8, 9 e 10 de maio de 2021 1 30-31 de dezembro de 2023 e 1-2 de janeiro de 2024
Revista de Imprensa 1. JUSTIÇA - 246 PRESOS PREVENTIVOS FORAM ABSOLVIDOS, Correio da Manhã, 02/01/2024 1 2. A Inteligência Artificial vai explodir em 2024, Diário de Notícias, 02/01/2024 3 3. O racismo nos corredores dos tribunais portugueses, Diário de Notícias da Madeira, 02/01/2024 5 4. Políticos a contas com Justiça em ano eleitoral, Jornal de Notícias, 02/01/2024 6 5. 173 Líderes antecipam 2024, Negócios, 02/01/2024 10 6. HOME PAGE - Maioria acredita que Costa será ilibado, Negócios, 02/01/2024 35 7. Oito fornecedores com prémio de qualidade suspenso por causa da Operação Gota d Água, Público, 02/01/2024 36 8. Oito fornecedores com prémio de qualidade suspenso por causa da Operação Gota d Água, Público - Público Porto, 02/01/2024 39 9. Mensagem de Ano Novo de Marcelo Rebelo de Sousa, RTP1 - Bom Dia Portugal, 02/01/2024 42 10. Burla - Jogo ilegal prometia fortunas e até famosos caíram, Jornal de Notícias, 01/01/2024 43 11. Manifesto anti-cunha, Correio da Manhã, 31/12/2023 45 12. FACTO DO ANO - "Obviamente, apresentei a demissão", Correio da Manhã - Ano em Revista, 31/12/2023 46 13. Três factos DA ESQUERDA À DIREITA - Ligeireza e desrespeito Procuradora deitou o Governo abaixo, Correio da Manhã - Ano em Revista, 31/12/2023 54 14. PORTUGAL - Violência à solta, Correio da Manhã - Ano em Revista, 31/12/2023 55 15. "Não tive nenhum benefício indevido", Diário de Notícias, 31/12/2023 62 16. Montenegro diz não ficar condicionado por inquérito e Ventura questiona aliança, Jornal de Notícias, 31/12/2023 63 17. Burla "olá mãe, olá pai" faz 13 vítimas por dia, Jornal de Notícias, 31/12/2023 64 18. Sequestrado e agredido em ajuste de contas por apostas online, Jornal de Notícias, 31/12/2023 67 19. De fiscalizador da maioria absoluta a alvo de suspeita no caso das gémeas, Jornal de Notícias, 31/12/2023 68 20. Política - Montenegro rejeita estar condicionado e garante: Não tive nenhum benefício indevido, Público, 31/12/2023 69 21. Dois mortos e sete feridos em tiroteio na Caparica, Público, 31/12/2023 70 22. O ano em que o país político entrou em crise, Açoriano Oriental, 30/12/2023 71 23. Inquérito a benefícios fiscais à casa de Luís Montenegro, Antena 1 - Notícias, 30/12/2023 74 24. Análise ao inquérito à construção da casa de Luís Montenegro, CNN Portugal - CNN Sábado, 30/12/2023 75
25. Análise à situação política do país, CNN Portugal - CNN Sábado, 30/12/2023 76 26. Luís Montenegro investigado, CNN Portugal - CNN Sábado, 30/12/2023 77 27. Balanço do ano de 2023, CNN Portugal - Fontes Bem Informadas, 30/12/2023 78 28. MURTOSA - CASA SUSPEITA NO CRIME DE MÓNICA SILVA, Correio da Manhã, 30/12/2023 79 29. MORADIA DE ESPINHO - Benefícios fiscais a Montenegro sob investigação, Correio da Manhã, 30/12/2023 81 30. DIÁRIO DA INVESTIGAÇÃO - Não deixar de investir nas polícias, Correio da Manhã, 30/12/2023 83 31. MP com inquérito aos benefícios fiscais a casa de Montenegro, Diário de Notícias, 30/12/2023 84 32. Guimarães desespera pelo novo Campus de Justiça, Jornal de Notícias, 30/12/2023 85 33. Ministério Público investiga Montenegro, Jornal de Notícias, 30/12/2023 86 34. Costa "obviamente" demitiu-se a reboque de parágrafo fatal, Jornal de Notícias, 30/12/2023 87 35. PS trava pedidos de nacionalidade de judeus sefarditas, NOVO, 30/12/2023 88 36. Casa em Espinho - PGR abre investigação a IVA pago por Montenegro, Público, 30/12/2023 91 37. O Ministério Público na berlinda, Público, 30/12/2023 93 38. Rapto de idoso no Algarve, RTP1 - Bom Dia Portugal, 30/12/2023 94 39. Justiça em 2024, SIC - Jornal da Noite, 30/12/2023 95 40. Marcações no IRN à venda, SIC - Jornal da Noite, 30/12/2023 96 41. Tiroteio em Almada, SIC Notícias - Edição da Manhã, 30/12/2023 97 42. Comentário de Carlos Rodrigues Lima, SIC Notícias - Jornal da Meia Noite, 30/12/2023 98 43. Procuradoria-Geral abre inquérito - Reação de Luís Montenegro, SIC Notícias - SIC Notícias Sábado, 30/12/2023 99 44. Casos de justiça em 2023, CNN Portugal - CNN Meio Dia, 29/12/2023 100 45. Casos de justiça em 2023, CNN Portugal - CNN Meio Dia, 29/12/2023 101
A1 02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 628,43cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 12,1 ID: 108875404 1 Portugal JUSTIÇA Absolvidos 246 presos preventivos em cinco ?»ns LIBERTAÇÃO Tribunais não conseguiram provar envolvimento nos crimes de quase duas centenas e meia de arguidos postos na prisão •SENTENÇAS Pena suspensa aplicada a outros 4222 reclusos preventivos Manuela Guerreiro • O Estado português foi condenado recentemente a pagar uma indemnização de 42 460 euros a pai e filho, pastores de ovelhas, que estiveram nove meses presos em casa e que acabaram absolvidos durante o julgamento, num processo de tráfico de pessoas e escravidão, relacionado com dois trabalhadores. Um caso que não é único: 246 pessoas que estavam em prisão preventiva acabaram por ser absolvidas e colocadas em liberdade, entre os anos de 2018 e 2022, sem que a Justiça tivesse conseguido provar a sua culpa nos casos investigados e, mesmo, julgados. Os dados são da Direção- - Geral de Reinserção e Serviços Prisionais. Os mais recentes referem-se a 2022, ano em que foram absolvidos pelos tribunais 36 presos preventivos e condenados a uma pena suspensa 835 preventivos. Em 5 anos idêntica sentença foi aplica4131 reclusos colocados em liberdade em 2022, a maior parte saiu em condicional da a 4222 reclusos preventivos. A prisão preventiva é a medida de coação mais grave que só é aplicada quando há fortes indícios de prática de crime doloso punível com mais de 5 anos de cadeia. Mas, nos casos em apreço, acabou por se revelar inadequada. A absolvição ocorre quando a pessoa é inocente ou quando o tribunal não consegue provar que é agente do crime absolvendo-o no princípio 'in dúbio pro reo'. A taxa de presos preventivos representava, em 2022,19,9% (em 12 383). Nesse ano foram libertados 4131 reclusos, a maior parte em situação condicional (1520). PORMENORES iNDEM.WAÇÃO AGENTE DO CRIME Só pode ser indemnizado quem provar que a prisão foi ilegal ou quem prove que sofreu erro grosseiro. Em certos casos não basta ter sido absolvido - tem de provar que não foi o agente do crime (artigo 225.° Código Processo Penal). Prisão preventiva não é garantia de que um arguido venha a ser condenado ou a cumprir pena efetiva de prisão SAÍDAS 48 FUGIRAM NA PRECARIA Ao longo do ano de 2021, foram concedidas 7718 licenças de saída jurisdicionais, de curta duração e de saídas administrativas extraordinárias. Não regressaram no dia e hora fixados 48 reclusos. Página 1
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 628,43cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 12,1 ID: 108875404 2 JUSTIÇA P.12 246 PRESOS PREVENTIVOS FORAM ABSOLVIDOS Página 2
A3 02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 1535,1cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 8-9 ID: 108874679 1 A Inteligência Artificial vai explodir em 2024 TECNOLOGIA O próximo ano será aquele em que as ferramentas de Inteligência Artificial irão influenciar quase todas as facetas do nosso dia a dia. Muitas vezes, nem vamos dar por isso. TEXTO RICARDO SIMÕES FERREIRA ^ ^ ^ ste 2024 vai ser o ano da consagração da Inteligência Artificial generativa", ^ ^ H como o famoso ChatGPT e outras ferramentas. Quem o diz é Manuel Dias, diretor Nacional de Tecnologia da Microsoft. "Vai atingir o mercado de forma massiva. Vemos muita, muita apetência de utilização pelo lado de utilizadores. universidades, empresas e entidades do setor público", afirma o especialista, que também é membro da comissão executiva da em presa em Portugal. Este tipo de tecnologia, em que a IA é capaz de gerar conteúdo original - texto, imagem, som, etc. - em resposta às solicitações dos utilizadores, é já uma realidade com possível utilização diária para qualquer pessoa com um equipamento ligado à internet, como realça Manuel Dias no podcast do DN Tecli&Café, a emitir nos próximos dias. mas irá invadir todas as áreas de serviços progressivamente. mesmo que não demos por isso. A Microsoft e o seu Bing e Co-Pilot A integração pela Microsoft das ferramentas de LA da OpenAI - ChatGPT, Dall-E... - nos seus produtos tem dado frutos que estão ainda só a começar a amadurecer. Ao incluir o GPT no motor de busca Bing - e este último no navegador (browser) Edge- a empresa de Redmond tomou-se pioneira em facultar esta forma de pesquisa na internet ao grande público. Hoje, o Edge é capaz de "ler" e sin - tetizar em lingua corrente um qualquer documento pdf que lhe seja carregado a partir do nosso computador. por exemplo, e a partir daí até sugerir que outras fontes de informação podem ser utilizadas. O chatbot integrado no bmwserè mesmo capaz de responder a perguntas sobre o(s) documento(s) que estamos a estudar. o que é uma excelente ferramen - ta para tirar dúvidas. Tudo rapidamente e de forma gratuita. Este tipo de processo - que já acontece no Bing via ChatGPT 4 - está permanentemente a ser melhorado: de início estava limitado a texto, hoje em dia já evoluiu para imagens. Estas ferramentas estão a aprender a reconhecer tanto fotos, como vídeos (ler maisà frente, no capítulo da Google), bem como a melhorar as suas capacidades de geração de imagens fotorrealistas originais a partir de solicitações (prompts) dos utilizadores. Esta é, aliás, outra das funcionalidades disponibilizadas de forma gratuita pela Microsoft: basta entrar no Bing Image Creator através de um browser e descrever que imagem se pretende. A IA (cujo algoritmo é o mesmo por trás do Dall-E da OpenAI) cria em poucos segundos sugestões diferentes, à escolha. Sempre focado na "produtividade", o gigante americano de software centra a LA na sua suite de produtos pagos Microsoft 365 (antigo Office 365). que inclui os populares Word, Excel, Outlook, PowerPoint, etc., em ferramentas auxiliares a que genericamente chamou Co-Pilot.Trata-se de ajuA IA "vai atingir o mercado de forma massiva. Vemos muita, muita apetência de utilização pelo lado de utilizadores, universidades, empresas e entidades do setor público", diz Manuel Dias, diretor Nacional de Tecnologia da Microsoft. dantes digitais específicos para cada um destes programas, com funções que variam desde auxiliar a escrever um e-mail, a resumir um texto do Word, passando por sugerir slides no PowerPoint. Como sintetiza Manuel Dias: "Eu não vou estar a decorar os 300 menus do Excel! Eu quero é escrever no Co-Pilot aquilo que pretendo e que a ferramenta aprenda por mim e faça aquilo que eu quero." Noutra vertente, também as organizações, públicas e privadas, estão a apostar em contratar serviços de IA para facilitar o seu próprio dia a dia. A Microsoft já desenvolveu um programa de "atendimento ao público" para o Ministério da Justiça baseado ao ChatGPT, "para responder a perguntas dos cidadãos sobre casamentos, sobre divórcios", lembra Manuel Dias, "e hoje em dia já há também |um| sobre a criação de empresas na hora". Este tipo de soluções serão ainda mais comuns no futuro próximo - até porque há mais projetos em desenvolvimento -, com os utentes e clientes de empresas a serem muitas vezes atendidos por IA. "Já fizemos um projeto com a Agência de Modernização Administrativa, onde usamos avatares gerados pela IA", lembra o responsável da Microsoft Portugal. Afinal, "onde há um serviço onde eu posso ligar e estar a ver um avatar, ou se quiser usar outra língua, falar no telemóvel e ter um GPT a falar essa língua, isso é maior inclusão", refere Manuel Dias. A Google e o seu Gemini e o Assistente Digital Isso mesmo é o que a Google já hoje faz na sua linha de telemóveis Pixel com o Assistente Digital, nos EUA e noutros países de expressão inglesa. Em Portugal, a limitação ainda é a língua, mas espera-se que, em breve, esse obstáculo seja solucionado. Em funcionamento, o sistema já se assemelha um pouco a ter um(a) secretário(a) pessoal no bolso. O telemóvel atende (literalmente) a chamada telefónica se o sistema reconhecer tratar-se de uma chamada não-solicitada - de marketing! vendas, por exemplo. A IA responde como se de uma pessoa se tratasse, avisando o interlocutor de que "está a falar com um sistema automático de atendimento e o utilizador que pretende contactar não se encontra disponível no momento". De seguida, pergunta qual o assunto, de íorma a avaliar se deve ou não transferir a chamada. A LA é capaz de manter o diálogo de forma credível, incluindo perguntara identificação de quem telefona, qual o assunto, a empresa, etc., sempre com vocabulário corrente. F. avalia sozinha se a chamada necessita, de facto, de intervenção humana: por exemplo, caso se trate de uma mera remarcação de uma consulta para os dias seguintes, que implique uma simples alteração no calendário, o Assistente limita-se a fazer o ajuste, agradece e desliga, avisando o utilizador por notificação escrita, para que este não seja incomodado mais do que o mínimo necessário. Esperemos que a Google traga este serviço depressa para o nosso português! Apresentada este último trimestre, a mais recente versão pública dos módulos de LA generativa da Google, batizada Gemini, inclui ainda evoluções de monta ao nível da compreensão e de tratamento de imagem. O caso tomou-se primeiro virai - e depois um pouco polémico - no início deste mês de dezembro, quando a Google divulgou um vídeo aparentemente revelando as capacidades de reconhecimento e "raciocínio" do Gemini a partir de pistas visuais. Ao que parecia, a LA era capaz de rapidamente "ver" e responder, adivinhando o significado de desenhos feitos à mão, por exemplo. Só que... Veio depois a saber-se que o víPágina 3
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 1535,1cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 8-9 ID: 108874679 2 deo foi editado "por questões de rapidez", admitiu a própria Google. Afinal, o Gemini não é assim tão rápido a responder e, como previam muitos especialistas, o melhor chatbotda Google estará sensivelmente ao mesmo nível do GhatGPT 4 - que também é capaz de "ver" fotos e vídeos e compreendê-los, como referimos. Ou seja, um vence em alguns parâmetros, outro ganha noutros. Enquanto Microsoft/OpenAI e Google estão nesta "corrida ao armamento" da IA generativa quem ganha são aqueles que utilizam os produtos de ambas as empresas, que vão recebendo atualizações de produtos cada vez mais sofisticados. É o caso das atualizações de dezembro dos smartphones Pixel 8, da Google, que incluíram mais algumas funcionalidades que, seguramente, veremos serem "copiadas" por outros fabricantes. Desde logo destaca-se a identificação e transcrição automática de gravações áudio no Gravador (que funciona de forma quase perfeita em inglês, mas precisa de melhoramentos em português - esperamos que surjam ao longo de 2024): um Photo Unblur ainda mais capaz de recuperar fotos desfocadas; ferramentas de edição de imagem ainda mais eficazes, em que não apenas é extremamente fácil manipular os elementos da foto, incluindo apagar até pessoas da mesma, com a LA a conseguir preencher o espaço que fica em falta de forma eficiente em segundos. Por fim. de realçar o novo modo de vídeo noturno, excecionalmente eficiente a captar detalhes, mesmo sob condições de pouca luz, que tem apenas o defeito de necessitarde processamento "na nuvem" da Google, com a consequente demora de uploaiUdownload (e disponibilidade do sistema). Mas mesmo aqui, o gigante do so/fHYjremostra-nos já o que serão os nossos smartphonesào futuro: aparelhos híbridos que até nem precisam de ter o hardware mais rápido do mundo - basta correrem um conjunto de rotinas de IA localmente, deixando o grosso do trabalho "pesado" para os servidores algures no mundo. Haja 5G (ou melhor) estável o suficiente para que a informação navegue pelo éter. Muita inovação portuguesa a chegar O próximo ano verá também surgir no mercado inovação portuguesa que tem vindo a ser desenvolvida pelas empresas do Center for Responsible Al, que é um dos maiores centros do mundo dedicados a criar Inteligência Artificial de forma responsável e junta mais de 20 entidades, incluindo startups, grandes empresas e centros de pesquisa quer públicos, quer privados. Um deles é o Halo, criado em primeira linha pela Unbabel, em parceria com o Hospital de São joão, no Porto, que junta LA generativa e interfaces neuronais não- -invasivas com o objetivo de restaurar a comunicação em pacientes que a perderam devido a doen - ça neurodegenerativa, como a Esclerose Lateral Amiotrófica. O sistema é capaz, através de aparelhos como óculos e fones, de reconhecer o ambiente em redor e as pessoas que se dirigem ao doente. Este, em contrapartida, pode comunicar com maior facilidade via uma persona gerada por LA baseada na sua própria pessoa, enviando, por exemplo, mensagens de voz sintetizada com base naquilo que foi a sua voz natural. Neste fim de ano, um paciente já o está a utilizar, como programa-piloto, devendo a experiência começar a ser alargada a outros doentes. Outro programa da mesma empresa portuguesa - e inovador A mais recente versão pública dos módulos de IA generativa da Google, batizada Gemini, inclui ainda evoluções de monta ao nível da compreensão e de tratamento de imagem. Está pelo menos a par com a última versão do ChatGPT. num sentido completamente diferente - é o Cultural-Aware Multilingual Customer Service, que visa resolver um dos problemas que se colocam no atendimento ao público internacional das empresas: é que não basta traduzir a língua, é preciso adaptar a linguagem à cultura do interlocutor. Há formas de tratamento mais ou menos formais, expressões idiomáticas ou coloquialismos que podem ser mais ou menos bem aceites, consoante a região do globo para a qual estamos a falar, e esta IA funciona como filtro corrigindo o texto no chat em tempo real de forma a evitar mal-entendidos. Já a staríi/pNeuralShift deverá comercializar no próximo ano o Affine Knowledge Discovery, um sistema de IA que, simplisticamente, é uma espécie de "Google para advogados ou juristas". O sistema conhece toda a legislação portuguesa, através de acesso a bases de dados jurídicas públicas e não- públicas, e não apenas permite fazer pesquisas no seu interior, como está treinado para fazer sínteses dos documentos e responder a perguntas sobre a legislação aplicável a casos concretos e deduzir interações entre disposições legais. Estes são apenas alguns exemplos de como, tal como referimos, a LA já está a entrar, progressivamente, no dia a dia das pessoas, em todas as vertentes. As ferramentas digitais que criamos para "ler" e "ver" o mundo estão cada vez mais capazes e, com isso, podem ajudar-nos a completar as tarefas diárias mais eficientemente. "Este é o ano em que se calhar vamos deixar de escrever e vamos estar a falar com o telemóvel em linguagem natural", vaticina Manuel Dias. E, é claro, grande parte da qualidade das respostas que obtivermos dependerá daquilo que perguntarmos. Página 4
A5 02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 162,84cm² Âmbito: Regional Period.: Diária Pág: 22 ID: 108875952 1 0 racismo nos corredores dos tribunais portugueses • Pedro Miguel Carvalho é um advogado português de Guimarães que após ter sido condenado por todos os juízes em Portugal por ter posto um processo de racismo contra uma juíza, conseguiu que um tribunal estrangeiro fizesse justiça após 4 anos de luta e depois de ter sido condenado em Portugal a pagar 8 mil euros do seu bolso ao estado português por ter posto uma juíza em tribunal. O caso insólito passou-se em Felgueiras quando uma juíza fez declarações sobre o cliente do advogado Pedro Miguel Carvalho, declarações estas de carácter racista. O advogado achou abusivas as declarações da juíza e interpôs um processo contra a magistrada, no entanto perdeu em todas as instâncias em Portugal, tendo sido condenado pelo tribunal da relação do Porto a pagar 10 mil euros à magistrada por danos causados. Contudo, Pedro Miguel Carvalho não desistiu, e apesar da condenação recorreu para o tribunal europeu dos direitos do Homem, conseguindo reverter ao fim de quatro anos a decisão dos tribunais portugueses. Este processo decorreu entre 2015 e 2019 e o nosso dinheiro, o dos contribuintes, foi utilizado para pagar uma indemnização pelas declarações da juíza e o advogado foi finalmente ressarcido do valor que já tinha gasto até à data, cerca de 10 000 euros somando a este valor mais 9.100 euros em custas judiciais. Este caso que deveria ter impacto na comunicação social portuguesa foi muito pouco referido e a injustiça a que este advogado foi sujeito, só foi ultrapassada, certamente à persistência e coragem de Pedro Miguel Carvalho completamente no anonimato. Houvesse mais advogados destes e a justiça estaria certamente melhor. Este caso é a prova que ainda há um longo caminho a ser percorrido na justiça portuguesa, tal como o caso com contornos ainda por apurar do novo partido que está a ser criado pela primeira mulher negra em Portugal denominado "Nova Direita" e que foi indeferido inexplicavelmente pelo Tribunal constitucional em vésperas de eleições. Paulo Freitas do Amaral Página 5
A6 02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 2579,2cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 4-6,1 ID: 108874789 1 Políticos a contas com a Justiça em ano de eleições Tribunais e Ministério Público têm na mão figuras de peso que ou já foram desapossadas dos cargos ou têm o futuro em risco por causa dos processos Inés Banha Tiago Rodrigues Alves [email protected] 202 4 Com o Governo em gestão, depois de o primeiro-ministro, António Costa, se ter demitido por causa de uma investigação do Ministério Público (MP) que o visa diretamente, e com eleições agendadas para o dia 10 de março, dificilmente, a avaliar pelo calendário dos tribunais, o mundo da Justiça não entrará, no primeiro trimestr e dest e ano, pela campanha eleitoral adentro. Da ainda quent e Operação Influencer, que tem o ex-ministro João Galamba como arguido, ao caso da Operação Marquês, que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates (2005-2011), passando por um ex-ministro alegadamente corrompido pelo antigo banqueiro Ricardo Salgado e autarcas sob suspeita, de norte a sul do pais, não faltam processos com potencial para influenciar o rumo da vida politica nacional, com decisões importantes em breve . Mesmo que , em 2024, a Justiça também prometa abarcar outros universos tão diversos como o futebol, a própria magistratura e a exploração de migrantes (ler casos da página 6). OPERAÇÃO INFLUENCER PGR prometeu "celeridade" O A Procuradoria-Geral da República, liderada por Lucilia Gago, prometeu em dezembro, através de comunicado, "celeridade" na conclusão da investigação da Operação Influencer, desencadeada a 7 de novembro e entretanto repartida em três inquéritos: um sobre a construção de um megacentro de dados em Sines; outro sobre o projeto de produção de energia a partir do hidrogénio, na mesma cidade alentejana , e um terceiro sobre a exploração de litio em Montalegre e Boticas. O ex-ministro das Infiaestrutura s João Galamba é um dos arguidos no processo, nas mãos do Departamento Central de Investigação e Ação Penal. O ainda primeiro-ministro, António Costa, está a ser investigado, de forma articulada com os três inquéritos, num quarto inquérito, a cargo do MP do Supremo Tribunal de Justiça, porque o seu nome terá sido invocado por arguidos. Em causa estão, em geral, suspeitas de corrupção e tráfico de influência, negados pelos visados. GÉMEAS LUSO-BRASILEIRAS Investigação de cunha ronda Belém © O Ministério Público tem em mãos outro inquérito que ameaça queimar protagonistas políticos. Trata-se do caso em torn o das criança s gémea s luso-brasileiras, residentes no Brasil, que receberam um tratamento muito caro no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para tratar a sua atrofia muscular espinhal, após uma alegada cunha do filho do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em 2019.0 inquilino do Palácio de Belém refutou já as suspeita s qu e lhe foram apontadas, mas o caso, que envolve também a Secretaria de Estado da Saúde, de que foi anteriormente titular o socialista António Lacerda Sales, está a ser investigado pelo Ministério Público e é de prognóstico reservado. CASA DE LUIS MONTENEGRO Investigado por IVA reduzido © O Ministério Público do Porto abriu recentemente um inquérito aos alegados benefícios fiscais atribuídos à habitação, em Espinho, do líder do PSD, Luís Montenegro, no seguimento de uma denúncia anónima. Está em causa saber se a taxa de IVA reduzida que a Câmara de Espinho atribuía como forma de promover a reabilitação de casas era aplicável à habitação de Montenegro, que foi construída no lugar onde tinha sido demolida um outro imóvel. Montenegro já disse que não obteve tratamento privilegiado por parte da autarquia. Aguarda-se uma decisão do DIAP Regional do Porto a breve trecho. OPERAÇÃO MARQUÊS Um janeiro crucial para Sócrates O Está apontada para, no limite, 31 de janeiro a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa sobre a ida de José Sócrates a julgamento. Em 2017, o antigo primeiro-ministro socialista tinha sido acusado pelo Ministério Público de 31 crimes. Mas, na decisão instrutória proferida em abril de 2021 pelo juiz Ivo Rosa, caíram 25 daqueles crimes. As partes recorreram do despacho instrutório e, agora, as juízas desembargadoras Raquel Lima e Madalena Caldeira vão tomar uma decisão sobre tais recursos, podendo ser a de levar Sócrates pelo essencial da acusação inicial do MP, a de manter a versão minimalista de Ivo Rosa (que descortinou, apesar da prescrição do ilícito, indícios de corrupção em favor do Grupo Lena) ou a de pôr fim ao processo, fazendo cair toda a acusação. O inquérito foi aberto em 2013 e, entre os dossiês excluídos após a instrução, estão os negócios da antiga Portugal Telecom no Brasil e o financiamento pela Caixa Geral de Depósitos da construção do resort de Vale do Lobo, no Algarve. GOLAS ANTIFUMO Ex-governante à beira da salvação © Sorte poderá ter Artur Neves, que, em setembro de 2019, se demitiu do cargo de secretário de Estado da Proteção Civil, depois de ter sido constituído arguido no caso da aquisição de golas de autoproteção, no âmbito do programa "Aldeia Segura - Pessoas Seguras", implementado após os graves incêndios florestais de 2017. Em 2022, o antigo governante e outras 18 pessoas foram acusados de crimes de fraude na obtenção de subsídio, participação económica em negócio e abuso de poder. Mas, em dezembro último, Artur Neves viu o MP reconhecer, no debate instrutório, que não existem indícios suficientes contra si. A decisão instrutória - que, atendendo à posição do MP, poderá culminar na ilibação de Artur Neves - está prevista para 15 de janeiro, no Tribunal Central de InstruçãoCriminal.em Lisboa. OPERAÇÃO TUTTIFRUTTI Equipa especial após Danho-maria © Outro processo que poderá conhecer desenvolvimentos no início de 2024 é o da Operação Tutti Frutti, em que são investigados contratos entre autarquias e militantes do PS e do PSD e também o alegado favorecimento de dirigentes daqueles dois partidos, nas eleições autárquicas de 2017, de forma a garantir que se mantinham à frente de certas juntas de freguesias lisboetas. O inquérito criminal está nas mãos de uma equipa especial, depois de ter permanecido em banho-maria durant e vários anos, mas é uma incógnita se e quando haverá uma acusação, e contra quem, por parte do Ministério Público. INDEMNIZAÇÃO NA TAP Um processo cível a dar que falar © No Tribunal Cível de Lisboa Página 6
