 69 1987 - 35 2004 - 52 1985 - 33 1996 - 44 1991 -39 1997 - 45 1979 - 27 1980 - 28 1961 - 9 1962 - 10 1967 - 15 1970 - 18 1982 - 30 1983 - 31 1986 - 34 1988 - 36 1993 - 41 2023 - 71


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 3 Contexto ILUSTRAÇÃO: FUTBOX.COM Europa e Brasil guardam algumas semelhanças geográficas e futebolísticas. Tirando a parte para lá dos Montes Urais, na Rússia, o velho continente e o nosso (nem tão) virtuoso país possuem quase o mesmo tamanho. E é justamente por causa dessas grandes dimensões que o futebol custou a se unir em ambos locais. Se desse lado do Atlântico o primeiro modelo de campeonato só foi surgir em 1959, do outro a primeira competição de fato europeia só nasceu quatro anos antes, em 1955. Mas o que não faltaram foram tentativas anteriores de interligar a Europa pela bola no pé. E não, não iremos contar a egoísta “World Championship”, da virada do século 19 entre os campeões da Inglaterra e da Escócia. Ou a “Challenge Cup”, do finado Império Austro-Húngaro na mesma época, e que é basicamente um torneio nacional. A primeira aposta de fato em uma competição europeia foi a Copa Mitropa, que reunia equipes da Áustria, Hungria (separadas), Itália, Tchecoslováquia, Iugoslávia e Romênia. Ela foi sucesso entre 1927 e 1939, parou por causa da Segunda Guerra Mundial e retornou sem força em 1951. Durou até 1992, mas totalmente escanteada pelo que viria em 1955. Em 1930, o time suíço do Servette montou um campeonato com ele e outros nove campeões nacionais, nomeado Copa das Nações. O vencedor foi o húngaro Újpest, mas o torneio só durou uma única edição. Depois da guerra, em 1949, clubes de França, Itália, Espanha e Portugal montaram, com a bênção da FIFA, a Copa Latina, que foi até 1957 e acabou exatamente por conta da competição introduzida em 1955. Mas o que apareceu em 1955? Ela mesma, a Liga dos Campeões da Europa. Sua história começa junto com a fundação da UEFA, um ano antes. Seus criadores foram os jornalistas franceses Jacques Ferran e Gabriel Hanot, que sugeriram a ideia para a entidade a partir do que acompanharam durante a cobertura do Campeonato Sul-Americano de 1948. Atualmente uma verdadeira liga, com 32 times na fase de grupos, a “UEFA Champions League” era muito diferente nos primórdios. A começar pelo nome: Copa do Campeões Europeus. A “European Cup” era a condução de todos os campeões nacionais dos membros da UEFA (e nada além deles) em um mata-mata espalhado pela temporada. Em seu segundo ano de existência, a entidade-mor do futebol do velho continente organizou a primeira edição. A maior competição de clubes do mundo


4 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1956 A DECISÃO 13/06 - Parc des Princes - Paris (França) Real Madrid 4x3 Reims Árbitro: Arthur Ellis (Inglaterra). Gols: Leblond (6’), Templin (10’), Di Stéfano (14’), Rial (30’ e 79’), Hidalgo (62’) e Marquitos (67’). Real Madrid: Alonso, Marquitos, Atienza e Lesmes; Muñoz e Zárraga, Joseíto, Marsal, Di Stéfano, Rial e Gento. Técnico: José Villalonga. Reims: Jacquet, Zimny, Jonquet e Giraudo; Leblond e Siatka; Hidalgo, Glowacki, Kopa, Bliard e Templin. Técnico: Albert Batteux. AUEFA é fundada em 1954, e logo no ano seguinte também entra no ar a Copa dos Campeões da Europa. Nas primeiras edições, o jornal francês L’Equipe (onde trabalhavam Jacques Ferran e Gabriel Hanot) auxiliou na montagem da competição, já que a entidade ainda engatinhava. Na primeira temporada, todos os campeões nacionais europeus do momento foram convidados, mas muitos recusaram ou foram impedidos de participar, sob alegação de que o torneio era uma distração para as ligas locais. Só 16 toparam (e alguns substitutos nem campeões eram). Quem era vencedor e bem resolvido na Espanha era o Real Madrid, liderado em campo por Alfredo Di Stéfano e Francisco Gento. No regulamento de mata-mata estabelecido pela UEFA, o clube merengue enfrentou nas oitavas de final o Servette, da Suíça. Na ida, vitória por 2 a 0 em Genebra. Na volta, 5 a 0 no Santiago Bernabéu. Nas quartas, foi a vez de encarar o Partizan, da Iugoslávia. O primeiro jogo nesta oportunidade foi em Madrid, e o Real abriu vantagem com goleada por 4 a 0. Na segunda partida, os iugoslavos assustaram, mas só ganharam por 3 a 0 e permitiram o avanço espanhol. A semifinal foi contra o Milan, com duas disputas abertas. Na ida, 4 a 2 para o Real Madrid no Bernabéu. Na volta, os italianos fizeram 2 a 1 e não impediram os madridistas de irem à primeira final. A final foi contra o Reims, time da França que eliminou AGF Aarhus (Dinamarca), Vörös Lobogó (Hungria) e Hibernian (Escócia). Desde já, a UEFA instituiu a regra do jogo único em campo neutro, escolhendo em 1956 o Parc des Princes, em Paris. Com doses cavalares de emoção, o Real Madrid chegou ao primeiro de cinco títulos em sequência (e 13 no geral). A equipe perdia por 3 a 2 até os 21 minutos do segundo tempo. Aos 22 e 34, o Real virou para 4 a 3. Os gols foram de Di Stéfano, Héctor Rial (dois) e Marquitos. UNIVERSAL/CORBIS/VCG/GETTY IMAGES 1957


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 5 1957 A DECISÃO 30/05 - Santiago Bernabéu - Madrid (Espanha) Real Madrid 2x0 Fiorentina Árbitro: Leo Horn (Holanda). Gols: Di Stéfano (69’) e Gento (75’). Real Madrid: Alonso, Marquitos, Torres e Lesmes; Muñoz e Zárraga; Kopa, Mateos, Di Stéfano, Rial e Gento. Técnico: José Villalonga. Fiorentina: Sarti, Magnini, Orzan e Cervato; Scaramucci e Segato; Julinho Botelho, Gratton, Virgili, Montuori e Bizzarri. Técnico: Fulvio Bernardini. ARQUIVO/REAL MADRID Asegunda edição da Copa dos Campeões da Europa foi marcada pela expansão. Seis países a mais aderiram ao torneio, enquanto um deixou de existir (o Protetorado de Sarre, incorporado à Alemanha Ocidental). Por ter tido o campeão Real Madrid, a Espanha ficou com duas vagas: a do próprio Real na defesa do título e do Athletic Bilbao campeão nacional. E ainda, de presente, o país ganhou o direito de sediar a decisão em Madri. Ao todo, foram 22 clubes participantes, tendo sido acrescentada uma fase preliminar antes das oitavas de final. Dono da taça, o Real Madrid entrou direto nas oitavas, pronto para agarrar a chance do bicampeonato sob os olhos do próprio torcedor. Seu primeiro adversário foi o Rapid Viena, que impôs confrontos duríssimos. No primeiro, no Santiago Bernabéu, a equipe merengue venceu por 4 a 2. No segundo, na capital da Áustria, o Real perdeu por 3 a 1. Não havia disputa de pênaltis, e um desempate foi realizado em Madri, com vitória espanhola por 2 a 0. Nas quartas, contra o Nice, mais tranquilidade: vitórias por 3 a 0 na ida, em casa, e por 3 a 2 na volta, na França. A semifinal foi contra o Manchester United, e mais uma vez o Real abriu o duelo em Madri, desta vez ganhando por 3 a 1. A segunda partida aconteceu no Old Trafford, e os merengues conquistaram novamente um lugar na final com empate por 2 a 2, cedido após Raymond Kopa e Héctor Rial abrirem confortável vantagem. Podendo ser campeão no seu próprio estádio, o Santiago Bernabéu, o Real Madrid enfrentou na decisão a Fiorentina, que chegou lá ao eliminar IFK Norrköping (Suécia), Grasshopper (Suíça) e Estrela Vermelha. Superior ao (muito bom) time italiano, o Real levou o bicampeonato diante de 124 mil torcedores ao vencer por 2 a 0, gols de Alfredo Di Stéfano e Francisco “Paco” Gento aos 24 e 30 minutos do segundo tempo.


6 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1958 A DECISÃO 28/05 - Heysel - Bruxelas (Bélgica) Real Madrid 3x2 Milan Árbitro: Albert Alsteen (Bélgica). Gols: Schiaffino (59’), Di Stéfano (74’), Grillo (77’), Rial (79’) e Gento (107’). Real Madrid: Alonso, Atienza, Santamaría e Lesmes; Santisteban e Zárraga; Kopa, Joseíto, Di Stéfano, Rial e Gento. Técnico: Luis Carniglia. Milan: Soldan, Fontana, Maldini e Beraldo; Bergamaschi e Radice; Danova, Liedholm, Grillo, Schiaffino e Cucchiaroni. Técnico: Giuseppe Viani. AFP/GETTY IMAGES 1959 ACopa dos Campeões da Europa parte rumo à sua terceira edição com novo aumento de participantes. Enquanto um país não conseguiu inscrever seu representante a tempo (a Turquia), outros três fizeram suas estreias. Dessa forma, o número de equipes pulou para 24 e o de confrontos da primeira fase subiu de seis para oito. O campeão Real Madrid continuou entrando diretamente nas oitavas de final. A campanha de “la tercera” madridista começou contra o Royal Antwerp, da Bélgica. Na ida, na Antuérpia, o Real abriu vantagem com a vitória por 2 a 1. Na volta, no Santiago Bernabéu, confirmou a classificação com uma goleada por 6 a 0. Nas quartas de final, confronto contra o Sevilla, vice espanhol que herdou uma das vagas merengues. E eles dizimaram qualquer esperança sevillista na primeira partida, ao golearem por 8 a 0, em Madri. No segundo jogo, no antigo EstadioNervión, o rival ainda arrancou do Real um empate por 2 a 2. Na semifinal, o adversário foi o Vasas, da Hungria. Mais uma vez abrindo o confronto no Santiago Bernabéu, o Real Madrid fez a sua goleada mais modesta no torneio, aplicando 4 a 0 no adversário. Na partida de volta, em Budapeste, o clube húngaro faria insuficientes 2 a 0 que serviram apenas para tirar a invencibilidade espanhola. Em mais uma final, o Real enfrentou o Milan, que havia passado por Rapid Viena, Rangers, Borussia Dortmund e Manchester United. E se a trajetória merengue tivesse começado contra uma equipe belga, ela terminaria também na Bélgica, no Estádio de Heysel, em Bruxelas. O jogo contra os italianos foi duro, e o Real Madrid saiu perdendo aos 14 minutos do segundo tempo. O empate veio aos 29, com Alfredo Di Stéfano, e o Milan voltou a ficar na frente aos 32. Aos 34, Héctor Rial empatou de novo. Na prorrogação, o time madridista virou para 3 a 2, com o gol de Francisco Gento aos dois do segundo tempo, e conquistou o tricampeonato.


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 7 1959 A DECISÃO 03/06 - Neckarstadion - Stuttgart (Alemanha) Real Madrid 2x0 Reims Árbitro: Albert Dusch (Alemanha). Gols: Mateos (1’) e Di Stéfano (47’). Real Madrid: Domínguez, Marquitos, Santamaría e Zárraga; Santisteban e Ruiz; Kopa, Mateos, Di Stéfano, Rial e Gento. Técnico: Luis Carniglia. Reims: Colonna, Rodzik, Jonquet e Giraudo; Penverne e Leblond; Lamartine, Piantoni, Fontaine, Bliard e Vincent. Técnico: Albert Batteux. ARQUIVO/REAL MADRID Alguns países entraram, outros saíram. Assim foi com mais uma Copa dos Campeões da Europa, na quarta edição. O número de participantes aumentou para 26, e a primeira fase passou a contar com dez confrontos. Seriam 12 se não fossem as desistências da Grécia - que era contra o retorno da Turquia - e do Manchester United - que foi convidado pela UEFA após sofrer a tragédia aérea em Munique em fevereiro de 1958. Mas nada disso alterou o caminho do Real Madrid, que foi rumo à “la cuarta” em 1959. Mais uma vez iniciando já nas oitavas de final, o clube merengue estreou contra o turco Besiktas, o qual venceu na ida, no Santiago Bernabéu, por 2 a 0, e empatou na volta, em Istambul, por 1 a 1. Nas quartas, o Real enfrentou o Wiener, da Áustria. No primeiro jogo, em Viena, os espanhóis empataram por 0 a 0. No segundo, em Madrid, despacharam o adversário com goleada por 7 a 1 - quatro gols de Alfredo Di Stéfano. Na semifinal, reservou-se o clássico madrilenho entre Real e Atlético. A primeira partida aconteceu no Santiago Bernabéu, e os merengues venceram por 2 a 1, de virada. A segunda parada foi no antigo Estádio Metropolitano, e o rival vermelho e branco fez 1 a 0. O desempate foi realizado em campo neutro, no La Romareda, em Zaragoza, e o Real voltou a ganhar por 2 a 1, de virada, classificando-se para mais uma final. A decisão europeia foi entre Real Madrid e Reims, repetindo-se o que ocorreu na edição de abertura, em 1956. Os franceses apareceram de novo depois de baterem Ards (Irlanda do Norte), Helsingin Palloseura (Finlândia), Standard Liège e Young Boys (Suíça). O palco agora foi o Neckarstadion, em Stuttgart, na Alemanha. E a vitória madridista foi mais tranquila, por 2 a 0. Logo no primeiro minuto de jogo, Enrique Mateos abriu o placar. Aos dois do segundo tempo, Di Stéfano fechou a conta e garantiu o tetra espanhol.


8 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1960 A DECISÃO 18/05 - Hampden Park - Glasgow (Escócia) Real Madrid 7x3 Eintracht Frankfurt Árbitro: Jack Mowat (Escócia). Gols: Kress (18’), Di Stéfano (20’, 23’ e 73’), Puskás (45+1’, 56’, 60’ e 71’) e Stein (72’ e 75’). Real Madrid: Domínguez, Marquitos, Santamaría e Pachín; Vidal e Zárraga; Canário, Del Sol, Di Stéfano, Puskás e Gento. Técnico: Miguel Muñoz. Eintracht Frankfurt: Loy, Lutz, Eigenbrodt e Höfer; Weilbächer e Stinka; Kress, Lindner, Stein, Pfaff e Meier. Técnico: Paul Osswald. HANS-DIETRICH KAISER/NORDBILD Na Copa dos Campeões da Europa que virou a década, de 1959 para 1960, o número de participantes estabilizou-se em 26. A única mudança foi a reentrada (e estreia) da Grécia e a ausência da União Soviética da competição. No mais, tudo permaneceu igual, com um adendo importante ao fim dela: o campeão europeu debutaria como o representante da UEFA na Copa Intercontinental - ou Mundial Interclubes - contra o vencedor da inédita Libertadores (que era a Copa dos Campeões da América), criada na América do Sul. E não havia clube melhor para ser este estreante mundialista se não o Real Madrid. Só dava o clube espanhol na Europa, e o caminho rumo à “la quinta” começou nas oitavas de final, contra o amador Jeunesse Esch, de Luxemburgo. Com duas goleadas - 7 a 0 em casa e 5 a 2 fora -, o time merengue já estava nas quartas. O próximo adversário foi o Nice. O jogo de ida aconteceu na França, e o Real permitiu uma virada por 3 a 2 após sair vencendo por dois gols. A remontada ocorreu no Santiago Bernabéu, na vitória por 4 a 0. Os gols foram marcados por Pepillo, Francisco Gento, Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás - contratado em 1959 depois de desertar da Hungria. Na semifinal, a UEFA reservou dois confrontos contra o Barcelona. No primeiro “El Clasico” válido pelo principal torneio europeu, o Real Madrid venceu em casa por 3 a 1. E no segundo também, desta vez no Camp Nou. A dupla Di Stéfano e Puskás se entrosou de maneira maravilhosa, e o Real chegou a mais uma final. Seu oponente foi o Eintracht Frankfurt, que eliminou Young Boys (Suíça), Wiener (Áustria) e Rangers. A partida foi no Hampden Park, em Glasgow. E o estádio escocês serviu de palco para a decisão com maior número de gols na história: dez. Di Stéfano marcou três, Puskás anotou quatro, e o Real Madrid foi penta ao golear a equipe alemã por 7 a 3.


