Exposição de duas artistas marcam o elo entre Belo Horizonte e Pará de Minas Pág. 18 A arte e seus encontros ISSN N º 2764-7986 V.1 - N0 6 - 2023
Produção de revistas e veículos customizados para o mundo empresarial e afins, além da edição de livros e o que couber na imaginação de quem precisa contar suas histórias. Essa é a nossa expertise. [email protected] (31) 3879-7422 / 9 9821-6566
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 3 Caro leitor, Fátima Peres Editora Nossa revista comemora o seu primeiro ano de vida. Não é fácil, nos dias de hoje, manter um veículo impresso de comunicação como o nosso. É sempre muito trabalho e dedicação, além dos custos financeiros para que ela se mantenha viva e com periodicidade. Nos propusemos a editá-la de dois em dois meses e, assim, conseguimos na quarta edição, o número de ISSN. Portanto, esta é a sexta edição do primeiro volume ̶ que completa o primeiro ano ̶ , de acordo com o Instituto. É, para nós todos, uma grata satisfação. Essa conquista se deve não só à vontade e empenho de levar informações da área de cultura e gastronomia, mas também da dedicação de um número de colaboradores maravilhosos que não têm medido esforços para nos ajudar nessa conquista tão desejada. E que estão conosco continuamente como: o presidente da Academia de Letras de Pará de Minas, Valmir José; os escritores, Terezinha Pereira e Sílvio Ramiro; o artista plástico, Alexandre Coelho e o sommelier, Fernando José. A eles, o nosso mais carinhoso, OBRIGADA. Aos demais colaboradores eventuais queremos agradecê-los também pelos excelentes textos e dicas que vieram engrandecer e colorir com lindas histórias a nossa revista Cultura&Gastronomia. É um privilégio, para poucos poder contar com tantos talentos da mais alta qualidade, que têm nos ajudado a compor o universo mágico da cultura e da gastronomia. Temas que nos proporcionam sabores, prazer, leveza, emoção, informação, formação, qualidade de vida e compreensão das nossas origens e genéticas culturais. Na próxima edição, de número 7, já constará no cabeçalho da revista: Volume II, ou seja, daremos início ao segundo ano de Cultura&Gastronomia. Estamos preparando algumas surpresas para o nosso leitor. Espero que vocês continuem a nos acompanhar, não só na edição impressa como na digital por meio do nosso site: www.culturaegastronomia.com e através da newsletter que enviamos, a quem quiser, por e-mail ou WhatsApp, a revista completa. Basta nos encaminhar uma mensagem pelo número: (31) 9 9821-6566 solicitando o envio. E, para aqueles que querem contribuir financeiramente com a nossa publicação, temos planos especiais. Sua marca vai ser muito bem valorizada e trabalhada para que o seu cliente perceba que você está ao lado da cultura, tanto de Pará de Minas quanto de todo o Brasil. Por último, OBRIGADA aos leitores, razão da nossa existência! Boa leitura! Comemorando nosso primeiro ano de vida!
COM A PALAVRA 4 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 Valmir José Costa Diniz Presidente da Academia de Letras de Pará de Minas Leitura profunda; tecnicamente, poeticamente A Leitura é um dos hábitos mais automatizados do ser humano. O traçado das palavras salta aos olhos instantaneamente, com letras e signos simbolizando objetos, ações, situações etc. Sutilezas da mente, com sua extraordinária capacidade de conformar percepções. Nestas tênues e fluídas paragens é que se assenta a Linguagem, com a decodificação de sinais que geram arranjos verbais e não verbais. Leitura é um ato mágico! Com ela, podemos assimilar informações, mas também libertar devaneios. Por ela, o escritor tira de si o que há de mais profundo, esperando ser bem interpretado. Mas como definir se a leitura é profunda ou superficial? Essa medida, em menor dependência do texto, é dada pela qualidade da leitura, conforme no ato se comporte o leitor. Importante refletir: até que ponto a qualidade da leitura nos capacita, em relação à vida; profissionalmente, socialmente, espiritualmente, mentalmente etc.? Leitura profunda é a condição de nos entregarmos ao ato de ler, mentalizando cada verbete e processando a imagem ou sentido que ele nos dá para, ao final, serem entendidos no conjunto. Você já se emocionou alguma vez, ao ler um texto? Já chorou no decorrer de um romance, de um relato detalhadamente composto? Já terminou uma leitura com a sensação de que esta mudou, dentro de si, algo que estava em compasso de espera? Ou de que modificou sua visão de mundo de forma surpreendente e para melhor? Já leu um texto e depois transmitiu o conteúdo com louvor e ainda acrescentou significados? Então, você já experimentou a ventura a que pode nos remeter a Leitura Profunda. Tecnicamente, Leitura Profunda é um recurso. Poeticamente, uma inspiração para novos patamares de entendimento. Mentalmente é um avançar de casas, e espiritualmente, um novo arcabouço textual capaz de se projetar para alimentar nossa alma. A Leitura Profunda se pratica de forma mais vagarosa, focada, em busca dos vários significados que cada palavra, ou grupo delas, pode nos proporcionar. Com mais concentração e entrega. Ela permite melhor senso de entendimento do todo, possibilitando que construamos uma narrativa interna coerente. Quem lê, busca elementos que o preencha no tempo e espaço que ocupa. Segundo a Neurociência, são vários os benefícios da Leitura Profunda para o cérebro e para o condicionamento de nosso pensamento crítico. É possível optarmos pela realização de uma leitura superficial ou profunda. Entretanto, é preciso ater-se ao aperfeiçoamento do ser. Daí o valor do conteúdo a ser repassado aos que nos ouçam e leiam. Profundidade adquirida, profundidade transmitida. Ler e não entender, bem como ler por ler, sem interpretar o sentido do texto, é funcionalmente trágico. É como olhar para a luz da lua que se reflete em um copo com água exposto na escuridão da noite. Ao invés de olhar para a imensidão das paragens celestes a nos oferecer um maravilhoso espetáculo de cintilâncias estelares que circundam o luar majestoso. É como recusarmos a Luz em seu aspecto mais amplo e inspirador. É contentar com menos, tendo mais ao nosso dispor.
