Igreja Hoje [ Ambiente e direitos humanos no Sínodo para a Amazônia
ANO XC / Nº 3916
SETEMBRO / 2019
olut dor.org.br
Crer na vidaR$9,90
[ Rastros de um homem de Deus [ Cristo vive e conta com os jovens
tvhorizonte.com.br tvhorizonteoficial (31) 3469-2549 App: Rede Catedral
SETEMBRO,
MÊS DE CELEBRAÇÃO
Quatro anos da proclamação de
Nossa Senhora da Piedade como
Padroeira das emissoras,
Rádio América e TV Horizonte.
Missão [ Mais um missionário para a Igreja Espaço do Leitor [ Escreva, envie seu e-mail, comente
ANO XC / Nº 3915 Aniversariantes
AGOSTO / 2019 do mês de setembro de 2019
olutador.org.br
O mês de setembro nos remete sempre à força da
A Fé busca Palavra de Deus na vida da gente e na vida de nossas
comunidades. Desejamos a vocês, aniversariantes
R$ 9,90 deste mês, que a Palavra de Deus seja a luz a ilumi-
nar a sua vida e a vida de toda a sua família. É tam-
entendimento bém mês da primavera, mês em que a natureza se
enfeita para aumentar a nossa alegria.
[ Quem ama caminha na luz [ Silêncio: um espaço interior
Segue o nosso abraço e nosso carinho a todos
Ó Trindade Santa, vós que sois a fonte os aniversariantes que são assinantes ou familia-
de toda santidade, nós vos louvamos res de assinantes de nossa Revista O LUTADOR. Deus
por vosso servo o Pe. Júlio Maria De Lombaerde, abençoe e ilumine a cada um de vocês. Lembramos
que, assemelhando-se ao Cristo Eucarístico, que, no dia 25 deste mês, será celebrada uma mis-
cuidou do vosso rebanho com amor, sa especial na intenção de nossos assinantes, tam-
zelo e doação. E, deixando-se guiar pelo bém lutadores, e de seus familiares, de modo espe-
Espírito Santo, assim como a Virgem Maria, cial para os doentes e acamados. O Celebrante do
testemunhou a ternura missionária da Igreja. dia 25/09/2019 será o Pe. João Lúcio Gomes Benfi-
Concedei-me, ó Trindade Santa, pela intercessão ca, SDN. Deus abençoe a todos os nossos assinan-
do Pe. Júlio Maria, a graça que vos suplico tes. (Caso seu nome não apareça na lista, entre em
[pedir a graça]. E, se for de Vossa santa vontade, contato com nosso setor de assinaturas: Fone 0800-
dai que Pe. Júlio Maria alcance a honra 940-2377. E-mail: [email protected] )]
dos altares, para Vossa glória Dia 1º - ENY DE SOUZA BERNARDINO / HILDA DA FONSECA SANTOS / JOSE CARLOS VILELA / YVONE STUTZ EMERICH.
e para o bem de tantas almas. Dia 02 - ANTENOR LEAL / DR. JORGE ELPIDIO DE SOUZA / FLORINDA BURKOVSKI ROSSONI / GILBERTO LOPES DE ALMEIDA
Por Cristo, Nosso Senhor Amém. / MARIA APARECIDA SILVA. Dia 03 - AFONSO LIGORIO PEREIRA / FLAVIO BRUCE E MARIA DA GLORIA / FRANCISCO RICARDO
DA SILVA / IRMA IVANEIDE CHAGAS ALBINO / JOAO CARLOS DE SOUZA / JOAO CEZAR LOURENCO MENDES / LUIZ MUCIDA /
MARIA ALVES PINHEIRO VIEIRA / ROSANGELA FONSECA ARAUJO / VERA LUCIA OLIVEIRA DE MORAES / VICENTINA PERIGOLO
ROCHA / VITA DE VASCONCELOS PEDROSO. / Dia 04 - ANGELA MARIA CANONICO PONTES DENARDI / DJALME RODRIGUES
DA SILVA / JOSE AUGUSTO CARRILHO EMERY - EMM / LUISA MARIA GARBAZZA ANDRADE / LUZIA VILELA FERNANDES / MARIA
AMELIA FERNANDES DA SILVA. Dia 05 - ADALID MEDINA / ARACI / FRANCISCO CARLOS TOFFOLI / GUSTAVO TOMASELLI /
JOAO FERREIRA DOS SANTOS / MARIA MARLENE MOREIRA RAMOS / NELCI TRINDADE FARIAS / PAULO CESAR DE ALMEIDA
/ THEREZINHA MARIA DE LELIS FERNANDES. / Dia 06 - EVANDRO ALVES GUEDES - EMM / JOSE VANDERLY BERGAMI.
Dia 07 - AUGUSTA NUNES / DOMICIO VIEIRA DE SOUZA / JOAO VIANEI MOURA LIMA / LUIS GONZAGA RODRIGUES / PADRE
PAULO HENRIQUE DA SILVA. Dia 08 - CELIO MARTINS DA SILVA / GERALDO GREGORIO DE OLIVEIRA / MARIA NATIVIDADE
ZACARIAS / MARIA NONATO DA SILVA. Dia 09 - DAVI LACERDA GARCIA / GILSON CRISTIANO TARDIVO / GLAUCIA MONTALVERNE
COIMBRA / SIMAO BOSCHECO. Dia 10 - JUARES MAGALHAES / FREI ROBERTO MAGALHAES / MARIA ANGELICA BRAGA DUTRA
/ MARIA JOSE DE SOUSA MOURA / MILTON MARINO FILHO. Dia 11 - ANGELO LUIS BALTAZAR / CREUZA MARIA DO COUTO
SILVA / FRANCISCO FABIO OLIVEIRA DOS SANTOS / MARIA DOS ANJOS GOMES PEREIRA. / Dia 12 - MARIA DE LOURDES
TEIXEIRA VIEGAS / MARIA ISABEL FRANCISCA LACERDA DO AMARAL SIMONA / MARIA LUIZA GOMES DELMORO / MARLENE
DOS SANTOS FORNAZIER / NATHERCIA MARIA G.SALGADO / PADRE GILBERTO PEREIRA SOUZA / VIRGINIA MARIA GANDRA.
Dia 13 - CESAR GONCALVES GUERRA / JOSE MARIA TEIXEIRA DE SIQUEIRA / LEANDRO MONTEIRO LIMA / MARILZA APARECIDA
DE ARAUJO / NEREU DO VALE PEREIRA / TEREZINHA GONCALVES SILVA. / Dia 14 – ADRIANO GIUSEPPE BRESCIANI / LAZARA
MARIA BONTEMPO / MARIA FERNANDES DE MIRANDA. / Dia 15 – AGUINALDO LUIZ GIURIATTO / ALAIR TAVARES / FERNANDA
CORDEIRO COELHO RODRIGUES / MARIA DE FATIMA ALVES CHAGAS / NADIR PERIN. Dia 16 – ALCINO MARCELINO DE SOUZA
AC/ CRESOL DE SIMONESIA / MARCELINO KOHLER / MARIA LUIZA CANAVESI SOTERO / REGINA HOLTZ ALVES. / RUTH PENA
BRANDÃO / VANIA SHIRLEY CRISCUOLO PARREIRAS. Dia 17 – DOM GORGONIO ALVES DA ENCARNACAO / FRANCISCA ADRIANA
LIMA DA SILVA / JOAO MARCOS POZZETTI / PADRE PEDRO DE SOUZA PINTO. / Dia 18 – ANTONIO CARLOS DA SILVA / ANTONIO
CELSO MORAES REGO ELIAS / LINDALVA APARECIDA DA SILVA / MARCIA MARIA SANDOVAL CERQUEIRA / MILTON SACCOL /
PAULO BIANCHI / SOPHIA NILMA BERTELLI. Dia 19 – DINAH LOBO / GUILHERME PERINI TEIXEIRA DOS SANTOS / JOSE RABELO
CAMPOS / LUCIA MARIA FURTADO G. PINTO / MARIA RITA DE AZEVEDO RAMOS / PADRE LUIZ EDUARDO CARDOSO DE SÁ.
Dia 20 – ANA MARIA BENTES BRUM / CARMELLIO MAONTUANO DE PAIVA / DORALICE VASCONCELOS NUNES / JAMIR SOBRINHO
DA SILVA / JANE GUERRA CABRAL GOMES / JOSE EDGARD BITENCOURT / STELA MAURO / TEREZINHA PARMA MACHADO.
Dia 21 - ANTONIO LUIZ BOSS / CARLOS ALBERTO REZENDE / CARLOS DANIEL DE SOUZA / CRISTINA DI GIAIMO CABOCLO
DE FREITAS / DNER PEREIRA DE JESUS / ILMO SR CARMO SERVINO DE AMORIM / JOSE ADELMO SOUTO GUEIROS / MARIA
APARECIDA MAGALHAES DOS SANTOS / MARIA DE LOURDES RODARTE TRIGUEIRO. Dia 22 – ALOISIO MAYWORM PEREIRA
/ JOSE CAMILO DE SOUZA NETO / MARIA JOSE SIZOTTI. Dia 23 - CLAUS LUCIANO BARROS LUZ / LUIS CARLOS NEVES
VELOSO / VICTOR ROBERTO DE CAMPOS BERGO. Dia 24 – ANA MARIA PIVETTA FOLDENAUER / CARLOS ALBERTO PEREIRA
/ ELIANE MARIA DE OLIVEIRA / GERALDO MAGELA MENDES / MARCONI DE QUEIROZ CAMPOS / ZENAIDE GOMES JANNUZZI.
Dia 25 - – ALINE GONCALVES MOTA BORGES DA SILVA / CLAUDIO FREITAS - EMM / EDUARDO PEREIRA / MAGALI AP. M .
DA CRUZ - EMM / MARILENE LINS DA SILVA / WALLACE FERREIRA E SILVA / WILSON HERCULANO LOURENCO DE FREITAS.
Dia 26 – ALCY MARCOS DA SILVA / EUGENIO ELISIO GUIMARAES MACHADO / LUIZ ANTONIO FERREIRA DA SILVA / MARIA
AUXILIADORA CARVALHO LAGE PIRES / MARVICIO ANTONIO DA SILVA / VANIO JOSE DA CRUZ- EMM. Dia 27 – GERALDO MAGELA
CORCINI PENA / LUCIA MARIA FONSECA RODRIGUES / PADRE ELAIR SALES DINIZ. Dia 28 – BETE ABELHA / JOSE LUIZ FARIA
/ MARIA FATIMA DE MELO CASSINI LABBATE / NILSON RUBENS DE MORAIS. Dia 29 – EDILEUSA E UBINALDO CANDIDO DE
SOUZA / ERICA RODRIGUES PEREIRA FARIA / COM. SÃO PAULO VARGEM ALEGRE / LUIZ DE GONZAGA PARREIRA / MANOEL
LUIZ BAPTISTA DE SOUZA / PEDRO ROSA DA SILVA. Dia 30 – BENEDITO DE ALMEIDA / EMILIA DE CASTRO MACHADO / IBRAHIM
ANTONIO BITTAR JUNIOR / MARIA CANDIDA GUIMARAES AGUIAR / RONALDO BERNARDES ANDRADE / VURNI NUNES BRAGA.
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Aleluia! Voltou para a casa do Pai!
AÍDA YOLANDA VAZ DA SILVA*
ONTEM, dia do Sacerdote, no - Estava escutando esta con- Mas... Ele estava fazendo uma
café da manhã, lá no céu, versa. Falam do meu filho e ami- outra arrumação. Preparava o seu
estavam sentados à beira go querido. coração, como sempre, para ir a es-
de um fogão a lenha a Vir- se encontro inesquecível.
gem Maria e Jesus. São Pedro, pra Com emoção, ele se dirigiu a Je-
lá e pra cá, procurando uma cha- sus que estava lá, distraído num can- Logo a porta se abriu. Toda a corte
ve perdida. São João Maria Vian- to. (Bem... conhecendo Jesus, acho celeste viu aquele “gigante” com um
ney estava encostado com o pé na que meditava...) Jesus saiu do seu largo sorriso, brilho no olhar e uma
parede e preocupado. Maria, ven- silêncio, quando o Pe. Júlio come- partitura debaixo do braço, atraves-
do aquele olhar preocupado, per- çou a falar: sando a porta de céu. Com certeza,
guntou: uma música para a Virgem Maria...
- Jesus, você conhece mais do
- Meu filho, por que está tão preo- que eu o Pe. Demerval. Homem de E foi assim. Deus, Jesus, a Vir-
cupado? um coração grandioso! Intelectual gem Maria e toda a Corte Celeste fo-
e ao mesmo tempo simples, tinha ram recebê-lo. E o Espírito Santo fa-
- Mãe querida, as coisas lá na um senso de humor particular que zendo festa naquele espaço.
terra estão muito difíceis. Olhe os se revelava a quem era próximo. De-
seus filhos sacerdotes! Quanto sofri- dicado a cuidar das “coisas de nos- Deus, olhando nos olhos dele e
mento humano! Já não estou dan- so Pai”. Um filho que muuuito fez emocionado, disse:
do conta. Preciso de mais um inter- pelas vocações sacerdotais. E quan-
cessor para me ajudar. Tem um fi- tas vezes encheu o coração das pes- - Querido filho, que saudades!
lho seu muito especial precisando soas com sua Paternidade Espiritual! Seja bem-vindo! E o acolheu num
vir para cá. abraço emocionado.
(Neste momento, um vento sua-
Maria perguntou: ve...) O Espírito Santo encheu aquele A Virgem Maria disse:
- Quem é? ambiente de Luz. E todos assistiram - Filho querido, missão cumprida!
- O Pe. Demerval, Missionário num minuto a vida toda deste ho- O Pe. Júlio Maria não perdeu
Sacramentino. Aquele lá, do Pe. Jú- mem tão especial. Muita emoção!!! tempo:
lio Maria... São João Maria Vianney se aproxi- - Demerval, mas você demorou!
Ao falar “Sacramentino”, entrou mou da Virgem Maria e disse: Nós temos muito que fazer pela Fa-
o Pe. Júlio Maria e disse: mília Julimariana!
- Mãe, precisamos do Pe. Demer- E São João Maria Vianney, na
val aqui para nos ajudar a interce- sua simplicidade, disse:
der pelos Sacerdotes que andam hu- - Agora eu aprendo Latim! Lógi-
manamente tão sofridos. co, depois de muita reza (rsrsrs...).
Pe. Demerval deu uma risada, ti-
A Virgem Maria não pensou duas rou a partitura de debaixo do braço,
vezes. Juntou seu avental e pendu- foi direto ao piano e disse a todos:
rou no prego atrás da porta, dizendo: - Hoje meu coração está em fes-
ta! Voltei para a Casa de Meu Pai!
- Vamos todos falar com nos- Jesus sentou-se no banquinho
so Pai. ao lado do piano e disse:
- Demerval, vou fazer a segun-
Ela ia à frente, ajeitando os cabe- da voz. Toque!
los, com o Pe. Júlio Maria que, insis- E a música que Ele tocou, só vo-
tentemente, passava a mão na lon- cê, que lê esta crônica, sabe qual foi.
ga barba. Encontraram Deus pen- Porque o Pe. Demerval tinha um dom
sativo e radiante. Ela nem precisou particular de chegar ao coração hu-
completar a frase. mano com uma presença bem parti-
cular. E ali, na intimidade, permitia
- Senhor...??? que a gente ficasse bem à vontade.
Ele logo disse: E assim... Lá no céu, tava uma
- Virgem Mãe, Virgem filha. Ele festa que dava gosto...]
está quase chegando. Está termi-
nando de se ajeitar. * Leiga consagrada da Diocese de Diamantina
Um riso simpático no canto da boca
de Deus. Demerval sempre impecá-
vel. Claro, conhecendo Pe. Demerval,
não chegaria desarrumado (rsrsrs...).
[ Expediente [ Editorial
O LUTADOR é uma publicação mensal Crer na vida
do Instituto dos Missionários
Sacramentinos de Nossa Senhora AFÉ NA RESSURREIÇÃO e nossa participação na ressurreição de Jesus, em-
bora presentes no imaginário cristão, na compreensão de muitos ainda
olutador parecem bastantes superficiais. Talvez uma breve explicitação destes
ISSN 97719-83-42920-0 elementos nos ajude a lidar melhor com o destino último de todos nós.
A fé diz respeito ao que cremos, ao que nos leva a um salto de
Fundador confiança para além de nós mesmos. Neste sentido, a palavra “crer”
Pe. Júlio Maria De Lombaerde indica não apenas a adesão intelectual a uma verdade ou a uma ideia.
Crer vem de credere (cor + dare) que indica dar o coração. Crer em Deus
Superior Geral é dar o coração a Deus, é confiar sem reservas. Por isso crer na ressur-
Pe. José Raimundo da Costa, sdn reição não é apenas saber que há vida após a morte, não é apenas acei-
tar que estamos no mundo de passagem, o que já seria muito... O ato
Diretor-Editor de crer diz respeito a um movimento que vai para além da razão, que
Ir. Denilson Mariano da Silva, sdn envolve todo o nosso ser. A maioria dos dramas ligados à perda de en-
tes queridos, sobretudo os que já partiram na velhice, vem da dificul-
Jornalista Responsável dade de crer na ressurreição. Por isso, quanto mais crescer nossa fé na
Pe. Sebastião Sant’Ana, sdn (MG086063P) ressurreição, maior será nossa capacidade de lidar com o desfecho da
travessia humana no mundo.
Redatores e Noticiaristas Somos participantes da ressurreição de Jesus. Para bem enten-
Pe. Marcos A. Alencar Duarte, sdn dermos, precisamos contemplar mais, e de forma mais profunda, os
Pe. Sebastião Sant’Ana, sdn relatos da ressurreição do Senhor. Ele ressuscita de forma plena. Assim,
Frt. Matheus R. Garbazza, sdn ao mesmo tempo que entra nos lugares fechados, permite que seja vis-
Frei Patrício Sciadini, ocd, Frei Vanildo Zugno, to, escuta e fala com os discípulos, se deixa tocar, caminha e come com
Dom Paulo M. Peixoto, Antônio Carlos Santini eles... A ressurreição de Jesus nos revela algo da vida nova depois da
e Dom Edson Oriolo morte. Revela a vitória sobre a dor, sobre a injustiça, a violência e o mal.
Em tudo isso somos vencedores, pela ressurreição de Jesus que
Colaboradores nos abriu a vida eterna. Quanto mais nos aproximamos deste mistério
Vários da ressurreição do Senhor, mais fortalecemos em nós a fé na nossa res-
surreição. Mas não basta crer com a mente, com o intelecto, é preciso
Redação crer com todo o nosso ser, com o coração. Quem crê na vida e se empe-
[email protected] nha na defesa da vida, está no caminho da vida eterna junto de Deus.
Pe. Demerval Alves Botelho foi um apaixonado pela vida. Ele a
Correspondência viveu no serviço e na doação ao Reino, consagrou-se à vida religiosa e
Comentários sobre o conteúdo de olutador, serviu à Igreja por meio de seu ministério sacerdotal e seu zelo pelas
sugestões e críticas: [email protected] vocações. Ele participa agora das alegrias eternas, participa da ressur-
Cartas: Praça Padre Júlio Maria, 01 / Planalto reição do Senhor. Uma vida dedicada aos outros, uma vida ofertada no
CEP 31730-748 / Belo Horizonte, MG / Brasil dia a dia a serviço do Evangelho.
Jesus, depois de ressuscitado, se fez presente junto aos discípu-
Assinaturas e Expedição los. Neste sentido, podemos dizer que Pe. Demerval está mais presen-
Maurilson Teixeira de Oliveira te que antes. Isso se cremos de fato na nossa participação na vitória de
Jesus. Pe. Dedé, como carinhosamente o chamamos, repetia sempre:
Assinaturas “Vocação acertada, futuro feliz!” Cremos que ele acertou em sua voca-
R$ 80,00 / Brasil - www.olutador.org.br ção. Viveu feliz, fez outros felizes e agora participa da felicidade sem
[email protected] fim. Agora intercede a Deus por todos nós.
0800-940-2377 - De 2ª a 6ª das 7 às 19 horas Setembro é mês da Bíblia e estamos às vésperas do Sínodo da
Amazônia. Que o estudo e aprofundamento da 1ª Carta de João nos leve
Outros países a distinguir bem os filhos da luz dos filhos das trevas. Os filhos da luz,
R$ 80,00 + Porte na fidelidade a Jesus e seu Evangelho, buscam fazer a Igreja avançar
para responder aos desafios de nosso tempo. Os filhos das trevas con-
Edições anteriores fundem o povo e criam situações embaraçosas que impedem a Igreja
Tel.: 0800-940-2377 de se converter à prática de Jesus. João nos revela que as atitudes que
brotam do amor verdadeiro, sincero e desinteressado, dão testemunho
Site da luz. As ações dos filhos das trevas vêm carregadas de ódio, de postu-
revista.olutador.org.br ras violentas e agressivas...
facebook.com/revistaolutador E isso é pra começo de conversa.]
Projeto gráfico e diagramação [DENILSON MARIANO
Valdinei do Carmo / Orgânica Editorial
Revisão
Antônio Carlos Santini
Impressão e Acabamento
Gráfica e Editora O Lutador, Certificada – FSC®
Praça, Pe. Júlio Maria, 01 / Planalto
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|S U M Á R I O OLUTADOR • REVISTA MENSAL • ANO XC • Nº 3916 • SETEMBRO • 2019 •
8Ambiente
e direitos
humanos
no Sínodo
para a
Amazônia
6Rastros 14 Viver no amor de Cristo
de um 16 Deus, autor da vida
homem 18 Algumas “dicas” para o uso
de Deus
da Bíblia na catequese
10Impressões 22 EMM a serviço da Igreja
e cenários 23 Peregrinação à Casa-Mãe
da 25ª
Assembleia das Irmãs Sacramentinas
Geral 24 Amor e misericórdia
da CRB 25 A santificação do tempo
26 Para celebrar a vida
12 20O verdadeiro Cristo 27 Uma nova década
poder vive e 28 Crônica/Maria
é o serviço conta com 30 Deixamos tudo
os jovens
para te seguir
31 Roteiros Pastorais
43 ADCE Brasil e Minas Gerais
promoveram palestra
internacional
44 Cesarianas: a epidemia
que afeta os bebês
46 O laicato e o ministério
da profecia
47 No Pará,
Juventude Missionária
sai em missão
48 J A PÃ O, 30 MIL S UICÍDIO S P OR A NO
Capa [ “NÃO ME IMPORTA QUE VOCÊS SEJAM MEUS
PE. AURELIANO DE MOURA LIMA, SDN*
Rastros de
um homem de Deus
vocês sejam meus amigos. Quero
No último dia 5 de agosto, nosso queri- servador, respeitoso, alegre, firme, que vocês sejam bons sacramenti-
decidido, autônomo. Um homem nos”. Quando notava o grupo meio
do Pe. Demerval Alves Botelho terminou de oração fervorosa e profunda. cansado, colocava todo mundo nu-
Eucarístico-mariano. Por meio ma kombi e dava uma volta, oxi-
sua peregrinação na terra. Deixou mar- dele vim para a Congregação. Foi genava o grupo. E pronto: refeitos
meu Mestre no tempo de novicia- para continuar. Era mais ou me-
cas em muitos corações. Sua vida foi do. Sempre atento aos formandos. nos assim sua vida de formador.