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 9 1961 A DECISÃO 31/05 - Wankdorf - Berna (Suíça) Benfica 3x2 Barcelona Árbitro: Gottfried Dienst (Suíça). Gols: Kocsis (21’), Águas (31’), Ramallets (32’ - contra), Coluna (55’) e Czibor (75’). Benfica: Costa Pereira, Mário João, Germano e Ângelo; José Neto e Cruz; José Augusto, Santana, Águas, Coluna e Cavém. Técnico: Béla Guttmann. Barcelona: Ramallets, Foncho, Gensana e Gràcia; Vergés e Garay; Kubala, Kocsis, Evaristo, Suárez e Czibor. Técnico: Enrique Orizaola. De novo com 26 equipes, a Copa dos Campeões da Europa mergulha de vez na década de 60. A sexta edição do torneio, encerrada em 1961, conheceu novos resultados, pois o Real Madrid caiu antes da final pela primeira vez e o título enfim trocou de mãos, mais para oeste. Da Espanha para Portugal, o Benfica rompeu a hegemonia e ergueu a taça inédita. Na primeira fase, os encarnados enfrentaram o Heart of Midlothian, da Escócia. Na ida, em Edimburgo, vitória por 2 a 1. Na volta, no Estádio da Luz, triunfo por 3 a 0 confirmou a classificação. Nas oitavas de final, o adversário foi o Újpesti Dózsa, da Hungria. A primeira partida foi em Lisboa, e o Benfica goleou por 6 a 2. A vantagem permitiu que as águias até perdessem por 2 a 1 no segundo jogo, em Budapeste. Nas quartas, foi a vez de encarar o AGF, da Dinamarca. Na ida, em casa, os encarnados ganharam por 3 a 1. Na volta, fora, goleada por 4 a 1 e mais uma vaga garantida. Na semifinal, o clube português enfrentou o Rapid Viena. Outra vez, o primeiro jogo aconteceu na Luz, e o Benfica usou novamente a força dos adeptos para vencer, desta vez por 3 a 0. Na segunda partida, na Áustria, os portugueses seguraram empate por 1 a 1 para chegar na final pela primeira vez. O adversário do Benfica na decisão foi espanhol, mas não foi o Real Madrid. E sim o Barcelona, que derrubou o Real ainda nas oitavas de final. Antes, ela passou pelo Lierse (Bélgica), e depois, superou o Hradec Králové (Tchecoslováquia) e o Hamburgo. O jogo foi disputado no Wankdorf, na suíça Berna, com grandes doses de emoção. As águias começaram perdendo aos 21 minutos do primeiro tempo, mas viraram de maneira relâmpago, aos 31 e 32, com José Águas e Antoni Ramallets, contra. Aos dez do segundo tempo, Mário Coluna marcou o terceiro gol, e o Barcelona ainda descontou para 3 a 2, aos 30. Este resultado permaneceu até o apito final, para a festa dos vermelhos. ARQUIVO/BENFICA


10 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1962 A DECISÃO 02/05 - Olímpico - Amsterdã (Holanda) Benfica 5x3 Real Madrid Árbitro: Leo Horn (Holanda). Gols: Puskás (18’, 23’ e 39’), Águas (25’), Cavém (33’), Coluna (50’) e Eusébio 64’ e 69’). Benfica: Costa Pereira, Mário João, Germano e Ângelo; Cavém e Cruz; José Augusto, Eusébio, Águas, Coluna e Simões. Técnico: Béla Guttmann. Real Madrid: Araquistáin, Casado, Santamaría e Miera; Felo e Pachín; Tejada, Del Sol, Di Stéfano, Puskás e Gento. Técnico: Miguel Muñoz. Otira-teima das decisões em 1962. A sétima edição da Copa dos Campeões da Europa teve no seu desfecho uma final com todos os títulos reunidos. Benfica e Real Madrid colocaram frente a frente duas legiões de craques. Os portugueses, liderados por um jovem moçambicano chamado Eusébio, vindo da África logo após a primeira conquista. Os espanhóis continuavam sob a batuta dos experientes Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás. No fim, a juventude prevaleceu e o Benfica levou o bicampeonato. A competição continental teve a participação de 29 clubes, e as águias entraram já nas oitavas de final, devido a defesa do título. O primeiro adversário foi o Austria Viena. Na ida, empate por 1 a 1 no Praterstadion. Na volta, os sonoros 5 a 1 no Estádio da Luz classificaram o time benfiquista. Nas quartas de final, os encarnados passaram sufoco no primeiro jogo contra o Nürnberg, da Alemanha. Fora de casa, os portugueses saíram derrotados por 3 a 1. Porém, na segunda partida, em Lisboa, a desvantagem foi revertida com outra goleada, por 6 a 0. Na semifinal, o Benfica enfrentou o Tottenham. A ida foi em Portugal, com vitória vermelha por 3 a 1. A volta foi em Londres, e os ingleses conseguiram vencer de virada, por 2 a 1, que foi insuficiente para desfazer o caminho de glória das águias. Mais uma vez na final, o Benfica viu o Real Madrid retornar para tentar a sexta taça. A equipe espanhola passou por Vasas (Hungria), Boldklubben (Dinamarca), Juventus e Standard Liège. O jogo foi no Estádio Olímpico de Amsterdã. No primeiro tempo, o Real saiu na frente com dois gols de Puskás, os encarnados empataram com José Águas e Domiciano Cavém, mas o hispano -húngaro faria o terceiro logo depois. Tudo isso aconteceu em 39 minutos. A virada épica veio na segunda etapa, com os tentos de Mário Coluna aos cinco minutos, e de Eusébio aos 19 e aos 24. A vitória por 5 a 3 valeu o bicampeonato e a consagração de uma era para o Benfica. ARQUIVO/BENFICA 1963


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 11 1963 A DECISÃO 22/05 - Wembley - Londres (Inglaterra) Milan 2x1 Benfica Árbitro: Arthur Holland (Inglaterra). Gols: Eusébio (19’) e Altafini (58’ e 69’). Milan: Ghezzi, David, Maldini e Trebbi; Benítez e Trapattoni; Pivatelli, Dino Sani, Altafini, Rivera e Mora. Técnico: Nereo Rocco. Benfica: Costa Pereira, Cavém, Machado e Cruz; Humberto e Coluna; José Augusto, Santana, Torres, Eusébio e Simões. Técnico: Fernando Riera. Foram cinco anos de domínio espanhol e mais dois de hegemonia portuguesa na Copa dos Campeões da Europa, dividida entre Real Madrid e Benfica. Mas era chegada a hora de entrar um novo país no bolo: a Itália. Com o futebol voltando a crescer próximo ao nível pré-Segunda Guerra (quando a Azzurra foi bicampeã da Copa do Mundo e ouro nas Olimpíadas), os clubes estavam prontos para dominar o continente. Na temporada que terminou em 1963, foi a vez de o Milan dar partida a uma tradição de colecionar taças continentais. O torneio teve o recorde de 30 participantes. Desses, apenas quatro já estavam diretamente nas oitavas de final. E o rossonero ficou no grupo dos outros 28. Na primeira fase, o clube foi “agraciado” ao enfrentar o amador Union, de Luxemburgo. Em dois quase treinos, com 8 a 0 na ida, em casa, e 6 a 0 na volta, fora, a vaga nas oitavas veio fácil. O segundo adversário foi o inglês Ipswich Town. E mais uma classificação foi garantida com vitória por 3 a 0, na Itália, e derrota por 2 a 1, na Inglaterra. Nas quartas de final, o Milan enfrentou o Galatasaray, da Turquia. Em Istambul, os italianos venceram por 3 a 1. No San Siro, a goleada por 5 a 0 garantiu a equipe na semifinal. Contra o escocês Dundee, os milanistas novamente golearam em casa, por 5 a 1, e se permitiram perder fora, por 1 a 0. Cinco anos depois, o Milan voltava à final europeia. Seu oponente foi o Benfica, que buscava o tri e passou por Norrköping (Suécia), Dukla Praga e Feyenoord. A partida foi em Wembley, em Londres. O primeiro título italiano veio de virada. Eusébio tinha aberto o placar no primeiro tempo, mas os lusos não ampliaram a vantagem. Aos 13 e aos 24 minutos do segundo tempo, o ítalo-brasileiro José Altafini (o Mazzola) fez os gols que transformaram a derrota no 2 a 1 que valeu a conquista. POPPERFOTO/GETTY IMAGES


12 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1964 A DECISÃO 27/05 - Praterstadion - Viena (Áustria) Internazionale 3x1 Real Madrid Árbitro: Josef Stoll (Áustria). Gols: Mazzola (43’ e 76’), Milani (61’) e Felo (70’). Internazionale: Sarti, Burgnich, Picchi, Guarneri e Facchetti; Tagnin, Mazzola e Suárez; Jair da Costa, Milani e Corso. Técnico: Helenio Herrera. Real Madrid: Vicente, Isidro, Santamaría e Pachín; Muller e Zoco; Amancio, Felo, Di Stéfano, Puskás e Gento. Técnico: Miguel Muñoz. AItália sentiu o gosto do título europeu e jamais esqueceu. Se em 1963 foi o lado vermelho de Milão que comemorou, em 1964 foi a vez de o lado azul fazer a festa. A Internazionale não esperou mais do que uma temporada para repetir o feito do rival e manter a hegemonia italiana na Copa dos Campeões. E com todos os méritos. O torneio continental bateu novo recorde de participantes e chegou a 31 equipes. Destes, 30 iniciaram na primeira fase. E a Inter enfrentou um osso duro logo no primeiro confronto: o Everton, da Inglaterra. Na ida, no Goodison Park, os nerazzurri seguraram o empate sem gols. Na volta, no San Siro (ou Giuseppe Meazza, para quem ainda acha que os torcedores azuis se ofendem com o primeiro nome), vitória simples por 1 a 0 colocou o time nas oitavas de final. O próximo adversário foi o Monaco. Em casa, outro triunfo por 1 a 0 colocou a Inter em vantagem. O segundo jogo não foi no Principado, mas sim em Marselha, e os italianos voltaram a vencer, por 3 a 1. Nas quartas de final, foi a vez de encarar o Partizan. A ida foi na Iugoslávia, e a Inter ganhou bem, por 2 a 0. Na volta, na Itália, nova vitória por 2 a 1 colocou o time na semifinal. E foi contra o Borussia Dortmund que o lugar na final veio, após empate por 2 a 2 na Alemanha e vitória por 2 a 0 no San Siro. A Internazionale encontrou na decisão o Real Madrid, doido pelo sexto título. Os espanhóis tinham batido Rangers, Dínamo Bucareste, Milan e Zurich. A partida aconteceu no Praterstadion, em Viena. O título na capital da Áustria começou a vir aos 41 minutos do primeiro tempo, no gol de Sandro Mazzola. Aos 16 da segunda etapa, Aurélio Milani ampliou. O Real descontou aos 25, porém Mazzola fez 3 a 1 aos 31 e deu os números definitivos à primeira conquista europeia (e invicta) dos nerazzurri. ARQUIVO/INTERNAZIONALE


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 13 1965 A DECISÃO 27/05 - San Siro - Milão (Itália) Internazionale 1x0 Benfica Árbitro: Gottfried Dienst (Suíça). Gol: Jair da Costa (43’). Internazionale: Sarti, Burgnich, Picchi, Guarneri e Facchetti; Bedin, Mazzola e Suárez; Jair da Costa, Peiró e Corso. Técnico: Helenio Herrera. Benfica: Costa Pereira, Cavém, Cruz, Germano e Machado; José Neto, Eusébio e Coluna; José Augusto, Torres e Simões. Técnico: Elek Schwartz. Na rivalidade milanesa dentro da Copa dos Campeões da Europa, a Internazionale tomou a frente em 1965. O clube nerazzurri e seu rival levaram as duas taças anteriores, e o desempate aconteceu logo na sequência em favor da Inter. O Milan sequer conseguiu marcar presença para tentar alguma coisa: o Bologna era o campeão italiano e ficou com a vaga do país numa época em que - como o antigo nome já sugeria - somente campeões disputavam a competição. O número de participantes do principal torneio europeu mantevese em 31. Diretamente nas oitavas de final, a Internazionale começou sua campanha contra o Dínamo Bucareste, da Romênia. Com facilidade, o time venceu a ida, em casa, por 6 a 0 e a volta, fora, por 1 a 0. Nas quartas, foi a vez de enfrentar o Rangers, da Escócia. Em Milão, vitória por 3 a 1. Em Glasgow, derrota por 1 a 0 e classificação suada. A semifinal foi contra o Liverpool, em duas partidas que ficaram marcadas. A primeira aconteceu em Anfield, e os italianos perderam por 3 a 1. Esse um na Inglaterra, marcado por Sandro Mazzola, fez a diferença para o segundo jogo, no San Siro. Com um gol cada, Mario Corso, Joaquín Peiró e Giacinto Facchetti foram os responsáveis pela virada por 3 a 0, que levou a equipe nerazzuri a mais uma decisão. Pelo segundo ano consecutivo na final, a Internazionale contou com trunfo que poucos clubes tiveram ao longo da história da competição: jogar em casa. Como sempre ocorreu, a casa para a disputa do título foi escolhida muito antes de se saber quais seriam os finalistas. O oponente italiano foi o Benfica, que eliminou Aris (Luxemburgo), La Chaux-de-Fonds (Suíça), Real Madrid e ETO Győr (Hungria). Atuando de branco, a Inter chegou ao bicampeonato com ajuda brasileira. Aos 42 minutos do primeiro tempo, Jair da Costa marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre os portugueses. ARQUIVO/INTERNAZIONALE


14 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1966 A DECISÃO 11/05 - Heysel - Bruxelas (Bélgica) Real Madrid 2x1 Partizan Árbitro: Rudolf Kreitlein (Alemanha). Gols: Vasovic (55’), Amancio (70’) e Serena (76’). Real Madrid: Araquistáin, Pachín, De Felipe, Zoco e Sanchís; Pirri e Velázquez; Serena, Amancio, Grosso e Gento. Técnico: Miguel Muñoz. Partizan: Soskic, Jusufi, Vasovic, Rasovic e Mihajlovic; Kovacevic e Becejac; Bajic, Hasanagic, Galic e Pirmajer. Técnico: Abdulah Gegic. Os cinco primeiros anos foram de títulos. Os cinco seguintes, de tropeços e alguns vices. A história do Real Madrid mistura-se com a da Liga dos Campeões da Europa, ainda chamada de Copa dos Campeões em 1966. Naquele ano, o clube espanhol colocou ponto final tanto no domínio italiano quanto no próprio insucesso e conquistou “la sexta”. Já não havia mais a presença de Di Stéfano no elenco merengue. E em fim de carreira, Ferenc Puskás estava em sua última temporada e já não participava de todos os jogos. Aliás, do penta obtido entre 1956 e 1960 só restaria Paco Gento entre os titulares. Na primeira fase, o time enfrentou o Feyenoord. Na ida, na Holanda, derrota por 2 a 1. Na volta, no Santiago Bernabéu, goleada por 5 a 0 e classificação. Dos seis gols deste confronto, Puskás anotou cinco. Nas oitavas, o húngaro fez sua despedida da campanha, contra o Kilmarnock, da Escócia, no empate por 2 a 2 na primeira partida, fora de casa. O Real seguiu rumo às quartas de final com outra goleada em Madri, por 5 a 1. O próximo desafio foi contra o Anderlecht, da Bélgica. Em Bruxelas, os espanhóis saíram derrotados por 1 a 0. Porém, mais uma remontada aconteceu em casa, na vitória por 4 a 2. Na semifinal, passou pela Internazionale ao vencer a ida no Bernabéu por 1 a 0 e empatar a volta no San Siro por 1 a 1. A decisão foi contra uma surpresa do Leste Europeu, o Partizan. A equipe da Iugoslávia bateu Nantes, Werder Bremen, Sparta Praga e Manchester United. A partida aconteceu em Heysel, em Bruxelas. Foi um jogo difícil, pois os iugoslavos abriram o placar aos dez minutos do segundo tempo. O empate madridista veio aos 25, com o novo artilheiro Amancio Amaro, e a virada aos 31, com Fernando Serena. Assim, o hexa do Real Madrid estava garantido, e a ponta do ranking de títulos ficou a salvo mesmo com os 38 anos de jejum que viriam a se seguir. RON KROON/ANEFO


