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Published by ㅤㅤㅤ ㅤㅤ, 2018-04-08 18:15:00

ㅤㅤㅤ ㅤㅤ

r/s/1**3*9*

CORTESIA DE JIM MARSHALL E REEL ART PRESS 1 2 Ansiedade Geral
1. Nesta imagem de Marshall, os detentos
Março, 2018 preparavam-se para receber Johnny Cash
e seus músicos; 2. Enquanto isso, nos
bastidores, June Carter e o grupo vocal
The Statler Brothers concentravam-se
para a performance.

a seu status de artista rebelde e anti-
convencional, também havia se tornado
ídolo da turma da contracultura e da
comunidade roqueira. No começo de
1968, ele aterrissou em Folsom, levan-
do junto seus músicos, que incluíam a
esposa, a cantora June Carter, os gui-
tarristas Carl Perkins e Luther Perkins,
o baixista Marshall Grant, o bateris-
ta W.S. Holland e o grupo vocal The
Statler Brothers. Mas não seria um
show qualquer – Cash iria gravar tudo
e lançar em LP. Para registrar visual-
mente o acontecimento, lá estava o fo-
tógrafo Jim Marshall.

Johnny Cash e Jim Marshall eram
amigos desde o começo daquela déca-
da. O cantor sabia que, para estar em
meio àquele ambiente, teria que contar
com um cara durão e com muita vivên-
cia. Marshall, então, era o sujeito cer-
to. Ele foi o único fotógrafo presente
ao evento e teve acesso não só ao palco
montado na cafeteria para a apresenta-
ção de Cash, mas também a outros am-
bientes da prisão.

As imagens de Jim Marshall cap-
turam com precisão a música visceral
e urgente de Johnny Cash. Em Fol-
som, foram dois shows, realizados no
dia 13 de janeiro de 1968. Antes de as

rollingstone.com.br | Rol l i ng S t on e Br a si l | 51

Johnny Cash

Johnny e June

Nesta página, imagens dos dois
artistas da música country que viveram
uma das mais intensas e conhecidas
histórias de amor do século 20. Logo
depois da histórica apresentação em
Folsom, eles finalmente se casaram.

apresentações acontecerem, Marshall
clicou Cash e sua trupe chegando de
ônibus aos imponentes e proibitivos
portões da prisão. Lá dentro, o cantor
interagiu com o estafe e também com
alguns dos encarcerados.

Por fim, teve o show, com a plateia se
conectando de forma orgânica ao ar-
tista que estava no palco cantando as
agruras da vida deles. Em faixas como
“25 Minutes to Go” (uma contagem re-
gressiva sobre um prisioneiro prestes a
ser executado por enforcamento), “Co-
caine Blues” (uma saga sobre vício, infi-

Johnny Cash dava alguma esperança e distração
àqueles homens endurecidos pela vida

delidade e assassinato) e “Green, Green
Grass of Home” (outra sobre uma exe-
cução iminente), eles viam suas vidas
refletidas. O encerramento, com o gos-
pel “Greystone Chapel”, oferecia reden-
ção e conforto espiritual.

O álbum At Folsom Prison, lançado
em maio de 1968, fez um sucesso enor-
me, e solidificou a imagem de Cash co-
mo artista “fora da lei”. Em 1969, Cash
repetiu a dose na prisão de San Quentin,
em outra performance memorável. Des-
te show foi lançado o single com o hit “A
Boy Named Sue”. Jim Marshall estava
lá novamente para clicar tudo. Johnny
Cash dava alguma esperança e distra-
ção àqueles homens endurecidos pela
vida e que lá cumpriam pena, alguns
deles até o final de sua existência.

Seleção de O livro Johnny Cash at Folsom de Folsom, nos deparamos CORTESIA DE JIM MARSHALL E REEL ART PRESS
Imagens & San Quentin foi lançado com um muro gigante de
Verdadeiras e pela editora Reel Art Press. A granito. Após passarmos
Impactantes obra ainda não tem previsão por um primeiro portão
de sair no mercado brasileiro, de ferro, os guardas então
Obra de Jim Marshall mas pode ser adquirida via nos levaram para uma área
compila fotos das importação. Jim Marshall, que de espera. Depois, fomos
apresentações de morreu em 2010, aos 74 anos, levados para dentro da prisão.
Johnny Cash em prisões foi um dos mais importantes Quando o segundo portão se
norte-americanas fotógrafos contemporâneos. fechou, fazendo um barulho
Anos depois de viver essas assustador, Johnny se virou
experiências, ele recordou os e me falou: ‘Jim, tem um
momentos ao lado de Cash sentimento de permanência
dentro das prisões federais: neste som’. E eu já começava a
“Quando adentramos a área pensar se iríamos sair de lá”. P.C.

