Catequese [ Tudo a partir de Jesus
ANO LXXXX / Nº 3909
FEVEREIRO / 2019
olut dor.org.br
Colóquio Julimariano
R$ 9,90
[A neopentecostalização de igrejas e grupos
[Novos caminhos para a transmissão da fé
[Melhorai vossa conduta e vossas práticas!
A RÁDIO DA PADROEIRA DE MINAS GERAIS
NOSSA SENHORA DA PIEDADE
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Entrevista [ Uma vida a serviço da missão Espaço do Leitor [ Escreva, envie seu e-mail, comente
ANO LXXXX / Nº 3908 aniversariantes
JANEIRO / 2019 do mês de fevereiro de 2019
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Celebrar a vida é render graças ao maior
IV Semana Brasileira dom que Deus nos concedeu. Neste mês de
de Catequese fevereiro, nós nos alegramos com todos os
nossos assinantes que completam mais um
R$ 9,90 ano de vida. Deus os abençoe sempre e que a
presença do Espírito seja a luz a iluminar a
[Seminários: quantidade ou qualidade? vida de cada um de vocês. lembramos que,
[A Igreja e a opção preferencial pelos jovens no dia 25 deste mês, será celebrada uma
missa especial na intenção de nossos assi-
[Papa Francisco e a Igreja mais leiga nantes, também lutadores, e de seus fami-
liares, de modo especial para os doentes e
Ó Trindade Santa, vós que sois a fonte acamados. O Celebrante do dia 25/02/2019
de toda santidade, nós vos louvamos será o Pe. João lúcio Gomes Benfica, SDN.
por vosso servo o Pe. Júlio Maria De Lombaerde, Deus abençoe a todos os nossos assinantes.
que, assemelhando-se ao Cristo Eucarístico,
cuidou do vosso rebanho com amor, [Caso seu nome não apareça na lista, entre
zelo e doação. E, deixando-se guiar pelo em contato com nosso setor de assinaturas:
Espírito Santo, assim como a Virgem Maria,
testemunhou a ternura missionária da Igreja. Fone: 0800-940-2377
Concedei-me, ó Trindade Santa, pela intercessão E-mail: [email protected]]
do Pe. Júlio Maria, a graça que vos suplico
[pedir a graça]. E, se for de Vossa santa vontade, dia 01 - nilza do nasCimenTo marTins e Jose inaldo nasCimenTo / Paulo roberTo Godinho.
dai que Pe. Júlio Maria alcance a honra dia 02 - Jeziel rodriGues Cruz Junior / Jose lúCio de moura CarValho / marGareThe do roCio moleTTa
nasCimenTo molinari / maria aurea Faria / nilson da silVa. / dia 03 - Fabio luiz de mello marTins / Joaquim
dos altares, para Vossa glória luiz dias / maria das GraCas moreira. / dia 04 - anselmo zanellaTo / Camila maGalhaes da silVa / Gelso
e para o bem de tantas almas. briosChi / iVanir adriana FranCa / maria adelia dos sanTos / maria neusa GraCiano CosTa / ViCenTe PorTo
Por Cristo, Nosso Senhor Amém. de menezes / dia 05 - arlindo Jose silVeira / eduardo Chezini / eGidio Veneroso / eleonora bouCada
Tassara / Jose niColiello VioTTi / maria Jose rodriGues alVes. / dia 06 - benediTo a. quessada e Cia. / deCio
xaVier Gama / JosÉ FranCisCo Pires e maria ConsolaCao / Jose mauriCio Ferreira / marCio ribeiro de
resende / maria aPareCida resende Cardoso / maria do PerPeTuo soCorro FeiTosa FonseCa / maria luiza
CaFe noVais / ruTe oliVeira benFiCa. / dia 07 - adelaide Cabral Coelho / ayde barroso queiroz / Claudio
luiz lemos de moraes / eneida aquino lana / JuCilene e Jose Carlos andrade / luCia mendes de oliVeira /
marCo anTonio luCio / Pedro ViolanTi de CarValho./ dia 08 - bernadeTe rosa souza Claudio / FranCisCo
de souza alVes / GilberTo euFrasio de oliVeira / hermenGarda de araúJo serTa / Jose loPes da silVa /
maria Jose oliVeira lima / mario basaCChi / marTha esTeVes de rezende / neusa Fernandes roCha dinis./
dia 09 - adriana Candinho baTisTa / anna maria bernardes ribeiro / eliane diniz reis de souza / luzia borGes
da Cunha-em memoria / maria aPareCida almeida./ dia 10 - anTonio romualdo de FreiTas / elizabeTh renno
/ FranCisCo roberTo bezerra leiTe / Jose moreira sobrinho / luCia leiTe Ferreira / rosa maria VenTura
FonseCa / Teresinha CarValho de oliVeira./ dia 11 - anTonio roberTo rosa / eVa drumond / Geraldo Jose
de souza. / dia 12- heloisa PinTo Vieira / maria auxiliadora Carneiro de moura / maria dJanira quaresma
do nasCimenTo / monsenhor Carlino P. de alenCar / riCardo ribeiro leandro / riTa de Cassia silVa orTeGa
de souza / suzana GonCalVes de souza Vieira./ dia 13 - aFonso nunes marTins / maria Ferreira da silVa. /
dia 14 - dom GilberTo Pereira loPes. / dia 15 – anTonio soares / Celia TaVares silVa / JessiCa
Cardinalli zoTTi / maria aPareCida zanon / ParÓquia sao sebasTiao / maria de lourdes alVes Villela./
dia 16 – Cesar auGusTo moreira berGo / loTar Gross / maria aPPareCida de mello zanineTTi / marTins loPes
de souza / monique e luiz eVanGelisTa de oliVeira / roberTo sanTiaGo PinTo. dia 17 – anTonio Cardoso Filho
/ izabel CrisTina Gorza / Joao elisio seTTi / Jose loPes / Jose marCio GonCalVes de sousa / luCio barreTo
Pereira. / dia 18 – ana amelia do Carmo neVes / deliCe moura FonTes / FaTima Gianini noVaes / GeTulio Teixeira
de laCerda / Jose adriano Ferreira de Jesus GonCalVes / maria Tereza PimenTel / ronaldo lana / Valdinea
iGlesias naTiVidade./ dia 19 – maria elisabeTe GonCalVes dias lourenCo / Vera luCia duTra PorTuGal./
dia 20 – alCionir Vieira / ilda barison marChioni / Jose Jair anTonio de oliVeira / liana CaPorali arauJo
/ maria das GraCas de souza lourenCo / Padre serGio anTonio Fernandes Tomaz / Paulo Ferreira hoTT./
dia 21 anTonio alVes dos reis / Carlos lima Ferrarezi / Claudio CosTa arauJo / Geraldo de briTo Freire /
Jose dias maTeus / luCia maria FiGueiredo CoTa / maria do Carmo CosTa Trindade / nely CarValho CraVeiro
FruChi / Therezina de Jesus Correa./ dia 22 – alCides robson da roCha / Jose maria lelis / mauriCio luCiano
hermeneGildo Cruz / robson Ferreira maTos / Waldineia de lima mayrinK do Carmo./ dia 23 - Joao luiz
mondeK / Jose lauro de sales rodriGues / maria de lourdes mayer./ dia 24 – ana maria lessa de CarValho
/ ConCeiÇão de maria VenanCio / humberTo CaFe / Jose osCar de CasTro neTo / maria Jose silVa lula / Padre
maThias ramos moreira da CosTa / serGio leandro Franzoi./ dia 25 – airTon da CosTa barros / helio Pessoa
/ JuÇara rezende VerGara / laede maFFia de oliVeira / maria da Gloria barreTo de souza leiTe / maria Joana
da silVa rosa - emm./ dia 26 – eduardo balesTra- emm / ePaminondas do amaral Filho / euGenio saCCo /
Geralda basilio de souza erse / Geraldo maGela ladeira / JorGe Ferreira loPes / Jose Carlos Pereira da
silVa – emm / naTalino Vianelle dos reis / oliVio izoTon / sonia maria Cerqueira maChado./ dia 27 – anTonio
donizeTe neVes / diaCono Clesson FranCisCo millen / dom TarCisio nasCenTes dos sanTos / izaura maria
Valerio / marCos Ferro / Padre Jose Fernandes de oliVeira./ dia 28 – alCides bezerra lima - emm / anGela
naTalina sarmeT moreira s. mendes / belmira maria de oliVeira / Frei leVi-ConVenTo sao Jose / Jose FlaVio
Perrone / milTon sPenCer GonCalVes Jr./ roseny de Paula / olGa maria Ferreira da CosTa Val / Wilson
maGalhaes / yussiFFe soares duar./ dia 29 – dr.marCelo luCio Grillo / nair rodriGues Ferreira ChaVes.
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Primeira Profissão religiosa ceição em Capim Branco, MG. Pre- Diácono
sidida pelo Superior Geral, Pe. José rafael henrique de almeida, SDn
Raimundo da Costa, SDN, a missa
contou com a participação de for-
mandos e religiosos sacramentinos,
bem como de muitos paroquianos
de Capim Branco, Matozinhos e Be-
lo Horizonte.]
No dia 5 de janeiro de 2019, nossa Na quinta-feira, dia 10 de janeiro, o “É de perseverança que ten-
Congregação se alegrou com o novi- Frt. Matheus Roberto Garbazza An- des necessidade, para cumprir-
ço Frt. Dionei Pego de Oliveira, SDN, drade, SDN, fez sua Profissão Reli- des a vontade de Deus e alcançar-
que fez sua Primeira Profissão Re- giosa Perpétua como missionário sa- des o que Ele prometeu.” (Hb 10,36)
ligiosa. A celebração aconteceu às cramentino de Nossa Senhora, pelos
19h, na Igreja São Paulo Apóstolo, votos de pobreza, castidade e obe- Mais um diácono para o serviço ao
da Paróquia do Senhor Bom Jesus diência. A celebração eucarística foi povo de Deus. A Congregação dos Mis-
em Matozinhos, MG. Que a virgem realizada no Santuário do Bom Jesus sionários Sacramentinos de Nossa
do Santíssimo Sacramento seja sua de Manhumirim, MG. Presidida pe- Senhora, a Paróquia São Bernardo de
constante intercessora e auxiliado- lo Superior Geral, Pe. José Raimun- Claraval, BH, os familiares, amigos
ra nos caminhos da missão na lógi- do da Costa, SDN, a missa contou e paroquianos se alegram com um
ca do amor e sacrifício!] com a participação de formandos e novo Diácono para o serviço ao povo
religiosos sacramentinos, bem co- de Deus. Neste dia 2 de fevereiro de
Profissão mo de muitos paroquianos de Ma- 2019, o jovem Rafael Henrique foi or-
de votos perpétuos, SDn nhumirim, Alto Jequitibá, Martins denado Diácono pela imposição das
Soares, Bom Despacho, Durandé e mãos e oração consecratória do Ex-
Manhuaçu.] mo. e Revmo. Dom Edson José Oriolo
dos Santos, Bispo Auxiliar da Arqui-
Que a diocese de Belo Horizonte, MG. Roga-
Virgem da Eucaristia mos a Deus que seu Ministério seja
ampare sempre uma fonte de bênçãos para a vida da
nossos neoprofessos! Igreja e que ele tenha sempre muita
alegria, saúde e disposição para exer-
cê-lo com amor e solicitude pastoral.]
No domingo da Epifania do Senhor, 6 ❝ – WWW.SACRAMENTINOS.ORG.BR – ❞
de janeiro de 2019, o Frt. Rafael Hen-
rique de Almeida, SDN, fez sua Pro-
fissão Religiosa Perpétua como mis-
sionário sacramentino de Nossa Se-
nhora, pelos votos de pobreza, casti-
dade e obediência. A celebração euca-
rística foi realizada na Igreja Matriz
da Paróquia Nossa Senhora da Con-
[ Expediente [ Editorial
O LUTADOR é uma publicação mensal Um homem guiado pelo Espírito
do Instituto dos Missionários
Sacramentinos de Nossa Senhora Para compreender melhor as atitudes e reações do Servo de Deus Pe. Júlio
Maria, bem como para evidenciar os traços evangélicos que revelam a
olutador ação do Espírito em sua trajetória, é preciso ter presente o contexto so-
ISSN 97719-83-42920-0 cioeclesial no qual ele viveu e no qual nasce o seu “Diário Missionário”.
O início do século XX é marcado por um grande avanço das ciên-
Fundador cias. Todo esse avanço do mundo moderno desafiava a estabilidade e
Pe. Júlio Maria De Lombaerde a solidez da Igreja, que se percebia em um clima de insegurança. Na
busca de defender-se, a Igreja tende à postura de autoafirmação e fe-
Superior Geral chamento ao mundo moderno.
Pe. José Raimundo da Costa, sdn Nesta época, o Brasil ainda não respirava os ares da Reforma e do
modernismo. Devido ao extenso período do regime de Padroado, man-
Diretor-Editor tido por força da colonização portuguesa, podemos dizer que a Igreja do
Ir. Denilson Mariano da Silva, sdn Brasil havia parado no tempo. A falta de padres e as grandes distâncias
favoreciam o florescimento de confrarias de leigos e o cultivo de uma
Jornalista Responsável religiosidade popular mais centrada na devoção aos santos. Era um
Pe. Sebastião Sant’Ana, sdn (MG086063P) campo extremamente favorável à missão, sem as influências do pen-
samento moderno, que questionava a organização vigente na Igreja.
Redatores e Noticiaristas Acreditamos que Pe. Júlio Maria deixa transparecer no seu “Diário
Pe. Marcos A. Alencar Duarte, sdn Missionário” as motivações mais originais de toda a sua ação missio-
Pe. Sebastião Sant’Ana, sdn nária realizada no Brasil, não apenas no Norte, mas também nas ter-
Frt. Matheus R. Garbazza, sdn ras mineiras deste nosso Sudeste brasileiro. Por isso, torna-se impor-
Frei Patrício Sciadini, ocd, Frei Vanildo Zugno, tante revistar o Pe. Júlio Maria.
Dom Paulo M. Peixoto, Antônio Carlos Santini Revisitá-lo, porém, não na perspectiva de repetir o que ele fez ou de
e Dom Edson Oriolo imitar os passos, estilos ou trajes externos, ou de simplesmente bus-
car para ele as honras de um altar, o que poderia nos levar a um sau-
Colaboradores dosismo, cheio de louros, mas vazio das obras de misericórdia. Revis-
Vários tar o Pe. Júlio na busca de identificar o espírito com o qual ele viveu, na
intenção de recriar, no hoje de nossa história, sua sensibilidade com
Redação os pequenos, com as crianças, idosos e sofredores; recriar em nós seu
[email protected] ardor missionário e sua solicitude no zelo pastoral e no cuidado com
os doentes; recriar sua capacidade de doação e seu espírito de sacrifí-
Correspondência cio em nome do Evangelho e da Igreja.
Comentários sobre o conteúdo de olutador, Isto, sim, tem força para nos levar a um verdadeiro testemunho
sugestões e críticas: [email protected] missionário, tem força para recriar em nós o anseio de não querer do-
Cartas: Praça Padre Júlio Maria, 01 / Planalto minar as pessoas; não ter a ambição de adquirir bens ou vantagens
CEP 31730-748 / Belo Horizonte, MG / Brasil pessoais; moldar em nós pessoas capazes de usar de mansidão, hu-
mildade e acolhida; fazer-nos capazes de demonstrar verdadeira ca-
Assinaturas e Expedição ridade para que nossa vida seja uma vida de testemunho cristão, con-
Maurilson Teixeira de Oliveira vertendo-nos em verdadeiros missionários e missionárias do Reino.
Cabe a nós, como filhos e filhas espirituais do Pe. Júlio Maria, cul-
Assinaturas tivar uma sadia espiritualidade que abra maior espaço para que o Es-
R$80,00 / Brasil - www.olutador.org.br pírito Santo possa agir em nós. Precisamos ser dóceis à ação do Espíri-
[email protected] to e, a exemplo do Pe. Júlio, ser capazes de captar Sua ação a partir de
0800-940-2377 - De 2ª a 6ª das 7 às 19 horas baixo, nos pequenos e mais sofridos. E neles, perceber o que Espírito
diz à nossa Igreja, o que ele diz a cada uma de nossas Congregações -
Outros países Cordimarianas, Sacramentinos e Sacramentinas - e a cada um de nós,
R$ 80,00 + Porte naquilo que nos foi confiado e no tempo em que vivemos.
Enfim, que tenhamos a sensibilidade que nos é pedida no livro do
Edições anteriores Apocalipse: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz...” (Ap 2,7.) É
Tel.: 0800-940-2377 primeiro passo para que também nós sejamos guiados pelo Espírito.
E isso é pra começo de conversa!]
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|S u m á r i o olut a do r • revista mensal • A no X C • N º 3 9 0 9 • F E V E R E I ro • 2 0 19 •
6Colóquio 43ADCE:
Julimariano 7º
Prêmio
Responsabilidade
Social Empresarial
48Banco
de DNA?
11Novo México: 16Novos 8 Paulo VI Quando
as lágrimas caminhos o Papa é missionário
da Virgem para a
de bronze transmissão 10 A neopentecostalização
da fé de igrejas e grupos
12Esporte:
o lug ar do 20Os jogos 14 Qual é o nosso
encontro online e principal ídolo?
a vida
em jogo 18 Tudo a partir de Jesus
23Diário 22 Somos instrumentos
Missionário
do Pe. 24 Tempo de misericórdia
Júlio Maria
25 E a música, como vai?
31Roteiros
Pastorais 26 Trabalhos de eternidade
27 Cristãos, entre
Deus e César
30 O Deus que eu amo
44 Teologia da prosperidade
e o Evangelho distorcido
46 O laicato na igreja
47 Ser Igreja em Angola
Capa [ Ele tem muito a nos ensinar enquanto Igreja
P e . M a r c o s A n t ô n i o A . D u a r t e , SDN
Colóquio Julimariano:
uma retomada da vida e missão do Pe. Júlio Maria
O Colóquio Julimariano, ta da figura polissêmica do Pe. Júlio o seu ser. Toda a história do Servo de
realizado no dia 9 de janei- Maria. Ainda tivemos temas transver- Deus pode ser lida a partir desta fenda
ro p.p., em Manhumirim, sais que iluminam o pensar do grupo teológica da cruz. Não há Jesus Cristo
MG, foi um evento promo- para as áreas da Pastoral Vocacional sem Cruz. Quando ele vem ao nosso
vido pela Equipe pró-bea- e Educacional. De forma bem sintéti- encontro, virá sempre com a sua cruz.
tificação do Servo de Deus Pe. Júlio ca, diremos o que foi cada um destes
Maria De Lombaerde, que visa a fa- temas, que chamamos de “mesas”. Segundo o Pe. Júlio Maria, seguir
zer memória do missionário belga, Jesus abraçando a cruz é ter a certe-
por ocasião do 141º ano do seu batis- 1Paixão de Cristo e redenção do so- za de alcançar o céu; agora, segui-lo
mo, bem como a incentivar o estudo frimento para uma teologia da cruz sem a cruz é experimentar o inferno.
e o conhecimento das obras escritas na obra do Pe. Júlio Maria (Frt. Ma-
pelo Servo de Deus, como também dar theus Roberto Garbazza Andrade, SDN
visibilidade às pesquisas que são fei- e Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Carrara, CS-
tas no campo da teologia e da histó- sR). O Frt. Matheus Roberto, em sua
ria a partir de seus escritos. exposição, deixou claro que a teologia
da Cruz não ocupava um lugar mar-
Por seguir uma dinâmica mais ginal na vida e obra do Pe. Júlio Ma-
leve e de curta duração, nosso Coló- ria; pelo contrário, ela abrangeu todo
quio facilitou a participação de mui-
tas pessoas da região da Zona da Mata [6 olutador [ fevereiro 2019
mineira, de Belo Horizonte e dos es-
tados de Pernambuco, Piauí, Paraíba,
Ceará, Amazonas, Amapá, Pará, Rio de
Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. A
equipe organizadora do Colóquio es-
colheu quatro temas que nortearam
toda a reflexão. Eles são as luzes que
aparecem no caminho da redescober-
missionária em saída...
A meditação da Paixão de Cristo ilu- valho fez a conclusão, com suas re- do Servo de Deus Pe. Júlio Maria “Por
mina a dor e o sofrimento humano flexões mais voltadas para a pasto- que amo Maria”. A obra foi escolhida
hoje. É por isso que o Pe. Júlio Maria, ral missionária. por ser, entre as demais, aquela que
no seu tempo, usou este recurso para nos oferece um arcabouço teórico pa-
ajudar seus fiéis a crescerem na fé e 3Pe. Júlio Maria De Lombaerde: seu ra começarmos a redescobrir o pen-
no conhecimento da cruz de Cristo, a contexto, sua trajetória, seu lugar samento sistemático mariológico do
fim de encontrarem um sentido para e sua obra (Prof. Dr. Edmar Avelar Pe. Júlio Maria, além de estar fora do
suas dores e seus sofrimentos. de Sena, Prof. Dr. Nicodemo Valim de embate com os protestantes. O autor
Sena, Prof. Ms. Alessandro da Silva Leite está com sua pena totalmente volta-
2Diário Missionário do Pe. Júlio e o Prof. Ms. Aloysius Gentil Gonçalves). da para a figura de Maria dentro da
Maria De Lombaerde, a propósi- comunidade cristã, na sua abertura
to de uma conversa (Dr. Ir. Denil- Esta terceira mesa se preocupou a Deus, para as implicações no pro-
son Mariano da Silva, SDN, Ir. Maria em fazer a hermenêutica em torno da jeto divino e o papel que Maria exer-
Rosenir Leal, FCIM e Ir. Teresinha Car- figura histórica do Pe. Júlio Maria, no ce na vida de cada fiel.
valho Oliveira, SDN). seu contexto social, político e religio-
so. Estes pesquisadores são todos jo- A devoção a Maria é, sem dúvida,
No dia 8 de janeiro p.p., foi relan- vens professores e se envolveram com um meio eficaz para se chegar a Deus.