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 15 1967 A DECISÃO 25/05 - Nacional do Jamor - Lisboa (Portugal) Celtic 2x1 Internazionale Árbitro: Kurt Tschenscher (Alemanha). Gols: Mazzola (7’), Gemmell (63’) e Chalmers (84’). Celtic: Simpson, Craig, McNeill, Clark e Gemmell; Murdoch e Auld; Johnstone, Chalmers, Wallace e Lennox. Técnico: Jock Stein. Internazionale: Sarti, Burgnich, Picchi, Guarneri e Facchetti; Bedin, Mazzola e Bicicli; Domenghini, Cappellini e Corso. Técnico: Helenio Herrera. Passaram os espanhóis, os portugueses e os italianos. Era chegada a vez do domínio britânico na Copa dos Campeões da Europa. Mas enganase quem pensa que esse privilégio tenha sido exclusivamente inglês. Aliás, não foi nem a Inglaterra quem inaugurou as conquistas pelos lados da Ilha da Grã-Bretanha, e sim a Escócia. Foi com o Celtic, em 1967. Naquele ano, a competição teve o número recorde de 32 participantes. Até então com presenças discretas, além de três semifinais, o futebol escocês atingiu o apogeu com os “hoops” - ou listrados. Na primeira fase, o clube enfrentou o Zurich e venceu os dois jogos, por 2 a 0 em Glasgow, e por 3 a 0 na Suíça. Nas oitavas de final, o Celtic encarou o Nantes. E novamente ganhou as duas partidas, ambas por 3 a 1, na França e na Escócia. Nas quartas, os listrados passaram pelo Vojvodina, da Iugoslávia. Na ida, a invencibilidade foi embora ao perder por 1 a 0 fora de casa. Na volta, o time fez um sofrido 2 a 0 para reverter a disputa no Celtic Park e chegar na semifinal. O oponente seguinte foi o Dukla Praga, da Tchecoslováquia. O primeiro jogo foi em Glasgow, e os listrados abriram vantagem ao vencer por 3 a 1. Com isso, bastou segurar o 0 a 0 fora na segunda partida para conseguir um lugar na final. Quem desafiou o Celtic na decisão europeia foi a Internazionale, bicampeã que superou Torpedo (União Soviética), Vasas (Hungria), Real Madrid e CSKA Sofia. O jogo foi realizado no Estádio Nacional do Jamor, em Lisboa. O favoritismo era italiano e parecia que iria se confirmar em campo, quando o placar foi aberto aos sete minutos do primeiro tempo. Todavia os escoceses não esmoreceram e mantiveram a calma. No segundo tempo, Tommy Gemmell empatou aos 18 minutos, e Stevie Chalmers virou para 2 a 1 aos 39. E o futebol da Escócia conseguiu o seu principal título em toda a sua história. CENTRAL PRESS/GETTY IMAGES


16 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1968 A DECISÃO 29/05 - Wembley - Londres (Inglaterra) Benfica 1x4 Manchester United Árbitro: Concetto Lo Bello (Itália). Gols: Bobby Charlton (53’ e 99’), Graça (79’), Best (92’) e Kidd (94’). Benfica: José Henrique, Adolfo, Humberto, Jacinto e Cruz; Graça, Coluna e José Augusto; Torres, Eusébio e Simões. Técnico: Otto Glória. Manchester United: Stepney, Brennan, Foulkes, Sadler e Dunne; Crerand, Bobby Charlton e Stiles; Best, Kidd e Aston. Técnico: Matt Busby. Ocaminho britânico para as glórias europeias foi aberto pela Escócia. Mas quem o pavimentou foi a Inglaterra, e não demorou muito para que isso começasse a ocorrer. Foi logo na temporada seguinte ao título do Celtic, em 1968, com o Manchester United. E mais do que ser a primeira conquista inglesa, aquela Copa dos Campeões representou o ponto alto de uma reconstrução vermelha: dez anos antes (em 1958), oito atletas morreram no Desastre Aéreo de Munique. O time voltava de Belgrado após passar à semifinal da mesma Copa. Na escala em Munique, a pista com gelo não permitiu que o avião decolasse normalmente, e o mesmo caiu matando 23 dos 44 ocupantes. Dois dos 21 sobreviventes do acidente foram Matt Busby - o técnico - e Bobby Charlton - o craque do meiocampo. Junto à futura lenda George Best, eles foram os principais pilares do título inédito do United. Na primeira fase, a equipe passou pelo Hibernians, de Malta, com goleada por 4 a 0 em casa e empate por 0 a 0 fora. Nas oitavas de final, foi a vez de eliminar o Sarajevo com outro empate sem gols como visitante, na Iugoslávia, e vitória por 2 a 1 no Old Trafford. Nas quartas, o adversário foi o Górnik Zabrze, da Polônia. Na ida, triunfo por 2 a 0 em Manchester. Na volta, derrota por 1 a 0 fora e vaga na semifinal. O desafio seguinte foi contra o Real Madrid. No primeiro jogo, 1 a 0 para os ingleses em casa. Na segunda partida, os espanhóis chegaram a abrir 3 a 1 no Santiago Bernabéu, mas o United buscou o histórico empate por 3 a 3 e chegou na decisão. A final foi contra o Benfica, já incomodado com os vices recentes colecionados e que eliminou Glentoran (Irlanda do Norte), Saint-Étienne, Vasas (Hungria) e Juventus. O jogo foi na própria Inglaterra, mas em Londres, no Wembley. No tempo normal, Charlton marcou uma vez e os portugueses empataram. Na prorrogação, o Manchester United sobrou e foi campeão outra vez ao golear por 4 a 1, com outro gol de Charlton e dois de Best e Brian Kidd. ARQUIVO/MANCHESTER UNITED


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 17 1969 A DECISÃO 28/05 - Santiago Bernabéu - Madrid (Espanha) Milan 4x1 Ajax Árbitro: José María Ortiz (Espanha). Gols: Prati (7’, 40’ e 75’), Vasovic (60’) e Sormani (67’). Milan: Cudicini, Anquilletti, Malatrasi e Schnellinger; Rosato e Trapattoni; Hamrin, Lodetti, Sormani, Rivera e Prati. Técnico: Nereo Rocco. Ajax: Bals, Suurbier (Muller), Hulshoff, Vasovic e Van Duivenbode; Pronk e Groot (Nuninga); Swart, Danielsson, Cruyff e Keizer. Técnico: Rinus Michels. Aprimeira década completa da Copa dos Campeões da Europa termina com título italiano. O Milan conquistou o bicampeonato em 1969 e fechou com chave de ouro uma época que, sem dúvida, contribuiu para impulsionar a competição continental a ponto de ela ser considerada a principal entre clubes do mundo. O título também representou o começo de uma mudança de era. Até ali, apenas ibéricos, britânicos e italianos comemoraram. Os sete anos seguintes teriam um domínio de times em países com origem germânica. Mas enquanto isso não acontecia, o Milan tratou de partir rumo à segunda taça. Na primeira fase, eliminou o Malmö depois de perder por 2 a 1 na Suécia e vencer por 4 a 1 na Itália. Nas oitavas de final, o rossonero deveria enfrentar o ganhador de Dínamo Kiev e Ruch Chorzów (Polônia), mas as duas equipes saíram fora da disputa antes do início. Direto nas quartas, o adversário seguinte dos milanistas foi o Celtic. Na ida, empate em Milão por 0 a 0. Na volta, vitória em Glasgow por 1 a 0. A semifinal foi contra o Manchester United, defensor do tíutlo. O primeiro jogo foi no San Siro, e o Milan abriu 2 a 0 de vantagem com gols de Angelo Sormani e Kurt Hamrin. A segunda partida foi no Old Trafford, e o rossonero segurou o empate por 70 minutos. Os ingleses fizeram 1 a 0 e tentaram igualar até o fim, porém a vaga na final ficou com o time italiano. A decisão europeia de 1969 representou uma passagem de bastão hegemônico. O rival do Milan foi o Ajax, que havia superado Nuremberg, Fenerbahçe, Benfica e Spartak Trnava (Tchecoslováquia). Era a primeira vez da Holanda numa decisão, no que já dava o tom do que seria visto nas temporadas subsequentes. O jogo foi no Santiago Bernabéu, em Madrid. A tradição italiana e a inexperiência holandesa foram visíveis na partida, e a conquista rossonera veio com goleada: 4 a 1, com três gols de Pierino Prati e outro de Sormani. ARQUIVO/AFP


18 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1970 A DECISÃO 06/05 - San Siro - Milão (Itália) Feyenoord 2x1 Celtic Árbitro: Concetto Lo Bello (Itália). Gols: Gemmell (30’), Israël (32’) e Kindvall (117’). Feyenoord: Graafland, Romeijn (Haak), Laseroms, Israël e Van Duivenbode; Jansen, Hasil e Van Hanegem; Wery, Kindvall e Moulijn. Técnico: Ernst Happel. Celtic: Williams, Hay, McNeill, Brogan e Gemmell; Murdoch e Auld (Connelly); Johnstone, Hughes, Wallace e Lennox. Técnico: Jock Stein. Adécada de 70 começou com novos ventos soprando em terras europeias. Na Copa dos Campeões de 1970 - que registrou o recorde de 33 participantes -, o Feyenoord inaugurou não apenas a Holanda como país vencedor, mas também a parte germânica do continente. Ainda que holandeses e alemães sejam um tanto diferentes nas culturas, as origens dos dois povos vêm de um ancestral em comum. Este troféu do Feyenoord soou como um aviso: a Holanda chegou para ficar! Na primeira fase, o clube de Roterdã eliminou o time amador do KR Reykjavík de maneira impiedosa, com goleadas por 12 a 2 e por 4 a 0. Ambos os jogos ocorreram na Holanda, porque à época os estádios na Islândia não foram aprovados. Nas oitavas de final, contra o Milan, toda essa facilidade foi embora. Na ida, derrota por 1 a 0 no San Siro. Na volta, vitória por 2 a 0 no De Kuip, o suficiente para se classificar. Nas quartas, o adversário foi o Vorwärts Berlim (atual FC Frankfurt Oder), da Alemanha Oriental. Os resultados da fase anterior se repetiram: derrota fora por 1 a 0 e vitória em casa por 2 a 0. Na semifinal, foi a vez de enfrentar o Legia Varsóvia. A primeira partida aconteceu na Polônia, e terminou empatada por 0 a 0. A classificação para a final veio no segundo jogo, em Roterdã, com outro triunfo por 2 a 0. Pela primeira vez na final, o Feyenoord teve como adversário o Celtic, que deixou para trás Basel, Benfica, Fiorentina e Leeds United. O palco da disputa foi o San Siro, em Milão, e os holandeses precisavam superar um fato: nenhum gol da campanha foi marcado fora de Roterdã. Os escoceses abriram o placar aos 30 minutos do primeiro tempo, mas Rinus Israël desencantou aos 32. O placar permaneceu assim até o fim dos 90 minutos. Aos 12 do segundo tempo da prorrogação, Ove Kindvall desafogou o jogo e virou para 2 a 1. O maior título europeu da história do Feyenoord deu início à dinastia da Holanda, que seria assumida nos três anos seguintes por uma das maiores formações que o futebol já forneceu. ARQUIVO/FEYENOORD


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 19 1971 A DECISÃO 02/06 - Wembley - Londres (Inglaterra) Ajax 2x0 Panathinaikos Árbitro: Jack Taylor (Inglaterra). Gols: Van Dijk (5’) e Haan (87’). Ajax: Stuy, Neeskens, Hulshoff, Vasovic e Suurbier; Cruyff, Rijnders (Blankenburg) e Mühren; Swart (Haan), Van Dijk e Keizer. Técnico: Rinus Michels. Panathinaikos: Ikonomopoulos, Tomaras, Kapsis, Sourpis e Vlachos; Kamaras, Domazos e Eleftherakis; Grammos, Antoniadis e Filakouris. Técnico: Ferenc Puskás. Após a conquista europeia do Feyenoord, o mundo do futebol conheceu o potencial da Holanda. Mas faltava algo para que o momento ficasse marcado para sempre na história. Pois não faltou mais a partir de 1971. Treinado por Rinus Michels, o clube de Amsterdã conquistou o primeiro de uma sequência de três títulos e apresentou uma nova forma de atuação no campo - chamada de futebol total -, em que os jogadores flutuavam por todas as posições, confundindo a marcação adversária. Esse estilo ficaria marcado mesmo na Copa do Mundo três anos depois. A base da seleção holandesa? O Ajax, com Johan Cruyff, Johan Neeskens, Wim Suurbier, entre outros. No comando, Michels. Mesmo com tantas qualidades, a campanha do Ajax teve suas dificuldades. Na primeira fase, o time deixou escapar a vitória fora de casa diante do Nëntori Tirana, da Albânia, no primeiro jogo: abriu 2 a 0 e levou o 2 a 2. Em casa, se recuperou ao ganhar por 2 a 0. Nas oitavas de final, os holandeses passaram pelo Basel de maneira mais tranquila vencendo em Amsterdã por 3 a 0 e na Suíça por 2 a 1, de virada. Nas quartas, o adversário foi o Celtic. Na ida, novamente 3 a 0 em casa. Na volta, derrota fora por 1 a 0 só para tirar a invencibilidade. A semifinal foi contra o Atlético de Madrid, e a primeira partida, na Espanha, terminou com derrota por 1 a 0. Agora precisando do resultado, no Olímpico de Amsterdã, o Ajax voltou a fazer 3 a 0 e carimbou a vaga na decisão. Não era inédita uma final continental para o Ajax, que já havia assombrado a todos quando chegou lá em 1969. Mas agora o favoritismo era da equipe holandesa, que teve pela frente o Panathinaikos, surpresa da Grécia que eliminou Boldklubben (Dinamarca), Slovan Bratislava, Everton e Estrela Vermelha. O jogo aconteceu no Wembley, em Londres, e o Ajax foi campeão pela primeira vez com 2 a 0 no placar, gols de Dick Van Dijk, aos cinco minutos do primeiro tempo, e Arie Haan, aos 42 do segundo. ROLLS PRESS/POPPERFOTO/GETTY IMAGES


20 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1972 A DECISÃO 31/05 - De Kuip - Roterdã (Holanda) Ajax 2x0 Internazionale Árbitro: Robert Héliès (França). Gols: Cruyff (47’ e 78’). Ajax: Stuy, Suurbier, Hulshoff, Blankenburg e Krol; Neeskens, Haan e Mühren; Swart, Cruyff e Keizer. Técnico: Stefan Kovács. Internazionale: Bordon, Facchetti, Oriali, Bellugi e Giubertoni (Bertini); Burgnich, Jair da Costa (Pellizzaro) e Bedin; Boninsegna, Mazzola e Frustalupi. Técnico: Giovanni Invernizzi. OAjax fez acontecer em 1971 e manteve-se em alta em 1972, mesmo após a saída de Rinus Michels. Para o seu lugar, veio o técnico romeno Stefan Kovács. Dentro de campo, o futebol total continuou imune a tudo, e o clube holandês partiu rumo ao segundo título da Copa dos Campeões da Europa. O adversário na primeira fase do torneio foi o Dínamo Dresden, da Alemanha Oriental. Na ida, vitória do Ajax em casa por 2 a 0. Na volta, empate fora por 0 a 0. Nas oitavas de final, foi a vez de enfrentar o Olympique Marselha e passar com mais tranquilidade, vencendo por 2 a 1 na França e por 4 a 1 na Holanda, ambas de virada. Nas quartas, o oponente foi o Arsenal, e o Ajax avançou ganhando novamente os dois jogos, por 2 a 1 no Olímpico de Amsterdã, e por 1 a 0 no Highbury, em Londres. Na semifinal, esteve à frente do Benfica. A primeira partida aconteceu em Amsterdã, e o Ajax abriu pequena vantagem sobre os portugueses ao vencer por 1 a 0. O segundo jogo foi no Estádio da Luz, em Lisboa, e os holandeses seguraram o empate sem gols para presença na terceira final dentre as últimas quatro disputas europeias. Do outro lado estava a Internazionale, que sofreu a campanha toda e até levou goleada que não valeu. Na ida das oitavas, o time perdeu por 7 a 1 para o Borussia Mönchengladbach. Porém, uma latinha de Coca-Cola que um torcedor alemão acertou no atacante Roberto Boninsegna fez com que a partida fosse anulada. A repetição foi realizada após a volta (4 a 2 para a Inter) e terminou 0 a 0. Antes, os italianos superaram o AEK Atenas, e depois, Standard Liège e Celtic. E a decisão foi disputada na terra do Ajax mesmo, mas em Roterdã, no Estádio De Kuip. Então, o apoio era todo holandês. No segundo tempo, Johan Cruyff apareceu para marcar os gols do título. O primeiro saiu aos dois minutos, e o 2 a 0 definitivo veio aos 33. Agora invicto, o clube chegou ao justo bicampeonato continental, no segundo terço da jornada. ARQUIVO/AJAX


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 21 1973 A DECISÃO 30/05 - Red Star - Belgrado (Iugoslávia) Ajax 1x0 Juventus Árbitro: Milivoje Gugulovic (Iugoslávia). Gol: Rep (5’). Ajax: Stuy, Suurbier, Hulshoff, Blankenburg e Krol; Neeskens, Haan e Mühren; Rep, Cruyff e Keizer. Técnico: Stefan Kovács. Juventus: Zoff, Marchetti, Morini, Salvadore e Longobucco; Causio (Cuccureddu), Furino e Capello; Altafini, Anastasi e Bettega (Haller). Técnico: Cestmír Vycpálek. Em 1973, a Holanda completou a quadra de títulos que ajudou a fazer sua fama no futebol. Ao fim desta temporada, o Ajax levou para casa o tricampeonato da Copa dos Campeões da Europa e se estabeleceu como o segundo maior vencedor do torneio até então. O último capítulo desta intensa história foi escrito com vitórias emblemáticas sobre equipes de países tradicionais. Na primeira fase, o Ajax foi dispensado da disputa. Isso porque a competição contava com 30 clubes, e dois acabaram classificados diretamente às oitavas de final. Então, as honras couberam ao dono da taça e, por sorteio, ao Spartak Trnava (Tchecoslováquia). Dessa forma, a estreia dos holandeses foi contra o CSKA Sofia, da Bulgária, que eliminou o Panathinaikos. A vaga nas quartas veio de maneira fácil, com vitórias por 3 a 1 na capital búlgara, e por 3 a 0 em Amsterdã. O adversário seguinte foi o Bayern de Munique. Na ida, o Ajax aplicou uma inesquecível goleada por 4 a 0 nos alemães, em casa. O resultado até deu uma relaxada na equipe holandesa, que perdeu a volta fora por 2 a 1. A semifinal foi contra o Real Madrid. O primeiro jogo aconteceu no Olímpico de Amsterdã, e o Ajax conseguiu uma bela virada para vencer por 2 a 1. Bastava não perder a volta, mas os holandeses foram além e triunfaram por 1 a 0 no Santiago Bernabéu. Na quarta final em cinco temporadas, o Ajax foi desafiado pela Juventus de Turim, que chegou lá após bater Olympique Marselha, Magdeburg (Alemanha Oriental), Újpesti Dózsa (Hungria) e Derby County. O lugar escolhido para a decisão foi a capital da Iugoslávia, Belgrado, no Estádio Red Star (também conhecido como Marakana). Com o uniforme todo vermelho, o time holandês furou cedo a resistência italiana, logo aos cinco minutos do primeiro tempo, com o gol marcado por Johnny Rep. E esse 1 a 0 deu e sobrou para o Ajax fechar com chave de ouro um período feliz e de vanguarda do futebol laranja. ARQUIVO/AJAX