Expediente ISSN: Nº 2764-7986 Cultura&Gastronomia é uma publicação bimestral da Todavoz Editora CAPA: Alex Coelho PUBLISHER E EDITORA RESPONSÁVEL: Fátima Peres Reg.Profissional: MG 03731JP E-MAIL: [email protected] COLABORADORES: Fernando José Moreira Carmélia Cândida Sílvio Ramires Terezinha Pereira ILUSTRAÇÃO: Pedroantonio FOTOS: Todavoz Editora, arquivos pessoais dos autores e Pixabay PRODUÇÃO/REDAÇÃO: Todavoz Editora LTDA. R. Dom Lúcio Antunes, 977/301 Belo Horizonte (MG) (31) 3879-7422 e-mail: [email protected] CONTATO COMERCIAL: Comercial: (31) 9 9829-9616 [email protected] INSTAGRAM: culturaegastronomiapm SITE: www.culturaegastronomia.com * Todos os artigos/textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. 11 A exposição de duas artistas marca um elo entre Belo Horizonte e Pará de Minas. Duas mulheres apresentam suas obras em exposições, cada uma delas em uma cidade distinta, mas que se conectam por meio das artes. Lisianny Marinho em Belo Horizonte e Margareth Elisei em Pará de Minas. 24 53ª Semana do Produtor Rural será realizada na última semana de julho no campus da UFV/Florestal. 08 - Resenhas 26- Vinhos 32- Crônica 20 Minas Gerais é conhecida nacionalmente e internacionalmente por sua gastronomia. As várias regiões do estado produzem deliciosos e tradicionais quitudes e iguarias que chegam a dar água na boca. Uma maneira interessante e gostosa de conhecer tudo isso é participando dos festivais, feiras e encontros gastronômicos que acontecem todos os anos em várias cidades. SUMÁRIO Exposição de duas artistas marcam o elo entre Belo Horizonte e Pará de Minas Pág. 18 A arte e seus encontros ISSN N º 2764-7986 V.1 - N0 6 - 2023 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 5
Academias na 11ª Fliaraxá 6 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 Na primeira quinzena de julho de 2023 aconteceu no Estádio Municipal Fausto Alvim em Araxá (MG) a “11ª Fliaraxá”. O festival literário contou com a participação de escritores de renome nacional e internacional que representam a literatura brasileira. Em cinco dias, quase 25 mil pessoas puderam conferir as 291 atrações, dentre elas literárias, musicais e performáticas. Além disso, tiveram acesso aos debates, palestras, sessões de autógrafos e atividades voltadas para todas as idades ̶ todos eles no formato figital que totalizaram 162 transmissões por meio do canal do Fliaraxá no YouTube. A Fliaraxá homenageou a autora Eliana Alves Cruz, vencedora do Jabuti 2022 na categoria “Contos” e a poeta Líria Porto (finalista do prêmio Jabuti de Poesia em 2015). Além das homenageadas compareceram à “11ª Fliaraxá”, os escritores: Cidinha da Silva, Lucrecia Zappi, Paulo Lins, Itamar Vieira Junior, Jeferson Tenório, Tom Farias, Sérgio Abranches, Carla Akotirene, TrudruáDorico, Carla Madeira, Eugênio Bucci, Jamil Chade, Livia SantAna Vaz e os convidados internacionais: a escritora italiana Lisa Ginzburg e o multiartista angolano Kalaf Epalanga. Uma convidada especial presente ao festival foi a Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia Antunes Rocha que falou sobre “Democracia e Literatura”. Programação das academias associadas à ASALEMG As Academias de Letras mineiras que são associadas à Associação das Academias de Letras de Minas Gerais - ASALEMG fizeram-se presentes à Fliaraxá como parte da programação regional e tiveram várias atividades. Entre elas: “Contação de Histórias” pela representante da Academia de Letras de Ibiá, “Roda de Conversa com jovens escritores - A Poesia que Liberta” com a Academia Juvenil de Letras de Araxá, que contou com a participação dos jovens escritores de Ibiá. “Os Desafios e o futuro das Academias de Letras”, que tiveram como convidados: Luiz Humberto França (Araxá), Paulo Pajó (Formiga), Raimundo Alves (Cordisburgo) e Sônia Martins (Ibiá), com a mediação de Flávio Ramos (Divinópolis). No último dia houve o debate “Protagonismo Feminino na Literatura” contando como convidadas as acadêmicas: Adircilene Batista Silva (Lagoa da Prata), Cecy Barbosa (Juiz de Fora), Autor do livro: Estela sem medo e palestrante na Fliaraxá Acadêmicas no debate sobre o “Protagonismo feminino na Literatura durante a Fliaraxá
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 7 Fátima Peres (Pará de Minas) e Rosana Ferreira Silva (Passos) Após todas as apresentações foi realizado lançamento de livros. Segundo o presidente da ASALEMG, Flávio Ramos, as Academias que se associarem à ASALEMG também poderão participar de eventos como a Fliaraxá, além dos demias projetos a serem implementados em 2023 e 2024. São eles: Projeto Integração Acadêmica a) Publicar uma Antologia com 210 páginas com trabalhos literários de escritores das academias associadas à ASALEMG. b) Participação em alguns importantes festivais de literatura com a montagem de stands exclusivos e custeados pela ASALEMG para divulgação das obras dos acadêmicos associados. O custeio de transporte e, possivelmente estadia, para os acadêmicos associados que participarem dos festivais. (Após a captação dos recursos). d) Oficinas de aprimoramento de produção literária: poesia; conto; romance, com a contratação de especialistas em preparação de textos ou mentoria para acadêmicos das associadas. Projeto Festival Asas da Literatura Será realizado, ainda em 2023, em Belo Horizonte, próximo à Praça da Liberdade, interagindo com a Biblioteca Pública Luiz de Bessa e Casa Fiat de Cultura. O Festival contará com uma área gastronômica, outra para artesanato, Feira de Produtos hortifrutigranjeiros da agricultura familiar, shows musicais com bons nomes da música mineira e Espaço Kids. Acadêmicos associados da ASALEMG
RESENHA / Terezinha Pereira Escritora e coordenadora de grupos de leitura Malluh Praxedes: uma pequena grande trilogia 8 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 Acabo de ler. Alguém em mi, Nem muralhas, nem mulheres e O olhar da bailarina: três pequenos livros com belíssima ilustração de Fernando Fiuza. Na contracapa de cada um, a sinopse feita pelo escritor e ator, José Roberto Pereira, faz conhecer ao leitor o que se pode encontrar nos livros. Alguém em mi, prefaciado pelo escritor português, Cunha de Leiradella, é composto de vinte minicontos que contam, com leveza , paixão e bom humor, sobre sucessos e reveses da vida. Trecho: “Era uma vez um homem que fez poesia no escuro, rimou desejo com morte, deixando um rastro de chuva com suas botas gastas e seu querer tardio...” Nem muralhas, nem mulheres, prefaciado pelo médico, psicólogo e escritor, Salomão Polakiewicz, brinda o leitor com belos contos, alguns eróticos, que revelam mulheres fortes que sofrem abusos e desprezo de homens inconvenientes e não se intimidam diante da vida. Trecho: “O cara voou mais que tudo. Ao me deixar em casa, colocou minha mochila na calçada e pediu: − Não diga nada para os meus filhos. Sabe como é, vão pensar que o pai deles é paquerador e eu só quis ser gentil. Claro que não atendi ao seu pedido. Os filhos quiseram saber de detalhes e não escondi nada.” O olhar da bailarina tem prefácio do escritor estadunidense, James Gavin, em inglês e português, é composto por dezoito contos, diria, dançantes, que justificam o título do livro. Trazem o olhar da autora a vaguear por sua terra natal, Pará de Minas, pela cidade onde ela vive, Belo Horizonte e por onde ela faz suas andanças desde a infância. Rio, Salvador, Olinda, Ouro Preto, Buenos Aires e outras partes do mundo estão presentes. Tudo acaba em música! Cada conto é finalizado por um trecho da música brasileira de boa qualidade. Trecho: “ ... e lá estava ele, de Maria-Chiquinha e uma capa do Batman amarela e os lábios borrocados de batom. Não demorou muito para que aquele batom pintasse minha boca de todas as cores: ‘Eu sou aquele pierrô/ que te abraçou/ e te beijou/ meu amor...’” FICHA TÉCNICA Títulos: Alguém em mi; Nem muralhas, nem mulheres; O olhar da bailarina Autor: Malluh Praxedes Gênero literário: contos Idioma: português Ano: 2018 Editora: Todavoz Nº de páginas: 72, 48, 56 Encadernação: brochura Dimensões: ISBN: 978-85-94474-03-02
