5. Jeremias escreveu principalmente a respeito do coração de quem?
6. Por que devemos nos interessar em especial pelo que Deus disse sobre o
coração?
7. Como Jeremias se referiu ao coração da maioria dos judeus nos seus dias?
8, 9. Com respeito ao coração, o que a maioria dos judeus precisavam fazer?
10. Como no caso de Davi, o que devemos desejar fazer?
11, 12. (a) Por que cada um de nós deve examinar seu coração? (b) O que
Deus não fará?
13, 14. Em que sentido o coração de um cristão pode prejudicá-lo?
15, 16. (a) Dê um exemplo de como um cristão pode ser ‘incircunciso no
coração’. (b) Por que você acha que um ‘coração incircunciso’ desagradaria a
Jeová?
17. Como o temor a Jeová pode nos ajudar a ter um coração mais receptivo?
18. Que promessa Jeová fez aos que estão no novo pacto?
19. Os cristãos verdadeiros têm que perspectiva maravilhosa?
[Foto na página 8]
[Foto na página 10]
[Foto na página 11]
Examinar o coração e corrigir desejos errados resultará em bênçãos
[Foto na página 12]
101
^ ***sn cântico 34 Vivamos à altura do nosso nome***
Cântico 34
Vivamos à altura do nosso nome
(Isaías 43:10-12)
1. Onipotente, glorioso, eterno,
Justo, perfeito, Jeová, és amor.
Fonte de luz e de sabedoria
Tu mostras ser, Soberano Senhor.
Alegremente servimos a ti, Pai;
Tuas verdades queremos pregar.
(REFRÃO)
Vamos viver à altura do nome
Que tu nos deste, ó Deus Jeová.
2. Juntos, prestamos serviço sagrado;
Isso nos une em amor e em paz.
Nós refletimos, Jeová, tua glória;
E essa obra, felizes nos faz.
Ser Testemunhas é um privilégio;
Temos prazer em teu nome honrar.
(REFRÃO)
Vamos viver à altura do nome
Que tu nos deste, ó Deus Jeová.
(Veja também Deut. 32:4; Sal. 43:3; Dan. 2:20, 21.)
102
^ ***sn cântico 61 Que tipo de pessoa eu devo ser***
Cântico 61
Que tipo de pessoa eu devo ser
(2 Pedro 3:11)
1. Como poderei, Pai, te retribuir?
A vida que tenho, agradeço a ti.
Espelho pra mim é a tua Palavra;
Oh, deixa-me ver se o que sou te agrada.
Jeová, minha vida a ti dediquei;
O que me pedires, com prazer eu farei.
De toda a alma, eu quero servir;
Desejo, ó Deus, fazer-te feliz.
2. Mostra-me, Jeová Deus, o que eu devo ser;
A tua vontade, eu desejo saber.
Leal quero ser, ter valor aos teus olhos,
Estar entre os que são a ti preciosos.
(Veja também Sal. 18:25; 116:12; 119:37; Pro. 11:20.)
103
^ parágrafo 10 2 Sam. 12:1-14 Então Jeová enviou Natã a Davi. Natã foi até
ele e disse: “Havia dois homens que moravam na mesma cidade; um era rico e
o outro era pobre. 2 O homem rico tinha uma grande quantidade de ovelhas e
bois, 3 mas o homem pobre tinha apenas uma cordeirinha que havia comprado.
Ele cuidava dela, e ela cresceu junto com ele e seus filhos. Ela comia do pouco
alimento que ele tinha, bebia do seu copo e dormia nos seus braços. Ela se
tornou como uma filha para ele. 4 Certo dia, chegou um visitante ao homem
rico, mas este não quis pegar nenhuma das suas ovelhas ou bois para
preparar uma refeição para o viajante que tinha vindo até ele. Em vez disso,
pegou a cordeira do homem pobre e a preparou para o visitante.” 5 Nisto Davi
ficou furioso com o homem e disse a Natã: “Tão certo como Jeová vive, o
homem que fez isso merece morrer! 6 E ele deve pagar quatro vezes o valor
da cordeira, porque fez isso e não teve compaixão.” 7 Então Natã disse a Davi:
“O senhor é o homem! Assim diz Jeová, o Deus de Israel: ‘Eu mesmo o ungi rei
sobre Israel e o livrei das mãos de Saul. 8 Eu estava disposto a dar a você a
casa do seu senhor e a pôr as esposas dele nos seus braços, e dei a você a
casa de Israel e de Judá. E, como se isso não bastasse, eu estava disposto a
fazer muito mais por você. 9 Por que você desprezou a palavra de Jeová,
fazendo o que é mau aos seus olhos? Você matou Urias, o hitita, com a
espada! E, depois de tê-lo matado com a espada dos amonitas, você se casou
com a esposa dele. 10 Portanto, a espada nunca se afastará da sua casa,
porque você me desprezou, tomando a esposa de Urias, o hitita, como sua
esposa.’ 11 Assim diz Jeová: ‘Trarei sobre você uma calamidade vinda da sua
própria casa. Tomarei as suas esposas diante dos seus olhos e as darei a
outro homem,* e ele se deitará com elas em plena luz do dia.* 12 Você agiu às
escondidas, mas eu farei isso diante de todo o Israel e em plena luz do dia.’”*
13 Davi disse então a Natã: “Pequei contra Jeová.” Natã disse a Davi em
resposta: “Jeová perdoa o seu pecado;* o senhor não morrerá. 14 Mas, visto
que o senhor mostrou tanto desrespeito por Jeová nesse assunto, seu filho que
acabou de nascer certamente morrerá.”
104
Ou: “ao seu próximo”.
Lit.: “aos olhos deste sol”.
Lit.: “e diante do sol”.
Ou: “deixa passar o seu pecado”.
^ ***sn cântico 41 Adorem a Jeová durante a juventude***
Cântico 41
Adorem a Jeová durante a juventude
(Eclesiastes 12:1)
1. Jovens, vocês têm um grande valor
Para Jeová, o seu bom Criador.
Pais e amigos vão sempre os amar;
São instrumentos do amor de Jeová.