22 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1974 A DECISÃO 17/05 - Heysel - Bruxelas (Bélgica) Atlético de Madrid 0x4 Bayern de Munique Árbitro: Alfred Delcourt (Bélgica). Gols: Hoeness (28’ e 82’) e Gerd Müller (56’ e 69’). Atlético de Madrid: Reina, Melo, Heredia, Eusebio e Capón; Adelardo (Benegas), Aragonés e Salcedo; Gárate, Alberto (Ufarte) e Bezerra. Técnico: Juan Carlos Lorenzo. Bayern de Munique: Maier, Hansen, Beckenbauer, Schwarzenbeck e Breitner; Roth, Zobel e Kapellmann; Torstensson, Gerd Müller e Hoeness. Técnico: Udo Lattek. Competitiva com sua seleção, a Alemanha costumava dar azar na hora de decidir com seus clubes na Copa dos Campeões da Europa. Até 1973, apenas um vice fora obtido. Essa história seria modificada a partir de 1974, quando o Bayern de Munique inverteu a maré e iniciou a sequência de três títulos. O caminho germânico rumo ao título começou na primeira fase, contra o Atvidaberg, da Suécia. Na ida, os bávaros venceram em casa por 3 a 1. Na volta, foram surpreendidos fora pelo mesmo placar, com o atacante adversário Conny Torstensson marcando dois gols. Nos pênaltis, o Bayern fez 4 a 3 e se salvou. Nas oitavas de final, foi a vez de enfrentar o Dínamo Dresden, coirmão da Alemanha Oriental. O primeiro jogo foi no Olímpico de Munique, e os alemães ocidentais tiveram que virar duas vezes para vencer por 4 a 3. A segunda partida ocorreu em Dresden, e o Bayern passou mais uma ao empatar por 3 a 3. Nas quartas, o desafio foi encarar o CSKA Sofia. Em Munique, os alemães abriram boa vantagem na goleada por 4 a 1. Nesta partida, o primeiro e o último gols foram marcados por Torstensson - sim, o mesmo sueco que complicou na primeira fase contra a equipe bávara, e que acabou contratado pela mesma. E o resultado largo permitiu ao Bayern até ser derrotado por 2 a 1 na Bulgária. A semifinal foi contra o Újpesti Dózsa, da Hungria. Em Budapeste, empate por 1 a 1. Em Munique, o Bayern voltou a arrasar e venceu por 3 a 0, confirmando seu lugar na final. A decisão iria revelar um campeão inédito: Bayern ou Atlético de Madrid, que eliminou Galatasaray, Dínamo Bucareste, Estrela Vermelha e Celtic. O estádio escolhido foi o Heysel, em Bruxelas, na Bélgica. E quase não deu para os alemães, que levaram 1 a 0 na prorrogação a seis minutos do fim. No último lance, porém, Hans-Georg Schwarzenbeck fez 1 a 1 e forçou uma partida-desempate. Dois dias depois, UliHoeness e Gerd Müller não deram chance ao azar e marcaram duas vezes cada para o Bayern fazer 4 a 0 e levar o primeiro título da série de três. ARQUIVO/BAYERN DE MUNIQUE


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 23 1975 A DECISÃO 28/05 - Parc des Princes - Paris (França) Bayern de Munique 2x0 Leeds United Árbitro: Michel Kitabdjian (França). Gols: Roth (71’) e Gerd Müller (81’). Bayern de Munique: Maier, Andersson (Weiss), Beckenbauer, Schwarzenbeck e Dürnberger; Roth, Zobel e Kapellmann; Torstensson, Gerd Müller e Hoeness (Wunder). Técnico: Dettmar Cramer. Leeds United: Stewart, Reaney, Madeley, Hunter e Frank Gray; Lorimer, Bremner, Giles e Yorath (Eddie Gray); Jordan e Clarke. Técnico: Jimmy Armfield. Asupremacia do Bayern de Munique na Copa dos Campeões da Europa teve continuidade no ano de 1975. Com a base da seleção que venceu a Copa do Mundo no ano anterior - Sepp Maier no gol, Franz Beckenbauer na zaga, Gerd Müller no ataque, entre outros -, o clube bávaro prosseguiu seu domínio sobre os adversários com resultados simples e consistentes. Livre da primeira fase por estar defendendo o título (eram 29 participantes ao todo), o Bayern iniciou sua campanha nas oitavas de final diante do Magdeburg, da Alemanha Oriental. O primeiro jogo aconteceu no Estádio Olímpico de Munique. Após sofrer dois gols, o time ocidental virou de maneira épica para 3 a 2. A segunda partida foi em território socialista, e desta vez a vitória veio sem maiores complicações, por 2 a 1. Nas quartas, foi a vez de enfrentar o Ararat Yerevan, da União Soviética. Na ida, os alemães venceram em casa por 2 a 0. Na volta, fora, os armênios pressionaram, tentaram a reação, mas o Bayern segurou a derrota útil por 1 a 0 para chegar à semifinal. Na fase seguinte, o enfrentamento foi contra o Saint-Étienne. A primeira partida foi realizada na França, no Estádio Geoffroy-Guichard, e terminou empatada por 0 a 0. O segundo jogo ocorreu em Munique, e o Bayern confirmou o favoritismo ao fazer 2 a 0, gols de Beckenbauer (no começo do primeiro tempo) e Bernd Dürnberger (na metade da etapa complementar). Novamente na final, o Bayern de Munique enfrentou o Leeds United, clube da Inglaterra que no caminho bateu Zürich, Újpesti Dózsa (Hungria), Anderlecht e Barcelona. O local escolhido para a partida foi o Parc des Princes, em Paris. Os britânicos bem que tentaram segurar o poderio alemão, mas o Bayern conseguiu os gols da vitória no segundo tempo. Aos 26 minutos, Franz Roth abriu o placar. Aos 36, foi a vez do artilheiro Gerd Müller fazer 2 a 0 e confirmar o bicampeonato da equipe. ARQUIVO/BAYERN DE MUNIQUE


24 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1976 A DECISÃO 12/05 - Hampden Park - Glasgow (Escócia) Bayern de Munique 1x0 Saint-Étienne Árbitro: Károly Palotai (Hungria). Gol: Roth (57’). Bayern de Munique: Maier, Hansen, Schwarzenbeck, Beckenbauer e Horsmann; Dürnberger, Roth e Kapellmann; Rummenigge, Hoeness e Gerd Müller. Técnico: Dettmar Cramer. Saint-Étienne: Curkovic, Janvion, Piazza, Lopez e Repellini; Bathenay, Santini e Larqué; Patrick Revelli, Hervé Revelli e Sarramagna (Rocheteau). Técnico: Robert Herbin. Ocapítulo final do domínio germânico na Copa dos Campeões da Europa na década de 70. Em 1976, o Bayern de Munique levou o tricampeonato continental e deu os últimos contornos a uma história iniciada três temporadas antes. A conquista elevou o clube ao status de segundo maior vencedor até àquele momento, empatado em taças com o Ajax e com metade atrás do Real Madrid. De volta com 32 participantes, a UEFA acabou mais uma vez com o benefício de se começar já nas oitavas de final. Assim, o time bávaro teve de disputar a primeira fase na defesa do título. Os primeiros confrontos foram diante do Jeunesse Esch, de Luxemburgo, com duas vitórias tranquilas por 5 a 0, fora, e 3 a 1, em casa. Nas oitavas, o Bayern enfrentou o Malmö. Na ida, derrota por 1 a 0 na Suécia - a única até a decisão. Na volta, vitória por 2 a 0 no Olímpico de Munique e vaga nas quartas de final. Na outra fase, foi a vez de enfrentar o Benfica. O primeiro jogo aconteceu no Estádio da Luz, em Lisboa, e ficou no 0 a 0. Na segunda partida, na Alemanha, Bernd Dürnberger marcou duas vezes, Karl-Heinz Rummenigge fez outro e Gerd Müller também anotou dois para o Bayern golear os portugueses por impiedosos 5 a 1. A semifinal foi contra o Real Madrid. No Santiago Bernabéu, empate por 1 a 1 entre alemães e espanhóis. No Olímpico, mais dois gols de Gerd Müller e 2 a 0 para a equipe germânica, finalista. O Bayern de Munique chegou na terceira decisão para enfrentar o Saint-Étienne, clube francês que superou KB (Dinamarca), Rangers, Dínamo Kiev, e PSV Eindhoven. A partida foi realizada no Hampden Park, na cidade escocesa de Glasgow. Favorito, o time bávaro chegou à vitória e ao terceiro título no gol de Franz Roth, anotado aos 12 minutos do segundo tempo. O placar de 1 a 0 foi suficiente e fechou com chave de ouro uma grande passagem da história da principal competição de clubes da Europa. GEORGE BEUTTER/ONZE/ICON SPORT/GETTY IMAGES


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 25 1977 A DECISÃO 25/05 - Olímpico - Roma (Itália) Liverpool 3x1 Borussia Mönchengladbach Árbitro: Robert Wurtz (França). Gols: McDermott (28’), Simonsen (51’), Smith (65’) e Neal (83’). Liverpool: Clemence, Neal, Smith, Hughes e Jones; Callaghan, Case, McDermott e Kennedy; Keegan e Heighway. Técnico: Bob Paisley. Borussia Mönchengladbach: Kneib, Vogts, Wittkamp, Bonhof e Klinkhammer; Stielike, Schäffer e Wohlers (Hannes); Simonsen, Heynckes e Wimmer (Kulik). Técnico: Udo Lattek. Odomínio holandês e alemão passou, e a Copa dos Campeões da Europa passou a ver uma nova hegemonia. A partir de 1977, três equipes inglesas emendaram uma sequência de seis títulos, que jamais seria igualada por qualquer outro país. E quem deu a partida na nova era da competição foi o Liverpool, treinado pela lenda Bob Paisley, de quase 50 anos dedicados ao clube. Na primeira fase, os “reds” enfrentaram o Crusaders, da Irlanda do Norte, e avançaram de maneira tranquila, com vitórias por 2 a 0 no Anfield Road, e por 5 a 0 em Belfast. Nas oitavas de final, foi a vez de encarar o Trabzonspor, da Turquia. Na ida, o Liverpool foi surpreendido e levou 1 a 0 dos turcos em Trabzon. Os ingleses compensaram a derrota na volta em casa, fizeram 3 a 0 em 19 minutos de jogo e levaram a classificação. Nas quartas, o adversário foi o Saint-Étienne, em mais dois confrontos com dificuldades. A primeira partida aconteceu na França, com outra derrota vermelha por 1 a 0. O segundo jogo foi no Anfield, e o Liverpool mais uma vez reverteu o quadro ao ganhar por 3 a 1. A semifinal foi disputada contra o Zürich, da Suíça. A ida foi jogada no Letzigrund, em Zurique, e os reds obtiveram a vitória por 3 a 1. A volta ocorreu em Liverpool, e o clube inglês novamente venceu por 3 a 0. Pela primeira vez na final, o Liverpool enfrentou na busca pelo título inédito o Borussia Mönchengladbach, já conhecido (e vencido) na disputa derradeira na Copa da UEFA em 1973. Na tentativa de manter a supremacia germânica, o time alemão passou por Austria Viena, Torino, Club Brugge e Dínamo Kiev. A partida aconteceu no Estádio Olímpico de Roma, e os ingleses não demoraram muito para tomar o controle. Aos 28 minutos do primeiro tempo, Terry McDermott abriu o placar. O empate rival veio aos sete do segundo tempo, mas Tommy Smith desempatou aos 19, e Phil Neal converteu pênalti aos 38 para determinar 3 a 1 e o primeiro dos seis títulos europeus do Liverpool. BOB THOMAS/GETTY IMAGES


26 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1978 A DECISÃO 10/05 - Wembley - Londres (Inglaterra) Liverpool 1x0 Club Brugge Árbitro: Charles Corver (Holanda). Gol: Dalglish (64’). Liverpool: Clemence, Neal, Thompson, Hansen e Hughes; Case (Heighway), McDermott, Souness e Kennedy; Dalglish e Fairclough. Técnico: Bob Paisley. Club Brugge: Jensen, Bastijns, Leekens, Krieger e Maes (Volders); Cools, Vandereycken, Kü (Sanders) e De Cubber; Simoen e Sorensen. Técnico: Ernst Happel. Passada a reconquista inglesa da Copa dos Campeões da Europa em 1977, era a hora de consolidar a hegemonia em 1978. Tudo estava nas mãos do Liverpool. Na temporada anterior, o clube conseguiu o feito de unificar os títulos europeu e nacional, mas uma das vagas não foi repassada ao vice (o Manchester City), e a competição continental ficou com 31 participantes. Dessa forma, os reds ganharam um passe direto às oitavas de final. A estreia aconteceu contra o Dínamo Dresden. Na ida, goleada britânica por 5 a 1 no Anfield. Na volta, derrota por 2 a 1 na Alemanha Oriental, que não afetou a trajetória. Nas quartas de final, foi a vez de enfrentar o Benfica. O primeiro jogo foi no Estádio da Luz, em Lisboa, e o Liverpool venceu por 2 a 1, de virada. A segunda partida aconteceu na Inglaterra, e mais um resultado largo - de 4 a 1 - entrou para a conta vermelha (do mandante). Na semifinal, dois encontros com um velho conhecido, o Borussia Mönchengladbach. O time alemão queria deixar de ser freguês para se tornar algoz, e até chegou a derrotar o Liverpool por 2 a 1 na ida, na Alemanha. Todavia, os ingleses reverteram com sobras a situação na volta, ao fazer 3 a 0 no Anfield. Os reds estavam de novo na decisão. O último encontro antes do bicampeonato europeu foi contra o Club Brugge, equipe da Bélgica que deixou para trás Floriana (Malta), Panathinaikos, Atlético de Madrid e Juventus. O jogo foi disputado em terras quase locais, no Wembley, em Londres. Mais de 92 mil torcedores acompanharam nas arquibancadas - a maioria saída de Liverpool. Em campo, os belgas engrossaram o máximo que puderam - até os 19 minutos do segundo tempo. Foi nesse tempo que Kenny Dalglish anotou o gol do simples 1 a 0 que valeu o segundo título. Em sua primeira temporada no time inglês, o atacante escocês já havia aparecido na foto oficial da conquista anterior, que foi tirada somente na abertura da jornada seguinte, com ele já contratado. Teriam mais imagens pela frente. BOB THOMAS/GETTY IMAGES