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 2579,2cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 4-6,1 ID: 108874789 2 OPERAÇÃO ALQUIMIA Montalegre em tribunal © Orlando Alves e David Teixeira, ex presidente e vice-presidente da Câmara de Montalegre, vão ser julgados, com outros 58 arguidos, por vários crimes, incluindo associação criminosa, corrupção, prevaricação ou branquea - mento. Segundo a acusação, entre 2014 e 2022, os arguidos terão conseguido obter vantagens ilícitas de cerca de 10,5 milhões de euros graças à violação das regras de contratação pública e ao pagamento de quantias indevidas e obtenção de subsídios fraudulentos. OPERAÇÃO BABEL Ex-vice de Gaia arrisca acusação O Suspeitas de favorecimento na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia para aprovação de projetos imobiliários levaram, em maio do ano passado, à detenção do vice-presidente, Patrocínio Azevedo, de dois empresários imobiliários, de um advogado e de um funcionário da Direção Regiona l de Cultur a do Norte. Sob escrutínio das autoridades estão ilegalidades em interesses imobiliários no valor de 300 milhões de euros. A acusação será conhecida em breve. • corre uma ação intentada pela ex-presidente da TAP, na qual Christine Ourmières-Widener exige ser indemnizada em 5,9 milhões de euros, pelo seu despedimento, decidido pelo ministro das Finanças, Fernando Medina. A demissão ocorreu na sequência das noticias sobre o pagamento, pela companhia aérea portuguesa, de uma indemnização de meio milhão de euros à administradora Alexandra Reis. Foi o pagamento desta indemnização que levou, em 2023, à demissão do cargo de ministro das Infraestruturas de Pedro Nuno Santos, atual secretário - geral do PS. OPERAÇÃO VÓRTEX Ex-autarcas vão a julgamento O Dois ex-presidentes da Câmara de Espinho, três empresários e três chefes de divisão autárquicos vão responder por vários crimes de corrupção, prevaricação, abuso de poderes e tráfico de influências. Em causa está a alegada violação de regras de licenciamento urbanístico para favorecer a construção de empreendimentos imobiliários no valor de dezenas de milhões de euros. O então presidente Miguel Reis pediu a demissão após ter sido detido. O anterior edil, Pinto Moreira, deputado na Assembleia da República, chegou a perder a confiança política do PSD depois de retirar a suspensão do mandato que antes tinha pedido. Em julho do ano passado, após ter sido acusado, anunciou que renunciava em definitivo ao mandato, esquivando-se assim á suspensão automática definida pela lei. MIGUEL ALVES À quarta poderá ser de vez © Dois meses após ter sido nomeado, o então secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro foi forçado a demitir-se por causa desta acusação, surgida no âmbito da Operação Teia. O ex- -presidente da Câmara de Caminha e a empresária Manuela Couto estão acusados de prevaricação. Terão violado as regras de contratação pública ao contratar serviços de assessoria de comunicação para a autarquia. O início do julgamento, marcado para janeiro, já foi adiado três vezes. RUI RIO/PSD MP sob pressão por buscas em direto <3 A12 de julho deste ano c pais acordou com Rui Ricjg a falar para repórteres t das televisões a partir da varanda da sua casa, que estava a ser alvo de buscas. Também a sede do PSD foi alvo de buscas. As autoridades suspeitam de peculato e abuso de poder. Em causa estará o eventual pagamento a funcionários do partido com verbas da Assembleia da República destinadas a assessorias do grupo parlamentar. Uma prática que vários responsáveis políticos se apressaram a considerar como normal entre os partidos. A investigação levou Rui Rio a recuperar as suas criticas contra a autonomia do Ministério Público, do qual se aguardam conclusões. OPERAÇÃO ÉTER Sentença ditada já depois de amanhã © Um dos mais mediáticos processos de criminalidade económico-financeira que a Justiça tem em mãos, envolvendo o presidente do Turismo do Porto e Norte, /íis Melchior Moreira, a empresária Manuela Couto (o centro da Operação Teia), o presidente do Braga, António Salvador, e o ex-presidente do Vitória Sport Clube Júlio Mendes, conhece a sentença já depois de amanhã, dia 4. O Ministério Público pediu pena de prisão para os principais arguidos acusados de dezenas de crimes económicos. C£SO EDP Pinho e Salgado em sprint final © Manuel Pinho, ministro da Economia no primeiro Governo de José Sócrates (2005-2009), responde por ter alegadamente recebido, entre 2005 e 2012 e com recurso a offshores, cinco milhões de euros do então presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, para beneficiar, no exercício de funções governamentais, a instituição financeira e o Grupo Espírito Santo. O julgamento, por corrupção, branqueamento e fraude fiscal, começou em outubro e a expectativa é de que as alegações finais decorram no início de fevereiro, altura em que será agendada a data da leitura do acórdão. A mulher de Manuel Pinho, Alexandra Pinho, é a terceira arguida no processo. Os suspeitos têm negado, em geral, a prática dos crimes. Página 7
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 2579,2cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 4-6,1 ID: 108874789 3 janeir o O Tribunal Criminal de Santarém lê a sentença no caso da morte num acidente de viação, em dezembro de 2020, da cantora Sara Carreira. O ator e cantor Ivo Lucas, então namorado da filha de Tony CarTeira, e a fadista Cristina Branco são dois dos quatro arguidos. O MP pediu pena suspensa para ambos, enquanto as defesas pugnaram pela absolvição. janeir o O Tribunal Criminal de Lisboa profere o acórdão no caso dos dois irmãos iraquianos, de 34 e 36 anos, acusados de adesão a organização terrorista e crimes de guerra, alegadamente praticados no seu pais, entre 2014 e 2016.0 MP quer que fiquem quase 25 anos presos, a defesa que sejam libertados. É a primeira vez que crimes de guerra são julgados em Portugal. ter sido condenado pelo Tribunal Criminal de Lisboa a quatro anos de prisão, suspensos na sua execução, por tentativa de extorsão, acesso ilegítimo e violação de correspondência, o mentor do Football Leaks está acusado num outro processo, relacionado com ataques informáticos, para obtenção de informação, a outras entidades. A expectativa é de que, ainda este ano, decorra a instrução e/ou o julgamento do caso. Paralelamente, aguarda-se a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa ao recurso interposto no primeiro processo pelo hacker autointitulado denunciante. Os atos sob suspeita foram todos praticados até 2019. MORTE NA FESTA DO FCP Marco "Orelhas" e filho julgados © O mediatismo e perfil de arguidos e da vitima, todos elementos dos Super Dragões e com historial de violência, deverá revestir este julgamento de fortíssimas medida s de segurança . Marco "Orelhas", um conhecido elemento da claque portista, o filho Renato e mais cinco arguidos responderão em tribunal pela morte de Igor Silva, de 25 anos. O crime ocorreu em maio de 2022 durante os festejos do titulo nacional em plena Alameda do Dragão, no Porto. Igor foi morto com várias facadas num suposto ajuste de contas por causa de desavenças anteriores. No último São João, familiares de "Orelhas" e de Igor envolveramse em agressões físicas e houve mesmo indivíduos baleados nas pernas, na zona da Corujeira. OPERAÇÃO FORA DE JOGO 120 arguidos à espera de acusação O Informações divulgadas pelo "hacker" Rui Pinto sobre ilegalidades no mundo do futebol geraram uma série de investigações centradas em Benfica, Porto e Sporting. Foram passados à lupa vários negócios realizados entr e 2014 e 2022 e, em meados do ano passado, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal já contabilizava 120 arguidos e transações suspeitas de, pelo menos, 228 milhões de euros. A acusação poderá ser conhe cida este ano. RUI PINTO Hacker tem novo processo © Depois de, em 2023, Rui Pinto OPERAÇÃO LEX Ex-juiz e Vieira em xeque © No primeiro trimestre de 2024 poderá ainda ter início, no Supremo Tribunal de Justiça, o processo Operação Lex, no qual Luís Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica, responde por um crime de recebimento indevido de vantagem, na modalidade de oferta, por, em 2016 e 2017, ter presenteado o então juiz desembargado Rui Rangel com bilhetes para assistir a jogos dos encarnados no camarote presidencial, no Estádio da Luz, em Lisboa. No total, são 17 os arguidos que se sentam no banco dos réus, incluindo, além de Vieira e de Rangel, um anterior presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, Luís Vaz das Neves. A viciação da distri - buição de processos é uma das suspeitas, negada pelos arguidos. IHOR HOMENIUK Morte no SEF em sequela ® Este ano, numa data ainda desconhecida, deverá igualmente começar o segundo julgamento relacionado com a morte , em 2020, de um cidadão ucraniano, Ihor Homeniuk, no Espaço Equiparado a Centro de Instalação Temporária do aeroporto de Lisboa, à data gerido pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteira s (SEF). Os três inspetores condenados pelas agressões fatais estão já a cumprir pena de prisão, mas, agora, o então diretor de Fronteiras de Lisboa será julgado por ter, alegadamente, protegido o trio de um processo disciplinar. Outros dois inspetores do SEF e dois seguranças do espaço serão igualmente julgados, por não terem ajudado Ihor Homeniuk. OPERAÇÃO ADMIRAL Respondem por megafraude fiscal © A ex-apresentadora Ana Lúcia Matos e o marido são dois dos 27 acusados de uma das maiores fraudes fiscais internacionais. O esquema terá causado prejuízos acima de 2,2 mil milhões de euros, 80 milhões dos quais ao Estado português. Na sua primeira ação em Portugal, a Procuradoria Europeia acusou 15 empresas e 12 cidadãos de montar um esquema fraudulento com a venda de telemóveis e material informático na Internet. Vão responder em tribunal por 53 crimes, destacando-se associação criminosa, fraude fiscal qualificada, corrupção no setor privado branqueamento e falsificação de documentos. • Página 8
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 2579,2cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 4-6,1 ID: 108874789 4 Políticos a contas com Justiça em ano eleitoral Em 2024, há vários casos na agenda e com protagonistas de destaque: Sócrates, Rio, Montenegro e Costa p. * • o Página 9
A10 02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 1 4 | TERÇA-FEIR A | 2 JAN 202 4 pegOCIOS PRIMEIRA LINHA PER5PETIVAS PARA 202 4 Política, salários, custos c PRR preocupam decisores DECISORES DE 173 EMPRESAS E ENTIDADES LIGADAS À ECONOMIA REVELAM AO NEGÓCIOS O QUE ESPERAM PARA O NOVO ANO. Depois do máximo de 167 respostas obtidas no ano passado, desta vez foram 173 os responsáveis de empresas e instituições ligadas à economia que no final do ano passado aceitaram participar no inquérito do Negócios sobre as suas expectativas para 2024. Grande parte dos decisores confessa dificuldades devido à crise política e pouca esperança que as eleições legislativas de março tragam uma solução de estabilidade. INSTABILIDADE AFETA EMPRESAS ELEIÇÕES NAO DARAO SOLUÇÃO ESTÁVEL Respostas à pergunta "A instabilidade política cria dificuldades à sua empresa?" Respostas à pergunta "Acredita que sairá uma solução estável após as eleições de 10 de março?" A crise política está a ter consequências na vida das empresas. Quase sete em cada 10 decisores confessa que a instabilidade vivida no país após a marcação de eleições legislativas antecipadas, na sequência da demissão do primeiro-ministro, cria dificuldades à economia. Apenas 24% das respostas indicam que esse fator não terá influência. A descrença numa situação política sólida pós-eleições é o sentimento mais prevalente entre os inquiridos. 57,8% dos decisores adivinham que o sufrágio marcado para 10 de março não resultará numa solução governativa estável. Pouco mais de um em cada cinco manifesta essa esperança enquanto outros tantos não arriscam uma previsão. Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 ||Sim 67,6% aplica % ftSim 8,7% 19,7% 9 Não 23,7% Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 O Não 57,8% OPINIÕES DIVIDIDAS QUANTO AO PRR Respostas à pergunta "O processo dos fundos europeus, nomeadamente do PRR, vai correr bem?" Concretizando um sentimento propagado por muitos agentes económicos ao longo de 2023, metade dos decisores que responderam ao inquérito mostram ceticismo em relação à execução dos fundos europeus do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Menos de um terço acreditam que o processo vai correr como desejado. UM TERÇO CONCORREU A FUNDOS EUROPEUS Respostas à pergunta "A vossa empresa concorreu ao PRR?" Menos de um terço (31,8%) das respostas dos decisores ao inquérito do Negócios sobre as perspetivas para 2024 indicam que as entidades que lideram submeteram candidaturas ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A grande maioria (quase 70%) das 173 empresas e outras entidades ligadas à economia não concorreu ao PRR. Sim 30,6 Sim 31,8% Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 Não sabe/Não responde 0 17,3% Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 Página 10
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 2 Os preços praticados pelas empresas vão aumentar em 2024, assim como os salários que pagam aos trabalhadores. Estas são apenas algumas das principais conclusões do inquérito feito pelo Negócios a decisores sobre as expectativas para 2024. Os resultados revelam também que a falta de mão de obra continua a ser uma dificuldade sentida pelo tecido empresarial. Ainda assim, a maioria acredita que as organizações que lideram vão passar pela turbulência do novo ano sem dificuldades de maior. líderes antecipam 2024 CUSTOS VAO CRESCER Respostas à pergunta "Em 2024, espera que os custos da sua empresa aumentem?" Os custos das empresas vão aumentar em 2024, revelam cerca de 90 % dos inquiridos. Destes, 74% acreditam em subidas ligeiras enquanto 16,8% anteveem crescimentos acentuados. 5% dos decisores antecipam que não vão acontecer alterações e apenas 1,7% estimam uma descida ligeira. 3,5% QUEDA DE VALORES COBRADOS Apena s 3,5 % da s resposta s indica m um a potencia l descid a ligeir a do s preço s praticado s pela s empresa s e m 2024 . Ningué m estim a um a qued a forte . 6 0 % AUMENTA M PREÇOS Respostas à pergunta "Em 2024, o que antecipa para os preços da vossa empresa?" Já quanto aos preços praticados pelas empresas que lideram, as respostas divergem. Pouco mais de 60 % antecipam um aumento. Destes, 57,9% antevê uma subida ligeira ao passo que 3,5% prevê crescimentos acentuados. 3,5% indicam uma descida ligeira. Ninguém estima uma diminuição acentuada. SEM DIFICULDADES Mai s d e oit o e m cad a de z decisore s nã o antevee m grande s dificuldade s e m 2024 . Nenhu m admit e o risc o d e falência . 7,6 % n ã o nega m despedimentos . Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 SALÁRIOS E BÓNUS SOBE M Respostas à pergunta "Em 2024, conta atualizar as remunerações na empresa?" A maioria dos decisores (73,3%) vai aumentar as remunerações dos trabalhadores, subindo os salários base (57,6%) ou conjugando este fator com a atribuição de bónus (15,7%). Em 5,2% dos casos, os salários não aumentam, mas haverá prémios. 3,5% não farão alterações e quase 13% não decidiram. DESPEDIMENTOS ADMITIDO S POR 7,6 % Respostas à pergunta "Se a conjuntura continuar, o que pode acontecer à empresa?" 0 cenário de redução do quadro de pessoal para fazer face à conjuntura não é rejeitado por 7,6% dos inquiridos. A grande maioria (82%) não antevê grandes dificuldades. Nenhum inquirido admite o risco de falência. 10,5% não arriscam uma estratégia face à imprevisibilidade do contexto. M Ã O DE OBRA DIVID E OPINIÕES Respostas à pergunta "A falta de mão de obra deverá ter consequências na empresa?" A falta de mão de obra, que tem sido um dos principais problemas sentidos pelos empresários desde a pandemia, poderá continuar a ser um fator negativo no próximo ano, indicam 49,7% dos inquiridos. O número dos que pensam que a dificuldade de contratação não terá impacto é quase igual: 46,8%. i Sim, aumentando Não vamos o salário base aumentar 57,6% 3,5% Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 l Devem ficar iguais 5.2% O Devem diminuir muito 0% Não sabe/ não responde 2,3% Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 H Devem aumentar pouco 74% 0 Devem aumentar muito 16,8% Devem diminuir 0 pouco 1,7% Devem diminuir muito 0% Devem O Jiminuir pouco 3,5% Devem aumentar muito 3,5% Devem aumentar pouco 57,9% Devem ficar iguais 25,1% Não sabe/ # não responde 9,9% Sim, acompanhado de bónus extraordinários 15,7% Não, mas devemos atribuir bónus extraordinário 5.2% Não sei/ O Não sei aplica 5,2% Ainda não £ decidimos 12,8% Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 À partida, não terá grandes dificuldades 82% Corre o risco O de falir 0% 0 Pode ter de despedir 7,6% É uma ® incognita 10,5% Página 11
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 3 PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 202 4 Margem e investimento em tecnologia serão prioridades. Situação geopolítica assusta Os 173 decisores inquiridos pelo Negócios indicam a melhoria da margem como o caminho. A reorganização interna e o investimento em tecnologia serão apostas para aumentar a produtividade. A instabilidade política e a evolução económica são os maiores riscos nacionais. A incerteza geopolítica é o grande fator global de incerteza. MARGEM OPERACIONAL E LUCRO SAO METAS Respostas à pergunta "Qual será a prioridade para a sua empresa?" No universo de estratégias para 2024, o aumento da margem é citado em cerca de um quarto das respostas. Quase 20 % dos decisores vão investir no aumento da capacidade. 0 crescimento das exportações é indicado por 16,8% e 15,6% vão tentar vender mais em Portugal. TECNOLOGIA E REORGANIZAÇAO AJUDAM PRODUTIVIDADE Respostas á pergunta "Quais destas medidas são mais importantes para aumentar a produtividade?" A reorganização de procedimentos e processos e o investimento em tecnologia são os principais caminhos apontados para aumentar a produtividade. Cerca de 10% apostarão na formação em liderança e gestão. A redução do número de trabalhadores é hipótese para 2%. Fazer aquisições de outras empresas Vender o negócio ou QQ parte do negócio Vender mais internamente Exportar mais Aumentar a margem do negócio (EBITDA e/ou lucro) Cortar custos Reduzir a dívida Aumentar o emprego Reduzir o emprego o,0 Aumentar salários ou outros rendimentos do trabalho Encontrar novos sócios ou formas de reforçar o capital Investir em aumento de capacidade 6,6 5 10 15 20 25 Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 Reduzir pessoal '- f Investir em 1 Reorganizar os procedimentos e processos Flexibilizar o horário de trabalho Investir na formação em liderança e gestão Redefinir cadeias de abastecimento BHK&8 fffff l •BS S WSÊÊÊ • 40,1 mgm M i 9 1 mm a g ® H | §§|| | «•BHHHHIibhHMMHK I 45,3 • M 0,6 2,3 10 20 30 40 50 Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 GEOPOLÍTICA E O PRINCIPAL RISCO GLOBAL Respostas ao pedido de identificação do principal risco mundial em 2024. Quando olham para os riscos globais, a instabilidade geopolítica é o mais citado, surgindo em 46,8% das respostas. A guerra é indicada por 17,9%. 0 enfraquecimento económico é receado por 13,9% e a instabilidade financeira e nos mercados é uma preocupação para 6,9%. Alterações climáticas Choque petrolífero 0,0 Ciberataques §§? 2,3 Desemprego j j 1,2 Deterioração da economia Guerra inflação Instabilidade financeira e dos mercados instabilidade geopolítica Instabilidade social Jji , 2 Juros altos Protecionismo e encerramento de fronteiras j 46,8 |1. 2 « U 10 20 30 40 50 Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 ECONOMIA E INSTABILIDADE SAO RECEIOS EM PORTUGAL Respostas ao pedido de identificação do principal risco em Portugal em 2024. Na análise dos principais riscos em Portugal, a instabilidade política surge em 48,8% das respostas. 0 segundo fator mais receado é a deterioração da economia, indicada por 22,1% dos inquiridos. Juros altos, falta de mão de obra e financiamento também são citados. Alterações climáticas 0,0 Descontrolo | 3 5 das contas públicas ' Desemprego §1.2 Deterioração da economia Escalada dos preços q 0 dos combustíveis ' Falta de financiamento 5,2 Falta de mão de obra Inflação mjj f 3,5 Instabilidade política Instabilidade geopolítica 0,0 Instabilidade social lHH 3 » 5 Juros altos 0 7,0 20 30 40 50 Fonte: Inquérito do Negócios a decisores sobre perspetivas para 2024 Página 12
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 4 Líderes antecipam 2 í aMnHB^HHHOM C . ;> r v If Éfii ' m^M. M ) Se Sócrates, o filósofo, fosse um dos convidados a perspetivar 2024, sem dúvida que diria "só sei que nada sei (e ainda mais este ano)". Confira as "bolas de cristal" das lideranças portuguesas, num ano que será ainda de incerteza. Página 13
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 5 PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2024 RUI NUNO BALEIRAS COORDENADOR, UTAO. PROFESSOR UNIVERSITÁRIO A economia entra em 2024 com um triplo equilíbrio histórico: interno, externo e nas contas públicas. As eleições antecipadas são uma oportunidade para, finalmente, o país político se concentrar e mobilizar o país económico para a melhoria estrutural no perfil de especialização produtiva e na valorização indubitável do seu capital humano. Já chega do paradigma de privilegiar as emoções imediatas sobre o que verdadeiramente importa a médio e longo prazo. ARLINDO OLIVEIRA PRESIDENTE, INESC Prevejo significativa instabilidade política, o que irá afetar a execução de programas diversos, tais como o PRR ou o Portugal 2030, limitando o crescimento da economia. PEDRO GOUVEIA CO-CEO, PRODUTIVA O ano 2024 irá manter bons números na economia portuguesa, embora esteja naturalmente a desacelerar. As empresas estão mais maduras e têm dado boa resposta às adversidades. Do ponto de vista macro, com a brutal carga fiscal que impende sobre os rendimentos das empresas, dos particulares e ainda com a sobrecarga dos impostos indiretos, o país conseguirá continuar a apresentar bons números. No entanto, em contraponto, a qualidade dos serviços públicos essenciais não consegue corresponder, degrada-se, afetando a qualidade de vida dos cidadãos e, de forma muito significativa, dos mais fragilizados economicamente. É realmente um paradoxo...uma economia melhor...vidas concretas com muitas dificuldades. Do ponto de vista global, tem-se esperança na redução dos vários conflitos, mas o risco de despontarem novos é grande. A gestão das empresas deve cuidar de ser empreendedora, inovadora, mas muito prudente. O que, de certa forma, também parece um paradoxo... será? Siga! PEDRO NETO DIRETOR-EXECUTIVO, AMNISTIA INTERNACIONAL PORTUGAL A continuação de conflitos e a aproximação de eleições nos EUA podem alterar a ordem mundial, contribuindo para maior desordem ou maior harmonia. A nível nacional, a deterioração da economia é agravada pelo contexto internacional e pelá incógnita que é a solução de Governo que surgirá depois de 10 de março. A aprovação do 0E2024 ajuda a mitigar este cenário de incerteza. A continuação de taxas de juro altas (ou subida) pelo BCE e o aproveitamento disto mesmo pela banca portuguesa é um problema: muitas famílias já reduziram o seu consumo ao mínimo. A pobreza é agora maior. A inflação não diminuirá apenas à custa disto. Enquanto os preços dos combustíveis se mantiverem altos, o preço dos produtos e bens transportados continuarão altos. Só a paz e as alternativas ao petróleo poderão estabilizar a inflação a médio-longo prazo, bem como a sustentabilidade do planeta. PEDRO OLIVEIRA DEAN, NOVA SBE 2024 será muito desafiante. Na Nova SBE vamos usar todos os desafios como motivação, entusiasmo e "vitaminas" adicionais para desenvolver os projetos e as parcerias em Portugal e no resto do mundo, que nos vão ajudar a continuar a promover Portugal e afirmar a liderança intelectual da Nova na Europa e no mundo. ANTÓNIO NOGUEIRA DA COSTA CEO, EF CONSULTING Vislumbro um 2024 fortemente impactado pela progressiva influência dos sistemas de inteligência artificial, destacando três grandes áreas de influência. A nível da formação: a crescente adoção e alteração significativa nos métodos de ensino, relevando as atuações de Sócrates e Platão com as suas posturas de nada saber, mas de dominarem as técnicas de saber perguntar. A nível da comunicação: a proliferação incontrolada de verdades alternativas ("alternative truths") será um desafio à informação que se deseja credível para se formular opinião própria adequada. A nível do trabalho: incrementando o seu papel no tratamento, análise e interpretação de dados e rompendo fronteiras na formulação de "opiniões", o que revolucionará as necessidades das profissões e os perfis dos profissionais. MIGUEL MOTA FREITAS CEO, WORTEN Quero acreditar que 2024 será o inicio de uma recuperação, que poderá não ser fácil, nem rápida, mas que vai começar a acontecer e que a incerteza e instabilidade geopolítica que se viveu em 2023 consiga, finalmente, ter fim e uma solução que traga mais estabilidade política, económica e financeira. No retalho, é fundamental continuar o caminho da digitalização, garantindo sempre o toque humano, tão fundamental para uma empresa como a Worten, que tem a ambição de ser a "one stop shop" dos portugueses. Estar no telemóvel, com a app, no computador, com o site, ou em loja física, de norte a sul do país é estar onde os portugueses precisam e essa conveniência é o que o consumidor cada vez mais procura e o que nós como marca temos de oferecer. VIRGÍLIO LIMA PRESIDENTE, MONTEPIO GERAL ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA Mais desafiante, pela incerteza, em Portugal e no mundo. ÂNGELO RAMALHO CEO, EFACEC 2024 será potencialmente influenciado pela ação combinada de eventuais crises geopolíticas e dos efeitos em cascata que estas poderão provocar do ponto vista financeiro, económico e social. Pode expor algumas das fragilidades recentes da economia portuguesa, cujo crescimento pode ter superado expectativas graças, sobretudo, ao crescimento do turismo. Um cenário de inflação e de juros altos pode ter um impacto negativo na disponibilidade das pessoas para consumir e a presente situação geopolítica, eventual instabilidade política interna e aumento dos custos em geral fazem da economia portuguesa vulnerável. SANDRA MAXIMIANO ativo fundamental para a criação de valor acrescentado. O país, nomeadamente o investimento, não deve perder a oportunidade do PRR e este deve estar orientado também para a atração de IDE e de talento. A inteligência artificial continuará a crescer, com maior aplicação nas empresas e organizações lançando novos desafios de regulamentação e regulação. PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ANACOM As previsões para 2024 estão rodeadas de grande incerteza. Os efeitos da política monetária restritiva e a subida das taxas de juro têm um "lag" temporal de 12 a 18 meses e certamente se continuarão a fazer sentir na economia. Não acredito que haja já no primeiro trimestre uma redução das taxas de juro, dado que a inflação ainda está acima dos 2%. Aponto dois grandes problemas que Portugal enfrenta para 2024: o problema da habitação, sobretudo nas grandes cidades e a atração e retenção de jovens qualificados, que são o Página 14