çada esta obra de cunho missionário e esta figura emblemática, carismáti- Mas, para isto, é necessário aplicar-
espiritual, no Santuário do Bom Jesus, ca e missionária de Manhumirim, de se ao estudo de Maria, pois sem este
em Manhumirim, MG. A novidade desta acordo com seus interesses e gostos. a devoção torna-se superficial. A de-
nova edição está na sua beleza visual voção a Maria exige de nós o fervor, a
e na junção do “Diário Missionário” O ponto de partida foi a apresen- determinação: ser como Maria, uma
com o “Romance de um missionário tação da tese de doutorado do Prof. Dr. vida toda aberta a Deus e ao seu pro-
no Amazonas”. Na verdade, segundo Fabrício Emerik Soares, falecido em 17 jeto. Sendo assim, a devoção não é só
os seus tradutores, não são duas, mas junho de 2018. Foi um grande pesquisa- um caminho piedoso, mas um jeito
uma única obra. Para o Pe. Demerval dor sobre a figura do Pe. Júlio Maria. Sua mariano de ser na relação com Deus. A
Alves Botelho, um dos tradutores, “um tese versava o seguinte tema: Religião, mariologia do Pe. Júlio Maria vai nesta
precioso legado e um valioso docu- Laicidades e espaços públicos. Notas so- direção: deixa-se moldar, ser condu-
mentário que o Pe. Júlio Maria deixa bre os discursos do Pe. Júlio Maria De zido por Maria, mas ser como Maria
para a posteridade, sobremodo para Lombaerde, de 1928 a 1944, na Paróquia na nossa relação com Deus.
os seus seguidores e seguidoras nas do Bom Jesus de Manhumirim, MG. De-
congregações religiosas que fundou”. pois da apresentação da tese, cada his- Por último, Ir. Mônica fez uma tran-
toriador ofereceu suas contribuições e ça com ideias que nos ajudam a res-
Ir. Denilson Mariano apresentou todos julgaram a tese do prof. Dr. Fabrí- ponder a pergunta: Por que amo Ma-
o Diário Missionário segundo os cin- cio bem original e digna de um doutor. ria? Ela responde à questão voltando
co passos de Bartolomeu de Las Ca- às ideias e pensamentos do Pe. Júlio
sas, que indicam que o missionário se 4Por que amo Maria: uma ma- Maria e ampliando a reflexão com a
deixa guiar pelo Espírito de Deus. São riologia julimariana em cons- teologia mariana de hoje.
eles: não querer dominar as pessoas; trução (Ms. Pe. Marcos Antônio
não ter a ambição de adquirir bens ou Alencar Duarte, SDN, Pe. Aureliano de Encerrando o Colóquio Julimariano
vantagens; usar de mansidão, humil- Moura Lima, SDN, e Ms. Ir. Maria Mô- O Colóquio Julimariano teve seu início
dade e acolhida; demonstrar verda- nica Gomes Coutinho, SMR). às 7h, com a Celebração da Eucaristia,
deira caridade e apresentar uma vi- e seu termino às 22h. Foi um dia bem
da de testemunho cristão. Esta foi a última mesa do Colóquio intenso de reflexão. Mas, por outro la-
Julimariano. A reflexão seguiu esta do, foi aliviado pelo interesse dos par-
Com estes cinco passos, o Ir. Ma- ordem: Pe. Aureliano abriu a conver- ticipantes em conhecer, perguntar e
riano leu todo o jeito missionário do sa, apresentando em linhas gerais, a ler a obra do Servo de Deus, como tam-
Pe. Júlio Maria em Macapá. E, assim partir do capítulo 8º da “Lumen Gen- bém pela amizade que foi gerada entre
como Nazaré marca toda a vida e mis- tium”, aquilo que a Igreja orienta pa- os participantes a partir da reflexão.
são de Jesus, Macapá é uma espécie ra a construção do pensar mariano
de “Nazaré” que marca toda a vida e na comunidade eclesial. Em seguida, Terminamos o Colóquio com o gos-
a missão do Pe. Júlio Maria no Brasil. Pe. Marcos Antônio, iluminado pela to de “quero mais”. Foi muito bom en-
obra “Por que amo Maria”, do Servo de trar neste movimento de retomada
Outra colaboração importante foi Deus, expôs a gênese do pensamento dos escritos do Pe. Júlio Maria. É pre-
a da Ir. Maria Rosenir, que nos apre- mariano do Pe. Júlio Maria. ciso revisitá-lo sempre. Ele tem mui-
sentou o Diário com as palavras-chave to a nos ensinar enquanto Igreja mis-
da Evangelii Gaudium do Papa Fran- Esta última mesa refletiu sobre o sionária em saída.]
cisco. Em seguida, a Ir. Teresinha Car- tema da Mariologia, a partir do livro
FEVEReiro 2019 [ olutador]7
Igreja [ Sentimos crescer em nós a convicção de que seja novo dever, um
Paulo VI
Quando o Papa
é missionário
A recente canonização
do Papa Paulo VI pode orientar
nossos olhares para o empenho
missionário, traço essencial
para a vida da Igreja
[8 olutador [ fevereiro 2019
dever de amor, aproximar-nos com um diálogo mais fraterno...
[Nossa canonização dos mártires de Ugan- De fato, não é o desejo por novi-
viagem, ainda da, ao mesmo tempo que anunciava dades ou por viajar que nos impele
sua viagem apostólica à Índia, no a esta decisão, mas somente o zelo
contexto do Dia Mundial das Mis- apostólico de levar nossa saudação
evangélica aos imensos horizon-
que brevíssima sões de 1964. tes humanos que os novos tempos
“Diante do despertar dos novos abrem diante de nossos passos, e
seu único objetivo é o de oferecer
e muito simples, povos, sentimos crescer em nós a ao Cristo Senhor um testemunho
convicção de que seja novo dever, de fé e de amor, mais amplo, mais
um dever de amor, aproximar-nos vivo e mais humilde.
circunscrita a um com um diálogo mais fraterno des- O Papa se torna missionário,
ses mesmos povos, dar-lhes um si- dir-se-á. Sim, o Papa se torna mis-
nal de nossa estima e de nosso afeto, sionário, o que quer dizer apósto-
único local, onde manifestar como a Igreja católica lo, testemunha, pastor a caminho.
se tributa solene compreende suas legítimas aspi- Estamos felizes por repeti-lo nes-
rações, para auxiliar em seu desen- te Dia Mundial das Missões. Nos-
volvimento livre e igualitário por sa viagem, ainda que brevíssima e
muito simples, circunscrita a um
homenagem a vias pacíficas de fraternidade hu- único local, onde se tributa solene
mana, e também para tornar mais homenagem a Cristo presente na
Eucaristia, deseja ser um atestado
Cristo presente na fácil, quando livremente o deseja- de reconhecimento para todos os
rem, o acesso ao conhecimento de missionários de ontem e de hoje,
Cristo que, acreditamos nós, cons- que consagraram sua vida à causa
Eucaristia, deseja titui para todos a verdadeira salva- do Evangelho, e para aqueles que,
ção e o mais original e maravilho- seguindo as pegadas de São Francis-
ser um atestado de so intérprete de suas próprias as- co Xavier, “fundaram a Igreja” com
pirações mais profundas. tanta dedicação e fruto na Ásia, em
É tal a força desta convicção, particular na Índia.
reconhecimento que nos parece não devermos re-
cusar a ocasião ou, antes, o convi- Deseja também ser uma ade-
são simbólica, uma exortação e um
para todos os te que vem a nós com insistência encorajamento a todos os esforços
e ir ao encontro de um grande po- missionários da Santa Igreja ca-
tólica; quer ser uma resposta pri-
missionários de vo, no qual nos agrada ver simbo- meira e imediata ao convite mis-
ontem e de hoje, lizada a imensa população de um sionário que o Concílio ecumênico
continente inteiro, para levar nos- em curso lança para a Igreja, a fim
sa mensagem sincera da fé cristã. de que cada um de seus membros
Assim sendo, nós vos informamos, fiéis acolha em si mesmo a ânsia
pela dilatação do Reino de Cristo.
que consagraram irmãos, que decidimos participar Quer ser um estímulo e um aplau-
do próximo Congresso Eucarístico so para todos os nossos missioná-
Internacional em Bombaim. rios espalhados por todo o mun-
sua vida à causa É a segunda vez que anunciamos do e para aqueles que os susten-
tam e ajudam; quer ser um sinal
nesta basílica uma viagem nossa, de amor e de confiança para todos
os povos da Terra.
do Evangelho.] até agora completamente estranha
aos costumes de nosso ministério E bem-aventurados os mártires,
Arevista “Mondo e pontifício apostólico. Mas acredi- hoje declarados cidadãos do céu,
Missione” [13/10/2018] tamos que, do mesmo modo que que abrem nosso espírito a tais pro-
recorda que Monti- em nossa primeira viagem à Ter- pósitos; que sejam eles a infundir-
ni foi um “Papa de- ra Santa, também esta às portas da nos coragem, alegria e esperança,
claradamente mis- imensa Ásia, do novo mundo mo- in nomine Domini.”]
sionário” e nos rea- derno, não seja estranha à natu-
presenta as palavras reza e, mais ainda, ao mandato de
por ele pronuncia- nosso ministério apostólico. Ouça-
mos em nosso coração, solenes e
urgentes, as palavras sempre vivas
das diante dos Pa- de Jesus Cristo: ‘Ide e anunciai a to-
dres conciliares, na das as nações!’ (Mt 28,19.)
FEVEReiro 2019 [ olutador]9
F rei edson matias * Igreja [ Desafios...
A neopentecostalização de igrejas e grupos
Na área das Ciências da Religião, dição desses novos modos de viver a servadorismo hipócrita e se esque-
que estuda o fenômeno religio- ce dos mais necessitados. A Palavra
so nas mais variadas óticas, é mensagem cristã se estabelece e cor- de Deus em uso nesses novos cultos
comum tratar do pentecostalismo (evangélicos e católicos) é recorta-
e do neopentecostalismo. Quando rói o próprio fundamento da men- da, escolhem-se trechos que interes-
ouvimos essas palavras, a primei- sam à pregação e à manutenção da
ra parece-nos mais familiar. Vêm sagem: a relação com o próximo. ideologia irresponsável perante os
à mente as igrejas evangélicas no- outros. A Sagrada Escritura é trans-
vas. Pode-se pensar na Assembleia [ Quando se perde a noção de res- formada em um livro de autoajuda.
de Deus, na Quadrangular e outras. ponsabilidade pelo outro – os ir- Fazem recortes dos textos do Anti-
Porém, não se pode deixar de dizer mãos, o próximo, o caído à beira da go e do Novo Testamento sem a mí-
que ‘pentecostalismo’ também en- estrada, o coxo, doente, o aleijado nima reflexão de contexto e de coe-
globa alguns movimentos e grupos etc. – e se pensa somente na feli- rência com a sequência anterior e
dentro da Igreja Católica. Como exem- cidade própria, cai-se no ‘pecado posterior do relato.
plo, a RCC – Renovação Carismática do mundo’, da ganância e da feli-
Católica e diversos grupos. cidade fácil em detrimento da fe- Perspectivas
licidade do outro. Essa nova ver- Então, neste contexto atual, se per-
No caminhar do pentecostalismo, tente, que se espalha em todas gunta: como lidar com o processo
ele veio tomando novas configura- as Igrejas, acredita que a pobre- de neopentecostalização de nossas
ções, principalmente após a década za é uma questão apenas de fal- comunidades e grupos? Dos líde-
de 70 no Brasil. Na pregação, o comba- ta de boa vontade do pobre ou de res, requer-se uma autocrítica pa-
te às entidades demoníacas aumen- algum espírito maligno que está ra não se não se deixarem levar pe-
tou (práticas de exorcismo), a ideia atuando nele. O que, na realida- los modismos que, por vezes, são
de retribuição por atos ‘bons’ tam- de, dá no mesmo: a resposta não entendidos como ‘renovação’. Dos
bém (como doar dinheiro à igreja). está nas minhas escolhas e de- movimentos, grupos e fiéis em ge-
O pentecostalismo primeiro prezava cisões de ajudar, mas em algu- ral, a formação e a reflexão bíbli-
pela experiência do Espírito Santo e ma entidade ou na própria pes- ca, seja individual ou em círculos
seus dons. O “batismo no Espírito” soa sofredora e preguiçosa. Não bíblicos. As Igrejas locais também
dava ao fiel o dom de falar em lín- se vê a consequência do pecado devem deixar de se guiar por uma
guas, a profecia, o dom de ciências pessoal e social. ] pastoral de conservação, pois esta
etc. Isso também foi semelhante na fica à mercê das novas roupagens
RCC e em grupos na Igreja Católica. A A concepção do neopentecostalis- de entretenimento e, com elas, es-
essas transformações no pentecos- tão sujeitas ao processo de neopen-
talismo clássico pode-se chamar de mo sobre a prática religiosa não traz tecostalização.]
‘neopentecostalização’, ou seja, uma
nova forma de configuração do pen- consciência ao praticante, mas fa- * E-mail: [email protected]
tecostalismo.
vorece o crescimento do preconcei-
Desafios
Quais os problemas que existem nesse to contra pobres, negros e minorias.
novo ‘mover religioso’ para a Evan-
gelização? A neopetencostalização Tal concepção carrega em si um con-
de Igrejas, movimentos e grupos faz
da teologia da retribuição e da pros- [10 olutador [ fevereiro 2019
peridade um de seus pilares. A ideia
presente nessas Igrejas e movimen-
tos é que, sendo fiel ao dízimo, a pes-
soa vai ser libertada de todos os sofri-
mentos e atingirá, além do mais, a
prosperidade financeira, numa cla-
ra teologia da retribuição. A contra-
religião [ A imagem que chora...
novo México:
as lágrimas da Virgem
de bronze
OBiSPO da Diocese de Novo Mé- A INvESTIGAÇãO
xico, EuA, Mons. Oscar Cantu ORDENADA PElO BISPO
de las Cruces, publicou uma lOCAl NãO ENCONTROu
atualização do inquérito a respei- CAuSAS NATuRAIS PARA
to de uma imagem da virgem Ma-
ria, na Paróquia de Guadalupe, na O ÓlEO QuE ESCORRE
cidade de Hobbs. Segundo o infor- DOS OlHOS DA IMAGEM
me, não foi possível identificar ne-
nhuma explicação natural para o DE NOSSA SENHORA
fenômeno.
Em um comunicado de agosto de
2018, afirma-se que “a primeira fase
da investigação é determinar se o fe-
nômeno pode ser explicado por cau-
sas naturais. Até agora, não pudemos
discernir causas naturais para a es-
tátua que está emitindo líquido. Se a
causa do fenômeno for sobrenatural,
nós devemos discernir se é de Deus lembrou os frutos do Espírito Santo
mencionados na Carta de São Paulo
ou do diabo. Recordo-vos que a Igre- aos Gálatas: caridade, alegria, paz,
bondade, generosidade, fidelidade,
ja crê na existência de anjos caídos, modéstia, autocontrole e castidade.
E lembrou aos católicos que a Igreja
que às vezes tentam enganar-nos”. faz a distinção entre revelações pú-
blicas e privadas. As revelações pú-
[O fato registrado por muitos é estátua. Segundo o Bispo Cantu, de- blicas, encerradas após a morte do
que uma estátua de bronze de nossa ram a informação de que o processo último apóstolo, diferem das reve-
Senhora de guadalupe começou a de moldagem envolve elevado calor, lações privadas, que não fornecem
“chorar” em 20 de maio, solenidade que derrete por completo os mol- quaisquer novos conhecimentos pa-
de Pentecostes, e desde então o fe- des de cera em torno do qual as es- ra a salvação.
nômeno repetiu-se duas vezes, na tátuas são modeladas, o que torna
festa de maria, mãe de igreja, e no- impossível a permanência de qual- “Não há novas informações so-
vamente na festa do imaculado Co- quer resíduo de cera que explicasse bre a nossa salvação a serem adqui-
ração de maria, 9 de junho.] o acontecimento. Pe. José Segura, ridas a partir de revelações privadas.
responsável pela paróquia, relatou As mensagens de revelações priva-
Segundo se alega, a substância de imediato o incidente ao bispo lo- das apenas reafirmam e destacam
encontrada na imagem é um azei- cal, sendo recolhidas amostras das o que Cristo já revelou na Escritu-
te róseo, perfumado, semelhante ao lágrimas e depoimentos de teste- ra e na tradição”, disse o bispo. “As-
utilizado no sacramento da Crisma. munhas oculares. sim, Maria e os Santos sempre nos
Sendo uma estátua oca, nada foi en- levam para Jesus e à Igreja. É por is-
contrado em seu interior que pu- Mons. Cantu afirmou à impren- so que Nossa Senhora instruiu São
desse ser a origem do líquido. Ha- sa que o processo de discernimen- Juan Diego a ‘ir ao Bispo e construir
via, mesmo, algumas teias de ara- to deverá basear-se nos frutos es- um templo.’”]
nha na cavidade. pirituais da imagem que chora. Ele
Fonte: Catholic herald
Os investigadores entrevistaram FEVEREIRO 2019 [ oluTador]11
o fabricante mexicano, criador da
Religião [ É essencial que todos estejam conscientes
Foi com alegria que re- É importante levar, nunca, devamos fixar o olhar nos jo-
cebi a notícia da publica- comunicar esta alegria vens, dado que, quanto antes come-
ção do documento: “Dar o transmitida pelo çar o processo de formação, tanto
melhor de si mesmo”, na esporte, que mais mais fácil será o desenvolvimento
perspectiva cristã do es- não é do que descobrir integral da pessoa através do espor-
porte e da pessoa huma- as potencialidades te. Sabemos que as novas gerações
na, que o Dicastério para os Leigos, da pessoa, que nos olham e se inspiram nos desportis-
a Família e a Vida preparou, com a chamam a revelar a tas! Por isso, é necessária a participa-
finalidade de evidenciar o papel da beleza da criação e do ção de todos os desportistas, de qual-
Igreja no mundo do esporte, e como próprio ser humano. quer idade e nível, para que quantos
o esporte pode constituir um ins- fazem parte do mundo do esporte
trumento de encontro, formação, ças brincam juntas no parque ou sejam um exemplo de virtudes co-
missão e santificação. na escola, quando o desportivo fes- mo a generosidade, a humildade, o
O esporte é um lugar de encon- teja a vitória com os seus torcedo- sacrifício, a constância e a alegria.
tro onde pessoas de todos os níveis res, em todos estes ambientes po-
e condições sociais se unem para demos ver o valor do esporte como Do mesmo modo, deveriam
obter um resultado comum. Nu- lugar de união e de encontro entre oferecer a sua contribuição para o
ma cultura dominada pelo indivi- as pessoas. Tanto no esporte como que se refere ao espírito de grupo,
dualismo e pelo descarte das jovens na vida, só alcançamos grandes re- ao respeito, à competição saudável
gerações e dos idosos, o esporte é e à solidariedade para com os ou-
um âmbito privilegiado em volta tros. É essencial que todos estejam
do qual as pessoas se encontram conscientes da importância que o
sem distinções de raça, sexo, reli- exemplo tem na prática desportiva,
porque é um bom arado em terra
gião ou ideologia, e onde podemos sultados juntos, em grupo! fértil que favorece a colheita, con-
experimentar a alegria de compe- O esporte é também um veículo tanto que se cultive e se trabalhe
tir para alcançar uma meta juntos, de maneira adequada.
de formação. Talvez hoje mais do que
Esporte: o lug
Em 1º de junho, a Santa Sé divulgou carta
do Papa Francisco
participando num grupo no qual o sobre o valor dos esportes
sucesso ou a derrota são comparti- como espaço de formação,
lhados e superados; isto ajuda-nos
a rejeitar a ideia de conquistar um missão e santificação.
objetivo, centrando-nos somente Leia na íntegra:
em nós mesmos.
A necessidade do outro englo-
ba não apenas os companheiros de Ao Venerado Irmão
equipe, mas também os dirigentes, Senhor Cardeal
o treinador, os torcedores, a famí-
lia, em síntese, todas as pessoas Kevin Farrell
que, com esforço e dedicação, tor-
nam possível chegar a “dar o me- Prefeito do Dicastério
lhor de si mesmo”. Tudo isto faz para os Leigos
do esporte um catalisador de expe-
riências de comunidade, de famí- a Família
lia humana. Quando um pai joga e a Vida.
com o seu filho, quando as crian-
[12 olutador [ fevereiro 2019
da importância que o exemplo tem na prática desportiva...