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 27 1979 A DECISÃO 30/05 - Olímpico - Munique (Alemanha) Nottingham Forest 1x0 Malmö Árbitro: Erich Linemayr (Áustria). Gol: Francis (45+1’). Nottingham Forest: Shilton, Anderson, Lloyd, Burns e Clark; Francis, McGovern, Bowyer e Robertson; Birtles e Woodcock. Técnico: Brian Clough. Malmö: Möller, Roland Andersson, Jönsson, Magnus Andersson e Erlandsson; Prytz, Tapper (Malmberg), Ljungberg e Kindvall; Cervin e Hansson (Tommy Andersson). Técnico: Bob Houghton. OLiverpool levou o bicampeonato europeu em 1978, mas não conseguiu fazer o mesmo na busca pelo tri no campeonato inglês. O time terminou a competição no segundo lugar, atrás do Nottingham Forest, um clube médio do interior da Inglaterra que até então nunca havia vencido a primeira divisão. Pois este foi o primeiro passo de uma ascensão fulminante na vida da equipe do centro-leste britânico, treinada pelo histórico Brian Clough e cujo torcedores também são conhecidos como “reds”, que culminaria no período de dominância mais alternativo já visto na Copa dos Campeões da Europa. Na primeira fase, a UEFA tratou de eliminar um dos ingleses ao fazer o confronto caseiro entre os ganhadores do país e do continente. Na ida, o Nottingham abriu vantagem ao fazer 2 a 0 no seu estádio, o City Ground. Na volta, bastou segurar o empate sem gols no Anfield para conseguir a classificação e despachar o defensor de título de maneira precoce. Nas oitavas de final, foi a vez de enfrentar o AEK Atenas. Com tranquilidade, a equipe da árvore venceu os dois jogos, por 2 a 1 na Grécia e por 5 a 1 na Inglaterra. Nas quartas, o adversário foi o Grasshopper, da Suíça. No primeiro jogo, o Nottingham voltou a golear em casa, agora de virada, por 4 a 1. Na segunda partida, o empate por 1 a 1 em Zurique selou a vaga na semifinal. O oponente seguinte foi o alemão Colônia (ou Köln). Na ida, um emocionante empate por 3 a 3, cheio de reviravoltas no City Ground. Na volta, o Nottingham precisou desembolsar uma suada vitória por 1 a 0 fora de casa para atingir a final. A novidade britânica na decisão enfrentou outro clube igualmente estreante nesta fase, o Malmö. Os suecos chegaram lá ao passar por Monaco, Dínamo Kiev, Wisla Cracóvia (Polônia) e Austria Viena. O jogo foi disputado no Estádio Olímpico de Munique, na Alemanha. De poucas oportunidades, o jogo teve o placar definitivo aos 46 minutos do primeiro tempo, quando Trevor Francis fez 1 a 0 para o Nottingham Forest - um pequeno, grande, novo e invicto campeão. PAUL POPPER/POPPERFOTO/GETTY IMAGES


28 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1980 A DECISÃO 28/05 - Santiago Bernabéu - Madrid (Espanha) Nottingham Forest 1x0 Hamburgo Árbitro: António Garrido (Portugal). Gol: Robertson (20’). Nottingham Forest: Shilton, Anderson, Lloyd, Burns e Gray (Gunn); Bowyer, McGovern e Mills (O’Hare); O’Neill, Robertson e Birtles. Técnico: Brian Clough. Hamburgo: Kargus, Buljan, Nogly e Jakobs; Kaltz, Hieronymus (Hrubesch), Magath e Memering; Keegan, Reimann e Milewski. Técnico: Branko Zebec. Mais uma década ficou para trás, e a Copa dos Campeões da Europa seguiu forte. Os anos 80 ficaram marcados pela alternância de forças no domínio da competição, mas não sem antes ver a consolidação inglesa com mais três taças em sequência às que vieram no fim dos anos 70. Quem emendou o quarto título consecutivo para a terra da rainha em 1980 foi, de novo, o assombroso Nottingham Forest. A campanha do bicampeonato vermelho teve início contra o Östers, da Suécia. No primeiro jogo, vitória por 2 a 0 dentro do City Ground. Na segunda partida, empate por 1 a 1 no interior sueco. Nas oitavas de final, foi a vez de enfrentar outra equipe pouco conhecida, o Arges Pitesti, da Romênia. E mais uma vez o Nottingham passou de maneira tranquila, vencendo a ida em casa por 2 a 0, e a volta fora por 2 a 1. Nas quartas, quase que a história foi para o buraco. Contra o Dínamo Berlim, da Alemanha Oriental, o Nottingham perdeu a primeira desde o início da edição anterior, por 1 a 0 no City Ground. A equipe precisou se recuperar fora de casa, e os britânicos conseguiram a classificação no outro lado do muro, no triunfo por 3 a 1. O oponente da semifinal foi o Ajax. Novamente abrindo a série na Inglaterra, o time todo vermelho venceu por 2 a 0. No Olímpico de Amsterdã, o time holandês até largou na frente, mas a derrota por 1 a 0 classificou o Nottingham Forest. Mais uma final para os ingleses. O último adversário rubro foi o Hamburgo, clube alemão que eliminou Valur (Islândia), Dínamo Tbilisi (União Soviética), Hajduk Split (Iugoslávia) e Real Madrid. A partida aconteceu no já figurinha carimbada Santiago Bernabéu, em Madrid, palco da decisão pela terceira vez na história. E tal qual ocorreu em 1979, poucas chances de gol surgiram. A única fatal veio aos 20 minutos do primeiro tempo pelo escocês John Robertson, que fez 1 a 0 e confirmou mais uma conquista para a soberana e - até ali - inquestionável Inglaterra. PETER ROBINSON/EMPICS/GETTY IMAGES


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 29 1981 A DECISÃO 27/05 - Parc des Princes - Paris (França) Liverpool 1x0 Real Madrid Árbitro: Károly Palotai (Hungria). Gol: Alan Kennedy (82’). Liverpool: Clemence, Neal, Thompson, Hansen e Alan Kennedy; Lee, McDermott, Souness e Ray Kennedy; Dalglish (Case) e Johnson. Técnico: Bob Paisley. Real Madrid: Agustín, Cortés (Pineda), Navajas, Sabido e Camacho; Del Bosque, Ángel e Stielike; Juanito, Santillana e Cunningham. Técnico: Vujadin Boskov. Maior força do futebol inglês, o Liverpool recuperou também o domínio na Europa após duas temporadas vencedoras do Nottingham Forest. Ainda comandados por Bob Paisley, os reds conquistaram o tricampeonato da Copa dos Campeões, em 1981, e deram continuidade ao domínio da Inglaterra com cinco taças consecutivas (e ainda teremos mais uma). Na primeira fase, o Liverpool enfrentou o Oulun Palloseura, da Finlândia. Mesmo sem se tratar de um adversário competitivo, os ingleses cederam o empate para o time nórdico na ida, fora, por 1 a 1. A compensação veio na volta, na goleada por 10 a 1 no Anfield Road. As goleadas foram a tônica do Liverpool em quase todo o campeonato. Nas oitavas de final, contra o Aberdeen, o clube inglês avançou com duas vitórias, por 1 a 0 na Escócia e por 4 a 0 na Inglaterra. Nas quartas, o adversário foi o CSKA Sofia. O primeiro jogo foi no Anfield, e os reds aplicaram 5 a 1 nos búlgaros. A segunda partida aconteceu na Bulgária, e o Liverpool outra vez ganhou fora por simples 1 a 0. A semifinal reservou um duelo de titãs contra o Bayern de Munique. O primeiro confronto entre os campeões da década anterior foi disputado na Inglaterra, na casa do Liverpool, e terminou empatado sem gols. O segundo jogo ocorreu na Alemanha, no Olímpico de Munique, e novamente acabou com empate. Os reds abriram o placar aos 38 minutos do segundo tempo, com Ray Kennedy, e os alemães buscaram o 1 a 1 aos 43. Pela regra do gol fora de casa, o Liverpool se classificou para a final. A terceira decisão vermelha na Copa dos Campeões teve como adversário o Real Madrid, hexacampeão que estava há 15 anos longe do título. Os espanhóis voltaram para mais uma tentativa após bater Limerick (Irlanda), Honvéd (Hungria), Spartak Moscou e Internazionale. O Parc des Princes, em Paris, recebeu a partida. A equipe inglesa era a favorita e confirmou a conquista na vitória por 1 a 0, gol marcado por Alan Kennedy aos 37 minutos do segundo tempo. PETER ROBINSON/EMPICS/GETTY IMAGES


30 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1982 A DECISÃO 26/05 - De Kuip - Roterdã (Holanda) Aston Villa 1x0 Bayern de Munique Árbitro: Georges Konrath (França). Gol: Withe (67’). Aston Villa: Rimmer (Spink), Swain, McNaught, Evans e Williams; Mortimer, Cowans e Bremner; Withe, Shaw e Morley. Técnico: Tony Barton. Bayern de Munique: Müller, Dremmler, Weiner, Augenthaler e Horsmann; Mathy (Güttler), Kraus (Niedermayer), Breitner e Dürnberger; Hoeness e Rummenigge. Técnico: Pál Csernai. Quando a oportunidade do sucesso aparece, precisamos aproveitá-la da melhor maneira possível. Foi o caso do Aston Villa no começo dos anos 80. O clube da cidade de Birmingham não era campeão inglês desde 1910 (chegou a passear até mesmo pela terceira divisão nacional na década de 70). Até que conseguiu sair da fila em 1981. E em 1982 o time chegou ao histórico título da Copa dos Campeões da Europa, que estabeleceu o recorde definitivo de seis conquistas consecutivas da Inglaterra na competição. Na primeira fase, os lions enfrentaram o Valur, da Islândia. No primeiro jogo, goleada por 5 a 0 no Villa Park. Na segunda partida, vitória por 2 a 0 em Reykjavik e classificação fácil. Nas oitavas de final, foi a vez de encarar o Dínamo Berlim. A ida foi disputada na Alemanha Oriental, e o Villa conseguiu vencer por 2 a 1. A volta aconteceu na Inglaterra, e os berlinenses do lado leste até ganharam por 1 a 0, mas a regra do gol fora de casa valeu para mais um avanço britânico. Nas quartas, o adversário foi o Dínamo Kiev. Na União Soviética (em solo ucraniano), empate por 0 a 0. Tudo ficou para o confronto em Birmingham, e em casa os lions passaram de fase na vitória por 2 a 0. A semifinal foi contra o Anderlecht, da Bélgica. E mais uma vez o time inglês se classificou de modo simples, com 1 a 0 a favor em casa e empate sem gols fora. Na final inédita, o Aston Villa encarou o cascudo Bayern de Munique, que havia eliminado Östers (Suécia), Benfica, Universitatea Craiova (Romênia) e CSKA Sofia. O jogo contra os alemães foi realizado no Estádio De Kuip, na holandesa Roterdã. Tal qual havia acontecido nas quatro decisões anteriores, o 1 a 0 mínimo serviu para definir o campeão europeu. Aos 22 minutos do segundo tempo, Peter Withe marcou o gol da maior glória jamais vista antes e igualada depois pelo clube das cores grená e azul. BOB THOMAS/GETTY IMAGES 1983


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 31 1983 A DECISÃO 25/05 - Olímpico - Atenas (Grécia) Hamburgo 1x0 Juventus Árbitro: Nicolae Rainea (Romênia). Gol: Magath (9’). Hamburgo: Stein, Kaltz, Jakobs, Hieronymus e Wehmeyer; Groh, Rolff e Milewski; Magath, Bastrup (Von Heesen) e Hrubesch. Técnico: Ernst Happel. Juventus: Zoff, Gentile, Scirea, Brio e Cabrini; Tardelli, Platini e Bonini; Bettega, Rossi (Marocchino) e Boniek. Técnico: Giovanni Trapattoni. Foram longas seis temporadas de hegemonia inglesa na Copa dos Campeões da Europa. Até que em 1983 apareceu alguém para quebrar a sequência. E foi exatamente o último país a vencer antes da Inglaterra: a Alemanha. Ela chegou lá com o Hamburgo, que viveu sua melhor época entre as décadas de 1970 e 1980. Na primeira fase, os “rothosen” (shorts vermelhos) enfrentaram o coirmão do leste, o Dínamo Berlim. A ida foi jogada na Alemanha Oriental, com empate por 1 a 1. A volta aconteceu no Volksparkstadion, e o Hamburgo passou com vitória tranquila por 2 a 0. Nas oitavas de final, foi a vez de encarar o Olympiacos, da Grécia. Desta vez, a primeira partida foi em casa e acabou com 1 a 0 para o clube alemão. O segundo jogo foi em Atenas, no Estádio Olímpico. E a primeira alegria do HSV em terras gregas veio na goleada por 4 a 0. Nas quartas de final, o Hamburgo foi até a União Soviética enfrentar o Dìnamo Kiev. Mas a ida não aconteceu na Ucrânia, e sim na Geórgia, em Tbilisi, devido ao mau tempo. O campo praticamente neutro ajudou os alemães, que ganharam por 3 a 0 - obtidos no hat-trick do atacante dinamarquês Lars Bastrup. Na Alemanha, o Dínamo assustou, mas a derrota por 2 a 1 serviu para a classificação do HSV. Na semifinal, o adversário foi a Real Sociedad, da Espanha. A ida ocorreu no País Basco, na cidade de San Sebastián, e terminou empatada por 1 a 1. O Volksparkstadion recebeu a volta, e o Hamburgo conquistou um lugar na final inédita ao vencer por 2 a 1. Decisão inédita para o HSV, mas não para seu adversário, o Juventus. Os italianos chegaram lá pela segunda vez ao baterem Hvidovre (Dinamarca), Standard Liège, Aston Villa e Widzew Lódz (Polônia). O estádio? O mesmo Olímpico de Atenas da goleada do Hamburgo nas oitavas. Desta vez com um resultado mais modesto, 1 a 0, gol de Felix Magath aos nove minutos do primeiro tempo, o time alemão levou para casa seu maior título em toda a história. ARQUIVO/HAMBURGO


32 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1984 A DECISÃO 30/05 - Olímpico - Roma (Itália) Liverpool 1x1 (4x2) Roma Árbitro: Erik Fredriksson (Suécia). Gols: Neal (13’) e Pruzzo (42’). Liverpool: Grobbelaar, Neal, Lawrenson, Hansen e Alan Kennedy; Johnston (Nicol), Lee, Souness e Whelan; Dalglish (Robinson) e Rush. Técnico: Joe Fagan. Roma: Tancredi, Nappi, Nela, Righetti e Bonetti; Di Bartolomei, Toninho Cerezo (Strukelj), Falcão e Conti; Pruzzo (Chierico) e Graziani. Técnico: Nils Liedholm. Os clubes ingleses tiveram um fim de anos 1970 e início de anos 1980 muito forte, com seis títulos consecutivos na Copa dos Campeões da Europa. Até que em 1983 o alemão Hamburgo quebrou a sequência. Mas não fosse por isso, a Inglaterra poderia ter emendado oito conquistas. Em 1984, o Liverpool isolou-se como segundo maior vencedor da competição, quando chegou ao tetracampeonato. Agora sob o comando do técnico Joe Fagan, os reds iniciaram a campanha contra o dinamarquês Odense, na primeira fase. Na ida, vitória por 1 a 0 na Dinamarca, com gol de Kenny Dalglish. Na volta, goleada por 5 a 0 no Anfield Road. Nas oitavas de final, o adversário foi o duro Athletic Bilbao, da Espanha. O primeiro jogo aconteceu na Inglaterra e terminou empatado sem gols. O Liverpool foi para a segunda partida no País Basco precisando vencer. E conseguiu, por 1 a 0, no gol marcado por Ian Rush no Estádio San Mamés. Nas quartas, foi a vez de enfrentar o Benfica. A ida foi mais uma vez no Anfield, e acabou com vitória inglesa por 1 a 0, de novo por meio de Rush. A pequena vantagem aumentou muito na volta em Lisboa, no Estádio da Luz: goleada por 4 a 1, ao natural. A semifinal foi contra o romeno Dínamo Bucareste. Mais uma vez em casa, o Liverpool abriu 1 a 0 de frente. O gol desta vez foi de Sammy Lee. O segundo jogo foi na Romênia e, com dois tentos do artilheiro Rush, os reds avançaram à final com vitória por 2 a 1. A decisão foi contra a italiana Roma, que passou por IFK Gotemburgo, CSKA Sofia, Dínamo Berlim (Alemanha Oriental) e Dundee United (Escócia). A partida foi justamente na capital da Itália, no Estádio Olímpico, e tudo parecia ir contra o Liverpool. Aos 13 minutos do primeiro tempo, Phil Neal abriu o placar, mas a Roma empatou aos 42. Com 1 a 1 no placar, a disputa foi aos pênaltis pela primeira vez em uma final. Steve Nicol errou a primeira batida, mas os italianos erraram duas vezes e os reds venceram por 4 a 2 para levar para casa o quarto - e invicto - título europeu. ANDREW COWIE/COLORSPORT


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 33 1985 A DECISÃO 29/05 - Heysel - Bruxelas (Bélgica) Juventus 1x0 Liverpool Árbitro: André Daina (Suíça). Gol: Platini (58’). Juventus: Tacconi, Favero, Scirea, Brio e Cabrini; Bonini, Platini e Tardelli; Briaschi (Prandelli), Rossi (Vignola) e Boniek. Técnico: Giovanni Trapattoni. Liverpool: Grobbelaar, Neal, Lawrenson (Gillespie), Hansen e Beglin; Nicol, Whelan, Wark e Walsh (Johnston); Rush e Dalglish. Técnico: Joe Fagan. A Copa dos Campeões da Europa de 1985 poderia ficar marcada por vários acontecimentos positivos. Poderia ter sido pela campanha quase perfeita da Juventus, que recolocou a Itália no mapa da competição depois de 16 anos. Poderia ter sido também pela trajetória do Liverpool, que foi à sua quinta final em nove temporadas, e que por pouco não levou o penta. Mas o que marcou aquele torneio foi a tragédia protagonizada pelos “hooligans” ingleses na final. Antes, o torneio ocorreu sem maiores problemas. Sob as lideranças de Michel Platini e Paolo Rossi, a Juventus iniciou seu caminho rumo ao título inédito diante do Ilves, da Finlândia. Com vitórias por 4 a 0 fora e 2 a 1 em casa, os “bianconeri” avançaram tranquilamente. Nas oitavas de final, mais dois triunfos contra o Grasshopper, da Suíça: 2 a 0 em Turim e 4 a 2 em Zurique. O adversário de “La Vecchia Signora” nas quartas foi o Sparta Praga. No Comunale, em casa, os italianos abriram vantagem de 3 a 0. Na Tchecoslováquia, derrota controlada por 1 a 0 classificou a equipe. A semifinal foi contra o Bordeaux. E outra vez com a ida em Turim, o Juventus repetiu os 3 a 0. A volta foi na França, no Parc Lescure, e o time bianconeri passou aperto antes de chegar na decisão, pois perdeu por 2 a 0. A segunda final da história da Juventus foi contra o Liverpool, que eliminou Lech Poznan (Polônia), Benfica, Austria Viena e Panathinaikos. O local escolhido foi Heysel, em Bruxelas. Na Bélgica, torcedores italianos e ingleses provocaram-se desde a chegada até dentro do estádio. A barreira policial montada e as grades na arquibancada eram fracas. Bêbados, os hooligans invadiram o espaço dos italianos e os agrediram violentamente. Em pânico, quem fugia passava por cima de qualquer coisa, até mesmo de outras pessoas. Resultado: 39 mortes e mais de 600 feridos. A UEFA não adiou a partida e, sem saberem de nada, os jogadores foram à campo. Platini fez o gol do 1 a 0 que deu o título à Juventus aos 13 minutos do segundo tempo, de pênalti. ARQUIVO/JUVENTUS