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 6 PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2024 NUNO PINTO DE MAGALHÃES "CHAIRMAN", CENTRAL DE CERVEJAS E BEBIDAS Com muita expectativa, mas sempre com esperança... Depois de uma pandemia que conseguimos ultrapassar, seguiram-se duas guerras e com elas o aumento da inflação. Com toda a imprevisibilidade que estas realidades trazem e às quais tivemos e temos de nos adaptar constantemente, acresce agora a instabilidade política com a queda do Governo, a quebra das exportações e sinais da redução do consumo privado, que já se sentem de forma bastante evidente. Tempos de crise são sempre tempos de oportunidade, pelo que há que ser criativo no desenvolvimento de soluções alternativas que permitam continuar a gerar valor acrescentado aos negócios! PATRICIA DE MELO E LIZ CEO, SAVILLS PORTUGAL Um ano periclitante, que dependerá muito do que acontecer no quadro político em março de 2024, que dependerá mais do que acontecer na economia da Europa do que dependeu neste último ano, que sofrerá mais se se mantiver a deterioração dos serviços públicos e que se não houver estabilidade e reformas necessárias pode alterar drasticamente o ciclo positivo que viveu nos últimos anos por fuga dos investidores, fuga de talento e indecisões nos projetos que possam estar em curso. ANDRES ORTOLÁ "GENERAL MANAGER", MICROSOFT PORTUGAL 2023 foi o ano de consolidação do potencial da inteligência artificial. O termo foi cunhado há mais de 70 anos, mas nunca até agora esta disciplina tinha conhecido uma afirmação tão significativa como a que viveu no ano que agora termina. Ancorada nos Grandes Modelos de Linguagem como o ChatGPT e o GPT-4, e em toda a atividade desenvolvida por empresas como a OpenAl e a Microsoft, entre outras, espero que o ano de 2024 traga consigo a democratização do acesso, adoção e implementação desta tecnologia. Já tendo saído do abstrato, é fundamental promover as competências e garantir a pessoas e organizações as ferramentas para que possam usar esta tecnologia para inovar e para que tirem real valor dos ganhos de produtividade. JURGEN REIMANN CEO, VOLKSWAGEN DIGITAL SOLUTIONS Cientes dos desafios no setor automóvel, prevemos um ano desafiante, que exige resiliência a uma escala nacional e global. Contudo, Portugal é feito de talentos únicos e é o território fértil para a criação de inovações que farão frente aos desafios do amanhã, razão pela qual a Volkswagen Digital Solutions não hesitou em criar o seu "hub" em Portugal, onde nascem soluções tecnológicas para o Grupo Volkswagen. Após um crescimento sustentado e aposta no nosso maior ativo - as pessoas - projetamos um 2024 em que a inovação e desenvolvimento tecnológico vão ter uma nova ênfase para atender aos desígnios do setor: sustentabilidade ambiental e a revolução da experiência dos condutores com base em tecnologia. A digitalização dos veículos e da experiência dos utilizadores veio para ficar. OTMAR HUBSCHER CEO, SECIL 2024 será marcado pela continuação da tensão geopolítica global, alguma instabilidade política em Portugal e pela pressão dos desafios energéticos e de descarbonização da economia. No âmbito industrial, seria muito positivo tomar medidas regulatórias que promovam a circularidade da economia, sobretudo no que respeita a fluxos de resíduos e deposição em aterro, designadamente RCD - resíduos de construção e demolição. Será também necessário manter a inflação sob controlo para que as taxas de juro possam cair e assim dinamizar a economia com mais investimento. Idealmente, precisaríamos ainda de uma colaboração urgente entre o Governo e o regulador com a indústria para garantir um "level playing field" com os nossos concorO CEO da Volkswagen Digital Solutions prevê "um ano desafiante" no setor automóvel. "Exige resiliência a uma escala nacional e global". rentes comunitários e extracomunitários (apoios à investigação e projetos, acesso a energia renovável abundante, quadro regulatório e transporte/armazenamento permanente de C02). MARIA AMÉLIA „ MARTINS-LOUÇAO PRESIDENTE, SOCIEDADE PORTUGUESA DE ECOLOGIA O próximo ano será mais um desafio. O papel da Ecologia e dos ecólogos, enquanto investigadores de Ecologia, precisa de ser aceite, consultado e valorizado a bem da salvaguarda do nosso património natural. Antes da tomada de decisão sobre o desenvolvimento de infraestruturas que impliquem a exploração e/ou alteração dos ecossistemas naturais, deviam ser consultados os investigadores em Ecologia, que detêm o conhecimento científico sobre o território e o seu funcionamento. HÉLDER BRITO ADMINISTRADOR, PURE COTTON A redução do rendimento disponível das famílias, decorrente da inflação e das taxas de juro elevadas, cria um cenário desafiante para as empresas fabricantes de bens discricionários, nomeadamente para o setor têxtil. Na Pure Cotton vamos prosseguir a nossa aposta nos segmentos de maior resiliência e valor acrescentado, estreitando relações com as principais marcas de moda de luxo mundiais e captando novos clientes e parceiros. Vamos também apostar na nossa marca própria, a Inimigo, levando produtos de qualidade a clientes em todo o mundo. FILIPE GARCIA PRESIDENTE, IMF - INFORMAÇÃO DE MERCADOS FINANCEIROS Deverá ser um ano mais de política do que de economia. Além dos conflitos por resolver, o ano será marcado pelas eleições presidenciais nos EUA - um tema que o mercado tem até agora evitado avaliar. Os indicadores avançados apontam para desaceleração económica, mas há espaço de manobra por parte dos bancos, balanços, contas públicas e bancos centrais para se evitar uma crise profunda. Em Portugal, as exportações de bens terão um ano difícil e o PRR pode não correr de forma fluida. No entanto, o consumo privado beneficiará da queda da inflação, subida dos salários e queda nas taxas de juro. O turismo deverá ter novamente um bom ano, mas sem os crescimentos recentes. Surpresas positivas, ainda que improváveis? Por um lado, bons e generalizados "use cases" de inteligência artificial e, eventualmente, a China a crescer acima das previsões. PEDRO CASTRO E ALMEIDA CEO, SANTANDER PORTUGAL 2024: (mais) um ano desafiante. Incerteza geopolítica, com os conflitos em curso e latentes. Incerteza política, com eleições em Portugal, União Europeia e Estados Unidos. Incerteza climática. Incerteza... Mas "todo o mundo é composto de mudança", já nos dizia Luís Vaz de Camões. Neste quadro de incerteza permanente, o melhor instrumento é dispor de uma estratégia clara, com ajustes táticos ao contexto de curto prazo: crescer negócio, ser mais produtivo, gerar sustentadatar os salários e reter o talento que formamos anualmente. Complementado com a execução dos fundos europeus disponíveis e com as reformas do PRR, seguramente, sairemos mais fortes, competitivos e ainda com maior capacidade de inovar e crescer. Página 15
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 7 PAULO MONGINHO CEO, OGMA - INDÚSTRIA AERONÁUTICA DE PORTUGAL Do ponto de vista global, o arranque de 2024 deverá ser encarado com expectativa por parte dos agentes económicos devido à continuidade de eventos, como conflitos armados, que têm impacto direto no custo das matérias-primas e da energia e no funcionamento das cadeias logísticas a nível internacional, assim como preocupações em relação à evolução da inflação e das taxas de juro. A essa realidade junta-se a incerteza em relação ao desfecho das eleições antecipadas, em março. Apesar deste cenário macro, acreditamos que, no caso da OGMA, 2024 será um ano marcante, impulsionado pela aposta numa nova área de manutenção de motores para um dos maiores fabricantes aeronáuticos a nível mundial JUAN OLIVERA "COUNTRY MANAGER", ERICSSON PORTUGAL 2024 é o ano em que a implantação do 5G tem de ser acelerada em Portugal, para atingir todo o seu vasto potencial junto de consumidores, negócios e empresas. A dinâmica do 5G é incrível. Por exemplo, no reforço da importância da conectividade para missões críticas, ao nível da segurança pública e empresarial. De facto, o seu grau de relevância mede-se também na capacidade de encontrar soluções para muitos dos desafios que se levantam a uma sociedade tão sofisticada como a portuguesa. Noutro sentido, não nos deveremos cingir aos grandes poios urbanos. A tecnologia deve chegar a todos. Tal como está a serfeito em Espanha ou Itália, é fundamental adotar projetos nacionais vocacionados para o 5G rural, para assim mitigar a exclusão digital e abrir novas oportunidades no país. LURDES GRAMAXO PRESIDENTE, INVESTORS PORTUGAL. "PARTNER", BYND VENTURE CAPITAL Portugal continua muito vulnerável à conjuntura internacional, à qual acresce um inesperado ciclo eleitoral cujo resultado pode trazer um novo ciclo político de instabilidade interna. Esperamos que o novo Governo que resulte das eleições se sustente numa base parlamentar estável e tenha uma estratégia ambiciosa de desenvolvimento sustentável, baseada na importância de promover a iniciativa privada e muito especialmente o empreendedorismo de base tecnológica. Uma aposta clara no empreendedorismo tecnológico, com políticas consistentes de incentivo ao seu crescimento, pode fazer a diferença na modernização da economia, mobilizando investimento nacional e internacional e apostando na atração e retenção de talento jovem, aumentando a competitividade da economia portuguesa e a sua afirmação nos mercados internacionais. Para a Bynd, onde temos construído um percurso consistente de operador de "venture capital" ibérico, detendo um "track record" de sucesso nesta geografia, antecipamos forte crescimento em 2024. VICENTE HUERTAS "COUNTRY MANAGER", MINSAIT Em 2024, vamos continuar a assistir à segunda onda de digitalização, caracterizada pela ascensão de novas tecnologias e novos paradigmas que terão um impacto significativo nos modelos de negócio e nas relações entre empresas e clientes. Além disso, acredito que as empresas vão assumir ainda mais a área de Tl como "core business" na evolução e desenvolvimento dos seus negócios. Já a nível económico-social, é desejável que se verifique um crescimento - ainda que lento - da economia nacional, e a consequente recuperação financeira das famílias e das empresas portuguesas, bem como uma solução política estável que resulte das eleições legislativas agendadas para 10 de março. MILTON ARAÚJO CEO, GRUPO DEGEMA As perspetivas económicas para Portugal em 2024 dependem da capacidade do país de se adaptar e inovar em resposta aos desafios globais. Com uma abordagem equilibrada que envolve a diversificação económica, investimento em tecnologia, educação contínua e um compromisso sólido com a sustentabilidade, Portugal pode consolidar a sua posição como uma economia resilien- "O atual cenário de instabilidade nacional nada contribuirá para melhorar os serviços do Estado", defende a CEO da Altice Portugal. te e dinâmica no cenário internacional. INÊS ARRUDA SÓCIA, VASCONCELOS ARRUDAS ASSOCIADOS 2024 será um ano de grandes desafios para as empresas nacionais, em particular atendendo à conjuntura interna, de alguma instabilidade política que possa advir das eleições de março, e externa, com sinais de algum arrefecimento económico, com clivagens geopolíticas mais acentuadas e a inflação que, apesar de mostrar sinais mais positivos, se mantém elevada. A tendência é a de que os efeitos sejam intensificados em 2024. E pode acontecer um agravamento da incerteza geopolítica resultante do escalar dos atuais focos de tensão. Dito isto, acredito que os desafios são normalmente acompanhados por oportunidades. O mundo está de olhos postos na sustentabilidade, com um foco especial na utilização mais racional dos recursos naturais. Por outro lado, o impacto dos custos acrescidos vai levar necessariamente a um novo foco no aumento da produtividade. 2024 será também de reforço da transformação digital e captação dos benefícios da inteligência artificial. Apesar das incertezas, será um ano decisivo, marcado por oportunidades e desafios que vão contribuir para um mundo melhor. BEATRIZ RUBIO CEO, REMAX PORTUGAL Apesar das incertezas provocadas pela instabilidade internacional, as perspetivas para o mercado imobiliário em 2024 são positivas, com a concretização das previsões de descida das taxas de juro, a descida da inflação e a consequente subida do poder de compra dos portugueses. Por outro lado, um ligeiro arrefecimento da procura e um maior dinamismo da oferta potenciam uma estabilização natural dos preços, inclusivamente com descidas dos preços por m2 num número cada vez maior de concelhos. Várias incertezas marcarão os primeiros meses, que se dissiparão ao longo do ano, sendo expectável que a confiança dos investidores seja elevada a partir do 2.° ou 3.° trimestres do ano. Certo é que a evolução do mercado não será a mesma em todas as regiões do país. 2024 será garantidamente um ano de grandes desafios e de várias incertezas, nacionais e internacionais, mas também de muitas oportunidades a que não devemos estar alheios. Se levarmos em conta um conjunto de indicadores, temos de estar confiantes numa evolução positiva em 2024, mais significativa na segunda metade do ano. ANA FIGUEIREDO PRESIDENTE EXECUTIVA, ALTICE PORTUGAL O cenário geopolítico e económico leva-me a olhar para 2024 com prudência. As previsões apontam para uma descida da inflação e um abrandamento da economia. O atual cenário de instabilidade política nacional em nada contribuirá para melhorar os serviços do Estado, nem para a necessária redução dos encargos sobre as empresas. Resta aos agentes económicos continuarem a aguardar um contexto político estável, que confira segurança ao mercado e potencie o investimento, foco nas suas prioridades, aumentar a residência e superar cada barreira com que se deparem. Na Altice Portugal, apesar do contexto desafiante no setor das comunicações eletrónicas, continuaremos empenhados a inovar e a melhorar o serviço que prestamos, bem como através das suas infraestruturas 5G e fibra ótica, que cobrem respetivamente 95% e 85% da população, contribuindo para que Portugal garanta no mapa mundial da inovação o reconhecimento e o posicionamento que lhe têm sido atribuídos e que lidere na transição digital. Página 16
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 8 PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2024 MIGUEL FARINHA PRESIDENTE, EY PORTUGAL Não há como contornar a questão. A instabilidade política vai marcar a agenda nacional em 2024. Apesar de Portugal ter sido capaz de atrair um número recorde de investimento direto estrangeiro (IDE) num ambiente mundial geopoliticamente adverso - subindo duas posições no ranking europeu como destino de IDE (6.a posição), de acordo com o EY European Attractiveness Survey 2023 -, para 2024, o cenário é incerto. A instabilidade política tem consequências na vida das pessoas, na estabilidade social do país e na economia. Nas empresas, esta falta de previsibilidade faz adiar decisões de investimento, retardando o crescimento económico. E do exterior não virão ventos melhores, com riscos internacionais como a guerra e a instabilidade geopolítica a definirem o contexto. ARMANDO OLIVEIRA ADMINISTRADOR-DELEGADO, REPSOL PORTUGUESA 2024 será mais um ano desafiante em termos de transição energética e condicionado pelo contexto geopolítico, que terá impacto direto na volatilidade dos preços da energia. Será necessária uma liderança dinamizadora e que privilegie a equidade tecnológica para que as empresas do setor energético possam investir na transformação e no emprego e, assim, assegurarem a independência energética dos países. As práticas ESG continuarão a fazer parte das estratégias das organizações e a desafiar o setor energético a investir em soluções inovadoras que reduzam a pegada de carbono. Na Repsol, continuaremos a trabalhar para alcançar o objetivo de zero emissões líquidas até 2050 e garantir acessibilidade, segurança e justiça energética para todos, não deixando ninguém para trás. MARGARIDA ALMEIDA FUNDADORA E CEO, AMAZING EVOLUTION O ano de 2023 foi um dos melhores anos turísticos de sempre a nível nacional e mundial, superando todas as expectativas, e os dados de que dispomos apontam para que 2024 seja mais um ano de crescimento para o setor do turismo. A performance da atividade hoteleira contrariou a performance económica do país. Uma tendência que, com base nos dados disponíveis, se manterá no próximo ano. Para tal contribuíram, em particular, produtos de valor acrescentado e novas rotas, nomeadamente para destinos como Algarve, Porto e Açores, que nos ligam a mercados emissores tão importantes quanto Estados Unidos, Brasil e Canadá. Um crescimento baseado no aumento de preço médio e não na ocupação. O que permitirá um desenvolvimento mais sustentado, apoiado na qualidade dos produtos, a qual o serviço e a qualidade deste terão de acompanhar. É o maior desafio que esta indústria enfrenta. SANDRO MENDONÇA ECONOMISTA, ISCTE Portugal estará pressionado para manter um rumo consistente. Só o compromisso com objetivos duradouros permitirá tirar partido de investimentos, mesmo naquela que é a "era da volatilidade". Haja discernimento sobre o interesse nacional: 1) não deve ser por uma crise conjuntural que se abandonará a construção de um polo de crescimento e cumulatividade estratégica como Sines; 2) não pode ser por conveniências táticas de um ocidente instável que se voltam as costas a geografias emergentes com as quais Portugal tem relações históricas robustas e únicas; 3) não será pela fantasia que se criou em torno de uma economia de serviços que o país se poderá permitir esquecer as necessárias competências industriais que a vida, que ainda é material, se tem lembrado de impor como indispensáveis. Certo: só a flexibilidade permite contornar os riscos. Mas flexibilidade sem bússola é apenas estar à mercê de ventos, ventanias e mesmo de tempestades. JOÃO CRISPIM PRESIDENTE, COOPÉRNICO No setor da energia, 2024 pode ser um ano de mudança. É necessário que haja mais produção renovável descentralizada, mais comunidades de energia onde os cidadãos tenham poder de decisão. Para que aconteçam transformações com verdadeiro impacto, é necessário que haja em primeiro lugar vontade política. ANTÓNIO PORTELA CEO, BIAL Paz, estabilidade e crescimento para Portugal, mas também para o contexto internacional. Portugal vai entrar num novo ciclo político e, seja qual for o resultado das eleições, necessitamos de estabilidade governativa, para que seja Portugal. Só com estabilidade interna será possível concretizar medidas que promovam a compepossível concretizar as medidas es- titi vidade do tecido empresarial truturais necessárias para termos português num mercado global de um crescimento económico capaz extrema exigência. E que cada um de responder às necessidades vi- de nós se lembre que o seu contritais das pessoas. Acresce que o ce- buto é decisivo para termos um nário internacional complexo que Portugal melhor amanhã. Todos vivemos tem sempre impacto em contamos! FRANCISCO CALHEIROS PRESIDENTE, CTP - CONFEDERAÇÃO DO TURISMO DE PORTUGAL Antevejo que 2024 continuará a ser um ano de grandes incertezas, seja interna ou externamente. Em Portugal, antecipo um cenário de instabilidade política, que terá consequências negativas na economia e atrasos em investimentos estratégicos para o país, como por exemplo o novo aeroporto e o futuro da TAP. A nível internacional, prevê-se a continuação da instabilidade geopolítica, nomeadamente a continuação das duas guerras atuais que em muito afetam a economia nacional e internacional. Era importante que a inflação, os juros e os preços da energia e dos combustíveis continuassem a descer para não afetarem negativamente as empresas portuguesas. É preciso "estabilidade governativa" para "concretizar as medidas estruturais necessárias", diz António Portela. JOÃO GUNTHER AMARAL PRESIDENTE DO CONSELHO COORDENADOR DO PRO MOV. CDO, SONAE Em 2024 deverá acentuar-se a pressão no mercado de trabalho, com o abrandamento da economia a poder ter impacto ao nível do emprego. Esta situação, a par do crescimento de novas áreas de negócio, vai acelerar a necessidade de requalificação dos portugueses, de forma a adequar a oferta com a procura de profissionais. O programa Página 17
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 9 PRO_MOV, que visa formar as pessoas para os empregos de futuro, ganha assim ainda mais relevância, podendo acelerar e chegar a um número crescente de profissionais, contribuindo para o seu desenvolvimento pessoal e profissional, mas também de empresas, que têm no programa um parceiro para a formação e criação de talento. JOÃO MARQUES CEO, OSCAR Em 2024, o Oscar está a preparar-se para um crescimento exponencial. Planeamos expandir a equipa, aumentar as vendas em cinco vezes e adaptar-nos agilmente às alterações políticas em curso. Além disso, vamos acelerar a nossa expansão internacional, com a entrada em novos países. A aposta contínua no desenvolvimento tecnológico e na automatização de processos é fundamental para sustentar este ambicioso plano de crescimento. Estamos comprometidos em enfrentar os desafios, explorar novas oportunidades e consolidar a nossa posição como líderes no setor. HELENA PAIN HAS CEO, PAI NHÃS Por um lado, observo indícios de crescimento económico contando com o auxílio financeiro da União Europeia, a diversificação das exportações e o aumento do consumo interno. Além disso, no setor da energia, a situação mundial exige uma resposta rápida e eficaz para garantir a segurança do fornecimento e a competitividade dos preços. A transição para as energias renováveis e a descarbonização da economia são, assim, urgentes para cumprir os compromissos ambientais e reduzir a dependência externa. Para tal, há que agilizar os processos e concretizar os investimentos previstos. Por outro lado, reconheço os desafios significativos que ainda enfrentamos, incluindo a alta dívida pública, a dependência do turismo, a concorrência global, a transição digital e uma possível instabilidade política e social. Apesar dos desafios atuais, mantenho uma visão otimista para 2024, especialmente ao considerar os esforços crescentes feitos na inovação e qualificação dos nossos recursos. A CEO da Nestlé Portugal espera que o novo Governo reduza a carga fiscal sobre famílias e empresas. PEDRO CID CEO, AUCHAN RETAIL PORTUGAL Acredito que 2024 será repleto de desafios, mas também de oportunidades promissoras. Acredito num crescimento da economia que, apesar de poder ser moderado, é uma necessidade urgente. No nosso setor, em particular no caso da Auchan, será um ano de grande transformação e evolução. Desafios que encaro com otimismo. É necessário continuar a apostar na otimização de processos, na adoção de tecnologias avançadas e na sustentabilidade. A digitalização continua a ser uma aliada crucial, aprimorando a eficiência e permitindo atender às crescentes expectativas dos clientes. Ao investir em soluções sustentáveis, ambientais e sociais, continuaremos a responder às necessidades inadiáveis das pessoas e do planeta. Acredito, sobretudo, que o sucesso da concretização de tudo isto continuará a residir na capacidade de adaptação e na força das equipas, que são a espinha dorsal da Auchan. VASCO PEDRO CEO, UNBABEL Uma estabilização da economia e um regresso ao crescimento. ABEL SEQUEIRA FERREIRA DIRETOR-EXECUTIVO, AEM 2024 será marcado por inquietações relativas à guerra e geoestratégia, com a atenção dos líderes muito dominada pela inflação e pelos temas das alterações climáticas, sustentabilidade e ESG, que vão continuar a ganhar importância na estratégia das empresas. A braços com os excessos e custos regulatórios europeus, as empresas poderão ver a sua atividade afetada pelo intensificar da instabilidade política. Para 2024 (e o próximo Governo!), insisto em doze reformas por iniciar/realizar: redução do sobrepeso do Estado na economia; estímulos à capitalização das empresas; promoção da poupança; desenvolvimento do mercado de capitais; fiscalidade mais atrativa para as empresas; incentivos ao investimento estrangeiro; eficiência e celeridade do sistema judicial; reforma da Segurança Social; adaptação do sistema de educação; avaliação das políticas públicas; simplificação regulatória; e redução da burocracia. CARLOS FREIRE CEO, AON PORTUGAL Tendo a Aon lançado o seu Global Risk Management Survey agora, respondido por empresas em 61 países e abrangendo 16 indústrias, sabemos que a volatilidade e incerteza vai marcar também o ano de 2024. As alterações climáticas, a geopolítica e a transformação digital (processo em continuidade) trarão muitos desafios às empresas. O foco principal terá de ser no crescimento, na competitividade da nossa economia e das empresas. GUILHERME D'OLIVEIRA MARTINS ADMINISTRADOR EXECUTIVO, FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN Numa conjuntura de incerteza, torna-se prioritário encontrar consensos duráveis no tocante à melhoria da qualidade dos serviços públicos, em especial nas áreas da saúde, Segurança Social, educação e formação profissional. Portugal tem de criar condições favoráveis ao investimento estrangeiro, garantindo simplificação do sistema fiscal e condições de previsibilidade no médio prazo. CEO, NESTLÉ PORTUGAL Espero que a inflação das matérias-primas e da energia abrande, mas continuaremos ainda a ver uma inflação ligada à mão de obra, que naturalmente tem um desfasamento. Com o novo Governo espero que tenhamos uma redução da carga fiscal, seja sobre as pessoas, seja sobre as empresas, o que nos permitiria uma maior competitividade económica, um maior poder de compra e a retenção de talentos portugueses no país. O fator principal será ter um Governo que possa trazer estabilidade para Portugal. Desde 2019 que dizemos que o ano seguinte será mais fácil - e espero que em 2024 seja finalmente verdade! ANNA LENZ Página 18