Finalmente, gostaria de ressal- Dar o melhor de si mesmo no es- todos os aspetos da vida. Esta bus-
tar o papel do esporte como meio porte é também um chamado a as- ca coloca-nos no caminho que, com
de missão e santificação. A Igreja é pirar à santidade. Durante o recente a ajuda da graça de Deus, nos pode
chamada a ser sinal de Jesus Cris- encontro com os jovens, em prepa- conduzir rumo àquela plenitude de
to no mundo, inclusive mediante ração para o Sínodo dos Bispos, ma- vida à qual nós chamamos santidade.
o esporte praticado nos oratórios, nifestei a convicção de que todos os O esporte é uma riquíssima fon-
nas paróquias, nas escolas, nas as- jovens ali presentes, fisicamente ou te de valores e virtudes que nos aju-
sociações... Todas as ocasiões são mediante as redes sociais, sentiam dam a melhorar como pessoas. As-
boas para anunciar a mensagem o desejo e a esperança de dar o me- sim como o atleta durante o treino,
de Cristo, “oportuna e inoportuna- lhor de si mesmos. Utilizei a mes- também a prática desportiva nos
mente” (2Tm 4,2). ma expressão na recente Exortação ajuda a dar o melhor de nós mes-
É importante levar, comunicar Apostólica, recordando que o Senhor mos, a descobrir sem medo os nos-
esta alegria transmitida pelo espor- tem um modo único e específico de sos limites e a lutar para melho-
te, que mais não é do que descobrir chamar cada um de nós à santida- rar todos os dias. Deste modo “ca-
as potencialidades da pessoa, que de: “É importante que cada crente da cristão, quanto mais se santi-
nos chamam a revelar a beleza da discirna o seu próprio caminho e fica, tanto mais fecundo se torna
criação e do próprio ser humano, traga à luz o melhor de si mesmo, para o mundo” (ibid., nº 33). Por-
feito à imagem e semelhança de quanto Deus colocou nele de muito tanto, para o desportista cristão a
Deus. O esporte pode abrir o cami- pessoal”. (Gaudete et Exsultate, 11.) santidade será viver o esporte como
nho rumo a Cristo nos lugares ou É necessário aprofundar a estrei- um meio de encontro, de formação
ambientes onde, por vários motivos, ta relação que existe entre o esporte da personalidade, de testemunho
não é possível anunciá-lo de modo e a vida, que possam iluminar-se re- e de anúncio da alegria de ser cris-
direto; e as pessoas, com o seu tes- ciprocamente, a fim de que o esforço tão com quantos o circundam. [...]
temunho de alegria, praticando o de se superar numa disciplina atlé- Vaticano, 1º de junho de 2018
esporte de forma comunitária, po- tica sirva também de estímulo para Memória do Mártir São Justino
dem ser mensageiras da Boa Nova. melhorar sempre como pessoa em Francisco]
ar do encontro]
FEVEReiro 2019 [ olutador]13
Bíblia [ Os bens da terra se convertem em ídolo e
V Í C T OR C ODINA*
Qual é o nosso
principal
ídolo?
Os ídolos for-
mam como muito amada e adorada por eles, a
uma espé- cobiça, em cada um daqueles anos
cie de cons- que estiveram nas Índias, do que
telação com em cem anos os índios sacrificaram
um grande poder de se- a seus deuses em todas as Índias”.
dução para seus ado-
radores e possui efei- Tanto os profetas de Israel co-
tos mortais para o po- mo Jesus e Paulo atacam a cobiça
vo. Nesta constelação de riquezas como a raiz idolátrica
há diferentes núcleos fundamental, incompatível com a
ou epicentros: o poder, fé no único Deus. As invectivas de
o sexo, a magia, a ra- Jesus contra os ricos (cf. Lc 6,21) e o
ça, o dinheiro. De todos poder asfixiante da riqueza (cf. Mt
estes ídolos, o dinhei- 13,22) são os sinais claros desta ter-
ro constitui o principal. rível força idolátrica do dinheiro.
Cobiça, uma idolatria E já antes de Bartolomeu de Las
A cobiça foi o deus dos conquista- Casas, Domingo de Santo Tomás, o
dores espanhóis (no caso do Brasil, futuro primeiro bispo residencial de
foi o deus dos portugueses), segun- La Plata (Sucre), escreveu: “Há qua-
do afirmava Frei Bartolomeu de Las tro anos que, para acabar de perder
Casas: “...porque com verdade po- esta terra, descobriu-se uma boca
demos dizer: os espanhóis sacri- do inferno pela qual entra, a cada
ficaram muito mais à sua deusa, ano, grande quantidade de gente,
que a cobiça dos espanhóis sacrifi-
ca a seu deus: é uma mina de pra-
ta que se chama Potosí.”
O dinheiro coisifica as relações
O ídolo do dinheiro constitui um
estranho poder que subordina os
indivíduos à produção e coisifica
todas as relações humanas. Pos-
sui uma sedução mágica que, sem
saber nem de onde vem, nem aon-
de vai, dirige as vontades de to-
dos até atingir seus objetivos. É
um fetiche.
[14 olutador [ fevereiro 2019
sério obstáculo...
O documento dos bispos reuni- Por seu lado, os bispos reunidos Seus sacerdotes são o Fundo
dos em Puebla, no México, ao fa- em Puebla rechaçam duas formas Monetário Internacional, o Banco
lar da crítica às idolatrias e da ne- concretas desta idolatria, o capita- Mundial, O Banco Interamericano
cessidade de lutar contra elas para lismo liberal e o coletivismo mar- de Desenvolvimento, que fomen-
libertar a pessoa humana, dedica xista (cf. Puebla, 493). tam o culto a seu deus e não deixam
um amplo espaço para a idolatria Ritual, templos e liturgia que nada questione suas regras de
do dinheiro e a necessidade de uma Este ídolo possui um ritual, seus jogo. Sua liturgia se nutre da dívi-
libertação do ídolo da riqueza e re- sacerdotes, seus templos, suas ofe- da externa, congelamento de salá-
pete a doutrina tradicional da Igre- rendas e, naturalmente, suas víti- rios, política de diminuição de pre-
ja. “Os bens da terra se convertem mas. Em nosso contexto latino-a- ços das matérias-primas e aumen-
em ídolo e sério obstáculo para o mericano, a figura de Mamon se to dos produtos manufaturados.
Reino de Deus, quando o homem concretiza no dólar, em cujas no-
concentra toda sua atenção em tê tas aparece a idolátrica inscrição: O ídolo e seus ministros exigem
-los ou ainda em adquiri-los. Tor- “In God we trust” [em Deus nós con- cada vez mais prata e, em troca, ofe-
nam-se então absolutos. Não po- fiamos], isto é, este é o nosso ver- recem progresso, bem-estar social,
demos servir a Deus e ao dinheiro dadeiro deus. fazer parte dos países desenvolvi-
(cf. Lc 6,13).” (Puebla, 493.) dos e da civilização democrática,
FEVEReiro 2019 [ olutador]15 livre e ocidental, cujo modelo são
os Estados Unidos e o american way
of life, o estilo de vida americano.
Ninguém se atreve a contradi-
zer esse ídolo nem a seus sacerdo-
tes. Todo mundo os venera. Suas
altas e baixas na bolsa de valores
são vividas com intensa emoção.
O dólar adquire traços pessoais: o
dólar está enfermo, o dólar goza
de boa saúde, o dólar triunfa, o dó-
lar avança... Especula-se, deseja-se
comprar e vender dólares, as ruas
se enchem de cambistas, vendem-
se consciências, joga-se com a sor-
te dos mais pobres. Não importa. O
deus exige sacrifícios e vítimas: tra-
balhadores, lavradores, operários,
desocupados, crianças... Que im-
porta que morram crianças desnu-
tridas?! Também o deus Moloc dos
fenícios exigia sacrifícios humanos.
Dom Pedro Casaldáliga, bispo
profeta do Brasil, levantou sua voz
para denunciar: “Os Estados Unidos
são poderosos e grandes. All right!
We trust... in God. Podem ser donos,
podem ter tudo, inclusive deus, o
deus deles – o ídolo sangrento de
seus dólares, o maquinal Moloc –,
porém lhes falta o Deus de Jesus
Cristo, a Humanidade de Deus”.]
* Doutor em Teologia,
assiste às comunidades populares
de Oruro na Bolívia. (Texto de seu
livro: Parábolas de la Mina y el lago:
Teología desde la noche oscura.
Ed. Sígueme: Salamanca, 1990
Trad. DM.)
P e . S e b a s t i ã o S a n t ’A n a , SDN * Família [ A Pastoral Familiar poderá contribuir
A55ª Assembleia Geral da CNBB
(abril/maio/2017) aprovou o Docu-
mento 107 – “Iniciação à Vida Cristã:
Itinerário para formar discípulos
missionários” –, que vem provo-
cando uma revolução pastoral revitali-
zadora na Igreja no Brasil.
As pastorais estão sendo fortaleci-
das com a vacina da Iniciação à Vida Cristã.
A Pastoral Familiar teve um ganho enorme;
o texto aprovado reservou à família papel re-
levante e intransferível.
A realização do surpreendente Sí-
nodo da Juventude, o encerramento do Ano
do Laicato, os encontros nacionais de bispos
referenciais e assessores da Pastoral Fami-
liar e dos coordenadores regionais do INAPAF
(Salvador, 29/11 a 02/12/18) se somam a ou-
tro grande evento: a 4ª Semana Brasileira de
Catequese, com o tema A Catequese a servi-
ço da Iniciação à Vida Cristã (matéria de
capa da última edição de nossa Revis-
ta – janeiro/2019).
Quais os objetivos da 4ª Semana Novos
Brasileira de Catequese? caminhos
Os 425 especialistas trabalharam o para a
objetivo geral: “Compreender a cate- transmissão
quese de inspiração catecumenal a
serviço da Iniciação à Vida Cristã,
buscando novos caminhos para
a transmissão da fé, no contex-
to atual”.
Os objetivos específicos ajudaram na
compreensão da meta proposta:
– refletir sobre a condição huma-
na, a busca de sentido e a crise de fé na con-
temporaneidade;
– apresentar a Iniciação à Vida Cris-
tã como eixo articulador da ação evangeli-
zadora, a serviço da qual está a Catequese;
– compreender o querigma e a mis-
tagogia como caminho de renovação da co-
munidade e da formação do discípulo mis-
sionário;
– partilhar experiências significati-
vas da Catequese a serviço da Iniciação à Vi-
da Cristã dos regionais. Em síntese: testemu-
nhar Jesus num mundo plural; a transmis-
são da fé hoje; catequese no mundo digital.
Questões relevantes abordadas da fé
Na Mensagem aos Catequistas do Brasil, os
425 catequistas especialistas em Catequese
[16 olutador [ fevereiro 2019
para que a família seja, de fato, lugar de realização humana...
destacaram algumas questões re- OSenhor Jesus Cristo é a Pa- a cargo do Pe. Antônio Marcos Depi-
levantes trabalhadas nas 6 confe- lavra humana por Deus pro- zolli, assessor nacional da Comis-
rências e 6 oficinas realizadas na nunciada. A Leitura Orante são para a Animação Bíblico-Cate-
IV Semana Brasileira (cf. edição é a grande experiência de deixá-lo quética da CNBB.
jan/2019, 3). Retomo-as: falar.
Da mesma forma, os congres-
Atransmissão da fé às novas Acolher essa palavra nos apro- sos regionais, provinciais e dioce-
gerações nos novos contextos xima do irmão e nos faz vi- sanos – tanto da Pastoral Familiar,
e com novos interlocutores. ver em comunidade. Movimentos e Serviços familiares
quanto de outras Pastorais – têm
Amudança que o seguimen- Os tempos mudaram, a lin- dado destaque ao tema: “Iniciação à
to de Jesus traz à nossa com- guagem digital domina mo- Vida Cristã: Itinerário para formar
preensão do sentido da vida. vimentos e relacionamentos. discípulos missionários”.
Nós, catequistas, somos desafiados
Aimportância da liturgia pa- (as) a comunicar nesta realidade, O Documento 107 tornou-se uma
ra mergulhar no segredo de a alegria do Evangelho. referência constante, pois apro-
Deus, isto é, no seu misté- funda uma das questões priori-
rio e no compromisso com a vida. Família: primeiro local tárias para a vida de nossa Igre-
para a Iniciação à Vida Cristã ja. Vai-se compreendendo, lenta-
As Diretrizes Gerais da Ação Evan- mente, que a mais importante ca-
gelizadora da Igreja no Brasil (2011– tequese hoje é aquela feita com
2015) reforçaram o cuidado prio- os adultos. Mais do que preparar
ritário com a FAMÍLIA e a decisiva para os sacramentos, a cateque-
contribuição da Pastoral Familiar se deve formar verdadeiros dis-
na formação de discípulos missio- cípulos missionários.
nários: “Um olhar especial merece
a família, patrimônio da humani- Olhar fixo em Jesus
dade, lugar e escola de comunhão, é a vocação da família
primeiro local para a Iniciação à O Papa Francisco, abrindo o capítu-
Vida Cristã das crianças, no seio lo III da Exortação Apostólica Amo-
da qual, os pais são os primeiros ris Laetitia – O olhar fixo em Jesus:
catequistas. Tamanha é sua im- a vocação da Família –, orienta que
portância que precisa ser consi- “diante das famílias e no meio de-
derada ‘um dos eixos transversais las, deve ressoar sempre o primeiro
de toda a ação evangelizadora’ e, anúncio que é o mais belo, mais im-
portanto, respaldada por uma Pas- portante, mais atraente e, ao mes-
toral Familiar intensa, vigorosa e mo tempo, mais necessário e deve
frutuosa. A Pastoral Familiar po- ocupar o centro da atividade evan-
derá contribuir para que a famí- gelizadora”. (AL, 58.)
lia seja, de fato, lugar de realização
humana, de santificação na expe- Mais adiante, Francisco adver-
riência de paternidade, materni- te: “O nosso ensinamento sobre o
dade e filiação e de educação con- matrimônio e a família não pode
tínua e permanente da fé”. (DGAE deixar de se inspirar e transfigurar
2011–2015, 108.) à luz deste anúncio de amor e ter-
nura, se não quiser tornar-se mera
Catequese é para formar defesa de uma doutrina fria e sem
discípulos missionários vida. Com efeito, o próprio mistério
Recordamos que, no XV Congresso da família cristã só se pode com-
Nacional da Pastoral Familiar (Cuia- preender plenamente à luz do amor
bá, 8-10/09/17), uma de suas mais infinito do Pai que se manifestou
destacadas conferências contem- em Cristo entregue até o fim e vivo
plou o tema “Importância da Ini- entre nós”. (AL, 59.)
ciação Cristã para o Matrimônio”,
Sugestão: leia (ou releia) todo o ca-
FEVEReiro 2019 [ olutador]17 pítulo III da Exortação Amoris Lae-
titia.]
Catequese [ Nos encontros
Tudo Esta matéria
é continuação
do número anterior.
Ela procura
dar dicas
para que nossa
a partir de catequese,
em seu conjunto,
2 tenha como
Jesus referencial primeiro
as atitudes e práticas
Passos para uma de Jesus. Para melhor
entendimento,
nova maneira de pensar leia também o
os encontros de catequese número anterior.
IR. MARLENE BERTOLDI (Edição 3908 – janeiro 2009, p. 18 e 19.)
[18 olutador [ fevereiro 2019
de catequese, precisamos fazer um processo de conversão com nós mesmos...
5Conteúdo de forma circular humano e cristão. Jesus nos cha- tudes missionárias em nossos ca-
Ruminar e refletir. O conteúdo ma atenção e nos diz claramente: tequizandos? O que podemos fazer
tem seu valor se toca o coração e dá “Convertam-se! E creiam no Evan- diante de uma sociedade corrupta,
sentido à vida. Os temas abordados gelho!” (Mc 1,14-15.) injusta, que não se importa com os
partem do anúncio de Jesus. “Jesus pobres e marginalizados?
convida a nos encontrarmos com Nos encontros de catequese,
Ele e a que nos vinculemos estrei- precisamos fazer um processo de 8Procedimento através do caminho
tamente a Ele, porque é a fonte da conversão com nós mesmos e com Ver, iluminar, agir, celebrar e re-
vida (cf. Jo 15,1-5) e só Ele tem pa- os catequizandos. Perguntas que ver. Conhecemos este procedimento
lavras de vida eterna (cf. Jo 6,68). O nos ajudam: conversão de quê? Por desde que temos em nossas mãos
discípulo experimenta que a vin- quê? De que maneira? Para quê? Ao o Documento “Catequese Renova-
culação íntima com Jesus no gru- longo do desenvolvimento de um da”, nº 26. Ele ainda nos ajuda a
po dos seus é formar-se para assu- encontro, seria importante rever fazer um caminho capaz de nos
mir seu estilo de vida e suas moti- a caminhada feita? Como? fazer entender como desenvolver
vações (cf. Lc 6,40b). um encontro em que se olhe para
7Caminhada em vista da missão vários aspectos.
O conteúdo abordado nos en- Ser seguidor de Jesus é testemu-
contros está estruturado numa nhá-lo e anunciá-lo com alegria. Vejamos:
metodologia circular, isto é, leva- O cristão iniciado é aquele que faz
nos a um constante retomar das o que Jesus nos ensinou, testemu- VER: Olhar a vida e ver a realida-
ideias principais. O ruminar é tra- nhou com sua prática humana. A de. Capacidade sensível de cons-
zer à tona palavras que precisam missão nasce com uma experiên- ciência crítica para perceber com o
ser refletidas. Ex: A palavra “en- cia profunda com a pessoa e o pro- coração e a inteligência aquilo que
contrar-se” é chave para o enten- jeto de Jesus. Não é algo que se com- se passa ao nosso redor;
dimento da Pessoa de Jesus e no re- pra no mercado, mas é questão de
lacionamento com os outros. Uma paixão, isto é, um sentimento que ILUMINAR: a Palavra de Deus serve
boa compreensão desta prática nos move a ter audácia de querer con- para iluminar nossa vida e con-
ajudará na memorização e valori- quistar, alcançar. É consequência frontar a realidade vivida com o
zação do essencial. de quem segue a Jesus e faz dele o projeto dele;
sentido de sua vida.
6Conversão e crescimento AGIR: O agir é transformador e
A conversão e o crescimento são [Para fazer uma cami- comprometedor; está ligado à
atitudes que se completam. Isto nos vida e à Palavra de Deus, que ques-
leva a entender que, em questão de nhada com os nossos tionam e exigem a mudança nas
fé, tudo se dá de forma gradual e catequizandos, precisa- pessoas, família e comunidade;
permanente. A conversão implica mos despertar neles pes-
em mudança, ou seja, não é possí- soas que falem de Jesus CELEBRAR: é um momento for-
vel converter-se sem mudar, pois o com coragem. Pessoas te durante o encontro: é como
mal está espalhado em todo lugar. que tenham um coração se estivéssemos ao redor de uma
Na iniciação à vida cristã, a conver- que saiba quebrar pre- mesa com convidado especial. Os
são faz parte do caminho dos que conceitos, medos, discri- catequizandos aprenderão a con-
querem seguir Jesus. É uma neces- minação. Pessoas de ter- versar com Deus como um ami-
sidade existencial a mudança das nura, cúmplices do bem, go íntimo;
nossas atitudes. que acreditam num outro
REVER: O rever ajuda a alegrar-se
Assim, na nossa vida, enfren- mundo possível.] com as descobertas feitas pelo
tamos dificuldades, dúvidas, resis- que aconteceu de bom. É ele tam-
tências, tropeços, infidelidades, por O que Jesus nos fala sobre a mi- bém que faz verificar as falhar e cor-
isso precisamos apontar para o cres- sericórdia? Como desenvolver ati- rigir o que não foi bom, com uma
cimento que se inicia com a con- proposta de compromisso a ser as-
versão. Cada um de nós necessita FEVEReiro 2019 [ olutador]19 sumido.]
da ajuda do outro e da comunida-
de nesse caminho de conversão. Fonte: Catequese do Brasil
Apesar de ser um processo longo,
e não mágico, a conversão é vista
como essencial para o crescimento
Juventude [ A relação é virtual, não real. São vínculos passageiros, sem
F R T. D i o n e Af o n s o , SDN * online e a
esde 2017, jogos on-
line, como o Free Fi-
re, vêm ganhando
Dmercado significa-
tivo no mundo dos
eletrônicos. As plataformas
recriam um mundo virtual
de ação e aventura onde os
jogadores, numa espécie de
ilha, buscam meios de so-
brevivência adquirindo poder
bélico, suprimentos e pon-
tuação, a fim de garantir seu
tempo na plataforma. Com
menos de um ano do lan-
çamento, o Free Fire somou
a marca dos 7,5 milhões de
jogadores (downloads) e ga-
nhou o prêmio de “melhor
jogo online” pela Google Play
Os jogosStoreem2018.
A experiência do Free Fire O jogo só é possível com cone- âncora de apoio com o mundo real
Juntamente com um grupo de jo- xão da Internet. Na plataforma, jo- social”. [Spadaro, 2017.]
vens, fiz a experiência de login nu- gamos com jovens de todo o canto
ma conta do jogo online. A “joga- do mundo. Por meio desse jogo, os A vida em jogo
bilidade” consiste num campo de jovens criam também uma relação No Free Fire as regras são claras: ou
batalha, avião e salto de paraque- virtual de amizade e companhei- você mata, ou você morre! Na vida
das. Assim que há o pouso, o joga- rismo. Por meio da plataforma, fa- real, essa regra deve ser submeti-
dor deve sair à procura de armas e zem-se amizades, trocam-se con- da à do Evangelho: “Todos devem
itens como equipamento médico, tatos das Redes Sociais, criam-se ter vida plena” (Jo 10,10). Esses jo-
granadas, colete à prova de balas, vínculos e uma parceria agradável. vens passam diariamente de 4 a
capacete de proteção, mochila, fa- 5 horas nessa plataforma virtual.
cão, entre muitos outros objetos. O Toda essa relação, mesmo que O risco é que perdem o ritmo e as
objetivo final do jogo é o jogador so- agradável, é puramente online. A transformações do dia a dia na re-
breviver numa ilha com até outros relação é virtual, não real. São vín- lação com os amigos, na escola,
50 jogadores online, e todos lutam culos passageiros, sem raízes e sem com os vizinhos, com a família...
pelo mesmo objetivo. Para cumprir conexões com a vida social. A ex- O jovem acaba criando uma vida
sua missão, é necessário eliminar periência desses jovens ali é pura- on e offline, como se isso fosse pos-
todos os adversários que o jogador mente “com os cabos, as ligações, o sível. “Não existe uma vida online
encontrar pelo caminho e garantir microfone e as vídeos chamadas. e uma offline. Existe uma vida, só
que ele seja sobrevivente. Não são reais, são pessoas num pla- uma, e temos que cuidá-la bem de-
no virtual que não tem nenhuma
[20 olutador [ fevereiro 2019
raízes e sem conexões com a vida social...
vida em jogo tempo de vida. Os idosos carregam
um tesouro preciso no coração: a
la. Podemos ser digitais, não vir- vez mais, não apenas os jovens, mas experiência”. E ainda completa mo-
tuais.” (Ibid.) o jogo tem cativado desde crianças tivando-os a sempre “gastar tempo
a partir dos 5 anos até adultos. E os com os avós, com o idoso que mo-
Não raramente, identificamos problemas relacionados a relacio- ra em sua casa, e não a se trancar
nesses jovens problemas de rela- namentos, convivência e partici- no quarto vivendo uma realidade
cionamento com a família, mau pação e presença familiar e social online mas, morta, sem experiên-
desempenho nos estudos, dificul- são cada vez mais tangíveis. cia real”. E completa: “Visite tam-
dades em relações fraternas e nas bém os recantos, casas de repou-
amizades. A plataforma virtual aca- O Papa e uma fala de esperança so que são criadas a fim de abri-
ba tornando-se também um refú- Nossa vida social não deve se con- gar os idosos que por algum moti-
gio a fim de fugir dos problemas e verter num Free Fire. O virtual não é vo são deixados. Lá vocês ouvirão
das situações desagradáveis do dia real. Mas a família é real. Os sonhos uma Boa Nova”.
a dia. “No Free Fire eu tenho domí- são reais e a juventude também. Pa-
nio, em casa, na escola, no dia a dia pa Francisco acentua três elemen- 2Partilhem a vida. O Papa acredi-
eu sou dominado!” – disseram-me. tos essenciais em uma de suas ca- ta que cada jovem tem que ter
Aqui, na vida real, todos devem viver. tequeses direcionada aos jovens: sempre um adulto como ponto de
referência na fé e na vida de comu-
Outro risco que o jogo online 1Ouçam os idosos. O Papa convi- nidade e familiar. “Nem sempre
acaba desencadeando é a forma- da os jovens a “serem cada vez essa pessoa é o pai ou a mãe, mas
ção de uma dupla personalidade, mais próximos dos que têm mais um amigo, adulto, e que apresenta
pessoas que sofrem de bipolaridade um bom testemunho cristão. Ele
e de sentimentos atrofiados. Cada FEVEReiro 2019 [ olutador]21 ou ela o ajudará a dar passos im-
portantes na vida e no seu discer-
nimento pessoal.”