52 | R o l l i n g S t o n e B r a s i l | rollingstone.com.br Março, 2018

EVistpaeltáculo

Johnny Cash posando
em frente aos portões
principais de Folsom.
(Acima) O cantor e seus
músicos agradecem
à plateia, logo após o
encerramento do show

CORTESIA DE JIM MARSHALL E REEL ART PRESS

Março, 2018 rollingstone.com.br | R ol l i n g S t o n e Br a s i l | 53

ARQUIVO RS

Uma viagem pelos arquivos da revista Rolling Stone

rs 881 – Novembro, 2001 Março, 2018

54 | R ol l i n g S t on e Br a s i l | rollingstone.com.br

Talento de Sobra DISCO DO MÊS

Alicia Keys despontava para o sucesso renovando a soul music Lenny Kravitz +++½

Com apenas 20 anos, alicia keys se Alicia comentava: “Eu tenho um profundo Lenny Virgin
tornava a nova sensação da black mu- amor pela música desde os 4 anos de idade.
sic, devido ao sucesso de Songs in A Ela está acima de tudo”. Na matéria, ficava neste novo
Minor, seu disco de estreia. Impulsionado claro que a garota nascida Alicia Augello álbum, Lenny
por “Fallin’”, uma balada gospel conduzida Cook em Manhattan, Nova York, não largava Kravitz casa a
pelo piano, o postura de as-
trabalho estava o piano por nada tro do rock
a caminho de – o “Keys” veio com sua mo-
vender 3 mi- por causa da de- desta ambição de artesão so-
lhões de cópias. nominação em noro – ele segue com poucas
O jornalista e inglês das teclas inovações musicais. Kravitz
crítico cultural do instrumento. aprendeu bem o ofício de re-
Touré Neblett, Ela contava que plicar os cacoetes dos anos
encarregado de havia estuda- 1970 e nesse clima vintage ele
escrever o perfil do piano clás- se sai bem. Em Lenny, cum-
de Alicia, usou sico dos 6 aos pre esse propósito. Os pontos
estas palavras 18 anos: “Tocar fracos do álbum surgem
para descrevê- música clássica quando o artista ousa atuali-
-la: “Ela é uma serve para refi- zar essas ideias, tropeçando
mulher negra que foi impactada por Prince, nar as habilida- nos momentos em que tenta
pelo hip-hop e pela música clássica. É uma des”, contava. Dizia que apesar do envolvi- incursionar pelo hip-hop. O
cantora e compositora com a beleza de uma mento com o mundo erudito o que a comovia trabalho levanta voo quando
rainha egípcia. Alicia demonstra a presença eram os sons de Marvin Gaye, Miles Davis, Kravitz aparece com riffs ma-
de divas como Janet Jackson e Toni Braxton, Nina Simone e outros. “Eles passam emoção, tadores, especialmente em
mas com a linguagem e a postura da rua”. Já algo real”, falava Alicia. “Era o que eu vivia, “Dig In” e “Bank Robber
o tipo de música pela qual eu me apaixonei.” Man”. Ele nunca foi o “novo
Jimi Hendrix”, como alguns
“EU ADORO OS PRELÚDIOS DE CHOPIN. A sugeriam, e fica mais à vonta-
OBRA DELE TEM ALGO PROFUNDO” ALICIA KEYS de na praia do classic rock, na
linha de Joe Walsh (Eagles),
como em “God Save Us All”,
que é a grande declaração de
Kravitz no disco. ROB SHEFFIELD

Viagem Surreal O Retorno do Bardo
Leonard Cohen quebrava o silêncio depois de quase uma década
O polêmico filme Cidade dos Sonhos
ganhava elogios na revista O cantor e compositor este movimento. Eu ele”. Cohen contava que
canadense retornava aos estava chegando aos no mosteiro cozinhava
Laura Harring e Naomi holofotes com Ten New 60 anos e o meu mestre para o mestre: “Eu fazia
Watts em cena do Songs, o primeiro disco se aproximando dos 90 sopa e salmão para
AP PHOTO/DENNIS KEELEY (LEONARD COHEN); DIVULGAÇÃO; REPRODUÇÃO filme de David Lynch dele em nove anos. O anos. Então, eu achei ele”, disse. Depois de
O crítico Peter Travers defendia Cidade dos jornalista Mark que deveria sair do retiro, Cohen
Sonhos, filme de David Lynch. Ele citava Binelli explicava passar mais comentou que estava
colegas jornalistas que não haviam gostado que Cohen havia tempo com se reconectando ao
da obra – estes decretaram que não passava permanecido mundo musical
de uma porção de cenas incoerentes ligadas quase dez anos e ouvindo outros
por um enredo que se assemelhava a um em um templo artistas: “Rufus
exercício freudiano. Travers escreveu: “A budista chamado Wainwright é um
jornada selvagem de Lynch pelo inconsciente Mount Baldy, no grande amigo da
tem raízes fincadas na emoção. É um prazer sul da Califórnia, minha filha, assim
pecaminoso que se mostra um triunfo para meditando, eu conheço o
o cineasta”. O jornalista também destacou escrevendo e estudando trabalho dele. Mas,
outras qualidades do filme, que, segundo ao lado do mestre, se você colocar
ele, tinha uma “ousadia visionária, erotismo Sasaki Joshu Roshi. O qualquer coisa na
suspirante e uma cinematografia tão artista explicou: “Eu minha frente, eu
cintilante como o brilho de um batom”. estou envolvido há ouço, de Eminem a
cerca de 30 anos com Leonard Cohen e a vida de monge.
(No detalhe) A capa de Ten New Songs Spice Girls”.