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 10 PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2024 MARIA ANTÓNIA SALDANHA "COUNTRY MANAGER", MASTERCARD PORTUGAL Embora na economia global o sentimento seja o de que, em 2024, estamos a caminhar para a "normalidade", comparativamente com os três anos anteriores e com os níveis pré-pandemia, a economia continuará a procurar um equilíbrio entre taxas de juro, salários e preços elevados. Este contexto macroeconómico coloca em evidência uma evolução do consumo, com inflação moderada, e crescimento económico estável, apesar das diferentes dinâmicas regionais. Antevemos que as prioridades de gastos dos consumidores se vão basear em necessidades e desejos concretos e não em impulsos, que o emprego vai determinar as opções de gastos dos consumidores, com uma inflação decrescente e recalibração do banco central. Na nossa área de atividade, antecipamos que o e-commerce regresse e supere a loja física. JOAQUIM CUNHA DIRETOR-EXECUTIVO, HEALTH CLUSTER PORTUGAL A nível global, as previsões não são animadoras, com uma Europa perto da recessão, guerras sem fim à vista na Ucrânia e no Médio Oriente, uma China a perder gás e uma eleição nos EU A que pode acabar em desastre. Por cá, umas eleições muito imprevisíveis, uma economia a marcar passo, um país acomodado à mediocridade. Apesar deste horizonte cinzento, acredito num 2024 de mudança, em que temas como as transições climática e digital vão ser estruturantes de um - desesperadamente necessário - sobressalto geracional que prepare o fim da bafienta ditadura geriátrica atual! BERNARDO FERNANDEZ FUNDADOR, BLING ENERGY O ano de 2024 irá moldar-se em torno de três pontos. Em primeiro, a instabilidade geopolítica internacional irá continuar a obrigar as economias a repensar as suas cadeias de valor, com a relocalização da produção para perto do consumidor a tornar-se num tema cada vez mais presente. Em segundo, a aceleração da transição energética será imprescindível, com soluções de pequena escala a ganharem relevo. Decisões como instalar painéis fotovoltaicos em casa ou mudar para um veículo elétrico terão um papel fundamental na descarbonização da sociedade. Em terceiro, a formação de um novo Governo, em Portugal, com uma visão política e um apoio à iniciativa privada será uma condição "sine qua non" para permitir uma resposta eficaz a estes desafios. MARIA DA GLÓRIA RIBEIRO "MANAGING PARTNER", AMROP PORTUGAL Num espírito de esperança natalícia e considerando o panorama nacional e global, ao invés de uma previsão, prefiro vislumbrar o melhor cenário possível com um exercício de otimismo fundamentado nas necessidades prementes do mundo. Assim: que o mundo testemunhe um retorno significativo na evolução da degradação climática; a resolução de conflitos, como a guerra na Ucrânia, através da diplomacia, é essencial para diminuir as tensões na região; outro foco essencial reside na busca pela paz no Médio Oriente, por uma solução que promova a convivência pacífica entre dois estados independentes; a necessidade de equilibrar o crescente poder e influência da China no ocidente é também incontornável, o que requer uma abordagem diplomática inteligente e colaborativa; no plano nacional, o país anseia por políticas que catalisem o crescimento e o desenvolvimento. O fortalecimento da economia é fundamental para gerar emprego, impulsionar a inovação e criar oportunidades para todos. Esta é a minha carta ao Pai Natal. JOÃO MASSANO PRESIDENTE, CONSELHO REGIONAL DE LISBOA DA ORDEM DOS ADVOGADOS Para 2024, em Portugal, há uma expectativa positiva de que o novo Governo possa pacificar a Justiça, terminando com as greves que afetaram o setor em 2023 e valori- "Infelizmente, o meu pessimismo relativamente à economia portuguesa mantém-se", lamenta Pedro Soares dos Santos. zando o papel dos diversos agentes do setor, nomeadamente, o papel da advocacia, por exemplo, através da atualização dos honorários pagos no âmbito do apoto judiciário. Esta esperança alia-se ao desejo de uma reforma substancial, que não só enfrente os desafios atuais mas também estabeleça as bases para uma Justiça mais justa e eficaz. A necessidade de fortalecer este setor é fundamental para sustentar a estabilidade social e política. Entendo que esta reforma é essencial para o fortalecimento da Democracia e do Estado de Direito, pois permitirá um combate efetivo à corrupção, essencial para atrair investimentos e fomentar o crescimento económico num período de incertezas geopolíticas e financeiras. JOÃO MIRANDA PRESIDENTE, TW04THREE INVESTMENTS O desgaste e erosão provocados pelas guerras na Ucrânia e Israel, o novo redesenhar dos blocos económicos com o alargamento dos BRIC e fortalecimento do Ásia-Pacífico, a ameaça persistente de recessão em vários países da Zona Euro e o fantasma da instabilidade dos mercados financeiros, a par da incerteza nas próximas eleições dos EUA, são algumas das variáveis que afetarão definitivamente a confiança em 2024, e irão condicionar a performance global... A nível nacional, voltaremos a baralhar e a dar novas (ou as mesmas) cartas... voltaremos aos diagnósticos, aos estudos, ao planeamento... quiçá às reversões, iniciando assim novo ciclo improdutivo do Estado. Espero, para bem de todos, estar redondamente enganado! JOÃO NUNO SERRA PRESIDENTE, ACEMEL Com os dados que se conhecem em dezembro de 2023 e no que diz respeito a área da energia, não se anteveem grandes alterações de preços de eletricidade e gás, para os consumidores finais. Em 2024, haverá, como se sabe, uma subida da componente das redes, passando de valores negativos (com impacto no défice tarifário) para valores já francamente positivos. Este agravamento de custos das redes para o consumidor final será compensado, de certa maneira, por um abaixamento da tarifa da componente de energia, resultando num preço a pagar pela energia elétrica, em 2024, pouco acima, ou mesmo em linha, com o preço pago durante o ano de 2023. Espera-se, por isso, que esta estabilização dos mercados de energia seja um excelente momento para a economia europeia e, em particular, a portuguesa crescerem mais aceleradamente. nacional, estabelecer objetivos concretos e focar os investimentos, sob pena de continuarmos frágeis e demasiado expostos às crises. Espero, sinceramente, que deis eleições de março do próximo ano possa sair uma solução de estabilidade política e com o ímpeto reformador necessário para colocar Portugal na rota do crescimento. PEDRO SOARES DOS SANTOS PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, JERÓNIMO MARTINS Infelizmente, o meu pessimismo relativamente à economia portuguesa mantém-se. Os problemas são estruturais e mesmo um Governo de maioria absoluta não alterou significativamente nada. Temos vindo a assistir ao agravamento da situação na Saúde, na Educação e na Justiça, que são áreas críticas das sociedades que se querem justas e capazes. Já disse, e repito, que a nossa economia não cresce verdadeiramente há demasiado tempo. É urgente definir um posicionamento estratégico para Portugal, perceber como queremos competir a nível interPágina 19
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 11 RUI ASSIS FUNDADOR, ASSIS BUSINESS PARTNERS À medida que nos aproximamos de 2024, o panorama económico global apresenta-se repleto de oportunidades e desafios. A inovação tecnológica, liderada por avanços em inteligência artificial e automação, continua a transformar setores tradicionais. As empresas que já integram ou prevejam a muito curto prazo integrar soluções de IA estão bem posicionadas para capitalizar esta tendência. Simultaneamente, a necessidade de equilibrar inovação tecnológica com responsabilidade social e ambiental será mais crítica do que nunca. As empresas devem estar preparadas para navegar num cenário regulatório em evolução no atual momento de instabilidade política e geopolítica. MARIA JOÃO COELHO "HEAD OF SUSTAINABILITY KNOWLEDGE", BCSD PORTUGAL Em 2024, a sustentabilidade será um dos tópicos no topo da agenda das empresas, por pressão regulamentar (novos requisitos de reporte, dever de diligência na cadeia de valor), por exigência para acesso a financiamento e por solicitação dos consumidores e clientes, em função das suas preferências e valores. A disponibilidade e a análise de dados tomarão, também, cada vez maior relevância para melhor informar a tomada de decisão nas organizações, de onde surgirão questões de cibersegurança, privacidade e ética que as empresas terão de atender. Finalmente, e numa perspetiva mais alargada, com a tendência de aumento do custo de vida, poderá vir a verificar-se um crescimento da taxa de risco de pobreza e de desigualdades, o que poderá ser promotor de conflitos e de uma instabilidade social crescente. PEDRO NORTON CEO, FINERGE Nos últimos anos tomámos consciência de que o aumento da penetração das renováveis nos nossos sistemas elétricos responde não apenas à necessidade de combater as alterações climáticas mas também à necessidade de conter o preço da eletricidade nos mercados grossistas e à necessidade de garantir a independência e segurança energéticas na Europa. A isto acresce que, por uma vez na sua história, Portugal tem a felicidade de ser rico em recursos. Neste caso, recurso eólico e recurso solar. Temos, pois, uma tremenda oportunidade para a nossa economia que é preciso aproveitar. É o que espero que continue a acontecer, ao longo do ano de 2024. JOÃO BACALHAU CEO, PAG AQUI O ano de 2024 espera-se que seja de crescimento económico tanto a nível do mercado português, como do mercado mundial. Os tão aguardados apoios do PRR, bem como dos fundos mundiais dados às A fundadora do Arte Institute diz que é preciso "preparar o futuro" face aos avanços da IA e às alterações climáticas. empresas após o período de covid-19 estima-se que tenha a sua aplicação, e que contribua positivamente para o crescimento do tecido empresarial. Contudo, a escalada de guerra que se vive pode ter impactos imensuráveis na economia mundial e condicionar o crescimento previsto. Uma nova guerra pode afetar os preços à escala global, resultando em inflação, taxas de juro altas, perda do poder de compra e empobrecimento das populações. JOÃO COSTA "COUNTRY MANAGER", EXPENSE REDUCTION ANALYSTS As projeções de crescimento do PIB português para 2024 são otimistas face às incertezas políticas e pressões inflacionárias que podem limitar a expansão económica. A gestão fiscal prudente e a melhoria do rácio de dívida/PlB sinalizam resiliência, mas o sucesso depende das políticas do próximo Governo. Fusões e aquisições incentivadas podem superar a fragmentação empresarial, enquanto a IA e políticas de imigração seletiva podem aliviar a escassez de mão de obra. A eficiência operacional e a gestão de custos tornar-se-ão vitais para o crescimento sustentável e a prosperidade de longo prazo. JOÃO RUI FERREIRA SECRETÁRIO-GERAL, APCOR O próximo ano será de grandes desafios. Esperamos que se possa assistir a uma recuperação dos índices de consumo e recuperação da procura na Europa e nos mercados fora da UE. Será um ano que vai obrigar a uma gestão cuidada de todos os indicadores da produção e colocar no terreno, quanto antes, uma nova ação de comunicação global. As crises conjunturais serão ultrapassadas, mas a grande ameaça global são as alterações climáticas, e para isso são necessárias mudanças profundas na lógica linear da economia, passando a apostar cada vez mais em matérias de base natural, renováveis e recicláveis. A cortiça, enquanto material, responde como poucos, a nível mundial, neste tipo de credenciais, sendo um paradigma de sustentabilidade. Vamos entrar em 2024 assumindo a responsabilidade da liderança mundial e com a ambição de fortalecer ainda mais a nossa posição. JOÃO MANSO NETO CEO, GREENVOLT Em 2023, o Grupo Greenvolt prosseguiu a estratégia de crescimento. A biomassa sustentável manteve um desempenho elevado, registámos um forte crescimento no "utility scale", alcançando as metas a que nos propusemos, e aumentámos de forma expressiva o número de países em que estamos presentes na geração distribuída. Olhamos, por isso, com otimismo para 2024. Temos o que necessitamos para alcançar resultados ainda mais positivos no "utility scale", seja com o desenvolvimento de projetos eólicos e solares, seja através da rotação dos ativos. E antecipamos um crescimento exponencial da geração distribuída através da plataforma pan-europeia que construímos e que nos permite oferecer soluções únicas para que as empresas acelerem na transição energética. João Manso Neto diz estar otimista em relação a este novo ano. ARTE INSTITUTE O início de 2024 será uma extensão da situação em que nos encontramos, com a continuação da guerra na Ucrânia; dos desafios que a Europa enfrenta com o aumento de apoio à extrema-direita e de personalidades que têm pouca consideração pela ordem internacional. Os mesmos desafios mantêm-se no conflito em Gaza e com impacto direto na coerência e estabilidade europeia. Na questão dos migrantes, a Europa continuará a sofrer a pressão nas suas fronteiras e dos Estados-membros, tanto internamente como de parceiros estrangeiros. Por seu lado, nos Estados Unidos, com as eleições presidenciais à porta, a Europa sofrerá um grande impacto no confronto entre Biden e Trump. A divisão social que tem sido clara nos últimos anos nos EUA vai voltar a acentuar-se e, cada vez mais, a bipolarização de posições alastra-se pelo mundo inteiro. É urgente a mudança de políticas sociais e agir já para preparar o futuro que virá com os avanços da inteligência artificial e as alterações climáticas. Página 20
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 12 PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2024 JOSÉ ARAMBURU DELGADO CEO, CEPSA PORTUGAL Perspetivamos que 2024 seja um ano marcado por um abrandamento da economia, apesar de haver uma perspetiva positiva para o consumo, já que temos sinais de um alívio nos juros e na inflação, depois de ter atingido o seu nível mais elevado em mais de 40 anos. Desejamos que 2024 seja um ano sem agravamento das tensões geopolíticas, e consequente impacto no preço das matérias-primas. Esperamos trabalhar com o novo Governo português para garantir que este apoie a indústria e crie um ambiente competitivo para a transição energética. Em 2024, a Cepsa continuará focada na concretização da sua estratégia Positive Motion, assente na nossa ambição de ser líder em mobilidade sustentável e energia em Portugal e Espanha, e ser uma referência global na transição energética. CARLOS JESUS VICE-PRESIDENTE DE "GLOBAL SERVICE DELIVERY" E "COUNTRY MANAGER", COLT TECHNOLOGY SERVICES Antecipo que 2024 seja um ano ainda com muitos fatores de instabilidade e incerteza. A instabilidade geopolítica poderá ter ainda novos episódios com impacto na economia global. Em Portugal, a incerteza sobre uma solução de estabilidade política é preocupante, desde logo pelo potencial atraso no processo de acesso aos fundos europeus, nomeadamente do PRR. Manter-se-á também a dificuldade em contratar recursos humanos qualificados. Tudo isto obrigará as empresas a manterem o foco na melhoria das suas estruturas de custo, a centrar-se na sustentabilidade e a investir em tecnologia como a inteligência artificial (IA) para gerar mais valor em áreas como o apoio e melhoria da experiência dos clientes, formação de pessoal, gestão de risco, marketing, entre muitas outras. TERESA GUEDES DIRETORA, ZOO SANTO INÁCIO Os indicadores macroeconómicos atuais apontam para uma redução do poder de compra per capita, levando à redução dos consumos extraordinários, como é o caso de uma visita a um parque temático, em que se enquadra o Zoo Santo Inácio. Uma família portuguesa de classe média-baixa sentirá mais dificuldades em suportar este género de programas tão importantes de caráter cultural e pedagógico. Desde a pandemia de covid-19, a atenção e dedicação a parques de natureza tem aumentado cada vez mais, proporcionando mais visitas ao zoo, quer a nível de visitantes portugueses ou internacionais. O papel de conservação de espécies que o Zoo Santo Inácio leva a cabo diariamente é essencial para o restauro da natureza, ação que foi decretada como fulcral e prioritária até 2030 pela Organização das Nações Unidas. CARLA MOURO PRESIDENTE EXECUTIVA, FUNDAÇÃO DA JUVENTUDE Espero que seja um 2024 de esperança e de progresso. É importante que o país veja a sua situação política esclarecida, depois de um processo eleitoral que espero muito participado. Espero que neste novo ano se possa pensar, discutir e encontrar soluções estratégicas para o nosso futuro coletivo, com particular incidência nos grandes temas da atualidade - como, por exemplo, a habitação, a valorização da qualificação profissional, o emprego digno e o empreendedorismo - que têm um impacto particular na vida dos jovens portugueses. JOAQUIM PEDRO LAMPREIA FISCALISTA E SÓCIO, VDA Em 2024, espera-se uma "aterragem suave" da economia americana e consequente melhoria da perspetiva europeia. Neste domínio, o mundo tem demonstrado resiliência face às várias emergências (quem ainda se lembra do SVB e do pânico causado?) e vai empurrando o grande problema climático. O mesmo deverá acontecer em 2024. A trajetória económica da China tornar-se- -á mais clara: irá retomar o ritmo de crescimento ou os problemas vão avolumar-se? A segunda hipótese parece mais provável. Politicamente, duas eleições marcarão o ano. A situação geopolítica ficará "congelada" até às presidenciais americanas, com poucos desenvolvimentos nas relações sino-americanas e guerras da Ucrânia e Médio Oriente. Internamente, muito dependerá das eleições de março, tanto quanto à estabilidade e ao rumo que será assumido. Aqui, não há grandes razões para otimismo. JORGE BATISTA DA SILVA BASTONÁRIO, ORDEM DOS NOTÁRIOS 2024 será de novo marcado por uma conjuntura internacional difícil e instável, cujo impacto poderá ser agravado pelo atual contexto político do país. Portugal deve melhorar a sua competitividade, investindo em serviços públicos inovadores, mais simples e menos burocráticos; serviços públicos amigos dos cidadãos e das empresas. O próximo Governo precisa de reforçar o impulso reformador, designadamente na área da Justiça. Não deverá perder-se em reformas faraónicas, mas antes investir na resolução das pequenas entropias do sistema, que têm vindo a agravar-se ao longo dos anos. Os notários vão continuar a investir na digitalização, na cooperação internacional e na prestação de novos serviços. Tudo isto sem abdicar da sua rede nacional de serviços de proximidade. Uma rede em quem os cidadãos confiam e que pode suprir e resolver as dificuldades de atendimento de outras redes públicas e acabar com muitas filas. JORGE TOMAS HENRIQUES PRESIDENTE, FIPA O cenário político em 2024 é ainda pouco previsível, seja por via das eleições nacionais seja no quadro das eleições europeias. Esperamos que possa ser gerado um contexto de oportunidades para que a produção e os circuitos alimentares passem efetivamente para o nível das ações políticas. No âmbito nacional, será fundamental consolidar uma tutela com competências de liderança das políticas agroalimentares e com foco na produção agrícola e na transformação alimentar. No caso particular da indústria alimentar e das bebidas, é necessário um verdadeiro compromisso com políticas que venham MIGUEL ALMEIDA CEO, NOS 2024 deverá continuar a ser um ano muito desafiante para as organizações e para o país. Com os riscos inflacionistas ainda não completamente debelados, manter-se-ão os custos de financiamentos a um nível relativamendos, nomeadamente na Ucrânia e no Médio Oriente, que motivam graus de preocupação e de incerteza quer no plano geopolítico quer no económico. Para a Nos, 2024 deverá ser um ano de consolidação da sua liderança no 5G, com a massificação do 5G Stand Alone, que abre às empresas novas oportunidades de ganhos de competitividade e eficiência. te elevado, induzindo desta forma uma dificuldade acrescida nos investimentos para as empresas e de maior controlo de orçamento por parte das famílias. Acresce ao contexto a previsível continuação dos conflitos armaPágina 21
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 13 alavancar a competitividade, nomeadamente a harmonização fiscal, o apoio às exportações, os incentivos à transição digital e para a economia circular, o reconhecimento da autorregulação e o equilíbrio na cadeia de valor. ELSA VELOSO CEO, DPO CONSULTING Os Direitos dos Jovens e das Crianças e a proteção dos seus dados pessoais irão, certamente, merecer atenção reforçada no próximo ano face aos enormes desafios colocados pela exponencial utilização da inteligência artificial. O RGPD foi concebido de modo a proteger as vulnerabilidades especiais dos jovens e das crianças, porém, a IA é um "game changer". Unindo vontades construiremos um mundo digital onde os jovens preservam os seus direitos fundamentais, construiremos um padrão global para a regulação da tecnologia em relação à privacidade, segurança e autonomia das crianças no mundo digital. Temos a obrigação de incrementar a defesa dos direitos existentes das crianças, ao mesmo tempo que continuamos a defender a proteção de dados na era da IA. ANTÓNIO COMPRIDO SECRETÁRIO-GERAL, APETRO 2024 deverá ser um ano de grande instabilidade e imprevisibilidade. Além das guerras na Ucrânia e Médio Oriente, haverá vários processos eleitorais que podem alterar o atual xadrez político, casos dos EUA, UE e Portugal. O processo de alargamento da UE, com a consequente realocação de fundos, é outro fator a ter em conta. A descarbonização da economia e as transições energética e digital, bem como a crescente utilização da IA em vários setores de atividade, acrescentarão problemas para os quais poderemos não ter respostas imediatas. Perante isto, só uma liderança política forte, com objetivos mobilizadores da sociedade, empresas e cidadãos, poderá mitigar estes problemas e fazer com que 2024 seja um para recordar por bons motivos. ARLINDO COSTA LEITE PRESIDENTE, GRUPO VICAIMA O ano vindouro antecipa-se desafiante. A desaceleração da atividade económica, em muito motivada pelas elevadas taxas O país "tem resistido melhor do que seria espectável face às dificuldades que enfrenta", considera a CEO da Capgemini Portugal. de juros, é já uma realidade. Os conflitos e as tensões geopolíticas, já existentes, relutam em confluir para uma rápida solução. A menor capacidade de consumir e investir, aliada à incerteza, exige ao tecido empresarial um dinamismo sem precedentes ao estilo "never relax". As organizações terão de continuar a reinventar- -se ou, pelo menos, a adaptar-se à fugaz evolução da realidade. A indústria 4.0 veio para ficar, a IA dominará a simplificação de processo e potenciará, até certo ponto, a produtividade. Uma estratégia ESG será adotada pelas organizações que entendam a sustentabilidade como uma vantagem competitiva. JOÃO TORRES PRESIDENTE, ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ENERGIA No setor energético, depois dos sustos de anos anteriores, não se esperam surpresas em 2024. A Europa tem vindo a implementar estratégias para conseguir segurança no abastecimento e estabilidade nos preços de mercado. O novo desenho de mercado elétrico, maior cautela nas garantias de armazenamento e diversificação de fontes de abastecimento vão nesse sentido. Em Portugal, a aposta nas energias de fonte renovável, em particular solar, vai ter aceleração. É esperada clarificação para o apoio ao investimento requerido nas redes elétricas de transporte e distribuição a par da estratégia do armazenamento. Também o reconhecimento do maior contributo dos biocombustíveis e a estratégia para o biometano vão abrir caminho nas rotas para a descarbonização. VÍTOR RODRIGUES CEO, MAGIC BEANS Antecipo um ano pior que 2023, ao nível de clima económico. O típico imobilismo gerado pela situação política e as eleições em março vão condicionar o investimento das empresas, diminuindo o dinamismo da economia. A inflação vai baixar por efeito da diminuição da atividade económica e espero que comecemos a ver alguns sinais de melhoria em finais de 2024, antecipando um melhor 2025. LEONARDO MATHIAS PRESIDENTE, SDR-PORTUGAL Precisamos que 2024 seja um ano de definição e de realização, com a estabilidade necessária para que o país possa retomar e seguir o seu caminho rumo ao desenvolvimento que merece e precisa. No setor dos resíduos, em específico no das embalagens de bebidas de uso único, 2024 marcará o início do processo de implementação do sistema de depósito e reembolso, fundamental para que Portugal possa concretizar as metas europeias a que está obrigado. Não obstante o momento de definição política que marcará o primeiro semestre do ano, o caminho deve continuar rumo ao que todos ambicionamos: um melhor ambiente e um planeta mais sustentável para todos e, também, empresas e uma economia mais competitivas. LUIS MIGUEL RIBEIRO PRESIDENTE, AEP - ASSOCIAÇÃO EMPRESARIAL DE PORTUGAL 0 horizonte que marcará o ano de 2024 continuará envolvido de uma enorme incerteza e imprevisibilidade, colocando muitos desafios. Num contexto de abrandamento da economia mundial, em particular dos principais parceiros comerciais de Portugal, com impacto na procura externa dirigida às empresas portuguesas, é muito importante que a nível nacional possamos contar com um quadro de estabilidade política, potenciador da implementação de medidas que permitam melhorar os nossos níveis de produtividade e de competitividade. As políticas públicas devem relevar o importante papel das empresas privadas, isto é, dos verdadeiros criadores de riqueza e de emprego. sistido melhor do que seria espectável face às dificuldades que enfrenta, o que só é possível no quadro da UE. A descida da inflação e das taxas de juros - um caso de quase vida ou de morte no domínio do crédito à habitação - são um bom augúrio para o nosso futuro próximo. Numa outra crise, há cerca de vinte anos, o Prémio Nobel Gary Becker afirmou em Lisboa que a "economia é sobretudo uma questão de bom senso". Não será tanto assim. Mas oxalá que em 2024 esse bom senso impere. CRISTINA RODRIGUES CEO, CAPGEMINI PORTUGAL Ainda não refeitos da inesperada pandemia, novos acontecimentos trágicos se sucederam. É o caso da invasão da Ucrânia pela Rússia, que mergulhou a Europa numa guerra desestabilizadora e, mais tarde, do ato terrorista do Hamas em 7 de outubro deste ano, que deu lugar a uma guerra brutal que ameaça destruir o equilíbrio e o desenvolvimento no Médio Oriente. Somam-se a isto as incertas alterações climatéricas e os desacordos dos países para encontrar soluções para travar a degradação do meio ambiente. E quanto a Portugal? Que Governo e que políticas sociais e económicas iremos ter? Quaisquer previsões, neste momento, parecem-nos um bocado arriscadas. Importa dizer que Portugal, não obstante ser uma economia pequena e aberta, tem rePágina 22
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 14 PAULA GOMES FREIRE MANAGING PARTNER, VDA É expectável que 2024 seja marcado por níveis de crescimento mais conseguidos do que 2023.0 incremento do rendimento disponível das famílias, como resultado direto da contenção da inflação, favorecerá o crescimento do consumo e, nessa medida, poderá ser indutor de crescimento. É expectável que as taxas de juro se mantenham dentro dos níveis atuais e que, como tal, seja retomada alguma previsibilidade em matéria de recurso ao crédito. No entanto, os riscos do prolongamento da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia e do conflito no Médio Oriente continuarão a colocar pressão sobres os custos da energia e poderão pressionar os preços. Em Portugal, o cenário de instabilidade política marca o. horizonte, devendo todo o primeiro trimestre ser marcado por campanha eleitoral. A emergência climática, a transição energética e os desafios colocados pela emergência da inteligência artificial generativa exigirão que 2024 seja um ano de ação. ROGÉRIO CARAPUÇA PRESIDENTE, APDC Em 2024, como sempre, apesar dos contextos adversos, temos de nos focar no que depende de nós! Aumentar o desempenho da economia, garantindo estabilidade política e melhoria do ambiente de negócios. Promover uma atitude positiva na opinião pública relativamente às empresas e aos seus resultados. Apostar no desenvolvimento de produtos e serviços de alto valor acrescentado, como única forma de conseguir pagar melhores salários. Requalificar profissionais com ações específicas de "upskilling" em setores-chave. Executar de forma exemplar o PRR e continuar a redução da dívida externa com respeito pelos limites do défice orçamental. Garantir mais eficiência nos serviços públicos, com mais e melhor gestão, tirando partido da transformação digital, eliminando burocracia desnecessária e acelerando os processos mais críticos. ANA CALHÔA SECRETÁRIA-GERAL, ABA - ASSOCIAÇÃO DE BIOENERGIA AVANÇADA O último ano foi marcado pelo crescimento no setor da bioenergia avançada e é com perspetivas positivas que antevemos o ano de 2024. Há uma preocupação crescente por parte dos representantes do setor, assim como de legisladores PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2024 NUNO CUNHA RODRIGUES RICARDO COSTA CEO, GRUPO BERNARDO DACOSTA. PRESIDENTE, AEMINHO O ano de 2024 impõe desafios significativos às empresas portuguesas, não apenas devido às situações de conflito armado e mudanças geopolíticas que enfrentamos a nível mundial, mas também devido à instabilidade política em Portugal. Por outro lado, a rápida ascensão da inteligência artificial (IA), reconfigura todo o contexto empresarial de forma nunca vista. A integração eficaz da IA nas estratégias empresariais torna-se imperativa para manter a competitividade, inovação e evolução. Enquanto comunidade empresarial, reafirmamos o nosso compromisso em enfrentar os desafios de forma proativa, procurando não só regenerar, mas também redefinir o nosso importante papel no contexto global. Neste panorama, em constante alteração política e social, as empresas destacam-se como pilares de estabilidade, tornando-se simultaneamente o principal desafio a superar e a força necessária para o crescimento que se espera do nosso país. Que a postura do Estado não seja de atirar pedras, mas de construir caminho. DAVID BRITO "COUNTRY MANAGER", EBURY PORTUGAL Afiguram-se diversos desafios para 2024, nomeadamente a instabilidade geopolítica com os conflitos Ucrânia/Rússia e Israel/Palestina, além de eleições nos EU A, que terão decerto grande importância no desenvolvimento do xadrez geopolítico. As taxas de juro elevadas na generalidade das economias vão também desempenhar um papel central no desenvolvimento económico de 2024 pelo efeito que induzem no consumo e investimento das famílias e empresas. Por outro lado, o facto de se verificar que a inflação está a começar a ser controlada com sucesso nos dois lados do oceano dá alguma confiança de termos um próximo ano com o BCE e a Reserva Federal Americana a iniciarem um movimento de baixa de taxas de juro. ALICE CUNHA PROFESSORA, NOVA FCSH. INVESTIGADORA, IPRI No que diz respeito à União Europeia e à participação de Portugal na mesma, antecipa- -se um ano de contínuos desafios, que incluem: o apoio aos esforços de defesa na Ucrânia; o reforço de 66 mil milhões de euros para o Quadro Financeiro Plurianual; o fim das negociações e a adoção do Novo Pacto em matéria de Migração e Asilo; a implementação do Pacto Ecológico Europeu; o desenvolvimento da União Europeia da Saúde; e a efetivação, mesmo que tímida mas progressiva, do Pilar Europeu dos Direitos Sociais; tudo num contexto mais alargado das eleições para o Parlamento Europeu conduzindo a um novo ciclo institucional, com a entrada em funções de uma nova Comissão Europeia, e da eleição de um novo Governo português, certamente alinhado com os princípios da UE e com uma participação construtiva. JOSÉ EDUARDO CARVALHO PRESIDENTE, AIP As ameaças à economia portuguesa advêm mais de fatores externos do que internos: contração dos principais mercados de destino das nossas exportações; aumento das taxas de juro; evolução do preço da energia; e as consequências dos conflitos no Leste e Médio Oriente. Todavia, a provável futura solução governativa com um suporte parlaA futura solução governativa e a "forte pressão sobre a despesa pública" geram "elevada preocupação" ao presidente da AIP. mentar instável e aforte pressão sobre a despesa pública também constituem fatores de elevada preocupação. Contudo, os desafios mais prementes para as empresas baseiam- -se na capacidade de atrair e reter trabalhadores qualificados; na forte pressão sobre o aumento de salários e a sua correlação com a produtividade; atração de investimento estrangeiro aproveitando a deslocalização das cadeias de distribuição; o conflito entre crescimento/política ambiental; e a saturação fiscal. JOSÉ MARIA REGO CEO, RAIZE O ano de 2024 vai ser um ano de reorganização e relançamento. Um ano para empresas e famílias reorganizarem os seus recursos e avançarem gradualmente para novos investimentos e projetos. O sucessivo abrandamento da inflação nos EUA e na Europa terá um efeito positivo na economia, permitindo que muitos agentes económicos recuperem a sua capacidade de financiamento por via de uma redução dos juros (ainda que limitada). De fora ficarão agentes económicos que já se encontram hoje em dificuldades, o que poderá trazer novos desafios sociais. As eleições nos EUA, e a possível reeleição de Trump, representam um dos maiores riscos para a economia global, podendo colocar em risco vários equilíbrios geopolíticos construídos nos últimos anos. PRESIDENTE, AUTORIDADE DA CONCORRÊNCIA A inteligência artificial (IA) está a ser integrada em vários setores da economia e estará cada vez mais presente no nosso dia a dia. A concorrência, enquanto promotor da inovação, é crucial para concretizar as oportunidades criadas pela IA. Tendo presente este contexto, em 2024, o acompanhamento das tendências e evolução na área digital constituirá uma das prioridades da AdC, com vista a mapear soluções adequadas aos desafios que da neste domínio, o reforço da cooperação internacional, nomeadamente no que concerne à implementação de legislação europeia como o Regulamento dos Mercados Digitais (DMA), constituirá uma outra prioridade da AdC. Página 23