3Não percam nunca suas raízes.
Por fim, o Papa retoma o tema do
“não formar uma sociedade desen-
raizada da vida”. Ele diz que jovens
sem raízes são jovens sem passado
e, consequentemente, jovens que
não terão um futuro. “Nunca per-
cam de vista a sua origem, de onde
vieram, onde nasceram e viveram.
Ali está sua raiz, sua origem.” O Pa-
pa conclui afirmando que, ao in-
vés de nos fechar, fugir ou ignorar
as situações difíceis que nos sur-
gem, “devemos voltar no passado
para nos recordar quem somos”,
e nos exorta a “fazer de nossa his-
tória uma história de esperança
e de conquistas, sendo jovens fir-
mes na fé e perseverantes naqui-
lo que sonhamos. Não façam das
suas vidas um jogo onde alguém
sempre tem que perder para que o
outro ganhe. Não! Cristo quer que
todos nós sejamos vencedores!”]
* Religioso SDN,
E-mail: [email protected]
pe. jacob, msf Encontro Matrimonial [ A missão...
Somos instrumentos
Amissão de Jesus de Nazaré vai-
se apresentando aos poucos, no fervor de Filipe. Isso, contudo, Toda vez que alguém se apre-
mas com toda a segurança. não aconteceu porque ele esta- senta livre e desarmado, fica aber-
Para ele não existiam fron- va cheio de entusiasmo adquiri- to o caminho para maiores reve-
teiras: “Decidiu partir para a Ga- do na experiência que fizera com lações e intimidades mais profun-
lileia”. (Jo 1,42.) Nessas andanças, o Nazareno. das. Podemos imaginar a ternura
“encontrou Filipe e disse: ‘Segue- com que Jesus envolveu a Natanael
me!’” (Jo 1,43.) Por isso mesmo, tranquilamen- quando lhe confidencia: “Tu crês
te, respondeu: “Vem ver!” (Jo 1,46.) porque te disse: ‘Eu te vi debaixo
Jesus devia ter uma força per- Natanael era uma pessoa sincera. da figueira’? Coisas maiores que
suasiva muito grande. Imaginemos Falou o que pensava, e isso Jesus estas verás”. (Jo 1,50.)
a cena: deparou-se com Filipe, a levou em consideração, pois ao se
quem nunca antes havia visto, e defrontar com ele, tranquilamen- Com que encanto o futuro dis-
simplesmente ordena: “Segue-me!” te lhe disse: “Aí vem um israelita cípulo e apóstolo Bartolomeu de-
O seguimento não apenas aconte- de verdade, um homem sem fal- ve ter escutado: “Em verdade, em
ceu, mas foi transformador. Filipe sidade”. (Jo 1,47.) verdade, eu vos digo, vereis o céu
era de Betsaida, a mesma cidade aberto e os anjos de Deus subin-
de André e de Pedro. Podemos imaginar o espanto do e descendo sobre o filho do Ho-
de Natanael, que, admirado, per- mem”. (Jo 1,51.)
Ele, por sua vez, se encontrou gunta: “De onde me conheces?” Ao
com Natanael, um velho conhe- que Jesus respondeu, com uma as- Que o Espírito Santo possa mol-
cido, e lhe falou com entusias- sertiva um tanto enigmática, ainda dar-nos para que consigamos per-
mo: “Encontramos aquele de quem não totalmente desvendada para ceber quais as nossas figueiras e co-
Moisés escreveu na lei, e também nós, cristãos do século XXI: “Antes mo podemos transformar o nos-
os profetas: Jesus de Nazaré, o fi- que Filipe te chamasse, enquanto so passado em semente de ressur-
lho de José”. (Jo 1,45.) A resposta estavas debaixo da figueira, eu te reição.]
de Natanael: “De Nazaré pode sair vi”. (Jo 1,48.) Na sua espontaneida-
coisa boa?” (Jo 1,46) poderia ter re- de, Natanael exclamou: “Rabi, tu Fonte: encontromatrimonial.com.br
presentado um balde de água fria és o Filho de Deus, tu és o rei de Is-
rael”. (Jo 1,49.)
[22 olutador [ fevereiro 2019
Família Julimariana [ A arte de comunicar...
Pe. demerVal alVes boTelho, sdn
Diário missionário
do Pe. Júlio Maria
VOCÊ, que vai ler, ou reler, o
Diário Missionário e o Ro- de momentos gratificantes, ora de clides da Cunha e outros de nosso
mance de um Missionário peripécias, Pe. Júlio Maria vai nar- florilégio literário.
no Amazonas, que estão vin- rando os fatos, até com interessan-
do a lume em 2ª edição e tes detalhes, num estilo leve, agra- Quem está lendo, sente-se ao
em um só volume, irá perceber, à dável e faceto que aguça em quem seu lado vivenciando o que sua pe-
medida que for lendo, que o Pe. Jú- lê a vontade de ir lendo tudo, sem na, “qual pena de um hábil escri-
lio Maria De lombaerde era real- parar, até ao fim. ba” (Sl 44,2), deslizando ligeira so-
mente um primoroso escritor e um bre o papel, vai narrando o que os
consagrado literato. [ Pe. Júlio maria tem a ar- seus olhos contemplam e sua men-
te de comunicar vida ao que te percebe.
Dá vida ao que escreve escreve, sem, entretanto, fu-
O que ele escreve pode fazer par- gir da realidade. isto des- A leitura vai despertando no lei-
te de uma antologia com trechos perta no leitor a sensação tor vontade de ler, em seguida, uma
selecionados dos melhores escri- de estar ao seu lado, fazen- página atrás da outra. Terminado
tores, apresentados como mode- do parte da cena descrita, um capítulo, fica com vontade de
lo de linguagem e beleza de estilo. apreciando o que sua pena ler o seguinte. Aí, vai... mais uma
Quem conheceu o Pe. Júlio Maria, vai descrevendo.] página e mais outra, mais um ca-
com ele conviveu e o ouviu por vá- pítulo e mais outro. Fica tão entre-
rios anos, lendo o que escreve, ex- Com pitadinhas de humor tido na leitura, que não vê o tempo
clama espontaneamente: “Gente! É Ele era muito interessado por sa- passar. Esquece-se do relógio, do
ele mesmo!” Bem que Buffon [1707- ber as coisas. Durante a travessia, serviço que tem de fazer e até do
1788], renomado escritor francês, quer saber tudo sobre o Krefeld, o horário das refeições. Quando dá
já afirmara: “Le style, c´est l´hom- navio em que viajava, sobre a na- fé, já devorou não sei quantas pági-
me” – o estilo é o homem. vegação e outras. Chegado ao Bra- nas... E,quando chega ao fim do li-
sil, quer conhecer bem a nossa ter- vro, sente o desejo de recomeçá-lo...]
Ele escreve com graça e com aque- ra, a nossa gente, seus costumes
le senso de humor do povo gaulês e e aprender com perfeição, o mais Fonte: Diário Missionário. 2ª Ed.
flamengo. Escreve com surpreen- possível, a nossa língua, inclusive Belo Horizonte: Editora O lutador,
dente facilidade. Não é prolixo. Ex- com o sotaque brasileiro, o que ele 2018. pp. 21-23.
põe, com clareza e em poucas pala- conseguiu.
vras, o seu pensamento. usa pala-
vras apropriadas e bem acertadas Quando vai passar uns dias na
para expressar o seu pensamento. Colônia do Prata, faz questão de co-
nhecer bem os índios, seu estilo de
Ele tinha, de fato, as qualidades vida, sua cultura e até um pouco de
de um bom escritor: clareza, con- sua língua, para ele, tão estranha.
cisão, frases bem torneadas com Gostava de fazer comparações jo-
começo, meio e fim, boa adjetiva- cosas e paralelos com uma pitadi-
ção. Frequentemente, ele dizia: “Qui nha de humor e, às vezes, de iro-
n´est pas clair, n´est pas français” nia. E, quando descreve as belezas
– quem não é claro, não é francês. da natureza, a exuberância e a vas-
Escrevia ao correr da pena, e sem tidão de nossas matas, de nossos
fazer rascunho. rios caudalosos, faz lembrar bem
Chateaubriand, José de Alencar, Eu-
De sua viagem por mar e terra,
bem como de suas andanças e ati- FEVEREIRO 2019 [ oluTador]23
vidades missionárias, ora cheias
Dom Paulo Mendes Peixoto* Espiritualidade [ Construir pontes...
Entendemos ser muito desafiante falar sobre
misericórdia se vivemos numa sociedade com
uma profunda marca competitiva. Ao rezar a
oração do Pai-Nosso, nós dizemos: “perdoai-
nos como nós perdoamos”. Digo isto, porque
a misericórdia supõe o exercício da bondade de for-
ma ilimitada, o perdão mútuo e a abertura do cora-
ção, superando toda atitude de vingança e de enclau-
suramento.
A extensão do mal tem uma amplitude qua-
se incontrolável. Ele destrói a dignidade da vida e os
Tempovalores que a acompanham. Mas o bem também se
propaga, talvez mais lentamente e com mais sacrifí- de misericórdia
cio, quando assumido de forma autêntica, porque faz
bem para aquele que faz o bem. Jesus ressalta a im-
portância do perdão, que seja “até setenta vezes sete
vezes” (cf. Mt 18,22).
A falta de perdão abre espaço para uma corren-
te sem conta de violência. A misericórdia tem que ser
maior do que a vingança, do que as mágoas e os ran-
cores, porque ela reflete a beleza do ser humano, fun-
damentado no princípio do amor e da fraternidade. A
razão das pessoas tem capacidade para escolher aqui-
lo que lhe proporcione vida digna e feliz. Basta fazer
autêntico discernimento.
As pessoas afastadas de Deus, com muita fa-
cilidade, nutrem o espírito de ira, aquilo que fica alo-
jado em seus corações. Dizendo de forma diversa, a
intimidade com o Senhor da Vida facilita a prática da
misericórdia. Em última instância, todos nós somos
iguais perante Deus. A morte será para todos, mas te-
mida por quem não se encontra realizando os valores
pontuados por Jesus nos Evangelhos.
Na prática, todas as pessoas têm uma unidade
essencial, própria do ser humano, mas diferenciadas
na diversidade de dons, das profissões, de religião e
nas outras formas de agir. Unidade é diferente de uni-
formidade, mas os dois modos não podem dificultar
a vida de comunidade. O apóstolo Paulo fala de uma
realidade, que é fundamental: “Ninguém vive para si
mesmo”. (Rm 14,7.)
Existem pessoas que caminham dando passos
diferentes da maioria dos demais, seguindo outras
trajetórias. No entanto, não podem perder a capaci-
dade de relacionamento e convivência. Para isso, é
importante construir pontes de ligação entre os in-
divíduos e de diálogo frutuoso, em vez de muros que
dificultam e também impedem a convivência frater-
na na vida comunitária.]
*Arcebispo de Uberaba, MG
[24 olutador [ fevereiro 2019
F r t. M a t h e u s R . G a r b a z z a , SDN Liturgia [ O que cantar?...
Ninguém duvida da im- Ecoammo vúasi?ica,
portância da música para Um interessante auxílio
a vida humana. Este dom à dimensão litúrgica em suas vá- Tal necessidade de formação para
precioso, nos seus diver- rias facetas, mas também quanto a pastoral da música litúrgica es-
sos estilos, é capaz de aguçar a sen- à qualidade musical do ofício de- barra, muitas vezes, na fonte a ser
sibilidade e causar a mais variada sempenhado. Dada a importân- consultada. A Editora Paulus reim-
gama de reações: alegria, nostalgia, cia capital da música para a cele- primiu recentemente um pequeno
euforia, entusiasmo, calma... Quem bração, não podemos nos conten- e precioso livro que pode vir em au-
nunca se recordou com afeto de al- tar com o mínimo ou o medíocre! xílio das equipes que se dispõem a
guma cena marcante apenas por Para Deus, o melhor que podemos colocar seus dons musicais a ser-
ouvir uma determinada canção? oferecer! viço das celebrações da Igreja. O tí-
tulo-pergunta já aguça a curiosi-
Por isso mesmo a música ocu- Uma atenção especial deve ser dade: “Quem canta? O que cantar
pa um lugar proeminente na litur- dada ao repertório escolhido. A gama na liturgia?”
gia, que expressa por meio das ca- de canções existentes na atualida-
pacidades humanas as realidades de é enorme, e a grande variedade Em menos de cem páginas, o
celestes. Sua função é a de revestir pode fazer o ministério de música autor, Frei Joaquim Fonseca, OFM,
o texto litúrgico de maior beleza e cair em muitas tentações. Ao pre- procura dar indicações bem práti-
solenidade, conferindo-lhe assim parar um hino para ser executado cas e acessíveis a respeito dos di-
ainda mais eficácia para que pos- no contexto litúrgico, deve-se pres- versos elementos da música litúr-
sa produzir seu fruto no coração tar atenção ao princípio elencado gica. Sua experiência como profes-
dos fiéis. pelos Padres Conciliares: “Os tex- sor desta matéria em diversas fa-
tos destinados ao canto sacro de- culdades de teologia, bem como a
Sobre isso expressa-se a Cons- vem estar de acordo com a doutri- formação acadêmica adquirida ao
tituição Sacrosanctum Concilium: na católica e inspirar-se sobretudo longo dos anos, é transmitida de
“A música sacra será, por isso, tan- na Sagrada Escritura e nas fontes modo simples e objetivo.
to mais santa quanto mais intima- litúrgicas”. (SC, 121.)
mente unida estiver à ação litúrgi- Os capítulos do livro são cur-
ca, quer como expressão delicada FEVEReiro 2019 [ olutador]25 tos e servem de material para os
da oração, quer como fator de co- encontros periódicos das equipes
munhão, quer como elemento de de música litúrgica. Procuram res-
maior solenidade nas funções sa- ponder às perguntas-título, dando
gradas”. (SC, 112.) indicações para os diversos minis-
térios (instrumentistas, cantores,
Formação litúrgico-musical regentes, presidentes da celebra-
Assim como para todas as dimen- ção...) e para a escolha do repertó-
sões da celebração litúrgica, tam- rio litúrgico.
bém para a música vale a máxima
da atualização constante. O Concí- Vale a pena conferir!
lio Vaticano II recorda a importân-
cia da contínua formação não so- Serviço
mente para o clero, mas também Quem canta?
para todos os que lidam com a mú- O que cantar na liturgia? (94p.)
sica litúrgica: “Dê-se grande impor-
tância nos seminários, noviciados Frei Joaquim Fonseca, OFM
e casas de estudo de religiosos de Editora Paulus
ambos os sexos, bem como noutros Coleção Música
institutos e escolas católicas, à for- e Liturgia]
mação e prática musical”. (SC, 115.)
Uma boa pergunta para nossos
ministérios de música é, portanto,
quanto à qualidade da atualização.
Tem-se procurado estudar sempre
mais a respeito do ministério de-
sempenhado? Esse caminho deve
ser feito não somente em relação
Antônio Carlos Santini Atualidade [ O sabor do tempo...
Trabalhos de
eternidade
Recebo da Suíça, do meu ami-
❝ go-irmão François Haab, um que me chama a atenção é que um
O bem exemplar do livro “Le Quatrième trabalho humano pode ficar como
acaba Évangile” [Ed. Casterman/Ma- “congelado” no tempo, antes que dê
por dar redsous], escrito pelo biblista Louis os frutos nele adormecidos em po-
frutos, Boyer, ex-aluno de Oscar Cullmann, tencial. O bem acaba por dar fru-
mesmo a quem o autor dedicou o trabalho. tos, mesmo que demore.
que Trata-se de uma obra publica- Outro dia, no Facebook, um ami-
demore. da no ano de 1955, mas o livro che- go, compositor musical de quali-
ga às minhas mãos ainda com as dade, lamentava que seus discos
❞ páginas dobradas, como as edito- não toquem nas rádios. A progra-
ras costumavam trabalhar na épo- mação das emissoras divulga todo
ca. Isto significa que se passaram tipo de lixo musical, desde que es-
63 anos desde a sua impressão e teja na moda e dando lucro às gra-
ninguém o leu ainda. Assim sen- vadoras. Até as editoras católicas
do, tiver o prazer de pegar a espá- se recusam a publicar trabalhos de
tula e, uma a uma, ir abrindo as qualidade, mas que não prometem
páginas como quem cava o solo e sucesso financeiro.
vai expondo à luz do sol um valio-
so tesouro. – Calma! – eu devo dizer ao ar-
tista que reclama do silêncio im-
Sempre me seduziu o mistério posto às suas obras. Calma! Deixe
dos livros. Alguém o escreve, uma passar o tempo. Se for preciso, dei-
tipografia o prepara, uma editora xe que “acabe” o tempo e venha a
o distribui e lá vai o exemplar pa- eternidade. No novo Reino que está
ra a estante. Ali, adormecido, fica para vir, as coisas serão reveladas
à espera do leitor. Uma noite, Edith em seu verdadeiro valor. Por isso
Stein, judia e filósofa, a primeira mesmo, não nos inquiete o suces-
mulher catedrática em uma uni- so atribuído às nulidades, os aplau-
versidade alemã, em visita aos do- sos conferidos ao artista medíocre.
nos do livro, tem sua atenção atraí- Nosso trabalho é para o eterno.
da por ele, que cochila na pratelei-
ra. Edith pega o livro e começa a ler. Quando o poeta Horácio termi-
Por acaso, era o “Livro da Vida”, de nou suas “Odes”, ele sabia que aca-
Santa Teresa de Ávila. Edith atra- bara de criar uma obra de valor ex-
vessa a noite em claro, sem poder cepcional: “monumentum aere pe-
abandonar a leitura. Ao amanhe- rennius” – um monumento mais
cer, ela pensa: “Aqui está verdade”... duradouro que o bronze. Esta cer-
teza deve bastar ao artista. A moda
Não deixa de ser importante o passa, a arte permanece.
detalhe de que o contato com aque-
le livro foi o primeiro passo no iti- Dito isto, posso encerrar mi-
nerário de conversão e santificação nha página e saborear o presente
de Edith Stein, aliás, Santa Teresa que me veio da Suíça, este livro que
Benedita da Cruz, carmelita. Mas o esperava exclusivamente por mim
há mais de meio século. Chegou a
[26 olutador [ fevereiro 2019 hora de desvelar o seu segredo...]