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 9 PORTAL DA MEMÓRIA: A poética construtiva de Jorge dos Anjos na paisagem da cidade Criada para proteger a imagem de Iemanjá na Lagoa da Pampulha, escultura de ferro traz reflexões sobre patrimônio, diáspora, religiosidade, liberdade e formação social. Foto: Tavinho Moura
10 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 viva aos visitantes de que a cidade e suas belezas não estão determinadas pelo estereótipo burguês do homem branco, ao contrário, são essencialmente resultado da multiplicidade de seu povo, incluindo uma população escravizada por mais de três séculos da história e empurrada para a margem das periferias brasileiras na chamada “modernidade democrática”. É contra o apagamento do passado da população preta e o silenciamento contemporâneo das raízes afro-brasileiras que a obra de Jorge dos Anjos ganha força e sentido concreto. “O 'Portal da Memória' é uma das esculturas mais significativas que tenho em BH, em um lugar importante, a Lagoa da Pampulha, em diálogo essencial com a água. Na África, antes de entrar no navio negreiro, costumavam vedar os escravos e andavam em círculo com eles envolta de uma árvore, que era chamada árvore do esquecimento. Nesse sentido, nessa obra, a água é memória. É como se, ao atravessar o portal, você fosse se lembrando da sua história, sua existência, é uma maneira simbólica de afirmar isso”, explica o artista. “Desenvolvo meu trabalho pensando nas raízes africanas. E sei que a minha arte, a escultura, acaba sendo consumida por pessoas mais ricas. Por isso, é importante a obra estar em um espaço público, de acesso a todos. Acredito que o lugar público é a vocação da escultura”, complementa Jorge. Desde que foi implantada na orla da Lagoa da Pampulha em 1982, a imagem de Iemanjá vinha sofrendo contínuas depredações ao longo dos anos. Em 2007, o "Portal da Memória", obra do artista mineiro Jorge dos Anjos, resolveu o problema, ao proteger com uma moldura de ferro a escultura de Iemanjá, ao mesmo tempo em que abriu uma multiplicidade de reflexões sobre a história da cultura de raízes africanas que permeiam a formação de toda a capital mineira. Em uma homenagem a esse processo e à trajetória do importante artista ouro-pretano, foi lançado em junho de 2023, o livro Portal da Memória: A poética construtiva de Jorge dos Anjos na paisagem da cidade. Jorge dos Anjos tem muitas obras que reverenciam a cultura afro-brasileira e conversam com os espaços públicos de Belo Horizonte. Mas certamente "Portal da Memória" pode ser considerado a sua criação mais emblemática na cidade. Criada para ser o cartão postal da modernidade de Belo Horizonte na década de 1940, com obras de Oscar Niemeyer e jardins de Burle Marx, a orla da Lagoa da Pampulha, cercada pela Casa do Baile e pelo Iate Tênis Clube, durante muito tempo se manteve como espaço restrito à elite e, consequentemente, negado às pessoas pretas. Nesse sentido, o "Portal da Memória" foi criado como uma espécie de reparação histórica simbólica e uma lembrança Jorge dos Anjos Natural de Ouro Preto (MG), Jorge dos Anjos é artista plástico formado pela Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), tendo assimilado técnicas e perspectivas com os professores-artistas Nuno Mello, Ana Amélia e Amilcar de Castro. O trabalho de Jorge dos Anjos é nacionalmente e internacionalmente reconhecido pelas originais esculturas produzidas principalmente em chapas de ferro oxidado, mas também em pedra sabão e madeira. Sua arte é marcada por reverências e resgates da cultura africana, caracterizada por dobras, recortes e inclinações improváveis da estrutura rígida, desafiando a natureza principalmente do metal, que rendeu à sua obra a alcunha “balé de silhuetas”.
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 11 Sobre o livro O livro sobre a obra de Jorge dos Anjos resulta da pesquisa desenvolvida por Maria Tereza Dantas Moura, conservadora-restauradora e mestre em Patrimônio Cultural pela UFMG, e Rita Lages Rodrigues, historiadora e professora de História e Teoria da Arte da Escola de Belas Artes da UFMG. “Na iniciação científica, a professora Rita Lages me pediu para escolher um monumento urbano para pesquisar e não tive dúvida de que seria o 'Portal da Memória'. A escolha não se deu só pela beleza da escultura, das linhas construtivistas, da geometria sensível, mas pelos múltiplos significados que a obra apresenta para a comunidade e das possibilidades de desenvolvimento da pesquisa na área da preservação do patrimônio”, afirma Maria Tereza Dantas Moura. A pesquisadora conta que a ideia do livro surgiu como um desdobramento da pesquisa, que foi avolumando textos reflexivos sobre as temáticas que atravessam a escultura do artista plástico mineiro. "Quando vimos a quantidade de artigos que escrevemos sobre a temática, resolvemos apresentar o projeto do livro à LMIC. O Jorge recebeu muito bem a iniciativa, fez as ilustrações e concedeu uma entrevista para a publicação. Convidamos o Flávio Vignoli, que já havia trabalhado com o Jorge no projeto 'Aya Árvore da Vida', no Centro de Referência das Juventudes, para fazer o projeto gráfico”, relembra. Assim, a publicação reúne textos que surgem da robustez da pesquisa acadêmica sobre "Portal da Memória", mas que parecem convidar o leitor, com linguagem fluida e acessível, a uma boa prosa sobre o patrimônio cultural, a paisagem cotidiana, as diferenças sociais na formação da cidade e a representatividade de Iemanjá dentro de um Brasil majoritariamente negro. “O trabalho ainda é delineado pela arte de Jorge dos Anjos e pelos distintos significados que ele alcança com suas esculturas, além de trazer uma qualidade estética muito forte e diversas fotos em preto e branco que costuram os textos. Ficamos muito satisfeitas com o resultado”, finaliza Maria Tereza. Fac-símile da capa do livro