Março, 2018 rollingstone.com.br | R ol l i n g S t o n e Br a s i l | 55



Guia LIVROS | HQs.................................. Pág. 60
FILMES................................................. Pág. 62
BLU-RAY | DVDs .......................... Pág. 64
A ÚLTIMA PALAVRA.................. Pág. 66

Banda paulista une rollingstone.com.br | R o l l i n g S t o n e B r a s i l | 57
histórias e sonoridades
de discos anteriores em
novo trabalho

++++ Angra

ØMNI EarMUSIC

POR JOSÉ JULIO DO

ESPIRITO SANTO

o título diz
mais do que
as declara-
das inten-
ções. Em la-
tim, “omni” é
uma daquelas declinações es-
calafobéticas cujo significado
pode ser “de todo”. Aqui, a ex-
pressão vem gritando, toda em
caixa alta. Neste novo traba-
lho, o Angra tece referências a
praticamente a todos as ver-
tentes do metal. Essa diversi-
dade não é nova, mas vem em
um crescendo desde os últimos
trabalhos do quinteto. Secret
Garden, o álbum anterior,
lançado no fim de 2014 (início
de 2015 no Brasil), também
teve faixas que apontavam
em direções diferentes. O
disco marcou a estreia do
italiano Fabio Lione nos
vocais de um álbum de es-
túdio do Angra e também
o começo da parceria com
o produtor sueco Jens Bo-
gren, que já trabalhou com
dezenas de bandas, como
Opeth e Amon Amarth, assim
como no mais recente álbum
do Sepultura – prova de que o
cara transita em várias searas
do metal. O Angra resolveu re-
petir a dose e voltou à Suécia
para gravar ØMNI com ele.
Decisão bem acertada.
“Light of Transcendence”,
que abre o disco, é uma faixa
de metal quase sinfônico em
alta velocidade. Se a tal luz
da transcendência é acom-
panhada pelas guitarras de

ILUSTRAÇÃO: LÉZIO JÚNIOR (@LEZIOJUNIOR_ARTS)

GUIA NOVOS CDS

Rafael Bittencourt e seu novo Aposta na Delicadeza
parceiro, Marcelo Barbosa,
ela deveria vir com advertên- Um violão diversificado e letras sedutoras marcam novo trabalho do artista
cia aos epiléticos. Já “Insania”
é mais viajante, ainda que +++½ João Suplicy João Independente
operática, como também é o
hit “Black Widow’s Web”, que TROVADOR neste retorno ao terreno au-
traz participações antagôni- João Suplicy
cas: a eufonia melodiosa da tira bons sons toral solo, João Suplicy prova que
cantora Sandy em contrapon-
to aos soberbos gargarejos de do violão a música que faz, tempos atrás
Alissa White-Gluz, vocalista
da banda de death metal me- mais influenciada por ritmos bra-
lódico ArchEnemy. Enquan-
to que “Caveman”, com uma sileiros, foi fortemente afetada
pegada mais atual e coro em
português, e “Travelers of Ti- pelo período em que ele passou
me”, que inicia com uma ba-
tucada do demônio antes de gravando e excursionando com o Brothers of Bra-
entrar no metal desenfreado,
tentam conectar o Angra com zil, ao lado do irmão Supla. João tem um jeito bas-
sua terra natal, outras faixas
remetem ao passado. “Magic tante característico de tocar o violão – e ouvi-lo em
Mirror” se encaixa no esca-
ninho do metal progressivo, um álbum tão marcado pelas seis cordas de náilon
e a ótima “War Horns”, com
a descrição da Besta do Apo- e, ao mesmo tempo, tão diversificado em termos de
calipse em sua introdução,
alude ao heavy metal da velha ritmos, é um prazer especial para quem ama o ins-
escola. Essa faixa é a única de
ØMNI que tem a guitarra de trumento. A crítica à vida dedicada mais ao mun-
Kiko Loureiro, que se ban-
deou para o lado do Mega- do virtual que ao real passa por algumas canções
deth. A edição japonesa vai
mais longe e traz como bônus (“Liga a Cabeça”, “Enquanto Isso” e a divertida
“Z.I.T.Ø.”, uma regravação de
uma canção da época da for- “Um Abraço e um Olhar”, parceria com Zeca Balei-
mação original do grupo.
ro), em meio a influências de baião (“Magia e Sedu-
O conceito expresso pe-
la própria banda era unir as ção”) e rockabilly (“Solteiro e Vagabundo”). A violi-
ideias trazidas em álbuns an-
teriores. Em certo momento, nista Fernanda Kostchak (Vanguart) dá um
essa mistura minuciosamente
interpretada desvia a atenção contraponto dramático aos riffs de “Tudo ou Na-
para outras questões, mais
conceituais ainda, como o vir- da”, enquanto Marina de La Riva é puro carisma
tuosismo em contraposição à
criatividade e os limites dog- na doce “Dicionário do Amor”. João, o disco, é para
máticos desse gênero sempre
tão ensimesmado. A elocu- quem aprecia sons dedilhados e apuro sonoro sem
bração se acaba e a emoção
volta nos primeiros acordes da floreios desnecessários. BRUNA VELOSO
excelente “ØMNI – Silence In-
side”, que parece passear por The Breeders ++++ compositora Kim Deal e pela Belle and Sebastian
sons africanos antes de pular irmã dela, a guitarrista Kelley, +++½
de cabeça no power metal. Sua All Nerve 4AD é tudo o que os fãs poderiam
faixa irmã, “ØMNI – Infinite esperar. Os vocais de Kim e o How to Solve Our Human
Room”, puramente sinfônica Banda quebra o silêncio com ataque das guitarras juntam Problems Matador
e que cita trechos de todas as drama e autenticidade graça e ferocidade, gerando
músicas, encerra o disco. É ansiedade (“Nervous Mary”, Escoceses reúnem canções com
uma bela barafunda de estilos este primeiro álbum em “Walking with the Killer”) e bom acabamento melódico
que faz de ØMNI um dos me- dez anos da influente banda despejando fagulhas punk
lhores álbuns do Angra. indie liderada pela cantora e (“Wait in the Car”, “Howl at ao contrário do que diz o
the Summit”). Já a sessão rít- título, os músicos podem
mica aprofunda a sensação de não resolver todos os nossos
drama. All Nerve marca um problemas, mas pelo menos
retorno sublime. CHARLES AARON aliviam as dores que sofre-
mos nesta coleção de canções
RS OUVIU indie pop. O álbum, com 15
faixas originalmente lançadas
Destacamos o jazz fusion do baterista Alfredo Dias Gomes em três EPs distintos, oferece
pérolas como “Show Me the
Dias Em 25 anos de carreira, Alfredo Sun”, sobre fé e dúvida, e “Best
Gomes Dias Gomes adquiriu um vasto of Friends”, pastiche de pop da
capricha currículo. Já trabalhou com Lulu década de 1960. Eles até vêm
Santos, Kid Abelha, Ivan Lins, com algumas surpresas, como
nas Hermeto Pascoal e muitos outros o drum ’n’ bass de “We Were
baquetas nomes de peso. Para marcar a sua Beautiful”, que dá mais certo
importante trajetória, ele está do que se poderia esperar.
lançando o CD instrumental Jam DIVULGAÇÃO; REPRODUÇÃO
(independente, +++), em que SIMON VOZICK-LEVINSON
mostra sua expertise no jazz rock. O
disco tem somente músicas autorais,
entre elas as boas faixas “Dream
Aria”, “High Speed” e “The Night”.