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 15 e até da sociedade civil, na transição energética do nosso país para energias de baixo carbono. As metas europeias rumo à descarbonização "estão à porta" e são mais um incentivo para, em conjunto, desenvolvermos diferentes respostas nesta missão, valorizando o "mix" energético como o caminho mais sustentável, acessível e eficaz para que Portugal não só tenha uma energia mais verde como, também, maior autonomia e independência energética. VASCO ANTUNES PEREIRA CEO, GRUPO LUSÍADAS SAÚDE As guerras e as tensões geopolíticas, a instabilidade política em Portugal, a evolução económica e financeira das diversas economias mundiais são realidades que irão impactar a chegada de 2024. Será um ano que irá exigir, quer às empresas quer aos países, uma atenção redobrada para o impacto da expectável desaceleração económica no tecido empresarial, no emprego, nos rendimentos disponíveis das famílias, na confiança dos consumidores e, consequentemente, na competitividade do nosso país. Todavia, não podemos esquecer o potencial que Portugal tem para crescer e ser mais diferenciador e, por isso, é imperativo sermos capazes de aproveitar a oportunidade para escalar setores-chave da nossa economia, como o da saúde - tão essencial à geração de emprego e à entrada de inovação e Investigação & Desenvolvimento no país. RUI DIAS TEIXEIRA "COUNTRY MANAGER", MANPOWERGROUP PORTUGAL O início do ano é marcado por um abrandamento da atividade económica, em resultado de fatores como a incerteza política nacional e global, as elevadas taxas de juros e o cenário de estagnação económica em alguns dos principais países europeus para onde exportamos. Passada a incerteza do primeiro trimestre, esperamos que o acelerar na execução do PRR e o efeito das medidas de reforço do poder de compra, possam traduzir uma gradual recuperação da atividade económica ao longo do ano. Todo este cenário estará, no entanto, muito condicionado pela conjuntura internacional, nomeadamente a evolução nos conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza, e os potenciais impactos ao nível dos custos de energia, matérias-primas e cadeias globais de abastecimento, bem como pelo comportamento das principais economias na Zona Euro. VÍTOR DOMINGUES DOS SANTOS PRESIDENTE, METROPOLITANO DE LISBOA Um ano complexo de grandes incertezas pela instabilidade política europeia, mundial e local a que se junta uma incerteza económica numa Europa em guerra e uma crise de valores cristãos e democráticos em termos mundiais. Um ano certamente muito diferente de 2023 e potencialmente com grandes dilemas e difíceis escolhas. LUÍS FERNANDES "MANAGING PARTNER" E FUNDADOR, DECSKILL 2024 poderá encabeçar a era da democratização da inteligência artificial, com mais literacia dos seus benefícios (e ameaças) e o assumir total da sua inevitabilidade. Nas "Utilities", a transformação digital através da inovação e IA será fundamental para a competitividade das empresas e otimização da sua relação com os seus clientes, sociedade civil, e para apoiar o cumprimento das suas metas climáticas e dos quadros regulatórios. Mas neste novo paradigma, a IA continuará - e ainda bem - a não responder a um problema maior: a escassez de talento e o trabalho híbrido, em que as fronteiras se desvanecem entre tecnologia e pessoas. A liderança será o braço forte da retenção, integração e sentimento de pertença num contexto de transformação de dinâmica profissional. Que as mesas de matraquilhos e os lanches na copa sejam substituídos por uma efetiva, criativa e responsável liderança. MÁRIO JORGE BASTONÁRIO, ORDEM DOS DESPACHANTES OFICIAIS Um ano de consolidação da Ordem dos Despachantes Oficiais, como efeito da entrada em vigor dos novos estatutos, e a admissão O presidente do Metropolitano de Lisboa espera um 2024 "muito diferente de 2023 e potencialmente com grandes dilemas". de profissionais que atualmente exercem a mesma atividade e que se encontram "fora" da Ordem. Será um ano de muitos desafios no âmbito aduaneiro e o ensejo de uma maior perceção por parte da Autoridade Tributária e Aduaneira de que os Despachantes Oficiais são tão importantes na atividade aduaneira como as próprias Alfândegas. É essencial estabilidade política e governativa, de que o país tanto necessita. NUNO BREDA COFUNDADOR, IFTHENPAY Avizinha-se um ano marcado pela instabilidade política, com a carga fiscal sobre os contribuintes, particulares e empresa a ser o fator mais penalizador do desenvolvimento da nossa economia. O aumento generalizado dos impostos e das taxas para quase tudo é absolutamente asfixiante. A otimização da cadeia de distribuição direta, com a aposta no comércio online e entrega direta ao consumidor, pode contrariar cenários mais negativos, pela diminuição dos custos com intermediários. Esperam-se também alterações legislativas às medidas limitadoras do crescimento do turismo, como o levantamento das restrições ao alojamento local. Este setor é vital ao nosso crescimento económico e é discutível o impacto destas medidas no preço das habitações. JOSÉ DE PINA CEO, ALTRI Apesar de 2024 se antever um ano desafiante, em que a instabilidade geopolítica continua a ser um dos principais riscos globais, começamos a ver uma situação económica generalizada mais normalizada e abrandamento da inflação, o que beneficia o ambiente para as empresas. No caso do Grupo Altri, enquanto mantemos o foco na redução dos custos variáveis, bem como na melhoria de eficiência das operações, trabalharemos no sentido de otimizar a capacidade de produção de fibras celulósicas que já temos instalada, tirando partido da disponibilidade de energia térmica e elétrica da nova caldeira da Caima. Em simultâneo, será um ano marcado pela tomada de decisões importantes para o crescimento do Grupo Altri, nomeadamente a decisão final sobre o Projeto Gama, que prevê a construção de uma unidade industrial de raiz na Galiza, em Espanha. CEO, GRUPO SATA Em 2024, as economias globais mostram sinais de recuperação após a pandemia, com os mercados emergentes a mostrarem resiliência enquanto as economias desenvolvidas se debatem com perturbações na cadeia de abastecimento. A tecnologia continua a moldar as indústrias, otimizando as operações e promovendo a inovação. Os modelos de trabalho remoto persistem, alterando as práticas empresariais tradicionais. A sustentabilidade continua a ser um ponto fulcral em todos os setores, com iniciativas destinadas a reduzir a pegada ambiental a ganharem força. A transformação digital impulsiona a eficiência e a acessibilidade, remodelando as experiências dos consumidores. De um modo geral, as economias navegam nas incertezas com um enfoque na residência, integração tecnológica e práticas sustentáveis para sustentar o crescimento. Página 24
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 16 juro elevadas continuarão a pressionar o rendimento disponível das famílias, que terão de fazer escolhas inteligentes na gestão do seu orçamento familiar. Esta tarefa será dificultada caso se confirme o fim dos apoios em vigor, nomeadamente do IVA Zero em produtos essenciais. O ecossistema político resultante das próximas eleições, com eventual insistência em políticas económicas e públicas de cariz socialista, não propicia a criação de condições que suscitem o desenvolvimento e o crescimento económico por parte das empresas, das famílias e consequentemente do próprio país. MANUEL MAGALHÃES "MANAGING PARTNER", SÉRVULO & ASSOCIADOS Num quadro de instabilidade geopolítica e abrandamento económico, o ano de 2024 será desafiante para vários setores da economia e, por conseguinte, também para o mercado da advocacia. Para vencer estes desafios, as sociedades de advogados terão de reforçar a sua aposta na eficiência e na inovação, assegurar a coesão interna, promover o desenvolvimento do negócio e a capacidade de captar e reter talento. Em geral, temas como a multidisciplinaridade, a sustentabilidade, a responsabilidade social e familiar, saúde mental, e, seguramente, a inteligência artificial, irão continuar a marcar a agenda da advocacia no próximo ano. SARA PROENÇA DIRETORA EXECUTIVA, THE SQUARE A economia portuguesa continua a enfrentar desafios que apontam para uma possível desaceleração no próximo ano. Diante deste cenário, é crucial que os empreendedores e gestores em Portugal fortaleçam a sua resiliência e adotem uma postura ainda mais determinada. A ambição de concretizar ideias e alavancar o crescimento dos negócios tornam-se fundamentais para o desenvolvimento do tecido empresarial, que necessita de crescer muito mais do nas últimas décadas. Paralelamente, será benéfico reforçar o apoio às empresas e estimulá-las através de políticas direcionadas à inovação e à expansão para novos mercados. Para tal, parece-me necessário melhorar a produtividade e competitividade através de mais e melhor educação, qualificação e incentivos à retenção dos jovens. O meu desejo para os próximos anos é que se consiga começar a valorizar e a atribuir muito mais mérito a quem gera valor real ao país através da geração de emprego e oportunidades para o crescimento e de desenvolvimento de talento. Rui Miguel Nabeiro antevê um 2024 com "alguma estabilidade face a anos anteriores". DIOGO MARECOS ADMINISTRADOR, TRANSITEX O crescimento económico será menor em 2024, com a diminuição do consumo. Se a inflação e as taxas de juro terão atingido o seu pico, os preços poderão ser pressionados pelas novas taxas carbónicas que os armadores que utilizam portos europeus irão repercutir no transporte de cargas. Juntar- -se-á ainda o clima de incerteza política internacional, marcado pela regionalização em substituição da globalização. A economia portuguesa será afetada pelo cenário global e ainda pela eventual incerteza política se um novo Governo for minoritário. Portugal poderá beneficiar da transição energética e da deslocalização de fábricas da Ásia para locais próximos dos consumidores: custos reduzidos de produção de energia renovável, segurança e melhor formação dos trabalhadores portugueses. Portugal terá de desburocratizar processos e procedimentos de autorização e acelerar as decisões judiciais. CLAUDIA MATOS PINHEIRO PRESIDENTE, A. SILVA MATOS METALOMECÂNICA "Desafios" é a palavra de ordem para 2024. A economia necessita de estabilidade para promover o investimento. No entanto, a guerra em diversas partes do globo e bem às portas da Europa, a inflação ainda fora de controlo e as taxas de juro longe de valores aceitáveis tornam a rentabilidade dos investimentos um fator crítico na hora da decisão. A necessidade de investimento, de modo a fazer mexer o motor da economia, é imprescindível como meio para a estabilidade social, mas tal só será possível quando se conseguir transmitir aos agentes económicos tranquilidade. Assim, neste contexto de instabilidade e imprevisibilidade, perspetiva-se um 2024 com grandes desafios para superar, quer a nível nacional, quer globalmente. LUIS LEON FISCALISTA. COFUNDADOR, ILYA 2024 traz incerteza a nível doméstico e internacional. Em 2023, Portugal eliminou quatro regimes que muito contribuíram para o PIB: alojamento local, reabilitação urbana, RNH e "golden visa" imobiliário. O impacto deverá ser uma redução da construção, com impacto no emprego, e da visibilidade externa, com impacto na atração de investimento. As eleições podem trazer um Parlamento incapaz de formar um Governo. A nível doméstico temos ingredientes suficientes para trazer uma subida do PIB acima do previsto. Internacionalmente, temos duas guerras, eleições nos EU A e uma Europa que apenas discute mais impostos. Temos um contexto muito difícil. LUÍS RODRIGUES CEO, GRUPO MONTALVA As famílias vão continuar a enfrentar um cenário económico difícil em 2024. Apesar da maior estabilidade da inflação, as taxas de PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2024 RUI MIGUEL NABEIRO CEO, GRUPO NABEIRO-DELTA 2024 é uma incógnita grande, mas a expectativa será de alguma estabilidade, face a anos anteriores. Com a tendência de redução da taxa de inflação, espera-se também o início da redução nas taxas de juro. Ainda que passemos 2024 com taxas elevadas, espera- -se que seja um ano de transição para um futuro onde possamos voltar a ver crescimento económico e alívio das famílias. FAT IMA CARIOCA DEAN, AESE BUSINESS SCHOOL 2024 apresenta-se como uma prenda surpresa que se desembrulha: não se sabe o que trará, mas enche-nos de expectativa! Certo é o contexto de incerteza, a nível político e económico, a nível mundial e nacional. Certa é a inflação. Certas são também as decisões que as empresas tomarem em 2024 sobre temas determinantes para o futuro como a inteligência artificial, a sustentabilidade, os modelos de negócio emergentes, as exigências sociais ou as novas formas de trabalhar. Quanto se vão comprometer com soluções que integrem estes temas? Quanto irão investir? Certas são ainda as decisões pessoais a que cada um responderá sobre o que quero para a minha vida. E a minha família? Consoante as respostas, assim será o Novo Ano. Página 25
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 17 GONÇALO LOBO XAVIER DIRETOR-GERAL, APED Um ano particularmente imprevisível pela incerteza política, pelo risco de arrefecimento da atividade económica e pelas consequências sociais desta diminuição com efeitos na confiança do consumidor. Vai ser muito exigente e a resiliência das lideranças e colaboradores das empresas será fundamental para fazer também face às transformações decorrentes de um previsível tsunami legislativo (nacional e europeu) que impactará todas as empresas. Mas confio que estaremos mais uma vez preparados, embora os riscos sejam gigantescos. PEDRO RAPOSO "CHAIRMAN", PEDRO RAPOSO & ASSOCIADOS Em Portugal, tudo vai estar muito dependente da forma como correr o primeiro trimestre e, sobretudo, se vamos ou não conseguir ter uma solução que garanta previsibilidade e estabilidade governativa. É verdade que começam a ser vários os sinais de que as taxas de juro irão reduzir sobretudo no segundo semestre, a dúvida é a de saber se muitas das nossas empresas conseguirão lá chegar. Por outro lado, existem hoje, não sei se mais do que nunca, grandes desafios que os agentes económicos têm de ultrapassar, ganhando relevância na área dos serviços o tema da IA, que exige investimentos avultados de médio e longo prazo, por vezes difíceis de assumir em conjunturas de maior incerteza como a atual, mas que determinarão, seguramente, quais as empresas que irão resistir, não a esta mas à próxima crise. NUNO SÁ CARVALHO "MANAGING PARTNER", CUATRECASAS Antevemos um 2024 cheio de desafios para os vários setores da economia nacional e, por conseguinte, também para o mercado da advocacia. O cenário internacional também se mostra cheio de focos de instabilidade: além dos conflitos armados existentes, na Alemanha assistimos a um abrandamento da economia e nos EUA teremos as eleições presidenciais, num ambiente que continua a ser muito dividido. No entanto, contamos que Portugal continue a assistir à entrada de fundos europeus por via do PRR, o que deverá levar a um maior investimento público, e que se mantenha o interesse de fundos de investidores internacionais em Portugal, pelo menos, em setores como a energia, nomeadamente renováveis e no âmbito da descarbonização da economia, infraestruturas e turismo. A diretora-geral da McDonald's Portugal espera um ano "desafiante" no país e no mundo. DUARTE GOMES PEREIRA SECRETÁRIO-GERAL, ASFAC 2024 será um ano de desafios, iniciando pela instabilidade política, que desejavelmente tomará um rumo estável. Poderemos enfrentar um aumento do desemprego e dificuldades de cumprimento das responsabilidades financeiras, tanto por parte dos particulares como das empresas. Deveremos contar com esforços adicionais, com políticas económico-financeiras de estabilidade e com uma carga fiscal limitada, com a finalidade de atingirmos a desejável recuperação económica. Caso não se verifique esse alinhamento político e financeiro, corremos o risco de caminhar para um acentuar da degradação do tecido económico português e, consequentemente, da qualidade de vida da população. Faço votos de que o novo Governo se alinhe e esteja consciente das reais necessidades nacionais. OCTÁVIO VIANA PRESIDENTE, ATM A nível da UE, as perspetivas económicas são de um crescimento moderado, com um PIB previsto de 1,2 a 1,3% para 2024, impulsionado pela recuperação do turismo e da procura interna, mas limitado pela guerra na Ucrânia, pela inflação elevada que entretanto está a desacelerar e pelas subidas das taxas de juro. Em termos sociais, a principal preocupação é a inflação, que deverá continuar a aumentar em 2024, mas com tendência a desacelerar. A inflação está a reduzir o poder de compra das famílias e das empresas e concomitantemente a aumentar a desigualdade social. As perspetivas económicas e sociais para Portugal são semelhantes: inflação e desigualdade. Os principais riscos são a instabilidade geopolítica e a inflação que pode conduzir a uma crise financeira grave. Em resumo, devemos ter um crescimento moderado e com riscos significativos em 2024. NUNO BEIJOCA "CHAIRMAN" E "MANAGING PARTNER", L'AGENCE 2024 será dominado pela geopolítica. O apoio e financiamento internacional (UE e EUA) da Ucrânia no conflito com a Rússia, as tensões China-EUA (com Taiwan no centro da discórdia), o conflito Israelo-Palestiniano (e o eventual escalar do conflito às nações vizinhas), a contínua instabilidade na América do Sul (Venezuela, Colômbia e a recente incerteza da Argentina) e a crescente instabilidade dos rebeldes houthis do lémen (com os ataques aos navios de mercadorias que usam a rota do canal do Suez para as ligações entre a Europa e a Ásia) ditarão por certo a evolução da economia mundial. Em 2024, antevê-se a expansão, ainda que moderada, da atividade económica mundial com o aumento do investimento e da produção e, por outro lado, do consumo. Portugal deverá beneficiar desta conjuntura macroeconómica. No entanto, a variável potencialmente perigosa da instabilidade política, com as eleições, poderá alterar de forma negativa o contexto económico do país. JOSE THEOTONIO CEO, GRUPO PESTANA Encaro 2024 com confiança, mas também com prudência e resiliência. Que possamos retirar lições dos desafios superados no passado para enfrentar os desafios atuais, as guerras, conflitos, custos crescentes, e sejamos capazes de encontrar soluções que nos conduzam à paz e à coesão social. Que 2024 traga maior estabilidade e previsibilidade, essenciais para uma economia forte, verdadeiramente ao serviço das pessoas, e uma sociedade mais equitativa e inclusiva. Que o tecido empresarial português seja reconhecido e valorizado pelo seu papel fundamental para o desenvolvimento do país, seja através da criação de maior e melhor emprego ou do desenvolvimento regional e local. Que 2024 nos permita alcançar esses objetivos e que todos tenhamos oportunidades de nos desenvolver no campo pessoal e profissional. Também a falta de mão de obra qualificada e a pressão nos custos das matérias-primas continuarão a pressionar a rentabilidade das empresas. Apesar desDIRETORA-GERAL, MCDONALD'S PORTUGAL O ano de 2024 será desafiante pela instabilidade geopolítica sentida a nível mundial, bem como pela instabilidade política e económica que se vive no país. te contexto, as empresas têm de continuar focadas no crescimento do negócio, no investimento na transição digital e ambiental, bem como no desenvolvimento das competências das suas equipas, de forma a assegurar a sua competitividade a médio prazo. INÊS LIMA Página 26
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 18 PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2024 RUILOPES FERREIRA CEO, SUPER BOCK GROUP. PRESIDENTE, CERVEJEIROS DE PORTUGAL Antecipo que 2024 poderá ser um ano de estabilização e até de crescimento para a economia portuguesa, caso não ocorram choques externos fora do nosso controlo. Exigirá de qualquer forma muita resiliência, e planos B, C e até D para fazer face a imponderáveis típicos de um mundo em grande turbulência, volatilidade e imprevisibilidade. Sem prejuízo dos planos a médio prazo que devem orientar a estratégia quer empresarial quer pública, será a capacidade de atuar rápido em função dos acontecimentos que será decisiva. Ter capacidade para travar e acelerar em simultâneo, usando de cautela e prudência mas arriscando e investindo nos momentos certos. MANUEL MARIA CORREIA PRESIDENTE, DXCTECHNOLOGY Em 2024, as empresas deverão continuar a enfrentar uma pressão sobre as suas estruturas de custos, decorrente do aumentos dos salários, dos preços das matérias-primas e serviços, e das elevadas taxas de juro. Esta pressão deverá levar as empresas a reforçar a sua eficiência e a procurar novos modelos de negócio, aproveitando a digitalização para aumentar a produtividade, reforçar vendas e proporcionar uma experiência distintiva aos seus clientes. Esta aposta terá de ser acompanhada pelo investimento nos seus sistemas tecnológicos, na automação de processos com a inclusão de modelos de IA e na cibersegurança, contando com o apoio de empresas especializadas e com "track Record" mundial como a DXC Technology. ASSUNÇÃO LOUREIRO CEO, SEATHEFUTURE Globalmente, estamos à beira - ou já a viver - a 6.a extinção em massa e continuamos a acreditar que a biodiversidade, em particular no meio marinho, é inesgotável. Não é. O que é, na verdade, fulcral para o equilíbrio do Planeta e para o combate às alterações climáticas. Com 800 km de costa e dois arquipélagos, Portugal deve ter em 2024 especial preocupação em combater a iliteracia e a inércia azuis. Não podemos continuar como meros espetadores: temos de nos unir a governos, instituições e empresas para juntos resolvermos um problema de todos, em tempo útil. Por oposição ao "greenwashing", devíamos abraçar conjuntamente o "bluewatching", uma era de promoção e apoio autênticos, transparente e de impacto ao Oceano e à sua biodiversidade. MANUEL MOREIRA DA SILVA PRESIDENTE, ISCAP Ano novo, vida nova, ou assim se espera. De facto, em março, muito mudará em função dos resultados eleitorais, mas sem que se antecipe grande instabilidade. Externamente, 2024 será um ano fortemente condicionado pelo desenrolar da guerra na Ucrânia e em Israel, conflitos que vieram transformar o panorama internacional e reorientar decisões. Por cá, a execução do PRR poderá ter o incremento necessário e atingir as metas definidas, caso se agilizem as orientações atuais. O PRR será também uma preocupação para universidades e politécnicos. Apesar da incerteza sobre as políticas que se seguirão, o ensino superior só pode seguir um caminho: enfrentar desafios urgentes e evoluir, respondendo à transformação digital, aos problemas da sustentabilidade e à implementação de estratégias efetivas de combate à quebra demográfica. FERNANDO GUEDES OLIVEIRA CEO, SONAE SIERRA Continuaremos a navegar num cenário económico europeu marcado pela inflação e pela flutuação das taxas de juro, pelo que é expectável que a indústria, numa perspetiva global, e o mercado imobiliário, em particular, continuem a enfrentar desafios significativos. No entanto, é neste contexto que surgem excelentes oportunidades de negócio. A capacidade de adaptação rápida, a colaboração entre empresas, o foco na sustentabilidade, a inovação e a aceleração de novas tecnologias serão fundamentais para crescer e prosperar num ambiente de incerteza. MIGUEL MASCARENHAS CEO, FIXANDO 2023 foi um ano marcado pela entrada de novos prestadores de serviços no mercado terciário, resultado não só do impacto económico da inflação, que levou muitos portugueses a procurar novas formas de auferir rendimentos extra, mas também do reconhecimento das oportunidades que existem neste mercado. A título de exemplo, a Fixando, plataforma online de contratação de serviços, observou um crescimento superior a 30% no número de prestadores e empresas registadas, face ao ano anterior. Para 2024, acredito que, à semelhança dos anos anteriores, continuaremos a assistir à entrada de novos prestadores de serviços no mercado terciário, em múltiplas áreas de negócio, cada vez mais especializados e profissionalizados, com capacidade de corresponder às expectativas e exigências dos clientes. Em simultâneo, as empresas estão a investir cada vez mais em novos canais de comunicação e novos modelos transacionais, impulsionando a modernização do setor e abrindo espaço para novas oportunidades de negócio. MANUEL PINA DIRETOR-GERAL, OTOVO 2024 será um ano de eleições não só em Portugal e no Parlamento Europeu, mas "Neste contexto surgem excelentes oportunidades de negócio", defende o CEO da Sonae Sierra. também em importantes potências mundiais como Estados Unidos ou índia. Sete dos dez países que mais contribuem em emissões C02 vão a eleições em 2024 e por isso os resultados terão um impacto não só nos seus eleitores mas também no resto do mundo. O próximo ano será, por isso, decisivo no que diz respeito ao cumprimento das exigentes metas ambientais estabelecidas e no combate às alterações climáticas. MIGUEL COSTA SANTOS "COUNTRY MANAGER", CORUM PORTUGAL 2024 ficará marcado por um abrandamento da economia, reflexo das sucessivas subidas das taxas de juro. Ainda que o ciclo económico tenha sempre impacto na atividade de qualquer empresa, o contexto de juros elevados deverá ser positivo para a CORUM Investments, no sentido em que continuará a criar oportunidades de investimento no imobiliário comercial, permitindo-nos adquirir ativos de qualidade, com arrendatários de primeira linha, a preços mais baixos, logo com "yields" mais elevadas. Estamos otimistas para o novo ano, tanto em termos da captação de novos investidores, em Portugal e no grupo, mas também quanto à nossa capacidade para entregar aos investidores rendibilidades alinhadas com os objetivos definidos. ARMINDO MONTEIRO PRESIDENTE, CIP - CONFEDERAÇÃO EMPRESARIAL vai ser um ano muito difícil. À instabilidade geopolítica e à incerteza política interna junta-se a evidente travagem económica que não encontrará no 0E2024 os instrumentos necessários para a evitar. O desemprego já começou a aumentar e a tendência parece clara. Precisamos de um pacto nacional capaz de evitar a quebra a que estamos a assistir. O PRR e o PT2030 não podem ficar em suspenso. Os investimentos públicos não podem ficar todos na gaveta. Mais do que isso: crescer 1,5% não chega e ameaça a nossa coesão social e desenvolvimento. Página 27