Firme, exigente, coerente. Queria Eterno formador.
uma bênção. Deus seja louvado e ben- formar missionários para a vida.
Dizia-nos: “Não me importa que Foi sempre elo de unidade no
dito pela sua vida marcante entre nós. grupo congregacional. Todos o res-
peitavam e admiravam. Ainda que
Um perde-ganha não concordassem com ele. Ele se
“Hoje é um dia de perda, sem dúvi- impunha pelo modo de viver e de
da. Perdemos um grande homem tratar com cada um. Não falava
a quem Deus deu uma vida longa, mal dos irmãos. Nem gostava de
esplêndida, maravilhosa. Do ponto ouvir lamúrias ofensivas e difa-
de vista humano, a gente diz que foi matórias. Tinha um princípio pa-
uma grande perda. Mas do ponto de ra lidar com os irmãos: “Amo a to-
vista da fé, eu diria que foi um gran- dos os meus irmãos sacramenti-
de ganho. Ganho por quê? Porque a nos. Respeito cada um. Embora não
vida é um dom de Deus. E essa vida admire a todos”.
do Pe. Demerval, cheia de dons, foi
uma vida de 95 anos. Seríamos ex- Conheci a mãezinha dele. Foi
tremamente pessimistas dizermos minha professora de datilogra-
que foi uma perda para a Igreja. Eu fia (sic). Gostava de contar his-
olho do outro lado. Diria: do lado de tórias de sua vida e família. Mu-
Deus. Foi uma grande graça. Um ga-
nho. Um grande dom de Deus pa-
ra nossa Diocese e para a Congre-
gação dos Missionários Sacramen-
tinos, essa vida doada, entregue.
Uma vida toda percorrida com do-
tes extraordinários, com a ternura
do Pe. Demerval, com sua capacida-
de intelectual, com sua humildade
profunda. A história que ele deixou
como legado é um grande ganho”.
Essas palavras de Dom Emanuel
Messias de Oliveira, Bispo de Cara-
tinga, MG, refletem bem o que foi
para a Congregação e para a Igreja
a vida do Pe. Demerval: um dom,
um ganho, um legado de alegria.
Um dom para a Congregação
Tive contato com ele desde 1982. Um
homem sempre extraordinário. Ob-
[6 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019
AMIGOS. QUERO QUE VOCÊS SEJAM BONS SACRAMENTINOS”...
lher de uma piedade extraordiná- deixou-se tomar por Deus, partiu se fez com ele, no leito do hospi-
ria. Sua vida era oração e traba- para a missão, doando sua vida. E tal, ele dizia: “Estou aqui nessa si-
lho. Conheci (e conheço) também aqueles que ele marcou continua- tuação, servindo a Deus de uma
suas irmãs. Uma delas, a primo- ram, por sua vez, influenciando, maneira diferente. Não estou tris-
gênita, Dona Dagmar, que conheci marcando, ajudando as pessoas a te nem aborrecido, nem contra-
de perto, no alto de seus 97 anos, viverem uma vida em Deus. riado, nem depressivo. Quando a
continua aquela mulher de Deus, tristeza ameaça chegar perto de
orante, comprometida. Uma fa- Uma alegria esfuziante mim, eu digo: ‘Tristeza, por favor
mília marcada pelo Servo de Deus “Onde estão os religiosos, existe vá embora. Me deixe em paz’”. Foi
Pe. Júlio Maria. alegria.” Estas palavras do Papa assim que ele viveu. Assim tam-
Francisco trazem-me à lembran- bém ele morreu: confiante, alegre
A vida do Pe. Demerval foi uma ça a figura do Pe. Demerval. Por e em paz.]
demonstração do que acontece com onde passava, espargia alegria.
a pessoa que se deixa tomar por Mesmo em meio às dores da alma, * Missionário Sacramentino
Deus: marca significativamente ele conseguia contar uma piadi- de Nossa Senhora, responsável
a vida dos outros; torna-se uma nha inocente, fazer “uma tiradi- pela Pastoral Vocacional no Regional
bênção (cf. Gn 12,3). Pe. Júlio Maria, nha” com alguém, gerar alegria Nordeste e pela Formação
homem no qual Pe. Demerval “viu ao seu redor. No último vídeo que na Casa “Pe. Júlio Maria”,
Deus” – como costumava dizer –, Maracanaú, CE.
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]7
Igreja Hoje [ Segundo a doutrina social da Igreja, à
CARDEAL PEDRO RICARDO B. JIMENO*
IRIGINDO-SE aos povos in- Ambiente e
dígenas amazônicos, o
Papa Francisco disse: “A direitos humanos
Igreja não está alheia
aos vossos problemas no Sínodo para
e vossa vida, não quer a Amazônia
ser estranha ao vosso
modo de viver e de or- Proteger a identidade
dos povos indígenas e o ecossistema
Dganizar-vos. Temos ne-
cessidade de que os po- de seu território é um desafio
vos originários plasmem cultural- de justiça e esperança para a Igreja
mente as Igrejas amazônicas”.
O Sínodo para a Amazônia e,
mais amplamente, a missão da Igre-
ja neste território são de fato a ex-
pressão de um significativo acom-
panhamento do cotidiano dos po-
vos e comunidades que ali habitam.
A presença da Igreja não pode de
modo algum ser considerada uma
ameaça à estabilidade ou à sobera-
nia de cada país. Ao contrário, ela
é na realidade um prisma que per-
mite identificar os pontos fracos da
resposta dos Estados e da sociedade
como tais, diante de situações ur-
gentes em relação às quais, inde-
pendentemente da Igreja, existem
dívidas concretas e históricas que
não podem ser esquecidas.
Por outro lado, a oportunida-
de de velar pela identidade desses
povos e sua capacidade de proteger
tais ecossistemas, segundo seu es-
pecífico modo cultural e sua visão
do mundo, pode permitir às nossas
sociedades não amazônicas criar
condições adequadas para apreciá
-los, respeitá-los e aprender com
eles. Nós esperamos que, a partir
destas premissas, alguns governos
possam superar posições de sus-
peita e ouvir com maior atenção as
vozes frágeis e os apelos urgentes
que vêm do território, das quais a
Igreja quer fazer-se companheira
de caminho e porta-voz samarita-
no e profético, tal como se afirma
na parte III do Instrumentum La-
boris do Sínodo.
Um território ameaçado culturas, com luzes e sombras. Se- se move o povo mais pobre. Nes-
No contexto da Amazônia, a Igreja, guindo o mandamento evangélico, ta realidade se percebe a vitalida-
desde o início, foi ao encontro das ela acompanha o ritmo com que de missionária da Igreja na Ama-
[8 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019
missão de todo cristão se associa um empenho profético pela justiça...
zônia. Esta porção do planeta é o mente desse modo, graças à rede, convenções internacionais sobre
bioma em que se manifesta a vida o testemunho cristão pode atingir direitos humanos e sobre os ins-
em sua extraordinária diversida- as periferias existenciais huma- trumentos associados aos direitos
de enquanto dom de Deus para to- nas, permitindo que o fermento dos povos indígenas e à proteção
dos aqueles que a habitam e para cristão fecunde e faça progredir do ambiente. Portanto, estamos
toda a humanidade. as culturas vivas da Amazônia e certos de que eles se empenharão
os seus valores”. em observá-los. A Igreja deseja ser
Todavia, esse é um território ponte e colaboradora para atingir
sempre mais devastado e amea- A experiência pastoral de dé- tal objetivo voltado ao bem de cada
çado. Segundo a doutrina social da cadas e dos anos recentes (como a um dos países representados nes-
Igreja, à missão de todo cristão se Repam) nos faz compreender tam- te território, isto é, à vida digna e
associa um empenho profético pe- bém que entre os responsáveis es- plena dos povos que ali habitam e
la justiça, pela paz, pela dignida- tão incluídos não só aqueles Es- ao cuidado desse ecossistema es-
de de cada ser humano, sem dis- tados onde se desenvolveram in- sencial para o presente e o futuro
tinção, dirigido à integridade da dustrias extrativas, mas também do planeta. [...]
Criação, em resposta a um mode- algumas empresas estrangeiras
lo de sociedade predominante que e seus Estados de origem, ou se- Testemunhas da esperança
produz exclusão, desigualdade, e ja, aqueles que apoiam ou favo- Quanto a nós, membros da Igre-
provoca o que o Papa Francisco de- ja Católica na Amazônia, quere-
finiu como autêntica “cultura do “Não podemos viver mos ser testemunhas vivas de es-
descarte” e uma “globalização da sozinhos, fechados perança e de cooperação, e conti-
indiferença”. em nós mesmos. nuar a prestar um serviço evange-
[...] Somente desse lizador que mergulhe as raízes no
Além de ser “fonte de vida no modo, graças à solo fértil onde vivem nossos po-
coração da Igreja” e um dos terri- rede, o testemunho vos amazônicos e suas culturas.
tórios com a maior biodiversidade cristão pode atingir as Neste sentido, o Sínodo, enquan-
no mundo, este bioma é também o periferias existenciais to evento eclesial, pode ser um si-
lugar em que vivem há séculos mui- humanas, permitindo nal importante da resposta eficaz
tas culturas, as quais atualmente que o fermento para a promoção da justiça e para
veem sob risco a própria existência cristão fecunde e faça a defesa da dignidade das pessoas
e identidade, por causa do mode- progredir as culturas mais atingidas. Em geral, acredi-
lo fortemente neoextrativista que vivas da Amazônia tamos que todos – sociedade, go-
hoje ali se impõe. Dispondo de to- e os seus valores”. vernos e Igreja – podemos prestar
dos os meios oportunos, da legi- atenção a essas vozes para assu-
timidade em nível local, regional recem os investimentos extrati- mirmos de modo mais consistente
e internacional, de sua perspecti- vos, públicos ou privados, fora de as nossas respectivas responsabi-
va histórica e em projeção futura, suas fronteiras nacionais, apro- lidades, diferenciadas e potencial-
a Igreja pode colaborar com todas veitando as riquezas da terra ao mente complementares.
as instituições governativas, com custo de impactos devastadores
as organizações da sociedade civil do ambiente amazônico e de seus Queremos tornar nosso o enor-
e, especialmente, com os próprios habitantes. me desafio que nos propõe o Papa
povos, na certeza de que a promo- Francisco quando afirma: “Creio que
ção, a defesa e as exigências dos di- A maior parte dos Estados deste o problema essencial esteja em con-
reitos humanos sejam do genuíno território subscreveu as principais ciliar o direito ao desenvolvimento,
interesse de todos. inclusive o social e o cultural, com a
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]9 tutela das características próprias
Não podemos viver sozinhos dos indígenas e de seus territórios.
Em tal contexto, em setembro de Neste sentido, deveria sempre pre-
2014, foi criada a Rede eclesial pan valecer o direito ao consenso prévio
-amazônica, que recebeu a apro- e informado, como prevê o artigo
vação da Santa Sé com uma carta 32 da Declaração sobre os direitos
do Papa Francisco, enviada atra- dos povos indígenas”.]
vés do Cardeal Pietro Parolin, Se-
cretário de Estado. Nesta, afirma- *Cardeal Arcebispo de Huancayo, Peru
se: “Não podemos viver sozinhos,
fechados em nós mesmos. [...] So- Fonte: “Civiltà Cattolica”, apud Avvenire
PE. MUNDINHO, SDN* Igreja Hoje [ A IGREJA “EM SAÍDA” É A MOTIVAÇÃO,
Impressões
e cenários da
25ª Assembleia
Geral da CRB
A SEMANA de 10 a 14 de julho, membros a continuarem sua mis- prestação deste serviço. Em uma
são de serviço ao povo de Deus, an- das celebrações na Assembleia, foi
Nenquanto os deputados vo- tenados com a realidade do país, feito o envio de missionárias pa-
tavam, na Câmara Federal, usando de todos os meios possí- ra Moçambique, na África, e para
a Reforma da Previdência, veis para demarcar os direitos e o Timor-Leste, na Ásia.
aprovando a proposta go- dignidade humana em todos os
vernamental com sérios e ambientes. Conjuntura da crise
desastrosos efeitos para o cidadão Movidos pela missão, conscientes
brasileiro, mais de quatro cente- Ruptura profética de que Deus quer realizar a liber-
nas de religiosas e religiosos rea- A Vida Religiosa Consagrada no Bra-
lizavam sua 25ª Assembleia Geral sil, segundo Ir. Maria Inês Vieira Ri-
Eletiva, com a confirmação de seu beiro, mad, reeleita ao cargo, deve
compromisso de luta pelos brasilei- ser marcada pela atitude de cora-
ros, sobretudo os mais pobres, nas josa ruptura profética. É necessá-
várias atividades pastorais e de ser- rio assumir a missão consciente
viços, em todos os cantos do país. dos desafios de uma realidade que
nem sempre privilegia os mais po-
Dois cenários! Dois grupos que bres. A Igreja “em saída” é a moti-
se identificam a favor do povo! O vação, segundo os moldes do Pa-
primeiro, cercado de grande dema- pa Francisco, para a atuação tam-
gogia, mas comprovadamente des- bém junto àqueles e àquelas que
conhece o bem comum. Movidos mais necessitam e que, muitas ve-
por interesses outros, na contra- zes, estão fora do círculo eclesial.
mão dos direitos adquiridos, mo- Eles e elas são também e sobretu-
vidos pelo jogo político, não se en- do a razão da dedicação missioná-
vergonham de votar contra o po- ria que leva homens e mulheres
vo. O segundo grupo, de consagra- às várias realidades carentes no
das e consagrados, em ricos e emo- Brasil e fora. A CRB mantém fren-
cionadas testemunhos, demons- tes missionárias (comunidades in-
tram o compromisso com o povo, tercongregacionais) no continente
sobretudo os pobres, sendo muita africano, em Moçambique (Pem-
vezes a voz dos que não têm vez na ba), e na América Latina, no Hai-
sociedade. ti. Além de assumir áreas missio-
nárias sob sua responsabilidade,
Depois de um processo demo- a Conferência estimula e anima
crático, sem lobbys e jogadas, as iniciativas das congregações na
consagradas e consagrados elege-
ram a diretoria de uma instituição [10 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019
que tem por objetivo animar seus
SEGUNDO OS MOLDES DO PAPA FRANCISCO...
tação do seu povo, iniciou-se a As- possui imensas riquezas e poten- concentrador de renda e riqueza,
sembleia ouvindo a abordagem da cialidades e cerca de R$ 4 trilhões que sustenta uma política mone-
Conjuntura Sócio-Político-Econô- líquidos?! tária suicida com um modelo tri-
mica, apresentada pela Dra. Maria butário regressivo e um modelo ex-
Lúcia Fattorelli, da Auditoria Cida- A dívida pública trativista irresponsável para com
dã da Dívida Pública. Ela discorreu O que fez a dívida pública explodir as pessoas e o ambiente.
sobre a Conjuntura da Crise. Afir- não foram os investimentos e gas-
mou que a “crise” tem servido de tos sociais, pois o país produziu um Horizonte e prioridades
justificativa para a PEC 95, reforma imenso superávit primário! A dí- Com esta e outras exposições, com
trabalhista, reforma da Previdên- vida pública tem sido gerada por testemunhos marcantes, celebra-
cia, privatizações, independência mecanismos de política monetá- ções inspiradas, os 400 Superiores
do Banco Central, esquema de “se- ria do Banco Central, responsável e Superioras das Congregações Re-
curitização de créditos públicos” etc. por déficit nominal brutal. ligiosas traçaram o horizonte e ele-
geram as prioridades para o triê-
Na sua análise, a crise foi “fa- Ao final se pergunta: qual é a nio 2019-2022.
bricada”, pois a crise em um país saída? Primeiro, o conhecimento
geralmente é gerada pela quebra da realidade da política monetária, O Horizonte
dos bancos, ou por doença na po- do modelo tributário, do sistema da Nós, consagradas e consagrados
em missão, movidos por uma mís-
tica profético-sapiencial e articu-
lados institucionalmente, procu-
ramos estar presentes onde a vida
está ameaçada, responder aos de-
safios de cada tempo, tecendo rela-
ções humanizadoras e intercultu-
rais, ouvindo o clamor dos pobres e
da terra, para que o vinho novo do
Reino anime a festa da vida.
As 4 Prioridades
1Cultivar a mística profético-sa-
piencial;
2Ouvir o clamor dos pobres e da
terra;
3Fomentar a intercongregaciona-
lidade, a interculturalidade e a
partilha dos carismas com leigas/
os, promover relações humaniza-
doras e atenção diferenciada a ca-
da geração na VRC;
pulação, ou pela quebra de safra, dívida. Segundo, promover a mobi- 4Promover relações humaniza-
ou pela guerra. Não tivemos aqui lização social consciente com ações doras e atenção diferenciada a
NENHUM dos fatores que produ- concretas: rejeição da Pec 6/2019, re- cada geração na VRC.
zem crise. O que explica a falên- vogação da Pec 95/2019, reforma da
cia de inúmeras empresas de to- política monetária praticada pelo Além do Horizonte e das Priori-
dos os ramos, o desemprego recor- Banco Central, reforma tributária dades, foram propostas linhas de
de, a queda de 7% do PIB em ape- justa e solidária. Em uma palavra, ação para cada Prioridade.]
nas 2 anos, uma vez que o Brasil é repúdio ao esquema vigente, onde
a 9ª maior economia do mundo, se perpetua um modelo econômico * Superior Geral da Congregação
dos Missionários Sacramentinos
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]11 de Nossa Senhora
PE. RODRIGO FERREIRA DA COSTA, SDN*
OQUE É O PODER? Conforme a O verdadeiro
Enciclopédia Luso-Brasi- poder é o serviço
leira de Filosofia, o discur-
so sobre o poder desdobra- “eu comigo mesmo”, mas o diálogo nas um homem; o poder vem a ser
se por várias disciplinas, com os outros, com os quais devo misteriosamente, por assim dizer,
dado que o poder se apre- chegar a um acordo. A sua natu- quando quer que homens ajam ‘em
senta como potência de reza é dialógica, por isso ela surge concerto’, e desaparece, não menos
realizar uma possibilidade, inde- não no homem, mas entre os ho- misteriosamente, quando quer que
pendente do tipo de seres e situa- mens. Desta forma, a liberdade e o homem esteja só. A tirania, basea-
ções em que ocorre. Ao seu campo a espontaneidade dos diferentes da na impotência de todos os ho-
semântico pertencem termos co- homens são pressupostos neces- mens que estão sozinhos, é a ten-
mo autoridade, força, capacidade, sários para o surgimento de um tativa da hybris de ser como Deus,
domínio... espaço entre homens, onde só en- investido de poder individualmen-
Na tradição ocidental, desde tão se torna possível a política. Po- te, em completa solidão”.
Platão até os pensadores moder- liticamente não existimos no sin-
nos, a política foi pensada na for- gular, mas coexistimos no plural. Observa-se que, na modernida-
ma “governante-governado” e o po- Assim, o isolamento destrói a ca- de, houve a inversão dos valores
der foi visto como mando e obediên- pacidade política do homem, pois que deu à economia a prioridade
cia, guiando-se sempre pela ques- elimina sua faculdade de agir con- sobre a política. Desta forma, a po-
tão “quem manda em quem.” Pa- juntamente. lítica, que na democracia atenien-
rece que existe um consenso entre se ocupava o espaço público, é ex-
os teóricos políticos, da esquerda à Na polis grega, berço da demo- pulsa cada vez mais deste em fun-
direita, no sentido de que a violên- cracia, a praça pública é o lugar por ção do crescimento do mercado e
cia é tão-somente a mais flagrante excelência de fazer política, ou seja, do interesse das pessoas em cui-
manifestação do poder. Neste senti- é o espaço público que permite, pe- dar da vida privada. O espaço pú-
do, os totalitarismos nas suas mais la liberdade e pela comunicação, o blico foi invadido pela produção e
variadas formas seriam a evidên- agir conjunto e, com ele, a geração pelo consumo, e o trabalho, como
cia máxima da busca de domina- do poder. Como afirma H. Arendt, fonte produtora de riquezas, passa
ção total do homem pelo homem. “o poder em seu sentido verdadeiro a ser visto como a própria essência
Neste breve diálogo, queremos nunca pode ser possuído por ape- do homem.
propor uma reflexão acerca do poder
que não se identifica com o mando [12 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019
e a violência, isto é, uma concep-
ção de poder que não se encontra
enraizado na fórmula tradicional
“governante-governado”. O poder
como fruto da ação conjunta dos
homens e mulheres, que nasce da
experiência da pluralidade huma-
na, que é a condição básica da ação e
do discurso, logo, da política. Pois a
verdadeira “autoridade exclui a uti-
lização de meios externos de coer-
ção; onde a força é usada, a autori-
dade em si mesma fracassou”. (H.
Arendt) Como nos ensina o Mes-
tre de Nazaré, o verdadeiro poder
é o serviço.
O poder como capacidade
de agir em conjunto
O campo da política é o do pensa-
mento plural, é o pensar no lugar
e na posição do outro. Não mais o
Religião [ O poder só é legítimo se estiver em função dos outros...