58 +++++ Clássico | ++++ Excelente | +++ Bom | ++ Regular | + Ruim Rankings supervisionados pelos editores da Rolling Stone.

eRoVnitCoarirateMraQlduoanrtaedto MANDANDO BEM Migos +++
+++½ Armada: finalmente
Culture II Universal
Brasil L.I.K.E. registrado
Trio de trap tem bons momentos,
Summit Records/Tratore Além do Punk mas se repete um pouco

Cantora e baixista juntam jazz e Em boa estreia, banda abre leque de influências famosos como nunca, os
bossa nova de jeito orgânico
+++ Armada Bandeira Negra HeartBleedsBlue reis do trap norte-americano
a cantora e pianista pau-
listana Vitoria Maldonado se o quinteto armada lança sua estreia chegam à sequência de um
une ao quarteto do baixista em disco, mas já carrega uma longa histó-
norte-americano Ron Carter ria de mares navegados: quatro integran- dos discos mais influentes
neste trabalho, que, se não tes são ex-Blind Pigs, nome que marcou
quebra nenhum grande pa- época no cenário punk/hardcore nacional do sub-gênero do rap (Cul-
radigma musical, pelo menos por mais de 20 anos e terminou em 2006.
mostra excelência na execu- E o debute tem pelo menos dois destaques bastante curio- ture, 2017) cheios de bom-
ção. Convidados como Rober- sos: em meio ao punk, um som à la Johnny Cash com nin-
to Menescal, Toninho Ferra- guém menos do que um dos maiores nomes do sertanejo, bas prontas para as pistas,
gutti e outros ajudam os donos Sergio Reis. Em “Próxima Estação”, ele interpreta uma le-
do álbum a elevar standards, tra bucólica sobre ferrovias e longas viagens de trem – a incluindo parcerias com
como “Night and Day” e “All banda gravou o álbum no estúdio de Marcos Bavini, filho
of Me”. Vitoria mostra seu lado do sertanejo, o que facilitou a conexão. A outra curiosidade Drake, 21 Savage (em faixa
autoral nas boas “Adoro Seu é a versão de uma música do Dicró, mas famosa na voz de
Sorriso” e “Because You Make Bezerra da Silva, com a participação de Kiko Zambianchi. produzida por Kanye West),
Me Dream”. PAULO CAVALCANTI “Cobra Criada” ganhou ares mais raivosos com a distorção
do Armada. “1982” narra a derrota da seleção brasileira de Cardi B, Nicki Minaj, entre
MGMT +++½ futebol na Copa do Mundo da Espanha e mostra que fute-
bol também é punk. Já em “Lisboa”, o vocalista Henrike outros. Como álbum, con-
Little Dark Age Sony Baliú narra o seu próprio casamento na capital lusitana e
dá uma carga de romantismo ao trabalho. MARCOS LAURO tudo, Culture II padece do
Em quarto trabalho de estúdio,
banda consegue acertar o tom mesmo mal da maioria dos

aqui, a banda evita os er- lançamentos atuais de trap:
ros dos trabalhos anterio-
res. Andrew VanWyngarden é muito longo (1h45) e repeti-
e Ben Goldwasser trazem
uma mistura balanceada do tivo, soando mais como uma
pop psicodélico que conquis-
tou os fãs no disco de estreia, mixtape sem cortes do que
Oracular Spectacular, com o
experimentalismo ousado do um LP do Migos pós-“Bad
terceiro disco, MGMT. LDA
é carregado de sintetizadores and Boujee”. LUCAS BRÊDA
(“Little Dark Age”), de letras
ácidas (“TSLAMP”) e até cô- MEMÓRIA Moby +++
micas (“She Works Out Too
Much”), formando um syn- Caixa resgata seis álbuns do cantor e compositor Belchior Everything Was Beautiful,
thpop com várias camadas de and Nothing Hurt Mute
sentimentos, que transita en-
tre lapsos de loucura (“When DJ e produtor retorna com
You Die”) e carinho (“James”). trabalho de temática depressiva