12 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 Em maio deste ano, a aldeia Piaraçu, localizada na Terra Indígena Capoto/Jarina (MT) recebeu 20 professores indígenas para o desenvolvimento de publicações paradidáticas voltadas ao público infantojuvenil em língua Kayapó. Os livretos serão ilustrados com desenhos feitos à mão e distribuídos nas escolas indígenas das cinco Terras Indígenas (TIs) atendidas pelo projeto “Tradição e Futuro na Amazônia” (Baú, Las Casas, Menkragnoti, Kayapó e a própria Capoto/Jarina). O material irá tratar de temas relacionados à conservação do território, aos hábitos alimentares, ao conhecimento da fauna e da flora, à relação com Sobre o TFA Patrocinado pelo “Programa Petrobras Socioambiental” e gerido pelo FUNBIO, o “Tradição e Futuro na Amazônia” (TFA) realiza desde 2020 ações para apoiar as comunidades Kayapó no Pará e no Mato Grosso em parceria com três organizações representativas deste povo: os institutos Kabu e Raoni, e a Associação Floresta Protegida. Com atividades que incluem educação ambiental, agricultura sustentável, registro e transmissão de tradições e apoio à geração de renda e à gestão do território, o TFA beneficia mais de nove mil indígenas de 57 aldeias. TRADIÇÃO E FUTURO NA AMAZÔNIA: material educativo em língua Kayapó o meio ambiente e à produção e coleta de resíduos nas aldeias. Além desses, os mitos e as lendas da cultura Kayapó poderão ganhar uma cartilha especial. Os participantes desse encontro definiram aspectos técnicos da produção, como a grafia das palavras. Pela dimensão do território Kayapó - mais de 12 milhões de hectares -, é comum encontrar diferenças no uso da língua nas diferentes regiões. A proposta é que as cartilhas sejam entregues ainda no segundo semestre para distribuição nas escolas indígenas das TIs atendidas pelo “Tradição e Futuro na Amazônia” (TFA), projeto patrocinado pelo Programa Petrobras Socioambiental. Foto: divulgação
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 13 O maior museu de tesouros do ROCK completa 52 anos Desde a sua fundação em 1971, o Hard Rock Café deixou uma marca inconfundível na indústria hoteleira, juntando a paixão pela música com gastronomia, hotéis, casinos e muito mais. Você sabia que o famoso estabelecimento nasceu da visão de dois amigos apaixonados por rock 'n' roll: Isaac Tigrett e Peter Morton? Na movimentada cidade de Londres, em 1971, Isaac e Peter decidiram criar um lugar que oferecesse a autêntica comida americana e fosse imerso no espírito do rock. Desde então, tornou-se um ícone global que combina música, gastronomia e cultura. O restaurante foi inaugurado em um antigo showroom da Rolls Royce no exclusivo bairro de Mayfair. Com seu design acolhedor e variado, o local se tornou um ponto de encontro para os amantes da boa comida e da boa música. Sua decoração incluía pisos de madeira, móveis brilhantes e toalhas de mesa quadriculadas em azul e branco, criando um ambiente único e aconchegante. Mas o “Hard Rock Café” não era apenas um restaurante. Desde o início, destacou-se por sua impressionante coleção de objetos musicais, que continua a crescer até hoje. Guitarras autografadas, figurinos icônicos, discos de ouro e outras recordações de artistas lendários decoram as paredes e espaços do restaurante, transportando os clientes para a história do rock. Tamanho era o prestígio do primeiro “Hard Rock Café” londrino entre o show business, que Eric Clapton resolveu marcar seu lugar preferido no bar pendurando seu violão, bem como o guitarrista do The Who, Pete Townshend. Assim começou esse costume que se popularizou entre os roqueiros e cujas relíquias rodam por diversos bares e hotéis pelo mundo, totalizando mais de 83 mil peças. Ao longo dos anos, a marca evoluiu e se diversificou. Além dos restaurantes, foram criados espaços como o “Hard Rock Live”, destinado a concertos e eventos ao vivo, e os conceituados “Hard Rock Hotels and Casinos”, e ainda “Hard Rock Hotels - All Inclusive Experience” que oferecem estadia e entretenimento. Fotos: divulgação
14 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 Professor de Literatura da Cedaf/UFV Florestal. Doutor em Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC Minas. Compositor, autor do álbum Mar de Morro CAUSO / Sílvio Ramiro Bernardo e a gameleira Do ladinho aqui de casa, quase ao toque do dedo, há uma gameleira. É ainda jovem, em pleno crescimento. Certamente, pelo volume de pássaros e morcegos, algum deles semeou esse presente antes que eu comprasse o lote. Só que toda hora chega alguém pra dizer que eu deveria cortar a árvore: “ela vai crescer demais e dar problema na casa”; “melhor cortar agora, antes que caia em cima do telhado”; “é só jogar veneno no pé, que ela vai morrendo devagar”. Enfim, explicações e motivos sempre existem na boca de quem quer tê-los. Mas quem me diz isso não sabe que, desde o início da obra, eu já tinha decidido não cortar. As minhas razões não são de engenharia, nem de defesa civil, são mesmo de caráter ético e afetivo: cortar árvores é dolorido. Sei que, uma hora, pode ser que eu não tenha escolha, e ela seja mesmo um risco. Vou me preparando... No dia em que acontecer, já terá crescido a mangueira que eu plantei logo ali pertinho, admitindo maior controle pela poda. Até lá, lado a lado, vão crescendo a mangueira e a gameleira – onde os tucanos vêm pousar quando dou sorte ou onde os morcegos vêm me assustar à noite, trombando com a testa quando dou azar. Aliás, azar ou sorte são versões de um mesmo significado que culturalmente foram caminhando em pólos opostos: sorte pro positivo; azar pro negativo. Mesmo assim, nos jogos de azar, se alguém dá sorte, acaba levando alguma boa surpresa. Tenho ainda a esperança de dar a sorte de já não ser mais o dono do lote quando a gameleira precisar virar gamela, pra dor do corte não ser minha. Talvez essa ética tenha a ver com a vida em Bonfim, na época em que minha cidade ainda era de ruas de terra e meu quarto, dentro de uma casinha azul de tijolo de adobe, com uma árvore enorme junto à cerca. Era nela que a gente subia pra ver a chácara, a piscina e a grama verde dos vizinhos ricos. Talvez também seja porque sou leitor de Manoel de Barros, de quem sei vários versos de cor: “para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber: / Que o esplendor da manhã não se abre com faca”; “um girassol se apropriou de Deus: foi em Van Gogh”; “O mundo meu é pequeno, Senhor / Tem um rio e um pouco de árvores”. Fomos ensinados ao contrário disso, como se entre a cultura e a natureza tivesse realmente a distância que hoje há. Como
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 15 se natural fosse desmatar, garimpar, minerar, queimar. Ora, se aprendêssemos com o que há de mais óbvio nas palavras, saberíamos que só é natural o que é da natureza, e que todo o resto é cultural. Então, se a cultura é uma invenção humana, ainda dá tempo de desinventar muita coisa. De novo com Manoel, vim a ler recentemente uma outra sorte: “Bernardo é quase árvore / Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem de longe / E vêm pousar em seu ombro”. Fica explicado por que chegaram canários, tico-ticos e tucanos agora que Bernardo está ali brincando debaixo da gameleira, desinventando nossas dores. Foto:Debrajean por Pixabay
16 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 Coleção: Jesus, o libertador Número de páginas: 168 Para encomendar faça contato pelo e-mail: [email protected] ou Instagram: pedroantoniodesenhos Coleção em quadrinhos torna a leitura ainda mais agradável QUADRINHOS / Pedorantonio A revista “Cultura&Gastronomia” vai publicar em suas edições, algumas páginas da coleção Jesus, o libertador para que o leitor possa degustar um pouco do belíssimo trabalho do artista e ilustrador Pedroantonio. Quem se interessar em obter a coleção completa basta entrar em contato com o artista pelo e-mail: pedroantonioilustrador@ gmail.com ou pelo Instagram: @pedroantoniodesenhos.