Com isso, a política perdeu o sor ensina na sala de aula... Es- O verdadeiro poder é o serviço
seu ideal de liberdade e de realiza- se governo dá sinais de que está O fascínio pelo poder-dominação
ção de uma sociedade justa e pas- perdendo o poder que emana do parece estar no coração dos homens
sou ser um conjunto de procedi- povo, e vai-se tornando violento e mulheres. No pecado de Adão e
mentos pragmáticos para chegar e autoritário. Eva, no paraíso, já estava por trás
ao poder e o manter. Em nome da o desejo de grandeza e poder (cf. Gn
segurança e da manutenção da or- Um governo que visa a abo- 3, 1-7). Entre os discípulos de Jesus
dem, restringe-se a liberdade, re- lir a liberdade e eliminar todo ti- também reinava a tentação de sa-
prime-se a espontaneidade huma- po de criatividade e espontanei- ber quem era o maior, ou seja, quem
na e cresce a corrupção do poder dade humanas está baseado na mandava mais, quem tinha mais
pela violência. violência, no terror, e não no po- poder. Jesus, porém, mostra que o
der. É que o poder é um fenômeno verdadeiro poder não consiste em
A corrupção plural – coletivo – distinto, pela “mandar”, dominar, mas em ser-
do poder pela violência sua natureza, da força, do vigor vir. “Jesus, então, os chamou e dis-
Em nossos dias, assistimos a uma e da violência. Por isso “poder e se: ‘Sabeis que os que são conside-
nova onda de governos “autoritá- violência são opostos; onde um rados chefes das nações, as domi-
rios” que acreditam mais na força domina absolutamente, o outro nam, e os seus grandes impõem
das armas do que no poder da pa- está ausente. A violência apare- sua autoridade. Entre vós não seja
lavra, da ação conjunta. No Brasil, assim. Quem quiser ser o maior, no
por exemplo, em poucos meses de Neste breve diálogo, meio de vós, seja aquele que serve,
governo, já podemos perceber os ru- queremos propor uma e quem quiser ser o primeiro, no
mos não democráticos de um go- reflexão acerca do poder meio de vós, seja o servo de todos”.
verno que tenta governar pela “ca- que não se identifica (Mc 10,42-44.)
neta”. Mas um governo que fecha os com o mando e a violência,
ouvidos à voz do povo e quer exer- isto é, uma concepção Observa-se que o ensinamento
cer o poder de governar só por de- de Jesus acerca do poder tem mui-
creto, já não pode mais ser consi- de poder que não se to a dizer para a maneira de gover-
derado democrático. encontra enraizado nar, não somente dentro da Igreja,
na fórmula tradicional mas também no exercício do poder
Parece que tem crescido entre “governante-governado”. político, pois quando o poder dei-
nós a ideia de que a participação xa de ser serviço, ele se torna man-
democrática do povo se restringe ce quando o poder está em risco, do, violência, opressão. Neste con-
ao voto; terminada as eleições, os mas, deixada no seu curso, ela texto, “alimenta-se a vanglória de
eleitos que representam o povo já conduz à desaparição do poder”. quantos se contentam com ter al-
não devem mais nenhuma obri- (H. Arendt) gum poder e preferem ser generais
gação à população, pois receberam de exércitos derrotados, antes que
uma espécie de contrato em bran- Percebe-se que a realidade po- simples soldados de um batalhão
co para fazer o que quiserem e, da lítica contemporânea tende a mo- que continua a lutar”. (Papa Fran-
parte dos eleitores, cabe assistir de nopolizar o poder, a privar os ho- cisco, EG 96.)
camarote a banda passar. Esque- mens de participarem de uma co-
ce-se que “o poder nunca é proprie- munidade política. Assim, é des- Para Jesus, o verdadeiro poder
dade de um indivíduo; pertence a truído o espaço público da ação e é o serviço. Ele mesmo se declara
um grupo e permanece em exis- do discurso, no qual os homens como um servidor da humanida-
tência apenas na medida em que agem em comum e exercem a sua de (cf. Mc 10,45), e o serviço dele foi
o grupo conserva-se unido”. (Han- liberdade política. Neste contex- o serviço da cruz. Ele humilhou-se
nah Arendt) to, os homens não perdem ape- a si mesmo até a morte, e morte de
nas a liberdade, mas o direito de cruz, para nos servir, para nos sal-
Um governo que censura a im- agir em conjunto, o direito à plu- var. Nesse sentido, a autoridade, o
prensa, que questiona a história ralidade, perdendo, portanto, sua exercício do poder só é legítimo se
dos fatos, que coloca em dúvida as humanidade. estiver em função dos outros, se for
Instituições, que proíbe aos Insti- um lava-pés (cf. Jo 13,1-17).]
tutos de pesquisa divulgarem seus SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]13
dados, que diz que a participação * Pe. Rodrigo, SDN é licenciado em Filosofia,
da sociedade civil em Conselhos de bacharel em Teologia, com especialização em
Direitos atrapalha governar, que formação para Seminários e Casa de Formação.
quer controlar até o que o profes- Mora atualmente na paróquia São Bernardo
em Belo Horizonte, MG.
Bíblia [ O permanecer em Deus, e Deus em nós,
WILSON CABRAL & DENILSON MARIANO
Acontraposição entre o amor e o ódio, Viver no amor
a luz e as trevas, é uma constan-
te na 1ª Carta de João. Em 1João de Cristo
3,11-24, João apresenta o ódio a par- Mês da Bíblia 2019 [3/3
tir da figura de Caim (Gn 4,1-16). Ele é
a figura daquele que odeia o irmão. O
motivo do ódio de Caim por Abel é inter-
pretado no texto pelo motivo das ações
dos dois: Caim agia mal e Abel, bem. O
mundo está para nós como Caim para
Abel: não gosta de nós, odeia-nos. Para
o mundo, o amor pregado por Jesus é
sem sentido. A chave da passagem da
morte para a vida é o amor fraterno. O
ódio ao irmão tem consequências ter-
ríveis. Por isso João chama de homi-
cida a quem odeia o irmão.
Estar com Jesus nho da vida que vence o mal, a vio- ma mensagem. Quem observa os
é estar do lado do amor lência e a morte. Jesus nos mostra preceitos de Cristo “permanece em
O exemplo do amor fraterno é Jesus. um amor em ação. Um amor-atitu- Cristo e Cristo nele” (Jo 14,23; 15,7-
Sabemos o que é o amor a partir da de, diferente do amor-sentimento, 10). Permanecer no amor é ser um
contemplação do amor de Jesus. Por que fica apenas em palavras boni- cristão 24 horas. Ou seja, não basta
amor à humanidade, Ele se entrega tas. Não há como ver o irmão em fazer uma caridade aqui, uma boa
à morte de Cruz para desmascarar necessidade e lhe fechar as entra- ação ali... O importante é que nos-
o império do mal. Jesus passou sua nhas, endurecer o coração. sa vida toda - em casa, na escola,
vida fazendo somente o bem. Co- na rua, no trabalho, no lazer - se-
mo entender que aquele que só fez O amor doação nos leva a ter as ja guiada pelo jeito de ser de Jesus.
o bem tenha sido condenado à pior mãos abertas para recebermos al- Isso é ser cristão, ser outro Cristo.
pena de morte da época? É preciso go de Deus e doarmos alguma coi- Recriar em nós as atitudes de Je-
lembrar que, quando Jesus morre, sa de nós aos outros. A indiferen- sus é o caminho para permanecer
o véu do santuário se rasga de alto a ça nos deixa de mãos fechadas: nós no seu amor. Viver o amor de Cris-
baixo. A morte de Jesus desmasca- nos fechamos a Deus e deixamos to e testemunhar que também nós
ra a injustiça do poder religioso e do de ser solidários com os irmãos. viemos ao mundo para que todos
poder do império que, para mante- tenham vida, e vida em abundân-
rem seus privilégios, exploravam o A fé e o amor são descritos no cia (cf. Jo 10,10).
povo e matavam os inocentes. Jesus v. 23 como um mandamento du-
é o inocente que morre na cruz. Ele plo, como dois aspectos da mes-
foi assassinado por defender o pro-
jeto de Deus, que é vida para todos. [14 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019
Esse gesto de Jesus é fonte de
inspiração para o agir cristão. Ainda
hoje, muitos poderosos, cegos pela
ganância, condenam os inocentes à
morte prematura. São condenados
pelo desemprego, pela falta de as-
sistência à saúde, pela ameaça ao
justo direito de se aposentar, pela
força da violência policial e pela fa-
cilitação do uso de armas. Jesus nos
aponta um outro caminho. O cami-
sugere que moramos em Deus e ele em nós, de modo permanente...
Deus é amor ma experiência de Deus é situada Lançamento
Na 1ª João 4,7-12, temos o início da no amar com o amor que vem de para o Mês
terceira parte da Carta. João reflete Deus e que Jesus nos manifestou. da Bíblia 2019
sobre as origens, as fontes do amor Então, seu amor é, em nós, levado
e da fé. Estes dois elementos estão à plenitude. Somente com os olhos Neste ano a Conferência Nacio-
intimamente ligados. Esta unida- do amor do Filho é que poderemos nal dos Bispos do Brasil – CNBB
de se enraíza na atividade históri- ver e conhecer a Deus. – nos convida à leitura e ao estudo
ca de Jesus Cristo, guiada pela ação da 1ª Carta de João com o tema: “Pa-
do Espírito Santo. É o testemunho Esse jeito de amar de Deus e de ra que n’Ele nossos povos tenham vi-
eficaz do Espírito Santo que põe a Jesus implica uma permanência. da”. O lema é “Nós amamos porque
Igreja em contato vital com a ver- “Permanecer” é uma palavra mui- Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19).
dade: o ato de amor de Jesus na cruz to rica no mundo bíblico. Significa O amor é resumo da Boa Nova de Je-
nos revela quem é o Pai. durar, habitar, morar. Como a ha- sus e, de fato, ocupa um espaço cen-
bitação de Deus na nuvem que des- tral na 1ª Carta de João. Para quem se
João convida seus leitores a cia sobre o Tabernáculo no deserto; coloca no seguimento de Jesus, ela é
se amarem uns aos outros, pois o na Arca da Aliança, no Templo. De- um convite especial para permane-
amor vem de Deus. Quem não ama o pois, com Ezequiel, veio a revelação cer no amor de Deus
seu irmão não conhece a Deus, pois de que Deus não ficava somente no
Deus é amor. Nessas frases, conhe- Templo, mas acompanhava o seu Didaticamente, usa comparações
cer significa “experimentar”, viven- povo no exílio na Babilônia (cf. Ez esclarecedoras, que ajudam a com-
ciar com profundidade. Conhecer 1,15-21). Para João, Deus armou sua preender o seu conteúdo. A 1ª João
a Deus é experimentar o que Deus tenda no meio de nós (cf. Jo 1,14). E, alterna algumas reflexões e ensina-
é, significa e deseja. Para melhor assim como o sonho de todo judeu mentos sobre a vivência das comu-
compreendermos a expressão de era habitar no Santuário, na pre- nidades e, logo em seguida, faz exor-
João -“Deus é amor” - nós podemos sença de Deus (cf. Sl 15,1; 27,4; 84,11), tações, convites à conversão, à mu-
traduzi-la por “Deus é amar”. Ou se- somos chamados a permanecer na dança de vida e a assumir a missão
ja, o que está de acordo com Deus é sua palavra, para sermos livres e cristã. Não deixe de motivar seu gru-
amar, no sentido do amor fraterno, morar para sempre como filhos na po e sua comunidade para a reflexão
de que fala a Carta desde o início. In- casa do Pai (cf. Jo 8,35). deste mês da Bíblia 2019.
do mais longe, podemos dizer que a
essência de Deus, tudo o que Ele faz, O permanecer em Deus, e Deus Adquira e ajude sua comunidade
é amar. Foi por amor que Jesus se em nós, sugere que moramos em a vivenciar com intensidade o Mês da
entregou e foi fiel ao Pai até a morte. Deus e ele em nós, de modo per- Bíblia. “Desconhecer a Escritura é des-
manente. Esta não é uma expe- conhecer Jesus Cristo!” (S. Jerônimo)
João nos mostra que o amor de riência mágica ou milagrosa, mas
Deus – o amar – manifestou-se de uma experiência que brota da fi- FORMATO: 11X15CM, 32P.
forma especial no fato de Ele nos ter delidade ao amor de Deus reve-
enviado o que lhe era mais precio- lado em Jesus e em sua Palavra. Apenas: R$ 2,00 + Porte
so: o seu Filho unigênito! Daí, nós
podemos afirmar a amplitude da Este estar em Deus dá a garan- PEDIDOS
graça de Deus. Antes que nós pudés- tia ao cristão de estar tranquilo no 0800-940-2377
semos amá-lo, Ele nos amou por dia do Juízo Final. Como acontece olutador.org.br
primeiro. Ele enviou, Ele doou seu com os cristãos de hoje, os cristãos [email protected]
Filho ao mundo para nos ensinar do tempo da 1Jo tinham certo temor
a amar, para nos revelar o grande a respeito de como seria esse juízo/
projeto do amor de Deus por seus julgamento. João busca tranquili-
filhos. E, por amor, destruiu o pe- zá-los, afirmando que onde há o
so dos nossos pecados. amor não deve haver o temor. No-
vamente, o critério para o cristão
A morte de Filho de Deus na cruz saber se ele está no caminho certo
denuncia a recusa dos filhos de Deus é o amor aos irmãos.
ao projeto de amor do Pai. “Ele veio
para sua casa, mas os seus não o re- Para aprofundamento
ceberam.” (Jo 1,11.) João costuma in- - Nosso modo de cultivar a fé tem-
sistir em que ninguém nunca viu a nos levado a agir com mais amor,
Deus (cf. Jo 1,18; 6,46). Na Carta, em compreensão e solidariedade no dia
um tom mais prático, esta mes- a dia? Em que podemos melhorar?]
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]15
PE. SEBASTIÃO SANT’ANA SILVA, SDN
Deus, autor da vida,
confiou-a aos cuidados da Igreja
Os PE. SEBASTIÃO SANT`ANA SILVA, SDN
Direitos
Humanos A Assembleia Geral dos Bispos
afirmam que do Brasil de 2005, foi instituí-
o primeiro direito da a Semana Nacional da Vi-
de uma pessoa da (1º a 7 de outubro), e o dia
é o direito à vida, 8 de outubro como o Dia do
valor inalienável. Nascituro, ou seja, o dia da-
quele que está para nascer.
A Comissão Episcopal Vida e
Família da CNBB e a Pasto-
ral Familiar pedem aos agen-
tes pastorais que motivemos
nossas comunidades a cele-
brarem com entusiasmo esse
duplo e significativo evento.
A Igreja, que tem por missão
anunciar o Evangelho da Vida,
louva a Deus pelas inúmeras
atividades que se realizam por
toda a parte em favor da vida
e da dignidade humanas. Po-
rém, a Igreja não pode calar-
se diante de tantos atentados
à vida e à dignidade humanas
que neste momento estão em
curso. O livreto “Hora da Vi-
da”, de 2019, traz sete temas
que nos ajudam meditar co-
mo estamos agindo em rela-
ção aos nossos direitos, de-
veres, e nossa atitude em re-
lação à vida.
Família [ A missão da família na defesa da Vida...
A vida é o valor mais mana Nacional da Vida fizeram dele des e famílias a se organizarem e a
sagrado depois de Deus um pastor bem próximo ao rebanho. viverem bem a Semana Nacional da
À Igreja compete anunciar, por to- Vida e o Dia do Nascituro. Este ano,
dos os meios, o Evangelho da Vida, Defesa da vida é missão o livro traz como tema de reflexão
seguindo os passos do divino Mestre, do cristão e de todo ser humano “Em Família defendemos a Vida!”
que veio ao mundo para que todos Ao instituírem a Semana Nacional
tivéssemos vida e vida em abun- da Vida e o Dia do Nascituro, nos- Eis os temas dos sete encontros
dância (cf. Jo 10,10). O respeito à vi- sos bispos convidaram todos os bra- oferecidos pelo “Hora da Vida” 2019:
da humana é a base de toda ordem sileiros e todas as pessoas de boa
social. É óbvio, trata-se da defesa vontade, sem distinção de classe e 1. Políticas públicas em defesa da
da vida desde sua concepção. No credo religioso, a serem defenso- Vida;
Brasil, a inviolabilidade do direito res e promotores da vida. Aprovei- 2. A missão da família na defesa
à vida tem “status” constitucional. taram a oportunidade privilegiada da Vida;
e lembraram aos homens de gover- 3. Os avós como origem e transmis-
Os Direitos Humanos afirmam no – juízes, deputados e senadores sores dos valores da Vida;
que o primeiro direito de uma pes- – a sua enorme responsabilidade 4. Paternidade responsável na va-
soa é o direito à vida, valor inalie- de salvaguardar os direitos da vida lorização da Vida;
nável. Todos os demais direitos de- 5. Juventude e valorização da Vida;
pendem deste. Na defesa da vida humana como primeiro de todos os 6. Filhos e a transformação na Vi-
humana desde sua concepção à sua direitos. Esta responsabilidade de- da familiar;
morte natural, é precioso o argu- verá manifestar-se em gestos con- 7. A Família e a relação com a Vida.
mento de alguém que merece todo cretos nos setores executivo, legis-
o respeito nos meios científicos, o lativo e judiciário. Por fim, a Celebração da Vida (8
Prof. Jerôme Lejeune, pai da gené- de outubro, Dia do Nascituro). Os
tica moderna: “Assim que é conce- Os bispos propuseram a criação agentes da Pastoral Familiar de-
bido, um homem é um homem”. de comissões de defesa da vida e a vem estar atentos para que o livre-
participação dos leigos nas diferentes to “Hora da Vida” esteja disponível.
Dom Ricardo Hoeppers instâncias. Sugeriram a mobiliza-
na Comissão Episcopal Vida e Família ção das pessoas para motivarem os Iniciativas municipais
As celebrações da Semana Nacio- vereadores, deputados e senadores em favor da vida e do nascituro
nal da Vida e do Dia do Nascituro, a de sua base eleitoral para que pro- Oxalá chegue depressa o dia em que
partir do ano passado, ganharam movam e defendam a vida humana. toda a sociedade brasileira tome cons-
motivação especial. A legalização ciência da dignidade da vida huma-
do aborto voltou ao debate nacio- O “Hora da Vida” 2019 traz na, se sinta sensibilizada por essa dá-
nal. A Audiência Pública, convocada sete temas para meditar diva do Criador e comprometida em
pela ministra Rosa Weber, foi reali- O livreto “Hora da Vida” tem como ajudar todas as gestantes, colabora-
zada no Supremo Tribunal Federal objetivo ajudar nossas comunida- doras especiais de Deus na obra da
nos dias 3 e 6 de agosto de 2018. Os criação. Graças à ação dos agentes
leitores se recordam de que Dom SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]17 da Pastoral Familiar junto aos verea-
Ricardo Hoepers, Bispo da Diocese dores, em vários municípios foram
de Rio Grande, RS, e Pe. José Eduar- aprovados os projetos de Lei criando
do de Oliveira, da Diocese de Osas- o Dia Municipal do Nascituro (8 de
co, SP, apresentaram, de maneira outubro). Trabalhada com sereni-
brilhante e corajosa, a posição da dade e seriedade, essa iniciativa po-
CNBB naquela audiência (6/8/18). derá se estender a inúmeros outros
municípios de nosso imenso Brasil.
Dom Ricardo – agora eleito novo
presidente da Comissão Episcopal Comemorado com uma progra-
Vida e Família –, deverá desenvolver, mação criativa, o Dia do Nascituro
no próximo quadriênio, grande tra- poderá ser celebrado ecumenica-
balho em favor da Vida e da Família. mente pelas escolas e instituições
Sua presença contagiante na última diversas dos municípios. Com mui-
Peregrinação Nacional das Famílias ta coragem e entusiasmo, mobili-
(Aparecida, 25 e 26/05), seus vídeos zemos nossas famílias e comuni-
convidando a todos à participação na dades para o duplo evento.]
Semana Nacional da Família e na Se-
Catequese [ Será interessante tomar, agora, unidades
EQUIPE DO CATEQUESE HOJE
Algumas “dicas”
para o uso da Bíblia
na catequese [3
ADOLESCÊNCIA: pelos 12-15 anos
a]Características: são visíveis a
insegurança, a instabilidade e
a aguda emotividade; retirada ao
próprio mundo interior – com o so-
frimento que esta solidão traz; sen-
sação de não ser compreendido e
de sequer ser capaz de compreen-
der; tempo de afirmação da pró-
pria personalidade; é contra todo
autoritarismo; desconfia do adul-
to, mas precisa dele; idade de inte-
resse pelo sexo e o amor; das cartas
pessoais e dos diários íntimos(me-
ninas); dos conflitos na família; de
preocupação pelo futuro (vocação).
b]Quanto à Bíblia: atenção espe- FINAL DA ADOLESCÊNCIA: b]Quanto à Bíblia: tempo de to-
cial ao aspecto afetivo, emotivo. pelos 15-19 anos mar textos mais difíceis, pro-
Há muita identificação com perso- fundos. Pode-se abordar qual-
nagens que se impõem por seu hu- a]Características: há especial in- quer texto bíblico.
manismo. Especial atenção desper- teresse pela experiência dos ou-
tam os profetas, por sua crítica às tros e com os outros: a consciência Será bom proporcionar uma
situações de injustiça ou de incoe- crítica faz com que se posicionem visão de conjunto da Bíblia,
rência. São importantes os textos diante dos males e das contradi- colocando os problemas com
que encaram o misterioso da vida ções do mundo. que a Bíblia nos quer con-
e seu sentido mais profundo; os frontar.
que orientam a busca desse senti- [18 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019
do, inclusive do ponto de vista da
vocação (cf. Mt 5,7).
Será interessante tomar, ago-
ra, unidades maiores: parábolas,
pequenos livros como Jonas, Ju-
dite, Amós.
maiores: parábolas, pequenos livros como Jonas, Judite, Amós...
Vale a pena chamar
a atenção também
para a linguagem da Bíblia.
Não se usa a Bíblia para domesticar
crianças e adultos em nome de Deus.
A obediência à fé
é outra coisa.
c]Sugestão de textos - Jó, Eclesiastes, Evangelho de Mar- - Não se usa a Bíblia para domesti-
- Gn 1-11 visto como reflexão so- cos, Cartas de Paulo (1Cor). car crianças e adultos em nome de
bre o nosso hoje (o homem no mun- Deus. A obediência à fé é outra coisa.
do; problemas de relacionamento, Vale a pena chamar a aten-
pecado e salvação). ção também para a linguagem - Cada frase da Bíblia está den-
da Bíblia. Descobrir a lingua- tro de um contexto. Não se deve
- Narrativas da infância de Jesus. gem como parte de um conjun- usar frases pescadas cá e acolá,
to, como sintoma de uma situa- e isoladas do seu contexto, pa-
- Narrativas de milagres. ção e, ao mesmo tempo, instru- ra impor uma ideia, um pensa-
mento, seja de opressão ou de mento.
libertação.