IGOR BRUNALDI “É o novo, é o novo, é o novo”, “Divina Comédia Humana”, em em 1919, o poeta irlandês
repete dezenas de vezes que “nada é eterno”. Belchior
Março, 2018 Belchior em “Mote e Glosa”, (1979), além do hit “Medo de W.B. Yeats escreveu The Se-
composição que abre o seu
CRISTIANO MARTINS/DIVULGAÇÃO (ARMADA); DIVULGAÇÃO; REPRODUÇÃO primeiro LP, Belchior (1974), que Avião”, traz o cantor pedindo cond Coming, que reporta-
agora volta ao mercado no box
Tudo Outra Vez que o homem sangre e tente va ao clima de dissipação
(Warner, ++++),
junto de outros cinco inaugurar “uma vida comovida”. e incerteza na Europa pós-
álbuns do Em seu disco mais
compositor. introspectivo e menos -Primeira Guerra Mundial.
Lançados entre 1974
e 1982, os discos comercial, Objeto Moby, usando os preceitos
mostram a obsessão
do artista cearense em busca de Direto (1980), ele faz de Yeats, elaborou em Every-
uma nova estação. Em Coração
Selvagem (1977), ele diz, na faixa um mergulho na alma thing Was Beautiful, and No-
“Clamor no Deserto”, que um humana, escorado
“novo momento precisa chegar”, pelos seus poetas thing Hurt uma cartilha para
embora reconheça a dificuldade
de recomeçar. Em Todos os favoritos, como Carlos os tempos complicados de
Sentidos (1978), ele canta a
Drummond de Andrade e Castro hoje. Mais atmosférico e ce-

Alves. No sentido oposto vai rebral do que dançante, o ál-

Paraíso (1982), com sonoridade bum faz bom uso da voz sus-
mais pop, no qual empresta a sua
característica voz a ideias de surrada e pequena do DJ. A

outros compositores, entre eles orquestrada “The Ceremony

Guilherme Arantes e Arnaldo of Innocence” já vale a entra-

Antunes. DANILO CASALETTI da nesse mundo pessimista

de Moby. P. C .

rollingstone.com.br | R o l l i n g S t o n e B r a s i l | 59

Livros | HQs ONaDçeãsoti+no++de uma

À PROCURA Anthony McCarten Crítica
DE JUSTIÇA
Christian Bale Livro aprofunda momento
vive Batman em O histórico retratado em filme
Cavaleiro das Trevas
o sucesso do
Por Trás da Máscara filme O Desti-
Obra detalha como o herói vem refletindo a sociedade há quase oito décadas no de uma Na-
ção, com o ator
+++½ A Cruzada Mascarada – Batman e o Nascimento Gary Oldman
da Cultura Nerd Glen Weldon Editora Pixel encarnando o
primeiro-mi-
“chame o batman!” essa vivemos e como ele se transforma com as mu- nistro britâni-
frase, dita com um certo tom danças dentro da sociedade. O personagem co Winston Churchill, trans-
de sarcasmo ou de perplexi- surgiu em 1939, quando os Estados Unidos formou o velho político no
dade, é entoada informal- saíam da Grande Depressão e estavam prestes novo ídolo dos jovens conser-
mente quando existe um a entrar na Segunda Guerra Mundial. Quase vadores. Este livro homônimo
problema de segurança pú- oito décadas depois, Batman ainda é o vigi- é um complemento ao longa, já
blica. Isso mostra como a fi- lante que ronda metrópoles violentas. Assim, que detalha de maneira ainda
gura do herói mascarado se fica a questão se o alter ego de Bruce Wayne é mais incisiva o momento em
tornou seminal dentro da sociedade moderna. um aliado da lei ou apenas um ser vingativo. que os ingleses, abandonados e
Glen Weldon vai além de contar a história do Weldon também fala de todas as incursões do prestes a perder o exército na
personagem criado pelo artista Bob Kane e Batman, não apenas nos quadrinhos, mas Batalha de Dunquerque, por
pelo escritor Bill Finge. O autor também ana- também na televisão, cinema e em demais pouco não tiveram que se ren-
lisa como Batman reflete os tempos em que segmentos da cultura pop. PAULO CAVALCANTI der aos nazistas. Mas a deter-
minação e a correção moral de
POlsatDhiá–ri1o9s5d0e-1S9y6l2via ÍCONE Churchill são até hoje um
+++½ exemplo de como não se deve
Phil Collins recorda carreira em interessante autobiografia baixar a cabeça a ditadores de
Organização de Karen V. qualquer espectro ideológico.
Kuzil Globo Livros O cantor e baterista inglês conta tudo de forma aberta e
esteve no Brasil no fim de afável. O artista relembra os P. C .
Nova edição de diários resgata fevereiro apresentando-se em anos de glória com o Genesis e
material inédito da autora diversas capitais do país. Para a notável carreira solo que teve TRuoduobaPdoode+S+e+r
marcar a ocasião, está sendo
a escritora e lançada a durante a década de 1980. A Giovana Madalosso Todavia
autobiografia
poetisa norte- dele, chamada obra também Primeiro romance de autora
Ainda Estou Vivo curitibana tem anti-heroína cínica
-americana (Best Seller, registra os
+++) – o título é pontos baixos da guarde este
Sylvia Plath o mesmo da vida dele, como nome: Rabudi-
atual turnê do nha. Com 29
cometeu suicí- músico, Not Dead três casamentos anos, essa anti- AP PHOTO/HUSSEIN MALLA (PHIL COLLINS); DIVULGAÇÃO
Yet. O livro -heroína cínica
dio em 1963, reflete a fracassados, usa seus atri-
personalidade e butos para se-
aos 30 anos, a pessoa pública alcoolismo e duzir e roubar
de Collins: ele depressão. Os a clientela do restaurante des-
deixando um Collins em inúmeros colado onde trabalha. A mu-
2005, em lher não quer ficar milionária,
legado de escritos com um Beirute, Líbano problemas de fazer limpeza social nem con-
sertar o mundo. Rabudinha
tom melancólico, confessio- saúde que (apelido que um cliente lhe dá)
só pretende comprar um apê e
nal e existencial. Esta segun- enfrentou o curtir a vida. A situação muda
quando pedem a ela que roube
da edição dos diários da auto- impossibilitaram um exemplar raro do livro O
de tocar bateria e Guarani, de José de Alencar,
ra é mais completa, contando Collins confessa que está nas mãos de um sisu-
do professor universitário. Ra-
com vários textos que haviam que isso é o que budinha é um achado. Ela é a
hostess perfeita para um mun-
sido censurados antes por mais o atormenta do inóspito, frio, entupido de
tipos desiludidos e carentes.
Ted Hughes, ex-marido dela, hoje. P. C .
ANDRÉ RODRIGUES
também poeta. P. C .