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 17
18 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 Duas mulheres apresentam suas obras em exposições, cada uma delas em uma cidade distinta, mas que se conectam por meio das artes. Lisianny Marinho em Belo Horizonte e Margareth Elisei em Pará de Minas. Lisianny é de Pará de Minas e Margareth, apesar de sua origem ser de Nepomuceno, sempre viveu em Belo Horizonte. As exposições “Elementos 2023” (Belo Horizonte) e “Aquarelas” (Pará de Minas) aconteceram ao longo dos meses de maio e junho de 2023 atraindo um grande público. Segundo a idealizadora, coordenadora e curadora do projeto “Elementos”, Lígia Moregula, a exposição que aconteceu no Museu Inimá de Paula, na capital mineira teve como objetivo, repensar o modo de produzir arte a partir do reuso de materiais conforme incentiva o ativista indígena do povo crenaque, Ailton Alves Lacerda Krenak. “Ela veio estimular a reflexão De cima para baixo as artistas: Lisianny Marinho, Margareth Elisei e ao lado a curadora da exposição “Elementos”, Lígia Moregula A arte e seus encontros Exposição de duas artistas marcam um elo entre Belo Horizonte e Pará de Minas Fotos: Fátima Peres
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 19 sobre a exaustão eminente dos recursos, que garantem a qualidade de vida em nosso cotidiano”, diz a curadora. Lisianny Marinho apresentou obras reaproveitando cacos de cerâmicas e vidros denominadas de “Incubadora”. Já a artista Margareth, expôs suas diversas aquarelas no belíssimo espaço destinado às diversas atividades artísticas da Escola Municipal de Artes e Ofícios de Pará de Minas. “Estou muito feliz em voltar a expor meus trabalhos que retomei durante a pandemia da covid-19, depois de quase desistir da arte”. Atualmente Margareth Elisei mora em Pará de Minas, cidade que, segundo ela, escolheu para viver há mais de dois anos. Contato de Margareth: (31) 98321-6062 Contato de Lisianny: (37) 99137-6633 A arte e seus encontros Exposição de duas artistas marcam um elo entre Belo Horizonte e Pará de Minas
20 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 E, você leitor, sabia que é o dia 5 de julho que se comemora o “Dia da Gastronomia Mineira”? Ela foi escolhida em homenagem ao nascimento do professor e escritor Eduardo Frieiro, autor do livro Feijão, Angu e Couve – ensaio sobre a comida dos mineiros. Publicado em 1966 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi a primeira obra a abordar a culinária mineira do ponto de vista histórico e sociológico. Existe até um calendário oficial que marca as datas dos principais festivais. Por exemplo: em abril acontece em Belo Horizonte, o Festival Comida di Buteco. E o evento cresceu tanto que chegou em outras cidades do país e agora também possui uma Minas e suas RIQUEZAS gastronômicas Foto: Ane Souz Minas Gerais é conhecida nacionalmente e internacionalmente por sua gastronomia. As várias regiões do estado produzem deliciosos e tradicionais quitudes e iguarias que chegam a dar água na boca. Uma maneira interessante e gostosa de conhecer tudo isso é participando dos festivais, feiras e encontros gastronômicos que acontecem todos os anos em várias cidades. etapa nacional. A Festa Cultural da Goiaba em São Bartolomeu (distrito de Ouro Preto) em maio é outra opção. Lá não só os visitantes vão encontrar várias opções de doces de goiaba, como diversos outros tipos produzidos artesanalmente pelos moradores. Além da goiaba como atrativo e estrela principal da festa, é possível saborear muitas delícias da culinária mineira acompanhadas de variadas cervejas artesanais locais. Essa festa é realizada desde 1993. “O evento valoriza nossa cultura e celebra a tradição que, de geração em geração, segue adoçando a ida de quem aqui vive ou vem de fora degustar as riquezas culinárias, históricas e naturais de São Foto: Ane Souz
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 21 Minas e suas RIQUEZAS gastronômicas Bartolomeu”, afirma Pia Márcia, doceira e coordenadora da Festa da Goiaba. Outros festivais realizados no mês de maio são: em Congonhas, o tradicional Festival da Quitanda com diversas apresentações culturais, noite de caldos e viola e outras delícias da culinária mineira. Em Catas Altas a atração é a Festa do Vinho e une sabor e cultura aos pés da Serra do Caraça. Em Caxambu, o Festival Boa Mesa. Já em junho tem a Expocachaça em Belo Horizonte, a Festa do Pé de Moleque na cidade de Piranguinho cujo preparo do doce é artesanal Minas Gerais é conhecida nacionalmente e internacionalmente por sua gastronomia. As várias regiões do estado produzem deliciosos e tradicionais quitudes e iguarias que chegam a dar água na boca. Uma maneira interessante e gostosa de conhecer tudo isso é participando dos festivais, feiras e encontros gastronômicos que acontecem todos os anos em várias cidades. e tombado como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Minas Gerais. Porém, a fama do queijo de Minas é indiscutível e atrai gente de todos os cantos do país. Em São Roque de Minas, o “Festival do Queijo Canastra” tem mobilizado as pousadas e restaurantes locais durante todo o mês de julho. Nos outros meses do ano também são realizados eventos que privilegiam a boa mesa, bem como o já internacionalmente conhecido “Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes”. Foto: Ane Souz Pia Márcia doceira e coordenadora da Festa da Goiaba
22 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entregou este ano, a candidatura dos “Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal” à Lista Representativa da Convenção para Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O pedido foi formalizado ao Secretariado da Convenção do Patrimônio Imaterial da UNESCO por meio da Delegação Permanente do Brasil junto à Unesco (Brasunesco). A lista inclui bens culturais imateriais que são considerados representativos da diversidade cultural mundial e que precisam ser protegidos e valorizados. O processo visa assegurar a preservação de conhecimentos e técnicas relacionadas à produção de queijo, desenvolvidas ao longo dos últimos três séculos, por pequenos produtores rurais de Minas Gerais. A candidatura ressalta o caráter familiar das propriedades envolvidas na produção do Queijo Minas Artesanal. Destaca ainda a tradicional preocupação dos produtores com o bem-estar “Modos de fazer o queijo MINAS ARTESANAL” Foto: divulgação
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 23 Em 2002, os “Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal” foi reconhecido na região do Serro pelo Iepha/MG, sendo o primeiro bem cultural registrado por Minas Gerais como patrimônio imaterial. Em 2008, o Iphan registrou o “Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas”, contemplando três regiões: Serro, Serra da Canastra e Serra do Salitre/Alto Paranaíba. Em 2021, o Iphan alterou o título do bem cultural para animal e enfatiza o papel do queijo, em conjunto com outros fatores, na articulação de um modo de vida marcado pela importância das relações de boa vizinhança, tolerância e hospitalidade, cultivados nas comunidades rurais e por um forte sentido de pertencimento ao plano local. “Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal”, ampliando o território de abrangência do registro para as regiões identificadas pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). As novas regiões identificadas foram: Araxá, Campo das Vertentes, Serras do Ibitipoca, Triângulo de Minas, Diamantina e Entre Serras da Piedade e do Caraça, que se somam às outras. Centro de Referência do Queijo Artesanal Conta com uma exposição permanente sobre a iguaria, loja colaborativa de produtos mineiros, sala de aula com cozinha didática, biblioteca especializada na cultura e gastronomia de Minas e um espaço multiuso para receber diversos eventos culturais e educativos. LOCALIZAÇÃO: Espaço 356 (Rua Adriano e Matos, 100/bairro Olhos D´água/Belo Horizonte) Histórico do registro do BEM CULTURAL Foto: Pixabay