- Na Bíblia, o único herói é Deus.
Alguns cuidados Cuidado para não elevar certos per-
- Não usar a Bíblia só por curiosi- sonagens à dimensão de super-ho-
dade, passatempo piedoso, sem mens, sem defeitos.
entrar na dinâmica do povo que
a escreveu e na da nossa comu- - O único jeito de ler a Bíblia que
nidade. a Igreja condena é a leitura funda-
mentalista, que lê tudo ao pé da le-
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]19 tra; se aparece algo estranho, in-
voca-se o poder de Deus, e pronto!]
Juventude [ Uma pastoral hoje, em nossas comunidades, que atraia
FRT. DIONE AFONSO, SDN*
“Christus
vivit”
Cristo vive pós a celebração do Sínodo
e conta com
os jovens Asobre a Juventude, a cidade
de Roma acolheu mais um
[20 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019 Fórum Internacional da Ju-
ventude. Em seu discurso, o
Papa Francisco se alegra com
a iniciativa de “reconhecer os jovens
como os primeiros protagonistas de
uma conversão pastoral”. “A Pastoral
da Juventude, tal como estávamos
habituados a realizá-la, sofreu o em-
bate das mudanças sociais e cultu-
rais. Nas estruturas habituais, mui-
tas vezes os jovens não encontram
resposta para as suas inquietudes,
necessidades, problemas e feridas.
Embora nem sempre seja fácil abor-
dar os jovens, estamos a crescer em
nossos jovens, deve seguir essa inspiração do próprio Jesus...
dois aspectos: a consciência de que para rezar, mas será que não rezam em trazer os jovens para a Igreja, que
é toda a comunidade que os evange- ali as suas dores, as brigas com os nos esquecemos de deixar que eles
liza e a urgência de que os jovens se- pais? Estão nesses ambientes onde façam a sua experiência com Jesus.
jam mais protagonistas nas propos- se sentem bem, e um agente de pas-
tas pastorais.” (CV, 202.) toral pode também, usando a lingua- Desafios pastorais
gem certa, do universo deles, sentar- Estamos enfrentando também a on-
O caminho novo surge da escuta se ali e partilhar experiências concre- da da cultura do provisório: “esta é
Neste momento – se você acompa- tas de vida. Neste momento eles se uma ilusão. Julgar que nada é defi-
nhou os artigos das edições de maio encontram nesse caminho de volta. nitivo é um engano e uma mentira.
a agosto – os jovens de Emaús, após Precisam, diante da noite, encontrar Muitas vezes ouvimos dizer que ho-
terem sido ouvidos e compreendidos, a verdadeira Luz que ilumina os ca- je o casamento está fora de moda.
percebem que algo novo reacende no minhos deles e refazer, de um jeito Na cultura do provisório, do relati-
coração deles. Alguém os escutou, eles novo, o percurso rumo a uma vida vo, muitos pregam que o importan-
foram questionados, suas dúvidas en- mais cheia de esperança, na qual as te é curtir o momento, que não va-
contraram o discernimento correto e dores não doam tanto. le a pena comprometer-se por toda
alguém pôs-se a caminhar com eles. a vida e fazer escolhas definitivas”.
Agora, o caminho de volta é um cami- O caminho não é outro, senão es- (CV, 264.) É preciso revolucionar, ama-
nho novo, decidido, revigorado, por- timulá-los. “Estimular para que dos jovens, mostrem que são capa-
que alguém tomou a corajosa decisão se entusiasmem com a missão nos zes de grandes responsabilidades.
de refazer o caminho com eles. Eis ambientes onde os jovens estão.
o perfil de um agente de pastoral: “à O mais importante é que cada jo- Outro desafio é o mundo do tra-
luz de Jesus, coloca-se a caminho de vem ouse semear esse primeiro balho, onde os jovens sofrem gran-
quem se encontra perdido e confuso!” anúncio na terra fértil que é o co- des formas de exclusão e marginali-
ração doutro jovem.” (CV,210.) zação: “o desemprego juvenil é o fa-
Uma pastoral hoje, em nossas co- tor mais agravante, que, além de em-
munidades, que atraia nossos jovens, Claro que aí vem a questão da lin- pobrecê-los, a falta de trabalho mata
deve seguir essa inspiração do próprio guagem. Se o ambiente não é mais uma nos jovens a capacidade de sonhar”.
Jesus. Necessitamos de uma pasto- sala de reuniões e, sim, uma praça (CV, 270.) Nossas pastorais precisam
ral que seja capaz de “caminhar jun- no meio da cidade, a linguagem tam- preocupar-se com ações de políticas
to”. É preciso escutar para nos apro- bém deve ser diferente. “Deve-se pri- públicas que gerem emprego e lazer
ximar, para discernir melhor e para vilegiar a linguagem da proximidade, para nossos jovens: “o trabalho para
acompanhar. Para refazer este cami- do amor desinteressado, relacional e o jovem vai além da capacidade de
nho, “é preciso assumir novos estilos existencial que toca o coração, atinge ganhar dinheiro, mas é uma expres-
e estratégias. Por exemplo, enquan- a vida, desperta a esperança.” (CV, 211.) são da dignidade humana, é cami-
to os adultos procuram ter tudo pro- nho de maturidade e integração so-
gramado, com reuniões periódicas O Papa ainda fala de uma “gramá- cial, é um estímulo constante para
e horários fixos, hoje, nossos jovens tica do amor”, e diz que nossos agen- crescer em responsabilidade e cria-
buscam maior flexibilidade onde lhes tes de pastoral devem tirar das prio- tividade, o protege contra o indivi-
seja permitido compartilhar a vida, ridades pastorais tais atitudes inte- dualismo e comodismo”. (CV, 271.)
festejar, cantar e ouvir testemunhos resseiras com decisões prosélitas. O
concretos de vida”. (CV, 204.) agente de pastoral deve aproximar- Nossas pastorais, nossos agentes,
se do jovem sem a intenção de colocá nossos líderes das comunidades pre-
Os jovens, os lugares, as linguagens -lo sentado no banco da igreja. Preci- cisam caminhar junto com os jovens.
No caminho de volta, “novas pra- samos de pessoas que se sentem na Parar para os escutar. E, da escuta,
ças” vão surgindo no ambiente so- calçada, do lado do jovem, com o úni- ajudar no discernimento e celebrar o
cial e cada um desses lugares torna- co interesse de escutá-lo, compreen- caminho novo que cada um irá trilhar.
se um ponto de encontro, de diver- der o caminho que ele fez até aqui.
são e – por que não? - de evangeliza- Percebam que, no fim do dia, quem Para rezar e discutir em grupo
ção. Nossos jovens hoje estão numa faz o convite para aquele homem fi- - Diante desses três desafios: a lingua-
roda de conversa num trailer onde car são os dois jovens que caminha- gem, o mundo do trabalho e a cultura
trocam experiências entre uma Co- vam tristes. O convite para ficar um do provisório, nossas comunidades
ca-Cola e outra e uma rodada de piz- pouco mais parte deles, e não de nós. têm apresentado novas perspectivas
za. Estão também na pracinha tími- Hoje, nós estamos tão preocupados pastorais de aproximação e escuta dos
da do centro da cidade ou em frente à jovens? O que mais podemos fazer?]
igreja matriz. Muitos não entraram SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]21
* Graduando em Jornalismo pela PUC-Minas
/ [email protected]
O casal Zé e Arialda Encontro Matrimonial [ Experiências...
e Frei Daniel Heinzen
como servidores PE. SERGINHO, ARIALDA E ZÉ
do Intersemana
EMM a serviço
da Igreja
OEncontro Matrimonial Mundial Intersemana para sacerdotes realizado na diocese de Joinville, SC - outubro/2015
- EMM é um movimento da Igre-
ja Católica e a serviço da Igreja. O que O que o EMM oferece
Sua missão é “proclamar o valor dos o EMM oferece aos religiosos e religiosas
sacramentos do matrimônio e da or- aos Sacerdotes? São as mesmas experiências ricas e
dem sagrada na igreja e no mundo”. Os sacerdotes são convidados a vive- libertadoras que são oferecidas aos
O carisma é “Fé através do Relaciona- rem as mesmas experiências verda- casais e sacerdotes. O EMM oferece
mento”, isto é, está voltado ao rela- deiras e profundas juntamente com ainda uma formação especifica pa-
cionamento: casais, sacerdotes, reli- casais, trazendo amor e alegria no ra religiosos/as em um contexto de
giosos/as em relacionamento verda- servir. O EMM oferece uma forma- retiro. Nesta formação, vê-se como
deiro e profundo. Completa-se com ção chamada “Intersemanas”, que é está o relacionamento, a comunica-
a vivência da Intersacramentalida- um momento exclusivo para os sa- ção, a autoestima, a espiritualidade
de, onde cada sacramento possa ele- cerdotes, onde terão a oportunida- e, principalmente, a sua interação no
var o outro. A ferramenta utilizada de de trabalhar seu relacionamen- plano do mundo e no plano de Deus.
é o diálogo através de sentimentos. to, sua vocação, suas necessidades.
Oportunidade para o homem sacer- O que o EMM oferece
O que o EMM oferece aos casais? dote olhar sua humanidade, buscan- aos seminaristas
O EMM oferece um Fim de Semana do assim a sua santidade. O setor Formação, convivência e acolhimen-
- FDS de vivência de vida. Os partici- Área Sacerdote está direcionado ao to. Uma formação específica, onde
pantes experimentam uma profunda acolhimento e apoio aos sacerdotes, são apresentados valores como o do
reflexão sobre si mesmo, descobrin- sejam eles participantes, ou não, do diálogo e da escuta, que os ajudarão
do-se com profundidade e investin- movimento. em sua vida como futuros sacerdotes
do em sua autoestima. Após olhar-se em sua caminhada de evangelização.
para si mesmo, caminham no senti- Eis o depoimento de Frei Daniel
do de encontrarem-se um ao outro, Heinzeno, capuchinho: “Tenho 52 O que o EMM oferece às paróquias
dialogando sobre áreas importantes anos de sacerdócio. Uma das coi- Oferece casais e sacerdotes felizes e
de seu relacionamento. Esta expe- sas que me ajudou muito a ser apai- amorosos no servir. O EMM oferece
riência traz eficiência numa comu- xonado por esta Igreja, foi viver in- uma série de formações para pais e
nicação aberta e verdadeira. O Fim terligado com os casais do EMM. Há filhos, casal, família, formação de li-
de Semana é concluído direcionan- quarenta anos faço parte deste mo- derança, a presença de Deus em nos-
do-se os dois a Deus. vimento, e uma das coisas marcan- sa vida, entre outra mais. O EMM é
tes foi o Intersemana. Ele nos ajuda serviço e, como tal, está inserido na
Após o Fim de Semana, oferecem- na vivência do sacerdócio e no en- pastoral familiar e pronto para aju-
se aos casais comunidades de apoio tendimento da vida dos casais. En- dar em sua paróquia.
para que fortaleçam os novos valo- tão, não perca! Se você puder, par-
res trazidos do FDS. Também é opor- ticipe desse encontro de sacerdo- Outras informações poderão ser
tunizada a vivência de outras forma- tes orientados pelo Movimento do encontradas no site: www.encontro-
ções para reabastecimento e fortale- EMM. [...] Eu posso dizer que nunca matrimonial.com.br;
cimento no relacionamento e na fé. me arrependi por ter participado,
Espera-se que os casais se integrem à e também por ter trabalhado com Facebook - @encontromatrimo-
Igreja, nas diferentes pastorais, ser- os sacerdotes. Paz e Bem! Um gran- nialmundial-brasil]
vindo como casal, sinal vivo do Sa- de abraço”.
cramento do Matrimônio. Para os fi- Área de Serviço Nacional Sacerdotes
lhos dos casais pertencentes ao mo- [22 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019 [email protected]
vimento, são oferecidos retiros para
crianças, adolescentes e jovens adul-
tos, sempre voltados à comunicação
semelhante a que os pais aprenderam
durante o FDS, ao relacionamento fa-
miliar e à presença de Deus.
Família Julimariana [ A visão Sacramentina...
IRMÃ TARCÍSIA DE OLIVEIRA, SNS - O que me diz do Hospital Padre Júlio
Maria, do Santuário e do Seminário?
Peregrinação
- Com muita alegria lhe digo: o
à Casa-Mãedas Hospital está bem aparelhado, os
Irmãs Sacramentinas doentes bem assistidos, as Irmãs e
as Equipes trabalham com dedicação
CELEBRANDO os 90 anos de história da Congregação das Irmãs e o acolhimento é muito eficiente. O
Sacramentinas de Nossa Senhora, a Congregação programou atendimento aos pobres é prioritário.
visitas à Casa-Mãe, em Manhumirim, MG, lugar de sua fundação. O Santuário Bom Jesus é um grande
Entrevistada por Lurdinha, funcionária da Casa Madre Beatriz, Irmã monumento religioso! As obras ar-
Tarcísia sintetiza de forma bela, simples e profunda, o que ali vivenciou. tísticas são de grande valor religio-
so e cultural. Nosso Missionário Pa-
dre Júlio Maria procurou representar,
por meio de cenas bíblicas, o Caris-
ma Sacramentino ao longo do San-
tuário. Com Maria, Mulher Eucarís-
tica, ao lado do Sacrário, completou
toda a espiritualidade Sacramentina.
Destacam-se no Santuário os res-
tos mortais do Fundador, dentro de
uma urna dignamente preparada. O
futuro vai-se tornar presente den-
tro deste Santuário. Ele será Centro
de Romarias. Confiemos no Senhor!
Do Seminário Apostólico, destaco o
Memorial, o quarto do Fundador e a
pintura da Visão Sacramentina, ri-
quezas de história.
Lurdinha: Irmã Tarcísia, por que esta - Louvo a Deus não só por voltar A Visão Sacramentina
volta à Casa-Mãe em peregrinação? à Casa-Mãe, mas por rever todas as é uma obra de grande
obras realizadas pelo Fundador Pa- valor, pintada na parede
Irmã Tarcísia: Esta peregrinação faz dre Júlio Maria De Lombaerde. Suas da Capela do Seminário!
parte das comemorações dos 90 anos construções constituem um grande Realmente, o Fundador
de fundação de nossa Congregação. patrimônio de arte. Dá prazer con- era um homem esperançoso.
Outras motivações também nos im- templá-las! Como é bom perceber o Desejava uma multidão
pulsionaram: rever, celebrar e agra- esforço das Irmãs e dos Padres em de religiosas/os nas
decer a Deus o início de nossa forma- conservá-las! suas Congregações.
ção à Vida Religiosa Consagrada. A
Casa-Mãe tem um lugar privilegia- Madre Beatriz Frambach, nossa - Irmã Tarcísia, uma palavra fi-
do em nosso coração. As Irmãs foram Cofundadora, desenvolveu grande nal sobre esta experiência de pere-
organizadas em grupos, conforme as sensibilidade para com a natureza grinação.
distâncias das residências. Sentimo- e as obras construídas. Deixou para
nos felizes! A programação nos levou nós este testemunho de amar e va- - Esta peregrinação abriu cami-
a rezar, contemplar tudo. lorizar tudo. nho para outras que virão! Nosso co-
ração, cheio de esperança, já se pre-
- Valeu a pena realizar esta pe- Como estão bonitos os jardins do para para outros grandes aconteci-
regrinação? Colégio Santa Terezinha! Flores e fo- mentos. Agradeço à Coordenação Ge-
lhagens por todos os lados! Esta natu- ral, que planejou tudo. Considero um
- Valeu! Esta volta às fontes é sa- reza bonita educa o sentimento das momento de graça! Meu muito obri-
lutar, entusiasma, aquece o coração crianças e jovens que ali estudam. gado às Irmãs da Casa-Mãe e à Equi-
e nos aproxima de Deus. Já podemos pe Educativa do Colégio Santa Tere-
pensar numa próxima volta a Ma- Pedagogicamente, o Colégio está zinha. Estas duas Comunidades nos
nhumirim. Deus sabe e quer. Mes- atualizado. Todas/os trabalham com receberam com muito carinho, ale-
mo com 96 anos, espero esta deseja- amor. O Carisma da Congregação vai- gria, surpresas... Gratidão!]
da oportunidade! se alargando. Nossas Constituições di-
zem que devemos nos dedicar às crian-
- Pessoalmente, como a senho- ças e aos jovens, transmitindo-lhes
ra se sentiu? uma educação que forme o coração e
alimente a inteligência. É assim que
expresso a minha volta à Casa-Mãe.
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]23
Espiritualidade [ Duas palavras desafiantes...
DOM PAULO MENDES PEIXOTO*
Duas palavras desafiantes os predadores por natureza, agem
dentro do clima de violência para provocar o mal, a desarmonia
e a destruição, principalmente do
da cultura moderna bem público.
Amor e O amor e a misericórdia são for-
misericórdia tes possibilidades de afetos e anseios
gravados pelo Criador no íntimo do
SÃO duas palavras desafian- coração das pessoas. É como a lei de
tes dentro do clima de vio- uma nação, porque ela é promulga-
lência da cultura moderna. da para harmonizar os conflitos e
O Papa Francisco tem suge- apaziguar as tensões, possibilitan-
rido, insistentemente, a prá- do a convivência entre as pessoas.
tica concreta do amor e da Mas tudo isso perde seu significa-
misericórdia. Sabemos que não é do e sua força quando o indivíduo
fácil amar e perdoar de verdade. é identificado, por sua conduta, co-
Como amar e perdoar àqueles que mo “mau elemento”.
maquinam, atacam e criam pavor
e vítimas numa comunidade, como As páginas dos diversos jornais
tem acontecido em diversas cida- diários estão surtidas de cenários
des no território brasileiro! violentos, geralmente frutos de ir-
responsabilidade. É muito triste e
Só tem real expertise para amar preocupante conviver com essa rea-
e ser misericordioso com o próxi- lidade, que choca profundamente
mo, dentro dos princípios do Evan- com a parábola do “bom samari-
gelho, quem ama a Deus. Não é su- tano” (cf. Lc 10,33).
ficiente apenas a vontade huma-
na se ela está desconectada com a Enquanto uns
vontade divina, concretizada na
Pessoa de Jesus Cristo. É atitude violentam a vida
de sabedoria, mas própria para
quem consegue superar os crité- ou apontam os violentos,
rios do individualismo e de men-
te fechada para os ensinamentos outros praticam gestos
de Deus.
de fraternidade,
Temos uma seara de infidelida-
des ao projeto próprio de vida. Bas- de cuidado e de
ta ver que muita gente tem perdido
o bom senso e agido com critérios acolhida.
desumanos, usando de violência
contra o outro e à sociedade, trazen- Devemos entender que a miseri-
do como consequência o sofrimen- córdia de Deus é real, que reflete
to alheio. Nem os animais, exceto seu amor para com todos, mes-
mo com a infidelidade das pes-
[24 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019 soas no cumprimento do man-
damento do amor. Misericórdia
que tem seu cumprimento na vi-
da, paixão, morte e ressurreição
de Jesus Cristo. O agir cristão deve
ter o alvo da misericórdia, prin-
cipalmente em relação aos aban-
donados e excluídos da convivên-
cia fraterna.]
*Arcebispo de Uberaba, MG
Liturgia [ O tempo...
DIÁC. FRT. MATHEUS R. GARBAZZA, SDN
A Liturgia da Palavra da sexta-feira A santificação
da 17ª Semana do Tempo Comum do tempo
apresenta para nossa meditação
uma coleção de textos retirados do cordação dos mistérios da Reden- ve ser eixo para a vida, aquilo que
capítulo 23 do livro do Levítico. Ali, ção, a Igreja oferece aos fiéis as ri- permanecerá. As celebrações litúr-
o próprio Senhor confia a Moisés quezas das obras e merecimentos gicas, com seus variados tempos,
uma lista de festas e solenidades do seu Senhor, a ponto de os tornar permitem-nos encontrar o cami-
que o povo deve observar em hon- como que presentes a todo o tempo, nho seguro que conduz ao encon-
ra daquele que o libertou. São as co- para que os fiéis, em contato com tro maravilhoso com Deus, criador
memorações próprias do povo ju- eles, se encham de graça”. (Sacro- e sustentador de tudo o que existe,
deu ao longo do ano, com uma fi- sanctum Concilium, 102.) aquele que é a essência verdadei-
na descrição das motivações e dos ra do ser.
ritos a serem observados. Tudo a seu tempo
O mundo de hoje atinge a todos com Por isso é tão importante apren-
Na tradição cristã, celebramos suas características de rapidez e der a saborear o tempo da liturgia:
a memória de Jesus Cristo, sua en- fluidez. A velocidade dos eventos e ao longo do ano, da semana, do dia.
carnação, morte e ressurreição. O das informações, aliada à facilida- Esse lento aprendizado, que deve
Verbo Encarnado é a medida do cul- de dos meios de comunicação, faz ser valorizado também no prolon-
to, com seu único e suficiente sa- com que poucas coisas sejam tidas gamento daquilo que celebramos,
crifício. Mas, da herança de Israel, como certas e duradouras. Temos nos ajudará a ter aquele olhar de fé
recebemos a compreensão de que é menos tempo para gastar com as que permite dar significado novo e
preciso marcar o tempo com os si- coisas singelas e belas da vida. Ao santo a tudo o que acontece. Pouco
nais divinos, para que a lembran- mesmo tempo, nunca se produziu a pouco, aquele que crê passa a per-
ça das ações do Senhor em favor tanto: músicas, arte, cinema, sé- ceber a presença de Deus em todos
de seu povo não se apague de nos- ries... É difícil encontrar o que de- os momentos, santificando cada
sa existência. Em outras palavras, instante da história.]
é preciso santificar o tempo! SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]25
Memória e santidade
O antigo provérbio já dizia que “o
que não é visto, não é lembrado; o
que não é lembrado, é esquecido”.