60 +++++ Clássico | ++++ Excelente | +++ Bom | ++ Regular | + Ruim Rankings supervisionados pelos editores da Rolling Stone.



Filmes sumanizador. Depois, a ser-
viço do governo, Dominika
Heróis Humanos deve espionar um agente da
CIA (Joel Edgerton), mas im-
PESSOAS E PERSONAGENS previstos a fazem ter de pro-
(Da esq. para a dir.) var lealdade tanto aos russos
quanto aos norte-americanos
Skarlatos, Sadler e Stone em para dar a cartada que ela
cena do filme de Eastwood tem na manga. Embora não
seja de todo consistente, o
Diretor filma fato real de forma correta, mas o resultado é pouco excitante thriller envolve e surpreende;
e Jennifer Lawrence se sai
+++ 15h17 – Trem para Paris Com Spencer Stone e Alek Skarlatos bem melhor do que o espera-
do no intrigante papel.

CAIO DELCOLLI

Projeto Flórida
++++

Com Willem Dafoe e
Brooklynn Prince

Dirigido por Sean Baker

Com realismo, filme mostra um
pedaço da vida na América

Dirigido por Clint Eastwood

com este longa, eastwood encerra o to, Califórnia, cuja vida escolar não aponta Dafoe e Brooklyn:
que poderia ser chamada de “trilogia dos he- para nada brilhante. Eles crescem, acham al- drama na Flórida
róis americanos”. O primeiro desses filmes, gum rumo na vida e mantêm os vínculos de
é claro, foi o fenômeno Sniper Americano amizade. Então, no dia 21 de agosto de 2015, sean baker ficou conhe-
(2014); depois veio Sully: O Herói do Rio são protagonistas de um espetacular ato in-
Hudson (2016). 15h17 – Trem para Paris con- voluntário de heroísmo. A direção fluida de cido recentemente por Tan-
ta a história também real de três amigos de Eastwood e o fato de estarmos assistindo a
infância que bravamente conseguem deter três atores não profissionais adicionam fres- gerina, espécie de hit indie
um ataque terrorista dentro de um trem que cor à experiência. Mas o roteiro banal e uma
fazia a rota Amsterdã-Paris. Spencer Stone, enormidade de cenas supérfluas esvaziam o de 2015 filmado com apenas
Anthony Sadler e Alek Skarlatos, interpre- que poderia ser uma experiência cinemato-
tando a si próprios, são garotos de Sacramen- gráfica muito mais instigante. PAULO CAVALCANTI

três iPhones. Em Projeto

Operação Red Flórida, ele retorna em me-
Sparrow +++
densidade progressiva a su- lhor definição, mas ainda
as histórias, sem cair em Com Jennifer Lawrence e
armadilhas verborrágicas Joel Edgerton buscando emoções em situ-
ou excessos cênicos. Em A
Melhor Escolha, o reservado Dirigido por Francis Lawrence ações comuns. O longa gira
Larry (Carell) procura seus
sumidos amigos da Guerra Em thriller surpreendente, atriz em torno de um motel de
do Vietnã, o encrenqueiro manda bem no papel de espiã
Sal (Cranston) e o reverendo beira de estrada nos arredo-
Richard (Laurence Fishbur- após um acidente, a car-
ne), para que todos enterrem reira de Dominika (Jennifer res da Disney, em Orlando,
seu filho morto na Guerra Lawrence) como bailarina
Cranston e Carell do Iraque. Uma primeira acaba. Só uma solução apa- tendo como “exploradora” a
acertam as diferenças leitura sugere um road mo- rece para ela conseguir cui-
vie, mas mais que isso: o dar da mãe doente: fazer um garotinha atrevida Moonee
A Melhor Escolha longa se potencializa em serviço sujo para a inteligên-
+++½ questões introspectivas (Brooklynn). Sem moralis-
e pessoais. Leve e com cia russa. No entanto, a
Com Steve Carell e Bryan sabor amargo, mostra garota testemunha al- mos, Baker retrata as difi-
Cranston que a morte é um go que não deveria e,
caminho pos- para não ser morta, é culdades da desbocada mãe
Dirigido por Richard Linklater sível para se obrigada a se tornar
reconstruir espiã, o que implica de Moonee, Halley (Bria Vi-
Longa elabora meditação sobre a vida. em passar por um
vida, morte e amizade treinamento de- naite), para criar a filha ao
ÉRICO FUKS
quando mergulha nas re- Jennifer embarca mesmo tempo que precisa
lações humanas, Linklater na vida da
é um mestre. Ele coloca em espionagem de um emprego para pagar
seus personagens, cenas e
diálogos uma riqueza sim- as contas. Um dos grandes
bólica com a naturalidade
de quem nem parece estar esnobados do Oscar – tendo
filmando. Simples sem ser
simplista, o diretor traz uma apenas a indicação de Dafoe