2. Honrem seus pais, que lhes mostram amor,
E não lhes causem tristeza ou dor.
Se a Jeová derem seu coração,
Na juventude alegria terão.
3. Lembrem-se, jovens, do seu Criador;
Pela verdade cultivem amor.
Por demonstrarem total devoção,
A Jeová sempre alegrarão.
(Veja também Sal. 71:17; Lam. 3:27; Efé. 6:1-3.)
^ ***sn cântico 69 Faz-me saber os teus caminhos***
Cântico 69
105
Faz-me saber os teus caminhos
(Salmo 25:4)
1. Jeová, um convite fizeste a nós:
Estamos aqui reunidos.
É luz para nós a tua Palavra,
A fonte do ensino divino.
(REFRÃO)
Os teus caminhos, faz-me entender.
As tuas ordens quero obedecer.
Sábios conselhos teus eu ouvirei.
É meu prazer andar na tua lei.
2. É inalcançável teu grande saber;
Os teus julgamentos não falham.
São maravilhosos teus pensamentos;
Eternas, as tuas palavras.
(REFRÃO)
Os teus caminhos, faz-me entender.
As tuas ordens quero obedecer.
Sábios conselhos teus eu ouvirei.
É meu prazer andar na tua lei.
(Veja também Êxo. 33:13; Sal. 1:2; 119:27, 35, 73, 105.)
^ ***w13 15/12 pp. 17-21 ‘Este dia servirá de recordação’***
‘Este dia servirá de recordação’
106
“Este dia terá de servir-vos de recordação e tereis de celebrá-lo como
festividade a Jeová.” — ÊXO. 12:14.
SABE EXPLICAR?
O que os israelitas no Egito deviam fazer na preparação e na celebração da
primeira Páscoa?
Quando Jesus e os apóstolos realizaram a última refeição pascoal, e o que
aconteceu mais tarde naquele dia?
Que lições importantes podemos aprender do relato da primeira Páscoa e do
Êxodo?
QUANDO você pensa numa data comemorativa, qual é a primeira que vem à
sua mente? Alguém casado talvez diga: “Meu aniversário de casamento.”
Outros talvez pensem na data que marca algum acontecimento histórico, como
a independência de seu país. Mas você já ouviu falar de uma data que é
comemorada há mais de 3.500 anos?
2 Trata-se da Páscoa judaica, que marca a libertação do antigo povo de Israel
da escravidão no Egito. Essa ocasião deve ser importante para você. Por quê?
Porque ela está relacionada a alguns aspectos muito importantes de sua vida.
Mas você talvez pense: ‘Se a Páscoa é uma celebração judaica e eu não sou
judeu, por que deveria estar interessado nela?’ A resposta pode ser
encontrada nesta profunda declaração: “Cristo, a nossa páscoa, [foi]
sacrificado.” (1 Cor. 5:7) Para entendermos a importância dessa verdade,
precisamos conhecer a Páscoa judaica e analisar a relação que ela tem com
uma ordem dada a todos os cristãos.
A PÁSCOA — POR QUÊ?
3 Em todo o mundo, centenas de milhões de pessoas que não são judeus
sabem alguma coisa sobre os acontecimentos por trás da primeira Páscoa.
Elas talvez tenham lido sobre isso no livro bíblico de Êxodo. Pode ser também
que tenham ouvido alguém contar essa história ou assistido a um filme sobre
esse acontecimento.
107
4 Quando os israelitas já eram escravos no Egito por muitos anos, Jeová
enviou Moisés e seu irmão, Arão, a Faraó para pedir que ele libertasse Seu
povo. Visto que aquele governante soberbo não permitiu a saída dos israelitas,
Jeová atacou o país com uma série de pragas devastadoras. A última delas
resultou na morte dos primogênitos do Egito, que levou Faraó a finalmente
libertar o povo de Israel. — Êxo. 1:11; 3:9, 10; 5:1, 2; 11:1, 5.
5 Mas o que os israelitas deviam fazer antes de ser libertados? Era o
ano 1513 AEC, por volta do equinócio da primavera, no mês judaico de abibe,
mais tarde chamado nisã. Deus disse que, no décimo dia daquele mês, os
israelitas deviam começar a se preparar para seguir algumas instruções que
deveriam ser cumpridas em 14 de nisã. Esse dia começou com o pôr do sol,
porque, para os hebreus, o dia começava e terminava com o pôr do sol. Em 14
de nisã, todas as famílias deviam abater um cordeiro ou um cabrito e usar o
sangue dele para marcar as ‘ombreiras e a parte superior do portal’ de suas
casas. (Êxo. 12:3-7, 22, 23) Deviam também fazer uma refeição em que
comeriam o cordeiro assado, além de pães não fermentados e algumas ervas.
O anjo de Deus passaria pelo país e mataria os primogênitos do Egito, mas os
israelitas obedientes seriam protegidos e daí libertados. — Êxo. 12:8-13, 29-
32.
6 Foi isso que aconteceu, e os israelitas deveriam se lembrar de sua libertação
nos anos à frente. Deus lhes disse: “Este dia terá de servir-vos de recordação
e tereis de celebrá-lo como festividade a Jeová nas vossas gerações. Deveis
celebrá-lo como estatuto por tempo indefinido.” A celebração no 14.° dia devia
ser seguida por uma festividade de sete dias. O 14 de nisã era o dia da
Páscoa propriamente dita, mas o nome Páscoa podia se aplicar a todos os
oito dias da festividade. (Êxo. 12:14-17; Luc. 22:1; João 18:28; 19:14) A
Páscoa era uma das festividades anuais a ser guardadas pelos hebreus.
— 2 Crô. 8:13.
7 Por serem judeus que estavam sujeitos à Lei mosaica, Jesus e seus
apóstolos participavam na Páscoa anual. (Mat. 26:17-19) Na última vez que
eles fizeram isso, Jesus instituiu uma nova celebração que seus seguidores
deveriam passar a realizar anualmente: a Refeição Noturna do Senhor. Mas em
108
que dia eles deveriam fazer isso?