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 19 SERGIO CATALAO "COUNTRY MANAGER", NOKIA A nível global, prevê-se que a economia tenha um crescimento fraco, com os riscos geopolíticos e o stress nos mercados a manterem-se. Portugal continuará a trajetória de redução da inflação, com um ligeiro abrandamento económico. A execução dos fundos do PRR entrará numa fase decisiva para o crescimento económico, reforçando o objetivo de convergência com a Europa. O próximo ano será de transição para as telecomunicações, com as redes e a conectividade a demonstrarem importância estratégica na aceleração da digitalização, sustentabilidade, produtividade e colaboração entre empresas, cidadãos e desenvolvedores, com uma economia de APIs dinâmica e inovadora. A Nokia Portugal continuará a criar valor através dos centros globais de competência, apostando no talento que nos diferencia em Portugal e no Mundo. BERNARDO MEYRELLES "COUNTRY MANAGER", EFG PRIVATE BANK Acredito que 2024 será um ano desafiante e positivo, em que os enquadramentos nacional e global poderão ser mais favoráveis para "doing business". A redução da presNUNO TERRA MARQUES CEO, GRUPO VISABEIRA O nível de inflação verificado e as elevadas taxas de juro atuais, associados à falta de mão de obra qualificada e à recente instabilidade politica, antecipam um arranque de ano de 2024 mais desafiador a nível nacional. Os conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia podem ainda afetar o fornecimento global de energia, influenciando os preços do petróleo e do gás, entre outras potenciais implicações geopolíticas e económicas para a Europa, gerando incerteza e insegurança. Contudo, ao nível da Visabeira e tendo em conta o volume de contratos em carteira que excede os 4,5 mil milhões de euros, principalmente sustentados nos serviços de engenharia de redes de telecomunicações e energia na Europa e EUA, estamos otimistas e projetamos um ano de crescimento das vendas superior a dois dígitos. são inflacionista tenderá a normalizar o contexto económico que, apesar de poder sofrer um arrefecimento, advinha-se de menor incerteza e inversão do ciclo, o que será benéfico para o investimento. Ao nível nacional, poderão ser conseguidas as condições para a promoção de políticas, reformas e práticas "amigas" do investimento, das famílias e das empresas, o que, a materializar- -se, se traduzirá, a prazo, num fortalecimento da economia. É imperativo um adequado aproveitamento do PRR, provavelmente a derradeira oportunidade para consagrar vetares determinantes para a modernização e robustecimento da economia e investir na Saúde e Educação, duas áreas muito fustigadas e que requerem imediata e consequente atenção. ERIC VAN LEUVEN "HEAD OF" PORTUGAL, CUSHMAN& WAKEFIELD A expectativa para 2024, para o setor do investimento em imobiliário comercial, será parecida com o que se verificou em 2023: atividade mais reduzida do que em anos anteriores, fruto das altas taxas de juros e dificuldades de financiamento. Por subsetores, o de escritórios continuará a sofrer de alguma dúvida existencial quanto ao seu propósito, num ambiente de trabalho híbrido. Os o JS de retalho e logística (duas faces da mesma moeda) com alguma pujança na sequência da mudança de paradigma (espaços físicos versus virtuais) e a hotelaria em alta. Estou esperançado que a segunda metade de 2024 se mostre mais benigna para o investimento, na sequência de possíveis reduções das taxas de juro, estabilização de fatores externos e maior desanuviamento (geo)político. MIGUEL REBELO DE SOUSA DIRETOR-EXECUTIVO, ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE EMPRESAS FERROVIÁRIAS 2024 vai ser um ano complexo. Verificamos um aumento muito significativo dos custos para 2024, muitos deles indiretos e que não são percetíveis pelos cidadãos e que penalizam fortemente a nossa competitividade e, por outro lado, muita incerteza no panorama político nacional e internacional, o que pode impactar ainda mais a atividade económica. Não podemos esquecer que somos uma pequena economia aberta, muito dependente da economia europeia, que se espera que venha a atravessar um período de recessão em 2024, pelo que temos de acompanhar a evolução internacional e ter ponderação. É da maior importância haver foco do Governo no cumprimento de compromissos assumidos, ter uma orientação estratégica que promova o crescimento da economia, que não se pode basear apenas em aumento do salário mínimo nacional e no PRR, procurando dar às empresas instrumentos para poderem ser competitivas. DIANA LASCASAS CEO, LASKASAS A Laskasas destaca-se ao oferecer peças únicas e exclusivas, mantendo um compromisso com a qualidade. Estamos entusiasmados com as perspetivas de crescimento a nível nacional e internacional. Como empresa de mobiliário portuguesa, temos observado um aumento significativo na procura dos nossos produtos, em ambos os mercados, o Cristina Siza Vieira avisa que "é inevitável continuar a aumentar preços" no turismo. que reflete a crescente apreciação pelo mobiliário português. A nossa estratégia para novos mercados tem contribuído significativamente para esta projeção além-fronteíras. Estamos confiantes de que, com nossa dedicação contínua à excelência, criatividade e expansão estratégica, a Laskasas está bem posicionada para continuar o seu crescimento e consolidar a sua presença fora de Portugal. VÍTOR RIBEIRINHO CEO, KPMG PORTUGAL Há uma dupla perspetiva em relação ao comportamento económico nacional em 2024: por um lado, assistimos a um certo otimismo por parte das empresas, justificado pela previsão de crescimento do PIB para o próximo ano e abrandamento da inflação e, por outro, a uma dose relevante de calculismo, fruto do contexto de incerteza nacional e internacional. Há três importantes aspetos que irão impactar diretamente o comportamento da economia em 2024 e que deverão ser acompanhados de perto: as eleições de 10 de março e o grau de estabilidade política que delas sairá; as decisões do BCE em relação às taxas de juro, com boas perspetivas para 2024; e a evolução dos conflitos internacionais, com especial destaque para as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza. lll j S & SclH CRISTINA SIZA VIEIRA PRESIDENTE EXECUTIVA, AHP - ASSOCIAÇÃO DA HOTELARIA DE PORTUGAL Creio que vai ser um bom ano turístico, e não se perspetiva um abrandamento na procura por Portugal. Há algo que vai ter de entrar na equação: para responder ao aumento de custos e prestar melhor serviço é inevitável continuar a subir preços, para subir salários e acrescentar valor ao serviço prestado pelo setor. Sem perder de vista que em Concertação Social foi fixado o aumento da WBm RMMG em 6 0 €, que naturalmente vai pressionar os demais níveis salariais. Simultaneamente, no nosso setor, não só para 2024 como para a próxima década, o maior desafio passa por gerir o já estafado, mas infelizmente não resolvido, tema da superesticada capacidade aeroportuária na região de Lisboa. É uma situação que condiciona a competitividade, qualidade e atratividade do país. Página 28
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 20 PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2024 JOÃO DIAS PRESIDENTE, CONSELHO DIRETIVO DA AMA Em 2024, os cidadãos podem confiar nos serviços públicos como nunca antes. Ao colocar o cidadão no centro do atendimento, inauguramos uma era de serviços proativos, antecipando-se às suas necessidades e proporcionando uma experiência verdadeiramente personalizada. Oferecemos aos cidadãos a liberdade de escolher como desejam interagir com as entidades públicas. Seja através do atendimento presencial, telefónico, online, por aplicações móveis ou outros meios, a personalização é a chave para uma experiência que se adapta a cada cidadão. Trabalharemos ainda mais colaborativamente com todas as entidades da administração pública, quebrando silos e integrando processos para, desta forma, não só melhorar a qualidade dos serviços públicos mas também promover uma sociedade mais participativa e conectada. Em 2024, os serviços públicos tornam-se um reflexo da evolução social, antecipando-se às expectativas e proporcionando uma experiência mais ágil, amigável e personalizada. RICARDO PINHEIRO CEO, LUSORECURSOS 2024 vai ser um ano politicamente instável, o que levará a um atraso significativo na decisão e implementação de investimentos estratégicos. Esta instabilidade tem como consequência a indecisão de investidores/financiadores internacionais, Golocando em risco ou atrasando projetos de investimento relevantes e cruciais para a transição energética e o desenvolvimento económico da União Europeia, na realidade atual de novas cadeias de fornecimento. NUNO SARAIVA DE PONTE CEO, VIA SENIOR 2024 será um ano de grandes desafios. O contexto macroeconómico adverso, provocado pela subida sustentada das taxas de juro, terá certamente impacto no desempenho das empresas. Acredito, contudo, que a generalidade das empresas portuguesas terá capacidade para enfrentar este desafio. No caso da Via Senior, após o forte crescimento de 2023, encaramos o novo ano com otimismo. O número de famílias que procuram soluções externas para os seus idosos, e que passam pelas residências sénior e lares, é cada vez maior, e a qualidade exigida por estas, das instalações e do serviço, é também cada vez mais elevada. Desta forma, a ajuda prestada pela Via Senior é extremamente útil, pois traz transparência à procura. NUNO FERNANDES THOMAZ PRESIDENTE, CENTROMARCA Creio que vamos ter uma primeira parte do ano muito complicada e alguma melhoria no final do ano. A nossa economia vai ser impactada por uma fraca procura externa e um atraso na execução do PRR. Os consumidores vão sentir algum alívio ao longo do ano, pois vão ter maior poder de compra em comparação com os últimos dois anos que, inclusivamente, pode ser reforçada com uma baixa das taxas de juro. SERENA CABRITA NETO SÓCIA COORDENADORA DE ÁREA FISCAL, CUATRECASAS PORTUGAL O ano de 2024 antevê-se como muito desafiante para a economia portuguesa, quer por razões internas, relacionadas com o processo de mudança de Governo e as consequentes alterações políticas e económicas, quer por razões externas, já que Portugal não ficará imune ao contexto de crise económica mundial que já deu os seus primeiros sinais em 2023 e que tudo indica que se agravará. MARCELO NICO DIRETOR-GERAL, TABAQUEIRA Garantir um quadro regulamentar e fiscal estável, que crie condições à atração de investimento estrangeiro, permitindo o crescimento das empresas e da economia nacional, será vital em 2024. A previsibilidade legislativa será fundamental - num quadro global que, apesar de mais otimista pelos sinais que os bancos centrais têm dado de possível reversão a curto prazo das políticas anti-inflacionistas, continua a braços com juros elevados, a desaceleração de algumas das mais importantes economias globais e grande indefinição motivada pela volatilidade geopolítica. Num ano marcado por muitas eleições, nacionais e internacionais, será importante encontrar o "Norte" para o crescimento: decisores e empresários terão de estar orientados para tomadas de decisão robustas e transparentes, mesmo que difíceis. Perante a incerteza, mais do que nunca, é necessário decidir, investir, exportar, acrescentar valor. É preciso escolher caminhos e manter o plano. NUNO RANGEL CEO, RANGEL LOGISTICS SOLUTIONS 2024 vai ser um ano de desafios económicos e geopolíticos relevantes, será um ano histórico em termos de eleições, em mais de 50 países. Apesar dos sinais positivos de abrandamento na inflação e na subida das taxas de juros, os efeitos de diminuição do consumo, o surgimento de mais instabilidade das cadeias de abastecimento, espeO presidente da Centromarca prevê um maior poder de compra do que nos últimos dois anos. INÊS SEQUEIRA MENDES "MANAGING PARTNER", ABREU ADVOGADOS A reforma da justiça pode beneficiar com a IA. O setor da advocacia irá conhecer uma nova realidade. O recurso à IA vai acelerar procedimentos, possibilitar maiores recolhas de dados e a sua comparabilidade, gerar conhecimento e permitir que os advogados não percam tanto tempo em funções rotineiras e repetitivas. A forma de trabalhar mudará, assim como a gestão dos recursos humanos, meios técnicos e conhecimento e, com elevada probabilidade, a própria condução estratégica das sociedades de advogados. Porém, temos de estar atentos, pois os riscos da mecanização e despersonalização dos serviços jurídicos e da própria Justiça existem e devem ser contrariados pela conceção da IA como uma ferramenta ao serviço dos seres humanos. nossa democracia, essencial para criar a confiança e rapidez de decisão que permita impulsionar o desenvolvimento do país e criar um ambiente propício ao crescimento sustentável. Juntos, podemos construir um futuro onde as pessoas, a inovação, a sustentabilidade e o sucesso económico coexistam harmoniosamente, fortalecendo não apenas as nossas operações mas, acima de tudo, impactando de forma positiva o tecido económico e social do país. RICARDO PIRES CEO, SEMAPA Com 2024 em mente, antevemos a transição energética e o investimento em atuais e novos negócios como as duas prioridades no grupo, com compromissos significativos já assumidos na ordem das centenas de milhões de euros. Este movimento só é possível com as melhores pessoas, pelo que a gestão estratégica de talento é e será absolutamente essencial. Conscientes dos preconceitos que algumas vezes pairam sobre as grandes empresas, reiteramos o nosso compromisso com Portugal, com as pessoas e com o ambiente. Apelamos a um entendimento mais amplo para os aspetos estruturais de competitividade do país entre os principais partidos da Página 29
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 21 cialmente no canal do Suez são sinais preocupantes, que podem levara um adiamento de investimentos e a um menor crescimento económico. Em Portugal, nas exportações vamos sentir uma redução bem mais acentuada do que em 2023, já no primeiro trimestre de 2024, que será impactante na nossa economia e consequentemente nas nossas empresas. ALEXANDRE RAMOS CIO E CDO, LIBERTY SEGUROS EUROPA Antecipo um ano de desafios sociais, devido ã pressão de baixos salários e inflação descontroladas. Também prevejo a não eficiente utilização de fundos europeus para resolver problemas estruturantes. Teremos um ano de instabilidade política e consequente incapacidade de fazermos o país crescer como um todo, de forma sustentada. Não veremos fim ao inúmeros casos de corrupção, continuando a descredibilizar o país e os portugueses por esse mundo fora. EURICO NEVES PRESIDENTE, IN0VA+ O ano de 2024, apesar das esperadas dificuldades, oferece igualmente um conjunto alargado de oportunidades às empresas portuguesas, que podem beneficiar de diversos programas de apoio nacionais e internacionais para desenvolverem a sua atividade. Do investimento produtivo à inovação, passando pela digitalização ou expansão internacional, as instituições nacionais e a Comissão Europeia disponibilizam um montante elevado de fundos. Continuaremos em 2024, e como já estamos a fazer, a liderar o apoio a diversas instituições, empresas e consórcios em processos de candidatura e implementação de novos projetos de grande escala, ajudando a capacitar as organizações nacionais e dotá-las de recursos que permitam melhorar a sua competitividade internacional e obtenção de vantagens competitivas. SOFIA SANTOS CEO, SYSTEMIC Um ano de grande instabilidade económica a nível nacional e internacional. As famílias continuarão a ver o seu rendimento disponível diminuir e os lucros de algumas grandes empresas irão aumentar. Os temas ESG estarão cada vez mais presentes nas empresas e as PME serão confrontadas com a exigência do mercado em saber Paula Franco entende que PRR é "uma tremenda oportunidade de investimento estratégico". quais as práticas de sustentabilidade que estão a implementar. O acesso ao financiamento, público e privado, também estará associado à divulgação destas práticas. Veremos mais anúncios sobre produtos sustentáveis e o "greenwashing" será uma tentação a evitar. Os "ratings" ESG iniciarão os seus desenvolvimentos ao nível nacional. PAULO LOUREIRO CEO, BONDSTONE Em 2024, antecipa-se uma nova dinâmica no investimento adaptado à nova realidade económica e monetária. É expectável que os segmentos da habitação, logística, retalho alimentar e alternativos continuem a demonstrar fundamentos sólidos e, por isso, a dominar o apetite dos investidores. Por outro lado, a maturidade dos ciclos de investimento levará alguns investidores a reestruturar as linhas de crédito (para evitar perdas), revelando uma oportunidade para a alocação de capital em estruturas de dívida privada colateralizadas por ativos imobiliários. PEDRO PEREIRA GONÇALVES CEO, WINESTONE A volatilidade e incerteza a nível global ensina-nos que é pouco prudente fazer prognósticos no arranque de cada ano. Ainda assim, iniciando-se 2024 ao ritmo de uma correção mais rápida da inflação, revista em baixa, e com a perspetiva de uma descida gradual das taxas de juro pelo BCE, é possível olhar para o novo ano com algum otimismo. 2024 será certamente desafiante, pelo que é fundamental que as empresas portuguesas tenham visão estratégica e se mantenham ágeis e proativas, adaptando-se às mudanças de mercado e procurando constantemente novas oportunidades de negócio, olhando para as exportações e inovação como impulsionadores da economia nacional. Precisamos, por isso, de garantir uma política económica estável e um ambiente favorável que permita atrair investimento, inovação e talento - essenciais para a tão necessária geração de valor. PAULO CAIADO PRESIDENTE, APEMIP O primeiro semestre de 2024 deverá ser caracterizado pela continuidade do que assistimos no segundo semestre de 2023. Os eventos, tendências, acontecimentos bons e menos bons, não têm alinhamento com os anos civis. Em 2023, no revitalizar de uma pandemia histórica, tivemos o nosso país a "conviver" com uma elevada inflação, o aumento abrupto das taxas de juro, uma guerra no norte da Europa, guerra no Médio Oriente e, finalmente, grande conturbação na politica interna. Temos grandes motivos de esperança no futuro próximo: a inflação dá sinais de redução, os juros poderão igualmente abrandar e as guerras em curso terão o fim que todos aguardamos. Finalmente, todos os portugueses terão a hipótese de zelarem pela redução da conturbação política. JOÃO VIEIRA LOPES PRESIDENTE, CCPCONFEDERAÇÃO DO COMÉRCIO E SERVIÇOS Um ano de grandes incertezas. Internacionais, com a guerra na Ucrânia, confrontos no Médio Oriente e as eleições nos Estados Unidos. Nacionais, com a imprevisibilidade quer das soluções governativas após as eleições, quer quanto à estabilidade e consistência das mesmas. A situação económica também tem grandes interrogações. Baixa da inflação mas com riscos na evolução do preço do petróleo. Retração na Europa com consequência nas exportações. Descida demasiado lenta das taxas de juro com dificuldades para famílias e empresas. O crescimento da economia portuguesa continuará abaixo dos concorrentes diretos na Europa, o que não é positivo. mento, o que ajudará a ultrapassasse a instabilidade política que afetará pelo menos o primeiro semestre do ano. O PRR continua a ser uma tremenda oportunidade de investimento estratégico para um melhor futuro do país, devendo o Estado e os privados trabalhar em conjunto para uma produtiva e consolidada execução plena. No mercado laboral, em pleno emprego, devemos focar- -nos em encontrar ferramentas e modelos que promovam maior produtividade e simultaneamente melhores condições para os trabalhadores. FRANCO BASTONÁRIA, CONTABILISTAS CERTIFICADOS Após um 2023 melhor do que o antecipado, acredito que 2024 será um ano em que a economia continuará a crescer. Fatores negativos como a inflação e taxas de juros dão sinais de abrandaPágina 30
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 22 PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2024 PEDRO CARVALHO CEO, GENERALI TRANQUILIDADE Dificilmente 2024 não será um ano para esquecer para Portugal, Europa e o mundo. Em Portugal, com eleições em março dificilmente teremos uma solução governativa robusta e corremos sérios riscos de termos um Governo que asfixie ainda mais os cidadãos e as empresas. A guerra na Ucrânia e os massacres no Médio Oriente são reveladores dos inúmeros equilíbrios instáveis existentes em todo o mundo e da incapacidade das Nações Unidas e da falta de vontade das potencias mundiais em impor o direito internacional. Podemos esperar mais incerteza, volatilidade nos preços da energia, disrupções nas cadeias logísticas, instabilidade na inflação e taxas de juros elevadas resultando numa estagnação económica global. A eleição de Trump, a acontecer, seria a "cereja no topo do bolo" num ano para esquecer. MANUEL REIS CAMPOS PRESIDENTE, CPCI E AICCOPN As projeções mais recentes apontam para um cenário macroeconómico mais exigente em 2024, em resultado de um abrandamento da atividade económica e do elevado nível das taxas de juro. No entanto, para o setor da construção e do imobiliário, as perspetivas são favoráveis, dado que, ao longo de 2023, verificou-se uma evolução positiva dos principais indicadores setoriais, ao que acresce ainda o facto de o nosso país ter ao seu dispor dois programas comunitários a decorrer, o Portugal 2030 e o PRR, cuja concretização dos investimentos previstos irá, certamente, contribuir positivamente para a evolução da atividade das empresas do Setor e para um país mais coeso, competitivo e sustentável. RAFAEL CAMPOS PEREIRA VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO, AIMMAP A nível global, 2024 continuará a ser marcado por guerras regionais - algumas delas por procuração -, que gerarão constrangimentos no abastecimento das empresas e ao mesmo tempo manterão a confiança dos investidores e dos consumidores em baixa. Relativamente a Portugal, a previsível fragmentação do eleitorado não augura nada de positivo no que se refere a soluções governativas estáveis. Além disso, a situação económica mais difícil da Alemanha e a enorme instabilidade política em Espanha continuarão seguramente a ter repercussões negativas em Portugal, tendo em conta que são dois dos três principais clientes das exportações nacionais. Não obstante, no caso específico do Metal Portugal, a resiliência das empresas garante-nos que será possível atravessar esta fase difícil com alguma contenção de danos. PAULO GEISLER PRESIDENTE, RENAASSOCIAÇÃO DE COMPANHIAS AÉREAS EM PORTUGAL Vai ser um ano desafiante para o setor da aviação. Esperamos que seja o ano das decisões, em especial quanto ao novo aeroporto, e, sobretudo, do lançamento de um plano estratégico para o setor da aviação e aeroportuário. É essencial que o setor e todos os operadores, públicos e privados, estejam unidos para fazer face aos desafios ambientais e ao mesmo tempo manter o destino Portugal competitivo. FERNANDO SILVA PRESIDENTE EXECUTIVO, SIEMENS PORTUGAL Neste ano, em que se antecipa uma travagem do crescimento da economia, devemos criar condições para contrariar esta tendência. Os fundos europeus são fundamentais para o desenvolvimento do país e é crucial que cheguem de forma célere às empresas e à economia real. As "Para o setor da construção e do imobiliário, as perspetivas são favoráveis" em 2024, revela Manuel Reis Campos. prioridades devem recair na inovação tecnológica, na resposta aos principais desafios que enfrentamos e na promoção da sustentabilidade. A par da simplificação e da previsibilidade, espero que 2024 nos traga um alívio nos impostos, algo que é cada vez mais consensual na sociedade portuguesa. Só assim conseguiremos criar as condições necessárias para que se invista em Portugal e para que se continue a desenvolver e a reter talento. JOSÉ PIMENTA DA GAMA "MANAGING PARTNER", MCKINSEY & COMPANY ESPANHA E PORTUGAL Na transição energética, antecipamos 2024 como um ano crucial para Portugal. Num mundo onde o "novo petróleo" é a energia verde, Portugal, graças à sua capacidade de produção de energia verde a um custo 20-30% abaixo da média europeia, tem uma vantagem competitiva estrutural. Esta situação permite-nos ambicionar ser um dos líderes da nova revolução industrial, quer na energia, quer na reindustrialização. Ao mesmo tempo, a disrupção tecnológica (nomeadamente a GenAI) deverá continuar a crescer exponencialmente e, além de muitos riscos, traz uma oportunidade para as nossas empresas reinventarem os seus modelos de negócio e darmos, como país, um "salto quântico" na produtividade. O tempo para aproveitar estas oportunidades é limitado, tornando 2024 num ano decisivo para demonstrarmos o nosso nível de ambição, a nossa resiliência e capacidade de execução. ANTÓNIO CÂMARA "CHAIRMAN", YDREAMS. PROFESSOR, UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Instabilidade parece ser a palavra-chave para 2024: a nível interno, com as eleições; e a nível externo, com as guerras. Os avanços tecnológicos, nomeadamente na área da inteligência artificial, vão contribuir para aumentar ainda mais a incerteza das nossas existências. As alterações climáticas são outro fator de instaPedro Carvalho considera que "dificilmente 2024 não será um ano para esquecer" em Portugal e no mundo. bilidade, que veio para ficar. A nossa educação tradicional e a formação ao longo da vida vão ter de preparar os seres humanos para coexistirem com as máquinas e a natureza. Os atuais modelos de negócio que assentam na transformação do mundo numa loja, poderão ser suplantados por outros que entendam melhor as oportunidades benignas que esta relação trilateral nos oferece. O futuro inventa-se. 2024 mostrará, mais uma vez, que são aqueles que acreditam nesta frase que poderão transformar as atuais incertezas em mudanças que as eliminam. PEDRO AFONSO CEO, VINCI ENERGIES A espuma dos dias conduz a uma miopia quando olhamos o longo prazo. Em vez de discutirmos os temas que nos podem levar a dobrar o nosso PIB nos próximos 20 anos, investimos todo o tempo a discutir as diferenças ideológicas. É importante assegurar um rumo em temas essenciais como Saúde, Educação ou Justiça, passando pela Segurança e a Segurança Social. É determinante para a estabilidade do investimento que estes fatores estejam assegurados. A reputação do país, junto dos "stakeholders" internacionais, muito deve aos principais fatores que são também o íman do talento. Capacidade de fixar empresas e talento, diferenciação tecnológica e educação STEM. Página 31