24 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 53ª SEMANA DO PRODUTOR RURAL Organizado e promovido pela Diretoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Viçosa (UFV) - Campus Florestal em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), a Semana do Produtor Rural é um evento que busca, por meio de cursos e palestras com professores e especialistas, oferecer melhores condições de qualificação ao produtor rural visando melhorias tanto na produtividade quanto na qualidade de vida. Realizado desde 1969, o evento chegou à sua 52ª edição, representando o retorno do maior evento de extensão do campus às suas origens. Após as complicações impostas pela pandemia de Covid-19 que resultaram na não-realização do evento no ano de 2020 e na realização inteiramente online no ano de 2021. Em 2022 foi possível o retorno das atividades de maneira completamente presencial. Foram recebidos 334 participantes como cursistas e, ao todo, estima-se que cerca de 12 mil pessoas estiveram presentes como público nas diversas atrações organizadas durante a semana. “Agora em 2023 contamos com vários cursos, principalmente na área tecnológica, como o uso de drones como instrumento facilitador no manejo e controle da produção, entre outros”, diz o diretor de Extensão e Cultura, Herbet Fernando Martins de Oliveira. Além do curso de drones, a Semana do Produtor Rural oferece ainda outros como: Fruticultura, Plantas Medicinais, Embutidos e Defumados, Panificação/Confeitaria, Bebidas Artesanais e muito mais. Os participantes vão encontrar também novidades no “Balaio dos Saberes”, “Dia dos 60+”, “Clínica Tecnológica”, entre outras. Para quem busca formação e informação, a “Semana do Produtor Rural é o melhor canal para se atualizar em como melhor atuar no agronegócio. Evento realizado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) - Campus Florestal movimenta, não só a economia da cidade de Florestal (MG), como traz para a “Semana”, produtores de várias partes de Minas Gerais e de outros estados do país. Fotos: Pixabay e Fátima Peres
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26 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 VINHOS / Fernando Moreira Fotos: aquivo pessoal Os tesouros enológicos do Sul do Brasil SERRA GAÚCHA
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 27 Recentemente, eu e Juliana, minha esposa, tivemos a incrível oportunidade de fazer uma viagem à encantadora região da Serra Gaúcha, no sul do Brasil, e mergulhar no mundo dos vinhos locais. Durante nossa estadia, pude desfrutar de experiências inesquecíveis nas vinícolas da região, conhecendo de perto a paixão e a dedicação dos produtores e apreciando vinhos de qualidade excepcional. Neste texto, compartilharei com você as maravilhas que descobri ao explorar as vinícolas da Serra Gaúcha, imergindo no fascinante universo dos vinhos brasileiros. Durante minha visita à Serra Gaúcha, pude notar que a região abriga não apenas grandes vinícolas renomadas, mas também um número significativo de vinícolas de pequeno e médio porte. E foi exatamente nessas vinícolas mais intimistas que encontrei algumas das experiências mais memoráveis da minha jornada enológica. O que mais me encantou nas vinícolas de pequeno e médio porte foi a atenção pessoal e cuidado dedicados a cada etapa do processo de produção do vinho. Desde a colheita das uvas até a vinificação e o engarrafamento, pude testemunhar o trabalho artesanal e minucioso realizado por esses produtores. Essa abordagem artesanal resulta em vinhos distintos, cheios de caráter e personalidade, que são verdadeiras joias enológicas. Além disso, nas vinícolas menores, tive a oportunidade de conversar diretamente com os enólogos e produtores, que compartilharam suas histórias, conhecimentos e paixão pela viticultura. A intimidade desses encontros proporcionou uma compreensão mais profunda do processo de produção do vinho e uma conexão genuína com as pessoas por trás desses rótulos. Outro destaque das vinícolas de pequeno e médio porte foi a atmosfera acolhedora e familiar que permeava cada visita. Em muitos casos, fui recebido pelos próprios proprietários, que me levaram a passear pelos vinhedos, mostraram as instalações de produção e me guiaram em degustações personalizadas. Essa proximidade criou uma experiência autêntica e exclusiva, onde cada vinho degustado era acompanhado por histórias fascinantes e aconchego hospitaleiro. É importante ressaltar que, embora as vinícolas de grande porte sejam conhecidas e respeitadas por sua tradição e excelência, as vinícolas menores da Serra Gaúcha oferecem uma perspectiva diferenciada e um encanto único. Elas são verdadeiras pérolas escondidas, prontas para serem descobertas pelos amantes do vinho que buscam experiências íntimas e autênticas. Portanto, se você planeja visitar a Serra Gaúcha em busca de vinhos excepcionais, não deixe de explorar também as vinícolas de pequeno e médio porte. Essas vinícolas familiares e artesanais podem Sommelier e proprietário do Bodega Fotos: arquivo pessoal
28 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 28 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.3 - 2022 surpreendê-lo com seus vinhos distintos, hospitalidade calorosa e a verdadeira essência do terroir da região. Se você ficou interessado pelas vinícolas da Serra Gaúcha e deseja trazer um pouco desse encanto para a sua casa, tenho uma ótima notícia! Na Bodega você encontrará uma seleção cuidadosa dos grandes exemplares de vinhos da vinícola Lidio Carraro, um dos principais produtores de médio porte da região. Trabalhando em estreita colaboração com a vinícola Lidio Carraro da Serra Gaúcha, adquiri uma variedade de rótulos que representam a excelência e a diversidade dos vinhos locais. Dos tintos encorpados e elegantes aos frescos e aromáticos brancos, oferecemos uma gama abrangente de opções para atender a todos os gostos e ocasiões. Nossa equipe está pronta para guiá-lo em sua jornada pelos vinhos da Serra Gaúcha, compartilhando conhecimentos e recomendações personalizadas. Quer você seja um apreciador experiente ou esteja apenas começando a explorar o mundo dos vinhos, teremos o prazer de ajudá-lo a descobrir novos sabores e desfrutar de momentos memoráFernando e sua esposa, veis. Dra. Juliana participando de uma degustação de vinhos
Cultura&Gastronomia - V. 1 - n.6 - 2023 29 GOURMET / Receitas Jim Beam Sunrise Esse drink é para quem gosta de uma receita rápida, ideal para fazer em casa, durante uma reunião com os amigos. Ingredientes 45 ml de Jim Beam Gelo 15 ml Xarope de gengibre Suco de laranja Modo de preparo Para começar, em um copo médio, adicione gelo. Depois, acrescente o xarope de gengibre, Jim Beam e complete com suco de laranja. Dê uma mexidinha e, para finalizar, coloque uma rodela de laranja. Caipirinha de Whiskey com Morango Resolveu fazer um churrasco para encontrar a galera? Esse drink é a pedida! Ingredientes 50 ml de Jim Beam 5 morangos 20 ml de Xarope de açúcar 20 ml de Suco de limão Modo de Preparo Em um copo baixo, adicione os morangos cortados em pedaços, gelo, xarope de açúcar e o suco de limão. Depois, aperte de forma suave e acrescente Jim Beam. Para completar, dê uma mexida leve e finalize com um morango para enfeitar. Foto: divulgação Foto: divulgação