A REFEIÇÃO NOTURNA DO SENHOR — EM QUE DIA?
8 Visto que Jesus instituiu a Refeição Noturna do Senhor logo depois da
Páscoa, essa nova celebração coincidiria com o dia da Páscoa. Mas, como
você talvez tenha percebido, a data da Páscoa judaica que aparece em alguns
calendários modernos pode ter um ou mais dias de diferença em relação à
data em que celebramos a morte de Cristo. Por que essa diferença? A
resposta, em parte, tem a ver com a ordem de Deus dada aos israelitas.
Depois de dizer que ‘toda a congregação da assembleia de Israel teria de
abater’ o cordeiro, Moisés especificou em que período do dia 14 de nisã isso
deveria ser feito. — Leia Êxodo 12:5, 6.
9 O livro The Pentateuch and Haftorahs (O Pentateuco e as Haftorás) destaca
que Êxodo 12:6 diz que o cordeiro devia ser abatido “entre as duas noitinhas”.
Algumas versões da Bíblia usam exatamente essa expressão. Outras, como a
versão judaica Tanakh, usam “crepúsculo”. Ainda outras traduzem esse termo
como “ao entardecer”, “ao cair da tarde” e “ao pôr do sol”. Assim, o cordeiro
devia ser abatido depois que o Sol tivesse se posto, mas enquanto ainda
houvesse luz, no início de 14 de nisã.
10 Em épocas posteriores, alguns judeus achavam que teria levado horas para
abater todos os cordeiros levados ao templo. Então, começaram a pensar que
Êxodo 12:6 se referia ao final de 14 de nisã — desde o momento em que o
Sol começava a baixar (após o meio-dia) até o fim do dia com o pôr do sol.
Mas, se esse fosse o caso, quando a refeição teria sido consumida? O
professor Jonathan Klawans, especialista em judaísmo antigo, observou: “Visto
que o novo dia começa com o pôr do sol, o sacrifício é feito em 14 de nisã,
mas o início da Páscoa e a refeição ocorrem na verdade no 15.° dia, embora
essa sequência de datas não seja especificada em Êxodo.” Ele também
escreveu: “Obras rabínicas . . . nem sequer alegam revelar como o Seder
[refeição pascoal] era realizado antes da destruição do Templo” em 70 EC.
— O grifo é nosso.
11 Assim, temos motivo para perguntar: que dizer da Páscoa de 33 EC? Bem,
109
em 13 de nisã, à medida que se aproximava o dia “em que se tinha de
sacrificar a vítima pascoal”, Cristo disse a Pedro e a João: “Ide e aprontai a
páscoa, para que comamos.” (Luc. 22:7, 8) “Por fim . . . chegou a hora” para a
refeição pascoal, após o pôr do sol de 14 de nisã, que naquele ano era uma
noitinha de quinta-feira. Jesus comeu aquela refeição com seus apóstolos e daí
instituiu a Refeição Noturna do Senhor. (Luc. 22:14, 15) Naquela noite, ele foi
preso e julgado. Depois, perto do meio-dia de 14 de nisã, ele foi pregado numa
estaca e, naquela mesma tarde, morreu. (João 19:14) Desse modo, “Cristo, a
nossa páscoa, [foi] sacrificado” no mesmo dia em que o cordeiro pascoal foi
abatido. (1 Cor. 5:7; 11:23; Mat. 26:2) Perto do fim daquele dia judaico, Jesus
foi sepultado — antes do início de 15 de nisã. — Lev. 23:5-7; Luc. 23:54.
UMA RECORDAÇÃO IMPORTANTE PARA VOCÊ
12 Voltemos à situação no Egito. Moisés disse que o povo de Deus deveria
guardar a Páscoa; ela se tornaria um regulamento “por tempo indefinido”.
Como parte dessa observância anual, seria natural que os filhos fizessem
perguntas a seus pais sobre o significado dessa ocasião. (Leia Êxodo 12:24-
27; Deut. 6:20-23) Assim, a Páscoa serviria de “recordação” mesmo para as
crianças. — Êxo. 12:14.
13 À medida que surgissem novas gerações, lições importantes seriam
ensinadas de pai para filho. Umas delas era que Jeová podia proteger seus
adoradores. Os filhos aprendiam que ele não era uma deidade irreal, abstrata.
Jeová é um Deus real, vivo, que se interessa e age em favor de seu povo. Ele
provou isso “quando feriu os egípcios”, mas protegeu os primogênitos
israelitas.
14 Hoje, os pais cristãos não explicam todo ano a seus filhos o significado
daquela Páscoa. Mas será que você ensina a seus filhos a mesma lição — que
Deus protege seu povo? Transmite a eles sua forte convicção de que Jeová
continua sendo um Protetor real para seu povo? (Sal. 27:11; Isa. 12:2) E você
faz isso por meio de conversas agradáveis com eles, em vez de dar uma
palestra técnica sobre o assunto? Esforce-se em usar essa lição para
promover o crescimento espiritual de sua família.
110
15 A capacidade de Jeová proteger seu povo não é a única coisa que podemos
aprender da Páscoa. Ele também os libertou, ‘fazendo-os sair do Egito’. Pense
no que isso envolvia. Eles foram guiados por uma coluna de nuvem e de fogo.
Depois, atravessaram pelo leito do mar Vermelho, caminhando por entre duas
enormes muralhas de água. Uma vez seguros do outro lado, viram as águas
desabarem sobre o exército egípcio. Daí, os israelitas libertos puderam
clamar: “Cante eu a Jeová . . . Lançou no mar o cavalo e seu cavaleiro. Minha
força e meu poder é Jah, visto que ele me é por salvação.” — Êxo. 13:14, 21,
22; 15:1, 2; Sal. 136:11-15.
16 Se você tem filhos, está ajudando-os a confiar em Jeová como Libertador?
Será que eles percebem que você tem essa confiança com base em suas
conversas e decisões? Sem dúvida, seria uma boa ideia usar uma sessão de
Adoração em Família para considerar os trechos que lemos em Êxodo
capítulos 12-15 e enfatizar como Jeová libertou seu povo. Em outras sessões,
você poderia destacar esse ponto numa consideração de Atos 7:30-36 ou
Daniel 3:16-18, 26-28. De fato, tanto jovens como idosos precisam confiar que
o papel de Jeová como Libertador não é simplesmente algo do passado.
