O que é
hidronefrose?
A hidronefrose é a dilatação da pelve
renal e cálices secundário a algum
problema no trato urinário. Pode
decorrer de uma obstrução ao fluxo
urinário e essa obstrução pode ocorrer
em qualquer lugar ao longo do trato
urinário. O aumento da pressão
ureteral leva a alterações na taxa de
filtração glomerular, função tubular e
fluxo sanguíneo renal. A obstrução
pode ser aguda ou crônica e unilateral
ou bilateral.
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O que pode causar
hidronefrose?
Em crianças, a
hidronefrose é mais
frequentemente
secundária a uma
anormalidade
anatômica, como válvula
de uretra posterior
congênita, refluxo
vesicoureteral ou
obstrução da junção
uretero-pélvica (Estenose
de JUP). As anomalias
congênitas são
responsáveis por uma
maior incidência de
hidronefrose em crianças
do que em adultos.
A Society for Fetal Urology desenvolveu um
sistema de graduação para a gravidade da
hidronefrose. As notas variam de 0 a 4; o grau 0 é
o mais leve sem dilatação da pelve renal e o grau 4
é o mais grave e é caracterizado pela dilatação da
pelve renal e cálices e afinamento do parênquima
renal.
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Pacientes com hidronefrose isolada
geralmente não apresentam dor; a presença
de dor geralmente ocorre em decorrência de
cálculos, distensão aguda da bexiga ou
infecção. Lesões ureteral superior ou pélvica
renal geralmente causam dor no flanco,
enquanto a obstrução ureteral inferior causa
dor que se irradia para o testículo ipsilateral
ou lábios. Outros sintomas manifestos
incluem hipertensão, alteração no débito
urinário, hematúria ou nova elevação da
creatinina em estudos laboratoriais de rotina.
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Como
se faz
o diagnóstico?
O diagnóstico de hidronefrose é
feito por imagem:
• Ultra-som (imagem inicial preferida):
dilatação do rim e / ou ureteres, distensão
da bexiga;
• Uma TC sem contraste é o estudo
preferencial se houver suspeita de
nefrolitíase.
Embora a ultrassonografia renal seja a
modalidade de imagem preferida para
diagnosticar hidronefrose, ela tem uma
alta taxa de falsos positivos de
aproximadamente 26%.
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Quais as possíveis
causas de
hidronefrose?
• Refluxo vesico-ureteral;
• Estenose de JUP;
• Pelve extrarenal;
• Megaureter
congênito;
• Ureterocele
• Litíase ureteral;
• Compressão
extrínseca
por estrutura
vascular ou tumor;
• Bexiga neurogênica.
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Quais
exames
poderão
ser solicitados
para investigação?
• Ultra-som: demonstra dilatação do
rim e /ou ureteres, bem como qualquer
distensão da bexiga. A dilatação será
vista próximo ao local da obstrução;
• Uretrocistografia miccional para
afastar refluxo vesico-ureteral;
• Cintilografia renal dinâmica com
diurético para afastar estenose de JUP
e obstruções ureterais;
• Cintilografia renal estática para
avaliar cicatrizes renais e viabilidade
dos rins;
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• Painel metabólico básico: para avaliar
a função renal, visto que lesão renal
aguda pode estar presente com
hidronefrose como uréia e creatinina no
sangue;
• Urinálise: para avaliar quaisquer sinais
de infecção ou cálculos que possam
estar causando obstrução e
hidronefrose;
• TC de abdome sem contraste: avaliar
melhor a anatomia do trato urinários e
afastar malformações congênitas.
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Quais os principais
sintomas?
As manifestações clínicas da hidronefrose variam
bastante de paciente para paciente, porque
dependem do local, do nível e da velocidade de
instalação e da presença de obstrução do trato
urinário.
A hidronefrose
isoladamente não
costuma causar
sintomas, especialmente
se foi ocasionada de
forma lenta e
progressiva, como
acontece por uma
compressão externa,
por exemplo ou
se for congênita.