a Melhor Ator Coadjuvante DIVULGAÇÃO; REPRODUÇÃO

–, Projeto Flórida dispen-

sa as estripulias técnicas e

histórias mirabolantes, evo-

cando uma espontaneidade

tocante para ser emocional-

mente denso. LUCAS BRÊDA

62 +++++ Clássico | ++++ Excelente | +++ Bom | ++ Regular | + Ruim Rankings supervisionados pelos editores da Rolling Stone.



DVDs JORNALISMO

Ação e Graça Box traz quatro clássicos
sobre a imprensa

PARCEIROS Na esteira do filme The Post:
Os Vingadores Thor A Guerra Secreta, os dois
discos do box Jornalismo no
e Hulk em mais um Cinema (Versátil, ++++)
dia de trabalho apresentam uma bem-vinda
seleção de quatro clássicos
Filme é um bom capítulo do universo da Marvel e o melhor do personagem sobre a imprensa e como ela é
vista por Hollywood. Dois
+++½ Thor: Ragnarok Disney deles mostram o heroísmo
que a profissão ainda traz em
o exuberante thor: rag- inglória. Enquanto isso, a ameaça cósmica seu DNA: A Dama de Preto
narok, dirigido por Taika (1952) narra os sacrifícios de
Waititi, é motivo de orgulho Ragnarok se aproxima para destruir tudo o um dono de jornal para se
para a Marvel. Neste tercei- manter íntegro no final do
ro e talvez derradeiro longa que vir pela frente. Para piorar, Hela chuta século 19; A Hora da Vingança
do personagem foi encon- (1952) relata como um editor
trada a abordagem adequa- Thor para fora de Asgard – ele vai parar em enfrenta um gângster
da para levar Thor ao cine-
ma: a comédia. A história acompanha o um planeta em que é obrigado a lutar como Tony Curtis e Burt Lancaster
super-herói (Chris Hemsworth) penando em A Embriaguez do Sucesso
para impedir o golpe de Estado que sua irmã gladiador e encontra um “colega de traba-
Hela (Cate Blanchett), até então desconheci- enquanto tenta manter um
da, pretende realizar em Asgard, terra natal lho”, Hulk (Mark Ruffalo). As atuações vigo- jornalão sob controle.
de ambos e da qual ela foi expulsa de forma Completam o pacote o cínico
rosas, o visual deslumbrante e o humor bo- e amargo A Embriaguez do
Sucesso (1957), que mostra a
balhão divertem horrores; a trilha de Mark banda podre do colunismo
social, e Jejum de Amor
Mothersbaugh (da banda Devo) reforça a vi- (1940), em que Gary Grant
tenta reconquistar a
be anos 1980. Repleto de bônus, o Blu-ray ex-mulher, provando que os
jornalistas também carregam
traz entrevistas com diretor e elenco, basti- doses de insanidade e graça.

dores da produção e cenas inéditas que ANDRÉ RODRIGUES

acrescentam à experiência. CAIO DELCOLLI pai Manoel Cordeiro são as
que mais emocionam. A du-
Madonna +++ Sting +++ Felipe Cordeiro pla exibe o bar periférico que
Live at the Olympia Paris +++ serviu de cenário para a capa
Rebel Heart Tour Universal de Kitsch Pop Cult, álbum
Universal Brea Époque que projetou Cordeiro em
Rainha do pop junta clássicos e 2011, e confirma o entrosa-
novidades ao vivo na Austrália Cantor apresenta o mais recente YB Music/Natura Musical mento deles em cima do pal-
disco na famosa casa de shows co. No repertório de Brea
os ainda Em primeiro DVD, artista Époque estão canções como
inúmeros fãs a famosa paraense dá uma geral na carreira  “Legal e Ilegal”, “Problema
de Madonna Seu”, “Virou” e outras. Mas,
vão se diver- casa de espe- apesar de além de carimbós, cumbias e
tir com este ser basica- guitarradas de cunho próprio,
DVD, que táculos fran- mente um os guitarristas também abor-
traz na ínte- concert mo- dam a música do pioneiro Alí-
gra um regis- cesa foi palco vie, em que o pio Martins (1944-1997) que
tro da Rebel Heart Tour. Esse show é o virou a mais pedida em festas
show em particular foi grava- desta apre- principal tropicalientes: “Piranha”.
do em Sydney, Austrália, em produto, este
2016. São mais de duas horas sentação do DVD dirigido por Vladimir JOSÉ FLÁVIO JUNIOR
de música, com a cantora, Cunha também tem grande
seus músicos e dançarinos se ex-vocalista valor pelas cenas externas,
desdobrando no palco para com Felipe Cordeiro mos-
dar conta de um repertório e baixista do trando endereços da Belém
que tem desde velharias clás- na qual ele surgiu. Acompa-
sicas, como “Holiday” e “Like a The Police. O show, ocorrido nham o paraense na jornada
Virgin”, até novidades do nai- o pernambucano Siba, o pro-
pe de “Bitch I’m Madonna”. em abril do ano passado, fez dutor carioca Kassin e os ir-
mãos Tulipa e Gustavo Ruiz.
PAULO CAVALCANTI parte da turnê do álbum Mas as passagens com o pa-

57th e 9th, lançado em 2016.