Assim como ele libertou seu povo nos dias de Moisés, ele nos libertará no
futuro. — Leia 1 Tessalonicenses 1:9, 10.
PARA NÓS LEMBRARMOS
17 Os cristãos verdadeiros não comemoram a Páscoa judaica. Essa
celebração fazia parte da Lei mosaica, e nós não estamos debaixo dessa Lei.
(Rom. 10:4; Col. 2:13-16) Nós damos importância a outro acontecimento: a
morte do Filho de Deus. Mesmo assim, há aspectos daquela primeira Páscoa
instituída no Egito que têm significado para nós hoje.
18 O sangue do cordeiro aspergido nas ombreiras e na parte superior do portal
das casas foi um meio para salvar vidas. Atualmente, não oferecemos
sacrifícios de animais a Deus — nem na data da Páscoa, nem em qualquer
outra ocasião. Mas existe um sacrifício superior que pode resultar em salvação
eterna. O apóstolo Paulo escreveu sobre a “congregação dos primogênitos
que foram alistados nos céus”. O meio para preservar a vida desses cristãos
ungidos é “o sangue da aspersão” — o de Jesus. (Heb. 12:23, 24) Os cristãos
111
com esperança de viver para sempre na Terra dependem do mesmo sangue
para sua salvação. Eles devem regularmente se lembrar da seguinte garantia:
“Mediante ele temos o livramento por meio de resgate, por intermédio do
sangue desse, sim, o perdão de nossas falhas, segundo as riquezas de sua
benignidade imerecida.” — Efé. 1:7.
19 Os israelitas foram instruídos a não quebrar nenhum osso do cordeiro ao
abatê-lo para a refeição pascoal. (Êxo. 12:46; Núm. 9:11, 12) Que dizer do
“Cordeiro de Deus” que veio pagar o resgate? (João 1:29) Ele foi pregado
entre dois criminosos. Os judeus solicitaram que Pilatos mandasse quebrar os
ossos daqueles três homens. Isso apressaria sua morte para que eles não
fossem deixados nas estacas em 15 de nisã, que era um sábado duplo. Os
soldados quebraram as pernas dos dois criminosos, mas, “ao chegarem a
Jesus, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas”. (João 19:31-
34) Isso correspondeu ao que foi feito com o cordeiro pascoal, que nesse
sentido era “uma sombra” do que aconteceria em 14 de nisã de 33 EC. (Heb.
10:1) Assim, esses acontecimentos cumpriram as palavras do Salmo 34:20, o
que deve fortalecer nossa confiança nas profecias.
20 Mas existem diferenças entre a Páscoa e a Refeição Noturna do Senhor.
Essas diferenças mostram que a Páscoa que os judeus deviam celebrar não
prefigurava o que Cristo instruiu seus discípulos a fazer em memória de sua
morte. Lá no Egito, os israelitas comeram a carne do cordeiro, mas não seu
sangue. Isso é diferente da ordem que Jesus deu a seus discípulos. Ele disse
que aqueles que reinariam “no reino de Deus” deveriam comer do pão e beber
do vinho como símbolos de sua carne e de seu sangue. Analisaremos isso em
mais detalhes no próximo artigo. — Mar. 14:22-25.
21 Ainda assim, não há dúvida de que a Páscoa foi uma ocasião muito
marcante nos tratos de Deus com Israel e tem lições importantes para cada
um de nós. Então, embora o objetivo da Páscoa fosse ‘servir de recordação’
apenas para os judeus, nós, como cristãos, devemos conhecê-la e aprender as
valiosas lições que ela nos ensina como parte de ‘toda a Escritura inspirada
por Deus’. — 2 Tim. 3:16.
[Nota(s) de rodapé]
112
Usaremos o nome nisã para nos referir ao primeiro mês do calendário judaico,
embora esse nome tenha sido usado apenas depois do exílio judaico em
Babilônia.
Com o pôr do sol, começou o dia 15 de nisã. Isso significa que, naquele ano, o
costumeiro sábado semanal (sétimo dia da semana) coincidiu com o primeiro
dia da Festividade dos Pães Não Fermentados, que também era considerado
um sábado. Visto que esses dois sábados caíram no mesmo dia, ele foi
chamado de “grande” sábado. — Leia João 19:31, 42.
[Perguntas de Estudo]
1, 2. Que celebração deve ser de interesse especial para todos os cristãos, e
por quê?
3, 4. Qual é o fundo histórico da primeira Páscoa?
5. Que preparativos os israelitas deviam fazer antes de ser libertados? (Veja a
gravura no início do artigo.)
6. Como o povo de Deus deveria encarar a Páscoa nos anos à frente?
7. O que Jesus instituiu na última Páscoa que celebrou com seus apóstolos?
8. Que pergunta surge em relação à data da Páscoa judaica e a da Refeição
Noturna do Senhor?
9. De acordo com Êxodo 12:6, quando o cordeiro pascoal devia ser abatido?
(Veja também o quadro “Em que parte do dia?”.)
10. De acordo com alguns, quando o cordeiro era abatido, mas que pergunta
surge?
11. (a) O que aconteceu com Jesus no dia da Páscoa de 33 EC? (b) Por que
15 de nisã de 33 EC foi chamado de “grande” sábado? (Veja a nota.)
12, 13. Como os filhos judeus estavam envolvidos na celebração da Páscoa?
14. Os pais cristãos podem usar o relato da Páscoa para ajudar os filhos a
entender que lição?
113
15, 16. O relato da Páscoa e do Êxodo pode ser usado para destacar o que
sobre Jeová?
17, 18. O sangue usado na primeira Páscoa deve nos fazer lembrar do quê?
19. Por que o modo como Jesus morreu fortalece nossa confiança nas
profecias?