Atualidade [ Reflexão...
eCenrCitsértesãaoDrse, us econômica. Ele apenas vê tudo isso
carlos scheid como mediações passageiras e provi-
tírio era uma questão de tempo. Ter sórias. Em especial, vivendo sua dig-
Não é possível ser cristão sem a Jesus como Senhor significava ne- nidade de filho de Deus e conhecendo
ser político. gar a César, o Imperador, o culto di- a magnitude de seu destino, o cristão
Tanto os cristãos quanto os po- vino que todos os cidadãos lhe pres- sabe que nada ou ninguém – exceto
líticos mantêm seus olhos vol- tavam. A fé em Jesus Cristo excluía Cristo – pode exercer sobre ele algu-
tados para um Paraíso. No caso do co- qualquer outro senhorio. ma modalidade de poder absoluto.
munismo, seu paraíso devia ser cons-
truído aqui na terra, em plena História, De fato, os cristãos sempre foram Por isso mesmo, todo governo ab-
por meio da utopia de uma sociedade cidadãos de primeira classe, pois solutista sempre perseguiu (e perse-
sem desigualdades sociais e econô- tinham motivação adicional para guirá!) os cristãos, sentindo-se clara-
micas. Na concepção cristã, o Éden cumprirem as leis, além de exer- mente ameaçado por eles. Os alicer-
situa-se além da História; mesmo que cer a solidariedade, a partilha e, de ces do poder sentem-se abalar por ho-
tecido de tempo, semeado já na terra, quebra, rezar pelas autoridades mens e mulheres que não pertencem
o Paraíso só será pleno na eternidade. constituídas. exclusivamente ao Estado, ao partido,
à comunidade, à nação. Como são in-
As duas visões têm consequên- Sabendo que são peregrinos neste cômodos os cristãos que professam
cias práticas. A principal consiste em mundo – habitando em tendas, diria (e vivem) a liberdade derivada do fato
definir onde se situa o poder. Isto é, a o apóstolo Paulo –, sempre em mar- de que só Deus é Senhor de sua vida!
quem se deve obedecer e prestar con- cha para a Cidade celeste, os cristãos
tas. Stalin e Hitler mostram como o po- podem relativizar a busca pessoal de O próprio Pilatos, no julgamento
der pode ser concentrado nas mãos de segurança, do bem-estar e da felici- de Jesus, só cedeu à pressão dos che-
um líder de carne e osso, revestido de dade terrestre, que os pagãos procu- fes judaicos quando estes o ameaça-
indiscutível soberania, acima e além ram como fim último. ram com o fantasma do Imperador:
dos ditames da razão, da moral e do “Se não o condenas, não és amigo de
direito, com direito a culto e liturgia. Esta relativização das realidades César!” Assim, Jesus era apresenta-
terrenas, inclusive da política, não faz do como um perigo potencial para o
Desde o início do Cristianismo, do cristão um selenita, desligado de Império Romano: ficar do lado de Je-
quando o catecúmeno pedia o Batis- seu meio, indiferente à vida social e sus era posicionar-se contra César...
mo, reconhecendo a Jesus Cristo co-
mo único Senhor, já sabia que o mar- FEVEReiro 2019 [ olutador]27 Ora, o próprio Mestre já havia pas-
sado a receita para seus discípulos:
“Dai a César o que é de César, e a Deus
o que é de Deus”. Ao pequeno podero-
so, que é César, uma obediência rela-
tiva, dentro dos limites da moral e da
lei de Deus. Ao Absoluto, que é Deus,
obediência absoluta, mesmo ao pre-
ço da própria vida. Isto explica que o
Séc. XX (e não os tempos da Roma Im-
perial) tenha sido o campeão em nú-
mero de mártires da fé cristã, aqui in-
cluídos os fiéis sacrificados aos deuses
nazistas, ao catecismo comunista, à
loucura de Pol Pot e ao fundamenta-
lismo do Islã.
Enfim, se em algum lugar o cristão
não sofre perseguição, limitações ou
prejuízos, mau sinal! Isto se explica por-
que o seu evangelho (com minúscula)
terá sido adocicado e os fiéis tornaram-
se inofensivos e... infiéis. Tanto que, a
julgar pelas evidências, vivem como
os pagãos (adoram seus ídolos, veem
seus programas, adotam seus valo-
res) e, afinal, morrem como pagãos...]
Crônica [ Maria
gMaeluo “Meu galo quebrou o bico - Quebra a outra asa, vó!
Meu galo não pode bicar... E vou desmantelando o galo. E eles
Uma musiquinha que apren- Meu galo quebrou o bico, vão se desmantelando na terra
di não sei onde. Em algum Quebrou o bico, quebrou o bico... dos sonhos...
rádio de baquelite? No alto- não pode bicar.” Quando chego nas penas, adeus
falante dos Irmãos Vascon- Eles riem. Eu continuo firme, com resistência!
celos, o primeiro serviço de som que voz de ontem, com voz de Estrelas:
Estrela ouviu? Da voz encantada de “Meu galo quebrou o pescoço, Meu galo arrancou uma pena,
minha mãe? Nas histórias da Ana? Meu galo não pode virar Meu galo não pode penar...
Onde meus ouvidos descobriram ....................................... Meu galo arrancou uma pena,
essa musiquinha mágica? quebrou o bico, não pode bicar.” Arrancou outra pena, arrancou
Eles estão acesos. a unha, quebrou um dedo, quebrou
Só sei que ela atravessou o tem- - Quebra a asa, vó! outro dedo...
po. Com ela, sonolenta e cansada, quebrou o pé, quebrou o outro pé,
ninava meus filhotes. Até o soninho [28 olutador [ fevereiro 2019 quebrou a perna, quebrou a ou-
chegar! Agora, ainda é com ela que tra perna.
embalo o sono levado dos netos, no
meu colo cansado de vó.
Vou cantando, cantando. Às ve-
zes, não sei quem canta – minha
voz tem ecos da voz de minha mãe,
da Ana, da Estrela.
O tempo andou ao redor do Mor-
ro do Palhano, correu até as terras
do Caladinho, lá pros lados de Co-
ronel Fabriciano. O tempo correu
cantando comigo. A canção mági-
ca ficou.
Devagar, devagarinho vou “des-
manchando o galo”. Os olhos es-
pertos vão seguindo a musiquinha:
................................................ Livro HuMOR
Quebrou o pescoço, furou um olho, indicado
furou o outro olho, rasgou uma LOBO nãO COmE LOBO
orelha, [ Uma bela Obra, A freguesa pede uma galinha.
quebrou uma asa, quebrou ou- as crônicas de 'Maria', O açougueiro sabido só tem uma
tra asa publicadas em olutador ] para vender. Pesa a ave e comenta:
quebrou o bi-i-i-........co, - Está uma beleza!
Não pode bicar!” - Não. É muito pequena... –
diz a freguesa.
Aí, não sei mais onde estou. Se em O açougueiro espertinho põe
minha casa, em Estrela, no colo a galinha na geladeira e finge pe-
de minha mãe, nas nuvens, nas gar outra, mas é a mesma gali-
nuvens, nas nuvens... nha. Põe na balança e força com
o polegar.
(Do livro “Horas Mágicas”, Ed. - Esta é bem mais gorda...
O lutador, Belo Horizonte, 2009.)] A freguesa esperta responde:
- Ótimo. vou levar as duas...
maria Só Pra ChaTEar
- Que aconteceu com a planta
O livro de crônicas na aula de matemática?
de MARIA - Não sei...
- Criou raiz quadrada!
[Maria das Dores Caetano Guimarães].
Em cada página, Só Pra ChaTEar (2)
a arte da cronista - Que foi que o zero falou pro 8?
- Não sei...
que extrai do cotidiano - Seu cinto está muito apertado!
o lampejo de uma descoberta.
Só Pra ChaTEar (3)
Em cada crônica, Meu gato fica dando voltas an-
o passado recuperado tes de se deitar na caixa. Depois
com o olhar da infância. de que volta ele se deita?
- Sei não...
Em um só volume, - Depois da última!
as páginas saborosas
publicadas em O Lutador. BEBÊ gEniaL
- Albert, toma logo essa ma-
FORMATO: 15,5x22,5cm, 320p. madeira! Senão eu vou contar
pro seu pai que você não para de
R$ 30,00 + Porte mostrar a língua para a mamãe
e fica rabiscando na parede essa
Pedidos bobeira de criança aí... E = MC2...
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FEVEREIRO 2019 [ oluTador]29
Páginas que não passam [ Deus...
O Deus que eu amo
santo agostinho*
Oque não oferece dúvidas, Interroguei o mar e seus abis-
Senhor, aquilo de que mi- ❝ mos, os seres vivos que ali vivem,
nha consciência tem certe- Interroguei e eles me responderam:
za, é que eu te amo. Tocaste
o meu coração com tua palavra e o céu, - “Não somos nós, procure aci-
eu te amei. o sol, ma de nós!”
a lua
Ademais, o céu e a terra e tudo e as Interroguei o céu, o sol, a lua
o que neles existe, aí estão por to- estrelas. e as estrelas, e todos me respon-
da parte dizendo-me para te amar; deram:
e não cessam de dizê-lo a todos os ❞
homens, para que eles não possam - “Também não somos nós o
escusar-se. espaço não capta, onde canta uma Deus que tu procuras!”
melodia que o tempo não leva em-
Mas o que é que eu amo quan- bora, onde exala um perfume que o E eu disse a todos os seres que
to te amo? vento não dissipa, onde as degusta assaltam as portas de meus sen-
um alimento que não estimula a tidos:
Não é a beleza de um corpo, voracidade, onde se une um abra-
nem seu encanto que passa, nem ço que nenhuma saciedade desfaz. - “Falai-me de Deus, já que não
a claridade da luz que meus pobres o sois! Dizei-me alguma coisa so-
olhos tanto amam, nem as doces É isto que eu amo quando eu bre ele!”
cantilenas variadas, nem o suave amo meu Deus.
odor das flores, dos perfumes, dos E eles clamaram com voz po-
aromas, nem o maná, nem o mel, Mas, então, quem é esse Deus? tente:
nem os membros que acolhem os Interroguei a terra e ela me disse:
abraços da carne. - “Não sou eu!” - “Foi ele quem nos criou!”
E tudo o que nela existe fez-me Para interrogá-los, eu só preci-
Não, não é isto que eu amo quan- a mesma confissão. sava contemplá-los, e sua respos-
do eu amo meu Deus! ta era a sua beleza.
É a claridade, a voz, o perfume, ***
o abraço do homem interior que
está em mim, ali onde brilha para - Ó minha alma, eu te digo: “Teu
minha alma uma claridade que o Deus é para ti a vida de tua vida!”
(“Confissões”, Livro 10, cap. 6.)]
AGOSTINHO DE HIPONA [354-430 d.C.] nasceu de uma família humilde, em Tagaste. Professor de retórica em Milão, foi seduzido pela pregação
do bispo Santo Ambrósio. Batizado em 387, renunciou ao sucesso mundano e retirou-se para o norte da África. Com a morte do bispo Valério
[395], o povo elegeu Agostinho como bispo de Hipona, onde ele permaneceu até a morte. Seu livro “Confissões” descreve seu itinerário
espiritual. Participou ativamente das controvérsias doutrinárias de seu tempo, deixando abundante literatura. Entre suas obras, destacam-
se: Sobre a Trindade, A Cidade de Deus, A Natureza e a Graça, Confissões, Sermões, Comentário sobre os Salmos.
[30 olutador [ fevereiro 2019
Roteiros Pastorais
Leitura orante 32 • Tudo em Família 33
Dinâmica para Grupo de Jovens 33
catequese 34 • Homilética 36
FEVEREIRO 2019 [ oluTador]31
Leitura Orante [ Nossas condutas e práticas...
“melhorai
vossa conduta
e vossas
práticas!”
(Jr 7,3) por todo canto. O grande perigo é que de lutar pela verdadeira justiça, e op-
o Templo, casa de Deus, ao invés de tam por subir para o carro do vence-
Invocação à Trindade servir para guiar a prática da justiça dor. Isto não tem nada a ver com a
e Oração ao Divino e do direito, fosse usado como um véu fome e sede de justiça que Jesus lou-
Espírito Santo para encobrir as injustiças e os desvi- va”. (GeE, 78).
os dos dirigentes do povo. Nossa pre-
a. Situando o texto sença no culto e nossa prática de fé - O que mais chamou a sua atenção no
L.1: A exemplo de uma ambulância, os devem conduzir-nos a uma vida hon- texto bíblico e no comentário acima?
profetas sempre levantam a voz quan- esta, honrada, justa, capaz de vencer
do a vida está ameaçada. O livro de a violência e a opressão. D. O que o texto nos faz dizer a Deus
Jeremias é uma combinação de vári- (preces e orações)
os relatos, feitos em períodos bem dif- Todos (cantando): Justiça e paz se abra-
erentes, mas que, em geral, retratam çarão... (bis) 1. Senhor, que esta Campanha da Fra-
tempos difíceis para o povo de Deus. ternidade, à luz da Palavra de Deus,
Jeremias era um patriota e não que- L.3: Quando olhamos para as Políti- nos ajude a ligar mais a fé com a vi-
ria que seu povo sofresse o castigo de cas Públicas, temos de ter presente da, nossa prática eclesial com nossa
Deus. Seu povo não queria ouvir sua que elas representam um caminho ação social. Rezemos:
mensagem, que era ameaça de de- para a garantia de direitos e para a
struição. O povo não queria ser inco- construção de uma sociedade mais Todos: Senhor, libertai-nos pela prá-
modado com as “sirenes” que denun- igualitária: são um meio para garan- tica da justiça e do direito!
ciavam as injustiças e maldades. Por tir os direitos sociais, como “educa-
causa disso Jeremias é o profeta que ção, saúde, trabalho, lazer, segurança, 2. Senhor, despertai em nós uma sen-
mais sofre nas mãos de seu próprio previdência social, proteção à mater- sibilidade maior para com os mais so-
povo e termina morrendo no exílio. nidade e à infância, assistência aos fridos e vulneráveis. Rezemos.
desamparados”. As políticas públicas
Todos (cantando): Bendita, bendita, são ferramentas para a construção 3. Senhor, que a nossa fé nos desper-
bendita a Palavra do Senhor! / Bendi- de uma sociedade livre, justa e soli- te para conhecer como são formula-
to, bendito, bendito quem a vive com dária; um caminho para erradicar a das e aplicadas as políticas públicas
amor! (bis) pobreza e a marginalização, reduzir estabelecidas pelo Estado brasileiro.
as desigualdades sociais e promover Rezemos:
B. O que o texto diz em si? o bem de todos, sem preconceitos e
sem discriminação. (Cf. Constituição (Outras preces espontâneas)
Ler na Bíblia: Jeremias 7,1-11 Federal, art. 6º e 3º.)
E. O que o texto
Chave de Leitura: Todos (cantando): Justiça e paz se abra- sugere para o mundo, hoje
çarão... (bis) - Diante das injustiças e violência, te-
1. O que é necessário para entrar no mos levantado a voz ou nos calamos?
Templo do Senhor? L.4: O Papa Francisco, em sua Carta O que significa ser profeta hoje em dia?
sobre a santidade, nos ajuda ter fé em
2. Que tipos de abominações eram Jesus e na Justiça do Reino: “A justiça F. Tarefa concreta
praticadas? que Jesus propõe não é como a que o Procurar descobrir as iniciativas con-
mundo procura, uma justiça muitas cretas de nossa paróquia para esta Cam-
3. Em que este texto nos ilumina hoje? vezes manchada por interesses mes- panha da Fraternidade e com ela co-
quinhos, manipulada para um lado laborar mais ativamente.
C. O que o texto diz para nós ou para outro. A realidade mostra-nos
L.2: O texto acima retrata o período como é fácil entrar nos grupos da cor- Encerramento
do governo do rei Joaquim (600 a.C.), rupção, fazer parte dessa política diá- Pai-Nosso, Ave-Maria e pedido de bên-
em que a idolatria tinha-se espalhado ria do ‘dou para que me dêem’, onde ção a Deus.]
tudo é negócio. [...] Alguns desistem
[32 oluTador [ FEVEREIRO 2019
Tudo em Família [ 62 – Coisas que acontecem...
O vinho acabou?
1. Coisas que acontecem peranças. Em pouco tempo, porém, 3. Para uma
Era um casamento na roça. Não o outro lado da moeda (a dura reali- reunião de casais
é preciso muita imaginação para dade, as falhas de ambos os lados e - A realidade de seu casamento
adivinhar a emoção dos noivos e os aparentes becos sem saída...) su- correspondeu aos sonhos do noi-
a alegria dos convidados. Só que focou a alegria e levou a pensar em vado?
o vinho logo acabou e, na Pales- separação. Marido e mulher perce-
tina, casamento sem vinho é fra- bem que não são capazes de realizar Ou a decepção invadiu o seu coração?
casso geral e vergonha para o do- os sonhos que alimentavam. Nessa
no da festa. encruzilhada, dois caminhos esta- - Em que ponto este choque foi mais
vam à disposição do casal. forte?
A história está registrada no Evan-
gelho de João (2,1-12). Foi a Mãe de No primeiro caminho, o desâ- - A decepção ainda permanece? Ou
Jesus quem percebeu o problema e nimo, o desespero e o divórcio. Fi- o casal encontrou uma saída para
recorreu ao Filho, o único capaz de lhos sacrificados, ressentimentos seu impasse?
devolver a alegria à festa. Em con- petrificados. No segundo caminho,
sequência, 600 litros de água foram o recurso à graça de Deus. uma es- - você acredita que a experiência re-
mudados em vinho de primeira qua- trada de conversão. O encontro de ligiosa pode curar os males de uma
lidade. E a alegria voltou... uma vida nova, onde os pecados e união tomada pela tristeza?
defeitos de cada cônjuge são trans-
2. Pensando juntos formados e superados. uma vez per- - você conhece casais que passaram
As Bodas de Caná podem servir como doados, também se tornam capazes por uma crise e acharam a saída em
retrato de casamento. Muitos casais de perdoar. E a chama acesa de um Jesus Cristo?]
se uniram, cheios de sonhos e de es- novo amor.
abre o olho — Dinâmicas para Grupo de Jovens [ 62
Participantes: 2 pessoas. tes pode ser muito variada. Por isso, é
conveniente refletir algumas postu-
Tempo estimado: 15 a 20 minutos. ras como: indiferença x indignação;
aplaudir o agressor x posicionar-se pa-
material: Dois canudos de jornal para ra defender o indefeso; lavar as mãos
servirem de porrete. x envolver-se e solidarizar-se com o
oprimido etc.
Descrição: Dois voluntários devem ter
os rostos cobertos e recebem um porrete Alguns questionamentos podem
de jornal. Depois, devem iniciar uma bri- ajudar: primeiro, perguntar aos vo-
ga de cegos, para ver quem acerta mais luntários como se sentiram e por quê;
o outro no escuro. O restante do grupo depois, dar a palavra aos demais par-
apenas assiste. Assim que inicia a “bri- ticipantes. Qual foi a postura do gru-
ga”, o coordenador faz sinal para o gru- po? Para quem torceram? O que isso
po não dizer nada, desamarra a venda tem a ver com nossa realidade? Quais
dos olhos de um dos voluntários e dei- as cegueiras que enfrentamos hoje? O
xa a briga continuar. Depois de tempo que significa ter os olhos vendados?
suficiente para que os resultados das Quem estabelece as regras do jogo da
duas situações sejam bem observados, vida social, política e econômica ho-
o coordenador retira a venda do outro je? Como podemos contribuir para ti-
voluntário e encerra a experiência. rar as vendas dos olhos daqueles que
não enxergam?
Conclusão: Abre-se um debate sobre Palavra de Deus: Mc 10, 46-52; Lc 24, 13-34.]
o que se presenciou no contexto da so-
ciedade atual. A reação dos participan- Fonte: limadajuventude
FEVEREIRO 2019 [ oluTador]33
Roteiros para catequese [ Sugestões para ajudar na preparação para
1. Importância dos Símbolos 2.
Batismo, Roupa Velha: a comunidade dá o sen- A Família
o novo tido da roupa suja, velha, rasgada.
nascimento O significado é o pecado, como ras- A família é a célula básica da socie-
gão na amizade, na união; rasgão dade. É a Igreja doméstica, onde se
O Batismo é o novo nascimento. na aliança com Deus, com a comu- celebra com os filhos diariamente a
No Batismo recebemos a água pu- nidade, com os pobres, com a natu- liturgia do amor, do perdão, do diá-
ra, mergulhamos nas águas da pu- reza, consigo mesmo. Isto acontece logo, da confiança, do afeto e da fra-
rificação, da Vida Nova. O Batismo quando somos egoístas, violentos, ternidade.
tem como condição o amor de Jesus corruptos, infiéis, pecadores. Pecar
à criança, à família, à comunidade é rasgar o compromisso de fideli- Crise na família
e aos pobres. Ser batizado é entrar dade ao bem, à justiça, e à partilha. Realmente, a situação familiar entrou
na comunidade dos filhos amados numa grande crise, com profundas e
de Deus-comunidade. A fé é a raiz Roupa Nova: a roupa nova signi- amplas dificuldades, tais como: a mi-
de nossas vidas. fica revestir-se de Jesus. Assumir a gração, a pobreza, a falta de condições
vida de amor, de justiça, de frater- de trabalho desencadearam mudan-
Importância do nome nidade, de compromisso com a vi- ças profundas na família.
Quem tem nome, tem tarefa para da, com a criança, com a educação
cumprir na comunidade. Cada pes- cristã, com a catequese, com a co- O pai e o avô acabaram afastando-
soa tem um nome próprio que iden- munidade, com os pobres. Os sinais se da família para se empregarem por
tifica também a vocação e a missão da roupa velha e da roupa nova exis- um miserável salário. Mas se pergun-
de cada um. No Batismo, somos cha- tem na comunidade, na família, na tássemos a qualquer criança se gos-
mados pelo nome. igreja, na politica, na economia, na taria de ter o pai e o avô em casa, elas
praça, nos meios de comunicação. todas manifestariam o mesmo dese-
Importância dos padrinhos jo: “Queremos ter os pais, os avós, os
Os padrinhos são responsáveis, jun- Bênção da Água: a água dá vida. Sua irmãos e irmãs em casa”.
to com os pais, pela educação da fé presença está na Bíblia: a criação da
dos afilhados. São eles quem tra- água; a passagem do Mar Vermelho, A família é como um ninho aonde
çaram o sinal-da-cruz na fronte da do Rio Jordão, onde aconteceu o Batis- a gente se recolhe e se sente alegre,
criança, sinal máximo da doação mo de Jesus, as águas do Batismo e a feliz e seguro. Sem a família somos
de Cristo a todos nós. questão da água no Brasil e no mundo. como um passarinho que voa sem ter
nenhum galho para repousar e recu-
Texto bíblico para iluminar Jesus desce às águas do Jordão perar as energias.