Por outro lado, uma obstrução
completa que surge forma
abrupta pode provocar dor
intensa, intermitente, devido a
distensão provocada na bexiga,
nos ureteres ou na cápsula renal.
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O local da dor varia conforme o ponto da obstrução,
podendo surgir nas costas, no abdômen, irradiar
para a virilha, testículos ou grandes lábios, ou
concentrar-se no baixo ventre, onde fica a bexiga.
Dependendo do grau de obstrução, a dor pode surgir
somente quando o paciente ingere grandes
quantidades de líquido, o que aumenta de forma
significativa o volume de urina produzido,
sobrecarregando e distendendo um trato urinário
que já está parcialmente obstruído.
Dificilmente haverá alteração no volume de urina se
a hidronefrose for só de um lado. Na realidade,
qualquer alteração neste sentido não pode servir de
parâmetro para fechar o diagnóstico.
Eventualmente o paciente pode até deixar de urinar
(anúria) ou ter seu fluxo de urina bastante reduzido
(oligúria), mas pode também manter o volume
urinário normal ou até aumentado (poliúria).
Ocasionalmente, as queixas podem ser relacionadas
à doença da próstata e incluem necessidade
frequente de urinar, dificuldade de iniciar a micção,
jato de urina fino ou intermitente e sensação de
esvaziamento incompleto da bexiga.
Nos pacientes que apresentam redução da diurese
em contexto de redução da função renal, pode haver
aumento da pressão arterial devido à retenção de
sódio e de líquidos. Além da hipertensão, o indivíduo
pode ter inchaço (edema) dos pés ou pernas. Os
valores da pressão retornam ao normal uma vez que
o fluxo urinário é restabelecido e que o excesso de
sal e de água pode ser eliminado.
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Qualquer quadro de
hidronefrose pode ser
complicado por uma
infecção urinária,
pois o represamento de
urina dentro das vias
urinárias favorece a
proliferação de bactérias.
Nestes casos, o paciente
costuma apresentar dor renal
intensa, náuseas, vômitos,
febre e calafrios.
A infecção do tratourinário
nesta circunstância é
considerada uma
emergência médica,
porque se a obstrução e a
infecçãonão forem tratadas a
tempo, há risco de
disseminação da infecção e
desenvolvimento
de sepse.
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Quais as dicas para
melhor conduta?
O manejo da hidronefrose envolve o
controle da dor e a prevenção de
infecções e a investigação da causa. A
urgência com a qual o tratamento deve
ser realizado é determinada pela
presença de infecção, o potencial de
perda da função renal e os sintomas do
paciente. Pacientes com hidronefrose
recém-diagnosticada devem ser
encaminhados a um nefrologista ou
urologista.
Após o tratamento, os pacientes são
frequentemente acompanhados por
ultrassonografia periódica para avaliar
a resolução da doença e com estudos
laboratoriais para acompanhar a
função renal.
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A urina deve ser coletada quando a
obstrução for aliviada para a cultura e
permitir o tratamento direcionado da
infecção. Após o alívio da obstrução, os
pacientes também devem ser
monitorados quanto à diurese
pós-obstrutiva. Essa poliúria acentuada
pode levar à depleção de eletrólitos,
embora geralmente seja autolimitada.
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Quais são
os tratamentos?
O tratamento
depende muito
da causa
subjacente da
obstrução. As
indicações para
cirurgia
incluem
agravamento
da hidronefrose,
infecção recorrente ou deterioração da
função renal. A nefrolitíase é geralmente
tratada com endoscopia ou litotripsia,
embora cálculos grandes possam exigir a
remoção aberta.
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Lembre-se:
Os dados compartilhados neste livro são apenas de
cunho informativo. Para um diagnóstico correto e
para melhor tratamento procure sempre um médico
de confiança.
[email protected]
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