Podemos aplicar a mesma lógica ao
relacionamento com Deus. Embo-
ra devamos nos aproximar da pre-
sença do Senhor em todos os ins-
tantes (a espiritualidade do cotidia-
no), nossa condição humana pede
tempos fortes nos quais a memória
dos feitos divinos se faça presente.
Tal memória não pode ser ape-
nas intelectual ou afetiva, atingin-
do-nos meramente no pensamento
ou no sentimento. Ela vai marcan-
do o decorrer do tempo, auxiliando-
nos a perceber os fatos e os acon-
tecimentos com os olhos de Deus.
A memória transforma-se em um
modo de vida. Comunica-nos a gra-
ça divina a fim de que a caminha-
da cristã nesse mundo se faça em
harmonia com os ensinamentos
de Nosso Senhor.
De fato, assim nos assegura o
Concílio Vaticano II: “Com esta re-
Atualidade [ Vida...
ANTÔNIO CARLOS SANTINI educação. Já no dia seguinte, in-
variavelmente, ele voltaria ao café
Para com leite e suas torradas. Ele não
celebrar estava se alimentando: celebrava
um rito. E o panetone novidadei-
a vida ro interrompia o ritual de todos os
OS JOVENS gostam de novi- do damas francesas? Não estão dias, mas não lhe acrescentava na-
dades. O velho prefere os disputando nenhum campeona- da de novo.
ritos. to, nem ficam ansiosos por que-
Os jovens não gostam brar algum recorde. Apenas sen- Aí está: a vida é feito de gestos –
de repetir os gestos: após tem que estão vivos. mesmo pequenos – que dão sentido
uma primeira experiência, ima- a esse itinerário que os poetas cha-
ginam que esgotaram suas pos- Aquelas simpáticas vovós no mam de tempo. Sem tais gestos, a
sibilidades e chamam de chata clube de senhoras, no tricotar de vida seria uma sucessão de ansie-
a sua revisitação. Já vi. Já ouvi. todas as tardes, não estão preo- dades, de buscas insatisfeitas, de
Já sei. cupadas com o frio do inverno. ilusões românticas.
Apenas preenchem na convivên-
O velho sabe que jamais esgo- cia de comunidade o espaço de Por isso mesmo, arrancar um
tará o gesto e, por isso mesmo, re- mais um dia. idoso de seu espaço, desarraigan-
pete-o sem cansaço, à espera do do-lhe a existência, é um crime que
mistério revelado. Ainda resta al- Meu pai comprova minha teo- deveria merecer a pena de mor-
go a descobrir. ria. Se nós chegávamos de férias te. Como cantava o poeta Taigua-
e trazíamos um belo panetone ao ra, “deixe o velho em paz!” É ali no
Sabe? Aqueles idosos na pra- rum, certamente ele o provaria seu cantinho, em sua cadeira de
ça da cidade do interior, jogan- no primeiro dia, até mesmo por balanço, no fundo de seu quintal,
que o velho vai tecendo sua vida,
ponto a ponto, como quem edifica
uma cidade...
E creio que aí está o motivo cen-
tral de certos fiéis considerarem co-
mo “chata” a celebração eucarísti-
ca: “é tudo a mesma coisa!” Todos os
domingos, aproximam-se do misté-
rio e ficam na sua superfície: mul-
tidão sedenta, morrendo de sede à
beira do poço...
Se alguém me perguntasse a ra-
zão de ser da epidemia de depressão
que assola a sociedade, eu respon-
deria que este mal do século bro-
ta da incapacidade de perceber o
mistério deste momento, a opor-
tunidade deste minuto, a novidade
embutida no trivial que nos envol-
ve. Fomos transformados em teles-
pectadores. O prefixo “tele” regis-
tra o distanciamento entre nós e
a vida real. E a rápida sucessão de
imagens em pisca-pisca, no detes-
tável “flipping” da TV estilo ameri-
cano, impede que possamos con-
templar a imagem, por mais bela
que ela seja.
Ora, o velho sabe que a vida viaja
de trem. A locomotiva é a maria-fu-
maça. Pra que tanta pressa?]
[26 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019
Atualidade [ Futuros...
MARIA CLARA BINGEMER Uma lho e me fazem vibrar intensamen-
nova te. Como é bom vê-los descobrindo
...Tenho 70 anos. O que dizer diante década veios e explorando-os; lendo obras
disso? de autores difíceis e fazendo suas
balhando exclusivamente nisso e próprias interpretações, diferentes
Não me sinto configurada pelo vivendo. Aquele que me chamou e da minha! [...]
estereótipo de uma mulher – ou se- me enviou sabe por que o fez. Eu lhe
ja uma senhora – de 70 anos. Quan- teria sugerido melhores escolhas, Por último, mas não em últi-
do olhava para minha avó, em sua mas parece que ele tem seus cri- mo lugar, vêm os amigos. Amigos,
sétima década de vida, via uma se- térios independentes dos nossos. como vocês sempre foram impor-
nhora já bem avançada em anos, tantes em minha vida! Mas como
recolhida ao recinto do lar. Minha E cá estou, disponível o são sobretudo agora. Porque os
mãe, ao entrar nos 70, era mais ati- como no primeiro dia. filhos vão voar seus próprios voos,
va que minha avó, mas mesmo as- sonhar seus próprios sonhos. Os
sim deixava ver pelo branco dos ca- O segundo é para a minha família. alunos se formam e se tornam co-
belos e pela postura corporal que o Órfã de pai aos 9 anos, filha única, legas. Ficam os amigos. São elas e
tempo avançava sobre seu corpo. tive uma infância e juventude um eles que estão aí, presentes e ati-
tanto “despovoadas” de pessoas, vos, ensinando e aprendendo essa
Não me sinto com 70 porque mi- crianças, companheiros. Agrade- derradeira e bela forma de amor
nha vida tem mudado pouco em re- cidíssima sinto-me por ter podido que é a amizade. Com elas e eles
lação a anos anteriores. E acontece formar a família que é a minha, posso recordar momentos que só
hoje como quando tinha 50 ou 60. com meu marido há 50 anos. Igual- nós compreendemos. Posso fazer
A não ser um cansaço mais fácil e mente por meus três filhos, Lalá, memória de pessoas que já se fo-
uma paciência escassa, trabalho e Carlos e Candida, que habitaram ram e chorá-las em conjunto. Pos-
me movimento tanto ou mais do que meu corpo e dele saíram para se- so rir a bandeiras despregadas com
antes. Faço planos, curto a vida, te- rem pessoas, únicas, amadas e en- situações das quais só nós temos
nho expectativas e acho uma delícia cantadoras. Cada um com seu per- os códigos. Amigos, poderia viver
fazer programa com pessoas mais fil e sua particularidade, são três sem tudo, menos sem vocês. Me-
ou mesmo muito mais jovens. Den- graças maiores dessa vida já longa. recem todos os agradecimentos
tre estes últimos, os preferidos são E obviamente meus netos, crian- do mundo.
meus netos Carol, Maria Antônia, ças que me devolveram um sabor
Cadu, Lucas e Vicky. Eles me man- vital que já andava esquecido pe- Sem medo, mas com certa ex-
têm acesa e maravilhada, brigam los anos de maternidade e o ninho pectativa, olho para a frente. O que
comigo devido a minhas ignorân- vazio dos filhos adultos. Poder ver me reservará a vida nesses próxi-
cias tecnológicas, me contam ca- e ouvir vocês, rir junto e viver esse mos tempos? Não sei nem posso
sos e me fazem perguntas, tantas amor sem ansiedade, repousado e saber, porém me é permitido es-
perguntas, às quais adoro me es- pleno, é algo inestimável. perar. Que seja o que é: vida. Com
forçar por responder. mais experiência, mais maturida-
Em seguida, vêm meus alunos. de e ainda uma certa juventude de
Por tudo isso e porque perma- Creio que elas e eles são os grandes espírito que espero jamais perder.
neço nessa tensão escatológica en- responsáveis pelo fato de o enve- Melhor idade? Pode ser. Apesar dos
tre já me sentir com 70, mas ainda lhecimento ser por mim sentido de pesares e com todas as alegrias.]
não me experimentar velha, esse forma amena. Sua juventude, seus
aniversário é sobretudo o tempo da progressos, seus sucessos e êxitos Fonte: Dom Total
gratidão. Há muito que agradecer, acadêmicos me enchem de orgu-
muito mais do que lamentar. É um
rosário de agradecimentos que de- SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]27
vem ser verbalizados hoje, do lado
de cá da fronteira que ultrapassei.
E o primeiro é dirigido a Deus,
fonte da vida, meu princípio e fun-
damento, o Senhor da história e das
surpresas. Ele que deu uma revira-
volta em minha vida quando me fez
assumir uma profissão que ninguém
entendia quando eu pronunciava:
teologia. Perguntavam: biologia? E
como você vai ganhar a vida com
isso? Aqui estou, aos 70 anos, tra-
Crônica [ Maria
Meus filhos
e Deus
foi um berreiro daqueles! HUMOR
Abaixei-me para ver o quê acontecia em baixo da mesa
DOIS, NÃO!
onde eu passava roupa: era o lugar predileto para o brinque- O mineirinho entrou na sala
do dos meus filhos; além do mais, dali eu podia controlar me- do patrão, jogou todo o salário na
lhor a minha turminha. mesa e disse baixinho:
O motivo do berreiro? - Chefe, meu salário veio 50
Besouros! reais a menos...
Eles pegaram um punhado de besouros e cada qual arranja- Indignado, o patrão rebateu:
ra uma casinha ideal para os seus “boizinhos”… - É, mas no mês passado bo-
Os “boizinhos” do menor aproveitaram um cochilo dos “car- tei 50 reais a mais e você não dis-
reiros” e saíram da casinha, causando aquele choro todo. se nada!
– Chora não, sô! Eu te dou o meu boizinho cinzento! - Pois é, patrão... Um erro eu
E o irmão tentava consolar o menino. até aceito, mas dois já é demais...
– Eu não quero o seu, não! O meu é que tem “friche”…
– Não é “friche”… é chi-fre! Chi-fre! NÃO CONCORDO!
– Pois é! Custei a arranjar um de “friche”... E o “mineirinho” protestando:
Aí, então, Deus foi lembrado: - Inventaram uma Nossa Senho-
– Reza, bobo! Num instantinho, Deus acha seu “bizorro”... ra do “carmo”... Mas não tem ne-
– Acha nada! Eu tô aqui pertinho e não acho! nhuma do “nervoso”... Eu discon-
– Mas Deus tá no céu e de lá ele vê tudo… cordo!!!
– Vê não… Vê nã-ã-ã-o!
Fiquei atenta. Os dois ficaram caladinhos… POR ENQUANTO, NÃO...
Aí o choro recomeçou. E a busca também: procuraram no Um velhinho, mineiro, está no
guarda-roupa, debaixo das camas e até dentro dos meus chinelos hospital, nas últimas.
abandonados pelo calor… O padre ao seu lado começa a
E, como o menino não se calava, o mais velho resolveu tirar dar-lhe a extrema-unção e diz ao
o besouro de dentro do bolso, onde o havia escondido. seu ouvido:
Não querendo dar o braço a torcer, falou: - Antes de partir, reafirme a sua
– Aqui! Achei ele procê! Não falei que Deus acha tudo! fé em nosso Senhor Jesus Cristo e
E o pequeno, desconfiado da manobra do irmão: renegue o demônio...
– Eu acredito que Deus acha “bizorro” perdido só se ele der Mas o velhinho fica quieto.
conta de fazer uma casinha de joão-de-barro pra mim ,agora! A- Ao que o padre insiste:
g-o-r-a! - Antes de morrer, reafirme a
E com o dedinho gorducho marcava um lugar no chão, es- sua fé e renegue o “coisa ruim”...
perando a casinha de joão-de-barro aparecer… E o velhinho... nada.
Entrei em cena e dei uma colherzinha-de-chá para Deus. Então, o padre pergunta:
Porque, se a conversa dos dois continuasse, eu acho que a ca- - Por que é que você não faz o
sinha de joão-de-barro teria de aparecer, na hora! Ah! Isto teria...] que estou mandando?
O velhinho responde:
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]29 - Enquanto eu não souber pa-
ra onde vou, não quero ficar mal
com ninguém!
ESTÁ EXPLICADO?
- Vovô, por que o voleibol não é
popular nos Estados Unidos?
- Ora, meu netinho, é porque
no vôlei não é permitido invadir o
território do adversário...]
Páginas que não passam [ Seguir...
SÃO PEDRO DAMIÃO, OSB
Deixamos tudo que não possuía um lugar onde re-
pousar a cabeça, e que veio não pa-
para te seguir ra fazer sua vontade, mas para fa-
zer a vontade daquele que o enviou.
QUE PALAVRAS SOLENES! É uma grande mas não podemos seguir a Cristo
promessa, é uma obra santa e se não abandonamos tudo. Já que É necessário, pois, que nós dei-
digna de bênçãos deixar tudo e ele se lança como alegre conquis- xemos tudo para seguir somente a
seguir a Cristo! Estas palavras ar- tador (Sl 19,6), ninguém pode segui Cristo, que nos esforcemos por agra-
rastaram homens e mulheres à po- -lo sobrecarregado por um fardo. dar somente a Cristo, que nos ape-
breza voluntária; elas fizeram nas- guemos à sua benevolente vontade
cer os mosteiros. Elas encheram os “Eis que deixamos tudo”- diz Pe- com um cuidado vigilante. É cer-
claustros e as florestas de inumerá- dro -, não somente os bens deste to que logo conheceremos por ex-
veis monges e eremitas. A Igreja se mundo, mas também os desejos de periência o que a Verdade prome-
refere a esta palavra quando canta nossa alma. É que não abandonou te a todo aquele que abandona tu-
o versículo do salmo: “Para me con- tudo aquele que ainda permanece do e caminha em seu seguimento:
duzir segundo tua palavra, eu guar- apegado a si mesmo. Mais ainda: “Ele receberá o cêntuplo, diz ela, e
dei o caminho prescrito”. (Sl 17,4) de nada serve ter abandonado to- terá como herança a vida eterna”.
do o resto, à exceção de si mesmo, De fato, o dom do cêntuplo é para
Na verdade, é uma grande coi- pois não existe para o homem um nós um conforto para a caminha-
sa deixar tudo, mas é coisa ainda fardo mais pesado que o próprio eu. da, e a posse da vida eterna fará
maior seguir a Cristo, pois, como Que tirano é mais cruel, que patrão nossa felicidade para sempre na
aprendemos nos livros, muitos dei- é mais impiedoso para o homem vida celeste.
xaram tudo e não seguiram a Cris- que sua própria vontade? Por con-
to. Seguir a Cristo é a nossa tarefa, seguinte, é preciso que abandone- Mas o que é esse cêntuplo? Sim-
é nosso trabalho; nisto consiste o mos nossas posses e nossa vontade plesmente, as consolações do Es-
essencial à salvação do homem, própria se queremos seguir aquele pírito doce como o mel, suas visi-
tas e seus primeiros frutos. Este é
[30 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019 o testemunho de nossa consciên-
cia, é a feliz e muito alegre expec-
tativa dos justos, é a memória da
superabundante bondade de Deus
e, na verdade, é também a imensi-
dade de sua doçura.
Aqueles que fizeram a experiên-
cia desses dons não têm necessida-
de de lhes falemos a este respeito.
E quem poderia descrevê-los com
simples palavras para aqueles que
não a fizeram?]
PEDRO DAMIÃO [1007-1072] nasceu em Ra-
vena, Itália. Ao ficar órfão, foi educado por
sua irmã, Roselinde. Concluiu seus estudos
em Ravena, Faenza e Parma, tornando-se
professor em sua cidade natal. Depois de se
encontrar com dois eremitas de Font Avel-
lana, o célebre mosteiro de São Romualdo,
fez-se monge e foi ordenado sacerdote, sen-
do eleito prior em 1043. Depois de fundar vá-
rios mosteiros, foi criado cardeal pelo Pa-
pa Estêvão IX, e assumiu o bispado de Óstia
em 1057. Trabalhou intensamente pela re-
forma da Igreja, tornando-se conselheiro
dos papas Gregório VI, Clemente II, Leão IX
e Gregório VII. Deixou numerosos sermões,
tratados e opúsculos de poemas e orações.
Foto: Iluminura de
Giovanni Antonio Decio
- 1480
Roteiros Pastorais
Leitura Orante 32 • Tudo em Família 33
Dinâmica para Grupo de Jovens 33
Catequese 34 • Homilética 36
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]31
Nossos Leitura Orante [ Caminhar...
passos nos
Cantando: A Palavra de Deus é a Ver- Segundo, quem diz que permanece
passos de dade, sua Lei, liberdade... em Deus, deve andar como Ele an-
jesus dou. O conhecimento de Jesus de-
B. O que o texto diz em si ve levar a viver como Ele viveu. Não
“Quem ama o seu irmão Chave de Leitura: 1João 2,1-11 basta apontar para a luz, o impor-
permanece na luz.” 1. Como sabemos se conhecemos a tante é caminhar na luz, ser luz “ca-
Jesus? paz de acender outras luzes”, como
(1Jo 2,10) 2. Qual é o mandamento que rece- Jesus. Terceiro, quem diz que está
bemos? na luz, mas odeia o irmão, na verda-
Busca da intimidade com Deus 3. Quem anda nas trevas e quem an- de, está nas trevas. João afirma que
O recolhimento, o silêncio, a von- da na luz? anda na luz quem ama o seu irmão.
tade sincera de escutar o que o Se- 4. Como está a prática do amor em Esse é o maior critério da verdade.
nhor tem a nos dizer; um ambien- nossas famílias e comunidades?
te mais tranquilo, uma posição fa- Cantando: Deus é amor. Arrisquemos
vorável para o corpo, a respiração C. O que o texto diz para nós viver por Amor. / Deus é Amor. Ele
profunda e lenta, tudo isso ajuda a João nos mostra que a condição fun- afasta o medo.
criar um clima de oração e de bus- damental para sabermos se esta-
ca da paz interior. mos, ou não, caminhando na luz é D. O que o texto
a vivência dos mandamentos. So- nos faz dizer a Deus?
A. Situando o texto bretudo o mandamento do amor. a) Senhor, ajudai-nos a colocar nos-
Jesus, logo no início de sua vida pú- sos passos nos passos de Jesus aco-
blica, chamou um grupo de discípu- Naquele tempo, na comunidade lhendo os mais pobres e necessita-
los para caminharem com ele. Foram de João havia um grupo de pessoas dos. Rezemos:
chamados a colocar os seus passos mais apegadas à doutrina, a um co-
nos passos de Jesus. Chamados a nhecimento, agarrados às “verdades Todos: Senhor, fazei-nos mais unidos.
aprender a viver e a amar como Jesus. da fé”, que seriam reveladas apenas
para os escolhidos. Eles pensavam b) Senhor, que nossa fé não fique
Este é o sentido do nosso segui- que a alma vinha de Deus e devia apenas em palavras e preces, mas
mento a Jesus hoje. Ser cristão é co- ser salva. O corpo era desprezado e se convertam em atitudes de solida-
locar os nossos passos nos passos tratado como causa do pecado. Pa- riedade e de fraternidade. Rezemos.
de Jesus. Não adianta falar bonito, ra eles era muito difícil entender
fazer belas reflexões, falar em jus- que Jesus se encarnou de verdade e c) Senhor, que sejamos praticantes
tiça se nossos passos vão na direção que o amor deveria manifestar-se da Palavra e não apenas ouvintes.
contrária. A 1ª Carta de João denun- através de ações de acolhida, mise- Rezemos.
cia que aquele que diz que conhece ricórdia e solidariedade a favor dos
a Deus, mas não segue os manda- irmãos e irmãs de dentro e de fora (Outras preces espontâneas)
mentos, é mentiroso. Vamos ouvir das comunidades.
o que o Senhor nos quer falar. E. O que o texto
A Carta de João afirma revela que nos sugere para nossos dias?
nós conhecemos a Deus pelas ações. - Estamos colocando nossos passos
As ideias, a doutrina sozinha, não no jeito de Jesus amar ou cedendo
salva. Nossas ações é que revelam ao ódio e à violência? Dê exemplos?
que nós somos de Deus.
Cantando: Deus é amor. Arrisquemos F. Tarefa concreta
viver por Amor. / Deus é Amor. Ele Participar dos estudos do Mês da Bí-
afasta o medo. blia em sua paróquia ou comunidade.
A 1ª Carta de João nos apresenta Encerramento
três tipos de comportamentos: Pri- Na contramão do caminho de luz,
meiro, quem diz que conhece a Deus, que é o amor, está o ódio, o caminho
mas não guarda seus mandamen- das trevas. Ódio e ressentimento ce-
tos, é mentiroso. Obediência não é gam, geram violência, sofrimento e
seguir ordens cegamente, mas ca- morte. Fazem mal para o corpo e pa-
minhar na luz. Obediência é colo- ra alma. Peça a Deus a graça de per-
car os passos nos passos de Jesus. severar nos passos de Jesus.]
[32 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019
Tudo em Família [ 69 – Amar...
Entre o amor e o interesse
1. Coisas que acontecem to essencial do matrimônio cristão. matrimônio realizado sem a liber-
No romance e no teatro, os autores Assim escreve Jacques Leclercq: “A dade dos cônjuges seria radical-
sempre aproveitaram o conflito en- atitude da Igreja em face do matri- mente nulo.
tre pais e filhos na escolha do noivo mônio é muito clara: toma o partido
ou da noiva, como no clássico “Ro- do amor e não deixou ainda de usar 3. Para uma
meu e Julieta”. Shakespeare, Mo- toda a sua influência para centrar o reunião de casais
lière e muitos outros dedicaram-se matrimônio no amor, resistindo às - Você admite que os filhos pos-
ao tema: dois jovens que se amam, tendências que os separam. Centrar sam ser sejam induzidos a um ca-
mas encontram a oposição dos pais, o matrimônio no amor e o amor no samento sem que exista amor en-
que veem no casamento uma opor- matrimônio, de tal maneira que não tre os noivos?
tunidade para realizar outros inte- haja matrimônio sem amor, nem
resses práticos, sejam eles sociais, amor fora do matrimônio. Segun- - Você conhece pessoas que se ca-
materiais ou financeiros. do a concepção da Igreja, o amor es- saram até certo ponto forçadas pe-
tá feito para o matrimônio, e o ma- los pais?