30 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 GOURMET / Concurso Com o objetivo de promover e enaltecer a culinária mineira, a Belotur realizou em julho de 2023, na “Mineiraria - Casa da Gastronomia”, a Grande Final do 4º Concurso Prato Junino. Participaram da competição, que este ano teve como tema “O Resgate da Memória Afetiva”, alunos dos principais cursos de gastronomia de Belo Horizonte. Os ganhadores foram: Anarriê de Abóbora (Una), Galinhada no Palito (Senac), Caminho da Roça, Estrada Tropeira (Faculdade Arnaldo), Taco Mineiro (Estácio de Sá) e Ragu Suíno com Polenta de Milho Verde (Faculdade Promove). Os grupos vencedores ganharam kits com instrumentos de cozinha e dólmãs personalizados (vestimenta usada por chefs de cozinha), além da oportunidade de comercializar os pratos na “Vila Gastronômica da Praça da Estação”, que funcionou durante o “Arraial de Belo Horizonte”. O espaço teve ambientação especial, com luzes, puffs, mesas, cadeiras e barraquinhas de entretenimento. "O Concurso Prato Junino é sempre uma ótima oportunidade para os novos talentos da gastronomia local, que podem vivenciar a operação de um grande evento. O público também teve a chance de provar pratos feitos com excelência, carinho e com preços acessíveis, já que o valor máximo foi de R$20”, explica Marah Costa, diretora de eventos da Belotur. Bruno Bethonico e Ana Paula Silva foram os ganhado- 4ª edição do Concurso Prato Junino Participantes do Concurso Prato Junino Foto: divulgação
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 31 res da Faculdade Arnaldo com o prato “Caminho da Roça, Estrada Tropeira”. O sanduíche de linguiça tropeira leva couve, ovo com calabresa, vinagrete picante, maionese de cheiro verde e torresmo. “Foi muito desafiador participar do concurso, todos os pratos estavam incríveis. Apesar de já cozinhar há algum tempo, eu estou no primeiro período do curso de gastronomia e competi com alunos mais experientes”, conta Bruno. O “Concurso Prato Junino” surgiu para promover a gastronomia mineira, elogiada e reconhecida em todo o mundo pela sua simplicidade, criatividade e valorização dos ingredientes regionais, além de destacar os elementos do período junino de uma forma acessível e inovadora. A edição de 2023 valorizou as lembranças nostálgicas das comidas caseiras, dos encontros em volta das mesas, das reuniões em família e dos amigos de infância. A primeira etapa da competição foi realizada durante o mês de junho. As faculdades participantes organizaram seletivas internas e selecionaram dois pratos cada. Na final, as receitas foram avaliadas pelo júri técnico, definindo um quitute ganhador para cada instituição de ensino. Os avaliadores levaram em consideração aspectos como harmonia de sabor e textura, apresentação do prato, originalidade e economicidade, além da presença de pelo menos dois insumos característicos da culinária mineira. Compuseram o júri técnico da Grande Final do 4º Concurso Prato Junino: Celina Aquino, jornalista especializada em Moda e Gastronomia no jornal “Estado de Minas”; Djalma Victor, chef de cozinha, proprietário dos restaurantes Osso - Mind The Bones e Rotisseria Central e participante de programas de culinária como “Mestre do Sabor” e “Top Chef Brasil”; Ivo Faria, chef de cozinha do “Instituto Ivo Faria”; Lorena Martins, jornalista do “O Tempo” e influenciadora com foco em gastronomia; e por Mateus Luz, repórter do programa “É de Casa”, da Rede Globo. “O Concurso Prato Junino é uma importante plataforma para os alunos que estão começando a trilhar uma carreira na gastronomia. Aqui, eles podem ser criativos e fazer contatos que vão ajudá-los no mercado”, afirma Ivo Faria, chef de cozinha do “Instituto Ivo Faria”. Vencedores do 4° Concurso Prato Junino Faculdade Arnaldo Caminho da Roça, Estrada Tropeira: sanduíche de linguiça tropeira com couve, ovo com calabresa, vinagrete picante, maionese de cheiro verde e torresmo. Estácio de Sá Taco Mineiro: tortilha de milho com chilli de porco, aioli de requeijão e salsa, com farofa de torresmo e crispy de couve. Promove Ragu Suíno com Polenta de Milho Verde. Senac Galinhada no Palito: bolinho de galinhada acompanhado de creme de quiabo. Una Anarriê de Abóbora: caldo de abóbora com pernil desfiado, barriga de porco marinada e empanada na pipoca.
32 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 Sempre fora alegre e agradável. Difícil era não simpatizar com ele. Talvez por isso e mais os dotes culinários da mulher, o modesto restaurante que abriram nos primeiros anos do casamento tenha prosperado tanto e se tornado um dos mais movimentados da cidade. Acumulava quarenta anos de trabalho só no estabelecimento com a esposa. Começara a trabalhar, porém, muito antes, aos trezes anos, como vendedor de picolé e engraxate. Conseguiu emprego como balconista em um armazém, depois como vendedor em uma concessionária de automóveis. Até que resolveram abrir o próprio negócio. Em pouco prazo, precisaram de um espaço maior, que também foi ficando pequeno com o passar do tempo. Em vinte anos, estavam na sede própria, bem estruturada e em um ponto excelente. Tanto ele como a mulher tinham disposição de sobra para o trabalho. Faziam o que fosse Pela primeira vez preciso. Os funcionários eram essenciais, mas eram os dois quem sempre estavam à frente de tudo. Para eles, não havia fim de semana nem férias. Feriado, somente o da Sexta-Feira Santa; folga, só na segunda-feira. Trabalhar não mata ninguém, é o que diziam. E era do restaurante que tiravam o sustento. Construíram uma bela casa própria, ampla e confortável. Criaram os dois filhos, puderam pagar uma boa faculdade para eles. Queriam que tivessem uma vida diferente. Planejavam a aposentadoria. Estava tudo calculado. Quando ela chegasse, arrendariam ou venderiam o restaurante. Comprariam um sítio aconchegante e se mudariam para lá. Sonhavam com isso. E estava muito perto. Mas agora ele estava ali, sentado em um banco na orla da lagoa, no centro da cidade, com um envelope nas mãos, sem saber o que fazer. Na rua, quando deixou CONTO / Carmélia Cândida
Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 33 o prédio do consultório médico, sentiu a vista ofuscada pela luz do dia. Cambaleou ao andar. Passou pelo carro, estacionado ali perto, fez menção de abrir a porta, mas prosseguiu. Foi caminhando, sem destino certo, sob o sol naquele dia frio de inverno. Havia barulho de carros, de pessoas, mas ele só conseguia prestar atenção nos ecos que estavam dentro da sua cabeça. Andou até parar na orla da lagoa. O que ia fazer, agora? Como iria contar tudo para a mulher, para os filhos? O doutor havia sido direto: não havia muito a ser feito. Como assim? Tudo está bem e, de uma hora para outra, tudo muda? Então é desse jeito? Precisava respirar. Sentou-se ao banco, fechou os olhos, ficou sentindo uma brisa leve bater em seu rosto. Foi respirando devagar. Procurou imaginar campos floridos, com muito vento. Viu a si mesmo e à esposa, de mãos dadas e felizes, passeando por esses campos. Depois viu os filhos juntarem- -se a eles e deixou-se ficar assim por um tempo. Quando abriu os olhos, ficou a observar o ambiente ao seu redor. Olhou as folhas das árvores balançando, um casal de patos nadando na lagoa, as pessoas indo e vindo. Era tudo tão bonito! Mais calmo, voltou a si e começou a planejar o que iria fazer. Ajeitaria a vida financeira para a esposa que, há cerca de um ano, tinha sido diagnosticada com artrite e, ultimamente, vinha se queixando frequentemente de dores de cabeça. Ela não conseguiria prosseguir com o restaurante sozinha. Teria que ter tempo para vender o estabelecimento e organizar as coisas. Daria um jeito. E o que mais faria no prazo que lhe restava? Não trabalhariam mais aos domingos! Estava definido. Viajaria com a mulher para a praia! Isso faria a qualquer custo, cumprindo uma promessa antiga! A esposa dizia que sentia muita saudade de ver o mar, visto apenas uma vez. Por que não deram um jeito e foram antes? Por quê? Continuou ali, na orla da lagoa, perdido em pensamentos. Lembrou do início do casamento, quando ele e a mulher, cheios de sonhos, faziam planos para o futuro. Pensou nas inúmeras viagens que fariam e em tudo que recuperariam depois que se aposentassem. Lembrou das diversas vezes em que não participou das festinhas na escola dos filhos, de comemorações da família. Tentou dimensionar o quanto ele e a esposa trabalharam em toda a vida. Riu das preocupações em guardar dinheiro para uma velhice segura. Agora, nada disso mais importava. A luz do sol foi ficando fraca. As luzes da cidade começam a se acender. Tinha que voltar para casa. Quer dizer, para o restaurante. Fazendo o caminho de volta, sente a face molhada. Entra no carro e, ao dirigir, vai observando as ruas, as pessoas, os outros motoristas. Quando para, ao chegar em um semáforo, um artista de rua está fazendo malabarismos com fogo. Fica encantado com a cena. Por instantes, esquece tudo que está lhe acontecendo. O sinal abre, e as buzinas logo o despertam. Então segue seu caminho. Tudo lhe parece diferente. Era como se ele estivesse vendo aquelas ruas, aquela cidade de onde saiu em raras ocasiões, pela primeira vez. Escritora
34 Cultura&Gastronomia - V. 1 - N.6 - 2023 PROJETO VIVENDO A MATURIDADE Em 2022 teve inicio o “Projeto Vivendo a Maturidade” no Muspam. O projeto é para mulheres com mais de 60 anos, com encontros semanais, sempre às sextas-feiras, com dinâmicas de grupo, brincadeiras, poesia, música, contação de história e muito mais. Museu Histórico de Pará de Minas O que acontece no MUSPAM PROJETO HISTORIAR Preservando o passado rumo ao futuro A visita ao Museu Histórico foi uma das várias ações a serem realizadas durante o ano de 2023 dentro do programa “ICMS Patrimônio Cultural”, coordenado pelo IEPHA/MG em parceria com as prefeituras municipais. O projeto “Historiar – Preservando Nosso Passado Rumo ao Futuro”, contempla todas as turmas do 5º ano de todas as escolas do município com previsão de realização em dois semestres. O projeto conta com aulas semanais, atividades diversas, visitas guiadas aos bens tombados e participação em eventos ligados aos bens registrados de Pará de Minas, com o objetivo de preservação, proteção, salvaguarda e difusão dos bens culturais, da reafirmação das raízes e identidades, em um esforço coletivo de conhecimento, reconhecimento, criação e recriação do patrimônio. PROJETO SER Yoga na cadeira Uma prática completa, contemplando todos os aspectos de uma aula de hatha yoga, porém utilizando-se da cadeira como instrumento de apoio, o que possibilita a prática para pessoas com pouca mobilidade, terceira idade, obesidade, cadeirantes, ou até mesmo quem deseja adquirir força, flexibilidade, alongamento, consciência corporal e estabilidade interna sem sair da cadeira. Este projeto conta com a orientação da instrutora, Fabíola Rosa. Fotos: divulgação/MUSPAM
LIVROS / Sugestão de leitura Nome: Mulheres livres: a resistência de 14 mulheres no mundo Autora: Aurine Crémieu Editora: Conceito Editora Número de páginas: 160 ISBN: 978-85-99560-33-4 Nome: Independência do Brasil - as mulheres que estavam lá Organizadoras: Heloisa Starling e Antonia Pellegrino Editora: Bazar do Tempo Número de páginas: 224 ISBN: 978-65-84515-10-9 Nome: O tempo e o cão - A atualidade das depressões (2a edição) Autor: Maria Rita Kehl Editora: Boi Tempo Número de páginas: 312 ISBN: 978-85-7559-473-3 Nome: Estela sem Deus Autor: Jeferson Tenório Editora: Companhia das Letras Número de páginas: 184 ISBN: 9786559211586. NOTÍCIA / Fique por dentro Os casos de estupro e estupro de vulnerável notificados no ano passado às autoridades policiais chegaram a 74.930, o que representa 36,9 em cada grupo de 100 mil habitantes. O número é 8,2% maior do que o registrado em 2021, de acordo com os dados divulgados no dia 20 de julho de 2023, no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os casos de estupro somaram 18.110 vítimas em 2022, crescimento de 7% em relação ao ano anterior, e os de estupro de vulnerável, 56.820 vítimas, 8,6% a mais do que no ano anterior. Segundo os dados, 24,2% das vítimas eram homens e mulheres com mais de 14 anos, e 75,8% não eram capazes de consentir, fosse pela idade (menores de 14 anos), ou por qualquer outro motivo (deficiência, enfermidade etc.). Apenas 8,5% dos estupros no Brasil são reportados às polícias e 4,2% pelos sistemas de informação da saúde. Assim, conforme a estimativa, o patamar de casos de estupro no Brasil é de 822 mil casos anuais. A pesquisa revela que as crianças e adolescentes continuam sendo as maiores vítimas da violência sexual: 10,4% das vítimas de estupro eram bebês e crianças com idade até 4 anos; 17,7% das vítimas tinham entre 5 e 9 anos e 33,2% entre 10 e 13 anos. Ou seja, 61,4% tinham no máximo 13 anos. Aproximadamente 8 em cada 10 vítimas de violência sexual eram menores de idade. Pela legislação brasileira, uma pessoa só passa a ser capaz de consentir a partir dos 14 anos. De acordo com o anuário, no ano passado, 88,7% das vítimas eram do sexo feminino e 11,3%, do masculino; 56,8% eram pretas ou pardas. “Embora não tenhamos pesquisas sobre o tema no Brasil, é comum ouvir relatos de profissionais de educação, ou mesmo de policiais, que indicam que foi o professor ou a professora que notou diferenças no comportamento da criança e primeiro soube do abuso. Assim, a escola tem papel fundamental para identificar episódios de violência, mas, principalmente, em fornecer o conhecimento necessário para que as crianças entendam sobre abuso sexual e sejam capazes de se proteger”, diz o anuário. Conforme os registros 82,7% dos abusadores são conhecidos das vítimas e 17,3%, desconhecidos. Entre as crianças e adolescentes com idade até 13 anos, os principais autores são familiares (64,4% dos casos) e 21,6%, conhecidos da vítima, mas sem relação de parentesco. Entre as vítimas de 14 anos ou mais, chama a atenção que 24,4% dos abusos foram praticados por parceiros ou ex-parceiros íntimos da vítima, 37,9% por familiares e 15% por outros conhecidos. Casos de estupro aumentam 8,2% no Brasil em 2022 Por Flávia Albuquerque: repórter da Agência Brasil/São Paulo
Vinhos: rótulos selecionados do mundo todo; Cervejas especiais; Cardápio enxuto e perfeito para você harmonizar com sua bebida favorita. Av. Professor Melo Cançado, 107 Fone: (37) 9 9948-0641 WINE BAR Terça a Sábado das 17 à 00h