20. Que diferença notável existe entre a Páscoa e a Refeição Noturna do
Senhor?
21. Por que é proveitoso conhecer a Páscoa?
[Foto na página 17]
[Quadro na página 19]
EM QUE PARTE DO DIA?
O comentarista judaico Marcus Kalisch (1828-1885) escreveu: “A mesma
opinião foi expressa mais distintamente por Ebn Ezra [rabino espanhol
renomado, 1092-1167]: ‘Existem duas noitinhas; a primeira, o pôr do sol . . . e
a segunda, o momento em que a luz [do Sol] deixa de ser refletida nas nuvens;
e, entre esses dois períodos, existe um intervalo de cerca de uma hora e
vinte minutos’; e essa explicação, que parece ser a interpretação mais lógica,
também é a adotada pelos caraítas, samaritanos e muitos outros.” O conceito
de que o cordeiro era abatido no início de 14 de nisã está de acordo com a
ordem que os israelitas receberam em Deuteronômio 16:6, ou seja, de que “a
páscoa” devia ser sacrificada ‘à noitinha, assim que se punha o sol, no tempo
designado da saída deles do Egito’. — Êxo. 30:8; Núm. 9:3-5, 11.
[Foto na página 20]
Ao considerar a Páscoa com seus filhos, que lições você ensinará a eles?
(Veja o parágrafo 14.)
114
^ ***sn cântico 88 Os filhos são uma herança de Deus***
Cântico 88
Os filhos são uma herança de Deus
(Salmo 127:3-5)
1. A mulher, ao ter um filho,
E o homem que agora é pai,
Recordarão que os seus filhos
Não são somente seus, jamais.
Pois são herança de Jeová Deus,
Que dá a todos vida, com amor;
E ele ensina a criá-los
Em Seu caminho superior.
(REFRÃO)
Em suas mãos, há uma vida
Tão preciosa pra cuidar.
E o melhor que podem dar-lhe
É o ensino de Jeová.
2. As palavras de Jeová Deus,
Vocês devem ter em seu coração
E ensiná-las aos seus filhos;
É esta sua comissão:
Falar ao longo da estrada,
Ao acordar e antes de dormir.
115
Que eles guardem seu ensino;
Escolham só a Jeová servir.
(REFRÃO)
Em suas mãos, há uma vida
Tão preciosa pra cuidar.
E o melhor que podem dar-lhe
É o ensino de Jeová.
(Veja também Deut. 6:6, 7; Efé. 6:4; 1 Tim. 4:16.)
^ ***sn cântico 115 Seja bem-sucedido em seu caminho***
Cântico 115
Seja bem-sucedido em seu caminho
(Josué 1:8)
1. Preciosa a Bíblia é,
Vem do Deus Jeová.
Noite e dia a devemos ler
E também meditar.
A Palavra de Deus é luz,
Nossos pés guiará.
(REFRÃO)
Obedeça às leis de Deus,
Ande com Jeová.
Sua vida será feliz,
Ricas bênçãos terá.
116
2. Mandamento, em Israel,
Receberam os reis:
Para si, tinham de escrever
Uma cópia da Lei.
Todo dia a deviam ler,
Para o erro evitar.
(REFRÃO)
Obedeça às leis de Deus,
Ande com Jeová.
Sua vida será feliz,
Ricas bênçãos terá.
3. Cada dia, a Bíblia ler,
Esperança nos dá;
Tranquiliza o coração,
Faz a fé aumentar.
Quem a ela se apegar
Sábio sempre será.
(REFRÃO)
Obedeça às leis de Deus,
Ande com Jeová.
Sua vida será feliz,
Ricas bênçãos terá.
(Veja também Deut. 17:18; 1 Reis 2:3, 4; Sal. 119:1; Jer. 7:23.)
117
^ ***lf pp. 10-12 Existem formas de vida realmente simples?*** >>
celular possui moléculas proteicas especiais que agem como os portões e os
seguranças da fábrica.
Algumas dessas proteínas (1) possuem um orifício que permite a entrada e
saída de tipos específicos de moléculas. Outras são abertas em um lado da
membrana (2) e fechadas na outra extremidade. Elas têm uma abertura
(3) projetada para uma substância específica. Quando essa substância chega,
a outra extremidade da proteína se abre e permite a passagem da substância
através da membrana (4). Toda essa atividade acontece na superfície até das
células mais simples.
DENTRO DA FÁBRICA
Suponha que você tenha recebido permissão para passar pelos “seguranças” e
agora está dentro da célula. O interior de uma célula procariótica está cheio de
um líquido rico em nutrientes, sais e outras substâncias. A célula utiliza esses
ingredientes básicos para fabricar os produtos de que necessita. Mas esse
processo não acontece de qualquer jeito. Assim como uma fábrica eficiente, a
célula programa milhares de reações químicas, que ocorrem numa ordem
específica e no momento certo.
Uma célula passa grande parte de seu tempo fabricando proteínas. Como?
Primeiro, a célula fabrica cerca de 20 componentes básicos chamados
aminoácidos. Esses componentes são entregues aos ribossomos (5), que
podem ser comparados a máquinas automatizadas que unem os aminoácidos
em uma sequência precisa a fim de formar uma proteína específica. As
operações de uma fábrica talvez sejam controladas por um computador
central. Do mesmo modo, muitas das funções de uma célula são controladas
por um “programa de computador”, ou código, conhecido como DNA (6). O
ribossomo recebe do DNA uma cópia das instruções detalhadas sobre a
fabricação de uma proteína específica (7).
O que acontece à medida que a proteína é fabricada é impressionante! Cada
proteína é dobrada num formato tridimensional específico (8). É esse formato
que determina a função de cada proteína. Imagine a linha de produção de
118
peças de um motor. Cada peça tem de ser fabricada com precisão para que o
motor funcione. De modo similar, se uma proteína não for fabricada com
precisão e dobrada no formato correto, ela não será capaz de cumprir sua
função e pode até danificar a célula.