Ainda hoje, em alguns países – trimônio para o amor, e um e outro
em especial no Oriente – os casa- para a família”. - Qual foi a reação de seus pais quan-
mentos são firmados ainda na in- do você manifestou a escolha de seu
fância, sem que se leve em conta os Vê-se nesta posição da Igreja um noivo ou noiva?
sentimentos e os afetos dos noivos profundo respeito pela pessoa, por
envolvidos. seu desenvolvimento e sua reali- - Você precisou enfrentar algum tipo
zação. Por isso mesmo, jamais po- de oposição da parte dos pais? Ou so-
2. Pensando juntos deria aceitar que pessoas fossem freu pressão para escolher determi-
Obviamente, a Igreja considera a li- moeda de troca ou mercadoria a nada pessoa como noivo ou noiva?]
berdade de escolha como um elemen- ser comercializada. Ademais, um
Minha máscara — Dinâmicas para Grupo de Jovens [ 69
Objetivo: Integração Por exemplo: sorridente, antipáti-
co, orgulhoso etc. No mínimo, 3 as-
Material utilizado: 1 folha em bran- pectos de cada lado.
co, 50 cm de barbante ou elástico fi-
no para cada participante, lápis de O facilitador solicita que todos
cor ou giz de cera, o suficiente para o coloquem a máscara, ficando visí-
grupo desenhar, e algumas tesouras. vel o lado A (como eu me vejo). Pede
que circulem pelos espaços da sala
Procedimentos: Solicitar que cada lendo as características dos demais
um dos participantes pegue uma membros do grupo e permitindo que
folha em branco e desenhe uma leiam a sua. Após verificar que, de
máscara na frente da folha(lado A) uma forma geral, já compartilha-
e outra no verso (lado B). Devem ser ram as características, solicitar que
escritas, no lado A, as característi- virem a máscara, deixando visível
cas que a pessoa acha que tem (co- o lado B (como os outros me veem).
mo eu me vejo). Por exemplo: Cal-
ma, feia, simpática etc. Devem ser Finalizar compartilhando a ex-
escritas, no lado B, características periência com o grande grupo, e ca-
como a pessoa acha que os outros da um pode verbalizar o que acha
a veem (como os outros me veem). que é e o que pensa que os outros
acham dele.]
Fonte: portaleducacao.com.br
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]33
Roteiros para catequese [ 3 encontros seguindo os evangelhos dos
1. de que estão limpos da doença e 2.
Tua fé podem voltar para a comunidade. Precisamos
te salvou rezar
Todos eles foram curados, mas sempre
Objetivo: Descobrir que Jesus veio só um voltou para agradecer. A gra-
para salvar e não para condenar. tidão é algo muito importante em Objetivo: Mostrar a importância de
nossa vida. Quem sabe demonstrar perseverar na oração e na luta, con-
Material: Bíblia, gravura do nasci- gratidão tem um bom coração e sa- fiando que a justiça acontecerá.
mento de Jesus, quatro lenços pa- be que toda graça vem de Deus.
ra vendar os olhos. Material: Bíblia; pacote de biscoi-
Jesus elogia a atitude daquele tos ou balas numa embalagem de
1. VER (a realidade) que voltou para agradecer: “Tua fé presente. A oração do Pai-Nosso
te curou!” A fé em Deus tem um po- escrita em faixas, colocando ca-
Dinâmica: Vendar os olhos de 3 ou der enorme. Quanto maior a nossa da pedido em faixa diferente. São
4 participantes voluntários. Os de fé, maiores as graças de Deus pa- sete pedidos.
olhos vendados devem adivinhar, ra nós. Peçamos a Deus que ele nos
através do tato, os colegas apresen- faça sempre crescer na fé e na ati- 1. VER (a realidade nos ensina)
tados, falando as características que tude de gratidão pela ação de Deus Dinâmica: Dois participantes são con-
vão descobrindo (roupa, calçados, em nossa vida. vidados a se afastarem do grupo.
cabelos, outros detalhes). O grupo é orientado a formar uma
Guardar no coração: “Tua fé te curou!” corrente bem firme para não dei-
Experiência de vida: Comentar: É fá- xar participar os dois que se retira-
cil conhecer uma pessoa? O que é 3. CELEBRAR ram. A corrente está alegre e pode
necessário para conhecer bem uma até cantar (a escolha). Os dois po-
pessoa? Oração dem até fazer força para consegui-
De mãos dadas, rezar um Pai-Nos- rem entrar. No centro da roda há o
2. ILUMINAR (ensinamentos de Jesus) so na intenção de todos aqueles que pacote de presente. Conseguindo,
não sabem agradecer a Deus. ou não, entrar na roda, o catequis-
Canto de aclamação ta para a brincadeira e conversam
Cantar um cântico de interio- sobre o que aconteceu e o que fi-
Leitura: Lucas 17,11-19 rização. zeram; como se sentiram as duas
crianças “excluídas” e, no final do
Perguntar: 4. AGIR (a realidade nos convoca pa- encontro, podem abrir o presente
a) O que os leprosos pediram a Jesus? ra...) e repartir o que há dentro.
Experiência de vida: Dialogar, per-
b) Quantos leprosos foram curados? Compromisso guntando se as crianças conhecem
Cada noite, antes de dormir, rezar pessoas que foram excluídas: do tra-
c) Quantos voltaram para agradecer? agradecendo a Deus as graças re- balho, do grupo ou da família. Per-
cebidas. guntar se as crianças já consegui-
d) Somos gratos por todo o bem que ram algo que tiveram que insistir
Jesus faz por nós? Final muito para obter.
Terminar juntando os catequisan-
Para refletir do em uma roda. De mãos dadas, 2. ILUMINAR (ensinamentos de Jesus)
Jesus está sempre disposto a nos em forma de ciranda, encerrar o
ajudar. Ele quer sempre o melhor encontro com um canto alegre.] Canto: para aclamar a Palavra
para cada um de nós. Quando Ele Leitura: Lucas 18,1-8 (procurar ler
pede para que os leprosos se apre- [34 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019 com clareza)
sentem ao sacerdote, é para que es- Perguntar:
te dê uma carta de comprovação a) O que Jesus quis mostrar para
os discípulos com esta parábola?
domingos 13, 20 e 27 de outubro]
b) Como era o juiz da cidade? 3. Para refletir
c) Por que o juiz acabou ajudando Ninguém Há dois jeitos de se apresentar a
a viúva? é melhor Deus na oração:
d) O que Jesus falou sobre a justi- do que
ça de Deus? ninguém Jeito egoísta: é o jeito da pes-
soa convencida que só pensa em
- Antes de comentar, deixar que Objetivo: Entender que quem quer si e rejeita os outros. Pensa ser jus-
as crianças digam o que enten- ficar com Jesus deve ser humilde, to, cumpridora da lei, acusando os
deram da mensagem do Evan- reconhecer seus erros. outros. Só vê os defeitos do próxi-
gelho. mo. Não pede perdão, não reconhe-
Material: Bíblia, dois galhos (um seco ce o seu erro.
Para refletir e um verde) e dois vasos para planta.
Jesus nos lembra a necessidade que Jeito autêntico: é a pessoa que
temos de rezar sempre. A parábo- 1. VER (a realidade) confia na bondade de Deus, acredi-
la do juiz injusto e da viúva persis- Dinâmica: O (a) catequista pede a um ta na misericórdia de Deus. Reco-
tente nos mostra que precisamos participante voluntário para se re- nhece que é limitada e tem defei-
rezar sem desanimar, ser perseve- tirar da sala. Depois, explica aos ou- tos, mas tem certeza de que a for-
rantes na oração constante. Preci- tros que uma das pessoas está ele- ça de Deus está na sua vida e ajuda
samos cultivar a oração pessoal e trificada. Quando o voluntário to- a mudar de rumo. Conversa com
comunitária. car na cabeça dele, todos darão um Deus sobre as necessidades suas e
grito. Determina a pessoa e chama de seus irmãos.
Jesus é o nosso exemplo maior o voluntário para tocar na cabeça
de pessoa orante. Toda a sua vida de todos, colocando as duas mãos e Questionar: Qual é o jeito me-
foi uma oração contínua a Deus Pai. descobrir quem é eletrificado. lhor? Por quê? A parábola nos en-
E para rezarmos bem, precisamos sina que também nós podemos
nos unir a Deus Pai no silêncio, nos Experiência de vida: Em círculo, no ter alguma coisa da atitude reli-
sinais e ritos que nos ajudam a re- meio um vaso com galhos secos e giosa do fariseu ou do compor-
zar. Deus atende à oração daque- outro com galhos verdes. Distribuir tamento “negociante” do publi-
les que testemunhem com a vida o tiras brancas, onde cada um escre- cano. Humilhar-se, abaixar-se
desejo e a esperança de que acon- verá um defeito seu, e colocar no diante de Deus não é frustração.
tecerá a justiça. galho seco. Distribuir tiras colori- É condição para sermos levanta-
das, escrever uma virtude e colo- dos por Ele.
Guardar no coração: É preciso rezar car no galho verde.
sempre. Guardar no coração: Ninguém é me-
Perguntar: - Fui sincero ao es- lhor que ninguém!
3. CELEBRAR crever meu erro, minha virtude? -
Oração Por que colocamos os erros no galho 3. CELEBRAR
Convidar para meditar a oração do seco e as virtudes no galho verde?
Pai-Nosso. Enquanto se colocam as Oração
faixas (com as frases do Pai-Nosso) 2. ILUMINAR (ensinamentos de Jesus) Formar um círculo e, de mãos da-
no centro do círculo, lê-se e faz-se Canto de aclamação das, rezar um Pai-Nosso e uma Ave
um comentário. Depois, de mãos -Maria em intenção de todos os mis-
dadas, rezar o Pai-Nosso. Leitura: Lucas 18,9-14 (ler com ex- sionários, sobretudo para aqueles
pressão) que são perseguidos por causa da
4. AGIR (a realidade nos convoca Palavra de Deus.
para...) Perguntar:
a) Quem eram os homens que subi- 4. AGIR
Compromisso ram ao templo para rezar?
Escrever o Pai-Nosso, destacando b) Como rezava o fariseu? Compromisso
os 7 pedidos, e colocar no cantinho c) Como rezava o pecador publicano? Conversar com alguma pessoa so-
de Jesus da sua casa. d) O que Jesus diz no final da pa- bre o trabalho dos missionários. Há
rábola? algum missionário de nossa Paró-
Final quia que foi trabalhar fora do país?
Terminar fazendo a partilha do que SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]35
está no pacote de presente.] Final
Terminar o encontro com um can-
to alegre.]
Homilética [ 27•10•2019 “Quem se humilha
será elevado.”
(Lc 18,14)
30º Domingo Leituras da Semana
do Tempo
Comum [dia 28: Ef 2,19-22; Sl 18[19],2-3.4-5; Lc 6,12-19
[dia 29: Rm 8,18-25; Sl 125[126],1-2ab.2cd-3.4-5.6; Lc 13,18-21
[dia 30: Rm 8,26-30; Sl 12[13],4-5.6; Lc 13,22-30
[dia 31: Rm 8,31b-39; Sl 108[109],21-22.26-27.30-31; Lc 13,31-35
[dia 1º: Rm 9,1-5; Sl 147[147B],12-13.14-15.19-20; Lc 14,1-6
[dia 2: Sb 3,1-9; Sl 24[25],6-7bc.17-18.20-21; Rm 5,5-11; Jo 11,17-27
Leituras: Eclo 35,15b-17.20-22a; seu martírio. A libação de seu sacri- da oração. O fariseu se considera
Sl 33[34]; 2Tm 4,6-8.16-18; Lc 18,9-14 fício será seu próprio sangue, que justo, autêntico e puro. Ele jejua
vai servir para aumentar e incre- muito mais do que pede a Lei, pa-
1. A verdadeira religião. O texto mos- mentar a evangelização. ga o dízimo de toda a sua renda e
tra a importância das cerimônias se considera melhor do que todo
litúrgicas, o valor dos sacrifícios, Ele crê que o que lhe resta é a co- o mundo. Ele não é como os ou-
mas deixa claro que o que constitui roa da justiça. Mais uma vez uma tros, que são ladrões, desonestos
a verdadeira religião, a religião que imagem desportiva. Como o atle- e adúlteros.
Deus quer, é a prática da justiça. Os ta recebia a coroa da vitória, Paulo
poderosos querem agradar a Deus espera receber a coroa da justiça, Em termos de cumprimento da
através das ofertas roubadas dos po- que o Senhor, justo juiz, lhe entre- Lei, o fariseu era realmente exem-
bres. Isto é zombar de Deus. O valor da gará naquele dia. A coroa é símbolo plar. Onde está o seu erro? Ele é or-
oferta está no coração do ofertante. da vitória final, da vida eterna. Es- gulhoso, acha que por ser rigoroso
ta coroa da justiça será conferida no cumprimento da Lei de Deus,
Deus não faz distinção entre as também a todos os atletas valen- Deus estaria obrigado a reconhecê
pessoas e não prefere a oferta do ri- tes que continuam na espera ati- -lo justo. E acha que pode conquis-
co. Ele não despreza a súplica do ór- va, ou seja, com amor concreto, à tar sozinho a salvação. A religião
fão e da viúva, mas se comove com manifestação de Cristo. para ele é um comércio. Ele exalta
ela. Deus ama e atende as súplicas suas próprias qualidades e ainda
daqueles que o servem. Ele ouve os 3. Deus ouve os humildes. A pará- julga e condena os outros. A religião
justos e injustiçados, aqueles que bola é contada por Jesus para aque- do fariseu não deixa margem para
põem nele sua confiança e lhe pe- les que confiavam na sua própria a gratuidade de Deus. Sua oração
dem justiça. Deus atende a todos justiça e desprezavam os outros. é troca de favores, e não um mer-
que não pretendem fazer de suas É a típica atitude do fariseu com gulho no mistério e na misericór-
orações um comércio com ele, pois sua falsa religião ritualista, ou dia de Deus. Sua oração é, portan-
não se deixa comprar por ofertas. seja, que se relaciona com Deus to, inautêntica.
apenas através de ritos e precei-
Enfim, Deus não sossega, “en- tos. A parábola ensina também A oração do publicano é exa-
quanto não retribuir a cada um se- a gratuidade de relacionamento tamente o contrário. O publicano
gundo as suas ações”. Deus criou o de Deus com os homens e dos ho- reconhecia sua fraqueza, seu pe-
homem capaz de assumir a respon- mens com Deus. cado, sua miséria e pedia perdão a
sabilidade de seus próprios atos, e Deus. Realmente, como cobradores
vai cobrar isso de cada um de nós. O publicano e o fariseu vão ao de impostos, eram acusados de ex-
templo para rezar. Na oração do torsão e corrupção. Eram colabora-
2. O prêmio da justiça. Já estamos fariseu, vemos o seu retrato, sua cionistas com os opressores roma-
no final do Testamento de “Paulo”. concepção de Deus, da religião e nos. Mas sua oração é autêntica,
Ele percebe que sua vida está che- humilde, realista. Ele nem se atre-
gando ao fim. Olhando para trás, [36 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019 via a levantar os olhos, mas batia
conclui que sua vida não foi em vão, no peito pedindo perdão.
mas foi a vida de um soldado qua-
lificado, um batalhador das coisas A conclusão de Jesus subverte
de Deus. Como atleta ele terminou a mentalidade farisaica. O fariseu,
a sua corrida, como cristão ele con- que se achava merecedor da salva-
serva a fé e tem consciência clara ção, volta para casa sem o perdão,
do dever cumprido. enquanto o publicano volta perdoa-
do. E Jesus conclui: “pois quem se
Agora ele sente que vai derramar eleva, será humilhado, e quem se
seu sangue em libação. Ele prevê humilha será elevado”.]
[Comentário de: Homilética [ 2•11•2019 “Eu sou
antônio carlos santini a ressurreição
e a vida.”
(Jo 11,25)
Comemoração de
Todos os Fiéis Defuntos
Leituras: Sb 3,1-9; Sl 24[25]; O apóstolo vai mais longe: mos- uma realidade que transpõe os li-
Rm 5,5-11; Jo 11,17-27 tra nossa falta de mérito para a re- mites estreitos de nossa existência
conciliação realizada em nós: éra- histórica. A “ressurreição da carne”
1. Nas mãos de Deus. Esta é a grande mos pecadores quando Cristo deu – artigo do Símbolo dos Apóstolos, o
lição sapiencial do Primeiro Testa- sua vida por nós. Apesar de tudo, Creio – ocorrerá na Segunda Vinda
mento: nada pode arrancar os fiéis Deus derramou seu amor em nos- de Jesus Cristo, quando retornará
das mãos de Deus, nem mesmo a sos corações. Esta é a experiência “para julgar os vivos e os mortos”.
morte. As aparentes desgraças ex- fundadora que nos permite perse-
perimentadas na história não são verar na fé. Desde já, estamos re- O apóstolo Paulo trata com de-
capazes de roubar a paz de quem conciliados com Deus. talhes sobre o tema da ressurrei-
se apoia no Senhor. Esta passagem ção na 1a Carta aos Coríntios, capí-
do Livro da Sabedoria, ainda em 3. Eu sou a vida. Esta frase lapidar tulo 15. A ressurreição de Cristo é
tempos da Primeira Aliança, abre de Jesus nos ensina que não deve- o alicerce desta certeza: ele foi as
os olhares do povo de Deus e acen- mos temer a morte: estando com “primícias” de uma colheita que
de a esperança para uma vida que ele, nada nos pode roubar a vida. nos incluirá no fim dos tempos.
se projeta além da morte: é a eter- Jesus É a vida. E trata-se de um ponto central de
nidade. nossa fé cristã: “Se Cristo não res-
O Evangelho de João não utiliza suscitou, é vã a nossa pregação, e
Isto não significa absolutamen- a palavra bios – a vida animal, bio- também é vã a vossa fé”. (1Cor 15,
te ignorar os sofrimentos experi- lógica -, mas a palavra zoé – a vida 14.) A ressurreição de Cristo é o pe-
mentados no mundo ou minimi- eterna, vida do espírito, a vida que nhor, a garantia de nossa própria
zar as dores da existência, mas dá- não está sujeita às intempéries e ressurreição. Com base nas refle-
lhes um novo sentido: são prova- aos dissabores de cada dia. Para o xões de Paulo, a liturgia de Finados,
ções que purificam (v. 6) e preparam pagão, um absurdo; para o cristão, em um de seus Prefácios, afirma
para a vida definitiva com Deus. a invencível fonte de esperança. com segurança: “A vida não é tira-
Deus escolhe aqueles a quem de- da, mas transformada”. Vita mu-
seja visitar (v. 9). Na cena deste Evangelho, Je- tatur, non tollitur.
sus diz estas palavras logo antes de
2. Cristo morreu por nós. Tratando reanimar Lázaro, morto há quatro Dirigindo-se a Marta, irmã de
o tema da reconciliação, o apóstolo dias, e trazê-lo de volta à existên- Lázaro, Jesus afirma categorica-
Paulo recorda que nossa morte foi cia temporal. Essa demonstração mente: “Eu sou a ressurreição e a
assumida por Cristo. É esta a razão sinaliza que de fato Jesus é Senhor vida”. É nele que começamos a vida
de podermos esperar sem sofrer da Vida, e que a própria morte está eterna, inaugurada no momento
decepção (v. 5), pois Jesus venceu debaixo de seu domínio. de nosso Batismo. Nele, permane-
a morte. Enquanto vivemos o tem- ceremos vivos além da morte, pois
po que nos foi dado, recebemos de Não devemos confundir “rea- ela perdeu o seu ferrão (cf. 1Cor 15,
Deus a graça suficiente para fazer nimação” e “ressurreição”. Chamar 55) com a morte e ressurreição do
frente às tribulações. É esta graça por Lázaro e fazê-lo regressar vivo Senhor.
que nos sustenta. do sono da morte, como fez Jesus,
isto é “reanimação”. Claro que, tendo Se a reanimação de Lázaro é o
Por outro lado, as dificuldades e voltado ao mundo dos vivos, Lázaro sinal evidente de que Jesus é o Se-
sofrimentos da existência não são viveu por mais algum tempo e voltou nhor da vida, sabemos que há um
inúteis. Ao contrário, diz Paulo, eles a morrer. A morte é um traço típico número incontável de pessoas que
contribuem para que nós exercite- de nossa condição humana neste experimentaram em sua existên-
mos a constância, uma capacidade planeta provisório. Podemos até adiá cia pessoal a entrada em uma vida
de resistência ao mal que treina a -la, mas não podemos suprimi-la. nova, que não se extinguirá com o
virtude e se projeta na esperança. tempo e se projeta muito além da
Ao contrário, quando Jesus fa- morte, na eternidade. (ACS)]
la da “ressurreição”, ele se refere a
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]37
Homilética [ 3•11•2019 “Será grande
a vossa recompensa
nos céus.”
(Mt 5,12)
Solenidade Leituras da Semana
de Todos
os santos [dia 4: Rm 11,29-36; Sl 68[69],30-31.33-34.36-37; Lc 14,12-14
[dia 5: Rm 12,5-16a; Sl 130[131],1.2.3; Lc 14,15-24
[dia 6: Rm 13,8-10; Sl 111[112],1-2.4-5.9; Lc 14,25-33
[dia 7: Rm 14,7-12; Sl 26[27],1.4.13-14; Lc 15,1-10
[dia 8: Rm 15,14-21; Sl 97[98],1.2-3ab.3cd-4; Lc 16,1-8
[dia 9: Ez 47,1-2.8-9.12; Sl 45[46],2-3.5-6.8-9; Jo 2,13-22
Leituras: Ap 7,2-4.9-14; Sl 23[24]; mos de Deus e assim podemos ver e o povo. Aqui o clima é de confian-
1Jo 3,1-3; Mt 5,1-12a a maior prova de amor que o Pai ça e aproximação. Aqui não há leis,
nos deu: “sermos chamados de fi- mas propostas de felicidade.