34 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1986 A DECISÃO 07/05 - Ramón Pizjuán - Sevilha (Espanha) Steaua Bucareste 0x0 (2x0) Barcelona Árbitro: Michel Vautrot (França). Steaua Bucareste: Duckadam, Iovan, Bumbescu, Belodedici e Barbulescu; Majearu, Balan (Iordanescu), Bölöni e Balint; Lacatus e Piturca (Radu). Técnico: Emerich Jenei. Barcelona: Urruti, Gerardo, Migueli, Alexanko e Julio Alberto; Pedraza, Schuster (Moratalla), Muñoz e Marcos; Carrasco e Archibald (Pichi). Técnico: Terry Venables. Odesastre de Heysel em 1985 trouxe consequências sérias. Os hooligans ingleses foram apontados culpados pela confusão e as 39 mortes no estádio belga. Como punição, a UEFA baniu os clubes da Inglaterra das competições europeias por cinco temporadas. O estádio também jamais receberia novamente uma decisão de Copa dos Campeões (depois Liga dos Campeões). Apenas a final de 1996 da finada Recopa e algumas partidas da Eurocopa 2000 aconteceriam lá. Mas isso são outras histórias. A principal competição de clubes do Velho Continente seguiu para 1986 com uma surpresa: pela primeira vez, o Leste Europeu celebrou um campeão. A façanha coube ao Steaua (Estrela) Bucareste, clube pertencente ao Ministério da Defesa da Romênia, localizado na capital do país. Na primeira fase, os “ros-albastrii” (rubro-anis) passaram pelo Vejle, da Dinamarca, com empate fora por 1 a 1 e vitória em casa por 4 a 1. Nas oitavas de final, foi a vez de enfrentar o Honvéd, da Hungria. Na ida, derrota em Budapeste por 1 a 0. Na volta, outra goleada por 4 a 1 dentro do Estádio Ghencea. O adversário nas quartas foi o Kuusysi, da Finlândia. De maneira sofrida, o Steaua avançou depois de empatar sem gols o primeiro jogo em casa e vencer por 1 a 0 o segundo fora. A semifinal foi contra o Anderlecht, da Bélgica. Em remontada semelhante à das oitavas, o time romeno perdeu a ida, em Bruxelas, por 1 a 0 e venceu a volta, em Bucareste, por 3 a 0. Na histórica final, o Steaua enfrentou o Barcelona, que antes superou Sparta Praga, Porto, Juventus e IFK Gotemburgo. O campeão inédito foi definido no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilha, na Espanha. Embora o jogo tenha contado geograficamente com mais torcida e pressão catalã, os romenos em campo seguraram o 0 a 0 por 120 minutos. Nos pênaltis, quatro barcelonistas erraram contra dois ros-albastrii. Marius Lacatus e Gabi Balint converteram, e o Steaua Bucareste levou o título com o magro 2 a 0 nas cobranças. ALDO LIVERANI/TUTTOSPORT


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 35 1987 A DECISÃO 27/05 - Praterstadion - Viena (Áustria) Bayern de Munique 1x2 Porto Árbitro: Alexis Ponnet (Bélgica). Gols: Kögl (25’), Madjer (77’) e Juary (80’). Bayern de Munique: Pfaff, Winklhofer, Nachtweih, Eder e Pflügler; Flick (Lunde), Matthäus e Brehme; Rummenigge, Hoeness e Kögl. Técnico: Udo Lattek. Porto: Mlynarczyk, João Pinto, Eduardo Luís, Celso e Inácio (Frasco); Quim (Juary), Sousa e André; Jaime, Madjer e Futre. Técnico: Artur Jorge. Portugal passou bons anos longe do maior título europeu. Desde o Benfica, em 1962, o país amargou somente mais dois vices na Copa dos Campeões. Foi então quando apareceu - fora da capital - o Futebol Clube do Porto, equipe de sucesso nacional, mas que ainda não tinha uma glória internacional para chamar de sua. Na primeira fase, os dragões enfrentaram o amador Rabat Ajax, de Malta. Na ida em casa, a classificação já estava garantida nos 9 a 0 aplicados. Só Fernando Gomes marcou quatro vezes. Na volta fora, o Porto completou o serviço e os dez gols na vitória por 1 a 0. Nas oitavas de final, foi a vez de encarar o Vítkovice, da Tchecoslováquia. O primeiro jogo aconteceu em território tcheco, e os azuis perderam de maneira surpreendente por 1 a 0. A segunda partida foi no antigo Estádio das Antas, e o Porto reverteu com sobras, com 3 a 0 no placar. Nas quartas, o adversário foi o Brondby, da Dinamarca. O confronto foi aberto em Portugal, com vitória azul por 1 a 0, gol do argelino Rabah Madjer. Depois, o brasileiro Juary salvou a pátria portista com o gol do empate por 1 a 1 na volta. Na semifinal, foi a vez de enfrentar o Dínamo Kiev. A primeira partida ocorreu nas Antas, com vitória lusitana por 2 a 1. O segundo jogo foi na União Soviética, e os dragões repetiram o 2 a 1 no resultado. Com isso, o Porto chegava na final da competição continental pela primeira vez na história. O adversário português foi clube experiente em decisões, mas que já não vencia há 11 anos: o Bayern de Munique. Os alemães derrotaram PSV Eindhoven, Austria Viena, Anderlecht e Real Madrid. A partida foi disputada no Praterstadion, em Viena. O Porto saiu perdendo aos 25 minutos do primeiro tempo e buscou a reação no restante do tempo. Após insistir muito, Madjer empatou aos 32 do segundo tempo. E o reserva Juary, em campo desde o intervalo, virou para 2 a 1 aos 35. A conquista europeia dos azuis precisou de apenas três minutos para acontecer. ARQUIVO/PORTO


36 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1988 A DECISÃO 25/05 - Neckarstadion - Stuttgart (Alemanha) PSV Eindhoven 0x0 (6x5) Benfica Árbitro: Luigi Agnolin (Itália). PSV Eindhoven: Van Breukelen, Gerets, Nielsen, Koeman e Heintze; Vanenburg, Van Aerle, Lerby e Linskens; Kieft e Gillhaus (Janssen). Técnico: Guus Hiddink. Benfica: Silvino, Veloso, Dito, Mozer e Álvaro; Chiquinho, Elzo, Shéu e Pacheco; Águas (Wando) e Magnusson (Redouane). Técnico: Toni Conceição. Nem sempre o melhor time vence um campeonato quando ele é disputado no sistema mata-mata. Às vezes, nem é o caso de os jogadores não serem bons, mas sim de se saber utilizar do regulamento em benefício próprio. Foi o que aconteceu com o PSV Eindhoven na Copa do Campeões da Europa em 1988. Com bons atletas (parte da base da Holanda que viria a conquistar a Eurocopa no mesmo ano) e muita sabedoria, o único clube grande holandês que ainda não possuía o maior título europeu chegou lá e deu fim a 15 anos de fila do país. Na primeira fase, os “boeren” (camponeses) enfrentaram o Galatasaray, da Turquia. A primeira partida aconteceu em Eindhoven, no Estádio Philips, com vitória do mandante por 3 a 0. A grande vantagem permitiu ao PSV até perder no segundo jogo, em Istambul, por 2 a 0 - com certo sufoco. Nas oitavas de final, foi a vez de jogar contra o Rapid Viena, da Áustria. De maneira tranquila, os holandeses se classificaram ao vencer por 2 a 1 fora e por 2 a 0 em casa. Foram as últimas vitórias do PSV na competição. Nas quartas, o time vermelho e branco encarou o Bordeaux e avançou com dois empates, por 0 a 0 em Eindhoven e por 1 a 1 na França. A regra do gol fora de casa se fez valer. A semifinal foi contra o Real Madrid, e a ida foi como visitante. No Santiago Bernabéu, mais um empate por 1 a 1. A volta aconteceu no Philips, e o PSV passou para a decisão ao segurar o time espanhol com outro 0 a 0, que acionou novamente a regra do gol fora. Pela primeira vez na final, o time holandês enfrentou o Benfica, que chegou lá pela sexta vez ao eliminar Partizani (Albânia), Aarhus (Dinamarca), Anderlecht e Steaua Bucareste. A partida ocorreu no Neckarstadion, na alemã Stuttgart, e não se viu gols nos 120 minutos percorridos. Nos pênaltis, Ronald Koeman começou marcando e foi seguido por todos até Anton Janssen acertar o sexto. Quando António Veloso tentou o empate, Hans Van Breukelen defendeu e o PSV foi campeão por 6 a 5. BOB THOMAS/GETTY IMAGES


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 37 1989 A DECISÃO 24/05 - Camp Nou - Barcelona (Espanha) Steaua Bucareste 0x4 Milan Árbitro: Karl-Heinz Tritschler (Alemanha). Gols: Gullit (18’ e 39’) e Van Basten (28’ e 46’). Steaua Bucareste: Lung, Petrescu, Iovan, Bumbescu e Ungureanu; Minea, Stoica, Hagi e Rotariu (Balint); Lacatus e Piturca. Técnico: Anghel Iordanescu. Milan: Giovanni Galli, Tassotti, Baresi, Costacurta (Filippo Galli) e Maldini; Colombo, Rijkaard, Ancelotti e Donadoni; Gullit (Virdis) e Van Basten. Técnico: Arrigo Sacchi. Depois de um período bem variado de vencedores na Copa dos Campeões da Europa, o fim dos anos 80 viu o ressurgimento de uma nova força, vinda da Itália. Com um futebol que fugia completamente das características defensivas italianas, o Milan do técnico Arrigo Sacchi encantou o Velho Continente a partir de 1989. O time, de toque de bola rápido e ofensivo, era uma mistura de Itália e Holanda, com Paolo Maldini, Franco Baresi, Alessandro Costacurta e Carlo Ancelotti do lado azul, e Frank Rijkaard, Marco Van Basten e Ruud Gullit do lado laranja. Na primeira fase, o rossonero enfrentou o Vitosha Sofia (atual Levski), da Bulgária. Tranquilamente, venceu os dois jogos, por 2 a 0 fora de casa, e por 5 a 2 no San Siro. Nas oitavas de final, foi a vez de encarar o Estrela Vermelha, da Iugoslávia. Na ida, em Milão, empate por 1 a 1. Na volta, em Belgrado, os iugoslavos chegaram a abrir o placar, mas a comemoração da torcida com o uso de muita fumaça obrigou o árbitro a apitar o fim da partida com 20 minutos do segundo tempo. Ela foi remarcada para o dia seguinte, e refeita do zero. Na nova disputa, o Milan largou na frente e levou o 1 a 1. Nos pênaltis, venceu por 4 a 2 e passou de fase. Nas quartas, o adversário foi o Werder Bremen, da Alemanha. O primeiro jogo acabou sem gols fora, e no segundo, o clube italiano venceu por 1 a 0 em casa e chegou à semifinal. O confronto seguinte foi contra o Real Madrid. A ida foi no Santiago Bernabéu, com mais um empate por 1 a 1. A volta aconteceu no San Siro, e foi um show rossonero. Ancelotti, Rijkaard, Gullit, Van Basten e Roberto Donadoni anotaram um gol cada, e o Milan goleou por 5 a 0. O adversário milanista na final foi o Steaua Bucareste, que superou Sparta Praga, Spartak Moscou, IFK Gotemburgo e Galatasaray. A partida foi em Barcelona, no Camp Nou. Com show holandês, o Milan foi tricampeonato ao golear por 4 a 0, dois gols de Gullit e outros dois de Van Basten. PETER ROBINSON/GETTY IMAGES


38 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1990 A DECISÃO 23/05 - Praterstadion - Viena (Áustria) Milan 1x0 Benfica Árbitro: Helmut Kohl (Áustria). Gol: Rijkaard (68’). Milan: Giovanni Galli, Tassotti, Baresi, Costacurta e Maldini; Colombo (Filippo Galli), Rijkaard, Ancelotti (Massaro) e Evani; Gullit e Van Basten. Técnico: Arrigo Sacchi. Benfica: Silvino, José Carlos, Ricardo Gomes, Aldair e Samuel; Hernâni, Valdo, Thern, Paneira (Vata) e Pacheco (Brito); Magnusson. Técnico: Sven-Göran Eriksson. Os anos 90 chegaram, e a Copa dos Campeões da Europa passaria a viver seus últimos dias de simplicidade. Até mesmo seu nome estava com os dias contados. Assim como o continente no geral, a UEFA iria absorver todas as mudanças que a queda do socialismo iria trazer naquela época. Enquanto isso não acontecia, o Milan continuava à frente dos outros. Em 1990, o estilo de jogo da equipe já não era mais novidade e a campanha foi mais difícil, mas ainda assim suficiente para o tetra. Na primeira fase, o rossonero enfrentou o HJK, da Finlândia. Tranquilamente, venceu a ida em Milão por 4 a 0, e a volta em Helsinque por 1 a 0. Nas oitavas de final, o adversário foi o Real Madrid. Outra vez o primeiro confronto foi na Itália, com vitória milanista por 2 a 0. O segundo jogo ocorreu na Espanha. O Milan se classificou, mas passou aperto ao perder por 1 a 0. Nas quartas, foi a vez de enfrentar o Mechelen, da Bélgica. Contra uma equipe surpreendentemente complicada, o rossonero só foi fazer gols depois de quase 200 minutos. Na ida, empate por 0 a 0 em Bruxelas. Na volta, no San Siro, o tempo normal também passou zerado. Apenas na segunda etapa da prorrogação que o Milan desencantou: Marco Van Basten e Marco Simone marcaram os tentos do 2 a 0 que levaram o clube à semifinal. O penúltimo oponente foi o Bayern de Munique. A primeira partida aconteceu na Itália, com simples 1 a 0 a favor do time rossonero. O segundo jogo foi na Alemanha, e os locais devolveram o resultado. De novo na prorrogação, Stefano Borgonovo fez o gol fora do alívio antes do segundo alemão. A derrota por 2 a 1 colocou o Milan em mais uma final. A decisão reeditou 1963 contra o Benfica, que amargava a sina de quatro vices nas quatro últimas finais disputadas. Os portugueses bateram Derry City (Irlanda), Honvéd (Hungria), Dnipro (União Soviética) e Olympique Marselha. A partida foi no Praterstadion, em Viena. De modo apertado, o Milan foi campeão ao ganhar por 1 a 0, gol de Frank Rijkaard aos 23 minutos do segundo tempo. BOB THOMAS/GETTY IMAGES