Canto: para aclamar a Palavra para purificá-la. A “saída” da água
Leitura: João 3,1-6. é símbolo da ressurreição. Importância da família
Vamos olhar as árvores. Elas todas con-
Perguntar: Unção com o óleo do Crisma: Na tinuam vivas através das sementes,
a) O que é preciso para entrar no celebração do Batismo, faz-se a un- dos rebentos e raízes. Elas também não
Reino? ção com o óleo do Crisma, símbolo morrem sem deixar herança. Há árvores,
b) O que Nicodemos pergunta? dos compromissos do novo cristão: como a oliveira, de cujo tronco surgem
c) O que significa, para o cristão, evangelizar, anunciando a justiça; rebentos belos, verdes, viçosos, forman-
“nascer de novo”? o amor, a mensagem da libertação, do como que uma coroa viva e forte.
da paz e da fraternidade aos irmãos
Destacar: e irmãs. É o sentido missionário do Assim são os filhos na casa do pai
Na hora da renúncia ao pecado e novo nascimento, que acontece em e da mãe. Eles são rebentos de uma
da aceitação de Jesus e da comu- todo o trabalho Pastoral da Igreja e na árvore que nunca morre: a família.
nidade, faz-se o compromisso de vida de cada discípulo missionário. Sem troncos não há rebentos, sem
aceitar uma vida nova em Jesus e pais não há filhos. Os filhos estão li-
em comunhão com a comunidade. Vela Acesa: celebra-se com muita gados aos pais como os galhos ao tron-
profundidade a “entrega da vela”. co. Na árvore há alimento, seiva que
Pais e padrinhos erguem a vela ace- sustenta a vida dos galhos. Os filhos
sa e renovam seus compromissos são alimentados pelo carinho, amor,
de serem “luz do mundo”, rezando fé e testemunho dos pais.
o Creio. Os padrinhos e os pais segu-
ram juntos a vela acesa, comprome-
tendo-se a educar a criança na fé.
A Veste Nova: é símbolo de vida
e do novo nascimento da criança.]
[34 olutador [ fevereiro 2019
o batismo e para a vida em família]
Filhos sem lar 3. O lar, para ser feliz, não precisa ser
Uma senhora afirmou: “Eu nunca tive Cuidar um palácio. Não importam as paredes,
meus pais em minha casa”. Eu e mi- da família as salas, os quartos. O que vale é a ale-
nha irmã mais velha, desde a infân- gria, a disposição, a acolhida mútua, o
cia, tivemos que trabalhar. Minha ir- A responsabilidade dos pais por zelar ou amor fraterno, a presença feliz dos pais.
mã teve que se prostituir para ganhar organizar a família deve ser mantida,
dinheiro. Ela fez como muitas outras custe o que custar, mesmo que as crises Partilha dos bens
estão fazendo: vendem o corpo para sejam ameaçadoras. A comunidade de A família é uma comunidade onde os
ganhar a vida. Nós sonhávamos com base, a catequese pastoral da criança, os bens econômicos, morais e religiosos
a família em casa. Queríamos desa- movimentos populares, os grupos de qua- são partilhados. O pai exerce sua auto-
bafar nossos problemas com a mãe dra podem ajudar-se e dar-se as mãos. ridade no serviço à esposa e aos filhos.
e o pai, mas eles estavam no mun- Quando uma família ameaça separar- A aliança entre marido e mulher é sím-
do, perdidos, distantes. Nem no Na- se ou sair do grupo, todos devem unir- bolo da aliança de Deus com a comuni-
tal ou na Páscoa podíamos repartir se e fazer um mutirão para auxiliá-la. dade, e vice-versa. O melhor bem acu-
juntos sequer um bolinho ou comer mulado é a união entre pais e filhos. O
um pão de queijo. Foi para nós algo Condições para gerar os filhos resto se faz através da doação, da ale-
muito triste não ter os pais em casa O casal une-se para continuar a obra gria e do amor.
para nos ajudar em nossa educação. criadora de Deus. Para criar os filhos,
os pais precisam ter o mínimo de con- Família, Igreja doméstica
Sempre dizíamos entre nós duas: - dições. Devem ter os filhos que são ca- O documento de Puebla diz: “A família
Quem dera que algum dia estejamos pazes de educar. é a Igreja Doméstica”. Tudo se centra-
todos reunidos e unidos na mesma lizava na família. É preciso que a Igre-
casa, cantando, rezando, educando- Quando nascem os filhos, o casal não ja se volte para a família. Precisamos
nos no amor, no bem.” deve se esquecer de que o diálogo entre organizar melhor a liturgia domésti-
marido e mulher, ou o chamado eter- ca. A casa é também lugar de celebra-
Direito sagrado de ter casa própria no namoro, deve continuar. ção, de oração, do exercício missioná-
“São coisas indispensáveis para a vida: rio e da caridade.
água, pão, roupa e casa para preservar Merece profunda atenção a crise pela
a própria intimidade. É melhor viver qual passa o casal nos primeiros anos de A Igreja, a catequese, a liturgia e a
vida de pobre embaixo de um barra- casamento. Neste período o casal volta- Pastoral da Criança devem doar-se em
co, do que saborear comidas em ca- se totalmente aos cuidados dos filhos e prol das famílias sem mãe, das famí-
sa alheia. É difícil andar de casa em diminui a harmonia, o namoro, o ca- lias incompletas, das mães solteiras,
casa, porque você é imigrante por on- rinho, a conversa a dois, o eterno noi- das famílias sem saúde, das famílias
de anda, e não pode abrir a boca. Você vado, a ternura, o romance. O encan- divorciadas, tendo mais abertura, mi-
será recebido como estranho, bebe- tamento que existia durante o noivado sericórdia, acolhida, ajudando-as a se-
rá constrangido e ainda ouvirá coi- esmoreceu por causa das atividades, do rem mais integradas na comunidade.
sas desagradáveis: - ‘Venha, forastei- ganha-pão, dos cuidados para com os
ro, arrume a mesa e, se tiver alguma filhos. E a crise aumenta de tal forma, Perguntas
coisa, me dê para comer’. Ou: - ‘Saia, que os leva muitas vezes à separação. 1. Trocar ideias sobre a melhor maneira
forasteiro! Dê o lugar para uma pes- de as famílias se ajudarem neste tem-
soa mais digna. Preciso da casa para O sofrimento maior recai sobre os fi- po de crise.
hospedar o meu irmão’. Ser censura- lhos. Os filhos são uma grande bênção 2. Quais os problemas que afligem nos-
do pelo dono da casa e insultado pelo para a casa. Os melhores educadores sas famílias?
credor são coisas duras para uma pes- são os pais. Eles, com seu jeito e cultu-
soa sensata.” (Eclesiástico 29,21-28). ra, comunicam os valores e os princí- Bênção para a família
pios humanos e cristãos. Seu exemplo Nós vos bendizemos, Senhor, pois qui-
Todo ser humano, toda a família é a melhor catequese. sestes que vosso Filho, feito homem,
tem direito a salário, comida, casa pró- participasse da família de Nazaré. Dis-
pria para educar com dignidade os fi- A importância da comunidade sestes: “Tua esposa será vinha fecun-
lhos. Há longas e tristes experiências Quando uma família é fraca ou está em da no lar”. Protegei a mulher, a esposa,
de não ter casa própria, de não ter um crise, a comunidade é chamada a ajudar a mãe. Que elas tenham condições de
lugar para chamar: “a minha casa”. os pais na educação dos filhos. A comuni- bem educar seus filhos. Que os pais as-
É um direito que todos têm. dade de base é um lugar em que a família sumam, com suas esposas, a tarefa de
respeita a fraternidade e a comunhão com bem coordenar a família. Que nenhum
Nós temos que fazer um grande Deus. Nela, os pais integram-se e forta- filho despreze a instrução de seus pais.
mutirão pelo direito à moradia. Sem lecem seu papel como educadores na fé. Que as crianças cresçam em sabedoria,
casa, sem teto, como podemos garan- sejam robustas e sadias. Que haja mui-
tir a segurança, a vida, a educação e FEVEReiro 2019 [ olutador]35 to amor nas famílias para que todos te-
a harmonia no lar?] nham vida longa sobre a terra. Por Cris-
to, Senhor Nosso. Amém.]
Homilética [ 10•03•2019 “Era
conduzido
pelo Espírito.”
Leituras da Semana (Lc 4,1b)
1º [dia 11: Lv 19,1-2.11-18; Sl 18[19],8.9.10.15; Mt 25,31-46
Domingo [dia 12: Is 55,10-11; Sl 33[34],4-5.6-7.16-17.18-19; Mt 6,7-15
da Quaresma [dia 13: Jn 3,1-10; Sl 50[51],3-4.12-13.18-19; Lc 11,29-32
[dia 14: Est 4,17.n.p-r.aa-bb.gg-hh; Sl 137[138],1-2a.2bc-3.7c-8; Mt 7,7-12
[dia 15: Ez 18,21-28; Sl 129[130],1-2.3-4.5-6.7-8; Mt 5,20-26
[dia 16: Dt 26,16-19; Sl 118[119],1-2.4-5.7-8; Mt 5,43-48
Leituras: Dt 26,4-10; Sl 90[91]; seus méritos de um fiel cumprimen- deparou e venceu para levar à fren-
Rm 10,8-13; Lc 4,1-13 to da Lei. Cristo é o próprio fim da Lei te seu programa libertador.
“como meta, como termo e como rea-
1. O dom que liberta. Estamos diante lização”, quer dizer, o objetivo da Lei a) Jesus é tentado a ser o Messias da
do “credo histórico de Israel”, trecho é chegar até Jesus, que põe fim à Lei, abundância transformando pedras em
de fundamental importância para o pois agora a vida é encontrada em Je- pão. Num mundo de famintos, Jesus
povo de Deus. Ele é trazido à memó- sus Cristo, e não na Lei. Os vv. 5-13 mos- teria pleno sucesso, mas responde com
ria a cada ano, quando as famílias tram que o único caminho da salvação o texto de Dt 8,3: “Não só de pão vive
celebram o memorial de sua liberta- está na fé em Cristo. o ser humano”. O projeto de Jesus vai
ção. Ao tomar posse da terra prome- além do alimento.
tida, o povo deve tomar os primeiros Paulo diz que a Palavra colocada ao
frutos da terra e apresentá-los a Ja- alcance do homem não é a palavra da b) Jesus é tentado a ser o Messias do
vé. Cada família devia ir até ao sa- Lei, mas da fé. Qual é o conteúdo dessa poder. O demônio propõe dar-lhe to-
cerdote, levando o cesto, e professar fé? “Se, pois, com tua boca confessares dos os reinos do mundo com toda a
a sua fé. Depois, o ofertante recita a que Jesus é o Senhor e, no teu coração, glória, contanto que Jesus o adore. A
profissão de fé e se prostra diante creres que Deus o ressuscitou dos mor- tentação é capaz de inverter e perver-
de Javé (vv. 5-10). Eis o ritual com a tos, serás salvo”. ter o que há de mais sagrado. A pro-
oferta, a profissão de fé, a adoração posta é tentadora, pois o povo estava
e ainda no v. 11 o grande banquete de Eis os dois conteúdos básicos da fé: preparado e queria exatamente um
confraternização. Também partici- para obter a salvação, é preciso pro- Messias temporal, poderoso politica-
pavam o levita e o imigrante que vi- fessar estas duas verdades de fé. Co- mente. Jesus sabe que um messia-
ve no meio do povo. nismo temporal e político não seria
mo confessá-las? Com uma confissão libertador, mas opressor como foi o
Assim, o processo da libertação e a externa, pública, litúrgica (através da projeto do faraó; por isso, responde
posse da terra são ao mesmo tempo boca) e uma adesão interior. É assim de novo com Dt 6,13: “Temerás o Se-
dom de Deus que liberta, e conquista que você faz? nhor teu Deus, a ele servirás e só por
do povo que luta e se organiza. Nesta seu nome jurarás”.
profissão de fé, o israelita reconhece a 3. Tentação e vitória. Os sinóticos que-
opção preferencial de Javé pelos mar- rem mostrar, antecipadamente, a vi- c) Jesus é tentado a ser o Messias do
ginalizados, pois esta era a situação de tória de Jesus sobre o poder do mal prestígio: usar o poder de Deus em seu
Israel no Egito. Javé ouve o clamor do e, assim, sintetizam em três todas as próprio favor, isto é, a fim de se livrar
povo e o liberta, dando-lhe uma terra, tentações que Jesus sofreu em sua vi- da morte. É convidado a pular do pi-
onde corre leite e mel. da pública. náculo do Templo, pois, conforme o
Sl 91,11-12, os anjos de Deus o protege-
O povo manifesta a sua fé através Jesus está no deserto e é guiado riam e o livrariam da morte. Mas ele
da gratidão da oferta, reconhecendo pelo Espírito. O deserto pode sim- entende que o projeto de Deus - a liber-
que tudo vem de Deus: a liberdade, a bolizar o povo de Israel, e o demô- tação dos oprimidos - tinha de passar
vida e os produtos da terra. O gesto de nio simboliza todos os obstáculos e pelo sofrimento e morte, e Jesus não
oferta com o final festivo estimulava anti-projetos com os quais Jesus se se acovardou.
à partilha e à generosidade. Simboli-
zava a possibilidade de uma socieda- [36 olutador [ fevereiro 2019 Sua reposta é tirada de Dt 6,16: “Não
de alternativa, superando a tentação tenteis o Senhor vosso Deus”. “Tentar
da ganância e do acúmulo. a Deus”, no AT, significa “desobedecer-
lhe para ver até onde chega a sua pa-
A fé no Deus que é dono de tudo, e ciência ou, como aqui, recorrer à sua
tudo nos dá, leva-nos à partilha ge- bondade como objetivo interesseiro”.
nerosa através do dízimo e da oferta?
Quais são as três principais ten-
2. O conteúdo da fé. A infidelidade de tações de hoje? Quem hoje faz o pa-
Israel é culpável, pois não se sujeitou pel do demônio, promovendo as ten-
à justiça de Deus em Jesus Cristo, mas tações?]
quis estabelecer a própria, baseada nos
Homilética [ 17•03•2019 “Apareceram
na glória
e conversavam.”
Leituras da Semana (Lc 28,31)
2º [dia 18: Dn 9,4b-10; Sl 78[79],8.9.11.13; Lc 6,36-38
Domingo
da Quaresma [dia 19: 2Sm 7,4-5a.12-14a.16; Sl 88[89],2-3.405.27 e 29; Rm 4,13.16-18.22; Mt 1,16.18-21.24a
[dia 20: Jr 18,18-20; Sl 30[31],5-6.14.15-16; Mt 20,17-28
[dia 21: Jr 17,5-10; Sl 1,1-2.3.4.6; Lc 16,19-31
[dia 22: Gn 37,3-4.12-13a.17b-28; Sl 104[105],16-17.18-19.20-21; Mt 21,33-43.45-46
[dia 23: Mq 7,14-15. 18-20; Sl 102[103],1-2.3-4.9-10.11-12; Lc 15,1-3.11-31
Leituras: Gn 15,5-12. 17-18; Sl 26[27]; do na terra, já são cidadãos do céu. A e João. A montanha é lugar de oração
Fl 3,17-4,1; Lc 9,28b-36 espera do retorno de Cristo é ansio- a sós. O Jesus de Lucas está sempre re-
sa, pois, com seu poder, ele vai trans- zando, principalmente antes de deci-
1. A aliança de Deus com Abraão. Deus formar o nosso corpo, tornando-o se- sões importantes.
fez uma promessa e Abraão acredita. melhante ao seu corpo glorioso. Eis a
Esta fé lhe é creditada como justiça. O importância do respeito ao corpo, pois Moisés e Elias aparecem na glória e
sinal de que Deus vai cumprir sua pro- nosso corpo tem um destino glorioso. conversam com Jesus sobre seu “êxo-
messa é dado no rito da aliança. do” em Jerusalém. Moisés representa
Os inimigos da cruz de Cristo são a Lei; Elias, os profetas. É que as pro-
A aliança é sempre bilateral, as duas os judaizantes, que não acreditam no messas do Primeiro Testamento vão-
pessoas envolvidas tinham de assu- valor salvífico da cruz de Cristo. A sal- se realizar em Jesus. Para Lucas, o v.
mir o compromisso. No rito da alian- vação deles ainda está no fiel cumpri- 31 é o ponto alto do episódio.
ça, dividiam alguns animais e coloca- mento da Lei antiga, levando a sério
vam as partes uma diante da outra. Os a distinção entre os alimentos puros O que significa o êxodo de Jesus? A
contraentes passavam no meio. Quem e impuros (= o deus deles é o estôma- palavra relembra a caminhada da li-
violasse o contrato teria a mesma sor- go), vendo na circuncisão (=o que é ver- bertação do povo do Egito até à Terra
te dos animais. No nosso texto, só Ja- gonhoso) o sinal da pertença ao povo Prometida. Jesus também quer libertar
vé, através do símbolo do fogo, passa de Deus e, portanto, sinal da salvação. o povo oprimido. Isto ele vai fazer su-
entre os animais. Significa que Javé Mas Paulo garante que o fim deles é a perando as tentações do comodismo,
nunca será infiel à sua promessa de perdição, pois seus pensamentos es- do egoísmo e triunfalismo, e subindo
conceder vida e liberdade àqueles que para Jerusalém numa subida sem re-
nele confiam. Veja o texto forte de 2Tm tão nas coisas da terra, não nas coisas torno, para lá enfrentar a morte e de
2,13: “Se lhe somos infiéis, ele, no en- do céu (cf. Cl 3,2). lá continuar sua subida, ou êxodo, até
tanto, permanece fiel, pois não pode à casa do Pai.
negar-se a si mesmo”. Quem são hoje os inimigos da cruz
de Cristo? Eles dormiam. Ao acordarem, vi-
Deus promete duas coisas que eram ram a glória de Jesus, e Moisés e Elias
as aspirações mais profundas de Abraão 3. O êxodo de Jesus. Este é o Evange- se afastando. Pedro, sem saber o que
e de todo o povo da Bíblia: descendên- lho da Transfiguração, embora Lucas dizia, mas sentindo a paz das alturas,
cia e terra. não use a palavra, para seus leitores, propõe fazerem três tendas, querendo
vindos do paganismo, não confundi- prolongar aquela cena. Ele não sabia
Cristo nos faz a promessa de vida rem o episódio com uma metamorfo- que a transfiguração-ressurreição só
nova através da sua morte e ressurrei- se das divindades pagãs. Lucas diz que acontece depois do Calvário. Nisto, fo-
ção. Em quem acreditamos? Naquilo o rosto de Jesus mudou de aparência. ram recobertos com a sombra de uma
que fazemos ou naquilo que Deus fez nuvem, que representa a presença de
por nós em Jesus Cristo? Enquanto rezava, Jesus se transfi- Deus, daí o medo.
gura. Jesus está sobre uma montanha
2. Nossa pátria no céu. A Carta aos Fi- para rezar e leva consigo Pedro, Tiago Da nuvem, Deus declara: “Este é
lipenses pode ser lida como compila- meu Filho, o escolhido, escutem o que
ção de três cartas escritas em momen- FEVEReiro 2019 [ olutador]37 ele diz”. Jesus é o Filho, superior aos
tos distintos. Nosso trecho pertence à servos Moisés e Elias. Mas ele vai as-
terceira carta. Ele apresenta de um la- sumir a missão de Servo de Javé, o
do os amigos da cruz de Cristo, onde escolhido (cf. Is 42,1), para a liberta-
Paulo é o modelo a ser imitado; do ou- ção-transfiguração do seu povo atra-
tro lado, “os inimigos da cruz de Cris- vés da cruz. O Primeiro Testamento
to”, um contramodelo a ser evitado. O conduz a Jesus e se eclipsa com a sua
interesse dos amigos da cruz de Cris- chegada. Agora, a única voz autori-
to, os cristãos, está no céu. O interes- zada é a dele. Diante desse mistério
se dos inimigos da cruz de Cristo está ainda incompreensível, os discípu-
no ventre etc. los se calam.
Onde está o interesse dos que são de Como ajudar, hoje, na transfigura-
Cristo? No céu, pois eles, mesmo atuan- ção do rosto tão desfigurado do nosso
povo sofrido?]
Homilética [ 24•03•2019 “E se vocês
não se converterem,
vão morrer.”