1. O Cordeiro que salva. A pergun- lhos de Deus e o sermos de fato”.
ta de Ap 6,17: “quem poderá ficar Duas bem-aventuranças (a 1ª
em pé?” encontra no capítulo 7º sua Para Jesus, na 7ª bem-aventu- e a 8ª) sintetizam as outras. A 1ª é:
resposta. A salvação é impossível rança (cf. Mt 5,9), isto é concedido “Bem-aventurados os pobres em
ao homem, mas para Deus nada é aos que promovem a paz. Uma paz espírito, porque deles é o Reino dos
impossível. O autor tem presente verdadeira é bem-estar que exclui céus”. A 8ª é: “Bem-aventurados os
o recenseamento dos hebreus no injustiça e opressão. Supõe, portan- que são perseguidos por causa da
deserto (cf. Nm 1,20-43). Como pro- to, a fé traduzida em obras, uma justiça, porque deles é o Reino dos
teção de Deus, a marca na fron- fé no único Pai de todos, que nos céus”. As outras bem-aventuran-
te indica a salvação. Os marcados ama através do amor do Filho que, ças não são mais do que esclare-
são 144 mil. Um número simbóli- vivendo e morrendo por nós, nos cimento dessas duas.
co que aponta para a totalidade de concedeu a graça da filiação divi-
12 (12x12x1000=144.000), isto é, todo na. Somos, portanto, todos irmãos A 2ª, a 3ª e a 4ª bem-aventuran-
o povo de Deus do Primeiro Testa- com a obrigação do amor mútuo. O ças vão explicar a 1ª e a 8ª, dizendo
mento. Este número pode indicar mundo cultiva o ódio e nos impe- quem são os pobres. Os mansos fo-
a largura da misericórdia divina, ram amansados pelos poderosos,
salvando a totalidade dos eleitos. de de ver a Deus. Quando Cristo se que até lhes cassaram os direitos,
manifestar, também a nossa rea- mas eles herdarão a terra. Podem ser
Expressões que se referem à lidade de filhos se manifestará, e identificados com “os sem-terra”! A
salvação aparecem aqui com far- aí seremos semelhantes a ele, pois 3ª diz quem são os aflitos - pessoas
tura. “De pé” (não serão julgados; o veremos tal como ele é. cativas e aprisionadas, vítimas da
é sinal salvífico); “vestes brancas” sociedade cruel e opressora, mas
(simbolizam a vitória, a salvação); 3. Os filhos de Deus. No início do Deus os consolará, libertando-os.
“palmas nas mãos” (vitória). Todos “Sermão da Montanha” (Mt 5-7), Je-
reconhecem que a salvação vem sus fala para multidões numerosas A 4ª diz quem são os que têm fo-
de Deus através da cruz de Cristo vindas de vários lugares (cf. 4,25). me e sede de justiça - aqueles que
- o Cordeiro: “lavaram suas vestes São gente simples, pobres, aflitos, não podem viver na atual injustiça.
e alvejaram-nas com o sangue do perseguidos, famintos. Jesus sobe Eles lutam pela sobrevivência. Sua
Cordeiro”. O sangue simboliza a efi- a montanha e se assenta. A mon- luta é justa e eles serão saciados.
cácia da morte de Jesus. tanha lembra o Sinai, onde Deus, As bem-aventuranças 5ª, 6ª e 7ª vão
através de Moisés, tinha feito alian- mostrar que os pobres querem cons-
O Apocalipse é, assim, uma in- ça com seu povo. Assentado, Jesus truir a nova sociedade. Os pobres
jeção de ânimo para que os cris- assume o papel de Mestre. No Sinai são misericordiosos, são solidários,
tãos de todos os tempos lutem até o a distância era grande entre Deus querem colocar tudo em comum.
fim, para não deixarem que o bem Deus reparte com quem reparte. Os
- o projeto de Deus- seja abocanha- [38 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019 puros de coração verão a Deus. O co-
do pelo mal encarnado nas injus- ração é a sede das opções profundas.
tiças e perseguições de pessoas e
instituições. A 7ª diz respeito aos que promo-
vem a paz. Paz (=shalom) é a ple-
2. Somos todos irmãos. O texto de nitude dos bens, é exclusão da in-
hoje pertence à seção cujo tema é: justiça, da opressão e da violação
“viver como filhos de Deus” (cf. 2,29- dos direitos. Paz, aqui, é mais social
4,6). Praticando a justiça, nasce- do que pessoal. Serão chamados fi-
lhos de Deus os que lutam pelo bem
comum, pelo bem-estar de todos.]
Homilética [ 10•11•2019 “Deus não é Deus
dos mortos,
mas dos vivos.”
(Lc 20,38)
32º Domingo Leituras da Semana
do Tempo
Comum [dia 11: Sb 1,17; Sl 138[139],1-3.4-6.7-8.9-10; Lc 17,1-6
[dia 12: Sb 2,23 – 3,9; Sl 33[34],2-3.16-17.18-19; Lc 17,7-10
[dia 13: Sb 6,1-11; Sl 81[82],3-4.6-7; Lc 17,11-19
[dia 14: Sb 7,22 – 8,1; Sl 118[119],89.90.91.130.135.175; Lc 17,20-25
[dia 15: Sb 13,1-9; Sl 18[19A],2-3.4-5; Lc 17,26-37
[dia 16: Sb 18,14-16; 19,6-9; Sl 104[105],2-3.36-37.42-43; Lc 18,1-8
Leituras: 2Mc 7,1-2.9-14; Sl 16[17]; No início do capítulo 3º, Pau- tal e leiga, e os latifundiários, ou
2Ts 2,16-3,5; Lc 20,27-38 lo pede as orações da comunida- seja, os anciãos.
de, para que a Palavra do Senhor
1. O testemunho da fé. O capítulo se espalhe rápida e seja bem aco- Eles não acreditavam na ressur-
7º do 2º Livro dos Macabeus mostra lhida. Pede também orações, para reição (v.27). Apresentam para Jesus
que o tempo de perseguição se torna que Deus livre a ele e seus colabo- uma questão a propósito da lei do
ocasião de educar para o testemunho radores dos homens que não têm levirato de Dt 25,5-10. Se seu irmão
capaz de enfrentar até o sacrifício fé, ímpios e maus, homens, que se casado morresse sem filhos, você te-
da própria vida. Ele pode ser chama- opõem ao projeto divino. ria a obrigação de desposar a viúva,
do: a paixão dos Santos Macabeus. para suscitar descendência para seu
A mãe e seus sete filhos sofrem o O cristão vive em constante irmão. Morrer sem descendência
martírio para não negarem sua fé luta contra o poder do maligno, era considerado um castigo de Deus.
no Deus da vida. Na luta pela vida, que se manifesta em todo tipo
a última palavra não pertence aos de maldade, violência, injustiça A pergunta revela a falta de fé na
grandes deste mundo, mas a Deus. e impiedade. Mas o cristão luta ressureição. Uma mulher se casou,
com uma certeza: Deus é fiel. Ele por causa da lei do levirato, com se-
Estamos no séc. II a.C., no tempo mantem os fiéis firmes e os guar- te irmãos, sucessivamente, após a
da dominação grega. O povo, mes- dará das forças do mal. A pala- morte de cada um deles. Depois ela
mo sendo judeu, tinha que adotar a também morreu. Na ressurreição
cultura grega e seu modo de viver. vra “testemunho” é sinônima de de quem ela será esposa?
Ou se vivia segundo os costumes gre- “martírio”. Você tem o costume de
gos ou se era torturado até à morte. suportar sofrimentos para man- Jesus, primeiramente, afirma
tes a autenticidade do seu teste- que o mundo dos ressuscitados é
Apesar da crueldade dos tortu- munho no seu trabalho evange- diferente do mundo do presente.
radores, os irmãos Macabeus e sua lizador? Esta preocupação social estava bem
mãe resistem até a morte, com uma longe dos pensamentos e atitudes
força sobrenatural por causa de sua 3. O Deus dos vivos. Em Jerusalém, dos saduceus, que se identificavam
fé na ressureição dos mortos. É a Jesus vai enfrentar vai enfrentar com aqueles que comandavam e
primeira vez que vemos com cla- diversos conflitos com os donos do oprimiam. No v. 36, Jesus diz que
reza, no Primeiro Testamento, a fé poder e os donos do saber: chefes os ressuscitados serão como anjos,
na ressureição dos mortos. O texto dos sacerdotes, doutores da Lei e para mostrar a impossibilidade de
mostra também que para os opres- anciãos (cf. Lc 20,1.19-20). O con- se descrever a vida em plenitude.
sores não haverá ressurreição para flito registrado no texto de hoje é Quer dizer, lá não termos os pro-
a vida (v.14b). Você teria coragem de com os saduceus, que representam blemas, as angústias e vicissitu-
testemunhar sua fé com o martírio? a aristocracia conservadora. Este des da vida presente.
partido era composto pelos chefes
2. Combatentes na oração. Os vv.16 e dos sacerdotes, a nobreza sacerdo- Referindo-se a Ex 6,6, Jesus afir-
17, capítulo 2º, da 2ª Carta aos Tessa- ma que a esperança da ressurreição
lonicenses são o finalzinho de uma SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]39 se baseia na revelação do Deus da
ação de graças que Paulo faz pela vida, o Deus de Abraão, Isaac e Ja-
comunidade, sua vocação, sua fé e có. Se eles não estão vivos em Deus,
sua firmeza nas tradições. De Deus Deus estaria negando a si próprio,
vem amor, o consolo e a esperança enquanto Deus da vida. “Deus, por-
feliz. É dele também que a comu- tanto, - conclui Jesus - não é Deus
nidade recebe ânimo, força para, de mortos, mas de vivos, pois to-
não obstante as perseguições, agir dos vivem para ele.”
segundo a fidelidade e a bondade.
Pode alguém realmente acre-
ditar em Jesus sem acreditar na
ressurreição?]
Homilética [ 17•11•2019 “É permanecendo firmes
que ireis ganhar
a vida.”
(Lc 21,19)
Leituras da Semana
33º Domingo [dia 18: 1Mc 1,10-15.41-43.54-57.62-64; Sl 118[119],53.61.134.150.155.158; Lc 18,35-43
do Tempo
Comum [dia 19: 2Mc 6,18-31; Sl 3,2-3.4-5.6-7; Lc 19,1-10
[dia 20: 2Mc 7,1.2-31; Sl 16[17],1.5-6.8b.15; Lc 19,11-28
[dia 21: Zc 2,14-17; (Sl) Cânt. Lc 1,46-47.48-49.50-51.42-53.54-55; Mt 12,46-50
[dia 22: 1Mc 4,36-37.52-59; (Sl) Cânt. 1Cr 29,10.11abc.11d-12a.12bcd; Lc 19,45-48
[dia 23: 1Mc 6,1-13; Sl 9A[9],2-3.4 e 6.16b e 19; Lc 20,27-40
Leituras: Ml 3,19-20a; Sl 97[98]; Paulo, que de dia trabalhava No texto de hoje, Jesus anuncia
2Ts 3,7-12; Lc 21,5-19 para o próprio sustento e para não a destruição de Jerusalém (vv. 5-6).
ser pesado a ninguém, e de noite Lucas descreve, quase 20 anos de-
1. O mensageiro de Deus. Ao voltar trabalhava na pregação do Evan- pois da destruição do Templo, o que
do exílio babilônico, o povo sonhava gelho, tinha autoridade para fa- aconteceu no ano 70 d.C. Os apoca-
com um novo tipo de sociedade fun- lar do assunto. Ver vv. 7b-8. Já no lipses costumam usar acontecimen-
damentada na justiça, solidariedade tempo da fundação da comunida- tos passados e apresentá-los como
e fraternidade. Mas o sonho do povo de, ele deixara uma norma: “Quem ainda não realizados, para animar
demorava a tornar-se realidade. Pelo não quer trabalhar, também não a resistência dos cristãos e encora-
contrário, havia injustiças e opres- coma”. Como apóstolo do Evange- já-los na luta.
são por parte dos de dentro e dos de lho, Paulo não precisava trabalhar,
fora, que ainda exerciam o domínio pois Jesus disse que o operário (o O povo achava que a invasão dos
sobre Judá, ou seja, o Império Persa. evangelizador) tem direito ao seu pagãos e a destruição do Templo eram
alimento (cf. Mt 10,10). Entretan- sinais do fim do mundo. Na realida-
O povo começava a duvidar, se Deus to, ele prefere trabalhar, também, de, eram apenas sinais do fim do ju-
realmente estava a par dos aconteci- para dar exemplo. daísmo, eram sinais do fim do sis-
mentos, se a sua paciência não tinha tema opressor representado pelo Si-
fim. É por volta do séc. V a.C. que Deus A grande massa dos trabalha- nédrio e simbolizado pelo Templo.
envia o seu mensageiro, o profeta Ma- dores penaliza-se em trabalhos O povo não pode deixar-se levar por
laquias. Ele vem relembrar o respei- charlatões e enganadores, hoje mui-
to, o amor, uma liturgia não estéril, pesados e de muitas horas e não to em voga, dentro e fora da Igreja.
mas cheia de vida, uma vida matri- ganha o suficiente para levar vi- As perguntas dos apóstolos são as
monial responsável, maior solida- da digna. Como mudar esta situa- mesmas de hoje: quando? como? E
riedade e justiça, um dízimo à altura ção? Como melhorar a vida do tra- aqui aparecem os falsos messias, ta-
da prodigalidade e bondade de Deus balhador? peando e assustando o povo. Os vv.
e, no texto de hoje, o Dia do Senhor. 10 e 11 são comuns nos profetas para
3. Os sinais dos tempos. O capítulo anunciar a chegada do fim. Aqui, co-
A tolerância do Senhor chegou ao 21 de Lucas é chamado de discurso mo dissemos, eles anunciam o fim
fim. A impunidade não terá mais lu- escatológico e é escrito em lingua- do mundo judaico.
gar e a justiça vai triunfar. O Dia do gem apocalíptica. Os apocalipses não
Senhor é comparado a um fogo que pretendem, como muitos pensam, Diante de tudo isso, o cristão deve
vai consumir os soberbos e os injus- fazer previsões e profecias para o reativar seu testemunho e reanimar
tos opressores como palha (v. 19). Pa- futuro, mas revelar o que aconte- a esperança diante de dias melhores,
ra os justos, que temem a Deus, bri- ce na história e qual o posiciona- na certeza de que as crises apontam
lhará o sol da justiça, que cura com mento daquele que tem fé diante para o novo, para o melhor; por is-
seus raios. desses acontecimentos. O cristão, so, o importante é perseverar até o
como Jesus, não pode concordar e fim, apesar das tribulações, perse-
2. O exemplo do apóstolo. Na comu- se acomodar diante de uma socie- guições, prisões, mortes. Tudo isso
nidade de Tessalônica, muitos leva- dade ateia. Lucas já viu acontecer na comuni-
vam vida ociosa, talvez por dois mo- dade (morte de Estevão e de Tiago,
tivos. Primeiro, porque acham que [40 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019 lutas e sofrimentos de Paulo etc.).
Jesus vai chegar a qualquer momen-
to. Se Jesus vai chegar logo, para que Aconteceu com o Mestre, por que
trabalhar? O segundo motivo pode- não acontecer com o discípulo? Tudo
ria ser o fato de o trabalho ser para isso, aliás, é sinal de que o Reino está
escravos, e não para homens livres. chegando. É só assim que o cristão
Assim pensava aquela sociedade de entra na glória. O cristão não deve
mentalidade grega. Esta turma vi- temer, mas resistir, pois “é perma-
via às custas dos outros. necendo firmes que vocês irão ga-
nhar a vida”.]
Mensagens [ Poesia & Sabedoria
[ Poema para o mês de setembro
Não ensino caminhos
CARMINHA GOUTHIER
Ao que me pede uma palavra,
que darei,
se é de silêncios a provisão?
Ao que me pede silêncio,
que tenho dado
senão murmúrio de lamentos?
Ao que deseja itinerários,
posso acaso
entregar o segredo?
Ao que vai pelo mar não servem
meus barcos
cansados de enigmas!
Aos que viajam distâncias,
não empresto minhas asas
feridas e frágeis.
Não ensino caminhos,
- os meus foram feitos
de amor e espinhos.
(Do livro
“Espantalho de Deus”,
1967)
“Não se deve julgar as coisas sagradas segundo o nosso gosto,
mas segundo o de Deus; esta é a palavra-chave.
Se somos santos segundo nossa vontade,
nunca o seremos bem:
é preciso sê-lo segundo a vontade de Deus.”
SÃO FRANCISCO DE SALES
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]41
Variedades [ Culinária & Dicas de português
[ Não Tropece na Língua
[ FULANO, QUADRIÊNIO, USURÁRIO
Maionese * Fulano, sicrano, beltrano nal modificado para rimar com fu-
magrinha Existem três designações informais lano. Segundo o filólogo João Ribei-
para pessoas que não se quer ou não ro, trata-se de nome usado nos ro-
Ingredientes se pode nomear: fulano, sicrano e mances de cavalaria como pessoa
beltrano. Não há necessidade de ini- indefinida.
2 xícaras de ricota fresca; 2 co- ciar cada palavra com maiúscula.
lheres (sopa) de caldo de limão; Aliás, o Acordo Ortográfico 2009 re- - Sicrano tem origem bastante
1 colher (café) de maisena; 4 co- comenda o uso da inicial minúscula vaga. Nos dicionários de etimologia
lheres (sopa) de água; 2 gemas; nesses casos. Para uma referência se encontram várias hipóteses: po-
1 colher (sopa) de azeite de oli- isolada, só o primeiro termo é uti- de ser que venha do latim “securu”
va; ½ colher (chá) de mostarda; lizado, às vezes acompanhado da (seguro), numa mistura final com
1 colher (café) de sal; 1 pitada de expressão “de tal”, que estaria no fulano e beltrano; ou pode ter ocor-
molho de pimenta (se gostar). lugar do sobrenome: rido o desfiguramento de algum no-
me próprio; ou mesmo pode ter sido
Modo de fazer - Não vi o fulano que veio trazer criado por analogia às formas usa-
a encomenda. das em espanhol, zutano e citano,
Bater tudo no liquidificador, originárias do latim “scitu” (sabi-
menos as gemas. Virar numa - Disse o primo que ele está na- do, conhecido).
panela, juntar as gemas e levar morando fulana de tal.
ao fogo numa panela maior, * Quadriênio = quatriênio
em banho-maria. Mexer sem Para dois indivíduos indetermi- A cada quadriênio/quatriênio é fei-
parar, até engrossar. nados usa-se fulano e sicrano. Neste ta a renovação da nossa diretoria
Obs.: Esta maionese tem apenas último, também a variante com l é através do voto secreto de todos os
16 calorias por colher, enquan- usada: siclano, dada a analogia com associados.
to as outras têm 92 calorias por fulano (cria-se uma rima):
colher.] Quadriênio (período de quatro
- Tentaram subornar fulano e anos) é a forma original, do latim,
Do livro siclano. e quatriênio é variação brasileira.
“Cozinhando sem Mistério”, Há controvérsia em relação à * Usurário, usuário
ordem em que devem ser ditos os - Comporta-se como um usurário,
de Léa Raemy Rangel três nomes: “fulano, sicrano e bel- apesar do dinheiro que acumula
& trano”, no entendimento de Celso nos bancos.
Luft; “fulano, beltrano e sicrano”,
Maria Helena M. de Noronha Ed. de acordo com outros. - Os usuários das linhas inter-
O Lutador, Belo Horizonte, MG municipais ficaram revoltados co-
Quanto à origem das palavras, mo o novo aumento das passagens.
Pedidos registra-se que:
0800-940-2377 Chama-se usurário ao mesqui-
livraria.olutador.org.br - Fulano vem do árabe “fulān”, que nho, avaro, pão-duro. É também as-
[email protected] significa “certo (indivíduo)”, isto é, sim denominado o popular agiota,
uma certa pessoa, um determinado aquele que usura, isto é, que empres-
indivíduo, alguém. Variantes: fulão ta dinheiro com juros exorbitantes.
e fuão, forma sincopada e adaptada Usuário é quem usa, desfruta ou se
de “fulan(o)”. No português arcaico beneficia de alguma coisa.]
se encontra a grafia foão.
- Beltrano veio provavelmente
do nome próprio Beltrão, com o fi-
[42 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019
ADCE [ Confiar...
WESLEY FIGUEIREDO*
ADCE Brasil e Minas Gerais
promoveram palestra internacional
com o sacerdote alemão Martin Maier,
jesuíta, assessor espiritual
da UNIAPAC Internacional
“A confiança como fator professor visitante na Universida- nos livrarmos da crise é por falta de
de eficácia” – propostas de Centro-Americana, em São Sal- confiança”, complementa.
dos jesuítas para os empresários vador, e no Centro Sèvres, em Paris.
Publicou vários livros e artigos so- Para Sérgio Frade, Presidente da
Associação de Dirigentes Cris- bre a pobreza, fé e justiça. A partir ADCE Minas, trata-se de um even-
de 2018 passou a exercer a função to único, que ressaltou o papel do
Atãos de Empresa - ADCE Brasil de Assessor Espiritual da Uniapac empresário não apenas como agen-
e Minas Gerais, em conjun- Internacional. te do desenvolvimento econômico,
to com a UNIAPAC - União In- mas também do desenvolvimento
ternacional de Dirigentes Cristãos Segundo o presidente da AD- da sociedade como um ambiente
de Empresa, promoveram pales- CE Brasil, Sérgio Cavalieri, Padre mais justo e saudável para todos
tra em agosto com o Padre Martin Maier tem a responsabilidade de os seres humanos.