Como a proteína sabe para onde deve ir? Cada proteína contém uma “etiqueta
de endereço” que garante sua entrega no local onde ela é necessária. Embora
milhares de proteínas sejam fabricados e entregues a cada minuto, todas as
proteínas chegam ao destino correto.
Por que esses fatos são relevantes? As moléculas complexas nas mais
simples formas de vida não são capazes de se reproduzir sozinhas. Fora da
célula, elas se desintegram. Dentro da célula, elas não podem se reproduzir
sem a ajuda de outras moléculas complexas. Por exemplo, as enzimas são
necessárias para produzir o trifosfato de adenosina (ATP), uma molécula
especial que armazena energia. Mas a energia do ATP é necessária para
produzir enzimas. De modo similar, o DNA, que analisaremos na seção 3, é
necessário para fabricar enzimas. Mas as enzimas são necessárias para
fabricar o DNA. Além disso, outras proteínas só podem ser feitas pela célula,
mas a célula só pode ser feita com proteínas.
O microbiologista Radu Popa não concorda com o relato bíblico da criação.
Ainda assim, em 2004, ele perguntou: “Como a natureza pode criar vida se nós
falhamos em todos os experimentos realizados sob condições controladas?”13
Ele também disse: “A complexidade dos mecanismos exigidos para o
funcionamento de uma célula viva é tão grande que parece impossível que eles
tenham surgido simultaneamente e por acaso.”14
O que você acha? A teoria da evolução tenta explicar que a vida na Terra
surgiu sem a necessidade de intervenção divina. No entanto, quanto mais os
cientistas estudam a vida, mais fica evidente que ela não poderia ter surgido
por acaso. Para evitar esse dilema, alguns cientistas evolucionistas tratam a
teoria da evolução e a questão da origem da vida como duas coisas distintas.
Isso parece razoável para você?
A teoria da evolução se baseia na ideia de que uma longa série de felizes
119
coincidências produziu a vida. Daí propõe que outra série de incidentes
aleatórios produziu a espantosa diversidade e complexidade de seres vivos.
Mas, se a teoria não tiver um alicerce firme, o que acontecerá com as outras
teorias que se baseiam nela? Um arranha-céu construído sem um firme
alicerce não consegue se manter de pé. O mesmo acontece com uma teoria
sobre a evolução incapaz de explicar a origem da vida.
Depois de analisar brevemente a estrutura e o funcionamento de uma célula
“simples”, a que conclusão você chegou? A vida surgiu por acaso ou é
resultado de um projeto inteligente? Se ainda tem dúvidas, o que acha de
examinar o “programa central” que controla o funcionamento de todas as
células?
^ ***lf pp. 13-20 De onde vieram as instruções?*** <<
Pergunta 3
De onde vieram as instruções?
O que determina sua aparência? E a cor de seus olhos, de seu cabelo e de
sua pele? E que dizer de sua altura, constituição física ou semelhança com
seus pais? O que diz às pontas de seus dedos que elas devem ser macias de
um lado e ter unhas rígidas e protetoras do outro?
Nos dias de Charles Darwin, as respostas a perguntas como essas estavam
rodeadas de mistério. O próprio Darwin ficava fascinado pelo modo como as
características físicas são transmitidas de uma geração a outra, apesar de
saber pouco a respeito das leis da genética e menos ainda sobre os
mecanismos celulares que controlam a hereditariedade. No entanto, há
décadas os biólogos vêm estudando a genética humana e as instruções
detalhadas contidas na impressionante molécula de DNA (ácido
desoxirribonucleico). Mas a questão é: De onde vieram essas instruções?
O que muitos cientistas afirmam? Muitos biólogos e outros cientistas acham
que o DNA e suas instruções codificadas surgiram de eventos aleatórios que
ocorreram ao longo de milhões de anos. Afirmam que não há evidência de
projeto na estrutura dessa molécula, nas informações que ela carrega e
transmite ou no modo como funciona.17
120
O que a Bíblia diz? A Bíblia indica que a formação das diferentes partes do
corpo, bem como o momento de sua formação, estão como que registradas
em um “livro” de Deus. Veja como o Rei Davi foi inspirado a falar sobre isso,
dizendo a respeito de Deus: “Teus olhos viram até mesmo meu embrião, e
todas as suas partes estavam assentadas por escrito no teu livro, referente
aos dias em que foram formadas, e ainda não havia nem sequer uma entre
elas.” — Salmo 139:16.
O que as evidências indicam? Se a evolução for verdade, o DNA deve pelo
menos conter evidências de que surgiu por acaso. Por outro lado, se a Bíblia
estiver certa, então o DNA deve ter provas concretas de que foi criado por
alguém organizado e inteligente.
Quando se fala do DNA em termos simples, o assunto fica fácil de entender,
além de ser fascinante. Então, façamos outra viagem pelo interior de uma
célula. Dessa vez, porém, visitaremos uma célula humana. Imagine que está
indo a um museu projetado para ensinar sobre o funcionamento desse tipo de
célula. Todo o museu é uma réplica de uma célula humana, porém 13 milhões
de vezes maior. Ele é do tamanho de um enorme estádio com capacidade para
70 mil pessoas.
Você entra no museu e fica maravilhado: esse lugar impressionante é cheio de
formas e estruturas estranhas. Próximo ao centro da célula está o núcleo, uma
esfera da altura de um prédio de 20 andares. Você vai até lá.
Você passa por uma porta na membrana do núcleo e olha ao seu redor. Ali, se
depara com 46 cromossomos, organizados em pares idênticos. Eles variam
em altura; o par mais próximo de você tem a altura de um prédio de
12 andares (1). Cada cromossomo parece ter um estreitamento em seu meio,
dando-lhe a aparência de duas linguiças unidas por uma das extremidades. Ao
mesmo tempo, eles são tão grossos quanto um tronco de árvore. Você vê o
que parecem ser cordas em toda a extensão dos cromossomos. Ao se
aproximar, nota que cada corda horizontal é dividida por linhas verticais. Entre
essas linhas há outras linhas horizontais menores (2). Será que são pilhas de
livros? Não; são alças colocadas uma em cima da outra formando colunas.