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 23 PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2024 ANA TRIGO MORAIS CEO, SOCIEDADE PONTO VERDE 2024 anuncia-se como um ano de forte instabilidade, marcado pela realização de eleições legislativas num contexto de incerteza económica e em que Portugal tem de consolidar o seu modelo de desenvolvimento económico, social e ambiental, corrigindo atrasos estruturais que permitam ao país voltar a uma rota de maior crescimento e criação de riqueza. LICÍNIO PINA CEO, GRUPO CRÉDITO AGRÍCOLA O ano de 2024 antecipa-se com diversos desafios. Se houver uma decisão final nos conflitos que atualmente se verificam e o nível de emprego a nível nacional se mantiver alto, perspetivo um ano de crescimento económico ligeiramente acima do previsto. Na economia nacional, necessitamos de aumentar a produtividade por unidade e, para que isso aconteça, é necessário aproveitar os fundos europeus disponíveis para modernizar o tecido produtivo e a formação dos seus quadros. O CEO do Crédito Agrícola avisa que o país tem de aproveitar os fundos europeus disponíveis. VERA EIRO PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ERSAR. PROFESSORA UNIVERSITÁRIA 2024 é um ano decisivo para Portugal no que respeita à gestão da água. Em 2024, teremos oportunidades únicas para implementar projetos que garantem a resiliência do nosso país na gestão da água (incluindo a monitorização dos usos, diminuição de perdas, reutilização de água e produção de água através da dessalinização). Havendo vontade política, teremos condições para nos organizarmos melhor (através de agregações, empresarialização dos serviços e colaboração entre os diferentes setores que usam água) e para garantir que, na próxima década, gerimos este ativo tão precioso de uma forma integrada e prioritária. Venha de lá 2024. ANTÓNIO CARLOS RODRIGUES CEO, GRUPO CASAIS Estamos hoje mais regularmente do que no passado perante cenários de incerteza, marcados quer por desafios quer oportunidades. Alguns dos desafios: a inflação reduziu o poder de compra dos consumidores e aumentou os custos de produção e financiamento, o que levou a um abrandamento de consumo. 2024 pode ser um ano em que sentimos o impacto na redução de encomendas. A transição energética e ambiental está a mudar os modelos de negócio, os processos produtivos e os padrões de consumo. E as empresas têm de adotar práticas e processos mais sustentáveis, sob pena de ficarem fora de contratos de fornecimento para as grandes companhias que já têm obrigatoriedades nestas matérias. Os conflitos mundiais são também outra fonte de incerteza que pode impactar as empresas. E entre as principais oportunidades de 2024, destaco os fundos europeus, que disponibilizam recursos financeiros para projetos de investimento nas áreas da inovação, da digitalização, da sustentabilidade, da coesão e da resiliência. RICARDO SOUSA CEO, CENTURY 21 PORTUGAL 2024 será um ano para uma navegação cuidadosa no mercado imobiliário português. A capacidade de adaptação e a resiliência serão fundamentais, tanto para profissionais do setor quanto para consumidores, à medida que enfrentamos, juntos, os desafios impostos por um panorama global incerto e um mercado local em constante evolução. PEDRO GINJEIRA DO NASCIMENTO SECRETÁRIO-GERAL, ASSOCIAÇÃO BUSINESS ROUNDTABLE PORTUGAL Entramos num novo ano e, independentemente de quem ganhe as eleições, num novo ciclo político. Há, assim, renovada esperança de que a inquietude que os portugueses sentem depois de 23 anos de fraco crescimento, que levaram a um aumento da pobreza, deem agora lugar a novas políticas que promovam a criação de riqueza e acelerem o crescimento económico e social do país. Um ano novo que inverta o caminho e premeie a criação e oportunidades para que as nossas pessoas e empresas não sintam que têm de sair de Portugal para ter sucesso e um futuro melhor. Esperemos que 2024 seja O ano da inquietude e da mudança. MÁRIO MOURÃO SECRETÁRIO-GERAL, UGT 2024 deverá ser um ano em que os fatores de incerteza não podem e não devem servir, como no passado, de pretexto para medidas que penalizem quem vive dos seus salários e pensões. Para tal, os resultados do diálogo social, incluindo as metas para o salário mínimo e demais salários, a valorização das pensões e o desagravamento fiscal dos rendimentos do trabalho, devem ser respeitados e vistos como um pilar de previsibilidade, assegurando a manutenção da trajetória de reforço das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores portugueses e condições para um modelo económico mais robusto e sustentável. JOÃO BATISTA LEITE CEO, UNICRE Continuaremos a ver avanços em inteligência artificial e tecnologias sustentáveis. A digitalização e a automação continuarão a transformar ainda mais o local de trabalho. Do ponto de vista político, teremos eleições nacionais que irão certamente influenciar o ambiente social e económico com algumas incertezas face a algumas tendências populistas e movimentos sociais também a desempenhar um papel significativo. Mudanças climáticas, conservação da biodiversidade e transição para energias renováveis provavelmente permanecerão no centro das atenções. Com menos crescimento e um cenário favorável de inflação a nível global, parece haver um consenso de que 2024 será o ano em que veremos mudanças na política monetária, com grande parte dos bancos centrais do mundo reduzindo as taxas de juros. A imprevisibilidade da evolução das guerras Rússia-Ucrânia e Israel-Palestina podem influenciar fortemente a evolução da economia em 2024. Em 2024 pode sentir-se "o impacto na redução das encomendas", avisa o CEO do Grupo Casais. Página 32
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 24 JORGE PORTUGAL DIRETOR-GERAL, COTEC PORTUGAL Antecipa-se um ano em que irá sobressair uma maior autonomia estratégica das empresas e da atividade económica, face aos contextos políticos. Mais empresas adotarão uma prática sistemática de inovação que lhes "permitirá" avançar mais depressa e com mais confiança na integração de redes de alto valor e alargamento dos seus mercados a escalas internacionais mais diversificadas. Será um ano de alargamento da orientação da intervenção da banca para o crescimento da base instalada de financiamento de projetos inovadores de sucesso. Espera- -se pragmatismo responsável na gestão dos dossiês político-económicos e atenção renovada do poder político às vozes da inovação empresarial. JOSÉ LOPES "COUNTRY MANAGER", EASYJET PORTUGAL No caso específico de 2024, antecipamos que seja o terceiro ano consecutivo de recorde de número de passageiros. Continuamos a investir (aumento de 6% do número de lugares anuais oferecidos) e vemos a oferta criada pós-pandemia a consolidar-se e amadurecer (voaremos mais de 45% em 2024 do que voávamos em 2019). Continuaremos a abrir novas rotas (temos atualmente 100 em Portugal). O "trading" para os próximos meses é positivo, pelo que antevemos um bom ano para a empresa. LUÍS SALVATERRA DIRETOR-GERAL, INTRUM PORTUGAL Instabilidade política e social devido ao período eleitoral e ao resultado das eleições, que prevejo que trarão instabilidade ao nível governativo. Agravamento das dificuldades financeiras das famílias e das empresas, como consequência do aumento dos juros em 2023, que se repercutirá em 2024. Em conclusão, mais um ano de instabilidade e incerteza. PAULO COELHO LIMA CEO, LAMEIRINHO Face ao evoluir da situação económica e financeira mundial, que entendo não vir a recuperar, nomeadamente no primeiro semestre de 2024, espero alguma contenção dos negócios. "Uma nova geringonça" seria "absolutamente trágico para a economia", acredita José Cardoso Botelho. DIOGO TEIXEIRA CEO, BETA-I EUROPA O ano de 2024 será um teste para a resiliência e a visão estratégica das empresas portuguesas. A aposta em digitalização, inovação, transição energética e economia circular não apenas enfrenta os desafios imediatos, mas posiciona Portugal como um protagonista na construção de um futuro económico mais próspero. FERNANDO REINO DA COSTA PRESIDENTE, UNIPARTNER Todos os fatores indicam que 2024 será um ano desafiante ao nível económico, muito apoiado pela instabilidade geopolítica. Presenciamos um momento onde a antecipação, a agilidade e a inovação desempenham um papel central, na capacidade das organizações responderem a estes desafios e identificarem oportunidades de diferenciação e crescimento. Em termos de inovação, em 2023 o ChatGPT, mais concretamente o generative Al, foi o tema que dominou o mercado e foram muitas as organizações que começaram a perspetivar a sua implementação. Neste sentido, prevejo que 2024 será o ano em que iremos começar a assistir ao impacto real da revolução da IA no ambiente de trabalho e em diferentes cenários operacionais. Antecipo um ano de baixo crescimento onde a inovação com impacto será o "driver" do investimento. CÍNTIA MANO CEO, COREANGELS Para o setor de investimento em startups, deve ser um ano com foco em "climate", "agritech", "foodtech", "blockchain". As convergências tecnológicas avançam (IA com "medtech", "data science" com "agritech", "blockchain" com "supply chain", "food chain") e teremos boas opções no contexto global para investir nestes tipos de startups. O uso de tecnologia para analisar as oportunidades de investimento também deve crescer muito, com adoção de IA, análise de dados. Mas ainda há um caminho para balancear tecnologia e humanidade na avaliação de startups. ARMANDO LACERDA QUEIROZ ADMINISTRADOR, FINANGESTE 2024 será um ano cheio de incertezas e desafios. Vamos ver o que acontece com as guerras em curso na Europa e no Médio Oriente; também o preço da energia. A economia da Alemanha e da França não vão ajudar. No setor imobiliário haverá diferentes evoluções em função dos subsetores em apreciação; no geral, o mercado de imobiliário comercial vai evidenciar uma distância de expectativas entre quem vende e quem compra, o que vai limitar o número e a dimensão das transações. O mercado dos NPL vai oferecer oportunidades lá mais para o final o ano. O mercado residencial vai ser positivo e desafiante. LUIS SANTANA CEO, MEDIALIVRE 2024 vai ser um ano muito desafiante para o mundo e para Portugal. Por um lado, persistem níveis de inflação que ainda não estão completamente controlados, o que motivará a permanência de taxas de juro diretoras em níveis historicamente elevados. Ainda que tenha a expectativa de que possam ser reduzidas no decorrer no ano, esta redução não se fará sentir de imediato. No que respeita ao setor dos media, o seu desempenho está muito alinhado com o investimento das empresas e com a dinâmica do mercado, pelo que também neste setor não se antecipa que 2024 venha a ser um ano de recuperação setorial como todos desejamos. Contudo, se levarmos em linha o desempenho no último trimestre do corrente ano, podemos pensar que o cenário pode vir a ser otimista. Na Medialivre, será o primeiro ano de exercício neste novo figurino e esperamos que seja o ano de contínua afirmação de um projeto líder, dinâmico, assente num jornalismo exigente, rigoroso, independente e economicamente sustentável. JOSÉ CARDOSO BOTELHO COFUNDADOR E CEO, VANGUARD O ano de 2024 vai estar muito dependente dos resultados das eleições de 10 de março. Uma nova geringonça, desta vez, desejada pelo PS, seria absolutamente trágico para a economia, para as empresas e o investimento estrangeiro. Se resultar num governo moderado, mais à direita, Portugal poderá rapidamente, promover a mudança e o crescimento económico, através de medidas, simples e eficazes. Ou seja, 2024 estará muito dependente do resultado das legislativas. Página 33
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 20415,9cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 4-29,1 ID: 108875690 25 Abel Sequeira Ferreira, Alexandre Ramos, Alice Cunha, Ana Calhôa, Ana Figueiredo, Ana Trigo Morais, Ana Ventura Miranda, Andres Ortolá, Ângelo Ramalho, Anna Lenz, António Câmara, António Carlos Rodrigues, António Comprido, António Nogueira da Costa, António Portela, Arlindo Costa Leite, Arlindo Oliveira, Armando Lacerda Queiroz, Armando Oliveira, Armindo Monteiro, Assunção Loureiro, Beatriz Rubio, Bernardo Fernandez, Bernardo Meyrelles, Carla Mouro, Car os Freire, Carlos Jesus, Cintia Mano, Cláudia Matos Pinheiro, 'Cristina Rodrigues, Cristina Siza Vie avid Brito, Diana Lascasas, Diogo Eurico Neves, Fáiírr Filipe Garcia, Fràao Helena Painhas, li l João Costa, João O ! H Massano, João Mira Cunha, Joaquim Per Aramburu Delgfeo Maria Rego, José Pír Licínio Pina, Lu sf f Santana, Lurdes Gr Manuel Pina, Maoue Maria Antónia Salde Miguel Almeida, W Miguel Rebelo de ? Fernandes Thoijiaz, Ponte, Nuno Terra| Paula Gomes Freire, Pedro Afonso, Fjedft Pedro Gouveia, Pedro We! Num ano que será marcado pela incerteza, os gestores estão divididos sobre a execução do PRR e avisam que os preços praticados pelas empresas vão aumentar. Ainda assim, 82% não anteveem grandes dificuldades. «is ric van Leuven, Fernando Silva, artins, Hélder Brito, . João Batista Leite, ;030 Marques, João eira Lopes, Joaquim Henriques, Jose osé Lopes, José \ Leonardo Mathias, Salvaterra, Luís oreira da Silva, Vlartins-Loução, , Mário Mourão, el Mota Freitas, ia Rodrigues, Nuno o Nuno Saraiva de e Liz, Paula Franco, erf paulo Monginho, PRIMEIRA LINHA 4 a 29 itò do Nascimento, Pedro Raposo, Pedro Soares Pinneiro, Ricardo Pires, Ricardo Sousa, Rogério Carapuça, Rui Assis, Rui Dias Teixeira, Rui Lopes Ferreira, Rui Miguel Nabeiro, Rui Nuno Baleiras, Sandra Maximiano, Sandro Mendonça, Sara Proença, Serena Cabrita Neto, Sérgio Catalão, Sofia Santos, Teresa Gonçalves, Teresa Guedes, Vasco Antunes Pereira, Vasco Pedro, Vera Eiró, Vicente Huertas, Virgílio Lima, Vítor Domingues dos Santos, Vítor Rodrigues, Vítor Ribeirinho Página 34
A35 02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 822,4cm² Âmbito: Economia, Negócios. Period.: Diária Pág: 2 ID: 108875295 1 COSTA SERÁ ILIBADO DO PROCESSO... António Costa será ilibado ou não? Uma larga maioria dos inquiridos acredita que António Costa vai ser ilibado no processo-crime instaurado no Supremo Tribunal de Justiça, com sete em cada dez a apontarem para este resultado. • Não NS/NR 13.1% 16,2% Fonte: Intercampus FICHA TÉCNICA Objetivo: Sondagem realizada pela Intercampus para a CMTV, com o objetivo de conhecer a opinião dos portugueses sobre diversos temas da política nacional, incluindo a intenção de voto em eleições legislativas. Universo: População portuguesa, com 18 e mais anos de idade, eleitoralmente recenseada, residente em Portugal Continental. Amostra: A amostra é constituída por 611 entrevistas, com distribuição proporcional por género, idade e região. Seleção da amostra: A seleção do lar fez-se através da geração aleatória de números de telefone fixo / móvel. No lar a seleção do respondente foi realizada através do método de quotas de género e idade (3 grupos). Foi elaborada uma matriz de quotas por Região (NUTSII), género e idade, com base nos dados do Recenseamento Eleitoral da População Portuguesa (31/12/2020) da Direção Geral da Administração Interna (DGAI). Recolha da informação: A informação foi recolhida através de entrevista telefónica, em total privacidade. Os trabalhos de campo decorreram de 18 a 21 de dezembro de 2023. Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de 4,0%. Taxa de resposta: A taxa de resposta obtida neste estudo foi de: 62,1%. HOME PAGE PAULO RIBEIRO PINTO [email protected] ...MAS COM CARREIRA POLÍTICA EM DÚVIDA Acha que deve voltar à carreira política? Há uma clara divisão entre os inquiridos do barómetro de dezembro, com 43,4% a considerarem que deve regressar e 42,9% a indicarem o oposto. Um empate técnico entre as duas opções. • NS/NR 13,7% Mais de 70% dos portugueses acreditam que o primeiro-ministro demissionário acabará por ser ilibado no processo- -crime que decorre da "Operação Influencer", mas há uma clara divisão sobre o futuro da carreira política de António Costa. Olivier Matthys/Epa U m parágrafo, escrito pela Procuradora- - Geral da República, bastou para provocar a demissão do primeiro-ministro, mas não convence a maioria dos portugueses sobre o envolvimento de António Costa nos crimes invocados na "Operação Influencer". De acordo com os resultados do barómetro da Intercampus para o CM, a CMTV e o Negócios, sete em cada dez portugueses acreditam que Costa será ilibado do processo-crime instaurado 110 Supremo Tribunal de .Justiça a 17 de outubro. Apenas 13% estão convictos de que o primeiro-ministro será considerado culpado. Há um pouco mais de 16% dos inquiridos que não sabem ou não respondem. António Costa apresentou a demissão no dia 7 de novembro, depois de divulgado um comunicado do Ministério Público dando conta, no último parágrafo, da investigação ao primeiro-ministro na sequência da operação que levou a buscas na residência oficial do chefe do Governo. Nesse d ia de manhã, tinham sido detidos o chefe de gabi nete, Vítor Escária, oconsultoreamigo de Costa, Diogo Lacerda Machado, e o presidente da câmara de Sines, Nuno Mascarenhas. Todos viriam a ser libertados com o juiz a considerar não haver indícios fortes de corrupção e prevaricação. Também o então ministro das Infraestruturas, João Galamba, foi constituído arguido. António Costa apresentou a demissão no dia 7 de novembro. O Presidente convocou eleições para IO de março. Em causa estão os negócios de construção de um centro de dados na Zona Industrial e Logística de Sines pela sociedade Start Campus (que levou a detenções e à constituição de arguidos), as concessões de exploração de lítio em Montalegre e Boticas e um projeto de hidrogénio em Sines. Questionados sobre a capacidade de Antón io Costa regressar à vida política ativa, veriflca-se uma clara divisão entre os inquiridos, o que, noentenderda Intercampus, surpreende dada a resposta à pergunta sobre o resultado da investigação ao primeiro-ministro. Com efeito, 43,4% consideram que Costa deve prosseguir a sua carreira política, enquanto 42,9% indicam que não o deveria fazer. Em todo o caso, as respostas apontam para cargos externos como o Parlamento Europeu ou o Conselho Europeu, havendo, no entanto, muita indecisão (40,1%). Oito anos de Costa dividem O inquérito da Intercampus procurou também perceber que balanço fazem os portugueses de oito anos de governação de António Costa E há praticamente um empate entre os entusiastas (41,7%) e os desiludidos (43,7%) sobreoque foi feito desde o final de 2015 e este ano. Cerca de 15% não sabem ou não responderam à pergunta. Questionados sobre as áreas em que veem uma atuação positiva e negativa, 41% consideram que a saúde leva a classificação de pior desempenho, segue-se a habitação, com um quinto a dar nota negativa. Já a gestão da dívida pública é vista por 29% dos inquiridos como a área que teve a melhor execução. • 70,7% Fonte: Intercampus Página 35
A36 02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 1688,6cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 16-17,1 ID: 108874647 1 Oito fornecedores com prémio de qualidade suspenso por causa da Operação Gota d’Água A Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) suspendeu a entrega do “selo da qualidade exemplar de água para consumo humano” de 2023 à empresa Águas de Gondomar e aos municípios de Miranda do Douro, Armamar, São João da Pesqueira, Vila Nova de Foz Côa, Almeida, Mêda e Figueira de Castelo Rodrigo, que gerem o abastecimento de água nos respectivos concelhos. Em causa está o facto de estas entidades recorrerem ao laboratório de Mirandela que está a ser investigado pela Polícia Judiciária por fraudes na análise de águas para consumo humano e águas residuais. A suspensão, que abrange, de todos os clientes do Laboratório Regional de Trás-os-Montes (LRTM), apenas aqueles que, ainda em Outubro, tinham sido incluídos na lista de 89 entidades gestoras com “qualidade exemplar” da água, não signiÆca que a água para consumo humano nos municípios abrangidos não tenha qualidade. A questão é que o prémio tem por base o relatório anual da actividade de 227 entidades que prestam este serviço em todo o país, um documento produzido em 2023, mas com dados do ano de 2022, quando o LRTM estava em plena actividade e, alegadamente, a falsear, a pedido e em conluio com vários clientes, os resultados de análises à água. Em resposta a várias perguntas feitas pelo PÚBLICO, a ERSAR não especiÆcou as razões pelas quais tomou a decisão — mas incluiu-a num rol de medidas que tomou neste “contexto excepcional”, visando todas as entidades com relações com o laboratório. No caso do prémio, esclarece, o que houve foi “uma suspensão, que será reavaliada logo que haja uma clariÆcação superveniente no âmbito dos resultados da operaEntidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos tomou medida cautelar após operação judicial contra fraudes com análises a partir de um laboratório de Mirandela, entretanto encerrado ção em curso e da responsabilidade apurada pelos órgãos de acção penal”, explicou a direcção do regulador, através do seu gabinete de imprensa. Já a autarquia de Miranda do Douro respondeu a questões do PÚBLICO garantindo que mantém a água da torneira, na sua área de actuação, segura. E acrescenta “que foi ela própria a pedir a suspensão da atribuição do selo “após ter tido conhecimento do processo Gota d’Água, “até ao cabal esclarecimento dos factos” relativos ao município. “Assinale-se que, até ao momento, não temos conhecimento, nem fomos confrontados com quaisquer factos que ponham em causa os resultados analíticos obtidos da qualidade da água municipal ou que associem este município ou algum colaborador com responsabilidade no tratamento e controlo de qualidade das águas de abastecimento público municipais a qualquer fraude, tendo as buscas ocorridas sido explicadas por utilizarmos o laboratório visado e para recolha de elementos visando o apuramento de quaisquer eventuais irregularidades”, explicou esta autarquia da raia, por email. Laboratório fechou Segundo a PJ, a Operação Gota d’Água “tem por objecto a actividade fraudulenta” do LRTM, um laboratório responsável pela colheita e análise de águas” destinadas a consumo humano, águas residuais, águas balneares, piscinas, captações, ribeiras, furos e poços, estando em causa crimes de abuso de poder, falsidade informática, falsiÆ# cação de documento agravado, associação criminosa, prevaricação, propagação de doença e falsiÆcação de receituário, como então explicou o director do Departamento de Investigação Criminal de Vila Real daquela polícia. Abel Coentrão Em causa estão análises realizadas a águas destinadas a consumo humano, águas residuais ou águas balneares As câmaras de Miranda do Douro, Mogadouro, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Flor e Mirandela, no distrito de Bragança, conÆrmaram na altura terem sido alvo de buscas no âmbito desta operação. No total, foram realizadas 60 buscas domiciliárias e não domiciliárias, visando cidadãos, empresas e entidades públicas nos distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, Guarda, Lisboa, Porto, Vila Real e Viseu”. A operação, levada a cabo no âmbito de um inquérito titulado pelo Ministério Público — DIAP Regional do Porto, teve uma consequência imediata: a suspensão da actividade do laboratório, por tempo indeterminado, ao deixar “de reunir as condições técnicas de acreditação necessárias para o prosseguimento da sua actividade”, como admitiu, na altura, um seu responsável à Lusa. A respectiva directora foi, dos 19 detidos para interrogatório, a única visada a Æcar em prisão domiciliária. Os restantes arguidos que são funcionários e dirigentes do LRTM, instalado, desde 1994, no Complexo do Cachão, em Mirandela, e dirigentes e eleitos locais das câmaras municipais e empresas concessionárias com suspeita de envolvimento na falsiÆcação de análises a água e às águas residuais tratadas, foram suspensos de funções. A falsiÆcação, sustentou a PJ, “visava reduzir os custos do laboratório, colocando em causa a conÆança e Æabilidade dos resultados das análises e, consequentemente, a qualidade da água ingerida diariamente pelas comunidades”. ERSAR reforçou controlo Em consequência da investigação da PJ, a ERSAR garante que “reforçou, no curto prazo, as campanhas de monitorização” que contrata directamente, e cujos resultados servem para confrontação com os que lhe são entregues pelas entidades gestoras. Com responsabilidades também na acreditação dos laboratórios, em conjunto com o Instituto Português da Acreditação, o regulador mostra ainda assim plena conÆança no sistema de controlo, que — considerando a excepcionalidade destes caso — ajudou Portugal a atingir níveis excepcionalmente bons de água para consumo humano. Sistema de ‘controlo robusto’ Em Portugal, desde 2007, segundo a ERSAR, “foi delineado e implementado um modelo de controlo da Æabilidade dos resultados analíticos do controlo legal da qualidade da água para consumo humano, sustentado pela acreditação, como garantia da competência técnica dos laboratórios de ensaios, e por uma lista de laboratórios aptos, publicitada pela ERSAR, que discrimina todos aqueles que, querendo prestar este tipo de serviço, cumprem o critério da acreditação, bem como Local Laboratório suspeito de falsiƊcar resultados de análises da água Segundo a PJ, a falsiÄcação “visava reduzir os custos do laboratório, colocando em causa a conÄança dos resultados das análises” Página 36