Além de tocar várias canções

do trabalho, Sting, com voz DIVULGAÇÃO; REPRODUÇÃO

potente e esbanjando talento

no baixo, também recordou

vários hits de sua antiga ban-

da. Como bônus, o DVD tem

vídeos de Joe Sumner, filho

de Sting. P. C .

64 +++++ Clássico | ++++ Excelente | +++ Bom | ++ Regular | + Ruim Rankings supervisionados pelos editores da Rolling Stone.



A
ÚLTIMA
PALAVRA

George Clinton
A lenda do Parliament-Funkadelic fala sobre a essência do funk,
a morte do doo-wop e como encontrar ótimos músicos

Quem são as pessoas mais funk que já existiram? veram um encontro alienígena, certo?
São a turma do The Staple Singers, cara – e Pops Staples.
E Ray Charles. Ray podia pegar “Eleanor Rigby” e deixá-la Certo, e não estávamos doidões. Uma luz atingiu o carro e uma
bem funk. Ele acabava fazendo isso com qualquer coisa – pa-
ra mim, é funk em estado bruto. E também o [baixista de substância como mercúrio de termômetro subiu rolando a late-
gravações da Motown] James Jamerson – aquilo sim era ser
um músico de verdade. ral do carro.

E quem é a pessoa menos funk viva? Metal líquido que se movia como em O Exterminador do
Ai, meu Deus! [risos] Provavelmente o Donald Trump. Não dá
para o Trump ser funk! [Faz uma pausa] Ele não vai gostar disso. Futuro 2?

De onde vem a ideia de “liberte sua mente e seu corpo se- Parecia exatamente aquilo.
guirá”? Você defende esse conselho?
Acho que eu só falei isso como um fluxo de consciência, sabe? Como você conseguiu encontrar músicos tão consistente-
À medida que fico mais velho, vejo isso como sendo igual a
“Desapegue e use a Força, Luke”. Se sua cabeça não está mente bons ao longo dos anos?
boa, tudo o que tentar consertar vai dar errado, porque é
seu cérebro que precisa de conserto. Eles normalmente são incomuns, mas ainda atraentes. Alguém
É a mesma ideia de “Maggot Brain”.
Sim, igual! Igual. Se você tem larvas no cérebro, tudo o que você não pode controlar ou que
que pensar será podre.
Que conselho daria a si mesmo na juventude? não faz as coisas do jeito normal.
Pare de achar que qualquer outra coisa será LSD. Se
soubesse que nunca seria como na primeira Aprendi que qualquer coisa
vez, você poderia ter parado há muito tem-
po. que te deixar irritado – os
Você nunca se arrependeu do LSD?
Assim que Woodstock aconteceu, o pais não gostam, velhos
LSD acabou. Virou comercial, US$
5 cada. Então, aquela coisa de músicos não gostam e a
manipulação de mente que ele
fazia se tornou perigosa porque garotada parece gostar
qualquer um poderia te progra-
mar enquanto você usava. – normalmente é o má-
O que acha de artistas brancos
que fazem música negra? ximo. Só que você tem de
É um mundo só, um planeta só, um
groove. Temos que aprender uns aprender a equilibrar isso.
com os outros e nos misturarmos
e a coisa se move assim. Viu aquele O Parliament veio de seu
lançamento de foguete outro dia?
Talvez possamos sair deste planeta. quarteto de doo-wop, The
Vamos lidar com alienígenas. Acha
que branco e negro serão um proble- Parliaments. Você disse que,
ma? Espere até começar a encontrar
putos com três ou quatro paus! Com quando o doo-wop estava mor-
olhos de inseto! Eles podem estar
prontos para a balada ou para rendo, ficou triste, mas empolga-
nos comer. Não sabemos, mas
precisamos superar esta merda do para ver o que viria, certo?
de não nos darmos bem uns
com os outros. Embora amasse o doo-wop dos anos
Você e Bootsy Collins ti-
1950, não dava para se agarrar nisso.

Você tinha de mudar ou ficaria ultra-

passado muito rapidamente, como

os Ink Spots. Então, estávamos na

Motown e havia os Rolling Stones,

o rock simples se tornou a novidade.

Aumentamos o volume e consegui-

mos músicos sofisticados, quase

de jazz – Maceo Parker, Fred

Wesley, Bootsy tocando coisas

simples, mas as deixando su-

aves e novas em folha.

Você acharia legal ter

um holograma seu em

turnês depois que não es-

tiver mais aqui?

Já fiz um holograma. Fiz com toda

a banda. Talvez possam colocar isso

para se apresentar em Las Vegas ou

alguma merda dessa. Quis dar algo

à minha família.

O que quer que digam sobre

você quando partir?

Ele me deixou doente, mas me

deu o antídoto. BRIAN HIATT

66 | R o l l i n g S t o n e B r a s i l | rollingstone.com.br Ilustração: Mark Summers




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