Você puxa uma dessas alças e ela se desprende com facilidade. Você fica
121
impressionado ao ver que ela é composta de pequenas espirais (3) muito bem
organizadas. Entre essas espirais está a principal peça de toda a estrutura,
algo parecido a uma fita muito comprida. De que se trata?
A ESTRUTURA DE UMA INCRÍVEL MOLÉCULA
Vamos simplesmente chamar essa parte do cromossomo de fita. Ela tem
quase 3 centímetros de espessura. Essa fita está bem enrolada em
carretéis (4), formando espirais dentro de espirais. Essas espirais estão
presas a um tipo de armação que as mantém no lugar. Uma placa no museu
diz que a fita está muito bem acondicionada. Nessa escala, se você esticasse
a fita de cada cromossomo, ela daria quase meia volta na Terra!
Um livro de ciências diz que esse eficiente sistema de acondicionamento é
“uma extraordinária façanha de engenharia”.18 A ideia de que não houve
nenhum engenheiro por trás dessa façanha lhe parece razoável? Se esse
museu possuísse uma enorme loja com milhões de itens à venda, dispostos de
tal forma que qualquer item pudesse ser facilmente localizado, concluiria que
ninguém organizou o lugar? É claro que não. E, comparado ao que a célula faz,
organizar essa loja seria algo muito simples.
Outra placa o convida a pegar um trecho da fita e examiná-lo mais de
perto (5). Ao passar a fita entre os dedos, você nota que não se trata de uma
fita comum. Ela é composta de dois filamentos entrelaçados e ligados por
minúsculas barras que têm o mesmo espaço entre si. A fita lembra uma
escada torcida, parecida a uma escada caracol (6). Então você se dá conta de
que está segurando um modelo da molécula de DNA, um dos grandes
mistérios da vida!
Uma única molécula de DNA bem acondicionada, com seus carretéis e
armações, forma um cromossomo. Os degraus da escada são conhecidos
como pares de bases (7). O que eles fazem? Para que serve tudo isso? Outra
placa dá uma explicação simples.
O MAIS AVANÇADO SISTEMA DE ARMAZENAMENTO DE DADOS
O segredo do DNA, diz a placa, está em seus degraus, as barras que
122
conectam as duas laterais da escada. Pense nessa escada dividida
verticalmente ao meio. Cada lado possui metades de degraus. Existem apenas
quatro tipos dessas metades. Os cientistas as denominaram A, T, G e C. Eles
ficaram maravilhados ao descobrir que a ordem dessas letras transmite
informações em uma espécie de código.
Você talvez saiba que o código Morse foi inventado no século 19 para que as
pessoas pudessem se comunicar por meio do telégrafo. Esse código tinha
apenas duas “letras”: um ponto e um traço. Ainda assim, podia ser usado para
formar inúmeras palavras ou frases. O DNA, por sua vez, possui um código de
quatro letras. A ordem em que as letras A, T, G e C aparecem forma
“palavras”, que chamamos de códons. Os códons são organizados em
“histórias” chamadas genes. Cada gene contém em média 27 mil letras. Esses
genes e os longos espaços entre eles são organizados em “capítulos”, os
cromossomos. São necessários 23 cromossomos para formar o “livro”
completo, ou seja, o genoma — toda a informação genética de um organismo.
O genoma pode ser comparado a um enorme livro. Quanta informação esse
“livro” pode armazenar? Ao todo, o genoma humano é formado por cerca de
3 bilhões de pares de bases, ou degraus, na escada de DNA.19 Imagine uma
enciclopédia em que cada volume tem mais de mil páginas. O genoma
preencheria as páginas de 428 desses volumes. Visto que cada célula possui
duas cópias do genoma, seriam necessários 856 volumes da enciclopédia. Se
você fosse digitar todo o genoma sozinho, teria de trabalhar por período
integral durante 80 anos, sem tirar férias!
É claro que no final das contas todo esse trabalho de digitação seria inútil para
seu corpo. Como você faria caber centenas de livros tão grandes em cada
uma de seus 100 trilhões de microscópicas células? Comprimir assim tanta
informação é algo que está além da nossa capacidade.
Um professor de biologia molecular e ciência da computação disse: “Um grama
de DNA, que se fosse desidratado ocuparia um espaço de aproximadamente
um centímetro cúbico, pode armazenar tanta informação quanto cerca de
1 trilhão de CDs.”20 O que isso significa? Lembre-se de que o DNA contém os
genes, ou seja, as instruções para a formação de um corpo humano. Cada
123
célula possui um conjunto completo de instruções. O DNA armazena tanta
informação que uma única colher de chá de DNA conteria instruções para
formar cerca de 350 vezes o número de seres humanos vivos hoje! O DNA dos
7 bilhões de pessoas vivas atualmente na Terra mal formaria uma fina película
na superfície dessa colher de chá.21
UM LIVRO SEM AUTOR?
Apesar dos avanços na fabricação de aparelhos cada vez menores, nenhum
aparelho de armazenamento de dados feito pelo homem sequer chega perto
da capacidade do DNA. De qualquer modo, podemos compará-lo a um CD.
Pense: um CD talvez nos impressione com seu formato simétrico, sua
superfície brilhante e seu design eficiente. É evidente que pessoas inteligentes
o projetaram. Se gravássemos instruções úteis, coerentes e detalhadas no CD
para a fabricação, a manutenção e o conserto de uma máquina complexa, isso
não alteraria perceptivelmente o peso ou o tamanho do disco. Ainda assim, as
instruções seriam a parte mais importante dele. Você não ficaria convencido de
que houve uma mente inteligente por trás delas? Não seria necessário que
alguém criasse essas instruções?
Não é um absurdo comparar o DNA a um CD ou a um livro. Na verdade, um
livro sobre o genoma diz: “Comparar o genoma a um livro não é
necessariamente uma metáfora. É a mais pura realidade. Um livro contém
informações codificadas . . . O genoma também.” O autor acrescenta: “O
genoma é um livro inteligente, porque sob condições ideais ele pode copiar e
ler a si mesmo.”22 Isso nos faz pensar sobre outro aspecto importante do
DNA.