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 1688,6cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 16-17,1 ID: 108874647 2 DANIEL ROCHA trolo legal da qualidade da água para consumo humano é efectuada dando cumprimento aos requisitos legais”. O sistema montado implica responsabilidades cruzadas entre os fornecedores de serviço — e destes há os que entregam água em alta e os que, no designado “serviço em baixa”, o levam às nossas casas, tendo todos de entregar planos anuais de controlo —, o regulador e as autoridades de saúde pública. Estas têm poderes para pedir análises, quando são confrontadas com possíveis casos de perda de qualidade ou contaminação com impacto na saúde. Mas, como se percebe do pouco que se conhece deste caso, apesar de toda esta solidez, é possível falsear resultados. Sector atento ao caso Os prémios da ERSAR foram entregues no congresso do sector que decorreu no Ænal de Novembro, em Gondomar. O encontro, que junta praticamente todos os agentes públicos e privados envolvidos neste tipo de serviço essencial, é uma organização da APDA — a Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas. Realizado, este ano, poucos dias após a operação da PJ, não era outro, nos corredores, o tema principal das conversas, como adiantou ao PÚBLICO um dos presentes. Contactada pelo PÚBLICO, a APDA admitiu estar a acompanhar com o maior interesse os desenvolvimentos do processo Gota d’Água. Mas “por considerar que ainda não existe suÆciente informação recolhida e analisada”, recusou, para já, comentar o caso, reiterando apenas “a conÆança que deposita na ERSAR, como entidade reguladora do sector”. Sob anonimato, uma fonte com décadas de experiência no sector aÆrmou-se “surpreendido” com um caso que considera, nas dimensões e características até aqui conhecidas “inédito”, tendo em conta, insistiu, de que se está a falar “de um produto altamente controlado”. A conÆrmar-se o que se foi lendo, “é escao esclarecimento deste caso essencial também para manter a conÆança dos consumidores na água que lhes chega a casa, num país em que, apesar de a água da rede pública ser, em 99% dos casos, segura, por motivações várias, a opção pela engarrafada atinge valores elevados, com óbvios impactos ambientais na produção de resíduos de plástico, como ainda em 2023 alertava a ONU. Em contraponto a esta opção dos consumidores, numa consulta ao site da ERSAR, lê-se que das 5500 reclamações feitas por cidadãos e cidadãs nos respectivos serviços de abastecimento a insatisfação tem, na maior parte dos casos (42%) motivos associados à facturação. “A qualidade da água”, frisa o regulador, “continua a ser o aspecto menos contestado (2 %), o que se poderá atribuir a um bom desempenho da generalidade das entidades gestoras no controlo da qualidade da água e na comunicação dos respectivos resultados aos consumidores”. broso”, classiÆca, mantendo, então, a esperança de que as falsiÆcações, a terem acontecido, não tenham posto em risco a saúde das pessoas. Temos um sistema de controlo “muito blindado, mas, como se percebe, nada, aÆnal, é blindado”, comenta a mesma fonte, esperando que deste caso se retirem aprendizagens que melhorem, ainda mais, a solidez do controlo de qualidade da água. A própria ERSAR aÆrmou ao PÚBLICO estar “certa de que também as entidades gestoras dos sistemas públicos de distribuição de água olharão para todos estes desenvolvimentos como uma oportunidade de melhoria no âmbito dos seus planos de Prevenção dos Riscos e Infracções Conexas”. Manter conÄança na água Muitos dos parâmetros tipiÆcados para deÆnição da qualidade da água não são perceptíveis ao abrir-se a torneira ou até ao beber-se água da rede pública. Esta evidência torna alguns critérios adicionais que a ERSAR valida na análise dos certiÆ# cados de acreditação”. “Trata-se”, acrescenta a entidade reguladora “de um modelo de controlo robusto e, para além da sua implementação e de todos os procedimentos já descritos, a ERSAR realiza anualmente campanhas de monitorização (feitas por amostragem) para avaliar se os resultados que [lhe] são enviados pelas entidades gestoras correspondem aos que são obtidos de forma independente nestas campanhas”. Motorização cruzada Segundo a ERSAR, “os resultados destas acções anuais não têm evidenciado discrepâncias signiÆcativas em termos de resultados analíticos” entre os dados que recolhe e os que lhes são entregues pelas entidades que gerem o serviço, no âmbito dos respectivos planos de Controlo da Qualidade da Água. Isto, para o supervisor do sector, “é demonstrativo de que a generalidade do con- “Há quem beba esta água?” N uma conferência de imprensa após a operação, o director da PJ de Vila Real admitia que, para além de mascarar a falta de qualidade da água, nalguns parâmetros, a falsificação de amostras pode ter posto em risco a saúde da população, embora, naquele momento, não tivesse provas de qual tivesse acontecido. Algumas escutas reveladas pela TVI nos dias subsequentes à operação da PJ revelam, no entanto, o grau de despreocupação dos envolvidos quanto a esse risco — e a preocupação de outros, como uma funcionária do laboratório que, dirigindo-se a uma superiora, pergunta: “Será que há pessoas que bebem desta água? É que isto está muito mau, doutora.” O esquema fraudulento teria várias fórmulas, mas uma, óbvia, passava por recolher água noutro ponto que não o predeterminado, ou com qualquer suspeita de contaminação, de modo a que a análise reflectisse outros resultados. Chegava-se ao cúmulo de mandar ferver água, usando esta amostra, depois de esfriar. Assim era possível manter em funcionamento uma piscina municipal, ou uma captação de água, consoante o interesse do cliente. Noutra quebra do protocolo de análises, a própria entidade gestora — um município accionista do laboratório, no caso — fazia ela própria a recolha e adulteração da água, acrescentando cloro, por exemplo, para só depois esta ser analisada. Entre conversas que indiciam, nalgumas situações, um elevado grau de despreocupação com os actos em causa e com o seu potencial impacto na saúde das populações e na própria confiança no sistema público de abastecimento, é notório também a tentativa de dar a volta à intervenção de várias entidades públicas, que tentavam fazer correctamente o seu trabalho: encerrando captações, no caso de uma autoridade de saúde, ou pondo em causa a qualidade do tratamento de águas residuais, no caso da Agência Portuguesa do Ambiente. Pelo que se percebe também nas escutas, havia autarquias que eram clientes de um laboratório do qual são, simultaneamente, accionistas, directa ou indirectamente. Segundo a própria PJ, o LRTM está constituído no regime de sociedade por quotas, com capitais distribuídos em 50% por uma empresa multinacional do sector e os restantes 50% com capital público. Este reparte-se, equitativamente, entre a Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana e seis municípios da região. Abel Coentrão Página 37
02-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 1688,6cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 16-17,1 ID: 108874647 3 A Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) suspendeu a entrega do “selo da qualidade exemplar de água para consumo humano” de 2023 à empresa Águas de Gondomar e a um conjunto de sete municípios da região norte que gerem os sistemas de abastecimento de água nos respectivos concelhos. Em causa está o facto de estas entidades recorrerem ao laboratório de Mirandela que está a ser investigado pela Polícia Judiciária no quadro da Operação Gota d’Água, por fraudes na análise de águas para consumo humano e águas residuais Local, 16/17 Oito fornecedores com prémio de qualidade suspenso por causa da Operação Gota d’Água Página 38
A39 02-01-2024 | PÚBLICO PORTO Meio: Imprensa País: Portugal Área: 1698,12cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 16-17,1 ID: 108874643 1 Oito fornecedores com prémio de qualidade suspenso por causa da Operação Gota d’Água A Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) suspendeu a entrega do “selo da qualidade exemplar de água para consumo humano” de 2023 à empresa Águas de Gondomar e aos municípios de Miranda do Douro, Armamar, São João da Pesqueira, Vila Nova de Foz Côa, Almeida, Mêda e Figueira de Castelo Rodrigo, que gerem o abastecimento de água nos respectivos concelhos. Em causa está o facto de estas entidades recorrerem ao laboratório de Mirandela que está a ser investigado pela Polícia Judiciária por fraudes na análise de águas para consumo humano e águas residuais. A suspensão, que abrange, de todos os clientes do Laboratório Regional de Trás-os-Montes (LRTM), apenas aqueles que, ainda em Outubro, tinham sido incluídos na lista de 89 entidades gestoras com “qualidade exemplar” da água, não signiÆca que a água para consumo humano nos municípios abrangidos não tenha qualidade. A questão é que o prémio tem por base o relatório anual da actividade de 227 entidades que prestam este serviço em todo o país, um documento produzido em 2023, mas com dados do ano de 2022, quando o LRTM estava em plena actividade e, alegadamente, a falsear, a pedido e em conluio com vários clientes, os resultados de análises à água. Em resposta a várias perguntas feitas pelo PÚBLICO, a ERSAR não especiÆcou as razões pelas quais tomou a decisão — mas incluiu-a num rol de medidas que tomou neste “contexto excepcional”, visando todas as entidades com relações com o laboratório. No caso do prémio, esclarece, o que houve foi “uma suspensão, que será reavaliada logo que haja uma clariÆcação superveniente no âmbito dos resultados da operaEntidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos tomou medida cautelar após operação judicial contra fraudes com análises a partir de um laboratório de Mirandela, entretanto encerrado ção em curso e da responsabilidade apurada pelos órgãos de acção penal”, explicou a direcção do regulador, através do seu gabinete de imprensa. Já a autarquia de Miranda do Douro respondeu a questões do PÚBLICO garantindo que mantém a água da torneira, na sua área de actuação, segura. E acrescenta “que foi ela própria a pedir a suspensão da atribuição do selo “após ter tido conhecimento do processo Gota d’Água, “até ao cabal esclarecimento dos factos” relativos ao município. “Assinale-se que, até ao momento, não temos conhecimento, nem fomos confrontados com quaisquer factos que ponham em causa os resultados analíticos obtidos da qualidade da água municipal ou que associem este município ou algum colaborador com responsabilidade no tratamento e controlo de qualidade das águas de abastecimento público municipais a qualquer fraude, tendo as buscas ocorridas sido explicadas por utilizarmos o laboratório visado e para recolha de elementos visando o apuramento de quaisquer eventuais irregularidades”, explicou esta autarquia da raia, por email. Laboratório fechou Segundo a PJ, a Operação Gota d’Água “tem por objecto a actividade fraudulenta” do LRTM, um laboratório responsável pela colheita e análise de águas” destinadas a consumo humano, águas residuais, águas balneares, piscinas, captações, ribeiras, furos e poços, estando em causa crimes de abuso de poder, falsidade informática, falsiÆ# cação de documento agravado, associação criminosa, prevaricação, propagação de doença e falsiÆcação de receituário, como então explicou o director do Departamento de Investigação Criminal de Vila Real daquela polícia. Abel Coentrão Em causa estão análises realizadas a águas destinadas a consumo humano, águas residuais ou águas balneares As câmaras de Miranda do Douro, Mogadouro, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Flor e Mirandela, no distrito de Bragança, conÆrmaram na altura terem sido alvo de buscas no âmbito desta operação. No total, foram realizadas 60 buscas domiciliárias e não domiciliárias, visando cidadãos, empresas e entidades públicas nos distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, Guarda, Lisboa, Porto, Vila Real e Viseu”. A operação, levada a cabo no âmbito de um inquérito titulado pelo Ministério Público — DIAP Regional do Porto, teve uma consequência imediata: a suspensão da actividade do laboratório, por tempo indeterminado, ao deixar “de reunir as condições técnicas de acreditação necessárias para o prosseguimento da sua actividade”, como admitiu, na altura, um seu responsável à Lusa. A respectiva directora foi, dos 19 detidos para interrogatório, a única visada a Æcar em prisão domiciliária. Os restantes arguidos que são funcionários e dirigentes do LRTM, instalado, desde 1994, no Complexo do Cachão, em Mirandela, e dirigentes e eleitos locais das câmaras municipais e empresas concessionárias com suspeita de envolvimento na falsiÆcação de análises a água e às águas residuais tratadas, foram suspensos de funções. A falsiÆcação, sustentou a PJ, “visava reduzir os custos do laboratório, colocando em causa a conÆança e Æabilidade dos resultados das análises e, consequentemente, a qualidade da água ingerida diariamente pelas comunidades”. ERSAR reforçou controlo Em consequência da investigação da PJ, a ERSAR garante que “reforçou, no curto prazo, as campanhas de monitorização” que contrata directamente, e cujos resultados servem para confrontação com os que lhe são entregues pelas entidades gestoras. Com responsabilidades também na acreditação dos laboratórios, em conjunto com o Instituto Português da Acreditação, o regulador mostra ainda assim plena conÆança no sistema de controlo, que — considerando a excepcionalidade destes caso — ajudou Portugal a atingir níveis excepcionalmente bons de água para consumo humano. Sistema de ‘controlo robusto’ Em Portugal, desde 2007, segundo a ERSAR, “foi delineado e implementado um modelo de controlo da Æabilidade dos resultados analíticos do controlo legal da qualidade da água para consumo humano, sustentado pela acreditação, como garantia da competência técnica dos laboratórios de ensaios, e por uma lista de laboratórios aptos, publicitada pela ERSAR, que discrimina todos aqueles que, querendo prestar este tipo de serviço, cumprem o critério da acreditação, bem como Local Laboratório suspeito de falsiƊcar resultados de análises da água Segundo a PJ, a falsiÄcação “visava reduzir os custos do laboratório, colocando em causa a conÄança dos resultados das análises” Página 39
02-01-2024 | PÚBLICO PORTO Meio: Imprensa País: Portugal Área: 1698,12cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 16-17,1 ID: 108874643 2 DANIEL ROCHA trolo legal da qualidade da água para consumo humano é efectuada dando cumprimento aos requisitos legais”. O sistema montado implica responsabilidades cruzadas entre os fornecedores de serviço — e destes há os que entregam água em alta e os que, no designado “serviço em baixa”, o levam às nossas casas, tendo todos de entregar planos anuais de controlo —, o regulador e as autoridades de saúde pública. Estas têm poderes para pedir análises, quando são confrontadas com possíveis casos de perda de qualidade ou contaminação com impacto na saúde. Mas, como se percebe do pouco que se conhece deste caso, apesar de toda esta solidez, é possível falsear resultados. Sector atento ao caso Os prémios da ERSAR foram entregues no congresso do sector que decorreu no Ænal de Novembro, em Gondomar. O encontro, que junta praticamente todos os agentes públicos e privados envolvidos neste tipo de serviço essencial, é uma organização da APDA — a Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas. Realizado, este ano, poucos dias após a operação da PJ, não era outro, nos corredores, o tema principal das conversas, como adiantou ao PÚBLICO um dos presentes. Contactada pelo PÚBLICO, a APDA admitiu estar a acompanhar com o maior interesse os desenvolvimentos do processo Gota d’Água. Mas “por considerar que ainda não existe suÆciente informação recolhida e analisada”, recusou, para já, comentar o caso, reiterando apenas “a conÆança que deposita na ERSAR, como entidade reguladora do sector”. Sob anonimato, uma fonte com décadas de experiência no sector aÆrmou-se “surpreendido” com um caso que considera, nas dimensões e características até aqui conhecidas “inédito”, tendo em conta, insistiu, de que se está a falar “de um produto altamente controlado”. A conÆrmar-se o que se foi lendo, “é escao esclarecimento deste caso essencial também para manter a conÆança dos consumidores na água que lhes chega a casa, num país em que, apesar de a água da rede pública ser, em 99% dos casos, segura, por motivações várias, a opção pela engarrafada atinge valores elevados, com óbvios impactos ambientais na produção de resíduos de plástico, como ainda em 2023 alertava a ONU. Em contraponto a esta opção dos consumidores, numa consulta ao site da ERSAR, lê-se que das 5500 reclamações feitas por cidadãos e cidadãs nos respectivos serviços de abastecimento a insatisfação tem, na maior parte dos casos (42%) motivos associados à facturação. “A qualidade da água”, frisa o regulador, “continua a ser o aspecto menos contestado (2 %), o que se poderá atribuir a um bom desempenho da generalidade das entidades gestoras no controlo da qualidade da água e na comunicação dos respectivos resultados aos consumidores”. broso”, classiÆca, mantendo, então, a esperança de que as falsiÆcações, a terem acontecido, não tenham posto em risco a saúde das pessoas. Temos um sistema de controlo “muito blindado, mas, como se percebe, nada, aÆnal, é blindado”, comenta a mesma fonte, esperando que deste caso se retirem aprendizagens que melhorem, ainda mais, a solidez do controlo de qualidade da água. A própria ERSAR aÆrmou ao PÚBLICO estar “certa de que também as entidades gestoras dos sistemas públicos de distribuição de água olharão para todos estes desenvolvimentos como uma oportunidade de melhoria no âmbito dos seus planos de Prevenção dos Riscos e Infracções Conexas”. Manter conÄança na água Muitos dos parâmetros tipiÆcados para deÆnição da qualidade da água não são perceptíveis ao abrir-se a torneira ou até ao beber-se água da rede pública. Esta evidência torna alguns critérios adicionais que a ERSAR valida na análise dos certiÆ# cados de acreditação”. “Trata-se”, acrescenta a entidade reguladora “de um modelo de controlo robusto e, para além da sua implementação e de todos os procedimentos já descritos, a ERSAR realiza anualmente campanhas de monitorização (feitas por amostragem) para avaliar se os resultados que [lhe] são enviados pelas entidades gestoras correspondem aos que são obtidos de forma independente nestas campanhas”. Motorização cruzada Segundo a ERSAR, “os resultados destas acções anuais não têm evidenciado discrepâncias signiÆcativas em termos de resultados analíticos” entre os dados que recolhe e os que lhes são entregues pelas entidades que gerem o serviço, no âmbito dos respectivos planos de Controlo da Qualidade da Água. Isto, para o supervisor do sector, “é demonstrativo de que a generalidade do con- “Há quem beba esta água?” N uma conferência de imprensa após a operação, o director da PJ de Vila Real admitia que, para além de mascarar a falta de qualidade da água, nalguns parâmetros, a falsificação de amostras pode ter posto em risco a saúde da população, embora, naquele momento, não tivesse provas de qual tivesse acontecido. Algumas escutas reveladas pela TVI nos dias subsequentes à operação da PJ revelam, no entanto, o grau de despreocupação dos envolvidos quanto a esse risco — e a preocupação de outros, como uma funcionária do laboratório que, dirigindo-se a uma superiora, pergunta: “Será que há pessoas que bebem desta água? É que isto está muito mau, doutora.” O esquema fraudulento teria várias fórmulas, mas uma, óbvia, passava por recolher água noutro ponto que não o predeterminado, ou com qualquer suspeita de contaminação, de modo a que a análise reflectisse outros resultados. Chegava-se ao cúmulo de mandar ferver água, usando esta amostra, depois de esfriar. Assim era possível manter em funcionamento uma piscina municipal, ou uma captação de água, consoante o interesse do cliente. Noutra quebra do protocolo de análises, a própria entidade gestora — um município accionista do laboratório, no caso — fazia ela própria a recolha e adulteração da água, acrescentando cloro, por exemplo, para só depois esta ser analisada. Entre conversas que indiciam, nalgumas situações, um elevado grau de despreocupação com os actos em causa e com o seu potencial impacto na saúde das populações e na própria confiança no sistema público de abastecimento, é notório também a tentativa de dar a volta à intervenção de várias entidades públicas, que tentavam fazer correctamente o seu trabalho: encerrando captações, no caso de uma autoridade de saúde, ou pondo em causa a qualidade do tratamento de águas residuais, no caso da Agência Portuguesa do Ambiente. Pelo que se percebe também nas escutas, havia autarquias que eram clientes de um laboratório do qual são, simultaneamente, accionistas, directa ou indirectamente. Segundo a própria PJ, o LRTM está constituído no regime de sociedade por quotas, com capitais distribuídos em 50% por uma empresa multinacional do sector e os restantes 50% com capital público. Este reparte-se, equitativamente, entre a Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana e seis municípios da região. Abel Coentrão Página 40
02-01-2024 | PÚBLICO PORTO Meio: Imprensa País: Portugal Área: 1698,12cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 16-17,1 ID: 108874643 3 A Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) suspendeu a entrega do “selo da qualidade exemplar de água para consumo humano” de 2023 à empresa Águas de Gondomar e a um conjunto de sete municípios da região norte que gerem os sistemas de abastecimento de água nos respectivos concelhos. Em causa está o facto de estas entidades recorrerem ao laboratório de Mirandela que está a ser investigado pela Polícia Judiciária no quadro da Operação Gota d’Água, por fraudes na análise de águas para consumo humano e águas residuais Local, 16/17 Oito fornecedores com prémio de qualidade suspenso por causa da Operação Gota d’Água Página 41
A42 RTP1 - Bom Dia Portugal Duração: 00:01:21 OCS: RTP1 - Bom Dia Portugal ID: 108876013 02-01-2024 06:02 1 1 1 Mensagem de Ano Novo de Marcelo Rebelo de Sousa http://www.pt.cision.com/s/?l=97abf5d6 O Presidente diz que se espera mais do futuro do que aquilo que foi realizado em 50 anos de democracia. Nesta mensagem de Ano Novo, Marcelo defende que deve haver menos pobreza, menos corrupção e menos desilusão dos jovens. Repetições: RTP1 - Bom Dia Portugal , 2024-01-02 07:00 RTP1 - Bom Dia Portugal , 2024-01-02 08:09 Página 42
A43 01-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 785,3cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 14,1 ID: 108874902 1 tf.ir, Dezenas de vitimas A arguida está acusada de dezenas de crimes de burla, branqueamento de capitais e falsificação de documentos. A maior pane das dezenas de vitimas são da zona centro do país, sobretudo de Aveiro e Oliveira do Bairro. Arguida tinha "plano" O Ministério Público considera que a arguida agiu "sempre movida pelo mesmo plano" e intitulando-se "agente de investimentos financeiros", convenceu "as pessoas com quem contactava a entregarem-lhe quantias monetárias". Julgada por sacar fortuna a investidores com "jogo da bolha" Diogo Luís e outros ex-jogadores entre dezenas de vítimas de esquema em Aveiro que prometia lucros fabulosos | ESQUEMA "Ponzi" com cadastro em todo o Mundo O esquema Ponzi (que recebeu o nome do seu inventor no inicio do século passado, Charles Ponzi)está na origem de dezenas de fraudes e prisões pelo Mundo fora. Consiste em promessas de lucros extraordinários que vão sendo pagos com o dinheiro dos novos investidores, até que estes começam a falhar. As verbas aplicadas deixam de ter retorno e as dívidas acumulam se até a "bolha" rebentar. Um dos golpes mais conhecidos teve como autor Bernard MadofF, que chegou a presidir ao Nasdaq norte - americano (o segundo maior mercado de valores mundial. Pres o e m 2009 , fo i condenado por uma fraude no valor de 65 mil milhões de dólares. Morreu na cadeia em finais de 2021 . «- Dezenas de pessoas viram centenas de milhares de euros investidos J esfumar-se Óscar Queirós [email protected] PROCESSO Acusando-a de burla, o Ministério Público (MP) diz que em pouco tempo e com promessas de lucros mirabolantes, uma mulher sacou mais de meio milhão a investidores. No julgamento, que já teve início no Tribunal de Aveiro, a defesa diz que vai demonstrar não ter havido crime nenhum e que "só perderam os movidos pela ganância". Um dos que investiram no "jogo da bolha" e perderam foi o comentador televisivo e ex-futebolista Diogo Luís. O esquema começou em 2008 e prosseguiu até 2013. Alardeando ter "acesso a informações privilegiadas sobre cotações bolsistas" e vastos conhecimentos nas bolsas e noutros negócios, designadamente de metais e petróleo, a mulher prometia lucros rápidos e chorudos. O esquema, "de burla", segundo o MP, levou dezenas de pessoas a passarem- -lhe para a mão mais de 600 mil euros. Aníbal Pinto, defensor da arguida, desmente a acusação e diz que o que aconteceu foi "um jogo da roda ou da bolha que assenta num esquema Ponzi" (ver caixa), em que "os investidores movidos pela ganância, têm de trazer outros investidores e assim os primeiros ganham muito dinheiro e os outros inevitavelmente perdem". DE DEZ MIL A165 MIL EUROS Segundo a acusação, a mulher, de 48 anos, de Vila Nova de Gaia, profissionalmente ligada a assuntos de beleza, tinha um discurso convincente e aparentemente esclarecido. Dizia ela que duplicava qualquer investimento em menos de uma semana. Nas vezes em que isso não aconteceu, houve investidores que, fartos de esperar, foram ao seu encontro e acabaram ainda mais prejudicados. A arguida terá tido argumentos suficientes para os convencer a investir mais, com a promessa de receberem "a quadruplicar" o dinheiro aplicado. Os investimentos mais comuns iam dos dez mil aos 16S mil euros. Diogo Luís, ex-futebolista do Beira Mar, é funcionário bancário, atividade que agora acumula com comentários ao futebol, em programas na CNN Portugal. Sucumbiu, garantiu no processo, à conversa de um amigo, também ex-futebolista do Beira-Mar (Bruno Baltazar) que lhe terá falado dos lucros fabulosos que obteria se aplicasse as poupanças "num esquema de investimento". O antigo jogador investiu 20 mil euros no negócio. E tanto acreditou que levou a própria cunhada a "apostar" lá mais dez mil. Porém, a coisa não correu como o amigo lhe dissera e o dinheiro foi-se, apesar de todas as tentativas para o recuperar. Diogo Luís decidiu reembolsar a cunhada. Como Diogo Luís, muitas outras pessoas, algumas delas seus ex-colegas futebolistas, foram convencidas por "amigos" e não pela arguida, que se "limitaria" a aceitar "novos investidores", até si levados por pessoas como Bruno e outros. E é por isso, convencido que o que se tratou foi de um "jogo da bolha", em que os primeiros clientes recebem capital e lucros ao levaram outros clientes - cujo investimento serve para recuperarem o seu - que Aníbal Pinto afirma que não se trata de burla. E a haver este crime, conclui o advogado, mais arguidos teriam de estar no processo. • Página 43
01-01-2024 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 785,3cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 14,1 ID: 108874902 2 Burla Jogo ilegal prometia fortunas e até famosos caíram P.M Página 44
A45 31-12-2023 Meio: Imprensa País: Portugal Área: 169,58cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Diária Pág: 25 ID: 108863739 1 OPINIÃO DEMOLIÇÃO Ministério Público quer mandar demolir prédio construído a 50 metros da duna, que foi ilegalmente licenciado em Vila do Conde. PLANEAMENTO Um SNS, sem previsão e planeamento, não conseguiu antecipar o surto de gripe, provocado pelo mau tempo e pelo Natal. Ajuste Directo Manifesto anti-cunha Paulo de Morais Professor universitário E hoje evidente que as gémeas luso-brasileiras, tratadas com o medicamento mais caro do mundo, beneficiaram de uma cunha intermediada pelo filho de Marcelo. Na discussão pública gerada ficou claro que o tráfico de influências e favores entre presidência, governo e câmaras constitui uma prática comum e inaceitável. Numa sociedade justa e democrática, as únicas cunhas admissíveis são aquelas em que alguém resolve um pequeno problema a um amigo - com a casa, as férias ou o desporto dos filhos - usando apenas e só os seus próprios meios. Mas já não são admissíveis as situações em que um político ou um agente do estado utiliza o seu estatuto para favorecer amigos e familiares, para antecipar uma consulta num hospital, acelerar um processo urbanístico ou agilizar um emprego. Este tipo de situação, quer haja ou não retribuições ocultas, que consiste na utilização de um poder público delegado para benefício particular tem um nome: corrupção. À consideração de Marcelo. Página 45
A46 31-12-2023 | ANO EM REVISTA Meio: Imprensa País: Portugal Área: 5074,98cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Anual Pág: 6-11,4,1 ID: 108864051 1 de Costfl A 'bomba atómica' que fez cair um Governo Ide maioria • absoluta 7 DE NOVEMBRO DE 2023 FICARÁ PARA SEMPRE NA HISTÓRIA DA POLÍTICA PORTUGUESA. NO CENTRO DO FURAÇÃO, UM PARÁGRAFO DE UM COMUNICADO DA PGR. "NO DECURSO DAS INVESTIGAÇÕES SURGIU (...) O CONHECIMENTO DA INVOCAÇÃO POR SUSPEITOS DO NOME E DA AUTORIDADE DO PRIMEIRO-MINISTRO E DA SUA INTERVENÇÃO PARA DESBLOQUEAR PROCEDIMENTOS. FOI UM DIA DIABÓLICO, QUE LEVOU À DEMISSÃO DE COSTA E À QUEDA DO GOVERNO Eduardo Dâmaso DIRETOR-GERAL EDITORIAL ADJUNTO RMOTA Página 46
31-12-2023 | ANO EM REVISTA Meio: Imprensa País: Portugal Área: 5074,98cm² Âmbito: Informação Geral Period.: Anual Pág: 6-11,4,1 ID: 108864051 Página 47 2