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 39 1991 A DECISÃO 29/05 - San Nicola - Bari (Itália) Estrela Vermelha 0x0 (5x3) Olympique Marselha Árbitro: Tullio Lanese (Itália). Estrela Vermelha: Stojanovic, Sabanadzovic, Najdoski, Belodedici e Marovic; Prosinecki, Jugovic, Mihajlovic e Savicevic (Stosic); Pancev e Binic. Técnico: Ljupko Petrovic. Olympique Marselha: Olmeta, Amoros, Boli, Mozer, Casoni e Di Meco (Stojkovic); Waddle, Fournier (Vercruysse), Germain e Abedi Pele; Papin. Técnico: Raymond Goethals. Oúltimo suspiro de uma nação dividida. Esta é a frase que resume o único título da Copa dos Campeões da Europa do Estrela Vermelha, da Iugoslávia, em 1991. Menos de um mês depois da decisão (29 de maio), o país entrou na guerra civil (25 de junho) que o separa em cinco (depois sete). Um ano antes, as tensões internas ficaram escancaradas justamente durante uma batalha campal em partida do Estrela (Crvena Zvezda em sérvio) contra o hoje croata Dínamo Zagreb. O mapa do futebol estava em mudanças tanto quanto o político. Durante o torneio europeu, as Alemanhas Ocidental e Oriental se unificaram. Dessa forma, foi a primeira vez que um país teve mais de um participante atuando sem ser o campeão. Ainda, foi a primeira temporada após a punição aos ingleses, embora o representante Liverpool estivesse com um ano adicional de gancho pela tragédia de 1985. Assim, foram 31 times no último campeonato feito todo em mata-mata. A campanha vencedora do Estrela Vermelha começou contra o Grasshopper, com o qual empatou por 1 a 1 em Belgrado e goleou por 4 a 1 na Suíça. Nas oitavas de final, os iugoslavos eliminaram o Rangers com 3 a 0 em casa e 1 a 1 na Escócia. Nas quartas, foi a vez bater o Dínamo Dresden com outro 3 a 0 em Belgrado e um tapetão na agora ex-Alemanha Oriental. A UEFA suspendeu o jogo de volta - quando estava 2 a 1 para o Estrela - por causa do tumulto e da invasão de torcedores do Dresden. O time acabou excluído e o resultado concedido foi de 3 a 0 para os iugoslavos. Na semifinal, o Estrela superou o Bayern de Munique depois de vencer por 2 a 1 fora e empatar por 2 a 2 em casa, com gols de Darko Pancev e Dejan Savicevic lá, e de Sinisa Mihajlovic e um contra cá (aos 45 minutos do segundo tempo). A final foi contra o Olympique Marselha, que passou por Dínamo Tirana (Albânia), Lech Poznan (Polônia), Milan e Spartak Moscou. A partida aconteceu no Estádio San Nicola, na cidade de Bari, na Itália. Sem gols em 120 minutos, a disputa foi aos pênaltis. E por 5 a 3, deu Estrela Vermelha sobre os franceses. As cobranças foram de Robert Prosinecki, Dragisa Binic, Miodrag Belodedici, Mihajlovic e Pancev. IMAGO-IMAGES/COLORSPORT


40 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1992 A DECISÃO 20/05 - Wembley - Londres (Inglaterra) Sampdoria 0x1 Barcelona Árbitro: Aron Schmidhuber (Alemanha). Gol: Koeman (112’). Sampdoria: Pagliuca, Mannini, Vierchowod, Lanna e Katanec; Lombardo, Pari, Toninho Cerezo e Ivano Bonetti (Invernizzi); Vialli (Buso) e Mancini. Técnico: Vujadin Boskov. Barcelona: Zubizarreta, Ferrer, Koeman e Nando; Eusebio, Bakero, Guardiola (Alexanko), Michael Laudrup e Juan Carlos; Salinas (Goikoetxea) e Stoichkov. Técnico: Johan Cruyff. ACopa dos Campeões da Europa de 1992 foi marcada pela transição de eras e mais mudanças geográficas. Na ordem: foi a última edição com o nome original. Também foi a primeira a contar com uma fase de grupos, após as oitavas de final, em substituição às quartas e à semifinal e com o líder avançando à decisão. A Inglaterra estava definitivamente de volta à competição. A Alemanha seguiu com dois representantes porque a ex-nação oriental estava com seu torneio em andamento quando da reunificação com os ocidentais. Outro país que acabou ali foi a União Soviética, entre as oitavas e a terceira fase. No lugar entrou a Comunidade dos Estados Independentes, que foi a bandeira provisória do Dínamo Kiev. Por fim, o Estrela Vermelha teve que defender o título fora da Iugoslávia em guerra. É nesse contexto que aparece o Barcelona, um dos poucos entre os mais tradicionais que ainda não foi campeão do maior título continental. Treinado pelo ídolo holandês Johan Cruyff, o clube espanhol teve um início trepidante. Na primeira fase, passou pelo Hansa Rostock após vencer no Campo Nou por 3 a 0 e perder na Alemanha por 1 a 0. Nas oitavas, eliminou o outro alemão Kaiserslautern pelo gol de visitante, depois de fazer 2 a 0 em casa e levar 3 a 1 fora, com o tento salvador de José Mari Bakero aos 45 minutos do segundo tempo. A campanha melhorou na terceira fase. O Barça ficou no grupo B, junto com Sparta Praga, Benfica e Dínamo Kiev. Em seis jogos, os catalães venceram quatro, empataram um e somaram nove pontos. A vaga na final veio na última rodada, nos 2 a 1 sobre os portugueses no Camp Nou. O adversário do Barcelona na decisão foi a Sampdoria, equipe italiana que eliminou Rosenborg (Noruega), Honvéd (Hungria), Panathinaikos, Anderlecht e Estrela Vermelha. A partida foi disputada no Wembley, em Londres. O clube blaugrana chegou ao título inédito (depois dos vices em 1961 e 1986) com 1 a 0 no placar, conquistado aos sete minutos do segundo tempo da prorrogação, no golaço de falta de Ronald Koeman. BOB THOMAS/GETTY IMAGES


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 41 1992 1993 A DECISÃO 26/05 - Olímpico - Munique (Alemanha) Olympique Marselha 1x0 Milan Árbitro: Kurt Röthlisberger (Suíça). Gol: Boli (43’). Olympique Marselha: Barthez, Eydelie, Angloma (Durand), Boli, Desailly e Di Meco; Sauzée e Deschamps; Abedi Pele, Boksic e Völler (Thomas). Técnico: Raymond Goethals. Milan: Rossi, Tassotti, Costacurta, Baresi e Maldini; Donadoni (Papin), Albertini, Rijkaard e Lentini; Van Basten (Eranio) e Massaro. Técnico: Fabio Capello. The Champions! O verso mais cantado do hino futebolístico mais famoso é o símbolo da nova era da principal competição da Europa. Em 1993, a UEFA transformou a Copa dos Campeões em Liga dos Campeões (Champions League), e deu início a um processo de expansão que segue até a atualidade. Na largada, e em meio aos desmembramentos geográficos, tivemos 36 participantes. Do fim da União Soviética, apareceram Rússia, Ucrânia, Lituânia, Letônia e Estônia. Da Iugoslávia, surgiu a Eslovênia - único território da região que ficou independente de modo pacífico. A parte restante, em guerra, estava suspensa. E entre outros movimentos, Israel e Ilhas Faroe foram novos filiados pela UEFA, enquanto a Alemanha enfim tornava-se uma coisa só. Dessa forma, o regulamento precisou ganhar uma fase preliminar de oito times, mas o resto continuou igual à temporada anterior. O título acabou nas mãos do Olympique Marselha, da França - um país que nunca deu sorte nos torneios continentais de clubes. Na primeira fase, os olympiens eliminaram o Glentoran, da Irlanda do Norte, com vitórias por 5 a 0 fora e por 3 a 0 em casa. Nas oitavas, foi a vez de passar pelo Dínamo Bucareste, com empate por 0 a 0 na Romênia e vitória por 2 a 0 na França. Na terceira fase, o Marselha ficou no grupo A, ao lado de CSKA Moscou, Club Brugge e Rangers. A equipe conquistou três vitórias, três empates e nove pontos. Na quarta rodada, os franceses enfiaram 6 a 0 sobre os russos no Vélodrome. A vaga na decisão veio na última partida, na vitória por 1 a 0 sobre os belgas fora. O Olympique enfrentou o Milan na final. Os italianos bateram Olimpia Liubliana (Eslovênia), Slovan Bratislava, IFK Gotemburgo, Porto e PSV Eindhoven. O jogo aconteceu no Olímpico de Munique, e o inédito título francês veio na vitória simples por 1 a 0, gol marcado por Basile Boli, de cabeça, aos 43 minutos do primeiro tempo. GEORGES GOBET/AFP/GETTY IMAGES


42 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1994 A DECISÃO 18/05 - Olímpico - Atenas (Grécia) Milan 4x0 Barcelona Árbitro: Philip Don (Inglaterra). Gols: Massaro (22’ e 45+2’), Savicevic (47’) e Desailly (58’). Milan: Rossi, Tassotti, Galli, Maldini (Nava) e Panucci; Boban, Albertini, Desailly e Donadoni; Savicevic e Massaro. Técnico: Fabio Capello. Barcelona: Zubizarreta, Ferrer, Koeman, Nadal e Sergi (Estebaranz); Amor, Guardiola e Bakero; Stoichkov, Romário e Begiristain (Eusebio). Técnico: Johan Cruyff. Aexpansão continua. Em 1994, a Liga dos Campeões da Europa aumentou para 42 participantes. Entre os países estreantes, a Croácia, que conseguiu sua independência da Iugoslávia. Da ex-União Soviética, Belarus, Moldávia e Geórgia entraram com uma volta de atraso. Mas o maior impacto foi mesmo a ausência do Olympique Marselha, defensor do título. Motivo? O clube foi suspenso por ter manipulado resultados no Campeonato Francês da temporada anterior. A conquista continental não foi cassada pela UEFA, porém a nacional foi. Não só isso, a Federação Francesa ainda rebaixou o time à segunda divisão. A vaga foi ocupada pelo Monaco, terceiro colocado (o vice PSG optou pela Recopa, para fazer valer o título da Copa da França). Assim o caminho ficou livre para o Milan, vice dos franceses em 1993. Agora sob o comando de Fabio Capello, e com o advento dos eslavos Zvonimir Boban e Dejan Savicevic e do francês Marcel Desailly (que era do Olympique), o rossonero foi tranquilo rumo ao penta. Na primeira fase, eliminou o suíço Aarau com empate sem gols fora e vitória por 1 a 0 em casa. Nas oitavas de final, despachou o Copenhagen com triunfos por 6 a 0 na Dinamarca, e por 1 a 0 na Itália. Na fase de grupos, o Milan ficou no grupo B ao lado de Anderlecht, Werder Bremen e Porto. A UEFA mudou o regulamento nesta parte, com mais duas vagas para os segundos lugares e a recriação da semifinal em jogo único. O rossonero avançou em primeiro com duas vitórias, quatro empates e oito pontos em seis partidas. A classificação veio no quinto jogo - 0 a 0 com os belgas no San Siro. Na semifinal, o Milan derrotou o Monaco em casa por 3 a 0. A final foi contra o Barcelona, que bateu Dínamo Kiev, Austria Viena, Galatasaray, Spartak Moscou e Porto. No Estádio Olímpico de Atenas, o rossonero passeou e goleou os espanhóis por 4 a 0 - dois gols de Daniele Massaro e um cada de Savicevic e Desailly. ALESSANDRO SABATTINI/GETTY IMAGES


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 43 1995 A DECISÃO 23/05 - Ernst Happel - Viena (Áustria) Ajax 1x0 Milan Árbitro: Ion Craciunescu (Romênia). Gol: Kluivert (85’). Ajax: Van Der Sar, Reiziger, Blind e Frank De Boer; Rijkaard, Seedorf (Kanu), Litmanen (Kluivert) e Davids; Finidi, Ronald De Boer e Overmars. Técnico: Louis Van Gaal. Milan: Rossi, Panucci, Costacurta, Baresi e Maldini; Donadoni, Albertini, Desailly e Boban (Lentini); Massaro (Eranio) e Simone. Técnico: Fabio Capello. Aexpansão para. Na Liga dos Campeões de 1995, a UEFA reverteu algumas das mudanças das duas temporadas anteriores. A competição foi reduzida de 42 para 24 times, classificados com base no coeficiente da entidade: apenas os 23 melhores países tiveram direito a se juntar ao campeão Milan. Os outros foram movidos à Copa da UEFA. O regulamento também mudou. Os sete melhores e os defensores de título iniciaram já na fase de grupos, enquanto os 16 restantes começaram em uma preliminar. Assim, tivemos um aumento de duas para quatro chaves, que substituíram as oitavas de final. O mata-mata abrangeu quartas, semi e a decisão. Campeão holandês, o Ajax estava há 22 anos sem vencer o maior torneio da Europa. Com a base da seleção laranja (Danny Blind, os irmãos Frank e Ronald de Boer, Frank Rijkaard, Edgar Davids, Marc Overmars, Edwin Van der Sar, Clarence Seedorf, entre outros), o clube deu início a um tetra invicto no grupo D. Enfrentando AEK Atenas, Casino Salzburg e Milan, o Ajax conseguiu quatro vitórias e dois empates. Contra os italianos foi um duplo 2 a 0, no Olímpico de Amsterdã e no jogo da classificação em Trieste (o San Siro estava interditado e o Milan, punido com dois pontos). Os holandeses passaram na liderança, com dez pontos. Nas quartas de final, o Ajax encarou o Hajduk Split, da Croácia. Na ida, empatou sem gols fora. Na volta, fez 3 a 0 em casa. Na semifinal, o mesmo roteiro foi visto contra o Bayern de Munique: empate por 0 a 0 na Alemanha e goleada por 5 a 2 na Holanda. Na final, o Ajax reencontrou o Milan. Os italianos foram vice-líderes do grupo D com cinco pontos (eram sete, mas a UEFA tirou dois por culpa da torcida, que agrediu o goleiro do Casino Salzburg), e no mata-mata eliminaram Benfica e Paris Saint-Germain. A partida aconteceu em Viena, no Estádio Ernst Happel (novo nome do Praterstadion), e foi complicada. O gol do título do Ajax só saiu aos 40 minutos do segundo tempo com Patrick Kluivert, que veio do banco de reservas. ARQUIVO/REX FEATURES


44 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1996 A DECISÃO 22/05 - Olímpico - Roma (Itália) Ajax 1x1 (2x4) Juventus Árbitro: Manuel Díaz Vega (Espanha). Gols: Ravanelli (13’) e Litmanen (41’). Ajax: Van Der Sar, Silooy, Blind e Bogarde; Frank De Boer (Scholten), Ronald De Boer (Wooter), Litmanen (Kluivert) e Davids; Finidi, Kanu e Musampa (Kluivert). Técnico: Louis Van Gaal. Juventus: Peruzzi, Torricelli, Ferrara, Vierchowod e Pessotto; Conte (Jugovic), Paulo Sousa (Di Livio) e Deschamps; Ravanelli (Padovano), Vialli e Del Piero. Técnico: Marcello Lippi. A enxuta Liga dos Campeões manteve quase tudo para 1996, a não ser por uma mudança que acompanhava o resto do mundo. A UEFA seguiu a FIFA e alterou o sistema de pontuação para as vitórias na fase de grupos de dois para três pontos. Ao mesmo tempo, o extracampo também apresentava novidades. Em 1995, passou a valer a Lei Bosman. Em dois pontos, ela determinou que qualquer atleta com nacionalidade dentro da União Europeia não era mais considerado estrangeiro e que nenhum clube poderia mais manter o passe de jogadores sem contrato. Essa combinação facilitou muito as transferências e beneficiou àqueles com mais condições financeiras. Os reflexos não foram imediatos. A Juventus, que levaria o bicampeonato, ainda estava com mais italiano que forasteiros no elenco. O clube ficou no grupo C, com Rangers, Steaua Bucareste e Borussia Dortmund. Em seis jogos, La Vecchia Signora venceu quatro, empatou um e somou 13 pontos. A classificação e a liderança vieram na quarta rodada, nas goleada por 4 a 0 sobre os escoceses, em Glasgow. Nas quartas de final, a Juventus enfrentou o Real Madrid. Na ida, perdeu por 1 a 0 no Santiago Bernabéu. Na volta, venceu por 2 a 0 no Delle Alpi, em Turim. A semifinal foi contra o Nantes, da França. O primeiro jogo aconteceu na Itália, com vitória bianconeri por 2 a 0. A segunda partida foi fora de casa, com a Juve segurando a vantagem na raça: derrota por 3 a 2, de virada. A decisão foi contra o defensor do título, o Ajax. Os holandeses superaram Ferencváros (Hungria), Grasshopper (Suíça), Borussia Dortmund e Panathinaikos. A disputa ocorreu no Estádio Olímpico de Roma, então o apoio foi maior para a Juventus. Fabrizio Ravanelli abriu o placar aos 12 minutos do primeiro tempo, mas o adversário fez 1 a 1 aos 41. A final foi aos pênaltis, onde brilhou o goleiro Angelo Peruzzi, com duas defesas. Por 4 a 2, a taça ficou na Itália. SHAUN BOTTERILL/ALLSPORT/GETTY IMAGES