MÁQUINAS EM FUNCIONAMENTO
Enquanto está nesse ambiente silencioso, você se pergunta se o núcleo é
realmente tão estático como um museu. Daí, você vê outro objeto. Acima de
um mostruário de vidro contendo um modelo de DNA há uma placa que diz:
“Aperte o botão para ver a demonstração.” Você aperta o botão, e uma voz
diz: “O DNA realiza pelo menos dois trabalhos muito importantes. O primeiro é
chamado replicação. O DNA tem de ser copiado para que cada nova célula
124
tenha as mesmas informações genéticas. Veja a simulação a seguir.”
Uma máquina complexa passa por uma das aberturas do mostruário. Trata-se
na verdade de vários robôs conectados um ao outro. A máquina se prende ao
DNA e começa a se movimentar ao longo dele como um trem sobre trilhos. Ela
se movimenta rápido demais para que você veja exatamente o que ela está
fazendo, mas você observa que atrás dela saem duas moléculas completas de
DNA em vez de uma.
A voz explica: “Você está vendo uma versão bem simplificada do que acontece
durante a replicação do DNA. Um grupo de estruturas moleculares chamadas
enzimas percorre a extensão do DNA dividindo-o em dois, e depois usa cada
filamento como base para fabricar um novo filamento complementar. Não
podemos mostrar todas as partes envolvidas na replicação do DNA como, por
exemplo, o minúsculo mecanismo que vai à frente da máquina de replicação e
divide o DNA de tal modo que ambos os lados possam ser espiralados
livremente, mas não a ponto de ficarem muito enrolados. Também não
podemos mostrar como o DNA é ‘revisado’ várias vezes. Erros são detectados
e corrigidos com impressionante exatidão.” — Veja o diagrama nas páginas 16
e 17.
A voz continua: “O que podemos mostrar claramente é a velocidade em que
tudo ocorre. Você viu o robô se movimentar em alta velocidade, certo? Na
verdade, a máquina de enzimas se movimenta ao longo dos ‘trilhos’ do DNA à
velocidade de cerca de 100 degraus, ou pares de bases, por segundo.23 Se
esses ‘trilhos’ fossem do tamanho dos trilhos de uma ferrovia, essa ‘máquina’
se locomoveria a cerca de 80 quilômetros por hora. Nas bactérias, essas
pequenas máquinas de replicação podem se mover dez vezes mais rápido do
que isso! Na célula humana, um exército de centenas dessas máquinas de
replicação trabalha em diferentes pontos do ‘trilho’ de DNA. Elas copiam todo o
genoma em apenas oito horas.”24 — Veja o quadro “Uma molécula que pode
ser lida e copiada”, na página 20.
“LEITURA” DO DNA
Os robôs replicadores do DNA saem de cena e, então, surge outra máquina.
125
Ela também se move ao longo de um trecho do DNA, só que mais devagar.
Você vê a fita do DNA entrando por uma extremidade dessa máquina e saindo
pela outra, sem nenhuma alteração. Mas um filamento totalmente novo sai por
outra abertura da máquina, como se fosse uma cauda. O que está
acontecendo?
A voz passa a explicar: “O segundo trabalho do DNA é chamado transcrição.
O DNA nunca sai de seu abrigo seguro, o núcleo. Então como é que os genes,
as receitas para a fabricação de todas as proteínas que compõem seu corpo,
são lidos e usados? Bem, essa máquina de enzimas encontra um ponto no
DNA onde um gene foi ativado por sinais químicos vindos de fora do núcleo da
célula. Daí, essa máquina usa uma molécula chamada RNA (ácido ribonucleico)
para fazer uma cópia desse gene. O RNA se parece muito com um único
filamento do DNA, mas não é exatamente igual. Seu trabalho é apanhar
informações codificadas nos genes. O RNA adquire essa informação enquanto
está dentro da máquina de enzimas, depois sai do núcleo e vai em direção a
um dos ribossomos, onde a informação será usada para formar uma proteína.”
Enquanto assiste à demonstração, você fica impressionado com esse museu e
com a engenhosidade daqueles que projetaram e construíram essas máquinas.
Mas e se todos os objetos do museu passassem a se movimentar,
demonstrando os milhares de tarefas executadas ao mesmo tempo em uma
célula humana? Que espetáculo de tirar o fôlego isso seria!
Então você se dá conta de que todo esse trabalho executado por máquinas
minúsculas e complexas está sendo realizado neste exato momento em seus
100 trilhões de células! Seu DNA é lido, fornecendo instruções para a
fabricação das centenas de milhares de diferentes proteínas que constituem
seu corpo, com suas enzimas, tecidos, órgãos e assim por diante. Neste
instante seu DNA está sendo copiado e revisado para que um novo conjunto de
instruções fique pronto para ser lido em cada célula nova.
POR QUE ESSES FATOS SÃO RELEVANTES?
Voltemos à pergunta inicial: ‘De onde vieram essas instruções?’ A Bíblia indica
que esse “livro” e seu conteúdo se originam de um Autor sobre-humano. Será
126
que essa conclusão está desatualizada ou não é científica?
Pense no seguinte: Será que os humanos conseguiriam construir um museu
como o que acabamos de descrever? Se tentassem, certamente encontrariam
muitas dificuldades. Até hoje, pouco se sabe sobre o genoma humano e seu
funcionamento. Os cientistas ainda estão tentando descobrir onde estão todos
os genes e quais são suas funções, embora os genes constituam apenas uma
pequena parte do DNA. Que dizer dos longos trechos que não contêm genes?
Os cientistas costumavam chamar esses trechos de “DNA inútil”, mas
recentemente
127
Índice 2
4
Fácil de Ler 6
Artigos Nesta Revista 21
“Não deixe que as suas mãos se abaixem” 35
Continue lutando para receber as bênçãos de Jeová 49
Sua roupa mostra que você serve a Deus? 64
Jovens, fortaleçam sua fé 76
Pais, ajudem seus filhos a desenvolver fé 81
Perguntas dos Leitores
Navegação de páginas
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