Leituras da Semana (Lc 13,5b)
3º [dia 25: Is 7,10-14; 8,10; Sl 39[40],7-8a.8b-9.10.11; Hb 10,4-10; Lc 1,26-38
Domingo [dia 26: Dn 3,25.34-43; Sl 24[25],4bc-5ab.6-7bc.8-9; Mt 18,21-35
da Quaresma [dia 27: Dt 4,1.5-9; Sl 147[147B],12-13.15-16.19-29; Mt 5,17-19
[dia 28: Jr 7,23-28; Sl 94[95],1-2.6-7.8-9; Lc 11,14-23
[dia 29: Os 14,2-10; Sl 80[81],6c-8bc.9.10-11ab.14.17; Mc 12,28b-34
[dia 30: Os 6,1-6; Sl 50[51],3-4.18-19.20-21ab; Lc 18,9-14
Leituras: Ex 3,1-8a. 13-15; Sl 102[103]; indigna convicção de já terem atingi- ciam sacrifícios no Templo. Jesus acres-
1Cor 10,1-6.10-12; Lc 13,1-9 do a libertação definitiva”. centa outro: a queda da torre de Siloé,
matando dezoito pessoas. Os judeus
1. O Deus fiel. Moisés foi pastoreando Quais os fatos que aconteceram co- achavam que eram castigos de Deus
as ovelhas de seu sogro até à monta- mo exemplos? A travessia pelo deserto, pelos pecados deles. É a doutrina da
nha de Deus – o Horeb (= Sinai). Ali, o com os israelitas protegidos pela nu- retribuição: quem faz o mal deve pa-
Senhor aparece para Moisés no meio vem de Deus; a travessia do Mar Ver- gar por ele já nesta vida. Como eles são
de uma sarça que estava em chamas, melho, sob a ordem de Moisés; o ma- justos, foram poupados.
mas não se consumia. A experiência ná, o alimento de Deus para todos; a
de Deus é um mistério que está além água da rocha. Jesus tira essa ideia errada da cabe-
da compreensão humana, como o fo- ça do povo: todos são pecadores, todos
go que arde sem se consumir. Também para o judaísmo, a sa- têm de se converter. Deus não é vinga-
bedoria (que para nós é Cristo) era dor. Esses fatos trágicos são falhas hu-
Deus chama Moisés e se apresenta identificada com a rocha do deser- manas e contingências da vida. As víti-
como Deus de seus antepassados, que to. O v. 5 nos adverte: “Apesar disso, mas não são mais pecadoras do que os
tinha feito aliança com os patriarcas a maioria deles não agradou a Deus, presentes, mas estes acontecimentos
Abraão, Isaac e Jacó. É um Deus sensí- e caíram mortos no deserto”. Quer podem ser vistos como advertências e
vel e solidário, por isso escutou os cla- dizer, com tantos favores de Deus, convite à conversão. Uma vida de so-
mores do povo no Egito e desceu para tinham tudo para serem ótimos e lidariedade no mal leva à ruína total.
libertá-lo. Fiel às promessas feitas aos mesmo assim pecaram. E tudo is- Uma vida de solidariedade no bem leva
patriarcas, Ele vai conduzir o povo a so aconteceu como exemplo e ins- à construção do Reino de Deus.
uma terra boa e espaçosa, onde cor-
re leite e mel. trução para nós que vivemos no fim A figueira simboliza o povo de Israel.
dos tempos. É uma árvore generosa, pois dá frutos
“Moisés, Moisés!” “Aqui estou!” Deus dez meses por ano. Ela estava planta-
chama e Moisés responde. Deus exige Fim dos tempos não é proximidade da no meio da vinha que também sim-
respeito e reverência. Moisés, de fato, cronológica, mas qualificação existen- boliza Israel. Foi Deus que a plantou.
deve tirar as sandálias, pois ele está cial do tempo presente, aberto à supe- Na parábola, a figueira não dá fruto e
pisando em lugar sagrado. ração final. já faz três anos de espera paciente –
paciência de Deus. Três anos podem
Deus chama Moisés para ser o seu Eis a advertência final: “Portanto, simbolizar a atividade de Jesus sem
agente na libertação do povo, por isso aquele que julga estar de pé, tome cui- resposta produtiva de Israel.
vai enviá-lo ao Egito. Moisés se sente dado para não cair”. Nunca achemos
incapaz dessa missão (v. 11), mas Deus que somos melhores do que ninguém Deus se dirige ao agricultor e exige
garante sua presença e promete que o só porque temos uma vida sacramen- que ele a corte. O agricultor é Jesus. Je-
povo chegará até o Sinai para prestar- tal, pois fomos feitos do mesmo barro. sus pede mais um tempo. Vai investir
lhe um culto. Em seguida, Deus revela além das expectativas. Vai desdobrar-
o seu nome: “Eu sou aquele que sou”. Você é consciente de sua fragilida- se de cuidados pela sua figueira: cavar
Ele é o mesmo Deus dos antepassados, de e sempre confiante? ao redor e adubar! Só que os agriculto-
e quer ser chamado sempre com este res sabem que não precisam adubar
nome que está ligado à sua presença e 3. O Deus paciente. Algumas pessoas as figueiras, pois já eram plantadas no
a todo o processo de libertação do povo. contam a Jesus a tragédia dos galileus. meio das vinhas e tratadas com esme-
Pilatos os assassina enquanto ofere- ro. Este cuidado retrata que a solida-
Qual é a identidade de Jesus Cris- riedade, paciência e carinho de Deus
to para você? Ele o chama para algu- [38 olutador [ fevereiro 2019 chegam às raias do absurdo.
ma missão?
Fica uma pergunta no ar. Será que
2. O exemplo da Escritura. Paulo quer para nós, que somos a figueira, não
mostrar que “estes fatos aconteceram está terminando o ano da culpa? O ex-
como exemplos para nós”. A preocupa- cesso de carinho e paciência de Deus
ção do apóstolo é a tentação da comu- encontra ressonância? Quem sabe,
nidade de recair nos erros do passado, estamos abusando da paciência de
“a falsa ilusão de estarem seguros e a Deus?]
Homilética [ 31•03•2019 “Meu filho estava
morto e tornou
a viver.”
Leituras da Semana (Lc 15,24)
4º [dia 1º: Is 65,17-21; Sl 29[30],2.4.5-6.11-12a e 13b; Jo 4,43-54
Domingo [dia 2: Ez 47,1-9.12; Sl 45[46],2-3.5-6.8-9; Jo 5,1-16
da Quaresma [dia 3: Is 49,8-15; Sl 144[145],8-9.13cd-14.17-18; Jo 5,17-30
[dia 4: Ex 32,7-14; Sl 105[106],19-20.21-22.23; Jo 5,31-47
[dia 5: Sb 2,1a.12-22; Sl 33[34],17-18.19-20.21.23; Jo 7,1-2.10.25-30
[dia 6: Jr 11,18-20; Sl 7,2-3.9bc-10.11-12; Jo 7,40-53
Leituras: Js 5,9a.10-12; Sl 33[34]; ministério da reconciliação. Ele exer- eles perceberem que a sua atitude é a
2Cor 5,17-21; Lc 15,1-3.11-32 ce a função de embaixador em nome atitude do Pai.
de Cristo, e é através dele (Paulo) que
1. A posse da terra. Chegando à Terra Deus fala, exortando os coríntios à re- O filho pede sua parte da herança
Prometida, o povo celebra a chegada conciliação. ao pai e depois parte para bem distan-
com a circuncisão e a Festa da Páscoa. te. Pecar é distanciar-se da casa do Pai
O que era a Festa da Páscoa? O apelo é veemente, pois rejeitar o com experiências desligadas da fonte
apóstolo anunciador do Evangelho de do amor e da vida. Mas ele acaba na
Antes do êxodo, ela servia para os Cristo, morto e ressuscitado, é rejeitar “lama”, cuidando de porcos, animal
pastores afastarem da família e dos a própria mensagem de salvação, a re- imundo para os judeus. Reconhece, na
rebanhos os espíritos maus. Isto era conciliação com Deus. miséria absoluta, que na casa do pai
feito matando-se um animal e tingin- até os empregados têm de tudo. Ensaia
do a entrada da tenda com o sangue Deus fez de Cristo, que não tinha pe- sua confissão e decide voltar.
dele. Depois do êxodo, a Festa da Pás- cado nenhum, “uma pessoa solidária
coa adquire um novo sentido. Torna- em tudo com a humanidade pecado- Sua esperança é ser ao menos um
se lembrança perpétua do Deus vivo ra, para que por seu intermédio, nos empregado. Mas o Pai o aguardava an-
que para libertar o seu povo derrota tornássemos justos”, agraciados, re- sioso (v. 20). Vendo-o, enche-se de com-
os opressores e seus ídolos. conciliados. paixão, corre a seu encontro e o resta-
belece na família com toda a dignida-
O v. 11 diz que comeram pão sem fer- Você cuida de viver profundamen- de de filho: o beijo é o sinal do perdão;
mento e trigo tostado, e só a partir do te em paz com Deus, os irmãos e a co- a veste festiva é para um hóspede de
dia seguinte é que comeram produtos munidade? honra; a entrega do anel é a restitui-
da terra. A partir do momento em que ção de todos os direitos na família; os
começaram a comer dos produtos da 3. O Pai amoroso. O capítulo 15 é o co- sapatos eram luxo dos homens livres,
terra, o maná parou de cair. O maná ração do Evangelho de Lucas. São três que escravos não usavam.
era o alimento miraculoso com o qual parábolas de misericórdia. A 3ª pará-
Deus alimentara seu povo no deserto. bola podia ser chamada de parábola Na casa voltou a alegria: “Vamos fa-
Agora ele para de cair, pois o povo che- dos dois filhos e, melhor ainda, pará- zer um banquete. Este meu filho es-
gou à Terra Prometida e já está comen- bola do Pai misericordioso. tava morto e tornou a viver, estava
do dos frutos da terra. perdido e foi encontrado”. E começa-
A introdução é de fundamental im- ram a festa.
O maná é uma figura da Eucaristia portância. De um lado, Jesus e os pe-
no sentido de ser o pão do céu e alimen- cadores: pessoas que tinham condu- Mas... e o filho mais velho? Este tem
to de um povo que ainda está a cami- ta imoral (adúlteros, prostitutas etc.) todas as qualidades, mas não é capaz
nho para a pátria celeste. Você experi- ou exerciam profissões consideradas de acolher o irmão que volta, nem quer
menta, ao comungar, o sentido liber- desonestas (cobradores de impostos, partilhar da alegria do coração do Pai,
tador da Eucaristia? pastores, vendedores ambulantes, cur- que insiste com amor e ternura para
tidores). De outro lado, os que critica- que ele entre para a festa. Gabando-se
2. A reconciliação em Cristo. Paulo de- vam a atitude misericordiosa de Je- de sua conduta justa e irrepreensível,
senvolve aqui o tema da reconciliação. sus: fariseus e doutores da lei, da clas- chega a criticar a atitude do Pai. A pa-
Conhecer o Cristo segundo as aparên- se dominante, que se consideravam rábola termina com o Pai justificando
cias tem pouco valor, pois agora já não justos. Jesus conta as parábolas para sua conduta misericordiosa.
o conhecemos assim (v. 16). O impor-
tante é a novidade que Deus nos traz: FEVEReiro 2019 [ olutador]39 E o filho mais velho? Entrou ou não
a reconciliação em Cristo. Ele restau- entrou na festa? Agora entenderemos
rou sua obra corrompida pelo pecado. os versículos iniciais. O filho mais no-
Se alguém está em Cristo é nova cria- vo são todos os pecadores com quem
tura. Isso é que importa. Jesus faz a festa. O filho mais velho
são os fariseus e doutores da lei que
Deus não levou em conta os peca- se consideram justos, mas são inca-
dos dos homens e, por meio de Cristo, pazes de acolher os irmãos margi-
reconciliou o mundo consigo. É a Pau- nalizados e ainda criticavam a ati-
lo e aos apóstolos que Cristo confiou o tude de Jesus.
E você? Qual a sua postura?]
Homilética [ 7•04•2019 “Eu também
não a condeno...”
(Jo 8,11b)
5º Leituras da Semana
Domingo
da Quaresma [dia 8: Dn 41c-62; Sl 22[23],1-3a.3b-4.5.6; Jo 8,12-20
[dia 9: Nm 21,4-9; Sl 101[102],2-3.16-18.19-21; Jo 8,21-20
[dia 10: Dn 3,14-20.24.49a.91-92.95; (Sl) Cant. Dn 3,52.53.54.55.56.57; Jo 8,31-42
[dia 11: Gn 17,3-9; Sl 104[105],4-5.6-7.8-9; Jo 8,51-59
[dia 12: Jr 20,10-13; Sl 17[18],2-3a.3bc-4.5-6.7; Jo 10,31-42
[dia 13: Ez 37,21-38; (Sl) Cant. Jr 31,10.11-12ab.13; Jo 11,45-56
Leituras: Is 43,16-21; rados aos pagãos, que eram chama- da sociedade e da religião judaica. Pa-
Sl 125[126]; Fl 3,8-14; Jo 8,1-11 dos de cães. ra excluir Jesus, os senhores do Tem-
plo (fariseus e doutores da lei) conde-
1. Um mundo novo. Em pleno Exílio O ponto de referência da vida do cris- nam uma adúltera que, juntamente
Babilônico [ca. 550], o profeta procura tão é Cristo, e não a Lei de Moisés. Por com o adúltero, deveria ser excluí-
reanimar as esperanças de retorno à isso Paulo descreve seu passado irre- da não somente da religião, mas até
Pátria. Ciro, rei da Pérsia, está conse- preensível segundo a Lei. Mas afirma mesmo da vida, com pedradas. Era
guindo seguidas vitórias sobre os cal- que, depois que conheceu Jesus Cris- a Lei. Queriam saber a opinião de Je-
deus. O profeta interpreta o fato à luz to, seu passado perdeu o sentido. Na- sus (v. 5), mas para eles a adúltera já
da fé. O Senhor, Criador, Redentor e Rei da é maior e mais importante que o está condenada. Queriam servir-se
de Israel, está se servindo do seu servo conhecimento que agora ele possui de dela para condenar também a Jesus
Ciro para libertar Israel (cf. vv. 14-15). Jesus Cristo. (v. 6). Jesus se inclina e escreve com
o dedo no chão.
Os vv. 16-17 são memórias das ações Aliás, diante de Jesus Cristo, tudo
libertadoras de Javé: a passagem pelo que ele conquistou antes pode ser con- Depois, Jesus se ergue e com voz
Mar Vermelho e a destruição do exérci- siderado como lixo desprezível. O im- de quem conhece profundamente as
to do faraó que perseguia os israelitas. portante agora é ganhar Jesus Cristo, fraquezas humanas, com o coração
mas não com a justiça da Lei, e sim, de quem veio para acolher, perdoar e
O v. 18 curiosamente convida a es- pela justiça que vem de Deus através não condenar, Jesus diz solenemen-
quecer o passado. Por quê? Porque o que da fé em Jesus Cristo. te: “Quem dentre vós não tiver peca-
Javé vai fazer agora é uma coisa nova, do, atire a primeira pedra”. Esta frase
muito mais fantástica do que as ma- Paulo, agora topa tudo por causa de pulveriza os corações de todos aque-
ravilhas do Êxodo. Aqui o profeta rea- Jesus Cristo, até enfrentar sofrimen- les que ainda não vivem estas senten-
nima as esperanças dos exilados. Esta to e morte iguais aos de Jesus para ças lapidares de Jesus: “Não julgueis e
coisa nova já começou a acontecer. As alimentar sua esperança e participar não sereis julgados; não condeneis e
conquistas de Ciro são um prenúncio. com Jesus da ressurreição dos mortos. não sereis condenados, perdoai e se-
Usando a imagem do atleta que cor- reis perdoados”. (Lc 6,37.)
Diante das maravilhas em favor de re para alcançar o prêmio, o impor-
Israel, até os animais darão glória a tante para Paulo não é gloriar-se das Os pretensos juízes da mulher ex-
Javé, pois, dando água para matar a conquistas já alcançadas, mas conti- cluída são incluídos na categoria de
sede do seu povo, Javé favorece toda a nuar a correr. réus. E, devagar, foram saindo cons-
criação, renovando a vida. cientes de seus pecados. Os mais ve-
E para você, o que é importante? En- lhos saíam primeiro. Sozinhos ago-
As ações de Javé são imprevisíveis. trar em campo ou ser espectador ou, ra, Jesus e a mulher começam o diá-
Assim devemos alimentar nossas es- quem sabe, atleta aposentado? logo libertador: “Mulher, onde estão
peranças. Se Javé se serviu de Ciro, não eles? Ninguém te condenou?” A mu-
poderia também servir-se do novo go- 3. Uma vida nova. Jesus ensina no lher ergue a cabeça e, não vendo nin-
verno para restaurar nossas estradas, Templo, que se torna símbolo da ex- guém, responde admirada: “Ninguém,
suscitar vida nas favelas, despertar es- clusão de Jesus e de todos os excluídos Senhor!”
peranças para os excluídos? Como po-
deremos ser instrumentos nas mãos [40 olutador [ fevereiro 2019 O círculo que oprimia e queria con-
de Deus? denar havia-se desfeito. Diante da mu-
lher, a única pessoa que, isenta de to-
2. Esquecer o passado. Um grupo de do o pecado, poderia condená-la. E é o
cristãos que vinha do judaísmo queria coração do Pai misericordioso que fala
judaizar o cristianismo. Os chamados por Jesus: “Eu também não te conde-
judaizantes queriam forçar a comu- no. Vai, e de agora em diante não pe-
nidade a seguir as leis judaicas. Paulo ques mais”. Jesus condena o pecado,
critica o rito da circuncisão na carne e não o pecador.
dá um sentido espiritual à circuncisão.
Os judeus cristãos que ainda se preo- Como o mundo seria diferente se
cupam com a circuncisão são compa- aprendêssemos a lição de Jesus!]
Mensagens [ Poesia & Sabedoria
[ Poema para o mês de fevereiro
Rupturas
Anderson Dideco
(sobre escultura em bronze de Sami Mohammad)
Que toda a musculatura
se expresse na pele
e a força bruta
se externe
enquanto a cintura
se espreme na brecha
entre duas duras pilastras.
O tronco, a cabeça arraste
para fora da clausura
e o joelho vergaste
a coluna
até que se quebre a
rótula ou se rompa a cela
à custa de abruptas rupturas.
Promova-se, do ergástulo
a fuga; empreenda-se,
no cárcere, a luta
pela soltura
do que se afigura
cerceamento ou censura,
até que da jaula
..................(abracadabra!)
...............se abra a aldabra
e o condenado escapula.
(in: Versar a Cinzel e Buril)
[ Palavra de sabedoria
❝Certas pessoas que não possuem
religião alguma são, talvez,
as mais ávidas de absoluto e,
por isso mesmo, inconscientemente
as mais bem preparadas para acolher
o brilho da luz; pois, a menos que se
deixem embalar pela preguiça
e pela ignorância, as trevas do ateísmo
dilatam suas pupilas, no esforço
doloroso para descobrir a verdade
e o porquê das coisas.❞
P a ulo VI
FEVEReiro 2019 [ olutador]41
variedades [ Culinária & Dicas de português
[ Não Tropece na língua
[ aUTOBiOgraFar-SE, SOmaTóriO, LUíS, hinDi E UrDU
adMoengaooituausrbseaal Alguns leitores do língua Brasil têm perguntado se é correto o uso
concomitante de auto e se, como em autobiografar-se, autossu-
Ingredientes gestionar-se e autodesmamar-se. Afinal, não têm aqueles dois ter-
mos o mesmo sentido?
5 goiabas maduras e verme-
lhas (ou 1 garrafa de suco de O prefixo auto significa “si mesmo, (de) si mesmo, (por) si
goiaba); 1 lata de leite conden- próprio”. No entanto, autobiografar não funciona sem pronome
sado; 2 colheres (sopa) de açú- reflexivo. É inviável, é ingramatical dizer: - Fulano autobiografou,
car; 1 envelope de gelatina sem porque autobiografar necessita de complementação, de um objeto
sabor; 3 claras em neve. direto que represente a mesma pessoa do sujeito. E esse comple-
mento não pode ser auto, que é uma forma presa ao verbo – sendo
Modo de fazer elemento mórfico, é inapto a exercer função sintática. Necessita-
se, portanto, do pronome para tomar o posto de objeto reflexivo.
Descascar e tirar as sementes
das goiabas. Deixar a gelatina Já estão dicionarizados muitos outros verbos em que se ob-
de molho com 6 colheres (so- serva um processo de redundância necessário, como autoanali-
pa) de água fria e levar ao fo- sar-se, autoafirmar-se, autossugestionar-se, autopunir-se, au-
go, em banho-maria, para dis- torretratar-se. O simples analisar-se ou afirmar-se, por exemplo,
solver. Bater no liquidificador não traz o ingrediente científico especializado do termo autoaná-
o leite, as goiabas e a gelatina. lise ou autoafirmação da Psicologia e Psicanálise. Da mesma for-
Misturar as claras levemen- ma, pode-se contrapor sugestionar-se a autossugestionar-se, per-
te. levar à geladeira, em for- cebendo-se em cada verbo uma carga semântica diferente.
ma untada com óleo sem sa-
bor. Pode ser feito de véspera.] - É verdade que não posso dizer “a Confira a regra em outros exem-
somatória das parcelas é tanto”... plos: albatroz (mas: retrós), ma-
Do livro que somente posso dizer “o soma- triz, juiz, raiz (distinto de país).
tório das parcelas é tanto”? Não
“Cozinhando sem Mistério”, existe somatória (feminino)? (E. - Gostaria de saber a pronúncia
A., São Paulo, SP) correta das palavras hindi e urdu
de Léa Raemy Rangel e a regra gramatical que serve de
& É verdade, sim. Embora soma seja base. (Inês, São Paulo, SP)
palavra feminina, o que devemos
Maria Helena M. de Noronha usar é um somatório, o somató- A grafia constante no vocabu-
Ed. O Lutador, Belo Horizonte, MG rio, que podemos relacionar a o lário da Academia Brasileira de
conjunto, mais do que a a soma. letras (vOlP 2009) e seguida pelo
Pedidos dicionário Aurélio é hindi – não
0800-940-2377 - Gostaria de saber por que o no- havendo acento gráfico, é pala-
livraria.olutador.org.br me Luiz não é acentuado e Luís é vra oxítona, portanto com a sí-
acentuado. (Gema Ester Fagun- laba forte no “di”. Já o dicionário
[email protected] des, Novo Hamburgo, RS) Houaiss acentua híndi, que assim
tem a primeira sílaba forte, e traz
As palavras oxítonas termina- a variante índi, já que em portu-
das em iz ou oz, como Luiz e Quei- guês não se pronuncia o h. E urdu,
roz, não precisam do acento para assim como chuchu, tatu, peru,
informar a tonicidade na última é oxítona terminada em u, mo-
sílaba, diferentemente de quando tivo pelo qual não é acentuada.]
se escreve com s: Luís e Queirós.
Fonte: Língua Brasil
[42 oluTador [ FEVEREIRO 2019
Wesley Figueiredo* ADCE [ Homenagem...
7º Prêmio Responsabilidade Social Empresarial
Homenageada é presidente da Rede Cidadã e do
Conselho de Administração da Montreal Informática
Sérgio Frade, Angela Alvarenga e Sérgio Cavalieri. AADCE Minas Gerais, Acompanhei a entrega
recebeu associados dos anteriores, todos de al-
e convidados em de- tíssimo nível, e me sin-
zembro, para a ceri- to muito lisonjeada pela
mônia de entrega da 7ª edi- participação de um grupo
ção do Prêmio ADCE Minas tão seleto”, ressaltou Alva-
de Responsabilidade Social renga ao receber o prêmio
Empresarial. A homenagea- das mãos do presidente da
da em 2018 foi a presidente ADCE Minas Gerais, Sér-
do Conselho de Adminis- gio Frade.
tração da Montreal Infor-
mática e presidente da Re- O Prêmio ADCE Minas,
de Cidadã, Angela Alvaren- criado em 2012, é uma ho-
ga. A empresária, que é for- menagem com o objetivo
mada em Engenharia Me- de prestar um tributo aos
cânica pela Universidade dirigentes de empresas
Federal de Minas Gerais - que enaltecem os valores
UFMG, iniciou suas ativida- da ADCE e que dignificam
des na área de informática as relações empresariais
em 1969. Atualmente preside em todos os níveis, sem-
o Conselho de Administra- pre preocupados com a cen-
ção da Montreal Informá- tralidade do ser humano
tica, onde atua há 30 anos. como protagonista da so-
Como voluntária, preside ciedade. Para o presiden-
a Rede Cidadã há 15 anos. te da ADCE Minas, Sérgio
Frade, a premiação conce-
“Receber este dida à engenheira Angela
prêmio é sentir a Alvarenga é um reconhe-
coroação de um cimento pelo seu relevante
trabalho realizado trabalho social e estilo de
com muito carinho, liderança. “É uma justa e
dedicação, merecida homenagem pela
seriedade e sensibilidade social e em-
profissionalismo. presarial de Angela”, res-
Angela Alvarenga entre as suas filhas Patricia e Lúcia Alvarenga saltou Frade.]