Maier, jesuíta e assessor espiritual orientar espiritualmente a Unia-
da UNIAPAC Internacional. O tema pac Internacional há cerca de um Durante o evento foi distribuído
foi “A confiança como fator de efi- ano, após o falecimento do ex-As- para cada participante um exemplar
cácia. Propostas dos jesuítas para sessor, o padre francês Edouard do livro “A vocação do líder empre-
os Empresários”. O evento foi rea- Herr. Padre Maier estará em Belo sarial”, na sua nova edição de 2018.
lizado no Salão Paroquial da Igreja Horizonte para trabalhos junto à Trata-se de um livro prático que,
Nossa Senhora de Fátima, em Be- FAJE - Faculdade Jesuíta; a convi- ao mesmo tempo que provoca re-
lo Horizonte. te da ADCE Brasil e Minas Gerais, flexões, fornece orientações sobre
fará uma única palestra especial- como conduzir os negócios segun-
Padre Maier nasceu em Mess- mente dirigida para os empresá- do os valores cristãos. O livro traz
kirch, cidade no sudoeste da Alema- rios, dirigentes e empreendedores, a chancela do Vaticano e foi escri-
nha em 1960. Ingressou na Compa- tratando de um tema tão atual co- to por sacerdotes, pensadores, pro-
nhia de Jesus em 1979, estudou fi- mo o da confiança. fessores e empresários.]
losofia, teologia e música em Mu-
nique, Paris, Innsbruck e São Sal- “Quando falta confiança, falta *Assessoria de Imprensa
vador. Desde 2004 é o Secretário do tudo” - afirma Cavalieri. “A base da (31) 3211-7532 | (31) 99147-8152
Centro Social Jesuíta para Assuntos sociedade, da política e dos negó-
Europeus em Bruxelas, onde vive. É cios está na confiança. Basta ver o
exemplo do Brasil: a dificuldade de
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]43
Sociedade Dos 2.903.716 bebês que nasce-
ram em 2015, em hospitais e mater-
nidades brasileiros, 1.611.788 vieram
ao mundo por meio de cesárea. Es-
se número corresponde a 55,5% dos
partos e é excessivamente elevado,
inferior apenas ao da República Do-
minicana, onde 56,4% dos 172 mil
bebês nascem a cada ano por meio
de cirurgia. Uma proporção elevada
de cesáreas brasileiras (48%) pode
ser desnecessária, porque é reali-
zada antes do início do trabalho de
parto e, portanto, antes de a crian-
ça estar pronta para nascer. Essas
cesáreas, em muitos casos combi-
nadas com antecedência pelo obs-
tetra e pela gestante, podem colo-
car em risco a saúde da mulher e
da criança em vez de protegê-las.
Novos estudos revelam: Precocidade arriscada
partos cirúrgicos, 55% do Em 2015, nasceram no país 1.130.676
total no Brasil, sujeitam bebês (39,9% do total) com menos de
crianças a nascimentos 39 semanas, idade a partir da qual
prematuros e complicações especialistas em saúde materna e
pós-natais. infantil consideram a criança prepa-
rada para a vida fora do útero. Desse
rtigo assinado por RICAR- batalhão de bebês precoces, 286 mil
nasceram com menos de 37 sema-
A DO ZORZETTO, na Revista nas (prematuros), provavelmente
Fapesp, registra que o por problema de saúde da mãe ou
Brasil mantém há uma da criança, e 844 mil na 37ª ou 38ª se-
década uma preocupan- mana de gravidez. Há forte indica-
te posição de liderança ção de que um terço desses dois gru-
pos – um total de 370 mil crianças
A epidemia – nasceu antes da hora em decor-
que afeta rência de cesariana desnecessária.
os bebês
Quem nasce com 37 ou 38 sema-
mundial em partos cirúrgicos, as nas corre um pequeno risco de ter
cesarianas. Em crescimento des- complicações de saúde, que, no en-
de os anos 1970, a proporção de tanto, poderiam ser evitadas com
cesáreas ultrapassou a de partos o adiamento do parto. Como essas
normais em 2009 e, desde então, crianças representam uma fração
não sofreu redução significativa, elevada dos nascimentos, seus pro-
apesar de tentativas do governo blemas teriam o potencial de ge-
federal e das entidades médicas rar um impacto importante no sis-
de fazê-la baixar. tema público de saúde. Pesquisa-
dores do Instituto Karolinska e da
[44 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019 Universidade de Uppsala, na Sué-
cia, acompanharam por ao menos
23 anos 550 mil bebês nascidos en-
tre 1973 e 1979. Em estudo publica-
do em 2010, na Pediatrics, eles afir-
mam que, em grau menor do que
os prematuros, os bebês nascidos
na 37a ou 38a semana de gestação
apresentavam um risco maior de
não concluir a universidade e de blemas leves no desenvolvimen- foi três vezes mais comum entre os
precisar de assistência do estado to cognitivo anos mais tarde. Eles bebês de 37 ou 38 semanas (0,9%)
para cuidar da saúde. se beneficiariam de mais uma ou do que entre os nascidos com 39 ou
duas semanas no ventre materno. 40 semanas (0,3%).
“Suspeitávamos que os núme-
ros seriam mais ou menos esses”, Riscos e problemas A pele como marcador do tempo
comenta o obstetra José Guilher- Um problema comum aos nascidos Deve começar em outubro um teste
me Cecatti, professor da Universi- entre a 34ª e a 37ª semana de gesta- com 790 recém-nascidos brasilei-
dade Estadual de Campinas - Uni- ção é que os pulmões, um dos últi- ros para avaliar a eficiência de um
camp, sobre o nascimento precoce mos órgãos a amadurecer, ainda equipamento que, a partir da luz
de bebês no Brasil. Cecatti identifi- não estão completamente prepa- refletida pela pele, estima a idade
cou uma taxa mais elevada de pre- rados para respirar. Por esse mo- gestacional do bebê no parto. Seme-
maturos, parte associada à cesárea, tivo, é maior o risco de a criança lhante a uma lanterna pequena, o
em um estudo com 33.740 gestantes apresentar dificuldade respirató- aparelho desenvolvido por pesqui-
do Nordeste, Sul e Sudeste. “O méri- ria, de precisar de suplementação sadores da Universidade Federal de
to do trabalho atual é mostrar esse de oxigênio e até passar algumas Minas Gerais - UFMG usa leds para
fenômeno com números tão altos. horas na unidade de cuidados in- emitir luz de baixa intensidade e um
Ele nos leva a deduzir que boa parte tensivos, longe da mãe. Segundo a sensor para captar o que é refleti-
das cesáreas está sendo indicada pediatra Maria Augusta Gibelli, che- do. Essa informação alimenta um
antes do momento certo.” fe da UTI Neonatal do Hospital das miniprocessador que, levando em
Clínicas da USP, esses bebês nem conta o peso, calcula quanto tempo
Quem mais precisa, menos recebe sempre já desenvolveram a habi- a criança permaneceu no útero –
Um dado reforça a hipótese de que lidade de sugar adequadamente o quanto mais longa a gestação, mais
essas cirurgias foram feitas sem peito materno e podem apresen- espessa é a pele e mais luz ela reflete.
um problema médico que as jus- tar uma redução nos níveis de gli-
tificasse, comenta Ricardo Zorzet- cose (açúcar) no sangue, exigindo Conhecer o tempo de desenvol-
to. A proporção de cesáreas antes a administração de formulações à vimento (idade gestacional) do be-
do trabalho de parto cresceu con- base de leite de vaca ou cabra nos bê é essencial para orientar a ação
tinuamente com o aumento da es- primeiros dias de vida. dos médicos após nascimento. “O
colaridade materna, um indicador pediatra se baseia nessa informa-
do nível socioeconômico. Entre as A epidemiologista Maria do Car- ção, em especial no caso dos prema-
163 mil mulheres com até quatro mo Leal, professora da Escola Na- turos, para decidir se o bebê precisa
anos de estudo, mais pobres e pos- cional de Saúde Pública, no Rio de de suporte respiratório e controle
sivelmente com mais problemas de Janeiro, quantificou esses riscos de temperatura ou de internação
saúde, 13,2% tiveram bebê por cesa- entre os termos precoces a partir em uma unidade neonatal”, expli-
riana antes do trabalho de parto. A de informações de 12.646 crianças ca a ginecologista e obstetra Zilma
proporção chegou a 49,2% entre as nascidas em 2011 e 2012 em 266 hos- Reis, professora da UFMG que de-
528 mil mães com nível universitá- pitais e maternidades brasileiros, e senvolveu o equipamento, chamado
rio, em princípio, mais ricas, sau- acompanhadas por ao menos 45 dias. de Skin Age, com o astrofísico Rod-
dáveis e bem informadas. “É o fe- ney Guimarães. “Mesmo no Brasil,
nômeno que o epidemiologista bri- Uma ou duas semanas a mais onde o acesso aos serviços de saú-
tânico Julian Tudor Hart chamou de é universal e gratuito, nem sem-
de inversão do cuidado. Quem pre- no ventre materno podem fa- pre há informação confiável sobre
cisa mais recebe menos”, comenta a idade gestacional das crianças”,
o pediatra Marco Antonio Barbieri, zer uma diferença importante. afirma a especialista.
professor da Universidade de São
Paulo em Ribeirão Preto - USP-RP. Mesmo saudáveis, os bebês que Com verba do Ministério da Saú-
nasceram na 37ª ou 38ª semana de de, o grupo de Minas deve testar ago-
Obstetras e pediatras sempre gravidez apresentaram um risco ra o equipamento em 790 crianças
se preocuparam mais com os be- baixo, mas superior ao dos gesta- de Minas, Rio Grande do Sul, Ma-
bês que nascem com menos de 37 dos por 39 ou 40 semanas, de com- ranhão e Brasília. “Queremos usar
semanas, os prematuros, que cor- plicações nas primeiras horas ou os dados para aprimorar o equipa-
rem risco maior de ter problemas semanas de vida. No primeiro gru- mento e reduzir o erro para 7 dias”,
de saúde. Mais recentemente, po- po, 3,9% precisaram receber suple- diz Zilma. Um segundo ensaio clí-
rém, surgiram estudos indicando mentação de oxigênio, ante 2,1% no nico, financiado pela Grand Chal-
que os nascidos com 37 e 38 sema- segundo. Uma proporção semelhan- lenges Canadá e pela Fiocruz, de-
nas, de gestação a termo precoce, te precisou de banho de luz nos três verá ser feito no próximo ano com
também apresentavam mais risco primeiros dias de vida para neutra- 400 crianças do Brasil, de Portugal
de ter complicações de saúde nas lizar o excesso de bilirrubina, pro- e Moçambique.]
primeiras semanas de vida e pro- teína tóxica para o sistema nervo-
so central. A hipoglicemia, redução Fonte: Revista Fapesp, apud Outras Palavras
importante nos níveis de glicose,
SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]45
Leigos [ O ministério da profecia...
PE. AGENOR BRIGHENTI
O laicato na Igreja e no mundo [8
O laicato e o ministério da profecia
AMISSÃO dos leigos e leigas na Igreja notícia aos que têm fome com a vivência pessoal e comunitá-
e no mundo não é outra senão e sede de justiça, aos que ria. Felizmente, a Igreja na América
a missão de todos os cristãos, choram e sofrem, aos mi- Latina tem multiplicado os espaços
incluídos o clero e os religiosos sericordiosos e pacíficos... de formação na fé, particularmente
e religiosas. Ainda que haja diversi- (Mt 5,1-2; Lc 6,20-23). de capacitação mais esmerada dos
dade de tarefas, segundo a especi- catequistas.
ficidade dos carismas dispensados Anunciar, sobretudo aos
pelo Espírito, a missão da Igreja co- excluídos, que não estamos O ministério da profecia
mo um todo é única – evangelizar, jogados à nossa própria sor- pela teologia
através do exercício do ministério te, à mercê das estruturas Finalmente, esse ministério desem-
da profecia, do sacerdócio e do ser- de pecado que engendram boca na teologia (krísis), numa fé crí-
viço ao mundo (LG 13). dominação e morte. Que te- tica, adulta, capaz de anunciar e de-
mos um Pai que nos criou pa- nunciar. Na Igreja antiga, das escolas
O ministério da profecia ra a felicidade com ele, que nos de catecumenato surgiram as esco-
pelo testemunho enviou seu Filho, vencedor do las de teologia, pois se percebeu que
Este ministério começa pela acolhi- egoísmo pelo amor sem medida, pa- o cristão precisava “dar razões à sua
da e vivência pessoal e comunitária ra introduzir-nos em seu Reino. Que fé”. A privação do acesso dos cristãos
da Palavra de Deus. Vivência é, antes a Igreja continua a obra de Jesus e em geral à teologia é uma das razões
de tudo, dar testemunho (martyria) que ela quer ser esperança, sobre- da milenar “infantilização do laicato”
de uma vida cristã, condição para ser tudo aos que esperam contra toda na Igreja. É na teologia que a fé en-
“luz do mundo” e “sal da terra”. Não esperança. E aquele que quiser te- contra seu polo crítico, antídoto pa-
combina com cristianismo uma vida rá na Igreja um espaço privilegiado ra devocionismos, emocionalismos
morna. Muito menos com a Igreja, para viver e edificar o Reino de Deus e fundamentalismos e, sobretudo,
uma comunidade eclesial que não no mundo. para clericalismos, seja por parte do
irradie o Evangelho pela vida. clero como de leigos clericalizados.
O ministério da profecia
Por isso, a ação primeira para pela catequese Urge o aumento do número de
um laicato testemunha da Palavra Precedida pela vivência da fé no seio de leigos com formação teológica, tam-
é engajar-se numa pequena comu- uma comunidade eclesial (martyria) bém no âmbito acadêmico e profis-
nidade eclesial, inserida profetica- e pelo anúncio do Evangelho do Reino sional, em especial de mulheres. O
mente na sociedade. É a vivência e a (kerigma), a catequese (didaskalia) é Documento de Aparecida frisa que o
convivência com os irmãos na fé que o momento da educação e da forma- melhor dos esforços das paróquias
funda o testemunho cristão, a base ção cristã, condição para ser profeta. e dos párocos seja canalizado para a
de tudo. Segundo a Evangelii Nun- Leigos e leigas catequisados, para se- formação do laicato (DAp 174).]
tiandi, o testemunho é o primeiro rem também eles catequistas, a co-
meio de evangelização (EN 21). meçar enquanto pais com seus filhos.
O ministério da profecia Catequese é mais do que prepa-
pelo anúncio do Evangelho rar-se para receber os sacramentos.
A vivência da fé cristã consiste tam- Trata-se de um processo de iniciação
bém em anunciá-lo explicitamente. à vida cristã, que precisa ser perma-
O Evangelho chega pelos olhos que nente, prolongando-se na cateque-
veem o testemunho dos que creem, se com adultos.
mas também pelos ouvidos que es-
cutam as pessoas que o anunciam. Espaço privilegiado de forma-
Trata-se de anunciar o Evangelho, ção na fé têm sido as comunidades
com todo seu potencial profético e eclesiais de base. Sua centralidade
transformador, fazendo dele uma boa na Bíblia assegura uma catequese
vivencial, através da qual os con-
teúdos são vistos em estreita relação
[46 OLUTADOR [ SETEMBRO 2019
Missão [ Em saída...
PONTIFÍCIAS OBRAS MISSIONÁRIAS-POM
Divididos em grupos para atuar No Pará, Juventude
em cada contexto, missionárias Missionária sai em missão
e missionários visitaram as ca-
sas das famílias pertencentes às vância histórica da cidade de Curio- a construção de uma caminhada mis-
comunidades, onde viveram a ex- nópolis e a postura profética da JM sionária autêntica, que ao se deparar
periência de imersão à realidade em escolher este “Monte Santo” para com tal realidade não se cala nem se
local e inculturação. realizar sua 1ª missão estadual. Foi retrai. Uma experiência que muda a
um momento intenso de partilha e forma de olhar o mundo e as reali-
NOS dias 30 de julho a 4 de agos- testemunho, estudo e espiritualida- dades de sofrimento e desigualdade
to, a cidade de Curionópolis, no de, compromisso e profetismo, on- que ainda existem em diversos luga-
Pará, recebeu a 1ª Missão Esta- de os jovens foram os protagonistas. res. Rodeados de paisagens exuberan-
dual da Juventude Missionária. Um tes e contraditórias, os jovens foram
marco para história da JM do Pará, Divididos em grupos para atuar convidados a sair de si e encontrar te-
que nesses dias reuniu cerca de 70 jo- em cada contexto, missionárias e souros nos olhares emocionados, nas
vens das dioceses de Belém, Marabá missionários visitaram as casas das partilhas de vidas e na luta daquele
e Abaetetuba, das cidades de Barca- famílias pertencentes às comunida- povo, uma realidade “linda e triste”,
rena, Moju, Abaetetuba, Belém, Ana- des, onde viveram a experiência de como definiu a jovem Thamires Leão.
nindeua, Marituba, Marabá, Curio- imersão à realidade local e incultu-
nópolis e Tome-Açu, acolhidos na ração. “É um povo muito acolhedor Em comunhão com o Mês Mis-
Paróquia Nossa Senhora das Graças, e, apesar de toda luta e da solidão em sionário Extraordinário e o Sínodo
que sediou o evento. que muitos estão, eles não deixam Para a Amazônia, a Juventude Mis-
de ser alegres e de sonhar com um sionária do Pará sente-se alegre pe-
Esta missão foi organizada pa- futuro melhor”, relatou Magno da lo êxito desta 1ª Missão Estadual. A
ra abranger diferentes contextos da Silva, da JM de Curionópolis. cidade de Curionópolis, que carre-
cidade de Curionópolis, realidades ga uma parte tão sofrida da história
distintas, porém com grandes ne- A espiritualidade e a dimensão deste País, agora é também marca-
cessidades de evangelização. Deste profética da JM foram intensamente da pelo belíssimo testemunho des-
modo, no contexto urbano, os mis- alimentadas nesta experiência mis- tes jovens que deixaram tudo para
sionários atuaram no bairro centro sionária. Destaca-se a presença destes viver esta experiência.
de Curionópolis, no Jardim Panora- jovens missionários em Serra Pelada
ma, no Bairro da Paz e Charmolândia. e Alto Bonito, comunidades marca- Iluminados pelo Espírito Santo e
No contexto rural, atuaram em Serra das pela desassistência do Poder Pú- impulsionados pelo testemunho de
Pelada, no Assentamento Frei Henri, blico e pela gritante contradição entre Jesus Cristo, que nos convida a sair
Curral Preto, Alto Bonito e Vila Rica. as “riquezas” da terra e o sofrimento da segurança das estruturas e res-
do povo, que ainda sonha com o ouro ponder ao clamor dos povos em to-
A Região de Curionópolis foi cria- como “a nossa esperança de uma vi- dos os lugares, estes jovens missio-
da nas décadas de 70 e 80, no auge da melhor”, como desabafa Francis- nários seguem de mãos dadas em
do período do ouro em Serra Pelada. co da Costa, morador de Serra Pelada. caminhada, doando-se e cooperan-
Sob o comando do Sargento Curió - do com a missão de Jesus, que atra-
daí a origem do nome da Cidade -, a A Juventude Missionária do Pará vés do Batismo também é nossa.]
Região de Serra Pelada não permi- deu um passo importante para o ama-
tia a entrada de mulheres e crian- durecimento de sua espiritualidade e Fonte: POM
ças no garimpo, sendo a Região de
Curionópolis a sede para a habita- SETEMBRO 2019 [ OLUTADOR]47
ção das famílias e da prostituição.
Nesta realidade de carência das fa-
mílias e, ao mesmo tempo, da es-
perança de enriquecer com o ouro,
nasceu Curionópolis.
A Juventude Missionária do Pará
“não poderia ter escolhido outro lu-
gar para realizar esta missão”, ressal-
tou Padre Badacer Neto, dada a rele-
Mundo [ Suicídio: bispo japonês atribui
as causas do fenômeno à falta de sentido existencial...
UMAANÁLISE do período compreen- depressão. Para o bispo, os estopins do isolamento e o vazio de alma estão
dido entre 1998 e 2010 apontou suicídio são complexos demais para entre as principais causas do deses-
que mais de 30 mil pessoas se se apontar uma causa geral. No en- pero que, no extremo, leva a dar fim
suicidaram no Japão em ca- tanto, ele considera razoável e verifi- à própria vida.
da ano desse intervalo, taxa cável afirmar que uma das razões do
que, aproximadamente, con- fenômeno é a falta de sentido espiri- A ação da Igreja católica
tinua mantida até o presente. Cerca tual na vida cotidiana dos japoneses. A Igreja católica vem encarando es-
de 20% dos suicídios se devem a mo- ta questão há muito tempo no Japão.
tivos econômicos e 60% a motivos re- O prelado observa que a abundân- Em 2001, o episcopado nacional dedi-
lacionados com a saúde física e a de- cia de riquezas materiais e o acesso cou uma campanha específica a esse
pressão, conforme recente pesquisa aos frutos de um desenvolvimento tema, por meio da mensagem “Reve-
do governo. tecnológico extraordinário são insufi- rência pela vida”.
O assunto é abordado por Dom cientes para levar ao enriquecimento
Isao Kikuchi em artigo divulgado pela da alma. A sociedade japonesa focou Uma nova versão da mesma men-
agência Asia News. Ele observa que o no desenvolvimento material e rele- sagem está sendo divulgada desde ja-
drama se tornou mais visível a partir gou a espiritualidade e a religiosida- neiro de 2017, com a abordagem dire-
de 1998, “quando diversos bancos ja- de a um plano periférico da vida co- ta do problema do suicídio e um ape-
poneses se declararam falidos, a eco- tidiana, levando as pessoas a se iso- lo à população para prestar especial
nomia do país entrou em recessão e o larem e se sentirem vazias, sem sig- atenção ao isolamento das pessoas.]
tradicional ‘sistema de emprego de- nificado existencial. E é sabido que o
finitivo’ começou a colapsar”. Fonte: Aleteia Brasil
Durante os 12 anos seguintes, uma
média superior a 30 mil pessoas por JAPÃO, 30 mil
ano tirou a própria vida num país ri- suicídios por ano:
co e avançado. O número, alarman- riqueza, tecnologia,
te, é cinco vezes maior que o de mor- mas… vazio na alma
tes provocadas anualmente por aci-
dentes nas rodovias. O bispo japonês Dom Isao Kikuchi atribui as causas do fenômeno
à falta de sentido existencial, conectada à profunda carência
Riqueza, tecnologia e… vazio na alma de espiritualidade e religiosidade.
Rodeados por riquezas materiais de
todo tipo, os japoneses têm tido gra-
ves dificuldades em encontrar espe-
rança no próprio futuro: perderam
esperança para continuar vivendo,
avalia o bispo.
Um sinal de mudança, embora
pequeno, foi registrado por ocasião
do trágico terremoto, seguido de tsu-
nami, que causou enorme destruição
em áreas do Japão, no mês de mar-
ço de 2011: a partir daquele desastre,
que despertou grande solidariedade e
união no país, o número de suicídios,
de modo aparentemente paradoxal,
começou a diminuir. Em 2010, tinham
sido 31.690. Em 2011, foram 30.651. Em
2012, 27.858. Em 2013, 27.283. A razão
da diminuição não é clara, mas esti-
ma-se que uma das causas esteja li-
gada à reflexão sobre o sentido da vi-
da que se percebeu entre os japoneses
depois daquela colossal calamidade.
Motivos para o suicídio
Dom Isao recorda a recente pesquisa
do governo que atrela 20% dos suicí-
dios a motivos econômicos, enquanto
atribui 60% a fatores de saúde física e
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