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 45 1997 A DECISÃO 28/05 - Olímpico - Munique (Alemanha) Borussia Dortmund 3x1 Juventus Árbitro: Sándor Puhl (Hungria). Gols: Riedle (29’ e 34’), Del Piero (65’) e Ricken (71’). Borussia Dortmund: Klos, Reuter, Kohler, Sammer, Kree e Heinrich; Lambert, Paulo Sousa e Möller (Zorc); Riedle (Herrlich) e Chapuisat (Ricken). Técnico: Ottmar Hitzfeld. Juventus: Peruzzi, Porrini (Del Piero), Ferrara, Montero e Iuliano; Deschamps, Di Livio, Zidane e Jugovic; Vieri (Amoruso) e Boksic (Tacchinardi). Técnico: Marcello Lippi. Depois de vários anos frenéticos, a Liga dos Campeões ganhou um pouco de sossego. De 1996 para 1997, nenhuma vírgula foi alterada. Nem no regulamento, na pontuação ou no número de participantes. O maior torneio da Europa manteve os traços competitivos e - por que não? -imprevisíveis. E naquele 1997, a Champions ganhou mais um clube para a galeria dos vencedores: o Borussia Dortmund. O clube devolveu a Alemanha ao topo europeu após 14 anos com uma campanha de dar inveja. No início, o time ficou no grupo B, junto com Steaua Bucareste, Widzew Lodz (Polônia) e Atlético de Madrid. Em seis partidas disputadas, foram 13 pontos conquistados, com quatro vitórias, um empate e a classificação fácil. A vaga foi obtida na quinta rodada, no empate por 2 a 2 com os poloneses fora de casa. Mas apesar do alto aproveitamento, o BVB não foi o líder da chave, pois perdeu no saldo de gols (8 a 6) para o adversário da Espanha. Nem mesmo os 5 a 3 sobre os romenos do Steaua na última rodada, em casa, foram capazes de alterar o quadro. Nas quartas de final, o Borussia enfrentou o Auxerre, da França. O primeiro jogo foi em Dortmund, no Westfalenstadion, e terminou 3 a 1 para os alemães. A segunda partida aconteceu fora de casa, com vitória por 1 a 0 para os visitantes. A semifinal foi contra o Manchester United. A ida foi de novo em casa, e o BVB venceu por 1 a 0. A volta ocorreu no Old Trafford, e o time alemão repetiu o placar para conseguir um lugar inédito na final. A decisão foi contra a Juventus, defensora do título que bateu Rapid Viena, Fenerbahçe, Rosenborg (Noruega) e Ajax. E tal qual em 1996, a partida foi realizada em território semi-neutro - no caso, o Estádio Olímpico de Munique. Categórico, o Borussia Dortmund foi campeão ao vencer por 3 a 1. Aos 29 minutos do primeiro tempo, Karl-Heinz Riedle abriu o placar. Aos 34, o mesmo Riedle ampliou. Os italianos descontaram aos 20 do segundo tempo, mas Lars Ricken fechou a conta aos 26. POPPERFOTO/GETTY IMAGES


46 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 1998 A DECISÃO 20/05 - Amsterdam Arena - Amsterdã (Holanda) Juventus 0x1 Real Madrid Árbitro: Hellmut Krug (Alemanha). Gol: Mijatovic (66’). Juventus: Peruzzi, Torricelli, Iuliano e Montero; Di Livio (Tacchinardi), Deschamps (Conte), Davids, Pessotto (Fonseca) e Zidane; Inzaghi e Del Piero. Técnico: Marcello Lippi. Real Madrid: Illgner, Panucci, Sanchís, Hierro e Roberto Carlos; Redondo, Karembeu, Raúl (Amavisca) e Seedorf; Morientes (Jaime) e Mijatovic (Suker). Técnico: Jupp Heynckes. Existem coisas que, depois de aprendidas, jamais são esquecidas. Pode passar o tempo que for. Para o Real Madrid, no caso, vencer a Liga dos Campeões da Europa. Em 1998, o clube completou 32 anos sem o maior título continental, e nesse meio tempo o máximo obtido foi um vice em 1981. Era chegada a hora de quebrar a fila e conquistar “la séptima”. Para aquele 1998, a UEFA voltou a mexer na fórmula. A restrição de países pelo coeficiente caiu e as sete melhores nações ganharam o direito de ter duas equipes na disputa. Dessa forma, o número de participantes subiu para 55, as preliminares ficaram com duas fases e a quantidade de grupos posteriores aumentou para seis - com oito vagas para o mata -mata. Campeão espanhol, o Real Madrid começou a campanha diretamente no grupo D, contra Porto, Olympiacos e Rosenborg (Noruega). Nos seis jogos que fez o time conseguiu a liderança com 13 pontos, quatro vitórias e um empate. Em casa, foram três goleadas: 4 a 1 nos noruegueses, 5 a 1 nos gregos e 4 a 0 nos portugueses. E a classificação veio exatamente na vitória sobre o Porto, na última rodada. Nas quartas de final, os merengues enfrentaram o Bayer Leverkusen. Na ida, empate por 1 a 1 na Alemanha. Na volta, triunfo por 3 a 0 no Santiago Bernabéu. A semifinal foi contra outro alemão, o Borussia Dortmund. A primeira partida foi na Espanha, com vitória madridista por 2 a 0. O segundo jogo aconteceu fora de casa, e o empate por 0 a 0 reconduziu o Real para a decisão. O adversário na final foi a Juventus, que eliminou Kosice (Eslováquia), Feyenoord, Dínamo Kiev e Monaco. A partida foi disputada na Amsterdam Arena, em Amsterdã. E o Real Madrid conquistou o hepta pelo placar simples: 1 a 0, gol marcado por Predrag Mijatovic aos 21 minutos do segundo tempo. Apesar da pressão italiana, o resultado não foi mais alterado, e os espanhóis enfim recuperaram o cobiçado título de destaque. TONY MARSHALL/EMPICS/GETTY IMAGES 1999


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 47 1999 A DECISÃO 26/05 - Camp Nou - Barcelona (Espanha) Manchester United 2x1 Bayern de Munique Árbitro: Pierluigi Collina (Itália). Gols: Basler (6’), Sheringham (90+1’) e Solskjaer (90+3’). Manchester United: Schmeichel, Gary Neville, Johnsen, Stam e Irwin; Giggs, Beckham, Butt e Blomqvist (Sheringham); Yorke e Andy Cole (Solskjaer). Técnico: Alex Ferguson. Bayern de Munique: Kahn, Babbel, Linke, Matthäus (Fink), Kuffour e Tarnat; Effenberg e Jeremies; Basler (Salihamidzic), Jancker e Zickler (Scholl). Técnico: Ottmar Hitzfeld. Ofim dos anos 90 ficou marcado pelas quebras de longos jejuns na Liga dos Campeões da Europa. Se em 1998, o Real findou com 32 anos de fila, em 1999 foi a vez de o Manchester United colocar ponto final em 31 anos de espera. E a conquista do bicampeonato invicto não poderia ser mais agônica e dramática para o técnico Alex Ferguson e seus comandados. Não houve alterações no regulamento de uma temporada para a outra, exceto pelo aumento de 55 para 56 participantes. Vice-campeões ingleses, os Red Devils tiveram que iniciar a trajetória na segunda fase preliminar. O adversário foi o LKS Lódz, da Polônia, o qual eliminou ao vencer por 2 a 0 no Old Trafford e empatar por 0 a 0 fora de casa. O time passou para o grupo D, diante dos fortes Bayern de Munique e Barcelona, além do Brondby, da Dinamarca. A chave foi tão complicada, que o United não conseguiu vencer nenhum jogo contra alemães e espanhóis: foram quatro empates. Mas a classificação ainda assim veio na penúltima rodada, nos 3 a 3 sobre o Barcelona no Camp Nou. E foram as duas goleadas sobre os dinamarqueses - 6 a 2 fora e 5 a 0 em casa - que ajudaram os ingleses a buscar uma das duas vagas de melhor vice-líder, com dez pontos - um a menos que o Bayern. Nas quartas de final, o United superou a Internazionale com vitória por 2 a 0 no Old Trafford e empate por 1 a 1 no San Siro. A semifinal foi contra o Juventus. Na ida em casa, empate por 1 a 1 obtido aos 47 minutos do segundo tempo. Na volta fora, virada por 3 a 2 após levar dois gols nos primeiros 11 minutos. A final foi contra o mesmo Bayern de Munique da fase de grupos. Eles passaram por Kaiserslautern e Dínamo Kiev. E a partida ocorreu no mesmo Camp Nou da classificação. O Manchester United saiu perdendo cedo, aos seis do primeiro tempo, e parecia não ter solução. A luz veio do banco de reservas, nas entradas de Teddy Sheringham e Ole Solskjaer. Aos 47 do segundo tempo, Sheringham empatou. Aos 49, Solskjaer virou para 2 a 1, num dos momentos mais épicos já registrados na Champions. POPPERFOTO/GETTY IMAGES


48 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 2000 A DECISÃO 24/05 - Stade de France - Paris (França) Real Madrid 3x0 Valencia Árbitro: Stefano Braschi (Itália). Gols: Morientes (39’), McManaman (67’) e Raúl (75’). Real Madrid: Casillas, Karanka, Helguera e Campo; Salgado (Hierro), Roberto Carlos, McManaman, Redondo e Raúl; Morientes (Sávio) e Anelka (Sanchís). Técnico: Vicente Del Bosque. Valencia: Cañizares, Angloma, Dukic, Pellegrino e Gerardo (Ilie); Farinós, Mendieta, Gerard e Kily González; Angulo e López. Técnico: Héctor Cúper. Na virada do milênio, a Liga dos Campeões bateu um novo recorde no número de participantes. Na edição de 2000, a competição acolheu 71 participantes. A mudança foi um reflexo do fim da Recopa Europeia (Cup Winners’ Cup), que foi absorvida pela Copa da UEFA. Esta, por ter ficado muito inchada, motivou a confederação a mexer no seu torneio principal e aumentar a divisão de clubes conforme seu coeficiente, para equilibrar as duas disputas entre si. Os três melhores países passaram a ter quatro representantes; do quarto ao sexto, três times; do sétimo ao 15º, dois; e do 16º em diante continuou com uma equipe cada. O regulamento foi revisto: as preliminares ficaram com três etapas e a fase de grupos foi ampliada e dividida em duas - uma inicial com oito e outra posterior com quatro. Foi em meio a esse tanto de números que o Real Madrid reapareceu para conquistar “la octava” da Champions. O clube merengue estreou no grupo E, junto com Molde (Noruega), Olympiacos e Porto. Em seis jogos, foram 13 pontos, quatro vitórias, um empate e a classificação tranquila, na liderança. A vaga foi obtida na penúltima rodada, na vitória por 3 a 0 sobre os gregos no Santiago Bernabéu. Na fase seguinte, o Real ficou no grupo C, ao lado de Rosenborg (Noruega), Dínamo Kiev e Bayern de Munique. A vaga desta vez veio com dificuldade, na segunda posição depois de seis partidas, com dez pontos, três vitórias e um empate (e duas derrotas feias para os alemães - 4 a 2 em casa e 4 a 1 fora). Empatado com os ucranianos, o time madridista passou graças à vantagem no confronto direto - vitória por 2 a 1 fora e empate por 2 a 2 em casa. Nas quartas de final, os merengues eliminaram o Manchester United com 0 a 0 no Bernabéu e 3 a 2 fora. Na semifinal, foi a vez de se vingar do Bayern ao vencer em casa por 2 a 0 e perder fora por 2 a 1. A final foi contra o Valencia, a primeira da história entre clubes de um mesmo país. O rival passou por Rangers, PSV Eindhoven, Fiorentina, Bordeaux, Lazio e Barcelona. O jogo aconteceu no Stade de France, em Saint-Denis, arredores de Paris. Com superioridade, o Real Madrid chegou ao octacampeonato ao vencer por 3 a 0, gols de Fernando Morientes, Steve McManaman e Raúl, o ídolo máximo de uma época vencedora. PAUL POPPER/POPPERFOTO/GETTY IMAGES


EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 49 2000 2001 A DECISÃO 23/05 - San Siro - Milão (Itália) Bayern de Munique 1x1 (5x4) Valencia Árbitro: Dick Jol (Holanda). Gols: Mendieta (3’) e Effenberg (50’). Bayern de Munique: Kahn, Sagnol (Jancker), Kuffour, Andersson, Linke e Lizarazu; Scholl (Paulo Sérgio), Hargreaves, Effenberg e Salihamidzic; Élber (Zickler). Técnico: Ottmar Hitzfeld. Valencia: Cañizares, Angloma, Ayala (Dukic), Pellegrino e Carboni; Baraja, Mendieta, Aimar (Albelda) e Kily González; Sánchez (Zahovic) e Carew. Técnico: Héctor Cúper. ALiga dos Campeões da Europa entrou no século 21 com o ressurgimento de uma força alemã. Depois de 25 anos e três vices (dois deles extremamente doloridos), o Bayern de Munique de 2001 conquistou o tetracampeonato com uma das mais convincentes trajetórias já vistas. Naquela temporada, o clube bateu o recorde de 12 vitórias obtidas. Foram 72 os participantes daquela Champions. Campeão alemão, o Bayern iniciou já na fase de grupos, na chave F, contra Helsingborgs (Suécia), Rosenborg (Noruega) e Paris Saint-Germain. Nos seis jogos que disputou, o time bávaro fez uma campanha segura, com três vitórias, dois empates e 11 pontos no primeiro lugar. Ainda assim, a classificação só veio na última rodada, ao buscar o empate por 1 a 1 com os noruegueses aos 43 minutos do segundo tempo, fora de casa. Na fase seguinte, o clube alemão caiu no grupo C, contra Spartak Moscou (Rússia), Lyon (França) e Arsenal (Inglaterra). Em mais seis partidas, foram quatro vitórias, um empate e 13 pontos que deixou a equipe outra vez na liderança. A vaga no mata-mata também foi conquistada no último jogo, na vitória por 1 a 0 sobre os ingleses no Estádio Olímpico de Munique. Nas quartas de final, o adversário foi o Manchester United, que dois anos antes virou de maneira incrível na final contra os bávaros. E a revanche veio bem feita, com vitórias por 1 a 0 na Inglaterra e por 2 a 1 na Alemanha. A semifinal foi contra o Real Madrid, com o mesmo roteiro: 1 a 0 fora e 2 a 1 em casa. A final foi jogada contra o Valencia, que voltou um ano depois ao derrubar Heerenveen (Holanda), Olympiacos, Panathinaikos, Sturm Graz (Áustria), Arsenal e Leeds United. No San Siro, em Milão, o Bayern de Munique saiu perdendo aos três minutos do primeiro tempo, mas empatou por 1 a 1 aos cinco do segundo, com Stefan Effenberg de pênalti. Nas cobranças de desempate, brilhou a estrela de Oliver Kahn com a defesa decisiva. Por 5 a 4, o Bayern foi tetra. POPPERFOTO/GETTY IMAGES


50 EDIÇÃO DOS CAMPEÕES | TODOS OS VENCEDORES DA CHAMPIONS LEAGUE 2002 A DECISÃO 15/05 - Hampden Park - Glasgow (Escócia) Bayer Leverkusen 1x2 Real Madrid Árbitro: Urs Meier (Suíça). Gols: Raúl (8’), Lúcio (14’) e Zidane (45’). Bayer Leverkusen: Butt, Sebescen (Kirsten), Zivkovic, Lúcio (Babic) e Placente; Ramelow, Schneider, Ballack, Brdaric (Berbatov) e Bastürk; Neuville. Técnico: Klaus Toppmöller. Real Madrid: César (Casillas), Salgado, Hierro, Helguera e Roberto Carlos; Makélélé (Flávio Conceição), Figo (McManaman), Zidane e Solari; Raúl e Morientes. Técnico: Vicente Del Bosque. Temporada sim, temporada não. Esse foi o lema do Real Madrid na segunda era de conquistas da Liga dos Campeões da Europa. Em 2002 - antes da formação dos “galácticos” -, o clube espanhol venceu “la novena”, o eneacampeonato. Ainda que o time já fosse suficientemente estrelado, com Zinedine Zidane, Luís Figo, Raúl González, Fernando Hierro e Roberto Carlos, os galácticos só pegaram mesmo entre 2003 e 2006, num momento sem títulos continentais. A campanha madridista começou no grupo A, contra Anderlecht, Lokomotiv Moscou e Roma. A classificação veio sem tropeços, ainda na quarta rodada, na vitória por 2 a 0 sobre o adversário belga em Bruxelas. A liderança foi confirmada no jogo seguinte, no empate por 1 a 1 com os italianos no Santiago Bernabéu. Em seis partidas, foram quatro vitórias, um empate e 13 pontos obtidos. Na segunda fase, o Real passou invicto no grupo C, diante de Porto, Sparta Praga e Panathinaikos. Com mais cinco vitórias, um empate e 16 pontos, a qualificação foi ainda mais tranquila. A vaga estava na mão mais uma vez na quarta partida, nos 2 a 1 sobre os portugueses fora de casa. E liderança no jogo seguinte, nos 3 a 0 sobre os tchecos em Madri. Nas quartas de final, a equipe merengue eliminou o Bayern de Munique após perder por 2 a 1 na Alemanha e reverter com 2 a 0 na Espanha. A semifinal reservou simplesmente El Clásico com o Barcelona. O primeiro foi no Camp Nou, com vitória do Real por 2 a 0. O lugar na final foi conquistado no Santiago Bernabéu, com empate protocolar por 1 a 1. A final foi contra o Bayer Leverkusen, surpresa da Alemanha que passou por Fenerbahçe, Lyon, Juventus, Arsenal, Liverpool e Manchester United. A partida foi disputada no Hampden Park, em Glasgow, na Escócia. Raúl abriu o placar para o Real Madrid aos oito minutos do primeiro tempo, mas os alemães empataram aos 13. Aos 45, Zidane acertou um dos gols mais bonitos em uma decisão, de voleio. O 2 a 1 foi o resultado do título, depois de os espanhóis suportarem a pressão adversária. POPPERFOTO/GETTY IMAGES


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