[*Assessoria de Imprensa
(31) 3211-7500
[43 olutador [ FEVEReiro 2019
Sociedade [ A doutrina da teologia da prosperidade
Teologia da prosperidade
No centro, o bem-estar. O
Ojornal italiano “Avve-
nire” [19/07/2018] ante- demos modificar as realidades ma-
cipou um resumo do lon- teriais concretas com o poder da fé.
go artigo sobre o assun- Seria a falta de fé a raiz da pobre-
to, mais tarde publica- za, da doença e da infelicidade, en-
do na prestigiosa revista quanto o poder da fé traz riqueza,
“La Civiltà Cattolica”, assinado por saúde e bem-estar. Muito estranho
Antonio Spadaro, S.J., e Marcelo Fi- para um católico, é verdade, que co-
gueroa. “Teologia da prosperidade” nhece de perto a pobreza de Fran-
é o nome que se dá a uma corrente cisco de Assis, a tuberculose de Te-
evangélica neopentecostal. Seu nú- resa de Lisieux e os sofrimentos do
cleo é a convicção de que Deus de- apóstolo Paulo.
seja para todos nós uma vida prós-
pera, economicamente rica, com A doutrina da teologia da pros-
plena saúde e felicidade do ponto peridade está ligada e alimenta-
de vista humano. da pelo “pensamento positivo”,
conhecida expressão do estilo de
É uma versão do cristianismo vida americano [american way of
que tem seu foco no bem-estar do life]. Tem contatos também com
crente, reservando para Deus a fun- a filosofia de Alexis de Tocquevil-
ção de realizar nossos desejos e pro- le, em seu livro “A democracia na
jetos materiais. Obviamente, o Cria- América” [1831], que cobrava uma
dor é transformado em uma espé- posição excepcional para os Esta-
cie de “gênio da lâmpada”, sempre dos Unidos da América no cená-
pronto a atender a nossos caprichos. rio mundial, afirmando que “ne-
Deus a serviço do homem, a Igreja nhum outro povo democrático vi-
como um supermercado e a fé co- rá a encontrar-se em semelhan-
mo ferramenta utilitarista. No fun- te posição”.
do, a mentalidade utilitarista típi-
ca da sociedade norte-americana. [Desde que subiu à cadeira
de Pedro, o Papa Francisco
Mesmo sem se identificar ple- se posicionou vigorosamente
namente com o “sonho america- no polo oposto à teologia
no” [american dream], trata-se de
uma redação do mesmo sonho. A da prosperidade,
terra e a sociedade como um lugar
de “oportunidades” – a antiga mo-
tivação que atraiu tantos imigran-
tes para os EUA.
Pensamento positivo apoiando-se na sólida
Hoje divulgada por numerosos gru- doutrina social
pos e ministros evangélicos, em es- da Igreja.]
pecial neocarismáticos, as origens
desta distorção vem do pastor no- [44 olutador [ fevereiro 2019
va-iorquino Esek William Kenion
[1867-1948]. Ele sustentava que po-
está ligada e alimentada pelo “pensamento positivo”...
e o Evangelho distorcido
Criador? Nosso empregado..
Mister Trump assina em baixo... do-lhe as mãos. São esses pregado- gere alguma ação para a mudan-
Nas cédulas de dólar, a inscrição: In res que acentuam a saúde e o bem ça social, mas confirma o próprio
God we trust, nós confiamos em Deus. -estar econômico como o alvo da sistema.
E Donald Trump garante: “Juntos, fé, e o fazem com uma leitura lite-
estamos redescobrindo a maneira ral de alguns textos bíblicos, dentro No outro polo, Francisco...
américa de viver”. Parece animador de uma hermenêutica reducionis- Desde que subiu à cadeira de Pedro,
ouvir de um chefe de estado: “Na Amé- ta, ao mesmo tempo que ignoram o Papa Francisco se posicionou vi-
rica, sabemos que a fé e a família, o próprio Jesus e sua lição: “Ai dos gorosamente no polo oposto à teo-
não o governo e a burocracia, são o ricos! Bem-aventurados os pobres logia da prosperidade, apoiando-se
centro da vida americana”. Mas, lo- de espírito!” na sólida doutrina social da Igreja.
go em seguida, o mesmo governante Já no Brasil, em 28 de julho de 2013,
manda receber à bala os imigran- Neste quadro, não há espaço dirigindo-se aos bispos do CELAM –
tes que aspiram ao mesmo sonho... para a compaixão e a solidarieda- Conselho Episcopal Latino-america-
de pelas pessoas que não são prós- no, Francisco denunciou o “funcio-
Em outubro de 2015, a Casa Bran- peras, marcadas pelo estigma da nalismo eclesial”, que realiza “uma
ca organizou, na Trump Tower, um falta de fé. Esta teologia acentua o espécie de teologia da prosperida-
encontro de pregadores da TV liga- mérito que decorre da fé, e os po- de no aspecto organizativo da pas-
dos à teologia da prosperidade, os bres, claro, não “merecem” nada... toral”. Isto ocorre quando a Igreja
quais rezaram pelo Chefe, impon- Nada mais contrário ao Evangelho assume um caráter “empreende-
de Jesus Cristo! dorista” que nada tem a ver com o
mistério da fé.
Católicos, a Igreja dos pobres
Os teólogos “da prosperidade” afir- Novamente aos bispos, na Co-
mam que os EUA cresceram sob a reia, em agosto de 2014, o Papa ci-
bênção do Deus providente do mo- tou Paulo (1Cor 11,17) e Tiago (2,1-7),
vimento evangélico. Ao contrário, que reprovavam as Igrejas que vi-
os habitantes da região que vai do viam de tal modo que ali os pobres
Rio Grande para o Sul mergulha- não se sentiam em casa. “Esta é
ram na pobreza porque a Igreja Ca- uma tentação da prosperidade” –
tólica tem uma visão oposta, “exal- comentou Francisco. Em suas ho-
tando” a pobreza. Não é difícil no- milias, na casa Santa Marta, ele in-
tar que esta posição oculta conota- siste no mesmo ponto, como quan-
ções políticas. do comenta 2Cor 8,9-15: “Conheceis
a graça de nosso Senhor Jesus Cris-
Na verdade, a teologia da pros- to: era rico e se fez pobre por vós,
peridade deixa bem claro o seu efei- para vos tornásseis ricos por meio
to perverso sobre o povo pobre. Ela de sua pobreza”.
estimula ao máximo o individua-
lismo, rebaixa o sentido de solida- Naturalmente, estamos bem
riedade e impele as pessoas à cons- longe da profecia positiva e lumi-
tante expectativa de milagres, en- nosa do “sonho americano” que ins-
quanto o compromisso social e po- pira os teólogos da prosperidade.
lítico fica esquecido. Se os pobres Se Martin Luther King estivesse vi-
acolhem seus princípios, acabam vo, iria apontar para outro “sonho”:
indefesos e inócuos diante das in- uma sociedade de iguais, de parti-
justiças do sistema capitalista. A lha e de compromisso pelos mais
teologia da prosperidade não su- fracos do sistema. (ACS)]
FEVEReiro 2019 [ olutador]45
Leigos [ Acordar...
agenor brighenti
O laicato
na igreja:
um gigante
adormecido e
domesticado [1
OO laicato: um gigante Um gigante adormecido lho, mas não veem como vivê-lo no ti-
Concílio Vaticano II, ao lembrar As estatísticas mostram, infelizmente, po de Igreja que somos hoje.
que pelo Batismo começamos a que dessa “massa” de leigos e leigas ape-
ser cristãos, reafirmou a “base nas uns 10% são católicos “praticantes” Na Europa são em número maior,
laical” da Igreja. Todos os mi- regulares. Outros 10% tem participação mas, segundo o último censo no Bra-
nistérios, inclusive os ordenados, bro- esporádica. E a imensa maioria, uns sil, já são 8%, quase o mesmo tanto dos
tam do Batismo. Existe um único gê- 80%, se dizem católicos “não pratican- participantes em nossas comunidades,
nero de cristãos, os batizados. Todos tes”, terra de missão de muitas Igrejas, os que vivem a “religião sem religião”.
na Igreja, portanto, são ou foram lei- sobretudo, neopentecostais. Nos últimos Querem chegar a Deus, mas esbarram
gos ou leigas. Os que não são leigos, tempos, tentou-se “acordar” essa gente numa instituição autorreferencial, que
como os ministros ordenados e os toda, mas sem muito perguntar a razão eclipsa a Deus; defrontam-se com o mu-
integrantes da vida consagrada, são de sua apatia e da sangria silenciosa de ro de doutrinas petrificadas e normas
uma ínfima minoria em compara- nossas comunidades. Já se fez missão rígidas, à margem dos grandes sofri-
ção com o gigantesco número de lei- centrípeta, saindo para fora da Igreja, mentos do povo; enfim, se veem nu-
gos na Igreja. No Brasil, há em mé- batendo de porta em porta, para trazer ma massa massificante, anônimos e
dia um padre para 12 mil leigos. Entre de volta as pessoas para dentro dela. sem acesso a Deus.
as Igrejas evangélicas, há um pastor
para 100 fiéis. Mas aí o Papa Francisco, com Apa- É que, cada vez mais, as pessoas
recida, lembrou que proselitismo não querem ser sujeito, poderem dizer as
A Igreja Católica, nas últimas déca- é cristianismo. Já se tentou também coisas e ser ouvidas; querem ser respei-
das, perdeu muita gente das periferias promover animados eventos de massa, tadas em sua subjetividade, fazer uma
e dos setores mais populares, lá aon- já se ocupou meios de comunicação so- real experiência de Deus sem emocio-
de as Comunidades Eclesiais de Base cial, entrou-se na disputa do mercado, nalismos e fundamentalismos; querem
estavam muito mais presentes do que exacerbando a dimensão terapêutica sentir-se acolhidas em comunidades de
hoje. Os padres também já gostaram da religião, já nos metemos a telepre- tamanho humano, e não poucos gos-
mais de trabalhar entre os mais pobres. gadores a exemplo de pastores tele-e- tariam de uma Igreja profética, servi-
Igualmente tem diminuído a partici- vangelistas, aumentaram o tamanho dora dos mais pobres, mais simples e
pação na Igreja dos que têm melhora- de alguns templos, apostaram nos pa- despojada, investindo mais em templos
do de vida, agora mais ciosos do tem- dres cantores... e o gigante parece não vivos do que de barro. Bem ao estilo do
po livre e amantes do lazer, levando a se sentir convencido a despertar. O nú- Papa Francisco, que envia a Igreja pa-
uma “crise do compromisso comuni- mero de católicos continua diminuin- ra as periferias, mas com a advertên-
tário”, como frisou o Papa Francisco do, e muito rapidamente. cia de não “domesticar as fronteiras”.
na Evangelii Gaudium.
Um gigante domesticado E o que mais domestica o laicato é
Mas, graças a Deus e à generosida- Diz Aparecida que os católicos que saem o clericalismo, que o Papa diz não ter
de de tantos, há bastante gente enga- de nossas comunidades não estão que- nada a ver com cristianismo. Clerica-
jada nas comunidades eclesiais, parti- rendo deixar a Igreja, estão buscan- lismo de padres e diáconos, que vol-
cipando das liturgias, assumindo ser- do sinceramente a Deus. E quantos e tou com força, mas também de leigos
viços de pastoral ou estudando em es- quantas que saem e vão bater em por- e leigas clericalizados. Para Apareci-
colas de formação. No santo Povo de tas erradas! Vai-se de “conversão” em da, a volta do clericalismo é uma pro-
Deus, há muita gente santa. O laicato “conversão”, mas depois da decepção va de que, em relação à renovação do
é a maior riqueza da Igreja, com um com a terceira Igreja, saem de todas. Vaticano II, estamos indo para trás.
potencial evangelizador imensurável, Cresce o número de cristãos sem Igre- Resgatar o Vaticano II é a esperança
mas ainda não suficientemente valo- ja, que continuam crendo no Evange- de um laicato vivo e atuante na Igre-
rizado e reconhecido. ja e no mundo.]
[46 olutador [ fevereiro 2019
Fonte: amerindiaenlared.org
Missão [ Chamados a levar e anunciar a paz...
pe. renato dutra borges, sdn
Ser Igreja em Angola
“Kaha avanangwilenga nakuvamba ngwenyi, kavasonekako numba? Ngwavo, Zuvo yami navakayuvulukanga
ngwavo, Zuvo yakulombela yavaka mafuci osena. Olose enu munayitenge nge muutwamo wavihwanga.”
(Maku 11,17.)
“Ensinava-os dizendo: ‘Não esta escrito? Minha casa será chamada casa de oração para todos os
Apovos?’ Mas vós fizeste dela um covil de ladrões.”
partir da chegada dos primei-
ros padres capuchinhos, o pro-
cesso de evangelização teve
o seu início, o qual foi secun-
dado nos séculos XVII e XIX com a
vinda dos missionários protestan-
tes. Nessa época, começa em Ango-
la a campanha de evangelização da
mudança, saindo de uma forma de
oração antiga para uma nova visão
ensinada pelos missionários com
os olhos fixos em Jesus Cristo.
Tudo começou, concretamen-
te, a 29 de março de 1491, quando os
primeiros missionários, vindos de
uma expedição, chegaram ao Por-
to Pinda, na foz do rio Zaire (hoje
pertencente à Diocese de Mbanza
Congo). Assim, quando Paulo Dias
de Novais chegou à Ilha de Luan-
da, em 1575, já lá encontrou uma
capela construída pelos missioná-
rios portugueses em honra de Nos-
sa Senhora da Conceição, e alguns
angolanos batizados.
na da cultura Carolina Cerqueira, a Sacramentinos
Dificuldades para a evangelização nova lei tem como objetivo “acabar de Nossa Senhora
Mesmo assim, a evangelização co- com práticas e atitudes que atentam As atividades missionárias dos Sa-
nheceu muitas dificuldades: incom- contra a estabilidade social e o de- cramentinos de Nossa Senhora são
preensões, doenças, guerras, adap- sequilíbrio das famílias”. subsidiadas pelos próprios Sacra-
tação, resistência em acolher Cristo. O Ministério da Cultura angolano mentinos e por doações de muitos
Além da sua missão espiritual, os tem registradas 81 Igrejas, enquanto cristãos e cristãs marcados com es-
missionários apostaram também cerca de outras 1.100 aguardam pelo te zelo missionário. A gratuidade do
nas obras da promoção intelectual reconhecimento legal. Mais de 50% Evangelho é a melhor forma de anún-
e social, assinalada com assistência das Igrejas implantadas no país são cio da presença de Jesus; assim sus-
prestada a favor do bem do homem estrangeiras, provenientes da Repú- citamos a Igreja Povo de Deus, rede
angolano: escolas, postos de saúde, blica Democrática do Congo, Brasil, de comunidades e casa de oração,
hospitais e outras infraestruturas Nigéria e Senegal. Os requisitos para sendo este o nosso objetivo nas ter-
foram erguidas com uma finalida- abrir uma confissão religiosa pas- ras angolanas, em comunhão com
de bem precisa, numa clara opção sam pelo registro de cem mil assi- a conferência dos bispos de Angola
por cuidar das pessoas. naturas, reconhecidas presencial- e São Tomé - CEAST.
Desde agosto de 2018, o gover- mente no notário, em pelo menos Que Maria, Nossa Senhora da
no de Angola aprovou a lei que re- 12 províncias, por fiéis maiores de Eucaristia, nos sustente neste ca-
gulamenta a atividade religiosa no idade e uma declaração de bens dos minho de gratuidade e partilha dos
dons e da graças de Deus.]
país. Segunda a ministra angola- líderes religiosos.
FEVEReiro 2019 [ olutador]47
Mundo [ A ideia do ministro...
bruno marchetti
Banco de DNA?
Proposta do Ministro do STF, Alexandre de Moraes,
é mais um tijolo na construção da distopia de dados brasileira
Desde o início de julho de 2018, de dados financeiros de toda a popula- mã nos Países Baixos. O país mantinha
com a aprovação da lei de pro- ção sem consentimento prévio. registros detalhados sobre a população
teção de dados pessoais no Se- desde o século XIX. O banco de dados
nado, o país aguardava a tão “A medida é no mínimo despropor- governamental acabou por facilitar o
sonhada sanção presidencial cional”, diz o especialista em Direito trabalho de busca e captura de judeus
de Michel Temer. Embora ela não te- Digital, Renato Leite Monteiro, funda- no país, que teve um dos maiores ín-
nha chegado da melhor forma, o pro- dor da empresa Data Privacy Brasil. No dices de judeus mortos ao final da Se-
cesso significou um avanço do debate caso de usar as informações genéticas gunda Guerra.
em diversas esferas do poder público. como meio de identificação, a suges-
Ainda assim, parece que nem todas as tão do Ministro seria como usar uma “Ter um banco de dados com as
autoridades entenderam muito bem o bala de canhão para matar uma for- informações genéticas de toda a po-
espírito da coisa. miga, pois foge totalmente a um dos pulação brasileira se tornaria um alvo
princípios básicos da proteção de da- muito precioso para quem quisesse ter
Em 30 de julho, em evento desti- dos pessoais, o “princípio da necessi- acesso a essas informações”, observou
nado a peritos criminais, o ministro dade”. “Se posso atingir aquela finali- Monteiro. Para ele, manter a segurança
do STF Alexandre de Moraes sugeriu dade com outro tipo de dado que é me- desse banco de dados seria uma tarefa
a criação de um banco de dados ge- nos arriscado, devo utilizar esses dados que beira o impossível e infelizmente
néticos da população brasileira para, mais seguros, e isso não é uma opção, o governo brasileiro não é exatamente
além de identificação dos cidadãos, é uma obrigação”. famoso pela forma segura como ma-
ajudar em investigações criminais. neja os dados da população.
“Se você pode e deve, constitucional- Ele explica que o código genético é
mente, dar sua identificação, que é a um dado extremamente sensível, pois, A ideia do ministro também não
digital, hoje mais moderno que isso é além de ser um “identificador único é melhor do ponto de vista da investi-
o DNA”, falou o ministro segundo a Fo- universal” – em que cada código per- gação criminal. Como explica Montei-
lha de S. Paulo. tence a uma pessoa identificável –, é ro, ela viola a presunção de inocência.
possível, por meio dele, descobrir uma “Você só pode coletar evidências ou al-
Moraes relatou ter sugerido ao pre- série de outras coisas sobre o dono do gum outro registro se houver suspeita
sidente do Tribunal Superior Eleitoral DNA: o sexo, a etnia, possíveis doenças de que houve algum crime”, pontua.
que não apenas a biometria, mas tam- e outros dados.
bém o DNA fosse coletado durante o re- Desde 2012 o Brasil possui uma lei
cadastramento eleitoral. “Qual o pro- Conforme aponta Monteiro, quem que prevê a coleta de dados genéticos
blema de se realizar um cadastramen- tiver acesso a essas informações pode- de pessoas que cometeram crimes he-
to de DNA, que é um exame nada inva- ria utilizá-las para fins discriminató- diondos ou dolosos com violência gra-
sivo?”, questionou. rios. O problema já existe hoje com a ve. Apesar de a lei atual ser bem menos
questão do Score de Crédito e do Profi- ampla do que a proposta de Moraes e
A pergunta do ministro pode ter ling, em que empresas financeiras po- delimitar razão e prazo para o armaze-
sido retórica e como foi feita em um dem avaliar o quanto você vale e a sua namento dos dados genéticos – a pres-
evento fechado poucos se atentaram capacidade de pagamento de dívidas crição do crime –, isso não a torna me-
à ela. Mas não tem problema, a gente por meio de critérios que não são exa- nos problemática.
responde mesmo assim: os problemas tamente claros e muito menos favorá-
são bem grandes e, na prática, essa é veis a você. [...] Como apontou o coordenador de
uma ideia péssima. Se fosse colocada Violência Institucional da Conectas, Ra-
pra valer, criaria um problema tão gra- Ele defende um banco de dados des- fael Custódio, “a criação de um banco
ve ou pior do que o compartilhamento sa natureza poderia, em um caso mais de dados desse tipo acaba funcionando
extremo, favorecer políticas de “higie- na prática como um banco de suspei-
nização da sociedade”, uma vez que há tos preferenciais que passarão a ter o
acesso a informações étnicas que po- estigma de possíveis culpados durante
dem ser utilizadas contra a pessoa. “Se anos, pelo menos aos olhos do Estado”.
você for remeter a questões históricas,
você teve um registro de todas as pes- Custódio aponta que uma das con-
soas e suas características, por exem- sequências dessa prática é o aprofun-
plo, na época que a Alemanha inva- damento da estigmatização do que ele
diu determinados países”, comentou. aponta como “cliente preferencial” do
sistema penal brasileiros: os jovens,
Um caso que ilustra esse risco de pobres e negros. [...] ]
limpeza aconteceu com a ocupação ale-
Fonte: Vice, apud Outra Saúde
FEVEReiro 2019 [ olutador]48